31 agosto 2013

Se atacar Síria, EUA podem acumular inimigos, diz Lampreia

Band News

A próxima sessão do legislativo norte-americano está marcada apenas para o dia 9 de setembro. Os legisladores podem ser convocados em regime de urgência para discutir um ação militar na Síria.

Para o ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC, no entanto, há grandes chances da Casa vetar a ação. Luiz Felipe Lampreia acredita ainda que se agir, a administração de Barack Obama acumulará inimigos na região.



Espanha venderá aviões militares ao Egito, apesar do embargo

Miguel González - El País
Em Madri (Espanha)

A Espanha manterá a exportação de aviões militares de transporte ao Egito, apesar do embargo parcial na venda de armas decretada na semana passada pela UE. Essa é a proposta que o Ministério das Relações Exteriores colocará na quarta-feira sobre a mesa da Junta Interministerial de Material de Defesa e Duplo Uso (Jimdu) - o organismo encarregado de controlar a venda de armas e no qual também se sentam representantes da Defesa, do Comércio e do Interior -, segundo fontes diplomáticas.

Os ministros das Relações Exteriores dos 28 concordaram em suspender a entrega ao Egito de todo material militar que possa ser utilizado para a repressão interna, depois da sangrenta expulsão dos islâmicos acampados que pediam a restituição do presidente deposto, Mohamed Mursi. Entretanto, a UE se limitou a aprovar uma simples recomendação e deixou nas mãos de cada país interpretar que material é afetado pelo veto.

Mais de 90% das vendas de armas espanholas para o Egito - que somaram 50 milhões de euros no ano passado - correspondem a aviões militares de transporte C-295, fabricados pela Airbus Military em sua fábrica de Sevilha. O exército egípcio adquiriu em 2010 três desses aparelhos e depois ampliou o pedido para um total de 12. Embora esses aviões sirvam para levar tropas e material militar de um extremo a outro do país, o governo optou por interpretar de modo restritivo a recomendação da UE e os excluiu do embargo, que afetará armas de fogo, peças de metralhadoras e linhas de elos de esteiras de tanques, mas não aeronaves, sistemas eletrônicos e material de dupla utilidade.

Depois do golpe de Estado que derrubou Mursi em 3 de julho, a Espanha suspendeu a concessão de novas licenças de vendas de armas ao Egito, mas sem revogar as vigentes, que continuavam sendo executadas. Na reunião de quarta-feira se deveria decidir a anulação ou não das anteriores a essa data. Assim se fará com algumas, pouco significativas economicamente, mas não com as dos aviões, que representam o grosso do negócio.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves - UOL



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EUA devem refletir sobre as consequências de uma reação às provocações da Síria

Editorial do El País

Só falta a ordem de fogo, que deverá ser dada pelo presidente dos EUA. As armas já apontam para o alvo, a Síria de Bashar Assad, declarada culpada de atacar a população civil com armas químicas no último episódio de uma longa e cruel guerra civil que, antes de tudo, é responsabilidade do regime que a desencadeou. Antes de disparar ainda restam alguns segundos para refletir, como pediu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com toda a razão e os argumentos do mundo.

Que Assad merece uma resposta da comunidade internacional, e se possível definitiva, sobre seu poderio militar e sua capacidade para prejudicar os sírios não deveria ocupar nem um segundo de tal reflexão prévia ao disparo. No caso seria oportuno um certo remorso de todos pela demora em reagir diante da chacina cometida conscientemente desde março de 2011, até mergulhar o país em um confronto sectário e civil sem fim.

Ninguém duvida de que o comportamento de Assad "é inaceitável e não pode ficar sem resposta", como indicou a Otan, mas as vacilações do último segundo que começaram a corroer o ímpeto guerreiro inicial respondem ao cálculo racional e ao senso político dos principais líderes ocidentais.

Um golpe aéreo contra instalações sírias, em resposta e castigo pelo comportamento criminoso do regime, poderia contar com os maiores fundamentos morais e produzir em troca os piores efeitos práticos, inclusive no caso de que os disparos sejam dirigidos para liquidar a cúpula inteira do regime.

Há sérios argumentos de legalidade internacional que desaconselham a ação militar dos EUA com o auxílio militar perfeitamente prescindível da França e do Reino Unido. À impossibilidade de uma resolução do Conselho de Segurança, bloqueado pelo direito de veto da Rússia e da China, soma-se a extrema prudência com que os países amigos e as organizações aliadas, com exceção de Londres e Paris, estes provavelmente por más razões, acolheram a exibição de vontade bélica de Washington. Pouco entusiasmo se viu na aliança atlântica e na Liga Árabe, plataformas adequadas para construir a legitimidade internacional que supra a ausência de uma resolução da ONU, como sucedeu com o bombardeio de Kosovo em 1999.

Mas são os argumentos pragmáticos e pró-resultados que mais deveriam preocupar os EUA e seus aliados. Não se pode passar do mais absoluto caos à ordem perfeita, e menos graças ao disparo de um punhado de mísseis, por melhor que seja a pontaria. Resolver uma guerra como esta exige muita mão esquerda diplomática e muito talento político em ação, além de paciência, coisas que fizeram falta nestes dois anos e meio de crise síria, enquanto os europeus estávamos entretidos em nossas crises e Obama em suas batalhas domésticas, com a reeleição em primeiro plano de suas prioridades.

Há muitas forças na região interessadas em colocar Obama e os EUA em um novo vespeiro, no qual a superpotência continue deixando seu prestígio, seu dinheiro e seus soldados, como já aconteceu no Iraque e no Afeganistão. Daí o apelo sensato do secretário-geral da ONU para dar tempo para que seus inspetores façam mais pesquisas sobre as armas químicas. A guerra deve ser sempre um instrumento de último recurso, que exige esgotar todos antes de iniciá-la. Mas neste caso, além disso, há quem suspeite de que os ataques químicos ainda pendentes do relatório da ONU foram uma provocação orquestrada para atrair os EUA à ratoeira.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves - UOL



Uso de armas químicas não justifica, legalmente, intervenção na Síria

Ian Hurd | The New York Times
Em Evanston, Illinois (nos EUA)

As mais recentes atrocidades na guerra civil da Síria, que matou mais de 100 mil pessoas, exigem uma resposta urgente para impedir novos massacres e punir o presidente Bashar al-Assad. Mas há uma grande confusão a respeito da base legal para o uso da força nessas circunstâncias terríveis. Como um assunto legal, o uso de armas químicas pelo governo sírio não justifica automaticamente uma intervenção armada pelos Estados Unidos.

Há motivos morais para ignorar a lei e eu acredito que o governo Obama deve intervir na Síria. Mas ele não deve fingir que há uma justificativa legal na lei existente. O secretário de Estado, John Kerry, pareceu fazer isso na segunda-feira (26), quando disse sobre o uso de armas químicas: "Essa norma internacional não pode ser violada sem consequências". Seu uso da palavra "norma" em vez de "lei" é revelador.

A Síria não é signatária nem da Convenção de Armas Biológicas de 1972 e nem da Convenção de Armas Químicas de 1993 – e mesmo se fosse, os tratados dependem do Conselho de Segurança da ONU para serem aplicados–, uma grande falha. A Síria é signatária do Protocolo de Genebra, um tratado de 1925 que proíbe o uso de gases tóxicos em guerras. Mas esse tratado foi projetado depois da 1ª Guerra Mundial tendo uma guerra internacional em mente, não conflitos internos.

E quanto à alegação de que, tratados à parte, armas químicas são inerentemente proibidas? Apesar de alguns atos – genocídio, escravidão e pirataria – serem considerados ilegais independentemente de tratados, armas químicas ainda não estão nessa categoria. Cerca de dez países possuem atualmente estoques de armas químicas, com os maiores mantidos pela Rússia e pelos Estados Unidos. Ambos os países estão lentamente destruindo seus estoques, mas não cumpriram o suposto prazo final do ano passado para fazê-lo.

Não há dúvida de que o governo Assad violou princípios humanitários ao longo dos dois anos de guerra, incluindo a proibição de morte indiscriminada de civis, mesmo em conflitos não internacionais, estabelecida na Convenção de Genebra de 1949. Mas as convenções também não significam muito a menos que o Conselho de Segurança concorde em agir. É uma condenação do estado atual da lei internacional o fato de não haver nenhuma base universalmente reconhecida para intervir.

Supostamente, a obrigação legal chave dos países no mundo pós-1945 é o cumprimento da Carta da ONU. Ela exige que os Estados se abstenham "de ameaçar ou usar força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado". O uso da força é permitido quando autorizado pelo Conselho de Segurança ou em autodefesa (e países como a Jordânia e a Turquia estão considerando esta rota para justificar seu ingresso em uma coalizão anti-Assad) –mas não puramente com base humanitária.

É claro que a ética, não apenas as leis, deve guiar as decisões de políticas. Desde o genocídio em Ruanda e os assassinatos em massa nos Bálcãs dos anos 90, surgiu um movimento de apoio à adição da intervenção humanitária como uma terceira categoria de guerra legal, sob o conceito de "responsabilidade em proteger". Isso é amplamente aceito pela ONU e pela maioria dos governos. Mas não está na carta e carece de força legal.

Isso ficou evidente em Kosovo em 1999, quando a Otan bombardeou a Iugoslávia sem autorização da ONU. Naquela ocasião, como agora, Rússia e China não estavam dispostas a conceder a aprovação ao Conselho de Segurança. Os Estados Unidos e seus aliados foram em frente com o que a Comissão Internacional Independente para Kosovo posteriormente chamou de uso "ilegal, porém legítimo" de força. Nesse caso, a Otan aceitou implicitamente que seu ato era ilegal. Ela o defendeu em termos morais e políticos em vez de termos legais.

