30 outubro 2007

Militares pedem reajuste e criticam Chávez e MST



BRASÍLIA - A defasagem salarial e a determinação de pressionar o Planalto e o Congresso, caso haja mesmo disposição do governo de conceder aumentos diferenciados para militares da ativa e da reserva, foi o principal tema do debate ocorrido ontem no Clube do Exército, em Brasília.

Os militares, que se exaltaram na discussão do tema, alegam que a concessão de aumentos distintos é inconstitucional. Eles lembraram ainda o compromisso assumido pelo ex-ministro da Previdência deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), na época em que se discutia a reforma da Previdência do setor público, de que isso não seria feito.

Os militares se mostraram preocupados ainda com a falta de indicação do governo de um percentual de aumento. Um estudo do Ministério da Defesa fala da necessidade de concessão de dois reajustes de 27%, um ainda este ano e outro até setembro do ano que vem, para aproximar a situação da categoria e a de outros profissionais.

Eles repetiram que um general quatro estrelas, com 50 anos de carreira, ganha R$ 13,4 mil, enquanto um delegado da Polícia Federal receberá, em fevereiro, R$ 19 mil. Os estudos da Defesa apontam ainda que o salário médio dos militares é 27,5% menor do que o das demais carreiras.

O encontro, que reuniu cerca de 150 oficiais da reserva, entre eles o ex-senador e coronel Jarbas Passarinho, além do ex-ministro do EMFA, general Benedito Leonel e ex-ministro do Gabinete Militar, general Fernando Cardoso, foi convocado pelo presidente do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo, que está na capital em campanha pela conquista por novos sócios.

Nos debates, também foram repudiadas as ações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de tentar criar movimentos bolivarianos do Brasil, e do MST, consideradas criminosas. Os militares criticaram a falta de resposta do governo em relação a estas questões. A ação do Clube Militar contra a promoção de Carlos Lamarca também foi motivo de muita polêmica na reunião.

Militares brasileiros


Cláudio Humberto

Venezuela virou ‘inimigo nº 1’

Os militares brasileiros agora consideram a Venezuela, país do semiditador Hugo Chávez, a “hipótese de guerra” nº 1 do Brasil, em lugar da Argentina. Por isso, o ministro Nelson Jobim (Defesa) passou vários dias fantasiado de general, participando de exercícios do Comando da Amazônia, baseados em um hipotético ataque venezuelano, que incluía um bombardeio da hidrelétrica de Itaipu por caças venezuelanos Sukhoi, de fabricação russa.

Baita susto

Os exercícios coincidiram com o envio de caças venezuelanos Sukhoi para La Paz. Mas eram para intimidar os separatistas de Santa Cruz de la Sierra.

Indigência

O general Augusto Heleno, comandante da Amazônia, tem dito que não há dinheiro nem para deslocar tropas brasileiras para as nossas fronteiras.

Humilhação

A situação dos militares é tão ruim que o Brasil tem hoje apenas a quarta melhor Força Aérea da América do Sul. Perde até para a do Peru.

Dieta aérea


O Comando da Aeronáutica engorda, revela o site Contas Abertas: comprou 150 quilos de camarão graúdo (R$ 2,6 mil) e, de sobremesa, 150 caixas de bombons. O aperitivo: 100 latas de castanha de caju.

Militares de missão no Haiti fazem treinamento na Morro Tavares



RIO - Militares do 8º Contingente Brasileiro da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustha) realizaram um exercício de treinamento em operações de paz, na manhã desta segunda-feira, no Morro da Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul do Rio, onde está localizada a sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O objetivo da implantação do treinamento para os cerca de 1.000 militares do Exército, dez da Marinha e um da Força Aérea Brasileira (FAB) é nivelar conhecimentos, padronizar procedimentos e adestrar a tropa que atuará no Haiti. O grupo segue para o país em dezembro e substituirá o contingente que se encontra atualmente.

O treinamento acontece também nesta terça e quarta-feira, no Campo de Instrução do Exército, em Gericinó, na Vila Militar, Zona Oeste; e no município de Paracambi, na Baixada Fluminense, em área do Exército.

Sarney: projeto bélico de Chávez é um perigo

Ex-presidente alerta sobre riscos para a América Latina e diz que inclusão da Venezuela violaria tratado do Mercosul


Adriana Vasconcelos

BRASÍLIA. Se depender do ex-presidente José Sarney (PMDB-AC), a Venezuela não deverá ingressar no Mercosul. Classificado na semana passada como um "lacaio e servil" do governo americano por um aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez, Sarney ontem usou a tribuna do Senado para questionar a democracia no país vizinho. E fez um alerta sobre o perigo que o Brasil corre diante da corrida armamentista deflagrada no continente por Chávez.

- No momento, não há como declarar que a Venezuela é uma democracia exemplar. Na hora em que se acaba com a alternância de poder, acaba-se com o coração da democracia. Se aprovarmos o ingresso da Venezuela, estaremos violando o Tratado do Mercosul - disse Sarney.

De acordo com Sarney, sua preocupação em relação à Venezuela é maior hoje porque Chávez está transformando o país numa potência militar.

- É um perigo para o Brasil e a América Latina que tenhamos uma potência militar instaurada aqui no continente. Ele (Chávez) investiu US$4 bilhões em armas, comprando caças de última geração, armamento de submarinos e foguetes. Isso não tem o sentido de defesa.

Para Sarney, diplomacia brasileira deve agir

Para ele, a diplomacia brasileira precisa agir rapidamente para reverter esse quadro:

- Nunca fui de arroubos, bravatas. Alerto o Brasil para o perigo que estamos correndo em termos de futuro, porque não acredito que, criando-se uma potência militar na América, tenhamos alguma tranqüilidade em termos de futuro. Teremos problemas sérios no continente.

Sarney destacou que essa não é a primeira vez que se põe em lado contrário ao de Chávez e citou as duas tentativas de golpe patrocinadas pelo venezuelano diante dos governos de Jaime Lusinchi em 1984, e de André Perez em 1992:

- Não estou sendo incoerente. Quando Chávez, em 1984, fez um golpe contra o então presidente Jaime Lusinchi, tive a oportunidade de manifestar-me contrário. Em 4 de fevereiro de 1992, cinco unidades do Exército venezuelano, sob o comando de Chávez, alojaram-se em Caracas com a missão de tomarem instalações militares e de comunicações no Palácio Miraflores. Naquele momento, solidarizei-me com o presidente Andrés Perez contra qualquer golpe aqui no continente.

Assegurando não ter nada de pessoal contra Chávez, Sarney destacou que deu seu apoio ao venezuelano, quando este também foi alvo de um golpe de Estado que o depôs por 48 horas:

- Nossa posição não é de ficarmos contra a Venezuela e nem pessoalmente contra Chávez, mas adverti-lo de que não terá solidariedade do Brasil e nem do continente em qualquer aventura que transforme a Venezuela num país ditatorial.

29 outubro 2007

Hugo Chaves: o Brasil deve ter medo dele?


GUILHERME EVELIN, ISABEL CLEMENTE E MATHEUS LEITÃO

HÁ MAIS DE UM SÉCULO, o BRASIL não se envolve em guerra com seus vizinhos. A última foi a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870. Morreram 60 mil brasileiros. De lá para cá, o Brasil, maior país em extensão territorial e população da América Latina, tem mantido relações pacíficas no continente. O Brasil hoje também não tem disputas de frontei­ras. Isso contribuiu para firmar a imagem do continente como uma das regiões mais estáveis e desmilitarizadas do mundo. Segundo o Stockholm Inter­national Peace Research Institute (Sipri), instituto sueco dedicado ao monitoramento de gastos militares, a América Latina é a região do mundo que dedica proporcionalmente menos recursos aos orça­mentos de suas Forças Armadas - 1,4% do PIB regional.

Desde 2005, um elemento perturbador foi introduzido nesse qua­dro de relativa paz e tranquilidade. O governo Hugo Chávez, na Vene­zuela, começou a fazer compras maciças de equipamentos militares. A primeira investida venezuelana foi a compra de 100 mil fuzis de assalto Kalashnikov AK-103 e AK-104, fabricados na Rússia. A partir daí, a Venezuela continuou a frequentar com avidez e assiduidade o mercado de armas global. Acertou com a Espanha a encomenda de oito navios de guerra, parte de um negócio de l ,2 bilhão de euros. Na China, Chávez foi buscar radares móveis. O pacote de compras bélicas de Chávez inclui ainda helicópteros, submarinos, mísseis terra-ar. A aquisição mais valiosa foi feita em julho de 2006: 24 caças Sukhoi, de fabricação russa, aviões de guerra mais poderosos e modernos que qualquer outro hoje existente na América do Sul. De acordo com o último relatório do Sipri, a Venezuela, em 2006, pelo segun­do ano consecutivo, foi o país da América do Sul que mais aumentou gastos militares: 20% em termos reais.

Chávez diz que está se armando para modernizar equipamentos obsoletos das Forcas Armadas venezuelanas e para se pre­parar para um eventual ataque dos Estados Unidos, elevados à condição de Grande Satã pela retórica barulhenta do presiden­te da Venezuela. Chávez até cunhou uma doutrina militar - a "guerra assimétrica" - para fazer contraponto à doutrina de guerra preventiva do governo George W. Bush, nos EUA. Apesar das declarações de Chávez, há uma crescente inquietação no Brasil e em outros países sul-americanos quanto à escalada armamentista da Ve­nezuela ter outros fins. Há duas semanas, Chávez disse que poderia transformar a Bolívia em um novo Vietnã, se a oposição boliviana tentasse derrubar seu aliado Evo Morales da Presidência.

