29 agosto 2008

Defesa vulnerável - S.O.S.

A grave situação de sucateamento da frota naval da Marinha brasileira coloca o País em estado de alerta. Ainda mais agora com as descobertas das reservas de petróleo e gás natural do campo de Júpiter e da área de pré-sal no campo de Tupi, na bacia de Santos (SP).



Demitri Túlio, Cláudio Ribeiro,Luiz Henrique Campos e Thiago Cafardo

A Marinha de Guerra do Brasil está falida e volta a pedir socorro. Da frota naval composta por navios, submarinos, aviões e helicópteros, nenhuma unidade opera em condições plenas. O que ainda funciona é em situação de "restrição". Caso o País se envolvesse hoje em um conflito bélico internacional, as defesas pelo mar estariam vulneráveis. A constatação é de um relatório elaborado pela própria força armada brasileira. O POVO lança luz sobre pontos alarmantes do documento Situação da Marinha - Necessidades Orçamentárias, que foi apresentado pelo comandante-geral da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, no último dia 12 de junho, aos líderes de bancadas de partidos no Congresso Nacional. O militar revela que a Marinha está quase parada. Há um ano, em agosto de 2007, o oficial já havia feito o alerta e de lá pra cá a situação só se agravou.

Para se ter uma idéia da grave situação do sucateamento da frota brasileira, a Marinha vem operando em alguns casos com apenas 4% de seu poder naval. No quadro "Situação atual dos meios da esquadra brasileira" está exposto o tamanho do estrago. Dos 23 aviões A-4 que possui, 22 estão encostados e só um funciona. Quando o assunto é helicóptero, somente 15 dos 68 existentes estão voando e ainda operam com restrições. Cinqüenta e três estão quebrados.

Pelo céu, o País teria o suposto socorro da Força Aérea Brasileira (FAB) no caso de ter de responder a um ataque inimigo. Porém, no mar, o problema não seria fácil de resolver. No relatório Situação da Marinha, está escrito que dos 25 navios que a Marinha de Guerra do Brasil tem, somente 14 estão operando e "com restrições". Onze estão "imobilizados". No item submarinos, antiga reivindicação dos estrategistas em defesa marítima, três operam "com restrições". O Brasil possui cinco unidades e dois não têm condições de patrulha ou pesquisa.

O cenário traçado pelo estudo é dos mais graves e prevê o desaparecimento do poder naval do País até 2025, se não houver investimento urgente e planejado na Marinha do Brasil. "Vale lembrar que a perda de credibilidade da capacidade dissuasória nacional tende a fragilizar a política externa brasileira em todos os foros de atuação e decisão", sentencia o texto.

De acordo com o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares Neto, a armada marítima brasileira necessitaria minimamente de R$ 2,8 bilhões em 2009 para a manutenção e operação das forças navais, aeronavais e de fuzileiros. Além do "preparo e do adestramento do seu pessoal para a condução das atividades subsidiárias e funcionamento básico-administrativo das organizações militares".

Para o ano de 2008, revela o documento, a Marinha teve um contingenciamento de R$ 455 milhões. O Plano de Recuperação da Marinha (PRM) previa um montante de R$ 2,6 bilhões. "Recebemos do Executivo somente R$ 2,135 bilhões. Com as emendas, alcançamos o valor de R$ 2,177 bilhões. Todavia, com o fim da CPMF ficou em R$ 1,976 bilhões. Posteriormente, com a edição do Decreto de Programação Orçamentária e Financeira, recebemos apenas R$ 1,516 bilhões. Em virtude de Emendas Parlamentares, o valor foi ampliado para R$ 1,521 bilhões", detalha o relatório.

Atribuições da Marinha

- A Constituição Federal, no artigo 42, prevê que as Forças Armadas destinam-se à defesa da Pátria e à garantia dos poderes constitucionais. A defesa externa é atividade-fim das Forças Armadas.

- O Poder Naval é o componente militar do Poder Marítimo, capaz de atuar no mar, em terra e nas águas interiores.

São tarefas básicas da Marinha:

- Controlar áreas marítimas: É a garantia na utilização de áreas marítimas limitadas, na intensidade adequada ao apoio e à defesa dos interesses do país.

- Negar o uso do mar ao inimigo: Visa dificultar o estabelecimento do controle de área marítima pelo inimigo. O submarino, principalmente por sua capacidade de ocultação, é a arma por excelência para o cumprimento desta tarefa.

- Projetar poder sobre terra: Dado o desenvolvimento atual de operações multinacionais de paz em áreas conflagradas, é ter poder de desenvolver atividades como bombardeio naval, aeronaval e de operações anfíbias.

- Contribuir para a dissuasão: É demonstrar, por atos de presença e força, o Poder Naval quando necessário. Para que inspire credibilidade quanto ao emprego da força armada naval.

Pela Lei Complementar nº 97/99, alterada pela lei 117/2004, a Marinha do Brasil também tem atribuições subsidiárias às Forças Armadas. São elas:

- Orientar e controlar a Marinha Mercante no que interessa à Defesa Nacional
- Prover a segurança da navegação aquaviária
- Formular e conduzir políticas nacionais que digam respeito ao mar
- Implementar e fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos no mar e águas interiores
- Cooperar com órgãos federais na repressão aos delitos de repercussão nacional ou internacional

Fonte: Relatório Situação da Marinha, necessidades orçamentárias.

Forças Armadas reúnem dez mil militares em treinamento de defesa da costa



Entre os dias 12 e 26 de setembro, militares da Marinha, Exército e Aeronáutica realizarão a Operação Atlântico, um conjunto de exercícios combinados no litoral dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Serão empregados 20 navios, 40 aeronaves e 250 outros veículos militares. A Operação Atlântico vai custar cerca de R$15 milhões.

De acordo com o ministério da Defesa, o principal objetivo da operação é o treinamento das Forças Armadas para um eventual emprego em defesa da soberania do país, fundamentalmente na área da Bacia de Campos e da infra-estrutura de petróleo e gás da região sudeste, região que concentra a Indústria Naval e a Marinha Mercante brasileira.

A Marinha pretende dobrar de 18 para 36 o número de navios-patrulha para proteger a costa brasileira.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar a plataforma P-34, usada para explorar o óleo leve abaixo da camada de sal em Jubarte.

As recentes descobertas de petróleo na áreas do pré-sal, mostram que podem somar reservas da ordem de 50 bilhões de barris de petróleo e exigir investimentos em torno de US$600 bilhões.

Nesta operação estarão envolvidos pelo menos dez mil militares: nove mil nas atividades operacionais e aproximadamente outros mil em atividades de apoio à população e na simulação de combates.

Meios a serem utilizados

Exército

1ª Divisão de Exército;
12ª Brigada de Infantaria Leve;
Comando de Aviação do Exército;
Brigada de Operações Especiais;
Brigada de Infantaria Pára-Quedista

Marinha

F40 - Fragata Niterói;
F46 - Fragata Greenhalg;
F48 - Fragata Bosisio;
F49 - Fragata Rademaker;
V30 - Corveta Inhaúma;
V33 - Corveta Frontin;
G21 - Navio-Transporte de Tropas Ary Parreiras;
G23 - Navio-Tanque Almirante Gastão Motta;
G28 - Navio de Desembarque de Carros de Combate Mattoso Maia;
G29 - Navio de Desembarque de Carros de Combate Garcia D'Avila;
G31 - Navio de Desembarque-Doca Rio de Janeiro;
M16 - Navio-Varredor Anhatomirim;
M20 - Navio-Varredor Albardão;
R22 - Rebocador de Alto-Mar Tridente;
GRUMEC - Grupamento de Mergulhadores de Combate

Força Aérea Brasileira (FAB)

A-29 Super Tucano - Aeronave Leve de Ataque;
C-130 Hércules - Aeronave de Transporte Pesado;
H-34 Super Puma - Aeronave de Transporte Pesado;
R-99A Guardião - Aeronave de Alerta Aéreo Antecipado e Controle;
C-95/SC-95 Bandeirante - Aeronave de Transporte Médio;
P-95 Bandeirulha - Aeronave de Patrulha;
C-99A Condor - Aeronave de Transporte de Passageiros e de Carga;
C-105A Amazonas - Aeronave de Transporte Médio

ACISO

O ministério da Defesa também pretende integrar as atividades essencialmente militares às Ações Cívico-Sociais (ACISO) em diversos municípios e assistir segmentos da sociedade residentes na região onde o exercício será realizado.

Durante o período em que a Operação Atlântico estiver sendo desenvolvida, serão oferecidos atendimentos médicos e odontológicos, feitas reformas em escolas e prédios de utilidade pública e proferidas aulas de primeiros socorros e higiene.

As Forças Armadas ainda vão destacar a importância da “Amazônia Azul”, para mostrar à sociedade que as riquezas do mar são tão importantes quanto a Amazônia verde, em todas as suas características: econômica (petróleo e gás, pesca e recursos minerais), ambiental e científica.

Brasil e Venezuela fortalecem cooperação militar


Pelo menos 400 militares brasileiros e venezuelanos participaram entre 19 e 22 de agosto da quinta edição da Operação VENBRA, na região de Santa Elena de Uiarén, na fronteira entre os dois países que é de 2.199 quilômetros de selva praticamente inabitada.


Os exercícios conjuntos objetivam reforçar a cooperação militar para a proteção da fronteira comum e do espaço aéreo. A operação realizada a cada dois anos começou a ser executada em 1998.


De acordo com a Força Aérea Brasileira, “a VENBRA V consiste num exercício de simulação no qual se empregam aeronaves-alvo militares como se estivessem em tráfegos ilícitos. Os aviões cruzam uma linha de fronteira fictícia estabelecida entre Brasil e Venezuela, nos dois sentidos. Para localizá-los, serão empregados meios de detecção (radares) e de interceptação (aeronaves) dos dois países”.


No âmbito desta cooperação está o combate ao narcotráfico, à exploração ilegal de minérios, tráfico de pessoas e contrabando de combustíveis.


Durante quatro dias foram empregados os meios de vigilância, controle e defesa do espaço aéreo, e tarefas de detenção, identificação e interceptação de vôos ilícitos.


Oficiais da Aviação Militar Nacional Bolivariana (AMNB) e da Força Aérea Brasileira (FAB), atuaram a partir de Santa Elena de Uairén, no estado venezuelano de Bolívar, e Boa Vista, capital de Roraima.


Atuaram, pelo lado brasileiro, como interceptadores, as aeronaves AT-26 Xavante e os modernos A-29 Super Tucano, e ainda, como aeronaves-alvo os C-98 Caravan. Já pelo lado venezuelano, os interceptadores foram os aviões OV-10 Bronco e T-27 Tucano, e como alvos CESSNA 208.


Recentemente, a Venezuela habilitou seu radar de vigilância terra-ar fabricado na China e que é usado como meio de defesa móvel. O radar está a 600 quilômetros de Caracas.


A Venezuela participará entre 3 e 14 de novembro da Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex), organizada pelo ministério da Defesa do Brasil e que vai reunir as forças aéreas da Argentina, Chile, França e Uruguai.

