30 setembro 2009

Marinha recebe embarcação

Embarcação será utilizada em ações de inspeção naval e fiscalização do tráfego aquaviário em Salvador
 
Diário do Nordeste - CE

Com capacidade para desenvolver velocidades superiores a 25 nós (aproximadamente 45 Km/h) e autonomia para permanecer até três dias no mar sem necessidade de reabastecer, foi entregue no fim da tarde de ontem, à Marinha do Brasil, o Aviso de Patrulha (AviPa) "Dourado". Esta é a terceira embarcação da classe "Marlin" e a segunda de cinco que serão entregues pela Indústria Naval do Ceará (Inace) até o final de 2010.

A fabricação do navio custou o montante de R$ 20 milhões e é fruto do contrato assinado com a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) em dezembro de 2007.

Construído no estaleiro do Inace e lançado ao mar em 20 de julho de 2009, a embarcação foi e desenvolvida primordialmente para atender às atividades subsidiárias da Marinha do Brasil. Segundo o diretor-geral do Material da Marinha, almirante-de-esquadra Marcus Vinicius Oliveira dos Santos, "o AviPa ´Dourado´ terá contribuição importante nas ações de patrulha e inspeção naval e prevenção de qualquer delito na costa onde estará atuando", destacou.

A embarcação foi recebida, batizada e transferida para o setor operativo da Marinha do Brasil em solenidade realizada no Píer do Marina Park Hotel, na Praia de Iracema (Fortaleza) na presença de várias autoridades civis e militares tais como o comandante do 3º Distrito Naval, vice-almirante Edison Lawrence Mariath Dantas, o comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Arnon Lima Barbosa, o diretor-técnico da Emgepron, contra-almirante Robério da Cunha Coutinho e do diretor presidente da Inace, Antônio Gil Fernandes Bezerra.

Para fiscalização

A embarcação tem capacidade para 10 pessoas e sua função principal é realizar ações de patrulha naval, fiscalização do tráfego aquaviário e ações de busca e salvamento e prevenção da poluição hídrica ao longo do litoral. O AviPa "Dourado" ficará subordinado ao 2º Distrito Naval, com sede em Salvador (BA) e sob a responsabilidade direta do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Leste. O AviPa entregue possui casco e superestrutura construído em alumínio e comprimento total de 22,80 metros. O nome é uma homenagem ao peixe peculiar, tanto pelo seu forte colorido quanto pela forma alongada e comprimida de seu corpo, a qual afina em direção à cauda, fato que o transforma em um peixe marinho rápido e aguerrido, características que devem acompanhar o navio, segundo os idealizadores

Sem aviões

Cláudio Humberto - Jornal de Brasília

O porta-aviões "São Paulo" não tem aviões: dos 14, dois voam à meia boca e doze estão no chão. Não há verbas para peças de reposição.

Como faz gente grande

Ao ameaçar outros países, os EUA mandam porta-aviões, caças, helicópteros de resgate etc e tropas motivadas, com salários decentes.

Sem proteção

A embaixada do Brasil em Honduras tem só um vigia desarmado. A dos EUA em Brasília, que nem mesmo é ameaçada, tem 62 marines.

Erro humano é mais comum em voo militar

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE S.PAULO

É impossível resistir ao clichê: acidentes acontecem, errar é humano. Que dois pilotos navais altamente capacitados e com expressivo número de horas de voo, no controle de dois dos caças mais modernos do planeta, possam ter colidido se explica pelo cotidiano de risco da profissão que escolheram.

Outro clichê inevitável: quanto mais se voa, mais se ganha experiência, mas também cresce a chance de acidente. Pilotos de caça de países desenvolvidos voam de 180 a 220 horas por ano para manter sua proficiência.

Por exemplo, para fazer parte da Patrouille de France, a equipe acrobática da Força Aérea Francesa que se apresentou em Brasília no 7 de Setembro, um piloto precisa ter um mínimo de 2.000 horas de voo. Os dois pilotos navais franceses acidentados na versão naval do caça Rafale tinham juntos cerca de 8.000 horas de voo.

Países em desenvolvimento costumam fazer seus pilotos voarem menos, por falta de verba. Mas mesmo uma força que convive com falta de verbas como a FAB procura usar padrões elevados. Os pilotos de prova do GEEV (Grupo Especial de Ensaios em Voo) precisam ter ao menos 500 horas de voo em caças e 1.500 horas no total para ingressar na unidade.

Pelas suas características, caças voam menos do que aviões de transporte. Um piloto de caça da Força Aérea dos EUA voa em média 189 horas por ano; um de avião de carga, 343.

Este foi o segundo acidente com o caça francês. Outro, da Força Aérea, se acidentou em 2007, no sul da França, matando o piloto. Também já houve acidentes no passado recente com os outros dois caças que disputam o programa F-X2 da FAB, o americano F/A-18 e o sueco Gripen. Na maior parte dos casos a falha foi do piloto.

Um detalhado estudo de dois pesquisadores americanos sobre acidentes com aviões civis e militares revelou que entre 70% a 80% dos casos a culpa é de falha humana. O estudo feito por Scott Shappell, da FAA (Administração Federal de Aviação) e Doug Wiegmann, da Universidade de Illinois, analisou o ocorrido em 16.077 acidentes nos Estados Unidos de 1990 a 1998.

A grande maioria (15.128 casos) era de aviões civis, mas a listagem incluiu 138 aviões de asa fixa (excluindo helicópteros, que tem asa rotativa) da Aviação da Marinha e dos Marines (fuzileiros navais) e 72 da Força Aérea.

O número maior de aeronaves navais acidentadas já mostra como operar sobre o mar e a partir de porta-aviões é inerentemente mais arriscado. O número de helicópteros acidentados foi semelhante entre essas forças e também entre a Aviação do Exército americano.

Um detalhe importante do estudo que também lança luz sobre o acidente francês: os acidentes causados por um erro de decisão do piloto foram mais frequentes entre aviões e helicópteros militares - de 40% a 60% dos casos- do que entre aeronaves civis -média de pouco mais de 40%.

Uma explicação, segundo os autores do estudo, é a maior variedade de tipos de decisão que um piloto militar tem que escolher. Um piloto de avião comercial tem que se preocupar basicamente com decolagem, voo de cruzeiro em altitude fixa e pouso. Um avião de combate tem que fazer manobras arriscadas, voar baixo, submeter o piloto a forças "G" (gravidade) intensas.

Erros de percepção como ilusão visual, desorientação espacial, também são mais comuns entre pilotos militares -média de 30% dos casos, contra 15% ou menos de 10% entre civis.

As campanhas militares em curso hoje, notadamente no Afeganistão, têm aumentado o ritmo de treinamento e de operações, e com isso há mais chance de acidentes.

Para ministro francês, "avião não tem a ver com acidente"

Segundo a Marinha, falha humana é hipótese mais provável para explicar queda dos Rafale Nelson Jobim afirma que acidente não "interfere em absolutamente nada" no processo de compra de caças entre a Dassault e o Brasil

ANA CAROLINA DANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS

O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, privilegiou nesta sexta-feira a hipótese de falha humana para explicar o acidente com os dois caças franceses Rafale que caíram no mar Mediterrâneo há dois dias. Em entrevista coletiva na cidade de Toulon, no sul da França, próximo ao local do acidente, o ministro procurou dar garantias sobre a qualidade dos caças.

"O que sabemos, com base no depoimento do piloto, é que, a princípio, o avião não tem nada a ver com tudo isso e que se trata de acidente de voo", disse.

Segundo Morin, os elementos recolhidos e o depoimento do piloto que foi resgatado com vida indicariam que a hipótese mais provável é a de que os aviões tenham se chocado no ar durante voo de treinamento.

O ministro disse, entretanto, que é cedo para determinar as causas com precisão.

Os caças, similares aos que o Brasil vem negociando com a França, caíram no mar Mediterrâneo, a cerca de 30 km da cidade de Perpignan, no sul da França, pouco após as 18h, hora local (13h de Brasília). Segundo a Marinha francesa, o acidente ocorreu quando os caças se reagrupavam para voltar ao porta-aviões Charles de Gaulle.

O cenário que vem sendo privilegiado pela Marinha é o de uma colisão causada por manobra brusca à esquerda feita por uma das aeronaves, a cerca de 60 km do porta-aviões.

O piloto Yann Beaufils, 40, que sobreviveu, contou a Morin que seu avião perdeu o controle e que, quando foi ejetado, pôde ver o avião do colega que continuava a voar. "Poucos minutos depois, perdemos o contato de radar com o segundo caça", disse Morin, que informou que as buscas pelo piloto vão continuar "pelo tempo necessário".

Segundo Morin, os pilotos acumulavam, cada um, entre 3.000 e 5.000 horas de voo.

A hipótese de erro humano em detrimento da falha técnica é considerada a mais provável pelos especialistas e pilotos ouvidos pela Folha. Segundo o ex-piloto da Aeronáutica francesa e autor de um livro sobre o Rafale, Germain Chambost, os exercícios de treinamento procuram reproduzir o chamado "fight dog", ou seja, condições extremas de combate em que os aviões têm que voar em velocidades muito elevadas e próximos um ao outro. "Nessas condições, somente contam os olhos e o cérebro do piloto."

O jornalista e consultor em questões militares e de defesa Michel Chevalet também explica que, ao contrário dos chamados TCAS (Traffic Collision Avoidance System), o sistema contra colisão usado nos aviões civis, os caças de combate não contam com mecanismos similares. "Os aviões de combate são feitos para evoluir, o tempo todo, muito perto do solo ou próximo a outras aeronaves em situação de combate. Se existisse sistema de alerta, seria disparado o tempo todo."

O comando da Aeronáutica brasileira informou que pediu às autoridades francesas acesso a informações sobre as investigações. Um assessor do ministério da Defesa francês disse não ter conhecimento de contato entre o Ministério da Defesa e o governo brasileiro.

O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse ontem que a queda dos Rafale não interfere nas negociações com a Dassault. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não interfere em absolutamente nada [no processo de compra]. A questão do acidente é normal."

