29 Agosto 2008

Defesa vulnerável - S.O.S.

A grave situação de sucateamento da frota naval da Marinha brasileira coloca o País em estado de alerta. Ainda mais agora com as descobertas das reservas de petróleo e gás natural do campo de Júpiter e da área de pré-sal no campo de Tupi, na bacia de Santos (SP).



Demitri Túlio, Cláudio Ribeiro,Luiz Henrique Campos e Thiago Cafardo

A Marinha de Guerra do Brasil está falida e volta a pedir socorro. Da frota naval composta por navios, submarinos, aviões e helicópteros, nenhuma unidade opera em condições plenas. O que ainda funciona é em situação de "restrição". Caso o País se envolvesse hoje em um conflito bélico internacional, as defesas pelo mar estariam vulneráveis. A constatação é de um relatório elaborado pela própria força armada brasileira. O POVO lança luz sobre pontos alarmantes do documento Situação da Marinha - Necessidades Orçamentárias, que foi apresentado pelo comandante-geral da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, no último dia 12 de junho, aos líderes de bancadas de partidos no Congresso Nacional. O militar revela que a Marinha está quase parada. Há um ano, em agosto de 2007, o oficial já havia feito o alerta e de lá pra cá a situação só se agravou.

Para se ter uma idéia da grave situação do sucateamento da frota brasileira, a Marinha vem operando em alguns casos com apenas 4% de seu poder naval. No quadro "Situação atual dos meios da esquadra brasileira" está exposto o tamanho do estrago. Dos 23 aviões A-4 que possui, 22 estão encostados e só um funciona. Quando o assunto é helicóptero, somente 15 dos 68 existentes estão voando e ainda operam com restrições. Cinqüenta e três estão quebrados.

Pelo céu, o País teria o suposto socorro da Força Aérea Brasileira (FAB) no caso de ter de responder a um ataque inimigo. Porém, no mar, o problema não seria fácil de resolver. No relatório Situação da Marinha, está escrito que dos 25 navios que a Marinha de Guerra do Brasil tem, somente 14 estão operando e "com restrições". Onze estão "imobilizados". No item submarinos, antiga reivindicação dos estrategistas em defesa marítima, três operam "com restrições". O Brasil possui cinco unidades e dois não têm condições de patrulha ou pesquisa.

O cenário traçado pelo estudo é dos mais graves e prevê o desaparecimento do poder naval do País até 2025, se não houver investimento urgente e planejado na Marinha do Brasil. "Vale lembrar que a perda de credibilidade da capacidade dissuasória nacional tende a fragilizar a política externa brasileira em todos os foros de atuação e decisão", sentencia o texto.

De acordo com o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares Neto, a armada marítima brasileira necessitaria minimamente de R$ 2,8 bilhões em 2009 para a manutenção e operação das forças navais, aeronavais e de fuzileiros. Além do "preparo e do adestramento do seu pessoal para a condução das atividades subsidiárias e funcionamento básico-administrativo das organizações militares".

Para o ano de 2008, revela o documento, a Marinha teve um contingenciamento de R$ 455 milhões. O Plano de Recuperação da Marinha (PRM) previa um montante de R$ 2,6 bilhões. "Recebemos do Executivo somente R$ 2,135 bilhões. Com as emendas, alcançamos o valor de R$ 2,177 bilhões. Todavia, com o fim da CPMF ficou em R$ 1,976 bilhões. Posteriormente, com a edição do Decreto de Programação Orçamentária e Financeira, recebemos apenas R$ 1,516 bilhões. Em virtude de Emendas Parlamentares, o valor foi ampliado para R$ 1,521 bilhões", detalha o relatório.

Atribuições da Marinha

- A Constituição Federal, no artigo 42, prevê que as Forças Armadas destinam-se à defesa da Pátria e à garantia dos poderes constitucionais. A defesa externa é atividade-fim das Forças Armadas.

- O Poder Naval é o componente militar do Poder Marítimo, capaz de atuar no mar, em terra e nas águas interiores.

São tarefas básicas da Marinha:

- Controlar áreas marítimas: É a garantia na utilização de áreas marítimas limitadas, na intensidade adequada ao apoio e à defesa dos interesses do país.

- Negar o uso do mar ao inimigo: Visa dificultar o estabelecimento do controle de área marítima pelo inimigo. O submarino, principalmente por sua capacidade de ocultação, é a arma por excelência para o cumprimento desta tarefa.

- Projetar poder sobre terra: Dado o desenvolvimento atual de operações multinacionais de paz em áreas conflagradas, é ter poder de desenvolver atividades como bombardeio naval, aeronaval e de operações anfíbias.

- Contribuir para a dissuasão: É demonstrar, por atos de presença e força, o Poder Naval quando necessário. Para que inspire credibilidade quanto ao emprego da força armada naval.

Pela Lei Complementar nº 97/99, alterada pela lei 117/2004, a Marinha do Brasil também tem atribuições subsidiárias às Forças Armadas. São elas:

- Orientar e controlar a Marinha Mercante no que interessa à Defesa Nacional
- Prover a segurança da navegação aquaviária
- Formular e conduzir políticas nacionais que digam respeito ao mar
- Implementar e fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos no mar e águas interiores
- Cooperar com órgãos federais na repressão aos delitos de repercussão nacional ou internacional

Fonte: Relatório Situação da Marinha, necessidades orçamentárias.

Forças Armadas reúnem dez mil militares em treinamento de defesa da costa



Entre os dias 12 e 26 de setembro, militares da Marinha, Exército e Aeronáutica realizarão a Operação Atlântico, um conjunto de exercícios combinados no litoral dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Serão empregados 20 navios, 40 aeronaves e 250 outros veículos militares. A Operação Atlântico vai custar cerca de R$15 milhões.

De acordo com o ministério da Defesa, o principal objetivo da operação é o treinamento das Forças Armadas para um eventual emprego em defesa da soberania do país, fundamentalmente na área da Bacia de Campos e da infra-estrutura de petróleo e gás da região sudeste, região que concentra a Indústria Naval e a Marinha Mercante brasileira.

A Marinha pretende dobrar de 18 para 36 o número de navios-patrulha para proteger a costa brasileira.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar a plataforma P-34, usada para explorar o óleo leve abaixo da camada de sal em Jubarte.

As recentes descobertas de petróleo na áreas do pré-sal, mostram que podem somar reservas da ordem de 50 bilhões de barris de petróleo e exigir investimentos em torno de US$600 bilhões.

Nesta operação estarão envolvidos pelo menos dez mil militares: nove mil nas atividades operacionais e aproximadamente outros mil em atividades de apoio à população e na simulação de combates.

Meios a serem utilizados

Exército

1ª Divisão de Exército;
12ª Brigada de Infantaria Leve;
Comando de Aviação do Exército;
Brigada de Operações Especiais;
Brigada de Infantaria Pára-Quedista

Marinha

F40 - Fragata Niterói;
F46 - Fragata Greenhalg;
F48 - Fragata Bosisio;
F49 - Fragata Rademaker;
V30 - Corveta Inhaúma;
V33 - Corveta Frontin;
G21 - Navio-Transporte de Tropas Ary Parreiras;
G23 - Navio-Tanque Almirante Gastão Motta;
G28 - Navio de Desembarque de Carros de Combate Mattoso Maia;
G29 - Navio de Desembarque de Carros de Combate Garcia D'Avila;
G31 - Navio de Desembarque-Doca Rio de Janeiro;
M16 - Navio-Varredor Anhatomirim;
M20 - Navio-Varredor Albardão;
R22 - Rebocador de Alto-Mar Tridente;
GRUMEC - Grupamento de Mergulhadores de Combate

Força Aérea Brasileira (FAB)

A-29 Super Tucano - Aeronave Leve de Ataque;
C-130 Hércules - Aeronave de Transporte Pesado;
H-34 Super Puma - Aeronave de Transporte Pesado;
R-99A Guardião - Aeronave de Alerta Aéreo Antecipado e Controle;
C-95/SC-95 Bandeirante - Aeronave de Transporte Médio;
P-95 Bandeirulha - Aeronave de Patrulha;
C-99A Condor - Aeronave de Transporte de Passageiros e de Carga;
C-105A Amazonas - Aeronave de Transporte Médio

ACISO

O ministério da Defesa também pretende integrar as atividades essencialmente militares às Ações Cívico-Sociais (ACISO) em diversos municípios e assistir segmentos da sociedade residentes na região onde o exercício será realizado.

Durante o período em que a Operação Atlântico estiver sendo desenvolvida, serão oferecidos atendimentos médicos e odontológicos, feitas reformas em escolas e prédios de utilidade pública e proferidas aulas de primeiros socorros e higiene.

As Forças Armadas ainda vão destacar a importância da “Amazônia Azul”, para mostrar à sociedade que as riquezas do mar são tão importantes quanto a Amazônia verde, em todas as suas características: econômica (petróleo e gás, pesca e recursos minerais), ambiental e científica.

Brasil e Venezuela fortalecem cooperação militar


Pelo menos 400 militares brasileiros e venezuelanos participaram entre 19 e 22 de agosto da quinta edição da Operação VENBRA, na região de Santa Elena de Uiarén, na fronteira entre os dois países que é de 2.199 quilômetros de selva praticamente inabitada.


Os exercícios conjuntos objetivam reforçar a cooperação militar para a proteção da fronteira comum e do espaço aéreo. A operação realizada a cada dois anos começou a ser executada em 1998.


De acordo com a Força Aérea Brasileira, “a VENBRA V consiste num exercício de simulação no qual se empregam aeronaves-alvo militares como se estivessem em tráfegos ilícitos. Os aviões cruzam uma linha de fronteira fictícia estabelecida entre Brasil e Venezuela, nos dois sentidos. Para localizá-los, serão empregados meios de detecção (radares) e de interceptação (aeronaves) dos dois países”.


No âmbito desta cooperação está o combate ao narcotráfico, à exploração ilegal de minérios, tráfico de pessoas e contrabando de combustíveis.


Durante quatro dias foram empregados os meios de vigilância, controle e defesa do espaço aéreo, e tarefas de detenção, identificação e interceptação de vôos ilícitos.


Oficiais da Aviação Militar Nacional Bolivariana (AMNB) e da Força Aérea Brasileira (FAB), atuaram a partir de Santa Elena de Uairén, no estado venezuelano de Bolívar, e Boa Vista, capital de Roraima.


Atuaram, pelo lado brasileiro, como interceptadores, as aeronaves AT-26 Xavante e os modernos A-29 Super Tucano, e ainda, como aeronaves-alvo os C-98 Caravan. Já pelo lado venezuelano, os interceptadores foram os aviões OV-10 Bronco e T-27 Tucano, e como alvos CESSNA 208.


Recentemente, a Venezuela habilitou seu radar de vigilância terra-ar fabricado na China e que é usado como meio de defesa móvel. O radar está a 600 quilômetros de Caracas.


A Venezuela participará entre 3 e 14 de novembro da Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex), organizada pelo ministério da Defesa do Brasil e que vai reunir as forças aéreas da Argentina, Chile, França e Uruguai.

Decreto de Lula contraria tratado da ONU sobre direitos dos índios

Norma presidencial trata da criação de postos militares em áreas de fronteira

Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho, decreto que determina a instalação de postos do Exército em todas as terras indígenas localizadas em faixa de fronteira contraria a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Confronto no sul afegão deixa 100 militantes mortos



CABUL (Afeganistão) - Um confronto de quatro dias no sul do Afeganistão entre tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos e rebeldes deixou mais de 100 militantes mortos, informou a coalizão ontem. Militantes portando granadas propelidas por foguete, metralhadoras e morteiros atacaram uma patrulha na província de Helmand, sul afegão.

Houve vários confrontos desde a segunda-feira, e também foi convocado um ataque aéreo para auxiliar as tropas. O confronto deixou "cerca de 100 insurgentes" mortos, informou a coalizão.

Segundo o capitão Scott Miller, porta-voz das forças estrangeiras, não era possível divulgar outras notícias, pois a batalha estava em andamento. O grande número de mortos ocorre uma semana depois de os Estados Unidos informarem que mataram 25 militantes e cinco civis durante uma operação no distrito de Shindand, na província de Herat.

Funcionários afegãos, porém, afirmam que morreram entre 76 e 90 civis afegãos na operação, realizada na última sexta-feira. Mais de 3.700 pessoas, a maioria militantes, morreram em incidentes relacionados à insurgência desde o início do ano. O número é resultado de um levantamento da Associated Press, com base em dados de funcionários ocidentais e afegãos.

Moscou testa míssil que "fura" escudos



MOSCOU - A Rússia testou com sucesso ontem um míssil balístico intercontinental, projetado para superar sistemas de defesa antimísseis, informaram as agências de notícias, citando as forças estratégicas nucleares da Rússia. O míssil Topol RS-12M foi testado "no desenvolvimento de equipamento para uso potencial de combate contra mísseis balísticos disparados do solo," disse Alexander Vovk, porta-voz das forças, citado pela agência russa Interfax. "A experiência mostra que as contramedidas mais econômicas, rápidas e eficazes contra o desenvolvimento de um sistema antimísseis são as chamadas "assimétricas," disse.

Essas contramedidas incluem tornar o míssil balístico quase indetectável e sua rota menos previsível aos radares, iludindo o sistema antimísseis, ele disse. O míssil russo foi lançado do cosmódromo de Plesetsk, no norte da Rússia, e voou 6 mil quilômetros até seu alvo, na península de Kamchatka, no extremo leste russo, informou a agência RIA Novosti.

A Rússia desenvolveu o Topol RS-12M em resposta ao projeto dos Estados Unidos de escudo de defesas antimísseis, que usa interceptores lançados a partir do solo. Washington assinou acordos com a Polônia e a República Checa para instalar o escudo nos dois países do Leste Europeu, um plano que enfureceu Moscou.

China e outros quatro declaram apoio à Rússia



DUSHANBE (Tajiquistão) - A China e outros quatro países da Ásia Central declararam ontem apoio aberto ao "papel ativo" da Rússia na solução do conflito na Geórgia. A manifestação ocorreu durante reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) realizada em Dushanbe, a capital do Tajiquistão.

O Casaquistão, a China, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Usbequistão "apóiam o papel ativo da Rússia de contribuir para a paz e a cooperação na região", diz um comunicado divulgado à imprensa.

"Os Estados membros da OCX manifestam sua profunda preocupação com as recentes tensões em torno da questão da Ossétia do Sul e pedem às partes que solucionem pacificamente os problemas existentes por meio do diálogo", diz a nota assinada pelos presidentes dos países que integram a OCX.

A Rússia tem sido alvo de críticas do Ocidente pela decisão de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, duas regiões separatistas georgianas no centro do conflito ocorrido este mês no Cáucaso.

O Kremlin tem respondido com irritação às críticas, observando que as potências ocidentais recusam-se a admitir que a Rússia recorreu à força militar somente depois de a Geórgia ter iniciado uma ofensiva contra a Ossétia do Sul, onde vivem dezenas de milhares de cidadãos russos.

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, qualificou a "posição unificada" da OCX como uma "advertência séria" ao Ocidente. "Tenho certeza de que a posição unificada dos Estados membros da OCX terá repercussão internacional", declarou Medvedev. "E espero que isso sirva como uma advertência séria para aqueles que tentam transformar preto em branco para justificar essa agressão", concluiu.

Medvedev reuniu-se com o presidente da China, Hu Jintao, em Dushanbe na véspera da reunião de cúpula e conversou com seu colega sobre a situação.

A OCX foi estabelecida em 2001 com o objetivo de fazer frente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Ásia Central, uma região estratégica extremamente rica em recursos minerais.

Na declaração conjunta, também assinada por Medvedev, os seis países manifestam apoio ao conceito de integridade territorial, mas sem mencionar especificamente o caso da Geórgia. O Ocidente acusa a Rússia de violar a integridade territorial georgiana ao reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia.

"Os presidentes confirmam seu comprometimento com o princípio de respeitar as tradições históricas e culturais de cada país e os esforços de manutenção da unidade dos Estados e de sua integridade territorial."

Exibição marca encerramento da 1ª Conferência Especializada de Meio Ambiente dos Exércitos Americanos


Jorge Eduardo Dantas

O Exército brasileiro e o Comando Militar da Amazônia (CMA) realizaram, ontem à tarde, a solenidade de encerramento da 1ª Conferência Especializada de Meio Ambiente dos Exércitos Americanos. O evento, que começou na segunda-feira no Tropical Hotel, reuniu uma média de 40 pessoas e 24 delegações de vários países das três Américas, que discutiram como promover a manutenção do meio ambiente em missões de paz.

O encerramento foi marcado pela exibição de táticas de guerra nas águas do Igarapé Mainá que foram executadas pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Segundo o coordenador da conferência, general Floriano Peixoto, representante do Estado Maior do Exército Brasileiro, o evento teve como objetivo discutir como permitir a preservação do meio ambiente, ao mesmo tempo em que se realizam missões militares. “Embora questões como flora, fauna e clima sejam bastante distintas ao longo de todo o continente, é preciso pensar em como cumprir as missões sem prejudicar o ambiente natural de cada país”, explicou.

O secretário-geral da Conferência dos Exércitos Americanos (CEA), coronel argentino Roberto Luís Munõz, disse que não é mais possível pensar o homem fora de seu ambiente. “Não podemos, por exemplo, enviar uma força de paz ao Haiti que acabe com os ecossistemas desta nação”, afirmou.

Tiros e explosões

A exibição das táticas de guerra, ocorrida ontem à tarde, foi organizada para mostrar aos visitantes de outros Países como o Exército brasileiro se prepara para a guerra dentro da floresta. A demonstração ocorreu na Base de Instruções 4 (BI-4), onde o Cigs promove os cursos de formação para seus quadros.

Entre as técnicas apresentadas aos visitantes estavam a hellocasting, que consiste em “jogar” soldados na água para permitir infiltração silenciosa. As remadas - que vêm a ser a utilização de pequenas tropas a bordo de canoas - possui o mesmo fim. Foi simulado, ainda, o resgate aéreo de um soldado ferido e a neutralização de um “ponto inimigo” que, armado de metralhadora, obstruía a passagem área pelo igarapé.

O primeiro-sargento Sierra, do Exército dos Estados Unidos, achou tudo muito interessante mas ficou impressionado com as adversidades climáticas. “Na Amazônia, questões como chuva e temperatura exercem grande influência na operação militar. Acho que treinamento e as operações são mais pesadas”, afirmou.

27 Agosto 2008

Síria permite a instalação de base militar russa no seu território



O Presidente da Síria, Bashar Assad, que visitou à Rússia com uma visita oficial, mostrou-se aberto à instalação de uma base militar e de mísseis russos no território do seu país.

Numa entrevista ao diário russo Gazeta, Bashar Assad apoiou a operação militar de Moscovo na Geórgia e afirmou esperar que “a Rússia não se aproxime mais do Ocidente e da parceria com países da NATO”.

“Consideramos que o que a Rússia fez visava defender os seus interesses”, declarou Assad.

O dirigente sírio reconheceu que o Kremlin ainda não fez proposta alguma no sentido de utilizar o território da Síria para responder à instalação de elementos do sistema antimíssil norte-americano no Leste da Europa, mas sublinhou que está aberto ao diálogo.

“A nossa posição consiste em que estamos prontos a cooperar com a Rússia em tudo o que poderá reforçar a sua segurança”, sublinhou.

A imprensa russa admite a possibilidade do Kremlin vir a instalar sistemas de defesa antimíssil Izkander na Síria.

Bashar Assad admite ceder também portos marítimos sírios para instalar bases militares russas. Moscovo herdou da União Soviética um estaleiro naval instalado no porto sírio de Tartus.

“Os navios russos entram nos nossos portos. Há possibilidade de desenvolver a cooperação nesta esfera, estamos abertos a propostas” , acrescentou.

O Presidente sírio revelou que, no encontro com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, irá levantar a questão do “papel desempenhado por Israel nessa guerra (na Geórgia).

Até os membros da Nato mostram seu apoio à Rússia. A Turquia, que tem o terceiro maior exército da aliança, não permitiu que belonaves dos Estados Unidos entrassem no Mar Negro durante o conflito armado.

A Eslováquia e a República Tcheca também apoiaram a Rússia nas ações militares desta na Ossétia do Sul. O Primeiro-Ministro eslovaco Robert Fico e a vice-líder Anna Belousovova disseram que a Geórgia cometeu ato de genocídio na Ossétia do Sul. Os dois países acusaram a administração dos Estados Unidos de comportamento inadequado.

A Marinha de Guerra Russa Actual



Dieter Dellinger

A Federação Russa tem três marinhas que subsistem ainda desde o colapso da União Soviética. Trata-se de uma marinha que ficou nos estaleiros de construção, tendo alguns desses navios inacabados ido para o ferro-velho e a partir de outros, principalmente submarinos, estão a ser construídas novas unidades, mas em pequeníssimas quantidades. A segunda marinha é a que está amarrada a vários cais com navios aparentemente em bom estado, mas sem navegarem por falta de guarnições, revisões ou reparações e, principalmente, falta de uma estratégia naval, já que os mares pertencem aos EUA e a Federação Russa deixou de ter qualquer justificação para possuir importantes forças navais. A terceira marinha é aquela que ainda navega organizada na Frota do Norte (Ártico) com duas bases principais em Murmansk e Arcangel; na frota do Pacífico a partir de Vladivostok no Mar Interior do Japão; na frota do Báltico a partir de S. Petersburgo; na frota do Mar Negro a partir do porto de Novorosirsk e parcialmente de Sebastopol que ficou pertença da Ucrânia. Por último há umas pequenas flotilhas no Mar Cáspio.

Presentemente, graças às altas cotações do petróleo e gás natural, a Federação Russa já tem dinheiro para fazer as reparações necessárias numa série de navios e navegar novamente com eles.

Porta-aviões Admiral Kuznetzov

Por isso, após quinze anos de ausência, apareceram no Mediterrâneo e no Atlântico os primeiros navios de combate à superfície russos. No passado dia 19 de Janeiro um grupo de combate com o porta-aviões “Admiral Kuznezov” como navio-almirante, o cruzador lança-mísseis “Moskva” (ex-“Slava”), os navios de combate a submarinos “ Admiral Levtschenko” e “Admiral Tschabanenko”, assim como os navios de abastecimentos “Sergej Ossipow” e “Nikolai Tschiker”. Tudo sob o comando do almirante Nikolai Maximov, comandante da frota do Norte.

Os navios fizeram vários exercícios no Atlântico e o “Moskva” chegou a visitar Lisboa.

Os navios russos usam as iniciais NFR (Navio da Federação Russa) e utilizam o pavilhão branco com a cruz de Santo André a azul. Actualmente, o comandante supremo é o almirante Wladimir Wysozkii que assumiu as suas funções no fim 2007. A marinha em si mesmo resultou da divisão das forças navais soviéticas entre a Federação Russa e a Ucrânia, tendo se afastado gradualmente de tudo o significou antes em termos de comunismo.

O essencial do poder de combate da Armada Russa assenta nos seus submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos (SSBN), mas o último submarino balístico a entrar ao serviço foi há 17 anos, pelo que é agora o “Júri Dolgoruki”, o primeiro novo submarino a ser baptizado com o nome do fundador da cidade Moscovo e da Classe Projecto 955 (Borei). Este navio esteve nos estaleiros desde 1998, pois o aço especial para submarinos era fabricado na Azovstal situada na Ucrânia e muito caro, pelo que o Ministério Russo da Defesa não tinha dinheiro para adquirir a necessária matéria-prima. Neste momento, estão em vias de serem entregues três submarinos de mísseis balísticos de quarta geração “Borei”, devendo o primeiro entrar ao serviço ainda este ano.

No próximo ano, os estaleiros Sewmash em Sewerodwinsk (Mar Branco) iniciarão a construção de um quarto submarino estratégico.

A capacidade construtiva russa deve-se mais ao talento de improvisação dos seus engenheiros que aos recursos financeiros e que levou à utilização de secções de cascos deixados feitos dos tempos da URSS e que faziam parte de outras classes de submarinos. Assim, a classe Borei tem a proa e a popa dos submarinos K-377 Kugar (Projecto 971 com a designação Nato de Akula II). O submarino da mesma classe que está no estaleiro, o “Aleksand Newski”, recebe os segmentos do casco daquilo que deveria ter sido o “Rijs” e o outro, o “Wladimir Monomarkh” também está a ser construído a partir de partes de submarinos inacabados. A União Soviética deixou um gigantesco plano de construção de meios militares que ultrapassavam de longe as possibilidades da sua economia. Agora, como o aumento espectacular dos preços do petróleo e do gás, a Federação Russa retomou, à velocidade de cruzeiro, a construção de novas unidades e a modernização de outras mais antigas ao mesmo tempo que continuará a desmantelar muitas unidades que já nem estão em estado de navegar devido ao longo tempo de imobilização. A Federação Russa sofre do facto de ter de possuir quatro frotas armadas muito distanciadas umas das outras pelo que é quase impossível o seu agrupamento com rapidez num qualquer teatro de operações. Recordemos a Batalha de Tsushima que descrevi nesta revista e que levou à destruição de uma grande armada enviada do Báltico ao Extremo Oriente e que chegou às águas japonesas muito desgastada e sem passar previamente por uma base para reparações e reabastecimentos.

Curiosamente, a marinha russa ainda utiliza os maiores navios de combate de superfície que não são porta-aviões. Refiro-me aos seguintes cruzadores lança-mísseis:

Cruzador Kirov

Projecto 1144 – ex-Classe “Kirov” que hoje podemos apelidar de classe “Admiral Uschakov”. Aqui como em quase tudo, os russos mudaram os nomes comunistas para outros relacionados com outros aspectos da sua história. São navios que se caracterizam pelas suas dimensões e deslocamento que permitem colocar todas os seus mísseis nas cobertas, sendo de disparo vertical com magazines rotativos de recarga. Dos quatro navios, apenas dois navegam, ou mesmo apenas um, o “Piotr Welikij” (Pedro O Grande e ex-“Juri Andropov”) que é o navio almirante da frota dos Mares do Norte, isto porque o segundo navegável, o “Admiral Nachimov” (ex-“Kalinin”), está desde 2005 a receber novos sistemas de mísseis, não se sabendo se voltou já ao serviço ou se está em vias de o fazer. O “Admiral Lazarev” (ex-“Frunse”) está inactivo desde 1990, estando previsto a sua recuperação total ou seu desmantelamento para sucata e o “Admiral Uschakov” (ex-“Kirov”) está em reparações desde 2001 em consequência de uma grave avaria nos seus motores não se sabendo se voltará ao serviço activo.

Fundamentalmente, são verdadeiros cruzadores de batalha com um deslocamento máximo militar de 38.000 toneladas, 252 metros de comprimento, accionados cada um por dois reactores nucleares de 300 Mwt que alimentam quatro turbinas a vapor de 35.000 cv cada ligadas a dois veios com hélices. Além disso, na casa das máquinas ainda estão 4 geradores eléctricos de 3000 kW e duas caldeira adicionais a vapor redundantes que permitem uma velocidade de 17 nós sem utilização do sistema nuclear. Estes navios com cerca de 610 homens de guarnição podem estar no mar durante 60 dias sem reabastecimentos.

O “Piotr Welikij” possui uma blindagem de 100 mm na zona dos reactores e de 70 mm na zona do leme e 50 mm no tombadilho (deck) e 80 mm na torre.

Entre o seu numeroso armamento contam-se 20 lançadores básicos para mísseis de cruzeiro P-700 Granit ou para torpedos P-40 de ataque a submarinos.

16 lançadores para 8 mísseis cada do tipo anti-aéreo SA-N-9 comandados por radares que acompanham alvos em voo baixo como em voo alto. Portanto com 128 mísseis.

12 lançadores de 8 mísseis B-203A anti-submarinos capazes de lançar torpedos

2 lançadores de cinco mísseis cada destinados a abater mísseis anti-navio lançados por submarinos inimigos.

Em termos de artilharia, o “Piotr Welikij” tem 1 peça singular e uma binária de 130 mm e 6 sistemas Kashtan, anti-alvos aéreos que juntam peças multitubos de 30 mm do tipo Gatling com mísseis, capazes de enfrentarem 256 corpos voadores (aviões ou mísseis).

E ainda tem ou tinha um lançador de 10 morteiros anti-submarino RBU 1200 e dois lançadores de seis cada. Provavelmente já foram retirados porque são armas tidas como obsoletas, excepto no combate a submarinos do terceiro mundo, substituídas por torpedos anti-submarinos filo- ou auto-guiados. Para combater torpedos tinha também 2 lançadores de seis morteiros Udav que também podem já ter sido retirados.

Para além dos dois ex-“Kirov”, a Federação Russa possui ainda os navios do mesmo tipo, mas mais pequenos, anteriormente denominados da classe “Slava” (Fama) do Projecto 1164 “Atlant”. O ex-“Slava” passou a “Moskva” e visitou recentemente o Tejo. São navios capazes, mas muito vilipendiados pelas marinhas da Nato que dizem que os soviéticos e russo colocaram os mísseis na montra. Efectivamente, por razões de algum atraso técnico que antes foi sempre negado pelos americanos, os mísseis russos ou soviéticos eram de tamanho maior, pelo que não podiam ser colocados na coberta e serem lançados verticalmente, excepto em navio de grande porte. Acontecia com os destrutores das classes “Kresta” e “Kara” dos anos sessenta e setenta e o problema da miniaturização dos componentes parece que ainda não está de todo resolvido.

