31 maio 2010

Brasil e Uruguai firmam acordo de cooperação na área de Defesa

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – Os governos brasileiro e uruguaio acertaram ontem (27) a assinatura de um acordo de cooperação na área de Defesa, durante reunião com autoridades dos dois países em Montevidéu.
 
O encontro teve a presença do ministro de Defesa brasileiro, Nelson Jobim, e uruguaio, Luis Rosadilla, e dos comandantes das Forças Armadas dos dois países. O presidente uruguaio, José Mujica, acompanhou parte do encontro.

A assinatura do acordo deve ocorrer durante a próxima reunião entre os presidentes dos dois países, em agosto deste ano, em Santana do Livramento (RS).

Em nota, o Ministério da Defesa adiantou que as conversações resultaram em 17 pontos de cooperação, que ainda vão ser detalhados pelos técnicos militares. Ainda de acordo com a nota, Jobim destacou o interesse do Brasil em desenvolver a sua indústria de Defesa por meio do Conselho de Defesa Sulamericano.

Principal articulador da criação do conselho, o governo brasileiro tem defendido que os países da região adotem posições comuns em termos de defesa nos fóruns internacionais e que intensifiquem a cooperação, especialmente na participação em forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), além de integrarem suas indústrias de defesa.

Regata ecológica da Escola Naval recolhe lixo das águas da Baía de Guanabara

Agência Brasil

Rio de Janeiro - Cerca de mil aspirantes da Marinha e estudantes universitários da cidade do Rio de Janeiro participaram hoje (28) da 11º Regata Ecológica da Escola Naval.

Distribuídos em 30 embarcações, os competidores tinham que recolher a maior quantidade de lixo da Baía de Guanabara para vencer a regata.

As equipes saíram da Escola Naval e foram até a Enseada de Botafogo, recolhendo das águas da baía 510 quilos de lixo, inclusive a cabeceira de uma cama, considerada o material mais exótico, que valeu uma premiação especial.

A equipe vencedora retirou 314 quilos de detritos do mar. Na regata do ano passado foram retirados 563 quilos de lixo das águas da Baía de Guanabara.

Decisão sobre compra de caças pode sair neste semestre, diz Jobim

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reiterou hoje (28) que espera uma decisão do governo ainda neste semestre sobre a compra de novos aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB). Depois disso é que terá início o processo de compra. Três empresas – uma sueca, uma francesa e uma norte-americana – disputam a preferência do governo brasileiro, que pretende ai adquirir 36 aeronaves.

Segundo ele, a decisão será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois que receber parecer do Conselho de Defesa Nacional sobre o assunto. Jobim negou que o ano de movimentação política possa atrapalhar a decisão.

Jobim afirmou que a Defesa Nacional "não é desenhada pela política. , é necessidade que vem sendo adiada há 20 anos e por isso mesmo não poderia ser resolvida de uma hora para outra".
 
O ministro lembrou que de 1995 para cá o processo de compra de aeronaves foi interrompido em três momentos, inclusive no ano passado, por causa da expectativa em torno da crise econômica mundial. Segundo ele, além da compra de 12 caças para a Força Aérea, o governo deve se preparar para substituir até 2015 os aviões Hércules 130 da FAB.

Nelson Jobim falou sobre o assunto em entrevista na Base Aérea de Brasília, depois da cerimônia comemorativa do Dia Internacional dos Mantenedores da Paz da Organização das Nações Unidas (Peacekeepers).

Desde 2008, a data vem sendo festejado em 28 de maio, com a participação de contingentes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Centenas de militares que já participaram de missões de paz do Brasil em diversos países desfilaram durante a solenidade, quando foi depositada uma coroa de flores em homenagem aos soldados mortos durante essas missões.

Oficial tomba na guerra urbana

Tenente-coronel do 18º Batalhão de Infantaria Motorizada foi morto por assaltantes ao negar-se a entregar chaves do carro
 
Zero Hora

Militar experiente de Infantaria, o Tenente-Coronel César Luis Bezerra Sylos era treinado para o combate corpo a corpo até na selva amazônica. Subcomandante do 18º Batalhão de Infantaria Motorizado (18º BIMtz), estava à frente de uma das unidades de elite do Exército. No sábado à tarde, aos 47 anos, tombou morto a tiros por ladrões que atormentam motoristas e comerciantes em Sapucaia do Sul.

Sylos foi surpreendido quando entrava à paisana em um supermercado. Ele se negou a entregar a chave da sua S-10 a bandidos que tentavam fugir após assalto ao estabelecimento.

Foi também por instinto de pai que Sylos reagiu à abordagem dos ladrões. O militar queria evitar que a caminhonete dele fosse levada pelos bandidos, pois a filha adolescente estava a sua espera dentro do carro, estacionado a meia quadra da entrada do supermercado Pague Menos, no bairro Piratini, distante cerca de um quilômetro do apartamento do militar.

Conforme informações da Brigada Militar, depois de recolher pertences de vítimas e R$ 1,3 mil dos caixas do comércio, dois bandidos exigiram um carro para fugir. Pegariam um veículo dos donos do estabelecimento, mas na confusão – havia mais de 30 clientes no local – os proprietários se desvencilharam dos bandidos.

– Vi dois aqui dentro. Eram muito violentos. Me agrediram com coronhadas na cabeça, e quando a gente conseguiu escapar para os fundos, eles se atrapalharam. Iam saindo na porta e viram o senhor (Sylos) carregando a chave do carro. Estamos arrasados – relembrou ontem o comerciante Marco Aurélio Weide, 31 anos.

Um dos criminosos agarrou a mão do militar, que, sem perceber o que se passava, fez um movimento brusco, puxando o braço.

– Isso é assalto – gritou o bandido, irritado.

Polícia faz retratos falados, e BM vigia acessos a Sapucaia

O militar começou a caminhar para trás, saindo para a rua. Segundo informações da BM, Sylos teria tentado sacar da cintura sua pistola calibre nove milímetros. Os bandidos perceberam a intenção de Sylos e abriram fogo. Mesmo que conseguisse pegar a arma, possivelmente o oficial perderia tempo até poder disparar. Seguindo norma do Exército, a pistola de Sylos não estaria pronta para disparar – o pente tinha munição, mas não havia cartucho na câmara (junto ao cano).

– Ele precisaria fazer o que chamamos de golpe de segurança. A arma estava alimentada, mas, provavelmente, não municiada – afirmou o major Ronie Coimbra, comandante da BM em Sapucaia do Sul.

Na Brigada, por causa do risco iminente de confronto, os PMs são orientados a sempre usar pistolas prontas para o disparo. Sylos foi atingido por três tiros – o primeiro no ombro esquerdo e outros dois nas costas.

– Foi muito triste ver a cena do militar no chão e a filha, ao celular, ligando para a mãe – lamentou a comerciante Nelcina Weide, 62 anos.

Socorrido por PMs, Sylos foi levado ao hospital, onde morreu. Os bandidos fugiram em direção a Novo Hamburgo num Palio vermelho quatro portas. Dois suspeitos foram identificados pela Polícia Civil, que elaborou retratos falados. Eles seriam conhecidos por envolvimento em assaltos, mas até a noite permaneciam foragidos.

– Vamos pegá-los – garantiu o delegado regional Edilson Chagas Paim.
 
Segundo ele, uma equipe extra com seis policiais foi integrada à 1ª DP para reforçar as investigações. A BM incrementou o patrulhamento nas ruas com barreiras nos principais acessos a Sapucaia e cidades vizinhas.
 
Tenente-Coronel queria "ser gaúcho"
 
N
atural de Araçatuba, no interior de São Paulo, o tenente-coronel do Exército César Luis BeSylos, 47 anos, vivia no Rio Grande do Sul havia pouco mais de um ano, mas já nutria um gosto especial pela terra, alimentando o desejo de ficar para sempre entre os gaúchos. Antes, havia servido no 53º Batalhão de Infantaria de Selva, em Itaituba, no Pará.

– Almoçamos juntos na quinta-feira passada em uma solenidade e conversamos longamente. Ele falou muito bem daqui. Disse que era casado com uma paraense, que estavam bem adaptados e com intenção de permanecer em definitivo – recordou o major Ronie Coimbra, comandante da Brigada Militar em Sapucaia do Sul.

Sylos ocupava o posto de subcomandante do 18º BIMtz, em Sapucaia do Sul, desde fevereiro de 2009, e por conta disso mantinha estreitos contatos com a BM, a quem colaborou com a formação de 39 novos PMs. Por meio da parceria, Sylos forneceu mobiliário e roupas de cama para a BM alojar os novos soldados e abriu espaço na linha de tiro do quartel para treinamentos.

O assassinato consternou oficiais do Exército no Estado.

– O sentimento de pesar é muito grande e vem a enlutar a todos nós – afirmou o tenente-coronel José Nero Cândido Vianna, da seção de comunicação social do Comando Militar do Sul.

Entre colegas mais próximos, Sylos era considerado um oficial de fino trato, que conversava do mesmo modo com oficiais superiores ou recrutas.

– Era uma pessoa tranquila, que gostava muito de ler sobre política – contou o tenente Rodolfo Cardoso, do setor de comunicação do 18º BIMtz.

O comandante da unidade, tenente-coronel Nei Leiria do Nascimento, lamentou que Sylos tenha morrido em uma fase de sucesso em sua carreira – havia sido promovido a tenente-coronel em abril – e na vida familiar – três meses antes, comemorou o nascimento da segunda filha. Além do bebê, ele deixa a mulher e outra filha, adolescente.

A despedida de Sylos dos gaúchos ocorreu ontem em uma cerimônia reservada, no salão de honras do 18º BIMtz, onde só foi permitida a presença da família, de militares e de autoridades. Um pastor evangélico conduziu preces e, depois, o corpo foi levado em um carro fúnebre, seguido de um comboio, para a Base Aérea de Canoas, de onde seguiu, à tarde, de avião para Valinhos (SP). O sepultamento está marcado para as 10h30min de hoje no Cemitério Parque Acácias.

Para especialista, Oriente Médio sem bomba é ilusão

Historiador compara metas da revisão do TNP com "universo paralelo"

Israelense Avner Cohen diz que trato Brasil-Irã-Turquia é um "mau acordo, risível e que foi obtido por amadores"

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM - Folha de SP

O plano de criar uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio -incluído no acordo que concluiu a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear- é só um exercício vazio de retórica, sem nenhuma chance de implementação no mundo real. A avaliação é do historiador israelense Avner Cohen, que ficou conhecido por ter quebrado o pacto de silêncio em torno do arsenal atômico de seu país, por meio de livros e artigos que mapearam o mais sigiloso programa nuclear do planeta.

Folha - Qual a importância do documento aprovado na ONU na última sexta-feira?

Avner Cohen - Em última análise, o documento não tem nenhuma relevância na realidade. Israel continuará fora do TNP, e os EUA continuarão a apoiá-lo nisso. A vitória do Egito [ao ganhar apoio na demanda de que Israel assine o TNP] não muda muita coisa na prática, e suspeito que terá pouco impacto político no mundo real. De certa forma, a conferência de revisão é um universo paralelo. Foi importante para o governo Obama terminar a conferência em um tom positivo, pois ela é parte de sua agenda de Desarmamento e de fortalecimento do TNP.

A aspiração a um Oriente Médio livre de armas nucleares é realista?

A menos que haja mudanças dramáticas no mapa político da região - ou seja, o fim do conflito árabe-israelense e o reconhecimento de Israel por parte dos países árabes - não haverá um sério movimento em direção a um Oriente Médio livre de armas nucleares. Enquanto Israel mantiver sua política nuclear opaca, há pouca chance de haver uma discussão séria sobre o assunto. A política de Israel não vai mudar tão cedo. Portanto, essencialmente são apenas palavras, já que [o acordo] não abre a porta para ações significativas.

