28 outubro 2008

Guerra civil no Congo

Civis hostilizam militares da ONU por não darem proteção



DA REDAÇÃO

Com a guerra civil reinstalada, a situação continuava caótica ontem na República Democrática do Congo. Contingentes da ONU entraram em combate para conter o avanço dos rebeldes em direção a Goma, capital provincial a leste do país.

A população local, em parte refugiados da etnia dos hutus, atacou com pedras quartéis dos capacetes azuis, em protesto pela não-proteção contra os rebeldes do general destituído Laurent Nkunda. A ONU tem naquele país africano 17 mil militares.

Em Nova York, a organização internacional acusou Nkunda de ruptura unilateral do cessar-fogo negociado em janeiro último e anunciou que o comandante de seu contingente, o general espanhol Vicente de Villegas, decidira abandonar o posto "por motivos pessoais".

O Congo, ex-colônia belga submetida por 32 anos à ditadura do coronel Joseph Mobutu, viveu com conflitos internos o maior desastre humanitário da história africana, com a morte, entre 1998 e 2003, de 5,4 milhões de pessoas, sobretudo pela fome e por moléstias.

A atual guerra é um desdobramento do genocídio que nos anos 90 vitimou a vizinha Ruanda. Os rebeldes, da etnia tutsi, procuram controlar as regiões orientais do país e desalojar os civis hutus de suas terras. Desde sábado, cerca de 20 mil refugiados deixaram suas casas nas imediações de Goma.

O presidente congolês, Joseph Kabila, anunciou ontem a formação de um novo governo para frear o agravamento do conflito interno, no qual seu Exército tem se mostrado ineficiente.

Exército aluga avião para tropas



Cláudio Humberto

O estado de sucateamento das Forças Armadas chegou ao fundo do poço: o Comando Militar da Amazônia teve que alugar avião para transportar tropas e garantir as eleições em Palmeira do Javari (AM). A FAB não tinha aviões em condições de voar, por avaria ou falta de peças, por isso o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, foi obrigado a alugar um avião da Amazonaves Taxi Aéreo.

Perguntar não decola

Na hipótese de um conflito na Amazônia, será que o Brasil será obrigado a alugar aviões para transportar tropas?

PIADA MILITAR



Sérgio N. Lopes

Devido ao excesso de arrecadação de impostos, o governo federal decidiu liberar R$ 22, 6 milhões ao Exército, para serem investidos em "reaparelhamento e modernização". A quantia é irrisória. Não é suficiente nem mesmo para resolver o problema do sustento e alimentação dos recrutas. Reaparelhar e modernizar o Exército com R$ 22,6 milhões só pode ser piada.

O afiar das facas



Enquanto uns afiam as facas, outros vendem (ou dão de presente) o faqueiro. A experiência histórica nos ensina que uma grande crise da economia mundial normalmente é acompanhada por um ciclo de guerras de duração e amplitude variáveis. Segundo Keynes, a recuperação econômica geralmente necessitaria de um "choque externo" - como o ocasionado pela 2ª Guerra Mundial em 1939-45.

O alerta amarelo já deve estar tocando, nos ministérios de Defesa dos principais países. Já no Brasil, é provável que o Plano Estratégico Nacional da Defesa (PEND) vire fumaça, juntamente com o dinheiro que desapareceu na bolsa. Este plano deveria ter sido anunciado oficialmente em 7 de setembro, mas teve sua divulgação adiada, a fim de ser examinado pelo Conselho de Defesa Nacional (CDN) em 3 de novembro de 2008.

Os governos e bancos centrais estão enterrando, com honras militares, o discurso neoliberal de "Estado mínimo", que montou o cenário para a monumental crise com que ora se depara o mundo. Tal discurso talvez ressuscite um dia, mas provavelmente não no futuro próximo. Sem dúvida, se o Estado não socorresse o mercado na "Hora H", o colapso poderia ser ainda pior, e sua reversão, mais difícil.

No campo militar, o momento atual é de perplexidade. Contudo, o desespero dos mercados e dos países dificilmente levará a um grande conflito interestatal de tipo westfaliano, nos moldes da 2ª Guerra Mundial. As guerras do Século XXI são conflitos não-westfalianos, nos quais o "inimigo" não é necessariamente um Estado organizado.

A guerra de quarta geração (G4G) caracteriza-se pela perda do monopólio do Estado sobre os conflitos armados. Desse modo, facções ideológicas ou criminosas, com ramificações externas e internas, poderiam muito bem "declarar guerra" ao Estado brasileiro, visando à sua submissão ou destruição.

Recentemente, foi assinado o Decreto n.º 6.592, de 02/10/2008, regulamentando a Lei n.º 11.631, de 27/12/2007, que criou o Sistema Nacional de Mobilização (SINAMOB). O decreto admite o emprego das Forças Armadas contra ameaças e agressões de origem externa, mesmo quando o território nacional não for invadido ou diretamente ameaçado.

No Brasil, vários analistas de política e relações internacionais consideraram o texto deste decreto "agressivo", por romper com a "tradição pacifista" da política externa brasileira. Tais observadores aparentemente acreditam que só existe um tipo de guerra: aquela que se dá entre dois ou mais Estados soberanos. Isso indica que o conceito de G4G ainda não foi corretamente compreendido no país.

Em países vizinhos, principalmente no Paraguai, a imprensa local tem distorcido e descontextualizado as notícias divulgadas aqui, com manchetes sensacionalistas afirmando que o Brasil está "pronto para invadir" tais países. Que contraste com a virtual capitulação do Estado brasileiro no plano interno! Será que estão falando mesmo do nosso país?

Apesar de tudo, a atual crise da segurança pública no Brasil ainda não configura uma situação de G4G. É preciso deixar claro que o combate ao terrorismo, ao narcotráfico e a outras modalidades de crime transnacional cabe às forças de segurança e aos serviços de inteligência. O emprego de contingentes das Forças Armadas só se justificaria em casos extremos, quando o tipo de ação tornasse tal emprego necessário.

Em situação de G4G, a missão das Forças Armadas não seria "derrotar" o inimigo em batalha, mas sim estabelecer as condições de segurança necessárias ao funcionamento do governo num território conflagrado. Isso tanto poderia ocorrer no contexto de uma operação de paz no exterior, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU), como no de uma operação de garantia da lei e da ordem (GLO) de âmbito interno.

O predomínio dos conflitos assimétricos e irregulares na atualidade não significa que as Forças Armadas devam descartar sua capacidade militar convencional, em favor de uma estrutura voltada quase que exclusivamente para as operações especiais e de inteligência. É necessária uma significativa capacidade de "resposta simétrica", para dissuadir conflitos interestatais e para defender a soberania e os interesses nacionais, caso a dissuasão falhe.

Podemos afirmar que a relativa paz na América do Sul não é resultado de um suposto equilíbrio de poder, mas de uma situação de desequilíbrio de poder, historicamente favorável ao Brasil. Assim sendo, um maior enfraquecimento das Forças Armadas brasileiras poria em grave risco a paz e a estabilidade no subcontinente.

O comprometimento da superioridade militar do Brasil no âmbito regional faria com que o nosso País deixasse de ser o "fiel da balança", perdendo a capacidade de atuar como mediador de crises – uma vez que, para representar este papel, é necessário ser mais forte que as partes em litígio, a fim de induzilas a optar por uma solução negociada.

A incapacidade do Brasil (ou de qualquer de seus vizinhos) em atuar na mediação de crises na América do Sul poderia encorajar potências extracontinentais a assumir tal papel, procurando ampliar sua influência sobre a região. A impopularidade dos Estados Unidos poderia inibir sua atuação diplomática nesse sentido - o que, em tese, seria favorável a países como a França.

Além de levar a um possível aumento da influência de potências extracontinentais no entorno estratégico do Brasil, a perda da capacidade de mediação regional, em conseqüência do seu despreparo militar, poderia ter outras implicações para o País. No mar ou em terra, seus recursos naturais poderiam tornar-se alvo fácil da cobiça de interesses externos. O excessivo enfraquecimento do Estado brasileiro e de suas Forças Armadas seria um convite ao desastre.

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais e professor no Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cepuerj).

Iberê Mariano da Silva
General-de-brigada engenheiro militar na reserva.

Nossa fronteira mais vulnerável

Como é a vida dos soldados que monitoram 11.500 quilômetros na Floresta Amazônica



Matheus Leitão
, de Manaus

Aru é um fenômeno natural comum da selva amazônica – e aparentemente inofensivo. Presente durante todo o ano, mais intenso na estação da cheia, ele é causado pela alta umidade e gera neblina na copa das árvores. É aquela cerração que, vista de cima, parece uma camada de algodão sobre a floresta. Em junho passado, essa fina névoa ensinou uma vez mais que, na selva, nada deve ser menosprezado. Um helicóptero Pantera, do Exército, tentou furar o Aru que se formara no fim de uma tempestade sobre um afluente do Rio Amazonas. Ele se desorientou e desabou na água. O piloto, capitão Marco Aurélio da Silva Martins, morreu na hora. Outros quatro tripulantes sobreviveram.

Não é fácil a vida de militar na Amazônia, onde eles estão cada vez mais presentes. Há profissionais de todas as regiões do país – também índios amazônicos. O capitão Daniel Rosar Fornazari, de 34 anos, curitibano, foi transferido há dois anos para Manaus. Casado com Taís, de 29, ele é pai de dois filhos, Pedro, de 6, e Beatriz, de 3. Fornazari faz parte de um movimento gradual, organizado pelas Forças Armadas, que leva para lá batalhões e serviços outrora destinados a proteger outras áreas. Eles chegam com a missão de tomar conta de um pedaço cada vez mais importante do solo brasileiro. Em 1950, havia apenas mil homens para controlar a fronteira amazônica. Hoje, são 25 mil. Ao todo, cinco brigadas já foram transferidas das regiões Sul e Sudeste, como a de Niterói (Rio de Janeiro), removida para São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), e a de Santo Ângelo (Rio Grande do Sul), que foi para Tefé (Amazonas).

Fornazari, especialista em confecção e análise de mapas, é o militar típico da geração atual. Saiu da terra natal para se formar em Santana do Livramento (Rio Grande do Sul). Ali, casou-se. Voltou ao Paraná e serviu em Castro por três anos, quando chegou o primeiro filho. Foi novamente para o Rio Grande, em Jaguarão, onde nasceu a caçula. Três anos se passaram e nova mudança: desta vez para Manaus, onde a família inteira sentiu o choque da temperatura. “Foi horrível. A adaptação ao calor foi complicada, meus filhos tiveram alergias fortes. Agora, soubemos que vamos mudar de novo”, diz Taís, o rosto coberto de suor, numa vila militar distante uns 15 quilômetros do Comando Militar da Amazônia (CMA), quartel-general central de defesa da Amazônia, em Manaus.

