29 setembro 2008

Marinha descarta repassar tecnologia nuclear

Comando da Força afirma que País não vai ensinar técnica de enriquecimento de urânio



Denise Chrispim Marin

O Brasil pode cooperar na área nuclear com a Argentina, a Índia e com qualquer outro país, mas não repassará a tecnologia de enriquecimento de urânio que desenvolveu nos últimos 29 anos, defendeu nesta semana o comandante da Marinha do Brasil, almirante Júlio Soares Moura Neto.

Mesmo ausente nas mesas de negociação dos acordos bilaterais, a Armada observa essas discussões à distância para não permitir que se abra nenhum precedente nesse princípio, sobretudo nas negociações iniciadas neste ano, por iniciativa direta dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, em torno da criação de uma empresa binacional de enriquecimento de urânio.

“Na cooperação do Brasil com a Argentina na área nuclear não haverá transferência de tecnologia. Essa é uma área sensível. Nenhum país compartilha seu conhecimento sensível”, afirmou o comandante.

No passado, o Brasil comprou uma briga com a própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por recusar-se a negociar o protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Trata-se de um instrumento que permite aos auditores da AIEA realizar inspeções invasivas na planta industrial de enriquecimento de urânio de Resende (RJ), com o objetivo de verificar se a produção de combustível nuclear seria compatível apenas com as atividades pacíficas. Sustentado nos argumentos da Marinha, o governo concluiu que o protocolo poderia expor a bem-sucedida tecnologia brasileira, e o protocolo adicional era “absolutamente desnecessário” para dar garantias à comunidade internacional quanto à finalidade pacífica do programa brasileiro. Essa posição tornou-se, desde então, uma espécie de tabu.

Segundo o almirante Moura Neto, nem mesmo os cientistas, os executivos e os técnicos das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a companhia que opera a planta de enriquecimento de urânio de Resende (RJ), têm acesso à tecnologia utilizada nas ultracentrífugas, que foram desenvolvidas e vêm sendo aprimoradas sucessivamente pelo Centro Experimental Aramar, mantido pela Marinha em Iperó (SP).

O principal projeto de Aramar hoje é a construção do submarino com propulsão nuclear. Conforme os planos técnicos e financeiros atuais, o protótipo ficará pronto apenas em 2022. Até lá, serão necessários seis anos para a conclusão do programa nuclear brasileiro e outros seis para a construção de quatro submarinos convencionais, mas com recursos de casco e arranjos internos apropriados para a propulsão atômica.

Para a primeira etapa, a União destinou R$ 1,4 bilhão em oito anos para a conclusão do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene). Lá será montado e ativado um reator de 11 megawatts - capaz de suprir com eletricidade uma cidade com 20 mil habitantes - que tem todas as partes e componentes já produzidos, aguardando recursos para construção do edifício de ensaios.

A atenção sobre os passos necessários para que o Brasil possa construir submarinos nucleares médios cresceu com o anúncio da descoberta das jazidas de petróleo na camada pré-sal da plataforma continental. Oportunamente, na semana passada, o Ministério da Defesa investiu R$ 15 milhões para a realização da Operação Atlântico - um exercício das três Forças envolvendo cerca de 10 mil militares

Sivam do mar vigiará tesouro submarino

Projeto da Marinha prevê compra de navios, submarino e sensores


Roberto Godoy

A vigilância do tesouro submarino brasileiro - jazidas de petróleo com 70 bilhões de barris, depósitos de manganês, cobre, cobalto, níquel, ouro, diamante, enxofre, monazita, minerais estratégicos e uma imensa reserva de recursos pesqueiros, capaz de produzir 1,5 milhão de toneladas por ano – será feita por meio de uma sofisticada rede de sensores eletrônicos distribuídos ao longo dos 4,5 milhões de quilômetros quadrados, a porção do Atlântico Sul sob controle do País. A área equivale a mais da metade do território nacional.

Ainda “em forma de projeto”, segundo o comandante da Marinha, almirante Júlio Moura Neto, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul é comparável ao Sivam, criado para monitorar a Amazônia, ao custo total de US$ 1,4 bilhão.

Não é o único recurso previsto para a tarefa. Um amplo programa de reequipamento, com execução prevista para o período de seis anos entre 2008 e 2014, está em curso. O pacote prevê a compra de 27 navios-patrulha de 500 toneladas, a construção de um novo submarino convencional e a modernização dos cinco navios do tipo em uso atualmente. Cuida, também, da aquisição de torpedos, helicópteros, patrulheiros oceânicos, embarcações de escolta e de uso em grandes rios.

Entram no inventário a revitalização de parte da frota - inclusive do porta-aviões São Paulo - e a atualização tecnológica de 12 dos 23 caças Skyhawk, contratada da Embraer.

O Comando da Marinha não arrisca previsões de investimento. Mas, segundo fornecedores internacionais ouvidos pelo Estado na Europa e nos Estados Unidos, o Sistema de Gerenciamento em desenvolvimento pode custar US$ 2 bilhões. O valor, todavia, depende das especificações técnicas, das dimensões do conjunto e do cronograma das etapas de implantação.

“Trata-se de uma ferramenta que permitirá ao País o exercício de sua soberania e direitos sobre espaços marítimos”, explica o almirante Júlio Moura. Para o comandante, “o caráter multidisciplinar torna possível o controle efetivo, não só do aspecto da Defesa, mas, com igual intensidade, nas questões ambientais, socioeconômicas e político-estratégicas relacionadas com temas diversos como pesca, transporte geral, pesquisa científica e, claro, a exploração de petróleo e gás”.

A Marinha dispõe de dois sistemas de Comando e Controle e de Informações sobre o Tráfego. Ambos serão integrados ao complexo da Amazônia Azul. O grupo vai contribuir para a repressão ao contrabando, segurança no mar, prevenção e combate à poluição. Boa parte será empregada na previsão e alerta antecipado de fenômenos climáticos - tempestades e ciclones, por exemplo.

De acordo com engenheiros especializados, o Sistema de Vigilância exigirá de três a quatro Centros Regionais. Um deles, o mais bem equipado, seria dedicado ao acompanhamento permanente das bacias de Santos, Campos e Espirito Santo, onde estão os bolsões de gás e campos de petróleo mais importantes. A província do pré-sal, com 800 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura, está lá, armazenando talvez 70 bilhões de barris de óleo cru.

Tanta riqueza fica a 300 km da costa e exigirá perfurações a mais de 6 mil metros em torno de um ponto chamado Tupi, no meio do oceano, longe de tudo. Outro núcleo de importância estratégica teria de ser montado na Foz do Rio Amazonas, voltado para um amplo arco no norte-nordeste. Os outros pontos estariam focados no sul e centro-leste. A blindagem eletrônica será formada por radares digitais de longo alcance, rastreadores de satélite, unidades de busca, estações de rádio protegidas e sofisticados equipamentos de reconhecimento de atividade submarina clandestina.

Boa parte do dinheiro necessário o Comando da Marinha tem, embora sob o contingenciamento do governo. Os royalties vinculados ao petróleo e retidos para formação do superávit primário somavam, até dezembro de 2007, consideráveis R$ 3,159 bilhões. Para 2008, a Lei Orçamentária Anual prevê montante de R$ 1,7 bilhão desses direitos, mas com repasse de R$ 994 milhões e bloqueio de R$ 706 milhões. O total congelado acumulado chega a R$ 3,865 bilhões. A Marinha poderia iniciar o programa de reaparelhamento com recursos próprios se essas verbas fossem liberadas.

Simultaneamente ao processo de recuperação de meios e de finanças, a Força Naval defende na ONU a proposta de acréscimo de 950 mil km² às águas do Brasil, algo como a soma dos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Combinado com a faixa litorânea de 200 milhas, o novo espaço expande em 52% os limites brasileiros. Por ele circulam 95% do comércio exterior e se dá o acesso aos 40 portos nacionais de entrada e saída de mercadorias.

Marinha reforçará frota para proteger pré-sal

A proposta é dobrar o total de navios-patrulha até 2018 e construir quatro submarinos, mas as atenções se voltam principalmente para o submarino nuclear que deverá vigiar toda a costa brasileira a partir de 2020


Alexandre Rodrigues - Agência Estado

RIO – Mais do que dobrar a atual frota de 27 navios-patrulha, a prioridade da Marinha para alcançar condições efetivas de segurança nas áreas de prospecção de petróleo na costa brasileira, como as recém-descobertas reservas na camada pré-sal, é a construção de pelo menos quatro novos submarinos até 2018. A meta principal é o aguardado submarino nuclear, que colocaria o controle da costa em outro patamar. No entanto, os oficiais não contam com ele antes de 2020.

O diferencial da estratégia submarina protagonizou os primeiros movimentos da Operação Atlântico recentemente. Em ação no litoral do Rio, São Paulo e Espírito Santo, 10.215 homens da Marinha, Exército e Aeronáutica mediram, durante dez dias, encerrando na última sexta-feira, os desafios para garantir o controle da imensidão formada pelo mar territorial e a zona exclusiva de exploração econômica, a chamada Amazônia Azul. A área abriga a maior riqueza natural do País e se estende a mais de 390 quilômetros do continente.

O pré-sal está nos limites dessa área. Embora a Marinha trate oficialmente a reativação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos para o Atlântico Sul como mera reorganização militar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a decisão com incômodo. “Os homens já estão aí com a Quarta Frota quase em cima do pré-sal”, disse Lula, no batismo da plataforma P-53, no Rio Grande do Sul, no último dia 19.

A Operação Atlântico é uma resposta discreta à iniciativa americana, com a exibição de alguma capacidade de mobilização militar, ainda que limitada. Na filosofia militar da dissuasão em tempos de paz, o objetivo não é investir em uma máquina de guerra imbatível – o que seria muito difícil diante da capacidade de intervenção americana –, mas fazer potenciais inimigos ou grupos terroristas pensarem duas vezes antes de se aventurar em uma área estratégica para o Brasil.

SALDO

No atual momento de alianças regionais, o exercício combinado serviu mais para listar necessidades de treinamento e equipamento das Forças Armadas para a missão de manter a soberania da costa. Dois submarinos da atual frota de cinco da Marinha Brasileira estiveram empregados na operação, que terminou na última sexta-feira.

No exercício, eles fizeram o papel de inimigos e tentaram torpedear os navios do Brasil. “É a força do mais fraco imposta ao mais forte”, resumiu o contra-almirante Bento de Albuquerque Jr., comandante da Força de Submarinos da Marinha. Os oficiais definem assim a ampliação da capacidade da máquina de 61 metros e 1.500 toneladas a 40 metros abaixo da superfície.

