25 junho 2012

Síria é acusada pela Turquia de abater avião em águas internacionais

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters – de Ankara

A Turquia afirmou no domingo que a Síria abateu uma aeronave militar em espaço aéreo internacional na sexta-feira sem aviso prévio. O governo turco informou que vai abrir uma consulta formal aos integrantes da Otan sobre uma reação.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, em entrevista 48 horas após o avião ter sido abatido próximo da fronteira marítima entre os dois países, afirmou à rede de TV estatal TRT que o avião tinha clara identificação turca.

Segundo o ministro, a aeronave não carregava armamento e estava apenas realizando uma missão para testar os sistemas de radares domésticos. Disse ainda que o voo não tinha qualquer relação com a crise no país vizinho.

- Nosso avião foi abatido a uma distância de 13 milhas marítimas da fronteira da Síria em espaço aéreo internacional – afirmou Davutoglu.

- De acordo com as imagens do radar, nosso avião perdeu contato com o controle aéreo logo após ser atingido. E como o piloto perdeu controle, a queda ocorreu em águas sírias após movimentos anormais – acrescentou o ministro. “Em todo esse período não houve alertas.”

O fato elevou ainda mais a crise envolvendo a Síria. Forças leais ao presidente Bashar al-Assad e rebeldes estão em confronto há cerca de 16 meses com uma forte escalada da violência.

A Turquia abriga a força rebelde Exército pela Libertação da Síria (FSA, na sigla em inglês). Além disso, tem acomodado refugiados na parte sudoeste da fronteira com a Síria, cerca de 50 quilômetros de distância de onde o avião turco foi abatido. O governo turco, no entanto, nega que tenha fornecido armamentos para os insurgentes.

Davutoglu disse que iria formalmente levar o caso à Otan, assim como ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). As normas da Otan preveem que os estados membros façam consultas entre si sobre a integridade territorial, independência política ou quando a segurança das partes foi ameaçada.

Uma representante da Otan afirmou que os integrantes da aliança militar vão se encontrar na terça-feira para debater o pedido da Turquia.

A Síria afirmou que o avião estava voando muito rápido e muito baixo apenas um quilômetro da costa síria quando foi abatido. Primeiro foi classificada como uma aeronve não identificada e, apenas depois, que era de origem turca.

Davutoglu rejeitou a explicação dizendo que a identificação do avião era clara. Segundo o ministro, a aeronave chegou a ultrapassar a fronteira com a Síria 15 minutos antes de ser abatida. De acordo com Davutoglu, é comum esse tipo de voo cruzar o espaço aéreo dos dois países.

24 junho 2012

Avião da presidenta Dilma sofre pane

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - do Rio de Janeiro

O avião da presidenta Dilma Rousseff sofreu uma pane na noite de sexta-feira logo após decolar do Rio de Janeiro e foi obrigado a retornar ao aeroporto do Galeão, informou a assessoria da Presidência.

Dilma seguiu para Brasília no avião reserva da Presidência, o Embraer 190 e chegou por volta das 0h30 na Capital Federal.

Tanto o Planalto quanto fontes da Aeronáutica informaram que a pane ocorreu no sistema de pressurização do Airbus presidencial, mas foi consertado ainda durante o voo, que decolou às 22h do Rio. Por precaução, o comandante decidiu retornar ao Galeão. Após uma parada de cerca de 20 minutos, a presidenta seguiu para Brasília na segunda aeronave.

O Airbus, inspecionado durante a noite, já retornou a Brasília.

Dilma estava no Rio para participar da conferência sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20.

Israel mata militante em Gaza

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de Gaza

Ataques aéreos israelenses contra alvos do Hamas na Faixa de Gaza mataram neste sábado um militante e feriram 20 pessoas, disseram autoridades médicas no território controlado pelos palestinos, enquanto novos foguetes atirados por militantes feriram um israelense.

O aumento da violência minou uma tímida trégua negociada pelo Egito na quarta-feira. O objetivo era amenizar os conflitos, que aumentaram na segunda-feira, quando um israelense e dois militantes foram mortos em uma operação no Sinai egípcio.

O militante palestino foi morto por um ataque aéreo israelense no norte de Gaza, disseram autoridades médicas. Israel confirmou o ataque, mas não deu outros detalhes, e negou uma informação de que um garoto palestino de seis anos também foi morto na operação.

A ofensiva de Israel foi uma resposta ao pior ataque com foguetes palestinos nos seis dias de conflito. Estilhaços de um foguete na cidade israelense de Sderot feriram um israelense no pescoço quando ele tentava entrar em um abrigo de concreto.

Após um período relativamente calmo, mais de 150 foguetes foram disparados para dentro de Israel na última semana, informaram os militares.

Pelo menos 15 foguetes foram disparados contra Israel neste sábado, quase três vezes mais do que na sexta-feira. Ao menos outros seis foram interceptados pelo sistema de defesa de mísseis em Israel, disseram os militares.

