30 novembro 2010

Por dentro, blindado é quente, sujo e muito barulhento

O iG foi ver em que condições os policiais são transportados nos veículos emprestados pela Marinha

Manuela Andreoni, especial para o iG 

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, insistiu: sem os blindados emprestados pela Marinha, as operações dos últimos dias, que permitiram a rápida ocupação do Complexo do Alemão - principal base da maior e mais antiga facção criminosa do Estado - teriam sido impossíveis. O M113, o Piranha e o Carro Lagarta Anfíbios (Clanf) deixaram boquiabertos os cidadãos cariocas, e passaram a legitimar o uso da palavra guerra para definir a situação de conflito armado vivida pela cidade.

Com tanta curiosidade em torno dos blindados, o Comando Militar do Leste decidiu abrir o jogo nesta terça-feira (30) e levar a imprensa para dar uma voltinha no maior de seus equipamentos, o Clanf. Capaz de carregar 25 homens armados, ele tem poder de fogo de peso: uma metralhadora ponto 50, capaz de perfurar blindados, e um lançador de granadas M275.

Eram cerca de 20 os jornalistas reunidos em torno da tenente Juliana, encarregada de assessora a imprensa. Alguns reclamavam que não poderiam participar do passeio por terem sido preteridos por outros colegas do mesmo veículo. “Eu queria tanto ir”, dizia um repórter excluído a um fotógrafo sortudo.

Depois das explicações dadas por oficiais sobre cada um dos blindados, seguimos para o interior do 16º Batalhão da Polícia Militar, uma espécie de quartel-general da operação no Complexo do Alemão, para buscarmos os importantíssimos capacetes. Cada repórter que recebia o seu pedia ao colega que tirasse uma foto. Por motivos meramente profissionais, é claro.

Os capacetes pesam cerca de dois quilos e, após três minutos com ele, a repórter do iG já sentia o suor escorrer pelo rosto e uma certa dor no cocuruto da cabeça. A princípio também usaríamos os coletes da Marinha, mas, como não havia em número suficiente para todos, esta parte da missão foi abortada. O calor na cidade já não era de se ignorar, cerca de 35º C, dependendo do local da cidade. Dentro do Clanf, a temperatura pode chegar a 45º C – e não há dúvidas de que tenha atingido algo bem próximo a isso.

Esmagados uns contra os outros, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos eram 15 dos tripulantes. Conosco iam o coronel Henrique Lima Castro, o relações públicas da PM; o tenente Lopes - comandante da primeira equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope) a subir a Vila Cruzeiro durante a operação de quinta-feira (25); o comandante Carlos Chagas, da Marinha, e mais seis fuzileiros navais. Três deles nas posições de comando: o de tropa na escotilha esquerda, o do carro na direita e o operador.

Os Carros Lagarta Anfíbios, os Clanf, são essencialmente quentes, sujos e barulhentos. Não havia nada que se encostasse sem que os dedos saíssem sujos de graxa ou de uma poeira preta. Logo que começamos a nos movimentar, percebemos o quão estrondoso era o barulho do motor. Por vezes, havia ruídos que se assemelhavam a tiros. A lagarta, esteira que move o veículo, é de metal. Quando em contato com pedras, faz o som “ratatata”, trazendo uma sensação desagradável de estarmos sendo alvejados.

Blindados nas vielas

Foram oferecidos dois percursos para o passeio. O primeiro era o caminho que fez o blindado em sua primeira incursão na Grota, pela Rua Joaquim de Queiroz, aquela em que foi marcado o ponto de encontro da rendição dos criminosos. O destino seria o teleférico onde os policiais civis estenderam as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio para simbolizar a conquista do território. O segundo seria o trajeto que percorreram os traficantes fugidos da comunidade da Vila Cruzeiro, invadida na quinta-feira (25) pela polícia, até o Complexo do Alemão, ocupado no domingo (28). Iríamos, porém, fazer o percurso oposto, que terminaria na Pedra do Sapo, onde foram encontrados em 2002 os restos mortais do jornalista Tim Lopes, assassinado por criminosos da Vila Cruzeiro.

O iG decidiu ir aos dois. Saímos às 15h20 da porta do 16º batalhão com as escotilhas superiores abertas com destino ao teleférico. Mesmo assim, o calor já nos cozinhava nos primeiros minutos. Pelo teto podíamos ver os postes passando e, quanto mais avançávamos para dentro da comunidade, mais emaranhados os fios condutores se tornavam: eram os gatos, de luz e TV a cabo. Também observávamos pela distância entre as casas de um lado e de outro o quanto era estreita a viela pela qual aquele enorme blindado se esgueirava.

Das janelas mais altas, crianças, idosos, mulheres e homens nos observavam. As crianças riam e respondiam aos acenos de militares e jornalistas. O Clanf chacoalha muito mais do que um veículo comum. Sem cintos de segurança e sentados em três bancos paralelos, o que nos restava era mesmo apoiar no companheiro ao lado para não cair. Por mais que nossa visão se restringisse ao teto, era possível perceber claramente o relevo do local pelos movimentos do blindado.

Depois de cerca de 30 minutos, paramos. Um dos oficiais chamou pelo rádio um colega que o informou de que havia uma obra no percurso que nos impossibilitaria de seguir caminho. A rampa de entrada foi aberta e os fuzileiros navais nos deram cinco minutos para observar o redor antes de darmos meia volta e retornarmos ao batalhão.

Ao sairmos de capacete do veículo que mais parecia um tanque, nos deparamos com o contraste. Mulheres compravam legumes na vendinha e crianças corriam pela rua. Alguns sorriram, mas a maioria nos olhou como quem avalia algo patético. Talvez fosse normal ver os fuzileiros navais equipados, mas, se todos andavam de regata e bermuda para aliviar o calor, por que os jornalistas se protegiam de uma ameaça que não parecia se impor aos habitantes daquele local?

Os militares cumprimentavam a população e posavam com as crianças para os fotógrafos profissionais. A maioria dos passantes parou para acompanhar a manobra do Clanf para fazer a volta. Regressamos ao interior do veículo, sempre observados de soslaio pelos moradores, e seguimos de volta ao batalhão.

Calor, barulho e dificuldade de respirar

Passados alguns minutos, os jornalistas pediram aos militares que fechassem as escotilhas para que pudéssemos ter uma ideia de como se sentiram os oficiais transportados ali durante a ocupação. O Clanf, então, parou e, em um longo minuto, um oficial se encarregou de nos enclausurar no blindado numa verdadeira operação abafa. Neste momento, o operador, piloto, ligou a ventilação e todos suspiraram aliviados.

Por pouco tempo. Passados alguns minutos, o ventilador começou a soprar um ar quente, com cheiro de carburador. Respirávamos a expiração uns dos outros, misturada com o cheiro de combustível queimado. Com tudo fechado e o breu total cortado apenas pelas luzes das câmeras, foi possível fechar os olhos e tentar perceber o que aqueles oficiais sentiram. A tensão e a dificuldade de raciocinar em um ambiente tão adverso. O esforço para respirar aquele ar quente e úmido. E a total ignorância do que se passava do lado de fora. Não à toa, aguentamos apenas dez minutos. Os policiais transportados ali durante a operação precisaram suportar mais de trinta. Abrir a escotilha significaria perigo de vida.

