30 julho 2012

Exército sírio afirma controlar parte de reduto rebelde em Aleppo

AFP
Em Damasco

Fontes das forças de segurança de Damasco afirmaram que o Exército sírio controlava parte do bairro rebelde de Salahedin, em Aleppo, a grande cidade do norte do país, o que foi desmentido pelos rebeldes.

"O Exército assumiu o controle de parte do bairro de Salahedin e prossegue com a ofensiva", declarou a fonte.

Entrevistado por telefone pela AFP, o coronel Abdel Jabar al-Oqaidi, líder do conselho militar rebelde em Aleppo, desmentiu a informação e declarou que as tropas do governo "não avançaram nenhum metro".


Desde sábado, quando teve início a ofensiva das tropas de Assad contra Aleppo, o Exército Sírio Livre (ESL, composto de desertores e civis armados) "impediu três ofensivas" contra Salahedin, afirmou Oqaidi.


Segundo o coronel, o ESL controla "de 35 a 40% de Aleppo", o centro econômico da Síria.


O presidente do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, afirmou que o Exército oficial chegou à periferia do bairro.


Os rebeldes afirmam ainda que assumiram o comando de um estratégico posto de controle ao noroeste de Aleppo, entre a cidade e a fronteira com a Turquia.


Nesta segunda-feira, a França, que assumirá a presidência do Conselho de Segurança da ONU em agosto, solicitará uma reunião urgente dos ministros das Relações Exteriores do organismo para examinar o caso da Síria, anunciou o chanceler francês Laurent Fabius.


Em uma entrevista à rádio RTL, Fabius afirmou que ele mesmo presidirá a reunião, convocada de urgência para deter os massacres cometidos na Síria por Bashar al-Assad, que ele chamou de "carrasco".

Sob bombas e sem água e comida, rebeldes em Aleppo resistem

BBC

Tropas oficiais e rebeldes estão lutando pelo controle da cidade mais populosa da Síria, Aleppo, com 2,5 milhões de habitantes. Desde sábado os bairros controlados pelos rebeldes, como Salah al-Din, têm sido bombardeados por tropas oficiais ou são alvo de uma artilharia pesada.

Segundo a ONU, mais de 200 mil pessoas já deixaram a cidade nos últimos dois dias e as que ficaram precisam de ajuda "urgente" - principalmente suprimento de água e alimento.


O correspondente da BBC na região, Ian Pannell, diz que não há energia nem comida na cidade. De acordo com Pannell, as forças oficiais estão mais fortemente armadas que os rebeldes, mas os opositores estão levando a cabo uma eficiente guerra de guerrilha.


Os rebeldes estão armados com bombas de fabricação caseira e fuzis Kalashnikov. Nos últimos dias, eles têm detido integrantes da polícia e outras pessoas suspeitas de trabalhar para o governo sírio.


Os conflitos em Aleppo colocam à prova o poderio militar do governo do presidente sírio Bashar Al-Asad. Para a TV estatal, trata-se da "mãe de todas as batalhas".


Ativistas internacionais têm expressado preocupação com a possibilidade de que ocorra um massacre na cidade. Para o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, os ataques representam "um prego no caixão de Assad." "Ele perdeu toda a legitimidade", disse.

Turquia transfere mísseis e veículos blindados à fronteira síria

EFE
Em Istambul

A Turquia transferiu nesta segunda-feira um comboio de veículos militares, mísseis e munição para a fronteira síria na província de Kilis, ao norte de Aleppo.

Segundo a agência de notícias "Anadolu", o comboio, que incluía blindados, tanques e tropas de infantaria, saiu dos quartéis de Gaziantep, uma província vizinha, e os veículos integrantes se dispersaram ao longo da fronteira do país árabe.


Horas antes, outro comboio de características parecidas havia se deslocado de Alejandreta, na província de Hatay, para Gaziantep, informou a mesma agência.


Kilis e Gaziantep estão a menos de 50 quilômetros ao norte de Aleppo, a cidade síria que há dias está imersa em fortes combates entre o Exército sírio e grupos rebeldes.

MPF denuncia major da reserva por sequestro e morte no Araguaia

Correio do Brasil
Por Redação, com Portal Vermelho - de Brasília

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça o major da reserva Lício Augusto Maciel pelo sequestro do militante do PCdoB Divino Ferreira de Souza, o Nunes, capturado ilegalmente pelo Exército em 1973 e desaparecido desde então.

Também conhecido como Doutor Asdrúbal, o militar participou, há 40 anos, da Operação Marajoara, que pôs fim à Guerrilha do Araguaia, a maior ação de resistência armada à ditadura militar brasileira. Assassino confesso de pelo menos quatro guerrilheiros, Lício Maciel permanece impune.

A denúncia do MPF segue determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos que, em sentença de 2010, condenou o Brasil a apurar os crimes de lesa-humanidade ocorridos durante a guerrilha. Como a interpretação que o Supremo Tribunal Federal (STF) faz da Lei da Anistia, de 1979, impede que militares sejam punidos por crimes como assassinato e tortura, o MPF enquadrou o Doutor Asdrúbal pelo sequestro de Divino, considerado imprescritível.

Divino foi emboscado no dia 14 de outubro de 1973, na região do município de São Domingos do Araguaia (PA). De acordo com o MPF, ele e os companheiros André Grabois, o Zé Carlos, João Gualberto Calatroni, o Zebão, e Antônio Alfredo de Lima, o Alfredo, foram cercados quando abatiam porcos e não tinham nenhuma chance de reagir. Grabois, Calatroni e Lima foram executados na hora e Divino, sequestrado e levado com vida para a base militar da Casa Azul, em Marabá. Apesar de ferido, foi interrogado e submetido a grave sofrimento físico. Nunca mais foi visto.

