31 janeiro 2011

Odebrecht costura parceria ou a aquisição da Mectron

Fabricante de mísseis é uma das mais importantes do setor do país

Poder Aéreo

O grupo Odebrecht está prestes a concluir um acordo de parceria estratégica com a Mectron Engenharia, uma das mais importantes empresas do setor de defesa brasileiro, fabricante de mísseis e produtos de alta tecnologia para o mercado aeroespacial. A Embraer, segundo fontes que acompanham o processo, também chegou a conversar com a Mectron, com vistas a uma possível parceria, mas a negociação não evoluiu. Procurada, a Embraer não comentou o assunto.
A Odebrecht confirmou que está avaliando a formação de uma parceria estratégica com a Mectron, mas não forneceu detalhes. Em nota, a empresa informou que acredita no bom andamento da negociação e, caso chegue a um acordo, informará os detalhes da operação oportunamente.

No começo da noite, a Mectron também enviou um comunicado, mas se limitou a dizer que mantém negociações visando estabelecer uma parceria com algumas empresas estratégicas do setor. “As negociações estão sendo realizadas em caráter privado, ainda sem definição e estarão sujeitas às aprovações necessárias”, informou.

O acordo representa mais uma iniciativa do grupo Odebrecht dentro do objetivo anunciado anteriormente de ampliar sua atuação no mercado nacional e internacional de equipamentos e serviços militares. Em meados do ano passado, a Odebrecht formou uma joint venture com a europeia Cassidian (antiga EADS Defense & Security), controlada pelo grupo EADS, dono da Airbus.

A Odebrecht também estabeleceu uma sociedade de propósito específico (SPE) com a francesa DCNS, no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) para o governo brasileiro. A participação da empresa brasileira na SPE é de 59%.

Segundo fonte do setor, mesmo havendo interesse de outras empresas estrangeiras na Mectron, a empresa decidiu se associar a um grupo nacional, tendo em vista orientação do próprio governo brasileiro. “O Ministério da Defesa está trabalhando em uma nova legislação, que cria a figura da empresa de defesa de interesse nacional, controlada por um grupo brasileiro forte e bem estruturado financeiramente”.

Essa orientação, segundo a fonte, estaria alinhada ainda às diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em dezembro de 2008, que prevê a reestruturação da indústria brasileira de material de defesa. “A maioria das pequenas e médias empresas brasileiras do setor, como a Mectron, não tem fôlego para atender as demandas do Plano Nacional de Defesa. O governo está incentivando a criação de blocos de empresas de defesa, com capacidade para fazer investimentos de risco no desenvolvimento de produtos estratégicos de interesse nacional”, explicou.

Empresas como a Embraer e a Odebrecht estariam dentro desse perfil buscado pelo governo. “Elas têm tecnologia, capital e capacidade de gestão de grandes projetos. As pequenas e médias empresas não conseguem nem garantias para tomar empréstimos junto ao próprio governo”, disse a fonte.

No fim de 2006, a Mectron recebeu aporte de R$ 15 milhões do BNDES, que passou a deter fatia de 27% na empresa. Ela foi criada em 1991, por um grupo de cinco engenheiros oriundos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que adquiriram conhecimento na área de mísseis através de uma experiência no Iraque.

Tornou-se estratégica para as Forças Armadas brasileiras, especialmente a Aeronáutica e o Exército, com o desenvolvimento de mísseis. Hoje, a Mectron trabalha no desenvolvimento conjunto do míssil A-Darter, feito em cooperação com as Forças Aéreas da África do Sul e participação de empresas brasileiras e sul-africanas.

Com cerca de 300 funcionários, a Mectron trabalha ainda no desenvolvimento de um míssil antiradiação MAR-1, de defesa contra baterias antiaéreas, para a FAB e com fornecimento para o Paquistão. Esse país irá arcar com 50% dos investimentos previstos para a fase de industrialização e logística do míssil. A Mectron também fornece sistemas para satélites do programa espacial brasileiro e o radar de bordo da aeronave militar AMX. 


FONTE: Virgínia Silveira - Valor

A difícil tarefa de vender o Rafale

Carol Matlack

O avião de caça Rafale, produzido pela companhia francesa Dassault Aviation, carrega radar, sistemas de designação de alvos e aviônicos de última geração. Agora tudo o que ele precisa é de clientes. A França procura por um comprador para o jato supersônico no mercado internacional desde 2000, mas ainda não vendeu nenhum. No seu último revés o Brasil informou em 17 de janeiro que reabriria a disputa para um novo caça, avaliada em sete bilhões de dólares – um negócio que a França já imaginava estar decidido a seu favor no ano passado. Nem a Dassault e muito menos o ministro da defesa francês comentaram a decisão brasileira.
 
A história do Rafale sinaliza o final de uma era na França. Com o programa Mirage, desenvolvido na década de 1950, a França pôde dar impulso à defesa nacional, desenvolver novas tecnologias e sustentar empregos bem pagos – enquanto recuperava muito dos custos através da exportação de centenas de jatos pelo mundo todo. Na esperança de dar continuidade àquele programa, o governo francês investiu algo próximo de U$ 53 bilhões, mais do que o gasto anual de defesa do país (avaliado em 40 bilhões). Mas disputa após disputa o caça fracassou. Países como Coreia do Sul, Singapura a e Marrocos preferiram o F-15 da Boeing e o F-16 da Lockheed Martin no lugar do Rafale.

Fornecedores de médio porte como a França estão sendo massacrados por grandes competidores. O F-35 Joint Strike Fighter, por exemplo, é desenvolvido por um consórcio internacional encabeçado pelos EUA e inclui nove outros países com o propósito de comprarem mais de 2.500 caças. Isto permitirá uma receita necessária para a produção e futuras modernizações. O Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a Espanha, de forma semelhante, juntaram as forças para produzir o Eurofighter. “Gerenciamento nacional, financiamento nacional e produção controlada de grande parte dos sistemas de armas avançados agora é algo exclusivo de países como os EUA, Rússia e, em um futuro não muito distante, da China também” disse Mark Bromley, um pesquisador sênior do Stockholm International Peace Research Institute, da Suécia.

Mudanças políticas que ocorreram no mundo também atuaram desfavoravelmente para a França. Durante a Guerra Fria a França conseguiu promover com sucesso o Mirage como uma alternativa para caças norte-americanos e russos. Outros clientes como os Emirados Árabes Unidos compraram caças franceses após o veto da tecnologia moderna por parte dos EUA. Agora os norte-americanos avançam sobre o mercado de defesa do Oriente Médio vorazmente. Muitos governos estrangeiros veem a compra de armamento como uma forma de criar laços de defesa mais fortes com os EUA, disse Loïc Tribot La Spière, um analista do Centro de Esudos e Prospectiva Estratégica de Paris. “O sentimento é, ‘nós compramos dos americanos porque isto garante segurança’ “.

Os 93 Rafales produzidos até o momento pela Dassault foram todos para as Forças Armadas francesas. Para manter a produção o governo concordou em gastar mais U$ 1,1 bilhão em Rafales para os próximos três anos, ao mesmo tempo em que procura equilibrar o orçamento.

Encontrar compradores externos ficará cada vez mais difícil. Assim que o JSF entrar em serviço os fabricantes norte-americanos aumentarão sua fatia no mercado mundial de caças, estimado em US$ 16 bilhões ao ano, de 58% para 67% de acordo com os estudos do Teal Group, consultores da área aeroespacial baseados na Virgínia. O Eurofighter e os russos absorverão a grande maioria do restante do mercado segundo o grupo Teal.

