28 junho 2008

Argentina e Chile buscam cooperação militar



Nesta quarta-feira, a ministra da Defesa da Argentina, Nilda Garré, e o general Iván Fabry Rodríguez, chefe do Estado-Maior da Defesa do Chile, deram início à XII Reunião de Interconsulta sobre Temas Militares entre os dois países.

No âmbito deste mecanismo, Argentina e Chile realizaram o exercício “Solidariedade”, entre os dias 20 e 24 de outubro, em Buenos Aires. Diversos ministérios e agências dos dois governos vão participar da operação que visa preparar as forças militares para situações de emergência.

Observadores brasileiros, bolivianos e paraguayos também participaram do treinamento.

Os respectivos estados-maiores, por sua vez, se reuniram para avaliar os avanços alcançados pela Força Binacional de Paz “Cruz do Sul”, criada em 2006 e integrada por militares de ambas as Forças Armadas, constituindo-se, segundo o Ministério da Defesa argentino, “numa importante medida de cooperação e integração”.

Argentina e Chile integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e desenvolvem em conjunto, o programa SIMUPAZ, uma ferramenta informática que permite a preparação de pessoal para as operações de paz.

27 junho 2008

Governo brinca com militares, diz pesquisadora

Para Maria Celina D'Araújo, Forças Armadas são empurradas a funções que não são delas

Cientista política também diz achar grave o uso do Exército em um projeto que beneficia eleitoralmente um político da base aliada.



ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Para a cientista política Maria Celina D'Araújo, do Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da FGV, o episódio com os jovens do morro da Providência assassinados após serem detidos pelo Exército precisa ser tratado como grave crise institucional de uso eleitoral das Forças Armadas para beneficiar um grupo político.

Autora de estudos e livros sobre a atuação das Forças Armadas, ela diz que o governo Lula tem empurrado os militares a funções que não são as deles e que eles não querem assumir, como o papel de polícia ou a atuação em projetos sociais.

Segundo Maria Celina, estão "brincando" com as Forças Armadas, desvirtuando-as de sua função como se fossem a solução para todos os problemas.

FOLHA - Em 2006, quando o Exército ocupou o morro da Providência para tentar recuperar fuzis roubados, a senhora disse, em entrevista à Folha, que a atuação nas ruas por tempo indeterminado era um risco alto e que, em todas as vezes em que isso ocorreu, eles acabaram respondendo por abusos de poder. Não foi isso que aconteceu agora?

MARIA CELINA D'ARAÚJO - O que eu sempre disse foi que um soldado não é treinado para atuar como polícia. Quando isso acontece, acabam surgindo problemas de abuso de poder.

Além disso, quando se põe um soldado para combater o narcotráfico, há sempre o risco de contaminação e de ele se envolver com os traficantes. Foi o que ocorreu na Bolívia, na Colômbia, no Paraguai e nos países que colocaram os militares para combater bandidos. Isso não foi uma profecia, mas um diagnóstico comum aos chefes militares que conheço.

Neste caso específico da Providência, o que considero mais grave é o fato de os militares estarem trabalhando num projeto político para beneficiar um candidato [à prefeito da cidade] que é do partido do vice-presidente da República e ex-ministro da Defesa [José Alencar].

É inédito no Brasil ver as Forças Armadas usadas em projetos nitidamente político-eleitorais. Já tivemos experiências de intervenções dos militares em comunidades e acusações de abuso de poder, mas seu uso como braço de um partido ou até de uma igreja [Marcelo Crivella, do PRB, é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus], é a primeira vez. É muito grave.

FOLHA - Os militares têm interesse em exercer essas funções?

MARIA CELINA - Não acredito. Militar não quer subir morro para combater bandido ou fazer serviço social. São atividades que a sociedade precisa, mas ela tem os órgãos certos para cada função.

O que a gente observou no governo Lula foi um retrocesso do ponto de vista da política militar, que foi o uso político-eleitoral das Forças Armadas, contra a vontade dos militares, que têm que obedecer. Isso reflete uma falta de compreensão da nossa classe política.

Estão brincando com as Forças Armadas como se elas fossem uma agência a ser usada a serviço de qualquer problema social, econômico, de transporte ou de saúde. Claro que em todo mundo elas podem cooperar nessas atividades, mas aqui estão banalizando isso.

FOLHA - A imagem do Exército fica arranhada?

MARIA CELINA - Sim. Pelo que me lembro, foi a primeira vez desde o fim da ditadura que as pessoas jogaram pedras no Exército. Há, sem dúvida, um crime a ser investigado porque um tenente se comportou como marginal. O comandante das operações também deve ser questionado por não ter tido capacidade de controlar seus homens.

Suponho que as Forças Armadas, que são profissionais, não vão acobertar o caso como se fazia no regime militar. Todos terão que pagar pelo que fizeram, mas o que eu estou querendo chamar a atenção é que eles não deveriam estar naquele lugar. Há no episódio uma questão fundamental a ser debatida que é o uso que estamos fazendo de nossas instituições.

CRIME: EXÉRCITO NÃO PODE TER PAPEL DE POLÍCIA, DIZ TARSO GENRO

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou a ação dos militares no Rio como uma "tragédia absolutamente lamentável", apesar de ressaltar que o caso ocorrido não está ligado à sua pasta. Segundo ele, o episódio "comprova a visão do presidente Lula, majoritária na sociedade, de que as Forças Armadas não são aptas para tratar de segurança pública". Depois, Tarso relativizou, ao dizer que os militares estavam dando proteção aos trabalhadores [também militares] que realizavam as obras. "As Forças Armadas vão obviamente tomar todas as providências duras para punir esses responsáveis."

Historiador não descarta a atuação do Exército em questões de violência urbana

Para o historiador José Murilo de Carvalho, autor do livro "Forças Armadas e Política no Brasil", apesar da falta de transparência e dos resultados desastrosos do Exército no morro da Providência, o uso das Forças Armadas em questões de violência urbana ou em ações sociais não deve ser descartado.

"Dizer que elas não estão preparadas leva à pergunta sobre se as duas polícias [civil e militar do Rio] estão. Por relatórios que se tem da atuação das Forças Armadas no Haiti, ela tem sido bastante exitosa. Poderia ser o caso de usar essa experiência no Rio. Mas toda a cautela é pouca para evitar danos à população, às Forças Armadas e ao Estado de Direito."

O fundador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, Geraldo Cavagnari, também defende que não é fora de propósito o emprego de Exército na segurança pública. Ele diz, no entanto, que isso só deve acontecer em situações excepcionais e por um período de tempo determinado.

"A sociedade, quando emprega as Forças Armadas em ações policiais, deve estar ciente de que, antes de pacificar uma região, elas vão combater os grupos criminosos, e matar em combate não é um desatino. No caso de uma reviravolta muito grande, podem até ser chamadas, mas segurança pública não é um problema militar", diz.

Carvalho e Cavagnari também concordam que as Forças Armadas podem ser usadas, secundariamente, em ações sociais. Para o pesquisador da Unicamp, que é também coronel da reserva, isso é comum na região amazônica.

"As Forças Armadas consomem recursos do contribuinte. Na ausência de emprego militar na defesa externa, não é fora de propósito o uso tópico delas em outras atividades. A Constituição prevê isso. Mas tem que ser feito com total transparência. Não foi o que se deu na Providência", diz o historiador. (AG)

Políticos exigem que EUA retirem arsenal nuclear da Alemanha

Após estudo da Força Aérea dos EUA apontar falhas nos depósitos americanos de armas nucleares na Europa, social-democratas e oposição em Berlim exigem completa retirada de armas atômicas norte-americanas da Alemanha.


"Armas nucleares na Alemanha são resquícios da Guerra Fria e têm que ir embora", afirmou o presidente do Partido Liberal (FDP), Guido Westerwelle, na edição desta segunda-feira (23/06) do diário Berliner Zeitung.

A razão da exigência de Westerwelle é um estudo encomendado pelas Forças Aéreas dos Estados Unidos e publicado pela Federação de Cientistas Americanos (FAS). Segundo o estudo, a maioria dos depósitos norte-americanos de armas nucleares na Europa não corresponde a padrões mínimos de segurança estabelecidos pelo Pentágono.

A Base Aérea de Büchel, no Oeste Alemão, seria um dos arsenais em que foram constatados problemas. Políticos social-democratas e dos partidos da oposição alemã exigem agora a completa retirada dos arsenais nucleares norte-americanos do país.

Conseqüência do relatório

O estudo divulgado pela FAS foi encomendado pelas Forças Aéreas norte-americana depois que, em agosto de 2007, uma avião transportou seis ogivas nucleares através dos Estados Unidos sem que o comando das Forças Aéreas tivesse sido informado. A FAS estima que os americanos possuam de 200 a 350 bombas atômicas na Europa. Segundo a revista alemã Focus, dez a vinte bombas deste arsenal estariam armazenadas em Büchel.

Na Europa, fora da Alemanha, os Estados Unidos possuem arsenais nucleares espalhados pela Bélgica, Reino Unido, Itália, Países Baixos e Turquia. Como primeira conseqüência do relatório, explicam os cientistas, os EUA planejam concentrar suas armas atômicas em um número menor de depósitos na Europa.

Entre os pontos falhos apontados pelos cientistas estão problemas com o sistema de segurança, a vedação e a estabilidade dos edifícios. Em um dos casos, soldados em serviço militar obrigatório teriam sido escalados, após somente nove meses de treinamento, para proteger as armas contra roubo.

Transformação em sucata

Se existem riscos de segurança, esta é mais uma razão para que se retirem todas as armas atômicas táticas existentes ainda na Alemanha", comentou Westerwelle, acrescentando que o governo em Berlim deveria procurar rapidamente uma solução juntamente com os Estados Unidos. Segundo o político liberal, a retirada também poderia ser um sinal de novos esforços de desarmamento na Europa. Críticas também partiram de políticos do Partido Verde e da Esquerda.

Além da remoção de todas as armas nucleares, o vice-líder da bancada dos Verdes, Jürgen Trittin, exige que as Forças Armadas Alemãs retirem seu compromisso de participar de uma eventual guerra nuclear ao lado da Otan.

O chefe da bancada do partido A Esquerda, Gregor Gysi, é da opinião de que o governo alemão deveria exigir dos Estados Unidos a imediata retirada dos arsenais nucleares e, se possível, sua transformação em sucata. A Alemanha e a Europa estariam assim em segurança. Segundo Gysi, as falhas nos depósitos de bombas atômicas demonstram que "com armas nucleares não existe segurança".

