23 julho 2007

Venezuela negocia para adquirir submarinos russos

Fonte: Agência Itar-Tass

Traduzido por: Felipe Salles

A holding Rosoboronexport, a agência estatal Russa para exportação de armamento, realmente está envolvida em negociações para a entrega de cinco submarinos diesel-elétricos da classe Kilo armados de mísseis antinavio para a Venezuela. Isso a despeito do governo da Venezuela ter desmentido publicamente várias notícias anteriores, vindas da Rússia, de que estava sendo seriamente considerada a compra de submarinos pelo país.

Innokenty Naletov, assessor do Gerente Geral da Rosoboronexport, ao discutir os resultados obtidos no terceiro Show Naval Internacional de São Petersburgo, comentou sobre isso numa conferência de imprensa. Em entrevista com a agência Itar-Tass, Naletov disse que “as conversas prosseguem adiante com grande velocidade, e conseguimos um grande progresso em direção à assinatura do contrato”. De acordo com o representante da Rosoboronexport, a Venezuela já solicitou um relatório de viabilidade sobre os submarinos Kilo e demonstrou interesse em uma série de outros programas em desenvolvimento pela indústria russa de submarinos, exibidos naquele show, como por exemplo os mini-submarinos (http://www.nti.org/db/submarines/russia/export.html#piranya) do bureau Malakhit.

“Entre todas as delegações, nós trabalhamos de forma mais próxima com os venezuelanos. Eles visitaram todos os stands e cada uma das empresas. Eles tinham uma programação particular”, continuou Naletov. “Eles examinaram uma grande variedade de produtos, incluindo aeronaves e hardware terrestre. Mas, falando do componente naval, as conversas mais concretas ocorreram sobre os submarinos da classe Kilo”.

O representante disse, “Ainda é cedo demais para falarmos sobre valores e datas específicas para conclusão deste contrato, especialmente porque valores na fase pré-contratual são um crucial segredo comercial”.

Os submarinos diesel da classe Kilo, que foram desenvolvidos pelo Bureau Rubin e construídos pelo Estaleiro do Almirantado, são exportados dede 1986. A última grande encomenda desta classe, oito unidades, foi feita pela Marinha Chinesa. A classe Kilo é considerada uma das melhores famílias de submarinos do mundo, atualmente.

Este modelo é descrito pelo fabricante com sendo “notável pelo seu baixo nível de ruído, contando com razoável grau de automação na área da propulsão e dos sistemas de combate. Ele pode disparar tanto torpedos quanto mísseis anti-navios poderosos, além de ter a capacidade de lançamento de minas. O espaço interno é amplo para acomodar adequadamente a tripulação e ele dispõe de uma manutenção regular muito simplificada”.

China planeja construir seu primeiro porta-aviões

Fonte: RIA Novosti

Traduzido por: Felipe Salles

A China está perto de iniciar a construção de seu primeiro navio-aeródromo para expandir as capacidades operacionais e estratégicas da Marinha do Exercito de Libertação do Povo (PLAN), anunciou uma agência de noticias chinesa.

A KANWA News citou fontes na indústria de defesa chinesa que alegavam que várias empresas já teriam recebido contratos ligados ao desenvolvimento dos sistemas e componentes necessários para um futuro navio porta-aviões.

“Isso indica que a decisão da construção do porta-aviões já foi tomada, e que suas características básicas já estão determinadas”, a agência disse, agregando que um estaleiro de Xangai poderia ser o escolhido para ser o principal contratado.

Até aqui, os estaleiros chineses tem construído barcos patrulha lança-mísseis, navios desembarque doca, fragatas e destróieres, vários destes com características de projeto “Stealth” e abrigando tecnologia avançada, como os navios de guerra ocidentais.

Ainda que Pequim consistentemente negue notícias publicadas na imprensa que sugerem que a China poderia construir seu primeiro porta-aviões antes mesmo de 2010, membros do governo chinês admitiram em março passado que o país estava conduzindo pesquisas sobre as tecnologias presentes nos porta-aviões.

A Rússia, desde muito tempo, oferece à China auxílio para o desenvolvimento de seu próprio navio aeródromo.

Alexander Denisov, chefe da agência de compras de armas da Rússia, revelou no ano passado durante o Airshow China 2006 que esta assistência não violaria as normas internacionais como o embargo de equipamento militar da União Européia para a China, colocada em efeito após a dura repressão dos manifestantes estudantis na Praça da Paz Celestial em 1989.

A imprensa regional recentemente focou sua atenção no Varyag, um porta-aviões russo que nunca chegou a ser completado, mas que, assim mesmo, foi rebocado até a China em 2002.

A China comprou o navio, sem qualquer tipo de equipamento eletrônico ou armamento instalado, num leilão na Ucrânia e o colocou num dique seco da PLAN na cidade de Dalian.

Mesmo que o Varyag tenha chegado num estado dilapidado, já em 2005 ele estava totalmente limpo e pintado, e especialistas acreditam que os chineses estão seriamente considerando terminar a construção deste navio.

A Rússia forneceu muitos dos novos navios chineses, incluindo os destróieres da classe Sovremenny e os submarinos diesel-elétricos da classe Kilo, e existem bons sinais de que a China continuará no futuro a depender das competências da indústria naval russa.

A Rússia não está neste momento construindo nenhum grande navio de guerra ou submarino para a China, mas eles poderão vender para os chineses o hovercraft de desembarque anfíbio pesado “Zubr”, um grande número de helicópteros navais Kamov, e os hidroaviões movidos a jato Beriev Be-200, concluiu a KANWA.

Moscou pode também fornecer aeronaves para uso a bordo do futuro porta-aviões chinês. Comenta-se que a Rosoboronexport, a holding estatal russa para material de defesa, está negociando com os chineses a venda de cerca de 50 Su-33, os caças navais da família Flanker, num contrato avaliado em cerca de US$$2.5 bilhões.

Marinha indiana planeja comprar novos navios e submarinos

A Marinha da Índia irá adquirir seis submarinos e 33 navios, conforme declarou o seu mais graduado Almirante no último dia 30/06, um dia após a Índia publicar o pedido de propostas para jatos de caça para expandir a capacidade de combate da sua Força Aérea.

“Nosso interesse não esta limitado ao Oceano Índico”, Almirante Sureesh Mehta falou aos repórteres na cidade oriental de Calcutá. Ele não elaborou, mas disse “nós precisamos de uma Marinha vibrante” para proteger os interesses econômicos da Índia.

A Índia tem 7,516 quilômetros de costas. Mehta disse que levaria cerca de seis anos para a Marinha comprar os seis novos submarinos e os 33 navios. Atualmente ela tem 126 navios e 16 submarinos, alguns dos quais estão se tornando obsoletos.

A Índia tem buscado incentivar seu crescimento como potência econômica ao reformatar suas forças armadas para um modelo mais moderno, capaz de projetar poder para bem além de suas costas.

O Ministério da Defesa disse que ele estava solicitando propostas de fabricantes internacionais para 126 jatos de combate, para ampliar as capacidades da sua Força Aérea por um custo estimado de 420 bilhões de rúpias (US$10 bilhões; €7.4 bilhões). A Índia deve avaliar aeronaves fabricadas pelas americanas Lockheed Martin e Boeing, pela francesa Dassault Aviation, a sueca Gripen-SAAB e a russa Sukhoi.

