26 novembro 2012

Governo do Congo rejeita negociar com rebeldes

O Estado de SP

O governo do Congo anunciou ontem que não negociará com os rebeldes do M23 até que eles saiam da cidade de Goma. Um porta-voz rebelde, no entanto, disse que Kinshasa não estava em posição de estabelecer condições em negociações de paz. O presidente congolês, Joseph Kabila, encontrou-se com representantes do M23 pela primeira vez no sábado, em Uganda. Os insurgentes tomaram Goma na semana passada. Tropas da ONU disseram que não podem interferir no conflito porque seu mandato é limitado.

Navios do Irã levam armamentos para Gaza, diz jornal

"Sunday Times" diz que satélites de Israel identificaram carregamento de armas destinadas ao Hamas

O Estado de SP

De acordo com o jornal britânico Sunday Times, satélites israelenses teriam  identificado navios iranianos carregados de mísseis que poderiam, segundo analistas, estar a caminho de Gaza. A carga poderia incluir, além dos foguetes Fajr-5, mísseis Shahab-3, que agentes dos EUA e de Israel acreditam poderá, um dia, ter capacidade nuclear.


Os navios seguiriam a rota tradicional usada pelo Irã, que envia armamentos a Gaza pelo Mar Vermelho, via Sudão e Egito. "Acreditamos que os navios de guerra iranianos ancorados na Eritreia acompanharão a carga assim que ela chegar ao Mar Vermelho", disse uma fonte israelense citada pelo Sunday Times. No sábado, Mahmoud al-Zahar, braço direito do premiê palestino em Gaza, Ismail Haniyeh, disse que o cessar-fogo não impedirá o Hamas de continuar se armando com a ajuda de Teerã. "Não temos escolha", disse.


O descontentamento com o cessar-fogo que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, negociou com o Hamas em Gaza pode ter lhe custado apoio eleitoral a poucas semanas das eleições de 22 de janeiro. O premiê, no entanto, ainda é o favorito para vencer a votação, segundo pesquisa divulgada no fim de semana. A sondagem do jornal israelense Maariv, a primeira desde a trégua que entrou em vigor na quarta-feira, mostrou que a coalizão de Netanyahu e Lieberman levaria 37 das 120 cadeiras no dia 22 de janeiro. A mesma pesquisa realizada antes dos oito dias de conflito em Gaza apontava que o partido levaria 43 assentos.


As eleições primárias realizadas ontem pelo Likud, partido de Netanyahu, foram marcadas por problemas técnicos e a votação foi estendida. No total, 123 mil membros foram convocados para votar e escolher a lista de candidatos à eleição de 22 de janeiro.


Ameaça. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou ontem lançar "milhares de foguetes" contra Tel-Aviv e outras cidades israelenses se o governo de Israel atacar o Líbano. Em discurso em comemoração da Ashura, principal feriado do xiismo. Nasrallah disse que a resposta do Hezbollah superaria os ataques de Gaza. / AP, REUTERS e AFP

Rebeldes sírios tomam base de helicópteros

Estratégia dos dissidentes é destruir aeronaves e evitar bombardeios contra posições da oposição 

O Estado de SP

Rebeldes sírios tomaram ontem uma base de helicópteros nos arredores de Damasco. De acordo com ativistas que combatem a ditadura de Bashar Assad, o avanço militar representa um golpe no regime. Tropas do Exército Sírio Livre (ESL) têm sido repelidas por forças leais ao Assad, mas conseguiram consolidar uma posição importante nos arredores da capital síria.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), entidade dissidente com base em Londres, 15 rebeldes e oito militares morreram nos combates na base de Marj al-Sultan, tomada ontem pela manhã. Os combates duraram cerca de 24 horas.


A estratégia rebelde consiste em tomar bases aéreas e destruir aeronaves para impedir que o regime utilize bombardeios aéreos para atacar locais já controlados pela oposição. Os insurgentes não têm acesso a baterias antiaéreas para se defender desses ataques.


"Foi um grande golpe contra o regime porque ocorreu muito perto do centro da capital", disse Abdul Rahman, do OSDH. Segundo ele, a base fica a apenas 15 quilômetros de Damasco. Pouco após derrotarem as forças do regime, os rebeldes roubaram munição e fugiram temendo contra-ataques das tropas de Assad.


Um vídeo divulgado na internet, cuja autenticidade não pode ser comprovada, mostrou rebeldes andando na base, em meio a dois helicópteros destruídos. Outros três, no entanto, foram deixados para trás sem danos. Muita fumaça podia ser vista no local. Outro vídeo mostrava aparelhos de radar destruídos e veículos militares estacionados enquanto os rebeldes circulavam livremente pela base.


Ainda de acordo com o OSDH, os combates continuaram em outros pontos do país. Os mais violentos ocorreram em Alepo, segunda maior cidade da Síria, e nos subúrbios de Damasco. Os dissidentes também conquistaram uma base de treinamento de uma milícia palestina leal a Assad em Douma, subúrbio de Damasco.

A Frente Pela Libertação da Palestina confirmou que sua base foi atacada no final da noite de sábado. Segundo o grupo, ela servia de local de treinamento para militantes que lutam contra a ocupação israelense nos territórios palestinos.


Atentado. A explosão de uma bomba na vila de Othman, próxima das Colinas do Golã, ocupadas por Israel desde 1967, matou cinco pessoas. Dezenas ficaram feridas. Houve confronto de tropas em Quneitra, também próximas do território ocupado.


Segundo o Comitê de Coordenação Local, outra entidade ligada aos rebeldes, 12 corpos foram encontrados em uma casa em Daraya, no subúrbio de Damasco. A região tem sido palco de pesados combates entre forças do governo e do ESL.


Segundo a TV estatal síria, houve confrontos no mesmo subúrbio de Damasco. No bairro de Hajira, o governo disse ter matado um militante palestino da rede terrorista Al-Qaeda, identificado como Abu Suhaib. O militante seria suspeito de diversos atentados organizados pelos rebeldes contra alvos do regime.


Líbano. No país vizinho, soldados libaneses prenderam cinco sírios no sábado. Eles estavam em posse de explosivos. A operação ocorreu na véspera do festival xiita da Ashura. País com grande parte da população xiita, o Líbano vive um frágil equilíbrio sectário, que pode ser rompido caso a guerra civil síria atravesse a fronteira.

De acordo com a imprensa libanesa, os suspeitos planejavam um atentado contra peregrinos xiitas durante as celebrações da Ashura. Os xiitas libaneses são apoiados por Assad, que é alauita, um ramo do Islã derivado do xiismo. Os rebeldes que combatem Assad são majoritariamente sunitas. 


Desde março do ano passado, quando começaram os protestos populares - a princípio pacíficos - contra o presidente sírio, mais de 40 mil pessoas morreram na repressão e na guerra civil. Potências regionais, como Catar, Arábia Saudita e Turquia tem respaldado os rebeldes sírios. No entanto, China, Rússia e Irã seguem ao lado de Assad. / AP e REUTERS

Ministra sueca apresenta caças a Luiz Henrique

O senador por Santa Catarina, que preside a Subcomissão de Reaparelhamento das Forças Armadas, disse após reunião com Karin Enström que acredita no reforço da parceria com a Suécia nesse setor


Jornal do Senado

Luiz Henrique (PMDB-SC) declarou, na semana passada, estar esperançoso sobre o reforço da parceria com a Suécia para o reaparelhamento das Forças Armadas do Brasil. Após receber a ministra da Defesa daquele país, Karin Enström, na quarta-feira, o senador disse que os recursos para o setor estão estagnados há 25 anos.


Presidente da Subcomissão Permanente de Modernização e Reaparelhamento das Forças Armadas da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele informou que o governo brasileiro ainda não definiu com que país construirá aviões de caça: Suécia, França ou Estados Unidos.


O senador insistiu, no entanto, na urgência do reforço das Forças Armadas, indispensável para o Brasil enfrentar o crescente narcotráfico, proteger as vastas fronteiras e preservar o meio ambiente.


A ministra sueca veio ao Brasil buscando intensificar a parceria de cooperação bilateral no setor militar para a construção de aviões de caça.


Karin Enström defendeu a qualidade da oferta sueca para fornecimento de 36 caças de 3ª geração ao Brasil. O modelo da Suécia é o JAS-39 Gripen NG, produzido pela Saab. Ele concorre com o francês Rafale F3, montado pela Dassault, e o norte-americano F/A-18E Super Hornet, da Boeing.


Senador defende unificação das polícias
 

Na audiência com Karin Enström, Luiz Henrique também defendeu a unificação das polícias no Brasil para reforçar o combate ao crime organizado e ao narcotráfico e preservar o território brasileiro.

O senador enfatizou a necessidade de ampliar a defesa das fronteiras para interromper as rotas do narcotráfico.


Com isso, ele entende que poderá ser reduzida a presença das Forças Armadas e das polícias na pacificação de zonas urbanas tomadas pelos traficantes.


Karin Enström destacou o papel da tecnologia para enfrentar o problema. Neste sentido, Luiz Henrique lembrou que, em 1988, quando era ministro da Ciência e Tecnologia, firmou tratado com a China para a compra de satélites que até hoje ajudam o país a vistoriar o território.


Como exemplo da eficiência tecnológica e das Forças Armadas, o senador informou que 89% da Floresta Amazônica continuam preservados e que 63% do país são cobertos por matas.


Luiz Henrique ressaltou a importância de acordos de cooperação entre o Brasil e a Suécia. Ele considerou oportuna a transferência da tecnologia sueca também para outras áreas, como a espacial e a educacional.

