31 agosto 2011

Sarkozy ameaça com ataque a instalações nucleares do Irã

O presidente francês também pediu um novo reforço das sanções contra Teerã

Veja

Nicolas Sarkozy: "O Irã se recusa a negociar seriamente. O Irã faz novas provocações. Cometeríamos um erro se subestimássemos sinais que são a cada dia mais perceptíveis"
Nicolas Sarkozy: "O Irã se recusa a negociar seriamente. O Irã faz novas provocações. Cometeríamos um erro se subestimássemos sinais que são a cada dia mais perceptíveis" (François Nascimbeni/AFP)

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que estuda "um ataque preventivo" contra as instalações nucleares do Irã. "Suas ambições militares, nucleares e balísticas representam uma ameaça crescente que poderá levar a um ataque preventivo contra as instalações iranianas. Isso provocaria uma grande crise, o que a França não quer de forma alguma", declarou durante a conferência anual de embaixadores da França.

O presidente francês não citou os países que poderiam realizar uma operação militar com esse objetivo. Sarkozy também pediu um novo reforço das sanções contra Teerã. "O Irã se recusa a negociar seriamente. Quando o Irã faz novas provocações, a comunidade internacional deve dar uma resposta crível. Ela fará isso se demonstrar unidade, firmeza e que as sanções são ainda mais severas. Cometeríamos um erro se subestimássemos sinais que são a cada dia mais perceptíveis", frisou.


O Irã desenvolveu um ambicioso programa nuclear que, segundo as potências ocidentais, tem objetivos militares. Teerã argumenta que se trata de um programa cujo objetivo é exclusivamente civil, para geração de energia. 


(Com agência France-Presse)

Ministros do Brasil e Argentina discutem projetos para a defesa sul-americana

Em seminário em São Paulo, Celso Amorim e Arturo Puricelli defenderam a adoção de estratégia comum para defesa da região. Brasil quer aprovar regime tributário diferenciado para o setor

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


São Paulo, 30/08/2011 — Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Celso Amorim e Arturo Antonio Puricelli, mantiveram breve encontro depois de participarem do 6º Seminário do Livro Branco da Defesa, que se realiza em São Paulo. Durante a reunião, os ministros trataram de temas de interesse comum no campo da defesa, dentre os quais a possibilidade de criação de uma agência espacial sul-americana e o desenvolvimento conjunto de equipamentos e projetos militares.

Antes, em suas palestras, os dois ministros apresentaram propostas muito semelhantes para a defesa continental. Na visão de Celso Amorim e Arturo Puricelli, a América do Sul é área de paz, o que os especialistas chamam de comunidade de segurança, pronta para repelir possíveis ameaças externas ao subcontinente. Ambos também destacaram a necessidade de uma maior integração dos parques industriais de defesa de ambos os países.

Ao começo de sua palestra, falando para parcela significativa do empresariado do setor, o ministro Celso Amorim destacou a importância de São Paulo para a indústria nacional de defesa. Ao longo de sua fala ressaltou a importância de se manter fontes de financiamento seguras para a produção militar e de uso dual (militar-civil).

O ministro Puricelli, por sua vez, depois de lançar a proposta de uma agência espacial sul-americana, aventou a possibilidade de indústrias brasileiras participarem do processo de renovação de mísseis argentinos.

Depois da reunião de trabalho, o ministro da Defesa brasileiro deu breve entrevista à imprensa em que destacou a relevante função do Livro Branco de Defesa Nacional, o regime tributário especial para a indústria de defesa e o atual estágio da articulação que vem sendo feita pelo governo para aprovação, no Congresso Nacional, do projeto de lei que institui a Comissão Nacional da Verdade.

A seguir, seguem trechos da entrevista concedida pelo ministro da Defesa ao final de seu encontro com o ministro argentino:

Livro Branco de Defesa Nacional

 
“O Livro Branco é um exercício de transparência. Serve para deixar claro o que está sendo feito, o que está sendo planejado para a defesa brasileira. Afinal de contas, é o povo quem paga e precisa saber como os recursos são usados e as razões do modelo de defesa brasileiro. Precisa saber porque é importante investir na proteção do Pré-Sal e da Amazônia; da necessidade de se investir na indústria e na cooperação sul-americana. É muito significativo que a primeira visita estrangeira que eu receba seja do ministro da Defesa argentino. É claro que não há nada secreto, o seminário é aberto, mas é muito interessante a presença dele aqui desde o início.”

Condução do Ministério da Defesa

 
“O ministro Jobim, por quem tenho um grande respeito, levou adiante uma série de iniciativas de seus antecessores, como o reforço do próprio ministério; a criação do Estado Maior Conjunto, representado aqui pelo general-de-exército José Carlos De Nardi; a maior interação entre as forças e iniciativas como essa do Livro Branco. Não pretendo reinventar a roda. O tempo dirá o que haverá de diferente. O Ministério da Defesa é muito institucional, carrega características próprias, e o importante é levar adiante essas ações, algumas iniciadas antes, outras criadas pelo ministro Jobim. Fomos colegas durante quatro anos, durante o governo do presidente Lula. Não significa que será tudo igual, pois as ênfases são diferentes e as circunstâncias mudam. Os grandes projetos são os que já estavam em curso.”