Para Richard Aboulafia, analista da Teal, quanto mais tempo a lista de pedidos externos do Rafale permanecer vazia, mais difícil será a tarefa de vender o caça. “Os clientes gostam de ver o país que desenvolveu e produziu a aeronave investindo maciçamente na compra e na modernização do mesmo” com o que há de mais atual em termos de tecnologia. No entanto, acrescenta o analista, o Rafale luta para continuar vivo. “Esta é a última coisa que um cliente quer ver.”

FONTE: Bloomberg Businessweek

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO:
Poder Aéreo

F-X2: “Jobim fechou as portas”, diz Luiz Marinho

Poder Aéreo

Marinho reconhece não ter conhecimento técnico sobre os aviões. Afirma estar em busca de investimentos para o município. Com os suecos, diz ter feito um acordo para criação de um centro de tecnologia, em São Bernardo do Campo, no valor de US$ 50 milhões.
 
Nesta terça-feira (3), Marinho viaja para a França onde visita a sede da empresa Dassault, que produz o Rafale _ até então favorito para vencer a concorrência. Em março de 2010, ele esteve em Estocolmo para conhecer o caça Gripen, da Saab.

“Meu conhecimento técnico é igual o do (Nelson) Jobim. Estamos empatados”, disse em entrevista ao iG. Ele contou que, após a ida a Estocolmo, procurou integrantes do governo para defender o Gripen, mas disse que não foi recebido por Jobim.

“Falei com o presidente Lula e com alguns ministros. No entanto, não tive a chance de conversar com o ministro Jobim. Ele fechou todas as portas”, afirmou.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Por que o senhor resolveu participar dessa discussão sobre a compra dos caças?

Luiz Marinho: A gente trabalha de acordo com as possibilidades que a cidade possa ter. Eu fui procurado pelo pessoal da Suécia. Em São Bernardo do Campo, há uma fábrica da Scania, que tem origem sueca.

O senhor foi procurado já como prefeito ou ainda como ministro?

Marinho: Já como prefeito. Falaram que gostariam muito de apresentar o Gripen. Num primeiro momento, resolvi colher informações. Tratava-se de uma discussão muito distante da realidade de um município.

O senhor ficou surpreso?

Marinho: Sim. Preferi analisar bastante, mas eles insistiram muito para que eu fosse conhecer a fábrica na Suécia e fosse voar no Gripen até como forma de ajudar a desmanchar uma versão de que o avião era de papel, que não existia.
Acabei decidindo fazer essa viagem. Eles me disseram que se fossem vitoriosos fariam investimentos em São Bernardo. Em seguida, fizeram um seminário aqui na cidade e disseram que, independentemente de ganharem ou não a disputa, fariam um centro de desenvolvimento de tecnologia na cidade.

Falaram em algum valor?

Marinho: Da ordem de US$ 50 milhões em cinco anos. E se forem vencedores da disputa dos caças, o investimento será ainda maior para a produção de componentes do Gripen em São Bernardo.

Quando o senhor foi convidado chegou a procurar alguém do governo federal?

Marinho: Troquei idéias com várias pessoas do governo, falei com o então presidente Lula.

O que o presidente Lula disse?

Marinho: Ele me disse: “O que você tem a perder em não ir? Você não tem nada a perder. Vai conhecer. Não sabemos qual decisão iremos tomar”.

Mas o governo chegou a anunciar uma preferência pelo Rafale.

Marinho: É verdade. A avaliação, inclusive, é que a decisão já estava tomada. Bom, eu fiz a viagem, voei no Gripen.

E como foi?

Marinho: A Força Aérea brasileira prefere o Gripen. O ministro Nelson Jobim (Defesa) prefere o Rafale. Aparentemente, o presidente Lula tinha preferência pelo Rafale. Já a presidenta Dilma ainda não deu sinais do que ela prefere.

Ela deve começar de novo o processo de concorrência ?
 
Marinho: A presidenta me disse ldurante a campanha eleitoral que a intenção dela era analisar bem o processo para tomar a decisão.

A impressão que o senhor teve é que ela deve estender essa discussão?

Marinho: Eu acho que vai, mas é puro ‘achometro’. Vai entrar para o segundo semestre com certeza e podendo até se alongar mais. Agora, a minha intenção é buscar compromissos e parcerias para haver investimentos na cidade, independentemente de quem seja o vencedor.

O senhor faz relatórios dessas viagens? Procurou pessoas do governo federal?

Marinho: Falei com o presidente Lula e com alguns ministros. No entanto, não tive a chance de conversar com o ministro Jobim. Jobim fechou todas as portas. Então fazer o quê. Eu liguei para ele, mas não me retornou.

Mas o senhor não tem conhecimento técnico. Como faz a análise de um voo desses?
 
Marinho: Meu conhecimento técnico é igual o do Jobim. Estamos empatados. Na verdade, o voo é mais conhecimento pessoal. Não agrega na informação porque a gente não tem conhecimento técnico. Meu conhecimento técnico é zero em relação a isso. É só mais a emoção e a coragem de voar que muita gente não tem

O senhor não tem ser usado pelas empresas?

Marinho: Meu foco é muito claro é trazer investimentos para a cidade e para a região. Ser Rafale, Gripen ou Boeing o vencedor não tem problema.

É a prefeitura quem está bancando a viagem?

Marinho: Não. Estou viajando a convite das empresas.

FONTE: iG

30 janeiro 2011

Dilma quis desistir de caças e submarinos

Leandro Mazzini - Jornal do Brasil

Em recente encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff, preocupada com as contas do governo, ponderou sobre a compra dos 36 caças na licitação da FAB e a do submarino nuclear pela Marinha, projetos de aproximadamente R$ 50 bilhões. Dilma citou orientações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre segurar os gastos. Lula, meio à brinca, meio a sério, soltou: “Se você ficar ouvindo o Mantega, não vai conseguir fazer nada no governo”. O fato é que, por ora, os caças são esboços, e o submarino nem mergulhou num tanque. Os processos de compra continuam, a que velocidade é um mistério.

F-35B poderá ser cancelado, afirma secretario da defesa

Robert Gates dá 2 anos à Lockeed para resolver problemas

Área Militar
O secretário norte-americano da defesa Robert Gates, avisou que colocou o caça F-35B de descolagem vertical numa situação de desenvolvimento condicional. O fabricante tem dois anos para resolver os problemas técnicos que têm assolado o desenvolvimento da versão de descolagem vertical do caça F-35B e os fuzileiros navais vão ver os seus pedidos de aviões relegados para uma posição secundária.

Em caso de necessidade maior os fuzileiros vão receber caças F/A-18C dos mais antigos ou eventualmente alguns F/A-18E modernos.

O complexo sistema de descolagem do F-35B tem apresentado problemas, mas aparentemente é na aterragem que se encontra o maior problema. O F-35 é um caça muito mais pesado que o Harrier (peso vazio de 11t contra 6t do Sea Harrier) e por isso o esforço sobre os materiais no trem de aterragem é muito maior. O fabricante já afirmou que encontrou uma solução para o reforço do trem de aterragem e da área onde o trem de aterragem se liga com o resto da estrutura do avião, mas isto tem como consequência o aumento do peso da aeronave e pode prejudicar as prestações.

Para responder às especificações, o F-35B deve manter prestações próximas das restantes variantes, atingindo uma velocidade máxima de 1900km/h e capacidade de «Supercruise» ou seja, voar acima da velocidade do som, sem recorrer à pós combustão, um sistema que aumenta a velocidade das aeronaves, mas aumenta dramaticamente o consumo.