De volta ao batalhão, partimos novamente em dois grupos de jornalistas, um em cada Clanf. Seguimos pela Rua Nova à Rua da Pedreira, no caminho oposto ao feito pelos traficantes na quinta-feira. Desta vez, os militares nos permitiram ir com os pés nos bancos e as cabeças para fora das escotilhas do teto. Observamos que, na nossa frente, uma picape do Bope nos escoltava e, atrás, seguia o segundo grupo da imprensa, de onde se viam diversas câmeras fotográficas e filmadoras.

O ar era quente e soprava poeira para os nossos olhos. Ficar de pé ficou difícil em certos pontos onde era preciso que o veículo transpusesse buracos enormes. Seguíamos em uma trilha bastante estreita e desfolhamos muitas árvores pelo caminho. O que vimos no percurso foi surpreendente. Não pelo tamanho das comunidades que, juntas, abrigam cerca de 400 mil pessoas. Mas, por percebermos que, entre duas regiões tão pobres, o Complexo e a Vila Cruzeiro, revelava-se uma mata densa e verde e montanhas tão belas quanto algumas imagens de floresta que vendem a Cidade Maravilhosa no exterior.

No fim, chegamos à Pedra do Sapo, onde Tim Lopes foi assassinado. O local não cheirava a morte ou pólvora, mas a fezes de cavalo. Se desconsiderássemos a amplitude do complexo de favelas que víamos lá de cima, vigiados pela igreja da Penha, cartão-postal do subúrbio carioca, poderíamos pensar que estávamos em uma comunidade rural qualquer. Entre as casas pobres, meninos brincavam de bola e a vida parecia continuar.

Forças Armadas devem ficar até 11 meses no Complexo do Alemão

Esse prazo foi determinado para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora no local, que já beneficiam 228 mil pessoas no Rio. A mais nova foi inaugurada nesta terça (30), no Morro dos Macacos.

Jornal Nacional

As Forças Armadas deverão ficar até 11 meses no conjunto de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro. É o prazo para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora.

Esse programa de policiamento permanente já beneficia 228 mil pessoas no Rio de Janeiro. A mais nova UPP foi inaugurada nesta terça.

Uma convivência que vem dando certo. O Morro dos Macacos está ocupado pela PM desde o mês passado. Os traficantes que dominavam a área fugiram antes da chegada do Bope.

“Andar com tranquilidade, parar num lugar para tomar uma cerveja bem tranquilo, tocar a vida pra frente, ser feliz, porque antes não tinha como”, disse uma moradora.

Há um ano, um helicóptero da polícia foi abatido por bandidos da região. Dois agentes morreram.

Nesta terça, foi inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora e quem assume agora são policiais formados para lidar com o dia a dia da favela.

“O policial aprende a se relacionar com a comunidade e a comunidade, em contrapartida, traz informações essenciais para a segurança da própria comunidade. É um serviço mútuo”, conta o capitão Felipe Barreto, comandante da UPP dos Macacos.

É essa relação que a polícia pretende construir também no Morro do Alemão e na Vila Cruzeiro. O governador Sérgio Cabral confirmou que até outubro de 2011 será instalada a UPP na região. As Forças Armadas vão manter a ocupação enquanto policiais são formados.

Hoje, mais de 2 mil PMs atuam em 13 UPPs. Até agora, a maior de todas é a da Cidade de Deus. A primeira foi a da favela Santa Marta, com seis mil moradores.

Cada UPP tem uma sede, que funciona como um batalhão dentro da comunidade, com policiais em tempo integral.

Em dois anos no Santa Marta, a UPP reaproximou policiais e moradores. Com a maior sensação de segurança, vieram os serviços, os negócios e até os turistas.

O capitão Andrada está no Santa Marta desde o início da pacificação. Ele é o sub-comandante da unidade, que tem 115 soldados. E que não são apenas soldados:

“Não é só reprimir e vigiar, a gente também atua muito dando assistência e resolvendo o problema da comunidade”.

“Todas as questões sociais que estão vindo dentro do mesmo programa. As questões de segurança e saúde estão vindo no mesmo bloco”, disse o morador Paulo Otaviano.

Hoje, os policiais estão mais atentos à movimentação de pessoas estranhas no local. Os próprios moradores estão denunciando que bandidos fugidos do conjunto do Alemão estariam indo para o Morro Santa Marta.

“Até agora recebemos várias denúncias, mas não constatamos ninguém que tenha vindo do Alemão para cá”, finaliza o capitão Andrada.

28 novembro 2010

Irã oferece ajuda militar ao Exército libanês

Comunicação foi feita pelo ministro de Defesa iraniano, Ahmad Vahidi ao primeiro-ministro libanês, Saad Hariri

EFE

O Irã está disposto a cooperar com o Exército libanês e abastecer no que este julgar necessário, inclusive em material militar, afirmou neste domingo o ministro de Defesa iraniano, Ahmad Vahidi. A comunicação foi feita pelo militar iraniano ao primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, quem no sábado à noite iniciou uma histórica visita oficial a Teerã.

"Já o dissemos em várias ocasiões e neste domingo o repetimos novamente: estamos ao lado do Exército libanês e preparados para cooperar" em todos os terrenos, assinalou Vahidi, citado pela televisão estatal.

Hariri insistiu em que "a estabilidade, a segurança e a unidade do Líbano desempenham um papel-chave na hora de solucionar os (diversos) conflitos que vivem a região" do Oriente Médio.

EADS está confiante que pode vender até 500 aeronaves A400M

Por Fernando Valduga

A EADS está confiante que pode vender até 500 de suas aeronaves de transporte militar Airbus A400M e que o projeto poderá ser lucrativo, informou o chefe financeiro da fabricante a um jornal alemão.

“Nós enxergamos um mercado global de 400 a 500 aeronaves com boas chances dessa aeronave tornar-se lucrativa no longo prazo,” disse Hans-Peter Ring, chefe financeiro da Airbus, durante uma entrevista nesse sábado ao jornal dominical alemão Euro am Sonntag.

As nações envolvidas no projeto chegaram num acordo final no dia 5 de novembro para um pacote de 3,5 bilhões de euros (US$4,64 bilhões) para resgatar p projeto problemático do A400M.

Ring também disse ao jornal que a EADS tomará conta para evitar nova sobrecarga nos projetos, já que ela possui três projetos em andamento simultaneamente: o A400M, o A350 e ainda o A380.

“Nós estamos desenhando as consequências, por exemplo para a modernização dos modelos A320,” disse Ring.

A companhia tomará o cuidado que a modernização não afete os outros projetos, adiciona ele.

Fonte: ABC news

26 novembro 2010

Coreia do Norte diz estar 'preparada para aniquilar' Coreia do Sul

O Dia

Pyongyang (Coreia do Norte) - O regime comunista da Coreia do Norte direcionou novas ameaças a Seul nesta sexta-feira, ao assinalar que responderá "sem piedade" a qualquer provocação do país vizinho, dois dias antes do início das manobras militares conjuntas de Coreia do Sul e Estados Unidos no Mar Amarelo. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Pyongyang assegurou, com a habitual retórica bélica, estar "preparada para aniquilar" a Coreia do Sul se a sua soberania for violada.