Regime de tributação para a indústria de defesa

 
“Num nível técnico ela (a proposta de regime especial tributário para a indústria de defesa) foi totalmente discutida pelos ministérios interessados, inclusive os da área econômica, fundamentais no processo. Por iniciativa minha, ouvimos os ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento e da Indústria, porque têm afinidade grande com a proposta.”

Agência Espacial Sul-Americana

 
“Essa é uma ideia que discutimos hoje (Brasil e Argentina) e que me parece muito adequada. O programa espacial não é competência prioritária do Ministério da Defesa”. É da Agência Espacial Brasileira (AEB), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mas evidentemente temos uma participação importante nesse processo. Tudo o que contribua para o desenvolvimento conjunto, para a criação de confiança é vital. Foi dito por ele (ministro argentino) e por mim que temos que transformar a América do Sul naquilo que os teóricos de estratégia chamam de comunidade de segurança, onde os conflitos são impensáveis entre os países da região, mas, ao mesmo tempo, temos de nos preparar contra ameaças externas, das quais não podemos estar livres. Temos amplos recursos, como água, alimento, energia, os quais teremos de proteger num caso de conflito indesejado com outras potências, e essa defesa deve ser feita em conjunto.”

Comissão Nacional da Verdade

 
“É algo muito importante e, no seio do governo, há total acordo. Defesa, Justiça, Direitos Humanos: esses ministérios têm a mesma visão. É importante que o projeto enviado pelo governo ao Congresso seja aprovado. Tenho falado com lideranças do Congresso, inclusive de oposição, e encontrei grande receptividade. Os ministros da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos também têm falado. Temos de virar essa página. O projeto é satisfatório para as Forças Armadas, para os Direitos Humanos e para a Justiça, e deve ser votado em setembro.”
 

26 agosto 2011

Escola de Guerra Naval realiza o IX Jogo de Guerra Multilateral

MINISTÉRIO DA DEFESA
Assessoria de Comunicação Social


De 15 a 19 de agosto, a Escola de Guerra Naval sediou o IX Jogo de Guerra Multilateral. O exercício ocorreu no Centro de Jogos de Guerra, no Rio de Janeiro (RJ) e apresentou situações complexas, que conduziram ao aprimoramento do processo decisório em alto nível.

 
As delegações participantes foram compostas por representantes das Marinhas e das áreas diplomáticas dos seguintes países: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos da América, México e Peru.

 
Nessa edição, foi proposto um cenário de crise internacional a partir do mar, nos níveis estratégico e operacional, onde foi incluído um ataque cibernético a plataformas de petróleo pertencentes a um país fictício, com ameaça de derramamento de petróleo em uma zona pesqueira. Na simulação, o país ameaçado solicitou ajuda internacional a países cujos navios de guerra estavam naquela região.

Além do ataque cibernético, o exercício pretendeu confrontar os jogadores com as pressões da mídia e os impactos que as suas respostas teriam na sociedade. 


Foram realizados, também, seminários presenciais, onde foram debatidos assuntos de interesse comum dos participantes.

Estagiários da Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea do Exército visitam a Força de Submarinos

MINISTÉRIO DA DEFESA
Assessoria de Comunicação Social


Na tarde do dia 11 de agosto, uma comitiva composta por cerca de 30 Oficiais estagiários da Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea do Exército Brasileiro visitou o Complexo Naval do Mocanguê, em Niterói (RJ). Como parte do cronograma de atividades, o grupo conheceu o Comando da Força de Submarinos.

 
A visita teve início com um almoço no Salão Nobre da Força de Submarinos. Em seguida, a comitiva assistiu a uma palestra sobre o respectivo Comando de Força e suas Organizações Militares subordinadas.


Por fim, o grupo foi conduzido ao Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché, onde conheceu o Treinador de Ataque e participou de um “mergulho” no Simulador de Imersão.

Terreno de Marinha

Valor

A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou que não há necessidade de processo administrativo prévio para atualização da taxa de ocupação dos terrenos de Marinha. Um particular apresentou recurso no STJ com o argumento de que não foi notificado previamente sobre a reavaliação do imóvel. A questão foi decidida em processo julgado sob o rito dos recursos repetitivos. O caso utilizado como paradigma é de Santa Catarina. Foi interposto recurso contra decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que entendeu ser legal a forma de atualização utilizada pela União. O autor sustentou que o aumento no valor da taxa de ocupação, que se efetivou por meio da atualização do valor do imóvel, carece do contraditório e da ampla defesa. O ministro Mauro Campbell, relator do caso, explicou em seu voto que a lei e a jurisprudência exigem contraditório e ampla defesa unicamente para a classificação do imóvel como terreno de Marinha.

O front mais avançado das tropas legalistas

Nilson Mariano - Zero Hora

Uma vanguarda com 56 combatentes do Exército foi a que mais avançou além do território gaúcho para defender a causa da Legalidade. Sob o comando do então tenente Antonio De Bem, o 3º Pelotão de Reconhecimento Mecanizado de Porto Alegre chegou a ocupar a cidade catarinense de Tubarão, na virada de agosto para setembro de 1961.
 
Publicada desde domingo, a série A Face Desconhecida da Legalidade gerou manifestações de protagonistas do levante liderado pelo governador Leonel Brizola para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República. Queriam contar sobre sua participação, acrescentar detalhes à reportagem.

