28 novembro 2009

F-X2: portal Exame reafirma valores do custo por hora de voo dos concorrentes

Segundo o colunista Marcelo Onaga, reunião entre Jobim e Lula para definir o caça ocorreu na noite do último dia 23

Portal Exame

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está reunido agora (23/11) com o presidente Lula para apresentar o relatório técnico elaborado pela Força Aérea Brasileira sobre os três caças supersônicos que disputam a concorrência da Aeronáutica. A preferência de Jobim e de Lula pelo francês Rafale, da Dassault, é escancarada. Mas o relatório, apesar de não ser conclusivo, não ajuda os franceses.

Um novo dado vai ajudar os suecos da Saab, que produz o Gripen. De acordo com o relatório, o custo por hora voada do Gripen é de 4 000 dólares, contra 14 000 do Rafale. Já o custo do F-18, da americana Boeing, fica em torno de 10 000 dólares.

Os pilotos da FAB já declararam a preferência pelo F-18. O caça é o que teve maior sucesso em conflitos recentes, mas tem contra si as restrições do governo americano em transferir tecnologia. Já o comando da Aeronáutica e a Embraer, que será a parceira nacional de qualquer um dos envolvidos, preferem o sueco Gripen. Além do preço menor por hor voada, o Gripen custa metade do preço do francês e oferece maior acesso a novas tecnologias.

Mesmo assim, pessoas próximas ao governo dizem que é difícil a Dassault perder a parada. Interesses políticos, como o apoio da França pela entrada do Brasil no conselho de segurança da ONU, devem falar mais alto.

27 novembro 2009

Jobim pede à FAB que não indique qual o melhor caça

Ministro diz que, independentemente disso, decisão final será mesmo do presidente Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio, brigadeiro Dirceu Noro, disse que iria apontar um vencedor do processo

IGOR GIELOW

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA DE S.PAULO

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que pediu à FAB (Força Aérea Brasileira) que não indicasse um vencedor em sua avaliação técnica dos concorrentes ao fornecimento de 36 novos caças ao Brasil.

Mais: afirmou por meio de sua assessoria que "a expectativa é que o relatório venha conforme solicitado", "mas, independentemente da forma [do texto]", "o que vale é a avaliação final feita pelo presidente da República".

Para Jobim, que diz ter pedido só os prós e contras de cada concorrente em itens como preço e transferência tecnológica, "tudo o mais são insumos para essa decisão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio de estimados R$ 10 bilhões, brigadeiro Dirceu Noro, afirmara que iria haver um vencedor do processo seletivo. A declaração foi dada após a gafe de Lula, que havia anunciado a escolha do francês Dassault Rafale durante visita do seu colega Nicolas Sarkozy, esquecendo de esperar a conclusão da avaliação técnica da FAB.

Desconforto

Houve desconforto na Força, e o comandante Juniti Saito chegou a ameaçar entregar o cargo.

Os finalistas do processo, suecos e americanos, além dos franceses, já haviam entregado suas propostas finais. O processo foi reaberto e eles foram instados a revê-las.

Desde então o Planalto e a Defesa tentam capitalizar a confusão como uma forma de pressionar pela queda nos custos. Em especial o preço do Rafale, naquela altura 40% superior ao do Boeing F/A-18 americano e o dobro do oferecido pelo Saab Gripen NG sueco.

Ao mesmo tempo, em reiteradas declarações, o governo manteve sua preferência pelo Rafale. O Brasil, afinal, acabara de assinar um acordo militar para fornecimento de submarinos e helicópteros de R$ 22,5 bilhões e uma parceria estratégica com Paris.

Antes do anúncio de setembro, Jobim já havia dito que esperava um relatório indicativo, mas não conclusivo, da FAB. A declaração de então à Folha por Dirceu Noro colocou lenha na fogueira: se os militares escolhessem um avião que não o francês, colocariam os políticos em uma saia justa.

O "timing" da nova "solicitação" de Jobim não é fortuito. Todos os concorrentes reapresentaram propostas prometendo corte de custo. Questionada, a Aeronáutica não divulgou oficialmente, mas certamente o tema foi debatido na reunião de Alto Comando que ocorreu entre anteontem e ontem.

Há incômodo na FAB com o que alguns oficiais consideram desprezo civil por seu trabalho. O processo transcorreu com prazos fixos e produziu mais de 25 mil páginas sobre cada um dos aviões e suas propostas. Um representante de um dos concorrentes, experiente de outras campanhas de venda, diz nunca ter visto análise tão detalhista.

Nos bastidores, os concorrentes consideram que a reunião seria decisiva para o relatório da disputa, conhecida pelo código F-X2 -o "2" para diferenciá-la do malogrado programa abandonado em 2005.

Apesar das movimentações oficiais finais, como a visita do ministro da Defesa sueco a Jobim anteontem, os olhos do governo estão voltados para o quartel-general da Dassault.

Conforme a Folha apurou, para o caso ser dado por encerrado com os franceses, é tudo uma questão de a promessa política de Sarkozy a Lula tornar-se realidade da proposta empresarial. O presidente francês prometeu ao brasileiro que o Rafale seria barateado e que cargueiros em desenvolvimento pela Embraer seriam comprados pela França -ou seja, misturou decisões privadas e estatais na conversa, o que não é inusitado em negócios de defesa, mas que levanta dúvidas.

Havia a expectativa entre as empresas de que o encontro ontem de Lula e Sarkozy em Manaus, aliado à reunião da FAB, fechasse algum diagnóstico. Jobim, contudo, viajou para o encontro de ministros da Defesa no Equador, o que deverá adiar qualquer anúncio por mais alguns dias. Ou não.

Lula autoriza início da produção de blindados

PEDRO DANTAS – O Estado de S.Paulo

Depois do anúncio da compra de caças para a Aeronáutica e de submarinos para a Marinha, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinal verde para fabricação de 3 mil veículos blindados de transporte para o Exército. "O presidente autorizou o início do projeto chamado Urutu III, agora rebatizado Guarani, que vai substituir todo o sistema de mobilidade do Exército", disse Jobim, após participar no Rio da troca do Comando de Operações Navais no Porta Aviões São Paulo.

De acordo com o ministro, os investimentos devem somar cerca de R$ 6 bilhões ao longo de 20 anos. Os veículos serão construídos pela Fiat Iveco, em Sete Lagoas (MG). A licitação foi vencida em 2007.

Em abril, a fabricante apresentou maquete em tamanho real da viatura blindada na Feira Latin America Aero & Defense, no Rio. O motor e 60% dos componentes serão nacionais para diminuir o custo de produção.

O blindado terá 18 toneladas, motor diesel eletrônico, tração 6x6, capacidade anfíbia e poderá transportar até 11 militares. O modelo poderá ser equipado com uma torre de canhão automático ou metralhadora operada por controle remoto.

O Guarani terá a opção de ser transportado por avião do porte do Hércules C-130. A previsão da Iveco é que a primeira unidade fique pronta em 2010 e que 16 veículos sejam testados até 2011.

Exército atrai fila da indústria bélica

Pacote de compras estimado em R$ 20 bi inclui sistema antiaéreo, mísseis, pontes móveis e aviões não tripulados

Tânia Monteiro, BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Com um pacote de compras de R$ 20 bilhões, o QG do Exército, em Brasília, tornou-se ponto de romaria dos exportadores de armamentos. A Força está pesquisando a compra de equipamentos de defesa que vão desde um sistema antiaéreo com mísseis de médio porte, mísseis de pequeno porte, pontes móveis e aviões não tripulados (vants), além de equipamentos de comunicações e radares. O dinheiro será desembolsado nos próximos dez anos.

Na quarta-feira, os russos apresentaram ao Exército um sistema antiaéreo de defesa, conhecido por Tor, com mísseis de médio alcance, equipamento de que o Brasil está completamente desfalcado. Os militares da Força já conheceram sistemas semelhantes de Israel, Suécia, China e ainda esperam uma data para serem apresentados ao francês, que está em fase de adaptação e modernização.

Paralelamente à verificação do sistema antiaéreo, que o Brasil quer adquirir para proteger as unidades militares de Brasília, Sete Lagoas, Praia Grande, Rio de Janeiro e Caxias do Sul, o Ministério da Defesa está consultando Israel, França, Estados Unidos e Alemanha para a aquisição de vants, com câmeras para a vigilância das fronteiras. Equipamentos semelhantes foram comprados pela Polícia Federal de Israel. Mas o Exército quer modelos de menor porte.