Dez dias depois, Lício Maciel seria responsável pela morte da guerrilheira Lúcia Maria de Souza, a Sônia, executada imediatamente após reagir ao ataque dos militares e ferir o major no braço e no rosto. Bem antes, já havia se notabilizado pela prisão do também guerrilheiro José Genoíno, que viria a se tornar presidente do PT.

O ódio do militar pela esquerda é tamanho que, em 2005, chegou a insinuar que Genoíno foi o verdadeiro responsável pelas mortes dos companheiros, já que, quando preso, delatou como funcionavam as bases da guerrilha, mesmo sem sofrer tortura ou ameaça. “Genoino, olhe no meu olho, você está me vendo. Eu prendi você na mata e não toquei num fio de cabelo seu. Não lhe demos uma facãozada, não lhe demos uma bolacha – coisa de que me arrependo hoje”, disse ele, em discurso proferido na Câmara dos Deputados, durante sessão solene em homenagem aos militares que atuaram no Araguaia.

Tratado como um verdadeiro herói de guerra por outros militares de ultradireita, Maciel sempre se gabou de sua participação na guerrilha. “Tenho imenso orgulho de ter participado dessa luta, por ter agido positivamente para evitar que os guerrilheiros do PCdoB implantassem no país um regime comunista igual ao de Cuba, com paredão e tudo”, declarou ele, no mesmo discurso de 2005.

Em 2010, voltou a confirmar os assassinatos e prisões em depoimento à Justiça. Entretanto, disse que os guerrilheiros foram mortos em combate e se eximiu da culpa pelo desaparecimento de Divino que, segundo ele, foi devidamente entregue à base militar. Pelo menos duas testemunhas rechaçam a tese: o militar José Vargas Jimenez, que escreveu um livro sobre a repressão à guerrilha e depois confirmou as informações em depoimento oficial às autoridades brasileiras, e Manoel Leal Lima, o Vanu, que servia de guia para o grupo de militares durante a emboscada. Ambos ressaltam que os militares armaram uma emboscada para os militantes. E, ainda, que Divino foi submetido à grande tortura.

- Nessa etapa houve o deliberado e definitivo abandono do sistema normativo vigente, pois decidiu-se claramente pela adoção sistemática de medidas ilegais e violentas, promovendo-se então o sequestro ou a execução sumária dos militantes. Não há notícias de sequer um militante que, privado da liberdade pelas Forças Armadas durante a Operação Marajoara, tenha sido encontrado livre posteriormente – esclarece a denúncia do MPF.

Memória

Divino nasceu em Goiânia, em 1942, e, em 1961, se tornou membro da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Em 1966, deixou o país, retornando um ano depois para viver na clandestinidade, na região do Brejo Grande, próximo ao Rio Araguaia. Foi nesta época que, atuando como agricultor e comerciante, passou a ser conhecido como Nunes.

Sua irmã, Terezinha Souza Amorim, afirma que a família jamais deixou de buscar a verdade sobre o que aconteceu, sem sucesso. “Em 2004, minha mãe faleceu sem ter obtido informações do Estado brasileiro sobre o que aconteceu com o Divino, após lutar até o fim da vida para o encontrar. Hoje, a minha luta e de outros familiares de mortos e desaparecidos é para que a sociedade conheça a verdadeira história, para que o estado nos esclareça o que aconteceu com nossos entes queridos e para que os responsáveis por todos esses anos de angústia e desespero sejam responsabilizados”, esclarece.

Justiça

Lício Maciel é o terceiro militar denunciado por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura. O primeiro foi justamente o seu parceiro de combate à guerrilha do Araguaia, Sebastião Curió Rodrigues, o Major Curió. A ação foi recusada pela primeira instância, mas o MPF recorreu e aguarda decisão. O segundo é o ex-diretor do DOI/CODI, coronel Brilhante Ustra.

A denúncia contra Lício Maciel foi distribuída para a 2ª Vara Federal do Pará e, desde 19 de julho, aguarda decisão da juíza Nair Pimenta de Castro.

23 julho 2012

Homens da Marinha são flagrados jogando caixa com gatos no mar, na BA

Ursula Medeiros - Instituto Fluke

Foto: Zaca Oliveira

Quarta-feira (18.07.2012), às 11h da manhã, na Avenida Beira Mar – Ribeira/Bahia, um carro da Marinha do Brasil parou do lado da pista, um marinheiro ficou no volante enquanto outro marinheiro pegou uma caixa e jogou no mar. Sabem o que tinha dentro? Vários gatinhos. Gatinhos vivos assustados. Alguns correram e invadiram as casas outros caíram de uma altura de 2m.

Várias pessoas ficaram indignadas, eles cobriram a placa do carro (vejam na foto) e saíram numa velocidade acima do convencional.

Essa é uma das Forças Armadas que mantemos pra defender a nossa nação e nosso meio ambiente.

19 julho 2012

Dilma conversa com Boeing para novo avião presidencial

Por Brian Winter
  • Boeing 747 utilizado pelo presidente dos EUA Barack Obama, conhecido como Air Force One Boeing 747 utilizado pelo presidente dos EUA Barack Obama, conhecido como Air Force One
A presidente Dilma Rousseff está em conversas com a Boeing para adquirir um novo avião presidencial, disseram quatro fontes à Reuters, sinalizando uma entrada maior para a fabricante norte-americana em um dos maiores mercados emergentes do mundo.

Dilma quer um avião maior, mais consistente com o crescente poderio político e econômico do Brasil, e está avaliando a compra de um Boeing 747 similar ao Air Force One, aeronave usada pelo presidente dos Estados Unidos, disseram as fontes sob condição de anonimato.

Atualmente, Dilma usa um Airbus A319, que foi comprado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004. No entanto, a aeronave é incapaz de realizar longos percursos e teve de realizar duas paradas para abastecimento durante a viagem da presidente à Índia, em março, disseram as fontes.

