27 novembro 2013

Zona de defesa aérea chinesa é uma aposta no longo prazo

Medida adotada por Pequim tem potencial para causar uma grave crise diplomática com Japão, EUA, Taiwan e Coreia do Sul

CHRISTOPHER BODEEN - ASSOCIATED PRESS | O Estado de S.Paulo


A nova zona de defesa aérea da China reafirma as reivindicações territoriais do país sobre ilhas em disputa, mas não deve desencadear imediatamente confrontos com aviões estrangeiros. A medida, porém, se encaixa no modus operandi dos chineses para fazer valer seus direitos e tem potencial para provocar confrontos perigosos, dependendo da força com que seja implementada.

Embora a zona de defesa comece lentamente, Pequim tem um histórico de apostar no longo prazo e analistas preveem um aumento gradativo das atividades. No sábado, a China divulgou um mapa dessa zona e estabeleceu um conjunto de regras segundo as quais os aviões que entrarem na região estão sujeitos a ações militares de emergência se não se identificarem ou obedecerem às ordens de Pequim.

A declaração parece ter sido um fiasco como tática de política externa. Para analistas, a China calculou mal a contundência e a rapidez com que seus vizinhos rejeitaram suas demandas. Washington, que tem centenas de aviões militares estacionados na região, declarou que não tem nenhuma intenção de cumprir a diretiva. O Japão qualificou a zona de defesa aérea como inválida, inaplicável e perigosa.

Taiwan e Coreia do Sul também rejeitaram a medida.

"No curto prazo, a decisão de Pequim debilita sua campanha para exercer mais influência regional", disse Bonnie Glaser, especialista do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos, em Washington. "Não interessa aos chineses criar tensões com tantos vizinhos simultaneamente."

A China enfrenta dificuldades práticas para implementar a zona de defesa em razão das deficiências de seus sistemas de controle, de alarme e de reabastecimento em voo, o que dificultará a detecção de aviões e a manutenção de suas aeronaves no espaço aéreo, segundo Greg Waldron, da revista Flightglobal, de Cingapura.

Apesar disso, Pequim não mostra sinais de recuo e insiste em impor agressivamente seu direito sobre as ilhas no Mar do Sul da China. A tensão com Tóquio continua forte no caso das ilhas chamadas Senkaku/Daioyu. Autoridades chinesas ficaram furiosas com a nacionalização das ilhas feita pelo Japão, em setembro de 2012, e com a ameaça feita pelos japoneses de que derrubarão drones da China na região.

A zona de defesa aérea foi elogiada pelos nacionalistas radicais chineses, ressaltando a necessidade de Pequim de aplacar o segmento mais eloquente da opinião pública local.

Estrategicamente, ela também serve para manter viva a controvérsia sobre as ilhas, favorecendo o objetivo de forçar Tóquio a admitir que elas são objeto de disputa - primeiro passo para uma administração conjunta ou o controle unilateral da China sobre elas.

Para June Teufel Dreyer, da Universidade de Miami, Pequim deverá fazer uma pausa até as críticas diminuírem. Depois, criará algum incidente diplomático e alertará os aviões militares japoneses para não sobrevoarem aquele espaço, mas sem confrontá-los.

"A China complicou ainda mais a questão por não ter consultado outros países sobre os protocolos que ela deseja que sejam respeitados, nem informou as normas estabelecidas para os pilotos chineses", disse Ross Babbage, presidente da Kokoda Foundation, da Austrália. "Esse é o tipo de situação que tem potencial para se agravar."

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



China envia porta-aviões a região em litígio; EUA sobrevoam área 'proibida'

Diogo Ferreira Gomes
Especial para o Estado de SP/Pequim

Cláudia Trevisan
Correspondente/Washington

Ao mesmo tempo em que a Marinha chinesa despachava ontem seu primeiro e único porta-aviões para realizar exercícios militares de guerra no Mar do Sul da China, onde desde sábado Pequim exige identificação dos aviões que sobrevoam a região, duas aeronaves B-52 americanas atravessaram a área em aberto desafio à restrição chinesa.

A "zona de defesa aérea" foi estabelecida pela China sobre ilhas que o país disputa com o Japão - que Pequim chama de Diaoyu e Tóquio de Senkaku elevando a tensão na região. O governo chinês passou a exigir o envio de planos dos voos que passassem pela região, a abertura de canais de comunicação de rádio e a clara identificação da nacionalidade da aeronave. As autoridades de Pequim afirmaram que poderiam adotar ações militares contra aviões que desobedecessem às exigências.

"Esse anúncio da China não vai de nenhuma maneira mudar a forma pela qual os EUA conduzem suas operações militares na região", declarou no sábado o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel. Segundo ele, a decisão eleva os riscos de "desentendimentos e erros de cálculo" na área.

A China adotou uma posição mais agressiva na disputa pelas ilhas depois que o Japão nacionalizou o território em setembro de 2011, para evitar que elas fossem vendidas a um grupo nacionalista, o que poderia ter um impacto ainda mais explosivo para a relação bilateral.

Desde então, Pequim passou a atuar como se as ilhas estivessem em seu território, enviando missões de patrulhamento para a região. Nessa direção, o porta-aviões Liaoning zarpou do Porto de Qingdao, no leste chinês, sob a escolta de dois destróieres e duas fragatas de mísseis. Ele fará exercícios militares em uma parte do Mar do Sul que a China disputa com Vietnã e Filipinas.

Os chineses operam o navio de guerra desde setembro do ano passado e limitavam as manobras - menos complexas das que começarão a fazer - ao Mar Amarelo. O Liaoning é de fabricação soviética (1988) e a China o comprou para usá-lo como modelo para a classe de porta-aviões que planeja construir. 


Preocupação. A Austrália convocou o embaixador chinês Ma Zhaoxu para expressar seus receios com a ampliação da zona de defesa aérea à seção do Mar do Sul da China onde ficam as ilhas. 

"A Austrália faz clara oposição a toda medida coerciva ou unilateral para mudar o status quo no Mar do Sul da China", declarou a ministra de Assuntos Exteriores, Julie Bishop. 

Especialista em política externa e de segurança da China, Bonnie Glaser, do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS), acredita que a repercussão da criação da zona de restrição tenha tomado uma rota bem diferente do que Pequim planejava. "Só nos EUA a reação negativa veio de três esferas: Departamento de Estado, Departamento de Defesa e Casa Branca. Duvido que a China estivesse prevendo essas críticas todas. Não é interesse dela ter problemas com tantos países ao mesmo tempo", afirmou a analista. 

Japão dividido. A exigência da China de que os aviões sobre o Mar do Sul apresentem previamente seus planos de voo, fez os japoneses tomarem duas rotas diferentes. O governo japonês, desde o anúncio das novas imposições, disse que não as aceitaria porque eram perigosas, mas ontem, as duas maiores companhias aéreas do Japão decidiram acatar as exigências chinesas.

A Japan Airlines (JAL) e a Ali Nippon Airways (ANA) alegaram que apresentarão os planos de voo em nome da segurança dos passageiros. No sábado, Pequim tinha advertido que poderia adotar intervenções armadas se os aviões não se identificassem. "A segurança é nossa prioridade. Devemos
descartar toda a possibilidade de um cenário catastrófico", afirmou um representante da ANA. 

As autoridades japonesas em seguida disseram que as duas empresas tomaram essa decisão sem consultar as autoridades e não deveriam levá-la adiante. "As medidas adotadas pela China não são válidas para nosso país e as companhias devem continuar voando de acordo com as regras anteriores",
afirmou o secretário-geral do governo, Yoshihide Suga. Companhias de Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul acataram a decisão chinesa quase imediatamente. 

