31 Janeiro 2008

Grécia detém suspeito de vender segredos da Dassault


A polícia grega anunciou na sexta-feira que deteve um homem suspeito de vender segredos do Grupo francês Dassault incluindo informações sobre sistemas de armas.

"O homem com formação em matemática, 58 anos, era procurado desde 2002 após a Dassault ter contatado as autoridades gregas," um oficial da polícia, falando na condição de anonimato, informou à Reuters.

"Ele é responsável por causar perdas de mais de U$361 milhões de dólares à companhia com a venda de dados corporativos, incluindo informações referentes a sistemas de armas, para cerca de 250 clientes através da Internet," disse a autoridade.

A Polícia suspeita que o homem vendeu as informações a clientes na: Alemanha, Itália, França, África do Sul, Brasil, e também países da Ásia e Balcãns.

"O homem penetrou os sistemas de computadores da Dassault e roubou as informações," informou o policial.

Autoridades policiais, acompanhadas de especialistas em computadores, deram uma batida no apartamento do suspeito, localizado no centro de Atenas, que estava sendo alugado com um nome falso, e confirmaram que ele é muito competente em não deixar rastros nas suas incursões pela internet.

"Ele é um dos melhores hackers do mundo, com o código ASTRA, mas estamos também procurando um cúmplice no Reino Unido que o ajudou a localizar possíveis clientes on-line para a compra das informações," disse o policial.

O Grupo Dassault e suas subsidiárias são um grande player na aviação civil e militar. A Polícia informou que o homem seria encaminhado aos procuradores para uma formalização da acusação.

Brasil e França farão acordo estratégico

Em Paris, Jobim se reúne com Sarkozy e com o ministro da Defesa francês

Deborah Berlinck – o globo

PARIS. O que poderá ser a mais importante aliança estratégica militar da França na América do Sul vai ser lançada no dia 12, num encontro do presidente francês Nicolas Sarkozy com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Guiana Francesa.

Apostando no Brasil como uma das maiores potências emergentes, a França concordou em fechar um acordo que não envolve só a venda de equipamentos, como um submarino de propulsão nucelar e helicópteros, mas uma cooperação mais ampla: militar, econômica e até cultural.

O primeiro impulso para a aliança foi dado ontem num encontro do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com Sarkozy e o ministro da Defesa francês, Hervé Morin. A França aceitou a principal exigência do Brasil : transferência de tecnologia. Segundo Jobim, Sarkozy enfatizou querer "um grande acordo estratégico com o Brasil".

- Foi uma expressão do presidente, como também do ministro da Defesa, da necessidade deste entendimento porque ele (Sarkozy) considera o Brasil do século 21 uma grande potência no mundo - disse Jobim.

Uma empolgação confirmada pelo ministro francês:

- O Brasil, junto com Índia, China e África do Sul, será um dos grandes do mundo.

Diante desta grande potência, a França quer ter uma parceria estratégica de longo prazo.

Jobim disse a Sarkozy que o governo brasileiro quer desenvolver um "parque estratégico e tecnológico com autonomia" e, para isso, precisa da transferência de tecnologia.

O presidente francês concordou e ficou decidido que após o encontro dos presidentes, o governo francês vai organizar a ida ao Brasil de um grupo de empresários para começar a discutir os detalhes da aliança. Segundo Jobim, o acordo estratégico envolve capacitação tecnológica e modernização nas três forças: Marinha (com o submarino de propulsão nuclear), Aeronáutica (com helicópteros Cougar), da Eurocopter (subsidiária do consórcio europeu EADS, controlador da Airbus), e no Exército (com formação de soldados).

Segundo Jobim, a construção desta parceria não tem data, será construída no longo prazo.

- Não é algo como as parcerias antigas, um mero negócio de vendedor e comprador. É algo de longo prazo. Vamos discutindo caso a caso.

Brasil e França farão, juntos, exercícios militares

Jobim e o ministro francês assinaram ontem um acordo para facilitar a vinda de militares franceses ao Brasil e vice-versa. Ou seja: para tirar os entraves burocráticos para os militares e seus dependentes. A idéia é também organizar exercícios militares conjuntos. A França e o Brasil já fizeram exercícios militares nos rios. O ministro francês disse que a França espera que esta aliança seja ampla:

- Muito claramente, os presidentes Lula e Sarkozy querem implementar uma parceria estratégica importante, que não se baseia só no discurso, mas na prática. Englobará também questões culturais, educacionais, de formação, econômicas, e também uma parceria militar importante.

Visita à base aeronaval


Roberto Godoy – estado SP

O ministro Nelson Jobim vai hoje a Toulon, principal base aeronaval da França no litoral do Mediterrâneo, para conhecer o submarino nuclear de ataque Rubis, um veterano das guerras do Golfo e da extinta Iugoslávia.

É um modelo próximo, embora um pouco menor, do pretendido pelo Comando da Marinha - desloca 2.600 toneladas, mede 73 metros e leva tripulação de 70 homens. O reator é PWR, de água pressurizada, o mesmo tipo que será empregado na embarcação nacional. Jobim pode ver também o Le Terrible, um gigante de 14,2 mil toneladas, lançador de mísseis e ainda em construção.

O conhecimento que falta ao Centro Tecnológico da Marinha, onde o Ministério da Defesa centraliza o programa do submarino atômico, envolve questões sofisticadas que a parceria com a França pode resolver, como a metalurgia do aço HY-100, que permite o uso de placas mais finas e mais resistentes que as convencionais. E certos conceitos gerenciais, como a elaboração dos projetos de concepção, contrato e construção, bastante diferentes dos usados nos submarinos convencionais que o Arsenal do Rio já sabe fazer.

O tratado de cooperação tem um gargalo: a França quer vender ao menos dois submarinos dieselelétricos da classe Scórpene à Marinha, que, entretanto, pré-selecionou, em 2006, o U-214 alemão para integrar a frota que já conta com cinco outros da mesma origem. Um consórcio bancário europeu chegou a anunciar há pouco mais de um ano o financiamento do contrato, no valor de 1.08 bilhão. O primeiro U-214, fornecido à Grécia, jamais funcionou nos testes de mar.

Militares terão livre trânsito

Acordo firmado em Paris pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, prevê que forças dos dois países não precisarão prestar contas às aduanas. Aliança compreende ainda áreas da cultura, educação e economia

Claudio Dantas Sequeira

Os governos de Brasil e França deram ontem um passo decisivo para o estabelecimento de uma aliança estratégica. Como o Correio antecipou no sábado, foi assinado o primeiro Acordo de Status das Forças (Sofa), que prevê a livre circulação de militares brasileiros e franceses nos respectivos territórios. As duas forças também ficarão livres de prestar contas às aduanas, e os efetivos só poderão ser processados civil ou criminalmente na Justiça de suas respectivas pátrias — escapando assim da jurisdição do Tribunal Penal Internacional. O tratado, que precisará ser aprovado pelos Parlamentos de ambos os países, permite a prestação de serviços, condição básica para parcerias que compreendem a troca de tecnologia e viagens de técnicos.

O acordo foi firmado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e seu colega francês, Hervé Morin, em ato formal no Ministério da Defesa, em Paris. Jobim estava acompanhado do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e do ministro das Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger; além da embaixadora Vera Pedrosa. Fontes militares confirmaram à reportagem que a assinatura do Sofa favorece a realização de manobras e exercícios conjuntos, inclusive o patrulhamento dos rios fronteiriços na Amazônia. “Se a soberania dos rios é compartilhada, significa que há direitos e responsabilidades comuns”, afirmou um oficial graduado que acompanhou as negociações.

A iniciativa é oportuna, num momento em que se intensificam os esforços de integração com a Guiana Francesa. Para Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança (Cetris), o novo acordo é marcante. “Trata-se de um ato político importantíssimo, que coloca o Brasil em uma nova era. O país passa a ser reconhecido como ator global, por meio de um mecanismo com certo peso no cenário internacional”, disse. O especialista vê na França a porta de acesso à tecnologia de toda a União Européia (UE) em matéria de defesa. “É a oportunidade de ganharmos certa autonomia depois da longa dependência tecnológica norte-americana. Em contrapartida, o Brasil será obrigado a construir um sistema de defesa articulado globalmente”, avisa.

Sarkozy

Antes de se se reunir com Morin, Jobim foi recebido no Palácio Eliseu pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que teria se mostrado de acordo com o conteúdo geral da proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A parceria estratégica entre Brasil e França teria como pedra angular o princípio da transferência de tecnologia. “Eu disse ao presidente Sarkozy que a premissa de todos os nossos entendimentos está no desenvolvimento de um parque estratégico tecnológico no Brasil com autonomia”, declarou Jobim. Presente à audiência no Eliseu, Morin disse que as linhas gerais da aliança compreendem também os setores cultural, educacional e econômico.

“Desejamos que o Brasil seja o parceiro estratégico da França na América do Sul, do mesmo modo que desejamos que nosso país seja o parceiro privilegiado do Brasil na Europa”, afirmou Morin. “Estamos convencidos de que o mundo do século 21 terá o Brasil como potência.”

Os detalhes do acordo serão debatidos no encontro entre Lula e Sarkozy no próximo dia 12.

“Será uma parceria estratégica não a curto, mas a longo prazo”, comentou o ministro francês. Jobin e Morin também conversaram sobre a colaboração para construir no Brasil um submarino de propulsão nuclear e helicópteros Super Cougar. Antes disso, a idéia é fechar a compra de submarinos de propulsão a diesel e elétrica do tipo Scorpene, por US$ 600 milhões. Também se estuda a aquisição de cerca de 30 aviões-caça supersônicos Rafale. Jobim visitará hoje a base aeronaval de Dugny, em Le Bourget, ao norte de Paris. De lá, partirá para Tolón, a base naval francesa no Mediterrâneo, a fim de conhecer um submarino nuclear de ataque. O ministro demonstrou interesse em aplicar diretrizes do programa Soldado do Futuro, desenvolvido pelas forças armadas da França.

Colaborou Napoleão Sabóia, de Paris

Marinha abre processo seletivo


Mais uma novidade na área de concursos. A Marinha lançou edital que prevê 40 vagas para o cargo de primeiro-tenente em várias especialidades da Engenharia. Para participar da seleção, além de ter graduação na área exigida, é preciso ter menos de 32 anos (considerando a data de 30 de março de 2009). Os concorrentes que forem habilitados serão submetidos ao Curso de Formação de Oficiais e também a um Estágio de Aplicação. O valor médio do salário para o cargo é R$ 3,5 mil. O concurso será constituído de prova escrita de conhecimentos profissionais, de expressão escrita, seleção psicofísica, teste de suficiência física, verificação de dados biográficos, exame psicológico e as fases de formação. As inscrições estarão abertas de 20 de fevereiro às 16h30 do dia 25 de março e podem ser feitas via Internet – pelo site www.ensino.mar.mil.br.

Brasil e França selam acordo de aliança estratégica


PARIS - Os governos de Brasil e França assinaram ontem à tarde, em Paris, o primeiro acordo da política de "aliança estratégica" no setor de Defesa. A iniciativa havia sido confirmada à imprensa pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, no domingo. Ontem, porém, um acordo que prevê a livre circulação de militares dos dois países foi assinado com o ministro francês, Hervé Morin.

Minutos antes, Jobim havia sido recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu. Durante 30 minutos, ambos encaminharam acordos que serão anunciados na Guiana Francesa, em 12 de fevereiro, durante o primeiro encontro entre os presidentes dos dois países.

O acordo foi confirmado na saída do Ministério da Defesa da França. Hervé Morin disse que os entendimentos são fruto de conversas diretas entre Nicolas Sarkozy e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e que seu objetivo maior é a parceria estratégica em cultura, economia, educação, treinamento e tecnologias militares.

"Após o encontro entre os dois presidentes, vamos aprofundar o acordo. Queremos que o Brasil seja o maior parceiro estratégico da França na América Latina, assim como queremos que a França seja o parceiro estratégico do Brasil na Europa", enfatizou. "Estamos convencidos de que o mundo do século 21 terá o Brasil como potência".

Apesar da assinatura, os detalhes do acerto anunciado ontem ainda não foram divulgados. "São questões técnicas que precisam ser ajustadas. Daremos mais detalhes a seguir", disse Nelson Jobim.

Um dos pontos será o intercâmbio de pilotos para treinamento.

O Ministério da Defesa brasileiro também se mostra interessado em aplicar diretrizes do programa Soldado do Futuro, desenvolvido pelas forças armadas da França. O documento não prevê a construção de bases militares nos dois países nem treinamento na região amazônica, como vinha sendo cogitado.

Hoje pela manhã, a comitiva do Ministério da Defesa, incluindo o ministro Jobim e o comandante da Marinha, almirante de esquadra Julio Soares de Moura Neto, visitarão a base aeronaval de Dugny, em Le Bourget, nas imediações de Paris. De lá, os representantes brasileiros partem em avião para Toulon, no sul da França, onde conhecerão a base de submarinos instalada na cidade.

Lá, Jobim conhecerá o submarino nuclear de ataque (SNA) de Classe Rubi, de propulsão e armamento nucleares. O equipamento, fabricado pela DCNS - estaleiro de capital do Estado (75%) e da Thales (25%) -, é similar ao que o governo brasileiro ambiciona construir no Brasil a partir do acordo para compra e transferência de tecnologia, negociado entre os dois países.

A idéia do ministério é produzir no Brasil o casco, o "recheio cibernético" e o armamento, já que as Forças Armadas têm o domínio do combustível nuclear. A eventual "versão brasileira" do Rubi, um dos mais compactos submarinos nucleares do mundo - com 73,60 metros e capacidade para 70 homens -, não será um submarino de ataque, mas de defesa.

Em linhas gerais, a diferença se limita ao armamento - as embarcações de defesa têm armamento convencional, e não nuclear. A Marinha francesa tem seis modelos Rubi em operação desde os anos 80 - o projeto data dos anos 70. Mas ele não é o mais atual projeto em estudos no país.

Por encomenda do governo, feita em 2002, a DCNS já desenvolve os submarinos da Classe Barracuda, em construção desde 19 de dezembro de 2007 e com lançamento previsto para 2016. A importância do interesse brasileiro pelos submarinos franceses pode ser medida por dois elementos: serão duas as visitas da comitiva a locais onde se encontram os Rubi e os Barracuda, a primeira hoje e a outra amanhã, ao estaleiro da DCNS em Cherbourg, situado na Baixa Normandia.

O segundo e mais forte elemento é o próprio ministro da Defesa. Na segunda-feira, em entrevista concedida em Paris, Jobim afirmou: "Queremos construir o submarino nuclear brasileiro. E a parceria com a França está definida porque é o único país que tem disponibilidade de transferir tecnologia".

Chávez propõe aliança militar a vizinhos



O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, exortou países aliados a formarem uma aliança militar antiimperialista, para defender a América Latina de possíveis ataques por parte dos EUA. Afirmando que Washington representa uma ameaça à segurança regional, Chávez conclamou Nicarágua, Bolívia e Cuba a "traçar uma estratégia de defesa comum e criar nossas forças armadas". O inimigo é o mesmo: o império dos EUA, indicou Chávez para acrescentar que "se eles atacarem um de nós, será um ataque contra todos."

Governo quer comprar 50 helicópteros franceses


Andrei Netto

O governo brasileiro deve fechar a aquisição de 50 helicópteros Cougar, a versão militar das aeronaves Super Puma fabricados pela Eurocopter Group, subsidiária do grupo European Aeronautic Defence and Space Company (Eads). A intenção foi revelada ontem pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Paris, após encontro com empresários do setor bélico e bancário.

Em contrapartida à operação de compra pelo Brasil - cujo valor não foi revelado -, a empresa se compromete a ampliar a linha de produção da subsidiária brasileira, a Helibrás, trazendo para o País a linha mundial dos modelos médios Dauphin.

As aeronaves equiparão as três Forças. O governo já definiu o orçamento do negócio, mas quer negociar com a Eurocopter e o governo francês para obter preço mais baixo. A compra já tem financiador: o Banco Société Générale apresentou duas propostas que serão analisadas pelo Ministério da Defesa.

O acordo dos helicópteros seguirá o modelo que deverá ser utilizado para a produção no Brasil de submarinos Scorpène, da DCNS. Os modelos de ataque e propulsão convencional, deverão ser produzidos no estaleiro da Marinha no Rio e em outra unidade, a ser construída em local ainda não revelado, com valor estimado em US$ 600 milhões cada.

A produção do Scorpène será a primeira etapa para a concretização de outro acordo, independente, para construção no Brasil, com apoio da mesma DCNS, de parte do casco, o “recheio cibernético” e armamento para os futuros submarinos nucleares brasileiros. O Scórpene é o modelo mais novo da Marinha francesa. A versão brasileira terá propulsão diesel-elétrica e sistema de armas integrado, coordenando torpedos de 533mm, lançamento minas e preparo para mísseis leves. Jean-Marie Poimboeuf, presidente da DCNS, confirmou as tratativas ao fim da reunião com Jobim. “A DCNS está imensamente interessada no acordo com o governo brasileiro”, disse o executivo da empresa.

“Nosso interesse é, inclusive, a produção no Brasil.” Jobim e Poimboeuf, porém, asseguraram que o número de submarinos a serem vendidos ao Brasil e o valor do negócio ainda não foram tratados.

Além dos helicópteros e submarinos, o Ministério da Defesa analisa propostas para aquisição de caças de quinta geração, dentro do programa FX-2. Jobim tem dito que o Ministério da Defesa quer também aprimorar o parque industrial bélico do País. Assim, crescem as chances de que o caça escolhido seja o Rafale-C, produzido pela francesa Dassault.

Banco quer financiar fábrica de helicópteros


ELIANE CANTANHÊDE - ENVIADA ESPECIAL A PARIS

O presidente do Banco Société Générale Brésil, François Dossa, anunciou ontem ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que a instituição está disposta a financiar a instalação de uma fábrica de helicópteros no Brasil e a compra de cerca de 50 helicópteros de carga para Aeronáutica, Marinha e Exército, dentro de um pacote ambicioso na área de defesa.

O financiamento imediato seria para a compra dos helicópteros de carga, desde que garantida a transferência de tecnologia para o Brasil.

A compra de submarinos convencionais e de propulsão nuclear franceses, sob a condição de transferência de tecnologia, foi um dos assuntos tratados por Jobim com o presidente da empresa de construção naval DCNS da França, Jean-Marie Poimboeuf.

Ele previu que os acordos entre os dois países na área naval serão "muito rápidos, em alguns meses".

Jobim estuda órgão unificado de compras

Decisão pode gerar resistência nas Forças Armadas; hoje cada uma delas tem um sistema próprio

ELIANE CANTANHÊDE - ENVIADA ESPECIAL A PARIS

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estuda o modelo francês e pretende criar um órgão unificado de compras de equipamentos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o que pode gerar resistências das Forças Armadas. Hoje, cada uma delas tem seu próprio sistema de definição de projetos e de encomendas.

Ontem, Jobim ouviu exposição de quase uma hora e meia de representantes da DGA (Delegação Geral de Armamento), órgão vinculado ao Ministério da Defesa e responsável pela definição das compras na área de defesa da França, que tem uma das mais poderosas indústrias militares do mundo.

O ministro fez várias perguntas e, no final, pediu textos escritos detalhando o funcionamento do órgão, que gere orçamento anual de cerca de 10 bilhões de euros e 18 milhões de empregados em setores governamentais e privados.

Durante a exposição, que foi no auditório da Embaixada do Brasil em Paris, o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, o único dos três comandantes que acompanha a viagem de Jobim, perguntou se quem determina os equipamentos a serem comprados é o DGA ou o Estado-Maior de cada Força.

O representante do órgão, um oficial, explicou que é o DGA, com aprovação do ministro da Defesa e do presidente da República. No final do encontro, a Folha perguntou ao almirante o que ele achava da idéia e ele respondeu: "Eu não sei nada disso. Ninguém me falou nada a respeito".

Segundo Jobim, a intenção não é recriar o Estado-Maior das Forças Armadas, que existiu antes da criação do Ministério da Defesa: "A idéia é um órgão exclusivamente para a compra de armamento", disse.

Jobim tenta atrair grupo russo para o RS

Ministro da Defesa tem encontro marcado com representantes da estatal que responde pelo setor bélico

SEBASTIÃO RIBEIRO

A visita do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Exterior, inclui a negociação da instalação de uma fábrica russa de veículos blindados no Rio Grande do Sul. De sexta a quarta-feira da próxima semana, Jobim estará na Rússia, onde se encontrará com representantes da estatal Rosoboronexport, que centraliza a exportação de material bélico.

Negociadores da empresa estiveram três vezes no ano passado no Estado, onde conversaram com a governadora Yeda Crusius, segundo informações da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai). Nesses encontros, embora não tenham divulgado valores, manifestaram a possibilidade de instalar uma unidade para produção de dois tipos de blindados. Um dos modelos seria o jipe Gaz Tiger, fabricado pela Gaz, uma das principais montadoras russas.

Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, explica que esse veículo blindado é mais indicado para uso policial, embora possa ser utilizado pelo Exército. Bastos acredita que, se houver decisão do governo de renovar a frota militar, haveria mercado para a instalação de uma unidade no país.

O Brasil conta com 409 blindados Cascavel (comporta quatro pessoas e é uma opção para reconhecimento de terreno e apoio a operações) e 223 Urutus (para transporte de tropa, com capacidade de 12 combatentes). Boa parte desses veículos estaria deteriorada e fora de operação. A produção, das décadas de 1970 e 1980, é da brasileira Engesa, que fechou suas portas em 1995.

- O Exército está defasado. A demanda para veículos (blindados) de rodas ultrapassa 2 mil - diz Bastos.

Pólo metalmecânico gaúcho está entre os pontos fortes

O pesquisador, no entanto, considera estranho que o Brasil negocie a vinda da fábrica russa após ter assinado, em dezembro, contrato com a Fiat/Iveco a fim de que a empresa desenvolva um protótipo de veículo para substituir a atual frota de Urutu e Cascavel. Se for fechado acordo com a Rússia, estudiosos de temas ligados à Defesa concordam que o Rio Grande do Sul tem vantagens competitivas.

Nelson Düring, analista de assuntos militares do site Defesa.Net, lembra que o Estado tem um pólo metalmecânico e automotivo na região de Caxias do Sul que facilmente poderia fornecer matéria-prima para a produção de carros militares.

Quando estiveram no Estado, os russos alegaram que algumas empresas gaúchas já exportavam peças para indústrias de veículos bélicos. Outra vantagem do Rio Grande do Sul seria a proximidade com países do Mercosul, para onde os blindados poderiam ser exportados.

No centro da viagem de Jobim, que começou ontem, pela França, está o sonhado submarino nuclear brasileiro. O Brasil negocia a possibilidade de comprar um submarino francês que serviria de modelo à construção de um exemplar brasileiro.

Além do submarino francês, a comitiva também conhecerá os aviões de caça Rafale, uma das opções para substituir os Mirage utilizados pela Força Aérea Brasileira. Outra tratativa diz respeito à possibilidade de helicópteros franceses de transporte serem fabricados no Brasil.

28 Janeiro 2008

EUA oferecem envio de tropas ao Paquistão


DA REDAÇÃO

Com sua capacidade militar esticada ao limite devido às guerras no Afeganistão e no Iraque, o governo americano ofereceu ontem enviar soldados ao Paquistão para combater as milícias rebeldes ligadas à Al Qaeda e ao Taleban na fronteira afegã.