 
Atualmente com 75 anos, morando em Cruz Alta, Antonio De Bem afirma que o seu pelotão foi o mais avançado.

 
– O nosso front foi significativo para a Legalidade – orgulha-se De Bem.

 
Pertencente ao 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada, de Porto Alegre, o 3º Pelotão incursionou pelo litoral catarinense. Passou por Araranguá, Criciúma e chegou a Tubarão, aproximandose perigosamente de Florianópolis. Naquele momento, a capital catarinense estava fortificada por fuzileiros navais, paraquedistas, destróiers e o porta-aviões Minas Gerais, enviados do centro do país para sufocar o Movimento da Legalidade.

 
De Bem, que hoje é coronel reformado, diz que o seu pelotão era a vanguarda de uma tropa bem maior, integrada por cerca de mil homens do 18º Batalhão de Infantaria (Porto Alegre) e do 19º Regimento de Infantaria (São Leopoldo). O comboio terrestre movia-se com jipes, viaturas e caminhões, que transportavam carros de combate M3A1. A ordem de progredir vinha conforme os avanços. Nas cidades, De Bem vestia-se de civil para investigar o ânimo da população e se havia militares adversários de tocaia. Em Criciúma, foram bem recebidos, ganharam até uma flâmula dos trabalhadores das minas de carvão, que apoiavam a posse de João Goulart.

 
Antes de Tubarão, aconteceu o inesperado. No escuro da madrugada, o pelotão de reconhecimento topou com padres. De Bem reproduz, com a exatidão que é possível após 50 anos, o apelo recebido:

 
– Pelo amor de Deus, não entrem em Tubarão, vai ser uma mortandade. Não sigam.

 
A vanguarda foi adiante, mas não se demorou em Tubarão. Logo recebeu ordens para recuar até Içara e aguardar novas determinações. Resolvido o impasse que paralisou o país, as tropas gaúchas retornaram a Porto Alegre. Sem disparar nenhum tiro no cumprimento da missão.

 
– A recepção foi emocionante, as pessoas nos saudaram desde a estátua do Laçador até o centro da cidade – lembra De Bem.

Exército elogia "comandante suprema"

Edson Luiz - Correio Braziliense

Na solenidade alusiva ao Dia do Soldado, comemorado ontem, o comandante do Exército, general Enzo Peri, disse que há uma clara determinação da presidente Dilma Rousseff — a quem chamou de "comandante suprema" — e do ministro da Defesa, Celso Amorim, de dotar as Forças Armadas com "material situado na vanguarda tecnológica, preferencialmente produzido pela indústria nacional". O evento, no Quartel-General do Exército, em Brasília, contou com a participação do vicepresidente Michel Temer e de vários ministros, que receberam a Medalha do Pacificador, a maior condecoração concedida pelo Exército.

 
Enzo Peri pediu a seus comandados que prosseguissem em suas missões, apesar das adversidades que possam surgir. "Vemos que o mundo atravessa séria crise econômica de dimensão ainda indefinida. Isso afeta a todos", afirmou o general, ressaltando que é necessário a todos se manter preparados. Ele se referia ao trabalho que vem sendo feito hoje pela Força: "Uma média diária de mais de 80 operações, do Haiti ao Complexo do Alemão", observou o comandante.

 
Michel Temer representou a presidente Dilma Rousseff na solenidade, uma das mais tradicionais da Força, que comemora o nascimento de seu patrono, Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.

 
Este ano, foram distribuídas 1.037 medalhas em todo o país, sendo 377 em Brasília. Entre os agraciados, estavam os ministros de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante; de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e do Planejamento, Miriam Belchior.

Governo dá início a aquisição de sistema da Avibrás

Liberação de crédito extra indica, segundo o governo, a disposição de ''prestigiar'' indústria nacional de defesa

Roberto Godoy - O Estado de S.Paulo

 
A presidente Dilma Rousseff autorizou ontem um crédito suplementar, extra orçamentário, no valor de R$ 45 milhões, para dar início ao programa de desenvolvimento e aquisição do sistema Astros 2020, da Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos. O equipamento é uma ampla e radical evolução do conjunto lançador de foguetes livres Astros II, o maior sucesso de vendas da empresa. Segundo o Palácio do Planalto, o ato presidencial "indica com clareza a disposição do governo de prestigiar a indústria nacional de material de Defesa".

 
No novo conceito, a arma passa a incorporar um míssil de cruzeiro com alta precisão e alcance de 300 quilômetros, o AV-TM, e munições com maior poder de fogo, alcance e cabeças de guerra capazes de transportar dezenas de granadas, que são dispersadas sobre o alvo. Um míssil antiblindagem, o FOG, também passa a ser padrão do conjunto. O principal avanço, todavia, é na área eletrônica, toda digital. Durante um ensaio realizado no dia 21 de julho, no Campo de Instrução de Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília, foram empregados os blindados de comando e controle que serão parte da versão avançada, a 2020.

 
O investimento total no projeto está estimado em R$ 1,92 bilhão - valor distribuído ao longo de seis anos. Os recursos liberados pela presidente Dilma vão ajudar a resolver a situação financeira da Avibrás, atualmente sob regime de recuperação judicial. Isso será feito com a garantia da aquisição do sistema Astros 2020, pelo Exército. Outra medida em andamento é a capitalização por meio do refinanciamento de seus débitos, pelo governo, nos termos do Refis.