Nos navios do Projecto 1164, os mísseis estão instalados por cima do deck ao lado das super-estruturas com a ponte de comando, ocupando um grande volume com muita visibilidade.

Estes navios foram desenvolvidos como uma segurança para o caso de os grandes “Kirov” falharem e são navios de ataque a grandes esquadras inimigas com mísseis que procuram o inimigo para além da linha do horizonte.

O primeiro navio da classe, o ex-“Slava” e hoje “Moskva” entrou ao serviço em 1981 na Frota do Mar Negro. Seguiu-se o “Marschall Ustinov” em 1986 da frota do mar do Norte e em 1990 o “ex-Tcherwona Ukraina” (Ucrânia Vermelha) e hoje “Wariag”, que nunca chegou a ser completado, ainda faltam os 5% do navio, pretendendo a Ucrânia vendê-lo, mas sem sucesso até agora, apesar de haver interesse por parte da Rússia na sua aquisição. Um quarto navio o “Admiral Flota Lobov” (Almirante de Frota Lobov) deveria ter sido completado em 1995, mas ainda está nos estaleiros de Nikaileiv e já mudou de nome para “Ukraina”. Quase todos os navios com nomes comunistas mudaram de nome, pelo que produzem alguma confusão hoje.

Uma das razões da existência destes cruzadores lança-mísseis do Projecto 1164 reside igualmente nos seus custos de manutenção mais baixos com menores guarnições. Os técnicos russos têm escrito que com boa manutenção e modernização de equipamentos são navios para durarem mais vinte anos.

Os Projecto 1164 são navios de 12.600 toneladas de deslocamento máximo com 186,0 m de comprimento. A maquinaria motriz é constituída por seis caldeiras a vapor tubulares, quatro turbinas a gás de 121.000 WPS e dois veios, permitindo uma velocidade máxima de 33 nós. O distância máxima de navegação é de 10.000 milhas a 16 nós.

O armamento principal é constituído por:

16 mísseis P-500 “Basalt” anti-navios.
8 lançadores S-300F verticais para 64 mísseis anti-aéreos (SA-N-6 Grumble)
2 lançadores gémeos 9K33 “Osa” para 40 mísseis anti-aéreos (SA-N-4 Gecko)
1 peça binário de 130 mm
6 canhões de tiro rápido de 30 mm para abater mísseis a curta distância.
2 lança roquetes RBU 6000
10 tubos lança torpedos de 533 mm
1 helicóptero Kamov Ka 27

Guarnição 480 militares.

A marinha russa possui hoje um porta-aviões, o “Admiral Flota Soyuza Kuznezov”, mas pretende chegar aos anos vinte deste séculos com seis unidades deste tipo, três no Pacífico e três no Mar do Norte, isto por questão de rotatividade de manutenção. Um em grandes reparações, outro em manutenção de rotina e um terceiro activo com o respectivo grupo de combate. Deverão ser bem mais pequenos que os americanas e estão ainda dependentes do desenvolvimento de novos meios aéreos.

O nome do almirante Kuznezov não foi alterado, apesar de ter sido comissário de Estaline para a marinha e Almirante de toda a Frota de URSS aos 34 anos de idade, mas foi duas vezes degradado e reposto em postos cada vez mais importantes e depois da guerra, aos 51 anos de idade, despedido pelo ditador que detestava gente verdadeiramente eficiente e capaz. Kuznezov não obedeceu às ordens de Estaline e preparou a marinha para enfrentar um ataque nazi logo aos primeiros minutos. Efectivamente, quando os Stukas alemães julgavam que iam atacar de surpresa as bases de Sebastopol e Leningrado, nas primais horas da invasão da URSS, encontraram já no ar os aviões da marinha e no chão os holofotes acesos e o pessoal de artilharia anti-aérea a postos. Com isso, Kuznezov salvou a marinha de guerra soviética, ao contrário do que sucedeu com as forças terrestres e aéreas que, por ordens de Estaline, se deixaram apanhar de surpresa pelos nazis e foram em grande parte aniquiladas. Estaline tinha proibido as patrulhas aéreas permanentes no ar, mas não foi obedecido pela marinha. E foram os canhões da marinha que impediram a conquista de Leningrado pelos nazis que a cercaram durante 900 dias.

O porta-aviões Kuznezov navega em pleno e esteve recentemente em manobras no Atlântico, apesar de ter sido construído em 1987, mas incorporado bem mais tarde após modificações e adaptação dos meios aéreos. O seu irmão gémeo, o “Varyag” (ex-“Riga”) ficou na marinha ucraniana que acabou por o vender à China. As dificuldades económicas dessa bela nação que é a Ucrânia não comportam a posse de uma grande marinha para defender um naco de costa no Mar Negro.

O Kuznezov é um porta-aviões médio que desloca 65.000 toneladas com um comprimento de 300 m destinado a utilizar vários tipos de aviões. Geralmente transporta 60 aviões de asa fixa e uns tantos helicópteros de aviões de descolamento vertical. São os Jakolev Jak-38 e Jak-41 de descolamento vertical do tipo dos Harriers britânicos e uma versão marítima do Mig-29 de asa fixa e/ou o Sukoy Su-27.

É accionado por quatro turbinas a vapor de 37.555 cv que permitem ao navio atingir a velocidade de 32 nós.

O armamento do “Admiral Kuznezov” comporta 24 lançadores para 8 mísseis anti-aéreos SA-N 9 e mísseis anti-navio SS-N-19 acompanhados pelo disparo de canhões híbridos de 30 mm e várias peças de 100 e 76 mm.

Em próximo artigo farei a descrição das numerosas classes de destrutores e navios a anti-submarinos para me dedicar depois à ainda importante frota de submarinos de ataque e estratégicos que não se comparam com o que os americanos possuem, já que a Federação Russa é uma potência amiga do Ocidente a muito pacífica.

Medvedev: Estamos a proteger os povos da Abcásia e da Ossétia



Ministério das Relações Exteriores
Federação Russa


“Não queremos que haja qualquer tipo de confronto. Quanto a saber até que ponto estamos dispostos a ir, o que estamos a falar aqui é uma norma no procedimento internacional, se bastante raro, de reconhecer que um novo Estado, um novo sujeito de direito internacional.

“Decidimos sobre este passo para a fundamentação que falei antes: a evitar mortes e genocídio, para dar aos povos da Abcásia e da Ossétia do Sul a oportunidade de concretizar o seu direito à autodeterminação após 17 difícil anos, depois de tentativas falhadas para acalmar a situação e restaurar essencialmente a integridade territorial da Geórgia.

“Antes desta decisão não tomámos quaisquer medidas no sentido de reconhecer estas duas entidades como Estados independentes. Pelo contrário, tentamos ajudar a Geórgia a ficar junto. Mas esta última agressão e este genocídio desencadeado pelo regime de Saakashvili colocou um fim a esses planos.

“Nós não tivemos outra escolha senão a tomar esta decisão. No que diz respeito à confrontação, o nosso objectivo não é a agitar o confronto mas sim acalmar a situação e ajudar esses dois povos que tomaram a decisão de adquirir o estatuto de Estado. Estes são os nossos objectivos”.

Rússia defende missão da OSCE na Ossétia



Ivan PODGORNY

Presidente da Rússia Dmitry Medvedev e o Presidente da Finlândia Tarja Halonen discutiram o futuro das actividades da OSCE na zona do conflito Geórgia-Ossétia do Sul. A Finlândia tem actualmente a presidência da OSCE.

O Presidente da Rússia expressou seu apoio à continuação dos trabalhos da missão da OSCE, reforçando o seu papel, e sublinhou a disponibilidade da parte russa para trabalhar em estreita colaboração. Dmitry Medvedev indicou que o melhor caminho para a frente será promover a aplicação prática dos seis princípios para a resolução do conflito elaborados pelos presidentes da Rússia e da França e assinado por todas as partes em causa, sendo os principais objectivos da missão da OSCE.

A conversa foi realizada por iniciativa do lado finlandês.

Russia congela toda cooperação militar com a OTAN



A Rússia informou à Noruega de sua intenção de cessar completamente sua cooperação militar com a OTAN. A declaração foi feita no dia seguinte ao do encontro de emergência dos ministros da OTAN a respeito da situação na Geórgia e na Ossétia do Sul.

Os ministros concordaram em não encerrar seus vínculos com a Rússia, embora a cooperação futura viesse a depender da saída da Rússia da Geórgia. Os membros da OTAN não declinaram de sua cooperação com a Rússia, apesar dos apelos dos Estados Unidos.

Uma autoridade de alto nível porta-voz do Ministério de Defesa da Rússia telefonou para a Embaixada da Noruega em Moscou e disse que Moscou estava planejando congelar toda cooperação militar com a OTAN e seus aliados, disse Espen Barth Eide, secretário de estado do ministério norueguês.

Eide disse à AP que a Rússia logo enviará uma nota escrita a respeito de sua decisão à Noruega. Diplomatas noruegueses encontrar-se-iam com suas contrapartes russas na quinta-feira para esclarecer a situação.

"Entendemos que outros países da OTAN receberão notas semelhantes," disse Eide. O ministério disse que a autoridade russa é conhecida da embaixada, mas a Noruega não mencionou seu nome nem forneceu qualquer informação identificadora adicional.

Nem as autoridades do Kremlin, nem o embaixador da Rússia junto à OTAN, Dmitry Rogozin, fizeram qualquer comentário a respeito da notícia.

As autoridades dos Estados Unidos descreveram a decisão da Rússia como infeliz.

"Se realmente for isso, é algo infeliz. Precisamos trabalhar com a Rússia num elenco de questões de segurança, mas obviamente estamos muito preocupados com o comportamento da Rússia na Geórgia," disse o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos Robert Wood.

Nos termos do acordo de 2002 que criou o Conselho OTAN-Rússia, os antigos antagonistas da Guerra Fria deram início a diversos projetos de cooperação. Eles incluem participação ocasional de belonaves russas em patrulhas de contraterrorismo da OTAN no Mar Mediterrâneo, compartilhamento de expedientes de combate ao tráfico de heroína para fora do Afeganistão e desenvolvimento de tecnologia antimíssil de campo de batalha.

Na semana passada, o embaixador da Rússia na OTAN, Dmitry Rogozin , advertiu a aliança ocidental contra a extinção de cooperação, dizendo que os dois lados seriam prejudicados, informa a AP.

A cooperação militar entre Rússia e OTAN acabou, de fato, por iniciativa da última. Um exercício naval FRUKUS Rússia-OTAN tornou-se o primeiro da lista. O evento deveria ter lugar no Oceano Pacífico com a participação de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia.

Posteriormente, os Estados Unidos barraram a Rússia de uma operação conjunta de antiterrorismo Empenho Ativo - Active Endeavor. O navio de patrulhamento marítimo russo Ladny teve que voltar a sua base em Sevastopol.

Os Estados Unidos decidiram cancelar o exercício antiterrorista Estados Unidos - Rússia previsto para ter lugar em 28-30 de agosto.

Moscou respondeu na mesma moeda. Na terça-feira Moscou retirou-se do exercício anual Espírito Aberto 2008 - Open Spirit 2008.

Aumenta tensão no Mar Negro: Frota russa vigila a da OTAN



O chefe adjunto do Estado Maior Geral das Forças Armadas da Rússia , Anatoli Nagovitsin, declarou esta quarta-feira (27) que OTAN não tem direito de incrementar indefinidamente os navios da sua Frota no mar Negro.

“Colocamos o tema para adiantar-se às perguntas sobre se os países da OTAN , não costeiros do Mar Negro, podem incrementar continuamente sua presença naval lá. Resulta que não pode fazê-lo e é a questão da importância vital”, disse o general na conferência de imprensa, informa Ria-Novosti. Nogovitsin lembrou que a Convenção de Montreux de 1936 fixa restrições sobre o número de navios que podem permanecer no Mar Negro.

“ Esta Convenção estabelece a presença de um número limitado de navios com tonelagem global não superior a 45.000 toneladas. Têm ( os países membros da OTAN) que respeitar esta norma, e em primeiro lugar , os países não costeiros do Mar Negro”, destacou o general.

O chefe adjunto do Estado Maior informou que a Frota russa do Mar Negro começou a cumprir as missões de vigilância neste mar. “Perante o aumento da flotilha da OTAN no Mar Negro, os navios russos (encabeçados pelo cruzador "Moskva") iniciaram a vigilar suas manobras”, disse Nagovitsin.

Presidente Medvedev fala sobre as relações com OTAN e o Ocidente



“Claro que não nos agrada falar de uma Guerra Fria. Não queremos uma escalada. Pelo contrário, nós queremos apaziguar a situação. Nossas ações dirigidas contra a agressão de Saakashvili foram realizadas precisamente para acalmar o agressor, por um lado, e dar a vida e um bom e razoável futuro para os povos destas duas entidades não reconhecidos por outro lado.

“Quanto à tensão, é dentro do poder do Ocidente, no âmbito do poder dos países que pensam que a tensão está a crescer, para reduzi-la. Todos eles precisam reconhecer o verdadeiro estado das coisas em vez de criar histerias de situações virtuais. Eles precisam de tomar medidas pragmáticas e pensar no futuro. Penso que é do interesse do Ocidente a construção integral de relações amistosas com a Federação Russa.

Relativamente à questão da OTAN e o que esta aliança pode fazer, o Presidente foi cristalino:

“Em última instância, este assunto é da OTAN. Nós tentamos construir uma parceria com a OTAN. A OTAN tem tentado examinar esta parceria ultimamente. Como eu disse ontem, se é isso que eles querem, deixem-nos ir em frente. Nós podemos dizer adeus uns aos outros. Não vai ser uma tragédia. Como eu disse, a OTAN tem maior interesse na cooperação do que a Federação Russa. Se a OTAN decidir-se a abrir o seu plano de adesão à Geórgia não seremos felizes, é claro, e isso certamente faria aumentar a tensão.

“Tal como para a Ucrânia, que seria bom primeiro pedir a todos os ucranianos o que eles querem. Ucrânia não tem ainda realizado um referendo sobre o assunto. Sobre a questão de defesa antimísseis, a decisão de implantar uma estação de radar e de mísseis em território polaco e checo, este é mais um passo para aumentar a tensão. Nós não podemos vê-lo senão como um passo visando a Rússia, não importa quais as motivações avançadas pelos países membros da NATO.

“Dizem que há países algures por aí que representam uma ameaça, mas isto é tudo uma carga de disparates. Estes mísseis estão a ser estacionados junto a nossa fronteira, e eles são uma ameaça para nós - isso é certo.

“Isso, naturalmente cria maior tensão. Temos de responder a esta situação de alguma forma e, naturalmente temos de efectuar uma resposta militar. Mas penso que a OTAN está consciente disto. Esta é a sua escolha. Não somos nós a implantar mísseis”

Dmitry Medvedev em entrevista com Al Jazeera

Navio da Marinha de Guerra russa parte para Mar Negro

Cruzador russo Moskva da Frota do Mar negro partiu de Sevastopol.


Dério Nunes

Cruzador Moskva, antigo Slava

De acordo com o Chefe Adjunto da Marinha Igor Dygalo, o Cruzador lança-mísseis partiu para o mar”, a fim de “verificar as emissões de rádio e sistemas de comunicação a bordo" em conformidade com o plano anual da sua preparação. Segundo outra versão, Cruzador sai rumo a parte oriental do Mar Negro - na direcção das águas territoriais da Geórgia, transmite RIA Novosti.

Recordamos que no sábado, 23 de Agosto, Chefe Adjunto do Estado-Maior General da Rússia, Anatoly Nogovitsyn acusou os países da OTAN de intensificarem da sua marinha no Mar Negro, dizendo que esta conduz a um agravamento da situação na região.

De acordo com o Estado-Maior russo, no Mar Negro já se encontram a Marinha da Espanha, Alemanha, Polónia e Estados Unidos.

ONU confirma que Otan matou 90 civis afegãos

EUA afirmavam ter bombardeado Taleban; governo de Cabul diz ter "perdido paciência" com forças estrangeiras que atuam no país



DA REDAÇÃO

A ONU anunciou ontem ter reunido provas para responsabilizar a coalizão liderada pelos EUA pelo bombardeio que causou a morte de 90 civis – 60 deles crianças – na última sexta-feira, numa região montanhosa no oeste do Afeganistão.

"A investigação da missão da ONU no Afeganistão reuniu provas convincentes, fundadas em especial em depoimentos, sobre a morte de 90 civis, entre os quais havia 60 crianças, 15 mulheres e 15 homens", disse um porta-voz da organização.

A afirmação da ONU corrobora a versão do governo afegão e confirma que o ataque foi o mais sangrento das forças da Otan, a aliança militar ocidental, desde 2001, quando os EUA invadiram o país para derrubar o governo do grupo fundamentalista Taleban, acusado de dar abrigo a Osama bin Laden.

Os EUA mantiveram ontem sua versão inicial de que o ataque matou 25 insurgentes ligados ao Taleban e de que haveria apenas cinco vítimas civis.

A situação no Afeganistão tem piorado nos últimos meses. Segundo a comissão afegã dos direitos humanos, mais de 900 civis foram mortos neste ano em ataques da Otan.

A morte de civis abala a credibilidade do presidente afegão Hamid Karzai, que tentará se manter no cargo na eleição do próximo ano. Também estremece as relações entre seu governo e as forças estrangeiras, que atuam sob mandato da ONU – os EUA têm 34 mil soldados no país, parte deles fora da bandeira da Otan, que reúne 50 mil homens.

Karzai anunciou anteontem que revisará os termos da presença do contingente estrangeiro. Segundo um porta-voz do presidente, "o governo perdeu a paciência com os sucessivos casos de morte de civis".

Às turras com o Ocidente por causa da situação no Cáucaso, a Rússia chegou a redigir no Conselho de Segurança da ONU uma resolução expressando "profunda preocupação" pelo ataque de sexta-feira. Destinado a encontrar o veto americano e europeu, o texto não chegou a ser apresentado.

Com agências internacionais

Decisão russa é recebida com euforia, choque e profunda preocupação regional



STEFAN WAGSTYL

A decisão do presidente Dmitri Medvedev de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul foi recebida com euforia nas regiões separatistas, choque em Tbilisi e profunda preocupação pelos vizinhos russos no Leste Europeu.

O vice-chanceler da Abkházia, Maxim Gunjia, disse que as pessoas estão "festejando nas ruas". Em Tskhinvali, capital ossetiana devastada pela guerra, repórteres contam que manifestantes celebraram a independência com tiros de Kalashnikovs e outras armas. Em Tbilisi, o governo condenou a "anexação clara" pela Rússia.

A preocupação georgiana é compartilhada por outras ex-repúblicas soviéticas. Elas temem que, tendo mandado tropas à Geórgia, seja agora mais fácil para a Rússia recorrer às armas em outras vizinhanças politicamente problemáticas.

O chanceler ucraniano cancelou a visita oficial de membros do governo a Moscou e questionou se as ações do Kremlin constituem um plano para fazer dos vizinhos "campo de treinamento militar" de sua política externa. Os países bálticos, únicas ex-repúblicas soviéticas já integradas à Otan, sentiram-se expostos pela pressão russa e conclamaram o Ocidente a defender a Geórgia.

Medvedev negou que a ação abra precedentes para intervenções em outras ex-regiões soviéticas. Mas, em palavras que não tranqüilizaram os vizinhos, afirmou que "a Rússia precisa garantir seus interesses ao longo de toda sua fronteira".

A Ucrânia lidera a lista de Estados que se vêem vulneráveis. Os conflitos sobre Sebastopol, porto cujo empréstimo à Rússia termina em 2017, têm crescido. O Kremlin odiaria se retirar, sobretudo se o presidente Viktor Yushchenko avançar com o plano de aderir à Otan.

Mais ao norte, a Rússia trata Belarus como um vassalo sob o ditador Alexander Lukashenko. Planos de unificação foram descartados, mas o Kremlin pode achar que agora tem força para retomá-los. Autoridades russas notaram a irritante lentidão de Lukashenko em elogiar as ações na Ossétia do Sul.

Coronel vê risco de surgir "nação étnica" na fronteira

Para Fregapani, homologação criaria um "Curdistão"

Gélio Fregapani, 72, diz conhecer como poucos o Estado de Roraima, onde pisou pela primeira vez no início dos anos 1960. Coronel reformado do Exército, foi um dos fundadores do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), trabalhou por dez anos na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Diz que o Exército é "fervorosamente contra" a demarcação contínua da reserva.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Moscou seguiu o exemplo de Kosovo



JOÃO BATISTA NATALI
DA REPORTAGEM LOCAL

O desmembramento do território de determinado país é por certo "violação às leis internacionais e uma ameaça à segurança" regional. O alerta poderia ter partido ontem do governo americano com relação à Geórgia. Mas foi feito em fevereiro último pelo chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, referindo-se, é claro, a Kosovo.

Há muitas analogias entre Kosovo, que há seis meses se tornou independente da Sérvia com a ajuda dos Estados Unidos, e a Ossétia do Sul e a Abkházia, que também buscam a independência pelas mãos do Kremlin. Nenhum desses "países", e eis a primeira constatação, têm hoje viabilidade econômica.

E ainda: nenhum deles obteria certidão de nascimento no Conselho de Segurança da ONU, onde os vetos russo e americano, dependendo do caso, inviabilizariam a votação de um projeto de resolução. Foi, aliás, em nome da falta de uma chancela da ONU que o Brasil deixou de reconhecer Kosovo.

Há ainda a questão do reconhecimento internacional limitado. Kosovo rachou a União Européia. Países como Espanha, Grécia, Bulgária e Chipre temiam um precedente perigoso para seus atuais ou virtuais autonomistas internos. Não têm por isso embaixada em Kosovo.

Na época, a Rússia poderia teoricamente seguir o mesmo raciocínio, já que bem perto da Geórgia, no Cáucaso, há o caso da islâmica Tchetchênia.

Agora, o reconhecimento diplomático dos sul-ossetianos e abkházios será mais problemático. Moscou não tem mais a cortina de aliados incondicionais dos tempos da União Soviética. A China, que em geral se junta à diplomacia russa, tem um imenso rabo preso no Tibete.

Outra analogia entre os dois casos está na impossibilidade de russos e americanos deslocarem contingentes para socorrer seus aliados. No caso de Kosovo, a ligação entre a Sérvia e a Rússia é cultural e histórica – vem desde a proteção dos czares a um aliado eslavo e de religião ortodoxa, ameaçado pelo Império Otomano. Mas Moscou não cogitou acender nos Bálcãs o pavio de um portentoso conflito.

Em se tratando da Geórgia, está igualmente fora de questão uma intervenção direta dos Estados Unidos, já afundados no Iraque e no Afeganistão e que, de certo modo, instrumentalizaram aquele pequeno país do Cáucaso – ao insistirem em seu ingresso na OTAN – para colocar a Rússia numa situação estrategicamente incômoda.

A independência de faz-de-conta da Ossétia do Sul e da Abkházia é uma reafirmação da capacitação do Kremlin de criar e alimentar esferas de influência. É a regra do jogo.

Rússia sacramenta partição da Geórgia

Em desafio ao Ocidente, Medvedev reconhece independência da Ossétia do Sul e da Abkházia; Bush ataca "decisão irresponsável"

Presidente russo diz não temer nova Guerra Fria; Geórgia, aliada dos EUA, compara iniciativa russa às anexações dos nazistas



DA REDAÇÃO

A Rússia reconheceu ontem a independência de dois territórios autonomistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia, desencadeando duras críticas da União Européia e dos Estados Unidos. O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse não ter medo de uma nova Guerra Fria e afirmou que, embora não a queira, caberia agora aos ocidentais evitá-la: "Se querem manter as boas relações com a Rússia, compreenderão as razões da nossa decisão".

O presidente americano, George W. Bush, lançou um apelo para que Medvedev reconsidere o que chamou de "decisão irresponsável" e disse que Moscou "agrava as tensões". Bush também exortou Moscou a respeitar a integridade territorial da ex-república soviética, que os EUA colocaram em rota de adesão à Otan, a aliança militar ocidental.

A decisão de Medvedev se segue ao conflito iniciado no último dia 7, quando a Geórgia invadiu a russófila Ossétia do Sul, desde 1992 sob proteção de Moscou. A Rússia, em resposta, retomou o território e ainda ocupou militarmente parte da Geórgia.

O conflito de seis dias terminou com um cessar-fogo negociado pela União Européia (UE) que na prática equivaleu a uma rendição georgiana. O plano permitiu que Moscou ocupasse uma zona-tampão dentro da Geórgia, junto aos territórios sul-ossetiano e abhkázio.

Anteontem, a Câmara dos Deputados russa, de ampla maioria governista, havia recomendado o reconhecimento da independência dos dois territórios. O sinal de alerta eriçou a UE, que já havia convocado para 1º de setembro cúpula sobre a situação no Cáucaso.

Desde que qualificaram de "desproporcional" a reação russa à operação georgiana do dia 7, tanto os EUA quanto a UE subiram a retórica contra a Rússia, mas as medidas práticas não foram além da suspensão da cooperação no âmbito da Otan e da ameaça de atrasar o ingresso russo na OMC (Organização Mundial do Comércio).

"Salvar vidas"

Ontem, Medvedev disse que o reconhecimento da independência dos dois territórios "não foi uma opção tranqüila", mas "a única saída para que salvemos a vida das pessoas". Referia-se à versão sul-ossetiana de que a Geórgia pretende promover uma "limpeza étnica" na região de 70 mil habitantes.

A decisão russa enfraquece ainda mais a Geórgia, que é ponto de passagem para dutos que suprem a Europa de gás e petróleo e também uma encruzilhada geográfica para o Oriente Médio e a Ásia Central.

Em Tbilisi, a capital georgiana, o presidente Mikhail Saakashvili declarou que "é a primeira vez na Europa, desde a Alemanha nazista e a União Soviética sob Stálin, que um grande país procura anexar o território que pertence a um outro".

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, qualificou o reconhecimento de "lamentável". A chanceler alemã, Angela Merkel - em geral menos agressiva com Moscou -, declarou que a iniciativa de Medvedev era "absolutamente inaceitável".

O chefe da diplomacia britânica, David Miliband, disse estar articulando uma visita de chanceleres à Ucrânia -que, a exemplo da Geórgia, pretende ingressar na Otan - para que se crie "uma ampla coalizão contra a agressão russa à Geórgia".

A França, que ocupa a presidência da UE, disse que a decisão "é contrária aos princípios da soberania e da integridade territorial" do país caucasiano.

Masha Lipman, especialista no Centro Carnegie de Moscou, disse acreditar que o governo russo optou pelo confronto com o Ocidente. Prova disso: a acusação, feita ontem por Medvedev, de que os EUA estão desembarcando armas na Geórgia, sob o pretexto de ajuda humanitária. A Casa Branca chamou a acusação de "ridícula".

Com agências internacionais

25 Agosto 2008

EXÉRCITO TERÁ R$ 6,7 BILHÕES PARA REESTRUTURAR AS SUAS BRIGADAS

R$ 514 E R$ 6,7 BILHÕES ANIMADORES


Marco Aurélio Reis


Rio - Hoje, às 10h, em Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, preside a solenidade do Dia do Soldado no QG do Exército. O clima será de euforia, a começar pelos dados do alistamento deste ano: o número de jovens voluntários ao serviço militar obrigatório dobrou. Para isso pesou a decisão de governo de elevar o piso dos recrutas para R$ 471, com a sinalização que no ano que vem eles receberão R$ 514,90 — R$ 54 a mais que o salário mínimo em discussão no Congresso para entrar em vigor em 2009.

“Em cidades do interior, chegou-se a impressionantes 100% de jovens voluntários”, revela um oficial. O Exército se prepara para reestruturar suas brigadas, adquirindo material de emprego militar e reforçando seu sistema operacional. A Força calcula que seu reaparelhamento vai custar R$ 6,7 bilhões. O sinal verde para este investimento saiu do Planalto. A prioridade para a aquisição de material e armamentos será para os produzidos pela Base Industrial de Defesa nacional, como prevê o Plano Estratégico de Defesa, que será entregue ao presidente no 7 de Setembro.

Na data, Lula chamará “de nova independência”, em discurso transmitido por cadeia de rádio e TV, as descobertas de bilhões de barris de petróleo na camada abaixo do sal na costa brasileira. O pronunciamento sobre as reservas será o sinal, apostam os comandantes, que o reaparelhamento dos quartéis passou a integrar as políticas do Estado brasileiro.

"Rússia já suportou provocações"

O novo xadrez eleva a capacidade de ação da Rússia em todos os assuntos internacionais


Não é um filme de faroeste, nem tem mocinhos e bandidos. Trata-se de complexa questão internacional, onde os atores de sempre apresentam-se com argumentos velhos e novos, provocando releituras obrigatórias do sistema internacional de poder. É o que explica o professor Flávio Saraiva, especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília, sobre o recente conflito entre georgianos e russos, com a participação também dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN.