Avanço do desarmamento nuclear

Já entre os partidos que compõem o governo de grande coalizão na Alemanha, as opiniões se dividem. O deputado Niels Annen, especialista em relações internacionais do Partido Social Democrata (SPD), afirmou que a retirada seria um grande passo no avanço do desarmamento nuclear.

Quanto ao tema, os partidos conservadores que também formam a grande coalizão se mostraram bastante reticentes. Eckart Von Klaeden, porta-voz de política de relações exteriores da bancada conservadora, afirmou que as armas teriam que ser armazenadas, naturalmente, segundo os mais elevados padrões de segurança.

Em entrevista ao Berliner Zeitung, o porta-voz acresceu, no entanto, que "enquanto houver armas nucleares no mundo, nós não podemos dispensá-las. Elas também nos protegem".

Agências (ca)

Seqüestro de alemães na Somália gera debate sobre competências da Marinha



O governo alemão confirmou o seqüesto de dois alemães num iate na costa da Somália. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse em Berlim que o caso está sendo investigado e ainda não foi esclarecido se pessoas de outras nacionalidades se encontravam na embarcação. Autoridades locais na Somália acreditam que piratas praticaram o rapto para exigir resgate.

O seqüestro gerou um debate na Alemanha sobre a ampliação das competências da Marinha alemã, cujos navios patrulham a região no âmbito da missão Enduring Freedom, de combate ao terrorismo. Os democrata-cristãos da coalizão de governo em Berlim sugerem que a Marinha ajude no combate aos piratas na costa da Somália, que já se tornaram um problema de dimensões internacionais. Os social-democratas, parceiros na coalizão, criticam a sugestão. (rw)

Depósitos de armas atômicas dos EUA na Europa não são seguros



A maior parte dos depósitos de armas atômicas mantidos pelos Estados Unidos na Europa não corresponde aos padrões mínimos de segurança da Secretaria da Defesa dos EUA.

A informação foi divulgada pela Federação dos Cientistas Norte-Americanos (FAS) em seu website. O estudo da organização revelou problemas nos sistemas de segurança, no cercamento e forma de construção dos locais de armazenamento, entre outros pontos.

A FAS calcula entre 200 e 350 o número de bombas atômicas dos EUA na Europa. As bases em questão localizam-se na Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália, Reino Unido e Turquia. (av)

Brasil negocia venda de aviões militares à Argélia



Denise Chrispim Marin

Brasil e Argélia deverão firmar, nos próximos meses, um acordo comercial na área de defesa que permitirá a exportação de equipamentos, aviões, armas e veículos militares fabricados pela indústria brasileira. O início das negociações foi acertado ontem, em Argel, durante encontro entre o chanceler brasileiro, Celso Amorim, e o ministro argelino da Defesa, Abdelmalek Guenaiza. Pouco antes da audiência, o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, fez questão de telefonar para Guenaiza para dar seu aval à negociação.

A intenção do Brasil de atender a parte da demanda argelina por equipamentos de defesa começou a ser explorada em agosto de 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o país africano. No mês seguinte, uma primeira comitiva do Ministério da Defesa da Argélia, comandada pelo general Abdelhamid Bouhidel, visitou indústrias brasileiras de material militar ao longo de nove dias. A avaliação sobre um possível acordo prosseguiu com o desembarque no Brasil, em março, de uma nova delegação argelina - que visitou a Embraer, as empresas que compõem a base industrial nacional de defesa e o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Segundo uma nota emitida na ocasião pelo Ministério da Defesa, o acordo comercial poderá incluir a compra de aviões e de equipamentos militares brasileiros pela Argélia. Na ocasião, o chefe do Estado-Maior argelino, general Ahmed Gaid Salah, propôs a Jobim o aprofundamento da cooperação nessa área. Jobim teria deixado claro que esse acordo seria de total interesse do Brasil.

Exército tenta regularizar 3.000 posses na Amazônia

Varredura de 30 mil km2 será no Pará, em região conhecida pelo alto índice de violência

Operação começa dia 6, em parceria com o Incra, e deve custar R$ 9 mi; objetivo é regularizar áreas próximas às obras do PAC, na BR-163



MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em mais uma tentativa de regularização fundiária da Amazônia, o governo promoverá a "varredura" de uma área de 30 mil quilômetros quadrados, equivalente a 20 vezes a cidade de São Paulo, apurou a Folha. Tropas do Exército serão deslocadas para o Pará a partir do dia 6. Três dias depois, começa o trabalho de campo na região da BR-163, conhecida pelo alto índice de violência e grilagem de terras públicas.

A operação, em parceria com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), custará R$ 9 milhões e consumirá 90 mil litros de óleo diesel na identificação dos ocupantes de oito glebas da União: Curuá, Curuaés, Gorotire, Cachimbo, Sumauma, Leite, Imbauba e Jamanxim, de acordo com plano acertado com o Ministério da Defesa.

A ação cobrirá menos da metade do território das glebas localizadas nos municípios de Novo Progresso, Altamira, Itaituba e Trairão. O objetivo é regularizar 3.000 posses nas proximidades de uma das obras mais importantes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na região Norte.

Segundo levantamento feito pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), com base em dados do Incra, as posses irregulares somam 429 mil quilômetros quadrados, o equivalente a 8,4% da Amazônia Legal. O trabalho do Imazon leva uma pergunta no título: "Quem é dono da Amazônia?".

"A Amazônia é um mundo desconhecido, não é a avenida Paulista; ninguém sabe quem está lá", diz Rolf Hackbart, presidente do Incra, num esboço de resposta. A autarquia é responsável por gerir o cadastro nacional de imóveis rurais.

Grande parte das 300 mil posses irregulares, com até 15 km2, ocupadas até novembro de 2004, teve dispensada a licitação para a compra por meio de medida provisória editada pelo presidente Lula.

"Desordenamento"

Depois de quase dez anos e três sucessivos esforços para cadastrar as propriedades da região, aquelas que tiveram a papelada validada pelo Incra somam 200 mil quilômetros quadrados. A área privada regularizada equivale à área do Paraná ou 4% da Amazônia.

"É uma clara evidência do desordenamento fundiário da Amazônia", avalia o presidente do Incra. Entre as propriedades que tiveram documentos validados ou não, a maior extensão é dominada por "grandes propriedades". Os donos, quando conhecidos, têm os nomes mantidos em sigilo.

O mais recente chamado ao recadastramento de propriedades, concentrado nos 36 municípios que mais desmatam a Amazônia, terminou em abril sem que 80% dos proprietários de terra convocados protocolassem documentos no Incra. Dos 15,4 mil proprietários imóveis que deveriam se apresentar, apenas 3.080 atenderam ao chamado. A partir de 1º de julho, eles não terão como tomar financiamento para produção.

Nem mesmo unidades de conservação ou terras indígenas, que representam 43% da Amazônia Legal, têm a situação fundiária totalmente regularizada, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União.

CONCURSOS



Ministério da Defesa

Inscrições abertas até 15 de agosto. Concurso nacional realizado pelo órgão. Para os estados do Pará, Ceará, de Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Níveis superior e médio. Vagas: 1.205. Cargo: soldado.

Exército

Escola Preparatória de Cadetes. Para jovens entre 16 e 20 anos. Altura mínima: 1,57m para candidatos com 16 anos e 1,60m para os demais. Inscrições até 6 de agosto pelos endereços eletrônicos www.especex.ensino.eb.br e www.epce.g12.br

Conselho recorrerá à ONU



O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) enviará denúncia de homofobia no Exército Brasileiro à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). A informação foi dada pelo secretário-geral do Conselho, Ariel de Castro Alves, que vai relatar o caso dos sargentos Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo, de Brasília, que assumiram publicamente sua homossexualidade e foram presos. Na denúncia, Alves vai destacar a fraca atuação do governo federal no caso. “Faltou uma ação para conter a perseguição”, disse Alves, que espera uma pressão internacional em prol do casal. Fernando teve sua baixa concedida ontem. Agora fora do Exército, ele deixa a prisão hoje. O julgamento de Laci por deserção, na primeira instância da Justiça Militar, ocorre também hoje, às 14h.

Ustra quer Tuma e comandantes na sua defesa

Acusado de tortura diz que senador e militares "viveram a situação"

Principal alvo das ações judiciais que buscam responsabilizar torturadores do regime militar, o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra - que comandou o DOI-Codi paulista entre 1970 e 1974 - vai arrolar como suas testemunhas de defesa o senador Romeu Tuma (PTB-SP) e vários generais do Exército, como o atual comandante, general Enzo Martins Peri.

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Airbus apresenta na Espanha avião militar


Flávia Oliveira

SEVILHA. A Airbus apresentou ontem, na Espanha, seu primeiro modelo de avião militar. O A400M começou a ser desenvolvido nos anos 80 e vai competir com o C130J, da Lockheed Martin, e o C17, da Boeing. O avião já tem 192 encomendas de Bélgica, França, Luxemburgo, Alemanha, Espanha, Turquia, Reino Unido, Malásia e África do Sul. O valor total chega a US$ 36 bilhões.

21 junho 2008

Israel exercita bombardeio aos sítios nucleares do Irã

Operação sobre o Mediterrâneo reuniu uma centena de caças-bombardeiros

Israel não confirma a ação, que provoca alerta russo; chefe da agência atômica da ONU ameaça renunciar caso israelenses ataquem o Irã


DA REDAÇÃO

Na primeira semana deste mês, Israel mobilizou uma centena de caças-bombardeiros F-15 e F-16 em exercícios militares sobre o Mediterrâneo, numa simulação de um ataque aéreo ao Irã para a destruição de suas instalações nucleares.

A operação procurou simular um bombardeio a um alvo situado a 1.450 km - é a mesma distância que separa bases israelenses da usina de Natanz, onde o Irã enriquece urânio - e envolveu helicópteros para o resgate de pilotos e aviões-tanques para o abastecimento dos caças em pleno vôo.

A informação sobre o exercício militar, publicada pelo "New York Times", não foi confirmada por Israel. Em comunicado, o país disse que "regularmente simula missões para fazer face às ameaças".

O primeiro-ministro Ehud Olmert reiterou na quarta, em entrevista à revista "Der Spiegel", que não descarta o uso da força para impedir que o Irã produza a bomba atômica.

Um informante do Pentágono disse ao "New York Times" que o exercício israelense sobre o Mediterrâneo pode ser objeto de duas leituras. A primeira, mais óbvia, é de que o Irã não construiria impunemente a bomba atômica. A segunda, mas sutil, é a de que Israel não se conformará com a posição americana de pressionar o Irã só por meios diplomáticos.

Em Moscou, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, advertiu contra ações militares, afirmando não existirem provas de que o programa nuclear iraniano tenha más intenções.

