30 março 2008

Investigação diz que Colômbia lançou 10 bombas de alta tecnologia no Equador

No bombardeio, morreu o porta-voz internacional das Farc, Raúl Reyes

EFE

No ataque colombiano ao acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador, em 1º de março, foram utilizadas 10 bombas de alta tecnologia, segundo uma investigação da Força Aérea equatoriana, publicada hoje pelo jornal local El Comercio. Em 6 de março, especialistas em armas da Força Aérea equatoriana iniciaram uma perícia sobre o bombardeio em Angostura, onde estava o acampamento das Farc e onde morreu o porta-voz internacional da organização, Raúl Reyes, e mais de 20 guerrilheiros.

De acordo com o relatório dos peritos, foram utilizadas 10 bombas GBU 12 Paveway II de 227 kg, que deixaram crateras de 2,40 metros de diâmetro por 1,80 metro de profundidade, publicou o jornal equatoriano. O jornal ainda afirmou que, segundo as especificações do fabricante da bomba GBU 12, a Texas Instruments, o explosivo pode ser guiado por laser, GPS ou tecnologia intersensorial.

O relatório da FAE diz também que foram encontradas cápsulas de projéteis de calibre 0,50 no setor sul do acampamento, disparadas por metralhadoras de helicópteros que, segundo a Força Aérea equatoriana, fizeram a segurança dos soldados que realizaram a infiltração. As bombas utilizadas no ataque são do mesmo tipo que as usadas durante a operação americana Tempestade do Deserto, no Iraque.

De acordo com o relatório, a maioria das bombas caiu na área de dormitórios e de doutrinamento do acampamento, enquanto as zonas de lavanderia e de treinamento ficaram intactas. O Ministério da Defesa colombiano afirmou que a operação Fênix, como foi chamado o ataque à base das Farc em Angostura, usou aviões Super Tucano. No entanto, segundo a Otan, estes aparelhos não estão incluídos entre os que podem levar bombas GBU 12.

Em dezembro de 2006, a Colômbia comprou — como parte do processo de modernização de sua Força Aérea — 25 aviões Super Tucano fabricados pela brasileira Embraer.

De acordo com o relatório da Força Aérea equatoriana, o manual de fabricação dos aviões A-29B Super Tucano diz pode levar armas convencionais e inteligentes, como, por exemplo, o míssil Python III, a bomba guiada por laser Griffin ou toda a família de bombas MK 82. Além disso, os aviões podem também carregar metralhadoras de calibre 0,50 dentro das asas, assim como os aviões da Segunda Guerra Mundial.

A Força Aérea equatoriana também descartou de maneira definitiva que no ataque tenham sido usados aviões Kfir, e afirmou que continuará investigando para determinar que tipo de aeronave foi utilizado no ataque.

Inbra Apresenta Inédito Veículo Blindado Leve

DefesaNet

O Grupo Inbra apresenta em primeira mão durante a FIDAE 2008 – Feira Internacional Aeroespacial –, que acontece em Santiago, no Chile, entre os dias 31 de março e 06 de abril, o inédito VBL (veículo blindado leve multiuso), uma inovação tecnológica para o segmento de blindagem.

Os visitantes da FIDAE podem conferir no estande da empresa as primeiras fotos do primeiro veículo blindado leve do mundo que pesa sete toneladas e tem capacidade para transportar até oito passageiros, incluindo o motorista. A previsão é que esta novidade seja lançada no Brasil em julho deste ano.

O VBL é destinado para operações especiais das forças armadas ou polícias de âmbito federal, estadual ou municipal e recebeu investimento inicial de R$ 5,8 milhões. O produto possui diversas aplicações e pode ser destinado para missões de reconhecimento, ataque ou defesa. Seguindo as necessidades do cliente, o veículo pode ser equipado com as mais atuais versões e opções de artilharia como torreta projetada para girar 360° com armamento 0.50”, lançadores de granada e de fumaça e dispersor de tumulto com água.

Os outros destaques do Grupo Inbra durante a FIDAE 2008 são as portas blindadas para cockpit de aeronaves comerciais, a blindagem do modelo Super Tucano da Embraer e itens de proteção balística – como coletes femininos à prova de balas, escudos de proteção policial, capacetes à prova de balas e vidros blindados.

FIDAE 2008 - Mais uma edição da principal Feira de Aeronáutica da América Latina

DefesaNet

Mais de 118 aeronaves e 40.000 visitantes profissionais, de cerca de 40 e três países participarão da XV Feria Internacional del Aire y del Espacio (FIDAE 2008), que acontecerá de 31 de março a 6 de abril,na parte norte do Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez.

Os organizadores esperam atrair este ano cerca de 120.000 visitantes, batendo assim o recorde histórico de presença de público.

FIDAE 2008, a feira aeronáutica mais importante da América Latina, se converteu, desde o seu surgimento, em 1980, em um dinâmico centro de negócios congregando a numerosas delegações internacionais, que a cada dois anos acorrem para ver o melhor do mercado aeroespacial e de defesa.

A FIDAE mostrará os últimos avanços em aviação comercial, tecnologia do espaço, sistemas de defesa e de aviação militar, equipamentos e serviços aeroportuários, manutenção e “homeland security”.

Na mostra, mais de oitenta por cento dos expositores são estrangeiros, sendo relevante, em número, a presença de empresas provenientes dos Estados Unidos, Israel, Reino Unido, Alemanha, Espanha e República Checa, entre outras. Airbus, Eurocopter, EADS, Pratt and Whitney e Thales, além de outras empresas de renome, aproveitarão a FIDAE para apresentar suas últimas novidades.

Esta edição também se caracterizará pela presença de novos países expositores como Portugal, Marrocos, Venezuela, Paraguai e Servia.

Além de reunir um grande número de companhias estrangeiras, a Feira também servirá como vitrina para as aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que apresentará o Predator, (veículo aéreo não tripulado – VANT) que tem a maior quantidade de horas vôo da forças armadas americanas. A esta famosa aeronave não tripulada se juntarão, um C-130, um C-17, três F-15, três F-16-C e dois KC-135, entre outros modelos e dois B-1.

A Royal Air Force também estará presente com o E-3 Sentry, avião militar para tarefas de alerta.

Reconhecidas aeronaves da América Latina como o caça AMX da Embraer e a Esquadrilha da Fumaça, com os aviões T-27 Tucano da Força Aérea Brasileira, também estarão presentes durante a Feira.

Dentro da lista de aeronaves que representarão a Fuerza Aérea de Chile estão o Airbus A310, avião de transporte estratégico, que será utilizado como avião presidencial, o B-737-500, BE-200, C-212, E-300, KB-707 Águila, o F-16 B-50 e o F-5 T III. Também se apresentarão a Esquadrilha de Acrobacia "Halcones" com seus aviões Extra 300 L.

No que se refere à aviação comercial destaca-se a presença do Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo.

Na FIDAE 2008 também estarão presentes delegações nacionais do Exército, Armada, Carabineíros e a Policía de Investigações. Seus representantes estarão com os provenientes de Asmar, a Dirección General de Aeronáutica Civil (DGAC), FAMAE, ENAER e a Agência Chilena do Espaço, entre outras.

21 março 2008

Assinado acordo Gripen entre a Suécia e a Tailândia




Em uma cerimônia realizada dia 11 Fevereiro 2008, em Estocolmo, o Diretor Geral Gunnar Holmgren da FMV (Administração de Material de Defesa da Suécia) e o Marechal do Ar Chalit Pukbhasuk, Comandante em Chefe da Força Aérea Real da Tailândia (RTAF), assinaram um contrato, prevendo o fornecimento de seis caças multimisssão Gripen, na última versão, e um sistema de vigilância

Com este contrato, a RTAF poderá substituir sua antiga frota de caças F-5, no início de 2011. A RTAF receberá seis aeronaves multimissão Gripen, nas últimas versões C e D (quadro bipostos JAS 39 Gripen D e dois monopostos JAS 39 Gripen C), além de um sistema de vigilância Saab 340 Erieye e uma aeronave Saab 340 para treinamento e transporte.

O sistema Gripen, em conjunto com o sistema de vigilância Erieye, irá conferir à RTAF a capacidade solicitada para vigilância aérea e proteção do território tailandês.

Segundo o comentário feito pelo Diretor Geral da FMV, Gunnar Holmgren:

- Estamos, sem dúvida, muito satisfeitos com a escolha feita pela RTAF dos sistemas Gripen e Erieye, para atender às suas necessidades futuras. Como temos amplo conhecimento da capacidade destes sistemas, aqui na Suécia, estou convencido de que a RTAF também ficará satisfeita, quando iniciar as operações dos Gripens e do sistema Erieye.

O contrato também prevê abrangente suporte logístico e treinamento de pilotos e técnicos da RTAF, assim como simuladores. A Suécia também colocará à disposição da Tailândia, pilotos e técnicos da Força Aérea Sueca, como consultores, durante o período de introdução dos sistemas Gripen e Erieye na RTAF.

A entrega das aeronaves ocorrerá, no início de 2011. O treinamento, na Suécia, começará em 2009.

O valor total do contrato está avaliado em 19 bilhões Bahts. (Nota DEFESA@NET - em números aproximados cerca de U$ 550 milhões de dólares)

O Gordo na Antártida – A participação da FAB no PROANTAR



Reportagem: Kaiser Konrad
Enviado especial à Antártida

Todos os anos no inverno, o mar nas proximidades da Estação Antártica Comandante Ferraz está congelado, o que impede a navegação do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel. A solução para manter o apoio logístico e o reabastecimento da Estação é o lançamento de carga de pára-quedas pelos Hércules C-130H. Durante as Operações Antárticas estão previstos sete vôos de apoio. Já são 25 anos operando numa das regiões mais inóspitas do planeta, e o 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (1º/1º GT) é o único da Força Aérea Brasileira capaz de realizar esse tipo de missão.

