31 Março 2009

Programa Nuclear da Marinha


1. Introdução

Os submarinos são poderosas armas dissuasórias, e suas características operacionais conferem importante dimensão ao Poder Naval, um dos pilares do nosso Sistema de Defesa. No contínuo esforço para dotar o Brasil desses importantes meios, a Marinha prontificou em 21 de julho de 2006 o quarto submarino (S) convencional, construído no Arsenal de Marinha do Rio de janeiro (AMRJ), totalizando cinco navios desse tipo.

Paralelamente, desde 1979, a Marinha do Brasil desenvolve seu Programa Nuclear, cujo propósito é dominar a tecnologia necessária ao projeto e construção de um submarino com propulsão nuclear, arma com poder dissuasório ainda maior que o do submarino convencional, por sua capacidade de operar quase que indefinidamente sem depender da atmosfera.

2. O Programa Nuclear da Marinha (PNM)

2.1. Principais projetos e situação atual

Na atualidade, o principal objetivo do Programa, que está sendo desenvolvido pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), é estabelecer a competência técnica autóctone para projetar, construir, comissionar, operar e manter reatores do tipo Reator de Água Pressurizada - “Pressurized Water Reactor” (PWR) e produzir o seu combustível. Dominada essa tecnologia, ela poderá ser empregada na geração de energia elétrica, quer para iluminar uma cidade, quer para propulsão naval de submarinos.

A conquista da tecnologia necessária à geração de energia núcleo-elétrica, para uso em propulsão naval, passa por complexos estágios de desenvolvimento, merecendo destaque:

- o domínio completo do ciclo do combustível nuclear - já conquistado ; e

- o desenvolvimento e construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica - o que ainda não está pronto .

O PNM é, pois, dividido em dois grandes projetos: o Projeto do Ciclo do Combustível e o Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE).

2.2. O Ciclo do Combustível

Ao final da década de 70, foram iniciados os estudos para desenvolver no Brasil a tecnologia da separação isotópica do urânio (enriquecimento), principal desafio tecnológico para a fabricação de combustível nuclear. Os resultados foram obtidos já em 1982, quando foi construída a primeira ultracentrífuga capaz de fazer a referida separação. Seis anos depois, foi inaugurada a primeira cascata de ultracentrífugas para a produção contínua de urânio enriquecido. Decorrente do domínio dessa tecnologia, a MB está fornecendo cascatas de enriquecimento de urânio para que a empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB) possa produzir, no País, o combustível para as usinas Angra I e II. À exceção da conversão, cuja tecnologia está dominada e depende, para a produção em escala industrial, da prontificação da Usina de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), que encontra-se em fase final de construção, as demais etapas do ciclo do combustível (reconversão, fabricação de pastilhas, fabricação de elementos combustíveis e a capacidade para desenvolver o próprio combustível) também já estão dominadas e em operação. A USEXA estava prevista para ser concluída em dezembro de 2001. Entretanto, em face dos cortes orçamentários no PNM e de dificuldades relativas à obtenção e importação de materiais, a programação atual é para o primeiro semestre de 2010.

2.3. Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE)

Em paralelo ao Projeto do Ciclo do Combustível, mas com alguma defasagem no tempo, foram iniciados os estudos relativos ao Projeto do LABGENE, buscando o desenvolvimento e a construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, totalmente projetada e construída no País, inclusive o reator. Vale destacar que o Projeto do LABGENE desenvolveu um reator que terá potência de cerca 11 Megawatts elétricos (MWe), o suficiente para iluminar uma cidade de aproximadamente 20.000 habitantes. Essa instalação servirá de base e de laboratório para qualquer outro projeto de reator nuclear no Brasil. Pela característica dual do projeto, o LABGENE é, também, um protótipo em terra do sistema de propulsão naval que, por sua vez, permitirá a obtenção da capacitação necessária para readequá-lo ao submarino nuclear S(N).

As obras de montagem dessa instalação estão em andamento, demandando cerca de oito anos para serem concluídas, prazo que pode ser reduzido, também, em função da disponibilidade de recursos.

2.4. Situação atual e perspectivas

Diante da grave escassez de recursos dos últimos anos, restou à Marinha manter o projeto em “estado vegetativo”, de modo a evitar a perda das conquistas tecnológicas alcançadas, principalmente no que tange à capacitação técnica do pessoal.

A Força entende que o Programa Nuclear, hoje em execução, não é unicamente da Marinha, mas sim do Brasil, motivo pelo qual deve receber aportes financeiros de outras fontes, além do orçamento da Marinha. Assim, a Alta Administração Naval buscou mostrar aos setores políticos e ao Governo a necessidade de um maior aporte de recursos ao Programa, considerando que é um projeto nacional e que há inúmeros benefícios derivados do arrasto tecnológico. Independente da possível construção de um submarino com propulsão nuclear, o PNM irá assegurar a tecnologia necessária ao aproveitamento da energia nuclear, de vital importância para o futuro do País.

3. Recursos orçamentários e estrutura de financiamento do PNM

Tendo como fonte de recursos exclusivamente a MB, o PNM teve início em 1979. Já no ano seguinte, 1980, o então Conselho de Segurança Nacional (CSN) passou a participar ativamente do Programa, a ele alocando significativos recursos. Essa situação permaneceu inalterada até 1989, ano em que o CSN foi sucedido pelo Conselho de Defesa Nacional (CDN).

A partir de 1990, os recursos provenientes de fontes extra-MB foram declinando sensivelmente até 1998, tanto em valores absolutos como em valores relativos. Nesse mesmo período, o CDN foi sucedido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

A partir de 1999, a SAE foi extinta e suas atividades na área nuclear foram absorvidas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Programa Técnico-Científico Nuclear (PTCN). Dentro dessa nova organização, os recursos extra-MB declinaram ainda mais, representando um percentual reduzido do orçamento global do Programa em questão. Em 2005 e 2006, o MCT aportou recursos que, embora ainda pouco expressivos face às necessidades, servem de precioso alento em termos de perspectivas futuras de investimentos e participação ativa daquele Ministério no PNM.

3.1 Dispêndios em "dólares equivalentes"

Por volta dos anos de 1987 e 1988, os montantes alocados ao Programa Nuclear eram, praticamente, divididos entre o orçamento da Força e o que vinha "extra-Marinha". A partir daí, os recursos extra-MB passaram a declinar vigorosamente, ao passo que os recursos correspondentes à participação da Marinha, elevou-se para garantir a continuidade do Programa. Essa elevação ocorreu à custa de cortes em importantes setores e atividades da Força, como a operação dos meios da Esquadra, a aquisição de sobressalentes, a manutenção dos navios e o adestramento.

No início, o PNM foi baseado em fonte de recursos extra-MB; evoluiu para uma participação paritária MB / extra-MB; e, hoje, encontra-se sustentado, quase que exclusivamente, por recursos orçamentários da Força.

A participação extra-MB chegou ao pico de 89% no início do Programa, tendeu a zero entre 1999 e 2004, limitando-se na atualidade a cerca de 10%. Em valores absolutos, essa participação chegou a US$ 40 milhões, mas hoje se situa em US$ 4 milhões, excetuando-se os recentes recursos recebidos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Já foram investidos, no PNM, cerca de US$ 1,1 bilhão, dos quais cerca de US$ 900 milhões foram do orçamento da MB e cerca de US $ 200 milhões de recursos Extra-MB.

3.2 Perspectivas de Investimentos

A realidade orçamentária impossibilitou à Marinha aumentar o volume de recursos próprios para investir no PNM. Nos últimos anos, a Força tem feito um enorme sacrifício para manter o patamar de alocação de recursos, mesmo em detrimento de seus demais setores, que igualmente sentem a escassez de investimentos. O fato é que a Marinha atingiu o limite da sua capacidade de destinar recursos, o que não é suficiente.

Para manter o PNM em “estado vegetativo”, situação em que se encontra desde 2003, a Marinha vêm aportando recursos da ordem de R$ 62 milhões, a custos de 2007. A captação de recursos extra-MB, como os obtidos da FINEP e da INB, tem ajudado a desonerar o orçamento da MB.

Vale lembrar que, quanto mais rápido puder ser concluído o PNM, menor será a problemática da obsolescência do material já adquirido e mantido sob condições especiais, que geram custos adicionais de manutenção. Para o LABGENE, há atualmente US$ 130 milhões em equipamentos prontos em estoque.

Para a conclusão do PNM, são necessários recursos da ordem de R$ 1,04 bilhão, que englobam todos os empreendimentos do ciclo do combustível, do LABGENE e da infra-estrutura de apoio (incluindo-se mão-de-obra e custeio administrativo). Assim, há a demanda de aportes orçamentários adicionais de modo a propiciar um investimento médio anual de R$ 130 milhões, ao longo de oito anos.

Em julho de 2007, o Presidente da República anunciou a intenção de assegurar esses aportes, criando perspectivas para o prosseguimento e conclusão do PNM.

Somente após a conclusão dos citados dois projetos que compõem o PNM e de ter-se logrado êxito na operação da planta nuclear, estarão criadas as condições para que, havendo a decisão de Governo, possa ser dado prosseguimento à meta de construir um S(N) brasileiro.

3.3 Recursos humanos

Atualmente, estão trabalhando no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo cerca de 271 militares e 1025 funcionários civis. A falta de investimentos tem ocasionado reflexos no setor de pessoal, reduzindo a capacidade intelectual e dificultando o prosseguimento de algumas metas.

A evasão de profissionais qualificados vem ocorrendo, especialmente, pela procura por outras oportunidades de trabalho em órgãos públicos e privados e por motivo de aposentadoria. A perda desse pessoal nos últimos sete anos, incluindo os de nível superior e técnico, foi de 38 profissionais/ano, aproximadamente 3% do quantitativo, tendo como conseqüência a redução gradativa da capacitação tecnológica.

A retomada dos aportes financeiros permitirá uma melhora nos prazos estipulados para a conclusão das principais metas do PNM e, conseqüentemente, servirá de estímulo aos profissionais envolvidos, podendo reduzir as evasões. Além disso, esses recursos gerarão novas contratações, reduzindo, também, a carência da demanda de profissionais na área nuclear no Brasil.

4. O significado do PNM

O Programa Nuclear da Marinha vem demonstrando, desde seu início, uma grande capacidade de mobilização e estímulo dos setores de Ciência e Tecnologia (C&T) e de produção. São inúmeras as parcerias estabelecidas com universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento, indústrias e empresas projetistas de engenharia, entre outros.

Com essas parcerias, o Programa evidencia sua capacidade de gerar efeitos de arrasto, tanto por meio do incentivo à ampliação da base tecnológica nacional, decorrente dos desafios que coloca aos setores de C&T e de produção, como por meio do desenvolvimento de equipamentos e componentes de uso não restrito aos objetivos do Programa, como por exemplo:

- Sistema de Controle das Máquinas Principais e Auxiliares (SCMPA) das Fragatas Classe “Niterói”, decorrente da capacitação acumulada no desenvolvimento de tecnologia para projetos de sistemas de controle e automação de alto desempenho, como são os sistemas que envolvem enriquecimento de urânio e a operação de reatores nucleares;

- Giroscópio e acelerômetros, os quais são usados em plataformas inerciais para navegação e estabilidade de navios, submarinos e plataformas de petróleo. Este desenvolvimento decorre da capacitação obtida no desenvolvimento de ultracentrífugas. Tais sensores são vitais para que o submarino possa navegar submerso, sem ter de vir à superfície para se orientar ou receber informações do GPS, o qual pode ser bloqueado;

- Blindagem física, a qual se baseia em compostos de Boro , material esse utilizado nas varetas de controle da fissão em reatores nucleares, que também apresenta boa resistência ao impacto;

- Válvulas para operação com gás, desenvolvidas a partir da necessidade de se construir e operar sistemas de separação isotópica;

- Válvulas TWT, aplicáveis em radares de navios, sendo decorrente dos desenvolvimentos de itens de tecnologia de vácuo e soldagens especiais, atividades comuns com o enriquecimento de urânio;

- Fibra carbono, material estratégico, utilizado em ampla lista de sistemas de alto desempenho, como as cascatas de enriquecimento de urânio; e

- Análise de risco, atividade técnica mandatória para o licenciamento de instalações nucleares e que possui aplicação atualmente nos projetos e licenciamento de plataformas de petróleo.

É digno de nota que muitos desses desenvolvimentos são feitos devido à necessidade de se construir e implantar sistemas dedicados para atender requisitos específicos do PNM, além de haver restrições de sua importação pelo Brasil por parte dos países que detêm tais tecnologias.

O fato é que o desenvolvimento de uma tecnologia desse porte não se faz sem o investimento considerável de recursos financeiros e humanos. Assim, ao longo dos quase vinte e nove anos de existência, o PNM custou cerca de um bilhão de dólares, sendo considerado pela imprensa especializada e meios acadêmico-científicos como um dos mais econômicos projetos nucleares já realizados no mundo. Cita-se, como exemplo, o Projeto Manhattan (norte-americano), cuja grande dificuldade foi dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio (já desenvolvida pelo PNM), e que consumiu, na primeira metade da década de 40, dois bilhões de dólares, que hoje equivaleriam a cerca de vinte e cinco bilhões de dólares.

A tecnologia de enriquecimento de urânio é conhecida e aplicada, comercialmente, por apenas sete países, além do Brasil, a saber: EUA, França, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão e Holanda. Desses países, os dois primeiros utilizam a difusão gasosa, que é considerada obsoleta, pois consome vinte e cinco vezes mais energia do que a tecnologia de ultracentrifugação, empregada pelo Brasil e demais países.

Cabe ser mencionado que existe uma diferença marcante entre a tecnologia de ultracentrifugação desenvolvida no Brasil e aquela utilizada pelos outros cinco países supracitados. O rotor da ultracentrífuga desenvolvida nesses países gira apoiado em um mancal mecânico, enquanto o rotor desenvolvido no Brasil gira levitando por efeito eletromagnético, o que reduz o atrito e, conseqüentemente, os desgastes e a manutenção. Não existem informações de que algum outro país tenha desenvolvido tecnologia semelhante a nossa.

De acordo com a International Energy Agency (IEA) e a World Nuclear Association (WNA), cerca de 16% da matriz energética mundial é nuclear (no Brasil, apenas 2,2%), resultante da operação de 439 reatores, que geram 372.002 Megawatts elétricos (MWe). Atualmente, há 34 usinas em construção, que irão representar um acréscimo de 7,5% nessa matriz energética. Além disso, estão planejadas mais 81 usinas, com uma produção estimada de 89.175 MWe, e outras 223 usinas estão propostas (200.445 MWe).

Nesse ponto, a fim de possibilitar o perfeito entendimento do que representa o PNM em termos de desenvolvimento tecnológico para o Brasil, apresenta-se uma longa série de atividades executadas em seu bojo:

- formação/aperfeiçoamento de pessoal;

- compra de equipamentos e construção de diversos tipos de laboratórios, incluindo um reator nuclear de pesquisa;

- projeto, construção e testes dos equipamentos que compõem a planta de geração;

- projeto e construção de ultracentrífugas e cascatas de enriquecimento de urânio;

- projeto e construção de usinas de transformação de "yellow cake" em hexafluoreto, de reconversão e de fabricação de elemento combustível;

- incremento tecnológico de várias oficinas de fabricação de diferentes tipos de peças, incluindo válvulas de alto vácuo, inexistentes no Brasil;

- desenvolvimento de vários tipos de materiais, antes importados, como o aço “maraging” e a fibra de carbono; e

- uma infinidade de projetos que, desenvolvidos em parcerias com universidades, institutos de pesquisa e a indústria nacional, trouxeram ao País elevado ganho em tecnologia e qualidade.

5. Considerações finais

A energia nuclear é uma fonte de energia firme e limpa, não emite gás poluente para a atmosfera, utiliza em sua construção um número reduzido de materiais (por kWh) se comparada com a energia solar e eólica, produz pequena quantidade de rejeitos, e não contribui para o efeito estufa, pois não emite dióxido de carbono (CO2), ao contrário do carvão, petróleo e gás; além de não necessitar dos grandes reservatórios (com seus decorrentes problemas ambientais) das hidroelétricas. Única alternativa viável, para a maior parte dos países, para suprir a crescente demanda por energia ante a futura escassez dos combustíveis fósseis, não é sem razão que a maior concentração de usinas nucleares encontra-se nas principais regiões consumidoras de energia do mundo.

Como resultado de grande esforço nacional, o Brasil tem capacidade de fabricar o próprio combustível nuclear, sem nenhuma dependência externa, e o conhecimento para projetar e construir plantas nucleares de potência, que custam no mercado internacional acima de três bilhões de dólares cada.

Cabe destacar o avanço que representará a prontificação da Unidade Piloto para Produção de Hexafluoreto de Urânio - USEXA - onde é feita a conversão do yellow cake em hexafluoreto de urânio (UF6), para que depois possa ser enriquecido e reconvertido em óxido de urânio, visando a fabricação de pastilhas e elementos combustíveis dos reatores de potência do tipo água pressurizada (PWR). Atualmente, essa conversão é feita na CAMECO, no Canadá (cerca de 350 t/ano), e, posteriormente, o enriquecimento é realizado no consórcio europeu URENCO, a um elevado custo em dólares (cerca de US$ 40 milhões/ano no total). Como dito anteriormente, a conclusão da USEXA dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, o que podemos considerar como resolvido, e da solução de eventuais entraves inerentes à obtenção e à importação de materiais.

O reator a ser construído pode tanto ser utilizado para gerar energia para uma cidade, quanto para a propulsão de um meio naval.

Por fim, a Marinha tem afirmado que faltam cerca de um bilhão de reais para a conclusão dos dois projetos que estão em andamento. A manutenção do fluxo dos recursos, anunciados pelo Presidente da República em julho de 2007 e garantidos pelo Ministro da Defesa para 2008, permitirá que o PNM esteja concluído até 2014. Uma vez finalizadas, com êxito, as etapas que envolvem os 2 projetos do PNM, teremos condições para que, em havendo uma decisão de Governo, projetar e construir um submarino de propulsão nuclear.

Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP)

Israel arquiva investigação de abuso militar

Para procurador do Exército, relatos de infrações em Gaza não partiram de testemunho ocular, mas da repetição de boatos

Nota sobre fim do inquérito, criticado por ONGs, não fala de denúncia de vandalismo, de atuação religiosa nem de ordem de "esquecer moral"

DA REDAÇÃO

O general Avichai Mendelblit, chefe da Promotoria do Exército israelense, determinou ontem o arquivamento da investigação dos alegados abusos humanitários cometidos por soldados durante a recente invasão da faixa de Gaza.

Segundo ele, o inquérito apurou que as descrições das condutas – que poderiam ser enquadradas como crimes de guerra – "foram baseadas em ouvir falar e não na experiência obtida em primeira mão".

Mendelblit criticou "a imprecisão" dos relatos. "Será difícil avaliar o estrago feito à imagem e ao moral [dos militares] em Israel e no mundo."

As revelações vieram a público no último dia 19, quando jornais de Israel publicaram trechos de um debate realizado numa academia militar por cadetes que participaram da investida contra o grupo islâmico Hamas em Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro. Na ocasião, o Exército determinou abertura de investigação e proibiu os soldados de concederem entrevistas.

No encontro, em 13 de fevereiro, formandos relataram episódios sistemáticos de vandalismo contra residências de palestinos e dois casos de assassinatos de civis desarmados – o de uma senhora idosa e o de uma mãe com seus dois filhos.

Segundo a investigação, o soldado que contou o episódio da ordem para assassinar a idosa não testemunhou o caso. "Só repetiu um rumor que ouvira."

Sobre o outro caso, em que a família teria sido morta por ter caminhado na direção oposta à determinada pelos soldados, a investigação também concluiu que o autor do relato não viu o episódio.

"Após checagem, foi apurado que, durante aquele incidente, uma patrulha abriu fogo numa direção contrária, contra dois homens suspeitos que não tinham relação com os civis em questão", disse a nota oficial, que não apresentou ligações entre os dois tiroteios nem esclareceu se a família efetivamente foi morta ou não.

Não foi a única ocorrência relatada em 13 de fevereiro que não mereceu uma resposta. O relatório não tratou de vandalismo, da denúncia de que o rabinato do Exército insuflou os israelenses a lutarem uma guerra santa nem do reservista que narrou ao "New York Times" ter sido orientado por um instrutor a "deixar sua moral à parte" antes de entrar em Gaza.

Repúdio

Em reação ao arquivamento, grupos israelenses de defesa dos direitos humanos emitiram nota conjunta afirmando que "o veloz encerramento da investigação imediatamente levanta a suspeita de que era uma mera tentativa do Exército de limpar suas mãos de toda a culpa por atividades ilegais".

A exemplo do que haviam feito quando foi lançada a investigação, as entidades cobraram a apuração das denúncias por uma entidade independente.

No dia 19, ONGs haviam recebido com reservas a notícia da investigação militar. Ponderavam que o Exército já tinha ciência dos relatos de abusos desde 13 de fevereiro, mas só tomara a iniciativa de apurar após sua publicação.

Com agências internacionais

Comandante da Otan nega retirada rápida e elogia plano dos EUA para Afeganistão


em Bruxelas

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jaap de Hoop Scheffer, elogiou o "realista" plano dos Estados Unidos para a "guerra ao terror" no Afeganistão e afirmou que as forças internacionais não devem prever sua retirada do país no futuro próximo.

A violência no Afeganistão atingiu seu pior nível nos últimos oito anos da invasão liderada pelos EUA, que expulsou o grupo radical islâmico Taleban do governo.

"Em minha opinião, será preciso permanecer no Afeganistão pelo futuro previsível", disse Scheffer a jornalistas em Bruxelas, comentando que até agora tem visto "reações positivas" à nova estratégia anunciada pelo presidente Barack Obama na semana passada.

Obama ampliou a "guerra ao terror" para o Paquistão, prometeu enviar 4.000 soldados adicionais e triplicar a ajuda, para US$ 1,5 bilhão anual, para Islamabad. Ele não fixou um cronograma para seu plano de guerra, mas afirmou que o objetivo central é destruir a rede terrorista Al Qaeda.

Scheffer saudou a decisão de concentrar-se em derrotar os militantes da Al Qaeda, em lugar do plano mais ambicioso da administração Bush de construir a democracia no Afeganistão. "Acho que o plano de Obama é realista quanto ao que pode ser realizado", disse Scheffer. "Ou seja, não poderemos converter o Afeganistão numa Suíça em poucos anos."

Ele disse ainda que pedirá, com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), recursos adicionais para treinar as forças de segurança afegãs -- um valor estimado em US$ 2 bilhões para um ano.

"US$ 2 bilhões é muito dinheiro, mas apenas se você pensar no valor isoladamente", disse ele, citando um "cálculo muito informal" de que a guerra estaria custando à Otan e seus aliados cerca de US$ 42 bilhões por ano.

"E não estou contando as perdas imensuráveis de vidas de nossos soldados", disse ele, referindo-se aos mais de 1.100 militares estrangeiros mortos no Afeganistão, desde 2001.

Em uma cúpula da Otan na fronteira entre França e Alemanha, prevista para começar na próxima sexta-feira (3), Obama vai consultar seus aliados sobre um plano para enviar os 4.000 soldados americanos para treinar forças afegãs, além do reforço previamente anunciado de 17 mil soldados americanos adicionais para reforçar o esforço de guerra.

Com isso o total de forças americanas no Afeganistão chegará a 55 mil, ante 32 mil de todos os outros membros da Otan e outros países envolvidos nas operações militares. Esse fato vem levando alguns analistas a dizer que a Otan pode ser cada vez mais relegada ao segundo plano.

Scheffer disse que não se deve permitir que isso aconteça e exortou o pacto militar de 26 membros a exercer um papel pleno no esforço no Afeganistão.

"Esta não é uma guerra do presidente Obama, no sentido da Otan. Os aliados precisam fazer sua parte. Eu não quero ver uma missão que está fora de equilíbrio", completou.

Scheffer afirmou ainda que as capitais europeias enfrentarão outros pedidos de colaboração, como por exemplo na reconstrução de nossos esforços civis.

"Os aliados da Otan não podem fazer frente aos números [de tropas] concedidos pelos EUA. Esta não é a discussão", disse. "Presidente Obama disse que se você não pode colaborar militarmente, colabore com o lado civil."

Solução militar no Afeganistão vai falhar, diz ‘documentarista em tempo real’

Projeto de Robert Greenwald propõe repensar todo o conflito.

Filme está sendo publicado por partes, em ‘tempo real’, na internet.


Daniel Buarque

em São Paulo

Enviar mais tropas para uma zona de conflito caótica pode ter funcionado no caso do Iraque, mas vai fracassar no Afeganistão, segundo o ativista político e documentarista Robert Greenwald. Diferentemente do caso iraquiano, em que se saiu de uma quase guerra civil para uma situação de relativa tranqüilidade depois que mais soldados chegaram ao país há dois anos, é preciso repensar a situação afegã para buscar uma solução que vá além do militarismo, diz.

