27 junho 2011

Militares treinam nas ruas de Boa Vista

Toda a tropa que vai atuar no Haiti já está em Boa Vista
 

VANESSA LIMA - FOLHA DE BOA VISTA

O 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz do 15º Contingente de Missão de Paz no Haiti inicia hoje o Exercício Básico de Operações de Paz (EBOP) em Boa Vista. O exercício ocorrerá até o dia 4 de julho junto à população de alguns bairros da capital, com a utilização de 845 militares brasileiros, do Paraguai e do Peru.

 
O EBOP juntamente com o Exercício Avançado de Operações de Paz (EAOP) que será realizado entre os dias 11 e 15 de julho está inserido na fase final do preparo da tropa denominada de adestramento. O 15º Contingente de Missão de Paz começará a embarcar para a missão de Paz no Haiti no dia 2 de agosto, em substituição aos militares do 14º Contingente que estão no país.

 
As atividades de instrução do EBOP serão simuladas e ocorrerão das 8h às 22h. Será feito o patrulhamento ostensivo nas ruas dos bairros com veículos de combate e a pé, a localização e socorro às vítimas, a segurança de instalações e de autoridades, escolta de comboios e outras. Hoje o exercício será concentrado nos bairros Alvorada, Caranã, Liberdade, Asa Branca e Jardim Floresta.

 
O EBOP culminará no dia 4 de julho com quatro Ações Cívico-Sociais (ACISO). Das 8h às 12h os militares estarão na Escola Municipal Senador Darcy Ribeiro, no bairro Jardim Equatorial e no posto de saúde do Caranã. Das 14h às 18h as atividades serão concentradas no posto de saúde do Buritis e no posto de saúde Délio Oliveira Tupinambá, no bairro Nova Cidade.

 
Além de atividades de lazer e recreação para crianças, as ACISOS contarão com atividades de saúde, por meio de atendimentos médicos, odontológicos, vacinação, teste do pezinho e outros serviços. 


Haverá ainda ações de cidadania, com palestras educativas, cortes de cabelo, orientação jurídica, higiene bucal e escovação.
 
O EBOP e o EAOP foram planejados, principalmente, em experiências de sucesso colhidas no Haiti e serão controlados com todas as medidas de segurança necessárias. Os militares poderão interagir dentro de um quadro, o mais semelhante possível, ao que será encontrado no país. O Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, sediado no Rio de Janeiro, estará avaliando a execução dos exercícios em Boa Vista para autorizar o embarque da tropa à missão.

A Prefeitura Municipal de Boa Vista, por meio do apoio de diversas secretarias; a Faculdade Cathedral; o Sesi, Sesc, Senac, a Conab, a Fundação Bradesco e diversos profissionais autônomos voluntários são parceiros na realização das atividades.

 
A preparação da tropa foi idealizada para ocorrer ao longo de 23 semanas, divididas em três períodos: instrução preparatória, instrução individual e adestramento.

 
Os dois primeiros períodos foram realizados de forma descentralizada nas Organizações Militares Polos (OMP) sediadas nas guarnições de Boa Vista, Manaus (AM), Belém e Tucuruí (PA) e Goiânia (GO) e agora de forma centralizada em Boa Vista.

 
Em 20 de junho, o Batalhão realizou a concentração de todas as tropas das demais OMP em Boa Vista, a fim de iniciar o adestramento com base na experiência adquirida pelos contingentes que já operaram em terras haitianas.

 
TROPA - O 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz do 15º Contingente (BRABATT 1/15) é composto de 845 militares, sendo 775 do Exército Brasileiro, 10 fuzileiros navais da Marinha do Brasil, 28 da infantaria da Força Aérea Brasileira, assim como 31 do Exército Paraguaio e 1 do Exército Peruano.

 
Do Exército Brasileiro, 308 são de Boa Vista, 228 de Manaus, 91 de Belém, 59 de Tucuruí, 29 de Brasília, 28 de Goiânia e 32 de outras cidades do Brasil.

 
O Comando da 1ª Brigada de Infantaria de Selva Lobo D’Almada é responsável pelo preparo e o comando do 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz que tem como missão manter um ambiente seguro e estável para cooperar com as Nações Unidas e o Governo do Haiti na reconstrução do país e no desenvolvimento sócio-econômico.

No Brasil, prioridade da francesa Thales será área de defesa

Companhia planeja iniciar neste ano fabricação de radar em São Bernardo do Campo (SP)
 

Cibelle Bouças | Valor
De Paris
 
A francesa Thales planeja trazer ao Brasil tecnologias da área de defesa nos próximos 12 meses, antes de anunciar outras inovações nos segmentos de eletroeletrônicos. A área de defesa representa hoje 50% da receita da companhia, que no ano passado foi de € 13,1 bilhões.

 
Entre as tecnologias que devem chegar ao país estão softwares de comunicação por rádio, sistemas de rádios estáticos e a implantação de um projeto piloto de sistema de vigilância de fronteiras que usa comunicação por rádio e por radares, afirma o diretor-geral da Thales Brasil, Laurrent Mourre.

 
A empresa também inicia neste ano, por meio de sua subsidiária Omnisys, a fabricação do radar GM 400, um radar de defesa de terceira geração (3D) de longo alcance. A produção do satélite, que custou € 50 milhões para ser desenvolvido, exigirá investimento no país de € 5 milhões, para a instalação da fábrica, que será sediada em São Bernardo do Campo.

 
Há duas semanas, a companhia apresentou a membros do comando do Exército, em Brasília, seus sistemas de monitoramento de fronteiras e de vigilância, e de simuladores, que permitem o treinamento de tropas para ações em campo, em tanques, submarinos, aviões ou helicópteros. "Existem negociações em curso, baseadas em transferência de tecnologia, que podem ser concluídas no prazo de um ano", afirmou Mourre ao Valor.

 
Esses simuladores integram os softwares de voo de aeronaves à base de dados de satélites que identificam informações como relevo, presença de casas, veículos, pessoas e aeronaves. Os sistemas são acoplados a um equipamento que simula a cabine de uma aeronave. Com as imagens obtidas por satélite, os pilotos podem treinar ações de vigilância. O negócio de simuladores gera para a Thales faturamento anual de aproximadamente €400 milhões.

 
Na área civil, segundo Mourre, ainda não há encomendas. Esses equipamentos que fazem a simulação de voos e são usados para treinamento de pilotos são vendidos a preços em torno de US$ 30 milhões. "Existe necessidade de instalação de centros de simuladores, mas não sei se serão efetivadas vendas no curto prazo", afirmou.

 
A concorrente canadense CAE parece ter sido mais rápida nesse segmento. A empresa anunciou que vai dobrar de oito para 16 o número de centros de simulação de voos no mundo até 2013, sendo que um dos centros será instalado em São Paulo, com inauguração prevista para 2012, afirmou Jeff Roberts, presidente da CAE.

PRIMO RICO

Cláudio Humberto - Jornal de Brasília

A FAB mandará um avião em escalas na África para trazer os atletas africanos aos Jogos Mundias Militares, em julho, no Rio. Os EUA e a França, em crise econômica, prometeram apenas carona nos aviões.

Dupla invade casa de ministro da Defesa

Bandidos foram até o prédio de Nelson Jobim em Ipanema e mantiveram reféns no apartamento o filho e a nora; levaram joias e R$ 500

Alessandra Saraiva / RIO - O Estado de S.Paulo
 
Dois homens armados assaltaram o apartamento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, no Rio de Janeiro, no início da tarde de ontem. Segundo informações da Polícia Civil, os criminosos conseguiram invadir o prédio da Avenida Vieira Souto, em Ipanema, zona sul do Rio, por meio de ameaças a um morador, que saía do edifício no momento da invasão. O apartamento de Jobim foi o único a ser assaltado.