As casas simples, em terrenos de 700 metros quadrados, idênticas, todas brancas, dão a impressão de uma cidade cenográfica. O capitão Fornazari e a família partem, em janeiro, rumo a Brasília. “A gente se acostuma com essa vida de nômade”, afirma ele. Taís interrompe para dizer que só não se acostuma com os preços altos dos hortifrutigranjeiros em Manaus: “O que custa 50 centavos no sul, aqui é R$ 5, como a alface. Ou a caixa de morangos, de R$ 3 para R$ 10. Tudo vem de avião”.

Naquela imensidão territorial, com pelo menos 3,5 milhões de quilômetros quadrados, o trabalho de Fornazari é fundamental. Ele faz mapas, detalhados, precisos. No ano passado, dedicou-se a desenhar mapas das unidades de conservação (UCs), para que o Exército possa conhecê-las melhor e, assim, protegê-las. As UCs são locais a preservar, guardados para o futuro do país. O presente é o calor, a rotina dura e a sensação de que a feira tem preços que exorbitam.

Nesse capítulo, Taís não está sozinha na luta da calculadora pela salada de cada dia. O tenente Viviene Cristina Walz de Freitas, de 27 anos, também é oficial do Exército. Formada em Direito, entrou para a vida militar por concurso há poucos anos e também faz parte da modernização do efetivo. Aprovada no Paraná, veio para Manaus em 2006. É assessora jurídica do CMA. “Aqui, a alimentação é cara, mas todos os militares do país deveriam passar por aqui para ter a noção da importância da Amazônia”, diz ela. Fornazari ou Viviene teriam de investir R$ 1.800 se quisessem visitar os familiares no Sul – algo que raramente fazem.

A realidade material é áspera e, no caso do helicóptero Pantera que matou o capitão Marco Aurélio, resvala para a tragédia. O Pantera foi muito usado pelos americanos no Vietnã. Arma desenhada meio século atrás, lembra um mundo com muros que não existem mais. Tecnologicamente ultrapassado, faz parte de um lote comprado na metade da década de 80. Agora, com o acidente, somente 11 deles estão ativos numa faixa de fronteira terrestre de 11.500 quilômetros, mais de quatro vezes a extensão da fronteira dos Estados Unidos com o México, violada diariamente por migrantes ilegais, drogas e toda espécie de trânsito indesejado. Com seus 40 anos de uso cotidiano, são também numericamente insuficientes para o desafio. “É muito pouco. O ideal seria, pelo menos, dobrar a frota”, afirma o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia.

Heleno é um comandante popular. A tropa o seguiu no Haiti e o acompanha na Amazônia não apenas pela inescapável disciplina, mas também pelo jeito dele. Do comando em Manaus, responde pela proteção de uma das fronteiras mais complexas do planeta. Do lado brasileiro, seis Estados que correspondem a 42% do território nacional. Do lado de lá, sete países, cada um com seus “contenciosos latentes”, para usar um termo militar do próprio general.

Há velhos e novos perigos. O mais novo e preocupante: o crime. Narcotráfico, contrabando, garimpo ilegal, extração de madeira, tráfico de animais silvestres, biopirataria, tudo isso se protege na imensidão da floresta. Há também reivindicações de etnias indígenas. Há até as Farc, que, mesmo enfraquecidas, requerem atenção. O terreno é do tipo aquático, com pelo menos 22.000 quilômetros de vias navegáveis, transformadas na principal porta de entrada de drogas manejadas por competentes narcotraficantes. Enquanto isso, as tropas montam guarda com os mesmos fuzis automáticos leves desenhados por engenheiros belgas em 1964, depois fabricados no país. São os outrora badalados FAL, agora quarentões, que constituem o instrumento de trabalho nos 22 pelotões de fronteira – cada um com 60 “guerreiros”. Essa é a ponta de lança, incrustada no meio da selva, do dispositivo responsável pela defesa da Amazônia.

Os pelotões estão amparados na segunda linha por unidades com 3.500 integrantes. Os caminhões e jipes, Mercedes e Ford principalmente, têm mais de 20 anos. Lanchas, hoje essenciais para a fiscalização, se arrastam tocadas por motores de 70 cavalos, com a tarefa de perseguir voadeiras de criminosos, que nunca aceitam coisa menor que engenhocas Mercury com 200 cavalos. Alguns rádios de comunicação não funcionam. Sem internet via parabólica, os pelotões ficam isolados. A Aeronáutica tem o Plano de Apoio à Amazônia. São seus integrantes que levam comida, combustível para os geradores e trocam a guarda.

Todos os pelotões de fronteira foram construídos com um pavilhão extra, para abrigar funcionários da Polícia Federal, do Ibama e da Receita Federal, que deveriam trabalhar em conjunto com o Exército. Uma idéia simples, praticada no Brasil: integrar as várias agências do Estado. O problema é que esses pavilhões destinados às agências civis ficam às moscas. O abandono impõe ao Exército outra missão para a qual não foi preparado. “Nenhum desses espaços está ocupado em toda a defesa amazônica”, afirma o general Heleno. “Nunca vi cocaína. Não sei diferenciar a droga da farinha ou do açúcar. Quem foi treinado para isso, os órgãos competentes, não tem efetivos para mandar para a selva.” A Receita poderia ajudar a controlar a fuga de guerrilheiros colombianos para o Brasil, muitas vezes com documentos falsos.

O que dá orgulho a quem serve na floresta é o soldado, que Heleno elogia sem pestanejar. Boa parte dos cabos e soldados engajados na Amazônia são índios, naturalmente adaptados para agir na selva. Desde o fim da década de 90, o búfalo é usado por eles como meio eficaz de transporte de suprimento. Fortes e dóceis, esses animais carregam 500 quilos, algo como quatro metralhadoras MAG 762 e comida para 20 homens. Percorrem até 15 quilômetros por dia, comendo o que encontram pela frente com gosto de clorofila. O soldado Anderson Correia de Almeida é um dos mais experientes e treina recrutas para lidar com o animal no Centro de Instrução de Guerra na Selva, o Cigs.

A hierarquia dos pelotões de fronteira é formada, na maioria, por oficiais e sargentos treinados no Cigs. O curso massacra. São 11 semanas sem descanso, nove delas dentro da floresta, que já formaram 4.500 militares brasileiros – além de outros 380 estrangeiros. Dez morreram durante o curso, que existe desde 1966. Na média, cada militar que entra para o Cigs e consegue fazer a carga horária completa sai oito quilos mais magro. O capitão Fornazari fez um estágio nesse curso. Por ter gente assim sob seu comando, o general Heleno garante que a prioridade do momento não é aumentar a tropa. Ele quer, em primeiro lugar, melhorar a infra-estrutura.

Há duas semanas, apresentou a dois visitantes ilustres, na sala de reuniões do Q.G., um estudo sobre o “Papel do Exército Brasileiro na Defesa da Amazônia”. Quem assistia à apresentação eram os atores Victor Fasano e Christiane Torloni, patrocinadores do site “Amazônia para sempre”. Uma das telas exibe a pergunta crucial: “Por que insistimos no reaparelhamento e modernização da Amazônia?”. E dá a resposta: “Porque é a possibilidade mais provável de emprego das Forças Armadas brasileiras no mundo de hoje”. Essa nova mentalidade militar brasileira é a essência do plano estratégico de defesa do país, que será apresentado dentro de algumas semanas. Na próxima reportagem, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, adianta qual deverá ser o novo papel das Forças Armadas.

Brasil é “mercado de ouro”, diz relatório



Um relatório divulgado pela Jane’s Industry Quarterly, publicação especializada em assuntos de defesa, aponta o Brasil como um dos novos “mercados de ouro” para o comércio de armamentos. O documento diz que “a sólida base econômica e as recentes descobertas de campos de petróleo levam a uma boa perspectiva de aumento dos gastos com defesa no Brasil”. Com a atual crise econômica, a tendência nesse setor é de que os tradicionais mercados, como os Estados Unidos e o Reino Unido, percam um pouco de peso em detrimento de países emergentes. No ranking feito pela Jane’s com as dez nações mais atraentes para o segmento, o Brasil está em oitavo.

Baterias contra a Justiça Militar



Começam a trincar os muros que os generais ergueram em torno da Justiça Militar para torná-la cativa das normas internas dos quartéis.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre um ponto da Lei de Organização da Justiça Militar da União que, por representação do corregedor-geral, dá poderes ao Superior Tribunal Militar de corrigir decisões de juízes e promotores de primeira instância em casos de arquivamento de “inquérito ou processo” que considerarem irregular.

O que era restrito a erros de procedimento estendeu-se, arbitrariamente, a decisões de mérito.

Esse é um dos pontos sobre o qual se apóiam os oficiais superiores, maioria no STM, para manter rédeas sobre a Justiça Militar.

Uma segunda reação à ordem autoritária surgiu dentro do próprio STM, acionada pela ministra Maria Elizabeth Rocha, após um duro confronto verbal com o brigadeiro Flávio de Oliveira Lencastre, presidente do tribunal, na sessão do dia 14 de outubro.

Ela pediu a revogação de um dispositivo, de 1995, que proíbe a permanência de servidores no edifício-sede após as 22 horas. Esse ato, segundo ela, “caminha na contramão da história institucional do País”.

Não há mais tempo. Ou os militares se adaptam à democracia ou alguém exumará o projeto do ex-deputado Hélio Bicudo, que propõe o fim da Justiça Militar.

Ministro visita em São Paulo maior fabricante de munição do hemisfério



José Romildo

Ribeirão Pires (SP) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitou na última segunda-feira (20/10), em Ribeirão Pires (SP), a sede da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), maior fabricante de munições do Hemisfério Sul. Durante a visita, Jobim elogiou os esforços da empresa de elevar continuamente os padrões tecnológicos e de segurança em seus produtos, responsáveis pelo alto conceito conquistado pela empresa brasileira nos exigentes mercados da Europa e Estados Unidos. Os produtos fabricados pela CBC possuem certificados de aprovação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e dos órgãos fiscalizadores de qualidade dos Estados Unidos.

A visita do ministro e de sua comitiva faz parte de um trabalho de aproximação da indústria nacional de Defesa, que deverá receber incentivos a partir da aprovação da Estratégia Nacional de Defesa, em discussão no governo. Desde sua posse, em julho de 2007, o ministro tem visitado indústrias do setor em todo o país, para conhecer as vantagens dessas empresas, suas fragilidades e suas potencialidades, em relação à disputa com os concorrentes estrangeiros.