Normas e instituições da lei criminal internacional, incluindo 11 anos de experiência com o Tribunal Penal Internacional, se fortaleceram desde então. Tribunais especiais para o Camboja, Ruanda e para a antiga Iugoslávia refletem o crescente consenso de que os perpetradores de atrocidades devem ser punidos.

Mas se a Casa Branca leva a lei internacional a sério –como faz o Departamento de Estado–, ela não pode querer as duas coisas. Ela deve argumentar que uma intervenção "ilegal, porém legítima" é melhor do que não fazer nada ou afirmar que a lei internacional mudou –estratégia que chamo de "não cumprimento construtivo". No caso da Síria, eu voto pela segunda opção.

Como a Rússia e a China não ajudarão, Obama e líderes aliados devem declarar que a lei internacional evoluiu e que não precisam de aprovação do Conselho de Segurança para intervir na Síria.

Isso seria popular em muitos setores e eu acredito ser a coisa certa a fazer. Mas se o governo americano aceitar que o Estado de direito é a fundação da sociedade civilizada, deve ficar claro que isso representa um novo caminho legal.

(Ian Hurd, professor associado de ciência política da Universidade do Noroeste, é autor de "After Anarchy: Legitimacy and Power in the United Nations Security Council")



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Jihadistas do Sandjak combatem na Síria

PressEurop

Cerca de trinta muçulmanos radicais sérvios foram recrutados em Sandjak para combaterem ao lado dos rebeldes sírios, revela o jornal Blic, que cita “um responsável da polícia de Novi Pazar”, a capital desta província do sul da Sérvia onde vive uma importante comunidade muçulmana.

Segundo alguns especialistas ouvidos pelo jornal de Belgrado, esses combatentes 
foram anteriormente treinados em Viena, considerada como o centro europeu do wahhabismo. Segundo outros especialistas, existem centros de treino em Novi Pazar e até mesmo em Belgrado, em Novi Sad e em Pancevo [Norte]. […] Muitos muçulmanos sérvios foram recrutados quando estudavam no estrangeiro, sobretudo na Turquia e na Síria.

O diário lembra que Novi Pazar foi palco, no passado dia 25 de agosto, de uma manifestação organizada por muçulmanos conservadores da “Nação islâmica do Sandjak” em apoio das populações dos países do Médio Oriente que estão a viver situações de guerra e instabilidade política.



Os Patriot são a garantia da Turquia

PressEurop

“Começou a contagem decrescente para uma intervenção militar ocidental na Síria” escreve o Zaman, segundo o qual a Turquia poderá vir a participar numa coligação internacional, “fornecendo apoio logístico”, o que a exporá a possíveis retaliações do regime sírio.

É por isso que o exército turco dispôs baterias de mísseis terra-ar Patriot, Stinger e I-Hawk ao longo da fronteira com a Síria, acrescenta o jornal.

O envolvimento da Turquia ao lado dos seus aliados ocidentais “comporta sérios riscos para Ancara”, escreve ainda o Zaman, porque a Turquia tornar-se-á assim um alvo para o regime sírio e os seus aliados – o Irão, o Hezbollah xiita libanês e a Rússia — afirmam os especialistas, [segundo os quais] estes países e organizações podem desenvolver todos os esforços para desestabilizarem a Turquia […], reavivando, inclusivamente, as tensões étnicas e religiosas.



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Oposição síria critica Washington que estaria ao corrente de ataque químico

EuroNews

Os combates entre os rebeldes e o exército sírio prossegem, nos arredores de Damasco, na mesma zona onde o regime teria levado a cabo, na semana passada, um ataque com armas químicas.

As imagens, difundidas pela oposição, mostram que a força aérea continuaria a bombardear a região, esta sexta-feira, para evitar o avanço dos combatentes.

Em Ariha, na província de Idlib, os combates prosseguiam igualmente em torno de uma auto-estrada que liga o interior do país às fronteiras do Iraque e da Turquia, controladas até agora pelos rebeldes.

Na mesma província, dezenas de manifestantes concentraram-se na cidade de Kafr Nabl para pedir aos Estados Unidos que lance um ataque militar para pôr fim ao regime de Bashar Al-Assad.

Vários membros da oposição criticaram, no entanto, esta sexta-feira, Washington por não ter evitado ou avisado do ataque químico da semana passada, quando os serviços secretos norte-americanos estariam ao corrente da ação, antes mesmo desta ter sido lançada pelo regime.



Irã vai testar seu sistema análogo ao S-300 até março de 2014

Voz da Rússia

A República Islâmica planeja realizar, até o final do ano iraniano (março de 2014), testes do sistema de defesa antimíssil Bavar 373 que é análogo ao sistema de defesa aérea russo S-300, informa a mídia iraniana, citando o comandante da base de defesa aérea iraniana Hatam al-Anbiya, brigadeiro-general Farzad Esmail.

"O Irã alcançou um sucesso nesta área, já foram concluídos os testes de todos os sub-sistemas do complexo Bavar 373. Este ano serão realizados os testes de um número de elementos técnicos do complexo, no entanto, a produção em série levará mais tempo", disse Esmail.



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Putin: ataque do Ocidente contra Síria visa ajudar rebeldes

Voz da Rússia

A possível operação militar na Síria terá o objetivo de ajudar os rebeldes na sua luta contra o regime de Bashar Assad, usando armas modernas, declarou o presidente russo, Vladimir Putin, a jornalistas em Vladivostok.

O presidente acrescentou que não se pode fornecer armas aos rebeldes, nem ensiná-los a usar armas modernas. "A solução é única: atacar. Se isso acontecer, será muito triste", disse Putin.

Ao mesmo tempo, o chefe de Estado observou que a Rússia participará da elaboração de medidas consolidadas para evitar o uso de armas químicas na Síria, se for provado o fato de sua utilização.



Mais de mil pessoas protestam em Londres contra ataque à Síria

AFP
De Londres (na Inglaterra)

Mais de mil manifestantes contrários aos ataques na Síria se concentraram este sábado (31) em Londres, atendendo à convocação da organização "Stop the War" para comemorar o repúdio do Parlamento britânico a uma ação militar contra Damasco.

"Não deixem nunca que digam que as manifestações não servem para nada. A nossa funcionou", disse Lindsey German, encarregada do "Stop the War" (Parem a guerra), sob aplausos dos manifestantes reunidos na Trafalgar Square, centro da capital britânica.

Os militantes pacifistas agitavam bandeiras sírias e cartazes com dizeres como "Não ao ataque à Síria" e "Não toquem a Síria".

Mulheres repetiam "Estados Unidos, que vergonha", com o rosto pintado nas cores da bandeira síria.

"É um dia de vitória para a opinião pública britânica, que se impôs sobre os que desejam a guerra", disse a à multidão o ex-deputado trabalhista Tony Benn.

"As armas químicas são armas horríveis, mas se pensamos nos milhares de pessoas que os soldados britânicos e americanos mataram no Afeganistão e no Iraque, compreendemos que não é certo que outra guerra resolverá o problema", avaliou.

"Queremos enviar um sinal aos Estados Unidos: milhões de pessoas no mundo se opõem a qualquer ação unilateral", disse à AFP o militante de direitos humanos, Peter Tatchell.

"Tínhamos informações falsas quando ocorreu a guerra no Iraque, de parte do (ex-secretário de Estado americano) Colin Powell, hoje é a mesma história com as armas químicas. Não sabemos se foram utilizadas pelas forças do governo sírio", disse o aposentado Edmond Furse.



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Obama diz que decidiu por ataque à Síria, mas quer aval do Congresso dos EUA

Do UOL, em São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste sábado (31) que o país decidiu realizar uma ação militar na Síria. "Decidi que os EUA devem atacar a Síria", disse em entrevista coletiva de imprensa na Casa Branca.

Obama, porém, declarou que não fará isso sem antes submeter a decisão ao Congresso, que deverá debater e votar sobre a investida.


O Congresso, no entanto, volta do recesso em 9 de setembro, o que indica que o aval para um real ataque só deve acontecer depois dessa data.

A ação militar dos EUA seria uma retaliação ao governo sírio, acusado de usar armas químicas contra civis no país. Obama falou que o episódio foi o "pior ataque químico do século 21".

A Síria vive uma guerra civil desde 2011, entre grupos rebeldes e forças do governo, que causou um enorme êxodo do país, com milhões de refugiados, e mais de 100 mil pessoas mortas.

"Estou confiante que o governo fará o que tiver que ser feito", disse Obama. "Que mensagem nós daremos se não fizermos nada?"

Obama disse ainda que o país "não pode fechar os olhos para o que está acontecendo em Damasco" e que ele não foi eleito para "evitar decisões difíceis".

O presidente citou que as imagens divulgadas de pessoas queimadas, as quais chamou de 'terríveis', foram um "insulto a dignidade humana".

Logo após o pronunciamento de Obama, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que "entende e apoia" a decisão do presidente dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, Cameron teve que desistir de participar dessa operação militar após perder uma votação no Parlamento.

Antes do anúncio, legisladores dos EUA já pressionavam o presidente por mais informações, e muitos expressavam reservas sobre o custo e o impacto dos potenciais ataques.

O anúncio acontece um dia depois de a Casa Branca divulgar um relatório no qual aponta o regime de Damasco responsável pelo ataque com armas químicas em 21 de agosto, que matou pelo menos 1.429 civis, sendo um terço deles crianças.

