31 março 2010

A escolha do avião supersônico


Luiz Marinho - Correio Braziliense

Entre 15 e 18 de março, chefiei, como prefeito de São Bernardo do Campo, delegação em visita à Suécia. Nossa cidade poderá acolher parte da produção do Gripen, avião de caça supersônico sueco.

Suécia, França e EUA estão na disputa pelo fornecimento dos aviões que servirão para a defesa do território do Brasil nas próximas décadas. A escolha é de competência do presidente da República, do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, mas espero contribuir na tomada de decisão, passando minhas impressões sobre a proposta sueca.

O Gripen não tem nada de "avião de papel", como se especulou no Brasil. Tive oportunidade de voar e conhecer in loco o processo de produção. O que está no papel é o desenvolvimento de nova geração de aeronaves, e é isso que a Suécia quer compartilhar com a engenharia brasileira, militar e civil.

A imprensa divulga que os custos por ano de vida útil do Gripen são bem inferiores aos dos concorrentes. Isso é importante. Não podemos desperdiçar divisas. Mas o que determina a escolha vai além do preço. Somos um país pacífico e assim continuaremos. Nosso desafio é combinar nossa diplomacia com uma estratégia de defesa e soberania nacional, bem como com uma industrialização avançada. Nesse ponto, a proposta sueca mostra-se bastante interessante ao Brasil.

Metade da aeronave será produzida no Brasil e metade na Suécia. O Brasil produzirá até 80% da estrutura mecânica e 40% da engenharia de projetos. Os componentes aqui fabricados não poderão ser produzidos na Suécia e em nenhum lugar do mundo. Será uma dependência recíproca. A Força Aérea Brasileira e o setor privado nacional participarão desde os estágios iniciais do projeto. Empresas brasileiras – como a Embraer — produzirão a fuselagem traseira e central, as asas, os displays e o trem de pouso e as portas para as unidades produzidas no Brasil, na Suécia e no resto do mundo.

O desenvolvimento de equipamentos de guerra tem impacto muito além da área militar. Muitos dos projetos da aviação civil, passando pela área de infraestrutura, até utensílios domésticos derivam de tecnologias militares. No caso do Gripen, a transferência tecnológica é clara. A primeira etapa é a familiarização do produto e treinamento de pilotos, engenheiros e técnicos brasileiros por meio de intercâmbios programados com a Suécia. A segunda é o que se denomina de treinamento on-the-job, que é o aprender na prática. A assistência técnica no Brasil e os pacotes específicos de tarefas são outras fases da transferência.

A formação de um cluster aeroespacial e de defesa contribuirá fortemente para a transferência tecnológica. Visitamos o Parque Tecnológico da Universidade de Linköping. Ali, pesquisa básica e aplicada transforma-se em inovações e empreendedorismo de pequenas empresas, que, por sua vez, se inserem nos projetos do governo e da grande empresa.

Ao optar pela fabricação dessa aeronave no Brasil, serão necessários 2.090 empregos por ano na fase do desenvolvimento; 2.770 no processo de fabricação e 1.000 na montagem. São 5.860 empregos por ano. Número que pode ser multiplicado, quando se considera também o impacto indireto.

A maioria desses postos de trabalho terá elevada capacitação. Em função dos efeitos positivos do projeto, sindicalistas suecos deixaram claro o apoio à parceria com o Brasil. O que importa é a perspectiva de longo prazo.

Fomos recebidos pelo Ministério da Defesa, Ministério do Desenvolvimento, partidos políticos, universidades, prefeitos, empresários e sindicalistas. Fui convidado a uma audiência com o rei Carl Gustaf e a rainha Silvia. A deferência não representa benevolência com o Brasil. A Suécia é potência não alinhada e tem interesses em alcançar novos mercados de exportação. Os suecos veem o Brasil como potência em ascensão, com facilidade de penetração em mercados estratégicos. Para além dos US$ 4,5 bilhões envolvidos com a compra pelo Brasil de 36 supersônicos Gripen, o que está na mesa são valores bem superiores já que objetivo é a conquista de novos mercados internacionais.

O Brasil pode intensificar a negociação e melhorar a proposta. A decisão final caberá ao presidente da República. Mas é fundamental que toda a sociedade brasileira discuta os prós e os contras. Afinal, é o nosso voo rumo ao futuro que está em jogo.

Com setor bélico deficiente, Rússia compra armas

Por ANDREW E. KRAMER - The New York Times

MOSCOU - Até pouco tempo atrás, as exportações militares da Rússia perdiam em volume apenas para as dos EUA. Na Rússia de hoje, porém, a indústria de equipamentos militares, que movimenta US$ 40 bilhões, está encolhendo, ao lado do setor de manufatura civil.

Armamentos russos antes legendários vêm sofrendo problemas constrangedores de controle de qualidade. Recentemente, por exemplo, a Argélia devolveu um carregamento de jatos MIG devido a defeitos nos aviões. Uma reforma de porta-aviões encomendada pela Índia está com atraso de quatro anos e já superou seu orçamento previsto em centenas de milhões de dólares.

E, no que talvez seja o sinal mais claro de problemas, os próprios militares russos começaram a votar com seus rublos: Moscou está em negociações com a França para adquirir quatro navios de assalto anfíbios franceses.

A aquisição dos navios de classe Mistral será "o sinal mais evidente de deficiências na indústria de defesa russa", disse Dmitri Trenin, analista militar do Centro Carnegie Moscou, organização de pesquisas políticas.

Fora da Rússia, esse contrato potencial vem provocando preocupações geopolíticas. Críticos dizem que a França está prejudicando seus aliados europeus orientais da Otan, deixando o dinheiro falar mais alto.

Mas a oposição ao contrato tem sido quase tão feroz no interior da Rússia -e ela parte dos defensores da indústria armamentista.

Ao mesmo tempo em que o setor manufatureiro militar encolheu para 4,28% do PIB no ano passado - contra 20% na época do comunismo -, as Forças Armadas russas continuaram a depender de fornecedores domésticos para praticamente todo o seu arsenal.

Para alguns especialistas, o declínio começou com o fim da União Soviética. Quando a Rússia se tornou capitalista, afirmam, o mesmo aconteceu com sua indústria militar, privatizada de maneira aleatória.

Com o passar do tempo, isso afetou a qualidade. Grandes empresas que herdaram contratos de exportação com China, Índia e Oriente Médio lucraram com designs e componentes mais antigos, mas pouco fizeram no sentido de se modernizar.

O fim dos generosos orçamentos militares soviéticos foi outro fator que levou à paralisia nas fábricas de tanques e aviões. E muitos engenheiros emigraram, deixando uma força de trabalho que está perto de se aposentar.

Mais recentemente, o setor sofreu os efeitos de um problema econômico insidioso conhecido como a "doença holandesa" - quando um aumento da receita obtida com recursos naturais (no caso da Rússia, petróleo e gás natural) provoca a valorização da moeda de um país, encarecendo suas exportações.

Isso tem minado a competitividade dos exportadores de armas russas. O rublo se valorizou durante a maior parte da década, antes de mergulhar na crise. Mas já está voltando a se valorizar. Mesmo com todos esses problemas, contudo, algumas empresas conseguiram abrir seu capital.

A United Aircraft, a empresa que reúne os fabricantes dos aviões de combate MIG e Sukhoi, tem capitalização de mercado de mais de US$ 2 bilhões, segundo a analista industrial Marina Alekseyenkova, do banco de investimentos moscovita Renaissance Capital.

A pergunta é: será que Moscou vai comprar dessas empresas relativamente bem-sucedidas? Até agora, os gastos militares domésticos foram distribuídos pela gama inteira de fornecedores militares russos, para manter a ilusão de autossuficiência do país. Isso implicou no gasto de dinheiro com produtos de qualidade inferior, como os walkie-talkies fabricados na Rússia.

As vendas externas de armas russas caíram muito desde o início da crise global, em 2008, segundo relatórios. Nesse ano, a Rússia vendeu US$ 3,5 bilhões em armas em todo o mundo, contra US$ 10,8 bilhões em 2007. Foi um valor muito inferior ao dos EUA, cujas empresas venderam armas no valor de US$ 37,8 bilhões nesse ano -68% das vendas globais de armas.

No mundo em desenvolvimento, onde a Rússia superou até os EUA em exportações militares em 2004 e 2006, sua participação teve uma queda imensa - de 25,2% de todas as transações em 2007 para 7,8% em 2008, o último ano para o qual há cifras disponíveis.

Enquanto se esforça para conservar seus clientes, a Rússia não pode se dar ao luxo de continuar a investir em toda a enorme gama atual de armas produzidas no país, disse Trenin, do Centro Carnegie. Como mostram as negociações em torno do Mistral, a Rússia não tem outra opção senão tornar-se tanto vendedora quanto compradora.

"Como a Alemanha ou qualquer outro país, a Rússia vai competir e colaborar no bazar global de armas", disse Trenin.

Com vocação para servir


Alistamento no serviço militar é obrigatório no país, mas 95% dos recrutados são voluntários

IURI DE CASTRO TÔRRES
DA REPORTAGEM LOCAL - Folha de SP

Até 30 de abril, em todo o país, cerca de 1,6 milhão de jovens que completam 18 anos em 2010 terão de se alistar nas Forças Armadas do Brasil.