 
Após entrarem no prédio, os ladrões foram diretamente para o apartamento e dominaram o filho do ministro, Alexandre Jobim, e a mulher, que estavam no local. O ministro não estava no apartamento.

 
O filho de Jobim mora em Brasília, mas passava o feriado prolongado de Corpus Christi com a família na capital fluminense. Os ladrões ficaram por quase meia hora no apartamento e roubaram joias e R$ 500 em dinheiro. Não houve feridos.

 
Na saída, os criminosos trancaram a família no banheiro e levaram a chave da portaria, para facilitar a fuga. Após o roubo, o caso foi registrado na 14.ª Delegacia de Polícia (Leblon). Após o assalto, técnicos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e do Instituto Félix Pacheco (IFP) fizeram perícia no apartamento e na portaria. Embora o prédio não contasse com câmeras de segurança, a polícia estuda analisar imagens de uma câmera de circuito interno de TV do prédio vizinho, para ajudar na tentativa de identificar os criminosos.

 
Outros casos. Em março de 2008, quatro homens armados assaltaram a casa do ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no Morumbi, zona sul de São Paulo. 


Os assaltantes dominaram a empregada quando ela chegava na casa, às 5h30, com a filha de 5 anos.
 
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi mantido como refém com a família e amigos em um sítio em Ibiúna no carnaval de 2007. Somente foi liberado seis horas depois de o dono do sítio pagar resgate de R$ 20 mil. Três suspeitos foram presos pela ação de Ibiúna.
 

PRESTE ATENÇÃO
 
1. A maioria dos assaltos começa pela guarita ou garagem, que devem ser bem protegidas. O porteiro deve ver quem está no carro e pedir nome e RG de acompanhantes do morador.

2. Nunca deixe chave na portaria. Prefira alguém de confiança, como um familiar. Mas deixe seu contato com síndico ou vizinho, caso precise ser chamado em caso de alguma emergência.

 
3. Nunca deixe o controle remoto à vista de quem está do lado de fora do carro, pois ele pode ser roubado para uma ação futura em seu prédio.

 
4. Ao entrar e sair do condomínio, jamais deixe de verificar se há suspeitos nas proximidades. Se desconfiar de alguém, dê uma volta no quarteirão. Se for possível, ligue para um familiar e peça para avisar o porteiro.

Hackers da LulzSec Brasil vazam dados do DOI-CODI e da Guerrilha do Araguaia

Arquivos são de ações do Ministério Público Federal gaúcho pedindo quebra de sigilo
Jornal do Brasil


Após as invasões de sábado à noite, hackers da LulzSec Brasil divulgaram uma série de documentos que eles teriam conseguido vazar de órgãos públicos. Os arquivos são do Supremo Tribunal Federal (STJ), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS). Guiado pela ideologia de livre-disseminação de informações sigilosas, o grupo divulgou ações referentes a pedidos de aberturas de arquivo do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) e a quebra de sigilo dos militares envolvidos na Guerrilha do Araguaia. O material vazado também revela contra-cheques de funcionários e algumas informações pessoais.

 
Apesar da tentativa de revelar dados "reveladores", os arquivos referentes à guerrilha e ao DOICODI não são sequer confidenciais. Imagem de divulgação revela ameaça do grupo: "Nós somos anônimos, nós somos legião, nós nunca perdoamos, nós nunca esquecemos. Nos espere". Imagem de divulgação revela ameaça do grupo: "Nós somos anônimos, nós somos legião, nós nunca perdoamos, nós nunca esquecemos. Nos espere".

 
Além dos ataques a órgãos públicos, a LulzSec também divulgou dados pessoais dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), do Paraná, Beto Richa (PSDB), e dos deputados federais Marcos Medrado (PDT/BA), Pepe Vargas (PT/RS) e Assis Mello (PCdoB/RS). Na página disponibilizada pelos hackers, eles revelam supostos dados pessoais dos políticos, como CPFs, números de identidade, endereços e telefones. Ainda não há resposta dos órgãos oficiais e dos políticos a respeito da veracidade dos dados e da gravidade das invasões. Até o começo da tarde deste domingo, os sites dos Ministérios da Defesa, da Saúde e do Governo do Estado do Pará continuavam fora do ar. A série de ataques da LulzSec Brasil começou logo após a matriz internacional do grupo anunciar o fim das suas atividades.
 

Ataques à midia
 
A LulzSec também divulgou, durante a madrugada de sábado, dados pessoais de funcionários de órgãos da mídia. Os alvos dos ataques foram os sites do Diário de São Paulo e do Canal Paraíba. Os hackers disponibilizaram, através do Twitter, supostas senhas e endereços de e-mail dos funcionários das duas empresas.

23 junho 2011

Afeganistão diz que saída de tropas dos EUA é benéfica para ambos

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou nesta quinta-feira que o início da retirada das tropas americanas é "um passo adequado em benefício de ambos os países" e que a decisão de Washington de retirar 10 mil soldados até o fim do ano tem o apoio do governo afegão.


Em declaração lida perante a imprensa, Karzai felicitou a nação afegã por seguir avançando na defesa de seu território "por seus próprios meios".

O presidente afegão disse ainda que os jovens vão assumir a responsabilidade pela defesa do país e reconheceu que a saída dos aliados americanos significa que as forças afegãs precisam ser fortalecidas. 



Musadeq Sadeq/Associated Press
Presidente afegão, Hamid Karzai, faz breve pronunciamento à imprensa e comemora retirada das tropas
Presidente afegão, Hamid Karzai, faz breve pronunciamento à imprensa e comemora retirada das tropas

Em discurso à nação, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que ainda este ano deixarão o Afeganistão 10 mil soldados americanos, número que aumentará para 33 mil até setembro de 2012.

Na noite de quarta-feira, em um aguardado pronunciamento, o presidente americano, Barack Obama, anunciou ter optado por acelerar a retirada de soldados no Afeganistão, e confirmou que ao menos 10 mil retornarão aos EUA ainda neste ano. Outros 23 mil devem encerrar sua participação na guerra até setembro de 2012.

Até então sabia-se dos planos de retirar ao menos 33 mil homens até o prazo final de 2012 mas as pressões dos congressistas e da opinião pública levaram o presidente a optar por uma saída mais rápida.

Os EUA mantêm no total cerca de 100 mil militares em suas operações no país, iniciadas há quase dez anos. a guerra matou ao menos 1.500 membros dos militares dos EUA e feriu outros 12 mil. O custo financeiro da guerra já passou de US$ 440 bilhões e está aumentando, com uma média de US$ 120 bilhões ao ano.

"É hora de começar a focar no desenvolvimento de nossa nação", disse Obama após indicar que na última década os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

O plano detalhado pelo presidente aponta que a volta dos 10 mil homens começa já no mês de julho, e termina até dezembro.

Os outros 23 mil devem voltar até setembro de 2012, enquanto o retorno total dos cerca de 100 mil soldados americanos no país deve ser completado até 2014 -- quando a segurança será entregue integralmente ao governo afegão.

O presidente disse ainda que uma conferência de todos os membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) será realizada em maio de 2012 em Chicago, para acertar o fim das operações de todos os aliados no Afeganistão.