Estamos diante de um fanfarrão ou de alguém que é preciso levar a sério por seu desejo expresso de se perpetuar no poder? Chávez é um militar que, antes de vencer eleições, tentou assumir o governo na Venezuela por um golpe. Tenente-coronel reformado do Exército, Chávez ainda usa adereços militares em suas campanhas políticas. Em comícios, costuma apare­cer com uma boina vermelha usada por pára-quedistas. Seus seguidores políticos gostam de usar a boina vermelha, trans­formada em símbolo do chavismo. Os sinais do militarismo do regime chavista aparecem também na formação das mi­lícias bolivarianas, grupos de civis que apoiam seu regime. Chávez apresenta-se como católico, ora cita Deus, ora o Dia­bo. Em discurso na ONU em 2006, ao ocupar o púlpito em que Bush estivera no dia anterior, disse ainda sentir chei­ro de enxofre. Aproximou-se de figuras controversas, como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o russo Vladimir Putin, de quem compra armas, e Fidel Castro, para quem chegou a cantar em sua visita mais recente a Havana, no período de conva­lescença do ditador cubano.

Aos 53 anos, é casado pela segunda vez e tem quatro filhos. Na juventude, Chávez foi jogador amador de beisebol Até hoje, gosta de aparecer na TV com trajes espor­tivos e tacos de beisebol. Em 1999, pouco depois de assumir o governo, mandou criar e publicar uma história em quadrinhos em que o herói usava boina, bastão de beisebol e resolvia todos os problemas da Venezue­la - uma óbvia referência a si próprio. Os oficiais das Forcas Armadas que ousam desafiá-lo costumam ser mandados para a reserva ou para a prisão.

Seu projeto é implantar o "socialismo do século XXI" O próximo passo será irradiar sua "revolução bolivariana" pela América Latina. O Orçamento da Venezuela para 2008 prevê gastos de US$ 193 milhões para "fortalecer movimentos alternativos na América Central e no México e assim se desatrelar do domínio imperial" dos EUA. Na semana passada, o jornal Correio Braziliense revelou que o venezuelano Maximilian Arvelaiz, homem de confiança de Chávez, percorre há quase um mês capitais brasileiras com a missão de organizar a pri­meira Assembleia Bolivariana do Brasil, em dezembro, no Rio de Janeiro. O estatuto do movimento prevê a construção de "um poder popular" e a formação de "uma fe­deração socialista latino-americana". Para apoiar Arvelaiz, Chávez enviou mais 15 di­plomatas à embaixada e a consulados em Brasília, sob o pretexto de que se trata de um reforço nas relações bilaterais.

No Brasil, as ações e o discurso de Chávez, no início ignorados, começam a repercutir mal. "A hipótese de uma corrida armamen-tista na América do Sul parece estar-se con­cretizando, tendo em vista os gastos de mais US$ 4 bilhões da Venezuela nos últimos dois anos e as indicações de que Chávez conti­nuará a investir em material bélico", disse a ÉPOCA o ex-presidente da República e senador José Sarney (PMDB-AP). "Nosso país é um tradicional defensor da solução pacífica das controvérsias e uma corrida ar-mamentista seria inaceitável para o Brasil."

Isso não quer dizer que o Brasil esteja parado. De acordo com oficiais do Exército brasileiro, o investimento em equipamento das Forcas Armadas em 2008 será o maior desde o fim do período militar. Marinha, Exército e Aeronáutica terão a sua disposi­ção o mais alto orçamento dos últimos 12 anos para comprar e renovar equipamen­tos bélicos. Esses gastos, segundo o projeto de lei orçamentaria enviado ao Congresso, serão de R$ 9,1 bilhões, e podem chegar a R$ 10, 1 bilhões. O aumento é de quase 50% em relação aos R$ 6,9 bilhões deste ano.

O governo Lula anunciou outras medidas para aumentar o aparato bélico brasileiro. O programa de construção do submarino nuclear pela Marinha, que se arrasta desde 1979, deverá receber, a partir de 2008, R$ 130 milhões por ano. O objetivo é que o submarino fique pronto em uma década. O governo passou também a considerar prioritária a retomada do programa FX de aquisição de 12 caças modernos para a Força Aérea Brasileira. Estuda-se a alocação de R$ 2 bilhões para o programa.

Em 2003, pouco depois de chegar ao Palácio do Planalto, o presidente Lula sus­pendeu a compra desses mesmos caças, sob a alegação de que prioritário era o Progra­ma Fome Zero. A política industrial que o governo promete apresentar nos próxi­mos dias prevê incentivos para fortalecer a indústria bélica nacional. Detalhes ainda não foram divulgados, mas é certa a liberação de financiamentos especiais do Banco Na­cional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Fico imaginando o que pode atrapalhar o nosso país. Apenas a nossa omissão e apenas a nossa submissão. Está na hora de construir o PAC das nossas Forcas Armadas, da nossa Defesa", afirmou o pre­sidente Lula em setembro.

Estamos mesmo no limiar de uma cor­rida armamentista na América do Sul, desencadeada por Chávez e à qual o Brasil aderiu para não ficar para trás? O governo Lula nega oficialmente que os aumentos dos gastos militares sejam uma reação a Chávez. A elevação do orçamento militar, diz o governo, é uma resposta ao sucateamento das Forcas Armadas, que não recebem investimentos para modernização há quase duas décadas. "Essa é uma discussão que acompanho há dez anos e digo que não há relação entre a decisão do governo de voltar a investir nas Forças Armadas com as de­cisões de Chávez", afirma o deputado José Genoíno (PT-SP), uma espécie de porta-voz do PT para assuntos militares. Mesmo assim, dois ministros e um governador de Estado afirmaram a ÉPOCA que, em foro reservado, Lula diz se preocupar com o fator Chávez na América Latina.

Isso não quer dizer que vivamos uma corrida armamentista no continente. Em artigo publicado pelo Observatório Político Sul-Americano, departamento de pesquisa do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (luperj), o cientista político Rafael Villa diz que as compras de armas por Chávez visam obter apoio interno para seu regime na Venezuela, que tem nos militares um de seus principais sustentáculos políticos. "Faz-se certo alarmismo em torno de uma corrida armamentista na América do Sul, por causa da retórica de Chávez, mas o que está acontecendo no Brasil e em outros países da região é uma moderniza­ção de equipamento bélico obsoleto, por causa da queda dos níveis de investimento militar desde os anos 90", diz a colombiana Catalina Perdomo, pesquisadora do Sipri. "É um exagero falar em corrida armamentista, porque o orçamento de defesa do Bra­sil, além de pequeno, é desequilibrado. Há uma enorme parcela de gastos dirigida ao pagamento de salários e pensões", diz Mark Stocker, economista especializado em de­fesa do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres.

Segundo estimativas de 2004, o Brasil destinava 70% do orçamento do Ministério da Defesa para gastos com pessoal e apenas 2,88% para reequipamento militar. A dete­rioração do equipamento militar brasileiro tem causas também políticas. Está relacio­nada a uma perda de prestígio das Forcas Armadas após a redemocratização do país. Elas teriam sido relegadas nos últimos anos a um "ponto de desleixo", segundo o coronel da reserva Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp).

Os comandantes militares tratam de dar contornos dramáticos ao sucateamento das forcas. Em agosto, em depoimento no Senado, o comandante da Marinha, Júlio Soa­res de Moura Neto, descreveu a situação da força naval brasileira nos seguintes termos: "Ela vive um crítico estado de degradação e obsolescência material, de vulnerabilidade estratégica, de redução de atividades, sem precedentes na história contemporânea da nação". Segundo Moura Neto, dos 21 navios da esquadra, 11 estão parados e dez operam com restrições. Dos cinco subma­rinos, dois estão parados, dois operam com restrições e apenas um não tem problemas. Há duas semanas, ao depor na Câmara dos Deputados, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, revelou que, dos 719 aviões da FAB, apenas 267 têm condições de voar. Os outros 452 estão à espera de manutenção, sem condições de uso, 232 deles retidos no solo por falta de dinheiro para comprar peças. Segundo o ex-embaixador Rubens Barbosa, a ameaça de guerra não é o único motivo para investimentos mi­litares. "O país precisa se defender, não de ataques externos, mas do tráfico de drogas e armas nas nossas fronteiras."

Seria uma ingenuidade, no entanto, ima­ginar que o armamento pesado adquirido por Chávez não tenha sido usado como pre­texto pelos militares brasileiros para obter do governo federal mais recursos para as Forcas Armadas. Outra ingenuidade seria pensar que as verbas extras anunciadas não tenham implicitamente o objetivo de reequilibrar o tabuleiro militar na América do Sul, onde a Venezuela está hoje em posição de vantagem por causa dos caças russos Sukhoi 30. "Pas­sou a existir um desequilíbrio muito grande, porque não temos um armamento como o deles. (O Sukhoi) é uma arma de última geração, não temos nada comparável e, ob­viamente, isso nos preocupa porque nossos aviões estão decrépitos", afirma o general José Benedito de Barros Moreira, secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa. "Com esses aviões, a Venezuela, em tese, poderia fechar o espaço aéreo sobre grande parte da Amazónia. Ne­nhum país da América do Sul tem resposta possível para esse tipo de avião", diz Domício Proenca Júnior, professor da Coppe/UFRJ e doutor em estudos estratégicos.

Segundo os especialistas, os Sukhois venezuelanos, ar mados com mísseis de longa distância, um equipamento não disponível no Brasil, po­dem derrubar qualquer coisa a seu alcance sem correr riscos. Daí o potencial de fechar a Amazónia. O Brasil conta hoje com seis caças Mirage comprados da França, mas eles não são páreo para o Sukhoi. "Se vier a comprar caças comparáveis ao Sukhoi, o Brasil só estará equilibrando esse jogo", diz Domício Proenca.
"Temos consciência de que, para manter­mos a posição privilegiada na América do Sul e atingirmos novos patamares no cená­rio internacional, não podemos descuidar da nossa defesa", disse o ministro da Defe­sa, Nelson Jobim, em entrevista interativa aos leitores de ÉPOCA. "Estamos elaborando o Plano Estratégico Nacional de Defesa, que definirá a missão de cada força e os equipamentos necessários para sua atuacão. Os novos aviões da FAB, tanto de transporte, quanto de caça, estarão no plano." Mesmo se isso se concretizar, as razões serão mais políticas que bélicas. Nem os militares, cujo dever de ofício é alimentar uma saudável paranóia em relação à defesa nacional, levam a sério uma hipótese de con­fronto militar com a Venezuela de Chávez.