"Os EUA estão prontos, dispostos e capacitados a se associar aos paquistaneses para oferecer-lhes treinamento [militar] adicional e conduzir com eles operações conjuntas, se quiserem", afirmou o secretário da Defesa americano, Robert Gates, sem especificar se houve pedido do Paquistão. Washington já financia parte das operações militares de Islamabad.

Embora seja um aliado crucial dos EUA na guerra ao terror, o ditador paquistanês, Pervez Musharraf, vem descartando as ofertas de Washington.

Jobim prioriza negociação de caças com França e Rússia

Ministro descarta comprar supersônicos americanos

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, praticamente descartou ontem o caça F-35 Joint Strike Fighter americano como opção para o reequipamento da Força Aérea, argumentando que "os Estados Unidos não transferem tecnologia".

A nova versão do projeto F-X, de compra de supersônicos, fica então focado no Rafale, da França, e no Sukhoi, da Rússia, os dois países para onde o ministro embarca hoje para uma viagem de 15 dias. Ele pretende discutir também a fabricação de helicópteros de carga no Brasil e um projeto comum para o submarino de propulsão nuclear da França.

A agenda de Jobim prevê audiências com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o ministro da Defesa, Hervé Morin, além de uma visita a uma base da Força Aérea Francesa que opera os Rafale. Quem acertou o encontro de Jobim com Sarkozy foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Jobim, o Brasil tem interesse numa "aliança estratégica com a França" na área de defesa e o objetivo principal é discutir a transferência de tecnologia: "Nós não podemos depender de insumos estrangeiros nessa área. Porque, senão, numa hora decisiva, basta [o fornecedor] cortar o suprimento. Aí, acabou", disse ele.

Na Rússia, principal fornecedor de equipamentos de defesa da Venezuela, inclusive dos modelos Sukhoi-30, Jobim terá encontros com o vice-premiê Sergei Ivanov e com os ministros de Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e da Defesa, Anatoli Serdiukov.

Apesar de quase descartar caças americanos, o ministro disse que sua próxima viagem, em março, será para os EUA.

Brasil tem lei de mobilização em caso de guerra


O Diário Oficial da União desta sexta-feira, 28, publica a íntegra da Lei 11.631 que institui o Sistema Nacional de Mobilização (Sinamob), mecanismo legal destinado a coordenar as ações de governo e do setor produtivo diante de uma eventual agressão estrangeira.

Assinada pelo presidente Lula, a Lei que cria o Sinamob integra onze ministérios. Caberá ao Ministério da Defesa, executar operações quando houver uma conjuntura de risco à soberania nacional e a integridade territorial do país.

De acordo com o Ministério da Defesa, o Sinamob preenche uma lacuna jurídica existente desde a segunda guerra mundial, já que não existia, até o momento, nenhuma lei específica que tratasse especificamente da mobilização nacional, quando houvesse necessidade de ação estratégica conjunta de defesa nacional.

Os atos existentes eram infra-legais ou abordavam mais especificamente a mobilização militar. A Lei 11.631 atende, dessa forma, ao artigo 84, da Constituição, que prevê que cabe ao Presidente da República decretar a mobilização nacional, desde que autorizado ou referendado pelo Congresso Nacional.

A Lei também prevê que, ao decretar a mobilização nacional, o Presidente da República deverá especificar o espaço geográfico do território nacional em que serão adotadas as medidas de defesa estratégica.

O Ministério da Defesa esclarece que existe a possibilidade, em situações de urgência, da convocação dos estados para integrarem o esforço, e a reorientação da produção e do consumo de bens e serviços.

Por último, a mobilização nacional poderá implicar também a intervenção do Executivo nos fatores de produção, tanto do setor público quanto do setor privado, a requisição e a ocupação de bens e serviços e a convocação de civis e militares.

Além do Ministério da Defesa, o Sinamob será composto pelos ministérios da Justiça, Relações Exteriores, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Fazenda e da Integração Nacional.

Também fazem parte do sistema a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

O Sistema Nacional de Mobilização poderá requerer informações de órgãos e entidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e terá recursos financeiros previstos nos orçamentos de cada órgão integrante do sistema.

Antes de ser transformado em lei, o projeto que previa a criação do Sinamob foi discutido durante quatro anos no Congresso Nacional e atende a dois incisos do artigo 22 da Constituição.

O inciso III estabelece que compete à União legislar sobre requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra.

Já o inciso XXVIII fixa como competência da União a defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional.

A seguir, alguns princípios constitucionais que regulam os direitos do cidadão ou o dever o Executivo em caso de guerra:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;

XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional;

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.

Rússia suspende participação no Tratado de Forças Convencionais da Europa


Marcelo Rech

O presidente russo Vladimir Putin, eleito a personalidade do ano pela revista Time justamente por suas posições duras, confirmou no dia 12 que o país está temporariamente fora do Tratado de Forças Convencionais da Europa, que tem com um dos seus objetivos, impor o controle de armas na região.

A chancelaria russa confirmou a moratória, mas informou que poderá haver uma negociação que traga o país de volta ao acordo que também restringe a quantidade de armas convencionais que podem ser posicionadas a oeste dos Montes Urais, área que compreende a porção européia da Rússia.

Vladimir Putin acusa os Estados Unidos e os países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de não terem ratificado a versão revisada do tratado, assinado em 1990.

Com a decisão, a Rússia deixa de compartilhar informações e de receber inspetores internacionais, exigências do tratado.

A comunidade internacional teme que a Rússia reforce sua presença militar nas fronteiras, mas o Ministério das Relações Exteriores do país divulgou nota assegurando que o país não tem planos “nas atuais circunstâncias” de posicionar ou concentrar forças nas fronteiras dos países vizinhos.

A nota garante que “a Rússia está preparada para manter um diálogo orientado por resultados em torno do tratado durante a suspensão”.

É importante enfatizar que o Tratado de Forças Convencionais da Europa foi um dos documentos mais importantes para pôr fim à Guerra Fria.

Em 1999, após o colapso da então União Soviética, o documento passou por uma revisão que tinha por objetivo, refletir o novo equilíbrio de poder militar na Europa.

A moratória declarada pela Rússia, além de confirmar a ameaça do líder russo, deve forçar a OTAN a rever seus planos militares para o continente. Vladimir Putin acusa a organização de estar ampliando suas bases militares na fronteira com a Rússia.

Além disso, a OTAN tem planos de construir um sistema antimísseis que serão baseados na República Tcheca e na Polônia.

Está claro que razões estratégicas movem o presidente russo no momento em que vários acordos de controle armamentista estão expirando.

De acordo com Harald Müller, diretor da Fundação de Pesquisas sobre Paz e Conflitos de Hessen, enquanto os Estados Unidos insistem que o sistema de defesa planejado para o Leste europeu não impedirá mísseis russos, “Moscou enxerga alterações geoestratégicas que pretendem manter a Rússia pequena”.

O fato é que a Rússia, com a suspensão do tratado, poderá aumentar seu estoque de armas convencionais e mobilizar maiores contingentes militares nas suas fronteiras.

O governo russo considera a região do Cáucaso como um problema à segurança do país.

É importante ressaltar que o tratado não vigora plenamente já que a OTAN condicionou sua aplicação à retirada das tropas russas da Geórgia, o que já ocorreu, e da Transnítria, na Moldávia, onde na verdade, a Rússia cumpre mandato de Força de Paz, aprovado pelos governos da então União dos Estados Independentes (CIS).

Para Harald Müller, "quem critica os russos por congelar o tratado é cego de um olho".

Conforme já publiquei neste espaço, em 2002, os Estados Unidos cancelaram de forma unilateral o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM), assinado 30 anos antes com a Rússia.

Já o Tratado de Interdição Completa de Testes Nucleares não vingou em 1999, pois não foi ratificado pelo Senado norte-americano.

Em vigor, o Tratado de Moscou sobre Reduções Estratégicas Ofensivas (SORT), de 2002, prevê que Rússia e Estados Unidos reduzam o número de ogivas nucleares a um máximo de 2.200 unidades. A meta deve ser cumprida até 31 de dezembro de 2012 quando o acordo expira.

O acordo que limita o arsenal nuclear (Start 1) dos dois países em seis mil ogivas atômicas para cada um, expira em 2008.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Estratégia e Política de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org.

26 Janeiro 2008

Jobim vai à Europa para discutir tecnologia militar

Ministro da Defesa passará por Rússia e França de 25 de janeiro a 7 de fevereiro. Intenção é tratar do plano estratégico de defesa, que ainda está em gestação e é centrado na transferência de tecnologia para o Brasil

Eliane Cantanhêde
Colunista

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, viajará à Rússia e à França de 25 de janeiro a 7 de fevereiro para discutir com os governos o plano estratégico de defesa, que ainda está em gestação e é centrado na transferência de tecnologia para o Brasil.

Jobim tentará acertar previamente formas de condicionar futuras encomendas e compras de equipamentos de defesa à transferência de tecnologia. A agenda do ministro, que não está fechada, não prevê encontros na área privada.

O objetivo, segundo o Ministério da Defesa, é reduzir a dependência estrangeira e fortalecer a indústria nacional, que inclui não apenas armas e equipamentos bélicos, mas setores como fardamento nas três Forças Armadas. Apesar de a Defesa não confirmar, a viagem pode ser considerada uma pré-investida para o projeto mais espetacular da Aeronáutica: a compra de aviões de caça.

Rússia, com seus supersônicos Sukhoi, e a França, com o Rafale, estão na mira da FAB para o fornecimento dos aviões que fazem a principal linha de defesa do Brasil, baseados em Anápolis (GO). Após a aposentadoria dos Mirage-IIIEBR, o Brasil comprou da França um lote de 12 Mirage-2000 para "tapar o buraco" até a chegada de um avião de nova geração.

O projeto de compra dos caça, chamado de F-X, arrastou-se por anos. Lula o cancelou. Seu formato final era de 2003, e a FAB terá de reavaliá-lo, até porque o mercado evoluiu. O Mirage-2000, por exemplo, era concorrente na disputa anterior e agora já saiu de linha. O F-35 Joint Strike Fighter americano também entrou na lista dos modelos desejáveis.

Conforme tem dito o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, o projeto de compra dos caças "praticamente voltou à estaca zero", para a redefinição de especificações técnicas e de necessidade estratégica. A expectativa era de que o novo projeto ficasse pronto em março, mas a própria Força Aérea não acredita nisso.

A ameaça de corte de gastos, após o fim da CPMF, assusta os militares em outros projetos, mas não no da compra dos caças. A viagem de Jobim foi precedida por um giro do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, pela Europa no final do ano passado. Ele também esteve na Índia.

A Marinha Americana pode Restabelecer a Quarta Frota



Norman Polmar
Analista Naval - Military.com

A liderança da marinha americana está considerando o restabelecimento da Quarta Frota (Fourth Fleet) para operar em águas dos Oceanos Atlântico Sul e Centro. Como a Quinta Frota Americana que opera no Golfo Arábico, a Quarta Frota não teria navios atribuídos permanentemente, mas teria uma estrutura de comando e controle, apoio para os navios e aviões que operassem naquelas áreas.

O almirante Mike Mullen, Chefe do Estado-Maior, declarou recentemente que o restabelecimento da Quarta Frota era "uma grande idéia" e isso "tanto quanto eu sei, está se movendo para a frente." O movimento requereria a aprovação do Congresso.

A formação da frota, que seria comandada por um Vice-Almirante ou Contra-Almirante (Rear-Admiral ou Vice-Admiral), seria baseada em Mayport, Flórida,Seriam as seis frota dos Estados Unidos (que são comandadas normalmente por vice-almirantes). As frotas americanas são:

-
Segunda Frota (Second Fleet) quando operando como componente do U.S. Joint Forces Command;

-Terceira e Sétima Frotas (Third e Seventh Fleets) do U.S. Pacific Command (opera nos Oceanos Pacífico Ocidental Oriental);

- Quinta Frota (Fifth Fleet) do U.S. Central Command (Oceano Índico), e

- Sexta Frota (Sixth Fleet) do U.S. European Command (Mar Mediterrâneo, Báltico e Atlântico Norte).

A Quarta Frota seria o componente naval do
US South Command (SOUTHCOM). Focaria e daria apoio às operações navais que ocorressem na área.

A Quarta Frota precedente era uma das estabelecidas pela US Navy que começou durante a Segunda Guerra Mundial. A denominação era de que as forças operando no Atlântico e Pacífico recebiam números pares e as da área do Pacífico número ímpares. A Quarta Frota foi criada em 15 de Março de 1943, sendo batizada U.S. South Atlantic Force. Essa frota recebeu a missão prioritária de operações anti-submarino contra os U-Boat alemães operando na região (nesse período toda a frota de superfície alemã tinha sido direcionada para as águas do Atlântico incluindo navios mercantes disfarçados)

A Quarta Frota teve uma existência de sete anos. (uma frota do período de guerra -- a décima frota -- era "uma frota de papel" estabelecida no Departamento de Marinha, em Washington, D.C., para coordenar operações anti-submarino dos Estados Unidos no Atlântico. A décima frota foi estabelecida, em 20 de Maio de 1943, sob o comando direto do Chefe de Operações Navais, almirante Ernest J. King, com as operações dirigidas pelo contra-almirante Francis S. Low, Chefe do Estado-Maior. A batalha do Atlântico foi vencida, essencialmente, em maio de 1943, quase simultâneo com a criação da Décima Frota.)

Alguns observadores em Washington encontram uma certa ironia que enquanto o tamanho da frota ativa continua a declinar, uma nova organização está sendo estabelecida. Talvez mais significativo, alguns oficiais navais acreditam que seria mais apropriado coordenar as atividades da U.S. Navy e do US Marine Corps junto ao recém formado U.S. Africa Command,do que criar uma nova frota. As recentes crises em diversos países africanos, as incursões dos chineses na África, e outros eventos indicam que as forças navais dos Estados Unidos estarão mais envolvidas diretamente em águas africanas do que nas áreas atualmente planejadas para as operações da Quarta Frota.

Reencontro emocionado

O Fantástico conta a história emocionante que está por trás de uma foto, tirada 40 anos atrás - o flagrante de um resgate.

O Fantástico conta a história emocionante que está por trás de uma foto, tirada 40 anos atrás - o flagrante de um resgate. Mãe e filha, um bebê de apenas cinco meses, sobrevivem a uma tragédia na selva amazônica. O que terá acontecido com elas?

Fevereiro de 1968. Um hidroavião catalina da Força Aérea Brasileira sobrevoa a Floresta Amazônica. A bordo, 44 pessoas - 38 passageiros e seis tripulantes.

“Eu ia para o Acre, com minhas duas filhas, a de cinco meses e uma de um ano”, conta a aposentada Maria Édna Oliveira.

O trajeto do avião: do Forte Príncipe da Beira, um pelotão do Exército, em Roraima, para a cidade de Guajará-Mirim.

De repente, um dos motores começa a falhar e o avião cai em região de mata fechada.

“Quando acordei, minha filha de um ano estava perto de mim, mas a de cinco meses não”.

Quatro passageiros morrem. Para os 40 sobreviventes, começava um drama que marcaria para sempre a vida de todos.

“Um garoto que sobreviveu estava bastante ferido nas pernas e à noite as formigas o atacavam. Ele reclamava, pedia ao pai pra fazer alguma coisa, mas o pai também não conseguia fazer”, lembra Lauro Eduardo Souza Pinto, piloto do avião.

“Tinha gente com perna quebrada, bacia quebrada, fêmur quebrado, coluna quebrada. Tinha gente com ferimentos generalizados e tinha gente perfeitamente sã”, conta Jadir Camops Albuquerque, co-piloto.

Jadir e Lauro eram os dois jovens pilotos do catalina. A passageira Maria Édna tinha apenas 18 anos. Nas revistas e jornais da época, a guerra do Vietnã era assunto de todo dia. Mas o desastre de Roraima também ganhou destaque.

O caso mais comentado na imprensa era o de dona Maria Édna, a jovem mãe que conseguiu sobreviver com as duas filhas pequenas. Na queda, Simone, de cinco meses, havia sido jogada para fora do avião.

“Ouvi o choro muito distante. Comecei a gritar quando eu não vi minha filha. Aí eu disse que era minha filha, e o rapaz foi lá apanhar”.

Os sobreviventes passaram dois dias e duas noites na selva, rezando para serem localizados pelos aviões de salvamento.

“As saúvas comeram toda a minha roupa no meu corpo. Aí um soldado me deu a camisa dele. A gente já estava com 24 horas, tava só de calcinha porque era muita saúva no meu corpo. E não dava tempo, porque eu tirava das meninas e esquecia de mim. Eu cuidava muito bem delas, fiz o que pude, parece que eu tava anestesiada”.

O soldado que deu a própria camisa para dona Maria Édna e ajudou a cuidar dos feridos até hoje é lembrado como um herói.

“Esse soldado ajudou muito. Ele cortava o cipó e botava as gotinhas na boca das meninas, aquela água bem roxinha do cipó”, conta Maria Edna.

O Fantástico foi encontrar Francisco Martins do Nascimento, o soldado Leão, em Guajará-Mirim, onde vive com a família. Aos 60 anos de idade, tem oito filhos, 21 netos e oito bisnetos. Até hoje ele se emociona ao recordar o drama da jovem mãe.

“Essa senhora dizia pra mim só assim: ‘Leão, Leão, salva minha filha, eu sei que eu vou morrer, mas salva minha filha’”.

O avião foi localizado, no dia 10 de fevereiro de 1968, graças às fogueiras feitas pelo soldado Leão.

“O avião passou já olhando pra gente, acenando. Foi uma gritaria, foi uma alegria tão grande...”, conta o solado.

“Estávamos voando mais ou menos há uma hora, uma hora e pouco, e nós vimos uma fumaça pelo lado esquerdo, se elevando da floresta. Nesse momento nós tivemos certeza que era o avião”, recorda o coronel Torres Júnior, piloto do avião de busca.

O helicóptero do Pára-Sar, serviço de salvamento e resgate da Aeronáutica, foi logo acionado. Alguns soldados desceram e abriram uma clareira na mata para o aparelho pousar.

“No momento em que nós providenciamos o resgate, nós demos prioridade a essa criança que tinha cinco meses. Me parece que foi a primeira a ser içada pelo guincho do helicóptero”, diz Doc Santos, médico da operação de resgate.

Ainda hoje o coronel Jadir lembra, impressionado, da reação de dona Maria Édna, no momento em que a filha de cinco meses foi resgatada.

“Ela entregou a criança nos braços de alguém e desmaiou”.

Quarenta anos depois, o ex-piloto ainda quer terminar uma última missão.

“Faz parte do meu projeto de vida localizar essa criança e eu acho que vou localizar”.

Demorou muito tempo, mas finalmente chegou a hora.

No aeroporto de Brasília, dona Maria Édna chega para o encontro com a filha Simone, o bebê que tinha cinco meses em 1968. Hoje ela tem três filhos e mora em Itapema, Santa Catarina.

Logo depois chega o coronel Jadir, que mora no Recife.

“A minha vida toda eu comecei a acreditar que não era verdade e sim era um sonho, não tinha acontecido”, diz Simone Castro de Azevedo, filha de Maria Édna.

“Sua imagem nunca saiu da minha cabeça. Você me ajudou muito, muito obrigada, nas minhas orações eu nunca esqueci”, diz Maria Édna para o soldado Leão.

Simone fica impressionada ao ver, pela primeira vez, a foto do momento do resgate.

Esquecido durante tantos anos, o soldado Leão não tem, na sua ficha de serviço, nenhuma referência ao episódio de 68. Mas diz que, ainda assim, se sente recompensado.

“O maior estímulo disso tudo é saber que pelas minhas ações eu sou amado, eu sou admirado, eu sou respeitado. Então eu acho que esse é o melhor presente para o ser humano”.

PAME-RJ celebra contrato de Suporte Logístico para radares


O Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica do Rio de Janeiro celebrou com a Empresa Thales, em 4 de dezembro de 2007, um contrato de quatro anos para a manutenção, em campo e em laboratório, de módulos dos sistemas radar de fabricação Thales instalados em 47 localidades do SISCEAB.

As ações contratadas prevêem o controle das atividades por meio de indicadores logísticos e índices de qualidade bem definidos, os quais permitirão que a manutenção prestada pelas equipes do DECEA dê um salto de qualidade em direção a inserção de novas tecnologias. Além disto, este contrato, que também contempla a manutenção de itens eletrônicos, mecânicos e de informática, possibilitará a atualização das cadeias reduzidas do PAME-RJ e a elevação do nível de conhecimento dos técnicos do SISCEAB em todos os seus elos.

Por fim, o “ pipeline ” logístico acordado para reparo de itens em fábrica aliado a um criterioso programa de manutenção preventiva permitirá a maior disponibilidade destes itens, e ainda uma sensível redução dos estoques e do número de inoperâncias, aumentando conseqüentemente, a disponibilidade dos Radares Thales.

25 Janeiro 2008

Iraque é exemplo de eficácia das velhas armas



Charles J. Dunlap Jr. * The New York Times

(nota DEFESA@NET o título em inglês é "We Still Need the Big Guns"
o que não é o sentido adotado na tradução)

A relativa calma que as Forças Armadas dos EUA impuseram no Iraque certamente é motivo para um otimismo moderado. Mas também levanta algumas questões óbvias: como isso foi alcançado e o que significa para o futuro planejamento da estratégia de defesa?

Compreensivelmente, muitos analistas atribuem esse sucesso ao fato de as tropas dos EUA seguirem os ditames do elogiado novo manual de contra-insurgência do Exército. Embora o manual seja bem melhor do que seus antecessores, seria um enorme erro tomar isso como uma prova de que - como tem feito a imprensa, a comunidade acadêmica e organizações políticas independentes - essa vitória sobre os insurgentes foi obtida por qualquer outra tática que não o uso de força militar tradicional.

Infelizmente, entusiastas fascinados interpretaram mal o manual ao dizerem que para derrotar uma insurgência é preciso conquistar corações e mentes com equipes de antropólogos, propagandistas políticos e agentes graduados de assuntos civis munidos de kits prontos de democracia. Eles consideram ultrapassado matar ou capturar insurgentes. (Nota DEFESA@NET: o texto original menciona "starry-eyed enthusiasts" em referência ao General Donn A. Starry,que foi o arquiteto da doutrina militar do US Army nos anos 80. Um ataque indireto ao Gen Petraeus, pois Starry também comandou o US Army TRADOC)

Mas a realidade é bem diferente. A lição do Iraque é que forças tradicionais funcionam. Acrescente 30 mil soldados da melhor infantaria do mundo aos 135 mil soldados calejados pela batalha que já estão lá, como foi feito, e a insurgência em menor número estará em séria encrenca. Detenha mais milhares de iraquianos como ameaças à segurança, e o potencial para a violência inevitavelmente declina.

Notícias veiculadas pela imprensa indicam que o número de iraquianos presos dobrou no ano passado, de 15 mil para 30 mil. E embora o número de baixas seja vago, militares disseram ao jornal USA Today em setembro que o número de insurgentes mortos era 25% mais alto do que em todo o ano de 2006.

Apesar de a nova doutrina da contra-insurgência parecer antitecnológica - desencolrajando o uso do poderio aéreo -, comandantes no Iraque conseguiram bons resultados no ano passado deixando de lado tais recomendações. Poucos americanos sabem que os ataques aéreos quintuplicaram em 2007, em relação ao ano anterior, o que ocorreu paralelamente à estratégia de reforço de tropas. Mais uma vez, recorrer à alta tecnologia mostrou ser um grande sucesso.

