31 janeiro 2013

Brasil inicia redução gradual de tropas na força de paz no Haiti

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 30/01/2013 – Três anos após o terremoto que deixou mais de 230 mil mortos no Haiti, o Ministério da Defesa (MD) começa gradualmente a reduzir a quantidade de militares enviada para integrar a força de paz naquele país caribenho.

Com a nova troca de contingentes, que deverá ser concluída na primeira semana de junho, o Brasil voltará a contar com um único batalhão na capital Porto Príncipe. Atualmente, 1.910 militares brasileiros atuam no Haiti. Com a extinção do Batalhão de Infantaria da Força de Paz (Brabatt 2), esse efetivo deverá cair para 1.450 militares, o mesmo contingente de antes do terremoto de 2010.

A redução militar naquele país é fruto de entendimento com a Organização das Nações Unidas (ONU). O batalhão único ficará sob o comando do coronel Zenedir da Mota Fontoura, que desembarcará no Haiti com a tropa militar no dia 7 de junho, de acordo com calendário divulgado pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA).

Na tarde desta quarta-feira, o chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi, recebeu o grupo de 30 oficiais que integrarão o 18º contingente brasileiro. Na ocasião, De Nardi explicou que o Brasil retoma o quantitativo militar de antes da tragédia. “Estamos apenas retirando o Brabatt 2, batalhão que era direcionado para o atendimento em função do terremoto”, enfatizou o general.

De Nardi lembrou a importância de os militares se aterem ao fato de estarem representando a Pátria. “Lá, vocês não serão apenas da Marinha, do Exército ou da Força Aérea. Vocês estarão atuando como representantes do Brasil”, contou.

Duros combates no norte da Síria deixam 26 soldados e 21 rebeldes mortos

EFE
No Cairo (Egito)

Pelo menos 26 soldados sírios e 21 rebeldes morreram em duros combates registrados desde quarta-feira em um posto de controle da província setentrional de Idlib, informou nesta quinta-feira o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Segundo este grupo opositor, 12 insurgentes mortos nos enfrentamentos pertencem a outras nacionalidades árabes e, entre eles, figura o líder do grupo radical islâmico "Frente al Nursa", que reivindicou a autoria de vários atentados na Síria.

Os enfrentamentos, nos quais junto aos membros desse grupo participam combatentes de outras facções rebeldes, acontecem no posto de segurança Al Eskan, situado na rota que une as cidades de Idlib e Saraqeb.

Também foram registrados combates nos arredores do posto de controle Al Kaziya, que as forças do regime tentam recuperar depois que foi tomado pelos insurgentes na quarta-feira.

As tropas sírias e os rebeldes também se enfretam nos arredores do quartel militar Al Shabiba e do posto de segurança de Al Qarmid, nos arredores da cidade de Idlib.

Em todo o país, o Observatório afirmou que 62 civis e rebeldes perderam a vida nesta quinta em bombardeios e choques, a maioria na província de Damasco e seus arredores.

Por sua vez, a Comissão Geral da Revolução Síria informou em nota que 89 pessoas morreram hoje no país, entre eles 15 jovens que foram executados em um posto de segurança na cidade de Daraya, nos arredores da capital síria.

Forças israelenses atacam alvo na região da Síria

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de Londres

As forças israelenses atacaram um alvo na fronteira entre a Síria e o Líbano, informaram um diplomata ocidental e três fontes da segurança local nesta quarta-feira, em um momento de crescente preocupação do Estado judaico com o destino das armas químicas e convencionais da Síria.

As fontes, que não quiseram se identificar por ser uma questão delicada, não tinham mais informações sobre o que havia sido atingido ou o local preciso onde o ataque aconteceu. O Exército libanês informou sobre a forte presença de jatos israelenses sobre seu território ao longo da noite. “Houve definitivamente um impacto na região da fronteira”, disse uma fonte de segurança. Um diplomata ocidental na região questionado sobre o ataque disse que “alguma coisa tinha acontecido”, sem elaborar.

Uma ativista na Síria que trabalha com uma rede dos grupos de oposição por todo o país disse que tinha ouvido falar sobre o ataque no sul da Síria de colegas, mas não pôde confirmar.

O vice-premiê israelense, Silvan Shalom, disse no domingo que qualquer sinal de que o controle da Síria sobre suas armas químicas estava diminuindo, à medida que o presidente Bashar al-Assad luta contra os rebeldes que tentam destituí-lo, poderia provocar uma intervenção de Israel.

Fontes israelenses disseram na terça-feira que as armas convencionais avançadas representariam uma ameaça tão grande para Israel quando suas armas químicas, caso elas caiam nas mãos das forças rebeldes sírias ou nas mãos da guerrilha Hezbollah baseada no Líbano.

26 janeiro 2013

Kerry alerta sobre armas químicas na Síria

Substituto de Hillary no Departamento de Estado passa por sabatina no Senado

Denise Chrispim Marin - Correspondente / Washington

O Estado de SP

Ao defender ontem sua nomeação como secretário de Estado dos EUA diante do Congresso, o senador democrata John Kerry disse que a diplomacia americana não pode ser definida apenas por intervenções militares. Aos membros do Comitê de Relações Exteriores, órgão que presidiu nos últimos três anos, Kerry sublinhou seu temor de um esfacelamento do Estado e do destino de armas químicas na Síria, além dos riscos no Afeganistão.


O senador afirmou que cabe ao Irã provar que seu programa nuclear é pacífico, o que pode ser feito por meio de inspeções mais intrusivas nas instalações. Avisou que o governo de Barack Obama prefere a solução diplomática e sua política para esse tema não é de contenção, mas de prevenção. "O relógio está andando", avisou.


A abordagem de todos esses temas, sustentou Kerry, terá repercussão nas negociações de paz entre israelenses e palestinos. Õ provável futuro secretário de Estado afirmou que o resultado da eleição em Israel, na terça-feira,  permitirá a retomada das conversas e, portanto, a viabilidade da chamada solução dos dois Estados.


A política externa americana não é definida apenas por drones e intervenções. É definida também pela segurança alimentar e energética, pela assistência humanitária, pelo combate a doenças e pela ajuda ao desenvolvimento, assim como por qualquer iniciativa contra o terrorismo", afirmou Kerry.


O Brasil foi mencionado apenas uma vez por Kerry, quando ele falou de parcerias no setor de energia. 


Aos 69 anos, dos quais 29 no Senado, Kerry submeteu-se ao questionamento obrigatório do comitê ciente de não haver hipótese de veto à sua nomeação como secretário de Estado. Ele foi a segunda escolha do presidente Obama. A primeira, Susan Rice, embaixadora dos EUA na ONU, não chegou a ser submetida ao Senado diante da inevitável rejeição. O senador substituirá Hillary Clinton, apontada como potencial candidata à sucessão de Obama, em 2016.

Em debate com o republicano John McCain, Kerry indicou que não mudará a atual abordagem dos EUA em relação à Síria. Washington tem atuado em conformidade com o Conselho de Segurança da ONU, onde China e Rússia se opõem a ações militares. Ele completou que a implosão do Estado sírio pode desencadear um conflito mais difícil de ser aplacado e lembrou haver naquele país uma enorme diversidade de grupos étnicos e religiosos. "E há grande risco com respeito às armas químicas (caírem em mãos erradas)", disse.


Kerry concordou com o alerta de Hillary sobre a migração de membros da Al-Qaeda do Afeganistão e Paquistão para o Norte da África, enquanto o núcleo da organização tem sido perseguido pelos EUA. Mas, ao tratar do ataque ao consulado americano em Benghazi, Kerry contrariou Hillary. Ela afirmara no dia ante-rior ao mesmo comitê que "não faz diferença" saber agora como ocorreu o episódio.


Kerry disse que os senadores têm o direito de receber as respostas.

Exército apresenta Simulador Nacional de Operações Cibernéticas

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 22/01/2013 – Uma nova iniciativa para conter ameaças virtuais está em andamento no âmbito da Defesa Nacional. Nesta terça-feira, pela manhã, o Exército Brasileiro apresentou o Simulador Nacional de Operações Cibernéticas (SIMOC) – software que cria e planeja treinamentos em um ambiente de rede. A ferramenta está inserida nos pilares da Estratégia Nacional de Defesa no que diz respeito ao desenvolvimento de equipamentos e plataformas de defesa cibernética.

O SIMOC foi produzido pela empresa de tecnologia da informação Decatron e custou R$ 5 milhões. Ele funciona a partir de acesso por login e senha. Depois dessa etapa, o usuário pode escolher reproduzir uma rede de computador já existente ou criar uma nova. Logo após, é necessário definir o comportamento da rede e estabelecer os treinamentos que serão realizados. O software permite, ainda, a emissão de relatórios técnicos com o andamento de todas as operações realizadas no ambiente virtual.

De acordo com o comandante do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica (CCOMGEX), general Antonino dos Santos Guerra, “este é um dos projetos mais importantes desenvolvidos pelo órgão”. Durante a apresentação, que aconteceu no auditório do centro, o general destacou que o simulador “é uma solução que promove a tecnologia nacional e ajuda a aumentar o PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil”.

O sócio-diretor da Decatron, Carlos Rust, explicou que o processo de desenvolvimento do SIMOC teve início há um ano e empregou diretamente 30 profissionais brasileiros. Para ele, é importante ter um simulador nacional que prepara o país para a defesa virtual e é “melhor do que os internacionais”.

