28 fevereiro 2008

Marinha Perde Helicóptero Super Puma


Na manhã de quarta-feira (20 Fevereiro), um helicóptero Super Puma da Marinha fez um pouso forçado no aeródromo de Cabo Frio, na Região dos Lagos (Rio de Janeiro).

A assessoria de imprensa da Marinha informou, para os órgãos de comunicação do Rio de Janeiro que nenhum triupulante da aeronave tinha se ferido. Ainda segundo a Marinha, o acidente ocorreu durante um treinamento de rotina e só não foi mais grave, por causa da habilidade do piloto, cujo nome não foi informado.

A Comissão de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (ComInvAAer) deverá fornecer relatório final sobre as causas do acidente em 60 dias.

O helicóptero Eurocopter AS332F1 SUPER PUMA (registro MB 7075), denominado da MB como UH-14, é a versão naval da aeronave que já opera em diversas Forças Armadas do mundo, inclusive na Força Aérea Brasileira.

A propulsão é realizada por duas turbinas Turbomeca MAKILA 1A1, modulares, controladas e monitoradas eletronicamente e com potência máxima de 1877 SHP cada.

São operados pelo 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2), instalado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (RJ).

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM792659-7823-HELICOPTERO%2BDA%2BMARINHA%2BFAZ%2BPOUSO%2BFORCADO%2BEM%2BCABO%2BFRIO,00.html


EE-9 Cascavel volta à ação



Nelson Düring

DEFESA@NET Agradece ao leitor
Anderson Carvalho de Paula pela colaboração neste artigo

Quinze anos após a decretação da falência da empresa ENGESA (Engenheiros Especializados S.A.) e após três campanhas militares, em 28 anos, os veículos blindados de rodas EE-9 Cascavel voltaram a rodar no Iraque.

Em uma cerimônia, no dia 08 de Janeiro de 2008, no Arsenal de Taji, foram incorporados ao Exército do Iraque, pelo Multi-National Security Transition Command-Iraq, um lote de 35 veículos Cascavel, que serão usados pela 4ª Brigada, 9ª Divisão, do Exército do Iraque.

Os veículos foram reformados com fundos da Força de Segurança do Iraque (Iraqi Security Forces Fund) e aumentarão a capacidade do Exército do Iraque e melhorarão a capacidade do povo do Iraque, conforme informou em nota o comando da força “Multi-National”.

Os veículos foram modernizados pela empresa ANHAM Inc, que tem capital Saudita, Americano e Jordaniano. A ANHAM tem grandes contratos na região do Iraque, tanto na área de defesa como em infra-estrutura. O trabalho de modernização envolveu mais de 90 mecânicos civis especialmente contratados, muitos dos quais, ex-soldados do exército iraquiano. Levou cerca de 11 meses para serem totalmente modernizados estes veículos, incluindo a substituição de importantes componentes do trem de força, estrutura, sistema de suspensão e fiação elétrica. "Todos estão muito orgulhosos da sua contribuição ao exército iraquiano", declarou um oficial americano.

O governo de Saddan Hussein adquiriu cerca de 364 unidades do AFV EE-9 Cascavel e 168 do APC EE-11 Urutu. A maior parte no fim dos anos 70 e no início da década de 80, no século passado. Na Guerra com o Iran (1980-88) foram perdidos muitos veículos. Dependendo da condição eram usados pelas forças do Exército do Iran ou como troféus de batalha.

Porém a falta de peças de reposição e a retirada dos técnicos da ENGESA a partir de 1985-87, quando o Iraque teve cortado o fluxo financeiro capitaneado pela Arábia Saudita e Kuwait afetou em muito a performance dos veículos na 2ª Guerra do Golfo (Invasão do Kuwait -Tempestade do Deserto).

As sanções impostas nos anos 90 afetaram ainda mais a performance dos veículos, em especial a falta de acesso a itens específicos somente produzidos no Brasil (partes do sistema bumerangue de tração). Outro item crítico era pneus que resistissem à operação nas areias, calor e pedras do deserto.

Assim, os veículos da ENGESA, como toda a estrutura militar de Saddan, chegou imensamente prejudicada ao conflito de 2003 (3ª Guerra do Golfo).

O mercado de Reposição

Problemas de falta de peças e assistência também afetaram sensivelmente a operação dos veículos Cascavel e Urutu no Exército e nos Fuzileiros Navais do Brasil.

Todos os clientes da ENGESA por vários anos apelaram ao governo brasileiro para que assumisse uma posição mais ativa e criasse uma estrutura para suprir peças de reposição e serviços aos veículos em operação em países, tais como: Líbia, Colômbia, Chipre, Chile, Zimbabwe, Equador, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Uruguai, Gabão e Suriname.

Disputas judiciais sobre a massa falida da ENGESA e a falta de recursos do exército brasileiro impediram o plano de a IMBEL gerenciar o espólio da ENGESA . E os atrasos na criação do Programa Viatura Blindada de Transporte de Tropas – Média de Rodas (VBTP-MR), chamado de Urutu 3, sucessor da família Cascavel-Urutu piorou a situação. O contrato com a empresa FIAT/IVECO foi assinado em 21 de Dezembro de 2007.

Para atender às suas necessidades, e se possível às de ex-clientes da ENGESA, o Exército Brasileiro criou no Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), um programa de revitalização dos veículos Cascavel e Urutu. Esse programa tem sido vital na manutenção operacional da frota de veículos blindados de rodas do Exército Brasileiro incluindo os que estão operando no Haiti.

Nos dois últimos anos como um esforço de recuperar influência militar na região, o EB está revitalizando os blindados do Paraguai e Bolívia nos próprios Batalhões Logísticos próximos às áreas de fronteira.

Outros clientes tomaram rumos diferentes. O Chile repassou seus Cascavel para uma empresa de Israel, que após um programa de modernização os revendeu para países da África. A Colômbia realizou ela mesmo modernizações nos veículos e desenvolveu uma engenharia reversa produzindo versões locais duas versões do Urutu (Pisa e Aymara 2000). Porém os dois veículos não chegaram à produção ficando só nos protótipos.

No fim de 2006 várias empresas da Turquia, do Kuwait e de outros países daquela região contactaram empresas brasileiras em busca de peças de reposição para os veículos blindados da ENGESA. Era o início do programa que teve o seu término no dia 08 de Janeiro deste ano. Não há conhecimento da quantidade de veículos recolhidos nos depósitos do Iraque e do total que será modernizado.

O pensamento de muitas empresas era que estes veículos fossem entregues às minorias curdas, no norte do Iraque. A entrega oficial ao próprio Exército do Iraque foi uma surpresa.

Os veículos serão usados em check-points e patrulhas pelo Exército do Iraque e nas palavras do oficial americano , Capitão Brad Morgan , “restituirão o orgulho às forças iraquianas”.

Um tributo a tantos brasileiros que fizeram esta história.

Militares devem ficar com reajuste linear de 8%

Os índices lineares estão aquém dos 34,99% e 27,62% esperados respectivamente por praças e oficiais.



Djalma Oliveira

Rio - Enquanto 400 mil servidores civis já respiram aliviados com a garantia de reajustes anunciados ano passado, os 290 mil militares das Forças Armadas serão surpreendidos com mudança na proposta de aumento dos soldos, que também se arrasta desde 2007. Militares superiores circularam entre si ontem minuta de MP (Medida Provisória) que prevê reajustes lineares de apenas 4% para agosto deste ano e 4% em janeiro de 2009, e outras vantagens financeiras diferenciando ativos, de reservistas e pensionistas.

Os índices lineares estão aquém dos 34,99% e 27,62% esperados respectivamente por praças e oficiais. Esses ganhos, porém, poderão ser atingidos se forem consideradas as vantagens, como a volta do auxílio-moradia e da gratificação por tempo de serviço. O Ministério da Defesa informou não ter “nenhuma proposta oficial” sobre o reajuste.

Pela minuta da MP que chegou aos oficiais superiores, além do reajuste linear global de 8%, a nova remuneração militar passaria a contar novamente com a gratificação do tempo de serviço. O tempo passaria a ser contado a partir de 1º de janeiro de 2001. A cada cinco anos de serviço, o ganho de 5% seria incorporado aos vencimentos, até o limite de 30%. Com isso, quem está na ativa teria este ano, além dos 4%, mais 5% e a garantia de mais 5% em 2010. Esse item não desagradaria tanto a reserva, uma vez que quase todos os atuais inativos foram para casa levando gratificação idêntica, extinta no governo Fernando Henrique Cardoso. A minuta deixa em aberto ainda a possibilidade de quem ingressou na inatividade após 2001, sem atingir anuênios de 30%, obter essa diferença de forma proporcional ao tempo de serviço efetivo na ativa.

