30 Novembro 2008

Tropas da ONU não garantem paz

Organização é acusada por muitos de ser ineficiente e despreparada para resolver conflitos



David Lewis

Os representantes de operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no leste da República Democrática do Congo, sob uma rajada de críticas por falhar em proteger civis numa guerra caótica entre rebeldes, Exército e milícias, lutam para encontrar seu papel na guerra para evitar conflitos e desastres humanitários no mundo.

Quase 10 anos depois de serem enviados para a região, os militares são acusados pelo governo e civis de ficarem inertes - críticas que já foram feitas em intervenções anteriores em outros locais, como Sarajevo. Rebeldes antigoverno os chamam de preconceituosos e diplomatas dizem que sua ação é confusa.

- Não tenho mais certeza de qual é nossa posição. Estávamos prontos para intervir, mas não o fizemos - disse um oficial da ONU no Congo depois de os rebeldes avançarem, expulsando o Exército.

Cresceu a pressão internacional para que a ONU aperfeiçoe e fortaleça suas operações de paz.

A comunidade internacional já gastou bilhões de dólares tentando ajudar a ex-colônia da Bélgica, rica em minerais, no coração da África, a se recuperar da guerra que matou 5 milhões de pessoas por meio de violência, fome e doenças. Além dos reforços, os líderes mundiais querem que a força da ONU prepare as tropas de forma mais eficiente e as torne mais robustas.

- Também achamos que eles (da operação de paz) deviam aproveitar a oportunidade para rever as regras de engajamento - analisa Jean-Maurice Ripert, embaixador da França na ONU.

A força da ONU no Congo reclama que está sofrendo muita pressão e que não consegue proteger todos os civis no leste. Um aspecto-chave do papel da missão tem sido apoiar o Exército nacional, uma amálgama de antigo governo, rebeldes e milícias da última guerra.

Os soldados da ONU forneceram treinamento, ajuda logística e médica e lutaram, freqüentemente, junto com os soldados do governo, usando armas pesadas e oferecendo suporte aéreo em batalhas contra rebeldes. Mas a relação se tornou cada vez mais desconfortável, à medida que soldados desertores passaram a roubar, matar e estuprar civis.

- O Exército estupra e mata. Como os que mantém a paz podem apoiar criminosos como esses? - indigna-se um diplomata.

A organização se esforça para rebater as críticas.

- Nós demos ajuda suficiente ao Exército, mas se o Exército não está lá, então, existe obviamente um problema - observa o chefe da operação Alan Doss.

A caserna vai ficar high-tech na mata



Leandro Mazzini

O Exército brasileiro será a peça fundamental de Nelson Jobim nesse novo Plano de Defesa Nacional a ser lançado. A caserna vai ficar high-tech na floresta, se tudo der certo como quer o ministro.

As novas palavras de ordem para o Quartel-General são "Elasticidade, Flexibilidade e Mobilidade". O que quer dizer, na prática: o Exército, na parte que lhe cabe no grande plano, ficará incumbido de reestruturar sua caserna na Região Amazônica – nos cinco Estados que abrangem 60% do território nacional. O plano consiste na compra de equipamentos de comunicação de última geração, tudo para deixar o soldado, os veículos e aeronaves em conexão on-line via satélite. É uma ousadia. Prevê também a redistribuição de tropas nas fronteiras.

Tempo real

A idéia do projeto é equipar a caserna e as tropas na florestas com equipamentos que permitam monitoramento em tempo real das regiões e rápida mobilização para eventual contra-ataque.

Em carta, Jobim nega incursão a território vizinho



DA REDAÇÃO

O Ministério da Defesa brasileiro emitiu nota ontem na qual diz que o titular da pasta, Nelson Jobim, enviou carta à Chancelaria paraguaia qualificando de "infundadas as acusações de suposta violação de território" vizinho por tropas brasileiras na última quarta-feira.

Na carta a Alejandro Hamed, diz o comunicado, "Jobim faz um histórico do episódio, destinado a adestrar a tropa no combate ao contrabando e a outras ações ilegais". A Defesa brasileira nega a suposta incursão e atribui o incidente a um equivoco das autoridades paraguaias e à dificuldade de identificação da fronteira.

Na quarta, policiais do departamento de Canindeyú (leste) disseram ter localizado cerca de 30 soldados brasileiros em território paraguaio, a 30 metros da fronteira, e os advertido da incursão. A versão foi corroborada no dia pelo capitão brasileiro.

Na quinta, Hamed chamou o embaixador brasileiro a dar explicações, qualificou de "provocação" o episódio e disse que ele afetava a soberania paraguaia. O Itamaraty atribuiu a dureza da reação paraguaia a apelos nacionalistas locais.

Divergências



Unger admitiu ontem que há divergências entre os militares sobre o Plano Estratégico de Defesa Nacional, que deve ser apresentado em dezembro, após três meses de adiamentos. No entanto, sustentou que a cúpula das Forças Armadas participou da elaboração das diretrizes e estão entusiasmadas. O ministro disse saber que haverá reações ao plano, mas afirmou que o debate será benéfico para que a sociedade assuma as decisões que o País precisa tomar para se posicionar com mais assertividade no cenário mundial.

"Agora vamos acender as luzes e ir para o debate. Confio que nós ganharemos", disse Mangabeira, ao encerrar a sua palestra na 5ª Conferência do Forte de Copacabana, evento sobre segurança internacional no Rio. O ministro definiu o plano como fruto da aproximação dos militares, que sempre monopolizaram o esforço de defesa, com setores políticos oriundos da esquerda, que estão no poder, defensores do desenvolvimento.

Ao comentar a resistência dos militares na revisão dos crimes de tortura praticados durante a ditadura, o ministro defendeu que o tema fique restrito à Justiça para não impedir a convergência.

Em entrevista após a palestra, Unger afirmou que o tema não causou, até agora, ruídos nas conversas para a elaboração do plano estratégico. "A judicialização do problema é o método correto para resolvê-lo", defendeu. "Nosso foco principal estará no futuro. A decisão sobre como lidar com o passado atribuiremos aos tribunais".

Na palestra, o ministro deu alguns sinais do que está no Plano de Defesa, como a manutenção do serviço obrigatório militar. Unger defendeu o recrutamento como forma de mobilização cívica do povo, mas com instrumentos que garantam às Forças o recrutamento de jovens em todas as classes sociais e regiões do País. "A verdade é que hoje o serviço não é obrigatório para todos. Predominam os jovens trabalhadores pobres", criticou.

O ministro também indicou que o governo quer criar salvaguardas para indústria bélica nacional, que teria regimes regulatório, jurídico e tributário especial e até poderia ficar isenta das regras gerais de licitação.

Comandante da Marinha alerta para precariedade de frota

Militar admite falta de embarcações para proteger plataformas



Klécio Santos
, Brasília

Responsável pelos 4,5 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais brasileiras, o Comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, teme pela segurança das plataformas de petróleo na Bacia de Campos.

Em entrevista a Zero Hora, o almirante admitiu a falta de embarcações para proteger as plataformas, defendeu a duplicação da frota de navios-patrulha e a compra de submarinos franceses como soluções emergenciais.

– O governo tem plena consciência da necessidade da presença da Marinha junto às plataformas de petróleo.

Ele não considera que as plataformas brasileiras estejam vulneráveis. Contudo, diz que para garantir a segurança desses pontos é necessário que a Marinha faça vigilância permanente dos locais, o que não tem ocorrido.

O almirante não acredita que esteja ocorrendo uma possível corrida armamentista na América do Sul, fato que chegou a ser ventilado depois da passagem da 4ª Frota americana pela região. Ele diz que cada país está cuidando para ter os meios de que necessita para cumprir sua missão.

– A política de defesa brasileira é de dissuasão. Como não temos inimigos claros e definidos, temos de mostrar capacidade de nos defender – afirma.

“Se continuar assim, não haverá mais navios”

Consciente de que a presença da Marinha nas plataformas da Petrobras não é constante, o Comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, diz que gostaria de fazer a segurança do local 365 dias por ano. Leia a entrevista.

Zero Hora – A frota naval da Marinha está degradada?

Almirante Julio Moura Neto – Isso é fato. Há mais de 10 anos, os recursos da Marinha têm sido insuficientes, com uma degradação paulatina nos navios, nas aeronaves, nos fuzileiros navais. A partir de 2006, começou uma recuperação. Ainda assim, um orçamento pouco maior não resolve. Precisamos de um programa de reaparelhamento.

ZH – Quanto dessa frota está degradada?

Moura Neto –
Nos últimos anos, nós demos baixa em 20 navios e só incorporamos 10. Se esse processo continuar assim, vai chegar um ponto em que não haverá mais navios. A prioridade são os submarinos.

ZH – O que já está sendo feito?

Moura Neto
– Temos cinco submarinos convencionais sendo modernizados. Estamos em negociação com a França para construir quatro novos convencionais e, no futuro, o de propulsão nuclear. Será o Scorpene, mas a parte nuclear é toda feita com tecnologia brasileira. Precisamos aumentar a quantidade de navios-patrulha. Temos 27, todos funcionando, mas precisamos de mais 27 num prazo de oito anos.

ZH – O repasse dos royalties do petróleo seria a solução?

Moura Neto
– É uma solução possível. Em dezembro de 2007, tínhamos na reserva de contingência da Marinha R$ 3,2 bilhões em royalties. Esse ano, a previsão é de R$ 700 milhões contingenciados. Para os navios-patrulha, os royalties seriam a solução. Também estamos discutindo com a Petrobras um sistema a ser estabelecido nas próprias plataformas e que nos alerte sobre a aproximação de outros navios, para que um navio-patrulha vá lá verificar.

ZH – O senhor acha que o país está vulnerável no momento em que se descobre novas reservas de petróleo?

Moura Neto
– Precisamos ter mais navios. As plataformas não estão vulneráveis, mas para que eu possa garantir a segurança delas teríamos de estar permanentemente lá, e não estamos.

ZH – O submarino nuclear sempre foi alvo de polêmica, chamado até de desperdício. O projeto está garantido?

Moura Neto
– Estamos avançando bastante no programa nuclear, cuja finalidade é ter o reator com tecnologia totalmente nacional. Esse reator é o protótipo do que será colocado no submarino e deve estar pronto em seis anos. Acho o submarino importante, sempre oculto e um fator de dissuasão, sempre respeitado.

ZH – Como o senhor vê a movimentação da 4ª Frota americana pela região?

Moura Neto
– Não há nenhuma paranóia e foi uma coincidência ela ser reativada na mesma época da descoberta dos novos campos de petróleo. Até mesmo porque o governo americano tem dito que respeitará os instrumentos jurídicos da convenção das Nações Unidas sobre os direitos de mar territorial.

Sarkozy virá ao Brasil anunciar submarinos



SÃO PAULO – O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega ao Rio no dia 22 de dezembro trazendo na bagagem um lote mínimo de três submarinos convencionais da classe Scórpene e as informações avançadas para o desenvolvimento de partes não nucleares – o casco especial de alta pressão, por exemplo – do futuro submarino brasileiro de propulsão atômica. A formalização da cooperação Brasil-França foi anunciada no Rio pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Os navios do tipo Scórpene deslocam 1.700 toneladas, medem 66,2 metros, levam 32 tripulantes e têm alcance de 12 mil quilômetros. As versões brasileiras serão construídas de forma modular em estaleiros nacionais e no Arsenal da Marinha.

A construção dos submarinos está incluída no novo negócio que o governo está criando, do tamanho de US$ 10 bilhões anuais, baseado na indústria de material militar: aviões, sistemas eletrônicos, fardas, armas, munições, foguetes livres, mísseis, explosivos, propelentes, blindados e navios leves.

O Plano Nacional de Defesa, que será apresentado finalmente em dezembro, depois de dois adiamentos, contempla um setor produtivo capaz de celebrar parcerias e assumir presença internacional no setor.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, espera apresentar o Plano Estratégico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de dezembro, data provisória para a reunião do Conselho Nacional de Defesa.

Jobim tem discutido o assunto com parlamentares e empresários. Ele considera que metade do faturamento projetado pode vir da linha aeroespacial liderada pela Embraer. A outra parte ficaria por conta de 120 a 300 empresas ligadas direta ou indiretamente ao ramo.

O ministro quer também que a pasta da Fazenda desonere o setor. Jobim pretende mudar a legislação, de forma a permitir a concessão rápida de garantias.

Helicópteros russos vão patrulhar a Amazônia



BRASÍLIA - Os 12 helicópteros MI-35M, de ataque, que o Comando da Aeronáutica comprou em outubro, na Rússia, serão empregados "fundamentalmente na Amazônia", de acordo com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da aviação.

A formalização da escolha foi anunciada no Rio, durante o encontro entre os presidentes Lula e Dimitri Medvedev há três dias. O valor do contrato é estimado em não menos de US$ 250 milhões - US$ 20,3 milhões cada unidade, considerados suprimentos, peças, componentes, documentação e treinamento.

No processo de seleção, iniciado há sete meses, foi considerado também o helicóptero italiano Agusta AW-129. Segundo um integrante ao Alto Comando, pesou na decisão do colegiado de oficiais o fato de a aeronave russa, em diversas versões, ter sido provada em 22 diferentes conflitos entre 1977 e 2008.

Também foi fundamental a garantia de pronta entrega oferecida pela agência russa Rosoboronexport. O modelo selecionado é o arranjo mais avançado da série iniciada faz 36 anos, na extinta União Soviética. A aeronave é empregada por 34 países entre os quais, na América Latina, Venezuela, Peru, Cuba e Nicarágua.

O cronograma de referência para as entregas prevê a chegada dos primeiros três MI-35M até agosto de 2009 e a dos últimos três em 2011. A especificação da FAB para o equipamento exige sistemas que permitam o combate noturno, redutor de ruído e de emissão de calor em ambas as turbinas de 2.200 shp.

A tripulação - dois pilotos - ocupa cabines independentes cobertas por dois globos blindados. O compartimento traseiro pode acomodar até oito soldados equipados. Os cabides externos levam até 1.500 quilos de armas - mísseis, foguetes, bombas de até 500 kg - ou 2,5 toneladas de cargas.

Toda a seção inferior é revestida com placa bimetálica resistente a tiros e impacto equivalente ao calibre .50 ou granadas. Sob a fuselagem, na seção dianteira, uma torre abriga um canhão de alta velocidade, que pode ser o russo GsH de 23 milímetros, o Gatling americano de 20mm ou um rotativo de 30 mm.

Jobim irá à China para intensificar relações militares bilaterais



Brasília (27/11/2008)- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, receberam nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, comitiva do governo chinês chefiada pelo vice-presidente da Comissão Central Militar da China, General Xu Caihou.

Na quarta-feira, enquanto o presidente e o ministro vistoriavam áreas inundadas em Santa Catarina, a comitiva foi recebida na sede do Ministério da Defesa pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Juniti Saito. O General Xu Caihou convidou o ministro Jobim a visitar a China, e o convite foi aceito.

A agenda do encontro de alto nível e das reuniões entre as equipes técnicas dos dois países realizadas ontem, incluiu uma avaliação das relações entre as Forças Armadas dos dois países; a possibilidade de um diálogo estratégico ou criação de um mecanismo de consultas na área de Defesa a partir de 2009; esclarecimentos sobre as linhas gerais da Estratégia Nacional de Defesa do Brasil; os planos de desenvolvimento das Forças brasileiras; e troca de opiniões sobre a situação de segurança na América Latina e na Ásia.

27 Novembro 2008

O Futuro da Marinha do Brasil



Marco Aurélio Reis

"Voz firme a favor do aparelhamento das Forças Armadas, comandante da Marinha revela entusiasmo com a nova Estratégia Nacional de Defesa e anuncia mais investimentos na ampliação do efetivo para gerar emprego e garantir a soberania do País!"

Rio - Mais militares, atuando em novas embarcações feitas no Brasil, gerando empregos nos estaleiros nacionais. Reforço de equipamentos e homens para patrulhar águas que vão do chamado Pré-sal (área rica em jazidas de petróleo, no litoral Sudeste) a rios navegáveis da Amazônia. Essa é a Marinha que sairá da nova Estratégia Nacional de Defesa, conforme antecipou a O DIA o comandante de Força, o almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, 65 anos, notório por ter defendido publicamente nos últimos três anos o aparelhamento das Forças Armadas.

O plano que trará a nova Estratégia Nacional de Defesa está previsto para ser anunciado oficialmente, após dois adiamentos, até o dia 15 do mês que vem. Antes disso, porém, os efeitos dos novos ares que sopram na Marinha poderão ser sentidos pelos brasileiros. Daqui a uma semana começa aperto inédito no rigor para comandantes de embarcações de lazer e esporte flagrados tendo consumido qualquer quantidade de álcool. Será durante a Operação Verão, que se estenderá até março. Na ação serão usados 200 bafômetros que a Marinha comprou para estender para o mar a Lei Seca que reduziu os acidentes na rodovias do País.

“Vamos abordar a embarcação e se sentirmos que há alguma necessidade, o condutor será multado ou detido, ou até mesmo entregue à polícia”, explicou o almirante Moura Neto, na entrevista cujos principais trechos podem ser lidos abaixo.

PLANO ESTRATÉGICO

Em 2005, a Marinha apresentou um programa de reaparelhamento e o governo reuniu grupo de trabalho com as três Forças, a Casa Civil e os ministérios do Planejamento e da Defesa para preparar um programa amplo. Ele ficou pronto em 2006 e, durante o ano seguinte, ficou em gestação no Ministério da Defesa. Em seguida, o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) incumbiu o ministro (Nelson) Jobim (da Defesa) de preparar uma Estratégia Nacional de Defesa. Ou seja, o que o País espera que suas Forças Armadas sejam capazes de executar. Então, de posse dessa missão se faz o programa de reaparelhamento das Forças Armadas.

SUBMARINOS

Os submarinos são a prioridade número um do programa de reaparelhamento da Marinha. Queremos construir submarinos convencionais e avançar no sentido de se construir o submarino com propulsão nuclear. O Programa Nuclear da Marinha começou em 1979 e tem dois grandes projetos: o enriquecimento de urânio (que já está perfeitamente dominado com centrífugas de tecnologia nacional) e o protótipo do reator nuclear, que vai equipar o submarino. É um reator de produção de energia, que fará o motor elétrico do submarino andar. Nosso reator terá 11 megawatts de produção de energia elétrica. Isso faz meu submarino andar, mas também acende a luz de uma cidade de até 20 mil habitantes.

MAIS TEMPO SUBMERSO

O submarino convencional funciona com baterias, que vão descarregando à medida que são aplicadas no motor. De tempos em tempos, esse submarino tem que vir à superfície, ser ligado a um gerador diesel-elétrico para recarregar essas baterias. Daí ele fica vulnerável: se expõe e passa a ser localizável. O submarino de propulsão nuclear funciona de outra maneira. Através da reação nuclear, esquenta a água, que se transforma em vapor. É esse vapor que atua numa turbina, fazendo girar um gerador, que produz energia elétrica. A mesma coisa que acontece nas usinas nucleares. Esse submarino pode permanecer, teoricamente, indefinidamente debaixo da água. Só não fica por causa da resistência psicológica e física das tripulações. É uma arma de dissuasão grande, porque não se expõe. É o que queremos. Ter capacidade de dissuasão, de mostrar ao mundo que somos perfeitamente capazes de garantir a soberania de nossa Amazônia Azul, que é o nome que damos às nossas águas jurisdicionais.

TRIPULAÇÃO ESPECIAL

A partir do ano que vem vamos começar a preparar as tripulações. O primeiro submarino nuclear vai demorar em torno de dez anos para ficar pronto. Já estamos com planejamento de cursos no exterior, intercâmbios entre outras Marinhas e preparo psicológico dessas tripulações. Normalmente as Marinhas que têm esses submarinos possuem duas tripulações: uma fica em terra e a outra vai para o mar. Quando o submarino ficar pronto vamos estar com os tripulantes preparados. Os submarinistas são voluntários, uma vez que envolve mais tempo de afastamento (do lar).

PRIORIDADE DOIS

A segunda maior prioridade do nosso Programa de Aparelhamento são os navios-patrulha. Queremos aumentar o número desses navios para podermos permanecer, permanentemente, junto aos campos petrolíferos, principalmente os mais ricos. É para, nos 365 dias do ano, termos um navio nas proximidades para tomar conta, para defender, se for o caso. O programa é construir 27 navios- patrulha. Teremos navios em terra, fazendo reparos, enquanto outros estarão no mar, próximos dos campos (de petróleo).

MAIS HOMENS

E logicamente claro está que se formos aumentar o número de navios e de bases (navais), com toda certeza teremos que aumentar uma parte do nosso efetivo. Teremos que aumentar para poder fazer frente a essa quantidade enorme de navios que vão chegar.

Esses 27 navios levarão de sete a oito anos para serem construidos. É o tempo que a Marinha vai se preparar, formar mais gente, se organizar para poder fazer frente às novas demandas. Já estamos estudando como vamos aumentar a captação de gente para as Escolas de Aprendizes e para a Escola Naval. Nosso setor de pessoal está estudando como vamos atender essas demandas, que irão ocorrendo no decorrer do tempo.

DOMÍNIO TECNOLÓGICO

A independência tecnológica é que dá independência para o país. Se queremos ter uma força de dissuasão, temos que ter não só Forças Armadas com credibilidade, bem preparadas e bem treinadas, mas temos que ter também uma indústria de defesa que possa apoiar. Se o país compra equipamentos em um outro, o que faz se um dia esse outro país não puder fornecer o sobressalente? É de fundamental importância que, se queremos que o Brasil cresça, que as Forças Armadas assumam posição equiparada ao prestígio político-estratégico do País no cenário internacional, temos que ter auto-suficiência, temos que ser capazes de produzir nossos próprios equipamentos e construir nossos próprios navios.

Não quero dizer com isso que não se vá importar. Alguma coisa terá que ser importada, mas a base será a indústria nacional.

