28 julho 2009

O quarto concorrente

Além de França, Estados Unidos e Suécia, também os israelenses estão empenhados na disputa pelo fornecimento de aviões supersônicos para a Força Aérea Brasileira. O lobby dos israelenses em favor do Grippen, o caça sueco, ficou evidente na visita do chanceler de Israel, Avigdor Liberman, a Brasília na última semana. Seu interesse é que o Brasil escolha o avião sueco para depois fornecer mísseis que poderão equipá-lo. O problema é que o Brasil quer transferência de tecnologia e isso os israelenses não podem prometer.

Na reta final

Sem alarde, uma missão de quinze brasileiros está desde a semana passada em Paris cuidando de compras bilionárias do governo - ou, mais especificamente, do Ministério da Defesa, comandado por Nelson Jobim. Eles negociam com a França as bases financeiras dos contratos de compra de quatro submarinos (e mais um casco), no valor de 6,7 bilhões de euros (18 bilhões de reais), e de 51 helicópteros, no valor de 1,4 bilhão de euros (3,7 bilhões de reais).

Negócios submarinos

A transação dos submarinos é uma daquelas destinadas a causar muita polêmica: uma empresa alemã ofereceu um negócio semelhante por 670 milhões de euros (1,8 bilhão de reais), 10% do preço dos franceses.

Lula quer

Lula está empenhado em que os dois negócios sejam fechados o mais rápido possível. Tem dito aos mais próximos que modernizar as Forças Armadas é fundamental para que o Brasil consiga um assento no Conselho de Segurança da ONU.

Suspeita de pedofilia no Colégio Militar

Suspeita de pedofilia envolvendo um oficial do Exército abalou o tradicional Colégio Militar, na Tijuca, destinado a crianças e adolescentes dos ensino Fundamental e Médio. Agentes da Polícia do Exército (PE) encontraram na escola cds, dvds e arquivos de computador com farto material pornográfico, a maioria relacionado a crianças.

Fotos e vídeos pertenciam ao capitão de intendência L.E.D.F., de 35 anos. A equipe da PE apreendeu um computador da escola, um laptop de uso pessoal do oficial e um disco rígido com capacidade de um terabyte — que permite guardar grande quantidade de dados, com espaço equivalente a 1.024 gigabytes.

De acordo com o Comando Militar do Leste (CML), o oficial teve prisão decretada por 30 dias pela 3ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). “O assunto encontra-se em investigação por meio de Inquérito Policial Militar (IPM)”, afirma nota do CML.

O capitão de intendência ficou preso no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, e foi solto na semana passada. Ele trabalhava na seção de Educação Física do Colégio Militar. Pelo artigo 239 do Código Penal Militar, só é crime ter material pornográfico se for para distribuição, exibição ou venda. A pena varia de seis meses a dois de detenção. Procurado por O DIA, o advogado do oficial, Valdeir Pereira Gomes, disse que não poderia falar sobre o assunto.

Formado aspirante na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em 1996, L. está servindo no Rio de Janeiro desde 2007. Em março deste ano, o capitão atuou como diretor da prova de esgrima da sétima copa Amande Pentatlo Moderno, que foi promovida pela Federação de Pentatlo Moderno do Rio de Janeiro.

Honra: a Marinha ensina

Francisco Caminha

As elegantes e suaves manobras de um boto emolduraram a manhã que recepcionou nas águas do porto do Mucuripe o mais novo navio incorporado a Marinha de Guerra Brasileira batizado com o nome Almirante Sabóia.

Henrique Sabóia nasceu em Sobral e dedicou toda sua vida a Marinha. Exerceu todos os comandos de destaque na vida militar até alcançar o cargo de Ministro da Marinha no período de 1985 a 1989.

Ao largo no mar junto com o cetáceo, as jovens netas do Almirante faziam isoladamente graciosas e silenciosas manobras em dois pequenos barcos a vela da classe Laser, prestando honras ao avô. Foi um momento de respeito, de reconhecimento e uma emoção indescritível inundou o local com a execução do hino Cisne Branco.

Nosso povo esqueceu o conceito da honra, e assim, testemunhar esta cerimônia aumenta em mim a crença que é possível despertar a consciência deste valor na nação brasileira.

Temos muito que aprender com o espírito de Marinha. A amizade sincera, o conceito da honra, o culto às tradições, a disciplina, a organização, o respeito, a alegria do cumprimento do dever e o prazer da partilha.

A cultura náutica pode colaborar decisivamente na educação de nossos jovens ensinando, acima de tudo valores que se incorporam na alma e geram cidadãos livres e conscientes de sua missão nesta existência.

As sementes que foram plantadas na família de Henrique Sabóia podem ser semeadas na educação brasileira perpetuando a honra, o reconhecimento e o amor fraterno.

Francisco Caminha - Deputado estadual/Turma 76 Colégio Naval

Exército vai reforçar campanha de prevenção à Gripe Suína na fronteira com o Acre

 

 

O Exército Brasileiro anunciou que está reforçando o seu efetivo em Assis Brasil, Brasiléia e Epitaciolândia, cidades acreanas fronteiriças, visando garantir uma fiscalização maior para evitar a proliferação da Gripe Suína no país.

Estes municípios estão entre as 24 cidades de fronteira espalhadas pelo país, que receberão o reforço do Exército. Os trabalhos militares serão no sentido de ajudar na divulgação de informações sobre a prevenção contra a Gripe A H1N1.

O número de 78 militares - dois a oito militares por cidade - solicitado pela Anvisa poderá ser ampliado se houver necessidade. As tarefas envolvem a distribuição de impressos e o auxílio no preenchimento de declarações.

O objetivo do trabalho dos militares é prestar esclarecimentos aos viajantes que cruzam as fronteiras do Brasil, especialmente com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, sem descartar esforços também no Norte e Centro-Oeste do país.

No Rio Grande do Sul, o Exército atuará nos municí-pios de Porto Xavier, Aceguá, Santana do Livramento, Jaguarão, Itaqui, Porto do Lucena, Porto Vera Cruz, Porto Mauá e Porto Soberbo. No Paraná, em Foz do Iguaçu e Guaíra. Em Roraima, serão atendidos Paracaima e Bonfim. Em Mato Grosso do Sul, os militares estarão em Mundo Novo, Corumbá e Ponta Porã.

Ainda receberão o trabalho de prevenção as cidades de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, Guajará-Mirim, em Rondônia, Corixa, em Mato Grosso, Oiapoque, no Amapá, e Tabatinga, no Amazonas.

O Exército também poderá instalar hospitais de campanha, se for necessário, na eventualidade de aumento no número de casos.

Militar gay em alta

Revista do Exército britânico publica foto de homossexual na capa

O Dia

Pela primeira vez na história das Forças Armadas britânicas, a capa da ‘Soldier’, revista oficial do Exército, mostra um gay. Fardado, o soldado James Wharton aparece sob o título ‘Orgulho’. A edição mostra que uma década após as Forças Armadas suspenderem a proibição de homossexuais na caserna, o Exército finalmente se sente à vontade com o novo perfil de seus componentes.

Militares britânicos atualmente marcham em paradas gays em seus uniformes e há poucos meses o chefe do Exército, general Richard Dannatt, fez história ao discursar em um congresso da comunidade gay. A mudança que permitiu o serviço de homossexuais no Exército britânico ocorreu em janeiro de 2000, após dois anos de batalha na Justiça envolvendo três gays e uma lésbica liberados da Marinha Real e da Força Aérea Britânica (RAF) após a descoberta de sua homossexualidade.

Não há números oficiais de homossexuais no Exército britânico, mas estima-se que 8% da instituição (14 mil) sejam gays. Alguns, no entanto, ainda são cautelosos. Uma pesquisas do site proud2serve mostra que dois terços assumem a homossexualidade para colegas.

Tenente assumiu

Para o tenente Mark Wakeling, que servia na Guarda de Coldstream e interrompeu a sua carreira militar há 10 anos devido à opção sexual, a notícia da capa com o soldado Wharton pode abrir novos caminhos. “Não tenho palavras para dizer o quão fantástico é para eles (militares) serem eles mesmos.

