28 dezembro 2012

Exército israelense divulga que a cada 15 dias um soldado se suicida

Dados foram revelados depois que um blogueiro denunciou uma divergência entre números divulgados e relatórios

OperaMundi


A cada 15 dias um soldado israelense se suicida em média, segundo dados divulgados pelas Forças de Defesa do país, devido as denúncias de um blogueiro anônimo que haviam sido censuradas, informa nesta quinta-feira (27/12) a imprensa local.

Os dados, referentes aos últimos 10 anos, mostraram que 237 israelenses tiraram a vida durante o serviço militar obrigatório ou a carreira profissional no Exército.

A taxa média de suicídios foi diminuindo das 39 anuais, entre 1991 e 1993, para 33 entre 2000 e 2002, para ficar em 23, entre 2009 e 2011. O Exército atribui a queda a uma maior ajuda psicológica e a uma política mais restritiva de acesso às armas para soldados fora do serviço.

Os dados foram revelados depois que um blogueiro, identificado apenas como Ishton, denunciou uma divergência entre o número de baixas que se faz pública a cada ano e o relatório mais detalhado que oferecia o Ministério da Defesa em um site.

Ishton foi convocado para uma reunião com investigadores militares e ameaçado. A imprensa foi proibida de publicar o material, segundo diversas denúncias na Internet.

27 dezembro 2012

Brasil vai tirar tropa do Haiti

Nações Unidas não reembolsam os gastos e número de soldados deve ser reduzido ao menos em um terço

Jornal de Brasília
 
Sem previsão para deixar o Haiti, o Exército gastou, de abril de 2004 a novembro deste ano, R$ 1,89 bilhão na manutenção da tropa no país arrasado por uma guerra civil.

 
Desse total, a Organização das Nações Unidas (ONU) reembolsou só R$ 556,5 milhões ao Tesouro Nacional. Os números são do Ministério da Defesa. Na prática, um gasto de R$ 1,3 bilhão líquido em recursos do Brasil. Em 2004, o governo Lula justificou que a participação na missão de paz da ONU era uma for ma de garantir um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança, o que não ocorreu.

 
O Brasil mantém 1.910 homens das Forças Armadas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A maioria do contingente é do Exército, mas há 30 homens da Força Aérea Brasileira e 200 fuzileiros navais. A meta para 2013 é reduzir o efetivo para 1.200 militares, mesmo número do início da operação, em 2004 - o acréscimo veio após o terremoto de 2010.

 
A redução da tropa de forma "responsável", nas palavras do ministro da Defesa, Celso Amorim, é respaldada por uma resolução da ONU, de outubro. No começo deste mês, o presidente do Haiti, Michel Martelly, escreveu uma carta de duas páginas implorando à presidente Dilma Rousseff para negociar a manutenção do efetivo, argumentando que ainda não conseguiu formar uma polícia nacional para deter o avanço de gangues.

 
Em oito anos e meio, cerca de 25 mil militares brasileiros passaram pelo Haiti. O governo avalia que a missão derrubou uma das principais críticas ao País na ONU. Outros países sempre disseram que o Brasil fazia discursos contundentes, mas tinha fraca presença nos campos de conflito.

 
COMEÇO FESTIVO

 
O projeto brasileiro no Haiti começou com festa. Enquanto soldados chegavam a Porto Príncipe para montar base, a seleção liderada por Ronaldo Fenômeno desfilava com a Copa Fifa em blindados da ONU pela capital e aplicaria depois uma goleada de 6 a 0 no time da casa, para a festa dos ricos do país que tiveram acesso ao estádio.

 
Gasto supera o de creches

 
O gasto total do Brasil no Haiti é quase nove vezes maior que o valor pedido em 2012 pelo governo de São Paulo ao governo federal para modernizar as áreas de informação e inteligência da polícia - neste ano, o governo paulista reclamou que pediu R$ 148,8 milhões ao Ministério da Justiça e só recebeu R$ 4 milhões.

 
No contra-ataque, o Governo Federal alegou que não recebeu projeto consistente para o envio dos recursos.

 
Se aplicada na área social, a despesa no Haiti daria para pagar o plano de expansão da rede de creches e escolas infantis nos próximos três anos e que, até agora, não saiu do papel. O governo anunciou um investimento de R$ 1,3
bilhão até 2014.

 
Não estão incluídos no total de despesas os recursos gastos com soldos dos militares. O gasto inclui recursos de diárias, alimentação, comunicação, rede de internet, processamento de dados, explosivos e munições, vestuário, trans porte, combustível e produtos médicos e farmacêuticos.

Grande operação militar irá monitorar fronteiras antes da Copa das Confederações

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 18/12/2012 – Militares das três Forças Armadas vão monitorar pontos críticos ao longo de toda a fronteira terrestre brasileira antes da realização da Copa das Confederações, que ocorrerá em junho de 2013.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, que participou na manhã desta terça-feira, ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, José Elito Carvalho Siqueira, de evento para divulgar balanço do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF) do Governo Federal.

Segundo Amorim, a megaoperação militar – que representará a sétima edição da Operação Ágata, de combate a ilícitos na fronteira – deverá mobilizar, pelo menos, o dobro de efetivos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica que costumam participar dessas ações. Nas seis edições anteriores da Ágata, um total aproximado de 58 mil militares atuou nas fronteiras, uma média de quase 10 mil por operação. Como a ação é feita a partir de dados de inteligência, o período e os locais para onde serão enviadas as tropas ainda não podem ser divulgados.

"Será um pouco antes da Copa das Confederações, com uma antecedência que não interfira no fluxo de turistas que venham assistir ao torneio", disse o ministro da Defesa, para quem a ação militar tem objetivo essencialmente “dissuasório”. De acordo com Amorim, uma outra edição da Operação Ágata – a oitava – deve acontecer também ao longo do segundo semestre do ano que vem.

Plano Estratégico de Fronteiras


No evento de hoje, Amorim, Michel Temer e José Eduardo Cardozo apresentaram os principais resultados do PEF, lançado em 2011 para aumentar a presença do Estado brasileiro nas regiões de fronteira e combater crimes transnacionais na divisa com dez países sul-americanos.

Na ocasião, Temer afirmou que, desde o início das operações, foi possível descobrir as principais dificuldades de atuação nas áreas abrangidas e aprimorar as ações de inteligência e a integração entre militares das Forças Armadas e agentes dos órgãos de segurança pública. “Os números são impressionantes”, destacou, referindo-se aos resultados apresentados pela Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Defesa, e pela Operação Sentinela, coordenada pelo Ministério da Justiça.

Em 18 meses, o Ministério da Defesa (MD) realizou seis edições da Ágata perfazendo 24.782 quilômetros de fronteiras, superando o percurso fronteiriço do Brasil com os vizinhos da América do Sul. Ao todo, as operações geraram 319.635 vistorias de veículos, 222 inspeções de aviões, quatro pistas clandestinas de pouso destruídas, apreensão de 19.892 quilos de explosivos e 11.801 quilos de entorpecentes. Além disso, 5.681 embarcações foram vistoriadas e 498 delas foram apreendidas. Além das ações de caráter preventivo, militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica desenvolvem as chamadas ações cívico-sociais (Acisos) nas fronteiras. Por meio delas, populações carentes recebem atendimentos médicos e odontológicos e distribuição de medicamentos. A ação conta com apoio do Ministério da Saúde. Em um ano e meio, as Forças Armadas entregaram cerca de 200 mil remédios, realizaram 29.482 atendimentos médicos e 18.304 odontológicos e 9 mil vacinações.

Já a operação Sentinela, que envolve a atuação de agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, entre outros, resultou em apreensões de diferentes espécies: 350 toneladas de drogas, 9.545 veículos, 2.235 armas de fogo, 280.785 munições, 16.222.9936 pacotes de cigarro, 1.898.637 fármacos e R$ 10.775.064 de dinheiro. A Sentinela gerou ainda a prisão de 20.737 pessoas em flagrante.

“O resultado tem sido positivo”, afirmou o ministro da Justiça, ao divulgar o balanço. José Eduardo Cardozo disse ainda que novas ações serão feitas, no âmbito de sua pasta, para complementar o trabalho produzido pela Operação Sentinela. Segundo ele, até 2004, a Justiça deverá investir R$ 53 milhões na construção de residências funcionais para policiais federais e policiais rodoviários federais que atuam nas fronteiras. Novas delegacias da Polícia Federal também estão em processo de construção nesses locais.