Decreto de Lula contraria tratado da ONU sobre direitos dos índios

Norma presidencial trata da criação de postos militares em áreas de fronteira

Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho, decreto que determina a instalação de postos do Exército em todas as terras indígenas localizadas em faixa de fronteira contraria a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Confronto no sul afegão deixa 100 militantes mortos



CABUL (Afeganistão) - Um confronto de quatro dias no sul do Afeganistão entre tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos e rebeldes deixou mais de 100 militantes mortos, informou a coalizão ontem. Militantes portando granadas propelidas por foguete, metralhadoras e morteiros atacaram uma patrulha na província de Helmand, sul afegão.

Houve vários confrontos desde a segunda-feira, e também foi convocado um ataque aéreo para auxiliar as tropas. O confronto deixou "cerca de 100 insurgentes" mortos, informou a coalizão.

Segundo o capitão Scott Miller, porta-voz das forças estrangeiras, não era possível divulgar outras notícias, pois a batalha estava em andamento. O grande número de mortos ocorre uma semana depois de os Estados Unidos informarem que mataram 25 militantes e cinco civis durante uma operação no distrito de Shindand, na província de Herat.

Funcionários afegãos, porém, afirmam que morreram entre 76 e 90 civis afegãos na operação, realizada na última sexta-feira. Mais de 3.700 pessoas, a maioria militantes, morreram em incidentes relacionados à insurgência desde o início do ano. O número é resultado de um levantamento da Associated Press, com base em dados de funcionários ocidentais e afegãos.

Moscou testa míssil que "fura" escudos



MOSCOU - A Rússia testou com sucesso ontem um míssil balístico intercontinental, projetado para superar sistemas de defesa antimísseis, informaram as agências de notícias, citando as forças estratégicas nucleares da Rússia. O míssil Topol RS-12M foi testado "no desenvolvimento de equipamento para uso potencial de combate contra mísseis balísticos disparados do solo," disse Alexander Vovk, porta-voz das forças, citado pela agência russa Interfax. "A experiência mostra que as contramedidas mais econômicas, rápidas e eficazes contra o desenvolvimento de um sistema antimísseis são as chamadas "assimétricas," disse.

Essas contramedidas incluem tornar o míssil balístico quase indetectável e sua rota menos previsível aos radares, iludindo o sistema antimísseis, ele disse. O míssil russo foi lançado do cosmódromo de Plesetsk, no norte da Rússia, e voou 6 mil quilômetros até seu alvo, na península de Kamchatka, no extremo leste russo, informou a agência RIA Novosti.

A Rússia desenvolveu o Topol RS-12M em resposta ao projeto dos Estados Unidos de escudo de defesas antimísseis, que usa interceptores lançados a partir do solo. Washington assinou acordos com a Polônia e a República Checa para instalar o escudo nos dois países do Leste Europeu, um plano que enfureceu Moscou.

China e outros quatro declaram apoio à Rússia



DUSHANBE (Tajiquistão) - A China e outros quatro países da Ásia Central declararam ontem apoio aberto ao "papel ativo" da Rússia na solução do conflito na Geórgia. A manifestação ocorreu durante reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) realizada em Dushanbe, a capital do Tajiquistão.

O Casaquistão, a China, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Usbequistão "apóiam o papel ativo da Rússia de contribuir para a paz e a cooperação na região", diz um comunicado divulgado à imprensa.

"Os Estados membros da OCX manifestam sua profunda preocupação com as recentes tensões em torno da questão da Ossétia do Sul e pedem às partes que solucionem pacificamente os problemas existentes por meio do diálogo", diz a nota assinada pelos presidentes dos países que integram a OCX.

A Rússia tem sido alvo de críticas do Ocidente pela decisão de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, duas regiões separatistas georgianas no centro do conflito ocorrido este mês no Cáucaso.

O Kremlin tem respondido com irritação às críticas, observando que as potências ocidentais recusam-se a admitir que a Rússia recorreu à força militar somente depois de a Geórgia ter iniciado uma ofensiva contra a Ossétia do Sul, onde vivem dezenas de milhares de cidadãos russos.

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, qualificou a "posição unificada" da OCX como uma "advertência séria" ao Ocidente. "Tenho certeza de que a posição unificada dos Estados membros da OCX terá repercussão internacional", declarou Medvedev. "E espero que isso sirva como uma advertência séria para aqueles que tentam transformar preto em branco para justificar essa agressão", concluiu.

Medvedev reuniu-se com o presidente da China, Hu Jintao, em Dushanbe na véspera da reunião de cúpula e conversou com seu colega sobre a situação.

A OCX foi estabelecida em 2001 com o objetivo de fazer frente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Ásia Central, uma região estratégica extremamente rica em recursos minerais.

Na declaração conjunta, também assinada por Medvedev, os seis países manifestam apoio ao conceito de integridade territorial, mas sem mencionar especificamente o caso da Geórgia. O Ocidente acusa a Rússia de violar a integridade territorial georgiana ao reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia.

"Os presidentes confirmam seu comprometimento com o princípio de respeitar as tradições históricas e culturais de cada país e os esforços de manutenção da unidade dos Estados e de sua integridade territorial."

Exibição marca encerramento da 1ª Conferência Especializada de Meio Ambiente dos Exércitos Americanos


Jorge Eduardo Dantas

O Exército brasileiro e o Comando Militar da Amazônia (CMA) realizaram, ontem à tarde, a solenidade de encerramento da 1ª Conferência Especializada de Meio Ambiente dos Exércitos Americanos. O evento, que começou na segunda-feira no Tropical Hotel, reuniu uma média de 40 pessoas e 24 delegações de vários países das três Américas, que discutiram como promover a manutenção do meio ambiente em missões de paz.

O encerramento foi marcado pela exibição de táticas de guerra nas águas do Igarapé Mainá que foram executadas pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Segundo o coordenador da conferência, general Floriano Peixoto, representante do Estado Maior do Exército Brasileiro, o evento teve como objetivo discutir como permitir a preservação do meio ambiente, ao mesmo tempo em que se realizam missões militares. “Embora questões como flora, fauna e clima sejam bastante distintas ao longo de todo o continente, é preciso pensar em como cumprir as missões sem prejudicar o ambiente natural de cada país”, explicou.

O secretário-geral da Conferência dos Exércitos Americanos (CEA), coronel argentino Roberto Luís Munõz, disse que não é mais possível pensar o homem fora de seu ambiente. “Não podemos, por exemplo, enviar uma força de paz ao Haiti que acabe com os ecossistemas desta nação”, afirmou.

Tiros e explosões

A exibição das táticas de guerra, ocorrida ontem à tarde, foi organizada para mostrar aos visitantes de outros Países como o Exército brasileiro se prepara para a guerra dentro da floresta. A demonstração ocorreu na Base de Instruções 4 (BI-4), onde o Cigs promove os cursos de formação para seus quadros.

Entre as técnicas apresentadas aos visitantes estavam a hellocasting, que consiste em “jogar” soldados na água para permitir infiltração silenciosa. As remadas - que vêm a ser a utilização de pequenas tropas a bordo de canoas - possui o mesmo fim. Foi simulado, ainda, o resgate aéreo de um soldado ferido e a neutralização de um “ponto inimigo” que, armado de metralhadora, obstruía a passagem área pelo igarapé.

O primeiro-sargento Sierra, do Exército dos Estados Unidos, achou tudo muito interessante mas ficou impressionado com as adversidades climáticas. “Na Amazônia, questões como chuva e temperatura exercem grande influência na operação militar. Acho que treinamento e as operações são mais pesadas”, afirmou.

27 agosto 2008

Síria permite a instalação de base militar russa no seu território



O Presidente da Síria, Bashar Assad, que visitou à Rússia com uma visita oficial, mostrou-se aberto à instalação de uma base militar e de mísseis russos no território do seu país.

Numa entrevista ao diário russo Gazeta, Bashar Assad apoiou a operação militar de Moscovo na Geórgia e afirmou esperar que “a Rússia não se aproxime mais do Ocidente e da parceria com países da NATO”.

“Consideramos que o que a Rússia fez visava defender os seus interesses”, declarou Assad.

O dirigente sírio reconheceu que o Kremlin ainda não fez proposta alguma no sentido de utilizar o território da Síria para responder à instalação de elementos do sistema antimíssil norte-americano no Leste da Europa, mas sublinhou que está aberto ao diálogo.

“A nossa posição consiste em que estamos prontos a cooperar com a Rússia em tudo o que poderá reforçar a sua segurança”, sublinhou.

A imprensa russa admite a possibilidade do Kremlin vir a instalar sistemas de defesa antimíssil Izkander na Síria.

Bashar Assad admite ceder também portos marítimos sírios para instalar bases militares russas. Moscovo herdou da União Soviética um estaleiro naval instalado no porto sírio de Tartus.

“Os navios russos entram nos nossos portos. Há possibilidade de desenvolver a cooperação nesta esfera, estamos abertos a propostas” , acrescentou.

O Presidente sírio revelou que, no encontro com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, irá levantar a questão do “papel desempenhado por Israel nessa guerra (na Geórgia).

Até os membros da Nato mostram seu apoio à Rússia. A Turquia, que tem o terceiro maior exército da aliança, não permitiu que belonaves dos Estados Unidos entrassem no Mar Negro durante o conflito armado.

A Eslováquia e a República Tcheca também apoiaram a Rússia nas ações militares desta na Ossétia do Sul. O Primeiro-Ministro eslovaco Robert Fico e a vice-líder Anna Belousovova disseram que a Geórgia cometeu ato de genocídio na Ossétia do Sul. Os dois países acusaram a administração dos Estados Unidos de comportamento inadequado.

A Marinha de Guerra Russa Actual



Dieter Dellinger

A Federação Russa tem três marinhas que subsistem ainda desde o colapso da União Soviética. Trata-se de uma marinha que ficou nos estaleiros de construção, tendo alguns desses navios inacabados ido para o ferro-velho e a partir de outros, principalmente submarinos, estão a ser construídas novas unidades, mas em pequeníssimas quantidades. A segunda marinha é a que está amarrada a vários cais com navios aparentemente em bom estado, mas sem navegarem por falta de guarnições, revisões ou reparações e, principalmente, falta de uma estratégia naval, já que os mares pertencem aos EUA e a Federação Russa deixou de ter qualquer justificação para possuir importantes forças navais. A terceira marinha é aquela que ainda navega organizada na Frota do Norte (Ártico) com duas bases principais em Murmansk e Arcangel; na frota do Pacífico a partir de Vladivostok no Mar Interior do Japão; na frota do Báltico a partir de S. Petersburgo; na frota do Mar Negro a partir do porto de Novorosirsk e parcialmente de Sebastopol que ficou pertença da Ucrânia. Por último há umas pequenas flotilhas no Mar Cáspio.

Presentemente, graças às altas cotações do petróleo e gás natural, a Federação Russa já tem dinheiro para fazer as reparações necessárias numa série de navios e navegar novamente com eles.