O descasamento dos ganhos viria na volta do auxílio moradia e possivelmente de adicionais como a compensação orgânica, que seriam pagos só ao pessoal da ativa. Essa medida serviria para tentar reduzir a evasão.

O auxílio-moradia só será concedido a oficiais e sargentos de carreira e em atividade que conseguirem comprovar que pagam aluguel. O valor será fixado de acordo com custo de vida da na cidade onde servem, mas estudos apontam R$ 320 para quem mora em capitais e R$ 260 para o pessoal do interior. O valor seria igual para praças e oficiais, mas esse ponto ainda pode mudar.

26 fevereiro 2008

Submarino nuclear do Brasil terá reator da Marinha brasileira



O Ministro da Defesa , Nelson Jobim, explicou nesta segunda-feira (25/2) que o Brasil e a Argentina deverão criar uma empresa binacional para desenvolver reatores nucleares destinados exclusivamente à produção de energia elétrica. A iniciativa insere-se no acordo assinado entre os dois países na última sexta-feira (22/2) durante visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao país vizinho. O acordo visa à cooperação na área nuclear e energética, entre outros pontos.

O Ministro da Defesa negou, no entanto, que a parceira Brasil-Argentina se estenda à construção do submarino nuclear brasileiro, diferentemente do que foi publicado no fim de semana em jornais argentinos. “É apenas para produção de energia”, esclareceu Jobim. O submarino nucelar, segundo o ministro, deverá ser produzido com tecnologia nuclear desenvolvida pelo Brasil, tendo à frente os centros de pesquisa da Marinha, em Iperó (SP).

Já a parte não nuclear do submarino, principalmente o casco e os sistemas eletrônicos, deverá ter por base o submarino convencional francês Scorpene. A intenção brasileira é que o desenvolvimento da parte nuclear conte com transferência de tecnologia francesa a partir de um acordo em discussão entre os dois países. Tanto o propulsor do submarino quanto o combustível nuclear são de tecnologia da Marinha brasileira. O governo garantiu que o projeto do submarino terá R$ 130 milhões anuais, pelo prazo de oito anos, para a conclusão do reator, que também poderá ter seu projeto adaptado para a geração de eletricidade.

Brasil propõe criação do Conselho Sul-Americano de Defesa



O ministro da Defesa, Nelson Jobim, inicia na próxima semana as conversas para a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa, com o objetivo de harmonizar as políticas de defesa dos países da região e criar uma base industrial do setor. O assunto já foi tratado de forma preliminar na última sexta-feira (22/2) com a ministra da Defesa da Argentina, Nilda Garré, mas o primeiro contato específico sobre a matéria será com o presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, na primeira semana de março. “Depois disso eu irei aos Estados Unidos e na volta farei um conjunto de visitas à Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile”, disse Jobim. Em seguida, a proposta será levada pelo ministro a Peru, Bolívia, Colômbia, Suriname e Guiana.

O ministro informou que a proposta do Brasil é realizar em Brasília, no último trimestre do ano, uma reunião para a criação do Conselho, que teria como tarefa a formação de uma política de defesa continental e criação de uma plataforma de indústria de defesa continental. “Também discutiríamos questões específicas, as posições que teria a América do Sul nos organismos internacionais de defesa”, explicou.

Em aula no ITA, Jobim prega Defesa forte para Brasil ter voz no mundo



São José dos Campos (SP) - Ao proferir aula inaugural do ano letivo de 2008 no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, exaltou nesta segunda-feira (25/2) o papel que a instituição terá para o desenvolvimento de tecnologias na área de Defesa e ressaltou que somente com uma defesa forte o país terá voz na comunidade internacional. “O que nós queremos é exatamente termos voz e vez no concerto internacional, e isto só decorre de países que tenham uma estrutura de defesa com capacidade dissuasória e de expressão do Poder Nacional”, explicou Jobim.

De acordo com o ministro, a garantia da dissuasão, que é a capacidade de desestimular agressões com a simples demonstração de capacidade de retaliação, só é possível com a capacitação tecnológica nacional que coloque as forças armadas brasileiras na vanguarda tecnológica. “Depender exclusivamente de últimas gerações de equipamentos militares do exterior, significa não ser dissuasório, por que basta cortar esse fornecimento”, alertou.

É por isso, segundo Jobim, que o governo está elaborando o Plano Estratégico Nacional de Defesa, que prevê uma aliança com o setor privado para modernizar as forças armadas.
Uma das principais premissas do Plano, é a transferência de tecnologias dos equipamentos adquiridos pelo País.“O Brasil não é comprador, e não vê os outros como vendedores, vê como parceiros, porque é fundamental para nossa política a substituição das importações. Se não quer ser parceiro, quer ser vendedor, passe bem e muito obrigado”, afirmou aos alunos do Ita e às autoridades e empresários presentes.

Esse processo de aperfeiçoamento, segundo Jobim, exige um grande acordo nacional que classifique a Defesa como tema da Nação, e não de um governo ou de um partido. “Se o Brasil quer efetivamente portar-se como nação que tenha voz no mundo , precisa pensar grande. Por que quem pensa pequeno, fica pequeno.Temos que ousar”, disse Jobim. Ele lembrou que o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro tem complexo de vira-lata, e ressaltou a necessidade de se afastar essa imagem do País. “Vamos sentar com o nariz erguido nos entendimentos internacionais. Vamos conversar com as potencias maiores olho no olho. Por que senão, o continente sul-americano vai continuar sendo, nada mais, nada menos, que um mero espaço de disputa das grandes potências.

Jobim cobrou audácia de todos na execução dessa tarefa, e disse que o medo de errar não pode trazer a paralisia. “Sem audácia nada acontece. Quem não faz, não erra, só erra quem faz. E tem muitos de nós que não gosta de fazer para não errar. Vamos arriscar,vamos tocar, vamos em frente”, concluiu.

Os soldos dos militares e "a realidade do mercado"


PEDRO PORFÍRIO

"Nós não temos a menor condição de decidir nenhum aumento de pessoal no momento em que eu tenho um desequilíbrio no Orçamento. Eu preciso primeiro resolver os problemas do Orçamento para depois tratar disso." (Paulo Bernardo, ministro do Planejamento)

Volto a insistir: a ninguém de boa fé é lícito embarcar nessa orquestrada desmotivação da atividade profissional dos militares. Mais do que qualquer outro país do nosso continente, o Brasil precisa garantir-lhes o mínimo de condições de trabalho, porque, independente de qualquer sistema, de qualquer visão ideológica, as Forças Armadas sempre existirão como espinha dorsal da nacionalidade: elas atravessarão os anos e os séculos, indiferentes a eventuais (e inevitáveis) erros e desvios que alguns dos seus comandantes possam ensejar.

Nos dias de hoje, perder de vista o papel decisivo de um contingente militar remunerado dignamente é transformá-lo no maior exemplo das distorções salariais no quadro das atividades de Estado. Deixá-lo sem meios operacionais adequados é abrir um perigoso fosso na segurança nacional e estimular a consolidação do projeto de apropriação mansa e pacífica de nossas riquezas, através de ardilosas manobras, que vão desde a privatização de empresas estratégicas, como a Vale do Rio Doce, até o acintoso franqueamento da nossa Amazônia.

Outro dia, comparei os soldos das Forças Armadas aos vencimentos dos policiais militares do Distrito Federal. Nessa aritmética, os integrantes das três armas já saem perdendo. A polícia do DF, paga com recursos da União, é a massa militar melhor remunerada do País. No entanto, a remuneração baixa de um soldado do Exército é também inferior ao da PM alagoana, considerada a que paga os piores vencimentos: R$ 850,00, contra R$ 772,00 do soldado engajado.

Mas se você comparar o soldo de um oficial que passa 30 anos de dedicação exclusiva, sujeito a servir em qualquer parte do País, com um jovem magistrado, vai cair de costas. Enquanto um oficial no topo da carreira não chega a R$ 14 mil, incluindo todas as vantagens como tempo de serviço e habilitação em cursos especializados, um jovem com três anos de diploma e menos de 30 anos de idade pode ingressar na magistratura com o vencimento inicial de R$ 20.900,00.

Diferenças humilhantes

Sobre as diferenças entre o que ganha a tropa e outros segmentos do Serviço Público, o general-de-divisão reformado Synésio Scofano Fernandes fez um meticuloso estudo comparativo, que, por si só, é um ingrediente explosivo, na medida em que demonstra com números oficiais estarem os militares em piores condições remuneratórias, perdendo, inclusive, para a média dos servidores civis do Executivo, que padecem de um arrocho salarial impiedoso.