Colaborou a Sucursal de Brasília

Acordo com a Rússia é secreto

Assembleia Nacional aprova Lei de Proteção Mútua válida por cinco anos
 
Jornal do Brasil

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma lei estabelecendo que os acordos militares com a Rússia sejam secretos, depois que os Estados Unidos expressaram preocupação com as compras de armas russas feitas pelo presidente Hugo Chávez. A Lei de Proteção Mútua de Informação Classificada, aprovada pelos legisladores na quinta-feira, estará em vigor por cinco anos, sujeitos a prorrogação, e protegerá os detalhes da cooperação técnico-militar entre os dois países.

Também na quinta-feira, em entrevista ao apresentador Larry King, na CNN, Chávez criticou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, depois de ela afirmar que as compras de armas da Venezuela poderiam fomentar uma corrida armamentista na América Latina. Mesmo assim, Chávez disse que nem nos piores momentos da sua relação com o ex-presidente Bush ele cogitou cortar o fornecimento de petróleo aos EUA, e que não o faria no governo Obama.

Chávez argumentou que a Venezuela teve de recorrer a fontes alternativas para se defender, já que os EUA se negam a vender peças de reposição para equipamentos militares, como os caças F-16 fornecidos por Washington há três décadas, e hoje incapazes de voar.

O líder venezuelano disse ainda que o orçamento militar da Colômbia é 10 vezes superior ao da Venezuela, e criticou Obama pela decisão de instalar tropas em sete bases militares colombianas.

O presidente venezuelano negou que o Irã vá transferir tecnologia nuclear para a Venezuela.

– Essa é a nova acusação, uma razão para atacar a Venezuela – afirmou.
 
Chávez reiterou ainda sua opinião de que Israel é um país que pratica genocídio contra os palestinos. King argumentou que Israel é um país pequeno, rodeado de inimigos, ao que Chávez respondeu: – Um país pequeno com uma bomba atômica.

Sete morrem em novo ataque com mísseis dos EUA no Paquistão

Islamabad, 30 set (EFE).- Pelo menos sete pessoas morreram hoje e cinco ficaram feridas no terceiro ataque com mísseis supostamente cometido nos dois últimos dias por aviões não tripulados dos Estados Unidos no noroeste do Paquistão, informou uma fonte oficial.

Os mísseis atingiram na área de Mirali, na demarcação tribal do Waziristão do Norte, vizinha ao Afeganistão, segundo a fonte, citada pela cadeia privada "Dawn".

Os ataques de aviões espiões americanos são frequentes nas áreas tribais paquistanesas, especialmente no Waziristão do Norte e do Sul, redutos da insurgência talibã onde buscam abrigo membros da rede terrorista Al Qaeda.

A frequência destas ações aumentou nos últimos meses, mesmo diante do anúncio do Exército paquistanês, em junho, de que preparava contra os fundamentalistas no Waziristão uma grande operação, cujo começo ainda não ocorreu.

Na terça-feira, dois ataques de aviões espiões contra alvos insurgentes nestas duas demarcações tribais causaram a morte de pelo menos outras sete pessoas.

As autoridades do Paquistão negam em público estas ações, mas, segundo fontes tanto paquistaneses quanto dos EUA, os ataques dos aviões espiões contam com o consentimento tácito de Islamabad, cujos serviços secretos compartilham informação com os americanos.

29 setembro 2009

Irã testa novos mísseis capazes de atingir Israel e Europa




Rio - A decisão do Irã de testar novos mísseis capazes de atingir alvos em Israel, partes da Europa e bases americanas no Golfo Pérsico agravou ontem o impasse cada vez maior com os Estados Unidos e seus aliados sobre o programa nuclear iraniano. As manobras militares coincidem com a crescente tensão na disputa do Irã com o Ocidente, depois da revelação, na semana passada, de que Teerã está construindo sua segunda usina de enriquecimento de urânio.

– Hoje, o Irã realizou testes de mísseis com sucesso. Todos os alvos foram atingidos – informou a elite da Guarda Revolucionária iraniana. – O último estágio do míssil balístico Grande Profeta foi realizado, portanto, as manobras foram encerradas, com todos os alvos atingidos.

A emissora estatal Press TV confirmou que mísseis de superfície Shahab 3 foram testados durante exercícios da Guarda Revolucionária, que começaram no domingo, e estimou que o alcance do Shahab 3, que havia sido testado pela última vez em meados de 2008, é de até 2 mil quilômetros. Em vídeo gravado, a emissora mostrou um míssil sendo disparado em um terreno desértico, aos gritos de "Allahu Akbar" (Deus é grande).

A Casa Branca condenou as novas manobras, considerando-as uma "provocação" consistente com a postura mantida pelo Irã no cenário mundial, enquanto o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu mais "moderação" da república islâmica.

– Não é proibido por qualquer acordo internacional, mas é claro que quando lançamentos de mísseis ocorrem no topo da situação sem solução ao redor do programa nuclear do Irã, a situação é preocupante – disse Lavrov, em Nova York, após encontro com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki. – Tenho certeza de que moderação deve ser mostrada.

No domingo, antes da realização dos testes, o secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, insistiu que o caminho para convencer o Irã a abandonar seu programa nuclear estaria na diplomacia, e não numa ação militar.

– Embora não se retirem as opções da mesa, acho que ainda há espaço para a diplomacia – sugeriu Gates em entrevista divulgada pela rede de televisão CNN.

O secretário afirmou que o uso da força militar só serviria para ganhar tempo, mas não convenceria os iranianos a abandonarem sua busca por armas nucleares.

Na Alemanha, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores preferiu chamar os testes de "perturbadores" e disse que não vão inspirar confiança diante das próximas negociações entre as seis maiores potências e a República Islâmica, marcadas para quinta feira.

Para a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, o Irã terá de apresentar "evidências muito convincentes" na reunião de que seu programa nuclear não tem fins bélicos.

– Vamos submetê-los a um teste em 1º de outubro – disse Hillary à rede CBS. – Eles podem abrir todo o seu sistema ao tipo de investigação abrangente que os fatos pedem.

O chefe de política externa da Europa, Javier Solana, que irá encabeçar a delegação ocidental nas negociações com o Irã em Genebra, também manifestou preocupação sobre o teste iraniano. Na semana passada, Solana afirmou que a notícia de que Teerã estaria construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio seria algo a ser resolvido "imediatamente" com a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).

As potências ocidentais exigem que o Irã abandone seu programa nuclear, que acreditam visar ao desenvolvimento de armas nucleares, mas que, segundo o Irã, possui finalidade de apenas prover energia. As potências ofereceram incentivos, caso o Irã cumpra os pedidos. Em caso contrário, ameaçaram com mais sanções.

Brasil

Durante a abertura da Conferência Internacional Nuclear do Atlântico, no Rio de Janeiro, o ministro de Defesa Nelson Jobim negou que o Brasil apoie o programa nuclear do Irã.

– Não devemos aplaudir nenhum programa com proliferação de armas nucleares – afirmou.

Brasil quer informações sobre acidente com caças Rafale




Brasília - Os resultados da investigação sobre a queda de dois caças Rafale no Mar Mediterrâneo na semana passada serão entregues ao Brasil, que negocia a compra de 36 aeronaves do modelo, prometeu ontem o Ministério da Defesa da França. O comando da Força Aérea Brasileira havia solicitado na semana passada para as autoridades francesas acesso às investigações abertas após o acidente.

O acidente aconteceu em meio às discussões para a venda dos Rafale, fabricados pela francesa Dassault, ao Brasil. Se concretizada, a venda será a primeira exportação do caça de nova geração após anos de tentativas fracassadas.

As duas aeronaves da Marinha francesa caíram na última quinta-feira a cerca de 30 quilômetros da cidade de Perpignan, provavelmente após colidirem no ar, disseram as autoridades franceses.

Somente um dos pilotos foi resgatado com segurança. O acidente gerou questionamentos sobre seu possível impacto em um eventual acordo com o Brasil, mas o ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantiu ontem que o ocorrido não influenciará a escolha brasileira.

– Acho que isso não tem a ver, eu não conheço o problema (dos caças), mas a informação que se tem é que houve uma falha humana – disse Jobim após participar da abertura de um seminário internacional sobre energia nuclear no Rio, que ainda utilizou o histórico de acidentes de concorrentes da Dassault para minimizar a queda. – Se isso fosse verdadeiro, não poderíamos mais estar comprando aviões Boeing.

O porta-voz do Ministério da Defesa francês, Laurent Teisseire, disse em entrevista coletiva ontem que o resultado "completo" da investigação será divulgado ao Brasil.

– Com um parceiro importante como o Brasil, obviamente quando a hora for apropriada, e de acordo com uma forma que, pelo meu conhecimento, ainda não foi determinada, haverá transparência, como seria o esperado entre dois países parceiros – explicou. – É tradicional que os resultados de uma investigação aeronáutica seja compartilhada dentro da comunidade aeronáutica. O objetivo é que todos, a comunidade de compradores e mais genericamente a comunidade das pessoas que voam, tenham o melhor entendimento do que aconteceu.

Também estão na disputa para fornecer caças ao Brasil o F-18 Super Hornet, da norteamericana Boeing, e o Gripen NG, da sueca Saab. As três companhias têm até o dia 2 de outubro para apresentar melhorias nas propostas enviadas à FAB. Segundo Jobim, até agora nenhuma das concorrentes protocolou sua nova proposta junto ao governo para a venda dos caças. Tanto Jobim quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contudo, já expressaram preferência pelo caça francês.

(Com agências)

Jobim descarta desenvolver armas nucleares




Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu ontem que o programa nuclear brasileiro tenha apenas fins pacíficos e enfatizou que o país não tem qualquer pretensão de desenvolver armas com tecnologia nuclear.

– Se a tivéssemos (arma nuclear), seria ilegal, ilegítima e inconstitucional – afirmou Jobim, ressaltando que há impeditivos jurídicos para isso previstos na Constituição Federal de 1988. O ministro fez as afirmações durante a abertura da Conferência Internacional Nuclear do Atlântico, no Rio, ao comentar recentes declarações do vice-presidente José Alencar defendendo o desenvolvimento de armas nucleares para proteção das fronteiras e contra "a cobiça internacional", especialmente depois da descoberta das reservas de petróleo na camada pré-sal.

– As observações que o senhor vice-presidente da República fez são observações que entram em sua posição especialíssima em termos de ter a manifestação de ideias próprias. Basta ver as recorrentes manifestações em relação a juros. É legítimo que faça manifestações e as afirme.