Caça içado do Mar Egeu

UOL

Um caça Mirage da Força Aérea da Grécia foi içado do fundo do mar Egeu, próximo à ilha de Samos, na última terça-feira (21). O avião estava ali desde a queda ocorrida no dia 9 de junho. Na ocasião, os dois pilotos foram ejetados com sucesso e depois resgatados sem ferimentos por um navio militar 

http://noticias.uol.com.br/album/110623aviao_album.jhtm?abrefoto=8#fotoNav=8 

22 junho 2011

Hacker invade página do Exército brasileiro e divulga dados no Twitter

Engenheiros detectam 1º programa malicioso em português para o Facebook

O Globo

RIO e LONDRES. A onda mundial de ciberataques iniciada há algumas semanas chegou ao Brasil. No último sábado, hackers invadiram o banco de dados do Exército e divulgaram links no Twitter com dados pessoais de quase mil funcionários das Forças Armadas, em blocos de 300 cadastros por vez.


O usuário do perfil @FatalErrorCrew no Twitter reivindicou a autoria dos ataques, sem informar a motivação da ação.

 
O hacker publicou os arquivos para download por meio de links dos sites Rapidshare e Pastebin.

 
Em seguida, o internauta espalhou a mensagem para perfis de Twitter de toda a imprensa brasileira.

 
Obtidos através de uma falha, dados de um sistema chamado Gestor de Controle de Distribuição da Água do órgão também foram expostos.


Os registros vazados contêm nome, CPF, função exercida na corporação e outras informações.

 
Outro documento também divulgado pelo grupo, dá acesso a mais de 300 logins, senhas e e-mails de pessoas registradas no banco de dados do Exército. Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército brasileiro informou que o incidente de vazamento de dados "está sendo tratado pelo Centro de Coordenação para Tratamento de Incidentes de Rede do Exército", que fará uma investigação do ocorrido. A instituição informou ainda que "não houve comprometimento do sítio central do Exército".

 
O usuário do perfil @FatalErrorCrew, que parece ser um jovem universitário, anunciou ainda que está apenas "esperando chegarem as férias pra começar a brincar".

 
No âmbito das redes sociais, cibercriminosos estão migrando seus ataques feitos antes no Orkut para novas ofensivas no Facebook, diz uma companhia de segurança em internet. Segundo a Kaspersky Lab, engenheiros detectaram o primeiro worm brasileiro, em português, para o Facebook. O IMWorm.Win32.FBook.a é um programa que se autopropaga e rouba as credenciais de acesso dos usuários. Ele ainda tenta se espalhar para os contatos da vítima, via sistemas de chats.

 
Polícia britânica prende hacker de 19 anos
 

Fábio Assolini, analista de malware da Kaspersky Lab no Brasil, acredita que "a popularização da rede fará com que os ataques passem a ser concentrados no Facebook". Este worm "será o primeiro de muitos outros que virão", alertou o especialista em comunicado à imprensa.
 
O processo começa em uma página falsa que tenta enganar e infectar o usuário, convencendo-o a fazer o download de um aplicativo. Caso o usuário execute o programa, a praga é instalada no computador e faz o download de outros arquivos maliciosos.

 
No exterior, as autoridades estão fechando o cerco aos hackers. Um jovem de 19 anos foi preso por suspeita de envolvimento nos ataques hackers à Sony e ao site da CIA, disse a polícia britânica ontem. A prisão ocorreu após uma operação conjunta de sua unidade de crimes na internet, do FBI e da Polícia Metropolitana, afirmam os agentes.

 
A polícia britânica não informou se o suspeito tem relação com o grupo hacker Lulz Security, que assumiu a responsabilidade por recentes ataques, mas confirmou que um computador apreendido na operação será examinado para levantar provas no processo que envolve os ataques à Sony. A polícia se recusou a identificar o suspeito, afirmando que ele não foi ainda acusado formalmente de um crime.

20 junho 2011

Marinha resgata corpo do piloto de helicóptero que caiu na BA

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

A Marinha informou que o sexto corpo do
acidente com um helicóptero na noite de sexta-feira (17) no litoral da Bahia foi resgatado às 17h20 desta segunda-feira. O corpo do empresário Marcelo Almeida, que pilotava a aeronave, foi localizado por um pescador em Porto Seguro.

O corpo foi transportado por uma lancha particular e entregue ao IML (Instituto Médico Legal). A Marinha informou que continuará com as buscas durante toda a noite. Ainda resta localizar Jordana Kfuri, mulher do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, a quem pertencia o helicóptero.

Entre as vítimas está Mariana Noleto, namorada do filho do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

Os corpos de Fernanda Kfuri, 35, e de seu filho Gabriel Kfuri, 2, duas das vítimas do acidente, foram enterrados na tarde deste domingo no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio. O enterro foi acompanhado pelo vocalista da banda Biquíni Cavadão, Bruno Gouveia, ex-marido de Fernanda e pai de Gabriel.

Também morreram Lucas Kfouri, 3, e a babá das crianças, Norma Batista de Assunção, 49.

ACIDENTE

De acordo com a a Aeronáutica, o helicóptero -- modelo Esquilo, prefixo PR-OMO -- levantou voo do aeroporto de Porto Seguro (687 km de Salvador) por volta das 18h40 de sexta-feira, rumo a um resort no distrito de Trancoso.

O voo até o Jacumã Ocean Resort deveria levar dez minutos, mas o helicóptero não chegou ao destino. A última visualização por radar da aeronave ocorreu às 18h57, quando ela estava distante 23 km do aeroporto, em direção ao mar. Segundo a Capitania dos Portos, havia chuva e neblina do momento do voo.

De acordo com registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a licença do piloto Marcelo Almeida estava vencida desde julho de 2005.

Os primeiros corpos e destroços foram encontrados próximos à praia de Ponta da Itapororoca, em Caraíva, distrito de Porto Seguro. As buscas começaram por volta das 19h, quando a Capitania dos Portos foi alertada do desaparecimento da aeronave.


As buscas aéreas coordenadas pelo Salvaero (Serviço de Salvamento Aéreo) de Recife se concentraram na área da última visualização do helicóptero. Um helicóptero Super Puma percorreu hoje, por mais de cinco horas, uma área de 377 km2.

No mar, as buscas são feitas pelo navio-patrulha Gravataí, pelo navio-varredor Albardão -- que possui sonar capaz de identificar objetos no fundo do mar --, por lanchas da Capitania dos Portos e outras embarcações civis, com mergulhadores.


Além das Forças Armadas, homens do Corpo de Bombeiros e policiais militares baianos trabalham nas buscas. Uma aeronave do Grupamento Aéreo da Polícia Militar também auxilia nos trabalhos.

A Polícia Técnica foi mobilizado para perícia. Dez profissionais, entre peritos médicos, criminais, técnicos e odontolegais, além de auxiliares de necropsia, estão de plantão. 



Editoria de Arte/Folhapress

Reino Unido e Brasil, novas oportunidades

O Reino Unido ativamente apoia a ambição brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas

Nick Clegg
- Folha de SP

Nossa relação com o Brasil é importante. Sempre foi: o Reino Unido teve um papel relevante na independência do Brasil. A Marinha brasileira veio em nosso auxílio para ajudar a patrulhar o Atlântico na 1ª Guerra Mundial. Soldados brasileiros lutaram ao lado dos nossos na Itália, durante a 2ª Guerra.

Hoje, ambos os países estão entre as duas maiores economias globais; compartilhamos objetivos, acreditamos na democracia, no livre comércio e nos direitos humanos e estamos determinados a cumprir nosso papel no maior desafio de nossos tempos: a luta contra as mudanças do clima.


