31 outubro 2010

Tropas da Otan matam pelo menos 14 insurgentes no Afeganistão

EFE

Cabul (Afeganistão) - Quatorze supostos insurgentes, entre eles seu líder, morreram durante operação das tropas afegãs e da Otan na província de Paktia, leste do Afeganistão, fronteiriça com o Paquistão, informou uma fonte oficial neste domingo.

A operação aconteceu sábado à noite no distrito de Garda Serai, quando forças afegãs e estrangeiras lançaram uma ofensiva terrestre na área de Sarokhel Darra, onde contaram com apoio aéreo, disse um porta-voz do Exército afegão, Raaz Muhammad Aryakhel, à agência "AIP".

A fonte assegurou que 14 insurgentes morreram no combate, entre eles seu comandante, e que não houve baixas em suas fileiras e nem vítimas civis.

No entanto, um porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid, citado pela "AIP", disse que a força conjunta bombardeou as casas de vários habitantes da região e matou 17 civis, incluindo mulheres e crianças.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), missão da Otan no Afeganistão, não emitiu até o momento nenhum comunicado sobre o ataque.

Os insurgentes têm forte presença nas províncias do leste e o sul afegão, onde protagonizam frequentes atentados contra as tropas internacionais e afegãs e outros alvos.

Nas províncias orientais afegãs, limítrofes com o Paquistão, as autoridades do país centro-asiático suspeitam que há vários campos de treinamento da insurgência, que se beneficia da permeabilidade da fronteira.

30 outubro 2010

Ao menos 150 cidades terão presença das Forças Armadas no 2º turno das eleições

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA de SP

Ao menos 150 municípios de nove Estados devem receber auxílio das Forças Armadas durante o segundo turno das eleições, neste domingo (31): Alagoas (9), Amapá (1), Amazonas (11), Maranhão (5), Pará (80), Paraíba (5), Piauí (25), Rondônia (10) e Tocantins (4).
O número era o que tinha sido autorizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até a noite de sexta-feira (29), mas o tribunal ainda pode analisar outros pedidos em caráter de urgência. No primeiro turno, a força federal foi autorizada pelo TSE a atuar em 256 cidades de 12 Estados.
As Forças Armadas podem atuar, por exemplo, na segurança da votação e no transporte de urnas e servidores a locais de difícil acesso. 

No Amazonas, forças da Marinha vão reprimir o transporte ilegal de eleitores por vias fluviais em Manaus, Tefé, Paritins, Itacoatiara, Boca do Acre e Eirunepé. 

Já a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que levará, por meio de suas aeronaves, mais de 500 urnas eleitorais a localidades de difícil acesso nas regiões Norte e Nordeste. 

No Acre, helicópteros levarão o dobro de urnas (240) em relação ao primeiro turno para cerca de 32 aldeias porque, além da eleição presidencial, o Estado realiza também um referendo para decidir sobre fuso-horário. Nesse período, as aldeias ficam inacessíveis em razão da secas dos rios da região.

29 outubro 2010

Soldados das Coreias do Norte e do Sul trocam tiros na fronteira entre os países

Segundo o governo da Coreia do Sul, os soldados norte-coreanos fizeram disparos em direção a uma patrulha sul-coreana.

Jornal Nacional

Soldados das Coreias do Norte e do Sul trocaram tiros nesta sexta-feira na fronteira entre os dois países.

Segundo o governo sul-coreano, soldados do Norte fizeram disparos em direção a uma patrulha do lado Sul da fronteira. Os militares da Coreia do Sul reagiram.

Um armistício interrompeu a guerra entre as duas Coreias em 1953, mas até hoje não houve acordo de paz definitivo.

Tiros são disparados contra instalação da Marinha nos EUA, no 4º ataque em 13 dias

DA REUTERS, EM WASHINGTON 

Vários tiros foram disparados contra um museu da Marinha perto de Washington durante a noite passada, levando o FBI [polícia federal americana] nesta sexta-feira a buscar por algum ex-membro do serviço militar que possa ter alguma mágoa em relação ao grupo. 

O FBI já encontrou ligações entre três tiroteios anteriores -- no Pentágono, em um centro de recrutamento da Marinha em um subúrbio da Virgínia, e no Museu Nacional da Marinha, em Triangle, na Virginía, 58 km ao sul da cidade. 

Investigadores trabalham com a suposição de que esse último ataque ao museu também está ligado aos demais, disse John Perren, chefe do escritório de campo do FBI em Washington, que lidera as investigações. 

"Pode ser que ele sinta que está sendo tratado de forma incorreta pela Corporação em sua vida profissional e/ou pessoal", disse Perren. "Gostaríamos de saber o que essa mágoa é... e o que podemos fazer para tentar ajudar a resolvê-la." 

O atirador não parece querer ferir soldados ou civis, segundo Perren. "Não acreditamos que sua intenção seja machucar cidadãos inocentes ou marines. Agindo dessa forma, porém, ele pode levar a consequências desastrosas e trágicas." 

Ele não quis comentar sobre a arma usada, e as autoridades investigavam uma rodovia perto do museu após o último incidente para provas que pudessem ajudar a identificar o atirador. 

Os tiroteios, que começaram em 17 de outubro, acontecem dias antes da maratona anual da Marinha, marcada para domingo, e autoridades disseram que vão aumentar a segurança para a corrida, que atrai dezenas de milhares de atletas e espectadores. 

Ninguém ficou ferido em nenhum dos ataques, que aconteceram sempre tarde da noite ou nas primeiras horas do dia.

Fuzis somem de quartel do Exército em São Paulo

O Estado de SP

Dois fuzis calibre 7,62 milímetros desapareceram da Base de Administração e Apoio da 2.ª Região Militar, que fica atrás do Comando Militar do Sudeste (CMSE), no Ibirapuera, zona sul de São Paulo, por volta das 2 horas de sábado. Foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) e 40 militares ficaram "à disposição do IPM". Eles só deixaram a unidade na terça-feira. Na segunda-feira, houve tentativa de invasão da mesma base.

Segundo o Exército, um soldado que estava de serviço em uma das guaritas do quartel percebeu que os fuzis de dois militares que estavam descansando haviam sumido do local em que as armas são presas com cadeados. Acionou o plano de emergência e 400 militares voltaram para o quartel - os generais foram informados às 10h15 de sábado.

"Às vezes o armamento some do local, mas fica escondido no quartel. Depois, alguém aparece para resgatar as armas e, na segunda-feira, houve tentativa de invasão à base", disse um coronel ontem pela manhã. "Não sabemos se os crimes têm relação, mas isso está sendo investigado."

À noite, o coronel mudou a versão e disse que uma pessoa, que poderia estar bêbada, teria se aproximado do quartel. Procurado, o CMSE descartou oficialmente a hipótese de invasão.

O Exército registrou boletim de ocorrência e informou a PM. Um sargento, um cabo e 12 soldados estão citados no IPM como testemunhas - eles podem ser indiciados ao fim do inquérito. São exatamente os militares que estavam de serviço na guarda de onde as armas desapareceram. O CMSE disse que "uma série de procedimentos de segurança não foi seguida" e que "o IPM indicará as responsabilidades e todos os culpados serão rigorosamente punidos".

Tortura

A reportagem recebeu denúncia de que, durante o interrogatório, militares haviam sido torturados. "É mentira", afirmou o CMSE. "Todos os generais (quatro) foram para o local e acompanharam os procedimentos. Isso não seria permitido." Ainda de acordo com o comando, todos os depoimentos são acompanhados por, no mínimo, duas testemunhas. "Quando há denúncia com nome do agressor ou do agredido, abrimos sindicância. Sem nomes, isso não é possível. Mas garantimos que não houve tortura." 