- Os chefes militares de Israel agendaram reuniões urgentes para avaliar um plano de ação – disse uma porta-voz militar. Autoridades israelenses também exortaram os quase 1 milhão de israelenses que vivem no sul do país a ficarem dentro de suas casas ou em abrigos fortificados.

- Israel não pode ficar quieto face aos eventos dos últimos dias – afirmou o ministro da Defesa Civil, Matan Vilnai, em comentários publicados pelo gabinete. “Consideramos o Hamas como totalmente responsável por tudo o que está acontecendo na região de Gaza. Israel está agindo, e continuará agindo com mão forte contra aqueles terroristas que querem piorar a situação na região”.

Hamas promete “esmagar” Israel

O braço militar do Hamas, que não reivindicou a responsabilidade pelos disparos de foguetes dos últimos dias, afirmou que está pronto para “esmagar a arrogância israelense em resposta às suas agressões”.

Autoridades médicas do Hamas disseram que um garoto de seis anos de idade foi morto em um ataque aéreo e o um bebê ficou ferido em outra ação perto da fronteira com o Egito. Israel negou envolvimento nos atos.

A tenente-coronel Avital Leibovich, uma porta-voz militar de Israel, afirmou no Twitter que as informações de responsabilidade israelense na morte do garoto são “falsos rumores” e que o garoto morreu devido a uma explosão de arsenal pertencente aos militantes palestinos.

Outra porta-voz militar israelense afirmou que não tinha informações de ataques aéreos em Rafah, onde a criança teria sido ferido.

Israel confirmou que uma aeronave do país atacou três alvos de militantes em Gaza em pelo menos duas ações antes do amanhecer.

Ninguém em Gaza reivindicou a responsabilidade pelo foguete atirado contra Israel, mas uma fonte de segurança disse que mísseis foram lançados por membros de uma facção de um grupo salafista simpatizante da Al Qaeda, sendo que dois de seus militantes foram mortos nos ataques de Israel na sexta-feira.

Israel culpa os salafistas pelos ataques a partir do Egito na segunda-feira, que desencadearam as ações aéreas israelenses que mataram 11 palestinos, muitos deles militantes, mas também um garoto de 14 anos.

Militantes do Hamas concordaram em aderir à trégua negociada pelo Egito se Israel suspender os ataques. Israel nunca comentou formalmente o acordo, mas suas autoridades prometeram responder quaisquer ataques de foguetes vindos de Gaza.

Autoridades turcas e sírias procuram avião abatido

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de Beirute

A Turquia e a Síria realizam buscas conjuntas a um avião turco abatido pela Síria sobre o Mar Mediterrâneo, enquanto perto dali autoridades autoridades turcas dão abrigo a milhares de rebeldes que lutam contra o presidente sírio, Bashar al-Assad.

Sinais de ambos os lados sugeriram que nenhum dos países admite um confronto militar em decorrência do abatimento do caça perto da fronteira marítima entre as duas nações. Contudo, a operação conjunta de buscas claramente é desconfortável entre as duas forças armadas, devido às hostilidades entre os países, que antes eram aliados, mas se dividiram devido aos 16 meses de repressão de Assad aos seus oposicionistas.

A Turquia prometeu responder severamente ao ocorrido. Neste sábado, o primeiro-ministro turco convocou uma reunião de seu conselho para discutir o tema, segundo uma TV local.

- É impossível ocultar algo assim. O que for necessário certamente será feito - afirmou a repórteres o presidente turco, Abdullah Gul, acrescentando que Ancara está em contato telefônico com autoridades sírias.

O incidente, quaisquer que sejam suas causas, demonstrou a formidável defesa antiaérea síria, fornecida pela Rússia. Esse é um dos motivos pelos quais o Ocidente reluta em iniciar qualquer intervenção militar para interromper o conflito no país.

O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, afirmou que o avião abatido não era uma aeronave de guerra, mas sim de reconhecimento, informou a emissora de televisão estatal TRT. A imprensa turca identificou anteriormente o avião como um F-4 Phantom, um caça também usado em missões de reconhecimento.

Gul afirmou que é operação de rotina que caças cruzem a fronteira em uma curta distância e que uma investigação vai determinar se a aeronave foi derrubada dentro do espaço aéreo turco.

Os militares sírios afirmaram que o avião turco estava voando em baixa altitude e a apenas um quilômetro da costa síria quando foi derrubado. A aeronave primeiro foi classificada como não identificada e, depois, como de origem turca.

- As marinhas dos dois países fizeram contato. Navios sírios estão participando com os turcos das operações de buscas aos pilotos – afirmaram os militares sírios.

Com o segundo maior Exército da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma força militar que cresceu pelos quase 30 anos de conflitos com rebeldes curdos, a Turquia seria um grande rival militar para o Exército sírio, que já sente dificuldades no combate às revoltas populares.

22 junho 2012

Regime sírio derrubou caça desaparecido na fronteira, diz Turquia

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo da Turquia informou nesta sexta-feira que o regime sírio derrubou o caça F-4 desaparecido na região de fronteira entre os dois países. O gabinete do premiê Recep Tayyip Erdogan emitiu um comunicado após reunião em Ancara.

