30 abril 2008

Estado vai à Rússia negociar planta de veículos blindados



Uma comitiva do governo estadual chegou ontem à Rússia com o objetivo de negociar a instalação no Rio Grande do Sul de uma fábrica de veículos blindados para uso militar e armamentos. Participam da missão o secretário da Saúde, Osmar Terra; o secretário-adjunto do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Josué Barbosa; o secretário da Segurança Pública, José Francisco Mallmann, e empresários do pólo metalmecânico e da Agência de Desenvolvimento do município de Santa Rosa.

A meta é conhecer as instalações da Rosoboronexport, montadora que fabrica veículos blindados e avaliar, tecnicamente, a viabilidade da produção desses veículos no Estado, principalmente do modelo GAZ Tiger, um blindado utilizado para policiamento e no transporte de tropas e de valores. A visita da comitiva gaúcha é uma resposta ao convite feito pelos russos em dezembro de 2007, quando representação de empresários daquele país esteve em Porto Alegre.

Na ocasião foram apresentadas à governadora Yeda Crusius e ao secretário Mallmann a utilidade de um veículo blindado produzido pela Rosoboronexport, a proposta de comercialização do veículo e, posteriormente, de instalação da montadora no Rio Grande do Sul.

A presença de empresários de Santa Rosa na comitiva reforça a candidatura da cidade a sediar o investimento, que também está na mira de outras prefeituras do Interior, principalmente da Serra, Alto Uruguai e Missões.


A produção do blindado seria destinada principalmente à s policias no mercado nacional e sul-americano. No ano passado, a empresa russa chegou a cogitar a produção de carros de combate para o exército brasileiro. Mas uma recente licitação determinou a contratação da Iveco para a construção dos novos blindados para as forças armadas.

A instalação da unidade seria condicionada à aquisição de um lote de veículos para o policiamento no Estado, o que deve ser avaliado pelo secretário Mallmann. A estimativa é de que a fábrica gere entre 500 e 800 empregos.

O Xadrez das Asas Rotatórias

A licitação dos helicópteros de ataque continua, porém o governo manteve em suspenso a licitação para os helicópteros de transporte. Aqui começa uma complexa partida de xadrez jogada na: FAB, Ministério da Defesa, Governo, incluindo o próprio Palácio do Planalto e grupos industriais nacionais e estrangeiros.

O governo menciona que a licitação dos helicópteros de transporte será mantida em suspenso até que saia uma definição das propostas apresentadas pelo grupo EADS/Eurocopter para a instalação de uma linha de produção no Brasil do helicóptero de transporte Super Cougar.

Foi montado um Grupo de Trabalho Interministerial (Ministérios da Defesa e da Indústria e Comércio) para avaliar a proposta. Os três Comandos Militares participam do GTI através dos seus centros de aviação. Também a área financeira está presente com o BNDES e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Há uma certa impaciência russa pois o que membros da administração brasileira ao fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio tinham sinalizado ao governo russo era de um processo relativamente tranqüilo com o casamento de interesses brasileiros e russos: exportação de carnes e derivados do Brasil e a venda de produtos de defesa pela Rússia.

Porém foram atropelados pela proposta do grupo EADS e também pelas diversas rearticulações que estão ocorrendo na base da indústria de defesa da Rússia na preparação da passagem do governo Putin para o de Medvedev.

Os russos sempre consideram que o primeiro negócio na área de defesa de um país é sempre através dos helicópteros. Na Venezuela os primeiros produtos a serem negociados e recebidos foram os helicópteros Mi-35M e o Mi-17.

Para o grupo AgustaWestland considerado como um outsider viu ser alçado em paridade com o Mi-35M e poder ganhar uma concorrência que nem estava em suas pretensões. Também o reforça para outras batalhas no Brasil e na América Latina.

A decisão

A FAB anuncia a decisão para fins de Abril ou início de Maio o que pela história recente desta licitação é bem plausível de realmente acontecer. Porém a decisão talvez não fique só no âmbito das avaliações: técnicas, operacionais e financeiras. Há uma série de desdobramentos possíveis na escolha do modelo de helicóptero de ataque da FAB, listamos alguns:

1 – A escolha de um helicóptero russo tiraria um pouco da pressão sobe o governo para maiores compras da Rússia;

2 - Por outro lado poderia indicar que o Brasil estaria na órbita do Presidente Hugo Chávez;

3 – A escolha de um helicóptero italiano seria interessante porém reforçaria as pressões russas, e um possível embargo às exportações de carne brasileira para a Rússia, e,

4 – Para os fabricantes ocidentais: Bell, Boeing, Sikorsky e Eurocpter a escolha da AgustaWestland seria entronizar um duro concorrente no mercado internacional.

Uma visão da própria licitação vem da Rússia, com ironia e certo constrangimento, um representante do complexo industrial de defesa russo afirmou à DEFESANET, durante a FIDAE 2008, recém realizada no Chile: “As vendas de nossas armas para a Venezuela abriram o mercado da América Latina aos nossos concorrentes”.

Portanto a decisão não estará só na performance, apoio logístico e custos dos modelos, mas no caminho de longo prazo que o governo brasileiro projeta à frente entre estes o programa de caça F-X2. A decisão desta licitação sinalizará vários cenários futuros tanto no campo de asas rotativas como outros projetos de defesa.

Helicópteros de Ataque: mais que uma licitação; Decisão nas próximas semanas


Nelson During


Em dia nada propício, era um primeiro de abril, mas que tem sido desmentido pelos fatos e ações, a FAB recebeu as propostas finais da licitação de helicópteros de ataque iniciada em 2007. O ritmo, e o mais expressivo, a manutenção das datas tem surpreendido positivamente aos participantes.

O ritmo dado à licitação manteve as empresas participantes ativas inclusive durante o período das festas de passagem de ano. Equipes da FAB já estiveram na Rússia e Itália pilotando os modelos que foram selecionados para a competição final.

Os Finalistas

Eram quatro modelos que foram apresentados para a licitação: o russo Mi-35M, o Eurocopter Tigre e dois da AgustaWestland o AW-109LUH e AW-129. Dois modelos foram selecionados para a fase final: o ítalo AgustaWestland AW-129 e o russo Rostvertol Mi-35M. Para o Mi-35M não há surpresas, mas o outsider AW129 cresceu e tem reais chances dar um gosto amargo à vodka e caviar russo.

Após a vitória na Turquia, em 2007, o AW-129 teve sua carreira no mercado internacional renascida com ímpeto.. O AW-129 deverá ocupar um espaço no mercado internacional com um posicionamento de um aparelho de excelente performance a um custo de aquisição e operação menor que os top do mercado: o Boeing AH-64D Apache e o Eurocopter Tigre e o novo russo Mi-28 e compatível de enfrentar o Mi-35M em termos de custo.

O conhecido Mi-35M está operando na Venezuela batizado como Caribe. Baseado no Mi-24 Hind um projeto de sucesso da antiga União Soviética dos quais vários milhares foram produzidos. O Mi-35M é uma versão modernizada para exportação com nova aviônica e motores com maior potência além de uma maior gama de armas que pode carregar.

Os eliminados foram o Eurocopter Tigre, que tinha poucas chances, não pelas qualidades técnicas ou performance, mas devido ao seu elevado custo unitário. O AgustaWestland AW109LUH ao contrário foi apresentado como uma proposta de baixo custo para enfrentar diretamente o Mi-35M.

Forças Armadas mobilizam homens e equipamentos para apoiar Operação Javari

A operação será a maior já realizada pelo governo federal para atender as comunidades indígenas do Vale do Javari


Cristiana Nepomuceno

As Forças Armadas, sob a coordenação do Estado-Maior de Defesa, darão um amplo apoio operacional-logístico à Operação Javari, a maior já realizada pelo Ministério da Saúde/Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na região. A operação irá atender, com ações de imunização e assistência básica de saúde, cerca de 4 mil índios do Vale do Javari. O Vale localiza-se no extremo ocidente do Amazonas, próximo à fronteira como o Peru.

Cerca de 300 militares estarão envolvidos na operação. O apoio das Forças Armadas será fundamental para complementar as ações de saúde da Funasa e permitir que as equipes da fundação, compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de laboratório, consigam se deslocar entre as aldeias localizadas em áreas de difícil acesso.

Marinha - A Marinha participará da operação com dois Navios de Assistência Hospitalar (NAsH), o Oswaldo Cruz e o Carlos Chagas. O Oswaldo Cruz ficará 37 dias em operação. Ele partiu na manhã desta segunda-feira (14/04), de Manaus, em direção à comunidade de São Luís, onde chegará no dia 23 de abril. São Luís será o pólo-base para o atendimento médico a dez aldeias com 729 índios. A bordo do Oswaldo Cruz estão 15 militares profissionais de saúde entre médicos, enfermeiros, dentistas, pessoal de apoio, além de vacinas e medicamentos.