Como vê a política de ambiguidade nuclear de Israel?

Já foi adequada no passado, mas se tornou incompatível com a realidade do século 21, em que há crescente demanda por transparência. O objetivo era permitir que Israel desenvolvesse e mantivesse suas capacidades sem criar fricção e confronto com o resto do mundo. Hoje é do interesse de Israel encontrar uma forma de ser claro em relação à questão nuclear -por razões domésticas fundamentais, como a democracia e a prestação de contas, e também para se alinhar às normas internacionais. Em última análise, Israel deveria ser tratado como o que é: um Estado com armas nucleares. Mas estou em minoria: a maioria dos israelenses ainda apoia a política de ambiguidade.

Qual a capacidade nuclear de Israel?

Israel não se pronuncia, e não sei nada definitivo. A Inteligência americana mantém o tema vago, mas a suposição mais comum é que o país tenha algo entre 60 e 100 [bombas], talvez 200.

Como avalia o pacto Irã-Brasil-Turquia?

É um mau acordo, que foi obtido por amadores com o objetivo de descarrilhar o trem das sanções na ONU. Uma manobra para permitir que o Irã ganhasse tempo. Nem o premiê da Turquia nem o distinto presidente do Brasil têm experiência em negociações nucleares. É um acordo risível feito por amadores tentando marcar pontos na arena internacional. Superficialmente o acordo se parece com a proposta de outubro de 2009, mas na realidade tem muitos buracos e temas não resolvidos.

O sr. diz que o Irã, mesmo que tenha a bomba, não a usará contra Israel. Por quê?

Acho que o Irã não produzirá a bomba se não for atacado. O país quer se posicionar muito perto da bomba, mas não necessariamente produzi-la. Não pensa em sair do TNP ou fazer um teste nuclear. Mas mesmo se fizesse isso, o Irã não seria uma ameaça a Israel porque sabe a consequência disso: seria destruído. E não por Israel, mas pelos Estados Unidos.

Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio a Gaza; 19 pessoas

Segundo ativistas, os barcos, que levavam suprimentos, estariam em águas internacionais.
 

A Marinha de Israel atacou nesta segunda-feira, 31, uma frota de embarcações com ativistas própalestinos que tentavam furar o bloqueio à Faixa de Gaza e entregar suprimentos à região.

Segundo a TV israelense, 19 pessoas teriam morrido e 26 estariam feridas. Em entrevista à rádio do Exército, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse lamentar as mortes.

A exata localização das embarcações é incerta. Israel teria advertido as embarcações para que não invadissem suas águas territoriais.

Mas, segundo os ativistas, os barcos estavam em águas internacionais, a mais de 60 quilômetros da costa.

Suprimentos

Os barcos, organizados pela ONG Free Gaza, levavam 750 ativistas e cerca de 10 mil toneladas de suprimentos para a Faixa de Gaza.

Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros.

As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico:

"Todo mundo cale a boca!".

'Provocação'

A frota de seis embarcações havia deixado as águas internacionais próximo à costa do Chipre no domingo e pretendia chegar a Gaza nesta segunda-feira.

Israel havia dito que bloquearia a passagem dos barcos e classificou a campanha de "uma provocação com o intuito de deslegitimar Israel".

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década.

Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana.

Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

China tenta reduzir tensão entre Coreias por ataque a navio

Premiê chinês evita condenar Pyongyang por suposto envolvimento no caso e defende caminho diplomático

Cláudia Trevisan - O Estado de S.Paulo
CORRESPONDENTE / PEQUIM

O premiê da China, Wen Jiabao, afirmou ontem que a prioridade da comunidade internacional deve ser evitar um conflito na Península Coreana, região que vive sob tensão crescente desde o dia 20, quando a Coreia do Sul acusou o Norte de ser responsável pelo ataque que há dois meses afundou o navio de guerra Cheonan e matou 46 marinheiros sul-coreanos.

"O que é mais urgente agora é dissipar o impacto do incidente, reduzir a tensão e, acima de tudo, evitar um confronto", declarou o premiê chinês na Coreia do Sul, onde participou de reunião que também incluiu o Japão.

À diferença dos líderes da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, e do Japão, Yukio Hatoyama, Wen evitou condenar o regime de Pyongyang pelo suposto ataque e defendeu o caminho da diplomacia para solução do conflito.

Durante encontro bilateral que tiveram na sexta-feira, Lee pediu a Wen que tenha um "papel ativo" em convencer a Coreia do Norte a admitir sua responsabilidade no ataque e punir os responsáveis.

Wen afirmou que seu país analisará a investigação que aponta o Norte como responsável pelo ataque ao Cheonan para decidir o que fazer "de maneira justa e objetiva".

A Coreia do Sul anunciou na semana passada a interrupção de quase todo o comércio com o Norte e a suspensão dos investimentos no país vizinho. Nos próximos dias, o presidente Lee Myung-bak apresentará ao Conselho de Segurança da ONU um pedido de aplicação de sanções internacionais contra Pyongyang, que nega a acusação e diz que irá à guerra caso seja alvo de sanções. Apesar do agravamento da tensão, Daniel Pinkston, do International Crisis Group, considera bastante improvável um confronto militar aberto entre os dois lado. Segundo ele, uma guerra provocaria danos "extremos" para o mundo e não apenas para as duas Coreias.

Comandante acusa Irã de treinar taleban

O Estado de SP
 
O comandante das forças da Otan e dos EUA no Afeganistão, Stanley McChrystal, disse haver claras evidências de que alguns militantes do Taleban foram treinados e armados pelo Irã. No entanto, ele afirmou que as forças da Otan estão trabalhando para impedir o treinamento dos militantes no exterior.

Desmilitarização à vista nos céus

Estudo pedido por Lula recomenda que aviação civil passe do Ministério da Defesa para os Transportes

Geralda Doca - O Globo

A aviação civil no país deve estar subordinada ao Ministério dos Transportes, e não à Defesa; e o controle do tráfego aéreo precisa sair da Aeronáutica para uma agência civil, também ligada à área de transportes. Debaixo do mesmo guarda-chuva, ficariam a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero, que seria reestruturada e perderia o monopólio da administração dos aeroportos - tarefa que passaria a ser compartilhada com o setor privado. Estas recomendações, que em outras palavras consistem na desmilitarização do setor, fazem parte de um completo diagnóstico pedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao BNDES e elaborado pela consultoria McKinsey.

O levantamento, ao qual O GLOBO teve acesso, será divulgado nos próximos dias. As medidas, aliadas a outras ações emergenciais, têm por objetivo acabar com os gargalos na infraestrutura aeroportuária e permitir que mais 200 milhões de brasileiros - o equivalente ao movimento anual de nove aeroportos de Guarulhos - possam voar, o que vai exigir investimento entre R$25 bilhões e R$34 bilhões até 2030 somente nos 20 aeroportos mais movimentados do país.

O documento, de 400 páginas, conclui que, depois de três anos do apagão aéreo, continua faltando articulação entre os órgãos do setor, além da falta de planejamento para expandir a capacidade dos aeroportos e acompanhar o crescimento da demanda. Diz ainda que há sobreposição de funções entre as autoridades responsáveis e de normas (do extinto Departamento de Aviação Civil-DAC), que precisam ser revistas, revogadas e organizadas. Destaca também a necessidade de um marco regulatório para o setor (regras de contratos de concessão dos aeroportos), parado no Ministério da Defesa.

De 20 aeroportos, 13 têm gargalos

Entre os benefícios de se criar uma agência civil para fazer o controle do tráfego aéreo, o documento destaca maior transparência na atividade, com a publicação de balanços com indicadores operacionais e financeiros, a atuação de um conselho de administração com regras de governança. Fala ainda na criação de incentivos (cargos e salários) e a definição clara de metas individuais e coletivas.
 
Essa agência teria uma estrutura própria, presidência e diretorias, com receita própria e responsabilidade pela geração de resultados. O estudo cita o controle da aviação civil nos EUA, feito por funcionários civis do governo, com contrato específico de trabalho que os proíbe de fazer greve, sob pena de demissão e consequências judiciais.

O relatório destaca, no entanto, que essa migração ocorreria a médio prazo. Para evitar custos elevados com a duplicação de sistemas existentes hoje, propõe o uso comum dos equipamentos civis e militares, que passariam a fazer parte do ativo da nova empresa pública. Os instrumentos exclusivamente militares continuariam com a Aeronáutica. E, para evitar perdas de receitas, sugere melhorar o orçamento da Força.

Com a mudança no controle, acompanhada de uma transferência das atividades para o Ministério dos Transportes, o órgão máximo do setor hoje, o Conselho de Aviação Civil (Conac), ganharia um novo parceiro, o Conselho Nacional de Infraestrutura de Transportes (Conit), criado em 2001.

Também seria transferido para a pasta dos Transportes o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), subordinado à Aeronáutica. Na nova configuração, o órgão ficaria apenas com a responsabilidade de investigar acidentes aéreos, sem a preocupação de apontar culpados, mas evitar problemas recorrentes. Seria da Anac a missão de prevenir acidentes, com fiscalização.

O estudo aponta gargalos em 13 dos 20 aeroportos mais movimentados do país. O aeroporto Santos Dumont, apresenta, por exemplo, limitações no pátio de aeronaves. O documento também alerta que a Copa do Mundo e as Olimpíadas vão aumentar a pressão sobre a infraestrutura e destaca a incapacidade da Infraero em tocar as obras dentro do tempo previsto. Do total de R$2,804 bilhões previstos para serem investidos em 17 aeroportos em 2006, três anos depois a estatal executou apenas R$815 milhões. Alguns projetos, como a construção do segundo viaduto do aeroporto de Brasília, fundamental para que possam ser utilizadas as duas pistas do terminal, não saíram do papel.

Segundo o relatório, a Infraero obteve um lucro em suas operações de R$400 milhões em 2008. No entanto, nas condições atuais, precisaria de transferência do Tesouro para realizar seus investimentos planejados em R$2 bilhões ao ano, nos próximos cinco anos. De acordo com o estudo, os ativos aeroportuários são "subutilizados" no Brasil, onde as receitas comerciais representam apenas 25% das receitas aeroportuárias totais. Nos aeroportos internacionais, esses ganhos equivalem a 55%. O texto diz, porém, que os aeroportos brasileiros podem ser autossuficientes com melhor aproveitamento dos ativos e "um pequeno incremento nas tarifas aeroportuárias".

Alguns gargalos, alerta o diagnóstico, precisam ser solucionados a "curtíssimo prazo", como a instalação de terminais provisórios, além de medidas estruturantes, que são investimentos de maior porte para atender à demanda projetada nos terminais de passageiros, sobretudo em pátio e pista. A situação é mais grave nos três aeroportos de São Paulo (Guarulhos, Congonhas e Campinas), devido ao efeito cascata de atrasos e cancelamentos no resto na malha. Construir um terceiro terminal no estado não é a solução mais adequada, diz o estudo. Essa pode ser uma saída para a aviação geral (jatos executivos).
 
Documento critica limitação de pousos
O documento indica a reestruturação da Infraero e sua abertura de capital, com autorização para que a iniciativa privada possa construir e explorar novos terminais. Sugere como contrapartida para áreas comerciais investimentos em pistas e pátio.