O ritual, obrigatório por lei, já está no inconsciente coletivo dos garotos que se aproximam da maioridade.

Histórias de gente que serviu sem vontade, o exame médico em que todos ficam pelados e o tio que conhece alguém no Exército para "dar um jeitinho" são parte da cultura jovem masculina há muito tempo.

Mitos e verdades à parte, não é preciso entrar em desespero por ter de servir.

Atualmente, a obrigatoriedade é bastante relativa, já que, segundo o Ministério da Defesa, 95% dos convocados são voluntários, ou seja, na seleção, pedem para servir.

"Como há funções com aptidões específicas, temos de chamar jovens que pedem para não servir, mas que preenchem bem essas exigências. Mas conseguimos completar a maioria das vagas com os voluntários", diz Eduardo Hamaoka, major responsável pela seção de oficiais temporários do Exército na região Sudeste.

É o caso de André Lima, 18, que o Folhateen encontrou no alistamento da Junta Militar da Vila Mariana, em São Paulo.

"O Exército valoriza boa condição física e, como sou atleta, acredito que tenho boas chances", diz Lima, que é corredor de longas distâncias.

Felipe da Silva, 17, quer seguir os passos do irmão, que está no Exército há cinco anos. "É uma carreira boa, que ensina disciplina", afirma.

O pai de Roberto Benedetto, 17, foi alpinista no Exército da Itália, mas o filho não tem vontade de seguir seus passos, pois prefere continuar estudando.

"O serviço militar deveria ser optativo", diz Benedetto, que quer estudar medicina.

"É um diferencial na vida dos recrutas. Aprende-se disciplina, educação, camaradagem e trabalho em equipe, coisas que não estão à venda no mercado", defende o major Hamaoka.
A lei do serviço militar foi promulgada em 1964, mas a obrigatoriedade do alistamento existe desde as capitanias hereditárias, no século 16.

Quem não se alista fica em débito com a lei. Michel Reich, 26, por exemplo, mora na Bélgica há oito anos e só foi regularizar sua situação recentemente, pagando multa. 

Rotina pesada

Apesar de não ser mais uma opção de carreira fixa, pois os jovens têm tempo máximo de permanência, o serviço ainda atrai quem quer melhorar de vida, como David Marcondes, 19, que fará cursos técnicos enquanto serve.

A Folha visitou o oitavo Batalhão de Polícia do Exército, próximo ao parque Ibirapuera, em São Paulo.

No dia, a atividade era a "menina dos olhos da corporação", segundo o capitão Rafael Estral - aprender a manusear corretamente um fuzil.

Durante quatro semanas, os recrutas ficam em regime de internato: acordam às 6h, arrumam o alojamento, fazem o treinamento físico-militar e frequentam aulas. O "dia" termina às 21h.

A Brigada de “Operações Burocráticas”


Valmir Fonseca Azevedo Pereira - InfoRel

A recente investida do Ministro da Defesa em ampliar sua equipe de "estrategos" vai ao galope de encontro do "Estado Grande e Boçal" preconizado pelo petismo e abençoado pela candidata Dilma.

O Ministério da Defesa conta hoje com 931 cargos de DAS e prevê a criação de 647 novos cargos de confiança na estrutura do Ministério da Defesa.
São os chamados de Direção e Assessoramento Superior (DAS), vagas de livre escolha do Ministro, sem concurso.

Na prática, constatamos que o Ministro e o Ministério incham, enquanto as Forças Singulares mínguam,... conforme o planejado.

De acordo com o renomado jornalista Alexandre Garcia: "A melhor maneira de derrotar um exército, sem precisar dar um tiro, é cortar-lhe os suprimentos.

O Exército Brasileiro já recebeu 80 mil recrutas por ano. Hoje recebe metade disso. Por ano, apresentam-se 1.300.000 jovens. Já imaginaram se houvesse recursos para incorporar todos?

Um exército de tremendo poder de dissuasão. E, mais do que isso, 1.300.000 jovens das classes mais pobres fora das ruas, das drogas, com três refeições por dia, preparo físico, assistência médica e dentária, aprendendo civismo, disciplina, obediência às leis e à autoridade e aprendendo uma profissão?

Seria o maior programa social do país".

Mas, enquanto isso, o dia - a - dia nas casernas é o de economia de guerra,m menos tropas, menos recursos, meio – expediente, menos manobras, menos profissionalismo, menos nacionalismo, menos vergonha, no entanto, muito mais Ministério da Defesa, com muito mais "assessores".

Forças menos aptas, com menor capacidade de atuação, com autoridades militares desprestigiadas, e um vaidoso à frente, fardado, grandiloqüente, cercado por janízaros e com poderes de vida e morte sobre a carreira dos profissionais.

Um todo poderoso, temível, terrível,... conforme planejado na END.

Esta é a triste história das Instituições Militares Permanentes, soterradas na falta de respeito ao seu glorioso passado, e que na atualidade são o trampolim para vaidades e cabides de emprego.

Aos poucos, a pequena parcela da população que era inoculada com os valores e as virtudes militares foi escasseando e, assim, perde o Estamento Militar um tímido e cada vez mais restrito testemunho de sua excelência.

A caserna, independente do grau hierárquico de seus integrantes, despertava naqueles jovens padrões de excelência de reconhecida valia para a sua formação e vivência.

Contudo, não satisfeitos com a subserviência das autoridades militares, empolgados com a pusilanimidade percebida, seguem em frente, até quando, nem o "magnânimo molusco" sabe, pois o céu é o limite.

O segmento militar pode não ter recursos mínimos para uma sobrevivência decente, mas, certamente, o Ministério os terá para pagar os vencimentos da sua "Brigada de Burocratas".

A medida é politicamente correta uma vez que muitos reclamavam que a sociedade civil estava desligada dos assuntos militares.

De acordo com o tenebroso gerente da defesa, mais vale um "aspone na mão do que um bando de soldados rastejando no campo". Dito isso, virou as costas, e foi – se. 

Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada reformado

Soldado tem surto psicótico em quartel e atira nos colegas de farda


Ninguém ficou ferido. O acusado está sendo avaliado por médicos em Belém

O Liberal

Um soldado da 8ª Divisão do Exército, no município de Itaituba, teve um surto psicótico e efetuou vários disparos de fuzil contra outros militares do quartel. Ninguém foi ferido, mas Washington Douglas de Oliveira, autor dos disparos, foi imobilizado e preso em flagrante. Ele será internado no Hospital Geral do Exército de Belém para avaliação clínica e será encaminhado para tratamento psiquiátrico. O tiroteio aconteceu no dia 10 de março e a Justiça Militar determinou a instauração de um Incidente de Insanidade Mental para apurar as circunstâncias do caso.

Segundo nota mandada à imprensa pela Seção de Comunicação Social do Comando da 8ª Região Militar e 8ª Divisão de Exército, o soldado Washington iria assumir o serviço de guarda no quartel quando, de repente, começou a disparar tiros de fuzil contra os outros militares da guarda. Acredita-se que ele tenha sofrido um surto psicótico.

Tenente médica retorna do Haiti e relata dramas


LUCIARA SCHNEID - Correio do Povo

Após sete meses e oito dias no Haiti e um período no Rio de Janeiro, a tenente Daniella Gil, de 34 anos, que atua no Posto Médico de Guarnição de Pelotas, está de volta à cidade. Atualmente, se divide entre o atendimento no local e as aulas do mestrado em Ciências da Saúde, na Universidade Federal do Rio Grande.

Integrante da Missão de Paz do Brasil no Haiti, Daniella estava lá durante o terremoto ocorrido em 12 de janeiro. Ficou mais de 72 horas sem dormir para atender as vítimas, entre elas crianças gravemente feridas e gestantes. "A gente não teve tempo de chorar nossos mortos, tinha que ajudar quem precisava e tinha chance de sobreviver", diz, ao se referir aos 18 militares que morreram na tragédia.

A tenente retomou as atividades em Pelotas após um período de licença do Exército, que aproveitou para ficar com a família no Rio de Janeiro. "Quando voltei, meus pais diziam que estava muito retraída. Foi uma experiência diferente, de confinamento. Mas eu estou bem, com a sensação de missão cumprida. No tempo em que estive lá, consegui desenvolver um trabalho que valeu a pena", afirma. 

A médica conta que, dos 11 partos realizados após a tragédia, duas recém-nascidas receberam seu nome. "Depende das oportunidades, mas pretendo voltar lá um dia. Gostaria de conhecer as Daniellas mais velhas", diz. Durante a tragédia, a militar atendia no consultório montado em contêineres, quando sentiu tudo tremer. Saiu à rua para ver o que tinha acontecido. "Alguém falou: ''É um terremoto''.

Em seguida, chegou um soldado com ferimentos leves, mas rapidamente começaram a aparecer haitianos machucados, alguns até com pernas amputadas. De repente era uma quantidade tão grande que não tínhamos mais capacidade para atender e outros militares começaram a ajudar", conta.

As condições eram precárias e os pacientes recebiam socorro no chão, na areia. Adultos e crianças chegavam a todo momento. Muitos com fratura exposta e necessitavam de cirurgia. O problema era onde, se os hospitais que restaram não tinham condições de receber ninguém. No dia 12 de janeiro, Daniella atendeu um paciente atrás do outro, cerca de cem pessoas. Sobreviveram 70. Muitos dos médicos da Missão de Paz foram para a rua resgatar os feridos. A região mais alta do Haiti, onde ficavam as casas da elite, foi a mais atingida.