El Baradei protesta

O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Mohamed El Baradei, disse que renunciaria a seu posto caso o Irã seja bombardeado. "A região se tornaria uma bola de fogo", afirmou. A seu ver, se o país não estiver fabricando a bomba, ele o faria caso fosse atacado.

O regime iraniano afirma que usará a energia atômica só para produzir eletricidade. Mas informações omitidas no passado indicam que a bomba está ou já esteve entre seus planos.

A questão é particularmente dramática para Israel, que deveria ser "varrido do mapa", segundo o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O Irã se fortaleceu a partir do colapso de seu grande rival regional, o Iraque. Analistas atribuem ao regime islâmico intenções hegemônicas sobre os vizinhos.

Um analista militar israelense, Martin van Creveld, disse que os preparativos para uma retaliação militar ao Irã estão sendo ultimados há tempos. Mas afirmou que dificilmente todas as instalações nucleares seriam atingidas, já que parte delas foi construída em túneis e em locais dispersos pelo país.

Há o precedente de 1981, quando caças israelenses destruíram no Iraque um reator vendido pela França. Em setembro último Israel bombardeou na Síria um local onde, segundo Washington, seria construído um reator com a ajuda da Coréia do Norte.

"Tapa na cara"

Em Teerã, a única reação partiu de Ahmad Khatami, um dos aiatolás mais apegados à ortodoxia do regime. Afirmou que, "se nossos inimigos adotarem uma linguagem de força, receberão um tapa na cara".

O exercício aéreo israelense coincidiu com a declaração do vice-primeiro-ministro israelense Shaul Mofaz, em 6 de junho, de que seu país estava disposto a destruir as instalações nucleares iranianas.

No entanto, diz o "New York Times", Israel informou em seguida aos Estados Unidos que Mofaz não havia sido porta-voz de posição oficial.

Caso Israel queira levar adiante seu plano, o ataque poderá ocorrer a curto prazo, calcula o jornal. Isso porque a inteligência americana acredita que estão para ser entregues ao Irã mísseis terra-ar SA-20, fornecidos pela Rússia. Eles poderão atingir Israel e também as forças dos EUA no Iraque.

Com agências internacionais

Diretor-geral da AIEA promete renunciar ao cargo caso o Irã seja alvo de uma ação militar



DUBAI - Mohamed ElBaradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), disse nesta sexta-feira que renunciaria ao cargo se houvesse uma ação militar contra o Irã e avisou que um ataque do tipo transformaria a região do Oriente Médio em uma "bola de fogo".

- Eu não acredito que o que eu vejo no Irã hoje seja um perigo atual, sério e urgente. Se um ataque militar for realizado contra o Irã neste momento, isso me impossibilitaria de seguir com meu trabalho - afirmou ElBaradei em uma entrevista divulgada pelo canal de TV Al Arabiya na sexta-feira. - Uma ação militar, na minha opinião, seria o pior dos cenários possíveis. Isso transformaria a região em uma bola de fogo.

Segundo ele, qualquer ataque do tipo só serviria para convencer a República Islâmica, em definitivo, de que precisa dominar a energia nuclear.

- Se houver um ataque, isso faria com que o Irã, se ainda não estiver fabricando armas nucleares, mobilizasse todos os seus recursos para desenvolver armas nucleares sob a bênção dos iranianos, e mesmo daqueles que estão no Ocidente.

Autoridades americanas afirmaram ao "New York Times" que Israel realizou um grande exercício militar este mês que pareceu ser um ensaio de um possível ataque com bombas contra as instalações nucleares do Irã. Citando fontes não identificadas, a reportagem diz que mais de cem aviões de combate israelenses F-16 e F-15 participaram das manobras sobre o leste do Mediterrâneo e a Grécia na primeira semana de junho.

O jornal diz que os exercícios pareciam ser um esforço para concentrar-se em ataques de longo alcance, o que ilustraa seriedade com que Israel vê o programa nuclear do Irã. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos e seus aliados de conspirarem para assassiná-lo durante a visita que fez ao Iraque em março.

O "New York Times" disse que autoridades israelenses não quiseram discutir os detalhes do exercício militar. Um porta-voz do Exército israelense disse apenas que a força aérea do país treina regularmente para várias missões para poder confrontar e cumprir os desafios suscitados por ameaças que Israel enfrenta.

Autoridades nos EUA não acreditam que Israel tenha decidido atacar o Irã

Um funcionário do Pentágono, que segundo a reportagem foi informado do exercício, disse que um dos objetivos era praticar táticas de vôo, recarga de combustível durante o vôo e outros detalhes de um possível ataque contra as instalações nucleares do Irã. O funcionário, que falou sob a condição de anonimato, disse que uma segunda meta era enviar uma mensagem clara de que Israel está preparado para agir militarmente caso fracassem os esforços para evitar que o Irã esteja apto para produzir bombas.

Várias autoridades americanas disseram ao jornal que não acreditam que Israel tenha decidido atacar o Irã e que tal ataque fosse iminente.

O Conselho de Segurança da ONU impôs várias sanções contra o Irã por sua rejeição em cumprir com as exigências do órgão para que suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, que poderia ser utilizado como combustível para usinas de energia ou para bombas atômicas.

O Irã tem se recusado a ceder diante das sanções e tem desestimado as propostas anteriores de benefícios econômicos em troca da suspensão de enriquecimento de urânio, que afirma ter como objetivos ter como objetivos produzir energia elétrica e não armas atômicas.

Na quinta-feira, o Irã disse que estava pronto para negociar um novo pacote de incentivos econômicos proposto pelas grandes potências, que buscam persuadir Teerã para que detenha suas atividades nucleares.

20 junho 2008

FAB admite despreparo de controladores de vôo

Em relatório enviado à Organização Internacional de Aviação Civil, a aeronáutica reconhece que o despreparo de controladores de vôo brasileiros no domínio de inglês representa perigo real de acidentes aéreos. O risco acima do tolerado por normas internacionais pode resultar em acidentes de “severidade maior”, informa Leila Suwwan. De 2003 a 2007, houve no Brasil 10 incidentes de aviação causados por problemas de comunicação em inglês.

Controlador do caso Gol não fala língua estrangeira

Deficiência pode ter provocado confusão com americanos

Veja matéria completa em:
http://www.aeronautabrasil.blogspot.com/

Só 11,4% dos controladores se saem bem em teste de inglês

Dos 3.052 controladores de vôo do País submetidos a teste de inglês, apenas 350 (11,4%) atingiram nível 4 ou superior - em uma escala de 1 a 6 -, padrão da Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci).

Veja matéria completa em:
http://www.aeronautabrasil.blogspot.com/

Exército alertou sobre militar ligado a tráfico

Segundo relatório feito há 4 meses, escutas mostram traficantes dizendo que militares queriam propina para não atrapalhá-los

Texto considerou "importante que comandantes (...) atentem para possíveis desvios cometidos pelos militares durante a ocupação"


DA SUCURSAL DO RIO

Relatório do serviço reservado do Exército, elaborado há quatro meses, informou que traficantes do morro da Providência foram flagrados em escutas telefônicas dizendo que militares estavam pedindo "arrego" (propina) para não atrapalhar o tráfico no local.

Na conversa, os criminosos falavam com o chefe do morro, identificado como Fábio Passos de Oliveira, o "Bafinha", que estaria se escondendo em favelas do Comando Vermelho, facção que chefia a venda de drogas no local. Naquele momento, segundo o Exército, ele estava na Mangueira.

"Traficantes do morro da Providência que ainda se encontram na referida favela informaram a (...) "Bafinha", chefe do tráfico local (...), que militares do Exército que participam da ocupação da comunidade estariam pedindo dinheiro "arrego" (sic) para que a venda de drogas pudesse continuar na comunidade", diz o relatório, relativo ao período de outubro de 2007 a janeiro deste ano. O jornal "Extra" publicou parte do documento em abril.

O documento relativiza a veracidade do fato. "Essa informação, mesmo tendo sido captada através [sic] de escutas, pode demonstrar apenas uma "valorização" dos traficantes que permaneceram na comunidade para com seu "chefe" que se encontra fora."

O responsável pela avaliação, porém, considera "importante que os comandantes em todos os níveis atentem para possíveis desvios cometidos pelos militares durante a ocupação".

Para atuar no morro, o Exército considerou necessário fazer uma avaliação do local e tomar determinados "pontos fortes" na comunidade, locais com localização estratégica.

Revistas

Depois de duas semanas de ocupação pelo Exército e da suposta inoperância da Polícia Militar, segundo relatório, diante da continuidade evidente do tráfico, o Exército considerou necessário ocupar sete bocas-de-fumo e realizar "revistas inopinadas em pessoas e carros com o objetivo de manter sob pressão o tráfico de drogas local, evitando assim o crescimento ou o retorno dele para a comunidade".

Esses procedimentos são atividades de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e não faziam parte das atividades previstas pelo Exército na operação Cimento Social. Esse tipo de ação, não previsto - senão em operações de GLO-, embasou a Justiça Federal para ordenar a retirada das tropas do morro.

Outro episódio poderia reforçar o argumento da juíza Regina Coeli Medeiros de Carvalho para retirar o Exército do morro -o suposto "despreparo" e "inabilidade" para a tarefa de policiamento.

Conforme o relatório, nos três primeiros dias de ocupação da Providência, militares deram dois disparos acidentais no interior do alojamento, em 14 e 15 de dezembro, na Companhia de Comando do Comando Militar do Leste, no Santo Cristo. Não houve vítimas.

Ainda de acordo com o documento, um ex-militar, desertor do Exército, identificado como cabo Bruno Silva de Jesus, virou armeiro do tráfico. Ele atuava no museu Histórico do Exército, no Forte de Copacabana, antes de se tornar o responsável pelo conserto de armas dos traficantes.

Barbárie foi combinada

Militar do Exército patrulha o Morro da Providência: delegado não tem dúvidas de que entrega dos jovens executados a traficantes de favela rival foi planejada pelos acusados.

Delegado indicia 11 militares por morte de jovens da Providência. Penas podem chegar a 90 anos

Veja matéria completa em:
http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Jobim teme novos conflitos em reserva

OAB afirma que ministro da Defesa tem receio de grandes transtornos na Raposa Serra do Sol

Veja matéria completa em:
http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Exército consumiu 30% dos recursos da obra

Dos R$2,3 milhões para a construção de casas, um terço foi para militares se equiparem



A segurança dos militares para o projeto Cimento Social, por enquanto, está custando caro. Até agora, há no mínimo R$2,3 milhões em recursos empenhados pelo Governo Federal ao projeto. Deste total, 30% são para compras do Exército, que garante segurança das obras, e não para a empresa que venceu a concorrência para fazer a reforma das casas. Entre as despesas do Exército, que estão divididas para pelo menos 12 diferentes unidades, estão compras de carros, móveis e aluguel de ônibus para transportar tropas.