"Daremos um exemplo firme e sem piedade a qualquer provocação à nossa dignidade e soberania", assinala o regime de Kim Jong-il, que lançou na última terça-feira um ataque sobre a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, na fronteira marítima, que deixou quatro mortos e 18 feridos. A troca de disparos de artilharia representa uma das disputas mais graves entre as duas Coreias desde o fim da Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953.

Após o ataque, Coreia do Sul e EUA anunciaram que iniciarão no domingo quatro dias de manobras militares conjuntas nessa instável zona marítima, em meio a ameaças de Pyongyang. Seul também reforçou a defesa nas ilhas do Mar Amarelo e anunciou um aumento em seu orçamento militar para 2011.

O Ministério da Defesa solicitou que o orçamento extra seja de pelo menos 264 bilhões de wons (US$ 227 milhões), destinados a adquirir armamento como mísseis guiados e sistemas de radar antiartilharia, informou a agência local Yonhap.

As informações são da EFE

Caças, mísseis e boa comida a bordo do poderoso CVN73

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo
 
A clava forte que o presidente Barack Obama mandou para o Mar Amarelo com a missão de defender a Coreia do Sul e tirar da Coreia do Norte a vontade de agredir o vizinho é uma das maiores e mais impressionantes e sofisticadas máquinas de guerra do planeta.

 
Líder de um grupo de batalha, grande como três campos de futebol, duas vezes mais alto que a estátua do Cristo Redentor e poderoso como nenhum outro, o porta-aviões USS George Washington vai ficar ao largo da costa sul-coreana, abaixo do Paralelo 38, que divide o território desde 1953. A bordo, leva a frota regular de até 90 aviões, mais bombas inteligentes e mísseis diversos. É provável que disponha de um certo arsenal atômico. Nunca admitido - e nem desmentido.

 
O gigante é bem protegido. O espaço aéreo em torno da força-tarefa é declarado área especial de defesa e de exclusão. Eventualmente esse circulo proibido pode chegar a mais de 400 km. Caças F-18 cuidam desse limite e dos ataques, coordenados por aviões radar EC-2. Informação classificada, o CVN73, deve estar com sua tripulação completa, 5.680 militares; 3.200 tripulantes da Marinha, e 2.480 da aviação embarcada. Fora das áreas de tensão esse número cai para cerca de 3 mil homens e mulheres. O movimento é considerado um exercício real - as operações serão tratadas como ensaios, mas vão envolver armamento ativo.

 
Antes da mobilização, ancorado no Porto de Yokosuda, no Japão, o George Washington preparava uma folga especial de três dias para dois terços do pessoal. O George Washington navega acompanhado de dois cruzadores lança-mísseis, duas fragatas classe Aegis - antiaéreas - e um navio antissubmarino. Durante a missão geralmente é agregado ao grupo um submarino de ataque. O comandante do conjunto é um contra-almirante.

 
O principal inimigo é a Força Aérea adversária mas, no caso de Pyongyang, o perigo é relativo.

 
Os esquadrões de caça mais modernos são, equipados com velhos caças russos MiG-25, com 25 anos de uso, e MiG-29, pouco mais novos cumprem 22 horas por ano de voo de treinamento. Os americanos, fazem dez vezes mais, 220 horas em média. E, claro, acham pouco.

 
O CVN73 integra uma classe de dez porta-aviões de propulsão nuclear iniciada em 1975 com o recebimento do USS Nimitz. O último é o CVN77 George Bush, entregue em 2009 pelo fabricante, o Newport Shipbuilding. Depois, virá a série CVN21, um modelo discretamente menor, pouco mais leve, mais veloz e de mais poder de fogo. A primeira unidade fica pronta em 2014.

 
Cada navio tem prefeito, academia de ginástica, salão de beleza, várias capelas, centro cirúrgico com quatro salas, lojas, emissora interna e televisão e refeitórios que funcionam 24 horas. De rotina, aparecem no cardápio caranguejos gigantes e imensas bistecas, vindas do Texas a intervalos regulares.

 
Em dia de combate, a boa comida é um estímulo.

EUA enviam porta-aviões à Coreia

O Estado de SP

Ação faz parte dos exercícios navais conjuntos, entre americanos e as forças de Seul planejados antes do bombardeio de Pyongyang que matou quatro sul-coreanos, incluindo dois civis; manobras militares começam no domingo e continuam até quarta-feira.

Um dia depois de a Coreia do Norte atacar a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, o porta-aviões americano USS George Washington partiu em direção à região. De domingo a quarta-feira, EUA e Coreia do Sul planejam realizar manobras militares conjuntas. Segundo o Pentágono, a ação havia sido programada antes do bombardeio de terça-feira.

"É um exercício de natureza defensiva", disse, em comunicado, o comando das forças dos EUA na Coreia do Sul. "Embora já tivesse sido planejado antes dos ataques, demonstra a força da aliança dos EUA com a Coreia do Sul e o nosso compromisso com a estabilidade regional por meio da dissuasão."

A Coreia do Norte acusou ontem o país vizinho de conduzir a região para "uma guerra" com "inconsequentes provocações militares". Pyongyang também criticou Seul por adiar o envio de ajuda humanitária aos norte-coreanos. O comunicado norte-coreano, porém, não fez referência às manobras militares.

Ontem, o governo sul-coreano informou que foram encontrados em Yeonpyeong os corpos de dois civis que teriam morrido em razão dos ataques. Com isso, sobe para quatro o número de sulcoreanos mortos. A morte dos civis aumentou ainda mais o ressentimento dos sul-coreanos contra o país vizinho.

Internamente, o governo da Coreia do Sul tem sido duramente criticado pela lenta resposta ao ataque. As queixas são parecidas com as que foram feitas após o Norte ter afundado a corveta sulcoreana Cheonan, em março, matando 46 marinheiros.

Pressão.
O ministro sul-coreano da Defesa, Kim Tae-young, está sob pressão. Parlamentares acusam o governo de não ter adotado medidas retaliatórias mais rápidas e fortes contra a provocação do Norte.

"Lamento que o governo não tenha desfechado um pesado bombardeio com jatos de combate durante a segunda rodada de disparos do Norte", disse o deputado Kim Jang-soo, ex-ministro da Defesa.
 

O bombardeio de terça-feira foi o maior na região desde o fim da Guerra da Coreia. O ataque também foi o primeiro a causar mortes de civis desde um atentado contra um avião sul-coreano, em 1987.
 
Ontem, o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, o almirante Michael Mullen, afirmou que a ação militar da Coreia do Norte está ligada à sucessão do presidente norte-coreano Kim Jong-il.

 
"Acreditamos que o bombardeio esteja vinculado à sucessão em favor desse jovem", disse Mullen, referindo-se a Kim Jong-un, o filho do líder supremo da Coreia do Norte.

 
O Departamento de Estado dos EUA também descartou a hipótese de Pyongyang estar interessada em uma guerra aberta. "Foi um ato único e premeditado", afirmou Philip Crowley, porta-voz da chancelaria americana. "Não acreditamos, contudo, que o regime da Coreia do Norte esteja se preparando para um confronto mais amplo."


REUTERS, AP E NYT

Redesenho do Planalto prevê volta da Casa Militar

Proposta de criar órgão no lugar do Gabinete de Segurança Institucional esbarra na indefinição sobre destino da Abin

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA

No processo de redesenho do Palácio do Planalto, a presidente eleita Dilma Rousseff poderá acabar com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) - órgão com diversas atribuições -, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. Em seu lugar, poderá ser recriado o antigo Gabinete Militar ou Casa Militar. A ideia está em discussão porque ela gera um outro problema: redefinir para onde iria a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A Abin não poderia ficar na Casa Militar, pois a intenção é que ela tenha apenas a função de coordenar a segurança e as viagens da nova presidente da República.