Na verdade, o F-35B nunca foi um caça muito bem visto, especialmente entre os oficiais da marinha norte-americana. Desde há bastante tempo que a marinha tem feito pressões para que os fuzileiros navais esqueçam a exigência de um caça de descolagem vertical, utilizando em vez disso aeronaves navais convencionais utilizando catapultas, como as que serão utilizadas pela marinha norte-americana, na versão F-35C.


Os fuzileiros navais têm insistido e continuam a insistir no caça de descolagem vertical, porque ele dá aos «Marines» a capacidade de operar com apoio aéreo, mesmo que não existam porta-aviões disponíveis.

O corpo de fuzileiros navais utiliza os enormes navios de apoio logístico / LHA como o recente «America» que são configurados para em caso de necessidade servirem como porta-aviões ligeiros, podendo operar de 24 até 36 aeronaves F-35B.

Sem os F-35B os fuzileiros navais serão forçados a utilizar a versão naval F-35C, que não pode descolar verticalmente e pior que isso, ficam completamente dependentes da marinha, pois apenas poderão operar de bases em terra ou então a partir dos super porta-aviões norte-americanos. Presentemente os fuzileiros utilizam um frota relativamente ultrapassada de caças F/A-18C/D e Sea Harrier.

Embora os Sea Harrier possam ser utilizados a partir dos LHA, os F/A-18 utilizam bases em terra ou porta-aviões.

Descolagem vertical: uma ideia do passado


Ao contrário do que muitos podem pensar, os aviões de descolagem vertical não foram desenvolvidos com a marinha em mente.

O conceito era eminentemente defensivo e foi desenvolvido na Europa, como forma de garantir a possibilidade de manter grupos de aeronaves que poderiam responder a um ataque soviético, mesmo que as suas bases fossem destruidas.

O avião de descolagem vertical mais conhecido e de maior sucesso, o Harrier britânico, começou por ser uma aeronave da força aérea destinada a ataque e combate a curta distância.

A versão naval do Harrier foi estudada posteriormente e mostrou as suas qualidades durante a guerra nas Malvinas, contra a Argentina. A partir daí, o Harrier passou a ser muito mais conhecido como um caça de porta-aviões (Sea Harrier)[1].

O fim da guerra fria, tornou o conceito de caça de descolagem vertical pouco útil. O desenvolvimento das redes de estradas e auto-estradas, já tinha demonstrado a viabilidade da utilização de um grande numero de rodovias como pistas de pouco em caso de necessidade. Tanto a Suécia como Taiwan, por exemplo, desenvolveram planos eficazes para utilizar caças convencionais, operando a partir de estradas civis fechadas ao trânsito. A não existência de um inimigo claro na Europa, acabou por tornar o caça inútil.


Problemas para outros países


Mas se este tipo de avião deixou de ter utilidade para a Força Aérea, ele tornou-se essencial para as marinhas dos países que possuem porta-aviões ligeiros, que não podem utilizar outro tipo de avião que não seja de descolagem vertical.

Estão neste caso os projectados porta-aviões britânicos[2], e os navios da Itália, da Espanha, da India e da Tailândia, que não terão um sucessor para o Harrier.

Neste momento, as marinhas destes países estão completamente dependentes da decisão que será tomada dentro dos próximos dois anos.

Todas elas poderiam adquirir versões do F-35B e sem esse caça, os porta-aviões desses países só terão utilidade como porta-helicópteros.

A Itália acabou de lançar um navio porta-aviões, que poderá não ter aviões no futuro. A Espanha possui um porta-aviões, e a não existência de uma aeronave de descolagem vertical para o substituir no futuro condicionará a substituição do Principe de Asturias. O mesmo ocorre com a Tailandia, que possui um derivado do navio espanhol.


Os indianos possuem um porta-aviões britânico que opera caças Harrier e estão à espera de receber um porta-aviões russo reconvertido, que utilizará caças MiG-29 de descolagem convencional. O problema não afectará tanto os indianos, já que os navios que têm em projecto deverão dispor de capacidade para operar caças convencionais ainda que sem catapulta [3].

Ainda que não afectando directamente a India, deixa aquele país sem a opção de armar os seus navios com este tipo de aeronave.


[1] – Na guerra das Malvinas, foram utilizados os Sea Harrier, desenvolvidos para operar em porta-aviões, mas foram também utilizados aviões da Força Aérea, preparados para operar em pistas curtas, pequenos campos de futebol ou estradas. A flexibilidade do Harrier permitiu a sua utilização em conjunto com o Sea Harrier.

[2] – Os britânicos desistiram de construir porta-aviões destinados a aviões de descolagem vertical, tendo optado por adquirir um porta-aviões com sistema de catapultas, convencional.

[3] - O problema que se coloca aos indianos, é o da menor operacionalidade. Um porta-aviões que não tem aviões de descolagem vertical e não tem catapultas, precisa utilizar grande parte da coberta de voo para a descolagem. Isto reduz dramaticamente a quantidade de aviões que podem descolar nos momentos críticos em que é tomada a decisão de efectuar um ataque.

Dilma baralha programa F/X

Área Militar

O programa de substituição dos caças Mirage III da Força Aérea Brasileira, está em vias de se transformar numa novela ao melhor estilo mexicano, longa e com inúmeros capítulos em que tudo o que era verdade antes, passa a ser mentira e vice-versa.

O programa dura há já tanto tempo, que a própria força aérea foi forçada a adquirir um pequeno numero de caças Mirage-2000, que ainda que relativamente antiquados são mais eficientes que os Mirage-III que pura e simplesmente foram retirados de serviço por já não estarem em condições de voar. Tudo começou no mandato do presidente Fernando Henrique e passou para o governo Lula da Silva. A decisão foi sendo empurrada e adiada, no meio de indecisões e pressões ao mais alto nível por parte de todos os concorrentes.


Fato, é que dos seis concorrentes iniciais, três deles foram retirados da concorrência pelas mais diversas razões. Retirados três, ficaram outros três para a escolha final: O francês Rafale da Dassault, o americano F/A-18E da Boeing e o Gripen, da SAAB sueca.


Na segunda metade de 2009, a aproximação entre o Brasil e a França, levou a um acordo de aquisição de submarinos convencionais do tipo Scorpene, que ficou associado à cessão por parte dos franceses de tecnologia para permitir ao Brasil concluir um submarino nuclear de ataque.

Essa associação e parceria estratégica, levou a que o próprio presidente Luis Inácio da Silva mencionasse que o Brasil estaria prestes a fechar o contrato de compra dos aviões com a francesa DASSAULT.

Os problemas, no entanto, cedo se tornaram evidentes e a decisão final acabou por não acontecer. O caça da França tinha um preço proibitivo, muito acima dos outros dois. Para piorar as coisas, também se tornou evidente que o ministro da defesa brasileiro, Nelson Jobim, parecia ter uma preferência pessoal pelo caça da França, ainda que a FAB tenha colocado a opção francesa no último lugar das preferências.


Iniciou-se então durante a primeira metade de 2010 um jogo em que o ministério da defesa tentou justificar a opção de Jobim pelo caça francês, relacionando a aquisição com a sua parceria estratégica e com a END ou Estratégia Nacional de Defesa, desenhada no papel pelo ministro, para justificar o aumento das despesas militares brasileiras.


Estratégia brasileira


Os planos de Jobim, apareceram na imprensa brasileira relacionados com as opções estratégicas delineadas pelo filosofo anarquista Roberto Mangabeira Unger, que ocupou o cargo de Ministro dos Assuntos Estratégicos até meados de 2009. Mangabeira, que chamou Lula de corrupto, acabou aceitando um lugar de ministro, para ficar calado.


Ele concebeu com Jobim a END (Estratégia Nacional de Defesa).