RUSSOS

Também está na lista da Força a compra imediata de cerca de 20 mísseis de pequeno alcance.

Nesse caso, a escolha deverá mesmo recair sobre os russos Igla, já que se tratará de reposição de material.

As necessidades do Exército passam ainda pela compra de pontes montáveis também empregadas para obras civis, em casos de catástrofes. O Brasil já comprou, anteriormente, este equipamento da Alemanha, mas agora está olhando os produtos ingleses e norte-americanos.

Para modernizar os pelotões de fronteira e colocar em prática o Projeto Amazônia protegida, o Exército vai precisar comprar modernos equipamentos de comunicações via satélite com algum tipo de proteção de criptografia, para proteger as informações produzidas.

Todas estas compras, no entanto, estão envoltas na nova filosofia prevista na Estratégia Nacional de Defesa, que prevê algum tipo de transferência de tecnologia. O governo, no entanto, não pretende apenas comprar equipamentos no exterior, uma vez que há intenção de revitalizar a indústria de defesa do País. Os 150 mil fuzis Fall que precisam ser substituídos - já que os atuais têm mais de 40 anos de uso - deverão ganhar sucessores fabricados pela indústria nacional, por meio da Imbel.

A mesma opção será adotada para alguns radares, que estão sendo desenvolvidos pela Orbisat, com o centro de tecnologia do Exército.

26 novembro 2009

Soldado baleado dentro de quartel

Colega atirou em militar que chegou em cima da hora da troca de turno no domingo. Ferido por estilhaços, jovem recebeu alta ontem

Paula Sarapu – O Dia

Rio - Uma brincadeira mal interpretada na hora da troca da guarda da 111ª Companhia de Apoio de Material Bélico do Exército, na Mangueira, acabou com o disparo de um tiro de escopeta calibre 12, que feriu o soldado Valdir Fróes Marinho, 19 anos. O comando da unidade instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso, que ocorreu na noite de domingo.

Valdir chegara ao quartel cinco minutos antes do horário de rendição, mas o colega que estava na guarda, identificado como soldado Diego, reclamou. Valdir, então, teria dito ser comum Diego também se atrasar. Irritado, ele teria carregado três vezes sua arma, efetuando um disparo. Segundo o Comando Militar do Leste (CML), o tiro foi acidental.

“Meu filho contou que viu o clarão e se abaixou. A bala atingiu a parede. Estilhaços atingiram seu olho esquerdo, as costas e o pescoço. O que acontece lá é de responsabilidade do Exército, mas eles não me avisaram. Só soube que meu filho estava internado, ferido, 24 horas depois. Foi o hospital que ligou. Um capitão disse ele poderia ter morrido se fosse atingido. Será que nem dentro de um quartel ele está seguro?”, criticou a doméstica Andréia Fróes, mãe do soldado.

Segundo ela, Diego não prestou socorro, mas foi visitar Valdir no dia seguinte, no Hospital Central do Exército no dia seguinte. “Disseram que ele era um bom rapaz, com bom comportamento, mas é uma irresponsabilidade apontar a arma para alguém. Diego subiu as escadas correndo e meu filho achou que ele atiraria de novo. Quem o socorreu foram os colegas que dormiam no alojamento e ouviram o barulho”, contou.

Valdir recebeu alta na noite de ontem. O CML informou que os ferimentos foram superficiais e que não há necessidade de o autor do disparo receber punição durante as investigações. Andréia disse que as informações foram desencontradas e que só conseguiu encontrar o filho na terça. “Até estar com ele foi um sofrimento horrível. Ninguém dizia o que tinha acontecido. Por muito menos eles prendem. Se um soldado falta um dia, eles vão em casa buscá-lo. Mas quem atirou está livre por aí e vai estar com meu filho novamente”, frisou.

Medo de sofrer represálias

Cada dia de serviço é uma alegria para Valdir. “Seria a maior frustração se não conseguisse entrar no Exército. Quando chegou com a farda em casa, se vestiu e sorriu para a gente”, lembrou a mãe. Andréia teme que o rapaz sofra represálias e receba baixa em janeiro. “Já roubaram o celular dele lá dentro e os coturnos novos. Parece que ele é um nada. Desta vez, quero que investiguem. Não quero que abafem esse caso e que ele seja descartado como um pano de prato usado”, afirmou.

Aprovados mais 13,4 mil cargos para Aeronáutica

Texto diz que efetivo só será completado dentro de 32 anos

O Globo

BRASÍLIA. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou ontem uma proposta que aumenta em 13.495 o número de militares da Aeronáutica em tempos de paz. De acordo com o projeto, o efetivo de pessoal da ativa, que hoje é de 67.442 militares, subirá para 80.937 - o que engloba tanto os oficiais como os praças. O projeto, enviado ao Congresso pelo governo, foi aprovado em caráter conclusivo. Se não houver requerimento para votação em plenário, seguirá diretamente para o Senado.

A justificativa da proposta, assinada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo secretárioexecutivo do Planejamento, não traz o impacto que a criação dos cargos causará no orçamento da União. Diz apenas que o projeto não implicará em impacto imediato significativo, porque as vagas serão preenchidas de maneira gradual. Levará 32 anos para que a criação de todos os cargos se concretize.

Governo sueco dá sua última cartada

Ministro da Defesa se reúne com Jobim e diz confiar na licitação

O Globo

BRASÍLIA. Apesar do favoritismo político pelo Rafale francês, o governo da Suécia fez ontem seu lobby final no Brasil em favor do Gripen NG na concorrência internacional para a compra de 36 caças para a FAB. A aposta dos suecos é na prevalência das conclusões técnicas da comissão de licitação da Aeronáutica. O ministro da Defesa da Suécia, Sten Tolgfors, esteve ontem com seu colega Nelson Jobim. A decisão final do governo é esperada para dezembro.

Confiante de que oferece o caça mais barato e mais avançado - o avião está sendo desenvolvido -, a Saab trabalha para desfazer críticas das concorrentes. Entre elas, a de que o projeto é apenas uma promessa de alto risco e qualidade inferior.

- Acreditamos na integridade da concorrência e damos valor a isso. Reforçamos as vantagens da nossa proposta. A mentalidade sueca é prometer somente o que podemos cumprir, e cumprir o que prometemos - disse o ministro Sten Tolgfors.

Segundo ele, o Gripen NG é ofertado ao Brasil como uma joint venture, para desenvolvimento, produção e eventual exportação em conjunto:

- O Gripen será o mais moderno, estará uma década à frente. Seu custo operacional é a metade do dos concorrentes.

25 novembro 2009

As bases dos EUA e a intervenção

Editorial – Jornal do Brasil

A revelação pelo JB das dúvidas em torno da real utilização das bases cedidas pela Colômbia para os EUA joga luz sobre uma discussão antiga. Afinal, qual é o limite entre uma instalação de observação e uma plataforma de intervenção? Em termos Militares, a diferença entre ambas está apenas no tipo de alarme que aciona os soldados ali acantonados. A questão, então, passa a ser política. Se o uso de aeródromos pode ser rapidamente modificado, então nada mais lógico que acordos como o que permitiu a cessão de Palanquero fossem claros ao definir que tipo de uso se daria nesse contrato. E não há essa clareza no texto.

Pelo contrário, especialistas citados na reportagem descobrem o véu que a ambiguidade tenta esconder: sem uma referência clara, a argumentação de direito à legítima defesa pode carimbar alguma representatividade legal em caso de operação Militar em territórios vizinhos. A tese da guerra preventiva não é nova, é aplicada no Oriente Médio há tempos, e os EUA a aplicaram também nas duas intervenções no Iraque. A diferença sutil no tipo de acordo fechado entre Washington e Bogotá justifica em parte o discurso beligerante do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a respeito do tema.

Escolado pela forma como os colombianos liquidaram, em solo equatoriano, o segundo homem mais importante da guerrilha das Farc (Raul Reyes), Chávez teme que essa ação se repita.

Antes da assinatura desse acordo com o presidente Álvaro Uribe, os EUA mantinham sua presença no coração da América do Sul operando a partir da base de Manta. Mas o contrato de arrendamento chegou ao fim, e o regime de Rafael Correa não quis manter o compromisso e ordenou a devolução das instalações.