Seu relato, baseado no Boletim Estatístico de Pessoal do Governo Federal, mostra que a média de vencimentos totais entre militares é de R$ 3.047,00 (excluindo desse cálculo os recrutas, considerados efetivos variáveis, que ganham uma miséria).

Na sua comparação, esse vencimento médio perde de longe para o Ministério Público Federal, cuja média é 355,45% superior, para o Judiciário (306,95%), Banco Central (265.50%), Legislativo (256,15%), empresas públicas (120,31%) e servidores civis da administração direta (29,85%).

Difundido e reproduzido em dezenas de sites de acesso dos militares, esse documento faz comparações apenas no âmbito do Serviço Público Federal. Ele não considera remunerações fora da área do funcionalismo, como se só fosse possível apontar injustiças e incongruências entre os que recebem diretamente do erário. Como se a remuneração da área privada fosse dinheiro que caísse do céu.

Os militares nunca atentaram para os supersalários dos executivos das grandes multinacionais, inclusive das privatizadas e as concessionárias dos serviços públicos. Mas os números indicam uma distância humilhante entre o que é pago a um executivo, em média com 40 anos de idade, e a um general de 4 estrelas, com mais de 30 anos de tropa. A existência desse mercado em ascensão tem levado muitos oficiais a abandonarem a farda e colocarem seus conhecimentos adquiridos nas escolas militares a serviço dessas empresas, muitas, como a Vale do Rio Doce, dedicadas a atividades sobre a exploração de áreas estratégicas.

"Pessoas jurídicas"

O "boom" dos salários dos executivos aconteceu após a farra das privatizações. Em maio de 2002, a revista "Veja" publicou: "A Perfil Consultores concluiu um estudo sobre a remuneração dos superexecutivos brasileiros. Foram pesquisados os salários nas empresas com faturamento anual acima de 1,5 bilhão de dólares. O trabalho mostra que os executivos conseguiram aumento no ano passado quase duas vezes maior que a inflação. Uma curiosidade: o mais bem pago do País levou para casa 3,3 milhões de reais em 2001".

Toda essa elite econômica costuma mascarar-se de "pessoa jurídica" individual para passar a perna no Imposto de Renda, o que nenhum militar ou funcionário público pode fazer. Daí a valorização recente dos contadores e profissionais da área financeira, que passaram a ser incluídos nas cúpulas das grandes empresas.

Segundo o professor Fábio Konder Comparato, da USP, "mais da metade do PIB brasileiro não é contabilizada. São trilhões de reais sonegados por grandes empresas e corporações. Com um poder aquisitivo desses, compra-se tudo, até a impunidade".

Mas a cabeça manipulada do cidadão comum, seja civil ou militar, não tem a menor idéia da concentração de renda, que faz com que 130 mil pessoas detenham metade do Produto Interno Bruto no Brasil, algo em torno de 1 trilhão de reais, segundo revelou o The Boston Consulting Group (BCG), no início de 2008, com números da Receita Federal.

Na análise comparativa dos soldos dos militares, não se pode omitir o quadro salarial como um todo. Um estudo do Ipea divulgado em outubro de 2007 conclui que a diferença entre o menor e o maior salário no Brasil é de 1.714 vezes, isso considerando a premissa de que o maior salário é de um executivo da Região Sudeste, que ganha R$ 120.000,00, e o menor, o de um trabalhador do setor de serviços da mesma região, que receberia por mês bem menos do que o salário mínimo, isto é, não mais de R$ 70,00.

No setor público, a pesquisa oficial é também falha, pois trata tão-somente dos vencimentos dos estatutários da administração direta, para encontrar R$ 28 mil como a maior remuneração, esquecendo de anotar os penduricalhos no Judiciário e no Legislativo, que podem dobrar esse valor, e os salários em estatais, fundações e no sistema "S", mantido pelo desconto na folha salarial dos trabalhadores.

EUA pressionam europeus por tropas no Afeganistão

Rice faz visita-surpresa a Cabul; reunião da Otan na Lituânia reflete mal-estar

Americanos acreditam que Alemanha, França e Itália evitam enviar seus homens ao sul, onde combates com o Taleban são mais intensos

DA REDAÇÃO

O Afeganistão é objeto de um fogo cruzado: os Estados Unidos se queixam dos países europeus -sobretudo da Alemanha- pelo não envio de tropas às zonas de combate. Há o mal-estar entre o Reino Unido e o presidente afegão, Hamid Karzai. E o Fundo Monetário Internacional acusa o governo local de inaptidão.

Esse conjunto de tensões teve ontem como pano de fundo uma reunião da Otan, aliança militar ocidental, em Vilna, capital da Lituânia, e uma viagem-surpresa da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e do ministro britânico do Exterior, David Miliband, a Cabul e Candahar, ao sul do país asiático, onde é forte a milícia islâmica do Taleban.

Anteontem, em Washington, o secretário americano da Defesa, Robert Gates, disse no Congresso que alguns países da Otan "estão dispostos a lutar e a morrer para proteger a segurança das pessoas, mas há outros que não demonstram essa mesma disposição".

EUA, Canadá, Reino Unido e Holanda têm contingentes no sul e enfrentam o Taleban - grupo ligado à Al Qaeda, deposto em 2001 pelos ocidentais. Mas o Pentágono critica a Alemanha, França, Espanha e Itália por fazerem corpo mole.

Os 39 membros da Otan têm militares no Afeganistão (42 mil homens), e os maiores contingentes são o americano (15 mil), o britânico (7.800), o alemão (3.210), o italiano (2.800), e o canadense (2.500).

Taleban está revigorado

O Taleban deu no ano passado inédita demonstração de força, com 6.500 mortos em atentados e entrechoques. Morreram 218 soldados estrangeiros, sobretudo no sul.

O Canadá, que perdeu 78 militares, ameaça se retirar daquela região caso não receba um reforço de mil homens.

O ministro alemão da Defesa, Franz Josef Jung, afirmou na conferência da Otan, em Vilna, que seu contingente se limitaria a missões autorizadas em Berlim pelo Parlamento. A França enviará 700 pára-quedistas ao sul, mas só oficializará a decisão no início de abril, na reunião da Otan em Bucareste.

O litígio entre Cabul e Londres é mais delicado. O presidente Karzai, a portas fechadas, em Davos, criticou em janeiro o Reino Unido por tê-lo pressionado em 2006 pela remoção do poder civil de certa região, que em seguida as tropas britânicas não conseguiram defender, o que favoreceu o Taleban.

Karzai também vetou lorde Paddy Ashdown, britânico apoiado por Washington, para ser o representante da ONU em Cabul. O motivo, diz o "New York Times", foi o temor de que uma personalidade forte eclipsasse seu poder pessoal.

Críticas a Karzai

A secretária Condoleezza Rice, a caminho de Cabul, disse ainda no avião a jornalistas que o governo afegão deveria assumir suas responsabilidades e também enfrentar [militarmente] o Taleban. Mais uma crítica indireta a Karzai, que, em verdade, controla apenas a capital e regiões mais ao norte.

As declarações em público - de Rice, de Karzai e de Miliband, em Cabul, e dos ministros no encontro da Otan, na Lituânia - foram bem mais conciliadoras. A secretária de Estado, por exemplo, elogiou o governo afegão e disse que "essa é uma guerra demorada porque os terroristas não se deixam derrotar com facilidade".

Há por fim o diagnóstico sobre a economia afegã feito pelo FMI. O "Financial Times", disse ontem que, para um dos especialistas envolvidos, "o Afeganistão depende quase inteiramente da ajuda externa e dos lucros obtidos com o ópio".

O FMI não divulgou seu relatório e, ao fazê-lo, usará palavras menos contundentes. Mas ele acusa Karzai de não ter implementado uma rede para a coleta de impostos que dê autonomia às finanças do Estado e o critica por ter adotado alíquotas diferenciadas de importação que beneficiam amigos ou grupos com afinidades tribais.

23 fevereiro 2008

Ataque turco ao norte do Iraque deixa dezenas de mortos

O Exército da Turquia informou que a ofensiva realizada por suas tropas no norte do Iraque, na noite de quinta-feira, deixou cinco soldados e ao menos 44 rebeldes curdos mortos. "Informações preliminares indicam que os terroristas sofreram perdas significativas", disse um comunicado do Exército turco.

O porta-voz do grupo separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), Ahmad Danas, afirmou que dois soldados turcos foram mortos e oito ficaram feridos na operação.

Nenhuma das duas informações pode ser confirmada por fontes independentes.

