29 junho 2010

Turquia restringe voos israelenses

Aviões militares são impedidos de entrar no espaço aéreo, em resposta ao ataque à flotilha


Rodrigo Craveiro - Correio Braziliense


Quatro semanas depois do ataque à flotilha humanitária Liberdade, o governo da Turquia impediu um avião militar israelense de usar o espaço aéreo turco. A medida seria mais uma retaliação à incursão no Mar Mediterrâneo que terminou com nove ativistas mortos, na madrugada de 31 de maio.

Segundo a agência de notícias Anatólia, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan teria afirmado que seu país impôs a restrição a vários voos não-civis de Israel. “Aviões militares terão de obter uma permissão de sobrevoo antes das decolagens”, revelou à agência France-Presse um diplomata turco, sob a condição de anonimato. Em Jerusalém, a Comissão Turkel — painel de investigação sobre o incidente no Mediterrâneo liderado pelo juiz aposentado Yaakov Turkel — se reuniu pela primeira vez ontem e anunciou que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, será o primeiro a depôr.

Para Barry Rubin, diretor do Centro de Pesquisas Globais em Assuntos Internacionais (Gloria, pela sigla em inglês), a atitude da Turquia nada tem a ver com retaliação. “É parte da estratégia de um regime islâmico que, ao perder prestígio interno, deseja instigar o ódio e a histeria em relação aos judeus e a Israel”, afirma ao Correio, por e-mail, desde Herzliya (Israel). “Trata-se também de uma ação em apoio ao Irã, o novo aliado de Ancara”, acrescenta.

Autor de A longa guerra pela liberdade: a batalha árabe pela democracia no Oriente Médio, Rubin acredita que a medida é contraproducente. “A Turquia perderá o comércio e os turistas israelenses, além da chance de desempenhar um papel de mediador na região”, observa. O especialista também alerta para o declínio da política de apoio dos Estados Unidos à Turquia. “Israel perderia menos, já que pode encontrar outros parceiros comerciais e outros destinos turísticos.” Por sua vez, o israelense Efraim Inbar — diretor do Centro para Estudos Estratégicos Begin-Sadat da Universidade de Bar-Illan (em Ramat-Gan) — disse à reportagem, por telefone, que a Turquia tem adotado uma posição cada vez mais hostil. “É parte de uma nova orientação a adoção de uma medida radical no Oriente Médio, ao lado do Hamas e do Irã”, comenta.

Investigação

David Trimble, ex-premiê da Irlanda do Norte e um dos observadores internacionais da Comissão Turkel, garantiu ao jornal Haaretz que o inquérito será “sério e rigoroso”. “Eu espero que a investigação dê uma boa contribuição para a paz na região”, declarou. Turkel também afirmou crer que o processo será rápido e incluirá depoimentos do ministro da Defesa, Ehud Barak, e do chefe das Forças de Defesa de Israel, Gabi Ashkenazi. Inbar aposta em uma investigação completa. “O primeiro-ministro (Netanyahu) não vai renunciar. Isso não faz parte de nossa cultura política”, acrescentou.

No Cemitério de Xambioá (TO), GTT reinicia buscas de campo por mortos do Araguaia

Texto: José Romildo, com informações de Tereza Sobreira 
Assessoria de Comunicação Social Ministério da Defesa 


Brasília, 28/06/2010 – Um rastreamento sísmico de solo em uma área do cemitério de Xambioá (TO), realizado no último sábado (26/06), marcou a volta das atividades de campo do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), criado pelo Ministério da Defesa para cumprir decisão judicial de localizar os despojos dos mortos na Guerrilha do Araguaia.

A procura tinha sido suspensa em outubro de 2009, em razão das chuvas que ocorrem na Região. Uma das tarefas dos especialistas, por exemplo, é peneirar a terra retirada das escavações, em busca de materiais e vestígios humanos de pequena dimensão, e isso não pode ser feito com a lama. O terreno molhado também dificulta o deslizamento do radar de solo, montado em uma espécie de carrinho, que identifica a presença de objetos abaixo da superfície.

Desde o início de maio, uma equipe do GTT, com a função de ouvidoria, retornou a campo para ouvir novas testemunhas ou complementar informações recebidas anteriormente. No dia 22 de junho (terça-feira) todo o grupo deslocou-se para a região – Pará e Tocantins- para reiniciar as escavações com base no novo planejamento.

A primeira atividade do Grupo de Trabalho foi reavaliar os dados coletados nas pesquisas realizadas no ano passado, a partir do exame científico aplicado pelos antropólogos. Os resultados dessa avaliação, por exemplo, serão importantes para que o GTT decida se retorna ou não a Tabocão, uma das áreas mais citadas nos inúmeros depoimentos colhidos nos últimos meses junto a testemunhas e moradores da área.

Com o auxílio logístico do Exército, o GTT utiliza, em suas pesquisas, equipamentos de rastreamento sísmico monitorados por técnicos, geógrafos, profissionais de Antropologia Forense e legistas. Esses equipamentos foram novamente utilizados, agora, no escaneamento do cemitério de Xambioá, pelas equipes de geologia da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Ceará (UFCE) . Mas o GTT só poderá realizar escavações no cemitério após receber autorização judicial, já solicitada à Justiça Federal.
Outro alvo importante da expedição é a Fazenda Araguaia, região da Faveira, município de São João Araguaia. O ponto aguarda mais informações de pessoas da região para o prosseguimento dos trabalhos.

Dados novos apontam para a necessidade de escavações também em Sete Barracas, município de São Geraldo do Araguaia (PA), onde – de acordo com informações dos mateiros Cícero e Gilo -, guerrilheiros teriam sido enterrados na área. Com base nessas informações, a equipe de Geologia da UnB já tem como certa a realização de uma escavação na Fazenda, em terreno de 20m x 20m.

As equipes técnicas defrontam-se desde já com alguns obstáculos para as escavações na Fazenda Araguaia. O principal é a constatação de que houve, desde a época da guerrilha, diferentes afluxos de garimpeiros em busca de ouro na área. Os obstáculos geram dúvidas quanto aos locais a serem escavados, mas os componentes contam com a ajuda de mateiros e moradores da Região para superar as dificuldades.

28 junho 2010

Militarismo e democracia não combinam

Historicamente temerosos de um golpe militar, EUA protegem população civil para combater insurgentes

PRESIDENTES PODEM CONSULTAR OS MILITARES EM QUESTÕES TÉCNICAS, MAS
TOMAM DECISÕES POLÍTICAS

RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO - Folha de SP

Uma foto que esta Folha publicou na quinta-feira passada é uma perfeita e concisa aula de republicanismo e de relações entre civis e militares em uma democracia.