Oficialmente, a base era usada pelos americanos para vigiar a movimentação de traficantes de armas e drogas tentando infiltrar-se no país através do Golfo do México. Mas nada impede que tenha funcionado como apoio logístico ou operacional aos helicópteros e jatos que dizimaram o acampamento das Farc a 13 km da fronteira com o país. Satélites poderosos podem coordenar ataques em pontos remotos.

O envolvimento umbilical dos colombianos com os EUA datam do Plan Colombia, um megaacordo assinado na época do governo Bush pelo qual os EUA despejaram toneladas de dólares e suporte Militar para Uribe. Graças a esse apoio, por sinal, o presidente que enfrentou um ataque direto da guerrilha já no dia da posse pôde enfrentar os comandados de Tirofijo com vantagens táticas que acabariam, no longo prazo, reduzindo a capacidade Militar e operacional das Farc. O plano foi uma ação necessária diante de um país convulsionado e refém de cartéis de drogas, os quais se associaram à guerrilha e a financiaram – para quem não se lembra, o traficante Fernandinho Beira-Mar foi preso naquele país, quando estava sob proteção da coluna liderada por Nego Acacio, um dos mais temidos comandantes da guerrilha.

As bases americanas na Colômbia são a estrutura americana para atuar na chamada “sub-região crítica”, a América do Sul ameaçada pelas drogas, miséria, terrorismo, antiamericanismo e recorrência de desastres naturais. Mesmo com as garantias dadas pelo governo de uma presença não intervencionista, fica difícil crer totalmente nessas intenções diante do que exibe o documento oficial citado pelo jornal.

Afinal, as ameaças não convencionais são a principal preocupação dos estrategistas.

6 horas na agência. E 24h na selva

Com ajuda do Exército, BB avança em novas fronteiras da Amazônia

Vivian Oswald Enviada especial • MANAUS – O Globo

Em uma verdadeira operação de guerra, o Banco do Brasil está ajudando o governo a ocupar as fronteiras do país na região amazônica. O banco está investindo R$ 2 milhões para abrir 28 postos bancários em 14 localidadeschave bem no meio da selva.

A maior delas, Iauaretê, tem seis mil habitantes, entre eles militares e indígenas. A menor é Estirão do Equador, onde vivem 400 pessoas. Maturacá, Vila Bitencourt, Palmeiras de Javari e Ipiranga também serão contemplados na primeira fase do projeto, que deve atingir 25 localidades da jurisdição do Comando Militar da Amazônia nos próximos meses.

Hoje, em várias destas localidades — nas fronteiras com Venezuela, Peru e Colômbia — só tem acesso a banco quem se dispõe a gastar 14 horas de barco para sacar a aposentadoria no município mais próximo.

Ou de avião das Forças Armadas, o único meio de transporte para a maioria destes locais. O sucesso da empreitada depende da sorte, que muda com chuvas e secas, ou ainda com alguns dos vários imprevistos amazônicos.

Em pleno século XXI, não é raro encontrar municípios que não tenham qualquer tipo de atendimento bancário, ainda mais em um país com a diversidade e o tamanho do Brasil. De acordo com dados do Banco Central (BC), até julho deste ano, 549 (9,8%) dos 5.580 municípios em todo o país não contavam com qualquer tipo de dependência bancária.

Em Maturacá, tartaruga é moeda

E é difícil fazer com que os bancos privados se lancem nestes grotões em operações dispendiosas, de logística complicada e retornos duvidosos, apesar da capilaridade de instituições como o Bradesco. Normalmente, a chegada do banco muda a vida de uma localidade, que passa a desenvolver seu próprio comércio, recolher impostos e crescer.

O projeto Fronteira Integrada transformou 30 soldados do Exército em sargentos agrários que serão obrigados até a falar dialetos indígenas para trabalhar com as comunidades.

Outros 20 serão preparados todos os anos. Os profissionais estão sendo treinados para ajudar a população ribeirinha a buscar novos negócios com linhas de crédito voltadas à agricultura familiar e empreendimentos de pequeno porte que permitam sua sobrevivência sem prejudicar a vida na floresta.

Mais 15 funcionários estão sendo contratados nos próprios locais pelo BB para cuidar da atividade bancária.

Farão o trabalho de gerentes, cobradores e caixa.

Seis mil soldados, além dos civis, terão acesso aos terminais eletrônicos.

A estratégia é dar cidadania aos habitantes da região, muitos deles índios, que negociam majoritariamente por meio de escambo ou dólares. Em Maturacá, três tartarugas pequenas são usadas como moeda de troca para quem quer aproveitar algumas horas do televizinho — como os locais chamam os vizinhos que têm televisão em casa. É difícil ver os reais brasileiros circulando em operações locais.

O próprio efetivo do Exército, que passa meses a fio no meio da selva, enfrenta problemas graves. Para sacar o salário, soldados mandam seus cartões com as respectivas senhas pelas mãos de outros colegas encarregados da tarefa. A confusão já desencadeou todo o tipo de dificuldade e há quem diga que já deu até alguns dias de detenção para espertalhões.

Mais do que levar homens armados para garantir a segurança da fronteira do país — sob ameaça iminente, na opinião de populações locais —, a ideia é garantir que brasileiros tenham acesso a serviços e dinheiro brasileiros.

Para realizar este projeto em conjunto com o Exército, que se responsabiliza pela logística e segurança da empreitadas, o BB se viu obrigado a mudar as regras de transporte de numerário, para adequá-las às dificuldades amazônicas. Normalmente, a instituição contrata empresas terceirizadas para transportar dinheiro. Mas, na selva, não é qualquer companhia que se dispõe a enfrentar todos os riscos e a imprevisibilidade.

As notas levadas para as 14 localidades do projeto serão transportadas em voos regulares — quando não são cancelados de última hora — do Exército e da Aeronáutica.

Em geral, deverão ser usados voos mensais, que aproveitam a carona das missões de transporte de suprimentos para os pelotões.

Projetos de desenvolvimento sustentável devem acompanhar os novos postos de atendimento do BB. Os sargentosagrários, que também têm formação de técnicos agrônomos, devem estimular o extrativismo e as culturas temporárias em parte dos 30 milhões de hectares de terras que se abrem todos os anos, pelas contas do BB, para o cultivo às margens do Rio Solimões quando a maré está baixa.

— Daria para alimentar o planeta com o cultivo temporário de milho ou feijão, por exemplo, nestes locais, tão férteis quanto o Rio Nilo.

São áreas que podem ser exploradas sem que se destrua a floresta — sonha o superintendente do BB em Manaus, Rui Ruas.

Em todo o país, há 19.228 agências bancárias. Além disso, existem 6.570 Postos de Atendimento Bancário (PABs), que oferecem os serviços de uma instituição financeira dentro de empresas ou órgãos públicos, e os Postos de Atendimento Avançado (PAAs), que trabalham com um funcionário do banco em localidades mais difíceis. Há 1.464 municípios com uma única agência em operação.

Imprevistos ditam o ritmo

Mesmo sem chuvas, o acesso é difícil

MANAUS. Por maior que seja o planejamento das missões para a instalação das máquinas do Banco do Brasil (BB) na selva, uma coisa é certa: tudo pode acontecer. A Amazônia impõe um ritmo de trabalho no qual o imprevisto é uma constante.

Voos cancelados pelo mau tempo, por problemas nas aeronaves que a Aeronáutica empresta ao Exército — que, por sua vez, dá carona ao BB —, alagamentos ou nevoeiros estão sempre no radar.

Mesmo quando não chove, as dificuldades são imensas. Há algumas semanas, a região de São Gabriel da Cachoeira está inacessível por causa da seca. Sem chuva, o volume de água do rio diminuiu, impedindo a passagem das balsas que carregam o combustível que abastece a região. Não há como reabastecer. Portanto, as poucas aeronaves que chegam aos grotões mais afastados não saem e esperam a chuva cair. Esta é uma das razões para os trabalhos lentos no local.

Os idiomas indígenas oferecem dificuldades adicionais. Em Maturacá, há uma importante população ianomâmi. Em Iauretê, os locais falam 20 dialetos. Muitos destes indígenas são analfabetos.