Entre as diferenças com os softwares do gênero no exterior, o simulador nacional é flexível, pois possibilita a criação de cenários de operações cibernéticos. Isso não acontece com os outros equipamentos do mercado, que trazem cenários já fixos.

O sistema foi criado com base em experiências internacionais, já que as Forças Armadas estão envolvidas nesse tipo de projeto “em todos os países do mundo”, destacou o general Santos Guerra.

Participaram do evento de hoje o comandante do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE), órgão interno do CCOMGEX, tenente coronel Márcio Ricardo Fava; o gerente executivo da Decatron, Bruno Mello; e demais autoridades militares.

Treinamento

No ano passado, 24 oficiais superiores do CCOMGEX realizaram curso de seis meses onde operaram o Simulador Nacional de Operações Cibernéticas e estão, assim, capacitados para atuar contra as ameaças virtuais do país. Entre elas estão hackers e grupos que se organizam para atacar sites e chamar atenção para causas específicas, além de crimes, espionagem e guerra cibernética.

Para este ano, está previsto mais um curso, mas desta vez com uma turma de sargentos do Exército. No entanto, conforme explicou o general, o SIMOC pode ser utilizado de forma remota, aumentando seu escopo de atuação para outras instituições militares no país. “Só é preciso que um instrutor vá até o local a fim de coordenar as atividades do simulador”, afirmou.

A tecnologia está disponível para faculdades e centros de ensino interessados, mas “é necessário que se tenha cuidado com quem se treina”, ponderou o comandante do CCOMGEX.

21 janeiro 2013

Cadetes da AFA participam de simulação de reunião da ONU em Brasília

Agência Força Aérea

Quatro cadetes da Academia da Força Aérea (AFA) participaram da segunda edição latinoamericana do Harvard National Model United Nations (HNMUN) realizada no Congresso Nacional entre os dias 14 a 17 de janeiro, em Brasília. O evento mais tradicional de simulações da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorre anualmente nos Estados Unidos e está pela segunda vez na América Latina, a primeira no Brasil.


Na simulação, estudantes de mais de 30 universidades divididos em comitês assumem papel de diplomatas para debater, em inglês, assuntos da agenda internacional. Os cadetes da FAB representaram diplomatas da Suíça e fizeram parte dos comitês do Conselho de Direitos Humanos, Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial da Saúde e Organização Mundial de Propriedade Intelectual. “Essa foi minha primeira simulação e a experiência superou minhas expectativas” diz o cadete do 3º ano, Luiz Felipe Martins.


Os cadetes fazem parte de um grupo de estudos avançados de geopolítica e relações internacionais na Academia. Nos Estados Unidos, é comum a participação de instituições militares na HNMUN. Segundo a secretária-geral do evento, a estudante de Harvard Serena L. Bai, a participação dos militares é uma grande diferenciação para o evento “O nível dos debates é alto e a perspectiva militar engrandece a troca de experiências entre os estudantes”.

Europeus reduzem despesas militares

Por Assis Moreira | Valor
De Genebra
 

A crise econômica acelera cortes bilionários nas despesas Militares na Europa, provocando temores de que o velho continente se desarma quando o resto do mundo se rearma e perde influência na cena internacional.

No começo do mês, o influente jornal "Le Monde", de Paris, publicou editorial com o título "Perigo, a Europa renuncia a se defender", alertando para consequências civis e Militares, como aumentar a desindustrialização que alguns países dizem querer combater.


Num relatório ao presidente francês, François Hollande, o ex-chanceler Hubert Védrine diz que desde o fim do império soviético, em 1991, o que os europeus esperam são os "dividendos da paz, do social e do aumento do poder de compra ou da afirmação dos direitos individuais".


Ou seja, a Europa está muito longe da dialética de ameaças à segurança/respostas Militares, mesmo na área do terrorismo, ou da visão americana de riscos e ameaças estratégicas. Mas nota que o choque enorme da "crise da economia cassino americano-global" desde 2008, a crise da dívida soberana europeia e a necessidade imperiosa de pegar emprestado entre € 8 trilhões e € 9 trilhões por ano para manter o nível de vida acentua a tendência que se traduz por baixa dos orçamentos de defesa europeus. 


"E o que é ambivalente: menos meios e capacidades, mas em princípio também mais obrigações de agir em comum", diz.

Globalmente, as despesas Militares alcançaram US$ 1,7 trilhão em 2011, quando pararam de crescer. O que muda é a repartição. Em 2012, os EUA fizeram 46% do total. Por sua vez, os Bric - Brasil, Rússia, China e Índia - aumentaram as despesas Militares em 38,6% entre 2007 e 2011. Somente a China elevou os gastos em 62%, pulando de US$ 87,7 bilhões a US$ 142,8 bilhoes no período. A Índia aumentou em 42%, a Rússia, em 40% e o Brasil, em 30,7%. Azerbaijão, Polônia, Turquia e Colômbia estão também entre os países que aumentaram os gastos nos últimos anos.


Já a Europa em 15 anos viu sua fatia diminuir de 31% para 19%. Grécia e Espanha, especialmente afetados pela crise, cortaram as despesas Militares entre 30% e 40% em 2011. Itália e Bélgica, entre 10% e 15%, e vários outros países, entre 15% e 30%. A França e o Reino Unido diminuíram a conta em cerca de 5%. Já a Alemanha aumentou suas despesas Militares ligeiramente. Na Suécia, o chefe do Estado-Maior, general Sverker Goeranson, irritado, sugeriu suprimir uma das Forças Armadas, dizendo que o país não dispõe de meios que permitam defender o país por mais de uma semana.


Os EUA insistem para os europeus não se privarem de meios estratégicos. A ex-secretária de Estado Madeleine Albright estimou num relatório em 2% do PIB o mínimo que um país da Otan, a aliança Militar ocidental, deve gastar em defesa para não comprometer a segurança comum.


Atualmente, somente o Reino Unido está acima de 2% do PIB - é o primeiro da Europa, mas prevê corte de 7,7% nas despesas até 2015. Os gastos da França ficam em 1,7% do PIB, da Espanha, em 0,65% e da Itália, em 0,8%. A crise leva países nórdicos e do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) a juntarem seus esforços Militares.


A guerra contra terroristas no Mali ilustra dificuldades da capacidade francesa e da ausência de defesa europeia. Para transportar soldados ao país africano, Paris teve que alugar também aviões comerciais de grande porte. Na Líbia, 80% dos alvos atacados pelos franceses foram a partir de informações de drones dos EUA.


No momento, os franceses dizem que a guerra no Mali não vai aumentar muito sua fatura Militar porque uma hora de voo de jato Rafale custaria de toda maneira € 40 mil em treinamento ou no combate. Já um míssil custa € 300 mil, e essa fatura vai crescer.


Para o jornal "Le Monde", as consequências do desarmamento europeu são estratégicas. Estima ser provável que a indústria europeia de defesa "desapareça definitivamente" das licitações de países emergentes, dando como exemplo o fiasco até agora das tentativas francesa e sueca de vender jatos de combate ao Brasil.


Considera que a espiral de austeridade pode tanto afundar as indústrias de defesa europeias como fortalecer "definitivamente" a órbita de um complexo americano "sem dúvida ávido de compensar além de suas fronteiras os cortes orçamentários que também sofre em casa". E adverte para que a perda de influência, emprego e autonomia seja levada em conta.

Já o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) vê outro cenário. Sam Perlo-Freeman, diretor do Programa de Despesas Militares, considera "muito forte falar em desarmamento" na Europa, apesar dos cortes significativos nas despesas Militares.


"Vários países estão cortando tropas, recuando em compras de equipamentos. Mas grandes países como Reino Unido, França e Alemanha continuam a atualizar e modernizar seus armamentos, só que num ritmo menor."


Além disso, segundo Freeman, outras capacidades estão sendo expandidas, como no caso dos drones. Avalia também que menos forças convencionais não significam perda de segurança. "Isso significará diminuição de capacidade em se engajar em missões no estrangeiro, embora alguns países estejam de fato expandindo o número de tropas disponíveis, como a França no Mali", diz.


Freeman contesta a percepção de que menos capacidade Militar conduz à perda de influência.


"De várias maneiras a influência econômica e cultural pode ser mais importante no mundo moderno do que a Militar, embora a influência econômica da União Europeia também esteja baixando por causa da crise", diz. Para ele, uma consequência mais provável "será crescente tensão na Otan, com os Estados Unidos vendo um valor menor na contribuição Militar de membros europeus na aliança".

20 janeiro 2013

Número de mortos em sequestro na Argélia pode ser maior, diz ministro

Do G1, em São Paulo

O balanço de vítimas do sequestro na usina de gás na Argélia, de 23 reféns e 32 terroristas mortos, pode ser revisado para cima, disse neste domingo (20) o ministro argelino de Comunicações, Mohamed Said.

"Desgraçadamente, temo que o balanço será revisado para cima", disse Said à rádio pública Chaîne 3.

"As forças especiais continuam no campo de gás de Tiguenturin à procura de eventuais novas vítimas, porque o balanço fornecido até o momento pelo ministério do Interior é provisório", disse. "'O balanço definitivo será divulgado nas próximas horas."