25 outubro 2010

25 afegãos morrem em ataque aéreo da NATO

RTP

Cabul (Afeganistão), 25 out (Lusa) -- Pelo menos 25 pessoas terão morrido na sequência de um ataque aéreo das forças da NATO no sul do Afeganistão, revelou hoje um oficial afegão, adiantando que poderão existir mais vítimas sob os escombros de um edifício.

A notícia foi já objeto de comentários oficiais por parte de responsáveis da NATO, que confirmaram publicamente o ataque aéreo na província de Helmond, embora tenham assegurado que os relatórios iniciais não indicam a existência de vítimas civis.

Entretanto, o responsável pela província de Helmond, Fazal Bari, garante que foram já contabilizadas 25 vítimas mortais, tendo adiantado que as autoridades locais afirmam que há outros corpos sob os escombros do edifício atacado, pelo que o número de mortos poderá aumentar.

24 outubro 2010

Londres faz "leitura aflitiva" dos segredos do Iraque

RTP

As ondas de choque libertadas pela publicação, na Internet, de 391.832 documentos secretos sobre a ocupação do Iraque chegaram este domingo ao núcleo do Governo britânico. Perante o retrato de um país mergulhado num caldo de violência sectária, ingerência de potências e de países vizinhos e instituições mal preparadas, Nick Clegg, vice-primeiro-ministro no Executivo de David Cameron, confessa-se “aflito”.

Publicado entre sexta-feira e sábado no portal da WikiLeaks, o conjunto de quase 400 mil relatórios sobre o quotidiano das tropas dos Estados Unidos no Iraque permite perceber a dimensão dos desafios colocados às frágeis instituições civis e militares que preencheram os espaços esvaziados pela pulverização do regime de Saddam Hussein. Relatos redigidos por soldados norte-americanos entre Janeiro de 2004 e o termo de 2009 revelam um país armadilhado por dentro e a partir de entidades externas, onde as rivalidades sectárias, políticas e entre clãs, assim como a persistência de práticas de tortura e outros abusos generalizados dos Direitos Humanos, põem em causa a própria estratégia de saída sancionada pela Administração democrata de Barack Obama.

O conteúdo dos documentos, reagiu este domingo o vice-primeiro-ministro britânico, comporta “alegações” de uma “séria” gravidade. Para o líder dos liberais democratas, que viabilizaram o Governo de coligação do conservador David Cameron, impõe-se dar “uma resposta ao que se conclui serem alegações muito, muito graves”.


“Podemos lamentar a maneira como estas fugas tiveram lugar, mas penso que a natureza das alegações feitas é extraordinariamente séria. A sua leitura é aflitiva e elas são muito graves. Suponho que a Administração americana queira fornecer a sua própria resposta. Não nos cabe dizer-lhes como o fazer”, afirmou Nick Clegg. Numa entrevista à BBC, o governante britânico, que no passado considerou “ilegal” o alinhamento de Londres com a invasão do Iraque, defendeu a necessidade de fazer uma análise cuidada das informações agora conhecidas. Isto porque “tudo aquilo que leve a pensar que as regras básicas da guerra, dos conflitos e do combate foram violadas, ou que a tortura possa ter existido de uma qualquer forma que foi tolerada, é extremamente grave e deve ser examinado”.


“A verdade”

Sem desacreditar os dados revelados pela WikiLeaks, a Administração norte-americana repete as fórmulas que usou em anteriores fugas propagadas pela organização criada por Julian Assange. Fazendo eco da posição do Pentágono, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, condenava, logo na sexta-feira, “a difusão de quaisquer informações” que colocassem “em risco a vida de soldados e civis dos Estados Unidos e aliados”. Ao apresentar o acervo The Iraq War Logs, Assange garantiu que a WikiLeaks quis apenas repor “a verdade”.

Nos relatórios, são inúmeras as histórias da violência que faz o dia-a-dia do Iraque do pós-Saddam Hussein. Das descrições assinadas por quem trava a guerra no terreno fazem parte não só os casos de tortura e execuções sumárias protagonizados pelas forças regulares do país. Estão igualmente registados “mais de 300 casos cometidos pelas forças da coligação” liderada pelos Estados Unidos, como salientou no sábado o fundador da WikiLeaks.


Entre outras revelações, sabe-se agora que, no Outono de 2005, as tropas norte-americanas encontraram provas de conspirações para eliminar vários responsáveis das novas instituições iraquianas. E em Junho de 2006, noutro exemplo das informações em causa, soldados dos Estados Unidos encontraram, no interior de uma cela da esquadra da polícia iraquiana em Husaybah (Oeste do Iraque), vestígios de sangue, uma mangueira de borracha e cabos eléctricos montados sobre uma porta de metal. Descobertas que os próprios operacionais norte-americanos reportaram como “indicações claras” de violações dos Direitos Humanos.


“Uma grave violação do Direito Internacional”

Outra das vozes que se ergueram durante o fim-de-semana foi a do relator especial das Nações Unidas para os casos de tortura. Manfred Nowak falou directamente para a Sala Oval da Casa Branca, apelando ao Presidente dos Estados Unidos para que abra uma investigação. Barack Obama, lembrou o relator, “chegou ao poder com a promessa de mudança”: “O Presidente Obama tem a obrigação de tratar os casos passados”.

Igualmente partidária da abertura de um inquérito, a Amnistia Internacional imputou “uma grave violação do Direito Internacional” às chefias militares norte-americanas, que entregaram “milhares de prisioneiros às forças iraquianas quando sabiam que elas continuavam a torturar”. Na mesma frente, a organização Human Rights Watch veio exigir que “o Iraque persiga os responsáveis por tortura e outros crimes” e que os Estados Unidos “investiguem”.

Pernambucana é a 1ª a pilotar jato

Fabrícia Oliveira, 27, tenente da Aeronáutica, fez ontem o voo inaugural pela cidade, como copiloto de aeronave da FAB

Júlia Kacowicz - Diário de Pernambuco
Eram exatamente 10h12 de ontem quando o Carcará 01, aeronave do 1º do 6º Grupo de Aviação da Força Aérea Brasileira (FAB), decolou do hangar no bairro do Jordão, no Recife. O voo pela cidade durou uma hora. No pouso, o retorno foi celebrado com um brinde com champagne e um batismo do copiloto com um jato d'água. Aquele voo não era comum. Quem estava a bordo era a tenente Fabrícia Oliveira, 27 anos - a primeira mulher militar a pilotar um jato operacional. Em situação de guerra, ela teria a função estratégica de reconhecer o ambiente e ajudar no ataque ao inimigo. Em paz, o feito derruba o tabu de que essa missão não poderia ser feminina.

O voo de ontem simbolizou a conclusão do curso e a habilidade da ex-aluna para ser copiloto e operar o Learjet 35, aeronave de reconhecimento considerada um modelo de primeira linha da aviação. Na etapa teórica, ela foi aprovada como a melhor da classe, toda formada por homens. Mas a tenente já pretende dar continuidade ao curso para se tornar a primeira piloto do jato. A conquista inédita na FAB é observada como uma responsabilidade por Fabrícia, que se formou com outras 11 mulheres na Academia da Força Aérea de Pirassununga, no interior de São Paulo. "Vejo como uma grande responsabilidade, pois abre as portas para outras mulheres, mostra que não há só homens", disse.