A maioria dos norte-americanos não querem que os EUA façam uma intervenção na Síria. Uma pesquisa Reuters/Ipsos feita nesta semana mostrou que apenas 20 por cento acreditam que o país deveria tomar uma ação, isso ante nove por cento uma semana antes. 

(Com agências internacionais)


Soldados morrem em ataque, e Colômbia culpa as Farc

DA REUTERS, EM BOGOTÁ

Cinco soldados morreram nesta sexta-feira (30) em uma região montanhosa do centro da Colômbia em um ataque com explosão de minas que o Exército atribuiu às Farc. O episódio ocorre em meio Às negociações de paz entre o grupo e o governo.

O diálogo entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) busca encerrar um conflito interno de quase meio século e que já deixou mais de 200 mil mortos.

O ataque ocorreu na zona rural do município de Rioblanco, em Tolima, área na qual a guerrilha ainda tem forte presença, durante um deslocamento de uma unidade militar.

"Um pelotão do batalhão de combate número 28 foi objeto de um ataque indiscriminado com minas de destruição de alto poder que não permitiram reação e defesa", informou o Exército, em um comunicado.

As Farc chegaram a propor um cessar-fogo enquanto durassem as negociações de paz, mas o governo o recusou, argumentando que a milícia poderia usar a situação para atrasar o processo e tirar vantagem militar.

Hoje, as Farc possuem, segundo o governo colombiano, menos de 8.000 combatentes ante os cerca de 17 mil que tinham na década de 1990. O grupo é considerado terrorista pelos EUA e pela União Europeia.

O grupo rebelde, acusado de obter milhões de dólares em receitas provenientes do tráfico de drogas, tem capacidade de realizar ataques de grande impacto contra as Forças Armadas e a infraestrutura econômica do país, embora tenha perdido vários de seus líderes nos últimos anos.


Líder ligado à Al Qaeda convoca egípcios a combaterem Exército

DA REUTERS, EM DUBAI

Um dos principais militantes associados à rede terrorista Al Qaeda exortou os egípcios a pegarem as armas contra o Exército do país, dizendo que a forte repressão aos manifestantes islâmicos mostrou que métodos pacíficos "são inúteis".

O porta-voz do País Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), Abu Mohammed al-Adnani, falou por meio de uma gravação -- em árabe -- publicada na internet neste sábado.

"Não há nada mais certo na religião de Deus [islã] do que aqueles que falam da infidelidade, de repudiar o islã e do abandono da religião e clamam pela necessidade de lutar contra esses Exércitos, principalmente o Exército egípcio", disse,

"O Exército egípcio é parte de uma mera cópia desses Exércitos que estão procurando, num esforço mortal, evitar que as leis de Deus sejam adotadas e estão se esforçando para consagrar os princípios do secularismo e das leis feitas pelo homem", disse.

O Egito vive uma grande crise política que, atualmente, envolve protestos quase diários de simpatizantes do presidente Mohamed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, contra o golpe de Estado militar que o depôs, em 5 de julho passado.

Na mensagem, Adnani atacou a Irmandade e o partido salafista al-Nour, dizendo que eles foram cooptados para a não violência e para o que ele chamou de abordagem secular fútil, ao poder através das eleições e da democracia, que segundo ele deixaram os membros da Irmandade Muçulmana presos, mortos ou foragidos.

A Irmandade Muçulmana de Mursi renunciou à violência há décadas e nega qualquer ligação com militantes, inclusive aqueles que já mataram dezenas de soldados egípcios no Sinai.

A crescente insegurança no Sinai preocupa os EUA porque fica perto de Israel e da faixa de Gaza, governada pelo Hamas, bem como do Canal de Suez.


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Países elevam nível de alerta diante de possível ataque à Síria

Arábia Saudita eleva nível para ‘dois’ sendo que ‘um’ é o mais alto

O Globo

Com agências internacionais

DOHA - A Arábia Saudita, que apoia os rebeldes que lutam para derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad, aumentou seu nível de alerta militar diante de um possível ataque ocidental na Síria, disseram fontes militares nesta sexta-feira. O nível de prontidão defensiva da Arábia Saudita foi elevado para “dois” a partir de “cinco”. “Um” é o mais alto nível de alerta.

- É uma necessidade, ninguém sabe o que vai acontecer - disse a fonte, acrescentando que outros países da região, incluindo Jordânia, Turquia e Israel, também devem elevar seu nível de prontidão militar.

Uma segunda fonte afirmou que a prontidão defensiva da Arábia Saudita tinha sido elevada na semana passada, o que fez com que todas as licenças de membros das Forças Armadas fossem canceladas.

As fontes não quiseram dar mais detalhes sobre o que uma mudança no nível de alerta significa, mas analistas afirmam ser provável que algumas forças sejam deslocadas para as fronteiras.

No Kuweit, legisladores pediram a seu governo para informá-los sobre os planos de prontidão para lidar com as repercussões de um ataque contra a Síria. O primeiro-ministro, o xeque Jaber al-Mubarak al-Sabah, realizou uma reunião de gabinete extraordinária na quinta-feira, de acordo com informações do jornal “al-Watan”.

Segundo a publicação, o ministro do Interior, Sheikh Mohammad al-Hamad al-Sabah, foi ordenado a tomar todas as medidas necessárias em caso de eventuais emergência resultantes dos ataques.

A Arábia Saudita, um importante aliado dos EUA, o Catar e outras potências muçulmanas sunitas apoiam os rebeldes, em maioria também sunitas, lutando contra Assad, que é da seita alauíta minoritária na Síria, um ramificação do islamismo xiita. Os rebeldes receberam reforços de jihadistas sunitas estrangeiros. Assad conta com o apoio militar do Irã, do Hezbollah do Líbano e entre os xiitas iraquianos.


Assessor de Putin diz que votação na Grã-Bretanha reflete perigo de ataque à Síria

Lidia Kelly - Reuters

MOSCOU, 30 Ago (Reuters) - A recusa do Parlamento britânico em autorizar um potencial ataque contra a Síria mostra um entendimento cada vez maior sobre os riscos de uma intervenção militar no conflito, disse nesta sexta-feira o assessor para política externa do presidente russo, Vladimir Putin.

"Pessoas começam a entender como são perigosos esses cenários", disse Yuri Ushakov a repórteres. Ele afirmou acreditar que a votação de quinta-feira refletia a opinião da Europa como um todo, e não só da Grã-Bretanha.

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Putin alerta EUA contra ataque à Síria

Governo russo afirma que ameaça americana de usar a força para punir Assad pelo uso de armas químicas é ‘inaceitável’

Inspetores da ONU deixam país e ofensiva é considerada iminente


O Globo
Com agências internacionais

BEIRUTE e WASHINGTON – Os inspetores da ONU que foram à Síria investigar o ataque químico que matou centenas de pessoas nos arredores de Damasco na semana passada deixaram o país neste sábado, aumentando a expectativa quanto a um iminente ataque dos EUA ao país. Enquanto isso, o governo russo afirmou que a ameaça americana de usar a força para punir o presidente sírio Bashar al-Assad pelo suposto uso de armas químicas contra a própria população é “inaceitável”.

A equipe de investigadores das Nações Unidas passou quatro dias na Síria recolhendo amostras e seus últimos integrantes saíram do país e entraram por terra no vizinho Líbano na madrugada deste sábado no horário de Brasília, seguindo diretamente para o aeroporto de Beirute. De lá, embarcaram rumo à Europa em avião fretado pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha e pousaram no início da tarde em Roterdã, Holanda. Os inspetores estiveram por três vezes em áreas do subúrbio damasquino de Ghouta dominadas pelos rebeldes, onde coletaram sangue e tecido de vítimas, assim como amostras do solo, roupas e fragmentos de foguetes supostamente usados no ataque. Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, os resultados finais das análises não serão conhecidos antes de duas semanas.

Na sexta-feira, porém, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, apresentou um relatório da Inteligência americana que segundo a Casa Branca não deixa dúvidas de que o ataque químico na Síria foi perpetrado pelas tropas de Assad, deixando 1.429 mortos, incluindo 426 crianças, no dia 21 agosto. Damasco reagiu e afirmou que o relatório era “totalmente fabricado”. Segundo o relatório americano, imagens de satélite mostram que os foguetes foram lançados 90 minutos antes dos primeiros registros nas mídias sociais. Os dados apresentados por Kerry indicaram ainda que o regime de Assad usou um mix de armas químicas, incluindo gás sarin.

- Este ataque é uma ameaça para o mundo e afeta aos interesses dos Estados Unidos e de nossos aliados. Não podemos aceitar um mundo onde mulheres e crianças são vítimas de gás. Se não houver uma ação militar contra este ataque estaremos enviando sinais de que as normas de segurança internacionais não têm sentido - disse o presidente dos EUA, Barack Obama, logo após a divulgação do relatório, num claro sinal de que o país está disposto a responder ao ataque químico, mesmo que seja sem o apoio de aliados.

Em mais um sinal da iminência do ataque à Síria, Kerry, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, e outros altos integrantes do governo Obama realizarão na tarde deste sábado teleconferências com as lideranças democrata e republicana no Senado. Mas enquanto o Pentágono faz as preparações finais para um ataque, a Rússia elevou o tom das críticas à intenção americana de agir sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Para o presidente russo Vladmir Putin, não faria sentido para o governo sírio usar armas químicas numa guerra que está vencendo.