Alguns não leem nem escrevem porque não enxergam bem. O BB tem investido no tratamento destas pessoas.

O desafio de fazer estes povoados amazônicos usarem os terminais do BB parecem não ter fim.

O banco teme a falta de abastecimento de notas nas máquinas, diante das inúmeras dificuldades de acesso e a imprevisibilidade das missões. Por isso, decidiu manter dois terminais por localidade. Assim, há mais dinheiro disponível, e aumentam as chances de as pessoas continuarem usando o banco, ainda que uma máquina falhe.

As missões podem ser mais curtas ou mais longas, mas isso é algo que só se sabe de última hora. Estes aviões também carregam os suprimentos para os pelotões do Exército no interior da Amazônia.

Este que ainda não saiu deve levar duas toneladas de alimentos, além de equipamentos do BB.

Os imprevistos não pouparam a inauguração dos terminais do banco. Os atrasos e problemas de logística não permitiram marcar nova data. Diz-se que a queda do avião Caravan da FAB na Amazônia, no mês passado, teria prejudicado ainda mais os trabalhos do Exército. Mesmo quando saem voos com suprimentos, não dá para saber quando voltam.

Cabo do Exército morre com tiro no queixo

NONATO SOUSA – Folha de Boa Vista

A morte do cabo do Exército, J.S.B., 22, supostamente por suicídio, na manhã de quinta-feira, no 5º Pelotão Especial de Fronteira, localizado na região de Auaris, na terra indígena Yanomami, já na fronteira com a Venezuela, revelou a situação possivelmente degradante vivenciada por militares não oficiais que atuam nos pelotões de fronteira do Estado de Roraima. Em e-mails enviados à Folha, diversos leitores denunciaram que os cabos e soldados chegam a passar cinco meses no local, sem poder sair.

O corpo do cabo J. chegou ao IML (Instituto de Medicina Legal) em Boa Vista no final do mesmo dia, para realização do exame cadavérico que vai determinar a causa da morte, e ainda à noite foi liberado para a família fazer o velório. Ontem à tarde, ele foi sepultado.

O Cabo J.S.B. morreu com um tiro de arma de fogo, cujo calibre não foi revelado. De acordo com uma fonte da polícia, o tiro entrou por baixo do queixo e saiu em cima na cabeça, o que provocou hemorragia cerebral e traumatismo craniano.

De acordo com informação preliminar que chegou à Folha, a notícia da morte do cabo chegou à polícia no final da manhã de quinta-feira. Foi acionada a equipe do IML para fazer a remoção do corpo do militar a Boa Vista. Uma das pessoas que encaminharam e-mails para a redação protestou contra a instituição militar e denunciou que os militares destacados para estes pelotões especiais de fronteiras são obrigados a ficar confinados sem poder vir a Boa Vista por alguns meses. Em alguns casos, esse período chega há cinco meses.

A fonte, cujo nome foi preservado, destacou que antes os militares permaneciam nestes locais por um período de trinta dias e ficavam cinco dias de folga na cidade. No entanto, essa realidade teria mudado. Para as pessoas que encaminharam e-mail à Folha, a morte do cabo pode ter sido em virtude do longo período de confinamento.

A reportagem da Folha conversou com o pai de J.S.B., mas ele não quis se pronunciar sobre a morte do filho. Também foi feito contato com outro familiar, um primo do militar. Ele não soube precisar o período exato que o rapaz estava no pelotão de Auaris, mas disse que faz alguns meses. Revelou que J.B.S. já estava querendo voltar a Boa Vista e não conseguia liberação.

O cabo J.B.S. era do 7º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), localizado no bairro 13 de Setembro. No início da noite, a reportagem da Folha falou com o general Carlos Neiva Barcellos, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, o comando-geral do Exército no Estado. Por telefone, ele lamentou a morte do cabo e classificou de especulação as denúncias levantadas pelos internautas.

Disse que o Exército adotou todas as providências cabíveis ao caso e que já foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar as circunstâncias da morte do rapaz.

Informou que o militar atua de forma voluntária na defesa da Pátria e o período de permanência nos pelotões de fronteira é estabelecido pelos comandos dos destacamentos e dependem da missão em desenvolvimento. Destacou que ninguém fica esquecido nos pelotões e que mensalmente uma aeronave vai a estes locais fazer reabastecimento e remanejamento dos militares que ali estão.

Ontem, um avião militar seguiu para Auaris levando peritos do Exército e da Polícia Civil para fazer uma perícia detalhada do local e tentar colher dados que levem a esclarecer o caso. O general frisou que somente no final do IPM é que o Exército irá se pronunciar oficialmente sobre a morte do cabo.

Por telefone, ainda na noite de ontem, o delegado Temair Siqueira, da Delegacia de Polícia Civil do Município de Pacaraima, a quem compete a investigação do caso no âmbito da Polícia Judiciária, informou que até aquele momento não tinha conhecimento do caso e que estava sabendo da morte do cabo pela reportagem da Folha.

Luta chega ao congresso

Marco Aurélio Reis – O Dia

A briga dos 12mil soldados especialistas da Aeronáutica pela reintegração à Força Aérea chegou ao Congresso Nacional. Eles foram dispensados ao completar seis anos de atividades, mesmo tendo ingressado na carreira após o serviço militar inicial e tendo sido aprovados em concurso público. Agora, são tema do Projeto de Decreto Legislativo 2.131, que começou a tramitar esta semana.

De autoria do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), o projeto, na prática, susta o licenciamento dos aprovados em concursos públicos de admissão ao Curso de Especialização de Soldados promovidos de 1994 a 2001. Com isso, beneficia os 12 mil homens que hoje circulam pelo País com dois certificados de reservistas: um pelo serviço militar inicial e outro pela atividade como soldados especializados.

Na justificativa, o projeto carrega sentença de segunda instância da Justiça Federal que reintegrou à Força Aérea um dos soldados. Traz ainda escrita a resposta a um estranhamento já relatado pela Coluna há um ano. Por que os 12 mil homens insistem pela reintegração se o Decreto 3.690, de 2000, estabelece que soldados especializados só podem obter prorrogação de serviço até o limite máximo de seis anos? Ora, porque os rapazes não foram avisados em edital que prestavam serviço militar temporário. Tal resposta é a bandeira da Anese (Associação Nacional de Ex-Soldados Especializados da Aeronáutica.

Demissão dos jovens

Ainda na Justificativa, o decreto catuca a Aeronáutica, destacando que a Força “demitiu” os jovens sob a justificativa “absurda” de que estavam prestando o serviço militar inicial, apesar de no concurso ter sido exigido deles prova que estavam quites com essa obrigação.

Palavra Oficial

A posição da FAB sobre os ex-soldados é conhecida. A Força Aérea não reconhece que eles deveriam ficar mais de seis anos, “salvo a aprovação em concurso” para sargento ou para o oficialato. A Aeronáutica se fundamenta no tal Decreto 3.690, de 2000.

Exercício militar britânico irrita Madri

O Estado de S.Paulo

A Grã-Bretanha pediu desculpas ontem à Espanha por ter usado uma boia de sinalização com as cores da bandeira espanhola como alvo de um exercício de tiro da Marinha, no Estreito de Gibraltar. O embaixador britânico em Madri foi "convocado" a dar explicações sobre o incidente na chancelaria espanhola. O exercício de tiro foi realizado no dia 17. Londres anunciou que abrirá uma investigação interna para apurar as responsabilidades no caso.

Novo incidente com Caracas é ''grave'', diz Uribe

Colombiano pede para aliados não provocarem Chávez, mas coloca Forças Armadas em alerta

RUTH COSTAS, COM AFP E AP

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, qualificou ontem de "muito grave" a destruição de duas pontes de madeira na fronteira com a Venezuela, mas disse que seu governo não produzirá "atos de guerra". O ministro da Defesa Gabriel Silva advertiu que as Forças Armadas estão preparadas e em alerta máximo para impedir qualquer agressão contra os cidadãos ou o território colombianos.

As pontes - que ligam Ragonvalia, no Departamento (Estado) colombiano de Norte de Santander, com Las Delicias, na Venezuela - foram destruídas por militares venezuelanos por ordem de Caracas. O governo colombiano denunciou ontem a Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA) por esse ato e promete fazer o mesmo na ONU.