Me arrependo por ter desistido da carreira militar por causa disso. Sinto que não atingi as minhas ambições no Exército. Foi trágico. Eu era umbom soldado e poderia ter tido uma carreira bem sucedida”, diz Wakeling.

Katiucha

Por Luiz Carlos Azedo

Com Guilherme Queiroz – Folha de São Paulo

Uma comitiva do Exército está na Rússia negociando acertos finais da compra de 12 helicópteros de ataque, modelo Mi-35 Hind, considerado uma espécie de fortaleza voadora. Os militares tentam acertar os detalhes do pacote de armas, com interesse principalmente por mísseis antiaéreos de última geração, de fabricação russa ou chinesa. O investimento estimado é de US$ 300 milhões.

Caracas e Moscou firmam acordo de cooperação militar

AFP

A Venezuela e a Rússia assinaram ontem em Caracas um acordo que ampliará sua cooperação militar, disseram fontes diplomáticas. O acordo aumentará os intercâmbios entre as Forças Armadas dos dois países para incluir desde a venda de armamento até a realização de manobras conjuntas e a troca de tecnologia.

A relação militar entre a Venezuela e a Rússia aumentou sensivelmente depois que os EUA restringiram, em 2006, a venda de armamento ao país sul-americano por considerar que ele não colaborava suficientemente na luta contra o terrorismo.

Suécia quer explicação sobre armas às Farc

Descoberta aumenta tensão entre os governos de Caracas e Bogotá

Jornal do Brasil

Em meio a uma crise que envolve a Suécia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Venezuela e autoridades colombianas, o governo sueco pediu ontem explicações à Venezuela sobre as armas suecas vendidas a Caracas e encontradas em um campo da guerrilha colombiana das Farc.

– Uma pequena quantidade de armas fabricadas na Suécia foi encontrada em um acampamento das Farc. Pedimos a dirigentes do governo da Venezuela explicações sobre como estes equipamentos chegaram à Colômbia – declarou à AFP Jens Eriksson, conselheiro político do Ministério do Comércio.

De acordo com a revista britânica Jane’s, especializada em defesa, o Exército colombiano apreendeu das Farc vários lança-foguetes antitanque AT4 fabricados pela sueca Saab Bofors Dynamics, que lamentou que as armas tenham parado nas mãos das Farc.

No domingo, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, denunciou que os guerrilheiros esquerdistas compraram lança-foguetes no exterior e que seu governo apresentou queixa através dos canais diplomáticos dos respectivos países, sem mencionar quais.

Em Caracas, o ministro venezuelano do Interior, Tareck El Aissami, rejeitou as denúncias de que um lote de armas vendido pela Suécia à Venezuela tivesse sido encontrado em um acampamento da guerrilha das Farc, alegando ser uma "nova investida" contra seu país.

– Desmentimos absolutamente que nosso governo ou nossas instituições estejam prontos a colaborar com organizações criminosas ou terroristas. Dá vontade de rir, parece um filme barato do governo norte-americano, os "pitiyanquis" da região – criticou El Aissami.

Para o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, a descoberta não representa uma novidade e requer atenção redobrada:

– Isso não é algo novo, e acho que requer muito mais cuidado e uma vigilância extrema – disse Santos à Rádio Caracol.

Mídia

Em sua última edição, a revista colombiana Semana também revela que, em duas operações, em julho e outubro de 2008, o Exército encontrou vários lança-foguetes de origem sueca nos acampamentos das Farc.

Após a constatação, o governo colombiano teria entrado em contato com o governo da Suécia, cuja embaixada em Bogotá confirmou que os números de série das armas correspondem a um lote vendido pela empresa Saab Bofors Dynamics ao Exército da Venezuela, segundo a revista.

No início deste mês, o jornal colombiano El Tiempo também publicara um artigo, citando fontes do Executivo, no qual destacava que o governo está analisando "informações" que indicam que as Farc estariam adquirindo mísseis russos através de contatos na Venezuela.

27 julho 2009

Comandos vão redistribuir tropas

Daniel Rittner, De Brasília – Valor

As Forças Armadas preparam uma redistribuição espacial de suas tropas. O Comando da Aeronáutica resolveu abrir, nos próximos anos, sua primeira base permanente na região Norte. Será em Manaus e terá uma frota de caças F-5, modernizados pela Embraer, para dar combate imediato a qualquer ameaça em território amazônico. No comando da Infraero até agosto, o tenente-brigadeiro Cleonilson Nicácio da Silva acaba de concluir uma espécie de "permuta" com a FAB.

Em troca de um terreno para a expansão do aeroporto de Florianópolis, cederá áreas no aeroporto de Manaus para a construção da nova unidade militar. Uma segunda pista de pouso e decolagem, a ser construída em cerca de quatro anos, servirá tanto à aviação comercial quanto os caças, informou Nicácio, que assume no mês que vem o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, um dos principais postos da Aeronáutica. O brigadeiro deverá ser substituído por Murilo Barbosa, chefe de gabinete do ministro da Defesa, Nelson Jobim.

O Exército, no documento "Estratégia Braço Forte", detalha os seus planos de redistribuição.

Foram criados dois programas - Amazônia Protegida e Sentinela da Pátria - , que aumentarão o contingente de soldados e oficiais. O primeiro programa visa fortalecer a presença militar terrestre na região e ampliar a vigilância e o monitoramento das fronteiras amazônicas. Serão implementados 28 novos pelotões especiais de fronteira. Eles se somarão aos 21 existentes, que passarão por uma modernização.

O programa Sentinela da Pátria prevê o reforço das estruturas operacional e logística dos comandos militares de área. Inclui basicamente projetos relacionados à transferência, transformação e implantação de unidades. No curto prazo, até 2014, destacam-se os projetos em andamento de implantação da brigada de operações especiais em Goiânia, a transferência da 2ª brigada de infantaria de selva para São Gabriel da Cachoeira (AM) e a reestruturação da força de blindados.

No médio prazo, o programa contempla a transferência da brigada de infantaria Paraquedista para Anápolis (GO) e sua substituição, no Rio, por uma de infantaria leve. Haverá ainda criação de novas unidades de aviação (em Manaus e Campo Grande) e antiaérea (Brasília).

Na Marinha, as mudanças abrangem a criação de uma segunda esquadra e de uma divisão anfíbia no Norte/Nordeste, que também ganharão uma nova base naval. No geral, a Estratégia Nacional de Defesa sugere uma redistribuição territorial que permita o rápido deslocamento das tropas por todo o território brasileiro. A partir dos planos elaborados para cada um dos três comandos, o Ministério da Defesa proporá à Presidência da República um projeto de lei de equipamento e de articulação da Defesa Nacional.

Crise e aperto fiscal afetam modernização das Forças Armadas

Daniel Rittner, de Brasília – Valor

A crise econômica e a queda da arrecadação tributária ameaçam transformar em peça de ficção os planos de reaparelhamento e modernização das Forças Armadas, que ganharam impulso com a Estratégia Nacional de Defesa, divulgada em dezembro. Os investimentos para a compra e a reforma de armamentos chegaram a ser contingenciados em até 47% neste ano, comprometendo o planejamento dos militares. Para 2010, em meio à lenta recuperação da economia, os três comandos estão pedindo um orçamento que excede em até oito vezes os níveis atuais de investimentos.

O Exército foi o primeiro a detalhar, em novo documento, seus planos de reaparelhamento e modernização para as próximas duas décadas. Preocupado com a "ocorrência de ações" que podem deixá-lo em situação de "acentuada visibilidade" na Copa do Mundo - e, possivelmente, nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro -, o Exército estima a "necessidade emergencial" de aplicar pelo menos R$ 2 bilhões todos os anos, até 2014. "O caráter de emergência decorre do acentuado índice de indisponibilidade e do elevado grau de sucateamento que atingem todo o Exército", diz o documento, intitulado "Estratégia Braço Forte".