Os Estados Unidos e a imprensa norte-americana costumam reduzir tudo a um filme de faroeste, com mocinho e bandido. O mocinho são eles, claro, agora com um auxiliar de mocinho, que é a Geórgia. A Rússia é o bandido. O que o senhor pensa disso?

Penso que é um equívoco expor os temas da Eurásia ao esquema antigo da Guerra Fria. Não há mocinhos nem bandidos. Há uma disputa geoestratégica, geopolítica, que se moveu de forma muito clara para as fronteiras dos Urais, no Cáucaso. E há o papel da Rússia, importante, quando se dizia que ela tinha encerrado seu papel no cenário internacional. A Rússia elevou seu status econômico, uma economia vibrante, tem um regime político de grande capacidade de gerir as forças internas em torno de um projeto internacional, que é a retomada de sua capacidade de agir no mundo. E ainda tem o fator energético, que é uma arma explícita nas negociações mundiais contemporâneas. Quer dizer: aqueles que haviam sepultado – não é o meu caso – a Rússia, reduzindo-a a um poder menor, assistem a um renascimento econômico, com um PIB que ao final deste ano alcançará o da tríade Itália, França e Inglaterra, saindo do 12º lugar para entrar entre as cinco ou seis primeiras economias do mundo. A Rússia tem fatores de poder estocados.

Então, o que houve?

Houve um mau trato do ponto de vista da literatura das relações internacionais, uma visão muito pouco adequada à história e ao futuro da Rússia. Há uma disputa, que não é a velha guerra fria, mas é um fato que o novo xadrez da região eleva a capacidade de ação da Rússia em todos os assuntos internacionais, da China às fronteiras dos Pirineus. Ela ampliou seu raio de ação graças a sua estabilidade política, ao crescimento econômico e à permanência dos fatores estratégicos clássicos: as armas que possui e a energia estratégica para o desenvolvimento da Europa.

E o que motiva a Geórgia a fazer essa bravata?

Primeiro um nacionalismo fora de moda. A transformação de um líder político liberal, criado pelas escolas ocidentais de política internacional – estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra - a serviço de um nacionalismo clássico. Essa realpolitik ocidental criou um líder despreparado para função, sem saber mover-se num xadrez que, certamente, não foi criado apenas por suas intenções. Há uma fronteira que não é da guerra fria clássica, mas muito mais antiga, da Europa com a Ásia. Dos Urais aos Bálcãs tem-se a noção de que são estados politicamente insatisfeitos. A Polônia aparece e desaparece no mapa, a Romênia guarda um rancor secular contra os russos, quase todos os países têm problemas, portanto é um espaço de disputas, não da forma da guerra fria antiga, a bipolaridade, mas outra, nova, da multipolaridade explícita: a China pesa, a Índia pesa, a América Latina pesa, deixando de ser quintal. Uma nova geografia, complexa, com evidentes candidatos à ocupação desses espaços. Estão nesse jogo, agora, não só os EUA e URSS-Rússia, mas outros jogadores, como a Alemanha e sua segurança energética. Além da segurança de toda a União Européia.

Tem razões claras a Rússia para reagir como reagiu?

Acho que tem razões claras e a agiu como deveria agir. Porque é uma área natural de presença e observação do estado pivô, chamado Rússia. É como se houve uma invasão ou movimentos inaceitáveis, por exemplo, nas franjas do Brasil. É claro que é adocicada a idéia de uma regulação internacional pela lei internacional, pelo regimes internacionais de paz, segurança, equilíbrio ecológico, etc. Mas o mundo em que vivemos é crescentemente um mundo de estados com franjas. E ali, são franjas importantes de um estado que não abdicou de exercer a sua hegemonia. Então, não causa surpresa a reação da Rússia. Apenas um neófito em temas das relações internacionais poderia imaginar que a Rússia assistiria aos fatos com eqüidistância e negociaria com os EUA numa situação especial.

Evidente que não. Muitas vezes tiveram os russos paciência diante de provocações dos EUA nos últimos três anos. Os mísseis, a instalação das bases na Europa, além das provocações das rádios instaladas no antigo leste europeu de influência soviética. Provocações a Moscou de paises cujos regimes estão longe de serem exemplos de democracia à moda americana. A Rússia, agora, como estado com capacidade estratégica, reage. E tem meios para reagir.

Nesse cenário, nesse tabuleiro de xadrez a OTAN entra com que papel?

São retóricas esperadas da OTAN, de um sistema de defesa atlantista, que tem limites operacionais visíveis. Mas o fórum para o encaminhamento das negociações será muito menos a OTAN e muito mais o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é um lugar bastante menor para o diálogo, mas onde EUA, Rússia e China terão condições de conversar diretamente, sem um grande elenco de países que apenas compõem a fila de apoio natural às posições americanas. Nessa matéria a OTAN tem capacidade moderada e limitada de agir. Agora são poucos os países que, ao final do dia, pensarão em atos contra os russos.

O CS da ONU seria hoje um dos poucos locais onde os EUA se comportam como gente grande, falam e ouvem?

Sim, e daí a resistência enorme a uma reforma desse sistema. Se como está, mesmo obsoleto, já é adverso, imagine-se ampliado, por representações fortes da Ásia, da América Latina e até da África.

Há uma geografia nova, múltipla, de estados que não desapareceram diante da grande centralidade dos movimentos internacionais contemporâneas e que são hoje estados que realizam seus interesses internacionais pela via da obstrução, da negação ou da afirmação dos seus interesses soberanos. Não há um estado de natureza, mas também não há a regulação universalista liberal desenhada pelo estrategista de Washington. Perdeu-se a capacidade de agir em Washington e os outros não têm capacidade de substituir Washington. O que temos é um sistema internacional de transição, com a formação de multipolaridades: a Rússia, que não seria mais nada, na visão de muitos, habilita-se, como polaridade e como centro de negociação da China com os países da EU e países da Europa Oriental.

Este é um ponto fascinante: a guerra fria era uma bipolaridade ideológica, que acabou. Todos os grandes países aderiram ao capitalismo. É a dialética dentro do capitalismo, jogando a contradição para dentro do capitalismo. O que senhor pensa disso?

Sem dúvida. Diria, inclusive, que o xadrez agora está mais para a Guerra do Peloponeso e a grande obra de Tucídides, da realização dos interesses de cada cidade-estado, ou de cada estado atual. Questões de ordem geopolítica, nacionais, por sobre o quadro ideológico. Questões econômicas que projetam o interesse não só dos estados, como de suas grandes empresas. O melhor exemplo é a Gazprom, quase um estado complementar ao grande estado russo. É a segurança de que não vão construir armadilhas na relação entre a Europa Ocidental e a Rússia. Uma eventual construção de uma rede de bases americanas na Europa, contra a Rússia, é atentatória à própria sobrevivência energética dessa mesma Europa. Pensou-se que tido isso tinha acabado com a globalização dos anos 80. Mas não estamos assistindo ao surgimento de um novo mapa, baseado nos interesses mundiais dos estados. O estado nacional está de volta, mas com interesses multipolares.

Nesse quadro, com fica o papel de policial, de gendarme mundial que Bush tanto desenhou para os EUA?

Esse papel foi inventado sem que os EUA tivessem, na posse de Bush, capacidade para interferir na construção dessa gendarmerie internacional. Há elementos visíveis do declínio americano na macroeconomia política. E também na capacidade de intervir em situações internacionais estratégicas. O fiasco da guerra do Iraque foi, talvez, o fato emblemático de tudo isso. E a provocação ao governo russo, transportando tropas georgianas no Iraque, em aviões americanos, para as fronteiras georgianas e a preparação destas para a ação que culminou com a reação russa, é prova evidente de que essa capacidade de agir está diminuída, porque não enfrentam os russos diretamente. Não precisa ser grande mestre em inteligência para saber que foram aviões americanos que transportaram as tropas georgianas. A Geórgia nem tem essa capacidade de transporte.

E o futuro, a curto prazo, na região e no mundo?

Creio que na região não se atuará mais de forma açodada. O futuro dos grandes estados é o governo global. Pensava-se que seria um capitalismo internacional sem fronteiras. Ao contrário: cada vez mais os estados têm capacidade de acumulação científico-tecnológica de ponta, economia de escala, estoques estratégicos e população. O futuro é o arranjo dessas grandes áreas na terra.

Navio dos EUA chega à Geórgia

Americanos desembarcam 55 toneladas de comida e donativos para dezenas de milhares de civis desalojados pelo conflito com a Rússia. Sarkozy convoca cúpula extraordinária da União Européia



Da Redação

USS McFaul

Sob advertências veladas do comando militar russo, que acusa os adversários de acirrar as tensões na conflituosa região do Cáucaso, um navio militar norte-americano atracou ontem no porto de Batumi, na Geórgia, com ajuda humanitária para dezenas de milhares de desalojados pelos combates das últimas duas semanas com a Rússia. Menos de 100km ao norte de Batumi, tropas enviadas por Moscou continuavam em posição no porto de Poti, na região separatista da Abcásia. A breve guerra foi deflagrada pelo ataque das forças georgianas, na noite de 7 para 8 de agosto, contra a Ossétia do Sul, outra região governada por separatistas pró-Moscou. Em resposta, tropas russas invadiram as duas regiões e avançaram para território georgiano, de onde se retiraram no fim da semana, sob pressão internacional.

Um guindaste desembarcou em Batumi 55 toneladas de donativos enviadas no destróier USS McFaul. O ministro georgiano da Defesa, David Kezerashvili, fez questão de subir a bordo para brindar com os comandante do navio americano, Timothy Schorr. Outros países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, bloco militar liderado pelos EUA) anunciaram o envio de embarcações para o Mar Negro, com a missão oficial de dar apoio a operações humanitárias. A Rússia, que mantém na região uma importante divisão de sua Marinha — a Frota do Mar Negro — e chegou a impor um bloqueio naval à Geórgia durante o conflito, se referiu à iniciativa da Otan como “uma provocação”.

Foi em termos equivalentes que o porta-voz do Ministério da Defesa georgiano, Shota Utiashvili, se referiu à explosão de um trem carregado de combustíveis perto de Gori, cidade próxima à capital, Tbilisi, e aos limites da Ossétia do Sul. Até meados da semana passada, tropas russas ocupavam Gori, e Utiashvili sugeriu que o trem-tanque teria se chocado com uma mina plantada na ferrovia pelas forças russas. Segundo o relato dos militares georgianos, os ocupantes causaram também uma série de explosões em um arsenal que haviam pilhado, nas imediações da cidade. A ferrovia, que liga Tbilisi ao litoral do Mar Negro e segue em direção à Turquia, escoa petróleo e derivados produzidos no Azerbaijão.

“É uma conexão vital não apenas para a Geórgia, mas para a economia dos países vizinhos”, disse o premiê georgiano, Lado Gurgenizdze.

Europa

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que exerce neste semestre a presidência rotativa da União Européia (UE), convocou para o próximo domingo, em Bruxelas, uma reunião de emergência dos chefes de Estado e governo do bloco. O encontro de cúpula, articulado a pedido de “vários paísesmembros”, segundo o gabinete de Sarkozy, discutirá a crise no Cáucaso, a ajuda humanitária à Geórgia e o futuro das relações da UE com a Rússia.

Sarkozy, que mediou um acordo de cessar-fogo assinado na semana passada pelos governos de Moscou e Tbilisi, subiu o tom das cobranças ao governo russo. O presidente francês engrossou o coro da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e de outros governantes europeus que exigiram com firmeza da Rússia que conclua a retirada total das forças enviadas à Geórgia no início do mês. O Kremlin alega que manterá cerca de 2 mil efetivos nas regiões da Ossétia do Sul e da Abcásia, nos marcos do acordo de paz firmado em 1992 entre o governo georgiano e os líderes separatistas, com aval de Moscou.

“A ferrovia é uma conexão vital não apenas para a Geórgia, mas para a economia dos países vizinhos” (Lado Gurgenizdze, primeiro-ministro da Geórgia, sobre a explosão de um trem-tanque perto de Gori)

EXÉRCITO FARÁ PESQUISA DE TRÂNSITO NA BR-392



A partir de hoje, o Exército Brasileiro e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) farão uma pesquisa para contagem de tráfego na BR-392, no trecho entre Pelotas e Rio Grande. Militares do 6º Grupo de Artilharia de Campanha e do 9º Batalhão de Infantaria Motorizada atuarão como pesquisadores por 10 dias em três postos – dois na BR-392 e um na BR-471, que liga Rio Grande a Santa Vitória do Palmar. A BR-392 deve sofrer duplicação em breve.

Aviação Naval, 92 anos



Eduardo Italo Pesce

No dia 23 de agosto de 2008, a Aviação Naval brasileira, originalmente criada em 1916, está comemorando seu 92º aniversário. Ao longo da última década, o componente aeronaval da Marinha do Brasil passou por inúmeras mudanças, que incluíram o reinício das operações com aeronaves de asa fixa e a substituição do antigo navio-aeródromo Minas Gerais.

Em 1998, após a revogação da proibição de operar com aviões, que perdurava desde 1965, foram adquiridas aeronaves de interceptação e ataque McDonnell Douglas A-4 (AF-1) Skyhawk. Estas aeronaves começaram a operar em 2000 e realizaram o primeiro pouso a bordo do Minas Gerais (meses depois substituído pelo São Paulo) no início de 2001.

A Diretoria de Aeronáutica da Marinha, subordinada à Diretoria-Geral de Material da Marinha e sediada no Rio de Janeiro, gerencia os assuntos relativos à segurança de vôo e ao material da Aviação Naval. O Comando da Força Aeronaval, subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra e sediado em São Pedro d"Aldeia (RJ), gerencia as atividades operativas e os meios aéreos.

A Força Aeronaval é atualmente constituída por cinco esquadrões de helicópteros e um de aviões, além da Base Aérea Naval de São Pedro d"Aldeia, do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval e de outras organizações de apoio. O complexo aeronaval de São Pedro d"Aldeia é mais conhecido pelo carinhoso apelido de "A Macega" (tipo de vegetação rasteira encontrada no local).

A Marinha dispõe também de três esquadrões regionais de helicópteros de emprego geral, sediados em Manaus (AM), Ladário (MS) e Rio Grande (RS), que atuam nas áreas dos respectivos Distritos Navais. Está prevista a criação de mais três desses esquadrões, em Belém (PA), Natal (RN) e Salvador (BA).

Recentemente, foi adquirido um lote inicial de quatro (com opção para mais dois) helicópteros Sikorsky S-70B (SH-60) Seahawk, para emprego em missões de guerra anti-submarino e contra navios de superfície. A MB poderá adquirir um total de 12 aeronaves deste tipo, destinadas a operar com o NAe São Paulo, em substituição aos Sikorsky SH-3A/B Sea King.

A modernização das aeronaves A-4 Skyhawk que operam com o NAe é outra necessidade da Marinha. O São Paulo reiniciou suas operações em 2008, após um período de reparos. A crônica falta de recursos tem forçado a Marinha a adiar a modernização ou substituição de seus meios, e isso vem afetando a Aviação Naval.

Apesar das restrições financeiras, parte das aeronaves em serviço está sendo submetida a modernizações. Os helicópteros de esclarecimento e ataque Westland AH-11A Lynx, que operam com navios de escolta, devem ser modernizados. Um lote adicional (de segunda mão) destas aeronaves poderá ser adquirido, para substituir as que foram perdidas em uso.

A perspectiva de verbas adicionais do "PAC da Defesa" poderá acelerar ou reativar projetos mantidos em compasso de espera, como o do NAe destinado a substituir o São Paulo por volta de 2025.

Possivelmente, tal navio teria um deslocamento carregado de 60 ou 70 mil toneladas e seria capaz de operar com cerca de 60 aeronaves de combate.

A questão dos meios aéreos é fundamental. Uma aviação embarcada polivalente, capaz de operar a partir de NAe e de outros tipos de navios de superfície, constitui componente essencial de uma verdadeira Marinha oceânica. Apesar de sua longa autonomia de vôo, a aviação de patrulha marítima baseada em terra não é capaz de substituir plenamente os meios aéreos embarcados.

Até hoje, a MB ainda não conseguiu dotar seu NAe de um grupo aéreo completo, constituído por aviões de interceptação e ataque, reconhecimento, guerra eletrônica, alarme aéreo antecipado e reabastecimento em vôo, além de helicópteros para missões anti-submarino e de busca e salvamento.

Há alguns anos, a Marinha estudou a possibilidade de adquirir um pequeno lote de aeronaves Grumman S-2 Tracker de segunda mão, modernizadas e dotadas de motores turboélice, para emprego a bordo do NAe em missões de alarme aéreo antecipado, reabastecimento em vôo (Revo) e apoio logístico.

A aquisição dessas aeronaves especializadas era indispensável, para apoiar a operação dos A-4 em missões de defesa aérea e de ataque a alvos de superfície. Contudo, acabou inviabilizada pelas severas limitações orçamentárias ainda vigentes - o que forçou a Marinha a buscar uma solução de menor custo.

Recentemente, foram adquiridos três conjuntos de tanques Revo do tipo buddy-pack para os A-4. Estes kits permitem que uma aeronave (desarmada) reabasteça duas do mesmo tipo durante uma missão, mas não substituem integralmente uma aeronave Revo especializada.

A substituição do atual NAe e a manutenção de uma aviação embarcada polivalente dependem das soluções que vierem a ser adotadas nos próximos anos, para substituir ou complementar os meios aéreos existentes - em especial as aeronaves de asa fixa.

A possível ampliação dos meios aéreos tornará necessário formar e adestrar um número maior de pilotos e técnicos de manutenção para as aeronaves. Atualmente, a instrução de vôo dos futuros aviadores navais é ministrada pela Marinha do Brasil, em conjunto com a Força Aérea Brasileira e a Marinha dos Estados Unidos.

No curto prazo, é preciso incrementar a operacionalidade da Aviação Naval brasileira, com ampliação do número de horas de vôo e maior disponibilidade de combustível, sobressalentes e armamento. Sem tais medidas, investimentos realizados com grande sacrifício correm o risco de serem desperdiçados.

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj) e colaborador permanente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (Cepe/EGN).

As Forças Armadas segundo Jobim

Plano de Defesa Nacional prevê França como parceira estratégica e tecnológica na Marinha, Aeronáutica e Exército



OCTÁVIO COSTA E HUGO MARQUES


No dia 7 de setembro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregará ao presidente Lula o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O projeto vai além da compra de equipamentos bilionários para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O objetivo é mudar a concepção de defesa nacional e redirecionar as prioridades das três Forças. Como principal parceiro no plano militar para as próximas décadas foi escolhida a França de Nicolas Sarkozy. É de lá que virão equipamentos como submarinos convencionais, helicópteros e, quase certo, também os caças supersônicos. Sarkozy ganhou a disputa ao garantir ao presidente Lula que a França não criará nenhum obstáculo à transferência de tecnologia para o Brasil. "Temos acordos com os franceses no que diz respeito à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Em 23 de dezembro, o termo de aliança estratégica com a França será assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy", antecipou o ministro Jobim em entrevista exclusiva à ISTOÉ. "Isso nos dá a possibilidade de sair ao largo da hegemonia americana no setor. O que faz parte da linha de ação do Conselho de Defesa Sul-Americano." A forte contribuição da França começa pelo mar. Caberá à Marinha os maiores investimentos no plano de Jobim. O Brasil construirá submarinos em parceria com a francesa DCN (Direction des Constructions Navales). Inicialmente, serão fabricados três submarinos convencionais Scorpène, de propulsão a diesel. Depois, o Brasil vai incorporar a tecnologia da DCN para produzir seu primeiro submarino de propulsão nuclear. "O Scorpène nos dará condições de produzir a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear, que é a tecnologia de rigidez do casco", diz Jobim.

"O submarino nuclear é uma decisão já tomada." O acerto entre os dois países na área marítima foi negociado entre Lula e Sarkozy durante reunião em Caiena, em fevereiro. Para os acertos finais do acordo, o chefe do Estado-Maior da Presidência da França, Edouard Guillaud, assessor militar do presidente, esteve duas vezes em Brasília, a última no dia 23 de julho. O projeto completo dos submarinos chega a US$ 7 bilhões, cifra que pode mudar. "Talvez, mais", diz Jobim. O País, no momento, negocia na ONU a extensão das águas jurisdicionais das atuais 200 milhas para 350 milhas, o que aumentará a área de 3,5 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo todo o mega-campo de petróleo Tupi.

Para o Exército, uma das novidades é a construção de postos em todas as áreas indígenas de fronteira. Hoje, o Exército tem 17 mil soldados na região. Os soldados índios receberão fuzis novos, binóculos de visão noturna e chips nos equipamentos, para rastreamento. É o que o ministro chama de "soldado do futuro". "Um soldado índio com chip", explica Jobim. "É outro ponto em que contamos com a colaboração dos franceses." O ministro afirma que o Brasil já tem os guerreiros de selva mais competentes do planeta, mas destaca que os novos equipamentos irão inserir o Exército na modernidade. "Os marines americanos foram lá fazer treinamento e quase morreram, foram embora doentes, de maca, cheios de mosquito, não se agüentam." O Exército possui 184 mil homens. Juntas, as Forças Armadas têm 308 mil homens, mas a maioria do aquartelamento está no leste do País.

O governo pretende criar na Amazônia a figura do "exército móvel". São brigadas com grande capacidade de mobilidade e logística. Para atender os batalhões móveis, o governo vai investir pesado na construção de blindados sobre rodas em Sete Lagoas, Minas, um projeto da Fiat-Iveco, e nos aviões C-390 da Embraer, semelhantes aos Hércules americanos. O plano prevê a integração ainda maior do Exército com a FAB, que vai dar suporte aéreo principalmente na Amazônia. Outra ferramenta importante do exército móvel serão os 50 helicópteros fabricados em Itajubá, pela Helibrás, consórcio com a também francesa Eurocopter. A fábrica atenderá as três Forças. O modelo Cougar 725 não é ataque: destina-se ao transporte de materiais e tropa. Esse acordo já foi assinado A tarefa da Aeronáutica é assegurar a supremacia do espaço aéreo. De novo, devem vencer os franceses. O governo deve mesmo fechar a parceria para trazer para o País a tecnologia da construção de caças Rafale, da empresa Dassault. É prevista grande participação de uma empresa brasileira no projeto. "A tendência é atrair a Embraer, que já tem uma estrutura", diz Jobim. Outros países interessados no projeto do caça supersônico serão descartados. Entre as empresas que prometeram transferir tecnologia para o Brasil estão as americanas Boeing, com seu F-18, e Lockheed, com o F-16, a sueca Grippen, com o caça do mesmo nome, a Rosoboronexport, que vende o russo Sukhoi, e o consórcio europeu que fabrica o Eurofighter. Mas os contatos com os governos onde estão estas empresas foram infrutíferos.

Nelson Jobim manteve reuniões com autoridades americanas, inclusive com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o secretário de Defesa, Robert Gates, e ouviu que os EUA estavam dispostos a transferir tecnologia para o Brasil. "Por que, então, os senhores anunciaram que não permitiriam a venda dos Super Tucanos para a Venezuela, alegando que havia um ingrediente militar?", retrucou Jobim nas reuniões. A conversa não avançou. Quanto aos russos, o ministro demonstra mais simpatia, mas prefere brincar: "O russo não é fácil não, eles não falam em outra língua."

O Brasil deve, então, importar 12 caças franceses Rafale para legitimar o início da fabricação nacional. Além dos caças, o monitoramento do território nacional também será feito pelo espaço. O plano prevê a construção de satélites geoestacionários no Brasil, que devem ser lançados na base de Kuoruo, na Guiana Francesa.

As premissas do Plano de Defesa estão lançadas. Seu conteúdo integral, no entanto, só será conhecido após o desfile de 7 de Setembro. E em dezembro, o presidente Sarkozy desembarcará em Brasília com sua esposa, a cantora Carla Bruni, para renovar a santa aliança militar com os franceses, que, por sinal, está na origem da formação das Forças Armadas brasileiras.

Área do pré-sal terá patrulha da Marinha

Governo americano já alertou para possibilidade de ataques terroristas



O governo quer que a Petrobrás ajude a Marinha a comprar navios de patrulha para a área em que se localizam as recém-descobertas reservas de petróleo no pré-sal. Trata-se de uma faixa no litoral que pode atingir 160 mil quilômetros quadrados e se estende de Santa Catarina até o Espírito Santo. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está otimista com o andamento das negociações.

Navio Patrulha P-42 Graúna

Hoje a Marinha tem 27 navios de patrulha. Pretende adquirir mais 27 - dois já estão em construção. Na semana passada, foi lançado edital para mais quatro unidades.

Além disso, a Bacia de Santos será palco, em setembro, de um exercício de guerra com militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles vão simular um ataque a um campo fictício de petróleo chamado “Yptu” - quase um acrônimo de Tupi, principal província da área.

O reforço na segurança é necessário, entre outras razões, porque a área pode ser alvo de ataques terroristas. Segundo avaliação do governo americano a autoridades brasileiras, o pré-sal pode transformar o Brasil no principal fornecedor dos EUA, hoje dependentes do Oriente Médio. Isso pode descontentar os concorrentes.

Segundo a Marinha, os navios de patrulha poderão, em situações de conflito, atuar na defesa, patrulha e vigilância do litoral, inclusive as plataformas de petróleo. Em situação de paz, eles deverão proteger o mar territorial e reprimir atividades ilícitas, como pesca ilegal, contrabando, narcotráfico e poluição do mar. Além dos navios, a área deverá ser defendida pelo submarino nuclear, ainda em fase de projeto.

Jobim sustenta que a Petrobrás e demais petroleiras que atuem na região devem contribuir para comprar os navios. O ministro explica que a segurança reforçada na área de produção ajudará a elevar o valor das ações dessas empresas. Não é justo, diz ele, que a valorização patrimonial delas ocorra à custa do contribuinte brasileiro.

O secretário-executivo do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Álvaro Teixeira, acha correta a preocupação da Marinha. “É preciso que as instalações sejam protegidas do terrorismo.” Ele não concorda, porém, que as empresas petrolíferas devam financiar a compra de navios.

“A Marinha tem dinheiro, o problema é que ele está contingenciado.” Os royalties sobre a exploração de petróleo são, por lei, destinados a quatro áreas: Minas e Energia, Meio Ambiente, Marinha e Ciência e Tecnologia. Esse dinheiro, porém, fica em boa parte retido no Tesouro para formar o superávit primário (saldo positivo nas contas públicas). A Marinha teria R$ 3 bilhões bloqueados. Jobim avalia, no entanto, que a liberação desse dinheiro não seria suficiente.

Marinha é menos atingida pelos cortes



Na partilha dos recursos originados pela atividade petrolífera no país, há duas grandes divisões teoricamente estabelecidas pela lei: os royalties, propriamente ditos, e as participações especiais, que são divididas em partes iguais entre a União (50%) e os Estados e municípios que recebem a outra parte. Dos 50% da União, 40% vão para os programas desenvolvidos no país pelo Ministério de Minas e Energia, e 10% para o Ministério do Meio Ambiente. A maior parte do que deveria chegar ao MME iria para a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A agência só tem recebido ao longo dos últimos anos menos de 3% do total.

A Marinha, via Ministério da Defesa, é a mais bem aquinhoada percentualmente na divisão e repasse: do total de R$ 1,6 bilhão de dotação orçamentária autorizada, recebeu 14,4% – R$ 244,3 milhões.

A Comissão Naval Brasileira em Washington, entretanto, destaca-se como caso ímpar: de uma despesa empenhada de R$ 23,295 milhões, recebeu R$ 23,316 milhões, pois o o pagamento incluiu parcela de R$ 36,3 mil de restos a pagar.

No caso do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. De um empenho de R$ 40,8 milhões, foram pagos 39,8 milhões, ou 97% do total.

Ambiente em baixa

Na contraposição com a Marinha, aparece a área de meio ambiente, que no caso dos programas de conservação e preservação de biomas brasileiros simplesmente nada recebeu de dotação de R$ 333 mil. O mesmo aconteceu com programas de licenciamento ambiental, que esperaram os R$ 16 mil consignados no orçamento. No programa de capacitação de recursos humanos em pesquisa e desenvolvimento na área industrial, não teve sequer dotação orçamentária: recebeu R$ 344,3 mil na rubrica restos a pagar.

Brasil conclui plano para modernizar os militares

Projeto será entregue a Lula no Dia da Independência


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá no próximo dia 7, quando se comemora a Independência do Brasil, o Plano Nacional de Estratégia de Defesa, considerado pelo chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, ministro Mangabeira Unger, "uma iniciativa sem precedentes na nossa história".

– Trata-se de proposta de qualificação abrangente das Forças Armadas, por meio do vínculo indissolúvel entre o desenvolvimento do país e a Defesa – disse.

Segundo o ministro, a estratégia não está sendo formulada a propósito de qualquer sentimento de ameaça por qualquer país do mundo.