"Presidentes brasileiros irão viajar à Índia e à China uma vez por ano todos os anos a partir de agora, e não devemos ter que fazer paradas como esta", disse uma das fontes.

Outra fonte disse que a opção pela Boeing era a única sendo seriamente analisada por Dilma.

Se a compra for realizada, será uma vitória simbólica nos esforços da Boeing de ganhar mercado na maior economia da América Latina e a sexta do mundo. A questão ganhou urgência já que os tradicionais mercados da companhia nos Estados Unidos e na Europa apresentam baixas previsões de crescimento. 

Relações próximas

A Boeing anunciou um acordo neste mês para fornecer um novo sistema de armas para o avião de combate leve Super Tucano, fabricado pela Embraer (EMBR3), que está tentando expandir suas operações na área da defesa.

As companhias também anunciaram em junho que iriam colaborar no desenvolvimento e marketing do jato militar e de reabastecimento KC-390, também da Embraer.

É possível que um relacionamento mais próximo com o governo brasileiro e a maior fabricante de aeronaves do país possa dar à Boeing uma vantagem em outro negócio muito maior, de ao menos 5 bilhões de dólares: a nova geração de caças da Força Aérea Brasileira.

A francesa Dassault e a sueca Saab são as outras duas concorrentes para o negócio. Dilma não deve tomar nenhuma decisão até o início de 2013, disseram autoridades.

Jim Proulx, um porta-voz da Boeing, disse por e-mail: "Nós não comentamos na mídia as discussões que podemos ou não ter com clientes potenciais."

O Boeing 747 tem quatro turbinas ante duas na maioria dos modelos mais novos. Pode, portanto, oferecer maior segurança em caso de um problema em motor em pleno voo --uma prioridade para Dilma após problemas de segurança recentes com seu avião atual, disseram as fontes.

Em junho, o Airbus presidencial sofreu um problema relacionado à pressurização da cabine durante viagem entre Rio de Janeiro e Brasília. Apesar de não ter deixado feridos, o avião teve de retornar ao Rio e Dilma foi forçada a voar a bordo de uma aeronave reserva menor, desembarcando em casa depois da meia-noite.

O jornal "O Globo" informou no sábado que Dilma "morre de medo" de turbulência e instruiu seus pilotos algumas vezes a alterar o plano de voo para desviar de tempestades ou outros problemas.

Outra grande compra de um grande avião presidencial, apenas oito anos após a última aquisição, poderá causar disputas políticas. O ex-presidente Lula enfrentou grandes críticas por gastos excessivos ao comprar o Airbus por alegados US$ 57 milhões.

No entanto, as ambições políticas e econômicas cresceram desde então. O Produto Interno Bruto brasileiro superou o da Grã-Bretanha em 2011, e sua influência cresceu em fóruns internacionais e em outros mercados emergentes, especialmente em países africanos.

Até mesmo uma viagem recente à Etiópia precisou de uma parada de abastecimento no oeste africano, disse uma das autoridades.

O Airbus A319 tem uma autonomia de 3.740 milhas náuticas, segundo o site da companhia na Internet. A distância de voo entre São Paulo e Nova Délhi é de aproximadamente 7.800 milhas náuticas. A Airbus pertence ao grupo europeu EADS.

18 julho 2012

França finaliza plano de saída do Afeganistão, mas evacuação não deve ser concluída este ano

Le Monde
Nathalie Guibert

As rotas de saída do Afeganistão estão prontas para o exército francês. O ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, que no domingo (15) iniciou sua visita ao Cazaquistão e ao Uzbequistão, decidiu junto com as autoridades políticas desses países quais serão os métodos utilizados. Os especialistas em logística das forças armadas poderão colocar seus planos em prática.

As vias de passagem do Norte são as preferidas pela França. Paris considera a rota do sul até o porto de Karachi, no Paquistão, incerta demais, ainda que três vezes mais barata. A palavra de ordem é não se precipitar, para evitar riscos financeiros e de segurança. Isso significa que nem tudo terá sido evacuado até o dia 31 de dezembro, para cumprir o cronograma da retirada de todos os combatentes até final de 2012, data estabelecida pelo presidente da República.

O objetivo é diversificar os caminhos: além do Uzbequistão e do Cazaquistão, uma alternativa em caso de necessidade poderá ser passar pelo Tadjiquistão (onde a França dispõe de um ponto de apoio na base de Douchambe) e pelo Quirguistão. Deverão ser evacuados cerca de 1.500 contêineres de 20 pés (a título de comparação, o exército americano possui 175 mil deles). As vias aéreas pelas quais já começaram a levar certos materiais, diretamente para a França ou por meio da base de Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos, serão usadas para materiais delicados.

A negociação bilateral, paralela àquela conduzida pela Otan em nome da coalizão, é uma questão delicada, que Paris preparou nomeando em junho um embaixador especial, Stanislas de Laboulaye. Missões técnicas das forças armadas também prepararam o terreno no Uzbequistão e no Cazaquistão. Os dois vizinhos do Afeganistão impuseram a mesma condição: os comboios que transitarem sobre seu solo não deverão conter armamentos e eles deverão ser discretos. 

 
Cooperação militar mais ampla

Esses países estão preocupados com o que acontecerá depois de 2014, data estabelecida pela Otan para a suspensão das operações de combate, por temerem incursões islamitas ou talebans desestabilizantes. A França iniciou, junto com os países da região, uma cooperação militar mais ampla. No Cazaquistão, onde Le Drian encontrou o primeiro-ministro Karim Massimov, foi feito um acordo sobre princípios, que deve, no entanto, ser validado no final do ano. Os materiais chegarão do Afeganistão por avião, na base de Shymkent. A passagem dos Antonov ucranianos que serão alugados pelo exército francês foi possibilitada pela votação, em junho, de uma lei que autoriza o trânsito de aviões fretados em solo cazaque.