Por causa da dificuldade em ser detectado, a presença de um submarino é motivo suficiente para imobilizar toda uma esquadra. Por esse caráter de dissuasão é que a construção de novos submarinos é prioridade. Um novo leva quatro anos para sair do estaleiro. Com as necessidades de manutenção, a atual frota baseada no Rio não tem condições de cobrir toda a costa. Segundo o almirante Bento, o Timbira levaria mais de dez dias para chegar à foz do Amazonas.

A Marinha tem o ano que vem como limite para retomar a construção de submarinos convencionais para chegar ao nuclear, sob pena de perder o domínio da tecnologia de produção nacional desenvolvida no Arsenal de Marinha do Rio a partir do projeto alemão que deu origem aos quatro navios da classe Tupi, entre eles o Timbira. O último que saiu de lá, o quinto da frota brasileira, foi o Tikuna, resultado do aprimoramento do Tupi, em 2006.

“Nossa expectativa é construir pelo menos quatro novos submarinos convencionais a partir de 2009, iniciando um a cada dois anos”, diz o almirante. O Brasil deveria ter várias bases submarinas espalhadas pelo litoral, mas a Marinha quer suprir essa carência com o submarino nuclear. Mais velozes e com autonomia ilimitada, poderiam cobrir toda a costa.

REATOR

Enquanto o Centro Tecnológico da Marinha no interior de São Paulo desenvolve o reator nuclear, os militares precisam de um projeto com dimensões adequadas para recebê-lo.

O Tikuna, por exemplo, pesa 1.500 toneladas. Para um reator nuclear, a Marinha tem que construir unidades convencionais maiores para chegar até gigantes de 3 a 4 mil toneladas. Assim, quando o reator estiver pronto, haverá um projeto para envolvê-lo.

Iniciado há quase 30 anos, o programa nuclear da Marinha perdeu quase dez anos com a falta de verba, apesar de já ter consumido cerca de R$ 2 bilhões. Revigorado com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, custará ainda mais R$ 1 bilhão, mas agora precisa mesmo é de tempo.

Na sexta-feira passada, foi ativada no Rio de Janeiro, a Coordenadoria do Programa de Desenvolvimento de Submarino de Propulsão Nuclear. A coordenação do programa ficará a cargo do almirante-de-esquadra José Alberto Accioly Fragelli.

“Se as coisas correrem bem, teremos o submarino nuclear em 2020. Agora não é questão só de dinheiro, mas de tempo para alcançar um conhecimento que os países que têm não dividem. Não há dinheiro capaz de acelerar esse processo”, explica o almirante Bento.

Timbira é capaz de destruir navios em poucos segundos

RIO – A missão do submarino Timbira durante a Operação Atlântico encerrada na última sexta-feira foi impedir o movimento, no litoral do Rio, da esquadra formada por quatro navios de transporte apinhados de fuzileiros navais, escoltados por uma dezena de corvetas e fragatas com a tarefa de simular um ataque anfíbio à costa capixaba.

Equipado com sofisticados sonares, o submarino tem condições de mapear a disposição da esquadra a ponto de identificar até o número de pás de um navio e surpreender ao mirar no elemento de maior valor para o inimigo. Navios de guerra equipados com canhões e mísseis podem se partir ao meio em poucos segundos com um único torpedo de um submarino.

O efeito inibidor que um submarino como o Timbira provoca seria muito maior no caso de uma unidade nuclear. A propulsão atômica dá uma velocidade muito superior à diesel-elétrica dos submarinos convencionais, que precisam subir à superfície para recarregar baterias. É nesse momento que os navios de guerra podem abatê-los para ir em frente. A ilimitada autonomia do reator nuclear lhe dá condições de pousar “invisível” no fundo do mar, por quanto tempo for necessário e de se deslocar rapidamente por toda a costa. No entanto, ele é mais ruidoso, o que faz mais difícil o desafio da ocultação.

VERBA

A Operação Atlântico é mais um argumento para o pleito dos militares por mais recursos para a aquisição de meios para garantir a soberania da exploração das riquezas dos 8,5 mil quilômetros de costa da Amazônia Azul.

O Brasil prospecta mais de 80% do seu petróleo e gás no mar, via de quase todo o comércio exterior. A pesca é um setor estratégico de potencial ainda inexplorado, assim como o extrativismo mineral para além do petróleo.

O Ministério da Defesa quer que a Petrobras e outras exploradoras de petróleo contribuam com o reaparelhamento da Marinha, estimado em R$ 5,8 bilhões. A Força já fica com 15% dos royalties da produção, mas tem se queixado do contingenciamento.

Militar de alto escalão é detido



A Venezuela prendeu o militar de alto escalão da Força Aérea José Caraballo, acusado de participar de um plano para matar o presidente Hugo Chávez, disse um parlamentar sinalizando um possível descontentamento militar contra o líder esquerdista. Chávez, ex-coronel pára-quedista, tem expressivo apoio nos quartéis, mas freqüentemente denuncia tentativas de golpe militar contra si, como neste mês, quando acusou oficiais da reserva de terem se mancomunado com os EUA para matá-lo.

Líder ordena renovação militar

Estado de prontidão constante para combate vai incluir ampliação também do arsenal nuclear



A Rússia vai construir novos escudos de defesa espacial e antimíssil e vai colocar suas Forças Armadas em permanente estado de alerta para combate. Numa escalada abrupta da retórica militar, o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou as medidas ordenando ainda uma renovação do sistema nuclear e um planejamento para reorganizar totalmente as Forças Armadas até dezembro.

O líder disse que a Rússia deve modernizar suas defesas nucleares em oito anos, plano que inclui a criação de um sistema de defesa aérea e espacial. As medidas colocam a Rússia numa nova corrida armamentista com os Estados Unidos, que enfureceram Medvedev ao tentarem estabelecer um escudo antimíssil na Europa. Os EUA argumentam que o escudo é dirigido a países perigosos como o Irã, mas o Kremlin está convencido de que sua segurança está ameaçada.

Medvedev disse para os comandantes militares que todas as formações de combate precisam ser melhoradas para a categoria de prontidão permanente até 2020. Acrescentou que a Rússia iria começar uma produção em massa de navios de guerra, cruzeiros nucleares com mísseis e submarinos.

– Um sistema nuclear garantido e pronto para várias circunstâncias militares e políticas deve estar pronto até 2020 – urgiu.

As tensões com o Ocidente atingiram um novo patamar desde a guerra da Rússia com a Geórgia, no mês passado. Medvedev alertou a comandantes militares que o conflito revelou que uma "guerra pode surgir de repente e ser absolutamente real".

Os investimentos militares foram anunciados enquanto a Rússia luta contra a entrada da Geórgia e da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A aliança militar vai considerar os pedidos de adesão das antigas nações soviéticas em dezembro.

– Esta apenas é uma jogada estratégica contra o Ocidente. A audiência interna russa ficará bastante impressionada, mas não o Ocidente – minimizou o coronel Marcel de Haas, especialista em segurança russa no Instituto Holandês de Relações Internacionais.

Moscou também declarou abertamente sua ambição de ser um rival dos EUA na América Latina na quinta-feira, quando o primeiro-ministro Vladimir Putin prometeu vender tecnologia nuclear para a Venezuela.

Ontem, Medvedev se encontrou com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Orenburg. O líder publicou uma declaração chamando a sua relação com o companheiro latino de uma forma de contabalancear a influência de Washington, e acrescentou que a Venezuela deseja uma maior presença russa na região.

– Estamos prontos para considerar oportunidades para cooperar no uso de energia atômica – Putin disse à Chávez, em Moscou. – A América Latina está se tornando um elo importante do mundo multipolar emergente. Nós prestaremos mais atenção a essa área da nossa economia e política externa.

O anúncio de assistência atômica certamente preocupará os EUA. Moscou já irritou Washington ao entregar urânio enriquecido ao Irã para sua estação de energia, o que gerou a preocupação de que Teerã esteja construindo secretamente uma bomba nuclear.

Chávez há muito tempo cobiça seu próprio programa de energia nuclear, mas insiste que não deseja construir uma bomba atômica.

– Hoje, como nunca antes, tudo que você (Putin) disse sobre o mundo multipolar está se tornando realidade. Não percamos tempo. O mundo está se desenvolvendo rapidamente geopoliticamente – disse Chávez ao líder russo.

Navios russos zarparam na segunda-feira para manobras no Caribe. O exercício será atentamente acompanhado pelas Marinhas ocidentais, por ser a primeira mobilização russa desse tipo – tão próxima da costa dos EUA – desde o fim da Guerra Fria.

Medvedev disse que os exercícios navais em conjunto com a Venezuela demonstram a natureza estratégica da relação entre os dois países. O presidente russo também anunciou o empréstimo de US$ 1 bilhão à Venezuela para comprar armamento russo.

Chávez já gastou US$ 4,4 bilhões desde 2005 em acordos com a Rússia para comprar jatos, tanques e rifles. Os dois países também estreitaram relações entre a Gazprom da Rússia e a empresa estatal de petróleo da Venezuela para criar um consórcio de petróleo e gás.

A Venezuela é o nono maior produtor de petróleo do mundo e um grande fornecedor para os EUA, enquanto a Rússia é a segunda maior exportadora e tem um quarto das reservas globais de gás.

Chávez disse que a união forma o maior consórcio de petróleo do mundo.

Primeiro submarino nuclear vai ser feito no Rio até 2021

Defesa da costa brasileira ganhou mais importância com o pré-sal



O primeiro submarino nuclear brasileiro deverá estar pronto até 2021. A afirmação foi feita, ontem, pelo comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto. Ele antecipou que o estaleiro dedicado ao submarino deve ser construído na área de Itaguaí, Região Metropolitana do Rio.

– Queremos fazer na área da Baía de Sepetiba, que fica perto dos pólos industriais de Rio e São Paulo, da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A.), das usinas de Angra 1 e 2 e do porto de Itaguaí – disse.

Moura Neto participou, no Rio de Janeiro, da posse do almirante José Alberto Accioly Fragelli como coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear.

Enriquecimento

De acordo com Moura Neto, a primeira etapa do programa, que envolve o ciclo de enriquecimento do urânio no Centro Experimental de Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, já está concluída. A construção de uma planta nuclear de produção de energia elétrica está em fase final.

