30 janeiro 2010

Uma opinião sobre o F-X2

Poder Aéreo

Recebemos esse texto por e-mail, de autoria do Brig R1 Teomar Fonseca Quírico, já confirmada. Vale lembrar que o texto foi publicado aqui quando já tínhamos algumas confirmações de autoria, daí o aviso, no início da publicação, de que esta ainda deveria ser confirmada. Confirmações que foram, subsequentemente, reforçadas por outras fontes do Blog – assim, nos comentários referentes às primeiras horas após a publicação, diversos leitores levaram em consideração a pendência da confirmação.

Tivemos a oportunidade de conhecer o Comte Quírico quando ele estava recebendo o AMX na FAB, em 1991. Os negritos no texto são nossos.

PROJETO FX-2: ALGUNS COMENTÁRIOS A RESPEITO NA ANTEVÉSPERA DA DECISÃO

Este artigo está sendo escrito no dia 21 de outubro de 2009, na antevéspera da decisão sobre o vencedor do chamado Projeto FX-2.

Nesses últimos meses tenho sido questionado com bastante frequência a respeito do que eu acho desse processo de seleção do mais novo avião de caça que o Brasil vai comprar: quem vai ganhar, qual dos três aviões é o melhor etc.

Companheiros da Força, amigos militares de outras forças, civis conhecidos e por vezes até desconhecidos (é impressionante a atração que o avião, em especial o avião de caça, tem sobre o homem comum!), eventualmente sabedores da minha condição de piloto de caça na reserva, todos querendo saber a minha opinião a respeito.

Eu sempre desconversei, no sentido de não tumultuar mais ainda um processo já por demais tumultuado, dentro da filosofia popular que diz que “piru de fora não se manifesta”! Um dia nós ainda vamos aprender a fazer como a Marinha, que compra 5 submarinos, um deles nuclear, troca de portaviões, compra aviões de caça, tudo com muito pouco ou quase nenhum ruído na mídia!

A todos eu dizia que os três aviões eram muito bons, que todos atendiam as nossas necessidades operacionais, e que o mais importante seria aquilo que o Brasil iria ganhar além dos aviões. Dizia, ainda, que independentemente da minha opinião, o parecer que fosse assinado pelo oficial responsável pela equipe técnica de avaliação eu assinaria embaixo porque, conhecedor do perfil e do profissionalismo desse oficial, tinha a certeza de que o que ele indicasse sem dúvida nenhuma seria a melhor alternativa a ser adotada pela FAB e pelo Brasil.

Naturalmente que tenho uma opinião em relação ao assunto e em respeito aos amigos que me questionaram em tempos atrás, resolvi colocar minhas considerações no papel neste momento, na antevéspera da decisão a ser tomada, mas somente tornando-a pública após o anúncio do projeto vencedor. Se não o fiz no passado para não tumultuar o processo, faço-o agora, antes da decisão, para não ser contaminado ou influenciado pelos comentários que certamente irão surgir e para não dar uma de “engenheiro de obra pronta”, figura que sempre abominei ao longo da minha carreira.

Naturalmente que faço isso com a irresponsabilidade da reserva, por não ser conhecedor de qualquer aspecto das propostas apresentadas e baseado apenas no sentimento e experiência angariados em mais de trinta anos de serviço dedicados em especial à aviação de caça do Brasil. Claro que é fácil falar quando não se tem a responsabilidade de uma decisão, mas dentro do mais puro espírito da “Tribuna Livre do Piloto de Caça” aí segue minhas considerações.

1- Qual dos três aviões é o melhor?

Para quem voa Mirage 2000, F-5E modernizado, A-1A/B ou AT-29 “é ruim” dizer que um Rafale, um F-18E/F ou mesmo um Gripen não atende às nossas necessidades operacionais!

Costumo comparar a situação com aquela em que um proprietário de um Monza 87, com o dinheiro da poupança no bolso, procurando um automóvel novo para comprar, recebeu ofertas de um Peugeot/Citroen último tipo, de um Cadillac também último tipo, bem como de um Volvo não menos atualizado; é difícil para o cara dirigindo aquele Monza antigo dizer que qualquer dos carros ofertados não atendem a sua necessidade de transporte!

Entretanto, se além do automóvel um fornecedor pouco ou nada oferece, um outro dá um ano de seguro total gratuito e o terceiro oferece, além do seguro gratuito, dois anos de assistência técnica e de peças de reposição também gratuitos, com quilometragem livre, agora nosso bravo proprietário do Monza já teria algumas vantagens adicionais em escolher um ou outro automóvel.

Ou seja, o que menos importa nessa competição é o avião, uma vez que todos, com certeza, atendem às nossas necessidades operacionais; o que importa mesmo é o que o Brasil vai receber ALÉM dos aviões!! A diferença está aí e, nesse sentido, estão certíssimas nossas autoridades que dizem que a transferência de tecnologia é que será o fator primordial para a decisão, muito embora essa expressão – transferência de tecnologia – mereça algumas considerações que serão feitas ao final.

Mas o que importa no momento é ressaltar que o fator de decisão não deve ser o avião, mas o pacote de benefícios que o Brasil irá receber além da aquisição pura e simples das aeronaves. A partir deste raciocínio, mesmo o homem comum, principalmente aquele ligado às coisas da aviação, já tem condições de fazer um prejulgamento considerando o histórico dos três países envolvidos na disputa.

2- França (Rafale), EUA (F-18E/F), Suécia (Gripen NG)

Novamente falando, todos os comentários a seguir eu os faço irresponsavelmente a partir da experiência acumulada ao longo da carreira, uma vez que não tive acesso a qualquer informação pertinente à disputa, além daquelas que se tornaram públicas pelos meios da imprensa.

Minha experiência com os franceses é a pior possível, vem de longa data, desde o início da minha carreira como piloto de caça, e a não ser que de alguma forma nossos amigos gauleses tenham mudado radicalmente e expressado isso nos documentos apresentados (o que também não garante nada!), minha opinião é de nem levá-los em consideração ab initio!

Ela se inicia com a comparação das publicações técnicas vindas com o Mirage III com aquelas que trouxemos junto com os nossos F-5. Basta pegar as TO-1 de ambas as aeronaves e se verá a pobreza das informações contidas na TO do Mirage em comparação com aquelas existentes na do F-5. Tradicionalmente as publicações técnicas francesas pouco informam de importante, em comparação com o nível de informações contidas nas publicações americanas, por exemplo. Gráficos de desempenho, gráficos de combate… basta comparar e ver a diferença entre elas!

Além disso, minha experiência com eles passa pela definição do canhão que equiparia a série das nossas aeronaves AMX. Poucos sabem, mas nossos protótipos de A-1 foram ensaiados com o canhão DEFA 554, uma versão melhorada daqueles canhões que equipavam nossos Mirage III.

Pois bem, depois de toda uma campanha de ensaios feita com o DEFA 554, na hora em que fomos colocar nosso pedido de compra para a série, nossos amigos franceses colocaram tanta dificuldade e tanto sobre preço que, a despeito de todo o gasto que teríamos para ensaiar um novo canhão, saiu mais barato e conveniente trocarmos de armamento e começarmos tudo de novo, com um novo canhão de um outro país que poderia, inclusive, ser produzido no Brasil!

Essa experiência ruim continua com a gestão do contrato da troca dos helicópteros “Puminha” pelo Super-Puma onde, a despeito de contratualmente constar a implantação de um banco de provas do motor, para evitar o tremendo gasto das revisões gerais feitas na França, tivemos que suar várias camisas para convencer nossos amigos gauleses a simplesmente cumprirem as cláusulas previstas contratualmente que eles haviam concordado e assinado! E saí da logística sem saber se eles efetivamente cumpriram o contrato ou se estamos até hoje mandando nossas turbinas para fazerem revisão geral na França!

E falando em logística, só quem trabalhou nessa área para saber o elevadíssimo custo de manutenção dos produtos franceses, quase que inviabilizando, economicamente, a operação desses equipamentos.

Quanto à transferência de tecnologia, bem, basta alguém procurar saber hoje, passadas algumas dezenas de anos, qual é o índice de nacionalização dos nossos helicópteros Esquilos montados em Itajubá para se ter uma idéia da filosofia francesa em relação ao assunto. Um companheiro antigo da Força costuma dizer que a diferença entre o americano e o francês é que o americano pouco ou nada entrega, mas aquilo que ele se comprometeu a entregar ele o faz; já o francês, promete que vai entregar mundos e fundos e, ao final, apesar de compromissado e assinado, pouco ou nada entrega!

Eliminados os franceses restam, portanto, dois competidores.

3- EUA (F-18E/F) x Suécia (Gripen NG)

Ainda baseado na minha experiência de carreira e uma vez mais irresponsavelmente falando, entendo que a solução de menor risco é a americana, enquanto a alternativa que nos daria a maior independência é a sueca.

A solução americana é a de menor risco, uma vez que há centenas de F-18E/F voando em diversos países, com alguns milhares de horas de vôo acumuladas, além de ser o avião de primeira linha de combate da marinha americana nos dias de hoje. A versão ofertada é a do Super-Hornet (F-18 E/F) e não a do Hornet antigo (F-18 A/B ou mesmo C/D). Isso nunca tivemos antes, uma vez que os americanos sempre nos ofertaram aviões de segunda linha e que não estavam sendo empregadas operacionalmente pelas suas próprias forças armadas.

A FAB já possui longa tradição em operar aeronaves americanas, temos já toda uma cultura operacional assimilada bem como uma completa cadeia logística implantada com nossos amigos americanos do norte. Táticas de combate, canais de suprimento, escritórios de ligação, tudo implantado e funcionando (bem)!

Além disso, se olharmos para frente e visualizarmos necessidades futuras para o nosso País, há já uma versão de combate eletrônico dessa aeronave, bem como ela própria é uma versão embarcada que poderia vir a preencher uma eventual necessidade futura da nossa marinha de guerra, com todas as vantagens que isso possa significar para ambas as Forças e para o nosso País.

Como ponto negativo, tradicionalmente nossos amigos do norte não fornecem os armamentos e os equipamentos mais atualizados e que na guerra fazem a diferença! Podemos até tentar, mas penso que dificilmente eles nos cederiam tudo aquilo que desejamos, seja por filosofia política seja pela arrogância típica americana! Entretanto, o pouco ou o muito que conseguirmos obter nas negociações de agora, ANTES da indicação da aeronave vencedora, certamente iremos receber; tradicionalmente os americanos cumprem o assinado em contrato, sem grandes desgastes por parte do contratante.

Se a alternativa americana é a de menor risco, é porque a solução sueca tem um risco maior. E isso é debitado ao fato de que a aeronave ofertada de fato não existe, é um projeto em desenvolvimento, com todos os riscos e custos que isso possa significar. Paradoxalmente, é exatamente por isso – ser um projeto em desenvolvimento – a razão para a maior independência que o nosso País teria ao operar essa aeronave.

Por estar em desenvolvimento, poderíamos desde já participar com as nossas empresas em projetos, processos, testes, ensaios, fabricação etc., nas áreas de nosso maior interesse, nos mesmos moldes utilizados do desenvolvimento da aeronave AMX, com uma grande e marcante diferença, com toda a experiência do que deu certo e do que não deu certo naquele projeto!