Junto com esse país, considerado um parceiro estratégico, Paris pretende aprofundar sua cooperação militar selada por um tratado em 2009. O Cazaquistão, potência mineradora e espacial, é um aliado e um cliente. A Eurocopter inaugurou em junho uma fábrica em joint-venture. A Astrium vendeu dois satélites de observação que serão lançados a partir de 2013. O Thalès está posicionado no mercado de radares.

No Uzbequistão, o ministro obteve o consentimento formal do presidente Islam Karimov para iniciar o trânsito dos contêineres, chegando pela estrada a partir de Cabul até a base alemã de Termez, do outro lado da fronteira, antes de pegar os trilhos na Rússia. Paris alocou um adido de defesa em Tashkent e assinou um plano de cooperação em 2012, mas mostra uma relação mais prudente com esse país. O exército francês vai treinar ali tropas de montanha, especialistas estão sendo enviados para a academia militar do país e serão fornecidos equipamentos de pequeno porte. 

 
Temor de atentados suicidas

Já foi efetuado 20% do desengajamento francês do Afeganistão. Desde o dia 1º de janeiro, voltaram 650 soldados, entre eles o destacamento da aeronáutica presente em Candahar com seus três Mirage 2000 (partidos no início de julho), o destacamento dos aviões não-tripulados, as unidades presentes nos postos de Surobi e Kapisa cedidos às forças afegãs (inclusive o domínio de Uzbin) e dos treinadores da missão da Otan em Cabul. Os maiores trânsitos ocorreram de avião em março e em maio. Restam 2.900 soldados no local.

Por enquanto, os materiais estão se acumulando na base de Warehouse em Cabul. No verão será feita uma pausa, em razão dos riscos de combate, mas também devido às capacidades técnicas dos aviões, que não podem levar cargas tão pesadas quanto no inverno. Portanto, a manobra será reiniciada no outono.

São grandes os temores de atentados suicidas ou de grandes ataques. “A retirada é um desafio, tanto no plano técnico quanto no plano tático, pois sempre se fica mais vulnerável com um desengajamento”, explica o general Bertrand Ract-Madoux, chefe do Exército. “Teremos todo o cuidado de fazê-la nas melhores condições de segurança”. O general admite: “Sim, temo por más notícias”. A ratificação do tratado de amizade assinado pela França com o Afeganistão deverá ser submetida ao Senado no dia 18 de julho. 


Tradutor: Lana Lim

14 julho 2012

Força áerea colombiana sofre novo ataque

Helicóptero que levava tropas foi alvo durante voo; Farc voltam a agir no sul
 
BOGOTÁ - O Estado de S.Paulo

 
Um dia depois da queda de um caça Super Tucano em uma área controlada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), um helicóptero que transportava soldados no norte do país foi atacado ontem com tiros. Ninguém se feriu. No Departamento (Estado) de Cauca, onde o jato foi encontrado, homens da guerrilha deixaram sete feridos em um ataque ao povoado de Toribío.

 
Segundo a Rádio Caracol, o helicóptero foi atacado enquanto sobrevoava o povoado de Convención, a cerca de 700 quilômetros ao norte de Bogotá. Havia no voo também deputados da Assembleia Legislativa de Santander. Não está claro se o voo conseguiu chegar ao destino ou teve de fazer um pouso de emergência.

 
Em Cauca, ao menos sete pessoas ficaram feridas e 30 casas foram destruídas em uma incursão das Farc em Toribío. "O mais grave não é o ataque e si. Estamos há tempos pedindo às autoridades que reavaliem sua estratégia militar", disse o prefeito de Corinto, Oscar Quintero. "Nós acabamos pagando a conta."

 
Centenas de indígenas manifestaram-se na quinta-feira em Toribío, perto de onde foi encontrado o Super Tucano, contra a presença militar na região. Eles derrubaram antenas de comunicação e destruíram trincheiras em protesto.

 
O presidente Juan Manuel Santos prometeu ainda se reunir com líderes indígenas do sudoeste colombiano, área de atuação das Farc, que protestam contra as frequentes incursões militares em seu território e rejeitam retirar as tropas de lá. "Também estamos cansados de guerra, mas não podemos, por nenhum motivo, desmilitarizar nosso território", disse.


De acordo com o prefeito, o Departamento de Cauca é historicamente controlado pelas Farc por ser uma zona geográfica com fácil acesso a diversas áreas do sul da Colômbia. No ano passado, um posto do Exército em Corinto foi atacado pela guerrilha.
 
Resgate. Em Bogotá, a Força Aérea da Colômbia (FAC), recebeu os corpos dos militares mortos na queda do Super Tucano, de fabricação brasileira. As Farc, que dizem ter derrubado o caça, e o Corpo de Bombeiros de Cauca, no sudoeste do país, entregaram os corpos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

 
O Instituto de Medicina Legal da Colômbia informou que os tripulantes morreram de politraumatismos, não por impacto de balas.


O Super Tucano caiu na quarta-feira em Cauca durante uma operação de rotina contra as Farc.

 
Santos disse ser improvável que a guerrilha tenha derrubado o avião e acusou o grupo de mentir para projetar uma maior influência. As Farc mostraram imagens do avião derrubado e dizem ter retirado dele armas de ataque, como uma metralhadora .50.

 
"A verdade é que não sabemos ainda o que aconteceu, mas é muito improvável que o avião tenha sido derrubado porque a guerrilha não tem capacidade pra isso", disse Santos. / AFP

Boeing propõe ampliar projeto para vender caças

Empresa fala em "potencial adicional" na transferência de tecnologia se o Brasil optar pela compra dos F-18 americanos

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

 
O pacote de transferência de tecnologia dos caças F-18 Super Hornet ao Brasil poderá ser "ampliado" à medida que sejam aprofundadas a cooperação e a confiança entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil e entre as companhias dos dois lados envolvidas no projeto.