Fabrícia começou os estudos na Aeronáutica, em 2003, quando participou do concurso da FAB. Mas sua vida militar começou bem antes, no Colégio Militar de Salvador, "se estendendo" para outros setores. Hoje, é casada há três anos com o oficial do Exército Davi Monteiro, 28, que conheceu ainda na escola. Já são 10 anos entre namoro, noivado e casamento. Ontem, Monteiro conseguiu uma dispensa do serviço para acompanhar, no solo, o voo da mulher. Aguardava o pouso com ansiedade. "Antes ela pilotava aviões de transporte. Agora poderá operar em ações de reconhecimento".

Antes de ser a copiloto do Learjet, a tenente Fabrícia participou de aulas teóricas, simulações e práticas de voos em outros três modelos de aeronaves. Em todos os momentos, ela passou pelas etapas de aluna, copiloto e pilota. Na aviação de grande porte, ela pode escolher entre as áreas de transporte, patrulha ou reconhecimento.

O major-brigadeiro Hélio Paes de Barros Júnior, comandante do II Comar, destacou a formação da nova co-pilota. "Ela não está apta apenas a pilotar, mas a operar a aeronave. A função desse esquadrão é essencial. São os primeiros a entrar e os últimos a sair em uma guerra", afirmou.

Aeronaves já pilotadas

T-25
 
- Usado para instrução primária e básica dos cadetes

- Pode desenvolver velocidade máxima de 275 km/h

- Opera com dois casulos com metralhadora

- Tripulação máxima de duas pessoas

T-27

- Usado para treinamento intermediário de pilotos

- Assentos modernos em tandem (parte de trás mais alta que a da frente)

- Alcança velocidade máxima de 448 km/h

- Carrega metralhadoras, foguetes e bombas

C-95

- Modelo bandeirante para transporte de passageiros

- Movido a turbo-hélice

- Capacidade entre 15 e 21 passageiros

- Alcança velocidade máxima de 426 km/h

Learjet - R35 (co-pilota)

- Bimotor a jato de pequeno porte para reconhecimento

- Capacidade para transportar de 8 a 10 passageiros

- Alcança a velocidade máxima de 550 km/h

- Equipado com sensores, câmeras e máquinas fotográficas

Jobim ajuda Dassault a vender o Rafale aos árabes

Felipe Vanini
Poder Aéreo

No mais absoluto sigilo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está dedicando parte de seu tempo a uma atividade inusitada: convencer os governos da Líbia e dos Emirados Árabes a fechar a compra de um megalote de 76 aviões Rafale, idênticos aos considerados favoritos na concorrência para o reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB), fabricados pela francesa Dassault.

Jobim, na verdade, vai atuar mais como um bombeiro na empreitada, ameaçada de naufragar, tentando “salvar” a negociação entre os árabes e o fabricante francês. Explica-se: as conversações, que aconteciam em céu de brigadeiro, azedaram por conta de um artigo publicado no jornal parisiense Le Figaro, cujo proprietário é ninguém menos do que o empresário Serge Dassault, dono da empresa aeronáutica. Segundo o Figaro, os Emirados Árabes estariam encomendando equipamentos de vigilância eletrônica a Israel para se proteger de um eventual ataque aéreo do Irã.

Dá para se imaginar a repercussão da notícia sobre a transação com o arquirrival no mundo árabe. “O senhor Dassault nos apunhalou pelas costas”, reclamou o ministro da Defesa dos Emirados, Bin Zaid Nahyan, que subitamente começou a elogiar os caças F-18, da Boeing, concorrente da Dassault.

Para o governo francês, que tenta a todo custo emplacar o Rafale no mercado internacional (até agora, o modelo só foi adquirido pela força aérea francesa), o episódio foi preocupante, principalmente porque os Emirados comprariam 60 das 76 aeronaves. “Caímos num buraco negro”, afirmou o ministro da Defesa da França, Hervé Morin.

Abatimento. Daí à solicitação dos préstimos do colega Jobim, foi um pulo. O ministro brasileiro, porém, não vai trabalhar de graça. Caso consiga fazer com que árabes e franceses voltem a sentar-se à mesma mesa e concluam o negócio, Jobim recebeu a promessa de que obterá um substancial abatimento na fatura dos 36 aviões que a FAB deve adquirir da Dassault.

A conta, aliás, vem caindo antes mesmo da confirmação da encomenda: orçado inicialmente em US$ 7 bilhões, o lote já custa em torno de US$ 5 bilhões, com tecnologia e tudo.

FONTE: Estadão/Blog CLAYTON NETZ

Primeiros EC725 serão embarcados para o Brasil

Poder Aéreo

Com a presença do presidente do grupo Eurocopter, Lutz Bertling, o consórcio Helibras/Eurocopter apresentou, em 14 de outubro, o primeiro dos três helicópteros EC725 para os membros do GAC – Grupo de Acompanhamento e Controle, que estão acompanhando a produção das aeronaves na França. Os helicópteros, que a partir de 2012 vão ser produzidos no Brasil, serão agora transportados até as instalações da Helibras, em Itajubá-MG, onde serão finalizados para a entrega oficial à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica em dezembro.

Gripen NG terá quatro ‘cabeças de série’ e Akaer fará 60 desenhos por semana

Poder Aéreo

No lançamento da primeira peça do Gripen NG pela Akaer, várias informações inéditas sobre o Programa do Gripen NG BR foram apresentadas. Em entrevista coletiva à imprensa, a Akaer informou que existe uma curva de interação ao longo dos próximos meses, para o ano de 2011, em torno de 2.400 desenhos do Gripen NG, o que representa uma média de 60 desenhos por semana. O plano de produção do Gripen NG prevê as primeiras peças prontas por volta de março/abril de 2011.

Essas peças farão parte do protótipo (cabeça de série) do Gripen NG, que estará voando por volta de 2012 e 2013. Serão fabricados quatro aviões de pré-série, sendo dois para ensaios em voo, um para ensaio de fadiga e outro para ensaios estáticos e de componentes.

Foi dito também que o contrato de produção do Gripen NG foi divido em duas fases. A primeira, de desenvolvimento/projeto, produção dos cabeças de série e processo de industrialização. A outra fase é a da serialização, que está indefinida, pois depende da decisão do cliente lançador.

A partir da decisão do Governo Brasileiro, a fase de serialização será definida. A montagem dos cabeças de série está programada para ser feita no Brasil.

Diretor da Saab no Brasil esclarece detalhes do Gripen Demo e Sea Gripen

Poder Aéreo

Poder Aéreo – A SAAB está usando o DEMO como protótipo?

Bengt Janér – Uma aeronave DEMO  só tem 2 objetivos principais. Demonstrar que o Gripen tem potencial de crescimento e a redução dos riscos  de algumas atividades. Uma coisa é mostrar no PowerPoint que se vai pegar o avião e aumentar a potência dele em 40%, a outra coisa é dizer que se está voando um demonstrador que é significativo em algumas características e diferente em outras. Por exemplo, sistemas como os freios podem ser diferentes na série e isso não atrapalha em nada na hora de demonstrar, por exemplo,  o super cruise ou demonstrar o desempenho em curva sustentada. No Demo não se voam todas as configurações de armamento. Somente uma ou outra configuração, porque o seu objetivo primário é demonstrar que se é capaz de migrar  do C/D para o NG e algumas atividades que aparentemente o cliente percebe como de alto risco, estão sobre controle do projeto. Por exemplo, a substituição do motor  F-404 pelo F-414, foi o mesmo que a Embraer fez durante o desenvolvimento do Super Tucano. Para demonstrar as características resultantes de um aumento de mais de 100% de potência entre o EMB 312 e o Super Tucano, a Embraer voou um POC – Proof of Concept em 1992.