Porta-aviões Admiral Kuznetzov

Por isso, após quinze anos de ausência, apareceram no Mediterrâneo e no Atlântico os primeiros navios de combate à superfície russos. No passado dia 19 de Janeiro um grupo de combate com o porta-aviões “Admiral Kuznezov” como navio-almirante, o cruzador lança-mísseis “Moskva” (ex-“Slava”), os navios de combate a submarinos “ Admiral Levtschenko” e “Admiral Tschabanenko”, assim como os navios de abastecimentos “Sergej Ossipow” e “Nikolai Tschiker”. Tudo sob o comando do almirante Nikolai Maximov, comandante da frota do Norte.

Os navios fizeram vários exercícios no Atlântico e o “Moskva” chegou a visitar Lisboa.

Os navios russos usam as iniciais NFR (Navio da Federação Russa) e utilizam o pavilhão branco com a cruz de Santo André a azul. Actualmente, o comandante supremo é o almirante Wladimir Wysozkii que assumiu as suas funções no fim 2007. A marinha em si mesmo resultou da divisão das forças navais soviéticas entre a Federação Russa e a Ucrânia, tendo se afastado gradualmente de tudo o significou antes em termos de comunismo.

O essencial do poder de combate da Armada Russa assenta nos seus submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos (SSBN), mas o último submarino balístico a entrar ao serviço foi há 17 anos, pelo que é agora o “Júri Dolgoruki”, o primeiro novo submarino a ser baptizado com o nome do fundador da cidade Moscovo e da Classe Projecto 955 (Borei). Este navio esteve nos estaleiros desde 1998, pois o aço especial para submarinos era fabricado na Azovstal situada na Ucrânia e muito caro, pelo que o Ministério Russo da Defesa não tinha dinheiro para adquirir a necessária matéria-prima. Neste momento, estão em vias de serem entregues três submarinos de mísseis balísticos de quarta geração “Borei”, devendo o primeiro entrar ao serviço ainda este ano.

No próximo ano, os estaleiros Sewmash em Sewerodwinsk (Mar Branco) iniciarão a construção de um quarto submarino estratégico.

A capacidade construtiva russa deve-se mais ao talento de improvisação dos seus engenheiros que aos recursos financeiros e que levou à utilização de secções de cascos deixados feitos dos tempos da URSS e que faziam parte de outras classes de submarinos. Assim, a classe Borei tem a proa e a popa dos submarinos K-377 Kugar (Projecto 971 com a designação Nato de Akula II). O submarino da mesma classe que está no estaleiro, o “Aleksand Newski”, recebe os segmentos do casco daquilo que deveria ter sido o “Rijs” e o outro, o “Wladimir Monomarkh” também está a ser construído a partir de partes de submarinos inacabados. A União Soviética deixou um gigantesco plano de construção de meios militares que ultrapassavam de longe as possibilidades da sua economia. Agora, como o aumento espectacular dos preços do petróleo e do gás, a Federação Russa retomou, à velocidade de cruzeiro, a construção de novas unidades e a modernização de outras mais antigas ao mesmo tempo que continuará a desmantelar muitas unidades que já nem estão em estado de navegar devido ao longo tempo de imobilização. A Federação Russa sofre do facto de ter de possuir quatro frotas armadas muito distanciadas umas das outras pelo que é quase impossível o seu agrupamento com rapidez num qualquer teatro de operações. Recordemos a Batalha de Tsushima que descrevi nesta revista e que levou à destruição de uma grande armada enviada do Báltico ao Extremo Oriente e que chegou às águas japonesas muito desgastada e sem passar previamente por uma base para reparações e reabastecimentos.

Curiosamente, a marinha russa ainda utiliza os maiores navios de combate de superfície que não são porta-aviões. Refiro-me aos seguintes cruzadores lança-mísseis:

Cruzador Kirov

Projecto 1144 – ex-Classe “Kirov” que hoje podemos apelidar de classe “Admiral Uschakov”. Aqui como em quase tudo, os russos mudaram os nomes comunistas para outros relacionados com outros aspectos da sua história. São navios que se caracterizam pelas suas dimensões e deslocamento que permitem colocar todas os seus mísseis nas cobertas, sendo de disparo vertical com magazines rotativos de recarga. Dos quatro navios, apenas dois navegam, ou mesmo apenas um, o “Piotr Welikij” (Pedro O Grande e ex-“Juri Andropov”) que é o navio almirante da frota dos Mares do Norte, isto porque o segundo navegável, o “Admiral Nachimov” (ex-“Kalinin”), está desde 2005 a receber novos sistemas de mísseis, não se sabendo se voltou já ao serviço ou se está em vias de o fazer. O “Admiral Lazarev” (ex-“Frunse”) está inactivo desde 1990, estando previsto a sua recuperação total ou seu desmantelamento para sucata e o “Admiral Uschakov” (ex-“Kirov”) está em reparações desde 2001 em consequência de uma grave avaria nos seus motores não se sabendo se voltará ao serviço activo.

Fundamentalmente, são verdadeiros cruzadores de batalha com um deslocamento máximo militar de 38.000 toneladas, 252 metros de comprimento, accionados cada um por dois reactores nucleares de 300 Mwt que alimentam quatro turbinas a vapor de 35.000 cv cada ligadas a dois veios com hélices. Além disso, na casa das máquinas ainda estão 4 geradores eléctricos de 3000 kW e duas caldeira adicionais a vapor redundantes que permitem uma velocidade de 17 nós sem utilização do sistema nuclear. Estes navios com cerca de 610 homens de guarnição podem estar no mar durante 60 dias sem reabastecimentos.

O “Piotr Welikij” possui uma blindagem de 100 mm na zona dos reactores e de 70 mm na zona do leme e 50 mm no tombadilho (deck) e 80 mm na torre.

Entre o seu numeroso armamento contam-se 20 lançadores básicos para mísseis de cruzeiro P-700 Granit ou para torpedos P-40 de ataque a submarinos.

16 lançadores para 8 mísseis cada do tipo anti-aéreo SA-N-9 comandados por radares que acompanham alvos em voo baixo como em voo alto. Portanto com 128 mísseis.

12 lançadores de 8 mísseis B-203A anti-submarinos capazes de lançar torpedos

2 lançadores de cinco mísseis cada destinados a abater mísseis anti-navio lançados por submarinos inimigos.

Em termos de artilharia, o “Piotr Welikij” tem 1 peça singular e uma binária de 130 mm e 6 sistemas Kashtan, anti-alvos aéreos que juntam peças multitubos de 30 mm do tipo Gatling com mísseis, capazes de enfrentarem 256 corpos voadores (aviões ou mísseis).

E ainda tem ou tinha um lançador de 10 morteiros anti-submarino RBU 1200 e dois lançadores de seis cada. Provavelmente já foram retirados porque são armas tidas como obsoletas, excepto no combate a submarinos do terceiro mundo, substituídas por torpedos anti-submarinos filo- ou auto-guiados. Para combater torpedos tinha também 2 lançadores de seis morteiros Udav que também podem já ter sido retirados.

Para além dos dois ex-“Kirov”, a Federação Russa possui ainda os navios do mesmo tipo, mas mais pequenos, anteriormente denominados da classe “Slava” (Fama) do Projecto 1164 “Atlant”. O ex-“Slava” passou a “Moskva” e visitou recentemente o Tejo. São navios capazes, mas muito vilipendiados pelas marinhas da Nato que dizem que os soviéticos e russo colocaram os mísseis na montra. Efectivamente, por razões de algum atraso técnico que antes foi sempre negado pelos americanos, os mísseis russos ou soviéticos eram de tamanho maior, pelo que não podiam ser colocados na coberta e serem lançados verticalmente, excepto em navio de grande porte. Acontecia com os destrutores das classes “Kresta” e “Kara” dos anos sessenta e setenta e o problema da miniaturização dos componentes parece que ainda não está de todo resolvido.

Nos navios do Projecto 1164, os mísseis estão instalados por cima do deck ao lado das super-estruturas com a ponte de comando, ocupando um grande volume com muita visibilidade.

Estes navios foram desenvolvidos como uma segurança para o caso de os grandes “Kirov” falharem e são navios de ataque a grandes esquadras inimigas com mísseis que procuram o inimigo para além da linha do horizonte.

O primeiro navio da classe, o ex-“Slava” e hoje “Moskva” entrou ao serviço em 1981 na Frota do Mar Negro. Seguiu-se o “Marschall Ustinov” em 1986 da frota do mar do Norte e em 1990 o “ex-Tcherwona Ukraina” (Ucrânia Vermelha) e hoje “Wariag”, que nunca chegou a ser completado, ainda faltam os 5% do navio, pretendendo a Ucrânia vendê-lo, mas sem sucesso até agora, apesar de haver interesse por parte da Rússia na sua aquisição. Um quarto navio o “Admiral Flota Lobov” (Almirante de Frota Lobov) deveria ter sido completado em 1995, mas ainda está nos estaleiros de Nikaileiv e já mudou de nome para “Ukraina”. Quase todos os navios com nomes comunistas mudaram de nome, pelo que produzem alguma confusão hoje.

Uma das razões da existência destes cruzadores lança-mísseis do Projecto 1164 reside igualmente nos seus custos de manutenção mais baixos com menores guarnições. Os técnicos russos têm escrito que com boa manutenção e modernização de equipamentos são navios para durarem mais vinte anos.

Os Projecto 1164 são navios de 12.600 toneladas de deslocamento máximo com 186,0 m de comprimento. A maquinaria motriz é constituída por seis caldeiras a vapor tubulares, quatro turbinas a gás de 121.000 WPS e dois veios, permitindo uma velocidade máxima de 33 nós. O distância máxima de navegação é de 10.000 milhas a 16 nós.

O armamento principal é constituído por:

16 mísseis P-500 “Basalt” anti-navios.
8 lançadores S-300F verticais para 64 mísseis anti-aéreos (SA-N-6 Grumble)
2 lançadores gémeos 9K33 “Osa” para 40 mísseis anti-aéreos (SA-N-4 Gecko)
1 peça binário de 130 mm
6 canhões de tiro rápido de 30 mm para abater mísseis a curta distância.
2 lança roquetes RBU 6000
10 tubos lança torpedos de 533 mm
1 helicóptero Kamov Ka 27

Guarnição 480 militares.

A marinha russa possui hoje um porta-aviões, o “Admiral Flota Soyuza Kuznezov”, mas pretende chegar aos anos vinte deste séculos com seis unidades deste tipo, três no Pacífico e três no Mar do Norte, isto por questão de rotatividade de manutenção. Um em grandes reparações, outro em manutenção de rotina e um terceiro activo com o respectivo grupo de combate. Deverão ser bem mais pequenos que os americanas e estão ainda dependentes do desenvolvimento de novos meios aéreos.