– Na América do Sul ou em qualquer parte do mundo não temos inimigos – explicou. – Por isso, o nosso trabalho tem como foco o futuro do Brasil. Nós nunca tivemos em toda a nossa história nacional uma grande discussão civil a respeito da Defesa e agora estamos determinados a ter.

Mangabeira afirmou que a proposta foi encomendada por Lula no dia 6 de setembro do ano passado, e não objetiva apenas equipar as Forças Armadas. Ela envolve a qualificação e a reorganização das Forças Armadas

– Tudo em torno de uma cultura militar pautada pela flexibilidade, pela imaginação e pela audácia – acrescentou. – Elas devem ter capacidade para surpreender e desbordar.

A estratégia de Defesa prevê a reorganização da indústria brasileira de defesa quanto na parte privada quanto na estatal, conforme o ministro, e propõe também o aprofundamento do serviço militar obrigatório.

– Se o Brasil quiser desbravar um caminho próprio no mundo, precisa poder dizer não quando tiver que fazê-lo e ter escudo contra ameaças e intimidações – esclareceu. – Precisa ter espaço para afirmar nossa originalidade coletiva.

Fé incansável



Edson Luiz

Lucindo, Campos, Pires, Luiz e Silva atuavam em guarnições diferentes nos campos de batalha da Itália. Poderiam nem se conhecer, mas tinham algo em comum, como a maioria dos brasileiros que foram à guerra: coragem, fé e amor à família. Mortos em combate, todos carregavam imagens de santos, crucifixos, orações e fotografias da família, quando tombaram.

Os registros de óbitos de alguns dos combatentes durante a Segunda Guerra mostraram esse tipo de apego. Silva, um sargento enterrado em Pistóia, tinha consigo uma medalha religiosa, cinco correspondências do Brasil, 10 fotografias e dois crucifixos. Campos morreu em ação em 14 de abril de 1945, em Montese. Católico, como descreve o atestado de óbito, também carregava consigo artigos religiosos.

Tinha um manual de orações, duas medalhas, quatro imagens de santos e um rosário.

O relatório final da guerra feito pelo general Mascarenhas de Morais mostra que a fé não era a única semelhança entre os pracinhas brasileiros. “Não desejou a guerra, e preferia nela não morrer, podendo assim regressar à pátria, mas nunca colocou esses fatores diante de seu orgulho de ser valente e de cumprir as ordens recebidas. Neste particular, o soldado brasileiro sempre revelou um amor próprio excepcional”, elogiou o general.

O pracinha brasileiro não suportava perder. “Quando se via, lado-a-lado com outros soldados aliados, em geral os americanos, fazia questão de provar que era melhor do que eles, e que um brasileiro não pode perder em confronto com qualquer soldado, por melhor que seja”, observou o comandante da FEB, ressaltando que a tropa brasileira foi a que mais rápido se adaptou à zona de guerra na Itália. Rapidamente se adaptou ao vestuário e enfrentou o inverno rigoroso com criatividade.

“Chegou à conclusão de que papel picado, palha, penas de aves ou tiras finas de cobertor, colocados no interior dos galochões, constituíam magnífico expediente para defender os pés do frio terrível”, descreve Mascarenhas de Morais, sobre a invenção dos soldados.

Feijão e farinha

Não sem reclamar um pouco, como afirmou o general em seu relatório, o pracinha se adaptou à comida americana, rica em nutrientes, mas não dispensava os alimentos brasileiros. Isso obrigou o comando da FEB a providenciar os mantimentos que foram racionados no Brasil e entregues nos campos de batalha em pequena quantidade.

Mesmo assim, durante o ano de 1944, foram consumidos, por exemplo, 290,7t de açúcar, 195t de arroz, 117,8kg de farinha de mandioca e 195,6t de feijão, os produtos prediletos dos soldados.

Durante a guerra, os soldados descendentes de outras nacionalidades ficaram sob observação dos oficiais. “Tendo sido recrutados e convocados para a incorporação na FEB, jovens brasileiros de origem teuta (germânica) e italiana, era natural que observássemos, particularmente, o comportamento ético-militar destes rapazes, na presunção e com a desconfiança preconcebida de que as leis atávicas de hereditariedade gritassem mais alto na invocada ‘voz do sangue’, do que o sentimento patriótico pela terra que lhes deu o berço”, narrou em um relatório secreto o ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, ao presidente Getúlio Vargas. Na avaliação de Dutra, a desconfiança não foi necessária, já que se mostraram bons soldados.

Depois dos bombardeios diários, os oficiais visitavam os feridos nas enfermarias, uma forma de levar apoio. “Após os combates, a preocupação única dos hospitalizados, sem exceção, mesmo entre os mutilados, era saber se a sua companhia ou seu pelotão haviam mantido as posições ou atingido e conquistado o objetivo que começaram a atacar”, narrou Mascarenhas de Morais. “E riam, como crianças, quando lhes declarava que tudo corria muito bem e que fizemos grande número de prisioneiros.” Entre os feridos, conforme o comandante da FEB, estavam vários soldados que praticaram atos de heroísmo.

Sem descanso

Um dos casos era de um sargento comandante de grupo de combate. Ferido, soube que não poderia ir ao campo de batalha na ação que seria desencadeada no dia seguinte em Monte Castelo.

Com a perna com pouca sensibilidade, implorou a seu capitão para permanecer nas suas funções. O oficial não permitiu. “A aflição estampada na fisionomia deste jovem ante a justa negativa de seu chefe, bem atestava a sua angústia por não poder cumprir o que considerava seu dever”, descreveu o comandante da FEB. Para incentivar os soldados, seus principais feitos eram publicados no Cruzeiro do Sul, o jornal publicado pela FEB destinado aos pracinhas.

Mas durante algum tempo, os pracinhas deram sinais de que, sem repouso, não poderiam prosseguir nos campos de batalha. Isso aconteceu principalmente na tomada de Monte Castelo, onde muitos soldados sentiram a pressão e baixaram no serviço médico. Chegaram a ser taxados de simuladores. “A recusa para retornar ao front manifesta-se também, em alguns casos, é verdade, raríssimos mesmos, pelos que, perfeitamente curados, continuam com o seu cortejo de queixas. São, na linguagem médica, os simuladores”, observou o major médico Sady Cohen Fischer, em um relatório de dezembro de 1944.

“Será, pergunta que se impõe, admissível que esse homem que ontem tão bravamente se conduziu na linha de frente, e que heroicamente soube elevar bem alto o nome, o prestígio e as tradições do Exército do Brasil, (seja) na verdade, um simulador?”, perguntou Sady. “No período de paz, sim. Aqui, não. É como tantos, um esgotado, um estafado físico e mental, cujo psiquismo , profundamente abalado, avança muito além do que constitui o equilíbrio mental”, acrescentou o oficial médico.

Dividido, país entra no conflito

Depois do flerte com a Alemanha, Getúlio finalmente decide ir para a batalha ao lado dos Aliados


Edson Luiz

Palácio do Catete, Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1942


O presidente Getúlio Vargas reúne seu ministério. Em seguida, a decisão: o Brasil entra na guerra. Pouco antes, navios mercantes brasileiros haviam sido torpedeados por submarinos inimigos, com cerca de 600 mortos. “Diante da comprovação dos atos de guerra contra a nossa soberania, foi reconhecida a situação de beligerância entre o Brasil e as nações agressoras”, dizia o comunicado oficial.

A decisão dos brasileiros de apoiar os Aliados (liderados pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha) contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) havia sido tomada em conjunto com outros países da América do Sul, em 15 de janeiro do mesmo ano. “A notícia de que o Brasil cortou relações com a Alemanha, Japão e Itália comoveu-me profundamente. Ela assegura-me uma vez mais o apoio do vosso grande país nesta hora de amarga luta contra forças cujas ações e políticas têm sido unanimemente condenadas pelas 21 nações americanas”, agradeceu o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt.

Seis dias antes, o Itamaraty recebera em Londres um alerta de que os submarinos inimigos estavam a par da movimentação de navios brasileiros, por meio de informantes infiltrados no continente. “Segundo dados fornecidos ao governo britânico, agentes alemães e italianos, por meio de estações emissoras clandestinas, localizadas no Brasil, Argentina, no Chile e no Equador estariam informando submarinos dos movimentos dos navios aliados na América do Sul”, relata o documento confidencial encaminhado ao Estado-Maior do Exército.

A informação era precisa. Nos dias 15, 18 e 25 de fevereiro, os navios Buarque, Olinda e Cabedelo foram torpedeados pelos submarinos alemães e italianos. Morreram 55 pessoas. Mas só depois dos ataques aos navios, uma retaliação alemã, é que o governo decidiu entrar na guerra. Antes, até houve uma pequena aproximação com os alemães, por causa da demora dos Estados Unidos em prestar ajuda econômica ao país, o que acabou acontecendo poucos meses depois. Uma correspondência de 20 de novembro de 1940 entre o ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, e Vargas mostra o flerte.

Negociação

“Cabe-me, em conclusão, declarar a V. Excia que da leitura deste relatório mais revigorada sinto a necessidade de prosseguirmos, com todo o afinco, nas tentativas de receber o material encomendado no Reich e que por este país vem sendo posto à nossa disposição, malgrado as tremendas dificuldades que atravessa, dentro dos prazos e das quantidades estipuladas em contrato”, narra Dutra, referindo-se a um documento sobre a negociação com os alemães.

Feito o acordo com os Estados Unidos, o Brasil começou a preparar seu efetivo, que iria desembarcar na Itália em 1944. Mas o país também atravessava um período político turbulento. Nas ruas, manifestações contra o regime autoritário de Vargas resultavam em mortes e prisões. O Ministério da Guerra temia que os movimentos chegassem aos soldados e prejudicassem a preparação para a ida à Europa. Por isso, criou um novo serviço de contra-informação, cuja finalidade foi definida em um documento secreto de circulação restrita. “Neutralizar e reprimir quaisquer atividades exercidas por indivíduos ou associações, no sentido de perturbar, por atos ou palavras, a disciplina no interior ou exterior dos quartéis”, determinava.

Fora dos quartéis, a guerra aguçava o patriotismo e o imaginário dos brasileiros. Um morador do Rio de Janeiro enviou ao Palácio do Catete um modelo de capacete com as cores da bandeira nacional, sugerindo que ele fosse usado por Vargas e seus auxiliares em solenidades públicas. Da Bahia, um telegrafista identificado apenas como Ezequiel enviou uma carta ao presidente falando sobre as propriedades explosivas da palha de ouricuri, “podendo o caso interessar à indústria de guerra”. Bastava transforma-la em pó, dizia o baiano.

O major americano C. Booth também enviou uma carta a Vargas oferecendo uma invenção para os tempos de guerra. Era, segundo o Militar, uma mistura de quatro ingredientes domésticos com o açúcar, que se transformaria em uma bomba com poder 40% maior que a dinamite. Os outros componentes Booth manteve em segredo, mas revelou “que podem ser procurados em qualquer drogaria ou casa de secos e molhados”. A Diretoria de Material Bélico do Ministério do Exército rejeitou a invenção e vários outros projetos, como os dos aviões lançadores, contra aeronaves inimigas, de óleo quente e de uma rede de aço.

Sem entusiasmo

Dias antes do embarque para a Itália, os soldados brasileiros não mostravam entusiasmo — alguns, inclusive, desertaram para visitar familiares, segundo revelavam relatórios secretos feitos diariamente. Muitos não acreditavam que o Brasil participaria da guerra. “Isto é o efeito da opinião de grande parte da população civil e mesmo de parte dos oficiais do Exército que não estão incluídos na FEB”, diz o documento, observando que o trabalho psicológico feito na tropa estava parcialmente neutralizado pelas opiniões das ruas.

As análises dos Militares se baseavam na chamada participação “platônica” do Brasil na Primeira Guerra, entre 1914 e 1918, que não passou de realizações de passeatas e manifestações públicas, sem sequer ter ido aos campos de batalha. Avaliações de 1943 mostravam uma população alheia à ida do Brasil à Itália. “Isto ainda está se sucedendo e o nosso povo ainda não está compenetrado de que estamos em guerra”, disse Dutra em um relatório secreto enviado a Vargas, em 1944.

Além disso, o povo brasileiro não estava gostando das sanções aplicadas durante o período de guerra. A falta de alimentos em algumas regiões determinou um rigoroso racionamento. “No interior do país, a grita é imensa pela má distribuição de sal e de gasolina”, relata Dutra a Vargas. “De outro lado, a sanha dos aproveitadores que, sem se apiedarem do sofrimento alheio, mercadeiam os mais necessários produtos da alimentação popular, explodindo na imprensa daqui e dos estados, constantemente, noticias escandalosas referentes à carne, ao leite, à manteiga, ao peixe, ao carvão e até mesmo à banana.”

Na avaliação dos Militares, a situação do país afetava o ambiente antes da partida para a Itália. “Tudo isto reflete na ambiência para a guerra, porque uma família não preparada psicologicamente para os sofrimentos decorrentes do estado de guerra, lendo nos periódicos as mais contristadoras notícias tangentes à economia popular, não vê com bons olhos a convocação de um filho para o cumprimento do sagrado dever de defender a pátria”, constata Dutra. Da declaração de guerra até a ida para a Itália, foram pelo menos dois anos de preparativos para oito meses de luta — que resultou em 456 mortos.

Brava pobreza

Documentos do Exército revelam cruamente como pracinhas brasileiros atormentados por condições precárias de saúde e pelo analfabetismo agiram com heroísmo na 2ª Guerra Mundial

Edson Luiz

Quando decidiu ir à 2ª Guerra Mundial, o Brasil não conhecia as dificuldades que iria enfrentar. Não apenas à frente dos campos de batalha, mas já a partir da organização de seus contingentes – marcados pelas precárias condições de saúde e sociais de grande parte da tropa. Relatórios secretos dos generais João Batista Mascarenhas de Morais e Eurico Gaspar Dutra, obtidos pelo Correio, mostram a realidade do país entre 1942 e 1945, além do cotidiano dos nossos combatentes. Nos documentos, Mascarenhas de Morais, comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), relata a principal dificuldade enfrentada para tomar o Monte Castelo, um episódio que quase dizimou as tropas brasileiras, mas que acabou tornando-se um dos principais feitos da FEB na Itália.

Além disso, os relatórios mostram outro triunfo dos combatentes da FEB, que foi a rendição de 15 mil alemães, inclusive dois generais inimigos. O pracinha brasileiro, que saiu desacreditado do país, lutou como herói, mas teve que enfrentar as intempéries da Europa.

Enquanto os soldados lutavam na Itália, a situação política interna era grave. Dutra, então ministro da Guerra, apresentou ao presidente Getúlio Vargas o retrato sombrio do país, destacando a reação da população em torno dos problemas causados pelo conflito. Os principais fatos do período serão mostrados na série de reportagens que começa hoje e termina na quinta-feira, com uma apresentação da atual situação de quase abandono dos heróis brasileiros da 2ª Guerra Mundial.

Vila militar, Rio de Janeiro, março de 1844

Pouco mais de 5 mil homens estão reunidos e esperando o momento de embarcar para Nápoles. Ali está o perfil do brasileiro da época. Pelo menos, o da classe baixa. Pessoas pobres, com capacidade física precária, vindas de todas as regiões do país. E foi com esse contingente que o Brasil realizou seus principais feitos na Itália: a tomada de Monte Castelo e a prisão de 15 mil alemães, incluindo dois generais. Os relatórios secretos da guerra obtidos pelo Correio mostram que o país não estava preparado para a batalha.

Mesmo com uma população de 42 milhões de habitantes na época, o Brasil teve grandes dificuldades para recrutar o primeiro grupo que iria desembarcar na Europa. Precisou abrir mão de exigências sobre o perfil do efetivo ideal e amargou dificuldades ao preparar esses homens para enfrentar as tropas alemãs e italianas. Mas os relatos feitos pelo comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), general João Batista Mascarenhas de Morais, ressaltam que as dúvidas sobre o potencial combativo desses homens foram aos poucos sendo dissipados pela brava atuação em combate.

Para ir à guerra, segundo os relatórios, os soldados não poderiam ter pés chatos, sofrer de doenças venéreas, de problemas pulmonares e cardíacos e precisavam possuir pelo menos seis pares de dentes articulados. As dificuldades para selecionar homens com o perfil ideal ocorriam em todas as regiões do país, segundo Mascarenhas de Morais.

Ele observou que, para alcançar um número mínimo de recrutados para a guerra, foi necessário abrir mão de algumas exigências. “Estabelecendo as condições mínimas a satisfazer para integrar a FEB, diversas juntas de inspeção, em todas as regiões interessadas, começaram seu penoso trabalho, constatando-se desde logo, as maiores decepções, pela massa de homens, oficiais e praças que nem sequer se classificavam na categoria de ‘normais’ (a classificação exigida inicialmente era chamada de ‘especial’, com aptidões físicas excelentes, ficando os ‘normais’ impedidos de participar da guerra)”, descreveu o comandante.

Em seu relatório secreto, Mascarenhas de Morais mostrou, por exemplo, que em São João Del Rey (MG), apenas um capitão, um sargento e um soldado conseguiram a classificação “especial”, a exigida para compor a FEB. “O mesmo descalabro se assinalava em todas as outras unidades. Tão calamitosa apresentou -se a situação que a diretoria de saúde recebeu instruções para admitir, também, os homens da categoria ‘normal’”, escreveu o general. Até a exigência de homens com dente perfeitos, conforme a determinação norte-americana, foi reduzida. “Na organização dos três primeiros escalões que formaram o grosso da nossa 1ª DIE, não levamos em consideração a insuficiência dentária, porquanto não podíamos exigir muito, nesse sentido, da nossa gente, sabido que somente as pessoas de algum recurso, nos grandes centros, tratam dos dentes”, afirmou o então ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, em um outro relatório enviado ao presidente Getúlio Vargas, em 1944.

Dissabores e vexames

Porém, a redução das exigências traria “amargos dissabores e pesados vexames” na chegada ao exterior, como revelou Mascarenhas de Morais. Ao chegar em Nápoles, os 5 mil combatentes da FEB passaram por uma inspeção de saúde, tendo sido constatada a necessidade de se fazer 20 mil extrações. O relatório do ministro da Guerra complementa: “Das baixas verificadas na Itália ao chegar o 1º Escalão, 70% eram ocasionadas pelas doenças venéreas contraídas no Brasil”. Ainda durante a viagem, foram descobertos casos de tuberculose e caxumba.

“Foi grande o trabalho de preparar homens para a guerra, a fim de que o Brasil cumprisse sua palavra empenhada. Os esforços despendidos por nós para preparar 5 mil homens é (sic) bem maior do que outra nação adiantada para organizar um contingente de 25 mil homens. A subnutrição, a falta de higiene e a sífilis, as três em ação combinada com o analfabetismo, são elementos negativantes na formação de qualquer tropa em terras brasileiras”, relatou Dutra a Vargas.

O Norte do país, até então uma região desconhecida e com pouca ligação com os grandes centros, foi onde o recrutamento mostrou a realidade do povo brasileiro. De 3.715 homens inspecionados no Amazonas, Pará e nos então territórios do Acre, Rio Branco (hoje Roraima), Guaporé (RO) e Amapá, apenas 846 foram considerados aptos e 77,2% dispensados. “Isto confirma, claramente, o conceito de que o amazônida é um tipo fisicamente fraco já pela sua alimentação já mesmo pelas condições biogeográficas do imenso anfiteatro amazônico”, escreveu Dutra.

Dúvidas

Mas não era apenas a Amazônia que apresentava os mais sérios problemas. Minas Gerais, mesmo sendo um dos estados mais importantes do país, teve 77% de seus 4.220 inspecionados considerados incapazes. O maior problema dos mineiros era a insuficiência de dentes. “Há necessidade de uma ação governamental incisiva para combater os males sociais que afligem nossa população: o analfabetismo, o baixo estalão de vida, a alimentação parca e pouco nutritiva, a higiene precária, a sífilis, a lepra e as doenças venéreas”, recomendou Dutra a Vargas.

Por causa do perfil, Mascarenhas de Morais contou que havia uma incerteza quanto ao comportamento do soldado brasileiro na Itália, eliminada logo nas primeiras batalhas. “Sua ação em combate, em lugar de ser encarada como um simples dever de cidadão, servia para estimular-lhe a vaidade, tornando-o importante diante de si mesmo, e o levava a se vangloriar de seus feitos”, escreveu o comandante da FEB.

Segundo ele, esse fenômeno, que deve ser levado à conta de uma educação falha, não diminuía a sua qualidade de combatente. “Pelo contrário, servia como um incentivo para o seu espírito de corpo, pois sua vaidade o levava a julgar o seu regimento como o melhor da divisão, assim como seu batalhão o melhor do regimento, e assim, sucessivamente, até garantir que o melhor dos batalhões era o seu”, observou o general.

24 Agosto 2008

Expedicionários da saúde

Pelas asas da FAB, grupo de médicos viabiliza trabalho voluntário em afastados rincões da Amazônia. Nos últimos quatro anos, eles já realizaram 5193 atendimentos e até 1179 cirurgias


Por Tenente Jornalista Luiz Claudio

A primeira imagem da Amazônia que vem à cabeça é a de florestas impenetráveis, rica fauna, pulmão do mundo... Para um grupo de profissionais da saúde, a região significa mais. Transformou-se no campo de um trabalho voluntário em prol das pessoas que moram em comunidades onde só se pode chegar de avião ou de barco. O rio, inclusive, demarca uma unidade de tempo para os residentes nessas áreas em que, mesmo viagens consideradas curtas, demoram um ou dois dias.

É um cenário em que moradores ribeirinhos assustam-se com as doenças, visto que o atendimento pode demorar a acontecer. O que ameniza e alivia é quando surge o som dos motores de aeronaves. Aquilo que demoraria um dia se transforma numa viagem de poucas horas. Justamente por isso é que os médicos civis têm contado com o apoio da Força Aérea Brasileira para viabilizar suas atividades.

"Se não fosse a FAB, seria impossível chegar a muitos lugares. Somente os aviões e os militares da Aeronáutica poderiam viabilizar nosso sonho". O "sonho" da médica Márcia Abdala é a realização do projeto "Expedicionários da Saúde", que há cinco anos reúne médicos voluntários e experientes da cidade de Campinas (SP) para realizar atendimento a populações indígenas em afastadas comunidades da Amazônia.

Nos últimos quatro anos, eles já realizaram 5193 atendimentos e 1179 cirurgias. Na mais recente, a décima expedição de atendimento cirúrgico, realizada no município de São Gabriel da Cachoeira, atendendo a população indígena da comunidade Vila Nova, Rio Xié (das etnias Werekena, Baré, Cubeo, Baniwa e Tukano), no alto do Rio Negro, foram atendidas 935 pessoas e feitas 194 cirurgias.

"Esses resultados só foram possíveis graças ao apoio de nossos parceiros como a Força Aérea Brasileira, Comando Militar da Amazônia, Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Distritos Especiais de Saúde Indígena", afirmou o presidente do grupo, Ricardo Affonso Pereira.

A Força Aérea Brasileira, que atua também de forma semelhante com o Correio Aéreo Nacional, em toda a Região Norte do Brasil, tem apoiado o projeto que, apenas no ano passado, contabilizou 1851 atendimentos e 397 cirurgias. Cidades como São Gabriel da Cachoeira (AM), Pari Cachoeira (AM) e Santarém (PA) já foram beneficiadas com a iniciativa. Nesse apoio, foram utilizadas aeronaves C-130 Hércules, C-115 Búfalo e C-98 Caravan.

Os médicos atendem problemas de vários gêneros, de doenças simples a patologias complexas. Em mais de mil casos, a situação evoluiu para a necessidade de cirurgias. Em cada trabalho, a equipe transporta também um centro cirúrgico móvel que funciona em instalações parecidas com uma estrutura de campanha.

A equipe do Expedicionários da Saúde atendeu em Pari-Cachoeira índios das etnias Tukano, Desano, Tuyuka e Hupda, num total de 618 atendimentos e 106 cirurgias. No Pará, em pleno Rio Tapajós, houve 281 cirurgias e 1446 atendimentos. No grupo do projeto, há especialistas de diversas áreas como oftalmologia, cirurgia geral, anestesia, ginecologia, pediatria, ortopedia e clínica médica.

"Não há profissionais recém-formados. Todos têm uma larga experiência e são idealistas. Isso faz toda a diferença para aqueles brasileiros que vivem distantes de nós", diz Márcia Abdala.

Operação Poraquê termina com êxito

CECOMSAER

Cerca de mil militares da Força Aérea Brasileira (FAB) participaram da Operação Poraquê, exercício simulado realizado nos estados do Amazonas e Roraima, entre os dias 4 e 15 de agosto. A maior operação do Ministério da Defesa em 2008 teve por objetivo testar e aprimorar a capacidade de Marinha, Exército e Aeronáutica operarem juntas na região amazônica, bem como treinar os Comandos e Estados-Maiores para ações de planejamento e controle em cenário de conflito armado na região Amazônica.

O conflito fictício que levou o nome de um peixe-elétrico da região envolveu mais de 60 aeronaves, nove helicópteros, nove navios e 5,3 mil militares das Forças Armadas Brasileiras. Trabalhando sob a hipótese de uma guerra entre os países “Verde” e “Amarelo”, tripulações e equipes de apoio de todas as regiões do Brasil tiveram oportunidade de preparar-se para uma possível guerra nesta região tão peculiar do País que é a nossa Amazônia. Foi a primeira vez que os caças supersônicos Mirage F2000 voaram sobre os céus na maior floresta tropical do planeta.

Na “batalha”, a Força Aérea Componente (FAC 107), braço armado da Força Aérea Brasileira (FAB) na ocasião, realizou inúmeras missões de Ataque, Reabastecimento em Vôo, Controle e Alarme em vôo, Interceptação, Evacuação Aeromédica, Infiltração Aérea, Escolta, Reconhecimento Aéreo e Combate SAR.

Para o comandante da FAC 107, Brigadeiro-do-Ar Jaime Glacir Taranto, a Poraquê permitiu a mobilização de homens e equipamentos, fazendo com que as três forças pudessem melhorar a sua capacidade de planejamento e concentração de meios na Amazônia. “Temos que melhorar a doutrina de emprego conjunto. Percebi nesta operação as Forças atuando cada vez mais próximas e integradas. Juntos somos mais fortes”, disse o Brigadeiro Taranto ao seu efetivo durante a reunião de encerramento das atividades, destacando a presença dos oficiais de ligação do Exército e da Marinha no quartel-general da FAC 107 ao longo do conflito simulado.

Durante o exercício, foram realizadas Ações Cívico-Sociais (ACISO) que atenderam mais de cinco mil pessoas nas cidades amazonenses de Novo Airão, Barcelos, Balbina e Jundiá, as quais compunham o cenário fictício da operação. Atendimentos médicos-odontológicos foram realizados nos Navios-hospitais da Marinha por militares do Exército e da Força Aérea Brasileira, com o apoio de estrutura de saúde do estado do Amazonas e dos municípios da área da Operação. Também houve nessas ocasiões emissão de documentos, plantio de mudas de árvores e foram ministradas palestras sobre educação e higiene bucal para estudantes.

Participaram da Operação Poraquê:

A-29 (SUPER TUCANO), do 2º/3º GAV;

KC-137 (BOEING), do 2º/2º GT;

SC-95 (BANDEIRANTE), do 2º/10º GAV;

C-98 (CARAVAN), do 7º ETA;

C-97 (BRASÍLIA), do 7º ETA;

C-99A (EMBRAER 145), do 1º/2º GT;

C-130 (HÉRCULES), do 1º/1º GT;

C-130 (HÉRCULES), do 1º GTT;

C-105 (AMAZONAS), do 1º/9º GAV;

R-99A (EMBRAER 145), do 2º/6º GAV;

H-60 (BLACKHAWK), do 7º/8º GAV;

H1-H (IROQUOIS),1º/8º GAV;

H-50 (ESQUILO), 2º/8º GAV;

F-2000 (MIRAGE), 1º GDA;

RA-1(AMX), 1º/10º GAV;

A-1 (AMX), 3º/10º GAV;

C-95B (BANDEIRANTE), 1º/15º GAV;

C-95B (BANDEIRANTE), 1º ETA; e

C-95(BANDEIRANTE), 6º ETA.

Pilotos de caça da FAB estarão em Campo Grande para torneio operacional

CECOMSAER

Pilotos de todas as unidades de caça da Força Aérea Brasileira (FAB) estarão em Campo Grande (MS), de 25 de agosto a 3 de setembro, para uma das mais tradicionais competições operacionais da aviação militar: o XVIII Torneio da Aviação de Caça (TAC). São mais de quatro décadas de disputa no país.

Por dez dias, os 11 esquadrões de caça da FAB disputarão entre si o título de campeão da competição, em provas de ataque ao solo e navegação à baixa altura, além de provas esportivas, como corrida de orientação e tiro.