"Após avaliar os dados fornecidos pelas instituições responsáveis e os serviços de inteligência obtidos no marco dos trabalhos de busca e resgate, entendemos que nosso avião foi derrubado pela Síria", informa o documento.

Osman Orsal/Reuters
Avião F-4 das forças turcas do mesmo modelo do que caiu no Mediterrâneo próximo à costa síria
Avião F-4 das Forças turcas do mesmo modelo do que caiu no Mediterrâneo próximo à costa síria

As equipes de resgate continuam a buscar os dois pilotos desaparecidos. Ancara revelou que tomará "todas as medidas necessárias e decisivas" apenas quando forem descobertos todos os detalhes.

Mais cedo, o premiê turco não pode confirmar se o avião foi realmente derrubado por forças armadas sírias e nem que a Síria tenha realmente pedido desculpas.

"Quatro dos nossos navios de guerra e alguns navios sírios estão realizando uma busca conjunta na região", disse Erdogan.

Durante a manhã, o Exército sírio admitiu ter derrubado o caça, que violou seu espaço aéreo sobre a cidade litorânea de Latakia, informou um canal de televisão pró-governo.

Um responsável sírio citado pelo canal "Al Mayadin", com base no Líbano, garantiu que a defesa aérea síria derrubou uma aeronave turca sobre o distrito de Ras al Basit.

RELAÇÕES TENSAS

A Turquia juntou-se aos Estados Unidos para pedir que o ditador sírio, Bashar al Assad, renuncie ao poder, em meio aos confrontos entre governo e oposição que já mataram 10 mil pessoas em 15 meses, segundo estimativas da ONU.

O governo turco também criou campos de refugiados em sua fronteira para receber os mais de 32.000 sírios que fugiram dos combates.

Essa situação gerou especulações na imprensa nesta sexta-feira sobre o que o avião turco estaria fazendo sobre o território sírio.

Militar morre após explosão de mina do Exército no Rio

Correio do Brasil
Por Redação, com agências - do Rio de Janeiro

O militar do Exército Vinícius Figueira, de 22 anos, morreu após uma mina explodir durante um treinamento para o Curso de Formação de Sargentos, na Vila Militar, em Deodoro, na zona oeste do Rio.

Outros dois militares teriam se ferido na explosão e estão internados em estado grave no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na zona norte.

Segundo a assessoria do Comando Militar do Leste (CML), um grupo de alunos estava em um acampamento no Campo de Instrução do Camboatá, quando a mina explodiu.

Os alunos estavam no Campo de Instrução do Camboatá quando a mina explodiu. Em nota, o Comando Militar do Leste informou que o aluno Vinicius Figueira Benedito Eugênio, de 21 anos, morreu e outros dez alunos ficaram feridos.

As vítimas foram socorridas e levadas para hospitais militares. O comandante da Escola determinou abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias dos fatos.

Liga Árabe pede para Rússia terminar com venda de armas à Síria

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de Moscou

Um navio de carga que deu a volta e retornou para a Rússia, enquanto viajava à Síria, transportava três helicópteros reparados além de sistemas de defesa aérea, afirmou o chanceler russo, Sergei Lavrov, segundo a agência de notícias Interfax, na quinta-feira.

- O navio estava carregando sistemas de defesa aérea, que só podem ser (usados) para repelir a agressão estrangeira, e não contra manifestantes pacíficos… e estava carregando três helicópteros reparados – disse Lavrov ao rádio Ekho Mosvky, segundo a agência russa.

Uma importante autoridade da Liga Árabe afirmou, de acordo com a Interfax, na quinta-feira, que a Rússia deve suspender a venda de armas à Síria e que sanções da ONU poderiam ser necessárias para forçar o presidente Bashar al-Assad e os rebeldes que lutam para derrubá-lo para implementar o plano de paz que está fracassando.

A missão de observadores da ONU na Síria, que suspendeu as operações no sábado por causa da escalada da violência, deve ser substituída por forças de paz, disse o vice secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli, à Interfax, em uma entrevista.

-Qualquer tipo de assistência para ajudar a violência deve ser interrompida. Quando você entrega equipamento militar, você está ajudando a matar pessoas. Isso deve ser encerrado – afirmou Ben Helli segundo a agência de notícias, em resposta a uma pergunta sobre a cooperação militar russa com a Síria.

A Rússia, um dos principais fornecedores de equipamento militar para Assad, protege a sua aliada de longa data de sanções mais duras da ONU. O governo russo afirma que as transferências não têm relação com o conflito na Síria, algo que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, rejeitou em 13 de junho, dizendo ser “claramente falso”.

A ONU diz que mais de 10.000 pessoas foram mortas pelas forças do governo durante a revolta contra o presidente sírio, Bashar al-Assad. A Síria diz que pelo menos 2.600 membros das forças armadas e forças de segurança foram mortos pelo que o governo chama de “terroristas islâmicos” apoiados por estrangeiros.