Greenwald estava em Cabul, capital afegã, realizando a terceira parte do seu ‘documentário em tempo real’, “Rethink Afghanistan” (Repensar o Afeganistão) no dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o novo plano do país para lidar com o conflito no país.

“As pessoas demonstram muita preocupação com o fato de que os EUA continuam adotando apenas políticas militares em relação ao Afeganistão. O problema vivido pelo país não é um problema militar, é político, ideológico, e as pessoas querem soluções que vão além do envio de mais soldados”, disse, em entrevista ao G1, por telefone.

Segundo ele, os afegãos estão felizes com a eleição de Obama para a Presidência, estão esperançosos, mas querem que os Estados Unidos ajudem com professores, hospitais, e não com mais pessoas armadas.

Ele se diz otimista, entretanto. “Obama foi eleito com um discurso de mudança. Já percebemos no Vietnã, no Iraque e mesmo no Afeganistão que buscar soluções apenas militares em conflitos assim não resolve nada, e não é uma mudança real como poderíamos esperar do presidente. Acho que ele é inteligente e está sendo bem assessorado, então acredito que com o tempo veremos a mudança que esperamos dele.”

Tempo real

O projeto do novo documentário de Greenwald se propõe revolucionário para este tipo de cinema-realidade. Em vez de realizar toda a pesquisa, as entrevistas e depois editar tudo em um único filme, ele resolveu fazer o trabalho por partes, e ir publicando cada capítulo à medida em que ele vai ficando pronto, em "tempo real".

“O documentário é feito em tempo real porque não podemos nos dar ao luxo de esperar alguns meses para levantar esta discussão. O documentarista em mim queria esperar para que o filme ficasse completo, mas o meu lado ativista sabia que precisávamos divulgá-lo logo. Por isso desenvolvi esta nova forma de trabalho, publicando parte por parte do filme, aumentando o impacto da discussão.”

No site do filme, é possível assistir às duas primeiras partes de “Rethink Afghanistan”, ambas com pouco mais de dez minutos. Na primeira, Greenwald entrevistas pesquisadores e analistas dos dois países envolvidos no conflito e mostra que, do ponto de vista histórico, o Afeganistão é “campeão mundial de resistência” a invasões internacionais, e não adianta aumentar o número de soldados no país. A segunda parte foca no vizinho Paquistão, apontado por alguns entrevistados como o verdadeiro foco do problema do radicalismo e do terrorismo.

A terceira parte vai estar no ar em duas semanas. Era ela que ele filmava até o último fim de semana em Cabul. O tema deste capítulo vai ser o custo da guerra até agora, e para onde ela vai continuar.

Segundo Greenwald, visitar o Afeganistão, como fez na semana passada, deixa uma sensação muito clara de que milhares de pessoas vivem em perigo, em meio a uma zona de guerra. “A situação em Cabul é definitivamente perigosa. Há pessoas armadas com fuzis em toda esquina, há barricadas montadas por toda a cidade, além de militres passando com tanques pelo meio da cidade. Percebe-se claramente que se está numa zona de guerra.”

Debate

Apesar de discordar abertamente do novo plano divulgado por Obama, Greenwald evita dar sua opinião sobre como resolver os problemas do Afeganistão, e diz que seu objetivo é apenas o de levantar a discussão.

“Não acho que esteja tudo errado, mas acho que há questões muito sérias a serem respondidas em relação ao país, e acho que é preciso refletir sobre estas perguntas. Isso pode nos levar a uma discussão complicada, de como podemos apoiar o país, e levá-lo a uma situação de segurança real. Não quero responder a essas perguntas. Meu papel é levantar as questões e incentivar os debates, para que os verdadeiros especialistas possam discutir e chegar a uma conclusão.”

Segundo ele, a ideia de enviar 4.000 soldados para treinar o exército afegão é interessante, mas não deve surtir efeitos. “Claro que qualquer país prefere ter seus próprios soldados a tropas internacionais. O problema é que o Exército afegão já vem sendo treinado por norte-americanos há muito tempo, sem nenhum resultado satisfatório até agora.”

Pyongyang ameaça ação militar caso Japão intercepte foguete


Pyongyang (Coréia do Norte) - A Coréia do Norte reiterou nesta terça-feira que responderá com "os meios militares mais potentes" se o Japão chegar a interceptar o satélite que pretende lançar no início de abril, informou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

O regime comunista norte-coreano advertiu que consideraria uma "nova invasão" a eventual interceptação de seu satélite por parte do Japão, ainda segundo a KCNA, por sua vez citada pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.

"Nosso Exército arrastará sem piedade todos os meios interceptores com as armas militares mais potentes", diz a KCNA.

A Coréia do Norte anunciou seus planos de lançar um satélite de telecomunicações entre 4 e 8 abril, em meio a suspeitas de que a ação possa ocultar o teste de um míssil de longo alcance.

O Japão já ordenou ao Exército que derrube o foguete ou suas partes que possam cair em território japonês em uma eventual falha.

Forças britânicas iniciam retirada oficial do Iraque


O general britânico responsável pelo comando militar das forças no sul do Iraque, Andy Salmon, transferirá nesta terça-feira o controle da região para o norte-americano Michael Oates, em um ato que representa o início oficial da retirada das tropas britânicas do país.

A partir desta terça-feira, soldados americanos e britânicos passarão a ser comandados pelo oficial dos Estados Unidos, no que passará a ser chamado de Divisão Multinacional do Sul.

A maior parte dos 4 mil soldados britânicos - que agora estão estacionados nos arredores da cidade de Basra - deve deixar o país até o dia 31 de maio, quando termina a operação de combate britânica.

A partir desta data, apenas 400 soldados da Grã-Bretanha permanecerão na região, para exercer funções no quartel-general da coalizão e treinar a Marinha iraquiana. Em entrevista à BBC, o general Salmon afirmou que muitos objetivos foram atingidos nos últimos seis anos de ocupação no Iraque.

"Nós ajudamos a aumentar a segurança e colocamos as condições para o desenvolvimento econômico e social. Acho que podemos sair com a cabeça erguida".

Comando americano

Os soldados britânicos já começaram a desocupar edifícios e transferir tarefas para os colegas dos EUA, enquanto se preparam para a retirada depois de seis anos.

Segundo a correspondente para assuntos de defesa da BBC, Caroline Wyatt, a presença dos soldados norte-americanos já é visível em Basra.

A partir de agora, o papel dos Estados Unidos no sul do Iraque será ligeiramente diferente, devendo se focar no treinamento de policiais iraquianos e na manutenção da rota de transporte de suprimentos entre o sul e Bagdá. Segundo o coronel norte-americano AJ Johnson, responsável pelas ligações com o Exército iraquiano no Centro de Operações de Basra, os Estados Unidos manterão a estratégia que vinha sendo adotada até agora na região.

Isto significa que os soldados e policiais iraquianos devem continuar a ser a presença mais visível nas ruas da cidade.

"O objetivo da transição é garantir que não se perceba que o Exército dos EUA está aqui e que nós não faremos nada diferente do que os britânicos fizeram na região", disse Johnson à BBC. Os americanos também estão reduzindo o número de tropas no país. Duas brigadas devem sair da Província de Al-Anbar, que antes era considerada o centro da Al-Qaeda no Iraque.

A retirada total das forças americanas do país está prevista para 2011.

30 Março 2009

F-X2 - Visitas Técnicas e Voos de Avaliação

AERONÁUTICA COMEÇA A ETAPA DE VISITAS TÉCNICAS E VOOS DE AVALIAÇÃO COM AS EMPRESAS DO PROJETO F-X2



O Comando da Aeronáutica, em continuidade ao cronograma de seleção dos novos caças multiemprego para a Força Aérea Brasileira (FAB), inicia, a partir de hoje, 30 de março, as visitas técnicas às empresas ofertantes e os voos de avaliação das respectivas aeronaves participantes do Projeto F-X2, cujo objetivo é de verificar aspectos técnicos, operacionais, logísticos e industriais.

Para cumprir tais objetivos e obter maior detalhamento das ofertas apresentadas pelas empresas (aqui listadas em ordem alfabética) BOEING (F-18 E/F SUPER HORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG), serão visitadas e avaliadas instalações industriais e logísticas, oficinas de manutenção, laboratórios de desenvolvimento de sistemas e esquadrões operacionais, bem como as aeronaves oferecidas serão voadas e testadas por pilotos e engenheiros integrantes da comissão de avaliação.

Durante o mês de março, a Gerência do Projeto F-X2 (GPF-X2) reuniu-se com sua equipe e promoveu uma série de esclarecimentos com as três empresas participantes, no intuito de dirimir dúvidas e aprimorar o conteúdo das respectivas ofertas com relação aos requisitos do COMAER, mantendo o foco nos aspectos comerciais; técnicos; operacionais; logísticos; de compensação comercial (Offset), industrial e tecnológica, e de transferência de tecnologia.


Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Poder Naval Online visita a Forbin



O Poder Naval Online e a Alide estiveram hoje pela manhã a bordo da fragata de defesa aérea Forbin, de 6 mil toneladas, da Marinha Nacional da França. O navio está atracado desde o dia 25 no Armazém 8, do cais do Porto do Rio de Janeiro.

Fomos recebidos pelo comandante do navio, capitaine de vaisseau BALDUCCHI, que concedeu entrevista exclusiva e nos apresentou o Centro de Operações de Combate e o passadiço da Forbin.

No dia 3 de março, a novíssima fragata de defesa aérea deixou sua base em Toulon para uma travessia de longa duração (TLD). A missão de cerca de três meses trouxe o primeiro navio de projeto franco-italiano para este lado do Oceano Atlântico. Após uma escala no Marrocos e no Brasil, o navio segue para o Caribe, Estados Unidos e Canadá, a fim de verificar os sistemas do navio em clima frio. A visita da Forbin ao Brasil faz parte da programação envolvendo a Aliança Estratégica Brasil-França e permitiu aos oficiais brasileiros conhecerem as tecnologias presentes nas FREMM, que estão sendo oferecidas à Marinha do Brasil, para substituição de suas escoltas.

Após dois anos de provas de mar, segundo os processos de controle industrial, a Forbin está fazendo sua primeira navegação oceânica de duração significativa, para avaliação operacional.

Segundo o capitão Christophe BALDUCCHI, o navio já foi incorporado à Marine Nationale, mas ainda não atingiu a FOC (Full Operational Capacity). As semanas de navegação através de diferentes climas permitirão testar o navio, a fim de verificar a confiabilidade do seu equipamento. A Forbin está embarcando um helicóptero Panther da flottille 36F e deve retornar à França em meados em maio.

Tecnologia voltada para o combate

Não fomos autorizados a fotografar outras áreas internas do navio, mas podemos dizer que a configuração do Centro de Operações de Combate é realmente impressionante, muito parecida com o do Type 45 da Royal Navy, inclusive o formato dos consoles e disposição dos displays. O COC é muito espaçoso, tomando o convés de boreste a bombordo, com displays em número suficiente para o embarque de Comandantes de Força e seu staff.

O sistema de combate CMS 3.2 (Combat Management System ) usa tecnologia COTS, rodando software dedicado sobre plataforma Unix. O software do CMS inclui 22 módulos em 24 consoles, 10 computadores e 3,5 milhões de linhas de código.

Se o COC do navio for atingido em combate, um mini-COC que fica na popa do navio entra em ação.

Os consoles do CMS são ligados por dois barramentos separados, um em cada bordo, para garantir o funcionamento em caso de avaria.

Nas palavras do comandante, os navios desta classe têm como missão principal atuar como “torres de controle de vôo no mar” ou “AWACS marítimos”, provendo o controle do espaço aéreo para Forças-Tarefa.

A missão secundária é a proteção de unidades de alto valor, contra aeronaves e mísseis. Para isso, pode detectar, localizar, identificar e possivelmente engajar simultaneamente 12 aviões e mísseis antinavio. A Forbin conta com radar tridimensional de longa distância SM1850, um radar multifunção phased array Empar (capaz de rastrear mais de 300 alvos simultâneamente) e uma suíte de guerra eletrônica, incluindo jammers e chamarizes de nova geração.

Para enfrentar as ameaças aéreas, de superfície e submarinas, o CMS e seus operadores têm à disposição 32 mísseis Aster 30 (cerca de 100 km de alcance), 16 mísseis Aster 15 (alcance de 30 km), dois canhões de 76 mm, 8 mísseis anti-navio MM40 Block III e dois tubos lançadores para torpedos anti-submarino MU-90.

A tecnologia empregada é voltada para o combate, baseada nas lições da guerra das Malvinas e a Guerra Irã-Iraque. Ele é capaz de oferecer proteção contra ataques aéreos maciços, de mísseis supersônicos e aeronaves.

Ao perguntarmos qual era a ordem de grandeza da RCS (Radar Cross Section - Seção Reta Radar) do navio e qual a principal vantagem da tecnologia stealth em combate, o capitão Christophe BALDUCCHI nos respondeu que a RCS é dado classificado, mas que sua grande vantagem é ocultar totalmente o navio quando este lança nuvens de chaff, oferecendo alvos alternativos de maior intensidade para mísseis atacantes. A Forbin também tem baixíssima assinatura infravermelha, pois os gases de exaustão das chaminés são tratados.

A fragata suspende amanhã de manhã do Rio de Janeiro e fará exercícios com um navio e um submarino brasileiro.

28 Março 2009

Brasil cede a Moçambique aviões e ajuda em operação de paz



Maputo, 26 mar (Lusa) - O governo brasileiro vai oferecer aviões P-27 à Força Aérea moçambicana e ajudará a criar uma unidade para operações de manutenção de paz no exército de Moçambique, anunciou nesta quinta-feira o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

“Vamos providenciar a transferência do P-27, um avião utilizado no Brasil para treinos militares”, disse Nelson Jobim aos jornalistas, no final de uma audiência concedida pelo presidente moçambicano, Armando Guebuza.

“Verificarei a possibilidade de mandar mais alguns aviões. Estamos a fazer uma mudança na Força Aérea brasileira, estamos a substituir os P-27 pelos Super Tucanos. Com isso, queremos ver quais os aviões que podemos mandar para cá” (Moçambique), disse Nelson Jobim.

O governante brasileiro indicou que, nos próximos dias, dois oficiais e igual número de mecânicos moçambicanos vão deslocar-se ao Brasil para se familiarizarem com o avião que as autoridades de Defesa brasileiras pretendem “transferir para a Força Aérea moçambicana”.

Contudo, a chegada destes aviões depende da aprovação da proposta pelo Congresso brasileiro, destacou o titular da pasta da Defesa do Brasil, que hoje fez uma visita de algumas horas a Moçambique, para estreitar laços de cooperação no domínio da defesa.

Hoje, o ministro da Defesa do Brasil e o seu homólogo de Moçambique, Filipe Nyussi, assinaram um acordo de cooperação que destaca a formação de oficiais moçambicanos na área de pilotagem.

“Firmamos um acordo que fará com que os objetivos se otimizem: Dentro de 30 dias chegará a Maputo um grupo de oficiais brasileiros para começar a implantação de uma unidade de operação de paz no exército de Moçambique”, exemplificou Nelson Jobim.

“Teremos condições de trabalhar durante este período e a dinâmica deste processo já se iniciou. Faremos treinos aqui e, posteriormente, contingentes moçambicanos poderão fazer os treinos no Brasil, mas iniciaremos aqui”, afirmou Nelson Jobim.

Segundo o governante, a unidade de operações de paz no exército de Moçambique, que o Brasil ajudará a estabelecer, será composta por 700 homens, que deverão integrar o contingente de paz na África.

“O objetivo maior é a formação aqui em Moçambique de um contingente de operações de paz que possa servir a África”, disse Nelson Jobim, assinalando que o Brasil opera hoje internacionalmente 1.400 homens, sendo que a sua operação de manutenção da paz está vinculada ao Estado de Haiti, onde estão 1.300 soldados brasileiros.

O ministro da Defesa de Moçambique, Filipe Nyussi, disse aos jornalistas que o protocolo firmado com o seu homólogo brasileiro traduz as necessidades do país.

“Escolhemos áreas fazíveis e, neste caso concreto, foi a área de formação. Sabemos que temos uma academia militar (com uma turma de sete pilotos, que terminará em 2010), que está a formar pilotos e estamos na reta final da formação e os jovens precisam voar”, citou Filipe
Nyussi.

Gilvam defende o reaparelhamento das Forças Armadas



Gilvam Borges (PMDB-AP) defendeu quarta-feira o reaparelhamento das Forças Armadas. Ele afirmou que o Orçamento Geral da União tem de contemplar a modernização do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, onde se verifica “um sucateamento vertiginoso”.

– Essa degradação compromete a segurança nacional – declarou o senador, acrescentando que “há um desprestígio absoluto das Forças Armadas”. Gilvam argumentou que o Brasil, “como líder da América Latina”, não pode deixar de se apresentar como um “porto seguro para a democracia”, especialmente diante das manifestações de chefes de Estado como Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, “que, de certa forma, ameaçam a estabilidade do continente”.

O parlamentar informou que se encontrou terça-feira com o comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto. Foi discutido, disse, o patrulhamento das 200 milhas da costa norte do país, entre outros temas.

Japão se prepara para interceptar foguete da Coreia do Norte



O governo do Japão decidiu destruir restos do foguete da Coreia do Norte que caírem sobre seu território. O lançamento do projétil está previsto para o início do mês de abril.

Tensão entre Coreias



Rodrigo Craveiro

O sul-coreano Keun Oh Park, de 44 anos, mora em Busan — a 420km a sudeste de Seul e uma das mais importantes bases navais dos Estados Unidos. Apesar de trabalhar a poucos metros do porto da cidade, ele contou ao Correio que só soube da chegada dos destróieres USS John McCain e USS Chafee pelos jornais. A poucos dias do suposto lançamento de satélites anunciado pela Coreia do Norte, a escalada da tensão política e militar na Península Coreana não preocupa tanto o reparador de navios.

“Uma guerra seria um cenário muito improvável, mas destruiria vidas e culturas. Não haveria perdedores nem ganhadores”, opinou, pela internet. Ele acredita que, no caso de um conflito bélico, Pyongyang não hesitaria em usar uma pequena bomba atômica contra a Coreia do Norte ou o Japão.

Os destróieres norte-americanos deixaram o porto de Sasebo (no sul do Japão) e se encaminharam a Busan. Providas da tecnologia Aegis, as embarcações têm o diferencial de rastrear e destruir mísseis inimigos. “Eu diria que eles estão prontos para quaisquer contingências”, afirmou à agência de notícias France-Presse Charles Howard, relações-públicas da Marinha. Um terceiro navio de guerra, o USS Curtis Wilbur, permanece ancorado em águas japonesas. Segundo o porta-voz, o também destróier USS Stethem estava pronto para deixar o porto de Aomori (norte do Japão). Nos próximos dias, existe a expectativa de que a Coreia do Sul também mande seu primeiro destróier Aegis — o King Sejong the Great — se juntar à frota norte-americana.

Pyongyang anunciou que pretende enviar um satélite de comunicações ao espaço entre 4 e 8 de abril. No entanto, os Estados Unidos e aliados asiáticos suspeitam que o lançamento envolva um míssil balístico de longo alcance, capaz de atingir o estado norte-americano do Alasca. Os serviços de inteligência dos EUA revelaram que a Coreia do Norte moveram um míssil Taepodong-2 para a plataforma Musudan-ri, na costa nordeste do país. Em Busan, o comerciante Jeongkee Park, de 48 anos, teme a deterioração das relações entre vizinhos. “Até o último governo, sul-coreanos e norte-coreanos haviam feito avanços, como a permissão para o meu povo visitar o Monte KeumKang e a construção da zona livre de comércio em Keseung. Se houver guerra, os dois países serão destruídos”, disse.

Choque de potências

Pequim reage à divulgação de relatório sobre sua capacidade armamentista e aconselha o Pentágono a abandonar mentalidade da Guerra Fria. Documento denuncia tentativa de impedir autonomia de Taiwan



Rodrigo Craveiro
Da equipe do Correio

“Nós sugerimos aos Estados Unidos que respeitem os fatos fundamentais, desprendam-se da mentalidade da Guerra Fria e de seus prejuízos, parem de divulgar relatórios militares como esse e interrompam as acusações sem fundamento contra a China.” O alerta de Qing Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, evidenciou o mal-estar de Pequim pelo fato de o Pentágono ter divulgado o relatório Poder Militar da República Popular da China — 2009. O texto é elaborado anualmente a pedido do Congresso norte-americano.

Ao longo de 78 páginas recheadas de números e mapas, o documento revela: “A curto prazo, as Forças Armadas da China estão rapidamente desenvolvendo capacidades coercitivas com o propósito de impedir Taiwan de perseguir a independência de direito”. De acordo com o texto, a receita do Exército de Libertação Popular mais que dobrou desde 2000 — de US$ 27,9 bilhões para US$ 60,1 bilhões. Algumas autoridades do Departamento de Defesa dos EUA suspeitam que esses números sejam subestimados.

Gang considerou os dados falaciosos e aconselhou Washington a não produzir documentos desse tipo, se quiser evitar “danos adicionais às relações militares entre os dois lados”.

O relatório do Pentágono esclarece que a China tem “melhorado de forma modesta” a transparência de seus temas militares e de segurança. “Mas até (Pequim) começar a ver a transparência menos como uma transação negociável e mais como uma responsabilidade que acompanha o acúmulo de poder nacional, as ideias refletidas nesse texto permanecerão incompletas”, adverte.

Consultado pelo Correio, o historiador chinês Yong Chen, professor da Universidade da Califórnia-Irvine (UCI, pela sigla em inglês), minimizou o impacto do teor do documento e demonstrou preocupação com um incidente envolvendo o navio de vigilância USNS Impaccable e cinco barcos no Mar do Sul da China, no último dia 9. “A embarcação norte-americana foi molestada e os EUA enviaram uma escolta armada. Eu suponho que isso tenha refletido na ideologia de oficiais do Pentágono”, comentou. No entanto, Chen não crê que o episódio sinalize uma política de confrontação. Foi o pior incidente envolvendo os dois países desde 2001, quando um avião espião dos EUA fez um pouso de emergência em Hainan (sul), depois de colidir com um caça chinês. Pequim chegou a deter os 24 tripulantes por 11 dias.

Diálogo

Talvez prevendo uma reação indignada de Pequim, o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, tentou suavizar o conteúdo do documento. “Nós temos defendido um maior diálogo e transparência em nossas questões com o governo e os militares chineses, tudo em um esforço para reduzir as suspeitas de ambos os lados”, afirmou. Para Yong Chen, a crise financeira que assola os EUA e a economia de exportação da China funcionam como um fator de contenção, impedindo que as rusgas saiam do campo diplomático e ganhem a via militar.

Ele lembrou que, além de Pequim depender do mercado norte-americano, a Casa Branca está com as mãos atadas ao Oriente Médio e ao Afeganistão. “É preciso cooperação e assistência da China para os EUA lidarem com a Coreia do Norte e o Irã”, observou. Em meio à mais grave recessão desde a Grande Depressão de 1929, os Estados Unidos não podem se envolver em outra guerra. “Nem o presidente Barack Obama, nem o premiê Wen Jiabao estão interessados em escalar as diferenças”, concluiu Chen.

O documento do Departamento de Defesa dos EUA revela o incômodo da Casa Branca em relação ao programa de mísseis balísticos e de cruzeiro da China, o qual considera o mais ativo do mundo. “Pequim desenvolve e testa mísseis ofensivos, formando unidades de mísseis adicionais, modernizando sistemas de mísseis e desenvolvendo métodos para enganar sistemas de defesa.”

O NÚMERO

US$ 59 bi foi a estimativa do orçamento de defesa chinês para 2008

China contesta teor de relatório militar dos EUA



A China reagiu ontem com fortes críticas ao que considerou "mentalidade de Guerra Fria" do relatório do Pentágono divulgado na véspera que alerta para o rápido crescimento militar do país. Para Pequim, o texto é "grande distorção" e interfere nos seus assuntos internos.

"Exortamos os EUA a largar a mentalidade de Guerra Fria e cessar as acusações infundadas contra a China a fim de não danificar ainda mais as relações bilaterais", afirmou o porta-voz da Chancelaria, Qin Gang.

No documento, apresentado ao Congresso anualmente, o Departamento da Defesa dos EUA diz que a modernização do Exército chinês provoca incertezas na região.

No início desta semana, o Banco Central chinês sugeriu substituir o dólar como moeda de referência internacional. No início do mês, incidente envolvendo um navio americano no mar do Sul da China gerou fortes trocas de acusações.

A China também expressou "grande descontentamento" com a declaração do Congresso dos EUA de "um compromisso indubitável" com Taiwan. Pequim considera a ilha uma Província rebelde.