O comandante da Marinha assinalou que quatro submarinos de propulsão convencional começarão a ser fabricados – ainda no Arsenal da Marinha, na capital fluminense – a partir do ano que vem. Ao mesmo tempo, o projeto do nuclear terá início. Segundo este cronograma, em 2014 o primeiro convencional fica pronto e o nuclear entra em fabricação na área da baía de Sepetiba. O casco será desenvolvido em conjunto com a França. O primeiro submarino nuclear brasileiro deve ficar pronto seis ou sete anos depois disto.

Pré-sal

Para o almirante, as descobertas de petróleo na camada pré-sal geram maior necessidade de modernização dos equipamentos da Marinha.

– O submarino nuclear reforça a capacidade dissuasória do país diante de qualquer país do mundo – explicou. – A Marinha tem que ter capacidade de tomar conta das nossas águas. A capacidade de Defesa é o que faz que os países nos respeitem.

A construção do submarino nuclear, equipado com torpedos e mísseis, está prevista na Estratégia Nacional de Defesa, desenvolvida pelos ministros de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger e da Defesa, Nelson Jobim. O custo estimado é mais que o dobro do referente a um submarino de propulsão convencional (US$ 600 milhões).

O projeto não fará parte do orçamento da Marinha para 2009 (cerca de R$ 2,7 bilhões), pois deve ser feito com financiamento externo. A Marinha espera gerar pelo menos 600 empregos diretos no país durante o processo.

Precursor do projeto, iniciado em 1979, o atual presidente da Eletronuclerar, almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, também esteve presente no evento. Ele avaliou que, pelo tamanho da costa brasileira, o país precisa de pelo menos seis submarinos nucleares, apesar da "vocação para a paz" do país.

– Defesa tem que ter para não usar – comentou. (Folhapress)

Rússia anuncia renovação em defesas nucleares

Medvedev promete modernização e nova frota de navios de guerra



O governo russo anunciou ontem que pretende melhorar seu sistema de defesa nuclear e modernizar suas Forças Armadas até 2020, indicando uma nova escalada armamentista no país. Os planos do Kremlin incluem a construção de um novo sistema de defesa aeroespacial e de uma frota de navios de guerra e submarinos nucleares. "Recentemente, tivemos de repelir uma agressão do regime georgiano e, como percebemos, uma guerra pode ser deflagrada de repente", afirmou ontem o presidente russo, Dimitri Medvedev.

O discurso de Medvedev a comandantes do Exército marca a maior iniciativa de defesa da Rússia na última década. "Devemos garantir nossa superioridade", afirmou o presidente após assistir a exercícios militares que envolveram 40 mil soldados. Ele também garantiu que a modernização militar passa a ser uma de suas prioridades.

Os problemas financeiros da Rússia após a queda do regime soviético, em 1991, atingiram fortemente as Forças Armadas. Mas os recursos da exploração de petróleo fizeram com que, recentemente, o problema começasse a ser resolvido.

Além de serem justificados pela recente guerra na Geórgia, analistas dizem que os planos de modernização militar parecem servir como uma resposta de Moscou ao projeto dos EUA de construir um escudo antimísseis no Leste Europeu. O Kremlin considera a instalação do escudo em países vizinhos uma ameaça à sua segurança.

Mas alguns acreditam que, em termos militares, faz pouco sentido o governo russo gastar grandes somas com o sistema de defesa nuclear. O maior déficit da Rússia seria em armas convencionais.

A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, afirmou ontem em Washington que a iniciativa russa não vai afetar o atual equilíbrio de poder. "O equilíbrio de poder em termos de defesas nucleares não será afetado por essas medidas", disse. Na entrevista, Condoleezza também classificou o sistema de defesa nuclear americano como "robusto".

Operação de guerra inclui helicópteros



Com apenas 247.792 eleitores, Roraima tem o menor colégio eleitoral do País, mas prepara uma operação de guerra com muita tecnologia para garantir o voto de índios e ribeirinhos. As urnas eletrônicas das aldeias ingaricó, na terra indígena Raposa Serra do Sol, e dos wai-wai, no extremo sul do Estado, serão transportadas por helicópteros do Exército, embora o número de eleitores seja inexpressivo.

Resposta à provocação

Pela primeira vez, Exército prende 3 durante operação em favelas

Veja a matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Seqüestro de armas em alto mar

Piratas somalis exigem resgate de US$ 35 milhões por navio com tanques russos



Piratas somalis exigem resgate de US$ 35 milhões para libertar um navio cargueiro ucraniano que transportava 33 tanques russos, lança-granadas e munição destinados ao Exército queniano. O navio com 21 pessoas a bordo – ucranianos, russos e letonianos – foi seqüestrado quinta-feira ao se aproximar da costa de Mombasa, Quênia. O armamento seria entregue por Kiev como parte de um acordo com o Quênia.

Apesar de terem sido rendidos por três navios de guerra quando se afastavam da costa central somaliana, ontem, o porta-voz dos piratas disse à imprensa que a tripulação do navio estaria segura e ilesa, e que não desistiram do dinheiro.

– Esperamos pelos US$ 35 milhões, nada mais, nada menos – diz Sugule Ali. – Fomos rendidos por três navios e há outros se aproximando. Não estamos temerosos, isso não nos fará abandonar o navio ou desistir de dinheiro. Não falta comida e todos estão com saúde.

Um dos reféns, Viktor Nikolsky, que se identificou como o capitão do navio, disse que um membro da tripulação morreu por uma crise de hipertensão. O porta-voz dos piratas anunciou que o homem morrera de "causas naturais".

– Não foi vítima de tiros ou violência – diz Ali, recusando-se a revelar a identidade da vítima. – Não somos piratas, estamos apenas protegendo nossos recursos marinhos. Alguns países querem fazer de nossas águas um depósito para a indústria ocidental. Temos o apoio da comunidade local.

O navio americano USS Howard estava parado próximo à costa somali, ontem, para garantir que os piratas não removessem os taques, munição ou outras artilharias pesadas do navio. O conselheiro da Presidência da região semi-autônoma de Puntland, Bile Mohamoud Qabowsade, disse, ontem, que os outros três navios no encalço dos piratas são da União Européia.

Os governos da Grã Bretanha, França, Alemanha e Grécia disseram que seus marinheiros não estavam envolvidos na operação. O Quênia declarou não negociar com os piratas, mas esforços já estavam em curso para libertar o cargueiro.

Na sexta-feira, a marinha russa despachou um cargueiro para a região em resposta ao que declarou ser "um aumento em ataques piratas, inclusive contra cidadãos russos".

Os ataques de piratas aumentaram nesse ano e a África continua com o maior número de ocorrências, com 24 ataques na Somália e 18 na Nigéria, segundo o Escritório Marítimo Internacional.

27 setembro 2008

Candidato à nova escolta da MB: destróier sul-coreano KDX-II


A classe “Chungmugong Yi Sunshin” de destróieres da Coréia do Sul são navios de múltiplo emprego. O navio líder da classe, o ROKS Chungmugong Yi Sunshin, foi lançado em maio de 2002 e comissionado em dezembro de 2003. Esses navios pertencem ao programa KDX-II de construção naval da Marinha da Coréia do Sul, para tornar-se uma “marinha de águas azuis”.

Apesar do estilo americanizado, o design do casco foi licenciado da empresa alemã IABG.

Os KDX-II são navios bem armados: têm um lançador MK.41 VLS na proa de 32 células, para mísseis Standard SM-2 Block III de defesa antiaérea de área, um lançador RAM de defesa de ponto e antimíssil, um CIWS Goalkeeper de 30mm, um canhão de 127mm Mk.45 Mod.4, oito mísseis Harpoon antinavio e dois lançadores triplos de torpedos anti-submarino de 324mm.

A suíte eletrônica compreender o radar 2D Raytheon AN/SPS-49(V)5 de longo alcance, um radar 3D Thales Nederland MW08 de direção de tiro, dois radares STIR240 de direção de tiro com iluminadores CWI OT-134A, um sistema de guerra eletrônica SLQ-200(V)K SONATA, um sistema de comando e controle tático KDCOM-II, derivado do SSCS das fragatas “Type 23″. Um sistema WDS Mk.14, que também equipa os navios, foi desenvolvido originalmente pela BAE Systems. Sua função é avaliar ameaças, priorizá-las e engajá-las com o SM-2.

O quarto navio da classe, o ROKS Wang Geon, teve seu lançador Mk.41 deslocado para bombordo e foi instalado também um VLS para o VL-ASROC (foguete anti-submarino) coreano. Os KDX-II têm espaço suficiente na proa para um VLS Mk.41 com 64 células. Os navios deslocam 5.520t carregados, têm comprimento de 150m e boca de 17m. A propulsão é CODOG, proporcionando 30 nós de velocidade máxima. A tripulação é de 200 pessoas.

Coréia do Sul propõe modernizar AMRJ e transferir corvetas para a MB



Segundo uma fonte, representantes da Coréia do Sul teriam visitado o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e proposto a modernização do mesmo, para a construção de seis destróieres KDX-II para a MB. Como contrapartida, a Coréia do Sul também teria oferecido a transferência para o Brasil, de um grande número de suas corvetas da classe “Pohang”, de 1.350 toneladas.

A Marinha Sul-Coreana construiu 24 corvetas “Pohang”, que se fossem transferidas para a MB, ocupariam o lugar dos planejados NaPaOc de 1.200 toneladas.

Corveta Classe Pohang
As “Pohang” são corvetas de patrulha, fortemente armadas, em três diferentes configurações. A mais capaz possui 2 canhões automáticos Oto Melara de 76mm, dois reparos duplos automáticos de canhões Breda Bofors de 40mm/70, mísseis anti-navio Harpoon (4 navios têm o MM38) e dois lançadores triplos de torpedos anti-submarino Mk.46. Os navios possuem um sonar holandês Signall PHS-32, radares de busca e direção de tiro.

A propulsão dos navios é CODOG, similar à usada nas nossas “Inhaúma” (facilitando a manutenção), com dois motores diesel MTU e uma turbina LM2500. A velocidade máxima é de 32 nós e a autonomia é de 4.000 milhas a 15 nós.

Em Pequim, Chávez anuncia compra de aviões chineses

Presidente venezuelano também assinou acordos de petróleo; aeronaves são de treino e reconhecimento



PEQUIM - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou nesta quarta-feira, 24, a compra de aviões de treino e reconhecimento chineses, um assunto sobre o qual Pequim não se pronunciou, após um dia marcado pela assinatura de acordos de petróleo.