As restrições orçamentárias indicam um cenário bem menos promissor para os generais. Quase todos os contratos de defesa têm financiamentos de longo prazo, o que ameniza o problema da imediata escassez de verbas, mas o pagamento das parcelas sai do orçamento anual das Forças Armadas. Os recursos do Exército para 2009, já incluindo crédito especial para a construção do QG do Comando Militar do Planalto, alcançam R$ 458 milhões. No entanto, diante da queda de receitas tributárias com a crise, o governo deixou R$ 148 milhões contingenciados.

A tesoura nos orçamentos militares contraria a espinha dorsal da estratégia de defesa: o fortalecimento da indústria brasileira de armamentos. O plano de reaparelhamento do Exército fala em priorizar "a progressiva nacionalização e as aquisições no mercado interno", com o desenvolvimento tecnológico de sistemas e produtos, como a viatura Urutu III, pertencente à nova família de blindados do comando.

Com o dinheiro sendo liberado pouco a pouco, torna-se mais difícil comprometer o setor privado com o desenvolvimento de projetos, argumenta Jairo Cândido, diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Fiesp. "A indústria de defesa é diferente de outros setores. Os projetos nascem em parceria com as empresas e elas não podem se envolver em um programa que não seja prioritário para as Forças Armadas e sem compromisso de compra ao fim desse projeto", afirma ele.

Como não há previsibilidade sobre as liberações de orçamento, Cândido nota que os militares ficam sujeitos à tentação de comprar apressadamente novos equipamentos, mesmo que seja no exterior, a fim de evitar que os recursos se percam ao término do ano fiscal. "E aí prevalece a lei do mínimo esforço: comprar um equipamento pronto em vez de desenvolver um projeto nacional de longo prazo", complementa.

A Estratégia Nacional de Defesa, preparada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa) e pelo exministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), listava 22 iniciativas - projetos de lei, decretos e planos internos - que o governo se comprometia a tomar até fim de 2010. Do total, 20 ações estavam previstas para encaminhamento até junho de 2009, mas o ministério não divulgou nenhuma delas.

Entre as medidas estava a criação de um regime jurídico especial para a indústria nacional, viabilizando incentivos tributários e desamarrando-a da Lei de Licitações. Também havia a previsão de uma proposta para garantir, de forma continuada, a alocação de recursos orçamentários sem os riscos de contingenciamento. Procurado há duas semanas, o Ministério da Defesa não informou o estágio das ações.

"É preciso alocar recursos para as Forças Armadas e saber que se pode contar com essas verbas", afirma o pesquisador de assuntos militares Expedito Bastos, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele cita como exemplo o Chile, que vincula 10% de suas receitas com a exploração do cobre a investimentos nas Forças Armadas. "Por isso, elas conseguem manter-se no topo tecnológico", diz. No Brasil, cabe à Marinha, conforme a Lei do Petróleo, fatia de 15% dos royalties sobre a produção de óleo em plataformas continentais, mas foram bloqueados mais de R$ 3 bilhões desde 1997.

A Marinha foi contemplada em 2009 com um orçamento de R$ 544 milhões para programas de reaparelhamento e modernização - volume 18% superior ao do ano passado -, mas os recursos efetivamente disponíveis caíram para R$ 355 milhões após o contingenciamento definido para arrumar as contas do governo.

Em plano de reaparelhamento recém-concluído, foram definidas oito prioridades. Elas incluem submarinos e torpedos - projeto que abrange a compra de quatro submarinos franceses e a conclusão do primeiro submarino nuclear brasileiro -, helicópteros, a modernização do porta-aviões São Paulo e navios-patrulha para emprego na Amazônia e no Pantanal.

O plano tem um horizonte de 21 anos, aponta projetos necessários para "proporcionar a capacidade plena de cumprir as tarefas básicas do poder naval" e está estruturado na "priorização da indústria nacional de material de defesa e na redução da indesejável dependência externa". Para o primeiro ano de vigência, em 2010, prevê-se um investimento de R$ 4,7 bilhões. Parece algo pouco factível, já que soma oito vezes e meia o orçamento deste ano, sem levar em conta o contingenciamento.

Para o professor da UFJF, os comandos às vezes funcionam como "ilhas fora da realidade" ao elaborar esse tipo de plano. "Como podemos convencer a sociedade de que é necessário ter um submarino nuclear se ela não se sente bem atendida nos postos de saúde mais básicos?", questiona Bastos. Ele elogia os conceitos da Estratégia Nacional de Defesa, mas acentua: "É uma carta de intenções, que precisa ser executada, mesmo que parcialmente".

A FAB busca implementar um plano com investimento anual de R$ 1,5 bilhão. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informou que as prioridades são os projetos "ora em andamento", como a aquisição dos helicópteros franceses de multiemprego EC725, os helicópteros de ataque russos MI-35 e bilionário programa F-X2, para a compra de um lote inicial de 36 caças, que "representa alta prioridade devido aos aspectos estratégicos que lhe são inerentes".

A Fiesp acredita que, no segundo semestre, estará pronto um projeto de lei complementar discutido com o governo para mudar o artigo 24 da lei 8.666/93, dando mais flexibilidade na dispensa de licitação para produtos de defesa. A federação também reivindica tratamento tributário isonômico em relação a fornecedores estrangeiros, que têm isenção fiscal nas vendas ao governo.

Cândido, da Fiesp, avalia que "há uma pauta grande de assuntos para serem enquadrados em uma série de novas legislações", mas enaltece a Estratégia Nacional de Defesa. Para ele, é a primeira vez em que o tema é tratado como política de Estado, não de governo. O diretor acredita que o caso dos caças do F-X2 e o dos submarinos franceses demonstram o comprometimento em negociar transferência de tecnologia e estabelecimento de parcerias comerciais. "Há uma mudança de postura do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Acho que estamos andando."

Índia entra no grupo de países que têm submarino nuclear

DA REDAÇÃO – Folha de São Paulo

A Índia inaugurou ontem, em Visakhapatnam, no Estado de Andra Pradesh, seu primeiro submarino de propulsão nuclear, capaz de lançar mísseis. Até então, apenas China, França, EUA, Reino Unido e Rússia haviam construído seus próprios submarinos. Pela entrada ao seleto grupo, o premiê indiano, Manmohan Singh, qualificou o evento de "histórico".

Ele declarou à agência Press Trust of India que o submarino não tem intenções bélicas, mas é importante para a defesa nacional. "O mar se torna cada vez mais relevante para os interesses de segurança da Índia, e precisamos nos adaptar a essa mudança", disse.

O principal objetivo no incremento da força naval indiana é conter o interesse da China na região.

Apesar de os dois países serem parceiros comerciais, preocupa os indianos o fato de Pequim continuar a fornecer armas para Paquistão (que possui arsenal nuclear) e Sri Lanka.

O Arihant (destruidor de inimigos, em português) tem 6.000 toneladas e é capaz de atingir 44 km/h. Antes que possa ser utilizado, ele ainda terá de ser testado por ao menos dois anos no golfo de Bengala.

Este é o primeiro de outros dois submarinos que serão construídos com apoio técnico da Rússia, num projeto de US$ 2,9 bilhões.

Mudança de bases dos EUA atrai críticas

Vizinhos veem “agenda oculta” em saída do Equador para Colômbia

Ruth Costas – O Estado de São Paulo

Por alguns anos, países do "eixo bolivariano" toleraram a presença de agentes dos EUA em seu território para não serem acusados de leniência em relação a um inimigo comum - o narcotráfico. Mas, segundo especialistas, era questão de tempo até que houvesse um rearranjo para adequar a distribuição das forças dos EUA à divisão política da região. Esse processo culminou na semana passada com o anúncio da saída dos EUA da base de Manta, no Equador, e da possível transferência das atividades para bases na Colômbia.