- É por isso que estou convencido que o ataque químico não foi nada mais que uma provocação daqueles que querem arrastar outros países para o conflito sírio e ganhar o apoio de membros poderosos da arena internacional, especialmente dos EUA – disse Putin.

Mais cedo, Alexander Lukashevich, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, classificou como “inaceitáveis” as ameaças dos EUA contra a Síria. Segundo Obama, seu país, que dispõe de pelo menos cinco navios equipados com mísseis de cruzeiro na região, planeja uma resposta “limitada” ao ataque químico que não envolverá tropas em terra.

- Qualquer uso unilateral da força sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, não interessa o quanto “limitado”, será uma clara violação das leis internacionais, minando as chances de uma solução política e diplomática pata o conflito na Síria e levando a uma nova rodada de confrontos e vítimas - comentou Lukashevich.

Diante da iminência de um ataque, a Síria também prepara suas defesas. Segundo relatos de opositores de Assad, o presidente está movendo tropas, equipamentos e caminhões de documentos para áreas civis de forma a dificultar o trabalho das forças americanas.

- Presumimos que Assad está fazendo isso para proteger seus ativos estratégicos de ataques com mísseis de cruzeiro dos EUA - disse Dan Layman, do Grupo de Suporte à Síria, que apoia os opositores de Assad.

Já os rebeldes sírios planejam aproveitar um eventual ataque dos EUA para lançar uma ofensiva. Qassim Saadeddine, ex-coronel do Exército da Síria e porta-voz do Supremo Conselho Militar dos rebeldes disse que os planos já foram enviados a grupos espalhados pelo país.

- Nossa esperança é tirar vantagem quando algumas áreas (controladas pelo governo Assad) forem enfraquecidas pelo ataque - contou. - Ordenamos a alguns grupos que se preparem em cada uma das províncias, que preparem seus homens para quando o ataque acontecer. Eles receberam planos militares que incluem ataques a alguns dos alvos que esperamos que sejam atingidos pelos ataques estrangeiros e alguns outros que esperamos atacar ao mesmo tempo.

Enquanto isso, a população síria busca maneiras de se proteger, mesmo não sabendo exatamente o que fazer ou onde se esconder. Já médicos de hospitais nas proximidades da capital síria contaram estarem treinando equipes e tentando assegurar a chegada de suprimentos de atropina e oxigênio, fundamentais para o tratamento de vítimas de ataques químicos, enviados por grupos internacionais de ajuda.

- Tememos que aconteça um novo ataque químico como vingança caso as potências estrangeiras levem a cabo seu ataque - disse Abu Akram, médico no subúrbio damasquino de Arbin, também controlado pelos rebeldes.


Unasul condena intervenção militar na Síria sem aval da ONU

FABIANO MAISONNAVE - FOLHA DE SP
ENVIADO ESPECIAL A PARAMARIBO

Em declaração sobre a crise síria aprovado nesta manhã pelos chanceleres sul-americanos, a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) condenou "intervenções externas que sejam incompatíveis com a Carta das Nações Unidas".

O texto ainda precisa ser ratificado pelos presidentes, durante a plenária marcada para esta tarde. O documento é uma reação às declarações de EUA e França em favor de um ataque militar à Síria, após fortes evidências de uso de armas químicas contra civis.

O documento menciona ainda que o uso de armas químicas é um "crime de guerra e lesa-humanidade" e defende que o tema seja tratado "dentro do direito internacional" de forma "imparcial e transparente".

A Unasul "exige o fim imediato da violência, a suspensão do envio de todo tipo de armamento por parte de outros países para o território sírio, o respeito ao direito internacional humanitário e o início do diálogo entre as partes".

A presidente Dilma Rousseff chegou a Paramaribo por volta do meio-dia desta sexta-feira. Em seguida, se reuniu com o colega boliviano, Evo Morales, para discutir a situação do senador Roger Pinto, que fugiu no último fim de semana ao Brasil após mais de um ano asilado na embaixada do país em La Paz.


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Temendo guerra na Síria, países pedem que cidadãos deixem o Líbano

DA REUTERS, EM DOHA

Diversos países aconselharam seus cidadãos a não viajar para o Líbano conforme tensões regionais crescem em meio a um possível ataque militar dos Estados Unidos na Síria.

Entre os países que emitiram o conselho estão Bahrein, Kuait, Reino Unido e França, enquanto a Áustria disse aos seus cidadãos para entrar em contato com a embaixada no Líbano antes de viajarem para lá.

O Bahrein e o Kuait também pediram que aqueles que estejam no país atualmente deixem o local imediatamente, noticiaram agências de notícias estatais.

Uma fonte de segurança sênior no Líbano disse que 14 mil pessoas deixaram o país apenas na quinta-feira, sendo a maioria europeus.

Os EUA afirmaram considerar uma ação militar para punir o ditador sírio, Bashar al-Assad, por um ataque com armas químicas que dizem ter matado mais de 1.400 pessoas em Damascus há dez dias. O governo sírio nega o uso de armas químicas.

Bombas atingiram duas mesquitas na cidade libanesa de Trípoli há oito dias, matando pelo menos 42 pessoas e ferindo centenas, intensificando a luta sectária que ultrapassou a guerra civil na vizinha Síria.

O Ministério das Relações Exteriores do Bahrein disse que seu conselho foi motivado por preocupações crescentes sobre o impacto da crise síria no Líbano, informou a agência de notícias BNA, na noite de sexta-feira. Embaixada do Kuwait no Líbano disse aos seus cidadãos para deixar o país devido à "incerteza de segurança", segundo a agência de notícias KUNA.

O Reino Unido desaconselhou as viagens para o Líbano na noite de sexta-feira, citando a recente onda de violência e tensões regionais mais amplas. O país também considerou que pode haver um aumento no risco com o crescimento do sentimento anti-ocidental ligado à possibilidade de uma ação militar. A França emitiu um conselho semelhante na quinta-feira.


Chanceleres do mundo árabe vão debater a Síria amanhã

DA AFP, NO CAIRO

Os ministros árabes das Relações Exteriores vão se reunir no domingo (1º) no Cairo para discutir o conflito na Síria, na perspectiva de um possível ataque militar pelos EUA e a França, que acusam o regime de matar centenas de pessoas em um ataque químico.

O número dois da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli, indicou neste sábado que esta reunião, prevista para terça-feira (3), foi adiantada para este domingo em razão dos últimos acontecimentos.

Na terça-feira, os delegados permanentes da Liga Árabe atribuíram ao regime sírio a "total responsabilidade" pelo suposto ataque químico nos arredores de Damasco em 21 de agosto, que provocou protestos internacionais e levou vários países a considerarem ataques contra a Síria.

O secretário de Estado americano, John Kerry, citou na sexta-feira (30) a organização pan-árabe entre os potenciais aliados para uma ação militar.

No entanto, países influentes da Liga Árabe, como o Egito, Argélia, Iraque, Líbano e Tunísia, manifestaram-se contra uma intervenção militar estrangeira.

O oposição síria e países ocidentais acusam o regime de Bashar al-Assad de matar centenas de pessoas fazendo uso de gás tóxico em 21 de agosto. Damasco, por sua vez, acusa os rebeldes de usar armas químicas.

O país está em guerra desde março de 2011. Mais de 100 mil pessoas morreram no conflito, que valeu a exclusão do regime da Liga Árabe no final de 2011.


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Inspetores da ONU deixam Síria, mas análise pode levar duas semanas

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que seus inspetores poderão levar até duas semanas para apresentar o resultado final das análises das amostras recolhidas no local de um ataque com armas químicas na Síria.

Ban afirmou isso a representantes de Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos durante uma reunião em Nova York, afirmaram diplomatas à Reuters sob condição de anonimato.

Os inspetores da ONU deixaram a Síria neste sábado após investigar um ataque com gás que matou centenas de civis no bairro Ghouta, subúrbio da capital Damasco.

Uma testemunha da Reuters disse que a equipe chegou ao aeroporto internacional de Beirute no sábado, após cruzar a pé a fronteira da Síria para o Líbano, no início do dia. A equipe de 20 membros, incluindo especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas, esteve na área do suposto ataque três vezes, pegando amostras de sangue e tecidos das vítimas. Eles também pegaram amostras do solo, roupas e fragmentos de foguetes.

As amostras serão enviadas a laboratórios na Europa, principalmente na Suécia e Finlândia, para análise. Os especialistas já pegaram amostras para testar o uso de gás sarin ou outros agentes tóxicos.

A análise deve determinar se houve um ataque químico, mas não quem foi o responsável pelo ataque de 21 de agosto.

Os EUA divulgou seu próprio relatório de inteligência não classificado para o ataque, que Kerry afirmou ter resultado na morte de 1.429 civis sírios e ter sido um trabalho das forças de Assad.


Israel deixa Domo de Ferro de prontidão

DIOGO BERCITO - FOLHA DE SP
ENVIADO ESPECIAL A SAFED (ISRAEL)

As Forças de Defesa de Israel reposicionaram, ontem, o sistema de defesa Domo de Ferro, de interceptação de mísseis. Com a expectativa de conflito na Síria, o país se prepara para a eventualidade de uma retaliação aérea.

Israel possui cinco baterias. Com o deslocamento de ontem, três delas estão agora na região norte do país, próximas das fronteiras com a Síria e o Líbano, de onde podem vir ataques do regime de Bashar al-Assad ou da facção extremista Hizbullah.

A Folha encontrou um dos equipamentos estacionado na cidade de Safed, após seguir indicação de fonte militar e de moradores da região.