As missões reais serão realizadas num cenário fictício, no qual a Base Aérea de Campo Grande é o centro de operações aéreas das forças de coalizão lideradas pelo país “Carandá”, sob ordens da “Organização do Tratado do Atlântico Sul”. Nesse ambiente, a FAB participa do esforço mundial contra a guerra iniciada por “Sarandi”, país que tenta impedir de modo violento a independência de “Xaraes”.

Na segunda-feira (25), as aeronaves chegarão a Campo Grande, a partir das 13h. Participam da disputa os caças F-5EM, F-2000, A-1, A-29 e AT-26, além de aeronaves-radar (E-99), helicópteros de transporte H-1H e H-34, e um avião SC-95 Bandeirante da Aviação de Busca e Resgate. Saiba mais sobre cada uma dessas aeronaves na página da FAB na internet: www.fab.mil.br.

“O TAC é uma atividade operacional que tem como objetivos, dentre outros: consolidar e aprimorar a doutrina de emprego, além de permitir o intercâmbio de conhecimentos entre os Esquadrões participantes e a avaliação da nossa aviação de caça no emprego operacional”, afirma o Brigadeiro-do-Ar Gerson Nogueira Machado de Oliveira, comandante da Terceira Força Aérea (IIIFAE), que comanda das Aviações de Caça e de Reconhecimento da FAB.

Na primeira semana, os esquadrões receberão relatórios de reconhecimento dos alvos e planejarão missões reais de ataque. Entre os dias 28 e 29, serão realizados 94 ataques contra as posições inimigas do cenário fictício de combate, com o emprego de uma bomba inerte de treinamento, que não explode nem causa danos à área de emprego. A localização dos alvos será mantida sob sigilo até a emissão das ordens de ataque, nos primeiros dias da competição.

A imprensa poderá conhecer de perto o torneio operacional nos dias 25 de agosto (de 13h às 17h), quando da chegada dos caças a Campo Grande, e no dia 28 de agosto, no primeiro dia de decolagens para as missões de ataque, a partir de 8 horas (horário a confirmar).

23 Agosto 2008

Antonov An-124 traz os três primeiros F-5 da Jordânia para o Brasil



(EXCLUSIVO, por Claudio Lucchesi, com apoio de Victor Bilbao, 20 de agosto de 2008)

Na noite de ontem (19 de agosto), exatamente às 22h51, pousou no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (Cumbica), um cargueiro Antonov An-124-100 Ruslan da companhia aérea Volga-Dnepr, que após a aterrisagem, foi estacionar no pátio do 4º ETA, na Base Aérea de São Paulo (BASP), onde imediatamente se procedeu ao descarregamento de sua preciosa carga – os três primeiros caças Northrop F-5E Tiger II adquiridos da Jordânia pela Força Aérea Brasileira (FAB).

ASAS acompanhou com exclusividade a chegada do An-124 e seu descarregamento, registrando com total ineditismo a chegada destes primeiros F-5E “jordanianos” (no total, foram adquiridas 11 aeronaves).

Os aparelhos que chegaram ontem ainda exibiam as cores da Real Força Aérea da Jordânia (RFAJ). O primeiro foi retirado do cargueiro por volta das 23h50. Junto com as aeronaves vieram tanques externos sobressalentes, motores e todo o “arsenal” de peças relacionado às aeronaves. Em terra, ao chegar, o Antonov An-124 teve apoio da Swissport, empresa especializada em serviços aeroportuários.

Em nome de toda a equipe de ASAS, aproveitamos para agradecer o apoio dado pelo Comando da Aeronáutica, o Centro de Comunicação da Aeronáutica (Cecomsaer), a Base Aérea de São Paulo (BASP) e o ILA (Instituto de Logística da Aeronáutica), na realização deste trabalho jornalístico.


Irã está operando versão AWACS do Ilyushin Il-76


Durante o Dia Militar da República Islâmica do Irã, em 17 de abril passado, pela primeira vez foi apresentado em vôo, ao público, um exemplar da aeronave de alerta antecipado por radar e controle aéreo (AWACS) do país, baseada no transporte militar russo Ilyushin Il-76.

Agora, sabe-se que o modelo está em serviço ativo na força aérea iraniana, tendo recebido o nome de “Simorgh”, uma ave mítica do folclore do país. Segundo a agência de notícias iraniana, toda a parte eletrônica, o radar e componentes dos motores são “preparados e operados” por técnicos do país.

Entretanto, é praticamente certo, segundo analistas ocidentais, que o aparelho visto em 17 de abril é um dos dois AWACS construídos no Iraque no final dos anos 80, batizados de Adnan, e cujo desenvolvimento quase certamente contou com assistência russa (o modelo poderia ser uma versão menos sofisticada do próprio AWACS russo, o A-50). Os dois Adnan chegaram a operar durante a Guerra do Golfo, em 1991, mas logo foram “enviados” (como muitos outros aparelhos iraquianos) para o Irã, onde ficaram e foram absorvidos pela força aérea iraniana. Porém, não se pode dizer se o atual padrão Simorgh conserva os sistemas do Adnan original, ou se foi modernizado (nem a extensão destas melhorias).

FAB abre Concurso para Nível Superior



A Força Aérea Brasileira está com inscrições abertas, no período de 18 de agosto a 19 de setembro, para admissão de 160 profissionais com formação superior em diversas especialidades. As vagas são destinadas a candidatos de ambos os sexos com até 42 anos nas seguintes especialidades:

Administração, Análise de Sistemas, Arquitetura, Arquivologia, Assistência Social, Biblioteconomia, Ciências Contábeis, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Engenharia de Telecomunicações, Estatística, Fisioterapia, Fonoaudiologia, História, Jornalismo, Magistério Língua Espanhola, Magistério Língua Inglesa, Magistério Matemática, Magistério Sociologia, Museologia, Nutrição, Pedagogia, Psicologia Escolar/ Educacional, Psicologia Clínica, Psicologia Organizacional e do Trabalho, Publicidade e Propaganda, Serviços Jurídicos, Terapia Ocupacional. Não serão aceitos diplomas de tecnólogo.

Os homens deverão ter altura mínima de 1,60m e as mulheres de 1,55m. As normas completas e outros pré-requisitos podem ser conferidas no edital.

A seleção do concurso será composta por prova de português, redação, conhecimentos especializados, exames de saúde, avaliação psicológica, teste de condicionamento físico e prova de títulos. As provas escritas serão realizadas dia 6 de outubro em diversas localidades do país, conforme edital já publicado.

Os candidatos aprovados farão um curso de 13 semanas, no CIAAR, em Belo Horizonte e terão instruções sobre conduta militar, gestão de pessoas, entre outras. Concluindo-o com aproveitamento, será nomeado Segundo-Tenente e incluso no respectivo Quadro, sendo designado para servir em Organização Militar (OM) da localidade escolhida no ato da inscrição, respeitando a sua classificação no concurso. Os estagiários terão direito à remuneração com valor aproximado de R$ 4.800,00.

As inscrições poderão ser feitas através do site www.ciaar.com.br/concursos. O valor da taxa é de R$ 80,00. Após a efetuada a inscrição no site, o candidato deverá enviar o Formulário de Solicitação de Inscrição (FSI) original para a Divisão de Concursos do CIAAR, situada na Av. Santa Rosa, 10 – Bairro Aeroporto – Belo Horizonte – MG CEP: 31270-750 – CX Postal 2172.

Mais informações:
Tel: (31)4009-5014 ou 5003
E-mail: ciaar@ciaar.aer.mil.br

Força Aérea Russa pede caças Sukhoi Su-35-1



A Força Aérea Russa solicitou ao Ministério da Defesa a aprovação para compra de uma quantidade "considerá­vel" do novo caça multifuncional Sukhoi Su-35-1. Seriam de 24 a 36 caças para equipar dois ou três esquadrões, de uma versão especial otimizada para o uso "interno" (exclusivo da Rússia), completando a frota de Su-27SM2 (a variante bastante modernizada do Su-27SK, que recente­mente começou a ser entregue à Força Aérea da Rússia).

O comandante da Força Aérea da Rússia, gal. Aleksandr Zelin, expressou a vontade durante a primeira apre­sentação oficial do modelo, ocorrida em Moscou em julho. Se aprovada, as entregas ocorrerão entre 2009 e 2012. A Força Aérea Russa tem a intenção de utilizar este número limitado de caças Su-35-1 como uma solução inter­mediária, até a aceitação para serviço do seu futuro caça de quinta geração, o PAK-FA, programado para voar no próximo ano e entrar em operação em 2013. O futuro caça, também da Sukhoi, faria frente ainda ao Lockheed-Martin F-22 Raptor da Força Aérea Norte-Americana.

A Força Aérea Russa está finalizando, ainda, um primeiro contrato com a Sukhoi para a produção dos novos jatos de ataque supersônicos Su-34, que inicialmente irão equipar dois regimentos.

Novo transporte militar europeu faz roll-out


O primeiro Airbus A400M (MSN001) realizou em 26 de junho último o seu roll-out e apresentação oficial ao público, nas instalações da EADS-Casa em San Pablo, Sevilha, ao sul da Espanha.

Já ostentando uma pintura cinza militar de baixa visibilidade, o projeto de 20 bilhões de euros finalmente atingiu o tão aguardado momento, 25 anos após ser lançado como o "Futuro Cargueiro Militar Internacional". Agora, o voo inaugural está previsto para meados de outubro deste ano.

O A400M incorpora em sua es­trutura materiais compostos e outros recursos tecnológicos de última gera­ção, avançada aviôníca e capacidades táticas operacionais que atendem a diversos teatros de operação. A ae­ronave poderá transportar até 37tde carga útil, com alcance operacional que supera os 8.700km (sem reabaste­cimento em voo).

A expectativa é de que a primeira entrega ocorra para a Força Aérea da França em meados de 2010. O consórcio Airbus-EADS corre contra o tempo para não atrasar ainda mais o cronograma de produção, pois já é prevista uma lacuna entre a "aposentadoria" dos C-130K da Royal Air Force (RAF, força aérea britâni­co) e a completa entrada em operação dos A400Mdo tipo no mundo.

22 Agosto 2008

Corveta de US$ 263 milhões entra em operação no Rio


A Marinha vai receber hoje, no Arsenal do Rio, a corveta Barroso, o mais moderno navio de combate da frota, armado com canhões, torpedos, mísseis e guarnecido por um helicóptero Lynx. O programa, várias vezes interrompido, exigiu 14 anos e custou US$ 263 milhões.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve anunciar as novas etapas do plano de reequipamento da Força, cuja demanda é da ordem de 33 diferentes meios até 2025: 7 novos submarinos convencionais, 30 patrulhas oceânicos, 4 corvetas, 5 a 10 navios fluviais, 6 anfíbios, para transporte de tropas. A longo prazo o programa contempla o desenvolvimento de um navio aeródromo para suceder o atual, o porta aviões A-12 São Paulo.

O Comando da Marinha, a rigor, tem recursos próprios de bom porte. Segundo o titular, almirante Júlio Moura Neto, até junho estavam contingenciados pelo governo cerca de R$ 3,2 bilhões em royalties sobre o petróleo, recursos de direito da Força Naval.

A V-34 Barroso tem autonomia de 30 dias e raio de ação de 8.000 km. Oferece maior capacidade de proteção ao tráfego marítimo, responsável por 95% do fluxo de comércio exterior brasileiro. Na execução do projeto de construção o índice médio de nacionalização dos sistemas de bordo do navio é de cerca de 57% entre sistemas de Controle Tático, de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica, de Controle e Monitoramento da Propulsão e de Controle de Avarias e Lançamento.

Patrulheiros

A corveta tem 103,4 metros e desloca 2.400 toneladas. A tripulação é de 150 militares. Velocidade de 30 nós, ou cerca de 60 km/hora. Sua primeira missão será um grande exercício de patrulha e proteção à rede de plataformas de extração e processamento de petróleo no mar.

No dia 15, a Marinha lançou o edital para contratação no Brasil de quatro navios leves (500 toneladas) de patrulha. O total pretendido é de 29 unidades. As duas primeiras são produzidas no Ceará, ao custo de R$ 80 milhões. A primeira série terá 12 embarcações. Cada uma leva 35 militares e é armada com um canhão e duas metralhadoras.

Governo do Rio x Comando Militar

General alega não ter competência para autorizar uso do Exército durante eleições


A utilização das Forças Armadas para reforçar a segurança da capital durante as eleições provocou um atrito entre o governo do Rio e o Comando Militar do Leste (CML). Insatisfeito com as críticas feitas pelo governador Sérgio Cabral, o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, divulgou, por meio do Centro de Comunicação Social, uma nota em que informa não ter "competência legal" para autorizar o emprego da tropa do Exército na segurança pública.

Na resposta a Cabral, o comandante relaciona 16 "ações de apoio" desenvolvidas pelo Exército em vários municípios fluminenses. O general encerra o comunicado reiterando "disposição de cooperar com o governo do Estado, desde que sejam observados os parâmetros que as lei prescrevem".

Na última sexta-feira, pouco antes de encaminhar ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a presença das Forças Armadas nas eleições cariocas, Cabral disse que o Comando Militar do Leste está "na mão de um general que não é muito pró ativo" e que "há um certo ruído" entre o comando do Exército no Rio e o governo estadual. O governador disse ainda que, para o comando da operação militar durante as eleições, "virão outros oficiais das Forças Armadas".

O general Luiz Cesário da Silveira reagiu no dia seguinte, com a nota oficial. Nela, afirma que pedidos anteriores de utilização do Exército na segurança pública do Rio não foram atendidos "por falta de amparo legal". O oficial diz que o governo estadual não observou o "prescrito no testamento jurídico que regula o emprego da força federal na garantia da lei e da ordem nos Estados".

No ano passado, Cabral chegou a pedir que as Forças Armadas atuassem na segurança do Rio durante um ano, mas não foi atendido. "Não é competência legal do comandante militar do Leste autorizar o emprego de tropa do Exército na segurança pública", diz o primeiro item da nota oficial. Entre as ações do Exército no Rio citadas pelo comandante militar do Leste, está o empréstimo de mais de 400 armas, entre fuzis e metralhadoras, para a Polícia Civil do Rio e para a Superintendência da Polícia Federal no Estado.

Ontem, a assessoria do governo do Estado disse que Cabral não comentaria a nota oficial do comandante. Tanto o Comando Militar do Leste quanto o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio informaram não ter ainda os detalhes sobre a ação do Exército na capital durante as eleições. Caberá ao TSE fixar as normas para o emprego das Forças Armadas. O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, terá reuniões com os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, e com Sérgio Cabral antes de definir os detalhes da operação.

A discussão sobre a presença do Exército nas ruas do Rio começou com a expulsão de candidatos por líderes do tráfico de drogas e de milícias que dominam os morros da cidade. Jornalistas também foram ameaçados pelos criminosos e investigações da Polícia Federal apuram se leitores estão sendo intimidados e obrigados a se comprometer com o voto em determinados candidatos. Na semana passada, o TSE aprovou a presença do Exército no Rio, o que pegou as autoridades
fluminenses de surpresa.

Na última quinta-feira, Cabral afirmou que não faria o pedido formal imediatamente, mas no dia seguinte decidiu encaminhar o ofício ao TSE. O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, na manhã da última sexta-feira, fez declarações contrárias ao emprego do Exército "especificamente para as eleições" e disse que há uma "exploração política" de candidatos que têm dificuldades de fazer campanha nas favelas. Segundo Pezão, esses políticos não entram nas comunidades por estarem desacreditados e não por ordem de criminosos.

21 Agosto 2008

Podemos atingir Israel afirma imprensa iraniana

« Novo» avião da República Islâmica não precisa reabastecimento em voo


A televisão iraniana divulgou neste Domingo uma notícia segundo a qual, o país disporia de um novo avião com capacidade para atingir Israel. Segundo a fonte, tal aeronave teria capacidade para voar durante 3.000km sem necessidade de reabastecimento em voo.

As autoridades militares iranianas têm sido fonte de variadas notícias sobre as capacidades das suas aeronaves tanques e navios de guerra, pelo que a afirmação da imprensa iraniana não pode ser confirmada e poderá tratar-se de mais uma afirmação para consumo interno, destinada a garantir à opinião pública que a República Islâmica tem o melhor e mais eficiente exército do mundo, sói comparável ao dos Estados Unidos.

Como não foram divulgadas quais quer informações adicionais, a afirmação não pode sequer ser comparada com dados conhecidos, pois não se sabe que aeronave terá sido construída ou provavelmente adaptada, para conseguir atingir o Irão.

A força aérea iraniana dispõe de vários tipos de aeronaves, que poderão ser utilizadas desde que equipadas com tanques de combustível adicionais nas asas. Entre as aeronaves com essa capacidade estarão os F-14 norte-americano e o F-4 «Phantom», que podem ser adaptados à função, não sendo previsivel que o Irão tenha efectivamente desenhado qualquer bombardeiro de médio alcance.

No entanto, qualquer ataque a Israel, implicaria a necessidade de sobrevoar países estrangeiros.

Para uma aeronave sair do espaço aéreo iraniano e atingir Israel, não só é necessário sobrevoar o Iraque como também a Arábia Saudita, que é o principal rival regional do Irão na região do Golfo.

Também recentemente o Irão anunciou que a Guarda Revolucionária Iraniana tinha adquirido um míssil anti-navio de fabrico próprio com capacidade para atingir qualquer navio num raio de 300km e contra o qual não havia qualquer possibilidade de defesa.

Satélite iraniano

Também neste Domingo, a agência noticiosa IRNA anunciou que o Irão tinha lançado o seu primeiro satélite, utilizado para o efeito, o Sina-1, aparentemente um derivado do míssil Shahab-III. O satélite iraniano descreverá órbitas de quatro horas e está colocado a uma altitude de 650km. Não se conhece que tipo de satélite o Irão lançou, mas trata-se provavelmente de um veículo experimental com capacidade para transmitir sinais de rádio, mão tendo qualquer aplicação civil ou militar.

O lançamento é apontado como mais um alerta para o programa de construção de mísseis de médio alcance com capacidade para atingir Israel.

O tipo de míssil utilizado e a distância a que Israel se encontra do Irão, implica que para ter qualquer efeito prático sobre o território israelita, os mísseis iranianos terão que estar armados com qualquer armamento de destruição maciça.

Israel e os Estados Unidos acreditam que esse armamento será uma ogiva nuclear e consideram que o Irão tem procurado activamente enriquecer urânio com qualidade militar, que só pode ter utilidade na construção de armas atómicas.

Bombardeiro estratégico Tupolev Tu-22M3 Backfire


Embora com um nome idêntico, o Tu-22M «Backfire», é uma aeronave muito diferente do seu antecessor o «Blinder». Segundo os historiadores da matéria a designação Tu-22M deveu-se a uma tentativa de conseguir autorização para a produção sem que ter que recorrer mais altas instâncias soviéticas. Um novo modelo de bombardeiro precisaria de autorização superior, enquanto que um modelo derivado não necessitava essa autorização.

O Tu-22M começou a ser desenvolvido no início dos anos 60 e o seu primeiro vôo operacional ocorreu 15 anos depois em 1975. O desenvolvimento foi lento, por causa do desenvolvimento das asas de geometria variável, consideradas necessárias para ultrapassar os problemas apresentados pelo Su-22 «Blinder». O primeiro protótipo voou pela primeira vez em 1969.

O novo avião partilhou apenas parte da estrutura da sua fuselagem e da parte inferior das asas com o Tu-22. Foram instaladas sondas de reabastecimento, que davam ao bombardeiro um alcance excepcional, o que lhe permitia efectuar ataques profundamente dentro do território europeu, embora sem reabastecimento em voo, na realidade o Tu-22M tivesse um alcance operacional inferior ao Tu-22A mais antigo.

Quando foi divulgada a existência do «Backfire» ocorreu um verdadeiro terramoto em Washington, pois com a sua capacidade de reabastecimento em voo, o Tu-22M poderia ter capacidade para efectuar ataques nucleares contra os Estados Unidos através da rota Polar.

O Tu-22M estava equipado com uma sonda para reabastecimento em voo e considerava-se que a aeronave tinha também por isso capacidade suficiente para ser considerada como «bombardeiro estratégico».

Para assinar o tratado de limitação de armas estratégicas, os Estados Unidos exigiram que a União Soviética retirasse o sistema de reabastecimento em voo.

As estimativas do Pentágono estavam no entanto completamente erradas pois em 1992, quando o avião foi pela primeira vez analisado pelos peritos ocidentais verificou-se que as suas capacidades tinham sido muito exageradas, pois a autonomia da aeronave era de cerca de 4500km, o que lhe dava um raio de acção operacional (com permanência de alguns minutos sobre o alvo) de 2.200km o que o deixava muito longe da classificação como bombardeiro estratégico.

A versão Tu-22M3 foi a versão que resultou dos tratados internacionais e não conta com o sistema de reabastecimento em voo e utiliza os mesmos motores que foram utilizados no avião civil Tu-144, a cópia soviética do Concorde.

O Tu-22M tem capacidade para transportar até 24 toneladas de bombas, no entando com a carga máxima a sua autonomia operacional é dramaticamente reduzida.

Com o fim da Guerra Fria, muitos dos Tu-22M3 foram transferidos para a aviação naval russa. A Ucrânia manteve algumas unidades ao serviço.

Em 1993, vários rumores chegaram a afirmar que a Rússia tinha vendido 12 Tu-22M ao Irão enquanto que outros rumores afirmavam que a aeronave teria sido vendida à China. No entanto nenhum desses rumores se confirmou.

Existe uma versão de guerra electrónica do aparelho, embora aparentemente apenas a nível de protótipo.

Informação genérica

Desde que a antiga União Soviética capturou um avião B-29 ainda durante a II Guerra Mundial e o copiou para produzir o bombardeiro Tu-4, que o país se preocupou com a produção de bombardeiros estratégicos, com grande raio de ação, que tivessem capacidade de atacar o ocidente.

A URSS produziu vários bombardeiros que se basearam no B.29, o mais famoso dos quais é o Tu-95 «Bear».

Tu-22 «Blinder-A»

Quando passou a desenhar bombardeiro movidos por motores a reacção, um dos seus primeiros modelos foi o Tu-22, que foi baptizado no Ocidente como «Blinder» e que voou pela primeira vez em 1959.

Tu-22M «Backfire»

No final dos anos 60, a industria soviética estava já a trabalhar num substituto do Tu-22 «Blinder» que foi pela primeira avistado em 1970.

Dimensões:

Comprimento: 42.4 M
Envergadura: 34.3 M
Altura: 11.1

Motores:

2 x motores Kuznetsov NK-25 turbofan
Potência total: 50000 Kgf

Peso / Capacidade de carga:

Peso vazio: 54000 Kg
Peso máximo/descolagem: 124000 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: 24000 Kg

Velocidade / Autonomia

Velocidade Maxima: 2000 Km/h
Máxima(nível do mar): 800 Km/h
De cruzeiro: 900 Km/h
Autonomia standard /carregado : 1800 Km
Autonomia máxima / leve 4500 Km.
Altitude máxima: Não disponível

Russos identificam deficiências nas suas Forças Armadas

Equipamentos velhos e mau treino, são razões de preocupação


As análises militares sobre a recente campanha na Geórgia ainda estão por fazer e as conclusões que são sempre retiradas após cada conflito só poderão ser tiradas depois de o pó assentar sobre o que foi o campo de batalha.

Mas não sendo ainda possível efectuar análises profundas, vários analistas militares levantaram já várias questões sobre o desenvolvimento do conflito, as tropas envolvidas e as tácticas e meios utilizados pelos dois lados.

Os analistas em Moscovo têm feito várias criticas à capacidade do exército russo e colocado várias perguntas que colocam em causa alguns dos investimentos militares russos mais recentes.

Três principais problemas foram apontados às forças russas.

O primeiro problema e deficiência apontada tem a ver com a fraca capacidade do exército russo para obter informação sobre o inimigo. Segundo fontes em Moscovo, citadas pela imprensa árabe, a Rússia deveria ter capacidade para fazer reconhecimento do terreno e deveria ter capacidade para perceber a tempo a movimentação do exército da Geórgia, se quisesse evitar o conflito, agindo preventivamente em vez de permitir aos georgianos tomar a iniciativa.

Prova desta deficiência russa foi demonstrada no campo do reconhecimento aéreo A Rússia perdeu um bombardeiro Backfire utilizado na função de reconhecimento, quando deveria ter aeronaves não tripuladas com capacidade para o fazer. No entanto esta acção por parte dos russos foi defendida por outras fontes que afirmaram que a utilização uma aeronave como o Tu-22M justificava-se na altura pela dificuldade que apresentaria a utilização de uma aeronave de reconhecimento não tripulada que facilmente poderia ser abatida.

Esta questão está directamente relacionada com o segundo problema apontado e que foi a dificuldade inicial da Rússia em conseguir estabelecer o completo domínio aéreo perante uma força aérea que estava equipada com apenas seis aviões.

A Rússia reconhece a perda de quatro aeronaves, entre as quais um bombardeiro Tu-22M e mais três aeronaves de bombardeamento, mas a Geórgia reclama ter abatido pelo menos 20 aeronaves. Considera-se que qualquer das fontes deverá ter exagerado o numero.

As criticas no caso das aeronaves não são tanto à qualidade das mesmas mas sim à qualidade dos pilotos. Segundo analistas russos não ligados a órgãos de comunicação da Rússia, mais uma vez citados no ocidente, a força aérea russa tem um problema grave com o reduzido numero de horas de voo de cada piloto, que está muito abaixo dos níveis mínimos dos pilotos ocidentais. Esta falta de treino estará na origem dos problemas encontrados no inicio do conflito.

A terceira crítica é feita à organização do exército russo. As forças que entraram na Geórgia foram segundo as mesmas fontes russas, constituídas por tropas mal armadas e isto embora a região do Cáucaso fosse a região mais beneficiada com gastos militares em 2006-2007.

As tropas utilizaram tanques T-72B, alguns deles modernizados e o tanque russo mais utilizado foi o tanque T-62, concebido nos anos 60 e integrado na Brigada Mecanizada do Ministério do Interior que foi enviada para a Geórgia.

Mais ridícula ainda foi a total falta de coordenação das forças russas. O próprio comandante do 58º exército russo foi ferido em combate pelos georgianos e não foi feito prisioneiro por pouco.

Esta falta de coordenação, junta com a falta de qualidade do equipamento, levou a que as operações, embora recorrendo a algumas poucas unidades comandadas de forma eficiente dependessem muito de forças constituídas na sua maioria por pessoal do Serviço Militar Obrigatório que vive em condições muito duras. Esses militares em entrevista às televisões ocidentais confessaram que só queriam voltar para casa. [1]

A grande crítica feita ao exército russo, é a de que a Rússia esmagou Geórgia com a doutrina tradicional do tempo de Estaline e Brejnev, que nunca se baseou na utilização da tecnologia e dos meios disponíveis, mesmo os mais básicos, mas sim na força bruta e no numero avassalador para conseguir a vitória. Os tanques utilizados eram T-72 e T-64 completamente ultrapassados.

As mesmas fontes russas afirmaram que havia militares que nitidamente estavam com medo de seguir nos seus tanques pois eles são conhecidos pela sua fraca protecção, o que já foi demonstrado em variadíssimos conflitos e perante um inimigo melhor armado e determinado, a campanha na Geórgia poderia ter sido uma tragédia.

Também foram detectadas falhas na arma de artilharia, pois a falta de armas modernas de precisão, levaram a um número muito elevado de perdas humanas, que em última instância acabaram por prejudicar a Rússia internacionalmente. Exemplo disso foi a utilização de mísseis de médio alcance SS-21, que podem transportar ogivas nucleares.

Os analistas russos no entanto, foram unânimes em afirmar que o exército russo está neste momento melhor que o que estava há 12 anos atrás. Os gastos militares russos passaram de 7.000 para 40.000 milhões de dólares.

Mas embora os gastos militares tenham aumentado muito, o exército russo recebeu apenas 31 tanques novos em 2006 e em 2007 não chegou a receber 50 unidades to T-90, o tanque que está a substituir os mais antigos T-72 no exército russo. Por isso espera-se que a actual crise na Geórgia e os problemas detectados e identificados sejam utilizados como argumento pelos militares para pedir mais dinheiro para o exército e as forças armadas em geral.

Um dos analistas militares russos afirmou que no ocidente havia uma certa tendência para a dualidade de critérios, porque aconteceu com os russos a mesma coisa que com as tropas americanas que foram para o Iraque, as quais não estavam preparadas para enfrentar situações de roubo e pilhagem generalizadas.

- Se as tropas russas têm grandes deficiências com o treino geral de combate, muito menos preparadas estão quando se deparam com problemas de segurança pública, acrescentou o analista.

[1] - Isto também se notou no comportamento das forças no terreno, embora os russos afirmem que não é correcto afirmar que as tropas russas cometeram qualquer tipo de actividade ilícita, não descartando no entanto que as tropas irregulares da Ossétia o tivessem feito.