Essa é a única forma de se ter independência, é conhecer o porquê (know-why) das coisas, e não apenas o como fazer (know-how) dessas coisas.

É importante ressaltar que a forma de participação nesse desenvolvimento, as áreas em que atuaríamos, os compromissos e documentos que norteariam esse trabalho, tudo que dissesse respeito a isso teriam de ser definidos e assinados ANTES da indicação do projeto vencedor, enquanto o poder de barganha está conosco; se deixarmos para depois, o poder de barganha passa para o outro lado e só teremos aquilo que ele quiser nos dar!

Quanto ao risco em escolher uma aeronave em desenvolvimento, em minha opinião esse risco é bem reduzido; não podemos esquecer que a versão ofertada (Gripen NG) é uma versão melhorada de uma aeronave já existente e voando em diversas Forças Aéreas no mundo, e que a Suécia é um país com grande tradição e sucesso no desenvolvimento de aeronaves de caça, com soluções pioneiras que, posteriormente, algumas delas se tornaram presentes em outras aeronaves (a aerodinâmica utilizando o duplo delta da aeronave Draken, a superfície canard totalmente móvel usada no Viggen, o trem de pouso principal em tandem e o uso de reverso no motor do mesmo Viggen).

Além do mais, a experiência que tivemos recentemente com os suecos no desenvolvimento da versão de vigilância aérea da aeronave E-99, utilizando o radar Erieye, sugere que teríamos um ambiente de extrema e profícua colaboração entre os dois países e as empresas participantes.

Bem, depois de tanto falar, resta ainda a pergunta – qual dos dois projetos seria, em minha opinião, o melhor para o nosso País: o de menor risco (Super-Hornet) ou o da maior independência (Gripen NG)?

O cachimbo deixa a boca torta, assim diz um dito popular. Talvez por ter participado do desenvolvimento da aeronave AMX, por ter percebido as chances enormes que nosso País teve em termos de obtenção de conhecimento, tecnologia, trabalho com elevado valor agregado etc., por ser um incorrigível entusiasta da indústria nacional sou levado dizer que em minha opinião a melhor solução a ser adotada pelo Brasil é a solução sueca. Já que, por definição, todos os aviões atendem às nossas necessidades operacionais, participar do desenvolvimento da versão NG da aeronave Gripen, com nossos amigos suecos, certamente é a alternativa que maior possibilidade dá de transferência de tecnologia e aquisição de conhecimentos para o nosso País.

E em relação a isso – Transferência de Tecnologia – vale à pena fazer alguns comentários em função de experiências passadas.

4- Transferência de Tecnologia: Falácia ou Panaceia?

Ao longo de todo esse processo de escolha tenho ouvido diversos companheiros se manifestarem a respeito da cláusula mandatória de transferência de tecnologia (off-set) que todos os fornecedores de alguma forma devem aderir.

Muitos entendem que isso ao final de nada vale, pois na prática ninguém transfere conhecimento que custou milhões e milhões de dólares para ser obtido simplesmente porque está vendendo um determinado equipamento.

Além do mais, transferir tecnologia pressupõe alguém capacitado em receber, seja em termos materiais e humanos, e aí o problema se agiganta pelo fato de termos pouca ou nenhuma empresa em condições.

Da minha parte, eu sou um eterno entusiasta da política de Off-Set, convicto de que para um País como o nosso, com todas as nossas dificuldades, ela é a única forma de desenvolvimento científico e tecnológico capaz de superar o imenso gap existente entre nós e as nações mais desenvolvidas.

Entretanto, da mesma forma que sou um incorrigível entusiasta em incentivar a indústria aeroespacial brasileira, eu sou um eterno frustrado pelos resultados obtidos até agora pelo nosso País, em especial pela Força Aérea.

Recordo neste instante uma frase do Maj.Brig. José Rebello Meira de Vasconcellos, herói da FAB e veterano piloto de caça com 93 missões na Segunda Guerra Mundial que dizia num outro contexto, mas que se pode usar para o tema em discussão: “Não se pode ensinar nada a quem não quer aprender e não se aprende nada sem que alguém saiba ensinar”!

Neste instante em que estamos definindo todos os aspectos concernentes à transferência de tecnologia que o vencedor da concorrência terá que cumprir, é bom olharmos para a experiência e resultados que a FAB obteve com o Programa de Industrialização Complementar (PIC) do programa AMX para não cometermos os mesmos erros que nos levaram a resultados tão pífios para o montante investido.

Em minha modesta opinião, o Programa AMX, por meio desse PIC, oferecia (e dava) o paraíso que qualquer empresário sempre desejou: aquisição de tecnologia de ponta em determinadas áreas, capacitação de pessoal, ampliação e adequação de instalações, aquisição de máquinas e equipamentos e, talvez o mais importante, uma carga de trabalho garantida por várias décadas (enquanto a aeronave estivesse voando!).

Naquela ocasião, selecionou-se um leque de empresas para receberem esse pacote por meio de um contrato de capacitação tecnológica e de industrialização de determinados equipamentos, e o resultado que temos hoje é ZERO ou muito próximo de ZERO! Á exceção da EMBRAER, quase todas as demais empresas desapareceram, obviamente após receberem todo o pacote de bondades governamental, de forma que hoje temos que recorrer ao exterior para fazer revisões gerais dos nossos equipamentos. Chegamos a montar uma fábrica completa para a fabricação de trem de pouso e componentes hidráulicos e qual é o resultado que temos hoje? Na área do motor, chegamos a comprar a sublicença de fabricação de componentes com alto teor tecnológico para que pudéssemos ter uma empresa capacitada a, no futuro, revisar nossos motores internamente, fabricar componentes e, eventualmente, até desenvolver motores aeronáuticos… e o resultado hoje é nenhum. Nossos motores de AMX têm que ser enviados para o exterior para revisões gerais com todo o enorme custo financeiro que isso significa.

E não adianta considerar que a posse de uma “Golden-Share” por parte do governo na composição acionária da empresa é garantia de que tudo irá correr conforme desejamos, porque na prática isso pouco adianta se não sabemos como e quando usar essa “Golden-Share”, ou tivermos vontade política para usar.

Recordo-me de ainda na ativa ouvir de oficiais mais antigos, por diversas vezes, em situações em que estava gerenciando o desenvolvimento de algum sistema, um quase mantra: “Nós não queremos repetir os erros do AMX”!

Embora defenda com todas as forças o Programa AMX, seja pela aeronave fantástica que ele forneceu à Força Aérea, seja pelos pequenos, mas significativos resultados tecnológicos obtidos no desenvolvimento do avião, sou forçado a concordar que certas filosofias de Off-Set, de transferência de tecnologia etc. não deram certo e que é importante que neste momento nos voltemos para as experiências vividas no passado para não cometermos os mesmos erros.

Transferência de tecnologia não é falácia, mas também não é a solução para todos os nossos problemas. O leque de empresas que temos é esse que existe aí, para o bem ou para o mal; eventualmente podemos até recorrer a uma multinacional que aqui venha a se estabelecer! Os pífios resultados do passado não justificam que não tentemos mais uma vez. A Força Aérea sempre foi assim, sempre considerou as necessidades do País antes da sua própria necessidade; assim foi no passado e assim terá que ser agora. É a única forma de legarmos um País melhor a quem nos seguirá!

5- Decisão Política vs Decisão Técnica

Durante o processo de seleção conduzido pela Força Aérea muito se falou de que a decisão seria política e não técnica. O próprio Presidente da República manifestou publicamente que, ouvida a Força Aérea, a decisão seria dele e de ninguém mais.

Creio que ele está mais do que certo e que ninguém jamais colocou isso em dúvidas, pelo menos no âmbito da Força Aérea! Uma aquisição dessa monta, envolvendo uma imensa soma de recursos, com uma gama infindável de impactos na área geopolítica, tem que levar em conta os interesses maiores da nação e que somente o Presidente da República tem condições de avaliar concretamente.

Entretanto, decisão política não significa uma decisão qualquer. Decisão política deve obedecer a pressupostos básicos que irmanam a nação em torno de seus objetivos nacionais permanentes e não, apenas, as conveniências do momento.

Decisão política também exige explicações e justificativas coerentes a serem prestadas a toda a sociedade brasileira. Enganam-se aqueles que pensam que quanto maior o nível funcional menor é a necessidade de explicações e justificativas de seus atos! É exatamente o contrário pois maiores e mais amplas são as implicações daquilo que fazem e que falam!

Nesse sentido, quanto mais completo, consistente e baseado em avaliações objetivas for o relatório técnico que a Força Aérea está produzindo, maior será a chance de que a decisão final, política, esteja em linha com a avaliação técnica e que a aeronave ao final escolhida atenderá, não apenas aos interesses políticos da nação, mas, também, às necessidades operacionais da Força Aérea.

Em minha opinião, se na avaliação técnica duas aeronaves tiveram pontuação semelhante – por exemplo, numa escala de zero a cem, uma recebeu 95 pontos e uma outra 90, enquanto a terceira recebeu uma pontuação de apenas 30 pontos – uma decisão política que escolha a aeronave de 90 pontos em detrimento daquela com pontuação ligeiramente maior é perfeitamente aceitável. O que fica difícil de aceitar, e de justificar, mesmo politicamente, é que a escolha recaia naquela com pontuação extremamente inferior!

De qualquer forma, como já disse no início desse artigo, independente das minhas opiniões e da decisão final a ser adotada, serei um ardoroso defensor da opção indicada pelo oficial responsável pela equipe técnica de avaliação; o relatório técnico assinado por ele eu assino embaixo, “em cruz”, sem dúvidas de que ela é a melhor para o nosso País e para a FAB.

Nesse sentido, cabe um comentário final em relação a isso.

6- Decisão Final vs Disciplina Intelectual

Nós, profissionais da Força Aérea, ao longo da carreira, somos treinados e incentivados a tomar decisões. Nosso métier – voar e combater – pressupõe análise permanente do cenário que nos cerca, das condições das nossas aeronaves, das condições meteorológicas e operacionais reinantes, das condições das nossas equipagens de combate, de todas as variáveis, enfim, envolvidas no voo para decidirmos o que é melhor para a nossa missão.

Nossa rotina nos ensina e nos torna líderes naquilo que fazemos. Somos treinados para decidir, e decidir bem! Isso de alguma forma nos leva a ser extremamente críticos com alguma atitude diferente daquela que seria a nossa; até porque decisões erradas ou não apropriadas podem levar ao fracasso da missão e, por vezes, até a morte. Buscamos a perfeição e apenas o perfeito é aceito!

Nesse sentido, os puristas que me perdoem, somos até um pouco indisciplinados!

Mas como alguém já disse, não são as respostas que movem o mundo, mas, sim, as perguntas, os questionamentos, e é assim que chegamos aos dias de hoje, de uma Força Aérea altamente operacional, doutrinada e coesa, da qual temos orgulho de pertencer!