"Estamos negociando e acordando a compra de alguns aviões que são de treino e reconhecimento que fazem muita falta para nós", assinalou Chávez após encontro com o presidente da China, Hu Jintao.

Segundo o presidente venezuelano, a compra já foi acordada, mas não há ainda "detalhes". Há algumas semanas, Chávez havia anunciado que compraria de Pequim 24 aviões de combate, enquanto outras fontes assinalaram seu interesse em sistemas de defesa antimísseis e submarinos a diesel, que provavelmente negociará na Rússia, para onde viaja na quinta-feira.

Chávez iniciou nesta quarta a agenda oficial de sua quinta visita à China, marcada pela assinatura de 26 acordos em que predominou o setor do petróleo. A Venezuela é o quinto maior produtor dessa commodity e envia à China 4% do petróleo que os chineses necessitam.

Com os acordos assinados nesta quarta, Caracas aumentará o volume de exportação, que hoje é de 250 mil barris diários, para 500 mil. Entre os documentos assinados também há o acordo de construção de uma refinaria em Cabruta, na Venezuela, e outra em Cantão, na China.

Além disso, os dois governos estudam a construção de três refinarias adicionais em solo chinês. "A China pode se transformar algum dia no principal destino de nosso petróleo", ressaltou o chefe de Estado venezuelano.

Sobre a crise financeira, Chávez voltou a culpar Washington por sua "irresponsabilidade" e sua "grande farsa econômica". Segundo Chávez, que ao lado de Hu foi um dos poucos líderes que não foram à Assembléia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, "é um dos mais culpados."

Marinha cria órgão para construir submarinos



Alexandre Rodrigues, RIO

Para acelerar o desenvolvimento de um submarino nuclear brasileiro, a Marinha decidiu criar uma nova estrutura. O comandante da Marinha, Júlio de Moura Neto, convocou o almirante de esquadra da reserva José Alberto Accioly Fragelli, ex-comandante do Estado Maior da Armada, para assumir a Coordenadoria Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino Nuclear, que será criada hoje no Rio.

A medida é um dos primeiros passos para retomar a construção de submarinos convencionais no Arsenal do Rio, de onde o último dos cinco submarinos da frota brasileira saiu, em 2005, para alcançar o projeto de um casco capaz de receber o reator nuclear.

Com a decisão do Brasil de fechar um acordo com a França para transferência de tecnologia para a construção de quatro submarinos convencionais visando ao nuclear, a Marinha terá de preparar o Arsenal do Rio. O último submarino construído no Rio, o Tikuna, foi incorporado em 2005.

A decisão do Brasil pela França, anunciada no início da semana pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, era o que faltava para a Marinha voltar a planejar a construção de submarinos. Os oficiais temiam que a demora tornasse obsoleta a plataforma montada no Arsenal.

“Precisamos dos submarinos convencionais, mais adequados para o controle de águas perto da nossa costa. Além disso, ele vai dar o embasamento para alcançarmos o submarino nuclear”, declarou o almirante Álvaro Luiz Pinto, comandante de Operações Navais da Marinha. Para ele, o projeto do submarino nuclear consumirá pelo menos dez anos.

Rússia oferece pacote nuclear



Da Redação

Em plena intensificação das relações no campo militar, com uma flotilha russa navegado rumo ao Caribe para participar de manobras com a Marinha venezuelana, o primeiro-ministro Vladimir Putin ofereceu ontem ao presidente Hugo Chávez cooperação para desenvolver a energia nuclear — para fins pacíficos. O anúncio foi apenas um dos que marcaram a chegada de Chávez a Moscou para uma estada de dois dias, que poderá selar a criação do “maior consórcio petroleiro do planeta” — nas palavras do visitante —, reunindo a estatal venezuelana PDVSA e as gigantes russas Gazprom e Lukoil.

Chávez confirmou que acertará novas aquisições de material bélico com o governo russo, que abriu para a Venezuela um crédito adicional de US$ 1 bilhão. Nos últimos anos, Caracas comprou aviões de combate, helicópteros, sistemas de defesa antiaérea e outros equipamentos militares com valor total de US$ 4 bilhões. O presidente sul-americano, porém, fez questão de frisar que “para nós o mais importante não é a cooperação militar, mas no setor energético”.

Os dois países devem assinar o protocolo para criação do consórcio encabeçado pela Gazprom, que Chávez descreveu como “um dos gigantes energéticos, o maior do mundo”. “O convite foi deles, do governo russo, que é a maior empresa petroleira do mundo”, afirmou o presidente venezuelano. De início, a Gazprom já garantiu participação na exploração de reservas de gás natural detectadas no litoral venezuelano. Conseqüência da multiplicação de iniciativas comuns, os dois países devem também lançar as bases para a criação de um banco conjunto de investimentos.

Putin, da sua parte, aproveitou a visita de Chávez — que o chama de “irmão” — para reafirmar que seu governo dará “prioridade” à intensificação de relações “em todos os campos” com a América Latina. Na semana passada, bombardeiros nucleares estratégicos russos realizaram vôos de treinamento sobre o Caribe e o Atlântico, região onde o poderio militar norte-americano reinava soberano desde o fim da Guerra Fria. A visita dos aviões, seguida das manobras navais, coincide com um período de atritos repetidos entre a Rússia e os Estados Unidos, que estendem sua influência político-militar até as fronteiras da ex-superpotência.

25 setembro 2008

Para almirante, modernização da Marinha precisa de R$4 bi ao ano


ITAPEMIRIM, Espírito Santo (Reuters) - A Marinha precisa de quase 4 bilhões de reais por ano para se modernizar tanto na área de equipamentos quanto na de treinamento de pessoal, segundo avaliação do comandante de Operações Navais, almirante de Esquadra Álvaro Luiz Pinto.

“Só para se ter uma idéia, para a manutenção do status quo a Marinha precisa de 2,8 bilhões ano”, afirmou o militar a jornalistas que acompanharam manobras da Operação Atlântico, que simula a defesa da infra-estrutura do petróleo, na cidade capixaba de Itapemirim.

“Agora, para se atingir uma melhora na capacitação, na construção, na modernização, acredito que 1 bilhão de reais a mais por ano seja o ideal”, acrescentou.

O Orçamento da União para este ano prevê limite de gastos de 1,525 bilhão de reais para a Marinha, que tem atualmente cerca de 3 bilhões de reais contingenciados pelo governo. Esse montante é resultado de arrecadação de royalties pela exploração de petróleo que, por lei, deveriam ser destinados em parte a atividades da Marinha.

“Nós não podemos tratar os assuntos isoladamente”, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao justificar o congelamento dos recursos. “Nós temos de tratar a questão a partir da necessidade do ajuste fiscal do país.”

Apesar de detectar a falta de recursos, o almirante afirmou que, nos últimos dois anos, o governo tem olhado o setor militar com outros olhos.

Jobim tem feito da nova Estratégia Nacional de Defesa, cujo anúncio estava previsto para o início do mês, mas agora deve ser feito só no final de outubro, um dos pilares de sua gestão à frente da pasta.

General aponta redução da capacidade de combate da OTAN



O General Roger Brady, comandante da USAFE (US Air Forces in Europe), afirmou no último dia 17 de setembro que o número aviões de combate da OTAN disponíveis para patrulhar o espaço aéreo europeu atingiu o valor mais baixo dos últimos 19 anos. Em 1990 a OTAN contava com 717 aviões de combate estacionados na Europa distribuídos por 85 esquadrões. Atualmente a são 177 agrupados em 25 esquadrões. Isto representa uma redução de 75% sobre a força existente no final Guerra Fria. O General ainda levantou suspeitas sobre a real capacidade da OTAN frente a um eventual confronto com a Rússia, que continua restaurando sua capacidade de combate.

Santos Lab vai ampliar produção de avião-espião

As primeiras aeronaves não-tripuladas foram vendidas à Marinha

No Brasil existe o Projeto Vant, liderado pelo Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cujo objetivo é produzir um vant com tecnologia inteiramente nacional. No começo deste ano, o Exército encomendou três vants à Flight Solutions, de São José dos Campos (SP), por R$ 1,3 milhão para entrega em um ano. A diferença, segundo Buffara, é que esses aviões serão de controle remoto e não piloto automático.

Veja a matéria completa em http://www.aeronautabrasil.blogspot.com/

23 setembro 2008

Aranha no cockpit



Dois caças Lockheed F-16AM da Real Força Aérea Holandesa (RNLAF) levantaram vôo do Aeroporto Internacional de Kabul, no dia 31 de Agosto de 2006, para mais uma missão em apoio às tropas da OTAN operando no Afeganistão.

Após a decolagem, os dois jatos rumaram para sudoeste, equipados com pods designadores Lantirn e bombas guiadas a laser GBU-12, em vôo no Flight Level 320 (32.000 pés acima do nível do mar), cerca de 10.000 metros, e a uma velocidade relativamente baixa, de 280 milhas/hora (cerca de 500km/h).

Após cerca de 4 minutos de vôo e cruzar por um avião comercial, que estava voando a 1.000 pés acima dos caças (300m), o piloto do F-16AM líder, Capitão Michael Donkervoort, emitiu um “mayday call” (chamado de emergência).

Seu ala voando a uma distância de cerca de 5 km viu o F-16AM de Donkervoort megulhar e realizar uma curva para a direita. Sem qualquer outro chamado do piloto o jato espatifou-se contra uma montanha a 3.000 metros de altura, 30 segundos após, em um impacto quase na vertical com o nariz do caça a 80º e alta velocidade (aproximadamente Mach 1,2). O capitão Donkervoort morreu instantaneamente.

Uma das suspeitas de ter causado o acidente é a Spider Camel (Aranha Camelo), um grande aracnídeo muito comum no Afeganistão. Houve outro caso da mesma aranha ter sido encontrada no cockpit de um F-16 estacionado perto do deserto.

Em uma carta anexa ao relatório de investigação do acidente, o Ministério da Defesa Holandês anunciou uma medida padrão para checar o cockpit de cada avião antes do vôo, especialmente para a presença de insetos, aracnídeos ou outros animais, se o canopi ficar aberto por um longo período de tempo.

Enquanto isso, em outro Bric…



No dia 13 de setembro a Índia testou o míssil Astra, desenvolvido pela DRDO para prover o caça SU-30MKI com capacidade BVR (Beyond Visual Range). O teste com o Astra foi realizado no Perímetro Integrado de Testes, em Orissa.

Este é o primeiro míssil ar-ar desenvolvido pela Índia, que vai permitir aos seus caças engajarem aviões inimigos a 90-120km de distância.