A notícia levou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que em 2005 expulsou do país a agência antidrogas dos EUA (DEA), a anunciar a "revisão das relações" com Bogotá. "Quem aceitar uma base americana em seu país é um traidor da pátria", fez coro o líder boliviano, Evo Morales, que no ano passado também suspendeu a cooperação com a DEA. Até fontes brasileiras manifestaram preocupação com a maior proximidade de tropas americanas da Amazônia.

O acordo com a Colômbia prevê o uso das bases aéreas de Malambo, Palanquero e Apiay durante dez anos. Se aprovado, o número de militares dos EUA no país pode subir de 250 para 800. O total investido seria de US$ 5 bilhões, pouco mais do que já foi consumido pelo Plano Colômbia desde 2002.

"Ainda é cedo para dizer se o governo de Barack Obama fará mudanças na política de segurança para a região, mas ele parece estar seguindo o caminho dos antecessores'', disse ao Estado Joy Olson, diretora da ONG Washington Office on Latin America (WOLA).

Para o cientista político Luis Fernando Ayerbe, professor de Relações Internacionais na Unesp e Unicamp, há ao menos a mudança no discurso. "No governo de George W. Bush, o centro da política americana era a guerra ao tráfico, mas fazia-se uma correlação com o terrorismo. Hoje o discurso associa o problema à criminalidade", diz.

A presença militar americana na região começou a sofrer mudanças nos anos 90, com o fim da Guerra Fria. Até então, os EUA sempre tiveram um inimigo claro - primeiro o intervencionismo europeu, logo a influência da Alemanha nazista e, por fim, o comunismo. Aos poucos a guerra às drogas tornou-se o centro da ação americana.

Em 1999, os EUA devolveram a última das dezenas de instalações militares que mantinham no Panamá. Dois anos antes, a sede do Comando Sul, que coordena os militares na região, havia sido transferida para Miami. Segundo Margaret Daly Hayes, vice-presidente da consultoria de segurança Evidence Based Research, desde então passou-se a dar mais ênfase à cooperação que a ações unilaterais. Em vez das tradicionais bases, ganhou força o modelo de Postos de Operação Avançados (FOL), cujo nome mais tarde foi cuidadosamente amenizado para Centros de Segurança Cooperativa.

Trata-se de uma série de missões menores, sem capacidade para lançar grandes ofensivas.

"Desde a saída do Panamá não vemos uma grande concentração de tropas dos EUA na região", diz Gabriel Marcella, ex-conselheiro do Comando Sul. Até o vocabulário mudou: "assessores" viraram "equipe de apoio" e "ações civis", "ações civis humanitárias".

O novo discurso, porém, não convenceu muitos líderes de esquerda, que acusam os americanos de ter uma agenda oculta e citam questões históricas, que começam com a invasão do México, no século 19, e o ensino de técnicas de tortura para militares de ditaduras na região durante a Guerra Fria.

"Além disso, muitos líderes antiamericanos precisam criar uma ?ameaça constante? para legitimar sua política externa e fortalecer-se internamente", acusa Marcella.

A desconfiança é mútua. Para os EUA, o fortalecimento do discurso antiamericano, a recente corrida armamentista na região e a aproximação de Chávez com Irã, China e Rússia também tornaram-se fontes constantes de preocupação.

"É difícil negar que não haja outros interesses nas missões americanas", diz Joy. "Os militares dos EUA querem estar preparados para qualquer eventualidade. Esses programas de treinamento e ajuda humanitária também são uma forma de promover o engajamento."

Os EUA apontam o aumento do tráfico em território venezuelano como um dos problemas causados pela falta de cooperação. Segundo relatório da ONU, pela Venezuela já passam 40% da cocaína que chega à Europa. Por outro lado, apesar de todos os investimentos de Washington, a Colômbia ainda produz mais de 80% da cocaína consumida pelos americanos.

A esperança do governo colombiano é que o novo acordo traga resultados mais significativos. O risco, segundo analistas, é que o país fique mais isolado na região. Ser amigo dos EUA pode ser tão complicado quanto ser inimigo. É em parte por isso que, apesar de todos os recursos que os EUA têm a oferecer, países como o Brasil preferem uma distância segura.

Exército vai negociar com principais fornecedores

Jornal do Brasil

O secretário de Defesa, Robert Gates, quer que o Exército renegocie um acordo lucrativo para o principal contratante dos Sistemas de Combate do Futuro, a Boeing, que teve garantida uma tarifa base muito mais alta do que a maioria dos contratantes do Pentágono. A Boeing e sua sócia, SAIC Inc., ficaram de ganhar US$ 2 bilhões antes de eles mostrarem que os componentes do sistema funcionavam juntos.

A revisão do programa de Combate do Futuro, um dos mais caros do Pentágono, reflete a pressão cada vez maior para o Exército redirecionar os recursos de planos para guerras convencionais para a possibilidade de outros conflitos envolvendo insurgentes que se arrastam por muito tempo.

A ideia para os novos sistemas de combate surgiram depois de a invasão por Saddam Hussein ao Kuwait em 1990 expor uma brecha nas capacidades do Exército.

Os EUA voaram em uma divisão de infantaria para defender a Arábia Saudita, mas o país teve de enviar seus tanques pelo mar. Então, o Exército quis criar uma opção mediana – brigadas especiais com veículos de combate leves suficientes para serem transportados pelo ar. Ele também compreendeu que a habilidade para detectar inimigos a distâncias maiores reduziria a necessidade de blindagem.

Mas para receber a inteligência de aviões movidos por controle remoto, pequenos robôs e outros sensores, o Exército precisou criar um vídeo e rede de dados diferente de qualquer outro – algo parecido com um sistema de celular sem as torres de transmissão fixas.

Os oito veículos diferentes propostos seriam construídos com blindagem composta leve e teriam a habilidade de atirar projéteis para neutralizar mísseis.

Os custos também inflaram. Estimativas para equipar um terço das brigadas do Exército com os sistemas subiram de US$ 92 bilhões para US$ 160 bilhões.

26 julho 2009

Primeiro acidente com os novos Kfir colombianos


A Força Aérea Colombiana informou que um de seus novos caças Kfir, acidentou-se ontem (20/07) ao pousar no aeroporto de Cartagena.

O avião era tripulado por israelenses e estava em provas de aceitação, não havendo feridos. Foi enviada uma comissão inspetora da FAC para auxiliar nas investigações da causa do acidente.

Consórcio de 12 nações recebe seu primeiro C-17 Globemaster III

Um total de três unidades do consórcio SAC - Strategic Airlifit Capability - deverá operar a partir da Base Aérea de Papa, na Hungria

Em cerimônia realizada no último dia 14 de julho, a Boeing entregou o primeiro C-17 Globemaster III para o consórcio SAC - Strategic Airlift Capability (literalmente, Capacidade de Transporte Aéreo Estratégico). Até o dia 27 de julho, a aeronave deverá chegar à Base Aérea de onde vai operar: Papa, na Hungria, onde está sendo ativada a unidade operacional que recebeu a denominação de HAW - Heavy Airlift Wing (Ala de Transporte Aéreo Pesado), cujo primeiro comandante é o coronel da USAF John Zazworsky. As duas outras aeronaves deverão ser entregues em setembro e outubro deste ano.

Os doze países que compõem o consórcio SAC, cujo investimento é baseado em horas de voo são (em ordem alfabética): Bulgária, Eslovênia, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, Holanda, Hungria, Lituânia, Noruega, Polônia, Romênia e Suécia. Somam-se aos EUA onze países europeus, sendo 9 pertencentes à OTAN e dois membros da “Partnership for Peace” (Parceria pela Paz), Suécia e Finlândia. Os custos de aquisição e manutenção das aeronaves são divididos entre os 12 membros do consórcio.

Uma composição multinacional de 140 pessoas operará as aeronaves a partir da Hungria, dando suporte a operações da União Europeia, Nações Unidas e OTAN, visando especialmente as realizadas no Afeganistão.