Fragata estrangeira no Rio de Janeiro

Esta fragata está ancorada no Porto do Rio de Janeiro desde a última quarta-feira, dia 25 de março. Não é possível visualizar da Perimetral nenhuma identificação. Mas pelo que se pode ver, não se trata das fragatas que visitaram recentemente Salvador. Alguém teria alguma informação sobre ela? Desculpem as fotos, mas foram tiradas com um celular, com o carro em movimento na Perimetral e da Ponte Rio-Niterói.

A fragata é relativamente pequena, menor que as da Classe Niterói, da Marinha do Brasil. Teria o tamanho aproximado de nossas corvetas, mas com poder de fogo e detecção de ameaças muito superiores. Na proa pude observar vários lançadores verticais de mísseis e dois canhões, lado a lado, que podem ser vistos em uma das fotos abaixo. Na lateral vimos, também, lançadores de torpedos.

Luiz Maia





26 Março 2009

Caça F-22 despenha-se no Sul da Califórnia



Um F-22, um caça de última geração da Força Aérea norte-americana, despenhou-se ontem numa zona de deserto no Sul da Califórnia. As primeiras informações não davam conta do que teria sucedido ao piloto.

O Pentágono adiantou que o aparelho se despenhou, ao início da manhã (meio da tarde em Portugal) a 56 quilómetros da base Edwards, quando concluía uma missão de treino.

"Estava a bordo um piloto, mas não sabemos nada sobre o seu estado", explicou Richard Johnson, porta-voz da Força Aérea norte-americana.

Fabricado pela Lockheed Martin, o F-22 Raptor é um sofisticado caça furtivo, projectado na década de 1980 para substituir os F-15. Foram encomendados 183 unidades à construtora aeronáutica, de um plano inicial que previa a compra de 750 aviões.

Os seus detractores dizem, contudo, que não está adaptado ao tipo de conflitos de guerrilha em que os Estados Unidos estão actualmente envolvidos, no Iraque ou Afeganistão, e defendem em alternativa a aquisição do F-35, um modelo menos dispendioso e mais versátil.

EUA vão enviar 4.000 militares para treinar exército afegão, diz senador

Carl Levin 'vazou' informação sobre a nova estratégia para o Afeganistão. Obama deve fazer o anúncio formal do plano nesta sexta-feira (27).

com agências internacionais

A nova estratégia dos EUA no Afeganistão deve incluir o envio de mais 4.000 militares para treinar as tropas afegãs, revelou nesta quinta-feira (26) o senador democrata por Michigan Carl Levin.

Esse reforço seria enviado já em junho, disse Levin a jornalistas após um "briefing" que os senadores receberam sobre o plano. O anúncio oficial deve ocorrer nesta sexta-feira.

Na quarta-feira, Obama sugeriu que a revisão da política para o Afeganistão vai enfatizar uma melhor coordenação com outros membros da Otan no combate à insurgência.

Analistas dizem que a estrutura de comando e controle da Otan no Afeganistão é pesada, pois foi pensada para maximizar a representação da coalizão - há cerca de 40 países envolvidos na missão - em vez de priorizar a eficácia militar.

"Estamos confiantes de que podemos criar um processo no qual a Otan, que já é forte, se torne mais forte, onde possamos nos tornar mais efetivos na coordenação dos nossos esforços no Afeganistão", disse Obama a jornalistas.

Obama defende uma nova estratégia multifacetada para o Afeganistão, de modo a impedir que o país se torne um trampolim para ataques do grupo islâmico al-Qaeda nos EUA.

Embora alguns detalhes da estratégia proposta tenham vazado, Obama tem sido muito discreto sobre o que dirá.

EUA ameaçam Coreia do Norte para deter lançamento

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul reúnem-se para analisar situação.
Coreia do Norte promete testar foguete que ocultaria programa de mísseis.


com agências internacionais

A Casa Branca disse nesta quinta-feira (26) que o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte será uma "provocação" e uma "violação de resoluções da ONU".

"Continuamos mantendo o objetivo de ter uma Coreia do Norte desnuclearizada e de trabalhar com nossos aliados para assegurar que isso aconteça", disse o porta-voz Robert Gibbs.

"Nós acreditamos que tal lançamento seria provocativo e uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU."

A reação da Casa Branca ocorre depois da revelação de que a Coreia do Norte prepara-se para lançar um míssil no próximo mês. EUA, Japão e Coreia do Sul suspeitam que o plano de lançamento norte-coreano oculte um teste de um programa de mísseis balísticos.

A Coreia do Norte ameaçou reiniciar sua usina nuclear de enriquecimento de plutônio se os EUA recorrerem à ONU contra o lançamento do satélite. A declaração é do porta-voz da chancelaria norte-coreana e foi divulgada pela agência local KCNA.

Mais cedo, o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, havia dito que a Coreia do Norte corre o risco de enfrentar a condenação internacional ou algo "pior" se seguir com seus planos.

Blair também afirmou a repórteres que o líder norte-coreano, Kim Jong-Il, segue com o controle total do país após se recuperar de um suposto derrame no ano passado e seria irreal esperar que qualquer outra pessoa do país assuma o poder.

O Departamento de Estado norte-americano informou nesta quinta que enviados do Japão, Coreia do Sul e EUA vão se reunir em Washington para consultas sobre a Coreia do Norte, que está com um míssil de longo alcance posicionado para o lançamento.

O porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid disse que ainda não foi finalizada a programação das reuniões, mas que deve haver conversas entre Estados Unidos e os representantes dos outros dois países, separadamente, e também um diálogo informal entre os três.

O lançamento seria um "desafío e uma provocação grave" para a segurança regional da Península da Coreia, advertiu mais cedo o governo da Coreia do Sul depois que fontes do governo dos Estados Unidos e do Japão afirmaram que o foguete norte-coreano já está na plataforma de lançamento.

Apesar das advertências internacionais, a Coreia do Norte anunciou que colocará em órbita um "satélite de telecomunicações" entre 4 e 8 de abril, mas Washington, Tóquio e Seul temem que tudo não passe de um teste de míssil de longo alcance capaz de atingir os estados norte-americanos do Alasca e do Havaí.

O regime comunista de Pyongyang prossegue com a preparação do lançamento, que representaria "um desafio e uma provocação grave", afirmou o porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa, Won Tae-Jea.

"O lançamento pela Coreia do Norte de um foguete de longo alcance seria claramente uma violação da resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU. Pedimos firmemente que renuncie a isto imediatamente", disse Won.

Na quarta-feira, um funcionário do alto escalão do governo americano afirmou que a Coreia do Norte colocou um míssil balístico de longo alcance em uma plataforma de lançamento.

O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que a notícia divulgada pela imprensa japonesa sobre um míssil de longo alcance colocado na plataforma "é precisa".

Segundo a fonte da AFP, trata-se de um míssil Taepodong 2.

Se o lançamento acontecer, será muito difícil determinar imediatamente se é um míssil de longo alcance ou um foguete para colocar em órbita um satélite, já que os dois artefatos são propulsados por lançadores de tecnologia similar.

A Marinha americana já deslocou navios de guerra equipados com sistemas de defesa antimísseis para as costas do Japão.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que está visitando o México, disse que se a Coreia do Norte realmente realizar o teste do míssil, ela sofrerá consequências. Ela qualificou a ação de "provocativa" e disse que os Estados Unidos apelarão às Nações Unidas se houver o lançamento.

A tensão na Península da Coreia aumentou com o anúncio da Coreia do Norte de que lançará um satélite entre os dias 4 e 8 de abril.

O Japão deve acompanhar o lançamento de um míssil, caso ele se confirme, e planeja aprovar medidas para destruir qualquer foguete que rume em direção ao seu território, disse a agência de notícias Kyodo.

Frota de V-22 “groundeada”


A NAVAIR groundeou todos os 73 MV-22s e os 11 CV-22 existentes em seu inventário. Desta vez foi só uma precaução. Após o pouso de uma das aeronaves do USMC, que estava em atividade no Iraque, a tripulação escutou um barulho estranho na nacele do motor e descobriu quatro parafusos soltos. Este parafusos aparentemente prendem uma das peças responsáveis pelo comando do ângulo das pás dos rotores quando a aeronave está no “modo helicóptero”.

Das 76 aeronaves inspecionadas até o momento, outras três apresentaram o mesmo problema com parafusos soltos. Todas elas estava em serviço no Iraque e duas delas já estão prontas para voltar a ação.

A NAVAIR ainda deve inspecionar as aeronaves restantes e a investigação continuará para saber a origem do problema. Nenhuma hipótese foi afastada ainda. Poder ser um problema de projeto, de construção ou manutenção.

A notícia não poderia vir em pior hora para a USAF, cujo programa de introdução dos CV-22 Osprey acabou de adquirir a Capacidade de Operação Inicial (IOC) no dia 19 de Março.

A máquina do tempo da Força Aérea Sueca

No Centro de Simulação da Força Aérea Sueca (FLSC), pilotos, controladores de combate, táticos e tomadores de decisão podem ter uma visão de combates futuros. Futuros conceitos táticos são validados, novos equipamentos são examinados e tudo é submetido a simulações que requerem a participação humana e que ocorrem em possíveis cenários de ameaças.



Carlos Lorch

Quando a Força Aérea Sueca foi para a Operação Red Flag, em julho de 2008, seus pilotos voaram, já na primeira surtida, uma missão de combate. Familiarizar-se com o aeródromo e com as condições da área terminal não foi necessário. Afinal, para que perder tempo com coisas secundárias se eles estavam lá para afiar as garras em vôos contra ameaças virtuais. E não para aprender a voar sobre o deserto de Nevada. Mas como conseguiram pular esta etapa tão comum nas operações combinadas quando a prece de qualquer piloto de caça ao chegar numa operação em país estranho é: “Por favor Deus, não deixe eu fazer nenhuma cag... , principalmente diante dos outros pilotos, e especialmente perto do campo!”?

Simples, a Svenska Flygvapnet possui um moderníssimo centro de simulação aonde preparar pilotos para futuras operações fora de sede é o mínimo que é capaz de fazer.

Localizado em Kista, uma área de escritórios ao norte de Estocolmo, o FLSC - Flygvapnets Luftstridssimuleringscentrum ou Centro de Combate Aéreo Simulado é o tipo de organização que separa as forças aéreas futurísticas das meramente convencionais. É lá que são validados importantes conceitos táticos, onde novos equipamentos são examinados e onde a Força realiza treinamentos e avaliações de alto nível. E baixo custo.

Quando a Força Aérea da Suécia se preparava para implantar o caça Gripen em substituição aos três tipos de Saab Viggen que compunham sua primeira linha de defesa (versões de caça, ataque e reconhecimento), os dados que possuía no que diz respeito ao desempenho de armas e sensores que poderiam equipar o novo avião eram os que estavas escritos pelos fabricantes ou em publicações especializadas. E quem conhece o meio sabe que a tentação de as fabricas esticarem esta ou aquela capacidade de seus produtos é, mais vezes do que não, uma tentação difícil de resistir. O Gripen era uma aposta no futuro da primeira linha de defesa da Suécia. Não podia, em hipótese alguma falhar.

Como os computadores da época já permitiam vôos mais altos, os suecos decidiram que seria interessante validar o desempenho dos equipamentos que iriam comprar para seu novo caça através da simulação digital. E assim foi feito. Inicialmente realizaram testes com os envelopes de combate dos mísseis ar-ar que estavam sendo avaliados para a nova aeronave o que resultou na escolha do AIM-120 AMRAAM de fabricação norte-americana. Fez nascer também toda a nova mentalidade do sistema de compras das forças armadas suecas e que eles chamam de aquisições baseadas em simulação. Mas aquele foi apenas o primeiro passo para um centro de avaliação e estudos que hoje é conduzido por mais de 1.000 pessoas em benefício das Forças Armadas Suecas e de alguns países amigos, na maior parte, também operadores do Gripen. O que começou como um estudo para escolher um míssil cresceu e passou a examinar uma grande variedade de temas, como por exemplo, o combate com mísseis ar-ar, o cenário que interpõe muitos vetores x muitos vetores, e a importância da interação do homem num sistema de redes, entre outros. Para se ter uma idéia da importância do centro, basta mencionar que todos os ensaios em vôo do Gripen foram “voados” ali antes de serem repetidos com a aeronave propriamente dita. Hoje, uma miríade de conceitos são avaliados levando-se em conta dados adquiridos das mais diversas formas – ortodoxas ou não – são alimentados nos diversos computadores e simuladores do Centro para desenvolver a maneira através da qual a Suécia irá adquirir, treinar e operar os seus sistemas de armas.

Filosofia

Abrigado num prédio moderno no qual se nota imediatamente a importância com a segurança, o FLSC passa desapercebido para quem passa pela área onde está localizado. Sua alma é uma grande sala de simulação onde diversas estações virtuais são capazes de treinar as mais variadas tarefas militares. Mas mais importante do que as instalações ou os computadores e simuladores, é a filosofia empregada no Centro. O objetivo inicial do FLSC era o de: “Criar e Treinar Guerreiros” e todas as técnicas e táticas críticas à sobrevivência do estado sueco na área militar foram desde então testados, analisados e aferidos no centro. Na área da Guerra Aérea, estas tarefas vão do exame de como treinar missões, ao treinamento de líderes de esquadrilha, à diversos cenários da guerra BVR, ou além do alcance visual, e o aprimoramento de técnicas de apoio aéreo aproximado e daquelas utilizadas pelos controladores aéreos avançados. Mas o Centro não existe somente para treinar militares. Ele é usado principalmente para desenvolver e melhorar as práticas habitualmente desenvolvidas pelas três forças armadas suecas. E a idéia então é deixar cada participante dos programas do centro realizar sua missão simulada à sua maneira. Se falhar, aprenderá com seus próprios erros que o seu conceito não funciona. E juntamente com seus colegas e a equipe do Centro utilizará sua falha para evitar erros que poderiam se tornar recorrentes. Por outro lado, se determinada técnica ou tática não esperada trouxer excelentes resultados, sua validade será analisada minuciosamente para ser ou não implementada na maneira sueca de combater. No FLSC, os instrutores chamam este conceito de “Torne-se o seu próprio professor”. A simulação permite a análise repetida, em total segurança e a baixíssimos custos. Quando tiveram que modificar sua própria doutrina de guerra, que durante décadas foi dedicada à defesa nacional, tendo como ameaça principal o Império Soviético, em prol de uma nova responsabilidade como integrante de coalizões com a OTAN, o que obrigou, por exemplo, as forças armadas a adotar o enlace de dados comum Link 16, ao invés do link sueco, exploraram e difundiram a nova capacidade no FLSC.

Outra área na qual o Centro traz enormes resultados é no treinamento de equipes que precisarão operar com perfeição juntos. É o exemplo de tripulações das aeronaves reabastecedoras e os pilotos de caça que receberão combustível deles. Ou dos pilotos de ataque e seus controladores aéreos avançados. Ou controladores de vôo - tanto aqueles baseados no solo como os dos aviões de controle e alarme em vôo – e os pilotos dos caças.

Estas simulações permitem, por exemplo, que os pilotos realizem as tarefas dos controladores ou reabastecedores e vice versa dando a cada um uma valiosa noção das dificuldades e capacidades do outro.Um novo comandante que em breve participará de uma operação combinada na função de Mission Commander de uma enorme força aérea multinacional pode, antes de chegar ao seu teatro de operações, realizar várias simulações com qualquer número de vetores evitando erros in loco e com as plataformas voando.

Mas não é somente no FLSC que existem computadores e simuladores treinando as equipes de combate suecas. Redes de simuladores interligados entre si, operam em grandes operações simuladas. Os suecos explicam que o FLSC é na verdade parte de uma família de simuladores. Unidades aéreas suecas podem combater – ou desenvolver táticas - virtualmente a partir de algumas bases ou escolas. Muito em breve, no entanto, o FLSC estará capacitando cada base a voar contra ou em conjunto com seus colegas de outras bases no cenário virtual.

Os técnicos do FLSC, estimam o custo de uma operação simulada de grande porte em torno de 100.000 Euros contra alguns milhões se a mesma manobra tiver que ser realizada com vetores de verdade. Isto significa que o número de manobras de pequeno, médio e grande porte realizadas na Suécia é muito maior do que o que ocorre na maior parte dos países do mundo. Quando partem para suas manobras reais, grande parte do conhecimento secundário e muito, até, do fundamental já foi adquirido pelos combatentes que irão operar suas máquinas e seus sistemas.

O FLSC também é capaz de realizar operações virtuais com centros de simulação em outros países, como por exemplo, nos Estados Unidos. Trata-se de uma capacidade extremamente útil não só para as forças armadas, mas também para a indústria.

Uma Ferramenta Definitiva

A Suécia não pode errar quando o assunto é sua defesa nacional. Seu antigo inimigo em potencial, a União Soviética possuía forças armadas exponencialmente maiores e estavam postadas a meros 15 ou vinte minutos de vôo do território sueco. Por mais que hoje, as relações entre a Rússia e o Ocidente estejam bem mais cordiais, o futuro pode reservar mudanças. O clima geopolítico do norte europeu pode ter esfriado, mas não deixou de existir. Antigas rivalidades podem ressurgir sem aviso e a qualquer momento.

O preparo da Força Aérea Sueca continua entre os mais avançados do mundo, e por mais que hoje, o enfoque do país a está dirigindo na direção da participação em coalizões internacionais, a defesa nacional continua em pauta e atualizada. Possuir uma ferramenta como o FLSC significa que o país realizará suas aquisições militares somente após examinar minuciosamente no computador cada componente desejado. Significa também, que a utilização de seu novo equipamento só se fará quando técnicas de emprego tiverem sido exaustivamente formuladas no mundo virtual. O treinamento das equipagens que utilizarão, controlarão e apoiarão os equipamentos bélicos adquiridos será intenso no simulador antes de passar para a vida real, o que permitirá muito mais tempo “em ação” e a um custo muito mais reduzido. E finalmente, novos horizontes militares poderão ser estudados e desenvolvidos sem que se tenha que mexer uma única peça do seu arsenal militar.

Hoje, o FSLC atende outros clientes além do FOI, a Agência de Defesa Sueca. Seu orçamento é garantido pelo governo, mas novos projetos precisam ser vendidos para obterem aprovação. Cerca de 30% da capacidade operacional do FLSC é destinado à área civil ou a clientes estrangeiros, a maioria dos quais países operadores do Gripen. O uso de tal ferramenta acelera a entrada em serviço da aeronave comprada à Suécia ajudando também os novos clientes a adequarem seu novo avião de combate às suas realidades operacionais, a maioria das quais diferentes daquelas adotadas pela Força Aérea Sueca. A criação de um centro de simulação como o FLSC no país cliente, também é uma possibilidade com a qual os compradores do Gripen podem contar se desejarem. A principal força do Centro, no entanto não está em seus simuladores e computadores, e sim na filosofia com a qual foi montado e vem revolucionando a maneira sueca de adquirir material de defesa, de montar a sua doutrina e de treinar os seus guerreiros para o futuro.

Radar AESA do Gripen NG: Saab assina com SELEX Galileo e mira no F-X2


Nesta quinta-feira, 26 de março, a Gripen International noticiou a assinatura de um acordo entre a Saab e a SELEX Galileo, para desenvolver em conjunto um radar do tipo AESA (Active Electronically Scanned Array - radar ativo de varredura eletrônica) para o programa Gripen NG.

Segundo a notícia, o acordo mira inicialmente no programa F-X2 da Força Aérea Brasileira, e significaria o início de uma esperada colaboração de longo prazo entre as duas unidades de negócio da Saab, a Saab Aerosystems e a Saab Microwave Systems, juntamente com a SELEX Galileo. O radar AESA para o Gripen NG será baseado no atual modelo Vixen AESA da SELEX Galileo.

25 Março 2009

Obama defende expansão da Otan



O presidente norte-americano afirmou que a aliança deve aceitar todos os países que tentem se unir a ela. O secretário-geral da organização respondeu dizendo que Otan e Rússia precisam um do outro.

Reforma de porta-aviões frustra festa de Lula

Ideia era usar o A-12 para ir a reserva do pré-sal, mas ele continua inativo

Roberto Godoy

A festa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer fazer no dia 1º de maio, para marcar o início das operações de extração de petróleo no campo de Tupi, na reserva do pré-sal, não vai ter o cenário espetacular pretendido: o porta-aviões A-12 São Paulo, capitânia da frota da Marinha, está em reforma, depois de sofrer um incêndio em maio de 2005. A operação de recuperação, inicialmente limitada ao reparo do dano causado pelo fogo, deveria terminar em 90 dias, eventualmente seis meses.

Passou por modificações, virou programa de atualização parcial e teve os recursos de caixa congelados várias vezes. Com tudo isso, a operação já dura quatro anos. O Comando da Marinha não revela quanto terá gasto até o fim da longa revisão.

O Palácio do Planalto planejava reunir, talvez, 250 convidados, levados pelo porta-aviões, até bem perto da plataforma da Petrobrás, a 300 km do litoral. O grupo seria recebido no hangar de bordo, um salão com 180 metros de comprimento e 7 metros de altura. Não deu certo. Outras possibilidades foram consideradas, como o uso de navios de transporte militar. Todavia, garante uma fonte do cerimonial da Presidência, deve prevalecer a fórmula conservadora: Lula e pequeno grupo vão até o campo, cumprem o ritual e só depois comemoram, no Rio.

De volta ao mar em três meses, o retorno do porta-aviões às operações navais vai exigir longo período de testes e de treinamento. Um ano, no mínimo, só para qualificar a tripulação, de acordo com a estimativa de um ex-comandante da Marinha. E ainda pode haver surpresas, como a ocorrida no ensaio de máquinas. A vibração em um eixo provocou a troca da peça - e o alongamento no tempo de permanência no estaleiro. A retomada das atividades da aviação embarcada é incerta. O A-12 está sem seus aviões, os caças subsônicos AF/1/A1 Skyhawk. Foram compradas 23 unidades, usadas, no Kuwait, no ano 2000, por US$ 70 milhões. Com o orçamento contingenciado e sem poder investir na revitalização dos jatos, a Marinha desativou as aeronaves gradativamente. Em março de 2008 apenas duas tinham condições de voo. No mês passado, só uma.

O almirante Júlio Moura Neto, comandante da Força, espera assinar em abril o contrato de modernização com a Embraer. Até o fim de 2014, 12 AF-1/A1 terão passado pelo procedimento. O custo de referência é de US$ 60 milhões. Toda a eletrônica será atualizada. Os caças poderão atuar com bombas guiadas.

ACIDENTE

Morreram 3 tripulantes no acidente que imobilizou o navio. Outros 10 ficaram feridos. Veterano da guerra da Bósnia e dos conflitos do Oriente Médio - quando ainda era o Foch, da esquadra da França -, o A-12 tem 49 anos. Pode lançar 15 jatos, com canhão de 20mm e mais 4,5 toneladas de mísseis, bombas ou foguetes livres. Garante, também, o controle do mar com largos helicópteros caçadores de submarinos, recheados de sensores e bem armados.

Essa condição ideal nunca foi atingida no porta-aviões brasileiro, grande como dois campos e meio de futebol.

Sem navio há quatro anos, os pilotos brasileiros treinam em terra, simulando na pista de asfalto de São Pedro da Aldeia, no litoral do Rio.

O porta-aviões revitalizado será um navio melhor. No Arsenal da Ilha das Cobras, no Rio, pelo menos 20 diferentes obras foram desenvolvidas, da revisão dos motores até a instalação do sistema Mage, de medidas de apoio à guerra eletrônica. Ganhou piso novo, não derrapante, no convés. E, sem confirmação, teria recebido sistemas de defesa com performance expandida.

O Skyhawk voa a 1.100 km/hora e tem alcance de 3.220 km. Os pilotos não decolam exatamente do porta-aviões: com a turbina no limite máximo, são disparados por catapultas a vapor que aceleram da imobilidade até além de 260 km/hora em pouco mais de 200 metros.

EMBRAER Confirma Venda de 24 Aviões Super Tucano para o Equador

Aeronaves serão utilizadas para treinamento e patrulhamento de fronteiras


São José dos Campos, 23 de março de 2009 – A Embraer confirma a assinatura de um acordo com a Força Aérea Equatoriana (FAE) para a venda de 24 aeronaves turboélice Super Tucano, com efetivação do contrato no ano passado. Os aviões, todos configurados como bipostos, serão utilizados em missões de vigilância de fronteiras e treinamento de pilotos. O início das entregas está previsto para o final de 2009.

“Estamos muito honrados em expandir nosso relacionamento com o Governo do Equador, país que opera diversos modelos de aeronaves da Embraer”, disse Orlando José Ferreira Neto, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo. “O Super Tucano é a aeronave ideal para executar missões de vigilância e treinamento e estamos certos que atenderá plenamente às necessidades da Força Aérea Equatoriana. Com este acordo, atingimos a marca de 169 aviões Super Tucano vendidos.”