EMPREGO E RENDA

Quando pensamos em reforçar nossa indústria de defesa, estamos pensando também na quantidade de empregos que serão criados. Para se construir navios, os estaleiros vão ter mais trabalho, vão ter mais encomendas. Isso é a máquina produtiva do País avançando, como é o desejo de todos. Hoje estamos construindo dois navios-patrulha. Abrimos processo licitatório para construir mais quatro. Agora, em dezembro, abriremos as cartas com as propostas. Um estaleiro vai vencer. Tudo isso feito com o próprio orçamento da Marinha. O ministro da Defesa, sabedor que o Plano Estratégico de Defesa seria discutido por um ano, liberou a construção de alguns meios de clara necessidade, como é o caso dos navios-patrulha, tendo em vista a proteção das plataformas de petróleo. Mas é claro que é uma pequena parcela de um plano muito ambiciosos de reconstrução, que vai durar 20 anos, gerando empregos e renda.

ROYALTIES

Não há menor dúvida de que quando houver mais produção de petróleo (graças as descobertas das jazidas na área do Pré-sal), o valor dos royalties do petróleo (importância cobrada pelo governo no processo de produção) que será alocado para a Marinha vai aumentar. A Marinha sabe que não tem recebido toda parcela dos royalties a que faz jus.

Uma parte é colocada no orçamento e a outra vai para reserva de contingência da Força e o Governo vai liberando à medida que as receitas permitam. É o problema da administração econômica do País. Com as novas descobertas, claro que está, que uma maior quantidade de royalties entrará. O que será até muito bom para o Governo, porque teremos meios para poder fazer andar esse programa de reaparelhamento, pelo menos o da Marinha. Uma boa parte desse programa com toda certeza, se o Governo assim decidir, poderá sair dos royalties.

GASTOS COM FORÇA

Acho que a sociedade está amadurecida o suficiente para entender os gastos expressivos da Marinha. E se a população parar para pensar, esse gasto é ínfimo perto da quantidade de riquezas que estão em jogo: esses campos do Pré-sal tem um potencial de recursos financeiros para o País tão grande, tão grande, que o que a Marinha vai gastar tem percentual ínfimo perto da riqueza que estamos ali para proteger. A população entende perfeitamente que, se temos grandes riquezas no mar, temos que ter capacidade para protegê-las.

MARINHA FORTE

(Com a nova Estratégia de Defesa) há o crescimento da Marinha em todos os seus cenários. Desde o tomar conta das embarcações de turismo até o tomar conta das nossas plataformas. Essa é uma missão muito grande, uma tarefa muito grande para a qual a Marinha tem se preparado no decorrer desses anos todos.

LEI SECA

O mesmo rigor da Lei Seca no trânsito será aplicado nas águas. Todos os anos, quando chega perto do verão, instauramos a Operação Verão. Aumentamos a nossa presença, aumentamos o policiamento nas águas, nos fazemos mais presentes. Agora vamos comprar os chamados bafômetros, que têm o nome técnico de etilômetro. Eles serão distribuídos e vamos fazer cumprir o que já está nas leis, ou seja, que ninguém possa dirigir uma embarcação no mar alcoolizado, porque isso pode causar um acidente grave, ferindo ou até matando outras pessoas. Vamos abordar a embarcação e se sentir que há alguma necessidade, o condutor será multado ou detido, ou até mesmo entregue à polícia.

Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia sobre Cooperação Técnico-Militar



O Governo da República Federativa do Brasil e O Governo da Federação da Rússia (doravante denominados "Partes"),

Guiados pela mútua aspiração de desenvolver e fortalecer as relações de amizade entre a República Federativa do Brasil e a Federação da Rússia;

Expressando sua disposição de cooperar no campo técnico-militar, com base no respeito e confiança mútuos e na consideração dos interesses de cada uma das Partes;

Reafirmando sua adesão aos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, em particular os princípios de igualdade soberana dos Estados, de não ingerência em seus assuntos internos e de solução pacífica das controvérsias,

Acordam o seguinte:

Artigo 1 - Cooperação

O presente Acordo tem por objetivo a promoção da cooperação técnico-militar entre as Partes, nos seguintes campos:

a) tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico e aquisição de produtos e serviços de defesa;

b) treinamento profissional em estabelecimentos de ensino apropriados, levando em consideração as necessidades e possibilidades das Partes, intercâmbio de pessoal docente e discente, realização de visitas recíprocas e de encontros voltados para a realização de programas conjuntos;

c) outras áreas técnico-militares de interesse para ambas as Partes.

Artigo 2 - Órgãos Competentes

1. Os órgãos competentes designados pelas Partes para a implementação do presente Acordo são:

a) pela Parte brasileira, o Ministério da Defesa da República Federativa do Brasil;

b) pela Parte russa, o Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar.

2. No caso de mudança de seus órgãos competentes, as Partes deverão notificar a outra Parte, de imediato, por via diplomática.

Artigo 3 - Mecanismos de Implementação

1. Para a implementação do presente Acordo, as Partes concluirão mecanismos e programas apropriados nos campos específicos de cooperação mencionados no Artigo 1 do presente Acordo.

2. As Partes ou as entidades por elas designadas poderão firmar contratos que estabeleçam direitos e obrigações, nomenclatura de produtos de defesa, lista de serviços a serem prestados, abrangência, termos e outras condições de cooperação.

3. As Partes implementarão a cooperação prevista no presente Acordo de conformidade com as legislações da República Federativa do Brasil e da Federação Russa.

Artigo 4 - Comissão Bilateral

Para a implementação do presente Acordo, as Partes deverão estabelecer uma Comissão Intergovernamental brasileiro-russa de cooperação técnico-militar.

Artigo 5 -Terceiras Partes

Nenhuma das partes, sem prévio consentimento por escrito da outra Parte, poderá vender ou transferir a terceiras Partes os produtos de destinação militar, bem como as informações obtidas ou geradas no decorrer da implementação do presente Acordo.

Artigo 6 - Proteção de Informações Sigilosas

A proteção das informações sigilosas, que possam ser transferidas, recebidas ou geradas no âmbito da implementação do presente Acordo deverá ser estabelecida pelas Partes em acordo específico.

Artigo 7 - Proteção da Propriedade Intelectual e dos Resultados da AtividadeIntelectual

A proteção da propriedade intelectual e dos resultados da atividade intelectual no âmbito da implementação do presente Acordo deverá ser estabelecida pelas Partes em acordo específico.

Artigo 8 - Obrigações Internacionais

O presente Acordo não afetará os direitos e obrigações de cada uma das Partes concernentes a outros acordos internacionais dos quais a República Federativa do Brasil
e a Federação da Rússia sejam partes.

Artigo 9 - Solução de Controvérsias

1. Quaisquer controvérsias relativas à interpretação e à implementação dos dispositivos do presente Acordo que possam ocorrer entre as Partes ou seus órgãos competentes deverão ser resolvidas por meio de negociações e consultas entre os órgãos competentes e, quando necessário, pelos canais diplomáticos.

2. No decorrer da solução das controvérsias, ambas as Partes continuarão a cumprir todas suas obrigações, de conformidade com o disposto no presente Acordo.

3. Quaisquer procedimentos de solução de controvérsias deverão ser conduzidos pelas Partes de modo sigiloso.

Artigo 10 - Obrigações Financeiras

1. Para a implementação do presente Acordo, a menos que seja acordado de modo diverso, cada Parte será responsável pelas despesas de seu pessoal, inclusive:

a) despesas de transporte até o ponto de ingresso no território da República Federativa do Brasil ou da Federação da Rússia, respectivamente, e de retorno;

b) hospedagem e alimentação;

c) tratamento médico e odontológico, bem como retirada de pessoal doente, ferido ou falecido.

2. Todas as atividades realizadas no âmbito do presente Acordo estarão sujeitas à disponibilidade de recursos financeiros das Partes.

Artigo 11 - Dispositivos Finais

1. O presente Acordo entrará em vigor 30 dias após o recebimento, por via diplomática, da última notificação escrita sobre o cumprimento, pelas Partes, dos respectivos procedimentos internos para a entrada em vigor do presente Acordo.

2. O presente Acordo permanecerá em vigor por um prazo de 5 anos e será automaticamente prorrogado por períodos subseqüentes de cinco anos, a menos que uma das Partes notifique por escrito a outra Parte a sua intenção de denunciar o presente Acordo, no mínimo seis meses antes do término do período respectivo

3. A denúncia do presente Acordo não afetará as obrigações assumidas pelas Partes de conformidade com os Artigos 5, 6 e 7, salvo se de modo diverso houver sido acordado pelas Partes.

4. A denúncia do presente Acordo não afetará quaisquer mecanismos, programas e contratos estabelecidos no âmbito do presente Acordo anteriormente à denúncia, salvo se as Partes acordarem de modo diverso.

5. O presente Acordo poderá ser emendado ou revisado mediante consentimento mútuo das Partes, por escrito e por via diplomática.

Feito no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 2008, em dois originais, em português, russo e inglês, sendo todos os textos igualmente autênticos. Em caso de divergências na interpretação do presente Acordo, o texto em inglês prevalecerá.

Memorando de Entendimento Entre o Comando da Aeronáutica (Brasil) e o Serviço Federal de Cooperação Técnica-Militar (Federação da Rússia)



Rio de Janeiro, Brasil, 26 de novembro de 2008.

O Comando da Aeronáutica, neste ato representado por seu Comandante, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, e o Serviço Federal de Cooperação Técnica-Militar, neste ato representado por seu Diretor, Mikhail Arkadievich Dmitriev, neste Memorando denominados Partes, confirmam a sua satisfação com o desenvolvimento cooperativo técnico-militar entre as duas Organizações e declaram o que segue.

As Partes estão satisfeitas com as relações de cooperação ora em andamento, considerando-as relevantes no sentido de aprofundar o conhecimento mútuo, particularmente no tocante aos modos de trabalho, dos usos e costumes e, em última instância, da cultura do povo de cada um dos dois países no âmbito das atividades aeronáuticas de cunho militar.

As Partes, como resultado de sua satisfação, declaram sua convicção nos benefícios mútuos que podem advir da continuidade da cooperação iniciada com as negociações relativas à frota de helicópteros de ataque para o acervo da Força Aérea Brasileira (FAB), desta forma configurando-se a possibilidade de futura expansão da cooperação técnico-militar russo-brasileira em outros projetos de interesse recíproco.

ATUAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS EM APOIO À DEFESA CIVIL NO ESTADO DE SANTA CATARINA



Kaiser Konrad
Com informações do Ministério da Defesa

1. EXÉRCITO BRASILEIRO

a. Situação Geral dos Meios Empregados

- A 14ª Brigada de Infantaria Motorizada e a 5ª Brigada Cavalaria Blindada encontram-se em apoio à Defesa Civil do Estado de Santa Catarina e seus Municípios, na manutenção da integridade física das populações que vivem em área de risco;

-O 63º Batalhão de Infantaria possui oito equipes junto à Defesa Civil para atuar em pontos de alagamentos, transporte de pessoal e alimentos nas cidades de Joinville e Itapoá.

- O 23º Batalhão de lnfantaria está com todo efetivo empregado em 35 núcleos de Defesa Civil em pontos estratégicos na cidade de Blumenau.

- 5º Regimento de Carros de Combate

- 5º Batalhão de Engenharia de Combate

- 5º e 27º Batalhões Logísticos

- 14º Pelotão de Polícia do Exército

- 62º Batalhão de Infantaria

b. Efetivos e materiais empregados

-A 14ª Brigada de Infantaria Motorizada e a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, e os 62º e 23º Batalhões de Infantaria empregam 489 militares

- Quatro viaturas blindadas de transporte de pessoal M 113, para retirada de pessoas em locais sem acesso a veículos sobre rodas;

- Quinze caminhões para remoção de pessoas em áreas de risco;

- 16 Botes de borracha e pequenas portadas;

- 02 Helicópteros HM-1 Pantera - CAVEX

- 01 Helicóptero HA-1 Fennec – CAVEX

- 01 Helicóptero HM-3 Cougar - CAVEX

- 01 gerador médio, com capacidade para atender a um Hospital;

- 01 Posto de abastecimento de água potável;

- Apoio de Saúde restrito - Equipamentos de Engenharia em condições de serem empregados quando a situação permitir;

- Atendendo a solicitação do Governo do Estado de Santa Catarina, o Hospital da Guarnição de Florianópolis designou uma equipe de médicos para atender o município de Balneário Camboriú.

2. FORÇA AÉREA BRASILEIRA

A FAB através do 5º Comando Aéreo Regional instalou no Aeroporto de Navegantes o Centro de Operações Aéreas, para coordenar a operação de diversos helicópteros, e aeronaves civis e militares.

Aeronaves desdobradas a partir de 26 de novembro de 2008:

- 01 H-60L Blackhawk – 7º/8º GAV – Esquadrão Hárpia

- 03 H-34 – 3º/8° GAV – Esquadrão Puma

- 01 C-105A – 1º/9º GAV - Esquadrão Arara

- 03 H-1H – 5º/8º GAV - Esquadrão Pantera

- 02 C-130 H – 1º/1º GT – Esquadrão Gordo

- 01 C-105A - 1º/15º GAV – Esquadrão Onça – Operando a partir da Base Aérea de Canoas - RS.

Também participam da operação tripulações e aeronaves C-95 Bandeirante do 5º Esquadrão de Transporte Aéreo – Esquadrão Pégaso

A FAB desdobrou aeronaves de Canoas, Santa Maria, Rio de Janeiro, Manaus e Campo Grande.

c. Pessoal desdobrado na localidade até a presente data: 38 militares

d. Pessoal desdobrado a partir de 26 de novembro de 2008: 56 militares

e. Unidades envolvidas:

- COMGAR (EMGAR/CCCOA)
- COMAR V
- BACO
- CECAN (RJ)

f. Pessoal envolvido fora da área atingida: 43 militares

3. MARINHA DO BRASIL

Aeronaves já desdobradas até a presente data:

- 02 UH-12 (Esquilo) – 5º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral Esquilo) - 5º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral

Pessoal desdobrado na localidade até a presente data: 47 militares

Pessoal a ser desdobrado nos próximos dias: 10 militares

Unidades envolvidas:

- Comando do 5o Distrito Naval- Capitania dos Portos de Santa Catarina- Escola de Aprendizes-Marinheiros de Santa Catarina

f. O Comando do 5o Distrito Naval reforçou os meios locais com seis embarcações do tipo “flex boat” e suas tripulações, que haviam sido solicitadas pela Defesa Civil.

Militares do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais de Rio Grande estão sendo enviados hoje à Santa Catarina.

Avião da FAB faz 'ponte aérea da solidariedade'

Do início de anteontem até a tarde de ontem, 42 t de suprimentos haviam sido entregues



Carlos Wagner


Na tarde de ontem, o tenente Marcelo Browne, da Força Aérea Brasileira (FAB), posicionou o C-105 Amazonas, avião de transporte de tropa e cargas, na cabeceira da pista da Base Aérea de Canoas.

A bordo, com 5 toneladas de material de limpeza, 11 tripulantes iniciavam um vôo de 1h15 até o centro da devastação, no quinto vôo da chamada “ponte aérea da solidariedade”.

Do início de anteontem até a tarde de ontem, ele havia transportado 42 toneladas - 90% de alimentos - para os flagelados. A carga é entregue na base aérea pelos caminhões da Defesa Civil e carregada nos cargueiros da FAB. Ontem, em Navegantes, de onde está coordenando a comunicação social da Aeronáutica, o major-aviador Roberto Martire estabelecia objetivos. “Nossa intenção é, ainda hoje (ontem), fazer mais dois vôos trazendo víveres do Rio Grande do Sul.”

Durante o vôo, a tripulação usa tampões nos ouvidos para suportar o ruído dos dois motores turboélice. O avião voa a uma altura média de 4 mil metros, a 440 km/h. A carga ocupa mais de 95% do espaço.

O sargento Welber Porto, um dos mais calejados em missões de ajuda humanitária, comentou que já voou para ajudar vítimas de vários tipos de catástrofe, mas jamais havia visto um quadro tão aterrador como o que viu pela janela do Amazonas quando aterrissou pela primeira vez em Navegantes.

“Parecia que o aeroporto era o único pedaço de terra seca que existia lá embaixo.”

De maneira geral, o quinto vôo foi sereno até os últimos 15 minutos, quando o Amazonas começou a sobrevoar a região de Navegantes. O tempo mudou. As espessas nuvens e o vento forte tornaram os últimos instantes do vôo tenso. Havia a ameaça de fechar o aeroporto.

Depois de uma manobra para diminuir a velocidade, a aeronave pousou. O movimento em terra era intenso. Normalmente, ocorrem 12 pousos e decolagens diários. Ontem, foram 600. A maior parte deles feita pelos 15 helicópteros que levam mantimentos para os flagelados. Há um contingente de 250 trabalhadores voluntários no local. Davi Costa, funcionário público, é um deles. Sua tarefa é retirar a carga dos aviões da FAB e colocar em um caminhão, que as leva até um depósito. Lá, os alimentos são classificados e levados para os helicópteros, que os transportam até os flagelados. “É tudo muito rápido.

Os pacotes entram por uma porta e saem pela outra em menos de uma hora.” O avião foi descarregado em uma hora.

No fim da tarde, o Amazonas levantou vôo rumo a Canoas. Na viagem, a tripulação distribui o que chamam de “biscoitos mais viajados do mundo”. Ao aterrissar, já estavam estacionadas nas pistas da base aérea duas carretas de doações para serem transportadas até os flagelados no sexto vôo da “ponte aérea” previsto para a noite.

'Se Brasil não vender aviões, compraremos de outro', diz Correa



O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse ontem que seu governo poderia recorrer a outro país para a compra de aeronaves caso o Brasil suspenda o financiamento de 24 aviões Supertucanos à Força Aérea do Equador. “Nós, pela integração regional, sempre buscamos privilegiar mercados da região, mas podemos comprar as aeronaves de outro país”, afirmou Correa antes de seguir viagem para Caracas.

Na segunda-feira, o governo brasileiro suspendeu a autorização para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiasse a venda dos aviões para o Equador. A medida foi uma retaliação ao calote anunciado na semana passada por Correa da dívida de US$ 243 milhões ao BNDES - dinheiro investido na construção da Usina Hidrelétrica de San Francisco, obra tocada pela construtora brasileira Norberto Odebrecht, que foi expulsa do país.

Correa ainda qualificou como “desproporcional” a reação do Brasil de chamar para consultas o embaixador brasileiro em Quito, Antonino Marques Porto e Santos. Ontem, o presidente pediu em Caracas para que não seja isolado por não pagar a dívida.

Índios acusam militares de tortura no AM

Procurador investiga se soldados e oficiais do Exército teriam prendido ilegalmente 12 indígenas na fronteira com a Colômbia

Supostas vítimas de tortura relatam que ficaram presas em gaiolas em pelotão do Exército; Força diz que não cometeu "atos delituosos"



BRENO COSTA

O Ministério Público Federal do Amazonas investiga denúncias de tortura contra índios praticada por militares brasileiros na fronteira com a Colômbia, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), na terra indígena Alto Rio Negro.

O inquérito civil público foi instaurado no último dia 20 de outubro e apura denúncias de que um grupo de sete militares lotados no 3º PEF (Pelotão Especial de Fronteira) torturou 12 jovens indígenas nas dependências do pelotão, em setembro do ano passado.

A acusação é da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), que representa 23 povos indígenas, e tem como base relatos de índios kuripakos das comunidades São Joaquim e Warirambã, localizadas a 320 km (quatro dias de barco) da área urbana de São Gabriel da Cachoeira.

O Comando Militar da Amazônia, ao qual está subordinado o 3º PEF, negou em nota oficial "atos delituosos" por parte dos militares e afirmou que está preparando resposta aos questionamentos que já foram feitos pelo procurador do Ministério Público Federal.

De acordo com o relato dos índios -no qual se baseou a abertura de investigação pelo procurador Rodrigo da Costa Lines -, por volta das 23h do dia 27 de setembro de 2007, militares fardados, armados com pistolas e fuzis e sem mandados judiciais retiraram à força os índios de suas casas.

Os militares, dizem os índios, procuravam um jovem que teria trazido cocaína da Colômbia para a aldeia. Esse índio foi identificado dez dias depois do incidente, segundo a Foirn, como membro da comunidade Panã-Panã -outra localizada na terra indígena. Ele não estava entre os jovens supostamente levados ao quartel.

Casos

Ainda de acordo com a denúncia, os jovens indígenas, alguns menores de idade, segundo a Foirn, foram levados para o pelotão de fronteira. Lá, relatam, ficaram cerca de duas horas deitados no chão, com armas apontadas para suas cabeças, enquanto eram agredidos fisicamente pelos militares.

Em seguida, foram confinados, nus, todos juntos, dentro de uma gaiola de ferro, própria para prender onças. Ainda de acordo com as denúncias dos índios, os militares, por três vezes, jogaram baldes de água gelada nos jovens, que só foram liberados pela manhã.

A Folha teve acesso a seis cartas manuscritas por indígenas que relatam terem sido alvo da ação de um cabo, dois soldados, três sargentos e um tenente do 3º PEF.

Um dos jovens relata na carta que eles ficaram "presos como animais, presos apertadíssimos", e que os militares não permitiram que eles fossem ao banheiro. Outro diz que foi jogado no chão dentro de casa pelos militares, enquanto a casa era revistada e que foi chamado de "cachorro" e "porco".

Em 17 de março deste ano, a Foirn, ao saber do caso, encaminhou o relato a diversos órgãos do governo federal, além do Estado Maior do Exército e da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público, que decidiu pelo envio do caso à Procuradoria da República no Amazonas.

O inquérito tem prazo de um ano para ser concluído. O procurador Rodrigo Lines está de licença e só volta ao trabalho na semana que vem. Caso surjam provas suficientes, a Procuradoria apresenta denúncia à Justiça Federal, por envolver agressão contra índios.

Por também envolver militares, o juiz, no entanto, pode declinar de sua competência para que o caso seja julgado pela Justiça Militar.

Exército afirma que não torturou índios

Comando da Amazônia diz que sindicância não constatou crimes, mas não confirma se jovens estiveram no pelotão no ano passado

O CMA (Comando Militar da Amazônia) informou, em nota oficial, que uma sindicância foi instaurada para apurar as denúncias dos indígenas e que, após concluída, a investigação interna não identificou "qualquer ato delituoso por parte de militares" do 3º PEF (Pelotão Especial de Fronteira). A sindicância foi aberta em junho deste ano, segundo o CMA.