Citando a legenda: "Obama chega para pronunciamento seguido do general David Petraeus, o secretário da Defesa, Robert Gates, o vice-presidente, Joe Biden, e o almirante Michael Mullen".


O presidente americano, civil - poderia até ter sido um militar de carreira, mas é um civil como presidente, como foi o general Dwight Eisenhower - e presidente de uma das mais antigas repúblicas e democracias do planeta, é seguido, e não liderado, pelos seus chefes militares e pelo chefe, civil, do ministério que cuida das Forças Armadas.

A foto foi causada pelo episódio da remoção do general Stanley McChrystal do comando das forças no Afeganistão por ter criticado o presidente e tem o significado extra de lembrar os dilemas da maior potência militar nas suas duas grandes guerras, no Iraque e no Afeganistão.

Para o brasileiro, poderia parecer "briga na casa do lado". Mas os dois temas - relação poder civil e poder militar e guerra de contrainsurgência - também afetam o país. Por exemplo, na Amazônia, no Haiti e nos morros e favelas do Rio e de São Paulo.

Democracia e militarismo não combinam, como atesta a história das Américas. Os Estados Unidos da América se tornaram independentes após dura guerra de libertação. Mas seus "pais da pátria" morriam de medo dos líderes militares estarem interessados em tomar o poder.

Tiveram sorte com George Washington, que ganhou a guerra e era um general e político eficiente sem sonhos de virar um Napoleão.

Os países ao Sul, ao contrário, tiveram longas e desgastantes intervenções militares na sua governança.

Outro período difícil nos EUA foi a Guerra Civil. Mais uma vez surge o risco do militarismo. O presidente Abraham Lincoln driblou problemas políticos, mas tinha dificuldade de achar bons generais.

Achou alguns poucos bons, um dos quais - Ulysses Grant - terminou também virando presidente depois. O medo americano do militarismo fica claro ao se ver o tamanho do Exército comparado ao da Marinha. Na guerras mundiais, a Marinha era uma das maiores do planeta; o Exército estava longe disso.

O mesmo acontecia na "pátria-mãe": o Reino Unido tinha então a maior Marinha do planeta e um Exército de parada. Bonito de ver, por sinal, pois, se havia uma Marinha Real, não havia "Exército Real"; reais eram os regimentos, e cada um usava o uniforme de que gostava...

Na Guerra da Coreia, o presidente americano Harry Truman teve de tirar do cargo um general de proporções míticas, Douglas MacArthur, também por insubordinação.

Mas como um presidente "comandante em chefe", em geral ignorante de assuntos militares, pode comandar as Forças Armadas? Para isso ele depende do conselho dos militares; mas a decisão política é sua. Voltando às guerras deste século: a maioria não é "convencional", é "assimétrica". Ou seja, mais política que militar.

TÁTICA

O general David Petraeus, um dos mais brilhantes da geração, percebeu o óbvio: você não ganha de insurgentes com poder de fogo, e sim protegendo a população.

Foi ele quem reescreveu o manual do Exército de anti-insurgência, algo em que não se mexia desde a clássica derrota no gênero, no Vietnã.

Resumindo: o fundamental é proteger a população e livrá-la do contato com "bandidos", seja numa favela em Bagdá ou no Rio ou no Haiti, ou na zona rural do Afeganistão. O Brasil tem bom currículo, como já havia demonstrado a eficiente derrota dos guerrilheiros no Araguaia.

Vai dar certo no Afeganistão? Difícil dizer.

Os britânicos venceram na Irlanda do Norte com paciência (uns 30 anos!), sem força excessiva, tentando respeitar a lei. Os sírios também venceram com estratégia oposta na cidade de Hama, em 1982: bombardeando e matando.

Claro, essa não é uma opção para uma democracia.

Oi negocia com o governo parceria em satélite militar

Lula se entusiasma com o projeto, cujo custo estimado é de R$ 710 mi


Planalto vê negociação com bons olhos pelo fato de ela envolver uma empresa nacional de telecomunicações


ELVIRA LOBATO - DO RIO
VALDO CRUZ - DE BRASÍLIA - Folha de SP

Depois de ressuscitar a Telebrás para gerir o Plano Nacional de Banda Larga, o governo Lula estuda parceria com a Oi para lançar um satélite brasileiro de uso militar e comercial com custo estimado em US$ 400 milhões (em torno de R$ 710 milhões).

O projeto foi apresentado ao presidente Lula pelos acionistas controladores da Oi, os empresários Carlos Jereissati, do Grupo La Fonte, e Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez. O presidente gostou da ideia, e a Casa Civil pretende estudar o projeto.

De acordo com um auxiliar de Lula, o tema será analisado por uma comissão interministerial e é "natural" fechar a parceria estratégica.

Segundo relato de assessores presidenciais, há pontos que recomendam a parceria: o custo elevado e o fato de que um satélite de uso exclusivo da União ficaria ocioso.

Além disso, como a Oi é nacional, o governo vê a parceria com mais simpatia do que se a espanhola Telefónica e a mexicana Embratel estivessem envolvidas.

Pela proposta da tele, seria criada uma empresa para gerenciar o projeto. A União e a Oi teriam 50% cada uma na sociedade. O prazo de desenvolvimento, fabricação e lançamento do satélite é de cerca de dois anos e meio.

Os empresários argumentaram com o presidente que ter um satélite controlado por capital brasileiro é questão de soberania nacional.

Disseram ainda que todos os satélites considerados brasileiros, que ocupam posições orbitais pertencentes ao Brasil, são controlados por empresas de capital estrangeiro, e que, na eventualidade de uma guerra, os militares não teriam controle físico sobre os equipamentos.

Desde a privatização da Embratel, em 1998, os militares reivindicam algum controle sobre os satélites que fazem as comunicações sigilosas das Forças Armadas.

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, confirmou que a empresa propôs parceria ao governo para um satélite de uso civil e militar.

"O principal fator para viabilidade de um satélite é haver demanda para ocupar sua capacidade. Os dois maiores consumidores de serviços de satélite no Brasil são a Oi e o governo. Por que não nos juntarmos e tirarmos proveito disso?", disse Falco.

A tele é fruto da compra, pela Telemar, da Brasil Telecom, fusão estimulada pelo próprio Lula, que chegou a mudar a lei para viabilizar a operação, dentro da estratégia do governo de ter no país uma grande empresa nacional de telecomunicações.

A Oi, por sinal, aproveitou o momento de disputa no mercado entre a Telefónica e a Portugal Telecom pela Vivo (maior operadora de telefonia celular do país, em número de assinantes) para pedir tratamento diferenciado ao governo Lula.

Militares e órgãos defendem equipamento próprio
DO RIO
DE BRASÍLIA

O lançamento de um satélite de controle totalmente nacional é defendido dentro do governo não só pelos militares, mas também por órgãos que cuidam de dados sigilosos, como Banco Central e Receita Federal.