Os vôos de apoio começam no Rio de Janeiro, onde são embarcados carga e pessoal, de acordo com a solicitação e planejamento da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM). Após 2h40min de vôo o avião chega a Pelotas-RS, onde são recebidos os trajes polares e os equipamentos necessários ao trabalho na neve mantidos pela Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). O próximo destino é a Base Aérea de Chabunco, na cidade chilena de Punta Arenas. São quase 6hs de vôo até a cidade peninsular mais austral do mundo. Um dia depois, completado o combustível, o avião parte à Antártida numa travessia que pode durar 3hs sobre o Estreito de Drake, o mar mais perigoso do mundo.

Os vôos antárticos dependem da meteorologia sobre a Base Aérea Presidente Eduardo Frei Montalva, na ilha 25 de Mayo. Antes de cada travessia, a tripulação recebe as últimas informações sobre as condições de vôo e a existência de janelas para pouso na base chilena. Mas o tempo na região - com ventos que ultrapassam os 100 km/h - pode mudar a qualquer momento e a tripulação e os passageiros devem estar preparados para isso. No final de janeiro, um grupo de treze parlamentares, assessores e oficiais-generais brasileiros ficou retido durante cinco dias no continente gelado.

Uma missão foi enviada a Frei, sobrevoou o local por mais de uma hora mas não conseguiu pousar, retornando ao Chile numa viagem que totalizou quase sete horas vôo. Nos dias seguintes, os pesquisadores brasileiros e integrantes do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro que deveriam ir à Antártida, aguardaram a abertura de uma janela para que o vôo pudesse ser realizado. Através do portal da Força Aérea Chilena, acessavam as imagens feitas pelas câmeras automáticas de Frei e pressionavam os militares da Marinha, dizendo: “o tempo está aberto, podemos ir”. Dois dias depois as câmeras foram desligadas. Foram pelo menos três oportunidades onde mais de 50 pessoas tiveram de ser mobilizadas e se deslocar à base aérea, sem conseguir decolar. Houve ainda o defeito numa das turbinas do Hércules, o que fez necessário sua substituição por outro que teve de ser trazido do Brasil.

Devido a uma pressão muito forte vinda de certos setores de Brasília, já que alguns parlamentares exigiram seu retorno imediato, uma nova missão foi organizada mesmo não havendo condições meteorológicas apropriadas, colocando em risco a tripulação e os passageiros. Com teto de vôo baixo, a aeronave da FAB comandada pelo Tenente-Coronel Martins navegou à baixa altura e conseguiu pousar, o que demonstrou o profissionalismo de sua tripulação e o alto nível de operacionalidade do Esquadrão Gordo, que reúne a elite do transporte da FAB.

DEFESA@NET, em sua quinta travessia antártica, mostra numa reportagem fotográfica e numa entrevista exclusiva com o Tenente Coronel Marcos Aurélio Santos Martins, comandante do 1º /1º Grupo de Transporte, Esquadrão Gordo, como é operar no continente antártico.

DEFESA@NET – Como é operar num ambiente tão hostil?

Ten Cel Martins - Existem dois fatores preponderantes. O primeiro deles é
a pista curta, suficiente para operação do Hércules, porém está no seu limite. Temos que ter cuidado na operação de pouso, aterrissar logo no início da pista e sermos rápidos na aplicação do reverso e dos freios para que possamos parar com segurança. No inverno, a pista está congelada o que requer maior atenção. Devemos ter um controle maior do solo auxiliado pelos motores, para que o avião mantenha sempre o centro da pista. O fator principal e mais importante para se operar na Antártida é a meteorologia. Ela é quem diz quando vamos decolar. No continente gelado as condições de tempo mudam muito rapidamente. Sua evolução é diferente da encontrada no Brasil, o que faz necessário uma formação específica do piloto para sua interpretação. É muito comum realizarmos a travessia antártica e não conseguirmos pousar na base chilena. Voamos com combustível que nos permite fazer uma espera e tentativa de pouso por até uma hora e retornar ao Chile com segurança caso não consigamos.

DEFESA@NET – Existe a possibilidade de se pousar em outra base na Antártida?

Ten-Cel Martins – Na Antártida não. Nós fechamos um acordo somente com os chilenos para pouso na Base Aérea Antártica Presidente Eduardo Frei Montalva, embora existam outras bases com pistas de pouso. Nosso desvio poderia ser feito à outra base somente em caso de emergência, quando não teríamos mais condições de continuar voando.

DEFESA@NET - Na aproximação final, existem procedimentos especiais?

Ten-Cel Martins – O procedimento de pouso na Antártida informado pelos chilenos não é tão preciso como o utilizado nos aeroportos brasileiros, nos deixando mais alto e dando uma visibilidade maior para que possamos efetuá-lo com segurança.

DEFESA@NET - Quais as maiores dificuldades enfrentadas durante o pouso?

Ten-Cel Martins - Sem dúvida é o vento cruzado, que atinge a lateral da aeronave e a força sair da reta da pista. E após o pouso no inverno, devido ao congelamento da pista, perdemos um pouco do controle da direção do avião no solo. Para corrigir isso, usamos o motor diferencial, ou seja, acelerar mais motor de um lado do que o outro. Muitos pilotos têm dificuldade de fazer esse procedimento.

DEFESA@NET - Existe uma preparação especial para voar na Antártida?

Ten-Cel Martins – Sim, não é qualquer piloto que pode fazer esses vôos. Ele deve ser membro efetivo do 1º/1º GT, onde já atua como instrutor e terá de ser aprovado num conselho interno, para depois fazer um curso especial com aulas teóricas e práticas seguindo uma ordem de instrução. O piloto deve realizar ao menos dois vôos no verão e um no inverno. Após aprovado numa nova avaliação é declarado Piloto Antártico.

DEFESA@NET - Qual a importância desses vôos para o Gordo e a FAB ?

Ten-Cel Martins - Ao esquadrão e seus pilotos, a capacidade de pousar numa pista curta e congelada, participando de uma missão na Antártida, o último continente a ser explorado. À Força Aérea Brasileira, é o apoio à comunidade e a pesquisa científica nacional, desenvolvendo projetos importantes ao País e ao mundo, pois sabemos que sem nossa participação seria muito mais restrita essa operação.

MiG nega problemas nos contratos com a Argélia


Max Delany

A empresa MiG negou na segunda-feira que a Argélia tenha questionado o contrato de fornecimento de aviões e ameaçado devolver 15 caças MiG29 por problemas técnicos.Os caças são parte de um negócio de mais de U$ 8 bilhões de dólares assinado pela Rússia e a Argélia em março de 2006, que serviu para saldar um débito de cerca de U$4,7 bilhões de dólares do tempo da União Soviética.

"O negócio não foi quebrado," afirmou um porta-voz da MiG. "Não comentamos em nenhuma hipótese os contratos em andamento."

Citando uma fonte da United Aircraft Corporation, o jornal Kommersant, relatou segunda-feira que a Força Aérea da Argélia tinha decidido, na semana passada, devolver os aviões.

O negócio pela parte da Rússia, incluiu : a estatal Rosoboronexport, o Federal Service for Military and Technical Cooperation e a Corporação MiG.

Se confirmado, a devolução dos jatos seria a primeira vez que equipamentos militares tenham retornado ao país devido a problemas de qualidade. O assunto veio à tona devido a visita do presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, que chegou na segunda-feira para uma visita de dois dias à Moscou. Foi agendado uma reunião do presidente argelino com o presidente Vladimir Putin para terça-feira.

O escritório de imprensa do Kremlin e o ministro do exterior da Argélia não quiseram comentar o assunto e o que seria discutido na reunião, mas uma fonte da indústria disse à Agência Interfax que Bouteflika discutiria o assunto dos aviões durante sua visita.

Os 15 caças MiG-29 foram os primeiros aviões de um lote de 36 comprados pela Argélia em um valor estimado de aproximadamente U$1,5 bilhão de dólares.

A Argélia cancelou o recebimento dos caças MiG no ano passado, depois que foram identificados os desacordos sobre o contrato assinado em 2006, afirmou o jornal Kommersant na semana passada.

Em março, Bouteflika enviou emitiu uma mensagem a Putin exigindo que a Rússia resolvesse os problemas com os MiGs, relatou o Kommersant.

Embora as conversas durem já diversos meses, nenhum acordo para retornar os jatos foi assinado, afirmou a Interfax na segunda-feira, citando uma outra fonte da indústria.

Um porta-voz da UAC, na segunda-feira, recusou-se a confirmar se todo o acordo tinha sido ameaçado, afirmando que o assunto não estava em sua alçada. A companhia MiG foi absorvida e integrada dentro da organização estatal UAC que terá todas as indústrias aeronáuticas sobre um único guarda-chuva.

O porta-voz do “Federal Service for Military and Technical Cooperation” recusou-se a comentar antes da reunião entre os presidentes ter ocorrido . A Rosoboronexport também negou-se a comentar.

Os MiG-29 poderiam ser trocados por caças MiG-35 mais modernos ou pelos jatos da Sukhoi, afirmou o Kommersant citando uma fonte da UAC. Como a parte do negócio, de março de 2006, a Argélia concordou comprar 28 caças Su-30, informou o Kommersant.

Um porta-voz da Sukhoi recusou-se a comentar se os números do contrato poderiam ser alterados.

Analistas questionam os problemas técnicos mencionados pela Argélia, entretanto, estes movimentos podem ser o resultado de agressivas ações comerciais de outros competidores estrangeiros, incluindo a França e a China.

A Argélia pode ter encontrado um negócio melhor em outra parte ou pode estar procurando por um caça russo mais moderno, disse Andrew Brooke, um analista no Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.

Quando a indústria bélica da Rússia não puder oferecer descontos, a China estará disposta a entrar no valioso mercado do norte da África, afirmou Brooke.