A nota não deixa claro se a sindicância instaurada pelo 5º Batalhão de Infantaria de Selva, subordinado ao CMA e responsável pelo destacamento do 3º PEF, confirmou que 12 jovens indígenas foram levados ao pelotão na noite de 27 de setembro do ano passado.

No final da nota, assinada pela Seção de Comunicação Social do CMA, o Exército afirma que "caso sejam confirmadas quaisquer denúncias envolvendo militares do Exército, não hesitaremos em colaborar para fazer valer as sanções legais que se fizerem necessárias".

A nota diz que os generais João Carlos de Jesus Corrêa e Ivan Carlos Weber Rosas, respectivamente chefe do Estado Maior do CMA e comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, foram à comunidade São Joaquim e que "foi observado um excelente relacionamento entre a comunidade e os integrantes do 3º PEF".

Leia a íntegra da nota do Comando Militar da Amazônia:


A respeito da informação, citada em sua mensagem eletrônica, de supostas denúncias, formuladas por indígenas da comunidade de São Joaquim (AM), contra militares lotados no 3º PEF (Pelotão Especial de Fronteira), informamos que, na oportunidade em que as acusações vieram à tona, foi instaurada uma sindicância pelo comando do 5º Batalhão de Infantaria de Selva (em São Gabriel da Cachoeira), ao qual o 3º PEF é subordinado, para apurar os fatos. Ao final da sindicância, não foi caracterizado qualquer ato delituoso por parte de militares.

Com respeito ao citado inquérito civil público, o comando do 5º Batalhão de Infantaria de Selva recebeu, do procurador do Ministério Público Federal, questionamentos referentes à denúncia em tela e está adotando as medidas pertinentes, visando a atender aquela autoridade.

Cabe acrescentar que o general-de-brigada João Carlos de Jesus Corrêa, chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, e o general-de-brigada Ivan Carlos Weber Rosas, comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, estiveram em São Joaquim, em 6 de novembro do corrente ano, acompanhando uma comitiva de professores e alunos de universidades paulistas em visita à Amazônia.

Foram recebidos pela comunidade indígena, chefiada pelo vice-capitão Carlos Lourenço de Góes. Na oportunidade, questionaram quanto à existência de alguma pendência ou problema. A esses oficiais-generais foi informado que o que realmente afeta a comunidade é a falta de energia elétrica. Ressalto que, durante a visita, foi observado um excelente relacionamento entre a comunidade e os integrantes do 3º PEF, traço comum na convivência entre representantes do Exército brasileiro e as diversas comunidades indígenas de toda a Amazônia, tanto nos rincões onde destacamos pelotões especiais de fronteira quanto naqueles em que mantemos contatos permanentes e rotineiros. É fácil constatar o apoio que prestamos a essas comunidades.

O Comando Militar da Amazônia reafirma que prossegue na sua missão constitucional de defesa da soberania nacional na Amazônia e no exercício de inúmeras ações complementares que nos integra à população amazônica. No entanto, caso sejam confirmadas quaisquer denúncias envolvendo militares do Exército, não hesitaremos em colaborar para fazer valer as sanções legais que se fizerem necessárias.

Militares paraenses voltam de missão no Haiti



Por alguns minutos, a Base Aérea de Belém foi tomada pelo choro, abraços e beijos para matar a saudade. A cena aconteceu depois que o Boing KC 137 pousou em solo paraense, trazendo 130 militares paraenses que, por seis meses, integraram a tropa da Organização das Nações Unidas (ONU) em missão de paz no Haiti. Ontem, os militares puderam reencontrar suas famílias, mas por pouco tempo. Eles ainda cumprirão um período de quarentena, antes de retornar para suas casas.

Antes do avião pousar, os olhos de Michele Costa já estavam marejados. Ela e o filho, Isaac, de apenas dois anos, esperam ansiosos pela volta do soldado Rodrigo Costa. Hoje, o casal completa três anos de casado e Michele não via a hora de trocar os beijos virtuais pelos reais. 'Para diminuir a saudade nós nos falávamos sempre pela internet, mas não era suficiente. Nunca passamos tanto tempo afastados, meu filho e eu sofremos muito com a ausência do Rodrigo', disse. A poucos metros dali, Rodrigo, marido de Michele, assistia à cena, enquanto aguarda autorização para se aproximar. 'Os militares serão submetidos a exames médicos e laboratoriais, receberão o acompanhamento de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Eles vivenciaram momentos muito tensos no Haiti e precisam se tranqüilizar antes de voltarem à sua rotina', disse o tenenete-coronel Cássio Grilli, da seção de Comunicação da 8ª Região Militar.

Brasil compra 12 helicópteros russos de combate para a FAB

Contrato assinado por Lula e Medvedev é estimado entre US$ 250 mi e US$ 300 mi

Em reunião no Itamaraty, no Rio, presidentes firmam acordo para isentar turistas dos dois países de vistos para visitas de até 90 dias



RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO

O Brasil anunciou ontem a compra de 12 helicópteros de ataque e transporte de tropas Mi-35M para a Força Aérea Brasileira, durante o último dia da visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao país.

O contrato, estimado entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões, prevê ainda o fornecimento de peças para as aeronaves. A FAB não falou sobre detalhes do contrato, que vinha sendo negociado há dois anos.

O Mi-35M é um dos mais modernos helicópteros do mundo, podendo transportar oito soldados, e deverá ser empregado na Amazônia - por sinal um dos teatros de operações do mesmo aparelho na vizinha Venezuela. Hoje o Brasil não tem helicópteros de ataque, improvisando armamentos em aparelhos de transporte.

Foi assinado também um protocolo de intenção de cooperação militar de amplo espectro, mas de pouca substância. De todo modo, é um passo para Moscou tentar reposicionar-se na disputa com a França pelo papel de parceiro estratégico do país no campo de defesa - embora o acordo a ser assinado com Paris na visita do presidente Nicolas Sarkozy em dezembro deverá ser bem mais detalhado e aprofundado.

Ele deverá incluir a compra de 50 helicópteros de transporte, de tecnologia menos avançada, da França. Eles seriam montados em Minas Gerais pela Helibrás, que é subsidiária da francesa Eurocopter.

A aquisição das aeronaves foi informada durante o encontro do presidente Lula com Medvedev, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estava presente no encontro ontem.

A Agência Espacial Brasileira e a Agência Federal Espacial da Federação da Rússia firmaram programa de cooperação para usar e desenvolver o Sistema Global de Navegação por Satélite russo, o Glonass - que pretende ser uma alternativa ao consagrado GPS, controlado pelos Estados Unidos.

Pelo combinado no acordo, as partes não podem vender ou transferir a terceiros produtos de destinação militar ou informações obtidas nesse intercâmbio, sem autorização prévia, por escrito, da outra parte.

Outro fruto das reuniões dos presidentes do Brasil e da Rússia foi a isenção de vistos de curta duração para turistas brasileiros e russos. Nacionais dos dois países poderão entrar, sair e transitar pelo outro Estado por até 90 dias, a cada período de 180 dias, a partir da primeira entrada, sem visto.

A decisão vale apenas para as visitas de turismo; para exercer alguma atividade profissional, missionária, trabalho voluntário, estudo, estágio ou pesquisa, continua a ser necessário ter o visto correspondente.

O presidente do Brasil afirmou que o comércio com a Rússia deve ir além das commodities e incluir produtos de maior valor agregado. Lula citou as áreas de tecnologia e militar, e disse que o PAC oferece uma oportunidade de empregar a experiência russa em ferrovias e infra-estrutura, bem como a Rússia pode se beneficiar do know-how brasileiro em biocombustíveis.

Medvedev foi ontem para a Venezuela, onde navios russos chegaram para polêmicos exercícios conjuntos no Caribe, e depois segue para Cuba.

Venezuela compra sistema de defesa antiáerea russo



O presidente russo Dmitri Medvedev visitará Caracas nos dias 26 e 27 quando deverá assinar diversos acordos nas áreas militar e de energia com o colega Hugo Chávez.

Mas, o governo venezuelano que já comprou cerca de US$ 5 bilhões em armas da Rússia, anunciou nesta terça-feira que está adquirindo um sistem portátil de defesa antiárea Igla-S, em acordo firmado com a estatal russa Rosoboronexport, que controla a venda de armas no mercado internacional.

A Venezuela pagará 72 milhões de euros e receberá várias centenas de mísseis portáteis, além de componentes para sistemas autopropulsados anti-tanque que já são fornecidos à Síria e Líbia.

Especialistas em temas militares acreditam que os Estados Unidos tentaram abortar a transação, uma vez que o sistema portátil de defesa antiáerea é considerado tema sensível.

Em Washington não há dúvidas que Chávez continua tentando ajudar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A guerrilha já tentou diversas vezes adquirir um sistema de defesa semelhante ao que a Venezuela está comprando.

Exercícios militares

O cruzador nuclear russo Pedro, o Grande e o destróier Almirante Chabanenko, além de diversos barcos militares de apoio, chegaram ao porto venezuelano de La Guaíra, nesta segunda-feira.

A partir de 1° de dezembro, eles participarão de um exercício conjunto com a Marinha da Venezuela. Antes de chegar à costa venezuelana, a esquadra russa visitou portos da Líbia, Turquia e França.

Após os exercícios com a Venezuela, os navios de guerra se dirigiram ao Índico onde participam de exercício com a frota do Pacífico da Marinha russa.

De acordo com a chancelaria russa, Pedro, o Grande, é o maior cruzador nuclear do mundo e possui uma tripulação de 727 homens, com 97 oficiais.

Está armado com helicópteros, 20 lança-mísseis de cruzeiro "Granit", 12 lança-mísseis antiaéreos e sistemas "Vodopad" de luta antisubmarina e possui quatro reatores nucleares.

O presidente Hugo Chávez garantiu que a presença dos russos na costa venezuelana não representa uma provocação aos Estados Unidos nem aos países vizinhos.

Ele afirmou ainda que a Venezuela não está se convertendo numa plataforma no Caribe e na América do Sul para uma nova guerra fria.

"Nós realizamos manobras com o Brasil. Não se trata de nenhuma provocação, mas de um intercâmbio entre dois países livres que buscam uma aproximação maior numa velocidade maior”, afirmou em Caracas.

Os caças russos Su-30 adquridos recentemente também participarão dos exercícios, confirmou Chávez.

Nos exercícios, a Venezuela usará oito aeronaves e onze navios. Participam 1.150 militares russos e 600 venezuelanos.

Essas serão as primeiras manobras militares russas no Caribe desde a desintegração da União Soviética em dezembro de 1991.

25 Novembro 2008

Defesa e petróleo atraem russos

Acompanhado de empresários e ministros, Dmitri Medvedev se reúne no Rio de Janeiro com autoridades brasileiras. Parceria militar e investimentos no setor de energia são os principais temas em negociação


Pedro Paulo Rezende

A visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao Rio de Janeiro, abrirá oportunidades de cooperação nas áreas energética, de exploração de petróleo em águas profundas, aeroespacial e nuclear. Ele desembarcou ontem à noite na capital fluminanse acompanhado de empresários que concentram mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de seu país e de três ministros importantes: Sergei Lavrov (Relações Exteriores), Alexey Gordeev (Agricultura) e Sergei Shmatko (Energia). A comitiva deve assinar ainda três acordos que vão estabelecer a parceria militar em sua primeira visita ao Brasil.

De acordo com uma fonte da Secretaria-Geral do Itamaraty, os três acordos abrangeriam a cooperação tecnológica, a proteção à propriedade intelectual e a segurança de informações. Eles complementariam um acordo-quadro de cooperação assinado em 15 de abril pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e pelo secretário interino do Conselho de Segurança da Federação Russa, Valentin Alekseevitch. Moscou considera imprescindível a assinatura desses documentos para estabelecer o desenvolvimento conjunto de equipamentos na área da defesa.

As negociações com a Rússia ocuparam grande parte da agenda de Mangabeira Unger nos últimos seis meses. Ele tem interesse em parcerias nas áreas de foguetes e satélites de sensoriamento remoto e de navegação — os russos ofereceram seu sistema Glonass como opção ao GPS norteamericano.

Outro ponto importante é a assinatura de um acordo de cooperação na área nuclear. O tratado abre a possibilidade de participação brasileira na produção de um reator autoregenerador (fastbreeder), que se alimenta de lixo radiativo.

Apesar de manter avançados contatos com a França no campo da propulsão atômica, a Marinha não descartou a possibilidade de introduzir tecnologia russa em seu futuro submarino nuclear de ataque, que deve ficar pronto em 2020. A Secretaria de Assuntos Estratégicos mantém contatos discretos com a Rosoboronexport, estatal que engloba as exportações militares de Moscou. Medvedev pode, inclusive, visitar o Comando da Marinha.

Existe um prêmio de consolação pela desclassificação do caça Sukhoi 35 do programa F-X2 de renovação da frota de combate da Força Aérea Brasileira (FAB). O avião, um dos mais avançados, foi oferecido ao custo de 50 milhões de euros. Os russos condicionaram a transferência de tecnologia à assinatura dos acordos, o que desagradou a Aeronáutica. O governo brasileiro finalmente assinará o contrato para a compra de 12 helicópteros de ataque Mil Mi35, selecionado em julho.

Exibição de força no Caribe

Dmitri Medvedev segue amanhã do Rio para Caracas, onde ele e o presidente da Venezuela, Hugo Cháves, acompanharão a primeira manobra conjunta entre as marinhas dos dois países. O cruzador de batalha Pedro, o Grande — o maior do mundo em sua categoria, movido a energia nuclear e armado com 284 mísseis — e o destróier anti-submarino Almirante Chabanenko zarparam de Murmansk e percorreram 15 mil milhas náuticas antes de chegarem ao porto de La Guaira. Moscou não flexionava seus músculos na América Latina desde o fim da União Soviética e da Guerra Fria, que determinou o desmonte das bases militares em Cuba.

Caracas se consolidou como o grande mercado para as armas russas na América do Sul. Apenas neste ano, o país adquiriu 10 baterias de mísseis antiaéreos TOR M-1, ao preço de US$ 100 milhões; um número não determinado de mísseis antiaéreos portáteis Igla (lançáveis do ombro) e 10 helicópteros de ataque Mi-28, os mais potentes em operação na região, por um custo estimado em US$ 200 milhões. Além disso, o presidente Chávez assinou a opção para adquirir 40 caças — 24 Sukhoi Su30MKV e 16 Sukhoi Su35BM, que reúne a melhor tecnologia do arsenal de Moscou.

O governo venezuelano abriu-se aos fornecedores russos em 2004, depois que o governo dos Estados Unidos, adversário de Chávez, decretou um embargo. Na primeira compra, em 2004, gastou cerca de US$ 3,4 bilhões. O pacote incluía 24 caças Sukhoi Su-30MK2V (US$ 1,2 bilhões, com armas); 16 baterias de mísseis TOR M-1; 50 helicópteros Mi-35, de ataque; 50 Mi-171 e Mi-26 (os maiores do mundo, com capacidade de 20t), de transporte. Os Su-30MK2V são os mais sofisticados aparelhos da América Latina, com mísseis antinavios com 120km de alcance — o dobro dos Exocet (franceses) usados pela Argentina nas Malvinas. No segundo contrato, assinado no fim do ano passado, foram adquiridos 10 cargueiros russos Ilyushin Il-76 e dois Il-78 (US$ 600 milhões) para reabastecimento em vôo. Para a Marinha, Chávez negocia a aquisição de três submarinos da Classe Kilo que estavam na reserva. Modernizados, custarão US$ 1,2 bilhão. (PPR)

Esquadra naval russa faz manobras na Venezuela



MOSCOU - Uma esquadra naval russa deverá chegar hoje à Venezuela para a realização de manobras militares conjuntas com a Marinha local, informou ontem em Moscou um porta-voz das forças navais da Rússia.

As manobras coincidem com a presença do presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, na região. Entre os navios enviados à Venezuela encontra-se o cruzador movido a energia nuclear Pedro, o Grande.

"Em 25 de novembro começará a visita de um destacamento na Frota do Norte a (o porto venezuelano de) La Guaira", disse Igor Dygalo, porta-voz da Marinha russa. "Em 1º de dezembro, os navios russos realizarão manobras navais em conjunto com a Marinha da Venezuela."

De acordo com ele, as manobras militares incluirão treinamentos de planejamento operacional, de ajuda a embarcações em perigo e de abastecimento de navios em movimento.

Medvedev deverá visitar a Venezuela esta semana como parte de um giro pela América Latina. Ele se reunirá com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A decisão russa de realizar manobras militares em conjunto com a Venezuela no Mar do Caribe é vista por analistas como uma mensagem de desafio aos Estados Unidos. Medvedev, que nesta semana também visitará o Brasil, chegará à Venezuela amanhã e encerrará seu giro pela região com uma viagem a Cuba.

Lula tenta aproximação com Rússia



BRASÍLIA - A isenção de vistos nos passaportes de brasileiros em visita à Rússia e de russos em passagem pelo Brasil será a medida concreta do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dimitri Medvedev, amanhã, no Rio de Janeiro. A iniciativa preenche uma agenda de aproximação bilateral com raros resultados novos a serem anunciados.

A supressão dos vistos tem o objetivo imediato de estimular o turismo e o contato empresarial.

Mas está impregnado de simbolismo. Até hoje, a Rússia impõe um severo controle sobre os estrangeiros que desembarcam em seu território e isenta da necessidade de visto apenas os cidadãos da sua vizinhança e de Israel.

O Brasil, que adota a medida para uma lista ampla de países, entre os quais os da União Européia, será o primeiro país latino-americano a ser beneficiado pela medida. Além do contrato de compra de 12 helicópteros MI-35, fechado há alguns meses pela Força Aérea Brasileira (FAB) a um custo de US$ 300 milhões, a pauta Brasil-Rússia mostra-se vasta somente em intenções de negócios.

Esse contrato abre a oportunidade de um futuro negócio Brasil-Rússia - o desenvolvimento de um projeto comum de novos modelos de helicópteros. A FAB, em princípio, esperava atuar em parceria com os russos na construção de aviões-caça de quinta geração.

Mas, a decisão do Comando da Aeronáutica de desqualificar a russa Sukhoi na escolha direta do caça F-X2, em 1º de outubro passado, "jogou um balde de água fria" nas negociações, que já não eram vistas com muito entusiasmo em Moscou.

A Aeronáutica alegou, na ocasião, que os caças da Sukhoi não se adequavam às necessidades da FAB. Na verdade, a proposta russa não envolvia a tão esperada transferência de tecnologia. "Os russos sabem que o Brasil quer parceria em condições de igualdade na área tecnológica", afirmou o embaixador brasileiro em Moscou, Carlos Antônio da Rocha Paranhos.

A herança do encontro Lula-Medvedev será uma ampla pauta de negociações. Na área militar, continua a discussão sobre a participação do Brasil no sistema russo de sensoriamento remoto, Glonass, e no europeu Galileo, como meio de diminuir a dependência ao americano GPS.

Na área nuclear, o interesse da Rússia de atuar na prospecção de urânio no Brasil ainda está em estudos e sua ambição de construir usinas nucleares esbarra nas indefinições do governo na área.

Melhores chances podem surgir nas parcerias entre empresas brasileiras e russas para a execução de projetos de infra-estrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo assim, não é esperado nenhum anúncio no Rio de Janeiro.

Marinha indiana já não é "emergente"



Segundo analistas especializados, a Índia não é mais uma potência naval emergente. A Marinha indiana, criada oficialmente em 1947, tornou-se a mais poderosa força naval entre os países banhados pelo Oceano Índico e já goza de grande prestígio internacional, embora ainda tenha problemas a resolver e limitações a superar.

Esta Marinha tem um efetivo aproximado de 53 mil homens e mulheres (inclusive 7.500 oficiais), dos quais 5 mil na Aviação Naval e cerca de 2 mil nos Fuzileiros Navais. O chefe do Estado-Maior Naval exerce o comando e a direção geral, enquanto que seus subordinados diretos estão encarregados dos assuntos relativos a operações, pessoal, material e logística.

A Marinha indiana possui três Comandos Navais. Dois deles, com suas respectivas esquadras, estão sediados nos litorais Ocidental (Mar da Arábia) e Oriental (Golfo de Bengala). Para fins de treinamento, existe ainda o Comando Naval do Sul. O recém-criado Comando das Adaman e Nicobar é um comando combinado, que também inclui unidades navais.

A Marinha indiana dispõe atualmente de dois navios-aeródromo, o INS Viraat e o INS Vikramaditya, além de 16 submarinos, 32 contratorpedeiros e fragatas, 47 corvetas e navios-patrulha, 17 navios de desembarque, 10 navios-tanque e diversos outros tipos de unidades auxiliares. Sua Aviação Naval é composta por 15 esquadrões e cerca de 150 aeronaves.

Estão em construção no país o INS Vikrant (primeiro de uma série de três novos naviosaeródromo) e vários outros navios de superfície. Seis novos submarinos da classe "Scorpene", dotados de propulsão auxiliar independente da atmosfera, poderão ser construídos. Em 2002, começou a construção do casco do primeiro submarino indiano com propulsão nuclear.

As indústrias de defesa da Índia têm sido beneficiadas, por meio de acordos de cooperação com a Rússia e com diversos países ocidentais. A Marinha indiana vem sendo modernizada com material desenvolvido e produzido pela indústria local, e não apenas com navios de superfície, submarinos, aeronaves e armamento recebidos do exterior.

As principais preocupações estratégicas da Marinha indiana relacionavam-se ao Paquistão e à China, mas isso vem mudando. Desde 2001, a ênfase está passando das duas hipóteses tradicionais de conflito para uma nova estratégia, que visa à defesa do interesse nacional em toda a extensão do Oceano Índico, contra ameaças como o terrorismo e a pirataria.

A Estratégia Marítima indiana de outubro de 2006 é um documento sigiloso. Na concepção indiana, os fatores envolvidos numa estratégia são: os interesses que podem ser ameaçados; as ameaças reais ou potenciais a tais interesses; e a estrutura de forças capaz de se contrapor a tais ameaças. A expansão naval do país estaria associada à ampliação de tais fatores.

O subcontinente indiano projeta-se de norte a sul, como uma cunha, sobre o Oceano Índico, o que confere à Índia uma posição estratégica vantajosa naquele oceano. Boa parte dos interesses marítimos indianos, que se estendem da África Meridional à Austrália e ao Estreito de Málaca, está voltada para o Hemisfério Sul.