Um projeto de dimensões épicas

Sisfron é o maior do planeta no gênero; navios deverão fazer patrulha de área do pré-sal


Roberto Godoy - O Estado de SP

A encomenda do Exército tem dimensões épicas: blindar os 17 mil quilômetros que definem a fronteira do Brasil. Olhos e ouvidos eletrônicos - mas não apenas: tropa em terra, avião no ar e barcos rápidos nos rios, tudo isso apoiado por uma rede de armas como baterias de mísseis e aeronaves sem piloto.


O programa Sisfron começa sólido. A etapa piloto da primeira fase vai ser feita depressa, fica pronta já em 2015 e cobre 650 quilômetros nas divisas do Brasil com o Paraguai e a Bolívia, no Mato Grosso do Sul. Vai custar R$ 839 milhões e isso significa apenas 6,99% do total do plano. "É muito", acredita Luiz Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança (EDS), para quem, "a meta é atender ao compromisso com a Defesa e, posteriormente, exportar o mesmo modelo."


Se tudo der certo, a EDS estará na rota da execução das demais fases do Sisfron, que serão negociadas ao longo do tempo, até 2022. A faixa total controlada pelo projeto mede 150,5 km de largura e se estende como um corredor por 16.886 km. "É o maior empreendimento do gênero em execução no planeta", diz o ministro da Defesa, Celso Amorim.


De fato.
Visto em conjunto com o Sipam, escudo de vigilância da Amazônia, inaugurado em 2002, o Sisfron abrange o equivalente à porção ocidental da Europa - e mais um pouco. O pacote pretende controlar 30% do território nacional, no espaço que separa o Brasil de 11 de seus vizinhos.


O módulo piloto do Sisfron está concentrado na região de Mato Grosso do Sul. De acordo com Marcus Tollendal, presidente da Savis (empresa da Embraer responsável pelo projeto), em dez anos, o projeto vai se expandir e atingir a  Amazônia e o cone Sul. Segundo ele há, nessas áreas, uma "mancha criminal" associada a um "vazio populacional" e à menor presença do Estado.


O governo federal tem uma visão idêntica e está criando um polo militar em Campo Grande reunindo grupos operacionais e bases das três Forças - Marinha, Exército e Aeronáutica. Um dos times, o Esquadrão Flecha, da FAB, equipado com os turboélices Super Tucano, atua regularmente em parceria com a Polícia Federal na repressão a voos ilícitos do tráfico de drogas e contrabando.


No ar e no mar. Economista e administrador em território de engenheiro, Luiz Aguiar, o presidente da EDS, assumiu a empresa em 2011 com a noção clara de que "trata-se de uma corporação de defesa no sentido mais amplo". Vem daí o interesse, cada vez mais forte, nos navios. Sua aposta inicial será na área das embarcações leves, como os patrulheiros de 500 toneladas da classe Macaé, com 55 metros de extensão, 34 militares de tripulação, um canhão rápido de 40 mm, duas metralhadoras 20 mm e velocidade de 21 nós (40 km/hora).


A frota em formação - sete navios já foram comprados - vai patrulhar o mar que interessa ao Brasil. A província petrolífera do pré-sal, todas as plataformas em atividade além, claro, de aumentar a segurança da navegação - 85% das mercadorias que entram e saem do País circulam pelo Atlântico Sul.


No ar, duas expectativas importantes: o enorme cargueiro e avião-tanque KC-390, que acumula 60 pedidos - 28 só da FAB - e vai disputar um mercado mundial de 700 aeronaves com capacidade de 23 toneladas. Ao lado do gigante, o guerreiro Super Tucano, na bica de ser selecionado pelo Pentágono para atender à necessidade de um avião de combate para a nova Força Aérea do Afeganistão. A decisão é esperada para dezembro e abre a possibilidade de fornecer diretamente para a aviação americana - em outro negócio, o governo tem interesse em adquirir 100 unidades desse tipo de aviões a um valor de US$ 900 milhões.

A Embraer parte para o ataque

Empresa quer fabricar navios e acaba de fechar contrato para monitorar fronteiras brasileiras

Melina Costa 

Roberto Godoy
O Estado de SP

“Se fazemos avião, por que não navio?”, é assim que Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, introduz a estratégia da companhia de entrarem uma nova área: a dos navios de guerra. Os planos foram revelados ao Estado ao mesmo tempo em que a companhia se prepara para começar um de seus mais ambiciosos projetos na área de defesa. Ainda hoje, a empresa anuncia que fechou um contrato com o Exército para implementar a primeira fase do Sisfron, o sistema de monitoramento das fronteiras brasileiras, um projeto que deve consumir, ao todo, R$ 12 bilhões. A fração inicial, porém,a cargo da Savis Tecnologia e Sistemas e da OrbiSat (ambas controladas pela Embraer Defesa e Segurança) é de R$ 839 milhões.


Mas o que explica essa profusão de projetos inéditos na história da companhia conhecida por seus aviões? Parte da explicação está no renascimento do setor militar do Brasil, que se deu em 2008, quando o governo criou a Estratégia Nacional de Defesa. Só em 2011, o governo investiu R$ 74 bilhões na área de defesa, 23% mais que o valor de 2010. A outra razão está na lógica da própria Embraer: segundo a empresa, fazer navios não é muito diferente de fabricar aviões. E o mesmo, por incrível que pareça, vale para o sistema de monitoramento de fronteiras.


Explica-se: ao construir suas aeronaves, a Embraer basicamente integra fornecedores de 60 mil itens de modo a atingir prazo e custo esperados. Quando a empresa moderniza equipamentos de outros fabricantes, o processo é semelhante. Esse é o caso dos caças F5 da americana Northrop, usados pela Força Aérea Brasileira (FAB). A estrutura dos aviões é pouco alterada,mas o miolo é completamente transformado, com a troca dos componentes eletrônicos.


É exatamente essa expertise – de integrar fornecedores ao redor de um projeto vultuoso – que a companhia espera adotar na construção de embarcações. Para que o plano saia o papel, porém, a empresa precisa de um parceiro responsável pelo casco e já começou a negociar com estaleiros nacionais e estrangeiros. O alvo das ambições da Embraer é o Programa de Reaparelhamento da Marinha, que, entre outros objetivos, anunciou a aquisição de 27 navios-patrulha de 500 toneladas no valor estimado de R$ 65 milhões cada. Até agora, apenas sete dessas embarcações foram encomendadas.


No Sisfron, a lógica da integração de diferentes sistemas também se aplica. Nesse caso, não se trata de reunir as partes de um produto único, como um navio ou um avião, mas um conjunto de produtos e serviços que vão desde o sensoriamento de uma extensão de 650 quilômetros até o desenvolvimento de software e treinamento de equipes. “A integração do todo é o grande diferencial da Embraer. Aviões,muitos fazem, mas nós agregamos valor ao integrar sistemas complexos”, diz Marcus Tollendal, presidente da Savis, controlada da Embraer.


Guinada.
Diante das oportunidades na área de defesa, a Embraer criou, há dois anos, uma unidade autônoma dedicada a esse mercado. Hoje, a divisão já é responsável por 18% da receita da companhia e deve atingir um faturamento de US$ 1 bilhão até o fim do ano. No terceiro trimestre, o negócio foi o que mais cresceu na comparação com o mesmo período de 2011, contribuindo fortemente para o aumento da margem bruta, que atingiu seu maior nível nos últimos quatro anos. Esse resultado é especialmente bem-vindo no momento em que a carteira de pedidos firmes de aeronaves comerciais da Embraer está em queda. Só no último ano, foram 70 aviões amenos, segundo os analistas do banco JP Morgan.


Uma breve retrospectiva dá uma ideia do tamanho da aposta da Embraer em defesa. Em dois anos, a companhia adquiriu o controle de duas empresas, 50% de participação em uma terceira e criou outras duas. A Embraer trabalha hoje na construção de um satélite e está em fase avançada no desenvolvimento do cargueiro KC-390, uma aeronave que deve levar sua unidade de defesa para um novo patamar.


Até agora, o avião militar mais vendido da Embraer atua em um mercado de US$ 3 bilhões. Para o KC-390, o potencial apenas na reposição de aeronaves antigas, é de US$ 50 bilhões.“Em até dez anos, o KC-390 deve representar um terço da receita da divisão”, diz José Antônio Filippo, diretor financeiro da Embraer.

A nova Embraer.
Na opinião de especialistas, os investimentos em defesa são, a princípio, benéficos para a empresa. “A companhia diversifica seus produtos e cria um núcleo propulsor de tecnologia, que pode ser usada para tornar a aviação comercial mais competitiva”, diz Augusto Assunção, sócio da consultoria PwC no Brasil e especialista no setor aeroespacial. “Ainda mais, os projetos de defesa, por serem longos e ligados a governos, tendem a ser uma fonte de recursos mais sustentável.”


Mas nem todos compartilham do otimismo. “O movimento em direção à defesa é bom – o que me preocupa é que essa pode ser uma reação aos resultados fracos da área comercial”, diz Stephen Trent, analista de aviação do Citi. Os aviões comerciais são responsáveis por 67% da receita da Embraer – e continuarão sendo o carro-chefe da companhia. O problema é que, ao passo em que as demais fabricantes registram recorde de pedidos, a Embraer amarga uma queda de 40% em sua carteira firme desde o pico, alcançado em2008.


