31 agosto 2009

A Índia vai duplicar os seus SU-30 até 2015

DefenseNewsPt

A força aérea indiana anunciou a sua intenção de duplicar a sua frota de aviões Sukhoi SU-30 para o impressionante número de 230 aparelhos. Esta duplicação deverá ocorrer até 2015 e tornará a União Indiana no maior operador mundial daquele que é considerado pelo melhor caça de 4,5ª geração do mundo.

Atualmente, a Índia tem em inventário 98 SU-30, entre 40 fabricados na Rússia em 1996 e o resto fabricado localmente, sob licença num contrato que ultrapassou os 1,46 biliões de dólares. Nem todos estão contudo no padrão SU-30MKI, mais avançado que o SU-30, e esse trabalho está a ser gradualmente conduzido pela empresa aeronáutica indiana HAL. Deverá ser também esta empresa a produzir os novos SU-30, contudo, a empresa indiana tem tido vários problemas com a produção licenciada de aparelhos britânicos (Hawk) e russos (MiG e Sukhoi) evidenciado uma clara falta de capacidade de produção para estas necessidades. Isso poderá levar o Governo indiano a encontrar alternativas à HAL, nomeadamente procurando que a Sukhoi instale localmente uma unidade de produção…

A duplicação dos SU-30 permitiria abandonar todo o obsoleto (e perigoso) inventário de origem russa ainda operacional na Força Aérea Indiana, o qual mesmo hoje é de ainda 250 MiG-21s. A maioria destes aparelhos deveriam ser substituídos pelo HAL Tejas mas este programa tem conhecido dificuldades e atrasos uns atrás dos outros… Aliás, as suspeitas de que a HAL não será capaz de duplicar a produção de SU-30 vêm em parte daqui.

Embraer Recebe Primeira Parcela da FAB Para o KC-390


O programa da aeronave de transporte militar KC-390, que a Embraer desenvolve para a Força Aérea Brasileira (FAB), ganha reforço em setembro com a liberação da primeira parcela de recursos, no valor de R$ 40 milhões. O secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica, brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, confirmou a informação e disse que o cargueiro já é uma realidade do ponto de vista conceitual.

“Todos os requisitos técnicos foram definidos, assim como os prováveis parceiros de risco no seu desenvolvimento, entre eles Colômbia, Chile, Portugal e África do Sul”, afirmou o vice-presidente de Defesa da Embraer, Orlando Ferreira Neto. Atualmente, segundo ele, cerca de 80 engenheiros estão envolvidos no projeto do novo cargueiro, mas a previsão é que até meados de 2010 esse número cresça para 200 e, em 2011, para 400.

A Embraer, de acordo com o executivo, será responsável pelo desenvolvimento da aeronave e gestão dos parceiros estratégicos, fornecedores, projeto e integração da aeronave. O KC-390, pesando 20 toneladas, será o maior e mais complexo avião projetado pela Embraer, para missões de transporte de carga e reabastecimento.

Avaliado em US$ 1,3 bilhão, o KC-390 vai disputar um mercado estimado em 700 aeronaves, num prazo de 10 anos, o que representa um volume de negócios da ordem de US$ 13 bilhões, segundo cálculos da Embraer.

Como o projeto será desenvolvido pelo sistema de parcerias estratégicas, haverá compartilhamento de custos e riscos, a criação de laços de longo prazo entre as indústrias, as forças armadas e os governos dos países, além do estabelecer cotas de participação nas vendas dos aviões.

A Embraer acredita que as parcerias vão enriquecer as especificações técnicas do avião e garantir um produto mais adequado para as necessidades do mercado. O processo de negociação e contratação dos parceiros do projeto, segundo Neto, será conduzido pela FAB e auxiliado pela Embraer. “A nossa expectativa é que até o fim de maio de 2010 estejamos com todo o projeto definido do ponto de vista operacional”, disse.

Os primeiros trabalhos no projeto foram iniciados em maio. Os recursos previstos para serem liberados em setembro, segundo o executivo da Embraer, cobrem as necessidades deste ano em relação a concepção e definição da configuração da aeronave. “Os próximos meses serão de grandes definições em termos das tecnologias que a aeronave irá incorporar.”

Decisão do FX-2 no Final de Setembro, Com Muitas Novidades


Roberto Silva

A FAB afirmou que, somente no final de setembro sua análise final sobre o FX-2 será encaminhada ao ministério da Defesa. Tal análise englobará aspectos técnicos, operacionais, logísticos, de compensação comercial e industrial, e transferência de tecnologia.

O relatório da FAB poderá apontar um caça preferido ou apenas indicar vantagens e desvantagens de cada uma das aeronaves. A decisão será do presidente, com o possível aconselhamento do Conselho de Defesa Nacional (CDN).

Essa decisão de adiamento da FAB deverá dar mais fôlego a suecos e americanos, pois Sarkozy poderá voltar para casa sem a encomenda e o contrato assinado. As novidades ainda se amontoam uma sobre a outra e algum tempo a mais poderá nos favorecer.

Os americanos morderam com as 7 bases e assopraram com transferência tecnológica. Se jogarem pesado pata vencerem, ninguém mais chegará sequer aos pés deles em termos de compensações comerciais e industriais. Mas essa decisão é temerosa.

E é aí que entra a Embraer e os interesses de toda a nossa indústria de Defesa. Para o lado que a indústria brasileira tender, o governo terá que confirmar.

Segundo a revista EXAME, a tão propalada preferência do governo pelos franceses encontraria forte resistência entre os pilotos da FAB e na Embraer que, nos bastidores, estaria tentando convencer o governo de que o negócio seria ruim para a indústria nacional.

Isso ocorre porque a Dassault, mal das pernas, é uma das principais concorrentes da Embraer no mercado de aviões executivos com os jatos Falcon. E uma encomenda desse porte daria um fôlego extra aos franceses. Então, de qual lado estará a Embraer nesse quadro, se não estiver com os franceses?

Os suecos vêm aí e a Embraer poderia se associar à SAAB. Os americanos prometem comprar dezenas e dezenas de Super Tucanos para a sua US Navy e para os Marines, onde atuariam em operações especiais.

Eles agora querem se associar ao nosso Pré-Sal, ajudando a financiar esta epopeia. Isso sem contar com os espelhos, colares e miçangas que serão ofertados pelos EUA e que todos conhecemos e podemos prever.

Nossas Forças Armadas estão gravemente sucateadas e podem realmente precisar deles, mas sem abrir mão de grandes encomendas à nossa indústria. Ganharíamos tempo para cuidarmos da ameaça bolivariana. Mas valerá a pena? Veremos muita água passar sob a ponte até o final de setembro.

A Agência de Cooperação de Segurança Nacional dos EUA acaba de notificar o congresso lá sobre a possível venda de 28 F/A-18E Super Hornet, 8 F/A-18F Super Hornet, motores e peças para o Brasil, com valor estimado em US$ 7 bilhões, aproximadamente R$ 12,6 bilhões.

Exército exibe poderio bélico

Lançadores de mísseis, carros e tanques ficaram no Parque Ana Lídia até ontem



Pedro Wolff

Terminou ontem com a apresentação da banda oficial a exposição que o Exército Brasileiro montou desde sexta-feira no Parque da Cidade, em comemoração à semana da pátria. Na exposição, cada quartel de Brasília e Formosa (GO) apresentaram suas atribuições e aproximou-se do público com explicações sobre os equipamentos de defesa da soberania nacional.

No estande do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG), os chamados Dragões da Independência são responsáveis pela segurança dos palácios presidenciais, do presidente da República e chefes de Estado em visita ao País. O tenente Renato Lisboa Santucci do 1º RCG, um dos curadores da mostra, contou ao público a história secular de seu regimento, que faz parte da história do País.

"O regimento foi criado no dia 13 de maio 1808 e tinha o nome de Dragões Reais das Minas. Ele servia o Imperador Dom Pedro I", explicou. Os dragões faziam a guarda da estrada imperial. Renato Santucci fez alusão à farda histórica que ainda é usada. "Foi um presente da então Rainha da Inglaterra quando se casou com Dom Pedro I", contou.