Os dois navios têm mais de 47 metros de comprimento, um raio de ação de aproximadamente 6.350 Km e capacidade de transportar uma tripulação de 50 pessoas. É equipado com sala de cirurgia, duas enfermarias, laboratório, farmácia, equipamento de raios X, gabinetes médicos e odontológicos. Dispõe ainda de um helicóptero UH-12 Esquilo e duas lanchas rápidas, que poderão ser utilizados no atendimento aos índios.

O NAsH Carlos Chagas sairá dia 30 de abril de Manaus. Ele irá cumprir uma operação de Assistência Hospitalar às Comunidades Ribeirinhas do Amazonas (ASSHOP), já acertada anteriormente com o Ministério da Saúde, nos rios Solimões, Içá e Javari. O atendimento específico às comunidades do Javari será feito entre os dias 18 e 23 de maio.

Anualmente, a Marinha do Brasil desenvolve uma série de operações de Assistência Hospitalar às Comunidades Ribeirinhas do Amazonas (ASSHOP). Elas englobam os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. Este ano já foram realizadas quatro operações e feitos 53.400 atendimentos médicos e odontológicos.

A operação do NAsH Oswaldo Cruz no Vale do Javari foi montada extraordinariamente para atender à demanda do Ministério da Saúde/Funasa.

Exército - O Exército participará da Operação Javari prestando apoio logístico às equipes da Funasa. Oitenta homens do Comando Militar da Amazônia atuarão em duas bases de apoio. Elas funcionarão simultaneamente em pontos distintos da região. Os militares que trabalharão nas bases partirão de Cruzeiro do Sul, no Acre, nesta segunda-feira, 14 de abril.

Cada base do Exército terá 40 homens e até 15 barracas. Nas bases haverá equipamentos de saúde e de comunicação, alojamento, local para refeições, cozinha, banheiro, enfermaria e local para atendimento aos indígenas.

As duas bases fornecerão apoio para que os profissionais de saúde da Funasa atendam 2.919 indígenas. Além das bases, o Exército também vai colocar à disposição um helicóptero Black Hawk (dependendo da demanda, poderão ser dois), para transporte das equipes e, em casos emergenciais, de indígenas que precisem ser removidos até o Hospital de Guarnição de Tabatinga, cuja estrutura também estará disponível para a operação. A missão de apoio do Exército terá duração de 60 dias.

Aeronáutica - A Aeronáutica vai reforçar a logística da Operação Javari com um helicóptero Black Hawk, já envolvido no apoio à outra operação da Funasa, a Operação Gota, que realizará, a partir de 19 de abril, ações de multivacinação nas comunidades indígenas da Amazônia. Para a Operação Gota, a Força Aérea Brasileira (FAB) destinará 100 horas de vôo do Black Hawk. Está previsto também o apoio da Aeronáutica para o transporte das equipes da Funasa de Manaus (AM) para Cruzeiro do Sul (AC).

16 abril 2008

Memória esquecida



O limbo em que vivem os soldados brasileiros que morreram combatendo na Itália na Segunda Guerra Mundial e os veteranos que ainda estão vivos é uma mostra acabada de como nós tratamos a nossa história real e a memória nacional. Eles vivem em completo e vergonhoso esquecimento, a não ser pelo trabalho das associações de veteranos, a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira e suas seções estaduais. Como a maioria não era de soldados profissionais, mas recrutada entre os civis, os que não eram oficiais também não recebem muita atenção do governo. A representação local da associação funciona precariamente e não tem dinheiro sequer para pagar os aluguéis e manter o acervo histórico de fotografias, documentos e peças memoriais.

Os carinhosamente chamados de pracinhas cumpriram seu dever na expulsão do invasor nazista da Itália, lutando bravamente apesar do pouco preparo recebido. Consta que seus chefes também não entendiam do tipo de guerra travado então na Europa e que, devido a isso, teria morrido mais gente do que era previsível. Foram 457 homens mortos em combate e mais de 2 mil feridos numa tropa de 25 mil brasileiros. Sepultados em cemitério militar em Pistoia, na Toscana, seus restos mortais foram depois trazidos para o monumento erguido no Rio em memória de todos os aliados mortos.

Misteriosamente, a FEB não teve permissão para continuar a luta antinazista, na Áustria e na Alemanha, até a rendição incondicional. Embora a cúpula militar do Estado Novo tivesse abertas simpatias pelos nazistas, teve de concordar com a decisão de Getúlio Vargas de entrar em guerra contra a Alemanha. O então ditador entendeu-se com o presidente Franklin Roosevelt, dos EUA, com o olho em financiamento americano para a Companhia Siderúrgica Nacional e outros projetos de desenvolvimento. Convertidos à democracia americana, os generais derrubaram Getúlio (que já havia marcado eleições para 1945), frustrando assim o seu projeto nacional de país com desenvolvimento autônomo. De regresso à pátria, os pracinhas foram abandonados à própria sorte. O que recebem do Estado não dá para sobreviverem com dignidade.

Recente trabalho de nossa repórter Ciara Carvalho traz uma entrevista com o major Alberto Leite Pessoa, 88 anos, que preside a seção local da Associação Nacional dos Veteranos e falou sobre as dificuldades que os associados enfrentam e a falta de apoio para a preservação de importante acervo. Ele não condena a cúpula das forças armadas, diz que os veteranos têm o apoio dela. Mas se queixa da burocracia governamental e diz que seus colegas têm sido prejudicados pelo Poder Judiciário. Quem lutou na guerra tem direito a uma pensão especial. Mas nem todos a recebem, devido a interpretações de alguns magistrados, como explicam os prejudicados.

Uns poucos historiadores, como Alexandre Campello e Luís Vítor Alikin, estão empreendendo um trabalho de recuperação e manutenção de fotos, documentos, peças trazidas dos campos de batalha, mas não contam com verbas e outros tipos de apoio de entidades governamentais. Será que esse rico material está condenado à destruição? A memória humana dos pracinhas também vai se reduzindo (a maioria tem mais de 80 anos). O Ministério da Cultura tem obrigação de velar por esse acervo. Gasta-se muito dinheiro público com promoções e projetos inúteis do ponto de vista da memória e da cultura do nosso País. A criação de um museu, com os incentivos da Lei Rouanet, é a proposta dos historiadores que travam voluntariamente essa nova batalha da FEB. Uma lei como a que existe em São Paulo, que destina uma pequena parte do recolhido pelo IPVA à associação local dos veteranos, poderia resolver parte dos problemas dos veteranos de guerra pernambucanos.

Finalizamos com palavras do major Pessoa. Ele está pessimista: “Este País tem pouca memória. Estraguei minha mocidade em defesa de um Brasil melhor, e hoje o que eu vejo é um País perdido, corroído pela corrupção. E os esforços que fizemos no campo de batalha? E os nossos mortos que enterramos? Parece que tudo isso foi esquecido”.

Jobim e Chávez fazem acordo sobre o conselho de defesa

Ministro diz que organismo não terá perfil operacional, como propunha o venezuelano

Previsão do brasileiro é que conselho seja aprovado durante a próxima cúpula regional, marcada para acontecer no mês que vem



FABIANO MAISONNAVE – DE CARACAS

Após se reunir ontem com o presidente Hugo Chávez para discutir a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou um acordo para que o novo organismo não tenha um perfil operacional, como vinha propondo o líder venezuelano.

"Há um acordo com o presidente Chávez quanto à questão de que não seja operacional", disse Jobim na saída do encontro, no Palácio Miraflores. "Há, isso sim, a possibilidade de integração quanto a questões de treinamento e um conceito integral de defesa. Isso distancia muitíssimo da linguagem das velhas alianças clássicas, como a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]."

Em tom otimista, Jobim prevê que o conselho seja aprovado durante a próxima cúpula regional -marcada para o mês que vem- e entre em operação até o final do ano. Até lá, ele pretende visitar quase todos os países da América do Sul -na semana que vem, viajará ao Suriname e à Guiana.

O desenho brasileiro do conselho contradiz a proposta chavista. Batizada de Otas (Organização do Tratado do Atlântico Sul) e lançada em 1999, envolve a criação de uma aliança militar "antiimperialista".

"Se existe uma Otan, por que não pode existir uma Otas, uma Organização do Tratado do Atlântico Sul?", disse Chávez anteontem, durante discurso em Caracas, ao mencionar a chegada de Jobim ao país. Ele não se pronunciou ontem.

"Questão de linguagem"

Em janeiro, durante o programa "Alô, Presidente", Chávez disse que a aliança deveria ser contra os EUA. "Deveríamos trabalhar (...) para formar uma estratégia de defesa conjunta e articular nossas forças armadas, aéreas, o Exército, a Marinha, a Guarda Nacional, as forças de cooperação, os corpos de inteligência, porque o inimigo é o mesmo: o império dos Estados Unidos."

Por outro lado, Jobim, em entrevista ao jornal "Valor" divulgada ontem, rejeitou o termo "Otan do Sul" e disse que o conselho terá como funções a elaboração de políticas de defesa e a participação em operações de paz da ONU. Questionado sobre as divergências com Chávez, Jobim afirmou ontem que "é uma questão meramente de linguagem".