Apesar disso, do nosso apurado espírito crítico, conclamo a todos a nos unirmos em torno de nosso comandante da Força Aérea e adotarmos como nossa a decisão que ele entender ser a melhor para a FAB.
Todo e qualquer assessoramento já foi prestado, tudo que alguém havia de falar devia ter sido dito ao longo das análises feitas e, agora, temos que ter apenas uma escolha: a escolha que o comandante da Força Aérea tiver feito.

Esqueçamos nossas diferenças, nossos conceitos, nossas concepções etc. Não podemos fazer como alguns ainda hoje fazem ao se manifestarem contra determinados projetos, décadas depois de eles terem sido implantados na Força. O que fazer com eles – jogar fora?

Em verdade nem sei muito bem por que estou escrevendo tudo isso uma vez que estou na reserva, sou página virada, em nada contribuo e quando ele se tornar público, daqueles poucos que me questionaram a respeito, a decisão já terá sido tomada e ele pouco ou nada ajudará no processo. De qualquer forma, em respeito a esses amigos, fica registrado aqui o que penso em relação ao assunto; pode ser que no futuro, ele possa servir para alguma coisa!

Um forte abraço e até o FX-3!!!!

Brig R1 Teomar Fonseca Quírico
21 de outubro de 2009

29 janeiro 2010

Com regras mais rígidas, Índia compara caças

País exige transferência de tecnologia das seis empresas concorrentes; valor da licitação é de US$ 10,5 bilhões

Florência Costa
Correspondente - O Globo

NOVA DÉLHI. O caça francês Rafale compete com outros cinco aviões na corrida pela maior licitação militar da história da Índia, para a compra de 126 caças que serão usados pela Força Aérea do país. O valor da licitação é de US$ 10,5 bilhões, segundo o Ministério da Defesa.

Esse valor inclui não só os 126 aviões, mas também treinamento de pilotos, total transferência de tecnologia, e equipamentos bélicos dos aviões. A concorrência tem previsão de ser finalizada no fim de 2011 ou até meados de 2012.

No Brasil, o Rafale disputa com mais dois caças, o Gripen, da sueca Saab, e o F/A-18, da americana Boeing, a concorrência aberta pelo Ministério da Defesa. A proposta brasileira é comprar 36 caças — por um custo total que poderia chegar a US$ 5 bilhões, mas não foi oficialmente divulgado.

O Rafale é o favorito do Planalto, mas o relatório da FAB dava preferência ao caça sueco.
 
Na Índia, o preço específico de cada aeronave das seis concorrentes — incluindo a francesa dassault que fabrica o Rafale — não foi divulgado até agora. O preço de cada avião será conhecida quando começar a fase da coleta de preços, explicou uma fonte da Força Aérea Indiana.

Um dos capítulos mais importantes da maior licitação de Defesa da história indiana é o da total transferência de tecnologia.

Pelos termos da licitação, a Índia vai receber os primeiros 18 jatos feitos no país-sede da empresa vencedora. Os 108 caças restantes serão totalmente fabricados por uma empresa indiana na Índia, através de uma licença dada pela vencedora. Assim como as outros concorrentes, a dassault concordou com a cláusula de transferência total de tecnologia, condição obrigatória da Força Aérea Indiana.

Em licitações superiores a US$ 70 milhões, o governo indiano inclui a cláusula obrigatória segundo a qual a empresa vencedora deve investir pelo menos 30% do valor do contrato na indústria de Defesa da Índia.

Além do francês Rafale, concorrem a essa licitação os americanos F/A-18, e F-16; o russo MIG 35; o sueco Gripen; e o Eurofighter Typhoon (de um consórcio britânico, alemão, espanhol e italiano). Em abril do ano passado, a mídia indiana divulgou a notícia de que o Rafale teria sido excluído da licitação por não preencher todos os requisitos técnicos exigidos. Mas a notícia foi depois desmentida oficialmente pela Força Aérea.

Aeronaves são levadas ao extremo nos testes A Índia divulgou o chamado Requerimento de Propostas para a compra dos 126 jatos em agosto de 2007 para as seis companhias que submeteram suas ofertas até abril de 2008. A licitação é dividida em duas partes: uma técnica e uma comercial.

Os testes dos seis jatos concorrentes começaram em julho do ano passado. Os testes são longos, complexos e feitos em condições climáticas extremas: testes em condição de humidade (em Bangalore); de extremo calor (no deserto de Jaisalmer, no estado do Rajastão); e de extremo frio, em Leh, na região do Himalaia indiano, extremo norte do país. A concorrência será aberta e comparada depois da escolha de três caças favoritos, após os testes. A previsão é que o processo termine em um ano e meio pelo menos.

Navio da Marinha levará 700 toneladas de material e medicamentos

Riomar Trindade Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O navio Almirante Sabóia, de desembarque de carros de combate, começou a ser carregado hoje (28) no Terminal do Boqueirão, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, com 700 toneladas de material para as tropas da Marinha e do Exército Brasileiro que estão no Haiti.

A viagem com o material está marcada para a próxima segunda-feira (1º), a partir da Base Naval do Rio de Janeiro. Além de levar apoio logístico, o navio também transportará ajuda humanitária para o povo haitiano, como medicamentos, roupas, alimentos, água engarrafada e barracas.

O Almirante Sabóia deve chegar a Porto Príncipe em 17 de fevereiro, onde permanecerá em operação na área, segundo a Marinha, por cerca de 30 dias em apoio às ações humanitárias e às tropas de paz das Nações Unidas, a Minustah.

Rússia aumenta vendas de armas

Entre os maiores clientes da Rosoboronexport estão Índia, China e Venezuela
 
Brasil-Econômico (SP)
 
O principal exportador de armas da Rússia anunciou nesta ontem, que suas vendas aumentaram 10% em 2009 apesar da crise econômica, enquanto tenta captar clientes como Arábia Saudita, Líbia e eventualmente Afeganistão, e juntá-los aos compradores mais recentes como Venezuela.
 
As exportações da empresa estatal fabricante de armas Rosoboronexport chegaram a US$ 7,4 bilhões em 2009, um aumento de 10% com relação ao ano anterior, assinalou o diretor-geral, Anatoly Isaikin. "Este é um valor que nos permite pensar no futuro com otimismo", declarou Isaikin.

Os clientes tradicionais de armas russas são Índia, China, Argélia e Malásia, enquanto que Venezuela e Síria se tornaram os clientes mais recentes. A Rússia é o mais importante provedor de armas à Venezuela, após Washington restringir em 2006 a venda de armas a Caracas por considerar que o país não cooperava suficientemente contra o terrorismo.

Dmitry Vasilyev, que trabalha no Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, disse que as vendas de armas russas poderiam ser ainda mais significativas, se não fosse pela incapacidade da indústria nacional de fazer frente a "uma demanda muito grande" de armas russas.

Navio italiano partiu ontem de Fortaleza

Setenta e quatro brasileiros se integraram, ontem, à operação de ajuda ao Haiti, envolvendo Brasil e Itália

MARCUS PEIXOTO - Diário do Nordeste (CE)

Zarpou com destino ao Haiti, na tarde de ontem, o porta-aviões italiano Cavour, no qual embarcou uma missão conjunta envolvendo brasileiros e italianos que deverá prestar ajuda humanitária àquele País. O navio chegará à capital Porto Príncipe no próximo dia 2. Em Fortaleza, embarcaram 74 brasileiros, entre civis e militares, um deles o médico cearense Frederico Arnauld.

Ontem pela manhã, o navio atracou no Porto do Mucuripe, já transportando 889 pessoas, incluindo tripulantes, médicos, enfermeiros e paramédicos, além de oficiais do Exército, Aeronáutica e da Polícia italiana, bem como especialistas em engenharia que atuarão na reconstrução da cidade.

O embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Francesca, negou que a intervenção norteamericana nos portos e aeroportos de Porto Príncipe tenha gerado atrasos nas ações humanitárias, como a que está sendo realizada em parceria com o Brasil.

Cavour

O navio italiano possui um hospital emergencial, seis helicópteros, equipe médica e, para essa missão, transporta uma tropa de engenharia do Exército italiano, com capacidade para remoção de escombros e reparos leves em vias, assim como em redes elétricas e hidráulicas.

O hospital flutuante conta com 35 leitos, oito dos quais com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), além de equipamentos como tomógrafo. Tem capacidade para realizar procedimentos médicos bem mais complexos do que aqueles de hospitais de campanha. "Hoje, creio que estamos assistindo a um momento histórico, em que duas marinhas se unem numa operação humanitária", afirmou o comandante da Marinha da Itália, almirante de esquadra Paolo la Rosa.

Já o comandante da Marinha do Brasil, almirante de esquadra Júlio Soares de Moura Neto, evocou os laços fraternos com o povo italiano para a junção de forças, em vista a socorrer as vítimas da tragédia que se abateu sobre o Haiti.

Além de recursos humanos, o porta-aviões também transporta viaturas pesadas, para transporte de doentes, retirada de escombros e mais de 200 toneladas de alimentos. A ideia é de que os doentes sejam transportados de helicópteros até o navio.

De acordo com o subchefe de operações do Comando de Operações Navais (CON), contraalmirante José Aloysio de Melo Pinto, pelo menos no prazo de um mês, serão prioridades as cirurgias, daí a importância de anestesistas. Após esse período, haverá a rendição do atual efetivo e uma avaliação sobre as necessidades que existirão.

Mais R$ 270 milhões

Exército pede recursos para custear envio de 900 militares e equipamentos
 
Jornal de Brasília

O Exército Brasileiro informou ontem que vai precisar de mais R$ 270 milhões somente para enviar e estabelecer no Haiti os 900 militares e os equipamentos que serão empregados na nova unidade militar brasileira no país caribenho, devastado pelo terremoto do último dia 12, que deixou pelo menos 170 mil mortos, 200 mil feridos e 3 milhões de desabrigados.

A previsão é de que os 750 militares do Batalhão de Infantaria e os 150 da Polícia do Exército (PE) comecem a viajar a partir da segunda quinzena de fevereiro, indo se somar aos 1.266 soldados e oficiais da Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), constituída em 2004 com representantes de 30 países.

REFORÇO APROVADO

Proposto pelo Ministério da Defesa em resposta a um pedido da ONU — que decidiu ampliar em 2 mil militares e 1,5 mil policiais o quadro de 9 mil membros da Minustah — , o envio do reforço foi aprovado na segunda-feira pelo Congresso Nacional, que também aprovou que o Brasil mantenha reserva de 400 homens que se revezarão na missão de paz. Os custos do envio de mais esse grupo não está englobado nos R$ 270 milhões.

O Exército Brasileiro informou que os recursos pedidos ontem serão utilizados para a preparação das tropas, compra de material, viagem e estabelecimento do novo batalhão no país caribenho.
 
A cifra solicitada é mais que o dobro do valor pedido pelo Exército antes do dia 12. Até então, o comando da Força havia pedido R$ 102 milhões, valor que julgava suficiente para a manutenção do Batalhão de Infantaria (Brabatt) e da Companhia de Engenharia de Força de Paz (Braengcoy) que já se encontravam e que permanecerão no Haiti.

Ainda não está certo se, devido às graves consequências do terremoto, esse valor vai ser revisto.