O GLOBO utilizou levantamentos da liderança do partido DEM na Câmara, divulgadas pelo prefeito do Rio, Cesar Maia, e da ONG Contas Abertas, que fiscaliza o orçamento do governo federal. A dificuldade nesta fiscalização, segundo Gil Castelo Branco, diretor da ONG, é que não há um programa orçamentário específico para o projeto Cimento Social. Como não há, o funcionário que emite os empenhos (que são reservas de pagamento do governo) pode ou não descrever o gasto como sendo referente ao Cimento Social.

Dos gastos identificados até agora como sendo do projeto, R$1,4 milhão foram para a empreiteira que ganhou a concorrência para realizar as obras. Os outros cerca de R$700 mil já empenhados até agora ficaram com diferentes unidades do Exército Brasileiro. Até agora, foram comprados mobiliário e material de informática, que têm reserva para pagamento de pouco mais de R$20 mil. Foram realizadas duas compras de carros no valor de R$156 mil. Numa delas, de R$111 mil, foram comprados 20 furgões.

Pelo menos 12 unidades do Exército já receberam recursos do Cimento Social. Parte deles não fica no Rio. A 4ª Brigada de Infantaria, por exemplo, está em Juiz de Fora, Minas Gerais. Há três empenhos com recursos do projeto para a unidade, todos referentes a transporte de pessoal. Um deles, de R$268 mil, é para o aluguel de ônibus junto à empresa Unida, de Minas. A Brigada Pára-Quedista usou dinheiro para treinamento.

Força Aérea dos EUA perde peças de arsenal nuclear



As Forças Armadas americanas não conseguem localizar centenas de componentes sigilosos de mísseis nucleares, informa o "Financial Times", com base em inquérito do Pentágono. O secretário da Defesa, Robert Gates, recentemente demitiu o secretário da Força Aérea e o chefe de seu Estado-Maior, depois de apurada a responsabilidade daquela Arma no envio por engano, a Taiwan, de cones de nariz de mísseis nucleares. O inquérito aberto também concluiu que a Força Aérea não era capaz de informar sobre o paradeiro de cerca de mil componentes sigilosos que anteriormente eram parte de seu arsenal nuclear.

FAB escolhe novo helicóptero

Fabricantes da Itália e da Rússia disputam concorrência para vender ao Brasil 12 unidades que reforçarão o combate ao narcotráfico. Comando da Aeronáutica deve anunciar a decisão na próxima semana

Pedro Paulo Rezende

O Comando da Aeronáutica decidirá na próxima semana qual helicóptero de ataque a Força Aérea Brasileira (FAB) empregará contra o narcotráfico. Segundo o Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, o aparelho será capaz de cumprir um amplo espectro de missões. A comissão já selecionou dois modelos como finalistas: o Agusta-Westland A.129 Mangusta Internacional, de fabricação italiana, e o Mil Mi-35, russo. Serão compradas 12 unidades para equipar um esquadrão que vai operar na fronteira com a Bolívia e o Peru, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Os helicópteros atuarão com os aviões A-29 Super Tucanos. Hoje, quando interceptados pelos aparelhos da FAB, os traficantes pousam em estradas e pistas clandestinas e fogem em caminhonetes, sem que o piloto possa interferir. Com helicópteros em operação, será quase impossível escapar. Além disso, em caso de guerra, o modelo escolhido protegerá missões de resgate em território inimigo.

A FAB, inicialmente, pensava em comprar helicópteros sem um processo seletivo. A idéia era adquirir 12 unidades com a Rosoboronexport, estatal russa que exporta material bélico. O contrato, no valor de US$ 300 milhões, faria parte de um pacote de contrapartidas comerciais negociado pelo ministro em Moscou. Na ocasião, ele fechou expressivos negócios de exportação de frango e alimentos.

No início de 2007, a Aeronáutica decidiu abrir um processo seletivo por carta-convite. Foram consultadas, além da Agusta-Westland e da Rosoboronexport, a Eurocopter, a Bell e a Sikorski. Apenas as três primeiras responderam. O Mil Mi-35 foi cotado a US$ 8 milhões a unidade; o Mangusta, cerca de US$ 20 milhões e o Tigre, oferecido pelo consórcio europeu desclassificado pela comissão, US$ 30 milhões.

Os finalistas

Os Mi-35 são helicópteros de combate de grande velocidade — até 335km/h. Levam uma metralhadora pesada, capaz de disparar mais de 3 mil tiros por minuto, ou um canhão de 30mm capaz de perfurar até 80mm de blindagem. Podem ser armados com seis lança- foguetes ou até 12 mísseis antitanques e para combate aéreo. Além disso, transportam um grupo de combate completo, com oito soldados. Basicamente, são versões modernizadas do Mi-24, empregados pelos soviéticos no Afeganistão, com eletrônica avançada e motores mais possantes.

O A129 é mais moderno, porém menos versátil. Não carrega soldados e é especializado no combate antitanque. Está armado com um canhão de 20mm que dispara 3 mil tiros por minuto e até oito mísseis antitanques e para combate aéreo, ou quatro lança-foguetes.

AGUSTA-WESTLAND A.129
País de origem: Itália
Tripulantes: dois
Comprimento: 12,5m
Peso: 5.000kg
Motores: dois LHTEC-T800 de 1.335hp
Alcance máximo: 1.000km
Velocidade máxima: 298km/h
Teto: 4.725m
Pode carregar: 1.800kg de mísseis e/ou foguetes a 120km

MIL MI-35
País de origem: Rússia
Tripulantes: dois
Comprimento: 16,78m
Peso: 8.500kg
Motores: dois Isotov TV3-117VMA de 2.200hp
Alcance máximo: 1.050km
Velocidade máxima: 324km/h
Teto: 4.599m
Pode carregar: oito soldados ou 2.000kg de mísseis e/ou
foguetes a 160km

Militares do Rio acreditam que trabalho no Haiti pode ajudar tropas nas favelas cariocas



Gabriela Moreira

RIO - Tharley Sabino tem 25 anos e apesar do nome americanizado é carioca, de Realengo. Do alto de uma laje, localizada no terceiro andar de um prédio, ele tem uma visão privilegiada dos 300 mil habitantes da favela Cité Soleil. Com um fuzil na mão, Tharley é um sargento do Exército a serviço do Brasil, na cidade de Porto Príncipe, no Haiti.

Estampando um sorriso que demonstrava alívio e expectativa, Tharley foi entrevistado pelo EXTRA em sua última semana no país (leia também: Conselho de Segurança da ONU estuda a prorrogação da permanência das tropas brasileiras no Haiti ).

- Deixo o Haiti com o sentimento de que o Rio tem jeito. É uma cidade maravilhosa e tem muito mais potencial do que Porto Príncipe - disse o militar, que integrou o 8 contingente, formado pela base do Exército no Rio.

Para Tharley, a experiência no Haiti foi a oportunidade de colocar em prática o que aprendeu na teoria, no Brasil. Em sua última semana em Porto Príncipe, ele comandava os plantões de patrulha do alto da Casa Azul, um antigo reduto de milicianos de Cité Soleil, tomada pelos brasileiros em 2006. Apesar de "pacificada", o risco de ser atacado por grupos milicianos está sempre presente.

"Começaram a fazer um patrulhamento a pé com mais naturalidade "

Se o Rio vai ganhar com o treinamento dos militares no Haiti, não se sabe, mas já é certo que o país caribenho ganhou com os militares cariocas (leia também: Tropas brasileiras que atuam na missão de paz da ONU são as mais queridas da população ). A constatação é do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH, em francês), em 2004 e 2005.

- Eu me lembro da chegada do 3º contingente (2005, também carioca), foi engraçado, porque eles não precisaram se adaptar. A garotada falou: ah, é favela, então é comigo mesmo, tô em casa. Foram muito bem aqui por causa disso, eles abriram um caminho importante. Começaram a fazer um patrulhamento a pé com mais naturalidade - contou Heleno.

Exército manteve controle sem força

Diretor-executivo da organização não governamental Viva Rio - que mantêm projetos sociais no Haiti - o antropólogo Rubem Cesar Fernandes, diz que no Caribe a atuação do Exército tem sido vitorioso.

"Um dos motivos é o uso da arma não-letal "

- É uma presença bem sucedida. Estava lá na revolta contra a alta dos alimentos (em abril de 2008). A população tentou invadir o Palácio, houve quebra-quebra, mas o Exército conseguiu controlar tudo isso. Ninguém da tropa se feriu, nem houve mortes. Um dos motivos é o uso da arma não-letal - explica o antropólogo.

Segundo ele, o Exército no Haiti tem cumprido com o que o mandato da ONU estipula, que é manter o ambiente seguro e estável, com a preservação de vidas.

- A capacidade de segurar uma situação como essa, mantendo a segurança da população, vem do treinamento. Acompanho a situação do país há muito tempo e posso dizer que lá eles conseguiram segurar a situação. Isso é um exemplo do uso de força, mas com táticas que reduzem o impacto, a vitimização, a letalidade e, assim, reduz as conseqüências - analisa Rubem Cesar, completando – No período, houve pressão diplomática para que se usasse de força, mas o comandante manteve sua posição e preferiu não usar.

Comissão vai analisar papel constitucional das Forças Armadas



A Comissão de Segurança Pública e de Combate ao Crime Organizado criou um grupo de trabalho para discutir a regulamentação das atribuições das Forças Armadas, previstas no artigo 142 da Constituição. Segundo o presidente da comissão e autor do requerimento que deu origem ao grupo, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), a falta de parâmetros para a atuação das Forças Armadas está na raiz do incidente ocorrido no Morro da Providência, Rio de Janeiro, onde, no último fim de semana, três jovens foram assassinados depois de terem sido entregues por militares a traficantes. O grupo apresentará relatório sobre o caso e sugeririrá medidas. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve ser ouvido em audiência pública conjunta com a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Segundo Jungmann, a ausência de lei específica sobre as situações em que se deve recorrer às Forças Armadas cria uma anomalia legal. “O sucesso do trabalho dos militares brasileiros no Haiti é fruto de atribuições claras e da delimitação de responsabilidades, o que não acontece no País”, criticou.

Direitos Humanos - Também ontem, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou o relatório do deputado Chico Alencar (Psol-RJ) que pede ações para elucidar a participação dos militares na morte dos três jovens. De acordo com o relatório, a comissão deverá realizar, entre outras ações, audiência pública com a presença do ministro Nelson Jobim, do comandante do Exército e do delegado responsável pela investigação, e com a participação dos cidadãos da comunidade da Providência.