O nome do almirante Kuznezov não foi alterado, apesar de ter sido comissário de Estaline para a marinha e Almirante de toda a Frota de URSS aos 34 anos de idade, mas foi duas vezes degradado e reposto em postos cada vez mais importantes e depois da guerra, aos 51 anos de idade, despedido pelo ditador que detestava gente verdadeiramente eficiente e capaz. Kuznezov não obedeceu às ordens de Estaline e preparou a marinha para enfrentar um ataque nazi logo aos primeiros minutos. Efectivamente, quando os Stukas alemães julgavam que iam atacar de surpresa as bases de Sebastopol e Leningrado, nas primais horas da invasão da URSS, encontraram já no ar os aviões da marinha e no chão os holofotes acesos e o pessoal de artilharia anti-aérea a postos. Com isso, Kuznezov salvou a marinha de guerra soviética, ao contrário do que sucedeu com as forças terrestres e aéreas que, por ordens de Estaline, se deixaram apanhar de surpresa pelos nazis e foram em grande parte aniquiladas. Estaline tinha proibido as patrulhas aéreas permanentes no ar, mas não foi obedecido pela marinha. E foram os canhões da marinha que impediram a conquista de Leningrado pelos nazis que a cercaram durante 900 dias.

O porta-aviões Kuznezov navega em pleno e esteve recentemente em manobras no Atlântico, apesar de ter sido construído em 1987, mas incorporado bem mais tarde após modificações e adaptação dos meios aéreos. O seu irmão gémeo, o “Varyag” (ex-“Riga”) ficou na marinha ucraniana que acabou por o vender à China. As dificuldades económicas dessa bela nação que é a Ucrânia não comportam a posse de uma grande marinha para defender um naco de costa no Mar Negro.

O Kuznezov é um porta-aviões médio que desloca 65.000 toneladas com um comprimento de 300 m destinado a utilizar vários tipos de aviões. Geralmente transporta 60 aviões de asa fixa e uns tantos helicópteros de aviões de descolamento vertical. São os Jakolev Jak-38 e Jak-41 de descolamento vertical do tipo dos Harriers britânicos e uma versão marítima do Mig-29 de asa fixa e/ou o Sukoy Su-27.

É accionado por quatro turbinas a vapor de 37.555 cv que permitem ao navio atingir a velocidade de 32 nós.

O armamento do “Admiral Kuznezov” comporta 24 lançadores para 8 mísseis anti-aéreos SA-N 9 e mísseis anti-navio SS-N-19 acompanhados pelo disparo de canhões híbridos de 30 mm e várias peças de 100 e 76 mm.

Em próximo artigo farei a descrição das numerosas classes de destrutores e navios a anti-submarinos para me dedicar depois à ainda importante frota de submarinos de ataque e estratégicos que não se comparam com o que os americanos possuem, já que a Federação Russa é uma potência amiga do Ocidente a muito pacífica.

Medvedev: Estamos a proteger os povos da Abcásia e da Ossétia



Ministério das Relações Exteriores
Federação Russa


“Não queremos que haja qualquer tipo de confronto. Quanto a saber até que ponto estamos dispostos a ir, o que estamos a falar aqui é uma norma no procedimento internacional, se bastante raro, de reconhecer que um novo Estado, um novo sujeito de direito internacional.

“Decidimos sobre este passo para a fundamentação que falei antes: a evitar mortes e genocídio, para dar aos povos da Abcásia e da Ossétia do Sul a oportunidade de concretizar o seu direito à autodeterminação após 17 difícil anos, depois de tentativas falhadas para acalmar a situação e restaurar essencialmente a integridade territorial da Geórgia.

“Antes desta decisão não tomámos quaisquer medidas no sentido de reconhecer estas duas entidades como Estados independentes. Pelo contrário, tentamos ajudar a Geórgia a ficar junto. Mas esta última agressão e este genocídio desencadeado pelo regime de Saakashvili colocou um fim a esses planos.

“Nós não tivemos outra escolha senão a tomar esta decisão. No que diz respeito à confrontação, o nosso objectivo não é a agitar o confronto mas sim acalmar a situação e ajudar esses dois povos que tomaram a decisão de adquirir o estatuto de Estado. Estes são os nossos objectivos”.

Rússia defende missão da OSCE na Ossétia



Ivan PODGORNY

Presidente da Rússia Dmitry Medvedev e o Presidente da Finlândia Tarja Halonen discutiram o futuro das actividades da OSCE na zona do conflito Geórgia-Ossétia do Sul. A Finlândia tem actualmente a presidência da OSCE.

O Presidente da Rússia expressou seu apoio à continuação dos trabalhos da missão da OSCE, reforçando o seu papel, e sublinhou a disponibilidade da parte russa para trabalhar em estreita colaboração. Dmitry Medvedev indicou que o melhor caminho para a frente será promover a aplicação prática dos seis princípios para a resolução do conflito elaborados pelos presidentes da Rússia e da França e assinado por todas as partes em causa, sendo os principais objectivos da missão da OSCE.

A conversa foi realizada por iniciativa do lado finlandês.

Russia congela toda cooperação militar com a OTAN



A Rússia informou à Noruega de sua intenção de cessar completamente sua cooperação militar com a OTAN. A declaração foi feita no dia seguinte ao do encontro de emergência dos ministros da OTAN a respeito da situação na Geórgia e na Ossétia do Sul.

Os ministros concordaram em não encerrar seus vínculos com a Rússia, embora a cooperação futura viesse a depender da saída da Rússia da Geórgia. Os membros da OTAN não declinaram de sua cooperação com a Rússia, apesar dos apelos dos Estados Unidos.

Uma autoridade de alto nível porta-voz do Ministério de Defesa da Rússia telefonou para a Embaixada da Noruega em Moscou e disse que Moscou estava planejando congelar toda cooperação militar com a OTAN e seus aliados, disse Espen Barth Eide, secretário de estado do ministério norueguês.

Eide disse à AP que a Rússia logo enviará uma nota escrita a respeito de sua decisão à Noruega. Diplomatas noruegueses encontrar-se-iam com suas contrapartes russas na quinta-feira para esclarecer a situação.

"Entendemos que outros países da OTAN receberão notas semelhantes," disse Eide. O ministério disse que a autoridade russa é conhecida da embaixada, mas a Noruega não mencionou seu nome nem forneceu qualquer informação identificadora adicional.

Nem as autoridades do Kremlin, nem o embaixador da Rússia junto à OTAN, Dmitry Rogozin, fizeram qualquer comentário a respeito da notícia.

As autoridades dos Estados Unidos descreveram a decisão da Rússia como infeliz.

"Se realmente for isso, é algo infeliz. Precisamos trabalhar com a Rússia num elenco de questões de segurança, mas obviamente estamos muito preocupados com o comportamento da Rússia na Geórgia," disse o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos Robert Wood.

Nos termos do acordo de 2002 que criou o Conselho OTAN-Rússia, os antigos antagonistas da Guerra Fria deram início a diversos projetos de cooperação. Eles incluem participação ocasional de belonaves russas em patrulhas de contraterrorismo da OTAN no Mar Mediterrâneo, compartilhamento de expedientes de combate ao tráfico de heroína para fora do Afeganistão e desenvolvimento de tecnologia antimíssil de campo de batalha.

Na semana passada, o embaixador da Rússia na OTAN, Dmitry Rogozin , advertiu a aliança ocidental contra a extinção de cooperação, dizendo que os dois lados seriam prejudicados, informa a AP.

A cooperação militar entre Rússia e OTAN acabou, de fato, por iniciativa da última. Um exercício naval FRUKUS Rússia-OTAN tornou-se o primeiro da lista. O evento deveria ter lugar no Oceano Pacífico com a participação de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia.

Posteriormente, os Estados Unidos barraram a Rússia de uma operação conjunta de antiterrorismo Empenho Ativo - Active Endeavor. O navio de patrulhamento marítimo russo Ladny teve que voltar a sua base em Sevastopol.

Os Estados Unidos decidiram cancelar o exercício antiterrorista Estados Unidos - Rússia previsto para ter lugar em 28-30 de agosto.

Moscou respondeu na mesma moeda. Na terça-feira Moscou retirou-se do exercício anual Espírito Aberto 2008 - Open Spirit 2008.

Aumenta tensão no Mar Negro: Frota russa vigila a da OTAN



O chefe adjunto do Estado Maior Geral das Forças Armadas da Rússia , Anatoli Nagovitsin, declarou esta quarta-feira (27) que OTAN não tem direito de incrementar indefinidamente os navios da sua Frota no mar Negro.

“Colocamos o tema para adiantar-se às perguntas sobre se os países da OTAN , não costeiros do Mar Negro, podem incrementar continuamente sua presença naval lá. Resulta que não pode fazê-lo e é a questão da importância vital”, disse o general na conferência de imprensa, informa Ria-Novosti. Nogovitsin lembrou que a Convenção de Montreux de 1936 fixa restrições sobre o número de navios que podem permanecer no Mar Negro.

“ Esta Convenção estabelece a presença de um número limitado de navios com tonelagem global não superior a 45.000 toneladas. Têm ( os países membros da OTAN) que respeitar esta norma, e em primeiro lugar , os países não costeiros do Mar Negro”, destacou o general.

O chefe adjunto do Estado Maior informou que a Frota russa do Mar Negro começou a cumprir as missões de vigilância neste mar. “Perante o aumento da flotilha da OTAN no Mar Negro, os navios russos (encabeçados pelo cruzador "Moskva") iniciaram a vigilar suas manobras”, disse Nagovitsin.

Presidente Medvedev fala sobre as relações com OTAN e o Ocidente



“Claro que não nos agrada falar de uma Guerra Fria. Não queremos uma escalada. Pelo contrário, nós queremos apaziguar a situação. Nossas ações dirigidas contra a agressão de Saakashvili foram realizadas precisamente para acalmar o agressor, por um lado, e dar a vida e um bom e razoável futuro para os povos destas duas entidades não reconhecidos por outro lado.

“Quanto à tensão, é dentro do poder do Ocidente, no âmbito do poder dos países que pensam que a tensão está a crescer, para reduzi-la. Todos eles precisam reconhecer o verdadeiro estado das coisas em vez de criar histerias de situações virtuais. Eles precisam de tomar medidas pragmáticas e pensar no futuro. Penso que é do interesse do Ocidente a construção integral de relações amistosas com a Federação Russa.

Relativamente à questão da OTAN e o que esta aliança pode fazer, o Presidente foi cristalino:

“Em última instância, este assunto é da OTAN. Nós tentamos construir uma parceria com a OTAN. A OTAN tem tentado examinar esta parceria ultimamente. Como eu disse ontem, se é isso que eles querem, deixem-nos ir em frente. Nós podemos dizer adeus uns aos outros. Não vai ser uma tragédia. Como eu disse, a OTAN tem maior interesse na cooperação do que a Federação Russa. Se a OTAN decidir-se a abrir o seu plano de adesão à Geórgia não seremos felizes, é claro, e isso certamente faria aumentar a tensão.