No entanto,, de acordo com o Exército, parte desses R$ 102 milhões já estão sendo repassados à Força.

São R$ 64 milhões que o Exército vai empregar nas operação de emergência em território haitiano.

Operação naval será teste para ação conjunta

Roberto Godoy - O Estado de SP

A primeira missão do novo porta-aviões da Itália, o CVH Cavour, está sendo cumprida desde ontem em ação combinada com a Marinha do Brasil e, na prática, é um teste para o novo conceito de multifunção sobre o qual o navio foi projetado. A nau capitânia da frota entrou em serviço há apenas seis meses e vai ao Haiti convertido para cumprir missão humanitária. Seus caças de decolagem vertical e helicópteros de ataque ficaram para trás; o convés de voo foi ocupado por contêineres e módulos de um hospital de campanha. Ontem, em Fortaleza, no Nordeste brasileiro, embarcaram 6 médicos, 10 enfermeiros e 45 militares da Marinha acompanhados de 11 civis selecionados entre 400 voluntários. O grupo leva dois helicópteros, um Super Puma e um Esquilo. Há outras seis aeronaves italianas do mesmo tipo a bordo e 181 veículos diversos. Tudo será usado em missões de remoção de feridos, deslocamento de pessoal e apoio às ações da tropa em terra. Há 135 leitos hospitalares e um centro de terapia intensiva. Na quarta-feira o Cavour, de 28 mil toneladas, recebeu em alto-mar 1,2 mil toneladas de combustível transferidas pelo navio-tanque Gastão Motta.

28 janeiro 2010

Jobim diz que País estuda comprar ''vants'' de Israel

São veículos aéreos não-tripulados para monitorar Amazônia e pré-sal

Daniela Kresch - O Estado de SP

O Brasil estuda comprar veículos aéreos não-tripulados (VANTS) de tecnologia israelense para patrulhar a fronteira da Amazônia e monitorar a zona do Pré-Sal. Foi o que informou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no primeiro dos cinco dias de visita a Israel, durante os quais vai se reunir com a cúpula política e de segurança do país.

"O interesse pelos VANTS está vinculado à nossa estratégia. Eles são a melhor forma de monitorar a Amazônia, já que é impossível ter acesso à toda extensão da fronteira, de 12 mil quilômetros", afirmou Jobim. "A zona do Pré-Sal também é outra área crítica, naquela faixa entre Florianópólis e Espírito Santo, com 300 milhas náuticas de profundidade."

ASSÉDIO

Na visita a Israel, o ministro também irá conhecer as instalações das principais empresas de tecnologia de segurança israelenses, interessadas em vender produtos e serviços para a organização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Jobim admitiu que o País vem sendo assediado por vários países.

"O Brasil virou moda. Já fomos procurados por países como Itália, França, Estados Unidos. Só precisamos ter cuidado para não criar euforia. Temos de correr contra o tempo, e isso nós sabemos bem", brincou o ministro, assinalando que o Brasil não tem interesse em apenas comprar produtos de defesa estrangeiros. A ideia é que qualquer transação inclua tranferência de tecnologia.

"Vim a Israel mostrar a disposição que o Brasil tem de ter uma colaboração em termos de defesa. Mas sempre com a observação de que o Brasil não é comprador de instrumentos de defesa.

Aceitamos qualquer tipo de transação, mas sempre que esteja embutida a transferência de tecnologia, a capacitação nacional", assinalou.

A visita de Jobim coincide com a realização de um seminário de Segurança Pública que trouxe a Israel 21 comandantes da Polícia Militar e secretários de Segurança Pública de Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Ceará, Bahia e Mato Grosso. O giro do ministro por Israel também está sendo visto como uma espécie de preparação para a visita oficial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará ao país nos dias 14 e 15 de março.

Ontem, Jobim foi recebido pelo presidente Shimon Peres e pelo primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu. Com Peres, Jobim discutiu o fortalecimento das relações entre os dois países, um pouco abaladas com a recente visita, a Brasília, do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad.

Santos Lab fornecerá três aeronaves para ONU usar no Haiti

Chico Santos, do Rio - Valor

A empresa brasileira Santos Lab, do Rio de Janeiro, venceu concorrência internacional para o fornecimento de três aviões espiões não tripulados para as forças internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) que atuam na segurança do Haiti, chefiadas pelas Forças Armadas brasileiras.

Contratados antes do terremoto que arrasou a capital haitiana, Porto Príncipe, para monitoramento de áreas de tensão, os aviões poderão ser usados também como auxiliares do trabalho de reconstrução das áreas destruídas. O valor do negócio foi mantido em sigilo, mas o Valor apurou que foi pouco inferior a R$ 2 milhões.

A Santos Lab, pertencente ao administrador de empresas Gilberto Buffara Jr. e ao desenhista industrial Gabriel Klabin, concorreu com empresas dos Estados Unidos, Israel e Espanha. Segundo Buffara, a vitória foi obtida no preço. Outra vantagem do do veículo aéreo não tripulado (Vant) brasileiro foi o fato de já ser bastante conhecido pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, que deverá opera-los no Haiti. A Marinha já comprou e opera 32 unidades do Carcará, nome com o qual o avião foi batizado.

Segundo Klabin, desenhista dos equipamentos, os aviões vendidos à ONU representam a quarta geração do Carcará. Eles têm duas horas de autonomia, contra uma e meia das gerações anteriores.

Entre suas inovações está um sistema de pouso quase na vertical, com possibilidade de retomada em caso de necessidade e com controle do local de pouso. O pouso com paraquedas, mais comum entre os Vants, gera desvios de alvo e não permite retomada após iniciado o processo de descida. O avião, construído com espuma de polipropileno expandido (os concorrentes são de fibra de vidro, mais pesada), é equipado com câmaras noturnas e diurnas e opera a até 125 quilômetros do ponto de lançamento.
 
Buffara disse que os três aviões já foram entregues, mas só deverão começar a operar daqui a cerca de dois meses, após o treinamento das equipes da Marinha que irão comandá-los. Ele disse que os aviões da Santos Lab têm índice de nacionalização de 70% (em preço), sendo a parte importada, basicamente, formada pelos componentes do piloto automático que vêm dos Estados Unidos e de Israel.

A fábrica, no bairro do Rio Comprido (zona norte do Rio), tem nove empregados.

A Santos Lab, cujo nome combina homenagem a Santos Dumont com a abreviatura da palavra laboratório, nasceu em 2006, quando Buffara e Klabin decidiram transformar em negócio a construção de aeromodelos que faziam para se divertir. O Carcará, nome dado pela Marinha do Brasil, foi desenhado para operar na topografia acidentada do Rio de Janeiro, o que, segundo Buffara, o torna vantajoso para operar em regiões basicamente planas, como o território do Haiti.

Com 1,60 metro de envergadura, o avião opera a até 3.500 metros acima do alvo a ser monitorado, mas a eficiência das câmaras é melhor numa altura até 300 metros. O avião já prestou serviços às forças policiais do Rio de Janeiro no combate ao tráfico de drogas em favelas e vem sendo utilizado também em trabalhos de levantamento de áreas para agricultura e reflorestamento. Na Marinha, é usado em serviços de patrulhamento no litoral, evitando o deslocamento de embarcações.

Congresso atende Lula e aprova envio de mais tropas

Ministério da Defesa planeja levar de imediato 900 militares para o Haiti
 
Jornal do Brasil

Atendendo a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o contingente de militares brasileiros no Haiti, o Congresso Nacional aprovou ontem o envio de mais 1.300 militares brasileiros para o país caribenho atingido por um terremoto no dia 12 de janeiro. Mesmo de recesso, uma comissão representativa da Câmara e do Senado convocada para votar em caráter emergencial deu o aval para a ampliação da presença militar brasileira na região.

Alguns parlamentares, como o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), se posicionaram contra o envio de mais tropas: – Estou vendo meus irmãos morrendo aqui no Brasil sem uma palavra a favor deles. Está todo mundo assistindo, diariamente, o que é a situação da Haiti e não a situação do Brasil.

Eu sou contra porque o Haiti é aqui.
 
As críticas ao reforço do contingente militar, no entanto, foram minoria na comissão representativa.

– O Brasil é um país próspero, organizado. Temos diferenças de pontos de vista, mas somos capazes de enfrentar muitas tragédias e saímos de forma positiva de todas elas. Aqui não é o Haiti – rebateu o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).

Liderança O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que o reforço das tropas no Haiti é importante por mostrar a liderança do Brasil no comando das forças de paz das Nações Unidas.

– O Brasil tem que pagar o preço pela sua grandeza. O Brasil, sendo o maior país da América do Sul, pelo peso da sua grandeza, tem o custo e isso nós devemos pagar. Para as Forças Armadas é muito importante que tenhamos também participação internacional em favor da paz do mundo inteiro – analisou o peemedebista.

A ideia do Ministério da Defesa é enviar, de imediato, 900 militares para o Haiti.

Os outros 400 devem ficar de prontidão para seguirem ao Haiti se o governo brasileiro considerar a necessidade de um novo reforço de contingente, sem que o Congresso tenha que novamente aprovar o reforço das tropas.

Com agências

Brasil negocia aviões militares com Israel

InfoRel

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está em Tel Aviv onde negocia a compra de veículos aéreos não-tripulados (VANTS) que serão empregados na Amazônia e na faixa litorânea do Pré-Sal.

Jobim também vai conhecer as tecnologias israelenses de segurança e inteligência. Empresas do setor têm interesse em comercializar produtos e serviços de olho na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016.

Ele informou que o Brasil tem sido assediado por diversos países, mas que a política de defesa vai priorizar as parcerias que incluam a transferência de tecnologia.

O ministro permanece cinco dias em Israel e deve participar de um seminário sobre segurança pública.

Pelo menos 21 comandantes da Polícia Militar e secretários de segurança do Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, participam.

Além do encontro com autoridades de segurança do país, Nelson Jobim terá encontro com o chanceler israelense Avigdor Liebermann.

Neste domingo, o ministro encontrou-se com o presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

Nos dias 14 e 15 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visita Israel num giro que incluirá a Palestina e a Jordânia

Estado enviará 350 militares ao Haiti

O novo contingente incluirá, prioritariamente, voluntários de Santa Maria
 
Zero Hora

Agora é oficial: o Comando Militar do Sul (CMS) confirmou ontem à tarde que 350 militares de quartéis do Rio Grande do Sul irão para o Haiti, como parte do reforço de 900 homens (mais 400 de reserva) a ser enviado ao arrasado país caribenho. Os 350 sairão, prioritariamente, de Santa Maria – com experiência de uma participação na Minustah, a força de paz das Nações Unidas, em 2007.

Serão duas companhias – cada uma com 150 militares –, acrescidas de alguns reforços (cerca de 20 em cada uma delas) para perfazer o número de 350 pedido pelo Ministério da Defesa, em Brasília.

O grupo partirá em menos de um mês para o Caribe, unindo-se aos 1,2 mil brasileiros já no Hait.

O próximo passo, agora, é a inspeção de saúde dos voluntários da Companhia Mecanizada e da Companhia de Apoio – neste caso, para dar suporte logístico (comunicações, alimentação etc).