O candidato presidencial Rafael Pardo foi detido ontem brevemente pela Guarda venezuelana para dar explicações quando falava com repórteres na ponte Simón Bolívar, que une a cidade de Cúcuta com o território venezuelano.

Uribe pediu ontem que as autoridades colombianas evitem fazer provocações a Caracas. "Nada de provocações verbais, precisamos acudir aos organismos internacionais. Nossa luta é contra o terrorismo e pela segurança. Não temos pretensão (de agir) contra a comunidade internacional, muito menos contra o povo irmão da Venezuela."

Em Caracas, o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizáles, disse que as estruturas dinamitadas eram "passarelas improvisadas e usadas por narcotraficantes" e as denúncias da Colômbia não têm fundamento.

A polêmica sobre as pontes é mais uma na lista de disputas que está levando a uma escalada de tensões entre Bogotá e Caracas. O presidente Hugo Chávez congelou em julho relações com Bogotá por causa de um acordo de cessão de bases militares colombianas aos EUA.

"As pontes em si não eram importantes, mas sua destruição tem grande valor simbólico - demonstra que Caracas ainda está disposta a continuar com as agressões", disse ao Estado o cientista político venezuelano, Herbert Koeneke, da Universidade Simón Bolívar.

Militares vão julgar mortes em caso de uso de lei do abate

O Estado de S.Paulo

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou projeto de Lei que estabelece que o militar que matar alguém, usando a lei do abate, será julgado pela Justiça Militar. Como não havia legislação específica, esse tipo de caso iria para a justiça comum. O projeto foi aprovado em caráter terminativo e não passará pelo plenário do Senado. Por isso, entrará em vigor assim que for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderá acontecer em até 15 dias úteis.

General defende poder de polícia para outras Forças

Para comandante do Exército, atuação da Força Terrestre deve ser ampliado para Marinha e Aeronáutica

Tânia Monteiro – O Estado de S.Paulo

O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, defendeu, em entrevista ao Estado, a necessidade de a Marinha e a Aeronáutica terem poder de polícia, a exemplo do que a Força Terrestre já tem hoje nas fronteiras. Ressalvou, no entanto, que "não se trata de substituir a Polícia Federal ou nenhum outra polícia", mas ter uma permissão prévia para agir, de forma subsidiária, e preservadas as competências exclusivas das polícias judiciárias.

"O Exército atua, prende e encaminha para a polícia que faz o registro e todo o processamento", disse o comandante, ao explicar que, com a aprovação das modificações da lei complementar 97, encaminhadas pelo Executivo, a Aeronáutica e a Marinha poderão fazer o mesmo, sempre em ações subsidiárias.

"A Aeronáutica hoje tem a lei do abate, mas ela faz com que o avião pouse, só que, mesmo pousando, não tem como prender o fulano que estiver praticando uma irregularidade. Tem de esperar que chegue alguém para prender", comentou.

No caso da Marinha, segundo Enzo, ela executa seus trabalhos de patrulhamento em rios e executa missões na fronteira, além de fazer fiscalização também no mar. "Por isso, precisa ter semelhante situação."

O comandante do Exército responde, indiretamente, às críticas do superintendente da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, que considerou uma temeridade atribuir poder de polícia às Forças Armadas, já que não se poderia confundir segurança externa com interna.

Sobre atuação nas cidades, o comandante do Exército insistiu que a legislação não traz alterações. "Para que possa haver uma ação na cidade, é preciso que o governo do Estado se declare incapaz de agir e solicite ao presidente da República ou outro chefe de Poder que empregue as Forças Armadas. Só neste caso podemos entrar. Fora isso não modifica nada."

O comandante comemorou o artigo que está sendo introduzido na lei, que estabelece proteção aos militares das Forças Armadas que estiverem em missões da garantia da lei e da ordem ou com papel de polícia. "Há um artigo que protege os militares. Aqueles que forem empregados nestas operações estarão protegidos e hoje em dia não estão", afirmou.

Segundo o general, a primeira vez que os militares foram para as ruas com proteção legal foi no ano passado, quando o Exército deu apoio ao processo eleitoral no Rio de Janeiro.

Uribe rejeita brados de guerra

O Globo

Bogotá - Ao comentar a crescente tensão com a Venezuela, acusada de destruir duas pontes para pedestres na sua fronteira com a Colômbia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, garantiu que seu governo não fará qualquer gesto de guerra contra o país vizinho.

– Nossa luta contra o terrorismo é voltada à segurança. Nós não temos qualquer pretensão de ir contra a comunidade internacional, principalmente contra o povo irmão da Venezuela – disse Uribe, em declarações à rádio RCN.

O mandatário assinalou ainda que seu governo evitará até a troca de “agressões verbais" com a Venezuela e não responderá às declarações do presidente Hugo Chávez, e de outras autoridades de Caracas.

– O que vamos fazer, enquanto não há um diálogo bilateral, é recorrer aos organismos internacionais – revelou. – Nós não podemos produzir neste momento qualquer gesto de provocação; esta é uma grande oportunidade que a Colômbia tem para mostrar ao mundo que nosso único interesse é a derrota do terrorismo. Não temos interesse em desafiar ninguém, de propor guerras à comunidade internacional, especialmente a vizinhos e irmãos.

Farc

Uribe também insistiu sexta-feira para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertem todos os membros das forças de segurança que mantêm sequestrados com o objetivo de serem trocados por guerrilheiros presos.

– O governo não pode esquecer que também precisa da garantia de que os demais serão libertados – advertiu Uribe, ao ressaltar que o Executivo não deve se descuidar diante da entrega de dois militares que os rebeldes prometeram devolver de maneira unilateral.

24 novembro 2009

Paulo Pimenta pede aprovação de projeto que permite promoção de

Jornal da Câmara

A aprovação do Projeto de Lei 5159/09, que reorganiza o quadro especial de terceiros-sargentos do Exército e dispõe sobre a promoção de soldados estabilizados, foi defendida pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da proposta. “Esse projeto faz justiça a uma categoria que representa cerca de 10% do efetivo do Exército brasileiro. O Quadro Especial do Exército é formado por homens que exercem, dentro dos quartéis, atividades de armeiros, mecânicos, soldadores, motoristas de caminhão e blindados e, muitas vezes, respondem por todas as áreas administrativas dos quartéis”, disse.

Segundo o parlamentar, na legislação em vigor, existem limitações que impedem que os cabos estabilizados e os sargentos do quadro especial possam ir além da função de terceiro-sargento. De acordo com a proposta do parlamentar, esses militares poderão chegar a subtenente.

O projeto, ressaltou Paulo Pimenta, faz justiça a mais de 30 mil profissionais do Exército que hoje se veem impedidos de chegar às patentes superiores. Somente os cabos estabilizados, observou, já são mais de 3 mil, que possuem mais de 17 anos de caserna e ainda não foram promovidos a terceirosargento.

“É por isso que, entre outras questões, esse projeto de lei prevê que esses cabos estabilizados sejam imediatamente promovidos a terceiro-sargento”, disse.

Interstício - Em seu projeto, Paulo Pimenta propõe ainda que o interstício para as promoções passe a ser de cinco anos. “Dessa forma, o terceiro-sargento será promovido a segundo-sargento QE; o segundo-sargento QE, cumprido esse interstício, será promovido ao posto de primeiro-sargento QE; e assim sucessivamente até chegar ao posto de subtenente, que é quando complementa a sua carreira militar”, disse.

O deputado argumentou não ser razoável que esses profissionais não tenham assegurada a oportunidade de participar de cursos de aperfeiçoamento compatíveis com a função que exercem e sequer tenham a oportunidade de ser transferidos.

“Numa época em que temos tantas ações que procuram fazer justiça neste País, é hora de a sociedade reconhecer o papel desses soldados, desses cabos estabilizados, desses sargentos do quadro especial e dar-lhes a oportunidade para que possam avançar nas suas promoções”, disse.

Paulo Pimenta informou ainda ter apresentado o Projeto de Lei 6414/09, que institui 23 de outubro como o Dia Nacional do Quadro Especial do Exército Brasileiro, para que haja uma data que marque o reconhecimento da sociedade à importância dessa classe.

Família cobra explicações do Exército

Folha de Boa Vista

A morte do cabo do Exército Brasileiro Jairo Sousa Barbalho, 22, gerou diversas dúvidas entre familiares e amigos, que não acreditam em homicídio. Muito abalados com a trágica morte, eles cobram explicações das autoridades competentes para que o caso seja investigado com rigor.