Antigo centro do movimento da cabala judaica, Safed está em uma região montanhosa entre o Mediterrâneo e as colinas de Golã, em posição privilegiada em relação às fronteiras do norte.

A bateria israelense, posicionada nessa pequena cidade, tornou-se uma espécie de curioso personagem local. Residentes explicam, com detalhes, a localização do Domo de Ferro e suas passagens anteriores. "Perto da antena", "do lado direito da pista", "embaixo da ponte".

Na vizinha Rosh Pina, a caminho de Golã, moradores diziam não se incomodar com a presença do equipamento militar. "Confiamos no nosso Exército", resumiu a caixa de uma sorveteria.

Até a conclusão desta edição, Israel mantinha três baterias no norte, uma em Tel Aviv e outra em Eilat, no extremo sul. Esse aparato será fundamental no caso de um ataque aéreo vindo de Síria, Líbano ou faixa de Gaza.

Durante uma ronda pelas fronteiras ao norte, a reportagem observou também o sobrevoo de dois caças israelenses e a passagem de quatro caminhões transportando blindados. Há, nos últimos dias, uma mobilização de forças por toda a região.

O governo de Israel recrutou, também, um contingente limitado de sua reserva, a maior parte para defesa aérea e para a Inteligência.

O gabinete do premiê Binyamin Netanyahu, porém, afirma que as movimentações são precaução e que o governo não espera uma ação militar. A orientação para a população é que mantenha a rotina até que haja uma ordem específica das Forças Armadas, ainda inexistente.

O sistema de Domo de Ferro foi colocado em operação em 2011 e é considerado como de alta precisão no abate de mísseis. O alcance máximo é de 70 quilômetros.

Parte das baterias foi financiada pelos EUA, após a aprovação do Congresso.


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Presidente russo defende regime sírio e desafia EUA a provar ataque

FOLHA DE SP
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente russo, Vladimir Putin, chamou de "absurdo total" as acusações de uso de armas químicas por parte do regime sírio e pediu aos EUA que apresentem provas quanto à responsabilidade por um suposto ataque químico ocorrido no subúrbio de Damasco no último dia 21.

Naquele dia, centenas de pessoas morreram com sintomas de contaminação por gás, conforme relatos de testemunhas.

Ontem (30), os EUA divulgaram um relatório de sua própria inteligência segundo o qual naquele dia houve um ataque químico que matou 1.429 pessoas, sendo 426 crianças. O relatório afirma de que não há dúvidas de que apenas o regime -- e não os rebeldes que lutam por sua deposição -- teria capacidade de lançar um ataque dessa escala.

"Em uma situação em que o Exército sírio estava em posição ofensiva, cercando a oposição em várias regiões, afirmar que o governo sírio usou armas químicas é absurdo total", declarou Putin à imprensa em Vladivostok. "Estou convencido de que isso não passa de uma provocação daqueles que querem envolver outros países no conflito sírio e assegurar o apoio de atores internacionais poderosos, em primeiro lugar, o dos EUA."

Foi a primeira reação pública de Putin sobre as declarações da inteligência americana.

O russo pediu que Washington apresente as provas que diz ter e destacou que a "interceptação de conversas não pode servir de base para a tomada de decisões fundamentais, em especial sobre o recurso à força contra um Estado soberano", em uma referência a grampos que os EUA teriam de oficiais sírios falando sobre um ataque químico. "As alusões de que [os EUA] têm essas provas, mas que são secretas e, por isso, não podem ser apresentadas a ninguém não se sustentam. É simplesmente uma falta de respeito com seus aliados", disse Putin.

"Sobre a posição de nossos amigos americanos, que afirmam que as tropas governamentais [sírias] utilizaram armas químicas e dizem ter provas, então, que mostrem aos investigadores das Nações Unidas e ao Conselho de Segurança", disse. "Se há provas sobre o uso de armas químicas, estas devem ser apresentadas. Se não forem apresentadas, é porque não existem."

Moscou, aliada do ditador sírio, Bashar al-Assad, acusa os rebeldes de usar armas químicas para desacreditar o governo.

Os EUA e a França estão determinados a lançar uma ação contra o regime sírio. Anteontem (29), o Parlamento britânico rejeitou a participação do Reino Unido nos planos, dada a falta de provas consistentes quanto à autoria do ataque. Foi uma grande derrota para o premiê David Cameron.

Na entrevista, Putin elogiou a decisão "inesperada" dos parlamentares britânicos. "Isso significa que, mesmo no Reino Unido, o principal aliado geopolítico dos EUA, há pessoas que são guiadas por interesses nacionais, pelo bom senso e que defendem a soberania", disse. "Para mim, isso foi totalmente inesperado. Todo o mundo está acostumado a ver a sociedade ocidental aceitar tudo, sem maiores questionamentos, conforme os desejos do seu principal parceiro, os EUA."
 


30 agosto 2013

Forças navais devem ser principal arma para atacar a Síria

À espera do sinal verde, EUA, Reino Unido e França estão a postos no Oriente Médio e nos arredores para lançar ação militar contra regime de Assad. Para observadores, primeiros alvos serão unidades de defesa antiaérea.
 

Deutsche Welle

A "coalizão dos dispostos" está armada e a postos desde a semana passada, à espera apenas do sinal verde – seja da Casa Branca ou das Nações Unidas. Estados Unidos, Reino Unido e França posicionaram suas forças em grande escala, de forma estratégica, para viabilizar uma eventual ação militar contra o regime de Bashar al-Assad.

O termo "coalizão dos dispostos" é usado, desde os anos 1990, para descrever intervenções militares sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU e ficou conhecido ao ser mencionado por George W. Bush antes da invasão do Iraque. Desta vez, a coalizão teria, pelo menos, França, Reino Unido e EUA. Observadores detectaram nos últimos dias diversos movimentos militares desses países na região, especialmente navais.

"Faz bastante sentido, se considerarmos um ataque de dois ou três dias sobre a Síria, como anunciado pelo presidente dos EUA, Barack Obama", avalia Sebastian Bruns, do Instituto para Política de Segurança da Universidade de Kiel (ISPK, na sigla em alemão). "Forças navais podem permanecer fora da zona de 12 milhas, em águas internacionais, e atingir alvos distantes com mísseis de cruzeiro."

É exatamente isso que os aliados parecem almejar. Quatro contratorpedeiros da Marinha americana estão a caminho do Mediterrâneo Oriental, segundo informações do ISPK. As embarcações têm a bordo 96 mísseis de cruzeiro do tipo BGM-109 Tomahawk. Esses mísseis dirigíveis têm 2.500 quilômetros alcance. Os navios que escoltam os dois porta-aviões dos EUA presentes no Golfo Pérsico e no Chifre da África também estão equipados com Tomahawks capazes de atingir alvos na Síria.

O Reino Unido também tem navios no Mediterrâneo. "No entanto, um porta-aviões, um contratorpedeiro e, possivelmente, um submarino nuclear se encontram numa missão de treinamento com países mediterrâneos, algo já planejado há muito tempo", ressalta Sebastian Bruns. "E os franceses têm, provavelmente, na região um submarino nuclear, mesmo que ainda seja algo sigiloso, além de um porta-aviões, que no momento ainda está nas proximidades da França."


Bruns acredita que a pressão diplomática sobre o lado adversário pode ser visivelmente aumentada através da força naval. "Quando unidades pesadas entram em formação, então, na perspectiva do regime de Assad, começa a preocupação que um ataque realmente esteja iminente."

Ataque à distância

Os mísseis de cruzeiro lançados pelos navios podem ser disparados a grande distância e controlados, obtendo efeito semelhante ao bombardeio por um avião de caça.

O ex-general da Força Aérea e ex-inspetor-geral das Forças Armadas alemãs Harald Kujat cita uma outra opção estratégica dos Estados Unidos. "Os americanos também dispõem de bombardeiros de longo alcance, do tipo B-1 e B-2, que podem muito bem decolar dos EUA e voltar novamente para lá."

No entanto, a defesa aérea da Síria é tida como especialmente eficiente. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres (IISS, na sigla em inglês) estima que a Síria tenha mais de mil mísseis terra-ar de fabricação russa.

"E os aliados, com certeza, sabem disso também", destaca Kujat. "Por isso, os primeiros ataques deverão certamente ser lançados contra essas unidades de defesa aérea, para eliminar tal ameaça."

Por outro lado, segundo informações do portal de internet israelense DEBK Afiles, o Exército sírio já começou a descentralizar suas tropas e, especialmente, suas aeronaves militares. Dessa forma, eles seriam mais difíceis de serem atingidos por um eventual ataque ocidental.

Segundo Sebastian Bruns, especialista do ISPK, entre os alvos que também podem ser atacados estão instalações do regime, como centros de comando e unidades de telecomunicações, de fornecimento de energia, estradas e ferrovias.

Os mísseis de cruzeiro lançados pelos navios podem ser disparados a grande distância
Bases na região

Além de drones e de grandes bombardeiros, os aliados contam com uma variedade de aviões de combate que estão estacionados em porta-aviões e bases militares na região.

Os britânicos podem, com seus caças Tornado, disparar mísseis a mais de 200 quilômetros de distância, de forma que os pilotos ficam praticamente inacessíveis à defesa antiaérea da Síria. De suas duas bases no Chipre, por exemplo, podem alcançar alvos na Síria em apenas 20 minutos.

A Força Aérea dos EUA tem uma base na ilha grega de Creta e lá também usa parte do aeroporto de Chania como uma central de transportes na região. Para usar as bases para as operações de combate, os Estados Unidos, no entanto, precisam de permissão do governo em Atenas.