 
Sociedade. Outra providência faz da União sócia da empresa, na proporção de 15% a 25%. Não haverá aporte direto de dinheiro. Na forma prevista na Lei 11941/09, a presença dos recursos será efetivada pela conversão das dívidas da Avibrás. Segundo o presidente do grupo, engenheiro Sami Hassuani, "o processo de participação do governo tem tamanho - 1,2 mil páginas, a soma do texto principal e dos 12 documentos anexos."

 
A Avibrás entrou em recuperação judicial em julho de 2008. O valor do processo, cerca de R$ 500 milhões, foi superado pelo cumprimento de um rico contrato firmado com a Malásia, para fornecimento de baterias, munições e equipamentos de apoio da última geração do lançador de foguetes Astros-II, carro-chefe do grupo. O sistema brasileiro é o principal recurso dissuasório da força terrestre malaia na região de tensão permanente no sudeste asiático. A encomenda foi entregue em dezembro de 2009.

 
A configuração da arma que interessa ao Exército brasileiro é formada por 49 viaturas. São 18 veículos lançadores, 18 remuniciadores, 3 unidades de monitoramento de tiro, 3 estações meteorológicas, 3 de veículos oficina, 3 blindados de comando e controle para cada bateria e um, integrado, de comando e controle de grupo.

Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas completa um ano de atuação

Criado para impulsionar as Forças Armadas rumo à interoperabilidade, órgão coordenou ações de vigilância, segurança e humanitárias

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


Brasília, 25/08/2011 – Na Operação Ágata 1, que se encerrou no último dia 19, pistas de pouso clandestinas foram localizadas na região em torno de Tabatinga (AM) a partir de imagens realizadas por satélite do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Aviões de alerta antecipado e de inteligência eletrônica monitoraram a movimentação de aeronaves de pequeno porte e de embarcações ao longo dos rios. Veículos aéreos não-tripulados (Vants) acompanharam atividades suspeitas. As informações obtidas foram compartilhadas com as autoridades colombianas, dentro dos mecanismos previstos no acordo que criou a Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron), firmado no início do mês.

Em 1986, em um dos primeiros exercícios conjuntos entre o Exército e a Força Aérea Brasileira (FAB), no Rio Grande do Sul, viaturas equipadas com rádio das duas forças trabalharam lado a lado. Os equipamentos não conversavam entre si e os pedidos de apoio aéreo eram encaminhados por mensageiros, para serem retransmitidos aos pilotos. O mesmo mecanismo foi empregado para transmitir as informações recolhidas pelos aviões de reconhecimento e de observação aos oficiais da força terrestre. O avanço obtido é um bom exemplo do impacto da criação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), que hoje comemora seu primeiro aniversário.

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, o EMCFA exerce papel fundamental na execução da Estratégia Nacional de Defesa. “É dele que parte o aprimoramento da capacidade de operação conjunta entre Marinha, Exército e Aeronáutica, a racionalização de processos e programas e o robustecimento da supervisão do Ministério da Defesa sobre as políticas setoriais das forças”, declarou.

Segundo o general-de-exército José Carlos De Nardi , chefe do órgão, “o grande desafio do EMCFA é a interoperabilidade.” Ele ressalta a velocidade do processo:
“Verificamos ganhos a cada nova operação, como agora, na Ágata 1, conduzida diretamente por nós. O comandante militar da Amazônia (CMA), general-de-exército Luís Carlos Gomes Mattos, foi nomeado pelo ministro da Defesa para coordenar as Forças e em seu Estado-Maior contava com apoio de oficiais da Marinha e da FAB. As Forças pararam de pensar de maneira individual e passaram a pensar de maneira global.”

Em sua experiência nos comandos de área do Oeste e do Sul, o general de Nardi aplicou conceitos que hoje usa em sua função. “Numa vez”, lembra, “passei o comando de uma brigada para um almirante.”

Realizações

Nesse primeiro ano de existência, o EMCFA participou de operações humanitárias em território nacional e a pedido de organismos internacionais. Coordenou a discussão doutrinária sobre as necessidades futuras de defesa do país e elaborou os requisitos operacionais conjuntos que guiam os processos de aquisição de equipamentos de uso militar para as três forças.

Atuou na vigilância de fronteiras e ofereceu apoio logístico a operações de segurança pública em situações díspares, como a ocupação do Complexo de Comunidades do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, e nas operações Defesa da Vida — nos estados do Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia — e Sinop, em Mato Grosso. Ao mesmo tempo, planejou e coordenou a segurança da visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e dos V Jogos Mundiais Militares, realizados em julho no Rio de Janeiro.

O EMCFA coordenou o apoio aos estados atingidos pelas enchentes e enxurradas ocorridas em janeiro deste ano, apoiando a retirada de populações isoladas, participando do resgate de vítimas, coordenando a instalação de pontes móveis e de hospitais de campanha. Participou, também, do transporte de urnas eleitorais e na proteção das provas para os exames nacionais de ensino médio, Enem, e de desempenho de estudantes, Enade.