Caminhões, jipes e até mesmo blindados Urutu serão enviados junto com os soldados. Com os resultados dos exames médicos em mãos, o CMS fará a seleção final dos nomes e pedirá a emissão dos passaportes especiais para missões militares. Dois sargentos que se submeteram a treinamento em Brasília para os procedimentos burocráticos já retornaram ao Estado e tratarão da parte administrativa da missão.

– Prioritariamente, irão militares de Santa Maria que já estiveram no Haiti. Mas nada impede que peguemos, por exemplo, alguém que já dirigiu Urutu no Haiti e sirva em Santa Catarina. Se Santa Maria não tiver os 350, as vagas podem ser preenchidas por outros militares – diz o coronel Sylvio Cardoso, chefe da Comunicação Social do CMS.

Pelo cronograma do Exército, os militares de Santa Maria terão de ir ao Rio de Janeiro na próxima semana e se apresentar ao Centro de Instrução de Operação de Paz (Ciopaz). Lá, haverá treinamento – na verdade, uma reciclagem, porque a intenção é enviar oficiais e soldados que já estiveram no Haiti. Até a segunda quinzena de fevereiro, todos deverão estar prontos para partir rumo à nação caribenha.

Curso de reciclagem deve levar 15 dias

O Ciopaz é o único local de treinamento no Brasil para esse tipo de missão. O curso de reciclagem deve levar 15 dias. Os militares receberão aulas teóricas sobre legislação da Organização das Nações Unidas (ONU) e normas de conduta. A parte prática será específica, dependendo de cada função. Do total de militares, 750 serão de infantaria e 150 da Polícia do Exército (PE). Neste último caso, o contingente será do Rio de Janeiro.

Os 900 homens não deverão seguir juntos para o Haiti. Em razão da quantidade de efetivos e de equipamentos, as diversas companhias deverão partir em datas diferentes, em fevereiro.

Pelotão do TO integrará força de paz no Haiti

Jornal do Tocantins

Um pelotão com cerca de 35 soldados do 22º Batalhão de Infantaria do Exército no Tocantins receberá treinamento especial para integrar a força de paz do Brasil no Haiti, informou ontem o comandante militar do Planalto, general Luiz Adolfo Sodré de Castro em sua primeira visita ao Estado. O FMI informou que está enviando ao país, arrasado por um terremoto no último dia 12, ajuda de US$ 102 milhões, enquanto o Brasil estima que o socorro ao Haiti esteja perto de R$ 1 bilhão.

Peru reage à compra de 18 caças pelo Chile

O Estado de SP

O chefe do Conselho de Ministros do Peru, Javier Velasquez, disse ontem que seu país responderá "com serenidade", mas não se deixará levar "por uma corrida armamentista" impulsionada pelo Chile, que comprou 18 novos caças F-16. Na terça-feira, o comandante da Força Aérea chilena, Ricardo Ortega, declarou que as novas aquisições têm uma mensagem clara: "Não se metam comigo porque eu bato forte em quem me irrita."

Como sair do Afeganistão

Mauro Santayana - Jornal do Brasil

Estados Unidos estão dispostos a negociar com os talibãs, e o presidente do Afeganistão – cuja legitimidade é nenhuma, por ter sido imposto por Washington em uma fraude eleitoral – propõe uma série de condições para as conversações. Depois de mais de 1.600 baixas norte-americanas, sem contar com as das demais tropas invasoras, e de muito mais mortos entre os afegãos, os generais americanos Petraeus e McChrystal concluem pela impossibilidade de vitória pelas armas. Os aliados já pensavam assim, e se reúnem em Londres, a partir de hoje, para discutir o assunto. O presidente Obama, que concordara antes com o Pentágono, de que a vitória só seria obtida com mais soldados, enfraqueceu-se no episódio. A sua idéia era a de que, a fim de se retirar do Iraque, seria necessário aumentar a pressão no Afeganistão.

Ele não poderia ter atuado de forma diferente, já que recebera o conflito dos três presidentes que o precederam.

A guerra contra Saddam foi o grande erro estratégico do primeiro Bush. Admita-se que Washington, para garantir o suprimento de petróleo barato do Kuweit, tenha agido em defesa do emirado. Frustrada a tentativa de anexação, a diplomacia deveria ter procurado um modus vivendi com Saddam, o que não seria difícil. Bush continuou castigando o Iraque com seus bombardeios, mantidos pelo democrata Clinton, até que o outro Bush, o filho – ao acusar falsamente Saddam de envolvimento nos atentados de 11 de Setembro e de dispor de armas de destruição em massa – invadiu e ocupou o país.

O presidente Hamid Karzai – cuja iniciativa foi claramente ditada por Washington – apresentou um plano de conciliação política nacional, que começa com o gesto de boa vontade das Nações Unidas em retirar, de sua lista de terroristas, alguns líderes talibãs. Eles poderão movimentar suas contas bancárias, até agora congeladas, e influir sobre seus companheiros.
 
Em outro movimento, pretendem atrair combatentes do Talibã, com dinheiro vivo, a fim de enfraquecer o inimigo e forçá-lo às negociações. Parece mais difícil conseguir que os talibãs rompam com a Al Qaeda. Os chefes podem até prometer a ruptura, como estratagema político, mas há laços muito fortes entre Bin Laden e os líderes radicais.

O porta-voz dos talibãs, Zabiulah Mohammed, já declarou que, enquanto houver tropas estrangeiras no território muçulmano, não haverá conversações de paz. Que haja uma ou outra defecção, é provável, mas que elas signifiquem algum acordo é difícil. Seja como for, os Estados Unidos se encontram diante de outra derrota militar – e política. Seus generais entendem agora que, por mais tropas sejam enviadas para o território, não conseguirão dominar os radicais muçulmanos. A ação política poderia ter trazido resultados no passado. O sangue derramado e o dinheiro gasto ali para nada serviram.

Quando os norte-americanos deixarem o país – e o deixarão tão logo consigam – o episódio irá somar-se ao passivo da história da grande república, com seus crimes contra a humanidade, junto às derrotas, na Coreia, em Cuba e no Vietnã, entre outras. Foram guerras inúteis. Até lá, os afegãos e os invasores continuarão a morrer. Apesar das declarações em favor das soluções políticas, os americanos continuam defendendo o aumento das tropas estrangeiras, como meio de pressão para que os guerrilheiros talibãs desertem por dinheiro. Quanto mais tropas houver, mais resistência haverá.

Vamos assistir ao que vimos, há 35 anos, no Vietnã: as demoradas conversações entre os dois lados, até o momento do desespero que foi a retirada das tropas agressoras, em Saigon.
 
Os descendentes dos que perderam seus filhos, e dos que perderam seus pais, nas duas grandes guerras mundiais do século passado, têm por que se orgulhar de seu heroísmo. Eles morreram por uma grande causa. Os que os perderam no Vietnã, e os estão perdendo no Iraque e no Afeganistão, devem sentir-se aflitos em seu desconsolo. Seus filhos e pais morreram para que as grandes corporações, continuassem obtendo imensos lucros, distribuídos entre os executivos e as grandes famílias de bilionários ociosos.

27 janeiro 2010

Navio-hospital é cartão de visitas norte-americano

DO ENVIADO A PORTO PRÍNCIPE - Folha de SP

A imagem que os EUA tentam transmitir no Haiti não é apenas a de soldados armados, de óculos escuros e permanente cara de mau passeando por Porto Príncipe. É também a de Gabrielle Estalin, 12, passageira do USNS Comfort, navio-hospital da Marinha americana ancorado a quatro quilômetros da capital haitiana.

O Comfort é o principal argumento dos americanos para se apresentarem não como uma força de ocupação, mas de assistência. Um ex-petroleiro de 60 mil toneladas, o navio é bem visível de terra firme.

Gabrielle, ferida na perna esquerda quando um pedaço de muro de sua casa desabou, é uma dos 420 pacientes a bordo. Deitada numa cama, era atendida por uma médica apreensiva com a chegada de jornalistas que rapidamente a cercaram. "Estou bem", limitou-se a dizer Gabrielle bem baixinho.

A maioria dos pacientes chega de helicóptero, para aliviar os precários hospitais da capital haitiana. Ontem, a Folha visitou o navio a convite dos EUA, ao lado de jornalistas franceses e britânices.
 
De lancha, são 20 minutos até o Comfort, e no caminho a tripulação americana joga ao mar dois pacotes de "MRE" (refeição pronta para comer, na sigla em inglês) e tubos de protetor solar ao cruzar com um barco a remo com três haitianos.
 
"É a melhor coisa que eles vão comer pelos próximos anos", diz um dos tripulantes.
 
O navio chegou de Baltimore (EUA) na semana passada. "Estamos preparados para ficar seis meses aqui", diz o tenente Bashon Mann.

O navio tem dez salas de cirurgia e capacidade de tratar de lesões cranianas, fraturas, queimaduras e doenças como tétano, malária e tuberculose. A bordo, cem médicos e cem enfermeiras americanos.

"Nós temos capacidade para tratar mil pessoas, mas as camas superiores dos beliches não podem ser utilizadas em casos de fratura, que são a grande maioria", diz Mark Marino, diretor da enfermaria.

Desde que o navio chegou, cerca de 70 pacientes já tiveram alta. Outros dez morreram. E cinco bebês nasceram.

O governo dos EUA tomou o cuidado de fechar um acordo prévio com o do Haiti, para evitar qualquer tipo de questionamento quanto à nacionalidade deles. Quem nasce no Comfort é haitiano.
 
Modene Dalphin, 23, esperava sentada com uma máscara aguardando um exame de raio-X. A suspeita era de fratura numa das costelas. "Minha casa desabou. Quando sair daqui, não tenho para onde ir", declarou à Folha.

Exército requer R$ 270 mi para atender a ONU e enviar 900 militares

Folha de SP

O valor é o dobro dos R$ 140 milhões reservados no Orçamento da União deste ano para a participação brasileira em missões de paz. Mesmo o Congresso tendo autorizado o envio imediato do reforço, a tropa deve embarcar só na segunda metade de fevereiro. Desde o sismo, o Exército já gastou R$ 64 milhões no Haiti. A Marinha anunciou ontem que se uniu à Marinha italiana para missão de ajuda ao país. Amanhã, o porta-aviões Cavour atraca em Fortaleza para o embarque de 75 brasileiros.

Especialista indiano critica construção de submarino nuclear

Wilson Tosta - O Estado de SP

Construir um submarino nuclear sem dispor de armamentos nucleares, como pretende o Brasil, não faz sentido, adverte o cientista indiano Prabir Purkayastha, especialista em sistemas energéticos e energia atômica. Com participação prevista para amanhã no Fórum Social Mundial Grande Porto Alegre, ele afirma que o programa brasileiro de enriquecimento de urânio não agrada às grandes potências porque deixa ao País a opção política de fazer ou não artefatos. "A razão pela qual os países estão sendo forçados a assinar o Protocolo Adicional (Tratado de Não-Proliferação Nuclear, estabelecendo inspeções mais intrusivas) é colocar pressão sobre o Irã", diz ele, que é vice-presidente da All India Peace and Solidarity Organization, maior organização pró-paz indiana, e membro fundador da Coalition for Nuclear Disarmament and Peace e da All India Peoples Science Network, rede com mais de 500 cientistas ativistas da Índia.