Segundo o levantamento, limitar a capacidade, com restrição de pousos e decolagens - como fazem hoje as autoridades envolvidas em Congonhas e em Guarulhos em determinados horários - "significa não somente deixar passageiros desatendidos, com reflexos adversos na economia, mas regredir em muitas das conquistas do setor, como a maior competição, que permitiu redução de preços aos passageiros".

O setor cresceu 10% ao ano entre 2003 e 2008, quando o preço médio por quilômetro voado baixou 48% no período. Apesar da crise global, no segundo semestre de 2009, o setor já retomou ao patamar anterior de forte demanda.

Especialistas civis e militares discutem em Brasília a Defesa brasileira

Brasília, 28/05/2010- A Defesa brasileira e a segurança internacional serão temas de debate na próxima quarta-feira (02/06), em Brasília, no Seminário "Perspectivas Brasileiras", o quarto evento do Ciclo de Seminários "Segurança Internacional – Perspectivas Brasileiras", promovido pelo Ministério da Defesa.

O evento será transmitido ao vivo pela internet, e durante o evento os internautas poderão enviar perguntas aos palestrantes (link no site
http://www.segurancainternacional.com.br, que também pode ser acessado diretamente da página da Defesa – www.defesa.gov.br).

O principal objetivo dos seminários é levantar subsídios de especialistas civis e militares, das mais diversas correntes de pensamento, sobre a conjuntura global, as questões de segurança relacionadas, e a forma como afetam o Brasil. Os seminários, coordenados pelo general de Divisão Sérgio Etchegoyen, Assessor Especial Militar do Ministro da Defesa,  e ex-diretor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, tem como pano de fundo a Estratégia Nacional de Defesa, que desde dezembro de 2008 dita as linhas para a reestruturação da defesa brasileira, e das Forças Armadas, em especial.

Na página do Seminário na internet também poderão ser obtidas informações sobre os eventos anteriores e futuros, sendo que  já estão disponíveis inclusive as gravação dos debates dos primeiros eventos.

Essa é a sequência dos seminários:

25 de março- O Cenário Global (FGV-RJ)
14 de abril- Desafios Contemporâneos(FAAP-SP);
05 de maio- A Circunstância Regional (FIESP-SP)
02 de junho- Perspectivas Brasileiras (Exército)
01 de setembro- Grande conferência de apresentação


Seminário "Perspectivas Brasileiras"
Data: 02 de junho de 2010
Local: Auditório do Estado-Maior do Exército, Setor Militar Urbano (QG Ex, SMU, Brasília-DF).

PROGRAMAÇÃO

Abertura - 09h00-09h30
Nelson Jobim - Ministro da Defesa
Enzo Martins Peri - Comandante do Exército

1º Painel - 10h00-12h00
Moderador - Eurico Lima Figueiredo
 

1. As vulnerabilidades estratégicas nacionais;
Luiz Alfredo Salomão

2. Diplomacia e defesa;
Maria Regina Soares de Lima

3. As capacidades militares necessárias;
General Alberto Mendes Cardoso

4. O papel do congresso nas questões de defesa: entre a abdicação e o comprometimento;
Octavio Amorim Neto

2º Painel - 14h00-16h00
Moderador - Eurico Lima Figueiredo
 

1. Defendendo o pré-sal;
Almirante Moura Neto

2. Amazônia: construindo as hipóteses de emprego;
General Villas Bôas

3. Financiamento de longo prazo da defesa;
Deputado Ibsen Pinheiro

4. A Estratégia Nacional de Defesa e seu aprimoramento;
Deputado Raul Jungmann

Hospital de Campanha da FAB retorna após atender 24 mil haitianos

José Romildo
Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa
Porto Príncipe (Haiti), 28/05/2010 – Após quatro meses de intenso socorro às vítimas diretas e indiretas do terremoto que devastou a capital haitiana, o Hospital de Campanha da Aeronáutica (HCamp) encerrou nesta sexta-feira (28/05) sua permanência no Haiti.

Desde que iniciou o atendimento em Porto Príncipe, em 17 de janeiro, apenas cinco dias após o terremoto, o HCamp atendeu 24.184 pacientes, realizou 36.028 procedimentos médicos (atendimentos odontológicos, retirada de pontos, curativos etc.), fez 200 partos e 1.145 cirurgias.

"Nossa sensação é a de termos cumprido nosso dever", resumiu o Comandante do efetivo da Força Aérea Brasileira (FAB) no Haiti, Coronel Marco Artur de Marco Rangel, ao se referir à lista ações realizadas pela unidade emergencial de saúde da FAB em território haitiano. O efetivo inclui médicos, enfermeiros e staff de saúde do HCamp, num total de 114 militares.

Nos primeiros quinze dias, os atendimentos eram majoritariamente a vítimas de traumas decorrentes de desabamentos de edifícios ou queda de postes, pontes ou de outras edificações.

Nas semanas seguintes, cresceram os tratamentos pós-traumáticos, os cuidados com feridas mal curadas. Também foram realizadas intervenções cirúrgicas para corrigir cirurgias mal executadas no dia do terremoto, quando os socorristas se desdobraram em salvar a vida das pessoas, em locais impróprios, com técnicas e equipamentos rudimentares.

O HCamp também teve que realizar atendimento ambulatorial e partos, tendo em vista a escassez de centros hospitalares na Capital. Alguns, dos poucos que havia, foram destruídos pelo terremoto. "O pobre aqui nunca vai ao médico porque não dispõe de recursos para pagar nem consulta nem atendimento de emergência",  explicou o Sub-Comandante do HCamp, Tenente-Coronel da Aeronáutica Antonio Ernani Jordão.

Em meio a esse quadro, os profissionais de saúde do HCamp se desdobraram em atendimentos das áreas de ginecologia, ortopedia, clínica médica, cirurgia geral, odontologia, enfermaria e emergência.

Segundo o Coronel De Marco, a experiência funcionou como um teste real de uma situação de guerra, cenário para o qual foram desenvolvidos os hospitais de campanha militares.

Por lidar com uma população carente, o HCamp distribuiu, em cada consulta, medicamentos gratuitos. No total, cerca de 460 mil medicamentos foram entregues aos pacientes do Haiti.

Apesar da satisfação com o grande trabalho desenvolvido pelo HCamp, o Coronel De Marco deixa um misto de alerta e frustração, diante das carências do Haiti na área de saúde: "O que fizemos correspondeu a um tijolo na imensa tarefa de reconstruir o Haiti".

Os números do HCamp no Haiti:

-Pacientes atendidos: 24.184;
-Procedimentos médicos: 36.028;
 (atendimentos odontológicos, retirada de pontos, curativos etc.);
-Partos realizados: 200;
-Atendimentos ginecológicos e de pré-natal: 2.971;
-Ultrassonografia: 1.667;
-Cirurgias realizadas: 1.145 cirurgias
 (odontológicas, 743; abdominais, 202; ortopédicas, 200);
- Medicamentos distribuídos: 460.163;
-43 profissionais de saúde:
(19 médicos, 2 dentistas, 3 enfermeiros e 19 técnicos de enfermagem).

Presidente da Alemanha renuncia após polêmicas declarações sobre Exército

Berlim, 31 mai (EFE).- O presidente da Alemanha, Horst Köhler, anunciou hoje sua renúncia "com efeitos imediatos" do cargo de máxima autoridade do país poucos dias após polêmicas declarações no Afeganistão sobre as missões internacionais do Exército alemão.

A interpretação que supostamente havia defendido uma intervenção anticonstitucional do Exército alemão (Bundeswehr) para garantir os interesses econômicos da Alemanha carece de justificativa, disse Köhler ao anunciar sua inesperada renúncia.

"Lamento que minhas declarações tenham conduzido a um mal-entendido", ressaltou o presidente alemão à imprensa, mostrando-se constrangido pela polêmica aberta. Nos últimos dias, ele havia sofrido inúmeras críticas por parte da imprensa.

Durante a viagem de volta de uma visita surpresa ao Afeganistão na semana passada, Köhler manifestou à imprensa que as missões do Bundeswehr no exterior têm sua justificativa também pela salvaguarda dos interesses econômicos da Alemanha.

Após começar a polêmica, seu porta-voz afirmou que o presidente da Alemanha não tinha se referido especificamente à missão no Afeganistão, mas às missões das Forças Armadas alemãs no estrangeiro em geral.

Na sexta-feira passada, por meio de outro porta-voz, a chanceler alemã, Angela Merkel, não quis comentar as declarações de Köhler com o argumento de que o presidente já as havia explicado e que não havia "nada a acrescentar".

Horst Köhler, que tinha sido reeleito presidente da Alemanha no ano passado por um mandato de cinco anos, assinalou que tinha comunicado sua decisão ao presidente rotativo da câmara alta (Bundesrat) do Parlamento alemão, o social-democrata Jens Böhrnsen, que assumirá interinamente a chefia do Estado.

27 maio 2010

Talibãs tomam controle de administração de distrito afegão

EFE
 
Cabul (Afeganistão) - Rebeldes talibãs tomaram a sede do distrito de Mosa Khail, na província afegã de Khost (leste), após um intenso combate com as forças de segurança, segundo confirmaram uma fonte oficial e um porta-voz insurgente.

O chefe do distrito, Alaf Khan, afirmou à agência afegã AIP que os talibãs tomaram o centro administrativo na quarta-feira, mas não soube informar se os insurgentes ainda estão na região, próxima à fronteira com o Paquistão.

"É certo. Os talibãs se apoderaram do centro administrativo após um duro enfrentamento e o incendiaram tudo", disse Khan.

O chefe do distrito acrescentou que vários líderes tribais da zona foram levados ao local para convencer os talibãs a deixarem o centro administrativo.

Por sua parte, o porta-voz talibã Zabiullah Mujahid, explicou à AIP que as milícias atacaram o distrito na noite de quarta, e após um intenso combate tomaram o controle do centro administrativo. "O distrito segue sob controle talibã", garantiu Mujahid.

De acordo com sua versão, dois veículos da Polícia e duas escavadeiras que estavam nas proximidades do centro administrativo foram destruídos durante o combate.

Segundo o testemunho de um médico do hospital de Khost, recolhido pela AIP, só uma pessoa foi internada com ferimentos em decorrência do combate, embora fontes da região tenham assinalado que três policiais ficaram feridos no mesmo.

O Ministério afegão do Interior disse não ter notícias sobre este fato, mas confirmou a morte de quatro insurgentes paquistaneses no distrito de Nadir Shah Kot, na mesma província.

Khost é uma das áreas com maior atividade da insurgência talibã, presente principalmente nas zonas do país onde predomina a etnia pashtun (sul e leste).

Os talibãs recorreram com frequência nos últimos meses a ataques em áreas urbanas, preferencialmente contra edifícios governamentais ou delegacias de Polícia.

Soldado turco morre em confronto com rebeldes curdos

EFE
 
Istambul (Turquia) - Um soldado turco morreu e outros três ficaram feridos em um combate na noite desta quarta-feira entre o Exército turco e militantes do grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Segundo a rede de televisão CNN-Türk, que citou fontes militares, o combate aconteceu na província de Sirnak, junto à fronteira com o Iraque, quando os soldados detectaram a presença de um comando do PKK e iniciaram uma operação de captura.

Os rebeldes curdos tentaram fugir, abriram fogo, mataram um dos soldados e feriram outros três.

A televisão turca destacou que a operação militar para capturar o comando dos rebeldes curdos prosseguia nesta quinta-feira.

Mais ao norte, na província de Tunceli, aumentaram as operações militares, enquanto helicópteros e aviões militares patrulham a zona, segundo a agência de notícias Firat, ligada ao PKK.