TRADIÇÃO SECULAR

O fardamento utilizado pelo regimento ainda hoje segue os padrões do século XVIII. "Nessa época havia duas cavalarias. A ligeira responsável pelo combate propriamente dito e os Dragões, com guardas vindos de Lisboa, capital do Brasil colônia na época", acrescentou Santucci.

Santucci conta que o público estava muito interessado em saber o que significa as quatro cores dos penachos dos capacetes dos Dragões. "O capacete com penachos branco só é utilizado pelo comandante da unidade. O penacho amarelo simboliza os oficiais. Os de cor vermelha são utilizados pelos praças (sargento, cabo e soldado) e o verde para a banda de músicas", relatou.

Uma curiosidade é o porquê do rabo-de-cavalo no capacete. "Na época usava-se espada; o rabo de cavalo servia para proteger a nuca do soldado do fio da lâmina", explicou.

Os militares passaram boa parte do dia explicando ao público como funcionam as máquinas e armas no caso de uma guerra. Os caminhões lançadores de foguete, pertencentes ao 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes de Formosa (GLMF), apresentou os quatro tipos de mísseis do Exército brasileiro.

Também havia veículos meteorológicos, com a função de passar as condições do tempo para a viatura Controladora de Fogo. Com o aval desta, a viatura Lançadora Múltipla lança seu míssil para um alvo em terra. A viatura controladora de fogo ainda monitora a trajetória do míssil com seu radar. Com alcance entre 10 km a 80 km.

BLINDADOS E LANÇA-MÍSSIL

Com sua função de defender a soberania nacional e apresentar todos os equipamentos utilizados em uma guerra, o publico que visitou a exposição e a considerou divertida e interessante. Crianças corriam de um lado para o outro por meio de canhões de artilharia antiaérea e terrestre, subiam nos taques-de-guerra e se deslumbravam com os lança- mísseis, granadas e kits de sobrevivência na selva.

"Estou achando a exposição 10, excelente", disse a funcionária pública Lucileide Costa, 40 anos, moradora do Cruzeiro. Ela conta que viu ontem os blindados dentro do Parque pelo Eixo Monumental e resolveu trazer sua sobrinha para se divertirem. Sua sobrinha Gabriela Costa Ribeiro, 10 anos, comemorou a visita porque foi a primeira vez que andou a cavalo.

"Muito bom, meu filho passou por todos os carros e canhões. Foi bom para sabermos como funciona o nosso Exército", comemorou Aline Andaluza Batista, servidora de 33 anos, moradora do Park Way.

SAIBA +

A chamada guerra eletrônica é feita por três frentes: interferência, interceptação e comunicação de dados via rádio.

O Obuseiro L 118 irá substituir os canhões antiaéreos. Ele lança um míssil a 19 km com detector de calor das aeronaves. Antes do disparo, é resfriado com nitrogênio líquido.

28 agosto 2009

Aeronáutica: Gripen NG pode gerar projeto de caça brasileiro



O diretor geral da SAAB no Brasil, Bengt Janér, diz que o Gripen NG, finalista na escolha dos novos caças da FAB, pode ser desenvolvido em conjunto com agências de pesquisa e indústrias brasileiras.

País que fornecerá caças à Aeronáutica ainda está indefinido



Decisão do governo sobre país fornecedor de aviões militares de última geração ao Brasil sairá no segundo semestre. Após investida diplomática, EUA volta a disputar com França e Suécia.

Suspeita nuclear

Há muito está comprovada a insuficiência da garantia de que a França não passará tecnologia nuclear ao Brasil

Janio de Freitas

A SUSPEITA DE que a França passaria em segredo a tecnologia nuclear para um submarino brasileiro, tal como fez para Israel produzir bombas nucleares, emerge como a possibilidade de explicação racional para as estranhíssimas circunstâncias e o custo gigantesco da transação com submarinos que o Brasil negocia na França.

A transferência de tecnologia nuclear fere acordos internacionais, inclusive compromissos com a ONU, tanto por parte de quem proporcione como de quem receba as informações tecno-científicas.

Nem por isso o então presidente De Gaulle deixou de surpreender-se ao descobrir que seu país instruíra os israelenses. Assim como o também presidente Kennedy, com informações de seus serviços secretos, foi ludibriado quando quis ver a central nuclear de Israel: montaram às pressas para mostrar-lhe, confiantes em seu desconhecimento específico, as aparências de uma central para uso civil -e, desde ali, Kennedy e seu governo passaram a defender Israel das acusações de nuclearização transgressora. Estes fatos estão documentados, embora também mantidos em quase segredo pela historiografia e pelo jornalismo.

O Paquistão e a Índia são dois outros exemplos de nuclearização transgressora, o primeiro por intermédio dos Estados Unidos; a outra, da União Soviética depois Rússia.

O acordo básico assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy é explícito na afirmação de que os fornecimentos pelos franceses não envolverão transferência de conhecimentos nucleares. Mas há muito está comprovada a insuficiência de tal garantia.

O alarme inicial com o acordo não decorreu, porém, de suspeita nessa linha. Começou com a data de sua assinatura: 23 de dezembro de 2008. Claro que com o mínimo de repercussão e curiosidade, a data foi vista como propósito de manter despercebido um acordo de fins militares neste país que proclama o pacifismo absoluto. Com a nova suspeita, a data passa a ser vista como mais condicionada pela distração natalina exterior.

O acordo, cuja assinatura final está planejada para 7 de setembro, incluirá quatro submarinos da classe Scorpène, ao preço de 1 bilhão de euros cada um. Ou uns R$ 2,7 bilhões cada um no câmbio atual, mas, por certo, bem mais quando o câmbio for reposto em níveis racionais e não especulativos. São submarinos pequenos e simples, de 1,5 tonelada, desprezados para compra em toda a Europa e não usados nem pela própria França.

Essas características conduzem a um aspecto importante da transação. O Scorpène foi descartado pelo alto comando da Marinha, nos estudos concluídos há dois anos, para ampliação da frota brasileira de submersíveis. A escolha recaiu na conveniência, por técnica militar e de engenharia, de acrescentar submarinos da mesma linhagem dos quatro já existentes, construídos no Brasil, consideradas apenas as modificações por inovação. A escolha previu, como conviria ao Brasil, menos da metade do custo, por unidade, previsto no acordo com a França.

O pacote inclui ainda um casco de submarino nuclear -só o casco, com nuclearização a ser criada pelo Brasil daqui a 10 a 20 anos- e a exigência de construção de uma base naval com novo estaleiro (o Arsenal de Marinha já tem) a serem construídos, obrigatoriamente, pela empreiteira Odebrecht e sem licitação. Um pacote de quase 7 bilhões de euros que, no câmbio atual, vão a cerca de R$ 20 bilhões, mas na recuperação do euro irão até não se sabe onde.

A Comissão de Defesa Nacional prevê para hoje a audiência antes marcada para dia 19. A figura central, ministro Nelson jobim, recusa a ida "por compromissos". Embora a audiência e sua presença estivessem agendadas há um mês e, no dia 26, ele tenha marcada outra audiência na Câmara, mas a porta fechada e sobre as bases da Colômbia para os Estados Unidos, sem questões sobre submarinos.

Nem o comandante da Marinha, designado para substituir jobim hoje, comparecerá. Dispôs-se a falar sobre o submarino nuclear, mas não sobre os quatro convencionais e o restante do pacote francês. A explicação é que não se trata de assunto militar, mas político. O comandante da Marinha integrou o alto comandou que elegeu, para a Armada, submarinos diferentes dos negociados por Nelson jobim e Lula.

A exigência de base e estaleiros novos, feitos sem licitação por empreiteira de tradições conhecidas, e o preço multiplicado das unidades navais alimentam a suspeita com a possibilidade de divisão, entre os diferentes equipamentos e serviços, de sobrepreço que remunerasse um fornecimento não declarado. E não declarável.