Ao mesmo tempo, o premiê britânico, David Cameron, afirmou que três cidadãos britânicos e um que morava no Reino Unido estão entre os mortos no ataque, perpetrado por terroristas islâmicos que pediam a retirada das tropas francesas na vizinha República do Mali.

As autoridades argelinas ainda não deram um balanço das vítimas estrangeiras, mas há ocidentais e asiáticos entre eles.

Vários países afirmaram que alguns de seus cidadãos seguem desaparecidos, um dia após a operação militar que encerrou o sequestro.

Entre os reféns, cuja morte foi confirmada pelos países de origem, estão um francês, um norte-americano, um romeno, três britânicos e um que reside no Reino Unido.

Três outros britânicos, ainda desaparecidos, estão provavelmente mortos, anunciou neste domingo o primeiro-ministro David Cameron.

Dez japoneses não foram encontrados até o momento, indicou um funcionário, enquanto a Malásia também procura dois de seus cidadãos.

O grupo petrolífero norueguês Statoil, que explora a usina de In Amenas junto com o britânico BP e o argelino Sonatrach, falou em cinco noruegueses desaparecidos.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que "tudo parece indicar" que um colombiano, funcionário da British Petroleum (BP), que morava em Londres, "estava entre o grupo de pessoas que morreu em um ônibus".

Ataque final

 
A ocupação terrorista, que durou quatro dias, terminou neste sábado em um ataque final das forças especiais do Exército argelino.

As forças argelinas libertaram 685 funcionários argelinos e 107 estrangeiros e mataram 32 terroristas, segundo o governo. Também morreram 23 reféns, informou o Ministério do Interior, sem informar a nacionalidade deles. Não foram divulgados os números de possíveis rebeldes sobreviventes, presos ou foragidos.

Entre os 32 sequestradores mortos estão três argelinos, os outros eram de diversas nacionalidades, não especificadas e entre eles havia especialistas em explosivos, acrescentou o comunicado.


Vários países afirmaram que alguns de seus cidadãos seguem desaparecidos, um dia após a operação militar que encerrou o sequestro.

Os sete estrangeiros foram executados quando os terroristas perderam a esperança de escapar do local com vida. Em seguida, militares argelinos mataram pelo menos 11 terroristas que continuavam no complexo.

A imprensa e governos reclamaram constantemente da maneira como as autoridades gerenciaram a crise e da falta de informação confiável disponível.

No campo de exploração de gás - que os islamitas ameaçaram explodir na quinta-feira, de acordo com uma gravação divulgada pela agência estatal malinense-, operações em busca de explosivos ainda estavam em curso neste domingo.

O reinício das atividades de produção do complexo "dependerá do tempo que levará a busca por explosivos", explicou o ministro da Energia, Youcef Yousfi, assegurando que o sequestro não afetou as exportações de gás do país.

Escalada no conflito

 
O ataque se transformou em uma das maiores crises com reféns internacional das últimas décadas, colocando a questão da militância islâmica do Saara no topo da agenda global.

Os militantes responsáveis pelo sequestro, ligados à rede terrorista da Al-Qaeda, ameaçaram realizar mais ataques a instalações do setor de energia na Argélia.

A crise de reféns representou uma séria escalada no conflito no noroeste da África, para onde tropas francesas foram enviadas na semana passada para combater a tomada de cidades da República do Mali por grupos islamistas.

Além disso, ela pode ser devastadora para a indústria petrolífera da Argélia, num momento em que o país se recupera da guerra civil dos anos 1990.

O comandante do sequestro na Argélia é Mokhtar Belmokhtar, um veterano da Guerra do Afeganistão na década de 1980 e da sangrenta guerra civil dos anos 1990, segundo autoridades argelinas. Aparentemente, ele não esteve presente no ataque.

Balmokhtar subiu de status entre os grupos islamitas no Saara, os quais se apoderaram de armas e ganharam novos adeptos em decorrência do caos na Líbia. As potências ocidentais temem que a violência se espalhe muito além do deserto.

O argelino Anis Rahmani, um especialista em segurança autor de vários livros sobre o terrorismo e editor do diário Ennahar, disse à Reuters que cerca de 70 militantes estavam envolvidos na operação na Argélia, o grupo de Belmokhtar, que partiu da Líbia, e o menos conhecido Movimento da Juventude Islâmica no Sul.

"Eles estavam portando armas pesadas, incluindo fuzis usados ​​pelo Exército líbio durante o regime de (Muammar) Kadhafi", disse ele. "Eles também tinham lança-granadas e metralhadoras."

Trabalhadores argelinos formam a espinha dorsal de uma indústria de petróleo e gás, que tem atraído empresas internacionais nos últimos anos, em parte por causa da segurança no estilo militar.

Mali

 
O ataque começou na madrugada de quarta em um sítio gasífero operado pelas empresas nacional Sonatrach com as companhias British Petroleum, britânica, e Statoil, norueguesa, em Tiganturin, a 40 quilômetros de In Amenas, não muito longe da fronteira com a Líbia.

Os agressores exigiram o fim da campanha militar francesa no Mali, onde mais de 2.000 soldados franceses fazem uma ofensiva terrestre contra os rebeldes, uma semana depois de o governo francês abrir fogo contra os militantes islamitas a partir do ar.

O país africano está dividido desde o ano passado, após rebeldes ligados à Al-Qaeda terem dominado o norte do território.

A Argélia permitiu que a França utilizasse seu espaço aéreo durante a intervenção militar iniciada na semana passada contra os rebeldes islamitas no Mali. Mas o ministro argelino do Interior, Dahou Ould Kablia, disse a um jornal local que o grupo agressor veio da Líbia.

Forças do Mali estão matando civis, diz entidade pró-direitos humanos

David Lewis - Reuters
Em Dacar (Senegal)

A Human Rights Watch afirmou neste sábado (19) que recebeu informações críveis sobre graves abusos, incluindo assassinatos, cometidos pelas forças de segurança do Mali contra civis nos arredores da cidade central de Niono.

"Insistimos às autoridades do Mali, bem como aos franceses e soldados e autoridades (de países do oeste africano) que façam o seu melhor para garantir a proteção de todos os civis", disse o grupo sediado em Nova York, em um comunicado.

O Human Rights Watch assinalou que os tuaregues e árabes, grupos étnicos mais ligados aos rebeldes que tomaram o controle do norte do Mali, estão sendo especialmente visados.

Dirigentes do Exército do Mali não estavam disponíveis de imediato para comentar o assunto.

A França fez neste sábado pediu às outras potências mundiais que comprometam dinheiro e apoio logístico aos exércitos africanos prestes a se juntarem às tropas francesas que já estão combatendo militantes ligados à Al Qaeda no território do Mali.

19 janeiro 2013

Sequestradores ameaçam explodir campo de gás se Exército tentar resgate

EFE
Em Nouakchott (Mauritânia)

Os sequestradores que fizeram reféns diversos funcionários de um campo de tratamento de gás no sudeste da Argélia advertiram neste sábado (19) que vão atear fogo ao local, se suicidando e também matando os trabalhadores, se o Exército argelino tentar uma nova operação de resgate.

Em ligação telefônica à agência privada de notícias mauritana "Al Akhbar", o líder dos sequestradores, Abderrahman Neijeri, também conhecido como Abu Dujana, afirmou que ele e os comparsas espalharam explosivos por todas as partes do complexo e a seus próprios corpos, e podem ativá-los a qualquer momento.

Na conversa telefônica, que segundo a agência aconteceu nesta manhã, Abu Dujana explicou que as negociações com os interlocutores oficiais argelinos estão em ponto morto "por sua obstinação".

"Só lhes restam duas opções: ou reiniciar as negociações ou assinar a sentença de morte dos reféns que estão dentro do complexo", ameaçou.

De acordo com seu relato, no campo de gás há vinte sequestradores que vigiam sete reféns, de nacionalidades norueguesa, britânica, americana e japonesa.

18 janeiro 2013

Um conflito internacional

Gilles Lapouge - O Estado de SP

Os aviões e soldados franceses continuam seu ataque aos "terroristas islâmicos" que se apoderaram, há alguns meses, da vasta metade norte do Mali. Os combates são duros e os fundamentalistas se misturam com a população dos vilarejos malineses. Na quarta-feira, essa guerra sofreu uma formidável metástase no norte, distante e em outro país.


Na Argélia, na fronteira com a Líbia, na localidade de In Amenas, uma zona de produção de gás pertencente à British Petroleum (BP). Foi lá que combatentes, sob o comando de um especialista em levantes, Mokhtar Belmokhtar, chefe de uma facção islamista ligada à Al-Qaeda que responde pelo nome inquietante dos que Assinam com Sangue", atacaram ao raiar do dia e tomaram como reféns empregados estrangeiros da instalação - japoneses, noruegueses, americanos, britânicos e franceses além de 300 empregados argelinos. Foi um grande arrastão.


A situação ficou conturbada, mas as informações eram imprecisas até ontem. Falava-se da fuga de uns 30 reféns e de um ataque lançado pelo Exército argelino contra os terroristas.


Podemos refletir sobre as repercussões desse golpe de efeito na guerra do Mali. Uma evidência é a de que o conflito, subitamente, se internacionalizou.


É bem verdade que todo o mundo sabia que esse país e sua tragédia estavam no centro de uma trama internacional que implicava uma dezena de países da África e, mais além, muitos outros Estados. 