Por trás desse resultado está uma mudança recente no mercado de aviação, que tem demandado aeronaves maiores que os modelos Embraer. A companhia acredita na recuperação de sua carteira diante de novos pedidos das aéreas americanas – até lá,porém, analistas e investidores estrangeiros mantém cautela em relação aos resultados da empresa, independentemente dos avanços da defesa. Um dado ajuda a entender o porquê. Segundo Trent, as empresas de defesa são negociadas na bolsa por um valor 12% inferior às empresas de aviação comercial. Do ponto de vista dos investidores, muita proximidade com o governo pode trazer reveses.


Modus Operandi.
Para Aguiar, da Embraer Defesa e Segurança, fazer navio não é tão diferente de fabricar avião.

25 novembro 2012

Ex-combatentes usam ecstasy para tentar superar traumas de guerra

Benedict Carey - The New York Times

Centenas de veteranos do Iraque e Afeganistão com estresse pós-traumático contataram recentemente um casal que trabalha no subúrbio da Carolina do Sul para procurar ajuda. Muitos estão desesperados, implorando tratamento e dispostos a viajar para obtê-lo.

Os soldados não têm nenhum interesse nas terapias tradicionais de conversa ou nos medicamentos que resultaram em pouco alívio. Eles estão fazendo fila para experimentar uma alternativa: MDMA, mais conhecido como Ecstasy, uma droga para festas que surgiu na década de 80 e 90 e que pode induzir e ondas de euforia e afeição radiante.

Reguladores do governo criminalizaram a droga em 1985, colocando-a numa lista de substâncias proibidas que inclui heroína e LSD. Mas nos últimos anos, os reguladores licenciaram um pequeno número de laboratórios para produzir MDMA para fins de pesquisa.

"Eu sinto a culpa do sobrevivente, tanto por voltar do Iraque vivo quanto agora por ter tido a oportunidade de fazer esta terapia", disse Anthony, de 25 anos de idade, que mora perto de Charleston, SC, e pediu para que seu sobrenome não fosse divulgado por causa do estigma de tomar a droga. "Eu sou uma pessoa diferente por causa disso."

Num artigo publicado online na terça-feira (20) pelo Journal of Psychopharmacology, Michael e Ann Mithoefer, o casal que oferece o tratamento – que combina psicoterapia com uma dose de MDMA – escrevem que 15 entre as 21 pessoas que se recuperaram de estresse pós-traumático grave usando a terapia no início de 2000 relataram não ter praticamente nenhum sintoma hoje. Muitos disseram que passaram por outros tipos de terapia desde então, mas não com o MDMA.

O casal Mithoefer – ele é psiquiatra e ela é enfermeira – colaborou no estudo com pesquisadores da Universidade de Medicina da Carolina do Sul e da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos, sem fins lucrativos.

Os pacientes deste grupo incluíam na maior parte vítimas de estupro, e especialistas que conhecem o trabalho advertiram que trata-se de algo preliminar, com base em números pequenos, e sua aplicabilidade a traumas de guerra é inteiramente desconhecida. Uma porta-voz do Departamento de Defesa disse que os militares não estavam envolvidos em qualquer pesquisa com o MDMA.

Dada a escassez de bons tratamentos para o estresse pós-traumático, "há uma necessidade tremenda de estudar novas medicações", incluindo o MDMA, disse o Dr. John H. Krystal, presidente de psiquiatria da Escola de Medicina de Yale.

O estudo é o primeiro teste de longo prazo a sugerir que o interesse hesitante dos psiquiatras por alucinógenos e outras drogas recreativas – que é tabu desde os anos 1960 – pode valer a pena. E notícias de que o casal Mithoefer está começando a testar a droga em veteranos foram divulgadas na imprensa e em blogs de militares. "Mais de 250 veteranos nos telefonaram", disse Mithoefer. "Há uma longa lista de espera, gostaríamos de poder atender a todos."

O casal, que trabalha com outros pesquisadores, tratará mais de 24 veteranos com a terapia, seguindo protocolos da FDA [Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA] para testar drogas experimentais; o MDMA não é aprovado para nenhum uso médico.

Uma série de experimentos similares, usando MDMA, LSD ou maconha estão em andamento na Suíça, Israel e Inglaterra, assim como nos EUA. Tanto pesquisadores militares quanto civis estão observando de perto. Até agora, a pesquisa vem sendo financiada em grande parte por grupos sem fins lucrativos.

"Quando se trata de saúde e bem-estar daqueles que servem o país, devemos deixar a política de fora e não ter medo de seguir os dados", disse o brigadeiro-general Loree Sutton, psiquiatra que se aposentou recentemente do Exército. "Há agora uma base de evidências para esta terapia de MDMA e uma história plausível sobre o que pode estar acontecendo no cérebro para explicar os efeitos."

Em entrevistas, duas pessoas que passaram pela terapia – Anthony, atualmente no estudo dos veteranos, e outra que recebeu a terapia de forma independente – disseram que o MDMA produziu um lugar agradável na mente que permitiu que eles sentissem e falassem sobre seu trauma sem se oprimido por ele.

"Ele mudou a minha perspectiva sobre toda a experiência de trabalhar no marco zero", disse Patrick, de 46 anos de idade, que mora em San Francisco, e trabalhou longas horas nos escombros após os ataques de 11 de setembro de 2001, na busca sem sucesso por sobreviventes, enquanto familiares desesperados das vítimas olhavam, implorando informações. "Às vezes eu tinha uma sensação boa e e tranquila quando eu estava no poço, de que eu tinha um propósito, de que eu estava fazendo o que precisava fazer. E eu comecei a me identificar com isso na terapia", em vez de com a culpa e a tristeza.

Os Mithoefers administram o MDMA em duas doses durante uma longa sessão de terapia, que acontece depois de uma série de sessões semanais de preparação sem a droga. Três a cinco semanas mais tarde, eles fazem outra sessão com auxílio da droga; e de novo, os pacientes passam por sessões de 90 minutos sem a droga antes e depois, uma vez por semana.

A maioria descobriu que sua pontuação, dentro de uma medida padrão de sintomas – ansiedade generalizada, hipervigilância, depressão, pesadelos – caiu cerca de 75%. Isso é mais do que duas vezes o alívio experimentado por pessoas que passam por psicoterapia sem o MDMA, dizem os Mithoefer.

O casal trabalha como uma equipe, ficando ao lado do paciente durante todo o tempo que dura o estado alterado. "É muito mais uma terapia não dirigida", diz Mithoefer. "Ficamos com eles por 8 a 10 horas, normalmente, e alternamos entre fazer com que eles conversem conosco e se concentrem no trauma. Parte do que tentamos fazer é ajudar a pessoa a vivenciar a memória, mesmo que seja difícil.”

Para muitas pessoas, a experiência no tratamento é emocionalmente intenso, continua Mithoefer. A droga não deixa “eufórico”, mas normalmente traz alguma tranquilidade.

Estudos de pessoas que tomam MDMA sugerem que a droga induz, entre outras coisas, à liberação de um hormônio chamado oxitocina, que acredita-se aumenta as sensações de confiança e afeição. A droga também parece conter as atividades numa região do cérebro chamada amídala, que é ativada durante situações temerosas e ameaçadoras.

"A sensação que eu tive não foi nenhuma por 45 minutos, depois uma ansiedade muito ruim, e eu estava lutando contra ela no início", disse Anthony, o veterano do Iraque, que patrulhava o sudoeste de Bagdá em 2006 e 2007 em meio a uma perseguição implacável por parte de insurgentes e a ataques com explosivos improvisados. "E então – eu não sei como explicar, exatamente – eu me senti bem e confuso ao mesmo tempo. Limpo. Era quase como se eu pudesse entrar em qualquer pensamento que eu quisesse e corrigi-lo.”

Por exemplo, ele podia pensar e falar sobre um ataque que ocorreu numa cidade perto de Bagdá, no qual os iraquianos que posavam de aliados – e que tinham sido armado pelos militares dos EUA – voltaram suas armas para os soldados dos EUA, matando vários. A unidade não conseguiu evacuar seus feridos rapidamente por causa das condições do tempo. A raiva e a tristeza de Anthony eram tão esmagadoras que ele teve de reprimi-las durante anos.

"Os militares fazem um ótimo trabalho para transformá-lo num soldado, e ensiná-lo a controlar suas reações, e é difícil desligar esses hábitos", disse Anthony.

Ele disse que já não sofre de estresses pós-traumático ou culpa, mais de um ano depois de passar pelo tratamento com MDMA. No novo relatório, os Mithoefer escrevem que descobriram que 80% dos pacientes tratados no início dos anos 2000 informaram que grande parte ou todo o benefício inicial que conseguiram com o teste padrão persistiu durante um a cinco anos depois que a terapia terminou.

Se os resultados com os veteranos forem próximos disso, e tão poderosos e duradouros, dizem os pesquisadores, é provável que o governo se disponha a pagar por um teste mais amplo.

"Isso é realmente o que estamos buscando, e estamos fazendo isso com cautela", disse Rick Doblin, diretor-executivo da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos, que financiou o estudo com o MDMA. “Depois de todo este tumulto cultural, a divisão entre os militares e a comunidade psicodélica, seria realmente significativo se pudéssemos nos unir e usar algumas dessas drogas para ajudar as pessoas.” 


Tradutor: Eloise De Vylder - UOL

23 novembro 2012

Pela primeira vez, uma mulher chega a oficial general das Forças Armadas.

Dilma assinou promoção de Dalva Maria Carvalho a Contra-Almirante da Marinha

O Globo


Brasília - A Presidente Dilma Rousseff assinou, nesta sexta-feira, a promoção da primeira Oficial General das Forças Armadas. A Capitão-de-Mar-e-Guerra Dalva Maria Carvalho Mendes passará a Contra-Almirante, patente equivalente a General de Brigada, no Exército, e Brigadeiro, na Aeronáutica.