19 junho 2012

Exército compra crianças por US$ 40 em Mianmar

O Dia

Mianmar - O Exército de Mianmar tem
comprado crianças para atuarem como soldados por US$ 40 mais um saco de arroz ou uma lata de gasolina, de acordo com o jornal britânico Independent. Nos três primeiros do ano, 24 crianças foram recrutadas desta forma, o equivalente a duas por semana.

O país, que é comandado pelos militares, vem tentando diminuir as sanções ocidentais, bem como atrair investimentos estrangeiros. Apesar das ações para melhorar sua imagem, a reportagem mostra que o recrutamento de crianças-soldado permanecem.

Relatório divulgado no ano passado pela Organização Child Soldiers International mostra que as crianças se interessam pela carreira militar devido a pobreza em que vivem, disputas e o status concedido pelas Forças Armadas. Os recrutamentos são feitos em lugares públicos, especialmente aqueles com circulação de menores carentes. Porém a ilusão logo surge: existem registros frequentes de casos de espancamentos.

17 junho 2012

Estados Unidos alocarão mais navios de guerra na Ásia

Correio do Brasil
Da Redação, com Reuters - dos EUA

Os Estados Unidos alocarão a maioria de seus navios de guerra para a região da Ásia do Pacífico até 2020, disse o secretário de Defesa do país, Leon Panetta, neste sábado, oferecendo os primeiros detalhes sobre uma nova estratégia militar dos EUA.

Detalhando a mudança estratégia para a Ásia anunciada em Janeiro, Panetta disse que os Estados Unidos manterão seis porta-aviões na região a longo prazo, e rebalancearão sua frota de modo que 60 por cento de seus outros navios de guerra estejam alocados no Pacífico até 2020, comparado a 50 por cento hoje.

Falando num fórum de segurança em Cingapura, Panetta também procurou dissipar a ideia de que a mudança, após mais de uma década de guerra no Afeganistão e no Iraque, foi projetada para conter a emergência da China como potência global. Ele reconheceu diferenças entre as duas maiores economias do mundo em uma série de questões, incluindo o Mar da China Meridional.

- Os dois países entendem que não há alternativa além de travarmos relações, melhorar nossa comunicação e nossa relação (entre forças armadas) – disse. “Esse é o tipo de relação madura que teremos de ter com a China, em última instância”.

Algumas autoridades chinesas têm criticado a ênfase militar dos EUA sobre a Ásia, vendo-a como uma tentativa de pressionar o país e frustrar suas reinvindicações territoriais.

A China enviou um representante de menor escalão para o fórum Shangri-la Dialogue. No ano passado, o ministro da Defesa Liang Guanglie havia comparecido e conheceu o então secretário de Defesa, Robert Gates. Neste ano, o exército chinês foi representado pelo vice-presidente da Academia de Ciências Militares.

Panetta, em compensação, foi acompanhado pelo general Martin Dempsey, a maior autoridade do exército do país como chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, e o almirante Samuel Locklear, chefe do Comando do Pacífico dos EUA.

Panetta estava no início de uma visita de sete dias à região para explicar a aliados e parceiros o significado prático da estratégia militar dos EUA revelada em janeiro, que exige o rebalanceamento de forças norte-americanas com foco no Pacífico.

A visita à Ásia de Panetta surge num momento de tensões renovadas sobre reinvindicações territoriais no Mar da China Meridional, com as Filipinas, um importante aliado dos EUA, e a China disputando o Recife de Scarborough próximo à costa filipina.

O Mar da China Meridional é importante mas, com cerca de 90 por cento de todo o comércio mundial sendo realizado através dos oceanos, a proteção das rotas comerciais no Oceano Índico e no Estreito de Málaga é igualmente necessária.

Reinvindicações marítimas conflitantes -muitas vezes animadas por petróleo, gás natural, peixes e outros recursos- se somam a ameaças de piratas e militantes, disseram os delegados.

A Marinha dos Estados Unidos tinha uma frota de 282 navios, incluindo navios de apoio, em março. Espera-se que esse número caia para cerca de 276 ao longo dos próximos dois anos para, então, começar a subir em direção ao objetivo de uma frota de 300 navios, de acordo com uma projeção de 30 anos da Marinha divulgada em março.

Submarinos alemães com capacidade nuclear, vendidos a Israel, complicam a vida de Merkel

Correio do Brasil
Da Redação, com agências internacionais - de Berlim e Jerusalém 


Os submarinos que a Alemanha fornece a Israel desde a década de 1990 estão equipados para transportar e disparar mísseis nucleares. A denúncia, publicada na edição deste domingo da revista semanal de maior circulação naquele país, a Der Spiegel, uma vez comprovada por setores independentes da Organização das Nações Unidas (ONU), tem tudo para minar de vez o desgastado governo conservador da chanceler Angela Merkel, que há anos nega a capacidade nuclear dos submarinos comercializados com o governo de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Israel tem sido um dos principais opositores do programa nuclear iraniano, pacífico segundo as autoridades de Teerã.