 
Segundo o vice-presidente do Programa Boeing F/A-18, Mike Gibbons, o mesmo tratamento foi dado pela companhia aos seus atuais clientes desse segmento de defesa. "O Brasil e os EUA precisam um do outro. Os EUA precisam do Brasil para estar seguros. Por isso, se o Brasil comprar os F-18 Super Hornet e se tornar um aliado dos EUA, a parceria e a confiança mútuas vão se expandir e a transferência tecnológica será estendida para um potencial adicional", disse Gibbons ao Estado. "A transferência tecnológica para os nossos atuais clientes está em contínua ampliação, à medida que aumentam a parceria e a confiança dos dois lados", afirmou.

 
Desde o ano passado, a Boeing tem demonstrado forte interesse em ampliar negócios com o Brasil. Abriu escritório em São Paulo, enviou como representante a ex-embaixadora americana em Brasília Donna Hrinak e, recentemente, fechou acordos com a Embraer para o aperfeiçoamento do A-29 Super Tucano e para apoio nas vendas do cargueiro KC-390 aos EUA e a outros países.

 
A Boeing também fechou parceria com a AEL, subsidiária no Brasil da israelense Elbit Systems, para fornecer novas telas do painel de controle para os seus caças - inclusive os eventuais F-18 que venham a ser entregues ao Brasil. A companhia americana faz dessas parcerias exemplos da cooperação que pretende manter, seja como fornecedoras de peças ou parceiras na concepção de futuros aviões.

 
"O Brasil tem a opção de construir o seu próprio caça. Mas oferecemos uma melhor oportunidade para suas empresas que vierem a construir componentes, já em fase de desenho, para os novos Super Hornet e outros projetos futuros da Boeing", afirmou Gibbons. "Esse é um trabalho de alta qualidade e mais durável. Os americanos querem ainda oferecer melhor valor agregado para o desenvolvimento de novas aeronaves."


"Irrestrito". A rigor, a promessa de transferência tecnológica americana não traz o adjetivo "irrestrito", presente na oferta da concorrente francesa Dassault com seus caças Rafale. A qualificação pesou na disposição do então presidente Luis Inácio Lula da Silva de dar preferência à França em 2009.

 
O compromisso americano está escudado sobretudo na palavra do presidente dos EUA, Barack Obama, que concorre à reeleição em novembro. Em visita ao Brasil, em abril passado, o secretário da Defesa, Leon Panetta, garantiu a ampla transferência tecnológica, inclusive nas áreas sensíveis, se o governo Dilma Rousseff optar pelos Super Hornet - mas a palavra final pertence ao Senado americano.

 
Na opinião de Gibbons, o Senado não teria como recuar. A Boeing, ressaltou ele, estaria preparada para iniciar a produção assim que fosse fechado o pacote de produção industrial. "Estamos prontos este ano, se for preciso", afirmou Gibbons, sem deixar transparecer o desapontamento da Boeing com o novo adiamento - desta vez para o fim do ano - da decisão de Brasília sobre todo o projeto. A expectativa era de anúncio do vencedor em junho.

 
No mês passado, o ex-chanceler Celso Amorim extraiu dos três concorrentes do FX2 - além da Boeing e da Dassault, a sueca Saab - a promessa de congelar suas ofertas de venda até 31 de dezembro. O anúncio deve ser feito antes dessa data.

Marinha construirá lanchas para reforçar atendimento social do “Brasil Sem Miséria”

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

Com informações do Ministério do Desenvolvimento Social

Brasília, 09/07/2012 - A Marinha vai construir cem lanchas sociais e barcos para facilitar os atendimentos do Plano Brasil Sem Miséria na região amazônica e no Pantanal. O acordo de cooperação, que prevê a construção das embarcações, foi assinado nesta segunda-feira (09) em Brasília, pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, e pelo comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto.


O termo prevê, inicialmente, duas fases. Na primeira serão construídas lanchas sociais e na segunda etapa os barcos. Esses equipamentos vão auxiliar na busca dos beneficiários do programa que vivem em áreas ribeirinhas nessas regiões. As embarcações levarão às comunidades serviços socioassistenciais; registro no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal; acompanhamento; atendimento às famílias; serviço de convivência com adolescentes, idosos e a população em geral; atividades de grupo; campanhas e esclarecimentos.

Na cerimônia de assinatura do acordo, a ministra Tereza Campello destacou a importância da iniciativa. “Para o MDS, essas ações são fundamentais e estratégicas. Nosso grande desafio é garantir que o Estado e os serviços públicos cheguem a todos os cidadãos, já que essa população não consegue chegar ao Estado. Não teríamos condições e expertise sem o apoio do Ministério da Defesa, da Marinha.”

Desenvolvimento

A construção das embarcações será feita em Belém (PA), na Base Naval de Val-de-Cães. A supervisão técnica dos trabalhos ficará a cargo da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando da Marinha.

Segundo o MDS, a previsão é que as lanchas fiquem prontas em nove meses e o atendimento à população comece a partir de janeiro de 2013. O MDS informa, ainda, que já foram detectadas 109 cidades interessadas em receber as embarcações. A maioria é da região amazônica.

O termo de cooperação terá vigência até 31 de dezembro de 2014. Os recursos destinados às duas fases iniciais do projeto são de R$ 23,1 milhões.

Plano

O objetivo do Plano Brasil Sem Miséria é elevar a renda e as condições de bem-estar da população. As famílias extremamente pobres que ainda não são atendidas pela iniciativa serão localizadas e incluídas de forma integrada nos mais diversos programas de acordo com as suas necessidades.