A promoção, que deve ser publicada na edição de segunda-feira do Diário Oficial, foi decidida em reunião com o ministro da Defesa Celso Amorim, no Palácio do Planalto.

Dalva Maria é diretora da Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória, no Rio de Janeiro. Ela entrou na Marinha em 1981, tem 56 anos, é viúva e tem 2 filhos.

A Marinha foi a primeira das três Forças a aceitar mulheres em seus quadros. A participação das mulheres se deu a partir de 1980. Atualmente, dos 2.882 oficiais da Marinha, 33,3% são mulheres; dos 2.933 praças, 6,8%.

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff assinou, nesta sexta-feira, a promoção da primeira oficial general das Forças Armadas. A capitão de mar e guerra Dalva Maria Carvalho Mendes passará a contra-almirante - patente equivalente a general de brigada, no Exército, e brigadeiro, na Aeronáutica. A informação foi antecipada pelo jornalista Ilimar Franco, na coluna "Panorama Político" de 7 de novembro.
A promoção, que deve ser publicada na edição de segunda-feira do “Diário Oficial”, foi decidida em reunião com o ministro da Defesa, Celso Amorim, no Palácio do Planalto.
Dalva Maria é diretora da Policlínica Naval Nossa Senhora da Glória, no Rio. Ela entrou na Marinha em 1981, tem 56 anos, é viúva e tem dois filhos.
A Marinha foi a primeira das três Forças a aceitar mulheres em seus quadros. A participação das mulheres se deu a partir de 1980. Atualmente, dos 2.882 oficiais da Marinha, 33,3% são mulheres; dos 2.933 praças, 6,8%.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/pela-primeira-vez-uma-mulher-chega-oficial-general-das-forcas-armadas-6813607#ixzz2D5ApfSkt
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Dilma assinou promoção de Dalva Maria Carvalho a contra-almirante da Marinha

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Primeiros Airbus A400M estão em fase final de montagem

Revista Asas

Os três primeiros turboélices quadrimotores de transporte tático da Airbus, o A400M, estão em fase final de montagem na linha de produção da empresa em Sevilha, na Espanha. Na foto, a aeronave que aparece ao fundo, a direita, é o A400M MSN 7, que está aguardando a instalação dos motores e que será entregue para a França, seguido pelo MSN 9 (ao centro, destinado para a Turquia), e a esquerda o MSN 8, também da França. Em 2013 a Airbus deverá entregar quatro exemplares, três para a França e um para a Turquia.

Primeiro piloto chinês pousa no porta-aviões Liaoning

Revista Asas
Da redação

Após anos de muitos esforços e investimentos, a China confirmou hoje que os primeiros pousos a bordo do porta-aviões Liaoning foram feitos por jatos de combate Shenyang J-15, versão naval desenvolvida na China com base no Sukhoi Su-27, de fabricação russa. Dai Mingmeng, ainda com os trajes de voo, foi recepcionado no convés de voo do Liaoning e homenageado pelo feito que ficará registrado na história das forças armadas da China, que agora faz parte de um seleto grupo de 10 países que possuem um porta-aviões em serviço ativo.

Há rumores de que o país esteja se preparando para iniciar no futuro o desenvolvimento e a fabricação de porta-aviões, utilizando tecnologias que foram assimiladas durante o desenvolvimento do Liaoning.

A história da belonave remonta a década de 80, quando começou a ser construído na então União Soviética, entretanto as obras pararam em 1992 por falta de verbas após o colapso daquele país. Com 60% dos trabalhos concluídos o navio foi vendido em 1998 por US$ 20 milhões a uma empresa chinesa que dizia ter o interesse em transformar o colosso num cassino flutuante. Pouco tempo depois a venda o Liaoning foi repassado para a Marinha da China, que iniciou um intenso trabalho de modernização e conclusão das obras.
 

Brasil e Suécia buscam ampliar cooperação na área de defesa

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 21/11/2012 – Dispostos a ampliar a cooperação no setor de defesa, os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Suécia, Karin Enström, tiveram reunião bilateral nesta quarta-feira, em Brasília. Durante o encontro, realizado na sede do Ministério da Defesa, os representantes das duas nações conversaram sobre as possibilidades de desenvolvimento de projetos e de ações conjuntas na área militar.

Ao abrir a reunião, o ministro Amorim destacou a importância de a Suécia ser um país neutro e, a exemplo do Brasil, não fazer parte de alianças militares de defesa coletiva, além de defender internacionalmente princípios como democracia, desenvolvimento e promoção da paz.

Em seguida, Amorim fez breves considerações sobre o ambiente estratégico brasileiro. “Brasil é um país que tem múltiplas maneiras de se inserir no cenário internacional”, disse. E completou: “Nossas relações com os países da América do Sul, América Latina e Caribe são as melhores. Temos também interesse estratégico no Atlântico Sul”.

O ministro falou ainda sobre a importância da participação do Brasil em blocos estratégicos como IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele também mencionou a ampla relação brasileira com outras nações, citando como exemplos França, Grã Bretanha, Alemanha, Estados Unidos e Canadá. Amorim ressaltou, no entanto, a importância de o Brasil estabelecer aliança com países como a Suécia, que compartilham visão semelhante sobre o mundo.

Ato contínuo, a ministra sueca recordou que os dois países mantém relações que já duram décadas. Enström explicou que, ao longo do tempo, indústrias da Suécia se instalaram no Brasil e passaram a produzir no território nacional visando os mercados interno e externo. “Somos um país pequeno, mas temos algo em comum. Por isso espero que essa reunião seja o início de um novo entendimento na área de defesa”, afirmou a ministra.

Karin Enströn contou que, nos últimos anos, seu país vem desenvolvendo uma política de segurança e de defesa focada em manter a cooperação com os países com os quais estabelece parcerias. “Queremos fazer parte não de uma aliança militar, mas de um sistema em que prevaleça a cooperação mútua”, explicou.

Ciência sem fronteiras

Na reunião bilateral, a ministra relatou a importância da defesa cibernética na atualidade. Segundo ela, na Suécia o setor tem enorme importância nos mais diversos segmentos da economia e do dia a dia da população. Tal fato tem levado o governo sueco a trabalhar em cooperação com outras nações para o desenvolvimento de mecanismos que protejam, por exemplo, o ciberespaço.

Os dois ministros trataram também da formação de cidadãos, com ênfase no “Ciência Sem Fronteiras”, programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. De acordo com a ministra, o governo sueco está disposto a ofertar 2,5 mil vagas em instituições de ensino seu país.

Na última parte do encontro, Karin Enströn tratou da modernização dos caças brasileiros no âmbito do programa FX-2, da Força Aérea. A empresa sueca Saab é uma das concorrentes com o caça Gripen NG. O ministro Amorim explicou que o tema ainda é objeto de análise pela presidenta Dilma Rousseff.

Ele não mencionou o prazo para a tomada de decisão, mas disse esperar que o desfecho da concorrência internacional ocorra em breve. Segundo o ministro, a crise financeira mundial dos últimos anos foi um dos principais motivos que levaram o governo brasileiro a não tomar a decisão até o momento.

Ao término da reunião, Amorim sugeriu que Karin Enströn, em oportunidade futura, retorne ao Brasil para conhecer organizações militares instaladas, por exemplo, em São Paulo e Rio de Janeiro. Já a ministra sueca, manifestou interesse em receber o colega brasileiro em Estocolmo.

Israel assume autoria de disparos contra palestinos na Faixa de Gaza

Ação foi a primeira que rompeu com cessar-fogo na região

Opera Mundi


As Forças de Defesa de Israel confirmaram nesta sexta-feira (23/11) que seus soldados abriram fogo na fronteira com a Faixa de Gaza, apesar do acordo de cessar-fogo na região. Os oficiais asseguraram, no entanto, que os disparos foram contra "vários grupos de manifestantes" que tentaram derrubar a cerca que separa ambos os territórios.

Essa é a primeira ruptura da trégua estabelecida entre as autoridades israelenses e palestinas na última quarta-feira (21/11), que encerrou com um conflito de oito dias na região. No dia 14 de novembro, Israel lançou a operação “Pilar Defensivo” na Faixa de Gaza, que deixou pelo menos 166 palestinos mortos, mais de mil feridos e dezenas de edifícios destruídos. Em Israel, a morte de seis pessoas foi confirmada.

Um palestino morreu e outros 25 ficaram feridos por conta dos disparos desta sexta (23/11), próximos à cidade de Khan Younis, informaram fontes médicas em Gaza.

De acordo com os oficiais israelenses, cerca de 300 palestinos se aproximaram da cerca fronteiriça em diferentes pontos, provocaram desordens e tentaram entrar em Israel. “Os soldados atuaram segundo as ordens, dispararam para o ar em sinal de advertência e, quando viram que os manifestantes não se afastavam, atiraram em suas pernas", acrescentou.

Israel sustenta que um dos palestinos que participou dos protestos conseguiu inclusive "abrir passagem por meio da cerca e entrar em Israel", onde foi detido e pouco tempo depois, devolvido a Gaza.

As fronteiras israelenses com os territórios palestinos são cercadas por altos muros, vigiadas por militares e contam com pesado equipamentos de segurança. Alegando questões de segurança, as Forças de Defesa de Israel declararam, unilateralmente, uma zona de exclusão de 300 metros ao redor da fronteira. A área rouba terrenos de diversos agricultores palestinos que precisam da terra para sobreviver.