“Tal como para a Ucrânia, que seria bom primeiro pedir a todos os ucranianos o que eles querem. Ucrânia não tem ainda realizado um referendo sobre o assunto. Sobre a questão de defesa antimísseis, a decisão de implantar uma estação de radar e de mísseis em território polaco e checo, este é mais um passo para aumentar a tensão. Nós não podemos vê-lo senão como um passo visando a Rússia, não importa quais as motivações avançadas pelos países membros da NATO.

“Dizem que há países algures por aí que representam uma ameaça, mas isto é tudo uma carga de disparates. Estes mísseis estão a ser estacionados junto a nossa fronteira, e eles são uma ameaça para nós - isso é certo.

“Isso, naturalmente cria maior tensão. Temos de responder a esta situação de alguma forma e, naturalmente temos de efectuar uma resposta militar. Mas penso que a OTAN está consciente disto. Esta é a sua escolha. Não somos nós a implantar mísseis”

Dmitry Medvedev em entrevista com Al Jazeera

Navio da Marinha de Guerra russa parte para Mar Negro

Cruzador russo Moskva da Frota do Mar negro partiu de Sevastopol.


Dério Nunes

Cruzador Moskva, antigo Slava

De acordo com o Chefe Adjunto da Marinha Igor Dygalo, o Cruzador lança-mísseis partiu para o mar”, a fim de “verificar as emissões de rádio e sistemas de comunicação a bordo" em conformidade com o plano anual da sua preparação. Segundo outra versão, Cruzador sai rumo a parte oriental do Mar Negro - na direcção das águas territoriais da Geórgia, transmite RIA Novosti.

Recordamos que no sábado, 23 de Agosto, Chefe Adjunto do Estado-Maior General da Rússia, Anatoly Nogovitsyn acusou os países da OTAN de intensificarem da sua marinha no Mar Negro, dizendo que esta conduz a um agravamento da situação na região.

De acordo com o Estado-Maior russo, no Mar Negro já se encontram a Marinha da Espanha, Alemanha, Polónia e Estados Unidos.

ONU confirma que Otan matou 90 civis afegãos

EUA afirmavam ter bombardeado Taleban; governo de Cabul diz ter "perdido paciência" com forças estrangeiras que atuam no país



DA REDAÇÃO

A ONU anunciou ontem ter reunido provas para responsabilizar a coalizão liderada pelos EUA pelo bombardeio que causou a morte de 90 civis – 60 deles crianças – na última sexta-feira, numa região montanhosa no oeste do Afeganistão.

"A investigação da missão da ONU no Afeganistão reuniu provas convincentes, fundadas em especial em depoimentos, sobre a morte de 90 civis, entre os quais havia 60 crianças, 15 mulheres e 15 homens", disse um porta-voz da organização.

A afirmação da ONU corrobora a versão do governo afegão e confirma que o ataque foi o mais sangrento das forças da Otan, a aliança militar ocidental, desde 2001, quando os EUA invadiram o país para derrubar o governo do grupo fundamentalista Taleban, acusado de dar abrigo a Osama bin Laden.

Os EUA mantiveram ontem sua versão inicial de que o ataque matou 25 insurgentes ligados ao Taleban e de que haveria apenas cinco vítimas civis.

A situação no Afeganistão tem piorado nos últimos meses. Segundo a comissão afegã dos direitos humanos, mais de 900 civis foram mortos neste ano em ataques da Otan.

A morte de civis abala a credibilidade do presidente afegão Hamid Karzai, que tentará se manter no cargo na eleição do próximo ano. Também estremece as relações entre seu governo e as forças estrangeiras, que atuam sob mandato da ONU – os EUA têm 34 mil soldados no país, parte deles fora da bandeira da Otan, que reúne 50 mil homens.

Karzai anunciou anteontem que revisará os termos da presença do contingente estrangeiro. Segundo um porta-voz do presidente, "o governo perdeu a paciência com os sucessivos casos de morte de civis".

Às turras com o Ocidente por causa da situação no Cáucaso, a Rússia chegou a redigir no Conselho de Segurança da ONU uma resolução expressando "profunda preocupação" pelo ataque de sexta-feira. Destinado a encontrar o veto americano e europeu, o texto não chegou a ser apresentado.

Com agências internacionais

Decisão russa é recebida com euforia, choque e profunda preocupação regional



STEFAN WAGSTYL

A decisão do presidente Dmitri Medvedev de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul foi recebida com euforia nas regiões separatistas, choque em Tbilisi e profunda preocupação pelos vizinhos russos no Leste Europeu.

O vice-chanceler da Abkházia, Maxim Gunjia, disse que as pessoas estão "festejando nas ruas". Em Tskhinvali, capital ossetiana devastada pela guerra, repórteres contam que manifestantes celebraram a independência com tiros de Kalashnikovs e outras armas. Em Tbilisi, o governo condenou a "anexação clara" pela Rússia.

A preocupação georgiana é compartilhada por outras ex-repúblicas soviéticas. Elas temem que, tendo mandado tropas à Geórgia, seja agora mais fácil para a Rússia recorrer às armas em outras vizinhanças politicamente problemáticas.

O chanceler ucraniano cancelou a visita oficial de membros do governo a Moscou e questionou se as ações do Kremlin constituem um plano para fazer dos vizinhos "campo de treinamento militar" de sua política externa. Os países bálticos, únicas ex-repúblicas soviéticas já integradas à Otan, sentiram-se expostos pela pressão russa e conclamaram o Ocidente a defender a Geórgia.

Medvedev negou que a ação abra precedentes para intervenções em outras ex-regiões soviéticas. Mas, em palavras que não tranqüilizaram os vizinhos, afirmou que "a Rússia precisa garantir seus interesses ao longo de toda sua fronteira".

A Ucrânia lidera a lista de Estados que se vêem vulneráveis. Os conflitos sobre Sebastopol, porto cujo empréstimo à Rússia termina em 2017, têm crescido. O Kremlin odiaria se retirar, sobretudo se o presidente Viktor Yushchenko avançar com o plano de aderir à Otan.

Mais ao norte, a Rússia trata Belarus como um vassalo sob o ditador Alexander Lukashenko. Planos de unificação foram descartados, mas o Kremlin pode achar que agora tem força para retomá-los. Autoridades russas notaram a irritante lentidão de Lukashenko em elogiar as ações na Ossétia do Sul.

Coronel vê risco de surgir "nação étnica" na fronteira

Para Fregapani, homologação criaria um "Curdistão"

Gélio Fregapani, 72, diz conhecer como poucos o Estado de Roraima, onde pisou pela primeira vez no início dos anos 1960. Coronel reformado do Exército, foi um dos fundadores do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), trabalhou por dez anos na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Diz que o Exército é "fervorosamente contra" a demarcação contínua da reserva.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

Moscou seguiu o exemplo de Kosovo



JOÃO BATISTA NATALI
DA REPORTAGEM LOCAL

O desmembramento do território de determinado país é por certo "violação às leis internacionais e uma ameaça à segurança" regional. O alerta poderia ter partido ontem do governo americano com relação à Geórgia. Mas foi feito em fevereiro último pelo chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, referindo-se, é claro, a Kosovo.

Há muitas analogias entre Kosovo, que há seis meses se tornou independente da Sérvia com a ajuda dos Estados Unidos, e a Ossétia do Sul e a Abkházia, que também buscam a independência pelas mãos do Kremlin. Nenhum desses "países", e eis a primeira constatação, têm hoje viabilidade econômica.

E ainda: nenhum deles obteria certidão de nascimento no Conselho de Segurança da ONU, onde os vetos russo e americano, dependendo do caso, inviabilizariam a votação de um projeto de resolução. Foi, aliás, em nome da falta de uma chancela da ONU que o Brasil deixou de reconhecer Kosovo.

Há ainda a questão do reconhecimento internacional limitado. Kosovo rachou a União Européia. Países como Espanha, Grécia, Bulgária e Chipre temiam um precedente perigoso para seus atuais ou virtuais autonomistas internos. Não têm por isso embaixada em Kosovo.

Na época, a Rússia poderia teoricamente seguir o mesmo raciocínio, já que bem perto da Geórgia, no Cáucaso, há o caso da islâmica Tchetchênia.

Agora, o reconhecimento diplomático dos sul-ossetianos e abkházios será mais problemático. Moscou não tem mais a cortina de aliados incondicionais dos tempos da União Soviética. A China, que em geral se junta à diplomacia russa, tem um imenso rabo preso no Tibete.

Outra analogia entre os dois casos está na impossibilidade de russos e americanos deslocarem contingentes para socorrer seus aliados. No caso de Kosovo, a ligação entre a Sérvia e a Rússia é cultural e histórica – vem desde a proteção dos czares a um aliado eslavo e de religião ortodoxa, ameaçado pelo Império Otomano. Mas Moscou não cogitou acender nos Bálcãs o pavio de um portentoso conflito.

Em se tratando da Geórgia, está igualmente fora de questão uma intervenção direta dos Estados Unidos, já afundados no Iraque e no Afeganistão e que, de certo modo, instrumentalizaram aquele pequeno país do Cáucaso – ao insistirem em seu ingresso na OTAN – para colocar a Rússia numa situação estrategicamente incômoda.

A independência de faz-de-conta da Ossétia do Sul e da Abkházia é uma reafirmação da capacitação do Kremlin de criar e alimentar esferas de influência. É a regra do jogo.

Rússia sacramenta partição da Geórgia

Em desafio ao Ocidente, Medvedev reconhece independência da Ossétia do Sul e da Abkházia; Bush ataca "decisão irresponsável"

Presidente russo diz não temer nova Guerra Fria; Geórgia, aliada dos EUA, compara iniciativa russa às anexações dos nazistas



DA REDAÇÃO

A Rússia reconheceu ontem a independência de dois territórios autonomistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia, desencadeando duras críticas da União Européia e dos Estados Unidos. O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse não ter medo de uma nova Guerra Fria e afirmou que, embora não a queira, caberia agora aos ocidentais evitá-la: "Se querem manter as boas relações com a Rússia, compreenderão as razões da nossa decisão".

O presidente americano, George W. Bush, lançou um apelo para que Medvedev reconsidere o que chamou de "decisão irresponsável" e disse que Moscou "agrava as tensões". Bush também exortou Moscou a respeitar a integridade territorial da ex-república soviética, que os EUA colocaram em rota de adesão à Otan, a aliança militar ocidental.

A decisão de Medvedev se segue ao conflito iniciado no último dia 7, quando a Geórgia invadiu a russófila Ossétia do Sul, desde 1992 sob proteção de Moscou. A Rússia, em resposta, retomou o território e ainda ocupou militarmente parte da Geórgia.

O conflito de seis dias terminou com um cessar-fogo negociado pela União Européia (UE) que na prática equivaleu a uma rendição georgiana. O plano permitiu que Moscou ocupasse uma zona-tampão dentro da Geórgia, junto aos territórios sul-ossetiano e abhkázio.

Anteontem, a Câmara dos Deputados russa, de ampla maioria governista, havia recomendado o reconhecimento da independência dos dois territórios. O sinal de alerta eriçou a UE, que já havia convocado para 1º de setembro cúpula sobre a situação no Cáucaso.