Segundo o governo turco, as tropas cruzaram a fronteira em uma operação contra rebeldes separatistas curdos do PKK estariam refugiados no Curdistão, uma região autônoma localizada no norte do Iraque.

A operação foi precedida de bombardeios aéreos e terrestres. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que a ofensiva foi limitada e que as tropas retornarão o mais rápido possível.

"O alvo, o propósito, o tamanho e os parâmetros desta operação são limitados", disse Erdogan. "As nossas Forças Armadas voltarão para casa o mais rápido possível, assim que atingirem seus objetivos." O governo americano disse que foi informado da operação desta quinta-feira com antecedência e que pediu à Turquia que limitasse a ação a alvos precisos do PKK.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação com a operação.

"A proteção dos civis nos dois lados da fronteira continua sendo a principal preocupação", disse.

Fronteira

A Turquia mantém milhares de tropas na fronteira com o Iraque.

A operação desta quinta-feira foi a segunda desde outubro de 2007, quando o Parlamento turco aprovou por ampla maioria a autorização de operações militares em território iraquiano para combater os rebeldes do PKK, que estariam lançando ataques contra a Turquia a partir da região.

No entanto, segundo a correspondente da BBC em Istambul, Sarah Rainsford, desta vez a operação foi inesperada, porque a área montanhosa da fronteira ainda está coberta de neve e porque não houve ataques recentes do PKK contra a Turquia.

As informações do governo turco são de que entre 3 mil e 10 mil soldados turcos tenham participado da ofensiva Mas fontes curdas no norte do Iraque disseram à BBC que o governo turco havia "exagerado" e que na realidade a operação era "muito, muito limitada", em uma área remota na fronteira.

O PKK luta pela autonomia curda e tem cerca de 3 mil homens baseados no Iraque. Calcula-se que mais de 30 mil pessoas tenham morrido desde 1984, quando o grupo iniciou a luta armada contra o governo turco.

A Turquia, os Estados Unidos e a União Européia consideram o PKK uma organização terrorista.

Bombardeiro dos Estados Unidos se acidenta após decolar na ilha de Guam

Washington, 22 fev - Um bombardeiro B-2 Stealth da Força Aérea dos Estados Unidos se acidentou hoje, pouco após decolar de uma base da ilha de Guam, informaram fontes oficiais.

Um porta-voz das Forças Armadas dos Estados Unidos disse à agência Efe que os dois pilotos da aeronave sobreviveram ao acidente.

"As autoridades médicas avaliaram os pilotos, que se encontram em bom estado", disse a Força Aérea em uma declaração.

Por enquanto, ainda não foram divulgados mais detalhes sobre o que ocorreu na base Andersen da Força Aérea.

"O acidente está sendo investigado", disse o porta-voz.

Os bombardeiros Stealth operam na base aérea de Whiteman, no Missouri, mas realizam operações em Guam desde 2004, junto aos bombardeiros B-1 e B-52.

Esse sistema tem como objetivo reforçar a presença americana na região da Ásia-Pacífico, disseram fontes militares.

O bombardeiro B-2 é um avião de grande autonomia, cuja construção especial permite penetrar escudos de defesa antiaérea.

Piloto faz aterrissagem de emergência após teto de cabine se soltar


em Buenos Aires

Um piloto da Força Aérea da Argentina foi obrigado a realizar uma aterrissagem de emergência após verificar que o teto da cabine da aeronave havia soltado, informaram nesta quinta-feira fontes aeronáuticas.

O incidente ocorreu na quarta-feira na Província de Córdoba, no centro do país, e não teve conseqüências nem para o piloto nem para o avião, um Pampa AT 63 Série II, de última geração, afirmou a Escola de Aviação Militar.

A fonte indicou que o teto da cabine se "desprendeu", mas "não houve problemas de despressurização" porque a aeronave voava a uma "altura intermediária". As causas do incidente ainda estão sendo avaliadas.

O piloto, um instrutor da Força Aérea, "usou sua experiência e conhecimento para resolver o imprevisto e retornou à pista da Escola de Aviação em Córdoba, onde conseguiu fazer uma aterrissagem sem transtornos", acrescentou.

Morre piloto de um dos caças americanos que se chocaram no golfo do México


em Washington

O piloto de um dos caças-bombardeiros F-15C Eagle dos Estados Unidos que se chocaram nesta quarta-feira (20) em pleno ar morreu, segundo informou a Força Aérea americana.

O outro piloto se encontra em bom estado de saúde, após ter sido resgatado.

Uma porta-voz da Força Aérea informou à Efe que o acidente ocorreu às 15h21 hora local (17h21 de Brasília), cerca de 80 quilômetros ao sul da base aérea de Tyndall, durante manobras de treino no Golfo do México.

A fonte acrescentou que sete equipes da Guarda Costeira foram enviadas à zona para investigar o incidente e ajudar nas operações de salvamento.

17 fevereiro 2008

Em sigilo, Jobim negocia um satélite com a França

Objetivo é defesa do espaço aéreo e territorial; ministro tratou do tema com Sarkozy

Formato prevê prestação de serviços a empresas privadas de aviação e telecomunicações, o que ajudaria no pagamento

ELIANE CANTANHÊDE
ENVIADA ESPECIAL A PARIS

A implantação de um satélite de monitoramento do espaço aéreo e territorial brasileiro é um dos principais temas tratados em sigilo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante sua estada de uma semana na França. Trata-se de mais uma disputa entre fornecedores de França, EUA e Rússia, mas o Brasil tende para os franceses.

Jobim falou sobre o satélite na parte privada da audiência com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na terça-feira, e também no jantar com o presidente mundial da empresa Thales, Dennis Ranque, na noite do mesmo dia. Não falaram de detalhes nem de valores, mas, conforme a Folha apurou, o custo previsto do programa é de cerca de US$ 1 bilhão, mais US$ 500 milhões para infra-estrutura de terra.

O projeto tem a sigla SGB (Satélite Geoestacionário Brasileiro) e foi idealizado para atuar em três frentes: a banda X, de comunicação militar e de defesa estratégica, informações meteorológicas e modernização do controle do tráfego aéreo. Desde a venda da Embratel, o governo não tem controle da banda X, alugando satélites para esse uso.

O objetivo principal é de defesa do espaço aéreo e territorial, com desdobramento para outras funções, conforme especificações detalhadas pela empresa Atech Tecnologias Críticas, sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira.

Trata-se de um projeto de Estado, mas o formato em estudo prevê prestação de serviços a empresas privadas de telecomunicações e de aviação, por exemplo. Com isso, o programa se pagaria em 15 anos.

A francesa Thales é sucessora da antiga Thomson, que instalou três dos quatro Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) no Brasil no início dos anos 70. Em 2001, também apresentou um plano de modernização de todo o sistema.

Hoje, a Thales tem participação na Omnisys brasileira e também adquiriu 25% da DCNS, empresa francesa que produz os submarinos convencionais (diesel-elétricos) Scorpène que o Brasil pretende adquirir como molde para o futuro submarino de propulsão nuclear brasileiro.

A empresa Raytheon, norte-americana que forneceu o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) na década de 1990, ofereceu um projeto de satélite ao Brasil, mas Jobim pediu uma avaliação ao ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), responsável pela elaboração do futuro Plano Estratégico de Defesa, que desaconselhou a opção.

Do ponto de vista estritamente brasileiro, o projeto de satélite também está interligado com a auditoria/consultoria que Jobim pretende fazer no sistema de controle de tráfego aéreo, sob bombardeio desde o choque entre o jato Legacy e o Boeing da Gol que matou 154 pessoas em 2006.

O SGB é resultado de um acordo internacional, do qual o Brasil é signatário, no âmbito da ICAO (Organização Internacional de Aviação Civil). Por esse acordo, o país terá de adotar o sistema para as operações de controle de tráfego aéreo via satélite até 2010 ou 2011.

Ou tem o seu próprio satélite adequado à mudança, ou terá que alugar um satélite internacional. O mais provável é que tenha de passar pelo aluguel numa fase de transição até concluir o programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro.

Ministros querem fim de imposto para arma

Jobim (Defesa) e Tarso (Justiça) defendem a extinção da tarifa de exportação para países da América Latina e Caribe

Segundo o Viva Rio, a maioria das armas antes exportadas para os países vizinhos voltava para o Brasil clandestinamente

IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) defendem, em documento, o fim do imposto de exportação de armas e munições para auxiliar a indústria bélica nacional. Tarso e Jobim formalizaram o apoio ao lobby das armas em 21 de dezembro, ao assinar o Aviso nº 35/MD, encaminhado ao colega Miguel Jorge (Desenvolvimento).