Em conferências, o cientista político Moniz Bandeira, especializado em questões internacionais e uma das referências inte­lectuais do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, resumiu assim a possibilidade de um ataque da Venezuela ao Brasil: "É ridículo.Veja as dimensões demográficas, territoriais e eco­nómicas do Brasil e da Venezuela. Não basta comprar armamentos da Rússia para que se possa fazer uma guerra. Uma vez que a Venezuela não tem um parque industrial e importa do exterior a maioria dos produtos manufaturados que consome, seria muito difícil para Chávez empreender e sustentar qualquer guerra com outro país".

Quem tem motivos para temer Chávez do ponto de vista militar, segundo o coro­nel Geraldo Cavagnari, são seus vizinhos Colômbia e Guiana. A Colômbia tem uma fronteira de 2.000 quilómetros com a Vene­zuela, por onde circulam os guerrilheiros das Farc, inimigos do governo Álvaro Uri-be e simpáticos a Chávez. Historicamente, os dois países não se entendem sobre os limites territoriais no Golfo da Venezuela, uma região rica em petróleo. Há mais de um século, os venezuelanos também recla­mam o território a oeste do Rio Essequibo, o equivalente a dois terços do território da Guiana. Mesmo assim, Cavagnari duvida que Chávez venha a se aventurar em inva­sões, porque sabe que a reação internacio­nal seria imensa e imediata.

O verdadeiro confronto entre Brasil e Chávez, dizem os especialistas em ques­tões estratégicas, não é militar, mas políti­co. Envolve uma disputa com o Brasil pela liderança da América do Sul. Como maior país da região, o Brasil aspira a essa posição e quer chegar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Num documento, do final do ano passado, preparado para o Real Instituto Elecano, instituição espa­nhola dedicada a estudos de segurança e defesa, os pesquisadores Carlos Malamud e Carlota Garcia Encina descrevem a estra­tégia política de Chávez. "Para a Venezuela, o braço militar serve para reforçar a di­plomacia do petróleo, dirigida para conse­guir aliados e aumentar sua influência. Os exageros armamentistas de Chávez servem para projetar uma imagem de poder, tanto nacional quanto regionalmente."

Política externa, ensinam os manuais, não se faz apenas com diplomacia, mas com a caneta cheia de tinta para preencher talões de cheques e fuzis. Assentado nas imensas reservas de petróleo da Venezuela e agora munido de Kalashnikovs e caças Sukhoi, Chávez tem as duas coisas para continuar sua política de conquistar influência e alia­dos em países vizinhos como Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua e Argentina. "Chávez usa o petróleo e o poder militar para per­petrar uma política agressiva de influência ideológica na política interna de outros países", diz o cientista político José Augus­to Guilhon de Albuquerque, da Universi­dade de São Paulo (USP).

Na Bolívia, estratégica para o Brasil por fornecer 50% do gás natural consumido no país, a influência de Chávez já causou prejuízos concretos. No episódio da nacio­nalização e ocupação militar das refinarias da Petrobras pelo governo Evo Morales, a Venezuela apoiou ostensivamente a medida hostil aos interesses brasileiros. A presença de Chávez na Bolívia, que tem um acordo de cooperação militar com Morales e fornece agentes para a segurança pessoal do presi­dente boliviano, é um fator a mais de ins­tabilidade política. A Bolívia vive a ameaça de uma desintegração territorial, por causa de um movimento separatista na região de Santa Cruz de Ia Sierra, a mais rica do país e comandada por opositores de Morales.

Na definição de vários especialistas, a América Latina vive hoje um duelo ideoló­gico entre duas correntes de esquerda que assumiram o poder em vários países da região. Chávez é o principal emblema da esquerda que ainda vê na implantação de um regime socialista a solução para os pro­blemas sociais. É um "stalinista primitivo", na definição feita a ÉPOCA por Teodoro Petkoff, ex-ministro da Venezuela e um de seus principais adversários políticos. Por ter abraçado as regras da economia de merca­do e dos regimes democráticos, o governo Lula no Brasil passou a ser considerado a principal referência de uma esquerda so-cialdemocrata no continente.

Na semana passada, a Assembléia Nacional da Venezuela aprovou uma reforma constitucional, proposta por Chávez, com a qual ele busca o aumento de seus poderes, a possibilidade de permanecer eternamente na Presidência, a instauração de uma “economia socialista” e a censura da imprensa em momentos de “estados de exceção”. Uma das definições mais famosas de guerra sobrevive há mais de dois séculos. Seu autor é Carl von Clausewitz, militar prussiano, um dos teóricos clássicos do assunto. Segundo ele, a guerra é a continuação da política por outros meios.

Ao anunciar os investimentos para rearmamento das Forças Armadas brasileiras, como nunca antes, o governo Lula está fazendo política por outros meios. Mesmo que diga que Chávez não é o alvo nem a causa do aumento dos orçamentos militares, o Brasil, com essa decisão, deixa claro que quer continuar a ser a principal liderança da América do Sul. Ao iniciar seu governo, com a proposta de integrar o Conselho de Segurança da ONU, Lula achou que este era um direito natural do Brasil. Os movimentos de Chávez parecem tê-lo convencido de que a liderança política tem um preço.

O porta-aviões submarino da Marinha Imperial Japonesa


Depois do dramático revés em Midway e do desembarque bem-sucedido dos norte-americanos em Guadalcanal, em agosto de 1942, o Estado-Maior nipônico tomou rapidamente ciência de que os rumos da guerra estavam a se voltar perigosamente contra os seus planos.

Apesar da frota submersível da Marinha norte-americana (USN, United States) ser muito mais efetiva e infringir perdas muito mais pesadas ao adversário que sua contraparte japonesa, é fato também que muito disso se devia a erros estratégicos e táticos - e não a uma inferioridade tecnológica nipônica.

Na verdade, em alguns aspectos da tecnologia de submersíveis, a Marinha Imperial japonesa estava à frente da USN – possuía, por exemplo, aquele que talvez fosse, na época, o mais eficaz torpedo do mundo, o Tipo 95.

Por outro lado, a força aeronaval nipônica, depois das perdas de porta-aviões em Midway, estava severamente enfraquecida e muitos comandantes da Marinha Imperial questionavam sua capacidade de se impor abertamente perante o cada vez maior poderio da aviação embarcada norte-americana. Deste cenário, em fins de 1942, surgiu a idéia japonesa de unir as capacidades de sua arma submarina às da aviação embarcada.

Para que se faça justiça, o uso de aviões a bordode submersíveis não era uma novidade, nem era algo inédito.

Os primeiros testes com aviões decolando de submarinos foram feitos pelos alemães e britânicos em 1915 e os germânicos foram responsáveis pela primeira aeronave projetada para ser usada num submersível, o hidroavião Hansa-Brandenburg W.20 – mas este nunca tornou-se operacional.

Foi somente após o fim da 1a Guerra Mundial que realmente entrariam em serviço os primeiros submarinos capazes de operar (incluindo submergir) com um avião a bordo – o britânico M2 (incorporado em 1926, mas perdido com todos os tripulantes em 1932) e o francês Surcouf (completado em 1933 e perdido em missão pela França Livre em 1942, na 2a Guerra Mundial).

Ambos eram do tipo chamado de submarino-cruzador – embarcações grandes, de longo alcance, possuindo canhões poderosos e que deveriam operar como os cruzadores tradicio­nais, mas com a vantagem de serem submersíveis. Assim sendo, a aeronave embarcada servia basicamente para um reconhecimento "além do horizonte", vital na missão desejada, numa época em que não havia radar. O único avião do Surcouf, um monoplano Besson MB.411, tinha alcance padrão de 400km e era desarmado.

Por seu lado, os primeiros testes dos japoneses aconteceram em 1927 e a Marinha Imperial entusiasmou-se com o conceito – de fato, viria a ser a única no mundo a operar em larga escala submarinos dotados de aeronaves embarcadas. No início da 2a Guerra Mundial, haviam 35 destas embarcações em serviço, todas operando o hidroavião Yokosuka E14Y1, e seriam feitas, inclusive, muitas bem-sucedidas missões de reconhecimento aéreo tático de longo alcance e estra­tégico – sobre Pearl Harbour (Havaí), o porto de Sydney (Austrália) e sobre Wellington (Nova Zelândia), entre outros objetivos.

Sendo basicamente um reconhecedor, o E14Y1 tinha dois tripulantes e possuía apenas uma metralhadora de autodefesa, embora pudesse ser armado com 60kg de bombas.

Em 9 de setembro de 1942, o E14Y1 do submarino I-25 en­traria para a história ao realizar o primeiro bombardeio aéreo do território continental dos Estados Unidos – tripulado apenas pelo Of. Av. Nobuo Fujita, para incrementar a carga bélica, a aeronave lançou duas bombas incendiárias de 76kg cada, em bosques perto de Mount Emily, no Oregon. Um segundo bombardeio, com a mesma carga de bombas, foi feito no dia 29, novamente por Fujita e na mesma área (perto de Cape Blanco). O I-25 e seus tripulantes retornaram sem problemas.