O ministro também negou que o Brasil apoie o programa nuclear do Irã, considerado polêmico, tendo sido acusado por alguns países do Ocidente de estar desenvolvendo bomba com tecnologia nuclear.

– Não devemos aplaudir nenhum programa com proliferação de armas nucleares – completou.
 
(Com agências)

Nelson Jobim descarta uso de Forças Armadas




Rio - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, descartou nesta segunda-feira, o envio de homens das Forças Armadas Brasileiras à capital de Honduras, Tegucigalpa, para proteger a Embaixada do Brasil, depois que o governo golpista de Roberto Micheletti ameaçou desconsiderar o status diplomático do prédio.

– Não podemos entrar com força em um país estrangeiro. Para entrar com força em um país, só se declararmos guerra. Não há nenhuma possibilidade de pensar em movimentos armados – afirmou o ministro.

Jobim também disse acreditar que o governo hondurenho "terá a lucidez" de determinar a saída de brasileiros do país.

– Os brasileiros vão sair de lá, a questão é como isso vai se desenvolver – acrescentou.

O impasse entre Brasil e Honduras se agravou no domingo, quando o ministro golpista de Relações Exteriores de Honduras, Carlos Lopez Contreras, anunciou que a representação brasileira seria considerada "um prédio privado" se em 10 dias o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não informasse oficialmente em que condições Zelaya está abrigado.

"Um desastre"

Uma possível invasão da embaixada brasileira em Honduras seria um "desastre", segundo classificou ontem o secretário adjunto da ONU, encarregado de assuntos polítcos, Lynn Pascoe, durante uma entrevista coletiva.

– Será um desastre se ocorrer alguma ação que viole a lei internacional que garante a inviolabilidade da embaixada – disse Pascoe.

O secretário descreveu que o ultimato que o governo golpista liderado por Roberto Micheletti lançou no fim de semana contra o Brasil é uma "séria mudança negativa" da crise em Honduras.

– Este é um problema muito sério para todos nós – afirmou o secretário.

Brasil receberá resultado de apuração sobre caças

França vai enviar relatório da investigação que tenta apontar causa da queda dos Rafale





PARIS e RIO. Os resultados de uma investigação sobre a queda de dois caças Rafale no Mar Mediterrâneo, quinta-feira, serão entregues ao Brasil, informou ontem o Ministério da Defesa da França.

As duas aeronaves da Marinha francesa caíram a cerca de 30 quilômetros da cidade de Perpignan, provavelmente após colidirem no ar.

O Brasil negocia a compra de 36 aeronaves do modelo.

O acidente aconteceu em meio às discussões para a venda dos Rafale, fabricados pela francesa Dassault, ao Brasil.

Se concretizada, a venda será a primeira exportação do caça de nova geração após anos de tentativas fracassadas.

Também estão na disputa o F-18 Super Hornet, da norteamericana Boeing, e o Gripen NG, da sueca Saab. As três companhias têm até sexta-feira para apresentar melhorias nas propostas enviadas à Força Aérea Brasileira (FAB).

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, disse que o ocorrido não influenciará a escolha brasileira.

— Acho que isso (a queda) não tem a ver. Não conheço o problema (dos caças), mas a informação que se tem é que houve falha humana — disse Jobim após participar da abertura de um seminário internacional sobre energia nuclear no Rio de Janeiro.

— Se isso fosse verdadeiro, não poderíamos mais comprar aviões Boeing — afirmou o ministro, ao se referir a acidentes na aviação comercial.

28 setembro 2009

Embraer é favorável à compra de caças suecos



Virgínia Silveira, de São José dos Campos

A Embraer considera o caça sueco Gripen, do ponto de vista de transferência de tecnologia, a melhor opção para a empresa estabelecer uma parceria estratégica no contexto do programa F-X2. O contrato, que prevê a aquisição de 36 aeronaves de combate, no valor de US$ 2 bilhões, também é disputado pela francesa Dassault, com o caça Rafale, e pela americana Boeing, com o F-18 Super Hornet.

"Avaliamos as três propostas, a pedido da FAB e vimos que a oferta da empresa sueca Saab é a que vai assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação de tecnologia dentro da premissa "on the job doing", ou seja, aprender fazendo", disse o vice-presidente-executivo para o mercado de defesa da empresa, Orlando José Ferreira Neto.

O executivo parte do princípio de que o Gripen NG, versão mais avançada do Gripen C/D, e que ainda não foi fabricado, é o único que oferece oportunidade para o Brasil começar o desenvolvimento de um caça do zero. "Não estamos interessados em fabricar peças. Buscamos o domínio de conhecimento que ainda não temos e que nos será útil no desenvolvimento de futuras aeronaves."

A afirmação de Ferreira Neto é compartilhada por grande parte das empresas que compõem a cadeia aeroespacial de São José dos Campos. "Sairemos da condição de pequenas empresas dependentes da Embraer para um grupo consolidado verticalmente, capaz de fornecer estruturas integradas complexas, não só para a Embraer como para o mercado externo", afirma o diretor-executivo da Akaer, César Augusto da Silva.

A Akaer faz parte da holding T-1, que reúne as cinco empresas brasileiras envolvidas no projeto do novo caça sueco e será responsável pelo projeto e produção da fuselagem central, fuselagem traseira e asas. A fuselagem do Gripen, segundo Silva, é a mais complexa já feita no Brasil, pois envolve sistemas de alta tecnologia, como ligas de última geração e materiais avançados, do tipo composto. "O preço que iremos pagar pelos caças agora retornará para as empresas brasileiras em forma de empregos e de novas tecnologias." Em cinco anos, segundo Silva, a T-1 estima que poderá exportar US$ 500 milhões e gerar 2.900 empregos diretos no Brasil.

Para a Embraer, o programa de um novo caça supersônico também irá trazer benefícios tecnológicos. "Temos interesse nas tecnologias envolvidas em um voo supersônico e na utilização de materiais avançados para fazer frente aos novos desafios que se impõem aos fabricantes de aeronaves", disse Ferreira Neto.

A tecnologia dos radares de última geração, presente nos caças de combate, segundo Ferreira Neto, também pode ter aplicação na Aviação civil. Outra área de aprendizado é a de sistemas que otimizam consumo de combustível. "O programa F-X2 pode trazer informações de desenvolvimento importantes, que terão aplicação na aeronave cargueira KC-390, que estamos fazendo para a FAB."

A capacitação da indústria nacional, segundo Ferreira Neto, é primordial para garantir a autonomia do país no futuro para fazer modificações nos aviões que a FAB vai adquirir e para construir um novo caça. "A proposta de transferência de tecnologia tem que estar baseada nesse tripé: autonomia, capacitação da indústria nacional e preparo para novos desafios."

A proposta do francês Rafale e do americano F-18, na opinião do executivo da Embraer, é de fornecimento de aeronaves já prontas, o que limita a participação da indústria em atividades de desenvolvimento de novas tecnologias.

Hackers invadem site do Ministério da Defesa

 

A página foi parcialmente encoberta ontem à tarde com foto montagem de um olho pintado com as cores da bandeira brasileira e uma mensagem. A invasão ocorreu por volta das 16h e, até o fechamento desta edição, a página mantinha a mensagem, que dizia ser uma "decepção" o site poder ser "ownado". O termo é uma gíria usada por jogadores para reconhecer uma forma de superioridade devido a uma falha, erro ou perda pelo adversário. A Folha não conseguiu contato com o Ministério ontem.

Em meio à tensão, Irã testa mísseis




Teerã: Quatro dias antes da República Islâmica ter raras conversas com potências mundiais preocupadas com suas ambições nucleares, o Irã mostrou ao mundo que está preparado para repelir qualquer ameaça militar. Ontem, realizou testes com mísseis, numa manobra que coincidiu com a escalada da tensão na disputa nuclear do Irã com o Ocidente, após a revelação da semana passada de que Teerã está construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio.

A mídia iraniana disse que a Guarda Revolucionária lançou pelo menos dois tipos de mísseis de curto alcance no primeiro dia de exercícios neste domingo e testou um lançador de mísseis múltiplo.

No sábado à noite, os mísseis de médio alcance Shahab 1 e 2 também seriam sido testados.

– A mensagem de jogo de guerra para alguns países arrogantes, cuja intenção é intimidar, é a de que somos capazes de dar uma solução adequada, uma resposta forte para a hostilidade rapidamente – afirmou o general Hossein Salami à televisão estatal.

Ele disse aos repórteres que o Irã reduziu as escalas dos mísseis, e aumentou a sua precisão e a sua velocidade, para que pudessem ser usados de maneira rápida, em missões de curto alcance. As armas iranianas conseguiriam, agora, acertarem alvos a partir de posições desfavoráveis. Os testes militares seriam indicativos de que o país defende seus valores nacionais, como parte de uma estratégia para contenção das ameaças de alvos inimigos. Hoje, devem ocorrer mais testes, desta vez com o Shahab 3 de longo alcance de longo alcance, que pode chegar a aproximadamente 2 mil quilômetros.

– Nossos mísseis não representam uma ameaça para nossos vizinhos – afirmou Salami.

A rádio estatal comunicou que a Guarda testará hoje o míssil Shahab 3, que as autoridades iranianas afirmam ter um alcance de cerca de 2 mil quilômetros, com potencial para atingir Israel e bases norte-americanas no Golfo Pérsico. O míssil foi testado pela última vez em meados de 2008. A TV estatal mostrou mísseis sendo disparados em um terreno de aparência desértica.

Notícias sobre a instalação nuclear no sul do Irã trouxeram urgência ao encontro crucial em Genebra na quinta-feira entre autoridades iranianas e representantes das seis maiores potências, entre elas os Estados Unidos.

Um funcionário iraniano alertou que “clamores ocidentais fabricados” sobre a nova usina afetariam negativamente as conversas, nas quais os seis países querem que o Irã concorde em abrir suas instalações a inspeções para provar que seu programa almeja energia e não armas nucleares. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse no sábado que a descoberta da usina nuclear secreta mostrou um “padrão perturbador” de evasivas de Teerã que torna mais urgente as conversações da próxima quinta-feira.