Novo contingente vai ao Haiti em momento difícil

Grupo de 1,2 mil militares brasileiros da Região Amazônica embarca a partir de maio para patrulhar o país, que atravessa grave crise



Fernanda Odilla
Enviada Especial

Marabá (PA) — A partir do próximo mês, militares brasileiros vão trocar os exercícios de combate e defesa na floresta tropical por uma selva de pedra, sem infra-estrutura e com muita miséria. Um novo grupo de 1,2 mil militares embarca para o Haiti para compor as tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Pela primeira vez, o contingente será composto por soldados e oficiais que atuam na Região Amazônica. A tarefa não será fácil, já que o país caribenho atravessa seu momento mais crítico desde a queda do presidente Jean-Bretrand Aristide, em 2004. O aumento dos preços causado pela oferta limitada de alimentos deflagrou uma revolta que, na semana passada, matou pelo menos oito pessoas e derrubou o primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis.

A Amazônia ainda não havia contribuído com nenhum dos oito contingentes que embarcaram para o Haiti. “Evitava-se mandar soldados para não desfalcar uma área com muitas demandas reais, em especial o trabalho feito nas fronteiras”, explica o comandante da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. “Mas chegamos à conclusão que, para motivar e treinar a tropa, vale a pena”, completa o general, que comandou o primeiro contingente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), entre 2004 e 2005. O Brasil continua à frente das operações militares em território haitiano.

A tropa brasileira embarca nos dias 18 de maio e 5 de junho. Serão 150 homens da Companhia de Engenharia do Exército, 215 fuzileiros navais e 840 militares de batalhões de Marabá, Belém e Manaus. O Brasil, contudo, não conseguiu atender a ONU para aumentar o número de militares da área de engenharia de 150 para 250 homens. O próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu o acréscimo de militares para ajudar na reconstrução.

O Exército informa que o aumento do número de engenheiros precisa ser aprovado pelo Congresso, que tem de reconhecer e votar a mudança da finalidade da missão, hoje dedicada à manutenção da paz. Desde 2004, o Brasil gasta R$ 130 milhões para manter dois contingentes por ano no Haiti, responsáveis por ações de patrulha, combate e humanitárias.

Escuro “São seis meses de preparação específica, com simulações e reproduções do que se pode enfrentar durante os outros seis meses em que participarão da missão. Nossos homens vão passar dois dias fazendo a segurança do prefeito de Marabá, já que no Haiti serão responsáveis pela proteção do presidente”, explica o general José Wellington Castro Ferreira Gomes, comandante da 23ª Brigada de Infantaria da Selva, encarregado do treinamento dos militares em Marabá. O grupo aprende também noções de direito internacional, direitos humanos e do idioma local, o creole.

“A ação no Haiti evoluiu muito. O primeiro contingente foi praticamente no escuro”, recorda o general Heleno, que na semana passada fez questão de motivar os militares que marchavam no pátio da 23ª Brigada, em Marabá. “Diferentemente do primeiro contingente, que atirava mais, agora vamos ajudar a população. Mas não podemos nos descuidar porque a situação lá é absolutamente instável”, explica o tenente Washington Amador, de 27 anos, ansioso para o dia do embarque. Ele vai sair do Brasil pela primeira vez. Será responsável por comandar 30 homens e, segundo ele, colocar em prática tudo que aprendeu até hoje no Exército.

A repórter viajou a convite do Exército Brasileiro

"O ataque foi coisa de bandido"



Gisele Loeblein

A execução do policial militar nigeriano Nagya Aminu, 36 anos, no sábado, em meio à onda de protestos que tomaram conta do Haiti, foi a primeira ação desse tipo contra um integrante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Mas, para o comandante da missão, o General gaúcho Carlos Alberto Santos Cruz, não reflete o sentimento da população em relação aos militares. Por telefone, ele conversou com Zero Hora.

Zero Hora - As coisas pareciam estar se acalmando quando aconteceu a execução do capitão nigeriano. O que houve?

General Carlos Alberto dos Santos Cruz - Foi um episódio isolado, praticado por criminosos. É como em Porto Alegre. A cidade está em paz, mas nada impede que um grupo de criminosos mate alguém. A gente tem de separar o que é movimento popular, o que é movimento politizado e o que é ação de criminosos. Isso foi ação de criminosos. O cara tenta colocar dentro do mesmo contexto, mas na realidade não está.

ZH - Então, a execução não teve relação com os protestos?

Santos Cruz - Nesse tipo de situação você tem uma massa grande se manifestando contra essa miséria, essa dificuldade econômica que a população mais pobre vive e, no paralelo, você tem bandido se aproveitando da situação para roubar carro, para invadir loja, para matar os inimigos dele, para fazer uma ação qualquer. E, nesses momentos, ele tem um comportamento de querer dizer que o movimento dele é politizado. Não é politizado coisa alguma. Bandido é bandido.

ZH - Até então não se tinha notícia de ação desse tipo contra integrantes da Minustah. Isso representa uma mudança para vocês?

Santos Cruz - Quando você tem a massa fazendo esse tipo de manifestação, às vezes, para eles, não interessa quem vai arrombar a porta do supermercado para ser saqueado. Se você tem um grupo de bandidos ali que arromba a porta, o pessoal vai lá e pega alguma coisa. Mas eles não estão envolvidos com aquele bandido. Eu não vejo a morte desse policial como uma manifestação de ação violenta geral contra a missão.

ZH - De um modo geral, a população segue apoiando o trabalho de vocês?

Santos Cruz - A população, sim. O que há, às vezes, é algum setor politizado ou outro que tem as suas posições. Mas no geral, no contexto social todo, a população apóia. Até porque a ONU está aqui a pedido do próprio governo haitiano, que representa o povo daqui.

ZH - Existe algum país integrante da missão que seja hostilizado pela população?

Santos Cruz - Não, cada um na sua área é querido pela sociedade local. O Brasil tem uma situação muito especial, tem essa característica de ser muito querido. Mas isso não quer dizer que ele não corra risco. Os brasileiros têm a vantagem de o povo haitiano se identificar com a gente, muito até pelo futebol.

ZH - Não se pensou em uma retirada da missão ou em reforçar as tropas?

Santos Cruz - Não, não houve discussão nesse sentido (de retirar as tropas). Também não foi discutido reforço, porque a força militar e a policial têm um limite imposto pelo mandato da ONU. Uma mudança precisa ser autorizada pelo Conselho de Segurança.

ZH - No dia da execução, jornalistas teriam ouvido a frase "Abaixo a Minustah". Isso aconteceu?

Santos Cruz - Eu não vi isso, mas também li no jornal. Se esse episódio aconteceu, é um direito de expressão, mas daí a considerar como representativo de um país inteiro é uma diferença muito grande. É preciso mais avaliação.

Jobim articula novo conselho



Caracas – Em visita à Venezuela, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que o Conselho Sul-Americano, projeto defendido pelo governo brasileiro, se limitará à integração em temas de defesa e não assumirá um caráter militar operacional na solução de conflitos. O órgão, segundo o ministro, poderá ser instalado até o fim do ano, como parte da integração da região. Para isso, ressaltou, não é necessária a permissão dos Estados Unidos.

Em declarações feitas logo depois de uma reunião de várias horas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, Jobim afirmou que a América do Sul não vive uma corrida armamentista e que o conselho não tem a intenção de ser operacional. “Acho que o conselho tem condições de ser instalado até o final deste ano", explicou a jornalistas, após a reunião com o mandatário. O ministro também declarou que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deve se desenvolver com grande presença com o Conselho de Defesa. A proposta brasileira surgiu após a recente crise entre Quito e Bogotá, provocada pela incursão colombiana em território equatoriano, para atacar um importante acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Jobim anunciou que o conselho pode se cristalizar em poucos meses, principalmente depois de uma cúpula da Unasul prevista para o fim de maio. Ele acrescentou que já houve negociações com países como Argentina, Bolívia, Chile e Equador. Questionado se o conselho pode ser uma espécie de Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) da região, como sugeriu Chávez, Jobim explicou que "a colaboração no conselho não é a formação de uma aliança militar clássica”, e que não há nenhuma pretensão operacional.

“A questão armamentista é um equívoco, não há nenhuma corrida armamentista na América do Sul. Não há nada disso", enfatizou o ministro brasileiro, defendendo que a decisão dos países de comprar armas é algo importante, porque a projeção de poder da América do Sul depende de sua possibilidade de dissuasão e de defesa. Há poucos dias, o ministro afirmou que o Brasil pretende ocupar determinados nichos do mercado bélico regional, exportando produtos como blindados, pistolas, munições e um avião mediano de transporte militar fabricado pela Embraer.

Jobim também ressaltou o direito da região de criar o organismo de defesa sem a presença ou o consentimento de Washington. "Se é um conselho sul-americano, aqui não há os Estados Unidos. Não temos nenhuma obrigação de pedir licença aos Estados Unidos para fazer isso."