O orçamento militar indiano tem crescido regularmente nos últimos anos, a despeito de significativos passos em direção à paz com seu vizinho e rival de longa data Paquistão.

O governo ergueu o orçamento de defesa em 12%, para 960 bilhões de rúpias (US$21 bilhões; €16 bilhões) no ano fiscal 2007-08, para custear a modernização dos meios militares.

Fonte: International Herald Tribune

Segurança militar no ar, no mar e em terra

Uma operação de guerra foi montada para garantir a paz nos Jogos

Roberto Godoy – O Estado de São Paulo

Há olhos eletrônicos e poderosas armas no céu, patrulhando dia e noite o espaço aéreo sobre o Rio de Janeiro. Durante os Jogos Pan-Americanos, o Comando da Aeronáutica instalou um Centro de Defesa na base militar de Santa Cruz, que será responsável pela garantia da área, em regime de prontidão.

O grupo especial atua no formato de força-tarefa, emprega frota que inclui aeronaves como caças leves, turboélice, A-29 Super Tucano, helicópteros artilhados Esquilo H-50, jatos supersônicos F-5E e ao menos um avião-radar R-99, de coordenação e alerta avançado.

Os F-5E, por exemplo, levam mísseis e canhões de 20mm. O A-29 vai de metralhadoras .30 e, eventualmente, outras cargas de ataque.

O Exército mantém em alerta equipes antiterror da Brigada de Operações Especiais, helicópteros Pantera para deslocamento rápido. A Marinha cuida da faixa de segurança oceânica, com ao menos uma fragata, corvetas, e embarcações ligeiras. Foram mobilizados ainda equipes de mergulhadores de combate e fuzileiros navais treinados para operações urbanas.

A empresa nacional OrbiSat e o Centro Tecnológico do Exército estão usando nos Jogos um novo tipo de radar, o Sistema de Acompanhamento de Alvos Aéreos por Emissão de Radiofreqüência, o Saber M-60, de emprego militar, para ação antiaérea de baixa altura - basicamente a defesa de instalações estratégicas. No caso do Pan, o que interessa é a vigilância de todas as áreas - das arenas esportivas à Vila Olímpica.

O desenvolvimento do Saber M60 custou R$ 30 milhões. O sistema acompanha e rastreia até 40 alvos simultaneamente, a distâncias de 60 km e a altitude de 5 mil metros. Os dados são enviados em tempo real para um Centro Integrado de Operações Aéreas. O software da OrbiSat - feito em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), - identifica as aeronaves observadas, define suas características e eventualmente o grau de ameaça representado pelos vôos clandestinos, facilitando a tomada de decisão do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Sisdabra). A reação pode envolver o envio de aviões de caça, lançamento de mísseis ou artilharia rápida.

Leve e portátil, o radar pode ser transportado para qualquer ponto do território nacional onde seja necessário, "como agora, nos Jogos Pan-Americanos,por exemplo, ou para garantir as defesas de ponto, em apoio a missões de paz, do tipo em execução no Haiti", destaca Robert Haynes, diretor do programa. O Saber-60 pode ser montado em 15 minutos.

Parceria Marítima Regional do Atlântico Sul

Eduardo Italo Pesce – Monitor Mercantil

A conjuntura estratégica mundial do início do Século XXI é caracterizada pela assimetria e concentração do poder, mas também pela ausência de antagonismos dominantes entre grandes potências. Isto favorece a consolidação de uma ordem marítima baseada no comércio e na cooperação entre as nações.

Quaisquer interrupções nas atividades marítimas vitais causariam enormes prejuízos ao Brasil - que depende do comércio exterior e do petróleo produzido no mar ou importado por via marítima. Ao contrário da defesa no mar, que é atividade tipicamente militar, a segurança no mar envolve aspectos civis, podendo incluir atividades de:

1 - proteção de navios e instalações contra ameaças como terrorismo e pirataria;

2 - repressão ao narcotráfico, ao trafico de armas, ao contrabando e à pesca ilegal;

3 - defesa do meio ambiente e proteção dos recursos naturais;

4 - controle de pandemias e outras ameaças à saúde pública;

5 - imposição das normas do tráfego marítimo;

6 - socorro a embarcações acidentadas; e

7 - salvaguarda da vida humana no mar (busca e salvamento).

No Brasil, isso indica a conveniência de uma abordagem interministerial (ou "interagências", como dizem os anglo-saxões) para os assuntos ligados ao mar - uma vez que a Marinha não tem poder de polícia para atuar na repressão a crimes cometidos em águas sob jurisdição nacional. A coordenação entre as agências deve caber à Marinha - cujo comandante exerce as atribuições relativas à autoridade marítima.

No Atlântico Sul, a Marinha do Brasil deverá ter papel de destaque, na segurança e proteção do tráfego marítimo e das demais atividades ligadas ao uso do mar. Para monitorar atividades ilícitas e responder a situações de emergência, poderia ser desenvolvida uma "rede marítima regional", com a participação das Marinhas de países da América do Sul e da África.

A idéia em si não é inédita. Há algum tempo existem iniciativas regionais desse tipo no Mar Negro, no Mar Cáspio, no Estreito de Málaca e em outras áreas marítimas. Em 2005, a Marinha dos Estados Unidos lançou o conceito de uma rede internacional de segurança marítima, cuja denominação oficial é Parceria Marítima Global, mas que já ficou conhecida como "A Marinha de mil navios".

De acordo com os seus idealizadores, essa iniciativa norte-americana não visa à formação de uma força naval internacional, mas ao estabelecimento de um ambiente marítimo cooperativo, no qual os países participantes possam trocar informações em benefício de todos.

A utilidade prática do conceito foi recentemente demonstrada pela significativa redução da ocorrência de ataques de piratas à navegação internacional no Estreito de Málaca e no Oceano Índico, obtida em função das informações disponibilizadas às Marinhas e guardas costeiras da região.

Na área de interesse imediato do Brasil, já existe o Coordenador da Área Marítima do Atlântico Sul (Camas), cargo exercido em rodízio por um almirante brasileiro, argentino ou uruguaio. O Paraguai também participa desta parceria - a qual exclui os países africanos, atualmente integrados a uma área marítima diferente.

O litoral africano, é bom frisar, é a única área do Atlântico Sul onde há ocorrência comprovada de ataques de piratas. A imprensa tem tendência a exagerar, classificando como "pirataria" simples roubos a mão armada. Outro risco que costuma ser exagerado é a possível associação de piratas (que desejam manter suas atividades em segredo) com terroristas (que desejam publicidade para seus ataques).

A consolidação das áreas marítimas do Atlântico Sul Ocidental e Oriental ampliaria consideravelmente a cobertura regional e o acesso – pelo Brasil e pelos demais participantes – a informações referentes ao tráfego marítimo em toda a extensão deste oceano. O Brasil conta atualmente com o Sistema de Informações do Tráfego Marítimo (Sitram), cuja área de cobertura é limitada.

Para renovar e modernizar os meios de patrulha naval e inspeção naval seria necessário obter navios e aeronaves em número adequado para as Marinhas dos países participantes. Para modernizar os sistemas de comando, controle, comunicações, computadores e inteligência (C4I), seria preciso obter novos sensores e ampliar a capacidade de processamento de dados e informações.

