China diz que crise na península coreana atingiu 'ponto de inflexão'

Coreia do Norte lançou míssil que sobrevoou o Japão. União Europeia e Estados Unidos afirmam que ação será discutida no Conselho de Segurança da ONU.


Por G1


A China, principal aliada econômica e diplomática de Pyongyang, alertou nesta terça-feira (29) que a crise na península coreana alcançou um "ponto de inflexão" depois do lançamento de um míssil norte-coreano que sobrevoou o Japão e pediu moderação às partes em conflito.

Pedestres assistem à notícia sobre o lançamento de um míssil que sobrevoou o Japão, nesta terça-feira (29) em Toquio (Foto: Toshifumi KITAMURA / AFP)
Pedestres assistem à notícia sobre o lançamento de um míssil que sobrevoou o Japão, nesta terça-feira (29) em Toquio (Foto: Toshifumi KITAMURA / AFP)

A porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, reiterou o apelo para a retomada das negociações de paz e afirmou que as "pressões e as sanções" contra o regime comunista de Pyongyang "não podem resolver o problema". "A única via de saída é através do diálogo e as consultas", afirmou Hua.

A porta-voz lembrou que a China se opõe aos programas nucleares e balísticos da Coreia do Norte, mas afirmou os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizaram uma e outra vez manobras militares e exerceram pressão militar" sobre Pyongyang. A porta-voz reiterou a proposta realizada pela China de "suspensão dupla" pelo qual os EUA e Seul ofereceriam parar com suas manobras, em troca que a Coreia do Norte não realizasse mais testes balísticos e nucleares.

Diante de uma possível resposta dos EUA ao novo desafio norte-coreano, Hua advertiu que "todas as partes envolvidas devem evitar ações que possam gerar uma escalada da tensão".

Reações

Outros países reagiram nesta terça ao mais recente lançamento de míssil pela Coreia do Norte. A premiê britânica Theresa May disse nesta terça que o lançamento foi uma "provacação imprudente". May viajará ao Japão nesta terça e conversará com o premiê Shinzo Abe sobre a crise na península.

"A primeira-minsitra está indignada com a provocação imprudente da Coreia do Norte e condena fortemente os testes ilegais. De nossa perspectiva teremos que continuar a trabalhar com nossos parceiros internacionais para manter a pressão sobre a Coreia do Norte", disse a porta-voz da premiê.

Também Robert Wood, embaixador de desarmamento dos Estados Unidos, disse nesta terça-feira (29) em Genebra que o teste com míssil coreano é "mais uma provocação" da Coreia do Norte. Wood também afirmou que tema será discutido no Conselho de Segurança da ONU.

"É mais uma provocação da Coreia do Norte. Essa é uma grande preocupação, claro, para o meu governo e para diversos outros governos", disse.

Federica Mogherini, alta representante para a Política Externa da União Europeia (UE), também condenou o lançamento, alertando para os próximos passos que poderá dar após reuniões no Conselho de Segurança da ONU.

"Nós apoiamos completamente chamadas por uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU hoje", diz Mogherini em comunicado, acrescentando que a UE analisará uma "resposta apropriada em estreita consulta com parceiros-chave e de acordo com deliberações do Conselho de Segurança".

A Rússia também disse estar "extremamente preocupada" com o lançamento do míssil. "Vemos uma tendência de escalada (...) e estamos extremamente preocupados com a evolução geral da situação", afirmou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, citado pela agência estatal RIA Novosti.

Crise com os EUA

A crise entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos se agravou no início de agosto, quando Pyongyang anunciou que pretendia lançar quatro mísseis Hwasong-12 de médio alcance em um ataque nas proximidades da ilha de Guam, território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico.

Em reação, Trump prometeu responder "com fogo e fúria como o mundo nunca viu" se o país asiático insistisse nas ameaças. Em resposta, o general Kim Rak Gyom, comandante da Força Estratégica do Exército do Povo Coreano, disse que o presidente americano não tinha entendido. "Diálogo saudável não é possível com um sujeito tão desprovido de razão e apenas força absoluta pode funcionar sobre ele".

O tom da discussão subiu, com Trump afirmando que que sua ameaça de responder com “fogo e fúria” às provocações da Coreia do Norte talvez não tenha sido “forte o suficiente”. “É melhor a Coreia do Norte começar a agir direito ou ela estará em apuros como poucos países já estiveram antes”, disse.

Por sua vez, os militares norte-coreanos prometeram "destruir sem perdão os provocadores que estão fazendo tentativas desesperadas de sufocar a Coreia do Norte" e afirmaram que os Estados Unidos iriam "sofrer uma derrota vergonhosa e uma condenação final", caso "persistam em suas aventuras militares, sanções e pressões extremas".

As tensões pareciam ter sido reduzidas depois que Kim Jong-un, ao receber o plano de ataque a Guam, anunciou que não iria autorizar imediatamente a ação, mas que preferia continuar observando o comportamento e as ações dos EUA.

Em uma mensagem no Twitter, Trump reagiu da seguinte maneira: “Kim Jong-Un, da Coreia do Norte, tomou uma decisão muito sábia e bem fundamentada. A alternativa teria sido catastrófica e inaceitável!”

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