A notícia cita uma pesada investigação sobre a “Operação Samson”, entre alemães e o Estado judeu. Em Jerusalém, o diário israelita Haaretz comenta que, “se a informação obtida por Der Spiegel for efetivamente correta, ela poderia causar um considerável embaraço à chanceler alemã Angela Merkel e ao seu governo, que têm repetidamente negado que sejam nucleares os submarinos fornecidos a Israel”.

Sem parecer preocupado com as consequências indesejadas que a revelação pode trazer a Angela Merkel, o ministro israelita da Defesa, Ebhud Barak, declarou à Der Spiegel:

– Os alemães podem orgulhar-se de ter assegurado a existência do Estado de Israel durante vários anos.

Os três primeiros submarinos alemães da classe Dolphin entregues a Israel foram-no na década de 1990, custeados pelo Estado alemão praticamente durante toda a construção. Peritos internacionais consideravam-nos, antes ainda das atuais revelações, capazes de transportar ogivas nucleares. Um quarto submarino da mesma classe foi entregue há um mês e deverá estar operacional a partir do próximo ano. Outros dois têm contratos assinados e serão entregues escalonadamente até 2017. Merkel teria condicionado a fabricação do armamento à suspensão das construções irregulares em território palestino, além da instalação de um sistema de tratamento de águas residuais na Faixa de Gaza, financiada com capital alemão.

Até agora, o governo de Netanyahu ignorou as duas exigências alemãs, fato que não impediu Berlim de assinar os contratos, subsidiar a fundo perdido um terço (135 milhões de euros) do preço dos submarinos e de abrir créditos a Israel para o restante até 2015.

Os submarinos desta classe podem permanecer submersos durante muito tempo e navegar longamente sem necessidade de reabastecerem os seus tanques de combustível. Eles podem operar visíveis ou invisíveis e têm um alcance de tiro até aos 1,5 mil quilômetros. Foram concebidos especialmente para operações no Mediterrâneo.

Ingenuidade

Segundo o chefe de redação de Der Spiegel, Georg Mascolo, “uma investigação de vários meses prova que os submarinos fornecidos pela Alemanha à Marinha israelita fazem uso de equipamento para transportar armas nucleares”. Mascolo acrescenta que “funcionários alemães admitem-no agora, desde que sabem o uso que Israel faz das armas alemãs”. Dois responsáveis políticos, o antigo secretário de Estado da Defesa Lothar Rühl e o ex-chefe do comité de planeamento Hans Rühle, assumiram em entrevistas à Der Spiegel que sempre suspeitaram que Israel iria equipar os submarinos com armas nucleares.

O programa nuclear israelita, nunca comentado por autoridades de Tel Aviv, é contudo conhecido dos alemães desde 1961, tendo sido objeto de negociações entre os dois governos em 1977, com o chanceler Helmut Schmidt de um lado e o então chefe da diplomacia israelita, Mosche Dayan, do outro.

Segundo o historiador militar israelita Martin van Creveld, o essencial da tecnologia que tornou Israel uma potência nuclear foi-lhe fornecido pelo Estado francês. Na Guerra de Yom Kippur, em 1973, Israel teria, segundo hipótese levantadas por van Creveld mas não sustentada em documentos, ameaçado a Síria com um ataque nuclear. Essa seria, segundo o historiador, a única explicação plausível para o exército sírio ter retirado os seus blindados num momento em que tinha praticamente ganha a batalha pela recuperação dos Montes Golan.

13 junho 2012

Conflito na Síria virou guerra civil, diz chefe das forças da ONU

Reuters
 Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS, 12 Jun (Reuters) - O conflito que já dura 15 meses na Síria tomou as proporções de uma guerra civil, na qual o governo tenta retomar grandes faixas de território urbano perdido para a oposição, disse o chefe das missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira.

"Sim, acho que podemos dizer isso", afirmou o subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, em uma entrevista à Reuters e a um outro jornalista, quando perguntado se a crise síria poderia ser classificada como guerra civil.

"Claramente, o que está acontecendo é que o governo da Síria perdeu algumas grandes porções de território em diversas cidades para a oposição e quer retomar o controle dessas áreas", afirmou ele.

Esta é a primeira vez que uma autoridade do alto escalão da ONU declara que o conflito na Síria é uma guerra civil.

"Agora confirmamos as notícias não apenas sobre o uso de tanques e artilharia, mas também de helicópteros de ataque", afirmou Ladsous. "Isso está de fato aumentando de proporção."

Na semana passada, o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou que o confronto na Síria tem sido tão intenso em partes do país que em alguns momentos tem classificado a situação de guerra civil localizada, embora não tenha dito que se tratava de uma guerra civil em escala total.

Caso o CICV declare a crise síria um "conflito armado interno", isso terá implicações legais com relação aos crimes de guerra e ao cumprimento das Convenções de Genebra.

A declaração de Ladsous não tem nenhuma implicação legal, mas pode ter um peso político. Na semana passada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu sobre o risco iminente de a crise síria se tornar uma guerra civil.

Ladsous também comentou um ataque sofrido pelos observadores da ONU na Síria nesta terça-feira, ocorrido quando tentavam chegar à cidade síria de Haffeh. Os monitores foram forçados a voltar pela multidão furiosa, que jogou pedras e barras de metal contra eles.