Governo solicitará mais 100 militares para executar obras civis no Haiti



José Romildo

O governo vai propor ao Congresso Nacional o envio de mais 100 homens para reforçar o Batalhão de Engenharia do Exército brasileiro presente no Haiti. Foi o que disse hoje (19/02) o ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante apresentação dos oficiais que irão assumir, em 5 de junho de 2008, postos de comando no 9º. Contingente Militar do Brasil naquele país. Caso o Congresso aprove o reforço, o contingente brasileiro passará a contar com 1.300 homens.

A medida, segundo o ministro, atende a solicitação da Organização das Nações Unidas (ONU). “Os militares vão desenvolver trabalhos de infra-estrutura, porque a tropa de engenharia do Brasil é uma das melhores do mundo, uma das poucas que têm expertise (especialização) em trabalhos de engenharia civil”, disse Jobim.

De acordo com Jobim, a maior parte dos batalhões de engenharia, em todo o mundo, operam como batalhões de engenharia de guerra, não propriamente em construções de obras civis. A apresentação dos futuros comandantes de tropas no Haiti ao ministro da Defesa constitui um elemento importante do cerimonial militar, segundo explicou o subchefe de Logística do Estado-Maior do Ministério da Defesa, General-de-Brigada Jorge Alberto Duardes Boabaid.

“A apresentação caracteriza a subordinação da tropa, que está fora, ao ministro da Defesa. Por lei, quando estamos em guerra, a tropa é subordinada ao presidente da República, que é o comandante supremo, mas quando estamos em exercício, operações combinadas, por exemplo, ou estamos em operações de paz, como é o caso, a subordinação é ao ministro da Defesa”, acrescentou.
Ele lembrou que, em relação ao Haiti, dois contingentes militares são enviados anualmente para aquele país. Em 27 de maio de 2008, os integrantes do 8º. Contingente começam a retornar ao Brasil, enquanto outros militares, que irão integrar o 9º. Contingente, viajam ao território haitiano. Esse processo de ida e vinda encerra-se em 7 de junho. No total, são trocados 1.200 homens – 1.050 do batalhão, incluindo o pessoal do grupamento operativo -, e 150 da companhia de engenharia.

A apresentação ao ministro da Defesa não constituiu evento isolado dos futuros comandantes de tropas brasileiras no Haiti. Eles também discutiram, em reunião que se realizou hoje, e prosseguirá até quinta-feira (21/02), no Ministério da Defesa, assuntos de logística e de inteligência ligados à presença de militares naquele país. Ouviram também relatos de militares que participaram das operações do 8º. Contingente. E, dentro da programação, estão previstas palestras sobre direito humanitário e objetivos da política externa brasileira.

Forças Armadas alugam terrenos seus?


Pedro do Couto

Francamente, foi com espanto que li na "Folha de S. Paulo" de 28 de janeiro, reportagem de Fábio Zanini revelando que as Forças Armadas, principalmente o Exército, resolveram alugar terrenos urbanos e rurais de sua propriedade a terceiros, empresários particulares, portanto, para melhorar a receita. A locação inclui arrendamento até para pastagens de gado. Em outros casos, os comandos militares liberam a colocação de propaganda em outdoors nas suas dependências. É um absurdo que isso aconteça.

Fábio Zanini acentua que, segundo informações que colheu, esses aluguéis, incluindo próprios da Marinha e da Aeronáutica, podem proporcionar uma arrecadação em torno de aproximadamente 40 milhões de reais. Por ano. O que significa este montante diante do orçamento de 2007 consignado para o Ministério da Defesa? Quase nada. O orçamento foi de 40,3 bilhões de reais para as três forças.

Quem tiver dúvida quanto ao montante das verbas orçamentárias, leia na página 117 do Diário Oficial da União de 27 de dezembro do ano passado. O que parece muito à primeira vista, em diversas situações desaparece no contexto global. Veja-se, por exemplo, o programa de investimentos federais para este ano: em torno de 60 bilhões de reais. Sabem os leitores que percentual é este? Somente 4 por cento do total da lei de meios. Muito pouco.

Na mesma edição da "Folha de S. Paulo", a jornalista Eliane Catanhede informa que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está negociando a aquisição, na França, de um submarino nuclear por 600 milhões de dólares. Quinze vezes mais do que a receita com o aluguel de próprios públicos militares.

Porém o problema não é só de impropriedade de preço, é de impropriedade de princípios. Não tem cabimento Exército, Marinha e Aeronáutica locarem áreas que lhes pertencem. Inclusive porque as locações, é inevitável, vão fazer com que civis transitem por unidades militares.

Há problemas de segurança nítidos. De diversos tipos, principalmente na época de hoje nos centros urbanos. Mas a questão não termina aí. É que não é atividade precípua das Forças Armadas a locação de espaços. As atividades essenciais das três forças são outras, muito diferentes. Há toda uma história envolvendo o Exército, Marinha e Aeronáutica, glórias do País.

Agora mesmo, há poucos dias, realizou-se no Palácio Itamarati, no Rio, com a presença do presidente Lula, homenagem às vítimas da Segunda Guerra Mundial pela passagem da libertação do campo de extermínio de Auschwitz. Estavam presentes heróis militares daquele tempo e dos combates na Itália, entre eles o brigadeiro e hoje jornalista, conselheiro da ABI, Rui Moreira Lima. No passado, seria absolutamente impensável que unidades militares pudessem ser alugadas para complementar receitas, além do mais de forma mínima e inexpressiva. As Forças Armadas, a partir do governo FHC, entraram num processo de injusto e inadmissível declínio. Os cortes de verbas foram se sucedendo.

Hoje, quartéis adotam regime de meio expediente por medida de economia.

E ainda querem que o Exército patrulhe as fronteiras terrestres impedindo a penetração de traficantes de armas e drogas em nosso território. Não há infelizmente efetivo para isso. As Forças Armadas, de outro lado, devem situar-se em plano muito acima da atividade locadora de espaços publicitários ou mercantis. Não foram criadas para isso, possuem outros princípios e outros deveres dignificantes.

Não é sua atribuição discutir contratos comerciais. Elas têm uma bela história atrás de si, passando pela Independência, pelo fim da escravidão, pela proclamação da República, pela redemocratização de 45. Existem para garantir a segurança nacional tanto externa quanto internamente.

Objetivos comerciais se enfraquecem.

O ministro Nelson Jobim, da Defesa, portanto comandante das três forças, deve se dirigir ao presidente Lula e colocar o problema das verbas para as unidades militares. Até porque as forças militares têm obrigações - claro - militares, não civis. Locar imóveis é uma atribuição civil.

O problema das fronteiras é um desafio militar muito grande. Estratégico. Não é algo simples.

Exige pesquisa, logística, mobilização, treinamento, percepção ampla e geral. Alugar imóveis desloca todos esses pensamentos fundamentais para segundo plano. O Exército não é uma empresa comercial ou industrial. Seu objetivo não pode ser obter rentabilidade financeira de seus ativos. Ao contrário. Tem que pairar acima de tal questão. Para isso, necessita de mais verbas.

Afinal de contas, obrigações de que os militares estão investidos custam muito mais. O segmento militar, inclusive, não pode ser estático, parar no tempo. Usar carros de combate, como já se escreveu, da Segunda Guerra Mundial, utilizados por Montgomery ao derrotar Rommel no deserto do Egito. Tem que se modernizar. Tem que se ajustar a seu tempo. O tempo de hoje.

10 março 2008

Líbia vai às compras

Sistema de Armas

A Líbia pretende comprar US$ 4,5 bilhões em armas da França. A compra inclui até 14 caças Rafale armados com mísseis MICA, 35 helicópteros sendo 10 Tiger, 15 EC725 Caracal e 10 AS550, Fennec, obuseiros Caesar 155mm, 60 blindados VAB, 13 blindados Sagaie e 25 blindados VBL, radares defesa aérea e a modernização de oito caças Mirage F-1AD/ED.

O novo carro de combate russo

Sistema de Armas

O T-95 deve ser o novo carro de combate russo entrando em operação em 2010. O T-95 é baseado em um blindado com novo motor e novo armamento. O armamento está baseado em uma torre sem tripulantes com operação remota, carregamento automático e sensores em pedestal. Entre os concorrentes estão o Object 775 da Ural com cerca de 50 toneladas, canhão de 135mm ou 152mm e três tripulantes. Outro projeto é o object 640 ou "Black Eagle" da Omsk. Outro blindado que está entrando em operação é o Tank Support Vehicle ou BMPT, também chamado de Terminator. A O BMPT é resultado das lições do conflito na Chechênia sendo baseado em um T-72 com nova torreta com canhão de 30mm, metralhadoras e quatro mísseis anti-carro. A produção deve iniciar em 2008.

Wildcat, um blindado para o USMC

Sistema de Armas

A IMI mostrou seu novo veiculo blindado Wildcat de prova de conceito de blindado de operações urbanas. O veiculo é baseado no chassi do caminhão Tatra 4x4. O blindado tem proteção nível 3 básico e já está preparado para receber blindagem adicional. O blindado usa um motor diesel 321 HP EPA 2004 com cambio de seis marchas. Tem peso máximo de 15 toneladas e alcance de 700 km em estrada. O blindado irá constituir uma família de blindados desde transporte de 8 soldados e 3 tripulantes, além de patrulha, reconhecimento, C2, apoio, ambulância e apoio logístico. O veículo tem acessos múltiplos nos lado, atrás no teto. As dimensões permitem que seja transportado por um C-130. O Wildcat deve ser testado em 2008 pelo USMC e foi projetado desde o inicio para preencher as especificações do USMC.

C-27 armado

Sistema de Armas

A USAF está seriamente pensando em converter a aeronave JCA (C-27 Spartan) para uma versão artilhada armada com um canhão de 30mm instalado no compartimento de carga. O JCA poderá operar em zonas de combate avançadas que não comportam aeronaves maiores como o AC-130.