Porém, o conceito japonês em fins de 1942 era mais ambicio­so e, por isso, inovador. Não se tratava de embarcar um peque­no hidroavião a bordo de um submarino, para reconhecimento armado ou mesmo ataque contra navios mercantes isolados. O que a Marinha Imperial concebera era um genuíno submarino porta-aviões, capaz de levar não apenas um, mas três aviões – aliás, três bombardeiros navais, cada um com capacidade de mais de 500 kg de carga bélica, com armamento pesado de autodefesa e excelente performance de vôo. Assim dotada, tal embarcação poderia penetrar impunemente nas águas dominadas pela USN e atacar alvos estratégicos de grande importância dos norte-americanos.

Os trabalhos tiveram início em janeiro de 1941 e o Ministério da Guerra japonês emitiu logo um requerimento para a construção de nada menos que 21 destes gigantescos submarinos Sen-Toku (STo, "submarino secreto de ataque" em japonês) – literalmente, os maiores já vistos até então. Batizados de Classe I-400, a construção começou de imediato, mas, para a sorte dos Aliados, quando a guerra terminou oficialmente no Pacífico, em setembro de 1945, apenas três exemplares haviam sido terminados - os I-400, I-401 e l-402.

Cada submarino deslocava submerso 6.560t e tinha um comprimento de 122m, desenvolvendo uma velocidade de 19 nós (35,18km/h) em emersão e 6,5 (12 km/h) em submersão. Para se colocar estes números na devida perspectiva, o mais largamente produzido e empregado submarino alemão da 2a Guerra Mundial, o temido Tipo VIIC Atlantik, tinha um deslocamento imerso de 871ton e comprimento de 67,10m, enquanto o modelo "padrão" da USN no conflito, a Classe Gato, deslocava 2.460t em mergulho e tinha comprimento de 93,60m.

Mesmo hoje, as dimensões da Classe I-400 im­pressionam. Um dos mais avançados modelos de propulsão diesel-elétrica, o Tipo 214 (de fabricação alemã, cujo primeiro exemplar entrou em serviço este ano na Marinha grega), tem um deslocamento submerso de 1.980t. E a mais nova classe de submarinos "caçadores" de propulsão nuclear do Reino Unido, a Classe Astute, desloca 7.800t em mergulho.

A tripu­lação normal da Classe I-400 era de 144 homens, mas este número podia subir até 220, dependendo da missão.

O primeiro (l-400) começou a ser construído no início de 1943 nos estaleiros em Kure, no Arsenal de Hiroshima, e foi logo seguido de outros dois, em construção nos estaleiros em Sasebo. Porém, no início de 1944, com a guerra tomando agora rumos catastróficos para o Japão, a frota inicial planejada de 21 submarinos foi reprogramada para apenas cinco – e, no fim, apenas os três iniciados em 1943 seriam terminados.

Como missão inicial para os monstros submarinos, o grande estrategista naval da Marinha Imperial, o Alm. Yamamoto, planejou um ataque contra o Canal do Panamá. Uma das opções para isto seria dos l-400 cruzarem o Índico e penetrarem no Atlântico, lançando suas aeronaves de uma posição no Caribe.

De fato, as defesas antiaéreas do lado atlântico, no Canal, eram praticamente inexistentes e os bombardeiros poderiam destruir as Eclusas de Gatun, causando a secagem do Lago Gatun – o que criaria uma verdadeira "calamidade logística" para os Aliados no Pacífico, que talvez necessitasse de um ano para ser superada. Também existiam "missões opcionais" que previam bombardeios com armas bacteriológicas contra as grandes cidades norte-americanas, como San Francisco e Nova York (o que seria, sem que o Estado-Maior nipônico soubesse, algo como uma contrapartida à arma atômica que os Estados Unidos estavam criando em Los Alamos).

Estas armas bacteriológicas foram um dos programas mais secretos do Japão na guerra e foram desenvolvidas num laboratório secreto em Harbin, Manchúria (China ocupada) – com a realização de testes cruéis e criminosos em prisioneiros de guerra, sobretudo chineses (similares às "experiências médicas" feitas pelos nazistas nos campos de concentração). O trabalho estava sob as ordens do vice-chefe do Alto-Comando Naval, o Vice-Alm. Jisaburo Osawa. Porém, sabe-se que, quatro meses antes do fim da guerra, o Estado-Maior decidira condenar o programa, declarando-se que "uma ação de ataque com germes infecciosos contra os Estados Unidos poderá causar uma escala­da desta guerra, levando-a contra toda a humanidade".

É interessante observar que, nesta altura da guerra, o Estado-Maior japonês já não trabalhava para que o ataque criasse condições para a vitória militar contra os Aliados, mas se esperava que o golpe conseguisse dissuadir estes da exigência de "rendição incondicional" – ou seja, os militares da Marinha Imperial buscavam conseguir as condições para um armistício "negociado", que mantivesse a soberania do Japão e garantisse sua hegemonia no oeste do Pacífico (incluindo as Filipinas). Com esta visão, tentou-se acelerar ao máximo os preparativos para o ataque contra o Canal do Panamá – a Operação PX.

Em junho de 1945, os três submarinos já estavam prontos e operacionais. Eram tão grandes que receberam chaminés falsas para serem tomados por destróieres ou navios mercantes pelo reconheci­mento aéreo inimigo. Foram então enviados para o norte, no Mar do Japão, pela costa oeste de Honshu, até Takaoka – onde havia sido construída uma réplica, em tamanho real (!), das Eclusas de Gatun, na Baía de Toyama, para fins de treinamento.

Por outro lado, assim como se planejara a construção dos grandiosos submarinos da Classe I-400, foi definido o desen­volvimento de uma aeronave nova, específica para uso a bordo destas embarcações.

Na mesma época em que se iniciava a construção das embarcações, portanto, a Aichi recebeu o reque­rimento 17-Shi (Bombardeiro de Ataque Especial), que começou a ser projetado pela equipe de Norio Osaki, Yasushiro Ozawa e Morishige Mori, com a designação de fábrica AM-24.

Havia o grande desafio de se criar um monoplano de boa performance, razoável capacidade de bombas, longo alcance e que pudesse ser transportado no exíguo espaço do hangar num submarino, podendo ser montado e desmontado rapidamente pelos tripu­lantes da embarcação. Desde o início, trabalhou-se com duas versões, o bombardeiro propriamente dito (um hidroavião mono­plano), com designação de serviço M6A1 Seiran, e a variante de instrução (com trem de pouso "terrestre", recolhível), o M6A1-K Seiran Kai (posteriormente rebatizado de "Nanzan").

Em novembro de 1943, ficou pronto o primeiro protótipo do M6A1 Seiran, que possuía um motor Aichi AE1P Atsuta 30, de 12 cilindros refrigerado a líquido, com 1.400hp. Um grande destaque, porém, era o fato de que a equipe do projeto vencera seu desafio de modo brilhante. Apesar de ter um mecanismo complexo e sofisticado para a "dobragem" de suas asas e cauda, o mesmo era suficientemente robusto para a operação embarcada e, mais ainda, nas mãos de pessoal bem treinado, a operação toda de montagem/desmontagem da aeronave para operação podia serfeita em apenas 7 minutos! Como uma "ajuda extra" para a execução de tal serviço à noite, todas as partes importantes receberam pintura fluorescente.

Outros cinco protótipos foram cons­truídos, estes com o Atsuta 31 , e dois do Nanzan, com o Atsuta 32 – este último, o motor utilizado nos 20 exemplares de série produzidos do M6A1 Seiran (que deixaram as linhas de montagem entre outubro de 1944 e julho de 1945). Com uma metralhadora de autodefesa de 13mm (montada a ré, num suporte móvel), o Seiran podia levar até 850kg de bombas e tinha velocidade máxima de 475km/h, com teto e raio operacionais cie 9.900m e 1.190km, respectivamente. Pronto para vôo, tinha comprimento de 11,64m e envergadura de 12,26m, com pesos de 3.301 kg (vazio) e 4.445 kg (máximo de decolagem). Nos treinamentos a bordo dos submarinos constatou-se que a tripulação conseguia retirar do hangar, montar e catapultar para vôo os três Seiran após 45 minutos da embarcação ter subido à superfície.

Porém, apesar de todo o minucioso treinamento para a Operação PX (que seria lançada da Base Naval de Maizuru), esta nunca seria levada a cabo. Em meados de 1945, quando estavam com toda força os exercícios em Takaoka com o l-400 e seus Seiran, o Alto-Comando nipônico recebeu a informação de que os Aliados estavam, enfim, preparando-se para a invasão do Japão e que a frota para tal ação, de proporções absolutamente impressionantes, deveria ser reunida pelo inimigo no Atol Ulithi, a cerca de 1.300km leste das Filipinas, no Arquipélago das Carolinas. Sendo a formação mais a leste dessas ilhas, Ulithi oferecia uma lagoa central de águas profundas, ideal para reunir as grandes embarcações da frota de invasão Deste modo, o Cap. Tatsunoke Ariizumi, o idealizador do ataque contra as Eclusas de Gatun, recebeu ordens de mudar completamente os planos e preparar, no menor prazo possível, uma missão de ataque dos submarinos l-400 e I-401 contra a frota dos Aliados reunida em Ulithi.
Dois submarinos da Classe AM (Tipo Kai-Ko-Taka),os l-13 e l-14, cada um com dois Seiran, acompanhariam os l-400 e, com o reco­nhecimento aéreo prévio, lhes forneceriam as informações táticas necessárias das disposições inimigas em Ulithi, para a melhor eficá­cia possível do ataque, que seria, então, realizado pelos seis M6A1 dos dois I-400, mais os quatro dos AM. Durante a preparação final para a operação, ao navegar para se unir à força-tarefa submersível, o I-13 foi afundado pelo destróíer norte-americano USS Lawrence C. Taylor e pelas aeronaves do porta-aviões de escolta USS Anzio. Mas a frota com o I-14 e os dois l-400 (somando oito Seiran embarcados) se reuniu em Maizuru com sucesso. A data do ataque contra Ulithi foi fixada para 17 de agosto de 1945.