Com duas plantas no Brasil, em Ribeirão Pires e Montenegro (RS), e outra em Nassau, na Alemanha, a CBC exporta atualmente US$ 100 milhões em munições leves para os mercados da Europa, América do Norte e Ásia, disse o presidente da empresa, Antonio Marcos Moraes Barros. Acrescentou que esse valor só não é maior porque o Brasil ainda aplica alíquotas sobre as exportações para alguns países.

Jobim afirmou que considera positiva a inserção da CBC no mercado mundial, fortalecendo dessa forma o perfil da indústria brasileira de defesa. Para o ministro, a indústria nacional não deve se limitar a buscar fornecedores no mercado interno, mas deve estar atenta às boas parcerias com países da América do Sul que permitam que haja um crescimento conjunto na região.

Acompanhado de Moraes Barros, dos demais diretores, e do presidente do Conselho de Administração da CBC, Daniel Birmann, o ministro Nelson Jobim percorreu as instalações da empresa. O ministro estava acompanhado do comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar, Juniti Saito; e do secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa, General-de-Exército José Carlos De Nardi, além de outras autoridades civis e militares.

20 outubro 2008

Falsa guerra rende salários mais altos

Classificação de risco nos bairros é alvo de críticas



Dois oficiais do Exército brasileiro que estiveram no Haiti com responsabilidade de comando disseram ao Estado que a prorrogação da Minustah interessa a funcionários civis da ONU mais preocupados com o próprio salário e bem-estar do que com a reconstrução do país.

Segundo eles, a proximidade com Miami - a uma hora e meia de distância com três vôos diários - faz da missão um oásis para funcionários estrangeiros que preferem estar na América a trabalhar em missões ingratas na África ou no Oriente Médio.

Além disso, eles acusam a ONU de manter a classificação de "zonas vermelhas" em bairros que, do ponto de vista militar, já foram pacificados, como Cité Soleil, Cité Militaire e Bel Air. Até hoje, os funcionários da ONU são proibidos pelo regulamento de pessoal de circular por essas zonas sem escolta das Forças Armadas.

"Estou plenamente de acordo (com a declaração dos militares). É isso mesmo", disse o embaixador brasileiro em Porto Príncipe, Igor Kipman. "Vou a Cité Soleil com minha mulher, caminho a pé na rua, sem colete e sem capacete. No dia 7 de setembro levei lá o senador Heráclito Fortes e mais três senadores, todos sem colete nem capacete, foram e andaram em Cité Soleil, mas (o bairro) ainda é considerado pela ONU zona vermelha."

"Eu me senti seguro", confirmou o senador. "Mas há um clamor de que eles (os soldados) permaneçam."

O cientista político Ricardo Seintenfus disse que "chegou o momento dessa missão não ser mais considerada de alto risco pela ONU". Segundo ele, "isso tem implicado o pagamento de adicionais de 30% a 35% a mais para os funcionários da missão. Deveríamos terminar com essa situação de zona vermelha".

No início da Minustah, em 2004, o governo brasileiro esperava que a responsabilidade assumida no Haiti reforçasse suas credenciais por um assento permanente no Conselho de Segurança, embora siga negando publicamente.

Ao mesmo tempo, ao assumir o comando da missão, o Brasil projetava na América do Sul a imagem de um país capaz de assumir responsabilidades no âmbito da segurança regional.

A experiência acabou servindo também para pôr à prova as Forças Armadas brasileiras em situações de distúrbios e tensões internas, além de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), criando condições para o uso do Exército no Brasil, como na Operação Guanabara, realizada nas favelas do Rio de Janeiro durante o primeiro turno das eleições municipais de domingo.

"A parte militar foi das mais exitosas de todas as missões já realizadas pela ONU", disse o comandante do Centro de Instrução de Operações de Paz do Exército, o coronel Luiz Novaes. "Nós resolvemos problemas que outras missões no Haiti não tinham conseguido resolver antes."

Seintenfus acha que desde a criação da Minustah, houve um excesso de militarização: "Os programas civis são feitos individualmente pelos países - o Brasil faz, a Argentina tem programa de hortas, o Canadá faz alguma coisa com vacinas - ,mas não há um sistema coerente e um projeto completo nem há centralização e planejamento nisso. A culpa é de muita gente. É dos países doadores que preferem concentrar recursos na manutenção da segurança, é da história da ONU, que vê esses conflitos essencialmente sob a ótica militar e é também da fraqueza dos países do sul que não conseguem convencer os doadores de que a questão social está na raiz dos problemas de segurança."

Sendero Luminoso mata 14 no sul do Peru

Emboscada contra comboio militar é maior ataque em 6 anos da guerrilha



Guerrilheiros do Sendero Luminoso mataram na noite de quinta-feira 12 militares e 2 civis no Peru, em um dos piores ataques do grupo rebelde nos últimos anos. O atentado ocorre no momento em que o presidente Alan García enfrenta uma grave crise política e sofre com seu menor índice de aprovação.

Segundo as autoridades, veículos militares retornavam a uma base em Tintaypunco (a 280 quilômetros ao sul de Lima) quando caíram em uma emboscada do Sendero.

"Os rebeldes detonaram explosivos debaixo de um caminhão que transportava civis e, usando armas de longo alcance, dispararam contra todos os outros veículos", disse o Exército, em um comunicado.

Os militares reagiram ao ataque e teve início uma intensa troca de tiros. Cerca de 20 pessoas também ficaram feridas, incluindo mulheres e um menino de cinco anos. Nenhum rebelde foi morto.

"Esse acontecimento lamentável mostra que a organização narcoterrorista Sendero Luminoso, com suas ações sanguinárias, continua derramando o sangue de pessoas indefesas, como mulheres e crianças", prossegue o comunicado.

Desde meados de agosto, o Exército peruano vem realizando uma ampla ofensiva na região andina, no sul do país, considerado um dos últimos redutos do Sendero, onde os guerrilheiros atuam em parceria com narcotraficantes locais.

Com ideologia maoísta, o Sendero aterrorizou o Peru na década de 80 e princípio dos anos 90, ao matar mais de 60 mil pessoas - a maioria civis -, segundo o Comitê de Verdade e Reconciliação.

Desde 1992, quando o líder e fundador do Sendero Abimael Guzmán foi preso, o grupo armado reduziu suas ações e se refugiou em regiões remotas, onde continua realizando ataques esporádicos contra as forças de segurança.

Para o ex-ministro do Interior Fernando Rospigliosi, o ataque contra militares e civis "revela a inaptidão e a incompetência dos militares para enfrentar os terroristas".

CRISE

Com 19% de aprovação (o índice mais baixo de popularidade desde que assumiu, em 2006), García prometeu acabar com os últimos remanescentes da guerrilha. Segundo fontes militares, restam ainda cerca de 300 rebeldes no país.

Além da falta de apoio, o líder peruano também vem enfrentando acusações de envolvimento com corrupção. O caso desatou a pior crise de seu governo. Ontem,García aceitou a renúncia de todo o gabinete.

O ataque ocorre a um mês da reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), em Lima, que reunirá 21 chefes de Estado e de governo de países como EUA, China e Japão. A data preocupa o governo porque em 2002, dias antes da visita oficial do presidente americano, George W. Bush, rebeldes do Sendero detonaram um carro-bomba diante da Embaixada dos EUA em Lima, provocando a morte de 10 pessoas.

É preciso mais do que retórica

O Brasil desponta como potência no cenário mundial, com possibilidade de evoluir de ator apenas retórico para participante influente. Tal ascensão leva o país a enfrentar conflitos na disputa ou defesa de interesses vitais ao nosso futuro. Entre esses, destacam-se a exploração e o controle soberano de nossos recursos, na Amazônia e no Atlântico Sul, e a liderança do processo de integração da América do Sul, duas condições importantes para ter o respeito internacional e, em conseqüência, impor-se no mundo globalizado.

As potências que conduzem os destinos do mundo — EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, Japão e China — demonstram ser fundamental desenvolver equilibradamente os campos do poder nacional — político, econômico, psicossocial, militar e científico-tecnológico —, o que não acontece no Brasil, haja vista a sua debilidade militar e científico-tecnológica.

Veja a matéria completa em http://www.blogdocidadaobrasileiro.blogspot.com/

18 outubro 2008

Esquadrão HS-1 participa da “11th Annual International Sea King Maintenance”



No período de 30 de setembro a 02 de outubro, o Esquadrão HS-1 esteve presente no 11º Simpósio de Manutenção de aeronaves SH-3. O evento contou com a participação, além da MB, das Marinhas dos Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Canadá, Egito, Índia e Inglaterra, bem como de diversos operadores civis e órgãos reparadores mundiais, totalizando cerca de 200 participantes. Durante o evento foi discutido o futuro das aeronaves Sea King, tendo sido observada uma tendência mundial em se manter estas aeronaves operando ainda por longo tempo.

O Imediato do HS-1, representante da MB, participou como ouvinte das palestras proferidas e durante o ciclo de discussões expôs as dificuldades e soluções adotadas pelo Esquadrão para alguns problemas comuns a todos os operadores, como por exemplo, os relativos às giro do helicóptero. Também foi possível obter contatos importantes quanto aos órgãos reparadores que realizam testes de bancadas em transmissões principais, atualmente a restrição para a completa nacionalização do reparo nestes componentes.

Projeto aumenta soldo de generais em 209%

CCJ da Câmara aprovou emenda que vincula salário de altos oficiais das três forças ao de ministros do STM



Evandro Éboli
– o globo

BRASÍLIA. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou ontem a admissibilidade de uma proposta de emenda à Constituição que vincula os vencimentos dos oficiais generais das Forças Armadas ao salário de ministros do Superior Tribunal Militar. A proposta ainda tem de ser votada em outras comissões, antes de ir a plenário. Se for aprovada, almirantes, brigadeiros e generais terão direito a 95% do salário de um ministro do STM. Seus atuais soldos saltariam de R$7.143 para R$22.111 (aumento de 209%).

A proposta ainda beneficia todas as demais patentes das Forças Armadas, inclusive da reserva.

A emenda pode provocar um efeito cascata de aumentos na folha dos militares toda vez que houver reajuste no Judiciário. A remuneração de ministro do STM, que passaria a ser a referência nas Forças Armadas, está vinculada ao teto dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A emenda, do deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), foi anexada a outros dois projetos, dos parlamentares Laerte Bessa (PMDB-DF) e Jair Bolsonaro (PP-RJ). A criação de uma comissão especial para discutir e votar o assunto depende da boa vontade e do interesse do governo, que tem maioria na Câmara.

Hoje a remuneração é composta pelo soldo básico mais gratificações por cursos, indenizações e outros adicionais. Pela proposta, o militar receberia somente seu salário, sem extras.