P700 Granite (SS-N-19 Shipwreck)



Desenvolvido a partir de 1980, o míssil P-700 é uma modernização do míssil P-500 (designação NATO SS-N-12). Como o P-500, trata.se de um míssil de médio alcance que tanto pode ser lançado de navios de superfície como de submarinos.

Os mísseis são lançados na marinha russa, tanto de sistemas convencionais de tubos colocados na horizontal, como de sistemas de lançamento vertical VLS.

Os SS-N-19 utilizados a bordo dos cruzadores da classe Kirov são especifcos deste tipo de navio.

Neste último caso os mísseis são lançados em salvas de 20 mísseis. Destes 20, um deles, assume-se como «míssil chefe» e voará a maior altitude (100m) utilizando o seu radar para detectar os alvos, enquanto que os restantes 19, voarão a rasar as ondas, recebendo informação do missil chefe, sobre a posição dos alvos e ao mesmo tempo reduzindo as possibilidades de serem detectados.

Se o «missil chefe» for destruido ou se avariar, automaticamente outro dos restantes 19 assume a posição de comando.

Bye Bye, Nighthawk

Começa a desactivação do F-117A



A frota de cinquenta e cinco caças-bombardeiros «invisíveis» Lockeed F-117A da Força Aérea dos EUA, começou nesta Quinta-feira a ser desactivada, com a retirada das primeiras seis unidades do avião, de uma base no estado do Novo México.

O ciclo de vida do F-11tA, foi notavelmente curto. A decisão de construir o F-117 foi tomada em 1978, e a primeira unidade da aeronave foi entregue em 1982.

O F-117A, foi mantido em absoluto segredo durante seis anos, entre 1982 e 1988, altura em que finalmente foi revelada a sua existência. E a última unidade foi entregue à Força Aérea dos Estados Unidos apenas em 1990, tendo a última das quase sessenta unidades sido entregue em 1992.

O F-117, é também uma vítima dos avanços tecnológicos que o tornaram um avião único na história da aviação. Os desenvolvimentos na tecnologia que permite reduzir a «assinatura» destes aviões perante os radares foram enormes nos últimos dez anos, e evidentes quando o bombardeiro B-2 começou a voar. O B-2, é muito maior que o F-117, mas tem uma «assinatura» bastante mais pequena.

Utilizando os desenvolvimentos disponíveis com o B-2, o novo F-22 Raptor, é mais eficiente perante os radares adversários, e tem uma capacidade de transportar armas maior, além de não ter as limitações do F-117, como velocidade subsónica ou incapacidade de utilizar radares para guiar armas.

A obsolescência do «Nighthawk» é paradigmática, e ao mesmo tempo demonstrativa da separação que existe neste momento entre as aeronaves Stealth norte-americanas e praticamente todas as restantes aeronaves de combate existentes no mundo.

Invisível ?

As limitações do F-117 tornaram-se mais evidentes, quando no conflito na antiga Iugoslávia, um F-117 foi abatido por uma bateria de mísseis anti-aéreos da Sérvia, equipada com armamentos relativamente obsoletos.

Mais tarde, um inquérito revelou que o F-117 voava contra normas de segurança e sem cumprir regras estabelecidas pelo fabricante quanto a distância em relação ao solo, o que demonstrou que o fabricante conhecia os «pontos fracos» da aeronave.

O F-117 foi abatido porque foi identificado à vista desarmada, num sector onde a sua identificação era fácil, e a sua presença esperada, por causa de informações obtidas a partir da base de origem do avião. Após ter sido identificado, o F-117 foi alvo fácil de mísseis antiaéreos com capacidade para serem guiados por uma câmara de TV, como é o caso do míssil SA-3, e que depois de estarem próximo, podem seguir as fontes de calor do alvo.

Já antes, durante a guerra do golfo, o avião também não era completamente invisível, mas como os iraquianos não sabiam como identificar os sinais que captavam nos seus radares eles não tomaram acções para os atacar, e quando perceberam o erro, era demasiado tarde para o remediar.

De qualquer forma, independentemente do facto de uma unidade ter sido perdida, os ganhos tácticos que o F-117 permitiu durante os conflitos em que esteve envolvido - onde o factor psicológico não foi sem dúvida o menos importante – ele é digno de passar à história como uma das mais importantes aeronaves na História da Aviação.

Embora seja retirado de serviço, o F-117A continua a ter muitas das suas características objecto de classificação de segurança, pelo que ele não será armazenado junto com outros aviões, sendo colocado numa área reservada, no deserto. Como acontece com outras aeronaves, ele poderá ser reactivado em caso de necessidade.

Airbus ganha contrato milionário nos E.U.A.

A330 será base para nova linha de aviões-tanque



O secretário da Força Aérea anunciou a muito esperada decisão de escolha de uma nova aeronave para reabastecimento aéreo para substituir os actuais Boeing-707 e Douglas DC-10 convertidos para aeronaves-tanque que presentemente estão ao serviço.

O contrato para o fornecimento do novo KC-45 - um Airbus A330 modificado - foi atribuído Northrop-Grumman que se associou à empresa europeia EADS, fabricante do A330.

Embora a escolha do Airbus represente uma encomenda para apenas quatro aeronaves, o contrato prevê a aquisição de 64 unidades, num programa que deverá chegar até 179 aviões e que se prolongado pode atingir até seis centenas.

Se não houver entraves, os primeiros A-330 na sua versão de avião tanque norte-americana KC-45 deverão começar a ser entregues em 2013.

O Airbus A330, dá à força aérea dos Estados Unidos capacidades acrescidas, pois possui uma muito maior capacidade de transporte de combustível que os seus antecessores. Ele tem capacidade para abastecer simultaneamente até duas aeronaves, e pode ele próprio ser reabastecido em voo por outras aeronaves do mesmo tipo.

O KC-45, designação norte-americana para o aparelho, estará equipado com sistemas passivos de defesa, que vão permitir ao avião operar em áreas onde até ao momento não é possível operar. Entre esses sistemas estarão «engodos» destinados a enganar mísseis anti-aéreos.

A tentativa de vender aeronaves da Airbus às forçar armadas dos Estados Unidos, foi uma batalha que inicialmente parecia perdida, pois normalmente a preferência também se joga no campo político, com pressões no senado e na câmara dos representantes por parte de deputados e senadores que querem garantir encomendas para as empresas que têm fábricas nos seus respectivos estados.

A Boeing apresentou na sua proposta uma versão militarizada do seu modelo Boeing 767, mas a empresa viu-se envolvida em várias questões sobre o preço exagerado das aeronaves, o que permitiu encarar a possibilidade de aquisição à Airbus com mais à-vontade.

Quando a Airbus se propôs montar grande parte dos A330 nos Estados Unidos em cooperação com a Northrop-Grumman, o argumento da compra ao estrangeiro deixou de pesar da mesma forma e as coisas começaram a correr mal para a Boeing.

E correram ainda pior, quando a análise técnica efectuada pelos norte-americanos, que determinava cinco grandes grupos de quesitos que os aviões deveriam cumprir revelou que o avião europeu ganhava em quatro dos cinco grupos de quesitos, afastando o Boeing 767 da concorrência.

Na realidade, grande parte do novo avião da USAF, será fabricado nos Estados Unidos, pois tanto motores como outros sistemas de navegação serão de origem norte-americana.

Com este negócio não só os A-330 na versão militar vão ser fabricados nos Estados Unidos pois a Airbus vai deslocalizar a sua produção do modelo A-330 de carga totalmente para território norte-americano, pretendendo assim reduzir os seus custos que estão estratosféricos numa Europa onde a sobrevalorização do Euro condicionam os preços de exportação.

Não deixa no entanto de ser verdade é uma das poucas vezes em que um equipamento significativo das forças armadas norte-americanas será de uma marca estrangeira, e ainda mais num campo onde desde a II guerra mundial, os Estados Unidos reinaram com total supremacia.

08 março 2008

Brasil tem de construir seus navios de guerra e submarinos


Sergio Barreto Motta

O Brasil de Lula tem mantido uma política ambígua na área militar. Critica os Estados Unidos e anuncia projetos com França, China e Rússia, mas acaba de assinar vultoso contrato com os Estados Unidos. A Marinha do Brasil vai pagar US$ 35,2 milhões para modernização de submarinos da classe Tupi, dotando-os de Sistema Integrado de Combate (ICS, em inglês), através da Lockheed Martins Maritime Systems and Sensors, com conclusão em 2011.

Especialistas do setor dizem à coluna que nenhum país cede tecnologia militar. A diferença é que os Estados Unidos deixam bem claro que só vendem pacotes fechados, enquanto os demais fingem que são parceiros, companheiros sedentos por dividir tecnologia, mas, na hora h, fazem igual a Washington. Uma fonte comenta que a China comprou submarinos russos e hoje mal consegue colocá-los na água, diante da dificuldade para saber consertá-los e adaptá-los.

Nas bases da Marinha, já há descrença quanto à transferência de tecnologia para que o Brasil projete e construa um submarino nuclear. Alguns oficiais afirmam que o Brasil já poderia estar muito à frente em termos tecnológicos, se alguns dirigentes da força armada não houvessem enveredado por campanha destrutiva, que acabou prejudicando o projeto. Todos acham que o submarino nuclear está cada vez mais frio. Se houver uma surpresa, deverão ser usadas as instalações do Arsenal de Marinha, que terá de sofrer adaptações e superar a beligerância dos ambientalistas.

Sobre isso, diz um oficial da reserva à coluna:

- O Brasil teve tudo nas mãos, na década de 80, após comprar o projeto alemão, a peso de ouro, mas não evoluiu a construção de um casco nuclear. Hoje, essa tecnologia está perdida, com a dispersão, aposentadoria da mão de obra sem transmissão de conhecimentos aos mais jovens. Os contigenciamentos no orçamento fizeram com que o programa nacional ficasse praticamente estagnado, levando à perda da mão-de-obra.