A médica conta que às 5h uma grávida entrou em trabalho de parto e a criança nasceu no chão.

"No meio daquele caos, uma alegria ver uma vida chegando, dando esperança para a gente", frisa. A gestante sangrou muito. "Conseguimos controlar a hemorragia. Mantive as duas, a mãe e a menina com a gente até ficarem bem, mas me dei conta que elas não tinham para onde ir, como o resto", acrescenta. 

No dia seguinte ao terremoto, uma enfermaria foi improvisada, ainda na areia. A instalação do Hospital da Aeronáutica permitiu, depois, a transferência dos pacientes para procedimentos delicados. "O Brasil mandou mais 700 homens após o terremoto. O que a gente espera é que o país consiga se reerguer", afirma.

Carioca, ela participou de treinamento antes de vir para Pelotas, sua segunda opção para trabalhar. A primeira era sua terra natal. "O Rio Grande do Sul tem tudo, além de os gaúchos serem muito simpáticos", diz. Daniella tem amiga aqui e salienta que sempre gostou do estilo de vida do povo, por isso quis vir.

Colégio Militar comemora 98 anos


Pedro Revillion - Correio do Povo 

Alunos, ex-alunos, professores, familiares e militares participaram, no último sábado, das festividades comemorativas ao aniversário de 98 anos do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), uma das mais tradicionais escolas do Estado. O público aplaudiu as apresentações da banda do colégio, composta por alunos e ex-alunos, além do desfile dos atuais estudantes do CMPA e do Batalhão da Saudade, composto por 800 exalunos.

Também foram homenageados os estudantes que despontaram com as melhores notas no Ensino Fundamental, a partir do 6 ano; e no Médio. Georgia Rohde, 17 anos, esteve entre os agraciados. Ela cursa o 3 ano do Ensino Médio e pretende prestar provas nos concursos do Instituto Militar de Engenharia (IME), que forma oficiais para o quadro de engenheiros do Exército, e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). "É uma honra estudar aqui e receber medalhas por ter me destacado com boas notas", disse. Atualmente, são 1,1 mil alunos estudando no CMPA, entre meninos e meninas. Segundo o diretor de Comunicação da escola, coronel Leonardo Araujo, a instituição pública federal é reconhecida pela excelência no Ensino, que a leva a ter os melhores índices de aprovação na Ufrgs, com 57% dos formandos do 3 ano. Gilmar Bossler, pai de aluno, reforça a qualidade da escola, "que tem professores capacitados para o ofício". Em seu pronunciamento, o comandante e diretor, coronel Antônio de Souza, ressaltou o trabalho desenvolvido, enaltecendo as tradições e os valores defendidos.

Marinha do Brasil seleciona músicos. Remuneração chega ao valor de

O Dia
 
A Marinha anunciou seleção pública para o Curso de Formação de Sargentos Músicos do Corpo de Fuzileiros Navais. São oferecidas 24 vagas. As inscrições começam no dia 3 de maio e devem ser feitas através do www.mar. mil.br/cgcfn, no link 'Concursos'.
 
A taxa de inscrição é de R$ 44. Para se candidatar é preciso ter entre 18 a 24 anos de idade (em 2011). Durante o curso, os aprovados vão receber remuneração de R$ 510, além de ajuda de custo.
 
Ao fim da capacitação, o soldo vai para R$ 2.300.

Justiça quer relatório da TAM em 48 horas

Juíza determina prazo e pode enquadrar chefe do Cenipa; Procuradoria quer documento para decidir inquérito do maior acidente aéreo do País

Bruno Tavares e Fausto Macedo - O Estadao de S.Paulo

A juíza Paula Mantovani Avelino, da 1.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, deu prazo de 48 horas para que o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), encaminhe cópia assinada e rubricada do relatório final sobre a tragédia do voo 3054 da TAM, sob pena de enquadrá-lo por crime desobediência.

O pedido atende a solicitação do procurador da República Rodrigo De Grandis, que aguarda o documento para decidir se oferece denúncia (acusação formal à Justiça), pede novas diligências ou arquiva o inquérito aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar responsabilidades no maior acidente aéreo do País. O desastre ocorrido em 17 de julho de 2007 no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, deixou 199 mortos.

A investigação da PF concluiu que os pilotos da TAM foram os únicos culpados pela tragédia. O relatório do Cenipa, no entanto, indica que as dificuldades de operação em Congonhas, a pressão silenciosa da companhia aérea para que se evitasse pousar em aeroportos alternativos em dias de chuva, as condições meteorológicas adversas naquele dia e até a conjuntura da crise aérea tiveram influência negativa sobre a tripulação, que num descuido teria deixado de seguir o correto procedimento para o uso das manetes (espécie de aceleradores do avião).

Resistência

. Os militares relutam em ceder relatórios para processos judiciais por entenderem que têm caráter exclusivamente preventivo, como pregam as entidades internacionais de investigação de acidentes aeronáuticos. Para a juíza, no entanto, "o não atendimento da diligência, após decorrido lapso temporal tão extenso, configura resistência injustificada ao cumprimento de expressa ordem judicial, além de grave ofensa aos princípios constitucionais ordenadores da administração pública".

Em outubro do ano passado, a magistrada já havia fixado prazo de 30 dias para que o Cenipa apresentasse cópia do relatório final do acidente. Entretanto, o material juntado pelos militares ao processo teria vindo sem assinaturas ou rubricas dos responsáveis pela apuração. Em sua petição, De Grandis sustenta que, dessa forma, o documento não tem valor jurídico.

Procurado ontem, Kersul disse que não se opõe a entregar o relatório ao Ministério Público Federal (MPF). "Fiz contato com o gabinete do De Grandis na semana passada porque queria uma cópia do pedido dele, que até hoje não recebi", assinalou. "Não temos nada a esconder, mesmo porque está tudo no site do Cenipa."

Cremação

. No mesmo despacho, a juíza deferiu pedido da família de Aline Monteiro Castigio, uma das vítimas da tragédia, para cremar fragmentos identificados recentemente pelo Instituto Médico-Legal (IML). Funcionária da TAM, a comissária de 28 anos embarcou no voo 3054 para voltar das férias no interior do Rio Grande do Sul.
O professor universitário Dário Scott foi o primeiro familiar de vítimas do voo 3054 a conseguir autorização judicial para exumar o corpo da filha única, Taís, de 14 anos. Logo após o acidente, ele sepultou fragmentos corporais no Cemitério da Lapa, na zona oeste de São Paulo. Em maio do ano passado, Scott foi informado pelo IML da descoberta de mais fragmentos.
 
A luta para exumar os despojos, reuni-los com os fragmentos do IML e fazer uma cerimônia de cremação durou quase um ano.

Helicóptero militar brasileiro parte para resgate de refém das Farc

Do UOL Notícias* - Em São Paulo

Um helicóptero militar brasileiro partiu nesta terça-feira (30) em uma missão humanitária para receber um soldado colombiano que deve ser libertado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), após mais de 12 anos como refém da guerrilha.

Após três horas de atraso em função do clima ruim, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que militares brasileiro partiram para o resgate do militar colombiano Pablo Emilio Moncayo, capturado em 21 de dezembro de 1997, aos 18 anos de idade.

O helicóptero, comandado pelo coronel brasileiro Carlos Aguiar, que já participou de outras missões de libertação de reféns das Farc, decolou do aeroporto de Florencia, na Amazônia colombiana, às 11h15 no horário local (13h15 no horário de Brasília).

"Já vamos saindo seis brasileiros, dois membros da Cruz Vermelha, monsenhor [Leonardo Gómez], um médico e eu", publicou minutos antes em seu twitter a senadora colombiana Piedad Córdoba, que media as negociações entre a guerrilha e o governo.

Do lado brasileiro, apenas militares participam diretamente da operação, para oferecer apoio logístico, mas as negociações foram orientadas pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

O helicóptero decolou entre os aplausos dos integrantes da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), movimento liderado pela senadora Córdoba, e da Associação Colombiana de Membros da Força Pública Detidos e Libertados por Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz).

Antes de partir, o coronel Aguiar disse à Agência Efe que as condições climáticas não eram as melhores, mas assegurou que ele e seus companheiros estão "treinados" para enfrentar esse tipo de situação.

"É muito motivador e satisfatório poder contribuir com esta operação", acrescentou.

Segundo resgate

A operação de hoje acontece dois dias depois da libertação do soldado Josué Daniel Calvo, solto pela guerrilha no domingo, em local não identificado na zona rural do departamento de Meta, território colombiano, e entregue a delegados da Cruz Vermelha, em operação que também contou com helicóptero brasileiro.

Moncayo, o refém a ser libertado hoje, é o sequestrado que por mais tempo esteve em poder das Farc. Ele ganhou notoriedade também depois que seu pai, Gustavo, inciou uma série de caminhadas pelo país, sempre carregando correntes, para sensibilizar a sociedade para a questão da guerrilha.

Segundo a guerrilha, Moncayo será o último refém que as Farc libertam por decisão unilateral, e os cerca de 20 reféns restantes só serão soltos mediante uma troca humanitária.