Na Turquia, a Força Aérea dos EUA também tem uma grande base. O aeroporto militar de Incirlik, utilizado também pelas forças britânicas, fica a apenas 120 quilômetros da fronteira com a Síria e a 400 quilômetros da capital, Damasco.

Os possíveis ataques militares contra a Síria serão uma ação comum de EUA, Reino Unido e França. A Alemanha, por sua vez, não desempenha papel algum neste cenário. O Exército está presente em vários lugares da região, mas no âmbito de missões sob mandato da ONU ou da Otan.

Os soldados alemães participam da missão da Força Interina das Nações Unidas no Líbano para treinar a Marinha local. Eles estão presentes na Turquia juntamente com sistemas antimísseis Patriot numa missão da Otan para proteger a fronteira turca com a Síria, e controlam um barco de reconhecimento para uma tropa de plantão da Aliança. De acordo com especialistas, é muito improvável que essas unidades sejam acionadas para o conflito sírio.

A questão é maior que a Síria, diz ex-assessor da Casa Branca

Em entrevista à DW, ex-conselheiro de segurança de Jimmy Carter cobra dos EUA estratégia mais ampla para a região e afirma que intervir no conflito sírio sem apoio de países-chave, como a Turquia, seria um erro.

Deutsche Welle

Após o recuo britânico, os Estados Unidos continuam em busca de apoio para uma intervenção militar na Síria, mas, ao que tudo indica, terão que agir ao lado de poucos aliados. Uma opção errada, segundo Zbigniew Brzezinski, assessor de segurança nacional de Jimmy Carter durante seu governo (1977-81).

Em entrevista à Deutsche Welle, Brzezinski, hoje professor na Universidade Johns Hopkins, diz que o desafio é regional e não pode ser abordado como um problema meramente sírio. Por isso, afirma, é fundamental a participação de outros países, como a Turquia.

"Ações de retaliação frente a uma transgressão moral grave como o ataque químico devem ser parte de um projeto maior, com objetivos estratégicos em mente e não somente punitivos", diz o especialista.

Deutsche Welle: Uma intervenção contra o regime Assad parece inevitável. Você apoia uma ação militar?

Zbigniew Brzezinski: Minha opinião é que essa ação, caso venha a ser tomada, deve fazer parte de uma estratégia maior. Caso contrário, pode se tratar de uma resposta punitiva apropriada, mas iria resolver o problema? Existe uma estratégia para a solução do problema? E quem faz parte dessa estratégia e quem não faz? Essas são questões sobre as quais as pessoas têm que pensar seriamente antes de se aventurar numa ação militar que – embora justificada moralmente levando em conta a natureza da infração envolvida, ou seja, crimes contra a humanidade – ainda poderá ter consequências que podem não ser nada desejáveis.

O governo Obama tem uma estratégia ou um plano maior para a Síria após a ação militar?

Se tiver, trata-se de um segredo muito bem guardado.

Que tipo de plano o senhor gostaria de ver?

Parece-me que, no caso da Síria, o problema faz parte de um dilema maior levando em conta o levante no Oriente Médio. A solução para esse conflito não pode ser baseada inteiramente no poder militar nem deve depender quase que exclusivamente das potências ocidentais. Fiquei impressionado com a reação inicial do Reino Unido e da França de, aparentemente, apoiar o ataque militar. E eu também estou ciente do fato de que ambos os países são antigas potências imperialistas, colonialistas naquela região.

Dada a contemporaneidade do que chamei em meus escritos de "despertar político global", uma política de força baseada primariamente no Ocidente e, em alguns casos, em antigas potências coloniais não me parece ser um caminho muito promissor para uma eventual solução do problema regional.

Você mencionou a necessidade de uma coalizão mais ampla. O que você quer dizer com isso?

Eu acho que, no mínimo, a Turquia deveria estar envolvida aberta e diretamente, caso isso venha a acontecer. E acredito que deva haver alguma expressão de aprovação e apoio por parte de outras potências que dependem de algum grau de estabilidade mínima no Oriente Médio para o seu próprio bem-estar econômico. Em outras palavras, eu tenho em mente algumas potências asiáticas que dependem da energia fluindo de forma estável a partir do Oriente Médio.

Você não mencionou a Rússia em sua lista de países. Que papel deve desempenhar Moscou?

Um papel sensato para a Rússia seria juntar-se à comunidade internacional para definir em conjunto alguns padrões comuns, não somente para o problema da Síria, mas também para um amplo acordo com o Irã a respeito de seu programa nuclear e, é claro, um apoio ativo para a solução do problema palestino-israelense, que é responsável por algumas das tensões existentes.

Todas essas coisas têm de ser tratadas num contexto mais amplo e, em minha opinião, não devem ser confinadas a uma resposta militar isolada por parte de um pequeno número de países ocidentais, alguns deles com experiências históricas não particularmente construtivas.

Como o senhor interpreta o fato de que o governo Obama não está realmente tentando incluir a ONU em seus esforços e, em vez disso, está basicamente tentando recrutar a Otan?

Eu não sei se você está certo em caracterizar o governo Obama dessa forma. Eu acho que ele gostaria de ter uma aprovação da ONU [para uma missão militar], mas está preocupado que tal esforço seja vetado pelos russos, provavelmente também pelos chineses. Isso sugere que várias discussões sérias devem ser realizadas com países que, de uma forma ou de outra, se sentem afetados pelas consequências de uma rápida escalada da violência na região.

Em poucas palavras, o problema é que a questão é maior do que a Síria e não pode ser abordada como um problema meramente sírio. E, em segundo lugar, ações de retaliação frente a uma transgressão moral grave como o ataque químico devem ser, mesmo assim, parte de um projeto maior, com objetivos estratégicos em mente e não somente punitivos.

Que tipo de repercussões podem ser esperadas ou temidas após um possível ataque militar? Assad já ameaçou levar os EUA a uma segunda Guerra do Vietnã. Isso deve ser levado a sério?

Toda analogia tem algum grau de propriedade, mas também pode ser algo enganador. Acredito que haja muitos aspectos do problema vietnamita que são diferentes da Síria – não menos importante é o fato de que existe uma oposição a Assad na Síria que é bastante substancial, mas que não é atraente em todos os aspectos.

Para resumir, então você não está convencido de que uma ação militar iminente contra a Síria seria a decisão certa neste momento?

Eu não vejo um contexto estratégico maior para que isso aconteça. E estou preocupado que os participantes tenham uma base estreita, ou seja, os EUA e as antigas potências coloniais. Para mim, isso vai criar, provavelmente, um problema político imediato.


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Obama critica incapacidade do Conselho de Segurança de agir na Síria

WASHINGTON (AFP)

O presidente americano, Barack Obama, criticou nesta sexta-feira a "incapacidade" do Conselho de Segurança da ONU de agir na questão síria e advertiu que o mundo não deve ficar "paralisado" diante de um ataque com armas químicas.

"O que nós vimos, até agora pelo menos, é uma incapacidade do Conselho de Segurança de avançar frente a uma clara violação das normas internacionais", declarou Obama, depois de se reunir com líderes bálticos na Casa Branca.

Obama disse que entende o cansaço generalizado com as guerras, tanto no caso dos Estados Unidos, quanto da Grã-Bretanha e em outros lugares, mas defendeu que isso não exime as nações de suas responsabilidades. Ele observou também que os americanos enfrentaram uma década de guerras e que agora é hora de recuperar a economia.

"Garanto que ninguém está mais cansado de guerras do que eu", disse Obama.

"O que eu também acredito é que parte da nossa obrigação como um líderes no mundo é garantir que, quando você tiver um regime que deseje usar em seu próprio povo armas que são proibidas pelas normas internacionais, ele seja responsabilizado", acrescentou.

"Em última instância, não queremos que o mundo fique parado. E, francamente, sabe, parte do desafio no qual terminamos aqui é que muita gente acha que alguma coisa deve ser feita, mas ninguém quer fazer", declarou.

Na véspera, a Câmara dos Comuns, no Reino Unido, rejeitou a moção que permitiria a participação britânica no ataque limitado de mísseis americanos ao regime de Bashar al-Assad. Essa reserva, sugeriu Obama, levará ao desgaste dos tabus sobre o uso de armas químicas e de outras normas internacionais.

Um relatório da inteligência americana estima em 1.429 o número de mortos no ataque de 21 de agosto, no subúrbio de Damasco, e que o governo dos Estados Unidos indica ter um alto nível de certeza de que tenha sido cometido pelo regime sírio.


Principais pontos do relatório de inteligência dos EUA sobre ataque sírio

WASHINGTON, District of Columbia (AFP)

A Casa Branca divulgou nesta sexta-feira o relatório elaborado pela Inteligência americana, que conclui que há "um alto nível de certeza" de que o regime sírio de Bashar al-Assad usou armas químicas em um ataque cometido em 21 de agosto no subúrbio de Damasco.

Seguem abaixo os principais pontos do informe, de quatro páginas:

BALANÇO: O balanço preliminar americano estima em 1.429 o número de mortos no ataque, incluindo 426 crianças. Os dados devem aumentar, "sem dúvida", à medida que o governo obtiver mais informações.

TRÊS DIAS ANTES DO ATAQUE: Os serviços de inteligência dizem ter informações de que "as equipes sírias responsáveis por armas químicas, incluindo os membros que devem estar associados ao Centro de Pesquisa e Estudos Científicos Sírios, estão preparando munições químicas antes do ataque".