Durante o emprego de tropas federais na Operação Arcanjo, no Complexo do Alemão, coube ao EMCFA firmar convênio com o Governo do Estado do Rio de Janeiro e estabelecer as normas de conduta e as regras de engajamento. Hoje, a operação segue seu curso, empregando militares com experiência em ações internacionais de manutenção de paz. O órgão também ofereceu apoio logístico nas operações realizadas nos morros de São Carlos e da Mangueira.

Na área de operações internacionais de manutenção de paz, houve o rodízio do 12º ao 15º contingentes brasileiros no Haiti, com o incremento de mais um batalhão de infantaria, a partir do terremoto ocorrido naquele país em janeiro de 2010. Destacam-se, neste período, os trabalhos de ajuda humanitária ao povo haitiano e a realização da 2ª Assembleia Geral da Associação Latino-americana de Centros de Operações de Paz (Alcopaz), no Rio de Janeiro. Sob a presidência do Brasil, o evento contou com a participação de oficiais do Ministério da Defesa, como assessores militares dos diplomatas da Missão Permanente do Brasil junto à ONU em diversos grupos de trabalho.

Integração

Hoje, as operações militares precisam de controle em tempo real, como demonstraram as ações realizadas pela Otan sobre o Kosovo e na Líbia. Aviões, soldados, blindados e navios trabalham interligados em rede de computadores. O EMCFA encaminha a defesa brasileira para essa tendência. Devido ao incentivo às parcerias com a indústria nacional de defesa, realizaram-se testes de interoperabilidade no nível tático entre o avião de ataque A-29 Super Tucano da FAB e o software de comando e controle do Exército.

A Embraer esteve diretamente envolvida na atividade, viabilizando o teste que validou o conceito e permitiu grandes ganhos operacionais pela redução do tempo de cumprimento de missão de apoio aéreo aproximado.

Finalizou-se, também, o projeto Interoperabilidade do Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC²), realizado pela Stefanini, sediada em Belo Horizonte (MG). A empresa desenvolveu soluções de infraestrutura de intercâmbio de serviços entre sistemas de comando e controle por meio de softwares. O projeto foi financiado por meio do programa de Subvenção Econômica à Inovação Finep-MCT e culminou com um teste real entre o Sistema de Planejamento Operacional Militar (Siplom) do MD e o Sistema C² (comunicação e controle) em Combate do Exército, ocorrido durante a Operação Conjunta Atlântico II. Por último, em janeiro de 2011, foram adquiridos 29 terminais transportáveis em banda X, aumentando consideravelmente a capacidade de comando e controle da Defesa.

Aviões britânicos bombardeiam bunker na cidade natal de Gaddafi

FOLHA DE SP
DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Aviões britânicos bombardearam durante a noite um bunker na cidade de Sirte, reduto do regime e cidade natal de Muammar Gaddafi, anunciou nesta sexta-feira o ministério da Defesa.


"À meia-noite, uma formação de Tornados GR4s, que partiu da base da RAF (Royal Air Force) de Marham, em Norfolk, leste da Inglaterra, disparou uma salva de mísseis guiados de precisão Storm Shadow contra um bunker de um grande quartel-general na cidade natal de Gaddafi, Sirte", afirma um comunicado.

A TV estatal líbia, Al Jamariya, anunciou nesta quinta-feira em sua página no Facebook que a Otan estava bombardeando Sirte, onde, segundo os rebeldes, Gaddafi poderia estar escondido.

Os rebeldes planejavam nesta sexta-feira um novo avanço contra as forças pró-Gaddafi na cidade.

Também nesta sexta-feira, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), Mustafa Abdul Jalil, disse que Gaddafi deve ser processado primeiro em seu país pelos crimes cometidos durante seus 42 anos de governo e que "só depois" poderá ser entregue ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia.

Jalil fez essas declarações em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal italiano "La Stampa", na qual reconheceu a dificuldade do assunto.

"Acho que nossos tribunais devem processá-lo por todos os crimes cometidos nesses 42 anos. E só depois, Gaddafi poderá ser entregue ao Tribunal de Haia", ressaltou o presidente do órgão rebelde, ao justificar que "o mandato de captura internacional se refere aos crimes cometidos a partir do dia 17 de fevereiro passado".

Questionado sobre a possibilidade de o regime de Gaddafi possuir um arsenal químico, ele respondeu que, pelas informações das quais os rebeldes dispõem, as armas deste tipo que estavam em mãos de Gaddafi quando ele ainda fazia parte de seu governo não serviriam porque estariam obsoletas.

No entanto, Jalil admitiu que essas armas ainda não foram localizadas pelas forças insurgentes.

Ele assinalou que os últimos momentos do regime de Gaddafi estão demonstrando sua "crueldade e violência" e insistiu na necessidade da solidariedade internacional ao ser perguntado sobre a descoberta de armazéns com alimentos e remédios na cidade de Zawiyah, assim como de reservas de petróleo e de gás.

"Em uma situação de normalidade, provavelmente poderíamos dizer que a crise humanitária está resolvida. É verdade que se pode considerar que a emergência está fechada no que se refere ao abastecimento de fontes energéticas, mas quanto aos alimentos e remédios, não faço previsões. Não sabemos em que estado se encontram ou se foram analisadas sua data de vencimento", destacou.

Por tudo isso, concluiu, "esperamos confiantes pela solidariedade internacional".

Jalil descartou a pretensão de um papel político na nova Líbia e assegurou que lhe basta "ter contribuído para levar meu povo e meu país rumo à liberdade, o que não é pouco".