Especificações do Astra:

Peso: 154 kg

Comprimento: 3570mm

Envergadura: 254 milímetros

Diâmetro: 178mm

Ogiva: 15 kg - Alto explosivo de fragmentação, com detonação por espoleta de proximidade

Motor: foguete de combustível sólido

Alcance: 80km head on, 15 km tail chase; 90-110 km (15.000 m); 44km (9.000 m); 30km (nível do mar)

Teto operacional: 66.000 pés

Velocidade: Mach 4 +

Sistema de orientação: inercial, atualização de meio curso e radar terminal ativo (15 km)

Plataformas: Su-30MKI, HAL Tejas, Mirage 2000 e MiG-29.

Novas manobras russas

Envio de frota é mostra de poderio militar de moscou



O cruzador nuclear Pedro, o Grande encabeça a frota russa que zarpou até a Venezuela, para a realização de manobras navais, informou um porta-voz da armada em Moscou. O envio é a maior mostra do poderio militar russo na região do continente americano desde o fim da Guerra Fria.

A viagem ocorre depois que dois bombardeiros estratégicos da Rússia visitaram a Venezuela. A movimentação parece uma resposta ao envio de barcos de guerra norte-americanos com ajuda à Geórgia, o que irritou o governo russo. Autoridades de Moscou criticaram com dureza a atitude norte-americana no caso.

O Kremlin intensificou recentemente seus contatos com Venezuela, Cuba e outros países latino-americanos, ao mesmo tempo em que aumentam as tensões entre o país e os Estados Unidos. Washington criticou em vários momentos o comportamento russo durante a guerra com a Geórgia, no mês passado.

O porta-voz da armada russa, Igor Dygalo, disse que o cruzador e outros três navios partiram ontem de Severomorsk, base da Frota do Mar do Norte da Rússia. A frota percorrerá 27.800 quilômetros para efetuar manobras conjuntas com a armada venezuelana, indicou Dygalo.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou em entrevista difundida no domingo que busca uma amizade firme com a Rússia. Chávez disse que sua intenção é reduzir a influência norte-americana e manter a paz na região.

Enquanto isso, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, iniciou ontem uma viagem "rápida" por Cuba, China, Rússia, França e Portugal, em busca de convênios que favoreçam "o desenvolvimento" do país e fortaleçam suas relações "estratégicas".

Chávez realiza esta nova viagem, sua segunda do ano, em meio à pior crise diplomática entre Venezuela e Estados Unidos, derivada da expulsão dos embaixadores em cada país e à reiteração de Caracas de que Washington estaria por trás de supostos planos de magnicídio e golpe de Estado no país e em outros da região, como a Bolívia.

Solidariedade

Chávez disse que sua nova visita a Cuba, a terceira do ano, é para estender "a mão e os abraços solidários" da Venezuela ao povo cubano, "muito afetado" nas últimas semanas pela passagem de dois fortes furacões que "arrasaram quase toda a ilha".

Treinador K-8 Karakorum
O governante anunciou que amanhã chegará à China, pela quinta vez desde que assumiu o governo, em 1999, para assinar acordos que aprofundarão as amplas ligações bilaterais, que incluem projetos energéticos conjuntos e o fornecimento, por parte de Pequim, de maquinarias agrícolas e industriais. Também avaliará a possível aquisição de aviões de treino K-8, informou Chávez.

Durante sua visita à Rússia, a segunda este ano, discutirá um empréstimo desse país à Venezuela, disse Chávez, sem dar mais detalhes, e só reiterando o caráter "estratégico" da relação bilateral.

“Pedro, o Grande” zarpa rumo à Venezuela

Cruzador nuclear Classe Kirov
Uma força-tarefa russa zarpou hoje, com destino ao Oceano Atlântico, a fim de participar de exercícios navais conjuntos com a Marinha de Guerra da Venezuela, em novembro, disse um porta-voz da Marinha Russa.

“Uma força tarefa da Frota do Norte, que compreende o cruzador nuclear Pyotr Velikiy, o destróier Almirante Chabanenko e navios de apoio, deixou a base de Severomorsk no início da segunda-feira, para realizar exercícios de treinamento no Atlântico,” afirmou o capitão Igor Dygalo.

O Pyotr Velikiy é um cruzador da classe “Kirov” de propulsão nuclear, equipado com mísseis antinavio de longo alcance SS-N-19 “Shipwreck”. O navio possui autonomia praticamente ilimitada e também é equipado com cerca de 500 mísseis superfície-ar de diferentes tipos, e um grande número de outras armas.

Dygalo disse que, durante o desdobramento, os navios de guerra russos vão participar de exercícios navais conjuntos com a Marinha de Guerra Venezuelana, entre 10 e 14 de novembro, de acordo com o programa de treinamento de 2008, a fim de expandir a cooperação militar com marinhas estrangeiras.

“Durante o exercício, navios e aeronaves vão praticar manobras coordenadas, busca e salvamento, e comunicações”, disse Dygalo.

FONTE: RIA Novosti

Senado dominicano aprova empréstimo para a compra de aviões da Embraer


Santo Domingo, 16 set (EFE).- O Senado dominicano aprovou hoje um empréstimo de US$ 93,6 milhões para a compra de oito aviões da linha de defesa "Super Tucano", da Embraer.

Os aviões serão utilizarão na luta contra o narcotráfico e na perseguição de aeronaves suspeitas de violarem o espaço aéreo local.

O acordo de financiamento foi assinado entre o Governo dominicano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Embraer, e será quitado em 12 anos, informou o Senado dominicano em comunicado.

O empréstimo foi aprovado por 18 dos 20 senadores presentes na sessão.

O presidente da Comissão de Fazenda do Senado, Tommy Galán, assegurou que a compra dos aviões beneficiará o país, já que "servirão para combater o flagelo do narcotráfico".

O legislador disse que qualquer investimento feito em matéria de segurança nacional tem um custo menor do que os estragos provocados pelo avanço do narcotráfico no país, como a insegurança, a alta delinqüência e o crime organizado.

Além dos aparelhos "Super Tucano", será adquirido um pacote logístico que inclui peças de substituição, equipamentos de solo e vôo, e um serviço de treino e assistência técnica para a Força Aérea Dominicana, acrescentou o Galán.

A compra dos aviões foi ordenada pelo Governo dominicano em janeiro de 2007.

A República Dominicana é freqüentemente utilizada como rota por narcotraficantes para transportar drogas da América do Sul aos Estados Unidos e Europa.

França aprova envio de novo contingente



DA REDAÇÃO

O Parlamento francês aprovou ontem a prorrogação da missão militar francesa no Afeganistão e o envio de mais uma centena de homens e de novos equipamentos. A esquerda votou contra, em proposta facilmente vencida pelo governo na Assembléia Nacional (343 votos a 210) e no Senado (209 a 119).

Dez soldados franceses morreram em emboscada, em 18 de agosto. O jornal "Globe and Mail" publicou documento militar que criticava a falta de equipamentos daquele grupo.

Com os cem novos homens, o contingente francês operando no Afeganistão chegará a 3.300.

Com agências internacionais

EUA tentam penetrar com helicópteros no Paquistão

Eles não desceram após tiros de advertência, dizem a BBC e a Associated Press

Pentágono e paquistaneses negam incidente; grupo de terroristas pouco conhecido reivindica ataque de sábado ao Marriott de Islamabad



DA REDAÇÃO

Dois helicópteros americanos vindos do Afeganistão tentaram atravessar a fronteira do Paquistão, mas voltaram depois que militares paquistaneses atiraram para o alto em sinal de advertência.

O incidente, relatado por dois informantes dos serviços de inteligência paquistaneses à Associated Press, é negado por porta-vozes dos dois países.

A BBC também recebeu versão semelhante sobre a tentativa de travessia da fronteira, ocorrida pouco depois da meia-noite de ontem em Alwara Mandi, Província do Waziristão do Norte. A emissora descreve o fato como verdadeiro.

"Tal incidente não ocorreu", disse o porta-voz do Pentágono, coronel Gary Keck. Em Islamabad o Ministério da Defesa disse desconhecer o episódio.

No último dia 15, informantes paquistaneses haviam relatado incidente semelhante, com a agravante de militares paquistaneses terem atirado contra as aeronaves invasoras para dissuadi-las de aterrissar.

A única travessia da fronteira confirmada pelos dois lados foi a do último dia 3, quando soldados americanos aterrissaram e abriram fogo contra um grupo de domicílios suspeito de abrigar dirigentes da Al Qaeda. O governo de Islamabad qualificou o episódio de "invasão" e desrespeito a sua soberania.

Desde então, o porta-voz do Exército paquistanês, general Athar Abbas, disse que seus homens tinham ordens para atirar contra aeronaves invasoras americanas, e o presidente Asif Ali Zardari afirmou que reagiria pela força contra a violação de seu espaço territorial.

Segundo o "New York Times", em julho, o presidente George W. Bush permitiu incursões aos santuários terroristas no Paquistão, sem a autorização das autoridades locais.

Atentado ao Marriott

Um grupo radical islâmico desconhecido assumiu ontem o atentado de um caminhão-bomba contra o hotel Marriott, em Islamabad, que oficialmente matou sábado 57 pessoas.

Em mensagem à TV Al Arabiya, os Fedains do Islã disseram ser os responsáveis. Contato semelhante foi feito pelo mesmo grupo com a BBC, em Islamabad. Os supostos terroristas disseram que a explosão do hotel havia sido uma resposta aos mísseis americanos lançados contra suas bases.

Acredita-se que o grupo seja composto por paquistaneses egressos de uma outra organização clandestina, a Jaish Mohammad, responsável pelo seqüestro e morte do jornalista americano Daniel Pearl e pelo atentado fracassado de 2003 contra o então ditador paquistanês, Pervez Musharraf.

Segundo a BBC, o grupo tem vínculos com o Taleban paquistanês, aliança chefiada por Baitullah Mehsud, acusado de mandante do atentado que em dezembro matou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

Jantar abortado

Um alto funcionário do Ministério do Interior, Rehman Malik, disse que o presidente Zardari e o primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani iriam jantar no Marriott no momento do atentado, mas cancelaram o plano de última hora.

Segundo a France Presse, no entanto, não havia nenhuma reserva em nome de autoridades oficiais. Esse desmentido foi dado por Jamil Jawar, porta-voz do proprietário paquistanês da franquia do Marriott, Sadruddin Hashwani.