Portanto, toda a comunidade internacional. No entanto, a manobra dos islamistas em In Amenas torna muito mais visível essa dimensão.

A batalha do Mali, portanto, se internacionalizou. Ela se tornou o epicentro da guerra que os fundamentalistas islâmicos travam contra o restante do mundo. E podemos imaginar que ela vai atrair, como o ímà atrai a limalha de ferro, numerosos jihadistas estacionados no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália e até mesmo na Indonésia.


Entretanto, o que vale para a nebulosa terrorista vale também para as nações ocidentais. Os aliados da França aplaudiram vigorosamente a ousadia de Paris. Infelizmente, eles não imaginaram que poderiam se juntar a essa ousadia.


A batalha do Mali era uma disputa entre os franceses e a Al-Qaeda. Ponto. Hoje, porém, a tomada de reféns pelos homens aque assinam com sangue", a alguns milhares de quilômetros do Mali, na Argélia, demoliu essa tese sonolenta. Sobretudo porque, entre os reféns, figuram americanos, britânicos, noruegueses e japoneses.


Será que esse episódio vai abrir os olhos dos americanos, dos alemães, dos britânicos ou dos noruegueses e lhes sugerir que eles talvez tenham de se manifestar? E a Argélia? As relações entre Paris e Argel eram ruins há muito tempo. Sobretudo, os argelinos, que são muito vulneráveis ao terrorismo.


Há 20 anos, 5 mil de seus cidadãos foram covardemente massacrados pelos homens do Grupo Islâmico Armado (GIA), dos quais são herdeiros diretos os jihadistas do Mali.


Até então, Argel fez de tudo para impedir que a comunidade internacional atacasse a parte norte do Mali, que é o reduto dos islamistas radicais.


No entanto, a Argélia mudou. Não faz muito tempo, o presidente francês François Hollande foi ao país e encontrou-se com o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika. O que teriam conversado esses dois homens? O fato é que, algum tempo depois, aviões franceses sobrevoavam o espaço aéreo argelino, o que teria sido impensável há um mês, para despejar suas bombas sobre os terroristas do Mali.


Belo desempenho diplomático de Hollande. Agora, quando "Os que Assinam com Sangue" fizeram centenas de reféns em In Amenas, o Exército argelino se recusou a negociar com os jihadistas. E atacou.
 

Um atoleiro no norte da África

O Estado de SP

Bourbier é a incômoda palavra que começa a se espalhar na França a respeito da intervenção militar do país no Mali. A melhor tradução é "atoleiro". Depois do entusiasmo inicial com a decisão do presidente François Hollande de ajudar o Exército malinês a deter o avanço de radicais islâmicos rumo à capital do país, Bamako, surgem dúvidas sobre se a intervenção não está indo longe demais. Hollande mandou mais soldados - o contingente total deve chegar a 2 mil - e, agora, blindados franceses participam de missões de combate.


A título de enfrentar a ameaça terrorista no Norte da África, o presidente francês pode ter dado a um grupo de extremistas pouco expressivo a oportunidade de angariar apoio de outros radicais, transformando a ação numa "luta contra o neocolonialismo" ocidental. Na quarta-feira, 16, jihadistas tomaram um campo de gás da British Petroleum na Argélia, fazendo dezenas de reféns, entre eles 41 estrangeiros, e disseram que seu ataque era uma reação à ofensiva francesa.


O governo argelino lançou uma operação de resgate, e havia versões conflitantes sobre o resultado. Seja como for, o pior dos cenários traçados por Paris, isto é, o revide de terroristas contra interesses franceses e ocidentais, pode estar se tornando real.


O socialista Hollande, que se elegeu prometendo reduzir a participação da França em ações militares no exterior, como a que ajudou a derrubar o ditador líbio Muamar Kadafi, já começa a ser criticado por ter assumido a responsabilidade de conter os terroristas africanos. Para o ex-primeiroministro Dominique de Villepin, de centro-direita, Hollande foi contaminado pelo "vírus neoconservador", numa referência aos "neocons", responsáveis por empurrar os Estados Unidos para a Guerra do Iraque, vista como exemplo de "atoleiro".


No entanto, pode-se dizer que a França não tinha alternativa, já que não é possível contar mais com a liderança dos Estados Unidos em ações desse tipo, graças à "doutrina Obama", que preconiza o crescente desengajamento militar americano. A França surge assim como o único anteparo ocidental firme contra o extremismo islâmico originado no Norte da África. Hollande pode ter lá seus próprios compromissos ideológicos, mas parece ter percebido que, como chefe de Estado, tem responsabilidades incontornáveis - e a segurança da França é a principal delas.


O grande problema do conflito no Mali é sua obscuridade. O governo americano, que tenta monitorar os grupos radicais malineses, tem apenas uma compreensão "impressionista" sobre esses extremistas, segundo o New York Times. Para o secretário-assistente de Estado para assuntos africanos, Johnnie Carson, os jihadistas, afilia-dos à Al-Qaeda, "não demonstraram capacidade de ameaçar os interesses americanos e não ameaçaram atacar os Estados Unidos". Além disso, esses grupos ainda não têm a musculatura que a Al-Qaeda de Osama bin Laden exibia, e muitos de seus integrantes são apenas traficantes de drogas e outros criminosos que aproveitaram a oportunidade para ganhar dinheiro. Contudo, a França não quis pagar para ver e decidiu, ante a indecisão dos vizinhos do Mali, evitar que esses radicais islâmicos, já presentes na Líbia e ago-ra na Argélia, conseguissem estabelecer uma espécie de Afeganistão, isto é, um santuário terrorista, numa região tão estratégica para os europeus.


Para a França, assim como para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que fornecem ajuda logística aos militares franceses, interessa limitar seus objetivos militares e internacionalizar o esforço de guerra contra os radicais islâmicos o mais rápido possível, envolvendo os países africanos, principalmente a Argélia, que costuma ser implacável com os extremistas islâmicos. O objetivo é duplo: esvaziar o discurso segundo o qual Paris age conforme velhos interesses coloniais e permitir que os soldados franceses voltem logo para casa, antes que o atoleiro os engula. Apesar de todos os dilemas e problemas, no entanto, que não reste dúvida: ante a perspectiva do fortalecimento de grupos terroristas instalados às portas da Europa, o Ocidente não poderia ficar de braços cruzados.
 

Banho de sangue no deserto

Argélia bombardeia campo de gás para libertar reféns e é alvo de críticas de países envolvidos
Provável mentor. Mokhtar Belmokhtar, um dissidente da al-Qaeda, estaria por atrás da ação


O Globo / AFP


ARGEL - Enquanto diplomatas mundo afora tentavam rastrear informações sobre o destino de 41 reféns, capturados por extremistas afiliados à al-Qaeda num complexo de extração de gás no deserto argelino, o governo da Argélia optou por responder militarmente ao ato terrorista. Acionou suas Forças Armadas e, numa ação desastrada que se estendeu por mais de 18 horas, provocou um número ainda incerto de mortos: possivelmente 30 reféns, ao menos sete deles estrangeiros. E a indignação de países como França, Japão e Reino Unido - que se queixaram por não terem sido informados da ofensiva.


O governo argelino esquivou-se das críticas e adotou um tom mais positivo, segundo o qual a ação "provocou mortes, mas também libertou muitas pessoas". Onze terroristas de diversas nacionalidades também teriam morrido, de acordo com fontes militares argelinas.


- A operação resultou na neutralização de um grande número de terroristas e na libertação de um número considerável de reféns. Infelizmente, lamentamos a morte de alguns e os feridos. Não temos números finais - afirmou o ministro das Comunicações, Mohamad Said Oublaid, acrescentando, ainda, que o objetivo do cerco era "acabar com o caso de forma pacífica".

A vaga declaração, curiosamente, foi a mais detalhada sobre os acontecimentos dos dois últimos dias no campo de In Amenas, a apenas 60Km da fronteira entre Argélia e Líbia. Lá, numa região isolada do Saara, uma milícia islâmica dissidente da al-Qaeda, a Katibah Mulathamin (Brigada Mascarada), invadiu o complexo de gás, matou três pessoas, fez cerca de 150 funcionários argelinos e 41 estrangeiros reféns - numa retaliação à intervenção militar francesa no vizinho Mali e à colaboração argelina. O arquiteto da empreitada, suspeita-se, foi um velho jihadista africano, Mokhtar Belmokhtar.


"FORÇADOS A USAR CINTURÕES-BOMBA"

 

Se a ação dos milicianos foi ousada, a resposta do governo da Argélia seguiu a mesma linha.

Depois de descartar qualquer negociação com os terroristas, tropas do Exército cercaram o complexo na madrugada de ontem. Na confusão, "dezenas" de reféns conseguiram escapar - 25, segundo a Reuters. 


Mas, quando os terroristas tentavam deixar o local levando outros reféns, veio, então, o ataque mais pesado: helicópteros argelinos abriram fogo contra o comboio.

- Estavam movendo cinco veículos com reféns de uma parte do complexo, quando foram interceptados. O Exército bombardeou quatro dos cinco veículos e quatro deles ficaram destruídos - disse Brian McFaul, irmão de Stephen McFaul, refém irlandês que conseguiu escapar.