Participaram também do evento de hoje, realizado na Vice-Presidência da República, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e o chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, brigadeiro Ricardo Machado Vieira.

21 dezembro 2012

Força liderada por Brasil barra arma síria

CAROLINA MONTENEGRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP, DE BEIRUTE

Com o prolongamento do conflito na Síria, há 21 meses, o Líbano aperta o cerco das suas fronteiras marítimas para evitar a entrada ilegal de armas no país. As inspeções dos navios são lideradas pela força naval das Nações Unidas, comandada pelo Brasil.

"Do início deste ano até agora, a quantidade de navios inspecionados cresceu na ordem de 20%. A força tarefa marítima da Unifil [missão de paz da ONU no Líbano] completou seis anos de idade. Só nos dois últimos anos, com o Brasil à frente da missão, fizemos muito mais inspeções que nos quatro anos anteriores", afirmou à Folha o almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith.

Segundo ele, desde 2006, cerca de 2.800 inspeções foram realizadas.

No entanto, grande parte desse total deve-se ao último ano, quando quase mil abordagens de navios ocorreram.

Com a guerra civil na Síria, a Unifil teve seu mandato revisto e assumiu o papel de evitar a entrada de armas ilegais no vizinho Líbano.

"Acredito piamente que as inspeções trazem mais segurança para a região. O navio que porventura queira entrar no porto com material ilegal sabe que vai ser inspecionado. Se for pego vai ficar aqui preso, o navio arrestado, a tripulação vai ser julgada", explica Zamith.

Mais de 50% das embarcações que entram num porto libanês são inspecionadas pelas autoridades libanesas hoje. "Quando esta crise foi instalada, ficamos mais atentos à possibilidade de ocorrer contrabando de armas e o percentual de inspeções cresceu", acrescenta Zamith. O pedido de mais patrulhamento ao governo libanês partiu do comando brasileiro da força naval da Unifil.

Por causa das intensas patrulhas, a fragata brasileira "Liberal" - que compõe a força marítima da Unifil desde maio ao lado de sete outros navios de cinco países - passa 21 dias por mês no mar.

Nunca foram necessários disparos durante as interceptações, mas o navio brasileiro possui um potente sistema de alto-falantes com mensagem em inglês e árabe, para alertar embarcações menores próximas da fragata.

"Nossa atitude é a mesma do Líbano, evitar que haja o transbordamento da crise na Síria para dentro do país", explica Zamith.

Em 2012, dois navios foram apreendidos no Líbano com carregamentos de armas, supostamente destinadas aos opositores do regime sírio.

Em abril, o navio egípcio Lutfalla II foi abordado e um carregamento de 150 toneladas de armas foi encontrado dentro da embarcação. Três dias depois, o cargueiro italiano Grand Sicily foi abordado com ao menos 60 mil cartuchos de munição a bordo.

Em maio, a ONU denunciou que armas estariam sendo contrabandeadas entre o Líbano e a Síria. "Com base nas informações que temos, há razões para acreditar que há um fluxo de armas em ambos os caminhos, do Líbano para a Síria e da Síria para o Líbano", disse Terje Roed-Larsen, representante da ONU para o conflito. Uma resolução do Conselho de Segurança exige o desarmamento do Hizbollah (milícia e partido libanês pró-Síria).

A maior parte do fluxo de contrabando, porém, acontece pela porosa fronteira terrestre entre os dois países.

PRIMEIRA VEZ

Ativa desde outubro de 2006 no Líbano, a força naval da Unifil é a primeira de uma missão de paz da história da ONU.

Câmara dos EUA aprova orçamento de US$ 633 bi para Defesa

DA EFE

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (20) o projeto de lei que concede ao Pentágono US$ 633 bilhões para o orçamento de 2013, que agora será enviado para a apreciação do Senado.

Os deputados aprovaram o projeto orçamentário por 315 votos a 107, e a tendência é que também passe pelo Senado com folga.

No entanto, a Casa Branca pode vetá-lo, uma vez que o Escritório de Administração e Orçamento expressou sua "forte oposição" a algumas disposições da lei, como o uso de fundos para transferir detentos da base americana de Guantánamo, em Cuba, a outros países.

Do total, US$ 528 bilhões serão destinados a cobrir o custo de navios, aviões, armas e pessoal; US$ 88,5 bilhões serão empregados na guerra no Afeganistão e US$ 17 bilhões vão ser usados no desenvolvimento de programas nucleares e de defesa do Departamento de Energia.

O orçamento foi aprovado em meio à discussão entre democratas e republicanos para chegar a um acordo a fim de reduzir o déficit e evitar que o país caia no "abismo fiscal", uma alta generalizada de impostos e maciços cortes nos gastos públicos a partir de janeiro.

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, expressou em um memorando divulgado nesta quinta-feira sua preocupação caso o Congresso e o Governo não alcancem uma solução para evitar esses cortes automáticos.

Panetta assinalou que mesmo que fossem "significativos e prejudiciais para nossa missão coletiva, não necessariamente requereriam uma imediata redução das despesas", embora tenha reconhecido que seu departamento teria de operar "abaixo do nível de despesa por um período prolongado de tempo".

17 dezembro 2012

Amorim critica presença de tropas no Haiti por tempo indeterminado

Bruno Garcez
Enviado especial da BBC Brasil a Moscou

O ministro da Defesa, Celso Amorim, criticou neste sábado a presença por prazo indefinido das tropas internacionais no Haiti e condicionou uma eventual retirada definitiva dos militares ao aumento dos investimentos em infraestrutura no país.


''Não é bom para o Haiti, que é no caso o que mais importa, nem pra ninguém, que as tropas fiquem lá indefinidamente", disse Amorim em Moscou, na Rússia.


O ministro da Defesa estava na cidade até este sábado como um dos integrantes da delegação oficial brasileira que acompanhou a presidente Dilma Rousseff em sua visita oficial ao país.


O Brasil exerce o comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, conhecida pela sigla Minustah, e possui o maior número de soldados mobilizados no país entre 18 nações.


Amorim disse não poder falar em um possível "prazo" para a retirada dos soldados. Segundo ele, é preciso primeiro investir em melhorias no país que permitam diminuir sua dependência da ajuda internacional.


O Haiti é o país mais pobre do Ocidente e foi devastado por um terremoto em 2010 que matou cerca de 250 mil pessoas.


''Não temos por que nos preocupar com prazo. Neste ano, vai haver uma diminuição ao longo do ano dos militares brasileiros, de 400 soldados. A ideia é levarmos (o número do contingente) a níveis préterremoto'', disse o ministro.


Para Celso Amorim, o plano de retirada definitiva, no entanto, tem de ser feito com a coordenação da ONU e depende do investimento internacional.


''A ideia é que haja desenvolvimento no Haiti, que é a maneira de realmente diminuir substancialmente o problema da segurança'', afirmou.


Mas o titular da Defesa acredita que um possível efeito colateral negativo da presença das tropas comandadas pelo Brasil seja uma "sensação de conforto" por parte da comunidade internacional.


''Com as tropas brasileiras lá e outras sul-americanas, que são a maioria, dando a impressão de que poderiam ficar indefinidamente, cria uma sensação de conforto. A tão propalada comunidade internacional pode dizer "ah, tudo bem, por que os brasileiros estão lá garantindo", mas o que é preciso são recursos para o desenvolvimento.''


Parceria com a Rússia
 

Na Rússia, Amorim firmou algumas parcerias com o setor de Defesa russo, entre elas uma que estabelece a aquisição de helicópteros militares.

Em janeiro de 2013, uma delegação comandada pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o general José Carlos De Nardi, virá ao país para negociar uma possível colaboração no setor de defesa antiaérea.


O general estará acompanhado dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica e de representantes da iniciativa privada.


Para Amorim, a experiência da Rússia no setor poderá ser importante para o Brasil.


''Com o Brasil se tornando a sexta economia mundial, com as riquezas que a gente tem, temos a consciência de que o país tem de cuidar progressivamente de sua defesa'', disse.

Compra dos jatos é necessária, diz Celso Amorim

Valor
De Moscou


O ministro da Defesa, Celso Amorim, apontou a aquisição dos 36 jatos de combate e de sistemas de defesa antiaéreo entre as maiores necessidades atuais das Forças Armadas, mantendo o foco nesses negócios bilionários.