Segundo a mãe do militar, a técnica em enfermagem Maria Rodrigues Barbalho, desde o final do mês de julho deste ano, que o filho estava no 5º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), localizado em Auaris, na terra indígena Yanomami, fronteira com a Venezuela. “Era muito difícil mantermos comunicação com ele, pois os telefones e a internet não funcionavam”, contou ela.

Muito emocionada, a mãe de Barbalho lembrou que, tão logo o filho entrou no Exército, no discurso de apresentação todos os pais eram consolados. “Eles pediam que nós ficássemos com os corações tranquilos, pois aquele filho que fosse mau, ou mesmo o que fosse bom, voltaria melhor ainda e aprenderia, por exemplo, princípios de obediência e liderança, mas o que é ter um filho bom de volta? É um filho morto como recebi o meu? Não tem tristeza maior para uma mãe do que ver seu filho retornando dentro de um caixão. Eu ainda não consegui acreditar em tudo o que aconteceu e no que ainda está acontecendo. Além de triste, é duvidoso. Meu filho tinha um brilhante futuro, e apesar de tudo, o Exército era a vida dele”, disse Maria.

Ela lembrou ainda que, desde outubro passado, fora informada por sua irmã que o filho estava passando por problemas de saúde, atestado pelo médico do Exército que não teve o nome divulgado.

Segundo o laudo, Barbalho sofria de depressão e requisitava sua transferência para a Capital para dar início ao tratamento. “Se meu filho sofria de depressão, considerado um dos males do século, por que não autorizaram o retorno dele a Boa Vista?”, questiona.

A mãe do militar contou que o filho era evangélico e sempre foi “um exemplo de dignidade e disciplina aos familiares”. Ele ingressou no Exército há quase dois anos como soldado. Em seguida, fez prova para cabo e passou em 2º lugar. Posteriormente, após os resultados dos exames práticos e físico, teria alcançado o 1º lugar.

O padrasto do militar, o médico pediatra Luiz Chaves, disse que a família nunca teve acesso aos prontuários médicos do cabo. “Nunca conseguimos nenhuma informação concreta a respeito da doença dele. Mas o que aconteceu com a nossa família deve servir de alerta às autoridades para que o fato não se repita. Também não sabemos o tempo limite de permanência de cada militar no PEF. Mesmo assim, acredito que qualquer pessoa, independente de ser ou não militar, não deva permanecer durante tanto tempo isolada do mundo e principalmente da família”, ressaltou o médico.

“Ele sempre dizia que uma das maiores dificuldade em retornar para Boa Vista era a falta de aeronaves. Engraçado, quando ele morreu, em poucas horas uma avião já estava lá para fazer a remoção, enquanto que, quando doente, ele não foi transferido. Isso é o mais difícil de compreender”, disse a irmã do cabo, a universitária Jarlane Barbalho.

Familiares contaram que a morte foi constatada por volta das 11h de quinta-feira, mas somente às 14h, três horas depois, a família foi comunicada. “Sabemos que para a morte não tem jeito, mas por que demoraram tanto para nos avisar?”, questionou a mãe do militar.

O CASO - Jairo morreu com um tiro de uma arma 9 mm Bereta. De acordo com uma fonte da polícia, o tiro entrou por baixo do queixo e saiu em cima na cabeça, o que provocou hemorragia cerebral e traumatismo craniano.

Militares afirmam que pelotão de Auaris está em más condições

Militares e amigos do cabo do Exército Jairo Sousa Barbalho enviaram diversos e-mails à Folha denunciando a situação vivenciada por militares não-oficiais que atuam nos pelotões de fronteira de Roraima.

Entre as principais denúncias está o enorme tempo que os militares permanecem no pelotão, às vezes ultrapassa os quatro meses, a dificuldade para retornar à capital, por conta da escassez das aeronaves e a falta de comunicação dos militares com o resto do mundo, ficando confinados e incomunicáveis por falta de internet e de orelhões. Outro fato relatado nos e-mails é a falta de energia elétrica no local. Por falta de combustível, o gerador só funciona 8 horas por dia.

Um dos militares, que preferiu não ser identificado, conta que os oficiais possuem botijas de gás para o preparo de seus alimentos, enquanto os cabos e soldados precisam cortar lenha na mata para cozinhar sua comida.

Outra denúncia foi com relação ao comércio ilegal de materiais de diversos gêneros. Um exemplo citado foi a venda de um refrigerante de dois litros a R$ 8,00, o dobro do praticado em Boa Vista. “Esse produto é trazido em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) por quem tem regalia e acaba se aproveitando disso, uma vez que nem sempre nossos familiares conseguem nos enviar comida ou qualquer outra coisa de nossa preferência, porque nem sempre tem avião para trazer”, explicou um dos militares.

Os militares que entraram em contata com a Folha relatam ainda a venda para as comunidades indígenas de animais destinados à alimentação da tropa. “Isso aqui é um quartel ou um botequim que vende de tudo?”, questionou observando que quem se recusa a ir para o pelotão sofreria ameaças.

Comandante diz que vai apurar denúncias

O general de Brigada Carlos Neiva Barcellos, comandante da 1ª Brigada de Infantaria e Selva, que está no Rio de Janeiro (RJ), conversou com a Folha ontem por telefone e garantiu que todas as denúncias, assim como os motivos e as causas da morte do cabo Jairo Sousa Barbalho, serão investigadas e esclarecidas.

“O Exército Brasileiro é uma instituição séria. Neste momento de tristeza nos solidarizamos com a família. Sabemos da dor da perda. Infelizmente ocorreu uma fatalidade. O que podemos fazer no momento é garantir que tudo seja investigado, para isso necessitamos de tempo”, explicou o general.

Ainda segundo o comandante, todos os militares que fazem parte do Pelotão Especial de Fronteira (PEF) em Auaris realizam diversas missões “nobres e específicas em defesa da Pátria”. “Isso acontece em todos os PEFs da Amazônia. Sabemos que Auaris e Surucucus, por serem pelotões distantes, passam por diversas dificuldades. Não estamos alheios a isso, mas mensalmente uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) realiza o reabastecimento não só com alimentos, mas de toda a parte logística necessária”, garantiu.

Com relação à falta de aeronaves para atender principalmente os militares que passam por algum problema de saúde, o general garantiu: “Quando os sintomas mostram que o militar deva ser removido de imediato, a evacuação é feita não só pelas aeronaves da FAB e do Exército como também as civis. Nunca aconteceu de um militar não ser removido em caso de emergência ou estado de saúde grave”, explicou.

O general disse ainda que as supostas irregularidades denunciadas serão apuradas. “Posso garantir que não existe nenhum tipo de corporativismo. Com relação à morte, um Inquérito Policial Militar (IPM) já foi instaurado. O prazo é de 40 dias, podendo se estender para mais 20”.

O chefe de Estado Maior da 1ª Brigada, coronel Pastori, disse que a regulamentação interna dos PEFs estabelece que os militares podem passar até quatro meses no pelotão. Após esse período, têm direito ao “arejo” (folga), que varia de 15 a 30 dias, de acordo com a ida da aeronave para o local.

“Atualmente temos 29 militares em Auaris, pois dos 66 destacados para o local, a grande maioria está de férias, mas outros já estão sendo remanejados para suprir as necessidades”, explicou o coronel.

O militar disse ainda que a pista de pouso de Auaris está deteriorada em consequência do tempo. “A pista só pode receber aeronaves pequenas, mas isso também não interferiu nos trabalhos realizados no local. Equipes da Comissão de Aeroportos da Amazônia, ligadas à FAB, já estão fazendo a recuperação do local”, lembrou.

INVESTIGAÇÃO - Um avião militar seguiu para Auaris ainda na semana passada, levando peritos do Exército e três da Polícia Federal, para fazer uma perícia detalhada do local e tentar colher dados que levem a esclarecer o caso. O general frisou que somente no final do IPM é que o Exército irá se pronunciar oficialmente sobre a morte do cabo.

Com relação à possível doença de depressão o coronel Pastori garantiu que irá apurar diretamente com o médico que teria atendido o cabo.