Desde que qualificaram de "desproporcional" a reação russa à operação georgiana do dia 7, tanto os EUA quanto a UE subiram a retórica contra a Rússia, mas as medidas práticas não foram além da suspensão da cooperação no âmbito da Otan e da ameaça de atrasar o ingresso russo na OMC (Organização Mundial do Comércio).

"Salvar vidas"

Ontem, Medvedev disse que o reconhecimento da independência dos dois territórios "não foi uma opção tranqüila", mas "a única saída para que salvemos a vida das pessoas". Referia-se à versão sul-ossetiana de que a Geórgia pretende promover uma "limpeza étnica" na região de 70 mil habitantes.

A decisão russa enfraquece ainda mais a Geórgia, que é ponto de passagem para dutos que suprem a Europa de gás e petróleo e também uma encruzilhada geográfica para o Oriente Médio e a Ásia Central.

Em Tbilisi, a capital georgiana, o presidente Mikhail Saakashvili declarou que "é a primeira vez na Europa, desde a Alemanha nazista e a União Soviética sob Stálin, que um grande país procura anexar o território que pertence a um outro".

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, qualificou o reconhecimento de "lamentável". A chanceler alemã, Angela Merkel - em geral menos agressiva com Moscou -, declarou que a iniciativa de Medvedev era "absolutamente inaceitável".

O chefe da diplomacia britânica, David Miliband, disse estar articulando uma visita de chanceleres à Ucrânia -que, a exemplo da Geórgia, pretende ingressar na Otan - para que se crie "uma ampla coalizão contra a agressão russa à Geórgia".

A França, que ocupa a presidência da UE, disse que a decisão "é contrária aos princípios da soberania e da integridade territorial" do país caucasiano.

Masha Lipman, especialista no Centro Carnegie de Moscou, disse acreditar que o governo russo optou pelo confronto com o Ocidente. Prova disso: a acusação, feita ontem por Medvedev, de que os EUA estão desembarcando armas na Geórgia, sob o pretexto de ajuda humanitária. A Casa Branca chamou a acusação de "ridícula".

Com agências internacionais

25 agosto 2008

EXÉRCITO TERÁ R$ 6,7 BILHÕES PARA REESTRUTURAR AS SUAS BRIGADAS

R$ 514 E R$ 6,7 BILHÕES ANIMADORES


Marco Aurélio Reis


Rio - Hoje, às 10h, em Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, preside a solenidade do Dia do Soldado no QG do Exército. O clima será de euforia, a começar pelos dados do alistamento deste ano: o número de jovens voluntários ao serviço militar obrigatório dobrou. Para isso pesou a decisão de governo de elevar o piso dos recrutas para R$ 471, com a sinalização que no ano que vem eles receberão R$ 514,90 — R$ 54 a mais que o salário mínimo em discussão no Congresso para entrar em vigor em 2009.

“Em cidades do interior, chegou-se a impressionantes 100% de jovens voluntários”, revela um oficial. O Exército se prepara para reestruturar suas brigadas, adquirindo material de emprego militar e reforçando seu sistema operacional. A Força calcula que seu reaparelhamento vai custar R$ 6,7 bilhões. O sinal verde para este investimento saiu do Planalto. A prioridade para a aquisição de material e armamentos será para os produzidos pela Base Industrial de Defesa nacional, como prevê o Plano Estratégico de Defesa, que será entregue ao presidente no 7 de Setembro.

Na data, Lula chamará “de nova independência”, em discurso transmitido por cadeia de rádio e TV, as descobertas de bilhões de barris de petróleo na camada abaixo do sal na costa brasileira. O pronunciamento sobre as reservas será o sinal, apostam os comandantes, que o reaparelhamento dos quartéis passou a integrar as políticas do Estado brasileiro.

"Rússia já suportou provocações"

O novo xadrez eleva a capacidade de ação da Rússia em todos os assuntos internacionais


Não é um filme de faroeste, nem tem mocinhos e bandidos. Trata-se de complexa questão internacional, onde os atores de sempre apresentam-se com argumentos velhos e novos, provocando releituras obrigatórias do sistema internacional de poder. É o que explica o professor Flávio Saraiva, especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília, sobre o recente conflito entre georgianos e russos, com a participação também dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN.

Os Estados Unidos e a imprensa norte-americana costumam reduzir tudo a um filme de faroeste, com mocinho e bandido. O mocinho são eles, claro, agora com um auxiliar de mocinho, que é a Geórgia. A Rússia é o bandido. O que o senhor pensa disso?

Penso que é um equívoco expor os temas da Eurásia ao esquema antigo da Guerra Fria. Não há mocinhos nem bandidos. Há uma disputa geoestratégica, geopolítica, que se moveu de forma muito clara para as fronteiras dos Urais, no Cáucaso. E há o papel da Rússia, importante, quando se dizia que ela tinha encerrado seu papel no cenário internacional. A Rússia elevou seu status econômico, uma economia vibrante, tem um regime político de grande capacidade de gerir as forças internas em torno de um projeto internacional, que é a retomada de sua capacidade de agir no mundo. E ainda tem o fator energético, que é uma arma explícita nas negociações mundiais contemporâneas. Quer dizer: aqueles que haviam sepultado – não é o meu caso – a Rússia, reduzindo-a a um poder menor, assistem a um renascimento econômico, com um PIB que ao final deste ano alcançará o da tríade Itália, França e Inglaterra, saindo do 12º lugar para entrar entre as cinco ou seis primeiras economias do mundo. A Rússia tem fatores de poder estocados.

Então, o que houve?

Houve um mau trato do ponto de vista da literatura das relações internacionais, uma visão muito pouco adequada à história e ao futuro da Rússia. Há uma disputa, que não é a velha guerra fria, mas é um fato que o novo xadrez da região eleva a capacidade de ação da Rússia em todos os assuntos internacionais, da China às fronteiras dos Pirineus. Ela ampliou seu raio de ação graças a sua estabilidade política, ao crescimento econômico e à permanência dos fatores estratégicos clássicos: as armas que possui e a energia estratégica para o desenvolvimento da Europa.

E o que motiva a Geórgia a fazer essa bravata?

Primeiro um nacionalismo fora de moda. A transformação de um líder político liberal, criado pelas escolas ocidentais de política internacional – estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra - a serviço de um nacionalismo clássico. Essa realpolitik ocidental criou um líder despreparado para função, sem saber mover-se num xadrez que, certamente, não foi criado apenas por suas intenções. Há uma fronteira que não é da guerra fria clássica, mas muito mais antiga, da Europa com a Ásia. Dos Urais aos Bálcãs tem-se a noção de que são estados politicamente insatisfeitos. A Polônia aparece e desaparece no mapa, a Romênia guarda um rancor secular contra os russos, quase todos os países têm problemas, portanto é um espaço de disputas, não da forma da guerra fria antiga, a bipolaridade, mas outra, nova, da multipolaridade explícita: a China pesa, a Índia pesa, a América Latina pesa, deixando de ser quintal. Uma nova geografia, complexa, com evidentes candidatos à ocupação desses espaços. Estão nesse jogo, agora, não só os EUA e URSS-Rússia, mas outros jogadores, como a Alemanha e sua segurança energética. Além da segurança de toda a União Européia.

Tem razões claras a Rússia para reagir como reagiu?

Acho que tem razões claras e a agiu como deveria agir. Porque é uma área natural de presença e observação do estado pivô, chamado Rússia. É como se houve uma invasão ou movimentos inaceitáveis, por exemplo, nas franjas do Brasil. É claro que é adocicada a idéia de uma regulação internacional pela lei internacional, pelo regimes internacionais de paz, segurança, equilíbrio ecológico, etc. Mas o mundo em que vivemos é crescentemente um mundo de estados com franjas. E ali, são franjas importantes de um estado que não abdicou de exercer a sua hegemonia. Então, não causa surpresa a reação da Rússia. Apenas um neófito em temas das relações internacionais poderia imaginar que a Rússia assistiria aos fatos com eqüidistância e negociaria com os EUA numa situação especial.

Evidente que não. Muitas vezes tiveram os russos paciência diante de provocações dos EUA nos últimos três anos. Os mísseis, a instalação das bases na Europa, além das provocações das rádios instaladas no antigo leste europeu de influência soviética. Provocações a Moscou de paises cujos regimes estão longe de serem exemplos de democracia à moda americana. A Rússia, agora, como estado com capacidade estratégica, reage. E tem meios para reagir.

Nesse cenário, nesse tabuleiro de xadrez a OTAN entra com que papel?

São retóricas esperadas da OTAN, de um sistema de defesa atlantista, que tem limites operacionais visíveis. Mas o fórum para o encaminhamento das negociações será muito menos a OTAN e muito mais o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é um lugar bastante menor para o diálogo, mas onde EUA, Rússia e China terão condições de conversar diretamente, sem um grande elenco de países que apenas compõem a fila de apoio natural às posições americanas. Nessa matéria a OTAN tem capacidade moderada e limitada de agir. Agora são poucos os países que, ao final do dia, pensarão em atos contra os russos.

O CS da ONU seria hoje um dos poucos locais onde os EUA se comportam como gente grande, falam e ouvem?

Sim, e daí a resistência enorme a uma reforma desse sistema. Se como está, mesmo obsoleto, já é adverso, imagine-se ampliado, por representações fortes da Ásia, da América Latina e até da África.

Há uma geografia nova, múltipla, de estados que não desapareceram diante da grande centralidade dos movimentos internacionais contemporâneas e que são hoje estados que realizam seus interesses internacionais pela via da obstrução, da negação ou da afirmação dos seus interesses soberanos. Não há um estado de natureza, mas também não há a regulação universalista liberal desenhada pelo estrategista de Washington. Perdeu-se a capacidade de agir em Washington e os outros não têm capacidade de substituir Washington. O que temos é um sistema internacional de transição, com a formação de multipolaridades: a Rússia, que não seria mais nada, na visão de muitos, habilita-se, como polaridade e como centro de negociação da China com os países da EU e países da Europa Oriental.

Este é um ponto fascinante: a guerra fria era uma bipolaridade ideológica, que acabou. Todos os grandes países aderiram ao capitalismo. É a dialética dentro do capitalismo, jogando a contradição para dentro do capitalismo. O que senhor pensa disso?

Sem dúvida. Diria, inclusive, que o xadrez agora está mais para a Guerra do Peloponeso e a grande obra de Tucídides, da realização dos interesses de cada cidade-estado, ou de cada estado atual. Questões de ordem geopolítica, nacionais, por sobre o quadro ideológico. Questões econômicas que projetam o interesse não só dos estados, como de suas grandes empresas. O melhor exemplo é a Gazprom, quase um estado complementar ao grande estado russo. É a segurança de que não vão construir armadilhas na relação entre a Europa Ocidental e a Rússia. Uma eventual construção de uma rede de bases americanas na Europa, contra a Rússia, é atentatória à própria sobrevivência energética dessa mesma Europa. Pensou-se que tido isso tinha acabado com a globalização dos anos 80. Mas não estamos assistindo ao surgimento de um novo mapa, baseado nos interesses mundiais dos estados. O estado nacional está de volta, mas com interesses multipolares.