No dia 17 de dezembro, quando Dilma será diplomada, uma nova equipe de segurança já começará a trabalhar com ela, como um espelho do esquema que atende o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comandado pelo general Gonçalves Dias. 

Para a segurança de Dilma foi designado o general de brigada Marco Antônio Amaro dos Santos, que atualmente comanda a 13.ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Cuiabá. Ele já serviu na Presidência da República e conhece o funcionamento da segurança do Planalto.

Ainda não está definido quem comandaria a nova Casa Militar. Há divergências, inclusive, em relação ao posto do general que ficará à sua frente. Alguns interlocutores da presidente eleita defendem que a Casa Militar não pode ser um cargo de general-de-Exército, como é hoje, porque este é o mais alto posto da hierarquia da Força. Há quem defenda até mesmo um rodízio das forças no cargo, que tradicionalmente é ocupado pelo Exército. Desta forma, o chefe da Casa Militar poderia ser um oficialgeneral três estrelas e até um de duas estrelas, como já aconteceu no tempo dos governos militares. O novo chefe poderia perder o status de ministro que possui hoje, embora este seja mais um delicado assunto para ser tratado - desde o início do governo Lula, os militares têm perdido poder.

Para que seja criada esta Casa Militar, o governo terá de encontrar outro lugar para pendurar a Abin, a Secretaria Nacional Antidrogas e a Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais, que cuida articulação "do gerenciamento de crises, em caso de grave e iminente ameaça à estabilidade institucional". Nos EUA, por exemplo, a área de inteligência do governo fica diretamente ligada ao presidente. Mas há uma grande preocupação de que este modelo se repita aqui e o presidente fique sem um anteparo para se proteger de problemas com a sua inteligência.

Exército entra em alerta máximo

Força reforçou a segurança em todas as unidades militares instaladas no Rio
 
Antônio Werneck - O Globo
O Exército entrou em alerta máximo e reforçou a segurança de todas as suas unidades militares no Estado do Rio, informou ontem à tarde ao GLOBO o Comando Militar do Leste (CML). A decisão de entrar em alerta foi tomada em resposta às ações criminosas impostas pelos bandidos na Região Metropolitana do Rio. Até agora, os militares não foram acionados para ajudar o estado no policiamento, como já foi feito em outros anos, mas apenas para dar apoio logístico, como fará a Marinha.

Segundo o Exército, o reforço na segurança foi ampliado também para os deslocamentos de todas as viaturas militares no estado. Os militares estão sendo orientados a redobrar os cuidados com a segurança, evitando deslocamentos desnecessários.

O CML informou ainda que está trocando informações de inteligência com as autoridades públicas do Rio e da Polícia Federal. A troca de informações foi intensificada.

A nota do Exército na íntegra é "a segurança de todos os aquartelamentos da área do CML foi reforçada face às ações criminosas implementadas nos últimos dias. Esta segurança foi estendida para os deslocamentos das viaturas militares.

 
Na mesma nota, o Exército acrescentou que "a troca de informações entre o CML e os órgãos de segurança pública (OSP) é uma atividade rotineira e sistemática; e neste momento está sendo intensificada.

Base brasileira no Haiti adota medidas para conter cólera entre soldados

Agência Brasil

A base militar que abriga as forças de paz brasileiras no Haiti adotou medidas para evitar a disseminação de cólera entre os soldados que participam da missão. Entre as medidas adotadas para evitar a doença, que já afetou milhares de pessoas e matou cerca de mil no país, está a desinfecção de botas e dos pneus dos carros que circulam pelas ruas da capital Porto Príncipe.
 
Assim que entram nas instalações dos três batalhões brasileiros, militares e visitantes precisam pisar sobre um tapete azul, encharcado com cloro e álcool. Já os veículos militares são parados no portão de entrada e têm seus pneus desinfetados com a mesma substância.

Outras ações, que também evitam a propagação de cólera, já vêm sendo tomadas pelas tropas brasileiras mesmo antes do aparecimento da doença, no fim de outubro, como o uso de álcool gel para a desinfecção das mãos, o tratamento da água usada pelo batalhão e a importação da comida e da bebida consumidas na base.

Segundo o coronel José Carlos Avellar, subcomandante do Brabatt 2, um dos três batalhões brasileiros que compõem a força de paz no Haiti, por enquanto as medidas foram suficientes para manter a base militar livre da doença. Nenhum militar brasileiro foi infectado. “Nós estabelecemos um protocolo que é internacionalmente aceito como eficiente para a prevenção de cólera”, disse.

Avellar explicou ainda que os soldados são orientados a não consumir nenhum alimento fora da base. Caso a epidemia se alastre por Porto Príncipe e os militares sejam levados a atender doentes nas ruas, haverá também um protocolo específico para essa situação.

De acordo com o coronel, se eventualmente um militar for infectado, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), instalada no país desde 2004, está preparada para isolar o paciente do resto do contingente tão logo ele apresente os sintomas da doença.

Defesa envia Tropas e mais equipamentos ao Rio de Janeiro

Brasília, 25/11/2010 – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, assinou na noite desta quinta-feira (25/11)a Diretriz Ministerial nº 14, que determina às Forças Armadas o reforço do apoio ao Governo do Rio de Janeiro nas operações de combate à onda de criminalidade que afeta a cidade.

Ministério da Defesa
A Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi solicitada pelo Governador do Rio de Janeiro e autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serão enviados 800 homens do Exército, para garantir a proteção dos perímetros das áreas que forem ocupadas pelas polícias.

Também serão enviados dois helicópteros da Força Aérea e 10 blindados de transporte, com origem a ser definida em coordenação entre as próprias Forças, inclusive a Marinha, que já se encontra com viaturas em operação.

Também serão fornecidos, temporariamente, equipamentos de comunicação entre aeronaves e tropas em solo e óculos para visão noturna.
 
Leia a Diretriz Ministerial 14/2010, para as Forças Armadas, assinada na noite desta quinta-feira 925/11) pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim

Brasília, 25 de novembro de 2010
 
DIRETRIZ MINISTERIAL N. 14/2010
 
 
O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA determinou o emprego das FORÇAS ARMADAS, para a garantia da lei e da ordem, na cidade do Rio Janeiro.
 
Tal decisão decorreu de solicitação feita pelo SENHOR GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO JANEIRO, nesta data.
 
O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA autorizou a atuação das forças "nas condições e extensão solicitadas".
 
Assim, com fundamento no art. 7, I, do Decreto n. 3.897/2001, e nos limites solicitados pelo SENHOR GOVERNADOR
 
 
DETERMINO
 
 
1. Ao COMANDANTE DO EXÉRCITO que acione efetivo de "800 militares", do COMANDO MILITAR DO LESTE (CML), para "serem utilizados na proteção de Perímetro de áreas conflagradas a serem tomadas pelas forças estaduais e pela Polícia Federal", além do efetivo necessário para o apoio da tropa e sua defesa.

Esse efetivo estará sob o comando do oficial designado pela autoridade militar competente e deverá operar em coordenação e articulação com as forças policiais estaduais e federais e com as demais forças militares.
 