"Um de nossos observadores quase foi ferido", disse ele. "Pensamos que ele tivesse sido ferido, mas na verdade a bala não o atingiu, atingiu a bota dele."

"Foram muitos impactos no carro", acrescentou ele. "Assim, foi deliberado."

Chefe da Otan não aprova intervenção militar na Síria

AFP
Em Sidney (Austrália)

Uma intervenção militar na Síria não é "um bom caminho", estimou nesta quarta-feira (13) o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, horas após um alto responsável das Nações Unidas qualificar a situação no país de "guerra civil".

"Não há atualmente qualquer projeto" de operação da Otan na Síria, declarou Rasmussen, que qualificou de "grave erro" o fracasso do Conselho de Segurança da ONU em obter um acordo sobre os meios de se aumentar a pressão sobre Damasco.

Sobre o Afeganistão, Rasmussen prometeu não abandonar o país, no momento em que as tropas estrangeiras se retiram pouco a pouco. "Não abandonaremos o Afeganistão, não deixaremos um vazio na segurança", disse Rasmussen no Clube da Imprensa Nacional em Canberra.

04 junho 2012

SP: cadete da FAB morre ao ser ejetado de avião em solo

Band

Um cadete da FAB morreu ao ser ejetado de um avião durante os preparativos para a decolagem em Pirassununga, no interior de São Paulo.

01 junho 2012

Plano de segurança terá a participação de 5 mil militares da Força Aérea

Agência Força Aérea / Ministério da Defesa

O plano de segurança da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) terá a participação de 5 mil militares da Força Aérea Brasileira (FAB). Esse aparato será empregado no controle das Bases Aéreas do Galeão (Ilha do Governador), dos Afonsos (Marechal Hermes) e de Santa Cruz, que receberão as delegações, na defesa aérea e no controle de tráfego aéreo de áreas de segurança estabelecidas para o Rio de Janeiro.

 
Caças A-29 Super Tucano e F-5EM estarão de prontidão para vigiar o espaço aéreo do Rio de Janeiro durante o evento, além de helicópteros AH-2 Sabre e H-60 Black Hawk e toda a estrutura de radares de controle de tráfego aéreo e de defesa aérea da FAB. Aviões-radares E-99 também serão empregados na vigilância do espaço aéreo da região. Haverá pontos de sobrevoo proibido na cidade, como exemplo, ao redor do Riocentro, que sediará a conferência, num raio que pode variar de 4km a 13km de acordo a programação do evento. Todas as informações referentes à circulação de aeronaves estarão disponíveis aos pilotos por meio de publicações específicas da aviação (NOTAM).

 
A coordenação do fluxo de tráfego aéreo no Rio de Janeiro estará a cargo do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), da Força Aérea, instalado ao lado do Aeroporto Santos Dumont. De lá serão, transmitidas as orientações de pouso e decolagem das aeronaves no período da conferência. Pelo menos 63 aviões utilizarão o pátio do Aeroporto Internacional Tom Jobim, além das áreas disponíveis em três bases aéreas no Rio de Janeiro. A Força Aérea garantirá a segurança nas bases do Galeão, Afonsos e Santa Cruz, e manterá tropas em prontidão para eventuais emergências.

 
Pela Força Aérea, unidades ligadas ao Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e Terceiro Comando Aéreo Regional (III COMAR) estarão envolvidas na operação.

 
Operação - Somados aos 15 mil profissionais anunciados pelo Comando Militar do Leste (CML), serão 20 mil militares e civis das Forças Armadas, das policias federal e estadual, bem como Guarda Municipal, funcionários da Receita Federal e Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) envolvidos na segurança da Rio+20, entre 4 e 29 de junho, no Rio de Janeiro.

 
O sistema conta ainda com a participação de 13 ministérios e 26 entidades públicas. Para isso, os governos federal, estadual e municipal investiram R$ 132,8 milhões, sendo R$ 90 milhões das Forças Armadas. Um exemplo desse investimento foi feito no Riocentro para que o participante da conferência tenha à disposição internet grátis com previsão de 30 mil acessos diários.

 
Para dar segurança às delegações dos chefes de Estado ou de Governo que estarão na conferência da ONU, seja no deslocamento dos comboios ou nos hotéis e locais de atividades, o plano terá a participação de 416 batedores formando 52 equipes especializadas. O tráfego aéreo de monitoramento das comitivas terá a proteção de 29 helicópteros nos cerca de 50 quilômetros da orla carioca. Além do Riocentro e do Aterro do Flamengo, os militares atuarão na região dos 38 hotéis onde estarão hospedados os oito mil delegados participantes da Rio+20.

 
O sistema de segurança da conferência foi aprovado pela presidenta Dilma Rousseff. A elaboração do plano está sob o comando do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), do Ministério da Defesa, e tem a coordenação do Comando Militar do Leste (CML). O efetivo militar utilizado pertence à Marinha, ao Exército e a Força Aérea Brasileira. A Polícia Militar contará com efetivo de 2,5 mil a cada dia do evento e 1 mil guardas municipais. A Polícia Federal disporá de 1,4 mil delegados e agentes na operação.