No documento, obtido pela Folha, os dois pedem a revogação do imposto de 150% sobre armas e munições vendidas pelo Brasil aos países da América do Sul e do Caribe - as vendas para Argentina, Chile e Equador não têm a taxa.

"Um grande esforço tem sido implementado para aumentar o volume das exportações, porém alguns óbices se interpõem a essa iniciativa, sendo um deles a resolução nº 17/Camex [Câmara de Comércio Exterior]", diz um trecho do documento.

O texto vai além e culpa o Estatuto do Desarmamento pelas dificuldades da indústria de armas no mercado interno. "A base industrial de defesa necessita dessas empresas e a publicação da lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003, restringiu ao máximo a venda interna, só restando a essas empresas a possibilidade de exportação."

Embora assinado por dois atuantes ministros, o documento contempla o inverso do discurso do governo. Seis meses depois de receber a faixa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva pregava a taxação do comércio internacional de armas para a criação de um fundo mundial de combate à fome.

Mais: ao divulgar o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, o governo citou a campanha do desarmamento como um dos fatores de redução das mortes por arma de fogo.

A indústria faz campanha contra o imposto e diz que o Brasil perdeu as vendas para América Latina e Caribe, um mercado de US$ 12 milhões. "[Derrubar a taxa] É uma reivindicação há muito tempo, prejudica a atuação do Brasil", reclamou Ricardo Alfonsin, assessor jurídico da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições. A organização também tenta derrubar o imposto na Justiça.

O coordenador do programa de controle de armas do Viva Rio, Antonio Rangel, foi informado do assunto pela Folha. Ele telefonou ao Ministério da Justiça e foi informado que Genro seria contra a derrubada do imposto. "Não sei a posição do Jobim, mas a impressão é que ele está bastante desinformado. O risco é muito grande."

Segundo o Viva Rio, a maioria absoluta das armas antes exportadas para os países vizinhos voltava para o Brasil clandestinamente.

A reportagem procurou as assessorias dos ministérios da Defesa e da Justiça desde terça. A Justiça nada respondeu. A Defesa prometeu que se pronunciaria semana que vem.

O item foi incluído na pauta da reunião da Camex na terça, mas foi retirado para análise técnica.

Fabricante do país exporta mais de 70% da produção

A maior fabricante de armas leves da América Latina - a Empresas Taurus, sediada em Porto Alegre (RS) - exporta mais de 70% de sua produção, segundo informações da companhia. Os Estados Unidos são o principal mercado.

De acordo com dados da Taurus, o restante da produção atende mercado civil, polícias e Forças Armadas, além de empresas de segurança privada.

Com a produção concentrada na região Sul do país, a empresa gaúcha tem oito unidades fabris. Três delas ficam no Rio Grande do Sul - nas cidades de Porto Alegre, São Leopoldo e Gravataí. A Taurus possui também uma unidade nos Estados Unidos, em Miami, para montagem de armas.
A maior produtora de munição no país é a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos).

O site da empresa informa que as exportações "continuam a crescer" e que a CBC vende hoje para mais de 40 países. A companhia possui duas unidades de produção. Segundo informações do site, a unidade de Ribeirão Pires (SP) é o maior complexo industrial voltado para a fabricação de munições do hemisfério Sul. A fábrica de Montenegro (RS) produz cartuchos de caça e armas longas.

12 fevereiro 2008

Mais dois Ipanema para a FAB


Cumprindo contrato firmado no segundo semestre de 2007, a Embraer entregou à FAB em dezembro de 2007 duas aeronaves Ipanema (foto), que receberam a designação G-19A. Com isso, sobe para cinco o número de Ipanemas empregados para reboque de planadores na Academia da Força Aérea.

Colômbia adquire Star SAFIRE HD


O Ministério da Defesa colombiano colocou com a empresa americana FLIR Systems, Inc. uma encomenda de US$13 milhões para o fornecimento de torretas estabilizadas Star SAFIRE HD, equipadas com múltiplos sensores. Esse material será empregado a bordo de helicópteros, mas vale mencionar que torretas da FLIR já vêm sendo empregadas com grande sucesso pela Força Aérea Colombiana a bordo de aeronaves Super Tucano. As entregas estão previstas para o segundo semestre de 2008. O treinamento, suporte e integração serão realizados numa instalação da FLIR em Bogotá. Pesando menos de 55kg, a Star SAFIRE HD é dotada de um zoom de com aumento de 120x (para uso em condições de pouca luz, mas durante o dia), sistema infravermelho de visão frontal, sistema laser para marcação de alvos e outros equipamentos.

135 F/A-18 receberão radares AESA



A U. S. Navy planeja modernizar um total de 135 Super Hornets com radares de varredura eletrônica (AESA = Acive Electronically-Scanned Array) Raytheon APG-79. Um contrato inicial autoriza a Raytheon a fornecer 19 sistemas, além de peças de reposição e manutenção. O programa de produção do APG-79 continua, e o objetivo é produzir um total de 415 sistemas para a marinha americana e 24 para a Royal Australian Air Force, ao longo dos próximos anos. Segundo o fabricante, o novo radar oferece uma série de opções, incluindo ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance), transferência de informação a grande velocidade, melhor consciência situacional e capacidade de aquisição de alvos a alcances maiores do que era possível anteriormente. O Comandante Mark W. Darrah, gerente do programa do F/A-18 e do EA-18G da U. S. Navy, declarou: “O radar AESA APG-79 vai revolucionar a forma pela qual empregamos o F/A-18E/F Block II e o EA-18G.

Suíça e Noruega demonstram interesse no Gripen



Depois de receber em 2007 solicitações da Índia e da Dinamarca para venda do Gripen, a Saab já registrou nos primeiros dias de 2008 mais dois pedidos de preços. A Suíça requisitou formalmente uma proposta para o fornecimento do Gripen, que assim se torna um dos quatro competidores para a competição do novo caça suíço, cujo resultado deverá ser anunciado em 2009, com as entregas devendo se iniciar em 2013. A Noruega, por sua fez, solicitou à Administração de Material de Defesa da Suécia uma proposta para até 48 Gripen. Até bem pouco tempo tanto o JSF quanto o Eurofighter participavam da concorrência norueguesa, mas eventualmente o Eurofighter abandonou o programa. A decisão norueguesa também sairá em 2009, e as entregas iniciais estão previstas para 2015

A Necessidade de Submarinos para o Brasil - Uma nova opção

Por: José Luiz Feio Obino Vice-Almirante (Ref)
Ex-Comandante da Força de Submarinos

Fonte: PUBLICADO NA REVISTA DO CLUBE NAVAL

Nos dias de hoje o melhor projeto comercial, testado, de submarino convencional, no mercado, é o do submarino francês "Scorpene". Trata- se de um projeto modular, altamente avançado e flexível que pode ser construído no Brasil e empregado em águas costeiras e áreas oceânicas. A NUCLEP, Indústria de Equipamentos Nucleares, que detém, no país, a tecnologia de construção de estruturas circulares, com alto nível de precisão, está preparada para construir as seções do casco resistente do mencionado submarino francês e o AMRJ, Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, capacitado para a montagem e união das seções de casco do submarino.

O projeto francês é o que mais se aproxima das características do projeto SMB 10, da Marinha, e agrega, em seu desenho e em seus equipamentos, o que existe de mais avançado e moderno em tecnologia de projeto e de construção de submarinos nucleares franceses, o que não pode ser dito pelo seu concorrente alemão que, apesar, de sua alta tecnologia, nunca projetou ou construiu sub-marinos nucleares. Ademais, seus submarinos foram projetados para águas costeiras e mares fechados. Não podemos esquecer, que o projeto dos submarinos da classe "Tupi" sendo substituídos, no presente, pelos submarinos IKL 212, com cerca de 1500 tons.

A Marinha do Brasil, e porque não dizer o País, busca o domínio da tecnologia de projeto,de construção e de manutenção de submarinos avançados, o que, de certa forma, só poderá ser alcançado com os franceses, americanos, russos, ingleses e chineses. O concorrente alemão, por mais que disponha de alta tecnologia de projeto, construção e manutenção de submarinos, quer para uso próprio, quer para exportação, carece do principal, que é ter capacitação em submarinos de propulsão nuclear. Seus projetos atuais, o IKL 212, exclusivo para a sua Marinha e Marinha Italiana, e o IKL 214, para exportação, são bastante diferentes e seus projetos de concepção foram desenvolvidos em torno da propulsão convencional independente do ar ( AIP ), adequada ao emprego dos submarinos próximo de suas bases, como é o caso deles, dos italianos, turcos, gregos, sul coreanos e outros, diferentemente do nosso, que requer submarinos para emprego ao longo de uma costa de 4000 km e áreas oceânicas adjacentes.