Esta rede de segurança marítima, denominada Parceria Marítima Regional do Atlântico Sul, em português, incluiria plataformas fixas e móveis, com sensores instalados a bordo de navios e aeronaves ou no espaço (em satélites), bem como em plataformas de extração de petróleo no mar, em instalações costeiras ou no leito marinho. A idéia é maximizar o número de nós e sensores da rede, a fim de aumentar sua eficácia.

A Operação Atlasur já é um embrião da idéia aqui apresentada. Esta operação multinacional de adestramento é realizada a cada dois anos, no litoral da América do Sul ou da África, envolvendo unidades das Marinhas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e da África do Sul.

Caberia ao Brasil dar o primeiro impulso, no processo de integração marítima dos países das vertentes sul-americana e africana do Atlântico Sul. A ampliação significativa no número de Marinhas participantes na Operação Atlasur seria um importante passo no rumo desejado.

O vácuo de poder, causado pela omissão do Brasil, já está sendo preenchido. Os EUA estão instalando um sistema de sensoriamento nas ilhas de São Tomé e Príncipe, na costa africana, para vigiar parte do Oceano Atlântico e reprimir o tráfego ilícito de navios.

Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj) e colaborador permanente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (Cepe/EGN).

19 julho 2007

Soberania ameaçada

Cláudio Humberto

O cientista Adalberto Luís Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, revelou na Comissão de Educação da Câmara que 70% dos conhecimentos produzidos sobre a região têm origem em outros países. “Se saber é poder, a soberania na Amazônia está reduzida a 30%”, advertiu.

Retórica e ações de Chávez mudam equilíbrio regional

Compra de caças Sukhoi da Rússia já provocaram reação do Chile e da Colômbia

No Brasil, aumenta a pressão de militares para modernizar equipamentos; Lula deve aprovar verba para troca de supersônicos

IGOR GIELOW

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

Depois de um século 20 relativamente pacífico, a retórica do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está transformando a América do Sul num pequeno tabuleiro de interesses divergentes que podem desembocar em disputas mais quentes do que a praxe recente indicaria. Logicamente, isso é futurologia sob forte risco de virar alarmismo, e não são do interesse imediato de ninguém conflitos armados na região.

Mas o endurecimento de Chávez, que atingiu um novo patamar na semana passada, com as críticas ao seu até aqui aliado ideológico Brasil por conta da demora do Senado em aprovar sua adesão ao Mercosul, começa a inspirar a composição de cenários pouco róseos.

Caças Sukhoi

Independentemente de cor ideológica, que pode enxergar nos movimentos de Hugo Chávez tanto uma ameaça à democracia quanto uma afirmação de soberania "antiimperialista" – ou antiamericana, conforme o gosto do freguês -, a realidade é que a propalada tranqüilidade deste canto do mundo está sendo abalada.

Alimentado a petrodólares e conseqüentes compras militares pontificadas pelos vistosos caças Sukhoi-30, comprados da Rússia e dos quais oito das 24 unidades iniciais já estão operantes, Chávez conquistou o papel de tutor de governos secundários. Embolsou a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa, e volta e meia tenta emplacar algum presidenciável simpático a si.

Com a Bolívia, deu o passo mais ousado, ao assinar em 2006 um acordo militar nebuloso que deverá lhe dar acesso a bases fronteiriças no país de Morales e intercâmbio de tropas e equipamento.

Não é exagero dizer que esse acordo virou um forte elemento de dissuasão contra movimentos oposicionistas a Morales ou ao vizinho aliado Correa, embora a extensão disso não seja aferível no momento.

Em países na linha de frente adversária ao venezuelano, como a Colômbia e o Chile, vistos pelos "bolivarianos" como grandes bases americanas, a resposta a Chávez já está em curso em forma de uma corrida armamentista localizada -ambos os países estão fazendo investimentos consideráveis na área de defesa.

Brasil

Quanto ao Brasil, o maior ator regional, a reação ainda é limitada, não menos porque até as patadas diplomáticas da semana passada Chávez era visto como um aliado difícil -mas um aliado, nos planos ideológico e econômico.

A área militar não pensa bem assim, e tudo indica que agora será atendida ao menos parcialmente em seus pleitos de modernização. O governo Luiz Inácio Lula da Silva deverá cumprir sua promessa de liberação de verbas para modernização das Forças Armadas, em especial para a Aeronáutica, cuja famosa novela para a troca de supersônicos de interceptação se arrasta desde 2001.

É importante desmistificar alguns pontos do poderio de Chávez. Os Sukhoi, os melhores aviões em operação no continente, que a Rússia tenta vender também ao Brasil, constituem uma boa força para desencorajar ataques menores à Venezuela. Mas não ganham guerra, entre outros motivos porque são em pequeno número por ora.

Aí alguém pode perguntar: eles poderiam usar as bases na Bolívia? É uma boa questão, mas tão bom quanto ela é notar que para chegar lá é preciso passar pelos céus ou do Brasil, ou da Colômbia e Peru - os últimos países francamente opostos a Chávez.

Como o Sivam, sistema de vigilância da Amazônia, cobre toda essa região, um vôo furtivo é algo inviável. Se fosse necessário ao Brasil opor-se a um vôo desses, a situação seria complicada: não há por aqui páreo para os Sukhoi, se esses aviões forem equipados com mísseis de ponta. Mas aí já se sai da especulação geopolítica para um cenário de jogo de guerra altamente improvável, pelo menos até agora.

De um modo ou de outro, o que fica claro é que a subida de tom da retórica de Chávez é amparada por outros fatores, como sua aliança com o "malvado" Irã e a militarização com material proveniente da Rússia. Isso denota um jogo estratégico que, se ainda não está muito claro em termos de objetivos, trará mais participantes para a mesa.

Retórica e ações de Chávez mudam equilíbrio regional

Compra de caças Sukhoi da Rússia já provocaram reação do Chile e da Colômbia

No Brasil, aumenta a pressão de militares para modernizar equipamentos; Lula deve aprovar verba para troca de supersônicos

IGOR GIELOW

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

Depois de um século 20 relativamente pacífico, a retórica do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está transformando a América do Sul num pequeno tabuleiro de interesses divergentes que

podem desembocar em disputas mais quentes do que a praxe recente indicaria. Logicamente, isso é futurologia sob forte risco de virar alarmismo, e não são do interesse imediato de ninguém conflitos

armados na região.

Mas o endurecimento de Chávez, que atingiu um novo patamar na semana passada, com as críticas ao seu até aqui aliado ideológico Brasil por conta da demora do Senado em aprovar sua adesão

ao Mercosul, começa a inspirar a composição de cenários pouco róseos.

Caças Sukhoi

Independentemente de cor ideológica, que pode enxergar nos movimentos de Hugo Chávez tanto uma ameaça à democracia quanto uma afirmação de soberania "antiimperialista" – ou antiamericana, conforme o gosto do freguês -, a realidade é que a propalada tranqüilidade deste canto do mundo está sendo abalada.

Alimentado a petrodólares e conseqüentes compras militares pontificadas pelos vistosos caças Sukhoi-30, comprados da Rússia e dos quais oito das 24 unidades iniciais já estão operantes, Chávez

conquistou o papel de tutor de governos secundários. Embolsou a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa, e volta e meia tenta emplacar algum presidenciável simpático a si.

Com a Bolívia, deu o passo mais ousado, ao assinar em 2006 um acordo militar nebuloso que deverá lhe dar acesso a bases fronteiriças no país de Morales e intercâmbio de tropas e equipamento.