Foi aprovada ainda moção de solidariedade às famílias das vítimas, apresentada pela deputada Janete Pietá (PT-SP). O presidente da comissão, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), afirmou que a União deve buscar meios para reparar os danos causados a essas famílias.

17 junho 2008

Bolívia e Chile negociam acordo de defesa



LA PAZ - Bolívia e Chile acertaram na tarde de ontem os últimos pontos de um acordo de defesa - o primeiro desde que os dois países se enfrentaram na Guerra do Pacífico (1879-1883). O acordo foi discutido em um encontro entre o ministro de Defesa chileno, José Goñi, e o seu colega boliviano, Walter San Miguel, em La Paz.

"Vamos ter várias reuniões de trabalho e a oportunidade de assinar um acordo bilateral que nos permitirá, pela primeira vez em nossa história, manter relações em temas de defesa", afirmou o ministro chileno à Agência Boliviana de Informação (ABI), logo após chegar a La Paz.

"Nossos povos precisam que nossos governos trabalhem conjuntamente para gerar confiança mútua." Na Guerra do Pacífico, a Bolívia perdeu para o Chile a sua saída para o mar, o que aumentou a rivalidade entre La Paz e Santiago.

Em 2003, a decisão do então presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada de exportar gás para o Chile desatou uma onda de protestos violentos que deixou mais de 60 mortos e terminou com a renúncia de Lozada.

Os dois países não mantém relações diplomáticas desde 1978, quando fracassaram as negociações sobre a demanda boliviana de uma saída para o mar.

Melhoras

As relações, porém, melhoraram muito durante os governos de Evo e da presidente do Chile, Michelle Bachelet. Agora, ambos negociam uma agenda de 13 pontos, entre os quais está incluída a demanda marítima da Bolívia. Ano passado, os dois ministérios da Defesa negociaram um intercâmbio militar e o apoio mútuo em caso de catástrofes naturais, como enchentes e terremotos.

No fim de semana, Evo encontrou-se com o presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo. Ambos participaram - junto com o atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte -, das comemorações pelo aniversário dos 73 anos do fim da Guerra do Chaco (1932-1935), travada entre Paraguai e Bolívia, que deixou quase 100 mil mortos.

Cessão de territórios

Soberania ameaçada

"Estando a terra ianomâmi na faixa de fronteira, garantida ficava duplamente a propriedade da União". Isso é verdade apenas de direito, e há risco iminente de que deixe de sê-lo. Para tanto, basta que as potências mandem os índios proclamar-se cidadãos de países independentes, pois já os controlam por meio de ONGs, entidades religiosas, por verbas, cursos no exterior, etc.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Os 150 quilômetros de discórdia

Investimento externo pressiona a lei de fronteira

Controvérsia nas fronteiras

Criada no governo militar com a pretensão de preservar a soberania nacional, a legislação sobre a faixa de fronteira está em xeque. Apontada como um obstáculo ao ingresso de investimentos estrangeiros, a norma pode ficar mais flexível caso o Congresso aprove a Proposta de Emenda Constitucional que determina a redução do trecho de 150 quilômetros para 50 quilômetros de Mato Grosso do Sul ao Rio Grande do Sul.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Ministros israelenses cogitam planos de ataque militar contra o Irã

O governo israelense não mais acredita que sanções possam impedir o Irã de fabricar armas nucleares. Um amplo consenso a favor de um ataque militar contra as instalações nucleares de Teerã - sem os americanos, se necessário - está começando a tomar forma



Ralf Beste, Cordula Meyer e Christoph Schult

Dani Yatom, um membro do Parlamento israelense, o Knesset, foi convidado a participar de uma conferência da Otan no ano passado, em Bruxelas. Enquanto revisava a agenda, Yatom, um general aposentado, ficou surpreso ao ver que a reunião era intitulada "O Desafio Iraniano", não "A Ameaça Iraniana".

Quando um representante com sotaque francês mencionou que um ataque militar americano contra as instalações nucleares iranianas seria o cenário mais perigoso de todos, Yatom disse, de forma educada mas firme: "O senhor está errado. O pior cenário seria se o Irã adquirisse uma bomba atômica".

Yatom, 63 anos, passou grande parte de sua vida nas forças armadas. Ele foi consultor militar do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin e, em meados dos anos 90, foi nomeado chefe do serviço de inteligência de Israel, o Mossad. Todavia, Yatom, um membro do Partido Trabalhista, não é um "falcão" incauto. Diferente da maioria dos membros do Knesset, ele rejeita veementemente, por exemplo, uma grande ofensiva israelense contra o islamita Hamas na Faixa de Gaza.

Mas a disposição de Yatom de chegar a um acordo termina quando lhe é perguntado qual ele considera ser a melhor resposta ao programa nuclear iraniano. "Nós não mais acreditamos na eficácia das sanções", disse Yatom. "Uma operação militar é necessária caso o mundo queira deter o Irã."

Quando o ministro dos Transportes israelense, Shaul Mofaz, um ex-ministro da Defesa, expressou sentimentos semelhantes há 10 dias, eles foram vistos, especialmente na Europa, como opiniões isoladas de um linha-dura querendo marcar pontos junto ao eleitorado, em uma tentativa de suceder o primeiro-ministro Ehud Olmert. Mas na verdade agora há um consenso dentro do governo israelense de que um ataque aéreo contra as instalações nucleares iranianas se tornou inevitável. "A maioria dos membros do Gabinete israelense não mais acredita que sanções convencerão o presidente Mahmoud Ahmadinejad a mudar de curso", disse o ministro da Absorção dos Imigrantes, Yaakov Edri.

A única pergunta em torno da qual os vários grupos políticos de Israel discordam é o momento do ataque. Os "pombas" argumentam que esforços diplomáticos por parte da ONU devem ser autorizados a prosseguir até que o Irã esteja à beira de concluir a bomba. Desta forma, Israel poderia ao menos argumentar de forma convincente que todas as opções não-militares foram esgotadas.

Os falcões, por outro lado, acreditam que o tempo está se esgotando. Eles destacam que agora há "uma janela de oportunidade favorável" que se fechará com a eleição presidencial americana em novembro, e que Israel só pode depender de apoio americano enquanto o atual presidente americano, George W. Bush, estiver encarregado em Washington. Eles estão convencidos de que o país não pode realmente depender de qualquer candidato que venha a suceder Bush na presidência. Barack Obama, o virtual candidato democrata, já disse ser a favor de negociações diretas com Teerã. E mesmo se o republicano John McCain vencer a eleição, os políticos em Jerusalém não esperam que ele ordene um ataque como seu primeiro ato oficial -apesar de ter cantado, em uma aparição de campanha no ano passado, a canção "Barbara Ann" dos Beach Boys com a letra: "Bomb bomb bomb, bomb bomb Iran" (bombardeie o Irã).

Mas o presidente Bush enviou recentemente sinais que lembram de forma suspeita os preparativos para a guerra no Iraque. Naquele momento, como agora, ele insistiu que "todas as opções estão na mesa". E naquele momento, como agora, ele buscou aplacar os europeus ao dizer que todos os canais diplomáticos seriam esgotados primeiro. Mas durante sua recente visita à Eslovênia, Bush disse: "Há muitas urgências quando se trata de lidar com o Irã, e os políticos israelenses -se vocês forem a Israel e escutarem atentamente, vocês escutarão a urgência na voz deles".

Uma bomba nuclear iraniana ofuscaria todas as outras ameaças que Israel enfrentou durante seus 60 anos de existência. Por mais caras que suas guerras tenham sido, e por mais horríveis que possam ser os atentados suicidas de radicais islâmicos, eles nunca representaram uma ameaça séria à existência do Estado judeu.

Mas um único ataque nuclear teria conseqüências devastadoras para este pequeno país, que tem aproximadamente metade do tamanho da Suíça. De fato, os estrategistas internacionais normalmente se referem a Israel como o "país de uma bomba".

Os líderes militares em Jerusalém alegam que Teerã poderia restringir qualquer campanha militar israelense - na Faixa de Gaza, por exemplo - com apenas a ameaça crível de um ataque militar. Apesar de sua força militar, eles dizem, o país ficaria praticamente indefeso. Ainda pior, isto provocaria um êxodo da elite instruída, o que poderia significar um desastre para o país, tanto econômica quanto culturalmente. "O Irã estaria em posição de destruir o sonho sionista sem a necessidade de apertar um botão", disse Ephraim Sneh, um general reformado e ministro do Gabinete por muitos anos.

Todos os especialistas concordam que a bomba iraniana ainda não existe. Todavia, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, continua ameaçando o Estado judeu de destruição a cada oportunidade. "Se os inimigos acham que podem quebrar a nação iraniana com pressão, eles estão errados", ele disse na semana passada.

Até mesmo o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, manifestou em uma recente entrevista à "Spiegel" que o Irã está enviando a mensagem de que poderia "fabricar a bomba em um período relativamente breve".

E ninguém sabe melhor do que a liderança israelense quanto poder existe na mera crença de que um país possui armas nucleares. Afinal, o próprio Israel usou esta crença como um dissuasor nos últimos 40 anos. Acredita-se que cerca de 100 a 200 ogivas nucleares foram produzidas no reator de Dimona, no Deserto de Negev. O historiador israelense Benny Morris, que normalmente não é considerado um linha-dura, sugeriu recentemente o uso de armas: "Se a questão é se Israel ou o Irã deve perecer, então o Irã deve perecer".

Jerusalém já manifestou que não está apenas preparado, mas também é tecnicamente capaz de frustrar as ambições nucleares de um país hostil. Em 1981, os israelenses bombardearam o reator de Osirak, do Iraque. Voando em formação cerrada para evitar detecção pelo radar inimigo, oito caças-bombardeiros F-16 viajaram 900 quilômetros de Israel até o Iraque, onde lançaram 16 bombas de mil quilos, destruindo o reator. Victor Ostrovsky, um ex-agente do Mossad, revelou que os israelenses pagaram a um técnico francês que trabalhava no reator para plantar um transponder lá.

A segunda vez foi em 6 de setembro de 2007, quando caças-bombardeiros F-16 israelenses entraram no norte do espaço aéreo sírio, ao longo da fronteira turca e destruíram um sítio nuclear suspeito no leste da Síria. Antes do ataque, um grupo de soldados das forças especiais foi deixado no local para marcar o alvo com raio laser. Até hoje, o governo em Damasco alega que o local não era uma instalação nuclear. Mas imagens obtidas pelo Mossad do interior do prédio supostamente revelam semelhanças com o reator norte-coreano em Yongbyon.