Assembleia da OEA no Peru vai ter armamentismo como tema

DA FRANCE PRESSE

O ministro das Relações Exteriores do Peru, José García Belaúnde, criticou ontem, na OEA (Organização dos Estados Americanos), a "lógica perversa" do armamentismo em países da América Latina, e anunciou que a próxima Assembleia Geral da organização - entre 6 e 8 de junho, em Lima - irá debater esse tema.

Belaúnde apresentou uma proposta de declaração que será discutida no encontro, na qual os membros da OEA expressam "desejo de promover a transparência e limitação gradual na aquisição de armas". O texto diz ainda que esses recursos poderiam ser usados no desenvolvimento da região.

O chanceler citou Chile e Venezuela como exemplos de países sul-americanos que geram preocupação nos vizinhos pela aquisição de novos armamentos.

O representante do Brasil na OEA, Ruy Casaes, lamentou que o tema escolhido pelo Peru não tenha "unanimidade entre todos os países-membros".

Segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz, o gasto militar na América Latina aumentou 150% entre 2005 e 2009.

Brasil discute com EUA criação de base no Rio

Objetivo seria reforçar combate ao narcotráfico e ao contrabando, sempre sob o comando de brasileiros

Rui Nogueira, Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA

Por sugestão da Polícia Federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a proposta de criação de uma base "multinacional e multifuncional" que teria sede no Rio de Janeiro.

A base formaria, com duas já existentes, em Key West (EUA) e em Lisboa (Portugal), o tripé de monitoramento, controle e combate ao narcotráfico e contrabando, principalmente de armas, além de vigilância antiterrorista.

Douglas Fraser passou o dia de ontem em Brasília. Após reunião de trabalho e almoço com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante americano encontrou-se com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

A PF já tem um adido de inteligência trabalhando na base de Key West, na Flórida. O Planalto está para decidir se o adido junto à base de Lisboa será um delegado federal ou um oficial da Marinha.

A base no Rio, assim como as outras duas, não admite operações sob comando de estrangeiros.

Os países que aceitam participar dos programas de cooperação de combate ao crime organizado enviam adidos que atuam sempre sob supervisão dos agentes do país soberano sobre a base. A ideia é que com a base da Flórida, que vigia de perto o tráfico no Caribe, e a de Lisboa, que exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base brasileira sirva como posto avançado de monitoramento do Atlântico Sul.

Tragédia.

Key West é uma base aérea e naval que atua em cooperação com os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. Desde 1989, possui força-tarefa de inteligência que conduz operações contra o narcotráfico no Caribe e na América do Sul. Foi de lá que partiu o primeiro avião de resgate no caso da tragédia do voo AF 447, da Air France, em junho passado, no litoral do Brasil, perto de Fernando de Noronha. Notificada do acidente, a base mobilizou o adido brasileiro, que providenciou o início do socorro.

O grupo de agentes da força-tarefa de Key West tem como objetivo combater o cultivo, a produção e o transporte de narcóticos. Os governos britânico, francês e holandês contribuem com o envio de navios, aeronaves e oficiais. O grupo reúne ainda representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países latino-americanos.

A presença dos Estados Unidos na região começou em 1823, com o objetivo de combater a pirataria local. Foi usada inicialmente como patrulha de operações submarinas e como estação de treinamento aéreo, utilizada por mais de 500 aviadores na época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em 1940, ganhou a designação de base aérea e naval.

Em Lisboa, a base naval fica à margem do Rio Tejo, no Perímetro Militar do Alfeite. Foi criada em dezembro de 1958.

Fraser também veio ao Brasil para organizar a viagem do secretário de Defesa dos EUA, prevista para meados de abril. A visita é retribuição da viagem de Jobim aos EUA, em fevereiro, em Nova York.
 
Em pauta, a cooperação estratégica militar entre os dois países, a compra de caças pelo Brasil e o interesse dos EUA em adquirir aviões de treinamento - a Embraer produz o Supertucano. A americana Boeing produz o F-18, Super Hornet, que está entre os três classificados na concorrência da FAB.

26 março 2010

Parlamentares do Kuwait opõem-se a negócio para compra de caças franceses

AFP
 
No domingo, um bloco parlamentar islâmico no Kuwait alertou o governo contra a compra planejada de aviões de guerra Rafale, feitos na França, dizendo que o negócio era "suspeito".

"O bloco reitera sua firme rejeição deste negócio suspeito, especialmente após informações de que os últimos relatórios técnicos recomendaram a rejeição do negócio", disse uma declaração pelo Bloco de Reforma e Desenvolvimento.

A declaração por escrito não disse por que o negócio era considerado suspeito, e não há comunicação oficial de que o Kuwait estivesse reconsiderando a compra.

Em novembro último, entretanto, alguns parlamentares da oposição tinham afirmado que o contrato proposto estava superinflacionado. Uma equipe técnica do ministério da defesa está avaliando o negócio, mas suas conclusões ainda não foram divulgadas.

"Alertamos o governo contra desperdiçar dinheiro público em negócios suspeitos," disse o porta-voz do bloco, parlamentar Waleed al-Tabtabai.

O agrupamento político compreende quatro parlamentares islâmicos que tem feito campanha contra vários negócios propostos de armas, especialmente o negócio para até 28 aeronaves de combate Rafale. O parlamento do Kuwait tem 50 membros eleitos.

A declaração também disse que, até então, nenhum país do mundo tinha comprado Rafales. Muitos países expressaram interesse no caça de combate multi-tarefa, mas nenhum negócio foi fechado.

Na semana passada, o Ministro da Defesa, Xeque Jaber Mubarak al-Sabah, disse que o negócio dos Rafale permanecia uma prioridade para o Kuwait.

Em novembro, o parlamento do Kuwait votou unanimemente para solicitar ao grupo independente de contabilidade Audit Bureau que investigasse três negócios de armas planejados com os Estados Unidos e a França, que um legislador disse valerem bilhões de dólares.

Os negócios incluem a compra planejada de um número não especificado de aeronaves de transporte Hercules, feitos nos EU, uma fábrica de munições, e os caças Rafale.

Em outubro, o Kuwait e a França assinaram um novo acordo de defesa e discutiram detalhes do negócio dos Rafales.

O Xeque Jaber disse, após conversas em Paris, que o Kuwait teria "orgulho" em ter o jato supersônico Rafale para suas forças armadas em algum tempo futuro.

Disse que tinha dado luz verde para o Rafale, e passado o assunto às equipes técnicas para exame detalhado.

Durante uma visita ao Golfo em fevereiro de 2008, o Presidente francês Nicolas Sarkozy disse que tinham sido iniciadas discussões com o Kuwait para vender entre 14 e 28 Rafales, que são feitos pela Dassault Aviation, da França.

Taiwan recebe compensação por falha nos Mirage 2000

AFP
 
A Força Aérea de Taiwan informou no dia 21 de março que recebeu mais de US$ 3 milhões em peças e serviços de manutenção, por causa de falhas apresentadas na sua frota de Mirage 2000.

A compensação foi feita em novembro, por problemas nas rachaduras nas pás de várias turbinas dos Mirage, o que fez com que a Força Aérea reduzisse consideravelmente o número de horas de voo de treinamento. O Ministério da Defesa informou que a frota de Mirage voltou a atingir os padrões de prontidão estabelecidos.

A Dassault Aviation faz o avião, mas a empresa responsável pelas turbinas é quem pagou os custos, afirmou a Força Aérea. Taiwan tem 56 Mirages 2000.

O caça Gripen NG é a opção mais barata

entrevista Ake Svensson
Isabel Fleck - Correio Braziliense

Apesar de a comitiva sueca, liderada pelo rei Carl XVI Gustaf, ter se apressado em afirmar que a visita do monarca e da rainha Silvia ao Brasil não foi motivada pela concorrência F-X2, ninguém nega que a presença do casal real, que chegou na tarde de ontem a Brasília, pode ser providencial em um momento de decisão. Integram a comitiva o ministro da Defesa, Sten Tolgfors, e o secretário de Comércio Exterior, Gunnar Wieslander ambos se reuniram, na segunda-feira, com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim e o presidente da Saab, Ake Svensson, que estará presente em praticamente todos os compromissos da delegação.

O itinerário do casal real deixa claro que a visita foi adaptada para reforçar as qualidades do Gripen NG, caça que concorre com o norte-americano F-18 Super Hornet e o francês Rafale na concorrência da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, o rei participará de um seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e visitará a sede da Embraer em São José dos Campos.

Em entrevista ao Correio, Svensson afirmou que a comitiva destacará ao governo brasileiro os benefícios de sua proposta em especial, a grande diferença no preço de aeronaves tecnicamente compatíveis. E essa diferença de preço é ainda maior se considerarmos que o Brasil pretende comprar mais unidades (no futuro), afirma o presidente da Saab. Uma delegação de 30 empresários de outras áreas, como tecnologia e transportes, acompanha Carl XVI Gustaf e Silvia.

 A presença do rei no Brasil, na reta final da concorrência, pode significar uma nova oferta?