Esclarecimentos da Marinha do Brasil, sobre a matéria "Submarinos: carta contraria Jobim"


Senhor Diretor de Redação,

Em relação à matéria “Submarinos: carta contraria Jobim, publicada em 26 de agosto, no jornal “O Globo” (página 11), na qual é abordado o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, a Marinha do Brasil (MB) esclarece os seguintes aspectos:

Inicialmente, torna-se importante salientar que, mais uma vez, o jornalista José Meirelles Passos preferiu não consultar previamente a Marinha do Brasil, para o correto levantamento de subsídios, em relação ao assunto em pauta, o que originou uma matéria com informações equivocadas aos leitores desse renomado órgão de imprensa.

No mérito, preliminarmente deve ser esclarecido que o processo de aquisição de submarinos começou em 2005, envolvendo tanto franceses quanto alemães.

Depois de descartada a proposta alemã e com as discussões contratuais com a França em curso, desde maio de 2008, uma carta foi enviada pelos alemães no dia 06AGO2009, sem qualquer detalhamento técnico e depois de todo o contrato já discutido e assinado com os franceses, em 23DEZ2008, e a apenas um mês da entrada em eficácia do Acordo.

Esse procedimento é simplesmente um ato de pouco valor, e não pode sequer ser considerado.

Em dois anos de negociações, os alemães nunca aceitaram discutir essa transferência de tecnologia - até porque não a tem, uma vez que não detém a tecnologia de projeto de casco para o submarino de propulsão nuclear - e nunca conseguiram o apoio do Governo da Alemanha para esse Programa.

Deve ser ressaltado inclusive que, em fevereiro de 2008, em audiência com o Comandante da Marinha, os representantes da empresa HDW foram por ele questionados se o Governo Alemão apoiaria e avalizaria o Acordo, da maneira como está sendo feito pelo Governo Francês. A resposta dos representantes alemães foi de que, infelizmente, eles não poderiam dar essa garantia e que reconheciam a vantagem da proposta francesa que, em resumo, é um “Acordo entre Países” e não um simples contrato comercial entre a Marinha e um estaleiro construtor, caso da proposta alemã.

Quanto à afirmativa de que a proposta francesa é bem mais cara do que a alemã e, apesar das informações já prestadas pela Marinha, refutando e apresentando os números que contestam tal afirmativa, voltamos a esclarecer que o submarino convencional Scorpène custará € 415 milhões e que a proposta do submarino alemão U-214 é de € 450 milhões.

Deve ainda ser observado que, no último dia 02JUL, o Consórcio Alemão HDW assinou contrato com a Marinha da Turquia, para fornecer seis submarinos dessa classe ao preço unitário de € 430 milhões. Portanto, mais uma vez os números e as informações corretas contradizem o autor da matéria.

Quanto ao submarino de propulsão nuclear, a Marinha já se pronunciou informando o seu custo de € 2 bilhões, muito similar ao francês “BARRACUDA”, de € 1,9 bilhões. Releva notar que o nosso custo inclui o desenvolvimento do projeto, enquanto que, no caso do submarino francês, trata-se do custo unitário de construção.

Finalmente, destacamos que a proposta alemã de 06AGO2009, depois de conhecer em detalhes os valores da proposta concorrente, demonstra a tentativa de uma mudança de postura, já que até aquela data o seu posicionamento era pela não transferência de tecnologia.

Além disso, observa-se claramente o uso da frase – “... transferir à MB tecnologia de projeto de submarino para o desenvolvimento de seu próprio grande submarino que poderá receber a propulsão nuclear ...”. Essa expressão está corretamente empregada, porque é público e notório que a Alemanha não tem condições de usar a frase “seu próprio submarino de propulsão nuclear”.


Atenciosamente,

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA

Submarinos: carta contraria Jobim

Diferentemente do que disse ministro, alemães aceitam transferir tecnologia


José Meirelles Passos

Ao justificar a compra de quatro submarinos Skorpène, da DCNS, estatal da França, e um casco maior - ao qual seria instalado um propulsor nuclear, que ainda está em desenvolvimento no Brasil - o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem dito que não fechou acordo com uma empresa concorrente, da Alemanha, porque não haveria transferência de tecnologia. A alemã HDW construiu no Arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro, os cinco submarinos convencionais que o Brasil vem usando. Segundo Jobim, "depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha tem limitações, por tratados internacionais, de transferir a tecnologia que precisamos".

No entanto, em proposta enviada ao Comando da Marinha e a Jobim - e que tem preço mais baixo do que a feita pela França - a firma alemã deixa claro que não há restrição alguma. O documento, protocolado no último dia 6, obtido pelo GLOBO, diz: "Antes de tudo, temos o prazer de informá-lo que o governo da República Federal da Alemanha aprovou o pedido feito pela HDW para transferir à Marinha brasileira a tecnologia do projeto do submarino, para o desenvolvimento de seu próprio grande submarino, que poderá receber a propulsão nuclear, atualmente sendo desenvolvido pela Marinha brasileira".

O documento deixa mais claro que a opção francesa preferida pelo governo brasileiro - Jobim afirma que o contrato será assinado dia 7 de setembro -- é bem mais cara do que a outra oferta. Segundo o Comando da Marinha, só o casco francês custaria cerca de dois bilhões de euros. E a transferência de tecnologia de projeto da embarcação sairia por 900 milhões de euros adicionais. Um total de 2,9 bilhões de euros por um modelo criado dez anos atrás e que só poderia entrar em atividade quando o Brasil conseguir produzir e homologar um propulsor nuclear. A estimativa de técnicos do setor é a de que isso levaria de 15 a 20 anos.

Curiosamente, o mais novo submarino nuclear francês, o Barracuda - tido como o mais avançado do mundo - está orçado em 1,9 bilhão de euros. Ou seja, 1 bilhão de euros a menos do que o casco de submarino que a França pretende vender ao Brasil.

27 agosto 2009

Colégio Militar publica revista



O Colégio Militar de Fortaleza completa 90 anos e, entre as muitas atividades, lança a revista científica "Educare" com reflexões e experiências dos seus professores A segundo tenente Margaret Corchs, chefe da Comunicação Social, explica que a publicação traz pesquisas científicas abrangendo várias áreas da educação. No primeiro número, "Educare" reuniu 15 artigos dos professores da instituição. Já a professora Anete Fritz assinala que, além da revista "Educare", o colégio tem investido na publicação de livros. Este ano, foram editados cinco livros pelo Colégio Militar. Os conteúdos são os mais diversos - desde os relatos de experiência em sala de aula até debates sobre ecologia, museologia, literatura, linguística, análise de material didático, ética e até memórias de ex-alunos do colégio.

O Colégio Militar tem pouco mais de 900 alunos - do sexto ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio. A tenente Margaret lembra que a instituição está com inscrições abertas para o ingresso dos alunos do sexto ano (fundamental) e do primeiro ano (ensino médio) até 22 de setembro. Ela aponta que o diferencial do colégio são os "valores morais, éticos e cívicos, sempre estimulados com os alunos, seja dentro ou fora da sala de aula". A professora Anete reforça que a preocupação não se resume apenas ao aspecto cognitivo, mas também afetivo, buscando a formação contínua do aluno. Além das disciplinas tradicionais são incentivadas atividades nas áreas esportiva, musical, literária (Clube de Leitura) e teatral.

A "Educare" é direcionada para os docentes no sentido de incentivá-los ao estudo e ao aperfeiçoamento profissional. A primeira edição contou com três mil exemplares. A publicação é anual. E a comissão editorial está recebendo novos artigos científicos, tanto de professores da instituição, quanto de outros colégios e universidades. Os trabalhos devem ser remetidos até o dia 30 de setembro através do e-mail revistaeducarecmf@gmail.com

A professora Margaret assinala que o incentivo à publicação de professores é algo inédito no ensino médio, pois normalmente revistas científicas se restringem hoje ao meio universitário. "Isso se dá por causa da participação direta do comando do colégio, hoje representado pelo coronel Ozael Teodosio de Melo e pelo coronel Collyer, chefe da divisão de ensino. Muitos professores, contaminados pelo desejo de expor publicamente seus trabalhos, resolveram arregaçar as mangas e publicar suas pesquisas no âmbito da educação".