Por que a SAAB não fez o protótipo? Porque o protótipo implica em 2 coisas muito diferentes do Demo. A primeira questão é referente a representatividade estrutural da aeronave. Se não for representativa estarão sendo medidos parâmetros que não são definitivos e isso pode exigir a repetição dos testes mais adiante. Em segundo lugar a instrumentação é muito mais complexa de ser instalada e gerenciada em uma aeronave protótipo ou pré-série. São milhares de parâmetros que devem ser monitorados simultaneamente para fins de validação e certificação. Isso não só custa dinheiro, como toma tempo. Precisa-se instrumentar muito o seu avião.

Quando um programa de desenvolvimento de uma nova aeronave considera reprojetar a estrutura inteira, só justifica se fazer um protótipo ou pré-série depois que se termina todo o cálculo estrutural. Este cálculo estrutural consome milhares e milhares de horas e somente  após o congelamento da configuração e o detalhamento do projeto é que se inicia a construção do protótipo ou pré-série.

Só faz um investimento em aviões protótipo ou pré-série quando se congela a configuração do cliente. Se não ocorrer essa definição, vai se fazer um protótipo, mas vai ter que repetir tudo isso lá mais adiante.

Então um programa qualquer de desenvolvimento, seja da Embraer da SAAB ou da Boeing, ela pode ou não ter um demonstrador de conceitos dependendo de seus objetivos estratégicos, mas certamente ela terá um protótipo ou pré-série mais pra frente e esta é a última etapa do desenvolvimento.

O Demonstrador é um recurso tecnológica que uma empresa usa para mostrar que seus conceitos são factíveis.

Poder Aéreo – Com relação à asa. Qual a diferença da asa do Demo para a do NG?

Bengt Janér – A asa  tem muitas diferenças. A nova asa terá maior resistência, uma vida útil ampliada considerando uma maior carga de armamentos e devido ao reposicionamento do trem de pouso definitivo do avião o posicionamento de diversos elementos estruturais tais como nervuras e suportagem é alterada.

Poder Aéreo – Ou seja, a asa do DEMO atual, apesar de mostrar o novo posicionamento do trem de pouso, ainda não é a asa final?

Bengt Janér – Não, aquela asa é representativa aerodinamicamente mas não estruturalmente. Por isso, aeronaves DEMO não tem a vida em fadiga das aeronaves de série e em alguns casos não leva todos os armamentos e cargas externas das aeronaves de série. O trem de pouso colocado no DEMO não tem a estrutura e as características do trem definitivo.

Volto ao exemplo prático do Super Tucano. O DEMO do ST tinha uma vida de 2.000/3.000 horas e o avião definitivo está com 18.000 horas de vida.

O EMB 312 tinha 750shp e o Super tucano tem 1.600 shp, então se subiu mais de 100% de potência. Então se pega um projeto aerodinâmico estrutural que foi feito para voar 750shp e passa-se a voar com o dobro de potência. No caso do Gripen NG ou F-18E/F, os ganhos de potência estão na faixa de 20% 30%, ou seja, não é tão dramático quanto era no Super Tucano. Só que devido ao envelope de voo supersônico existem outros efeitos a serem considerados.

No caso do Gripen NG, ele tem uma vida em fadiga determinada por certo espectro. Pode-se puxar determinado número de Gs por determinado número de horas.

Se uma Força Aérea estiver sempre em guerra, vai carregar seu avião mais vezes de armamento até o limite e vai puxar mais Gs ao longo da vida, então se consome mais ou menos a vida.

Com relação a vida em fadiga tudo é feito de uma forma extremamente controlada, monitorada, tanto o demo bem como os aviões da série são instrumentados. No caso do avião Demo, não existe o compromisso de voar como em um avião de série, portanto ele tem uma vida em fadiga mais limitada que uma aeronave de série.

No caso do radar, o DEMO já está sendo equipado com o  protótipo do radar da Selex Galileo. Esta instalação do radar no avião Demo será aperfeiçoada e no avião de série haverá diferenças voltadas ao aumento da confiabilidade dos componentes, melhoria das características de manutenabilidade, etc.

Ele serve para, em certos ambientes controlados de demonstrar a diferença dos modos, o alcance e as capacidades. É um demonstrador tecnológico de que está avançando em direção à versão de série.

Todos os fabricantes do mundo usam de formas variadas, de acordo com a situação, aviões de demonstração, protótipos ou pré-séries.

A diferença entre protótipo e pré-série não é facilmente percebida pelo público em geral.
Quando se tem processos muito avançados de projeto e testes de simulação, se faz pré-série, ou seja, a diferença dos modelos de série para esse é muito pequena, talvez alguma cablagem, algum pequeno componente. Hoje em dia, as indústrias aeronáuticas modernas não estão mais fazendo protótipos, estão fazendo pré-séries, porque as ferramentas disponíveis para projeto e desenvolvimento são muito avançadas. Quando se libera um desenho de produção, como é o caso da Akaer hoje, essa peça é do pré-série e é da série, sem sombra de dúvida, não haverá mudanças, ela vai fazer parte do teste geral do avião, completo, para fins de fadiga e outros objetivos.

PODER AÉREO – Vamos falar um pouco de Sea Gripen. Você tinha dito que eram necessárias horas e horas de projeto para se mudar do Gripen C para o Gripen NG. Para migrar do Gripen NG para o Sea Gripen, serão necessárias muitas horas de re-projeto para preparar a aeronave para pouso em porta-aviões?

Bengt Janér – Não. Haverá sim um esforço de desenvolvimento, mas é contido.

Após a concepção do Programa do Gripen NG observou-se que haveria um potencial para uma versal navalizada e daí nasceu a idéia do Sea Gripen. Em uma situação como essa, as maiores oportunidades que se tem fazer mudanças de concepção ocorrem no início do projeto.

Se o NG já estivesse no final do projeto, com pré-série já voando, com todos os desenhos de produção liberados, haveria sim um impacto maior em esforço de engenharia para a definição e projeto estrutural.

A concepção do Sea Gripen levou em consideração o que eu preciso fazer hoje no NG para não precisar recalcular mais adiante.

Devido ao fato do Gripen ser uma aeronave que nasceu para operação a partir de rodopistas, seu projeto já incorpora características bem próximas das exigidas para a operação embarcada.

A questão de reforçar ou não é muito sutil. Quando se compara um caça naval e um convencional (genérico), tem-se um peso estrutural, pois se tem de reforçar o trem de pouso, parede do trem de pouso, gancho etc para agüentar o lançamento da catapulta e o pouso. São cargas bem distintas que atuam em cada uma dessas fases de vôo.

Grosso modo, se pegarmos um caça naval clássico como o F-18, se este tivesse sido projetado para operar a partir de bases em terra, teríamos uma diferença de umas duas toneladas só de peso estrutural, comparado a versão navalizada. Hoje existem ferramentas de projeto muito avançadas e a possibilidade de emprego de novos materiais. Esse impacto de peso varia de 300 a 600kg num caça projetado agora no século XXI.

A diferença de peso do Sea Gripen para o Gripen NG deverá ser da ordem de 500kg no máximo (um cálculo preciso já foi feito mas não posso divulgá-lo. Já foram identificadas todas as áreas que deverão ser revisitadas durante o projeto do Sea Gripen.

Essas áreas de impacto vão ter um tratamento especial quando forem projetadas em nível detalhado como foi projetada essa peça que está sendo liberada hoje.

Ela terá um controle de configuração para que seja revisitada quando forem trabalhar no Sea Gripen.

Ou seja, já está sendo feito um pré-trabalho para facilitar o desenvolvimento do Sea Gripen.
O melhor dos mundos é um cliente decidindo agora pelo Gripen NG, acelera-se o desenho do NG que já está em andamento, daqui a uns dois anos lança-se formalmente o Sea Gripen em termos de projeto de engenharia e com o amadurecimento de grande parte do projeto do NG, pegam-se as peças que já estão marcadas e reprojetam-se as partes específicas para o Sea Gripen, pois já foram previamente identificadas.