Não é exagero dizer que esse acordo virou um forte elemento de dissuasão contra movimentos oposicionistas a Morales ou ao vizinho aliado Correa, embora a extensão disso não seja aferível no momento.

Em países na linha de frente adversária ao venezuelano, como a Colômbia e o Chile, vistos pelos "bolivarianos" como grandes bases americanas, a resposta a Chávez já está em curso em forma de uma

corrida armamentista localizada -ambos os países estão fazendo investimentos consideráveis na área de defesa.

Brasil

Quanto ao Brasil, o maior ator regional, a reação ainda é limitada, não menos porque até as patadas diplomáticas da semana passada Chávez era visto como um aliado difícil -mas um aliado, nos

planos ideológico e econômico.

A área militar não pensa bem assim, e tudo indica que agora será atendida ao menos parcialmente em seus pleitos de modernização. O governo Luiz Inácio Lula da Silva deverá cumprir sua promessa de liberação de verbas para modernização das Forças Armadas, em especial para a Aeronáutica, cuja famosa novela para a troca de supersônicos de interceptação se arrasta desde 2001.

É importante desmistificar alguns pontos do poderio de Chávez. Os Sukhoi, os melhores aviões em operação no continente, que a Rússia tenta vender também ao Brasil, constituem uma boa força para desencorajar ataques menores à Venezuela. Mas não ganham guerra, entre outros motivos porque são em pequeno número por ora.

Aí alguém pode perguntar: eles poderiam usar as bases na Bolívia? É uma boa questão, mas tão bom quanto ela é notar que para chegar lá é preciso passar pelos céus ou do Brasil, ou da Colômbia e Peru - os últimos países francamente opostos a Chávez.

Como o Sivam, sistema de vigilância da Amazônia, cobre toda essa região, um vôo furtivo é algo inviável. Se fosse necessário ao Brasil opor-se a um vôo desses, a situação seria complicada: não há por aqui páreo para os Sukhoi, se esses aviões forem equipados com mísseis de ponta. Mas aí já se sai da especulação geopolítica para um cenário de jogo de guerra altamente improvável, pelo menos até agora.

De um modo ou de outro, o que fica claro é que a subida de tom da retórica de Chávez é amparada por outros fatores, como sua aliança com o "malvado" Irã e a militarização com material proveniente da Rússia. Isso denota um jogo estratégico que, se ainda não está muito claro em termos de objetivos, trará mais participantes para a mesa.

EUA: deserções castigam Exército

Mais de 11 mil militares deixaram fileiras desde início da guerra no Iraque

José Meirelles Passos – O Globo

WASHINGTON. Além de enfrentar uma crescente redução no número de jovens dispostos a serem recrutados. Exército dos EUA sofre outro revés para continuar travando suas guerras no Iraque e no Afeganistão: o cresce o índice de deserção. Desde que a guerra começou no Iraque e até o final de 2006, 11.020 desertaram. O mais curioso é que dos 3.301 que fizeram isso em 2006, o Exército só conseguiu levar 174 (ou seja, 5%) à corte marcial.

A grande maioria continua vivendo sem sofrer punição. Recente auditoria encomendada pelo Congresso descobriu que, por desleixo do Departamento de Defesa, muitos desertores continuam recebendo soldo. Além disso, o Pentágono, mais preocupado com os soldados em combate, tem deixado de lado a busca por desertores. Sua única atitude tem sido a de colocar os nomes numa lista nacional de criminosos do FBI. Os policiais, no entanto, tampouco saem em busca dos desertores.

— Um desertor se apresenta ao quartel e assume a responsabilidade, ou passa o resto da vida olhando para os lados, com medo de ser descoberto — disse a major Anne Edgecombe, porta-voz do Exército. Na verdade, em geral só acabam pegos por acaso, quando, por exemplo, ultrapassam um sinal vermelho e flagrados pela polícia que, ao colocar o nome no computador fica sabendo que se trata de um desertor e, então entrega ao FBI, que o entrega ao Exército para uma corte marcial. Quem não se envolve em problemas com polícia, vive tranquilamente.

Número é relativamente menor que no Vietnã

Em termos relativos, o número de desertores hoje é menor do que na época do Vietnã.

Atualmente tem desertado cerca de 1% dos soldados, enquanto no auge do Vietnã o índice chegou a 3,4 comparação, no entanto, adquire outra característica que acentua o problema atual, quando se leva em consideração que na época da guerra nas selvas vietnamitas o serviço militar era obrigatório, e atualmente voluntário.

Segundo o código criminal militar a deserção pode ser punida com a morte. Mas isso só aconteceu uma vez desde a guerra civil americana. A pena máxima tem sido, em média, cinco anos de prisão. A grande maioria, no entanto, acaba recebendo baixa por má conduta e sentenciada a 3 meses de cadeia.

Incapaz de recrutar número suficiente para suas filas, o Exército está desde 2006 oferecendo até US$ 70 bonificação para quem se apresentar. Como nem isso ajudou, o governo decidiu investir na busca de estrangeiros.

Simulação de Combate em Santa Maria

3ª Divisão de Exército

Santa Maria (RS) – Foi realizado nessa semana (2-6 Julho), no Centro de Aplicação de Exercícios de Simulação de Combate (CAESC-II) e na área do Campo de Instrução de Santa Maria (CISM), o exercício de simulação de combate da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada.

Participaram cerca de cento e vinte militares do Comando e Esquadrão de Comando da 2ª Bda C Mec e 8º R C Mec (Uruguaiana-RS), 5º R C Mec (Quaraí-RS), 6º R C B (Alegrete-RS) e do 1º B Com (Santo Ângelo-RS).

A simulação de combate oferece às tropas a oportunidade de aplicar conhecimentos e validar conceitos doutrinários. Por desenvolver-se no interior de um campo de instrução, o exercício permite integrar terreno e carta, propiciando maior realismo aos planejamentos efetuados.

A tecnologia utilizada no sistema de simulação foi desenvolvida por oficiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) e do Comando de Operações Terrestres (COTER), em parceria com empresa civil, e reproduz no campo digital, em detalhes, o terreno em que o exercício está realizado. Além disto, possuem um banco de dados que permite simular situações relativas a pessoal, logística e dados operacionais.

Estes programas em conjunto, interligados em uma rede de computadores, permitem que as ações planejadas pelos comandos possam ser executadas e o resultado avaliado. Estes sistemas proporcionam o adestramento dos diversos escalões de comando, racionalizando o emprego de material e pessoal, permitindo, ainda avaliar as decisões de Comando.

16 julho 2007

BPC Tonnerre visita o Rio

Alexandre Galante - Poder Naval Online


Visitamos no dia 11 de junho o novíssimo navio de projeção e comando (BPC - Batiment de Projection et de commandement) Tonnerre, que realiza uma escala oficial no Rio de Janeiro.


Nada melhor que comemorar a data magna da Marinha do Brasil (data comemorativa da Batalha Naval do Riachuelo) a bordo de um moderníssimo navio de guerra. Em se tratando do Tonnerre, irmão mais novo do Mistral adquirido pela marinha francesa em 2006, estamos falando do terceiro maior navio da frota francesa, equipado com as melhores inovações tecnológicas e capacidades para as operações anfíbias e para o comando de operações interforças.