Os números e identidades das vítimas ainda não foram oficialmente confirmados. Ontem à noite, fontes militares argelinas afirmaram à Reuters que 30 reféns morreram na operação. Os sobreviventes relataram momentos de terror. Um cidadão francês, contatado por telefone pela TV France24, contou que os captores estavam fortemente armados e forçaram vários reféns a usar cinturões-bomba, além de ameaçar explodir o complexo de gás caso as forças argelinas avançassem. Outro funcionário, argelino, conseguiu escapar e disse que os alvos dos terroristas eram "cristãos e infiéis".


- Eles nos disseram que não machucariam os muçulmanos, que só estavam interessados em cristãos e infiéis, que iriam matá-los. Sou um homem de sorte; os terroristas pareciam conhecer a base muito bem - contou Abdelkader, de 53 anos, ainda nervoso.


Sob um sombrio cenário de dúvidas, o ministro argelino das Comunicações insistiu que as tropas argelinas só abriram fogo para disparar "tiros de alerta" tendo sido confrontadas por terroristas "fortemente armados".


- Diante da resistência teimosa desses terroristas em ignorar os alertas e diante da tentativa iminente de escapar levando os reféns da Argélia, usando-os como instrumento de barganha, lançamos o bombardeio na manhã - explicou Mohamad Said Oublaid.


Mas a justificativa argelina não agradou. Dezenas de governos, que sequer conseguiram confirmar se e quantos de seus cidadãos estavam entre os reféns, irritaram-se com a iniciativa. Países como EUA, Noruega, Japão, Reino Unido e França dizem não ter sido informados ou sequer consultados sobre a iminência de um ataque ao complexo no deserto.


- Pedimos para a Argélia colocar as vidas humanas em primeiro lugar e pedimos severamente que a Argélia se abstivesse - disse o chefe de Gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga.
 

Hollande justifica ação no Mali

Em Londres, o premier britânico David Cameron, chegou a cancelar um importante discurso sobre a União Europeia que faria hoje, em Amsterdã, devido à crise - classificada como uma "situação difícil, perigosa e potencialmente ruim". Antevendo a presença de cidadãos britânicos entre as vítimas, pediu ao povo que se preparasse para o pior. E se queixou:


- Os argelinos têm consciência de que nós preferiríamos ter sido consultados antes - disse um porta-voz.


Na berlinda, ficou o presidente da França, François Hollande, que um dia antes dissera estar coordenando "entre todos os governos envolvidos" os esforços pela libertação dos reféns. Ontem, limitou-se a dizer que não tinha informações suficientes:


- As condições são terríveis, dramáticas. O que está acontecendo na Argélia é mais uma prova de que minha decisão de intervir no Mali é justificada.

Dassault vende 189 jatos à Índia por US$ 18 bilhões

Caça militar francês Rafale também disputa preferência de governo brasileiro.
 

Brasil Econômico
 
A Índia está disposta a comprar até 189 aviões de combate franceses Rafale, produzidos pela Dassault Aviation, 63 a mais que os 126 inicialmente previstos, indicaram à AFP fontes próximas às discussões. Esta perspectiva foi evocada durante visita do ministro indiano das Relações Exteriores, Salman Khurshid, a Paris na semana passada, informaram as fontes, num momento em que os aviões Rafale participam das operações militares no Mali.

“Há uma opção para a compra de 63 aviões suplementares, para os quais será assinado um contrato separadamente. Atualmente, o contrato em negociação envolve 126 aviões”, declarou a fonte.


A compra de 126 Rafale foi avaliada em US$ 12 bilhões pela imprensa indiana.Um pedido suplementar pode elevar o total da operação a US$ 18 bilhões, embora o montante dependa do resultado das negociações.


Concorrência
 

Em janeiro de 2012, a Índia preferiu o Rafale ao Typhoon, avião construído pelo consórcio Eurofighter, formado pelos grupos britânicos BAE Systems, europeu EADS e italiano Finmeccanica, para equipar sua força aérea. A Dassault e o ministro indiano da Defesa continuam com as negociações para finalizar o contrato nos próximos meses. O Rafale também concorre em uma licitação brasileira para a compra de 36 aviões de combate, competindo com o F/A-18 Super Hornet da americana Boeing e com o Gripen NG da sueca Saab.

Mas, devido à conjuntura econômica, o Brasil adiou esta aquisição de aviões de combate, declarou a presidente Dilma durante uma visita realizada a Paris em dezembro passado. 


O projeto previa a aquisição de 36 caças para reforçar a Força Aérea Brasileira (FAB), com orçamento estimado de US$ 3 bilhões. Há mais de 10 anos na pauta do governo brasileiro, a modernização da frota dividiu opiniões tanto por questões técnicas ou políticas - o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy comandou pessoalmente um esforço diplomático para conseguir vender os Rafales ao país.

Embraer ganha encomenda de US$ 215 milhões

Por Virginia Silveira | Para Valor, de São José dos Campos

A área de defesa da Embraer, que em 2012 registrou receita superior a US$ 1 bilhão, começou o ano com uma carteira de pedidos mais robusta. A Força Aérea Brasileira (FAB), principal cliente da companhia no setor de defesa, assinou contrato de US$ 215 milhões para a modernização de cinco aeronaves E 99, utilizadas em missões de vigilância e alerta aéreo antecipado na Amazônia.


Com o novo contrato, o volume de pedidos em carteira da unidade de Defesa e Segurança da Embraer, que no último trimestre de 2012 era de US$ 3,4 bilhões, subiu para US$ 3,7 bilhões. O setor respondeu por 18% da receita global da empresa no ano passado e a previsão é que, em 2013, seja responsável por cerca de 20% do faturamento.


O projeto de modernização das aeronaves de vigilância da FAB, segundo a Embraer, prevê a atualização dos sistemas de guerra eletrônica, de comando e controle, de contramedidas eletrônicas e do radar de vigilância aérea. Parte do trabalho será feita pela Atech, empresa coligada da Embraer Defesa e Segurança.


Desenvolvido sobre a plataforma do jato regional ERJ-145, o E-99 realiza missões de gerenciamento do espaço aéreo, posicionamento de caças e controle de interceptação, inteligência eletrônica e vigilância de fronteiras.


O E-99, designação que a FAB deu para as aeronaves EMB 145 AEW&C, da Embraer, atua em conjunto com três aeronaves R-99, da mesma plataforma, mas com a função de identificar queimadas e desmatamento ilegal, poluição de rios e áreas alagadas, além de levantamento de dados para mapeamento da Amazônia.


As atividades da Embraer Defesa e Segurança relacionadas à modernização de aeronaves estão apoiadas hoje em três projetos principais, além do E-99: o segundo lote dos caças F-5 BR (11 aeronaves), o AMX (44 aeronaves) e os caças A-4, da Marinha (12).


Em entrevista concedida ao Valor no fim do ano passado, o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, disse que alguns projetos, como o AMX e o A-4, terão um incremento a partir deste ano, pois terminaram a fase de desenvolvimento e engenharia e vão começar a fase de produção, o que representará um crescimento na receita e no fluxo do negócio.


O projeto de desenvolvimento na área de defesa mais desafiador para a Embraer, no entanto, continua sendo o do cargueiro KC-390, que tem voo inaugural previsto para outubro de 2014.


Atualmente, segundo o Ministério da Defesa, mais de 800 engenheiros e técnicos da Embraer estão engajados nesse projeto.

Ministério acompanha troca de navios capitânia da Força-Tarefa Marítima no Líbano

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 18/01/2013 – A fragata “Constituição” é, agora, o meio naval que comanda o efetivo brasileiro na Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-Unifil). A embarcação substituiu a fragata “Liberal”, que ficou por oito meses no país árabe. A troca foi acompanhada por oficiais do Ministério da Defesa (MD), liderados pelo chefe de Operações Conjuntas do órgão, brigadeiro Ricardo Machado Vieira.

Durante a passagem de função, que aconteceu no último domingo (13), o comandante da FTM-Unifil, contra-almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith, destacou a contribuição da “Liberal” como navio capitânia da Força. Por meio desse tipo de embarcação, foram ampliadas capacidades operacionais da missão, como permanência no mar e aumento do número de detecções de violações ao espaço aéreo libanês. A “Constituição” vai permanecer por seis meses no país árabe.

Além de participar da solenidade, a comitiva do MD conheceu as principais atividades realizadas pelo contingente brasileiro na Unifil. Os militares da pasta estiveram no Líbano de 10 a 15 de janeiro e receberam, também, os resultados da missão, que tem contribuído com as operações de interdição marítima e vigilância, ajudando as Forças Armadas do país a impedir a entrada de armas pelas águas.

A Unifil é uma das nove missões internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) com participação de brasileiros. O efetivo é composto por 268 militares da Marinha do Brasil. O país tem contingente na operação desde novembro de 2011. Atuar em ações desta natureza é um dos objetivos estratégico de defesa, que determina o trabalho em missões de paz e de auxílio humanitário.

Balanço

Entre os dados apresentados durante a visita do MD, foi exposto que, em média, cada contingente fica 130 dias no mar. No caso do Brasil, desde o início da missão já foram realizados 13.440 interrogatórios e 2.100 inspeções em navios mercantes – o que corresponde ao triplo do número realizado pela FTM antes da chegada dos brasileiros.