Essa visita estava programada há muito tempo, mas eu acho que ofato de ela ocorrer agora mostra que a Suécia e o Brasil têm muitas coisas a fazer juntos. A comitiva confirmará tudo o que já foi proposto e discutirá outras oportunidades de cooperação entre os países, de modo mais amplo. Temos nos concentrado em pensar o que podemos fazer a mais não só no que concerne aos caças, mas às necessidades das Forças Armadas na Suécia e no Brasil.
 
O que a Suécia quer ressaltar sobre a proposta já feita?

Já é de conhecimento público que o Gripen NG é a opção mais barata bem mais barata. Esse cálculo foi feito com base em 36 aeronaves. Mas o governo brasileiro já manifestou, algumas vezes, a intenção de adquirir mais aviões. Essa diferença de preço será ainda maior se considerarmos que o Brasil pretende comprar mais unidades. Isto é, o Gripen se torna ainda mais competitivo, caso o interesse seja comprar mais caças no futuro.
 
A Aeronáutica apresentou um novo relatório ao ministro Jobim, que traz a proposta francesa como a mais consistente. Antes, apreferência da FAB era, aparentemente, pelo Gripen NG. Essa mudança de posição incomodou a Saab?

Não sei se houve mudança. Acredito que o relatório inicial teve por base uma análise muito detalhada e profissional conduzida pela FAB, e o resultado mostrou que o Gripen NG era a melhor opção, tanto no custo operacional quanto no custo de manutenção, e por atender a todos os requisitos. Acho que este primeiro relatório continua valendo. O que estamos propondo é um verdadeiro programa de transferência de tecnologia, com desenvolvimento e produção conjuntos, compartilhamento de informações e tecnologias. Para mim, é difícil entender como alguém pode estar oferecendo mais do que isso
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Treinamento militar comandado pelo Brasil terá presença dos caças Rafale

Governo estuda propostas de três países para compra de 36 caças. Opções são França, Suécia e EUA. Negócio pode chegar a US$10 bi.

G1

O maior treinamento de guerra no ar da América do Sul já tem uma estrela este ano – os caças franceses Rafale. A França acaba de confirmar presença com o modelo militar na operação Cruzeiro do Sul, que acontece a cada dois anos a comando do Brasil. O Rafale é considerado favorito na disputa bilionária pela preferência do governo brasileiro para a compra de trinta e seis unidades. Os outros concorrentes são o sueco Gripen Ng e o americano F-18 Super Hornet. O negócio pode chegar a US$10 bilhões.

Cem aviões devem participar do treinamento militar marcado para começar no dia 28 de outubro, provavelmente depois que o Presidente Lula anunciar o escolhido para integrar a força do Brasil. Desses, oitenta são caças, vindos de países vizinhos: Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela, que trará o russo Sukhoi, um dos primeiros eliminados na disputa pela compra dos caças.

A França é antiga colaboradora do treinamento contribuindo com os ensinamentos dentro da estrutura da Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A guerra simulada será em Natal, base dos países da "coalizão", formada por todos os participantes. Em Fortaleza, ficará o "inimigo", representado apenas por aviões da Força Aérea Brasileira. A Cruzex 2010 está sendo mais prestigiada: os Estados Unidos, que eram apenas observadores, este ano prometem participar com um caça militar. Mas ainda não revelaram se trarão o concorrente do Rafale na disputa brasileira, o F-18 ou se usarão o F-16 – um modelo inferior.

Novos observadores já confirmaram presença - Bolívia, Peru, Colômbia, Paraguai, Equador, Canadá e Inglaterra – todos a postos para atestar o desempenho do Rafale - ganhador ou não da disputa.

Compra de caças para a FAB

O relatório final da Força Aérea Brasileira sobre os caças que disputam a compra afirma que em termos operacionais, os três satisfazem tecnicamente. Mas a Aeronáutica mudou de opinião e diz que, considerando a Estratégia de Defesa Nacional,os caças franceses Rafale representam "a proposta mais consistente". Inicialmente, a preferência da FAB era pelos caças suecos Gripen. Dentro de alguns dias, o ministro da Defesa vai apresentar seu próprio relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá escolher oficialmente o caça a ser comprado com base nos argumentos de Jobim. Jobim já afirmou que os franceses tem vantagem na disputa. "A FAB diz que os três são satisfatórios, então o que pesa é a transferência de tecnologia e a redução da dependência". Questionado se este quesito daria vantagem para a França, Jobim concordou: "Neste sentido, sim". A preferência do presidente Lula pelos caças franceses já é conhecida - foi declarada no dia 7 de setembro do ano passado durante uma visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Brasília.

Eurofighter também critica decisão romena pelos F-16 usados

AFP
 
Nesta sexta-feira, 26 de março, a AFP informou que o consórcio Eurofighter também criticou decisão da Romênia de comprar aeronaves F-16 de segunda mão. Segundo uma nota à impresnsa do consórcio, que inclui a EADS (franco-alemã), BAE Systems (inglesa) e Alenia/Finmeccanica (Italiana), a "Eurofighter lamenta que a decisão da Romênia foi tomada na ausência de um concurso (call for tenders) internacional, o que é o procedimento padrão na União Europeia. Isso priva o país da oportunidade de reforçar laços com a indústria aeroespacial europeia."

A Eurofighter também acrescentou que teria oferecido "um abrangente pacote financeiro e um offset substancial, para a criação de empregos de longa duração".

Saab se diz surpresa com decisão romena por F-16 usados

AFP
 
O grupo sueco Saab comunicou nesta quinta-feira, 25 de março, que estava surpreso com a escolha de caças F-16 de segunda mão em detrimento de seus caças Gripen, e pediu às autoridades que submetam todas as ofertas ao parlamento. O diretor de marketing da Saab para a Romênia, Richard Smith, afirmou: "Estamos surpresos com o pronunciamento que indicou que o Conselho Supremo de Defesa está interessado em velhos F-16, sem qualquer offset, devido à falta de recursos financeiros. Infelizmente, a força armada romena acabará com o lixo de outros".

O Conselho Supremo anunciou na quarta-feira que iria submeter ao parlamento sua decisão de comprar 24 aeronaves F-16 atualmente em uso pela Força Aérea dos Estados Unidos. O Ministro da Defesa disse que Bucareste também está considerando a compra de 24 F-16 novos e, num estágio futuro, 24 F-35, enfatizando que isso é parte da "parceria estratégica" entre a Romênia e os EUA. Por seu lado, a Saab disse que o ministro deveria "apresentar ao parlamento todas as ofertas que foram submetidas, para que todos os fatos sejam disponibilizados para discussão."

A Saab argumenta que sua oferta é "de longe a melhor, do ponto de vista econômico, devido ao generoso offset de 100%. Estamos garantindo offset que levará investimentos e criará dezenas de milhares de novos empregos. Os Estados Unidos não estão prometendo nada. Em um período de crise econômica, isso é simplesmente ultrajante."

A Romênia há muito vem desejando a compra de caças para substituir seus antigos MiG-21 Lancer fabricados no tempo da União Soviética, mas vem postergando a decisão devido à falta de recursos. O F-16 da Lockheed Martin estava competindo com o Gripen da Saab, o Eurofighter da EADS, BAE Systems e Alenia/Finmeccanica e o Rafale da Dassault.

Rússia anuncia entrega dos primeiros três Mi-35M ao Brasil

RIA Novosti
 
A Rússia entregou o primeiro lote de helicópteros de ataque Mi-35M (Hind E) ao Brasil, segundo o porta-voz da Rosoboronexport. Sergei Svechnikov disse hoje no Chile, na FIDAE 2010, que um total de 12 helicópteros serão entregues sob o contrato assinado em 2008, no valor de US$ 150 milhões.

A versão de exportação do Mi-24 Hind é o Mi-35M, que foi usado extensivamente no Afeganistão. O Mi-24/35 tem uma capacidade única de ataque e de transporte de tropas.

O jornal paulista Valor Econômico informou que os Mi-35 serão usados na região Amazônica, em conjunto com os aviões de vigilância da Embraer.

A região Amazônica, nas fronteiras da Venezuela e da Colômbia, é a localização preferida de narcoterroristas e traficantes de drogas.

Militar completa 10 mil horas de voo em C-130

CECOMSAER
 
Dez mil horas de voo em aeronave C-130 Hércules, cargueiro da FAB. Isso é o equivalente a 416 dias inteiros nos ares. Essa foi a impressionante marca alcançada, nesta semana, pelo Suboficial Aureliano Araújo Barcellar Neto, de 51 anos de idade, especialista em mecânica, do efetivo do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), sediado na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), completou, nesta semana nada menos do que 10 mil horas de vôo na aeronave C-130 Hércules, cargueiro da FAB.

Os voos foram realizados nos últimos 30 anos e simbolizam uma carreira de devoção ao serviço. O quantitativo não contabiliza os períodos de reabastecimento ou de trabalhos técnicos em solo.

Dentro dessas 10 mil horas, são recontados, na memória privilegiada do militar, voos marcantes como a primeira missão da FAB na Antártica, no ano de 1983. "Pelo ineditismo e pela dificuldade da missão, sabíamos que era uma oportunidade diferenciada", ressalta. Ele destaca também, em sua trajetória, a sua primeira missão de reabastecimento em voo com o KC-130, que realizou na década de 80. "São muitas as missões que marcam uma carreira. Sem dúvida, as ações humanitárias no Brasil e no exterior são inesquecíveis".