22 julho 2009

Projeto Brasil Potência: desafio à vocação estratégica de seus líderes

CARLOS ALBERTO PINTO SILVA – Monitor Mercantil

General de Exército da reserva, ex-comandante de Operações Terrestres (COTer) do Comando Militar do Sul (CMS) e do Comando Militar do Oeste (CMO).

POLÍTICOS

A aludida desglobalização na economia e a presumível reglobalização no quadro político mundial força o Brasil a buscar uma nova posição, aquela que deve ser a nossa posição, no conserto das nações desenvolvidas neste século, onde existe uma tendência à militarização da resposta aos problemas.

Atualmente, existem diversos estudos no campo das relações internacionais que procuram estabelecer níveis de "status" entre as nações, a maioria deles divide-as em média potência, potência regional, superpotência emergente e grande potência. Nações que não se enquadram nesses conceitos são consideradas periféricas e, portanto, de pouca ou nenhuma importância no jogo estratégico internacional.

Média potência, ou potência média, é um termo usado no campo das relações internacionais para descrever os Estados que não são superpotências ou grandes potências, mas que possuem algum grau de influência global, embora não tenham, obrigatoriamente, dominância sobre qualquer área geográfica mundial.

Esses países normalmente buscam constituir grupos com o objetivo de se fortalecer, sem necessariamente se submeter à liderança dos mesmos Potência regional é a denominação utilizada para descrever um país com poder e influência suficientes para exercer determinado controle sobre sua região geográfica, enquanto superpotência emergente é o Estado considerado com potencial satisfatório para alcançar a condição de superpotência, ou próxima de superpotência, ao longo do Século XXI. Neste caso, quatro nações emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China (os BRICs) - são consideradas como detentoras desse potencial.

Por fim, grande potência é o "status" atribuído ao país que, por seu poderio econômico, político e militar é capaz de exercer o poder além (por cima) da diplomacia. O fim da Segunda Guerra Mundial viu os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética (atualmente a Rússia, como herdeira) emergirem como os vencedores primários. A China e a França, mesmo como atores secundários, tiveram a sua importância reconhecida, sendo incluídas no grupo de países com assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU).

Por essas definições fica evidenciado que Brasil pode figurar nas posições de média potência, potência regional e superpotência emergente, bem como que a China, país emergente pertencente aos chamados BRICs, já é considerada uma grande potência. Nesse contexto, faz-se imperativo que o país determine o papel que quer representar, pois, sem definir, o mais rápido possível, o nível que ocupará no complexo concerto das nações e nem visualizar a sua evolução no futuro, dificilmente poderá estabelecer que poderio bélico deva, hoje e amanhã, estar à sua disposição para garantir a posição almejada.

Nunca, como hoje, houve tão boas condições para que um país como o Brasil alce sua voz na América do Sul e no mundo. Convivemos com a ameaça de uma desglobalização em termos econômicos e uma verdadeira reglobalização no sentido de campanhas de impacto global (poluição, meio ambiente, uso da água, terrorismo, democracia, produção agrícola). O que foi feito pelo Brasil para a integração da America do Sul, na edificação da ordem democrática e econômica e na construção de políticas capazes de aliviar a pobreza, credencia-o como ator importante e participe da reconstrução da nova ordem mundial. O momento é de compartilhamento de lideranças.

Falar de oportunidades na atual conjuntura, não é igual ao que ocorria no passado. Hoje crescem de importância as instituições de defesa e o país que não entender que estas Instituições são essenciais e centrais, está perdendo uma grande oportunidade.

É hora, então, de passar a questionar: como ajustar o poderio bélico nacional à estatura políticoestratégica do Brasil, considerando o momento atual e o futuro? Qual a percepção da política nacional no que se refere ao atual posicionamento do Brasil no âmbito internacional? Onde está o país hoje? Qual a prioridade estabelecida? O Brasil pretende ser a potência regional no âmbito sul-americano? Já se considera a potência regional sul-americana? Pretende ser reconhecido como potência regional não apenas no âmbito da América do Sul, mas atingindo os níveis alcançados pelas demais potências regionais mundiais? Deseja prosseguir sua evolução e se firmar como uma superpotência emergente? Quais os prazos visualizados pelo poder político nacional para alcançar os patamares desejados?

Um ponto fundamental para definir a estatura político-estratégica do Brasil esta na manutenção da hegemonia na América do Sul e da sua capacidade de intervir militarmente em qualquer parte do território nacional e no entorno geoestratégico de interesse (América do Sul, Caribe e África Atlântica). Para tanto, tem que iniciar a implementação de um Projeto Brasil Potência, que por seu poderio econômico, político e militar capacite-o a exercer o poder concomitantemente ou, até mesmo, além da diplomacia, condição necessária para que as posições que assumir sejam consideradas pelas demais nações antes da tomada de uma ação diplomática ou militar.

A história mostra que "a estatura estratégica de um país é influenciada pela vocação estratégica de seus lideres políticos", assim, chega, então, o momento em que devemos dirigir aos políticos e, por conseguinte, a seus eleitores, a seguinte questão: estão as Forças Armadas brasileiras, hoje, adequadamente ajustadas à "estatura político-estratégica" que se quer para o Brasil?

Que o desafio estimule nossas elites porque "a facilidade é inimiga da civilização e o estimulo humano aumenta de força na razão da dificuldade", como afirmou Arnold Toynbee.

Marinha suspende aulas em escolas

O Dia

A Marinha suspendeu as aulas na Escola Naval e no Centro de Instrução Almirante Alexandrino, de formação de praças. A medida foi adotada devido ao crescimento do número de casos de militares com os sintomas de gripe. As aulas estão interrompidas até segunda-feira, quando será feita nova avaliação. Profissionais que trabalham na Escola Naval afirmam que há 34 pessoas com sintomas, o que não é confirmado oficialmente.

Ainda ontem, a instituição comunicou a morte do cabo Alexandre Pinto Ferreira, 35, sexta-feira, em consequência de uma parada cardiorrespiratória. Apesar de apresentar febre alta, tosse e secreção, a Marinha não informou se investiga se o cabo foi vítima de gripe suína. Ele integrava a tripulação do Navio-Escola Brasil, que estava atracado no Chile. Médicos tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu.

Inquérito foi aberto para apurar a morte.

Entre as 21 mortes confirmadas no Brasil, apenas uma foi registrada em paciente idoso: uma mulher de 68 anos, moradora de São Paulo. Para o infectologista Antônio Pignatari, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, o dado pode revelar a ocorrência do que os especialistas chamam de “proteção cruzada”. “Acredito que os idosos estão com uma certa proteção relacionada à vacinação contra a gripe sazonal”, diz o especialista.

Hoje, a Austrália realizará os primeiros testes no mundo de uma vacina contra a gripe suína. A empresa australiana CSL fará os experimentos com 240 voluntários com idades entre 18 e 64 anos.

Comando da FAB quer investigação sobre controlador

Aeronáutica questiona conduta de associação, que estimula denúncias

Bruno Tavares – Jornal do Brasil

O comando da Força Aérea Brasileira (FAB) requisitou à Procuradoria-Geral da Justiça Militar a abertura de investigação sobre a conduta da diretoria da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA). A entidade, representante de controladores militares, publicou em seu site mensagens orientando os filiados a encaminhar, por e-mail ou carta, denúncias e reclamações sobre o sistema de controle do tráfego. Os chefes da FAB interpretaram a atitude como um desrespeito ao artigo 214 do Código Penal Militar.

O dispositivo prevê detenção de seis meses a um ano para quem "propalar fatos, que sabe inverídicos, capazes de ofender a dignidade ou abalar o crédito das Forças Armadas ou a confiança que estas merecem do público". O ofício foi expedido pela chefia de gabinete do tenente-brigadeiro Juniti Saito, comandante da FAB. Encaminhado em caráter confidencial à Procuradoria-Geral no início deste mês, o documento foi distribuído aos procuradores do 2º Ofício da Procuradoria Militar, em Brasília. O Estado apurou que agentes já começaram a fazer diligências para tentar descobrir qual seria o intuito da associação e verificar se houve conduta criminosa.