A relação entre a Embraer e o Governo do Equador vem se estreitando ao longo dos últimos anos. A companhia aérea estatal TAME Línea Aérea del Ecuador opera atualmente dois jatos EMBRAER 170 e três EMBRAER 190. Em setembro de 2008, a Embraer entregou um jato ERJ 145, de 50 assentos, à empresa estatal Petroecuador, que utiliza a aeronave para transportar empregados entre as unidades da empresa no país, e, em dezembro, a FAE recebeu um jato Legacy 600, com capacidade para 13 passageiros.

O acordo com a FAE inclui um amplo pacote de Suporte Logístico Integrado (Integrated Logistic Support – ILS) e um avançado sistema de treinamento e apoio à operação (Training and Operation Support System – TOSS), abrangendo não somente a aeronave, como também estações de apoio em solo e um simulador de vôo (Flight Simulator - FS).

Este é o quarto contrato de exportação que a Embraer assina para fornecer aeronaves Super Tucano para uma força aérea da América Latina. Em agosto de 2008, a Empresa anunciou acordo com a Força Aérea Chilena (FACh) para a venda de 12 aeronaves e, no início deste ano, confirmou a venda de oito unidades para a Força Aérea da República Dominicana. O Super Tucano opera atualmente nas Forças Aéreas do Brasil e da Colômbia, sendo utilizado com sucesso na vigilância de fronteiras e em outras missões operacionais.

Sobre o Super Tucano

O Super Tucano constitui uma inovadora evolução do bem-sucedido avião de treinamento básico Tucano, que conta com cerca de 650 unidades em serviço em 15 forças aéreas no mundo inteiro.

O Super Tucano foi projetado para operar nos cenários mais complexos de combate, incluindo a funcionalidade de visão noturna, armamento inteligente e tecnologia de enlace de dados (data link, em inglês). Além de uma estrutura reforçada para operações em pistas não preparadas, o Super Tucano conta com um avançado e preciso sistema de navegação e pontaria de armas que lhe garante alta precisão e confiabilidade na realização de missões, mesmo em condições extremas e sem apoio logístico.

A fabricação da aeronave prossegue em ritmo acelerado em uma linha de produção ativa e flexível, condizente com a capacidade da Embraer de atender as necessidades de seus clientes e entregar aeronaves em prazos curtos. Um item muito importante para o ciclo de vida operacional da aeronave é a existência de um sistema amplo, eficiente e confiável de suporte logístico distribuído pelo mundo, apoiando aeronaves que voam em cinco continentes.

No segmento de Defesa e Governo, tal sistema apóia 650 aviões Tucano, 250 Bandeirante e várias outras aeronaves em mais de 20 forças aéreas. Em termos da aviação comercial, a Embraer fornece suporte para mais de mil jatos regionais da família ERJ 145 e 500 E-Jets (família de jatos com capacidade para 70 a 122 assentos) no mundo.

EMBRAER Entrega Jato PHENOM 100 à Força Aérea do Paquistão

Governo paquistanês encomendou quatro aviões para transporte de autoridades


São José dos Campos, 25 de março de 2009 – A Embraer entregou ontem, na sede da Empresa, em São José dos Campos, o primeiro jato Phenom 100 à Força Aérea do Paquistão. O governo paquistanês adquiriu um total de quatro aeronaves desse modelo, a serem utilizadas para o transporte de autoridades daquele país. Esta encomenda já está incluída na carteira de pedidos firmes a entregar da Embraer referente ao quarto trimestre de 2008.

“É uma honra para a Embraer ter a confiança do Governo do Paquistão para operar nossos produtos”, disse Orlando José Ferreira Neto, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo. “O Phenom 100 é uma excelente aeronave que atende aos mais variados requisitos de transporte e, seguindo o caminho aberto pela Força Aérea do Paquistão no mercado internacional, percebemos crescente interesse por este modelo em várias outras regiões.”

Esta é a primeira aeronave da Embraer entregue para um cliente no Paquistão e também o primeiro Phenom 100 a ser operado por um governo. A Força Aérea do país optou pelo modelo após uma análise detalhada, que levou em consideração aspectos como desempenho, conforto, tecnologia, preço de aquisição e custo operacional, entre outros.

O jato Phenom 100 tem capacidade para até oito ocupantes. Com alcance de 2.182 km (1.178 milhas náuticas), incluindo reservas de combustível NBAA IFR, é capaz de voar de São Paulo para Montevidéu (Uruguai) ou de Islamabad (Paquistão) para Karachi (Paquistão) ou Katmandu (Nepal) sem escalas. O jato foi certificado em dezembro de 2008 e confirmou ser o mais rápido e com a maior capacidade de bagagem da sua categoria. O Phenom 100 tem uma avançada cabine de pilotagem e possui um lavatório traseiro privativo como alguns de seus diferenciais competitivos.

Coreia do Norte posiciona míssil em plataforma de lançamento, diz agência


A Coreia do Norte já posicionou, nesta quarta-feira, o míssil militar Taepodong-2 em uma plataforma de lançamento na sua costa leste, no primeiro sinal efetivo de preparação para o lançamento de um satélite de telecomunicações anunciado para entre 4 e 8 de abril deste ano, informa a agência japonesa Kyodo. O lançamento é criticado por Estados Unidos e Coreia do Sul como disfarce para o teste de um míssil de longo alcance que poderia atingir até mesmo o Alasca.

A informação não foi confirmada pelo Pentágono. "Eu não posso comentar assuntos de inteligência específicos", disse o coronel americano Gary Keck, porta-voz da instituição.

A Coreia do Norte anunciou em fevereiro sua intenção de lançar um satélite de telecomunicações. Em 1998, Pyongyang já havia provocado atritos com Tóquio ao disparar um foguete -- que disse ser um satélite -- que passou sobre o território japonês e caiu no Pacífico. Em 2006, o regime lançou um míssil Taepodong 2 que explodiu no ar menos de um minuto após o lançamento.

O diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, afirmou no início deste mês, contudo, que tudo indicava que a Coreia do Norte vai efetivamente lançar um satélite.

Os poderes regionais e os EUA afirmam que o lançamento norte-coreano é uma violação da sanção do Conselho da ONU (Organização das Nações Unidas) que proíbe o país de fazer testes balísticos.

Analistas apontam que a Coreia do Norte precisa sete a dez dias para se preparar para o lançamento de míssil. Com o míssil na plataforma de lançamento, os satélites espiões internacionais podem acompanhar o lançamento.

Pyongyang afirmou em 24 de março passado que qualquer tentativa do Conselho de Segurança da ONU de interceptar o lançamento do satélite iniciará uma guerra e será o passo efetivo para o fim das conversas internacionais pela desnuclearização do país.

Com agências internacionais

Israel admite ter matado 189 crianças e jovens durante ofensiva em Gaza


A Força de Defesa israelense (IDF, na sigla em inglês) admitiu nesta quarta-feira ter matado 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos, durante a recente ofensiva militar contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza. Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, 1.434 palestinos foram mortos, incluindo 960 civis, 239 policiais e 235 militantes.

O relatório do Exército israelense aponta ainda que 600 militantes palestinos do Hamas morreram durante a operação militar de 22 dias, entre dezembro e janeiro -- incluindo os policiais que foram mortos em um bombardeio no primeiro dia da ofensiva, durante a parada de graduação da academia, em Gaza.

A lista inclui ainda 320 mortos descritos como "não filiados" -- o que significa que a IDF não sabe dizer se eles são ou não militantes -- e outros 14 membros do partido laico Fatah, rival do Hamas, que foram executados pelo grupo palestino durante a ofensiva.

A lista, preparada pela diretoria da IDF responsável pela faixa de Gaza, foi divulgada em reportagem do "Haaretz", dias depois do jornal israelense publicar uma série de reportagens com relatos de soldados que denunciam assassinato de civis inocentes, vandalismo, além de um bilhete que ordena ataques a equipes médicas e a campanha dos rabinos do Exército para transformar a operação em uma "guerra santa".

No total, as forças israelenses contabilizam 1.370 mortes, contra as 1.434 do Centro Palestino de Direitos Humanos. Segundo o "Haaretz", a IDF identificou 1.249 vítimas da lista apresentada pela entidade palestina.

O grupo de vítimas listada pela Força de Defesa de Israel inclui ainda 91 mulheres e 21 idosos que não estavam envolvidos no combate, além de seis trabalhadores da agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para refugiados palestinos e dois médicos de equipes de resgate.

Conquista

O militar Yoav Galant, do Comando do Sul das IDF, afirmou à Radio Army que o saldo "baixo" de mortes de civis foi sem precedentes ao se considerar o tipo de confronto, no qual o Exército de Israel entrou em cidades e áreas populosas da faixa de Gaza -- um território de cerca de 360km¦ no qual vive 1,5 milhão de palestinos.

"Este saldo de [civis] não envolvidos [no confronto] é uma conquista para a qual não há exemplos na história das campanhas militares, não apenas em Israel, mas em todo o mundo", disse Galant, em citação reproduzida pelo "Haaretz".

O militar afirmou ainda que a ofensiva contra o Hamas -- considerada um fracasso pela população israelense já que não interrompeu os ataques de foguetes contra Israel, objetivo declarado da operação -- melhorou significativamente o desempenho de Israel.

"A guerra teve um efeito de longo alcance não apenas na arena da faixa de Gaza, mas também em nossos vizinhos que compreendem que a IDF é capaz de fazer o que fez aqui em outros lugares também", disse Galant.

Massacre

O relatório da IDF não aborda, contudo, os recentes relatos de soldados israelenses que participaram da ofensiva. Na semana passada, o jornal publicou relato de um comandante da Força de Defesa que denunciou que rabinos do Exército disseram às tropas que lutavam na ofensiva militar que o confronto era uma "guerra religiosa" contra os pagãos.

"A mensagem deles era bem clara: nós somos judeus, nós viemos para esta terra por um milagre, Deus nos trouxe de volta a esta terra, e agora nós precisamos lutar para expulsar os pagãos que estão interferindo na conquista da terra santa", disse o comandante, citado pelo jornal.

O relato de Ram, um pseudônimo para proteger a identidade do militar, vazou de um encontro no dia 13 de fevereiro entre membros das Forças Armadas, estudantes do curso preparatório de soldados de Yitzhak Rabin, que compartilharam suas experiências em Gaza.

Alguns veteranos, formados na academia militar, falaram sobre o assassinato de civis inocentes e de suas impressões de desprezo profundo aos palestinos dentro das forças israelenses. "A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense.

O diretor da instituição, Danny Zamir, confirmou ao jornal israelense que os relatos são autênticos.

O jornal publicou ainda informação de que um palestino encontrou uma instrução, escrita a mão e em hebraico, que indicava aos soldados israelenses a atacar equipes de resgate durante a ofensiva.

"Regra de engajamento: Abrir fogo também contra pessoal de socorro" era o texto que estava escrito em uma folha de papel encontrada em uma das milhares de casas palestinas tomadas pela Força de Defesa israelense em Gaza.

A denúncia inclui ainda uma reportagem do jornal britânico "The Guardian" que traz "provas documentadas" do uso de crianças palestinas como escudo humano e os ataques diretos contra médicos e hospitais. O jornal diz ter encontrado provas dos ataques feitos contra civis por aviões não tripulados que, segundo o jornal, são tão precisos que seu piloto pode distinguir até a cor da roupa de um possível alvo.

21 Março 2009

Colômbia cede bases aos EUA, diz jornal


DA REDAÇÃO

Os EUA vão operar a partir de bases militares colombianas para voos sobre o Pacífico, informou ontem o jornal "El Tiempo", de Bogotá. As bases serão usadas em substituição à de Manta, no Equador, de onde os EUA terão que se retirar até novembro deste ano.

"As instalações de Manta, como tal, não serão transferidas para a Colômbia. O que está definido é que os EUA planejam vigiar o que se move no Pacífico a partir de várias bases colombianas", disse o jornal, próximo ao governo de Álvaro Uribe.

A Colômbia é a principal aliada na América do Sul dos EUA, que desde 2002 financiam o Plano Colômbia, de combate ao tráfico e à guerrilha. Ontem, o vice-presidente Francisco Santos opinou que o plano "não é mais necessário", mas ressaltou que não é o que pensam Uribe nem o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.

No sábado, em Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter avisado ao colega americano, Barack Obama, que proporá a criação de um conselho de combate ao narcotráfico na América do Sul. Lula disse que a ideia surgiu a partir de uma conversa com Uribe e defendeu que a região não fique "dependendo da ingerência de ninguém".

Futuro de caça sueco depende de parcerias


IGOR GIELOW

DO ENVIADO À SUÉCIA

A Suécia aposta no marketing de inovação tecnológica e na parceria entre sua indústria e a Embraer na atual fase de negociações do F-X2. "Precisamos de parcerias.

Só os EUA podem fazer sozinhos desenvolvimentos no futuro. A Suécia tem o histórico de inovação e tem interesse em desenvolver tecnologias conjuntas com países como o Brasil e a Índia", disse o presidente da Saab, Ake Svensson, citando dois países em que o Gripen foi apresentado em competições. Sem esses dois contratos, o futuro do Gripen está ameaçado, já que um potencial parceiro importante, a Noruega, descartou o avião recentemente, assim como a Holanda deverá fazer.

Para mostrar comprometimento, o governo sueco colocou cerca de US$ 40 milhões no Gripen NG este ano, mas o montante é insuficiente. A meta atual é substituir a frota de modelos A/B, a primeira geração do avião, pelos mais atuais C/D até 2014 - daí para frente, o programa NG (de nova geração) é uma incógnita.

Svensson usa como exemplo de parceria o desenvolvimento do R-99A, o avião-radar de alerta antecipado que a Embraer forneceu à FAB a partir de 2002. Operando na região amazônica, o R-99A usa um radar sueco, o Erieye, que hoje é feito pela Saab.

Em sua proposta comercial, os suecos tentam vender a ideia de que é possível repetir na indústria Aeronáutica brasileira algo do modelo dos 13 parques de ciência que o país tem. Reunidos em torno de uma empresa forte e uma comunidade acadêmica, esses parques têm incentivo oficial para incubar empreendimentos pequenos e médios que podem vir a ser fornecedores de tecnologia.

O jornalista IGOR GIELOW viajou à Suécia a convite da Saab

Boeing usará Obama em disputa da FAB

Compra de caças faz concorrente americano levar negócio ao encontro de hoje entre Lula e democrata


IGOR GIELOW

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A briga de foice das três concorrentes ao fornecimento de 36 novos aviões de combate à Força Aérea Brasileira entrou numa nova etapa, em que todos tiram suas cartas da manga. Delegações visitam o Brasil desde a semana passada, e os americanos levaram a questão para o encontro de hoje entre os presidentes Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva.

O negócio é estimado em US$ 2 bilhões, mais o mesmo valor em compensações tecnológicas e comerciais (offset), fora a promessa de uma parceria de mais de 30 anos. Nos bastidores, contudo, o temor de que a crise e o antagonismo entre Ministério da Defesa e FAB cancelem a disputa dá o tom.

A FAB começou a ouvir os finalistas, pedindo explicações adicionais à resposta dada por eles ao RFP (solicitação de proposta, na sigla inglesa) do chamado projeto F-X2. Além de esclarecer dúvidas estritamente militares, a FAB pediu mais detalhes sobre o offset. Todos os concorrentes já assinaram memorandos com as principais empresas aeronáuticas brasileiras sobre formas de capacitá-las. Para a Embraer, sob pressão devido à demissão de 20% de seu quadro, tais ganhos podem ser mais significativos.

A americana Boeing foi a primeira a desembarcar, com seu presidente para a área de Defesa, Jim Albaugh, e 22 empresários ligados ao seu produto, o F-18. Albaugh afirmou à Folha que iria "garantir" ao governo que não haveria vetos de transferência tecnológica, embora concorde que seja impossível garantir eternamente, já que o Congresso e a Presidência dos EUA podem mudar de ideia.

"Não tivemos problemas nos acordos no passado, não teremos aqui." Os argumentos da Boeing para rebater o temor político passam por um histórico de US$ 29 bilhões de contratos de offset com 38 países.

Mas a carta principal não foi jogada no Brasil. O Departamento de Estado foi informado sobre detalhes da proposta da Boeing para que o tema fosse abordado no encontro de hoje –não necessariamente por Obama, mas por seu time.

Os suecos da Saab apresentaram nesta semana os detalhes requeridos pela FAB sobre o seu Gripen, e apostam no que consideram ser o maior trunfo: o fato de a versão oferecida ser um avião em desenvolvimento, o que em tese permite maior participação nacional.

Semana que vem é a vez dos até aqui favoritos, os franceses da Dassault, com o Rafale. Levarão 42 empresários para visitas à comissão que cuida do F-X2, em São José dos Campos (SP). Na semana passada, foram quase 200 encontros entre empresários franceses e brasileiros na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), para acentuar a ideia do F-X2 como um negócio que ultrapassa o caça em si. "Temos o que ninguém tem: total controle sobre a tecnologia do avião, e autorização para transferi-la", disse Jean-Marc Merialdo, diretor da Dassault no Brasil.

Nos contatos extraoficiais, contudo, a preocupação maior é com o destino político do F-X2. A declaração do ministro Nelson Jobim (Defesa) de que aceitaria examinar propostas de concorrentes eliminados pela FAB em etapa posterior à seleção até agora não foi digerida por alguns oficiais. A Defesa, porém, disse que nada muda.

Ao receber jornalistas brasileiros em Estocolmo, o presidente da Saab, Ake Svensson, foi questionado pela Folha sobre isso. "Seria injusto mudar as regras." Com tudo isso e sob a sombra da incerteza da crise, as cartas parecem embaralhadas. A novela, iniciada em 2001, ainda terá vários capítulos.

Caças procuraram intimidar o piloto

Apesar de lei do abate, há indefinição sobre quem responderia pelo ato

Tânia Monteiro e Roberto Godoy

Desde o momento que a Força Aérea Brasileira acionou o Mirage e o Tucano para seguir o avião roubado em Luziânia, a intenção era apenas intimidar o piloto e persuadi-lo a colocar o avião no solo.

Apesar de o Brasil dispor da chamada lei do abate, em vigor desde outubro de 2004, militares consultados pelo Estado alegam que, dificilmente, alguém determinaria ou até mesmo cumpriria uma ordem de derrubar uma aeronave, ainda que roubada, que transportava uma criança de 5 anos sequestrada.

Esse episódio acabou reacendendo a polêmica sobre a necessidade de se dar respaldo jurídico ao piloto que teria de responder judicialmente por esse tipo de ato. Para oficiais, o fato de ter uma criança a bordo descartou qualquer possibilidade de o avião ser abatido, principalmente por causa da falta de uma definição da responsabilização penal sobre o ato, uma vez que as críticas seriam inúmeras e de repercussão internacional.

O avião, teoricamente, só seria abatido se ele, em vez de rumar para Goiânia, tivesse se dirigido para Brasília, seguindo determinação do Comando da Aeronáutica. O monomotor com Silva foi monitorado desde o sequestro até a queda pelos radares do Cindacta-1 e acompanhado por caças da FAB.

Silva por muito pouco não invadiu o espaço aéreo mais sensível do País, o do Distrito Federal. A defesa desse bloco é feita pelo 1º Grupo de Defesa Aérea, o GDA, da base de Anápolis, com os supersônicos Mirage 2000C, franceses. Ali, a rotina é tensa. Em um hangar na cabeceira da pista há sempre um caça abastecido, armado e pronto para decolar em no máximo três minutos. O piloto permanece em um alojamento, distante não mais de 10 metros, vestido com o macacão de voo. Quando soa a sirene, o oficial dispara em direção ao avião. A missão só é conhecida quando ele estiver em procedimento de subida.

Na quinta feira foi assim. O homem a bordo do Mirage - um dos 12 do 1ºGDA - com certeza levando um ou dois mísseis e canhão de 30 milímetros, recebeu as coordenadas e os dados referentes ao procedimento errático do monomotor. Muito rapidamente foi informado do roubo da aeronave. De rotina, tentou contato com o piloto. A essa altura já estava secundado pelo T-27 Tucano, armado com metralhadoras. A prioridade era impedir que se lançasse o Tupi contra um prédio ou, pior, se tomasse a direção da capital.

Aeronáutica vai participar de projeto de avião


ROBERTO GODOY

O Comando da Aeronáutica (Comaer) anunciou ontem que vai participar do desenvolvimento do cargueiro militar KC-390, da Embraer. A assinatura do contrato está prevista para 15 de abril, no Rio, na feira aeroespacial e de defesa, a LAAD. De acordo com o porta-voz da Força, Brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, "o projeto poderá elevar o Brasil à posição de destaque como fabricante de aeronaves de grande porte para apoio logístico". O investimento inicial é estimado entre R$ 52 milhões e R$ 60 milhões. A fase de projeto vai durar seis anos. O programa completo exigirá cerca de US$ 500 milhões.

Golpe na caserna


Leandro Mazzini

O TCU condenou Basílio Adada, ex-encarregado do setor financeiro no 33º Batalhão de Infantaria Motorizado em Cascavel (PR), ao pagamento de R$ 12.300,83, por prejuízos causados ao Fundo do Exército. Em vez de depositar na conta do Fundo, ele apropriou-se do dinheiro.

19 Março 2009

Caça seguiu avião para evitar ataque a Brasília

FAB agiu contra suspeita de ataque terrorista ou atentado suicida a Planalto ou Congresso

Evandro Éboli

BRASÍLIA. O avião Mirage 2000 destacado pela Aeronáutica para procurar o monomotor roubado em Luziânia tinha a missão de fazer a defesa do espaço aéreo de Brasília e impedir que a aeronave chegasse à capital federal.

O receio era de um ataque terrorista ou um atentado suicida. Após a informação do roubo, o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra) acionou a Base Aérea de Anápolis (GO), que enviou um caça do 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA). O piloto decolou sem orientação e somente durante o voo foi comunicado da missão.

Monomotor não chegou a sobrevoar Distrito Federal

A Base de Anápolis tem como incumbência principal vigiar o espaço de Brasília, sede do governo federal e do Congresso. Por ser um caça muito rápido, o Mirage foi deslocado de imediato para interceptar o avião, caso tentasse seguir esse destino, o que não ocorreu: o avião saiu de Luziânia e seguiu direto para Goiânia.

A Aeronáutica divulgou o áudio do momento em que o Comdabra fazia o contato com o piloto do caça, identificado apenas como YGQ, por questão de segurança. Ele já havia decolado. O controlador passou as primeiras instruções:

- Nós temos uma aeronave roubada na localidade de Luziânia. A missão é fazer procura baixa, na posição que está sobrevoando no momento.

- Ciente - diz o piloto.

- Informação estimada da aeronave: uno sete zero milhas de Anápolis.

Aeronave pequeno porte, velocidade em torno de 160 nós - avisa o comando.

Jobim acompanhou toda a ação da Aeronáutica

Depois que a FAB certificou-se de que o monomotor não seguiria para Brasília, mas para Goiânia, o caça foi substituído por um Tucano T-27, mais adequado para seguir o monomotor. O Mirage foi considerado veloz demais para a missão e, depois, permaneceu em alerta, sobrevoando Brasília, num escudo de proteção. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi comunicado da ação e acompanhou todos os passos.

O Comando da Aeronáutica, por questão de segurança nacional, não informou detalhes da operação, como, por exemplo, quanto tempo levou para que o radar do caça localizasse o avião roubado. Segundo a Aeronáutica, neste caso, não poderia ser aplicada a Lei do Abate, que vigora no Brasil desde 2004, mas que só é utilizada para interceptar aviões suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas. Não se explicou o que o Mirage teria feito se a intenção do piloto fosse atingir o Palácio do Planalto ou o Congresso.

Medvedev ordena rearmamento em grande escala do Exército russo

Segundo presidente russo, há potencial de um conflito sério no mundo.

Ele acusou a Otan de seguir sua expansão até as fronteiras do país.


com agências

O presidente russo, Dmitri Medvedev, acusou a Otan de seguir sua expansão até as fronteiras russas e ordenou um rearmamento em grande escala das forças do país, incluindo a renovação do arsenal nuclear a partir de 2011, anunciaram as agências russas.

"A partir de 2011 será iniciado um rearmamento em grande escala do exército e da marinha", declarou Medvedev em uma reunião com comandantes militares em Moscou, segundo as agências.

"A análise da situação político-militar mostra que existe o potencial de um conflito sério em algumas regiões, alimentado pelas crises locais e as tentativas incessantes da Otan de desenvolver sua infraestrutura militar perto das fronteiras de nosso país", explicou.

"A principal tarefa é aumentar a preparação para o combate de nossas forças, antes de mais nada a de nossas forças estratégicas nucleares. Devem ser capazes de cumprir com todas as tarefas necessárias para garantir a segurança da Rússia", completou Medvedev.