Ontem, no entanto, nos Estados Unidos informaram que no dia anterior dois aviões militares seus tinham sobrevoado a região das ilhas sem avisar previamente às autoridades chinesas.

China unida. Uma pesquisa divulgada ontem pelo jornal Global Times, sob controle do Estado, mostrou que 85% dos chineses eram favoráveis à zona de identificação, por mais que acirrasse as disputas territoriais com Japão e outros países vizinhos. O estudo ouviu mais de mil adultos. 

Segundo a publicação do Partido Comunista, 53,6% dos entrevistados acreditam que a zona aérea ampliada ajudará a China na disputa com o Japão pelas ilhas. Só 4,3% achavam o contrário. 

Apesar da alta aprovação à limitação aérea, 90% dos participantes disseram que a China deve apenas desviar os aviões que não se identificarem. 

"A questão é sob que circunstâncias a China vai decidir interceptar os aviões. Provavelmente não farão isso o tempo todo. Já interceptaram aviões de vigilância dos EUA perto do espaço aéreo chinês, mas no caso japonês, principalmente no que diz respeito a caças, o risco de acidente é muito maior.
Com pilotos japoneses e chineses em aviões de guerra, a possibilidade de uma colisão é enorme", afirmou a especialista Bonnie Glaser.

Militares da FAB são destaque em campeonato de tiro

Agência Força Aérea

Entre os dias 22 e 24 de novembro ocorreu, no Centro Nacional de Tiro Esportivo (CNTE), no Rio de Janeiro, a Copa Brasil de Tiro Esportivo, única competição no ano a reunir os melhores atiradores brasileiros em um mesmo local de prova. O evento foi a última etapa do Campeonato Brasileiro, torneio que foi realizado em 9 etapas durante todo o ano e contou com cerca de 600 atletas, entre eles oito militares da Força Aérea Brasileira (FAB).

Na classificação geral dos torneios promovidos pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), o Coronel Julio Antonio de Souza conquistou o primeiro lugar nas categorias de Pistola de Ar e Pistola Standard, além do segundo lugar no Tiro Rápido e no Fogo Central. A Tenente Cristina Badaró Baptista de Mello, da Base Aérea de Santa Cruz (BASC), garantiu a segunda colocação na Carabina de Ar.

Nas categorias de Pistola Esportiva e Pistola de Ar, a Tenente Rachel Maria de Castro da Silveira, da Diretoria de Tecnologia da Informação da Aeronáutica (DTI), fechou o torneio com a terceira e quarta posições, respectivamente. Do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), a Tenente Ligia Fontes da Silva Ferreira também subiu ao pódio na prova de Carabina de Ar. O Suboficial Vladimir da Silveira, representante Parque Material Aeronáutico do Galeão (PAMA-GL), ficou com a quarta colocação na Pistola Livre.


Ao menos 7.500 militares foram alvos da ditadura

Trabalhos da Comissão da Verdade devem ser prorrogados até novembro de 2014

Evandro Éboli | O Globo


BRASÍLIA - A Comissão Nacional da Verdade constatou que os militares foram a categoria social mais atingida pelo golpe de 1964. Dados da Comissão apontam que pelo menos 7.500 militares das Forças Armadas foram alvos de ações da ditadura, como perseguição, prisão, tortura, morte e perda do emprego. Esses números foram anunciados numa audiência pública na tarde de ontem na SubComissão da Memória, Verdade e Justiça do Senado. Três integrantes da Comissão participaram do debate, acompanhados de vários assessores do grupo.

A Comissão criou o Grupo de Trabalho Repressão aos Militares, que analisa e investiga a repressão sofrida por integrantes das três forças por suas posições político-ideológicas. O pesquisador e professor Paulo Ribeiro da Cunha, que atua nesse grupo da Comissão da Verdade, explicou que a grande maioria se opôs ao golpe de 64.

— Os militares formam, sem dúvida, a categoria mais atingida pelo golpe. A grande cassação desse pessoal se deu em 64. Eram perseguidos, tinham telefones grampeados, presos — disse Cunha.

APOIO POLÍTICO PERSEGUIDO

Cunha explicou que esses militares eram vítimas de perseguição por motivações como apoiar a candidatura de Leonel Brizola (PDT) para o governo do Rio ou até mesmo de alguém que adquiriu um livro do sociólogo e brizolista Darcy Ribeiro.

O novo coordenador da Comissão da Verdade, Pedro Dallari, defendeu na audiência a ampliação do prazo de trabalho do grupo, que termina em maio de 2014. Ele disse que a presidente Dilma Rousseff concordou com a ampliação até novembro do ano que vem.

A presidente deverá enviar projeto ao Congresso Nacional prevendo essa ampliação. 


O novo coordenador disse ainda que também será recomendado que as Forças Armadas e as polícias introduzam ensinamento sobre direitos humanos nas suas formações.

APOIO FINANCEIRO AO MIPE

Em São Paulo, o ex-governador Paulo Egydio Martins (1975/1979) detalhou ontem o que foi, "segundo ele, um amplo apoio financeiro de empresários e sociedade civil de São Paulo à derrubada do presidente João Goulart pelo golpe militar de 1964. Em depoimento à Comissão Municipal da Verdade, na Câmara Municipal da cidade, Egydio classificou ainda as mortes do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, e do sindicalista Manuel Fiel Filho, meses depois, como "parte de um plano para tirar o general Ernesto Geisel do poder” elaborado pelos que queriam "um regime mais forte e violento”.

O único nome citado peio ex-governador como parte desse plano foi o de Sylvio Frota, ministro do Exército de Geisel (exonerado em 1977). Aos 85 anos, Egydio disse que "todos contribuíram com dinheiro e equipamentos para o II Exército, que estava no chão e era uma piada" para derrubar Jango.

Ele contou fazer parte, ao lado de outros empresários, de um "processo conspiratório". Segundo o ex-governador, a cada discurso que Jango fazia, "nossa tensão e o medo de que o Brasil virasse um "Cubão" (em referência à tomada do poder pelos comunistas em Cuba) aumentava, "aumentando também as contribuições".

— Ninguém no Exército ia pedir, pessoas é que procuravam a quem doar — disse Egydio, lembrando que doações eram feitas via pessoas físicas e não entidades, diretamente a coronéis do II Exército.


Aprovado em Plenário, aumento do efetivo do Exército vai a sanção

Jornal do Senado

O efetivo do Exército brasileiro poderá ter quase 30 mil novos integrantes. O Plenário do Senado aprovou ontem o projeto de lei da Câmara (PLC 101/2013) que aumenta o número de oficiais, sargentos e subtenentes do Exército em tempos de paz.

Desde 1983 não há alteração no número de oficiais. Ao apresentar a proposta, o ministro da Defesa, Celso Amorim, argumentou ser preciso aumentar os efetivos porque “a consolidação da democracia no país e a institucionalização de políticas e projetos estratégicos mudaram o perfil da defesa nacional”.

A proposta segue agora para a sanção presidencial.


Colégio Militar volta ao topo

Entre as instituições públicas do DF, a primeira colocada é ligada ao Ministério da Defesa e a segunda, ao Corpo de Bombeiros

ANDRÉ SHALDERS | CORREIO BRAZILIENSE


Mantendo o bom desempenho conquistado em anos anteriores, as instituições Militares de ensino encabeçam o ranking do Enem de 2012 das unidades públicas do Distrito Federal. Após um ano fora da lista, o Colégio Militar de Brasília (CMB), ligado ao Ministério da Defesa, ficou em primeiro lugar entre as escolas públicas, com nota média de 610 pontos nas provas objetivas — considerando as particulares, estaria em 11º (confira o ranking abaixo). O Colégio Militar Dom Pedro II, mantido pelo Corpo de Bombeiros do DF e destinado aos filhos dos integrantes da corporação, está em segundo lugar no ranking das instituições públicas. Em comum, as duas escolas têm a carga horária diferenciada, boa infraestrutura física e o incentivo a projetos extracurriculares, como clubes de xadrez, grupos de estudo, entre outros.