A proposta dividiu os militares: a Marinha é a favor, a Aeronáutica não tem posição, o Comando do Exército e o Ministério da Defesa são contra. Oficiais do Exército e da Defesa argumentam que as medidas poderão provocar impactos negativos, porque a remuneração constituída de parcela única, além de não admitir acréscimos, será um desestímulo na busca do aperfeiçoamento profissional. Ou seja, com o salário garantido, praças, tenentes, coronéis e capitães não se empenhariam por fazer cursos, critério utilizado hoje para estabelecer salário.

O governo já olha com desconfiança para o projeto. O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), cuidadoso, disse que é preciso ter muito cuidado com vinculação de salário:

- Essas vinculações precisam ser bem mensuradas. Não podemos assumir despesas que desestruturem o equilíbrio fiscal, ainda mais neste momento de incertezas no mercado. Agora é que não podemos emitir sinais de desvio da rota fiscal.

Itagiba afirmou que o projeto resolve o impasse de todo ano sobre reajuste dos militares. Ele afirmou que o governo vive um bom momento de arrecadação de impostos e tem sim recursos para pagar esse reajuste:

- O governo está com superávit de caixa fantástico. Tem dinheiro para tanta coisa e não vai ter para nossos militares?!

Bagdá diz ter acordado com EUA saída de tropas até 2011



DA REDAÇÃO

O governo iraquiano afirmou ontem ter chegado a um acordo com os EUA para a retirada completa das tropas americanas do país até o final de 2011. Washington não confirmou a informação, mas fontes corroboraram Bagdá. O texto, se ratificado, deve substituir o mandato do Conselho de Segurança da ONU, que expira neste ano.

Segundo o porta-voz do governo iraquiano, Ali al Dabbagh, o texto foi submetido aos líderes políticos locais e será enviado ao Parlamento. Ainda conforme Bagdá, a presença dos americanos só será prorrogada para além de 2011 caso o governo do Iraque o peça, a depender das condições de segurança.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, negou que o acordo já estivesse selado. "Nada está feito até que tudo esteja feito. Os iraquianos ainda estão conversando entre si. E nós com eles." Um oficial americano, porém, confirmou o teor do acordo.

Também ontem, o Exército americano afirmou, em nota, ter matado o número dois da Al Qaeda no Iraque, Abu Sara, no dia 5 de outubro, em Mosul (cerca de 400 km ao norte de Bagdá), junto com outros quatro suspeitos de integrar a rede terrorista.

Com agências internacionais

Paraguai "atento" para as manobras brasileiras



As forças militares paraguaias continuam "atentas" à movimentação de tropas que o Brasil realiza na região fronteiriça para combater o contrabando e outros crimes, anunciou ontem o Ministério da Defesa do Paraguai em comunicado oficial.

Tanto o Ministério das Relações Exteriores como o da Defesa foram notificados "em tempo e forma" da operação militar do país vizinho na região fronteiriça, diz o documento. A Operação Fronteira Sul II – que começou no último dia 13 e vai até o dia 24 – mobiliza cerca de 10 mil militares brasileiros ao longo das fronteiras com Argentina, Paraguai e Uruguai para combater o contrabando e o tráfico de armas e drogas.

RÚSSIA FORNECERÁ BLINDADOS À VENEZUELA



Moscou e Caracas, 16 de Outubro de 2008 - A Rússia deve fechar em breve com a Venezuela um acordo para a venda de veículos blindados usados no transporte de tropas, afirmou o vice-diretor da empresa estatal russa exportadora de armas, segundo a agência de notícias do país Interfax.

"A cooperação militar-tecnológica com a Venezuela vem se intensificando muito", disse Igor Sevastyanov, vice-diretor-geral da Rosoboronexport. As declarações dele foram divulgadas pela Interfax ontem.

"Estamos planejando o fornecimento de uma grande quantidade de veículos de infantaria BMP-3. O contrato deve ser assinado dentro de um mês", afirmou.

O BMP-3 é um veículo blindado de 19 toneladas usado para o transporte de tropas. Ele possui uma metralhadora 100 mm e pode carregar três tripulantes e sete passageiros. Segundo Sevastyanov, as negociações sobre a venda de sistemas de defesa costeira e de artilharia também avançam. Não foram, porém, divulgados maiores detalhes a esse respeito.

A Rússia anunciou no mês passado que forneceria à Venezuela um empréstimo de US$ 1 bilhão para cobrir a compra de armas e equipamentos militares de fabricação russa.

Os dois países, ambos grandes produtores de petróleo, dizem ter aprofundado seus laços ampliando a cooperação nos setores econômico e militar.O presidente venezuelano, Hugo Chávez, deu apoio à Rússia na guerra contra a Geórgia em torno da região separatista da Ossétia do Sul.

Chávez, famoso por suas críticas aos EUA, recebeu em território venezuelano aviões bombardeiros russos neste mês e navios de guerra da Rússia realizarão exercícios na Venezuela em novembro. Essas deverão ser as primeiras manobras do tipo nas Américas desde o fim da Guerra Fria.

EXERCÍCIOS COM O BRASIL

Ontem, o Congresso venezuelano aprovou verbas para a realização de exercícios militares aéreos com Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e França, um mês antes do início de exercícios navais com a Rússia no Caribe.

Segundo relatório da Comissão de Finanças da Assembléia Nacional, foram liberados 5,3 milhões de bolívares (US$ 2,5 milhões). Não foi informada a data para o início das manobras.

Uma parte importante dos recursos foi destinada à operação Venbra-V 2008, em conjunto com a Força Aérea Brasileira, que pretende "realizar exercícios de detecção, identificação, interceptação e transferência de vôos ilícitos simulados entre a AVIAÇÃO Militar Bolivariana e a Força Aérea do Brasil", segundo o informe.

A segunda operação será a Cruzex IV-2008, que consiste de exercícios com outros países sul-americanos, para "atuar contra um país agressor que invada seu vizinho, transgredindo as leis e acordos internacionais, aplicando táticas e técnicas de emprego em missões Contra Força Aérea Ofensiva", disse a nota.

17 outubro 2008

Lima revitaliza frota de aviões russos MiG-29



ROBERTO GODOY

A aviação militar do Peru terá toda a sua frota de 19 supersônicos modelo MiG-29 "Fulcrum", fabricados nos anos 80 na Rússia e na Ucrânia, revitalizada de forma a manter capacidade de combate e emprego até o ano 2028. Segundo o Ministério da Defesa, em Lima, a modernização vai custar 106,5 milhões.

Os primeiros oito jatos já estão no parque aeronáutico Capitán Quiñones, na Província de Chiclayo. "Nossas especificações pretendem conferir à aeronave o mesmo status do modelo utilizado pela Força Aérea da Rússia", disse ao "Estado" o tenente-coronel Raúl Sequeros. O pacote prevê novos sistemas eletrônicos de bordo, duas telas coloridas de cristal líquido, conversão do radar para o arranjo de longo alcance, preparada para uso de mísseis com raio de ação além de 100 km e de ataque com bombas inteligentes, guiadas por laser. Os MiGs-29 ganharão capacidade de fazer reabastecimento em vôo e de enlace com estações de comando em terra ou aerotransportadas.

A versão SMT do MiG-29 é uma máquina notável. Voa a 2.450 hm/hora com raio de ação de 1.200 km com 4,5 toneladas de armamento. O limite do alcance do radar Phazotron é da ordem de 130 km. É uma aeronave de médio porte, mede 17,32 metros com envergadura de 11,36 metros. Leva 7 toneladas de carga máxima externa. A arma orgânica é um canhão de 30 milímetros municiado com 150 projéteis de diversos tipos.

A Força Aérea do Peru utiliza outros aviões fornecidos pela Rússia. O maior transporte militar é o An-32, do bureau Antonov.

O principal vetor de ataque ao solo é o Sukhoi 25. As três forças operam 58 helicópteros Hind.

OPERAÇÃO ALBA III



Kaiser Konrad

No período de 22 a 26 de setembro, a FAB realizou em Santa Maria-RS, a Operação ALBA III (Alta e Baixa Performance). A operação consistiu na simulação da Defesa antiaérea da Base Aérea de Santa Maria (BASM) aos ataques realizados por aeronaves A-1 do Esquadrão Centauro (3º/10° GAv), que no exercício foram as aeronaves 'inimigas'.

Na ALBA foram aplicadas e atualizadas as técnicas de ataque e defesa utilizadas pela Aviação e pela Infantaria da Aeronáutica, representada pela 1ª Companhia de Artilharia Antiaérea de Autodefesa, responsável pela defesa antiaérea de pontos de interesse do Comando da Aeronáutica. A 1ª CAAAD desdobrou no terreno várias unidades de tiro Igla 9k38, de origem russa, postos de observação, radares e postos de comando e controle em pontos estratégicos, visando engajar as aeronaves A-1 antes que esta conseguisse destruir as instalações da Base Aérea.

Essa operação faz parte do planejamento anual do COMDABRA e do V COMAR.

Exercícios russos no Mar do Norte

Marinha e Força Aérea testam novos mísseis e gastam os antigos


A Marinha da Federação russa efetuou vários exercícios militares nos últimos dias, em que testou a capacidade de mísseis balísticos disparados a partir de submarinos da Classe Delta, bem como mísseis baseados em terra.

Os lançamentos foram efetuados por submarinos das classes Delta III e Delta IV, uma classe de submarinos nucleares soviéticos concebida nos anos 60, e com várias séries modernizadas, a última das quais (Delta IV) corresponde a navios lançados entre 1985 e 1992. Entre os navios que efetuaram os lançamentos está o submarino Zelenograd, entregue à Marinha russa há 29 anos.

No sábado foi lançado um míssil SS-N-23 (R-29 Sineva), um míssil concebido nos anos 80 e desenhado, especificamente, para lançamento a partir dos submarinos Delta IV, que tem um alcance estimado em 8.500 km.

Segundo fontes russas, o míssil terá atingido um alvo a uma distância de 11.500 km, viajando sem qualquer carga, num teste destinado a verificar a precisão do sistema, no qual o submarino lançador estaria próximo ao Equador.

Além do lançamento de mísseis a partir de submarinos do tipo Delta, foi também efetuado o lançamento de um míssil SS-25 Topol a partir de um silo.

Os exercícios russos permitem aos militares utilizar algum material que estava a chegar ao seu período final de vida. Os mísseis Topol estão em fase de substituição pelos Topol-M.

A Rússia também testou, nos últimos dias, mísseis de cruzeiro, coisa que foi feita pela primeira vez em 26 anos. O teste destina-se a verificar a coordenação entre vários meios e a permitir medir a capacidade da Rússia de colocar no ar grande parte de sua frota de bombardeiros estratégicos.