Quando falamos sobre os projetos "Scorpene" e IKL 214, não podemos esquecer do projeto comercial "Amur", russo, conhecido em 2004, quando da visita de oficiais brasileiros à Rússia. Apenas o primeiro e o último são operacionais. Para o Brasil a melhor opção seria o projeto francês, ainda que a Marinha tenha uma parceria, de cerca de 30 anos, com os alemães. Mas será que essa parceria foi boa?

Em alguns pontos acredito que sim, mas em outros não. Senão vejamos:

-permitiu começar a construção (montagem de "kit") de submarinos no País, segundo um projeto importado, que os alemães não acreditavam ser possível sem a sua ajuda;

-possibilitou a nacionalização da mão de obra na construção de submarinos, que não poderá ser perdida, sob pena de comprometer todo o esforço brasileiro na consecução de seu projeto maior, o projeto e construção de seu submarino de propulsão nuclear.

Consta que já nos falta, hoje, as mesmas condições de construção dos "Tupi/Tikuna", por força da evasão de recursos humanos especializados, decorrente do esgarçamento do programa de construção de submarinos ( adiamento do início da construção do "Tikuna"; falta de dinheiro orçamentário para a sua construção, que levou 11 anos; cancelamento da construção do irmão "Tapuia"; e falta de perspectiva de novas construções); e

-faltou capacidade de nacionalização de peças para motores, equipamentos e sistemas, prejudicando seriamente a manutenção dos submarinos. Em 28 anos, nacionalizamos, apenas, as baterias, ficando a Marinha refém da importação, da quase totalidade da logística dos demais sobressalentes, materiais e equipamentos, cujos preços são cada vez mais proibitivos sem qualquer explicação para os aumentos abusivos.

Acreditamos que com o projeto francês teremos a oportunidade de recuperar os anos perdidos no campo da logística, ainda mais se considerarmos que o sucesso de vendas do projeto comercial alemão do submarino IKL 209(Submarinos da classe "Tupi") hoje se debate com o custo elevado de sua manutenção, que depende de longos prazos de entrega de peças de fabricação descontinuada, da disponibilidade, para pronta entrega, de materiais e equipamentos, e dos preços abusivos de fornecimento. Tal situação leva a uma baixa disponibilidade operacional desses submarinos no mundo. Por serem, também, submarinos costeiros, o seu emprego, em áreas oceânicas ou muito afastado de suas bases, sacrifica o material, em especial, os seus grupos motores-geradores, diante do longo trânsito para as áreas de exercício ou de patrulha. Isto não ocorre no cenário europeu ou semelhante, para o qual foram projetados, por serem as suas áreas de operações muito próximas de suas bases de apoio.

O Chile, um país com grande influência militar germânica, tomou uma decisão drástica e corajosa ao sair da linha alemã para a linha francesa de submarinos oceânicos da classe "Scorpene", sem o módulo de casco de AIP. A opção chilena, pelo projeto francês, foi devida ao baixíssimo nível de ruído irradiado (plataforma muito silenciosa), ao maior transporte de armamento, a maior facilidade e rapidez de recarregamento dos tubos de torpedo e mísseis, e a maior profundidade de operação do submarino.

Ainda que o problema brasileiro seja ligeiramente diferente do chileno, porque o Chile não tem a construção de submarinos, em seu território, como uma premissa básica, o Brasil tem como objetivo estratégico o domínio completo da tecnologia de projeto e de construção de submarinos e a manutenção dos mesmos. Não será com a transferência de tecnologia alemã que chegaremos ao nosso objetivo maior. Urge que a Marinha, e porque não dizer o Governo, se decida por uma proposta que atenda o médio e longo prazos, isto é, a construção de submarinos convencionais que visualize o futuro que é o projeto e a construção do submarino de propulsão nuclear. Hoje as parcerias para vencer tal desafio seriam com os chineses, ou russos, ou franceses, já que os americanos e seu aliado inglês, se opõem a tal conquista brasileira.

A decisão que a Marinha espera do Governo, para a construção de submarinos, significará uma decisão para os próximos 30 anos. Resta saber se desejamos ficar refém de algum país. Os primeiros 30 anos estão se acabando, sem que tenha havido ganhos positivos, "significativos", para a Marinha e para o Brasil. As "Orientações da Marinha" para a HDW e a ARMARIS, em princípios de 2005, para a apresentação de propostas, para construção, manutenção e fornecimento de equipamentos / torpedos de submarinos, mostram claramente que a montagem de submarinos da classe "Tupi", no AMRJ, não foi suficiente para dominarmos a tecnologia de projeto de submarinos, bem como a construção de certos módulos de casco, como os de proa e de popa. As "orientações" demandavam propostas das empresas, de transferência de tecnologia de projeto e de construção para o CPN, Centro de Projeto de Navios, e o AMRJ, respectivamente; de homologação do AMRJ como construtor do submarino, a ser adquirido; e de fornecimento de equipamentos para o estaleiro construtor do novo submarino, já que um novo projeto exige, dispositivos, ferramentas especiais específicas, não havendo como aproveitar às do projeto da classe "Tupi/Tikuna", mesmo que, para um novo projeto alemão. O ferramental de uso geral, no entanto, poderá ser empregado na construção de qualquer projeto a ser escolhido.

O projeto "Scorpene" é, em outras palavras, um modelo convencional reduzido do novo projeto francês do submarino nuclear "Barracuda". O "Scorpene" traz em seu bojo, muito do desenho de casco do submarino estratégico"Le Trionfant"; inúmeros equipamentos de controle de plataforma, empregados nos submarinos de propulsão nuclear; e sensores no estado atual da arte, integrados ao sistema de combate de última geração, SUBTICS, compatível com o emprego dos torpedos IF 21, "Black Shark", franco-italiano, Mk 48, americano, e SUT, alemão, e com os mísseis submarino-superfície "Exocet", SSM 39.

França propõe submarino Marlin ao Brasil

Novo submarino da DCN é proposta para o futuro SMB brasileiro

Fontes da empresa francesa DCN confirmaram na passada quinta-feira que a DCN apresentou às autoridades brasileiras uma proposta para o fornecimento de um submarino de propulsão convencional, para adicionar à presente frota de cinco submarinos que o país possui.

Ao contrário de informações anteriores que previam a possibilidade de a França ter proposto ou se preparar para propor a venda do modelo Scorpéne, as informações agora divulgadas permitem concluir que o submarino que será proposto será o Marlin.

Na realidade, o Marlin é o resultado da quase rotura de relações entre a empresa espanhola Navantia e a própria DCN, após os espanhóis terem optado por criar a sua própria versão do submarino Scorpéne, sem a inclusão de sistemas de combate franceses.

A opção espanhola levou ao corte de negociações e ao desenho de um “novo” submarino onde serão incorporados novos desenvolvimentos, alguns deles alegadamente resultado dos estudos franceses para a construção da sua nova família de submarinos nucleares.

No entanto, tais tecnologias terão relevância no que respeita a sistemas de combate e soluções de hidrodinâmica e não serão relativas a nenhum sistema de propulsão nuclear.

Com 76 metros de comprimento e um deslocamento standard de 2.000 toneladas (de 2.200 a 2.500 submerso), o Marlin, utilizará o sistema de propulsão MESMA-2, um sistema derivado do mais antigo MESMA e que em principio deverá reduzir a temperatura e o ruído, que são o principal problema do sistema. As características apontadas para o Marlin são idênticas às que a marinha brasileira tem apontado como características de referência para o Submarino Médio Brasileiro SMB, o qual deveria ser construído no Brasil, servindo eventualmente de plataforma para o desenvolvimento de outros submarinos, nomeadamente com propulsão nuclear.

As recentes aberturas da França no que respeita à venda de tecnologia nuclear a vários países do extremo oriente, poderão implicar que poderá existir abertura francesa à assistência a dar ao Brasil no projeto brasileiro de construção de uma classe autóctone de submarinos.

As afirmações francesas não implicam, porém, qualquer garantia de que existirá um contrato assinado no futuro. Ocorreram já anteriormente negociações com o fabricante alemão Thyssen/HDW que propôs ao Brasil a venda de submarinos do tipo U-214.

No entanto, na altura, a opção divulgada pela imprensa brasileira e confirmada por autoridades da Marinha do Brasil foi no sentido de adquirir o submarino sem o sistema de propulsão independente do ar AIP, que no caso dos submarinos alemães funciona com células de combustível, utilizando hidrogênio.