O atual comandante do esquadrão, Tenente-Coronel Marco Aurélio, destaca o espírito de prontidão do militar. "Ele é uma pessoa que adora o voo. Tem um perfil necessário para atuar neste esquadrão".

O Suboficial Barcellar deve aposentar-se no ano que vem, mas não gosta muito de falar sobre esse assunto. "Essa hora chega para todos. Sei que sentirei falta do cheiro de querosene que fez parte da minha vida".

Saab acena com fábrica em São Bernardo

Projeto está condicionado à escolha do caça Gripen pela Força Aérea Brasileira

Marcelo Cabral - Brasil Econômico

São Bernardo do Campo,município na região do ABC paulista, poderá ganhar nos próximos anos um sotaque cada vez mais nórdico. Sede da fabricante caminhões Scania, a cidade foi escolhida pela também sueca Saab como local de uma nova fábrica de aeronaves, caso o seu caça Gripen NG seja o vencedor da concorrência aberta pela Força Aérea Brasileira (FAB) para a compra de jatos de combate - um negócio que pode chegar à casa dos US$ 10 bilhões. O anúncio do fábrica foi feito pelo presidente mundial da Saab, Ake Svensson, em entrevista ao . Parte da diretoria da empresa esteve ontem em São Paulo participando de um encontro empresarial Brasil-Suécia na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). "Não é só uma fábrica amais. É um projeto que inclui escolas técnicas, novos empregos, incubadoras de empresas. Vai gerar desenvolvimento para toda a região", reforçou Bengt Janer, diretor da unidade brasileira da Saab. Já segundo Svensson, o preço do aparelho sueco, mais baixo que os demais concorrentes, é um fator decisivo para viabilizar a fábrica. "Você ganha escala.

Quanto mais produz, maior é a vantagem em termos de preço", explicou. O acordo sobre a fábrica foi fechado após uma visita à Suécia feita na última semana pelo prefeito local, Luiz Marinho (PT-SP), exministro do Trabalho e da Previdência Social do governo Lula.

A proposta sueca passa agora a prever que, caso o Gripen triunfe sobre o Rafale francês - o atual favorito da disputa - e o F/A-18 Super Hornet americano, parte dos sistemas do aparelho sejam fabricados em São Bernardo, enquanto a brasileira Embraer, sediada em São José dos Campos (SP), ficaria responsável pelos demais componentes e pela montagem da estrutura. O grau de nacionalização do aparelho ficaria em torno de 40% dos sistemas e de 80% da produção. Trata-se de um grau bastante superior ao que foi atingido, por exemplo, no caso do jato de ataque leve AMX, feito em conjunto pela Embraer e por empresas italianas no início dos anos 1980. Nesse caso, a participação nacional ficou em 30% dos dois quesitos. "Aqui no Brasil existe uma situação única, pois é o único país que está comprando aviões militares que já possui uma indústria nativa aeroespacial forte. Podemos juntar a experiência da Embraer no setor civil e nosso conhecimento do segmento militar. A combinação é perfeita", explicou Svensson. O presidente da Saab relembrou as parcerias já realizadas entre a indústria do país escandinavo e a Embraer - como no caso do avião de patrulha ERJ- 145, que usa um radar  sueco instalado sobre uma estrutura brasileira - e relembrou a possibilidade da venda de unidades do futuro cargueiro KC-390 do Brasil para a Flygvapnet, a Força Aérea Sueca, que precisará renovar sua frota desse segmento nos próximos anos.

Negócio da Índia

A nova unidade ocupa um papel importante nos planos da Saab de vender o Gripen para novos mercados. A ideia é que os aparelhos fabricados no Brasil atendam não só a demanda da FAB (36 unidades a curto prazo, com possibilidade de superar 120 nos próximos anos) como a indiana. A exemplo do país, a Índia realiza uma concorrência para equipar sua Força Aérea - onde estão lado a lado os mesmos aparelhos que disputam os céus brasileiros - para a compra de 126 caças só no primeiro lote - um dos maiores programas militares domundo atualmente. "Se e quando a Saab for escolhida pelo Brasil, iniciaremos imediatamente um esforço conjunto no caso da concorrência da Índia", disse Svensson. Os países também fariam uma campanha conjunta de venda nos demais mercados globais. Segundo Janer, a estimativa é que nos próximos 20 anos o faturamento potencial para o Gripen atinja a casa de US$ 40 bilhões.

Para o principal executivo da Saab, o fato da versão NG do Gripen ainda estar limitada a um avião demonstrador de tecnologia não é um problema, como apontam os concorrentes, mas justamente o ponto forte da proposta: "As indústrias sueca e brasileira poderão aprender juntas a fazer o aparelho. Procuramos por um parceiro, e não por umcliente".

PRESSÃO SUECA

R$ 10 bi

é quanto pode ser movimentado em volume de recursos com a compra do caça Gripen pela Força Aérea Brasileira, segundo estima a Saab.

NACIONALIZAÇÃO

80%

é o grau de nacionalização de produção proposta pela Saab. Além disso, haveria a tropicalização de 40% dos sistemas do Gripen.

Versão mais brasileira do Gripen não é comentada

Os representantes da Saab não quiseram comentar sobre a proposta feita a ela no último final de semana por um consórcio de empresas brasileiras do setor, para que a Saab aceitasse um projeto de ser contratada diretamente pela Embraer e não pelo governo - o que poderia gerar uma versão "brasileira" do caça, que receberia até um nome nacional. "Sobre esse assunto ainda não existe nada", limitou-se a dizer o diretor da empresa, Bengt Janer. A empresa afirma não estar preocupada com a preferência pelo aparelho francês já manifestada publicamente pela cúpula do governo brasileiro. Seguidas vezes, o presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmaram que a possibilidade de uma aliança estratégica com a França pesa mais do que o custo mais elevado do Rafale. Svensson disse achar que "não seria sábio colocar todos os ovos na mesma cesta". "Por que, afinal, o Brasil não pode ter mais de um parceiro estratégico?", questiona. "Continuo achando que nossa proposta é a mais consistente em termos de desenvolvimento conjunto de tecnologia". A expectativa é que o resultado da concorrência seja anunciado em abril, logo após a avaliação técnica e jurídica .

Governo quer envolver sociedade na discussão da Defesa Nacional,

Flávia Villela Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Começou hoje (25) o primeiro ciclo de seminários sobre Segurança Internacional: Perspectivas Brasileiras, promovido pelo Ministério da Defesa, em parceria com diversas instituições públicas e privadas. O resultado das discussões, que devem ser realizadas durante todo este ano, será reunido em um livro, que servirá de apoio para a estratégia de Defesa Nacional do Brasil.

Durante a abertura do seminário, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a ideia do evento é levar a questão da Defesa Nacional à sociedade e ao meio acadêmico. "Nosso objetivo é trazer para a agenda nacional este tema, que já entrou na do governo e do Congresso, mas que é pouco refletido no meio acadêmico. É uma vitória para o governo e para o Ministério da Defesa, decorrente da estratégia nacional de integrar a defesa ao desenvolvimento nacional."

Jobim declarou que o Brasil não pode e não deve abrir mão de possuir Forças Armadas capazes de exercer um poder de dissuasão necessário à defesa da soberania e do avanço do interesses nacionais no plano estratégico global. "Não podemos abrir mão de garantir nossa defesa tanto no que tange às nossas vulnerabilidades estratégicas, à dimensão do patrimônio nacional e à infraestrutura energética."

Para o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, que também participou do seminário, não existem Forças Armadas fortes sem uma indústria de defesa forte e investimento pesado em pesquisa científica e tecnológica.

"Os Estados Unidos investem por ano em pesquisa cerca de 3% de seu PIB [Produto Interno Bruto], aproximadamente U$ 450 bilhões, enquanto no Brasil investimos cerca de 1% do PIB ou ao redor de U$ 15 bilhões. Essa situação tem um impacto enorme sobre a competitividade das empresas nos campos civil e militar", comentou o ministro de Assuntos Estratégicos.

O agravamento da crise energética também foi discutido no evento. Guimarães ressaltou a importância de se investir em tecnologia de enriquecimento de urânio para a produção de energia nuclear.

"O Brasil possui a quinta maior reserva de urânio do mundo. E a energia nuclear será um dos grandes vetores para solucionar a crise de energia mundial a longo prazo. Por enquanto, só temos conhecimento de 30% do território e as chances de haver reservas muito maiores são grandes. Essa e outras reservas naturais tornam o Brasil relativamente menos vulnerável que outros países, como Japão e França, altamente dependentes da importação de insumos para sua atividade industrial", disse Guimarães.

Jobim criticou a postura dos países centrais em manter políticas de defesa de sufocamento, ao impedir outros países de avançar tecnologicamente, como ocorre no caso do uso de enriquecimento de urânio para fins pacíficos. "A Marinha do Brasil conhece muito bem as dificuldades que enfrentamos para desenvolver e dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e produção de energia elétrica."

Defesa: comissão quer analisar impacto de cortes orçamentários

Jornal do Senado
 
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) decidiu ontem solicitar ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, informações sobre os efeitos dos anunciados cortes no Orçamento Geral da União para o andamento de programas estratégicos no setor de defesa.

Os senadores querem saber de que forma os cortes orçamentários afetarão a licitação para a compra de três navios-patrulha, o programa de construção do submarino nuclear e a montagem de um reator nuclear pela Marinha.