Segundo outra fonte, apesar da forte influência da indústria francesa no Brasil, os melhores submarinos - convencionais - são alemães. Os alemães jamais anunciaram projeto nuclear de submarino, mas são especialistas em reatores nucleares.

Sobre a oferta ao Brasil de navios de guerra e até porta-aviões, de origem francesa, lembram fontes da coluna que o Brasil já projetou e construiu muitos navios e que grande destaque foi o projeto, comprado na Inglaterra, das fragatas da classe Niterói. Daí, derivou-se o projeto do Navio Escola Brasil, evoluído no país. É de se lamentar o abandono do Centro de Projetos de Navios da Marinha. A força armada pagou US$ 20 milhões pelo projeto de um navio-patrulha ao estaleiro francês CMN Cherbourg, em construção no Inace, do Ceará, mas o projeto parece ser ultrapassado. Apesar disso, as autoridades pretendem construir navios maiores. Talvez melhor para o Brasil fosse a opção de um navio oceânico, de 1.800 toneladas, que Chile e Argentina estão construindo, após pagamento de apenas 3 milhões de euros à alemã Fassener.

Diversas fontes militares também se questionam sobre o abandono do desenvolvimento nacional do Sistema de Comando e Direção de Tiro para Submarinos. A Marinha chegou a pagar R$ 10 milhões a uma empresa chamada IES Integração de Sistemas e o contrato foi encerrado sem que se obtivesse qualquer resultado. Em seguida, comprou-se sistema na americana Lockheed Martin. O Trabalho de desenvolvimento do sistema estava indo muito bem mas o contrato foi encerrado sem explicações.

Embora se diga que o orçamento da União impede o desenvolvimento da Marinha, fontes declaram que, mediante pressão firme, haveria condições de manter recursos no orçamento e não bater de frente com a lei de concorrências, a 8666/93, pela simples contratação de serviço técnico especializado de natureza singular - como em geral são os programas militares. No entanto, é necessário que os comandantes da Marinha e das outras armas comprem a briga com autoridades superiores - o que tem sido difícil. A Advocacia Geral de União e o Tribunal de Contas, por desconhecimento dos princípios militares, criam dificuldades que os comandantes militares preferem não enfrentar.

No final de 2005, foi introduzido no art.24 - dispensa de licitação- da lei 8666, o inciso XXVII que dispensa a licitação "para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no país, que envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de comissão especialmente designada pela autoridade máxima do órgão". Essa abertura não tem sido usada com competência pelos militares.

Proteção a plataformas

Por fim, fontes militares afirmam que os comandantes - principalmente da Marinha, devido à riqueza do mar - precisam se impor, para que o Brasil não apenas possa proteger seu território como vigiar as plataformas de petróleo - hoje elas são centenas e sua fiscalização é feita praticamente por amostragem, de forma muito tênue. Segundo essas fontes, o Brasil pode construir e armar navios-patrulha para cuidar da costa. O que falta não é dinheiro nem tecnologia- a produção no Brasil poderia custar 1/3 dos produtos importados - mas vontade política, pois as autoridades militares andam muito acomodadas. E, no caso de itens importados, os estrangeiros podem cortar a manutenção - e o caminho das pedras tecnológico - da noite para o dia.

Com a criação do Ministério da Defesa, os militares perderam aceso direto à Presidência da República. Foi preciso eclodir a crise aérea, com o motim dos controladores, para que todos se alertassem para o buraco em que estava sendo colocada a capacidade de manter a soberania, resultando em todos estes movimentos de reaparelhamento. Alguns especialistas alertam para o fato de que, apesar de se falar em conteúdo nacional, há muitos "acordos de cooperação" sendo feitos com países grandes, que correm o risco de não resultar em transferência de tecnologia, mas em novas dependências.

O Brasil necessita de uma Marinha polivalente, capaz de atuar em toda a extensão do Atlântico Sul. Os meios flutuantes, aéreos e de fuzileiros navais - que completam 200 anos dia 7 de março - devem ser adequados. O Brasil tem de proteger a Amazônia Azul - que é o mar com suas riquezas, mas faltam verbas e, principalmente, vontade política.

Aço da Ucrânia

O primeiro carregamento de aço comprado pela Transpetro para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) virá direto da Ucrânia para o porto de Suape (PE). A estatal fechou o negócio esta semana e trará carga de 18 mil toneladas para que o estaleiro processe aço a partir de julho. Não dá para entender. É como se o Brasil comprasse café ou soja do Paraguai. Como grande exportador de aço, o Brasil deveria suprir suas indústrias e não deixar que elas importassem.

A estatal tem plano de construir 46 navios e espera-se que, pelo menos parte deles seja feita com aço nacional. Afinal, o Brasil é líder em exploração de minério de ferro e grande produtor de aço.

Corpo de Fuzileiros Navais completa 200 anos em março



Originário da Brigada Real da Marinha, unidade de Soldados Marinheiros criada em Portugal, por alvará da Rainha D. Maria I, em 1797, o Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil (CFN) comemora 200 anos de sua criação em março.

Logo após sua chegada ao Brasil, o Príncipe Regente D. João, em represália à invasão de Portugal pelas tropas do General Junot, determinou a tomada de Caiena na Guiana ocupada por franceses, a qual, após intensos combates, rendeu-se a quatorze de janeiro de 1809. Esse episódio histórico foi o batismo de fogo dos Fuzileiros Navais. Mais tarde, nas guerras de Independência, na região do Rio da Prata e no Paraguai, destacaram-se em diversas ações bélicas, particularmente na Batalha do Riachuelo e na Passagem de Humaitá.

Hoje, o CFN é constituído por cerca de quinze mil militares. No contexto da estratégia naval é empregado na projeção de força bélica sobre determinado território. Para tanto, a tropa deixa os navios empregando veículos especiais para operações de desembarque, carros anfíbios ou helicópteros, com apoio de fogo naval e aeronaval, promovendo o combate em terra, em seus próprios meios, que incluem blindados, artilharia de campanha, artilharia antiaérea, engenharia de combate e equipamentos de comunicação e de guerra eletrônica.

Os Fuzileiros Navais podem ser empregados em diversas ocasiões que demandem pronta ação, como o controle de momentos de crise e missões humanitárias e de paz. Como exemplo, destaca-se a atuação de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais, com 230 militares, na atual Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH).

Entre as instituições mais tradicionais do País, o CFN é reconhecido por seu uniforme vermelho garança, usado em datas especiais, e o característico gorro de fita, além de suas bandas Marcial e Sinfônica.

Saiba mais sobre o Corpo de Fuzileiros Navais em http://www.mar.mil.br/cgcfn

Rússia ofereceu parceria estratégica

Ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, revela ao Correio ter recebido proposta de acordo de alto nível, que prevê comunicação direta e permanente com o Conselho de Segurança do Kremlin

Claudio Dantas Sequeira

Moscou ofereceu ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, uma parceria entre sua pasta e o Conselho de Segurança russo — máxima instância do Kremlin. Mangabeira revelou ao Correio que o documento com o acordo bilateral de alto nível lhe foi entregue durante recente viagem à Rússia. Ou seja: o resultado mais concreto da visita do início de fevereiro permaneceu em sigilo por quase um mês. Nem o presidente Lula sabia, já que ele e Mangabeira não tiveram chance de se encontrar nas últimas semanas, por problemas de agenda. Ontem, ele finalmente apresentou a proposta a Lula, que a aprovou de imediato.

O texto do acordo prevê a comunicação direta e permanente entre Mangabeira e o secretário do Conselho de Segurança do Kremlin, cargo ocupado por Vladimir Putin até 2000. Igor Ivanov o substituiu interinamente, e funcionários do governo acreditam que Putin reassumirá o posto ao deixar a presidência. A parceria entre autoridades de primeiro escalão é inédita, e concede à pasta de Mangabeira status superior ao dos demais ministérios, ao menos do ponto de vista externo. A virtual projeção de poder não ilude Mangabeira. “Esse acordo não substitui a comissão técnica Brasil-Rússia, é complementar”, afirmou. Para ele, a oferta russa demonstra o potencial da relação.

“É um claro sinal de vontade política. Caberá a nós preencher esse espaço de idéias”, avisou. O ministro comentou com a reportagem que uma delegação russa deve vir a Brasília ainda no primeiro semestre do ano. Na mesa de negociações, ganha força a colaboração nos planos civil e militar.

Na área de defesa, está “o desenvolvimento de um protótipo de um caça de 5ª geração”, o chamado PAK-FA T-50. “Teremos muito a ganhar em termos de capacitação e aprendizagem”, disse. Mangabeira também cita a cooperação espacial para veículos lançadores e na operação de satélites geoestacionários. “São as áreas mais promissoras”, acredita. Ele destaca ainda a parceria num novo modelo de ensino médio, transferência de tecnologia não-controlada para pequenas empresas e projetos de geração hidrelétrica.

Na Rússia, Mangabeira se reuniu com assessores do presidente eleito Dmitri Medvedev, até então diretor do Projeto Nacional de Desenvolvimento, uma espécie de PAC russo.

Venezuela

Em meio à crise entre Colômbia, Equador e Venezuela por conta das Farc, Mangabeira desembarca hoje em Caracas para uma visita de dois dias. Ele vai discutir o “projeto alternativo de desenvolvimento”. Terá encontros com os ministros venezuelanos de Educação Básica e Superior; com o responsável pela pasta do Planejamento, e será recebido por Hugo Chávez. “Esse modelo deve ser o coração da União Sul-americana”, arrisca.