 
2. Ao COMANDANTE DA AERONÁUTICA que acione:

a. Uma aeronave de asa rotativa "Super Puma para transporte de tropa" ou equivalente; e
 
b. Uma aeronave de asa rotativa "H1H para utilização com atiradores" ou equivalente.
 

As aeronaves deverão ser operadas por militares da Aeronáutica em coordenação e articulação com as forças policiais estaduais e federais e com as demais forças militares.
 

3. Aos COMANDANTES DAS FORÇAS ARMADAS que, articuladamente, acionem:
 
a. "Dez viaturas blindadas para transporte de pessoal", incluindo as respectivas guarnições que as conduzirão;
 
b. "Equipamentos de comunicação aeronave x solo", para serem cedidos, temporariamente, às forças estaduais;
 
c. "Equipamentos de visão noturna", para serem cedidos, temporariamente, às forças estaduais;
 
 
4. Ao ESTADO MAIOR CONJUNTO DAS FORÇAS ARMADAS que designe oficial para:
 
a. promover a integração dos comandos militares empregados na operação;
 
b. promover a ligação com as autoridades estaduais e federais; e
 
c. manter este Ministério informado das operações, via o Centro de Operações Conjuntas (COC).
 
 
NELSON A. JOBIM
Ministro da Defesa

23 novembro 2010

Governo da Coreia do Sul convoca reunião de emergência

Globo News

Coreia do Sul admite ter disparado antes de norte-coreanos

Opera Mundi

A Coreia do Sul reconheceu nesta terça-feira (23/11) que estava realizando exercícios militares e testes balísticos na ilha de Yeonpyeong antes do bombardeio da Coreia do Norte, fazendo testes de tiro. A ilha atualmente é disputada pelos dois países.

“Estávamos realizando regularmente exercícios militares, mas nossos tiros foram direcionadas para o oeste, nao para o norte", afirmou um oficial militar sul-coreano ao escritório da agência de notícias britânica
Reuters em Seul.

Mais cedo, a Coreia do Norte já havia afirmado que foram os militares da Coreia do Sul que iniciaram os disparos de artilharia, provocando a reação norte-coreana, e não o contrário, como dissera o governo de Seul, que garantiu que o exército sul-coreano apenas "respondeu" aos disparos.


"Uma unidade de artilharia norte-coreana disparou tiros de provocação às 14h34 locais e as tropas sul-coreanas replicou de imediato", disse à um porta-voz do Ministério da Defesa em Seul. O exército sul-coreano deu ordem a aviões de combate para sobrevoarem a ilha, noticiou a agência de notícias sul-coreana
Yonhap.

A tensão entre os dois países aumentou durante o final de semana quando um cientista nuclear norte-americano afimou que a Coreia do Norte estava enrriquecendo urânio, que  pode ser usado na produção de armas nucleares. Durante a troca de tiros desta manha dois soldados sul-coreanos morreram e ao menos 20 pessoas, entre civis e militares, ficaram feridos.

Coreia do Norte rejeita intervenção da ONU em confronto com Coreia do Sul

Folha.com
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS 

O vice-embaixador da Coreia do Norte na ONU (Organização das Nações Unidas), Pak Tok-hun, rejeitou a intervenção do Conselho de Segurança da organização mundial e afirmou que o bombardeio desta terça-feira na fronteira da península Coreana deve ser discutido entre os dois países apenas.  

Ao menos dois soldados sul-coreanos morreram e outras 18 pessoas ficaram feridos na troca de tiros entre as tropas na península Coreana. As duas Coreias, que estão tecnicamente em guerra, trocaram acusações sobre quem começou o ataque e ameaçaram retaliar qualquer novo incidente.

Mais cedo, um diplomata francês afirmara que o Conselho de Segurança faria uma reunião excepcional para discutir o confronto coreano. O britânico Mark Lyall Grant, presidente do órgão, negou. "Não foi solicitada nenhuma reunião", limitou-se a responder Grant, que estaria, contudo, em consulta com os outros 14 Estados membros sobre o que fazer sobre o incidente coreano. 

A Coreia do Norte fez dezenas de disparos de artilharia contra uma ilha sul-coreana, deixando uma vila com cerca de mil habitantes em chamas, em um dos ataques mais pesados contra o país vizinho desde que a Guerra da Coreia chegou ao fim, em 1953, com um armistício. 

"[O incidente] não deve ser discutido pelo Conselho de Segurança, mas deve ser discutido entre o Norte e o Sul", afirmou Pak Tok-hun. "O Conselho de Segurança está lidando com ameaças à paz internacional e segurança', disse ele. "Esta é uma questão regional entre o Norte e o Sul". 

Diplomatas ocidentais afirmam que não está claro se o Conselho tomará alguma medida, e qual seria, diante da relutância da China em ver o governo de Pyongyang, seu aliado, ser reprimido pelo Conselho de Segurança, que reúne 15 países. 

A China, como Reino Unido, França, Rússia e Estados Unidos, têm poder de veto e podem impedir qualquer ação do grupo.
 
CAUTELA
 
Oficialmente, o tom da China e também dos EUA é de cautela. Horas após confronto, os países foram a público pedir moderação aos dois países vizinhos e descartaram qualquer ação militar contra a provocativa Coreia do Norte. 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira moderação às duas Coreias, depois de condenar o ataque da artilharia norte-coreana contra uma ilha sul-coreana. 

Já o enviado especial dos EUA à península Coreana, Stephen Bosworth, destacou nesta terça-feira, depois de se reunir com representantes do governo chinês em Pequim, que os dois países consideram que uma guerra entre as duas Coreias seria "muito indesejável". 

Bosworth, quem reiterou a condenação dos EUA ao ataque de artilharia "iniciado pela Coreia do Norte", ressaltou que, em suas reuniões com os responsáveis chineses, ambas as partes concordaram também que as duas Coreias devem "agir com moderação". 

O negociador não quis qualificar de crise o incidente, mas reconheceu que "os fatos falam por si sós". 

Nos EUA, o porta-voz do Pentágono, coronel David Lapan, reforçou argumento de que seria prematuro nesse momento considerar uma ação militar contra a Coreia do Norte. 

O presidente americano, Barack Obama, deve receber ainda nesta terça-feira de seus conselheiros de inteligência um novo relatório sobre a crise provocada pelos disparos de artilharia. 

Obama foi acordado às 03h55 local por seu conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon, que o informou sobre o incidente. Depois de receber o relatório, viajará para o Estado de Indiana (norte), como estava previsto em sua agenda, na companhia do vice-presidente Joe Biden para visitar uma fábrica da Chrysler.
 
ATAQUE
 
A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira quase 50 peças de artilharia contra uma ilha sul-coreana, matando dois soldados e deixando outras 18 pessoas feridas. O ataque provocou uma reação imediata da Coreia do Sul, que enviou caças de guerra F-15 e F-16 à região. Agências estatais de Seul indicam que o Norte deu início aos combates. Pyongyang nega e sustenta que tropas sul-coreanas foram as primeiras a abrir fogo. 

Segundo o canal YTN, quase 50 obuses caíram na ilha de Yeonpyeong, que tem mil habitantes, localizada no mar Amarelo, em uma área disputada pelas duas Coreias e que já registrou incidentes no passado. 