Qualidade

Medvedev colocou a tarefa de aumentar qualitativamente a preparação combativa das Forças Armadas russas e, em primeiro lugar, das forças nucleares estratégicas.

"Estas devem ser capazes de cumprir plenamente todas as tarefas para garantir a segurança militar da Rússia", disse. Acrescentou que, entre as tarefas prioritárias para a modernização qualitativa das Forças Armadas do país, destaca-se a de fazer com que todos os agrupamentos e unidades militares estejam em alerta permanente.

"Um Exército moderno, bem treinado e equipado com novíssimo armamento é a garantia de nossa segurança, de nossa defesa em qualquer agressão potencial", disse Medvedev, acrescentando que é também a "condição básica" do desenvolvimento da Rússia e de sua economia, e do bem-estar de seu povo.

O chefe do Estado russo anunciou que, em breve, o Conselho de Segurança da Rússia adotará a estratégia de segurança nacional do país até 2020. Medvedev acrescentou que uma das principais tarefas da modernização das Forças Armadas é "a otimização da estrutura e da quantidade de efetivos do Exército".

O presidente russo se pronunciou a favor do aperfeiçoamento do sistema de educação militar e ressaltou que a rede de estabelecimentos de ensino militares deve se adequar às necessidades reais de oficiais do Exército

Com blindagem de 6 toneladas de aço, material radioativo é transportado em C-130


A pedido do IPEN (Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares), uma aeronave C-130 do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte transportou, na semana passada, aproximadamente, 40 quilos de Cobalto 60, que é material radioativo, normalmente não transportado em aeronaves comerciais

Em função de decisão judicial, o material que se encontrava nas instalações de uma empresa, na cidade de Manaus, sem utilização, foi obrigado a ser removido. Coube ao 1º/1º GT a remoção do material de Manaus para São Paulo ao IPEN. O transporte seguiu estritamente as normas internacionais de segurança, sendo supervisionado por engenheiros do instituto.

O Cobalto foi envolvido numa blindagem de aço inox que pesava seis toneladas e acondicionado num acoplado de dois pallets e durante todo o vôo o material foi monitorado quanto a níveis de radioatividade.

Avião da FAB transporta órgãos para quatro transplantes em SP

Na luta contra o tempo, avião VU-35, com tripulação do GTE, decolou da capital federal levando dois rins, um fígado e um pâncreas, em benefício de pacientes na fila de transplantes do Sistema Único de Saúde



Segundo a segundo. Minuto a minuto. Contra o espaço ínfimo que separa a esperança da frustração, voou, no último domingo, a jato a aeronave VU-35 da Força Aérea Brasileira, pertencente ao Grupo de Transporte Especial (GTE), com uma carga especial. O avião transportou da capital federal para São Paulo dois rins, um pâncreas e um fígado, para serem transplantados em quatro pacientes internados no Hospital Beneficência Portuguesa, à espera na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Os órgãos foram retirados de um paciente com morte encefálica na cidade de Rio Branco (AC).

Como não há voo comercial direto da capital acreana para São Paulo, a equipe médica que conduzia os órgãos ficaria pelo menos três horas no aguardo de um novo voo. Foi para evitar essa situação que a aeronave da FAB decolou para a capital paulista.

De acordo com o médico Leonardo Toledo Mota, profissional encarregado dos transplantes daquela unidade de saúde, o apoio da aeronave da FAB foi fator muito importante para a realização dos transplantes. “Em casos assim, o tempo é fundamental para o sucesso da cirurgia. Agora, a equipe de transplantes tem uma margem de tempo de segurança para a realização dos procedimentos”, disse o profissional. O Lear Jet da FAB chegou a São Paulo às 8h10, no tempo da urgência, da pressa necessária, que tanto diminui a possibilidade de frustração como aumenta muito a da esperança pela vida.

Brasil é o 12º país do mundo que mais investe em defesa



O Brasil é o 12º país do mundo que mais investe na área de defesa, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto argentino Centro de Estudos Nova Maioria (CENM), à qual a BBC Brasil teve acesso nesta quarta-feira.

Os dados do documento, chamado "Balanço Militar da América do Sul 2008", mostram que o Brasil gastou US$ 20,7 bilhões na área de defesa durante o ano de 2007.

Este montante representa mais da metade (53%) do total gasto no setor pelos 12 países-membros da Unasul (União dos Países da América do Sul) no mesmo período.

Em 2007, o gasto total na área de defesa dos países da Unasul foi de quase US$ 40 bilhões.

"O Brasil é o único país da Unasul que está entre os 15 países do mundo que mais gastaram em defesa em 2007", diz o estudo.

Os gastos do Brasil no setor de defesa representam a metade do que a Alemanha investiu no mesmo período, mas são superiores aos investimentos feitos por Austrália, Canadá e Espanha.

De acordo com a pesquisa, os Estados Unidos são o país que mais investe em defesa no mundo, com cerca de 41% do gasto mundial, que foi de US$ 1,3 trilhão em 2007.

Já os investimentos do Brasil representam somente 1,5% do total global.

Segundo o diretor do CENM, Rosendo Fraga, é natural que o Brasil invista mais que os outros países da América do Sul no setor militar, devido às suas dimensões geográficas e ao seu PIB (Produto Interno Bruto), também muito superior aos dos demais.

"O Brasil é o único país da América Latina que tem vocação para ator global. Seu projeto de longo prazo não é ser um líder regional, mas uma potência global, como são os outros países que formam o grupo dos Bric (Rússia, China e Índia)", afirma Fraga.

"Os gastos militares do Brasil respondem a dois objetivos: segurança regional - que inclui Amazônia e regiões de fronteira - e se tornar uma potência global", completa.

Segundo ele, o objetivo de se tornar uma "potência global" justifica projetos brasileiros como o do submarino nuclear e o recente acordo militar com a França.

Dados preliminares referentes ao ano de 2008 mostram que o Brasil teria aumentado seus investimentos militares, desembolsando US$ 27,5 bilhões no setor.

O estudo mostra ainda que houve um salto nos investimentos do Brasil na área da defesa. Em 2004, estes investimentos somavam apenas US$ 9,5 bilhões.

Segundo a pesquisa, em 2007, o Chile foi o segundo país sul-americano que mais gastou em defesa, com cerca de US$ 5,3 bilhões em investimentos.

Depois, aparecem a Colômbia, com US$ 4,5 bilhões, e a Venezuela, com US$ 2,5 bilhões em gastos militares.

Dados preliminares referentes ao ano de 2008, no entanto, informam que a Colômbia teria ultrapassado o Chile, gastando US$ 6,7 bilhões em defesa contra US$ 6,3 bilhões do atual segundo colocado na região.

Ao mesmo tempo, estima-se que a região como um todo gastou US$ 51,1 bilhões em defesa no ano passado.

Outra comparação feita no estudo mostra que os gastos militares do Brasil em 2007 representaram 87% do orçamento de defesa total dos países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - e são quase o triplo do que foi desembolsado pela Comunidade Andina de Nações - Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

Mas a posição do Brasil muda na comparação dos gastos militares de cada país da América do Sul em relação ao PIB.

O gasto militar do Brasil em 2007 foi de 1,58% do PIB.

Esta relação é menor do que o que país destinava para o setor em 1985 (3% do PIB) e 2002 (2,3% do PIB), segundo uma pesquisa publicada pelo CENM em 2004.

Na comparação investimentos em defesa versus o PIB, o Brasil ficou em sexto lugar na região, junto com a Bolívia.

A pesquisa aponta que Equador foi o país da América do Sul que mais dirigiu recursos do PIB para defesa (3,38%) em 2007.

Logo depois, aparecem Chile (3,27%) e Colômbia (2,63%).

A Venezuela, de acordo com o estudo, destinou 1,09% do PIB para defesa em 2007.

A Argentina é o país que menor porcentagem de seu PIB destinou, naquele ano, a esta área e ficou junto com o Suriname, com 0,92%.

O estudo da CENM é baseado em dados próprios, números oficiais de cada país e informações de organismos internacionais.

17 Março 2009

O crescente poder do exército mexicano



Pablo Ordaz
No México

A cada segundo que passa, o exército tem mais poder no México. Todo mundo sabe - principalmente Felipe Calderón - que sem o exército teria sido impossível empreender e manter a atual guerra ao narcotráfico. Primeiro, porque boa parte dos 1.600 corpos policiais do país estavam infiltrados ou diretamente comprados pelo crime organizado. Segundo, porque a única maneira de construir uma polícia federal com rapidez é abastecê-la - por cima e por baixo - de militares. Oitenta por cento dos policiais federais mobilizados nas áreas de conflito são antigos soldados agora vestidos de azul. E um bom número dos cargos de direção na Secretaria de Segurança Pública - equivalente ao Ministério do Interior - está sendo ocupado por generais aposentados. Ainda há uma terceira questão: Calderón confia no exército. Ou, melhor dizendo, Calderón só confia no exército.

Até aqui o que se vê é a primeira linha de fogo. Mas o exército também está tendo um papel principal em outros âmbitos ainda mais delicados. Diante das eleições de julho, os partidos estão polindo suas candidaturas. Uma das principais preocupações dos respectivos dirigentes é não colocar como candidato os personagens captados pelo narcotráfico. Vista a situação no México, não deve ser tarefa fácil separar o grão da palha.

Alguns dirigentes admitem em particular que nos casos de dúvida estão pedindo à Secretaria da Defesa que investigue o passado, as amizades e as propriedades dos possíveis candidatos. A situação é tão delicada que a deputada espanhola Elena Valenciano, em visita ao México na qualidade de secretária das Relações Internacionais do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, no governo da Espanha), ouviu em algum de seus encontros com líderes políticos mexicanos: "Tememos que em algumas áreas o narcotráfico tente comprar os três candidatos para ter o poder local ganhe quem ganhar..." O exército patrulhando as ruas, o exército investigando os civis, o exército sabendo-se imprescindível...

A situação enche de orgulho os militares, mas também de preocupação. Eles sabem que o trabalho policial que estão executando por ordem do presidente da República se situa na borda da lei. Controles de estradas, detenção de civis, choques armados. Os chefes militares já pediram a Felipe Calderón uma blindagem jurídica que os ponha a salvo de possíveis denúncias. Ou, o que é o mesmo: mais poder. Por isso não são poucos os setores - sobretudo da esquerda - aos quais esta situação preocupa extremamente. Embora Calderón costume repetir que a mobilização militar terminará no mesmo dia em que deixe de ser necessária, há quem se pergunte: "E eles vão querer deixar de ter tanto destaque na vida do México; os militares vão querer voltar à vida aborrecida dos quartéis?"

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

EUA derrubaram "avião-espião" do Irã no Iraque


DA REDAÇÃO

Caças americanos derrubaram um avião iraniano não-tripulado que supostamente realizava operação de espionagem dentro do espaço aéreo iraquiano no dia 25 de fevereiro, anunciou ontem o comando militar dos EUA.

Quando foi abatido, o avião estava cerca de 100 km ao norte de Bagdá.

Um porta-voz militar disse que os caças perseguiram a aeronave do vizinho iraquiano por mais de uma hora. "[A incursão] não foi acidental", disse, devido à distância que o avião percorreu e ao tempo em que ficou no Iraque.

Para o Ministério da Defesa iraquiano, porém, a incursão, a cerca de 10 km da fronteira iraniana, foi provavelmente acidental.

Teerã não quis fazer nenhum comentário sobre o episódio denunciado.

''Defesa trata anistia pelo viés jurídico, e não pelo viés político''



João Bosco Rabello, Tânia Monteiro e Rui Nogueira

Em entrevista ao Estado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, condenou a tentativa política de revisão da Lei de Anistia e disse que o debate sobre sua abrangência criou uma falsa disputa entre defensores de torturadores e dos torturados. Ex-presidente do STF e um dos artífices da Constituição de 88, Jobim deixa claro que o tema o entedia tanto quanto as queixas militares com relação ao Ministério da Defesa. "Não me emociono com isso", diz. Para ele, se a anistia está politicamente consolidada, sua discussão fora do ambiente do Poder Judiciário é perda de tempo.

Já o comando civil das Forças Armadas é irreversível. No primeiro caso, diz , o Ministério da Defesa adotará uma postura de absoluto viés jurídico. Em relação à reação militar à Estratégia de Defesa Nacional (END), materializada numa carta com críticas do ex-comandante Militar do Leste, general Luiz Cesário, distribuída entre os oficiais , o ministro chega a dizer que nem leu o documento. "São vozes esporádicas, residuais", minimiza. Na avaliação de Jobim, a vulnerabilidade do sistema militar brasileiro é outra: dependência externa de bens e tecnologia.

O Ministério da Defesa vai completar uma década em junho. Está consolidado ou ainda há resistências nos comandos militares?

A fase de transição está encerrada. Os militares saíram da política e os civis assumiram. A lealdade das Forças Armadas ao Poder democraticamente constituído está consolidada e esse foi um processo que começou no governo José Sarney (1985-1990). Do ponto de vista político, o Ministério da Defesa está consolidado, mas não está consolidado do ponto de vista administrativo, da gestão. Mas não há mais recuo. Não dá mais para pensar na volta ao modelo anterior e termos um ministério do Exército, outro da Marinha e outro da Aeronáutica, além de um Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Ou, voltando ainda mais no tempo, ao Ministério da Guerra.

Mas, vez por outra, um militar de alta patente critica a criação do Ministério da Defesa. Como o general Luiz Cesário, que acabou de deixar o Comando Militar do Leste e, ao passar para a reserva, criticou a pasta.

Pode haver vozes esporádicas contra. Isso é (manifestação) residual, isolada. São pontos de vista individuais, que precisamos respeitar.

O que vem depois da transição?

Entramos na consolidação do ministério, etapa iniciada com a elaboração da política de defesa (Estratégia Nacional de Defesa). Vamos discutir agora a elaboração da política militar, com a organização, preparação e atualização das Forças Armadas. Há coisas incipientes, como a modelagem das tarefas orçamentárias e as compras conjuntas. Mas tudo isso é um processo.

Como é que foi conquistada essa lealdade dos militares?

O que asseguramos foi a exclusão da intervenção militar nas decisões políticas. Isso veio com redução da presença militar nos cargos da administração pública direta e indireta e a perda do poder de veto.

De onde vinha esse poder político dos militares e por que agora, legalmente, não existe mais?

Desde a Carta de 1891 os militares entenderam que eles tinham uma destinação constitucional para garantir a lei e a ordem. Por uma definição deles mesmos, sem intermediação dos poderes políticos. Em 1987, na Constituinte, houve uma discussão e se manteve o mesmo modelo (fiadores da garantia da lei e da ordem), mas se estabeleceu uma diferença: os militares só agem por iniciativa dos Poderes da República. Antes, os próprios militares é que decidiam se podiam intervir ou não. Na Constituição de 88, submetemos o poder militar aos Poderes constituídos, mas não quisemos saber da questão militar porque esse é um assunto vinculado à repressão política. Os civis não assumiram a parte que lhes cabia na Defesa porque os objetivos para as Forças Armadas precisam ser definidos e escritos pelos governos. Daí vem a redução contínua do orçamento, os equipamentos começaram a ficar obsoletos. Como a relação era só para resolver problemas pontuais, as decisões eram todas dos militares.

Em que fase está a aplicação da Estratégia Nacional de Defesa?

Com a política definida, nós estamos agora fechando prioridades. Os militares quase sempre falam na falta de dinheiro. Mas esse não é o problema. A questão é saber o que tem de ser feito, considerando a capacidade do País. O problema do nosso Exército é a fronteira oeste, mas as grandes bases da Força estão no leste. A decisão de política pública está tomada, a Amazônia é a prioridade. O módulo de fixação do Exército na região é a brigada, com mobilidade dada pelos pelotões de fronteira e soldados com ação flexível, capacidade para o litígio convencional, mas também preparados para o confronto irregular, não-convencional. Estamos, portanto, definindo agora a política militar. Os civis tomam as decisões e os militares fazem as opções estratégicas para cumprir as decisões.

Por exemplo?

No caso da ajuda à Colômbia (para resgate de reféns em poder da guerrilha das Farc), chamei o general Enzo (comandante do Exército) e pedi um planejamento para uma operação de salvamento e resgate. Eu não intervim no modus operandi. Mas a decisão de ir era uma decisão do governo.

Chegaram a me dizer que os soldados brasileiros não poderiam ter armas. Aí eu disse: negativo. Nossos militares terão, sim, armas de defesa pessoal. O Exército conhece a Amazônia e deu um belo resultado.

Qual é hoje a grande vulnerabilidade do sistema de defesa brasileiro?

Falta de capacitação nacional, pois todos os nossos insumos são obtidos no exterior. Mas o governo não tem dinheiro para garantir encomendas para as Forças, encomendas num volume que ajude a sustentar um indústria de defesa forte e desenvolvida. Se não tiver dinheiro nós vamos demorar a reduzir a vulnerabilidade.

Como o governo vai ajudar a desenvolver, por exemplo, o cargueiro KC-390, projeto da Embraer?

Nós vamos fazer encomendas do KC-390. Investiremos por meio da garantia de encomendas. E já conversei com o Juan Manoel Santos (ministro colombiano da Defesa) para ver se a Colômbia também faz encomendas garantidas.

Em meio à consolidação do Ministério da Defesa, um assunto atravessou o coro: a discussão sobre a validade e alcance da Lei de Anistia. De que lado o sr. fica?

O assunto está no Supremo (Tribunal Federal). É de lá que virá a interpretação constitucional. Temos de sair da dicotomia equivocada do revisionismo interpretativo, que divide o debate entre os que defendem os torturadores e os que defendem os torturados - não é isso que está em jogo. Essa dicotomia é a mesma em que estamos caindo no debate sobre a Amazônia: de um lado os desenvolvimentistas, que querem derrubar a Amazônia; do outro lado, os preservacionistas, que querem preservar a Amazônia. E quem está no meio são os 25 milhões de pessoas que precisam sobreviver.

Mas qual é sua visão sobre o alcance da Lei da Anistia?

No fim dos anos 70 foi tomada uma decisão política traduzida em lei. Essa lei está sujeita a interpretações, e o órgão competente para interpretar é o Supremo Tribunal Federal. O Ministério da Defesa trata o assunto pelo viés jurídico, e não pelo viés político. Não tem outro caminho. Eu nunca fui emocionado.

O assunto da demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol também está no Supremo. É assunto resolvido para os militares?

O voto do ministro Carlos Alberto Direito já tem número suficiente de apoios (8 dos 11 votos possíveis). As 18 regras que ele (Direito) explicitou são a definição do estatuto jurídico da terra indígena.

Nós não temos nação indígena, ou, dizendo de outra forma, nós não temos índios brasileiros, mas brasileiros índios. Habilmente, o STF está aproveitando o julgamento para definir que a terra indígena é de propriedade da União, usada pela população indígena. Definir que o subsolo é da União, mas que na exploração eles vão ter uma participação. Definir que as Forças Armadas não precisam pedir licença para ninguém, nem para a Funai, para entrar em terra indígena. Definir que as terras indígenas também estão sujeitas a questões ambientais, não permitindo negócios em que os índios derrubam a mata para servir às madeireiras. As leis de proteção ambiental valem para todos.

Todo mundo diz que o sr. não fez nada de concreto para acabar com o caos aéreo, apesar das muitas reuniões, planos e promessas. Mas é fato que melhorou um pouco o ambiente nos aeroportos. Nem a briga para aumentar o espaço entre os assentos o sr. ganhou. O que houve?

A verdade é que as agências tinham uma agenda própria, os órgãos de controle da Aeronáutica tinham outra agenda. Era um desastre. Hoje está tudo coordenado. A Anac prometeu examinar a questão dos assentos na próxima (nesta) semana. Vai ter um resultado.

O que está havendo na briga envolvendo os aeroportos do Rio (Santos Dumont e Galeão), o governador Sérgio Cabral e a Agência Nacional de Aviação (Anac)?

O setor político aprovou uma legislação de criação da Anac, mas não sabia o que estava aprovando. A Anac tem duas liberdades legais: para definir tarifas e para definir rotas. Com a ajuda dos órgãos técnicos, a Anac define a capacidade dos aeroportos. A agência está discutindo agora quem entra e quem sai (no Santos Dumont), porque você não pode deixar que um aeroporto fique eternamente nas mãos de alguém. É isso o que está acontecendo.

14 Março 2009

De uma guerra à outra



Newton Carlos
Jornalista

Há um mundo de fatos importantes sem muita luminosidade no cotidiano da massa informativa. Talvez um exemplo, pela ausência de reprodução, seja a conversa de um jornalista europeu com um comandante talibã. Pouco fora pescado, até agora, da disposição ou não vontade desses radicais islâmicos de terem contatos “externos”, de se abrirem à imprensa ocidental. Eles lutam para retomar o poder no Afeganistão e dão trabalho às tropas da Otan lideradas pelos Estados Unidos. Um forte sinal foi dado e é visto como um gesto de combatentes que já se julgam em condições de falar alto.

Há não muito tempo o entrevistado contava com 50 milicianos. Tem agora mais de quinhentos. O recrutamento se intensifica e os talibãs se rejuvenescem. Outra geração, com outros alvos, substitui os combatentes que estiveram na linha de frente dos que expulsaram os russos do Afeganistão, com ajuda da CIA. Tomaram o poder, deram abrigo a Bin Laden, perderam o poder e recorrem à insurgência tratando de recuperá-lo. Desta vez os “infiéis” que devem ser empurrados para fora do Afeganistão são os americanos, seus aliados da Otan e sua CIA voltada contra ex-aliados que se mostram com vitalidade surpreendente, tanto que Obama deslocará para o país dos talibãs o eixo da luta contra o terrorismo.

O que se destaca na entrevista é a parte que fala de democracia e eleições. O comandante talibã diz, sem qualquer constrangimento, que um dos alvos da insurgência é impedir que hajam eleições e democracia no Afeganistão. Afirma que o povo afegão não quer saber disso, que eleições e tampouco democracia nunca significaram nada e suprimi-las se constituirá num bem público. Os jovens que aderem aos talibãs representariam, entre outras coisas, movimento nessa direção, de repúdio ao voto. A razão é simples e não é necessário um mergulho profundo para encontrar motivações. O presidente Karzai, em palácio com aval americano, é a cabeça visível de um governo corrupto cuja incidência não ultrapassa os limites de Cabul, a capital afegã.

A economia está arruinada e a produção de ópio é parcela considerável do PIB, segundo a ONU. São conhecidos de todo mundo os parlamentares que transam com o tráfico ou que se envolvem com war lords, os senhores das guerras com o controle brutal de partes do pais e onipresença, de braços dados com Karzai. Obama já indicou que sabe disso e que pretende “consertar” a democracia no Afeganistão, com força militar capaz de evitar que a insurgência faça seu enterro.

Se é que se pode falar em democracia no país cujas montanhas dão esconderijo seguro a Bin Laden. Logo depois da posse de Obama falou-se inclusive da intenção de buscar aliado “mais confiável”. Trocando em miúdos, tirar Karzai de palácio e coroar outro que tenha autoridade e não seja de mãos sujas. A velha CIA faria no Afeganistão o que já fez em tantos outros países, mas parece que o projeto foi abandonado, o golpe seria forte demais na ideia de “reformar” os Estados Unidos.

Ao que parece, o que se quer agora, em Washington, é “consertar” o próprio Karzai e não trocá-lo por outro. Também teria pesado a dificuldade em encontrar alguém com as credencias desejadas pela nova Casa Branca. Nessa área atuará Dennis Ross, encarregado de coordenar a política e a diplomacia na região do Golfo e do Sudoeste da Ásia, sobretudo no que se refere ao Irã. Tarefa gigantesca. São duas guerras, as do Iraque e do Afeganistão, com maior ênfase se deslocando para o Afeganistão, onde Karzai desmoraliza a idéia de democracia como é entendida no Ocidente. O Irã envolve proliferação das armas nucleares e o Paquistão, já de posse delas, pode implodir. E o acesso a fontes de energia, ao petróleo abundante? Ainda não veio formalmente a público, mas certamente virá. O governo do Iraque, que não resistiria uma semana não fossem as tropas americanas, negocia secretamente com as majors.

São as grandes empresas de petróleo dos Estados Unidos e Inglaterra, os dois países que ocuparam o Iraque. Contratos, diz-se, com duração de 90 anos.

Divergências com Jobim

Alterações na administração das Forças Armadas, com a implementação da Estratégia de Defesa Nacional aprovada pelo presidente Lula, provocam um mal-estar entre militares e o ministro



Luiz Carlos Azedo e Leonel Rocha

O atrito entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o Alto Comando do Exército, por causa da consolidação do Ministério da Defesa como um poder civil, chegou a um momento crítico. Os generais de quatro estrelas, que formam o alto comando da Força, não aceitam que a pasta da Defesa subordine os comandos das Forças ao Estado-Maior Conjunto da Defesa, nem que o reaparelhamento dos quartéis seja subordinado a assessores civis de terceiro escalão do ministério. Por enquanto, Jobim está ganhando a queda de braço, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana passada, houve troca de oficiais em um dos mais importantes comandos do Exército.