Mas não havia mais tempo para a Marinha Imperial.

Em 6 de agosto, os norte-americanos faziam o primeiro ataque com uma bomba atômica da história, atingindo a cidade japonesa de Hiroshima. Três dias depois, um ataque similar destruía Nagasaki. Estima-se que 140 mil pessoas morreram instantaneamente nas duas cidades (fe­rimentos e efeitos da radiação fariam dobrar este número até o fim de 1945). No dia 15, num dramático pronunciamento de rádio feito a partir do Palácio Imperial, o imperador Hirohito anunciava a rendição incondicional do Japão aos Aliados. Imediatamente, a força naval em Maizuru recebeu ordens de abortar a missão de ataque contra Ulithi.

A bordo do I-400, que estava sob seu comando pessoal, Ariizumi inicialmente tomou a ordem como um "golpe de desinformação" dos Aliados. Porém, logo veio a confirmação segura de Tóquio, em 22 de agosto, que especificava que deveriam ser destruídas as máquinas de código nas embarcações, assim como todos os documentos e armas – os torpedos deveriam ser lançados a esmo e os Seiran, simplesmente jogados ao mar das catapultas. E, o pior de tudo, os submarinos deveriam navegar na superfície, com a bandeira negra de "rendição" hasteada, indo ao encontro das frotas dos Aliados, em pontos determinados. Ariizumi seguiu todas as instruções, mas não conduziu o I-400 ao cativeiro – suicidou-se depois das preparações, com seu corpo sendo "embrulhado" na bandeira japonesa e lançado ao mar, segundo suas instruções.

O I-400 rendeu-se em alto-mar para um destróier da USN, cuja tripulação mal podia crer no gigantesco monstro submersível que via navegando ao lado de seu navio. Dois dias depois, o I-401 fazia o mesmo. Depois de detalhadamente examinados por peritos, técnicos e engenheiros navais norte-americanos, ambos seriam afundados pelo submarino USS Cabezon, da USN, ao largo de Barber Point, em Oahu (Havaí), em 31 de maio de 1946. O mesmo destino teria o I-402, afundado no mesmo ano ao largo da Ilha de Gotto Retto (ele havia sido convertido em submarino-petroleiro, para levar combustível da Indonésia para o Japão, mas nunca chegara a operar).

Terminava assim a saga dos submarinos porta-aviões da Marinha Imperial Japonesa.

26 outubro 2007

AW 109 LUH - O peso leve italiano que pega pesado

FICHA TÉCNICA

2 motores Pratt & Whitney PW207C ou Turbomeca Arrius 2K - 2

Pesos

Max decolagem = 3.000 kg
Básico vazio = 1.670 kg

Tripulação = 1 piloto + 6 pessoas ou 2 pilotos + 5 pessoas

Velocidades

Velocidade máxima = 311 km/h
Velocidade de cruzeiro = 283 km/h

Razão de subida = 1.700 pés/min

Teto de serviço = 6.096 m

Alcance máximo = 926 km

O tanque voador russo

O Mi-35 é uma espécie de tanque voador, blindado, equipado com avançados recursos eletrônicos, preciso sistema de navegação, sistemas de visão noturna, podendo combater de dia e de noite, com qualquer tempo, e capaz de levar 2.455 quilos de armas. É usado por forças de 30 países.

Os Mi-35M2 Piranha, desenvolvidos a partir de meados dos anos 80, são amplamente usados em operações de combate que exigem grande poder de fogo, mobilidade e capacidade de carga.

Dotado de um centro eletrônico que permite realizar detecção de alvos por reação térmica e designação laser, cada Mi-35 pode transportar 12 soldados equipados. O sistema de armas inclui mísseis com alcances de 3,5 km a 6 km e poder de penetrar blindagens até 1.250 milímetros. Usa um canhão duplo de 23 milímetros, mísseis ar-ar e foguetes de 122 mm.

O Mi-35M2 é a versão de exportação mais recente do Mi-24. Ao que parece, praticamente todos os problemas graves da versão original foram solucionados. O que não muda (e que é típico dele) é o conceito não muito bem sucedido de ser uma aeronave de ataque e de manobra ao mesmo tempo.

Em todo caso é, de longe, o helicóptero de ataque mais moderno da América Latina. Além da Venezuela, apenas o Peru tem alguns Mi-24.

O Mil Mi-24 Hind é um dos helicópteros de assalto mais perfeitos, pela sua capacidade de fazer ao mesmo tempo missões antitanque e transportar equipes de assalto.

No começo dos anos setenta o Hind destruiu todos os recordes de qualquer outro helicóptero.

Desde que apareceu pela primeira vez, o potente MIl Mi-24 "Hind" tornou-se o rei dos helicópteros de combate sobre o campo de batalha. Esta grande e poderosa máquina é um exemplo clássico da filosofia da "força bruta" que dominava o pensamento militar soviético durante a Guerra Fria.

Foi dimensionado para transportar uma seção de assalto de oito soldados, que desembarcam pelas grandes portas laterais, apoiados por seu pesado armamento que garante a eliminação de qualquer resistência por parte do inimigo.

A versão inicial de série foi o Hind-A, que tinha uma tripulação de vôo de quatro homens; piloto, co-piloto, navegador/artilheiro e observador. O rotor principal com cinco pás de aço revestidas com fibra de vidro e com cubo em titânio o torna bastante resistente ao fogo anti-aéreo. Os motores potentes são parcialmente blindados, dotados de separadores de partículas nas tomadas de ar e dispositivos nas saídas de escape para reduzir a emissão de radiação infravermelha. O Hind-B, primeira versão operacional, tinha semi-asas para fixação do armamento, e o Hind-C apresentava um novo rotor de cauda, situado à esquerda da deriva, para produzir um efeito de tração em vez de empuxo.

FICHA TÉCNICA Mi-35

Tripulação = 2

Peso de decolagem
normal = 10.900 kg
máximo = 11.500 kg

Capacidade de carga
normal = 1.500 kg
máxima = 2.400 kg

Velocidade
máxima = 315 km/h
cruzeiro = 260 km/h

Teto de serviço = 5.700 m

Alcance
tanques internos = 415 km
tanques extras = 1.085 km

EUROCOPTER TIGER. O tigre mostra seus dentes

Campo de Batalha Aérea

O Eurocopter Tiger é mais um desses super sistemas de armas concebido, ainda, no fim da guerra fria, sendo que a proposta era a de ter um ágil helicóptero de reconhecimento, escolta e de combate antitanque que fosse capaz de fazer frente as novas ameaças impostas pelos países do Pacto de Varsóvia, que era a aliança de países alinhados com a extinta União Soviética. Ainda, naquele período, os Estados Unidos mantinham uma poderosa força de ataque e apoio aéreo fechado em diversas bases européias, notadamente formada de jatos A-10 Thunderbolt II, F-16 A/C, helicópteros AH-1 Cobra e AH-64 Apache. Porém toda a defesa européia estava muito dependente dessas forças norte americanas, o que gerava um desconforto entre os militares europeus da aliança. Fruto desse desconforto, foi o impressinante desenvolvimento em diversas áreas da tecnologia militar entre as nações européias para conseguir produzir seus próprios sistemas de armas e assim poderem se defender sem essa influencia dos Estados Unidos. Muitos são os exemplos de conquistas da industria européia nesse sentido. Podemos citar o poderoso caça Eurofighter Typhoon II, o míssil Meteor ar ar de médio alcance, ou a moderna fragata da classe Horizon, fabricada por um consórcio franco italiano para prover a marinha desses países de um moderno meio de guerra anti aérea e de escolta. Hoje vamos descrever mais um desses sistemas de armas desenvolvido para promover uma maior independência das forças militares dos paises europeus em relação aos equipamentos dos Estados Unidos. O Tiger produzido pela industria Eurocopter, um consórcio franco alemão, desenvolveu um helicóptero extremamente avançado, sendo, talvez, o mais moderno helicóptero dos dias de hoje.

A característica mais marcante do Tiger é, certamente, seu desempenho de vôo, onde sua agilidade e manobrabilidade proporcionam uma capacidade acrobática notável, amplamente demonstrada nos diversos shows aéreos por onde o Tiger se apresentou. Esse desempenho é obtido através de um moderno sistema fly by wire e pelos dois potentes motores MTU/Turbomeca/Rolls-Royce MTR-390, que produzem aproximadamente 1285 hp de potência, que somados ao baixo peso do Tiger, 4800 kg, permite uma elevada relação empuxo peso capaz de levar o Tiger a uma velocidade máxima de 280 km/h.

Com o objetivo de se reduzir ao máximo o peso de helicóptero, cerca de 80% da fuselagem do Tiger foi construída em materiais compostos. A proteção balística é feita em kevlar e as pás das hélices são produzidas em fibra de carbono, muito resistente e ao mesmo tempo leve.

O Tiger foi produzido em 3 configurações sendo elas a HAC (francesa e antitanque); a UHT (alemã antitanque); e a HAP (francesa de apoio aéreo). Cada configuração tem sensores próprios para execução de suas missões. As versões HAC e UHT possuem um sensor de mastro equipado com câmera de TV, câmera de infravermelho para situações de baixa visibilidade, e um designador de alvos e telêmetro laser, para guiar armas a laser. Além desse sistema de sensores há, ainda, um visor infravermelho montado à frente do Tiger que permite visualizar imagens em um campo de 40º X 30º. Para se defender das ameaças inimigas, existem contramedidas eletrônicas na forma de um RWR para alertar quando o Tiger estiver sendo iluminado por algum radar hostil. Um sistema de alerta laser, avisa ao piloto quando um feixe de laser estiver iluminando o Tiger também. Um detector de lançamento de mísseis MILDS alerta o piloto quando um míssil for lançado contra o Tiger, permitindo tomar medidas evasivas. Quando esse detector está em funcionamento ele passa informações para um lançador de iscas Chaff e Flares para iludir o míssil atacante. Como pode-se ver o Tiger tem uma suíte defensiva bem completa, elevando as chances de sobrevivência deste helicóptero em ambientes hostis de alta intensidade.