Na sexta, o presidente já alertara que o Irã enfrentaria “sanções dolorosas” se não jogasse limpo.

O secretário da Defesa americano, Robert Gates, reforçou a cobrança ontem, em entrevista à rede CNN de televisão, mas admitiu que “a opção militar” não é a mais eficaz para lidar com o programa nuclear do Irã. Ele alertou que o governo de Teerã enfrentará sanções internacionais mais severas se continuar sua política atual.

– Os iranianos estão, neste momento, em uma posição muito ruim, diante de todas as grandes potências, devido a seu engano – disse. – Há, obviamente, a oportunidade de sanções graves adicionais.

Ministério da Defesa e FGV realizam o II Estágio de Mobilização Nacional




Brasília (22/09/2009) - Começou nesta segunda-feira dia (21/09) o II Estágio de Mobilização Nacional, promovido pelo Ministério da Defesa em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. O estágio é voltado para os funcionários, civis e militares, dos dez órgãos do governo federal que integram o Sistema Nacional de Mobilização (SINAMOB). Tem o objetivo de disseminar os conceitos sobre mobilização, informações sobre a criação do SINAMOB e preparar pessoal para o desempenho de atividades a serem desenvolvidas pelo sistema.

O curso terá uma semana de duração e 28 funcionários do governo se inscreveram. As aulas serão dadas pela professora Maria Leonídia Marques Malmegrim, da FGV, e por Fernando Guimarães Santos, que trabalha no Departamento de Mobilização do Ministério da Defesa (DEPMOB).

O SINAMOB é o conjunto de órgãos que atuam de modo ordenado e integrado com objetivo de realizar todas as fases da mobilização e da desmobilização nacional. É formado pelos seguintes órgãos: Ministério da Defesa, que é o órgão central do Sistema, e ainda Ministérios da Justiça, Relações Exteriores, Planejamento, Orçamento e Gestão, Ciência e Tecnologia, Fazenda e Integração Nacional. E ainda Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e Secretaria de Comunicação da Presidência. A estrutura do SINAMOB poderá ser utilizada no auxílio às situações emergenciais (tais como calamidades e epidemias), desde que aprovado pelo Conselho do SINAMOB.

O II Estágio é uma iniciativa da Secretaria de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia (SELOM), do Ministério da Defesa. Na cerimônia de abertura do curso, o General-de-Exército José Elito Carvalho Siqueira, titular da secretaria, destacou a importância do efeito multiplicador do encontro. “Não existe desenvolvimento de um país se ele não estiver seguro e estável”, comentou o General. A cerimônia também teve a presença do coordenador acadêmico da FGV, professor Wankes Ribeiro.

Soldados defendem Mato Grosso em exercício militar

 


Brasília, 25/9/2009- O Ministério da Defesa inicia na próxima segunda-feira a Operação Laguna, exercício militar de grande porte que se desenrolará do dia 28 de setembro a 09 de outubro de 2009 no Estado do Mato Grosso do Sul, tendo como sede a Cidade de Campo Grande. Trata-se de um exercício conjunto de adestramento, envolvendo efetivos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, sob a coordenação do Estado Maior da Defesa (EMD).

“O exercício faz parte da sistemática de adestramento conjunto do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, que acontece duas vezes por ano em diversas regiões do país, e é fundamental tanto para a integração das Forças como para o conhecimento das peculiaridades das diversas regiões e para o treinamento em ambientes diversos”, explica o chefe do Estado-Maior de Defesa, Almirante de Esquadra João Afonso de Prado Maia.

A operação Laguna representa a fase final de um ciclo de planejamento trienal, iniciado em 2007, com a finalidade de:

- adestrar forças navais, terrestres e aéreas em operações conjuntas na Região Centro-Oeste;

- levantar dados de planejamento para o dimensionamento de efetivos e emprego de meios federais, estaduais e municipais em atividades de evacuação de nacionais, em conseqüência de calamidades públicas, ações de grupos armados irregulares e de Operações de Paz;

- intensificar a presença do Estado e das Forças Armadas na área de exercício, ampliando a interação entre o Ministério da Defesa e os diversos órgãos de segurança e fiscalização; e

- apoiar a população local com atendimentos de saúde e cidadania.

No ano passado as operações combinadas ocorreram na Amazônia (Poraquê) e no litoral fluminense (Atlântico). A primeira simulou a ocupação da usina hidrelétrica de Balbina por uma força inimiga e operação destinou-se à retomada das instalações e expulsão do exército agressor.

Já a Atlântico, simulou a defesa contra uma força invasora interessada em assumir o controle da região da Bacia de Campos, principal fonte do petróleo brasileiro.

26 setembro 2009

FX-2: Última proposta da SAAB

Preço e fabrico no Brasil de 40% do caça




Numa tentativa desesperada para conseguir garantir a compra pela Força Aérea Brasileira de 36 caças para o programa de aquisições brasileiro conhecido como FX-2, a SAAB da Suécia apresentou aquela que é sua última proposta. Segundo a imprensa, a proposta implica que pelo menos 40% da aeronave Gripen «NG» será fabricada no Brasil.

A SAAB, que apresentou a proposta no passado Sábado também garantiu o acesso à tecnologia e ao núcleo dos sistemas vendidos, o que aliás também foi garantido por outros fabricantes.

Segundo os suecos, não há restrições à transferência de tecnologia, grande parte da aeronave será fabricada no Brasil e o preço final do Gripen, é extremamente competitivo.

O preço do caça Gripen, um mono-motor mais leve que os outros dois concorrentes tem um preço estimado em volta de 50 a 60 milhões de dólares, embora os preços nestes casos sejam sempre completamente dependentes do «pacote» de opções negociado.

Esta é vista como a última tentativa por parte da SAAB para garantir a vitória na decisão brasileira relativa ao processo de aquisição de caças que tem sofrido vários revezes e problemas de percurso.

Há duas semanas atrás o presidente brasileiro afirmou que a decisão já estava tomada, numa afirmação que posteriormente foi contestada pelos militares e pelo ministério da defesa.

Lula terá falado antes do tempo, dizendo que o Brasil tinha chegado a acordo dom a França e isso poderá colocar em causa a futura decisão, levando o programa FX-2 para os tribunais.

Não só a SAAB como os outros dois fabricantes, a francesa Dassault e a americana Boeing têm anunciado grandes facilidades no quesito de transferência tecnológica, embora segundo várias fontes a expressão «transferência de tecnologia» seja interpretado de forma completamente diferente consoante se trate dos fabricantes, do governo ou da Força Aérea..

Embora a preferência esteja com o Rafale e especialistas brasileiros na área da defesa apontem como praticamente inevitável a vitória da francesa Dassault, mesmo porque a não acontecer ela seria um tremendo desprestigio para o presidente Lula, a Saab apresenta alguns trunfos.

De entre esses destacam-se a integração com sucesso de radares de origem sueca nas aeronaves de vigilância aérea da Embraer, que ajudaram a empresa a colocar no mercado, um dos mais sofisticados sistemas do tipo.

Marinha russa quer submarinos U-212

Submarinos alemães poderão ser adquiridos, afirma ministro russo




Conforme já tinha sido noticiado anteriormente, a marinha da Rússia considera seriamente a possibilidade de aquisição de sistemas militares navais a outros países.

A possibilidade de a Rússia vir a adquirir navios de projecção estratégica ou de desembarque à França foi já confirmada pelos russos, embora do lado francês a questão tenha sido tratada com muito maior descrição.

Agora volta a ser referido pela imprensa russa o interessa da marinha da Rússia na aquisição de submarinos alemães do tipo U212, tendo como fonte o próprio ministro da defesa do país, Anatoly Serdyukov.

Na origem do problema estará o facto de os submarinos convencionais do tipo «Lada» uma derivação dos submarinos da série «Kilo», terem sido entregues à marinha russa mas ainda não estarem operacionais devido a problemas técnicos.

De facto, tanto o Sainkt Petersburg como o Kronstadt ainda não foram dados como operacionais.

Existem aparentemente problemas com o sistema de propulsão independente do ar. Os russos já chegaram mesmo a considerar a possibilidade de instalar reactores nucleares de fraca potência nos submarinos, apenas para alimentar as baterias dos motores eléctricos.

Ao considerar a possibilidade de adquirir o U212 a Rússia está especialmente interessada no sistema AIP de células de combustível que utiliza hidrogénio, e que está instalado nos submarinos do tipo U212 alemães e italianos e nos U214 da Coreia do Sul e de Portugal.

Curiosamente, o modelo russo é aquele para o qual a marinha do Brasil pediu informações para eventual compra, tendo considerado o sistema russo como o mais silencioso do mundo. Oficialmente, o projecto russo foi colocado fora de cogitação, porque os russos não queriam ceder a tecnologia.

Problemas generalizados na marinha russa

Os problemas nos estaleiros russos têm-se sucedido uns a seguir aos outros. O porta-aviões da marinha da Índia Vikramaditya continua no estaleiro, com russos e indianos em acusações mútuas. Vários sistemas têm mostrado problemas. Recentemente um submarino nuclear que estava a ser preparado para entregar à Índia sofreu um gravíssimo acidente na sequência do qual morreram mais de 20 pessoas.

O próprio presidente russo mostrou a sua irritação com o problema durante a sua última visita aos estaleiros Sevmash, dizendo que se os estaleiros propuseram fornecer um navio, têm que honrar o contrato.

A situação da marinha russa é algo estranha, mas não é novidade para quem tem acompanhado a situação real da força nos últimos anos. A marinha não é tradicionalmente um ramo das forças armadas muito querido dos russos, que são uma nação continental por tradição. A marinha russa tenta aumentar a sua projecção dentro do próprio país com a divulgação de viagens internacionais dos seus mais poderosos navios, mas os resultados têm sido muito poucos.

A maior parte da esquadra é antiquada e ultrapassada, servindo apenas como plataforma flutuante para os dissuasores nucleares russos.

Os seus navios de maior importância são o porta-aviões Admiral Kuznetsov e o cruzador nuclear Pedro o Grande (classe Kirov).

Mas a operacionalidade do Kuznetsov nunca foi considerada satisfatória pelos russos, que agora pensam na possibilidade de negociar a construção de navios porta-aviões em colaboração com a França.