Da mesma forma, buscam informações sobre o desenvolvimento e a fabricação, pelo comando do Exército, de um veículo blindado sobre rodas, além da aquisição de mísseis antiaéreos leves.
 
A comissão também quer saber como serão afetados os programas da Aeronáutica para aquisição de aviões de combate e de desenvolvimento do avião de transporte médio KC-390.

Autor do pedido, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que preside a comissão, disse ter visitado na semana passada a Embraer, em São José dos Campos (SP), e a Helibras, em Itajubá (MG), para conhecer os projetos de criação do KC-390 e de ampliação da produção de helicópteros no país.

Azeredo advertiu que importantes ações do governo podem ser afetadas pelos cortes, como a aquisição de navios-patrulha, que considera indispensáveis para a proteção das novas reservas de petróleo do pré-sal, localizadas na plataforma submarina.

– Alguns dos projetos, como o KC-390, da Embraer, permitem ampla geração de empregos por meio da exportação – observou.

Para Roberto Cavalcanti (PRB-PB), não podem ser considerados aceitáveis "cortes que atinjam programas estratégicos de defesa".

Aernnova vai à Embraer e pleitea fatia do jato KC390

Espanhola tem 40% de sua receita em vendas à brasileira

Virginia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

O grupo espanhol Aernnova, uma das principais companhias internacionais na fabricação de estruturas aeronáuticas, está pleiteando uma participação no programa de desenvolvimento do novo avião de transporte militar da Embraer, o KC-390. A conquista deste novo projeto, que conta com o apoio do governo do País Basco, é considerada estratégica pela empresa, para alavancar os negócios de sua filial brasileira, em meio a um período de recessão no mercado aeronáutico mundial.

No começo dessa semana, o presidente mundial da Aernnova, Iñaki López Gandásegui, esteve no Brasil e integrou a comitiva oficial do presidente do governo do País Basco, Patxi López, que visitou as instalações da Embraer, em São José dos Campos. Segundo Gandásegui, a fabricante brasileira de jatos regionais informou que a primeira fase de desenvolvimento de engenharia do KC-390 será feita internamente.

"Vamos aguardar o momento certo para fazer parte desse programa, mas temos grandes expectativas, tendo em vista o bom trabalho feito pela Aernnova no desenvolvimento das aeronaves das famílias ERJ-145 e Embraer 170/190, dos quais participamos como parceiros de risco", disse o presidente da companhia basca. Instalada em São José dos Campos, a fábrica da Aernnova começou a operar em 2004, fornecendo as asas do ERJ-145 e a fuselagem traseira e a empenagem dos jatos da família 170/190.

A Embraer é o principal cliente da Aernnova no mundo e respondeu por cerca de 40% do faturamento do grupo em 2009, de € 430 milhões. Gandásegui disse que a crise no setor aeronáutico, que vem afetando a Embraer, também teve seus reflexos na unidade fabril da Aernnova no Brasil.

"Reduzimos um pouco o nosso ritmo de atividades, proporcionalmente ao de nossos clientes, mas para 2011 as previsões indicam que o mercado deve se recuperar com força".

A perspectiva de crescimento dos projetos aeronáuticos no setor de defesa no Brasil foi um dos principais motivos que levaram a companhia espanhola a instalar no Brasil um novo centro internacional de desenvolvimento de projetos de engenharia.

A empresa já opera dois centros de engenharia na Espanha e outro em Michigan, nos Estados Unidos, e o centro brasileiro foi criado para se tornar uma base de desenvolvimento de tecnologia para a região da América Latina. A Aernnova já contratou uma equipe de engenheiros e técnicos brasileiros que estão trabalhando em vários projetos. Um deles é o desenvolvimento do projeto estrutural de um veículo aéreo não-tripulado (vant) para a Avibrás Aeroespacial.

A nova aeronave da Avibrás, batizada de Falcão, será o primeiro vant de reconhecimento tático e de vigilância totalmente nacional. Segundo o gerente do vant na Avibrás, Renato Bastos Tovar, a primeira fase do projeto foi feita em conjunto com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e envolveu o desenvolvimento da eletrônica de bordo e software, que inclui o sistema de navegação e controle. A Avibrás conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que aportou R$ 19 milhões para o projeto. A contrapartida da empresa, de acordo com Tovar, foi de R$ 7 milhões. A estrutura do veículo, projetada pela Aernnova, é feita em fibra de carbono. A segunda fase do projeto, iniciada em fevereiro de 2009, envolve o desenvolvimento da plataforma aérea, onde serão integrados os sensores de missão, como os radares. "O desenvolvimento do veículo será concluído no final de 2011, mas os ensaios em voo com o protótipo serão iniciados em janeiro do ano que vem", comentou.

Além dos projetos com a Avibrás e Embraer, o grupo Aernnova também está de olho no programa de desenvolvimento dos 50 helicópteros Super Puma EC-725, que serão produzidos pela Helibrás, do grupo Eurocopter, para as Forças Armadas Brasileiras. A Aernnova, segundo seu presidente, Iñaki Gandásegui, acompanha de perto o processo de seleção dos fornecedores desse programa no Brasil.

A canadense Bombardier também é cliente da Aernnova no Brasil, que fornece projetos de engenharia para o setor ferroviário. No mundo, os principais clientes da Aeronnova são as empresas americanas Boeing e Sikorsky, e as europeias Airbus e Eurocopter. "Trabalhamos no projeto do A 350, fornecendo o estabilizador horizontal e a empenagem em fibra de carbono, um projeto de quatro anos". A Aernnova também atua nos segmentos de automação, transportes, naval e energia eólica.

Empresários de São José insistem na tese de caça nacional

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

Desenvolver um caça de combate brasileiro de última geração não é um desafio novo para a Embraer, na avaliação de Ozires Silva, ex-presidente da companhia. Segundo ele, a fabricante brasileira de aviões, a partir de uma decisão da Força Aérea Brasileira (FAB), poderia negociar com fornecedores estrangeiros o que fosse preciso para complementar os investimentos materiais e técnicos requeridos na construção dos caças.

"Em outras palavras, seria transformar as empresas brasileiras em contratantes do que realmente necessitarem, e não somente ficarem na lista de pedidos para receber que se conceitua como transferência de tecnologia", explica Silva. A compra do Xavante na década de 70, segundo ele, foi feita dessa forma e, graças a essa experiência bem-sucedida, a Embraer conseguiu absorver todas as tecnologias que precisava dos italianos para desenvolver a linha de produção do Bandeirante.

A modelagem de compra dos caças, proposta por Silva, agradou a um grupo de empresários e entidades de classe de São José dos Campos, reunidos semana passada com o ex-presidente da Embraer na sede local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Para Almir Fernandes, diretor da entidade, a proposta da sueca Saab é a que melhor se encaixaria no modelo de desenvolvimento de um caça brasileiro. "O Gripen é um caça em desenvolvimento, e a indústria brasileira pode participar da sua construção."

O deputado federal Emanuel Fernandes (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e político da região, também considera a proposta de Silva a melhor opção para o Brasil. "Vou defender, no plenário da Câmara, a ideia de que o novo caça tem que ser nacional e que a Embraer deve ser contratada para negociar diretamente com o fornecedor estrangeiro escolhido pela FAB", afirmou. O assunto também será discutido com o ministro da Defesa, Nelson Jobim

"Não se pode ignorar que o Brasil é hoje o terceiro maior produtor mundial de jatos comerciais, tendo fabricado cerca de 8 mil aviões, em operação em mais de 80 países. Por que isso não poderia se repetir com as encomendas militares?", questiona o ex-presidente da Embraer.

Ciente da preferência de Jobim pelo caça francês Rafale, Silva disse que a opção seria um mau negócio para o país, porque os franceses nunca cumprem o que prometem, quando se trata de transferência de tecnologia. Silva disse que obteve informações de que os EUA devem endurecer a postura com o Brasil, caso a escolha seja o Rafale, ameaçando, inclusive, cortar o fornecimento de material estratégico para aviões da Embraer, que possuem componentes americanos.

"É por isso que defendo a necessidade urgente de o país investir no desenvolvimento da defesa nacional, para que o Brasil tenha autonomia e possa vender produtos sem nenhum tipo de retaliação estrangeira", explica Silva. A situação internacional, segundo ele, tende a se complicar e o Brasil tem que buscar meios para deixar a incômoda posição de país comprador para passar a vendedor, aumentando a base de conhecimento para competir no mercado mundial.

Silva ressalta que a sua tese de construção de um caça nacional é respaldada não só pelos benefícios tecnológicos e industriais conquistados com a produção do Xavante na Embraer, mas também pela experiência americana, por meio do "Buy American Act".

Desde 1933, o governo dos EUA obriga que as compras de equipamentos de defesa sejam feitas das empresas nacionais e, no caso de existir o interesse por um produto estrangeiro, a lei exige que o fornecedor se associe a uma empresa americana e que a compra seja feita a partir dela.

Em 2009, a Embraer criou uma empresa na Flórida, para se dedicar à montagem final de jatos da linha Phenom. Outro objetivo, segundo Silva, é colocar a Embraer na condição de empresa americana, e aumentar suas chances na concorrência aberta pelo governo dos EUA, para a compra de aeronaves na categoria do Super Tucano.