Na semana passada, em Paris, a presidente Dilma Rousseff avisou que a renovação da frota de jatos de combate do país levará mais algum tempo, pelo menos enquanto não passar a crise economica global, o que foi entendido como uma sinalização de que a escolha do aparelho ficará para depois de 2013.


Mas as Forças Armadas não só reiteram a prioridade dos caças como Dilma ouviu de autoridades russas o interesse para incluir o Sukhoi, o jato russo, na lista dos concorrentes ao lado do Rafale francês, os F-18/Super Hornet americanos e os Grippen suecos.


"Temos as riqueza da biodiversidade, de água doce, o pré-sal", afirmou Amorim ao defender o reaparelhamento das Forças Armadas. "O Brasil continua crescendo, chegando à quinta economia do mundo. E defesa não é delegada, cada um cuida do seu".


No caso de sistemas antiaéreos de curto e médio alcance, um projeto de US$ 1 bilhão, no momento o Brasil está conversando somente com os russos. Uma missão militar brasileira vai em janeiro a Moscou para começar a discutir com os russos a eventual compra dos equipamentos, incluindo transferência de tecnologia. Na primeira etapa, o negócio pode representar US$ 200 milhoes. Avibras, Embraer e Odebrecht Defesa estarão envolvidas na missão.


Amorim informou que o Brasil abriu um pedido de informações para compra de porta-aviões, o que só deverá ocorrer por volta de 2025, em outro negócio também bilionário e que interessa particularmente aos franceses. Em Moscou, o governo Putin mencionou interesse pelo novo cargueiro militar KC-390.


Mas o que saiu da visita da presidente Dilma de concreto foi mesmo a compra, pela empresa brasileira Atlas Taxi Aéreo de 14 helicópteros da Russian Helicopteros. Trata-se de um novo modelo que vai ser certificado simultaneamente no Brasil e na Rússia. O contrato de compra é de US$ 200 milhões.


O primeiro aparelho será recebido em 2015. Trata-se de um helicóptero offhore, para 15 pessoas. (AM)

Brasil e Peru criam grupo de trabalho binacional para intensificar cooperação em Defesa

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 17/12/2012 - Os ministros da Defesa do Brasil e do Peru, Celso Amorim e Pedro Cateriano Bellido, anunciaram nesta segunda-feira a criação de um grupo de trabalho binacional para estudar aspectos econômico-financeiros e jurídicos de futuras operações de compra e venda de equipamentos e de transferência tecnológica na área de defesa. O anúncio foi feito ao final da reunião bilateral entre ambos, ocorrida esta manhã na sede do Ministério da Defesa (MD), em Brasília.

Um dos aspectos centrais a ser tratado no âmbito do grupo de trabalho será a proteção da Amazônia, área de interesse comum enfatizada pelos representantes dos dois países durante o encontro. Há duas semanas, em reunião ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) na cidade de Lima, Peru, os países-membros da Unasul aprovaram a proposta brasileira de estabelecimento de um sistema sul-americano de gestão e monitoramento das chamadas áreas especiais, a exemplo de reservas indígenas e de unidades de proteção ambiental.

O Brasil já possui expertise no assunto, adquirida com o trabalho desenvolvido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão da Defesa. O CDS aprovou, dentro do Plano de Ação para 2013, a constituição de um grupo para estudar a criação desse sistema, que deverá prestar importante auxílio no mapeamento e monitoramento de áreas isoladas em zonas geográficas como a Amazônia, os Andes e o Chaco.

Destacando que a relação entre Brasil e Peru já gerou importantes acordos regionais, entre os quais o que deu origem à Unasul, Celso Amorim chamou de “estratégica” a cooperação com o país vizinho. Para o ministro, mais significativo que o aspecto comercial é fortalecer essa parceria por meio de ações concretas.

O ministro da Defesa peruano também reforçou a importância da integração entre os dois países. Segundo ele, “a aliança estratégica com o Brasil é uma prioridade” do atual governo de seu país.

Produção de embarcações fluviais

Pedro Bellido convidou os representantes brasileiros a conhecer empresa SIMA (Serviços Industriais da Marinha), que fabrica embarcações fluviais e petrolíferas no Peru, e que tem a França como um de seus clientes. De acordo com o ministro, há interesse em realizar parceria entre a SIMA e a estatal brasileira Petrobras.

Presente à reunião, o comandante da Marinha do Brasil, almirante Julio Soares de Moura Neto, saudou a iniciativa, dizendo que as duas Armadas têm buscado ampliar a cooperação. “Em fevereiro, pretendo estreitar mais os laços com a vinda do almirante Carlos Roberto Tejada Mera [comandante da Marinha peruana] ao Brasil”, afirmou.

Ensino

O intercâmbio na área de ensino também foi enfatizado na reunião desta manhã. Segundo o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, as conferências bilaterais de Estado-Maior são exemplos de cooperação entre as Forças Terrestres dos dois países, além da quantidade de militares brasileiros e peruanos que fazem cursos em ambas as nações. “Fazemos esforço para manter isso no mais alto nível”, disse ele.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, lembrou que a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga (SP), tem atualmente quatro alunos peruanos. “Na área de ensino e operacional temos forte intercâmbio, e estamos prontos para iniciar cooperação em outras instâncias”, disse.

Na oportunidade, o comandante-geral da Força Aérea do Peru, general-do-ar Pedro Seabra Pinedo, elogiou a instrução acadêmica recebida pelos militares peruanos no Brasil em cursos de formação.

Os peruanos manifestaram ainda interesse em enviar alunos para estudar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), ideia prontamente aceita pela comitiva brasileira, que reiterou que a instituição passa por processo de expansão.

Na reunião, Amorim abordou também o interesse brasileiro em fortalecer a cooperação na área de indústria de defesa. Como exemplo desse fortalecimento, ele mencionou algumas importantes iniciativas recém-aprovadas pelo CDS de desenvolvimento regional de Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants) e um avião treinador básico.

O ministro brasileiro também destacou outras oportunidades de cooperação na área naval, como navios-patrulha fluviais, e fez menção ao início da produção, no Brasil, de uma nova geração de blindados sobre rodas, denominada Guarani. Ele ressaltou ainda o trabalho realizado em conjunto com países vizinhos nas Operações Ágata, iniciativa prevista no Plano Estratégico de Fronteiras (PEF). “Nós sempre avisamos aos países fronteiriços quando as ações começam e é importante que isso seja feito em cooperação. Nós fazemos do nosso lado e vocês do outro”, reiterou o ministro.

Pedro Bellido explicou que atualmente a maior preocupação na área de defesa no Peru é na luta contra o terrorismo na chamada zona do VRAEM (Valle do Rio Apurímac, Ene e Mantaro). “Não é como em décadas passadas, mas é importante enfrentarmos a situação”, afirmou.

Nesse sentido, o ministro da Defesa peruano manifestou interesse nos aviões de alarme aéreo antecipado (AEW) da Força Aérea Brasileira (FAB), usados pelo Censipam no monitoramento da Amazônia. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, destacou que esse tipo de avião agregou uma nova tecnologia de emprego à Força Aérea.

Antes do encontro bilateral, o ministro peruano foi recebido com honras militares no Ministério da Defesa. Na ocasião, foram entoados os hinos nacionais dos dois países.

Também estiveram presentes no encontro o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi; o chefe de Logística do MD, general Adriano Pereira Júnior; e o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.

Brasil e Rússia declaram interesse em estreitar parceria na área de defesa

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 14/12/2012 – Em comunicado conjunto divulgado hoje em Moscou, a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, manifestaram o interesse em reforçar a parceria entre os dois países na área de defesa. No encontro, ficou acertado que uma delegação brasileira, composta por militares e empresários da indústria de defesa, visitará a capital da Rússia já no início de 2013 para tratar de temas referentes à cooperação bilateral.

“Os dois presidentes congratularam-se pela assinatura do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia de Cooperação em Defesa. Nesse contexto, concordaram em aprofundar a cooperação no marco desse acordo, dedicando particular prioridade à área de desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, reiteraram a importância de desenvolver cooperação de longo prazo, com base no princípio da transferência de tecnologia, no estabelecimento de parcerias industriais e em programas de formação de pessoal. Nesse contexto, as Partes destacaram a potencialidade da cooperação no setor de defesa antiaérea. Missão brasileira do Ministério da Defesa, com participação empresarial, visitará a Rússia muito proximamente, com esse objetivo”, diz a declaração conjunta.