Não é a primeira vez que integrantes da ABCTA são alvo de investigação. Há dois anos, a FAB indiciou por motim seis sargentos controladores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, a maioria ligada à associação. O grupo foi acusado de liderar a greve que paralisou todos os aeroportos do País em 30 de março de 2007. Na ocasião, Saito determinou o afastamento imediato de 14 controladores para tentar debelar a crise.

A disputa entre FAB e controladores teve início depois do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, que matou 154 pessoas, em setembro de 2006. Criticada por sua atuação no episódio, parte da categoria se insurgiu contra o que classificou de "insensibilidade" dos superiores, passando a apontar falhas no sistema de controle aéreo e falta de pessoal.

A Aeronáutica sempre negou o sucateamento do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea) e, desde então, mantém vigilância sobre a associação. Neste ano, auditoria da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao) deu nota 95 para o Decea.

OUTRO LADO

O advogado Roberto Sobral, defensor da ABCTA, criticou o pedido de investigação. "É uma estratégia para tentar barrar a publicação da revista da associação." O defensor disse que o controle militar "está com os dias contados". "É uma atividade civil e que não se confunde com a defesa do espaço aéreo", afirmou. Sobral também disparou contra a Justiça Militar: "É um tribunal de exceção. A FAB só pede esse tipo de investigação porque sabe que pode contar com a complacência do Ministério Público Militar."

Cabo da Marinha morre no Chile

Segundo o comando, ele teve infecção bacteriana, mas gripe suína foi descartada

Jornal do Brasil

A Marinha informou ontem que o cabo Alexandre Pinto Ferreira, tripulante do Navio-Escola "Brasil", morreu na última sexta-feira, à bordo da embarcação, que estava atracada na cidade de Valparaíso, no Chile. Segundo a força marítima, o cabo sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Três dias antes, o militar teria procurado a enfermaria do navio, queixando-se de tosse e secreção, com febre de 40 graus. O médico de serviço deicidiu então interná-lo ali. Ainda de acordo com informações da Marinha, exames laboratoriais indicaram infecção bacteriana, e o militar foi medicado com antibiótico e antitérmico. Na véspera de sua morte, o paciente apresentou importante melhora em seu quadro clínico e continuou sendo acompanhado pela equipe médica do navio. Porém, na manhã de sexta-feira passada, o cabo Pinto Ferreira apresentou parada cardiorrespiratória, morrendo após 50 minutos de procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar realizados por dois médicos de bordo.

No dia da morte do militar, o comando da esquadra, que realiza a 23ª Viagem de Instrução de Guardas-Marinha, representado por membros do Comando da Força de Superfície, do núcleo de assistência e pelo capelão naval, compareceram à residência do militar para prestar assistência à sua família. O traslado do corpo até o Brasil será feito por um avião da Força Aérea Brasileira, após a liberação do corpo. A Marinha negou que o militar tenha morrido de gripe suína.

Sindicância

O comandante do Navio Escola Brasil, capitão-de-mar-e-guerra Fernando Antonio Araújo de Figueiredo, instaurou sindicância para apurar as circunstâncias em que ocorreu o falecimento. De acordo com informações da Marinha, todos os tripulantes da esquadra "lamentam profundamente a insubstituível perda e solidarizam-se com a família Pinto Ferreira neste momento de dor".

O cabo Alexandre Pinto Ferreira era natural do Rio de Janeiro, tinha 36 anos e ingressou na Marinha em 2 de julho de 1990. Foi promovido a Cabo em 30 de setembro de 1996.

Com a finalidade de instruir os futuros oficiais da Marinha, oriundos da Escola Naval, a 23ª Viagem de Instrução do Navio-Escola Brasil passará por 21 portos de diversos países e abrangerá os continentes americano, europeu e africano, passando por 19 países.

A tripulação é composta por 410 militares – 32 oficiais, 219 praças e 159 guardas-marinha. Também estâo a bordo servidores civis e militares das Forças Armadas nacional e estrangeiras, entre eles aspirante-a-oficial do Exército, um da Aeronáutica, além de integrantes da marinha mercante do Brasil e de países como Alemanha, Angola, Canadá, Chile e Espanha.

Boeing aposta alto na Embraer

Parceria com empresa brasileira seria a resposta ao favoritismo francês declarado por ministro Jobim

Marcelo Ambrosio – Jornal do Brasil

O cronograma do projeto FX-2, de compra de 36 caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira, uma concorrência que pode alcançar valor total de US$ 2 bilhões, está entrando na reta final. Os três concorrentes fecharam contratos com empresas brasileiras que serão as beneficiadas com a transferência de tecnologia prevista, a parte do contrato considerada decisiva para a escolha do jato que substituirá os veteranos Mirages da 1ª Ala de Defesa Aérea, baseados em Anápolis.

Semana passada dois executivos da Integrated Defense Systems, o braço militar da Boeing, estiveram em Brasília para os acertos finais com parceiros nacionais. Otimistas, os fabricantes do F18EF SuperHornet estão confiantes que o pacote que prepararam será o escolhido para equipar a FAB. O nível da aposta é dado pela presença do próprio vice-presidente executivo da gigante aeroespacial, além de CEO da IDS, Jim Albaugh, na capital, e do principal gerente do projeto, Michael Coggins.

A chave da estratégia é uma parceria abrangente com a Embraer, uma das maiores fabricantes de jatos do mundo. Dos três candidatos – os outros são o Raffale francês e o Gripen NG sueco – o programa da Boeing é o que mais concentra a transferência em um só sócio local. Ao mesmo tempo também é um dos que conta com o maior envolvimento governamental: as missões comerciais que vieram a Brasília desde o ano passado sempre contaram com a participação de representantes tanto da área militar quanto da área civil de Washington.

– Fechamos 27 parcerias com companhias grandes como a Embraer, ou menores como Santos Lab e Mektron – afirma Albaugh, em um encontro reservado com o Jornal do Brasil no hotel onde se hospedava na capital federal. A visita, de acordo com o próprio vice-presidente, serviu para contatos com autoridades envolvidas no processo do Fx-2, além da finalização da lista de parceiros.

– Somos a maior companhia de produção de jatos do mundo e podemos fazer com que essas empresas participem de projetos de desenvolvimento do SuperHornet, em programas de reconhecimento e inteligência e nos sistemas de satélites. Cada real pago pelo Brasil será investido aqui – completou o vice-presidente, referindo-se à possibilidade de serem criados 5 mil empregos no país.

Outra aposta é o atrativo representado pela possibilidade de empresas brasileiras ganharem acesso ao cadastro de fornecedores do departamento de Defesa, algo que Albaugh aponta como uma importante abertura.

– Trata-se de uma perspectiva de negócios de R$ 1,5 trilhão para essas companhias. Isso permitirá que os brasileiros participem de uma cadeia ampla de suprimentos – avaliou. – Posso garantir que toda a tecnologia que foi pedida está sendo oferecida na nossa proposta, que é um plano de longo prazo, para 30 anos, nos quais os brasileiros estarão sempre integrados.

Em um encontro separado, Coggins deu detalhes sobre a abrangência do negócio com os fabricantes brasileiros e do que representaria esse passaporte para o cadastro, o acesso a um volume de compras em torno de US$ 60 bilhões por ano – o orçamento para aquisições no departamento.

- Dos 27 contratos que incluimos na nossa proposta, dez são com a Embraer. - revela Coggins ao JB.

Em termos de propaganda, a visita de Albaugh e Coggins ocorreu em um momento oportuno para a companhia. Coincidiu com a apresentação, dois anos e meio antes do prazo previsto, do primeiro SuperHornet produzido para a Força Aérea da Austrália, em um modelo de desenvolvimento similar ao que está sendo montado aqui.