Contudo, apesar de nossa história, ainda não aproveitamos nossos laços ao máximo. Podemos aprofundar relações comerciais, colaborar mais e buscar um ao outro como aliados naturais no cenário internacional. Juntos, podemos reinventar nossa parceria para o século 21, contribuindo para a prosperidade interna e defendendo os nossos valores no exterior.


Isso significa sermos muito mais ambiciosos em nossas relações comerciais. Algumas de nossas maiores empresas já trabalham juntas: a Rolls Royce fornece peças de avião para a Embraer e tecnologia de ponta à indústria petrolífera brasileira. Já a Embrapa estabeleceu um laboratório no Reino Unido para realizar pesquisa de ponta.


Mas ainda há muito a fazer, e inúmeras oportunidades em áreas como energia renovável, infraestrutura, engenharia e serviços financeiros. Firmar parcerias não se resume a assinar contratos.


Trata-se de compartilhar experiências, como as de grandes eventos esportivos, incluindo Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Enquanto o Brasil se prepara para a Rio-2016, compartilharemos nossa experiência na organização de Londres-2012, dentro do prazo e do orçamento, os primeiros Jogos Olímpicos sustentáveis da história.


Estamos felizes por já estarmos trabalhando juntos em questões como sustentabilidade, acessibilidade e segurança, e desejamos garantir um legado duradouro para nossos países.


O trabalho conjunto é importante, assim como o apoio mútuo na esfera internacional. O Brasil é hoje uma força global, não apenas por sua riqueza. O país é uma potência ambiental, sem a qual não pode haver um acordo climático significativo, e tem um papel cada vez maior na segurança internacional - visto a liderança na Missão de Estabilização da ONU no Haiti.


O Brasil é uma grande fonte de apoio às nações que buscam se desenvolver, além de ser uma voz dos direitos humanos e polo para tecnologias sustentáveis, necessárias para o crescimento a longo prazo.


Não pode haver resposta às questões dominantes na agenda internacional atual sem o Brasil.


Por esse motivo, o Reino Unido ativamente apoia a ambição brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.


É hora de a estrutura das instituições internacionais refletir o mapa do poder no mundo. Como democracia pacífica e país mais importante da região, o Brasil deve ser plena e formalmente representado nas principais mesas de negociações internacionais.


E queremos ver o Brasil utilizando sua influência: pressionando por uma rodada de comércio internacional justa, ajudando a implementar os compromissos de Cancún, que podem contribuir para uma bem-sucedida Cúpula do Clima em Durban, e utilizar a experiência e influência crescentes para ajudar a assegurar a estabilidade no Oriente Médio.


Juntos, Reino Unido e Brasil podem ser uma força positiva de mudança. Podemos gerar prosperidade internamente e defender nossos valores no cenário internacional.


Em uma parceria igualitária e madura nem sempre concordaremos, mas há muito mais a nos unir do que a nos dividir. No mundo de hoje, em que os países precisam uns dos outros, é algo a ser aproveitado. 


NICK CLEGG é vice-primeiro-ministro do Reino Unido.

Exército sul-coreano se desculpa por disparar em avião comercial

EFE

O Exército da Coreia do Sul se desculpou nesta segunda-feira pelos disparos que dois soldados da fronteira fizeram contra um avião de passageiros na sexta-feira ao confundi-lo com uma aeronave norte-coreana, sem ocasionar danos.


"O Exército pede desculpas sinceramente ao povo por causar preocupações devido ao incidente", indicou nesta segunda-feira o porta-voz do Estado-Maior, o coronel Lee Bung-woo.

As autoridades militares não tomarão medidas disciplinares contra os dois soldados que dispararam seus rifles às quatro horas da manhã de sexta-feira, pouco antes do amanhecer e no meio de um espesso nevoeiro, de um posto de guarda perto da fronteira com a Coreia do Norte.

O avião da companhia sul-coreana Asiana Airlines, com 119 pessoas a bordo, não sofreu marcas de bala, já que se encontrava fora do alcance dos tiros dos rifles.

O Exército disse que os dois soldados, que se encontravam na ilha fronteiriça ocidental de Gyo-dong, atuaram de acordo com as regras ao realizar disparos de advertência contra um avião que consideraram inimigo.

No entanto, se reforçará o treino dos soldados para que distingam melhor dos aviões civis e prevenir incidentes similares. O jornal sul-coreano Joongang Ilbo indicou nesta segunda-feira que, segundo fontes governamentais e da própria companhia aérea, o avião da Asiana seguia sua rota habitual procedente do aeroporto de Qingdao (China).

Este incidente evidencia a alta tensão que existe na fronteira com a Coreia do Norte no Mar Amarelo (Mar Ocidental) depois dos dois ataques, atribuídos a Pyongyang, no ano passado contra Coreia do Sul.

Militares bolivianos voltam ao quartel após serem expulsos do Chile

AFP

LA PAZ, 19 Jun 2011 (AFP) - Catorce militares bolivianos, expulsos do Chile este domingo, após entrarem ilegalmente no país, voltaram ao quartel de Oruro, no leste da Bolívia, informou o ministério da Defesa.

"Os 14 militares: um subtenente, seis suboficiais e sete soldados já estão em seu Regimento Illimani 21 de Infantaria" no departamento (estado) andino de Oruro, aonde "chegaram por via terrestre", informou à AFP uma fonte do Ministério da Defesa que pediu para ter a identidade preservada.

A patrulha militar armada foi interceptada na madrugada de sexta-feira no Chile por carabineiros daquele país, o que gerou um protesto diplomático de Santiago.

O governo do presidente Evo Morales explicou que os militares entraram no Chile de forma "involuntária", ao não perceber o limite fronteiriço.

Os militares foram detidos, enquanto faziam operações contra o tráfico ilegal de automóveis, que entram no país por vias clandestidas, procedentes do Chile.

A patrulha militar foi levada perante um juiz chileno, que decidiu pela expulsão do povoado de Colchane, perto da fronteira.

O Ministério da Defesa acrescentou que pedirá ao Chile, através da chancelaria, a devolução do armamento.

China realiza manobras navais perante tensão com Vietnã e Filipinas

EFE

A imprensa oficial chinesa informou das manobras militares em suas águas territoriais, que incluíram testes de mísseis, no meio da crescente disputa com o Vietnã e Filipinas pela soberania das ilhas no Mar do Sul da China, publicou nesta segunda-feira o independente South China Morning Post.


O Diário do Exército de Libertação Popular informou de práticas de retirada de minas, enquanto o Diário da Juventude da China reportou disparos de testes por parte de navios com mísseis, entre outras manobras, cuja localização exata não foi detalhada.

O fato de que a imprensa chinesa relatou estes exercícios mostra, segundo analistas citados por South China Morning Post, que a China quer chamar a atenção de seus vizinhos no sul, perante a onda de tensões em torno dos arquipélagos das Spratly e Paracel.

"Querem enviar o sinal que se estão preparando para qualquer possibilidade, em resposta às recentes ações de perfil alto empreendidas pelas Filipinas e Vietnã", destacou Wong Dong, presidente da Associação Internacional Militar de Macau, citado pelo jornal.

Além disso, China enviou em "visita de cortesia" a Cingapura um de seus maiores patrulheiros civis, o "Haixun 31", atualmente assaltado no porto dessa nação sul-asiática após passar precisamente pela zona disputada.