Jobim esteve, no mês passado, nos EUA, para explicar os planos de criação do conselho para as autoridades daquele país. Ao ser questionado pelo secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, sobre como os Estados Unidos poderiam contribuir com o conselho, Jobim disse que, “por enquanto, a colaboração que os senhores podem fazer neste momento é ficar a distância”.

Na próxima semana, Jobim deve visitar Suriname, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai para apresentar o projeto.

Funções

A proposta prevê que o conselho assuma funções como a elaboração conjunta de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal entre as Forças Armadas de cada país, realização de exercícios militares conjuntos, participação em operações de paz das Nações Unidas, troca de análises sobre os cenários mundiais de defesa e integração de bases industriais de material bélico.

De acordo com o ministro, apenas a proposta é brasileira, mas as diretrizes do conselho serão elaboradas por um grupo de trabalho que deve ser formado por dois representantes de cada país, um de Relações Exteriores e outro de Defesa. "O grupo trabalhará para a formatação de uma visão integral da defesa sul-americana", explicou.

Militares discutem ameaças à soberania



Guilherme Botelho

Rio, 16 de Abril de 2008 - O general Gilberto Barbosa Figueiredo, presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro, organizador do seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania Nacional, que será iniciado hoje, afirmou que "o Exército não é contra a Polícia Federal" no litígio que vem ocorrendo na reserva indígena Raposa Serra do Sol e sobre o envolvimento da Polícia Federal (PF) no caso.

Segundo o general, "o exército é contra pegar uma área do Brasil e dizer que não índio não pode. É uma área imensa para uma pequena população. Os arrozeiros que trabalham e produzem também são brasileiros e também devem ter seus direitos garantidos".

Hoje, primeiro dia do seminário, será abordado o tema Defesa da Amazônia. A reserva Raposa Serra do Sol, fica no nordeste do estado de Roraima, com área de 1,7 milhão de hectares e foi oficializada em 2005.

Os palestrantes programados para abordar o tema são o general do Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira e o diretor da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima.

Desde sua homologação da reserva, os produtores de arroz da região têm entrado com diversas ações na Justiça, questionando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em junho do ano passado, declarou a homologação legal. Desde então, o Governo Federal recebeu a determinação de que ela fosse comprida.

A Polícia Federal entrou como braço direito do governo, cumprindo ordens. Num primeiro momento, o objetivo da operação denominada Upatakon III era a retirada de não índios da reserva. Há cerca de um mês, a operação contava com aproximadamente 500 pessoas. Depois do protesto de vários produtores de arroz, o STF, pressionado pelo governo de Roraima, aceitou o pedido para suspender a operação. Agora, o objetivo da PF e da Força Nacional de Segurança é garantir a ordem pública e a segurança dos índios.

Amanhã, o tema discutido no seminário será os Entraves ao Desenvolvimento, com os participantes Embaixador José Botafogo, o tributarista Ives Gandra Martins e o engenheiro especialista em biocombustíveis José Walter Bautista Vidal.

Na sexta, o almirante de esquadra Marcos Martins Torres, o professor Expedito Carlos e Jairo Cândido, da Fiesp, discutem o Poder dissuasório das Forças Armadas.

Sócios no céu e em órbita

Ministro Mangabeira Unger firma acordo para participação no desenvolvimento de avião militar de última geração. Parceria estratégica envolve também programa espacial


Pedro Paulo Rezende

O Brasil vai participar do programa de desenvolvimento de um avançado avião de combate, o PAK-FA T-50, que será fabricado pela empresa russa Sukhoi. O aparelho, invisível ao radar, promete desempenho igual ou superior ao caça F-22 Raptor, fabricado pelos Estados Unidos (o mais caro do mundo, ao custo unitário de US$ 225 milhões), e deve fazer seu primeiro vôo em, no máximo, dois anos.

A construção da nova aeronave é apenas parte de um amplo memorando de entendimento, negociado em Moscou em fevereiro e assinado ontem pelo ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e pelo secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa, Valentin Alekseevitch. O acordo-quadro lança uma ampla cooperação entre os dois países, inclusive de tecnologias consideradas sensíveis. Na área espacial, estão previstas a construção de um novo veículo lançador e de satélites de comunicação e sensoriamento remoto. O uso da Base Aeroespacial de Alcântara por uma nova empresa binacional também será contemplado pelo tratado.

Ao falar do PAK-FA, Mangabeira destacou que “será um caça de quinta geração”. O custo total previsto é de cerca de US$ 20 bilhões, a ser dividido em cotas entre Rússia, Brasil e Índia, que também participa do programa. O preço unitário, mais baixo que o dos caças europeus de quarta geração, ficará emUS$ 80 milhões, aproximadamente.

Os aviões de combate de quinta geração, além de invisíveis ao radar, também são capazes de atingir velocidade supersônica usando meia potência do motor, o que reduz o gasto de combustível, amplia o raio de ação e diminui o tempo de engajamento do inimigo. Atualmente, apenas os norte-americanos possuem aparelhos com essas características em operação, os F-22 Raptor. Um modelo mais barato, o F-35 Lightning, que custa US$ 135 milhões, está em fase de certificação. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou a ver uma demonstração do caça em sua visita aos EUA, mas o aparelho foi descartado por não oferecer transferência de tecnologia.

“Não estamos interessados em comprar bens acabados, mas em parcerias que possam fortalecer a capacidade tecnológica de ambos”, destacou o ministro. Além da Rússia, China e Japão também trabalham em aviões de quinta geração, mas o projeto PAK-FA, que começou há 10 anos, é o que se encontra em estágio mais avançado.

VLS
A Rússia já colabora com o Brasil na área espacial. Um grupo de especialistas encontra-se em São José dos Campos, onde assessora o programa do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Os russos participam do projeto de um novo primeiro estágio, a combustível líquido em lugar de sólido, para o foguete, que coleciona uma série de fracassos desde a primeira tentativa de disparo, em 1997. O país mantém ainda programas de transferência tecnológica com a Ucrânia, para a produção de foguetes, e com a França, que pretende fabricar helicópteros médios em Minas Gerais e submarinos no Rio de Janeiro.

12 abril 2008

Brasil descarta o F-35

Ministro brasileiro acha avião bom, mas muito caro.



Segundo foi noticiado pela imprensa brasileira, o ministro da defesa brasileiro Nelson Jobim, descartou a possibilidade de o Brasil vir a adquirir aeronaves de origem norte-americana, para substituir as aeronaves presentemente ao serviço na Força Aérea Brasileira.

Segundo as mesmas fontes, os Estados Unidos terão proposto ao Brasil a discussão da eventual venda de caças do tipo F-35 para a Força Aérea Brasileira.

Jogou contra qualquer entendimento com os norte-americanos, a tradicional restrição à exportação de tecnologias que os Estados Unidos consideram estratégicas, bem como a impossibilidade de as industrias brasileiras terem acesso aos sistemas electrónicos e software da aeronave.

O preço apontado pelo ministro, em torno da 60 milhões de dólares, é o preço que presentemente é apontado como custo unitário da aeronave por parte dos fuzileiros navais dos Estados Unidos, mas a preços de 2002, o que quer dizer que o valor mais baixo previsto para a aeronave estará em volta dos 72 milhões de dólares. Mas vários estudos recentes, apontam para um descarrilamento dos custos do F-35 por várias razões, entre as quais a dependência da moeda europeia, onde são fabricados parte dos componentes e onde a uma parte considerável da aeronave é desenhada.

O Brasil tem planos para incrementar as capacidades de defesa do país, recorrendo a parcerias que impliquem a transferência de tecnologia para empresas brasileiras, que assim beneficiariam da transferência tecnológica para poder desenvolver a partir daí os seus próprios sistemas ou plataformas, conforme o Brasil fez nos anos 70, com a adaptação de vários sistemas do tempo da II guerra mundial.

Problemas

Os objectivos brasileiros no que respeita à política de defesa, apresentados por Nelson Jobim, têm no entanto esbarrado em vários obstáculos, entre os quais está o facto de o Brasil estar interessado em tecnologias e sistemas, que ninguém quer transferir completamente.

Mesmo o país mais liberal nesse campo, a Rússia, que durante muito tempo efectuou transferências de tecnologia sem problemas e restrições, encontra-se neste momento com o problema de ter que enfrentar a industria chinesa que se encontra em claro processo de modernização, utilizando a transferência de tecnologia russa como trampolim, apresentando produtos no mercado internacional em situação de concorrência. Também segundo fontes russas, aquele país europeu recusou recentemente colaborar no eventual desenvolvimento do projecto brasileiro de submarino nuclear, tendo encontrado as mesmas reticências por parte da França.

O Brasil já parece ter dominado a construção do sistema propulsor, mas está muito longe de conseguir de facto desenhar um submarino de raiz sem o auxílio de países que já dominem todo o processo de construção.