No governo, é considerado delicado o fato de informações do Banco Central, enviadas de Brasília para Manaus, por exemplo, terem de passar antes por Miami (EUA).

A proposta de lançar um satélite brasileiro consta da "Estratégia Nacional de Defesa", documento que norteará o debate sobre o tema.


Hoje, nove satélites ocupam posições orbitais registradas em nome do Brasil na UIT (União Internacional de Telecomunicações, órgão da ONU). Seis são da Star One.

A Oi é acionista minoritária (20%) em dois satélites: os Amazonas 1 e 2, pertencentes à Hispamar, controlada pela espanhola Hispasat, da qual a Telefónica é acionista. O nono é o Estrela do Sul, que tem controle canadense.

As comunicações militares são transmitidas pelos satélites Star One 1 e 2. A Folha apurou que os militares confiam no sigilo do serviço da Embratel, mas querem ter acesso físico ao satélite.

O Ministério da Defesa tem um contrato com a Star One de R$ 12,5 milhões por ano, mas a demanda aumentaria no novo satélite, que controlaria ainda o tráfego aéreo.

Além do projeto do satélite militar e comercial, a Oi pleiteou autorização para oferecer o serviço de TV a cabo, vetado pela legislação brasileira. A Lei da TV a cabo não permite que concessionárias de telefonia fixa local, como Oi e Telefónica, ofereçam TV por assinatura a cabo dentro de sua área de concessão.

Projeto qualifica soldados do RCMec

Correio do Povo

Um projeto desenvolvido pelo 19 Regimento de Cavalaria Mecanizado (RCMec) e o Senac de Santa Rosa qualifica militares para atuarem no mercado de trabalho, com foco em soldados temporários.

Trata-se do Soldado Cidadão, que encerrou sua primeira etapa de formação na última semana. Foram contemplados, nesta fase, 20 militares, que participaram de um curso de montagem, configuração e manutenção de computadores. Ao todo, foram 160 horas de atividades.

A iniciativa é desenvolvida desde 2004 e, a cada ano, realiza cursos em uma área do mercado.

No ano passado, as aulas foram na área de metal-mecânica. O objetivo principal é capacitar militares, especificamente os que não devem seguir carreira no Exército, a partir da oferta dos cursos de qualificação profissional. Desta forma, irão enfrentar o mercado de trabalho com preparação para concorrer a vagas.

Ainda na última semana, foi realizada formatura no Pátio de Formatura General de Exército Oscar Luiz da Silva, na sede do 19 RCMec. O tenente coronel Rômulo José Alcantara Martins, comandante do Regimento, e Rejane Maria Ames, diretora do Senac, entregaram os certificados aos militares que concluíram com aproveitamento o curso. Para este segundo semestre, estão previstas mais duas fases do projeto, com duas novas turmas, cada qual com 20 militares.

Premiê britânico quer retirar tropas em até 5 anos

REUTERS - O Estado de S.Paulo


O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, o conservador David Cameron, quer que as tropas de seu país voltem do Afeganistão em até cinco anos. Ele não estabeleceu uma data específica para a retirada, mas disse que quer que os britânicos deixem o país antes das próximas eleições gerais, marcadas para 2015.

"Não podemos ficar lá por mais de cinco anos, já que já ficamos nove anos", disse Cameron. Na quarta-feira, o chefe do Exército da Grã-Bretanha, general David Richards, afirmou que as tropas poderiam ficar de três a cinco anos no Afeganistão. Apesar do aumento da força militar dos EUA e dos aliados no país, a insurgência taleban ganhou mais força do que tinha antes da invasão americana, em 2001.

General apoia retirada do Afeganistão em 2011

Em entrevista à TV, David Petraeus mostra-se de acordo com plano de Obama e frustra republicanos, que defendiam intensificação do conflito


Reuters, Ap e Nyt, WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

O general David Petraeus disse ontem à CNN que apoia o cronograma do presidente dos EUA, Barack Obama, de começar a retirar os soldados dos EUA do Afeganistão a partir de julho de 2011. A questão é motivo de controvérsia entre o líder americano e seus críticos republicanos no Congresso, que acreditavam que o general se oporia à retirada e pediria mais tropas.

Petraeus foi indicado por Obama para substituir o general Stanley McChrystal no posto de principal comandante das forças dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. McChrystal foi destituído do cargo por causa de reportagem publicada pela revista Rolling Stone em que ele ridiculariza integrantes do governo e o próprio presidente dos EUA.

Na entrevista à CNN - suas primeiras declarações públicas após sua indicação como substituto de McChrystal -, o general Petraeus expressou seu respeito e apreço pelo trabalho de seu antecessor, afirmando que as circunstâncias que causaram a mudança de comando eram "tristes".

Apoio a Obama. "Apoio a política do presidente e também darei os melhores conselhos militares que puder ao conduzirmos nossas análises", disse Petraeus. "É um privilégio servir ao país. Obviamente, é uma missão muito importante."

Segundo fontes do Pentágono, a decisão de trocar McChrystal por Petraeus foi resultado de um duro debate entre Obama e dois de seus principais subordinados: o secretário de Defesa, Robert Gates, e o almirante Mike Mullen, chefe das Forças Armadas.

Obama queria a demissão de McChrystal, enquanto Gates defendia a permanência do general, argumentando que ele era vital para o esforço de guerra americano no Afeganistão.

De acordo com militares ligados a Petraeus, o general pretende rever algumas estratégias no Afeganistão, incluindo as regras de combate. Sob o comando de McChrystal, essas regras eram mais duras e restritas para evitar vítimas civis.


Confirmação. Diversas fontes militares, tanto da Otan quanto dos EUA, disseram ontem que esperam agora a demissão de muitos subordinados de McChrystal que também foram citados na reportagem da Rolling Stone. Isso deve ocorrer assim que Petraeus for confirmado no cargo.

Para ser oficializado como novo comandante dos EUA e da Otan no Afeganistão, o general Petraeus deve passar por uma sabatina no Comitê de Serviços Armados do Senado. A audiência está marcada para terça-feira.

Cresce movimentação estratégica na região do Golfo Pérsico

Israel estaria instalando base em território saudita e embarcações dos EUA teriam cruzado Canal de Suez rumo ao Irã


Afp, TEERÃ - O Estado de S.Paulo

Recentes movimentações militares na região do Golfo Pérsico estão aumentando a tensão entre o Irã e seus inimigos, sobretudo Israel e os EUA. Discretamente, os dois lados deslocam forças na região, uma das mais estratégicas do mundo, preparando-se para um eventual confronto real.