"Até por ser uma instituição Militar, existe um incentivo muito grande para que os alunos tentem se superar, chegar na frente", comenta Sílvio Félix, 15 anos, aluno do 1º ano do ensino médio no Colégio Militar, que resolveu fazer a prova do Enem para ganhar experiência. O estudante Alexandre de Oliveira, também de 15 anos, diz ter visto alunos do terceiro ano organizando grupos de estudo nas semanas que antecederam a prova. "Eles alugavam as cabines na biblioteca e se reuniam para estudar por conta própria", descreve.

A lista das melhores públicas segue com escolas que já vinham apresentando um bom desempenho nas edições anteriores. O terceiro lugar ficou com o Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (Cemi), do Gama, com média de 543 pontos. A escola havia atingido o segundo lugar entre as públicas no ano passado. Depois de estudar em outras escolas da rede pública, a estudante Vitória Neres Negrini, de 15 anos, sentiu uma grande diferença depois de ter sido transferida para o Centro de Ensino Médio da Asa Norte (Cean), onde cursa o primeiro ano. "É uma boa escola. Não falta material para as aulas, a infraestrutura está bem preservada e os professores se esforçam bastante", conta ela. A escola ficou em sexto lugar entre as públicas, com média de 529 pontos.

Para o doutor em educação e professor do curso de pedagogia da UnB Remi Castioni, a continuidade das iniciativas pode ajudar a explicar o bom resultado. "O Cean, por exemplo, se beneficia da proximidade com a Universidade de Brasília (UnB), que desenvolve alguns projetos na escola. Em geral, são escolas com corpo docente mais qualificado, que está lá há mais tempo e que conseguem manter estratégias de mais longo prazo para motivar os estudantes", diz ele.

A coordenadora de Ensino Médio da Secretaria de Educação do DF, Cristian Ferreira, ressalta que o ranking não é o foco dos trabalhos. "Encaramos esses dados como uma ferramenta de planejamento. Não estamos preocupados com comparações, mas em garantir o aprendizado", diz.



Evento em Guarulhos debate melhorias na integração logística entre as Forças Armadas

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 22/11/2013 – Terminou na última sexta-feira (22), em Guarulhos (SP), a V Jornada de Interoperabilidade Logística do Ministério da Defesa (MD). Sob o tema “Sistemas e Recursos de Tecnologia da Informação Empregados em Atividades Logísticas”, o evento debateu práticas atuais relacionadas à integração logística da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além de sintonizar projetos da área, sob supervisão do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA).

Cerca de 100 pessoas, entre civis e militares, participaram dos debates na sede do Instituto de Logística da Aeronáutica. Para o chefe de gabinete do EMCFA, general Roberto Severo Ramos, a “troca de experiências ajuda a melhorar as atividades logísticas nas Forças Armadas”.

O uso de sistemas tecnológicos para a gestão dessas atividades é prática usual nas Forças, envolvendo desde o controle de materiais e serviços e a durabilidade dos produtos e até o planejamento de novas aquisições.

Durante a jornada, foram feitas apresentações temáticas sobre esses recursos, proporcionando uma avaliação sobre sua usabilidade e o esclarecimento de dúvidas. Os participantes também debateram as estruturas de Tecnologia da Informação (TI) integradas à logística das três Forças.

Ao final do evento, o chefe de logística interino do EMCFA, vice-almirante Paulo Farias Alves, ressaltou a importância da cooperação entre as Forças. “É importante trabalharmos juntos, pois o problema verificado em uma Força pode ocorrer em outra, assim como a solução encontrada para uma situação pode ser útil também para outra equipe”.


25 novembro 2013

Escalada do conflito sírio se reflete no Oriente Médio

Correio do Brasil
Por Redação, com DW - de Damasco

Toda vez que o regime do presidente sírio Bashar al Assad precisa de reforços, a organização xiita Hisbolá envia, através da fronteira libanesa, milhares de seus combatentes, equipados pelo Irã. Com essa ajuda, nos últimos dias as tropas sírias têm avançado sobre os arredores das metrópoles Damasco e Aleppo, até então sob domínio dos rebeldes.

Embora de maneira menos organizada e decisiva, grupos sunitas libaneses oferecem, por sua vez, apoio à oposição síria. Assim, o Líbano está profundamente envolvido na guerra no país vizinho. Somente a lembrança de sua própria guerra civil, de 1975 até 1990, tem impedido que o conflito da Síria se alastre pelo país, avalia Bente Scheller, diretora da Fundação Heinrich Böll na capital libanesa, em entrevista à Deutsche Welle.

“Palco para mensagens políticas”

Desde que pelo menos 23 pessoas foram mortas num ataque duplo à embaixada iraniana no sul de Beirute, na última terça-feira, os políticos libaneses têm encontrado palavras para protestar contra a situação. O primeiro-ministro Najib Mikati disse ser inaceitável “usar o Líbano como palco para enviar mensagens políticas numa direção ou na outra”.

Em comunicado, a aliança partidária de fundo sunita Quatorze de Março declarou que o Líbano paga o preço por o Irã ter se colocado do lado do regime criminoso da Síria. Os ataques foram reivindicados pelas Brigadas Abdullah Azzam, também sunitas e ligadas à Al Qaeda. Como motivo dos ataques, o grupo extremista alegou a participação do Hisbolá na guerra civil síria. Em mensagem no Twitter, o grupo ameaçou novos ataques, caso a milícia xiita não se retire da Síria.

Sunitas contra xiitas?

O mais tardar desde maio de 2013, quando veio a público que a milícia do Hisbolá no Líbano luta no conflito sírio do lado do regime Assad, fala-se repetidamente de uma guerra religiosa crescente entre xiitas e sunitas. De um lado estariam o governo xiita iraniano, o Hisbolá e o regime alauita sírio (os alauitas também são xiitas); do outro, a potência sunita Arábia Saudita, o Catar e a Turquia.

Bente Scheller ressalta que, apesar das diferenças permanentes, a história mostra que xiitas e sunitas têm convivido pacificamente durante longos períodos. Portanto, a presente escalada seria, antes, “uma consequência da atual distribuição de poder, em que o Irã e a Arábia Saudita se defrontam”, diz a especialista.

A partir da Revolução Islâmica no Irã em 1979, que acarretou uma islamização da política e da sociedade, a Arábia Saudita vê no Irã um país que tenta expandir seu poder hegemônico pelo Oriente Médio portanto os sauditas se esforçam por deter qualquer influência iraniana.

Por outro lado, o Irã tem uma relação histórica com os xiitas da região que é difícil de podar, ressalva o estudioso de assuntos islâmicos Walter Posch, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e de Segurança (SWP, na sigla original), sediado em Berlim.

O Hisbolá foi criado em 1982, com iniciativa decisiva iraniana e sob forte influência da ideologia da Revolução Islâmica. Isso marcou a primeira ligação direta da República Islâmica para com o resto da região, legitimando o papel do Irã dentro desta, explica Walter Posch. Por mais de três décadas, a Síria tem sido um dos aliados mais próximos de Teerã no mundo árabe, num pacto que remonta à guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988).

Teerã age taticamente

Enquanto a Arábia Saudita apoia os rebeldes sírios contra o regime Assad, o Irã e o Hisbolá apoiam o ditador na teoria e na prática, abastecendo Damasco com dinheiro, armas e consultores militares. Afinal, é grande em Teerã a preocupação de que o governo em Damasco seja derrubado.