Dois outros fatos desconfortáveis também ajudaram a reduzir a violência. Primeiro, a população iraquiana em grande parte segregou-se em feudos sectários. Segundo, insurgentes supostamente “regenerados” agora dominam a Província de Anbar. Embora esses partidários sunitas tenham por enquanto tomado o lado dos EUA, será que podemos supor que eles incorporaram a idéia de um Iraque verdadeiramente pluralista e democrático?

Admiradores do manual de contra-insurgência usam-no como um porrete contra as pessoas que planejam a estratégia da próxima guerra em vez da atual. Segundo essa linha de pensamento, a próxima guerra será uma repetição do Iraque e, assim, a maior parte das Forças Armadas americanas deve estar estruturada para a contra-insurgência.

Mas isso não leva em conta outras possíveis ameaças. Será que devemos ignorar a crescente força da China e os planos da Rússia para desenvolver uma quinta geração de caças que irá suplantar o jato americano top de linha, o caça F-22?

Mais ainda: será que alguém acredita que criar equipes de altos funcionários dedicados a assuntos civis irá deter a Coréia do Norte e o Irã?

Sim, há sempre a possibilidade de que nos encontremos mais uma vez combatendo uma insurgência e o manual contém muitas boas idéias. Além disso, a proposta de uma equipe de 20 mil consultores para ajudar as forças locais iraquianas a combater os insurgentes deve logo receber luz verde.

O problema surge quando consideramos alocar excesso de recursos na preparação para apenas um tipo de conflito. Fazer isso colocaria os EUA numa situação de verdadeiro perigo de perder a superioridade tecnológica que tem mantido as ameaças muito mais perigosas à distância. Por exemplo, deve-se considerar que os aviões de guerra dos EUA têm pelo menos 25 anos.

O enorme custo da guerra no Iraque, sem falar na perda de vidas de ambos os lados, deveria aconselhar contra a idéia de uma operação semelhante em outro lugar. Olhando para o futuro, os EUA precisam de Forças Armadas preparadas não em ocupar outro país mas em impedir que os adversários em potencial tenham capacidade de atacar interesses americanos. Essa não é uma tarefa para contra-insurgentes, mas para Forças Armadas de alta tecnologia que substituam os cadáveres de jovens americanos por máquinas.

TRADUÇÃO DE MARIA DE LOURDES BOTELHO

* Charles J. Dunlap Jr. é major-general USAF (equivalente a brigadeiro-do-ar na FAB), autor do livro ortchanging de Joint Fight?, uma avaliação do manual de contra-insurgência do Exército. Ele escreveu esteartigo para ‘The New York Times’

DENEL e SAAB em negociações com a EMBRAER no C-390 - Parceiros de Risco


Keith Campbell
DEFESA@NET Correspondente
em Pretoria

O CEO do grupo industrial DENEL, da África do Sul, de capital estatal, Shaun Liebenberg, revelou que o grupo está em negociações com a empresa brasileira EMBRAER para ser participante de risco (risk-sharing partnership) no novo projeto de aeronave de transporte militar, o projeto C-390.

As negociações envolvem o Grupo DENEL, a companhia subsidiária da Denel, a DENEL SAAB Aerostructures e o grupo sueco SAAB. (DENEL SAAb Aerostructures tem 80% de capital da Denel e os restantes 20% em posse da SAAB.) Estas três empresas estão negociando de forma conjunta com a brasileira EMBRAER.

O modelo de negócio da EMBRAER é de usualmente desenvolver um avião com parcerias de risco. A empresa brasileira desenvolve o projeto e realiza a montagem final da aeronave.

Os parceiros de risco detalham o projeto e produzem muitos dos elementos e componentes da aeronave, incluindo grandes estruturas.

Este modelo tem sido empregado com sucesso pela EMBRAER nas famílias de aviões ERJ145 e os EMB170-190. O C-390 seguirá o mesmo modelo de negócio.

Como a DENEL SAAB Aerostructures será parceira de risco o governo da África do Sul não terá a obrigação de comprar nenhum C-390.

Esse programa diferirá da participação da Denel no avião de transporte militar Airbus A400M. O grupo sul-africano só foi capaz de entrar no programa do avião de transporte militar da Airbus devido ao governo da África do Sul ter adquirido oito aeronaves A400M para a South African Air Force (SAAF).

Liebenberg afirmou que o grupo DENEL e o governo da África do Sul estavam convocando a SAAB para que exerça sua opção de tornar-se acionista majoritária na DENEL SAAB Aerostructures.

A SAAB pode aumentar de seus atuais 20% no capital da holding para 51% e posteriormente 70%. A SAAB já gerencia contratos para a Denel Saab Aerostructures.

Veteranos da FEB em situação crítica


Ancelmo Góis

Alô, Nelson Jobim!

A Associação dos Veteranos da FEB continua em situação crítica. Se não receber ajuda logo, terá de encerrar, qualquer dia desses, suas atividades.

Recomeçou o lobby dos caças


Ilmar Franco

Os embaixadores estrangeiros estão fazendo romaria no Ministério da Defesa. Buscam informações com o ministro Nelson Jobim sobre a nova concorrência, com dispensa de licitação, que o governo vai deflagrar para a compra de caças para aparelhar a Aeronáutica brasileira. Nessas conversas, o ministro informa que o principal critério para a aquisição será o de transferência de tecnologia. O processo será todo reiniciado, pois os parâmetros e aparelhos da concorrência anterior estão defasados do ponto de vista tecnológico. Em breve, a Aeronáutica definirá oficialmente como devem ser os aviões que o Brasil vai comprar.

A defesa nacional

São muitas as preocupações, mas há uma de que não se tem falado nada, e é sobre ela que me permito falar. Trata-se da defesa nacional

JOSÉ ALENCAR

O ORÇAMENTO sofreu um rombo. Coisa parecida com R$ 40 bilhões. O equilíbrio orçamentário é absolutamente essencial para a estabilidade da moeda. Mas o rombo está posto. Quarenta bilhões de reais.

A partir daí, há sérias preocupações, presentes na saúde, na educação, no saneamento, na energia e no transporte, no Bolsa Família. São muitas as preocupações.

Mas há uma de que não se tem falado nada, e é sobre ela que me permito falar, sem desapreço às outras, algumas arroladas aqui. Trata-se da defesa nacional.

Dimensão territorial, população, PIB, situação geográfica, entre outros fatores, nos conferem responsabilidades especiais em relação à região a que pertencemos.

Somos um país que exerce responsabilidades maiores em toda a América Latina, notadamente na América do Sul. Nosso território, é bom lembrar, tem 8,5 milhões de km2. Nossas fronteiras, mais de 15 mil km de extensão. Nossa costa atlântica se estende por 7.367 km, do Rio Grande do Sul ao Amapá.

Nosso país possui riquezas que exigem vigilância responsável. Os recursos minerais, a admirável biodiversidade, as florestas inigualáveis; terra, água e sol que nos tornam um dos melhores países produtores mundiais de alimentos e, agora, biocombustível. Nosso mar territorial, a chamada Amazônia Azul, representando mais de 50% do território nacional, é riquíssimo em petróleo, gás, nódulos polimetálicos e recursos vivos. Um patrimônio de valor imensurável, que exige absoluta atenção e presença de nossas forças em sua defesa.

Essa é a dimensão. São gigantescas as responsabilidades que nos pesam.

E, no entanto, há muitos anos, temos relegado a plano secundário o reaparelhamento das Forças Armadas nacionais, preocupação que deve estar presente na cabeça não apenas de cada homem público, mas de todos os brasileiros.

Está na Constituição Federal que as Forças Armadas destinam-se, entre outras atribuições, à defesa da pátria. Como, porém, defender nossa integridade territorial, a soberania, a integração nacional, a paz social e o progresso? A própria democracia?

Como cumprir essa tão nobre missão desprovidas das condições elementares e essencialíssimas para tal? Como combater -por terra, mar e ar- a estrutura e a reconhecida agilidade do crime organizado, do contrabando, do tráfico humano, de armas e de drogas se não contarmos com os recursos tecnológicos, de equipamentos e de armamentos correspondentes ao tamanho do desafio?

É de fundamental importância a manutenção das Forças Armadas em patamar de atualização técnica e tecnológica, material e humana que lhes permita exercer a inalienável atribuição. O despreparo e a obsolescência de meios certamente custam mais caro. As conseqüências são imprevisíveis. A prontidão tem um custo.

Do ponto de vista humano, nossas Forças Armadas se equiparam às mais bem preparadas do planeta. As academias e escolas de aperfeiçoamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica fornecem ao país, anualmente, contingentes aptos ao cumprimento da missão. O conceito de que desfrutam a Escola Naval, a Academia Militar das Agulhas Negras e a Academia da Força Aérea Brasileira tem despertado a busca permanente, por parte de outros países, de oportunidade de treinamento e aperfeiçoamento para elementos de suas forças.

Como nação soberana, o Brasil requer uma capacidade de defesa compatível com a sua estatura político-estratégica e com sua crescente inserção no concerto internacional. Nesse sentido, cabe lembrar que o decreto 5.484/05, que aprova a Política de Defesa Nacional, define que "é prioritário assegurar a previsibilidade na alocação de recursos em quantidade suficiente para permitir o preparo adequado das Forças Armadas".

Assim, a manutenção da previsão orçamentária para o ano de 2008 é imprescindível ao atendimento das necessidades mais prementes e imediatas das três forças, tanto no que diz respeito ao reaparelhamento material como na atualização dos soldos, fazendo-se justiça.

Somente dessa forma elas poderão ajustar-se à estatura político-estratégica da nação, ficando em condições de respaldar as decisões soberanas do país, seja no cenário regional, seja no mundial.

É oportuno reiterar que o Brasil não pode prescindir de Forças Armadas que assegurem seus bens e interesses, que permitam honrar seus compromissos internacionais e que respaldem sua posição histórica de fiador da paz e da harmonia entre as nações.


JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA , 76, é vice-presidente da República Federativa do Brasil. Foi ministro da Defesa de 2004 a 2006.

22 Janeiro 2008

CTEx vai desenvolver VANTs com empresa de S.J. dos Campos


A empresa Flight Solutions anunciou esta semana que ganhou a licitação do CTEx – Centro Tecnológico do Exército - para o desenvolvimento e fornecimento de VANTs – Veículos Aéreos Não-Tripulados. A partir dos próximos meses, eles atenderão o CTEx – localizado no Rio de Janeiro, com quem trabalharão lado a lado.

O contrato, a ser assinado entre fevereiro e março de 2008, com previsão de 12 meses, envolve o desenvolvimento e fornecimento de um sistema composto por três VANTs. Será feita a integração de uma plataforma aérea, um sistema de controle e de uma estação de solo.

Na primeira fase serão realizadas as revisões nas especificações técnicas do projeto básico. Na segunda, haverá o desenvolvimento das soluções, e na terceira a fabricação e entrega do sistema. Todas as fases terão lugar em São José dos Campos. Para atender essa nova demanda, a Flight Solutions adequará sua estrutura, dobrando a equipe, que passará de 10 para 20 profissionais.

O contrato também terá grande importância nacional, pois pode levar o Brasil a uma posição de destaque na aplicação da tecnologia de VANTs na América Latina. Hoje, países como Argentina e o México já possuem iniciativas avançadas para o uso destas tecnologias em aplicações não só militares, mas também civis.

Atualmente, o mercado de VANTs é um dos mais dinâmicos da indústria aeroespacial e tem apresentado recordes de crescimento. Na última década, este mercado triplicou, impulsionado principalmente por contratos nos Estados Unidos e em Israel, movimentando cerca de US$3 bilhões anualmente. A América Latina juntamente com Oriente Médio e África correspondem a 3% deste total e concentram o principal foco da Flight Solutions para abertura de seus mercados.

Chile modernizará submarinos equatorianos

Blog naval

O Ministério de Defesa do Equador firmou com o estaleiro chileno ASMAR (Astillero y Maestranza de la Armada de Chile) um contrato para a modernização dos dois submarinos Tipo 209/1300 no último 11 de janeiro. O contrato prevê a recuperação integral dos submarinos, instalação de novas baterias e novos periscópios. O projeto deve ser concluído em 2012, capacitando os navios para mais vinte anos de vida útil, segundo a Marinha do Equador.

A Marinha do Equador encomendou dois submarinos Tipo 209/1300 em 1974. O primeiro, S101 Shyri, foi entregue em fins de 1977 e o segundo, S 102 Huancavilca, no início de 1978. Ambos sofreram pequenas atualizações na década entre 1983 e 1984 e posteriormente entre 1993 e 1994. O S101 ainda passou pelo ASMAR em 1999, quando recebeu alguns melhoramentos.

A modernização faz parte do “Plan de Fortalecimiento del Poder Naval” equatoriano que, possivelmente, também incluirá a aquisição de duas fragatas chilenas usadas.

Submarino indiano colide com mercante

Blog Naval

O INS Sindhughosh colidiu com o mercante MV Leeds Castle (bandeira das Ilhas Cayman) no último dia 10 de janeiro. O incidente aconteceu no Mar da Arábia e não teve feridos. O submarino encontrava-se em profundidade periscópica e, segundo autoridades indianas, os danos foram mínimos e atingiram parte da vela. Após o incidente o submarino voltou para o porto de Bombaim.

Segundo fontes não oficiais, a colisão ocorreu porque o sistema de sonar do submarino (USHUS), desenvolvido localmente, apresentou falhas e não localizou o mercante.

A classe Sindhughosh, formada por dez unidades, deriva do projeto 877 (ou classe Kilo segundo classificação da OTAN), desloca aproximadamente 3.000 t e atinge uma velocidade máxima, quando submerso, de 18 nós. O último da classe, o INS Sindhushastra foi o primeiro submarino indiano equipado com mísseis de cruzeiro 3M-54 Klub (SS-N-27 pela OTAN), cujo alcance atinge 220 km. Especula-se que testes com mísseis desse tipo na Marinha da Índia tenham falhado. Os mísseis lançados não encontram seus alvos.

O futuro dos Falcões

10 anos depois de sua criação, o 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque da Marinha luta contra o baixo orçamento e dificuldades técnicas, mas ainda há luz no fim do túnel

Alexandre Galante

Limitada por um decreto governamental desde 1965, a Marinha do Brasil só podia operar helicópteros a bordo do seu porta-aviões. Os aviões embarcados P-16 Tracker pertenciam à FAB. Mas em abril de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu permissão à Marinha para novamente operar aeronaves de asa-fixa e, três meses depois, foram comprados por US$ 70 milhões, 23 caças-bombardeiros A-4KU Skyhawk do Kuwait, incluindo peças de reposição e 217 mísseis ar-ar Sidewinder AIM-9H.

Na Marinha do Brasil os aviões receberam as designações AF-1 (monoplace) e AF-1A (biplace) e foram alocados ao recém-criado 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1).

A compra dos jatos Skyhawk e a posterior aquisição do navio-aeródromo francês Foch (rebatizado São Paulo) em setembro do ano 2000, deram à Marinha a chance de recuperar o tempo perdido na formação da doutrina da aviação de asa-fixa embarcada.

A Esquadra brasileira sempre se ressentiu da falta de apoio aéreo às operações navais afastadas do litoral e a posse de um navio-aeródromo de maior porte dotado de aviões de ataque com alguma capacidade de interceptação, elevou a Marinha do Brasil a um novo patamar operacional.

10 anos depois...

... a situação não é tão animadora quanto no início. Atualmente nenhum AF-1 Skyhawk está em condições de vôo por falta de motores e o navio-aeródromo São Paulo ainda deve demorar a voltar ao mar, devido a um problema num de seus eixos propulsores.

Há muito tempo a Marinha vinha mantendo apenas dois aviões em condições de vôo, um AF-1 e um AF-1A, por falta de recursos.

Em maio de 2005 foi selecionada a Lockheed Martin da Argentina para o serviço de apoio de seis jatos A-4 (AF-1) e para 10 turbinas J52-P408. O contrato para um período de quatro anos foi avaliado em US$ 6,5 milhões. Embora o trabalho da Lockheed tenha sido elogiado em alguns pontos, até agora nenhum motor enviado à Argentina foi devolvido revisado. Por causa desse atraso, a Marinha do Brasil teve de procurar um novo fornecedor para o serviço das turbinas e parece que a empresa IAI israelense foi a escolhida. Estima-se que os AF-1 só voltarão a voar no segundo semestre de 2008. Enquanto isso, os pilotos do Esquadrão VF-1 estão voando no simulador do Skyhawk instalado em São Pedro de Aldeia e nos aviões AT-26 Xavante da FAB, em Natal.

Com o esperado retorno do NAe São Paulo às operações normais e a chegada dos motores revisados dos AF-1, imagina-se que os pilotos navais brasileiros possam finalmente voltar a pousar e decolar do nosso porta-aviões ainda em 2008.

Uma performance histórica

O A-4 Skyhawk dispensa apresentações. Uma busca no Google traz 45.600 referências sobre a aeronave. Mas nunca é demais relembrar que o A-4 é um dos melhores e mais simples projetos de aviões de ataque de todos os tempos, tendo deixado sua marca registrada nas guerras do Vietnam, Yom Kippur e Malvinas. Neste último conflito no Atlântico Sul, em 1982, os Skyhawk argentinos afundaram com bombas "burras" o destróier Type 42 HMS Conventry e as fragatas Type 21 HMS Antelope e Ardent, bem como causaram pesadas avarias em vários outros navios. Mesmo em cenários atuais, como foi provado em exercícios, os Skyhawk ainda podem causar sérios problemas para navios de superfície modernos, pois seu pequeno tamanho e alta velocidade rente ao mar, o fazem um alvo difícil de ver, de detectar e derrubar.

Pela sua manobrabilidade, na arena ar-ar o A-4 também foi considerado um adversário de respeito, haja vista que o modelo foi usado como agressor durante muito tempo na escola Top Gun da US Navy. Vale lembrar que nossos AF-1 são da versão Skyhawk II, cujo motor tem quase 20% de potência a mais que as versões anteriores. Isso dá a eles uma performance muito melhor em combate aéreo aproximado.

Os Skyhawk brasileiros só não podem render mais por causa da sua aviônica analógica e pela falta de armamento ar-ar no "estado-da-arte".

Vale a pena modernizar?

Os Skyhawks da MB pertencem ao último lote fabricado pela McDonnell Douglas, tendo sido entregues ao Kuwait entre 1977 e 78. Como comparação, os F-5E da FAB que estão sendo atualmente modernizados, começaram a ser recebidos em 1976.

Apesar de serem veteranos da primeira Guerra do Golfo, quando foram comprados pelo Brasil os A-4KU tinham apenas 1.600 horas de vôo, e ainda encontram-se em excelente estado, segundo uma vistoria técnica recente. Levando-se em conta esse fatores, a MB planeja usar os aviões até 2020/25, que é também o limite da vida útil projetada do NAe São Paulo.

Sendo assim, foi instituído um Grupo de Trabalho, para estudar a revitalização e modernização dos AF-1 Skyhawk. O estudo prevê que a modernização seja conduzida no Brasil e usando o máximo possível de componentes do programa F-5BR e A-1M, levado a cabo pela Embraer e a Elbit israelense.

A revitalização, numa primeira etapa, compreenderá a substituição dos componentes mais envelhecidos e sujeitos a panes, que reduzem a disponibilidade dos aviões, como o sistema de navegação e rádio. Uma segunda opção de modernização abrangerá também a instalação de um glass cockpit, similar ao do F-5EM e do A-29 Super Tucano da FAB. E um terceiro pacote, incluirá um radar multimodo.

A abrangência do pacote de revitalização/modernização vai depender obviamente da disponibilidade de recursos. Acredita-se que o pacote mais completo custará em torno de US$ 66 milhões por 12 aviões modernizados, o que é praticamente o valor de apenas uma unidade do novo caça do Programa FX-2, que em breve deve ser escolhido pela FAB.

Se levarmos em conta que os Falcões após a modernização terão sua capacidade de combate multiplicada, similar à alcançada pelos F-5EM e A-1M (AMX) da FAB, a relação custo/benefício será bastante satisfatória para a Marinha.

Entre os radares que poderiam ser instalados no Skyhawk está o multimodo Mectron SCP-01 Scipio, feito no Brasil em conjunto com a Itália, e que será instalado nos AMX da FAB. É um radar otimizado para funções ar-superfície com alguns modos simples ar-ar. O radar tem a função de auxiliar o piloto a fazer operações de ataque ao solo e combate aéreo. Foi projetado para ser instalado a bordo do AMX e ser o principal sensor do subsistema de armas. O Scipio também poderia ser adaptado aos Skyhawk da MB.

O radar pode mapear o terreno, indicar alvos móveis terrestres, evitar o terreno, fazer telemetria ar-solo e ar-ar, busca marítima e tem capacidade look down/look up (olhar para cima e para baixo).

Operando na banda X, com agilidade de frequência, o radar é capaz de identificar um alvo de 100 metros quadrados no mar a 50 milhas e tem alcance de 20 milhas contra um alvo aéreo de 5 metros quadrados.

É bom lembrar que o principal avião de combate argentino atual é o Skyhawk versão A-4M, que foi modernizado nos EUA, e emprega um radar APG-66 modificado.

Armamento ousado

Hoje qualquer treinador turboélice ou à jato pode tornar-se um adversário ar-ar perigoso para caças legítimos, graças aos avanços de mísseis como o Python 5, que pode ser disparado contra alvos fora do eixo longitudinal do avião, com o buscador do míssil "amarrado" à mira do capacete do piloto. Graças à miniaturização da eletrônica, até um míssil BVR como o israelense Derby pode ser levado pelo Skyhawk, pois seu tamanho é pouco maior que um Sidewinder. O Derby já é usado pela FAB no F-5EM.

Da mesma forma, na arena ar-superfície existem armas stand-off que permitem o ataque a alvos bem defendidos no mar e na terra. Um ótimo candidato para o AF-1 modernizado seria o míssil Popeye 2 (ou Have Lite), da Lockheed e Rafael, já homologado para o Skyhawk, guiado por TV e IR, com alcance de mais de 50 milhas náuticas.

O míssil Popeye 2 é o sonho de qualquer aviador naval, pois permite o engajamento de alvos bem fora do alcance de mísseis superfície-ar, arriscando o mínimo possível a vida dos pilotos contra alvos bem defendidos.

Bombas guiadas a laser (e por GPS) também poderão fazer parte do repertório dos AF-1 modernizados, de preferência adquirindo-se os kits Lizard já usados pela FAB.

Homologar o míssil antinavio AM39 Exocet (já usado pela Marinha nos seus helicópteros SH-3) para ser disparado do Skyhawk pode ter complicações que não compensem, sendo assim poderiam ser adquiridas algumas unidades do míssil Gabriel III já compatibilizado ao A-4.

Embora o custo do armamento moderno seja elevado, é possível a aquisição de pequenas quantidades para familiarização e treinamento, até que se tenha condições para formação de estoques de guerra.

O tempo é agora

A Marinha do Brasil soube ousar quando quis ter de volta o direito de possuir seus aviões de combate e também quando adquiriu o NAe São Paulo.

Se ela pretende que sua aviação embarcada tenha uma capacidade de combate crível no século XXI, será preciso ousar novamente. Até que novas aeronaves e um novo NAe possam ser adquiridos pelo Brasil, é necessário modernizar os Falcões e o porta-aviões São Paulo, tendo em vista a disparidade tecnológica desses meios em comparação com a tecnologia aeronaval atual e das próximas duas décadas. Mas é preciso agir logo, para que a janela de oportunidade não se perca, tendo em vista a idade dos equipamentos, que se aproximam cada vez mais do final de sua vida útil.