 
No Riocentro, o Centro de Defesa Cibernebética montou infraestrutura para proteger o sistema de telecomunicação de possíveis ataques de hackers. Somente no centro foram investidos R$ 20 milhões. O plano de segurança conta também com tropas especialmente treinadas para atuação, prevenção e reação a ataques terroristas. Há também contingente para atuar na defesa química e bacteriológica.

Embraer prepara propostas para concorrência nos EUA

Por Ivo Ribeiro | Valor
De São Paulo

 
A Embraer, fabricante brasileira de aviões, já está pronta para disputar a concorrência reaberta pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para compra de aviões militares. Nesta segunda-feira, dia 4, a empresa vai entregar a documentação relativa à fase "past performance" (experiência da aeronave) e no próximo dia 18 a proposta comercial final. A informação foi passada ao Valor por Frederico Curado, presidente da companhia.

 
A fabricante brasileira participa da disputa com o Super Tucano. Em consórcio com a americana Sierra Nevada venceu a concorrência no ano passado, mas o processo foi suspenso neste ano. O avião concorrente ao da Embraer é o AT6, fabricado pela americana Hawker Beechcraft.

 
De acordo com Curado, que se mostra otimista, o resultado da licitação, conduzida pela Força Aérea americana (Usaf), só será conhecido em janeiro de 2013. Ele não soube explicar o porquê da data, mas fontes do setor apontam o processo eleitoral de escolha do novo presidente americano como a provável razão.

 
Segundo Curado, uma das alterações no processo traz um pouco de preocupação à Embraer - a que eliminou a comparação em voo dos aviões. Mas a empresa teve uma compensação, diz, com a segunda, que trata da comprovação de performance anterior do avião (past performance). "O Super Tucano é um avião bem superior ao da Hawker no tipo de missão que é definido na licitação".

 
A concorrência envolve a compra de aviões de ataque leve, voltados para missões de contrainsurgência. "Enquanto o Super Tucano já tem uma longa experiência em combate em vários países, o deles é uma aeronave de treinamento que está sendo adaptada", disse. "A performance dela será inferior".

 
O Super Tucano tem 182 encomendas, das quais 158 já entregues. O avião está presente, além do Brasil, na Colômbia, Chile, Equador, Indonésia e República Dominicana. Há uma venda a um país africano ainda não entregue.

 
Vencer a disputa nos EUA, destacou Curado, é importante porque o governo americano passa a ser um cliente da Embraer. "Hoje, já são fornecedores do Departamento de Defesa dos EUA empresas italianas, francesas...". Além disso, ganha a chancela de um cliente de peso internacional.

 
A concorrência envolve, nessa primeira etapa, um lote de 20 aviões, com valor em torno de US$ 355 milhões. A encomenda poderá chegar a 50 aeronaves, alcançando US$ 1 bilhão.

 
Sobre o cenário global da economia, Curado disse que a situação da Europa - um mercado importante para a Embraer - é preocupante. Mas ele não vê nenhum impacto no curto prazo e acredita em uma solução racional. "As consequências poderiam ser desastrosas", afirmou.

 
Para o executivo, a China ainda cresce no patamar de 8% ao ano, o Brasil entre 2,5% e 3% e a economia americana mostra reação. "Nos EUA, o pior já passou. O crescimento do PIB neste ano deverá ser de 1% a 2%", afirmou.

 
Na avaliação dele, as empresas Aéreas estão perdendo dinheiro na Europa, mas já começam a ganhar nos EUA. Ele pontuou que lá os processos de fusões de companhias contribuiram para essa nova fase, com tarifas mais elevadas.

 
Neste ano, informou Curado, a Embraer está investindo US$ 650 milhões. Desse valor, dois terços estão sendo aplicados em Pesquisa e Desenvolvimento de novos produtos, como os aviões executivos Legacy 450 e 500. O último jato começa a voar no terceiro trimestre.

Rússia enviou navio repleto de armas para porto da Síria

O Estado de SP - Reuters

Um navio da Rússia repleto de armas atracou no porto sírio de Tartus, no fim de semana. A informação tinha sido inicialmente revelada pela ONG Human Rights First e ontem foi confirmada por governos ocidentais. Os EUA qualificaram o envio de armamento como "repreensível".

 
A Rússia é a principal aliada da Síria entre as grandes potências e a principal fornecedora dos arsenais do governo de Bashar Assad. Até agora não está claro que tipo de armas estavam no navio, que chegou no fim de semana. "O navio (russo) Professor Katsman atracou no porto de Tartus no dia 26, antes de seguir para Grécia", afirmou Sadia Hameed, da Human Rights First.

 
Ontem, os EUA decidiram subir o tom contra o apoio de Moscou a Assad. Na Dinamarca, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou que a Rússia "contribui para uma guerra civil" na Síria. Hillary disse que o Kremlin "insiste em dizer que está exercendo uma influência estabilizadora". Em seguida, avisou: "Eu rejeito isso". A secretária de Estado, porém, garantiu que os EUA não estão tentando montar uma coalizão para intervir na Síria, como fizeram na Líbia.