- Caso os extremistas sunitas consigam tomar o poder na Síria, o Hisbolá ficaria claramente isolado: de um lado uma Síria predominantemente sunita; no Líbano, grupos extremistas sunitas; enquanto ao sul ainda estaria Israel – diz Posch, do SWP. Com o Hisbolá enfraquecido e com a queda do regime Assad na Síria, ficaria difícil o Irã manter sua influência na região.

Tanto Teerã quanto o Hisbolá têm responsabilizado Israel pelo ataque contra a embaixada iraniana em Beirute, apesar de as Brigadas Abdullah Azzam haverem assumido a autoria por escrito. “O Irã não quer admitir que caiu num conflito religioso devido a sua interferência na guerra síria, e que agora tem de encarar um novo inimigo: os extremistas sunitas “, avalia o analista israelense no Oriente Médio Meir Javedanfar.

Walter Posch interpreta essa primeira reação iraniana como um recurso tático, “para evitar acusar publicamente a Arábia Saudita”, até porque Teerã vem tentando melhorar suas relações com Riade. E o país tem bons motivos para tal, observa Bente Scheller, da Fundação Heinrich Böll: se a situação no Líbano continuar escalando, as consequências para o Irã e o Hisbolá podem ser incalculáveis. “O Irã não tem interesse em outro grande foco de conflito: a Síria já basta.”



Um tiro no bolso

Para equilibrar a balança comercial entre Brasil e Rússia, exigência de Putin, o Brasil vai comprar um sistema antiaéreo caro e que desagrada aos militares brasileiros.

Leonardo Coutinho | Veja


A carne atormenta as relações comerciais entre Brasil e Rússia. Volta e meia, esse país, que é o segundo maior comprador de carne bovina, suína e de frango do Brasil, impõe limites à importação desses produtos por meio do embargo a frigoríficos que não estariam dentro dos padrões sanitários.

Pode-se até criticar o excesso de zelo com a carne brasileira, mas não dá para negar a eficiência do governo russo em defender os interesses de seu país, ainda que os argumentos técnicos sirvam apenas como forma de pressão comercial. O mesmo não se pode dizer do governo brasileiro. 


No mês passado, o ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou, com o seu equivalente russo, um compromisso para uma compra de armas que, em pelo menos dois aspectos, é um péssimo negócio. Pelo acordo, a Rússia vai vender ao Brasil três sistemas de defesa antiaérea do modelo Pantsir-S1. cada um com quatro ou seis veículos lançadores de mísseis terra-ar, ao custo de 1 bilhão de dólares. O Ministério da Defesa garante que o preço ainda pode ser reduzido, mas a negociação já começou mal: no mês passado, o Iraque comprou o mesmo tipo de equipamento por um quarto do valor unitário que o Brasil está disposto a pagar.

Além de desperdiçar o dinheiro do contribuinte, o governo brasileiro conseguiu desagradar até a caserna com a escolha dos Pantsir-S1. Há pelo menos cinco anos as Forças Armadas pleiteiam um bom conjunto de baterias antiaéreas. Depois de muito estudo, em 2012 os militares distribuíram a trinta fabricantes estrangeiros um relatório com as especificações desejadas para o equipamento. Entre outras exigências, as baterias deveriam ser compatíveis com os radares usados no país, caber nos aviões de carga da Força Aérea Brasileira (FAB) e ser equipadas de mísseis com alcance de 30 quilômetros. 


Pois o Pantsir-S1 não atende a esses requisitos. "Pagaremos um preço aviltante por um equipamento que nem sequer poderá ser integrado ao nosso sistema de comunicação militar", diz um oficial do Exército que participou das discussões sobre as necessidades da artilharia antiaérea. Não faltam modelos da concorrência que, além de mais baratos, cumprem com as exigências.

A escolha do Pantsir-S1 foi feita depois de um encontro entre Putin e Dilma Rousseff em Moscou, em dezembro de 2012. Na ocasião, o presidente russo reclamou que a balança comercial entre os dois países era muito favorável ao Brasil — com um superávit de 1,3 bilhão de dólares em 2011.

Comprar armas russas seria uma maneira rápida de equilibrar a balança. Duas semanas depois da reunião, o embaixador da Rússia em Brasília, Sergey Akopov. recebeu do comando logístico do Ministério da Defesa um pedido de informações sobre a representação comercial no Brasil da fabricante do Pantsir-S1. No mês seguinte, os generais brasileiros foram informados de que a concorrência internacional havia sido sustada e que o Planalto tinha combinado diretamente com os russos a compra das baterias. 
O governo brasileiro também fez chegar aos concorrentes o recado de que a presidente já havia tomado uma decisão política e que não se dessem ao trabalho de apresentar suas propostas. 

Em julho deste ano, o governo publicou no Diário Oficial os novos requisitos do sistema, revogando o parecer técnico anterior das Forças Armadas. O alcance dos mísseis foi reduzido para 20 quilômetros e a compatibilidade com os aviões da FAB foi suprimida. Tudo sob medida para comprar o Pantsir-S1. O governo alega que os russos prometeram "transferência irrestrita de tecnologia", mas a verdade é que nem sequer foi dada a chance aos concorrentes de oferecer o mesmo. Além disso, a promessa é pouco verossímil, a julgar pela má fama do serviço de pós-venda dos fabricantes de armas russos. 

"Os governos que recorrem à indústria bélica russa são geralmente aqueles que não podem comprar armas de democracias ocidentais, como a Síria, ou cujos integrantes querem embolsar uma comissão sem ser incomodados", diz Ilan Berman, especialista em Rússia do American Foreign Policy Council, com sede em Washington. Em tempo: nas últimas semanas, a Rússia revogou o embargo a uma dúzia de frigoríficos brasileiros. 


Soldado Cidadão completará 10 anos com mais de 200 mil jovens atendidos

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília 20/11/2013 - O ministro da Defesa, Celso Amorim, previu que o projeto Soldado Cidadão atingirá a marca de 200 mil jovens atendidos em 2014, quando completará 10 anos de existência. A informação foi prestada hoje (20) em discurso por ocasião da entrega do 4° Prêmio de Melhor Gestão do Projeto do Soldado Cidadão, realizada no auditório da FHE Poupex, no Setor Militar Urbano (SMU), em Brasília (DF).

O ministro destacou a importância da mão de obra qualificada para o desenvolvimento da estratégia nacional de defesa: “devo reconhecer o papel das entidades de ensino profissionalizantes que, pela qualidade dos cursos oferecidos, ajudaram grandemente no preparo dos nossos jovens”. O projeto tem por objetivo permitir que jovens, ao prestarem o serviço militar, possam ser preparados para o mercado de trabalho e obtenham uma ocupação profissional quando deixarem os quartéis.

Amorim destacou que “a formação de mão de obra qualificada é um componente indispensável para o desenvolvimento nacional brasileiro”. Ainda de acordo com o ministro “há quase uma década, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica participam desse desafio por meio da realização de cursos profissionalizantes, hoje coordenados pelo Ministério da Defesa”.

Acordo com o Senai-RJ

Durante a cerimônia ocorreu a assinatura do acordo de cooperação entre a Defesa e o Serviço Nacional da Indústria (Senai) do Rio de Janeiro. O presidente do Conselho Regional da instituição, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, que também preside a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), disse que se sente satisfeito com a iniciativa. Para Gouvêa Vieira, esta é mais uma possibilidade de proporcionar dignidade a milhares de jovens,

“Isso mobiliza o Sistema Firjan, pois podemos aumentar ainda mais as oportunidades para rapazes de baixa renda que não puderam ser absorvidos nas Forças Armadas após o serviço militar tenham uma profissão”, informou.

O acordo irá beneficiar militares das três forças que estão servindo no Estado do Rio. O acesso aos cursos do Senai irá capacitar os jovens e possibilitará a inserção deles no mercado de trabalho.