Para um caça naval algumas características são importantes. Não somente a resistência estrutural, mas aspectos de controlabilidade, estabalidade, visibilidade a partir da cabine e outros são fundamentais.

O benefício de operar em rodopista é que as cargas para pouso são quase tão  elevadas quanto a operação embarcada. O Gripen pousa em rodopista, se não me falha a memória, de 13 a 14 pés por segundo de impacto e a especificação para pousar em porta-aviões e na faixa dos 18 a 20 pés por segundo. Um caça não STOL pousa a menos de 8 pés por segundo de velocidade vertical.

O Gripen é um avião robusto que está meio caminho de um avião completamente capaz de operar embarcado. Mas não é só o fator da robustez no pouso ou da capacidade de aceleração, são vários fatores, um deles dos mais importantes, é a estabilidade próxima da velocidade estol, porque se está aproximando para o pouso com uma velocidade baixíssima.

O Bucanneer, por exemplo, pousava a 190 ou 200 nós, quase levando o porta-aviões embora. A velocidade ideal para pouso de um caça moderno pousando em porta-aviões é na faixa de 140, 150 nós. , O Gripen já tem um motor marinizado, o mesmo utilizado pelo F-18. Ele possui várias capacidades que apontam a viabilidade de um programa de um caça naval.

Eu diria que o projeto é de um nível de risco muito baixo. Diversas áreas deverão ser endereçadas mas todas estão sob controle e conhecimento da Saab. Aspectos operacionais particulares também precisarão ser considerados já foram identificadas e constam do planejamento do programa.

Ministro Santos Silva defende "maior convergência" entre os três ramos das Forças Armadas

Castelo Branco, 24 jul (Lusa) -- O ministro da Defesa Nacional defendeu hoje, em Castelo Branco, maior convergência entre os três ramos das Forças Armadas, para potenciar meios e recursos.

Augusto Santos Silva, que discursava no âmbito do Dia do Exército, que se assinalou este ano na cidade albicastrense, sublinhou a necessidade de "serem implementadas maiores convergências e sinergias entre o Exército e os restantes ramos das Forças Armadas", privilegiando-se "a organização de ações conjuntas na componente operacional".

"É preciso pensarmos as Forças Armadas como um único sistema de forças que promova uma verdadeira integração de meios e recursos", destacou o titular da pasta da Defesa, numa intervenção em que, para além da integração, utilizou mais três palavras-chave: qualificação, operacionalidade e proximidade.

Coreia do Norte diz que arsenal nuclear é sua "espada preciosa"

Declaração coincide com visita de delegação chinesa; país prepara teste atômico

AFP / R7

Coreia do Norte afirmou neste domingo (24) que seu arsenal nuclear serve como uma "preciosa espada", no momento em que informações não confirmadas garantem que o país se prepara para realizar um terceiro teste atômico.

Essa declaração coincide também com a visita à Coreia do Norte de uma delegação militar chinesa e com os preparativos para a sucessão do líder Kim Jong-il. O líder deve ser substituído pelo filho mais novo, Kim Jong-un.

A Coreia do Norte "estava inteiramente em seu direito quando optou por ter acesso à arma nuclear", comentou a agência de notícias norte-coreana KCNA, acrescentando que o país comunista precisa se proteger.

A Coreia do Norte justifica desde sempre seu programa de armamento nuclear pela necessidade de poder combater uma ameaça similar dos Estados Unidos.

O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) não cumpre seus objetivos, acrescentou no sábado à noite a agência KCNA.

A agência afirmou que “isso obrigou a Coreia do Norte a sair do TNP (em 2003) e iniciar uma dissuasão nuclear legítima para proteger sua soberania e segurança".

O jornal sul-coreano Chosun Ilbo, o de maior tiragem do país, informou na última quinta-feira que a Coreia do Norte parecia se preparar para um novo teste nuclear, citando uma fonte governamental não identificada.

Segundo o jornal, satélites americanos detectaram movimentos de pessoas e veículos no local onde Pyongyang realizou seus dois primeiros testes nucleares.

Ministério da Defesa deve reduzir para metade número de funcionários civis -- comissão oficial

Berlim, 24 out (Lusa) -- O principal responsável de uma comissão oficial na Alemanha, que avalia o estado atual e as necessidades do exército alemão, propôs hoje que o Ministério da Defesa reduza para metade o número de funcionários civis.

Num programa da televisão da estacão pública alemã ARD, Frank-Juergen Weise, que também é diretor do Escritório Federal do Trabalho, defendeu que apenas a metade dos 3.300 funcionários eram necessários.

A chamada Comissão Estrutural do Exército Federal deverá apresentar na terça feira a sua proposta final, que também prevê "uma redução radical das tropas" alemãs.

 

22 outubro 2010

Submarino nuclear encalha na Escócia

BBC Brasil



O submarino nuclear de ataque mais sofisticado e novo da Marinha britânica encalhou nesta sexta-feira na costa da Escócia.

O ministério da Defesa divulgou nota afirmando que não há perigo de acidente nuclear e que o HMS Astute não está fazendo água.

O acidente aconteceu pouco depois das oito da manhã locais, por volta de cinco da manhã em Brasília.

O submarino foi desencalhado com a subida da maré, no fim do dia, e iria ser vistoriado em busca de possíveis avarias.

Al Jazeera: Exército encobriu torturas e matou milhares de civis no Iraque

Canal divulga dados sobre a guerra que seriam vazados pelo Wikileaks antes da data prevista

Efe
 
CAIRO- Ao menos 109.000 personas, 63% delas civis, morreram no Iraque desde o início da guerra, em março de 2003, até o fim de 2009, segundo documentos secretos dos Estados Unidos obtidos pelo Wikileaks e revelados nesta sexta-feira, 22, pela TV árabe Al Jazeera. 

A rede publicou com antecedência alguns dados sobre os documentos da guerra do Iraque que seriam vazados que mostram a existência de um número maior de vítimas civis do conflito e o encobrimento de torturas.

A informação adiantada pelo canal, divulgada antes da data prevista de amanhã, garante que "o número de mortos civis é muito maior do que o estipulado oficialmente".

Após a guerra, iniciada em março de 2003, ocorreram "numerosos casos de tortura, humilhação e homicídios contra civis por parte das forças iraquianas", afirma a TV, com base nos dados do Wilileaks. A antiga empresa de segurança Blackwater também teria matado mais civis do que o número oficial.

O Exército americano também teria ocultado casos de tortura dentro das prisões iraquianas, e supostamente há relatórios americanos que envolvem o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, de ordenar a formação de "equipes encarregadas de perpetrar torturas e matanças".

O Pentágono disse hoje que não esperava "grandes surpresas" da grande quantidade de documentos sobre a guerra do Iraque, mas alertou que eles poderiam colocar as tropas americanas ainda no país após o fim da missão de combate em perigo.

O Wikileaks convocou a imprensa para uma coletiva amanhã na Europa, provavelmente Londres, para divulgar os documentos, o que seria o maior vazamento na história dos Estados Unidos.

O Departamento de Defesa acredita que os relatórios a serem divulgados, cerca de 400.000, são informes de campo sobre a guerra conhecidos como "Significant Activities" o SIGACTs, em jargão militar.

Em julho, o site já entrou em conflito com o governo americano ao publicar 92.000 relatórios secretos das Forças Armadas sobre o Afeganistão.