Várias testemunhas discordaram da versão de Israel e explicaram que o grupo era formado por agricultores das aldeias de Al Garara e Abasan que possuem terras próximas à fronteira. Outro testemunho aponta que a vítima, um jovem de 20 anos, tentou colocar uma bandeira do Hamas sobre a cerca que separa Gaza de Israel, informou a Agência Efe.

Por causa do incidente, o Governo do Hamas anunciou que apresentará ao Egito uma queixa contra Israel. As autoridades egípcias, que mediaram as negociações de cessar-fogo entre as partes, assumiram a responsabilidade de verificar o cumprimento do acordo.

De acordo com o texto divulgado pela presidência egípcia, Israel aceitou encerrar incursões e ataques no território palestino. Em contrapartida, grupos de resistência armada palestinos também devem parar de lançar projéteis em direção a Israel e de realizar ataques nas fronteiras.

Paz em Gaza, guerra na Cisjordânia?

Também nesta sexta-feira (23/11), oficiais israelenses detiveram 2 parlamentares do Hamas na Cisjordânia junto com outros 26 palestinos. De acordo com comunicado do governo palestino, a operação prendeu autoridades políticas da região.

É o segundo dia consecutivo de prisões no território palestino. Nesta quinta-feira (22/11), mais de 50 pessoas envolvidas em protestos contra a guerra em Gaza foram presas por soldados israelenses.

Durante as manifestações desta semana, pelo menos dois palestinos foram mortos por disparos de soldados israelenses. Rushdi Tamimi, policial palestino de 31 anos, faleceu nesta segunda-feira (19/11) de complicações médicas depois de ferimentos com balas de fogo no intestino e Hamdi al-Falah, de 22 anos, foi morto durante um protesto depois de ser atingido por quatro disparos.

21 novembro 2012

Explosão em Tel Aviv foi um atentado terrorista, diz polícia

EFE
Em Jerusalém

Sete pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave, após o lançamento de um explosivo contra um ônibus em Tel Aviv, no primeiro atentado terrorista contra o transporte público em Israel desde março de 2011, segundo a polícia.

O chefe da polícia, Yohanan Danino, declarou à imprensa que "se trata de um atentado terrorista, por meio da introdução de um explosivo no interior" do veículo.

"Tínhamos avaliado que além da ameaça de foguetes, poderiam ocorrer atentados nas grandes cidades. Existe a motivação e a capacidade de fazê-los", acrescentou em alusão à escalada de tensão na zona pela ofensiva militar israelense em Gaza e o lançamento de projéteis contra Israel desde a Faixa.

Por enquanto, nenhuma facção armada palestina assumiu a autoria do ataque em Tel Aviv, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou seus oito principais ministros.

"O fato aconteceu na Rua Shaul Hamelej e deixou pelo menos 7 feridos, além de várias pessoas com ataques de pânico", disse à Agência Efe Yeruham Mandola, porta-voz da Estrela de Davi Vermelha.

A explosão aconteceu nas imediações do Hospital Ijilov de Tel Aviv, para onde foram transferidos os feridos.

Segundo o "canal 10", o atentado aconteceu depois que uma ou duas pessoas entraram no ônibus pela porta traseira e uma delas lançou uma pequena carga explosiva em seu interior, o que provocou um corre-corre.

Está sendo investigada a possibilidade de um dos atacantes ser uma mulher que fingia estar grávida, segundo declarações de testemunhas.

Moti Boksin, porta-voz do serviço de resposta de emergência Zaka, disse que um homem saiu correndo da zona antes da explosão.

Uma pessoa foi detida em Ramat Gan, adjacente a Tel Aviv, embora ainda não esteja claro se ela participou do ataque.

As imagens mostram que o ônibus não ficou completamente danificado e as forças de segurança pediram à população que se afaste da zona por temor de novos atentados.

A polícia também pediu aos civis e militares próximos à sede do Ministério da Defesa que não saiam do lugar por enquanto, informou o site do jornal "Yedioth Ahronoth".

Trata-se do primeiro ataque contra transporte público em Israel desde março de 2011, quando uma britânica morreu e mais de 20 pessoas ficaram feridas por um explosivo situado em uma mala perto de um ônibus em um dos principais acessos a Jerusalém.

Embora o atentado não tenha sido reivindicado por nenhum grupo palestino, foi informado através de um alto-falante de uma mesquita na Cidade de Gaza que ocorreu uma explosão e uma voz qualificou o ataque como " resposta natural aos crimes contra nossas crianças", ao mesmo tempo em que dezenas de milicianos expressavam seu júbilo nas ruas.

O fato se produz no meio da violência suscitada entre israelenses e palestinos pela operação militar que o Exército de Israel lançou contra a Faixa de Gaza há oito dias.

Desde o início da ofensiva israelense "Pilar Defensivo" em Gaza, já morreram cerca de 140 palestinos e mais de mil ficaram feridos, enquanto 5 israelenses também morreram e cerca de 40 ficaram feridos.

O novo incidente coincide, além disso, com um momento em que israelenses e palestinos tratam de alcançar um cessar-fogo com contatos através de mediadores internacionais.

20 novembro 2012

Otan quer reforçar a fronteira

Correio Braziliense

A Otan vai considerar "prioritário" debater a possibilidade de envio de mísseis Patriot à fronteira turco-síria caso o governo da Turquia faça a solicitação, declarou ontem o secretário-geral da aliança Anders Fogh Rasmussen. "A Turquia ainda não fez uma solicitação formal, mas se o fizer, o assunto será considerado prioritário", afirmou Rasmussen, em conferência em Bruxelas. Turcos e sírios vivem tensão desde o último mês, quando morteiros disparados por tropas do governo sírio mataram cinco civis turcos na fronteira entre os dois países.

Câmara dos Deputados promove seminário sobre estratégias de Defesa Nacional

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 20/11/2012 – As estratégias de Defesa Nacional irão permear os debates promovidos na próxima semana pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Durante dois dias, o auditório Nereu Ramos receberá especialistas civis e militares que tratarão de temas como as grandes tendências do cenário estratégico global, a cooperação com a América do Sul e a África, subsídios para a apreciação do Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) e o desenvolvimento da base industrial de defesa.

O seminário será aberto na terça-feira (27) pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, que tratará do tema: Defesa Nacional e Pensamento Estratégico Brasileiro. Segundo a presidenta da Comissão, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), no momento em que se registra o protagonismo brasileiro no cenário internacional, aliado à sua pretensão em conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, o tema defesa nacional ganha destaque na agenda geopolítica do país.

“O Ministério da Defesa está realizando estudos que visam modernizar e reequipar as Forças Armadas. Dessa forma, a Comissão deve participar de forma intensa nesses debates, atuando, inclusive, de forma proativa no processo de construção da política de defesa nacional do país”, defende a parlamentar.

Após a palestra inaugural do ministro Amorim, acontece o primeiro painel do seminário: “As grandes tendências no cenário estratégico global: repercussões para o Brasil”. Os expositores serão: almirante Carlos Augusto de Sousa, chefe de Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa; André Martin, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP); e Alfredo Jalife-Rahme, diretor do Centro de Estudos Geoestratégicos da UAM-X e colunista do La Jornada.

O encerramento ficará a cargo do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, e dos comandantes da Marinha, almirante Júlio Moura Neto; do Exército, general Enzo Martins Peri, e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Participarão, ainda, dos cinco painéis de debates, estudiosos, integrantes das Forças Armadas e os principais agentes que elaboram e executam a política de defesa do país.

Promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o seminário conta também com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Confira abaixo a íntegra da programação do seminário: 


SEMINÁRIO ESTRATÉGIAS DE DEFESA NACIONAL
Dias 27 e 28 de novembro de 2012
Auditório Nereu Ramos — Câmara dos Deputados — Brasília/DF

Programação do Seminário 
27 de novembro - terça-feira

14h — Abertura
14h30 — Conferência de abertura
 

Tema: “Defesa Nacional e Pensamento Estratégico Brasileiro”, com Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Defesa, CELSO AMORIM.
 

15h30 — 1º Painel

Tema: “As grandes tendências no cenário estratégico global: repercussões para o Brasil”

 
Expositores:

• Chefe de Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa, Almirante CARLOS AUGUSTO DE SOUSA;
• Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) ANDRÉ MARTIN; e
• Diretor do Centro de Estudos Geoestratégicos da UAM-X e colunista do La Jornada, Professor ALFREDO JALIFE-RAHME.

28 de novembro - quarta-feira

MANHÃ
9h00 — 1º PAINEL
 

Tema: “O entorno geoestratégico brasileiro: cooperação com a América do Sul e a África”

Palestrantes:
• Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) FRANCISCO CARLOS TEIXEIRA;
• Representante da Odebrecht. Exposição sobre a importância estratégica das relações com a África; e
• Vice-diretor do Centro de Estudos Estratégicos em Defesa do Conselho de Defesa Sul-americano da União de Nações Sul-americanas, PABLO CELI DE LA TORRE

10h30 — 2º PAINEL

Tema: “Defesa e Sociedade: Subsídios para a apreciação da proposta de Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN,) remetido ao Poder Legislativo”
 

Palestrantes:
• Professor e Engenheiro de Produção da Universidade Federal Fluminense (UFF) EDUARDO SIQUEIRA BRICK. Exposição sobre fontes de financiamento para a Defesa nacional;
• Presidente da Associação Brasileira dos Estudos de Defesa, Professor MANOEL DOMINGOS. Exposição sobre a visão da academia; e
• Representante do IPEA, LUIS CESAR AZEREDO. Uma visão crítica de conjunto do LBDN.f

TARDE

14h30 — 1º PAINEL

Tema: “Desafios para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa”


Palestrantes:

• Presidente da ABIMDE, SAMI YOUSSEF HASSUANI (AVIBRAS). Exposição sobre a visão da indústria de Defesa;
• Professor da Escola de Guerra Naval WILLIAM DE SOUSA MOREIRA. Exposição sobre o histórico do cerceamento e restrições tecnológicas à indústria de Defesa, em especial ao programa espacial e nuclear brasileiro; e
• Jornalista do Jornal O Estado de São Paulo ROBERTO GODOY.