O Brasil anunciou recentemente que construirá um submarino nuclear. Que tipo de consequência isso pode trazer para o País?

Penso que um submarino nuclear tem muito pouco propósito a não ser que seja visto como parte de um sistema de disparo de armamento nuclear. Sem armas nucleares, é difícil entender gastar dinheiro com brinquedos tão caros. O problema que temos agora no mundo é que os cinco Estados nucleares se recusam a se engajar no desarmamento nuclear, estão fazendo das armas nucleares moeda do poder internacional.

O Brasil poderá ter algum tipo de problema internacional por estar tentando ter um submarino nuclear?

Oficialmente, construir um submarino nuclear é programa nuclear civil, não um programa de armas. O problema é político e não legal.

O País fará duas usinas nucleares. É uma escolha correta?

Devido ao aquecimento global e às emissões de CO2, os países precisam manter aberta a opção nuclear. Algum dinheiro precisa ser investido nisso, ainda que por motivos econômicos.

Quais seriam as escolhas corretas na área energética?

Dados os recursos de longo prazo, a biomassa é um caminho óbvio.

Congresso autoriza Brasil a enviar até 1.300 militares adicionais ao Haiti

Ministério da Defesa
 
Brasília, 25/01/2010 - A Comissão Representativa do Congresso Nacional aprovou nesta segunda-feira, 25 de janeiro, em votações simbólicas, o Projeto de Decreto Legislativo que autoriza o envio de até 1.300 militares a mais, para reforçar o contingente brasileiro na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Atualmente, o Batalhão de Infantaria Força de Paz e a Companhia de Engenharia Força de Paz totalizam 1.300 militares no Haiti. Com a autorização dada, o efetivo brasileiro pode dobrar de tamanho.

Embora o Executivo tenha solicitado ao Congresso o envio de mais 1.300 militares, 900 homens é que deverão ser enviados em um primeiro momento, conforme sugestão da própria MINUSTAH. Desses 900, 750 serão militares de infantaria e os outros 150 da Companhia de Polícia do Exército. Os outros 400 ficarão formarão um contingente reserva para o caso de ser necessário um reforço adicional das tropas. O objetivo do governo ao pedir 1.300 foi ter uma margem para poder recrutar militares adicionais se for preciso.

Os 900 militares não embarcarão de imediato. Algumas etapas precisam ser cumpridas antes que eles desembarquem no Haiti. Inicialmente, as Nações Unidas precisam formalizar o pedido de aumento das tropas brasileiras. Por enquanto, o que existe é uma autorização do Conselho de Segurança da ONU, por meio da resolução 1908 (2010) ,que autoriza o aumento do efetivo geral da MINUSTAH em 3.500 homens, sendo 2.000 militares e 1.500 policiais, e uma sugestão da MINUSTAH para que o Brasil incremente sua participação na missão em 900 homens.

Formalizado o pedido da ONU, os militares terão que passar por um treinamento. Embora a preferência do Ministério da Defesa seja por militares que já tenham servido no Haiti e se apresentem voluntariamente para voltar ao país, eles terão de ser treinados antes de embarcar como fazem todos os contingentes que seguem para aquele país. E é necessário ainda que a MINUSTAH e o comando do Batalhão de Infantaria Força de Paz construam a infra-estrutura necessária para receber os militares que chegarão.

OPERAÇÃO CONJUNTA ENTRE AS MARINHAS DO BRASIL E DA ITÁLIA NO HAITI

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA
 
A Marinha do Brasil e a Marinha Militar da Itália acordaram em realizar uma operação conjunta em caráter de Ajuda Humanitária ao Haiti. Para essa operação será empregado o porta-aviões ou Navio-Aeródromo(NAe) italiano "Cavour", que está em trânsito da Itália para o Haiti.

Atendendo a oferecimento do Ministério da Defesa italiano, a Marinha do Brasil embarcará médicos e helicópteros naquele navio. O navio italiano, que foi projetado também para emprego em missões humanitárias em calamidades, conta com um hospital emergencial, aeronaves orgânicas, equipe médica e uma tropa de engenharia, com capacidade para remoção de escombros e reparos leves em vias, embarcada especialmente para esta missão.

A Marinha embarcará no "Cavour" dois helicópteros: um UH-14 Super Puma e um UH-12 Esquilo e duas equipes de Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) da Força Aeronaval, além de uma equipe médica, da Esquadra Brasileira, especializada em Evacuação Aeromédica (EVAM). Esses destacamentos somam um total de 15 oficiais e 44 praças, além de uma carga de cerca de 2,2 ton.

As aeronaves da Marinha do Brasil operarão em conjunto com as italianas em missões, principalmente, de evacuação aeromédica de feridos, além de outras possíveis, como transporte de pessoal e material, busca e resgate, apoio às tropas em terra, sejam as brasileiras da MINUSTAH como a tropa de engenharia italiana.

A equipe médica brasileira será composta por seis médicos e oito enfermeiros da Marinha, além de cinco médicos e seis enfermeiros civis, designados pelo Ministério da Saúde, em um total de 26 pessoas da área médica. Todos são voluntários. A equipe atuará em conjunto com os médicos italianos, a princípio, a bordo do navio, em procedimentos de socorro médico às vítimas resgatadas por helicópteros de terra.

A presente missão terá, para as equipes brasileiras, a duração de cerca de 30 dias, com o navio operando ao largo da costa do Haiti. Após este período, a depender da evolução e das necessidades vigentes então identificadas de apoio humanitário, será avaliada a manutenção da missão com a rendição das equipes.

O NAe "Cavour" atracará em Fortaleza (CE) na manhã de 28 de janeiro, próxima quinta-feira, e após o embarque dos helicópteros e das equipes brasileiras, reabastecimento de gêneros secos e frigorificados e água, suspenderá com destino ao Haiti, onde deverá chegar, a depender das condições de tempo e mar, em 1° ou 2 de fevereiro. Entretanto, ainda no primeiro dia de navegação, após o suspender de Fortaleza, aquele porta-aviões será reabastecido, no mar, de combustível e querosene de aviação pelo Navio-Tanque "Almirante Gastão Motta", da Esquadra Brasileira. Vale lembrar, que esse é o mesmo navio que reabasteceu no mar os navios brasileiros e franceses, na operação de busca e resgate decorrente do acidente com a aeronave do vôo 447 da Air France.

O Capitão-de-Fragata Flávio Eduardo de Souza Cardoso será o chefe do contingente brasileiro que embarcará no NAe "Cavour"; a equipe médica brasileira será chefiada pelo Capitão-de-Fragata (Médico) Alvaro Figueiredo Bisneto; e a Ala Aeronaval pelo Capitão-de-Corveta Carlos Renato Benzi Zamprogno.

Os representantes da imprensa estão, desde já, convidados a embarcar no navio, durante a atracação em Fortaleza, onde haverá uma entrevista coletiva com a participação do Embaixador da Itália, a confirmar, do Comandante do navio e de representantes da Marinha do Brasil, seguida de uma visita àquele porta-aviões. O Centro de Comunicação Social da Marinha efetuará as coordenações e credenciamentosnecessários a esse evento.

"ALMIRANTE SABÓIA PARTE PARA O HAITI EM 1º DE FEVEREIRO"

O Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) "Almirante Sabóia", recentemente incorporado à Armada brasileira, estará seguindo nos próximos dias para o Haiti. A Marinha do Brasil disponibilizara o navio desde o início do esforço brasileiro de ajuda àquele país e aguardava decisão quanto à carga e momento de transportá-la. Concluída a fase do transporte prioritário das equipes e do material emergencial, cuja necessidade de rapidez e a sua natureza menos volumosa e mais leve indicavam o transporte aéreo como o mais apropriado, é chegado o momento do transporte de material mais volumoso e pesado. Assim, foi decidido o emprego do navio pela coordenação interministerial da ajuda ao Haiti, permanecendo, naturalmente, o necessário esforço aéreo atual.

O carregamento do navio está previsto para o período de 27 a 31 de janeiro, no Rio de Janeiro, e suspenderá em 1° de fevereiro, próxima segunda-feira, com uma carga de cerca de 700 ton de material para as tropas da Marinha (Fuzileiros Navais) e do Exército Brasileiro e de ajuda humanitária ao povo haitiano. O NDCC "Almirante Saboia" chegará ao Haiti em 17 de fevereiro e permanecerá em operação na área por cerca de 30 dias em apoio às ações humanitárias e às tropas da MINUSTAH.

Outro navio da Marinha do Brasil, o NDCC "Mattoso Maia" está disponível para o transporte de até 1.500 ton de carga e deverá suspender ainda em fevereiro, após receber sua carga. O Centro de Comunicação Social da Marinha divulgará, oportunamente, maiores detalhes a respeito dessas viagens.

22 janeiro 2010

Armas estrangeiras no Brasil

Josué Souto Maior Mussalém - Jornal do Commércio (PE)

O Brasil sempre usou armas importadas da Europa e dos Estados Unidos. Logo após a Primeira Guerra Mundial foi dada ênfase à criação dos esquadrões de aviões para o Exército e para a Marinha do Brasil. Na época não existia a Força Aérea Brasileira (FAB), a qual seria criada em 1941.

Assim, a Aviação Militar, que pertencia ao Exército, e a Aviação Naval, que pertencia à Marinha, usaram aparelhos de fabricação francesa e americana, mas com forte ênfase nos modelos franceses.

O Exército também adotou canhões de 75 mm da marca Schnaeider, de fabricação francesa, e a doutrina de combate foi toda estruturada na Missão Militar Francesa, que esteve no Brasil de 1919 até junho de 1940, quando a França capitulou junto aos alemães na Segunda Guerra Mundial...

Nos anos 30, o Exército também comprou uma pequena quantidade de carros de combate da marca Renault e outro tipo da Ansaldo, os primeiros de fabricação francesa e os segundos de produção italiana. Em 1932, o Brasil adquiriu cerca de 100 mil fuzis belgas à Fabrica FN. No ano de 1938, o Exército Brasileiro celebra com a Fábrica Krupp, da Alemanha, o maior contrato externo feito por aquela empresa, comprando nada menos do que 1.088 canhões de diversos calibres, desde os de campanha 75 mm, 105 mm e 155 mm, até os antiaéreos 75 mm e 88 mm, este último que seria o mais temido canhão antiaéreo da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Durante o período de 1941 a 1945 as compras brasileiras de armamento voltaram-se para o único arsenal disponível do mundo, que eram os Estados Unidos. No período, recebemos uma imensa quantidade de armas leves e pesadas, além de 5 mil viaturas motorizadas, sem falar em 450 aviões e 24 navios de guerra. Em 1945, o Brasil era a mais moderna potência militar da América Latina. Em 1952, Getúlio Vargas autoriza a compra de dois cruzadores para a Marinha de Guerra e de 71 caças a jato ingleses Gloster Meteor, para a FAB.