Nesse quadro, com fica o papel de policial, de gendarme mundial que Bush tanto desenhou para os EUA?

Esse papel foi inventado sem que os EUA tivessem, na posse de Bush, capacidade para interferir na construção dessa gendarmerie internacional. Há elementos visíveis do declínio americano na macroeconomia política. E também na capacidade de intervir em situações internacionais estratégicas. O fiasco da guerra do Iraque foi, talvez, o fato emblemático de tudo isso. E a provocação ao governo russo, transportando tropas georgianas no Iraque, em aviões americanos, para as fronteiras georgianas e a preparação destas para a ação que culminou com a reação russa, é prova evidente de que essa capacidade de agir está diminuída, porque não enfrentam os russos diretamente. Não precisa ser grande mestre em inteligência para saber que foram aviões americanos que transportaram as tropas georgianas. A Geórgia nem tem essa capacidade de transporte.

E o futuro, a curto prazo, na região e no mundo?

Creio que na região não se atuará mais de forma açodada. O futuro dos grandes estados é o governo global. Pensava-se que seria um capitalismo internacional sem fronteiras. Ao contrário: cada vez mais os estados têm capacidade de acumulação científico-tecnológica de ponta, economia de escala, estoques estratégicos e população. O futuro é o arranjo dessas grandes áreas na terra.

Navio dos EUA chega à Geórgia

Americanos desembarcam 55 toneladas de comida e donativos para dezenas de milhares de civis desalojados pelo conflito com a Rússia. Sarkozy convoca cúpula extraordinária da União Européia



Da Redação

USS McFaul

Sob advertências veladas do comando militar russo, que acusa os adversários de acirrar as tensões na conflituosa região do Cáucaso, um navio militar norte-americano atracou ontem no porto de Batumi, na Geórgia, com ajuda humanitária para dezenas de milhares de desalojados pelos combates das últimas duas semanas com a Rússia. Menos de 100km ao norte de Batumi, tropas enviadas por Moscou continuavam em posição no porto de Poti, na região separatista da Abcásia. A breve guerra foi deflagrada pelo ataque das forças georgianas, na noite de 7 para 8 de agosto, contra a Ossétia do Sul, outra região governada por separatistas pró-Moscou. Em resposta, tropas russas invadiram as duas regiões e avançaram para território georgiano, de onde se retiraram no fim da semana, sob pressão internacional.

Um guindaste desembarcou em Batumi 55 toneladas de donativos enviadas no destróier USS McFaul. O ministro georgiano da Defesa, David Kezerashvili, fez questão de subir a bordo para brindar com os comandante do navio americano, Timothy Schorr. Outros países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, bloco militar liderado pelos EUA) anunciaram o envio de embarcações para o Mar Negro, com a missão oficial de dar apoio a operações humanitárias. A Rússia, que mantém na região uma importante divisão de sua Marinha — a Frota do Mar Negro — e chegou a impor um bloqueio naval à Geórgia durante o conflito, se referiu à iniciativa da Otan como “uma provocação”.

Foi em termos equivalentes que o porta-voz do Ministério da Defesa georgiano, Shota Utiashvili, se referiu à explosão de um trem carregado de combustíveis perto de Gori, cidade próxima à capital, Tbilisi, e aos limites da Ossétia do Sul. Até meados da semana passada, tropas russas ocupavam Gori, e Utiashvili sugeriu que o trem-tanque teria se chocado com uma mina plantada na ferrovia pelas forças russas. Segundo o relato dos militares georgianos, os ocupantes causaram também uma série de explosões em um arsenal que haviam pilhado, nas imediações da cidade. A ferrovia, que liga Tbilisi ao litoral do Mar Negro e segue em direção à Turquia, escoa petróleo e derivados produzidos no Azerbaijão.

“É uma conexão vital não apenas para a Geórgia, mas para a economia dos países vizinhos”, disse o premiê georgiano, Lado Gurgenizdze.

Europa

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que exerce neste semestre a presidência rotativa da União Européia (UE), convocou para o próximo domingo, em Bruxelas, uma reunião de emergência dos chefes de Estado e governo do bloco. O encontro de cúpula, articulado a pedido de “vários paísesmembros”, segundo o gabinete de Sarkozy, discutirá a crise no Cáucaso, a ajuda humanitária à Geórgia e o futuro das relações da UE com a Rússia.

Sarkozy, que mediou um acordo de cessar-fogo assinado na semana passada pelos governos de Moscou e Tbilisi, subiu o tom das cobranças ao governo russo. O presidente francês engrossou o coro da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e de outros governantes europeus que exigiram com firmeza da Rússia que conclua a retirada total das forças enviadas à Geórgia no início do mês. O Kremlin alega que manterá cerca de 2 mil efetivos nas regiões da Ossétia do Sul e da Abcásia, nos marcos do acordo de paz firmado em 1992 entre o governo georgiano e os líderes separatistas, com aval de Moscou.

“A ferrovia é uma conexão vital não apenas para a Geórgia, mas para a economia dos países vizinhos” (Lado Gurgenizdze, primeiro-ministro da Geórgia, sobre a explosão de um trem-tanque perto de Gori)

EXÉRCITO FARÁ PESQUISA DE TRÂNSITO NA BR-392



A partir de hoje, o Exército Brasileiro e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) farão uma pesquisa para contagem de tráfego na BR-392, no trecho entre Pelotas e Rio Grande. Militares do 6º Grupo de Artilharia de Campanha e do 9º Batalhão de Infantaria Motorizada atuarão como pesquisadores por 10 dias em três postos – dois na BR-392 e um na BR-471, que liga Rio Grande a Santa Vitória do Palmar. A BR-392 deve sofrer duplicação em breve.

Aviação Naval, 92 anos



Eduardo Italo Pesce

No dia 23 de agosto de 2008, a Aviação Naval brasileira, originalmente criada em 1916, está comemorando seu 92º aniversário. Ao longo da última década, o componente aeronaval da Marinha do Brasil passou por inúmeras mudanças, que incluíram o reinício das operações com aeronaves de asa fixa e a substituição do antigo navio-aeródromo Minas Gerais.

Em 1998, após a revogação da proibição de operar com aviões, que perdurava desde 1965, foram adquiridas aeronaves de interceptação e ataque McDonnell Douglas A-4 (AF-1) Skyhawk. Estas aeronaves começaram a operar em 2000 e realizaram o primeiro pouso a bordo do Minas Gerais (meses depois substituído pelo São Paulo) no início de 2001.

A Diretoria de Aeronáutica da Marinha, subordinada à Diretoria-Geral de Material da Marinha e sediada no Rio de Janeiro, gerencia os assuntos relativos à segurança de vôo e ao material da Aviação Naval. O Comando da Força Aeronaval, subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra e sediado em São Pedro d"Aldeia (RJ), gerencia as atividades operativas e os meios aéreos.

A Força Aeronaval é atualmente constituída por cinco esquadrões de helicópteros e um de aviões, além da Base Aérea Naval de São Pedro d"Aldeia, do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval e de outras organizações de apoio. O complexo aeronaval de São Pedro d"Aldeia é mais conhecido pelo carinhoso apelido de "A Macega" (tipo de vegetação rasteira encontrada no local).

A Marinha dispõe também de três esquadrões regionais de helicópteros de emprego geral, sediados em Manaus (AM), Ladário (MS) e Rio Grande (RS), que atuam nas áreas dos respectivos Distritos Navais. Está prevista a criação de mais três desses esquadrões, em Belém (PA), Natal (RN) e Salvador (BA).

Recentemente, foi adquirido um lote inicial de quatro (com opção para mais dois) helicópteros Sikorsky S-70B (SH-60) Seahawk, para emprego em missões de guerra anti-submarino e contra navios de superfície. A MB poderá adquirir um total de 12 aeronaves deste tipo, destinadas a operar com o NAe São Paulo, em substituição aos Sikorsky SH-3A/B Sea King.

A modernização das aeronaves A-4 Skyhawk que operam com o NAe é outra necessidade da Marinha. O São Paulo reiniciou suas operações em 2008, após um período de reparos. A crônica falta de recursos tem forçado a Marinha a adiar a modernização ou substituição de seus meios, e isso vem afetando a Aviação Naval.

Apesar das restrições financeiras, parte das aeronaves em serviço está sendo submetida a modernizações. Os helicópteros de esclarecimento e ataque Westland AH-11A Lynx, que operam com navios de escolta, devem ser modernizados. Um lote adicional (de segunda mão) destas aeronaves poderá ser adquirido, para substituir as que foram perdidas em uso.

A perspectiva de verbas adicionais do "PAC da Defesa" poderá acelerar ou reativar projetos mantidos em compasso de espera, como o do NAe destinado a substituir o São Paulo por volta de 2025.

Possivelmente, tal navio teria um deslocamento carregado de 60 ou 70 mil toneladas e seria capaz de operar com cerca de 60 aeronaves de combate.

A questão dos meios aéreos é fundamental. Uma aviação embarcada polivalente, capaz de operar a partir de NAe e de outros tipos de navios de superfície, constitui componente essencial de uma verdadeira Marinha oceânica. Apesar de sua longa autonomia de vôo, a aviação de patrulha marítima baseada em terra não é capaz de substituir plenamente os meios aéreos embarcados.

Até hoje, a MB ainda não conseguiu dotar seu NAe de um grupo aéreo completo, constituído por aviões de interceptação e ataque, reconhecimento, guerra eletrônica, alarme aéreo antecipado e reabastecimento em vôo, além de helicópteros para missões anti-submarino e de busca e salvamento.

Há alguns anos, a Marinha estudou a possibilidade de adquirir um pequeno lote de aeronaves Grumman S-2 Tracker de segunda mão, modernizadas e dotadas de motores turboélice, para emprego a bordo do NAe em missões de alarme aéreo antecipado, reabastecimento em vôo (Revo) e apoio logístico.

A aquisição dessas aeronaves especializadas era indispensável, para apoiar a operação dos A-4 em missões de defesa aérea e de ataque a alvos de superfície. Contudo, acabou inviabilizada pelas severas limitações orçamentárias ainda vigentes - o que forçou a Marinha a buscar uma solução de menor custo.

Recentemente, foram adquiridos três conjuntos de tanques Revo do tipo buddy-pack para os A-4. Estes kits permitem que uma aeronave (desarmada) reabasteça duas do mesmo tipo durante uma missão, mas não substituem integralmente uma aeronave Revo especializada.

A substituição do atual NAe e a manutenção de uma aviação embarcada polivalente dependem das soluções que vierem a ser adotadas nos próximos anos, para substituir ou complementar os meios aéreos existentes - em especial as aeronaves de asa fixa.