Dilma e Putin também reiteraram que a “cooperação econômica e comercial é parte importante da parceria estratégica bilateral” e, nesse sentido, “destacaram o compromisso de trabalhar para, no curto prazo, elevar o intercâmbio comercial bilateral à cifra de US$ 10 bilhões anuais”.

O documento informa que “os dois governos tomarão as medidas necessárias para identificar e incentivar o desenvolvimento de novas áreas de cooperação comercial em benefício mútuo; para garantir perfil mais equilibrado e dinâmico ao comércio; para diversificar e aperfeiçoar a pauta comercial, por meio do aumento da participação de artigos de maior valor agregado, especialmente os relacionados a setores de alta tecnologia; para intensificar contatos entre grupos empresariais brasileiros e russos, de modo a explorar eventuais complementaridades produtivas e a possibilidade de atuar conjuntamente em terceiros países”.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, integrou a comitiva da presidenta Dilma durante a visita à França e à Rússia nesta semana. A previsão é que a delegação brasileira chegue à capital federal neste fim de semana.

16 dezembro 2012

Caças sírios bombardeiam área palestina em Damasco

Pelo menos dois foguetes foram disparados contra campo de Yarmouk.
Ativistas disseram que dezenas de pessoas morreram.

G1

Da Reuters

Aviões caças da Síria dispararam pelo menos dois foguetes no campo palestino de Yarmouk, em Damasco, neste domingo (16), pela primeira vez desde que a revolta contra o presidente Bashar al-Assad surgiu no ano passado, disseram ativistas da capital.

Eles disseram que dezenas de pessoas foram mortas quando pelo menos um foguete atingiu uma mesquita em acampamentos que abrigam os refugiados que fugiram da violência nos subúrbios próximos de Damasco.

Yarmouk, no sul de Damasco, é parte de um arco que inclui de leste a sudoeste da capital da Síria, onde as forças de Assad têm tentado por várias semanas empurrar os rebeldes da área próxima de suas bases.

O conflito entre rebeldes e tropas do presidente Bashar Al-Assad já dura 21 meses e matou mais de 40 mil pessoas, em sua maioria civis (veja a arte abaixo).

arte cronologia síria 11/12 (Foto: 1)
 

13 dezembro 2012

Três primeiros MiG-29UPG são entregues para a Índia

Revista Asas

A JSC Russian Aircraft Corporation iniciou as entregas dos primeiros jatos de combate MiG-29UPG modernizados para a Força Aérea da Índia. Os três primeiros exemplares chegaram ao país parcialmente desmontados a bordo de um Antonov An-124.

A modernização amplia sensivelmente as capacidades do caça que agora pode cumprirmissões diurnas e noturnas sob quaisquer condições meteorológicas, empregararmamento inteligente contra outras aeronaves, alvos em solo e no mar, fixos ouem movimento.

O voo inaugural do MiG-29UPG aconteceu em 4 de fevereiro de 2011 e o contrato compreendeu uma série de reparos, modificações e adaptações que estenderam a vida operacional para mais de 3.500 horas de voo ou 40 anos.

Ao todo 69 exemplares serão modernizados pelo valor de US$ 900 milhões. Os seis primeiros aviões serão modernizados na Rússia e os demais na Índia. O MiG-29UPG é equipado com as turbinas RD-33 Series 3, de nova geração, que estão sendo fabricadas pela Hindustan Aeronautics Limited; radar Zhuk-M, capaz de detectar 10 alvos aéreos situados a 120km de distância e atacar quatro simultaneamente; novos sistemas de comunicação e navegação.

Brasil prepara produção de novo míssil para caças

Agência Força Aérea

A partir de 2015, a Força Aérea Brasileira receberá o A-Darter, um míssil capaz de manobrar até 10 vezes mais rápido que um avião de combate. A nova tecnologia, fruto de um desenvolvimento conjunto do Brasil com a África do Sul, já está no final da fase de testes e próxima do início da produção em larga escala. Na última quinta-feira (6/12), o Comando da Aeronáutica assinou com a empresa Denel do Brasil o contrato de R$ 1,4 milhão para preparar o parque industrial de São José dos Campos (SP) para a construção do míssil, que deve equipar a versão modernizada do caça A-1 e o futuro F-X2.

A produção do novo míssil deve contar com as empresas Mectron, Avibras e Opto Eletrônica, que são beneficiárias dos projetos de transferência de tecnologia em áreas como sistemas óticos, navegação, sensores e processamento de imagens. O Brasil ingressou no desenvolvimento do A-Darter em 2006, e é co-proprietário dos direitos de propriedade intelectual e industrial do míssil.

De acordo com o Gerente Técnico da Denel do Brasil, Everton de Paula, além de fabricar todos os mísseis que a FAB adquirir futuramente, o parque industrial brasileiro também irá fabricar componentes de unidades que venham a ser exportadas pelo Brasil e pela África do sul para outros países. "Este contrato representa mais uma passo no sentido da concretização da transferência de tecnologia. A tecnologia que nós tínhamos ainda era uma tecnologia de terceira geração. Esse é um salto: vamos para mísseis de quinta geração", afirmou.

Características

Com 2,98 metros de comprimento e 90 kg de peso, o A-Darter é um míssil ar-ar, ou seja, criado para ser lançado de aeronaves contra alvos aéreos. Para isso, conta com um sensor que detecta o calor de aviões e helicópteros para guiagem. A diferença tecnológica é que, ao contrário dos modelos mais antigos, um caça equipado com o A-Darter pode atingir alvos que não estejam só na frente, mas também dos lados e até atrás da aeronave.

Outra tecnologia inédita no Brasil é o empuxo vetorado, que é o direcionamento do jato do motor foguete. Somado ao movimento das quatro pequenas “asas”, o empuxo vetorado confere ao míssil a possibilidade de fazer manobras que alcançam até 100 vezes a força da gravidade (100G), enquanto os aviões de combate não passam de 9 vezes (9G). O míssil também produz menos fumaça que modelos mais antigos, o que dificulta a sua visualização.

O Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), Brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, elogiou as características do míssil durante a solenidade de assinatura de contrato com a Denel do Brasil. "Ver o início da produção no Brasil de um míssil de quinta geração é a certeza de que nós estamos dando aos nossos pilotos aquilo de mais moderno", afirmou.

Comunicado de Brasil e França destaca cooperação em defesa

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


Brasília, 12/12/2012 – Brasil e França manifestaram o interesse de manter e aprofundar a cooperação em matéria de defesa, com participação conjunta no acompanhamento da transferência de tecnologia, em benefício da indústria de defesa dos dois países. O anúncio foi feito ontem, em Paris, em um comunicado conjunto divulgado ao fim do encontro entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da República Francesa, François Hollande.

“Os presidentes do Brasil e da França saúdam o amplo escopo, a qualidade e a densidade da cooperação bilateral em matéria de defesa. A participação do Brasil nas consultas para elaboração do Livro Branco sobre a Defesa e a Segurança Nacional francês demonstra o alto nível de confiança que se estabeleceu entre o Brasil e a França ao longo dos anos”, aponta o comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil.

Atualmente, o Brasil desenvolve com a França um de seus maiores projetos de modernização de meios operativos militares: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico e a fabricação de um submarino movido a propulsão nuclear.

“Com base na boa implementação dos programas em curso, os presidentes recordam o interesse compartilhado na cooperação entre dois países que são comparáveis e complementares em diversos aspectos, industriais e tecnológicos, assim como em sua concepção das questões estratégicas e em sua busca de autonomia”, diz o texto divulgado ontem.

Segundo o documento, a cooperação ocorrerá nas áreas aeronáutica, naval, terrestre e espacial. Caberá aos ministros da Defesa dos dois países formularem novas propostas de cooperação nessas áreas, reportando-as ao longo de 2013.

A declaração conjunta destaca ainda o desejo de Brasil e França aprofundarem o relacionamento entre as Forças Armadas dos dois países, por meio de reuniões de Estado-Maior e de planos de cooperação bilateral. “O objetivo principal é reforçar a interoperabilidade das Forças, adensar o intercâmbio em matéria de doutrina e de organização e desenvolver a formação dos quadros de defesa”.