Em 1957, Juscelino autoriza a compra do porta-aviões Minas Gerais, na Grã-Bretanha, e caças F-80 americanos, para a FAB. O Exército compra 300 tanques M-41 nos Estados Unidos. Nos anos 70, a FAB volta-se para a França e adquire 17 caças Mirage, supersônicos, além de um certo número de aviões de treinamento avançados Fouga Magister, alguns deles designados para a Esquadrilha da Fumaça.

Nos anos 70, a FAB compra 42 caças-bombardeiros supersônicos aos EUA, os quais estão sendo remodelados. Nos anos 80, a Marinha compra torpedos ingleses e mísseis antinavio franceses, os famosos Exocet. Finalmente, em 2010, o presidente Lula vai ter que decidir entre caças franceses e caças suecos.

Lula, para agradar Sarkozy (ou seria Carla Bruni???), quer os caças Rafalle, a FAB quer os caças Grippen. Qualquer que seja a opção, vai dar o que falar...

Josué Souto Maior Mussalém é economista

Brasil corre para alocar contingente militar extra

DO ENVIADO A PORTO PRÍNCIPE - Folha de SP

Embora tenha no início titubeado quanto ao aumento de tropas da Minustah, o Brasil agora decidiu correr. Em dois dias, o comando do contingente brasileiro da força de paz da ONU já definiu local para os 900 novos soldados previstos (outros 400 ficam em situação de espera e poderão ser acrescentados no futuro). Será um novo batalhão, o Brabatt 2, ao lado do atual.

A terraplanagem já está feita, e os contêineres que abrigarão quartos, banheiros, escritórios e refeitório começarão a ser montados em breve. "Isso pode ser feito em 15 a 30 dias no máximo", diz o comandante do Brabatt, coronel João Batista Bernardes.

Atualmente, o Brasil tem cerca de 1.200 militares na força de paz e já gastou R$ 700 milhões em cinco anos. O contingente extra, portanto, poderá mais do que dobrar o efetivo. O reforço será prioritariamente empregado na segurança.

A novidade, segundo o comandante, é que parte do novo efetivo poderá ser enviado para outras partes do país. Atualmente, todo o batalhão brasileiro serve em Porto Príncipe. "Isso dependerá de uma avaliação ainda da questão de segurança", afirmou Bernardes.

"Guerra psicológica"

O aumento do efetivo ocorre após a chegada de cerca de 10 mil soldados americanos na cidade. O Brasil não gostou de ver a presença de tantos fuzileiros navais dos EUA no aeroporto e em pontos estratégicos como o palácio presidencial.

"Os americanos têm um senso muito agudo de imagem, e são conhecidos por fazer muito bem guerra psicológica", declarou o comandante.

O contingente brasileiro da Minustah também recebeu informações de que os americanos avançam em outras frentes de propaganda. Uma delas é a distribuição de bandeiras dos EUA, que começaram a aparecer com maior frequência pela cidade. Também se atribuem aos americanos algumas pichações em muros pedindo a saída da Minustah.

O Brasil também está incomodado com demonstrações ofensivas de presença americana em algumas áreas. Bernardes afirmou que no máximo pode haver "reconhecimento de terreno" por parte de fuzileiros navais. Ou seja, patrulhas e passeio a pé. Nada mais.

"Reconhecimento de terreno a pé é normal e esperado. Mas patrulhas motorizadas em pontos como Cité Soleil (maior favela da capital haitiana) são exclusividade da Minustah", afirmou o comandante do batalhão brasileiro. Também há permissão da força da ONU de que os EUA respondam com tiros se forem atacados. Segundo Bernardes, qualquer procedimento dos americanos que fuja dessa orientação será denunciado ao comando da Minustah.

(FZ)

Dassault rebate ataques de concorrentes

Empresa francesa nega ter oferecido Rafale por metade do preço à Índia

Denise Chrispim Marin - O Estado de SP
BRASÍLIA

Favorita do governo brasileiro no processo de compra de 36 novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), a francesa Dassault reagiu ontem aos recentes ataques das concorrentes ? a norteamericana Boeing e a sueca Saab ? ao preço dos jatos Rafale.

Amarrada pelo sigilo sobre sua oferta, a companhia não dá indicações sobre o valor que propôs ao Brasil. Mas diante dos ataques quebrou o silêncio e agora assegura que dados divulgados e as comparações feitas pelas suas adversárias não fariam sentido.

As desvantagens do preço e do custo da hora de voo do Rafale teriam sido apontados no relatório da FAB de setembro de 2009. O mesmo relatório colocou o caça francês no terceiro e último lugar da concorrência e deu munição à Boeing, fabricante do F-18, e à Saab, do Gripen. A assessoria de imprensa da Dassault reiterou o compromisso do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que o preço de venda do caça Rafale ao Brasil será compatível ao de entrega à Força Aérea da França.

No último dia 7, um novo relatório foi entregue pelo Comando da Aeronáutica ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. Seu conteúdo é mantido sob sigilo. Concentrado na tragédia do Haiti, Jobim ainda não apresentou sua conclusão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomará a decisão final sobre a compra dos caças. Entretanto, colaboradores do presidente asseguram que a escolha já foi tomada: será o Rafale, por se encaixar em um projeto maior de defesa do governo, que envolve uma parceria estratégica com a França.

ÍNDIA

Ontem, a Dassault contestou as versões de que estaria fora da concorrência aberta pela Força Aérea Indiana (IAF) e de que sua oferta de preço para a Índia seria quase a metade da apresentada ao Brasil. A empresa alegou que não há definição oficial do valor total da concorrência ? extraoficialmente, avalia-se que chegará a US$ 10 bilhões. O Ministério da Defesa confirmou ontem que o valor dependerá da escolha a ser tomada e que não foi definido um teto.

Depois, a Dassault reconheceu que, em abril de 2009, foi excluída da concorrência da IAF. Mas, em maio, pôde voltar à disputa, que ainda está em fase de avaliação técnica. O governo indiano observa o processo de decisão brasileiro.

Por fim, a Dassault explicou que, em cada contrato de venda, a dimensão do estoque de peças de reposição e o período do apoio logístico variam, conforme os requisitos do comprador, e alteram o cálculo do preço final. De acordo com essa argumentação, comparações ligeiras não seriam confiáveis.

Últimas apostas para vender caças

Franceses, suecos e americanos adotam novas estratégias de convencimento

Leila Suwwan - O Globo

BRASÍLIA. Com o fim da avaliação técnica, as três finalistas da concorrência brasileira para a compra de 36 caças que serão usados pela Força Aérea Brasileira (FAB) adotaram neste ano novas estratégias para tentar influenciar a decisão política do governo, que já anunciou sua preferência pelo Rafale, da francesa Dassault. A Boeing, segunda colocada na avaliação da FAB e escolha mais improvável do governo, prometeu incluir a Embraer no desenvolvimento da nova geração dos caças F-18.

Os suecos, que oferecem o Gripen NG da Saab e contam com a preferência da Aeronáutica, mantêm contatos com empresas brasileiras e enviarão seu chanceler ao país em fevereiro.
 
Os franceses, mais discretos, preferem os contatos diretos entre governos, mas começam a reagir à onda de críticas quanto ao preço de seu caça, único problema que ameaça sua vantagem aos olhos do governo. O valor unitário do Rafale, dentro do pacote de especificações brasileiras, é desconhecido. A Dassault apenas repete, há meses, que o preço oferecido ao Brasil é compatível com o cobrado da Força Aérea francesa.

Segundo a Dassault, "preço compatível" é o termo usado pelo presidente Nicolas Sarkozy em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o 7 de Setembro, quando os dois anunciaram a negociação direta para a compra dos Rafales. O Brasil pressiona pela redução do valor. A Boeing sustenta que o SuperHornet é cerca de 40% mais barato. A Saab estima que o Gripen NG é algo entre a metade ou um terço do preço francês.

Ambas se baseiam em concorrências de outros países.

A FAB nunca mencionou valores, e a estimativa preliminar, há um ano, era de um investimento total de US$ 2 bilhões, cifra reconhecidamente insuficiente para bancar a parceria com a França.
 
Hoje, a avaliação geral é a de que o negócio pode chegar a US$ 5 bilhões. O governo brasileiro deve pagar uma entrada de cerca de 20%, e o restante será financiado. O único governo que não oferece o empréstimo é o dos EUA, o que a Boeing reconhece como uma fraqueza.
 
Enquanto a França discute esse empecilho, a Boeing partiu para uma campanha mais agressiva.
 
Entregou ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, no dia 9 de dezembro, a promessa de incluir o Brasil no projeto de modernização do SuperHornet, que deve estar pronto em até 2020. A proposta tenta desbancar uma das grandes vantagens da Saab, que convidou o Brasil a desenvolver o Gripen NG. O caça escolhido deve ser entregue em 2014 e voará por 30 anos.

Famílias de militares receberão R$ 500 mil

Além de indenização, governo dará bolsas de estudos. Presidente participa de homenagem
 
O Globo
 
BRASÍLIA. Com os caixões perfilados e cobertos pela bandeira do Brasil, na Base Aérea de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu ontem aos 18 militares mortos no Haiti a Medalha do Pacificador e agradeceu por terem representado o país "com o sacrifício da própria vida".
 
Lula disse que os militares cumpriram a "mais nobre missão" humanitária já feita pelas Forças Armadas brasileiras. Hoje, o governo envia ao Congresso um projeto de lei que cria o auxílio especial e a bolsa de estudos para os familiares dos militares.

O auxílio, no valor de R$ 500 mil, será pago a cada uma das famílias. A bolsa, de R$ 510 mensais, será paga aos dependentes estudantes até os 24 anos. Os militares mortos foram ainda promovidos post mortem.

— A História confirmará que o sacrifício de nossos heróis e a dor das famílias não terão ocorrido em vão — afirmou Lula, que ficou com a voz embargada.

Acompanhado da primeiradama Marisa Letícia e do comandante do Exército, Enzo Peri, Lula cumprimentou os parentes dos mortos, abraçando-os demoradamente.

No discurso, ele lamentou a morte da fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e do diplomata Luiz Carlos da Costa, vice-chefe da missão de paz da ONU no Haiti. O presidente disse que os brasileiros souberam conviver harmoniosamente com haitianos.

— O soldado brasileiro nunca foi confundido com invasores.

Ao final da cerimônia, os 136 familiares e amigos amparavamse mutuamente.

— Foi tudo muito bonito, mas não adianta — lamentava Camila Martins, viúva do major Márcio Guimarães Martins.

19 janeiro 2010

Defesa anuncia plano de socorro ao Haiti

InfoRel

Nesta quarta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, acompanhado pelos comandantes do Exército e da Marinha, se reuniu com os militares brasileiros no Haiti.

No avião em que chegaram a Porto Príncipe, também foram transportadas 14 toneladas de alimentos e água aos haitianos.


Na manhã desta quinta-feira, o Comando do Exército informou que o número de mortos entre os militares passou de 11 para 14. Sete ainda são dados como desaparecidos.


De acordo com o ministério da Defesa, o Brasil identificou os cinco problemas considerados mais graves do Haiti neste momento e que serão atacados pelas forças de paz: sepultamento dos mortos; socorro médico aos feridos; remoção de destroços; reforço da segurança nas operações; e distribuição de suprimentos, principalmente água e comida.