Quanto ao cruzador nuclear, ainda recentemente foi anunciado que a reparação e modernização do cruzador nuclear Nakhimov (um navio do tipo Kirov idêntico ao Pedro o Grande), para um padrão mais moderno, custaria mais que a construção de um navio novo, o que foi encarado como uma veredicto final sobre o futuro da vetusta classe de gigantescos navios, que são de uma esmagadora imponência, mas que do ponto de vista estratégico, só poderiam servir como navios suicidas numa guerra mundial termonuclear. Além disso, os custos operacionais de manter um só navio Kirov são superiores aos custos de manter de seis a dez fragatas modernas.

Ao mesmo tempo que isto ocorre, a Rússia não tem um único navio especializado em defesa aérea e o único radar equivalente ao Spy-1 norte-americano que foi produzido na Rússia, nunca funcionou em condições.

A estrutura que presentemente existe é antiquada e está pelo menos 30 anos desfasada do resto do mundo. Grande parte de suas instalações mais importantes estava na Ucrânia. Com o fim da URSS, a indústria naval russa ressentiu-se muito. O principal fabricante de turbinas para navios do tipo fragata está na Ucrânia e essa é uma das razões que leva a indústria da Rússia a ficar pela reparação das suas unidades mais antigas e a ter lançado desde que acabou a URSS apenas uma única classe significativa de navios de superfície, as quatro corvetas Steregushy, das quais apenas uma está ainda ao serviço.

Rússia quer comprar porta-helicópteros francês

Interesse confirmado por General russo




Numa visita à Mongólia, o general russo Nikolai Makarov afirmou que a França poderá ser um potencial fornecedor de navios para a marinha da Rússia nomeadamente de navios anfíbios.

O modelo apontado como referência para as necessidades russas é o porta-helicópteros / Navio-de-desembarque-doca da classe Mistral, um navio com um deslocamento máximo na ordem das 21.000 toneladas, que a Rússia considera adquirir da França, com a possibilidade de construção conjunta de um numero adicional não revelado.

Em declarações à imprensa o general russo confirmou que a Rússia está em negociações com a França para a aquisição de uma unidade daquele navio.

Este tipo de embarcação, permite a projecção de forças, desembarcando-as em praias utilizando helicópteros ou lanchas de desembarque que são transportadas dentro do navio e que permitem colocar carros de combate numa praia, mantendo o navio a uma distância segura.

A eventual opção da Rússia não deixa de ser curiosa, quando se sabe que os russos começaram a construção de uma classe de navios com características de LPD/LST durante os anos 70. Tratou-se da classe «Ivan Rogov» da qual foram construídos três exemplares, continuando um ainda ao serviço.

No entanto, os navios russos aproximam-se mais da configuração tradicional de LPD/Navio de desembarque e possuem hangar para vários helicópteros mas uma pista para apenas uma unidade.

Outra característica dos Ivan Rogov, era a possibilidade de serem utilizados também como navio de desembarque pesado, que tinha capacidade para se aproximar das praias e desembarcar o seu conteúdo directamente, sem a utilização de embarcações adicionais.

Não seria a primeira vez que a Rússia adquiria equipamentos militares aos países ocidentais. Seria no entanto a maior compra de armamento feita por aquele país à França, desde que no final do século XIX adquiriu o couraçado Tsesarevich, juntamente com os planos de construção de couraçados do tipo pré-dreadnought de projecto francês, que se traduziram nos couraçados da classe Borodino, construídos em estaleiros russos e que foram todos tragicamente perdidos na guerra de 1904/1905 contra os japoneses.

25 setembro 2009

Exército de olho na fronteira

Forças Armadas e PF deslocam homens para região que liga o Acre a Peru e Bolívia





Edson Luiz

Cerca de 700 homens do Exército, Polícia Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) iniciaram esta semana uma operação nas fronteiras do Acre com o Peru e a Bolívia. Soldados e agentes estão armando barreiras nas principais estradas do estado, que hoje figura entre as principais rotas do chamado tráfico formiguinha. Segundo levantamento da PF, a migração dos laboratórios de refino de cocaína para a região de Madre de Diós, no Peru, tem aumentado a entrada da droga, trazida em quantidades que variam entre 10 e 70 quilos, para abastecer o Centro-Oeste e o Nordeste do país.

A Operação Curare foi uma iniciativa do Comando do Exército, que conta, além dos policiais federais e agentes do Ibama, com apoio das polícias Rodoviária Federal e Militar. A 17ª Brigada de Infantaria de Selva, que coordena os trabalhos, concentrou as tropas entre as cidades de Capixaba, Brasileia, Xapuri e Epitaciolândia — na fronteira com a Bolívia — e em Santa Rosa do Purus e Assis Brasil, na divisa com o Peru.

"A finalidade da Operação Curare é intensificar a presença do Exército Brasileiro na faixa de fronteira e, para isso, a 17ª Brigada de Infantaria de Selva realiza ações a fim de evitar a ocorrência de delitos transfronteiriços e ambientais", afirma o comando. "Concomitantemente às ações de patrulhamento e fiscalização, estão sendo desenvolvidas ações de caráter cívico-social como atendimento médico e odontológico, regularização da situação do Serviço Militar Obrigatório, palestras com temas de saúde e cidadania, apresentação de banda de música militar, exposição de material militar, entre outras", acrescenta.

Nos últimos meses, a Polícia Federal obteve informações de que a droga, antes cultivada na Colômbia, estava sendo transferida para a fronteira do Peru com o Acre. Além disso, houve um crescimento na produção da droga na Bolívia, principalmente depois de o presidente do país, Evo Morales, ter determinado a saída da Drug Enforcement Administration (DEA) — a agência antinarcóticos dos Estados Unidos — da região. A DEA atuava (1)em conjunto com os Leopardos, grupo de combate ao narcotráfico da polícia boliviana.

Segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), em um ano, os plantios de coca cresceram em torno de 16% na Bolívia, em relação a 2008. O mesmo acontece no caso do Peru.

Em contrapartida, a Colômbia registrou uma diminuição em relação aos demais países, principalmente por causa da atuação dos americanos, que instalaram o Plano Colômbia, em 2000, e elevaram os investimentos no combate ao narcotráfico.

O governo está preparando um plano de ação mais profundo entre as Forças Armadas e Polícia Federal, mas não revela detalhes. "O trabalho conjunto com o Exército é frequente na Amazônia", afirma o delegado Luiz Cravo Dórea, coordenador-geral de repressão a entorpecentes da Polícia Federal.

Segundo Dórea, além da atuação direta, a força apoia a PF em questão logísticas, como deslocamentos de efetivos.

Além da rota terrestre, um levantamento da PF mostrou, ainda, que o tráfico feito por via aérea cresceu. Somente no primeiro semestre deste ano, aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) ameaçaram quatro pequenas aeronaves com tiros de advertência. Todas elas estavam transportando cocaína.

Porém, em apenas um caso, o piloto foi preso pela Polícia Federal. A droga, segundo delegados que atuam na área, vem da Bolívia e com qualidade superior à traficada do Peru. Com isso, os investigadores acreditam que cartéis colombianos estão agindo também em território boliviano.

1 - Trabalho interrompido

Em dezembro do ano passado, Evo Morales determinou a saída da DEA do território boliviano, alegando que a agência estava interferindo em assuntos externos do país. Porém, a relação entre os governos local e dos Estados Unidos foi um dos principais motivos pela suspensão dos trabalhos dos agentes americanos. Pouco antes da retirada do efetivo, Morales expulsou um cônsul dos EUA, agravando a crise entre as nações. A DEA trabalhava na erradicação da coca, tendo investido desde 1980, quando chegou à região, cerca de US$ 35 milhões anuais no país.

O NÚMERO

16%


Crescimento da produção de cocaína na Bolívia, segundo a ONU, contrasta com a redução em países como a Colômbia

Dois caças Rafale se chocam na França

Modelo fabricado pela Dassault é o favorito do presidente Lula para reequipar a Força Aérea Brasileira




Andrei Netto, PARIS

Dois caças Rafale, similares aos que o governo Luiz Inácio Lula da Silva planeja adquirir para reequipar a Força Aérea Brasileira (FAB), caíram ontem no Mar Mediterrâneo. O acidente aconteceu a 30 quilômetros da cidade de Perpignan, no sul da França, por volta de 16 horas.

De acordo com a Marinha francesa, que tem 17 aeronaves Rafale, o choque ocorreu em pleno voo. No início da noite, o piloto de um dos caças foi resgatado com vida, mas o outro continuava desaparecido.

Segundo o Ministério da Defesa da França, os dois aviões haviam decolado do porta-aviões Charles de Gaulle para exercícios. As causas do choque eram ignoradas, segundo indicou Bertrand Bonneau, capitão de fragata e porta-voz da Marinha, em entrevista à rede de TV pública France 2. "A priori, trata-se de um acidente", declarou Bonneau.

A queda dos caças ocorreu justamente na retomada das atividades do porta-aviões Charles de Gaulle, que esteve retido em um estaleiro ao longo dos últimos meses.

Quatro helicópteros, um avião de vigilância Aérea Hawkeye, um avião de patrulha marítima e uma lancha foram destacados para as tarefas de resgate do piloto.

"Importantes recursos foram imediatamente deslocados para a zona de buscas aos pilotos, dos quais um foi encontrado", confirmou a Marinha, em comunicado. A Força informou, ainda, que o aviador resgatado passava bem. "As operações de buscas prosseguem para encontrar o segundo piloto."

Este é o segundo desastre envolvendo um Rafale desde a entrada desse caça em operação, em maio 2001. Em dezembro de 2007, um piloto morreu na queda de um modelo da Força Aérea francesa, na cidade de Neuvic, no sudoeste do país.

PREFERÊNCIA

No último dia 7, aproveitando a visita do colega francês Nicolas Sarkozy ao Brasil, o presidente Lula anunciou a preferência pela empresa francesa Dassault para a compra de 36 caças.

O custo total estimado do projeto FX-2 era de ? 4 bilhões (R$ 10,6 bilhões), valor que pode ser alterado até a assinatura do contrato, já que foi apresentada uma nova proposta.

O comunicado de apenas três parágrafos, no qual o governo revelou a decisão de abrir negociação com a Dassault, gerou protestos dos outros dois concorrentes internacionais.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, veio a público dizer que a concorrência não estava terminada. Os outros participantes - a Saab, sueca, com o caça Gripen, e a Boeing, americana, com o F-18 - também reformularam as suas ofertas.