Novas regras do Pentágono dificultam dispensa de gays

DA REDAÇÃO - Folha de SP

O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, aprovou ontem novas regras para dificultar a dispensa de militares gays. É a primeira ação contra a criticada política "don't ask, don't tell" (não pergunte, não diga), segundo a qual homossexuais e bissexuais são proibidos de assumir ou debater a sua orientação sexual enquanto servirem às Forças Armadas do país.

Entre as mudanças estão a delegação da responsabilidade sobre dispensas a oficiais de alta patente e o aumento do rigor na coleta de provas contra os militares acusados. Terceiros, por exemplo, passam a depor sob juramento. As regras já valem, inclusive para casos em andamento.

Críticos acusam o Pentágono de adiar o fim da atual política, algo que o presidente Barack Obama defendeu em discurso à nação, em janeiro passado, e pelo qual é cobrado, já que contou com apoio dos ativistas gays na campanha à Casa Branca.

Ontem, Gates disse crer que as normas darão "maior dose de bom senso e decência no trato de problemas difíceis e complexos" e alertou contra o risco de decidir com pressa. Ele avisou ainda que mais decisões só virão após 1º de dezembro, quando conclui um estudo sobre o tema.

Com agências internacionais

Senado quer explicações do governo sobre cortes no Orçamento

GABRIELA GUERREIRO
Da Folha Online, em Brasília
 
O Senado quer explicações do Ministério do Planejamento sobre cortes no Orçamento da União que, segundo a oposição, podem colocar em risco programas militares das Forças Armadas.
 
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira requerimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) com pedido de informações ao Ministério do Planejamento sobre os cortes que serão executados na área militar.

O senador, presidente da comissão, questiona se os cortes impostos pelo Ministério do Planejamento ao Orçamento da União "interferem em projetos estratégicos para o país" no âmbito da Marinha e Aeronáutica.

Azeredo teme que os cortes possam trazer impactos no programa de construção de um submarino nuclear brasileiro, na licitação para aquisição de três navios-patrulha e no projeto de compra de helicópteros Seahhawk, entre outros.

O tucano também pede, no requerimento, que Bernardo explique os impactos dos cortes em programas que vêm sendo executados pelas Forças Armadas, como a compra de 36 aviões-caça pela Aeronáutica no programa FX-2.

"Na área de segurança e defesa nacional, a política de restrição orçamentária deve seguir critérios cuidadosos, que não interferem com os interesses maiores do país. Alguns desses programas, como o da aquisição dos navios-patrulha de 1850 toneladas, são indispensáveis para a proteção das reservas petrolíferas do pré-sal", afirma o tucano.

O senador afirmou que as informações do Ministério do Planejamento são "necessárias para avaliar o impacto dos cortes na progressão da estratégia nacional de defesa" --que está em analise no Senado.

Apesar do aumento na arrecadação no início do ano, o governo anunciou na semana passada um corte de R$ 21,8 bilhões no Orçamento de 2010. Isso representa uma redução de 11,2% nas despesas não obrigatórias dos três Poderes. Esse é o maior contingenciamento promovido no governo Lula, pouco acima dos R$ 21,6 bilhões cortados inicialmente em 2009, ano em que a arrecadação caiu pela primeira vez desde 2003.

Disputa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ouvir o Conselho de Defesa Nacional para decidir sobre a compra dos 36 aviões-caça do programa FX-2.

Estão na disputa o F-18 Super Hornet da Boeing (EUA), o Rafale da Dassault (França) e o Gripen NG da Saab (Suécia), embora o governo brasileiro já tenha formalizado nos bastidores a decisão de optar pelo modelo francês.

O vencedor não apenas fornecerá as 36 primeiras unidades, como será base para as etapas seguintes da renovação, substituindo gradativamente os Mirage e os F-5, da década de 1970, e o AMX, programa Brasil-Itália da década de 1990.

A expectativa da FAB é que, além de adquirir aeronaves, o país também possa se habilitar a montá-las e a produzir parte de suas peças internamente.

Jobim diz que relatório sobre caças será entregue na Páscoa

RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO - Folha de SP

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que deve entregar "pela Páscoa" ao presidente Lula o relatório final com a avaliação para a escolha dos 36 caças a serem comprados pelo Brasil. Antes, o prazo anunciado era o fim de março. Disputam o francês Rafale (Dassault), o sueco Gripen (Saab) e o norte-americano Super Hornet (Boeing). O governo brasileiro já anunciou a sua preferência pelo modelo francês.

Segundo Jobim, o ministério ainda não iniciou a análise técnica, com base no documento que recebeu da Força Aérea Brasileira.

De acordo com o ministro, a escolha ainda não foi feita, mas já passou a fase em que as empresas concorrentes podem fazer reduções de preços e novas propostas. A afirmação de Lula de que os franceses seriam escolhidos levou a novas ofertas da Boeing e da Gripen, e, depois, também da Dassault.

"O relatório é que produzirá a escolha. Estamos em um procedimento de seleção, e a decisão será fundamentada", afirmou, ao se negar a detalhar o relatório.

Teerã quer promover ''cúpula de desarmamento''

BRASÍLIA - O Estadão de S.Paulo

Pressionado por conta das suspeitas de desenvolver um programa nuclear militar e ameaçado de sofrer novas sanções internacionais, o governo iraniano decidiu convocar uma Conferência sobre Desarmamento e Não-Proliferação, entre os dias 17 e 18 de abril em Teerã. Até mesmo para o compreensivo Itamaraty, a iniciativa foi avaliada como uma tentativa do Irã de aglutinar aliados e de se contrapor a duas reuniões multilaterais.

Em princípio, o Brasil deverá comparecer à conferência iraniana, representado pelo seu embaixador em Teerã, Antonio Salgado. De acordo com diplomatas brasileiros, tradicionalmente o Irã é enfático nas pressões por um desarmamento nuclear global mais efetivo. Agora, tentaria aproveitar-se desse discurso para angariar mais força e aliados em sua atuação na conferência de maio.
 
Em abril, a agenda internacional já está comprometida com a Cúpula de Segurança Nuclear, convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para os dias 12 e 13, em Washington.

Essa reunião tratará, sobretudo, dos riscos de desvio da tecnologia e de material nuclear para organizações não vinculadas aos governos, especialmente a grupos terroristas.

Em maio, a Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação (TNP), nas Nações Unidas, mobilizará as diplomacias dos 189 países signatários entre os dias 3 e 28.

Entre os países envolvidos estará o Irã, possivelmente isolado. Um dos temas da conferência, que se dá a cada cinco anos, será a incoerência do próprio TNP.

O tratado permite ao Irã proteger seu programa nuclear com base no "direito inalienável" de desenvolvimento da tecnologia nuclear com "fins pacíficos" e se omite sobre as armas atômicas de Israel, que não é signatário. / D.C.M.

Relatório sobre caças fica pronto após a Páscoa

WILSON TOSTA - Agencia Estado

Em meio a notícias sobre lobbies de americanos, franceses e suecos em torno da licitação para escolha dos novos aviões de caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje que a fase em que os concorrentes poderiam apresentar novas ofertas para o negócio está encerrada. "Já passou isso, estamos na fase, digamos, do afunilamento final", afirmou, após falar na abertura do seminário "Segurança Internacional: perspectivas brasileiras, o cenário global", na Fundação Getúlio Vargas.

Ele prometeu para depois da Páscoa o relatório no qual recomendará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a escolha de um dos modelos entre o F/A-18 Super Hornet (da Boeing, EUA), o Rafale (da Dassault, França) e o Gripen NG (da Saab, Suécia). A disputa pelo contrato do projeto FX-2, de US$ 10 bilhões, envolve os governos dos três países.

Os EUA aproveitaram a passagem do porta-aviões USS Carl Vinson pelo Rio, com alguns Super Hornet a bordo, e a visita da secretária de Estado, Hillary Clinton, ao País, para promover sua aeronave. O presidente francês Nicolas Sarkozy recorreu a seu bom relacionamento com o presidente Lula para defender o seu produto, que tem a preferência de autoridades brasileiras. E até o rei da Suécia, Carl Gustaf, veio ao Brasil e abordou o assunto em conversa com o presidente brasileiro. No momento, o assunto está muito perto da decisão, segundo o ministro.

"Está terminando. Agora, o trabalho está com a consultoria jurídica do Ministério da Defesa, fazendo o exame jurídico da legalidade toda do procedimento, para que depois eu faça a exposição de motivos ao presidente", declarou. "Com isso, creio que depois da Páscoa terei condições de apresentar ao presidente a exposição de motivos, em dois aspectos. Um, fazendo uma sugestão em relação a uma das opções. Ou seja, o Ministério da Defesa entende a necessidade de que o próprio Ministério tenha uma posição e a leve ao presidente. Segundo, fixando parâmetros para o prosseguimento de negociações com o eventual escolhido."

Jobim assegurou que a escolha ainda não foi feita. "Não dá para botar a carroça à frente dos bois", destacou. O ministro afirmou que o Brasil não está comprando um avião, mas um "pacote tecnológico", que capacite o País a produzir as aeronaves, futuramente. Disse também que começará a trabalhar no relatório para Lula assim que a consultoria jurídica concluir seu parecer.