Em maio de 2008, um grupo-tarefa indiano, integrado pelo contratorpedeiro INS Mumbai e pela corveta INS Karmuk, participou da 1ª Operação IBSAMAR, com unidades navais do Brasil e da África do Sul. Esta operação foi realizada em águas sul-africanas, simultaneamente à 5ª Reunião Ministerial do Fórum IBSA (India, Brazil and South Africa), realizada em Cape Town.

Brasil, Rússia, Índia e China formam o grupo de países conhecido como BRIC.

Segundo a publicação CIA World Factbook 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) da Índia em 2007, pelo critério de paridade de poder de compra, foi de US$ 2,966 trilhões (5º lugar mundial). Desse total, 71,8% correspondiam à agricultura, 29,4% à indústria e 52,8% aos serviços.

Em 2007, a economia indiana cresceu 9%, mas a renda média do país foi de apenas US$ 2.600 por habitante (167º lugar). Segundo dados relativos ao ano de 2006, o orçamento de defesa da Índia correspondia então a 2,5% do PIB (66º lugar).

Também pelo critério de paridade de compra, o PIB brasileiro em 2007 foi de apenas US$ 1,849 trilhão (10º lugar mundial). Contudo, embora o Brasil só tenha crescido 5,4% em 2007 (101º lugar), sua renda por habitante foi de US$ 9.500 no período (106º lugar).

Os perfis socioeconômicos da Índia e do Brasil são bem diferentes. A economia indiana vem crescendo aceleradamente, embora o PIB por habitante ainda seja bastante baixo. O Brasil, apesar de uma taxa de crescimento relativamente baixa, teve em 2007 uma renda por habitante pouco inferior à média mundial de US$ 10 mil.

As estimativas externas sobre gastos de defesa do Brasil primam pela inexatidão. Segundo estimativas de 2006, que constam da publicação citada, os gastos do Brasil com sua defesa foram então de 2,6% do PIB (62º lugar mundial), o que corresponderia a mais de US$ 45 bilhões. Contudo, tais estimativas contradizem dados oficiais disponíveis na Internet.

Em 2006, o orçamento executado do Ministério da Defesa brasileiro foi de R$ 34,487 bilhões (cerca de US$ 15 bilhões), correspondendo a 89,8% do total autorizado no início do ano, que foi de R$ 38,406 bilhões (US$ 16,7 bilhões). No Brasil, o Orçamento da União não é impositivo. O valor gasto correspondeu assim a 0,95% do PIB de 2006, estimado em US$ 1,754 trilhão.

Como a Índia no Oceano Índico, o Brasil ocupa posição estratégica de destaque, no Atlântico Sul. Só que em nosso país o mar, assim como a defesa, há muito deixou de fazer parte da agenda política nacional. Se a expansão marítima indiana prosseguir, os brasileiros ainda ouvirão falar bastante, a respeito da Índia e de sua Marinha.

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj) e colaborador permanente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (Cepe/EGN)

Ministério da Defesa reforça socorro aos flagelados de Santa Catarina



Brasília, 24/11/2008 - O Ministério da Defesa ampliou nesta segunda-feira (24/11) o socorro às vítimas das enchentes que flagelam diversos municípios de Santa Catarina. A ajuda, iniciada no último sábado pelo Comando do Exército, por meio do 63º Batalhão de Infantaria, foi reforçada hoje pelo Comando da Aeronáutica, que deslocou para o aeroporto de Navegantes (SC), base das operações, dois helicópteros, um H-1H, do 5º/8º GAV(Grupo de Aviação), de Santa Maria, e um CH-34, do 3º/8º GAV, do Rio de Janeiro. Já há quase 400 militares em operação na região.

Um terceiro helicóptero, modelo Pantera, foi cedido pelo Comando de Aviação do Exército (sediado em Taubaté-SP), para atuar na Região de Blumenau. Até amanhã, o mesmo comando deverá enviar mais dois helicópteros à região - um Esquilo e outro Pantera.

A ajuda faz parte das medidas de socorro do governo Federal, determinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendendo a pedido de auxílio do governo do Estado de Santa Catarina. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, as Forças Armadas estão empenhadas em dar todo o suporte que estiver ao alcance dos seus meios. “ O povo catarinense merece a solidariedade e a ação de todos nós brasileiros, e nossos soldados estarão à frente da mobilização”, afirmou Jobim.

A Aeronáutica enviou para Santa Catarina, além das tripulações, uma equipe do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, conhecido como Pára-SAR, especializada em busca e resgate. Os militares estão atuando no Vale do Rio Itajaí Açu, principal foco de enchentes e registro de calamidades. Nesta segunda, um helicóptero da FAB transportou bombeiros para Cananéia e Luís Alves, de onde devem ser transportados feridos e cidadãos isolados pelas cheias do rio.

Na Região de Blumenau, há duas viaturas blindadas do Exército em atividades de apoio a 35 núcleos de Defesa Civil. Também já chegaram 10 caminhões de transporte de alimentos. Nas próximas horas, duas outras viaturas blindadas chegarão a Blumenau. No total, trabalham na área 110 militares em atividades de apoio e mais 240 militares em ações externas. Em Blumenau, as atividades exercidas pelos militares consiste basicamente em transportar água e alimentos.

O apoio do Exército na Região de Florianópolis e adjacências, por meio do 63º Batalhão de Infantaria, refere-se principalmente à assistência e socorro a populações isoladas pelas enchentes. O apoio engloba o envio, por caminhões, de alimentos para as cidades catarinenses de Gaspar e Tijuca. Para Florianópolis, os militares transportaram uma caixa d’água destinada a garantir o abastecimento da cidade. Um caminhão do Exército também transportou um gerador de eletricidade para uma área que fica ao Norte de Florianópolis, na altura da rodovia SC 401.

Brasil faz acordo de defesa com a Rússia



Sergio Leo

Sem alarde, o Brasil fechou o contrato de compra de 12 helicópteros de ataque MI-35 fabricados pela Rússia, a um custo estimado em cerca de US$ 300 milhões. A compra põe fim a uma negociação de quase dois anos, equipará as Forças Armadas com verdadeiros tanques blindados aéreos que se destinarão à vigilância da Amazônia e é um exemplo do que não prevê o acordo de cooperação em matéria de defesa que os dois governos também assinarão durante a visita do presidente russo ao Brasil, Dmitri Medvedev, nesta semana. O governo quer mais, quer fabricar armamentos com a Rússia.

E não só com a Rússia. Em dezembro, chega ao país o presidente da França, Nicolas Sarkozy, com quem também será assinado acordo de cooperação em matéria de defesa. Como informou ao Valor o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, as negociações com os franceses estão até mais avançadas do que as com os russos.

Sarkozy entendeu que o Brasil não quer acordos de compra e venda de mercadorias, mas de aliança para fabricação de armamentos e pesquisas tecnológicas. A Marinha brasileira discute com os franceses planos conjuntos na construção de submarinos, e o Exército negocia projetos de cooperação para tecnologias do chamado "combatente do futuro" das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com uso de sofisticados sistemas de informática e posicionamento por satélite para auxiliar o deslocamento, identificação e mobilização de soldados em campo de batalha.

A compra dos helicópteros russos é considerada, no governo, um negócio "atípico" e excepcional em relação ao que se pretende com a nova estratégia de alianças no setor de defesa. Os brasileiros negociaram a instalação de centros completos de manutenção para os novos helicópteros, para evitar os problemas já identificados na vizinha Venezuela, onde o abastecimento de peças depende de estoques limitados e encomendas a Moscou. Mas a compra é uma operação estritamente comercial, sem o chamado offset, compensações comerciais concedidas pelo fornecedor de equipamentos.

O objetivo declarado das conversas com Paris e Moscou - explicitado por Mangabeira Unger em recente ronda pela Europa - é evitar a excessiva dependência de fornecedores de alguma parte do globo e buscar aproveitar a reestruturação das Forças Armadas para incentivar o desenvolvimento tecnológico do setor de armamentos no país. Essa foi a razão, segundo explicou o governo brasileiro ao russo, pela qual os jatos Sukhoi foram excluídos da licitação para o projeto FX de compra de novos jatos para a Força Aérea Brasileira. Os russos foram os únicos a não oferecer transferência de tecnologia no pacote de venda.

Além do anúncio da compra dos helicópteros, está prevista para a visita de Medvedev a assinatura de um dos três acordos que pautarão a cooperação dos dois países em matéria de defesa.

Em agosto já havia sido assinado outro, pelo gabinete de Segurança Institucional da Presidência, do ministro general Jorge Félix, com a ex-KGB russa, de proteção de informações confidenciais. O acordo desta semana é de cooperação técnico-militar e prevê troca e intercâmbio de pessoal, aquisição de equipamentos, transferência de tecnologia e até co-produção.

Há um terceiro acordo em fase de finalização, sobre propriedade intelectual. As autoridades brasileiras esperam que o acordo permita às indústrias dos dois países conhecer melhor o que é produzido e comercializado nos dois mercados, abrindo caminho para que as empresas brasileiras façam contatos e encontrem oportunidades de negócios com os russos. Não é fácil, a Rússia, especialmente na esfera militar, ainda tem a arrogância de grande potência, mas há forte interesse da indústria bélica brasileira, em campos como a fabricação de blindados, por exemplo.

Avião interceptado pela FAB era de Gana



SÃO PAULO - O avião de grande porte interceptado na tarde de sexta-feira por um caça F-5M, da Força Aérea Brasileira (FAB), quando fazia um vôo irregular no Litoral Sul do Rio, era um cargueiro DC-8 de Gana, matrícula 9G-AXA, operado pela empresa Air Charter Express. O supersônico de combate estava armado com um canhão de 20 milímetros e dois mísseis.

O jato comercial fora fretado pelo governo da Grã-Bretanha para um vôo desde Port Stanley, no arquipélago das Malvinas, no Sul do Atlântico, até a Ilha de Ascensão, na linha do Norte da África.

Os pilotos do DC-8, um peruano e um francês, pretendiam fazer uma escala para reabastecimento no aeroporto de Cabo Frio e declararam aos controladores do Cindacta-II (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego) que se tratava de aeronave militar.

"Verificou-se, em poucos segundos, que não havia registro nessa categoria, nem a documentação adequada à autorização de pouso", informou ontem, por nota, o Comando da Aeronáutica. Nesse momento, pouco antes das 15 horas, foi acionado o sistema de alerta do 1º Grupo de Aviação de Caça, da base aérea de Santa Cruz.

O cargueiro foi interceptado às 15h10, a 35 mil pés de altitude. Segundo a Aeronáutica, "a tripulação estrangeira obedeceu à ordem de aterrissagem no Aeroporto Internacional do Galeão". Em terra, oficiais da FAB e agentes da Polícia Federal inspecionaram o DC-8. Segundo o titular do Comando de Defesa Aérea (Coda), coronel Álvaro Mário Pandolpho da Costa e Silva, "liberado, o avião estrangeiro decolou no sábado de manhã rumo à Ilha de Ascensão".

Falou, dançou



Ricardo Boechat

Lotado no Hospital de Guarnição da Vila Militar do Rio de Janeiro, o 1º Sargento Rogério da Silva Gomes cumpre 26 dias de prisão no Batalhão da Polícia do Exército. Foi punido por ter entregue ao MPF relatórios apontando fraudes em licitações de material médico. Ele será transferido para um quartel em Bagé (RS). As denúncias serão apuradas em processo sigiloso.

22 Novembro 2008

Rússia mira o Brasil e quer cooperação militar com Cuba



No dia 27, o presidente russo Dmitry Medvedev desembarcará em Havana com o objetivo de firmar uma série de acordos militares e comerciais. Ele estará ainda na Venezuela e no Brasil com o mesmo objetivo.

O vice-primeiro ministro russo, Igor Sechin, esteve em Havana e anunciou uma linha de crédito para Cuba no valor de R$ 20 milhões. Em três meses, Sechin esteve na ilha três vezes.

O chanceler cubano Felipe Pérez Roque esteve em Moscou no início do mês e convidou empresas russas para investirem nas reservas petrolíferas do país.

O vice-primeiro ministro esteve ainda em Caracas e Manágua. Na Venezuela foram assinados 15 acordos e o governo de Hugo Chávez é o principal comprador de armamentos da Rússia.

A presença russa na América Latina já tira o sono dos norte-americanos. Além de acordos, a Rússia realizará uma série de manobras militares no Mar do Caribe com a Marinha venezuelana, entre os dias 20 e 24 de novembro.

A Rússia também pretende cooperar com a Bolívia no combate ao narcotráfico. A decisão surge logo após a expulsão da agência norte-americana DEA pelo presidente Evo Morales.

No dia 25, Medvedev estará no Rio de Janeiro e também vai tentar expandir os negócios para o campo militar.

O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, é o responsável pela preparação da visita de Medvedev ao Brasil. Em reunião com o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, ele confirmou que os temas relativos à Defesa estarão entre as prioridades dos presidentes brasileiro e russo.

A Rússia poderá participar do Plano Estratégico da Defesa em parcerias para a produção de aeronaves de combate e foguetes lançadores de satélites.

Argentina e Chile realizam inédito exercício militar



As Forças Armadas da Argentina e do Chile realizaram por cinco dias, entre 10 e 15 de novembro, um exercício conjunto com o objetivo de reforçar a preparação ante eventuais situações de catástrofes e desastres naturais.

Cerca de 180 militares e civis participaram do exercício coordenado entre as sedes militares de Buenos Aires e Santiago.

O exercício denominado “Solidariedade 2008” é resultado de uma cooperação que já dura dez anos. Os dois países também trabalham a constituição de uma força combinada “Cruz do Sul” que estará à disposição das Nações Unidas para emprego em conflitos internacionais.

Enquanto isso, as três forças argentinas realizavam uma operação combinada depois de muitos anos de distanciamento. Pelo menos três mil efetivos do Exército, Marinha e Força Aérea se uniram em Goya, província de Corrientes, para manobras que simularam uma invasão estrangeira.

O ministério da Defesa da Argentina informou que este tipo de exercício revela o trabalho realizado pelas Forças Armadas ante a hipotética situação de invasão por um agente externo. A virtual defesa da integridade territorial argentina incluiu recursos, cidadãos, infra-estrutura, recursos naturais e energéticos.

Os militares argentinos ressaltaram que o país sequer cogita a possibilidade de um conflito bélico com os vizinhos sul-americanos ou qualquer outro país.

MP permite ao governo trocar dívida por ações de empresas do setor bélico



Arnaldo Galvão, de Brasília

O governo incluiu ajuda às empresas do setor bélico em medida provisória (MP) que será publicada hoje. O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luiz Inácio Lucena Adams, explicou que a principal beneficiada é a Avibrás , porque a idéia é autorizar a União a transformar um crédito, de cerca de R$ 400 milhões, em participação acionária minoritária.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se ontem com líderes dos partidos na Câmara para pedir empenho na conversão da MP em lei. Adams ponderou que é do interesse público reestruturar as dívidas das empresas que têm atividades de pesquisa e produção de material bélico, porque os governos são seus únicos clientes e elas operam com tecnologia de ponta num mercado dominado por concorrentes americanas.

De acordo com a MP, a conversão da dívida da Avibrás em participação da União terá de ser aprovada pelo Conselho de Gestão de Participações da União. Integram esse conselho os ministros da Fazenda, Casa Civil, Planejamento e, nesse caso, Defesa. A Avibrás está em recuperação judicial e mais da metade da sua dívida com a União não é de natureza tributária.

A Avibrás, fabricante do lançador de mísseis Astros, tem ativos, principalmente marcas, cujo valor chega perto de R$ 1 bilhão. Nesse setor, a empresa Mectron, fabricante de mísseis, já conta com participação acionária do BNDESPar. No texto apresentado aos deputados, Mantega argumentou que essa demanda do setor bélico "atende à necessidade de retomar a atividade industrial e de pesquisa na área de defesa nacional".

Em setembro, o Valor publicou reportagem revelando que o apoio do governo para substituir fornecedores estrangeiros será um dos principais pontos da Estratégia de Defesa Nacional para orientar gastos e ações das Forças Armadas. Esse impulso à indústria nacional vai integrar a política industrial. O sinal é positivo para fabricantes brasileiros de armamento, helicópteros, aviões, embarcações e radares.

A idéia do ministro da Defesa, Nelson Jobim, é subordinar os orçamentos das armas a uma só diretriz e acabar com indefinições sobre as estratégias de Exército, Marinha e Força Aérea. Ele quer que o tema ganhe status de projeto de desenvolvimento, deixando de ser assunto exclusivo dos militares.

Além da Embraer, única remanescente da indústria bélica brasileira em situação favorável, sobrevivem no país a Avibrás, sem condições de fabricar mísseis de precisão projetados na empresa, a Mectron, a Imbel, fabricante de armas, e a Orbisat, que produz fechaduras e capacetes para empresas de segurança, e que tem projetos para fabricar radar de baixa altura.

A possibilidade de usar o poder de compra do governo para impulsionar o avanço tecnológico do setor de defesa é citada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como um dos argumentos para evitar acordos com cláusulas de liberalização total das licitações e aquisições de governo para fornecedores estrangeiros.

Defesa destaca 2.321 militares para combater Dengue



Brasília, 20/11/2008- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou nesta quinta-feira (20), em entrevista coletiva concedida ao lado do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que 2.321 militares serão destacados para atuar no combate à Dengue nas localidades designadas pela Saúde.

Serão 201 militares da Marinha, 1.850 do Exército e 270 da Aeronáutica, que serão treinados para atuar no combate ao mosquito e como agentes de educação e mobilização em saúde. O primeiro treinamento será iniciado na próxima semana, na Bahia, nos dias 26 e 27, com um grupo de 51 militares da Marinha e instrutores da Funasa.

Os dois ministérios também farão campanha interna nas três Forças, com o objetivo de mobilizar os militares e suas famílias na prevenção ao mosquito, em suas casas e em seus locais de trabalho.

Segundo Jobim, a experiência das Forças Armadas em atividades sociais com a população, as denominadas Ações Cívicos Sociais, facilitará o trabalho de treinamento que será realizado pelos técnicos do Ministério da Saúde. “Nós já temos uma expertise para esse tipo de ação, nós precisamos agora começar a ter um treinamento básico para esse tipo de atividade de combate à dengue e ter um aprestamento, ou seja, ter um material já disponível em 24h”, disse Jobim.

O ministro esclareceu, no entanto, que nem todos os militares serão acionados ao mesmo tempo. A intenção do ministro Temporão é deixar as equipes já treinadas com antecedência nos estados onde há maior preocupação com a doença. Se houver uma emergência, os militares da localidade serão acionados e em 24 horas estarão em condições de agir.

De acordo com o plano acertado entre os dois ministérios, os militares serão preparados para atuar nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Minas Gerais, Amazonas, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Acre e Alagoas. As secretarias estaduais de Saúde também participarão do trabalho de prevenção e combate ao mosquito.

20 Novembro 2008

Chefe das Forças Armadas é afastado



Da Redação

A luta no leste da República Democrática do Congo levou desespero e frustração para a população de Kivu. Além das mortes e dos milhares de desabrigados pelo conflito, outro problema veio à tona: o fraco e corrupto Exército congolês. De um lado, está o líder rebelde Laurent Nkunda, que luta para proteger a etnia tutsi. Do outro, o presidente Joseph Kabila, acusado de apoiar os hutus. Com a vantagem dos rebeldes nas batalhas, Dieudonné Kayembe, chefe das Forças Armadas, foi substituído.

Nkunda é inimigo dos rebeldes ruandeses da etnia hutu — acusados de cometer um massacre contra os congoleses tutsis. O governo do Congo prometeu impedir que milícias hutus utilizem seu território. O prazo para cumprir a promessa acabou em agosto e os confrontos foram retomados. Os rebeldes também podem estar interessados em Kivu, região rica em ouro.

O general Didier Etumba, exchefe da Marinha e da inteligência militar, foi escolhido como substituto de Kayembe. Grupos de defesa dos direitos humanos acusam os rebeldes de crimes de guerra, mas também afirmam que soldados do governo saquearam, mataram e estupraram mulheres na região quando batiam em retirada. O novo chefe das Forças Armadas esteve envolvido nas negociações que puseram fim à guerra do Congo, entre 1998 e 2003. Também participou de acordos de paz com os rebeldes liderados por Nkunda e é um comandante respeitado.

Os rebeldes anunciaram ontem um recuo unilateral de 40km em duas frentes. “Decidiu-se que o Congresso Nacional de Defesa do Povo (rebeldes) realizará um recuo unilateral de suas tropas nos eixos Kanyabayonga-Nyanzale e Kabasha-Kiwanja”, informaram, por meio de um comunicado. Eles pediram à missão de paz da ONU que “se encarregue da segurança nessas áreas de separação e garanta que nenhuma outra força as ocupe, pois isso anularia imediatamente a decisão de retirada”.

Missão da ONU

Pelo menos 17 mil capacetes azuis e forças policiais internacionais patrulham as regiões em conflito no Congo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, espera que a missão seja reforçada e estimou serem necessários três mil soldados. Já o presidente alemão, Horst Köhler, pediu aos países europeus que intervenham militarmente no conflito para aliviar a tragédia humanitária. “Não tenho espírito de guerra, mas levamos a sério nossos valores. Então, os europeus têm de enviar soldados para deter os crimes”, disse Köhler. Segundo ele, é inadmissível que, sob amparo de um mandato da ONU, apenas países em desenvolvimento mantenham tropas na região.

Nkunda garantiu que os rebeldes cumpririam com o cessar-fogo declarado havia três semanas e permitiriam a abertura de corredores humanitários para atender aos mais de 250 mil refugiados. Antes dos conflitos começarem em agosto, mais de 1 milhão de pessoas já tinham sido deslocadas de suas casa. “O que vemos é uma deterioração da situação, não uma melhora”, disse a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Elisabeth Byrs. Até o momento, a ONU contabilizou 127 casos de cólera e demonstra preocupação diante do aumento de sinais de desnutrição entre as crianças.

Coréia oferece navios



O presidente da República da Coréia, Lee Myung-bak, chega ao Brasil trazendo na bagagem uma oferta para a Marinha. A Hyundai, que além de montar carros é um dos cinco maiores construtores mundiais de navios, quer construir no Rio de Janeiro quatro destróieres da classe KDX2 — embarcações extremamente bem armadas e equipadas, que deslocam 5.200t — ao custo unitário de US$ 420 milhões.