O ministro brasileiro esteve a bordo de um submarino nuclear dos Estados Unidos, que foi considerado demasiado grande para os objectivos brasileiros, embora a aquisição de tais sistemas aos Estados Unidos nunca tenha sido cogitada.

Já na área da construção de aeronaves, os objectivos brasileiros parecem passar por tentar adquirir aeronaves que possam permitir ao Brasil o desenvolvimento autónomo dos seus sistemas.

Ocorre que presentemente, os segredos mais bem guardados dos novos equipamentos são não só os sistemas de hardware, como acima de tudo o software. No caso dos Estados Unidos, a principal recusa do país, está na venda de sistemas com acesso «aberto» ao software e aos vários módulos que estabelecem a ligação entre os processadores centrais e os restantes sistemas da aeronave, especialmente os radares e os sistemas que permitem comunicações e transferência de dados entre a aeronave e os centros de comando, os mísseis depois de lançados e as outras aeronaves do mesmo tipo que estiverem a cumprir uma missão.

Outras possibilidades?

Curiosamente, a rejeição por parte do ministro brasileiro da aquisição das aeronaves mais sofisticadas dos Estados Unidos, não parece pelo menos em principio ter descartado a possibilidade de pensar em outras opções, inclusive dentro dos próprios Estados Unidos, onde um país como a Índia está a analisar a possibilidade de adquirir aeronaves F-16 de modelos avançados, embora as restrições norte-americanas também sejam um problema.

Neste aspecto, o posicionamento estratégico do Brasil, como país daquilo que se convencionou chamar como mundo ocidental, torna completamente desaconselhável opções por sistemas de origem russa ou chinesa, que não são do agrado da Força Aérea Brasileira, deixando como opções ou os Estados Unidos ou os fabricantes europeus, onde a França aparece à cabeça.

Mas o acesso às últimas tecnologias, sejam elas europeias ou norte-americanas é pelo menos para já difícil, pois esse acesso implica o pagamento de uma quota-parte do caríssimo desenvolvimento dos sistemas, preço que o governo brasileiro não parece estar disposto a pagar. Considerando os últimos dados conhecidos, o governo do Brasil tem um dilema cuja resolução se apresenta difícil.

Ou aceita algum tipo de controlo ou exclusão de uso de tecnologias por parte dos fabricantes, ou então terá que se restringir à operação ou fabrico de aeronaves de segunda linha, quando alguns dos seus vizinhos se armam com equipamentos mais sofisticados.

A afirmação por parte do ministro brasileiro de que o F-35 era demasiado sofisticado para as necessidades do Brasil, pode ser vista como uma declaração que confirma esta última possibilidade.

Lançado o Le Terrible

Mais recente submarino nuclear francês será o último da classe



O submarino nuclear lança-mísseis-balísticos, o mais poderoso dissuasor francês, foi mostrado à imprensa nesta Segunda-feira em Cherbourg.

O Le Terrible, é o quarto e último navio da classe «Le Triomphant», classe constituida por quatro navios, o primeiro dos quais foi lançado em 1989.

Os navios têm um deslocamento máximo de 14.300 toneladas em imersão, uma velocidade máxima estimada entre os 25 e os 30 nós, utilizando como força motriz a energia provida por um reactor nuclear com uma potência de 150MW, juntamente com motores Diesel com 30MW.

Os navios desta classe, encontram-se entre os maiores submarinos europeus, sendo ultrapassados apenas pelos submarinos britânicos da classe «Vanguard», que deslocam 16.000 toneladas.

Sendo o último navio da classe, o Le Terrible é naturalmente mais moderno que os seus irmãos, dado estar a ser lançado quase 20 anos depois de o primeiro navio ter sido projectado.

A principal diferença no entanto, está nos «dentes» do sistema, pois em vez de utilizar os mísseis M-45 (alcance de 6.000km) o submarino vai utilizar o novo míssil francês M-51 que tem um alcance estimado entre 8.000 e 10.000km.

Cada submarino deste tipo, transporta até 16 mísseis, cada um deles com seis a dez ogivas, cada uma delas com uma potência equivalente a 100.000 toneladas de TNT [1].Os restantes três navios da classe também sofrerão alterações que vão permitir utilizar o novo míssil, que passará a ser o míssil nuclear balístico standard da França.

Os quatro submarinos são parte da força francesa de dissuasão, e dos quatro submarinos em operação, pelo menos um deles encontra-se algures no mar, podendo deslocar-se para qualquer ponto do globo rapidamente e lançar os seus mísseis contra qualquer ponto do planeta.

A capacidade de dissuasão francesa tem no entanto os seus custos e a manutenção desta capacidade por parte da França tem sido objecto de muitas críticas. Só desenvolvimento dos mísseis, sem as ogivas nucleares, teve um custo superior a 5.000 milhões de Euros e o custo total de manter esta força operacional, incluindo os submarinos, os mísseis e a manutenção, calcula-se entre os 20.000 e os 24.000 milhões de Euros.

[1] A bomba de Hiroshima, tinha uma potência equivalente a 12.000 toneladas.

Chavez pede crédito para comprar submarinos

Até 1.500 milhões, para comprar navios e aviões



O presidente da Venezuela Hugo Chavez, deverá viajar para a Rússia no próximo mês de Maio, onde assistirá à tomada de posse do novo presidente russo, e aproveitará o tempo para mais uma ronda de negociações e visitas, com o objectivo de tomar decisões relativas ao reequipamento das forças armadas da Venezuela.

A visita, que tem vindo a ser adiada porque Chavez pretende falar com o futuro presidente Medvedev, é igualmente relevante porque o presidente da Venezuela parece pretender negociar não só a compra de equipamentos, como o financiamento da sua compra através de crédito de 1000 milhões de dólares que espera obter dos russos.

Embora com um influxo constante de recursos provenientes do alto preço do petróleo, a Venezuela pretende evitar gastar grande parte desse dinheiro em projectos militares, preferindo utilizar os recursos para programas sociais presentemente em curso.

A Venezuela também tem em mãos um processo judicial internacional com empresas petrolíferas internacionais, nomeadamente com a Exxon, que contestou nos tribunais internacionais a decisão de nacionalização de campos petrolíferos. A Exxon, conseguiu imobilizar um total de 12.000 milhões de dólares que pertenciam à Venezuela, o que levou Chavez à fúria, ameaçando cortar as exportações de petróleo para ao Estados Unidos.

A decisão de bloquear o dinheiro foi entretanto levantada por um tribunal britânico embora a acção ainda esteja em discussão noutros países.

Entre os objectivos do governo de Hugo Chaves, especialmente no que diz respeito ao reequipamento da marinha venezuelana, está a aquisição de quatro submarinos do tipo «636», uma versão modernizada dos submarinos do tipo «Kilo», concebidos ainda no período da antiga União Soviética.

Os quatro submarinos, deverão ser construídos nos estaleiros Admiraltsky, de S. Petersburgo, onde já foram construídos os navios do tipo 877 (a versão mais antiga dos submarinos «Kilo») e também nos estaleiros de Komsomolsk-an-Amur, onde foram construídos alguns dos submarinos mais recentes.

Os projectos venezuelanos não se ficam pelo financiamento de submarinos, pois também existem planos para a aquisição de aeronaves de transporte do tipo IL-76, num número de doze unidades.

A Rússia também deverá propor a Chavez a compra de aeronaves Su-35, que poderão ser entregues a partir de 2010. Segundo a imprensa russa trata-se de negociações para a aquisição de aeronaves novas, mas existe também a possibilidade de se tratar de uma proposta de reposição dos Sukhoi Su-27 que a Venezuela adquiriu e com os quais, segundo várias fontes os militares venezuelanos não estão satisfeitos.

Com esses «adicionais», o total do financiamento pedido pela Venezuela à Rússia, pode atingir 1.000 a 1.500 milhões de dólares.

Fontes na Rússia, afirmam que a prestação de crédito à Venezuela, pode ser um negócio arriscado. Embora «nadando» em petróleo, aquele país sul americano não tem um regime político estável. Uma súbita mudança de governo ou instabilidade no país, pode levar a Rússia a ter que encarar mais um calote, como já ocorreu com outros casos de exportação de armamento.

Teremos 5 ou 6 porta-aviões

Chefe da marinha russa quer apostar forte, em força aeronaval



A questão da modernização ou reaparelhamento da marinha da Federação Russa, tem sido razão de declarações dispares de várias fontes muitas vezes conflituantes entre si.

As últimas afirmações sobre planos, foram produzidas pelo Alm. Vladimir Vysotsky, autoridade máxima na marinha russa.As declarações do almirante podem ser um resultado imediato da cimeira da Aliança Atlântica, em que mais dois países receberam o OK para aderir à organização, ao mesmo tempo que outros dois, ex-repúblicas da antiga União Soviética, a Geórgia e a Ucrânia.