O armamento do Tiger é tipicamente pesado, como nos helicópteros de sua classe, consistindo em mísseis ar ar MBDA Mistral, com um alcance de 6 km e guiagem IR. Opcionalmente pode ser usado o míssil norte americano FIM-92 Stinger, igualmente guiado por IR, mas com um alcance reduzido para 4800m. Para combate antitanque, as armas transportadas podem ser o veterano míssil HOT-3 guiado por fibra ótica e IR e com um alcance de 9.7 km nas versões mais modernas. Mais recentemente foi instalado o novo míssil Trigat, guiado a TV e a IR, com um alcance máximo de 8 km. A vantagem do Trigat sobre o HOT é que o Trigat é do tipo dispare e esqueça. Depois de lançado o míssil segue sozinho para o alvo liberando o artilheiro do Tiger para selecionar outro alvo. Os helicópteros Tigers adquiridos para o exercito da Austrália, serão modificados para lançar o poderoso míssil Hellfire II guiado a laser e com um alcance de 8 km. Além de mísseis guiados o Tiger é armado com lançadores de foguetes não guiados de 70 mm e um canhão Giat AM 30781 de 30 mm com 450 tiros com uma cadencia de 750 tiros por minuto.

Com o Tiger, mais uma vez a industria européia demonstra sua competência em desenvolver um sistema de armas moderno e letal, com independência dos Estados Unidos, o principal fornecedor de armas para a Europa ocidental.

FICHA TÉCNICA

Velocidade máxima: 280 Km/h
Velocidade de cruzeiro: 260 Km/h
Alcance: 800 km
Razão de subida vertical: 642 m/min

Fator de carga: +3.0/ -0,5 G
Altitude maxima: 4000 m

Armamento: Um canhão Giat AM 30781 de 30 mm e 450 tiros, Misseis AGM114 Hellfire, Mísseis Trigat, Misseis HOT-3, Mísseis MBDA Mistral para combate aéreo, FIM-92 Stinger, Lançadores de foguetes Hydra 70 de 70 mm.

AGUSTA/ WESTLAND A-129 INTERNATIONAL. Combate antitanque com tempero italiano

Campo de Batalha Aérea

O Agusta/ Westland A-129 Mongoose foi o primeiro helicóptero de ataque produzido na Europa. Seu projeto data de 1978 e a construção do primeiro protótipo terminou em 1982. A Itália, havia pedido em 1981 propostas para um helicóptero de ataque, e após negociações o exército italiano assinou com a Agusta para a construção de 15 unidades do A-129 Mangusta. Esse modelo inicial, não era equipado com canhões ou metralhadoras, e sua hélice tinha 4 pás. Esses helicópteros foram usados em combate real em 1993 na Somália e essa experiência operacional evidenciou algumas deficiências táticas nas capacidades do A-129. Por causa disso, acabou por ser decidido construir uma versão que suprimisse essas deficiências iniciais observadas em combate. Essa nova versão foi chamada de A-129 International e se revelou muito mais sofisticada e poderosa, melhorando a performance e missões desse helicóptero de forma notável.

O A-129 International é o helicóptero que trataremos a partir de agora e veremos como ele é capaz de proporcionar um poder de fogo equivalente a qualquer um dos seus similares mais populares como o Bell Textron AH-1 Cobra, ou o Tiger europeu. As mudanças mais visíveis foram na parte de armamentos onde houve um pesado crescimento. Antes, o A-129 era equipado com mísseis filoguiados TOW e foguetes. Hoje, o novo A-129 International, é armado com mísseis ar ar, que podem ser do modelo Stinger, norte americano, ou o modelo europeu da MBDA Mistral. Esses armamentos tornaram o A-129 um perigo para helicópteros inimigos já que eles podem ser usados especificamente para destruir outros helicópteros e escoltar um esquadrão de helicópteros de transporte. Para destruir alvos blindados pesados, o A-129 está homologado para lançar o TOW 2 e o poderoso Hellfire, sendo este ultimo usado exclusivamente contra alvos de alto valor. O Hellfire é guiado a laser e pode destruir um tanque a uma distancia de 8 km. O A-129 transporta também dois casulos lançadores de foguetes de 70 mm padrão da OTAN ou ainda lançadores Medusa de 81 mm. Outra novidade importante na versão International do A-129 é a incorporação de um canhão tipo Gatling de 3 canos em calibre 20 mm e 500 tiros de capacidade.

Para encontrar alvos inimigos e ainda apontar suas armas para eles, o A-129 é equipado com uma suíte de sensores que não tinham sido instalados na versão inicial Mongoose. Um sistema de visão noturna por infravermelho para helicópteros HIRNS que inclui um mini visor infravermelho IR fornecido pela Honeywell norte americana, e que está integrado a um display montado no capacete do piloto, permitindo que o piloto tenha uma visão externa mesmo em condição noturna ou de baixa visibilidade. Esse mesmo sistema permite que o canhão de 20 mm seja apontado automaticamente para onde o piloto estiver olhando. Além desses sistemas, uma mira de mastro pode ser montada para fornecer pontaria para o armamento sem que o helicóptero tenha que se expor às defesas do alvo. Por exemplo, o A-129 poderia se manter escondido atrás de arvores, mantendo a mira do mastro, apenas, para fora da proteção que as arvores proporcionariam em situação de batalha. Assim, o helicóptero poderia designar alvos e ataca-lo com segurança. Essa mira é composta por um designador a laser e um telêmetro a laser para calcular a distancia do alvo. Na parte de contramedidas eletrônicas o A-129 é equipado com um sistema de alerta de radar Elettronica ELT-156 e um sistema de alerta de laser BAE RALM-101 que avisa ao piloto quando o helicóptero estiver sendo iluminado por um designador laser inimigo. Para a defesa eletrônica, ainda existe um sistema ativo representado pelo interferidor (jammer) de radar Elettronica ELT-554 e um interferidor infravermelho BAE IEWS AN/ ALQ-144 , além, é claro, lançadores de iscas infravermelhas (flares) e de radar (chaffs).

A motorização do A-129 é composta por duas turbinas LHTEC T800-LHT-800 que proporcionam uma potencia de 1362 hp cada uma. É interessante notar que essa turbina é a mesma que estava sendo usada pelo protótipo do moderno helicóptero invisível de ataque AH-66 Comanche. Essas modernas e silenciosas turbinas permitem ao A-129 atingir uma velocidade máxima de 300 km/h e uma razão de subida de 612 m/ min. Outra modificação que trouxe mais desempenho para o A-129 foi a substituição da hélice de 4 pás por uma de 5 pás, que permite uma diminuição do ruído típico da rotação das hélices, além de uma maior agilidade para o helicóptero.

O A-129 é usado exclusivamente pela Itália, porém esse fato não reflete a eficiência deste helicóptero de ataque. As nações que optaram por operar um equipamento como este, sofrem uma poderosa influencia americana e por isso, helicópteros como o AH-1 Cobra e o caro AH-64 Apache tem um desempenho de mercado melhor. Um outro helicóptero que tem se mostrado um concorrente no mercado internacional, é o Eurocopter Tiger.

FICHA TECNICA

Velocidade máxima: 300 Km/h
Velocidade de cruzeiro: 278 Km/h
Alcance: 561 km
Razão de subida vertical: 612 m/min

Fator de carga: +3./ -0,5 G
Altitude maxima: 6096 m

Armamento: Um canhão gatling de 3 de 20 mm com 500 tiros, Misseis AGM114 Hellfire, Mísseis BGM-71 TOW, Mísseis ar ar Stinger e Mistral, Lançadores de foguetes Hydra 70 de 70 mm e medusa de 81 mm.

Licitação de Helicópteros: Ataque e Transporte


Nelson During

O governo abriu uma licitação para a aquisição de dois lotes de helicópteros: um de transporte e outro de ataque. Esperada para o fim do ano de 2006 a licitação saiu agora. Os documentos do RFP (Request for Proposal) foram entregues pelos competidores à FAB, no dia 15 de Outubro.

Essa licitação que vinha gerando uma surda batalha, desde os primeiros movimentos, no final de 2006, atrai os holofotes não somente pela compra em si, mas pelo que sinalizará para as demais licitações dentro dos diversos Programas de Modernização da Forças Armadas prometido para o segundo mandato do Governo Luiz Inácio.

Após o fiasco internacional do Programa F-X, o Comando da Aeronáutica, o Ministério da Defesa e em especial o terceiro andar do Palácio do Planalto devem levar a um porto seguro o processo, que está em curso.

A Licitação

A presente licitação segue um caminho diferente até então adotada pela FAB ao colocar como órgão que a gerenciará o Centro Logístico da Aeronáutica (CELOG), sediado em São Paulo, ligado ao Comando-Geral de Apoio (COMGAP), e não a um órgão como a COPAG ligado ao DEPED.

Com as saídas do Ministro Luiz Furlan, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, grande incentivador de uma compra direta de helicópteros russos, em troca por carne de frango, e do Comandante da Aeronáutica Brigadeiro Silva Bueno, acreditava-se como morta a presente licitação.

Porém no segundo semestre de 2007 ela ressurgiu via o COMGAP e em tempo recorde foi lançado o RFI (Request for Information) e o RFP (Request for Proposal).

No dia 15 de Outubro foram entregues as propostas de três fabricantes estrangeiros às duas licitações.