Perguntado sobre as sensibilidades políticas que envolvem a proposta americana – o governo precisa autorizar a liberação das licenças, principalmente dos softwares – tanto Albaugh quanto Coggins se disseram tranquilos. Para o gerente do projeto, já houve avanços significativos ao longo do período de negociação entre o fabricante e as autoridades de defesa dos EUA. Em janeiro, das duas mil licenças necessárias para o F18EF, o Brasil não havia obtido aval para apenas sete. Coggins não revela se os vetos foram reduzidos, mas adianta um desdobramento importante em um ambiente no qual a plataforma vale menos que o conjunto de softwares que carrega.

– O sistema de gerenciamento de armas, por exemplo, obteve autorização integral de transferência para o programa do caça brasileiro – adiantou Coggins. Isso permitirá, segundo ele, que haja uma compatibilidade entre os gerenciadores e o armamento, que inclui a opção brasileira por um míssil ar-ar de fabricação nacional.

Executivos da IDS destacam capacidade de atender demanda

A visita dos executivos americanos foi um contraponto interessante à viagem de sete parlamentares brasileiros à França e do próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, que participou das festividades da data nacional francesa, o 14 de julho. Jobim, por sinal, falou a jornalistas brasileiros que o consórcio francês da Dassault, fabricante do caça Raffale, estaria com alguma vantagem na concorrência dado o formato e o nível de transferência de tecnologia apresentado na proposta francesa para o FX-2.

Neste caso, a negociação após a assinatura do contrato seria menos dependente de um acompanhamento do Estado, diferentemente do que prevê a forma de atuação dos EUA – na qual haveria consultas permanentes ao Pentágono a cada necessidade de mudança ou atualização dos sistemas. Diante da afirmação, Michael Coggins não pareceu preocupado.

– Estamos confiantes que a nossa proposta é a melhor e atende a todas as exigências que a Força Aérea faz no projeto. Além disso, a fórmula original prevê 80% de troca de tecnologia direta, ligada aos aspectos da operação da aeronave, e 20% de offset indireto. Estamos inteiramente dentro disso. Não estou nem um pouco preocupado quanto a esse aspecto.

Jim Albaugh também comentou sobre a capacidade da Boeing de atender à demanda do contrato, ao mesmo tempo em que disputa uma concorrência na Índia na qual a previsão é a de 126 aeronaves. A planta industrial de Saint Louis, Missouri, tem capacidade instalada para 42 aviões por ano.

– Podemos fazer mais. Estamos aumentando a participação da divisão de aviões nas vendas internacionais da companhia, que passaram de 5% em média nos últimos anos para 16% no ano passado, – explica Albaugh, acrescentando que o objetivo é bater a casa dos 20% em termos de vendas (embora recentemente a empresa tenha anunciado o corte de 10 mil postos de trabalho). – Estamos disputando também, além da Índia, na Dinamarca e na Grécia. Temos um programa de desenvolvimento constante - completou.

Boeing aposta alto na Embraer

Parceria com empresa brasileira seria a resposta ao favoritismo francês declarado por ministro Jobim

Marcelo Ambrosio – Jornal do Brasil

O cronograma do projeto FX-2, de compra de 36 caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira, uma concorrência que pode alcançar valor total de US$ 2 bilhões, está entrando na reta final. Os três concorrentes fecharam contratos com empresas brasileiras que serão as beneficiadas com a transferência de tecnologia prevista, a parte do contrato considerada decisiva para a escolha do jato que substituirá os veteranos Mirages da 1ª Ala de Defesa Aérea, baseados em Anápolis.

Semana passada dois executivos da Integrated Defense Systems, o braço militar da Boeing, estiveram em Brasília para os acertos finais com parceiros nacionais. Otimistas, os fabricantes do F18EF SuperHornet estão confiantes que o pacote que prepararam será o escolhido para equipar a FAB. O nível da aposta é dado pela presença do próprio vice-presidente executivo da gigante aeroespacial, além de CEO da IDS, Jim Albaugh, na capital, e do principal gerente do projeto, Michael Coggins.

A chave da estratégia é uma parceria abrangente com a Embraer, uma das maiores fabricantes de jatos do mundo. Dos três candidatos – os outros são o Raffale francês e o Gripen NG sueco – o programa da Boeing é o que mais concentra a transferência em um só sócio local. Ao mesmo tempo também é um dos que conta com o maior envolvimento governamental: as missões comerciais que vieram a Brasília desde o ano passado sempre contaram com a participação de representantes tanto da área militar quanto da área civil de Washington.

– Fechamos 27 parcerias com companhias grandes como a Embraer, ou menores como Santos Lab e Mektron – afirma Albaugh, em um encontro reservado com o Jornal do Brasil no hotel onde se hospedava na capital federal. A visita, de acordo com o próprio vice-presidente, serviu para contatos com autoridades envolvidas no processo do Fx-2, além da finalização da lista de parceiros.

– Somos a maior companhia de produção de jatos do mundo e podemos fazer com que essas empresas participem de projetos de desenvolvimento do SuperHornet, em programas de reconhecimento e inteligência e nos sistemas de satélites. Cada real pago pelo Brasil será investido aqui – completou o vice-presidente, referindo-se à possibilidade de serem criados 5 mil empregos no país.

Outra aposta é o atrativo representado pela possibilidade de empresas brasileiras ganharem acesso ao cadastro de fornecedores do departamento de Defesa, algo que Albaugh aponta como uma importante abertura.

– Trata-se de uma perspectiva de negócios de R$ 1,5 trilhão para essas companhias. Isso permitirá que os brasileiros participem de uma cadeia ampla de suprimentos – avaliou. – Posso garantir que toda a tecnologia que foi pedida está sendo oferecida na nossa proposta, que é um plano de longo prazo, para 30 anos, nos quais os brasileiros estarão sempre integrados.

Em um encontro separado, Coggins deu detalhes sobre a abrangência do negócio com os fabricantes brasileiros e do que representaria esse passaporte para o cadastro, o acesso a um volume de compras em torno de US$ 60 bilhões por ano – o orçamento para aquisições no departamento.

- Dos 27 contratos que incluimos na nossa proposta, dez são com a Embraer. - revela Coggins ao JB.

Em termos de propaganda, a visita de Albaugh e Coggins ocorreu em um momento oportuno para a companhia. Coincidiu com a apresentação, dois anos e meio antes do prazo previsto, do primeiro SuperHornet produzido para a Força Aérea da Austrália, em um modelo de desenvolvimento similar ao que está sendo montado aqui.

Perguntado sobre as sensibilidades políticas que envolvem a proposta americana – o governo precisa autorizar a liberação das licenças, principalmente dos softwares – tanto Albaugh quanto Coggins se disseram tranquilos. Para o gerente do projeto, já houve avanços significativos ao longo do período de negociação entre o fabricante e as autoridades de defesa dos EUA. Em janeiro, das duas mil licenças necessárias para o F18EF, o Brasil não havia obtido aval para apenas sete. Coggins não revela se os vetos foram reduzidos, mas adianta um desdobramento importante em um ambiente no qual a plataforma vale menos que o conjunto de softwares que carrega.

– O sistema de gerenciamento de armas, por exemplo, obteve autorização integral de transferência para o programa do caça brasileiro – adiantou Coggins. Isso permitirá, segundo ele, que haja uma compatibilidade entre os gerenciadores e o armamento, que inclui a opção brasileira por um míssil ar-ar de fabricação nacional.

Ataques taleban deixam 14 mortos

Suicidas usando burcas atacam base americana e prédios do governo em 2 cidades afegãs

Patrícia Campos Mello, JALALABAD, AFEGANISTÃO – O Estado de São Paulo

Uma série de ataques suicidas do Taleban causou a morte de pelo menos 14 pessoas no leste do Afeganistão ontem. Homens-bomba, muitos deles vestidos com burcas, atacaram agências governamentais em Gardez e uma base militar americana em Jalalabad, onde estava a reportagem do Estado (mais informações nesta página). Gardez é a capital da Província de Paktika, onde foi sequestrado pelo Taleban o soldado americano cujo vídeo foi divulgado nesta semana. Foram 15 homens-bomba no ataque a Gardez.