Nesta região, no final de abril, aconteceu uma emboscada do PKK a um comboio militar, e nesta quarta-feira morreram cinco rebeldes curdos, dado que ainda não foi confirmado pela organização armada.

Com o fim do inverno europeu, quando derrete a neve que cobre as altas montanhas que separam Turquia e Iraque, onde o PKK mantém suas bases, aumentam os conflitos armados no sudeste do país.

O PKK, qualificado como terrorista pela Turquia, a União Europeia e os Estados Unidos, pegou em armas em 1984 para reivindicar a autonomia dos 12 milhões de curdos que vivem no país.

Desde então, mais de 40 mil pessoas morreram em uma guerra não declarada entre as forças de segurança turcas e os rebeldes curdos.

FAB negocia com outros países parceria estratégica

Virginia Silveira, p

ara o Valor , de São José dos Campos
África do Sul, Portugal, Chile, Colômbia e Argentina são alguns dos países que estão mais próximos de fechar um acordo de parceria estratégica para o programa de desenvolvimento da aeronave KC-390, conta o gerente-executivo do projeto na Aeronáutica, coronel Adalberto Zavaroni. A conclusão dos acordos de parceria para o cargueiro, segundo o gerente, está prevista para daqui a um ano, em maio de 2011.

"A parceria com esses países não significa que o KC-390 será um projeto multinacional. Trata-se de um programa nacional, com requisitos técnicos e operacionais definidos pela FAB. Podemos aceitar algumas modificações sugeridas pelos parceiros, desde que não sejam radicais", afirmou o gerenteexecutivo.
 
Zavaroni comenta que já existem várias intenções de compra para a aeronave, principalmente dos parceiros, que naturalmente já são potenciais compradores .

O processo de aquisição dos caças de combate F-X2, pela FAB, também deverá trazer encomendas importantes para o KC-390, conforme anunciou essa semana ao Valor, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Segundo ele, um dos requisitos para que o contrato de compra dos caças seja concluído é que haja a encomenda simultânea de 12 cargueiros.

Como o projeto será desenvolvido pelo sistema de parcerias estratégicas, haverá o compartilhamento de custos e riscos, a criação de laços de longo prazo entre as indústrias, as forças armadas e os governos dos países envolvidos, além do estabelecimento de cotas de participação nas vendas dos aviões.

O preço da aeronave, segundo o coronel da Aeronáutica, deve ser mais barato que o C-130, que custa na faixa de US$ 80 milhões a US$ 90 milhões. "Além de um custo de aquisição mais baixo, temos como objetivo fazer com que o custo operacional do KC-390 também seja inferior ao do C-130", disse Zavaroni.

O programa de desenvolvimento e industrialização da aeronave deverá receber este ano, segundo a FAB, cerca de R$ 100 milhões. Para 2011 o desembolso previsto para o projeto é estimado em R$ 200 milhões. A maior parte dos recursos, R$ 600 milhões, será liberada em 2013. No ano passado o projeto recebeu um aporte de R$ 40 milhões para iniciar as atividades relacionadas aos requisitos técnicos e à configuração da aeronave.

Embraer prevê venda de 180 unidades do KC-390 em dez anos

Fabricante estima mercado potencial de 700 aeronaves no mundo, sendo 100 na América do Sul

Virginia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

A Embraer planejou produzir 180 unidades do seu novo avião de transporte militar, o KC-390, nos primeiros dez anos de comercialização da aeronave. Segundo o diretor do programa KC-390 na Embraer, Paulo Gastão Silva, a empresa identificou uma demanda potencial de 700 aeronaves na classe do novo avião, um negócio estimado em cerca de US$ 50 bilhões, sendo que 100 delas na América do Sul. "Esse é o mercado que a Embraer estará disputando e a nossa visão é de que existe uma demanda bem distribuída pelo mundo, envolvendo um total de 77 países", afirmou.

De acordo com estudo feito pela fabricante nacional, a frota mundial de aviões de transporte é de 2.802 cargueiros, sendo que 1.613 aviões têm idade superior a 25 anos, o que significa que estão próximos de serem substituídos por aeronaves novas. O mercado potencial de vendas do KC-390, segundo o executivo, não inclui países como os Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, onde existe uma frota de 1.008 aviões cargueiros em final de vida útil. "Esses países, em princípio, não são compradores do KC-390, pois têm projetos próprios de novas aeronaves cargueiras", comentou.

As estimativas de mercado para o novo avião de transporte militar da Embraer foram apresentadas na terça-feira, em São José dos Campos, durante um evento sobre "offset" (contrapartida comercial, industrial e tecnológica) do KC-390. Organizado pelo Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), órgão vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o encontro reuniu 16 empresas estrangeiras e 180 nacionais interessadas no programa de desenvolvimento do cargueiro, seja como parceiros estratégicos ou como fornecedoras da Embraer.

O KC-390 está sendo desenvolvido a pedido da Força Aérea Brasileira (FAB), a um custo de US$ 1,3 bilhão. A FAB, segundo o gerente-executivo do projeto na Aeronáutica, coronel Adalberto Zavaroni, tem uma necessidade inicial de 22 aviões para substituir a frota nacional de C-130, que já tem mais de 30 anos de operação. "A demanda por esse tipo de aeronave no Brasil, no entanto, deverá exigir, pelo menos, o dobro desse número, se levarmos em conta o número de operações realizadas atualmente pelo C-130", disse o coronel.

Nas missões de ajuda humanitária no Haiti, por exemplo, segundo Zavaroni, o C-130 realizou um total de 200 voos. O gerente do KC-390 explica que a nova aeronave atenderá às necessidades da FAB, principalmente nas áreas de transporte logístico pesado, busca e resgate, ressuprimento aéreo, evacuação médica, combate a incêndio florestal e reabastecimento em voo.

"A frota de C-130 da FAB tem baixa disponibilidade hoje em função do envelhecimento das aeronaves. Muitos dos seus componentes necessitam de revisões no exterior, o que aumenta os custos e os prazos de devolução, sem contar as frequentes panes, devido ao desgaste". Zavaroni cita ainda as dificuldades de obtenção de peças para estoque, o que obriga muitas trocas de itens entre aeronaves.

A Embraer acaba de terminar a fase de estudos preliminares do KC-390, que durou 12 meses e começa agora o processo de definição de parceiros estratégicos e fornecedores do projeto, além de novos testes em túnel de vento de alta velocidade, dos modelos em escala reduzida. O voo do primeiro protótipo do modelo é previsto para 2014.

Segundo o diretor do programa na Embraer, a aeronave deve contar com um total de 80 fornecedores. O fornecimento de sistemas considerados estratégicos na aeronave, como os motores, por exemplo, é disputado por dois grandes consórcios: a CFM, que envolve a empresa americana General Electric e a francesa Snecma e o consórcio IAE , que reúne Pratt & Whitney, Rolls Royce, MTU e JAEC.
 
Todos os fornecedores estrangeiros terão que fazer acordos de offset com a FAB. "Temos 170 encontros agendados para hoje (terça-feira) entre empresas nacionais e estrangeiras, potenciais fornecedoras do KC-390", revelou um dos organizadores do encontro de São José dos Campos.

Frota americana amplia base no Bahrein

Jornal do Brasil
 
A Quinta Frota americana anunciou ontem o início de um projeto de extensão de suas infraestruturas portuárias no Bahrein, próximo ao Irã, a um custo de US$ 580 milhões, que objetiva dar "um apoio maior" aos navios de guerra americanos e aliados que operam no Golfo.
 
Durante uma cerimônia em Port Salman com a presença de autoridades barenitas, o comando da frota informou, através de um comunicado, que o início do empreendimento prevê instalações militares e portuárias, além de uma ponte ligando as instalações atuais ao novo porto.

De acordo com o texto, o projeto, planejado desde 2003 e que cobre uma superfície de 28,3 hectares, será concluído até 2015, devendo a primeira fase ser concluída em 2012.

O Bahrein, que tem uma localização estratégica na parte norte do Golfo, entre a Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait e o Irã, é o porto de ancoragem de navios de guerra americanos em missão na região.

Cerca de 5 mil cidadãos americanos, em sua maior parte militares, vivem no Bahrein, considerado em 2002 um "importante aliado fora da Otan" dos Estados Unidos.

Lei aumenta mais de 13 mil cargos para a Aeronáutica

CECOMSAER
 
A lei que aumenta em 20% o efetivo da Aeronáutica foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 25 de maio. A medida representa mais 13.795 militares para diversas áreas de atuação na Força Aérea Brasileira (FAB). Atualmente, a FAB tem 67.442 militares.

Do total dos novos cargos, 745 são Oficiais Superiores (coronéis, tenentes-coronéis e majores); 2.100 Oficiais intermediários (capitães) e subalternos (segundo e primeiro-tenentes); 7.800 Suboficiais e Sargentos e 3100 Cabos e Soldados.

Segundo o assessor parlamentar, Coronel-Aviador Alberto das Neves Neto, que acompanhou os estudos da exposição de motivos do Projeto de Lei 4.752/2009, "o aumento do efetivo não implicará impacto imediato significativo no orçamento da União, uma vez que o incremento se dará de forma gradual, de acordo com a aprovação na Lei orçamentária Anual".

O expressivo aumento do número de Organizações Militares na FAB nos últimos anos e a crescente demanda do setor de controle de tráfego aéreo foram os principais fatores que influenciaram a aprovação da Lei n° 12.243, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 24 de maio.

O estudo ainda revela crescimento das atribuições sociais da FAB, como a participação em missões da Organização das Nações Unidas, campanhas de vacinação e ajuda humanitária em casos de calamidades nacionais e internacionais.

Esquadrões de Patrulha celebram data histórica no RJ

CECOMSAER
 
Sobrevoo de aeronaves P-95 Bandeirulha e homenagens à bravura e dedicação de militares do passado e do presente marcaram a solenidade de comemoração do Dia da Aviação de Patrulha, promovida no dia 22 de maio, na Base Aérea de Santa Cruz (BASC).

Estavam presentes representantes dos quatro Esquadrões de Patrulha da Força Aérea Brasileira e "patrulheiros" da reserva. Durante a solenidade foram lembrados momentos que marcaram a história da Aviação.

Entre eles, o dia 22 de maio de 1942, quando dois Capitães Aviadores, partindo de Recife (PE), localizaram e atacaram um submarino que rondava a costa brasileira. Navios brasileiros já haviam sido afundados antes em ataques.

Pela bravura com que os militares conduziram o combate e afundaram o submarino, 22 de maio ficou instituído como o Dia da Aviação de Patrulha.

"A esses homens e mulheres de honra, de ontem e de sempre, que voam ou voaram pelos rincões oceânicos diuturnamente, garantindo a vigilância e segurança de nossos mares, outorgamos a memorável denominação de 'Patrulheiros' ", afirmou o Comandante-Geral de Operações Aéreas da FAB, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Gilberto Antonio Saboia Burnier, na Ordem do Dia da Aviação de Patrulha.

Durante a solenidade, também foram prestadas homenagens a militares da ativa e da reserva. Os Comandantes dos quatro esquadrões de Patrulha foram condecorados com a Medalha Mérito Operacional Brigadeiro Nero Moura. Houve, ainda, imposição de flores no busto Patrono da Aviação de Patrulha, Major-Brigadeiro-do-Ar Dionysio Cerqueira de Taunay.

"Foi um dia à altura da Aviação de Patrulha, que está em franco progresso", destacou o Comandante da Segunda Força Aérea, Brigadeiro-do-Ar Luís Antônio Pinto Machado, lembrando que o batismo de fogo da FAB veio com a Patrulha.