O Irã poderá ser o próximo. Em uma recente carta ao chanceler austríaco Alfred Gusenbauer, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, escreveu que Teerã não está longe do "ponto sem retorno" no qual os israelenses acreditam que não mais conseguiriam impedir o desenvolvimento de uma bomba. Autoridades de inteligência israelenses acreditam que os engenheiros de armas iranianos poderiam ter urânio enriquecido suficiente para fabricar uma ogiva nuclear em 2009.

Ao chegar a esta conclusão, os israelenses estão contradizendo a afirmação, apresentada por um relatório da inteligência americana emitido em dezembro passado, de que o Irã encerrou seu programa de armas nucleares em 2003. "Os iranianos retomaram o programa em velocidade máxima em 2005", disse Yossi Kuperwasser, diretor de análise de inteligência da inteligência militar israelense na época.

'Nós veremos o Oriente Médio em chamas'

Apesar dos europeus continuarem a depositar suas esperanças na diplomacia e estarem convencidos de que uma solução negociada que permitiria a Teerã manter as aparências ainda é possível, os israelenses já vêem o regime de sanções da ONU como um fracasso. Rússia e China, eles dizem, sabotaram o boicote desde o início, e até mesmo os europeus apóiam sem muito entusiasmo as sanções.

Segundo os israelenses, empresas da Áustria e da Suíça assinaram recentemente acordos de entrega de gás natural com Teerã, e até mesmo o governo alemão limitou apenas ligeiramente o comércio com o regime dos mulás. "Os iranianos nem mesmo sentem as sanções", disse Tzachi Hanegbi, presidente do Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset. Segundo Hanegbi, a comunidade internacional terá que se unir caso espere conseguir algo, "e logo".

A chanceler alemã Angela Merkel é reticente na questão. Durante uma visita ao rancho do presidente George W. Bush, em Crawford, Texas, em novembro passado, Merkel prometeu "rever os contatos econômicos entre as empresas alemãs e o Irã" e pressionar por restrições adicionais.

Mas restava pouco dessa determinação quando Bush se encontrou com Merkel na última quarta-feira, em Schloss Meseberg, a casa de hóspedes do governo alemão fora de Berlim. Seu único comentário sobre outra rodada de sanções da ONU foi de que ela não as descartaria. Como um correligionário democrata-cristão dela reconheceu pessimistamente, "Merkel não está mais buscando esta questão com grande entusiasmo".

Políticos em Berlim notaram com sinais de preocupação a próxima guerra fermentando no Oriente Médio. O ex-ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, que viaja regularmente a Jerusalém e Washington para conversações políticas, alertou que Israel poderia ver a presidência de Bush como sua última chance de obter apoio americano a um ataque militar. "Politicamente falando, a janela de ação é agora, nos últimos meses do mandato de George W. Bush", escreveu Fischer recentemente. "O Oriente Médio caminha para outro grande confronto."

Outros compartilham este senso de desconforto. Karl-Theodor Freiherr zu Guttenberg, um especialista em política externa e membro da conservadora União Social Cristã (CSU), diz que ele tem o "sentimento incômodo de que a contemplação de uma opção militar contra o Irã está ganhando nova dinâmica em Israel". Ele deseja que Berlim use suas relações estreitas com Jerusalém para impedi-lo de lançar um ataque militar.

Esta ofensiva política não seria sem risco. "Ao emitir este alerta, nós estamos assumindo ainda mais responsabilidade por (garantir que) nossa abordagem preferida produza resultados", disse Ruprecht Polenz, o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Bundestag alemão. Em outras palavras, se o Irã continuar perseguindo seu programa nuclear, o Ocidente terá que cerrar fileira com Jerusalém. "Sob nenhuma circunstância deve ser criada a impressão de que Israel será deixado sozinho com a possibilidade de uma bomba atômica iraniana", disse Polenz.

Os principais aliados de Israel, os Estados Unidos, ainda estão certos sobre qual seria a melhor estratégia a respeito do Irã. O governo Bush está dividido. O vice-presidente Dick Cheney "ainda deseja um ataque", disse Flynt Leverett, um ex-funcionário do Departamento de Estado americano e atualmente um especialista em Oriente Médio da New America Foundation. Mas ele acredita que a secretária de Estado prefere uma abordagem diferente: "Condi Rice está ganhando tempo para que o presidente encerre seu mandato".

Bruce Riedel, um especialista em Oriente Médio que passou muitos anos trabalhando para a CIA, disse que seria "muito difícil para este governo iniciar uma guerra com o Irã. Haveria uma grande revolta do público e do Congresso". Mas a situação é diferente do ponto de vista de Israel, disse Riedel. "Há algum risco de que Israel ache que tem tempo limitado para agir e que conte com luz verde dos políticos americanos".

Além disso, a Força Aérea Israelense é conhecida por suas "soluções inventivas para problemas militares", disse Riedel, que tem fortes contatos com Israel, se referindo à viabilidade desse ataque. "Os planejadores militares israelenses me dizem que a missão é realizável".

Este é o motivo para Riedel ver um ataque militar israelense, com consentimento do governo americano, como o cenário de ataque mais provável. Mas as conseqüências, segundo Riedel, não seriam diferentes das de um ataque americano. "Um ataque israelense seria visto como um ataque americano. O Irã retaliará tanto contra Israel quanto contra os Estados Unidos". As conseqüências seriam fatais. "Nós veremos um Oriente Médio em chamas".

Todavia, em Israel não se trata mais de uma questão de realizar um ataque ou não, mas sim de quando. É claro que o ataque seria exclusivamente aéreo. Jerusalém recebeu recentemente aprovação de Washington para a compra de bombardeiros stealth F-22. As centrífugas usadas para enriquecer urânio na instalação nuclear de Natanz aparentemente são o alvo principal. Segundo a informação israelense, as centrífugas são mantidas acima do solo e, portanto são mais fáceis de destruir. O reator em Bushehr é visto como outro alvo possível.

E as defesas aéreas iranianas? "Nós sabemos que as defesas aéreas do Irã não estão entre as melhores do mundo", disse o ex-chefe do Mossad, Yatom. "Elas podem ser superadas". Todavia, muitos israelenses ainda esperam que os americanos façam o trabalho por eles. "Ainda pode ser o caso", disse Yatom, "de que George W. Bush queira garantir um lugar nos livros de história com este último ato".

Tradução: George El Khouri Andolfato

16 junho 2008

Cadete já havia passado mal

Mãe de soldado que morreu durante exercícios diz que filho teve indisposição e desmaiou



O cadete Maurício Silva Dias, de 18 anos, que morreu na sexta-feira após ter passado mal durante treinamento na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Rezende, no Sul fluminense, já havia tido uma indisposição e desmaiado no início dos exercícios, na quarta-feira, mas foi socorrido e retornou ao treinamento com autorização médica.

A informação é da mãe de Maurício, Cleuza Silva, que conversou com a reportagem por telefone, após o enterro de seu filho, realizado ontem, às 15 horas, em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul.

O cadete passou novamente mal na própria quarta-feira e foi atendido por médicos no local dos exercícios (conhecido como Campo Mega), que consistem em 17 baterias e 60 horas de treinamento sem direito a dormir.

No entanto, Maurício teve de ser internado em um hospital particular após uma parada cardíaca e problemas nos rins, segundo Cleuza. Ela contou que vê duas possíveis falhas por parte da Aman: que Maurício tenha passado mal e retornado com autorização médica, e o fato de só ter sido comunicada na sexta-feira que ele estava em coma induzido. Outros dois cadetes que também passaram mal durante o treinamento permanecem internados no Hospital Escola da Aman, com quadro estável.

Cleuza vai aguardar o resultado do laudo da autópsia e acompanhar as investigações. Segundo ela, caso seja constatado algum excesso e responsabilidade da Aman na morte de seu filho, vai reagir.

"Vou tomar providências. Não é a primeira vez. Não quero que aconteça com outras mães o que aconteceu comigo. Talvez o Maurício tenha vindo a este mundo para que isso acontecesse com ele e eu seja a pessoa que será a pedra no caminho da Aman".

A Comunicação Social do Comando Militar do Leste do Exército informou que lamenta a morte do cadete Maurício e que se solidariza com sua família. O Exército não se pronunciou a respeito das informações de Cleuza. Informou que foi instaurado um inquérito policial militar que tem prazo de 40 dias para ser concluído, com possibilidade de ser prorrogado por mais 20 dias.

Cleuza disse que contestou o atestado de óbito fornecido, informando que a causa da morte de Maurício foi classificada como "indeterminada". Segundo ela, deverá ser realizada uma autópsia para identificar o motivo do falecimento de seu filho, em cerca de uma semana. "Ele era um menino de 18 anos, era sadio. Não é que ele temia, mas tinha receio desse campo (local do treinamento), que é o mais temido entre os cadetes", disse Cleuza. Ela se referiu ao campo Mega, como é conhecido o treinamento de 17 baterias e 60 horas de exercício, sem direito a dormir, realizado para cadetes do 3º ano.

Maurício era o mais jovem de sua turma. De acordo com o jornal "A Razão", de Santa Maria, dois oficiais da Aman estão na cidade natal de Maurício para prestar assistência à família e também para apurar se pode haver alguma patologia na família do cadete que possa ter contribuído para a sua morte.

A reportagem do jornal local esteve no enterro e relatou que cinco cadetes da Aman, nascidos em Santa Maria, também estiveram na cerimônia, que teve uma salva de tiros em homenagem ao cadete falecido na sexta-feira.

Em meados de 1990, outro cadete, Márcio Lapoente da Silveira, também morreu após uma bateria de exercícios na Aman. Seu pais entraram na Justiça.

Cadete da AMAN sepultado no Sul

Dois militares estão internados na UTI. Exército apura a causa da morte

Jovem gaúcho de 19 anos passou mal durante exercícios. Outros dois militares estão na UTI


Rio - O cadete da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) Maurício Silva Dias, 18, que morreu ao participar de treinamento sexta-feira, foi enterrado ontem em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ele estava internado desde quarta-feira, quando passou mal durante exercício no Campo de Instrução da Aman, em Resende, no Sul do estado.

Coberto pelas bandeiras do Brasil e de seu estado natal, o caixão chegou ao cemitério carregado por familiares e pelos cadetes do curso de Infantaria da Aman. O corpo foi sepultado com honras militares no Cemitério Ecumênico Municipal. A mãe de Maurício, Cleuza Terezinha da Silva, pediu a todos que saudassem o filho com palmas. Ela abraçou cada um dos cadetes, pedindo que eles não chorassem e seguissem em frente com o sonho da carreira militar.