15 junho 2011

Ministério da Defesa vai apoiar o Brasil Sem Miséria

José Romildo
Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


Brasília, 14/06/2011 – O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) deverá fornecer tecnologia de banda larga e apoio técnico a prefeituras de cerca de 130 municípios isolados da Amazônia com o objetivo de facilitar o cadastramento de milhares de famílias ainda não atendidas pelos programas sociais do governo federal.


Com a medida, o Ministério da Defesa (MD), órgão que coordena o Censipam, passa a integrar a rede do governo responsável pelas ações do Brasil Sem Miséria, destinadas a eliminar a extrema pobreza do país.

A participação do MD foi acertada em reunião, realizada durante a manhã desta terça-feira (14/06), entre o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes, e a coordenadora-geral de Gestão de Processos de Cadastramento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Jeniffer Carla de Paula.

Para permitir que essa parceria seja concretizada, os dois órgãos deverão assinar, em breve, acordo de cooperação técnica. O objetivo principal é permitir que, com a ajuda do Censipam, todos os municípios da Amazônia, possam ter, em suas prefeituras, internet para terem acesso ao Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, instrumento essencial para que as famílias possam ser beneficiadas com os programas Brasil Sem Miséria, Bolsa Família, Tarifa Social de Energia Elétrica, Minha Casa Minha Vida e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).

Desde o ano passado, o cadastro único passou a ser disponibilizado pelo MDS em uma nova versão online. No entanto, para que esse cadastro tenha completo êxito é necessário que as prefeituras da Amazônia tenham tecnologia de acesso à internet.

Conforme observou Rogério Guedes, a dificuldade de acesso à internet é um problema crônico na Amazônia, principalmente, em regiões mais isoladas. Para superar esse problema, o Censipam conta a tecnologia de antenas via satélite que permite que as prefeituras tenham acesso à internet, sem custo pelo sinal. O Censipam adquiriu, recentemente, mais de mil antenas destinadas a facilitar as conexões via satélite na Amazônia.

Além de Rogério Guedes e Jeniffer Carla, também estiveram na reunião os seguintes participantes: assessor técnico jurídico da Secretaria Nacional de Renda e Cidadania do MDS, Bruno Câmara; coordenadora-geral de Articulação e Parcerias do MDS, Deuscreide Gonçalves Pereira; diretor técnico do Censipam, Cristiano da cunha; diretor administrativo e Financeiro do Censipam, Bruno Morelli; e o coordenador-geral de Integração Institucional do Censipam, Péricles Cardim.

CAN 80 ANOS: A saga dos bandeirantes que criaram as rotas aéreas pelo interior

O vento forte atrasou a primeira viagem em quase duas horas; pilotos tiveram de improvisar o pouso em São Paulo e entregar as cartas com o apoio de um táxi

Centro de Comunicação Social da Aeronáutica - CECOMSAER


Rio de Janeiro, 12 de junho de 1931. Os Tenentes Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, da Aviação Militar, decolam do Campo dos Afonsos para uma viagem histórica. A bordo de um avião Curtiss “Fledgling”, matrícula K-263, levam a primeira mala postal do Correio Aéreo Militar (CAM) – duas cartas precisam chegar a São Paulo. Era a concretização do sonho de um grupo de pilotos, liderados pelo então Major Eduardo Gomes.


Para entender o que isso significou à época, é necessário voltar no tempo para saber o que era voar nesse período. Os pilotos não tinham os modernos equipamentos de navegação de hoje, voavam com as referências do solo e enfrentavam as variações meteorológicas, a falta de comunicação e as limitações de autonomia de combustível, entre outros problemas. Também viajavam bem perto dos obstáculos naturais contra os quais poderiam colidir.

O que era para durar pouco mais de três horas, na verdade, terminou com mais de cinco horas de voo. Quando chegaram a São Paulo, já com as luzes da cidade acesas, os pilotos da primeira missão do Correio Aéreo não conseguiram localizar o Campo de Marte. A saída foi improvisar o pouso no Jockey Club do bairro da Mooca. Pularam os muros, tomaram um táxi até o centro da cidade e entregaram o malote na estação central dos Correios.

A partir daí, o país nunca mais foi o mesmo. As linhas para outras regiões do Brasil abriram o interior para a aviação civil e militar – até então, as aeronaves voavam pelo litoral, aumentando as distâncias para escapar dos perigos que habitavam o sertão, o cerrado e a floresta amazônica brasileira.

As atividades do Correio Aéreo Francês e de aviadores das Linhas Aéreas Latécoère, depois Aéropostale, foram a inspiração para o Correio Aéreo Militar brasileiro. Aviadores como Jean Mermoz, Henri Guillaumet e Antoine de Saint-Exupéry provaram que atravessar o Mediterrâneo e o Atlântico em um serviço postal não era impossível.

A ideia era criar diversas rotas com destino a lugares isolados do Brasil. Os militares estavam convencidos de que o avião de correspondência que chegava à determinada cidade obrigava a respectiva prefeitura a fazer um campo de aviação. Logo, outras localidades procurariam, por certo, fazer a mesma coisa a fim de receber as mesmas vantagens. Assim, as cidades também se modernizariam com a chegada do CAM.


Expansão - Em novembro de 1931, o Correio Aéreo iniciou a rota Rio-Minas Gerais. No ano seguinte, mesmo com a Revolução Constitucionalista, as linhas chegaram ao Mato Grosso e Paraná. Dois anos mais tarde, o Nordeste, com voos para Fortaleza, percorrendo e apoiando a população ribeirinha do São Francisco. Aviões Waco deram novo impulso ao CAM.

A malha de rotas chegou ao Sul do país em 1934, colocando Porto Alegre e Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na lista de cidades atendidas pelo Correio Aéreo. No Mato Grosso, uma linha especial interligou as guarnições do Exército. Ainda no mesmo ano, a Marinha criou o Correio Aéreo Naval, atendendo o litoral sul do Brasil, no trecho entre Rio de Janeiro e Rio Grande.

Para concluir o projeto de integração nacional, em 1935, o Correio Aéreo Militar chegou, finalmente, à Amazônia. No ano seguinte, os pilotos começaram a voar o primeiro roteiro internacional, para Assunção, no Paraguai.

Em 1932, as linhas tinham 3.630 quilômetros de extensão. Os pilotos voaram nesse ano 127.100 quilômetros, transportaram 17 passageiros e 130 quilos de correspondências. Sete anos depois, em 1939, o Correio Aéreo percorreu 1,8 milhão de quilômetros, transportou 542 passageiros e 65 mil quilos de carga nas rotas criadas pelo país.

União – Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, os serviços de correio aéreo foram reunidos em um só, resultando no Correio Aéreo Nacional (CAN). Ao final desse ano, com apenas uma década de existência, o CAN operava 14 linhas e transportava mais de 70 toneladas de correspondência para diversos pontos do país.

Graças à visão de futuro do Diretor de Rotas Aéreas da época, Brigadeiro Eduardo Gomes, o Correio Aéreo adquiriu dinamismo necessário para superar as dificuldades geográficas, econômicas e estruturais. Em 1943, a linha do Tocantins, uma das mais importantes da primeira década do CAN, foi ampliada até a Guiana Francesa. Depois, surgiu a rota Rio-Bolívia.

Em 1944, com a aquisição de 82 aviões C-47 Douglas, a Força Aérea Brasileira expandiu ainda mais as linhas do CAN, chegando ao então território do Acre, Peru, Uruguai, Equador, Estados Unidos e Chile. Por muitos anos, esta aeronave foi o principal instrumento de trabalho do Correio Aéreo.

Nos Anos 50, o CAN recebeu o importante reforço dos aviões-anfíbios Catalina para as linhas da Amazônia. Os aviões receberam a designação de CA-10.