Aeronave de teste do Boeing P-8A Poseidon completa o primeiro lançamento de sonobóias

Cavok

Uma das três aeronaves de testes P-8A Poseidon da Boeing completou vários lançamentos de sonobóias na sexta-feira, dia 15 de outubro. Esse evento marca a primeira vez que o novo Poseidon lança sonobóias desde que começaram os testes na Estação Naval de Patuxent River no último trimestre.

Um total de seis sonobóias foram lançadas em três voos de baixa altitude na Área de Teste do Atlântico. O local oferece espaço aéreo seguro para este tipo de missão.

Cada P-8A emprega um sistema de lançamento rotatório que utiliza três lançadores com a capacidade de armazenar 10 sonobóias cada e a capacidade de lançar disparos únicos ou múltiplos. O sistema pode acomodar qualquer tamanho de sonobóia e a capacidade de armazenamento de 120 é 50% maior que do P-3.

Este evento é apenas uma parte integrante das missões de testes de sistemas de armas do P-8A. A capacidade opercional inicial do P-8A está prevista para 2013 na Estação Naval de Jacksonville, Florida.

21 outubro 2010

Pioneiros da implantação de destacamento da AFA celebram 50 anos da jornada

CECOMSAER

A marcha e as palavras ecoadas dos cadetes encontram-se com os olhos antigos, que insistem em ficar molhados. A vista assiste a duas histórias, como se fossem “filmes”. Uma, presente, de cenário transformado. Outra, memória, do ano de 1960, de terra, grama, tratores, construções. Os “filmes” que passam pela cabeça e pelo coração desses homens contam a mesma história. Cinquenta anos depois, pioneiros da implementação do destacamento em Pirassununga (SP), do que viria a se tornar a Academia da Força Aérea (AFA), voltaram ao lugar que ajudaram a erguer e se emocionaram com homenagens que receberam. Era unânime entre eles que tudo estava diferente, mas que, também, em cada pedaço daquele chão, parecia que o tempo não havia passado.

“Voltar aqui é muito emocionante para todos nós. O que nós fizemos foi um trabalho de desbravadores. Foi tudo muito difícil e especialmente gratificante”, disse o Tenente-Brigadeiro João Felippe Sampaio de Lacerda Júnior, hoje na reserva, e um dos pioneiros da construção da nova escola de aviação da Aeronáutica. Em Pirassununga, só havia dois hangares e salas vazias. Antes, os aviadores eram formados no lendário Campo dos Afonsos (RJ) e que, com o aumento do tráfego aéreo na capital fluminense, a escola teve que ser transferida para um lugar de menor volume de aviões.

Um dos comandantes do destacamento foi o então Capitão Rivaldo Gusmão de Oliveira Lima. “Passei oito anos aqui. Antes, participei dos trabalhos do destacamento de Brasília. Foi parecido. O espaço era cercado de plantações. Havia apenas a vontade e a convicção dos militares e civis que atuaram nesse lugar”, disse o coronel aposentado.
 
Trabalhava com o Capitão, o Cabo José de Vargas Soares. Ele lembra que, além de dois hangares, havia apenas estradas de terra e mato. Ele era mecânico. “´E muito importante imaginar que participamos disso tudo aqui”, comentou. Ele lembra ainda do cheiro de querosene na pista das aeronaves que chegavam com materiais para construção da nova escola.

Saudade – O Brigadeiro Roberto de Carvalho Rangel lembra que, durante a construção, os militares trocavam algumas vezes a farda durante o dia tamanho era o volume de poeira. “É muito gostoso ver tudo pronto. Fui muito feliz aqui e fiquei muito sensibilizado ao assistir ao desfile. Não pude conter as lágrimas”, disse.

O hoje Coronel Neri do Nascimento também ficou sensibilizado em voltar à Academia. “Acho que surgiu uma escola muito maior e melhor do que imaginávamos. Claro que bate uma saudade muito grande de tudo aqui. Quem veio depois fez obras maravilhosas”. Ele serviu na época da construção e depois durante a década de 70 como instrutor e no setor de apoio. “Se pudesse voltar, faria tudo de novo. Com a idade que eu tenho ou com a idade que eu tinha”.

Um dos pioneiros e também ex-comandante da AFA, o Major-Brigadeiro Lauro Ney Menezes agradeceu a oportunidade e as homenagens que a escola fazia. “Gostaria de lhes confessar a emoção que toma conta do peito do velho aviador”. Esse momento traz de volta esses homens que foram destacados para o campo de Pirassununga.

O atual Comandante da Academia da Força Aérea, Brigadeiro-do-Ar Roberto Carvalho, disse que foi uma honra receber os pioneiros do destacamento precursor da Academia da Força Aérea. “Nada que existe hoje aconteceria sem que esses homens tivessem trabalhado há 50 anos”.

Arábia Saudita solicita seu pacote multi-bilionário com os EUA

Cavok

A Agência de Cooperação de Segurança e Defesa dos EUA (DSCA) notificou o Congresso dos EUA de uma possível e grande Venda Militar para Países Estrangeiros(FMS) de aeronaves de caça e helicópteros, além de armamentos e todo equipamento de apoio, para o Governo da Arábia Saudita, consistindo resumidamente em 84 caças Boeing F-15SAs, a modernização de 70 caças F-15Ss para o padrão SA, 70 helicópteros de ataque AH-64D Block III Apache Longbows, 72 helicópteros utilitários UH-60M Black Hawks, 36 helicópteros de ataque leve AH-6i e 12 helicópteros leves MD-530F.

As quantidades de armas e equipamentos realmente impressionam nesse negócio, conforme segue:

84 aeronaves F-15SA
170 Conjuntos de radares AESA APG-63(v)3
193 Motores F-110-GE-129 com desempenho melhorado
100 Canhões M61 Vulcan
100 Sistemas de Distribuição de Informação Multifuncional Link-16(MIDS/LVT)
193 Pods de Navegação LANTIRN (3ª Geração Tiger Eye)
338 Sistemas Conjuntos de Pontaria Montado em Capacetes(JHMCS)
462 Óculos de Visão Noturna AN/AVS-9(NVGS)
300 Mísseis AIM-9X SIDEWINDER
25 Mísseis de Treinamento (CATM-9X)
25 Mísseis de Treinamento Especiais (NATM-9X)
500 Mísseis AIM-120C/7 AMRAAM
25 Mísseis de Treinamento AIM-120
1,000 Munições Guiadas a Laser/GPS (500 lb)
1,000 Munições Guiadas a Laser/GPS (2000 lb)
1,100 Bombas Guiadas a Laser GBU-24 PAVEWAY III (2000 lb)
1,000 Munições de Ataque Direto GBU-31B V3 (JDAM) (2000 lb)
1,300 CBU-105D/B SFW/WCMD
50 CBU-105 Inertes
1,000 Bombas de Uso Geral MK-82 500lb
6,000 Bombas de treinamento MK-82 500lb Inertes
2,000 Bombas de Uso Geral MK-84 2000lb
2,000 Bombas de treinamento MK-84 2000lb Inertes
200,000 Cartuchos 20mm
400,000 Cartuchos de prática de tiro 20mm
400 Mísseis Harpoon AGM-84 Block II
600 Mísseis AGM-88B HARM
169 Sistemas digitais de Guerra Eletrônica (DEWS)
158 Sistemas de Pontaria AN/AAQ-33 Sniper
169 Sistemas de Busca e Rastreamento Infravermelho AN/AAS-42 (IRST)
10 Pods de Reconhecimento DB-110
462 Capacetes com Sistema de Pontaria Integrado
40 Receivers Avançados de Vídeo Operados Remotamente (ROVER)
80 Pods de Instrumentação de Manobras de Combate Aéreo