25 agosto 2011

Rebeldes usaram aeronave que cabe na mochila durante ação na Líbia, diz NYT

Ian Austen
Do The New York Times
Ottawa (Canadá)

Os rebeldes líbios usaram uma aeronave não tripulada de vigilância (também conhecido como drone) de fabricação canadense em suas operações de ataques coordenados contra forças leais ao ditador Muammar Gaddafi, segundo informações do jornal "The New York Times".


Segundo David Kroetsch, presidente da fabricante do drone, Aeryon Labs, de Ontario, Canadá, sua empresa foi consultada por um representante do Conselho Nacional de Transição (CNT) no início de junho, depois que integrantes do grupo líbio descobriram a aeronave da empresa de vigilância em uma pesquisa na internet.

A aeronave é essencialmente um pequeno helicóptero de quatro hélices com câmeras de visão noturna. O aparelho é extremamente compacto. A empresa diz que ele pesa cerca de dois quilos e cabe em uma mochila e que seu operador não precisa de nenhum conhecimento de vôo. O drone é controlado pelo rastreamento de rotas traçadas em mapas exibidos em uma tela sensível ao toque. Seu preço é de cerca de R$ 120 mil.

"Eles sabiam que precisavam de apoio aéreo, porque estavam cegos lutando no chão", disse Kroetsch. "Mas eles não podiam pagar helicópteros".

A Aeryon entrou em contato com o governo canadense sobre a venda potencial, tanto para aprovação quanto para verificar a identidade dos compradores. Kroetsch disse que o governo não colocou qualquer objeção, em parte porque a venda envolveu uma versão civil do drone movido a bateria, por vezes utilizado pelas empresas petrolíferas para pesquisa.

A venda exigiu o que Kroetsch chamou de "uma série de conexões" durante várias semanas. "Foi um jogo muito complicado que envolveu várias pessoas", disse Kroetsch. "De modo geral, não é um grupo organizado".

Em última instância, o drone foi comprado em nome do conselho por uma empresa de segurança privada com sede em Ottawa, a Zariba, que oferece treinamento e suporte operacional para outros clientes da Aeryon.

Charles Barlow, o presidente da Zariba, disse que intermediou a compra, e que a negociação envolveu centenas de e-mails entre as pessoas em oito países.

Barlow entregou o drone em julho, durante em uma viagem de 18 horas de Malta para o porto líbio de Misrata em um antigo navio de pesca sul-coreano fretado pelos rebeldes. O navio também estava levando uma equipe de filmagem da BBC, duas ambulâncias da Cruz Vermelha Alemã, engenheiros e alguns especialistas em remoção de minas.

Barlow disse que ele ficou em Misrata por dois dias para treinar os operadores do drone, enquanto o porto da cidade estava sob ataque constante.

Quando ele deixou Misrata, Barlow foi informado de que o avião seria usado pela primeira vez para o levantamento da estrada para Tripoli. Mas não está claro em quais operações o aparelho tem sido usado. "Eu ouvi de integrantes do CNT que eles estavam muito felizes com ele e queriam comprar mais aparelhos", disse Barlow. "Agora parece que eles não precisam deles".

Segundo o New York Times, o Departamento de Relações Exteriores canadense não respondeu aos pedidos para comentar o assunto. Não houve confirmação independente da venda aos rebeldes na Líbia.

22 agosto 2011

Motorola e Exército vão fazer testes da rede 4G

Por Gustavo Brigatto - Valor

Não são apenas as operadoras de telefonia móvel que estão às voltas com os testes da próxima geração de redes de celular, a 4G. A partir de novembro, o Exército Brasileiro também começará a experimentar o sistema que permite transmitir informações a velocidades que podem chegar a 100 megabits por segundo.

Ao estudar a tecnologia, a intenção do Exército não é se preparar para disputar mercado com as teles. O objetivo é avaliar o uso da 4G nas comunicações internas da corporação e em serviços de emergência de todo o país. "É a nova geração de equipamentos para comunicações críticas. Pretendemos estar preparados para as demandas futuras, como a Copa e a Olimpíada", diz o general Santos Guerra, comandante de comunicações e guerra eletrônica do Exército.

O piloto começará a ser feito em Brasília e tem duração prevista de seis meses. O início depende de uma autorização especial da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo Guerra, as negociações estão em curso e a previsão é que a permissão seja emitida até novembro. O projeto terá um custo total de US$ 2 milhões, que será bancado integralmente pela Motorola Solutions, empresa de redes originada da cisão da Motorola no começo do ano. A outra empresa criada com a separação foi a Motorola Mobility, com foco em celulares, que recebeu uma proposta de compra pelo Google de US$ 12,5 bilhões.

Além do Exército, as unidades de polícias e outros órgão de segurança pública de todo o país poderão participar dos testes. O piloto será feito na frequência de 700 MHz, destinada à transmissão de sinal da TV aberta. Com a transição do padrão analógico para o digital, as empresas de TV terão que deixar de usar a faixa, o que tem gerado discussões sobre sua destinação futura. Uma das possibilidades é o uso por serviços públicos de emergência. Atualmente, Exército e forças de segurança usam frequências VHF, UHF e 800 MHz em suas comunicações. As tecnologias disponíveis, no entanto, limitam o uso das frequências à transmissão de voz. Com a 4G, passa a ser possível trafegar dados também.