O ministro acredita num debate de alto nível, e aproveitará a reunião com Chávez para reduzir a tensão regional — a pedido de Lula. Ele leva consigo o exemplo da União Européia. “A UE foi erguida sobre dois marcos: a paz perpétua, para encerrar um século de guerras, e um modelo alternativo de desenvolvimento, a social-democracia, que apesar dos defeitos segue válida”.

Forças Armadas ocupam favelas para visita de Lula

Menina morta em tiroteio será homenageada na Rocinha



Marco Antônio Martins* e Vera Araújo

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República mobilizou um forte esquema com as Forças Armadas e atiradores de elite para a visita ao Alemão, à Rocinha e a Manguinhos, onde o presidente Lula lançará as obras do PAC. As ruas dos três complexos estarão ocupadas pelo Exército e pela Marinha. Todas as pessoas que não estiverem credenciadas serão revistadas no perímetro de segurança montado. Os acessos a esses perímetros ficará sob responsabilidade da PM e de homens da Força Nacional. As áreas próximas aos palanques onde estarão o presidente e outras autoridades serão patrulhadas por militares. O plano é que a ocupação dos militares seja mantida até horas depois da partida de Lula. A partir daí, a segurança fica por conta da PM e da Força Nacional.

Durante a festa para Lula na Rocinha, crianças vão homenagear a menina Ágatha Marques dos Santos, de 11 anos, morta há duas semanas durante operação da Polícia Civil.

Daqui a 20 dias, quando se intensificarem as obras do PAC, o Complexo do Alemão voltará a ser tomado pelas forças de segurança: polícias Civil e Militar do estado e a Força Nacional. Segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o objetivo é garantir a execução das obras.

Beltrame afirmou ontem que os bandidos estão deixando o complexo:

- Já temos dados da nossa Subsecretaria de Inteligência de que parte do tráfico deixou o Alemão. Sabemos para onde foram e monitoramos suas ações, porém não podemos revelar os locais.

O subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, Roberto Sá, informou que todo o planejamento da ação está sendo discutido com a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

- A PM fará o trabalho de prevenção no Alemão, enquanto a Polícia Civil cuidará da busca de criminosos com mandados. A Força Nacional será responsável pela contenção - explicou Sá.

Assessor especial do Ministério da Justiça, Zaqueu Teixeira garantiu que os R$55 milhões para a compra de equipamentos de segurança já foram aprovados.

* Do Extra

05 março 2008

É muito querosene para apagar o fogo


Leandro Mazzini

Os militares brasileiros entraram ontem de sobreaviso em todo o país, informou uma fonte do Exército. Mas a cúpula das Forças Armadas está é furiosa com as trapalhadas dos porta-vozes do país nesta questão do Equador com a Colômbia. Por um motivo óbvio para quem entende de estratégia militar: a partir do momento em que o presidente Lula e Celso Amorim se engajaram na defesa do Equador, o Brasil deixou de ser mediador.

Os militares também vêem com desconfiança os movimentos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o "entrão" da vez. Movido por petrodólares, o bolivariano quer mostrar ao mundo que tem poder bélico e pode acabar melando acordo pacífico entre os países em crise. Ou seja, Chávez quer apagar o fogo com querosene. É o mesmo combustível que move os discursos "pacíficos" dos senadores aqui.

Arthur Virgílio (PSDB-AM) acusou o Brasil de enviar armas à Venezuela e fez o ministro da Defesa, Nelson Jobim, correr ao Senado para desmentir. Não foi o único a inflamar a Casa. É nobre e constitucional a defesa da fronteira do Brasil. Mas, se depender dos senadores, o Brasil vai entrar em guerra com os três países.

Fronteiras vivas


Míriam Leitão

A Colômbia invadiu o Brasil. Entrou com uma brigada de pára-quedistas na região conhecida como Cabeça do Cachorro. Desceram com avião e helicópteros numa área do Exército Brasileiro e se apossaram das instalações. Isso foi há nove anos. A reação do Brasil foi chamar o embaixador e o ministro e falar duramente com eles. Em 91, as Farc também entraram e mataram militares brasileiros.

Como o Brasil reagiu nos dois casos, mostra bem o estilo de firmeza sem beligerância que o país tem mantido ao administrar sua imensa fronteira. Só na Amazônia, o Brasil tem 11.500km de fronteira com sete países, a maioria da área é de selva.

No fim de 1998, quando a Colômbia invadiu nosso território, o Brasil decidiu não fazer alarde público, mas demonstrar firmeza com quem interessava. No caso, o governo colombiano.

- Chamei o embaixador e falei com o ministro das Relações Exteriores deles. Disse que aquilo era inaceitável, que caíssem fora imediatamente. Eles saíram em poucas horas - conta o então chanceler do Brasil, Luiz Felipe Lampreia.

A invasão do território brasileiro foi montada para, a partir do Brasil, atacar os terroristas das Farc que permaneciam em território colombiano. Mas não foi como agora para atacar as Farc instaladas no Brasil.

Militares brasileiros contam que, em 1991, houve um ataque a um destacamento de fronteira brasileiro, em Querari, por um grupo armado das Farc. Alguns militares foram mortos.

- Foi um episódio conhecido como traíra. Reagimos imediatamente, perseguindo os bandidos e infringindo neles mais baixas que as do nosso lado - conta o general Heleno Pereira, que hoje comanda as operações do Exército na Amazônia.

O general diz que o Brasil não faz "cavalo de batalha" de qualquer episódio; leva a sério apenas os casos sérios:

- Logo que cheguei aqui, tive a informação de que aviões venezuelanos estavam entrando no espaço aéreo brasileiro. Fui verificar no local, em Xitei. Lá perguntei na maloca e para funcionários de uma ONG ligada à Funasa. Eles confirmaram que aviões e helicópteros venezuelanos sobrevoavam o local. Fui ver por quê. É que, em Roraima, tem um bico que entra no território venezuelano. Os militares têm postos de um lado e de outro do bico. Para ir de um lado para o outro, ou dão uma volta enorme ou passam sobre o Brasil. Não tinham intenção de invadir nosso espaço aéreo. Conversamos sobre a autorização para fazer isso e ponto - conta.

Sobre o conflito entre os vizinhos, o general acredita que seria "irresponsabilidade não ficar preocupado", mas diz que o assunto está entregue, no Brasil, à negociação diplomática.

- Não fizemos nenhum movimento diferente com as tropas; estamos confiantes que tudo vai se resolver pela via diplomática - afirmou ele, que ontem participava de uma reunião do Alto Comando do Exército, mas que era, segundo disse, de rotina, para discutir promoção.

Na Amazônia, o Brasil tem 25 mil homens em 23 pelotões especiais de fronteira, duas companhias especiais e três destacamentos.

- Temos sempre duas linhas de ação: estratégica e de dissuasão. É uma área onde há enorme dificuldade de circulação terrestre entre as unidades, as ligações são aéreas ou por rios. Mas do que nos orgulhamos é de ter o melhor combatente de selva do mundo. Nosso pessoal nesta área é sempre local, muitos de origem indígena, que conhecem a região como a palma da mão e que, na selva, estão em casa - comenta.

O general Heleno acha que é impossível que as Farc entrem e se instalem num país sem que o país perceba, mesmo sendo região de selva.

- Apesar de selva, qualquer movimento é percebido. A população é rarefeita; para um grupo ficar na selva, ele tem que ter apoio. Como se abastecer? O apoio tem que vir pelo rio, e isso seria percebido.

O general prefere não comentar mais sobre a preocupação de que o desentendimento entre os vizinhos degenere em conflito. Acredita na solução diplomática.

Outros militares ouvidos admitem que a preocupação é grande, ainda que haja muito ceticismo em relação ao poderio bélico e à capacidade logística da Venezuela.

De fato, a Venezuela hoje não tem demonstrado capacidade de abastecer o país de alimentos; como vai abastecer de suprimentos dez batalhões na fronteira? Hoje, na região de Pacaraima, os venezuelanos com mais dinheiro vêm ao lado brasileiro para as compras normais de mercado: leite, carne, laticínios.

A Venezuela está na estranha situação de ter os piores conflitos com seus dois maiores parceiros comerciais. E relações comerciais que ficam cada vez mais exuberantes. O volume de comércio entre Venezuela e Estados Unidos saiu de US$20 bilhões em 2003 para US$50 bilhões no ano passado. O segundo maior parceiro é a Colômbia e o volume de comércio saiu de US$1,4 bilhão em 2003 para US$6 bilhões em 2007. Com os EUA, o que pesa é a exportação venezuelana de petróleo; com a Colômbia, é diferente. A Colômbia exporta para a Venezuela o triplo do que compra; cerca de 20% são alimentos. Exatamente o que anda em falta na Venezuela.

- Hugo Chávez faz tudo para ficar na mídia. É o que está fazendo agora - afirma um integrante do governo brasileiro.

Realmente. Chávez não tem todo o poder que aparenta, e tem mais a perder do que admite.

Nova dimensão do conflito sul-americano


Merval Pereira

O conflito entre o Equador e a Colômbia ganhou ontem novas dimensões com o apoio formal dado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao governo de Alvaro Uribe, ao mesmo tempo em que começaram a surgir especulações de que as tropas americanas que atuam no Plano Colômbia contra o tráfico de drogas teriam ajudado o governo colombiano na ação que culminou com a morte de 17 terroristas das Farcs em território equatoriano, entre eles Raúl Reyes, o número dois da organização guerrilheira. A presença do contra-almirante Joseph Nimmich, diretor da Força-Tarefa Conjunta Interagencial do Sul em Bogotá, dois dias antes da ação contra as Farcs, em visita oficial ao Comando Geral das forças Militares da Colômbia, gerou essas especulações.

Também o Conselho para Assuntos Hemisféricos (Council on Hemispheric Affairs- Coha), uma ONG americana de tendência liberal fundada em 1975 que pretende "promover os interesses comuns no hemisfério" e encorajar "a formulação racional e construtiva de políticas para a América Latina", especula sobre a possibilidade de o Comando Sul (USSouthcom), localizado em Miami, ter participado da operação.