Cabo da Marinha é morto na sentinela


O cabo da Marinha Bruno Salazar Iglesia da Silva morreu ontem após ser baleado no posto de sentinela do Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA), na Avenida Brasil. Segundo o tenente Cesar Augustus de Fava, da Subseção de Cerimonial e assessoria de imprensa, o militar, que estava em serviço, foi encontrado ferido e recebeu os primeiros socorros no local. Depois, foi levado para o Hospital Naval Marcílio Dias, onde não resistiu e morreu. De acordo com a Marinha, todas as providências médicas e administrativas necessárias foram adotadas. Um Inquérito policial militar (IPM) foi instaurado para apurar as circunstâncias em que o cabo foi baleado.

Soldado universal


Leandro Mazzini

O Brasil não mede esforços para ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. O Ministério da Defesa vai enviar para o Nepal seis oficiais, em fevereiro, como observadores militares. Ficam lá um ano.

No bazar das armas


Há mais de uma maneira de ir-se às compras no bazar das armas. Há governos, por exemplo, que simplesmente anunciam que precisam reequipar suas Forças Armadas. Outros, como o da Venezuela de Hugo Chávez, alegam que estão se armando até os dentes para enfrentar um inimigo externo - no caso, a ameaça imaginária da invasão pelo Império. Há, ainda, aqueles que douram a pílula, apresentando o que não passa de uma transação comercial como um ato de transcendental importância que dará ao país que representam uma nova e maior dimensão no concerto das nações.

É o que está fazendo o ministro Nelson Jobim, em sua visita a vendedores de Armamentos na França e na Rússia. "Não estamos aqui para comprar, mas para estabelecer uma relação maior que a de comprador e vendedor", afirmou ele em Paris. "Queremos uma aliança estratégica para remodelar o Plano Estratégico Nacional de Defesa."

Em que consiste essa "aliança estratégica" ninguém sabe - nem o ministro, que não foi capaz de detalhar um acordo bilateral que prevê a livre circulação de militares entre os dois países. Mas os membros do governo Lula gostam da expressão, que usam a granel. Aproveitando esse viés, o ministro da Defesa da França - que é um bom vendedor dos produtos bélicos de seu país - foi na onda.

"Queremos que o Brasil seja o maior parceiro estratégico da França na América Latina, assim como queremos que a França seja o parceiro estratégico do Brasil na Europa." São palavras agradáveis de ouvir e, por incrível que pareça, há quem acredite nesse tipo de conversa. Há alguns anos, por exemplo, o presidente Carlos Menem acreditou - ledo engano! - que o título de "aliado estratégico" da OTAN colocaria a Argentina no convívio íntimo dos grandes deste mundo.

O Brasil precisa substituir os equipamentos de suas Forças Armadas, que estão sucateados. E faz bem o ministro da Defesa em procurar no mercado as melhores armas, nas melhores condições de aquisição. Mas é preciso ter os pés no chão. O presidente Nicolas Sarkozy não abriu espaço em sua agenda para receber o ministro Nelson Jobim porque haverá uma "aliança estratégica", mas porque o Brasil pode voltar a ser um bom freguês da indústria bélica francesa, porque em breve haverá um encontro presidencial e porque estão sendo preparadas as comemorações do "Ano da França no Brasil", que certamente serão marcadas pela assinatura de acordos de cooperação em várias áreas.

E ter os pé no chão significa não alimentar ilusões sobre o alcance das transações que poderão ser feitas. O ministro da Defesa deixou-se convencer por certos setores militares de que o Brasil só deve comprar equipamento se este vier acompanhado de transferência de tecnologia. No plano teórico, essa é uma boa orientação. No campo prático, essa condição inviabiliza negócios.

"Não havendo transferência de tecnologia, o negócio não nos interessa", afirmou o ministro Jobim a respeito da possível compra de caças franceses de última geração. O projeto desses aviões custou alguns bilhões de euros à Dassault e ao governo francês que, obviamente, não transferirão essa cara tecnologia em troca da venda de duas dúzias de caças.

O ministro também espera receber a tecnologia de construção de submarinos nucleares, como compensação pela compra de um número ainda não definido de submarinos convencionais franceses.

Nas atuais circunstâncias, o estaleiro DCNS ficaria muito satisfeito com a venda de dois desses submarinos e até poderia construí-los no Brasil. Mas de maneira alguma - nem por isso nem por negócio de vulto muitíssimo maior - o governo francês passaria ao brasileiro tecnologia sensível, protegida por normas internas severas e por regimes internacionais de não-proliferação.

Há mais de duas décadas a Marinha iniciou um projeto de construção de um submarino de propulsão nuclear. Mas os recursos, que no início eram suficientes para o desenvolvimento de algumas etapas do projeto, foram escasseando. Isso ocorreu porque o governo jamais considerou que a construção de submarinos nucleares fosse essencial à defesa nacional. Houve mesmo quem considerasse que o projeto não passava de um capricho de certos setores da oficialidade naval. O governo Lula anunciou a retomada do projeto. Mas ficou no anúncio. É o que torna bombástico o tom das declarações do ministro da Defesa.

Jobim diz que submarino nuclear não sofrerá cortes

Ministro conhece modelo francês na base de Toulon

ELIANE CANTANHÊDE - ENVIADA ESPECIAL A TOULON

Um dia após o presidente Lula e cinco ministros terem decidido manter o corte de gastos de R$ 20 bilhões devido ao fim da CPMF, o ministro Nelson Jobim disse ontem que o programa do submarino de propulsão nuclear está mantido. "Já está tudo combinado. Ninguém vai mexer no programa e nos R$ 130 milhões deste ano", disse Jobim em visita à Esquadrilha de Submarinos Nucleares de Ataque, em Toulon. O ministro e o futuro comandante do Estado-Maior da Marinha da França, Pierre-François Forrissier, entraram num dos seis submarinos da classe Rubi da frota, o Saphire.

O orçamento do programa do submarino brasileiro é de cerca de R$ 1 bilhão, com desembolsos anuais de R$ 130 milhões e a previsão de uso da tecnologia francesa para a produção dos cascos e do "recheio cibernético". O Brasil já detém a tecnologia de propulsão nuclear. A Folha teve acesso à base de Toulon e entrou num submarino da classe Rubi, que é bem menor e considerado muito mais ágil que os americanos, projetados para lançar mísseis intercontinentais. Os franceses podem transportar 75 homens, a uma velocidade de 25 nós. Levam 14 torpedos ou mísseis.

Os submarinos da classe Rubi emergem após 60 dias só para descanso dos tripulantes e reabastecimento de comida, pois, ao contrário dos submarinos diesel-elétricos, que precisam voltar à superfície, podem permanecer meses sob a água.

A jornalista Eliane Cantanhêde viajou num avião da FAB de Paris a Toulon, acompanhando a comitiva do Ministério da Defesa.

De dentro do navio

Os submarinos de propulsão nuclear de ataque dos EUA são grandes e vocacionados para disparar mísseis balísticos contra alvos em terra - cidades, inclusive.

Já os da França, construídos pela DCNS, que tem participação estatal, são considerados menores e mais ágeis, podendo disparar tanto torpedos (por baixo d'água) quanto mísseis (para fora) em alvos no mar.

Seriam, portanto, mais adequados ao sonho brasileiro de ter submarinos de propulsão nuclear para vigiar sua imensa costa.

É outra boa desculpa para o governo Lula e o ministro Nelson Jobim darem as costas aos EUA e acertarem "aliança estratégica" com a França, acompanhada oportunamente de pesadas vendas francesas, compras brasileiras e futuras empresas binacionais de defesa.

Ontem, Jobim desceu com seu corpanzil num exemplar da Esquadrilha de Submarinos Nucleares de Ataque, em Toulon. E lá fui eu atrás conhecer também um submarino francês. A escada é estreita e na vertical, os leitos parecem catre de prisão, os corredores são mínimos. Ou seja, conforto zero.

Mas, do ponto de vista de tecnologia, o submarino é um show, conforme explicou um oficial francês, apontando para os sonares, a tela que define o alvo, o funil que dispara mísseis ou torpedos.

Jobim e oficiais do Brasil gostaram do que viram, especialmente o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, que tem uma idéia fixa: o submarino de propulsão nuclear brasileiro, que se arrasta desde 1979 e, aparentemente, agora vai zarpar.

Enquanto o Brasil vai, a França já foi e já voltou. O primeiro submarino brasileiro não sai antes de 2020. E em 2017 os franceses já começarão a substituir a classe Rubi pelos Barracuda, de novíssima geração.

Aliás, isso é algo que o Brasil também pretende aprender com a França: planejamento. Algo que, definitivamente, nunca houve. Nem na defesa, nem no resto.