A capacidade de transmitir voz e dados em uma faixa exclusiva evita os congestionamentos que podem acontecer nas redes das operadoras, disse Greg Brown, executivo-chefe da Motorola Solutions, ao Valor. Em visita ao Brasil na última semana, Brown encontrou-se com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com quem discutiu a destinação das faixas de 700 MHz. De acordo com o executivo, o governo está disposto a avaliar o uso na área de segurança pública. Uma decisão sobre o tema, entretanto, deve demorar. As emissoras de TV brasileiras têm até 2016 para liberar o espectro. As companhias ainda tentam alongar esse prazo, ou manter o uso após o período de transição.

Há duas semanas, durante a ABTA, congresso do setor de TV por assinatura realizado em São Paulo, o ministro afirmou que o governo pretende fazer testes com a tecnologia 4G durante a Rio+20, em junho. O projeto seria executado pela Telebrás. Bernardo não deu detalhes se o teste seria feito na frequência de 700 MHz, ou na faixa de 2,5 GHz - esta última, com previsão de ser vendida em abril, pela Anatel, para operadoras de telefonia móvel.

Guerra destaca que o uso da tecnologia de 4G em 700 MHz pode trazer mais integração entre o Exército e as polícias dos Estados em operações realizadas de forma conjunta, como a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Guerra conta que por conta das diferentes tecnologias usadas por cada força, em alguns momentos durante a ação era preciso ter oficiais de cada uma delas com seus respectivos equipamentos de comunicação para que as conversas entre as equipes pudessem acontecer: "Se tivéssemos uma estrutura padronizada, seria mais fácil."

A iniciativa de fazer o piloto com o Exército brasileiro faz parte da estratégia da Motorola Solutions de crescer como uma companhia independente. As empresas e os governos são os grandes alvos. De acordo com Brown, só o mercado de 4G para segurança pública pode movimentar entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos em todo o mundo. Para o Brasil, especificamente, o executivo diz acreditar que é cedo para fazer estimativas. Nas empresas, uma das apostas é a tecnologia de identificação de objetivos por radiofrequência, ou RFID, na sigla em inglês.

De acordo com Brown, a divisão da Motorola em duas companhias tem dado resultados melhores do que os imaginados durante os três anos que antecederam o processo. "Conseguimos ter um balanço forte que nos permitiu distribuir dividendos para os acionistas e fazer um programa de recompra de ações no valor de US$ 2 bilhões ao longo de 2012", diz. Brown diz acreditar que a venda da Motorola Mobility reforça a tese que motivou a separação: de que as duas empresas teriam mais valor individualmente do que quando operavam juntas.

Sobre a operação com o Google, Brown afirma que isso não muda em nada a atuação da Solutions. Em termos operacionais, as companhias completaram a separação em janeiro. Explicou, ainda, que a Solutions ficou com o direito exclusivo de usar a marca Motorola nas áreas de governo e empresas. Perguntado sobre a possibilidade de venda da companhia, Brown pondera. "Não cabe a mim decidir isso. Mas temos muita confiança no que estamos fazendo", diz.

Combates cercam quartel de Kadafi


Quartel-general do ditador líbio é palco de tiroteio após tomada de 95% da capital Trípoli por rebeldes em conflito que teria feito 1,3 mil mortos. Paradeiro de Kadafi é desconhecido.

iG São Paulo

Combates violentos explodiram nesta segunda-feira em Trípoli em volta do quartel-general do líder líbio Muamar Kadafi, horas após rebeldes terem assumido o controle da maior parte da capital. Não há informações sobre se Kadafi está no local ou sobre qual seria seu paradeiro.

Segundo um porta-voz dos rebeldes, no começo da manhã (horário local), tanques saíram do QG de Kadafi, conhecido como Bab al-Azizia, e começaram a disparar. Uma intensa troca de tiros ainda acontece no local.

Os rebeldes consolidaram no domingo o avanço iniciado sábado sobre Trípoli, enfrentando poucos bastiões de resistência em meio a sinais de que o regime de 42 anos de Kadafi está prestes a cair.

De acordo com o representante do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes) no Reino Unido, Mahmoud Nacua, nesta segunda-feira a oposição controla 95% da capital.

Nacua confirmou que combates continuam em algumas áreas da cidade e disse que, embora o paradeiro de Kadafi seja desconhecido, acredita-se que ele ainda esteja na Líbia. "Vamos levantar pedra por pedra até encontrá-lo, prendê-lo e levá-lo a um tribunal", afirmou.

O porta-voz do regime de Kadafi, Moussa Ibrahim, disse que os confrontos em Trípoli deixaram 1,3 mil mortos na cidade. O número não pode ser confirmado de forma independente.

Comemoração

Ao longo da noite, multidões eufóricas celebraram o avanço rebelde na principal praça da cidade, um simbólico centro de poder do regime. No local, chamado de Praça Verde pelo regime, mas rebatizada de Praça dos Mártires pelos rebeldes, os militantes dispararam para o alto e contra um grande pôster do líder líbio.

"Agora não chamamos aqui de Praça Verde, mas de Praça dos Mártires", disse o engenheiro Nour Eddin Shatouni, de 50 anos, que estava entre a multidão de residentes que deixaram suas casas para participar das celebrações. 
 