Míssil anti-navio KH-59M (Kazoo)



O Kh-59M foi pensado para ser a versão anti-navio do KH-59. Há uma versão armada com uma ogiva perfurante que tem um peso de 315Kg

Informação genérica: O Kh-59, designado AS-13 Kingspot pela NATO é um míssil ar-terra de médio alcance destinado a atacar grandes alvos estáticos, como edficios ou pontes, com grande precisão. Ele lembra em termos de conceito o AGM-84E americano.

Este míssil é utilizado pela China a bordo dos seus aviões Su-30MKK.

Ele voa a cerca de 7 metros acima da água ou 100 a 1000 M acima do nível do solo, com o auxilio de um altimetro incorporado.

Fabricante: Raduga

Função Principal: Anti-navio

Alcance: 115 km

Velocidade: 1.026 km/h

Comprimento: 5,6 m

Peso total: 930 kg

Tipo de ogiva: Alto explosivo

Peso da ogiva: 280 kg

Sistema de orientação: eletro-ótica (TV)

Bomba guiada Paveway-III (GBU-22/24/27)



As bombas conhecidas como Paveway-III são uma nova série de bombas guiadas por laser do tipo Paveway com várias modernizações.

As bombas Paveway-III começaram a ser desenhadas em 1976 a pedido da Força Aérea dos Estados Unidos.

Este armamento só entrou ao serviço em 1986 e é presentemente utilizado.

Entre as diferênças que marcam as bombas do tipo Paveway-III está o alcance maior e um sistema de navegação muito mais preciso, que permite atingir o alvo com uma precisão de poucos metros, se tanto.

No entanto, porque os seus sistemas são muito mais sofisticados, eles são também muito mais caros.

Dado se tratar de uma arma com muito maior precisão, ela foi inicialmente desenhada para utilização com as bombas do tipo Mk.82, mais pequenas, pois havendo certeza de atingir o alvo, não é necessário tanto explosivo.

No entanto a prática mostrou que a eficiência do sistema não era suficiente, pelo que a maioria das bombas guiadas a laser do tipo Paveway-III são baseadas na bomba Mk.84 (GBU-24)

As principais bombas do tipo Paveway-III

- GBU-22 (baseada na bomba Mk.82 de 227Kg). Esta bomba acabou por não se adoptada pelos Estados Unidos.

- GBU-24 (Baseada na bomba Mk.84)

- GBU-27 (idêntica à GBU-24) é adaptada para utilização por bombardeiros Stealth como o F-117, com aletas mais pequenas para permitir o seu transporte.

Informação genérica: PAVE, quer dizer »Precision Avionics Vectoring Equipment»

Ou seja, trata-se da versão da Raytheon para bombas guiadas por laser. Os primeiros testes de um sistema Paveway-I ocorreram em 1965, em plena guerra do Vietname.

No inicio dos anos 70, a Paveway-II deu lugar à Paveway-II. Em 1986 entrou ao serviço a Paveway-III com muito maior alcance e maior precisão.

Os kits Paveway, são kits que se aplicam às bombas de utilização geral da série Mk.80. Os kits adaptados com ogiva de penetração são conhecidos como BLU .

Existe ainda a Paveway-IV que é no entanto um concorrente do sistema J-DAM utilizando um sistema de navegação por GPS.

Austrália considera Sukhoi Su-34 para defesa naval

Bombardeiro naval e maior numero de submarinos nos planos australianos

Na Austrália, com a chegada ao poder de um novo governo, as opções estratégicas tomadas pela antiga administração têm movido as águas da área da defesa. Não só foram feitas revelações relativas aos problemas com a modernização das fragatas do tipo OHP, como em declarações à imprensa o novo ministro da defesa tem vindo a dar algumas ideias sobre o que pensa para o futuro das forças armadas australianas.

As forças armadas da Austrália, têm nos últimos tempos acompanhado com cuidado e não sem preocupação as movimentações de países da sua região, que vão no sentido de se armarem com equipamentos cada vez mais sofisticados pois no sudoeste asiático, marinhas como as da Indonésia, Malásia e mesmo Singapura acrescentam unidades poderosas aos seus efectivos e naquelas águas vão-se encontrar mais tarde ou mais cedo os poderes emergentes da Índia e da China.

Pressão sobre Washington

Embora as recentes afirmações ou intenções dos responsáveis australianos sejam vistas por alguns analistas como apenas resultado da chegada ao poder de um novo o governo com necessidade de marcar a diferença, não deixam de passar despercebidas as novas possibilidades que pelo menos em teoria se abrem para a industria militar naquela região do mundo.

Considerando as necessidades estratégicas da Austrália e o seu posicionamento defensivo, conjuntamente com a sua enorme costa, a Austrália concluiu que a operação de porta-aviões não faz sentido, pelo que está mais que afastada a possibilidade de o país vir a operar tal tipo de meio naval.

A Austrália pretende substituir de forma efectiva os caça-bombardeiros F-111 que estão no fim da sua vida útil e ao mesmo tempo acrescentar a um potencial substituto a possibilidade de utilização como aeronave adequada ao controlo de áreas marítimas, equipando a força aérea com uma aeronave com capacidade para operações navais mas baseada em terra.

Entre as possibilidades aventadas está a possibilidade de a Austrália se candidatar à compra do super-caça F-22 que os Estados Unidos até ao momento reservam exclusivamente para as suas forças armadas.

A recente encomenda de aeronaves F-18C/D é considerada apenas como uma compra intermédia até à aquisição de novos meios.

Alegadamente como forma de pressão sobre os seus tradicionais aliados norte-americanos, que já afirmaram que não venderão o F-22, a Austrália terá não oficialmente sugerido a Washington que o país não descarta a possibilidade de adquirir armamentos russos para as suas forças armadas.

Neste caso, a arma mais interessante para a Austrália é o caça-bombardeiro naval baseado em terra conhecido como Su-32FN e mais recentemente rebaptizado Su-34.

Força de 12 submarinos

Entre as outras opções que os estrategas australianos consideram, estão as propostas do Instituto Submarino da Austrália, uma instituição prestigiada e que conta com alguns dos principais submarinistas do país, que explicam que a Austrália deve potenciar a sua defesa através de um claro aumento das suas capacidades navais e em especial a arma submarina.

Neste aspecto analistas da imprensa australiana consideram como absolutamente insuficiente o número de submarinos presentemente ao serviço e consideram que no mínimo a Austrália deve operar para substituir os actuais seis submarinos da classe Collins uma frota de 12 unidades, numa região onde em 2025 haverá cerca de 150 submarinos modernos em operação.

Nuclear deverá ser posto de lado

De realçar que embora as novas autoridades australianas considerem importante a defesa das águas australianas, e a possibilidade de construção de submarinos movidos a energia nuclear não tenha sido completamente abandonada ela é remota.

A razão prende-se com o facto de a força submarina do país não ser previsivelmente uma força de escolta de «forças tarefa» mas sim uma força de patrulha, onde a velocidade não é relevante e os actuais submarinos convencionais serem mais silenciosos e mais difíceis de detectar que os submarinos nucleares.

Junto a esta realidade estão factos como a não existência na Austrália de uma industria nuclear naval e o custo proibitivo que teria a manutenção de uma força de mais de uma dezena de navios do tipo.

Embora seja provavelmente uma classe de navios convencionais, os futuros submarinos da Austrália deverão ser fabricados no país e conforme especificações australianas, dado as necessidades da Austrália serem únicas e muito específicas.

Reajuste de dois dígitos em duas vezes para os militares


Marco Aurélio Reis

Rio - O reajuste dos soldos vai ocorrer até julho, uma vez que após este mês a legislação eleitoral o tornaria ilegal. A “recomposição” dos vencimentos está garantida pessoalmente pelo presidente Lula. O índice depende da nova proposta orçamentária da União para este ano, que não sai antes do Carnaval. Como a Quarta-feira de Cinzas é no dia 6 de fevereiro, antes do dia 15 não se deve tocar mais no tema aumento salarial nos quartéis. Esse é o tom do Boletim Periódico da Força Aérea e do Informex do Exército, divulgados quinta-feira passada com a assinatura dos comandantes das duas forças.

Na Marinha, um Boletim de Ordens e Notícias (Bono) saiu na mesma data, mas limitando-se a reproduzir nota com o mesmo teor divulgada na véspera pelo Ministério da Defesa. Os comunicados oficiais foram decididos em reunião dos três comandantes com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, na tarde da mesma quinta-feira.

Conhecendo a tropa, os comandantes sabem que disseram o que seus subordinados não queriam ouvir, mas, com isso, apostam ter ferido de morte os ânimos mais exaltados que, a partir de integrantes da reserva, insuflavam um inédito protesto de militares. Após isso, não estão alimentando os comentários que o aumento ficará em 7% — bem abaixo dos 14%, 27%, 34% e até 37% discutidos até o ano passado.

Trabalham silenciosamente para um aumento de dois dígitos ainda este ano, com mais dois dígitos em setembro de 2009.

Militares descontentes com a falta de reajuste ameaçam greve



A presidente da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (Unemfa), Ivone Luzardo, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, estão desmoralizados perante as Forças Armadas. A razão, segundo ela, seria o descaso com que o governo vem tratando as dificuldades enfrentadas pelas tropas e a demora em conceder um reajuste real.

A Agência Brasil procurou Ivone após consultar vários militares que, protegidos pelo anonimato, confirmaram sua legitimidade para falar em nome dos servidores. Ela se tornou conhecida após liderar manifestações em prol de melhorias salariais e de condições de trabalho da categoria. Também foi candidata a deputada federal pelos Democratas (DEM) nas últimas eleições e hoje é uma das suplentes do partido.

Ivone diz que o clima nos quartéis ficou insustentável após o Ministério da Defesa ter anunciado, na última terça-feira, que o aumento que vem sendo negociado desde 2007 não sairá antes da segunda quinzena de fevereiro. Ela confirmou a existência de rumores sobre uma possível paralisação geral no próximo dia 31.

Segundo Ivone, a categoria não entende a demora. Desde 2004, os militares obtiveram 33% de reajuste, o que classificam como uma mera reposição de perdas anteriores.

Ela lembrou que, no dia 9 de outubro de 2006, o ministro Nelson Jobim recebeu representantes da Unemfa para discutir o assunto. "Ele nos disse que teria um estudo detalhado em 30 dias, que iria resolver o assunto. Nós dissemos que voltaríamos para saber uma definição. Percebemos boa vontade, mas sabemos que não depende apenas dele".

A assessoria do ministério confirmou que Jobim se comprometeu a voltar a conversar com a entidade, mas que não falou nada a respeito de apresentar qualquer detalhamento sobre o reajuste.

Ameaça de greve pela internet

O clima de insatisfação e indignação entre militares aumentou desde que o Ministério da Defesa anunciou que o reajuste salarial da categoria não sairá antes da segunda quinzena de fevereiro.

Mensagens anônimas sobre uma possível paralisação geral no próximo dia 31 já vinham sendo publicadas em fóruns de discussão na internet desde dezembro, mas se tornaram mais acaloradas após a suspensão temporária das negociações na terça-feira.

Preservados pelo anonimato, já que não podem se manifestar publicamente, alguns militares aceitaram conversar com a Agência Brasil. Comentaram o que classificam como descaso do governo e reclamaram do "tratamento inadequado" dispensado às três forças e à questão da segurança militar.

Alguns deles confirmaram os rumores sobre a manifestação, mas não atestaram se os pelotões estariam realmente dispostos a se amotinar. Coube aos aposentados e às esposas de militares tornar pública a insatisfação das tropas.

No fórum de debates do site Portal Militar, a paralisação de todas as atividades e a concentração maciça nos refeitórios das unidades militares foi anunciada no dia 18 de dezembro.

"Marque no seu calendário: 31 de janeiro, dia da primeira paralisação nacional das Forças Armadas por melhores condições de vida e salariais", escreveu um usuário do site, sob o pseudônimo Caserna7777.

"Já estou repassando as mensagens. Agora, vai ou racha. Quero ver onde vão prender tanta gente. O motim existe e vai acontecer", respondeu em seguida um usuário do site, protegido pelo codinome Agitadores.

Em resposta a um comentário sobre a ineficácia de uma paralisação militar, Gabriel36 lembrou possíveis impactos para determinados setores, como indústrias químicas, fábricas de munições, pedreiras e a própria Petrobras.

O presidente da Confederação Nacional da Família Militar (Confamil), capitão Waldemar da Mouta Campello Filho, não acredita em uma paralisação, mas classifica os rumores como "um indicador do estado de espírito de revolta, motivado por insatisfação". A Confamil reúne 28 entidades, representando, segundo o capitão, cerca de 1 milhão de pessoas.

Campello acha provável que as mensagens estejam sendo publicadas nos fóruns por alguém da reserva, que não terá muito a perder caso a paralisação se concretize.

"Esse pessoal fica querendo incendiar. Agora, o pessoal da ativa tem uma carreira e tudo que fizerem contrário ao código militar será um risco".

21 Janeiro 2008

CAMINHÕES RUSSOS NO EXÉRCITO E FORÇA AÉREA BRASILEIRA



Expedito Carlos Stephani Bastos

O Exército e a Força Aérea estão operando uma pequena quantidade de caminhões russos modelo URAL 375 (denominação nas publicações ocidentais) 6x6 e 4x4 apreendidos entre 1999 e 2001 pela Receita Federal como importação ilegal no porto de Santos. Todos foram fabricados na Rússia em 1997.

Tudo indica que no mínimo uma dúzia deles foi importada de forma irregular por um particular e após sua chegada foram tomados pela Receita Federal que os manteve por algum tempo estocados em um de seus depósitos e posteriormente eles foram entregues ao Exército e Aeronáutica, pelo menos três deles foram leiloados como material inservível para a força terrestre, na versão caçamba basculante em 2004, num leilão efetuado pelo 22° Batalhão Logístico de Barueri, SP.

Os remanescentes se encontram na Fazenda da Aeronáutica e no 13° Regimento de Cavalaria Mecanizada, ambos em Pirassununga, SP.

Pelo levantamento efetuado foi possível saber que pelo menos dois eram da versão 6x6 transporte de tropas e dois basculantes (na nomenclatura da fábrica este modelo é o URAL 4320-31) e os demais 4x4 transporte de tropas, com pelo menos dois tipos de pneus (nomenclatura da fábrica URAL 43206).

As versões apreendidas já possuem motor diesel YaMZ-238M2 em V de oito e seis cilindros respectivamente, que substituíram com sucesso os a gasolina das versões mais antigas, visto que os veículos se encontram em produção desde o início dos anos 60, participando dos principais conflitos ocorridos no planeta.

Eles impressionam pela rusticidade, tamanho e desempenho em terrenos acidentados. São todos mecânicos e com algumas facilidades para a tropa que o opera no dia a dia, superando em muito as versões militarizadas em uso atualmente, fornecidas por empresas brasileiras, o que vale uma comparação.

Como características, possuem grande capacidade de carga e de operação em terrenos de difícil locomoção, com faixas de temperatura de -50 até + 50º Celsius. Essas características somadas aos preços competitivos, explicam o fato de que cada vez mais os militares latino-americanos tem dado atenção aos veículos russos, visto que só o Uruguai opera 400 deles, além do México que em 2003 adquiriu 50, é possível ver ainda versões mais antigas operando no Peru e em outros países da região.

Três foram repassados à Força Aérea que os está utilizando em sua Fazenda na cidade de Pirassununga, SP, onde existe dois na versão 4x4 e um na 6x6, sendo que este sofreu algumas alterações efetuadas por um mecânico naquela cidade que após retirar sua carroceria de metal para transporte de tropas, acrescentou ao mesmo um dispositivo que o permite tracionar uma carreta graneleira na ordem de 40 toneladas, tendo inclusive já rebocado até 60 toneladas de soja e milho, todo pintado no azul padrão dos veículos da FAB. Da versão 4x4, um foi transformado em transporte de suínos e bovinos para o abate, recebendo uma grande gaiola sobre a carroceria, com uma porta traseira por onde entram e saem os animais e foi mantido na cor verde claro original, estando o outro na forma original recebida, pintura areia claro. Eles já estão em operação há quatro anos.

Já os do Exército receberam a tradicional pintura camuflada em dois tons, verde e marrom, e pelo menos um ostenta o emblema do EB na porta com a designação da unidade.

Tive a oportunidade de efetuar um teste com um dos caminhões, na versão 4x4, realmente ele me surpreendeu, fazendo o percurso usado normalmente pelos carros de combate de lagartas Leopard 1A1 do então 2º R.C.C. transferido para o sul do país com seus carros de combate, ficando no seu lugar o 13 R.C.Mec.

O desempenho foi fantástico, superando com facilidade todos os desníveis do terreno e em alguns momentos criando seu próprio caminho. O interior da cabine é muito espartano, com pouco conforto, mas funcional. Suas maçanetas são em antimônio e em alguns já estão quebradas.O painel de instrumentos à frente do volante é feito em metal e plástico, e no seu lado direito um grande porta-luvas. Já o espaço interno é o suficiente para três pessoas de tamanho grande com o assoalho livre, nele estando apenas os três pedais, a alavanca da caixa de marchas, que é uma caixa seca, similar aos nossos velhos Chevrolet 67 e mais duas alavancas das reduzidas.

Extremamente forte, o veículo responde de imediato ao comando do motorista e realiza manobras como se em terreno plano estivesse, seja descendo um local muito íngreme ou superando um obstáculo que pode ser deste um simples buraco a um barranco que barraria a maioria.

Sem dúvida deveríamos testar mais e compreender melhor o que temos em nossas mãos, visto que ele teria grandes aplicações num Exército que sofre uma grande penúria de verbas para se equipar e também em razão das dimensões continentais de nosso país, seria extremamente útil e um fator de mobilidade na maior parte de nosso território, principalmente na forma de locomoção nos mais variados tipos de terreno. Outro fator que deveria ser levado em conta é a sua simplicidade, o que muito ajudaria na manutenção e com certeza daria menos problemas do que caminhões mais sofisticados e com sérias limitações como os que possuímos na atualidade, já que os últimos caminhões militares em uso são os remanescentes REO de origem americana e os Engesa EE-25 de fabricação nacional, sendo todos os demais versões militarizadas, derivadas de modelos civis.

Finalmente um fator que muito ajudaria seria o preço competitivo destes caminhões, bem como a grande variedade de modelos para quase todos os tipos de funções existentes e que se encaixariam dentro de nossa realidade, para num futuro retomarmos parte do que foi nossa capacidade em produzir material defesa para nossas forças armadas.

A título de curiosidade, os catálogos de peças russos, nada ficam a dever aos americanos tão conhecidos por nós desde os tempos da segunda guerra mundial...

Ficha Técnica

URAL 43206 4x4

Tara: 4,2 toneladas;
Peso total: 12,15 toneladas;
Velocidade máxima: 85km/h;
Capacidade do tanque de combustível: 210 litros de diesel + 60 no tanque reserva;
Consumo: 1,080 litros por quilômetros em estradas;
Motor: YaMZ-236M2, turbo, diesel, 180Hp, V-6;
Tripulação: Cabine: 3 homens + 27 na carroceria;
Raio mínimo de giro: 10,5 metros;
Comprimento: 7,475 metros;
Largura: 2,50 metros;
Altura: 2,650m com capota de lona e 2,965m com capota de metal;
Entre-eixos:4,405 metros;
Bitola: 2,0 metros;
Distância do solo: 0,36 metros;
Pneus: 1.200 x 500-508 ID-P284 com controle de pressão;
Obstáculos – entrada: 31°;
Inclinação lateral máxima: 20º;
Profundidade máxima: 1,20 metros;
Capacidade máxima no guincho: 10 – 11 toneladas/força;
Comprimento do cabo: 60 metros.

URAL 4320-31 6x6

Tara: 6 toneladas;
Peso total: 14,90 toneladas;
Velocidade máxima: 85km/h;
Capacidade do tanque de combustível: 300 litros de diesel + 60 no tanque reserva;
Consumo: 0,98 litros por quilômetros em estradas;
Motor: YaMZ-236M2, turbo, diesel, 240,Hp, V-8;
Tripulação: Cabine: 3 homens + 27 na carroceria;
Raio mínimo de giro: 10,8 metros;
Comprimento: 7,630 metros;
Largura: 2,50 metros;
Altura: 2,805m com capota de lona e 3,005m com capota de metal;
Entre-eixos: 4,405 metros;
Bitola: 2,0 metros;
Distância do solo: 0,40 metros;
Pneus: 14.00-20 146G OI-25 comcontrole de pressão;
Obstáculos – entrada: 31°;
Inclinação lateral máxima: 20°;
Profundidade máxima: 1,70 metros
Capacidade máxima no guincho: 10 - 11 toneladas/força.

Espanha comprou mísseis Spike


O governo espanhol anunciou ter assinado com a Rafael, de Israel, um contrato de 44.047.963 Euros para o fornecimento de mísseis ar-superfície Spike ER para utilização a partir dos helicópteros de ataque Tiger (a combinação é vista na foto). O Spike ER é um míssil multifunção para helicópteros, para emprego em alcances de 400m a 8.000m, dotado de um enlace de dados bidirecional de fibra ótica que permita ao atirador visualizar a imagem da cabeça de busca do míssil antes e durante seu vôo. Baseado nessa imagem, o atirador pode direcionar o míssil até o alvo. A cabeça de guerra é do tipo PFR (Penetration, Blast and Fragmentation — Penetração, Sopro e Fragmentação), que só explode após o alvo ter sido penetrado

Arábia Saudita encomenda A330 MRTT


Concluindo o processo competitivo iniciado em 2006, a Arábia Saudita decidiu adquirir três aeronaves A330 MRTT (Multi-Role Tanker Transport) para a Royal Saudi Air Force. Os aviões serão equipados com casulos subalares para reabastecimento, bem como a EADS CASA Advanced Refuelling Boom System. O A330 já foi selecionado pela Austrália e Emirados Árabes Unidos, e apontado como a opção preferida do Reino Unido.

Os últimos Búfalos da FAB

Hélio Higuchi & Paulo Roberto Bastos Jr. – Base Militar

A comemoração do 37º aniversário de criação da Base Aérea de Manaus (BAMN), da Força Aérea Brasileira (FAB), no dia 29 de abril de 2007, teve como destaque a incorporação oficial dos primeiros aviões de transporte militar EADS/CASA C-295, nomeados na FAB como C-105A Amazonas, ao 1º Esquadrão do 9º Grupo de Aviação (1º/9º GAV). Eles vieram para substituir os veneráveis De Havilland Canada DHC-5A Buffalo (C-115 Búfalo na FAB), que até aquela data era o principal vetor do esquadrão.

O sobrevôo em formação de ambas as aeronaves representava o passado e o futuro, despertando a nostalgia com estes veteranos, pois era claro o clima de despedida com a sua iminente desativação, prevista para setembro de 2007.

Finalmente os Búfalos estariam chegando ao limite de sua vida útil? Por incrível que pareça a resposta parece ser não. Suas células estão com apenas 11500/12000 horas de vôo, o que garante que ainda podem voar por um bom tempo (pelo menos mais 5000 horas). Todavia, desde o início da década de 90, quando se iniciaram os planos para substituí-lo, cessaram os investimentos para mantê-los atualizados e, ao contrário do que se pensa, o desestímulo a atualização não comprometeu sua manutenção. A verdade é que, a partir daquela data, não se adquiriu mais nenhum dos diversos kits de modernização de seus componentes que surgiram no mercado, o que acabou tornando a sua operação onerosa e não compensadora. Como conseqüência os Búfalos ficaram bem mais caros de se operar que os novos Amazonas , fator decisivo para que a FAB decidisse pela sua desativação, mesmo sem que os novos vetores possuam as mesmas capacidades STOL ( Short Take Off and Landing / Decolagem e Pouso Curtos ), inclusive já destinando o Búfalo FAB2371 para o Museu Aeroespacial (MUSAL) . Este Búfalo em particular foi recebido pela FAB em 17 de dezembro de 1970 e operou regularmente até dezembro de 2006. Ele chegou voando ao MUSAL, no dia 20/12 do mesmo ano, e foi oficialmente incorporado ao acervo do museu em 18 de abril de 2007.