16h — 2º PAINEL
 

Tema: “Os grandes projetos estratégicos das Forças Armadas”
 
Introdução: O Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, General JOSÉ CARLOS DE NARDI, apresentará as linhas gerais do Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa — PAED.


Palestrantes:
• Comandante da Marinha Brasileira, Almirante JULIO SOARES DE MOURA NETO;
• Comandante do Exército Brasileiro, General ENZO MARTINS PERI; e
• Comandante da Força Aérea Brasileira, Brigadeiro JUNITI SAITO

Com o aumento de mortes de civis, Israel e Hamas discutem termos de cessar-fogo

Tyler Hicks/The New York Times

O Globo
 
CAIRO, JERUSALÉM e CIDADE DE GAZA - Uma série de negociações teria resultado num acordo sobre 90% dos pontos necessários para a declaração de um cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza. E sob pressão internacional para evitar uma operação militar por terra no território palestino, o Gabinete de segurança de Israel convocou uma reunião que se arrastou madrugada de hoje adentro para discutir os detalhes finais do texto, elaborado no Cairo sob a mediação de Egito, Turquia e Qatar. À rede de TV al-Arabiya, fontes diplomáticas disseram que a trégua seria implementada em duas fases. Na primeira, os dois lados suspenderiam os ataques durante um ou dois dias. E em debate estaria o fim dos assassinatos seletivos e, ainda, a suspensão do bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza desde 2007 - uma das maiores exigências do Hamas.


Sobre os esforços diplomáticos pesou o aumento das mortes de civis palestinos. Segundo o Ministério da Saúde do Hamas, o número total de vítimas do confronto chegou a 107 - entre eles, 26 crianças, dez mulheres e 12 idosos. Pelo menos 36 são militantes reconhecidos. E a contagem de feridos também não para de crescer: 860 pessoas, sendo 260 crianças.


Os termos do acordo em discussão não foram confirmados em nenhum dos lados da fronteira.


Fontes diplomáticas, porém, asseguram que um dos entraves é a exigência de garantias egípcias e internacionais pelos dois lados.


Apesar da retórica desafiadora comum entre as lideranças israelenses e palestinas, os números do embate davam indícios da disposição mútua de cessar as hostilidades. O número de agressões caiu ontem: 130 foguetes foram lançados de Gaza contra Israel (em comparação a 156 registrados no domingo) e o Exército atacou 80 alvos em Gaza (contra centenas de bombardeios na véspera).


O líder político do Hamas, Khaled Meshal, defendeu o cessar-fogo. Mas provocou:


- Quem começou isso que pare. Se eles quisessem lançar uma ofensiva terrestre, já teriam feito isso. Israel está usando a ameaça de invasão para ditar as regras e nos forçar ao silêncio. Desafio Israel a entrar na Faixa de Gaza.


O governo israelense preferiu ignorar e adotar um discurso mais contido.

- Se houver calma no Sul do país e não houver foguetes e mísseis lançados contra nossos cidadãos ou ataques terroristas planejados contra nós na Faixa de Gaza, não vamos atacar - afirmou o vice-primeiro-ministro Moshe Yaalon, do conservador partido Likud.


Prédio da imprensa é bombardeado de novo


Segundo pesquisa do jornal "Haaretz", apesar de 84% dos israelenses aprovarem os bombardeios contra o Hamas, apenas 30% são favoráveis a uma operação terrestre, e outros 19% defendem que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu trabalhe para assegurar o cessarfogo rapidamente. Fontes egípcias, palestinas e israelenses falavam ontem com uma ponta de otimismo.


- Estamos muito perto de chegar a um documento para cessar as agressões. Falta apenas um pouco mais de flexibilidade do lado israelense - disse no Cairo o primeiro-ministro egípcio, Hisham Kandil.


Nas ruas de Gaza, porém, o pesar contrastava com qualquer perspectiva de paz. Milhares participaram do funeral da família al-Dalu, que perdeu nove integrantes - de quatro gerações - num bombardeio israelense contra o bairro de Nasser, na Cidade de Gaza. As quatro crianças vítimas do ataque tiveram seus corpos cobertos com bandeiras palestinas e do Hamas.


- Mataram uma família que era segura e feliz. Por motivo nenhum, Israel cometeu um massacre, um crime horrível - lamentou Hatem al-Dalu, um parente.


Sob os gritos de "Deus é o maior!", a multidão foi guiada por integrantes do primeiro escalão do grupo, como o porta-voz Sami Abu-Zuhri.


- Isto aconteceu porque falhamos no combate ao inimigo, porque falhamos em defender o nosso povo. Vamos vingar a morte destes mártires - declarou ele à TV al-Aqsa.


Mais tarde, outro bombardeio causou ultraje: Israel alvejou o edifício Shorouk, conhecido por abrigar os escritórios da imprensa palestina e internacional, pelo segundo dia consecutivo. Dois cinegrafistas ficaram feridos. Israel alega que no local estavam quatro altos integrantes da Jihad Islâmica. Um morreu e três foram feridos.


À espera do anúncio de um acordo, a pressão ganha reforços dos dois lados da fronteira. O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, vai à Gaza, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chega a Israel e à Cisjordânia.

Após 13 anos, Farc acenam com trégua de dois meses

Cessar-fogo será unilateral e visa a conquistar opinião pública

Vitor Sorano - O Globo

 
Pela primeira vez em mais de uma década, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram suspender seus ataques. A trégua, unilateral, será temporária - vai de hoje à 0h de 20 de janeiro - e busca demonstrar o comprometimento da guerrilha, que protagoniza o maior conflito do continente, com o processo de paz anunciado em setembro. Pesquisa Ipsos daquele mês apontou que 77% da população apoia os diálogos, mas 41% acredita que eles vão fracassar. O ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, disse que continuará com as operações contra os insurgentes, seguindo a estratégia do governo de não baixar a guarda até o fim das negociações, que ocorrem em Cuba. O anúncio do cessar-fogo foi feito ontem, em Havana.


- Acolhendo o imenso clamor de paz do povo colombiano, ordenamos a todas as unidades guerrilheiras em todo o território nacional o fim de todo tipo de atividade militar contra a Força Pública e a sabotagem contra a infraestrutura pública ou privada durante o período compreendido entre 0h do dia 20 de novembro e 0h do dia 20 de janeiro de 2013 - disse Iván Márquez, o chefe da delegação das Farc.


O ministro da Defesa elogiou a proposta, mas questionou sua credibilidade. E negou aderir ao cessar-fogo.


- A Força Pública tem o dever constitucional de perseguir todos os criminosos que violaram a Constituição, as leis e atentaram contra a vida e a honra dos cidadãos da Colômbia - disse.


Contrapeso ao Uribismo
 

Embora a guerrilha tenha chegado ao processo de paz enfraquecida - com menos da metade do efetivo de 20 mil que teve há uma década, após a morte de alguns de seus maiores líderes, como Raúl Reyes e Alfonso Cano -, continua a matar. Apenas desde o dia 26 de agosto - quando se soube dos diálogos - as Farc realizaram 48 atentados, matando 30 membros das forças de segurança e 17 civis.

Nove guerrilheiros foram mortos, cinco foram capturados e nove deixaram as armas. A contabilidade é da Rádio Caracol. Além de mortes, os ataques prejudicam, sobretudo, a infraestrutura energética da Colômbia e afastam investimentos.


- Nos últimos dois meses houve uma intensificação (da violência). O governo logrou realizar ofensivas, e as Farc responderam com atentados. Houve um recrudescimento, (a criação de) um ambiente de demonstração de força antes de chegar à mesa das negociações - diz Camilo González, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), da Colômbia.

O pesquisador diz que a suspensão dos ataques pelas Farc não significará o fim da violência. Os guerrilheiros devem continuar a responder às investidas do governo. Ainda assim, a promessa de trégua merece crédito, entende González. A copresidente da Comissão de Paz da Câmara dos Deputados, Ángela Robledo, concorda.


- Sabemos que em algumas frentes (das Farc) é mais difícil que aceitem (o cessar-fogo unilateral), mas Iván Márquez sinaliza com dois meses sabendo que há um Exército e uma população que vão estar muito atentos - diz a deputada.


A ideia de um cessar-fogo bilateral durante as negociações vinha sendo defendida pelas Farc desde que o processo de negociação se tornou público. O presidente Santos, porém, deixou claro em diversas ocasiões ser contra - a última delas, na quinta-feira passada, quando disse que "se eles querem adiantar o cessar-fogo ou humanizar o conflito, nós queremos finalizá-lo".


Santos dera a declaração depois que uma rede de ONGs propôs uma trégua de Natal e a ideia repercutiu positivamente no Congresso. A última experiência de suspensão de hostilidades seguira exatamente esse modelo: foi anunciada pelo então comandante Raúl Reyes para durar entre 20 de dezembro de 1999 e 10 de janeiro de 2000, durante as negociações de paz do governo de Andrés Pastrana (1998-2002). O processo fracassou e resultou numa guerrilha mais forte.