Ontem tanto a imprensa iraniana quanto a israelense noticiaram a suposta instalação de uma base de Israel em Tabuk, cidade no noroeste da Arábia Saudita. Suprimentos já teriam sido desembarcados na região, após uma série de consultas entre as inteligências israelense e saudita. A informação surge uma semana depois de o jornal britânico The Times informar que Riad aceitou que Israel use seu espaço aéreo num ataque ao Irã.

No início do mês, dezenas de navios americanos e uma embarcação israelense cruzaram o Canal de Suez na direção do Golfo Pérsico. Segundo o governo egípcio, 11 fragatas e 1 porta-aviões de propulsão nuclear dos EUA cruzaram do Mediterrâneo para o Mar Vermelho.

Especula-se que as forças deveriam ficar na região da costa iraniana, buscando interceptar navios suspeitos de transportar material e componentes do programa nuclear de Teerã.

Em resposta, o governo iraniano decidiu mobilizar dois de seus mais modernos submarinos, conhecidos como "Ghadir", além de pelo menos dez helicópteros de guerra. A força adicional é da Guarda Revolucionária, braço armado do regime.

Tecnologia. A Agência Espacial de Israel (AEI) lançou na terça-feira seu quarto satélite espião, o Ofek-9, desta vez com o objetivo explícito de obter informações sobre o programa nuclear iraniano. O novo equipamento possibilitaria a Israel detectar qualquer material nuclear transferido para o Irã.

Segundo o chefe do programa espacial israelense, Isaac Ben-Israel, o sistema de satélites dá ao Estado judeu capacidade técnica para vigiar todo o Oriente Médio. O lançamento coloca Israel apenas atrás dos EUA no setor de controle por satélite, disse Ben-Israel.

Há dois meses a indústria aeronáutica lançou seu primeiro modelo de aeronave não-tripulada capaz com autonomia de voo para alcançar o território iraniano. Os aviões sem piloto supostamente seriam capazes de vigiar e até mesmo bombardear instalações do Irã.

A inteligência israelense afirma que a Síria, com apoio direto do Irã, está fornecendo mísseis Scud para o Hezbollah. O armamento, capaz de atingir qualquer cidade israelense, seria usado para retaliar um ataque surpresa contra o Irã. Os EUA prometem ampliar as defesas antimísseis de Israel e de países árabes da região.

26 junho 2010

Equador aposentará caças Mirage F1

Tecnologia&Defesa


Considerados já obsoletos pela Força Aérea do Equador (FAE), treze supersônicos de combate Dassault Mirage F1JA/JE, atualmente voando no Esquadrão 2112 Cobras, baseado em Taura, deverão ser retirados do serviço ativo nos próximos meses.

A informação foi divulgada pelo próprio comandante da Ala de Combate nº21, Juan Francisco Vivero, durante entrevista concedida à imprensa local por ocasião de uma cerimônia comemorativa dos 31 anos da introdução dos Mirage F1 na frota da FAE.

Os Mirage F1 foram recebidos entre o final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, tendo desempenhado papel chave no conflito militar ocorrido entre Equador e Peru em 1981.

Os veteranos caças serão substituídos pelos supersônicos Atlas Cheetah C negociados com a África do Sul, cuja compra de nove exemplares foi recentemente revelada. Os Cheetah C se unirão aos 13 Kfir C2/C10/TC2 de procedência israelense e aos seis Mirage 50M doados pela Venezuela e recebidos no final de 2009.

Brasil e Itália aprofundam entendimentos na área de Defesa

Tecnologia&Defesa


O ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e o Sub-Secretário de Defesa da Itália, Guido Crosetto, assinaram nesta quinta-feira (24/06) um “Ajuste complementar” ao Acordo sobre cooperação em defesa existente entre os dois países. O Acordo foi assinado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, em 12 de abril, quando ambos se encontraram em Washington, Estados Unigos. 

Na cerimônia de hoje foi assinado também um “Ajuste Complementar Técnico” ao mesmo acordo, entre os comandantes da Marinha do Brasil, almirante de esquadra Júlio Soares de Moura Neto, e da Itália, almirante Bruno Branciforte. 

Segundo Guido, o acordo será útil aos dois países, especialmente na facilitação das trocas de tecnologia. “Este acordo representa a conclusão de um percurso de amizade e respeito”, afirmou. Ele lembrou que o impulso dado à Embraer deveu-se em grande parte às parcerias com a indústria aeronáutica italiana, a ponto de a empresa brasileira hoje superar suas parceiras. 

O ministro Jobim explicou que o entendimento na área de defesa se soma aos de outros setores, como cultura e meio ambiente. “Significa a intensificação das relações com a Itália, de entendimentos que possam aproximar mais a Itália, além daquelas,digamos relações que já temos a muitos anos, de simpatia e amizade”, comentou. 

O aprofundamento dos acordos facilitam, entre outras coisas, a absorção de tecnologia italiana na construção de navios destinados à proteção das riquezas do Atlântico, a nossa Amazônia Azul. “É um dos elementos de concretização (da Estratégica Nacional de Defesa),tendo em vista que um dos objetivos fixados na Estratégica Nacional de Defesa é a dissuasão em relação do Atlântico e monitoramento do Atlântico”, disse Jobim.

24 junho 2010

Analista vê limites em estratégia de guerra americana

Práticas de contrainsurgência não oferecem garantia de vitória contra o Taleban, afirma acadêmico do MIT


BARRY POSEN, DIRETOR DO PROGRAMA DE ESTUDOS DE SEGURANÇA DO MIT


FOLHA DE SP

DE WASHINGTON

Para Barry Posen, diretor do programa de estudos de segurança do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), a troca de comando no Afeganistão não prejudicará o seguimento da contrainsurgência. O problema, diz, é que nada indica que a estratégia dará certo.

Folha - O sr. concorda com a demissão de McChrystal?

Barry Posen - Não acho que havia escolha. O que ocorreu é suficientemente estranho, além de desrespeitoso, para justificar a decisão de removê-lo, apesar de ele ter feito um trabalho bem decente numa situação difícil. Mas trocá-lo por David Petraeus não vai prejudicar o esforço no Afeganistão. Se falharmos, não será por isso.

Como o sr. vê a contrainsurgência no Afeganistão?

A contrainsurgência é um conjunto de "boas práticas". É preciso ter colaboração da população; coletar informações de inteligência de pessoas comuns; limitar danos colaterais; fortalecer o governo; pôr para funcionar forças de segurança. São coisas necessárias, mas não significa que, se fizer tudo, você vai vencer. A doutrina é um código de práticas, não é um plano de vitória. Sou cético quanto à contrainsurgência em geral, e, no Afeganistão, as cartas não estão bem alinhadas. A política de tentar cooperar com o Paquistão também é arriscada. As forças paquistanesas são incapazes de abandonar o Taleban. Os EUA investem muito em derrotar uma entidade que tem apoio de um grande Exército do outro lado da fronteira.