Mas a visão estratégica de Unger sobre o Brasil e sua posição no mundo, mostrou ser completamente impraticável, pois incluía até a possibilidade de estapafúrdios acordos de defesa com Russia. Mangabeira Unger, gastou milhões em viagens ao exterior, para compor suas politicas, mas acabou caindo em desgraça.

Visto pelos militares como pouco mais que um louco destrambelhado, ele não sabe distinguir entre uma geladeira e um rifle. Suas estratégias eram tão furadas que não deram em nada e Unger voltou para os Estados Unidos para dar aulas de filosofia, aos filhos da classe alta americana.

Sem Mangabeira Unger nos assuntos estratégicos, Jobim ficou sozinho e recebeu carta branca do presidente Luis Inácio da Silva para aprimorar sua estratégia de defesa. Sendo claro que as opções estratégicas de Mangabeira estavam furadas, Jobim optou por uma associação com a França, como forma de manter a independência do Brasil face aos Estados Unidos.

Mas tudo indica que a estratégia de Nelson Jobim, não teve nada que ver com os militares, que entraram em choque com o ministro depois que Lula afirmou na presença de Sarkozi em 2009, que o Brasil compraria caças da França.

E agora

Sabe-se hoje, que embora haja na FAB militares que favorecem todas as tendências, a opção técnica acabou por favorecer o caça Gripen da sueca SAAB.
Pior que isso, o Rafale preferido de Nelson Jobim, foi de longe o menos preferido pelos militares brasileiros. O chefe da aeronáutica, brig, Juniti Saito, também deu a entender numa visita aos Estados Unidos que tinha em alta consideração a capacidade norte-americana, o que foi entendido desde aí como sendo prova de alguma preferência pelo caça norte-americanos F/A-18.

Por estas razões, a nova presidente decidiu aparentemente adiar qualquer decisão pelo menos até 2012.

 
Não está de facto confirmado qualquer cancelamento do programa F/X-2, mas o aparente adiamento da aquisição das aeronaves, condicionado pelas catástrofes e pelo deficit das contas públicas, destruiu definitivamente a preferência que até agora era dada ao Rafale e à industria francesa na escolha dos caças do programa F/X.

Também não é provável que o programa F/X-2 seja definitivamente cancelado e outro programa iniciado. Essa possibilidade traria um total descrédito para a imagem internacional do Brasil, que iniciou o programa de aquisição de caças há praticamente 16 anos atrás.

 
A possibilidade de voltarem a ser analizados caças como o antiquado Su-27 «Flanker» russo, o caríssimo Eurofighter Typhoon ou ainda a versão modernizada do vetusto F-16E/F da Lockeed, não passa pelo menos para já de pura especulação.

Razões para o adiamento

Até ao momento a situação é confusa e de contornos não definidos, correndo várias versões sobre o que efectivamente se passa em Brasilia e na cabeça da presidente da república.

Dilma, terá interesse em colocar Nelson Jobim na ordem, porque o ministro gozou durante o governo de Lula de uma grande autonomia. Ele foi reconduzido por Dilma, mas enfrenta agora um estilo de governo muito diferente, pois a presidente pretende saber exactamente quando dinheiro ele pretende gastar.

 
Nelson Jobim, quando delineou os faraônicos planos da END, planejou como se o Brasil nadasse em dinheiro e tivesse disponíveis todos os recursos existentes e previsíveis.

As pressões internacionais a todos os níveis também poderão influir na decisão de adiamento. Vários analistas brasileiros afirmam que o governo do Brasil não quer dar impressão de que a escolha não foi técnica e perfeitamente justificada, pretendendo manter boas relações com os perdedores, sejam eles os que forem.

Treinador chinês concorrerá no mercado americano

L-15 será proposto à USAF

Área Militar


Se durante a recente visita do presidente da China Hu Jintao aos Estados Unidos, a China voltou a comprar um grande numero de aeronaves Boeing para colocar ao serviço no seu mercado de aviação civil, que está numa fase de enorme crescimento, aumenta a possibilidade de no futuro o movimento ser invertido, com a participação chinesa na concorrência para o programa T-X (Trainer.X) da força aérea norte-americana.

O T-X, pretende escolher para a força aérea um avião ligeiro para treino avançado de pilotos, com capacidade para voo supersónico. A Força Aérea norte-americana pretende adquirir mais de um milhar de aeronaves, que vão treinar os futuros pilotos dos caças F-22 e F-35.

Entre outras propostas para outros programas, os chineses estão a ponderar apresentar a sua versão de caça treinador supersonico avançado, o L-15, que recebeu já a autorização de exportação por parte da estatal AVIC, o consorcio chinês que coordena a exportação de equipamentos aeronáuticos.

O modelo de avião de treino L-15, que é nada mais nada menos que um cópia chinesa do Yak-130 e do italiano M-346, modificada com motores mais potentes, poderia assim concorrer com o próprio modelo italiano, que com a designação T-1000 também está presente na concorrência.

A China deverá escolher um parceiro norte-americano para facilitar a proposta de fornecimento. Os chineses deverão construir o avião e até fornecer os motores (cópias de motores russos) enquanto que o parceiro comercial americano deverá responsabilizar-se pela colocação dos sistemas electrónicos escolhidos pela Força Aérea.

 
Por razões de segurança, esta última adaptação é feita nos Estados Unidos, e será assim, seja qual for o modelo e o fabricante escolhido para fornecer as aeronaves.

A opção por um modelo chinês permitiria reduzir os custos da aeronave, embora a continua compra de equipamentos à China, país com o qual os Estados Unidos mantêm um enorme deficit comercial, pode aparecer como um problema, mesmo ao nível da opinião publica e do congresso norte-americano.

 
Ainda assim, em muitos destes casos, a incorporação de sistemas norte-americanos e de mão de obra norte-americana na fase final da produção, acaba elevando a percentagem de incorporação em termos de valor (que não em termos de horas de trabalho) para cifras acima dos 50%.

No entanto, os chineses ainda recentemente escolheram o seu próprio avião de treino avançado, mas a Força Aérea da China não escolheu o L-15, tendo ao contrário optado pelo muito maior, mas mais barato L-9, fabricado pela Guizhou e que é uma cópia modificada do MiG-21 de dois lugares, que a empresa chinesa já fabricava anteriormente.

Crise atinge AVIBRAS

Futuro ASTROS-2020 em causa

Área Militar
O despedimento de pelo menos 50 trabalhadores das fábricas da empresa AVIBRAS de São Paulo, foi anunciada pelos sindicatos nesta Terça Feira. O total de despedimentos deverá chegar a até 170, mais de 15% dos trabalhadores do grupo.

A razão para os despedimentos estará relacionada com a não confirmação de acordos entre a AVIBRAS e o governo brasileiro, para permitir o desenvolvimento do sistema ASTROS2020, que poderá ser o substituto do ASTROS-2, que teve bastante sucesso comercial nos anos 80 e 90, tendo sido adquirido pelo exército brasileiro e por várias forças armadas no exterior.

Não foram até esse momento apontadas razões oficiais para concluir porque razão não há acordo e porque os pagamentos inicialmente previstos não foram feitos, mas aparentemente existem dúvidas sobre as características e viabilidade técnica do principal componente do sistema ASTROS 2020, o míssil de cruzeiro conhecido como AV-MT.

O projecto do AV-MT é já relativamente antigo . Ele seria um míssil de cruzeiro com alcance equivalente ao míssil de cruzeiro europeu SCALP/Stormshadow, com um alcance na casa dos 300km e capacidade para ser guiado por GPS.

 
As características, prestações e dados mais concretos sobre este projecto da AVIBRAS nunca foram minimamente reveladas e sua exequibilidade pode estar em causa.