Sendo historicamente uma potência continental, a Rússia afirmou-se pela primeira vez na cena mundial, exactamente através da construção da sua marinha de guerra no século XVIII. Após o fim da II guerra mundial, a União Soviética tentou competir com os Estados Unidos, criando uma força de superfície composta por navios com capacidade para transportar aeronaves de descolagem vertical e helicópteros.

Os planos soviéticos chegaram ao fim com o fim da URSS, mas embora todos os quatro porta-aviões de tamanho médio que foram construídos tenham sido abatidos, continuou ainda ao serviço um dos dois grandes porta-aviões que tinham começado a ser construídos no tempo da antiga URSS, o actual Admiral Kuznetsov.

Alguns rumores sobre o futuro das unidades navais da marinha russa, deram indicações de que o as autoridades da marinha, estariam mais inclinados para construir uma marinha com características mais costeiras, baseada em navios de menor calado, dando à marinha russa um cariz eminentemente defensivo.

Nas declarações que proferiu, o responsável russo, afirmou que está neste momento em estudo o perfil de navio que servirá de base aos futuros grupos navais, que a marinha russa terá em operação.

O numero apontado, de cinco ou seis, pode corresponder à intenção de construir navios de dimensões relativamente reduzidas, mas mais modernos e menos complicados. O actual Kuznetsov, é uma enorme montanha de cabos e sistemas de integração difícil, e que em muitos casos não podem funcionar de forma integrada. O seu principal radar MARS-Pasat, em teoria um concorrente do Spy-1/AEGIS, nunca chegou a funcionar e o navio continua a transportar grandes mísseis para defesa.

Analistas ocidentais consideram que não parece viável para a marinha russa a operação de cinco ou seis navios de grandes dimensões, considerando o tamanho do seu orçamento, e ainda mais quando nas mesmas declarações o almirante russo afirmou que o programa do míssil BULAVA-M continuava conforme previsto, depois dos atrasos que sofreu em 2007.

Isto implica uma intenção de continuar a apostar forte na arma submarina, o que só por si, reduz bastante as possibilidades da frota de superfície.

As afirmações do oficial russo, podem por isso ser apenas uma afirmação de intenções, com o objectivo de marcar posições junto a antigos e actuais adversários e acima de tudo junto dos antigos países da URSS, entre os quais a Ucrânia, país que ainda cede bases militares à Rússia no Mar Negro.

Marinha Portuguesa irá incorporar fragatas



A marinha portuguesa incorporará, futuramente, duas fragatas da classe Karel Dorman, as quais embora não possuam o sistema Mk-48 (fabricado pela United Defence), estão equipadas com lançadores verticais Mk-48 (fabricados pela Raytheon). O sistema Mk-48 Mod1/16 também permite acomodar 16 mísseis ESSM e com algumas alterações permite atingir 32 mísseis.

Turquia compra Lançadores verticais Mk-41 para fragatas Meko e OHP

Modernização custará 150 milhões de Euros



A marinha da Turquia foi autorizada a adquirir os sistemas necessários para levar a cabo a há muito esperada modernização das suas fragatas do tipo Meko-200/Barbaros e Oliver Hazard Perry, instalando a bordo desses navios multi-usos sistemas de lançamento vertical de mísseis do tipo Mk.41.

Dois dos sistemas serão instalados a bordo de navios do tipo Meko-200 (classe Barbaros), enquanto que os restantes quatro serão instalados em fragatas do tipo Oliver Hazard Perry (classe Gaziantep). Também serão modernizados os dois lançadores do tipo Mk-41 que já estão instalados a bordo de duas das fragatas Meko-200 turcas (Barbaros).

A Turquia tem ao serviço oito fragatas do tipo Meko-200, quatro das quais (classe Yavuz) são ligeiramente mais pequenas e estão equipadas com lançadores Mk-21. As outras quatro, (classe Barbaros) têm um deslocamento superior (mais 500 toneladas) e duas delas já estão equipadas com lançadores do tipo MK-41.

Este tipo de sistema de lançamento, permite aos navios que dele dispõem, lançar os seus mísseis (16 no caso dos navios turcos) a um ritmo muito maior que os sistemas baseados num lançador rotativo, permitindo assim aumentar a eficácia e a capacidade do navio se defender contra ameaças representadas por aeronaves de asa fixa e asa rotativa.

Mas a modificação vai também permitir a instalação a bordo dos navios turcos de mísseis ESSM.

Este tipo de mísseis aumenta muito consideravelmente o valor militar dos navios onde são instalados, por permitirem defender os navios de ameaças como mísseis anti-navio.

Os custos de modernização das fragatas não incluem a aquisição dos futuros mísseis, mas é certo que pelo menos as quatro fragatas Meko-200 turcas da classe Barbaros, serão equipadas com mísseis ESSM.

Ao contrário dos sistema de lançamento do tipo Mk-21 que disparam um míssil Sea-Sparrow, de cada um dos seus oito casulos, o lançador MK-41 pode lançar dois mísseis ESSM[1] de cada um dos seus 16 casulos, tendo portanto capacidade para lançar até 32 mísseis.

A instalação dos sistemas de lançamento, é igualmente acompanhada pela instalação de novos sistemas de controlo de tiro, que permitirão guiar os novos mísseis com maior precisão.

As fragatas do tipo Meko-200 foram concebidas desde o início para incorporar este tipo de lançadores verticais, mas as fragatas da classe Oliver Hazard Perry, não foram concebidas com este fim. No entanto, elas estão a ser submetidas a um processo de modernização de sistemas que permitirão que estes navios continuem na activa pelo menos até 2020.

[1] Dependendo da variante há casulos para o sistema Mk-41 que permitem acomodar quatro mísseis ESSM.

11 abril 2008

Jobim afirma que presidente Lula tem pressa em solucionar problemas das Forças



Roberta Belyse

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta terça-feira (8/04) durante a tradicional solenidade de apresentação dos oficiais-generais recém-promovidos ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que as questões orçamentárias e de reaparelhamento das Forças estão entre as prioridades do governo. “O presidente Lula tem pressa na solução dos problemas orçamentários e na definição do almejado reaparelhamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica”, afirmou.

Segundo Jobim, a modernização das Forças está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do País, e deverá ocorrer sob as diretrizes do Plano Estratégico Nacional de Defesa, a ser apresentado em sete de setembro. “Eu e os Comandantes das três Forças, conforme determinação expressa do senhor presidente, estaremos permanentemente unidos na discussão dos termos de Defesa”, disse o ministro, aos 66 oficiais promovidos (21 da Marinha, 16 do Exército e 29 da Aeronáutica). De acordo com Jobim, o Plano Estratégico de Defesa, o reaparelhamento das Forças e os assuntos orçamentários são os principais pontos a serem tratados.

A cerimônia, que aconteceu no Palácio do Planalto, contou com a presença, além do presidente Lula, do Vice-presidente, José Alencar, dos Comandantes da Marinha, Almirante-de-Esquadra, Júlio Soares de Moura Neto; do Exército, General-de-Exército, Enzo Martins Peri; da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito; e do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, General Jorge Armando Felix.

Durante o discurso, Nelson Jobim, enalteceu a indicação dos novos oficiais-generais promovidos. “Esses profissionais são vitoriosos na carreira das armas, foram avaliados pelo Alto Comando de suas Forças que reconheceu a competência, a dedicação, a seriedade, a lealdade, a inteligência e os bons serviços prestados, colocando-os entre os melhores e os indicando para que prosseguissem nessa brilhante carreira”, elogiou.

O ministro ainda anunciou que na próxima semana ele irá à Venezuela, Guiana e Suriname para dar seqüência às discussões sobre a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, que será baseado, segundo ele, no princípio da soberania, autodeterminação, não-interversão em assuntos internos e inviolabilidade territorial. “A Indústria nacional de material de defesa necessita de um mercado regional para se desenvolver e ter afirmação neste país”, completou.

O ministro finalizou seu discurso dizendo que as Forças Armadas brasileiras são o grande nivelador republicano, e concluiu: “O país precisa pensar grande. É hora de pensar grande, com arrogância e com audácia”. Na manhã desta terça-feira, o ministro também participou, no Clube do Exército, da cerimônia de entrega de espada aos novos Generais-de-Brigada.

Jobim e Mangabeira Unger expõem na Câmara propostas para Conselho Sul-Americano de Defesa e Plano Estratégico de Defesa



Cristiana Nepomuceno

Elaboração de políticas comuns de defesa e intercâmbio de pessoal, realização de exercícios militares conjuntos e participação conjunta em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Essas poderiam ser algumas das atribuições do Conselho-Sul Americano de Defesa, cuja criação começará a ser discutida a partir da semana que vem pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Ele viajará a Venezuela para debater o tema com o ministro daquele país, Hugo Chávez, e, em seguida, visitará os demais países da América do Sul (Guiana, Suriname, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina).

A proposta brasileira de criação do Conselho Sul-Americano de Defesa foi um dos temas apresentados por Jobim na manhã desta quarta-feira (9/04) aos deputados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados em audiência pública. O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, também participou da audiência pública convocada para que os ministros pudessem falar das viagens que fizeram a França, Rússia, Estados Unidos, Índia e Grã-Bretanha com o objetivo de colher subsídios para a formulação do Plano Estratégico Nacional de Defesa.