Esse comando é responsável por planos de contingência, operações e cooperação na área de segurança para as Américas Central e do Sul e o Caribe. Segundo as especulações do Coha, há bons fundamentos para considerar possível que toda a operação foi apoiada por um trabalho de inteligência dos Estados Unidos baseado em satélites e sensores de calor, com o uso de bombas inteligentes e pessoal treinado que estaria trabalhando no Plano Colômbia. Teria também havido o uso de helicópteros Black Hawk na operação.

A insistência do presidente Lula em ressaltar a invasão territorial do Equador pela operação colombiana, e o pedido de criação de uma comissão para investigar o que aconteceu, podem estar relacionados à desconfiança de que as forças americanas que estão combatendo o tráfico de drogas na Colômbia estariam interferindo nos negócios internos da região, o que caracterizaria a concretização de uma das grandes preocupações dos antiamericanos do governo Lula.

De fato, o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos expoentes dessa ala juntamente com o assessor especial Marco Aurélio Garcia, escreveu claramente em seu livro "Desafios brasileiros na era dos gigantes": "Um componente relativamente novo na questão da segurança da Região Amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares americanos e a venda de equipamentos sofisticados às forças armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser, fácil e eventualmente, utilizados no combate às Farcs e ao ELN".

Por isso, o governo brasileiro entende os temores da Venezuela para se armar, acreditando que Chávez tem razões concretas para temer um ataque dos Estados Unidos. Hugo Chávez, além de jatos russos Sukhoi-30 para substituir seus caças F-16, de fabricação americana, comprou também helicópteros e mísseis terra-ar, mas tudo, na visão do governo brasileiro, para garantir a área offshore, com as armas voltadas para o Norte.

Segundo ainda o pensamento do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o Mercosul deve ser um instrumento essencial para atingir objetivo de nossa política externa na região, que seria "a construção paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul" e uma recusa "firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos".

Essa tese explica o convite para que a Venezuela participe do Mercosul, um movimento político conjunto do Brasil com a Argentina, e a tentativa, rechaçada em ambas as instâncias, de que a Cuba de Fidel participasse não apenas do Mercosul como também integrasse a Organização dos Estados Americanos (OEA).

A explicação informal do governo brasileiro é que trabalha para quebrar o isolamento de Cuba, promovido pelos Estados Unidos, uma política considera contraproducente. Da mesma maneira, o governo brasileiro pretende encaminhar a Venezuela para ações de integração regional, neutralizando seu radicalismo.

Ontem Lula voltou a falar sobre uma força armada conjunta na região, em nome da qual o Brasil atuaria no Conselho de Segurança da ONU, uma obsessão de nossa política externa. O problema é que a proposta nada mais é, segundo estudiosos de estratégias militares na região, que uma réplica da proposta "bolivariana" de integração militar.

O governo brasileiro estaria assumindo essa iniciativa para retirá-la do contexto da política antiamericana chavista, segundo versões oficiais. O grupo seria formado pelos ministros da Defesa de todos os países, teria como principal missão proteger a Região Amazônica e as fronteiras marítimas, e substituiria, segundo a proposta chavista, a Junta Inter-Americana de Defesa, da qual participam os Estados Unidos.

Segundo o cientista político Amaury de Souza, em estudo já comentado na coluna, a Venezuela, para prevenir o que supõe ser uma ameaça militar norte-americana, adotou o fortalecimento e a preparação da Força Armada Nacional, com a modernização de seu equipamento e a criação de uma força conjunta para a defesa da América do Sul, como uma estratégia de defesa para o que pode vir a ser uma guerra assimétrica.

04 março 2008

Caça da FAB destelha casa durante sobrevôo no PR

Um sobrevôo de um caça-bombardeiro da Força Aérea Brasileira (FAB), neste domingo, provocou o deslocamento de telhas de uma casa em Londrina


Um sobrevôo de um caça-bombardeiro da Força Aérea Brasileira (FAB), neste domingo, provocou o deslocamento de telhas de uma casa em Londrina, no Paraná. Outras residências vizinhas ao aeroporto da cidade teriam tremido com a passagem do avião.

O incidente ocorreu durante uma manobra de treinamento e pode ter sido provocado pelo deslocamento do ar. Moradores disseram que o avião voava muito baixo. A Infraero e a Aeronáutica informaram que estão investigando as causas do incidente.

Justiça confirma pensão para filha de militar mesmo após os 21 anos

A pensão militar em questão é do Rio e estava dividida em três partes, com 50% destinados à filha do primeiro matrimônio.



Djalma Oliveira

Rio - Filha de militar tem direito à pensão mesmo após completar 21 anos, desde que o pai tenha ingressado nas Forças Armadas antes de 2001. A decisão é da Sexta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ao julgar recurso da União contra a segunda esposa de um militar, que pretendia a divisão do benefício em partes iguais apenas com a primeira mulher.

O ano de 2001 serve como divisor de águas porque nele entrou em vigor a Medida Provisória 2.215, que retirou das filhas maiores de 21 anos o direito à pensão. Portanto, o benefício está garantido, no entendimento do STJ, para as filhas de militares, inclusive as casadas, cujos pais entraram para a carreira militar antes do início da vigência da MP.

A Sexta Turma, por maioria, reconheceu que a MP trata da regra de transição entre o novo e o antigo regime de pensões militares. “Assim, aqueles que eram militares na data da entrada em vigor da referida MP têm o direito à manutenção dos benefícios”, afirmou o ministro Nilson Naves.

A pensão militar em questão é do Rio e estava dividida em três partes, com 50% destinados à filha do primeiro matrimônio. A segunda mulher do militar falecido entrou na Justiça contra a União, requerendo que a divisão fosse feita apenas entre as ex-esposas. Em primeira instância, o juiz havia julgado procedente a ação, determinando o pagamento de 50% da pensão à autora e a outra metade, à ex-mulher.

Fidel acusa EUA de terem "planos genocidas" na AL



HAVANA - O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro escreveu em artigo publicado ontem que os Estados Unidos estão empurrando a Colômbia para a beira de uma guerra com a Venezuela e o Equador, fruto de "planos genocidas do império ianque" na América do Sul.

"Podemos ouvir plenamente os tambores de guerra no Sul de nosso Continente como conseqüência de planos genocidas do império ianque", escreveu Fidel num artigo publicado no Granma, diário do Partido Comunista. O presidente do Equador, Rafael Correa, planejava viajar ontem a Havana para participar de um fórum econômico, mas Fidel escreveu que a crise levou "nosso querido amigo" a cancelar a viagem.

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, é um fiel aliado dos EUA e tem recebido bilhões de dólares em ajuda do governo do presidente George W. Bush para combater as guerrilhas das Farc. Os comentários de Fidel, no fim de um longo artigo em que tratou de diversos assuntos, reforçaram as acusações feitas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, de que a responsabilidade pela crise é dos Estados Unidos.

Brasil propõe comissão para investigar ação militar



BRASÍLIA - O governo brasileiro propôs ontem ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, a criação de uma comissão de investigação para apurar a ação militar da Colômbia em território equatoriano. A proposta será analisada hoje, em reunião extraordinária da OEA.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o Brasil também defende que Insulza visite os dois países. Amorim disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conversou, por telefone, com os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa.

Segundo o ministro, Uribe reconheceu a invasão territorial e afirmou ter pedido perdão por essa ação militar, que considera justificada. De acordo com Amorim, o pedido de desculpas não foi aceito e Correa rompeu relações diplomáticas com a Colômbia na tarde de ontem.

"Não há dúvida que uma violação territorial é algo condenável", avaliou o chanceler brasileiro, para quem cabe ao país que comete a ação militar provar que estava diante de circunstâncias que atenuem a violação.

A pedido do presidente Lula, Amorim já fez contato com chanceleres de outros países da América do Sul, que articulam uma forma de mediação. "Passei as últimas 48 horas empenhado em buscar um ponto de convergência entre Equador e Colômbia."

Em guerra, colombianos teriam vantagem

A Aviação emprega largamente helicópteros e a frota de Super Tucano, da Embraer - dois deles lançaram as bombas dirigidas por laser que atingiram o acampamento de Raúl Reyes.



Na hipótese de um conflito com a Venezuela e o Equador, a Colômbia contaria com a experiência acumulada ao longo dos mais de 40 anos de luta contra as Farc.

O exército colombiano é atualmente o mais bem treinado e equipado da América Latina, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres. Essa condição foi atingida graças ao Plano Colômbia, mantido pelos EUA, ao custo de US$ 4,15 bilhões em sete anos. O pacote de apoio incluiu helicópteros Black Hawk em versões sofisticadas, treinamento especializado em bases dos EUA, preparação física, disciplina e adequação de material.

Corporações militares privadas como a DynCorp, a ManTech, TRW e Matcom foram contratadas para cuidar do diferencial: a produção de informações de inteligência. Uma rede de sete radares de vigilância funciona em toda a área sensível, no interior do país e nas fronteiras com a Venezuela e o Equador.

A vigilância é feita também por aviões como o RC-7, comprado em 2001, e os grandes Awacs americanos, que operam a partir da base de Manta, no Equador.

Com mais de 200 mil combatentes, a tropa colombiana não tem tanques - prefere os blindados sobre rodas, inclusive o brasileiro Urutu. O país aposta na agilidade de movimento.

A Aviação emprega largamente helicópteros e a frota de Super Tucano, da Embraer - dois deles lançaram as bombas dirigidas por laser que atingiram o acampamento de Raúl Reyes.