Porém, contrapondo os planos iniciais , a FAB decidiu manter os quatro Búfalos restantes operacionais até pelo menos o final de 2008, e o PAMA-SP, que efetua a sua manutenção e retrofit , recebeu instruções para conservá-lo até aquela data em condições operacionais plenas, um indício de que se planeja vender estes aviões a outro país após sua desativação.

Dos 24 Búfalos adquiridos em dois lotes, a partir de 1968, restam no inventário da FAB apenas cinco: os FAB2351, 2353, 2360, 2365 e 2367. Destes o FAB2367 encontra-se estacionado em Manaus, necessitando uma revisão de maior monta, acarretando na necessidade de ser encaminhado até o Parque de Manutenção de São Paulo (PAMA-SP). Por não ser economicamente compensador, foi decidida pela sua desativação, tendo sido transformando num monumento na Base Aérea de Manaus.

Não se sabe o real motivo de prolongar sua carreira, pois os Amazonas estão sendo entregues pelo fabricante dentro do cronograma, com oito deles recebidos até o final de outubro de 2007, dos doze encomendados no total (os outros quatro chegarão ao longo de 2008). Mas o fato é que em 2008 o C-115 Búfalo irá comemorar a impressionante marca de 40 anos em serviço ininterrupto na FAB.

O PAMA-SP também será o responsável pela manutenção dos C-105A Amazonas e ficará responsável pelas células ( airframes ), hélices, baterias, rodas e freios. Obviamente, por serem novos, nenhum deles ainda foi encaminhado, entretanto os técnicos lá baseados já foram devidamente treinados e equipados com todo instrumental necessário caso haja necessidade.

A FAV comprará dez aviões de transporte Ilyushin "Il-76"

Caracas, 6 de dezembro (Carlos E. Hernández).- A Fuerza Aérea Venezolana (FAV) adquirirá dez aviões de transporte russos Ilyushin "Il-76", e dois da versão tanque "Il-78", anunciou o coronel Oswaldo Hernández, vice-comandante da base aérea "El Libertador".

Ele informou que as duas primeiras unidades chegarão ao país durante 2008 e os demais em 2009. Agregou, também, que os dos aviões-tanque "Il-78" servirão para reabastecer de combustível, em vôo, aos aviões de caça "CF-5", "Mirage 50", "F-16" e Sukhoi "Su-30MK2", em serviço na FAV.

Com relação aos "Su-30MK2", o coronel Hernández assinalou que a entrega dos 24 aviões adquiridos na Rússia está se cumprindo conforme o programado e que os últimos doze aviões serão recebidos em 2008.

O "Il-76" é um avião de transporte militar estratégico, de fabricação russa, que também é empregado como avião de carga civil. É impulsionado por quatro turbinas que lhe permitem alcançar uma velocidade máxima de 900 quilômetros por hora. Tem uma capacidade de carga de 50 toneladas e um raio de ação de 4.400 K

m. A variante "Il-78" dispõe de três sondas externas mediante as quais pode reabastecer em vôo a três aviões de combate simultaneamente. Existe uma versão de Alerta Antecipado [Beriev A-50 Mainstay]/Reconhecimento Eletrônico, que também está sendo considerada pela FAV. Com os "Il-76/Il-78" ela vai obter a maior capacidade de transporte aéreo militar estratégico de América Latina.

Fonte Notitarde

"Não tenho onde cortar", afirma Juniti Saito


ELIANE CANTANHÊDE

As Forças Armadas são consideradas o alvo central dos cortes de gastos do governo para compensar a perda da CPMF, mas o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, advertiu que o orçamento da FAB já é apertado: "Não tenho onde cortar", disse ele à Folha ontem, defendendo também o aumento dos soldos.

O governou anunciou na terça a suspensão dos aumentos das três Forças, mas Saito disse que "é apenas uma questão de "timing"" e que não crê num cancelamento: "Eu não acredito nisso, porque o governo reconhece a necessidade de reajuste dos militares. Tenho certeza de que vai sair, de uma forma ou de outra".

Segundo Saito, o aumento seria em duas parcelas e escalonado - menos para quem ganha mais, mais para quem ganha menos - chegando até a 34%. Ele não nega o clima de desapontamento diante do adiamento. Na explicação do comandante, os militares são uma categoria peculiar: "Nós ganhamos mal, nossa remuneração é baixa para o nosso nível de exigência, com dedicação exclusiva, tempo integral, mudanças constantes".

Descartou, porém, a possibilidade de os comandantes tentarem articular diretamente o reajuste: "As três Forças reconhecem o esforço que o ministro Jobim está fazendo. Ele pegou essa bandeira da necessidade do reajuste dos militares e tem sido determinado nisso".

Saito admitiu que todas as áreas serão atingidas, inclusive o reequipamento das Forças Armadas. Ele só discorda da possibilidade de haver cortes mais profundos nas Forças Armadas, que tiveram um aumento de cerca de R$ 3,5 bilhões de 2007 para 2008. A preocupação de Saito é com suprimento e manutenção de aviões, porque, para ele, "há muito tempo temos cortes nessas áreas e, para que a frota opere adequadamente, é fundamental ter peças de reposição, além de combustível, é claro. Como a frota está envelhecida, essas peças demoram até dois anos para chegar".

Os cortes, sejam de que dimensão forem, não afetarão o projeto que é a menina-dos-olhos da FAB: a compra dos jatos F-X, de ataque e defesa. O projeto, de 2003, já venceu. O processo de escolha está praticamente começando do zero, com a expectativa de só estar concluído em 2015, com a chegada dos aparelhos.

No controle de tráfego aéreo, Saito disse que o sistema está sendo renovado e descartou cortes. "É claro que, quanto mais moderno for o equipamento, melhor, mas tudo isso tem um cronograma que já está em execução. Não vejo perdas possíveis aí. O governo, naturalmente, não vai cortar dinheiro aí." Então, onde pode haver cortes? "Em nada. Vamos trabalhar para isso: para não ter corte nenhum".

16 Janeiro 2008

Complexos russos S-300 defenderão Irão


Por Lyuba Lulko

Uma notícia sensacional. A Rússia enviará ao Irão sistemas da defesa antiaérea S-300, assegurou esta quarta-feira Mostafá Mohammad Najar , o ministro iraniano da Defesa .

“Os sistemas S-300 serão fornecidos ao Irão em consonância com acordo firmado com Rússia”, declarou ministro, segundo Ria-Novosti.

Recorde-se que em 1999 tinha-se destacado que os sistemas S-300 se fossem fornecidos a Jugoslávia poderiam pôr fim à agressão da Nato.

Sitemas S-300 são capazes de abater mísseis balísticos , componentes de armas de alta precisão, aviões e helicópteros de qualquer tipo, incluindo feitas com tecnologia "Stealth" (ou seja, invisível aos radares), objectivos de superfície marítimos e terrestres. Ditas sistemas ultrapassam pelas suas características todos os análogos ocidentais .

A parte russa até momento nem confirmou, nem descartou as declarações do ministro iraniano.

Mas a entrevista ao jornal Vremia Novostei do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov , evidencia que o mencionado acordo pode existir.

Segundo Lavrov o escudo antimísseis que os Estados Unidos planejam criar na Europa pode ter como objectivo mudar o regime iraniano .

"Segundo nossas estimativas, o objectivo é criar um sistema que não teria como objectivo neutralizar as ameaças do Irão, e sim dissuadir a Rússia", disse Lavrov, que considerou ainda como "objectivo associado" mudar o regime iraniano.

"Este objectivo não faz parte de nosso trabalho", acrescentou, em referência às actividades dos seis mediadores internacionais (Rússia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha), que supervisionam o carácter civil do programa nuclear iraniano.

Além disso, ainda em 2005 apareceu a informação a Síria ter revendido ao Irão 10 complexos da defesa antiaérea da artilharia e de misseis “Pantsir que na Rússia se usa em conjunto com S-300 , pois que é de curto alcance e é destinado para segurar e proteger os sistemas S-300.

Possuindo os sistemas "Pantsir" Irão quer sem dúvida completar sua defesa antiaérea. O fornecimento do Exército iraniano por S-300 faz da “guerra aérea” com Irão uma coisa absurda.

Em testes, míssil hipersônico da SAAB


Novos sistemas tornarão defesa praticamente impossível

A SAAB Bofors Dynamics da Suécia, anunciou no final de 2007 que estava a desenvolver um tipo de míssil hipersônico, o qual se encontra já em avançado estágio de testes capaz de atingir uma velocidade de MACH 5.5, ou seja de aproximadamente 6500 km/h.

O míssil que está em estudo na Suécia, não se destina para já a nenhuma função específica pois o fabricante está apenas a conduzir estudos para analisar o comportamento dos materiais a velocidades altíssimas.

A incorporação de mísseis com estas características poderá constituir-se em mais uma etapa na corrida já tradicional entre sistemas de ataque e os correspondentes sistemas de detecção e anulação.

Com uma velocidade superior a 6.000 km/h um míssil hipersônico será dificilmente destrutível, principalmente se incorporar sistemas destinados a corrigir a rota na fase final do percurso.

A velocidade do míssil - que atinge 1800 m/s - é tão elevada que ele pode ser utilizado para perfurar blindagem, o que ligado a sistemas de vigilância a grande distância ou UAV’s pode permitir uma reação quase imediata contra forças militares terrestres.

A aplicação deste conceito na guerra naval, por exemplo, poderá ter conseqüências devastadoras, pois um míssil hipersônico será muito mais difícil de atingir, dado que nenhum sistema de mísseis antimíssil o pode atingir, exceto se for possível calcular a sua rota. Os atuais sistemas de defesa de ponto e mísseis de defesa aérea não têm velocidade e agilidade suficientes para destruir este tipo de ameaça.

Como é naturalmente previsível e foi anunciado pela própria SAAB, é possível incorporar aos mísseis capacidade para efetuar correções de alvo durante o seu percurso, o que os torna virtualmente impossíveis de atingir pelas armas presentemente ao serviço.

Embora seja apenas um projeto em estudo para testes e não uma arma o míssil hipersônico não é no entanto invencível. Em circunstâncias especiais, há uma arma com capacidade para destruir um míssil deste tipo. Trata-se dos sistemas antimíssil norte-americanos como o YAL-1A, que colocam um emissor de raios laser de alta potência num Boeing 747 adaptado para o efeito, mas que estão a ser estudados para destruir mísseis balísticos.

Guardas da revolução ameaçam ataque a navio americano


Segundo informações das várias emissoras de TV dos Estados Unidos entretanto confirmadas pelo Pentágono, vários pequenos navios de guerra da marinha da Guarda Revolucionária do Irão ameaçaram três navios de guerra norte-americanos no estreito de Ormuz.

“…Vou na tua direcção (…) dentro de dois minutos vais explodir…” terão sido as palavras, em inglês, utilizadas pelos iranianos na proximidade dos navios dos Estados Unidos.

Perante o tipo de ameaça e conforme as regras determinadas para este tipo de possível ameaça, os navios dos Estados Unidos entraram em estado de alerta e estiveram a poucos momentos de disparar sobre as lanchas iranianas.

A ocorrência teve lugar no estratégico estreito de Ormuz, quando cinco pequenos navios de guerra da marinha do Irão, pertencentes à força para-militar iraniana conhecida como Guardas da Revolução se aproximaram a alta velocidade pela proa do cruzador USS Port Royal (classe Ticonderoga) do contratorpedeiro USS Hooper (classe Arleigh Burke) e da fragata USS Ingraham (classe Perry).

As lanchas iranianas começaram a deitar caixas ao mar, em frente aos navios americanos e enquanto se dirigiam na sua direcção numa acção que foi complementada por ameaças através da rádio. Isto levou os navios dos Estados Unidos a efectuar manobras de emergência para evitar as caixas que foram deitadas ao mar pelos barcos iranianos.

As relações entre o Irão e os Estados Unidos são tradicionalmente tensas e a Guarda da Revolução já efectuou operações contra navios ocidentais, como a que ocorreu em Março de 2007 com o aprisionamento de um grupo de militares britânicos que andavam em patrulha nas águas fronteiriças entre Irão e Iraque.

A Guarda da Revolução é uma entidade militarizada que funciona independentemente do exército, marinha ou força-aérea iranianas. Trata-se de um organismo politico-militar destinado a garantir o domínio e continuação do sistema teocrático implantado após a queda do Xá Rheza Palhevi em 1979.

Os guardas da revolução têm sido acusados pelos Estados Unidos de envolvimento directo como o fornecimento ilegal de armas ao movimento fundamentalista Hezbollah. Além disso, a relação entre a Guarda da Revolução e as forças armadas iranianas não é das melhores, existindo persistentes rumores de rivalidades entre as tropas regulares e os guardas revolucionários que em alguns casos têm acesso a armas mais recentes e modernas que as do próprio exército.

O incidente não foi referido na televisão ou em qualquer órgão de comunicação social iraniano embora um comunicado oficial tenha reconhecido o incidente afirmando que se tratava de uma ocorrência normal.

Analistas citados pela imprensa e televisões dos Estados Unidos adiantaram que entre os objectivos iranianos poderia estar a intenção de criar incidentes entre os dois países numa altura em que o presidente dos Estados Unidos visita o Médio Oriente, em mais uma tentativa de apoio à resolução dos problemas entre Israel e a Palestina, tentativa em que os norte-americanos se têm esforçado por deixar o Irão tão isolado quanto possível.

A marinha dos Estados Unidos entretanto, disse em forma de aviso, que o Irão deverá ter cuidado com as suas acções navais, para evitar possíveis graves consequências.

15 Janeiro 2008

Governo quer vizinhos em projeto de novo avião


De São Paulo

O governo brasileiro apoiou a associação da indústria de defesa argentina com a Embraer para o desenvolvimento e fabricação de um novo avião cargueiro e de abastecimento, o C-390, que a empresa já planeja construir em cooperação com outros governos, informou o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.

Na agenda bilateral de cooperação em defesa e em ciência e tecnologia está prevista também a construção de um satélite binacional de sensoriamento remoto, para mapeamento do litoral no Cone Sul, acrescentou.

O C-390 é um projeto de cargueiro de 19 toneladas que a Embraer negocia com o governo e para o qual já estuda a participação do Chile, Turquia e África do Sul. "Quanto mais países envolvidos, maior a perspectiva de mercado, de compra das Forças Armadas desses países", defende Miguel Jorge.

A cooperação com a Embraer, para reativação da indústria bélica argentina, foi um dos principais pontos de discussão trazidos pela comitiva da presidente eleita do país, Cristina Kirchner, na visita feita a Brasília, na terça-feira.

Os argentinos querem que a Fabrica Militar de Aviones, ex-estatal, hoje operada pela americana Lockheed Martin, localizada na chamada Área Material Córdoba, participe da fabricação do EMB-390.

Miguel Jorge informou que a fabricação conjunta de veículos militares blindados também está na agenda discutida durante a visita de Kirchner pelos ministros da defesa do Brasil, Nélson Jobim, e da Argentina, Nilza Garré.(SL)

Brasil e Chile assinam convênio


Brasil e Chile assinaram, ontem, Acordo de Cooperação no Domínio da Defesa, com ênfase na área de pesquisa e desenvolvimento e em aprofundar o trabalho realizado atualmente na Antártica. A iniciativa foi firmada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e por seu colega chileno, José Goñi.

Segundo Goñi, o acordo também procura incentivar a troca de conhecimentos, de experiências operacionais e de exercício, assim como promover atividades de instrução.



Inteligência dos EUA: Irã parou de tentar fazer bomba


WASHINGTON - O Irã suspendeu seu programa de armas nucleares em 2003, em meio a pressões internacionais, indicou um novo relatório de agências de inteligência norte-americanas. A revelação contraria um outro documento dos próprios serviços secretos, com data de 2005, segundo o qual Teerã estava trabalhando de forma contínua para construir uma bomba.

No entanto, o Irã continua a enriquecer urânio e poderia ter combustível suficiente para construir uma bomba entre 2010 e 2015, se decidir retomar seu programa de armas nucleares, disse um funcionário de alto escalão do serviço de inteligência.

As conclusões do novo relatório podem ter uma grande influência nas tensas negociações internacionais para fazer com que o Irã suspenda seu programa de energia nuclear. Elas foram divulgadas em meio à campanha presidencial nos Estados Unidos, onde uma possível ação militar contra o Irã vem sendo discutida. O novo relatório sugere que o Irã é suscetível à pressão diplomática, já que o uso de diplomacia foi eficaz em conter as ambições nucleares iranianas.

"A decisão de Teerã de suspender seu programa de armas nucleares indica que o país está menos determinado em desenvolver armas atômicas do que acreditamos desde 2005", disse o relatório, de 16 agências norte-americanas de espionagem, divulgado ontem.

Segundo as agências, as reais intenções reais do Irã sobre a construção de armas nucleares ainda não são claras, mas as decisões de Teerã são guiadas mais pela política de custo-benefício do que pelo ímpeto de obter uma arma sem levar em conta os custos políticos, econômicos e militares.

"A combinação de ameaças de um maior escrutínio internacional e pressões, junto à oportunidade para o Irã de obter segurança, prestígio e alcançar seu objetivo de manter uma influência regional podem - se vistos pelos líderes iranianos como verossímil - levar Teerã a ampliar a atual suspensão de seu programa de armas nucleares", de acordo com o relatório.

O novo documento foi divulgado justamente cinco anos após um relatório profundamente equivocado concluir que o Iraque possuía programas de armas químicas e biológicas e estava determinado a retomar seu programa nuclear. O relatório levou o Congresso norte-americano a autorizar a invasão do Iraque, apesar de a maioria das conclusões ter sido, mais tarde, considerada errada.

O assessor de Segurança Nacional, Stephen J. Hadley, divulgou comunicado dizendo que o relatório continha novidades positivas, em vez de refletir erros de inteligência. Os EUA e outras potências ocidentais acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega, assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica e já declarou em diversas ocasiões que não pretende interromper suas atividades nucleares.

Pactos

Países do Golfo Pérsico e o Irã deveriam estabelecer pactos regionais de segurança e econômicos sem influência estrangeira, disse ontem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em sua primeira participação no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). "Pedimos por paz e segurança sem qualquer influência estrangeira", conclamou Ahmadinejad em seu discurso inaugural na reunião do GCC em Doha.

"Propomos o estabelecimento de pactos econômicos e de segurança e instituições entre os sete estados do conselho. Os pactos deveriam servir ao povo de nossa região mais do que nunca", disse o radical presidente iraniano, convidando os líderes do Golfo a irem à Teerã para discutir suas idéias. Ele também propôs uma cooperação conjunta na área nuclear, incluindo o treinamento de cientistas do Golfo no Irã.

Foi a primeira vez que um líder iraniano foi convidado a participar da cúpula anual do GCC, que ocorre desta vez na capital do Qatar. Em uma mostra de amizade, o rei saudita Abdullah entrou na reunião de mãos dadas com Ahmadinejad e com o sultão Qaboos, de Omã. Diante de uma crescente pressão ocidental sobre seu controvertido programa nuclear, o Irã está ansioso por melhorar suas relações com os países do Golfo Pérsico. Também participam da cúpula que se encerra hoje os chefes de Estado do Bahrein, Kuwait, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU).


11 Janeiro 2008

Como radares portáteis permitirão aos soldados verem o inimigo mesmo através das paredes.


As sombras têm sido temidas pelo homem desde a pré-história, pois nelas podiam estar escondidos possíveis inimigos. Mas no futuro mundo das guerras centradas em rede (network-centric warfare), as sombras que causarão medo não serão as criadas pela luz ou pela escuridão, mas as geradas pela propagação dos sinais de radares. Em operações de combate, aviões de vigilância ou veículos aéreos não tripulados, equipados com radares de abertura sintética (SAR) podem prover cobertura de uma grande área no solo, principalmente os terrenos que não são escaneados por radares comuns, informações estas fundamentais para os comandantes da infantaria, que podem contar no campo de batalha ainda com radares AN/PPS-5D, capazes de detectar veículos a uma distância de 20 km e pessoas a 10 km. Como o combate urbano tem ganho uma importância cada vez maior nas operações militares, diversas forças armadas em todo o mundo procuram um novo tipo de radar, leve o suficiente para ser carregado por um único soldado e com eficiência que permita ver através das paredes (TTW ou Through-The-Wall) , detectando pessoas ou movimento dentro de prédios ou em locais fechados. O Laboratório de Pesquisas da Força Aérea americana desenvolve um programa TTW, explorando o uso de uma variedade de frequências, incluindo ondas milimétricas, ondas solo-penetrantes e frequência modulada. O Exército americano, num programa iniciado para dar apoio às operações em zonas urbanas (MOUT ou Military Operations in Urban Terrain), assinou um contrato de US$ 3 milhões com a empresa Time Domain Corporation para a produção de um sistema pequeno o bastante para ser usado por tropas de operações especiais. Segundo técnicos da empresa, o equipamento terá um peso final de 3 kg e o tamanho equivalente a um livro médio, será encaixado no braço do combatente e emitindo pulsos de banda ultra larga mostrará ao operador, em um pequeno display, a direção e a distância de qualquer coisa que se mova do outro lado de uma parede. O feixe pode penetrar 3 metros no interior de madeira ou gesso, e paredes de concreto de 20 cm, mas o sinal não pode penetrar metal sólido ou objetos compostos por metais.

Na Inglaterra, a empresa Cambridge Consultants Ltd. testou com sucesso um radar TTW de baixa frequência capaz de visualizar movimento de pessoas dentro de edificações ou simplesmente respirando sob escombros. De acordo com artigos da imprensa, o Exército britânico estaria testando protótipos do equipamento, ajudando a empresa nas especificações exatas necessárias para seu uso nas operações militares. Embora as frequências de radar entre 250 megahertz (MHz) e 3 gigahertz (GHz) permitam penetrações aceitáveis em quase todo tipo de material, tais baixas frequências requerem o uso de grandes antenas para se obter boa resolução, por esta razão, a maioria dos radares TTW produzem imagens de baixa resolução, mas o Laboratório de Pesquisas da USAF já está trabalhando em um dispositivo, que opera na faixa entre 500 MHz e 2 GHz, com alcance de 250 metros e que apresentará imagens a uma taxa de 10 frames por segundo. Testes mostraram que o novo radar pode detectar a respiração de uma pessoa parada, através de uma parede, a uma distância de 5 metros. No combate urbano ou mesmo em operações de manutenção da paz, radares TTW serão extremamente úteis para a segurança dos soldados, contribuindo sobremaneira para o sucesso de suas missões. Antes de invadir uma edificação ou tomar de assalto um de seus ambientes internos, as tropas serão capazes de determinar com precisão quantas pessoas estão ali dentro e onde estão localizadas, podendo assim escolher a melhor estratégia para neutralizar o inimigo. Isto é o mais próximo que eles chegarão da lendária visão de Raio-X do Super Homem.

Helicópteros DAUPHIN da GUARDA COSTEIRA AMERICANA ultrapassam a marca de 1 milhão de horas de vôo

A frota de helicópteros Dauphin HH-65 da US Coast Guards, marca assim uma nova e significativa etapa operacional para esses bimotores que realizam missões de patrulha e segurança interna, além de operações de salvamento em todo o território dos EUA.