Petraeus foi comandante no Iraque. O sr. vê paralelos no esforço nos dois países?

As boas práticas da contrainsurgência são as mesmas. Mas as condições são diferentes. Por pior que seja o governo iraquiano, é melhor que o afegão.

Como o sr. vê a situação no Afeganistão hoje?

Estamos estagnados. Não estamos à beira da derrota, ainda podemos manter a situação, se tivermos mais tropas e mais dinheiro. Mas essa não é a questão. Vamos gastar bilhões para ficar parados? Seria melhor tentar lutar só contra a Al Qaeda e depois sair do país. Não é bonito, mas é melhor.

Obama derruba chefe de tropas no Afeganistão

Jornal do Brasil

Após a polêmica entrevista concedida à revista Rolling Stone, o general Stanley McChrystal, comandante das forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, foi substituído pelo general David Petraeus, ex-chefe da missão americana no Iraque e atual dirigente do Centro de Comando dos EUA. O pronunciamento foi depois do breve encontro de McChrystal com o presidente Barack Obama; o chefe de Estado Maior, almirante Mike Mullen; e o secretário de Defesa, Robert Gates, na Casa Branca.

Em comunicado, McChrystal afirmou que apoia a estratégia do presidente no Afeganistão e que está “profundamente comprometido com nossas forças de coalizão, os países parceiros e o povo afegão”, ao justificar o esperado pedido de demissão.

– A conduta apresentada no artigo recém divulgado não se encaixa no perfil a ser seguido por um comandante geral – atestou Obama em discurso.

– Aceito o debate na minha equipe, mas não vou tolerar divisão.

Obama afirmou que “a guerra é maior que qualquer homem ou mulher”, mas declarou que, apesar da decisão, “continua a admirar” McChrystal, que substituiu o general David McKiernan há um ano, após discordâncias com a estratégia adotada. O presidente pediu que o Senado aprove rapidamente a nomeação de Petraeus para que as tropas “não percam impulso e liderança” nas operações no Afeganistão.

A troca do comando foi lamentada pelo presidente afegão Hamid Karzai.

– Esperávamos que isso não tivesse acontecido, mas a decisão foi tomada e temos de respeitá-la – informou o porta-voz Waheed Omer.

Em todos os anos da guerra, o general foi o que conseguiu estreitar os laços com o governo local. A decisão de McChrystal de diminuir o número de ataques aéreos reduziu drasticamente a morte de civis.

Porém, mesmo com a presença de 1.500 soldados estrangeiros no território, o Talibã está em seu momento mais forte desde a queda, em 2001, no Afeganistão.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que, mesmo com a demissão, seguirá a estratégia traçada pelo comandante. A organização, que contabilizou 75 mortos em junho, a maior baixa desde 2001, não é obrigada a aprovar a troca.

Feridas expostas

A perda do chefe no país em que a guerra se arrasta há nove anos pode representar uma vitória do vice-presidente Joe Biden, um dos principais alvos das críticas de McChrystal e sua equipe, sobre a estratégia americana no país.

Segundo o Washington Post, a tensão entre os dois começou na revisão da estratégia de contra a insurgência, em que Biden defendia um ataque maior aos líderes da Al Qaeda, e McChrystal visava proteger os civis e dar força ao governo afegão. O plano do general foi adotado mas foi alvo de dúvidas, já que não houve mudanças efetivas.

23 junho 2010

Itaguaí: início das obras deverá ocorrer no final do mês

Presidente deverá comparecer à cerimônia de início das obras


S. Barreto Motta - Monitor Mercantil

Fontes empresariais revelam à coluna que o presidente Lula deverá desembarcar até o fim de mês ou início de julho em Itaguaí (RJ). Lá, comandará a cerimônia de início das obras de cinco submarinos. Algumas peças já começaram a ser feitas pelo grupo DCNS, em Cherbourg, na França, e nas próximas semanas um ato marcará o evento no Brasil. Até agora, o Brasil tinha optado, com ótimos resultados, por submarinos alemães, mas Lula deu início a nova era, mediante a colaboração com os franceses, que poderá ainda ser fermentada com a compra de 36 aviões Rafale, da Dassault. O custo dos submarinos Scorpène – incluindo estaleiro e base naval – é de R$ 19 bilhões, e o dos aviões é estimado em R$ 8 bilhões. Na licitação dos aviões participam ainda a Suécia – com o Gripen NG – e Estados Unidos – com o F-18, da gigante Boeing, embora o presidente Lula já tenha declarado sua preferência pelos gauleses.
Foi constituída a empresa Itaguaí Construções Navais (ICN), que tem seu capital igualmente dividido entre a francesa DCNS e a brasileira Odebrecht, sendo que o governo brasileiro, através da Marinha, possui uma golden share, ou seja, tem o direito de vetar questões básicas referentes à atuação da ICN. Caberá à ICN construir tanto a base da Marinha como o estaleiro e os submarinos. De acordo com as fontes desta coluna, a estatal Nuclep participará intensamente da iniciativa. A Nuclep tem equipamentos sofisticados e apresenta elevada ociosidade, que será reduzida com os trabalhos de suporte à construção dos submarinos.
Essas unidades serão quatro convencionais e um capacitado a receber motor nuclear – que terá de ser desenvolvido pela Marinha, em Aramar (SP), pois a França não pode ceder essa tecnologia ao Brasil. A Nuclep, além das máquinas que possui, terá de importar equipamentos, para atender a essa demanda especial. Foi criada uma área chamada de “extensão do estaleiro”, cedida pela Nuclep, diante do gigantismo das obras. Como haverá um componente nuclear no quinto submarino, a área teve de ser aprovada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A Cnen não autoriza produção de itens ligados a submarino nuclear em local aterrado, o que obrigou a Marinha a usar maior área já existente, nas proximidades da Nuclep.
Há problemas menores, como o atraso brasileiro no pagamento do sinal aos franceses, mas, em termos gerais, o projeto dos submarinos está se tornando realidade, para alegria da Marinha, que poderá modernizar sua frotaQuanto a Lula, como bom metalúrgico, está mantendo forte ligação com estaleiros e portos. Fez uma grande festa no lançamento ao mar do primeiro navio da Transpetro, em Pernambuco, e repetirá a dose, nesta quinta-feira, no estaleiro Mauá, em Niterói, para ver o petroleiro Celso Furtado ter contato com a água.

Próximo capítulo

IstoÉ

Para quem já não acreditava no anúncio do resultado do programa F-X2 eis uma informação: O relatório final foi enviado aos comandos da Aeronáutica e da Marinha. Está sendo avaliada a possibilidade de uso do francês Rafale no porta-aviões São Paulo.