Brasil, Colômbia e Peru vão ampliar cooperação militar para segurança da tríplice fronteira

Assessoria de Comunicação
Ministério da Defesa


Manaus, 30/05/12 — Brasil, Colômbia e Peru reforçaram, em âmbito militar, o compromisso de proteger a fronteira comum contra ilícitos transnacionais. Em reunião tripartite dos chefes dos Estados-Maiores Conjuntos das Forças Armadas realizada ontem (29), em Manaus (AM), representantes dos três países concordaram em fortalecer políticas de cooperação multilateral para combater crimes como narcotráfico, mineração ilegal e contrabando.


"A palavra chave é cooperação", disse o anfitrião do encontro, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi. Segundo ele, o apoio mútuo entre as nações é fundamental para que a América do Sul encontre soluções para ameaças comuns, sobretudo na área fronteiriça. "Mas não podemos esquecer da nossa missão principal: a defesa da pátria e garantia da soberania nacional", ressalvou.

Durante a reunião, realizada na sede do Comando Militar da Amazônia (CMA), De Nardi e os chefes das delegações do Peru e da Colômbia, almirante Jose Cueto Aservi e general Leonardo Alfonso Barrero Gordillo, respectivamente, debateram propostas para incrementar a proteção da área da tríplice fronteira, além de medidas que possam gerar cooperação na luta contra crimes transnacionais.

Ao avaliar a evolução de medidas já adotadas pelos três países, o chefe do EMCFA defendeu que o fortalecimento do intercâmbio de inteligência se dê não apenas na esfera política — entre ministros de Estado ou envolvendo a alta cúpula das Forças Armadas —, mas também na "linha de frente", entre as próprias unidades fronteiriças. "Os comandantes de batalhão precisam se comunicar", afirmou. Para De Nardi, é preciso criar mecanismos que permitam replicar, em outros escalões, a aproximação obtida por Brasil, Colômbia e Peru em nível institucional.

A necessidade de incrementar a interação de informações também foi abordada pelas demais delegações. Além da troca de dados de inteligência, o almirante peruano Jose Cueto Aservi propôs a implementação de programas de treinamento conjunto em setores como inovação tecnológica militar, operações especiais (do tipo reconhecimento e combate noturno) e sistemas de simulação.

Já o general Barrero Gordillo, falando pelos colombianos, mencionou a importância do intercâmbio para manutenção e revitalização de equipamentos militares — como os veículos brasileiros Urutu e Cascavel, utilizados em seu país —, além da necessidade de contar com instâncias que permitam a troca de informações "em tempo real".

Ao debater algumas das ideias apresentadas, o general De Nardi lembrou que o tratamento de questões de segurança nas fronteiras não está restrito à atuação das Forças Armadas, e que uma abordagem mais ampla para o trato dos problemas enfrentados envolve a participação de outros atores institucionais, como o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Justiça, no caso do Brasil.

Defesa cibernética

Ao longo da programação, militares brasileiros fizeram apresentações sobre temas diversos, recorrendo ao uso de slides e vídeos. A primeira delas tratou da questão da defesa cibernética no país e abordou desde a estrutura do setor, hoje sob responsabilidade do Exército Brasileiro, até os programas e projetos em andamento. Segundo o panorama apresentado, o núcleo do recém-criado Centro de Defesa Cibernética, em vias de ser ativado, deve multiplicar por quatro o número de profissionais empregados nos próximos dois anos.

Recentemente, cerca de R$ 20 milhões foram investidos pelo governo federal para a segurança cibernética da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece daqui a duas semanas, no Rio de Janeiro. Investimentos na montagem de sistemas de proteção semelhantes devem ser feitos para outros grandes eventos, como a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo, no ano seguinte.

Em outra apresentação, o chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, general João Carlos Vilela Morgero, falou das lições aprendidas na Operação Ágata, de combate a ilícitos nas fronteiras. Após fazer um balanço geral das quatro edições já realizadas, Vilela destacou o substancial aumento da participação de órgãos públicos na iniciativa, que integra o Plano Estratégico de Fronteiras. De acordo com o general, enquanto a Operação Ágata 1, realizada há menos de um ano, teve a participação de três ministérios, a Ágata 4, concluída há duas semanas, teve a participação de dez ministérios e cerca de 40 órgãos públicos federais e estaduais.

Militares colombianos e peruanos foram apresentados também ao "Guarani", nova família de blindados sobre rodas que começou a ser produzida no Brasil. E tiveram a oportunidade de realizar visitas ao Centro Regional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Manaus, ao Cindacta 4 e ao Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).


Esta foi a segunda reunião tripartite realizada pelos chefes dos Estados-Maiores Conjuntos das Forças Armadas do Brasil, da Colômbia e do Peru. A primeira ocorreu em outubro de 2010, na cidade de Leticia, na Colômbia. A próxima edição do evento está prevista para acontecer no primeiro semestre de 2013, em cidade ainda a ser definida, no Peru.