"Um dos suicidas detonou os explosivos diante do Departamento de Inteligência, matando três agentes. Pelo menos quatro suicidas foram mortos por policiais", disse o porta-voz da Província de Paktika, Rohullah Samoon. Dois policiais morreram quando outro suicida detonou seu cinturão-bomba diante da delegacia de Gardez.

Em Jalalabad, três homens-bomba tentaram invadir a base americana de Fenty, onde fica o aeroporto da cidade, próxima à fronteira do Paquistão. Eles mataram um policial que tentou detê-los e depois dispararam uma granada propelida por foguete contra a base. Dois militantes foram mortos antes de conseguir detonar seus coletes-bomba e outro foi preso.

No oeste do Afeganistão, a polícia da Província de Nimroz deteve ontem cinco afegãos que aparentemente planejavam cometer atentados suicidas, disse o governador Ghulam Dastagir Azad.

Os ataques marcam uma escalada na violência do Taleban e outros grupos de insurgentes a menos de um mês das eleições, que ocorrem no dia 20.

AUMENTO DE TROPAS

O envio de milhares de soldados - parte da nova estratégia do presidente Barack Obama - está provocando um aumento de confrontos e mais baixas. Até o final do ano, os EUA terão 68 mil soldados no Afeganistão.

Os atentados em Gardez ocorreram logo depois de um encontro entre funcionários da Província de Paktika e líderes tribais para discutir sobre a segurança durante as eleições.

Também no leste do Afeganistão, quatro soldados foram mortos na segunda-feira na explosão de uma bomba caseira na estrada. Julho é o mês com maior número de mortes de militares desde a invasão americana, em 2001. Trinta e um soldados americanos foram mortos desde o início do mês.

O Taleban opõe-se ao governo do presidente Hamid Karzai, apoiado pelos Estados Unidos e os outros países que lutam contra a insurgência no Afeganistão. O grupo governou o país entre 1996 e 2001, até ser deposto durante a invasão liderada pelos Estados Unidos, e agora luta para reconquistar o controle da área rural do Afeganistão.

Boas-vindas: explosão e muita fumaça

Patrícia Campos Mello – O Estado de São Paulo

Foram os 50 minutos mais longos da minha vida – espremida como uma sardinha em um C130, avião do exército americano, com 50 e tantos soldados. Viajei de Bagram até Jalalabad, que fica no leste do Afeganistão. Dentro do avião, é preciso por aqueles tampões de ouvido especiais e ficar com o capacete e o colete antibala. Que calor, meu Deus. Para se locomover, o oficial da Força Aérea vai pisando no joelho de todo mundo até chegar na frente do avião. Os soldados, esmagados, vão dormindo – inclusive porque o baruho é ensurdecedor, não ia dar mesmo para bater papo. Cheguei pingando na base Fenty, que tem umas mil pessoas.

Mal cheguei, já recebi as boas-vindas – uma explosão e um monte de fumaça.

“Anda, anda, isso aí foi morteiro vindo lá do portão”, disse-me o oficial que estava me recebendo. Naverdade, era uma rocket propelled granade, uma granada movida a foguete. Foi o segundo ataque à base em jalalabad em um dia. Pouco antes de eu chegar, dois homens-bomba tentaram invadir o portão, mas um foi morto pelos soldados e outro preso.

Segundo a tenente Liz Silver, esses ataques do Taleban não são muito normais, porque eles costumam atacar só a cada duas semanas, por ser uma base maior – Jalalabad tem 1000 pessoas. Os insurgentes atacam mais as bases menores. Aqui no leste, Nuristan e Kunar são as regiões mais perigosas. Vou para Nuristan amanhã, de onde parto para um posto avançado - uma minibase com dez a 20 soldados, que fazem missões nos vilarejos.

Em Bagram

Lá em Bagram, os americanos vivem como monges – não podem beber nadinha,e contrabandear uma cerveja é bem perigoso. Os poloneses, britânicos, franceses e alemães que estão na base podem – têm uma restrição de duas a três cervejas por dia. Fumar ainda é permitido. Houve uma conversa de proibir o fumo, mas foi esquecida, pelo menos temporariamente. “A gente ia ver uma revolta aqui, se nem fumar a gente pudesse”, diz a cabo Danielle.

Namorar tambem não pode, em tese. Houve algumas mudanças – agora homem pode entrar no quarto de mulher, desde que a porta esteja entreaberta. Em tese também miltar não pode namorar civil. Mas todo mundo contorna.

Os soldados têm um dia de folga por semana. E em cada rotação de um ano, uma folga de duas semanas.

Inimputável motora no Afeganistão

Mal começou a aventura aqui, e eu já estou ferida. Prendi o dedo no ventilador ontem – heróico, não? Uma das coisas que você só descobre quando chega: só se deve usar roupas de algodão no fronte. Isso porque logo após a explosão de uma bomba, vem uma onda de calor – e roupas sintéticas derretem e grudam na pele quando isso acontece.

Bagram e a guerra espalhada

Na super base americana, há 19 mil pessoas. E eles tentam fazer da base um mini-Estados Unidos, para o conforto dos soldados: tem Pizza Hut, Burger King, Popeye’s, sala de ginástica.

Aqui dentro de Bagram, a atuação do jornalista é restrita. Assino um termo de compromisso garantindo que não vou tirar fotos ou fazer entrevistas se não tiver escoltada por um oficial. Lá no campo, não é assim, poderei entrevistar quem quiser. Mas há regras de segurança – não posso revelar localizações exatas, ou detalhes de operações, por razões óbvias.

Do que venho escutando de colegas jornalistas, essa é uma guerra espalhada. Norte e Oeste do país estão mais calmos, Leste e sul, mais perigosos. Helmand e Kandahar, no sul, são os piores. Depois vem Kunar, Logar e Nuristan.

Um colega do NYTimes acabou de voltar de Helmand. Segundo ele, o calor era tanto, que todos dormiam ao ar livre – e como ele não tinha uma tela contra mosquitos, acordava cheio de bichos andando na cara dele.

Outro colega, um fotógrafo, contou que muitos soldados são vítimas de “choque hipertérmico”. A temperatura em Helmand chega aos 47 graus centígrados. Soldados voltam da patrulha e de repente desmaiam ou começam a vomitar. O remédio é radical, conta o fotógrafo. Abaixam a calça do soldado e enchem de água fria, além de medir a temperatura pelo reto. Se estiver muito alta (depois de passar essa vergonha toda, deve até baixar) ele é levado, de helicóptero, para receber tratamento.

21 julho 2009

Militar da Marinha é morto em assalto

Vítima estava armada e pertencia à diretoria de bateria da Portela

Camilo Coelho – Extra

Um dos diretores de bateria da Portela, Jefferson Viana, foi morto, sábado à noite, em uma tentativa de assalto, em Cavalcante. Conhecido como Van Damme, ele estava na Rua Mucio Teixeira, indo para a casa do mestre de bateria da escola, Nilo Sérgio, quando foi rendido. A polícia acredita que os bandidos pretendiam apenas levar o Peugeot do sambista, que era sargento da Marinha, mas teriam visto a arma que ele costumava carregar dentro da jaqueta. Van Damme foi atingido com um tiro quando já estava do lado de fora do carro e morreu no local.

— Se fosse uma execução, a gente encontraria marcas de tiro no carro. Acho que eles viram a arma e, por isso, atiraram. Nem levaram nada — disse um policial da 29ª DP (Madureira), onde o crime foi registrado.

Na tarde de ontem, amigos contaram que ele estava morando em Santos (SP), há dois anos, com a mulher e dois filhos. O mestre de bateria da Portela disse que ouviu disparos: — Eu ouvi os tiros e logo chegou gente aqui em casa dizendo que ele tinha sido assassinado.

Na semana passada, Edgilton Miranda, diretor de bateria da Império Serrano, também foi morto a tiros em Guadalupe.