Dessa forma, um grupo de 12 professores lançou no último dia 20, no Centro Cultural Oboé, o livro "Tessituras - Educação, Linguagem e Cultura". A obra traz temas relacionados aos campos de estudos da literatura, da história, do cinema, da ecoética, da lingüística, da pedagogia, entre outras áreas do conhecimento. Organizado pelos professores Anete Fritz, Lissa Fontenele, Regina Cláudia e Renata Rovaris, a obra reúne 12 artigos. Nove trabalhos são de professores do Colégio Militar e o restante, de outras instituições universitárias de Fortaleza e de Brasília.

Submarino francês é alvo de críticas

Índia e Chile reclamam de equipamento, que também foi comprado pela Marinha do Brasil



Daniel Rittner, de Brasília

O submarino de propulsão diesel-elétrica Scorpène, que faz parte de um pacote de € 6,8 bilhões fechado pelo governo brasileiro com a estatal francesa DCNS, tem um retrospecto de atrasos e falhas técnicas na Índia e no Chile, dois dos únicos três países no mundo que operam esse equipamento militar - o outro é a Malásia, onde o contrato com a empresa esteve na origem de escândalos políticos.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá assinar o contrato com o Brasil, negociado em 2008, durante a visita oficial que fará ao país, na primeira semana de setembro. A programação de Sarkozy em Brasília inclui até mesmo sua presença no desfile militar do Dia da Independência.

As maiores evidências de problemas com o modelo francês estão na Índia, que fechou um contrato em 2005 para a compra de seis submarinos convencionais da França, por US$ 3,9 bilhões. O contrato com a Índia previa a entrega de um submarino por ano, a partir de 2012. No entanto, o programa acumula dois anos de atraso e seus custos subiram pelo menos 10%. De acordo com o governo indiano, a construção dos equipamentos deveria ter atingido 27% do total em dezembro passado, mas só houve progresso efetivo em 9% das atividades. O relato foi feito pelo ministro da Defesa local, em 20 de julho, ao Parlamento da Índia.

Numa audiência com congressistas, o ministro reclamou de problemas com a transferência de tecnologia prometida pelos franceses e advertiu que os atrasos "provavelmente terão impacto" na capacidade das forças marítimas indianas. Da frota de 16 submarinos convencionais, incluindo russos e alemães, sete deverão sair de operação até 2012. Isso preocupa as autoridades do país, no contexto de uma região com forte tensão geopolítica - Paquistão e China estão aumentando rapidamente as forças de combate marítimas.

O contrato da Índia com a França prevê a construção dos submarinos a diesel, com transferência de tecnologia, em um estaleiro indiano localizado em Mumbai. Também em julho, o escritório indiano de Auditoria e Controladoria Geral (CGA) apontou a existência de "vantagens financeiras indevidas" à França. "Foram feitas (aos franceses) grandes concessões em termos de garantias, desempenho das garantias bancárias, arbitragem e liquidação de prejuízos", concluiu a auditoria.

A Marinha do Chile, que encomendou dois aparelhos Scorpène em 1997 e foi uma das primeiras parceiras da França no projeto, admitiu ter enfrentado algumas complicações. Pouco após a entrega da primeira unidade, em dezembro de 2005, o SS-1 O"Higgins, o então Comandante da Marinha, almirante Rodolfo Codina, declarou que um dos motores apresentava "problemas pontuais": uma infiltração de água pelo sistema de resfriamento, que trazia riscos de oxidação de partes do aparelho.

Dentro do contrato de € 6, 8 bilhões com a França, o Brasil gastará € 1,660 bilhão com quatro submarinos de propulsão diesel-elétrica, que custarão € 415 milhões por unidade. A construção, no Rio de Janeiro, do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro custará mais € 2 bilhões. Vale ressaltar que a França participará apenas com a parte não nuclear do projeto, já que a Marinha do Brasil está desenvolvendo integralmente o reator atômico do futuro submarino, cujo protótipo os almirantes dizem que ficará pronto em 2014.

Do restante do investimento, € 1,8 bilhão será aplicado em um novo estaleiro (para a construção dos equipamentos) e de uma nova base naval, capaz de abrigar o novo submarino nuclear. Também será investido € 1,240 bilhão na compra de armamentos, como torpedos, no processo de transferência de tecnologia e no apoio logístico integrado. De acordo com a Marinha, mais de 30 empresas brasileiras serão beneficiadas com compensações oriundas do acordo.

A compra dos submarinos franceses foi acertada em dezembro do ano passado, durante visita de Sarkozy ao Rio de Janeiro, como parte do acordo de parceria estratégica entre o Brasil e a França.

Agora, em setembro, será firmado o contrato de financiamento, com a definição das fontes de empréstimos e dos valores de juros praticados.

No dia 12 de agosto, a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) autorizou a "preparação comercial" de um empréstimo de € 4,3 bilhões, por um consórcio de bancos liderado pelo BNP Paribas, e contrapartida brasileira de € 598 milhões. A soma não contempla o valor total do pacote, porque os recursos para a construção do estaleiro e da nova base naval serão desembolsados pelo Tesouro.

A Marinha analisou três projetos para aumentar sua frota de submarinos: o russo AMUR 1650, o alemão IKL 214 e o francês Scorpène. Segundo o comando militar, os estudos apontaram que o Scorpène atendia melhor às necessidades brasileiras, por ser "mais moderno" e ter "maior intervalo entre manutenções". Com restrições orçamentárias, no entanto, decidiu-se construir apenas mais um submarino. O programa nuclear, prioridade número um da Marinha, vinha sendo mantido em estado quase vegetativo desde 1996.

Nesse cenário, optou-se pela construção de um novo IKL 214, tendo em vista a existência de cinco submarinos alemães na frota atual. Em notas explicativas, a Marinha afirmou que buscava "manter a mesma linha logística" e "evitar que a escolha de projeto diferente, para a construção de uma única unidade, pudesse ensejar retaliações dos alemães, mediante o boicote de sobressalentes para os submarinos existentes".

O cenário mudou radicalmente no início de 2007, quando o presidente Lula conheceu o Centro Tecnológico da Marinha e o programa nuclear dos militares. Lula prometeu aplicar R$ 130 milhões por ano no desenvolvimento de um reator atômico. Faltava à Marinha a capacidade de desenvolver projetos de submarinos nucleares capazes de abrigar o futuro motor atômico.

Diante do novo quadro, a Força passou a buscar "parcerias estratégicas" com detentores dessa tecnologia e dispostos a transferi-la. A Alemanha não constrói submarinos de propulsão nuclear e a HDW, fabricante do IKL 214, acabou perdendo um contrato praticamente certo.

Dos três países com quem inicialmente havia feito contatos, a Marinha diz só ter encontrado disposição dos franceses em transferir tecnologia. "Depois de longo e acurado processo de escolha, a França foi o país selecionado, porquanto seu único concorrente, a Rússia, não desejava transferir tecnologia, mas, tão-somente, vender submarinos, o que não correspondia aos interesses do Brasil", afirma uma nota recente da Marinha. A promessa da Força é ter o protótipo do reator pronto em 2014 e o submarino nuclear, em 2021. Como exige espaço maior, as obras para a construção do casco não poderiam ser realizadas no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, no centro da cidade, e decidiu-se então por erguer um novo estaleiro e uma nova base naval para abrigá-lo no futuro.

A reportagem enviou ontem perguntas à Marinha sobre o retrospecto comercial dos Scorpène e sua assessoria de comunicação informou não haver tempo hábil para o envio das respostas até o fechamento da edição. O diretor da DCNS responsável pelo Brasil, Éric Bertholot, foi localizado ontem à tarde. Ele concordou em dar entrevista à noite, mas não atendeu mais as ligações.

Unasul vai debater pacto militar EUA-Colômbia



Da Redação - A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) debaterá amanhã, na cidade de Bariloche, na Argentina as consequências do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, que aumentou tensões em uma região marcada por profundas diferenças políticas. A cúpula dos países da América do Sul é marcada por divergências existentes entre Colômbia e seus vizinhos Venezuela e Equador, em contraste com o tom moderado que buscam países como Brasil, Chile e Argentina.