Para os helicópteros essa é parte da lista:

70 Helicópteros AH-64D Block III APACHE Longbow
72 Helicópteros UH-60M BLACKHAWK
36 Helicópteros de Ataque Leve AH-6i
12 Helicópteros Leves MD-530F
325 Motores T700-GE-701D
80 Sensores modernizados de Visão Noturna e de Designação de Alvos
60 Radares de Controle de Fogo AN/APG-78 com Unidades de Radares Eletrônicos (Componente Longbow)
94 Armas Automáticas de 30mm
40 Canhões Gatling GAU-19/A 12.7mm (calibre .50)
168 Metralhadoras M240H
342 Óculos de Visão Noturna AN/AVS-9
264 Lançadores de mísseis M299A1 HELLFIRE Longbow
421 Lançadores Modernizados M310 A1
4,728 Mísseis AGM-114R HELLFIRE II
24 Mísseis HELLFIRE de Treinamento
6,000 Foguetes Guiados a Laser 2.75 em 70mm

Nas possíveis vendas que podem chegar aos US$60 bilhões nos próximos 15 anos, os caças F-15 poderão equipar a Real Força Aérea Saudita (RSAF) e os Apaches seriam utilizados pela Guarda Real da Arábia Saudita (dez aeronaves), as Forças Terrestres Reais Sauditas (24 aeronaves) e a Guarda Nacional da Arábia Saudita (36 aeronaves). O respectivo treinamento e pacotes de apoio também fazem parte do acordo, bem como o suprimento de uma grande quantia de armamentos.

Os helicópteros Apache para a Guarda Nacional da Arábia Saudita serão para substituir um anterior pedido cancelado com a França para 12 helicópteros NHIndustries NH90 TTHs, 12 helicópteros Eurocopter Fennecs e 12 helicópteros de ataque Eurocopter Tiger.

Brasil rejeita ação da Otan no Atlântico Sul

Posição brasileira foi apresentada formalmente ao governo dos Estados Unidos pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim
 
Denise Chrispim Marin - O Estado de SP
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, apresentou formalmente aos Estados Unidos a rejeição do Brasil a qualquer interferência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Atlântico Sul. Em conversas com autoridades americanas nos últimos dias, Jobim afirmou que o governo brasileiro vê com reservas as iniciativas de Washington de associação das duas áreas geoestratégicas do oceano.

A tese da "atlantização" da Otan tem sido reforçada especialmente pelos EUA, que conseguiram estender a ação dessa organização a regiões distantes do Atlântico Norte, como o Afeganistão.

"O Atlântico Sul responde a questões de segurança muito diferentes das do Atlântico Norte", afirmou Jobim ao Estado. "A Otan não pode substituir a ONU", acrescentou ele, referindo-se ao temor de os EUA se valerem dessa organização para promover ações multilaterais sem o respaldo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Jobim já havia anunciado a preocupação brasileira em uma conferência no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, em setembro. Na ocasião, argumentou que uma interpretação literal do conceito de "atlantização" da Otan permitia a intervenção dessa entidade em qualquer parte do mundo e sob vários pretextos, especialmente o risco energético. Diplomatas brasileiros informaram que o governo tenta convencer sócios da Otan também parceiros comerciais do Brasil na área militar, como a França e a Itália, a desaprovar esse conceito.

Ontem, Jobim expôs a posição brasileira ao conselheiro de Defesa Nacional da Casa Branca, general James Jones. Na noite anterior, havia explicado a questão ao subsecretário de Estado para o Hemisférico Ocidental, Arturo Valenzuela. O tema foi explorado ainda pelo ministro em uma mesa-redonda na Universidade Johns Hopkins, ontem, da qual parlamentares americanos participaram.

Jobim explicou ao Estado que o Brasil não entrará em entendimento com os EUA sobre essa questão porque o país não ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982. A rigor, isso significa que a Casa Branca não é obrigada, por lei, a respeitar a plataforma continental de 350 milhas náuticas de distância e os 4.000 quilômetros quadrados de fundos marinhos do Brasil, que estão definidos pela convenção.

Essa situação traz preocupações especiais ao governo brasileiro em relação à exploração de petróleo na camada do pré-sal.

EUA detalham acordo para vender US$ 60 bi em armas à Arábia Saudita


Até os dentes. Negócio é considerado um dos maiores da indústria bélica americana, mas tem sido visto com desconfiança por Israel; Washington assegura que venda fortalecerá a segurança e a estabilidade na região e ajudará a neutralizar a ameaça iraniana

Gustavo Chacra - O Estado de SP

NOVA YORK - Depois de consultar Israel, o governo americano notificou ontem ao Congresso que pretende vender US$ 60 bilhões em armamentos para a Arábia Saudita – num dos maiores negócios da história da indústria bélica americana. A ação tem oobjetivo de aumentar o equilíbrio na região, onde cresce a ameaça de umIrã nuclear.

Segundo o anúncio conjunto do Pentágono e do Departamento de Estado, os sauditas comprarão 84 novos F-15 da Boeing, 70 helicópteros Apache, 36 aparelhos menores denominados AH-6M Little Bir de 72 helicópteros Black Hawk, entre outros armamentos, além da atualização tecnológica de 70 caças F-15 que Riad já possui
.

“Achamos que a venda fortalecerá a segurança e a estabilidade regional, em vez de diminuí-la”, afirmou Andrew Shapiro, secretário-assistente de Estado para assuntos políticos e militares
. A notícia sobre a venda já havia sido divulgada, mas enfrentou inicialmente relutância de Israel e de alguns setores do Congresso que desconfiam do regime saudita por desrespeitar os direitos humanos, controlar o mercado de petróleo e supostamente ter membros que apoiam grupos extremistas
hostis aos EUA.

De acordo com Alexander Vershbow, secretário-assistente da Defesa para ssuntos de segurança internacional, os EUA deram garantias aos israelenses de que eles não serão ameaçados pela venda aos sauditas.


Historicamente, Israel sempre viu o mundo árabe como principal inimigo. Nos últimos anos,com a radicalização do discurso contra os israelenses entre membros do regime de Teerã, especialmente depois de Mahmoud Ahmadinejad assumir o poder, em 2005, Israel passou a ver o Irã como o adversário mais perigoso na região
.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita, tradicional aliada americana, passou a enxergar o Irã como um rival no mundo islâmico.
O regime de Teerã segue a vertente xiita do islamismo, enquanto amaioria saudita é sunita.

Os dois países estão em campos opostos no Iraque e no Líbano, onde Riad é mais próximo de facções sunitas, enquanto o Irã apoia grupos xiitas
. Analistas costumam afirmar que uma arma nuclear de Teerã seria uma ameaça muito maior para países árabes como a Arábia Saudita do que para Israel, que possui bombas atômicas para dissuadir os iranianos – oficialmente, os israelenses não admitem nem negam a existência de seu arsenal nuclear.

Segundo Shapiro, o acordo não é “apenas sobre o Irã”. “É também para ajudar os sauditas em suas necessidades legítimas de segurança”, afirmou.


Aprovação

Após o anúncio do acordo, o Congresso dos EUA ainda tem 30 dias para bloquear o pacto. No entanto, o governo diz que não espera grande oposição à transação
.

Entregue primeiro desenho de produção do Gripen NG feito no Brasil

Defesa@Net

A Akaer enviou à Saab o primeiro modelo em 3D e desenho de produção 'do Gripen NG, feito em São José dos Campos. Há um ano, foi assinado um contrato entre a Akaer e a Saab prevendo a participação da empresa brasileira no programa de desenvolvimento do Gripen NG. O objetivo do contrato foi definir as bases de cooperação entre as duas empresas e o apoio a ser dado à Saab no desenvolvimento e na produção da fuselagem traseira e central, das asas e das portas do trem de aterrissagem do Gripen NG.