O Itamaraty divulgou ontem nota em que repudia o ato de violência e faz votos de que "o Paquistão possa trilhar o caminho da paz e da estabilidade".

Com agências internacionais

Jobim anuncia convênio com a França para construir submarino



DO ENVIADO A ITAPEMIRIM (ES)

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que o Brasil vai firmar em dezembro convênio com a França para a construção de quatro submarinos convencionais, um de propulsão nuclear e helicópteros. Segundo o ministro, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, virá assinar o acordo em dezembro.

O objetivo é proteger eventuais ameaças ao espaço marítimo, estimuladas pelas recentes descobertas de reservas de petróleo na camada pré-sal. Jobim acompanhou ontem, no litoral do Espírito Santo, a Operação Atlântico, exercício que reúne 10.215 militares, 17 navios, 40 aeronaves e 327 veículos das Forças Armadas. Ele disse que a Marinha, muito concentrada no Rio, precisa ser reforçada na Amazônia e no Nordeste.

19 setembro 2008

Ex-militares confirmam torturas no Araguaia

Segundo depoimento de dez ex-soldados do Exército que participaram de ações, não só guerrilheiros foram torturados, mas também civis

Dez ex-recrutas do Exército que participaram da Guerrilha do Araguaia entre 1972 e 1975 confirmaram, em depoimentos à Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a execução de guerrilheiros pelos militares, assim como a prática de tortura não apenas contra os inimigos, mas também de civis. Nos depoimentos, esses ex-soldados denunciaram ter sofrido maus-tratos e sevícias nos treinamentos recebidos.

Falaram ainda da cooptação de índios pelas Forças Armadas para localizar membros do PC do B na selva. Mas não esclareceram o maior mistério do caso: a localização dos corpos dos guerrilheiros mortos.

Veja a matéria completa em http://www.insegurancapublica.blogspot.com/

Rússia deixa porto da Geórgia



A Rússia cumpriu um dos principais pontos do acordo assinado esta semana com a União Européia (UE) ao retirar suas tropas do estratégico porto georgiano de Poti, no Mar Negro. Os soldados russos desmontaram os dois postos de controle que haviam instalado nos acessos à cidade portuária e, em seguida, arriaram a bandeira do país, informou o vice-prefeito de Poti, Gocha Tugushi. "As tropas ocupantes russas abandonaram seus postos. Aos poucos, a vida está voltando ao normal. O porto voltou a funcionar. As pessoas já estão ficando tranqüilas", acrescentou.

Cerca de 20 blindados russos e sete caminhões de transporte militar foram vistos partindo em direção à Abkházia, província separatista da Geórgia, segundo a rádio "Fortuna". Durante as quatro semanas em que manteve controle sobre Poti, o Exército russo afundou vários navios georgianos.

Um retrato possível da vida militar

Brigada Pára-Quedista é uma tentativa de exame do cotidiano da corporação


Luiz Zanin Oricchio

Em Brigada Pára-Quedista, Evaldo Mocarzel enfrenta uma parada que pouca gente no métier cinematográfico tem se mostrado disposta a encarar - retratar, por dentro, a instituição militar. Tarefa difícil. As Forças Armadas são instituições fechadas, distinguem com clareza o público "interno" do "externo". Além disso, há o tabu representado pela lembrança da ainda recente ditadura militar brasileira.

Dessa maneira, a questão da "imagem da corporação" é delicada e recorrente, como sabem os próprios militares. Nesse sentido, é sintomática a palavra de um dos oficiais entrevistados, quando diz que as pessoas vêm à caserna colher imagens e depois a corporação sai desacreditada. A uma possível pergunta do entrevistador sobre o regime militar de 1964-1985, o mesmo oficial responde que são águas passadas; ninguém mais se lembra daquilo e muitos dos que estavam agora naquele quartel sequer eram nascidos na época.

O que há de mais interessante no filme é a maneira como procura entender o cotidiano dos aspirantes. A rotina, a dureza das provas, os desafios a quem se propõe ser um pára-quedista, numa corporação formada por voluntários, são momentos fortes do longa: a alvorada, a ordem do dia, a ginástica, o treinamento, a preparação para o primeiro salto.

O filme se torna interessante quando ouve esses recrutas e, em meio a uma ou outra bravata, recolhe, nas entrelinhas, a constatação de que o serviço militar pode ser uma via de ascensão em país tão desigual como o Brasil, o que nem sempre o antimilitarismo fundamentalista consegue ver.

Mas o que tem de agudo nesses momentos, perde em outros. Por exemplo, para o espectador comum, fica sem sentido o tempo dispensado a explicações minuciosas sobre o material de filmagem durante os saltos - uma engenhoca instalada no capacete do pára-quedista. Compreende-se o fascínio que o dispositivo exerce sobre o cineasta, mas talvez esse interesse não seja compartilhado pelo público.

É interessante saber que duas mulheres já conseguiram se formar no curso de pára-quedistas, desafiando o machismo dominante na área. Mas o que parecia ser uma boa idéia não obtém o rendimento esperado: o diretor passa filmes de guerra para os soldados e lhes pede comentários. Assim, assistem a clássicos como A Grande Ilusão, de Jean Renoir, e Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, entre outros. Seria uma maneira de checar a auto-imagem dos entrevistados, quando "se vêem" na tela em peças de ficção, mas os comentários que surgem não parecem dos mais estimulantes.

Ainda assim, Brigada Pára-Quedista tem muitos pontos positivos. Desvela um pedaço da intimidade da caserna, o que não é simples de fazer. Ao mesmo tempo, o excesso de respeito com que o faz talvez seja o limite mais evidente do projeto. Ok, simpatia pelos personagens pode ser um estímulo para o documentarista. Mas o excesso de empatia talvez o impeça de ir além de certo limite. Nesse sentido, o último plano do filme, belo plano aliás, de um soldado armado, na contraluz, filmado de costas, como a nos proteger de alguma ameaça ou invasor, parece mais do que significativo.

Chefe militar da Argentina pede exoneração



ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES

O comandante do Exército argentino, general Roberto Bendini, pediu ontem sua exoneração do cargo após a notícia de que foi acusado por atos de corrupção cometidos em 2002 e 2003.

O pedido ainda seria avaliado pela presidente Cristina Kirchner, mas, segundo a imprensa local, a renúncia teria sido pedida pela própria Cristina.

Bendini estava no comando do Exército desde 2003. Recentemente, o Ministério da Defesa argentino começou a investigar um esquema de contratações irregulares no Exército que teria causado ao Estado um prejuízo de cerca de R$ 24 milhões.

Rússia testa míssil


Bulava M
Os militares russos testaram ontem com sucesso um míssil intercontinental Bulava com múltiplas ogivas, capaz de atravessar o escudo antimísseis de Washington. Enquanto isso, dois bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160 regressaram ao país depois de uma semana de vôos de treinamento no Caribe e no Atlântico, a convite da Venezuela.

O NÚMERO

10 mil km é o alcance do novo míssil intercontinental testado pela Rússia. O Bulava pode carregar seis ogivas nucleares destinadas a diferentes alvos.

FROTA NORTE-AMERICANA NA MIRA

Lula diz que Marinha brasileira tem que se reforçar: 'Os homens estão quase em cima do pré-sal'

Frota americana preocupa



RIO GRANDE (RS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade de reforçar a Marinha para defender as gigantes reservas de petróleo do pré-sal. E não escondeu a preocupação com a proximidade da Quarta Frota Naval dos EUA da fronteira marítima do Brasil, conforme O DIA antecipou em 17 de agosto.

Segundo Lula, os EUA estão de olho nas reservas descobertas na costa brasileira, estimadas em quase 50 bilhões de barris. “A Marinha joga um papel importante para proteger o nosso pré-sal, porque os homens já estão aí com a Quarta Frota quase em cima do pré-sal”, afirmou, em discurso na cerimônia de batismo da plataforma P-53, no município gaúcho de Rio Grande.

Após 58 anos, em junho, os EUA reativaram a Quarta Frota para patrulhar o Atlântico Sul. São 11 embarcações, capitaneadas pelo porta-aviões nuclear George Washington. O retorno foi recebido com ceticismo no Brasil e na América Latina, onde a presença militar é vista por muitos como ameaça à soberania da região. O governo dos EUA alega que os objetivos são pesquisas, combate ao tráfico de drogas e atuação em missões de paz.

Lula disse que já abordou o assunto com o presidente dos EUA, George W. Bush, e que o chanceler Celso Amorim conversou com a secretária de Estado Condoleezza Rice.

“Obviamente que estamos preocupados. Estão muito próximos das plataformas e dos campos do pré-sal. Eles (EUA) dizem que não é nada, é apenas uma coisa de pesquisa”. E acrescentou: “O que precisamos é que a Marinha tome conta das plataformas e do nosso pré-sal, porque nós somos um País tranqüilo, não falamos em guerra, não queremos conflito, queremos desenvolvimento”. Como forma de fortalecer a defesa da costa brasileira, o governo negocia com a França a construção de um submarino nuclear e, na semana passada, as Forças Armadas iniciaram a chamada Operação Atlântico, nas proximidades dos campos do pré-sal.

Bomba GBU-39



Embora os técnicos militares norte-americanos tenham considerado a bomba Mk.83 de 250 libras (aprox. 113kg) insuficientemente poderosa para a aplicação dos kits JDAM, nunca deixaram de apreciar a vantagem que constitui a possibilidade de utilizar aquele tipo de bomba (relativamente leve, permitindo o seu transporte por aeronaves ligeiras). A Boeing iniciou um programa, destinado a produzir uma bomba guiada, com o mesmo peso, mas com características diferentes.

Ao contrário das JDAM, que são bombas comuns às quais é adaptado um kit que permite guiar a bomba, a GBU-39 é uma derivação, onde a bomba já inclui o sistema de navegação.

A GBU-39 é algumas vezes referida como míssil, mas na realidade não tem sistema de propulsão. Ela é lançada por aeronaves e abre as asas após o lançamento. Dependendo da altura de lançamento a bomba pode dirigir-se para alvos que estejam a até 100km de distância.

A GBU-39, foi designada como SDB (Small Diameter Bomb) ou bomba de pequeno diâmetro. As bombas GBU-39 / SDB têm o mesmo peso das Mk.83 mas um diâmetro menor. Elas são também mais compridas e esta característica permitiu adapta-las para utilização contra alvos fortificados «Bunkers»

Com este novo formato, uma aeronave ligeira pode transportar um projéctil com grande potência de destruição contra fortificações e aeronaves empenhadas na função de apoio aéreo aproximado, podem transportar um maior numero destes dispositivos.