– Vai ser um intercâmbio de opiniões, mas ninguém vai mudar de posição – previu Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington e Londres. – Não será tomada nenhuma decisão porque há uma divisão grande na região. A Colômbia vai continuar com seu tratado e não vejo nenhuma saída para isso.

Espera-se que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, dê detalhes na Argentina do pacto que permitirá a Washington usar sete bases militares no país andino.

– A Unasul pode ser, nesse momento, uma grande dor de cabeça para a Colômbia. Ela vai estar no banco dos réus – diz Vicente Torrijos, especialista em relações internacionais da Universidade de Rosario, em Bogotá.

O governo brasileiro antecipou que Uribe não será colocado na parede. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ainda que Bariloche será uma prova para a América do Sul. Ele também defende que Obama se envolva na questão.

Fronteiras com Brasil

Na última terça-feira, Brasil e Colômbia decidiram aprofundar a cooperação militar entre os dois países para tornar mais eficaz a luta contra o tráfico de drogas. Os ministros da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, e do Brasil, Nelson Jobim, se reuniram em Bogotá para falar sobre questões de segurança.

Os dois países compartilham uma fronteira de 1.645 quilômetros na floresta amazônica, onde se registrou a presença de guerrilheiros e de traficantes de drogas.

– Iniciamos um processo que deve levar muito em breve a termos um acordo mais amplo que nos permita fazer operações conjuntas maiores, trocar mais informação na fronteira, receber informações do sistema de radares e satélites do Brasil – disse o ministro colombiano.

O ministro colombiano acrescentou que a Colômbia também vai disponibilizar informação e capacitação aproveitando sua experiência na luta contra o narcotráfico. Silva disse que ele e Jobim analisaram o tema da Unasul como mecanismo e instrumento para tratar os temas que afetam a segurança e defesa da região.

– Falamos da necessidade de continuar com o plano de trabalho que já foi estabelecido na Unasul, gerando, por exemplo, grupos técnicos para observar todos os temas, armamentismo, tráfico de armas, narcotráfico, acordos bilaterais com terceiros países – disse. – Não temos que ter medo dos temas, tem que se estar disposto a tratar todos os temas.

A cúpula na Argentina acontecerá 15 dias após a última, realizada em Quito, que terminou sem maiores resultados e com a ausência de Uribe, que considera o Equador um território hostil após o rompimento entre os dois países provocado por um ataque colombiano a uma base guerrilheira em território equatoriano.

Evo Morales propõe referendo continental

Acordo seria submetido a voto em 12 países



LA PAZ. O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs a realização de um referendo na América do Sul para que a população dos países da região decida se aceita ou não o uso de bases militares da Colômbia por tropas dos EUA, como prevê acordo a ser firmado entre os dois países.

- Que os povos digam sim ou não. É mais democrático que decidam com a consciência e o voto, e não por imposição do império. Quero um referendo da América do Sul para que os povos da Bolívia, da Colômbia, do Peru, da Venezuela, do Brasil, da Argentina, dos 12 países decidam - disse Morales, em discurso durante cerimônia pública.

Morales disse que apresentará formalmente sua proposta amanhã, na reunião da Unasul, em Bariloche.

O presidente boliviano afirmou ainda que a "instalação de bases na América do Sul é uma provocação do império para criar conflito entre os presidentes, para estancar a integração regional".

Morales, que no início deste ano conseguiu aprovar uma nova Constituição em um referendo, disse que a consulta continental servirá "para mostrar ao mundo a decisão do povo" sul-americano. Ao recordar seu "exemplo pessoal", Morales disse que "as bases militares dos EUA são também agências políticas que se intrometem em assuntos internos dos países".

Jobim defende compra de submarinos franceses

Na Câmara, ministro afirma que proposta da Alemanha não previa transferência de tecnologia

BRASÍLIA. Em audiência ontem à noite na Câmara, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a compra dos submarinos franceses pelo Brasil. Segundo Jobim, serão necessários 6,9 bilhões de euros para que o Brasil se torne autônomo na construção de submarinos e o governo financiará esse valor em cerca de 20 anos. Esse é o tempo necessário para que o primeiro submarino fique pronto, disse o ministro.

Jobim disse que o presidente Lula enviou ontem duas mensagens ao Senado, uma delas pedindo autorização para o financiamento dos submarinos. A outra mensagem pede autorização para o financiamento de 1,847 bilhão de euros para a construção de 50 helicópteros de transporte, que serão fabricados no Brasil, com tecnologia transferida pela França, como no caso dos submarinos. O financiamento dos helicópteros será pago até 2017.

Jobim disse que gostaria de assinar o contrato com a França no dia 7 de setembro, quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy estará no Brasil. Ele disse que a França foi o único país que se dispôs a transferir tecnologia.

E explicou por que não optou pela proposta da Alemanha:

— Os franceses foram os únicos que se dispuseram a isso, a transferir tecnologia. E os alemães não têm experiência na construção de submarinos de propulsão nuclear.

Jobim revela acordo entre Equador e Colômbia

Países trocarão informações de segurança



Evandro Éboli

BRASÍLIA. Numa reunião reservada com deputados da Comissão de Relações Exteriores, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ter negociado um sistema de troca de informações de segurança entre Equador e Colômbia para ações na região de fronteira entre os dois. Jobim, que visitou os dois países nos últimos dias, enalteceu a participação do governo brasileiro na intermediação das relações entre Equador e Colômbia. Aos parlamentares, disse que houve uma distensão e que "a temperatura caiu de 90 para 15 graus".

Jobim contou aos deputados que entre os acertos está a criação de uma zona de monitoramento na fronteira. O ministro afirmou que o Brasil contribuiu para alguns acertos entre os dois países, como troca de informações entre Equador e Colômbia no enfrentamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os dois países também trocarão informações sobre presença de suas aeronaves na área. As relações entre eles estavam suspensas desde 2008.

Segundo Jobim, o Equador pediu ao Brasil que um avião da Força Aérea que atua na região amazônica ajude a monitorar uma área de 500 quilômetros de extensão e 200 quilômetros de largura. O pedido foi encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vai decidir sobre o assunto.

24 agosto 2009

Dispensados da FAB na ditadura exigem anistia

São 495 desanistiados e 3.117 ex-cabos que tiveram o pedido do benefício negado por comissão



Wilson Tosta

Trinta anos após a promulgação da anistia, alguns milhares de brasileiros ainda reivindicam o benefício. É o caso de 3.612 ex-cabos da Aeronáutica (ou seus familiares) que pedem reintegração à Força Aérea Brasileira (FAB) por terem sido dispensados com base na Portaria 1.104/64, baixada após o golpe de 31 de março para permitir a sua dispensa sem nenhum tipo de provento.

Do total de dispensados, 495 chegaram a ser reintegrados, mas uma reinterpretação da legislação no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou à revogação da concessão - os prejudicados dizem, em tom irônico, que foi uma "desanistia". Há também sargentos e oficiais, reformados ou expulsos com base em outras leis, que conseguiram a reintegração, mas reclamam que foram enquadrados no Regime de Anistiado Político, para eles discriminatório, ou não chegaram ao posto a que teriam direito.

Um dos "desanistiados" é o ex-cabo da FAB Océlio Gomes Ferreira, desligado em 1966, que com base na Lei nº 10.559 conseguiu a reintegração na reserva como suboficial, por decisão administrativa, em 2002. Ela foi confirmada pela 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro em 2004, mas revogada em julho de 2007 com base num parecer jurídico providenciado pelo Ministério da Justiça. Ele não tinha atividade política e foi desligado após oito anos de serviço. "Cerca de 60% dos cabos dispensados, que entraram na FAB antes de 64 e já eram cabos quando a portaria foi editada, foram reintegrados, parte como suboficiais, parte como sargentos", reclama.

O centro da polêmica é a extensão do benefício a todos os cabos dispensados pela Aeronáutica no período 1964-1982, inclusive os que entraram na FAB após a edição da norma. Estão nesse grupo, além dos 495 supostamente "desanistiados", 3.117 outros ex-cabos, que entraram na Comissão da Anistia pedindo o benefício, mas tiveram seus pedidos negados.