Por fim, o documento menciona a intenção de brasileiros e franceses em elevar o nível da cooperação operacional na fronteira comum da Guiana Francesa, promover e facilitar a participação conjunta em operações sob mandato das Nações Unidas, como a que ocorre no Haiti, e incrementar as atividades comuns nos espaços de interesse compartilhado no Atlântico Sul e no Caribe, assim como na África Ocidental e no Golfo da Guiné.

Além da cooperação em defesa, o comunicado aponta a disposição em fortalecer a concertação política entre os dois países, cooperar para aumentar o volume do intercâmbio comercial, apoiar a cooperação nos campos da ciência, da tecnologia, da inovação e da indústria e explorar oportunidades de parcerias no setor energético.

Acesse a íntegra da declaração conjunta Brasil-França
 

11 dezembro 2012

Boeing amplia parcerias para pesquisa no Brasil

Por Virgínia Silveira | Para o Valor, de São José dos Campos

A Boeing dará hoje mais um passo importante no seu plano desenvolvimento de projetos tecnológicos em parceria com empresas e instituições brasileiras. A companhia americana assina dois acordos estratégicos com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), referências no país na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia aeroespacial e de defesa.


O vice-presidente do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Boeing no Brasil, Al Bryant, disse que os acordos não têm conexão com o programa de aquisição dos caças F-X2, da Força Aérea Brasileira (FAB), pois o objetivo da empresa é o de estabelecer uma parceria de longo prazo com o Brasil.


"A criação de um centro de pesquisa e tecnologia vai ser o começo deste projeto com o Brasil, onde teremos a oportunidade de trabalhar com os melhores cientistas do mundo no desenvolvimento conjunto de capacidades em áreas inovadoras", afirmou.


Há 35 anos na Boeing, Bryant, já coordenou a implantação dos centros de pesquisa e tecnologia da companhia na Austrália e na China, sendo responsável por todas as decisões que envolvem o direcionamento das pesquisas da empresa no Brasil, colaborações com universidades e parcerias estratégicas com institutos de pesquisa e com a indústria.


Antes mesmo de inaugurar seu centro no Brasil, a Boeing já assinou, este ano, três acordos com a Embraer, na área de biocombustível e cooperação para o desenvolvimento do avião de transporte militar KC-390 e para o fornecimento de sistemas para a aeronave Super Tucano.


Com previsão de investimentos da ordem de US$ 5 milhões, o novo centro de pesquisa da Boeing, que será o sexto fora dos Estados Unidos, ficará instalado, provavelmente, em São José dos Campos. As pesquisas terão foco em desenvolvimento de biocombustíveis sustentáveis de aviação, gestão avançada de tráfego aéreo e biomateriais, entre outras.


O Valor apurou que a empresa já teria reservado uma grande área dentro do Parque Tecnológico da cidade, onde estão instaladas empresas e instituições de pesquisa do setor aeroespacial e de defesa.


"O ideal é estarmos próximos dos nossos principais parceiros e São José dos Campos oferece esta oportunidade, onde estão a Embraer, o Inpe, o DCTA e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica)", disse o executivo.


O diretor do Inpe, Leonel Perondi, disse que a cooperação com a Boeing, líder mundial no desenvolvimento de satélites geoestacionários para telecomunicações, poderá agregar valor para o Instituto, tanto em termos de conhecimento quanto de fixação de novas tecnologias, especialmente na área de monitoramento ambiental e de sensores com aplicação em sensoriamento ambiental.


O Inpe, segundo Perondi, faz parte do comitê executivo do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que o Brasil pretende lançar até o fim de 2014. O satélite vai atender o Plano Nacional de Banda Larga e também as necessidades de comunicações estratégicas do governo e das Forças Armadas.


O investimento previsto pelo governo brasileiro no projeto é de R$ 720 milhões. A Embraer e a Telebrás criaram a empresa Visiona Tecnologia Espacial S.A para fazer o gerenciamento dos contratos com os fornecedores do satélite. A previsão da Agência Espacial Brasileira (AEB) é que a escolha do fornecedor seja anunciada no começo de 2013.


Com o DCTA, segundo Al Bryant, a Boeing pretende desenvolver uma colaboração com todos os seus institutos de pesquisa nas áreas de ciências de voo, energia e meio ambiente, materiais e sistemas de lançamento para satélites de órbita baixa.

Presidente dá superpoderes a militares no Egito

Novo decreto de Morsi permite que Exército prenda civis; medida vale até que o resultado do referendo sobre a nova Constituição seja anunciado 

O Estado de SP

Um decreto do presidente do Egito, Mohamed Morsi, que confere aos militares o direito de prender civis e proteger "instalações vitais do Estado" passou a vigorar temporariamente ontem no país, enquanto o impasse sobre a nova Constituição, aprovada por uma assembleia islamista, e os "superpoderes" que o líder egípcio outorgou para si próprio no dia 22 continuam.

Os superpoderes do Exército devem durar até que os resultados do referendo sobre a nova Carta, marcado para sábado, sejam anunciados. Pelo menos sete pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas, na semana passada, em confrontos entre membros e simpatizantes da Irmandade Muçulmana, de Morsi, e opositores seculares. Vários confrontos ocorreram nas imediações do palácio presidencial egípcio, que foi cercado por manifestantes e desde a sexta-feira está sob a proteção de tanques.


Ontem, a Guarda Republicana, uma força militar de elite, teve muito trabalho para manter os manifestantes afastados do local, cujo perímetro - demarcado por arame farpado e barricadas de concreto, além dos blindados - foi rompido no sábado. Os islamistas e seus opositores seculares planejam realizar protestos em massa hoje.

Segundo analistas, o efeito do decreto que dá poderes policiais aos militares egípcios é difícil de avaliar. Teme-se, entretanto, mais derramamento de sangue em razão da nova lei. "Não sei como interpretar", afirmou Nathan Brown, especialista em Oriente Médio da Universidade George Washington.


"Quando li o texto do decreto, me pareceu que o papel dos militares seria prover segurança durante o processo de votação no momento em que a segurança estará comprometida, quando houver a possibilidade de perturbação nos postos de votação e confrontos. No entanto, no Egito, sempre que os militares são trazidos à cena há implicações políticas que provocam nervosismo. E por uma boa razão." 


Impasse. Segundo Brown, não ficou claro se um dos artigos do decreto que confere ao Exército "todas as autoridades de agentes judiciários" previa julgamentos de civis por tribunais militares, um assunto profundamente controvertido durante o período de transição política no país.

O que está claro é que o novo decreto foi baixado em um momento delicado. "É meramente uma medida para conferir legalidade às Forças Armadas enquanto os militares são usados para manter a segurança no país", afirmou o porta-voz da presidência Yasser Ali, garantindo que não se trata de uma lei marcial, como foi noticiado no sábado pelo jornal New Tork Times. O oposição rejeitou a nova Carta e o referendo constitucional, mas, até ontem, um dia relativamente tranquilo no país, não havia decidido se fará campanha pelo "não" ou pelo boicote à votação.


Ainda ontem, Morsi suspendeu um aumento de impostos pouco após a medida ter sido anunciada. De acordo com analistas, essa mudança na política econômica pode pôr em risco a capacidade de seu governo de garantir um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo acordo preliminar foi firmado no dia 20. O aumento na taxação - sobre mercadorias e serviços - era visto como parte de um pacote de medidas de austeridade proposto pelo governo pra garantir o empréstimo. / WASHINGTON POST e AP

10 dezembro 2012

Força Aérea terá sistema nacional de datalink para comunicação entre aeronaves

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


A Força Aérea Brasileira assinou nesta quinta-feira (6/12) o contrato para o desenvolvimento do "Link BR2", tecnologia que vai permitir os aviões trocarem dados entre si em pleno voo. O acordo com a empresa Mectron, de São José dos Campos (SP), prevê que até 2016 o sistema deverá estar instalado em quatro caças F-5M, quatro A-29 e dois E-99, além de estações em solo, inclusive para uso do Exército e da Marinha. O planejamento prevê instalar o Link BR2 futuramente em um maior número de aeronaves, além de outros modelos, como helicópteros, aviões de patrulha e de reabastecimento em voo.


"O sistema de datalink é um multiplicador de força para qualquer Força Aérea", afirmou o Brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), organização da FAB responsável por projetos de aquisição. O Link BR2 vai integrar mais aeronaves da Força Aérea em uma só rede, diferente dos modelos atualmente em uso, que são restritos a aeronaves específicas. Com o novo datalink será possível, por exemplo, um piloto conseguir visualizar todos os dados captados pelo radar de outro avião.