O Exército abriu inquérito para investigar a causa da morte. Outros dois alunos que também passaram mal durante o exercício continuam internados na UTI da Policlínica de Resende. Eles devem ser transferidos para quartos do hospital hoje.

15 junho 2008

Exército teme maior presença estrangeira


Marcos de Moura e Souza
De Boa Vista

Nas conversas com oficiais do exército e com autoridades do governo de Roraima sobre Raposa/Serra do Sol um argumento sempre vem à tona: a soberania nacional. A alegação é que a homologação da terra indígena numa área de fronteira com dois países - Venezuela e Guiana - fragilizaria a atuação das Forças Armadas na proteção do território nacional contra atividades ilegais transfronteiriças ou no combate a eventuais hostilidades vizinhas.

O exército possui seis pelotões de fronteira: Surucucu, Auarís, Bonfim, Normandia, Pacaraima e Uiramutã. Todos, segundo o decreto presidencial que homologou Raposa, serão mantidos. Mas entre militares há uma sensação de que, uma vez garantida a terra indígena, os povos da região poderão criar obstáculos para a entrada e circulação das tropas. Os indígenas negam que isso ocorreria.

Os militares de Roraima e em outros pontos do país não estariam tão preocupados com a homologação se se tratasse apenas de eventuais desentendimentos com indígenas em relação ao acesso. A questão é que para muitos deles Raposa é parte de um processo internacional pelo qual países desenvolvidos pretendem ampliar a sua presença na Amazônia.

Os braços desses interesses seriam organizações não-governamentais (ONGs) da Europa e Estados Unidos que ajudam a financiar por meio de diversos programas associações indígenas que militam na Amazônia. Em Roraima, o CIR, a mais bem articulada associação do Estado, tem financiamentos da Fundação Ford, do governo da Noruega e da instituição católica de apoio internacional Cafod.

Há, porém, outra vertente das pressões externas, na visão dos militares: a ONU. Em setembro de 2007, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou o documento chamado de Declaração dos Povos Indígenas. O texto não tem valor de lei: os signatários decidem se cumprem ou não as recomendações. Entre os direitos afirmados ali estão o dos indígenas participarem da política, acesso à terra e aos recursos naturais e à preservação de suas áreas. E também o direito dos povos indígenas de decidirem sobre seu desenvolvimento econômico, político e social.

Para os militares que atuam na fronteira e na região da terra indígena, a declaração mina o papel do Estado e abre mais um espaço para interesses estrangeiros que se vinculam a povos indígenas em regiões como a da Raposa. Com qual interesse? As riquezas minerais como ouro, diamantes, nióbio, a água e a farta biodiversidade. O Brasil foi um dos 143 países que aprovaram a declaração. Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia votaram contra.

As suspeitas em relação à interferência estrangeira parecem ser tamanhas no exército que na semana passada um oficial fez o seguinte comentário: "Será que foi só uma coincidência que o Castelo de Windsor tenha recebido os governadores do Norte do Brasil para falar sobre a Amazônia?" Em abril o príncipe Charles recebeu governadores do Norte, parlamentares e empresários. Na pauta, meio ambiente e questões indígenas.

No exército, o convite pareceu uma forma de o Reino Unido se aproximar e influenciar nas políticas da Amazônia. Declarações de autoridades e personalidades do mundo rico tornam essas teorias menos estranhas. "Ele (Al Gore) disse que a Amazônia não pertence aos brasileiros e sim ao mundo.

François Mitterrand (ex-presidente da França) pensava da mesma forma naquele país e John Major (ex-primeiro-ministro da Inglaterra), no Reino Unido. Então, são representantes das grandes potências que têm um pensamento desse tipo sobre a Amazônia", disse ontem o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB).

Mas o fantasma da intervenção estrangeira - via ONGs - é afastado quase como uma piada por Joênia Batista de Carvalho, advogada do CIR. Ela diz que os recursos que a entidade recebe são por meio de editais que financiadores externos abrem periodicamente para diversas entidades pelo mundo.

Os recursos, diz ela, cobrem geralmente gastos cotidianos da entidade e não implicam portas abertas para estrangeiros circularem pelas áreas indígenas.

13 junho 2008

Exército brasileiro produz asfalto e perfura poços


Rivadavia Severo

Porto Príncipe, 13 de Junho de 2008 - A Companhia de Engenharia do Exército Brasileiro é a encarregada das obras de infra-estrutura no Haiti para dar suporte às ações das Forças de Paz da ONU (Minustah).

A principal ação da Companhia é a produção de asfalto e a perfuração de poços artesianos, além de obras de terraplenagem, construção de zonas para pouso de helicópteros, transporte de material de construção para a acomodação das tropas do Nepal, Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile, Equador, Sri Lanka, Paraguai, Filipinas, Guatemala e do próprio Brasil.

A produção de asfalto é feita para recapear parte de Porto Príncipe e para pavimentar a estrada que liga a capital à fronteira com a República Dominicana, em um trecho de 80 quilômetros. Até hoje foram asfaltados 36 quilômetros de rodovias no país.

A perfuração de poços artesianos busca a escassa água doce no país. Segundo dados do Exército, foram perfurados 26 poços, com 100 metros de profundidade em média. Cada poço abastece a 50 famílias. Outra ação da Companhia é a distribuição de água em caminhões pipas para escolas e orfanatos. Segundo dados do Exército, foram distribuíram 40 milhões de litros de água no país pela Companhia.

Dentro do Exército, a engenharia é dividida em dois grupos. A engenharia de combate e a engenharia de construção. O segundo faz obras como revestimento asfáltico e poços artesianos, basicamente, enquanto a de combate executa obras para a movimentação de tropas. O corpo também está preparado para construir pontes e ferrovias.

O novo comandante do batalhão, coronel Marcelo Pagotti, pretende ampliar as obras de infra-estrutura para melhorar a movimentação das tropas da ONU e dar condições mínimas de trafegabilidade no país. O contingente de 150 engenheiros militares está por ser reforçado em mais 100 integrantes, o que ampliaria a capacidade da Companhia.

O próprio presidente haitiano, René Préval, pediu que o Brasil aumente o número de engenheiros no país. No entanto, a ONU estabeleceu um teto de 7.061 efetivos no país e esse número não pode variar. A expectativa de Pagotti é que outros países cedam vagas para aumentar o contingente de engenheiros do Brasil.

A Companhia de Engenharia do Brasil que atende à Minustah é auxiliada por outra Companhia de engenheiros formado por equatorianos e chilenos que somam um contingente de 150 homens, dos quais 100 trabalham nas obras.

Jobim prepara estatuto para permitir atuação nas cidades



DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que prepara projeto de um estatuto jurídico que permita que as Forças Armadas atuem em conflitos nas cidades brasileiras.

"As Forças têm a expertise para tratar de problemas urbanos, como fazem no Haiti, com absoluta competência. Mas, no Brasil, se vamos ter ações operacionais mais diretas, precisamos de um estatuto jurídico. Senão, acontece como em 1994, quando o Exército subiu os morros no Rio de Janeiro e os soldados que participaram [das ações] tiveram que enfrentar posteriormente processos na Justiça comum nos quais eram acusados de cometer atos criminosos", explicou o ministro.

10 junho 2008

Gasto militar global cresce 45% em dez anos

No ano passado, despesa equivaleu a US$ 202 por habitante do planeta, afirma instituto financiado pelo governo sueco

Gastos dos EUA foram em 2007 os maiores desde 2ª Guerra; com crescimento econômico, Rússia e China reforçam as suas defesas


DA REDAÇÃO

Os gastos militares mundiais tiveram um crescimento real de 45% nos últimos dez anos, afirma estudo divulgado ontem pelo respeitado Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês). A tendência de expansão continua, afirma o instituto, financiado pelo governo sueco.

Entre 2006 e 2007, o aumento médio dos orçamentos militares dos países foi de 6%.

Os analistas do Sipri citam as guerras americanas no Afeganistão e no Iraque e o aumento das despesas com defesa de Rússia e China entre os principais fatores que levaram ao crescimento dos gastos militares entre 1998 e 2007. A participação em forças de paz -61 operações foram conduzidas em 2007, o maior número desde 1999 - é outra razão que explica a tendência, diz o Sipri.

O aumento entre 1998 e 2007 reverte tendência do decênio posterior ao fim da Guerra Fria, quando a redução do orçamento militar russo após a dissolução da União Soviética foi a principal responsável pela queda de um terço nos gastos militares globais entre 1988 e 1997, segundo o instituto.

O valor destinado aos gastos com defesa em 2007 - estimado em US$ 1,339 trilhão - equivale a US$ 202 por habitante do planeta, calcula o Sipri.

Crescimento e defesa

O relatório destaca como uma marca do período "a confiança restaurada da Rússia e suas aspirações de status igual em questões de segurança", impulsionada pela subida do preço do petróleo e do gás, que encimam a pauta russa de exportações. Só em 2007 os gastos militares do país aumentaram 13% em relação a 2006.

No entanto, diz o relatório, "a Rússia parece ansiosa para manter relações de cooperação com o Ocidente e não deve desafiá-lo com força excessiva".

A China, que manteve crescimento anual médio próximo de 10% nos últimos anos, também usou parte dessa renda em seus gastos militares, que triplicaram em termos reais entre 1998 e 2007, diz o Sipri. Mas as despesas ainda correspondem a apenas 2,1% do PIB (Produto Interno Bruto) chinês, uma proporção considerada "moderada", menor do que a média mundial, de 2,5% do PIB.

Os gastos militares americanos atingiram em 2007 o nível mais alto em termos absolutos desde a Segunda Guerra Mundial, embora não em relação ao PIB do país. Após um período de crescimento moderado, o orçamento do Pentágono aumentou rapidamente a partir de 2001, quando teve início a chamada "guerra ao terror", após os atentados do 11 de Setembro, e já é 59% maior do que naquele ano.

Embora as operações no Iraque e no Afeganistão respondam pela maior parte do crescimento, o relatório aponta um inchaço do "orçamento básico" do Departamento da Defesa.

Para o Sipri, avanços no controle global de armamentos dependerão, em grande medida, da transição de poder no país a partir das eleições presidenciais de novembro. Os EUA, país que mais exporta armas, são responsáveis por 45% dos gastos militares mundiais.

Exportações de armas

Segundo o relatório do Sipri, as transferências internacionais de armas - por meio de venda, convênios e acordos de cooperação - aumentaram 7% entre 2002 e 2006. Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha são responsáveis por 80% das transações.

Entre os principais compradores de armas entre os anos de 2003 e 2007 estão a Coréia do Sul, a China, a Turquia, a Grécia, a Índia, Israel, a Arábia Saudita e a África do Sul. Na América do Sul, são citados entre os principais compradores a Venezuela e o Chile.