Os Modelos

Os modelos oferecidos pelas empresas que responderam ao RFP foram: Eurocopter (Alemanha-França), AgustaWestland (Itália) e Rosoboronexport (Rússia), e os modelos são os seguintes:

Helicóptero de Transporte
Fabricante
País
Modelo
AgustaWestland Itália EH101 Merlin
Eurocopter França/Alemanha EC-725
Rosoboronexport Rússia Mi-171V


Aqui a vantagem aparente é da Rosoboronexport que oferece um modelo de custo mais baixo do que seus concorrentes. Em especial a Eurocopter que teve de oferecer um modelo de maior capacidade de carga e mais avançado, o EC-725 é a última versão do Cougar, e a versão C-SAR, chamada Caracal, está operando no Afeganistão com as Forças Especiais Francesas. O Cougar está em operação pelo Exército Brasileiro.

Outro ponto é que a versão civil do Mi-171V já está certificado para operar no país desde Junho de 2005 em operações off-shore.

Helicóptero de Ataque
Fabricante
País
Modelo
AgustaWestland Itália AW 109LUH
AW 129
Eurocopter França/Alemanha Tigre
Rosoboronexport Rússia Mi-35M

A AgustaWestland propôs um mix de modelos o leve AW109LUH, de menor custo, com um sistema de armas flexível e o conhecido AW129 (anteriormente conhecido como Mangusta), mais caro, em operação no Exército Italiano. A oferta pode ser um mix dos dois helicópteros ou um modelo somente.

A Rússia apresentou o conhecido Mi-35M.

A Eurocopter apresentou o mais caro de todos os modelos de helicópteros de ataque oferecidos, o Tigre/Tiger, que está sendo fornecido para vários países europeus (Alemanha, França e Espanha) e a Austrália.

Detalhes

Uma análise preliminar sobre os possíveis custos dos modelos oferecidos indica um vencedor, a Rosoboronexport. Porém os outros dois fabricantes mostram confiança no seu conjunto de propostas industriais.

Podermos ter finalmente uma presença mais atuante do Grupo italiano Finmeccanica que é a Holding da AgustaWestland.

O mesmo para a Eurocopter, que tem uma fábrica no Brasil, a Helibrás, em Itajubá (MG) e a EADS, sua Holding, já atua no Brasil já há bastante tempo.

Os representantes das empresas foram módicos nas palavras. O representante da Rosoboronexport no Brasil não quis dar detalhes da oferta, nem confirmar os modelos oferecidos pela sua empresa.

O representante da AgustaWestland, Comandante (R1) Roberto Duhá, mencionou a presença forte do modelo leve biturbina AW109, que deverá ter 85 unidades operando no mercado civil do Brasil, até 2010. O helicóptero EH101 Merlin já foi demonstrado para a Marinha do Brasil em anos recentes.

Eduardo Marson, Gerente Geral da EADS no Brasil , lembra a forte presença do grupo no Brasil, a Helibras e a próxima transferência da produção de estruturas de material composto para o país. As três forças militares usam modelos de helicópteros produzidos pela Eurocopter, sendo alguns produzidos no Brasil.

O Futuro

As perspectivas da licitação estão em uma zona cinza já que o Ministro da Defesa menciona de que qualquer compra militar o item de "Transferência de Tecnologia" será fundamental e que nenhuma aquisição da área de defesa será feita antes de apresentado o Plano Nacional Estratégico de Defesa, previsto para Setembro de 2008.

A quantidade de helicópteros a ser adquirida é de 10-12 unidades em cada modelo (ataque e transporte), porém pode ser reduzido se o custo for maior do que o esperado. A verba disponível é de 300-400 milhões de dólares. Não há notícias sobre os meios de financiamento dessas licitações.

A definição de a FAB adquirir um helicóptero de ataque, e não tradicionalmente o Exército como ocorre na maioria dos países está nas palavras do então Comandante-Geral do Ar, Brigadeiro J. Carlos em entrevista a Defesa@Net, em 2003, ao detalhar o perfil de operações futuras da FAB.

A definição das licitações de ambos os modelos de helicópteros está prevista para Março de 2008.

ENQUETE: Qual aeronave (versão executiva) seria a mais adequada para subsitutir os 737 Sucatinha da FAB?

Obtivemos 18 (dezoito) votos na enquete "Qual aeronave (versão executiva) seria a mais adequada para subsitutir os 737 Sucatinha da FAB?"

Assim ficou o resultado:

Airbus ACJ = 9 votos (50%)

Embraer Lineage 1000 = 8 votos (44%)

Boeing BBJ = 1 voto (5%)

Sukhoi SuperJet 100 = 0 voto

A todos que participaram, nosso muito obrigado.

25 outubro 2007

Ameaça à soberania nacional

Hugo Chávez envia 15 diplomatas para municiar organização política antiimperialista que deseja transformar o Brasil numa “democracia socialista”

Claudio Dantas Sequeira

A infiltração ideológica do governo de Hugo Chávez no Brasil vai muito além do lançamento do livro Simón Bolívar – o Libertador. O Correio descobriu que o mandatário venezuelano tem um projeto político especial para o país, no qual assenta as bases de uma luta revolucionária em prol do socialismo do século 21. Parece piada, mas não é. O trabalho de campo está sendo coordenado pelo venezuelano Maximilian Arvelaiz, homem de confiança de Chávez. Há quase um mês, ele percorre várias capitais brasileiras com a missão de reorganizar os Círculos Bolivarianos e outras unidades de apoio à causa chavista.

Essa articulação culminará na realização da primeira Assembléia Bolivariana Nacional em dezembro, no Rio de Janeiro. No encontro, será lançada a versão tupiniquim do Movimento Bolivariano. Trata-se de uma frente antiimperialista dedicada a transformar o Estado numa “democracia socialista”, como consta do próprio estatuto desse futuro organismo, obtido com exclusividade pela reportagem. As linhas teóricas do documento repetem, sem timidez, o ideário da Reforma Constitucional chavista e sua meta de construir um “poder popular” para formar uma “federação socialista latino-americana”.

O Movimento terá hino, símbolo e bandeira próprios, e prevê cooptação de posições estratégicas em partidos, sindicatos, associações de bairros, grupos religiosos, ligas camponesas e empresas. Arvelaiz não está sozinho. Para apoiá-lo, Caracas enviou mais 15 diplomatas à embaixada em Brasília e consulados, inclusive um adido de inteligência. Para não despertar suspeitas, o Palácio de Miraflores deu a justificativa oficial de que se trata de um “reforço diplomático” para impulsionar as relações bilaterais.

Nada mais coerente quando o próprio presidente Lula classifica Chávez como parceiro importantíssimo e força a imediata aprovação no Congresso do Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul. De fato, hoje será votado o parecer do deputado Dr. Rosinha (PT-RR) sobre o assunto na Comissão de Defesa Nacional e Relações Exteriores da Câmara.

Círculos

O enviado especial de Chávez tem se reunido com os coordenadores dos vários Círculos Bolivarianos espalhados pelo Brasil para instruí-los da mudança de status dessas células sociais. Deixam de ser apenas unidades para a disseminação da doutrina bolivariana e se tornam parte de uma estrutura nacional, uma frente política aparelhada. O documento trazido por Arvelaiz e que sofreu adaptações à realidade nacional orienta à “formação de mulheres e homens dispostos a assumir a responsabilidade de conduzir a pátria brasileira e latino-americana até nossa definitiva independência”.

“Para nós, a construção do socialismo no Brasil tem de recolher de forma crítica e inovadora experiências históricas de larga duração, oriundas dos setores nacionalistas revolucionários do velho PTB, de correntes dos velhos PCB e PSB, da Organização Revolucionária Marxista-Política Operária (ORM-POLOP) e da chamada ‘nova esquerda’”, informa o texto de apresentação do evento no site http://assembleiabolivariananacional2007.blogspot.com. A página é mantida pelo Círculo Bolivariano Leonel Brizola (fundacional), cujo coordenador é o jornalista Aurélio Fernandes, membro da CUT-RJ e do diretório nacional do PDT.

Fernandes criou a chamada Casa Bolivariana, que reúne todas organizações similares do Rio. É o caso do Círculo Bolivariano Che Guevara, que reúne universitários. Eduardo, um dos responsáveis, confirmou à reportagem que o Movimento Bolivariano recebe apoio do Consulado Geral da Venezuela, capitaneado pelo embaixador Mario Guglielmelli Vera. “A gente conta com a ajuda deles, não só formando uma base de solidariedade à revolução na Venezuela e em Cuba, mas ajudando na construção de uma revolução no Brasil.” Ele ressaltou o trabalho intenso do novo cônsul, mas garantiu que se trata de apoio político e não financeiro.

Segundo ele, quem banca os Círculos são os próprios integrantes e não há financiamento externo. No entanto, o capítulo novo do estatuto do Movimento determina que as finanças terão origem em contribuições não só dos militantes, mas “doações de pessoas e entidades jurídicas” — o que inclui qualquer tipo de patrocinador. Cada instância do Movimento deve anualmente “preparar um plano de arrecadação de fundos” e “tomar iniciativas com empreendimentos econômicos e financeiros, de propriedade coletiva, que venham representar entrada de recursos”.

O Movimento terá como fachada jurídica a Associação Nacional pela Educação Popular e a Cidadania. Em nome dela estarão todas as propriedades e documentos legais. O petista Afonso Magalhães, diretor do Círculo Bolivariano de Brasília, simpatiza com a iniciativa, mas pondera. “Temos de conduzir isso com os movimentos populares, sem se afastar da base social do PT e do Lula, senão a gente fica isolado, com um discurso ideologizado”. Magalhães, que esteve com o enviado de Chávez, orientou a Caracas evitar a radicalização com o governo. “Se alimentar antagonismo com Lula, vai dividir em vez de unir”.

Os Círculos Bolivarianos reúnem em sua direção intelectuais, políticos, sindicalistas, empresários e estudantes. Há membros do PT, PSol, PDT, CUT e MST. O Rio de Janeiro é o estado com maior números de unidades bolivarianas (sete), grande parte sob o guarda-chuva do Círculo Bolivariano Leonel Brizola. Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Amazonas também têm organizações.