Inicialmente, quando o AV-MT começou sendo cogitado pela AVIBRAS, suas prestações eram impressionantes, mas à medida que o tempo foi passando, um míssil de cruzeiro com um alcance de 300km deixou de ser um equipamento revolucionário.

 
O AV-MT seria lançado a partir de veículos terrestres, quando os mísseis com o mesmo alcance são normalmente lançados a partir de aeronaves. Os mísseis de cruzeiro norte-americanos, são lançados a partir de navios contra alvos em terra, mas têm alcances na casa dos milhares de quilômetros.

A AVIBRAS afirmou que estudou a possibilidade de desenvolver uma versão lançada de aeronaves e outra adequada para operações costeiras, mas aparentemente isso implica investimentos adicionais para lá do 1,3 bilhões de reais que a AVIBRAS quer para iniciar o desenvolvimento do projeto.

A utilidade do sistema, também se tornou duvidosa.

 
O articulista R.Godoy da Folha de São Paulo referiu numa entrevista televisionada, que a AVIBRAS está desenvolvendo o sistema para utilização contra alvos navais.

 
Mas a possibilidade de utilização de um míssil de cruzeiro naval, ao mesmo tempo de um míssil para atacar alvos em terra, implica investimentos que facilmente ultrapassarão o bilhão não de reais mas de dólares americanos. Não há no mundo nenhum míssil de cruzeiro com uma versão para ataque naval, e o conceito é algo estranho.

Além disto, estão se tornando cada vez mais comuns os kits de bombas inteligentes, que conseguem atingir alvos a muitos quilômetros de distância, com um custo mínimo quando comparado com o custo previsível de um míssil de cruzeiro.

 
Nos Estados Unidos, por exemplo, estão sendo incorporadas bombas planadoras inteligentes JSOW, muito mais baratas que mísseis de cruzeiro, que têm um alcance de 540km.

A principal arma do ASTROS-2020 poderá por isso estar obsoleta antes de ser construida. O reduzido numero de unidades a comprar pelo exército e a crise internacional que está reduzindo os orçamentos militares em todo o mundo, também fazem com que as previsões de vendas da AVIBRAS acabem sendo pouco realistas.

A AVIBRAS é também vista como uma das empresas brasileiras em melhores condições para aproveitar a transferência de algumas tecnologias de defesa que ficarão disponíveis com os acordos e negociações que estão sendo feitos para a aquisição de aeronaves e navios de guerra.

 
Os defensores do programa ASTROS-2020 afirmam que mesmo que relativamente obsoleto, seus sistemas de comando e controle serão uma revolução para o exército, que dará um salto tecnológico grande. A compra será fundamental para o desenvolvimento da industria militar brasileira.

Os sindicatos, e a empresa disseram que o dinheiro para o desenvolvimento do ASTROS 2020 e do AV-MT, é essencial para manter os postos de trabalho.

29 janeiro 2011

Expulsa da Marinha americana, acusada de usar drogas, mariner nascida no Brasil diz que só tomou um Tylenol

Agora ela quer que Dilma convença Obama a reabrir seu caso

Claudio Dantas Sequeira - Agência Amazônia

A brasiliense Graciela Falqueto Saraiva cultivava desde menina o sonho de envergar um uniforme militar. Nada mais natural para quem cresceu ouvindo as histórias de guerra contadas pelo avô, o tenente Jairo de Freitas Saraiva, veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Assim como centenas de militares brasileiros, Jairo foi levado ao teatro de operações europeu, em 1945, a bordo de uma embarcação da U. S. Navy, a Marinha americana. Mais de meio século depois, quis o destino que a neta do herói conseguisse vestir um uniforme justamente da Marinha dos Estados Unidos, país onde ela foi viver ainda criança. Graciela integrou o contingente do destróier USS Donald Cook, de 2008 a 2010, em missões da Otan contra piratas no Golfo de Aden, no norte da África. Foi condecorada e indicada para promoção. Mas terminam aí as coincidências entre as trajetórias do avô e de sua neta, que tem dupla nacionalidade.

Em novembro passado, num julgamento sumário, Graciela, 20 anos, foi expulsa da Marinha americana acusada de abuso de drogas. Um exame de rotina constatou em sua urina a substância codeína, analgésico sintético que copia a morfina. Em entrevista à ISTOÉ, ela garante que nunca usou drogas e o analgésico teria sido prescrito por um dentista de Maryland, após a extração de dois pré-molares. “Houve um profundo mal-entendido. Tenho a receita do médico para provar”, afirma Graciela, que não teve direito de defesa. Devido a uma falha administrativa, o endereço em que a Marinha tentou notificá-la estava incompleto e a correspondência voltou. Quanto tomou conhecimento da notificação, o caso já estava encerrado e o prazo de recurso havia expirado. 

“Por causa disso, não tive tempo suficiente para produzir as provas de minha inocência.” Em ofício protocolado na Justiça Militar, Graciela pediu a reabertura do processo e anexou carta do dentista, um chinês chamado Kim Hunjin, além da nota fiscal do remédio Tylenol 3, com­prado na famosa rede de drogarias americana CVS. “Não tinha a menor ideia de que se tratava de um narcótico ou teria avisado quando fiz o exame”, acrescentou.

HERANÇA

A mariner sempre quis seguir os passos do avô,  Jairo de Freitas, que combateu na Itália na Segunda Guerra Mundial 

Além de ter a carreira militar interrompida, Graciela foi obrigada a devolver as oito condecorações que recebeu por mérito, entre elas as medalhas de serviços prestados à Defesa Nacional, à Otan e à guerra contra o terrorismo. “Graciela está sendo vítima de uma grande injustiça. Ela é uma garota meiga, extremamente inteligente e obstinada pela carreira militar. Sonha tornar-se médica da Marinha e sempre foi uma aluna exemplar”, afirma o advogado da família, Maurício Gomes. “Inconcebível que alguém como ela venha a ser classificada como usuária de drogas de uma hora para outra.”

Para tentar mudar o destino de Graciela, seu pai, Samuel Saraiva, um dos fundadores do PDT em Rondônia, decidiu recorrer à presidente Dilma Rousseff. No início da semana, ele enviou, por meio da embaixada brasileira nos EUA, uma carta em que narra o drama da filha e faz um apelo para que o tema seja abordado no encontro que Dilma terá em março com o presidente Barack Obama, em Brasília. “A honra é um bem valioso. A recomendação política de Vossa Excelência, uma palavra que seja, restabelecerá a verdade”, escreveu. Uma carta similar foi também encaminhada ao presidente Barack Obama. 

Samuel alega que, em episódios recentes, como o caso do menino Sean Goldman e o acidente com o Legacy pilotado por dois americanos e que levou à morte de 154 pessoas, “o governo americano interveio agressivamente” para ajudar seus cidadãos. “Esses antecedentes reforçam o direito de Vossa Excelência de intervir em favor da Graciela, que leva a bandeira brasileira até quando vai a celebrações na base americana”, diz Samuel na carta a Dilma. 

Para o pedetista, que há anos trabalha como jornalista nos EUA, uma ação diplomática do governo seria “condizente com a nova posição do Brasil” no cenário internacional.

Reclusa na casa da família em Washington desde que foi expulsa da Marinha, Graciela está deprimida. Tenta manter o ritmo dos estudos de medicina no Montgomery College e, caso não consiga ser reintegrada a U.S. Navy, deve pedir transferência em 2012 para a Universidade de Maryland, em Baltimore. 