O Brasil aparece na lista do Sipri com o 12º maior gasto militar do mundo - o relatório inclui todo o orçamento da defesa, incluindo aposentadorias e pensões militares-, mas não está entre os principais compradores de armamentos.

A China foi responsável pela compra de quase metade das armas vendidas pela Rússia entre 2003 e 2007, seguida de Índia, Venezuela e Argélia. A lista americana é liderada pela Coréia de Sul e por Israel, seguidos pelos Emirados Árabes.

O relatório chama a atenção para regiões capazes de alimentar o aumento dos gastos militares. Entre elas, o sul do Cáucaso, onde Armênia, Azerbaijão e Geórgia vêm usando as receitas do gás e do petróleo para comprar armas. A Arábia Saudita também reforçou sua defesa graças ao preço do petróleo.

Mais de duas mil pessoas atendidas pelo Exército



Da Redação

A 1ª Brigada de Infantaria de Selva Lobo D’Almada realizou na semana passada, até sexta-feira, a Operação Braço Forte IV, no Município de Rorainópolis. Foram 700 homens dos pelotões de Boa Vista e Manaus envolvidos nas atividades. O Exército também realizou Ação Cívico-Social, atendendo mais de duas mil pessoas na localidade.

O objetivo da operação, segundo o major Velozo, do Comando da 1ª Brigada, é transformar teoria em prática, através do “Adestramento em Operações de Garantia da Lei e da Ordem”, que pode ser aplicado pelo Exército em casos de qualquer alteração de ordem pública em cidades.

O treinamento consiste na aplicação de técnicas de “Defesa de Ponto Sensível”, uma operação para proteger locais fundamentais de uma cidade, como os reservatórios de água, as estações distribuidoras de energia, os locais de armazenamento de combustível etc. “No treinamento o Exército ocupa esses lugares e os protege para que não haja nenhuma interferência”, explicou Velozo.

Eles treinam ações de Desocupação de Via de Circulação, Policiamento Ostensivo, Controle de Distúrbios e Operações de Busca e Apreensão.
Participaram do treinamento soldados, sargentos e oficiais, além do comando de tropa das organizações militares subordinadas ao Grande Comando, como o 1º Batalhão de Infantaria de Selva, sediado em Manaus (AM), que trouxe uma companhia de 180 homens, o 7º Batalhão de Infantaria de Selva, o 1º Grupo de Artilharia de Selva, a 1ª Base Logística, o 12º Esquadrão de Cavalaria de Selva, o 1º Pelotão da Polícia do Exército, o Pelotão de Comunicações e a Companhia de Comando da 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

Durante a Operação Braço Forte IV, o Exército realizou a Aciso (Ação Cívico-Social), com atendimento médico, odontológico, corte de cabelo e até atendimento veterinário.

Aproximadamente 750 militares das diversas organizações militares subordinadas ao Grande Comando participaram da operação.

Brasil desenvolve primeiro radar do hemisfério sul para defesa antiaérea



José Ramos


Brasília (5/6/2008)- O Brasil já pode iniciar a produção do primeiro radar de defesa antiaérea desenvolvido no hemisfério sul, graças a uma iniciativa do Exército. O equipamento, denominado Saber M60, tem capacidade para detectar até 40 alvos simultâneos no raio de 60 km e a uma altura de até 5 km, considerada baixa altura. O equipamento foi desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTex), com apoio da Finep e de universidades, e em conjunto com a empresa Orbisat, que industrializará o produto sob licença.

Um protótipo foi instalado nos dias 3 e 4 de junho em frente ao Ministério da Defesa, para demonstração a autoridades do ministério, a militares das três Forças, e a parlamentares. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, demonstrou entusiasmo com o produto.

“O projeto Saber tem qualidades imensas, agora caberá ao Ministério da Defesa tentar articular isso com as Forças. Desenvolvemos esse projeto por que ele está na linha de capacitação nacional. E parabéns ao CTex que conseguiu produzir isso não obstante os impedimentos eventuais que apareceram.”

O chefe do CTex, General-de-Brigada Aléssio Ribeiro Souto, comemorou a receptividade ao projeto. “A repercussão foi a melhor possível. Houve surpresa, houve palavras de estímulo, houve a compreensão para a necessidade de ações para dar sequência e conseqüência ao projeto”.

O desdobramento do projeto será o Saber M200, que terá alcance de 200 km de raio e perto de 10 km de altura. O novo modelo permitirá ainda versões destinadas a sistemas de controle de vôo, para uso civil. Outra vantagem da nova geração, é que a antena não precisará girar, pois todos os ajustes serão feitos por software, dando mais robustez ao sistema.

O Saber M60 traz diversas vantagens em relação aos similares estrangeiros, segundo o gerente do projeto, Tenente-Coronel Roberto Castelo Branco Jorge. “Já seria bom por ser nacional, mas ele também é competitivo quando comparado com os mais próximos no mundo”.

Segundo Castelo, o Saber M60, quando comparado com concorrentes de Estados Unidos, Israel e França, tem custo 30% mais baixo; vida útil maior; maior transportabilidade; dificuldade de detecção por mísseis de radiação; produção com componentes disseminados na indústria civil (apesar de importados); manutenção integral no Brasil. Nos próximos dez anos, o mercado mundial para essa linha de produto totalizará US$ 18 bilhões, segundo estimativa dos pesquisadores.

Diferentemente dos concorrentes, o radar pode ser transportado por qualquer avião a partir do tamanho de um Bandeirante, ou por um único helicóptero de carga. A montagem demora cera de 15 minutos. O radar identifica a aeronave inimiga e aponta para o soldado a direção em que o míssil deve ser lançado. O equipamento destina-se principalmente à proteção de instalações sensíveis em terra, como instalações petrolíferas e petroquímicas, usinas hidrelétricas e nucleares, entre outras. O uso pode ser adaptado também para a Aeronáutica e para a Marinha.

Royalties do petróleo poderão financiar navios da Marinha



Brasília (4/6/2008) – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, cogitou nesta quarta-feira (4/6), em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, que parcela dos Royalties pagos pela Petrobrás sobre a receita com exploração de petróleo poderá financiar parte dos novos equipamentos que serão adquiridos pela Marinha para a defesa das águas territoriais brasileiras. Segundo Jobim, os royalties já são pagos, mas cerca de R$ 1 bilhão está retido pela área econômica para fortalecimento do superávit primário.

O ministro observou que a ação da Marinha é em cumprimento a uma determinação da sociedade, em prol de toda a Nação, e também com benefícios diretos para a Petrobrás. De acordo com seu raciocínio, o valor de mercado das ações da Petrobrás levam em conta também a segurança patrimonial da empresa. Caso houvesse dúvida sobre a capacidade de preservação do patrimônio, a Petrobrás teria um valor menor que o atual. Como esse segurança é também garantida pela Marinha, Jobim vê uma convergência de interesses que justifica o financiamento da aquisição de meios para assegurar e fortalecer essa segurança no mar.

Segundo Jobim, nos planos da Defesa para a Marinha, no médio e no longo prazo, está a aquisição de 50 novos navios de patrulha oceânica, além da construção de um submarino a propulsão nuclear. Segundo o ministro, a intenção é que os navios sejam dotados de heliponto para operação de helicópteros de ataque, que auxiliariam na proteção das instalações petrolíferas no mar. “Nós temos que deixar muito claro que a Defesa é algo da agenda nacional”.

Segundo Jobim, atualmente a Marinha possui 319 meio, entre navios e aeronaves, e apenas 156 estão disponíveis. O restante está em manutenção. Segundo Jobim, esta é uma situação indesejável, pois o natural seria que 75% dos meios estivessem disponíveis para uso. Segunda Jobim, esse cenário torna mais relevantes os debates sobre como proteger essa riqueza.

O ministro lembrou que o Brasil reivindica junto à Organização das Nações Unidas (ONU) que o limite da zona econômica exclusiva, de 200 milhas, seja ampliada para 350 milhas, o que aumentaria a área marítima sob controle brasileiro de 3,5 mihões para 4,5 milhões de km². A ONU sugeriu reduções na reivindicação brasileira, e as negociações estão em andamento. Para destacar a importância do tema, Jobim lembrou que o grande campo de Tupí, recém-descoberto pela Petrobrás abaixo de uma camada de sal, está a 162 milhas da costa, portanto próximo do limite das 200 milhas.

“O que estamos propondo à Marinha é, se com as funções de monitoramento das águas, negação do uso do mar e projeção de poder, se poderá colocar as três funções de forma igual ,ou a se a melhor solução política será tratá-las de forma desigual, mas combinadas”, explicou Jobim, revelando preferência por reforçar as ações de negação do uso do mar, principalmente com a força de submarinos.

06 junho 2008

Israel pode atacar o Irã, ameaça vice primeiro-ministro israelense


Da Redação

O vice-primeiro ministro israelense Shaul Mofaz afirmou, em entrevista ao jornal Yediot Ahronot, que Israel irá atacar o Irã, caso o país não abandone o programa nuclear. Mofaz, que também é ministro dos Transportes, também disse que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad "irá desaparecer antes de Israel".

A declaração contribuiu para a alta do preço do petróleo, que fechou esta sexta-feira (6) com a maior subida já registrada em um único dia.

Para Mofaz, a política de contenção que o ocidente faz com o regime de Teerã não está dando resultado e, por isso, um ataque israelense parece "inevitável".

"As sanções são ineficazes. Devemos atacar", declarou o ministro, nas ameaças mais concretas já feitas por um membro do Executivo israelense contra o Irã.

Em outra ocasião, o primeiro ministro de Israel Ehud Olmert disse que seu país estava preparado para usar a força contra as usinas nucleares iranianas e afirmou na terça-feira (3) que "a ameaça vinda do Irã deve ser parada de todas as maneiras."

Há um precedente para a ameaça de Israel. Em 1981, aviões israelenses destruíram um reator iraquiano inacabado.

O ministro Mofaz também afirmou ter o apoio dos Estados Unidos no ataque.

Em Washington, nesta semana, o assunto dominou as conversas entre Olmert e o presidente norte-americano George W. Bush. Bush chegou a dizer que "o mundo precisa levar a sério a ameaça, da mesma forma que os Estados Unidos fazem."

O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos e é designado a produzir energia.

Os comentários de Mofaz coincidem com o lançamento de uma campanha para substituir Olmert como chefe do partido governista Kadima, que está sendo investigado sob suspeita de corrupção.

Há alguns dias, a ministra de Relações Exteriores Tzipi Livni, também cotada a substituir Olmert, se expressou de forma pouco diplomática ao referir-se ao Irã.

(Com informações da EFE e da AP)