Autor: Tradução Helibras

Desde as primeiras entregas, em 1985, os helicópteros HH-65 se tornaram um elemento chave na frota da Guarda Costeira Americana, que opera atualmente 96 aeronaves deste modelo.

Os HH-65 operam a partir de 17 bases aéreas situadas no território continental, bem como no Havaí e em Porto Rico. Foi durante uma missão de transporte aeromédico, no mar, com um paciente a bordo, que um helicóptero HH-65C baseado na Estação Barbers Point (Havai), alcançou, em 20 de setembro último, esta marca de um milhão de horas de vôo. Entre as novas responsabilidades assumidas atualmente pela frota de HH-65, as versões armadas da aeronave, são destinadas a proteger a região da capital do país e assegurar a interceptação / interdição de navios no mar. Entretanto, as operações de busca e salvamento continuam sendo uma das principais tarefas dos Dauphin HH-65, que foram amplamente utilizados durante as operações de salvamento realizadas após a passagem dos furacões Katrina e Rita em 2005 e são utilizados atualmente para diferentes tipos de missões, tanto no mar quanto em altas montanhas.

“Este milhão de horas de vôo que acaba de ser ultrapassado constitui uma vitória impressionante, ainda mais significativa quando consideramos o ambiente no qual a frota opera e a diversidade das missões asseguradas por estes helicópteros”, enfatiza Marc Paganini, presidente da American Eurocopter. “Estamos todos orgulhosos desta vitória e é com grande prazer que antecipamos a continuação de nossas relações com a Guarda Costeira Americana, dando-lhe o apoio que ela necessita e melhorando ainda mais as capacidades do HH-65”.

“A Guarda Costeira Americana é um dos clientes mais importantes e mais emblemáticos da Eurocopter. O fato desta Guarda ter ultrapassado a marca de um milhão de horas de vôo com nossos helicópteros é um fato altamente simbólico para nós” acrescentou Lutz Bertling, presidente do Grupo Eurocopter. “Na Eurocopter, nos esforçamos sempre para fornecer a nossos clientes, responsáveis pela vistoria das costas de seus países, helicópteros com desempenho extremamente eficiente, com um serviço de apoio ao cliente de primeira ordem, a fim de permitir que realizem suas missões de serviço público da forma mais eficaz possível e em condições excelentes de segurança”.

Todos os helicópteros Dauphin utilizados pela Guarda Costeira Americana foram convertidos para a versão HH-65C, que se beneficia de melhorias notáveis ao nível dos motores e dos sistemas a bordo, a fim de oferecer mais potência, uma melhor manobrabilidade e maiores margens de segurança. O programa de melhoria foi realizado pelo centro logístico e de reparo da Guarda Costeira Americana (Aircraft Repair and Supply Center) e a American Eurocopter, de seu lado, colocou em operação uma linha de montagem suplementar para este tipo de conversão em sua fábrica de Columbia (Mississipi). Realizado no âmbito do programa Deepwater, esta conversão foi finalizada antecipadamente em relação ao calendário fixado pelo Congresso.

O HH-65 é uma versão do Dauphin Eurocopter, do qual aproximadamente 1000 aeronaves já foram entregues no mundo todo, 860 das quais estão em operação atualmente. O principal operador deste tipo de helicópteros, a Guarda Costeira Americana, com 65 aeronaves em serviço, representa sozinho, 10% da frota de Dauphin atualmente operada no mundo e 20% dos cinco milhões de horas de vôo acumuladas por estes helicópteros em todos os países.

2º ETA receberá aeronave C-97 Brasília


O Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo (2º ETA), sediado na Base Aérea do Recife, receberá uma aeronave C-97 Brasília, que deverá entrar em operação no primeiro trimestre de 2008.

O esquadrão tem 37 anos de história, completou 100 mil horas de vôo, sendo mais de 70 mil voadas em C-95 Bandeirante.

Os “pastores”, que já operaram as aeronaves C-47 “Douglas”, C/TC-45 ”Beechcraft”, U-7 “Seneca” e C-55B “Baron” ao longo de quase quatro décadas, contam atualmente com aeronaves C-95 A e C-95 B.

Durante o mês de outubro deste ano, oficiais aviadores que integrarão o quadro de tripulantes do 2o ETA realizaram, em Belém (PA), curso ministrado pelo 1o ETA no novo avião. Em Brasília (DF), foi feito pelo 6o ETA o curso de mecânico geral da aeronave para todas as especialidades.

No dia 22 de dezembro, na cidade de Manaus (AM), foi concluído o Estágio de Manutenção e Formação de Mecânicos Operacionais ministrado pelos militares do 7o ETA, que consistia
instruções teóricas e práticas para os novos mecânicos da aeronave.

Esquadrão Carajá realiza transporte de órgãos


O 4º Esquadrão de Transporte Aéreo (4º ETA), Esquadrão Carajá, tem trabalhado em conjunto com a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, apoiando a Comissão de Transplante de Órgãos e Tecidos. No dia 21 de dezembro, uma tripulação da unidade aérea, com uma equipe médica da UNICAMP, foi responsável pelo transporte de órgãos que salvaram a vida de mais um cidadão brasileiro.

A missão teve início na cidade de Campinas, onde embarcou a equipe médica que faria a retirada dos órgãos na cidade de Marília. Chegando ao local da doação, a tripulação permaneceu de prontidão no aeroporto enquanto os médicos realizavam a cirurgia.

Após três horas, a tripulação do Esquadrão Carajá e a equipe médica retornaram a Campinas, onde o paciente receptor aguardava o novo órgão. A missão foi finalizada às 04:30h do dia 22, com o pouso da Aeronave C-95 FAB 2285 na Base Aérea de São Paulo, sede do 4º ETA.

FAB demonstra RODOMAPRE na Argentina


No dia 12 de dezembro, após convite enviado pelo Comandante da Força Aérea Argentina, Brigadeiro- General Normando Costantino, ao Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, uma equipe da Subdiretoria de Abastecimento da Aeronáutica, chefiada pelo Diretor de Intendência, fez uma demonstração da versão automotriz do MAPRE, já conhecida como RODOMAPRE, na Base da I Brigada Aérea em El Palomar , distrito de Buenos Aires, na Argentina.

Na oportunidade, o Major-Brigadeiro-Intendente Eliseu, após ter sido recebido pelo Diretor de Logística da Força Aérea Argentina, Brigadeiro Álvares, proferiu uma palestra para, aproximadamente, 80 oficiais superiores das Forças Armadas e Auxiliares da Argentina, sobre o programa de modernização do Serviço de Subsistência, sobre o Módulo de Alimentação a Pontos Remotos (MAPRE) e sobre a sua versão automotriz, o RODOMAPRE.

Em seguida, em um dos hangares da Base, com a presença da audiência da palestra e de inúmeros outros oficiais, suboficiais, sargentos, cabos e soldados, foi realizada a demonstração da capacidade de fornecimento de alimentação pelo RODOMAPRE.

Esse evento, de significativo valor na área de alimentação militar, é fruto dos acordos ocorridos durante o X Encontro de Logística das Forças Aéreas Sul-americanas ocorrido na cidade de Recife (PE), em novembro de 2007.


FAB (1º/8º GAV) resgata crianças indígenas no PA


Em dez dias (29/12 a 07/01), o Esquadrão Falcão (1º/8º GAV) realizou quatro resgates em aldeias indígenas na região de Altamira, no Pará. No total, cinco crianças indígenas doentes precisaram ser socorridas e levadas em helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira) para hospital da região. As aldeias Ariritewa e Moritdjan, onde ocorreram os resgates, estão localizadas a leste de Altamira, em locais de difícil acesso.

O Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação opera helicópteros H-1H e está sediado na Base Aérea de Belém. Todas as missões contaram com o apoio de médico e enfermeiro do efetivo do Hospital de Aeronáutica de Belém, que prestaram os primeiros atendimentos às vítimas ainda a bordo das aeronaves durante o traslado. Os socorridos foram encaminhados à Casa de saúde Indígena de Altamira.

Medo de demissões na Avibrás


Patrícia Nakamura

Os funcionários da Avibrás, fabricante de material bélico de São José dos Campos (SP), vão se reunir em assembléia amanhã com o Sindicato dos Metalúrgicos local para discutir o atraso no pagamento dos salários e o temor de demissões. De acordo com o presidente da entidade, Edmir da Silva, a Avibrás teria atrasado o pagamento em dezembro e não teria pago o 13º salário. Os funcionários que recebem a partir de R$ 1,5 mil estariam com os salários atrasados desde outubro.

Procurada pelo Valor, a Avibrás não quis se manifestar sobre a situação financeira da companhia. "Vamos cobrar uma posição da empresa. Queremos o pagamento dos salários atrasados e a garantia dos empregos", afirmou Silva. No fim de dezembro, os funcionários da Avibrás realizaram uma paralização para reivindicar os salários atrasados.

Atualmente, cerca de 80% dos 1,2 mil funcionários da companhia estão em licença remunerada (que não vem sendo paga). Os 20% restantes trabalham para atender a pedidos de produção de peças para as unidades da Volkswagen em Taubaté e em São Bernardo do Campo (ambas em SP). Desde que perdeu fôlego com a falta de encomendas de material bélico do governo brasileiro, a partir de 1989, a empresa teve que diversificar suas atividades e tentou buscar encomendas no mercado externo. Possui unidades de produção e equipamentos aeroespaciais e defesa, eletrônica, telecomunicações, transporte e química. De acordo com informações de mercado, em 2006 a empresa teve prejuízos de R$ 70 milhões, o mesmo resultado negativo obtido em 2005. A empresa tem capital fechado. O presidente da empresa, João Verdi, é o principal sócio da Avibrás.

Segundo Silva, diretor do sindicato, as oscilações no fluxo da produção (longos períodos de inatividade após a finalização de pedidos) e atrasos nos pagamentos ocorrem desde o fim dos anos 90, mas a empresa sempre teria acertado os salários e multas. "Esperamos que a conduta da empresa seja semelhante", afirmou.

A Avibrás foi fundada em 1961 e foi pioneira no setor aeroespacial. Participou da implementação do programa aeroespacial brasileiro. Fez uma parceria com a russa Rosoboronexport para participar do primeiro programa FX, de renovação dos caças da Aeronáutica. O projeto foi cancelado pelo governo brasileiro.

07 Janeiro 2008

A nova frota de submarinos australianos

A nova e letal frota de submarinos da Marinha Australiana

Base Militar
por Cameron Stewart

A AUSTRÁLIA irá construir a frota de submarinos convencionais mais letal do mundo, capaz de executar missões de lançamento de mísseis de cruzeiro de longo alcance, assim como, operar mini-submarinos avançados, respondendo a uma corrida armamentista na região.

O Ministro da Defesa Joel Fitzgibbon ordenou o início do planejamento de uma nova frota de submarinos de nova geração que substituam a classe Collins em serviço na Royal Australian Navy. O objetivo primário é conseguir a aprovação de "first pass" para a fase de projeto do Comitê de Segurança Nacional em 2011.

O projeto de 17 anos de duração será a maior e mais cara aquisição de defesa desde a formação da "Federation", custando potencialmente até 25 bilhões de dólares australianos. Isto ocorre num momento em que as marinhas da região como Indonésia, China e índia estão buscando expandir dramaticamente suas frotas de submarinos, potencialmente alterando o equilíbrio do poder naval na região.

"Existe uma concordância geral de que submarinos oferecem uma capacidade militar vital para a Austrália," disse o Sr Fitzgibbon.

"O desenvolvimento de novos submarinos requer planejamento de longo prazo e precisa ocorrer de forma rápida, e foi justamente isso que eu solicitei."

O pessoal de planejamento do Ministério da Defesa analisou dois estudos neste ano, um deles realizado por um "think tank" independente, a Kokoda Foundation,

Ambos concluíram que as mudanças estratégicas na região irão fazer dos submarinos uma arma crucial para a defesa australiana de uma maneira nunca vista até hoje. O Ministério da Defesa vai estudar uma ampla gama de opções avançadas para os novos submarinos, que serão construídos em Adelaide e deverão substituir os seis submarinos da classe Collins quando eles forem finalmente aposentados em 2025.

Os novos submarinos quase que certamente serão construídos pelos construtores da frota Collins, a Australian Submarine Corporation, que originalmente era estatal e que foi privatizada.

"South Australia é a única localidade viável para a construção da próxima geração de submarinos australianos," comentou o Sr Fitzgibbon. O objetivo é construir a frota de submarinos convencionais mais mortífera do mundo, permitindo que a Austrália mantenha sua vantagem estratégica sobre as marinhas rivais na região.

Ainda que a Defesa não tenha ainda descartado por completo que a Austrália venha a adquirir submarinos movidos a propulsão nuclear, esta opção é considerada muito improvável tendo em vista aspectos estratégicos, práticos e políticos.

Ao contrário, os planejadores de Defesa devem se focar na construção de um versão maior, mais silenciosa e mais letal dos seis submarinos Collins existentes, que após uma início de carreira complicado nos anos 90, se provaram uma dos ativos de defesa mais valiosos do país. Ainda não se sabe quantos dos novos submarinos serão construídos.

A Defesa confirmou que uma das opções em consideração para a nova classe seria contar com mini-submarinos não tripulados que poderiam ser lançados dos submarinos mãe. "Desenvolvimentos tecnológicos como veículos não tripulados provavelmente ofereceriam capacidades complementares importantes para qualquer plataforma submarina do futuro" disse um porta voz do Ministério da Defesa.

Estes mini-submarinos não tripulados, carregados de sensores de alta tecnologia poderiam viajar por dezenas de quilômetros desde o "submarino mãe" para conduzir reconhecimento ou mesmo para transportar uma pequena unidade de forças especiais.

Outra prioridade para os novos submarinos é o emprego de sistemas AIP, air-independent propulsion systems, que permitem aos submarinos convencionais permanecer debaixo d'água por períodos maiores, ampliando significativamente a eficácia operacional do submarino.

O Ministério da Defesa disse que os submarinos pós-Collins terão projetos mais flexíveis, permitindo que eles sejam rapidamente reconfigurados para diferentes tipos de missões, desde espionagem até ataques estratégicos. O novo submarino poderá levar um maior variedade de armamento de longo alcance, possivelmente incluindo mísseis de cruzeiro de longo alcance assim como mísseis táticos de ataque a alvos terrestres com menor alcance. Eles também serão configuráveis para o transporte e a infiltração de unidades de forças especiais em "hot spots" regionais.

Em seu estudo a Kokoda Foundation estimou que a construção armamento e a manutenção de uma nova e modernizada frota de submarinos custaria entre A$20 e A$25 bilhões, tornando este o maior projeto de defesa da Austrália, superando, até mesmo, a encomenda de A$15 bilhões dos Joint Strike Fighter para a RAAF.

O governo espera completar sua pesquisa das diversas opções para os novos submarinos em 2011, quando o ministério dará a avaliação de "first pass" para este plano. Em 2014-15, o governo realizará a segunda avaliação o "second pass" o que eventualmente resultaria na assinatura de contratos e a eventual construção dos submarinos, com testes de mar esperados para 2024. O programa de substituição dos submarinos será incluído no próximo Defence Capability Plan.

HMS Astute não pode operar!

Submarino ultra-moderno da Royal Navy parado devido a bomba de óleo defeituosa

Base Militar

O submarino mais tecnologicamente avançado já construído para a Royal Navy, com um sonar capaz de acompanhar os movimentos dos navios por milhares de milhas, esta na oficina após a falha durante o primeiro teste em uma de suas peças mais básicas.

Um dos mais de um milhão de componentes que perfazem o HMS Astute, o primeiro de uma nova geração de submarinos nucleares de ataque, parou de funcionar criando grandes danos.

O submarino construído pela empresa BAE Systems no seu estaleiro em Barrow-in-Furness, Cumbria, custou mais de £1 bilhão, tendo sido foi lançado em junho e com previsão para ser colocado em operação em 2009. Ele já se encontra atrasado mais de três anos devido a problemas técnicos e de gerência de projeto.

Agora o construtor está trabalhando 24h por dia para garantir que nenhum outro atraso ocorra, depois que os turbogeradores foram danificados, durante um teste dos sistemas, o óleo lubrificante parou de circular. Por cerca de 60 segundos os poderosos turbogeradores rodaram a seco após a falha numa bomba de óleo. As ranhuras decorrentes, agora, têm que ser retificadas em um procedimento muito delicado.

O novo submarino conta com um reator nuclear cujo combustível durará por toda a vida útil do navio com a Royal Navy. Um Mastro óptico digital substitui o periscópio tradicional. Mas a simples falha numa bomba de óleo é uma situação muito vexatória.

"Nós ainda não sabemos se isso vai gerar qualquer atraso no programa, mas eles estão trabalhando para garantir que isso não ocorra," disse a Royal Navy. Fontes na marinha britânica dizem que a culpa pelo incidente é dos fabricantes e que caberia a eles pagar pelo custo do reparo.

A BAE Systems declarou que o trabalho de reparo deve estar concluído até o fim do ano. Um porta voz declarou que: "O incidente é resultado da falha de operação de uma bomba de óleo lubrificante durante o teste do sistema. Uma vez que esta falha tenha sido identificada, o teste foi imediatamente encerrado, mas neste ponto, ambos os turbogeradores já tinham sofrido danos pela falta de lubrificação." O porta voz ainda adicionou: "Não havia nenhum material nuclear dentro do navio naquele momento e o reator não foi afetado."

Os turbogeradores geram eletricidade para os sistemas embarcados e se encontram no compartimento de máquinas, à ré do submarino.

O trabalho de retífica nos eixos dos geradores está sendo realizado dentro do casco do submarino no complexo industrial BAE

Devonshire Dock Hall, em Barrow-in-Furness.

A BAE disse que medidas foram tomadas para garantir que incidentes desta natureza não voltem a ocorrer.

A empresa disse que estava mantida a intenção de entregar o primeiro submarino da nova classe ao Ministério da Defesa no terceiro trimestre de 2008, com a entrada operacional ocorrendo em algum ponto de 2009.

O primeiro destes submarinos de 7,400 toneladas de deslocamento, que substituirão os navios da classe Swiftsure e Trafalgar, já custou mais de £1.2 bilhão. O MoD encomendou quatro dos submarinos, e a Royal Navy espera que no futuro duas ou três unidades a mais sejam encomendadas. Os outros três em construção são HMS Ambush, HMS Artful e HMS Audacious. Os planos atuais do Ministério da Defesa são de contar com uma frota de sete submarinos "hunter-killer" em 2022.

Chile Desativa os Mirage M50 Pantera

Dois anos após o Brasil ter desativado os seus Mirage III (F-103) a Fuerza Aérea de Chile (FACh) desativou os últimos Dassault Mirage que estavam em operação


No dia 28 de Dezembro, 4 Mirage M50 Pantera, do Grupo de Aviación Nº 4, da IV Brigada, localizado na Base de Chabunco, Punta Arenas, extremo sul do Chile, realizaram a última decolagem e pouso. As aeronaves Mirage 50 recebidas no início da década de 80 e modernizadas posteriormente com aviônicos e armamento israelenses geraram o Mirage Pantera. O Chile negocia a aquisição de um segundo lote, de 16 caças F-16 A/B, usados, da Holanda.

A desativação dos Mirage Pantera chilenos demonstra bem o enfoque da FACh e do Chile frente aos assuntos de Defesa. Os caças do Chile quando desativados estavam em condições operacionais e segundo as palavras do comandante da FACh, General del Aire Ricardo Ortega Perrier, com uma vida útil para mais dez anos Os do FAB já tinham ultrapassado em 10 anos a sua vida útil. Os caças Mirage III da FAB foram desativados cegos, radares inoperantes, e só se mantinham operacionais pelo excepcional trabalho dos mecânicos e pilotos do 1º GDA.

Força militar da Venezuela domina fronteira com Brasil

Presença de Exército e governo de vizinho contrasta com vazio em Roraima e na Guiana

Brasileiros da fronteira dizem que são obrigados a abastecer seus veículos na Venezuela, pois o posto mais perto fica em Boa Vista


Hudson Corrêa
Alan Marques
Enviados Especiais à Vnezuela, à Guiana e ao Norte do Brasil

Na região das fronteiras entre Brasil e Guiana, a presença militar e governamental da Venezuela é ostensiva, em contraste com o vazio que se vê do lado brasileiro e do guianense.

Entre 11 e 20 de dezembro, a Folha percorreu a região das três fronteiras. Entrou nas selvas da Venezuela e da Guiana e localizou garimpeiros brasileiros atuando de forma irregular.

A reportagem chegou também ao local em que o Exército da Venezuela destruiu, em novembro, duas dragas da Guiana usadas na mineração de ouro, o que gerou um conflito diplomático entre os dois países.

Ao percorrer cerca de 500 km no interior da Venezuela, a partir da fronteira em Roraima, a Folha passou por nove barreiras do Exército venezuelano, sendo oito na rodovia (de asfalto impecável) que dá acesso a Caracas, capital da Venezuela, a 1.350 km da fronteira.

Nessas barreiras (as alcabalas), que incluem escritório e alojamento, ao menos cinco militares ficam na pista. Armados de fuzis, revistam carros e conferem documentação, principalmente passaporte.

Do lado brasileiro, após sair da Venezuela, é preciso percorrer 200 km, na rodovia BR-174, sem qualquer barreira de fiscalização, para encontrar um posto de gasolina. A situação criou dependência do combustível venezuelano fornecido na fronteira pela estatal PDVSA.

Preocupação

O ímpeto armamentista do presidente Hugo Chávez já preocupa as Forças Armadas brasileiras, que consideram o avanço militar chavista uma ameaça à estabilidade regional.

Em setembro, o Comando Militar da Amazônia chegou a investigar se aconteceram pousos de aviões militares da Venezuela no Brasil. A investigação descartou a invasão. Hoje não há, segundo os militares, temor de uma investida venezuelana.

Em Santa Elena de Uairén, primeira cidade da Venezuela após a fronteira, a Folha foi ao quartel do exército venezuelano. O comandante, capitão Johnnie Arevalo, se negou a dar entrevista e avisou a reportagem para não ir a áreas de garimpo sem autorização do comando em Porto Ordaz (a 700 km): "Se pegarem vocês, eles [militares] te prendem". O capitão tinha acabado de apreender um Kadet brasileiro sem os bancos traseiros, que levava centenas de latinhas de cerveja. O militar reclamou, aos dois policiais federais brasileiros que acompanhavam a Folha, da invasão de brasileiros para fazer contrabando: "Eles [brasileiros] abandonam os carros e correm para o mato, atravessam a fronteira", reclamou.

O Exército brasileiro não considera iminente um conflito entre Guiana e Venezuela, que reivindica dois terços do território guianense. O litígio ocorre numa área dominada pelo garimpo que reúne brasileiros, venezuelanos e guianenses num frenético movimento de dragas e barcos no rio Cuyuni, na mata amazônica.

Dragas

A Folha esteve no local onde, em 15 de novembro, um general venezuelano e 36 soldados destruíram, com helicóptero e explosivos, duas dragas que garimpavam no rio, segundo a Guiana. Numa margem fica a Venezuela, na outra, a Guiana.

O líder da comunidade indígena de San Martin de Turumbang, Reinaldo Rodrigues, 42, afirmou que as dragas operadas por pelo menos seis garimpeiros da Guiana trabalhavam no rio no lado da Venezuela.

A Folha verificou que uma das dragas, cuja carcaça ainda estava parcialmente fora da água, estava naufragada do lado da Guiana. A Venezuela alega que os garimpeiros invadiram seu território. O governo da Guiana afirma que foi o Exército venezuelano que entrou em território guianense.