A possível ampliação dos meios aéreos tornará necessário formar e adestrar um número maior de pilotos e técnicos de manutenção para as aeronaves. Atualmente, a instrução de vôo dos futuros aviadores navais é ministrada pela Marinha do Brasil, em conjunto com a Força Aérea Brasileira e a Marinha dos Estados Unidos.

No curto prazo, é preciso incrementar a operacionalidade da Aviação Naval brasileira, com ampliação do número de horas de vôo e maior disponibilidade de combustível, sobressalentes e armamento. Sem tais medidas, investimentos realizados com grande sacrifício correm o risco de serem desperdiçados.

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj) e colaborador permanente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (Cepe/EGN).

As Forças Armadas segundo Jobim

Plano de Defesa Nacional prevê França como parceira estratégica e tecnológica na Marinha, Aeronáutica e Exército



OCTÁVIO COSTA E HUGO MARQUES


No dia 7 de setembro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregará ao presidente Lula o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O projeto vai além da compra de equipamentos bilionários para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O objetivo é mudar a concepção de defesa nacional e redirecionar as prioridades das três Forças. Como principal parceiro no plano militar para as próximas décadas foi escolhida a França de Nicolas Sarkozy. É de lá que virão equipamentos como submarinos convencionais, helicópteros e, quase certo, também os caças supersônicos. Sarkozy ganhou a disputa ao garantir ao presidente Lula que a França não criará nenhum obstáculo à transferência de tecnologia para o Brasil. "Temos acordos com os franceses no que diz respeito à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Em 23 de dezembro, o termo de aliança estratégica com a França será assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy", antecipou o ministro Jobim em entrevista exclusiva à ISTOÉ. "Isso nos dá a possibilidade de sair ao largo da hegemonia americana no setor. O que faz parte da linha de ação do Conselho de Defesa Sul-Americano." A forte contribuição da França começa pelo mar. Caberá à Marinha os maiores investimentos no plano de Jobim. O Brasil construirá submarinos em parceria com a francesa DCN (Direction des Constructions Navales). Inicialmente, serão fabricados três submarinos convencionais Scorpène, de propulsão a diesel. Depois, o Brasil vai incorporar a tecnologia da DCN para produzir seu primeiro submarino de propulsão nuclear. "O Scorpène nos dará condições de produzir a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear, que é a tecnologia de rigidez do casco", diz Jobim.

"O submarino nuclear é uma decisão já tomada." O acerto entre os dois países na área marítima foi negociado entre Lula e Sarkozy durante reunião em Caiena, em fevereiro. Para os acertos finais do acordo, o chefe do Estado-Maior da Presidência da França, Edouard Guillaud, assessor militar do presidente, esteve duas vezes em Brasília, a última no dia 23 de julho. O projeto completo dos submarinos chega a US$ 7 bilhões, cifra que pode mudar. "Talvez, mais", diz Jobim. O País, no momento, negocia na ONU a extensão das águas jurisdicionais das atuais 200 milhas para 350 milhas, o que aumentará a área de 3,5 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo todo o mega-campo de petróleo Tupi.

Para o Exército, uma das novidades é a construção de postos em todas as áreas indígenas de fronteira. Hoje, o Exército tem 17 mil soldados na região. Os soldados índios receberão fuzis novos, binóculos de visão noturna e chips nos equipamentos, para rastreamento. É o que o ministro chama de "soldado do futuro". "Um soldado índio com chip", explica Jobim. "É outro ponto em que contamos com a colaboração dos franceses." O ministro afirma que o Brasil já tem os guerreiros de selva mais competentes do planeta, mas destaca que os novos equipamentos irão inserir o Exército na modernidade. "Os marines americanos foram lá fazer treinamento e quase morreram, foram embora doentes, de maca, cheios de mosquito, não se agüentam." O Exército possui 184 mil homens. Juntas, as Forças Armadas têm 308 mil homens, mas a maioria do aquartelamento está no leste do País.

O governo pretende criar na Amazônia a figura do "exército móvel". São brigadas com grande capacidade de mobilidade e logística. Para atender os batalhões móveis, o governo vai investir pesado na construção de blindados sobre rodas em Sete Lagoas, Minas, um projeto da Fiat-Iveco, e nos aviões C-390 da Embraer, semelhantes aos Hércules americanos. O plano prevê a integração ainda maior do Exército com a FAB, que vai dar suporte aéreo principalmente na Amazônia. Outra ferramenta importante do exército móvel serão os 50 helicópteros fabricados em Itajubá, pela Helibrás, consórcio com a também francesa Eurocopter. A fábrica atenderá as três Forças. O modelo Cougar 725 não é ataque: destina-se ao transporte de materiais e tropa. Esse acordo já foi assinado A tarefa da Aeronáutica é assegurar a supremacia do espaço aéreo. De novo, devem vencer os franceses. O governo deve mesmo fechar a parceria para trazer para o País a tecnologia da construção de caças Rafale, da empresa Dassault. É prevista grande participação de uma empresa brasileira no projeto. "A tendência é atrair a Embraer, que já tem uma estrutura", diz Jobim. Outros países interessados no projeto do caça supersônico serão descartados. Entre as empresas que prometeram transferir tecnologia para o Brasil estão as americanas Boeing, com seu F-18, e Lockheed, com o F-16, a sueca Grippen, com o caça do mesmo nome, a Rosoboronexport, que vende o russo Sukhoi, e o consórcio europeu que fabrica o Eurofighter. Mas os contatos com os governos onde estão estas empresas foram infrutíferos.

Nelson Jobim manteve reuniões com autoridades americanas, inclusive com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o secretário de Defesa, Robert Gates, e ouviu que os EUA estavam dispostos a transferir tecnologia para o Brasil. "Por que, então, os senhores anunciaram que não permitiriam a venda dos Super Tucanos para a Venezuela, alegando que havia um ingrediente militar?", retrucou Jobim nas reuniões. A conversa não avançou. Quanto aos russos, o ministro demonstra mais simpatia, mas prefere brincar: "O russo não é fácil não, eles não falam em outra língua."

O Brasil deve, então, importar 12 caças franceses Rafale para legitimar o início da fabricação nacional. Além dos caças, o monitoramento do território nacional também será feito pelo espaço. O plano prevê a construção de satélites geoestacionários no Brasil, que devem ser lançados na base de Kuoruo, na Guiana Francesa.

As premissas do Plano de Defesa estão lançadas. Seu conteúdo integral, no entanto, só será conhecido após o desfile de 7 de Setembro. E em dezembro, o presidente Sarkozy desembarcará em Brasília com sua esposa, a cantora Carla Bruni, para renovar a santa aliança militar com os franceses, que, por sinal, está na origem da formação das Forças Armadas brasileiras.

Área do pré-sal terá patrulha da Marinha

Governo americano já alertou para possibilidade de ataques terroristas



O governo quer que a Petrobrás ajude a Marinha a comprar navios de patrulha para a área em que se localizam as recém-descobertas reservas de petróleo no pré-sal. Trata-se de uma faixa no litoral que pode atingir 160 mil quilômetros quadrados e se estende de Santa Catarina até o Espírito Santo. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está otimista com o andamento das negociações.

Navio Patrulha P-42 Graúna

Hoje a Marinha tem 27 navios de patrulha. Pretende adquirir mais 27 - dois já estão em construção. Na semana passada, foi lançado edital para mais quatro unidades.

Além disso, a Bacia de Santos será palco, em setembro, de um exercício de guerra com militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles vão simular um ataque a um campo fictício de petróleo chamado “Yptu” - quase um acrônimo de Tupi, principal província da área.

O reforço na segurança é necessário, entre outras razões, porque a área pode ser alvo de ataques terroristas. Segundo avaliação do governo americano a autoridades brasileiras, o pré-sal pode transformar o Brasil no principal fornecedor dos EUA, hoje dependentes do Oriente Médio. Isso pode descontentar os concorrentes.

Segundo a Marinha, os navios de patrulha poderão, em situações de conflito, atuar na defesa, patrulha e vigilância do litoral, inclusive as plataformas de petróleo. Em situação de paz, eles deverão proteger o mar territorial e reprimir atividades ilícitas, como pesca ilegal, contrabando, narcotráfico e poluição do mar. Além dos navios, a área deverá ser defendida pelo submarino nuclear, ainda em fase de projeto.

Jobim sustenta que a Petrobrás e demais petroleiras que atuem na região devem contribuir para comprar os navios. O ministro explica que a segurança reforçada na área de produção ajudará a elevar o valor das ações dessas empresas. Não é justo, diz ele, que a valorização patrimonial delas ocorra à custa do contribuinte brasileiro.

O secretário-executivo do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Álvaro Teixeira, acha correta a preocupação da Marinha. “É preciso que as instalações sejam protegidas do terrorismo.” Ele não concorda, porém, que as empresas petrolíferas devam financiar a compra de navios.

“A Marinha tem dinheiro, o problema é que ele está contingenciado.” Os royalties sobre a exploração de petróleo são, por lei, destinados a quatro áreas: Minas e Energia, Meio Ambiente, Marinha e Ciência e Tecnologia. Esse dinheiro, porém, fica em boa parte retido no Tesouro para formar o superávit primário (saldo positivo nas contas públicas). A Marinha teria R$ 3 bilhões bloqueados. Jobim avalia, no entanto, que a liberação desse dinheiro não seria suficiente.

Marinha é menos atingida pelos cortes



Na partilha dos recursos originados pela atividade petrolífera no país, há duas grandes divisões teoricamente estabelecidas pela lei: os royalties, propriamente ditos, e as participações especiais, que são divididas em partes iguais entre a União (50%) e os Estados e municípios que recebem a outra parte. Dos 50% da União, 40% vão para os programas desenvolvidos no país pelo Ministério de Minas e Energia, e 10% para o Ministério do Meio Ambiente. A maior parte do que deveria chegar ao MME iria para a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A agência só tem recebido ao longo dos últimos anos menos de 3% do total.

A Marinha, via Ministério da Defesa, é a mais bem aquinhoada percentualmente na divisão e repasse: do total de R$ 1,6 bilhão de dotação orçamentária autorizada, recebeu 14,4% – R$ 244,3 milhões.

A Comissão Naval Brasileira em Washington, entretanto, destaca-se como caso ímpar: de uma despesa empenhada de R$ 23,295 milhões, recebeu R$ 23,316 milhões, pois o o pagamento incluiu parcela de R$ 36,3 mil de restos a pagar.

No caso do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. De um empenho de R$ 40,8 milhões, foram pagos 39,8 milhões, ou 97% do total.

Ambiente em baixa

Na contraposição com a Marinha, aparece a área de meio ambiente, que no caso dos programas de conservação e preservação de biomas brasileiros simplesmente nada recebeu de dotação de R$ 333 mil. O mesmo aconteceu com programas de licenciamento ambiental, que esperaram os R$ 16 mil consignados no orçamento. No programa de capacitação de recursos humanos em pesquisa e desenvolvimento na área industrial, não teve sequer dotação orçamentária: recebeu R$ 344,3 mil na rubrica restos a pagar.