Os capitães-de-mar-e-guerra anistiados Fernando Santa Rosa, Ribamar Torreão e Luiz Carlos de Souza Moreira, cassados em 64 como capitão-tenente e tenentes, respectivamente, reclamam que a aplicação do Regime de Anistiado Político estigmatiza os militares. Mas há outros problemas. As pensões passam a ser chamadas de reparação econômica e, no caso das viúvas, há diminuição de proventos em relação ao que poderiam receber, que seriam os de dois postos acima, dizem.

Santa Rosa lembra o problema de cerca de 100 ex-oficiais da FAB proibidos de voar como pilotos civis. Ele também protesta contra o fato de o major-brigadeiro Rui Moreira Lima, herói do Brasil na 2ª Guerra Mundial e cassado em 64, não ter ido ao último posto. "Esse homem fez 94 missões de combate na Itália", protesta.

Veterano da reunião de marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro que precedeu o golpe de 64, o presidente do Movimento Democrático pela Anistia e Democracia (Modac),

Raimundo Porfírio Costa, diz que apenas cerca de 10% dos 1.500 marinheiros e cabos conseguiram a reintegração como oficiais. A ascensão para o que hoje seria um quadro de oficiais-técnicos era possível antes do golpe, por meio de provas internas. Hoje é necessário ter curso superior.

"Sou um dos poucos que conseguiram", diz Porfírio, que obteve na Justiça a patente de capitãode-mar-e-guerra. José Aguinaldo Marinho, que era terceiro-sargento especializado em armamento, conseguiu, pela Comissão de Anistia, ir a capitão-tenente, na época o posto máximo do quadro auxiliar.

COMISSÃO

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, diz que o órgão reconheceu que a Portaria 1.104 foi um ato de exceção e anistiou os prejudicados por ela que já estavam na FAB quando foi editada. Mas a comissão entendeu que quem entrou na Força após a edição já sabia de sua existência.

"Não há como alegar perseguição política." Para ele também não há por que falar em desanistia. "A decisão de anistiar foi anunciada na época como equivocada e abriu-se um processo de anulação."

Abrão reconhece, porém, que foi o Ministério da Defesa que levantou a questão jurídica que levou à anulação. "A Advocacia-Geral da União entendeu que, pelo princípio da legalidade, tinha de anular." Ele explica que a posição da comissão é a de que não pode haver regime diferenciado para o tratamento do anistiado, mas diz que ele se dá em sua aplicação na área administrativa. "A Lei 10.559 criou o Regime do Anistiado, mas isso não pode ser empecilho para o tratamento isonômico", diz.

Abrão explica que os "anistiandos" escolheram o ativista de direitos humanos Márcio Gontijo para representá-los. "O que eles gostariam é que houvesse um representante específico do setor militar. Isso é incabível, senão outros setores também iam querer." Ele nega pressões de militares na comissão.

Quanto aos oficiais que não chegaram ao topo da carreira, Abrão diz que essas promoções são privativas do presidente. "Não há como garantir que (o brigadeiro Rui), mesmo que não tivesse sido cassado, teria chegado ao posto máximo."

21 agosto 2009

Mais sete da Colômbia? As 865 bases militares dos EUA em 40 países


Alfredo Jalife-Rahme

No contexto do neopinochetismo hipocritamente tolerado por Washington em Honduras, agora resulta que a projetada instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, que provocou massivo repúdio na América Latina, constitui a atualização de um novo acordo de segurança mediante o arrendamento das bases existentes com a finalidade filantrópica de combater a narcoguerrilha fronteiriça, segundo uma engenhosa interpretação de Obama exposta para um grupo de jornalistas hispanos (Reuters, 07/08/09), em vésperas da desarticulada cúpula do ASPAN em Guadalajara, onde o México não tem nada que fazer nem diva ter participado desde sua calamitosa gênese.

Ninguém aprende com a cabeça alheia e os EUA repete os mesmos erros da URSS, com uma tríade de consequências devastadoras: sobreextensão imperial, guerra perpétua e insolvência, que levam a um provável colapso similar ao da anterior União Soviética, na opinião de Chalmers Johnson (Dez medidas para liquidar as bases militares dos EUA; Asia Times, 04/08/09).

Chalmers Johnson, professor emérito da Universidade da Califórnia (San Diego) e profícuo autor de livros notáveis, evidencia o império global potencialmente ruinoso de bases militares, que cadencia a longa dependência no imperialismo e no militarismo dos EUA em suas relações com outros países, além de "seu inchado establishment militar".

Paralelamente, Floyd Norris, analista financeiro e econômico do The New York Times (01/08/09), revela que o embarque de bens duradouros civis dos EUA caiu mais de 20% durante a recessão, o qual teria sido pior se não fosse a crescente produção de armas, que disparou 123% acima da média do ano 2000 (início do militarismo bushiano, que Obama incrementou com sua máscara de cordeiro seqüestrado pelos lobos do Pentágono).

Norris comenta que EUA é primariamente uma economia civil, quando o "item militar representa ao redor de 8% de todos os bens duradouros (no ano 2000 foi 3%)", porém, em nossa humilde opinião, é a uma economia preponderantemente militar, já que muitos segmentos de sua atividade civil se entrelaçam com seu substancial belicismo, como tem demonstrado SIPRI, o excelso instituto pacifista sueco.

Segundo o inventário do Pentágono, em 2008, citado por Johnson, o império dos EUA consiste em 865 instalações em mais de 40 países, com um deslocamento de mais de 190 mil soldados em mais de 46 países e territórios.

Johnson expõe o caso singular do Japão e a base de Okinawa (por certo, infestada por escândalos sexuais dos dissolutos militares estadunidenses que levam 64 anos ininterruptos de ocupação).

As sete bases militares adicionais dos EUA na Colômbia elevarão seu total planetário para 872, o qual não tem equivalente com nenhuma potência passada e presente. Literalmente, os Estados Unidos invadiram o mundo!

O mais relevante radica, na opinião de Johnson, em que tal ocupação é desnecessária para a genuína defesa dos EUA, além de provocar fricções com outros países e sua dispendiosa manutenção global (250 bilhões de dólares por ano, segundo Anita Dancs Foreign Policy in Focus): seu único propósito é oferecer aos EUA hegemonia, isto é, controle ou domínio sobre o maior número possível de países no planeta.

Na opinião de Johnson, Obama não percebeu que os EUA não têm mais a capacidade de exercer sua hegemonia global, enquanto exibe seu lastimoso poder econômico mutilado, quando os EUA se encontram em uma decadência sem precedentes.

Expressa três razões básicas para liquidar o império estadunidense:

1. Carece dos meios para um expansionismo de pós-guerra;

2. "Vai perder a guerra no Afeganistão, o qual aumentará ainda mais sua quebra";

3. Acabar o vergonhoso segredo do império de nossas bases militares.

Propõe dez medidas:

1. Por fim ao severo dano ambiental causado pelas bases e pelo cesse do Acordo sobre o Estatuto dos Exércitos (SOFA, por suas siglas em inglês) que de antemão impede aos países anfitriões exercer sua jurisdição sobre os crimes perpetrados pelos soldados estadunidenses, isentos de toda culpabilidade (particularmente, a epidemia de violações sexuais nos paraísos militares).

2. Liquidação do império e aproveitar o custo de oportunidade para investir em campos mais criativos.

3. O anterior, indiretamente, frearia o abuso aos direitos humanos, já que o imperialismo engendra o uso da tortura, tão abundante no Iraque, no Afeganistão e na base de Guantanamo.

4. Recortar a inacabável lista de empregados civis e dependentes do Departamento de Defesa, dotado de seu luxuoso prédio (piscina, cursos de golfe, clubes, etc.).

5. Desmontar o mito, promovido pelo complexo militar-industrial, de sua valia na criação de empregos e na investigação científica, o qual tem sido desacreditado por uma investigação econômica séria.

6. "Como país democrático que respeita a si mesmo, EUA deve deixar de ser o maior exportador de armas e munições do mundo e deixar de educar aos militares do Terceiro Mundo (v.gr. militares da América Latina na Escola das Américas, em Fort Benning, Geórgia) nas técnicas de tortura, golpes militares e serviço como instrumentos de nosso imperialismo".