17 janeiro 2013

Embraer modernizará cinco aviões da FAB por cerca de R$ 430 milhões

Reuters
Em São Paulo

A Embraer modernizará aeronaves de vigilância da FAB (Força Aérea Brasileira), em um contrato de cerca de R$ 430 milhões, segundo comunicado da fabricante brasileira de aviões nesta quinta-feira (17).

O contrato com a Embraer Defesa e Segurança prevê a renovação de cinco aeronaves EMB 145 AEW&C, de Alerta Aéreo Antecipado e Controle, chamadas E-99 na FAB, informou a Embraer.

Também está incluída a atualização dos sistemas de guerra eletrônica, sistemas de comando e controle, sistemas de contramedidas eletrônicas e do radar de vigilância aérea.

Além disso, foram adquiridas seis estações de planejamento e análise de missão, que serão empregadas no treinamento e aperfeiçoamento das tripulações, informou a fabricante de aeronaves.

Saiba quem é quem no conflito no Mali

Conheça os protagonistas dos confrontos e saiba o que está jogo no país africano.

BBC Brasil


O Mali enfrenta uma de suas mais graves crises desde que o país africano se tornou independente da França, em 1960.

Após um pedido do governo malinês, a França enviou tropas ao país, para conter o avanço de rebeldes fundamentalistas islâmicos.

Em abril de 2012, militantes, muitos dos quais ligados à rede Al-Qaeda, assumiram o controle de vastas áreas no norte do país.

O Exército havia assumido o controle do país, através de um golpe, no mês anterior. Na ocasião, os líderes do golpe acusaram o governo recém-eleito de ser frouxo com os militantes islâmicos. Nesse meio tempo, se aproveitando da distração dos militares, os rebeldes fizeram rápidos avanços na sua investida.

Após um acordo intermediado pelo bloco regional da África Ocidental Ecowas, o governo civil foi restaurado no sul do país. O líder do Parlamento tomou posse como presidente interino, mesmo assim a junta militar ainda exerce grande influência no governo e a incerteza política no país permanece.

O Mali, um país no oeste africano sem acesso ao mar, é uma das nações mais pobres do mundo.

Acompanhe a seguir um guia sobre quem são os principais protagonistas do conflito do Mali.

O presidente interino
 

Dioncounda Traoré, de 70 anos, há muito tinha ambições presidenciais, mas ele esperava chegar ao poder por meio das eleições marcadas para abril de 2012.

Ele completou sua educação superior na antiga União Soviética, na Argélia e na França, onde obteve um doutorado em matemática.

Traoré regressou ao Mali para dar aulas em uma universidade, antes de se envolver com a política.

Ele foi membro-fundador do partido político Aliança para a Democracia no Mali, em 1990. Entre 1992 e 1997, foi ministro das pastas de Defesa e Relações Exteriores.

Em 2007, foi eleito presidente da Assembleia Nacional Malinesa.

Ele foi um aliado do presidente deposto Amadou Toumani Touré, que se tornou extremamente impopular.

Por conta disso, muitos malineses veem Traoré com desconfiança.

A situação se agravou em maio de 2012, quando golpistas atacaram Traoré em seu escritório, obrigando-o a buscar tratamento médico na França.

Quando os rebeldes fundamentalistas islâmicos lançaram uma nova ofensiva, entrando na cidade de Konna, no centro do país, o presidente interino recorreu à França, o antigo poder colonial, para obter ajuda militar.

Ele declarou estado de emergência no país, argumentando que os rebeldes queriam ampliar suas ''atividades criminais'' por todo o país.

O líder golpista
 

O golpe de março de 2012 parece ter sido um movimento espontâneo, nascido de um motim na base militar de Kati, a cerca de 10 km do palácio presidencial em Bamako.

Ele foi liderado por um oficial de média patente, o capitão Amadou Sanogo, um dos poucos oficiais que não fugiram da base de Kati quando os soldados iniciaram a revolta e se dirigiram à sede do governo.

O militar, que está na faixa dos 30 anos, é de Segou, a segunda maior cidade do Mali, há cerca de 240km da capital do país, Bamako, onde seu pai trabalhou como enfermeiro de um hospital.

O jornalista Martin Vogl descreve Sanogo como um homem vigoroso, confiante e carismático.

O capitão passou toda sua vida profissional no Exército e recebeu parte de seu treinamento nos Estados Unidos, inclusive treinamento de inteligência.

Sanogo já insinuou que poderá exercer um papel no futuro político do Mali, apesar de formalmente ter entregue o poder.

Os rebeldes

 

O Movimento Nacional pela Libertação de Azawad (MNLA) e o grupo islâmico Ansar Dine são os dois principais grupos envolvidos na tomada de poder no norte do Mali - uma área do tamanho da França.

Outros pequenos grupos também estão participando dos combates, como o Movimento pela Unidade e Jihad no Oeste da Áfric (Mujao).

Apesar de terem objetivos distintos, o MNLA e o Ansar Dine juntaram suas forças para realizar combates conjuntos, entre eles um que resultou na captura de Timbuktu, mas existem séries tensões entre os dois grupos rebeldes, que já chegaram a se enfrentar.

O MNLA quer a independência da sua terra natal tuaregue, no norte do Mali, chamada de Azawad.

Entre os oficiais do grupo rebelde estão tuaregues malineses que, quando no exílio na Líbia, combateram ao lado das forças do coronel Muammar Khadafi quando este teve que enfrentar uma revolta popular contra o seu governo.

Após a derrubada de Khadafi, eles regressaram ao Mali, bem treinados e trazendo armamentos pesados.

Mas são os guerrilheiros islâmicos do Ansar Dine e do Mujao que agora controlam três das principais cidades da região, Timbuktu, Gao e Kidal.

Os grupos têm conexões com a facção da Al-Qaeda no norte da África, conhecida como Al-Qaeda no Magrebe Islâmico, cuja especialidade é sequestrar ocidentais em troca de resgates.

O Ansar Dine diz não lutar pela independência e quer manter a integridade territorial do Mali. Mas o grupo quer introduzir a lei islâmica - conhecida como sharia - em todo o país.

Ansar Dine e Mujao seguem a vertente wahabista do Islã, a mesma variante adotada pela milícia Talebã, enquanto que a maior parte dos muçulmanos do Mali segue o islamismo sufi.

Os dois grupos tentaram impor sua versão do Islã destruindo templos sufi, que eles afirmam promover a idolatria, na cidade de Timbuktu, que é um Patrimônio Mundial da Humanidade.

Isso fez com que eles se tornassem extremamente impopulares entre muçulmanos sufi. A ONU diz que a destruição de templos pode representar um crime de guerra.

De acordo com o analista Andy Morgan, os combatentes islâmicos são bem mais ricos que o MNLA, em parte graças ao dinheiro obtido como resgate na troca por ocidentais sequestrados e pelo tráfico de cocaína, haxixe e cigarros.

França
 

O presidente francês, François Hollande, enviou tropas ao Mali apesar de dizer que a França não quer mais interferir em assuntos de suas ex-colônias africanas.

Em dezembro do ano passado, a França rejeitou um pedido do presidente da República Centro-Africana, François Bozize, para que fossem enviadas tropas para ajudar a conter o avanço rebelde rumo à capital, Bangui.

Na ocasião, o líder francês afirmou: 'Esses dias acabaram'. Mas poucas semanas depois, a França interveio no Mali, enviando tropas para a capital, Bamako, e atacando posições rebeldes.

A França entrou no conflito porque a ameaça no Mali parte de militantes islâmicos, não de rebeldes seculares.

E a intervenção se deu após o Ansar Dine ter encerrado uma trégua que estava em vigor desde o ano passado, quando seus combatentes avançaram rumo ao sul do país, entrando na estratégica cidade de Konna, em 10 de janeiro.

O governo francês temia que os rebeldes marchassem até Bamako, transformando o Mali no que Hollande chamou de ''um Estado terrorista'' que poderia ameaçar o restante da África e da Europa.

Países vizinhos
 

Atualmente comandada pelo presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, a Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano (Ecowas, na sigla em inglês), bloco formado por países da África Ocidental, vem pedindo a intervenção militar no Mali desde que os rebeldes capturaram o norte do país, em abril de 2012.

Mas o Conselho de Segurança da ONU adiou a aprovação da missão, levantando dúvidas sobre se a força regional estava preparada adequadamente para intervir.

A Ecowas diz que pretende mandar suas tropas ao Mali dentro de poucos dias.

O efetivo do bloco no país deverá ser de 3 mil homens.

Com a aprovação da Ecowas, Burkina Faso vem mediando negociações entre os rebeldes e o governo do Mali.

Mas as conversações falharam após o avanço rebelde em Konna.
 

Chefe do Pentágono pede 'esforço internacional' na guerra do Mali

Para Leon Panetta, não se trata de uma guerra francesa.
Secretário de Defesa discutiu questão com o premiê italiano.

 

Da AFP

As operações militares no Mali não são uma guerra francesa, declarou nesta quarta-feira em Roma o secretário de Defesa americano, Leon Panetta.

"No Mali, não acredito que se trate de uma guerra francesa, é necessário um esforço internacional", afirmou Panetta em um encontro com a imprensa na embaixada dos Estados Unidos em Roma.

"O objetivo é dar a possibilidade às forças africanas (da Comuidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao) de controlar o território", disse Panetta.

Panetta se reuniu nesta quarta com o premiê italiano, Mario Monti.