Como atrativo extra, ofereceram a doação de 10 pequenas corvetas da classe Pohang, de 1.200t. São barcos empregados em missões de vigilância, que permitiriam ampliar imediatamente a capacidade nacional de fiscalização das águas territoriais. Os sul-coreanos também querem dar apoio tecnológico para a fabricação dos futuros navios-patrulha oceânicos (NaPaOc), que terão entre 1.200t e 2.000t. Há necessidade de 16 unidades com essas especificações.

A Marinha do Brasil pretende, em 2011, começar os trabalhos de construção de três unidades de até 6 mil toneladas para substituir as seis fragatas da classe Niterói, construídas, com apoio dos estaleiros britânicos Vosper, entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980. Em junho, uma comitiva da Hyundai visitou o Arsenal de Marinha e manteve conversas preliminares com a Empresa de Projetos Navais (Engepron), estatal encarregada do projeto e desenvolvimento dos navios de guerra brasileiros. Nas reuniões, o fabricante coreano mostrou interesse em assumir as instalações da Marinha para modernizá-las, ampliá-las e empregá-las na construção de petroleiros e plataformas de produção de petróleo em alto-mar.

O Ministério da Defesa defende um projeto similar com a DCNS francesa, para fabricar três fragatas Fremm, de 6.500t, com custo unitário de US$ 600 milhões na configuração antiaérea. O projeto faz parte de um programa de intercâmbio tecnológico entre as autoridades militares de Brasília e Paris.

O trabalho envolveria a recuperação e a modernização do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, que acaba de entregar a corveta Barroso, depois de 17 anos de trabalho — prazo extremamente longo para os padrões internacionais. A primeira unidade seria entregue em 2014, depois de três anos do início da montagem. A Espanha também jogou sua cartada, a fragata F-100, que, além de equipar a esquadra nacional, foi exportada para a Austrália e a Dinamarca. (PPR)

Família do cabo baleado dentro do CAvEx vai ingressar na Justiça contra União



O advogado Leonardo Pantaleão, que representa a família do cabo do Exército Leonildo Zonho Alves Ferreira, 24 anos, confirmou ontem a possibilidade de ingressar com uma ação contra a União cobrando uma indenização pelo acidente que provocou ferimentos de caráter irreversível.

Vítima de um disparo supostamente acidental, Ferreira foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional e estaria com cerca de 70% do cérebro comprometido, em uma situação que caminha para o diagnóstico de morte encefálica.

17 Novembro 2008

Ocorrência na Prainha - CE

Nota Oficial 03 - Ocorrência na Prainha - CE

Ontem, 12/11, por volta de 13 horas, um fragmento pirotécnico desprendeu-se de uma aeronave da FAB e caiu sobre um estabelecimento comercial no município de Prainha, nas imediações de Fortaleza-CE. O objeto em questão faz parte do sistema de defesa de aeronaves militares e mede 15cm X 3cm.

Tão logo a Base Aérea de Fortaleza (BAFZ) tomou conhecimento do fato, deslocou uma equipe de militares ao local a fim de apurar o incidente. Foram constatadas algumas telhas quebradas do estabelecimento, sem qualquer dano a pessoas.

Em consequência, o Comando da Aeronáutica está providenciando os reparos necessários no local e deu início ao processo de investigação para apurar os motivos que provocaram tal fato.

Assessoria de Imprensa da Operação CRUZEX IV
A GUERRA É SIMULADA. O TREINAMENTO, REAL.

Fonte: DIREX/CECOMSAER

Presidente russo vem ao país para tentar vender armas



DA SUCURSAL DO RIO

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, virá ao Brasil neste mês e estará no Rio de Janeiro em 25 de novembro. O sucessor de Vladimir Putin - que o apoiou e é o primeiro-ministro do governo - vai visitar o Monumento aos Mortos na 2ª Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo.

O Ministério da Defesa será o anfitrião de Medvedev. O Exército foi procurado pelo consulado russo no Rio para, entre outras coisas, consultas sobre a segurança das áreas da cidade em que o presidente passará. O presidente Lula ainda não confirmou presença na visita ao Rio.

A Folha apurou que um motivo da vinda de Medvedev ao país é a tentativa de conseguir alavancar negócios na área militar.

12 Novembro 2008

Elbit fecha contrato de US$187 milhões com a Embraer para modernizar os AMX



TEL AVIV, Israel (Reuters) - A israelense Elbit Systems informou nesta terça-feira que ganhou contrato da Embraer para o fornecimento de sistemas eletrônicos (aviônica) para o programa de modernização dos jatos de combate AMX da Força Aérea Brasileira.

O desenvolvimento inicial e a fase de protótipos do contrato somam 67 milhões de dólares. O contrato completo, incluindo a fase de produção subsequente, totaliza 187 milhões de dólares e deve ser concluído até 2014, divulgou a Elbit em comunicado.

A implementação da fase de produção, seguindo a conclusão do desenvolvimento e a fase de protótipos, está sujeita à aprovação futura.

De acordo com a Elbit, os trabalhos do projeto serão realizados pela sua subsidiária no Brasil, a Aeroeletrônica (AEL), que fornecerá o computador central de missões de batalha para o AMX, assim como os sistemas de tela, de gerenciamento de munições e sistemas adicionais.

A subsidiária israelense da Elbit, a Elisra, fornecerá os sistemas eletrônicos de combate.

Brasil e Itália assinam acordo sobre Cooperação em Defesa



Brasília (11/11/2008) - Os ministros da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e da Itália, Ingazio La Russa, assinaram nesta terça-feira, em Roma, um acordo sobre cooperação em Defesa entre os dois países. O documento foi assinado na sede do Ministério da Defesa da Itália. Jobim participa da comitiva ministerial que acompanha o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na viagem oficial à Itália.

De acordo com o documento, a cooperação se dará com base nos “princípios da igualdade, da reciprocidade e do interesse mútuo”, nas respectivas legislações nacionais e nas obrigações internacionais assumidas pelos dois países. Será criado um grupo de trabalho conjunto para coordenar as atividades de cooperação.

Uma das experiências mais bem sucedidas na cooperação de defesa entre os dois países, foi o desenvolvimento do avião AMX, batizado como A1 na Força Aérea Brasileira. A partir dessa experiência, a parceira brasileira no projeto, a Embraer, capacitou-se a desenvolver aviões a jato, passando a ocupar um novo patamar na aviação civil mundial.

No acordo de cooperação assinado hoje, são citados os seguintes temas de cooperação, entre outros: políticas de segurança e Defesa; pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico e aquisição de produtos e serviços de Defesa; conhecimentos e experiências adquiridas no cumprimento de operações internacionais de manutenção de paz; instrução e treinamento militar; questões ambientais e poluição causada por atividades militares; serviço de saúde militar; história militar; desporto militar; e outras áreas no domínio da Defesa que possam ser de interesse mútuo para as partes.

A cooperação se dará mediante visitas mútuas de delegações; intercâmbio entre especialistas, instrutores e estudantes; participação em cursos e seminários; participação em exercícios militares e visitas a navios e aeronaves militares; e intercâmbio cultural e desportivo, entre outros.

Também está prevista a cooperação na área de indústria de Defesa e de política de aquisição, pesquisa, desenvolvimento de armamentos e equipamentos militares. Essa cooperação poderá se dar em pesquisa científica, teste e projeto; intercâmbio de experiências no setor técnico; produções mútuas, modernizações e serviços técnicos nos setores determinados pelas partes; aquisição de equipamentos militares, entre outras formas.

O texto determina ainda que “A mútua aquisição de materiais de interesse para as respectivas Forças Armadas será regida sob este acordo e poderá ser implementada por meio de operações diretas Estado-Estado ou por meio de empresas privadas autorizadas pelos respectivos Governos, conforme as respectivas legislações e regulamentos nacionais”. O acordo não tem prazo previsto para expirar.

Irã testa novo míssil terra-terra, dizem TVs oficiais

Fabricado no Irã, ele tem capacidade defensiva, diz ministro.

País tem feito testes militares em meio à tensão com EUA e Israel.

Teerã - O Irã testou um míssil terra-terra de uma nova geração, afirmaram meios de comunicação oficiais do país na quarta-feira, (12).

As Forças Armadas iranianas realizaram vários exercícios nos últimos meses, período durante o qual houve especulação sobre a possibilidade de os norte-americanos ou os israelenses atacarem a República Islâmica devido a seu polêmico programa nuclear.

O ministro da Defesa do Irã, Mostafa Mohammad Najjar, disse que o míssil, fabricado no Irã e chamado Sejil, tem "capacidade extremamente alta" e alcance de 2 mil quilômetros. Segundo ele, o míssil foi fabricado com pretensões meramente defensivas.

"Esse teste de míssil está dentro da estrutura de dourtrina de disuassão do Irã", disse o ministro segundo a agência de notícias IRNA. De acordo com o ministro, o teste não tem relação com eventos internacionais recentes.

A emissora iraniana Press TV, que realiza suas transmissões em inglês, disse que o míssil é de um tipo que usa combustível sólido misto e mostra a capacidade do Irã de "defender seu solo".

Imagens da emissora mostraram a míssil saindo de uma plataforma deixando para traz um longo rastro de fumaça.

O teste acontece um dia depois de a Guarda Revolucionária, segundo reportagens, haver testado um novo míssil, chamado Samen, perto da fronteira com o Iraque.

"Eles fazem isso (testes com mísseis) o tempo todo. É o machismo iraniano", disse Tim Ripley, analista da publicação especializada Jane's Defence Weekly.

Os EUA e seus aliados do Ocidente suspeitam que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, uma acusação negada pelo governo iraniano.

O Irã prometeu responder a quaisquer ataques a seu território investindo contra alvos norte-americanos e israelenses, bem como fechando o estreito de Ormuz, importante rota de passagem de carregamentos de petróleo.

Suécia lança primeiro aeroporto portátil do mundo



Cláudia Varejão Wallin

De Estocolmo As Forças Armadas da Suécia acabam de desenvolver o primeiro aeroporto móvel do mundo, que será utilizado para agilizar missões internacionais e proporcionar ajuda aérea rápida e eficaz em áreas atingidas por catástrofes naturais.

Com o novo sistema, que começou a ser desenvolvido em 2002, os militares suecos serão capazes de montar um aeroporto totalmente operacional simplesmente abrindo alguns contêineres, virtualmente em qualquer região do globo.

O equipamento inclui torre de controle, computadores, radares, sensores meteorológicos, sofisticados sistemas de rádio e luzes de pouso - tudo facilmente embalado, transportado e montado.

"Se um tsunami destruir um aeroporto, por exemplo, nosso aeroporto móvel pode ser rapidamente instalado em um campo aberto para que as operações de ajuda aérea possam ser iniciadas", disse à BBC Brasil Jan Sorberg, líder do projeto no Departamento de Materiais de Defesa (Försvarets Materielverk, FMV).

Os testes finais estão sendo conduzidos atualmente no campo de testes de mísseis de Vidsel, no norte da Suécia. O novo aeroporto móvel estará pronto para entrar em operação em dezembro, e vários países já expressaram interesse na nova tecnologia.

"O equipamento é tão único que estamos recebendo a visita esta semana de militares da Inglaterra, Holanda e Polônia", disse Sorberg. "Países como a Alemanha e a Holanda possuem alguns sistemas móveis para bases aéreas, mas esta é a primeira vez que um aeroporto totalmente móvel é desenvolvido", acrescentou ele.

Contêineres

O líder do projeto explica que o aeroporto móvel é constituído por módulos, que são usados dependendo do tipo de operação aérea necessária.

Um aeroporto móvel básico pode ser embalado em dois contêineres. Outras unidades podem ser então acopladas ao aeroporto móvel, que em sua capacidade máxima pode ser acomodado num total de 22 contêineres.

A dimensão do aeroporto móvel varia, portanto, de acordo com a complexidade da operação. "Quando falamos em dimensão em termos militares, queremos dizer dimensão em termos de capacidade de operação de tropas e recursos. Não podemos comparar esta base aérea móvel a nenhum aeroporto civil em termos de tamanho", observou Sorberg.

A sofisticada rede de comunicações do aeroporto móvel foi desenvolvida para assegurar um alto nível de segurança operacional, mesmo em condições críticas de segurança de vôo. O sistema de rádio inclui equipamentos para a cooperação com unidades civis de resgate.

No frio ou no calor

As unidades de comando móveis estão equipadas com TV, telefone, fax, internet, rádio, projetores e tecnologia de vídeo-conferência, além de sistemas de vigilância.

O sistema de pouso é controlado por meio de sinais de rádio. A base móvel contém ainda amplos sistemas de manutenção de aeronaves, e inclui hangares móveis.

"Podemos basicamente operar em qualquer tipo de região com temperaturas entre -4ºC e 49ºC", ressalta o líder do projeto nas Forças Armadas.

A unidade de serviços da base aérea envolve todos os elementos necessários ao gerenciamento de um aeroporto, incluindo equipamentos de raio-X e de carga e descarga.

Uma unidade de suporte contém recursos médicos e controla o fornecimento de água, combustível e alimentos na base aérea.

O sistema prevê ainda uma força de proteção, para fazer frente a potenciais ameaças à base aérea. Esta unidade pode ser parte do batalhão ou ser apoiada por recursos de outros países.

11 Novembro 2008

União Européia rejeita envio de tropas ao Congo

Proposta francesa, derrotada, reforçaria missão da ONU



DA REDAÇÃO

O Reino Unido e a Alemanha frustraram ontem os planos franceses de enviar 1.500 soldados da União Européia em reforço ao contingente da ONU na República Democrática do Congo. Os 17 mil capacetes azuis da missão de paz, a maior em exercício no mundo, foram incapazes de conter a violência no leste do país, dominado por rebeldes tutsis.

A posição do chanceler britânico, David Miliband, prevaleceu ontem no encontro de ministros europeus das Relações Exteriores e da Defesa. Miliband defende uma solução política para a crise congolesa e o engajamento, se necessário, de soldados da União Africana. O governo do Congo descarta diálogo com os rebeldes, que acusa de crimes de guerra.

O secretariado geral da ONU também pressiona Kinshasa a adotar uma solução política, mas insiste no envio de mais 3.000 homens para conter a violência. Teme-se que o envolvimento de países da região provoque uma escalada do conflito. Entre 1998 e 2003, seis Exércitos africanos envolveram-se na guerra civil congolesa, que já matou 5 milhões.

Liderados por Laurent Nkunda, os insurgentes disputam o controle das minas e acusam o governo de tolerar ataques contra os tutsis (menos de 1% da população). Em 1994, após a derrota da milícia hutu responsável por massacres de tutsis em Ruanda, centenas de milhares de hutus cruzaram a fronteira para o Congo, intensificando as disputas por recursos no leste do país.

Os conflitos das últimas semanas forçaram 250 mil pessoas a deixarem suas casas. A ONG Médicos Sem Fronteira alerta para o perigo de uma epidemia de cólera no leste do país, que poderia elevar para milhares o número de vítimas civis. Desde sexta-feira, foram registrados mais de 50 casos da doença em Goma, capital da Província do Kivu do Norte e maior cidade da região.

Com agências internacionais

Ordem de 2004 autoriza ataques secretos dos EUA

Texto prevê ações em países como Síria e Paquistão



ERIC SCHMITT
MARK MAZZETTI

Altos funcionários americanos revelaram que, desde 2004, as Forças Armadas dos EUA usaram uma autorização secreta de amplo alcance para lançar quase uma dúzia de ataques até agora não revelados contra a Al Qaeda e militantes na Síria, no Paquistão e outros países.

Esses ataques foram autorizados por uma ordem sigilosa assinada pelo então secretário da Defesa, Donald H. Rumsfeld, com a aprovação do presidente Bush. Os militares foram autorizados a atacar a rede terrorista em qualquer lugar do mundo, num mandato mais abrangente para conduzir operações em países que não estão oficialmente em guerra com os EUA.

Algumas das missões militares foram conduzidas em coordenação estreita com a CIA (Agência Central de Inteligência). Em outras, como o ataque em território sírio em 26 de outubro, os comandos militares agiram dando apoio a operações dirigidas pela própria CIA.

Mas, segundo altos funcionários militares, até uma dúzia de outras operações foram canceladas. Nesses casos, as missões foram consideradas arriscadas demais, demasiado explosivas em termos diplomáticos ou baseadas em poucas provas.

Os funcionários negaram-se a descrever em detalhes os ataques até agora mantidos em segredo, segundo eles quase uma dúzia, exceto para dizer que foram lançados na Síria, no Paquistão e outros países. Eles disseram que não houve ataques ao Irã usando o decreto, mas sugeriram que forças americanas tenham feito missões de reconhecimento no país.

A ordem identifica entre 15 e 20 países - incluindo Síria, Paquistão, Iêmen, Arábia Saudita e outros Estados do golfo Pérsico - onde se acreditava que militantes da Al Qaeda operassem ou estivessem abrigados.

Mesmo com a diretiva, cada missão específica precisa de aprovação dos altos escalões do governo. Alvos na Somália, por exemplo, precisam ser aprovados pelo menos pelo secretário da Defesa, e alvos em alguns outros países, incluindo Paquistão e Síria, pelo presidente.

Protesto sírio

Ex-funcionários militares e da inteligência disseram que o general Stanley A. McChrystal, que há pouco deixou a direção do Comando Conjunto de Operações Especiais, pressionou durante anos para obter aprovação para missões no Paquistão. Mas as missões eram rejeitadas por incorrerem em riscos demais às tropas americanas e à aliança com Islamabad.

O ataque recente na Síria não foi o primeiro no país, segundo um alto oficial militar e assessor externo do Pentágono. Desde que a guerra no Iraque começou, já teriam sido lançados vários ataques em território sírio contra militantes e a infra-estrutura que ajuda o fluxo de combatentes estrangeiros.

Mas o ataque do final de outubro foi muito mais evidente que missões anteriores, disseram militares, o que ajuda a explicar porque provocou protestos fortes do governo sírio.

As negociações para a redação da ordem levaram quase um ano e envolveram discussões entre o Pentágono, a CIA e o Departamento de Estado sobre o papel das forças militares americanas no mundo, disseram funcionários do governo.

Eles revelaram que se discutiu a inclusão do Irã, mas o país ficou de fora, possivelmente para entrar em outra autorização.

Funcionários disseram que a ordem de 2004 fundamentou as ordens aprovadas por Bush em julho, autorizando os militares a lançar ataques em áreas tribais do Paquistão, incluindo a operação de 3 de setembro que matou cerca de 20 militantes. A Casa Branca não quis comentar oficialmente a ordem.

Tradução de CLARA ALLAIN

10 Novembro 2008

Exército vai participar de operação

Militares aguardam apenas decisão do STF e não precisam ser convocados para atuar



Vasconcelo Quadros

BRASÍLIA

Seis meses depois de assistirem à distância os conflitos que, por pouco, não terminaram em tragédia na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, agora os militares aguardam apenas a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para se integrar às operações de pacificação dos grupos que dominam a região de 1,7 milhão de quilômetros quadrados.

– O Exército vai participar, mesmo que não seja convocado – diz ao JB o general Augusto Heleno, Comandante Militar da Amazônia.

Em abril deste ano, em meio a uma série de conflitos que pipocaram em Roraima a favor e contra a demarcação da reserva em área contínua, o general provocou uma crise entre a área militar e o Palácio do Planalto ao chamar de "lastimável e caótica" a política indigenista e ao afirmar que a demarcação da reserva em área contínua ameaçava a soberania do Brasil na Amazônia. Heleno deu explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que foram aceitas pelo presidente Lula e o assunto foi encerrado. O general continua com as mesmas opiniões mas, para evitar novas polêmicas, evita tocar no assunto. Na quarta-feira, em Brasília, foi um dos mais assediados pelo ministro Nelson Jobim, no encontro no Clube Naval, durante o lançamento da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, seu tema preferido.

Soberania

O general Heleno afirma que na época em que o Ministério da Justiça queria fazer a retirada dos arrozeiros, o Exército, que tem um Pelotão Especial sediado em Uiramutã, no coração da reserva, nem chegou a ser convocado pelo presidente Lula, embora não concordasse com o plano de retirada dos não-índio.

– Não fomos chamados a participar da operação – diz.

Segundo Heleno, os militares consideravam que a Operação Upatakon III – organizada pela PF e que acabou não sendo deflagrada – precisava ter sido discutida com mais profundidade para atrair a presença das Forças Armadas na execução. Autoridades da Polícia Federal e do Ministério da Justiça garantiram que o Exército se recusou a participar. O general afirma, no entanto, que a tropa se manteve neutra no conflito, embora acompanhasse toda a movimentação dentro da área, mas sem se envolver com os grupos ou as causas envolvidas no conflito.

– Não estou preocupado com os arrozeiros – afirma o general que, à época, chegou a receber, em Manaus, o líder dos produtores, o prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero.

Heleno conta que manteve com ele um diálogo franco e direto, onde explicou que as Forças Armadas não se envolveriam com a campanhas das lideranças que buscavam se contrapor ao governo federal pondo à frente uma suposta causa nacionalista. O general disse a Quartiero que sua preocupação, ao verbalizar as críticas que geraram desconforto dentro do governo, era apenas com a soberania nacional numa região marcada por um enorme vazio demográfico. E que não se surpreenderia com o esvaziamento do movimento dos arrozeiros caso o governo aumentasse o valor financeiro das indenizações:

– A causa acabaria – disse o general.

Calma

Heleno garante que qualquer que seja a decisão do STF, as Forças Armadas acatarão e defenderão porque estará amparada na Constituição. Ele acha que o tempo decorrido entre o período dos conflitos e o julgamento da ação impetrada pelo governador de Roraima, José Anchieta Júnior, contribuiu para serenar os ânimos na região. Outro fator que também ajudou a esfriar a reação dos arrozeiros foi a derrota eleitoral de Quertiero. Embora tenha sido preso e ganho notabilidade por se opor ao governo, o produtor não conseguiu se reeleger à prefeitura.

– A região está calma – afirma o general. O Supremo julga o caso dentro de um mês.