A cerimônia foi encerrada com desfile militar. Ao som das marchas Fibra de Herói e Aviação Embarcada, o destaque foi o grupamento de "Patrulheiros", que foi composto por militares da ativa e da reserva.

Gripen NG demo voa na Índia para a disputa do MMRCA

Poder Aéreo
 
Nesta terça-feira, 25 de maio, a Saab divulgou informe sobre a primeira aparição internacional do Gripen NG demo, participando da fase final dos testes de avaliação, na Índia, da competição para a nova aeronave de combate de porte médio do país (MMRCA – Medium Multi- Role Combat Aircraft). Até o momento, a aeronave já realizou 135 voos de teste na Suécia.

Segundo Eddy de la Motte, Diretor da Campanha do Gripen na Índia, "esse acontecimento mostra a experiência e a alta capacidade tecnológica que a Suécia agrega ao desenvolvimento e fabricação de um avião de caça desse calibre. Diversos pilotos de outros países já voaram e avaliaram o Gripen NG demo na Suécia, incluindo pilotos do Brasil e da Índia, e estamos confiantes de que essa aeronave atende, ou excede, todos os requerimentos operacionais levantados pela Força Aérea Indiana."

Ainda segundo a empresa, as condições duras da Base Aérea de Leh, a 3.300 metros de altitude, no Himalaia, provaram não ser páreo para o caça sueco, que passou nos ensaios de alta altitude.

O informe da Saab acrescenta que o Gripen NG demo é a plataforma voadora que está sendo utilizada para treinar e desenvolver novas tecnologias e características incorporadas no Gripen NG. E finaliza afirmando que o Gripen NG foi especialmente desenvolvido para atender aos requerimentos operacionais de países como Índia e Brasil, que demandam um caça de nova geração com raio de combate e persistência ampliados significativamente, assim como maior carga paga e capacidade supercruise (voo em velocidade supersônica de cruzeiro).

Participação de Portugal no programa KC-390 foi tema de encontro com primeiro-ministro

Poder Aéreo
 
O presidente das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) declarou hoje que a possibilidade de Portugal entrar no projeto do novo avião de transporte militar brasileiro KC-390 foi discutida num encontro com o primeiro-ministro.

Eduardo Bonini, um dos cerca de 20 empresários que hoje de manhã se reuniram com o primeiro-ministro, José Sócrates, no âmbito de uma visita que este vai fazer ao Brasil e à Venezuela, disse que esta é uma possibilidade, mas que tudo depende de estudos em curso.

"Foi discutido como sendo uma possibilidade. Ainda estão a ser feitos estudos pelo lado português para ver a viabilidade do projeto antes da tomada de decisão", referiu Eduardo Bonini.

O projeto do KC-390 é do governo brasileiro, que utiliza a Embraer como ferramenta para o desenvolvimento e produção do avião. "Numa parceria entre o governo brasileiro e português, Portugal poderia pedir partes do projeto a ser desenvolvido, no qual estariam a ser beneficiadas empresas portuguesas no fornecimento e desenvolvimento de segmentos dessa aeronave", explicou Bonini.

O avião de transporte militar KC-390, da Embraer, seria uma alternativa aos C-130 Hercules atualmente usados pela Força Aérea Portuguesa.

Questionado sobre a viabilidade de investimentos na área da defesa numa altura de crise financeira e contenção, o presidente da OGMA disse que essa seria a porta de saída da crise.

"[Investir em material de defesa] é exatamente a saída da crise financeira, pois gera mais oportunidades, não só de emprego como no desenvolvimento de produtos. Estaria a capacitar o país no desenvolvimento de segmentos aeronáuticos que depois poderiam ser fornecidos a outros países", disse o mesmo responsável.

"Investir hoje no desenvolvimento de uma aeronave gera empregos diretos e uma infinidade de empregos indiretos", sublinhou.

Também presente na reunião com José Sócrates, o empresário Francisco Van Zeller disse que é uma possibilidade Portugal avançar para esse projeto.

"É concerteza uma possibilidade o Governo português entrar nesse projeto [do KC-390] e faz parte da estratégia de lançamento do nosso cluster aeronáutico, mas para isso vão ser precisos investimentos que nós já estamos a fazer no Brasil", disse.

"Trata-se de substituição de aviões antigos, tanto lá como cá. E depois há a manutenção. Nós temos grande manutenção que poderá ser transferida para lá porque eles não têm capacidade suficiente. E mesmo a construção [dos aparelhos] pode ser feita cá, portanto tudo isso foi discutido" na reunião, acrescentou Van Zeller.

Saab recebe contrato para novo sistema aviônico do Gripen

Poder Aéreo
 
A Saab informou nesta terça-feira, 25 de maio, que recebeu uma encomenda da Administração Sueca de Material de Defesa (FMV) para desenvolver um novo sistema de aviônica para as aeronaves Gripen do país. O valor divulgado do contrato é de 450 milhões de coroas suecas (aproximadamente 56 ,5 milhões de dólares ou 106 milhões de reais), dividido em dois anos. Pela encomenda, os trabalhos no sistema, que inclui novos computadores e telas, deverão ser iniciados para que este entre em serviço daqui a 10 anos.
 
Segundo Lennart Sindahl, Vice Presidente da Saab e chefe da área de negócios aeronáuticos da empresa, o "Gripen está em contínuo desenvolvimento. Computadores que hoje têm o melhor desempenho possível serão vistos como inadequados para as missões do Gripen daqui a dez anos, quando a aeronave deverá manter-se moderna por mais vinte anos. Poucos produtos de alta tecnologia têm uma vida em serviço longa como o Gripen."

Ainda segundo o informativo da empresa, o novo sistema de aviônicos vai incrementar a capacidade do Gripen de lidar com grandes quantidades de informações complexas, com diversos níveis de classificação de segurança. O novo sistema também possibilitará que, no futuro, sejam introduzidos novos sensores que requeiram uma arquitetura de sistema alterada.

Inaugurado hangar do DSM de Manaus

Hangar apoiará aeronaves da FAB, incluindo o F-5
 
CECOMSAER
 
O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, inaugurou na terça-feira (25/5) o Hangar do Destacamento de Suprimento e Manutenção (DSM) de Manaus, localizado na Base Aérea de Manaus (BAMN). A partir de agora, a Força Aérea Brasileira (FAB) passa a contar com uma unidade específica e única para efetuar a manutenção de sua frota de aeronaves na região amazônica. O evento teve a presença de várias autoridades do Alto Comando da Aeronáutica.

O Destacamento tem cerca de sete mil metros quadrados. Para a construção foram utilizados 150 mil metros cúbicos de terra, o que representou 30 mil viagens de caminhão para o transporte desse volume. O hangar será utilizado para a manutenção de aeronaves dos modelos C-105, C-98, C-97, H-60 e F-5, além daquelas em trânsito na região. A infraestrutura da nova instalação é composta por 32 seções diferentes distribuídas entre os setores de manutenção, logística e controle, por onde estão alocados 136 militares das mais diversas especialidades.

"Esse hangar vem consolidar uma política do comando da aeronáutica no sentido de concentrar a logística sobre um órgão para permitir que o comando geral de operações aéreas realize as suas missões em condições de maior mobilidade e eficácia", explica o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Antonio Gomes Leite Filho, comandante do Comando Geral de Apoio (COMGAP), a quem o DSM está subordinado.

"A grande vantagem será a execução descentralizada dos serviços que vai permitir agilidade e economia de recursos", ressalta o Tenente-Coronel-Aviador Esdras Sakuragui, chefe do Destacamento.

Simulador C-105

Na ocasião, o Comandante também visitou o simulador da aeronave C-105. O equipamento permite o treinamento do piloto nas mais diversas situações, como vôo básico, por instrumentos, lançamento de cargas e guerra eletrônica. O aparelho é considerado como de última geração e não há similar abaixo da linha do Equador, seja na esfera civil ou militar.

Desde fevereiro deste ano, 106 pilotos da FAB já utilizaram o equipamento. Entre as principais vantagens da utilização do aparelho estão a possibilidade de simular condições que não seriam possíveis em situações reais e o barateamento dos custos.

Forças de segurança paquistanesas matam pelo menos 23 supostos talibãs

Islamabad, 27 mai (EFE).- Pelo menos 23 supostos insurgentes morreram em uma ofensiva das forças de segurança paquistanesas na região tribal de Orazkai, onde há uma operação contra os talibãs em andamento há dois meses, informou à agência Efe um porta-voz militar.

As forças governamentais atacaram com artilharia e aviões de combate um esconderijo dos fundamentalistas na área de Kalasha na noite da quarta-feira, segundo a fonte.

Na mesma noite, também foi registrado outro fato violento na zona de Meshti Mela, de Orakazai, onde um grupo de insurgentes talibãs atacou um posto de controle militar.

"Abriram fogo contra a base, mas o ataque foi bem respondido pelas tropas, que acabaram com a vida de um bom número de fundamentalistas sem sofrer baixas", explicou o porta-voz militar.

Os analistas acreditam que a demarcação de Orakzai, perto da fronteira com o Afeganistão, se tornou refúgio de muitos insurgentes que fugiram das ofensivas do exercito paquistanês em regiões tribais vizinhas nos últimos meses.

Mais de 500 insurgentes e 30 de soldados morreram desde o começo dos combates em Orakzai, segundo cálculos militares que precisam de comprovação independente e não incluem civis.

Bomba da Segunda Guerra obriga evacuação de 9 mil pessoas em Berlim

Berlim, 27 mai (EFE).- Uma bomba da Segunda Guerra Mundial foi encontrada na noite desta quarta-feira na região de Berlim, e obrigou a evacuação de cerca de nove mil pessoas que estavam em imóveis próximos.

O artefato, que pesa aproximadamente 500 quilos, é de fabricação americana, e foi encontrado por funcionários de obras de canalização no distrito de Zehlendorf.

Durante mais de seis horas, as forças de segurança evacuaram todos os edifícios em um raio de 500 metros. A maior parte dos moradores se abrigou em casas de familiares e amigos, mas cerca de mil deles foram atendidos em uma estrutura provisória.

Por ano, a Polícia de Berlim recolhe e desativa entre 25 e 40 toneladas de bombas, granadas e outros tipos de munição e armamento da Segunda Guerra que ficaram enterrados no subsolo da cidade.

O Senado de Berlim acredita que o subsolo da capital alemã tem ainda cerca de três mil bombas aéreas de 250 quilos cada.

Em Montevidéu, ministros da Defesa de Brasil e Uruguai discutem cooperação

Brasília, 26/05/2010 - Os ministros da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e do Uruguai, Luis Rosadilla, acompanhados dos respectivos comandantes de Forças e outras autoridades, realizarão nesta quinta-feira (27/05) Reunião Bilateral para discutir as respectivas experiências na área de defesa e as possibilidades de intensificar a cooperação entre os dois países.

O encontro foi sugerido no início de maio por Rosadilla, que assumiu o cargo em março, na equipe do novo presidente do Uruguai, José Mujica Cordano. A proposta foi prontamente aceita pelo ministro Jobim. No encontro, que durará todo o dia, grupos de trabalho com representantes dos dois países discutirão os seguintes temas, entre outros:

-O papel e as potencialidades do Conselho de Defesa Sulamericano;
-As Operações de Paz da Organização das Nações Unidas;
-Os acordos bilaterais já existentes entre os dois países;
-Trocas de experiência sobre os processos de estruturação dos respectivos ministérios da Defesa;
-Cooperação em indústria de defesa e complementação de bases industriais;
-Possibilidades de intercâmbio em formação de recursos humanos;
-Intercâmbio sobre formação e educação militar;
-Avaliação da estrutura de controle da fronteira comum;
-Experiências de emprego das Forças Armadas em apoio a políticas sociais governamentais.