19 Agosto 2008

Rússia retira tropas

Presidente Dmitri Medvedev dá garantias à França de que soldados sairão hoje da Geórgia, encerrando 17 dias de ocupação. Presença de patrulhas russas da força de paz na Ossétia do Sul será mantida



Da Redação

A Rússia garantiu que vai começar a retirar suas tropas da Geórgia hoje, depois de uma guerra que humilhou o país vizinho, à margem do Mar Negro, suscitou receios sobre o fornecimento de energia para a Europa e colocou os Estados Unidos em um xadrez diplomático. Em conversa por telefone, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse ao colega francês, Nicolas Sarkozy, que as forças russas darão início à desocupação. Sarkozy, presidente temporário da União Européia, já havia dito no sábado que, se a retirada não ocorrer conforme o previsto no acordo de cessar-fogo, haverá conseqüências graves” em termos das relações de Moscou com o bloco europeu.

Medvedev assinou no sábado o documento de trégua que possui seis pontos, entre eles o fim definitivo das hostilidades, dos obstáculos à distribuição de ajuda humanitária, e o retorno das tropas da Rússia às posições onde estavam antes da guerra. Ontem, houve poucos combates, e os russos continuaram controlando uma entrada para a cidade de Gori, a maior perto da divisa com a província separatista da Ossétia do Sul. Uma violenta ofensiva georgiana contra o território que luta por independência provocou uma reação da Rússia no último dia 7. O governo de Medvedev estimou em 1,6 mil o número de mortos pelos bombardeios da Geórgia a Tskhinvali, capital ossétia, e outras vilas da província.

O general Vyacheslav Borisov, comandante na região de Gori, cidade a 30 km da Ossétia, disse que os militares russos já começaram a recuar. “É preciso entender que o número de soldados é grande”, explicou. Borisov contou que os bloqueios ao redor de Gori foram mantidos para proteger a retirada. Embora tenha concordado com a trégua, Medvedev já disse duvidar da possibilidade de a Ossétia do Sul e a Abcásia — outra província separatista, no noroeste do país — continuarem integradas à Geórgia, que busca ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Pressão alemã

A presidência francesa admitiu que o cessar-fogo permite aos russos manter patrulhas “vários quilômetros” fora da Ossétia do Sul e dentro do território georgiano. Isso porque, depois da guerra de 1991 e 1992, que terminou com a declaração unilateral de independência da província, foi estabelecida na região uma força de paz composta por russos, georgianos e ossétios do norte. Essa presença, no entanto, será provisória, enquanto não surge um “mecanismo internacional” de verificação da trégua, cujo mandato está sendo discutido pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), a União Européia e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Em Tbilisi, capital georgiana, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, também pressionou a Rússia a retirar suas tropas do país. “Essa é uma questão urgente”, afirmou Merkel, que apoiou o pleito georgiano para integrar a Otan. Mikhail Saakhashvili, presidente da ex-república soviética, agradeceu à alemã pelo respaldo e criticou outras nações européias que não “viram que a Rússia planejou há meses a ofensiva contra a Geórgia”.

O presidente separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, dissolveu ontem o governo e declarou estado de emergência devido aos estragos causados pelos ataques georgianos. Ele criticou o gabinete pela distribuição lenta da ajuda humanitária aos habitantes da região. A província de 70 mil habitantes tem apenas 3,9 mil km² — menor que o Distrito Federal.

“A Rússia não pode fazer um uso desproporcional da força e, ao mesmo tempo, ser bem-vinda nos círculos das instituições internacionais. Isso não vai ficar assim” Condoleezza Rice, secretária de Estado norte-americana

O NÚMERO

158 mil Pessoas foram desalojadas pelo conflito entre Geórgia e Rússia, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados

Sucata flutuante - Marinha Brasileira

E hoje a nossa presença nos mares é muito modesta. Dir-se-á que existe um programa de reestruturação da nossa Marinha orçado em R$ 5,8 bilhões ao longo de sete anos.


Paulo Brossard – zero hora

A propósito da descoberta de reservas petrolíferas no Atlântico, na proximidade da costa brasileira, também foi divulgado um dado de particular seriedade. Segundo ele, se não houver reversão no orçamento, 87% dos navios da Marinha Brasileira, hoje em curso, estarão desativados em 2010, ou seja, em dois anos. E hoje a nossa presença nos mares é muito modesta. Dirse-á que existe um programa de reestruturação da nossa MARINHA orçado em R$ 5,8 bilhões ao longo de sete anos. Se em 2010 o nosso déficit em tonelagem será fortemente agravado, será forçoso reconhecer que a despesa orçada para ser gasta em sete anos será exígua, mesmo se a verba for aplicada pontualmente, o que é duvidoso. Basta dizer que no ano de 2007, segundo a mesma fonte, o Tesouro Nacional reteve R$ 3,15 bilhões e que, dos R$ 2,6 bilhões para o ano em curso, apenas R$ 1 bilhão foi liberado até agora. Não preciso dizer mais para significar as preocupações existentes a respeito. As necessidades do país no setor marítimo serão decuplicadas, para ser modesto, com as descobertas do fundo do mar que nos encheram de alegria cívica. Mas, já se disse, e não sem razão, que o orçamento é uma peça de ficção. De modo que tem de ser redobrada a vigilância das entidades públicas e privadas em relação ao tema, pois a desídia poderá ser de efeitos calamitosos.

Com efeito, tem se tornado consuetudinária a prática executiva de congelar verbas públicas e salvo quando são descongeladas para facilitar a aprovação de determinadas matérias no Congresso, como tem acontecido abertamente, elas podem ficar para as calendas gregas. Ao insistir no assunto não estou prevendo o que ocorrerá, mas o que pode acontecer, até porque a omissão é fácil, segundo Padre Vieira “é um pecado que se faz não fazendo”. O que me parece é que mesmo que o congelamento não venha a ocorrer e que os R$ 5,8 bilhões venham a ser aplicados pontualmente em sete anos, o certo é que em 2010 estarão desativados 87% dos barcos atuais e a maior carência deles dar-se-á bem antes dos sete anos da projetada reestruturação.

*Jurista, ministro aposentado do STF

Volta da "diplomacia de canhoneiras"?


Antonio Ruy de Almeida Silva

A recriação da IV Esquadra dos EUA, subordinada ao Comando Sul, cuja área de atuação engloba o Caribe e as Américas Central e do Sul, tem suscitado um caloroso debate nesta região.

Segundo declarações do presidente venezuelano Hugo Chávez, as atividades dessa esquadra constituem "uma ameaça". Por sua vez, o presidente Lula determinou que o chanceler brasileiro questionasse o Departamento de Estado quanto aos motivos que levaram à sua recriação.

O embaixador dos EUA no Brasil procurou acalmar os ânimos, afirmando que a reativação da IV Esquadra apenas refletia o compromisso dos EUA em trabalhar com as nações da região, para responder a desastres naturais e prestar assistência humanitária, assim como participar de operações antidrogas ou de exercícios navais.

Realmente, uma força naval pode realizar todas as tarefas descritas pelo embaixador, mas essas não são as principais tarefas de um Poder Naval. A estratégia marítima norte-americana publicada no ano passado é clara:

"Nosso desafio é aplicar o Poder Naval de forma a proteger os interesses vitais dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, promover uma maior segurança coletiva, estabilidade e confiança. Enquanto a defesa da pátria e a derrota de adversários na guerra continuam sendo os principais propósitos do Poder Naval, este deve ser aplicado de forma mais abrangente, se desta forma servir aos interesses nacionais".

É claro, portanto, que a IV Esquadra foi recriada para a defesa dos interesses norte-americanos na região. Isso não quer dizer que essa reativação seja por si só uma ameaça aos demais países, embora o histórico de intervenções dos EUA no Caribe e, em menor escala, na América do Sul aumente as desconfianças.

Após a construção do Canal do Panamá, o Caribe se tornou estrategicamente mais importante para os EUA, pois o seu controle garante a segurança das rotas do Atlântico e do Pacífico que nele se concentram para cruzar o canal.

Tendo perdido as bases no Panamá, os EUA vêm realizando, periodicamente, a operação Panamax, de caráter multinacional, inclusive com a participação do Brasil, visando à defesa do canal contra ameaças ao seu funcionamento.

No entanto, já existem especulações de que, com o fechamento da base norte-americana em Manta, no Equador, o Governo do Panamá estaria interessado em mudar a legislação para ter de volta uma base dos EUA em troca de benefícios financeiros.

Outras ameaças aos interesses americanos na região são o tráfego ilegal de drogas e pessoas e o terrorismo. Em relação ao combate ao narcotráfico e à imigração clandestina, a Guarda Costeira dos EUA é quem desempenha o principal papel.

Em relação ao terrorismo, as principais preocupações estão na Tríplice Fronteira, nas relações da Venezuela com países que, segundo o governo norte-americano, apóiam o terrorismo, como é o caso do Irã, e na possibilidade de ligação dos movimentos guerrilheiros com grupos terroristas de outras regiões.

A importância do continente sul-americano para os EUA também cresceu, com relação aos recursos naturais, principalmente devido ao petróleo da Venezuela e à descoberta de novas e importantes reservas petrolíferas na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira.

Além do mais, o comércio com a região vem crescendo, e o aumento do preço do petróleo onerou o custo do transporte marítimo, o que sinaliza para o incremento do comércio regional em detrimento das trocas com países mais distantes.

A esses aspectos se soma a desenvoltura do Brasil na criação de um espaço político, econômico e estratégico sul-americano, sem a participação da potência do Norte. No campo estratégico-naval, o Brasil negocia com a França a compra de submarinos convencionais, com a promessa de cessão de tecnologia que contribua para o desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear.

Embora os EUA não vejam com bons olhos a possibilidade do desenvolvimento dessa tecnologia pelo Brasil, as relações entre suas Marinhas têm sido mantidas em ótimo nível. No entanto, os dois países têm visões distintas em aspectos da Lei do Mar, que os EUA ainda não ratificaram.

Eles consideram que as águas além do mar territorial são águas internacionais, nas quais os países costeiros possuem alguns direitos estipulados na convenção, permitindo, portanto, aos demais países realizarem manobras militares nessas águas.

A lei brasileira, por outro lado, determina que esse tipo de atividade só pode ser realizado na ZEE com autorização do governo. Tal exigência ganha força com as sucessivas descobertas de importantes reservas de petróleo, cada vez mais próximas do limite exterior dessa zona.

A recriação da IV Esquadra tem sido criticada em alguns setores ligados à Marinha dos EUA, que consideram que melhor seria ter estabelecido uma esquadra subordinada ao recém-criado Comando África, onde a instabilidade política é maior. No entanto, entre a África e as Américas, os EUA acharam melhor ficar de olho nas vizinhanças do seu império.

Cabe ao Brasil, portanto, entender que a IV Esquadra é uma realidade com a qual terá que conviver. Tendo sido reativada para defender os interesses dos EUA, ela não significa necessariamente uma ameaça aos países da região.

Existe campo para a cooperação bilateral e multilateral em ações nas quais os interesses dos países venham a convergir, embora haja, também, a possibilidade de conflito onde os interesses possam ser divergentes.

Assim sendo, implementar uma Marinha capaz de lidar com tal dualidade é uma meta que o Brasil deve perseguir, de modo a ter um instrumento capaz de também defender os interesses brasileiros.

Antonio Ruy de Almeida Silva
Contra-almirante da reserva, membro do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Nest/UFF).

Marinha participa da Operação "VENBRAS-2008"


A Marinha do Brasil e a Armada da República Bolivariana da Venezuela conduziram, no período de 27 de julho a 5 de agosto, na área marítima da Venezuela, mais uma edição da Operação "VENBRAS".

O Grupo-Tarefa brasileiro que participou da operação foi comandado pelo Comandante da 2ª Divisão da Esquadra e era composto pela Fragata "Liberal" (F43), por um Destacamento de Mergulhadores de Combate e uma aeronave AH-11A Super Lynx.

No dia 30 de julho, os navios suspenderam do Porto de Guanta para a fase de mar, onde foram realizados diversos exercícios operativos, tais como ações de defesa antiaérea, ações de superfície, ataques coordenados, guerra eletrônica, apoio de fogo naval, transferência de carga leve no mar, manobras táticas e operações aéreas. A F43 teve atuação destacada nos exercícios e manobras da operação.

No dia 2 de agosto, as Fragatas "Liberal" e "Almirante Brión", da Armada da República Bolivariana da Venezuela, fundearam na Baía de Pampatar, na Isla Margarita, onde, até o dia 4 de agosto, realizaram atividades protocolares, que foram iniciadas com a visita do Comandante da 2ª Divisão da Esquadra ao Comando da Zona Naval do Oriente, com entrevista coletiva para os veículos de comunicação locais.

No dia 5 de agosto, depois de encerradas as atividades referentes à Comissão "VENBRAS-2008", a Fragata brasileira suspendeu com destino ao Porto de Colón, no Panamá, para dar início à Comissão "PANAMAX-2008".

Operação "Poraquê": Marinha encerra suas atividades


A Marinha do Brasil encerrou suas atividades operativas na Operação "Poraquê" no dia 14 de agosto, com a Avaliação Pós-Ação, realizada no Comando Militar da Amazônia, em Manaus, por meio de videoconferência coordenada pelo Ministério da Defesa.

A “Poraquê” é um exercício combinado cuja principal finalidade é aperfeiçoar o treinamento das forças Armadas brasileiras, para a atuação de forma coordenada e eficaz em conflitos convencionais no ambiente da Amazônia.

A Marinha do Brasil participou com os seguintes meios:

Subordinados ao Com9ºDN

Navios-Patrulha Fluvial (NPaFlu) “Raposo Tavares”, “Pedro Teixeira”, “Amapá” e “Roraima”;

Navios de Assitência Hospitalar (NAsH) "Carlos Chagas” e “Oswaldo Cruz”;

1 Destacamento do Batalhão de Operações Ribeirinhas, com aproximadamente 450 militares;

1 Barca-Oficina “Alecrim”, 1 Dique-Flutuante “Jerônimo Gonçalves”, 1 Balsa do Depósito Naval de Manaus e

1 Empurrador Regional (que constituem o Trem Logístico Móvel);

1 Agência Flutuante;

3 Lanchas;

1 Flex Boat;

4 Aeronaves UH-12, embarcadas nos NPaFlu “Pedro Teixeira” e "Raposo Tavares" e no NAsH “Carlos Chagas” e uma operando em terra; e

4 embarcações regionais utilizadas para o transporte dos Fuzileiros Navais.

Subordinados a outros Comandos

Navios-Patrulha (NPa) “Bocaina”, “Pampeiro” e “Parati” (subordinados ao Comando do 4º Distrito Naval);

1 Pelotão de Fuzileiros Navais (Comando do 4º Distrito Naval);

1 Elemento Anfíbio do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra; e

Destacamentos de Forças Especiais da Marinha (Grupamento de Mergulhadores de Combate e Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais).

Incorporação da Corveta "Barroso"



No próximo dia 19 de agosto, três anos após a retomada do projeto de construção, a Marinha do Brasil incorporará a Corveta “Barroso” à Armada. A cerimônia contará com a presença do Ministro da Defesa e do Comandante da Marinha, entre outras autoridades.

Projeto que contribui com o resgate da capacidade e da tecnologia da construção naval militar brasileira, a Corveta “Barroso” é o resultado do aperfeiçoamento do projeto das Corvetas Classe Inhaúma, construídas anteriormente no Brasil, e incorporou melhorias e desenvolvimentos tecnológicos que aprimoraram o desempenho do navio.

Com uma autonomia de 30 dias e raio de ação de 8.000 km, o mais novo escolta da Esquadra Brasileira oferecerá uma maior capacidade de proteção ao tráfego marítimo nacional, responsável por 95% do fluxo de comércio exterior brasileiro, proporcionará maior proteção aos nossos campos petrolíferos e ampliará o poder de dissuasão do Brasil no mar.

Na execução do projeto de construção, a Marinha teve como meta a busca da nacionalização, principalmente daqueles com elevado grau de complexidade técnica que agregariam tecnologia de ponta ao setor industrial associado do País. O índice médio de nacionalização dos sistemas de bordo é de aproximadamente 57%, dentre os quais se destacam: Sistema de Controle Tático; Sistema de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica; Sistema de Controle e Monitoramento da Propulsão, auxiliares e de Controle de Avarias; Sistema de Lançamento.

Características gerais da Corveta “Barroso”

1. Sistema Nacional de Controle Tático e Armas – SICONTA Mk III (nacional)

2. Comprimento total de 103,4 metros

3. Boca máxima – 11,4 metros

4. Calado de navegação – 6,20 metros

5. Deslocamento carregado – 2.400 toneladas

6. Sistema de propulsão – CODOG
a. 2 Motores MTU 1163 TB 93 8.000 HP
b. 1 Turbina GE LM 2.500 29.500 HP

7. Geração de Energia
a. 4 Motores MTU 8V 396 TE 54
b. 4 Geradores Siemens 650 KW

8. Velocidade máxima c/ turbina – 30 nós

9. Velocidade máxima c/ motor – 22 nós

10. Raio de ação a 12 nós – 4.000 milhas náuticas

11. Autonomia – 30 dias

12. Tripulação – 145 militares

13. Sistema de Controle e Monitoração SCM (nacional)
a. Subsistema de Controle e Monitoração de Propulsão e Auxiliares – SCMPA
b. Subsistema de Controle de Avarias – SCAv

Principais sensores do navio

1. Radar de busca combinada – RAN-20S
2. Radar de superfície – THERMA SCANTER
3. Radar de Direção de Tiro – RTN-30X
4. Radar de Navegação Furuno FR 8252
5. Alça Optrônica – EOS-400-10B (SAAB)
6. Alça Óptica com computador de tiro de emergência (nacional)
7. MAGE – DEFENSOR (nacional)
8. Sonar de casco – EDO-997 C
9. Sistema de navegação inercial – SIGMA 40 INS (SAGEM)

Armamento

1. Canhão 4.5” VICKERS Mk-8
2. Canhão 40mm Mk-3 BOFORS
3. Sistema de lançamento de mísseis EXOCET ITL-70A (MM40 Block 1 / Block 2)
4. Sistema de lançamento de torpedos Mod. 400 (nacional)
5. Sistema de lançamento de despistadores de mísseis (SLDM) – Chaff (nacional)

Operações aéreas

1. Aeronave Orgânica (Super Lynx), podendo ser armada com:
a. Míssil ar-superfície SEASKUA
b. Torpedo Mk-46
c. Bomba de profundidade Mk-9

2. Indicador visual estabilizado de rampa de aproximação – IVERA (nacional)

Milhares de pessoas visitam a Base Aérea no final de semana



WILLAME SOUSA

A 25ª edição dos “Portões Abertos” realizada no último sábado, pela Força Aérea Brasileira (FAB), durante o dia inteiro na Base Aérea de Boa Vista, conseguiu atrair um público de aproximadamente 15 mil pessoas, que aproveitaram o fim de semana para conhecer e aprender sobre o potencial militar aéreo do Brasil.

O evento anual, que é realizado desde 1984, começou por volta das 8 horas, sendo encerrado às 18 horas. Durante todo o dia a população pôde ver de perto aeronaves militares de Roraima e de outros estados, como o Banderullha, Avião-Radar do Brasil R-99, Casa-295, Bandeirante e o helicóptero Black Hawk.

Além da exposição estática de aviões, a comunidade pôde assistir as apresentações de aeromodelismo e pára-quedismo. Porém, o que mais atraiu a participação do público ao evento foram as mais de 300 vagas para vôos panorâmicos sorteados aos presentes no local.

A atendente de balcão Arlene Azevedo, que participou pela primeira vez do evento, disse que pretende voltar em 2009. “Tinha muita curiosidade de conhecer os aviões e a Base Aérea, mas, para falar a verdade, queria mesmo era ganhar um destes vôos”, disse.

A grande procura por uma vaga em uma das duas aeronaves Caravan disponíveis para passeios, que em intervalos de 20 minutos levantava vôo com 10 pessoas cada, com duração de cerca de 15 minutos em Boa Vista, pode ser comprovada na quantidade de quilos de alimento não-perecível arrecadada.

Foram mais de três toneladas de mantimentos doados pela população que só poderia participar dos sorteios após a contribuição com a causa social. “Ainda não definimos para quais instituições doaremos os alimentos. Depois que fizermos um levantamento de quanto foi arrecadado decidiremos como e para quem irão os donativos”, explicou a tenente Mirela Scudino, uma das coordenadoras do evento.

Segundo o coronel aviador Edinei Nunes, o “Portões Abertos” objetiva despertar nos jovens a vocação pela carreira militar, principalmente, a aeronáutica, entretanto, esta faixa etária de idade não é a única interessada em participar do acontecimento. “Hoje, vi pessoas de zero a 80 anos presentes na Base querendo realizar os vôos e fazer as doações de alimentos para nossa campanha”, diz Nunes.

NAVIO MAIS BARATO

Produção caseira


O comandante Julio de Moura Neto, da marinha, quer mostrar ao governo que pode fazer mais por menos. No próximo dia 19, ele entregará a corveta Barroso, que estava sendo construída há três anos. O custo ficou em U$ 263 milhões. Caso tivesse encomendado a estrangeiros, o valor seria de até US$ 350 milhões.

17 Agosto 2008

A IV Frota e os interesses brasileiros no mar


Roberto Carvalho de Medeiros

A IV Frota da Marinha dos Estados Unidos possui uma relação histórica para com o Brasil.

Na II Guerra Mundial aquela esquadra americana realizou escolta de navios mercantes no Atlântico Sul, juntamente com a Esquadra brasileira.

Registros obtidos na “Biblioteca Presidencial Lyndon Johnson” demonstram sua disponibilidade pelo governo norte-americano para emprego velado em apoio à revolução militar de 1964, caso houvesse resistência interna.

Após passar um longo período de tempo, a ativação dessa esquadra norte-americana causa espécie ao governo brasileiro (MRE e MinDefesa), haja vista o importante momento em que o País atravessa.

Em pleno desenvolvimento de uma mentalidade marítima, identificando e conhecendo um conjunto de valores estratégicos existentes no interior da Amazônia Azul, espaço geográfico e marítimo compreendendo a projeção da soberania brasileira sobre e sob o mar, solo e sub-solo marinho (mais de 50% do território nacional), o Brasil inicia uma nova era de inserção mundial.

Além da questão dos hidrocarbonetos, é na atividade pesqueira que o nosso país também se projetou internacionalmente, em particular na pesca do atum, de alto valor comercial.

A “Comissão internacional para a conservação dos tunídeos do Atlântico” (ICCAT), uma das cinco organizações internacionais especializadas no assunto, já externou a existência de grande massa pesqueira que se desloca permanentemente em grande área marítima da zona econômica exclusiva brasileira.

Por meio das recentes descobertas de gigantescas jazidas de hidrocarbonetos (gás e petróleo) na região sudeste, estima-se que o Brasil possuirá um bilhão de barris de petróleo por ano entre 2013 e 2014.

Esta quantidade projeta o País entre um dos maiores produtores de petróleo do mundo daqui a cinco anos, período próximo no qual o petróleo ainda será considerado a principal fonte de energia, de alto valor estratégico!

E é também sobre os mares que são transportados mais de 95% das trocas comerciais do Brasil, tornando a manutenção das linhas marítimas também um desafio especial para o Estado, a fim garantir a segurança de quem navega pelas águas jurisdicionais brasileiras, atuando no comércio exterior.

Nos estudos estratégicos, a “coincidência” é algo pouco provável e admitida como última hipótese. O Poder Naval norte-americano está presente de forma global.

Dividido por área marítima, a Marinha dos Estados Unidos possui uma esquadra sediada em pontos focais dentro de cada oceano do globo.

Assim sendo, a II Esquadra tinha sob sua responsabilidade o Atlântico Norte até absorver a IV Frota em meados dos anos 50 quando passou a ter presença em todo o Oceano Atlântico.

Agora, com a reativação desta última, novamente este enorme espaço marítimo ficou dividido em duas partes, mas com uma nova característica geoestratégica: o Atlântico Norte com a II Esquadra e o Atlântico Sul, com a IV Esquadra, agora incluindo o Caribe e o espaço marítimo internacional adjacente aos países sul-americanos no Pacífico.

Voltaremos a este ponto a seguir. A III Esquadra atua no Pacífico, desde a costa americana até um espaço marítimo “fluido” adjacente a oeste do Hawai.

A V Esquadra atua no Oceano Índico, com atenção especial ao Golfo Pérsico, Mar Vermelho e o Golfo de Bengala e seus estreitos.

A VI Esquadra está presente no Mar Mediterrâneo como um todo. E a VII Esquadra, sediada no Japão, cobre todos os espaços marítimos do Pacífico nas proximidades daquele país, particularmente os estreitos de alto valor estratégico adjacentes à China e à Rússia.

Uma esquadra da Marinha norte-americana é composta por um conjunto de navios que pode variar de acordo com o propósito de suas diferentes tarefas.

Normalmente nucleada em um porta-aviões com aviação embarcada para proteção à frota (interceptação, ataque, alarme aéreo antecipado, guerra eletrônica, etc.), socorro e salvamento e, principalmente, de capacidade de projeção de poder sobre terra, uma esquadra dessa dimensão tem como principal unidade esse conjunto “porta-aviões + aviação embarcada” como a unidade de maior valor.

Esse conjunto é protegido por navios-escoltas com capacidade de defesa a longa, média e curta distância nas três dimensões (aérea, superfície e anti-submarina), além de navios de apoio logístico (combustível, mantimentos, munição, etc.) e de, no mínimo, dois submarinos nucleares na defesa submarina.

Em consonância com o Direito Internacional, cada piso metálico de uma unidade naval dessa ou daquela esquadra é o próprio solo norte-americano, pelo princípio jurídico do Direito Internacional e praticado pela diplomacia mundial, qual seja a extraterritoriedade, reconhecido internacionalmente.

É mais uma característica exclusiva de um poder naval: ser flexível, de acordo a necessidade, e representar legalmente o Estado de origem da sua bandeira, esteja onde estiver!

É fácil concluir que o governo americano sinaliza ser prioritária a presença norte-americana de forma plena e ostensiva em cada região do mundo por meio do seu Poder Naval, alterando sua intensidade, composição, características e permanência, conforme o nível de interesse nessa ou naquela região.

Assim deve ser interpretada a reativação da IV Esquadra, com sede na Flórida, subordinada ao Comando Sul dos Estados Unidos. E quais seriam dos fatores motivadores que levaram a essa reativação?

É possível identificar um conjunto de fatos na dinâmica das relações internacionais, no hemisfério, compatíveis àquela decisão.

Por exemplo, uma alteração na condução da política externa no que concerne aos crimes transnacionais, particularmente ao tráfico de entorpecentes e de armas.

Especialistas indicam uma nova concepção de arranjo de forças para enfrentar esse tipo de ameaça, não mais no combate seletivo direto, mas sim na garantia da segurança nas linhas marítimas no Caribe por onde passam as rotas de tráfico.

O mesmo se dá na costa latino-americana no Pacífico. Em ambos os casos complementariam as ações em desenvolvimento contidas no “Plano Colômbia”.

Outro fator significativo é a aplicação do conceito de “Guerra baseada em rede” (NCW, na sigla em inglês), concebido pela Universidade de Defesa Nacional (NDU) e estruturado pelo Pentágono dentro dos Comandos Combinados para as quatro Forças Armadas dos Estados Unidos.

Em resumo, é a capacidade estratégica e de logística militar de deslocar os meios necessários, disponíveis de forma global, para atuar em uma determinada região quando necessário.

No caso da IV Esquadra, é a simples alocação permanente de um conjunto de meios para o Comando Sul a fim de aplicá-lo quando, onde e como for necessário, inclusive em apoio direto nas áreas de conflito como, por exemplo, no Golfo Pérsico e no espaço marítimo ocidental do Oceano Índico (Iraque e Afeganistão, respectivamente), junto à V Esquadra.

Respeitáveis analistas políticos brasileiros sinalizam uma outra linha de motivação para o governo norte-americano reativar a IV Frota, decorrente da atual preponderância de líderes e chefes de governo ligados mais a uma ideologia de esquerda ortodoxa, tais como os presidentes da Venezuela, do Equador e da Bolívia, na contramão da história pós-moderna internacional.

O Brasil e o Chile, por meio dos seus atuais presidentes, são vistos no exterior como novos líderes com propósitos elevados de compromisso para com a democracia e o desenvolvimento cooperativo, solidário e socialmente mais eqüitativo.

Independente do real propósito dessa ativação naval, a meu ver o que deve e pode ser mais premente é o Estado brasileiro ter maior atenção à única Instituição permanente que, por meio do Poder Naval, possui como missão “contribuir para a defesa nacional” no ambiente marítimo.

Como expressou o Comandante da Marinha, a Esquadra brasileira não se encontra hoje adequadamente pronta e capaz para cumprir sua missão constitucional, tendo inclusive alertado o Ministro da Defesa e a Opinião Pública sobre tal fragilidade estratégico-militar diante dos debates sobre a reativação da IV Frota dos Estados Unidos.

O principal propósito foi o de novamente provocar o Poder Executivo a transferir os recursos financeiros dos “royalties” do petróleo que faz jus por lei federal, montante retido dentro dos recursos contingenciados para compor o superávit primário das contas públicas nacionais.