O Brigadeiro Baptista Júnior lembrou ainda que o contrato assinado envolve não apenas a aquisição do sistema, mas o seu desenvolvimento no Brasil. "É uma oportunidade para a indústria nacional, para que a gente traga não somente a fabricação do hardware, do rádio, daquilo que é fabricado, mas principalmente que a gente traga a inteligência que está dentro deste processo do datalink", explicou.


Já o presidente da Mectron, Gustavo Ramos, ressaltou que este contrato é importante para assegurar o desenvolvimento do Brasil na área de tecnologia. "É uma condição sine qua non fazer o desenvolvimento no Brasil para que a indústria nacional de defesa possa ter essa competência, atender a essas necessidades, absorver tecnologia com garantia de segurança nacional e depois exportar para outros países e crescer ainda mais", disse.


SAIBA MAIS -
Leia a seguir entrevista com o Coronel-Aviador Francisco Guirado Bernabeu, um dos gerentes do projeto Link BR2, e o Coronel-Aviador Flávio Luis de Oliveira Pinto:


Agência Força Aérea - Qual a vantagem de uma aeronave utilizar datalink?


O datalink hoje representa um grande diferencial para uma Força Aérea, especificamente para aeronaves de combate, porque permite que elas troquem informações, por dados, sem a necessidade de comunicação por voz. Isso agiliza a comunicação entre os pilotos e aumenta muito a consciência situacional.


Agência Força Aérea - Como, na prática, ele pode ser utilizado?
 

Por exemplo, a síntese radar do E-99, uma aeronave que tem um radar bastante poderoso, pode ser repassada para um piloto de A-29, de maneira que este tenha condições de visualizar outras aeronaves, mesmo sem ter um radar à bordo Isso evita que o operador do E-99 e o piloto do A-29 tenham que estabelecer comunicação por voz.

Agência Força Aérea - E o Link BR2 serve para transmitir imagens também?
 

Serve. É possível a transmissão de imagens óticas ou de outros tipos de sensores, além de também mandar texto, o que também traz um grande ganho operacional. Uma aeronave pode enviar a imagem de um alvo para outra aeronave ou para um centro de comando e controle, a fim de verificar sua correta identificação e engajamento.Um comandante pode acompanhar visualmente o desenrolar de uma operação.

Agência Força Aérea - A adoção dessa tecnologia muda a forma de combater?


Muda. Por exemplo, utilizando o recurso do datalink, você pode enviar uma aeronave na frente, com o radar desligado, mas conhecendo todos os alvos à frente, repassados por uma aeronave que esteja mais atrás, esta sim com o radar ligado. Então, quer dizer, a aeronave da frente ao não utilizar o radar, vai estar mais escondida eletronicamente do que uma aeronave que esteja com o radar ligado. Essa aeronave da frente, portanto, pode se aproximar mais de seu alvo e fazer uso mais eficiente de seu armamento, por meio das informações passadas por outras aeronaves.


Agência Força Aérea - E é possível atirar utilizando os dados do Link BR2?
 

Sim, será possível. Não faz parte do escopo deste projeto, mas já previmos a possibilidade de fazer a escravização e o guiamento de mísseis a partir de alvos captados por sensores de outras aeronaves e transmitidos via data link.

Agência Força Aérea - Como será a implantação do Link BR2 na FAB?


Inicialmente nós vamos instalar o datalink em quatro aeronaves F-5M, quatro aeronaves A-29 e duas aeronaves E-99M. Com o datalink instalado nessas aeronaves, vamos fazer uma prova de conceito e testar todas as funcionalidades que foram planejadas. Depois que validarmos a solução, vamos implementar nas demais aeronaves da Força Aérea.


Agência Força Aérea - E o A-1 modernizado, terá o Link BR2?
 

O Link BR2 já está sendo instalado no A-1, só que o A-1 está recebendo a primeira versão do link BR2. Neste contrato que estamos assinando, vamos ter o link BR2 com capacidades adicionais, mas essa nova versão será capaz de trocar dados com a versão instalada no A-1 .

Agência Força Aérea - Qualquer aeronave pode receber uma tecnologia como essa?

 
Sim, mas seu uso depende de como a aeronave vai ser utilizada em um cenário operacional. O equipamento datalink é mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos. Nessa caixa haverá um rádio e o terminal datalink, com protocolos de comunicação e aplicativos para interagir com os pilotos e os sistemas das aeronaves


Agência Força Aérea - E que tipos de aeronaves devem receber datalink?

Depende da missão dessa aeronave. Aeronaves de caça, aeronaves de reconhecimento, aeronaves de patrulha, de reabastecimento, de controle e alerta em voo, helicópteros.... qualquer aeronave que tenha uma função relevante no teatro de operações.


Agência Força Aérea - A FAB já utiliza algum tipo de datalink? Qual a diferença para o Link BR2?


Nós já utilizamos alguns datalinks. Nós temos um datalink que permite que apenas aeronaves F-5 conversem entre si; temos outro datalink para as aeronaves A-29, e temos o Link BR1, que permite a comunicação entre as aeronaves E-99 e R-99 com estações em solo. Foi a partir da experiência adquirida com esses datalinks, que conseguimos desenvolver os requisitos para o Link BR2, que vai permitir que todas as aeronaves possam conversar entre si com grande capacidade de transferência de dados. Será possível, com esse novo sistema, incluir mais de 1.000 aeronaves, em diversas redes, trocando dados, simultaneamente, entre si.


Fonte: Agência Força Aérea

Corveta “Barroso” conclui participação na Operação “IBSAMAR-III”

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa


A Corveta “Barroso” participou da Operação “IBSAMAR-III” (Índia, Brasil e África do Sul), realizada, entre os dias 10 e 26 de outubro, ao longo da costa sul-africana. A operação tem o propósito de contribuir para ampliar o nível de adestramento das tripulações na execução de exercícios navais convencionais e no gerenciamento das ameaças assimétricas; ampliar os laços de amizade e interoperabilidade entre as Marinhas participantes; e contribuir para a capacidade de dissuasão clássica.


Este ano, coube ao Brasil o Comando da Força Tarefa da operação, que contou com a participação dos seguintes navios: Fragata “Amatola”, Submarino “Queen Modjajdi I” e Navio Caça-Minas “Umzimkulu”, da Marinha da África do Sul; Corveta “Barroso”, da Marinha do Brasil; e Navio-Tanque “Deepak” e “Destroier Delhi”, da Marinha da Índia; além de helicópteros, destacamentos de Operações Especiais dos três países e aeronaves de ataque da Força Aérea sul-africana.


A “IBSAMAR-III” teve três fases de porto intercaladas por duas fases de mar. Durante as fases de mar, pela primeira vez, foram realizados exercícios de interdição de área marítima para fazer frente às ameaças assimétricas, pirataria, terrorismo e apoio a desastres com ajuda humanitária, bem como exercícios navais clássicos, tais como navegação em canal varrido, operações aéreas, tiro antiaéreo noturno e reabastecimento no mar.


As fases de porto foram marcadas pelas reuniões de planejamento, crítica e encerramento, recepções a bordo dos navios, visitas protocolares, competições esportivas e palestras sobre temas de interesse para as Marinhas. Foram visitados os portos sul-africanos de Simon’s Town e Cape Town, onde registrou-se a expressiva presença de cerca de mil pessoas/dia.

Submarino brasileiro servirá de vitrine para franceses

Consórcio da estatal DCNS com a Odebrecht prevê a construção de cinco unidades para a Marinha brasileira

Gabriela Murno - Brasil Econômico


Depois da entrada no consórcio com a brasileira Odebrecht para construção de cinco submarinos, sendo um deles nuclear, para a Marinha do Brasil, a francesa DCNS já pensa em novos projetos e até na expansão de seus negócios para outros países. “Além de ser uma forma de nos aproximarmos do Brasil, temos interesse de a partir daqui chegar a outras nações. Ou seja, usar a referência do projeto brasileiro para exportação dos nossos produtos”, conta Eric Berthelot, diretorpresidente da francesa no Brasil.


De acordo com o executivo, a empresa atua em três países, além do Brasil: Chile, Malásia e Índia. “É claro que podemos participar de outros projetos brasileiros”, afirma. “O Brasil precisa renovar parte de sua frota e sua esquadra, seja navio-escolta, navio-patrulha, navio de apoio-logístico, ou navio aeródromo. Então, como fazem parte do nosso portfólio, podemos trabalhar bem juntos, temos interesse”, completa Berthelot.