Jobim quer trazer a ESG para Brasília



O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem a intenção de transferir a Escola Superior de Guerra (ESG) do Rio para Brasília, em palestra de encerramento do 8º Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, na Universidade da Força Aérea, na Base Aérea de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Ele apresentou como justificativa para a transferência a necessidade de integração de setores do Governo Federal com "matéria de Defesa".

A ESG fica no interior da Fortaleza de São João, no bairro da Urca, na Zona Sul. Jobim também afirmou aos militares que o País "não vai comprar caças de quinta geração se não houver um acordo firmado de transferência de tecnologia definitiva".

Ele disse que o plano estratégico de Defesa deverá ser apresentado em dezembro ao Conselho de Defesa Nacional. E anunciou que pretende assinar neste final de ano, quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, deverá fazer viagem oficial ao Brasil, o acordo de cooperação para o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear.

Ave colide com avião participante da Cruzex

Apesar de não ter sido com um urubu, o incidente serve de alerta às autoridades que fiscalizam os lixões clandestinos da Grande Natal


O acidente envolvendo uma ave de pequeno porte e um avião militar participante da Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex IV), ocorrido na última quarta-feira à tarde, foi confirmado pela assessoria de imprensa do exercício, que acontece na Base Aérea de Natal (BANT).

A equipe de prevenção a acidentes da BANT foi acionada pela primeira vez quando uma aeronave do tipo A-1 AMX, da Força Aérea Brasileira, colidiu com uma ave de pequeno porte no momento em que aterrissava no Aeroporto Internacional Augusto Severo.

O tenente coronel e assessor de imprensa, Henry Munhoz, explica que a pré-análise do incidente descarta a possibilidade de choque com um urubu, o que poderia levantar a polêmica em torno dos lixões nos arredores do aeródromo, problema este alertado dias antes pela Promotoria do Meio Ambiente.

"Se fosse um urubu, com certeza a FAB teria o maior interesse em averiguar, fazer fotos e notificar os responsáveis. Acompanhamos as discussões do Ministério Público e, assim como eles, defendemos a retirada desses lixões pensando na segurança de vôo", disse o tenente coronel.

Ele esclarece que o acionamento da Brigada de Incêndio do aeroporto é padrão em situações de emergência, destacando que o piloto, antes de aterrissar, sabe que colidiu em algo, porém não tem como precisar os danos nem o que o atingiu.

"Uma avaliação do dano na aeronave só pode ser feita em terra. Até então, o piloto não sabe se o avião está em risco ou o que pode acontecer quando tocar na pista, por isso, a emergência é acionada. É normal, dentro das normas de segurança", afirma Henry Munhoz.

O incidente é um alerta aos gestores municipais, na intensificação da fiscalização e coibição dos lixões clandestinos, principalmente, em Parnamirim e Natal, por onde passam os aviões com destino ao Augusto Severo. Existem relatos de outros acidentes, em que as aeronaves tiveram que realizar verdadeiros pousos de emergência. Alguns desses casos foram apresentados pela BANT em reunião com o MP, inclusive com fotos dos danos causados. No passado, houve casos de colisões com urubus em que o avião teve sérios danos no motor, fuselagem e na cabine. Neste último caso, o piloto pode ser atingindo diretamente, com relatos de militares que perderam a visão devido ao choque com aves.

O avião de caça tipo A-1 AMX, em questão, pousa a uma velocidade média de 120 milhas por hora – ou 250 quilômetros por hora.

Geórgia atacou antes de bombardeio russo



Dois ex-oficiais britânicos vão apresentar evidências cruciais contra a Geórgia quando uma investigação internacional for deflagrada para descobrir quem começou o conflito sangrento de cinco dias com a Rússia. Ryan Grist, um ex-capitão do Exército britânico, e Stephen Young, um ex-comandante da Força Aérea britânica, constataram que, antes de o bombardeio russo começar, foguetes da Geórgia e artilharia atingiram áreas civis na fronteira da Ossétia do Sul a cada 15 segundos.

Assim na terra...


Andante Mosso

É mais grave do que parece o arrocho dos proventos militares.

Há dois processos na Justiça castrense, em Manaus e em Fortaleza, de apropriação indébita de recursos. Os réus são um primeiro-tenente e um capitão. Este último, em apenas uma das contas rastreadas, surrupiou R$ 370.647,95.

Respondem agora à Justiça dos homens. No futuro, vão prestar contas à Justiça divina. O dinheiro era da Igreja. Ambos são oficiais capelães.

Acidente em submarino nuclear russo deixa 20 mortos e 22 feridos



MOSCOU, 9 de novembro (RIA Novosti) - Um acidente a bordo do submarino nuclear russo Nerpa, da classe “Akula II” (foto), no Oceano Pacífico, matou 20 e feriu outras 22 pessoas, afirmou um porta-voz da comissão de inquérito da Rússia, nesse domingo.

O acidente ocorreu durante a tarde de sábado nos testes de mar do submarino, como resultado da ativação não-intencional do sistema de extinção de incêndios. O incidente é o pior para a Marinha de Guerra Russa, desde o naufrágio do submarino Kursk, em 2000, quando todos os 118 marinheiros morreram.

“De acordo com informações preliminares, o incidente matou 20 pessoas - 6 marinheiros e 14 civis que estavam a bordo do submarino, enquanto 22 pessoas receberam ferimentos de gravidade diferentes”, disse Vladimir Markin.

O capitão Igor Dygalo, assessor para o Comandante da Marinha Russa, disse no domingo que 208 pessoas, das quais 81 eram pessoal do submarino, no momento do incidente. Ele afirmou que o reator não tinha sido afetado e que os níveis de radiação eram normais.

Todos os feridos foram evacuados para o navio Almirante Tributs e posteriormente levados para hospitais em Vladivostok.

Enquanto isso, o submarino chegou às 10:30am de Moscou (7:30 GMT), numa base temporária na Região de Primorye, segundo Dygalo.

Uma fonte de alta patente da Frota do Pacífico disse que o acidente ocorreu na proa do submarino e confirmou que não havia danos ao reator.

A construção do submarino nuclear de ataque da classe “Akula II” Nerpa, começou em 1991 mas foi suspensa por mais de uma década, devido à falta de financiamento. A classe “Akula II” de submarinos é considerada a espinha dorsal da força de submarinos da Rússia, por terem níveis de ruído baixíssimos e alto poder de fogo. O Nerpa tinha começado os testes de mar em 27 de outubro.

Investigadores russos suspeitam que o gás Freon deve ser a causa da morte dos tripulantes a bordo do submarino.

Formados em Medicina na mira do serviço militar



Marco Aurélio Reis

Rio - Médico, se você ainda não completou 38 anos, preocupe-se. O serviço militar obrigatório está de olho em sua mão-de-obra. O alerta é decorrente do fato de as Forças Armadas estarem passando pente fino nas universidades para levantar nomes e endereços de formados em medicina com até 38 anos de idade. A intenção é tirar proveito de uma legislação de 1967 para chamar os médicos para servirem como tenentes (R$ 5,1 mil de salário bruto).

O mapeamento ocorre no momento em que é unanimidade entre as autoridades de Brasília que o controle da Amazônia, ponto central do Plano Estratégico de Defesa, passa obrigatoriamente pela melhora do atendimento médico às populações da fronteira, especialmente as residentes em locais remotos. Nessas regiões, médicos civis não se candidatam para trabalhar e só os de farda são conhecidos. O levantamento servirá ainda para o serviço social previsto no Plano Estratégico.

Como era de se esperar, a convocação não é bem aceita pelos profissionais. Pelo menos 500 formados no Rio brigam contra essa convocação tardia alegando que já foram dispensados pela Força. Eles estão na Justiça e usam como argumento a decisão unânime da 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que garantiu a um médico do Rio Grande do Sul o direito de não ser obrigado a prestar o serviço depois de formado, mesmo com a dispensa por excesso de contingente. Segundo o relator do processo, ministro Paulo Gallotti, a convocação tardia só é válida nos casos de adiamento da incorporação ou o condicionamento da prestação do serviço militar ao final do curso superior.

O advogado Fábio Almeida, que defende médicos do Rio contra a convocação, concorda com o ministro Galloti. "Não há cabimento”, protesta. “Um jovem recém-formado aceitou a proposta de ir trabalhar na Amazônia recebendo R$ 30 mil para translado, com a promessa de atuar na selva uma a duas semanas e depois ir para prefeitura. Ele foi e teve que ficar três meses no meio da floresta. Voltou para o Rio com crise depressiva", conta.

08 Novembro 2008

Poder de fogo sobre rodas



Por Pedro Manuel Monteiro

No âmbito do programa de aquisição das viaturas blindadas de rodas Pandur II existe uma opção de compra de mais 33 viaturas armadas com uma peça de 105mm (designadas de Mobile Gun System, MGS). Estas deverão ser, no futuro, o principal sistema de armas do Grupo de Autometralhadoras (GAM) da Brigada de Intervenção (2), uma força de escalão de batalhão com uma organização próxima da dos grupos de carros de combate das forças pesadas.As restantes viaturas irão equipar a subunidade de reconhecimento da mesma brigada. O fabricante austríaco já testou, em Portugal, um protótipo da Pandur com duas torres distintas. A primeira foi a CT-CV da belga CMI (Cockerill Maintenance & Ingénierie), um modelo com carregamento automático.

O outro modelo foi a HITFACT da italiana Oto Melara, com carregamento manual, mas a possibilidade para, em escassas horas, receber uma peça de 120mm. A HITFACT trata-se, aliás, da mesma torre que equipa o blindado Centauro, operado por Itália e Espanha e que foi testado, com grande elogios, no Brasil. Ambas as torres possuem um sistema de estabilização que permite o tiro com o veículo em andamento, assim como contra alvos em movimento.

Actualmente, as duas subunidades da Brigada de Intervenção estão equipadas com as viaturas Cadillac Gage V-150 4x4 armadas com uma peça de 90mm.

Bombardeio no Paquistão mata 19 insurgentes



Paquistão - O bombardeio aconteceu nesta quinta-feira no povoado de Airab, na demarcação tribal, e não foram registradas vítimas civis, assegurou à Agência Efe o porta-voz do Exército paquistanês Basir Haider.

Haider informou ainda que 23 pessoas morreram no ataque suicida perpetrado ontem em Bajaur por membros da insurgência talibã durante a realização de uma assembléia tribal.

O atentado aconteceu na região de Salarzai e tinha como alvo uma "jirga" (conselho de notáveis) que discutia a formação de milícias locais para lutar contra os talibãs no momento do ataque, segundo testemunhas citadas pela imprensa local.

As forças de segurança paquistanesas realizam desde o começo de agosto uma operação em Bajaur que já matou mais de 1.500 insurgentes, segundo o Exército.

Jovem queimado acusa militares de tortura

Adolescente que pulou muro de quartel em Realengo para fumar maconha tem lesões em 70 por cento do corpo

Um adolescente de 16 anos, que teve 70 por cento do corpo queimados, denunciou ontem que foi torturado por militares após invadir com outro jovem, na tarde de anteontem, uma área desativada de um quartel do Exército, na Vila Militar, em Realengo. Segundo o adolescente, que corre o risco de perder a visão do olho esquerdo, três militares o flagraram fumando maconha dentro da unidade. Ele contou que, após ser agredido e levar choques, jogaram um ácido em seu corpo e atearam fogo. O Comando Militar do Leste alegou, por meio de nota, que o rapaz resistiu à prisão e que os militares tiveram que usar spray de pimenta.

Veja a matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Após escândalo, EUA cortam ajuda a militares



DA REDAÇÃO

Os EUA cortaram ontem a ajuda financeira a três unidades do Exército colombiano envolvidas no escândalo em que civis inocentes eram mortos para inflar o número de baixas inimigas obtidas pelos militares.

A Casa Branca envia anualmente US$ 600 milhões à Colômbia, país que mais recebe ajuda americana fora do Oriente Médio - Bogotá usa esses recursos no combate à guerrilha e ao narcotráfico.

A morte dos inocentes obrigou o comandante do Exército Mario Montoya a renunciar na última terça-feira. O novo ocupante do cargo é o general Oscar González, que assumiu ontem suas funções.

Viagem à Amazônia



Gilberto Amaral

O Exército Brasileiro com apoio da Força Aérea Brasileira, vem desenvolvendo o projeto "Viagem de Formadores de Opinião à Amazônia", para proporcionar, aos futuros profissionais de diversas áreas, um maior conhecimento da Região Amazônica e, também, do trabalho realizado pelo Exército para o desenvolvimento e preservação da área. Já foram realizadas três viagens, sendo uma em 2007 e duas este ano. A 4ª viagem começou na segunda-feira e encerra neste sábado, e conta com a presença de professores e alunos da USP, da Universidade de Taubaté e da UnB. A programação inclui instruções em ambiente de selva, com o apoio de organizações militares ali sediadas.

Um recado militar ao Paraguai



Carlos Chagas

BRASÍLIA - Caso Barack Obama se disponha mesmo a mudanças, e se incluir nelas um novo tipo de relacionamento dos Estados Unidos com a América Latina, seria bom que visitasse o Paraguai, ou pelo menos telefonasse para o presidente Fernando Lugo, recomendando-lhe cautela.

Porque o ex-bispo vem se referindo ao Brasil com palavras de baixo calão, ditas abertamente, acusando-nos de imperialistas, exploradores e usurpadores da soberania de seu país. Mais ainda, manda seus esbirros não pouparem o próprio presidente Lula, como fez o representante paraguaio na diretoria de Itaipu, em entrevista a um jornal local.

Querem o impossível, os detentores do poder em Assunção, ou seja, o rompimento do contrato assinado quando da construção da usina, para a qual contribuíram apenas com a água do rio. Exigem aumento desmesurado na energia a que têm direito e não utilizam, revendendo-a para o Brasil.

Pretendem fazer leilão, contrariando o acordo, para vender à Argentina e ao Chile essa energia produzida por nós. Ameaçam, xingam e intranqüilizam.

Por conta dessa provocação, duas semanas atrás o Exército brasileiro programou e realizou nas instalações de Itaipu manobra de rotina, mas eivada de simbolismo. Nossos soldados ocuparam a usina numa operação de comandos, simulando sua retomada diante da ocupação fictícia "de um grupo de sem-terras". Nada de surpreendente, porque o MST já ocupou mais de uma usina, nos últimos tempos.

No entanto, foi um recado aos paraguaios, de que se tentarem algo inusitado a pretexto de defender suas prerrogativas serão derrotados em quinze minutos.

O lance pitoresco nessa história correu por conta do embaixador brasileiro no Paraguai, Valter Pecly, que sem a menor sensibilidade lamentou que as manobras do Exército brasileiro não tivessem sido feitas em conjunto com o Exército paraguaio, já que o presidente Fernando Lugo não gostou nem um pouco da nossa movimentação.

Violência avança pelo leste do Congo e Ban pede cessar-fogo



KIWANJA (Congo Democrático) - Um frágil cessar-fogo aparentemente se encerrava na quarta-feira no leste do Congo Democrático (antigo Zaire), enquanto as Nações Unidas afirmavam que os confrontos entre rebeldes e o Exército chegaram a outra cidade da região.

Um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o mais recente palco da violência era Nyanzale, na província de Kivu do Norte. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo imediato no leste do Congo Democrático e apelou aos grupos armados envolvidos na luta que apóiem as negociações para chegar a uma solução pacífica para o conflito.

Segundo o funcionário da ONU no Congo Democrático, vários soldados e um "grande número de desalojados" fugiram da área. O líder dos rebeldes, o general renegado Laurent Nkunda, disse que suas tropas foram atacadas antes do amanhecer por milícias pró-governo. "Meus soldados têm o direito de se defender", afirmou, em entrevista por telefone.

Mas rebeldes e milícias não parecem estar respeitando civis. Moradores do povoado de Kiwanja, que começaram a voltar para casa, disseram que os rebeldes mataram os suspeitos de apoiar uma milícia local favorável ao governo, chamada Mai Mai. No povoado, alguns cadáveres estavam nas ruas.

Os rebeldes disseram que os mortos, a maioria homens com roupas civis, eram combatentes da milícia que foram abatidos em um confronto.

Segundo Nkunda, havia confrontos com soldados em outras duas cidades: Mweso e Kashuga. O general fez novamente uma ameaça de marchar não somente até Goma, a capital provincial, mas até a capital do país, Kinshasa.

Nkunda declarou um cessar-fogo unilateral no dia 29, quando seus comandados estavam próximos de Goma. Com isso, o Exército congolês iniciou uma humilhante debandada em massa da região. O general renegado quer negociações diretas com o governo do presidente Joseph Kabila. A atual administração se dispõe a manter encontros com todos os milicianos da região juntos, mas não somente com Nkunda. Há dezenas de milícias atuando na área.

O conflito no leste do Congo Democrático é também causado pela tensão étnica deixada pelo massacre de meio milhão de tutsis pelos hutus na vizinha Ruanda, em 1994. Há ainda cicatrizes abertas nas guerras civis ocorridas entre 1996 e 2002 no Congo Democrático, que levaram países da região a se mobilizar para se beneficiar das riquezas mineiras do território congolês.

Expulso do Exército do Congo Democrático em 2004, Nkunda argumenta que o governo local não protege os tutsis de uma milícia hutu que fugiu para o país. Para os críticos ele exagera a ameaça aos tutsis e é um fantoche do governo de Ruanda.

Embaixador teme que Haiti sofra com retirada de tropa



O embaixador e chefe de gabinete da Secretaria Geral do Ministério das Relações Exteriores, Flávio Helmold Macieira, avaliou ontem, em palestra para militares no Campo dos Afonsos, base da Força Aérea Brasileira (FAB), que a eventual retirada das tropas que atuam no Haiti será um problema para o Brasil.

Para Macieira, a experiência brasileira no Haiti é "altamente sensível". "Há um problema de saída. A missão até agora tem conseguido sucesso parcial de permanência e bom controle da situação, tem contribuído muito para o nosso prestígio, mas o que vai acontecer no momento da saída de um país devastado?", indagou, para em seguida responder: "Aí a missão pode ser vista como malograda. Esse é o nosso problema."

No discurso para a platéia de militares, o embaixador ressaltou a necessidade de um esforço internacional para que o Haiti tenha uma situação de paz consolidada. "A dificuldade é muito séria. Há um progresso interessante, mas o fato é que exige um esforço gigantesco que precisa ser partilhado por toda a sociedade. Um trabalho de mobilização para que essa missão tão difícil para o Brasil dê certo."

Macieira ressalvou, porém, que o Brasil obteve êxito até o momento numa tarefa em que, afirmou, franceses e americanos falharam anteriormente. "O Brasil tem tido um sucesso que grandes potências não tiveram, elas fracassaram ao tentar pacificar o Haiti. E o Brasil, com a presença das Forças Armadas e até da seleção brasileira de futebol, tem conseguido sucesso parcial", disse.

"Mas temos um problema porque, ao sair, a situação se reverte. Temos que sair de uma forma que a situação de paz esteja consolidada. E isso é muito difícil num país devastado como é o Haiti, que já não tem florestas, por exemplo. Não sei o que vai acontecer. É uma tarefa para o governo brasileiro, para a comunidade internacional."

ONU

No mês passado, o Conselho de Segurança da ONU decidiu renovar por mais um ano a missão de estabilização no Haiti, liderada pelo Brasil. Com a decisão, por 15 votos a zero, a manutenção das tropas foi estendida pelo menos até 15 de outubro de 2009.

A missão foi enviada ao Haiti após violenta deposição, em 2004, do então presidente Jean-Bertrand Aristide. Em janeiro de 2006, o general brasileiro Urano Bacellar, então comandante da missão, foi encontrado morto no hotel onde estava hospedado, em Porto Príncipe, e a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que houve suicídio.

Haitianos e militares recebem peixe


Júlio Pedrosa

O Exército Brasileiro e o Governo do Estado do Amazonas viabilizaram, ontem, o envio de um carregamento de seis toneladas de peixes da região amazônica para a cidade de
Porto Príncipe, no Haiti.

Os peixes serão distribuídos junto à população da capital haitiana e também aos militares que compõem a tropa brasileira dos soldados da ONU, que estão há seis meses naquele País em missão de paz. Entre as espécies que serão encaminhadas estão tambaqui, aruanã e pirarucu, que atenderão aos 1,4 mil soldados brasileiros - a maioria do Amazonas. No total, a ONU mantém, aproximadamente, 6 mil soldados de vários países.

O coronel João Crisóstomo de Moura, assessor do Comando da 12ª Região Militar e coordenador da iniciativa de distribuição de alimentos no Haiti, explicou que os peixes estão indo refrigerados com gelo seco e deverão criar uma via de acesso para exportação de produtos amazônicos para o povo haitiano.

“Há duas intenções com o envio dos produtos: a do Exército, que é a de mostrar nossos produtos para a tropa e a do Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), de gerar divisas para os produtores locais”, afirmou.

Viagem

O carregamento seguiu ontem num avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB), por volta do meio-dia, e a expectativa é que chegasse por volta das 21h em Porto Príncipe. O coronel Crisóstomo explica que parte da carga foi adquirida pelo Exército e a outra doada por produtores da Amazônia contatados pela ADS. Há possibilidade de as Forças Armadas viabilizarem o transporte de cargas regular para Porto Prínicipe.

'Guerra' começa nos céus do RN

Operação deverá contabilizar 120 manobras, entre pousos e decolagens, aumentando o tráfego de vôos no Aeroporto Augusto Severo



Leonardo Dantas

A população natalense sentirá, a partir de amanhã, os efeitos da Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex IV), com o início dos combates aéreos simulados, no interior do Rio Grande do Norte e Estado, entre o Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Ao todo, a direção do exercício aguarda, diariamente, 120 pousos e decolagens, apenas no Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim.