“Espero que Dilma se sensibilize com meu caso. Ser mulher na vida militar não é fácil. A gente tem que provar nossa competência todos os dias. Acho que é assim na política também”, desabafa. As dificuldades, no entanto, não desanimam a marinheira. “Eu amo essa vida e quero recuperar o futuro que tiraram de mim. Acho que meu avô ficaria muito orgulhoso.” 

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da embaixada dos EUA em Brasília informou que ainda não tomou conhecimento do caso de Graciela e não poderia se pronunciar a respeito. Resta à família esperar que o apelo funcione e que a marinheira brasileira tenha ao menos a oportunidade de provar o que diz.

26 janeiro 2011

Jobim descarta russos na licitação de caças da FAB

MInistro diz que disputa não voltou à estaca zero e afirma que decisão sai ainda este ano
 

Rafael Galdo - O Globo
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem no Rio não haver qualquer deliberação no governo da presidente Dilma Rousseff para suspender o processo de escolha dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB) e abrir uma nova disputa, ampliando o leque de concorrentes. E descartou a participação da Rússia. Segundo Jobim, as mesmas empresas habilitadas antes são as que continuam no páreo para fornecer os aviões.

 
Assim, afirmou o ministro, seguem na disputa a norte-americana Boeing, que produz o F-18; a sueca Saab, do Gripen; e a francesa Dassault, do Rafale. Ficaria de fora a russa Sukhoi, que fabrica o Su-35. A decisão, no entanto, não deve sair a curto prazo. Segundo Jobim, a demora se deve ao cenário conturbado causado pelas tragédias das chuvas no país:

 
- Os russos foram desclassificados lá atrás, no início do processo. Esperamos que saia uma definição (sobre a compra dos caças) até este ano. Agora não é o momento. Estamos numa situação, digamos, de emergências, de chuvas, desastres aqui e acolá. Não é o momento de tomar esse tipo de decisão, porque tem tempo para tomá-la.

 
O ministro chamou de "balbúrdia" as especulações sobre a entrada de outras empresas na disputa. E negou que haja irritação do governo com o presidente da França, Nicolas Sarkozy - que atuou a favor da compra dos caças Rafale -, devido a posições divergentes sobre o Irã:

 
- Não tem nada disso. Existe toda uma, digamos, balbúrdia. E claro que essa balbúrdia que está sendo criada vem de lobby das empresas não concorrentes, mas que estão tentando entrar no processo. Não vai acontecer nada disso.


Jobim comentou ainda a possibilidade de cinco guerrilheiros do Araguaia, considerados oficialmente desaparecidos políticos, estarem vivos.

 
- Mandamos examinar o assunto. Acredito que não há possibilidade alguma de que isso seja verdadeiro. Mas o requerimento não foi iniciativa do Ministério da Defesa, foi dos interessados: familiares que estavam participando como assessores independentes de um grupo de trabalho - disse.

25 janeiro 2011

Dilma dividirá com Conselho de Defesa desgaste sobre caças

Presidenta, que herdou negociação aberta no governo Lula, só vai anunciar decisão depois de reunir o órgão

Clarissa Oliveira e Ricardo Galhardo - Último Segundo

Compartilhar: Empenhada em minimizar o desgaste provocado pela compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), a presidenta Dilma Rousseff só vai anunciar uma decisão final sobre o negócio depois de obter um parecer do Conselho de Defesa Nacional. Alvo de pressão internacional por uma definição, Dilma deve convocar uma reunião do órgão especificamente para tratar do assunto, assim que concluir a análise do relatório que encomendou ao Ministério da Defesa sobre a negociação.

Previsto na Constituição, o Conselho de Defesa Nacional tem a tarefa de assessorar a presidenta em questões relacionadas à segurança nacional. Na prática, o órgão permitirá a Dilma dividir a responsabilidade e o desgaste internacional que possa resultar da escolha com membros de sua própria equipe de governo. Isso porque, por lei, o conselho é formado pelo vice-presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado, ministros militares, além dos ministros da Justiça, Relações Exteriores, Fazenda e Planejamento.

Dilma reacendeu a polêmica sobre a compra dos caças na semana passada, ao suspender o processo de escolha para estudar a fundo as três propostas colocadas na mesa – a da francesa Dassault, que produz o caça Rafale; a da americana Boeing, fabricante do F-18 Super Hornet; e a da sueca Saab, que fornece o Gripen NG. A expectativa, agora, é de que o negócio – que pode se aproximar da casa dos R$ 10 bilhões – demore de quatro a seis meses para sair.

Nos últimos dias, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, empenhou-se em negar a versão de que Dilma tenha a intenção de recomeçar do zero a negociação, cogitando inclusive a possibilidade de receber novas propostas. A versão oficial é a de que a presidenta pediu apenas para conhecer melhor o tema antes de se pronunciar, já que herdou a negociação iniciada pelo antecessor Luiz Inácio Lula da Silva.

Freio na negociação com a França teria partido do próprio Lula, de quem Dilma herdou a negociação sobre a compra dos caças
 
De acordo com interlocutores do governo, entretanto, o freio nas negociações com a França foi acionado meses atrás, pelo próprio Lula. Ele sempre manifestou abertamente sua preferência pelo Rafale e chegou a sugerir que faltava apenas dar caráter formal à parceria. Mas o ex-presidente, segundo aliados, teria se incomodado com a postura adotada pelo colega francês Nicolas Sarkozy na época em que foi anunciado o acordo nuclear firmado entre Irã, Brasil e Turquia no ano passado.

A decisão de Dilma de reavaliar as negociações provocou reação imediata do governo francês, que esperava uma definição favorável ao Rafale. Ao mesmo tempo, reacendeu o discurso norte-americano em favor do F-18. Nomes como o senador John McCain, que esteve com Dilma neste mês, e a própria Boeing voltaram a flertar com promessas sobre a transferência de tecnologia para o Brasil – principal diferencial da proposta francesa.

No Ministério da Defesa, entretanto, ainda predominam os argumentos em favor do avião francês. O mais usado é o de que, mesmo que a Boeing aceite dividir com o Brasil a tecnologia envolvida na produção do F-18, o Congresso americano tende a barrar qualquer iniciativa nesse sentido.

Blair: Ocidente deve estar preparado para ação contra Irã

EFE

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair declarou nesta sexta-feira que o Ocidente tem que estar preparado para uma ação militar contra a ameaça que o Irã representa para a segurança do mundo.

Durante seu segundo comparecimento diante da comissão que investiga a Guerra do Iraque, Blair fez um apelo aos países ocidentais para que mudem sua atitude condescendente em relação a Teerã e seu programa de enriquecimento de urânio.

Blair, que é enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio - formado por Estados Unidos, Rússia, ONU e União Europeia (UE) -, argumentou que o Irã continuará sendo um elemento desestabilizador na região a menos que o Ocidente tome alguma medida com "a determinação necessária".

"Trata-se de uma ameaça crescente. Eu passo na região o tempo todo e vejo o impacto e a influência do Irã em todas as partes. É negativa, desestabilizadora, de apoio a grupos terroristas e o país está fazendo tudo o que pode para impedir o avanço do processo (de paz) no Oriente Médio", declarou.

"O Ocidente tem que abandonar sua atitude 'de desculpa' por acreditar que somos responsáveis pelo que os iranianos fazem", defendeu Blair, que argumentou que o regime iraniano desenvolve um programa de armas nucleares porque é "contra o estilo de vida" ocidental.

Blair mencionou os esforços do presidente dos EUA, Barack Obama, de estender a mão ao Irã e acusou os iranianos de, como resposta, "seguirem com o terrorismo, com a desestabilização e com seu programa de armas nucleares".