As GBU-39 foram integradas inicialmente nos caças F-15E na sua função de caça-bombardeiro, estando prevista a utilização da arma nos F-22, F-35 e F-16 (a partir do block 30). Está também em estudo a futura integração destas bombas em aeronaves não tripuladas e nos bombardeiros B-52 e B-2. Este último, por exemplo, poderá transportar quase duzentas destas bombas de cada vez.

A cada bomba pode ser atribuído um alvo específico. Cada uma dirige-se para o objectivo utilizando para o efeito a ligação com o sistema GPS.

A utilização conjunta deste tipo de equipamento pode permitir a destruição de grandes áreas fortificadas, bases aéreas, centros fortificados de comando e controlo.

Grande capacidade num pequeno envelope

Com um peso pouco superior a 100kg, a bomba GBU-39, pelas suas características, perfil, sistema navegação e precisão tem tanto poder destrutivo contra alvos protegidos, quanto uma bomba de aproximadamente 900kg.

A arma pode perfurar 1.83m de cimento/concreto reforçado e pode perfurar 1 metro de cimento/concreto reforçado com aço.

O custo de cada unidade deverá ficar entre 53000 e 58000 Euros.

Fornecimento de bombas GBU-39 pedido por Israel

Bombas inteligentes podem ser utilizadas para atacar o Irã



Bomba GBU-39
Israel solicitou semana passada a venda, por parte da empresa norte-americana Boeing, de até 1.000 unidades da bomba inteligente GBU-39.

Trata-se de uma bomba de 113 kg que, ao contrário das mais conhecidas JDAM, não é apenas uma bomba burra com um kit que permite direcionar o dispositivo, mas sim uma arma feita de raiz para ter a capacidade de atingir alvos pré-programados.

A solicitação do fornecimento deste armamento, que está entre os mais recentes do arsenal dos EUA, ocorre numa altura em que muitos analistas afirmam que existe uma possibilidade real de Israel efetuar um ataque preventivo contra o Irã, com o objetivo de destruir as instalações nucleares da República Islâmica.

Embora com um peso de apenas 113 kg, as bombas GBU-39 têm uma capacidade equivalente a uma bomba de 900 kg, quando se trata de capacidade para perfurar instalações especialmente protegidas com concreto, mesmo quando reforçado com aço.

Dependendo da altura a que são lançadas, o alcance máximo das bombas GBU-39, que abre as suas asas após o lançamento e é pré-programada para se dirigir ao alvo utilizando o sistema GPS, pode ultrapassar 100 km.

Com um pequeno número de aeronaves é teoricamente possível lançar uma “chuva de bombas” deste tipo de um F-15 (do qual Israel possui vários exemplares) e, futuramente, um F-16I “Soufa” poderá transportar até 8 bombas GBU-39.

Um avião pode transportar oito bombas com peso total inferior a 1.000 kg, mas com uma capacidade de destruição contra alvos fixos e protegidos, quase oito vezes maior. Com a GBU-39, uma aeronave ganha muito maior poder de fogo, transportando menos carga, o que aumenta o raio de ação operacional da aeronave atacante.

Israel tem afirmado que não permitirá a existência de um Irã com capacidade nuclear. O presidente do país tem ameaçado o estado judeu, referindo-se ao país como “entidade” e afirmando que Israel deve ser riscado do mapa.

Em reunião havida recentemente, o vice-presidente norte-americano acusou a Rússia de continuar a fornecer à República Islâmica todo o tipo de armas, utilizando disfarces e terceiros países. Esta afirmação foi interpretada por vários observadores como uma admissão de que Israel não tem, neste momento, nada a perder, porque a Rússia vai mesmo fornecer, ou já forneceu, equipamentos militares ao Irã.

A redução do preço do petróleo nos últimos dias e a crise econômica nos EUA, permitem reduzir o impacto de um previsível aumento dos preços do petróleo.

Também é notório que Israel nunca teve grandes problemas em efetuar operações militares mesmo sem o consentimento, ou aprovação, dos EUA. A recente aceitação da instalação no deserto de Negev de um sofisticado radar norte-americano de longo alcance – que pode ser ligado ao sistema de defesa anti-míssil de Israel – foi vista como uma garantia de que Israel não efetuará nenhum ataque sem a aprovação dos EUA, mas também é verdade que num período eleitoral, em que os EUA estão entre um governo e o outro e em que as decisões não podem ser tomadas com o mesmo vigor e determinação, uma ação de Israel não é absolutamente impossível.

16 setembro 2008

Entrevista com Bob Gower da Boeing


Ao concluir sua visita ao Brasil, Bob Gower, vice-presidente para a linha de produtos F-18 dentro da divisão Global Strike Systems da Boeing, deu uma longa e ampla entrevista à ALIDE sobre o F-18E/F Super Hornet e suas perspectivas de sucesso na concorrência F-X2.

Alide: O mercado global de caças se encontra aparentemente “encantado” pelas novas capacidades agregadas pelos assim chamados “Caças de 5ª geração” como o F-22, F-35 e o futuro PAK-FA. No ponto de vista da Boeing, qual a oportunidade de mercado para um caça médio-pesado de 4ª geração como o F-18E/F.

Bob Gower: Uma coisa precisa ficar bem clara, termos como “quarta” e “quinta geração” são meros rótulos de marketing usados pelos vários fabricantes para tentar distinguir seus produtos... Para nós, muito mais importante é a maneira pela qual a aeronave se posiciona em relação às capacidades da ameaça que se confronta com ela. O F-18E/F é o que nós chamamos de um “balanced approach”, uma proposta “equilibrada”. Nele, se por um lado, temos uma ênfase menor nas formas exteriores “stealth”, nós colocamos uma atenção renovada nos seus aviônicos de última geração. Com isso, nossa “conectividade” é hoje espetacular, superior a tudo que existe ofertado no mercado. E tenho certeza que nossos clientes concordam conosco, pois, há muito tempo que não recebemos tantos pedidos de informação (RFIs) e de proposta (RFPs).

Outro ponto importante é que toda vez que alguém coloca um sistema de defesa novo em operação, os cientistas e técnicos do lado oponente imediatamente reagem com o desenvolvimento de novas armas e sensores para contrapor-se a esta ação inicial. Para nós, o diferencial de verdade está na arena dos múltiplos sensores e na fusão destes dados todos para melhor orientar o combatente sentado no cockpit. Para a Boeing, os múltiplos sensores, sejam eles internos ou externos, são o melhor caminho para o futuro. A integração completa dos sensores faz com que um alvo identificado por um sensor infra-vermelho (IRST) possa ser re-avaliado em tempo real por um estreito feixe do nosso radar AESA. Assim ganhamos tempo, expomos menos o piloto ao MAGE inimigo, e provemos mais certeza de informação para que o piloto possa tomar suas decisões.

Alide: Existe alguma credibilidade nas informações veiculadas recentemente sobre versões avançadas, “stelthificadas”, do F-18 em desenvolvimento, para além dos modelos E/F.

BG: Desde o início da década de 80, uma série de programas de pesquisa e de desenvolvimento de novas tecnologias buscava produzir os componentes e tecnologias que seriam necessários para equipar os novos modelos de caças que viriam a substituir o F-16 e F-18 clássicos além de outros modelos então em operação. A partir de 1993 o programa JAST consolidou todos estes esforços e assim acabou viabilizando o F-22, o F-35 e também o F-18E/F Super Hornet. Enquanto os dois primeiros modelos focaram mais no aspecto de furtividade (stealth), no caso do Super Hornet, o direcionamento foi conduzido para o lado de novos sensores e de conectividade ampliada. A US Navy já definiu um “Road Map” (plano de implementação gradual de melhorias) para o F-18, com seu orçamento já plenamente garantido. Os planos atuais determinam que o F-18E/F permanecerá em serviço nos EUA até, no mínimo, o ano de 2035. Como eu disse antes, nossa estratégia para este modelo é verdadeiramente “equilibrada”, prevendo a adição, ao longo dos anos, de uma grande quantidade de melhorias por todos os sistemas. Quando a US Navy nos pediu uma solução para substituir os F-18C/D nós já estávamos bem adiantados (“ahead of the game”) e tínhamos várias soluções possíveis nas mãos.

O F-18 E/F inicial, o chamado “Block 1”, visava implementar de saída uma série de melhorias de performance e de capacidade de carga de armamento. Sua nova fuselagem era [cerca 20%] maior que a dos F-18 clássicos, carregava [33%] mais combustível internamente e novas armas. Preparado para o futuro, esse modelo apresentava novas turbinas [35%] mais potentes e muito maior capacidade de refrigeração (cooling) e de fornecimento de eletricidade. Para simplificar e reduzir o risco do programa, o “Block 1” foi entregue com os mesmos aviônicos que eram padrão no último lote de F-18C/D. O F-18 do “Block 2” veio em seguida, agregando a esta nova célula, toda a aviônica moderna que faria parte das nosso avião proposto durante a disputa JSF. O desenvolvimento do Block 2 demandou um investimento de USD 4,9 bilhões adicionais da US Navy.

Alide: As novas funções de “ataque eletrônico” presentes no radar AESA APG-79 compensam a falta de características “stealth” da célula?

BG: Sem dúvida alguma, o novo radar muda completamente tudo o que sabemos sobre a guerra eletrônica (EW). Todas as táticas terão que ser revisadas nos próximos anos, especialmente pelo fato do piloto passar a ter uma percepção muito ampliada sobre o que esta ocorrendo naquele momento no campo de batalha aérea. O sistema AESA faz com que haja uma redução marcante na assinatura eletrônica do avião, quando comparado com os radares de antenas apontadas mecanicamente. Quando os primeiros esquadrões de Super Hornet operacionais retornaram de seus deployments no Oriente Médio, já estava claro que novas táticas teriam que ser escritas para extrair a máxima vantagem dos novos sistemas eletrônicos embarcados.

Alide: A Suíça recentemente descartou o Super Hornet da concorrência para substituir seus veteranos Northrop F-5E. O que ocorreu neste caso?

BG: Na realidade, a coisa não foi bem assim. Nós mesmos decidimos por não continuar no processo porque os requerimentos técnicos exigidos apontavam para um nicho abaixo do mercado-alvo do F-18E/F. Os suíços, na realidade, até desejavam que continuássemos na concorrência, mas, eles não estavam no mercado visando adquirir o “melhor caça disponível”, queriam apenas um novo caça leve para substituir seus F-5E.