A participação no Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) é o maior contrato militar já firmado pela França. Orçado em mais de € 6 bilhões, em 15 anos, o programa inclui ainda a construção de um estaleiro — onde os cinco submarinos serão confeccionados — e uma Base Naval, pela Odebrecht.


A aproximação da França com o Brasil é importante no momento em que o governo federal decide se comprará o caça Rafale, para modernizar a sua Força Aérea. “Cada projeto é diferente. O que pode ser pode ser usado como exemplo é maneira adotada para a transferência de tecnologia, que para nós é um compromisso”, afirma. “É uma demonstração de que uma empresa francesa pode fazer em um grande projeto em parceria com o Brasil”, diz Berthelot.


Segundo ele, para ter sucesso na transferência de tecnologia, é preciso ir além da documentação. “Nós acompanhamos todo o processo, desde a seleção do pessoal, até o treinamento e a aplicação do que foi ensinado. Então, há a presença do corpo técnico da DCNS até a entrega dos submarinos”, completa.


A DCNS, que tem o governo francês como seu principal acionista, com 65% de seu capital, é especializada em construção naval-militar. Ela foi escolhida pelo Brasil, porque a França foi o único país que demonstrou interesse em transferir sua tecnologia. “O primeiro ponto era termos um país que construísse os dois tipos de submarino: convencional e nuclear, então, ficamos apenas com França e Rússia. Mas os russos não quiseram transferir a sua tecnologia”, explica Alan Paes Leme Arthou, contraalmirante e gerente da construção do Estaleiro e da Base Naval.


Primeira entrega em 2015
 

Em 2015, será lançado ao mar o primeiro dos cinco submarinos feitos pela francesa DCNS, em parceria com a multinacional brasileira Odebrecht, para a Marinha do Brasil. São quatro navios convencionais, movidos a diesel, e um quinto por propulsão nuclear, que será entregue em 2022.

Fazem ainda parte do Prosub — Programa de Desenvolvimento de Submarinos — a construção de um estaleiro, uma Base Naval e uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), pela Odebrecht. O custo total é de mais de € 6 bilhões.

Segundo o contra-almirante e gerente da construção do Estaleiro e da Base Naval, Alan Paes Leme Arthou, o objetivo do programa é proteger a costa brasileira. “Através dela é realizado 95% do comércio exterior nacional. Nela está 88% de toda produção de petróleo do país”. O local escolhido para o empreendimento foi o município de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “A cidade é localizada no centro geométrico das áreas de produção de petróleo”, diz Arthou.

Como o submarino nuclear cobre uma área geográfica maior, ele é essencial para proteger as reservas do pré-sal.


Do total, mais de R$ 908 milhões serão destinados à transferência de tecnologia, que desenvolve a indústria naval nacional, pois o Brasil se capacita para construir os submarinos. “O único porém da França foi sobre a parte nuclear, que está sendo desenvolvida pela Marinha brasileira”.


O objetivo é que o Brasil tenha, no futuro, quatro submarinos nucleares e seis convencionais.


Arthou esclarece que o projeto da área Sul do Estaleiro teve que ser revisto, pois a execução completa estouraria a verba.


Com isso, apenas o submarino nuclear ficará baseado em Itaguaí. “Foi retirada toda base de apoio aos submarinos convencionais, que ficarão na Base de Comando e Operação, no Rio de Janeiro. Porém, a manutenção de todos será feita em Itaguaí”, finaliza Arthou, acrescentando que a modificação do projeto foi feita de forma a permitir expansão. ? G.M.


ALAN ARTHOU
Contra-almirante e gerente de construção do Estaleiro

 

“O primeiro ponto era termos um país que construísse os dois tipos de submarinos: convencional e nuclear, então ficamos apenas com a França e a Rússia. Mas os russos não quiseram transferir sua tecnologia e os franceses demonstraram interesse. O submarino nuclear é essencial para proteger as reservas do pré-sal."

Submarino vira modelo de parceria tecnológica entre França e Brasil

Por Assis Moreira | Valor
De Cherbourg (França)

No enorme e altamente protegido estaleiro da empresa francesa Direction des Constructions Navales et Services (DCNS), em Cherbourg, a "Cité de la Mer" (cidade do mar), a 360 quilômetros de Paris, a mistura de português e francês tornou-se comum.


Aqui está tomando corpo o maior contrato militar internacional do Brasil: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), estimado em R$ 15 bilhões (€ 6,7 bilhões) - superior em R$ 4 bilhões à licitação de 36 caças militares que continua indefinida e da qual todo mundo fala. 


Desta vez, os brasileiros não estão só comprando, e sim procurando fazer. Equipes de técnicos e engenheiros brasileiros se revezam por etapas no estaleiro francês, vestindo um uniforme verde com a bandeira nacional.

O contrato entre a Marinha brasileira e o consórcio Bahia de Sepetiba (formado pela francesa DCNS e a brasileira Odebrecht) implica a construção conjunta de cinco submarinos, incluindo um submarino nuclear de ataque.


Na visita da presidente Dilma Rousseff a Paris, amanhã e quarta-feira, a ênfase da parceria estratégica na inovação terá como modelo precisamente o caso dos submarinos, considerado inédito tanto para a França como para o Brasil. Com a parceria, a França ganha escala e dinamismo, e o Brasil acelera sua capacitação tecnológica.

A expectativa é que a cooperação na área de submarinos estimulará a indústria brasileira de Defesa, inclusive com investimentos de grupos franceses no Brasil. Analistas notam também a importância do financiamento externo. Dos € 6,7 bilhões, cerca de € 4,3 bilhões são crédito francês em 20 anos, o que ajudou a Marinha a não ter o projeto paralisado.


Depois de EUA, França, Rússia e China, somente duas nações têm no futuro previsível condições de ingressar no clube dos submarinos nucleares: Brasil e Índia. E, entre essas potências, só a França considera o Brasil como parceiro privilegiado, com quem a cooperação não tem limites, afirma o embaixador brasileiro em Paris, José Maurício Bustani.


O Ministro da Defesa francês, o socialista Jean-Yves Le Drian, tem repetido que o acordo "é exemplo de uma parceria exemplar com transferência de tecnologia nunca atingida até agora". E propõe adotar cooperação sem restrição também para vender os caças Rafale.


A França teve de superar pressões de outros parceiros para compartilhar tecnologia de alta sensibilidade. Uma fonte nota que pela primeira vez Paris passou a "linha vermelha" na área nuclear, apesar de o Brasil não ter assinado protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).


Os franceses detêm todo o leque das indústrias de soberania, como espacial, Defesa, nuclear, aeronáutica e construção naval. Mas sua condição é de potência média, enfrentando cada vez mais dificuldades para garantir sozinha as economias de escala necessárias para continuar na vanguarda tecnológica e industrial.


A analista Helene Masson constata, na revista "Géoéconomie", de Paris, que os grandes grupos industriais de Defesa estão privilegiando relações de parceria e divisão de riscos financeiros e tecnológicos. A transferência de tecnologia tornou-se um critério-chave e que se impõe nas compras de equipamentos de Defesa. Hoje, Índia, Brasil, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos são países particularmente agressivos para obter transferência de tecnologia, segundo Masson.


Os franceses procuram mostrar que o Brasil é mais do que um grande cliente de equipamentos, e sim um parceiro estratégico para dividir o custo da inovação tecnológica. Os dois governos querem estimular joint ventures para competir juntos no mercado internacional contra rivais dos Estados Unidos e da China.


Além disso, o Brasil tem um programa bilionário, estimado em pelo menos R$ 200 bilhões, de reaparelhamento das Forças Armadas nos próximos 20 anos. Os franceses querem ser escolhidos não só na venda dos caças (FX2), como na de porta-aviões (Pronae), navios de superfície (Prosuper), vigilância e controle marítimo (Sisgaaz). Outro interesse é o programa de grande satélite geoestacionário de telecomunicações (SBG), que vai pilotar toda a banda larga e ser usado em parte da Defesa brasileira.


A Marinha tem cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), inspirados no projeto de submarino alemão tipo 209 e que precisarão ser substituídos gradualmente. Isso ocorre num cenário em que o Brasil pleiteia junto às Nações Unidas estender sua área marítima, atualmente de 3,5 milhões de km2, até os limites de sua plataforma continental. Isso significa superar as 200 milhas náuticas de sua zona econômica exclusiva. Incorporando uma área adicional de 963 mil km2, a área marítima será o equivalente à quase metade do território terrestre.