Segundo Jobim, um dos principais objetivos do Conselho Sul-Americano é contribuir para que os países que possam formular, no médio e longo prazos, uma identidade sul-americana no campo da defesa, de forma a fortalecer o continente. “Ninguém de nós tem condições de falar pela América do Sul, que tem condições de falar pela América do Sul é a integração de seus países. E a formação de uma identidade sul-americana de defesa é fundamental, respeitadas as características dos países”, frisou Jobim.

No que diz respeito ao intercâmbio de militares, Jobim destacou que Marinha, Exército e Aeronáutica já fazem isso, mas a troca de informações e experiências na área de defesa deveria ser uma política do continente e não uma política que venha de decisões das Forças. “Formação e treinamento de pessoal são fundamentais”, disse o ministro.

Outro tema que poderia ser discutido pelo Conselho é a integração das bases industriais de defesa dos países. “Discutir a possibilidade de integrar, para efeito de escala, a base industrial de defesa, para que os países possam ser economicamente concorrentes no mundo todo. Se nós não pensarmos nisso estaremos pensando pequeno, o Brasil tem a obrigação de pensar grande”, completou. Outra idéia para o conselho seria a articulação e coordenação de posições comuns em fóruns internacionais. “Por que o continente não fala uma voz só? Por que não podemos nos coordenar de forma tal que todos os países sul-americanos tenham uma voz só? E aí podemos fazer com que esse continente tenha uma posição”, destacou Jobim.

Plano Estratégico Nacional de Defesa - O ministro da Defesa explicou aos parlamentares que os principais objetivos do Plano Estratégico Nacional de Defesa é inserir a defesa nacional e o papel das Forças Armadas na agenda nacional e ajudar a sociedade a refletir sobre que Forças Armadas o país precisa. Para formular o plano, foi instituído um comitê do qual Jobim é o presidente e Mangabeira Unger o coordenador. O comitê também conta com a participação dos Comandantes das Forças Armadas e dos ministros do Planejamento, Fazenda e Ciência e Tecnologia.

Segundo Jobim, o comitê resolveu estruturar a formulação do Plano Estratégico a partir de hipóteses de uso das forças e a partir de definições sobre em que situações e quais as tarefas devem as Forças Armadas desempenhar na defesa brasileira. “O que é fundamental é saber que às Forças competem estabelecer ao poder civil as probabilidades estratégicas do enfrentamento de problemas. Agora, a definição das hipóteses de uso são definições que têm que vir do poder civil”, destacou o ministro.

Ele lembrou que a formulação do plano tem sido bastante debatida com as Forças Armadas. “Os militares estão absolutamente dispostos a discutir, estão transparentemente dispostos a isso, porque têm a concepção de nacionalidade, de brasilidade muito forte, tendo em vista a educação e a formação que têm”, comentou o ministro.

O ministro Mangabeira Unger destacou que nunca houve no Brasil uma grande discussão nacional a respeito da defesa e, agora, na avaliação dele, é preciso que o país faça esse debate. De acordo com Mangabeira, dois compromissos guiam a tarefa do comitê encarregado de elaborar o Plano Estratégico Nacional de Defesa: a reorganização das Forças Armadas em torno de uma vanguarda tecnológica e operacional e estabelecer, no imaginário do país, a causa da Defesa como uma causa inseparável do desenvolvimento nacional.

“Temos uma tarefa pedagógica e persuasiva e, ao nos depararmos com esses dois compromissos, temos que combater a ilusão de que a tarefa é simplesmente aparelhar as Forças. O aparelhamento é uma conseqüência da estratégia de defesa”, disse o ministro.

Em relação ao aparelhamento das Forças, Jobim também fez questão de frisar que não se pode pensar um país com força dissuasória sem uma indústria básica de defesa autônoma. “Nós precisamos ter uma capacitação nacional nessa área para termos efetivamente capacidade dissuasória”. Por isso, na visão do ministro, as negociações com países estrangeiros para compras de equipamentos precisam considerar a transferência de tecnologia para o país. “O Brasil não é comprador de instrumentos de defesa de prateleira. Nós não vamos ao supermercado internacional para tirar da prateleira. O que nós queremos é a capacitação nacional, mesmo que isso eventualmente nos custe mais”, disse Jobim.

Segundo o ministro da Defesa, a transferência de tecnologia foi discutida nas viagens que ele e Mangabeira Unger fizeram aos cinco países. “Nós deixamos claro que não somos compradores, somos parceiros”, afirmou. Na parte da tarde, os dois ministros concederam uma entrevista a jornalistas no auditório do Ministério da Defesa na qual esclareceram dúvida e deram mais detalhes do Plano Estratégico Nacional de Defesa.

Ação na Justiça pede reajuste para recrutas



Anualmente, cerca de cem mil jovens brasileiros do sexo masculino (com até 18 anos de idade) ingressam nas Forças Armadas para prestar o serviço militar obrigatório com um ano de duração. Neste período, recebem uma remuneração mensal bruta de aproximadamente R$ 207,00, o equivalente a 49% do salário mínimo nacional.

Para aumentar os vencimentos deste grupo, uma ação civil pública foi interposta na Justiça Federal de Santa Maria. O objetivo é fazer com que a União passe a pagar aos jovens recrutas, a partir de 2009, uma remuneração maior do que os R$ 415,00 (do mínimo nacional).

A ação - movida em conjunto pela Defensoria Pública da União e pelo Ministério Público Militar (MPM) e Federal - tem como referência uma lei de 1991 que estendeu, a todos os militares, o benefício de receber um soldo acima do salário mínimo. Só que, um ano depois, a legislação foi alterada e excluiu dos beneficiários apenas os recrutas.

"Como esta categoria é composta, na maioria, por jovens de baixa renda, retirar um direito social que eles conquistaram é um retrocesso social. Por isso, entramos com a ação com base no chamado Princípio da Proibição do Retrocesso Social", explica Soel Arpini, promotor do MPM.

A idéia surgiu após a conclusão de um inquérito militar que apurou o crescente índice de deserção entre os recrutas que cumpriam o serviço obrigatório em Santa Maria. "De seis casos em 2002, o número saltou para 64 em 2006", lembra Arpini.

Segundo o promotor, a principal alegação dos desertores se refere à insuficiente remuneração. "O soldo não atende às necessidades básicas e, por causa disso, eles têm que fazer os chamados bicos para complementar a renda e ajudar no sustento das famílias", comenta.

Pelos cálculos do MPM, caso a Justiça decida favoravelmente, a União teria que arcar com um gasto extra de cerca de R$ 240 milhões por ano. "Para que o governo federal possa preparar o projeto de orçamento da União já com esta previsão, decidimos pedir para que o reajuste inicie em 2009", destaca Arpini.

O comandante militar do sul, José Elito Siqueira, reconhece que o soldo dos recrutas é baixo. "Na semana que vem deve ser anunciado o reajuste para os militares. Isso vai melhorar um pouco a situação dos jovens soldados, mas ainda não é a ideal", afirma o general-de-Exército.

06 abril 2008

EUA modernizarão forças armadas polonesas em troca de escudo antimísseis


Washington, 10 mar - Os Estados Unidos e a Polônia chegaram hoje a um acordo pelo qual Washington ajudará a modernizar as Forças Armadas polonesas em troca de que Varsóvia acolha componentes do sistema de defesa contra mísseis que os americanos querem instalar no Leste Europeu.

O anúncio foi feito pelo presidente americano, George W. Bush, em entrevista à imprensa após sua reunião com o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, no Salão Oval da Casa Branca.

"Haverá este esforço de modernização que vai acontecer", disse o governante americano.

As conversas sobre o escudo antimísseis, iniciadas há mais de um ano pelo ex-primeiro-ministro polonês Jaroslaw Kaczynski, estavam bloqueadas.

Varsóvia exigia que os EUA colaborassem generosamente na modernização de suas forças armadas, o que incluiria novo armamento e mísseis Patriot, em troca de aceitar o desdobramento proposto por Washington.

Nem Tusk nem Bush quiseram dar detalhes sobre a modernização com a qual os Estados Unidos concordaram, com o argumento de que os técnicos de ambos os lados é que entrarão em acordo para garantir que "o povo da Polônia se sinta confortável" com o resultado.

De qualquer forma, o escudo "respeitará a soberania da Polônia", insistiu o presidente americano, que defendeu o projeto como "necessário para fazer frente à realidade" e a possíveis ataques de países inimigos.

"Nossa intenção é cooperar em todos os aspectos da segurança global, tanto americana como polonesa, e um elemento desta segurança é o sistema de defesa antimísseis", afirmou Tusk.

Segundo o primeiro-ministro polonês, o que permitiu superar o ponto morto foi sua "convicção de que tanto o presidente americano como o povo dos EUA entendem claramente nosso ponto de vista, e aceitam a posição da Polônia no princípio de cooperação".