Lula será ''garoto-propaganda'' de novo avião

Presidente usará EMB-190, substituto de Sucatinha, em viagem de uma semana pela Europa





Tânia Monteiro, BRASÍLIA

A partir de terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a trabalhar como garotopropaganda dos aviões da Embraer. Na viagem de uma semana que fará pela Europa, Lula vai voar a bordo do Emb-190, adquirido pelo governo para substituir os antigos Boeings 737, conhecidos como Sucatinhas. O primeiro exemplar do Emb-190 será entregue hoje ao Grupo de Transportes Especiais da FAB. O segundo chegará em dezembro. Os aviões custaram R$ 150 milhões.

A novidade do Emb-190 em relação ao Airbus 319, o Aerolula, é que o centro de comunicações do novo avião permitirá que o presidente e as autoridades que estiverem a bordo usem internet para se comunicar com o governo. A exemplo do Aerolula, o Emb 190 terá uma cabine especial, além de outros 36 lugares para a comitiva do mesmo tipo oferecido pela classe executiva. Na cabine reservada, fica o gabinete de trabalho, uma suíte com cama de casal, chuveiro e saleta com terminal de vídeo. Todas as comunicações via satélite são protegidas e codificadas eletronicamente, permitindo que as atividades de inteligência, comando e controle do governo possam funcionar a bordo.

Lula embarca do Rio de Janeiro para Lisboa, na terça à noite, a bordo do Aerolula. Na capital portuguesa, troca o Aerolula pelo Emb-190, inaugurando o avião rumo a Copenhague, na Dinamarca, onde participará da cerimônia de escolha da sede das Olimpíadas em 2016. De lá, no domingo, o presidente Lula irá para Bruxelas, capital da Bélgica, e, por último, para Estocolmo, na Suécia. De Estocolmo, Lula volta direto para o Brasil a bordo do Aerolula, já que o Emb-190 não tem autonomia para atravessar o oceano.

Este novo avião, que já voa em outros países, será usado para voos na América do Sul. O Emb-190 presidencial teve a autonomia original expandida e pode chegar a qualquer capital da América Latina sem escalas e até a África ou ao hemisfério norte com uma só parada.

Resolução do Conselho de Segurança da ONU restringe armas

Texto não cita Irã e Coreia do Norte, por causa de pressão russa e chinesa, mas Obama menciona países em discurso




Gustavo Chacra, NOVA YORK

Em sessão conduzida pelo presidente dos EUA, Barack Obama, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou ontem por unanimidade uma resolução para limitar arsenais e a proliferação de armas Nucleares. Apesar de o texto oficial não citar nenhum país nominalmente, por causa da ameaça de veto de China e Rússia, Obama e outros líderes mencionaram explicitamente Irã e Coreia do Norte em seus discursos.

A ofensiva diplomática pela resolução partiu de uma iniciativa pessoal de Obama. O presidente dissera em abril, durante reunião da Otan em Praga, que buscaria um "mundo sem armas Nucleares".

"Deixamos claro que o CS tem tanto a autoridade quanto a responsabilidade para determinar e responder da forma necessária quando violações do tratado ameaçarem a paz e a segurança internacional", afirmou o presidente americano. "Isso inclui a cooperação total com as resoluções do Conselho de Segurança sobre o Irã e a Coreia do Norte."

A não-proliferação Nuclear é uma das bandeiras da política externa de Obama. Esta foi a quinta sessão do CS que teve a participação dos chefes de governo ou de Estado de todos os cinco membros permanentes.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, adotou um tom mais duro que Obama, ao afirmar que Teerã e Pyongyang "estão minando as regras sobre as quais a nossa segurança coletiva está fundamentada". "Temos de parar a proliferação. Isso é o que a resolução estipula."

Segundo o líder francês, os iranianos violaram cinco resoluções da ONU. "Ninguém pode acreditar com seriedade que os objetivos (do Programa Nuclear iraniano) são pacíficos", disse. Em resposta, a missão iraniana divulgou uma nota chamando as alegações de Sarkozy de "ridículas" e "totalmente infundadas".

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta semana que não duvida da palavra do presidente iraniano. Na quarta-feira, a Rússia havia indicado que não descarta a possibilidade de aprovar mais sanções contra o regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Na semana que vem, os cinco membros permanentes do CS e a Alemanha, que compõem o chamado sexteto, vão se reunir com o Irã para discutir a questão Nuclear.

DETERMINAÇÕES

A resolução 1887 do CS , que busca "promover as condições necessárias para um mundo sem armas Nucleares" , deve servir de base para conferência internacional sobre o tema prevista para 2010.

O texto reforça a importância do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e pede a países que não integram o acordo para assinar o pacto.

Ontem, o governo americano deu sinais de que integrará o Tratado-Geral contra Testes Nucleares. o Acordo tem 150 signatários, mas foi barrado em 1999 pelo Senado dos EUA.

José Alencar defende que país invista em arma nuclear




Brasília - Um dia depois de se submeter a mais uma sessão de quimioterapia, o presidente em exercício José Alencar defendeu ontem o desenvolvimento de armas nucleares como forma de dissuasão e para o Brasil ter mais espaço no cenário internacional. Alencar alega que elas podem ser importantes para a proteção das fronteiras e contra "a cobiça internacional", especialmente depois da descoberta das reservas de petróleo na camada pré-sal.

O presidente em exercício lembrou que o Paquistão, mesmo sendo um país pobre, já detém essa tecnologia, o que lhe confere reconhecimento internacional.

– Nós dominamos a tecnologia da energia nuclear, mas ninguém aqui tem uma iniciativa para avançar nisso. Eles (Paquistão) têm reconhecimento tecnológico, mas são muito pobres. Eles sentam à mesa, porque têm arma nuclear. É vantagem? É, até do ponto de vista de dissuasão. É importante.

Temos que despertar que o Brasil para ser um país realmente forte tem que avançar nisso, especialmente para fins pacíficos – defendeu o vice-presidente. – O brasileiro é muito tranquilo. Nós dominamos a tecnologia da energia nuclear, mas ninguém aqui tem uma iniciativa para avançar nisso. Temos que avançar nisso aí.

Alencar propôs também vincular parte do Produto Interno Bruto (PIB) ao orçamento das Forças Armadas. O presidente em exercício estima ser necessário percentual fixo de 3% a 5% do PIB para reaparelhar o Exército, a Aeronáutica e a Marinha.

– A fixação de um percentual com base no PIB seria bom porque daria segurança às Forças Armadas – comentou ontem. O presidente em exercício, admitiu, contudo, que não conversou recentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a proposta. – O presidente Lula está atento a isso, porém dentro daquela visão responsável porque não podemos, por exemplo, criar um deficit orçamentário que nos leve a uma volta do período da irresponsabilidade fiscal. Isso não podemos fazer de forma alguma.

Alencar também rebateu críticas de que o governo não estaria dando a devida atenção ao Exército pelo fato de estar negociando a compra de caças para a Força Aérea e submarinos para a Marinha.

– A preocupação com o Exército é presente e será feita. Mas você vê que, de repente, falta dinheiro. Está faltando dinheiro. Até mesmo para a manutenção dos quadros atuais. Isso tem que mudar – reclamou. O Comando do Exército decidiu reduzir o expediente nas segundas e sextas-feiras, pois não há verba suficiente para o pagamento das contas de água, luz, telefone e alimentação dos soldados.

(Com agências)

Embraer entrega hoje o novo avião da Presidência

EMB-190 será usado por Lula na Europa

 
Luiza Damé

BRASÍLIA. O novo avião da Presidência — um jato EMB190 — será entregue hoje à tarde pela Embraer e já será usado pelo presidente Lula na viagem à Europa, na próxima semana. O EMB-190, com capacidade para 36 passageiros, além da tripulação — e com uma cabine especial para o presidente, onde cabem até quatro pessoas — vai substituir o Boeing 737, chamado de sucatinha. Ele faz parte de um pacote encomendado pelo governo à Embraer, no ano passado, ao custo de R$ 150 milhões.

Até o início de dezembro, a Embraer vai entregar o segundo EMB-190, para substituir o outro sucatinha. Os dois novos jatos serão usados como reservas do AeroLula — o Airbus-319 — e nas viagens regionais do presidente Lula.

Na estreia do EMB-190, Lula se comportará como verdadeiro garoto-propaganda da indústria aérea brasileira. O presidente viaja terça-feira para Lisboa no Airbus-319, comprado em 2005, por US$ 56,7 milhões. Na capital portuguesa, Lula trocará de avião e fará toda a parte interna da viagem à Europa, incluindo Copenhague, Bruxelas e Estocolmo, no jato da Embraer.

O EMB-190 foi adaptado para atender às exigências da Presidência. A autonomia original do jato foi expandida, permitindo que ele chegue às capitais da América Latina sem paradas. Para África e Hemisfério Norte, será necessária uma escala. Dentro do avião, a cabine do presidente terá suíte com cama de casal, chuveiro e sala com terminal de vídeo, além de comunicações via satélite protegidas.

Decisão da ONU aponta para mundo sem armas nucleares

Conselho de Segurança da ONU, presidido por Obama, aprova pedido pelo fim da corrida armamentista atômica



 
Marília Martins
Correspondente

NOVA YORK. Numa sessão histórica, o Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade uma resolução pedindo o fortalecimento do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e a convocação de uma nova conferência sobre o tema para 2010. Foi a primeira vez que um presidente americano presidiu uma reunião do Conselho de Segurança. Barack Obama, que chegou à ONU acompanhado da secretária de Estado Hillary Clinton e da embaixadora americana na ONU Susan Rice, elogiou a resolução por "reafirmar o compromisso de todos com a meta de um mundo sem armas nucleares".

Ao longo da reunião, que durou duas horas, Obama alertou que um único artefato nuclear em mãos de terroristas numa grande cidade poderia matar milhões de pessoas, deflagrando um conflito de proporções globais e lembrou que a ONU tem um papel central da prevenção de novas crises mundiais.

— Em meu país existe hoje um consenso entre democratas e republicanos na busca de ações pelas quais possamos reduzir o arsenal nuclear mundial e os riscos de um conflito.