Um dos principais adversários de Jobim na Força, o general de Exército Luiz Cesário da Silveira Filho, deixou o Comando Militar do Leste na semana passada e passou para a reserva porque completou 12 anos no posto. Juntamente com o general Santa Rosa, que deixou a Secretaria de Política e Estratégia do Ministério da Defesa no ano passado, insatisfeito com a gestão Jobim, e hoje cuida do Departamento Geral de Pessoal. Cesário verbalizou na reunião do Alto Comando a oposição às propostas de Jobim.

A principal divergência dos militares com Jobim está no item 7 da Estratégia Nacional de Defesa. O documento prevê a criação do Estado-Maior conjunto e o consequente esvaziamento dos comandantes das três Forças. Pelo documento elaborado por Jobim e o ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência, Mangabeira Unger, a indicação do chefe do Estado-Maior conjunto ficará a cargo do ministro da Defesa. Isso, segundo fontes militares, esvazia o poder dos comandantes que passam a ter uma relação de dependência política do ministro e não do presidente da República, como está previsto na Constituição. Depois de perderem o status de ministério há 10 anos com a criação do Ministério da Defesa, os comandantes desceriam mais um degrau na linha de poder.

Além disso, de acordo com análises feitas nos quartéis, o plano prevê uma excessiva ingerência do ministro da Defesa em assuntos internos das Forças Armadas, como a nomeação de oficiais para postos hoje escolhidos pelos comandantes. A disputa entre Jobim e a cúpula do Exército também ocorre porque está prevista a criação de comandos regionais conjuntos, reforçando o poder do ministro e mais uma vez esvaziando o papel dos comandantes.

Equipamentos

Jobim propõe no plano que a autonomia financeira dos comandos militares fique restrita às despesas de custeio. Todos os investimentos passariam a ser definidos pelo Ministério da Fazenda, que aprovaria os projetos de acordo com as prioridades do Plano Nacional de Defesa. A aquisição de novos equipamentos passaria a ser feita pela Secretaria de Compras do Ministério da Defesa, cargo ocupado por civis. Com a crise econômica, o orçamento militar já sofreu contingenciamento, embora o governo não pretenda sustar investimentos de grande monta, como a construção do submarino nuclear e a aquisição de aviões de caça de última geração para a Força Aérea. Essas duas prioridades, por exemplo, drenam recursos que em outras circunstâncias iriam para o Exército.

Nas disposições finais, foi estabelecido um calendário de medidas a serem adotadas que potencializou as divergências entre os militares e o ministro. A primeira delas é a elaboração de “um ato legal que garanta a alocação, de forma continuada, de recursos financeiros e específicos” destinados ao reaparelhamento das Forças Armadas. A decisão envolve a Casa Civil, a Secretaria de Assuntos Estratégicos e os ministérios da Fazenda e do Planejamento e deve ser tomada até o fim do mês. Nos próximos meses a Estratégia Nacional de Defesa será transformada em projetos de lei de iniciativa do Executivo para serem enviados ao Congresso, que ficará encarregado de definir a estrutura permanente da pasta da Defesa, suas atribuições e o papel detalhado de cada Força. A cúpula militar promete adotar uma estratégia para tentar impedir a aprovação de parte das ideias de Jobim inseridas na Estratégia Nacional de Defesa.

200 mil é o número do efetivo militar no Brasil

R$ 51,3 bilhões é o orçamento do Ministério da Defesa previsto para este ano

7 soldados rendidos são afastados



O comando do Exército de Caçapava informou que os sete militares rendidos na ação de domingo, e que tiveram seus fuzis roubados, foram afastados de suas funções. De acordo com o Tenente-Coronel José Mateus Teixeira Ribeiro, da comunicação social, esse afastamento é necessário para que os militares fiquem à disposição para serem ouvidos a qualquer momento durante a investigação. O oficial afirma, porém, que está claro que houve falha de pelo menos dois desses soldados na segurança do quartel. Para ele, mesmo havendo arames arrebentados em alguns pontos no fundo do quartel, foi a falha dos sentinelas que facilitou a entrada dos ladrões. Outros cinco estavam no turno de descanso.

Exército põe 200 homens na busca de fuzis

Em ação com policiais civis e militares, soldados ocuparam 4 áreas em Caçapava e São José; roubo de armas foi no domingo

Autorização da Justiça, obrigatória para todas as operações fora do quartel, "está sendo providenciada", segundo disse o Exército

Veja a matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Chefe da Inteligência dos EUA acusa China de "agressividade"

Dennis Blair fala ao Senado um dia após troca de acusações sobre presença de navio militar americano no mar do Sul da China

Para especialistas chineses, Pequim quer controle sobre zona econômica exclusiva; Washington
não ratificou Convenção do Mar da ONU



DA REDAÇÃO

O diretor nacional de Inteligência dos EUA, Dennis Blair, acusou ontem a China de adotar uma posição "militarmente mais agressiva" em águas próximas ao seu território.

"Acho que ainda está em debate na China se, à medida que seu poderio militar aumenta, eles o usarão para o bem ou para pressionar os outros", disse Blair em audiência na Comissão de Serviços Armados do Senado americano.

A audiência ocorreu um dia depois da troca de acusações entre Washington e Pequim sobre a presença de um navio da Marinha americana, o USS Impeccable, no mar do Sul da China. O navio estava em águas internacionais, mas dentro das 200 milhas (320 km) da zona econômica exclusiva chinesa.

Na versão do Departamento da Defesa dos EUA, o navio, equipado com sonar, foi ameaçado por embarcações de patrulha chinesas perto de Hainan - base estratégica para a China. O relato do Pentágono diz que os chineses chegaram a oito metros do Impeccable, para forçá-lo a sair da área.

Em resposta a Washington, que acusou a China de não respeitar as leis marítimas internacionais, Pequim afirmou que os Estados Unidos é que violaram a legislação internacional e sugeriu que o USS Impeccable estava em atividade de espionagem - o sonar do navio é usado para rastrear a presença de submarinos americanos e de outros países.

De acordo com a Convenção da ONU para o Mar, atividades de navios estrangeiros dentro da zona econômica exclusiva de 200 milhas são ilegais se houver pesquisa ou coleta de recursos naturais.

Mas Shen Dingli, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, em Xangai, disse que a China quer exercer maior controle sobre sua área, além dos interesses econômicos.

"A China considera que a lei internacional permite apenas a passagem de navios militares na zona, mas não atividades que possam ter objetivos militares", disse o analista.

Confrontação

Guan Jianqiang, especialista em direito internacional da Universidade de Política e Direito do Leste da China, também em Xangai, disse que Pequim tem pelo menos 200 registros de navios americanos coletando informações no mar do Sul da China, mas até agora vinha evitando confrontá-los.

A doutrina de navegação dos EUA, único país a ter bases militares em todo o planeta, reza que seus navios devem ter direito livre de passagem em águas internacionais, se não violarem direitos econômicos do país próximo. Washington nunca ratificou a Convenção da ONU para o Mar.

Na audiência do Senado, Dennis Blair classificou o incidente como o pior entre os dois países desde 2001, quando um avião-espião americano foi obrigado a pousar em Hainan depois de colidir no ar com um caça chinês.

Os EUA têm lançado seguidos alertas sobre os gastos militares da China, embora eles sejam bastante inferiores aos seus. O orçamento das Forças Armadas chinesas para este ano é de US$ 70 bilhões, 1,4% do PIB. O orçamento militar americano é de US$ 515 bilhões, ou 4% do PIB.

Os EUA mantêm pactos de defesa e bases militares em vários países da Ásia, como Japão e Coreia do Sul.

Com agências internacionais e "Financial Times"

Conselho de Defesa do Sul prevê doutrina comum



CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A SANTIAGO

Proposto inicialmente como simples fórum de debates, o CDS (Conselho de Defesa Sul-Americano) pode tomar a forma de uma aliança militar defensiva regional. Os 12 ministros da Defesa sulamericanos aprovaram ontem, em Santiago, plano de ação que prevê a adoção de uma doutrina política comum, o inventário da atual capacidade militar de todos e o monitoramento dos gastos do setor, como antecipado pela Folha.

Também se destaca entre as medidas do CDS a criação de um mecanismo de consulta imediata para situações de emergência, com avaliação da ameaça e ação de resposta. Uma espécie de "telefone vermelho", segundo o ministro brasileiro Nelson Jobim.

"Foi uma reunião ótima. Além da série de ações aprovadas, viabilizou a possibilidade de uma comunicação direta", disse à Folha. Jobim reiterou que o CDS não será "uma aliança clássica", nos moldes da Otan, e distribuiu aos colegas cópias em espanhol da Estratégia Nacional de Defesa.

Divisão

Mas a retórica antiamericanista ameaça dividir o Conselho. "É a primeira vez que nos reunimos sem a tutela de uma potência. Estamos decidindo por nós mesmos qual será nosso sistema e nosso esquema de defesa", disse o venezuelano Ramón Carrizález. Para o boliviano Walker San Miguel, a "doutrina hemisférica de segurança e defesa" daria mais "personalidade" à região.

Para os otimistas, como Brasil e Chile, a ênfase ideológica acabará diluída durante os debates. Já membros da delegação colombiana disseram não ver chances de acordo sobre uma doutrina comum.

O tema voltará à pauta em novembro, no Primeiro Encontro Sul-Americano de Estudos Estratégicos, no Rio.

A declaração final firmada pelos ministros prevê ainda a criação do Centro Sul-Americano de Estudos Estratégicos de Defesa (CSEED), em Buenos Aires. Um grupo de trabalho coordenado pela Venezuela vai elaborar o registro das academias e centros de estudo em defesa e de seus programas e criar uma rede sul-americana de capacitação e formação.

Caberá ao Equador um diagnóstico da indústria de defesa dos países-membros, com capacidades e áreas de associação estratégicas para "promover complementaridade, pesquisa e transferência tecnológica".

A reunião ministerial durou todo o dia. Às 9h, os ministros se reuniram com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, para uma foto oficial e homenagem ao herói da independência do Chile, Bernardo O'Higgins.

O colombiano Juan Manuel Santos não deu entrevistas por orientação da Casa de Nariño - o presidente Álvaro Uribe teme que declarações polêmicas do seu ministro criem mais atrito com os vizinhos. Na semana passada, o ministro voltou a defender o direito de defesa para atacar as Farc além das fronteiras nacionais.

Javier Ponce, ministro do Equador -vizinho e alvo da Colômbia há um ano-, introduziu na declaração final do CDS um parágrafo em que os ministros reiteram "respeito" à soberania, integridade e inviolabilidade territorial. "A política de extraterritorialidade da Colômbia não cabe num Conselho como este", afirmou.

Conselho de Defesa expõe divisões regionais

Encontro encerrado ontem no Chile ressalta diferenças entre Chile e Peru e entre bloco liderado pela Venezuela e Equador contra a Colômbia



João Paulo Charleaux

A primeira reunião de ministros do Conselho de Defesa Sul-Americano, mantida de segunda-feira até ontem em Santiago, no Chile, mostrou que as disputas entre 5 de seus 12 países membros é um obstáculo para qualquer tentativa de cooperação militar imediata.

Os ministros da Defesa do Equador, Javier Ponce, e da Venezuela, Ramón Carrizález - que é vice-presidente da Venezuela e ocupa a pasta da Defesa temporariamente - criticaram duramente a Colômbia, no último dia do encontro.

"Não se pode violar a soberania de um país sob pretexto de perseguição a um grupo irregular", disse Ponce. A declaração foi endereçada ao ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, que, dias antes, declarou a um jornal colombiano que seu país tem o direito de atacar as Forças Armadas Revolucionárias (Farc) mesmo que os guerrilheiros estejam escondidos num país vizinho.

Um ano atrás, a Colômbia destruiu um acampamento das Farc no norte do Equador e matou um dos principais líderes do grupo, Raúl Reyes. Em resposta, Equador e Venezuela ameaçaram revidar, até que um encontro do Grupo do Rio, na República Dominicana, esfriou a disputa.

"A política de extraterritorialidade da Colômbia não tem espaço num conselho como esse", disse Ponce. Segundo ele, a Colômbia "resistiu inicialmente a entrar no conselho porque não queria que esse problema fosse tratado multilateralmente".

LIMITES

Numa polêmica paralela, o ministro da Defesa do Chile, José Goñi, descartou a possibilidade de retomar as negociações sobre os limites marítimos com o Peru, considerado um dos pontos mais sensíveis da política externa chilena. Goñi disse que "não há espaço" para a proposta conhecida como "dois mais dois", que reuniria periodicamente ministros de ambos os países para resolver suas disputas limítrofes. Esses encontros foram suspensos em janeiro, depois que Lima levou o caso ao Tribunal de Haia.

O ministro da Defesa do Chile disse ao Estado que "a criação do conselho não supõe que todas as diferenças ou tensões regionais tenham sido superadas", mas ressalvou que o novo organismo "pode ajudar a manter espaços de diálogo, apesar das dificuldades".

Para o cientista político Mladen Yopo Herrera, subdiretor da Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos do Chile (Anepe), os atritos atuais não comprometem a ambição de integração no longo prazo. "Eu diria que há uma agenda sul-americana comum, apesar das particularidades de cada país."

CUBA

No encerramento, os ministros declararam que o fim do embargo americano a Cuba "é um ponto fundamental" para a melhora do diálogo de Washington com a América do Sul.

DIVERGÊNCIAS

"A criação do conselho não supõe que todas as diferenças ou tensões regionais que possam existir tenham sido superadas" (José Goñi, Ministro da Defesa do Chile)

13 Março 2009

América do Sul assume compromisso histórico de coordenar política de Defesa



SANTIAGO DO CHILE - Os governos sul-americanos assumiram nesta segunda-feira o compromisso "histórico" de coordenar seus planos de Defesa mediante um organismo de diálogo e cooperação política, disseram representantes de vários países da região à Agência Efe.

O encontro do Conselho de Defesa Sul-americano (CDS) que acontece na segunda e terça-feira desta semana, em Santiago do Chile, conta com a participação de 12 integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). De acordo com o ministro chileno, José Goñi, a criação do Conselho é um "marco histórico" nas relações entre os países da região.

O anfitrião da reunião que definirá o plano de ação deste organismo para os próximos quatro anos disse à Efe que a criação do CDS é a decisão mais importante adotada até agora pela Unasul, junto com a cúpula presidencial convocada com urgência em setembro do ano passado para analisar os graves eventos na Bolívia.

O Conselho de Defesa Sul-Americano não será uma aliança militar clássica, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), nem organizará um exército próprio. O grupo também não se envolverá nas decisões de compra de armas adotadas por seus membros.

Segundo os delegados, que nesta segunda-feira trabalharam na declaração que será assinada nesta terça-feira pelos ministros da Defesa, também não representa um desafio aos grandes blocos militares que, como os Estados Unidos e a Rússia, estão atentos ao que acontece na região.

A principal aspiração de Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Suriname, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela é fortalecer a confiança mútua mediante a integração, o diálogo e a cooperação em matéria de Defesa.

E, para isso, já há iniciativas concretas, como a apresentada pelo país anfitrião de criar uma rede para a troca de informação sobre políticas de Defesa.

O Chile também propôs, ao lado da Argentina, a transparência de informações sobre despesas e indicadores econômicos da Defesa, um dos aspectos mais controvertidos, levando em conta a desconfiança de alguns países com o aumento do orçamento militar de seus vizinhos.

Sobre isso, Goñi enfatizou que o "Chile não está aumentando sua despesa em Defesa, mas está fazendo investimentos de reposição e modernização de seus sistemas de armas, em absoluto equilíbrio com a manutenção de um adequado nível de Defesa".

Na reunião desta segunda, Peru e Chile também lançaram a proposta de criar um mecanismo para articular posições conjuntas da região em foros multilaterais, assim como a realização de um seminário sobre modernização dos ministérios de Defesa, uma iniciativa que recebeu o apoio do Equador.

Um dos países que apresentou mais iniciativas é a Venezuela, que se comprometeu a organizar um seminário para identificar os fatores de risco e as ameaças que possam interferir na paz regional e mundial, e definir os diferentes enfoques que existem atualmente no conceito de Defesa.

Argentina, Peru e Venezuela também se comprometeram a planejar um exercício combinado de assistência em casos de catástrofe ou desastres naturais, e a trocar experiência sobre o estabelecimento de mecanismos de resposta imediata a desastres naturais.

O Equador, que em maio substituirá o Chile à frente da presidência temporária da Unasul e do CDS, se comprometeu a realizar uma oficina para elaborar um diagnóstico sobre a indústria da Defesa na região. Já a Venezuela mostrou seu interesse em promover iniciativas bilaterais e multilaterais de cooperação e produção da indústria de Defesa.

"Observo em todas as delegações uma enorme disposição e entusiasmo para concretizar esta ideia, para sair desta reunião com um plano de ação que defina claramente as tarefas que vamos realizar nos próximos anos", resumiu o presidente temporário do CDS, José Goñi.

Os ministros sul-americanos de Defesa participaram durante o dia de diversos encontros bilaterais antes de ser recebidos no Palácio da Moeda pela presidente Michelle Bachelet.

Amanhã, eles aprovarão a declaração que definirá o plano de ação do CDS para o período entre 2009 e 2012.

Chile nega falta de transparência em aquisições militares



SANTIAGO DO CHILE, 9 MAR (ANSA) - O ministro de Defesa chileno, José Goñi, assegurou nesta segunda-feira que seu país "tem o bom costume" de informar a aquisição de material militar, em resposta às declarações do ex-chanceler peruano Luis González Posada, que atribuiu falta de transparência por parte do Chile.

"O Chile tem o bom costume de informar os nossos vizinhos sobre as aquisições de material militar, algo que nem todos fazem", afirmou Goñi.

González Posada havia declarado ao jornal peruano La Razón que os países da região "devem conhecer o volume dessas aquisições absolutamente desproporcionais, para estabelecermos limites. Isso pode ser regulamentado por acordos multilaterais".

Em entrevista à rádio chilena Bío Bío, Goñi enfatizou que seu país "não tem nada a esconder", e esclareceu que a decisão (de adquirir material militar) visa "renovar nosso arsenal, que está obsoleto".

Goñi ainda ressaltou que, em matéria de defesa, o Chile tentou avançar na discussão dos critérios para definir o gasto militar nos países da América do Sul. Nesse âmbito, a Argentina foi o país com o qual os chilenos mais aprofundaram o debate.

"Com o Peru não pudemos avançar muito", afirmou o ministro, e acrescentou que as últimas aquisições de Lima não preocupam o Chile, "porque estão dentro dos planos de atualização de seu arsenal".

Segundo o ministro, este será um dos pontos a serem abordados nesta segunda-feira com seu homólogo peruano, em um encontro bilateral paralelo à reunião do Conselho Sul-Americano de Defesa, em Santiago.

O encontro reúne ministros dos 12 países que formam a União das Nações Sul-americanas (Unasul): Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Goñi admitiu que o Chile e outros países da região - não mencionados pelo ministro - possuem "tensões" com Lima, e estimou que a reunião do Conselho "é um bom momento" para que os ministros dos 12 países promovam reuniões bilaterais.

Em relação à primeira reunião do Conselho de Defesa da Unasul, Goñi ressaltou a vontade de seus membros para que o órgão "tenha uma vida útil, uma plataforma de trabalho e um plano de ação bem delimitado".

Um organismo desse tipo "é um fato inédito na região", já que "nunca houve espaço para que os ministros de Defesa da região se reúnam e discutam temas de interesse comum".

De acordo com o ministro, as quatro áreas prioritárias de trabalho são políticas de defesa, cooperação militar, ações humanitárias e operações de paz.

No domingo, Goñi se reuniu com seus pares do Equador, Colômbia e Bolívia.

AUXÍLIO TRANSPORTE

Corte constrangedor



As unidades militares do País, o que inclui o Rio, vão passar um pente fino entre quem recebe o auxílio transporte - quase a totalidade praças, soldados e alunos. A determinação é cortar o benefício, conforme prevê a legislação em vigor, diante da suspeita que o beneficiário recebe o auxílio, que sai em dinheiro, mesmo se deslocando para o quartel a pé, de bicicleta, carro próprio ou de carona com colega de farda ou parente.

Em Niterói, por onde acabam de começar efetivamente os cortes, os relatos recebidos pela coluna vêm de pessoal da Marinha e do Exército. Muitos dos atingidos usavam o dinheiro para complementar a renda familiar.

"Tem praça que sai de casa às 5 horas da manhã para chegar ao quartel antes das 7 horas. Vem caminhando para usar o dinheiro do auxílio no supermercado", conta oficial solidário com os atingidos. "Os cortes são legais, mas vamos nos deparar o tempo todo com esse tipo de situação", acrescenta.

"Essa maldade está dificultando ou mesmo impossibilitando que pais de família militares participem do convívio com seus familiares", lamenta um dos atingidos.

Para quem ainda vai enfrentar a ameaça de corte, a coluna relembra que o auxílio transporte nas Forças Armadas é regulamentado pelo Decreto 2.963, de 24 de fevereiro de 1999, que especifica que o benefício é para o custeio de despesas com transporte coletivo municipal, intermunicipal ou interestadual nos deslocamentos de casa para os locais de trabalho e vice-versa.

Os comandantes estão se valendo do parágrafo único do decreto, cobrando nova declaração sobre como é feito deslocamento para o quartel. "Trata-se de formalidade. Todos sabemos como nossos homens chegam. Estamos impedidos, diante do pente fino, de fazer vistas grossas", lamenta outro oficial.

Atingidos na bronca

"Acho interessante como algumas autoridades militares, principalmente da Marinha, dificultam a vida de seus subordinados, mesmo diante da vantagem de desfrutar de viatura oficial com motorista para o transporte de ida e volta para o trabalho", diz militar atingido pelo corte do auxílio transporte. "Citar que com freqüência, digamos que até semanal, são organizados coquetéis para os oficiais e consumido sempre um bom whisky - com no mínimo 12 anos. Um dinheiro que por sinal poderia vir a contribuir e muito com o custeio do auxílio transporte, direito adquirido pelo cidadão militar", completa.

EUA acusam China de perseguir seus navios; Pequim aponta espionagem


DA REDAÇÃO

Os EUA acusaram a China de perseguir navios seus e pediram ontem a Pequim que "respeite as leis marítimas internacionais". O Pentágono diz que cinco barcos chineses cercaram um navio da Marinha americana no mar do Sul da China, no que chamou de série de atos de "agressividade crescente" por parte dos chineses.

Em nota divulgada na noite de ontem, a Embaixada da China em Washington afirmou que o navio em questão, o USS Impeccable, realizava atividades de "rastreamento ilegal na zona econômica especial chinesa". A nota diz que os EUA é que "violaram as leis marítimas internacionais e as leis chinesas".

A embaixada, rejeitando a alegação americana de que o navio estava em águas internacionais, disse que Pequim enviou embarcações para "impor a lei" na região depois de usar "repetidamente canais diplomáticos" para pedir que os EUA cessassem as atividades.

De acordo com a agência Associated Press, o USS Impeccable, baseado no Japão, é equipado com sonar que mapeia o fundo do oceano, para guiar os próprios submarinos americanos ou captar a presença de submarinos de outros países.

Segundo a versão do Pentágono, o incidente ocorreu domingo, a 120 km ao sul da ilha de Hainan, quando os barcos chineses "manobraram agressivamente" contra o USS Impeccable, que realizava "operações de rotina em águas internacionais".

Ainda segundo essa versão, na tentativa de forçar a saída dos barcos chineses, o Impeccable jogou água contra um deles com sua mangueira de incêndio. Uma embarcação chinesa, entretanto, teria continuado a se aproximar - ficando a oito metros de distância.

O Pentágono identificou as embarcações chinesas como um navio da Inteligência da Marinha, um barco de patrulha de pesca marítima, um barco de patrulha da Administração Estatal Oceanográfica e dois pequenos barcos de pesca. Dois dias antes, uma fragata chinesa havia se aproximado do Impeccable, cruzando por duas vezes a sua proa a distância de 30 metros, diz o Pentágono.

Ladrões invadem quartel e roubam fuzis

Grupo rendeu militares em Caçapava e fugiu com sete armas; é o segundo roubo de armamento em cinco dias em SP

Comando do Exército diz que vai apurar como os bandidos tiveram acesso ao prédio; um militar foi ferido durante o assalto

Veja matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Transparência militar tensiona conselho

Impasse sobre a divulgação de dados marca primeiro encontro do Conselho de Defesa Sul-Americano



CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A SANTIAGO DO CHILE

Na primeira reunião do CDS (Conselho de Defesa Sul-Americano), hoje, em Santiago, ministros de 12 países da região tentarão superar novo impasse: dar ou não mais transparência aos gastos militares?