Os exercícios são importantes, não só por serem os maiores exercícios em 25 anos, mas também pelo cuidado tido pelos russos para que os exercícios corressem da melhor forma possível e sem grandes problemas, garantindo-se a máxima segurança.

Trata-se do primeiro grande exercício naval russo realizado no Mar do Norte desde 2002, altura e lugar em que ocorreu a tragédia com um submarino do tipo Oscar II, o tristemente célebre Kursk, que afundou devido a explosão de armamento defeituoso.

Segundo analistas, acordo com a França é erro


O Brasil assinará no final deste ano um acordo com a França que, o governo espera, resultará na transferência de tecnologia na área de defesa e no ressurgimento da indústria militar do país. Críticos, no entanto, apontam os equipamentos franceses como inadequados para as necessidades do país.

Analistas ouvidos pela Reuters vêem as potências militares Estados Unidos e Rússia como melhores opções para o Brasil.

“Do ponto de vista político do governo Lula até faz sentido (a parceria com a França)”, avaliou Gunther Rudzit, assessor do ministro da Defesa entre 2001 e 2002, quando a pasta era comandada por Geraldo Quintão.

“Mas não acho do ponto de vista estratégico”, acrescentou Rudzit, que tem mestrado em segurança nacional pela Georgetown University e hoje é professor das Faculdades Integradas Rio Branco.

Apesar de seu histórico de boas relações com os EUA, analistas lembram que tradicionalmente o Brasil busca evitar ser visto como aliado incondicional de Washington e, segundo Jorge Zaverucha, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, a atual aproximação da Rússia com a Venezuela também complicou uma aproximação de Brasília com Moscou.

“O Brasil estava na dúvida entre a França e a Rússia. Com a aproximação desta com a Venezuela, os EUA disseram que não se oporiam a um acordo militar do Brasil com a França. Para bom entendedor meia palavra basta”, disse.

SUBMARINOS

Um dos pontos mais alardeados na aproximação entre Brasil e França é a transferência de tecnologia francesa para a construção da parcela convencional do submarino à propulsão nuclear. Autoridades militares brasileiras, que afirmam que o país já domina a técnica da parte nuclear da embarcação, vêem o projeto como prioritário.

O argumento é de que o submarino nuclear tem maior autonomia e capacidade de permanecer por mais tempo no fundo do oceano. Já os críticos avaliam que o submarino nuclear não é o melhor equipamento para patrulhar as águas rasas do litoral brasileiro, e pode ser detectado por conta do ruído feito pelo reator.

A parceria com os franceses deve incluir a construção de quatro submarinos convencionais, modelo Scorpene, que também seria usado como plataforma para a fabricação do submarino nuclear, cuja primeira unidade a Marinha espera para 2020.

“Eu acho que vai ser a maior loucura que nós vamos fazer”, disse Expedito Bastos, pesquisador da área de Defesa da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). “Não seria muito melhor termos 20 submarinos convencionais? Seria uma frota de alto mar fantástica, nós controlaríamos todo nosso litoral com isso”.

Atualmente, a Marinha tem em sua frota 5 submarinos convencionais, cuja fabricação com tecnologia alemã começou na década de 1980, para patrulhar 4,5 milhões de quilômetros quadrados.

“Para um país de dimensões continentais, eu acho que equipamentos americanos e russos seriam mais adequados”, disse Rudzit.

Procurado pela Reuters, o Ministério da Defesa não estava imediatamente disponível para comentar as críticas dos analistas.

Guerra começa a ser montada em Natal



Uma guerra com data para começar e terminar. Um combate envolvendo seis nações, mas que não haverá lançamento de bombas e muito menos morte de civis ou militares. O que parece ser um roteiro de filme americano ou de um jogo de vídeo game é na verdade o maior exercício militar da América Latina e que será realizado em Natal, entre os dias 1º e 14 de novembro.

A Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex) chega a sua quarta edição, sendo realizada pela segunda vez na capital potiguar, prometendo movimentar o espaço aéreo da Região Nordeste durante duas semanas. Brasil, Argentina, Chile, França, Uruguai e Venezuela farão parte de um mapa dividido em três áreas no Nordeste. Áreas Vermelha, Azul e Amarela. A última, devido a problemas fronteiriços e de interesses econômicos ligados a recursos naturais, como o petróleo, será invadida pelos vermelhos. Caberá então aos Azuis atuarem como uma força de coalizão e garantir a hegemonia dos amarelos.

A simulação ocorrerá durante exercícios militares conjuntos em que 1.600 homens atuando na Base Aérea de Natal irão combater as ‘‘tropas inimigas’’, sediadas na Base Aérea de Fortaleza (CE). Mais de 80 aviões nacionais e estrangeiros vão participar da operação, sendo que as unidades de transporte ficarão estacionadas na Base Aérea de Recife. ‘‘Teremos em Natal 600 militares estrangeiros e 1.000 brasileiros durantes estas duas semanas. Mais de 90% deles ficarão hospedados em hotéis da cidade, porque não há como instalar todos na Base Aérea’’, afirma o comandante da Base Aérea de Natal (Bant), coronel-aviador Carlos Eduardo Alves da Silva. O comandante disse ainda que até o próximo dia 22, a Base Aérea estará pronta para receber o contingente de militares e equipamentos que chegará a Natal para a Cruzex. ‘‘Nossa rede de comunicação incluirá mais de 300 computadores, o que exige um Centro de Controle bem equipado para dar suporte. Além disso, Natal receberá 80 aviões durante o exercício’’, reforça o coronel-aviador.

Entre as aeronaves nacionais e estrangeiras, o natalense poderá ver nos céus, caças e aviões de carga, como F-5, F-16, F-2000, RA-1, R-99, A-29, C-130, KC-137, H-60 E H-1H. Um dos destaques da Cruzex desse ano será a presença de quatro aviões-radares R-99, que ampliarão o alcance dos radares da Base Aérea. ‘‘Outro diferencial desta edição será a presença de helicópteros brasileiros durante a operação’’, destaca. A primeira edição da Cruzex aconteceu em Canoas (RS) em 2002 e envolveu cerca de 50 aviões da Argentina, Brasil, Chile e França. Em 2004, a segunda operação simulada foi realizada em Natal. O número de aviões dobrou e, em vez de chilenos, contou com a participação de militares venezuelanos. Peru, Uruguai e África do Sul participaram como observadores. A última edição foi realizada em Anápolis (GO) e em Campo Grande (MS) em 2006 e ficou marcada por um trágico episódio: um avião da Força Aérea Peruana sofreu um acidente logo após decolar do Aeroporto Internacional Jorge Teixeira, em Porto Velho (RO), com destino a Anápolis, onde se juntaria aos demais participantes. Os dois pilotos do avião A-37 morreram.

MISSÃO

Apesar de ser uma “guerra virtual”, onde não há confrontos diretos, o comandante da Bant ressalta que a Operação Cruzeiro do Sul é muito importante para as forças aéreas dos países participantes. ‘‘A Cruzex é fundamental para que todo o sistema de comunicação da Força Aérea esteja preparado para conduzir uma operação de guerra’’. De acordo com o comandante, os enfrentamentos simulados baseiam-se em conflitos de baixa intensidade, com base no modelo de operação empregado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para garantir a segurança do espaço aéreo e evitar qualquer problema com o tráfego comercial, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) vai disponibilizar toda a estrutura de radares, equipamentos de comunicação e profissionais. ‘‘E para não atrapalhar o espaço aéreo de Natal vamos direcionar nossas ações aéreas para o município de Maxaranguape, que será a capital da Área Azul. A mesma preocupação ocorre em Fortaleza, que corresponde a área Vermelha. A capital desta área será a cidade de Quixadá’’, diz o coronel-aviador Carlos Eduardo. Além disso, um hospital de campanha capaz de realizar atendimentos críticos e cirurgias será montado na Base Aérea de Natal, onde profissionais da área de saúde atenderão eventuais emergências.

Durante a operação, estagiários de comunicação da UFRN, em conjunto com profissionais do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), trabalharão na produção de notícias e na assessoria de imprensa, além de alimentar o site oficial da operação. ‘‘Tudo isso ocorrerá de maneira simultânea, conjugados por um sólido aparato de tecnologia de informação’’.

Portões abertos

Um dos pontos altos da Cruzex, pelo menos para os civis, é o dia em que a Força Aérea Brasileira abre os portões para que o público possa visitar as instalações da Base Aérea de Natal e as máquinas presentes. Nesta edição, a operações Portões Abertos será realizada no sábado, 8 de novembro. Durante este dia, os visitantes poderão conferir de perto toda a tecnologia e força dos caças e aviões de carga que estarão em Natal. ‘‘Será também neste final de semana que os participantes da Cruzex poderão fazer turismo por Natal e conhecer a cidade. Para o público que vem à Base Aérea, este ano teremos uma novidade: os visitantes poderão chegar bem próximo aos aviões’’, explica o comandante. Outro atrativo para o dia de portões abertos será a apresentação da Esquadrilha da Fumaça.

Memória Cruzex

O primeiro exercício Cruzex foi realizado em Canoas, no sul do Brasil, em 2002 e foi a primeira vez em que os procedimentos da OTAN foram utilizados em um exercício combinado sul-americano. A primeira edição do exercício contou com a presença de Forças Aéreas da Argentina, Brasil, Chile e França, com aproximadamente 50 aeronaves. Dois anos depois, em novembro de 2004, o Teatro de Operações da Cruzex 2 foi modificado para o Nordeste, sendo a cidade de Natal a sede do exercício, que contou com Argentina, Brasil, França e Venezuela como participantes e Peru, Uruguai e África do Sul como observadores. Em 2006, o cenário envolvia a cidade de Anápolis, como sede da coalizão e Campo Grande, como base da força inimiga.. Na Cruzex 3 participaram cerca de 1.500 militares e 100 aeronaves, oriundos da Argentina, Brasil, Chile, França, Uruguai e Venezuela. Bolívia, Colômbia e Paraguai fora observadores. A última edição foi registrada por mais de 125 profissionais de imprensa, sendo 16 jornalistas estrangeiros.

15 outubro 2008

Fuerza Aerea de Chile (FACh) adquirirá 16 F-16 por US$ 170 milhões

Serão adicionadas 16 caças à frota que contará agora com 44 aviões modelo F-16.



O Chile planeja adicionar 16 caças F-16 usados à frota de combate da Fuerza Aérea de Chile (FACh), que já dispõe de 28 destes caças, informaram fontes do Ministério de Defesa.

As novas aeronaves serão adquiridas da Holanda e substituirão os F-5E Tigre III, que serão retirados de serviço ao final de 2009, da base de Cerro Moreno, localizada nas proximidades da cidade de Antofagasta.