"Esperávamos por um sinal, e ele veio. Todas as mesquitas gritaram 'Deus é grande!' ao mesmo tempo. Sentimos um bom cheiro, e era o cheiro da vitória. Sabemos que agora é o momento."

A praça tem um profundo valor simbólico. O regime manteve ali manifestações pró-Kadafi quase toda a noite desde que a revolta começou, em fevereiro. As comemorações também ocorrem em outras cidades como Misrata e Benghazi, epicentro da revolta e reduto opositor localizado no leste do país.

Pressão internacional

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou nesta segunda-feira que manterá sua operação militar na Líbia até que todas as forças leais ao regime de Kadafi tenham se rendido. Em comunicado, a Otan pediu que Kadafi renuncie imediatamente para salvar vidas. "Enquanto isso, nossas aeronaves continuarão a proteger a população civil", disse o texto.

Nos últimos cinco meses, a Otan realizou cerca de 7,5 mil ataques aéreos contra as forças de Kadafi. De acordo com a organização, apenas nos dois últimos dias aeronaves atacaram 40 alvos em Trípoli.

Na noite de domingo, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que Kadafi "precisa reconhecer que não controla mais a Líbia" e "abandonar o poder de uma vez por todas". Em comunicado, o líder reforçou que o governo dos EUA reconhece o CNT como a autoridade de governo legítima do país.

O presidente americano pediu que o grupo rebelde demonstre a liderança necessária para conduzir o país, com respeito aos direitos do povo líbio, evitando a violência contra civis, protegendo as instituições do Estado líbio e buscando uma democracia que seja justa e inclusiva para todos os líbios.

As declarações de Obama seguiram as de diversos líderes mundiais, que fizeram apelos para que Kadafi deixe o poder imediatamente. A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que o líder líbio perdeu legitimidade e deve deixar o poder "o quanto antes".

"Os rebeldes fizeram grandes avanços. A Alemanha trabalha com o grupo de transição da Líbia e já abrimos uma representação (diplomática) em Benghazi. E vamos continuar a apoiar o povo líbio", afirmou a chanceler.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também pediu que Kadafi poupasse a população, deixando o governo imediatamente. "A França apoia totalmente a libertação da Líbia desse regime opressivo e ditatorial."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que interrompeu suas férias na região da Cornualha para retornar a Londrese presidir uma reunião sobre a Líbia, afirmou que as cenas em Trípoli mostram "que o fim está próximo para Kadafi". "Ele cometeu crimes terríveis contra o povo da Líbia e precisa sair já para evitar mais sofrimento de seu próprio povo", disse.

Em entrevista na noite deste domingo, o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, ameaçou líderes internacionais. "Consideramos os senhores Obama, Cameron e Sarkozy moralmente responsáveis por qualquer morte desnecessária que ocorra neste país."

Uma das poucas vozes de apoio a Kadafi veio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Hoje estamos vendo imagens de como os governos democráticos europeus e o supostamente democrático governo dos Estados Unidos estão praticamente demolindo Trípoli com suas bombas", disse.

"Hoje eles jogaram não sei quantas bombas e eles as estão jogando indiscriminadamente e abertamente sobre escolas, hospitais, casas, negócios, fábricas, fazendas. E pedimos a Deus para trazer paz ao povo líbio e ao povo do mundo", afirmou.

Filhos de Kadafi

No domingo, os rebeldes anunciaram que dois dos filhos de Kadafi, Saif al-Islam e Saadi, foram capturados. A prisão de Saif foi confirmada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), que em junho emitiu um mandado de prisão contra ele pela repressão contra o levante popular.

Uma autoridade do TPI em Haia, Holanda, disse estar discutindo com os rebeldes a extradição de Saif para a corte, onde será julgado por crimes contra a humanidade. "Estamos em contato com o CNT", afirmou Fadi el-Abdallah. "É muito cedo para dar detalhes ou datas. A situação não está totalmente clara e estável em Trípoli."

No início da madrugada, o canal de TV oficial do país foi tirado do ar, e a transmissão também foi interrompida na rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam. Segundo moradores, os sinais foram interrompidos por grupos anti-Kadafi. Há também muitos relatos de pessoas em Trípoli que estão conseguindo entrar na internet, cujo acesso havia sido cortado no início do conflito, há seis meses.

Outro filho de Kadafi, Mohammed, estava em contato com a oposição pedindo garantias para sua segurança, disse o porta-voz dos rebeldes, Sadiq al-Kibir. Mohammed, que está encarregado das telecomunicações líbias, apareceu na Al-Jazeera, dizendo que sua casa foi cercada por rebeldes armados.

"Eles garantiram minha segurança. Sempre desejei o melhor para os líbios, e sempre estive ao lado de Deus", disse. Perto do fim da entrevista, era possível ouvir o som de disparos, e, antes de a linha de telefone ser cortada, Mohammed disse que rebeldes entraram em sua casa.

De acordo com a AP, um rebelde líbio afirmou que a unidade militar encarregada de proteger Kadafi também se rendeu. No Twitter, o Washington Post citou fontes de inteligência afirmando que a família de Kadafi retirou dinheiro e bens da Líbia nos últimos cinco dias.

Com BBC, AFP, EFE, Reuters e AP

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