O plano foi definido em conjunto pelo ministro Nelson Jobim, o general Floriano Peixoto, que comanda a missão da ONU no Haiti, os comandantes do Exército, general Enzo Peri, e da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, o comandante do batalhão brasileiro em Porto Príncipe, coronel João Batista Bernardes, o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, a embaixatriz Roseana Kipman, o ministro-interino da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Rogério Sotili, e o representante do ministério da Saúde Guilherme Franco Neto.


Na avaliação de Jobim, como a população haitiana confia nos militares brasileiros, cabe ao Brasil empreender iniciativas próprias de socorro enquanto se busca o reforço dos demais países e organismos internacionais em apoio ao Haiti.


Segundo ele, “não podemos esperar; se há problemas, temos de passar por cima dos problemas". Nesta quinta-feira o ministro discutirá o plano com o presidente do Haiti , René Préval, e com líderes religiosos.


Acompanhado dos comandantes militares, Jobim também visitou as tropas atingidas pelos desabamentos. Muitos estavam feridos e outros deprimidos pela perda de companheiros. 


"Sabemos do trabalho que vocês realizam aqui, a embaixatriz nos contou do empenho com o qual vocês ajudam nas atividades sociais. Viemos trazer os nossos parabéns e os nossos agradecimentos, e esperamos a pronta recuperação de vocês", disse o ministro.
 

Principais ações

1) Escombros - O Batalhão de Engenharia do Exército deverá receber reforço de 15 engenheiros e equipamentos pesados da construtora OAS, que realiza obras no Haiti e se ofereceu a ajudar nas ações emergenciais. As equipes trabalharam na remoção de escombros de prédios destruídos, para liberar o trânsito, e para resgatar corpos e feridos ainda vivos. A obstrução das ruas no primeiro dia impediu o deslocamento de máquinas para os pontos de maior gravidade, onde o socorro só podia ser feito por civis e militares que chegavam a pé. Também serão enviados 50 bombeiros brasileiros, com cães farejadores;


2) Atendimento médico - Há um colapso nos serviços de saúde, já que os hospitais também desmoronaram. Em frente do batalhão brasileiro há um acampamento de pessoas que buscam socorro. Diante das limitações de meios, os militares brasileiros socorreram as que apresentam maior gravidade e montaram um hospital de emergência sob a cobertura de uma garagem. Nesse cenário de guerra, iluminado por holofotes de emergência, cerca de 70 pessoas são atendidas dia e noite por médicos militares. Algumas estão mutiladas.


De imediato, foi determinado à Aeronáutica o envio de um hospital de Campanha, operado por 40 profissionais de saúde e com mil metros quadrados. A expectativa é de que seja embarcado nesta quinta-feira, do Rio de Janeiro. Também deverá ser enviado hospital de campanha da Marinha. O Ministério da Saúde também já embalou kits de medicamentos para atendimento básico de 10 mil pessoas, e a partir das avaliações da comitiva complementará com outros produtos. Foi solicitada também às autoridades norte-americanas ajuda imediata com medicamentos e também o envio de médicos e hospitais de campanha.


3) Corpos - Há grande preocupação com a existência de cadáveres abandonados nas ruas, o que pode provocar epidemias. Algumas pessoas estão sepultando seus mortos em encostas, com risco de exposição dos cadáveres nas chuvas. As autoridades brasileiras irão propor ao governo haitiano que indique uma área para instalação de um cemitério, para que os engenheiros brasileiros ajudem nos sepultamentos.

Um cuidado especial será tomado com os praticantes do Vodu, religião com forte presença no Haiti. Os parentes não aceitam que toquem em seus mortos enquanto não forem concluídos seus rituais. Nesse caso, a saída será os engenheiros abrirem as covas no novo cemitério e oferecer aos familiares para que eles próprios procedam aos rituais e o sepultamento naquele local, em condições sanitárias adequadas.


Os brasileiros mortos estão em câmara frigorífica do Brabatt. A ONU cuida dos procedimentos burocráticos necessários ao traslado para o Brasil. O procedimento é necessário para evitar que haja atrasos na tramitação dos processos de indenização às famílias.


4) Suprimentos - Há falta de água e comida para a população. O Brasil começa hoje a enviar ajuda ao Haiti e outros países prometem o mesmo. Mas é necessário montar uma estrutura de armazenamento e distribuição dos alimentos. Ainda hoje o Brabatt deverá concluir levantamento de áreas para armazenamento e de pontos de distribuição nas comunidades.


5) Segurança - Será necessário reforçar a segurança dos comboios de ajuda humanitária e de distribuição de alimentos e de ajuda médica. A avaliação é que, com o agravamento da situação, a população desesperada possa saquear os comboios e invadir os hospitais de campanha, o que paralisaria o trabalho de socorro. Mesmo antes do terremoto, já fazia parte da rotina dos militares fortalecer a segurança das equipes que distribuíam comida e brinquedos nos eventos em Porto Príncipe.

Abalo histórico para o Exército

Zero Hora

A força da natureza acabou gerando nos soldados brasileiros mais traumas do que todas as incursões militares realizadas após a II Guerra Mundial.

Nunca, em tempos de paz, o Exército do Brasil sofreu um revés como o provocado pelo terremoto no Haiti. Tanto que, ao visitar o Batalhão Brasileiro em Porto Príncipe, ontem, o ministro da Defesa Nelson Jobim ressaltou que “muitos estavam deprimidos pela perda de companheiros”.


Os 14 mortos, quatro desaparecidos e 14 feridos contabilizados pelo Exército são uma derrota histórica, para um inimigo contra o qual não há preparo bélico possível. Desde a última guerra mundial, quando o país perdeu mais de 400 militares na Itália em luta contra os nazistas, não morriam tantos pracinhas brasileiros em ação.


– Estamos no Haiti desde 2004, levando tiro, e nunca tivemos um combatente morto pelo inimigo, nunca fomos derrotados em combate. Para desastres climáticos, não há treino que prepare. Um militar não espera que o teto desabe sobre sua cabeça – desabafou o general da reserva Gilberto Figueiredo, presidente do Clube Militar, entidade porta-voz oficial das Forças Armadas.


O gaúcho Figueiredo está correto. O desastre provocado pelo terremoto não tem precedentes nem no Haiti, nem nas outras Missões de Paz nas quais o país se envolveu desde a II Guerra. Em Angola, onde soldados brasileiros permaneceram por três anos, o Brasil perdeu três militares – dois por malária, um abatido a tiros por saqueadores. Em Moçambique, não ocorreram baixas fatais, tampouco em Timor Leste, para ficar nas incursões recentes.


Nelson Düring, diretor do site especializado Defesanet.com.br, nota que a tragédia no Haiti acontece numa missão em que tudo deu certo para o Brasil. Ele diz que o pânico das Forças Armadas é ter de explicar à nação quando caixões com militares começarem a desembarcar.


– O curioso é que o túmulo de tantos soldados, agora, tenha sido o Ponto 22. Justamente o local da maior vitória brasileira no Haiti, o forte conquistado em fevereiro de 2007 às gangues, coroando a missão maior dos brasileiros, de dar segurança àquele povo – lamenta Düring.

Ideais e salário atraem brasileiros a missão

No Haiti, soldados ganham mais do que no Brasil e podem economizar maior parte do dinheiro, pois não têm despesas

País já gastou R$ 703,6 mi em esforço de paz no qual tem o comando e incluiu previsão de despesa de R$ 140 mi no Orçamento deste ano


LUIS KAWAGUTI

DO "AGORA"
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Foha de SP
 

Crescimento profissional, oportunidade de participar pela primeira vez de operações "reais", idealismo e pagamento em dólares são os fatores que levam militares brasileiros a se voluntariar para a missão de paz no Haiti.

Só militares de carreira podem se candidatar a uma vaga no contingente brasileiro da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti).


Isso significa que as Forças Armadas não levam ao Haiti os recrutas do serviço militar obrigatório. Segundo o Exército, sempre há mais candidatos para ir ao país caribenho do que vagas. A seleção é feita por critérios de tempo de serviço e desempenho nos treinamentos no Brasil.


"Servi para viver uma operação real e para diminuir a angústia daquele povo", disse o coronel de cavalaria reformado José Ricardo Aizcorbe, que esteve no Haiti em 2005.


O salário financiado pela ONU é outro atrativo, variando segundo patente e função. Um soldado é remunerado com US$ 972 mensais, que equivalem hoje a R$ 1.652. No Brasil, esse salário não passa de R$ 1.340. O salário para um coronel que sirva no Haiti chega a US$ 4.500 Como cada militar fica por seis meses no Haiti (e praticamente não há despesas durante a missão), a maioria se inscreve para voltar com uma poupança ou comprar um imóvel.


"Um médico estuda seis anos para operar, mas ele tem que ter um paciente ou vai ficar frustrado. Um militar do Exército tem que ir para o conflito. Além disso, no Haiti você ganha o triplo do seu salário", disse o major reformado Nélson Ricardo Fernandes, que serviu no Haiti em 2005. Alem disso, segundo ele, outros atrativos fortes são o nome da ONU e o ambiente multicultural vivenciado em uma missão como essa.
 

Gastos

Em seis anos de participação na Minustah, o governo brasileiro já gastou um total de R$ 703,58 milhões com o envio e manutenção de tropas. No ano passado, o Brasil utilizou 62% do montante previsto com missões de paz, sendo que a principal missão é no Haiti.


Para este ano, o Orçamento já aprovado pelo Congresso (e que está aguardando sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) reservou um valor recorde. Serão R$ 140 milhões, um acréscimo de 10% sobre os R$ 125 milhões previstos inicialmente no ano passado.


Mas esse é o valor orçado pelo governo, não necessariamente o gasto. Em 2009, por exemplo, foram efetivamente gastos apenas R$ 79,52 milhões na rubrica "participação brasileira em missões de paz", segundo o site Contas Abertas.


Isso equivale a 62% do dinheiro orçado. O restante passa a ser denominado "restos a pagar", podendo ser gasto em 2010. O governo não informou a razão de não ter usado todo o dinheiro previsto.


A Minustah é a principal missão de paz internacional integrada pelo Brasil, mas há outras (no Timor Leste, por exemplo), em que os contingentes são bem pequenos.

O Brasil tem o comando da tropa e o principal contingente, com 1.266 militares. No total, a missão da ONU no Haiti tem Orçamento anual de US$ 638 milhões, o que significa dizer que o Brasil sozinho responde por cerca de 12,5% desse total.


De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, entre as principais razões para o Brasil chefiar a parte militar da Minustah estão a tradição de participar em missões de paz que têm autorização do Conselho de Segurança e contam com o consentimento do estado anfitrião (o pais já mandou tropas a Suez, Angola, Timor Leste, entre outros), o valor do 4º artigo da Constituição sobre a "defesa da paz" e a identificação entre os países, que possuem problemas estruturais semelhantes.


Contudo, a Folha apurou que, além dessas razões, pesaram na decisão de participar da missão o interesse do país em uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e a possibilidade de treinar tropas em situação de combate real, tendo parte das despesas reembolsadas pela organização.