Dos 28 aviões de combate F-16 que possui atualmente o Chile, dez são unidades novas da variante C/D Block 50, que foram comprados aos Estados Unidos, por mais de US$ 660 milhões de dólares, no ano de 2002.

Há três anos, o Chile também adquiriu 18 aeronaves de segunda mão da variante A/B MLU (Mid-Life Update), da Holanda, a um custo de 180 milhões de dólares, os quais substituíram os Mirage 5 Elkan e Mirage 50/Pantera, retirados de serviço nestes últimos anos.

O segundo lote de F-16 MLU, excedentes da Real Força Aérea Holandesa, estão orçados em aproximadamente 170 milhões de dólares, e junto às aeronaves serão entregues uma importante quantidade de peças de reposição, manuais e apoio técnico adicional.

Com esta compra, a Fuerza Aérea de Chile contará com 44 aviões F-16, que segundo o Ministério de Defesa, permitirá uma redução dos custos operacionais relacionados com a instrução, manutenção e logística por ter um único modelo de caça em operação.

As aeronaves não terão una base fixa, mas é provável que como as demais 28 aeronaves existentes estão no norte do Chile, o novo lote comprado da Holanda poderá ser destinado à zona austral do país.

O novo lote de F-16 substituirá os F-5E Tiger III. Atualmente fazem parte da Brigada Aerea VII, Base Cerro Moreno, Antoofagasta, com a missão de interceptação. A FACh tem uma frota de 12 F-5E e 2 F-5F Tiger III.

Um recado para os vizinhos hostis



Contrariando a tradicional diplomacia da pacificação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na semana passada um decreto criando graus de advertência a quem ameaçar ou cometer "atos lesivos à soberania nacional, à integridade territorial ou ao povo brasileiro, ainda que isso não signifique invasão ao nosso território". O Decreto 6.592, que regulamenta o Sistema Nacional de Mobilização, especifica o que pode ser considerada uma agressão estrangeira ao Brasil e aos brasileiros ou aos interesses do País.

O texto do decreto foi elaborado pelo Ministério da Defesa, comandado pelo ministro Nelson Jobim, e, segundo alguns militares, tem o intuito de ser mais um instrumento de dissuasão, servindo de alerta aos vizinhos. Assim, deverá ser entendido como um recado para os países que têm tomado atitudes hostis ao Brasil – na semana passada, o Equador consumou a expulsão da Construtora Odebrecht do país e passou a ameaçar a Petrobras com o mesmo tipo de tratamento.

O decreto pode ser lido, também, como endereçado ao Paraguai, que vive ameaçando os brasileiros de expulsão e expropriação, principalmente os produtores rurais instalados nas regiões de fronteira, além de reivindicar mudanças no tratado da usina de Itaipu. A Bolívia é outro alvo, uma vez que o governo Evo Morales já usou soldados para ocupar instalações da Petrobras naquele país.

Texto importado dos EUA

A "falta de diplomacia" no texto causou estranheza em alguns setores do governo. Ao definir o que é mobilização nacional o decreto é "demasiadamente claro" sobre até onde o Brasil pode ir para defender seus interesses, a ponto de, no Artigo 2º, dizer que "a mobilização nacional é a medida decretada pelo presidente da República, em caso de agressão estrangeira, visando à obtenção imediata de recursos e meios para a implementação das ações que a logística nacional não possa suprir, segundo seus procedimentos habituais, bem como outras necessidades".

Em seguida, no Parágrafo 1º, define o que é agressão estrangeira, o que permitiria enquadrar qualquer uma das ameaças feitas ao Brasil por vários dos países considerados amigos pelo presidente Lula. As agressões são, "dentre outras, ameaças ou atos lesivos à soberania nacional, à integridade territorial, ao povo brasileiro ou às instituições nacionais, ainda que não signifiquem invasão ao território nacional".

Os termos usados foram considerados "genéricos demais", principalmente quando falam em ameaça ao povo brasileiro. Assessores palacianos ouvidos consideram essa expressão uma "importação da filosofia norte-americana de defesa nacional". Ela teria sido introduzida no texto pelo ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que participou da elaboração do Plano Estratégico de Defesa que ainda deve ser apreciado pelo Conselho de Defesa Nacional, em reunião marcada para novembro.

Números da Operação Guanabara



O Ministério da Defesa encerrou a Operação Guanabara, de apoio militar para garantir a segurança do processo eleitoral no Rio de Janeiro, no período de 11 de setembro a 5 de outubro, com o emprego aproximado de 45 mil homens e mulheres do Exército e da Marinha, contando-se os efetivos mobilizados a cada dia. Em média, foram empregados 2.037 soldados diariamente. O maior efetivo foi destinado no dia da eleição, em 5 de outubro, com 4.342 militares, sendo 3.548 homens do Exército e 794 Fuzileiros Navais, da Marinha.

Transferências: Contenção de verbas militares não evitará mudanças



Marco Aurélio Reis

Rio - O aperto financeiro dos quartéis — R$ 1,8 bilhão dos orçamentos das três Forças retidos no Ministério do Planejamento a título de contingenciamento — não vai mexer nos planos em andamento de transferência de unidades e de militares do litoral para áreas da fronteira nos estados do Norte e do Centro-Oeste. A informação frusta grupo de praças que torcia para que o famigerado corte de verbas adiasse e até suspendesse os planos de alterar a concentração militar nacional.

A mudança programada pelo governo está tirando o sono de praças do Exército que servem há mais de 10 anos na mesma cidade. Aos poucos, eles estão sendo avisados da transferência, que vai ocorrer sem levar em conta solicitações ou voluntariado. “Só que isso causará um enorme transtorno, pois a grande maioria já está com situação financeira e familiar bem estabilizada”, lamenta um leitor da coluna que serve na cidade do Rio.

Ele faz parte de um grupo que, tendo comprado casa no estado onde vive com a família, conta com o salário da esposa para viver bem. “Fora, em outra localidade, teremos que ficar só com nossos soldos. Não vai dar para manter o mesmo padrão de vida”, reclama um segundo praça. Diante do noticiário de aperto financeiro das Forças Armadas, esse grupo teme que a transferência, para 12 localidades diferentes, ocorra num momento baixa estima.

“Ser jogado à revelia em uma situação inesperada, com expediente reduzido e recrutas dispensados, não dá ânimo a ninguém”, reclama outro praça. “Nessas movimentações são empregados grandes volumes de recursos. Será que tem dinheiro suficiente para esses planos serem mantidos?”, questiona.

Otan nega estar perdendo guerra contra Taleban, mas cobra reforços

Comando da aliança rebate declarações de general britânico, que previu derrota


DA REDAÇÃO

O principal comandante da Otan (aliança militar ocidental) no Afeganistão, o general americano David McKiernan, negou ontem que a organização esteja perdendo a guerra contra a insurgência do Taleban, mas voltou a cobrar dos 26 países-membros um reforço de contingente no país.

Sete anos após a invasão que derrubou o regime radical do Taleban, a Otan enfrenta um quadro sombrio. Os rebeldes controlam áreas inteiras, e as baixas dos EUA e seus aliados no país já chegaram à marca de 900 mortos e 4.000 feridos.

"É verdade que em muitas partes do país não temos um nível de segurança aceitável. Mas não estamos perdendo o Afeganistão", disse McKiernan.

A declaração foi uma resposta ao chefe militar do Reino Unido no país, Mark Carleton-Smith, que afirmou no início do mês que "[a Otan] não vai ganhar essa guerra" e defendeu negociar com o Taleban.

Mas McKiernan destacou novamente a necessidade urgente de aumentar o número de soldados da Otan no Afeganistão. "Não temos forças de segurança em número suficiente", disse o general.

Somadas, as forças da Otan e dos EUA têm 70 mil homens no país da Ásia Central.

Há três semanas, o comandante americano afirmou precisar de mais 15 mil homens, além dos 8.000 adicionais aprovados por Washington, que chegarão a campo no início do ano que vem.

A recente morte de dez soldados franceses em combates com guerrilheiros levou Paris a cogitar uma retirada de seus efetivos no Afeganistão. O Canadá já anunciou que retirará seus homens em 2011.

Com agências internacionais

O Scorpène chegará ao fim em 2008!

S-80 e Marlin serão os seus sucessores



Scorpène
As más relações entre a indústria espanhola Navantia e a francesa DCNI parecem ter, definitivamente, chegado a um ponto de não-retorno. O fim da relação industrial e comercial entre as duas empresas parece poder corresponder ao fim do submarino Scorpène ou do consórcio em que a empresa espanhola participava com um terço e a francesa com os restantes dois terços.

Os problemas entre franceses e espanhóis não são novos e começaram há anos atrás, quando a empresa espanhola optou por incluir sistemas de origem norte-americana no seu projeto S-80.

Entre as questões que se levantaram, esteve a opção espanhola por conceber um sistema de propulsão independente do ar próprio, que colocava de fora da corrida o sistema MESMA de origem francesa.

Para piorar as coisas, a Espanha optou por incorporar nos seus submarinos S-80 um conjunto de sistemas e subsistemas de combate de origem norte-americana, deixando de fora o sistema SUBTICS francês.

Os estaleiros franceses tentaram implementar, com vários parceiros europeus, uma política de parcerias em que os seus projetos poderiam ser co-participados, tendo como contra-partida a encomenda à indústria francesa de parte dos sistemas.

Aparentemente, como já tinha acontecido na tentativa franco-britânica de construir um porta-aviões com componentes comuns, as necessidades específicas de cada país acabaram por colocar areia na engrenagem.

Os franceses acusaram os espanhóis de terem aproveitado o know-how e a tecnologia francesa para depois esquecerem a sua parte do acordo e comprarem os sistemas restantes dos EUA, nomeadamente o sistema de combate à Lockheed Martin, o que criou ainda mais problemas entre franceses e espanhóis.

A indústria espanhola, por seu lado, tem tentado vender o seu S-80 como um novo submarino, embora a similaridade com o Scorpène seja tão evidente que a tentativa não tem tido sucesso.

Mas, embora se trate basicamente do mesmo sistema, com pequenas mudanças, essas mudanças permitem aos estaleiros espanhóis a apresentação do S-80 como um submarino diferente, levando a que seja apresentado internacionalmente contra o próprio Scorpène.

Os franceses exigiram que os espanhóis esclarecessem a situação, mas não receberam qualquer resposta concreta.

Aparentemente os espanhóis alegam que o Scorpène é um modelo menos sofisticado e de menores dimensões, dado o submarino espanhol ter um deslocamento de 2.400 ton contra 1.700 do Scorpène.

Aparentemente os franceses estão fartos, e a gota d`água foi a apresentação do S-80 à Turquia, onde o vencedor acabou sendo o modelo alemão U-214. A DCNI quer terminar o contrato com a Navantia antes do final de 2008. Ou a Navantia sai do consórcio, ou o consórcio, pura e simplesmente, acaba.