Prêmio Melhor Gestão

Ainda no mesmo evento foram entregues diplomas de colaboradores do projeto e o 4° Prêmio Melhor Gestão do Projeto Soldado Cidadão. Os títulos foram outorgados a um representante de cada Força pelo reconhecimento dos trabalhos e aspectos inovadores realizados pelas organizações militares que se destacaram no corrente ano.

O Soldado Cidadão tem abrangência nacional e, só neste ano, deverá ultrapassar a marca de 190 mil jovens qualificados. Ele atende atualmente a mais de 12 mil jovens por ano, em cerca de 140 municípios.



Criado em 2004, o projeto tem como principal objetivo auxiliar os militares que, prestes a se desligarem das Forças Armadas, se qualificam para encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Em nove anos foram capacitados 185 mil militares das três forças e, só em 2013, 10.560 jovens passaram pelos cursos profissionalizantes.

São mais de 40 cursos de qualificação e os mais procurados são: panificação, elétrica predial, mecânica automotiva, pintor, manutenção de computador e vigilante. Um exemplo é Evenildo Pereira Galvão. Militar da Marinha, ele se especializou na profissão de garçom.

“Gostei muito do curso e dos professores qualificados e isso dá uma expectativa maior na gente. Gostaria de ficar na Marinha, caso eu não engaje vou seguir com a minha especialização de garçom, pois é uma área que me agrada.”

Brasil e Argentina reforçam parceria em defesa com ênfase no setor cibernético

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 21/11/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, e seu contraparte argentino, Agustín Rossi, estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira, em Brasília, para tratar de medidas visando fortalecer a parceria bilateral entre Brasil e Argentina no setor de defesa. Após o encontro, os ministros assinaram declaração conjunta na qual reforçam o compromisso com a “vitalidade” da associação estratégica entre os dois países, a partir da contínua dinamização da cooperação no âmbito da política de defesa e industrial do setor.

O ministro Agustín Rossi chegou ao Ministério da Defesa no final da manhã, sendo recebido com honras militares. Após passar em revista às tropas, seguiu com o ministro Amorim para o gabinete, onde permaneceram reunidos por alguns minutos. Em seguida, participaram do encontro ampliado. Na abertura da reunião, Amorim destacou que a visita do colega argentino “nos permite avançar em temas que tratamos na visita que fiz à Argentina”.

A defesa cibernética foi o primeiro assunto abordado na reunião. O ministro brasileiro lembrou que o colega argentino visitará, em sua passagem por Brasília, o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), localizado no Quartel General do Exército. Segundo Amorim, os integrantes da comitiva conhecerão detalhes da atuação da Força Terrestre no assunto. O ministro brasileiro reiterou também convite para que as Forças Armadas daquele país envie oficiais e praças para cursos de guerra cibernética que ocorrerão em 2014 e 2015.

A jornalistas, Rossi e Amorim também disseram que o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) tentará reforçar a cooperação em ciberdefesa no âmbito regional. Amorim, contudo, apontou a disposição de brasileiros e argentinos em dar prioridade ao tema. "Enquanto o assunto se discute na Unasul, Brasil e Argentina avançam no plano bilateral", afirmou.

Na conversa, o ministro brasileiro abriu espaço para agradecer ao governo da Argentina pelo apoio quando do incêndio na Base Antártica Comandante Ferraz. O ministro Rossi informou que está em curso o reforço da base em Ushuaia que permitirá manobras e apoio às ações à base antártica. A expectativa é que, a partir do próximo ano, o local esteja à disposição dos governos com toda infraestrutura para garantir as operações.

Depois, os dois ministros entraram em temas referentes à indústria de defesa. Amorim lembrou que, recentemente, foi iniciado entendimento do projeto do VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) regional, com a definição do equipamento de tamanho médio. O assunto é tratado no âmbito da Unasul (União das Nações Sul-americanas).

Ainda sobre o setor industrial, os dois ministros abordaram o desenvolvimento do projeto KC-390, que irá substituir os aviões Hércules e tem na indústria argentina o fornecedor de peças e componentes na fabricação da aeronave. Depois, Amorim indagou Rossi sobre o interesse argentino no blindado Guarani, novo carro de combate brasileiro que tem uma planta da fabricante Iveco na cidade de Sete Lagoas (MG).

Tropas no Haiti

A presença militar no Haiti entrou na pauta da reunião bilateral. Agustín Rossi lembrou que o presidente do Uruguai, José Mujica, manifestou interesse em retirar os militares uruguaios da missão de paz da ONU no país caribenho. Na conversa, o ministro argentino frisou a importância de que o assunto seja objeto de análise conjunta dos países que compõem o CDS.

O ministro brasileiro fez um relato da participação das Forças Armadas. Ele informou que, a partir do terremoto que devastou o Haiti, o governo aumentou seus efetivos com o envio de tropas do batalhão de engenharia, mas que atualmente a presença na capital Porto Príncipe foi diminuída ao contingente anterior ao terremoto. Porém, frisou a importância do trabalho continuado.
Amorim recordou também que o governo fez doação de US$ 40 milhões para a construção de usina hidrelétrica (Artibonite) que permitiria o abastecimento de energia em parte do país.

“Os recursos que estão parados no Banco Mundial. E as obras somente sairiam se houvesse contribuições de outros parceiros, mas elas não vieram”, lamentou Amorim.

Após o encontro bilateral, o ministro Rossi participou de almoço. Ao término, houve a troca de presentes, ocasião em que Amorim brincou com o colega argentino ao lhe oferecer uma camisa oficial da seleção brasileira de futebol. Ambos riram bastante. “Isso é uma provocação”, disse Amorim mostrando a camisa canarinho para os fotógrafos.



Brasil inaugura Missão Naval e aprofunda cooperação com Cabo Verde

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 21/11/2013 – O governo brasileiro deu um passo decisivo para ampliar a cooperação na área militar com Cabo Verde. Na última terça-feira (19), o ministro da Defesa, Celso Amorim, inaugurou o Núcleo da Missão Naval Brasileira no país, em cerimônia realizada na embaixada do Brasil em Praia, capital da república insular africana.

A inauguração da Missão é vista pelos dois países como o elo que faltava para dar impulso à já existente cooperação entre as duas nações no setor de defesa. “A cooperação entre os nossos países atingiu níveis significativos”, comemorou o ministro da Defesa cabo-verdiano, Jorge Tolentino, durante o evento que oficializou a instalação da Missão.

O trabalho será inicialmente focado em ações de formação de militares do país africano, oficiais e praças, em escolas das Forças Armadas brasileiras. Essa necessidade foi apontada como prioritária pelas autoridades cabo-verdianas, uma vez que o país realiza, nesse momento, a modernização de suas forças de defesa, especialmente da Guarda Costeira, instituição que cuida da segurança marítima e da defesa aérea do arquipélago.

O detalhamento do quantitativo de vagas a serem oferecidas pelo Brasil aos militares de Cabo Verde será definido em reuniões que ocorrerão nos próximos meses no âmbito da Missão Naval, comandada pelo capitão- de-mar-e-guerra da Marinha do Brasil, César Augusto Dallacosta Nogueira.

Na avaliação do ministro da defesa brasileiro, entre outros aspectos, a formação de oficiais e sargentos de Cabo Verde no Brasil, em especial de pilotos e mecânicos de aviação, auxiliará o país a melhorar sua capacidade de proteção de seu espaço aéreo. Cabo Verde tem expectativa de receber a doação de dois aviões Bandeirantes (C-95) da Força Aérea Brasileira (FAB). As tratativas para a doação estão em curso e dependem, agora, de autorização do Congresso brasileiro.