Durante o encontro, classificado de "muito cordial", Monti e Panetta falaram sobre a situação no Mali, indicou um comunicado do governo italiano sem apresentar maiores detalhes.
 

13 janeiro 2013

Refém francês e dois soldados morrem em resgate na Somália

AFP

Um comando francês fracassou neste sábado ao tentar libertar um refém na Somália, que acabou sendo morto por seus sequestradores, segundo o governo, em uma operação que também terminou com a morte de pelo menos um soldado francês e de 17 "terroristas".

Na operação efetuada na madrugada deste sábado em Bulomarer (sul), que desencadeou combates "de grande violência", "tudo leva a crer que Denis Allex foi morto por seus sequestradores", disse à imprensa em Paris o ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian.

Os islamitas somalis "shebab" afirmaram em troca que o refém francês, um agente do serviço de inteligência externa (DGSE), sequestrado desde 2009, continua vivo. Segundo eles, "segue em um lugar seguro, longe do local da batalha", e será "julgado dentro de dois dias".

O presidente francês, François Hollande, admitiu no Palácio do Eliseu que a operação na Somália "não teve sucesso", mas destacou que a missão "confirma a determinação da França de não ceder aos terroristas"

Dennis Allex havia sido sequestrado em Mogadíscio no momento em que realizava "uma missão oficial de assistência" ao governo somali de transição, lembrou o ministério da Defesa da França.

O ministro Le Drian disse também que um soldado francês havia morrido na operação efetuada pelas equipes do DGSE, e que outro "está desaparecido". O ministro afirmou que 17 terroristas morreram nos combates.

Já os islamitas somalis indicaram que mantêm em seu poder "um soldado francês ferido" na operação e acrescentaram que os comandos franceses levaram consigo "vários" companheiros mortos ou feridos nos combates, em um comunicado. Os islamitas somalis ameaçaram a França com represálias por esta operação militar.

"No final das contas, serão os cidadãos franceses que sofrerão, inevitavelmente, as amargas consequências da atitude inconsequente de seu governo para com os reféns", advertem os islamitas. Pelo menos um morador de Bulomarer disse neste sábado que tinha visto o corpo de um homem branco.

"Não sabemos exatamente o que ocorreu, pois o ataque foi efetuado durante a noite, mas esta manhã vimos vários cadáveres, entre eles o de um homem branco. Três civis também morreram no tiroteio", disse por telefone o morador local Idris Yussuf.

O ataque foi efetuado com a ajuda de cinco helicópteros de combate às 02h00 locais deste sábado (21h00 de sexta-feira em Brasília), segundo os "shebab". No entanto, "o comando do DGSE encontrou forte resistência", destacou o Ministério francês da Defesa. Os confrontos duraram 45 minutos, indicam os islamitas.

A operação em Bulomarer era complicada devido ao fato de a região ser muito arborizada e habitada, segundo testemunhas. Os líderes "shebab" afirmam também que conseguiram mobilizar rapidamente seus combatentes instalados em um campo de treinamento próximo.

O agente apresentado como Denis Allex (nome certamente alterado) foi sequestrado pelos "shebab" em Mogadíscio no dia 14 de julho de 2009 junto com outro agente, libertado um mês depois.

Em 4 de outubro, Allex apareceu abatido em um vídeo em que lançou "uma mensagem de socorro" ao presidente François Hollande, a quem pedia que fizesse algo para libertá-lo. A operação fracassada coincide com o envolvimento militar da França em outro país africano, o Mali, onde mobilizou sua aviação para ajudar o governo local a conter o avanço islamita para o sul.

Na Somália, os islamitas perderam todos os seus principais redutos no sul e no centro do país, empurrados há cerca de um ano e meio pela ofensiva de uma força da União Africana. Apesar disso, os combatentes islâmicos seguem controlando algumas partes rurais do sul e do centro da Somália.

França terá longa e dura campanha no Mali, dizem especialistas

AFP

A vontade da França de combater os militantes islamitas no Mali "pelo tempo que for necessário" expõe a antiga potência colonial a uma longa campanha, consideram diplomatas e especialistas. "Está ficando feio e estamos diante de algumas semanas caóticas", disse um diplomata do Conselho de Segurança da ONU sob a condição de anonimato depois de Paris ter informado oficialmente aos quinze países da instância sobre sua decisão de intervir no país africano.

A campanha francesa entrou em seu terceiro dia neste domingo. Os grupos islamitas ligados à Al-Qaeda levaram a França a entrar no conflito ao avançar de seu reduto, no norte do Mali, para regiões controladas pelo governo. Os militantes tomaram, em março do ano passado, o norte do Mali e, desde então, impuseram uma dura lei islâmica, o que faz com que os países ocidentais temam que a área se torne um santuário para extremistas.

A França apoiou firmemente a proposta de organizar uma força de intervenção africana de 3,3 mil soldados que teria a autorização do Conselho de Segurança para ajudar o exército do Mali a reconquistar seu território. Contudo, os problemas políticos nas regiões controladas pelo governo e as dúvidas sobre o exército do Mali e as forças africanas, assim como as divergências sobre o financiamento internacional da operação, frustraram os esforços.

O presidente francês, François Hollande, disse que seu país enfrentará os islamitas "pelo tempo que for necessário" e descreveu o conflito como um combate ao terrorismo. "A França terá agora que intensificar seus esforços contra os islamitas e pressionar o restante da Europa e os Estados Unidos a se envolverem mais", afirmou o diplomata ocidental.

A Grã-Bretanha já anunciou que ajudará no transporte de tropas estrangeiras ao Mali, enquanto os Estados Unidos podem fornecer treinamento militar ao país. "Pode ser que agora se trate de uma intervenção limitada, mas existe uma grande possibilidade de que a França tenha que aumentar mais sua presença, principalmente para obter uma importante estabilidade regional mais rápido do que planejava", disse Richard Gowan, do Centro de cooperação internacional da Universidade de Nova York.

"É provável que a França e, possivelmente, os Estados Unidos aumentem os ataques das forças especiais e de drones no norte para enfraquecer os islamitas enquanto se monta algum tipo de força de intervenção de longo prazo", acrescentou Gowan. Os islamitas e os rebeldes separatistas tuaregues se aproveitaram de um golpe de Estado no Mali, em março de 2012, para tomar o controle dessa parte do território no norte, quase do tamanho da França.

A França e seus aliados planejavam dedicar os primeiros meses de 2013 à reconstrução do exército do país, decomposto pelo golpe, pois acreditava-se que não haveria nenhuma ofensiva islamita antes de setembro. O exército do Mali não impôs muita resistência ao avanço dos islamitas que começou esta semana e isso preocupa muitos países.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, expressou sua preocupação na reunião de urgência do Conselho de Segurança na quinta-feira. "Uma das coisas que discutimos foi até que ponto os malinenses desejam e estão preparados para defender seu país", explicou.

A França pede um envolvimento mais rápido das forças da Comunidade Econômica dos Países do Oeste da África (Cedeao, siglas em francês). Por ora, alguns países como Burkina Faso, Nigéria e Senegal se comprometeram a contribuir com 500 soldados cada um.

"Se a Cedeao não puder enviar tropas rápido o suficiente, há grandes possibilidades de que a França se volte para o Conselho de Segurança e peça uma missão da ONU no sul do Mali, ainda que a ONU também tenha problemas para se mobilizar rapidamente", disse Gowan, da Universidade de Nova York.

O ex-primeiro-ministro conservador francês Dominique de Villepin acredita que haverá problemas. "Vamos lutar sozinhos, porque não temos um aliado malinense sólido", escreveu em um artículo publicado neste domingo no Le Journal du Dimanche. "O colapso de um exército malinense dividido, a queda geral do estado: em quem nos apoiaremos?", questionou.

França diz que foi possível frear avanço islamita em Mali

EFE

O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou neste domingo que já foi possível frear o avanço islamita rumo ao sul de Mali, mas que ainda deve ser mantida a ofensiva para que o país africano possa recuperar sua integridade territorial.

Em entrevista concedida à rede "LCI", Fabius disse que se a França não tivesse intervindo, os salafistas, que controlam desde meados de 2012 o norte de Mali, "já teriam chegado até Bamaco", a capital.

Fabius lembrou que quatro aviões "Rafale" da Força Aérea francesa destruíram infraestruturas e depósitos dos terroristas próximos a Gao, e dentro do apoio internacional recebido com relação à ofensiva, agradeceu a Argélia que permitiu "sobrevoar seu espaço aéreo sem limite".

"Trabalhamos com os argelinos e seguimos conversando. Achamos que se as tropas africanas (em alusão ao contingente da Cedeao está sendo desdobrado imediatamente em Mali) se dirigirem ao norte, será necessário que os argelinos fechem suas fronteiras", explicou.

Fabius acrescentou que a França tem a intenção que sua ajuda ao Exército de Mali seja "essencialmente aérea", mas destacou que para que essas incursões tenham êxito devem haver certas conexões no terrestres.

Neste sentido, indicou que já há "centenas de soldados" franceses destacados em Mali, que serão reforçados nos próximos dias, quando também está previsto que cheguem os contingentes do Senegal, Níger, Nigéria "e provavelmente Chade".

Os grupos salafistas que estão sendo enfrentados "estão dotados de armas potentes", uma capacidade que embora não tenha deixado a França surpresa, é maior do que foi calculado no princípio.