7. Devido às limitações crescentes do orçamento federal, devem ser abolidos os programas que promovem o militarismo nas escolas, como o treinamento do Corpo de Oficiais da Reserva.

Alfredo Jalife-Rahme - Médico, escritor e analista geopolítico Publicado no jornal La Jornada, do México, e no site da Adital

Flight vai desenvolver sistemas de controle e informação


Virgínia Silveira, de São José dos Campos

A Flight Technologies, única empresa 100% brasileira na área de desenvolvimento de sistemas de controle e informação de voo (aviônicos) integrados para aeronaves leves e veículos não tripulados, foi selecionada pelo programa de subvenção econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para aperfeiçoar um aviônico para o setor de defesa.

Com domínio dessa tecnologia, a Flight será a primeira brasileira a entrar nesse segmento com marca própria e produto de alto valor agregado. A empresa quer tornar-se uma alternativa competitiva no setor aeroespacial mundial e iniciou a sua investida no mercado externo através de uma parceria com a alemã Becker Avionics.

O mercado de aviônicos integrados, segundo Nei Brasil, diretor da Flight, é um dos mais dinâmicos e estratégicos da indústria aeronáutica e de defesa, movimentando cerca de US$ 20 bilhões por ano. "A parceria com a Becker faz parte da estratégia de tornar o nosso negócio global, utilizando os canais de distribuição, marketing e vendas da empresa lá fora", explica Brasil. Para a Becker, segundo ele, a parceria com a Flight é uma forma de a empresa melhorar a sua participação no Brasil.

As empresas trabalham juntas há dois anos no desenvolvimento de um sistema de navegação aérea, com aplicações de defesa e segurança. O produto, conhecido pela denominação BFT Mission Moving Map, possui capacidade de navegar entre ruas e perímetros urbanos. A Flight e a Becker também estão desenvolvendo os instrumentos de voo da aeronave de treinamento militar T-Xc Pilgrin, projeto encampado pela Novaer Craft, consórcio formado pela Flight, Winnstal e Geometra.

Segundo Brasil, o projeto feito com o apoio da Finep capacitará a empresa a atender às necessidades operacionais da Força Aérea Brasileira (FAB) na área de aviônicos integrados. "Estamos preparados para participar da modernização de aeronaves da FAB e também teríamos interesse nos grande programas de aquisição, como o dos caças F-X2, os novos helicópteros Super Cougar e do novo cargueiro KC-390, que será desenvolvido pela Embraer", disse.

O Plano Estratégico da Aeronáutica, aprovado pelo Ministério da Defesa, segundo o diretor de Material Aeronáutico e Bélico da FAB, brigadeiro Hélio Paes de Barros Júnior, prevê a substituição dos aviões de treinamento primário T-25 Universal e T-27 Tucano, somente para 2020 e 2022, respectivamente. Desenvolvido na década de 60, o T-25, por exemplo, apresenta problemas operacionais que limitam seus voos, além da falta de peças de reposição.

"Estamos estudando uma possível modernização da aviônica do T-27 para atender a necessidade de treinamento mais avançado dos cadetes da Aeronáutica. Mas este projeto não está oficializado, embora se trate de uma necessidade operacional da Força", afirma o brigadeiro.

A FAB contratou a empresa Aeroeletrônica, de Porto Alegre, para fazer a modernização dos sistemas aviônicos das aeronaves AMX, F-5 e, mais recentemente, do Bandeirante. O grupo israelense Elbit Systems assumiu o controle da Aeroeletrônica em 2001, como parte de um acordo de transferência de tecnologia feito com a Aeronáutica para o programa de modernização da frota de F-5.

Os sistemas aviônicos da aeronave C-130 também estão sendo modernizados e a FAB contratou a empresa americana Astronautics para o trabalho. "Já modernizamos 11 aeronaves de um total de 22", explica o diretor da FAB. A Flight, segundo Brasil, deve participar de parte desse projeto em parceria com a Becker. "Estamos propondo fabricar um equipamento de gerenciamento de comunicação da tripulação com os órgãos de controle."

Fundada em 2003 por dois engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Flight foi a primeira empresa a instalar-se na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do CTA (Comandogeral de Tecnologia Aeroespacial). Logo depois a empresa assinou o primeiro contrato na área de VANTs (veículos aéreos não tripulados).

Atualmente, seus principais clientes são o CTA, o Centro Tecnológico do Exército (CTEX) e a Avibrás. A Flight tem 17 funcionários, todos originários do ITA, e com nível de mestrado e doutorado.

A nova ESG deve permanecer no Rio


Rio - Os 60 anos da Escola Superior de Guerra (ESG) foram celebrados ontem, no Rio, em cerimônia que contou com a presença do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e homenageou ex-ministros, deputados federais, entidades de classe (como ABI e Fiesp) e empresas, entre elas o Jornal do Brasil, pela longa parceria com a instituição.

A comemoração é mais do que merecida, pela relevância da ESG como inquestionável centro de pensamento e formulador de propostas para o desenvolvimento nacional. A celebração da data, no entanto, ocorre em meio ao anúncio de que a sede da ESG será transferida do Rio de Janeiro, onde está abrigada na Fortaleza de São João, na Urca, para a capital federal.

A decisão de levar a direção da Escola para Brasília faz parte de uma audaciosa reestruturação do Ministério da Defesa, capitaneada por Jobim. Mas não leva em consideração a histórica relação da ESG com a cidade, transformando as instalações na Urca em mero posto avançado.

Fundada poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a ESG nasceu dentro do contexto de bipolaridade da Guerra Fria, com a missão de preparar “pessoal de alto nível para exercer funções de direção e planejamento da segurança nacional”. Pela escola passaram mais de 200 ministros de Estado, como Mario Henrique Simonsen, Roberto Campos, Delfim Netto e Octávio Gouvêa de Bulhões.

É inevitável observar sua transferência para Brasília sob o prisma do esvaziamento do papel do Rio de Janeiro, ex-capital federal, em prol de uma centralização política excessiva das instituições do Estado brasileiro. Tal concentração é indesejável e espera-se que a medida seja repensada.

Deve-se reconhecer, porém, o esforço do ministro Nelson Jobim em realizar mudanças estruturais no Ministério da Defesa. Elas serão apresentadas, provavelmente hoje, ao presidente Lula e giram em torno de quatro propostas, alterando: a estrutura militar de guerra, intocada, afirma Jobim, desde 1980; a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas; a estrutura do Ministério da Defesa e a articulação e equipamento das Forças Armadas.

Numa alusão ao modo como a resolução de conflitos com os países vizinhos tem se dado, Jobim afirmou que o Brasil não pode ser um provocador, mas também não deve ser covarde. A crítica contém um argumento claro. O país, muitas vezes levado por um alinhamento ideológico com determinados governos, tem evitado o confronto, apostando por demais suas fichas na diplomacia, enquanto os interesses nacionais são ultrajados. Em razão disso, Jobim defende que as Forças Armadas brasileiras devem ser reestruturadas e mais bem aparelhadas “para quando o país disser não”. As palavras do ministro soam beligerantes. Mas, no contexto das mudanças anunciadas, refletem uma visão estratégica delineada sob os marcos do controle civil sobre as Forças Armadas.

É nesse sentido que se reserva um novo papel para a Escola Superior de Guerra. A intenção é que seja para a área da defesa o que o Instituto Rio Branco representa para a diplomacia. Ou seja, a Escola passaria a formar quadros profissionais voltados para uma carreira civil da defesa. A área deixaria de ser um assunto exclusivo dos militares. Correto. Estar preparado para dizer “não” não significa necessariamente rufar os tambores da guerra. Só falta uma razão aparente para migrar o comando da Escola para Brasília.

Irã promete atingir alvos nucleares de Israel se for atacado

PARISA HAFEZI, em Teerã

A Guarda Revolucionária do Irã informou neste sábado que o país atacará as instalações nucleares de Israel se esse país fizer uma ofensiva, informou a rede estatal de TV Al Alam.