Alide: Qual é o ritmo da produção atual do Super Hornet?

BG: Bem, este ritmo muda ano a ano, de acordo com as necessidades dos clientes e da empresa. No ano passado, por exemplo, fabricamos um total de 44 unidades. Para este ano, a previsão é de entregarmos 45 aviões. Devido à venda para a Austrália e da entrada em produção do EA-18 Growler, estamos acelerando a produção para alcançar um patamar de mais de 50 aeronaves por ano. Mas, se novas vendas ocorrerem, para o Brasil, por exemplo, poderemos aumentar, ainda mais, este ritmo.

Alide: A recente compra de Super Hornets pela Austrália foi peculiar ao envolver apenas células bi-places. Para a área comercial da Boeing, isso demonstra algum tipo de nova tendência de mercado?

BG: Não creio que possamos ver aí alguma “tendência de mercado”. Na realidade, a escolha por aviões de caça bi-places ou mono-places tem muito mais a ver com a cultura operacional peculiar de cada força aérea. No caso específico da Austrália, estes aviões foram comprados para substituir os General Dynamics F-111, que, como você bem sabe, é um avião de ataque bi-place. Na RAAF existe uma percepção de que o segundo tripulante é importante e útil para auxiliar na compilação de todas as centenas de informações que chegam ao piloto durante o procedimento de ataque ao solo.

Alide: Os F-18s Clássicos venderam muito bem para vários clientes internacionais de destaque como: Canadá, Austrália, Espanha, Finlândia, Suíça, Malásia e Kuweit. Destes, apenas a Austrália parece ter decidido adquirir a nova versão E/F. A Boeing encara os demais clientes do Hornet como potenciais para adotarem o Super Hornet?

BG: Para este grupo de clientes, especificamente, nosso foco principal está em apoiar a operação dos seus Hornets atuais. Pelo que nós percebemos, nenhum deles, além da Suíça sobre qual já falamos anteriormente, se encontra no momento de adquirir novos caças neste momento.

Alide: O novo caça de guerra eletrônica EA-18G Growler já se encontra disponível para exportação? Ele está sendo oferecido ao Brasil?

BG: Bem, nas próximas semanas está previsto começar o período de avaliação operacional do Growler na US Navy. A conclusão desta fase deve ocorrer apenas no final de 2009. Os clientes estrangeiros, por definição, só passam a demonstrar interesse num novo produto quando ele conclui esta fase de Avaliação Operacional nas forças armadas americanas. Por isso, estamos esperando o interesse surgir em 2009, e a partir deste momento, estaremos prontos a oferecer e suportar este produto para clientes no exterior.

Alide: A Boeing se encontra disputando tenazmente a concorrência MMRCA na Índia. Como no Brasil, lá eles esperam uma proposta profunda de transferência de tecnologia, incluindo até a fabricação das aeronaves pela indústria local. Quais as semelhanças e diferenças entre os requerimentos de transferência de tecnologia da Índia e do Brasil?

BG: É verdade, ambos os países incluíram cláusulas de transferência de tecnologia nas suas concorrências, mas, os objetivos específicos aparentemente são bem distintos. Enquanto a Índia foca sua intenção na construção local dos aviões selecionados, o Brasil busca um conjunto estreito de tecnologias que avancem o potencial de sua indústria de uma forma mais ampla, bem além dos limites do programa F-X. O Brasil tem uma indústria bastante avançada e de competência reconhecida no mundo aeroespacial. Eu vejo o Brasil buscando estabelecer relações industriais internacionais de natureza mais igualitária (“peer-to-peer”) ao invés de se bastar com um formato mais simples, algo como “pai-filho”. Dentro do “Request for Information” havia um item que especificava cerca de 10 tecnologias-chaves que o Brasil deseja adquirir. Algumas destas teriam que ser absorvidas por órgãos de pesquisa do setor, como o CTA/ITA. Outras, naturalmente, seriam mais da alçada da Embraer, e outras, ainda, viriam a ser úteis para alguma das várias empresas médias de componentes para a indústria de defesa/aeroespacial que começam a se destacar no Brasil.

Eu acho inclusive que esta estratégia da FAB para obter novas tecnologias está, sem dúvida, sendo implementada de uma maneira particularmente inteligente. Parece que o objetivo deles é “aprender a pescar” e não apenas “obter os peixes”. A Força Aérea Brasileira está buscando maneiras de capacitar a indústria local para aprender a projetar e desenvolver suas próprias “caixas”. Um elemento importante é lembrarmos que a tecnologia avançada também tem seu “prazo de validade”. Se a indústria local não tiver como aproveitar essa tecnologia dentro de um prazo curto, o valor da transferência pode diminuir, ou mesmo, vir a desaparecer.

Alide: No F-X inicial a Boeing optou por não participar da concorrência logo no seu início. Porque isso ocorreu? O que mudou para que a Boeing estivesse interessada em participar agora?

BG: Isso ocorreu há muito tempo, numa época em que eu não fazia parte do grupo ainda. Mas o que sei, é que, naquele momento, o Super Hornet ainda se encontrava bem no início da produção, numa fase natural de qualquer programa industrial onde se conjugavam capacidades operacionais ainda restritas e de altíssimos custos. Tendo isto em vista, ficou evidente para a Boeing que dificilmente nós conseguiríamos atender ao requerido dentro do orçamento previsto para o F-X. Desde então, nosso custo unitário caiu sensivelmente desde a época dos aviões do “Block 1”, e as características operacionais melhoraram demais. Isso esta acontecendo com o F-35, e sem dúvida irá passar também com o PAK-FA russo. No nosso caso, diferentemente do que ocorreu naquela época, nós acabamos de entrar no ponto ideal de custo benefício, o verdadeiro “sweet-spot”. Esta é a nossa melhor hora, já entregamos mais de 360 Super Hornets, nos encontrando quatro meses adiantados em relação ao cronograma de entrega acertado.

Desta vez, o cronograma do F-X2 está muito agressivo, nós retiramos o documento de solicitação de informações (RFI) no dia 12 de junho e a data para sua apresentação era apenas 45 dias depois, no dia 30 de julho. O RFI do F-X2, com cerca de 100 páginas impressas, foi muito bem escrito e organizado. Não foi muito difícil para nós responder ao RFI, uma vez que a maioria do que nos foi solicitado já estava apurado para a participação em outras concorrências. O RFP deve ser muito mais detalhado, por isso mais extenso. Como comparação, nossa resposta ao RFP da Índia tinha nada menos que 8.000 páginas. A FAB está de parabéns por sua objetividade, assim ela evitou que árvores demais fossem sacrificadas apenas para preparar nossa resposta. Nossa expectativa, pelo que conversamos com a FAB, é que o RFP venha a ser emitido ainda antes do fim do ano. Se tudo correr assim, as datas de anúncio do vencedor do F-X2, previstas pela imprensa para abril de 2009, seriam bastante alcançáveis.

Alide: Que tipos de off-sets serão ofertados ao Brasil caso o programa F-18E/F seja escolhido vencedor do F-X2?

BG: A Boeing tem uma excelente história em relação à aplicação de programas de off-set. Ao longo dos anos nós já cumprimos cerca de 30 bilhões de dólares, apenas em programas de off-set em vendas internacionais, e isso, sempre dentro dos prazos acertados. Neste caso em especial, os termos do off-set ainda não foram devidamente detalhados no RFI, esperamos que isto venha a ser explicado em profundidade no RFP.

Alide: Os caças americanos têm sido repetidamente percebidos no Brasil como “propostas inviáveis”, especialmente, devido às restrições impostas pelo Departamento de Estado para a transferência de tecnologia militar avançada. Esta proposta do Super Hornet para a FAB poderá atender, por completo, às exigências de acesso aos códigos fontes dos sistemas embarcados?

BG: Sim, ela poderá. A relação política entre os EUA e o Brasil, duas potências econômicas de grande importância no mundo, segue numa tendência de melhora contínua. Embora a Boeing esteja aqui apresentando o produto e esclarecendo dúvidas, caso ele venha a ser concluído, este negócio será realizado como venda “governo a governo”, ofertado dentro do formato Foreign Military Sales (FMS). Caberá ao governo americano a compra destes aviões da Boeing para sua posterior revenda ao Brasil. Sem o apoio absoluto e completo do governo americano, nós não teríamos nada o que fazer aqui agora.

Alide: Ventila-se na imprensa brasileira que o pedido inicial seria para 36 células, com o número total alcançado entre 100 e 120 aeronaves. O que diz no RFI?

BG: Exatamente, o RFI estipula 36 células e nada mais. Nós estamos nos focando exclusivamente nestas 36 aeronaves, o que vier depois nós consideraremos e responderemos no futuro.

Alide: Tendo em vista a origem naval do Super Hornet, existe alguma conversa em andamento no sentido de padronização da frota de caças da FAB e da Marinha do Brasil? Complementando, o F-18E/F poderia operar desde o convôo do navio-aérodromo São Paulo?

BG: Respondendo primeiro a sua segunda pergunta: sim, o Super Hornet pode operar desde o porta-aviões brasileiro. Inclusive, nós concluímos que o Super Hornet pode operar até mesmo de porta-aviões menores que o São Paulo, usando apenas ski-jump como auxílio. Isso foi apurado, recentemente, para atender às necessidades expressadas pela Marinha Indiana. Mas, como disse antes, nosso foco neste momento é a seleção do novo caça da FAB, considerações sobre caças da Marinha ficarão para depois.

Alide: A Força Aérea Brasileira usa um padrão de datalink local, distinto dos sistemas padronizados pela OTAN. O F-18 receberia estes sistemas na fábrica, ou eles seriam instalados, posteriormente à entrega, já no Brasil?

BG: Esta questão é uma das que ficou para ser detalhado/decidido dentro do Request for Proposal (RFP) a ser emitido no futuro pela FAB. Mas não vejo isso como nenhum “bicho de sete cabeças”, uma vez que é um requerimento relativamente comum. O que, sim, constava do RFI era um questionamento detalhado sobre os tipos de datalinks que já se encontram habilitados/disponibilizados na nossa aeronave.

Alide: O Congresso dos Estados Unidos já autorizou a venda dos F-18E/F e de seu armamento para o Brasil?

BG: Como falamos antes, como esta será uma venda via o programa FMS, o fato de que o governo americano já nos autorizou para a venda do Super Hornet Block 2 ao Brasil é prova clara do conforto do governo americano com este negócio e com o Brasil como parceiro na esfera militar.