Sob o comando do capitão-de-mar-e-guerra Philippe Hello, desde que foi comissionado no dia 28 de fevereiro, o Tonnerre não tem tido descanso. O navio deixou sua base em Toulon no dia 10 de abril para um "cruzeiro de testes" de 14 semanas e não voltará para casa antes de 24 de julho. Depois da escala no Canadá, que serviu para verificar o funcionamento dos sistemas do navio em temperaturas muito baixas, o Tonnerre visitou os Estados Unidos em maio, para testes de interoperabilidade com a US Navy. O navio recebeu a bordo os pesados helicópteros MH-53E Super Stallion, helicópteros MH-60 e veículos LCACs (Landing Craft, Air Cushion).


Depois do Canadá e Estados Unidos, passou pelas Antilhas francesas, Rio de Janeiro e, ao final da escala, prosseguirá com destino à Cidade do Cabo, na África do Sul e depois para Dakar, no Senegal. No seu retorno à França o Tonnerre deverá ficar docado por duas semanas e depois partirá para um exercício com a OTAN no Adriático. O navio já tem comissões programadas para todo o ano de 2008.


A visita


Ao avistarmos o Tonnerre pela primeira vez no porto do Rio de Janeiro ficamos impressionados pela altura do navio e pelo seu imenso costado. Mais impressionados ficamos no entanto com o espaço interno do navio: a sensação que se tem é de estar a bordo de um luxuoso navio de cruzeiro!


Isto ocorre por dois motivos: o primeiro é que ele foi construído seguindo padrões da International Maritime Organization, representando uma nova combinação entre tecnologia civil e militar; e o segundo é influência de um dos estaleiros que participaram na construção, o Chantiers de l’Atlantique de St. Nazaire, que tem uma longa tradição na contrução de navios de passageiros, incluindo o Queen Mary 2.


O principal objetivo de se empregar padrões civis na construção do Tonnerre e de seu irmão Mistral é a redução de custos, tanto na construção quanto na operação dos navios. A redução é da ordem de 40%, tendo os dois navios custado 650 milhões de euros (US$ 875 milhões).


O navio é extremamente espaçoso, com corredores largos e altos, em contraste com os corredores estreitos e apertados dos navios da marinha americana. O cabeamento e as tubulações ficam na maior parte ocultos por painéis beges, causando uma ótima impressão visual.


O espaços vazios no navio algumas vezes parecem desperdício, mas têm uma razão de ser: ele foi desenhado para operações conjuntas com o Exército, que necessita sempre de muito espaço para equipamentos. Os amplos corredores permitem que fileiras de soldados equipados possam cruzar pelo corredor sem baterem uns nos outros, acelerando as operações de embarque e desembarque. O Tonnerre foi projetado para transportar 450 soldados totalmente equipados e, em situações de emergência, mais de 700 pessoas podem ser acomodadas, numa evacuação em operações humanitárias ou de resgate de nacionais em zonas de conflito.


Segundo o comandante Hello, que foi nosso guia durante a visita ao Tonnerre, a qualidade de vida é um fator chave na construção do navio e por isso os tripulantes tem que trabalhar mais, pois é uma grande motivação para eles.


Os marinheiros ficam acomodados em confortáveis alojamentos de 4 beliches e um banheiro, permitindo ao navio receber tripulações mistas. As tropas embarcadas ficam em alojamentos de 6 beliches e banheiro, mas mesmo assim bastante confortáveis.


A bordo existe um lounge, um salão de jogos, salão de ginástica, uma sala de leitura, um bar, todos com sofas e cadeiras e dispositivos de projeção e som, e até uma capela, para os mais religiosos.


Navio-hospital


O Tonnerre é praticamente um navio-hospital, com uma enfermaria de 69 leitos, salão de triagem, dois centros cirúrgicos, um centro de tratamento de queimados, uma sala de telecirurgia, equipamento de radiologia e tomografia.

A qualidade de vida foi pensada no navio, mas também a capacidade de salvar vidas: o Tonnerre é praticamente um navio-hospital, com uma enfermaria de 69 leitos, salão de triagem, dois centros cirúrgicos, um centro de tratamento de queimados, uma sala de telecirurgia, equipamento de radiologia e tomografia.


Em tempo de paz o navio leva um médico e duas enfermeiras. Mas em casos extremos o hangar do navio pode ser convertido em hospital de campanha, com a inserção de módulos para prover mais quatro centros cirúrgicos e acomodar mais cem pessoas da equipe médica, incuindo 12 cirurgiões.


A razão de ser do navio


A missão é principal do Tonnerre é a de ser um porta-helicópteros de assalto anfíbio. Para isso o navio é capaz de transportar até 16 helicópteros NH90 ou Tigre (ou 35 Gazelle) e pode receber helicópteros de até 30 toneladas na sua proa, como o CH-53E Super Stallion. Aviões STO/VL como o Harrier II podem pousar no navio em caso de necessidade. Ele também possui uma doca alagável para até quatro embarcações de desembarque ou dois LCAC.


O modernos displays coloridos do centro de informações de combate (CIC) do Tonnerre


O navio é equipado com um sistema de apoio a decisão SENIT9 que permite a troca de dados com outros navios da frota. O avançado sistema de comunicação informatizado permite ao Tonnerre acomodar um staff de 200 pessoas, através de uma rede de fibra ótica pronta para conectar as workstations, facilitando o embarque de comandos combinados da OTAN.


A auto-defesa do Tonnerre é leve, com dois sistemas Simbad Mistral, canhões de 30mm e metraladoras .50. Um navio como o Tonnerre se garante na defesa dos navios-escolta e dependendo da área de operação, até um navio-aeródromo é necessário para protegê-lo.

Uma outra característica importante no Tonnerre é a racionalização e economia de mão-de-obra. Apenas 167 pessoas são suficientes para fazer funcionar o navio. A maior parte das funções é automatizada: apenas 3 homens são necessários para carregar os mantimentos para uma missão, pois as câmaras frigoríficas ficam próximas às portas de carga e ligadas por guindastes rolantes controlados remotamente. O navio consegue sair do porto com apenas 9 pessoas no controle, sendo três no passadiço!

11 julho 2007

Irã perto de adquirir 250 Flankers

Show News descobriu que a trading estatal russa Rosoboronexport está bem perto de assinar um pedido com o Irã que pode ser o seu maior das últimas três décadas. Vários sistemas avançados russos fazem parte da lista de compras já há algum tempo, incluindo o sistema de mísseis anti-aéreos S-300 produzidos pela firma Almaz Antei. Além disso o Irã estaria desesperado para substituir sua obsolescente frota de caças americanos adquiridos nos anos setenta.

A peça central desta aquisição aparentemente seria um pedido para 250 caças Sukhoi Su-30MK, a maior encomenda unitária jamais feita para este tipo de avião. No entanto, ainda não está claro qual a configuração específica das aeronaves a serem compradas. A fábrica Irkut recentemente entregou as primeiras unidades do Su-30MKM para a Malásia - uma versão "islâmica" baseada no modelo Su-30MKI da Força Aérea Indiana, mas sem os seus componentes de origem israelense.

No entanto, esta variante inclui uma série de componentes europeus da Thales e de outras empresas, e não é claro que o fabricante de aviônicos da frança esteja disposto a fazer negócios com os iranianos enquanto Teerã se recusa a interromper seu programa de enriquecimento de combustivel nuclear. No passado executivos da Thales se recusaram a comentar outros negócios militares em discussão com o Irã, como o upgrade da frota de MiG-29 da IRIAF, a Força Aérea Islamica Iraniana.