"Em algum momento teremos que tirar a cabeça da terra e entender que (os iranianos) vão continuar com isso", afirmou.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, um dos principais defensores da invasão do Iraque em 2003, rejeitou a ideia de que a operação para derrubar Saddam Hussein tenha fortalecido a influência iraniana no país e disse que o que fracassou foi a política do Ocidente do anos 1980, que apoiou o então ditador iraquiano como forma de frear o Irã islâmico.

"A resposta ao Irã não é Saddam. Essa foi a política de 1980 e tudo o que fizemos foi criar um monstro que não pudemos controlar", concluiu.

Há um ano, em seu anterior depoimento na comissão, Blair já havia declarado que achava as políticas do Irã mais preocupantes do que as do Iraque, devido ao suposto risco de que Teerã forneça armas de destruição em massa a grupos terroristas.

Após caças, Dilma revê compra de navios

Negócio para patrulha oceânica estimado em R$ 10 bilhões será revisto pela presidente por conta de aperto fiscal Programa da Marinha tem como principal foco a proteção das áreas do pré-sal; não há prazo para decisão do governo

VALDO CRUZ - IGOR GIELOW - FOLHA DE SP

Depois da compra de caças da FAB, agora é a vez de um grande programa da Marinha entrar em reavaliação pelo governo Dilma Rousseff por conta da situação fiscal do país. Trata-se da aquisição de 11 navios para patrulha oceânica, um negócio estimado em R$ 10 bilhões.

Dilma pediu para reavaliar o programa, que vinha sendo tocado pelos almirantes desde o meio do ano passado.

São cinco navios-patrulha oceânica de 1.800 toneladas, mais cinco fragatas de escolta e um navio de apoio logístico. No foco, a proteção das áreas do pré-sal.

Conforme a Folha adiantou na semana passada, Dilma pediu para deixar gastos com a compra de pelo menos R$ 10 bilhões em caças pela Aeronáutica para 2012.

Ela está preocupada com a sinalização de mais gastos em momento de contenção de despesas, e na questão de imagem - tal anúncio logo após a mortandade no Rio poderia soar mal.

Assim, Nelson Jobim passa pelo segundo revés seguido após ficar na Defesa.

Parte de seu sucesso como ministro, efetivamente o primeiro a ter poder político sobre as Forças em 11 anos de pasta, passa pela "entrega" das promessas aos militares.

As duas decisões, segundo assessores de Dilma, não significam perda de prestígio de Jobim no Planalto.

A presidente avalia como fundamental o trabalho do ministro, mas acredita que, neste momento, é preciso reavaliar todo tipo de gasto.

Não há dúvidas, por exemplo, sobre a necessidade dos navios no futuro próximo. Mas havia dúvidas sobre a rapidez do processo, que já estava em fase de avaliação final pela Marinha.

Nos bastidores, franceses reclamaram que o processo favorecia os italianos porque, além dos navios de patrulha, foram incluídos no pacote barcos auxiliares que eles não previam construir.

Inicialmente, a empresa francesa DCNS só oferecia fragatas, na esperança de fazer parte do maior do acordo militar Brasil-França de 2009, que comprou mais de R$ 20 bilhões em submarinos e helicópteros.

O problema é que com a questão do terrorista Cesare Battisti, que Lula recomendou ficar no Brasil no último dia de seu governo, o Parlamento italiano retaliou negando-se a ratificar um acordo militar que permitiria a transferência tecnológica desejada para os navios, essencial para o negócio.

O acordo deve acabar saindo, mas por ora os italianos estão desabilitados.

Ainda assim, na Marinha há resistência à entrada dos franceses, que já têm suculentos pedaços do mercado militar naval brasileiro.

No acordo Brasília-Paris, toda a frota submarina futura do Brasil será de origem da mesma DCNS, um acerto de cerca de R$ 20 bilhões.

Aumentam as chances de britânicos, com um produto consagrado, e alemães, com a experiência de intercâmbio tecnológico com a Marinha.

Italianos e britânicos seguem fortes. Correm por fora os sul-coreanos, que têm uma oferta atrativa, mas cuja distância dos estaleiros implica custos na entrega dos primeiros navios.

A Marinha espera colocar no acordo que parte da construção das fragatas será no país, mas sabe que as primeiras unidades virão de fora obrigatoriamente.

Rússia ratifica tratado de desarmamento nuclear Start

OperaMundi

A Câmara dos Deputados da Rússia ratificou nesta terça-feira (25/01) o novo tratado de desarmamento nuclear Start, já aprovado em dezembro passado pelo Senado dos Estados Unidos.

Os deputados aprovaram em terceira leitura o documento que reduz em 30% o número de ogivas nucleares, até 1.550 por país, e limita a 800 os vetores estratégicos, como mísseis intercontinentais, submarinos e bombardeiros.

O novo Start recebeu o respaldo de 350 deputados do partido do Kremlin, Rússia Unida, e da também formação governista Rússia Justa, enquanto os 96 parlamentares comunistas e ultranacionalistas votaram contra. 

Na resolução aprovada pela Câmara, os deputados russos ressaltam que o novo Start, assinado em abril do ano passado pelos presidentes russo, Dmitri Medvedev, e americano, Barack Obama, é "estrategicamente beneficente para a Rússia".
 
Além disso, destacam que o documento não impõe limitações para que a Rússia continue desenvolvendo seu arsenal estratégico e mantenha a paridade nuclear com os Estados Unidos, que por sua vez adverte do perigo de uma ampliação dos elementos do escudo antimísseis americano na Europa.

Os deputados russos responderam assim à resolução emitida em dezembro passado pelo Senado americano na qual se assegura que o novo Start não limita a expansão do escudo antimísseis americano.

A Câmara adverte que o desdobramento próximo às fronteiras russas de elementos estratégicos do escudo por parte dos EUA e de outros países será motivo para que Rússia abandone o tratado, já que suporia "uma ameaça para a segurança nacional".

Ao assinar em abril do ano passado o tratado de redução de arsenais estratégicos, Rússia e EUA se puseram de acordo em sincronizar sua ratificação.

24 janeiro 2011

Tropas gaúchas que vão ao Haiti em fevereiro treinam em Pelotas

Componentes do 2º grupo do 14º contingente do Batalhão de Infantaria de Força de Paz, todos os militares deverão estar em solo haitiano até 10 de março
 
Sancler Ebert | Zero Hora

 
Soldados percorriam ruas armados, agiam contra manifestações criadas de forma teatral pelo comando, entravam em contato com a população. O bairro Pestano, na periferia de Pelotas, foi transformado em Haiti nas últimas semanas. As ações fazem parte do treinamento dos militares gaúchos que embarcam a partir do próximo dia 17 de fevereiro para o país caribenho.

 
A tropa gaúcha, como é chamado o grupo – 95% dos enviados são oriundos de quartéis do Estado – é formada por 810 integrantes. Componentes do 2º grupo do 14º contingente do Batalhão de Infantaria de Força de Paz, todos os militares deverão estar em solo haitiano até 10 de março. Por seis meses, reforçarão a segurança no país, até serem substituídos por outro contingente. 


Treinado em Recife, o primeiro grupo brasileiro, com mil soldados, já embarcou para a missão neste mês.
 
No treinamento realizado em Pelotas, os soldados viveram situações cotidianas no Haiti: fazer patrulha motorizada ou a pé pelos bairros, conter manifestações sem fazer uso da força, lidar com eventuais ataques. Para tornar os incidentes mais reais, soldados à paisana atuavam como populares.

 
As ações dos militares foram acompanhadas de camarote pelos pelotenses.