Essa gigantesca área oceânica tem enormes interesses econômicos, incluindo concentração de minerais estratégicos. Também do subsolo marítimo o Brasil retira a maior parte de seu petróleo e gás. O especialista Eduardo Italo Pesce escreveu que, "apesar de possuir a sexta economia mundial, o Brasil é a mais vulnerável entre as potências emergentes".


Nesse cenário, o Prosub inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico; a fabricação de um submarino nuclear, cabendo ao Brasil o desenvolvimento do motor a propulsão nuclear e da "ilha nuclear" do estaleiro; fornecimento de torpedos e sistemas de combate; a construção de estaleiro e de base naval em Itaguaí (RJ), com capacidade de operar submarinos convencionais e nucleares.


Significa transferência de tecnologia por décadas, na concepção, projeto, fabricação e manutenção de submarinos convencionais e nucleares.


Mas os brasileiros não se enganam com a expressão "transferência de tecnologia". "Você pode transferir equipamentos e dados técnicos, mas tecnologia é capacidade de projetar e de fazer, e isso é adquirido, não transferido", diz Bustani. "A melhor maneira de transferir tecnologia é projetando e fazendo coisas juntos."


O chefe das operações pelo lado brasileiro em Cherbourg, o comandante Guilherme Dionísio, que chefiou a construção do último submarino no Brasil, o Tikuna, lançado em 2005, acrescenta:


"Transferência de tecnologia é absorção. É preciso ter gente com capacidade de absorver, estudar, fazer perguntas adequadas e saber processar o conhecimento. Senão, será mero espectador. Por isso, muitas vezes a transferência de tecnologia falha."

A maioria dos brasileiros que trabalha no projeto participou antes na construção dos cinco submarinos atuais da Marinha, diz o comandante Humberto Caldas da Silveira Júnior, chefe do Prosub na França e ex-comandante do submarino Timbira.


Desde agosto de 2010, quando começou a construção do primeiro submarino, em Cherbourg, mais de 220 brasileiros receberam cursos e programas de formação na França. A cooperação e transferência de tecnologia ocorrem através dos projetos de submarinos em Lorient, sistemas de combate em Toulon, sonares em Sophia-Antipolis e torpedos em Saint-Tropez. Cerca de 80 militares e engenheiros foram formados na França e voltaram ao Brasil para treinar pessoal suplementar.


Os cursos de engenharia em Lorient já ajudaram na concepção preliminar do submarino nuclear no Brasil neste ano. Além disso, desenvolve-se o estaleiro naval em Itaguaí, que será inaugurado provavelmente em janeiro.


Cherbourg já era um porto militar importante sob Luís XVI. É hoje conhecido internacionalmente por ter sido o principal objetivo das tropas americanas no desembarque na Normandia, em 1944, no assalto contra os nazistas.


Aqui era o antigo Arsenal da Marinha francesa, que foi privatizado, mas continua com influência do capital estatal. A verificação de acesso é discreta, mas firme. Existe uma preocupação constante com espionagem industrial.


A reportagem do Valor visitou a construção do submarino acompanhado do adido naval brasileiro em Paris, comandante Jorge Machado, e do chefe do Prosub na França, comandante Silveira Júnior, ambos com ampla experiência no acompanhamento dos projetos com os franceses.


A oficina de construção parece uma enorme caixa azul no centro do estaleiro. Lá dentro, o espaço é dividido por uma cortina branca que vai até o teto fechado. De um lado, está o "Espaço Brasil da Marinha brasileira". Do outro, a construção da próxima classe de submarinos nucleares de ataque franceses, o Barracuda. Ninguém tem direito de atravessar a linha. Os raros visitantes, então, nem pensar.


"Não faça fotos, senão vou preso", avisa um funcionário francês. A DCNS contratou uma fotógrafa para a visita. Menos para fotografar, na verdade. Nada de foto do que já existe do submarino. A explicação é que um olho especializado vai identificar segredos. No dia seguinte, fotos com o submarino foram encontradas em site da mesma empresa.


Para os brasileiros, Cherbourg une a atividade de transferência de tecnologia e o acompanhamento e construção do submarino.


Mas aqui só será feita a primeira parte do primeiro submarino, que inclui a proa e a vela, já em fase final. A segunda parte e os outros submarinos vão ser construídos no Brasil. A expectativa é incluir cada vez mais equipamentos brasileiros de firmas que estão se capacitando, podendo criar um importante polo industrial naval em Itaguaí.


O primeiro submarino deve ser lançado em 2017, o segundo, 18 meses depois. E a grande novidade, o submarino nuclear, em 2021.


Técnicos e engenheiros brasileiros discutem animadamente em torno de gráficos e desenhos. Os documentos vêm em inglês e francês. Eles contam com a ajuda de uma tradutora francesa que morou na Bahia. Todos assinaram cláusula de confidencialidade.


Os submarinos brasileiros não serão uma cópia exata do modelo Scorpène, que a França exporta para o mundo todo. A embarcação francesa tem 60 metros e 1.700 toneladas. Já o brasileiro SBR será mais longo, com 71 metros e 1.850 toneladas, incluindo uma seção desenhada por técnicos brasileiros, que dará mais autonomia e raio de ação ao submarino.


A jovem capitão-tenente Luciana Verissimo tem uma tarefa precisa em Cherbourg: aprofundar-se no planejamento da construção de submarino. Como o espaço é muito confinado, é preciso ter clareza sobre a sequência da fabricação. Com 32 anos na Marinha, o engenheiro naval Alberto Dumont Pinto Ferreira chefia a inspeção de material comprado dos franceses.


Solda, pintura, amortecedor. Os mínimos detalhes são estudados e aperfeiçoados. Um aço especial torna a resistência mais elevada e a espessura do submarino mais leve. E isso faz a soldagem mais complicada e exige mais qualificação. Pedro, Galvão, Vagner e outros técnicos dizem que precisam aprender o método francês de construir submarino, e também garantir a rastreabilidade, para saber onde fazer no futuro um reparo de maneira correta.


Numa área cercada por cortinas, os seis tubos de torpedos estão sendo desmontados por brasileiros também como aprendizado. Em outra área, está em preparação o chassi que vai conter equipamentos e será montado sobre calços amortecedores. Isso para o submarino diminuir o nível de ruídos, no desafio de ser o mais discreto possível quando mergulhado.


Área militar restrita combina com sigilo. Mas sabe-se que, com a experiência conjunta na França, o Brasil já teria conseguido a independência no ciclo completo de produção do casco do submarino. Os técnicos também aprenderam a fabricar calotas para os tubos de torpedos, que envolvem processo artesanal, além dos próprios tubos de torpedos. No acordo com a Alemanha, o Brasil recebia os tubos de torpedos prontos.


Nos meios militares, a experiência com os franceses na área do submarino é ainda mais interessante quando se considera o drama de o país não ter seu programa espacial, com satélites, atribuído ao fato de não conseguir sequer comprar peças sensíveis por causa da desconfiança de parceiros.


Para o embaixador Bustani, a parceria de indústrias estratégicas de Defesa brasileiras com companhias francesas representa "oportunidade de economizar décadas de trabalho e dezenas de bilhões de reais", comparada a tentativas de chegar aos mesmos resultados sozinho.


A transferência de tecnologia francesa ocorre também pela aquisição de 50 helicópteros EC-725. 


A produção está sendo incorporada pela Helibras, filial brasileira da Eurocopter, com crescente aumento de conteúdo nacional. A fábrica de Itajubá está sendo duplicada. O objetivo é criar um segundo polo de competitividade aeronáutica e exportar helicópteros para a América do Sul.

Em Paris, a visita da presidente Dilma deve começar a examinar, mas provavelmente não decidir, novas frentes de parcerias na indústria de Defesa. E outros europeus estão de olho. David Cameron, primeiro-Ministro britânico, quando esteve recentemente no Brasil ofereceu tudo que era possível para atrair contratos militares para o BAE Systems, que procura reduzir sua dependência do mercado dos EUA.


Já em Paris, o anfitrião François Hollande tem sinalizado aos brasileiros que considera o Brasil o parceiro mais importante da França entre os emergentes e quer relançar a parceria estratégica sem ficar bloqueado na questão da compra dos aviões de combate.