Uma guerra nuclear não pode ser vencida e jamais deveria ser lutada — disse Obama.

Irã e Coreia do Norte não foram citados na resolução O texto da resolução foi feito pela diplomacia americana e aprovado por unanimidade, após serem retiradas menções nominais ao Irã e à Coreia do Norte, a pedido da China e da Rússia. Em seu discurso, porém, Obama citou os dois países e cobrou compromisso com resoluções já aprovadas contra eles, mas ainda sem resultados: — Não se trata de cobrar de nações individualmente, mas sim de trabalhar para uma união mundial de modo a provar que o direito internacional não é apenas uma promessa vazia.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também qualificou o momento atual como o de uma "decisão histórica": — Vivemos hoje o começo de um novo futuro. Os cínicos diriam para sermos realistas, mas hoje eles estão errados porque o desarmamento é o caminho mais seguro para garantir um futuro para todos — avaliou o secretário, que previu uma nova rodada de negociações em busca de consenso para a conferência de 2010 e de novos signatários para o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, assinado por 188 nações, mas que exclui nove países-chave, entre eles Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. O Irã é signatário do tratado.

A presença de Obama na reunião do Conselho de Segurança pretendeu, disse a Casa Branca, chamar atenção para o novo papel reservado para a ONU na política externa americana.

A reunião teve presença de 14 dos 15 líderes que atualmente estão no Conselho e o único ausente foi Muamar Kadafi, presidente da Líbia. Fazem parte do conselho EUA, Costa Rica, Croácia, Rússia, México, Áustria, Vietnã, Uganda, China, França, Burkina Faso, Reino Unido, Japão, Turquia e Líbia (num assento temporário). Também esteve presente Mohamed El Baradei, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Chávez diz que ONU não cheira mais a enxofre O texto da resolução pede que esses quatro países assinem o tratado e que aqueles que têm armas nucleares façam esforços para reduzir o arsenal existente e trabalhem em prol de um "tratado de desarmamento geral e completo sob rígido controle internacional".

E inclui medidas citadas por Obama em discurso em Praga, em abril, como um banco de combustível internacional para salvaguardar o material nuclear e negociações para um tratado que acabe com a produção dos materiais físseis usados nas armas atômicas.

Rússia e EUA devem assinar em dezembro um acordo para novas reduções em seus arsenais nucleares, e Obama promete o início de uma rodada de negociações com vistas a proibir a fabricação de artefatos nucleares de nova geração. E disse esperar que o Congresso americano ratifique um acordo para o banimento de testes nucleares: — Os próximos 12 meses serão decisivos para saber se nossos esforços para estancar a proliferação de armas nucleares poderão ser bem-sucedidos.

O presidente da China, Hu Jintao, disse que o país não planeja extinguir seu arsenal nuclear.

— Vamos manter nossas instalações nucleares no nível mínimo exigido para garantir a Segurança Nacional, e faremos esforços para avançar no processo de desarmamento internacional.

As críticas a Obama vieram de centros de delegações de países do movimento pelo nãoalinhamento, que condenaram o texto da resolução pelo tom de ameaça para os que violarem obrigações nucleares.

— Obama está tentando promover a política externa americana como a busca de uma nova liderança mundial, mas o Conselho de Segurança vota apenas segundo os interesses de seus membros — diz Henry Sokolski, diretor-executivo do Centro de Educação e Políticas de Não-Proliferação de Armas.

Em discurso na ONU, o venezuelano Hugo Chávez acusou o Pentágono de estar por trás do golpe em Honduras e disse que há divergências entre os departamentos de Defesa e o de Estado.

Mas afirmou que o "cheiro de enxofre" da era Bush havia sido trocado pelo "cheiro de esperança" de Obama, e que temia muito pela vida do presidente americano. Ele convidou ainda Obama a se juntar ao socialismo e integrar "o eixo do mal": — Não cheira mais a enxofre.

Cheira a outra coisa, a esperança.

E é preciso colocar a esperança no coração.

24 setembro 2009

Assessor militar de Sarkozy traz garantias do Rafale a Jobim

Em reunião com ministro, chefe do gabinete militar diz que transferência de tecnologia será 'completa'

Almirante esteve no País com o vice-presidente internacional da Dassault para confirmar garantias prometidas por Sarkozy





Tânia Monteiro

BRASÍLIA - Dando prosseguimento à ofensiva para a venda de 36 novos caças para o Brasil, o almirante Edouard Guillaud, chefe do gabinete militar do presidente da França, Nicolas Sarkosy, esteve na segunda-feira, 21, em Brasília, em companhia do vice-presidente internacional da Dassault, fabricante do caça francês Rafale.

Eles se reuniram com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, para "trazer a garantia do governo francês", seja oferecendo as mesmas condições financeiras dadas à Força Aérea francesa quando adquiriu as aeronaves, seja de transferência de tecnologia "completa, sem restrição e sem limite".

Todas as garantias já estavam registradas na carta assinada por Sarkozy e entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã do dia sete de setembro, antes de os dois países apresentarem o comunicado conjunto dizendo-se "parceiros estratégicos", quando foi anunciada a abertura das negociações com a França para a aquisição dos 36 Rafale. "Espero tê-lo convencido", disse o almirante em entrevista exclusiva ao Estado, após a audiência com Jobim.

Mesmo sem querer falar sobre o preço do pacote de venda do Rafale e os seus custos - de acordo com autoridades brasileiras, o maior problema do modelo francês -, o almirante Guillaud assegurou que o custo da hora de voo do modelo francês "não foi considerado alto" pelo Brasil.

Pressionado a responder se a França reduziu sua proposta para assegurar a "preferência política" antecipada pelo Brasil, o chefe do gabinete militar de Sarkozy reconheceu que "há problemas de preço" e sinalizou que a França já abaixou os seus valores, para se manter no páreo: "nunca vi uma negociação comercial terminar com um preço superior ao preço inicial".

O almirante Guillaud fez questão de estar no Brasil nesta segunda-feira, 21 de setembro, dia em que encerraria o prazo para a entrega das propostas de todos os concorrentes, e que foi adiado para dois de outubro. Ele estava presente no jantar, no Palácio da Alvorada, na noite de seis de setembro, quando Lula teve de trocar o cardápio porque a tampa da churrasqueira estourou, coalhando a carne que seria oferecida de pedaços de vidro. Guillaud riu ao se lembrar do ocorrido, e assegurou que o Rafale entrou no cardápio, mas não foi o prato principal já que, mais uma vez, na conversa, Sarkozy manifestou o apoio da França à aspiração brasileira de ter um assento no conselho de segurança da ONU.

A seguir, a íntegra da entrevista:

A Dassault é uma empresa privada. Ela vai honrar os compromissos feitos por Sarkozy?


Nós (governo francês) somos o principal cliente da Dassault, o que nos dá algum meio de pressão. A Dassault representa apenas um terço do avião. Temos meios de garantir o que os compromissos firmados pelo presidente Sarkozy sejam cumpridos.

O senhor esteve com o ministro Jobim. Está certo de que o escolhido será o Rafale?

Falamos de uma Parceria global sustentável. A oferta da França é de uma transferência tecnológica completa, sem restrições, sem limite, com tecnologias que precisam de 15 a 20 anos para serem desenvolvidas e que somos os únicos proprietários e que não precisamos pedir autorização a ninguém para transferir esta tecnologia. Fui me encontrar com o ministro Jobim para trazer a garantia do governo francês quanto a esta transferência de tecnologia e uma segurança de que tudo será feito em boas condições financeiras, as mesmas que fazemos para a Força Aérea Francesa e a Marinha francesa. Espero tê-lo convencido.

Qual o valor do pacote?

Nós respondemos a cada item do edital. Como a licitação não terminou oficialmente, não posso dar números.

O presidente Lula disse a Sarkozy que não seria possível chegar a um acordo porque o preço dos franceses era muito alto. Ele foi reduzido?

Não tenho lembrança desta conversa entre os dois presidentes. O que eu sei é que de fato o Rafale é um avião mais caro do que um dos seus concorrentes. Só que o concorrente menos caro vai duas vezes menos longe, tem um só motor - e é por isso menos seguro, comporta duas vezes menos armas, tem um problema diplomático de transferência de tecnologia e sobretudo é um avião virtual, um jato de papel. Quando me dizem que custa duas vezes menos, (questiono) como se pode dizer isso de algo que não existe ainda. Vamos esperar ele voar e ser produzido em série, para depois comparar. No dia que a licitação for fechada é que as negociações comerciais vão começar. Os brasileiros de um lado, e a indústria francesa de outro, vão discutir preço. Nunca vi uma negociação comercial terminar com um preço superior ao preço inicial.

Mas o problema maior neste momento é o preço da hora de voo e o preço do pacote do avião.


Não é verdade. Muitas pessoas não francesas têm feito muitas declarações. E é por causa desta onda de desinformação que aceitei dar uma entrevista. Nenhuma autoridade francesa havia falado até agora. Como o Brasil, somos uma democracia. Queremos que as coisas aconteçam em um quadro jurídico, comercial e industrial transparente. De fato, há questões de preço. Isso é natural. Mas, qualquer que seja o vencedor, isso só será negociado depois da proposta técnica. Se você ler revistas sobre a indústria automobilística, verá que as revistas nunca concordam com o preço do quilômetro do mesmo carro, porque isso depende de muitas variáveis, até da idade do piloto, do estado do asfalto onde vai rodar, etc.

Mas as autoridades brasileiras se queixaram por exemplo do custo da hora de voo.


O que eu sei é que a Força Aérea Brasileira e a francesa já tem uma aeronave comum que é o Mirage 2000. E posso dizer que o custo da hora de voo de ambas é da mesma ordem. E o custo da hora de voo do Rafale está em contrato. Não é uma avaliação. É de 9,8 mil euros por hora, nos próximos dez anos. Foi um contrato com a indústria. É por isso que falo em transparência. É um valor teto para a aeronáutica e a marinha. Além disso, a indústria é que paga. Há muita desinformação.

Eu insisto, este preço foi considerado muito alto pelo governo brasileiro.