O co-diretor da Cruzex, brigadeiro-do-ar, Antônio Egito, adianta que, desde o primeiro dia do mês, diversas etapas foram cumpridas: planejamento inicial, acomodação e vôos de familiarização. De acordo com ele, os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) já acumulam cerca de 400 horas de vôo, só com a Cruzex, desde o desembarque de suas unidades até a chegada à Base Aérea de Natal. "Voar é o melhor adestramento para o piloto e a Cruzex proporciona isso, sendo o maior exercício da FAB. Nestes três primeiros dias os pilotos se familiarizaram com a região, conhecendo onde irão voar e "combater". Eles vão voar em grupos, com militares de outros países e numa região desconhecida, por isso o treinamento. Numa situação real de conflito isso acontece de verdade", diz o co-diretor. Dentro do ambiente simulado, o brigadeiro Egito conta que o 'Estado Maior da Força Aérea' já está em alerta, já tendo sido enviado as advertências ao país 'Vermelho' - o invasor na guerra fictícia. Apesar disso, o militar compara o momento com uma situação real, descrevendo a advertência, como se a Organização das Nações Unidas (ONU) estivesse envolvida na ameaça de conflito e a frente de uma ação de coalizão - composta por cinco países e coordenada pelo país 'Azul', que poderia ser o Brasil. "O inimigo sabe que se não deixar o território invadido, sofrerá retaliação. Estamos em alerta. A qualquer momento, poderemos atacar ou sermos atacados", revelou o brigadeiro da FAB.

VÔO DA IMPRENSA

Na tarde de ontem, a direção-geral da Cruzex reuniu a imprensa local, nacional e internacional, para apresentar o exercício e as aeronaves. Às 14h, cerca de 60 profissionais da imprensa embarcaram numa aeronave da FAB, modelo C-130 Hércules, para um vôo de 40 minutos, quando as cinco principais aeronaves a operação foram apresentadas em vôo: Os caças F-16 (Venezuela), Mirage 2000 (França), A-1 (Brasil), F-5 (Chile) e o A-38 Dragonfly (Uruguai). De acordo com o piloto da aeronave, coronel Alexandre Prado, a aeronave se dirigiu em direção ao norte do RN, próximo ao município de Barra de Maxaranguape, a 10 mil pés de altura (3km), voando a uma velocidade de até 600km/h. A aeronave, utilizada por 50 países distintos, mede cerca de 30 metros de comprimento, 11 metros de altura e 40 metros de asa, com capacidade para levar 90 soldados ou 64 pára-quedistas. "Normalmente usamos a aeronave no transporte de tropas ou suprimentos, por se tratar de um avião de carga. Hoje tivemos a companhia da imprensa que pôde conhecer um pouco da rotina da tripulação", disse o piloto que chegou a pilotar o avião a 100 m das aeronaves de caça.

Além da imprensa local, o 'Media Day' atraiu, também, a imprensa internacional e especializada em aviação. Entre eles, o fotógrafo holandês, Cees Jan Van der Ende, conhecido como 'CJ', disse a O Jornal de Hoje que as fotos feitas no RN tiveram excelente qualidade, se referindo à grande variedade de aeronaves, emolduradas pela paisagem potiguar. "Passei toda a minha vida fazendo isso, adoro voar e fotografar. Esse tipo de foto tem uma boa aceitação em todo o mundo", conta o holandês.

Cruzex começa para treino aéreo da FAB



A simulação de combate da Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex IV) começa hoje (07/11) e prossegue até a próxima quinta-feria, 13. Os exercícios ocorrerão na região de Mossoró, que, no conflito simulado, representa o território do País Amarelo, invadido pelas forças do país vermelho. O tenente coronel Henry, assessor de imprensa da Cruzex, detalhou a simulação, ele adiantou que os aviadores partirão em direção à linha de frente, farão reabastecimento aéreo, executarão manobras de combate, como de ataque de solo e a outras aeronaves, com o objetivo de dominar o espaço aéreo, e após o combate, os aviadores retornarão à Base de Natal para a avaliação de seu desempenho.

Ele comentou também que o ataque das forças do País Azul (coalizão) contra as forças do País vermelho será realizado por dezenas de aeronaves ao mesmo momento. O tenente coronel não entrou em detalhes dos números para evitar que as forças vermelhas se preparem contra a ação ofensiva da coalizão.

A Cruzex começou no dia primeiro deste mês e prossegue até o dia 14. A população de Natal e cidades vizinhas terão a oportunidade de conhecer os bastidores da guerra simulada amanhã, quando os portões Base Aérea de Natal (Bant) serão abertos ao público para exposição estática de aeronaves dos países participantes da operação. O evento começa às 8h e vai até às 17h. Às 16h a Esquadrilha da Fumaça fará apresentação. Participarão da demonstração sete aeronaves modelo Tucano, comandadas por pilotos brasileiros.

03 Novembro 2008

Embraer renova contrato de suporte aos EMB 121 Xingu franceses



A Embraer renovou por mais quatro anos o contrato de suporte técnico e logístico para a frota de aeronaves turbo-hélice EMB 121 Xingu em operação nas Forças Armadas Francesas.

O acordo foi assinado com a SIMMAD (Structure Intégrée de Maintien em Condition Óperationnelle dês Matériels Aéronautiques de La Défense), organização do Ministério da Defesa da França responsável, entre outras atividades, pela negociação e assinatura de contratos para apoio operacional das três Forças Armadas daquele país. Os serviços serão prestados pela subsidiária da empresa brasileira na França, Embraer Aviation International (EAI).

Estão em serviço desde 1983 na Armée de L’Air (Força Aérea Francesa) e Marine (Marinha Francesa) 41 exemplares do Xingu. Desse total, 32 aviões ficam na Base Aérea de Avord, localizada na região central da França, e são utilizados para treinamento de pilotos de transporte das Forças Aéreas da França, Bélgica e Holandesa. Os outros nove Xingu prestam serviço de transporte de autoridades na Marinha Francesa.

Primeiro Typhoon saudita faz seu vôo inaugural



O primeiro dos 72 caças supersônicos Eurofighter Typhoon encomendados pela Arábia Saudita realizou seu vôo inaugural no último dia 22 decolando da pista das instalações da BAE Systems em Warton, noroeste da Inglaterra.

O contrato de aquisição dos 72 aviões, cujo valor total gira em torno de £ 4,43 bilhões (libras esterlinas), foi assinado em 17 de setembro de 2007 e prevê uma série de contrapartidas em favor da indústria aeroespacial saudita.

A BAE Systems, originada da fusão de empresas que estiveram presentes na Arábia Saudita desde 1973, é uma das maiores companhias do setor industrial do país, empregando cerca de 4700 pessoas. Essa indústria deverá participar da montagem dos Typhoon sauditas numa etapa mais avançada do programa e possivelmente mais aeronaves do modelo serão adquiridas.

Avanço de rebeldes faz ONU e Exército recuarem no Congo

Grupo diz ter tomado cidade e cercado capital provincial; 30 mil civis deixam região



DA REDAÇÃO

As forças de paz da ONU e o Exército da República Democrática do Congo recuavam ontem de suas posições no extremo leste do país à medida que rebeldes liderados pelo general renegado Laurent Nkunda se aproximavam de Goma. Cerca de 30 mil civis chegaram em questão de horas ao campo de refugiados de Kibati, da ONU, 10 km ao norte da cidade.

À noite, o porta-voz dos rebeldes, Bertrand Bisimwa, afirmou à Reuters que a cidade de Rutshuru, a 100 km de Goma, havia sido tomada. "A situação é muito séria. Teremos que sair daqui", tinha dito o comandante militar da região algumas horas antes. Da capital, Kinshasa, o porta-voz da Monuc (missão da ONU no país), Alan Doss, não confirmou a informação.

Segundo Bisimwa, os rebeldes cercaram Goma, que, com 600 mil habitantes, é a capital da província de Kivu do Norte. A informação também não foi confirmada, mas tropas da Monuc realizavam ontem operações aéreas nas imediações da cidade para impedir o avanço dos homens de Nkunda e enfrentavam artilharia antiaérea.

O comissário da União Européia de ajuda humanitária, Louis Michel, chega hoje para uma "visita de urgência". Na segunda, em meio a ataques à Monuc de civis frustrados com a sua incapacidade de protegê-los, o comandante da missão, o espanhol Vicente Díaz de Villegas, havia renunciado.

O conflito no ex-Zaire já dura 14 anos, entre dois períodos de conflitos abertos (1996-1997 e 1998-2003) e frágeis acordos de cessar-fogo, o último deles de janeiro, e remete ao genocídio de 1994 de Ruanda. Na ocasião, cerca de 1 milhão de ruandeses, a maioria da etnia tutsi, foi morta por radicais hutus.

Após guerra civil em Ruanda em que os tutsis tomaram o poder, hutus implicados na matança atravessaram a fronteira e se reorganizaram em milícias no leste congolês. O tutsi congolês Nkunda acusa o governo e o Exército de apoiarem os hutus no país. Já o Congo acusa Ruanda de apoiar os rebeldes.

Pelo cessar-fogo, rompido em agosto, a Monuc, com 17 mil homens, deveria patrulhar uma zonatampão na região conflagrada, que Nkunda diz ter sido entregue às milícias. Estima-se que 250 mil tenham se refugiado desde então. Rebeldes, militares e mesmo soldados da ONU são acusados de promover abusos contra a população.

O Congo, ex-colônia belga com 66 milhões de habitantes, é um dos países mais ricos em recursos naturais da África, incluindo a região leste, que o governo de Joseph Kabila diz ser alvo da cobiça de Ruanda. Entre 1998 e 2003, estima-se em 5,4 milhões os mortos, sobretudo por fome e moléstias.

Com agências internacionais

Euronaval 2008



Gilberto Amaral

A convite do governo francês, o diretor-geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Marcus Vinicius de Oliveira dos Santos, participa do Salão Euronaval 2008 em Paris até o próximo dia 31, representando a Marinha do Brasil.

O evento conhecido como uma das principais feiras de material de defesa do mundo, apresenta-se como uma boa oportunidade para a nossa Marinha avaliar possibilidades de conciliar transferência de tecnologia de ponta para o país e aquisição de meios.

Marcando presença também, no Euronaval a Emgepron, empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa, onde mantém exposição voltada a promoção e divulgação de produtos da Indústria Militar Naval Brasileira.

Setor público é finalista do Prêmio Nacional da Qualidade com carros de combate



Marília de Camargo Cesar, de São Paulo

Quando o produto que você vende é tão abstrato quanto a segurança, fica mais difícil mensurar resultados da implementação de um programa para tornar excelente a gestão de sua empresa. E quando sua empresa na verdade é uma unidade do Exército brasileiro, ser finalista do Prêmio Nacional da Qualidade adquire um sabor especial. "Tudo o que a Suzano faz nós fazemos também", orgulhava-se ontem, em São Paulo, o comandante Aloísio Lamim, devidamente fardado, ao ser informado oficialmente pelos conselheiros da Fundação Nacional da Qualidade que o 4º Regimento de Carros de Combate, o qual dirige, é o primeiro órgão público a levar o prêmio - na verdade, foi um dos finalistas de 2008. Os parâmetros da fundação para chegar a um finalista ou destaque em apenas um dos critérios da premiação são tão rigorosos que ser "apenas" finalista não diminui em nada o prazer das empresas que o conseguem.

Lamim comanda um efetivo de 500 homens e um conjunto de 54 Leopard 1A1, mais comumente chamados de tanques de guerra, na pequena Rosário do Sul, município com 40 mil habitantes situado a 390 quilômetros de Porto Alegre. O tenente-coronel Lamim acredita que o exemplo de seu regimento poderá ser seguido por outras unidades do Exército e também da Marinha e da Força Aérea. "Nossa unidade é pioneira, mas outras podem buscar também a excelência gerencial." Entre os resultados obtidos após a implantação do modelo da FNQ o comandante cita um melhor planejamento e direcionamento do orçamento do corpo, que gira em torno de R$ 1,5 milhão por ano. No almoxarifado, todos os procedimentos que resultam em compras ou distribuição de material também foram otimizados.

"Com essa crise que se aproxima, possivelmente sofreremos cortes no orçamento e é na crise que esses aprendizados se tornam ainda mais importantes", observou Lamim.

Versão naval do míssil europeu MICA é testada com sucesso



Foi realizado no último dia 23 um lançamento bem-sucedido da versão naval do míssil MBDA, produzido pela MBDA. O míssil testado tinha guiagem eletromagnética (EM), e foi disparado de um lançador vertical e atingiu um drone Banshee voando sobre o mar a cerca de 12 km de distância. Este o foi o último disparo de uma série de 14 lançamentos, marcando o final da fase de validação das séries de produção do lançador autônomo (Conteneur Lanceur Autonome) do MICA, já selecionado por diversas marinhas em todo o mundo.

Japoneses afiando o sabre



Entre 8 e 19 de outubro, homens do 22º Regimento de Infantaria da Força de Autodefesa Terrestre do Japão (JGSDF) estiveram nos EUA, onde realizaram adestramento de operações de combate em área urbana, com o 1º Batalhão do 17º Regimento de Infantaria dos EUA, no Forte Lewis, no estado de Washington.

Os exercícios foram realizados, em nível de Companhia, começaram com adestramentos individuais e coletivos, e depois, na Operação BUFFALO RISING, as duas unidades atacaram a “cidade” de Leschi, expulsando forças “comunistas” que a haviam ocupado.

Uma diferença notada por ambas as partes foi a presença maior de graduados (NCOs) na cadeia de comando da unidade americana, enquanto na japonesa havia proporcionalmente mais oficiais.

Programa JTLV - fase de desenvolvimento



O Exército dos EUA anunciou a outorga de três contratos para a fase de desenvolvimento do Veículo Tático Conjunto Leve - JTLV ou Joint Tactical Light Vehicle. São três contratos que juntos atingem um valor de US$ 166 milhoes e foram outorgados as empresas BAE Systems Land & Armament Systems – Ground Systems Division, de Santa Clara (Califórnia); General Tactical Vehicles (Joint Venture da General Dynamics Land Systems, Inc. e AM General, LLC), de Sterling Heights (Michigan) e a Lockheed Martin Systems Integration, Owego de Owego (Nova Iorque).

O JTLV é um programa conjunto do Exército, Fuzileiros Navais e o comando de Operações Especiais, onde o Exército foi designado a agência líder do programa.

A família de veículos JTLV irá fornecer às forças um veículo com equilíbrio em três fatores chave: desempenho, carga útil e de proteção e ainda aerotransportável, com mobilidade expedicionária.

O JTLV ira substituir parte da frota de Humvees hoje em serviço, mas não será o substituto direto desse veiculo.

A fase de desenvolvimento deve durar 27 meses, período no qual cada empresa deve desenvolver sete protótipos de veículos, representando as três categorias exigidas pelo programa JTLV. Cada empresa deve desenvolver um reboque que satisfaça os mesmos requisitos do veiculo.

As três categorias do JTLV terão diversas configurações como transporte de infantaria, reconhecimento, comando e controle, plataforma de mísseis anticarro, ambulância etc.

Com os protótipos, as empresas devem demonstrar uma “família de veículos”, em três categorias de peso e capacidade de carga.

Ainda não há uma quantidade determinada de veículos a serem adquiridos, mas o pedido de propostas projeta uma produção de cerca de 60.000 veículos.

Exército recebe R$ 22,6 milhões para sair da Esplanada



Marco Aurélio Reis

A reestruturação das Forças Armadas, que com o Plano Estratégico de Defesa vai unificar os estados-maiores das Três Forças, prevê a saída dos comandos militares da Esplanada dos Ministérios. Só vai ficar na imponente avenida inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek o Ministério da Defesa, que sairá muito fortalecido da reestruturação.

O primeiro a se mudar será o Exército. Para tanto, a Força recebeu, no último dia 23, crédito suplementar de R$ 22,6 milhões. O dinheiro será destinado à construção, recuperação, reparação, adequação e adaptação de instalações para a mudança de oito unidades militares para o Quartel-General do Exército, no Setor Militar Urbano, em Brasília.

Entre as organizações militares que mudarão de endereço em breve, estão os Comandos Militar do Planalto e da 11ª Região, hoje instalados na Esplanada.

O Exército é o primeiro das Forças a esvaziar o prédio no Centro da capital federal para agrupar as unidades em sua base, dando lugar a outras pastas do governo federal. Mesmo com a urgente necessidade de reaparelhamento, a Força Terrestre trabalha com o segundo maior contingenciamento - são R$ 520 milhões. O maior deles, no valor de R$ 660 milhões, é o da Aeronáutica, e o menor, de R$ 480 milhões, o da Marinha.

A esperança em dias melhores está concentrada fundamentalmente no Plano Estratégico - também conhecido como PAC da Defesa -, que deve ser apresentado pelos ministros Nelson Jobim e Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, ainda neste mês, ao Conselho de Defesa Nacional, composto pelo presidente da República e seu vice, pelos presidentes do Senado e da Câmara Federal, além de ministros e dos comandantes das Três Forças.

Esquadrão HS-1 realiza SAR próximo a Cabo Frio

ComForAerNav

Na tarde do dia 30 de outubro, a Aeronave de Serviço da Esquadra (ASE) - SH-3A Guerreiro 15, foi acionada pelo SALVAMAR SUESTE para realizar buscas a tripulantes do barco pesqueiro Continente II que teria naufragado, na posição cerca de 17 milhas náuticas a SE da Ilha de Cabo Frio.

Após a realização de briefing com a tripulação, médico e enfermeiro da Policlínica Naval de São Pedro da Aldeia e mergulhadores do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), a aeronave decolou para a cena de ação.

Fruto de minucioso planejamento, as buscas foram iniciadas na posição 20 milhas a NE do ponto de afundamento da embarcação, e logo na segunda pernada do plano de busca, foram localizados três náufragos que estavam reunidos próximos aos destroços e flutuavam graças ao uso de coletes salva-vidas.

Em pouco tempo, e com a auxílio dos mergulhadores, os náufragos foram içados para bordo do Guerreiro 15. Após receberem os primeiros socorros pela equipe médica da aeronave, os sobreviventes foram trasladados para o aeroporto de Cabo Frio, de onde seguiram na ambulância do Corpo de Bombeiros para o Hospital Central da cidade.

A Marinha do Brasil, atuando na salvaguarda de vida humana no mar, realizou mais um resgate com sucesso, graças ao trabalho e preparo das equipes adjudicadas ao SALVAMAR SUESTE (Com1ºDN).

Rússia negocia base naval na Líbia



O ditador líbio Muammar Kaddafi chegou ontem em Moscou para realizar acordos sobre venda de armas e energia. As negociações podem envolver ainda a abertura de uma base naval russa na Líbia, para contrabalançar a força dos EUA na África.

Os russos buscam estreitar os laços com o antigo aliado do período da Guerra Fria no momento em que Trípoli começa a se aproximar do Ocidente.

Kaddafi pôs fim ao isolamento internacional da Líbia em 2003, quando renunciou ao terrorismo, desistiu de desenvolver armas nucleares e admitiu responsabilidade no atentado a bomba de 1988 que explodiu um avião da PanAm e deixou 270 mortos. Ontem, em mais um importante gesto de aproximação com os EUA, a Líbia pagou US$ 1,5 bilhão ao fundo para vítimas de terrorismo.

Desde a abertura líbia, países do Ocidente aceleraram os investimentos no país, aumentaram a compra de petróleo e os fabricantes de armas europeus começaram a competir para vender armas ao governo de Kaddafi.

Ao mesmo tempo, a Rússia agiu para reconquistar o antigo aliado. Em abril, o então presidente russo Vladmir Putin, em visita à Líbia, fechou acordos nas área de energia, transporte e armas.

Submarino nuclear brasileiro: Quo Vadis?



“ … a Marinha encontra-se diante de decisões difíceis. Com o orçamento atual, o programa do submarino nuclear levará talvez ainda trinta anos para a sua concretização, o que não parece aceitável. Com o desenvolvimentos dos modernos sistemas de propulsão independentes do ar para submarinos, já não se pode afirmar que no prazo de trinta ou pouco mais anos a opção pelo submarino nuclear seja a mais acertada porque, ao longo de todos esses anos, ele consumirá um percentual expressivo do orçamento da Marinha, o que prejudicará inúmeros outros projetos e, ao final do prazo para o seu desenvolvimento, talvez não signifique o mesmo que hoje.”

Almirante Armando A. F. Vidigal - A evolução do pensamento estratégico naval brasileiro (2002)

O Programa Nuclear da Marinha fará 30 anos em 2009 e até agora, consumiu cerca de US$ 1 bilhão em recursos. Nos últimos anos, o Programa sobreviveu em estado vegetativo, devido ao corte de verbas.

O início do Programa Nuclear da Marinha deu-se no final de 1978, quando uma decisão ministerial engajou a Força no desenvolvimento da propulsão nuclear para submarinos. A decisão baseou-se na premissa de que, num eventual conflito, a Marinha do Brasil estaria em grande inferioridade contra um adversário que possuísse submarinos nucleares. Para a Marinha, a premissa foi confirmada na Guerra das Malvinas, em 1982, quando o afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano pelo submarino nuclear britânico HMS Conqueror, fez a Marinha Argentina retirar seus navios do Teatro de Operações.

Além do emprego militar, a propulsão nuclear aplicada a submarinos teria aplicação dual, possibilitando o uso do reator em usinas nucleares em terra, para a produção de energia elétrica. Sendo uma tecnologia de “arrasto”, traria também benefícios para o desenvolvimento de uma enorme gama de outras tecnologias.

O Programa autônomo de desenvolvimento de tecnologia nuclear recebeu o codinome de Programa Chalana, constituído por um conjunto de atividades com o propósito de desenvolver no País uma planta nuclear de propulsão de submarinos e o combustível necessário.

Sempre foi considerado um programa de longo prazo de maturação, que visava equipar a Força Naval de submarinos com propulsão nuclear, com alto grau de componentes nacionalizados. Inicialmente abrangia quatro projetos: Zarcão, Ciclone, Remo e Costado. O Projeto Zarcão, concluído em 1982, permitiu o domínio da tecnologia de obtenção de zircônio e háfnio nuclearmente puros.

O Projeto Ciclone, concluído em 1986, permitiu o desenvolvimento de ultracentrífugas para obtenção de urânio enriquecido e o seu emprego conjunto em cascata, numa usina de enriquecimento.

Os projetos que estão ainda em desenvolvimento são o Remo e o Costado. O primeiro visa à obtenção de uma planta de propulsão nuclear, do tipo PWR de pequenas dimensões, para ser instalada em submarino. O Projeto Costado, por sua vez, visa capacitar a Marinha a construir um submarino que possa receber o reator nuclear.

Para conseguir terminar finalmente o reator nuclear, a Marinha precisa de mais um bilhão de dólares, investidos num período de 10 anos.