Novas ameaças

A cooperação com Cabo Verde em matéria de Defesa começou a ganhar impulso em 1994, com a assinatura do acordo bilateral de cooperação técnico-militar. Desde então, os dois países iniciaram uma série de ações setoriais, incluindo a realização de exercícios militares.

Em 2012 e neste ano, dois dos novos navios-patrulha oceânicos adquiridos pela Marinha brasileira passaram por portos do país africano, onde realizaram exercícios navais com os militares da Guarda Costeira de Cabo Verde. Em outubro do ano passado, a FAB enviou ao arquipélago dois aviões-patrulha P-3 para realização de exercícios conjuntos de patrulhamento aéreo no mar.

Outro aspecto relevante da cooperação foi a recente doação, pelo Brasil, de uniformes aos membros da Guarda Costeira cabo-verdiana. Na viagem oficial, o ministro Celso Amorim visitou as novas instalações da sede da instituição militar, na cidade de Mindelo. Na ocasião, os integrantes da força naval já estavam utilizando os novos uniformes.

Amorim e comitiva também foram recebidos, com honras militares, na sede do Ministério da Defesa, em Praia. Ali, o ministro brasileiro participou de reunião bilateral com seu contraparte cabo-verdiano. No encontro, além de tratar dos pontos relativos à formação militar, conversaram sobre a possibilidade de auxílio da Marinha do Brasil no processo de definição da extensão da plataforma continental de Cabo Verde, a exemplo do que ocorreu com
Namíbia e Angola.

Os ministros também falaram sobre cooperação na área de formação de pessoal para participação em missões de paz, e concordaram com a necessidade de ampliar a troca de informações sobre tráfego marítimo internacional (Cabo Verde possui um centro de operações de segurança marítima) com o objetivo de aumentar a vigilância no Atlântico Sul.

Amorim e Tolentino manifestaram ainda o interesse comum em fortalecer mecanismos de prevenção e combate às chamadas “novas ameaças”, tais como pirataria, pesca ilegal e tráfico de drogas e pessoas no Atlântico Sul, área que é importante rota marítima para o comércio de ambas as nações.

A delegação brasileira também participou, durante a visita oficial, de reunião na sede do Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, e de visita ao novo navio-patrulha incorporado à Guarda Costeira do país. A comitiva brasileira contou com a participação do comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, e de oficiais-generais do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). Os trabalhos tiveram o auxílio do embaixador do Brasil em Cabo Verde, João Ignácio Oswald Padilha, e equipe.


Acordo nuclear com o Irã é 'erro histórico', diz premiê israelense

Segundo Netanyahu, mundo se tornou lugar mais perigoso.
Irã alcançou consenso com seis potências para aliviar sanções ao país.


Reuters


O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo (24) que o acordo nuclear alcançado nesta madrugada entre o Irã e seis potências mundiais era um "erro histórico". "O que foi alcançado na noite passada em Genebra não é um acordo histórico, é um erro histórico", disse em seu discurso público. "Hoje o mundo se tornou um lugar muito mais perigoso porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significante para obter a arma mais mortal."

O Irã e as seis potências mundiais chegaram a um acordo sobre a redução do programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções limitadas e terá acesso a US$ 4,2 bilhões em divisas. Os setores de ouro, petroquímica e industria automobilística serão aliviados dessas sanções e o país deverá continuar enriquecendo urânio no limite que estabeleça seu o uso civil.

Por sua parte, o governo iraniano teria se comprometido a parar o processamento de urânio enriquecido a 20% e só poderá fazê-lo abaixo de 5%, o que resulta suficiente para seu uso civil. Além disso, não vai continuar expandindo as usinas nucleares de Fordo e Natanz, nem a unidade de água pesada de Arak, em construção e onde - uma vez que comece a operar - poderia ser produzido plutônio. Ainda há contradições sobre os diplomatas quanto a esses limites.

Irã e seis potências chegam a acordo sobre programa nuclear

Chanceler iraniano anunciou consenso em seu Twitter.
País terá algumas sanções suspensas e promessa de alívio gradual.


Do G1, em São Paulo

O Irã e as seis potências mundiais, que negociavam desde a última quarta-feira um acordo nuclear em Genebra, chegaram a um consenso sobre a redução do programa iraniano em troca de alívio nas sanções limitadas na madrugada deste domingo (24), informaram as delegações presentes.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, confirmou em seu perfil no Twitter a assinatura do pacto. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, aprovou o acordo entre seu país e EUA, França, Alemanha, Reino Unido, China e Rússia e disse que era a base para progressos futuros. "Sem dúvida a graça de Deus e as orações da nação iraniana foram um fator para o sucesso", escreveu Khamenei em uma carta ao presidente Hassan Rouhani, publicada pela agência estatal Irna.

O presidente americano, Barack Obama, declarou que o acordo era um "importante primeiro passo" que interrompe o padrão da república islâmica em direção à bomba. "Há limitações substanciais que irão prevenir o Irã de construir armas nucleares", disse o presidente logo após a chegada a um consenso.

O acordo nuclear prevê:

- Enriquecimento de urânio pelo Irã abaixo de 5%, ou seja, abaixo do limite necessário para a construção de um material bélico, que é mais de 90%. O limite de 5% é suficiente para produzir combustível para o reator de energia de Bushehr, na Costa do Golfo Pérsico.

- Neutralizar o estoque iraniano de urânio enriquecido a 20%. O nível ainda está a vários passos do que se precisa para construir a bomba, mas eliminar esse estoque diminui as preocupações do Ocidente de que o país poderia se encaminhar rapidamente para o objetivo bélico. Nesse caso, o Irã pode converter o que tem de urânio enriquecido a 20% em combustível de reator ou diluir o material em níveis abaixo de 5%.

- Proibição de novas centrífugas. Isso efetivamente congela as capacidades de enriquecimento pelos próximos seis meses. As centrífugas são usadas para converter urânio concentrado em combustível nuclear. O Irã, no entanto é autorizado a manter suas duas instalações em funcionamento. 

- Suspensão dos trabalhos no reator de Arak. O planejado reator que fica na região central do Irã é uma instalação de "água pesada", que significa que usa uma variação molecular da água como refrigerador e pode operar em urânio não enriquecido. Também produz uma grande quantidade de plutônio como subproduto, que poderia ser extraído e usado potencialmente na produção de armas.

- Compromisso iraniano em responder às preocupações da ONU, incluindo a base militar de Parchin, que simboliza um impasse de longa data entre o país persa e as Nações Unidas. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica querem inspecionar o local para investigar suspeitas de testes passados com explosivos que podem ter aplicação em desenhos de bombas nucleares. O Irã nega a acusação e diz agora que futuras inspeções serão autorizadas, mas quer impor restrições que limitam o acesso a revelações públicas pela agência da ONU. O acordo pode abrir as portas de Parchin para os inspetores.

Em contrapartida, o Irã terá as sanções aliviadas em duas ou três semanas, o que significa:

- Acesso a US$ 1,5 bilhões em receitas de comércio de ouro e metais preciosos

- Suspensão de algumas sanções ao seu setor automotivo.

- Compras de petróleo iraniano permanecerão em níveis significativamente reduzidos. Se o Irã cumprir o acordo, e enquanto cumprir, terá acesso a US$ 4,2 bilhões das vendas no setor petrolífero, em parcelas, segundo um documento divulgado pela Casa Branca. Mas as sanções americanas e eurepeias ao setor de energia iraniano, que bloquearam as companhias ocidentais de negociarem com Teerã e reduziram as exportações de petróleo do país de 2,5 mil barris por dia para 1 milhão, continuam a operar.

A maioria dessa infra-estrutura das sanções, ancorada pelo embargo ocidental e pela proibição sobre o uso do sistema bancário iraniano, continuará funcionando até que se estabeleça um acordo final que defina que não existe mais nenhum risco de que o Irã construirá uma bomba.