A integração entre as áreas de defesa dos países da América do Sul é um dos objetivos permanentes do ministro Jobim, que visitou todos os países do subcontinente em 2008, durante as negociações que resultaram na criação do Conselho de Defesa Sulamericano, vinculado à União dos Países da América do Sul (Unasul). Entre as metas do Brasil, estão as de que os países da Unasul tenham posições comuns de defesa em fóruns internacionais, intensifiquem a cooperação, especialmente na participação em forças de paz da ONU, e integrem suas indústrias de defesa, o que fortalecerá a economia e ampliará a autonomia estratégica da região.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa

25 maio 2010

Farc mata nove militares e deixa dois feridos em confronto com a Marinha da Colômbia


Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Um confronto entre os guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a Marinha colombiana provocou a morte de nove militares. O embate ocorreu ontem (23), na área de Puerto Tejada, município de Solano, em Caquetá. A Marinha informou, em nota oficial, que ainda há dois feridos e um desaparecido.

O conflito ocorreu no momento em que a Marinha fazia operações ofensivas em uma região dominada pelos guerrilheiros por suspeitar que reservavam armamentos para um eventual ataque no dia das eleições presidenciais – 30 de maio.

De acordo com a nota, o incidente ocorreu quando as tropas entraram em uma área que é dominada pelas Farc. O objetivo, segundo a Marinha, era localizar o esconderijo onde supostamente estavam guardados explosivos e armamentos.

Apesar das vítimas, o Ministério da Defesa informou que a Força Sul Naval que integra a 6ª Divisão do Exército Nacional, apoiado pela Força Aérea, vai manter as operações na área. A meta é encontrar o militar desaparecido da Marinha e retomar a ofensiva contra as Farc.

Segundo a nota oficial, os nove corpos de fuzileiros navais mortos pelo grupo Farc já foram transferidos para as cerimônias de velório e enterro. Os feridos, de acordo com as informações do ministério, estão sob cuidados médicos.

Líder sul-coreano anuncia revide


Myung-bak impõe medidas contra Coreia do Norte. EUA preparam teste militar conjunto

Rodrigo Craveiro - Correio Braziliense 

Basta um único tiro para lançar parte da Ásia no caos. Em um dos discursos mais contundentes de um presidente da Coreia do Sul nos últimos tempos, Lee Myung-bak foi enfático ao mandar um recado para o regime norte-coreano de Kim Jong-il. Em pleno Memorial da Guerra da Coreia, no centro de Seul, ele avisou: "Se nossas águas territoriais, nosso espaço aéreo e nosso território forem violados militarmente, nós exercitaremos imediatamente nosso direito à autodefesa".

Em rede nacional de TV, o líder sul-coreano exigiu desculpas da Coreia do Norte pelo naufrágio da corveta Cheonan (PCC-772) — o ataque deixou 46 mortos, em 26 de março passado. "A partir de agora, a República da Coreia não vai tolerar qualquer ato de provocação pelo Norte e manterá o princípio de dissuasão proativa", declarou. Myung-bak anunciou algumas medidas contra os vizinhos, que incluem desde o rompimento das relações comerciais, uma guerra psicológica e a proibição de acesso às águas territoriais. "As coisas mudaram. A Coreia do Norte vai pagar um preço à altura de suas provocações", acrescentou.

Ao mesmo tempo, o Pentágono revelou que as Forças Armadas dos Estados Unidos realizarão exercícios militares com os sul-coreanos em um "futuro próximo", na costa ocidental da Península Coreana. Segundo o porta-voz Bryan Whitman, a parceria se focará em treinamentos de interdição antissubmarina e marítima. Os objetivos seriam aprimorar a capacidade de detecção de submarinos inimigos e bloquear a passagem de embarcações com carga nuclear. 

Revisão 

O presidente norte-americano, Barack Obama, determinou a revisão da política de Washington em relação a Pyongyang e aprovou a aplicação de sanções, em caso de novas agressões. "Esta revisão visa assegurar que tomemos as medidas apropriadas e identifiquemos as zonas onde seja necessário realizar ajustes", disse Robert Gibbs, assessor de imprensa da Casa Branca. Obama ordenou que as forças americanas se coordenem com a Coreia do Sul para "garantir prontidão".

Por e-mail, o sul-coreano Won K. Paik — ex-diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Central de Michigan — descartou que uma guerra seja inevitável, mas admitiu a grande probabilidade de uma escalada. "Se Pyongyang continuar negando qualquer envolvimento e manter uma postura ofensiva, a situação se agravará até um ponto sem retorno", aposta, em entrevista ao Correio.

Ele considera muito alto o risco de um confronto. "A Coreia do Sul reafirma a doutrina de dissuasão, enquanto a Coreia do Norte mantém a mesma lógica e garante ter milhares de mísseis apontados para Seul, onde vivem 20 milhões de pessoas", lembra.

O também sul-coreano Yong Chen, da Universidade da Califórnia-Irvine, prevê mais provocações por parte de Pyongyang, mas duvida de um confronto. "Esse cenário levaria ao colapso da Coreia do Norte e poderia esfarelar a economia do Sul. Os EUA não querem desestabilizar a região", lembra, também por e-mail. De acordo com ele, Seul e Washington usam o naufrágio da Cheonan para fortalecer suas posições e alcançar suas agendas. "Os EUA querem trazer o Norte de volta à mesa de negociação. Pyongyang seguirá com seus esforços para que o mundo a reconheça como potência nuclear." 

Reações imediatas

O que o governo sul-coreano decidiu fazer em relação à Coreia do Norte

Comércio 

O presidente Lee Myung-bak anunciou que Seul deixará de investir na Zona Industrial de Kaesong, onde mais de 100 empresas operam e onde cerca de mil sul-coreanos trabalham. Também decidiu proibir seus cidadãos de entrar na Coreia do Norte a partir de Kaesong. A Coreia do Sul também cortará qualquer laço econômico e comercial com os vizinhos 

Guerra psicológica 

Seul instalará 11 placas eletrônicas gigantes ao longo da fronteira com a Coreia do Norte e mandará folhetos para o país vizinho, já na manhã de hoje, por meio dos quais detalhará os resultados da investigação sobre o naufrágio da corveta Cheonan 

Bloqueio marítimo 

A Coreia do Sul impedirá qualquer navio ou embarcação norte-coreana de entrar em suas águas territoriais 

Conselho de Segurança 

Myung-bak pretende levar o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unido, em busca de sanções contra Pyongyang 

Exercícios militares 

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizarão exercícios navais dentro da Iniciativa de Segurança de Proliferação, desenhada para prevenir o tráfico de armas de destruição em massa e tecnologias. Os testes militares também visam prevenir ataques com submarinos

Seul ameaça reagir militarmente

Governo exige desculpas da Coreia do Norte e pedirá sanções ao Conselho de Segurança
 
Jornal do Brasil

Em resposta ao afundamento da corveta Chenoan, em 26 de março, a Coreia do Sul anunciou a suspensão das transações comerciais com a Coreia do Norte, responsável pelo submarino que torpedeou o navio, um incidente que matou 46 marinheiros. A tensão na península coreana é a mais grave desde a Guerra da Coreia que terminou em 1953. Com a punição, o país do Norte perderá cerca de 15% das suas transações com o exterior.

Além do veto comercial, o presidente sul-coreano Lee Myung-bak proibiu o tráfego de navios nortecoreanos em seu território e alertou que, em caso de uma nova provocação, exercerá seu direito de defesa.

O caso, segundo Seul, também será levado ao Conselho de Segurança da ONU, onde pretende reivindicar novas sanções.

– Eu exorto as autoridades da Coreia do Norte a fazerem o seguinte: pedir desculpas à Coreia do Sul e à comunidade internacional. Punir imediatamente os responsáveis e os envolvidos no incidente – recomendou Lee Myung-bak, em discurso transmitido pela televisão.

Através de um comunicado divulgado pela agência de notícias norte-coreana KCNA, o governo de Kim Jong-il ameaçou usar sua artilharia para destruir cartazes e alto-falantes na fronteira, e se comprometeu a adotar medidas mais enérgicas caso Seul agrave o impasse.

Desde o anúncio do resultado da investigação, realizada por uma comissão internacional, o regime comunista nega qualquer tipo de envolvimento no naufrágio.Segundo o jornal El País, caso uma sanção seja aprovada pela ONU, a situação de Pyongyang ficará tão precária que será forçado a negociar ou a pedir ajuda, ou provocará uma divisão em seu regime.

Repercussão

Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, classificou a situação criada pela Coreia do Norte como "altamente precária".

A declaração foi realizada em visita à China, principal parceiro comercial norte-coreano que, no passado, relutou em adotar medidas mais duras contra a nação comunista. Em reunião de cúpula em que exerceu claramente uma pressão sobre Pequim, Hillary pediu que o governo chinês coopere com os Estados Unidos na questão.

– Pedimos à Coreia do Norte que cesse este comportamento provocador e cumpra as leis internacionais – acrescentou.

O presidente Barack Obama aplaudiu a decisão de Seul de suspender relações comerciais e deu instruções aos chefes militares na região para que coordenem com o Exército sul-coreano as ações necessárias a fim de "deter uma agressão".

Já o governo de chinês, preferiu repetir o apelo para que haja calma e prudência para lidar com a questão. O incidente deve ser tratado de "maneira justa e objetiva, assim como outros assuntos internacionais", disse Ma Zhaoxu, porta-voz do ministério do Exterior.

Jornal diz provar que Israel tem arma nuclear

Jornal do Brasil
 
O jornal britânico The Guardian acusou Israel de ter oferecido armas nucleares ao regime segregacionista sul-africano em 1975, segundo documentos secretos que constituiriam a primeira prova documental da posse de armas atômicas pelo Estado judeu.

Segundo o diário britânico, minutas das reuniões realizadas por altos dirigentes de ambos os países em 1975 indicam que o ministro de Defesa sul-africano, Pieter Willem Botha, solicitou as bombas, e seu colega israelense, Shimon Peres, atual presidente de Israel, as ofereceu "em três tamanhos".

Peres e Botha assinaram nessa ocasião um acordo sobre as relações militares e bilaterais incluindo uma cláusula segundo a qual "a existência desse acordo deveria permanecer secreta".

O documento foi descoberto pelo respeitado acadêmico norte-americano Sasha Polakow-Suransky, editor da revista Foreign Affairs, enquanto preparava um livro sobre a Estado judeu teria oferecido ogivas nucleares à África do Sul na época do apar theid estreita relação entre Israel e a África do Sul. Israel mantém uma política de ambiguidade sobre seu programa nuclear, evitando negar ou confirmar suspeitas.

De acordo com o Guardian, as autoridades israelenses tentaram impedir que o governo sulafricano pós-apartheid desclassificasse o documento a pedido de Polakow-Suransky.

Ontem, o presidente israelense, Shimon Peres, desmentiu categoricamente a notícia publicada no Guardian, alegando que o artigo foi escrito com base em "uma interpretação seletiva de documentos sulafricanos e não com base em fatos reais".

"Não há nenhum fundamento real nas alegações do The Guardian, sobre negociações realizadas em 1975", disse Peres em comunicado. "Não existe nenhum documento ou assinatura israelense que comprove isso".

A revelação pode colocar dúvidas quanto à legitimidade de possíveis sanções ao Irã e aos esforços de diminuição de arsenais atômicos.