Isso é preocupante, pois sem uma Esquadra constituída de meios navais e aeronavais em quantidade e qualidade proporcionais à dimensão geoestratégica do País, pronta e adestrada para fazer frente às ameaças hoje difusas e complexas, o Brasil se torna vulnerável na defesa dos seus interesses no mar por não mais possuir capacidade dissuasória suficiente para evitar “aventuras” por parte de terceiros.

Nossa vasta costa possui regiões onde existe probabilidade de aumento da presença americana nas suas proximidades onde se localizam pontos focais de alto valor estratégico para o Brasil.

Destacam-se a foz do Rio Amazonas, a saliência nordestina, o litoral fluminense, especialmente ao norte, na Bacia de Campos, e ao sul, particularmente a área próxima ao Rio de Janeiro (sede da Esquadra) e à Angra dos Reis (usinas termonucleares), e na Bacia de Santos.

Estados costeiros com grande faixa marítima necessitam, obrigatoriamente, de um Poder Naval capaz de atuar e de se fazer presente em toda dimensão geográfica das suas águas jurisdicionais.

Um País continental como o nosso e também enfrentando seus desafios sociais é a Índia.

Em face das grandes distâncias marítimas envolvidas, recentemente o Poder Político da Índia decidiu criar duas esquadras distintas para que a Marinha indiana adquirisse capacidade de atuar nas duas costas no Oceano Índico, simultaneamente.

No Brasil ocorre o mesmo desafio do extenso espaço marítimo a percorrer, contudo o País de comporta de forma inversa.

O Alto Comando da Marinha, denominado de Almirantado, decidiu pela desativação gradual de navios da Esquadra que se encontram próximos do limite aceitável de operação, devido à baixa confiabilidade de seus sistemas e equipamentos causados pela obsolescência já alcançada há anos.

São unidades empregadas como escolta a outros meios de alto valor estratégico como o porta-aviões, navios-tanque, navios anfíbios, etc., e excelentes meios de apoio às ações de fiscalização realizadas por navios-patrulha de menor porte nesses mesmos pontos focais.

A redução de navios e aeronaves só compromete mais a fragilidade da nossa Esquadra.

Mesmo que houvesse uma decisão política para a construção de novas unidades para a Marinha, a partir do momento da disponibilidade financeira até a entrega do navio, o período de tempo é extenso, de dois a oito anos, dependendo do tipo, dimensão e configuração interna do navio.

A “janela de tempo” de vulnerabilidade é longa demais para permanecer com uma Esquadra composta por essa moldura reduzida de navios.

Para superar tal lacuna, existe a opção de buscar a aquisição de “meios de oportunidade” no exterior.

São navios usados de marinhas de primeira grandeza naval, em bom estado de uso, mas não mais compatíveis com as necessidades daquele Poder Naval estrangeiro.

Vale registrar que esta opção nem sempre está disponível no momento em que comprador decide por implementá-la!

Por fim resta a seguinte reflexão: vale a pena o Brasil se preocupar prioritariamente com a reativação da IV Esquadra norte-americana ao invés de deixar de lado os graves e crescentes problemas operacionais e logísticos existentes na única Esquadra que a Marinha do Brasil possui para que o Estado brasileiro seja capaz de se fazer presente no mar de forma convincentemente dissuasória?

Roberto Carvalho de Medeiros, CMG (Ref.), professor universitário

IV frota dos Estados Unidos opera em seis países


A polêmica IV frota da Marinha norte-americana começou a operar no dia 9, quando o USS Kearsarge partiu de Miami em direção à Nicarágua. De acordo com o Comando Sul, os militares dos Estados Unidos vão participar de uma missão humanitária no país do sandinista Daniel Ortega.

Nos próximos quatro meses, o navio percorrerá seis países centro-americanos, caribenhos esul-americanos.

O USS Kearsarge conta com uma tripulação de 1.300 militares aos quais se unirão médicos e engenheiros do Brasil, Canadá, França, Holanda e Espanha.

Depois da Nicarágua, o barco atraca na Colômbia, República Dominicana, Guiana, Panamá e Trinidad e Tobago. O regresso aos Estados Unidos está marcado para novembro.

Esta é a primeira missão de uma navio da IV frota desde a sua reativação no dia 12 de julho. O Comando Sul informou que dentistas e veterinários que se encontram a bordo do USS Kearsarge vão oferecer serviços médicos e sanitários as comunidades mais pobres e marginais nos países por onde vai passar.

Equador: acordo de Defesa aguarda votação


Brasil e Equador firmaram acordo de cooperação em Defesa em abril de 2007. O texto em tramitação na Câmara dos Deputados, aguarda votação pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

De acordo com o Itamaraty, o acordo insere-se na prioridade que o Brasil confere à cooperação e integração da América do Sul e pretende contribuir para o desenvolvimento e segurança regionais.

O acordo enfatiza a importância do fortalecimento da confiança a partir da pesquisa, apoio logístico e aquisição de produtos e serviços.

Brasil e Equador também pretendem compartilhar conhecimentos e experiências, promover ações conjuntas de treinamento e instrução militar e colaborar em assuntos relativos a equipamentos e sistemas.

Neste sentido, as Forças Armadas dos dois países ficarão responsáveis pela elaboração de uma agenda que inclui a visita de aeronaves e navios militares, reuniões entre as instituições de defesa e facilitação das iniciativas comerciais relacionadas a materiais e serviços vinculados à área de defesa.

Em seu parecer favorável ao acordo, o deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) ressalto o empenho do Ministério da Defesa na formulação de um “ambicioso plano de defesa para a região, com a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa que seja capaz de articular políticas de defesa para a região”.

O Equador também deverá formalizar em breve a compra de 24 aviões Super Tucanos da Embraer num contrato de US$ 250 milhões.

Marinha do Equador compra seis aviões israelenses

O governo equatoriano informou que a Marinha do país acaba de adquirir seis aviões não-tripulados de Israel. As aeronaves serão empregadas em missões de controlee supervisão das costas e do mar terrirtorial do país.

De acordo com o comandante Lívio Espinosa, os aviões podem voar até 30 horas diárias e cada um custou cerca de US$ 23 milhões. O primeiro dos seis aparelhos será entregue em março de 2009.

Até lá, os pilotos equatorianos utilizam um modelo emprestado para treinamento. Autoridades equatorianas asseguram que o país terá o pleno controle de suas costas, principalmente na região de Manta onde os Estados Unidos mantém uma base que será fechada ainda este ano.

Força Aérea do Chile compra 12 Super Tucanos



A Força Aérea Chilena (FACH), firmou nesta sexta-feira, contrato com a Embraer que prevê a compra de 12 aviões Super Tucanos por US$ 120 milhões e um pacote que inclui suporte logístico integrado, um sistema de treinamento e apoio operativo.

De acordo com a Embraer, o Super Tucano será utilizado em missões de treinamento tático. A esolha deste avião se deu através de um processo de licitação realizado pela FACH.

A primeiro das doze aeronaves será entregue no segundo sementre de 2009. O avião é utilizado pelas forças aéreas do Brasil e Colômbia, para o treinamento de pilotos e ataques leves de alta precisão em missões de segurança interna.

O Super Tucano foi utilizado pela Colômbia no ataque a um acampamento das Farc em território equatoriano, no mês de março. Poucas semanas depois, o Equador anunciou que compraria 24 unidades.

O TOSS da Força Aérea Chilena será composto por três sistemas: um de planejamento de missões de navegação e ataque (Mission Planning Station - MPS), um para o relato de missões (Mission Debriefing Station - MDS), e um simulador de vôo (Flight Simulator - FS).

“A escolha do Super Tucano pela Força Aérea Chilena também será uma grande oportunidade para ampliar a parceria bem-sucedida entre a Embraer e a Empresa Nacional de Aeronáutica de Chile – ENAER (www.enaer.com), estabelecida há mais de dez anos para o desenvolvimento do jato regional ERJ 145”, informou a Embraer em seu comunicado à imprensa.

Cooperação em Defesa pode ser votado em comissão da Câmara

No âmbito da integração sul-americana e com os olhos voltados à constituição do Conselho Sul-Americano de Defesa, os ministros da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e do Chile, José Goñi Carrasco, firmaram acordo de cooperação em dezembro do ano passado, em Santiago.

A proposta foi encaminhada à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados no dia 8 de maio, onde aguarda votação.

O Ministério das Relações Exteriores assegura que o texto contribui para a paz e a prosperidade internacional, reconhecendo os princípios da soberania, igualdade e não-interferência nas áreas de jurisdição exclusiva dos Estados.

Além da troca de experiências e informações, Brasil e Chile pretendem impulsionar a aquisição de equipamentos e serviços de defesa e a capacitação em operações de paz e nas áreas de ciência e tecnologia.

Também estão previstos treinamentos e exercícios conjuntos entre as respectivas Forças Armadas.

15 Agosto 2008

Polônia assina pré-acordo para receber escudo antimísseis


DA REDAÇÃO

A Polônia assinou com os EUA um pré-acordo para receber em seu território, até 2012, dez interceptadores de mísseis como parte do "escudo" de defesa que Washington pretende instalar no Leste Europeu. A iniciativa foi apressada para dar um recado a Moscou, que se opõe fortemente à medida.

Segundo Washington, o escudo antimísseis servirá de proteção aos EUA e à Europa contra eventuais disparos de mísseis de longo alcance por países como o Irã. Mas Moscou vê a medida como uma potencial ameaça ao seu território e fator de desequilíbrio militar e geopolítico regional.

O plano americano prevê, além dos interceptadores na Polônia, a instalação de um radar na República Tcheca, cujos termos foram aceitos por Praga em julho. Falta, porém, a ratificação do acordo por ambos os Parlamentos, pelo governo polonês e pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.

O presidente americano, George W. Bush, se disse "muito satisfeito" com o pré-acordo. Para o premiê polonês, Donald Tusk, é "um passo na direção da real segurança da Polônia".

Pelo documento, assinado em Varsóvia pelos negociadores polonês, Andrzej Kremer, e americano, John Rood, a Polônia recebe em troca garantias de assistência "em caso de agressão de terceiros" e a promessa de mísseis "Patriot" para o seu sistema de defesa próprio. Segundo Rood, uma base militar permanente também deve ser instalada no país.

O pacto, ressuscitado subitamente após revés em julho - devido à barganha polonesa agora aceita por Washington -, sofre veemente oposição russa, que vê no avanço militar sobre a antiga esfera de influência soviética uma afronta americana. Um parlamentar russo citado pela agência de notícias russa Interfax disse que a medida gera "real aumento de tensão".

A Polônia faz parte tanto da União Européia como da Otan, a aliança militar ocidental, e possui um governo pró-Ocidente. Na última terça, o presidente polonês, Lech Kaczynski, esteve na Geórgia ao lado dos líderes da Ucrânia e dos países bálticos, ex-repúblicas soviéticas, para manifestar apoio a Mikhail Saakashvili no conflito com a Rússia pelas separatistas Ossétia do Sul e Abkházia.

Ucrânia

Também ontem, a Ucrânia reafirmou a intenção de impor restrições ao uso pela Rússia do porto de Sebastopol, no mar Negro, ao exigir que Moscou, a partir de agora, peça autorização para adentrar as águas do país, ampliando as medidas contidas no decreto de quarta do presidente pró-Ocidente Viktor Yushchenko.

Para o chanceler russo, Sergei Lavrov, a medida reflete uma "preocupação obsessiva em agradar à Otan e ingressar na aliança". O número dois do Exército russo, general Anatoli Nogovitsin, disse que "há apenas um comandante para a frota do mar Negro: o presidente da Rússia".

Com agências internacionais

EUA descartam força militar no Cáucaso

Secretário da Defesa adverte, porém, que ações russas podem afetar a relação com Washington durante anos no futuro

Para críticos, Bush ajudou a criar a crise; Rússia alerta Washington que respaldo a Tbilisi pode levar a repetição do "cenário trágico" atual



ANDREW WARD E ROMAN OLEARCHYK
DO "FINANCIAL TIMES", EM WASHINGTON E TBILISI

Com forças de seu Exército mobilizadas para o que qualificam de "ajuda humanitária" na Geórgia, os Estados Unidos deixaram claro ontem que não pretendem intervir militarmente no conflito, mas avisaram que a crise pode afetar as relações com a Rússia durante "anos no futuro".

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse que não vê "nenhuma perspectiva" de usar força militar na Geórgia. Ele afirmou, porém, que as ações da Rússia têm "implicações profundas" e ameaçam esforços recentes para cooperação em segurança e diplomacia.

Os EUA já cancelaram sua participação em dois exercícios navais multinacionais envolvendo a Rússia que tinham sido programados para este mês, e Gates disse que "toda a gama" da cooperação militar com a Rússia será revista.

Autoridades dos EUA também sugeriram a expulsão da Rússia do G8 e o bloqueio de sua entrada na Organização Mundial do Comércio.

Nos últimos dois dias, o governo Bush assumiu um papel mais forte na crise, após as críticas amplas feitas à sua reação moderada na semana passada. Na quarta-feira, o presidente George W. Bush ordenou ao Pentágono que lidere uma missão humanitária "vigorosa" na Geórgia e avisou à Rússia que as forças americanas precisam ter liberdade para entregar suprimentos em todo o país. Dois cargueiros militares com suprimentos já chegaram a Tbilisi.

A Casa Branca insiste em que os EUA estiveram no centro do esforço diplomático desde o início, mas Bush perdeu espaço para o francês Nicolas Sarkozy, que negociou o frágil acordo de paz entre Moscou e Tbilisi na terça, e até para o candidato republicano à sua sucessão, John McCain, cujo discurso pró-Geórgia se intensifica dia a dia.

Críticos acusam Bush de ajudar a criar a crise, ao aliar-se muito estreitamente ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, e prestar pouca atenção às posições russas em questões de segurança na região. Washington vem fazendo pressões fortes para colocar a Geórgia na rota de adesão à Otan, a aliança militar ocidental, como parte de seus esforços para incluir ex-Estados soviéticos em sua esfera de influência.

Os EUA ainda ignoraram a oposição feita pela Rússia à declaração de independência da ex-Província sérvia de Kosovo e desafiam Moscou com planos para um escudo antimísseis dos EUA na Polônia e na República Tcheca (leia texto abaixo).

Para os críticos, o apoio aberto de Washington pode ter incentivado Saakashvili a agir contra os separatistas pró-russos na Geórgia e ter dado a falsa impressão de que os EUA o socorreriam em um eventual conflito. Autoridades dos EUA dizem que, reservadamente, o governo desaconselhou Saakashvili a fazer ações militares.

Russos respondem

A Chancelaria russa respondeu às afirmações dos americanos dizendo que o respaldo dos EUA à Geórgia pode levar a uma "repetição do trágico cenário" dos últimos dias.

"É especialmente importante abster-se de qualquer passo que possa ser interpretado pela Geórgia como apoio à revanche", disse o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

O número dois do Exército russo, general Anatoli Nogovitsin, questionou a "ajuda humanitária" dos EUA. "Vamos perguntar a eles: será que vão convidar a imprensa para verificar se [a carga] é humanitária ou não? O que tem lá na realidade?"

Com Reuters

Tradução de CLARA ALLAIN

Rússia defende a partição da Geórgia

Medvedev diz que apoiará "qualquer decisão" de líderes separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia sobre futuro das regiões

Condoleezza Rice viaja para a Geórgia para convencer o presidente Saakashvili a assinar o cessar-fogo que Sarkozy negociou na terça




DA REDAÇÃO

A Rússia deu ontem claramente a entender que a integridade territorial da Geórgia é "algo para esquecer", e que os dois territórios separatistas, a Ossétia do Sul e a Abkházia, podem contar com o Kremlin para se tornar independentes.

Essa tomada de posição, permitida pelo desfecho militar favorável aos russos no conflito de seis dias pelo controle da Ossétia do Sul, contradiz de modo frontal declarações americanas sobre a questão.

O presidente George W. Bush, em telefonemas ao presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, e ao da Lituânia, Valdas Adamkus, reiterou a "solidariedade com uma Geórgia livre e soberana" e, mais tarde, exortou ao respeito da "integridade territorial" do pequeno país do Cáucaso, seu aliado.

Rice com SarkozyBush também enviou a secretária de Estado, Condoleezza Rice, à capital georgiana, para conversações com o presidente Mikhail Saakashvili.

Rice fez escala na França, onde foi recebida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ela declarou que "a Rússia deve honrar o cessar-fogo e retirar seus militares" da Geórgia.

Sarkozy afirmou que Rice tentaria convencer Saakashvili a assinar o cessar-fogo que ele próprio, no exercício da presidência rotativa da União Européia, negociou na terça-feira com Moscou antes de obter, na madrugada de quarta, o acordo verbal da Geórgia.

Medvedev e o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, usaram ontem uma retórica agressiva, em que o desmembramento do território georgiano era o maior pressuposto.

Medvedev recebeu os presidentes da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, e da Abkházia, Sergei Bagapsh. Ambos foram eleitos com apoio da Rússia, amparados no acordo de 1992 que pôs fim a conflitos entre os georgianos e os separatistas dessas duas regiões. Sob o acordo, os territórios autônomos ficaram sob tutela de uma força de paz russa.

"Vocês defenderam seus países, e a justiça está do lado de vocês", disse Medvedev. Afirmou ainda que a Rússia apoiaria e garantiria "qualquer decisão" tomada pelos dois territórios, numa menção aos planos de independência.

Lavrov, o ministro russo do Exterior, foi mais longe. Afirmou a uma emissora de rádio que a integridade territorial da Geórgia "é algo para esquecer" e que, na prática, ela é "limitada". Qualquer negociação em sentido contrário, disse, seria "um profundo insulto aos povos" dos dois territórios separatistas.

Comentando as declarações, Rice disse que os países da ONU têm direito ao respeito de "suas fronteiras internacionalmente reconhecidas". Mas Moscou tem evocado no caso o precedente de Kosovo - a Província da Sérvia, sua aliada, cuja independência, declarada neste ano, os EUA apoiaram.

Assessores de Rice disseram que o documento que ela levava à Geórgia confirma concessões a Moscou, mas também a manutenção das atuais fronteiras.

Haverá zona-tampão

Diplomatas americanos disseram que o texto limita a um raio de 10 km a movimentação russa dentro da Geórgia, em zona-tampão junto aos territórios autonomistas. Pelo acordo, os russos poderão manter os contingentes que tinham nas duas áreas antes da guerra, iniciada quando Tbilisi tentou retomar a Ossétia do Sul, no dia 7, em operação que teve resposta esmagadora de Moscou.

Ainda ontem a França exortou o Conselho de Segurança à rápida votação de resolução baseada no acordo de terça-feira, de modo a dar mais consistência a um quadro diplomático ainda frágil e instável.Com agências internacionais

14 Agosto 2008

Operação Poraquê aumentou conhecimentos sobre Amazônia, diz General Heleno



José Romildo

Manaus (14/08/2008) – No último dia da Operação Poraquê, um exercício combinado que envolveu cinco mil militares da Marinha, Exército e Aeronáutica (3.500 em atividades diretas e 1.500 em ações indiretas), o Comandante Militar da Amazônia, General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira, fez um balanço positivo das atividades realizadas nos Estados do Amazonas e Roraima, que se iniciaram em 4 de agosto e terminam nesta quinta-feira (14/08).

O acúmulo de treinamento e a elevação do nível de confiança das tropas constituíram o principal saldo da operação, segundo o General Heleno. “Conhecemos melhor o terreno, empregamos melhor o material e sabemos de suas qualidades e eventuais deficiências, e tudo isso é um ganho muito grande,” acrescentou o general.

A Operação Poraquê, coordenada pelo Estado Maior de Defesa, do Ministério da Defesa, teve como teatro simulado de guerra os Estados do Amazonas e Roraima. Nesse cenário fictício, o território brasileiro (País Verde) foi invadido por outro país (Amarelo), que tinha como alvo a conquista da Hidrelétrica de Balbina e de áreas ricas em minério. O papel que coube às forças combinadas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foi resistir à agressão e demover o país Amarelo de seus planos de agressão.

As forças combinadas empregaram equipamentos adequados às condições da Amazônia. A Marinha usou, entre outros equipamentos, dois navios de assistência hospitalar (NASH), quatro helicópteros e balsas. A Aeronáutica empregou 61 aeronaves, incluindo dois Hércules (C-130) e três helicópteros Black Hawk. E o Exército mobilizou brigadas de infantaria de selva, de pára-quedistas e a 5ª. Brigada de cavalaria Blindada do Rio Grande do Sul.

Além dos exercícios militares, as Forças Armadas realizaram ainda Ações Cívico-Sociais (Aciso), que visaram dar aos moradores das áreas próximas ao teatro de guerra assistência médica , e possibilitar a emissão de certidões e carteiras de identidade.

Para o General Heleno, a Operação Poraquê trouxe para as forças combinadas um aprendizado relevante no que se refere à logística. Segundo ele, toda a Amazonas – e não só as regiões abrangidas pelos exercícios da Operação Poraquê - que são os Municípios de Presidente Figueiredo, Velho Airão, Barcelos, Novo Airão (Amazonas) e Caracaraí (Roraima), requerem instrumentos avançados de comunicação e controle.

Segue a entrevista em que o General Heleno faz um balanço da Operação Poraquê:

MD- Como foi planejado o trabalho?

R)As operações combinadas, feitas sob os auspícios do Ministério da Defesa, envolveram trabalho que começou oito meses antes. Desde a definição da área e do tipo de operação, que forças iriam ser empenhadas, volume de recursos e a capacidade de mobilização, quem iria se envolver na operação. Tudo isso foi sendo acertado ao longo do tempo, em reuniões que aproximaram o pessoal da missão.

MD- Que acontece quando chega o momento da operação?

R) Quando chega a parte executiva, o pessoal já se conhece. É a hora de aproveitar tudo aquilo que foi plantado para colher. Isso gera um sucesso que, no caso da Operação Poraquê, foi flagrante.

MD- Que lições as Forças tiram dessa missão?

R) Temos condições de reformular nossa doutrina, em alguns aspectos; confirmar dados operacionais; reformular nossos conhecimentos sobre logística, que no caso da Amazônia é ponto fundamental. Mantivemos contato cerrado com a população de determinadas áreas. Atualizamos os dados de inteligência com a presença de tropa.

MD- E com relação ao treinamento das tropas?

R) Lançamos os destacamentos de forças especiais, que são tropas altamente especializadas. Trouxemos para atuar na Amazônia duas tropas de emprego estratégico: a Brigada de Infantaria Pára-quedista e da Brigada Aeromóvel. Todo esse conjunto de atividades nos leva a crer que a Operação Poraquê foi altamente válida para o contexto em que vivemos nas forças armadas brasileiras.

MD- O que evoluiu na logística?

R) A capacidade de controlar. Não é só planejar, mas saber se aquilo que foi planejado teve a eficiência que esperávamos. Para chegar a essa conclusão, tivemos que usar modernos instrumentos de gestão para termos a certeza de que funcionou aquilo que foi colocado no terreno.

MD- Como se mede isso?

R) Sabendo se não houve nem um excesso ou desperdício daquilo que foi planejado, nem houve comprometimento de alguma fase da operação por falta de apoio logístico. Toda vez que vamos para o terreno, colhemos ensinamento nessa área. É área extremamente difícil, muito dinâmica, porque o avanço tecnológico e a melhoria dos instrumentos de comunicação e controle faz com que a logística tenha um aperfeiçoamento muito grande.

MD- Qual foi o critério da escolha da área da Operação Poraquê?

R) Essa é a oitava operação (na Amazônia). Fizemos, nas outras sete, um levantamento das áreas em que aconteceram. Chegamos à conclusão que o espaço do Estado de Roraima não tinha sido objeto de uma operação mais detalhada. Colocamos o esforço principal da BR 174, que é a única estrada que permite a saída de Manaus. Vai de Manaus a Boa Vista, e depois segue em direção ao marco BV-8. E utilizamos a calha do Rio Negro como a outra via onde colocamos a tropa para segurar a fronteira do país verde, contra o país amarelo, de acordo com a situação hipotética que foi criada.

MD- Como foram idealizadas as ações nessas áreas?

R) Basicamente, trabalhamos com nossa Marinha fluvial em cima da calha do Negro. Realizamos inclusive operações de ação cívico-social. E utilizamos nossa força terrestre em cima da BR-174, na direção de Caracaraí (RR).

MD- Qual foi o benefício da Operação Poraquê para o Brasil?

R) Isso é uma operação logicamente fictícia. Não temos recursos para materializar a força amarela da maneira como gostaríamos. A Força Aérea trabalha muito próximo de uma situação real de conflito. No caso da Força Aérea, os ensinamentos foram perfeitamente aplicáveis caso houvesse um conflito aqui ou em qualquer outro lugar. Porque os ensinamentos podem ser transferidos de um lugar para outro. Não são exclusivos de uma determinada área.

MD- E nos casos da Marinha e do Exército?

R) A Marinha procurou alguns procedimentos, que são válidos para qualquer atividade fluvial. Inclusive uma docagem real (manobra do navio em um navio-dique, para reparos ), que é uma operação difícil, do navio Pedro Teixeira. No caso da força terrestre, fizemos lançamentos da Brigada de Infantaria Pára-quedista e o lançamento aeromóvel, também com uma fração de tropa, dentro dos recursos que dispúnhamos, bastante próximos da realidade.

MD- Como o senhor vê o resultado dessas ações próximas à realidade?

R) Com isso vamos acumulando treinamento para a nossa tropa. Damos confiança aos nossos subordinados naquilo que vão fazer. Conhecemos melhor o terreno, empregamos melhor o material e sabemos de suas qualidades e eventuais deficiências. Tudo isso é um ganho muito grande.

MD- Existe algum tipo de ameaça do exterior ao Brasil?

R) Temos relações extremamente cordiais com nossos vizinhos de toda a América do Sul. Não trabalhamos com essa hipótese, diante da remota possibilidade de que ocorra. Nós nos adestramos porque, como já se disse muitas vezes, se queres a paz, prepara-te para a guerra. Isso é uma filosofia seguida por todas as nações que têm responsabilidades no campo da defesa. Também temos essa responsabilidade. Não podemos deixar de lado essa imposição do mundo moderno.

13 Agosto 2008

"Rússia não sairá impune ", diz secretária de Estado dos EUA



"Não estamos em 1968. A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune", declarou a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em coletiva transmitida pela rede CNN nesta quarta-feira.

Rice fazia alusão a ocupação da Tchecoslováquia (hoje, República Tcheca) pela URSS, em 20 de agosto de 1968. Tropas soviéticas invadiram o país para sufocar um movimento reformista que tentava "humanizar o socialismo", em um episódio que entrou para a história como a "Primavera de Praga". No total, 72 pessoas foram mortas e 200 ficaram feridas.

A secretária de Estado também defendeu "a integridade do governo democraticamente eleito da Geórgia" e condenou a Rússia. "Os ataque russos foram além da questão da Ossétia do Sul, eles bombardearam Gori e destruiram a infra-estrutura georgiana. E é, por isso, que a comunidade internacional e os EUA falam de consequências."

Rice, porém, não especificou quais seriam as retaliações americanas e européias à Rússia pelos ataques na Geórgia. Ontem surgiram especulações de que a entrada russa na OMC (Organização Mundial do Comércio) poderia ser uma opção, mas nem os EUA ou a UE confirmaram a informação.

"As diferenças da Ossétia do Sul com a Geórgia poderiam ter sido resolvidos com muita calma, por meio negociações. Ao ampliar o conflito, a Rússia colocou em perigo as vidas dos civis na Ossétia e na Geórgia", acrescentou Rice.

Mais cedo, o presidente americano, George W. Bush, anunciou que Rice será enviada a Tbilisi para ajudar nas negociações de cessar-fogo entre a Geórgia, aliada dos EUA, e a Rússia. Os dois países estão em conflito há seis dias devido a uma ofensiva da Geórgia à região separatista da Ossétia do Sul, defendida pela Rússia.

Primeiro, Rice voa a Paris. "Vou à França porque nós apoiamos a presidência francesa da União Européia. Acreditamos que a Rússia vai cumprir seus compromissos e abandonar as ações militares, como se comprometeu há 24 horas com o presidente francês [Nicolas Sarkozy]", afirmou a secretária de Estado americana.

Ontem, os presidentes da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e da Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram um acordo de cessar-fogo proposto pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy --cujo país preside atualmente a UE. No entanto, em poucas horas, a Geórgia acusou a Rússia de desrespeitar o cessar-fogo.

Nesta quarta, Saakashvili afirmou à rede de TV CNN que, ao invés de recuar, como previa o acordo, as forças russas estão avançando para a capital georgiana, Tbilisi, e tentando sitiá-la. Mais cedo, ele já havia afirmado também que tanques russos tinham atirado contra habitantes da cidade de Gori.

O acordo assinado ontem pelas autoridades georgiana e russa previa, entre outros pontos, a renúncia ao uso da força por parte dos dois países; o fim definitivo das ações militares; o livre acesso de ajuda humanitária; e o retorno tanto de tropas de ambas as partes às suas posições originais.