A ação é direcionada aos brasileiros que vivem em lares cuja renda familiar é de até R$ 70 por pessoa. De acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão nessa situação mais de 16 milhões de cidadãos.

Brasil e EUA retomam diálogo para cooperação bilateral no setor de defesa

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 11/07/2012 - Representantes do Estado-Maior Conjunto das Forças (EMCFA) do Ministério da Defesa (MD) e da Diretoria de Cooperação de Armamentos do Pacífico dos Estados Unidos manifestaram interesse em estreitar cooperação bilateral entre os dois países nas áreas de ciência e tecnologia, e logística. O assunto foi levado a debate por militares brasileiros e americanos durante reunião do Grupo de Trabalho Bilateral de Defesa Brasil-EUA, concluído ontem na capital federal.


Os militares trataram sobre 35 temas, com destaque para, comando e controle, inteligência eletrônica, defesa química e biológica e energia alternativa. O encontro foi presidido pelo subchefe da Subchefia de Logística, general Carlos César de Araújo Lima, e teve a participação do diretor de Cooperação de Armamentos do Pacífico, Matthew Warren, do Escritório do Subsecretário de Defesa dos Estados Unidos.

Segundo Araújo Lima, a retomada do diálogo militar entre o Brasil e os Estados Unidos, nessas áreas, é importante para levantar novas possibilidades de parcerias. O militar brasileiro destacou também que os temas apresentados pelos dois países representam oportunidades de troca de conhecimento, com ganho para as duas nações. O general ressaltou que as Forças Armadas do Brasil passam por grandes transformações nas áreas de ciência e tecnologia e logística e que a cooperação com um país com ampla experiência em operações militares trará muitos ganhos.

Para Matthew Warren foi importante restabelecer um canal de discussão na área de defesa que pode elevar a relação Estados Unidos-Brasil. A intenção é que os assuntos tratados nesse fórum resultem na assinatura de compromissos como, por exemplo, os acordos Master de Intercâmbio de Informações (MIEA - sigla em Inglês) e do Programa de Intercâmbio de Engenheiros e Cientistas (ESEP).

Warren disse que a reunião foi um momento para identificar oportunidades de iniciativas bilaterais. “Determinamos uma maneira para estabelecer alguns acordos que permitam maior cooperação em ciência e tecnologia e logística”, relatou.

Durante o encontro, autoridades brasileiras e americanas fizeram referência ao primeiro Diálogo de Cooperação em Defesa (DCD) Estados Unidos-Brasil assinado em abril deste ano pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e pelo secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta. O diálogo prevê uma maior cooperação bilateral, em ciência inovação e transferência de tecnologia; logística; comunicação; assistência humanitária e resposta a desastres; cooperação em apoio a nações africanas; segurança cibernética e apoio da defesa às autoridades civis para grandes eventos internacionais, tendo por base respeito mútuo e confiança.

Com a finalidade de dar continuidade às consultas, o aprimoramento e engajamento de especialistas serão mantidos diálogos para tornar viável o plano de ação. A próxima reunião está prevista para ocorrer, entre maio e junho de 2013, nos Estados Unidos.

12 julho 2012

Farc dizem ter derrubado avião no qual morreram dois militares

EFE
Em Bogotá 

Avião Super Tucano, da Força Aérea Colombiana, foi derrubado pelas Farc em Jambalo (Colômbia)
Avião Super Tucano, da Força Aérea Colombiana, foi derrubado pelas Farc em Jambalo (Colômbia)
 
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) afirmaram nesta quinta-feira (12) ter derrubado o avião da Aeronáutica colombiana, incidente que matou dois militares que realizavam uma operação no departamento do Cauca.

"O último combate, executado ontem às 15h30 (17h30 de Brasília), na vereda Paletón, do município de Jambaló, deixou como resultado a derrubada de um avião Super Tucano por nosso fogo antiaéreo e matou seus dois tripulantes", indicam as Farc em comunicado datado das "Montanhas do Cauca" e assinado pela "Coluna Jacobo Arenas".


A guerrilha indica que esse ataque estava emoldurado na chamada "Operação Alfonso Cano", que matou o ex-líder máximo da guerrilha em novembro de 2011 pelo Exército colombiano.


Esta afirmação contrasta com os argumentos pronunciados nesta quinta-feira pelo comandante da Força Aérea Colombiana (FAC), general Tito Saúl Pinilla. Segundo ele, não há indícios de que o avião tenha sido derrubado, ao especificar que se tratou de "um acidente aéreo que deve ser investigado".


Mas as Farc deram outra versão: "desde o dia 3 de julho mantivemos assediados o Exército e a Polícia que covardemente se defende no perímetro urbano do município de Jambaló", indica o comunicado, no qual a guerrilha destaca que, desde essa data, "realizou 32 combates de diferentes características".


A derrubada do Super Tucano, avião militar de fabricação brasileira, ocorreu na quarta-feira. Segundo a guerrilha, não decorreu de uma falha técnica ou humana, como dizem as autoridades colombianas.


"Também foi recuperada por nossa força parte do material de guerra do avião, inclusive uma metralhadora .50", acrescenta o comunicado.


"Estamos convencidos e afônicos de repetir que os problemas que a Colômbia sofre, e esta etapa do desenvolvimento da sociedade em sua mais elevada expressão de contradições, podem ser superados de forma civilizada e pacífica através do diálogo", destaca a nota.

04 julho 2012

Assad diz que lamenta derrubada de avião turco

O Estado de SP

O presidente da Síria, Bashar Assad, lamentou que as Forças de defesa de seu país tenham derrubado um avião de caça turco em 22 de junho, em entrevista publicada hoje no jornal turco Cumhuriyet.