No local, está situada a área indígena de San Martin de Turumbang, de 5.000 hectares, em território da Venezuela, que reúne 860 índios envolvidos na mineração do ouro.

Do lado da Guiana, há acampamentos de garimpeiros brasileiros e guianenses às margens do rio. A reportagem não localizou os guianenses que estavam nas dragas afundadas -que, segundo Rodrigues, extraíam até 2 kg de ouro por dia, sem recompensar os índios e causando dano ambiental. Segundo ele, o Exército da Venezuela avisou que faria o ataque, e os garimpeiros fugiram antes.

O Exército da Venezuela controla a ilha de Anacoco, próxima ao local do ataque. Do lado da Guiana, não há fiscalização ou estradas. Os garimpeiros, incluindo brasileiros, chegam lá por meio da floresta.

As dragas possuem máquinas que sugam a areia do leito. A água que vem junto é liberada do outro lado da embarcação e a areia, retida em um depósito, pois pode conter ouro.

Humilhação

De volta ao marco zero da fronteira com a Venezuela, brasileiros relatam que sofrem humilhação. Às 10h de uma manhã de sábado, a fila de carros e caminhões brasileiros chega a 200 m. O posto de gasolina, da PDVSA venezuelana, situado logo após a linha de fronteira, deveria ter aberto às 8h.

O gerente do posto explica que os militares venezuelanos ainda não chegaram, e só eles podem autorizar a entrada de carros no posto. Lá a gasolina é vendida a R$ 0,70 o litro. A 250 km, dentro da Venezuela, o valor despenca para até R$ 0,04.

Não é pelo preço que o caminhoneiro Adão Francisco de Jesus, 55, está há um dia parado em frente ao posto com seu caminhão à espera de abastecer na fronteira. Jesus precisa entrar no país vizinho com uma carga de madeira, mas está com o tanque vazio. Assim como outros caminhoneiros e turistas, ele não pode abastecer no Brasil, no município de Pacaraima (RR), porque essa cidade, a última antes da Venezuela, não tem nenhum posto. Abastecer do lado brasileiro, só a 220 km de distância, em Boa Vista.

Para fugir à fila do posto da PDVSA, a única possibilidade era procurar um local de venda clandestina, como em uma borracharia em Pacaraima, onde a mesma gasolina venezuelana é vendida a R$ 1,70 o litro.

"Isso é uma humilhação", diz Jesus. Segundo ele, os militares do Exército cobram propina para permitir o abastecimento na fronteira e a passagem do caminhão pela rodovia venezuelana. A reportagem não constatou pagamento nem cobrança de propina - nas barreiras, os militares só pediam chocolates.

01 Janeiro 2008

Black Buck 6 - Uma missão de combate que acabou no Rio de Janeiro


Carlos Lorch

As Ilhas Falklands/Malvinas ficam no Atlântico Sul, a 3.886 milhas náuticas da Ilha de Ascensão, esta, uma pequena elevação vulcânica localizada no meio do Atlântico, equidistante entre o Brasil e a África, e mais ou menos no través de Salvador, na Bahia. Apesar de ser uma possessão britânica, a ilha é usada, por empréstimo pelos Estados Unidos que operam aeronaves militares da Base Aérea de Wideawake, que possui uma pista de pouso única medin­do 3.054 m. Durante a guerra, em abril, maio e junho de 1982, ela foi o ponto avançado das forças britânicas que se empenharam na retomada das ilhas.

A pista asfaltada de Port Stanley, previamente utiliza­da apenas por aeronaves civis, deixava os ingleses preocu­pados. Se fosse estendida pela Força Aérea Argentina, ja-tos de combate poderiam obrigar a força-tarefa despacha­da para a retomada das ilhas a operar de uma distância tão grande que suas aeronaves Sea Harrier, reconhecidamente de pouco alcance e autonomia, perderiam as vantagens operacionais que tinham sobre seus oponentes: o treina­mento de suas tripulações e os mísseis de geração mais moderna. Caso operassem mais perto das ilhas, a frota bri­tânica estaria sob a ameaça de aeronaves de ataque capa­zes até de afundar um dos dois porta-aviões britânicos em volta dos quais estava baseado o esforço de combate da Royal Navy.

O número de aeronaves argentinas capazes de operar no teatro de operações também preocupava os britâ­nicos uma vez que no início dos combates eles só poderiam contar com cerca de 20 jatos. A guerra encontrara a Grã-Bretanha no meio de uma reestruturação de suas forças armadas, devido principalmente a uma mudança no balan­ço de forças entre a Otan e o Pacto de Varsóvia. Suas forças aéreas, tanto a RAF quanto a Fleet Air Arm, da Marinha, mudavam seu enfoque que criara uma força eminentemente estratégica para outra de cunho tático.


Poucas aeronaves britânicas possuíam alcance sufici­ente para chegar às Falklands/Malvinas. E só uma delas era capaz de fazê-lo com armamento suficiente para causar danos à pista do aeroporto de Stanley.

O Avro Vulcan era um bombardeiro nuclear de confi­guração em delta com uma envergadura de 30,18 metros e peso máximo de decolagem de 77.111 kg. Fazia parte do trio de aeronaves construídas na década de 50 para serem a principal arma de dissuasão do Reino Unido, os bombar­deiros V: Vulcan, Valiant e Victor. Em 1982, o Valiant já havia dado baixa, o Victor havia sido transformado em rea-bastecedor aéreo e aeronave de reconhecimento, e a maior parte dos Vulcan já havia sido desativada. Com a guerra requisitando seus serviços, os bombardeiros foram prepa­rados para o combate.

Três Vulcan, escolhidos a dedo nos Esquadrões 44, 50 e 101 foram despachados para a base norte-americana de Wideawake, na Ilha de Ascensão, de onde operariam con­tra as forças argentinas nas Ilhas Falklands/Malvinas. Antes de deixarem a Grã-Bretanha, sofreram algumas modifica­ções visando ao tipo de combate que enfrentariam no Atlân­tico Sul. Na Base de Waddington, em Lincoln, receberam probes de reabastecimento há muito desativados, e os pi­lotos voltaram a treinar o REVO com os Victor. O equipa­mento lançador de bombas convencionais substituiu as bombas nucleares que há algum tempo constituíam o ar­mamento padrão daqueles grandes bombardeiros. Agora, poderiam levar 21 bombas convencionais de 1.000 libras cada. Cada avião recebeu também o sistema inercial Carroussel para que conseguisse navegar com mais preci­são sobre as vastidões do Atlântico. A capacidade de com­bustível do grande bombardeiro era de cerca de 41.800 kg. de querosene, o que nem de perto permitia um voo de ida e volta até o teatro de operações que ficava a 4.000 milhas náuticas dali. Os ingleses montaram então uma longa linha de reabastecimento composta por 11 Victor que se reabas­teceriam no caminho posicionando-se para completar cin­co vezes o tanque do Vulcan na ida e mais uma na volta, quando retornaria em altitude e, portanto, gastando bem menos combustível do que na ida. Alguns dos Victor deco­lariam somente para reabastecer um outro Victor. Seria uma missão extremamente precisa. Outros dois Victor perma­neceriam em Wideawake como aeronaves-reserva. Ao todo, 998.800 kg de querosene seriam utilizados pelo Vulcan em cada missão!

A primeira missão Black Buck foi lançada na noite en­tre 30 de abril e 1° de maio. Dois Vulcan decolaram de As­censão rumo às Falklands, o primeiro como aeronave titu­lar e o segundo como reserva. Não tardou muito para que o avião titular desenvolvesse uma pane. O segundo Vulcan então assumiu a missão enquanto a tripulação da aeronave que originalmente faria a missão retornava para Ascensão extremamente chateada. Um dos Victor também teve que retornar por não conseguir estender sua cesta de reabastecimento. O avião reserva decolou imediatamente assumindo sua posição.

Após os cinco reabastecimentos nos Victor, o Vulcan XM607, comandado pelo Flight Lieutenant Martin Withers, chegou sobre o aeroporto de Port Stanley/Puerto Argenti­no e despejou 21 bombas de 1.000 libras, num intervalo pré-calculado que visava colocar pelo menos uma delas no centro da pista. A linha de bombas caiu sobre o aeródromo no sentido transversal, ou seja, cruzando a pista lateralmen te. Enquanto diversas bombas caíram sobre um acampa­mento erguido do lado do aeródromo, uma delas acertou o centro da pista abrindo uma enorme cratera, fato confirma­do por uma missão de reconhecimento com caças Sea Harrier lançados de um dos porta-aviões da frota britânica na manhã seguinte. O ataque abriu as hostilidades pegan­do os argentinos de surpresa. Até aquele momento reinara a sensação de que a guerra não ocorreria, limitando-se a uma série de movimentações intimidadoras. As bombas de Martin Withers acabaram com qualquer dúvida de que a coisa era para valer.

Em pouco tempo, equipes de solo con­sertaram o estrago na pista causado por Withers, tendo o cuidado de deixar terra sobre ela para despistar o reconhe­cimento inglês - o que de fato ocorreu. Em pouco tempo os C-130 Hercules da FAA que ressupriam a guarnição nas ilhas já estavam pousando por lá outra vez.

Duas noites mais tarde, os britânicos lançaram a se­gunda missão Black Buck, num perfil muito parecido com o da primeira. Algumas mudanças foram efetuadas somente nos procedimentos de reabastecimento, armando-se um trem de jatos Victor mais eficaz do que o que fora montado na primeira Black Buck. Os estragos não foram marcantes.

A terceira Black Buck, na noite de 13 de maio, foi cance­lada. Aeronaves Nimrod que constantemente faziam mis­sões de patrulha sobre as ilhas alertaram para a existência de fortes ventos de proa o que poderia comprometer a efi­cácia da missão de reabastecimento até o TO.

A essa altura, a preocupação dos ingleses não era mais com a presença de jatos de combate operando das ilhas e sim com o lançamento de missões de ataque contra a frota que navegava a nordeste das ilhas. Os argentinos já havi­am demonstrado sua capacidade de lançar ousados ata­ques contra os navios, buscando incessantemente os dois porta-aviões ingleses, o HMS Hermes e o HMS Invincible, que eram a chave das ações ofensivas inglesas no teatro de operações. Preocupava acima de tudo a utilização por parte da aviação aeronaval argentina, dos mísseis Exocet lança­dos por aeronaves Super Étendard. Utilizando os radares tridimensionais AN/TPS-43 montados em Port Stanley/ Puerto Argentino, os operadores argentinos conseguiam localizar a frota britânica seguindo os Sea Harrier até o pon­to em que sumiam do radar, o que demonstrava estarem pousando a bordo de seus navios. Para os britânicos não restava mais dúvidas: aqueles radares precisavam ser co­locados fora de ação!

Na noite de 28 de maio, um Vulcan decolou de Ascen­são armado com dois mísseis anti-radiação AGM-45 Shrike em pilones que haviam sido engenhosamente improvisa­dos às pressas em Waddington. Levavam ainda no interior da fuselagem, três tanques de combustível com cerca de 4.500 kg de querosene cada. Cinco horas após deixarem o chão, os tripulantes do Vulcan tiveram que retornar à As­censão devido a uma pane no sistema de reabastecimento de um dos Victor. A aeronave em questão estava numa posição crítica que poderia comprometer seu retorno se fi­casse voando por mais tempo. Seu retorno inviabilizava todo o sensível esquema de reabastecimento do Vulcan. Ainda não seria naquela noite que os radares de Stanley seriam atacados. Três noites mais tarde, a RAF tentou de novo.

O Vulcan seria o do Number 50 Squadron, tendo aos comandos o Squadron Leader Neil McDougall, um tacitur­no escocês com longa experiência em missões ofensivas.

Depois da sequência de reabastecimentos em voo, o Vulcan se aproximou das ilhas a baixa altura subindo em seguida para 16.000 pés a fim de atiçar os operadores dos radares argentinos. O míssil precisava do radar emitindo durante todo o processo de aquisição do alvo, disparo e guiamento. McDougall ingressou sobre a cidade de Port Stanley em plena vista dos radares diretores de tiro, mas estava acima do alcance dos canhões. Seu oficial de ele-trônica embarcada Rod Trevaskus lançou alguns pacotes de chaff para aumentar ainda mais os retornos eletromagnéticos. A tripulação de McDougall sabia onde estavam os radares, especialmente um que estava colocado perto de casas dos moradores da cidade e cujo ataque havia sido proibido. O piloto então rumou para noroeste da ci­dade e retornou num mergulho rumo ao alvo. Ao adquirir os sinais do radar, Trevaskus, no assento traseiro, dispa­rou os mísseis com quatro segundos de diferença entre um e outro começando imediatamente a contar os segun­dos que se passavam após o lançamento. O ruído dos rada­res de busca chegava cristalino através do RWR. De repente os pilotos viram um cla­rão no solo, e logo em seguida outro. O primeiro míssil impactou a cerca de 10 metros de distância do radar principal atingindo-o, no entanto, so­mente com pequenos fragmentos. Outro míssil destruiu um radar diretor de tiro que estava perto. Logo após o ataque inicial, os operadores argentinos desligaram o ra­dar de busca preservando-o assim de qualquer dano. En­quanto isso, o Vulcan de McDougall aproou o norte subin­do para uma altitude na qual gastaria menos combustível e onde se encontraria com o reabastecedor que garantiria seu regresso para casa. Apesar de terem destruído um radar diretor de tiro, a missão fracassara. Os argentinos não somente continuavam capazes de saber onde estava a frota, mas agora estariam alertados para a possibilidade de ataques com armas anti-radiação.

Mas na noite de 2 para 3 de junho, Neil McDougall, a bordo do Vulcan XM597, taxiou para a cabeceira de Wideawake, aguardou a autorização da torre e, assim que ela chegou, suavemente empurrou as quatro manetes de potência até o batente iniciando sua longa corrida de de­colagem.

Black Buck 6

Dessa vez, o grande bombardeiro levava quatro mísseis Shrike sob as asas. Poucos segundos depois de iniciada a rolagem na pista, McDougall e sua tripulação já estavam nivelando e aproando o sul.

Horas mais tarde, o XM597 se aproximava das ilhas. Repetiu a rota de ingresso vindo do nordeste à baixa altu­ra. Na posição preestabelecida subiu para 16.000 pés e se preparou para o ataque. Só que dessa vez os argentinos sabiam o que esperar de uma aeronave se comportando daquela maneira e quando o Vulcan estava a nove milhas do aeródromo de Stanley, um a um, os radares argentinos começaram a sair do ar. Quando os ingleses passaram e se voltaram novamente para o mar, os sons no RWR co­meçavam a voltar. E assim se sucedeu em diversas passa­gens. Um jogo de gato e rato eletrônico no qual a tripula­ção do Vulcan não encontrava seu alvo de maneira algu­ma. McDougall então resolveu fazer uma última tentativa para não ter que jogar fora sua missão. Curvando sobre o Atlântico abaixo ele resolveu fazer um passe na direção da pista do campo, quase como se estivesse vindo para o pouso. Os argentinos poderiam pensar que o Vulcan tam­bém estivesse armado com bombas convencionais e acen­der seus radares para defender o aeródromo. Dito e feito. Quando atingiram 10.000 pés um dos radares começou a emitir e logo em seguida a artilharia passou a buscá-los. De repente McDougall viu quatro explosões debaixo do Vulcan e um pouco à sua direita. Rod Trevaskus adquiriu seu alvo e lançou os dois Shrike que impactaram no solo perto de um radar Skyguard diretor de tiro. O piloto já es­tava erguendo o nariz do avião e tratando de dar o fora dali quando os mísseis chegaram ao chão. As explosões não acertaram o radar caindo próximo de onde estava e matando três militares argentinos que compunham sua equipe. Em poucos segundos, o silêncio voltou para Port Stanley/Puerto Argentino. E McDougall e seus homens já estavam longe dali.

Oh, merda...!

Quatro horas mais tarde grande parte do estresse da mis­são já havia passado. As Falklands/Malvinas haviam fica­do a 2.500 milhas ao sul. Com a musculatura mais relaxa­da e a respiração mais pausada, os tripulantes do XM597 rumavam para o norte a 20.000 pés, margeando a costa da América do Sul. Já estavam no ar há mais de 12 horas. Guiados por um avião Nimrod MR2 de patrulha marítima que utilizava seu potente radar Searchwater para ajudá-los a encontrar o Victor que os reabasteceria um pouco mais à frente, sabiam que dali em diante o voo seria tranquilo. Estavam fora do alcance da defesa aérea argentina. Pouco depois, McDougall viu à sua frente o que certamen­te era uma visão reconfortante, a cauda em T de um Victor, seu posto de gasolina no céu! Posicionou-se atrás e sob a asa direita do reabastecedor e cautelosamente ma­nejou as manetes e o manche mirando seu probe na cesta que flutuava serena diante de seu pára-brisa. Com um movimento seguro o Vulcan chegou mais perto do avião-tanque até que o probe ingressou na cesta e RRRRRRUUUUUUUPPPPPPPPR De alguma forma foi ar­rancado da fuselagem do Vulcan. Podia ter sido um erro de pitocagem. Ou talvez fadiga de material. Mas a verda­de é que sem o probe não dava mais para o grande e can­sado bombardeiro receber combustível...

"Oh, merda!"Disse alguém na fonia...

A partir de então, só havia uma coisa a fazer, alternar o aeródromo mais próximo, e rezar para que se conseguisse chegar!

O co-piloto do Vulcan era o Flying Officer Chris Lackman. Cabia a ele fazer os cálculos de combustível da missão. O Vulcan, aeronave dos anos 50, não dispunha de nenhum equipamento moderno capaz de prover esses da­dos de forma mastigada para a tripulação. Não demorou muito para que Lackman olhasse friamente nos olhos de McDougall e declarasse que não havia chance de continua­rem até Ascensão, e no perfil de voo em que se encontra­vam, dificilmente chegariam sequer à costa brasileira.

Para piorar as coisas, existia um vazamento de com­bustível num dos tanques localizados no bombbayúo avião.

E, por ser numa posição central da fuselagem, Lackman era forçado a utilizá-lo para equilibrar o centro de gravidade da aeronave.

Era preciso tomar decisões urgentes, e a mais imedia­ta era a de subir para voar em ar mais rarefeito. Assim, eco­nomizariam combustível e poderiam chegar mais longe. Ocorre que antes de erguer o nariz do Vulcan, ainda tinham um problema a resolver. No ataque a Stanley, o XM597 ha­via lançado dois mísseis Shrike. Mas outros dois permane­ciam pendurados nos pilones. Além de causarem grande arrasto o que consumia mais combustível do que se o avião estivesse o mais liso possível, não poderiam estar a bordo quando o bombardeiro pousasse num país neutro. Qual­quer associação com um conflito bélico poderia ser preju­dicial ao bem-estar da tripulação, sem contar que não traria benefícios de relações públicas à causa britânica. E tratando-se de uma arma da Otan, os AGM-45 não poderiam cair nas mãos de um país não-alinhado com àquela organização. Os mísseis teriam que sair dali, e rápido. Trataram de fazer uma busca radar à frente do avião para se certificarem de que não havia nenhum navio na proa. É claro que naquele momento vigorou a Lei de Murphy! Pois havia diversos contatos ao norte o que fez com que McDougall virasse para o leste e após nova busca se certificasse de que o mar esta­va limpo naquela direção. Foram poucos segundos, mas quando se está com pouco combustível um segundo já é muito!

O piloto empurrou então o manche para frente até que o nariz do Vulcan mergulhasse num ângulo de 45°. O oficial navegador/radar Flight Lieutenant Dave Castle disparou os Shrike sucessivamente para não perder tempo. Com um clarão e um forte ruído, saiu o míssil do lado direito. Mas o do lado oposto não disparou.

Passaram-se alguns segundos até cair a ficha.

"Está preso!", disse o oficial responsável pela eletrôni-ca de bordo, o Fl Lt Rod Trevaskus, "Não consigo soltá-lo!"

McDougall, nem pensou. Reverteu a manobra passan­do a subir numa curva, ascendendo e rumando para o oes­te. Não havia mais tempo a perder. McDougall então em­purrou as maneies para frente solicitando potência total dos quatro motores. Mesmo gastando muito combustível na subida, sabia que o quanto antes chegasse aos 40.000 pés, maior seria a distância que percorreria. Ele era um piloto extremamente experiente no Vulcan, e conhecia o desem­penho daquela máquina como ninguém. Já na subida, pe­diu uma proa para o aeródromo mais próximo. A resposta já estava sendo calculada: Rio de Janeiro!

Perto dali, o Victor e o Nimrod da missão os acompa­nhavam a uma distância segura. Eles iriam segui-los até o limite do espaço aéreo brasileiro. Mas naquele momento McDougall não tinha tempo para eles.

Quando atingiram o nível 400, McDougall pediu ao pi­loto reserva, o Flight Lieutenant Brian Gardner, para juntar todo e qualquer documento confidencial que estivesse a bordo. Ele não tencionava pousar com eles. Em pouco tem­po códigos, mapas, frequências operacionais e outras in­formações sensíveis foram recolhidos. Gardner esvaziou uma lata de rações e espremeu a papelada dentro dela.

A única maneira de alijar qualquer coisa de dentro de um Vulcan era através da portinhola de escape, de opera­ção hidráulica localizada no chão e na parte frontal da cabi-ne. Ocorre que abrir qualquer porta de um avião a 40.000 pés é uma missão hercúlea. Sem contar que naquela altura a sobrevivência só seria possível se os tripulantes respi­rassem oxigénio puro através de suas máscaras, a ainda assim por um curto período de tempo.

Mas McDougall não queria aqueles documentos em mãos estranhas e deu a ordem para que se abrisse a porti­nhola de escape.

Depois de igualar a pressurização da cabine com a de fora, e de trazer as manetes para trás diminuindo a veloci­dade do jato até o pré-estol McDougall fez com que todos checassem o fluxo de ar de suas máscaras e pediu a Gardner que abrisse a portinhola e alijasse a lata.

Gardner ajustou seu cinto, e acionou o comando da portinhola que abriu deixando entrar um furacão de ar ge­lado que logo tomou conta da cabine. Empurrou a lata, à qual estavam afixados pesos adicionais para garantir que afundasse, em direção ao vazio, vendo-a cair rumo ao vas­to oceano abaixo. Em seguida acionou a alavanca para fe­char a portinhola e ...nada! Ela não havia sido feita para ser acionada em voo! Não havia nada que poderiam fazer na­quela altitude além de continuar em frente, o desconforto de terem que voar no limite do combustível agora acompa­nhado de um frio glacial que nem suas roupas térmicas especiais conseguiam afastar.

Finalmente, tremendo de frio, Rod Trevaskus acionou o botão do rádio e começou a transmitir.

Brasil

Era um dia claro e ensolarado em Brasília. Na sala do Cen­tro de Controle de Área de Brasília, do CINDACTA l (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), ouviu-se um chamado incomum na frequência de emer­gência (121.5).

- " Mayday, Mayday, this is Ascott 2357, Mayday, Mayday".

Esta chamada-rádio, muito pausada, e naquela fleuma britânica, repetiu-se duas ou três vezes, até que o controlador do Setor Rio, que abrangia toda a área do Rio de Janeiro, estendendo-se por mais ou menos 350 km para dentro do Oceano Atlântico, respondeu à chamada:

- (controlador): "Ascot2357, this is Brazilian Center, go ahead."

-(piloto): "say callsign again!!!" Aí já não tão fleumaticamente como antes.

- (controlador): "Ascot2357, this is Brazilian Center, go ahead."