Dois soldados sul-coreanos morreram no ataque. Ao anunciar o balanço, o general Lee Hong-Ki informou ainda que cinco militares estão gravemente feridos e outros dez sofreram ferimentos leves. Além disso, três civis foram feridos. 

Os disparos foram executados dois dias depois que um cientista americano revelou a existência de um novo programa de enriquecimento de urânio na Coreia do Norte, o que aumentou a tensão e a preocupação de Washington e de seus aliados. 

"Uma unidade de artilharia executou disparos de provocação às 14h34 (3h34 de Brasília) e as tropas sul-coreanas responderam imediatamente", afirmou uma fonte do Ministério de Defesa sul-coreano. 

"As Forças Armadas estavam executando exercícios navais e o Norte parece ter disparado para demonstrar sua oposição", declarou uma fonte militar sul-coreana ao canal YTN. 

Os disparos tiveram como alvo a ilha de Yeonpyeong, que tem mil habitantes, localizada no mar Amarelo, em uma área disputada pelas duas Coreias e que já registrou incidentes no passado. Dezenas de casas foram incendiadas e Seul determinou que a retirada dos moradores da região. 

O aumento de tensão entre os dois países --oficialmente em condição de cessar-fogo desde o fim da guerra em 1953-- preocupa a comunidade internacional, sobretudo os Estados Unidos, a Rússia e a China. 

O armistício acordado entre o Sul e o Norte determina que as duas nações estão oficialmente em guerra desde o fim da década de 50, mas se comprometem a não realizar ataques. Os incidentes, contudo, ocorreram várias vezes nos últimos anos, sobretudo na região do mar Amarelo. O último incidente mais significativo ocorreu ainda no final de março, quando a corveta de guerra Cheonan foi alvo de um ataque que matou 46 marinheiros sul-coreanos.

22 novembro 2010

Operação Formosa: O mar invadiu o cerrado

DefesaNet acompanhou durante oito dias (e bem de perto) o exercício realizado pelos Fuzileiros Navais em Formosa, a 70 km de Brasília.

DefesaNet
Só  a distância envolvida entre a cidade do Rio de Janeiro e a base de Formosa (mais de 1.200km) faria desanimar os mais céticos. Mas para 2.200 soldados e 165 viaturas operativas, entre blindados, tanques, caminhões e viaturas leves, além de artilharia, apoio logístico, defesa antiaérea (sem falar nas cegonheiras e dezenas de ônibus fretados), percorrer tamanha distância para combater faz parte do trabalho de uma força expedicionária de pronto emprego como o são os Fuzileiros Navais.

No cenário proposto, os FN deveriam conquistar uma CP (cabeça de praia) e mantê-la, visando permitir o desembarque administrativo (sem oposição inimiga) de uma divisão de exército (4ªDE) enviada para ocupar a área de fronteira de dois países vizinhos em conflito, tudo devido à descoberta de petróleo. Com a ameaça a segurança humanitária do “continente aquarela” gerando levas de refugiados, além de fome e doenças, a ONU decide intervir constituindo uma força de paz. 

Toda a parte “embarcada” da operação aconteceu de forma simulada. Na verdade, o que se treinou em Formosa foi à intricada cadeia de eventos e empregos de meios necessários para que a “Força que vem do Mar” combata em solo, após sair das praias. Contando com apoio aéreo de caças AF-1 e AF-1B do Esquadrão VF-1 e helicópteros AS-332 Super Puma do Esquadrão HU-2, ambos da Aviação Naval, os Fuzileiros Navais lançaram mão de todo o seu armamento e meios combativos, num veloz avanço pelo principal ponto de acesso terrestre da região, visando à rápida consolidação da cabeça de praia e a destruição do inimigo. 

Armamentos e Capacidades 

Além do fuzil padrão de um Fuzileiro Naval (M-16A2 5,56 mm), todas as armas da corporação foram disparadas em Formosa, primeiro de forma independente, e depois em conjunto, de forma integrada. O Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais alinhou os caça tanques SK-105A2S, os modernos blindados sobre rodas 8x8 MOWAG Piranha, os tanques anfíbios de transporte de tropas CLANF e os veteranos M-113, que serão modernizados em breve.

Na Defesa Aérea e Artilharia Antiaérea atuaram o Esquadrão VF-1 e seus A-4, mísseis terra-ar MANPADS Mistral, baterias antiaéreas Bofors L70 40 mm (dotadas de radares diretores de tiro) e reparos com metralhadoras de 12,7 mm. Para a defesa antitanque foram empregados mísseis anticarro RBS 56 Bill e AT-4, o fogo de artilharia sendo provido por obuseiros 105 mm Light Gun e morteiros 81 mm. No fogo de apoio, foram empregadas metralhadoras .50 e MAG 7,62 mm, além da Mini-Para em calibre 5,56 mm. 

Começa o combate. Os caças A-4 treinam a missão GIA (Guia Aéreo), sendo orientados em seus ataques através de links de comunicação solo com frações OpEsp do Batalhão Toneleros previamente infiltradas em território inimigo pelos Super Puma do Esq. HU-2. Logo que os caças deixam a área, chega à vez de a artilharia lançar seu aço sobre o terreno. Obuseiros Light Gun de 105 mm, dispostos em baterias por um linha com 10 km de profundidade disparam intensa barragem de fogos utilizando munições do tipo “base bleed”. 

Neste momento, colunas mecanizadas lideradas pelos SK-105 irrompem pelos flancos da formação inimiga, sua ação de choque abrindo caminho para o desembarque da infantaria de fuzileiros navais. Com uma velocidade impressionante, os M-113, CLANF e Piranha lançam os soldados no terreno, isso após maciço fogo de armas automáticas, artilharia e mesmo fogo de mísseis anticarro do tipo RBS 56 Bill e AT-4, ambos de fabricação sueca. 

No ar, VANTs leves do tipo Caracará fazem o reconhecimento próximo, localizando posições inimigas e retransmitindo as imagens em tempo real. Ameaças inimigas como dispositivos explosivos improvisados (IED) são neutralizadas pela Engenharia de Combate. As baterias de Bofors 40 mm atiram em alvos rebocados por aeromodelos, sendo que um deles, do tipo Eclipse (fornecido pelo 11ºGAAAe-EB) e dotado de flare (sinal luminoso infravermelho) é abatido por um certeiro disparo de míssil terra-ar MANPADS Mistral. O ataque se revela bem sucedido, causando grandes danos e muitas baixas ao inimigo. Um detalhe, todo o exercício foi realizado com o emprego de munição real, para máximo realismo no treinamento. 

2ª Esquadra e Fuzileiros Navais no Líbano 
 
Após o encerramento do exercício, coletiva de imprensa realizada na base de Formosa reuniu jornalistas e os Almirantes Jorge Mendes (Cmte da Tropa de Reforço), Leitão (Cmte da força de Fuzileiros da Esquadra) e Carrara (Cmte do 7º Distrito Naval). Dentre os temas abordados, a desativação de minas da 2ª Guerra Mundial encontradas recentemente no litoral nordestino dividiu as atenções com o planejamento da Marinha do Brasil para a implementação da 2ª Esquadra, prevista para ser baseada em um porto da região nordeste do país, de acordo com o Plano Nacional de Defesa.  