Em 1971, o Ministério da Aeronáutica criou o Centro do Correio Aéreo Nacional (CECAN), para coordenar as atividades.

14 junho 2011

Fantástico propõe desafio a triatletas e militares brasileiros em plena selva amazônica

Fantástico

O desafio entre os triatletas e militares vai mostrar quem resiste mais, quem aguenta as provas mais puxadas e quem tem maior instinto de sobrevivência. Confira as provas e o grupo vencedor.

 

11 junho 2011

Ofensiva de forças pró-Gaddafi em Misrata deixa 30 mortos

EFE

Argel, 11 jun (EFE).- Pelo menos 30 pessoas morreram nesta sexta-feira nos ataques produzidos pelas forças fiéis ao líder líbio, Muammar Gaddafi, contra Misrata, ao leste de Trípoli, informou a emissora "Al Jazeera".

Outras 150 pessoas foram feridas nos ataques, que compreendiam bombardeios com artilharia, mísseis e morteiros. Em sua maioria, as vítimas eram membros das milícias rebeldes, que lutam há quatro meses para derrubar Gaddafi.


Desde quarta-feira, quase 50 pessoas morreram e outras 200 mais ficaram feridas.


Os ataques a Misrata foram retomados menos de 24 horas depois de Gaddafi ter assegurado que não tinha nenhuma intenção de "ceder" e que não abandonaria a Líbia "nem vivo nem morto".


Por outra parte, a agência oficial líbia "Jana", citando fontes militares, afirmou neste sábado que as forças leais derrubaram um helicóptero da Otan na madrugada de sexta-feira perto da localidade de Zliten, ao leste da capital.


A mesma fonte sustentou que se trata do terceiro helicóptero derrubado desde que a Otan começou a empregar este tipo de aeronave em suas operações militares na Líbia.

Exército do Egito faz "exames de virgindade" em mulheres

El País
Samiha Shafy
No Cairo (Egito)

As forças armadas egípcias foram elogiadas por terem ajudado a facilitar uma revolução pacífica no seu país três meses atrás. Mas agora surgiram acusações de que os militares submeteram mulheres jovens a degradantes “exames de virgindade” naquilo que parece ter sido uma tentativa de controlar a população rebelada. Uma mulher contou a “Der Spiegel” a sua história.


Antes de descrever como soldados uniformizados a atacaram com socos e chutes, e também outras jovens, ordenando que elas tirassem as roupas, deitassem de costas em frente a grupos de soldados e abrissem as pernas para que um homem de jaleco branco as examinasse para verificar se elas eram virgens – antes de narrar essa história, esta cabeleireira acende rapidamente um cigarro e dá uma profunda tragada.


Salwa Husseini Gouda é uma mulher pequena, com lábios graciosamente curvos e olhos amendoados. A jovem de 20 anos de idade parece estar cansada nesta tarde. Ela usa calças jeans, um lenço de cabeça e uma frente única justa. Ela fuma um cigarro atrás do outro. O ar está pesado com o calor úmido e a capital egípcia está poeirenta e barulhenta, como sempre.


“Eu não faço ideia do motivo pelo qual eles me prenderam, em meio a tanta gente, na Praça Tahrir”, diz Husseini Gouda. “Eles me chamaram de prostituta e me esbofetearam”. Ela diz que ficou chocada quando o grupo a arrastou, juntamente com cerca de 20 outras mulheres, para o Museu Egípcio, e as entregou às forças armadas. “Eu não podia acreditar que o exército fosse o responsável por esse ataque”, continua Husseini Gouda. “Depois eles nos levaram para uma prisão militar, e a partir de então, a situação só piorou”.


“Tratamento chocante e degradante”


No dia em que Husseini Gouda foi presa, Hosni Mubarak, o presidente deposto do país, estava em um exílio auto imposto no resort à beira-mar de Sharm el-Sheik, durante quase quatro semanas. Um mês antes da detenção, as massas concentradas na Praça Tahrir haviam saudado as forças armadas, que assumiram o poder no país depois que Mubarak renunciou. “O povo e o exército são um só”, gritavam os manifestantes, dançando e comemorando em frente aos tanques. As mães pediam aos soldados que segurassem os seus filhos nos braços para tirar fotografias. O mundo inteiro observava o Egito com surpresa, vendo homens e mulheres, muçulmanos e cristãos, lutando lado a lado por liberdade. Então, 18 dias depois, a revolução teve resultado, com a queda do faraó. O povo foi vitorioso. Foi um triunfo que pertenceu também às mulheres – ou pelo menos era essa a impressão que se tinha na ocasião.


Quando Husseini Gouda chegou à prisão militar em 9 de março, ela diz que foi levada a uma pequena sala, juntamente com duas outras mulheres. Elas foram obrigadas a se despir e a permitir que as suas roupas fossem revistadas. Elas perceberam que havia um soldado do outro lado da janela aberta fotografando-as nuas. “Eu fiquei com medo de que eles pudessem usar as fotos para fazer com que nós fôssemos tidas como prostitutas”, conta Husseini Gouda.


Naquela noite, as mulheres foram trancafiadas em uma cela e receberam água e um pão que tinha cheiro de querosene. No dia seguinte, elas viram uma maca no corredor que dava para a cela. Um oficial anunciou que, na maca, um médico examinaria as mulheres solteiras para verificar se elas eram virgens. “Nós não pudemos acreditar no que ouvimos”, diz Husseini Gouda. “Nós pedimos que aquilo fosse pelo menos feito por uma médica, mas ele nos disse que não. Uma moça tentou resistir e foi torturada com choques”.


Várias organizações de direitos humanos estão investigando os fatos ocorridos na prisão militar de Heikstep, na zona nordeste do Cairo, entre os dias 9 e 13 de março. A Anistia Internacional pediu às autoridades egípcias que “cessem o tratamento chocante e degradante das manifestantes do sexo feminino”. O Parlamento Europeu declarou que “exames de virgindade forçados” se constituem em um tipo de tortura.


A psiquiatra Mona Hamed, do Centro El Nadeem para Reabilitação das Vítimas da Violência, documentou as declarações de várias das mulheres que foram detidas em 9 de março, incluindo Husseini Gouda. A conclusão de Hamed foi a seguinte: “A novidade é que quem esta por trás disso não é a polícia ou a polícia secreta, mas sim as forças armadas”. Ela diz que os exames de virgindade se constituem em uma mensagem de advertência à população, porque o exército deseja controlar a liberdade de movimentação dos cidadãos. Se uma mulher que participar de uma manifestação foi espancada ou presa, diz Hamed, a família dela talvez seja capaz de aceitar o fato – mas a família não aceitará a acusação de que a filha é prostituta. “Isso é uma humilhação impensável para a mulher e a sua família”, explica a psiquiatra.


Um exército confuso


Husseini Gouda não resistiu. O homem de jaleco branco se debruçou entre as suas pernas, e o procedimento não foi demorado. Ele permitiu que ela se cobrisse com um lençol, para proteger-se dos olhares dos soldados que se encontravam no corredor. “Foi horrivelmente humilhante”, afirma Husseini Gouda. Após o procedimento, todas as mulheres tiveram que assinar um formulário declarando se eram virgens ou não. Mas depois que o médico confirmou que o seu hímen estava intacto, os soldados lançaram novas acusações contra ela, diz Husseini Gouda. Dois dias depois, ela foi condenada por um tribunal militar a um ano de liberdade condicional pela suposta posse de uma arma, danos a propriedades e violação de toque de recolher.