Oportunidade histórica


Brasil e França acabam de assinar convênio de livre trânsito de seus militares a fim de facilitar a realização de manobras e exercícios conjuntos. Não apenas isso: deu-se o primeiro passo concreto no estabelecimento de parceria estratégica. O acordo permitirá a aviões militares franceses entrarem em espaço aéreo do Brasil sem precisar de autorização prévia. Da mesma forma, aos aviões brasileiros será permitido o ingresso em espaço aéreo francês. A idéia é evitar a burocracia da aprovação de lei específica para tal fim a cada vez que se planejam operações como a Cruzeiro do Sul, que se realiza desde 1996 (a adição de 2006 foi em Anápolis-GO). Em abril, pilotos franceses treinarão no porta-aviões São Paulo, já que o porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle está em manutenção.

O trânsito de militares é apenas uma face do Acordo de Status das Forças (Sofa, da sigla em inglês), que compreende a isenção das exigências fiscais das aduanas e a proteção jurídica dos efetivos.

Nesse caso, militares de ambos os países, caso intimados civil ou criminalmente, só poderão ser processados na Justiça das respectivas pátrias, escapando assim à jurisdição do Tribunal Penal Internacional. O tratado, que precisará ser aprovado pelos parlamentos brasileiro e francês, deve permitir a prestação de serviços, condição básica para parcerias que compreendem a troca de tecnologia tão almejada pelo governo. Mas é preciso analisar essa parceria não só do ponto de vista do reaparelhamento e do desejo de desenvolvimento do parque industrial bélico, mas também pela perspectiva geoestratégica.

A França é o único país desenvolvido com o qual o Brasil tem fronteira comum, na Guiana Francesa. Uma parceria estratégica parece tão óbvia, que é difícil compreender décadas de negligência de ambos os países em aproveitar tamanho potencial. Os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy corrigirão o erro histórico no dia 12 de fevereiro, ao colocarem a pedra fundamental da ponte que unirá o município de Oiapoque à cidade francesa de Saint-Georges. Trata-se de importante ato político. A França pode significar a porta de acesso à tecnologia de toda a União Européia (UE) em matéria de defesa, uma oportunidade de abandonarmos o imobilismo na garantia da soberania brasileira.

Em contrapartida, o Brasil estará impelido a construir um sistema de defesa articulado globalmente. A assinatura do Sofa abre a possibilidade de protocolos similares no ambiente sulamericano, e espaço para possível aliança de segurança regional. Não há como evitar tal movimento, pois disso dependem também a segurança energética e social do Brasil e da América do Sul nas próximas cinco décadas. A descoberta de novas fronteiras de recursos naturais, como gás e petróleo, promove a região na escala de interesse mundial. Ninguém quer que a América do Sul se transforme num Oriente Médio. Mas a atual ação política demanda fluxo financeiro para sustentá-la. Há alto preço a pagar e precisamos nos perguntar se estamos dispostos a aceitar tal custo ou mesmo preparados para as novas responsabilidades. Não há tempo a perder. Urge a reinvenção do pensamento de defesa no Brasil.

Reajuste de 81% nos soldos

Com base em três decisões favoráveis, oficiais e praças estão recorrendo à Justiça para obter o esperado aumento nos vencimentos. Ação considera os ganhos no Superior Tribunal Militar

Ananda Rope e Djalma Oliveira

BRASÍLIA E RIO - Se os militares não conseguem aumento por meio das intermináveis negociações com o governo, o aguardado reajuste dos soldos pode vir pela Justiça. Uma lei de 1991, que não vem sendo cumprida, estabelece que a categoria deve ter os vencimentos reajustados com base escalonada no aumento salarial dos ministros do STM (Superior Tribunal Militar). Atualmente, o percentual é de 81%.

Para conseguir a correção, o militar da reserva, ativa, ou pensionista, precisa entrar com ação específica da área militar requerendo o reajuste em desfavor da União, por não haver aplicado a revisão geral do funcionalismo, conforme previa a Constituição de 1988, sobre o valor correto dos soldos. Um tenente da Aeronáutica, por exemplo, ganharia cerca de R$ 150 mil só de atrasados dos últimos cinco anos, prazo máximo de pagamento de retroativos pela União.

O ideal é que o interessado em mover uma ação procure um advogado particular, pois o processo vai tramitar mais rapidamente. Mas quem não tiver condições de pagar poderá ir à Defensoria Pública. Para aliviar os custos na primeira opção, o militar pode pedir isenção do pagamento das despesas iniciais do processo, que, nesses casos, correspondem a 2% do valor total da causa. “O juiz vai analisar o pedido, considerando não apenas a renda, mas também os gastos fixos do requerente, como despesas com a família e pagamento de parcelas de empréstimos consignados”, explicou o advogado Franklin Pereira da Silva, especialista em Direito Militar.

Ainda segundo ele, as chances de resultado favorável na ação são muito grandes, pois já há três decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinando que o governo pague o reajuste aos militares. As ações devem ser destinadas à Justiça Federal.

O processo terá como base as leis 7.923, de 1989, e 8.216, de 1991. A primeira revogou um trecho de uma outra lei, de 1972, que extinguiu a equivalência entre o soldo de almirante-de-esquadra e os vencimentos dos ministros do STM, porém assegurou a manutenção dessa equivalência, a qual retroagia a outubro de 1988, desde que respeitado o teto estabelecido na Constituição.

O reconhecimento da vigência dessa equivalência até janeiro de 1989 resultou em um parecer da Consultoria-Geral da República, reconhecendo que os militares recebiam seus soldos reajustados de acordo com sua orientação, que considerava um “soldo legal” (ultrapassava o limite constitucional) e um “soldo ajustado” (dentro do limite constitucional).

TODOS TÊM DIREITO

Militares novos e antigos de todas as patentes podem requerer na Justiça Federal o reajuste de 81%, relativo à isonomia dos soldos com os salários dos ministros do STM. “Mesmo quem não está nas Forças Armadas desde 1991, data de criação da lei, ou quem entrou no ano passado, por exemplo, pode recorrer, e terá direito ao aumento e aos retroativos de cinco anos”, afirmou o advogado Franklin Pereira de Silva. Ele disse ainda que não vale a pena ir aos Juizados de Pequenas Causas, já que ações desse tipo costumam ter valores superiores a 60 salários mínimos, limite máximo que os juizados pagam.

Não há prazo para entrar na Justiça, já que esse tipo de ação não prescreve. “A Justiça considera esses casos como uma relação continuada e que causa efeitos até hoje. Se os soldos atuais estão baixos, parte da responsabilidade é do não-cumprimento da lei, que será contestado na Justiça”, afirmou Franklin. No entanto, quanto antes o militar propor sua ação, mais rápido ele terá em mãos o dinheiro a que tem direito.

Para dar entrada na ação na Justiça Federal, o militar terá que apresentar duas cópias da carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e último contracheque.

‘Dia D’ em defesa de vencimentos maiores

Insatisfeita com os baixos salários e a demora na definição de um reajuste, a família militar fará manifestações hoje em todo o País, em protesto batizado de „Dia D. Os dois principais locais de mobilização serão Brasília e Rio. Na capital fluminense, a concentração será às 16h, em frente ao Comando Militar do Leste, no Centro, com possibilidade de caminhada até o 1º Distrito Naval.

Militares da reserva, pensionistas e familiares estão convocados para a manifestação, mas muitos da ativa vêm demonstrando interesse em marcar presença, ainda que isso traga o risco de punições. Segundo um capitão do Exército que está na coordenação do movimento, o protesto de hoje é “fruto de insatisfação geral”.

Ele afirmou que a situação da categoria chegou “no limite do suportável”. “Como todos estão descontentes, não há a disposição de punir os participantes, apesar de ainda não termos conseguido apoio mais efetivo das patentes mais altas das Forças”, disse o capitão.

Opção para os ativos é a doação de sangue

Há uma alternativa para os militares da ativa que quiserem marcar posição no protesto de hoje sem o risco de punições futuras. A coordenação do movimento está sugerindo doações de sangue no Hemorio ou no Inca, ambos no Centro da cidade.

Uma das reivindicações da manifestação será exatamente isonomia salarial com ministros do STM, como prevê a lei. “Um PM do Distrito Federal ganha quase o dobro do que um militar das Forças Armadas. Isso é um termômetro para vermos como o nosso salário é ruim”, afirmou o capitão do Exército.

A presidente da Unemfa (União Nacional de Esposas de Militares das Forças Armadas), Ivone Luzardo, disse que a orientação é que todos se mobilizem em frente aos Comandos Militares, com faixas e apitos, às 16h, para iniciar o protesto por melhores salários.