A melhor oferta

IstoÉ


Com um projeto independente, a França ofereceu à Marinha uma alternativa às fragatas FREMM ítalofrancesas. Trata-se da nova versão do modelo equipada com mísseis que alcançam 1.500 km, bem mais que os 200 km da versão binacional. A Itália não gostou.

Começa a PERBRA IV


Exercício das Forças Aéreas do Brasil e do Peru simula interceptação de tráfegos ilícitos


CECOMSAER

Começa hoje (21) a quarta edição da PERBRA, operação aérea combinada das Forças Aéreas do Brasil e do Peru realizada na fronteira dos dois países. Até a próxima sexta-feira (25), aeronaves militares brasileiras e peruanas vão operar a partir de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Pucallpa, no Peru, para simular missões de interceptação de aviões em tráfego ilícito.

Do lado brasileiro, três caças A-29 Supertucano e dois aviões C-98 Caravan participam da PERBRA IV, estes últimos para cumprirem o papel de aeronave-alvo. Um SC-95 Bandeirante e um helicóptero H-60 Blackhawk também ficarão de alerta para missões de busca e resgate. Do outro lado da fronteira, a partir de Pucallpa, o Peru emprega jatos A-37B, um helicóptero Mi-17 e aviões C-26 e TC-690.
Durante a operação, aviões brasileiros entrarão no espaço aéreo peruano para simular voos ilícitos. Aeronaves peruanas farão voos similares, em sentido contrário. Quando os alvos ingressarem no espaço aéreo do país vizinho, os caças de prontidão são acionados para interceptá-los e aplicarem as medidas de policiamento aéreo, como a identificação do alvo e a escolta até o pouso.
Mas além do treinamento dos pilotos, a PERBRA IV tem como objetivo principal consolidar procedimentos de defesa aérea e fortalecer a parceria dos dois países no combate aos voos ilegais na região. Durante toda a operação, os órgãos de controle do espaço aéreo dos dois países vão atuar em conjunto e trocar informações sobre os tráfegos ilícitos simulados.
No Brasil, a operação é coordenada pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), órgão da FAB responsável pela vigilância e proteção de todo o espaço aéreo do Brasil. Controladores em Manaus e em Brasília acompanham todo o desenrolar das atividades aéreas por meio do sistema de radares e treinam em uma situação muito próxima da encontrada em situações reais.
A operação combinada com o Peru faz parte de uma série de exercícios realizados para treinar a capacidade brasileira de repelir os voos ilegais em cooperação com os países vizinhos. Além das três edições anteriores da PERBRA, em 2002, 2006 e 2008, a Força Aérea Brasileira também já realizou operações com a Colômbia (COLBRA), Argentina (PRATA), Paraguai (PARBRA) e Venezuela (VENBRA). Em agosto, acontecerá a BOLBRA, em conjunto com a Bolívia.

Delegação sueca visita Grande ABC


Construção de fábrica em Mauá, caso o Gripen vença o F-X2, foi novamente comentada


Diário do Grande ABC

São Bernardo recebe, entre ontem e hoje, a visita de uma delegação sueca da cidade de Linköping, sede da Saab, empresa que produz os aviões-caça Gripen – que disputam com a norte-americana Boeing (F-18 Super Hornet) e a francesa Dassault (Rafale) contrato com a Força Aérea Brasileira.
Caso o governo escolha a Saab para a produção de 36 caças, serão investidos US$ 140 milhões em parceria com o Grupo Inbrafiltro, de Mauá, para a construção de uma fábrica de peças em São Bernardo.
A prefeita de Linköping, Ann-Catherine Hjerdt, disse estar impressionada com os projetos desenvolvidos pelas empresas instaladas na Iesbec (Incubadora de Empresas de São Bernardo) e pelo espaço destinado a elas. Ela acredita ser possível que, se a Saab vencer a licitação, exista a possibilidade de as empresas incubadas participarem no processo de fabricação das peças para os aviões-caça.
Segundo Paul Lindvall, presidente da comissão executiva de Linköping, essa parceria acontece na Suécia. “Há 25 anos temos um parque tecnológico que oferece suporte à incubadora, ambos instalados no terreno de uma universidade”, contou.
Lindvall disse também que o forte deles é o desenvolvimento de alta tecnologia, e que as incubadoras estão envolvidas no processo. A cidade constrói aviões há 75 anos.
Para o secretário de Relações Internacionais de São Bernardo, Marcello Alexandre, que acompanhou a delegação sueca em visita à Iesbec, a incubadora possui potencial para participar do desenvolvimento tecnológico dos caças fabricados no País. O diretor de empreendedorismo, trabalho e renda da Prefeitura de São Bernardo, Nilson Tadashi Oda, concorda. Segundo ele, a Leona, uma das incubadas, fabrica ligas metálicas que, quando trituradas, têm seu pó utilizado na produções de pistão e válvula de automóveis. “Esse pó poderia se empregado na fabricação de peças para os caças”, sugeriu. Outra empresa citada foi a Zaps, que produz circuitos eletroeletrônicos.
FAVORITISMO
Questionado sobre por que São Bernardo poderia ser escolhida para receber unidade de produção de partes dos Gripen, Tadashi afirmou que a Scania do Brasil – montadora de caminhões e ônibus integrante do Grupo Saab, o mesmo dos aviões caça – é a maior e a mais importante planta da fabricante em todo o mundo e está no município.

“Aqui, 70% da produção é exportada. E mesmo com a crise, que para a Scania durou apenas alguns meses, a produção já foi totalmente recuperada”, justifica. De acordo com o diretor, 2008 encerrou com mais de 10 mil unidades, 2009 com cerca de 1.000 e, neste ano, a expectativa é de 14 mil. “O grupo já tem uma relação estabelecida com a cidade. O Grande ABC é um local em que os suecos se sentem confiantes.”
De acordo com Alexandre, hoje são produzidos em São Bernardo 42% de todos os caminhões brasileiros.
A prefeita de Linköping também esteve na Scania. “A ideia da visita foi para ver como funciona uma empresa sueca no Brasil, pois, embora a Saab trabalhe com as duas frentes, veículos e aviões, eu acompanho a dos aviões, que fica na minha cidade. Mas eu gostei muito do local. É uma empresa muito limpa. Dá até para andar de salto alto pela fábrica”, descontraiu.

ACORDO


Hoje será assinado termo de cooperação bilateral na área educacional para que haja intercâmbio entre as universidades de São Bernardo e as de Linköping. O termo deve abranger, ainda, as áreas da saúde e desenvolvimento econômico, incluindo os segmentos aeronáutico e espacial.


“Se por um lado eles contribuem com a expertise, por outro podemos oferecer infraestrutura e mão de obra”, assinalou o secretário.
Tadashi complementa que, se eles têm a alta tecnologia, no Brasil temos o motor bicombustível, os biocombustíveis e a exploração do petróleo na camada do pré-sal para oferecer em troca.