Crea: empresas contratadas pelo IME são ilegais

Consultorias, que atuaram em obras de rodovias brasileiras, não têm registro no órgão ou engenheiro responsável

Carla Rocha e Vera Araújo - O Globo

Um levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) revela que todas as 12 empresas contratadas pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército, que estão sendo investigadas por uma suposta formação de cartel, estão em situação irregular. Só uma delas tem registro no órgão (o que é exigido por lei), mas mesmo ela não tem um engenheiro responsável em dia com suas obrigações legais. As informações já foram encaminhadas pelo presidente do Crea, Agostinho Guerreiro, à Procuradoria de Justiça Militar do Rio, que investiga o esquema que pode ter fraudado licitações no valor total de R$ 15,3 milhões.

As empresas foram contratadas para prestar serviços de consultoria em diversas áreas, como informática e meio ambiente, sendo a maior parte deles realizada entre 2004 e 2006. Os contratos visavam a melhorias em rodovias brasileiras em projetos coordenados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Ministério dos Transportes, em parceria com o IME, centro acadêmico de referência, subordinado ao Ministério da Defesa. O caso é investigado porque há suspeita de que as firmas contratadas tinham entre seus sócios parentes ou outras pessoas ligadas a militares e a ex-militares do instituto, que eram usados como laranjas. O objetivo seria ganhar concorrências de cartas marcadas, já que muitos eram oficiais lotados à época no IME.

Agostinho Guerreiro disse que o fato de o IME não ter exigido o registro das empresas no Crea chama a atenção:

— É estranho que não tenha sido exigido o registro porque ele é a segurança de que o contrato está dentro da lei. Muitos problemas poderiam ter sido evitados. Todas as obras realizadas por essas empresas estão ilegais. O presidente do Crea lembra que, de acordo com o artigo 15 da lei 5.194/66, são nulos os contratos referentes a qualquer ramo da engenharia, quando firmados por entidade pública ou particular com pessoa física ou jurídica não legalmente habilitada a praticar a atividade. A única empresa com registro no Crea é a GNBR, a que mais recebeu recursos do IME e prestou serviços para uma obra da BR-163, que liga Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, a Santarém, no Pará. Entre 2004 e 2008, a empresa teve R$ 3,3 milhões liberados pelo IME, de acordo com o Portal da Transparência do Governo Federal. No período, por meio do instituto, a firma prestou serviços também ao Colégio Militar do Rio. No bairro do Jockey, em São Gonçalo, onde ficaria a sede da GNBR, de acordo com a Receita Federal, há uma casa simples, onde, segundo vizinhos, nunca funcionou uma empresa — uma prática comum entre as firmas investigadas. Outras também não foram encontradas nas sedes informadas e havia até uma sócia que declarava morar no Morro do Urubu, em Pilares.

Após as denúncias publicadas pelo GLOBO, o Ministério Público fez uma ação de busca e apreensão no prédio do IME, na Urca, procedimento considerado incomum dentro de uma unidade militar. Ainda depois das reportagens, o IME abriu um inquérito policialmilitar, conduzido pelo general de divisão João Edison Minnicelli, diretor do Centro Tecnológico do Exército. A procuradora Maria de Lourdes Sanson, do 5oOfício do Ministério Público Militar, coordena uma força-tarefa que investiga o caso.

Pagamentos a jato

Uma das linhas de investigação do Ministério Público Militar se refere à velocidade com que as empresas recebiam pelos serviços. Contratadas pelo IME para prestar consultorias às vezes complexas na área de geoprocessamento, elas conseguiam receber poucos dias depois. Os procuradores se baseiam em históricos como o da Enrilan: criada em 13 de setembro de 2004, a empresa venceu a licitação pouco mais de um mês depois, em 27 de outubro, e recebeu o primeiro pagamento no dia 19 de novembro. Os procuradores querem saber ainda se os serviços foram de fato prestados.

A prática irregular do IME já tinha chamado a atenção de técnicos do Tribunal de Contas da União. Em 2005, uma auditoria alertava que, numa concorrência realizada pelo instituto para obras na BR-101, no município de Osório (RS), quatro empresas tinham sócios em comum, o que prejudicaria a disputa. O tribunal citou ainda um caso em que o pagamento a uma das firmas foi feito um dia após a emissão da nota de empenho. Para o TCU, só havia duas hipóteses para explicar a proeza: ou a empresa recebeu valores superiores a R$ 100 mil por serviços realizados em um único dia ou o pagamento foi feito antes da execução dos trabalhos.

24 maio 2010

Avião de transporte militar da Embraer estará no mercado até o fim

Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos

Avaliado em cerca de US$ 1,3 bilhão, o programa de desenvolvimento e industrialização do novo avião de transporte militar da Embraer, o KC-390, encontra-se em fase de definição de configuração e dos parceiros estratégicos. A expectativa da empresa é a de que até o fim deste ano já esteja pronta para iniciar a comercialização do cargueiro, que nos próximos dez anos disputará um mercado de 700 aeronaves, um negócio estimado em US$ 13 bilhões.

A Força Aérea Brasileira (FAB), que contratou à Embraer o desenvolvimento da aeronave, será a cliente lançadora do cargueiro no mercado. O primeiro voo do protótipo do KC-390, segundo a FAB, está previsto para acontecer em 2014. O cronograma de desembolsos para o projeto prevê o repasse de R$ 100 milhões em 2010 e de R$ 200 milhões em 2011. O preço da aeronave ainda não está definido, mas de acordo com estimativas feitas por fontes ligadas ao projeto, o valor deve ficar em torno de US$ 60 milhões a US$ 70 milhões.

O KC-390 será o maior avião já produzido pela Embraer e substituirá o Hércules C-130, em operação na FAB desde a década de 60. Embora ainda não tenha formalizado nenhum contrato de aquisição, a previsão é que a FAB faça uma encomenda inicial de 20 aeronaves para a Embraer.
 
Com 20 toneladas de peso, o KC-390 é um avião de transporte, que apoiará as Forças Armadas brasileiras e de outros países interessados no produto, em missões de transporte de tropa, de carga, veículos militares, busca e resgate, lançamento de paraquedistas e carga e reabastecimento em voo.
 
O projeto será desenvolvido pelo sistema de parcerias estratégicas, que prevê o compartilhamento de custos e riscos, a criação de laços de longo prazo entre as indústrias, as forças armadas e os governos dos países envolvidos, além do estabelecimento de cotas de participação nas vendas dos aviões. A lista de parceiros do projeto já inclui Chile, Colômbia, África do Sul e Portugal.

Na Embraer o projeto do novo cargueiro é visto como o carro-chefe da estratégia de crescimento dos negócios da empresa na área de defesa. A companhia espera capturar 10% da frota de cerca de 2 mil aviões cargueiros em fase final de vida útil no mercado, sendo que a maior parte deles é de aeronaves C-130.

Jobim vincula compra de caças a venda simultânea de cargueiros

Assis Moreira, de Madri - Valor

O Ministério da Defesa fará, nos próximos dias, uma exposição de motivos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva onde indicará tanto um claro favorito no processo de aquisição de caças para renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB) como requisitos mínimos para que o contrato bilionário seja concluído.

Um desses requisitos vincula a assinatura do contrato da compra inicial de 36 jatos à encomenda simultânea de 12 cargueiros KC-390, da Embraer, pelo vencedor da concorrência.

"Queremos a assinatura ao mesmo tempo", afirmou o ministro Nelson Jobim ao Valor.

O ministro disse que já escreveu 76 páginas da exposição de motivos sobre a aquisição, que tem um custo estimado em cerca de US$ 6 bilhões. O texto será divulgado logo depois de entregue ao presidente Lula e depois debatido no Conselho de Defesa Nacional. E mais tarde voltará para a FAB e ao Ministério da Fazenda, para a fase da negociação do contrato.

Estão na disputa o caça francês Rafale, da Dassault, o sueco Gripen NG, da Saab, e o F-18, fabricado pela americana Boeing. A preferência pelo jato francês parece clara em Brasilia. Jobim diz apenas que o importante para o Brasil, "se for o jato francês", é que o cargueiro da Embraer poderá entrar no mercado europeu e competir na substituição da frota de C-130 Hércules, da americana Lockheed. Segundo Jobim, existe no mundo uma frota de 300 a 400 cargueiros Hércules, que vão precisar ser substituídos. Aí entra a possibilidade para o KC-190, da Embraer, que poderá estar voando a partir de 2014. O governo brasileiro está atento também a uma provável encomenda do Rafale pelos Emirados Árabes Unidos. Se a aquisição for confirmada, o Brasil poderá barganhar por um pacote conjunto que barateia o preço de cada jato.

Jobim negou que a França tenha feito uma oferta final para garantir a venda dos Rafale durante o encontro do presidente Nicolas Sarkozy com o presidente Lula em Madri, na semana passada, contrariando informações publicadas pela imprensa francesa. O ministro acha que dá para concluir a negociação do contrato de aquisição antes da transferência de poder, em janeiro, sinalização que pode acalmar a inquietação entre os franceses, que já perderam encomendas em certos países quando o novo governante assumiu. Um porta-voz indicou que Sarkozy saiu do encontro com Lula com o sentimento de que, em breve será confirmada a preferência pelo Rafale.

O presidente francês revelou ao presidente Lula, na mesma conversa, que vai propor, durante o encontro de cúpula do G-20 no mês que vem, em Toronto, que a reforma do Conselho de Segurança da ONU seja acelerada e mesmo decidida até o fim do ano. E que o Brasil tenha assento permanente, como potência emergente e líder regional.

23 maio 2010

Projeto FX-2: futuro em disputa

O governo federal negocia com fornecedores internacionais a compra de 36 caças supersônicos, um contrato cujo valor é estimado entre quatro e oito bilhões de dólares. A operação não se limita unicamente a questões estratégicas de defesa, mas envolve também o domínio de tecnologia na área – o Brasil quer ser capaz de produzir caças no futuro, para uso próprio e também para atender o mercado – e também abre perspectivas de desenvolvimento econômico para diversas regiões do país.

Celso Horta - INOVABCD

A aquisição de 36 caças supersônicos não é o primeiro desejo de modernização das Forças Armadas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura realizar. Em setembro de 2009, Lula assinou acordo no valor de 6,8 bilhões de euros (cerca de R$ 20 bilhões) para adquirir quatro novos submarinos convencionais e viabilizar as bases para o desenvolvimento do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro.

Sem alternativas de americanos, russos e outras nações que disponibilizassem transferência de alta tecnologia no negócio dos submarinos, a decisão do governo brasileiro de entregar a encomenda à França foi recebida com naturalidade, apesar de algumas vozes dissonantes.

Mas, ao contrário dos submarinos da Marinha, a história do fornecimento dos supersônicos à FAB – dentro do chamado projeto FX-2 – se transformou em um forte campo de disputa. Numa primeira rodada, seis fabricantes responderam à solicitação brasileira. Dentre eles, três foram selecionados pela Força Aérea Brasileira para participar de um segundo round desta concorrência: a Dassault francesa, a Boeing americana e a SAAB sueca.

O processo de escolha ganhou um condimento especial em setembro de 2009, quando o presidente Lula declarou que o acordo Brasil-França de aquisição de material bélico, incluiria o caça Rafale, da Dassault. Esse fato, contudo, estaria condicionado a garantias de transferência de tecnologia e autorização para exportar os aviões aqui produzidos para a América Latina. Mesmo tendo deixado a questão em aberto, a posição do presidente causou reboliço. Na avaliação de um ex-militar da aeronáutica, “o presidente é muito inteligente, muito responsável e não falaria o que falou no 7 de setembro se não fosse mal assessorado”.