Não foi considerado alto. Este já é a mesma ordem de preço dos Mirage atuais. E é para um avião maior, muito mais potente. O governo americano, de forma pÚblica, fala em um montante de 7 mil dólares pelo F-18 Super Hornet. Considerando a taxa de câmbio, desfavorável para o euro, a oferta francesa é equivalente, como numero. No entanto, o que posso lhe dizer é que existem outras variáveis como o peso da transferência de tecnologia, o valor financiado, etc.

Quantos aviões serão construídos aqui no Brasil?


O que a França propôs foi que dos 36 aviões, os seis primeiros seriam fabricados e montados na França. Os 30 seguintes, peças fabricadas na França e montados no Brasil. E se a FAB decidir ir além disso, aos poucos tudo seria transferido para o Brasil. Isso é a manifestação prática de transferência de tecnologia.

O que inclui o pacote?


Tudo. Armamentos, software, radares, inclusive algumas armas que a FAB já tem e que serão adaptadas. Além dos códigos-fonte, que permitem ao Brasil fazer um Rafale diferente.

Quais são os pontos da carta que Sarkozy deixou com Lula?


Confirmo a existência da carta. Os itens essenciais são de que a transferência de tecnologia será completa, os preços serão comparáveis com os cobrados das forças armadas francesas e que, obviamente, o governo francês vai ajudar o governo brasileiro para ter certeza de que tudo será feito com a maior transparência. A taxa de financiamento ainda não foi abordada, mas é claro que a França vai oferecer um financiamento preferencial e subsidiado. Somos parceiros estratégicos. Está fora de cogitação nos comportarmos como vendedores de armas. Parceria estratégica significa muitas coisas.

No jantar, o presidente Lula assegurou que o Brasil iria comprar os Rafale, disse que o avião estava escolhido, como chegou a ser confirmado pelo ministro francês?


Não aconteceu assim. O presidente Lula é que deve responder porque ele era o anfitrião. Ele disse que se orientava por uma preferência política, o que repetiu na coletiva. Quanto ao resto, não havia microfones e o anfitrião deve falar.

Mas me parece que o ministro da Defesa francês declarou que o presidente Lula concordou em comprar o Rafale e disse isso para os senhores.

Ele não estava naquele jantar. Eu estava naquele jantar. O presidente Lula marcou uma preferência política. Ficou claro que havia boa fé da França em relação à transferência de tecnologia. Isso não são interpretações, são fatos, são palavras.

O senhor pode detalhar os itens da carta?


Não. A carta é muito curta, muito clara, com compromissos de um presidente de um país amigo com outro país amigo. É que durante conversa se verificou que havia informações contraditórias que estavam circulando e que, era importante dar explicações que cabiam ali. Explicações para as negociações. Isso tudo aconteceu em um clima extremamente amistoso.

O senhor está confiante de que serão vencedores?


Se eu falar como militar, das três aeronaves, o Rafale é o melhor. Como engenheiro, das três aeronaves concorrentes, tem uma que é mais velha e uma que não existe. Portanto, o Rafale é o mais moderno. Se eu falar como contribuinte, a relação qualidade preço é sensacional porque ela é acompanhada por uma transferência de tecnologia que é fenomenal e quem fala é um país que não precisa de pedir licença pra ninguém. Com a parceria será possível ter benefícios em inúmeras áreas, como a científica, estratégica, lançamento de satélites. Além disso, politicamente o presidente Sarkozy defende que o Brasil tenha um assento no conselho da ONU, defende ampliação do G-8 para G-14, com participação do Brasil. É uma abordagem global.

Fala-se que o Rafale pode ganhar só pela preferência política e não técnica.


Do ponto de vista tecnológico, o Rafale é superior ou igual a todas as outras aeronaves existentes.

E a parceria com a Embraer ?


Não apenas conversamos, como fizemos questão de que o vice-presidente da Dassault viesse comigo para que ele desse respostas. São mais do que 30 acordos firmados. Temos muitas coisas em comum e podemos nos complementar.

O senhor também considera o cargueiro militar KC 390, da Embraer, um 'carrinho de mão', como disse o ministro da Defesa, Hervé Morin?

(Constrangido e enrubescido). É claro que não. Juro pra você. Ele vai cumprir uma lacuna. Ainda vou convidá-la para voar neste avião pintado com as cores da França.

Dois aviões Rafale da marinha francesa caem no mar Mediterrâneo






Dois aviões Rafale do porta-aviões Charles de Gaulle da marinha francesa caíram nesta quinta-feira (24) no mar Mediterrâneo, e o piloto de um dos aparelhos foi resgatado, anunciou a marinha em comunicado.

"Importantes meios aéreos e náuticos foram imediatamente mobilizados para recuperar os dois pilotos. Um deles já foi resgatado", destacou a marinha.

O acidente ocorreu às 13h de Brasília, cerca de 30 km a leste de Perpignan (sul da França), durante uma simulação de missão do qual participavam os dois aparelhos.

"As operações continuam para encontrar o segundo piloto", acrescentou.

"Eles tinham decolado do porta-aviões e eram pilotados por pilotos muito experientes", disse à AFP o capitão de fragata Bertrand Bonneau, do Serviço de Informação e Relações Públicas da Marinha (Sirpa Marine).

"Não se sabe se foi uma colisão", declarou.

O caça Rafale, fabricado pela Dassault, nunca foi exportado, mas é o grande favorito de uma licitação de 36 aparelhos aberta pelo Brasil.

Um comunicado conjunto dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, divulgado durante os festejos de 7 de Setembro em Brasília, confirmou que o governo brasileiro iria escolher o caça francês.

O avião GIE Rafale, da empresa francesa Dassault, compete em uma acirrada licitação com o Gripen da sueca Saab e o F/A18 Super Hornet da americana Boeing por um contrato de US$ 4 bilhões de dólares.

22 setembro 2009

O acordo militar Brasil-França



 

José Luiz Niemeyer dos Santos

O acordo militar firmado entre Brasil e França estabelece outro nível de relacionamento estratégico entre os dois países. Os países serão parceiros por um longo período em função de projetos na área da cooperação industrial-militar.

A intenção do acordo é, sim, condizente com as necessidades de defesa do Brasil. A aquisição de submarinos convencionais e de aviões de ataque é uma diretriz governamental que se apresenta como correta, sendo que tais armas se configuram como meios militares que dão prioridade à mobilidade estratégica e aos processos de dissuasão de ameaças em alto-mar e em fronteiras terrestre complexas.

Todavia duas questões devem ser também discutidas em favor da transparência do acordo e de sua viabilidade político-estratégica.

Com relação à primeira questão levantada, devem ficar mais claras as regras da licitação dos 36 caças que serão adquiridos pela Força Aérea do país.

Principalmente porque este é um processo que se originou no ano de 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; a forma e o conteúdo das negociações ao longo do tempo podem ter sido alterados de acordo com as intenções dos governos à época – o que é até compreensível –, mas, em contrapartida, deve-se resguardar o projeto de renovação da frota da FAB como uma ação de Estado e não de governo.

Na perspectiva político-estratégica a complexidade é muito maior. Um acordo militar deste porte, de alto custo financeiro e de desdobramentos no campo da grande estratégia de defesa do país, não se constitui em algo trivial.

Como o próprio governo de Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro, este acordo é um marco na construção de um posicionamento mais soberano do Brasil com relação ao resguardo dos seus interesses sub-regionais, regionais e mesmo sistêmicos.

O acordo foi firmado com a França, fato por si só louvável, sendo este país um aliado tradicional do Brasil nas questões que envolvem uma participação mais relevante e efetiva das nações emergentes nas discussões relativas à alta política internacional.

Todavia, antes deste acordo, já existiam o que caracterizamos como "as relações internacionais". Que se resumem em relações mais ou menos estáticas entre agentes estatais.

Em diplomacia o tempo e os recursos são escassos. Mesmo sendo necessário, em muitos casos, "apressar o tempo" para se alocar recursos de poder, não se pode desvincular o passado das ações concretas do presente, ainda mais sendo tais ações relativas à área muito sensível da segurança do Estado.

Até "ontem", o parceiro principal do Brasil do ponto de vista estratégico-militar eram os Estados Unidos da América.

Ponto.

O Brasil, nas últimas décadas, tem sido um interlocutor importante dos EUA na América do Sul, mediando, inclusive, hipóteses de conflitos e de guerra entre países, o que sempre caracterizou o Brasil como um aliado dos EUA no continente e no hemisfério. A maior e mais sofisticada operação militar brasileira no pós-Segunda Guerra Mundial foi o envio de tropas ao Haiti, movimento que contou com o total apoio do governo dos EUA junto à ONU e aos demais membros da missão. A proximidade geopolítica e geoestratégica com os EUA contribuiu para que o Brasil construísse parcerias de longo prazo no que diz respeito ao combate dos ilícitos internacionais; à cooperação energética; à conservação do meio ambiente; e à construção de uma base de segurança alimentar para os povos da região. Todos estes temas possuem ligação direta com a área da segurança e da defesa nacional.

Também nas últimas décadas processaram-se canais institucionais muito relevantes entre as esferas estatais brasileiras e norte-americanas, seja no campo da cooperação econômicocomercial seja nos assuntos da diplomacia e do conflito.

Assim, um acordo militar entre França e Brasil não pode deixar de ser tratado sob um prisma também político.

Neste âmbito é importante que a Chancelaria brasileira esteja atenta aos desdobramentos do acordo no que diz respeito à posição norteamericana. Como também é fundamental perceber a reação do sistema de Estados a este movimento por parte do Brasil num mundo ainda em transformação.

Mantendo-se por parte do país, basicamente, uma ação fundada na autonomia responsável. A contribuição brasileira para a construção de um contexto multilateral pós-Guerra Fria já é uma realidade. O Brasil tem desenvolvido nos últimos anos credenciais neste sentido, seja no campo diplomático, da cooperação econômico-empresarial e da corresponsabilidade em temas sensíveis das relações internacionais.

Mas é senhor que as decisões de política externa e de defesa nacional sigam procedimentos preestabelecidos, institucionais e transparentes, dentro dos quais não se exagere nos meios alocados, descaracterizando valores tradicionais, em busca de objetivos pouco realistas e por demais custosos.

José Luiz Niemeyer dos Santos Filho é coordenador de graduação em relações internacionais do Ibmec/RJ e Ibmec/BH.