Além de conquistar a opinião pública incerta sobre as intenções da guerrilha, o anúncio feito ontem visa a contrapor a pressão contrária, entende a deputada Ángela Robledo. O ex-presidente Álvaro Uribe, defensor da eliminação da guerrilha pela força - que também ele tentou, mas não conseguiu - encabeça tal movimento contrário, apontado pelo International Crisis Group (ICG) como um dos riscos à finalização do conflito pelo diálogo.


- É uma mensagem política de que (o atual processo de paz) é sério. É um adiantar-se aos sabotadores da paz que dizem que estamos entregando tudo, que o governo se rendeu às Farc - diz Ángela, que defende que Santos suspenda, ao menos, os ataques aéreos.


A rodada de negociações iniciada ontem - com quatro dias de atraso - deve durar dez dias. O primeiro tema de discussão é o desenvolvimento rural. O presidente Santos, que tenta a reeleição em 2014, afirma que as negociações vão no máximo até junho.

Forças Armadas realizam Operação Atlântico III nas regiões Sul e Sudeste

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 16/11/2012 – Unidades de defesa estratégicas, como portos, refinarias, usinas hidrelétricas e nucleares, estarão ocupadas pelas Forças Amadas a partir da próxima segunda-feira (19) nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A ação faz parte da Operação Atlântico III, mobilização militar conjunta com o objetivo de realizar exercícios numa área dentro da chamada “Amazônia Azul” – espaço marítimo de 3,5 milhões de km² e que abriga reservas de petróleo e gás da chamada área do pré-sal.

Segundo o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), órgão do Ministério da Defesa que coordena a operação, o objetivo é o adestramento das tropas da Marinha, do Exército e da Força Aérea. A ação, de acordo com o EMCFA, terá foco também nas linhas de comunicação marítima das regiões Sul e Sudeste e contará com a participação de 10 mil militares das três Forças. No exercício estão previstas ainda ações cívico-sociais (acisos) com atendimento médico-hospitalar e odontológico para populações carentes.

“Esse é o último exercício de adestramento deste ano. Uma das finalidades é colocar em prática a interoperabilidade das tropas”, disse o chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi.

A operação tem em seu planejamento o controle de área e tráfego marítimo; missões de interceptação; defesa de costa; patrulha marítima; transporte aéreo logístico; defesa antiaérea; e coordenação e controle do espaço aéreo. O ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes das três Forças irão conhecer uma das etapas do exercício. A visita vem sendo preparada por assessores do general De Nardi.

Equipamentos utilizados


A Operação Atlântico III contará com dois navios escolta, dois navios de apoio, dois submarinos, três navios-patrulha e seis helicópteros da Marinha. O Exército participará com 96 viaturas leves, 101 viaturas de transporte, nove viaturas blindadas e nove ambulâncias. A Força Aérea colocará à disposição quatro aeronaves de ataque, cinco de patrulha, cinco de transporte e um helicóptero.


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Com a Atlântico, as Forças Armadas realizam duas operações conjuntas de adestramentos. Nelas, os militares vivem uma situação real de guerra, mas utilizam munição de festim. Os exercícios permitem que as tropas estejam preparadas para o caso de enfrentar uma situação real. Em setembro, o exercício ocorreu na região Norte, com a “Operação Amazônia 2012”. Agora, o EMCFA completa o treinamento no Sul e Sudeste.

Nesta edição, o comando da operação ficará a cargo do almirante-de-esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, comandante de Operações Navais da Marinha. O almirante Max terá apoio de um Estado-Maior Conjunto, composto por oficiais e praças das três Forças Armadas.

A Atlântico III é planejada pelo Ministério da Defesa, sob comando do EMCFA. A operação tem por objetivo a preparação para a defesa dos recursos do mar e das estruturas estratégicas situadas em regiões próximas da costa brasileira.

Israel bombardeia mais de 100 alvos em Gaza durante a madrugada

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS 


O Exército de Israel continuou durante a madrugada desta terça-feira sua ofensiva em Gaza com bombardeios contra mais de 100 alvos das milícias palestinas, segundo informações militares israelenses. 


Entre os pontos bombardeados pela Força Aérea e a Marinha nas últimas horas estão "locais subterrâneos de lançamento de foguetes, túneis terroristas e depósitos de armas", informou o Exército em comunicado. 


Também foram atacados "vários edifícios usados por terroristas como centros de comando e controle", assim como "dez túneis utilizados como esconderijos operacionais do Hamas".

Quatro membros de uma mesma família morreram no bombardeio contra uma casa na cidade de Beit Lahiya, no norte de Gaza.

A morte de Fouad Hiyazi, assim como as de seus dois filhos, Suhahib e Mohamad, de 2 e 4 anos, e de sua esposa, Amna, elevou a 107 o número de vítimas fatais palestinas durante a operação "Pilar Defensivo", indicou Ashraf al Qedra, porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza.

Esse ataque ainda feriu 13 pessoas, incluindo outros membros da família Hiyazi, asseguraram testemunhas.

Em outro bombardeio na zona de Rafah, na fronteira com o Egito, foram mortos dois irmãos adolescentes, Ahmad Tawfiq e Muhamed al Nasara, de 17 e 15 anos, enquanto 14 pessoas ficaram feridas, duas delas com gravidade.

Israel também atacou o Banco Islâmico Nacional, que é usado pelo Hamas para, entre outras coisas, pagar os salários dos 35 mil funcionários da Faixa de Gaza. 


O Exército israelense afirma que Gaza "se transformou em uma linha de frente para o Irã", o que obriga os cidadãos de Israel das zonas adjacentes a "viverem em circunstâncias insuportáveis"

Irã diz que Israel deve ser julgado por crimes de guerra em Gaza

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O Ministério de Relações Exteriores do Irã afirmou em nota que Israel deve ser julgado por crimes de guerra devido à ofensiva militar na faixa de Gaza, que completa uma semana nesta terça.

As declarações vêm horas depois de o presidente israelense, Shimon Peres, acusar a República Islâmica de instigar os palestinos para que continuem a disparar foguetes contra o Estado hebraico. O conflito já deixou mais de cem mortos, a maioria deles palestinos.

Em comunicado lido pelo porta-voz da Chancelaria, Ramin Mehmanparast, Teerã considera que Israel é o único responsável pela ofensiva e negou que esteja envolvido nas ações dos palestinos.

"Não o Irã ou o Hamas que buscam o enfrentamento, a guerra ou colocar em perigo a vida da população inocente, e sim o regime sionista [Israel], que deveria ser julgado por crimes de guerra".

ACUSAÇÕES

A reação iraniana vem após o presidente de Israel, Shimon Peres, acusar na noite de segunda-feira o Irã de estimular o movimento radical islâmico Hamas a bombardear Israel em vez de buscar um cessar-fogo.

"Desagradáveis são os iranianos. Eles estão tentando encorajar novamente o Hamas a continuar o tiroteio, o bombardeio, estão tentando enviar armas para eles. O Irã é um problema mundial, não apenas como um perigo nuclear, mas também como um centro de terror mundial".

Ele também acusou os iranianos de fornecer mísseis Fajr-5, que foram lançados em território israelense nos últimos dias e foram alguns dos artefatos usados para atingir Jerusalém e Tel Aviv. Para Peres, os integrantes do Hamas estão "fora de si".

18 novembro 2012

Soldado morre ao ser atingido por tiro acidental

Ele foi atingido no pescoço por um tiro de fuzil disparado por outro soldado que manuseava a arma

SABRINA VALE - Agência Estado


Um soldado do Exército morreu na manhã desta quinta-feira, 15, após levar um tiro acidental dentro da Vila Militar, em Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Jair Silva da Rosa, de 19 anos, foi atingido no pescoço por um tiro de fuzil disparado acidentalmente por outro soldado que manuseava a arma.

Os dois eram do 2º Regimento de Cavalaria de Guardas e preparavam o armamento, em procedimento de rotina, antes de entrar em serviço.

"Nossa maior preocupação agora é com as famílias. O autor do disparo também está muito abalado. Os soldados eram bastante amigos", disse o comandante do regimento, tenente-coronel Márcio Costa.

O soldado Jair era casado e deixou uma filha de dois anos. O Exército lavrou um auto de prisão em flagrante contra o autor do disparo. Segundo o comandante, o caso será investigado e o soldado que atirou acidentalmente encontra-se à disposição da Justiça Militar.

O corpo do soldado atingido passou por perícia e foi levado para o Hospital Central do Exército, antes de ser preparado para o enterro, em local que ainda seria escolhido pelos familiares. "Foi um acidente horrível. Entendemos que uma vida não tem preço e vamos prestar todo o auxílio às famílias", disse o comandante.

Militar é preso em Corumbá (MS) com corpo de mulher dentro de uma mala

DANIELA ARAI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP

Um sargento da Marinha foi preso em flagrante na tarde desta sexta-feira (16) em Corumbá (MS) enquanto tentava se livrar do corpo de uma mulher que havia sido acomodado dentro de uma mala.

O terceiro sargento Willian Afonso dos Santos, 29, está preso no Comando do 6º Distrito Naval, sediado na cidade, que fica a 427 km de Campo Grande.

Segundo o boletim de ocorrência, o sargento confessou que matou por asfixia a garota de programa Greice Soares Roque, 26, na noite de quarta-feira (14) em sua própria casa após uma discussão em razão do valor do programa.