"O avião estava voando em um corredor aéreo usado três vezes no passado pela Força Aérea israelense", justificou o dirigente sírio, ao destacar que lamentava "100 por cento" o incidente, que alimentou ainda mais as tensões entre os dois antigos aliados.

 
Assad lamentou ainda as acusações da Turquia de que a defesa antiAérea síria derrubou deliberadamente o F-4 turco em missão de treinamento sobre o Mar Mediterrâneo. "Um país em guerra sempre atua dessa forma, o avião voava a uma altitude muito baixa e foi derrubado pela defesa antiAérea, que o tomou por um avião israelense, como um daqueles que atacaram a Turquia en 2007", afirmou Assad, ao apresentar as condolências aos familiares dos dois pilotos do avião, que seguem desaparecidos.

 
Logo após o incidente, o vice-primeiro-ministro da Turquia, Bulent Arinc, afirmara que a Síria "intencionalmente" derrubou o avião militar turco e abriu fogo contra um segundo avião que procurava pelos destroços do primeiro. Arinc disse que derrubar o jato foi um "ato hostil da mais alta ordem".


As informações são da Dow Jones.

Comissão aprova 225 cargos para Ministério da Defesa

Jornal do Senado

A Comissão de Constituição e Jutiça também aprovou projeto que cria 225 cargos em comissão para o Ministério da Defesa (PLC 38/12). Relatada por José Pimentel (PT-CE), a matéria segue para o Plenário.


O projeto também cria 28 gratificações de representação, 134 gratificações para cargos de confiança e 101 gratificações de representação para exercício de função no ministério.

 
De acordo com o governo, os cargos serão usados para reorganizar a pasta — uma vez que o ministério passou a coordenar o planejamento das Forças Armadas —, além da administração do órgão.

Caças causaram mais danos

No Palácio do Planalto, 49 vidros trincaram por conta da passagem de dois Mirage no último domingo. A estimativa inicial era de 28. No STF, começaram ontem os reparos

ANA POMPEU e ARIADNE SAKKIS - CORREIO BRAZILIENSE

 
Os prejuízos provocados no Palácio do Planalto após a passagem dos caças Mirage F 2000 na cerimônia de troca de bandeira, no último domingo, são maiores do que o estimado inicialmente. 


Segundo cálculos da Secretaria-Geral da Presidência da República, pelo menos 49 vidros trincaram por conta da onda de choque causada pela aeronave — na segunda-feira, o total de danos chegava a 28 estruturas destruídas.
 
No prédio principal, acabaram rachados seis vidros laminados grandes — blindex, com película —, localizados no térreo, no 3º e no 4º andares. No subsolo, a lateral da garagem perderam-se 27, de tamanho médio. Por fim, no prédio do setor de transportes, localizado fora da área do Palácio do Planalto, no lado oposto da Via N2, 16 vidros comuns pequenos não resistiram ao impacto e um deles danificou a pintura da lateral de um veículo oficial.


O custo do conserto pode chegar a R$ 40 mil. Para a contratação do serviço, a Presidência precisa fazer um pregão eletrônico, processo que deve ser concluído em até 20 dias. A partir daí, outros 10 dias serão necessários para a compra das peças. A Força Aérea Brasileira (FAB) entrou em contato com a Secretaria-Geral da sede do governo federal, mas ainda não definiu os detalhes do ressarcimento.

 
No Supremo Tribunal Federal (STF), após a remoção dos estilhaços das janelas quebradas pelo caça da FAB, começou o processo de reparos das estruturas destruídas. Ontem, uma equipe avaliou o edifício localizado na Praça dos Três Poderes e mediu o tamanho dos vidros, que serão feitos sob encomenda. Por enquanto, foram instalados apenas alguns tapumes de madeirite para proteger o interior da Corte.

 
Estragos
 

A assessoria de Comunicação do tribunal informou que a primeira fase da intervenção é operacional e consiste em calcular os estragos e decidir quais espaços terão prioridade no restauro. O mais provável é que o gabinete do ministro presidente do STF, Carlos Ayres Britto, seja um dos primeiros. Todas as janelas da sala onde Britto despacha ficaram destruídas. No total, 65 das 240 vidraças do prédio acabaram destruídas. Ainda que a fachada tenha sido mais prejudicada, todos os lados do STF revelaram danos. O custo será de, no mínimo, R$ 35 mil.
 
O estrago resultou do excesso de velocidade registrada em um dos dois caças que se apresentaram no fim de semana. A Aeronáutica admitiu a imprudência e informou que o piloto, cuja identidade e patente não foram reveladas, está afastado das atividades Aéreas. Ele poderá sofrer sanções. O piloto passou pela Esplanada dos Ministérios a 1.100km/h, quase rompendo a barreira do som. Segundo a FAB, a velocidade ideal para uma missão depende da temperatura atmosférica. Por causa disso, não há um número fixo. Mas, segundo as condições do domingo, o militar não poderia ultrapassar 1.000km/h.

 
O incidente obrigou o ministro Ayres Britto e a equipe dele a se acomodarem provisoriamente no Conselho Nacional de Justiça, órgão também presidido por ele. O CNJ funciona no Anexo 1 do STF. No segundo anexo, concluído na década de 1990, ficam as salas de sessão das duas turmas, onde estão alojados os gabinetes dos ministros.

 
Reforma
 

A estimativa é que o trabalho de reposição das janelas dure até duas semanas, mas a emergência pode acabar contribuindo para que todo o prédio passe por reformas. Segundo o Correio apurou, estavam previstas obras no plenário da casa. Ontem, funcionários retiraram os móveis do local onde são julgados os processos. Além disso, desde o início da semana, há servidores renovando a pintura do teto.
 