“A situação das mulheres deteriorou-se continuamente nestas últimas décadas”, afirma Hala Mustafa, 52, cientista política e editora chefe da revista “Al-Dimuqratiya”. “Por um lado, isto se deve à islamização política provocada pela Irmandade Muçulmana e pelos salafistas. Por outro lado, o motivo é também o fato de o regime ter feito tudo o que podia para garantir que o povo se mantivesse conservador, de forma que ele não se rebelasse”.


Mustafa, com os seus cabelos castanhos claros, e usando uma pantsuit e joias, é uma das intelectuais progressistas e liberais do país. Ela acabou de cancelar uma viagem ao exterior porque não foi capaz de perder o que está se passando agora no Egito. Por um momento, um sorriso surge na sua face, o mesmo sorriso de muitas mulheres egípcias no dia de hoje, uma mistura de surpresa e orgulho. É muito cedo para fazer previsões, diz Mustafa, mas ela não está especialmente otimista: “O velho regime ainda está funcionando”.


Recentemente, a insubordinação das pessoas parece estar provocando alguma confusão para as forças armadas. Organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de egípcios foram presos, torturados e submetidos a tribunais militares nas últimas semanas. As forças armadas restringiram os direitos a greves e a manifestações, e a lei de emergência e o toque de recolher de 2h às 5 ainda estão em vigor.


“Elas já não eram virgens quando chegaram à prisão”


A jornalista Rasha Azeb, 28, experimentou a revolução em primeira mão desde o princípio. Ela também foi detida em 9 de março e levada para o Museu Egípcio. “Nós continuamos protestando depois de 11 de fevereiro, porque queríamos nos livrar do regime inteiro, e não apenas de Mubarak”, explica Azeb. “Ela usa uma fita em volta do pescoço, na qual um cartucho de munição oscila de um lado para outro”. Agora todos podem dizer o que quiserem sobre Mubarak e os membros do governo dele que foram presos, diz Azeb. “Mas sobre o conselho militar ninguém pode falar nada”.


Azeb está sentada em um terraço no centro do Cairo, de onde se vislumbra lá embaixo um verdadeiro oceano de casas cor de areia que se estende até o horizonte. “Os soldados amarraram as minhas mãos e me bateram”, conta ela. “Eles disseram que a violência estava aumentando por causa dos jornalistas. Quatro horas depois, eles deixaram que eu e as minhas colegas fôssemos embora”. Azeb diz que viu outras mulheres serem espancadas e tomarem choques no museu. Foi só dias depois que ela descobriu o que aconteceu com aquelas mulheres. Isso é intolerável, diz a jornalista. No entanto, este não é o momento para se falar sobre discriminação sexual. “Este momento diz respeito aos direitos do povo egípcio”, acredita Azeb, “e não aos direitos distintos de homens e mulheres”.


Mesmo assim, as mulheres que lutaram pela liberdade na Praça Tahrir também impressionaram o mundo precisamente porque elas acabaram com um cliché. O Relatório do Fórum Econômico Global sobre Desigualdade entre os Sexos, que avalia a desigualdade entre os sexos em 134 países, colocou o país no 125º lugar na sua lista de 2010. Quarenta e dois porcento das mulheres egípcias são incapazes de ler ou escrever e a maioria não tem uma profissão. A mutilação genital feminina é proibida no país desde 1997, sendo ainda, porém, uma prática disseminada. As mulheres que saem na capital sem a companhia de um homem podem esperar serem alvos de assédio sexual.


Na terça-feira passada, quase três meses depois que Husseini Gouda e as outras mulheres foram detidas, um general do exército finalmente deu uma declaração sobre o assunto: “As jovens que foram detidas não eram como a sua filha ou a minha”, declarou o general ao canal de notícias norte-americano CNN. “Eram mulheres que estavam acampadas em barracas com manifestantes na Praça Tahrir, e nós descobrimos nessas barracas coquetéis Molotov e drogas”. Ele disse que os exames de virgindade foram realizados para que, mais tarde, as mulheres não pudessem alegar que foram assediadas ou estupradas na prisão: “Nós queríamos mostrar que elas já não eram virgens quando chegaram à prisão”.


A Anistia Internacional classificou a ação de “uma justificativa inteiramente perversa para uma forma degradante de abuso” e pediu às autoridades egípcias que punam os responsáveis. A resposta do exército foi dada imediatamente: “As alegações dessas mulheres são infundadas”, anunciou um porta-voz do exército.

 

Tradução: UOL

10 junho 2011

TECNOLOGIA - Instituto de Estudos Avançados completa 29 anos com novos projetos

CECOMSAER

Projeto 14-X, Veículo Demonstrador de Propulsão a Laser (DVPL), o software de planejamento de missão aérea PMA II. Todos são projetos do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) que, ao completar 29 anos hoje (2/06), mostra que conquistou o seu espaço no cenário científico nacional e internacional.
Ouça entrevista com o Gerente do Projeto.

A cidade de São José dos Campos (SP) se tornou um dos pólos de produção de projetos de ponta, que colocaram os pesquisadores da Força Aérea Brasileira (FAB) e do IEAv entre os melhores em suas especialidades no mundo. O grande foco da unidade é a utilização de diversas áreas do conhecimento, como Fotônica, Física Aplicada, Aerodinâmica e Hipersônica, no desenvolvimento da ciência e tecnologia aeroespacial.

O projeto mais recente tem como base a utilização da nanotecnologia como uma nova maneira de medir a aceleração de um foguete em rota para o espaço. O termo nanotecnologia vem do nanômetro, medida que equivale a mais ou menos um bilionésimo do metro. É como comparar o tamanho da Lua com o de uma bola de futebol. Esta medida, invisível aos nossos olhos, é aplicada em produtos tão díspares quanto processadores e placas de vídeo de computadores, cosméticos, equipamentos médicos, raquetes de tênis e, no caso do projeto do
Instituto, foguetes.

O “acelerômetro” do instituto utiliza um sensor que detecta a aceleração de uma nanomassa, ou seja, uma partícula que mede um nanômetro. O resultado é uma alteração nas propriedades da matéria, que é medida em m/s², a mesma da aceleração da gravidade.

"O foguete tem uma plataforma inercial, que possibilita o controle da direção e altitude do veículo. Ela tem dois sensores, o giroscópio e o acelerômetro. Atualmente, o Brasil tem desenvolvido os giroscópios, mas não temos os acelerômetros. Com o Projeto Acelerad, teremos uma plataforma totalmente nacional" , explica o Diretor do IEAv, Coronel Engenheiro Antonio Sala Minucci.

Outra novidade, esta para o ano que vem, é o mestrado nas áreas das divisões do Instituto (Aerotermodinâmica e hipersônica, Energia Nuclear, Física Aplicada, Fotônica e Geointeligência). Os laboratórios do Instituto já são utilizados para o desenvolvimento de teses de mestrado de outras instituições, caso do mestrado em Nanotecnologia da aluna do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Keila Beatriz Garcia Leite. Sob orientação do pesquisador do IEAv, Dr. Milton Sergio Fernandes de Lima, Keila desenvolveu um dispositivo que pode ser usado para a produção de nanopartículas de titânio, destinadas à aplicações estruturais aeroespaciais.


Outras atividades

As atividades brasileiras em hipersônica têm como representantes o projeto 14-X e os ensaios hipersônicos com propulsão a laser, em colaboração com o Laboratório de Pesquisas da Força Aérea Americana. No futuro, os sistemas de propulsão para altas velocidades em ar aspirado serão utilizados em veículos para o transporte de cargas para o espaço, em substituição com vantagem aos foguetes tradicionais.