O Brasil e o Marlin/Scorpène

Conforme adiantado em janeiro deste ano pelo areamilitar.net, a proposta francesa para o fornecimento de submarinos convencionais ao Brasil é 100% francesa e não passa pela Navantia espanhola. Esse fato permitiu concluir que o submarino proposto ao Brasil já não era o Scorpène, mas sim o Marlin.

Recentemente o Brasil acertou a compra de quatro submarinos com a França mas, mais uma vez, não foi anunciada qualquer participação espanhola no projeto.

Embora a designação comercial Scorpène continue a ser utilizada e referida mesmo pelas autoridades militares brasileiras, os franceses querem terminar com a questão Scorpène/Marlin antes que o Brasil e a França assinem um acordo para a venda dos submarinos.

A Espanha está fora do projeto, concorre contra ele com o S-80 mas, mesmo assim, continua a exigir sua parte no consórcio sempre que a DCNI efetua uma venda internacional com o nome Scorpène. Por isso, os franceses querem, pura e simplesmente, acabar com a ligação à Navantia, não se sabendo se isso passa pelo fim da marca Scorpène, ou se poderá passar pela saída da Navantia do consórcio.

O que parece certo é que o Brasil será o próximo cliente do sistema. Se o futuro submarino brasileiro será conhecido como um derivado do Marlin ou do Scorpène, depende das decisões das próximas semanas, que não serão técnicas, mas puramente contratuais. Por isso, para o Brasil, a mudança não deverá ter qualquer conseqüência.

Se os espanhóis complicarem a situação, o mais provável é a apresentação por parte dos franceses do Marlin, que passará, assim, a concorrer com o S-80 espanhol quando, e se, esse submarino for proposto internacionalmente.

A Aviação do Exército na Amazônia



Kaiser Konrad
Enviado Especial a Manaus

Em maio de 2004, a queda de um avião Brasília, da Rico Linhas Aéreas, causou a morte de 33 pessoas em Manaus. Imediatamente após o acionamento, o helicóptero de alerta se deslocou para a área do acidente. Equipada com óculos de visão noturna, a tripulação iniciou o resgate dos corpos na que seria a primeira missão SAR utilizando NVG na América do Sul. Três anos depois, movimentos sociais (irregulares) invadiram as instalações da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Na sala de controle, terroristas ameaçaram desligar o sistema elétrico e deixar toda a região norte do país às escuras. As aeronaves do 4ºBAvEx foram acionadas e cumpriram as missões de reconhecimento, segurança e transporte de Forças Especiais, que longe dos holofotes da mídia e na penumbra característica de suas ações, desalojaram os invasores e garantiram a segurança das instalações vitais da usina.

O 4º Batalhão de Aviação do Exército (BAvEx)

O 4º Batalhão de Aviação de Exército está localizado ao lado da Base Aérea de Manaus, numa área de relevo irregular onde foi construído o primeiro hangar suspenso do Brasil. É a única unidade de asas rotativas do Exército Brasileiro na Amazônia, e tem uma área de responsabilidade de quase metade do território nacional. Comandado pelo Coronel Achilles Furlan Neto, possui um efetivo de 300 militares, sendo 35 deles pilotos. Está subordinado diretamente ao Comando Militar da Amazônia (CMA).

O 4º BAvEx está equipado com 11 Helicópteros de Manobra de três modelos diferentes, sendo 4 HM-2 Blackhawk (Sikorski S70A), 3 HM-1 Pantera (Eurocopter AS 365), e 4 HM-3 Cougar (Eurocopter AS 532 UE). O número reduzido de aeronaves contrasta com a quantidade necessária e o número de missões. “As exigências e características operacionais, e as longas distâncias nos deslocamentos, exigem que no mínimo dobremos o número de aeronaves disponíveis”, afirma o chefe de operações do CMA, General-de-Brigada Carlos Alberto Da Cás. “Esperamos em breve instalar outro batalhão de aviação em Belém-PA, a capital da Amazônia Oriental, e no futuro espera-se a criação de uma Brigada de Aviação do Exército na região amazônica”.

A necessidade de helicópteros de ataque tanto equipando o 4º BAvEx como em futuras unidades é um consenso entre os militares. Atualmente este vácuo está sendo suprido pelos Fennec que estão em Taubaté, e que, no caso de um acionamento têm 48 horas para se deslocar e operar em qualquer lugar do Teatro de Operações da Amazônia.

A aeromobilidade na selva amazônica está dividida em duas doutrinas operacionais: A Gama, de combate e resistência; e a Alfa, de combate convencional. Dentro dessas duas doutrinas de emprego da força militar no Teatro de Operações da Amazônia (TOA), poderão ser realizadas uma série de missões específicas que estão dividas em:

Missões de apoio ao combate: Comando e controle, observação de tiro – necessária em ambiente de selva – SAR, reconhecimento, segurança, incursão, infiltração e exfiltração aeromóveis.

Missões de apoio logístico: Ressuprimento das bases, destacamentos e pelotões especiais de fronteira, lançamento de pára-quedistas e Forças Especiais, evacuação aeromédica e transporte.

No 4º Batalhão de Aviação do Exército (BaVEx), todas as missões são reais. Por isso o alto-nível de operacionalidade de suas tripulações. Os helicópteros estão equipados com a metralhadora lateral Mag 7.62 e podem estar em operação em qualquer ponto da fronteira brasileira na área de CMA apenas 15 horas após o recebimento da missão.

Como a vastidão da floresta foge a autonomia de qualquer helicóptero disponível hoje no mercado, para cada desdobramento do batalhão, tanques de combustíveis de campanha, chamados plots, são transportados e distribuídos em zona segura para que mesmo durante a ação, as aeronaves possam pousar, reabastecer e retornar ao combate.

A Aviação do Exército é fundamental para qualquer atividade militar na Amazônia, seja na paz e principalmente na guerra. A escassez de recursos, o avançado tempo de uso das aeronaves, somados à exigência a níveis extremos de operação, características da região, e a dificuldade no suprimento de peças, no caso dos Blackhawk, são questões sérias que necessitam de uma maior atenção do Comando do Exército, caso contrário em médio-prazo toda a frota de asas rotativas do Exército ficará parada nos hangares.

Acompanhe uma entrevista com o Comandante do 4º BAvEx, Cel Achilles Furlan Neto:

Defesanet - Quais as peculiaridades do vôo de helicóptero na Amazônia?

Cel Furlan: As condições meteorológicas são extremas e suas mudanças são repentinas. Como as distâncias aqui são muito grandes e os vôos têm longa duração, o piloto que decola com uma condição meteorológica favorável pode encontrar no meio do caminho uma mudança radical no tempo. Aqui não é como o sul ou o sudeste do país, onde podemos pousar sempre que as condições de tempo ficam ruins. Essa facilidade que o helicóptero tem não pode ser desfrutada na selva e, quando uma clareira é achada, a tripulação não tem como avisar a unidade que fez um pouso em segurança, o que deixa todos apreensivos e preocupados.

Defesanet – Como acontece o acionamento para uma missão?

Cel Furlan: Normalmente recebo a missão por telefone. Quando o assunto é sigiloso, sou convocado ao Comando Militar da Amazônia, onde recebo todas as informações sobre a missão a ser cumprida. Passo elas ao meu oficial de operações, que com sua equipe vai planejá-la. Como somos acionados constantemente, o nosso briefing é menor. Basta informar o piloto qual a missão e as ameaças envolvidas, e ele vai cumprir. No caso de uma missão em quaisquer das fronteiras da região norte, após acionado, e com condições meteorológicas normais, estaremos no local, prontos para entrar em ação em até 15 horas.

Defesanet – Existe a necessidade de equipar o Batalhão com um helicóptero de ataque?

Cel Furlan: Todo exército no mundo deve ter helicópteros de ataque. Eles têm um poder dissuasório muito grande. Mas eu preciso de uma aeronave que se proponha a fazer o que preciso dela aqui na Amazônia, que além de fortemente armada, possua grande autonomia.

Defesanet – Existe a necessidade de aumentar o número de aeronaves do Batalhão?

Cel Furlan:
Sem dúvida! No mínimo o dobro. Falo em ter disponíveis pelo menos 25 aeronaves. Nesta semana estamos realizando 4 missões ao mesmo tempo. Se por problemas nas aeronaves, dificuldade logística ou no fornecimento de peças, eu tenha que tirar um único aparelho de operação, numa frota diminuta como a que tenho, isto terá um reflexo muito grande. Mesmo assim, temos um ponto de honra no Batalhão de jamais deixar de cumprir uma missão. Sabemos que o CMA conta somente conosco e se não pudermos apoiá-lo, ninguém poderá.

Plano de Defesa prevê proteção dos recursos energéticos



Bruno De Vizia

São Paulo - A reorganização das defesas brasileiras está passando por uma mudança de eixo. O foco, anteriormente centrado nas regiões Sul e Oeste do Brasil, está migrando para as fronteiras Norte e Leste do país, para dar conta principalmente da proteção dos recursos energéticos concentrados na Amazônia e na costa brasileira.

O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, esteve ontem na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), onde explicou para empresários o foco industrial do Plano Nacional de Defesa, cuja versão definitiva deverá ser apresentada em novembro próximo.

Segundo Unger, o plano se pauta principalmente pela reestruturação das Forças Armadas e reorganização da indústria nacional de defesa. Dentre as idéias que orientaram a elaboração o plano, está o estabelecimento de um regime específico, regulatório e tributário, para a indústria nacional. "Um regime que assegure a manutenção dos pedidos e proteja as indústrias de reduções orçamentárias, inclusive as dispensando de licitações", salientou o ministro. Ele afirmou que está prevista a participação do governo nestas empresas, como forma de internalizar e coordenar parte do desenvolvimento dos equipamentos. "Queremos que a reorganização das Forças Armadas seja uma ocasião para nossa requalificação tecnológica duradoura", frisou Unger.

Teto tecnológico

Outra proposta é fazer com que a parte estatal desta indústria bélica nacional atue no "teto tecnológico", isto é, "fabrique aquilo que as empresas privadas não tem condições de desenvolver comercialmente", disse o ministro. O plano prevê que pesquisa e produção atuem de maneira conjunta.

"Queremos que a pesquisa avançada oriente a produção avançada", destacou Unger. A intenção é que a colaboração com os países estrangeiros "esteja condicionada ao fortalecimento de nossas capacidades tecnológicas autônomas, insistindo que uma parte importante da pesquisa e produção seja desenvolvida dentro do Brasil", disse o ministro.

O governo pretende assegurar que a coordenação das compras públicas de material de defesa sejam feitas exclusivamente dentro do Ministério da Defesa.