Desde a construção e a inauguração, em 21 de abril de 1960, o STF nunca passou por grandes alterações estruturais. O Anexo 1 teve as esquadrias e os vidros trocados uma vez. A obra seria apenas no edifício sede, mas ela está sujeita à aprovação dos ministros. A Corte entrou em recesso na última segunda-feira e volta ao trabalho em agosto. Só então os ministros poderão apreciar se trocam as vidraças por vidros temperados. A mudança exige também a substituição das esquadrias.

 
A assessoria do STF disse que a previsão é de que a reforma ocorra após a posse de Joaquim Barbosa como presidente do tribunal, marcada para dezembro. Os trabalhos devem durar pelo menos um ano e meio. Ainda não há estimativa de quanto o projeto custará aos cofres públicos. A decisão administrativa do colegiado deve incluir também se as laterais do plenário e do gabinete da presidência receberão vidros blindados. Mesmo em obras, o tribunal não interromperá os trabalhos.

 
ENTENDA O CASO
Rastro de destruição

 

Os caças Mirage F 2000 da Aeronáutica abriram a cerimônia de troca da bandeira, no último domingo, na Praça dos Três Poderes. A apresentação começou às 9h50. Por volta das 10h20, no segundo sobrevoo das aeronaves, sentido Norte — Sul, o rasante do primeiro avião provocou ondas de choque tão intensas que a passagem da aeronave sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) destruiu 20% das vidraças da Corte. Na sequência da viagem, os Mirage F 2000 passaram sobre o Setor de Clubes Sul, onde a vibração provocou rachaduras em uma academia, e pelo Lago Sul, bairro no qual várias casas, incluindo a residência oficial do embaixador de Portugal, além de estabelecimentos comerciais, tiveram a estrutura danificada.

FAB recebe 20 queixas do Lago Sul

Aumentou o número de pessoas que reportaram danos causados pela passagem do caça Mirage 2000 da Força Aérea Brasileira (FAB) no último domingo. 

Correio Braziliense

A assessoria de Comunicação da Aeronáutica informou que, até a tarde de ontem, foram registradas 20 reclamações. Todas elas vindas do Lago Sul, bairro onde houve a maior parte dos danos. A FAB explicou que uma empresa de construção civil está sendo contratada para executar os reparos, mas ainda não há dados sobre o custo das obras.

Mesmo com o aumento na quantidade de reclamações — na segunda feira, a Aeronáutica havia sido procurada por oito pessoas —, muita gente ainda não sabe como proceder. É o caso do empresário Antônio Nascimento, 49 anos, cujo prejuízo foi mostrado na edição de ontem do Correio. O teto de gesso do salão de beleza dele, na QI 11 do Lago Sul, desabou após o sobrevoo do caça. Ele foi à 10ª Delegacia de Polícia, mas foi informado que pouco adiantaria registrar queixa, já que não houve um crime, apesar do estrago.

 
Ressarcimento
 

Antônio procurará a Aeronáutica nos próximos dias. Inicialmente, ele estimou o prejuízo em R$ 600, mas, agora, acredita que o valor pode ser maior, já que a mobília também ficou danificada pelo entulho. "Além do prejuízo material, tivemos de desmarcar muitas clientes por impossibilidade de atendêlas. Ainda não sei se isso será contabilizado", afirma.
 

A assessoria de Comunicação da FAB explicou que, uma vez feito o contato, a reclamação é registrada e, em seguida, uma equipe da instituição visitará as residências e os comércios de quem estiver em busca de ressarcimento para fazer uma avaliação técnica do problema.
 
Atenção
 

Quem registrou prejuízos após a passagem do caça Mirage F 2000, no último domingo, deve passar pelo seguinte procedimento:

1 Entrar em contato com a Aeronáutica por meio do endereço eletrônico
ouvidoria.comar6@.fab.mil.br;


2 O e-mail deve conter o nome, o endereço e o telefone do reclamante, além de uma breve descrição do estrago provocado;


3 Em seguida, uma equipe técnica da Aeronáutica irá ao local fazer uma avaliação estrutural da situação;


4 Se for constatado que o problema ocorreu por conta da passagem do caça, o laudo e a autorização dos reparos serão encaminhados à empresa contratada pela Força Aérea Brasileira (FAB) para realizar o serviço.

Nota: abertura de arquivos sigilosos no EMFA

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa

Brasília, 29/06/2012 - No curso de um levantamento realizado para atender as determinações da Lei nº 12.527/11 (Lei de Acesso à Informação), o Ministério da Defesa localizou em seu arquivo documentação sigilosa produzida ou acumulada entre 1946 a 1991 pelo extinto Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA).

O ministro da Defesa, Celso Amorim, informou o fato à Comissão da Verdade e, no último dia 8, encaminhou aviso ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, solicitando a constituição de um grupo de trabalho, para análise, inventário e recolhimento do acervo ao Arquivo Nacional, de modo a tornar possível sua consulta por qualquer cidadão.

O acervo inclui ampla comunicação administrativa (ofícios, memorandos, mensagens etc) trocada por autoridades militares e civis do governo brasileiro. Inclui ainda relatórios sobre a conjuntura política nacional e internacional. Há também correspondências trocadas entre integrantes do governo e representantes de outros países sobre temas relacionados à defesa, segurança nacional e cooperação internacional.

A documentação está organizada em trinta e sete volumes encadernados classificados como sigilosos recebidos ou produzidos no EMFA, organismo extinto em 1999, após a criação do Ministério da Defesa. Há também 52 volumes de boletins reservados. Tornados ostensivos (abertos ao público) pelo decurso do tempo, os papéis tinham classificação de reservados a ultrassecretos.

A guarda definitiva dos volumes passa na data de hoje (29/06) ao Arquivo Nacional, que deverá tornar o acervo disponível para consulta pública após o prazo legal de 30 dias contados a partir da próxima segunda-feira (02/07), data em que o órgão publicará edital dando ciência pública do recolhimento do acervo.