Comparar salários é humilhante para militares

Cláudio Humberto - Jornal de Brasília

No Brasil, os vencimentos de militares não resistem a comparação aos demais salários no serviço público. Para dirigir carros oficiais, por exemplo, um motorista do Senado ganha até R$ 19 mil, enquanto o comandante de fragata da Marinha recebe R$ 8 mil. Na Câmara, há ascensorista recebendo R$ 10 mil para pilotar elevador; na FAB, um piloto de jato de combate Mirage percebe R$ 7.428 por mês. Brutos.

Sem ralar muito

 

Diretor que chefiou a garagem do Senado ganha o dobro dos R$ 12,1 mil pagos a general do Exército que comanda regimento de blindados.

Ex-espião americano com agenda própria controla uma CIA privada

O Estado de SP

Desde que se afastou da agência de inteligência há quatro anos, Duane Clarridge vem comandando uma rede de espiões no Paquistão e no Afeganistão; atualmente sem patrocínio de Washington, ele depende de doações para pagar seus agentes Duane R. Clarridge afastou-se da CIA (Agência Central de Inteligência) há mais de quatro anos, mas ele continua controlando uma rede de espiões de sua casa, perto de San Diego. Nos últimos dois anos, Duane enviou agentes para as montanhas do Paquistão e as regiões áridas e desérticas do Afeganistão.

Como o Exército americano cortou os financiamentos para ele, em maio, Duane vem dependendo de doadores para pagar seus agentes que continuam reunindo informações sobre militantes combatentes, líderes do Taleban e tentando desvendar os segredos dos líderes em Cabul.

Maquinando planos que às vezes são uma combinação de um romance de Graham Greene e tramas tipo Espião versus Espião, típicas da revista Mad, Clarridge tentou colocar em descrédito Ahmed Wali Karzai, que há muito tempo está na lista da CIA, e enviou seus agentes para espionarem o meioirmão dele, o presidente Hamid Karzai, na esperança de coletar restos de barba ou outras amostras de DNA que pudessem provar suas suspeitas de que o presidente afegão é viciado em heroína.

Clarridge, de 78 anos, que foi acusado de mentir ao Congresso no escândalo Irã-Contras e depois perdoado, é descrito por pessoas que trabalharam com ele como um sujeito impelido pela convicção de que Washington está inchado de diplomatas e advogados que impedem as tropas americanas de combater os inimigos e os líderes, no geral, confiam em aliados volúveis.

Seus informes - uma reunião de fatos, rumores, análises e notícias não confirmadas - eram considerados confiáveis o suficiente, até o ano passado, para serem usados no planejamento de ataques contra militantes no Afeganistão. E também abasteceram comentaristas conservadores, incluindo Oliver North, um compatriota seu da época do escândalo Irã-Contras e hoje analista da Fox News, como também Brad Thor, autor de livros de mistério envolvendo o Exército.

As operações de Clarridge são uma demonstração alarmante de como cidadãos privados conseguem explorar o caos das zonas de combate e as rivalidades dentro do governo americano para desenvolver sua própria agenda. E mostram também como a terceirização das operações de inteligência e militares levaram a operações clandestinas legalmente tenebrosas que divergem totalmente das metas dos EUA no campo da política externa.

Apesar do forte interesse de Clarridge em derrubar os líderes afegãos, o governo Barack Obama parece conformado em trabalhar com o presidente Karzai e seu meio-irmão suspeito de ter relações com narcotraficantes.

As operações privadas de espionagem, reveladas no ano passado por The New York Times, foram aproveitadas por um Exército desesperado por informações sobre seus inimigos e frustrado com a inteligência prestada pela CIA, agência que, segundo colegas, Clarridge encara com desprezo.
 
Clarridge não quis ser entrevistado, mas fez uma declaração comparando as atividades de seu grupo, chamado Eclipse Group, às da Agência de Serviços Estratégicos, precursora da CIA na 2.ª Guerra. "O Eclipse Group pode ser, possivelmente, um modelo eficaz para o futuro, fornecendo informações para autoridades dos EUA ."

 
O porta-voz do Pentágono, coronel David Lapan, não quis falar a respeito, mas declarou que, para o Departamento de Defesa, "confiar em informações não confirmadas e não verificadas, vindas de fontes privadas, pode colocar em risco a força e contaminar a informação coletada durante operações de inteligência regulamentares".

 
Desde os tempos em que travava guerras secretas para a CIA na América Central, até seu trabalho de consultoria nos anos 90 num plano para a inserção de soldados de Operações Especiais no Iraque, para derrubar Saddam Hussein, Clarridge tem sido um instigador resoluto da intervenção americana no exterior. Típicos do seu estilo beligerante são os seus comentários, feitos durante uma entrevista dada em 2008 defendendo muitas das mais conhecidas operações da CIA, incluindo as atividades para afetar o governo do presidente chileno Salvador Allende, antes do golpe que o derrubou, em 1973. "Às vezes, infelizmente, as coisas têm que ser mudadas de uma maneira desagradável", disse.

 
"Vamos intervir sempre que decidirmos que é no interesse da nossa segurança nacional ."

 
Para ele, o governo Obama fez um pacto com o diabo, ao firmar um acordo com o presidente Karzai, foi o que disseram quatro de seus parceiros. Segundo eles, Clarridge acha que o presidente afegão acabará firmando acordos com o Paquistão ou o Irã e traindo os EUA.

 
Clarridge nasceu de uma família republicana em New Hampshire, acabou se tornando chefe da divisão da CIA para a América Latina em 1981e colaborou na criação do Centro de Contraterrorismo da agência, cinco anos depois.

 
No seu livro de memórias, de 1997, escreveu sobre como tentou forjar governos pró-americanos na Itália nos anos 70 e ajudar a administrar as guerras secretas do governo Reagan contra as guerrilhas marxistas na América Central, nos anos 80.

 
NYT - Tradução de Terezinha Martino

Dilma desistiu de acordo após aval de Lula

Compromisso firmado com a França não deverá ser cumprido; compra só em 2012

O Globo

BRASÍLIA. Antes de deixar o cargo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou a presidente Dilma Rousseff do compromisso de manter o acordo político travado nos bastidores com o governo da França pela compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira à empresa francesa Dassault.

 
Internamente, já era dada como certa no governo a aquisição dos caças Rafale. Mas, segundo interlocutores, Lula considerou que o acerto político havia perdido a validade depois que se sentiu traído pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, no episódio do acordo proposto por Brasil e Turquia no caso do Irã.

 
Segundo relato de amigos, Lula revelou que foi estimulado por Sarkozy a avançar nas negociações com o Irã para o fechamento do acordo sobre o enriquecimento de urânio daquele país. Em maio, os dois chegaram a se encontrar reservadamente em Madri para tratar do assunto, durante 6ª Cúpula União Europeia, América Latina e Caribe.

 
Logo depois, o Irã aceitou os termos do acordo acertado com Brasil e Turquia para o enriquecimento de urânio iraniano em território turco. Mas, para a surpresa de Lula, depois da pressão dos Estados Unidos Sarkozy voltou atrás, e a França votou a favor de sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A adoção de sanções dependia do voto favorável de todos os integrantes permanentes do conselho.

 
Diante da nova posição de Sarkozy, Lula decidiu empurrar com a barriga a decisão sobre os caças e depois avisou a Dilma que ela ficasse livre de qualquer compromisso político.

 
Em 2009, Lula recebeu Sarkozy no Brasil e até manifestou simpatia pública pela proposta francesa. Mas, em dezembro passado, quando o negócio parecia próximo de um desfecho, Lula disse que deixaria a decisão final para sua sucessora. Agora, o novo processo de compra deve se arrastar o ano inteiro e só ser concretizado em 2012.