O Irã tem demonstrado interesse na fabricação no país sob licença do caça MiG-29 e do avião comercial Tupolev Tu-334, tendo chegado perto de assinar um acordo, mas aparentemente as tratativas fracassaram devido a mudança constante de requerimentos pelos iranianos. A Sukhoi e suas fábricas associadas, KnAAPO e Irkut, têm ampla experiência em acordos de produção sob licença no exterior. Além disso, nos últimos dez anos, a Rosoboronexport tem conseguido manter um bom relacionamento comercial com o Irã - posicionando-se para exatamante este tipo de oportunidade de negócio

Fonte: AW&ST ShowNews Paris 2007

Brasil produzirá helicópteros Dauphin-2 e versão militar

Segundo diretor da EADS, maior acionista da Helibras, modelo é sucesso mundial de vendas

Roberto Godoy – O Estado de São Paulo

O Brasil vai produzir em Itajubá (MG), na fábrica da Helibras, o helicóptero Dauphin-2, francês, e também o Pantera, a sua poderosa versão militar. O modelo é um sucesso de vendas, com 850 unidades colocadas no mercado internacional - 55 das quais destinados a clientes brasileiros. O governo federal e a European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), controladora da Eurocopter - por sua vez, a principal acionista da empresa nacional - já estão discutindo o processo, que deve entrar na fase executiva até dezembro. De acordo com o diretor-geral da EADS no País, Eduardo Marson Ferreira, 'a produção local dessa aeronave, com exclusividade, faz parte da plataforma de negociações do grupo'.

A Eurocopter exportou 55 Dauphin/Pantera para o Brasil. Só a Aviação do Exército mantém uma frota de 33 helicópteros, que atuam combinadamente com ao menos outras 17, do modelo Esquilo, menor, produzido regularmente em Itajubá. A Helibras é responsável pela entrega de 500 helicópteros, no valor acumulado de US$ 1 bilhão, desde que entrou em operação em 1978.

Há mais. A Helibras, a Eurocopter francesa e a sul-africana ATE assinaram em junho um acordo de cooperação técnica no campo militar para o desenvolvimento de programas avançados de revitalização de aeronaves de asa rotativa, engenharia de equipamentos de bordo, sistemas de armas e integração de plataformas operacionais. Segundo Marson, na prática isso vai significar facilidade de acesso a conhecimento especializado, rapidez na execução dos empreendimentos de modernização dos esquadrões do Exército e a criação de um helicóptero de projeto próprio, destinado a múltiplo emprego, com peso máximo entre 4,3 toneladas e 9,7 toneladas.

A EADS fatura na Europa acima de 40 bilhões. No Brasil, são 6 bilhões, provenientes de setores tão diversos quanto a venda de aviões de passageiros Airbus - só a TAM opera 86 jatos e acaba de comprar mais 22 -, o fornecimento de componentes para foguetes experimentais orbitais, a reconfiguração de turboélices de patrulha marítima e a troca de motores de mísseis Exocet de longo alcance, usados pelo Comando da Marinha contra alvos situados a distâncias entre 45 km e 70 km. São armas famosas no Atlântico Sul. Com os Exocet, a aviação naval da Argentina afundou e danificou navios britânicos durante a guerra pelas ilhas Falklands/Malvinas, há 25 anos.

Os interesses do grupo no Brasil são representados por um cientista social, Eduardo Marson Ferreira, graduado em Ciências Políticas pela USP. Aos 44 anos, especializado em comércio exterior e relações internacionais, o diretor-geral da EADS acumula 52 viagens anuais - média de uma por semana.

Na sexta-feira, pouco depois de ter chegado da França e enquanto tentava driblar o caos aéreo e seguir para Brasília, Marson falou ao Estado. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

PRESENÇA NO BRASIL

'No fim de 2006, o carnê da EADS no Brasil era de mais de 6 bilhões, o que representa quase 50% das encomendas totais da EADS na América Latina. A EADS não está no Brasil para desenvolver ações de curto prazo. Queremos fortalecer e ampliar investimentos de longo prazo no País por meio de parcerias industriais e da compra de produtos e serviços de empresas nacionais, que geram resultados positivos para a indústria brasileira, com transferência de tecnologia, geração de empregos de alta qualificação e abertura para o mercado mundial. Por meio da Helibras, a EADS detém a liderança do mercado brasileiro de helicópteros a turbina. Desde que começou suas operações, há quase 30 anos, a empresa registrou vendas líquidas de aproximadamente US$ 1 bilhão, tendo comercializado mais de 550 helicópteros no Brasil e na América do Sul.

A TAM, maior cliente da Airbus na América Latina, opera atualmente uma frota de 86 aviões A319, A320 e A330. Além do contrato assinado em 2006 para a compra de 31 aviões da família A320 e de outros seis A330, a TAM acaba de assinar com a Airbus um memorando de entendimentos para a compra de 22 A350 XWB e quatro A330-200 adicionais, confirmando assim sua posição de cliente de lançamento do A350 na região.

Ainda no campo da aviação comercial, no início de 2007 a companhia brasileira de aviação regional TRIP Airlines assinou um contrato com a ATR (joint venture entre a EADS e a Alenia Aeronautica) no valor de US$ 125 milhões para a aquisição de sete ATR 70-500, além de mais cinco opções.

Na área dos aviões de transporte militar, a EADS Casa mantém com a Força Aérea Brasileira um contrato para o fornecimento de 12 aviões C-295 e para a modernização de oito aeronaves de patrulha marítima P-3. O valor total desse contrato excedeu 530 milhões. No final de 2006, a EADS Casa foi selecionada pela FAB para fornecer 50 aviões C-212, em contrato orçado em mais de US$ 300 milhões.

A MBDA (outra empresa ligada à EADS) também é tradicional fornecedora das Forças Armadas brasileiras, tendo assinado em 2006 importantes contratos para remotorização de mísseis Exocet e Mistral da Marinha do Brasil. A EADS Secure Networks fornece para a Polícia Federal sistemas de radiocomunicação segura. Na área espacial, a Equatorial Sistemas foi escolhida em 2005 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para fornecer equipamentos.'

RETIRADA DA EMBRAER

'A venda da nossa participação no capital da Embraer em dezembro de 2006 foi só uma decisão negocial. Em 1999, quando a EADS, juntamente com outras empresas européias, adquiriu 20% das ações da empresa, tratava-se de um investimento estratégico. Essa situação mudou no ano passado, quando a Embraer adotou um novo modelo de governança corporativa e passamos a ser investidores meramente financeiros.'

FORÇAS ARMADAS

'Exército, Marinha e Força Aérea receberam da Eurocopter/Helibras a capacitação para manter e operar seus helicópteros de forma independente e soberana. O Exército Brasileiro tem a maior frota militar do continente, formada basicamente por helicópteros da Eurocopter/Helibras.

Não podemos esquecer também os contratos assinados entre a Força Aérea brasileira e a EADS Casa, que nos permitem aumentar a presença industrial por meio de empresas já existentes, principalmente no parque tecnológico de São José dos Campos (SP). Todo mundo conhece e cita a Embraer, mas há também outras corporações, pequenas e médias, dos setores aeroespacial e de defesa que se desenvolveram naquela região, e que estamos acompanhando com interesse.'