De 18 a 21 de agosto, uma equipe síria encarregada de armas químicas esteve no subúrbio de Adra, "perto de uma zona utilizada pelo regime para misturar armas químicas, o que incluiria gás sarin".

Os americanos acumulam provas dos três dias antes do ataque, fornecidas por pessoas, interceptações eletrônicas e imagens por satélite. Essas imagens mostrariam os preparativos, segundo o relatório dos Estados Unidos.

Em 21 de agosto, "um membro do regime sírio se preparava para um ataque com armas químicas na região de Damasco, principalmente, porque usava máscaras de gás".

NO DIA DO ATAQUE:
Imagens de satélite mostram que o regime lançou foguetes e fez disparos de artilharia nas primeiras horas de 21 de agosto, em vários bairros da periferia de Damasco controlados pelos rebeldes. Os disparos procedem de zonas controladas pelo regime. Cerca de 90 minutos depois do ataque, às 2h30 (hora local), e nas quatro horas seguintes, as redes sociais são inundadas com mensagens que descrevem o massacre.

Os serviços de inteligência americanos identificam 100 vídeos, filmados em 12 lugares diferentes: "a maioria mostra um grande número de corpos com marcas físicas - embora não seja necessariamente a causa - da exposição a um agente neurotóxico". O relatório destaca que a oposição síria não tem capacidade para falsificar esses vídeos.

COMUNICAÇÕES INTERCEPTADAS: Os serviços de inteligência garantem ter interceptado comunicações entre um alto funcionário, "totalmente informado sobre a ofensiva", e que confirma o uso de armas químicas por parte do regime. Essa autoridades diz estar preocupada com a possibilidade de obtenção de provas pelos inspetores da ONU, que desembarcaram no país em 18 de agosto.

Na tarde do ataque, "temos informações de que o pessoal encarregado de armas químicas recebeu a ordem de cessar as operações".

RESPONSABILIDADE:
Funcionários americanos avaliam, com "alto nível de certeza", que o governo sírio cometeu o ataque com armas químicas contra membros da oposição nos subúrbios de Damasco.

Minimizam a possibilidade de a oposição ter efetuado o ataque, alegando que os rebeldes não têm a capacidade de lançar bombardeios tão amplos, ou fabricar os vídeos do ataque, ou dos sintomas físicos confirmados pelos médicos.

O informe indica que Assad é "a pessoa que, em última instância, toma as decisões" sobre o programa de armas químicas na Síria.

 
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Para Síria, provas americanas sobre ataque químico não passam de mentiras

DAMASCO (AFP)

As "provas" apresentadas pelos Estados Unidos sobre um suposto envolvimento do governo sírio em um ataque químico no dia 21 de agosto não passam de mentiras, declarou nesta sexta-feira o Ministério sírio das Relações Exteriores.

"O que o governo americano classificou de provas irrefutáveis (...) são apenas antigas histórias difundidas pelos terroristas (ndlr: rebeldes) há mais de uma semana, com tudo o que elas comportam de mentiras, de fabricações e de histórias inventadas", declarou o ministério em um comunicado lido na televisão oficial síria.

O Ministério das Relações Exteriores se mostrou "surpreso" pelo fato de "uma superpotência enganar sua opinião pública desta forma tão ingênua e baseando-se em provas que não existem".

O ministério "está surpreso também pelo fato de os Estados Unidos basearem suas posições de guerra e de paz no que é transmitido nas redes sociais e nas páginas da internet", acrescenta a chancelaria no comunicado.

Os números citados nesta sexta-feira pelo secretário de Estado americano, John Kerry, sobre as vítimas do suposto ataque químico atribuído a Damasco não passam de "cifras fictícias fornecidas por grupos armados na Síria e pela oposição no exterior", acrescentou o Ministério sírio das Relações Exteriores.


EUA dizem ter provas de que ataque químico matou 1.429 na Síria

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse ter provas de que forças do governo da Síria mataram 1.429 pessoas em um ataque com armas químicas na região da capital do país, Damasco, na semana passada.

BBC Brasil

Em um discurso nesta sexta-feira, Kerry afirmou que entre os mortos estavam 426 crianças e disse que o ataque foi um "horror inconcebível".

Minutos após o pronunciamento, a Casa Branca publicou um documento sobre o uso de armas químicos do governo sírio.

Mas algumas informações, segundo o secretário de Estado, só serão divulgadas a Congressistas americanos, "para proteger fontes e métodos".

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, negou ter realizado o ataque e culpou as forças rebeldes, que querem que ele deixe o poder.

Mas, durante seu pronunciamento, Kerry afirmou que o governo de Assad já usou armas químicas em diversas ocasiões neste ano e se referiu ao presidente sírio como "um bandido" e "um assassino".

Os Estados Unidos têm defendido uma ofensiva internacional na Síria para impedir que o governo de Damasco use armas químicas.

No entanto, é improvável que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma moção prevendo a intervenção militar, já que a Rússia - aliada do governo sírio - já vetou duas resoluções anteriores.


'Fatos'

A ONG Médicos sem Fronteiras dissera anteriormente que o suposto ataque com armas químicas no leste de Damasco, que aconteceu no dia 21 de agosto, matou 355 pessoas.

Mas o secretário disse que os Estados Unidos estão a par de fatos que comprovariam o número maior de mortes.

Ele afirmou que as forças do regime de Assad se prepararam para o ataque três dias antes do ocorrido.

"Sabemos que mísseis saíram somente de áreas controladas pelo regime e caíram somente em áreas controladas pela oposição", disse.

"A inteligência americana tem grande confiança em todas as coisas que sabemos."

Kerry disse ainda que o governo continuará consultando o Congresso e o povo americano a respeito do próximo passo a tomar.

"Os Estados Unidos tomam suas próprias decisões, em nosso próprio tempo, baseados em nossos valores e interesses", afirmou o secretário.

Ele garantiu ainda que os Estados Unidos não repetirão na Síria a experiência da intervenção no Iraque.

Como justificativa para o início da campanha militar contra o Iraque, em 2003, o governo americano afirmou que o país guardava armas químicas. A operação levou a uma guerra que durou dez anos.

O suposto arsenal de armas químicas do governo iraquiano, no entanto, nunca foi encontrado.

No caso de uma ação militar na Síria, segundo ele, os Estados Unidos não assumiriam "responsabilidade sobre a guerra civil que já está acontecendo na Síria", disse Kerry.

"Depois de dez anos, sabemos que o povo americano está cansado de guerras. Acreditem, eu também estou. Mas só desejar a paz não fará com que ela aconteça."


Posicionamento

Também nesta sexta-feira, um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que os inspetores de armas da ONU terminaram de recolher amostras do ataque em Damasco.

O porta-voz Martin Nesirky disse que ainda não se sabe quanto tempo levará para analisar as amostras, mas que os testes devem ser finalizados antes que se chegue a quaisquer conclusões.

Ele falou depois que o secretário-geral se encontrou com representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

Em seu discurso nesta sexta-feira, entretanto, o secretário de Estado americano afirmou que a investigação da ONU não trará mais conclusões a respeito da autoria do ataque.

"A ONU não pode nos dizer quem usou as armas, isso não é uma exigência da investigação da ONU. Ela só poderá nos dizer se tais armas foram usadas."

"A ONU não pode nos dizer nada que nós não sabemos ou que não tenhamos compartilhado com vocês", disse Kerry.

Pouco depois do pronunciamento de Kerry, o presidente Barack Obama disse que o ataque na Síria ameaça a segurança nacional americana.

Ele afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a ação a ser tomada, mas garantiu que ela será específica para impedir o uso de armas químicas.

"Não estamos consideando de forma alguma uma ação militar que envolva soldados no local, nem que signifique uma campanha longa."

"Mas estamos analisando a possibilidade de uma ação limitada que ajudaria a garantir que não só a Síria, mas outros no resto do mundo entendam que a comunidade internacional quer manter a proibição do uso de armas químicas", afirmou.


Preparativos

Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontrou com o Conselho de Segurança Nacional.

Forças americanas continuam a se posicionar na região no Oriente Médio, se preparando para um possível ataque.

Na quinta-feira, o parlamento britânico rejeitou a proposta do governo de uma ação militar na Síria. O premiê David Cameron afirmou que "agiria de acordo" com a decisão.

A Alemanha também descartou a participação em um ataque ao país.

No entanto, o presidente da França, François Hollande, afirmou que a votação na Grã-Bretanha não mudará sua decisão de apoiar uma "ação dura" contra Assad.



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Kerry: ação militar contra Assad é importante para os EUA e para a segurança do mundo

EuroNews

O responsável da diplomacia norte-americana defendeu hoje, em Washington, uma ação militar contra a Síria, garantindo que os Estados Unidos, “não vão fechar os olhos”, ao ataque químico da semana passada que terá morto 1429 pessoas nos arredores de Damasco.

John Kerry garantiu que Washington não vai ficar à espera do relatório dos inspetores da ONU para agir.

“A investigação da ONU não vai revelar quem utilizou estas armas químicas, uma vez que não faz parte do mandato dos inspetores. Eles vão apenas revelar se estas armas foram utilizadas. E por causa do obstrucionismo russo no conselho de Segurança da ONU nós não podemos levar o mundo a agir da forma correta”.

Horas depois de uma reunião do comité de segurança com Barack Obama, John Kerry revelou as provas dos serviços secretos da implicação do regime no ataque, segundo ele, destinado a neutralizar a oposição nos arredores da capital.