A iniciativa faz parte de um dos quatro eixos do chamado Plano de Ação 2009, debatido ontem na capital chilena em reunião preparatória de vice-ministros e que integra a minuta da declaração final do encontro, obtida pela Folha.

Espera-se criar uma espécie de banco de dados com as despesas de cada país e indicadores econômicos do setor. Esses dados seriam catalogados para análise e proposição de novas políticas de defesa, a cargo de um Centro Sul-Americano de Estudos Estratégicos de Defesa a ser erguido em Buenos Aires.

O intercâmbio de informações é compreendido como fundamental para estabelecer um clima de confiança. Também evitaria as habituais especulações que surgem sempre que há uma nova compra de armamentos e veículos militares.

Segundo a Folha apurou, a proposta foi feita pela Argentina e acolhida com ressalvas, inclusive pelo Brasil. A percepção é de que informações estratégicas não devem ser difundidas. E, uma vez criado o banco de dados, não significa que os governos vão detalhar os gastos a ponto de revelar a quantidade de determinado míssil adquirido ou a disponibilidade de fragatas, tanques e caças.

É sob esse mesmo argumento que os governos repassam dados genéricos de gastos e investimentos militares às Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos.

Nessa primeira reunião do Conselho de Defesa da Unasul, prevalece a desconfiança, intensificada pelas declarações recentes do ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. Na semana passada, Santos voltou a defender ações de "legítima defesa" contra a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) além das fronteiras do país.

O gesto de Santos pode jogar por terra todo o esforço diplomático para pôr fim à crise entre Colômbia e Equador. Em fevereiro de 2008, um bombardeio colombiano em território equatoriano matou o número dois das Farc, Raul Reyes.

Quito rompeu relações com Bogotá e, desde então, os vizinhos tentam ajudar ambos os governos a liquidar o assunto. A rixa entre os dois países está na origem da própria criação do Conselho de Defesa.

Outro ponto ainda mal resolvido na reunião preparatória foi a exigência da Venezuela de se discutir "enfoques conceituais" para a defesa. Para o governo de Hugo Chávez, as forças armadas da região devem compartilhar dos mesmos princípios ideológicos, ou não haverá uma aliança verdadeira.

Para Equador, Conselho de Defesa possibilita zona de paz

Um mecanismo de cooperação como este vai transformar a América Latina, diz vice-ministra do país



Redação com agências

SANTIAGO - A vice-ministra de Defesa do Equador, Lourdes Rodríguez, disse nesta segunda-feira que a criação do Conselho de Defesa sul-americano é um momento histórico que possibilita um espaço de paz na região. "Um mecanismo de cooperação como este vai transformar a América Latina em uma zona de paz", disse.

Os 12 ministros da Defesa dos países que fazem parte do Conselho de Defesa Sul-Americano estarão reunidos em Santiago do Chile, hoje e amanhã, para discutir uma agenda de 16 pontos que pretende lançar as bases para uma maior articulação das políticas regionais que envolvam suas Forças Armadas.

O conselho foi criado em maio de 2008, a partir de uma proposta do governo brasileiro, e funciona como uma instância da recém-criada União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Na época de sua criação, a região vivia a ameaça de um conflito armado internacional envolvendo a Colômbia, de um lado, e o Equador e a Venezuela, de outro. As tensões entre os três países haviam surgido dois meses antes, em março, quando as Forças Armadas colombianas realizaram um ataque contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou a mobilização de suas tropas ao longo da fronteira com a Colômbia, declarando apoio ao Equador num eventual conflito.

Agora, às vésperas do primeiro encontro de ministros de Estado do Conselho de Defesa Sul-Americano, as tensões entre os três países voltaram a surgir depois que o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, reafirmou publicamente que a Colômbia se dá o direito de atacar guerrilheiros das Farc mesmo fora de suas fronteiras.

Exército reduzirá incorporação de recrutas em 31% neste ano

Após corte de verbas, Força absorverá 43 mil soldados, em vez de 70 mil



Tânia Monteiro

Determinado a preservar de cortes orçamentários programas como o Bolsa-Família, o governo sacrificou os programas "sociais" do Exército. Por causa da redução em seu orçamento, a Força se viu obrigada a reduzir em 31% o número de soldados recrutas incorporados.

Em vez dos 70 mil soldados que deveriam prestar serviço militar neste ano, só 43 mil ingressaram no Exército, na semana passada. Outros 5 mil entrarão em agosto, totalizando 48 mil. Em todo o País, 1,6 milhão de jovens se alistaram para o serviço militar obrigatório em 2009.

O projeto Soldado Cidadão, lançado com toda a pompa em agosto de 2004, prometendo profissionalização, por ano, de 30 mil jovens, vem tendo o número de participantes reduzido ano a ano. Em 2009, a previsão é de que pouco mais de 18 mil sejam beneficiados.

O Exército se viu obrigado a reduzir o número de recrutas por causa do anúncio de contingenciamento da ordem de 30% do seu orçamento. A falta de recursos para a recomposição de materiais bélicos já vinha sendo alvo de cobranças pela Força. Agora, a área econômica está sendo criticada pelos militares porque o serviço obrigatório é considerado, no meio, como um dos grandes projetos sociais. A alegação é de que o jovem, além de ganhar salário mínimo, tem uniforme e moradia.

O Ministério da Defesa esclareceu que o corte no número de recrutas é medida de precaução, por causa do corte no orçamento. Ainda segundo a Defesa, se até meados do ano a situação econômica se equilibrar, o Exército poderá incorporar os 20 mil recrutas que deveriam ter começado o serviço militar agora.

Colômbia quer parceria com Brasil e participação em cargueiro da Embraer



Brasília (11/03/2009) – Em visita ao Brasil, o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manoel Santos, foi recebido nesta quarta-feira (11/03) pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim e manifestou interesse em uma parceria estratégica entre os dois países. Segundo o visitante, a Colômbia quer estreitar a colaboração no monitoramento da fronteira comum, quer parcerias em pesquisas tecnológicas de defesa, e quer inclusive participar do projeto de construção do avião de transporte KC-390, da Embraer. “O Brasil é nosso sócio estratégico e vamos buscar laços e cooperação”, afirmou.

Santos e sua comitiva, compostas por militares das três forças colombianas, ouviu de Jobim uma explicação detalhada sobre a Estratégia Nacional de Defesa do Brasil, lançada em dezembro de 2008. O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, complementou a explanação.

A Estratégia Nacional de Defesa, segundo Jobim, tem como objetivo reorganizar as Forças Armadas, fortalecer o complexo nacional de Defesa e aperfeiçoar o serviço militar. “Esses três objetivos se entrelaçam. Não é possível pensar em Forças Armadas que não estejam ligadas ao desenvolvimento e desenvolvimento que não estejam ligados às forças armadas”, destacou Jobim.

O ministro Nelson Jobim afirmou que a visita do ministro colombiano poderá proporcionar avanços na cooperação em várias áreas entre os dois países. Ele rejeitou a possibilidade de que o movimento guerrilheiro Forças Armadas Colombianas (Farc) represente um perigo para o Brasil.

Segundo ele, há um grande controle da fronteira com a Colômbia, que poderá ser intensificado com novas medidas em discussão. Entre elas, está o aperfeiçoamento da visibilidade do espaço aéreo entre os dois países, em uma faixa de 50 quilômetros de ambos os lados da fronteira. Santos elogiou também o programa de trabalho a ser seguido pelo Conselho Sul-Americano de Defesa a partir desta semana. Ele observou que o Conselho permitirá o fortalecimento da união regional. Sobre essa união, ele afirmou que “a liderança do Brasil tem sido fundamental e nisso também agradecemos ao Brasil”.

Para Juan Manoel Santos, todos os países da região devem encontrar alianças em áreas estratégicas como, por exemplo, a indústria militar e a capacitação profissional. E citou os casos dos aviões Super Tucanos comprados pela Colômbia à empresa brasileira Embraer. “Estamos muito contentes com os aviões do Brasil.”

O ministro colombiano não descartou a possibilidade de que seja realizada, no âmbito das relações bilaterais, uma aliança estratégica de indústrias militares. Dentro dessa perspectiva, conforme disse Juan Manoel Santos, a idéia é saber como a Colômbia pode participar na produção do avião de carga que o Brasil pretende desenvolver por meio da Embraer. “Tudo o que possamos fazer nesse frente com o Brasil será muito conveniente, sobretudo porque os aviões que temos comprado do Brasil são muito bons”, afirmou.

Juan Manoel Santos disse que, para a Colômbia, a relação com o Brasil é de conveniência estratégica de longo prazo. “Portanto, tudo que possamos construir para que essa relação se desenvolva e se fortaleça é uma decisão muito importante”, afirmou.

Segundo ele, a cooperação bilateral poderá incluir controle de espaço aéreo, esquema de compartilhamento de satélites e monitoramento de fronteiras.

11 Março 2009

Irã critica estratégia dos EUA

Comentários sobre plano para o Afeganistão acontece um dia depois de teste de míssil



O ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, criticou a estratégia dos Estados Unidos no Afeganistão, e não esclareceu se Teerã aceitará o convite da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para participar da cúpula sobre este país, prevista para abril. A crítica acontece um dia depois de a rede de televisão estatal iraniana informar que Teerã testou um novo míssil de longo alcance – notícia que deve agravar a tensão entre o governo iraniano e os países ocidentais, que criticam as intenções militares do programa nuclear do país.

O Irã frequentemente usa manobras militares ou testes de armas para mostrar sua capacidade de conter ataques inimigos, inclusive de Israel e dos Estados Unidos, que acusam o país de tentar desenvolver bombas nucleares. Teerã nega as acusações.

"Irã testa novo míssil de longo alcance", anunciou reportagem da Press TV, rede de televisão iraniana, sem dar detalhes.

A notícia foi divulgada menos de uma semana depois de um militar iraniano de alto escalão afirmar que os mísseis do país agora podem atingir instalações nucleares israelenses.

– Todas as instalações nucleares em diferentes partes da terra sob ocupação do regime sionista estão ao alcance de mísseis do Irã – disse o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Ali Jafari, de acordo com a agência de notícias Isna.

O teste foi anunciado aparentemente ignorando os esforços do presidente americano, Barack Obama, de reintegrar o Irã na comunidade internacional com diálogos diplomáticos. Obama afirmou que está disposto a dialogar com o país caso Teerã "abra o punho" primeiro.

Segundo a agência iraniana Fars, o míssil de fabricação própria poderia alcançar 110 km e foi desenhado para atingir alvos navais. Os EUA não comentaram o teste. Para Andrew Brookes, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o disparo é um sinal de que Teerã pode interromper o fluxo de exportações de petróleo no Golfo Pérsico se for atacada:

– Isso sim seria assustador para o Ocidente e para o Oriente Médio.

A Press TV, citando o ministro de Defesa do país, afirmou ainda que Teerã foi bem sucedido em armar alguns de seus jatos com mísseis de longo alcance.

Irã já alertou que responderá a qualquer ataque dos EUA ou de Israel e que fechará o estreito de Hormuz, caminho entre o Golfo e o Mar de Omã pelo qual passam cerca de 40% do petróleo comercializado no mundo.

Críticas aos EUA

Mottaki disse que a estratégia americana para o Afeganistão deve ser modificada, já que até o momento só conduziu ao fracasso, mas não explicou em quê.

– Analisando a situação atual, vemos que não só os problemas não foram solucionados como a situação piorou. Os EUA falam de uma mudança de estratégia, mas nós não sabemos do que se trata – insistiu.

O chefe da diplomacia iraniana comentou no sábado que seu país ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o convite dos Estados Unidos, entendido pelos analistas como o início da nova política de aproximação anunciada pelo presidente americano, Barack Obama.

Washington e Teerã romperam seus laços diplomáticos em abril de 1980, quando, após a Revolução Islâmica, partidários do aiatolá Khomeini cercaram a embaixada dos Estados Unidos e fizeram 52 americanos reféns por 444 dias.

Coreia do Norte pronta para guerra



Após colocar 1,2 milhão de soldados em estado de alerta, país corta comunicação com vizinho Depois de colocar 1,2 milhão de soldados em estado de alerta, a Coreia do Norte cortou a última linha de comunicação intercoreana em um protesto contra os exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e Coreia do Sul. Pyongyang ameaçou ainda entrar em guerra caso haja a interceptação do satélite que pretende lançar – e que Seul e Washington dizem ser um disfarce para o lançamento de um míssil de longo alcance.

Como medida de represália pelas manobras, Pyongyang impediu a entrada de mais de 700 sulcoreanos em um complexo industrial na cidade de fronteira norte-coreana de Kaesong, símbolo da associação entre os dois países. O regime norte-coreano já havia advertido na semana passada que não poderia garantir a segurança dos voos sul-coreanos sobre seu espaço aéreo por causa dos exercícios militares na Coreia do Sul.

"Não faz sentido manter um canal de comunicações normal em uma época que as marionetes sul-coreanas estão frenéticas fazendo exercícios de guerra, testando armas com forças estrangeiras", disse um porta-voz do Comando Geral do Exército do Povo da Coreia, em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal.

A linha de fax e telefone cortada, que conectava diretamente os dois países, era a última linha de comunicação entre as duas nações vizinhas que havia restado após as medidas de protesto da Coreia do Norte contra o governo de linha-dura do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, que assumiu há um ano e vinculou a ajuda financeira a Pyongyang à desnuclearização do país. O canal de comunicação militar é usado normalmente entre os comandantes em momentos de emergência, mas é normalmente utilizado, segundo o Korea Herald, por oficiais dos dois países para alertar sobre visitas.

Causa do conflito

A Coreia do Sul e os EUA iniciaram ontem os exercícios anuais conjuntos, que devem durar 12 dias e mobilizarão 26 mil militares americanos, mais de 30 mil sul-coreanos e um avião de potência nuclear. As tropas da Marinha americana conduzirão exercícios de tiro ao norte de Seul e a uma hora apenas da fronteira entre os dois países.

O comandante das Forças Combinadas da Coreia do Sul e Estados Unidos (CFC, na sigla em inglês) reiterou contudo que os exercícios militares são apenas defensivos. Pyongyang acusa reiteradamente os EUA e Seul de ter intenções militares contra o país com os exercícios militares, realizados anualmente, mas o tom das críticas deste ano foi mais duro e militarista.

O governo norte-coreano afirmou que os exercícios são uma provocação que aconteceria apenas na véspera de uma guerra.

O governo do ditador Kim Jong-il já havia ameaçado entrar em guerra com o país vizinho, caso Seul ou os EUA interceptem o satélite que pretende lançar em breve. Em um comunicado lido na televisão estatal, um militar alertou que qualquer tentativa de derrubar o aparelho será visto como ato bélico. A tensão é agravada pelo fato de que, para lançar o satélite, Pyongyang prepara o lançamento do míssil Taepodong-2. O governo diz que o lançamento faz parte do envio de um satélite para o desenvolvimento da comunicação do país, embora os EUA acuse o governo norte-coreano de ter intenções militares.

"Nós retaliaremos qualquer ação para interceptar nosso satélite que tem objetivos pacíficos com ataques imediatos usando os meios militares mais poderosos", alertou Pyongyang, em comunicado.

"Ataques contra nosso satélite que tem objetivos pacíficos significará, precisamente, guerra."

As tensões na região aumentaram desde que Lee Myung-bak assumiu como presidente da Coreia do Sul, há cerca de um ano, e endureceu a relação com o vizinho do norte. Lee restringiu a crucial ajuda financeira à vizinha empobrecida na expectativa que Pyongyang permita maior vigilância externa à desnuclearização – um dos principais impasses ao avanço do processo. Em resposta, Pyongyang cancelou uma série de acordos bilaterais.

09 Março 2009

Prontas para lutar pelo País

Plano estratégico das Forças Armadas amplia papel e oportunidades para mulheres nos quartéis



BRASÍLIA - A porção mulher das Forças Armadas completa 28 anos este ano com novidades: elas vão ocupar mais espaço nas atividades de combate. Aos poucos vão trocar a farda de passeio, saltinho e o trabalho burocrático pelo uniforme camuflado, coturnos, fuzis e mochilas pesadas para encarar longas marchas pela selva e a distância da família.

Tamanha responsabilidade não assusta. Pelo contrário: tem atraído a cada ano mais moças. É o caso de Daniela Furtado Silva, 17 anos, que mora em Nova Iguaçu e dedica diariamente quatro de estudo para ingressar na Escola de Especialistas de Aeronáutica, no posto de sargento.

“Sempre sonhei ser militar. Antes queria trabalhar na Marinha, mas mudei de idéia com meu namorado, que passou na primeira fase do concurso para Informática na FAB”, contou.

Daniela se diz animada com a carreira e com o treinamento de combate que será ministrado para mulheres. “Tem quem não goste, mas eu, mesmo optando pela área administrativa, quero fazer. O treinamento pode ser um atrativo para que mais mulheres entrem para as Forças Armadas”, diz a moça, que garante que não perderá a vaidade: “A farda mostra a beleza real da mulher, já que as militares não podem usar muita maquiagem”.

Parte do Plano Estratégico Nacional de Defesa adianta que dentro dos próximos anos as atribuições das moças devem aumentar. O texto determina três ordens de meios e de habilitações para elas: atuação em rede (trabalho em combinado com as três Forças); conhecimento e habilidade para usar meios de mobilidade terrestres e aquáticos e capacitação para o combate. A idéia é que elas recebam treinamento focado na flexibilidade, adaptabilidade, audácia e surpresa no campo de batalha.

Oficial da FAB destaca a igualdade de tratamento e remuneração como outro atrativo. A carreira militar é a única em que homens e mulheres ganham da mesma forma dentro do posto ou graduação.

Principal empresa de transporte de combustíveis do Brasil, a Transpetro, da Petrobras, também tem ampliado seu quadro de funcionárias. Até 2002, continha apenas quatro mulheres. Seis anos depois, o percentual de mulheres a bordo de seus navios aumentava 220% (95 funcionárias). Há expectativa que a empresa nomeie nos próximos dias a primeira comandante de navio no País.

ENTREVISTA - CAPITÃO JANAÍNA SILVESTRE SILVA "SÃO MUITOS OS DESAFIOS’

Com paixão contagiante por seu trabalho, a capitão-de-corveta Janaína Silvestre da Silva entrou para a Marinha como estagiária. Em 2007, ela se deparou com o maior desafio de sua a carreira: ser a primeira militar a ocupar o cargo de subchefe da Estação Antártica Comandante Ferraz. Disputou a missão com outros 14 oficiais, todos homens, e foi a vencedora.

A senhora sofreu algum tipo de preconceito dentro da Força por ser mulher?

Não, absolutamente. Em todos os locais onde trabalhei, sempre encontrei um clima amistoso, de grande respeito e companheirismo.

Qual foi seu maior desafio dentro da Marinha?

Sem dúvida nenhuma, o maior de todos foi ter sido a primeira mulher militar a ocupar o cargo de subchefe da Estação Antártica Comandante Ferraz, nosso pedacinho brasileiro no continente gelado, lá permanecendo por um ano, em 2007. O processo seletivo dura quase oito meses. São considerados aspectos da carreira, além de extensa bateria de exames médicos e psicológicos, provas situacionais, treinamentos ao ar livre. Todas as etapas são eliminatórias e foram bastante difíceis. Concorri com outros 14 oficiais, todos homens. Quando saiu o resultado final e recebi a notícia de que havia sido a escolhida, foi um dos momentos mais felizes de toda a minha vida.

Que dica a senhora dá para as moças que querem seguir seus passos ?

A Marinha do Brasil possibilita às mulheres excelente oportunidade de desenvolverem uma carreira instigante, de muitos desafios e descobertas. Em contrapartida, exige muita dedicação e disciplina.

Minha dica é que busquem o máximo possível de informações sobre a rotina na caserna, as peculiaridades da vida militar, as atividades técnicas que poderão ser desenvolvidas e que considerem também a possibilidade de servir em qualquer lugar do País. Reunidas essas informações e se for esta a escolha profissional, que se lancem com afinco no concurso para ingresso, realizado em âmbito nacional anualmente, e que tenham muito sucesso!

Conselho de Defesa afasta legado da Operação Condor

Encontro no Chile dá início a aliança militar regional sob controle civil



João Paulo Charleaux

Quando o Conselho de Defesa Sul-Americano der início hoje, em Santiago (Chile), à reunião de seus 12 ministros de Defesa, estará impulsionando, na prática, a primeira tentativa de formar uma aliança militar desde o fim da Operação Condor, experiência que uniu principalmente as Forças Armadas da Argentina, do Chile e do Brasil na perseguição a militantes de esquerda nos anos 70.

"A Operação Condor foi uma operação repressiva clandestina. O Conselho é o contrário, uma iniciativa legal dos Ministérios de Defesa que busca, precisamente, um maior controle civil sobre a área militar", disse ao Estado, por telefone, o analista militar chileno, Raúl Sohr.

A agenda do encontro, que termina amanhã, está dividida em quatro áreas: políticas de defesa, operações de paz, indústria bélica e capacitação. Argentina e Chile serão responsáveis por coordenar ações que deem mais "transparência à informação sobre gastos de defesa".

Já a missão de "identificar ameaças que possam afetar a paz regional e mundial" ficou com a Venezuela. O Brasil se destaca nas questões ligadas a operações de paz.

DIREITOS HUMANOS

O encontro também deve refletir os avanços ocorridos nas Forças Armadas desde a redemocratização da América do Sul, a partir do final dos anos 80. Neste período, um dos maiores progressos foi a integração do Direito Internacional dos Conflitos Armados (Dica) na formação militar.

O Dica estabelece as normas a serem respeitadas pelos combatentes, como a proibição da tortura e dos ataques contra civis. Apesar de ter sido criado há quase 150 anos - quando d. Pedro II era o imperador do Brasil -, esse ramo do direito só começou a ser integrado nos manuais militares brasileiros no ano passado, por força de uma portaria normativa do Ministério da Defesa.

No Chile, essa integração começou na década de 90, depois do fim da ditadura que governou o país por 17 anos, deixando um rastro de 2.279 mortos e 1.102 desaparecidos, segundo a Comissão de Verdade e Reconciliação.

"Isso começou a ser estudado há dez anos, mas sem a mesma intensidade", disse o comandante Renato Nuño Luco, da Academia de Guerra Aérea do Chile. "Hoje, há uma melhor compreensão do que são os direitos humanos e isso coincide com a redemocratização."

Na Argentina, a reforma mais visível foi nos tribunais. Há uma semana, o governo concluiu uma revisão completa em seu Código de Justiça Militar, depois de ter convivido por 61 anos com uma normativa que previa pena de morte para militares e aplicação de castigos para homossexuais.

Outra característica inovadora do Conselho é que sua criação foi impulsionada por ministros civis. Nos anos 70 e 80, os três ramos das Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - possuíam ministérios próprios, sem subordinação a nenhuma autoridade civil.

"O conselho não é uma aliança militar no sentido clássico", disse ao Estado o ministro da Defesa do Chile, José Goñi. "A intenção é promover maior integração num contexto de consolidação democrática."

Segundo Goñi, a nova instância "permite que as mais altas autoridades de nossos governos democráticos possam se coordenar de maneira permanente".

Monica Hirst, pesquisadora do Departamento de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade Torcuato di Tela, de Buenos Aires, explica que "nos anos 90, criou-se um consenso hemisférico sobre a importância para a consolidação da democracia de alcançar o controle civil sobre as Forças Armadas. Desde então, todos os países sul-americanos avançaram nessa área". Mas ela lembra que "nem sempre, o poder real recai sobre os ministros", o que é percebido "na definição de orçamentos, estratégias, doutrinas e iniciativas de intervenção".

TEMAS DO ENCONTRO

Políticas de Defesa - Modernização das Forças Armadas da região, maior transparência nos orçamentos e gastos com material bélico, prospecção de ameaças regionais e mundiais.

Operações humanitárias - Exercícios conjuntos e definição de mecanismos de respostas imediatas combinadas em casos de catástrofes, ação em operações de paz, inventário da capacidade de cada país para apoiar missões da ONU.

Indústria e tecnologia militar - Diagnóstico da indústria de defesa nos países-membros e promoção de iniciativas multilaterais de cooperação na produção de material bélico.

Capacitação - Criação de uma rede sul-americana de instrução militar e de um centro sulamericano de estudos estratégicos.