O presidente Lula, em julho de 2007, em visita ao Centro de ARAMAR, garantiu a liberação de recursos anuais de R$ 130 milhões, para a conclusão do reator e do programa de enriquecimento de urânio da Marinha.

O Projeto Costado

Enquanto construía os submarinos da classe “Tupi” (IKL-209/1400), com transferência de tecnologia alemã, a Marinha se preparava para projetar o primeiro submarino convencional de projeto brasileiro, o SNAC-I. Ele seria uma “bancada de testes” para o futuro SNAC-II, o Submarino Nuclear de Ataque (SNA).

O então Ministério da Marinha contratou a HDW / IKL para fornecer um programa de treinamento para a elaboração de um projeto próprio de submarino no Brasil. Para esta finalidade, cerca de 30 engenheiros foram destacados para participar do treinamento durante os anos 1985 e 1986, seguido de uma fase de concepção de projeto entre os anos 1986 e 1990.

Houve treinamento de projeto de submarino no Rio de Janeiro, na forma de palestras, de 1º de abril a 7 de maio de 1985. Foram abordados os assuntos hidrodinâmica, resistência de materiais, termodinâmica, arquitetura naval de submarinos, física e química relacionada a submarinos.

Também foi feito o treinamento de projeto de submarinos na IKL em Lübeck, Alemanha, na forma de palestras, de 20 de maio a 19 de julho de 1985. Foram abordados os assuntos de projeto de casco de submarinos, propulsão, “lay-out” e eletricidade de submarinos.

Entre 5 de agosto a 6 de dezembro de 1985, foram abordados temas sobre mecânica, elétrica, automação e eletrônica, comunicações e sensores/sistemas de combate de submarinos.

Entre janeiro de 1986 e junho de 1990 (54 meses), o treinamento consistiu da Fase de Projeto de Concepção de um projeto próprio, baseado nos requisitos da Marinha do Brasil para um submarino convencional de grande porte, compreendendo as seguintes partes:

1. Estudo de Viabilidade (janeiro de 1986 a março de 1986)
2. Projeto de Concepção (abril de 1986 a dezembro de 1986)
3. Fase Preliminar do Projeto (janeiro de 1987 a maio de 1987)
4. Fase de Projeto de Contrato (julho de 1988 a junho de 1990).

Em 1º de outubro de 1990, todas as atividades foram interrompidas por parte da Marinha do Brasil.

Anos mais tarde, o projeto ressurgiu como SMB-10 (Submarino Médio Brasileiro), um modelo convencional com deslocamento carregado de 2.500 toneladas, 8m de boca e 67 metros de comprimento.

Mas a Diretoria de Engenharia Naval (DEN) ainda precisava contar com auxílio técnico estrangeiro para projetar o SMB-10, já que o Brasil não domina todas as facetas de um projeto dessa complexidade.

O projeto do SMB-10 também acabou cancelado, fazendo a Marinha partir para um projeto totalmente estrangeiro, de um submarino convencional que pudesse receber um reator nuclear posteriormente.

Aproveitando o legado

Em 6 de setembro de 2005, o jornal Valor, em sua edição online, noticiou que a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) tinha aprovado a contratação de empréstimo internacional para construção de um submarino convencional alemão U-214 e a modernização dos cinco U-209 já existentes na Marinha. O financiamento, de 882,4 milhões de euros daquele ano, contratado no ABN AMRO, se somaria à contrapartida do Governo, de 135,9 milhões de euros (87% de financiamento e 13% de contrapartida), totalizando 1,08 bilhão de euros.

A construção do novo submarino ficaria a cargo da siderúrgica alemã ThyssenKrupp, por meio de sua subsidiária ThyssenKrupp Marine Systems, sob acordo de transferência de tecnologia para o governo brasileiro. A obra teria assessoria de outra subsidiária, a HDW (Howaldtswerke Deutsche Werft AG), o estaleiro que construiu o primeiro submarino do mundo (1850) e o primeiro motor a vapor para fins navais (1849).

Esperava-se começar a construção do submarino já em 2007, aproveitando a conveniência logística de se adotar um modelo alemão, possibilitando o uso de boa parte das instalações e ferramental do AMRJ, usados na construção dos submarinos da classe “Tupi” (U-209). O contrato com a ThyssenKrupp, porém, acabou não sendo assinado.

Mudança de rumo

Em setembro de 2007, o Presidente Lula assinou um decreto criando um grupo de trabalho para a elaboração do Plano Estratégico de Defesa Nacional.

Em fevereiro de 2008, Lula e o Presidente da França Sarkozy, encontraram-se na Guiana Francesa, onde conversaram sobre cooperação militar e tecnológica entre os dois países, incluindo a transferência de tecnologia de submarinos “Scorpène”.

Segundo o Chefe de Estado francês, a transferência de tecnologia permitirá ao Brasil construir futuramente seu submarino nuclear.

Quanto custa um submarino nuclear?

EUA, Reino Unido, França, além da Rússia e China, constroem e operam submarinos nucleares há décadas e, ao longo destes anos, fizeram investimentos bilionários em recursos humanos e em infra-estrutura necessários para a obtenção desses meios de combate.

Os altos custos de projeto, construção e operação e os riscos de operação de submarinos nucleares sem dúvida, preocupam suas Marinhas e, principalmente suas lideranças políticas.

As novas classes de submarinos nucleares de ataque, em construção nos Estados Unidos (Classe “Virginia”), Inglaterra (Classe “Astute”) e França (Classe “Barracuda”), dão uma idéia dos custos do desenvolvimento e construção desses complexos navios.Os custos estimados de construção dos primeiros submarinos de cada série são os seguintes:

Virginia (com custo estimado em 1996, atualizado para 2008): US$ 4,9 bilhões
Astute (com custo estimado em 2007 ): ₤ 1,5 bilhões
Barracuda (com custo estimado em 2006): € 1,9 bilhões

Quanto custará o submarino nuclear brasileiro?

Os cinco países construtores destas três classes de submarinos, têm décadas de experiência neste setor e dispõem de toda a complexa e caríssima infraestrutura industrial e de recursos humanos, e mesmo assim, não escaparam de riscos de aumento de custos e atrasos que, aliás, foram alertados antecipadamente por auditorias especializadas.

O submarino nuclear concebido pela Marinha do Brasil, conforme informações publicadas em vários artigos da imprensa e da Marinha, vai deslocar em torno de 6.000 toneladas, situando-se portanto entre o “Astute” britânico e o “Barracuda”, francês.

Sem dúvida, será um submarino mais simples tecnologicamente, mas sua estrutura, propulsão, sistemas auxiliares, sistemas de navegação e governo, acomodações etc., terão semelhança com os submarinos nucleares em construção nos EUA, Inglaterra e França.

Além disto, com certeza absoluta, os padrões de precisão, qualidade e confiabilidade, terão que ser equivalentes.

Com base nisso, pode-se assumir que, uma vez construída a infraestrutura física e adquiridos e treinados os recursos humanos necessários, o primeiro submarino nuclear brasileiro terá um custo e um prazo de projeto de construção no mínimo comparável ao de seus similares, porém o fator de risco de aumentos de custos e prazos será maior, provavelmente na faixa de 30% a 50%.

Utilizando os valores e prazos dos primeiros submarinos da classe “Virginia”, “Astute” e “Barracuda”, pode-se estimar o custo de construção do primeiro submarino nuclear brasileiro na faixa de € 1,8 a € 2,7 bilhões, ou US$ 2,8 a US$ 4,2 bilhões, ou R$ 4,3 a R$ 6,5 bilhões.

Projeções indicam que o programa do primeiro submarino nuclear brasileiro demandará, num prazo de 20 anos, recursos da ordem de R$ 13 a R$ 19 bilhões, incluindo a formação de pessoal, projeto, custo da primeira unidade, custo do estaleiro e nova base naval e ainda, o custo operacional nos primeiros cinco anos.

O prazo entre a decisão de alocar recursos para o projeto do submarino nuclear brasileiro e o término de um projeto de contrato, avançado o suficiente para permitir o início do contrato de construção, pode ser estimado entre 5 e 8 anos, contados a partir da existência de um núcleo de engenheiros com experiência e qualificação adequadas para fazer o projeto de submarinos.

O prazo de construção do primeiro submarino nuclear nacional até a entrega, contado a partir do término do projeto de contrato, pode ser estimado na faixa de 10 a 15 anos.Temos assim o prazo total estimado para o empreendimento, entre 15 e 23 anos, mais o período necessário para formar o núcleo de engenheiros.

A real situação da Marinha

“O poder naval brasileiro poderá desaparecer até 2025, se até lá não houver novos investimentos em equipamentos.” O alerta foi dado pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), no dia 16 de agosto de 2007.

O Programa de Reaparelhamento da Marinha requer um investimento de R$ 5,8 bilhões ao longo do período de 2008 a 2014 e ainda não foi aprovado.

As prioridades iniciais do programa, segundo o comandante, são a construção de submarinos e navios-patrulha e a aquisição de helicópteros. O valor do PRM é praticamente o mesmo do primeiro submarino nuclear brasileiro!

Isso sem contar os custos da infra-estrutura necessária à construção, operação e manutenção.

Os investimentos no Programa Nuclear da Marinha até agora ocorreram às custas de cortes em importantes setores e atividades da Força, como a operação dos meios da Esquadra, a aquisição de sobressalentes, a manutenção dos navios e o adestramento.

Um reflexo disso é o estado de paralisia da aviação embarcada de asa-fixa e do NAe São Paulo, por falta de recursos que foram drenados pelo Programa Nuclear.

Mesmo com o aporte financeiro prometido pelo atual Governo para a conclusão do projeto do reator nuclear, percebe-se claramente que, mantida a conjuntura atual, não haverá verba suficiente para a construção do(s) submarino(s) nuclear(es) brasileiro(s), a não ser que haja um sensível aumento no orçamento do Comando da Marinha.

E mesmo que o aumento no orçamento ocorra, será preciso avaliar se vale a pena construir submarinos nucleares daqui a 20 anos, quando o gap entre o desempenho destes e dos submarinos convencionais será bem menor, graças ao desenvolvimento tecnológico. Com o valor gasto na construção de apenas um submarino nuclear, seria possível construir 3 ou 4 submarinos convencionais com AIP.

Com o anúncio do Plano Estratégico de Defesa e as referências quase que constantes ao submarino nuclear como a arma ideal para proteger a “Amazônia Azul”, é possível que o submarino nuclear brasileiro seja construído algum dia, mas é fundamental que, até lá, a Marinha do Brasil não negligencie os avanços dos submarinos convencionais, investindo também em outras tecnologias de propulsão independentes da atmosfera.

Até que o submarino nuclear chegue, os submarinos brasileiros não poderão depender somente do snorkel para sobreviver num conflito.

01 Novembro 2008

Sem teto



RENATA LO PRETE

Causou surpresa na Aeronáutica a decisão, tomada ontem de última hora pelo Congresso da Argentina, de proibir que caças do país participem hoje, em Natal, da 4ª edição da Cruzex, maior exercício de combate aéreo da América do Sul.

A Argentina forneceria cinco dos cem aviões da operação, além de ser dela a tecnologia de gerenciamento do exercício. Participam, além do Brasil, França, Venezuela, Chile e Uruguai.

Otan dedica-se a aplicar progressivamente sua estratégia da "afeganização"



Laurent Zecchini
De Cabul

Eles tentaram de tudo, mas de nada adiantou: por mais que os responsáveis militares e os diplomatas garantam que o número de incidentes envolvendo o uso de armas diminuiu de 35% em Cabul de um ano para cá, o sentimento de insegurança não pára de aumentar. Três assassinatos recentes reforçaram a impressão de que a capital afegã está tanto menos segura que ela se encontraria "sitiada" pelos insurretos.

A realidade revela ser mais contrastada: houve efetivamente um crescimento da criminalidade, que na maioria dos casos está vinculada ao tráfico de drogas e aos seqüestros perpetrados por motivos sórdidos. Assim, os dois ocidentais que foram mortos em 25 de outubro teriam sido aparentemente eliminados por não terem concordado com a utilização da sua própria empresa (a DHL) para exportar heroína. Entretanto, globalmente, o número de atentados suicidas e de ocorrências de ataques perpetrados por meio de artefatos explosivos improvisados (IED) antes diminuiu. Além disso, embora nenhuma das estradas que conduzem a Cabul seja verdadeiramente segura, a capital não está ameaçada de tornar-se alvo de um ataque planejado dos talebans.

Durante a noite, a polícia reforçou as suas rondas e, daqui para frente, está onipresente nas principais encruzilhadas da cidade. Enquanto isso, as patrulhas do Exército Nacional Afegão (ENA) se multiplicaram. Esta visibilidade é um sinal do aumento considerável da capacidade do ENA, para o qual a Força Internacional de Assistência para a manutenção da Segurança (ISAF, sob o comando da Otan - Organização do Tratado do Atlântico Norte), entregou a responsabilidade do controle da cidade de Cabul, desde 28 de agosto. Desde então, a situação não se deteriorou, e os afegãos enxergam neste fato a prova da eficiência das suas forças de segurança.

Esta transmissão de poder reflete uma concretização da política conhecida como "de afeganização". Concretamente, enquanto os 3.500 soldados afegãos estacionados em Cabul passaram a atuar na linha de frente, eles também contam com o apoio dos 3 mil homens da ISAF colocados sob o comando do general francês Michel Stollsteiner, o "patrão" do comando regional das operações no centro do país.

Se esta transição tiver prosseguimento sem que sejam registrados incidentes mais graves, o ENA ampliará o seu controle nos arredores da capital, até assumir o controle de toda a província de Cabul, a partir de março de 2009.

A Otan vem se esforçando para reconquistar terreno em volta da capital, de maneira a fazer com que o ENA possa instalar novamente suas guarnições, e com isso, devolver confiança à população. Depois da demonstração de força à qual se dedicaram as tropas da Otan, em 18 de outubro, no vale de Uzbin, uma "choura" (assembléia) foi organizada com os "maleks" (prefeitos), que se queixavam do assédio e da truculência dos talebans.

"O centro de gravidade em torno do qual tudo será decidido", insiste o general Stollsteiner, "é a população. As forças que conseguirem conquistar o apoio da população levarão a melhor. É necessário que os afegãos tenham o sentimento de que nós os protegemos mais do que fariam os insurretos".

"O objetivo", insiste o general canadense Richard Blanchette, porta-voz da ISAF, "é de conseguirmos formar um "espírito de guarnição" local entre a população e o ENA, combatendo a propensão dos insurretos a implantarem um "governo fantasma" [uma administração paralela àquela de Cabul]".

A "afeganização" também comporta uma estratégia da reconciliação. Trata-se de uma política de passos curtos, difícil de implementar em razão do esmigalhamento dos movimentos de luta talebãs, e porque a guerra enfraqueceu a estrutura tribal pachtun. No âmbito do governo, o debate em torno dos limites da reconciliação está longe de chegar a uma conclusão, tanto mais que um processo desta natureza, que passa pelo escalão local, segue antes um rumo inverso daquele da centralização do poder que por muito tempo foi preconizada pelo presidente Hamid Karzai e os americanos.

Contudo, o fato é que esta política de centralização não está rendendo os frutos esperados, em todo caso, não de modo suficiente e sem a agilidade desejada.

A Otan operou essa nova guinada de maneira progressiva: "Neste momento, nós estamos estudando até onde o poder central poderia ser descentralizado. Esta poderia constituir a melhor solução, principalmente nas regiões fronteiriças com o Paquistão", confirma o general Blanchette. "Mas é também uma decisão muito política, e o governo Karzai precisa assumir a sua inteira responsabilidade", apressa-se a acrescentar o oficial. Segundo explica um membro do Conselho Nacional de Segurança (um órgão presidido por Hamid Karzai), o governo deverá encarregar os governadores de conduzirem essas negociações em nível local.

Não faltam os obstáculos que deverão dificultar o duplo processo da "afeganização" e da reconciliação. Entre estes, já podem ser apontados o calendário eleitoral (a eleição presidencial deverá ser realizada em setembro de 2009) e a decisão da Otan de adotar uma atitude mais ofensiva para lutar contra o narcotráfico.

Na província de Cabul, as inscrições da população nas listas eleitorais deverão ser realizadas de 5 de novembro a 5 de dezembro, e tudo leva a crer que os insurretos irão fazer de tudo para dificultar este processo democrático, por meio de um recrudescimento da violência. Além disso, esta última só poderá ser atiçada pela decisão da Otan de desmantelar as redes de exportação da heroína.

"Esta estratégia antidrogas é necessária", considera um diplomata, "mas é preciso prever desde já que ela irá constituir um chute num ninho de marimbondos. Isso é verdadeiro não apenas para os talebans", avalia, "como também para todos aqueles que, nos círculos do poder, são beneficiados pelo dinheiro da droga".

Portanto, mais do que nunca o caminho a ser seguido para enfrentar o duplo desafio da "afeganização" e da reconciliação é incerto. E tão difícil quanto será o processo de seleção entre os insurretos "reconciliáveis" e os "jihadistas globais" - militantes islâmicos promotores da "guerra santa" pelo mundo afora. "Com estes últimos, não existe nenhuma possibilidade de diálogo", lembra um assessor do governo afegão. "Eles combatem em prol do além, não em favor desta terra".

Tradução: Jean-Yves de Neufville

General insurgente pede negociação direta com Congo



GOMA (Congo) - O general insurgente que cercou a cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo (antigo Zaire), disse ontem que quer conversações diretas com o governo central do país para finalizar os combates na região. Ele também quer discutir as objeções que faz a um acordo de US$ 5 bilhões, fechado entre o governo e a China, que dá acesso aos chineses às vastas reservas minerais congolesas, em troca da construção de uma ferrovia e de uma auto-estrada.

O insurgente Laurent Nkunda disse que pede o urgente desarmamento da milícia ruandesa dos hutus, à qual ele acusa de atacar o seu povo, a minoria tutsi. Ele afirma que o governo congolês não protegeu a minoria tutsi, que tem sido vítima da milícia ruandesa hutu, que escapou de Ruanda para o Congo após 1994, quando os hutus mataram meio milhão de tutsis em um genocídio.

Nkunda diz que as tropas regulares do Congo estão colaborando com os hutus ruandeses, uma acusação que o governo do Congo nega. "Não é aceitável que soldados do governo estejam lutando ao lado de genocidas", disse Nkunda. "Nós queremos a paz para as pessoas na região", afirmou.

Nkunda ameaça tomar a cidade de Goma, que é um local na fronteira com Ruanda, apesar dos alertas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para que respeite o cessar-fogo firmado em janeiro deste ano. A rebelião de Nkunda ameaça recomeçar as guerras que devastaram o Congo entre 1996 e 2002, envolvendo vários países africanos vizinhos.

A força de paz da ONU, com 17 mil soldados, tenta proteger a população e frear a rebelião.

Ontem, a força da ONU fez um apelo por mais tropas e disse que a situação é dramática. Nkunda lutou ao lado dos tutsi ruandeses, que pararam com o genocídio e depois tomaram o poder em Ruanda.

Os tutsi ruandeses depois ajudaram os rebeldes do Congo a derrubarem o ditador Mobutu Sese Seko em 1997. Nkunda, no entanto, deixou o exército congolês em 2005, quando o governo expediu uma ordem de prisão contra o general e acusou-o de vários crimes de guerra.

A Human Rights Watch, entidade de defesa dos direitos humanos com sede em Nova York, afirma ter documentadas várias execuções sumárias, torturas e estupros cometidos por soldados sob as ordens de Nkunda, entre 2002 e 2004. Em entrevista à Associated Press, Nkunda nunca usou a palavra tutsi e disse que sua missão é proteger o povo congolês. Os hutus formam o maior grupo tribal no leste do Congo, perfazendo mais de 40% da população. Os tutsi são apenas 3%.

Nkunda recomeçou a rebelião em 28 de agosto, quando afirmou que o governo havia quebrado o cessar-fogo. A luta já provocou que mais de 200 mil pessoas virassem refugiadas, informaram as Nações Unidas. Nkunda tomou vastas extensões de território do Exército do Congo.

Uma investigação da ONU em 2001 sobre a exploração ilegal dos recursos naturais do Congo descobriu que o conflito no país virou, em grande parte, uma guerra para obter "o acesso, o controle e o comércio" dos cinco recursos minerais mais importantes do Congo: diamantes, cobre, cobalto, ouro e nióbio.

Presença do Exército a ser homologada



Especial para o Diário

A ocupação da fronteira mato-grossense com a Bolívia, proposta pelo Exército no último dia 22, deve ser homologada em breve pelo Ministério da Defesa. Com a execução da proposta, 22 terras indígenas da fronteira receberiam postos do Exército, para combater crimes como contrabando e exploração ilegal de madeira e garimpo. O plano de ocupação, apresentado pelo comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Theófilo Gaspar Oliveira, é determinado por um decreto presidencial de julho deste ano.

A atuação do Exército contra os crimes na fronteira deve ser benéfica para as comunidades indígenas. Gilmar Soeiro, chefe de fiscalização da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cuiabá, diz que as atividades ilegais na região de fronteira, principalmente dos madeireiros, influenciam negativamente as comunidades, como as dos índios chiquitanos e nambiquara. Algumas organizações não-governamentais também estariam utilizando a fronteira para atividades ilegais, como a biopirataria.

Aliciados a contribuir na extração ilegal pelos homens brancos, os índios estão convivendo com doenças como a gripe, sendo induzidos ao alcoolismo e sofrendo de desnutrição.

As principais terras indígenas na fronteira com a Bolívia são as de Sararé, no município de Pontes e Lacerda (448 quilômetros de Cuiabá), Vale do Guaporé, em Comodoro (644 quilômetros), Terra Indígena Nambiquara e Lagoa dos Brincos, entre Comodoro e Vilhena (RO), Taihantesu, em Nova Lacerda (546 quilômetros), e Portal do Encantado, em Porto Esperidião (326 quilômetros).

Para a ocupação, deve ser determinado o reforço do 2º Batalhão de Fronteira do Exército na região de Cáceres. Por decreto presidencial, o Exército ganha poder de polícia para fiscalizar a fronteira seca, com cerca de 700 quilômetros de extensão. O tenente-coronel Elto Valich, da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, revela que justo a extensão da fronteira é o maior desafio para o Exército na região. (RD)