Segundo Obama, se a república islâmica não cumprir seus compromissos durante os seis meses acordados, Washington fechará a torneira do alívio das sanções e "aumentará a pressão".

Repercussões

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça, que atuou como país anfitrião destas negociações, convocou os jornalistas para uma entrevista coletiva com os ministros que participaram deste processo na sede da ONU.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, considerou que o acordo alcançado é "um resultado importante, mas é apenas um primeiro passo".

"Criamos uma comissão conjunta para supervisionar a implementação do nosso acordo. Esperemos que ambos os lados possam avançar de uma forma que restaurará a confiança", disse Javad Zarif numa entrevista para a imprensa.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez declarações na Casa Branca sobre o acordo firmado em Genebra. Para Obama, o ato foi um "passo muito importante" e torna o mundo muito mais seguro.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que, graças ao acordo, dentro de seis meses este país terá se desfeito de todas suas reservas de urânio enriquecido a 20%. "Isto significa que os 200 kg de urânio enriquecido a 20% (que a república islâmica possui atualmente) chegarão a zero em seis meses", explicou em entrevista coletiva. Além disso, anunciou que serão iniciados mecanismos de controle "sem precedentes" do programa nuclear iraniano, com "acessos diários" de mecanismos de verificação a todas as instalações nucleares.

Para o chanceler da França, Laurent Fabius, a ação foi um passo importante para preservar a "paz e segurança", mas terá de ser acompanhada de perto para garantir que ele seja implementada. "Depois de anos de bloqueios, o acordo em Genebra sobre o programa nuclear do Irã é um passo importante para a preservação da segurança e da paz".

Ele disse que o acordo só confirmou o direito do Irã à energia nuclear civil. "O mecanismo prevê o controle estrito dos compromissos assumidos e serão necessários vigilância para garantir sua execução", disse o francês.

A Rússia classificou o consenso como "ganho para todos". "Foi um longo e complexo trabalho, mas no final das contas prevaleceu o bom senso", afirma uma declaração do Ministério das Relações Exteriores russo divulgada em seu site.

Histórico

O acordo é um marco nas relações EUA-Irã, que romperam relações diplomáticas há 34 anos quando a revolução islâmica no país persa atingiu seu ápice. Desde então, as duas nações se tratam de forma ríspida e hostil.

Desde que foi revelado em 2003, o programa de enriquecimento de urânio iraniano aumentou de algumas dezenas de centrífugas para mais de 18 mil instalações e mais de 10 mil em operação. As máquinas produziram toneladas de urânio pouco enriquecido, que pode ser transformado em material para construção de armas.

Em 2010, o Irã concordou em fazer a troca de combustível nuclear na Turquia, num acordo assinado pós reuniões realizadas entre o então presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, em Teerã. Segundo o acordo, o Irã enviaria 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia, que devolveria o material enriquecido para um reator de pesquisas do Irã. Depois de até um ano, o Irã receberia 120kg de urânio enriquecido a 20%.

No entanto, o pacto não teve aprovação das principais potências mundiais.


Brasil não terá artilharia antiaérea de médio alcance na Copa, diz general

Segundo José Carlos de Nardi, sistema de defesa não é 'exigência' da Fifa.
País negocia com a Rússia compra de equipamento com alcance de 15 km.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

O Brasil não terá um sistema de artilharia antiaérea de média altura – com alcance de 15 km de altitude – na Copa do Mundo de 2014. O general José Carlos de Nardi, coordenador das Forças Armadas, afirmou ao G1 que esse tipo de equipamento não é uma exigência da Fifa, contrariando o que afirmou em 2012 o general Marcio Roland Heise, comandante do setor de artilharia à época.

"Esta informação da média altura não procede, não teve nada da Fifa neste ponto específico", disse José Carlos de Nardi. "É uma necessidade nossa que foi percebida antes mesmo da Copa, está sendo tratada como uma demanda emergencial do governo. Claro que ajudaria na defesa do espaço aéreo se chegasse [até o Mundial]".

Procurado pelo G1, o general Marcio Roland Heise disse que, na época em que coordenava as tratativas para a compra do equipamento, tinha a informação de que o sistema de média altura era uma recomendação da entidade organizadora. Na série de reportagens que o G1 fez sobre o sucateamento do Exército, em agosto do ano passado, Heise havia dito que o objetivo era "adquirir tudo o que precisamos até a Copa" e que a Força estava "conduzindo um projeto para reformular material e também conceitos de uso, buscando também a capacidade de alvo a média altura".

Na época, outros generais do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter) também ressaltaram que a artilharia de média altura era pré-requisito para o Mundial. Em entrevista concedida em 2012, questionado sobre a necessidade do sistema como exigência da Fifa, o general Mário Lucio Alves de Araújo, do Estado-Maior do Exército, salientou que o governo estava empenhado em "suprir os vácuos e equipar as tropas para atender às necessidades exigidas nos grandes eventos esportivos".

O Ministério da Defesa informou que a exigência da Fifa não se refere especificamente ao termo média altura, mas que a organização pede um sistema de controle e segurança do espaço aéreo. Ainda segundo a Defesa, esse sistema inclui, entre outras coisas, o controle do tráfego e a defesa aérea.

Procurados pela reportagem, a Fifa e o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo não dizem quais são as exigências em relação à defesa nem falam se há alguma exigência em relação ao sistema aéreo. Ambos disseram que o tema é tratado pelo governo federal e que a questão é individualizada com cada país hospedeiro do evento.

Possibilidade para a Olimpíada de 2016

Em fevereiro, quando a presidente Dilma Rousseff encontrou o premiê Dmitri Medvedev em Brasília, foi dado início à negociação da compra de três baterias russas Pantsir-S1, de médio alcance, avaliadas em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 2,29 bilhões). O acordo, no entanto, ainda não foi fechado. Atualmente, o país possui apenas canhões e mísseis para baixa altura, com alcance de até 3 km.

De acordo com o general José Carlos de Nardi, "há uma possibilidade" de que alguns carros do modelo Pantsir cheguem ao Brasil até a Olimpíada. Em fevereiro de 2014, militares vão à Rússia verificar na prática o modelo, segundo o militar. Para se ter uma ideia da importância do sistema de média altura, todos os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contam com essa tecnologia.

O processo de compra dos equipamentos russos envolve três fases: na primeira, chamada de "exploratória", que é a atual, os militares desenvolvem requisitos técnicos conjuntos para Marinha, Aeronáutica e Exército para a compra e o uso do sistema. Depois disso, haverá a fase de negociação e, por fim, o fechamento do contrato.

"Estas negociações envolvem muitos interesses e setores. É importante ir com calma e tranquilidade", afirma o general Guido Amin Naves, comandante da Artilharia Antiaérea do Exército. Ele disse desconhecer o andamento das tratativas com a Rússia e também a exigência da Fifa porque o assunto é tratado pela Defesa. Procurado para comentar o atraso na chegada da artilharia, o general Marcio Roland Heise também disse que o processo agora está com o Ministério da Defesa.

Em setembro de 2013, uma portaria publicada no Diário Oficial da União pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, determinou que a aquisição dos equipamentos russos de médio alcance passasse a ser responsabilidade da Aéronáutica.

'País à mercê de ataques terroristas'

O general da reserva Nelson Santini Júnior, que comandou a brigada antiaérea e iniciou os trabalhos para renovação do equipamento para os grandes eventos esportivos que o Brasil vai receber em 2014 e 2016, afirmou ao G1 que o país ficará à mercê de ataques terroristas sem o Pantsir. Segundo ele, o sistema de média altura é exigência de países que participam da competição da Copa.