Sem avançar um calendário para uma eventual resposta militar, Kerry afirmou que Washington não vai repetir os erros das intervenções no Iraque e no Afeganistão garantindo que, em caso de ataque, não vai haver uma intervenção terrestre, nem será uma operação a longo prazo.

Um discurso para garantir que, “uma ação militar contra Assad é importante para os EUA e para a segurança do mundo”.

Kerry sublinhou ainda a importância de prosseguir, em paralelo, o diálogo com o regime e a oposição para uma transição política no país.


Rússia investe 9 mil milhões na renovação da frota aérea

EuroNews

As acrobacias aéreas marcaram o quarto dia do festival aeronáutico Maks em Moscovo, num momento em que os organizadores falam de um valor recorde de contratos que supera já os 12 mil milhões de euros.

O certame anual, que reúne as novidades internacionais, mas também russas, no mercado da aeronáutica civil e militar reflete as alianças do país, em especial no fornecimento de aviões militares.

O governo indiano assinou dois novos contratos de 41 milhões de euros para a manutenção dos seus radares e caças russos que se junta a um contrato para o fornecimento de 29 aviões Mig às forças aéreas do país.

Os valores mais elevados pertenceram, no entanto, ao estado russo para a renovação da frota de caças militares e aviões civis para a qual desembolsou cerca de 9 mil milhões de euros.

De destacar ainda o contrato da Defesa russa com a companhia Enix para o fabrico de 34 drones de curto alcance Eleron-3SV, a um preço que segundo os responsáveis da empresa, é cinco vezes inferior ao dos drones fabricados no ocidente.

O salão aeronáutico de Moscovo termina no domingo.


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Protestos contra intervenção militar americana na Síria se multiplicam

EuroNews

O espetro de uma intervenção militar americana na Síria começou a gerar protestos um pouco por todo lado. Junto à Casa Branca, em Washington, um pequeno grupo, mobilizado por um coletivo de esquerda pacifista e antirracista, realizou uma manifestação contra uma intervenção armada na Síria esta quinta-feira. O líder do movimento denunciou o fluxo de refugiados sírios rumo aos países fronteiriços como uma consequência do receio de um ataque americano a Damasco.

Em Nova Iorque, Times Square foi o palco escolhido para o protesto levado a cabo por algumas centenas de manifestantes. A maioria não acredita que o alegado ataque com armas químicas tenha sido ordenado pelo presidente sírio, alguns estão mesmo convencidos que terá sido orquestrado pelos Estados Unidos ou pelos rebeldes.

Na Grécia o protesto foi organizado pelo Partido Comunista. Milhares de apoiantes reuniram-se ontem frente ao parlamento, em Atenas, e desfilaram em seguida até à embaixada dos Estados Unidos.

Na Turquia, uma centena de manifestantes contestou a possível utilização da base aérea de Incirlik, no sul do país, numa eventual campanha de bombardeamento. “Não podemos permitir que a Turquia ataque a Síria apenas para proteger os interesses americanos. Não é justo para os milhares de civis que poderão morrer na Síria, como tem acontecido no Iraque” – afirmou um dos participantes. Esta base aérea foi utilizada pelos Estados Unidos durante o regime de Saddam Hussein para impor a zona de exclusão aérea no norte do Iraque.


Ataque dos Estados Unidos à Síria acontecerá até 3 de setembro

Investida seria iniciada com o lançamento de mísseis de cruzeiro

Diário da Rússia


A revista Time publicou em sua edição desta semana que os Estados Unidos atacarão a Síria entre 31 de agosto e 3 de setembro. O início do período é a data prevista para a saída de Damasco dos inspetores da ONU que estão verificando as denúncias do uso de armas químicas na Síria contra a população civil.

Já na terça-feira, 3 de setembro, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama deixará Washington rumo a Estocolmo, na Suécia, e de lá seguirá para a reunião do G20, nos dias 5 e 6, em São Petersburgo na Rússia.

Já a revista Foreign Policy (Política Externa) publicou que a Marinha dos Estados Unidos lançará mísseis de cruzeiro contra, pelo menos, 35 alvos estratégicos da Síria para enfraquecer o poder bélico do país.


Recomeçaram os confrontos no Egito

Voz da Rússia

Recomeçaram na sexta-feira no Egito os confrontos entre os apoiantes e os adversários do deposto presidente Mohamed Mursi. A mídia local informa que há feridos.

A Irmandade Muçulmana está a organizar mais manifestações de protesto contra o "golpe militar" e as detenções de militantes seus. Em algumas cidades, incluindo o Cairo, o caminho dos manifestantes foi barrado pela polícia, o que resultou em confrontos.

Há várias semanas, os confrontos entre as forças da ordem e os islamitas no Egito resultaram em mais de 900 mortos, segundo dados preliminares.

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Discussão de contratos na área de defesa com o Irã será possível depois da suspensão das reclamações contra a Rússia

Voz da Rússia

As negociações com o Irã sobre fornecimentos de armamento defensivo, como os complexos de mísseis terra-ar S-300, serão possíveis em caso de suspensão das reclamações contra a Federação Russa, declarou o vice-premiê Dmitri Rogozin.

O contrato de fornecimento de S-300 ao Irã foi assinado em finais de 2007, mas em 2010 a Rússia denunciou-o devido à aprovação pela ONU de sanções contra o Irã que proíbem o fornecimento de armamento moderno a Teerã.

O Irã reagiu interpondo uma ação na Corte de Arbitragem Internacional de Genebra contra a Rússia no valor de 4 biliões de dólares.

12 países da OTAN se recusaram a participar numa operação contra a Síria

Voz da Rússia

Pelo menos 12 países da OTAN se recusaram a participar numa operação militar contra a Síria, se não haverá para tal uma sanção do Conselho de Segurança da ONU, informou uma fonte da agência ITAR-TASS em Bruxelas.

Mais cedo, o parlamento britânico rejeitou a resolução do governo de “intervenção humanitária” na Síria, e o ministro da Defesa britânico disse que o reino não iria participar nela.

Segundo a fonte, as consequências de uma intervenção militar na Síria são imprevisíveis, e a vitória da oposição na sua forma atual é pouco provável de levar à paz a longo prazo em terra síria.

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“Nó sírio” não pode ser cortado com um Tomahawk

Na Síria se enredaram os interesses contraditórios das principais atores geopolíticos regionais e mundiais. Uma tentativa de resolver o problema com misseis de cruzeiro Tomahawk (Machadinha) não ajudará o Ocidente a atingir os seus objetivos.

Serguei Duz - Voz da Rússia


Washington continua, com o apoio de Londres e de Paris, a criar uma coalizão de adeptos da intervenção militar. Nesse contexto, os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais e no Oriente Médio estão preparados para ignorar, se necessário, o Conselho de Segurança da ONU. Segundo o chefe da diplomacia turca Ahmet Davutoglu, neste momento estão sendo discutidas alternativas. Provavelmente, o ministro turco se está referindo ao encontro de Amã. Na capital da Jordânia estão reunidos, desde a tarde de domingo, os representantes da Arábia Saudita, do Qatar, da Turquia, do Reino Unido, da França, da Alemanha, da Itália, dos EUA e do Canadá que tentam definir os seus próximos passos.

Tem de ser referido que na realidade os interesses dos membros da coalizão anti-Assad são bastante diversificados (apesar de a coalizão parecer unida). O presidente norte-americano Barack Obama, por exemplo, está visivelmente confuso e não sabe o que fazer.

Depois da história com a Líbia, os americanos percebem que não poderão passar sem uma operação terrestre para realizar o assalto final. Mas Assad é um osso mais duro de roer que o coronel Kadhafi. Sabendo isso, Obama irá protelar até que a sua falta de ação seja demasiado desafiadora para a França e a Grã-Bretanha que demonstram posições mais irreconciliáveis que os EUA. Diz o perito russo Veniamin Popov:

“A essência do problema é o Ocidente temer um renascimento do mundo islâmico. Há demasiados recursos concentrados no Oriente Médio e Próximo. Não é só o petróleo e o gás, mas também as suas grandes capacidades financeiras. Os norte-americanos já calcularam há muito tempo que a estabilidade dessa região não lhes é rentável. Eles não querem ter um concorrente que lhes possa trazer muitos problemas no futuro.”

A posição anti-Assad da Turquia pode ser explicada de uma forma bastante simples, considera o vice-diretor do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia Vladimir Isaev:

“A Turquia tem medo do exemplo iraquiano (do Curdistão, para sermos mais precisos). Os turcos se assustaram por Damasco ter dado mais autonomia aos curdos.”

A posição iraniana é clara: Teerã vê uma agressão externa contra Assad como um desafio pessoal, diz Isaev:

“O Irã é um dos poucos países onde o xiismo é dominante. Ele tenta apoiar os xiitas sempre que é possível. Além de tudo o mais, ele apoia o partido Hezbollah que atua no Líbano. Isso é feito através do território da Síria.”

Contra uma mudança do poder na Síria pela força se manifestam, além do Irã, todos os países do BRICS (Rússia, China, Índia, Brasil, África do Sul) assim como uma série de países latino-americanos. Segundo declarou o MRE da Rússia Serguei Lavrov: “Se alguém pensa que, depois de a infraestrutura militar síria ser bombardeada e o campo de batalha abandonado para que os adversários do regime alcancem a vitória, tudo isto irá terminar, estará vivendo uma ilusão. Mesmo que essa vitória seja alcançada, a guerra civil irá continuar. Só que quem até então representava o lado governamental passará a ser a nova oposição.”