EADS E HELIBRAS

'A Helibras, como a Embraer, é fruto da vontade do governo brasileiro de implantar no País uma indústria aeronáutica. Hoje, constitui-se numa parceria entre a Eurocopter (45%), o governo de Minas Gerais (25%) e o investidor privado brasileiro Bueninvest (30%). A Helibras é a única fabricante de helicópteros na América Latina, fornecendo helicópteros para civis, parapúblicos e militares.'

ÁFRICA DO SUL

'O acordo de cooperação assinado entre a Helibras e a ATE da África do Sul faz parte de um compromisso com o governo brasileiro, por meio dos Ministérios da Defesa e da Casa Civil, de dotar a Helibras de capacidades de projeto de aeronaves de asas rotativas e de integração de sistemas – tudo isso ainda em 2007. É a evolução natural da saga iniciada há 30 anos. Dessa forma, será possível propor às Forças Armadas brasileiras modernização, atualização e aperfeiçoamento dos sistemas embarcados nos seus helicópteros, com custos razoáveis, realização no País e capacidade de apoio local. Cito o presidente da companhia, Jean Michel Hardy, para anunciar que as duas organizações já estão estudando algumas soluções a serem propostas às Forças Armadas.'

PANTERA/BR

'Temos a visão de aumentar nossas aquisições e desenvolvimento de produtos utilizando a base industrial brasileira. A produção local do helicóptero Dauphin/Pantera - com exclusividade talvez mundial - faz parte de nossas discussões com o governo brasileiro. É um produto consagrado, e de expressão comercial.'

INDÚSTRIA MILITAR

'O Brasil é um dos poucos países fora do mercado, por assim dizer, 'doméstico' da EADS onde mantemos investimentos de longo prazo. Nossa visão hoje é de reforçar essa presença e a retomada do Plano/Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID) é uma ótima notícia. Defendo os projetos cooperativos como modelo de inserção da base industrial brasileira de defesa no mundo globalizado, onde não basta apenas um bom produto e a vontade de vender. É preciso integrar capacidades. Nesse contexto, estamos abertos a todo tipo de parcerias com a indústria nacional.'

As "águas marrons" e o Tridente de Netuno

Eduardo Italo Pesce *

Segundo Norman Friedman, nenhuma das "escolas" clássicas e contemporâneas do pensamento estratégico naval é realmente uma "estratégia" que visa a atingir objetivos determinados.

Tais teorias cumprem o papel didático de conscientizar as lideranças e a opinião pública sobre o significado e as possibilidades do Poder Marítimo e de seu componente militar, o Poder Naval.

É preciso tomar cuidado para esclarecer corretamente o público. Este não costuma saber que os termos "águas azuis" e "águas verdes" são empregados para designar, respectivamente, o alto-mar e as áreas marítimas próximas do litoral - nem que as águas freqüentemente barrentas de rios, estuários, deltas, lagoas e baías são chamadas de "águas marrons".

Pessoas desavisadas poderiam acreditar que necessitamos de uma "Marinha de águas marrons", otimizada para operar em águas interiores, empregando somente meios de porte modesto. É preciso deixar claro que este não é - nem nunca foi - o caso da Marinha do Brasil. Nem mesmo a designação "águas verdes" se aplica inteiramente à extensa área marítima sob jurisdição nacional, conhecida como "Amazônia Azul".

Na realidade, o Brasil possui "três Marinhas em uma só": a Marinha de águas profundas (Esquadra); a tropa anfíbia da Marinha (Corpo de Fuzileiros Navais); e a Marinha costeira, fluvial e de atividades subsidiárias (forças distritais e Serviço Hidrográfico). Estas três ramificações de nosso Poder Naval são igualmente importantes e vitais.

Cerca de um terço dos navios em serviço constitui a Esquadra, enquanto que dois terços integram as forças distritais e o Serviço Hidrográfico. Os meios aéreos incluem a Força Aeronaval e os esquadrões distritais. Do mesmo modo, o CFN inclui a Força de Fuzileiros da Esquadra e os grupamentos regionais, com seus respectivos meios.

As bacias fluviais internacionais do Amazonas e do Prata contam com a presença da Marinha do Brasil. Entretanto, o controle das fronteiras é atribuição da Polícia Federal. A Marinha atua apenas na fiscalização relativa à segurança da navegação e - ao contrário do que alguns pensam - não tem poder de polícia para combater o narcotráfico, o tráfico de armas e o contrabando.

O Brasil não é banhado por mares estreitos, mas tem acesso irrestrito às vastidões oceânicas do planeta. Grande parte de seus interesses marítimos está situada além da "Amazônia Azul", no Atlântico Sul e mesmo em outros oceanos. Alguns de seus principais parceiros comerciais encontram-se hoje na face oposta do globo. Os principais países da Ásia estão expandindo seu Poder Marítimo e seu Poder Naval.

O entorno estratégico do Brasil está quase todo localizado dentro da área de instabilidade do "novo mapa do Pentágono", que se estende do Noroeste da América do Sul à África, ao Oriente Médio, à Ásia Meridional e ao Sudeste Asiático. Nessa extensa área marcada por conflitos, também conhecida como "fosso", diversos países correm o risco de se tornar "Estados fracassados".

Os conflitos interestatais tendem a ser menos frequentes. Agora, o "inimigo" pode não ser um Estado organizado, mas um grupo terrorista ou outra organização criminosa qualquer. As principais potências têm investido na capacitação de suas Forças Armadas para participar de operações multinacionais de tipo expedicionário - inclusive em operações de paz, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU).

No ambiente marítimo, as ameaças irregulares à segurança dos Estados atuam principalmente em águas costeiras. O combate a tais ameaças ocorre junto ao litoral dos países de origem - tornando

necessário o emprego de meios flutuantes com capacidade oceânica, em operações de interdição marítima ou de projeção de poder. Os países-alvo é que costumam ter Marinhas constituídas por meios de emprego costeiro.

Para o Brasil, a principal ameaça externa, oriunda de seu entorno estratégico, talvez seja o risco de colapso dos Estados aí localizados. Isso poderia gerar um fluxo incontrolável (inclusive por via marítima ou fluvial) de refugiados ou de grupos armados em fuga, rumo ao território brasileiro – podendo levar a um envolvimento do Brasil nos conflitos internos de outros países.

A diversidade das atribuições de nossa Marinha indica a conveniência de mantermos um Poder Naval balanceado, capaz de atuar em toda a extensão do Atlântico Sul. A composição das forças navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais deve refletir as missões específicas, atribuídas aos diferentes componentes.

Para operações em "águas marrons", principalmente na Amazônia e no Pantanal, as forças distritais de nossa Marinha devem ser dotadas de meios flutuantes, aéreos e de fuzileiros navais apropriados. Tais meios também poderão integrar o componente naval de forças de paz enviadas ao exterior.

Ao optar por uma linha de ação polivalente para a defesa de seus interesses nacionais nosso país seria percebido, pela comunidade internacional, como possível aliado ou parceiro para coalizões, e não como potencial adversário ou - o que seria pior - como total nulidade.

Para atender às necessidades de ampliação, renovação e modernização de nosso Poder Naval, é preciso que o Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM) seja aprovado e executado integralmente. A crônica insuficiência de recursos vem dificultando os investimentos na defesa nacional.

Essa situação talvez só possa ser revertida quando o Orçamento da União deixar de ser apenas autorizativo, tornando-se impositivo.