Com agências internacionais

12 Agosto 2008

Comandante reconhece fragilidade na defesa de soberania marítima



Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - A descoberta de petróleo na camada pré-sal expôs a fragilidade brasileira na defesa do mar territorial e o governo reconheceu nesta terça-feira que as Forças Armadas não têm como garantir totalmente a soberania das águas brasileiras.

Sempre mais voltado para uma agressão à Amazônia, o Brasil se preparou para defender sua floresta, mas não desenvolveu poder dissuasivo contra ataque às suas riquezas no mar.

Descoberto pela Petrobras e seus parceiros no ano passado, o reservatório da camada pré-sal estende-se por 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, e pode conter bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural).

"Sem sombra de dúvidas, precisamos aumentar a capacidade da Marinha de estar presente em toda essa região", disse a jornalistas o almirante Julio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha, referindo-se à chamada Amazônia Azul, o espaço marítimo brasileiro, que tem 4,5 milhões de quilômetros quadrados. "Eu diria hoje que nós não temos capacidade de atender a todas as nossas tarefas", acrescentou.

O comandante ressaltou que o governo está ciente da importância de levar adiante o programa de reaparelhamento das Forças Armadas. Um dos objetivos da Marinha é construir um submarino nuclear para garantir ao Brasil poder dissuasivo.

Apesar do alerta, Moura Neto negou que a reativação da Quarta Frota anunciada pelos Estados Unidos represente um risco ao país. Para o almirante, a medida não gerará, "em hipótese alguma", atritos nas relações bilaterais com os EUA.

"O Comando Sul dos EUA, que tem como responsabilidade a área da América do Sul e Central, sempre foi apoiado por uma frota americana. Antigamente, era a Segunda Frota. Agora, é a Quarta. Não há nenhuma mudança estrutural, apenas mudanças administrativas dentro da Marinha americana", afirmou.

Moura Neto disse ainda não acreditar que os americanos foram motivados pelas descobertas de petróleo anunciadas recentemente pelo Brasil. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a levantar essa suspeita. "Não há relevância no contexto", assegurou.

As declarações do comandante da Marinha foram feitas depois de cerimônia de promoção de oficiais, no Palácio do Planalto. Na ocasião, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a Amazônia está protegida.

"Não há motivos para temer nenhuma ameaça à Amazônia. Nossos soldados estão prontos para defendê-la", discursou. "Apesar de algumas deficiências logísticas, todos os objetivos estão sendo conquistados."

Jobim voltou a comentar o Plano Estratégico de Defesa Nacional, que entregará ao presidente Lula no mês que vem. Segundo o ministro, o programa garantirá o aparelhamento das Forças Armadas e fortalecerá a indústria bélica nacional. "Não podemos continuar na dependência quase completa do material importado", frisou.

Os comandantes militares consideraram encerrada a polêmica em torno da revisão da Lei de Anistia, com a exclusão dos torturadores. A hipótese foi levantada pelo ministro da Justiça Tarso Genro com o argumento de que tortura não é crime político.

"O assunto está encerrado. O presidente falou, o ministro comentou, então está encerrado", disse o comandante do Exército, general Enzo Peri, referindo-se à determinação de Lula de que o assunto fique restrito ao Judiciário.

Rússia poderá, no final, recuperar sua presença militar em Cuba e no Vietnã



As bases do exército russo em Cuba ainda poderão tornar-se realidade. O General-Coronel Leonid Ivashov, presidente da Academia de Ciências Geopolíticas, declarou, segunda-feira, que a recuperação da presença militar russa em Cuba poderá tornar-se uma resposta real ao aumento em curso da pressão militar e política dos Estados Unidos sobre a Rússia.

"É segredo de todos conhecido que o Ocidente, nos anos recentes, vem estabelecendo uma zona-tampão ao redor da Rússia, envolvendo, nesse processo, estados europeus e bálticos, a Ucrânia e o Cáucaso. A expansão da presença militar russa no exterior, particularmente em Cuba, poderá tornar-se uma resposta às atividades lideradas pelos Estados Unidos," citou a RIA Novosti como palavras de Ivashov.

Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa, fez uma visita de trabalho a Cuba em 30-31 de julho e teve reuniões com ministros cubanos a respeito de defesa e assuntos internos.

Leonid Ivashov disse que a visita de Patrushev à "ilha da liberdade" foi feita para discutirem-se as formas da possível presença militar da Rússia na ilha.

"Há baías convenientes para reconhecimento e couraçados e uma rede dos assim chamados postos avançados de ação temporária em Cuba. Podemos retomar o funcionamento do centro de radar em Lourdes ao ser dado o 'de acordo' da administração cubana. Para tanto será necessário, todavia, embarque de novo equipamento de radar," disse Ivashov.

O oficial enfatizou também a importância de a administração russa modernizar um centro de suporte técnico para vasos da Marinha Russa no porto de Tartus na Síria. Por fim, Ivashov não descartou a possibilidade de retomar negociações com o Vietnã a propósito da possibilidade de a Rússia localizar seus navios de combate no porto de Cam Ran.

Leonid Ivashov presidiu o departamento de cooperação internacional de defesa do Ministério da Defesa da Rússia em 1996-2001.

O ex-comandante da Marinha da Rússia no Mar Negro, Eduard Baltin, também disse que há bases convenientes em Cuba, onde navios russos poderiam ficar atracados. "Tecnicamente é possível, embora não haja, no presente, necessidade estratégica," disse o almirante.

O centro russo de intercepção de rádio operou em Cuba até 2002. O centro era chamado oficialmente de Centro Eletrônico Russo em Lourdes. Permitia interceptar dados transmitidos de satélites de comunicação dos Estados Unidos, de cabos de telecomunicação baseados em terra e até mensagens do centro da NASA na Flórida. A base foi fechada em outubro de 2001. O aluguel anual pelo uso da base em Lourdes era, acredita-se, de $200 milhões de dólares.

A maior base da Marinha da Rússia no exterior foi fechada em 2002. O acordo entre a Rússia e o Vietnã em 1981 estipulava o uso de dois ancoradouros para couraçados e submarinos russos, cerca de 30 armazéns e uma pista para todos os tipos de avião.

Cam Ran desempenhava papel fundamental nos planos da Marinha Russa, porque era a única base capaz de proporcionar a presença de vasos russos no Oceano Índico e na área do Golfo Pérsico. O aluguel anual montava $300 milhões de dólares.

O centro de suporte técnico da Marinha Russa em Tartus, na Síria, ainda funciona, sem ônus.

Autor do post: Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

Estados Unidos aprovam a agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul e a Rússia



O candidato finalista à presidência dos Estados Unidos John McCain disse que a Rússia não deveria interferir no conflito na Ossétia do Sul. A propaganda pró-Geórgia na mídia dos Estados Unidos é da mesma opinião. Isso patenteia a idéia de que a agressão georgiana contra a república não reconhecida da Ossétia do Sul foi coordenada com a administração dos Estados Unidos. Todavia, todos os argumentos dos políticos e especialistas dos Estados Unidos (o Pravda.ru entrevistou alguns deles) não resistem a nenhuma crítica.

"Temos que providenciar imediatamente uma reunião do Conselho da OTAN para avaliar a segurança da Geórgia e considerar as medidas que a OTAN poderá tomar para estabilizar essa situação altamente perigosa," disse John McCain.

"A comunidade internacional precisa espraiar forças de paz independentes e neutras na Ossétia do Sul. A Rússia tem que imediata e incondicionalmente cessar suas operações militares e retirar as tropas do território soberano da Geórgia," acredita McCain.

Ariel Cohen, bem conhecido especialista dos Estados Unidos em União Soviética, Membro Pesquisador de Alto Nível da Fundação Heritage, declarou que a Rússia vinha havia meses planejando a incursão, e que esta visava a demonstrar sua hegemonia na Europa Oriental, tirar do poder na Geórgia o Sr. Saakashvili e não deixar a Geórgia tornar-se membro da OTAN.

Aparentemente, McCain e outros especialistas dos Estados Unidos acreditam que o extermínio de milhares de pessoas inocentes e a destruição das residências delas podem ser denominados de recuperação da integridade territorial.

É digno de nota que a Força Aérea da Rússia já impediu agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul há um mês. A situação agravou-se logo depois da visita de Condoleezza Rice à Geórgia. Não está descartada a possibilidade de a Sra. Rice ter aprovado o início da guerra na região em nome da administração dos Estados Unidos.

Tomando-se em consideração as observações de McCain, pode-se assumir que os Estados Unidos proporcionaram certas garantias à Geórgia. Não fora assim, as tropas georgianas não teriam aberto fogo contra os pacificadores russos. Tais batalhas inevitavelmente levam a guerra contra a Rússia. A Geórgia não se atreveria a fazer isso sozinha, sem o apoio do Ocidente. Além do mais, a Geórgia pediu aos Estados Unidos para retirar seu próprio contingente do Iraque a fim de acantoar tais militares na Ossétia do Sul.

A evidência para comprovar a mão dos Estados Unidos por trás da agressão georgiana contra a Ossétia do Sul pode ser encontrada na mídia ocidental. As agências de notícias ocidentais, a Reuters, por exemplo, vêm distribuindo incontável número de fotografias retratando supostas atrocidades da Rússia na Geórgia. Tais fotos, juntamente com manchetes acordes, podem ser encontradas em praticamente todos os jornais dos Estados Unidos (o New York Times é o melhor exemplo disso). Todos eles unanimemente acusam a Rússia de agressão à Geórgia, mas não dizem uma palavra a respeito das ações da Geórgia contra civis na Ossétia do Sul.

Esta guerra deu à administração dos Estados Unidos excelente oportunidade de desviar as atenções dos Jogos Olímpicos de Verão em Beijing, que Washington originalmente pretendia boicotar. Além disso, levaria a escalada da situação no intranquilo Cáucaso para exaurir a Rússia com intermináveis conflitos ali. Nesse caso os Estados Unidos conseguiriam obter pleno direito de entrar no território sob o pretexto de forças de paz e de conceder à Geórgia a condição de membro da OTAN.

Nem teria o Ministério do Exterior da Ucrânia divulgado sua declaração anti-Rússia sem instruções dos Estados Unidos. A Ucrânia praticamente apoiou a agressão da Geórgia, havendo reconhecido o direito desta última de defender sua integridade territorial mediante uso de força militar.

Quanto à história, a questão do separatismo - Geórgia e Ossétia - é discutível. Foi a Geórgia que resolveu sair da URSS, enquanto que os ossetas protestaram contra tal decisão.

A Geórgia fustiga com artilharia hospitais e casas, matando milhares de ossetas. O Presidente iugoslavo Slobodan Milosevic costumava ser acusado de genocídio pela chacina de várias dúzias de albaneses.

Os políticos dos Estados Unidos não fizeram nenhum apelo para que cessasse o extermínio do povo da Ossétia do Sul. Em contrapartida, John McCain tenta virar tudo pelo avesso acusando a Rússia de agressão, embora a Rússia tenha tomado medidas adequadas para salvar os ossetas do extermínio. Os Estados Unidos não condenam Mikhail Saakashvili, outro fato a comprovar que o presidente georgiano obteve aprovação dos Estados Unidos para a guerra.

Autor do post: Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

Presidente russo declara cessar-fogo no conflito do Cáucaso



Cinco dias após o início do conflito no Cáucaso, o presidente russo Dimitri Medvedev ordenou o fim da operação militar contra a Geórgia. Tropas russas, no entanto, continuarão estacionadas no país vizinho.

"O objetivo da operação foi alcançado", comentou o chefe de Estado russo nesta terça-feira (12/08), ao anunciar o fim da ação militar de Moscou no Cáucaso em defesa de seus interesses nas províncias separatistas georgianas da Ossétia do Sul e Abkházia.

"O agressor foi castigado e sofreu duras perdas" acresceu Dimitri Medvedev, pouco antes de seu encontro com o presidente francês Nicolas Sarkozy em Moscou. O presidente francês, que exerce atualmente a presidência semestral da União Européia, viajou à capital russa na tentativa de intermediar o conflito.

Mesmo após o cessar-fogo decretado por Medvedev, as tropas russas deverão continuar na Geórgia, informou o vice-comandante do Estado Maior russo, general Anatoli Nogovitsin. "As tropas russas ficarão no mesmo local aonde ordenamos que fossem", comentou o general.

A guerra entre a Rússia e a Geórgia provocou a evasão de cerca de 100 mil pessoas. Por volta de 30 mil refugiados teriam deixado as regiões de combate na Ossétia do Sul em direção à província russa da Ossétia do Norte, informou o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, nesta terça-feira em Genebra.

Condições de cessar-fogo

No encontro que teve como Nicolas Sarkozy em Moscou, o presidente russo apontou duas condições para uma solução definitiva do conflito no Cáucaso. Em primeiro lugar, os soldados georgianos devem se retirar das regiões de conflito e entregar, em parte, suas armas. Além disso, Medvedev exige a assinatura de um acordo de renúncia à violência por parte da Geórgia. Ainda não está claro se o governo de Tbilisi aceitará as condições impostas por Medvedev.

Quanto ao controle do cessar-fogo, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, descartou a participação de soldados georgianos. Ele também rebateu acusações da Geórgia e dos EUA de que seu país pretenderia derrubar o governo de Tbilisi.

Medvedev e Sarkozy discutem, nesta terça-feira em Moscou, o plano de paz da União Européia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Sarkozy se encontra ainda com o presidente georgiano Mikhail Saakashvili, que já assinara na véspera o plano de cessar-fogo.

Antes do encontro com Medvedev, o presidente francês afirmou que agora é necessário estabelecer o mais rápido possível um cronograma para que os partidos conflituosos voltem às posições que tinham antes do início da crise.

Solidariedade com a república caucasiana

Os presidentes da Polônia, Lituânia, Estônia, como também o primeiro-ministro da Letônia partiram de Varsóvia em direção à Geórgia para mostrar sua solidariedade com a república caucasiana no conflito com a Rússia. Segundo o presidente polonês, Lech Kaczynski, a Geórgia teria sido "vítima de uma agressão". A oferta de paz do presidente russo foi bem aceita pelo chefe de estado polonês. Pouco antes de voar para Geórgia, Kaczynki questionou se as ofensivas russas não iriam ser retomadas.

Os 26 países que fazem parte da Otan também exigiram que a Rússia respeite a integridade territorial da Geórgia. "Um cessar-fogo não é suficiente", disse o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, após consultas entre o embaixadores dos países da Otan e o representante da Geórgia, em Bruxelas.

Jaap de Hoop Scheffer declarou que todos os partidos devem restaurar "o estado antes de 6 de agosto" – ou seja, antes da investida georgiana na região separatista da Ossétia do Sul. O secretário-geral salientou que a Geórgia "se encontra a caminho de seu ingresso na Otan".

Novos bombardeios

Apesar do cessar-fogo declarado pelo presidente Medvedev, cinco civis morreram e outros ficaram feridos devido a bombardeios russos na cidade de Gori, situada a 60 quilômetros a oeste da capital Tbilisi.

A informação da rede de TV RTL vai de encontro à declaração feita nesta terça-feira pelo vice-comandante do Estado Maior da Rússia, Anatoli Nogovitsin, de que "as Forças Armadas russas não fizeram nenhum ataque direcionado a Gori".

Segundo informações da emissora de TV, um cameraman holandês está entre as vítimas dos bombardeios aéreos russos em Gori. Um repórter de televisão também foi ferido nos bombardeios, informou a RTL.

Iraque: EUA 'pagaram US$ 85 bi a terceirizados'



O governo dos Estados Unidos pagou mais de US$ 85 bilhões (cerca de R$ 136 bilhões) a empresas privadas para desempenhar funções de apoio às suas operações militares no Iraque, diz um relatório divulgado nesta terça-feira.

De acordo com o trabalho elaborado pela Divisão Orçamentária do Congresso, que se apresenta como não-partidária, no início deste ano havia pelo menos 190 mil pessoas trabalhando sob contratos no país.

Segundo os autores, o número de profissionais terceirizados usados no Iraque é maior do que em qualquer outro conflito dos Estados Unidos. Para cada membro das Forças Armadas americanas, há um terceirizado.

A maior parte dos gastos foi desembolsada com apoio logístico, construção, combustíveis e alimentação.

Ainda de acordo com o relatório, entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões foram gastos com serviços de segurança entre 2003 e 2007.

O documento, que foi encomendado pela Comissão de Orçamento do Senado, informa ainda que os gastos com terceirizados representam cerca de 20% do total gasto pelos Estados Unidos no Iraque.

Os dados devem dar mais munição a críticos da estratégia americana no país que acusam os terceirizados de prestar serviços superfaturados e de má qualidade.

No último ano, profissionais contratados pelos Estados Unidos para atuar no Iraque foram investigados por suposto envolvimento com mortes de iraquianos e a eletrocussão acidental de soldados americanos.

Análise: Rússia vê vitória no enfraquecimento da Geórgia

O anúncio feito nesta terça-feira pelo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev – em que ele determinou o fim do conflito com a Geórgia – pode não significar o fim imediato da tensão entre os dois países.



James Rodgers
De Moscou para a BBC

Entretanto, Moscou sempre deixou claro que só encerraria a ofensiva em seus próprios termos - o que se traduz, neste caso, em um enfraquecimento da Geórgia, pelo menos na área militar.

A pressão internacional pode ter sido um fator na decisão russa, mas desde o início Moscou estava convencida de que a opinião pública de países do Ocidente estava errada sobre quem era a vítima e quem era o agressor.

Para o Kremlin, oficialmente a ofensiva foi lançada para proteger as vidas de civis e de russos, e a maior parte da opinião pública russa parece acreditar nisso.

Entretanto, à medida que o confronto avançou, ficou claro que Moscou tinha dois objetivos: um militar e um político.

“A conclusão lógica é (que foi para) destruir a capacidade militar da Geórgia”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a respeito das metas da campanha russa.

Aparentemente a campanha militar representou um duro golpe para as forças armadas georgianas. Esse objetivo foi alcançado.

Saakashvili enfraquecido?

A meta política, sobre a qual não se falou, é o enfraquecimento do presidente georgiano Mikhail Saakashvili – ou mesmo sua retirada do poder.

O ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, negou que o país tenha qualquer intenção de afastar Saakashvili, mas acrescentou que “seria melhor se ele saísse”.

Qualquer negociação formal entre os dois lados ainda parece distante. Mas antes mesmo de concordar em sentar à mesa de negociações, a Rússia, na prática, já impôs suas condições: não aceita negociar com Saakashvili e não aceita tropas georgianas na Ossétia do Sul.

O governo russo acredita que pode ditar as regras. Sente-se fortalecido. Espera ter deixado Saakashvili, um homem com o qual o Kremlin teve uma relação difícil antes mesmo deste conflito, se sentindo mais fraco.

Géorgia acusa Rússia de novos ataques após anúncio de Medvedev

Apesar do anúncio do presidente russo Dmitri Medvedev sobre o fim da ofensiva militar na Geórgia, o governo georgiano acusou a Rússia de realizar novos ataques nesta terça-feira.



Autoridades na capital da Geórgia, Tbilisi, afirmam que dois aviões russos bombardearam vilarejos próximos da fronteira com a Ossétia do Sul, mas o Ministério da Defesa da Rússia nega as acusações.

Em um discurso nesta terça-feira em frente ao Parlamento, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse que a “destruição cruel dos cidadãos georgianos pelos invasores russos” continuava.

Saakashvili declarou ainda que o país deve deixar a CEI (Comunidade de Estados Independentes), bloco que agrupa 12 Estados que formavam a antiga União Soviética. Ele pediu para que a Ucrânia e outros membros do grupo sigam o exemplo da Geórgia.

O anúncio sobre o fim do conflito foi bem recebido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que chegou a Moscou para tentar mediar o cessar-fogo entre a Rússia e a Geórgia.

Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que o país não tem nenhuma confiança na liderança da Geórgia.

Lavrov afirmou ainda que a única saída para o conflito seria garantir a retirada de todas as tropas georgianas da Ossétia do Sul e fazer com que a Geórgia assine um acordo de não usar mais a força.

Cessar-fogo

O anúncio do fim da ação militar contradiz a postura do país acerca do conflito.

Além da declaração de Lavrov, o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, afirmou que o país rejeitaria a proposta francesa para pôr fim às ações militares.

O plano francês previa um cessar-fogo imediato, respeito à integridade territorial da Geórgia e retorno ao status quo anterior à intervenção georgiana na Ossétia do Sul, no dia 6 de agosto.

Moscou havia pedido uma reunião de emergência com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre o conflito, antes de tomar qualquer decisão a respeito das tensões entre os dois países.

Pressão

Na segunda-feira, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que a ação militar da Rússia na Geórgia é ''inaceitável no século 21''.

Segundo Bush, a incursão militar ''prejudicou seriamente a imagem da Rússia perante o mundo'' e ''as relações com os Estados Unidos e a Europa''.O líder americano acrescentou ainda que a ação militar ''levantou sérias dúvidas sobre as intenções da Rússia na Geórgia e na região''.

Bush não comentou, no entanto, quais seriam as conseqüências caso a Rússia não aceite os apelos da comunidade internacional pelo fim do conflito.

De acordo com o correspondente para assuntos diplomáticos da BBC, Jonathan Marcus, apesar de um desconforto sobre as razões que teriam levado o presidente Saakashvili a enviar suas tropas à Ossétia do Sul, muitos acreditam que Moscou foi longe demais.

Ao se movimentar para além dos territórios das regiões separatistas da Ossétia e da Abecásia, as forças russas estão próximas de bloquear importantes vias de transporte entre Tbilisi e os portos da Geórgia no Mar Negro, o que reforça as preocupações sobre os objetivos estratégicos do país.

EMBRAER ENTREGA 25º AVIÃO SUPER TUCANO À COLÔMBIA

Primeiro cliente no exterior desta aeronave completa sua frota



São José dos Campos, 11 de agosto de 2008 – A Embraer entregou hoje o 25º avião Super Tucano para a Força Aérea Colombiana (FAC), em cerimônia realizada na sede da Empresa em São José dos Campos, interior do Estado de São Paulo. O evento marcou a conclusão das entregas iniciadas em dezembro de 2006 para o primeiro cliente no exterior da aeronave.

O Super Tucano entrou em operação na Força Aérea Brasileira (FAB) em dezembro de 2003, para ser empregado no treinamento de seus pilotos, bem como para executar missões operacionais. Dois anos mais tarde, a Embraer assinou um contrato com a Força Aérea Colombiana para 25 aviões. O acordo incluiu um avançado sistema de treinamento e suporte à operação com estações em solo denominado TOSS (Training and Operation Support System) e representou o início das exportações desta aeronave.

Sobre o Super Tucano

O Super Tucano é uma inovadora evolução do bem-sucedido Tucano, que tem cerca de 650 unidades em serviço em 15 Forças Aéreas no mundo inteiro.

Turboélice militar multi-função, monomotor, com assentos em linha (tandem) escalonados, o Super Tucano possibilita, ao mesmo tempo, treinamento e eficácia operacional a baixos custos de aquisição e operação. A aeronave oferece soluções avançadas, do treinamento básico ao avançado e familiarização com armamento, como, por exemplo, simulação em vôo. O avião também apresenta excelentes características operacionais que se fazem necessárias para missões bem-sucedidas de apoio à segurança interna contra-insurgência (Counter-insurgency – COIN).

Em operação na Força Aérea Brasileira e também na Força Aérea Colombiana, a fabricação do Super Tucano prossegue firme em uma linha de produção ativa e flexível, evidenciando os esforços da Embraer para satisfazer as necessidades dos clientes e entregar aeronaves em prazos reduzidos.

11 Agosto 2008

Rússia deixa base da Geórgia e diz que Ossétia do Sul não está em risco

Tropas da Rússia entram em porto da Geórgia, acusa premiê georgiano; autoridade russa nega


Das agências internacionais

O primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurgenidze, acusou, nesta segunda-feira, que tropas russas entraram no porto georgiano de Poti, no mar Negro, um centro de transporte de petróleo e cargas. O conflito entre Geórgia e Rússia teve início na última quinta-feira (7), quando a Geórgia bombardeou a Ossétia do Sul, região separatista.

"De acordo com nossas informações, tropas russas entraram em Poti e estão também em Senaki e Zugdidi", disse Gurgenidze em uma mensagem televisionada, se referindo a duas outras cidades no oeste da Geórgia.

A informação, no entanto, é negada pelo Ministério da Defesa da Rússia, informou a agência de notícias Interfax nesta segunda-feira. "As tropas nunca receberam esta ordem", disse um representante do ministério.

Recuo russo

As tropas russas se retiraram da cidade georgiana de Senaki nesta segunda, segundo o ministério russo de Defesa, informaram as agências Ria-Novosti e Interfax. Os russos deixaram a base militar pois concluíram que não há mais risco de que a separatista Ossétia do Sul seja novamente atacada pelas tropas georgianas, que já haviam deixado o local.

A cidade fica a 150 km de Ossétia do Sul e a cerca de 50 km de Abjasia, outro território separatista da Geórgia. "As forças russas ocuparam a base militar de Senaki que havia sido abandonada e onde apenas estavam alguns soldados", disse o porta-voz do Ministerio do Interior georgiano, Chota Utiashvili.

Apesar disso, as forças russas ocupam "a maior parte" do território georgiano, segundo afirmou o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. "A maior parte do território da Geórgia está ocupada", declarou o chefe de Estado em discurso transmitido pela televisão.

Segundo Saakashvili, a Rússia quer destruir a Geórgia, após admitir que as tropas russas cortaram a comunicação entre o leste e o oeste do país. "Cortaram (a ligação entre) leste e oeste. É a ocupação da Geórgia, a destruição da Geórgia", disse.

Segundo o presidente georgiano, as tropas russas "bloquearam as vias principais da Geórgia", o país "está bloqueado por terra, mar e ar" e "parte do território foi invadido". Saakashvili ressaltou que "a principal missão do inimigo é que a Geórgia deixe de existir como país livre e próspero, que deixe de existir em geral".

O presidente da Geórgia, que esta manhã assinou em presença internacional o compromisso escrito de cessar-fogo unilateral, lamentou que a comunidade mundial se limite ao "apoio moral" e às "palavras". "Queremos que a bárbara agressão seja detida", ressaltou Saakashvili.

As tropas russas entraram nesta segunda-feira pela primeira vez no território georgiano, fora das regiões separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Com isso, a Geórgia anunciou que retirou suas tropas da cidade de Gori para reagrupá-las e defender a capital, Tbilisi, enquanto a Rússia negou planos de tomar a cidade. Segundo o governo da Geórgia, as tropas russas, que passaram o dia atacando Gori, onde nasceu Stalin, ainda não tomaram a cidade, informação confirmada pelo ministério da Defesa russo.

Limpeza étnica

O vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov, descartou hoje que haja um acordo de cessar-fogo com a Geórgia, um país que acusou de realizar uma "limpeza étnica" na Ossétia do Sul.

"Acuso os líderes georgianos de limpeza étnica, porque sua meta política era eliminar a população, uma ínfima população da Ossétia do Sul, porque sem ela é impossível reintegrar a Ossétia do Sul à Geórgia", afirmou Ivanov em entrevista à rede de TV americana "CNN". "Como resultado do que ocorreu, agora estou totalmente seguro que uma negociação política entre Geórgia e Ossétia do Sul jamais será uma realidade nas próximas décadas", acrescentou.

Perguntado sobre se a Rússia assinaria o pacto de fim de hostilidades assinado pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, Ivanov disse que "não é um acordo de cessar-fogo". "Um cessar-fogo é assinado por ambas as partes quando se reúnem", ressaltou.

EUA x Rússia

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu que a Rússia acabe com sua ação militar na Geórgia, classificando a operação militar russa como uma inaceitável invasão de um Estado soberano.

"A Rússia invadiu um Estado soberano vizinho e ameaça um governo democrático eleito pelo povo. Tal ação é inaceitável no século 21", disse Bush.

"Há evidência de que as forças russas podem em breve começar a bombardear o aeroporto civil da capital do país. Se as informações forem precisas, essas ações russas representam uma escalada dramática e brutal do conflito na Geórgia", disse Bush a jornalistas na Casa Branca depois de retornar da China.

ONU

A Geórgia solicitou hoje uma quinta reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para informar sobre a gravidade da situação no país devido à intensificação da ofensiva militar russa contra território georgiano.

Após vários países-membros negociarem uma minuta de resolução, o conselho deu início à quinta reunião de emergência. Fontes diplomáticas disseram que, depois de uma série de consultas, os membros do CS, a pedido da Geórgia, decidiram que a reunião aconteceria a portas fechadas.

Conflito

A Geórgia lançou um cerco à Ossétia do Sul na última quinta-feira (7), enviando tanques para a região separatista, em tentativa de retomar o controle do local. Na sexta-feira (8), tropas georgianas bombardearam a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Em resposta, a Rússia tem bombardeado a Geórgia. O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha.

Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada no leste europeu, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou "república soviética", mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma. Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viaja amanhã à capital russa, onde deve abordar a situação com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.