O sargento relatou à polícia que, após manter o corpo em casa por dois dias, o colocou numa mala e tentou despejá-lo nas proximidades de um lixão, na região do Assentamento Tamarineiro. Para levar a mala até o local, pediu carona a dois militares da Marinha.

Desconfiados da atitude do colega e do cheiro que exalava da mala, os militares pediram para ver o que havia dentro. Ao ver o corpo, que estava inteiro, deram voz de prisão ao sargento e acionaram a Polícia Militar, que efetivou a prisão.

Na delegacia, Santos confessou o crime e foi indiciado por homicídio doloso e ocultação de cadáver. Se condenado, deve receber pena mínima de 20 anos de prisão.

Depois de prestar depoimento, o sargento foi levado ao 6º Distrito Naval, onde deve permanecer em regime fechado à disposição da Justiça. Ele responderá pelos crimes na Justiça comum, já que os delitos não são de natureza militar.

Em nota, a Marinha do Brasil afirmou que está prestando o apoio necessário à família da vítima.

Ataque de Israel mata mulheres e crianças

Ofensiva aérea ocorrida neste domingo em Gaza matou dez civis - quatro mulheres e quatro crianças. Presidente americano apoia direito de defesa de Israel, mas alerta contra invasão terrestre 

Equipes de resgate retiraram os corpos das crianças dos escombros, incluindo um bebê, enquanto sobreviventes e pessoas que passavam pelo local gritavam em desespero

iG
São Paulo


Ao menos dez civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos neste domingo em um ataque aéreo de Israel na Cidade de Gaza, disseram fontes médicas palestinas. O bombardeio causou o colapso do prédio de dois andares da família Daloo. De acordo com o funcionário de saúde Ashraf al-Kidra, quatro mulheres e quatro crianças pequenas estão entre os mortos.


Primeiro-ministro: Israel está preparado para expandir operação em Gaza

AP
Equipes de resgate carregam corpo de criança da família Daloo retirado de casa destruída por ataque aéreo de Israel na Cidade de Gaza (18/11)
Na Tailândia: Obama defende direito de defesa de Israel, mas alerta contra invasão terrestre

Equipes de resgate retiraram os corpos das crianças dos escombros, incluindo um bebê, enquanto sobreviventes e pessoas que passavam pelo local gritavam em desespero. Mais tarde, as quatro crianças foram postas no necrotério do Hospital Shifa de Gaza. Ainda não está claro qual era o alvo do ataque aéreo.

De acordo com Al-Kidra, o ataque elevou para 66 o número de palestinos mortos na ofensiva de Gaza desde quarta, incluindo 32 civis. Além das mortes entre os palestinos, três israelenses perderam a vida por foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza na quinta-feira.

A campanha de Israel contra os militantes do Hamas em Gaza chegou a seu quinto dia neste domingo, com o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu advertindo que as forças do país estão prontas para expandir suas operações - numa indicação de uma possível invasão por terra.

"Estamos pagando um alto preço por causa do Hamas e das organizações terroristas", disse Netanyahu no conselho de ministros. "O Exército está preparado para ampliar a operação significativamente." O Egito, que tenta mediar um potencial cessar-fogo, tem esperanças de que uma trégua possa ser alcançada.

Quinto dia de ataques: Israel atinge prédio de TV em Gaza


A rede de televisão russa Russia Today informou que seus escritórios em Gaza foram destruídos após um ataque da aviação israelense contra dois centros de imprensa na Cidade de Gaza , no qual ficaram feridos ao menos oito jornalistas, um dos quais perdeu uma perna.

Declarações de Obama


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo apoiar totalmente o direito de defesa de Israel, mas advertiu que intensificar a ofensiva militar com tropas terrestres israelenses dentro da Faixa de Gaza poderia aumentar o número de mortos e minar qualquer esperança de um processo de paz com os palestinos.

17 novembro 2012

Ministro de Israel diz que objetivo de operação é enviar Gaza de "volta à Idade Média"

Do UOL, em São Paulo

"O objetivo da operação é enviar Gaza de volta à Idade Média". Foi o que disse o ministro do Interior de Israel, Eli Yishai, neste sábado (17), após os ataques aos edifícios governamentais do Hamas, na Faixa de Gaza, segundo o jornal israelense "Haaretz".

Yishai credita à ação a paz de Israel durante os próximos quarenta anos.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, afirmou também que se o Exército de seu país invadir Gaza deve ser para "ir até o final", em aparente alusão à derrocada do governo do Hamas.

"Estamos preparados para uma operação terrestre em grande escala, se for necessária, mas vale destacar que se o Exército entrar em Gaza não pode parar na metade, tem que ir até o final", declarou em um fórum cultural na cidade de Kiryat Motskin, perto de Haifa, no norte de Israel.

Bombardeio em Hamas


A aviação israelense bombardeou edifícios governamentais do Hamas na Faixa de Gaza neste sábado, incluindo o gabinete do primeiro-ministro, depois que o governo de Israel autorizou a mobilização de até 75 mil reservistas, como preparação para uma possível invasão terrestre à região.

Militantes palestinos em Gaza mantiveram os lançamentos de foguetes contra o território israelense. Um dos projéteis atingiu um prédio residencial na cidade portuária de Ashdod, destruindo várias sacadas. A polícia informou que cinco pessoas ficaram feridas.

O Hamas, grupo islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza, afirmou que mísseis israelenses arrasaram o prédio do gabinete do primeiro-ministro Ismail Haniyeh - onde ele se havia reunido na sexta-feira com o primeiro-ministro do Egito - e também atingiram um QG da polícia.

Com tanques e artilharia israelenses posicionados ao longo da fronteira de Gaza, e sem nenhum sinal do fim das hostilidades, agora no quarto dia, o ministro de Relações Exteriores da Tunísia viajou para o território palestino, para demonstrar solidariedade árabe.

Autoridades em Gaza disseram que 41 palestinos, dos quais quase metade civis, incluindo oito crianças e uma grávida, foram mortos desde o início dos bombardeios aéreos de Israel. Três civis israelenses foram mortos por um foguete na quinta-feira.

No Cairo, uma fonte governamental afirmou que o presidente do Egito, Mohamed Mursi, iria manter conversações com o emir do Catar, o primeiro-ministro da Turquia e o líder do Hamas, Khaled Meshaal, na capital egípcia neste sábado, para discutir a crise em Gaza.

O Egito vem trabalhando para restabelecer a calma entre Israel e o Hamas, depois que um cessar-fogo informal obtido pelo governo egípcio foi rompido nas últimas semanas. Meshaal, que vive no exílio, já havia mantido uma rodada de conversações com autoridades egípcias do setor de segurança.

Negociações

Israel deu início à sua massiva campanha aérea na última quarta-feira (14) com o objetivo declarado de impedir o Hamas de lançar foguetes que há anos abalam comunidades do sul israelense. A operação ganhou o apoio do Ocidente. Líderes europeus e dos EUA consideraram a investida como direito de autodefesa de Israel e apelaram aos dois lados para que evitassem vítimas entre os civis.

O Hamas, isolado pelo Ocidente por causa de sua recusa de reconhecer a existência de Israel, diz que os lançamentos de foguetes através da fronteira são uma resposta aos ataques israelenses contra combatentes palestinos em Gaza. O grupo diz estar disposto a continuar o confronto com Israel e se mostra empenhado em não parecer menos resoluto do que organizações menores e mais radicais que emergiram no território nos últimos anos.

O movimento islâmico governa Gaza desde 2007. Israel retirou colonos judeus do território em 2005, mas mantém um bloqueio à região, pequena e densamente povoada.


Numa sessão na noite de sexta-feira (16), o gabinete israelense decidiu mas do que dobrar a atual quota de tropas de reserva para a ofensiva de Gaza, passando a 75 mil soldados, segundo fontes políticas. A iniciativa não significa necessariamente que todos seriam convocados ou que uma invasão esteja para acontecer. Tanques e equipamento bélicos foram vistos perto da zona arenosa da fronteira neste sábado e cerca de 16 mil reservistas já foram de fato convocados para o serviço ativo.

Posições contrárias 


Os chefes de Estado dos países do Mercosul condenaram a onda de violência entre Israel e palestinos em um comunicado divulgado durante a 22ª Cúpula Ibero-Americana em Cádiz, na Espanha, realizada neste sábado. No documento, os países membros dizem lamentar "profundamente a perda de vidas humanas" e manifestam "preocupação com o uso desproporcional da força".


O bloco defende a diplomacia e o diálogo como meios para a superação da crise e pede ainda que os dois lados interrompam imediatamente a violência e que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) "assuma plenamente suas responsabilidades".

Já o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby, pediu a revisão de todas as iniciativas árabes para colocar fim ao conflito com Israel. No início de uma reunião extraordinária dos ministros árabes de Relações Exteriores no Cairo, também realizada neste sábado, ele destacou que "os crimes cometidos contra Gaza não podem ficar impunes porque são crimes de guerra" e considerou que os últimos atos de violência são "outros capítulos da ocupação israelense".

"Não haverá paz nem estabilidade enquanto a ocupação israelense continuar", destacou o secretário-geral da Liga Árabe, que pediu a união das facções palestinas.

Os chefes das diplomacias árabes devem analisar um projeto de resolução que condena "a permanente agressão israelense à Gaza", considerada, além disso, como "um ataque bárbaro que fere os princípios da legalidade internacional e dos direitos humanos". O projeto responsabiliza Israel pelos danos aos palestinos e exige a cessação de suas operações militares, informou à Agência Efe uma fonte da Liga Árabe.

(*Com informações de agências internacionais.)