Novo general brasileiro assume comando no Haiti

Militar será o 5º oficial do Brasil na chefia da missão da ONU no país



Tahiane Stochero*

SÃO PAULO. O novo comandante brasileiro da missão de paz das Nações Unidas no Haiti (Minustah), general Floriano Peixoto Vieira Neto, assumirá o posto no dia 9 de abril. Ele substituirá o general gaúcho Carlos Alberto dos Santos Cruz, há dois anos no comando da Minustah, que voltará ao Brasil para ser promovido a general de Divisão (três estrelas). A nomeação de Viera Neto foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

A proposta de promoção de Santos Cruz foi entregue na sexta-feira pelo Comando do Exército ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia oficial será em 31 de março, mas o general só chegará ao Brasil no final de abril, após um período de descanso. Ele deve assumir um cargo no Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

Brasil tem o maior contingente na Minustah

Homenageado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, devido ao sucesso na luta contra os grupos armados no Haiti, Santos Cruz comandou as operações militares para a pacificação de Cité Soleil, região da capital haitiana, Porto Príncipe, considerada pela ONU como uma das mais violentas do mundo. Por este motivo ele foi designado para permanecer no Haiti por três anos seguidos.

Em setembro de 2008, a ONU pediu ao Exército que mantivesse Santos Cruz até 2010 no cargo. O governo brasileiro negou o pedido, informando que precisava que o general retornasse a Brasília para "progressão na carreira", sugerindo outros três candidatos.

Em dezembro, os três generais foram entrevistados em Nova York e o general Floriano Peixoto foi escolhido. Natural de Tombos, no estado de Minas Gerais, o general Floriano Peixoto será o quinto brasileiro a comandar a força de paz no Haiti e já chefiou operações no primeiro contingente do Brasil na Minustah, em 2004.

Atuando há cinco anos na pacificação do Haiti, o Brasil tem o maior número de militares na missão da ONU, cerca de 1.300 homens.

*Do Diário de S. Paulo

No Chile, Jobim participa da primeira reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano



Brasília, 6 de março - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, viaja nesta segunda-feira (9) para Santiago, no Chile. O objetivo da viagem é participar da primeira reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), criada em dezembro de 2008, pela União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). O Conselho é uma instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de Defesa e atuará em harmonia com as disposições do Tratado Constitutivo da UNASUL. Veja a programação da viagem:

9/03 (segunda-feira)

12h45 - Partida para Santiago-Chile
17h00 - Chegada a Santiago-Chile (Base Aérea de Santiago do Chile)
18h00 - Audiência com a Presidente do Chile, Michelle Bachelet
20h30 - Jantar oferecido pelo Ministro da Defesa do Chile às Delegações

10/03 (terça-feira)

09h15 - Monumento do General Bernardo O’Higgins Riquelme (Oferenda floral)
09h35 - Foto oficial com todos os Ministros ( Plaza La Constitución )
10h00 - Cerimônia de abertura
10h30 - Término da cerimônia
11h00 - Sessão Plenária ( Hotel Crowne Plaza )
13h30 - Almoço oferecido pelo MD do Chile aos Chefes de Delegação
15h30 - Sessão Plenária
18h00 - Término da Sessão Plenária
18h30 - Assinatura da Ata final
19h00 - Deslocamento para a Base Aérea de Santiago-Chile
19h45 - Partida para Brasília
23h45 - Previsão de chegada a Brasília

Seleção brasileira militar de futebol conquista primeiro lugar no Torneio das Américas



Brasília, 9/03/2009 - A seleção brasileira militar de futebol conquistou o primeiro lugar no Torneio de Futebol das Américas, realizado em Abilene, no Texas. Das cinco equipes, as duas melhores, Brasil e Barbados, foram classificadas para o Mundial Militar de Futebol de 2009.

Além de ser o evento que permite a classificação das seleções para o Mundial 2009, o Torneio das Américas também é parte das etapas preparatórias os Jogos Mundiais Militares, que acontecerão no Rio de Janeiro em 2011. Mesmo enfrentando temperaturas abaixo de zero grau, o Brasil foi vencedor invicto, fez o maior número de gols e destacou o artilheiro do campeonato.

É a primeira vez que uma equipe militar brasileira de futebol vence uma competição no exterior. A preparação foi feita no Rio de Janeiro, na Escola de Educação Física do Exército (Urca - RJ).

07 Março 2009

Exército do Sri Lanka mata 32 rebeldes e diz que ofensiva está no final


em Nova Déli

O Exército do Sri Lanka anunciou neste sábado ter matado 32 rebeldes tâmeis no nordeste da ilha e assegurou que suas tropas estão na fase final da ofensiva que procura acabar com a guerrilha.

Em comunicado, o ministério da Defesa estima em 45 quilômetros quadrados o território onde ainda a guerrilha dos Tigres de Libertação do Tâmil Eelam (LTTE) resiste, após os últimos enfrentamentos no pequeno distrito de Mullaitivu.

Os combates dos últimos dias aconteceram em vários pontos do distrito e custaram a vida de 32 terroristas dos LTTE e de dezenas de feridos, informa a nota. Segundo o ministério da Defesa, os guerrilheiros estão fazendo agora "desesperadas tentativas de prolongar sua iminente derrota".

A site partidário dos LTTE, TamilNet, não fornece informações sobre os combates, mas publica declarações de C. Ilamparithy, um líder rebelde que denúncia que a ofensiva governamental "não tem precedentes" na história das "guerras convencionais".

Ilamparithy acusou o governo de "sabotar" o fornecimento de alimentos a civis no norte da ilha, onde em janeiro as agências humanitárias calcularam que havia 250 mil pessoas.

A intensa ofensiva militar cingalesa durante o último ano permitiu a conquista das principais fortificações da guerrilha, áreas estratégicas do norte e do leste do país. Porta-vozes militares asseguraram que o fim dos LTTE como guerrilha convencional está perto, embora não descartem que os rebeldes sigam fazendo atentados.

Os tigres tâmeis enfrentam há mais de 20 anos o Exército do Sri Lanka com o objetivo de proclamar um estado independente no norte e no leste do país, onde a etnia tâmil é majoritária.

06 Março 2009

Navios alemães no Brasil


Duas fragatas alemãs, a ‘Sachsen’ e ‘Lübeck’, e um navio de apoio logístico, ‘Frankfurt am Main’ vão atracar no porto de Salvador na quinta-feira (12) a partir das 10h. Segundo informações da Embaixada alemã no Brasil, a parada vai durar cinco dias e faz parte das atividades de formação de oficiais e de reforço de relações internacionais da Marinha da Alemanha.

Na programação da estadia estão previstos uma visita à Fazenda do Natal, do Projeto Pontos Coração, um jogo de futebol entre oficiais alemães e brasileiros e, para um grupo de empresários convidados, uma exposição sobre a potencialidade da indústria naval alemã.

Para o público em geral, as três embarcações estarão abertas à visitação nos dias 14 e 15, das 14h às 17h. O Brasil é o quinto destino da viagem que começou na Alemanha, em Wilhemshaven, no dia 20.01, e já passou pelas cidades de Portsmouth (Reino Unido), Lisboa (Portugal), Catânia (Itália) e Tenerife (Ilhas Canárias).

À bordo dos navios encontram-se cerca de 600 soldados, entre os quais 70 cadetes (aspirantes à oficial), e 15 marinheiros de países como Algéria, Geórgia, Tailândia, Inglaterra, França e Estados Unidos.

Thales critica EADS sobre A400M

Presidente da Thales se recusa a dar à EADS mais dinheiro para o A400M

Ele acusa o consórcio de esconder verba


Se a EADS esperava ser salva por seus acionistas no caso do turbohélice A400M da Airbus Military que se encontra muito atrasado e com custos bem acima do previsto... é melhor que ela repense suas esperanças.

A Agência Reuters reportou que o grupo eletrônico Thales recusou-se a realizar qualquer contribuição adicional ao programa com problemas. A Thales – um membro do programa A400M – passou então ao surpreendente passo seguinte, de acusar a EADS de esconder fundos no mesmo momento em que pede mais dinheiro dos demais associados.

Como a ANN relatou anteriormente, em janeiro a EADS e a Airbus Military anunciaram um novo rumo para o muito atrasado programa militar A400M dizendo às nações associadas que elas devem convergir para descobrir “uma saída" para a aeronave problemática. Sem este auxílio e mais divisão de riscos entre as empresas a construção do avião seria uma “missão impossível” agregou a EADS. Este tipo de argumentação não convenceu o presidente da Thales Denis Ranque.

Quando perguntado se sua companhia planejava ajudar o programa, ele, de forma franca, respondeu: "de forma alguma." Ranque então acusou a EADS de embolsar o dinheiro recebido dos clientes do avião. "A EADS guardou todo o dinheiro. Eles estão sendo financiados como um programa militar, mas nós estamos sendo financiados como um programa civil" disse Ranque. "Nós não recebemos nenhuma verba da EADS." A EADS recusou-se a comentar as declarações de Ranque.

Vários dos mais recentes problemas do A400M – que se encontra em desenvolvimento a cerca de 20 anos – derivam dos motores turbohélices do avião... e não com os sistemas eletrônicos criados pela Thales. A companhia reconheceu no ano passado um prejuízo de 80 milhões de Euros no ano passado por razões ligadas a este programa militar; em janeiro, Ranque despediu um executivo da Thales encarregado de programas aeroespaciais principalmente devido aos problemas com o A400M.

No atual clima econômico, as chances da EADS conseguir obter mais dinheiro de seus parceiros de risco parecem mínimas. Na realidade o congresso britânico já discute a possibilidade de abandonar por completo o programa.


SAAB recebe repórteres brasileiros na Suécia



Felipe Salles

A briga pela conquista de um contrato militar importante como o F-X2 da FAB é muito dura e é disputada em muitas frentes. A primeira e principal destas “frentes” foi encerrada, pelo menos temporariamente, com a entrega das propostas solicitadas com o Request For Proposals (RFI). Agora os contendores, Boeing, SAAB e Dassault. Abrem novas iniciativas. O ambiente de imprensa, que foi tão importante no primeiro F-X foi aberto pela Boeing, que levou uma série de jornalistas de meios tradicionais e influentes para visitar suas fábricas e escritórios nos Estados Unidos no início de fevereiro. No mesmo mês, durante o feriado do Carnaval a Gripen revidou levando repórteres dos jornais O Globo, Folha de São Paulo, JB, Jornal do Commércio e da revista Época até a Suécia, para fazer ouvir seu lado da história. Desta vez, ALIDE foi o único meio especializado, e também a única mídia eletrônica a acompanhar esta viagem.

Os jornalistas convidados embarcaram na noite de sábado de Carnaval do Rio, São Paulo e Brasília, o grupo se encontrou em Lisboa no dia seguinte de onde seguiram para Estocolmo, a capital da Suécia. O ambiente absolutamente nevado da Suécia não podia ser mais oposto do que o intenso calor que fazia no Brasil naqueles dias, mas este é o mundo da globalização. A programação se iniciou na segunda feira com uma entrevista com Frederik Lindgren, VP Chefe da Área de Comunicação Corporativa da Holding Investor AB. Este grupo é dono da SAAB e das principais multinacionais suecas como a Ericsson, ABB e Electrolux. Em seguida foi a vez de termos uma entrevista com o CEO da SAAB, Ake Svensson, que nos apresentou a origem do grupo SAAB e seus planos para o futuro. Magnus Lindberg, por sua vez entrou no detalhe sobre como a SAAB fez para atender aos requisitos, cada vez mais normais, de cooperação industrial com os países que compram suas aeronaves e sistemas.

A terça-feira começou com uma visita ao Embaixador brasileiro em Estocolmo, Antonino Mena Gonçalves que nos falou sobre a relação política e econômica dos dois países ao longo dos anos. Depois do almoço houve uma visita ao Swedish Trade Council, entidade de propriedade do estado sueco e das empresas privadas focado na promoção do comércio da Suécia com o resto do mundo, naturalmente aqui pudemos também ter uma idéia do que pensam os suecos sobre a atual crise internacional. O resto do dia foi ocupado por uma vista à Kista (pronunciado “xista”, em sueco) Science City, um empreendimento de desenvolvimento de novas empresas focadas em tecnologias e processos altamente avançados. O principio básico deste tipo de organização consiste na cooperação entre indústria, governo local e academia para gerar inovação. A administração deste projeto se esforça para juntar ao máximo as empresas localizadas aí para que cada uma traga novas idéias e oportunidades para as demais empresas. Nesta noite seguimos de trem para Linköping, cidade universitária onde se localiza a sede principal da SAAB na Suécia.

Entrar numa fábrica da SAAB é tão duro quanto entrar na Embraer. Este é um segmento extremamente competitivo e o mínimo detalhe pode ser critico para definir a empresa que se sagrará líder. O primeiro briefing foi do ex-piloto da Força Aérea Magnus Lewis Olsson sobre o programa Gripen NG. Depois de detalhar bastante as questões e a origem do caça sueco e os planos para a dobradinha C/D e NG. O passo seguinte foi uma visita guiada à compacta linha de produção do Gripen. Depois disso os repórteres puderam experimentar a sensação de sentarem no cockpit de um Gripen C, e receberem um instrução sobre os diversos mostradores e a botoeira que comandam este caça. Posteriormente a isso, foi a vez de conhecermos a estrela da casa, o protótipo do Gripen Demo. Mathias Bergstrom, coordenador do programa de vôos do Gripen Demo mostrou o que já tinha sido ensaiado e o que faltava ainda para seus testes futuros. Então, depois do almoço, nos tocou conhecer o site “infotografável”da Saab, sua fábrica de peças em material composto, tecnologia que reforça o valor da empresa sueca no mercado mundial. Lars Ekstrom apresentou o sistema de radar AWACS SAAB Erieye solução já adotada pelas forças aéreas de Suécia, Brasil, México e, mais recentemente, pela Tailândia e pelo Paquistão. Este sistema era, originalmente, um produto da empresa Ericsson Microwave, mas, esta divisão, agora, a foi absorvida pela própria SAAB com o nome de SAAB Microwave. A programação em Linköping foi encerrada com uma palestra do Dr. Billy Frederiksson, um funcionário aposentado da SAAB, sobre os programas da empresa para estimular a produção de novas tecnologias e conceitos nas empresas do Mjardevi Science Park, que de forma similar à Kysta visitada anteriormente combina o apoio da indústria governo e academia aqui no campo da tecnologia da informação e da ciência da computação. Em Mjardevi o papel de “âncora” é desempenhado pela própria SAAB, a maior empresa da região.

Na quinta-feira o grupo retornou a Estocolmo e aproveitou a manhã antes da partida do vôo para visitar o imponente Vasa Museet. Este museu foi criado do zero para a acomodar o casco do navio Vasa afundado por acidente em 1658, no dia do início de sua primeira viagem, no próprio porto de Estocolmo. Este navio permaneceu coberto de lodo por 333 anos até que em 1961 o navio foi resgatado e submetido a um banho de gera por muitos anos até que ele pudesse ser colocado num moderníssimo museu construído só para abrigar este navio. Nenhum aficionado dos temas navais e do mundo militar pode passar por Estocolmo sem visitar este museu único. Em algumas semanas ALIDE irá fazer um artigo inteiro dedicado ao Väsa e ao seu museu, aguardem.


Agora a proverbial "bola" nesta guerra de comunicação do F-X2 esta na "quadra" da Dassault, como será que ela responderá às salvas iniciais disparados por suecos e americanos?


Growler derrubou Raptor



O jornalista Stephen Trimble da revista Flight International visitou a Base Aérea de Andrews em 26 de fevereiro e fez a foto acima de um EA-18G Growler com um decalque de um F-22 na fuselagem, que teria sido abatido pela aeronave.

Segundo o jornalista, um piloto disse que o kill foi obtido com um míssil AMRAAM e que o Growler conseguiu o feito usando alguns de seus sistemas de guerra eletrônica para enganar e detectar o Raptor.

O EA-18G é a versão de guerra eletrônica do F/A-18 Super Hornet que, diferentemente do EA-6B Prowler que vai substituir, possui capacidade de combate.

Cronograma de chegada dos Mi-35M da Força Aérea Brasileira


A Força Aérea Brasileira deverá receber 12 helicópteros de ataque e transporte MI-35M, um simulador de vôo, suporte operacional, suporte logístico e treinamento de emprego. No programa de aquisição das aeronaves, também foi inserida a transferência de tecnologia, para a construção de Banco de Dados Visuais para o simulador de vôo. Foram garantidos também quatro projetos no Programa de Off-set.

Serão fornecidas pelo fabricante as especificações necessárias para que sejam identificados e utilizados produtos químicos e especiais nacionais;

Cronograma de recebimento das aeronaves:
• 1º Lote (3 aeronaves) > agosto de 2009
• Simulador de vôo > novembro de 2009
• 2º Lote (3 aeronaves) > abril de 2010
• 3º Lote (3 aeronaves) > dezembro de 2010
• 4º Lote (3 aeronaves) > agosto de 2011

Canadá advertiu bombardeiro russo na fronteira antes de visita de Obama, diz ministro



Caças canadenses interceptaram um avião bombardeiro russo no Ártico quando se aproximava do espaço aéreo do Canadá, às vésperas da visita do presidente Barack Obama, na semana passada, a Ottawa, disse nesta sexta-feira passada o ministro da Defesa do Canadá.

Peter MacKay informou que o bombardeiro não chegou a entrar no espaço aéreo do Canadá, mas ele disse que os dois jatos canadenses CF-18 entraram em contato com o avião russo no espaço aéreo internacional e enviaram um "forte sinal de que deveriam se afastar".

"Eles encontraram um avião russo que se aproximava do espaço aéreo canadense e, como já tinham feito em ocasiões anteriores, mandaram sinais muito claros que foram entendidos, para que a aeronave desse meia-volta, e seguisse para o seu espaço aéreo, o que ela fez", disse MacKay.

"Eu não vou acusar aqui os russos de terem feito isso de propósito durante a visita presidencial, mas foi uma grande coincidência", disse ele sobre o incidente, que aconteceu no dia 18 deste mês. Obama chegou a Ottawa um dia depois do episódio.

MacKay também ligou o incidente à competição entre o Canadá, a Rússia, os Estados Unidos e outros países para garantir a exploração de recursos do Ártico. Com o derretimento do gelo polar, há novas oportunidades para explorar petróleo, gás e reservas minerais na região.

"Sabemos que as águas estão se abrindo", disse ele. "Sabemos que outros países já manifestaram interesse no Ártico".

No entanto, o Ministério da Defesa da Rússia negou nesta sexta-feira que aviões russos tenham se aproximado da fronteira do Canadá e disse que as autoridades canadenses haviam sido informadas sobre o voo.

"Durante o voo, os bombardeiros russos seguiram rigorosamente os regulamentos internacionais e excluíram qualquer possibilidade de violar o espaço aéreo canadense", disse o porta-voz do ministério, Alexander Drobyshevsky. "Países fronteiriços foram notificadas sobre os voos."

"A declaração do ministro da Defesa do Canadá sobre os voos da nossa aeronave é absolutamente incompreensível", disse Drobyshevsky. "Eles não são nada mais que uma farsa."

O porta-voz do ministro canadense, Dan Dugas, disse que não iria responder à declaração russa, mas disse que o Canadá não foi informado sobre o voo, e que ele aconteceu menos de 24 horas antes que Obama visitasse Ottawa.

Vladimir Drik, porta-voz da Força Aérea russa, disse em uma declaração publicada pela agência de notícias estatal RIA Novosti que o voo do bombardeiro Tupolev (TU-160) tinha sido planejada com antecedência e fez parte de patrulhas de rotina. Ele disse que a tripulação agiu de acordo com os acordos internacionais e não violou o espaço aéreo do Canadá.

Um conselheiro da embaixada russa em Ottawa, Dmitry Trofimov, disse que a Rússia tem informado ao Comando de Defesa do Espaço Aéreo da América do Norte (Norad, na sigla em inglês), sobre os seus voos.

Aviões soviéticos voavam regularmente perto do espaço aéreo norte-americano durante a Guerra Fria, mas a prática cessou após o colapso da União Soviética, em 1991. Há alguns anos, jatos russos retomaram esse tipo de voo.

MacKay disse que a Rússia não comunica os voos com antecedência. "Eles simplesmente aparecem na tela do radar ", disse MacKay. "Isto certamente não é um jogo."

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, disse que seu país manifestou "profunda preocupação" em relação ao que ele chamou de "intromissões russas em nosso espaço aéreo".

"Este governo tem respondido a cada vez que os russos fizeram isso. Iremos continuar a responder. Vamos defender o nosso espaço aéreo", disse Harper.

Força militar

O incidente com o Canadá veio à tona na semana que antecede um encontro entre o ministro das Relações Exteriores da Rússia e a Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Genebra, na Suíça. Sergey Lavrov disse que o encontro tratará do controle de armas nucleares, e que espera que os EUA formem com a Rússia uma equipe de negociação para controlar os armamentos.

Também nesta semana, os russos fizeram outra manifestação de força militar. As Forças Armadas do país anunciaram que colocaram em serviço um novo radar de alerta rápido destinado a acompanhar potenciais ameaças de mísseis da Rússia ao sul do território.

O chefe das Forças Espaciais russas, general Oleg Ostapenko, disse que o novo radar, localizado próximo ao sul da cidade de Armavir, tem desempenho muito superior ao dos seus predecessores soviéticos.

As Forças Espaciais informaram que a nova unidade, que entrou em funcionamento nesta quinta-feira (26), vai substituir dois radares militares soviéticos na Ucrânia. O aluguel de bases ucranianas para os radares russos foi suspenso devido a movimentos da Ucrânia rumo à aliança militar ocidental, a Otan (Organização do tratado do Atlântico Norte), fundada em 1949 como uma forma de fazer frente à União Soviética.

Nesta sexta-feira, um dirigente da Corporação Unida de Estaleiros, que reúne os maiores estaleiros russos, anunciou que vai construir nos próximos anos pelo menos três porta-aviões de propulsão nuclear.

Na semana passada, o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, acenou com um apaziguamento das relações com a Rússia, ao mesmo tempo em que criticou o "jogo duplo" de Moscou com as tropas da Otan no Afeganistão.

Durante reunião da aliança militar ocidental em Cracóvia, Polônia, Gates afirmou ontem que o governo Obama "precisa de mais tempo" para decidir se leva adiante o projeto de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu, lançado pelo antecessor George W. Bush e criticado por Moscou.

A Rússia vê a medida como uma ameaça e um fator de desequilíbrio geopolítico, prometendo retaliar com a instalação de uma base de mísseis no encrave de Kaliningrado, entre a Polônia e a Lituânia.

Rafale International e seus fornecedores unem forças com empresas brasileiras de defesa


Comprometida com a oferta de sólido apoio ao desenvolvimento da capacidade tecnológica e industrial Brasileira em sua proposta ao Governo Brasileiro para a aquisição da próxima geração de aeronaves de combate – programa F-X2 – a Rafale International, um consórcio formado pelas empresas francesas Dassault Aviation, Snecma (grupo SAFRAN) e Thales e seus fornecedores, realizou um seminário de dois dias em São Paulo com o patrocínio da FIESP, reunindo empresas brasileiras de defesa, a fim de melhorar os campos de cooperação e reforçar o relacionamento entre o Brasil e França no campo das atividades de defesa..

O primeiro dia do encontro, 03 de março, começou com o discurso inaugural do diretor do Comdefesa da FIESP, Jairo Cândido, dando o testemunho de que “a Rafale buscava uma forma de encontrar a indústria brasileira e nós estamos promovendo isso”. Ele acredita que os empresários franceses vão encontrar alto conteúdo e capacitação tecnológica no Brasil. “Estamos prontos e em pé de igualdade com os senhores”.

O dia todo foi então dedicado a apresentações de indústrias francesas, com executivos da Dassault Aviation, Thales e Snecma e seus fornecedores de grandes, médias e pequenas empresas, ilustrando sua experiência bem sucedida em cooperação internacional e seu amplo leque de conhecimentos e domínio de atividades.

A ativa participação dos executivos franceses dos setores de defesa e economia foi um testemunho do forte compromisso político dos franceses em relação ao Brasil através do programa Rafale.

Hoje, dia 04 de março, foram realizados encontros entre empresas francesas e brasileiras com a perspectiva de materializar a parceira através da assinatura de vários Memorandos de Entendimento (MoU).

No geral, este seminário, reunindo mais de 150 executivos industriais representando cerca de 90 empresas e entidades brasileiras e francesas, enfatizou as oportunidades no campo da transferência tecnológica com aplicações concretas, de terceirização (pacotes de trabalho) e cooperação em suporte logístico em um dos mais ambiciosos programas tecnológicos já propostos ao Brasil.

Escolhida como um dos finalistas na concorrência do programa FX-2, a aeronave de combate Rafale, em termos de eficácia de combate e também em termos de tecnologias críticas, está na vanguarda da inovação técnica, com aplicação em vários campos e gerando um salto tecnológico para toda a indústria brasileira, muito além das exigências previstas na concorrência.

Sobre a Rafale International

Rafale International é um consórcio formado pelas empresas Dassault Aviation, Snecma e Thales para promover o Caça Multifuncional Rafale para clientes internacionais.