Imediatamente após a assinatura do contrato, uma equipe de engenheiros brasileiros da Akaer foi à Suécia, onde puderam se inteirar do projeto NG, bem como participar no desenvolvimento e se informar sobre as especificações e os métodos da Saab, na forma de transferência de tecnologia, por meio de treinamento feito "com as mãos na massa". 

Ao mesmo tempo, as instalações da Akaer relacionadas com o desenvolvimento do Gripen NG foram preparadas e certificadas para as atividades' de trabalho, incluindo segurança especial nas áreas controladas, que foram equipadas com sistemas avançados de rede, em conexão direta com a Saab, na Suécia.

Em 2010, a equipe da Akaer participou da fase de concepção, o que inclui projeto, estresse, ferramental e industrialização. Após isso, a atividade foi migrando, ao longo do ano, para as instalações da Akaer, no Brasil.

O pacote técnico, incluindo o modelo 3D e os desenhos de produção liberados hoje, foi enviado ao banco de dados da Saab, situado na cidade de Linkoping, na Suécia, por meio de um Iink seguro de dados.

A Akaer comanda a equipe brasileira T1, formada pela Inbra Aerospace, Friuli, Minoica e Winstall, todas envolvidas no desenvolvimento da fuselagem traseira e central do Gripen NG, assim como das asas e das portas principais do trem de aterrissagem. 

Se selecionado para o Programa F-X2 brasileiro, a produção em série destes segmentos do Gripen NG, tanto para o Brasil como para exportação, será efetuada de forma exclusiva em uma nova instalação, localizada em São Bernardo do Campo.

De acordo com Lennart Sindahl, Vice-Presidente Executivo da Saab e Presidente do Grupo Aeronáutico: "Este primeiro desenho comprova o sucesso da cooperação existente entre as duas empresas, demonstrando ainda o compromisso da Saab e seu investimento na indústria brasileira, como futura parceira. Vemos com otimismo nosso trabalho conjunto no processo de desenvolvimento". 

O Presidente da Akaer, Cesar Augusto da Silva, disse: "Este é o primeiro desenho de uma aeronave de combate supersônica desenvolvido no Brasil, assim como uma demonstração do bem-sucedido processo de transferência de tecnologia conduzido pela Saab. A Akaer tem orgulho de seu envolvimento no projeto e da capacidade demonstrada por sua equipe nesta tarefa plena de desafios".

A Akaer é uma empresa brasileira de engenharia e uma das principais fornecedoras de serviços de desenvolvimento para o setor de defesa e aeroespacial do Brasil, tanto em âmbito nacional como internacional.  

Texto: Gaspar e Associados Com. Emp.

Supremo critica decisão de tribunal militar que 'blindou' processo de Dilma

FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA - FOLHA DE SP

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmaram ontem que não existe impedimento legal para que a Folha tenha acesso ao processo da candidata petista Dilma Rousseff, arquivado em um cofre no STM (Superior Tribunal Militar). 

"É inexplicável que tenhamos obstáculos ao acesso à história deste país", disse o ministro Marco Aurélio Mello. "O princípio maior é a publicidade. Não vejo obstáculo constitucional", disse. 

O ministro Carlos Ayres Britto concorda: "Em linha de princípio, [o processo de Dilma] é um documento público". Ele cita o artigo 5º da Constituição: "Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral". 

Assim também pensa Gilmar Mendes. "É um documento de caráter histórico. Em tese, não teria problema em ter acesso", disse. 

O próprio advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que "a regra geral é a da publicidade". 

Um outro ministro do Supremo, pedindo reserva, disse que achou "estranho" o pedido de vista da AGU, que para ele pareceu mais uma "manobra" para que o caso não fosse julgado.
Adams, no entanto, afirma que a AGU só fez seu trabalho -- que é defender juridicamente o governo. Mas ressaltou que houve um erro no processo. "Quem determina a intimação é o relator, evidente que quem deveria ter feito isso é ele." 

Em agosto, a Folha revelou que o processo que levou Dilma à prisão na ditadura (1964-85) foi retirado dos arquivos e trancado em cofre por ordem do presidente do STM, Carlos Alberto Marques Soares. Ele o mantém em sigilo, segundo diz, para evitar uso político do material. A Folha requisitou acesso, que foi negado por Soares. 

O jornal, então, protocolou mandado de segurança que começou a ser julgado pelo plenário do STM no último dia 5, mas foi interrompido por um pedido de vista. 

O caso foi retomado anteontem, mas, a pedido da presidência do STM, a AGU pediu acesso à ação, levando a nova suspensão. 

O advogado-geral da União disse que foi procurado pelo presidente do STM um dia antes do julgamento ser retomado. "Eu liguei para ele para conversar sobre várias coisas. Na conversa, surgiu a questão de se a AGU faria ou não a defesa do ato dele. Depois ele me ligou solicitando essa intervenção". 

Para o advogado Roberto Delmanto Jr., "causa estranheza o pedido da AGU no meio do julgamento, semanas antes das eleições". 

O cientista político Jorge Zaverucha, autor de estudos sobre as Forças Armadas, afirma que a Folha está "corretíssima" de pedir os documentos e considera que a atitude do STM "em nada favorece a democracia". Para ele, não cabe ao STM prejulgar o uso que se fará dos dados. 

Colaborou UIRÁ MACHADO, de São Paulo

19 outubro 2010

Pentágono afirma que vai aceitar recrutas homossexuais nos EUA

Forças Armadas seguem decisão de juíza distrital, mas governo recorrerá. 
Críticos afirmam que a lei do 'don't ask, don't tell' viola direitos civis.

Do G1, com agências internacionais

O Pentágono anunciou nesta terça-feira (19) que ordenou que seu serviço de recrutamento aceite inscrições de gays e lésbicas, seguindo uma decisão judicial que derruba o impedimento de homossexuais assumidos nas Forças Armadas dos EUA.

A juíza distrital Virginia Phillipis, da Califórnia, ordenou às Forças Armadas, na semana passada, que parem de seguir a política do 'don't ask, don't tell'. Na segunda-feira, a juíza recusou temporariamente um pedido do Pentágono para reinstalar a proibição, que vigorava havia 17 anos.

"Os recrutadores foram orientados, e eles vão aceitar as inscrições para aplicantes que admitirem que são abertamente gays ou lésbicas", disse Cynthia Smith, porta-voz do Pentágono.

Em sua decisão, a juíza ordenou ao governo americano que "suspenda e interrompa imediatamente qualquer investigação, demissão, afastamento ou outro procedimento que possa ter começado sob a lei 'Don't Ask, Don't Tell' (Não pergunte, não diga)".

O Departamento de Justiça deve recorrer da decisão da juíza.

Os críticos ressaltam que a lei, um acordo de compromisso de 1993 que tentava resolver a  questão dos homossexuais nas Forças Armadas, viola os direitos civis dos militares homossexuais e compromete a segurança dos Estados Unidos ao deixar de fora cerca de 14 mil soldados.

A menos de dois meses das eleições de metade de mandato, as pesquisas mostram um grande apoio público ao fim da norma que exige que os membros das Forças Armadas ocultem sua homossexualidade, diante do risco de expulsão.

O Pentágono realiza uma revisão para deixar de lado a norma que terminará no final de dezembro e ajudará a elaboração de novas regras para o serviço militar.

O secretário de Defesa Robert Gates e o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto, deram seu apoio à retirada da proibição.