"Se o regime sionista [Israel] atacar o Irã, iremos certamente atacar suas instalações nucleares com nossa capacidade de mísseis", afirmou o comandante supremo da guarda, Mohammad Ali Jafari, à emissora.

A Guarda Revolucionária é considerada o exército ideológico do regime teocrático iraniano e respondem apenas ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e conta com capacidades aéreas, marítimas e terrestres e uma estrutura de comando separada para unidades regulares.

Líderes iranianos frequentemente descartam falar sobre um possível ataque a Israel, dizendo que o governo israelense não está em posição de ameaçar o Irã. Eles dizem que o Irã responderá a qualquer ofensiva atacando alvos dos EUA e Israel.

"Não somos responsáveis por esse regime e tolices de outros inimigos. Se atacarem o Irã, nossa resposta será firme e precisa", afirmou Jafari à TV estatal.

Estados Unidos, Israel e outros aliados do Ocidente temem que o Irã esteja enriquecendo urânio com o objetivo de produzir armas nucleares e não descartam uma ação militar caso a diplomacia não resolva a disputa. O Irã afirma que o programa tem apenas a meta de gerar energia.

Israel, que conhecidamente é a única força nuclear do Oriente Médio, tem repetidamente descrito o programa nuclear iraniano como uma ameaça à sua existência. O Irã se recusa a reconhecer o país.

Jafari disse que Israel está ao alcance das armas iranianas. "Nossa capacidade de mísseis coloca todo o regime Sionista dentro do alcance de ataque do Irã", disse. "O regime sionista é muito pequeno para ameaçar o Irã."

Especialistas dizem que o Irã raramente revela detalhes suficientes sobre seus novos equipamentos militares, tornando difícil determinar sua capacidade de ataque.

Israel diz que um escudo de mísseis acordado com os EUA protegeria o país contra qualquer possível ataque, mas Jafari afirmou que tal escudo poderia proteger Israel apenas de uma "forma limitada".

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou em maio que o Irã testou um míssil que analistas de defesa dizem que pode atingir Israel e bases dos EUA no golfo Pérsico. Washington disse que o teste foi um "passo na direção errada" para remover as preocupações sobre o programa nuclear do país.

Se atacado, o Irã tem repetidamente ameaçado fechar o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 40% do petróleo comercializado no mundo. Os militares dos EUA prometem evitar tal ação.

Ahmadinejad, que já afirmou que Israel deveria ser eliminado do mapa, foi reeleito em uma polêmica votação em 12 de junho, que espalhou as maiores revoltas internas no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Irã pode detonar bomba atômica em seis meses, diz revista alemã


em Berlim

O Irã tem capacidade para construir uma bomba atômica e realizar seu primeiro teste de detonação subterrânea em seis meses. Um agente do serviço secreto alemão diz que o Irã já domina totalmente o processo para o enriquecimento de urânio e conta com centrífugas suficientes para produzir material bélico.

Em entrevista à revista alemã "Stern", o agente, que não foi identificado, diz que o eventual teste se daria em condições similares aos realizados pela Coreia do Norte em 25 de maio.

Segundo relatórios da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o Irã já tem 7.000 centrífugas em sua usina de enriquecimento de urânio em Natanz. Até junho deste ano, 4.920 delas se encontravam em funcionamento.

Com esses recursos, os técnicos nucleares iranianos já podem ter enriquecido 1,3 tonelada de urânio em níveis de aplicação militar. O material é suficiente para produzir até duas bombas atômicas.

A "Stern" informa que o Irã trabalha de maneira acelerada no desenvolvimento de mísseis com capacidade para transportar ogivas nucleares e suficiente alcance para atingir alvos no continente europeu.

As fontes do serviço secreto alemão dizem que o programa de mísseis iraniano se concentra "exclusivamente" na construção de ogivas nucleares. Apesar do ritmo acelerado, ainda demorariam mais três anos para que o país obtivesse a tecnologia para armar seus mísseis de médio alcance com ogivas nucleares.

A "Stern" diz que os componentes para a construção desse tipo de míssil são adquiridos pelo Irã no mundo todo, até mesmo na Alemanha, mediante uma rede de empresas camufladas dirigidas pelo iraniano Said Mohammad Hosseinian, "um dos homens mais procurados do mundo" pelos serviços secretos ocidentais.

No mês passado, o parlamentar iraniano Ahmad Bozorgian afirmou que o país planejava instalar mais 84 mil centrífugas para aumentar sua produção de urânio enriquecido, a fim de manter a evolução de seu programa nuclear.

Em declarações à agência de notícias local Fars, o deputado disse que "existem planos para construir mais 52 mil [centrífugas] dentro do país". O governo iraniano afirma que seu programa nuclear é pacífico e reitera que não interromperá o enriquecimento de urânio.

Estados Unidos, Israel e vários países da União Europeia (UE) acusam o Irã de ocultar, sob seu programa nuclear civil, um suposto projeto militar cujo objetivo final seria a aquisição de um arsenal de armas atômicas, alegação que Teerã rejeita.

Irã pode preparar míssil contra a Europa em três anos, diz especialista

JIM WOLF
em Huntsville (EUA)

O Irã pode construir míssil balístico com capacidade de atingir a maior parte da Europa dentro de três ou quatro anos se for adiante com seu programa, afirmou nesta quinta-feira o ex-chefe do programa de defesa antimíssil de Israel e especialista no programa iraniano Uzi Rubin.

Se o prazo citado por Rubin estiver correto, a comunidade internacional tem pouco tempo para lidar com o espinhoso debate diplomático com a Rússia sobre a construção de um bilionário escudo de defesa antimísseis na Europa. A Rússia vê o escudo como uma ameaça a seu território.

"Se eles pressionarem nesse sentido -- colocarem todo o dinheiro, todos os engenheiros -- três ou quatro anos é tudo o que seria necessário para dar aos já existentes mísseis balísticos um alcance de 3.900 quilômetros, o suficiente para atingir Londres", disse Rubin durante uma conferência sobre defesas antimísseis patrocinada pelo Exército dos Estados Unidos em Huntsville, Alabama.

"Eles farão isto? Não tenho certeza", ressaltou.

O Centro Nacional de Inteligência Aérea e Espacial da Força Aérea norte-americana disse em relatório publicado em junho passado que o Irã, com apoio de forças externas, poderia produzir um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) capaz de atingir os EUA em seis anos.

"O Irã tem um programa de desenvolvimento de mísseis balísticos e lançamentos espaciais ambicioso e, com assistência exterior suficiente, o Irã poderia desenvolver e testar um ICBM capaz de atingir os EUA em 2015", afirmou o relatório.

Rubin disse que o Irã atingiu "avanço tecnológico e estratégico" como seu míssil propulsor Sejjil. Em 20 de maio, o Irã lançou o Sejjil 2, que afirma ter alcance de cerca de 2.000 quilômetros.

"Baseado em seus alcances demonstrados em propulsão sólida e viagem, o Irã não enfrentará desafios tecnológicos" ao quase sobrar o alcance com uma ogiva de uma tonelada, disse Rubin, que supervisionou o desenvolvimento do programa antimíssil israelense, entre 1991 e 1999.

Ataque atribuído aos EUA mata 12 no Paquistão


Islamabad, 21 ago (EFE).- Pelo menos 12 pessoas morreram hoje em um ataque com mísseis atribuído a um avião não-tripulado dos Estados Unidos na região tribal do Waziristão do Norte, no Paquistão e fronteiriça com o Afeganistão.

Segundo uma fonte oficial, citada pelo canal local "Dawn TV", o ataque aconteceu na madrugada de hoje na região de Danday Darpa Khel.

De acordo com a "Geo TV", os mísseis atingiram uma casa e entre as vítimas há mulheres e crianças, além de vários feridos.

Os aviões não-tripulados dos EUA realizam regularmente ataques nas áreas tribais paquistanesas, sobretudo no Waziristão do Sul e do Norte, considerados refúgio de membros da rede terrorista Al Qaeda.

O Paquistão rejeita em público os ataques com mísseis dos EUA, embora fontes paquistanesas e americanas já tenham confirmado à Agência Efe que existe um consentimento tácito e que os serviços de inteligência de ambos os países compartilham informação sobre os alvos.