Para aumentar a turbulência em torno do Projeto FX-2, em janeiro de 2010 a Folha de São Paulo divulgou relatório da FAB, que colocava o Gripen NG, da SAAB, à frente dos concorrentes. A avaliação levava em conta aspectos como custo de aquisição, operação e manutenção. Mesmo com a Dassault tendo reduzido seu preço em 1,8%, o Ministério da Aeronáutica não mudou posição.

Por fim, outros setores da sociedade que usualmente se manteriam distantes desse debate, decidiram se manifestar. Além de empresas do setor aeronáutico, lideranças políticas regionais, como o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e sindicalistas da região do ABCD puseram-se em campo com o objetivo de defender a proposta da SAAB (não confundir com a SAAB automotiva) que, segundo eles, oferece melhores oportunidades de desenvolvimento para o país e para o ABCD.

No início de maio, a disputa seguia em aberto. A expectativa era de que o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, encaminhasse formalmente o assunto junto ao presidente Lula. A decisão final, que deverá ser tomada após reunião do Conselho de Segurança Nacional, não tinha, contudo, data para ser anunciada. De fato, o presidente da República chegou a aventar a hipótese de, até mesmo deixá-la para seu sucessor (ou sucessora).

Para que lado deve pender a balança nesse evento é difícil avaliar – até porque aspectos técnicos e também políticos envolvendo a efetiva transferência de tecnologia precisam ser considerados. Se Jobim tem se manifestado a favor do Rafale, em nome de questões estratégicas de geopolítica internacional, o posicionamento da FAB e o de Marinho, ex-sindicalista e amigo pessoal do presidente, deixam o horizonte pouco claro.

O jogo de pressões – acrescente-se, legítimo – em torno de uma decisão de tamanha importância deve prosseguir até que o martelo seja batido.

Nas páginas a seguir, INOVABCD detalha os desdobramentos da proposta da SAAB no que ela teria de impacto sobre a região do ABCD e ouve interessados no projeto. Posteriormente o correspondente Flávio Aguiar, enviado à Suécia para conhecer de perto a fábrica da SAAB, conta o que viu por lá. Entre outras coisas, o próprio Gripen NG (de New Generation), que alguns diziam ser um “avião de papel”. Não é.

PARCERIA OMBRO A OMBRO

“A SAAB está propondo ao Brasil uma parceria internacional que vai garantir não apenas transferência de tecnologia aeronáutica de última geração para a indústria brasileira como também a implantação de um polo tecnológico no ABCD.” A afirmação é de Bengt Janér, diretor geral da SAAB International Brasil e responsável pelas tratativas da empresa sueca junto ao governo brasileiro. Trata-se, segundo ele, de uma parceria para conquistar 10% do mercado internacional de caças que, nos próximos 20 anos, deverá substituir em torno de 2,5 mil dos 5 mil caças que voam no mundo hoje – o equivalente a um faturamento de US$ 40 bilhões.

Janér sustenta que a proposta da SAAB é única em diversos sentidos. De um lado soma o potencial tecnológico da aviação militar sueca com a capacidade instalada da indústria aeronáutica civil brasileira representada pela Embraer, hoje a terceira maior fabricante de aviões do mundo. Outro fator de peso é o fato de que o Gripen NG é um projeto em desenvolvimento. Isto significa que o novo caça poderá utilizar as mais recentes tecnologias desenvolvidas na área. “Não é um produto pronto, no qual você não tem mais nada a contribuir ou a aprender”, diz.

Segundo ele, o único processo comprovado de incorporação de tecnologia é quando ela é absorvida da prática e não da leitura de manuais. “A proposta da SAAB para o Brasil é exatamente essa: ‘fazer junto’”. O fato de ser um projeto novo – o que fica evidenciado no próprio nome “Gripen NG” – de Nova Geração – não preocupa Janér. À “acusação” dos concorrentes de que se trata de um “avião de papel”, ele rebate com o histórico da própria família de caças Gripen, que atua na Força Aérea Sueca desde 1997; na África do Sul, desde 1999; na Hungria desde 2001, na República Tcheca desde 2005 com um histórico de 120 mil horas de vôo.

Afora esses aspectos, Janér acredita ter em mãos um outro trunfo de peso: condições de financiamento extremamente vantajosas. “Nossa proposta prevê 100% de financiamento do valor do contrato, estimado em US$ 4,5 bilhões, que é metade do preço do concorrente francês, oito anos de carência, 15 anos para pagar e juros de 4,21% ao ano”.

CELULAR x TIJOLÃO -
Na reserva da Aeronáutica brasileira, o brigadeiro do ar Fernando Cima, assessor da SAAB no Brasil, defende com o mesmo entusiasmo a aeronáutica brasileira e a alternativa Gripen NG para a FAB. Para ele, a Aeronáutica está muito tranqüila em relação ao posicionamento do presidente Lula ao lado do resultado pró Gripen obtido na concorrência feita pela FAB. “Comparar o Gripen NG com as alternativas disponíveis é o mesmo que comparar a atual geração de telefones celulares com os tijolões oferecidos aos consumidores há 12 anos”, brinca.

Para Fernando Cima, o que está sendo oferecido ao Brasil é a oportunidade de participar, ao lado de um país que já produziu duas gerações de caças militares de um projeto de desenvolvimento de uma nova geração do Gripen. Com metade dos custos, o dobro de autonomia e motor 20% mais potente, será capaz de conquistar uma fatia substancial do mercado internacional desta aeronave.

No caso do acordo com a SAAB, segundo o brigadeiro, a indústria aeronáutica nacional vai ganhar novos conhecimentos em varias áreas. Vai ser capaz de estabelecer um domínio completo sobre os software de integração de novos sistemas e novos armamentos.

Terá acesso, enfim, a uma serie de conhecimentos e “tecnologias duais negadas”, reivindicadas ao comando da aeronáutica pela indústria aeroespacial: material composto; fusão de dados; integração de motores, de sistemas em geral e homologação de produtos para validação internacional.

Segundo o brigadeiro, componentes como motores sobre os quais o fabricante não detém conhecimento, não compromete a proposta.

“Nenhum dos grandes fabricantes internacionais de aviões fabrica motores”, argumenta, explicando que são componentes comerciais prontos e desenvolvidos. “O segredo está em como integrar este motor ao avião”.

PERSPECTIVAS PARA O ABCD – Para o ex-diretor de Estratégias de Mercado e Defesa da Embraer, hoje assessor da SAAB, o engenheiro Anastácio Katsanos, a experiência junto aos franceses não foi animadora. “Durante oito anos a Dassault foi membro do Conselho de administração da Embraer, com 20% do capital. Ao longo desse período, nunca aportaram recursos para desenvolver nenhum projeto conjunto com a empresa”, afirma.

Ainda assim, a Embraer cresceu e, com ela, o parque aeroespacial brasileiro, com empresas de software, em São José dos Campos (SP), indústrias de aviônicos, em Porto Alegre; de manutenção de motores, no Rio de Janeiro e, mais recentemente, o surgimento de fabricantes em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, para onde foram transferidas algumas linhas da Embraer.

“Hoje empresas como Akaer, Inbra, Mectron e Atech, Aeroeletronica, num total aproximado de 200 empresas, estão prontas para acompanhar a Embraer neste novo salto que, se depender da SAAB e da vontade de sindicalistas e do prefeito Luiz Marinho terá a Região do ABCD como novo palco”, diz Katsanos.

Na opinião do engenheiro, a criação de um polo Aeroespecial e de Defesa no ABCD oferece benefícios como a qualidade da mão-de-obra na Região, a interação e o acesso ao porto de Santos. “A Embraer tem seções de fuselagem de suas linhas de produção que precisam ser transportadas de madrugada com esquemas especiais porque os viadutos entre Santos e São José não foram preparados para este transporte” relata o engenheiro. No ABCD, problemas como esses estariam naturalmente resolvidos.

OS NOVOS PROTAGONISTAS

Em meados de março, em companhia do economista Jefferson Conceição, seu secretário de Desenvolvimento Econômico, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, viajou para a Suécia onde cumpriu extensa programação oficial com o objetivo de estreitar a colaboração entre São Bernardo e aquele país. Na bagagem estava um projeto de transformar a cidade em um polo de tecnologia aeroespacial, gerando um novo impulso de desenvolvimento para a Região.

Não há novidade no fato de um prefeito buscar o melhor para a sua cidade. Até agora, contudo, a aquisição e produção de aviões caça se enquadrava na categoria de assuntos acerca dos quais poucas autoridades da República decidiam. Ao assumir abertamente a defesa do Gripen NG, Marinho – e com ele sindicalistas e empresários da região – quebrou um paradigma e se posicionou como um protagonista no episódio.

“O meu interesse é nacional e local. Foi isto que me fez entrar de cabeça nesse debate”, disse o prefeito para justificar sua posição no caso. Marinho, é claro, foca principalmente nos aspectos econômicos e de desenvolvimento que a escolha do Gripen NG poderia representar para o ABCD.

Mas ele não desconhece a importância de outros fatores envolvendo a decisão de compra. “Falei com autoridades da FAB que me garantiram que o Gripen é o melhor projeto tecnológico e o que oferece a melhor relação custo/benefício tanto no aspecto de aquisição como no de manutenção.”

Na defesa assumida da proposta da SAAB, Marinho, que foi Ministro do Trabalho e da Previdência, chegou a cutucar o ex-colega do Ministério da Defesa Nelson Jobim. Em declaração à repórter Karen Marchetti, do Jornal ABCD Maior, afirmou:

“O Jobim foi voar no Rafale e não foi sequer conhecer o Gripen. Então me parece que aí tem falta de transparência por parte de quem está conduzindo o processo”. Algo como dizer todos podem ter seu time de futebol de coração, mas que os juízes precisam, ao menos, ter um comportamento pautado pela isonomia.

SINDICATOS – Assim como Marinho, sindicalistas também se mobilizaram em defesa do projeto da SAAB. No final de abril, os presidentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), Carlos Alberto Grana, e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, estiveram em Brasília com o ministro do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comercio Exterior, Miguel Jorge discutindo o assunto.

Alguns dias antes, ao lado do sindicalista sueco Stefan Lofven, do IFF Metal, o sindicato dos metalúrgicos da Suécia, eles concederam entrevista anunciando o posicionamento dos trabalhadores a favor da alternativa Gripen no reequipamento das aeronaves da FAB.

Em declaração conjunta, os sindicalistas brasileiros demandaram o direito de opinar sobre negócios que, embora da área da Defesa, dizem também respeito ao desenvolvimento econômico nacional. Ao investir contra as “caixas pretas” e as “evasivas” intenções de transferência tecnológica das alternativas francesa e americana, destacaram que a proposta da SAAB “assegura a efetiva transferência de segmentos da cadeia produtiva, resultando que o Brasil produza peças, subconjuntos e conjuntos que irão compor a aeronave”.

De acordo com Valter Sanches, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, a construção de um polo aeronáutico e a chegada da produção do caça na Região vão demandar a criação de centros e laboratórios de estudos. “É importante termos centros de desenvolvimento que empregam mão-de-obra qualificada.”

Sérgio Nobre diz que “a escolha do projeto Gripen significará mais empregos de qualidade para o País e a Região, um avanço histórico nas relações capital-trabalho e investimentos em alta tecnologia”.

Segundo Carlos Alberto Grana, “o projeto Gripen assume compromissos sociais que se tornarão um marco internacional de respeito às normas trabalhistas e à OIT, como a garantia de organização sindical nas fábricas que vão produzir os caças no Brasil e na Suécia”.

Para Adi dos Santos Lima, presidente da CUT/ São Paulo, a geração de 22 mil postos de trabalho também representará mais renda, mais consumo e melhores condições de vida.