O ministro recalcou que não se pode dispor desse tipo de armamento "sem os meios financeiros necessários", e chamou a atenção sobre a origem dos mesmos, que em sua opinião procedem "da droga e da captura de reféns".

A "prova trágica" da força dos salafistas, segundo indicou Fabius, foi a morte de um piloto francês, e insistiu que embora o presidente da França, François Hollande, tinha consciência dos riscos quando autorizou a ajuda militar em Mali, "não tremeu a mão" na hora de tomar essa decisão.

Fabius deixou claro, além disso, que Mali é um país "que pode ser administrado por seus cidadãos", e que a França oferecerá sua ajuda o tempo necessário, "mas não tem a intenção de ficar nesse país para sempre".

Aviação francesa faz operações contra alvos salafistas no norte de Mali

EFE

A Força Aérea francesa executou várias operações contra alvos salafistas no norte de Mali neste domingo, em particular contra depósitos de armas e campos de treinamento, informou à Agência Efe uma fonte do Ministério da Defesa de Mali.

Os ataques foram produzidos em Lere (perto da fronteira com a Mauritânia) e Duentaza, na periferia de Gao, uma das três grandes cidades do norte de Mali, indicou a fonte, que precisou que essas incursões aéreas estão acompanhadas "de avanços no terreno".

A fonte não precisou se ditos "avanços no terreno" estão sendo realizados pelas tropas malinesas ou correram pelas tropas francesas e se limitou a assinalar que tinham como objetivo "destruir todos os alvos suspeitos".

Por sua parte, o Ministério de Defesa da França anunciou que quatro aviões de caça "Rafale" perpetraram várias incursões aéreas nas cercanias de Gao, no norte de Mali, nas quais foram destruídos "campos de treinamento, infraestruturas e depósitos logísticos de grupos terroristas".

"Esta missão foi efetuada por quatro 'Rafale' que despegaram da França e com os quais se reforça o dispositivo aéreo francês", disse em comunicado o titular da Defesa, Jean-Yves Le Drian.

Dois aviões britânicos partem para auxiliar na ofensiva em Mali

EFE

Londres, 13 jan (EFE).- Dois aviões britânicos partem neste domingo do Reino Unido à França para dar apoio às Forças Armadas francesas na ofensiva em Mali, desdobrada para deter o avanço de grupos salafistas, segundo confirmaram fontes do Ministério da Defesa.

O primeiro dos aviões, um C17 de carga da Real Força Aérea, já chegou a uma base aérea de Paris, enquanto o segundo, do mesmo tipo, partirá nas próximas horas, informa a "BBC".

O primeiro C17 será carregado com equipamentos e partirá rumo ao país africano na segunda-feira, em uma só viagem, enquanto o segundo fará voos entre França e Bamaco nos próximos dias, aponta a rede pública.

O Governo britânico anunciou ontem que ofereceria apoio logístico "para transportar tropas estrangeiras e equipamento militar" a Mali, mas precisou que não enviará soldados.

O primeiro-ministro, David Cameron, expressou sua "profunda preocupação" com o avanço dos rebeldes, que "estendem o alcance dos grupos terroristas e ameaçam a estabilidade do país e da região em seu conjunto".

Cameron acredita que é necessário "impulsionar urgentemente a aplicação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre Mali e assegurar que a intervenção militar seja reforçada com um processo político inclusivo que leve às eleições e ao retorno de um Governo civil".

08 janeiro 2013

Pela proteção do Brasil

Como o país se defenderia em caso de invasão? Quais ameaças enfrentaríamos? Qual o real papel do Exército? No Livro Branco da Defesa Nacional, o governo expõe estratégias de segurança e defesa para uma nação pacífica, mas nada indefesa
 
Bruno Huberman - Rolling Stones

A última bala disparada por um rifle brasileiro contra um soldado inimigo foi deflagrada na Segunda Guerra Mundial – durante a campanha das Forças Expedicionárias Brasileiras na Itália, em 1945. O envolvimento anterior das nossas Forças Armadas em um conflito bélico acontecera na Guerra do Paraguai, em 1870, ainda sob o Império de Dom Pedro II. 


Pela ausência na participação de conflitos armados ao longo de sua história, o Brasil se tornou uma nação pacífica – as vias diplomáticas quase sempre prevaleceram sobre a das armas para a solução dos litígios internacionais, principalmente os fronteiriços, e na garantia de sua defesa nacional. 

Graças à imprevisibilidade do cenário internacional e ao aumento do envolvimento brasileiro no processo decisório do atual xadrez mundial – tudo possibilitado pelo desenvolvimento da economia local e pelo exercício de uma política externa autônoma –, cresce a preocupação do Estado brasileiro na preservação da soberania e do interesse nacional. 

Um Brasil mais forte, dizem as autoridades, exige uma defesa mais forte. Ainda que essa afirmação seja passível de contestação, os nossos governantes entendem que não é apenas por meio da força da arma que se defende um país – até porque a nossa capacidade bélica não permitiria tamanha pretensão. 

Hoje, o Brasil dispõe de quatro principais formas de dissuadir uma eventual ameaça externa: pela projeção de seus valores pacíficos e democráticos; pela negociação diplomática; pela construção de um complexo de segurança regional na América do Sul por meio da cooperação com os nossos vizinhos sul-americanos; e por suas capacidades materiais bélicas. 

No árduo caminho para tornar a nação brasileira um protagonista global, entretanto, a presidente Dilma Rousseff terá ainda de superar algumas “heranças malditas” deixadas por Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e antecessor. 

A estratégia de defesa do Brasil passa por “propiciar e garantir condições para que se possa considerar que o país não corra risco de uma agressão externa, nem seja exposto a pressões políticas ou imposições econômicas insuportáveis, e seja capaz de, livremente, dedicar-se ao próprio desenvolvimento e ao progresso”. Esse trecho foi extraído da primeira edição do Livro Branco de Defesa Nacional, lançado pelo Ministério da Defesa em julho deste ano, ao lado das revisões da Política Nacional de Defesa e da Estratégia Nacional de Defesa. 

Esses três documentos fazem parte de um esforço do Estado brasileiro em institucionalizar os paradigmas nacionais em questões de segurança e defesa nas relações entre civis e militares, que têm como marco histórico o fim da ditadura militar, em 1985. 

A extinção dos ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica – criados pelo regime militar –, para a criação do Ministério da Defesa, em 1999, deu continuidade ao processo por meio da centralização dos militares em uma instituição sob autoridade civil. Ao tornar públicas e notórias as políticas e estratégias de defesa, o Estado brasileiro não apenas incentiva o debate público da temática, mas deixa claro às outras nações seu posicionamento quanto à segurança internacional. 

“Com o Livro Branco, o Brasil quer dizer ao mundo que não tem cartas nas mangas, nem nada tem a esconder em relação aos gastos e recursos empregados na construção do seu sistema de defesa”, define o professor Eurico de Lima Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Quer dizer que pretende se alinhar entre as principais nações e que, para isso, precisa cuidar de sua defesa como política de Estado.” 

Sexta maior economia do mundo (segundo o Fundo Monetário Internacional) e caminhando para se tornar a quinta, o Brasil possui um enorme patrimônio a ser defendido contra possíveis ameaças externas, como extensas reservas de água potável, enorme biodiversidade, vastos recursos minerais e uma população de mais de 190 milhões de habitantes. As recentes descobertas do pré-sal elevaram o país a um novo patamar de reservas e produção de petróleo e gás. 

Com a maior costa Atlântica do mundo e uma fronteira terrestre de mais de 15 mil quilómetros dividida com dez países, a garantia da segurança de nossa pacífica nação exige um esforço superlativo. 

“Ser pacífico não significa ser indefeso”, ressaltou o ministro da Defesa, Celso Amorim, no lançamento do Livro Branco durante o encontro da Associação Brasileira de Defesa (Abed), em agosto deste ano. 

Particularmente, o planejamento da defesa se concentra nas áreas vitais onde estão centralizados os poderes políticos e econômicos, como as metrópoles Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Da mesma forma, a Amazônia e o Atlântico Sul também são regiões prioritárias. Na selva amazônica, em especial, as Forças Armadas são utilizadas em ações estratégicas para o fortalecimento da presença do Estado no local, por meio de uma política que transita entre o preconceito nacionalista ideológico dos tempos da ditadura (que entende a região como um “vazio demográfico”) e a conservação de nossos bens naturais por meio do desenvolvimento sustentável. 

Nos últimos anos, a política externa brasileira assumiu uma agenda autônoma em relação aos arranjos das grandes potências internacionais, garantindo a projeção dos seus interesses e valores na governança global: a cooperação, a paz e o desenvolvimento sustentável. 

Ao lado de Japão, Alemanha e Índia, o Brasil pede a reforma do Conselho de Segurança da ONU, o principal foro deliberativo no que diz respeito à segurança internacional, que tem como únicos membros permanentes – e com direito a veto – os vencedores da Segunda Guerra Mundial: Estados Unidos, Rússia (ex-URSS), China, França e Grã-Bretanha. 

Também integram essa agenda exterior brasileira as políticas de defesa que, além de garantirem a soberania de nosso território, buscam o reposicionamento do Brasil por meio de um vasto rol de alternativas diplomáticas, como o projeto de integração sul-americano.