Explosão em paiol da Marinha deixa 8 mortos

O Estado de S.Paulo

 

Pelo menos oito soldados morreram e dois ficaram feridos ontem em uma explosão num depósito de armas da Marinha russa, na cidade de Ulyanovsk. No início do mês, outra explosão, no mesmo paiol, obrigou mais de 3 mil moradores a deixar a área. Analistas dizem que a falta de treinamento militar e os cortes orçamentários têm provocado os acidentes.

Corte julga 15 militares por crimes da ditadura

O Estado de S.Paulo

 

A Justiça argentina começa a julgar hoje os 15 oficiais e suboficiais do Exército e da Polícia Federal acusados de participação no chamado Circuito de Torturas que funcionou durante a ditadura militar (1976-1983). Os militares e policiais responderão por tortura, estupro e assassinato de 184 civis, além de roubo e sequestro de crianças.

19 novembro 2009

Nelson Jobim se reúne com vice-presidente chinês

EFE

O Brasil e a China anunciaram hoje que aprofundarão suas trocas e cooperação militares, por ocasião de um encontro, em Pequim, entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o vice-presidente chinês, Xi Jinping.

O vice-presidente chinês destacou, durante a reunião, que o diálogo bilateral é de grande significado para os dois países, segundo a agência oficial de notícias "Xinhua".

Em matéria de defesa, Xi - possível sucessor do atual presidente, Hu Jintao - disse que "as trocas e a cooperação militar contribuem para fortalecer a confiança mútua e a associação estratégica entre os dois países".

Jobim disse que Brasil e China cooperaram de forma estreita em assuntos internacionais, e que agora espera que também reforcem a coordenação entre seus respectivos Exércitos, "a fim de criar uma nova ordem internacional política e econômica".

Segundo um acordo de cinco pontos assinado na segunda-feira entre Jobim e o ministro da Defesa chinês, Liang Guanglie, a cooperação militar entre os dois países emergentes incluirá desenvolvimento conjunto de suas respectivas indústrias de defesa, colaboração em ciência e tecnologia, e capacitação de pessoal.

Além disso, os dois países preveem exercícios militares conjuntos com mais de 8 mil efetivos das forças de terra, mar e ar.

Durante sua visita à China, o ministro brasileiro se reuniu também com o vice-presidente da Comissão Militar Central (principal órgão militar), Xu Caihou, e com o vice-ministro de Indústria e Informação, Chen Qiufa.

Assim como a China, o Brasil está mostrando um crescimento estável em meio à crise global, por isso tenta modernizar sua indústria armamentista e assentar, assim, sua emergência na América Latina, segundo um plano de renovação militar anunciado em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Nas últimas semanas, o Brasil assinou acordos com fornecedores militares dos EUA e da Europa em um valor de mais de US$ 20 bilhões, entre eles a compra de submarinos e helicópteros à França e tanques à Alemanha.

Jobim chegou no sábado à China procedente da Bélgica, e deve deixar o país asiático amanhã com destino ao Canadá, onde participará do Fórum de Segurança Internacional de Halifax.

Marinha também exigiu exame para diagnosticar HIV

Dois candidatos foram eliminados por serem soropositivos. Um deles já ganhou ação na Justiça Federal e foi nomeado
 
Diário de Pernambuco

Não foi só um concurso estadual que exigiu o exame para diagnosticar o HIV nos candidatos. Em uma seleção da Marinha do Brasil realizada neste ano também havia o mesmo item no edital, com caráter eliminatório, assim como na seleção da Polícia Militar e da Secretaria de Ressocialização.

Recentemente dois pernambucanos acabaram sendo eliminados do concurso da Marinha por serem portadores do vírus HIV. Indignados com a decisão, os dois decidiram entrar na Justiça Federal.
 
Um deles já ganhou o processo e foi integrado ao quadro da Marinha. O outro aguarda o julgamento de sua ação ainda neste ano. A expectativa da advogada da ONG Gestos Kariana Guérios, que atua nos dois casos, é que o resultado desse segundo julgamento seja o mesmo do primeiro.

Nem os nomes, nem os cargos para os quais os dois candidatos concorreram foram divulgados pela Gestos, a pedido deles próprios. Mas a advogada fez questão de ressaltar que os dois apresentam um bom estado de saúde e são capazes de exercer a função para a qual se candidataram. "Inclusive, apresentei o atestado de saúde deles perante o tribunal. O candidato que já foi integrado à Marinha passou pela fase de estágio e foi aprovado sem nenhuma restrição. Hoje realiza suas funções perfeitamente. Ou seja, a justificativa de que ele talvez não pudesse exercer suas funções por questões de saúde, não procedeu", contou Kariana Guerios.

A advogada explicou que entrou na Justiça alegando que a exigência feria os princípios da legalidade e era uma medida preconceituosa. "Se uma pessoa é soropositivo não significa que seja incapaz de trabalhar. E foi isso que demonstrei na Justiça Federal. Essas duas pessoas estão em perfeitas condições de trabalhar", ressaltou. Segundo a advogada, os dois procuraram a ONG Gestos para pedir apoio no embate judicial.

O Diario procurou a Marinha. A assessoria de imprensa informou, por meio de uma nota, que, "em razão da necessidade de ampliar a busca de dados junto a outras organizações militares que subsidiarão as informações a respeito do assunto, a resposta sobre o caso será dada posteriormente".
 
Já com relação ao caso da solicitação de teste de HIV em concursos promovidos pelo governo do Pernambuco, o secretário de Administração, Paulo Câmara, informou por meio da assessoria de imprensa, que, em atenção à recomendação do Ministério Público de Pernambuco, não será mais pedido esse tipo de exame em nenhum concurso. O procurador-adjunto do estado, Thiago Norões, esclareceu que essa não é uma prática comum nos concursos e que foram dois casos isolados (o para policial militar e agente penitenciário). "A recomendação da Procuradoria Geral do Estado é para que não seja exigido esse exame, nem nenhum outro que tenha caráter discriminatório", afirmou Thiago Norões.

Benefício a oriundo do Quadro de Taifeiro

Jornal do Senado

A Comissão de Constituição e Justiça aprovou projeto (PLC 282/09) que assegura o acesso às graduações superiores, na inatividade, aos militares oriundos do Quadro de Taifeiros da Aeronáutica (QTA) na reserva remunerada, reformados ou no serviço ativo.

A regra beneficia os que tenham ingressado no quadro até 31 de dezembro de 1992. A proposta, relatada na CCJ por Francisco Dornelles (PP-RJ), vai à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), para decisão terminativa.

Para Colômbia, Unasul é leniente com Chávez

Efe, BOGOTÁ

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - tida como um dos pilares da política brasileira para a América do Sul - foi acusada ontem pelo chanceler colombiano, Jaime Bermúdez,de adotar um comportamento "decepcionante e paradoxal" na recente escalada da crise entre Colômbia e Venezuela.

"É surpreendente e decepcionante que a Unasul, que busca exatamente em seu Conselho de Defesa a tranquilidade, a estabilidade e a paz na região, não tenha dito nada", disse Bermúdez em referência ao chamamento feito há duas semanas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que seus militares e cidadãos estivessem "preparados para a guerra" contra a Colômbia e os EUA.

"Chama a atenção que o chefe de Estado de um país da região, membro da Unasul, tenha utilizado uma linguagem bélica e falado de guerra sem que a Unasul faça nenhum comentário a respeito", disse o chanceler, no ataque mais direto à organização desde a sua criação, em março do ano passado.

Chávez respondeu ontem às declarações de Bermúdez e disse que o chanceler e o presidente colombianos eram uns "desgraçados". No sábado, Chávez descartou a hipótese de normalizar as relações com Bogotá, suspensas desde agosto, por causa do acordo que permite aos EUA usarem até sete bases militares da Colômbia.

Número de suicídios no Exército será recorde

Jornal do Brasil

O número de suicídios no Exército dos Estados Unidos baterão um triste recorde este ano, disse, na terça-feira, o general Peter Chiarelli, vice-chefe de pessoal do Exército americano, num anúncio que deve aumentar as preocupações em torno do nível de estresse das Forças Armadas.

A informação, num momento em que o presidente Barack Obama avalia se envia mais 40 mil soldados ao Afeganistão, mostra que o número de suicídios entre militares da ativa neste ano já igualou o recorde de 140 mortes registradas no ano passado.