Decisão de compra de caças ficará para próximo presidente, diz Marinho


Prefeito considera que Lula não se prontificará a escolher as aeronaves até o final de 2010


ABCD Maior

O prefeito de São Bernardo se reuniu nesta terça-feira (22/06) no Salão Nobre da Prefeitura com a delegação de Linköping, cidade sueca onde está sediada a Saab, empresa que disputa a licitação para venda de caças para a FAB (Força Aérea Brasileira), para assinar um termo de cooperação em outras áreas, além da aeronáutica, como saúde, habitação e meio ambienteDurante o encontro, Luiz Marinho (PT) avaliou que a decisão do presidente Lula a respeito da escolha da aeronave deve ficar para a próxima gestão.
De acordo com Marinho, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que sinalizou preferência pelo caça Rafale, da empresa francesa Dassault, foge da discussão do assunto, mas já concluiu o relatório baseado nas análises da FAB e o transmitirá a Lula, que por sua vez ouvirá o Conselho de Segurança.

“O presidente pode se abster de tomar esta decisão política de grande repercussão, ou seja, o posicionamento do próximo líder definirá a companhia selecionada”, disse Marinho.
O prefeito frisou que se o Gripen, modelo da empresa sueca Saab, for o vencedor, a possibilidade de parcerias se daria em vários segmentos do governo do município, na construção de um parque tecnológico e na relação das universidades da Região com a de Linköping.
O chefe do Executivo fez questão de afirmar que a recente visita da candidata à Presidência Dilma Rousseff ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, representa um compromisso de agenda para tratar de assunto variados.

“Há outras parcerias com a França. A visita não determina um indicador neste sentido. Seria uma precipitação cogitar isso. Contudo, seria bom se a ex-ministra também visitasse a Suécia”, afirmou Marinho.
Investimentos – No encontro também esteve presente Jairo Candido, presidente da Inbrafiltro, que possui uma unidade de aeroestrutura há dez anos e tem contrato para fabricar protótipos de asas e portas de trem de pouso para os quatro primeiros Gripen, mas tudo fora do processo de licitação governamental.
O presidente da companhia discriminou os três projetos federais de aquisição bélica e anunciou que está negociando com a administração da cidade para transferir a planta inteira da fábrica de peças para São Bernardo, o que implicaria investimento de US$ 80 milhões na cidade.
“Nos últimos 50 anos, o Brasil não comprou equipamentos de defesa e nos últimos 18 meses está comprando US$ 10 bilhões nos programas de helicópteros e submarinos da França. Agora, há os caças que esperamos que não sejam franceses”, frisou Candido, para quem, se parte da fabricação da aeronave da Suécia for no ABCD, US$150 milhões serão investidos.
De acordo com o empresário, o grupo Inbrafiltro está envolvido na produção dos 50 helicópteros franceses C725 que serão montados em Itajubá (MG), o que resultaria em uma expansão da produção em Mauá, onde já existe uma fábrica do grupo, ou São Bernardo
“Estamos estudando a ampliação. A provável escolha fica para a maior cidade do ABCD porque Marinho já tomou iniciativa nesta direção e possívelmente haverá um polo tecnológico em função da construção do Gripen no município, o que é o diferencial da Saab”, defendeu.

Laços de Mianmar e Coreia do Norte

Para preservar o regime e dotar-se de mísseis e até armas nucleares, junta militar birmanesa reata com Pyongyang


*Aung Lynn Htut - O Estado de S.Paulo

THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE

Este é um momento delicado das relações entre os EUA e o regime mais corrupto do mundo: a junta militar que vem saqueando Mianmar há décadas como se fosse seu feudo privado. O governo Barack Obama tentou aplicar uma estratégia batizada de "engajamento pragmático". No momento em que tenta repensar sua posição em meio à cacofonia atual de crises domésticas e estrangeiras, há o risco de Washington dar pouca atenção a Mianmar e abrandar inadvertidamente sua posição com os líderes militares do país.

Mas deve tomar o cuidado de não o fazer. E deve levar a sério as ambições da junta de possuir armas nucleares. O regime de Mianmar tem uma história de ludibriar autoridades americanas. Isso eu sei: antes de desertar para os EUA em 2005, eu era um funcionário de alto escalão da inteligência no departamento de guerra em Mianmar. Era também o vice-chefe na embaixada de Mianmar em Washington.

No outono de 2003, um membro de alto escalão do gabinete de um senador americano veio duas vezes a nossa embaixada em Washington para encontrar-se com o embaixador U Lin Myaing e comigo.

Na mesma época, funcionários do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA também se reuniram em Nova York com U Tin Win, do escritório do primeiro-ministro de Mianmar, e com o coronel Hla Min, porta-voz do governo.

Os funcionários americanos estavam checando relatórios de que Mianmar havia reatado laços com a Coreia do Norte - um dos três pilares do "eixo do mal" de George W. Bush.

Mianmar havia rompido os laços com a Coreia do Norte em 1983, depois que agentes nortecoreanos tentaram assassinar o então presidente da Coreia do Sul, Chun Doo-hwan, durante uma visita a Rangum. Chun saiu ileso, mas 17 funcionários sul-coreanos de alto escalão - incluindo o vice-premiê e os ministros de Relações Exteriores e do Comércio - foram mortos.

O chefe da junta de Mianmar, o general Than Shwe, instruiu-nos a mentir aos americanos.

Culpamos a oposição política de Mianmar pelos "rumores" de que Rangum havia reatado laços com Pyongyang. Os americanos queriam provas. Shwe então ordenou ao chanceler U Win Aung que enviasse uma carta negando os relatórios ao secretário de Estado Colin Powell. O governo britânico conhecia a verdade. O embaixador de Londres em Rangum chamou corretamente U Win Aung de mentiroso.

Interesses. Por que Mianmar reatou laços com a Coreia do Norte? Preservação do regime. Após o levante nacional de 1988 em Mianmar, muitas joint ventures estrangeiras para a produção de armas convencionais foram canceladas.

Than Shwe iniciou um reengajamento secreto com a Coreia do Norte em 1992, logo após assumir o controle em Mianmar. Ele argumentou que o país enfrentava o risco de um ataque dos EUA e da Índia, que na época era uma defensora do movimento pela democracia em Mianmar. Ele queria um Exército maior, mais armas modernas. Queria até armas nucleares. Pouco lhe importava a pobreza do povo de Mianmar.

Than Shwe fez contato secretamente com Pyongyang. Passando-se por empresários sulcoreanos, especialistas em armas norte-coreanos começaram a chegar em Mianmar. Eles receberam tratamento especial no aeroporto de Rangum. Com a enorme fortuna arrecadada com as vendas de gás natural à Tailândia, Mianmar logo pôde pagar aos norte-coreanos em dinheiro por tecnologia de mísseis.