Foi anunciada pela Marinha, mas ainda dependendo de confirmação pelo Governo Federal, da criação e envio de uma Força de Paz nucleada em efetivos do Corpo de Fuzileiros Navais para o Líbano, possivelmente no 2º trimestre de 2011. Segundo os almirantes, o exercício em Formosa foi aproveitado para começar a preparo das tropas, veículos e logística de campo necessária para atuarem em terreno tão distante e com linhas de abastecimento muito extensas, o que deverá dificultar sobremaneira o cumprimento desta empreitada. Algo comum para uma tropa tão aguerrida como o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, “A Força que vem do Mar”. 

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  Roberto Caiafa

Boeing: compra de caças 'virou um faroeste'

Empresa tenta apresentar nova proposta ao governo brasileiro;
Ministério da Defesa reafirma que decisão é de Lula

Francisco Leali - Globo Online

BRASÍLIA. Na reta final para que o governo anuncie o vencedor da licitação para compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), a empresa americana Boeing, que ofereceu F18 Super Hornet, pela primeira vez faz críticas abertas ao governo brasileiro. Os americanos não estão nada satisfeitos com as notícias de que o Ministério da Defesa só teria tratado do assunto com a Dassault, empresa francesa que quer vender para o Brasil o caça Rafale. E querem que eles também tenham a oportunidade de apresentar uma nova proposta.

- Se estão negociando com outros competidores, não acho que isso é certo - disse Mike Coggins, gerente-sênior de Desenvolvimento de Negócios da Boeing Defesa.

Há seis meses sem receber notícias oficiais da licitação, a Boeing sustenta que o governo brasileiro não tem mais como ter uma garantia formal do preço que está negociando. Isso porque todas as ofertas feitas para a FAB no ano passado tinham validade apenas até junho de 2010. Ou seja, as propostas apresentadas por eles, pelos franceses e os suecos da SAAB - a terceira participante da licitação - já expiraram.

- Agora, virou um faroeste - disse Coggins.

Segundo Joseph McAndrew, vice-presidente da Boeing Defesa para Europa, Israel e Américas, a empresa americana quer ter o direito de reapresentar sua proposta, tendo em vista a validade da enviada à FAB no ano passado. Ele confirma que a empresa tentou novo contato com a Força Aérea para tratar do assunto, mas a resposta seria de que o processo já não estava com os militares. A FAB já apresentou relatório final ao Ministério da Defesa, que também já elaborou um documento para embasar a decisão do presidente Lula. Nos últimos dias, Lula reafirmou que vai escolher o novo caça após conversar sobre o tema com a presidente eleita, Dilma Rousseff.

- A nova administração pode ter novas prioridades e nós queremos ter a oportunidade de apresentar uma proposta para atendê-las - comentou Joseph McAndrew.

O Ministério da Defesa informou ontem que não iria se manifestar sobre as críticas da Boeing. Segundo o ministério, a decisão agora será tomada pelo presidente da República. Em 2009, Lula já tinha manifestado predileção pelo caça francês e chegou a anunciar que acertaria o negócio com o presidente daquele país, Nicolas Sarkozy, que estava no Brasil para assistir ao desfile militar de 7 de Setembro.

O processo de compra de novos caças para a FAB começou ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, quatro consórcios disputavam o negócio. Entre eles, americanos, russos, suecos e franceses. O processo se arrastou até o fim de 2002 e Fernando Henrique preferiu adiar o assunto para o próximo governo. Lula assumiu o cargo e suspendeu a compra. Uma nova licitação foi aberta. Nesse processo mais uma vez disputavam o negócio americanos, suecos, franceses e também russos. Depois da análise de todas as propostas, mais uma vez o governo desistiu da compra e abriu novo processo. Desta vez exigindo aeronaves ainda mais modernas e caras. É nessa licitação que o Rafale aparece como o preferido do governo. 

Em nova ofensiva para vender caças ao país, Boeing propõe parceria à Embraer

Raymundo Costa - Valor
 
A demora da decisão do governo brasileiro sobre o novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), prevista para ser tomada até o fim deste ano, levou a empresa americana Boeing a desencadear uma ofensiva junto às autoridades brasileiras para tentar desbancar o favoritismo do Rafale, caça francês que é contestado pela Aeronáutica.

A Boeing propôs à Embraer um pacote com dez projetos de parceria, entre os quais a construção de uma fábrica no Brasil, provavelmente em São José dos Campos (SP), que forneceria peças para todos os F-18 Super Hornet, o caça americano, que a empresa negocia atualmente no mundo. No total, são 400 caças.

A informação é do vice-presidente para Europa, Israel e América da Boeing, Joseph T. McAndrew. A Boeing também propõe parceria à Embraer na construção do cargueiro KC-390, do qual a empresa brasileira já tem uma perspectiva de venda de 60 unidades. A parceria com a Boeing teria a vantagem de dar à Embraer acesso ao mercado dos EUA, o maior do mundo.

A Boeing não mantém contato com a FAB desde janeiro deste ano, segundo McAndrew. Nesse período, ocorreu um fato novo: a Boeing venceu uma licitação do governo dos Estados Unidos para a compra de 124 Super Hornet, os mesmos que estão na proposta brasileira.

Isso significa dizer que o projeto do F-18 é longevo, o que assegura por muitos anos a tecnologia e a vida útil da aeronave, de acordo com o vice-presidente da Boeing. McAndrew informa que já foram construídos 500 Super Hornet. e outros 400 aparelhos estão sendo negociados ao redor do mundo. "É uma aeronave que está mais que provada e comprovada. E nós continuamos tendo solicitações."

São dez os projetos de parceria propostos à Embraer, segundo contou McAndrew ao Valor, sendo os mais importantes a montagem do avião na Embraer, a manufatura do bico, do nariz, das asas e da parte de trás do avião - partes da fuselagem que serão utilizadas em todos os Super Hornet em construção no mundo - e mais 100 mil horas de engenharia para a manufatura da próxima geração do F-18.

"Nunca a Boeing ofereceu um pacote de transferência de tecnologias tão amplo, tão claro, dedicado ao Brasil", disse McAndrew. "Todas as esferas do governo americano que poderiam vetar essa transferência assinaram um termo de compromisso dizendo que não vão vetar. Tanto o Congresso como o Departamento de Defesa", afirmou. "É uma nova era nas relações do Brasil com os EUA."

O lobby da Boeing tenta convencer os brasileiros que a empresa não está vendendo apenas o caça F-18, mas o que chama de Global Super Hornet, uma aeronave a ser desenvolvida e construída com a ajuda de todos os parceiros que compraram o caça em todo o mundo. "É oportunidade de desenvolver tecnologias novas e manter o avião sempre à frente dos outros", diz o vice-presidente da Boeing.

Para McAndrew, ainda não há uma decisão oficial do governo brasileiro. Segundo ele, no 7 de Setembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria apenas manifestado uma "preferência", quando se declarou favorável ao caça francês Rafale, ao lado do presidente Nicolas Sarkozy, convidado para festa da independência. Ainda não há nada oficial sobre o "vitorioso" e é com esse dado que os americanos trabalham.

A Boeing lamenta não ter contado com a mesma oportunidade dada à francesa Dassault de rever seu preço, quando se tornou público que os Rafale estavam sendo escolhidos apesar de custarem mais caro.