Programa nuclear poderá ser concluído até 2014


Marcos Magalhães

O programa nuclear brasileiro estará concluído até 2014 caso se confirmem os investimentos previstos pelo governo de R$ 1 bilhão ao longo dos próximos anos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, durante audiência pública conjunta das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

Depois de passar sete anos em "estado vegetativo", como definiu o almirante, o programa será retomado em 2008, quando receberá R$ 130 milhões. A retomada do programa permitirá que o país domine todo o ciclo de combustível nuclear e conclua o Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene), que conterá um reator de 11 MW de potência, suficiente para iluminar uma cidade de 20 mil habitantes.

- O programa nuclear é uma das grandes vitórias tecnológicas do país - definiu Moura Neto, ao ressaltar a dualidade do programa, destinado tanto à produção de energia elétrica quanto à propulsão de submarinos nucleares.

De 1979 até hoje, informou o almirante, foram investidos o equivalente a US$ 1,1 bilhão. Já existe domínio tecnológico sobre o ciclo do combustível nuclear, mas algumas etapas desse ciclo ainda são realizadas fora do país, disse ainda. O yellow cake, produto da primeira etapa de beneficiamento do urânio, atualmente é enviado ao Canadá para ser convertido em gás, que é remetido à Europa para enriquecimento. Somente então volta ao Brasil para ser convertido em pastilhas que alimentarão as usinas nucleares.

A usina brasileira de transformação do yellow cake em gás, de acordo com o comandante, ficará pronta em 2010. E a Marinha vem fornecendo pouco a pouco à Indústria Nuclear Brasileira (INB), em Resende (RJ), as centrífugas necessárias à produção de combustível nuclear para as usinas Angra 1 e 2 - além de Angra 3, ainda em estudos. Ele recordou que apenas sete países, além do Brasil, dominam todo o ciclo de produção de energia nuclear.

O almirante informou ainda que o primeiro submarino nuclear brasileiro poderá estar pronto em 2020. A grande vantagem desse submarino em relação aos convencionais, lembrou, é que o nuclear pode permanecer períodos mais longos embaixo d'água. Com isso, disse, o submarino nuclear pode ser considerado uma "arma de grande efeito de dissuasão", capaz de ajudar a patrulhar a extensa costa brasileira.

O programa nuclear da Marinha foi definido pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que presidiu a reunião, como um "orgulho nacional". O parlamentar recordou que muitos cientistas que participam do programa poderiam ganhar muito mais dinheiro no exterior, mas optaram por permanecer no Brasil "por amor ao país".

Ao elogiar o progresso obtido pela Marinha, o senador Augusto Botelho (PT-RR) afirmou que nenhum país "transfere ou vende" tecnologia nuclear. O senador Romeu Tuma (PTB-SP), por sua vez, classificou o programa como "exemplo claro" de uso da energia nuclear para fins pacíficos, uma vez que o próprio submarino nuclear se destinará à defesa do país. A resistência dos seres humanos a longas temporadas no fundo do mar, permitidas pelos submarinos nucleares, foi a maior preocupação apresentada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). As missões de vigilância, previu o comandante, deverão durar de 30 a 60 dias, conforme prática internacional.

Em resposta a uma pergunta do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), o almirante informou que o Exército e a Aeronáutica também desenvolvem seus próprios programas nucleares, mas ainda em estágio de pesquisas. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse ser um defensor da "opção atômica" da Marinha, mas ressaltou a necessidade de se ampliar a defesa dos rios brasileiros.

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) quis saber a opinião do comandante da Marinha sobre as divergências entre os Estados Unidos e o Irã a respeito do programa nuclear iraniano. Para Moura Neto, as tensões poderão diminuir no momento em que o governo do Irã aceitar a supervisão de seu programa pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

23 outubro 2007

Brasil prepara Plano Latino-Americano de Defesa


RENATA GIRALDI, em Brasília

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que ele e os comandantes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha vão propor aos países vizinhos um Plano Latino-Americano de Defesa. A partir de fevereiro, Jobim e os militares viajarão por todos os países da América Latina. A idéia é manter contatos com todos os órgãos de seguranças dos vizinhos para definir o plano.

Jobim disse que a viagem ainda está sendo organizada, mas uma das propostas é realizá-la em blocos: visitar de quatro em quatro países. Ele não quis adiantar quais serão os primeiros países a serem visitados pelas autoridades brasileiras.

"Aí vamos estabelecer algo que possa definir um Plano Latino-Americano de Defesa", afirmou Jobim, informando que as viagens podem começar tanto pela América do Sul como Central.

O ministro negou que os planos de segurança definidos pelo governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez -- que comprou novos equipamentos e aumentou sua frota -- causam preocupações ao Brasil.

"Isso não preocupa, não. Tanto é se fosse preocupar, eles [os venezuelanos] estariam preocupados conosco, pois também estamos comprando [equipamentos]", disse Jobim, após cerimônia em homenagem ao Dia do Aviador, realizada na Base Militar de Brasília.

Controle de mísseis na pauta do CTA

Entre os dias 16 e 18 deste mês, profissionais brasileiros das indústrias e instituições de defesa do país debatem, na 20ª Reunião do Grupo de Especialistas Técnicos Brasileiros do MTCR (Missile Technology Control Regime – Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis), sediada pelo Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial, em São José dos Campos, alguns pontos fundamentais da regulamentação – em âmbito internacional - do desenvolvimento e do emprego de mísseis.

O MTCR é um grupo informal e voluntário de 34 países (entre eles o Brasil) que desejam impedir a proliferação de armas de destruição em massa. Na prática, essas nações, em reuniões plenárias anuais (a próxima ocorrerá em novembro, na cidade de Atenas, Grécia), estabelecem parâmetros para a vigilância da transferência de tecnologias, equipamentos e materiais relacionados ao desenvolvimento de mísseis e passíveis de aplicação em sistemas capazes de transportar armas de destruição em massa.

Essas plenárias são precedidas, em cada uma das 34 nações, de encontros como o que neste ano está sendo abrigado pelo CTA. Embora seja o Ministério das Relações Exteriores (MRE) o órgão designado para falar pelo Brasil em discussões internacionais como a que terá lugar em Atenas no próximo mês, cabe ao Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) a coordenação do material humano formado por especialistas incumbidos de prestar o auxílio técnico indispensável ao bom desempenho dos diplomatas brasileiros. Alguns desses especialistas – como o Coronel Engenheiro Dino Ishikura (CTA), que neste ano irá para a Grécia - são enviados às plenárias justamente para assessorar os representantes do MRE.

Conquanto nem todos os experts participem das plenárias, representantes dos setores industriais e governamentais afetados pelo MTCR têm voz nas reuniões periódicas que acontecem nos países signatários. Assim, no caso brasileiro, empresários e membros do poder público têm a oportunidade, neste mês de outubro, de discutir e modificar as propostas nacionais relativas ao controle de tecnologia de mísseis, bem como de sugerir alterações nas propostas dos demais integrantes. Tudo isso será levado a Atenas, onde somente as medidas aprovadas de maneira unânime serão colocadas no papel. (CTA)

Reaparelhamento: situação da FAB não é novidade

InfoRel

O Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, compareceu à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados para falar sobre a vergonhosa situação da Força Aérea Brasileira (FAB).

Pediu que a sessão fosse secreta, a exemplo do que fizera na mesma comissão, no Senado Federal, embora já seja de domínio público a situação de penúria que enfrentam as Forças Armadas.

Saito reclamou que a Venezuela está adquirindo aviões potentes e modernos e que o Brasil vai ficar para trás em termos de poderio militar na América do Sul, outra constatação já feita pelos comandantes da Marinha e do Exército, em sessões abertas no Congresso.

De acordo com Saito, a FAB tem 63% dos seus aviões parados. Das 719 aeronaves, somente 267 ainda estão em operação, mas em situação crítica, segundo revelaram alguns deputados que participaram do encontro.

Do restante das aeronaves, 220 aguardam manutenção e 232 se encontram completamente indisponíveis nos hangares da FAB.

Juniti Saito explicou que o Brasil está a caminho do quarto lugar na América do Sul quando o assunto são os aviões de caça e combate e reconheceu que as compras militares da Venezuela preocupam, principalmente por que o presidente Hugo Chávez está comprando aviões bem modernos, da Rússia.

Atualmente, a Força Aérea Brasileira é a terceira da América do Sul. O Peru ainda lidera, mas deve perder o posto para a Venezuela que já possui um esquadrão com 14 aeronaves Sukhoi Su-30. Até o final de 2008, o país deverá ter um total de 24.

Além disso, o Brasil já é o sexto país da região em mísseis de curto alcance, aqueles que são usados para abater aeronaves ilegais.

Para a FAB, a revitalização e modernização dos F5 poderia ajudar a reverter essa situação, mas as restrições orçamentárias denunciam um cenário ainda mais sombrio.

Isso sem contar que o F5 é um avião ultrapassado, principalmente se comparado às aeronaves russas adquiridas pela Venezuela.

Ainda para a Defesa Aérea, os Mirage usados que o Brasil adquiriu da França, também não se comparam com o Sukhoi. Para piorar, dos 12 que a FAB comprou apenas dois foram entregues e operam com restrições desde a Base Aérea de Anápolis (GO).

Programa FX

Cancelado pelo presidente Lula em 2003, o programa FX que prevê a aquisição de aviões de caça modernos não tem data para ser retomado. A princípio, se acreditava que esta seria uma das prioridades no segundo mandato do presidente, mas o governo sequer sabe em que pé está o projeto.

O governo prevê investimentos de R$ 1,8 bilhão nos programas de reaparelhamento e modernização das três forças em 2008, valor considerado ínfimo para transformar a atual realidade do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Para a FAB, o orçamento ideal para fazer frente às suas demandas e prioridades ficaria em torno de R$ 3,6 bilhões anuais.