– É quase certo que terminaremos esse ano com mais (suicídios) que no ano passado – disse Chiarelli.

– Isso é horrível e eu não quero minimizar a importância desses números, de forma alguma.

Outros 71 soldados cometeram suicídio quando não estavam em serviço neste ano – quase 25% a mais do que o total de 2008. Alguns deles voltaram para casa semanas antes de tirarem a própria vida.

Números indisponíveis Esses números se referem somente ao Exército dos EUA. As informações sobre as demais Forças não estavam disponíveis.

A discussão sobre a incidência de distúrbios psicológicos entre militares americanos ganhou peso principalmente depois que o major Nidal Hasan, de origem muçulmana, descarregou duas pistolas contra militares na base americana de Fort Hood, no Texas. Hasan, que é psiquiatra, era o responsável por tratar de soldados com distúrbios emocionais, e teria dito a familiares, antes de cometer o atentado, que um de seus piores pesadelos seria ter de combater no Iraque ou no Afeganistão, para onde o Exército planejava enviá-lo.

Deputado denuncia estratégia dos EUA na AL

Jornal do Brasil

Brasília - O deputado federal José Genoino (PT-SP) disse ter tido acesso a documentos oficiais da Força Aérea dos Estados Unidos que comprovariam que o acordo militar entre Washington e Bogotá, que prevê a utilização de bases colombianas por forças militares norte-americanas, não se resumiria a ações militares dos EUA dentro da Colômbia, mas a estratégias em toda a América do Sul. O suposto documento, que Genoino disponibilizou para download em seu site, segundo o deputado, é uma proposta pública de Orçamento e estaria disponível também no site do próprio Congresso norteamericano.

Um trecho do suposto documento diz que o acordo melhora a "Estratégia de Postura de Defesa Global dos EUA", com oportunidade para "operações de amplo espectro na América do Sul". A utilização, no caso, da base de Planquero, apoiaria a "mobilidade das missões, fornecendo acesso ao continente inteiro".

Na Embaixada dos EUA, em Brasília, ninguém foi encontrado quarta-feira à noite para comentar o assunto.

Exército receberá R$ 1,2 milhão por proteção a Enem

Militares farão escolta das provas da gráfica até postos dos Correios

Demétrio Weber - O Globo

BRASÍLIA. O Exército receberá R$ 1,26 milhão do Ministério da Educação (MEC) para fazer a segurança das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro. Os militares ficarão responsáveis pela guarda e escolta dos cadernos de questões tão logo saiam da gráfica, na Região Metropolitana de São Paulo, e sejam levados a 64 postos de distribuição dos Correios nos estados.

A autorização de pagamento foi publicada ontem no Diário Oficial. O dinheiro será repassado ao Ministério da Defesa. O MEC informou que novas liberações deverão ser feitas nos próximos dias para a Marinha e a Aeronáutica, que cuidarão da segurança na Amazônia.

O que preocupa mais o MEC é a segunda fase de distribuição, quando as provas forem levadas aos cerca de 10 mil locais de prova do país. Nessa fase entrarão em cena Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, e polícias Militares e Civis. O governo gastará R$ 148 milhões com o Enem, além dos R$ 38 milhões já pagos ao consórcio Consulplan, contratado para aplicar o teste em 3 e 4 de outubro — adiado com o vazamento das provas, em setembro.

17 novembro 2009

Dassault oferece itens adicionais para tentar vender o Rafale para o Brasil

O Globo Online
 
Na reta final da disputa por um contrato de venda de 36 jatos de combate à Força Aérea Brasileira (FAB), o governo da França – cuja empresa Dassault concorre com o seu modelo Rafale contra a americana Boeing e a sueca Saab – acrescentou alguns itens ao pacote que já havia oferecido ao Brasil. Um deles é a possibilidade de, ao longo do acordo, a Embraer vir a desenvolver uma versão mais moderna daquele avião e, eventualmente, exportá-lo para a própria França.

Tal possibilidade está embutida no fato de que na prometida transferência de tecnologia daquela aeronave, sem quaisquer restrições, estaria incluída a cessão dos seus códigos-fonte – coração e cérebro do avião. São as linhas de código dos programas que controlam tanto o sistema de armas (mísseis e computadores de bordo), quanto os radares, os motores, e superfícies móveis (como os lemes) do caça.

" A FAB terá toda a tecnologia do Rafale, inclusive os chamados códigos-fonte. Com eles ela poderá tanto modificar a aeronave quanto fazer, por exemplo, um Super Rafale "

Essa promessa, mais a garantia de várias outras vantagens, foram apresentadas ao governo por um enviado especial do presidente Nicolás Sarkozy, durante uma discreta visita de dois dias ao Brasil, na semana passada: o almirante Edouard Guillaud. Ele é "chefe do estado maior particular do presidente da República".

No acordo que propusemos ao governo brasileiro está escrito que a FAB terá toda a tecnologia do Rafale, inclusive os chamados códigos-fonte. Com eles ela poderá tanto modificar a aeronave quanto fazer, por exemplo, um Super Rafale, uma nova versão – disse Guillaud em entrevista exclusiva ao GLOBO. "Tratam-se de especificações técnicas, que vão desde as mais gerais até o último parafuso do trem de pouso. Isso se chama cessão de segredo industrial" – insistiu.

Guillaud conversou confidencialmente com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Horas depois, na entrevista, depois de comentar que "um avião de combate sem armamento é um avião de aeroclube, muito caro", ele revelou que, no espírito da parceria estratégica França-Brasil assinado em dezembro passado, garantiu ao governo brasileiro que a França está preparada para ir mais além: se o Rafale ganhar a concorrência, o Brasil poderia produzir inclusive as armas para essa aeronave.

"A indústria francesa de mísseis também decidiu compartilhar com o Brasil os seus segredos de fabricação. Isso mostra que não estamos falando apenas de um avião, e sim de todo um sistema global para o qual propomos a transferência de tecnologia."

Guillaud contou, ainda, que reforçou a proposta francesa com um plano de intercâmbio de oficiais de nível superior, em especial dos estados maiores das forças armadas de ambos os países:

"Não estamos conversando como comerciantes. É um raciocínio estratégico, que pode ir muito além disso – afirmou."

Guillaud veio ao Brasil em companhia de Damien Loras, conselheiro de Sarkozy para as Américas. Durante a entrevista ele também enfatizou alguns pontos da proposta de seu país, em especial o de que a transferência de tecnologia seria "naturalmente gratuita", e não um custo um adicional ao valor do avião:

"O valor dessa transferência sem precedentes representa anos de experiência, de desenvolvimentos, de estudos e de know-how (concepção e fabricação). Esse valor é estimado entre cinco e sete bilhões de euros, ou seja, mais do que o montante do contrato" – ressaltou Loras.

Apesar dessa menção ao preço, tanto ele quanto Guillaud evitaram mencionar cifras específicas sobre o custo do Rafale – a não ser o fato de que ele seria 4% mais caro que o F-18 Super Hornet, da americana Boeing. Tal diferença, alegaram, desapareceria ao longo dos 15 anos de contrato a ser firmado com o Brasil, por conta de flutuações cambiais durante esse período.

"Independência e autonomia sempre demandam investimento. A própria França pagou um preço para ser autônoma e não depender do fornecimento de outros países na área militar. Aceitamos investir mais, um pouco mais, para dominar o nosso destino. E o Brasil agora tem chance de fazer o mesmo: tem economia sólida, vontade política, e busca os meios de se fazer respeitar e de ser respeitado. É aí que intervém a ferramenta militar" – argumentou Guillaud.

A estimativa é a de que o pacote francês custaria cerca de 5,5 bilhões de euros. O almirante, negando-se a precisar um valor, disse que, na prática, o contribuinte brasileiro pagaria pelos caças um preço equivalente ao seu custo para os próprios franceses. Guillaud insinuou que, num último momento, poderia haver algum tipo de acerto em relação ao valor do contrato:

"Estamos numa competição e aquele que for escolhido (do ponto de vista técnico-operacional) vai entrar numa negociação comercial. Não vim aqui em nome do fabricante (Dassault) mas, sim, do presidente da República. O que posso lhe dizer é que no momento da negociação o estado francês estará presente. O presidente Sarkozy se comprometeu a fazer isso. Trata-se de um compromisso por escrito, e firme" – disse Guillaud.