"Competição é boa, ajuda, e principalmente protege o contribuinte brasileiro. Ajuda que ele compre melhor e mais barato", disse o executivo da Boeing. Mas ele mesmo ressalta: "Competição tem que ser igual para todos. Se um pode renegociar o preço, depois da abertura dos preços, os outros também deveriam poder".

Avião da FAB que saiu de São José sofre acidente no Rio de Janeiro

Aeronave que transportava 18 pessoas do DCTA saiu da pista e se chocou contra a cerca de proteção do aeroporto Santos Dumont, na capital carioca 

O Vale
Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que saiu de São José dos Campos com destino ao Rio de Janeiro desviou acidentalmente da pista de pouso do aeroporto Santos Dumont e se chocou contra uma cerca de proteção, na noite do último domingo (21). Nenhum dos 18 passageiros ficou ferido.

De acordo com informaçoes do aeroporto, os passageiros integravam uma equipe do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Espacial) que participariam de um curso na capital carioca.

O acidente causou interdição do aeroporto por cerca de 25 minutos, mas o tráfego de aeronaves foi normalizado em seguida.

Base brasileira no Haiti adota medidas para evitar disseminação do cólera entre soldados

Vitor Abdala - Enviado Especial a Porto Príncipe (Haiti)
Da Agência Brasil 

A base militar que abriga as forças de paz brasileiras no Haiti adotou medidas para evitar a disseminação do cólera entre os soldados que participam da missão. Entre as medidas adotadas para evitar a doença, que já afetou milhares de pessoas e matou cerca de mil no país, está a desinfecção de botas e dos pneus dos carros que circulam pelas ruas da capital Porto Príncipe.

Assim que entram nas instalações dos três batalhões brasileiros, militares e visitantes precisam pisar sobre um tapete azul, encharcado com cloro e álcool. Já os veículos militares são parados no portão de entrada e têm seus pneus desinfetados com a mesma substância.

Outras ações, que também evitam a propagação do cólera, já vêm sendo tomadas pelas tropas brasileiras mesmo antes do aparecimento da doença, no fim de outubro, como o uso de álcool gel para a desinfecção das mãos, o tratamento da água usada pelo batalhão e a importação da comida e da bebida consumidas na base.

Segundo o coronel José Carlos Avellar, subcomandante do Brabat 2, um dos três batalhões brasileiros que compõem a força de paz no Haiti, por enquanto as medidas foram suficientes para manter a base militar livre da doença. Nenhum militar brasileiro foi infectado. “Nós estabelecemos um protocolo que é internacionalmente aceito como eficiente para a prevenção do cólera”, disse.

Avellar explicou ainda que os soldados são orientados a não consumir nenhum alimento fora da base. Caso a epidemia se alastre por Porto Príncipe e os militares sejam levados a atender doentes nas ruas, haverá também um protocolo específico para essa situação.

“Eles estão sendo treinados especificamente para lidar com pessoas que sejam eventualmente recolhidas nas ruas com sintomas do cólera. Eles vão levar óculos de proteção, luvas, aventais e baldes com cloro para depois limpar a viatura”, afirmou o coronel, destacando que os equipamentos serão comprados no próprio Haiti, caso seja necessário usá-los.

Segundo o coronel, se eventualmente um militar for infectado, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), instalada no país desde 2004, está preparada para isolar o paciente do resto do contingente tão logo ele apresente os sintomas da doença.

21 novembro 2010

Marinha do Brasil planeja frota nuclear até 2047

Terra

São Paulo - A Marinha do Brasil planeja uma frota de seis submarinos nucleares, 20 convencionais, 15 novos e outros cinco revitalizados. O custo de cada navio de propulsão atômica é de 550 milhões  de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão), e a meta só deverá ser concluída em 2047. A iniciativa faz parte do Plano de Articulação e Equipamento da Marinha (Paemb) e do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub). Os trabalhos são executados pelo grupo Odebrecht. A frota será a mais poderosa do continente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O primeiro submarino, incluído no ProSub, programa já em execução, sairá por 2 bilhões de euros (cerca de R$ 4,7 bi) e deve ser entregue em 2016. Este lote inclui quatro submarinos Scorpéne comprados em 2008. O valor é composto pelos custos de transferência de tecnologia e outras capacidades, como projetar navios, por parte do estaleiro francês DCNS. As outras unidades estão cotadas pelo preço de construção, no estaleiro de Itaguaí (RJ). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará as obras em dezembro.

F-X2: Jobim volta a defender opção pelos caças franceses

Cavok / Terra

Durante evento que contou com a presença da ministra da Economia da França e representantes da fábrica francesa dos caças Rafale, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar que os aviões franceses são os melhores em termos de transferência de tecnologia na licitação para renovar a frota da FAB.
 
“A França tem um autonomia tecnológica… já a legislação norte-americana cria uma série de possibilidades para o Estado bloquear uma determinada transferência de tecnologia”, disse Jobim a jornalistas, na noite de sexta-feira, ao lembrar que nesses casos o próprio Estado norte-americano paga uma indenização pelo não cumprimento do contrato de transferência tecnológica.

Caça Rafale

“No caso da França é mais fácil. Na transferência de tecnologia, a França tem muito mais credibilidade”, acrescentou Jobim, lembrando, no entanto, que outros aspectos como preço e manutenção também serão analisados na escolha dos novos aviões de combate da Força Aérea Brasileira (FAB).

O governo brasileiro está em processo de compra de 36 aviões de combate, num acordo que pode superar os 4 bilhões de dólares. Fazem parte da concorrência o caça francês Rafale, da Dassault, o sueco Gripen NG, da Saab, e o F-18, fabricado pela norte-americana Boeing.

Jobim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestaram no passado preferência pelo Rafale, mas o preço do caça francês é considerado o principal obstáculo para a concretização do negócio pois, segundo especialistas, ele é o mais caro entre os três finalistas.

O ministro lembrou que a transferência de tecnologia é um ponto fundamental para o Brasil, que encara a compra de caças como um oportunidade de avançar nessa indústria.

“Não estamos comprando caças, mas um pacote tecnológico. Esse é o fator principal. Estamos comprando conhecimento, sem conhecimento não tem negócio”, disse o ministro a jornalistas durante um jantar oferecido pela Câmara de Comércio França Brasil para homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como personalidade do ano. Em 2009, a comenda foi dada ao ministro da Defesa.

O presidente Lula frisou em seu discurso que há uma sintonia grande entre Brasil e França nos diversos campos e defendeu a continuidade das parcerias estratégicos entre os dois países.

Jobim e a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, conversaram a sós durante o jantar e a reunião chamou a atenção de vários presentes. “Essa é a foto do evento. Só podem estar falando dos caças”, disse um importante empresário fluminense.

O ministro brasileiro tentou disfarçar. “A conversa foi sobre temas em geral. Falamos apenas sobre a política internacional”, afirmou.

Já a ministra francesa mostrou mais uma vez interesse de seu país em vender os caças ao Brasil. “Faremos tudo que for possível para ganhar (a concorrência)”, disse ele a jornalistas.

Jobim acredita que a decisão política sobre os caças será tomada pelo presidente Lula em conjunto com a presidente eleita Dilma Rousseff entre a última semana desse mês e a primeira de dezembro.

“Primeiro vem a decisão política, depois o conselho nacional de defesa avalia, e depois começa a negociação comercial”, destacou. “Seguramente, em no máximo um mês a posição do presidente será tomada”, acrescentou.