Os limites da área de segurança do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), que vigoraram da 2ª Guerra Mundial até o fim da Guerra Fria, não mais se aplicam às operações de nossas Forças Armadas. Como diria alguém conhecido: "Jogar na retranca, dentro da própria área, só com muita sorte permite alcançar o empate. Os mais fortes aprendem a jogar bem na área... do adversário!"

* Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj) e colaborador permanente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (Cepe/EGN).

FAB entrega primeiro AMX para modernização

Nicolás Morell
Defesa@Net

COM O OBJETIVO DE MANTER ATIVO POR outros 20 anos um dos mais eficientes aviões de defesa em atuação no país, a Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou recentemente à Embraer o primeiro dos jatos AMX para modernização de sistemas e atualização tecnológica. Esse audacioso projeto prevê a inclusão da frota de 53 aviões dos três lotes adquiridos pela FAB entre 1989 e 2000.

O AMX, designado A-1 pela FAB, é um avião de ataque ar-superfície, empregado também em missões de reconhecimento aéreo. O evento que marcou o recebimento da primeira aeronave na Embraer, realizado no último dia 3 de maio, ocorreu na sede da Companhia, em São José dos Campos. O Brigadeiro-do-Ar Dirceu Tondolo Nôro entregou o avião ao Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo,Luiz Carlos Siqueira Aguiar.

"Este é um programa que tem como objetivo estender a vida do avião, além de dar um desempenho superior. Por isso, é um projeto desafiador para todos nós. Vamos adquirir novos conhecimentos e fortalecer ainda mais a área de Defesa da Embraer", disse Aguiar, lembrando que a modernização é de suma importância não apenas para a FAB, mas também para a indústria aeronáutica e a própria Empresa.

A atualização do AMX incorporará o que há de mais atual em tecnologia para aviônicos, armamento e sensores. Assim, a aeronave atingirá o patamar operacional dos mais avançados aviões de combate disponíveis no mercado. "O AMX é o diferencial pró-Brasil na América do Sul, graças à capacidade operacional obtida em cumprimento aos requisitos pré-estabelecidos, nas décadas de 1970 e 1980. A atualização tecnológica do avião vi sa a introduzir novas capacidades, que o levarão ao cumprimento pleno da sua missão", explicou o Brigadeiro Nôro, Subdiretor de Desenvolvimento e Programas (SDDP) e presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC).

Presente ao evento, o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Carlos Alberto Pires Rolla, comandante do Comando-Geral e Tecnologia Aeroespacial (CTA), destacou a importância da parceria entre Embraer e FAB. "A Embraer já se projetou no campo comercial no mundo inteiro, tem aviões voando nos quatro cantos do planeta, e por isso atribuímos a ela o processo de modernização do AMX, um filho da Empresa", comentou o Brigadeiro, afirmando ainda que a modernização permitirá que o avião tenha boa parte de seus componentes nacionais. Também estiveram no local da entrega o Major Brigadeiro-do-Ar Ronaldo Salamone Nunes, Diretor de Ciências e Tecnologia do CTA, e o Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos Barbosa Ribeiro, Subdiretor de Aeronaves da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico (DIRMAB).

História

Em 1977, a Força Aérea Italiana efetuou uma licitação para desenvolvimento de um caça-bombardeiro. A Aeritalia, atualmente denominada Alenia Aeronáutica, e a Aermacchi fizeram uma proposta conjunta, iniciando os trabalhos em abril de 1978. Em 27 de março de 1981, os governos italiano e brasileiro concluíram um acordo de requerimentos conjuntos para as aeronaves, e a Embraer foi convidada a se juntar ao programa. Assim nasceu o AMX, projetado, desenvolvido e produzido por um consórcio formado entre as três empresas. O primeiro protótipo voou em 15 de maio de 1984, e a produção em série começou dois anos depois, com os primeiros exemplares entregues à Força Aérea Brasileira e à Força Aérea Italiana, em 1989. Nos 11 anos seguintes, até 2000, quase 200 aviões deste tipo foram produzidos. Os esquadrões italianos de AMX voaram 252 missões de combate na guerra do Kosovo, na Sérvia, em 1999, como parte da Operação Allied Force, sem nenhuma aeronave perdida. No Brasil, o A-1 é operado pelo 1º/10º GAV, Esquadrão Poker e 3º/10º GAV, Esquadrão Centauro, ambos sediados na Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e pelo 1º/16º GAV, Esquadrão Adelfi, sediado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

A atualização do AMX incorpora o que há de mais atual em tecnologia para aviônicos, armamento e sensores

Lula admite atraso e destina R$ 1 bi a projeto nuclear da Marinha

Reuters
Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira a destinação de recursos para a conclusão do projeto nuclear da Marinha, dirigido à propulsão de um submarino e também à geração de energia comercial.

O projeto vai absorver R$ 130 milhões por ano por um período de oito anos, totalizando R$ 1,040 bilhão.

O presidente admitiu que o programa brasileiro de propulsão nuclear de um submarino sofreu paralisações, inclusive em sua gestão.

"É verdade que este projeto esteve parado durante um determinado tempo, é verdade que no nosso primeiro mandato nós tivemos que dedicar os primeiros quatro anos para consertar o país, para arrumar a casa", disse Lula.

Neste segundo mandato, o presidente afirma que assumiu o compromisso com o ministro da Defesa, Waldir Pires, de concluir o projeto.

As declarações foram dadas durante visita de Lula ao Centro Experimental Aramar da Marinha, localizado em Iperó (120 quilômetros a oeste de São Paulo) onde são realizadas as pesquisas.

O local é responsável por desenvolver o programa nuclear da Marinha, que tem como objetivo criar propulsores nucleares para submarinos. Sua principal vantagem é a maior autonomia em relação aos motores a diesel, de acordo com informação da Marinha.

A pesquisa de um submarino com propulsão nuclear é realizada desde 1979 no Brasil e, após ter altos e baixos na destinação dos recursos, já correu o risco de ser interrompida. Faz parte do projeto a produção de urânio enriquecido (combustível para a energia nuclear) em escala industrial para atender também às usinas nucleares de Angra.

Lula reiterou que a energia nuclear faz parte da matriz nuclear do país e que Angra 3 será concluída. "Se for necessário construir mais, nós vamos construir, até porque é uma energia limpa", afirmou o presidente.

08 julho 2007

Super Tucano para combater o narcotráfico

InfoRel

Durante sua visita ao Brasil, na semana passada, o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, anunciou que vai adquirir nove aeronaves de ataque leve Super Tucano, da EMBRAER, para o combate ao narcotráfico.

Ele visitou a fábrica da empresa em São José dos Campos (SP) e se reuniu por mais de uma hora com os executivos da Embraer. O Super Tucano já é utilizado também pela Força Aérea da Colômbia e pela FAB, na interceptação de aeronaves ilegais.

Até fevereiro, cada avião Super Tucano custava cerca de US$ 9,5 milhões. O governo dominicano justificou que a compra dos aviões por US$ 92 milhões é necessária, pois os vôos do narcotráfico cresceram muito nos últimos dias.

Antes da chegada de Fernández ao Brasil, o governo havia informado que em 2006, foram registrados 111 vôos ilegais sob o país e que 5,5 toneladas de drogas teriam sido apreendidas. A decisão foi criticada pela oposição para quem a decisão sobre a compra dos aviões deve ser submetida a uma licitação.