Os Estados Unidos pretendem instalar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia e seu sistema de radar controlador na República Tcheca, com o objetivo de evitar possíveis ataques que possam partir de algum dos países do chamado "Eixo do mal".

Bush se reuniu há duas semanas com o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, sem conseguir fechar o acordo para a instalação do radar.
Os dois líderes ressaltaram então que apenas "três palavras" lhes separavam nas negociações sobre as normas pelas quais os funcionários americanos que trabalhassem no radar em território tcheco seriam regidos.

Em troca de aceitar o desdobramento do radar em seu território, a República Tcheca quer ter acesso à tecnologia militar americana.
O Governo dos Estados Unidos defende o plano com o argumento de que o sistema é imprescindível para proteger o país e seus aliados europeus de possíveis ataques de nações hostis.
Este projeto foi fonte de atrito com a Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, é categoricamente contra o plano, por considerar que se trata de uma ameaça à segurança russa.
A Rússia ameaçou inclusive apontar seus mísseis para a Polônia e a República Tcheca se o plano se concretizasse.

Embora a República Tcheca tenha se mostrado em geral favorável ao desdobramento, na Polônia o entusiasmo parece ter diminuído desde a chegada ao poder do primeiro-ministro Donald Tusk, no ano passado.

Tusk tinha advertido em fevereiro que a Polônia aceitaria ser base do escudo antimísseis só se Washington acatasse suas condições, entre elas que os Estados Unidos colaborem na modernização do Exército polonês e na segurança militar do país.
"Ou nossas condições e nossas solicitações são levadas em conta, ou não haverá escudo antimísseis em nosso território", disse então o primeiro-ministro.

Uma vez que os dois países cheguem a um acordo, seus respectivos Parlamentos deverão ratificá-lo.

China negocia o fornecimento de caças JF-17 "Thunder" para 20 países

MOSCOU, 27 de fevereiro. (ARMS-TASS).


Cerca de 20 países da África e da Ásia demonstraram interesse em adquirir o caça leve JF-17 "Thunder", declarou à revista britânica Jane's Defense Weekly o o presidente das corporações chinesas CATIC, Yang Ing.

Atualmente, as corporações chinesas CATIC I e CATIC II vendem equipamentos para clientes militares em mais de 40 países. Segundo Yang Ing, pelo menos metade destes expressaram interesse na compra do JF-17. Isso implica que estes países se encontram essencialmente na Ásia e na África.
Confiança no potencial de exportação do novo avião se apóia no fato que muitas forças aéreas do terceiro mundo terão que aposentar modelos de caças obsoletos de suas frotas e que na sua substituição não terão como adquirir aviões ocidentais primordialmente pela questão preço (o caçar JF-17 "Thunder" custa um terço do preço de um F-16 "Fighting falcon" fabricado nos EUA).
Ya Ing se recusou a identificar os países com que eles negociam o caça JF-17 da CATIC, mas adicionou que sua empresa oferece um grande leque de produtos para uso militar que foram vendidos para, Paquistão, Sri Lanka, Mianmar, Laos, Tailândia e Indonésia. Os chineses também se encontram no processo de vender veículos blindados para as Filipinas.

Yang Ing salientou que a China não identifica "nenhum problema" com a instalação das turbinas aeronáuticas russas RD-93. Anteriormente houve informações de que a Rússia teria retirado sua autorização para a re-exportação destas turbinas. No entanto, Ing disse que em principio não existem problemas com a exportação destes motores, uma vez que sua venda foi consentida nos contratos que foram assinados anteriormente.

IAI irá fornecer um 767 reabastecedor para a Colombia

Base Militar

Por Arie Egozi

A Fuerza Aérea Colombiana deve receber um Boeing 767-300 usado convertido para tarefa de REVO e de transporte VIP pela Israel Aerospace Industries. O acordo segue um contrato recente avaliado em USD$230 milhões, sob o qual esta companhia irá fornecer à Colombia 24 caças Kfir previamente usados pela Força Aérea Israelense além de atualizar outros Kfir em uso atualmente pela Colômbia. Fontes israelenses dizem que o 767 será equipado com o sistema de REVO probe & drogue.

Rússia financiará a compra de submarinos pela Venezuela afirma jornal

Blog Naval

A Venezuela está negociando com o governo de Moscou um empréstimo de aproximadamente 800 milhões de dólares para financiar parcialmente a compra de quatro submarinos Classe 636, anunciou o jornal russo Kommersant na última sexta-feira (4/4).

A assinatura do acordo para a aquisição dos submarinos deverá acontecer na próxima visita do presidente venezuelano Hugo Chavez à Moscou, quando ele participará da posse do presidente eleito Dmitry Medvedev, marcada para o dia 7 de maio.

Além dos submarinos, Chavez ainda negocia a compra de 12 aviões de transporte Il-76.

EMBRAER ENTREGA 23º JATO F-5 MODERNIZADO À FAB

Metade dos caças F-5 da FAB já completaram o Programa de Modernização

São José dos Campos, 31 março de 2008 – A Embraer entregou o 23º caça F-5 modernizado à Força Aérea Brasileira (FAB). A aeronave decolou da Unidade Gavião Peixoto da Embraer e integrou-se ao Esquadrão Pampa, na Base Aérea de Canoas, no Estado de Rio Grande do Sul.
Estes caças F-5 são atualmente designados F-5M pela FAB.

“É com muito orgulho que alcançamos este importante marco na modernização da frota de F-5 da Força Aérea Brasileira, contribuindo com um aumento qualitativo em termos de prontidão, capacidade operacional e suporte contínuo a esse importante vetor da defesa aérea da nossa Nação”, disse Luiz Carlos Aguiar, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo.

O primeiro avião chegou da FAB para a Embraer em fevereiro de 2001 e foi utilizado como protótipo para as fases de desenvolvimento e testes do Programa F-5BR. Os esquadrões completos de F-5M deverão estar plenamente em operação em 2009, prontos para voar com a mais moderna tecnologia durante pelo menos mais 15 anos.

Sobre o Programa F-5BR

A frota de caças F-5E e F-5F foi incorporada pela FAB no início dos anos 70. Com a
finalidade de fornecer maior capacidade operacional requerida para pelo menos mais 15 anos de vida útil, foi criado um programa para sua modernização.

Este programa envolve a modernização de 46 caças F-5E (para apenas um piloto) e F-5F (com dois assentos). Cada avião recebe um novo conjunto de aviônicos que inclui sistemas de navegação/armamentos e pontaria/auto-defesa, computadores e radar multimodal. Melhorias estruturais e padronização dos armamentos com o de outras aeronaves da frota da FAB também foram realizados.

Após a conclusão da modernização, a designação militar da FAB para os jatos será F-5EM (para apenas um piloto) e F-5FM (com dois assentos).

A cabine de pilotagem do F-5M é projetada para atuar sob qualquer condição climática, durante o dia ou à noite. A configuração permite o acionamento de todos os controles através do manche (conceito HOTAS – Hands On Throttle and Stick - mãos na manete e no manche).

Dois computadores de alto desempenho e um sistema de navegação INS/GPS também estão incluídos. Três monitores coloridos multifuncionais e um capacete do tipo Helmet Mounted Display (HMD) fornecem ao F-5M a melhor interface homem-máquina disponível. Todos os painéis e o sistema de iluminação foram projetados para a utilização com óculos de visão noturna.
Além do alto grau de integração dos sistemas, vários outros itens importantes também foram modernizados, tais como o radar multifunção de busca e monitoramento de longo alcance, a precisão dos armamentos ar-terra, o receptor de alerta radar (Radar Warning Receiver – RWR), rádio-comunicações criptografadas, para proteger a transferência de dados entre as aeronaves F-5M e R-99A de alerta aéreo antecipado, da FAB, ou as estações de terra, os sistemas de geração de oxigênio a bordo (On-Board Oxygen Generation System – OBOGS) e gerenciamento de combustível.

O desenvolvimento da eletrônica possibilitou uma redução significativa no tamanho e no peso dos componentes a bordo, com a substituição de itens antigos por novos. A única mudança externa perceptível é o novo e mais longo cone de nariz da aeronave, cujo interior abriga uma antena maior do radar.

Ofertas Finais para os Helicópteros de Ataque Entregues


Foram entregues para a FAB na terça-feira (01Abril), pelos fabricantes as ofertas finais dos helicópteros de ataque. Os dois modelos que permanecem na concorrência são o italiano AgustaWestland AW129 e o russo Mi-35M.

A decisão referente aos helicópteros de transporte ficou em suspenso até ser avaliada pelo governo a oferta da EADS/Eurocopter para a abertura de uma linha de produção local do Super Cougar.

Equipes da FAB já testaram os dois modelos nas instalações dos fabricantes, tanto na Itália como na Rússia.

A decisão final deverá sair em fins de Abril ou início de Maio. A velocidade e manutenção das datas pela FAB, tem surpreendido positivamente os fabricantes.