De acordo com o Coronel Sala, a propulsão a laser é um método limpo, já que a luz do laser propele o veículo, dispensando a utilização de propelentes tóxicos/explosivos. Mesmo no caso do veículo 14X, em que é utilizado o hidrogênio como combustível, o resultado da combustão será o vapor de água.


“O Brasil é o único país do mundo que faz ensaios de propulsão a laser em túneis de vento supersônicos [o túnel T3]. Poucos países detêm o domínio da tecnologia”, explicou o Coronel Sala.


O PMA II foi projetado para facilitar e padronizar o processo de planejamento de missões aéreas nas organizações militares da FAB. Ele pode ser utilizado tanto para missões do dia a dia dos esquadrões quanto em manobras coordenadas.


No dia 27 de maio, o IEAV realizou cerimônia militar alusiva à data, presidida pelo Tenente Brigadeiro do Ar Ailton dos Santos Pohlmann, com a presença de diversas autoridades civis e militares.


Estudos Aeroespaciais


Pode-se dizer que as atividades do Instituto de Estudos Avançados, criado em 2 de junho de 1982, começaram dez anos antes, com a Divisão de Estudos Avançados, no Centro Técnico Aeroespacial (CTA). A inauguração da nova sede da Divisão impulsionou os estudos em ciência pura e aplicada. Em 22 de outubro de 1981, ela passou a operar como Laboratório de Estudos Avançados do CTA. No mesmo ano, o laboratório foi transferido para São José dos Campos (SP).


A data de criação do IEAv marca a mudança de laboratório para parte integrante do CTA. A transferência do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento (DEPED) de Brasília (DF) para São José dos Campos (SP) promoveu uma reestruturação organizacional que extinguiu o Centro Técnico Aeroespacial e criou um novo órgão, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial. O IEAv passa, então, a atuar como organização militar do Comando da Aeronáutica, com subordinação ao Comando-Geral, atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).
  

Luciano Huck na Base Aérea de Anápolis

Justiça proíbe que taifeiro vire empregado de general

Forças Armadas terão 90 dias para devolver aos quartéis os militares que fazem atividades domésticas em casas de superiores. Cerca de 600 subalternos são submetidos a esse tipo de serviço. Ministério da Defesa estuda regras para mantê-los onde estão

Alana Rizzo - Correio Braziliense

 
A Justiça Federal determinou um prazo de 90 dias para que as Forças Armadas suspendam o trabalho dos taifeiros em casas de superiores. Segundo estimativa do Ministério Público, mais de 600 militares que deveriam estar trabalhando em atividades de serviços gerais em quartéis são desviados para a realização de atividades domésticas na residência de militares de alta patente. A decisão liminar foi tomada pela juíza Simone Barbisan Fonte, da 3ª Vara Federal de Santa Maria (RS).

 
De acordo com a magistrada, a finalidade constitucional do Exército, da Marinha e da Aeronáutica é a defesa da pátria e a garantia da lei e da ordem, não a prestação de atividades particulares.

 
“A fim de possibilitar que certas autoridades militares sejam servidas em sua residência (note-se que a benesse é individualizada em favor de pessoas ocupantes de cargos definidos), retiram-se taifeiros da organização militar, local em que realmente estariam prestando serviço à coletividade”, destaca o despacho da juíza.

 
Os taifeiros prestam seleção pública para exercer atividades como a organização de ranchos militares, a preparação de alimentos e o controle da despensa dos quartéis. De acordo com o Ministério Público, o desvio de função custa em torno de R$ 1 milhão mensais aos cofres públicos.

 
Simone Barbisan destaca ainda que as Forças Armadas não devem ser empregadas para fins circunstanciais ou políticos. Para a magistrada, existe uma discrepância entre a missão dos militares com as atividades particulares relatadas na ação proposta em 2008 pelo Ministério Público Militar e pela Procuradoria da República do Rio Grande do Sul.

 
Além de exercer uma atividade para qual não se candidataram, os taifeiros reclamam há pelo menos três anos do tratamento recebido na casa dos superiores. “Quando fiz o curso, imaginei que iria trabalhar nas organizações militares e sempre à serviço da pátria. Só que logo me mandaram para a casa de um general. Passei mais de 10 anos servindo mulher de general. Elas acham que a gente é escravo. Fiz faxina, lavei calcinha, cueca, engomei camisa…”, contou ontem ao Correio um taifeiro que preferiu não se identificar.

 
Aos 55 anos, o taifeiro passou pela casa de mais de 12 generais e chegou a ser preso depois de enfrentar a esposa de um superior que queria controlar suas atividades. “Fico com pena dos colegas que precisam passar por tudo isso que passei. Não tem folga nem fim de semana. Passei vários natais na casa de general recebendo visitas.”

 
Relatos como esse foram incluídos na ação encaminhada à Justiça. Segundo o promotor militar Jorge César de Assis, várias irregularidades foram constatadas no trabalho dos taifeiros. “Ao contrário de outros militares, eles precisam se submeter a exames médicos periódicos e sofrem vários tipos de humilhação.” Na ação, o Ministério Público afirma que essa situação afronta a Lei de Improbidade Administrativa. “Esses militares são pagos com dinheiro público para cumprir tarefas particulares”, afirma o promotor, destacando que o processo está apenas começando. “A decisão favorável mostra que os nossos argumentos foram bons e suficientes para convencer o juiz”, destaca.

 
Multas
 

O ato da juíza suspende portarias internas que regulavam o trabalho e estabelece multa caso a União não comprove as providências adotadas — o valor ainda não foi estipulado. Em relação à Marinha, a magistrada ressalta que não há norma interna autorizando o uso dos taifeiros, embora a prática exista.
 
A União tentou extinguir a ação alegando que o Ministério Público Militar não poderia propor ação coletiva. Em seguida, argumentou que uma decisão de abrangência nacional só poderia ser tomada por um juiz no Distrito Federal. Os dois argumentos foram vencidos no despacho da juíza.

 
O Ministério da Defesa informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não foi notificado da decisão em questão. “No entanto, a par da medida judicial, o assunto já se encontra em análise no âmbito da pasta. O MD pretende, em breve, disciplinar a matéria administrativamente com o objetivo de fixar critérios para o emprego de taifeiros em imóveis residenciais sujeitos à administração militar,” diz a nota. Já a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela defesa das Forças Armadas, afirmou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.

Denúncias em Brasília


O Correio Braziliense denunciou em 2008 situações de constrangimento, humilhações e abusos que teriam sido vividas por militares em casas de generais das Forças Armadas onde prestavam serviço. 


Embora sejam cozinheiros e copeiros, eles desempenhavam ações de conservação doméstica, como a limpeza do chão e dos vaso sanitário, e a ida a supermercados para compras.
 
O grupo relatou ao jornal e a um procurador militar as situações a que foi submetido. Todos trabalhavam nos blocos G e H da 102 Norte, uma quadra nobre de Brasília onde estão concentrados os apartamentos funcionais dos generais. Os militares mostraram fotografias em que apareciam fazendo tarefas domésticas e ressaltaram que sofriam constantes ameaças de punições.

 
Outro problema destacado foi o atraso nas promoções. À época, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que os taifeiros tinham os encargos previstos na legislação e nas instruções gerais para organização, habilitação e promoção dessa qualificação militar. Informaram ainda que as atividades estavam previstas nas normas e que estavam concentradas em tarefas inerentes à cozinha.