O ministro ressaltou, no entanto, que a estratégia nacional não é uma resposta aos problemas conjunturais, e sim um plano de longo prazo. "De todos os grandes países da história moderna, o Brasil é o menos beligerante, mas nosso pacifismo não nos exime da necessidade de nos defendermos adequadamente", lembrou.

Recursos

Indagado sobre a origem dos recursos para a reestruturação das defesas nacionais, ele destacou que não cabe ao plano estabelecer o montante a ser gasto. "A estratégia nacional de defesa não é uma peça orçamentária, não é no resto do mundo, e não será no Brasil", disse Unger. No entanto, ele acrescentou que o plano tem conseqüências orçamentárias, "e estas questões serão analisadas no momento apropriado", concluiu o ministro.

Incidente aéreo entre Japão e Rússia



Agências de notícias internacionais informaram que caças F-15J Eagle da JASDF (Japan Air-Self Defense Force) saíram nesta quarta-feira (08/10) de bases aéreas japonesas com a missão de interceptar e observar dois bombardeiros Tupolev Tu-22M3 Backfire que voavam sobre o Mar do Japão.

Os bombardeiros russos partiram de uma base no extremo oriente da Rússia e foram abordados pela primeira vez por dois F-15J oriundos da base aérea de Chitose, que os acompanharam por 30 minutos. Logo em seguida, dois F-15J sediados em Hyakuri observaram os dois bombardeiros por cinco minutos antes da retirada dos Tu-22M3 da região. Há informações de que dois caças Su-27 da Força Aérea da Rússia juntaram-se aos T-22M3 depois da abordagem dos interceptadores japoneses.

O Ministério da Defesa do Japão confirmou que seis caças F-15J Eagle da JASDF estiveram envolvidos na operação entre 13h e 14h30 desta quarta-feira. Segundo as agências de notícias Interfax e RIA Novosti, o porta voz militar russo tenente-coronel Vladimir Drik confirmou a ocorrência e informou que os Tu-22M3 sobrevoaram apenas águas internacionais durante exercícios de patrulhamento que estavam fazendo parte das manobras Stability 2008.

Marinha lança concurso para 391 oportunidades para níveis médio e superior



A Diretoria de Ensino da Marinha abriu concurso público para 391 vagas de nível médio e superior em todo o País, das quais 286 somente no Rio de Janeiro. As remunerações são de R$ 2.570,47 e R$ 3.870,07, respectivamente.

As inscrições poderão ser realizadas, em nível nacional, na página da organizadora do concurso, a Empresa de Seleção Pública e Privada (ESPP) – www.esppconcursos.com.br –, no site da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), www.emgepron.com.br, ou ainda no endereço eletrônico da Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM): www.ensino.mar.mil.br, entre 8h do dia 21 de outubro e 16h30 de 17 de novembro.

Ao acessar uma das páginas, o candidato deverá digitar os dados no formulário de pré-inscrição e imprimir o boleto bancário para pagamento da taxa de inscrição, ou o requerimento de isenção.

O pagamento poderá ser efetuado pela apresentação do boleto bancário impresso, em qualquer agência bancária. E as solicitações de inscrição via internet, cujos pagamentos forem efetuados após a data estabelecida não serão aceitas. O candidato deverá também especificar a cidade onde deseja realizar a prova.

Especialidades – As vagas de nível intermediário são voltadas ao cargo de analista de tecnologia militar, para profissionais com nível técnico em calderaria, eletrônica, soldagem, capotaria e computação, entre outras áreas.

Para nível superior, as oportunidades são de analista de tecnologia militar, voltadas para profissionais com formação em Análise de Sistemas e Arquitetura. Além disso, há também postos de trabalho para o cargo de engenheiro de tecnologia militar, com vagas para diversas formações em Engenharia, como: mecânica, telecomunicações, eletrônica, elétrica, naval, química, metalúrgica, civil e produção, entre outras.

Os candidatos aos cargos de nível intermediário farão prova objetiva de matemática e português.
Para os cargos de nível superior, os interessados vão realizar provas de conhecimentos específicos para matemática e português.

Russos querem aderir a fórum de defesa regional



O governo russo pediu sua incorporação, na condição de observador, ao Conselho de Defesa Sul-Americano, da recém-criada Unasul (União de Nações Sul-Americanas), afirmou ontem à noite o Ministério da Defesa da Argentina.

O pedido foi feito pelo secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patruscev, em reunião com a ministra da Defesa argentina, Nilda Garré.

O conselho, ainda em formação, não seria uma aliança militar convencional e sim uma instância de diálogo entre ministros da Defesa e governos para formular uma política de defesa regional.

A Rússia fará em novembro exercícios militares conjuntos com a Venezuela, a quem já vendeu aviões de combate.

Defesa pode ter regra especial em licitações



Cristiano Romero e Daniel Rittner, de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para o dia 4 de novembro o Conselho de Defesa Nacional, integrado por cinco ministros, pelo vice-presidente da República, comandantes militares e pelos presidentes da Câmara e do Senado. Eles deverão avaliar, em caráter final, o Plano Estratégico de Defesa, que redefine o papel das Forças Armadas, aumenta os recursos destinados a seu reaparelhamento e estabelece incentivos para o desenvolvimento da indústria nacional de armas e equipamentos militares.

O governo pretende elaborar uma lista de empresas e/ou grupos de produtos que serão eliminadas das "amarras" da lei 8.666, que rege licitações do setor público. De acordo com o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, esse é apenas um exemplo de estímulos a serem dados por um novo "regime jurídico e tributário especial", que permitirá o favorecimento das indústrias brasileiras.

"(Hoje) há uma série de limitações sinistras, é um inferno", disse Mangabeira.

O ministro revelou que o plano deverá proteger essas empresas de descontinuidade das compras governamentais e dos contingenciamentos orçamentários impostos às Forças Armadas. Em troca, haverá uma "mistura" de instrumentos para garantir ao governo poder estratégico nas principais indústrias do setor, por meio de participações acionárias - possivelmente "golden shares" - ou de licenças regulatórias. Esse último mecanismo é adotado pelos Estados Unidos.

Mangabeira afirmou que os acordos de defesa a serem firmados pelo Brasil com outros países vão exigir não apenas a transferência de tecnologia, mas investimentos em pesquisa e produção no país.

"Só se aprende fazendo e não queremos sacrificar o futuro pelo presente", comentou.

Em dezembro, durante visita oficial do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá ser firmado um amplo acordo para a construção de submarinos convencionais, para a parte não-nuclear do submarino atômico e para a construção de helicópteros na Helibrás.

Segundo Mangabeira, o plano sugere a criação de uma nova secretaria no Ministério da Defesa, que será responsável pela articulação e compra de equipamentos para as três forças - Exército, Marinha e Aeronáutica. "Nada de cada força ir ao supermercado sozinha", afirmou o ministro. Para ele, o grande foco do plano é "a reconstrução da cultura militar".

"Atualmente, temos uma cultura de defesa zero", afirmou Mangabeira. Ele adiantou que haverá mudanças na distribuição espacial das tropas brasileiras. A Marinha, por exemplo, que hoje está concentrada no Rio de Janeiro, criará uma nova base na foz do Amazonas e outra no Nordeste.

ONU renova a missão no Haiti



São Paulo - O Conselho de Segurança da ONU decidiu unanimemente, ontem, pela renovação da missão de manutenção de paz no Haiti. A força, liderada pelo Brasil, permanecerá pelo menos mais um ano no país, de acordo com a decisão. Segundo o Conselho, é importante que a missão continue trabalhando com o governo local para combater a violência e a criminalidade. Com a decisão, tomada por 15 votos a 0, a missão foi estendida até 15 de outubro de 2009.

O mandato manteve o número de tropas no Haiti em 7.060, e o de soldados em 2.091. Também dá apoio a uma conferência destinada a arrecadar recursos para o Haiti e "condena vigorosamente as graves violações contra as crianças afetadas pela violência armada, bem como o estupro e outras formas de abuso sexual às garotas". A missão foi enviada ao Haiti após a violenta deposição do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004.

A decisão chega num momento de avaliações mistas, no qual a ONU celebra conquistas militares, mas teme fracassos na área civil que ponham em dúvida a validade dos quatro anos de missão e o investimento de US$ 2,5 bilhões no país. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já expressou apoio à prorrogação do mandato da Minustah e sugeriu que não seja alterado o perfil militar da missão, enquadrada, desde o início, no Capítulo 7 da Carta da ONU, que determina a imposição da paz por meio do uso da força.

Há hoje 2,5 milhões de haitianos passando fome, número quatro vezes maior que em 2007. Os alimentos produzidos no país só são suficientes para a metade da população.

Lula anuncia novo plano dia 3 de novembro

Em visita à Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula defendeu o novo plano de defesa nacional e a construção de submarino nuclear


JAMIL CHADE
– Madri

Com o pensamento já na defesa militar das reservas do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica os novos gastos que o País fará com o setor de defesa e alerta que o Brasil precisa contar com "ferramentas de dissuasão". Anteontem, os principais jornais espanhóis publicaram uma entrevista que fizeram com Lula, em Madri. Em todos, um dos principais destaques era o compromisso do País em construir seu submarino nuclear.

NOVO PLANO

Lula declarou aos espanhóis que irá anunciar o novo plano de defesa nacional no dia 3 de novembro e negou que haja uma corrida armamentista na América do Sul. Para o El País, será um plano "ambicioso".

"Não acho que temos uma corrida armamentista na América do Sul e que os países estejam se preparando para uma disputa militar. Cada governo precisa ter o mínimo necessário para proteger sua soberania e a tranqüilidade de seus cidadãos", disse Lula. "O Brasil também necessita estar preparado para se proteger", afirmou.

Questionado "de quem" precisaria se proteger, Lula foi categórico. "De quem seja. Os inimigos não estão em nenhuma lista", disse.

AMAZÔNIA

Mas Lula deixou claro que a fronteira da Amazônia e o tráfico de drogas na região não são os únicos problemas que o Brasil poderá enfrentar nos cenários estratégicos. "O descobrimento de uma reserva de petróleo a 300 quilômetros de nossas costas faz necessário que possamos proteger essas plataformas", disse.

Para ele, o Brasil precisa contar com "ferramentas de dissuasão". "Estamos trabalhando no enriquecimento de urânio e temos a firme intenção de ter um submarino nuclear", disse.

PACÍFICO

Lula alerta que o País "trabalha com objetivos pacíficos". "Acho que o mundo entende que um País que tem 8 mil quilômetros de costas necessita ter ferramentas de dissuasão", completou. Ele ainda lembra que sugeriu a criação de um conselho de defesa sul-americana para lidar com a questão do narcotráfico na Amazônia.