A reação do piloto foi disparar uma série de informa­ções, sobre a situação do seu voo, em uma velocidade, agora sem fleuma britânica, e com tantos dados, que o controlador só disse uma frase:

- "Sayagain."

O piloto disse então, mais ou menos o seguinte: "Ascot2357, position...., due shortage offuel, unable to go further than Rio, request immediate diversion to Rio".

A transcrição de tudo o que o piloto falou naquele con-tato-rádio nunca foi possível de se realizar, nem mesmo com a ajuda de um americano que dava aulas de Inglês para algumas pessoas do CINDACTA, pois havia frases impossí­veis de serem entendidas.

Após algumas trocas de mensagens entre controlador e piloto, o piloto acionou o seu transponderno modo A, o código internacional de emergência, que é 7700. O radar secundário do Pico do Couto, em Petrópolis (RJ), passou a detectar o avião, e, mais tarde, o radar primário também o detectou, e não somente aquele avião, mas tam­bém outros dois que voavam perto dele.

Graças ao nosso sistema brasileiro ser integrado, con­trolando-se a Circulação Aérea Geral, integradamente com a Circulação Operacional Militar (infelizmente alguns desavisados e outros mal intencionados, e muitos farejan­do dinheiro, querem destruir este sistema), ao mesmo tem­po que o Centro Brasília tentava dar assistência ao avião que se declarava em emergência, na sala ao lado, no Cen­tro de Operações Militares (COpM/Defesa Aérea ), acompa nhava-se a ocorrência, e aguardava-se uma definição da identificação daquela aeronave.

O controlador do Centro Brasília solicitou, várias ve­zes, que o piloto se identificasse, e a resposta era sempre:

- (piloto): "this is Ascot 2357, a fourjets."

Diante dos fatos conhecidos, o COpM (Defesa Aérea) acionou o 1° Grupo de Caça para uma missão de interceptação real, ou seja, com aviões armados.

O que o controlador do CINDACTA l estava ouvindo era a voz de Rod Trevaskus, mas sua transmissão dentro da máscara apertada e a situação de pressão na cabine faziam com que sua voz chegasse como se fosse a do Pato Donald! "Lembro-me bem ", recorda-se um controlador, "que ele só nos disse tratar-se de um avião com quatro motores. Ele repetiu várias vezes tratar-se de uma aeronave com f ou r jets', mas falava muito rapidamente e mal conseguíamos entendê-lo". Enquanto os controladores em Brasília tenta­vam administrar aquela situação inusitada, outros aconte­cimentos começavam a ocorrer a cerca de mil e duzentos quilómetros dali, na Base Aérea de Santa Cruz.

Rojão de Fogo!

Naquele mesmo momento, na Base Aérea de Santa Cruz, a oeste do Rio de Janeiro, os Capitães-Aviadores Raul José Ferreira Dias e Marco Aurélio dos Santos Coelho haviam acabado de fazer o checkexterno de dois caças Northrop F-5E Tiger II do 2° Esquadrão do 1° Grupo de Aviação de Caça, e já se ajustavam em seus assentos antes de sair para uma missão de navegação a baixa altura (NBA) com tiro-foto no estande da Marambaia no regresso. "Nós fazíamos a mis­são de navegação saindo de Santa Cruz em direção ao Vale do Paraíba, e depois retornávamos pela Baía da Ilha Gran­de para atacar o objetivo, que era na Marambaia", conta o então Capitão Dias. "Eu me lembro que quando nós está­vamos nos preparando para guarnecer nossos aviões, vi o avião de alerta voltando de um acionamento. Naquela épo­ca, era comum se fazer dois acionamentos do alerta, um pela manhã e outro à tarde, para treinamento. Ou seja, na­quele exaro momento não havia aeronave de alerta dispo­nível."Eram cerca de dez horas da manhã e o dia não podia estar melhor para voar. "Era um dia belíssimo", continua Dias, "daqueles de pós-frontal que entusiasma qualquer pi­loto. De repente notei um dos mecânicos correndo para o meu avião, abrir o cofre e dar o golpe no canhão! Lembro que gritei: 'Ei, não! A missão é de tiro-foto! Não vamos sair armados'". O Capitão Dias já estava de capacete e pouco ouvia além de sua própria respiração e o rugir dos motores a jato que costumam encher qualquer rampa de base aérea operacional. No meio daquela confusão, já estava aciona-da a sirene de alerta, mas esse foi o único barulho que ele não conseguiu ouvir. "Aí, o mecânico me fez um sinal com a mão que eu entendi como sendo de 'liga o rádio'/" Dias fez o que ele pediu e aí não restou mais dúvida do que esta­va acontecendo: "Quando eu liguei o rádio imediatamente ouvi o Joca*, coitado, se esgoelando na frequência para fazercontato conosco. tspadas é o Joca, Espadas é o Joca!' ( Joca - Oficial de Permanência Operacional (OPO) de Santa Cruz)

Ele berrava tanto que eu tive que esperar uma brecha na fonia para poder responder, 'prossiga', eu disse para ele, 'Espadas na escuta...'"O hoje Major-Brigadeiro Dias conti­nua o relato transportando-se novamente para aquele 3 de junho; "Eu sei que nós éramos a esquadrilha de Espadas porque eu sempre voava Espadas. Eu era o Operações do Esquadrão mas havia sido o Comandante de Espadas en­tão eu mantinha aquele código rádio comigo. O Joca então falou algo que modificou de imediato todo o cenário. Ele disse "Rojão de Fogo!' e imediatamente soubemos que a coisa era para valer!"

Rojão de Fogo era o indicativo de um alerta real. Os aviões partiriam para interceptar uma aeronave em situa­ção de combate. Raul Dias ainda não estava totalmente amarrado no assento, mas assim mesmo deu partida e saiu rumo à pista de decolagem. "Eu só pensava em chegar à cabeceira primeiro porque a doutrina naquela época ditava que num alerta respondido por mais de um avião, aquele que chegasse na frente à cabeceira liderava a missão! Por isso eu completei minha amarração no táxi. Quando che­gamos à posição de decolagem, fizemos os checks finais e decolamos na ala. Uma coisa que me marcou foi que PRIMAV (indicativo da torre de Santa Cruz) nos passou di-reto para Thor (Indicativo da Defesa Aérea do CINDACTA l, em Brasília) sem nos passar antes para Taba (código da aproximação em Santa Cruz) ou pelo Controle Rio, e Thor pediu 'Subida PC Maxi, deu nos bearing (direção magnéti­ca) tal, anjos (nível de voo) três dois zero'."

Os dois pilotos do Pif-Paf haviam treinado a vida intei­ra para aquele momento. Mas quando ele veio pegou-os de surpresa. "A verdade é que nada te prepara para um alerta real", diz o então Capitão Coelho. "A adrenalina co­meça a correr no corpo e a excitação é grande. Mas, apesar disso, o treinamento parece tomar conta de você e as ações começam a acontecer automaticamente. O que me chamou a atenção, além do corre-corre natural de um momento como aquele, foi o fato de que recebemos as pranchetas do alerta com os códigos secretos que nos dariam a autoriza­ção para abater o alvo em voo. Elas ficavam trancadas com o oficial de inteligência e só eram passadas aos pilotos do alerta em situações reais. E naquele momento elas esta­vam sendo entregues para nós!"

Após o táxi, os Tiger decolaram na pista 04 e logo curvaram à direita tomando a proa do mar. Raul Dias reto­ma a narrativa: "Pouco depois da decolagem aproamos a zona sul e com o PC (Pós-Combustão) a pleno, subimos com o pé no horizonte e com a viseira molhada! Quando finalmente nivelamos aos trinta e poucos mil pés eu co­mandei uma linha de frente tática. Se não me engano o Coelho estava na minha direita e ele abriu. Lembro-me que eu nivelei no dorso porque a subida tinha sido tão agressiva que quando chegou no nível eu pus o avião no dorso, segurei de nariz e nivelei. Só que na hora em que nivelamos entramos supersônico. Nem pensamos nas consequências que aquilo poderia ter. Afinal de contas estávamos num Rojão de Fogo!"

Naquele momento a cidade inteira descobriu que algo estava acontecendo porque um òoomsônico a atingiu em cheio assustando os seus cerca de cinco milhões de mo­radores! Enquanto a população carioca se recuperava do susto, as ações se sucediam a cerca de dez quilómetros de altura.

O Vulcan de McDougall vinha descendo numa rampa suave buscando chegar na costa brasileira. A comunicação era difícil porque o oxigénio pressurizado que emanava das máscaras que a tripulação usava fazia com que cada pala­vra tivesse que ser gritada. O barulho dentro da cabine era enorme porque o fluxo de ar que entrava pela portinhola de escape misturado ao som das turbinas do bombardeiro fazia de qualquer comunicação em tom normal algo im­possível. Trevaskus identificou o jato somente como uma aeronave de quatro motores omitindo exatamente quem era e de onde estavam vindo. O controlador do COpM, no entanto, conseguia ver claramente os três plotes voando em formação. Evidentemente ele não deixou transparecer que os interceptadores brasileiros voavam na direção con­trária e no seu alcance. Até aquele momento tanto o Nimrod quanto o Victor envolvidos na missão continuavam a comboiar o Vulcan até onde podiam. As autoridades ingle­sas em Ascensão também já haviam sido avisadas através de comunicações seguras.

O Vulcan nivelou aos 20.000 pés. Abaixo daquela altu­ra, as chances de sobrevivência no caso de uma parada dos motores seriam mais difíceis. Mas ainda havia um proble­ma. O Shrike pendurado tranquilo sob a asa do Vulcan es­tava armado e poderia causar problemas na aproximação e no pouso. Bastava para isso, que a sua cabeça de guiamento encontrasse emissões "apetitosas" pela frente, um radar do Pico do Couto, ou do Galeão, por exemplo. Uma boa sacudidela também poderia ser desastrosa. Mas àquela altura o míssil era um risco que a tripulação de McDougall teria que enfrentar.

Aos 20.000 pés o frio diminuíra assim como a pres­são do ar e Gardner finalmente conseguiu fechar a porti­nhola de escape. A cabine rapidamente deixava de ser um local hostil.

Diretamente à frente do nariz do Vulcan, a mais ou menos Mach 1.3, porém a cerca de 10.000 pés acima, Dias e Coelho queimavam o céu buscando sua presa. "Na minha lembrança", relata o Capitão Coelho, "tivemos um tempo de reação muito rápido, naquelas condições de acionamento. Os minutos que consumimos para decolar, após o primeiro entoar da sirene, não cabem em todos os dedos das mãos. Quando já estávamos em voo, rumando para o alvo, sempre o tivemos frente a frente. O que não permitia uma detecção radar ideal. Posso dizer que não foi fácil encontrá-lo".

O então Capitão Dias completa, "A primeira informa­ção de Thor que chegou era mais ou menos o seguinte: Eram três aviões não identificados que estavam seguindo para o Rio de Janeiro. Imediatamente vimos uma trilha de condensação à nossa frente fazendo uma curva ascendente à direita de onde deveria estar o alvo e para o nosso lado esquerdo. Mas logo depois o alvo saiu do nível de trilha e desapareceu". No COpM, o pessoal da Defesa Aérea acompanhava o voo daquela aeronave ainda sem identificação. Ainda não ficara claro qual era o problema com o jato inglês, a não ser o que foi entendido naquela primeira chamada-rádio, ou seja: ele estava com pouco combustí­vel, não podia ir além do Rio, e queria orientação para um pouso imediato.

A decisão, então, era de orientar o avião para o Galeão. Esta tarefa era conduzida pelo Centro de Controle, e tudo acompanhado pela Defesa Aérea, que a seu tempo vetorava os caças para o rumo mais direto possível em direção ao alvo ainda desconhecido.

Os três aviões ingleses vinham voando meio enviesado rumo à costa brasileira e quando o controlador do Centro Brasília ordenou que o Ascot 2357 curvasse para um melhor ajuste de aproximação direta para a pista 14 do Galeão, aquela curva, coincidentemente, o colocava de proa com os interceptadores, o que causou certo "frisson" nos controladores dos caças, pois imaginou-se que o avião inglês ia partir para o combate; mas a tensão foi logo des­feita ao saber-se o que se fazia na sala ao lado (Centro de Controle); mais uma vez, graças ao nosso sistema ser to­talmente integrado. Naquele momento, a escolta do XM597 deixava o pe­sado bombardeiro à sua própria sorte e abandonava o es­paço aéreo brasileiro. Certamente foi esse o movimento que os pilotos do Pif-Paf viram diante de seus caças. Os pilotos brasileiros vasculhavam o céu à sua frente como manda o figurino, com um dos caças varrendo o céu com seu radar à frente e acima do horizonte enquanto o outro fazia o mes­mo para abaixo do horizonte. Mas não havia nada à frente na tela de seus radares de bordo! "Quando passamos a linha da praia", continua Dias, "comandei o check de ar­mamento conforme dita a doutrina. Ligamos os canhões, demos as rajadas padrão e prosseguimos. Naquela época, apesar de nossos radares conseguirem alcançar cerca de 20 milhas, para um avião do tamanho daquele ali a umas 18/17 milhas já deveríamos ter tido contato, por mais que estivéssemos frente a frente com ele". Ocorre que, naque­le momento, o radar tridimensional do CINDACTA l, o Volex III estava inoperante. Os controladores de Brasília então só conseguiam ver o plote primário e secundário (só modo A) do alvo, não dispondo de informações sobre a sua altitude. Esta era estimada pelos controladores e passadas para os caças que já estavam no local. Só que eles não conseguiam ver a aeronave que rapidamente se aproximava da cidade porque a distância já era muito curta e a diferença de altura entre os caças e o Vulcan grande demais. O Vulcan, que voava a cerca de 10.000 pés abaixo dos caças já havia saí­do do cone de varredura do radar dos F-5E. A esta altura, o controle já havia informado à esquadrilha de Espadas que o alvo era uma aeronave inglesa. O grande bombardeiro já estava a umas 25 milhas da Boca da Barra que separa a Baía de Guanabara do mar e o operador em Brasília vinha cantando pelo rádio a distância que separava os caçadores doalvo. "Quando o controlador disse:'Dez milhas', eu aban­donei a tela de radar e comecei a olhar para fora", lembra-se o Brigadeiro Dias transportando-se para a cabine de seu F-5 naquele dia ensolarado. "De repente, o controlador dis­se: 'Piotes confundidos.' E aí eu não tive mais dúvida. Fiz um movimento com a cabeça girando com o avião ao mes­mo tempo e coloquei o caça no dorso. E ai eu vi aquela enorme 'arraia' voando embaixo de mim. E dali de onde eu estava eu comandei: Tally Ho!, é um Vulcan. Judite. Espa­das Dois, Cobertura!' E o fiz de forma absolutamente auto­mática. Zero raciocínio! Porque era aquilo que a gente fazia todos os dias".

Imediatamente Dias manobrou sua aeronave em um mergulho para concluir a interceptação do intruso. Foi só nesse momento que se soube qual era o tipo de avião que voava em direçáo ao Rio, em emergência.

"Eu vinha atrás e quando o Dias fez a manobra, que na verdade era um retournement, eu o segui, em cobertura e atento na manutenção do visual, porque o ala nunca pode perder o seu líder de vista. Principalmente numa situação como essa. Ao completar a manobra para me posicionar onde eu teria que estar, que era protegendo o meu líder, me lembro que vi o Pão de Açúcar perto", complementa Coe­lho. Raul Dias assume a narrativa: "A manobra havia nos colocado atrás do alvo. Eu me lembro que logo que nivelei atrás dele eu girei um 'tonneauzão' para matara velocida­de, e fiquei na asa esquerda dele enquanto o Coelho se posicionou às suas seis horas. Em seguida, comecei a fazer os procedimentos padrão previstos em qualquer interceptação enquanto chamava o Vulcan na frequência 121.5 como manda o figurino." Preocupado com o estado de seu nível de combustível, McDougall não respondeu às interpelações do piloto brasileiro e continuou rumando para o Rio de Janeiro.

"Nada. O bicho não falava nada!" Lembra-se Dias: "O capacete deles do tipo HGU-2Tera bem padrão todo bran­co e não como os nossos, que eram cheios de 'firula'. A sensação que eu tinha era a de que ele mexia levemente a cabeça e me olhava de rabo de olho. Mas não falava nada! Só mantinha a reta do jeito que vinha. "Ocorre, no entanto, que Raul Dias não estava gostando muito daquilo.

"Eu então disse para o meu ala: 'Coelho, fica de olho que eu vou fazer esse cara falar com a gente'. "Vinte e cinco anos depois do episódio, o piloto brasileiro cerra os olhos quase imperceptivelmente quando se lembra: "Eu então dei uma 'asada' nele." E talvez por um segundo apenas se lembra que é um Oficial General da Força Aérea Brasileira e pausa a narrativa considerando se devia ter dito aquilo. Mas o piloto de caça dentro dele fala mais alto e ele confirma: "Dei mesmo."

Dias passou com o Tiger da esquerda para a direita diante do nariz do Vulcan. E como se aquilo não bastasse, girou um tonneau por sobre o bombardeiro da RAF vol­tando para a posição que ocupara anteriormente ao seu lado. "Quando passei por ele, cheguei a vê-lo se abaixar dentro da cabine. Aí ele finalmente olhou para mim e en­trou na fonia." A ideia inicial do COpM era levar o Vulcan para Santa Cruz, mas no rápido diálogo que se seguiu ficou claro para todos que acompanhavam aquele momento que o grande bombardeiro não teria combustível para aquilo.

"Eu não havia notado inicialmente que ele estava com problemas", continua o líder da Esquadrilha de Espadas, "mas quando olhei com cuidado, notei que o probe de reabastecimento que fica bem na frente da cabine do Vulcan estava quebra­do. Nessa coordenação entre eu, Thor e ele ficou definido que nós o acompanharíamos até o pouso. Daí para frente passamos a acompanhá-lo visando o seu recolhimento com segurança no Galeão onde pousaria na pista 32".

O Vulcan sobrevoou a cidade já com o trem baixo e todo flapeado para perder altura, mas seus problemas ain­da não haviam terminado. Segue o depoimento de um dos controladores: "Enquanto o Vulcan se aproximava do Rio de Janeiro, o Controle de Brasília mandou que o piloto pas­sasse para a frequência do Controle de Aproximação do Rio, mas ele negou-se a mudar daquela frequência de emer­gência (121.5). Foi preciso, então, fazer-se a coordenação entre o Centro de Brasília e o Controle do Rio, dando ao piloto as coordenadas para o pouso. No entanto ele res­pondeu que não teria combustível para efetuar sequer um circuito para se aproximar da pista em uso. O Centro Brasília perguntou se ele conseguia ver a pista ao que ele respon­deu afirmativamente. 'Então pode pousar nela', foi o que disse o controlador". Ele agora vinha para uma longa final na pista 32.

McDougall estava alinhado com a pista do Galeão, mas vinha alto demais. Com cerca de seis milhas para o pouso, o Vulcan ainda voava a uns 20.000 pés. Precisaria descer de uma só vez o mais rapidamente possível. Ele então puxou as manetes para idle, estendeu os freios de mergulho, e entrou numa curva descendente em espiral puxando dois Gs e com uma inclinação de 65°. Sem o empuxo de seus motores, o avião começou a descer verticalmente, quase numa queda livre. Mas quando estava a cerca de 250 pés, e a 3/4 de milha da cabeceira, McDougall aplicou potência total e sentiu o jato voltar a voar sob tração novamente. Estava perfeitamente alinhado com a pista 32 do Galeão! O comandante do Vulcan ganharia a Distinguished Flying Cross (DFC) por aquela manobra, mas interessantemente, nenhum dos dois pilotos brasileiros que acompanhavam o Vulcan até o pouso se recorda dela.

O então Capitão Dias olhava o Vulcan de cima: "Me impressionou o silêncio que de repente se abateu na fonia sobre o Galeão", lembra, "o Controle havia tirado todo mundo da área. Fizemos mais algumas passagens sobre o aeroporto e quando vimos que ele estava livrando a pista rumo ao estacionamento, pedi proa de Maloca via Barra e rumamos para Santa Cruz. Sobrevoamos a Zona Sul da ci­dade e quando estávamos já no través da Pedra da Gávea, minhas pernas começaram a tremer! Chamei o Coelho no rádio e disse para ele que eu estava com as pernas tremen­do. 'E como é que você acha que estão as minhas!?!' veio a resposta!". Era o nível de adrenalina que estava começan­do a abaixar no corpo dos dois pilotos brasileiros.

Os dois F-5E chegaram sobre a Base Aérea de Santa Cruz, mas não pousaram. Seus dois pilotos os levaram para a área de instrução e fizeram acrobacias na ala até que se esgotasse o combustível. Em seguida entraram no circuito, fizeram um pilofe e vieram para o pouso. Já no chão taxiaram até o Esquadrão onde praticamente todo o efetivo da Base os esperava para recebê-los, e curiosos, para saber como havia sido a missão. Afinal de contas, aquela havia sido a primeira interceptação real na História do 1° Grupo de Aviação de Caça!

Conclusão

McDougall e sua tripulação permaneceram por mais oito dias no Brasil sendo bem tratados por seus colegas da FAB, que os alojaram no Cassino de Oficiais da Base Aérea do Galeão. Passaram a maior parte de seus dias no Brasil to­mando banho de sol na piscina da Base. No dia 11 de junho subiram no XM597 e decolaram rumo a Ascensão. O míssil Shrike, no entanto, ficou no Brasil. Na noite seguinte, os ingleses voaram a última missão Black Buck, de número sete. Bombardearam posições de tropa argentinas perto de Stanley. Suas bombas convenci­onais vindo a cair do lado leste da pista sem maiores con­sequências. Pouco depois a guerra terminava.

"O que fica é a satisfação do dever cumprido e a constatação de teratuado com profissionalismo", conclui o então Capitão Coelho, "colocar aquele 'm' na caderneta de voo, e que denota uma missão real pode não significar nada para muita gente. Mas para nós vale muito. Porque signifi­ca que fizemos aquilo que esperavam de nós quando o momento chegou. Para nós aquele 'm' foi maiúsculo".

O boom sônico que sacudiu a cidade do Rio de Janeiro foi interpretado por muitos de formas diferentes. Houve quem dissesse que o Gasómetro do Rio tinha explodido. Para a maioria o que ocorrera de verdade só veio à tona às oito horas da noite, no Jornal Nacional. Raul Dias, no entanto, sentiu a repercussão pouco depois de pousar: "Eu estava na sala do OPO (Oficial de Permanência Operacional) que na­quela época era bem à esquerda de quem entra no Esqua­drão. Estava fazendo o relatório imediato da missão quando tocou um dos vários telefones que se alinhavam no console à minha frente. Eu atendi automaticamente e disse: Bom-dia, OPO, Grupo de Caça...' Foi quando uma voz em altos brados irrompeu do outro lado dizendo: 'Aqui é o Coronel Fulano. Quero saber imediatamente quem era o piloto de F-5 que estava fazendo firulasem cima do Galeão...'. Eu confes­so que até hoje não sei quem foi, mas peço que me perdoe, porque como um bom e jovem capitão com a adrenalina ainda fluindo no corpo, eu falei algumas coisas que eu não devia."Coelho também teve tempo para pensar naquele 3 de junho após estes 25 anos: "Aquele boom sônico pesou durante algum tempo na minha consciência ", recorda, "por­que parece que o metro parou, e que alguém que estava limpando vidros no vigésimo terceiro andar de um edifício quase caiu. Mas a verdade é que naquele dia, todo mundo lembrou que tem uma Força Aérea! ".