Os generais acharam que também poderiam obter ogivas nucleares e, quando essas ogivas estivessem montadas nos mísseis, os EUA e outros países poderosos não ousariam atacar Mianmar e teriam menos influência sobre a junta.

Than Shwe ocultou o mais que pôde do Japão e da Coreia do Sul esses laços com a Coreia do Norte porque estava tentando atrair companhias japonesas e sul-coreanas para investir mais em iniciativas para saquear os recursos naturais de Mianmar. Em 2006, os generais da junta sentiram-se ou desesperados ou confiantes o suficiente para retomar publicamente as relações diplomáticas com a Coreia do Norte. Mianmar trabalhou por quase uma década para expandir sua produção de mísseis e ogivas químicas. O general Tin Aye - presidente da União de Holdings Econômicas de Mianmar, o braço empresarial dos militares - é a principal ligação com a Coreia do Norte.

Segundo um relatório secreto que vazou no ano passado, o terceiro homem mais importante do regime, general Shwe Mann, também fez uma visita secreta a Pyongyang em novembro de 2008. Ele assinou um acordo de cooperação com a Coreia do Norte para a construção de túneis e cavernas para ocultar mísseis, aviões, e até navios. O fato de essa informação ter vazado de oficiais militares de Mianmar mostra tanto o grau de megalomania de Than Shwe quanto a existência de oposição no interior do regime.

As palavras "engajamento pragmático" não deve se tornar sinônimo de qualquer enfraquecimento da firme oposição de Washington aos governantes de Mianmar.

Os EUA e outras nações precisam continuar questionando a legitimidade de Than Shwe e do regime. Eles não devem acreditar em suas promessas de realizar eleições livres e limpas neste ano. Só a pressão coordenada de todo o mundo será eficaz para lidar com esse mestre do engano.

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

*É EX-FUNCIONÁRIO DE INTELIGÊNCIA DO MINISTÉRIO DA DEFESA DE MIANMAR

Forças Armadas levam hospitais de campanha para Zona da Mata

Unidade da Aeronáutica será instalada em Barreiros; hospital do Exército será montado em Palmares

Da Redação do pe360graus.com

As Forças Armadas decidiram montar hospitais de campanha em dois municípios atingidos pelas chuvas na Zona da Mata Sul de Pernambuco. A Aeronáutica levou uma unidade para a cidade de Barreiros enquanto o Exército montará a estrutura em Palmares.

A montagem do hospital da Aeronáutica começou nesta terça-feira (22). O Hércules - avião da Aeronáutica – chegou ao Recife carregado com 11 toneladas de material para a montagem da unidade de saúde. A estrutura que será usada é a mesma que foi feita para atender vítimas do terremoto no Haiti, na América Central.

Dois caminhões transportaram o material para Barreiros. A instalação do hospital de campanha só deve ser concluída nesta quarta-feira (23). Quando estiver montado, a unidade terá capacidade para receber, por dia, 400 pacientes. A equipe é formada por 14 médicos, um enfermeiro e 20 técnicos em enfermagem.

"A prioridade é para todos aqueles que precisam de atendimento. Nessa fase agora estamos esperando mais doenças infecto-parasitárias como leptospirose, possivelmente a hepatite, febre, amidalite e infecções em gerais. Mas estamos preparados para atender todas as infecções.

Possivelmente amanhã (quarta-feira) já vamos começar a fazer os primeiros atendimentos", explicou o coronel Jorge Vianna Annibal, coordenador do hospital de campanha da Aeronáutica.

O município - um dos mais castigados pelas chuvas - foi escolhido pelo estado dos morados.
 
Muitos estão às margens da PE-60, pedindo ajuda a quem passa de carro. Alguns tiveram que ficar em cima dos telhados, para escapar do alagamento da semana passada, e salvar eletrodomésticos. A região está sem energia, e não tem água potável.

PALMARES

O Exército confirmou que levará o hospital de campanha para a cidade de Palmares, nesta terçafeira (22). Os equipamentos, que serão transportados em caminhões, devem sair do Rio de Janeiro nesta quarta-feira. A previsão é que a unidade comece a funcionar na cidade apenas na próxima semana.

OUTRAS CIDADES

A Defesa Civil de Pernambuco enviou ainda, por helicóptero, dez médicos do Exército para atendimento nesta quarta-feira, na cidade de Água Preta.

O Exército também enviará na manhã desta quarta-feira, três caminhões carregados de doações, a maioria alimentos e água, além de barracas para atenderem aos municípios de Palmares, Água Preta e Barreiros.

EUA acreditam que novo presidente da Colômbia manterá construção de bases militares

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A polêmica política de construção de bases militares norte-americanas

 na Colômbia deve ser mantida na gestão do presidente eleito, Juan Manuel Santos. A sinalização é do porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Philip Crowley. Segundo ele, as relações bilaterais entre os Estados Unidos e a Colômbia não sofrerão alterações, de acordo com a transcrição da entrevista coletiva concedida pelo porta-voz, no site do Departamento de Estado.

"Eu não acho que haverá uma mudança significativa em nosso relacionamento bilateral. Estamos muito satisfeitos com ele [Santos], pois possibilitou uma profunda cooperação entre os Estados Unidos e a Colômbia. Eu vejo que nós teremos uma continuidade", afirmou Crowley, referindo-se ao fato de Santos ter participado de negociações com os norte-americanos no período em que era ministro da Defesa do atual presidente da República.

Eleito no último domingo (20) com quase 69% dos votos, Santos é aliado político do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe. Ele venceu o oposicionista Antanas Mockus, do Partido Verde, que obteve 27,5% dos votos válidos.

A construção das bases militares na Colômbia divide a América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não aprova a medida, assim como os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa. Na interpretação de alguns especialistas, a iniciativa seria uma ingerência direta dos Estados Unidos na região.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano evitou, porém, envolver-se na polêmica. Crowley elogiou Santos e parabenizou-o pela vitória. "Felicitamos Santos, presidente eleito, por sua vitória e aplaudimos o povo e o governo da Colômbia pela realização de eleições presidenciais de forma justa e transparente", disse.

Sem citar os riscos provocados pelas ameaças das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o porta-voz lembrou apenas que o segundo turno das eleições colombianas transcorreu pacificamente. "Foram eleições pacíficas e transparentes com um debate respeitoso, mas espirituoso, que precedeu a eleição e ilustrou o compromisso de longa data da Colômbia com os princípios democráticos. Estamos ansiosos para trabalhar com o presidente eleito, aprofundar nossa parceria e avançar nos objetivos comuns para o benefício de nossos povos", disse Crowley.