A Venezuela ainda não é a potência regional que o presidente Hugo Chávez pretende. Comprou muito - cerca de US$ 4 bilhões - , mas recebeu só a primeira fornada: os 20 caças Su-30 iniciais, 17 helicópteros e, talvez, 100 mil fuzis Ak-47 importados da Rússia. Problema: apenas 12 dos supersônicos estão em condições de vôo. E há poucos pilotos preparados para o uso das aeronaves. Os batalhões deslocados para a fronteira são apoiados por tanques de fabricação francesa e, mais uma vez, pelos brasileiros Urutu.

No Equador, o quadro é melancólico: parte da força aérea está presa ao chão, sem manutenção. E quase todas as máquinas de guerra têm mais de 25 anos de uso, sem revitalização.

CMA observa, atento, a crise Colômbia-Equador


Antonio Ximenes

O Comando Militar da Amazônia (CMA) acompanha à distância, mas não menos atento, os desdobramentos da crise militar entre a Colômbia e o Equador, depois que tropas do Exército Colombiano apoiadas por helicópteros entraram dez quilômetros no território equatoriano e atacaram guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) matando 17 guerrilheiros, dentre eles o porta-voz do grupo guerrilheiro, Raul Reyes.

Os 22 pelotões de fronteira, quatro destacamentos e as duas companhias especiais, sendo a maioria deles nos limites da Colômbia, Venezuela e Peru permanecem firmes no propósito de impedir qualquer ação que venha ferir a soberania nacional. Até o momento não houve mobilização extra de tropas.

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante do CMA, que tem sob suas ordens um contingente de 25 mil militares pronto para o combate na Amazônia, está em Brasília em uma reunião do Estado Maior do Exército, onde se escolherá os nomes dos futuros generais de Brigada e Divisão do Exército. Na próxima segunda-feira, ele retornará a Manaus. Mas, da capital federal, o general, pelo cargo que exerce, tem informações dos movimentos do outro lado da fronteira.

Questão de Estado

Os desdobramentos da crise entre o Equador e a Colômbia, que ganhou um novo contorno com o envio de dez batalhões, aproximadamente seis mil militares venezuelanos, para a fronteira colombiana, estão sendo acompanhados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pelo Ministério da Defesa, dirigido pelo ministro Nelson Jobim.

Este último, prudentemente, acompanha a crise com maior interesse, mesmo que com discrição, por ela ter um caráter diplomático, mas também fortemente militar. Afinal, se as negociações não avançarem na reunião de hoje na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, pode haver um conflito armado entre a Colômbia e o Equador.

Jobim, que tem sido um dos mais importantes articuladores do Governo Lula, para a modernização e renovação tecnológica das Forças Armadas, com a aquisição de novos aviões de combate, helicópteros de transporte de tropas e de ataque e material de comunicação de ponta, vem conversando com os oficiais generais da Marinha, Exército e Aeronáutica sobre os acontecimentos recentes. Não por acaso, a Amazônia é a prioridade militar brasileira.

As forças armadas da Colômbia, que até o momento já recebeu mais de US$ 3,5 bilhões de ajuda dos EUA, com o objetivo de combater às Farc, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o narcotráfico internacional, dispõe de 44 helicópteros Black Hawk e modernos equipamentos para rastreamento de ligações telefônicas na selva, via satélite. Foi esta última tecnologia que teria permitido o rastreamento de uma chamada do celular de Raul Reyes, que teria apontado o lugar exato onde ele se encontrava, dando as coordenadas aos helicopteros que atacaram os guerrilheiros em solo equatoriano, no último sábado.

Do lado brasileiro, observa-se que o 4º Batalhão de Aviação do Exército, localizado em Manaus, tem 12 helicópteros (4 Black Hawk, 4 Cougar e 4 Panteras) todos em boas condições de combate, mas em número insuficiente frente ao poder do fogo aéreo das tropas colombianas. A Base Aérea de Manaus tem seis Black Hawk.

Com base neste cenário, o papel dos guerreiros dos pelotões de fronteira é fundamental, na eventualidade de uma invasão furtiva por guerrilheiros das Farc em solo brasileiro, motivada pela perseguição do fogo das forças colombianas. Este tipo de ação tem sido freqüente nas fronteiras do Equador e até mesmo da Venezuela.

Jobim desmente notícia de envio de armas do Brasil à Venezuela



Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, decidiu comparecer ao Senado na noite desta terça-feira (4/3) para explicar pessoalmente aos líderes partidários que não têm fundamento a denúncia, divulgada hoje, de que o Brasil estaria exportando armas para a Venezuela em vôos sigilosos. Ao saber da denúncia, Jobim negou que exista qualquer autorização do Ministério da Defesa para envio de armas àquele país nas condições descritas na denúncia. “Não tem fundamento”, reagiu.

A denúncia, que teria sido feita por uma organização internacional, foi tornada pública hoje pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). O senador tomou o cuidado de, ao ler a informação, usar os verbos no condicional, por não ter certeza da sua veracidade. “Deveríamos convocar o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que ele se manifeste perante os senadores, de modo que não paire uma eiva de dúvida. Eu diria que até então, até o momento, eu julgava correto, e tenho julgado correto, o modo como tem procedido o Presidente Lula nessa questão envolvendo Venezuela e Colômbia”, afirmou o senador em seu pronunciamento no plenário do Senado. O ministro Jobim tomou a iniciativa de comparecer ao Senado para dar os esclarecimentos necessários.

01 março 2008

Super porta-aviões americano para a Índia...

…se houver mercado para F-16 e F-18



Segundo a imprensa indiana e também segundo fontes citadas pela imprensa russa, o secretário da defesa dos Estados Unidos Robert Gates deverá apresentar durante a sua visita à Índia uma proposta para a utilização por parte da Índia do porta-aviões Kitty Hawk da marinha dos Estados Unidos que está ainda ao serviço mas que deverá ser retirado de serviço até 2009.

A possibilidade de a Índia vir a operar um porta-aviões norte-americano não é exactamente novidade, mas é discutida num momento crucial e exactamente num momento em que as negociações entre a Índia e a Rússia para a aquisição do porta-aviões Admiral Gorshkov (INS Vikramaditya) atingiram uma nova fase, que poderá passar pela entrega do navio à marinha russa.

Problemas com custos, e o aumento da factura a pagar aos russo que foi praticamente imposto aos indianos, transformou a possível venda do navio num poço de dúvidas, não se sabendo exactamente em que ponto se encontram as negociações entre os dois países.

O negócio, do qual não são conhecidos grandes detalhes, passaria pelo empréstimo a custo zero à Índia, durante mais de dez anos do porta-aviões Kitty Hawk.

As notícias afirmam que existe uma ligação directa da cedência do Kitty Hawk com a compra de aeronaves F-18, adequadas à operação a partir de porta-aviões e com a escolha de uma aeronave norte-americana na concorrência internacional que está a decorrer na Índia para a aquisição de 126 aviões de combate, que é presentemente o maior contrato de aquisição de armamentos do mundo.

Os Estados Unidos têm feito vários esforços junto da Índia para convencerem o país a se voltar para ocidente, apresentando o perigo chinês como razão para uma aproximação com os Estados Unidos.

A possibilidade de a Índia vir a operar o Kitty Hawk parece pelo menos em principio ser remota, no entanto a «parada» está muito alta, e o interesse dos norte-americanos levou à concepção de uma versão especial do caça mono motor F-16 especificamente para os indianos, que é na prática o mais sofisticado F-16 alguma vez concebido.

No caso, ainda que remoto da a Índia enveredar pela utilização do porta-aviões norte-americano, poderia mesmo ocorrer uma «transferência a quente». Neste tipo de transferência de navio, as tripulações são trocadas com o navio em operação, havendo um período de até um ano em que tripulações dos dois países operam conjuntamente.

Este tipo de transferência tem a vantagem de ficar bastante mais barato quer para a marinha que vai deixar de utilizar o navio, quer para a marinha que vai passar a utiliza-lo.

A transferência seria no entanto dramática. O Kitty Hawk é muito maior que o porta-aviões Viirat presentemente em operação e que era o antigo HMS Hermes, que esteve ao serviço da Grã Bretanha na guerra das Malvinas.

No entanto, ele guindaria definitivamente a Índia para a posição de potência dominante no oceano Índico, onde os Estados Unidos vêm a Índia como uma potência emergente que pode servir como tampão para a cada vez maior expansão chinesa para oriente.

A China tem tendência no actual contexto uma tendência natural para se expandir e aumentar o seu poder e influência no sentido do Médio Oriente de onde os chineses são cada vez mais dependentes. Mas para chegar à China, o petróleo do Médio Oriente tem primeiro que passar no Oceano Índico.

A operação de super porta-aviões com o deslocamento máximo de 81.800 toneladas, mais que três vezes o actual porta-aviões indiano, transportaria a Índia para uma posição de claro relevo num campeonato onde são muito poucos os países que possuem este tipo de armamento.

Desafiar a Rússia

Os Estados Unidos colocam-se também numa situação de claro desafio à Rússia, que desde os anos 70 tem uma posição dominante no mercado indiano de armamentos.

A conclusão de um negócio deste tipo, prejudicaria bastante a industria aeronáutica russa que precisa de encomendas para se reestruturar.

Não deixa no entanto de ser possível que a Índia aproveite esta proposta dos Estados Unidos para «encostar» a Rússia à parede num braço de ferro que tem vindo a ser mantido pelos dois países.

A afirmação recente de que a marinha russa poderia ficar com o Admiral Gorshkov poderá ser apenas mais um episódio em que a Rússia afirma que não perderá a cara e que em última circunstância poderá mesmo ficar com o navio.

No fundo, os russos parecem saber que a proposta norte-americana pode ser tão ou mais problemática que a venda do Gorshkov.

O Kitty Hawk tanto poderá transformar a marinha da Índia num potentado, como se pode transformar num elefante branco, num país em que o governo tem que ter em consideração aos humores da opinião pública para ganhar eleições. O actual governo necessita dos votos dos partidos de esquerda, que não vêm com muito bons olhos o estreitar de laços com os Estados Unidos.