"Média altura é uma exigência de alguns países mais preocupados, como Estados Unidos, Israel, Inglaterra, que normalmente pedem recursos compatíveis com o risco", disse Santini. "Este atraso compromete a segurança dos estádios. Vamos ficar com uma defesa aérea bastante vulnerável, com pouca capacidade de reação. Sem média altura, não existe defesa aérea", completou.

Por e-mail, o Ministério da Defesa disse não ter informação, até o momento, sobre pedidos feitos por países que vão disputar o Mundial em relação à defesa aérea.

"Se um monomotor se aproximar do Maracanã durante um jogo com 10 quilos de explosivos a bordo, que são capazes de derrubar uma casa, você não terá como abatê-lo com o caça a média altura. Com um míssil, a baixa altura, causará um grande estrago, com muitas mortes. É como defender sua casa de um ladrão armado com pistola com seguranças usando apenas cassetete", comparou o general Santini.

O general Guido Amin Naves garante a proteção dos estádios. [O sistema de média altura] É uma capacidade que não temos e que estamos negociando há muito tempo. Tendo-a, seria muito bom, mas se não chegar a tempo, coordenamos com a Força Aérea os sistemas de radares e acionamento de aviões e caças para dar um jeito para isso. O importante é que o evento transcorra da melhor maneira possível."

Parceria com a Rússia

Segundo o general De Nardi, a proposta da Rússia para o Ministério da Defesa envolve uma "parceria". Informalmente, a Rússia corre por fora no projeto FX-2, que pretende adquirir um novo caça para o Brasil. Os russos ofereceram à FAB o modelo Sukhoi. O melhor avião de combate do país, o Mirage, será aposentado dia 31 de dezembro. Até agora não há decisão sobre o seu sucessor.

Além das três baterias Pantsir-S1, o governo quer comprar também duas baterias do modelo Igla, com mísseis portáteis, que podem ser lançadas por apenas um homem, sistema que o Exército já possui. Em fevereiro, oito oficiais brasileiros, especialistas na área, irão à Rússia "para verificar na prática" o funcionamento do Pantsir, segundo o Ministério da Defesa.


23 novembro 2013

STM mantém prisão de Sargento por furto de GPS

DefesaNet

O Superior Tribunal Militar (STM) manteve a condenação de sargento do Exército a um ano de prisão. O réu foi denunciado à Justiça Militar da União por ter furtado um aparelho GPS de um tenente do mesmo quartel, em Uruguaiana, sudoeste do Rio Grande do Sul.

Segundo o Ministério Público Militar, em novembro de 2011, o tenente, comandante do pelotão, entrou de licença para tratamento de saúde e deixou seu aparelho GPS dentro da repartição.

Mas quando retornou às atividades, o aparelho havia desaparecido. Seis meses depois, durante uma operação militar na fronteira sul do Brasil, um cabo do mesmo pelotão informou ao oficial que o sargento P.R.A estava usando um aparelho similiar ao desaparecido. Segundo o denunciante, o GPS tinha, inclusive, as mesmas marcas particulares, como os arranhões na lente.

Um inquérito policial foi instaurado para averiguar o sumiço do material e a suspeita de furto dentro do quartel. Ainda segundo a denúncia do Ministério Público Militar, ao ser questionado sobre a origem do aparelho, o sargento informou que o havia comprado na cidade de Rivera, no Uruguai. Ele foi denunciado pelo crime previsto no artigo 240 do Código Penal Militar – furto simples.

No julgamento de primeira instância, na Auditoria de Bagé (RS), o sargento repetiu que tinha comprado o aparelho no Uruguai, mas que não possuía mais a nota fiscal ou o comprovante de compra. Por sua vez, o tenente, vítima do furto, afirmou que tinha adquirido o GPS em Resende (RJ) e apresentou uma declaração da loja, confirmando a compra.

Em maio deste ano, o sargento foi condenado. Inconformada com a sentença, a defesa do sargento recorreu ao STM, informando que não havia provas seguras de que o apelante tivesse participação no furto do aparelho. Os advogados pediram a absolvição do réu com base no principio do indubio pro réu.

Ao analisar a apelação, o ministro José Américo dos Santos manteve a condenação. Segundo o magistrado, apenas o sargento e um cabo possuíam a posse das chaves do pelotão e que o aparelho tinha as mesmas características indicadas. “Além disso, a memória do aparelho também continha registro de trilhas com datas de 22 de novembro de 2011, anterior àquela indicada pelo como réu como a de compra, em fevereiro de 2012”, informou.

O ministrou disse que o conjunto de provas confirmava a autoria do crime e manteve a mesma pena de um ano de prisão. O réu obteve o benefício do "sursis" – suspensão condicional da pena - pelo prazo de dois anos, o direito de apelar em liberdade e o regime prisional inicialmente aberto.


China cria zona de defesa aérea que inclui ilhas disputadas com Japão

AFP

China anunciou neste sábado a criação de uma área de defesa aérea no Mar da China Oriental, incluindo as ilhas controladas pelo Japão, mas reivindicadas por Pequim, provocando protestos de Tóquio.

Todos os aviões que cruzarem esta nova zona de defesa aérea deverão cumprir certas obrigações, sob pena de uma intervenção militar, indicou o Ministério da Defesa chinês em um comunicado.

Entre outras coisas, as aeronaves deverão fornecer seu plano de voo detalhado, indicar claramente a sua nacionalidade e manter comunicação de rádio de maneira que possibilite uma "resposta rápida e adequada aos pedidos de identificação" das autoridades chinesas.

O traçado desta zona, de acordo com um mapa publicado no site do Ministério da Defesa, cobre grande parte do Mar da China Oriental, entre a Coreia do Sul e Taiwan, incluindo as ilhas Senkaku, controladas pelo Japão, mas reivindicadas pela China sob o nome de Diaoyu.

A zona cobre águas territoriais japonesas, o que poderia acirrar ainda mais as tensões entres os dois países.

O Japão reagiu ao anúncio de Pequim, e o ministro das Relações Exteriores expressou "seu vigoroso protesto", segundo a agência de notícias Kyodo.

"As Forças Armadas chinesas adotarão medidas defensivas de emergência em reação às aeronaves que não cooperarem com os procedimentos de identificação ou recusarem cumprir as instruções", advertiu o ministério chinês.

Estas regras entram em vigor neste sábado às 2h GMT (0h no horário de Brasília), segundo o comunicado.

Um porta-voz do ministério chinês da Defesa, Yang Yujun, assegurou, no entanto, que a criação desta zona corresponde à "práticas internacionais ordinárias" e tem como objetivo "proteger a soberania do Estado, manter a segurança das terras e águas territoriais, e a ordem na navegação aérea".

"Este tipo de zona, determinada segundo os limites do espaço aéreo territorial, permite a um país identificar, observar e controlar os aviões" antes que entrem no espaço nacional, explicou, ressaltando que o Japão estabeleceu uma zona parecida em 1969.

Segundo a agência oficial Xinhua, desde a criação da primeira zona de identificação de defesa aérea pelos Estados Unidos em 1950, cerca de vinte países seguiram seus passos. "É uma medida necessária para assegurar o direito legítimo da China de se defender. (Esta zona) não visa ninguém em particular e não afetará a liberdade de circulação no espaço aéreo em questão", afirmou em uma entrevista publicada no site do ministério.

Mas esta decisão de Pequim pode aumentar os riscos de um confronto imprevisto nas ilhas de Senkaku. Na sexta-feira, quatro navios da Guarda Costeira chinesa entraram nas águas em torno das ilhas.

O ministro japonês da Defesa, Itsunori Onodera, considerou no final de outubro que essas incursões chinesas ameaçavam a paz na região.

Há um ano, as relações entre o Japão e a China se deterioram consideravelmente devido a este conflito territorial. Em setembro, o Japão nacionalizou três das cinco ilhas do arquipélago e provocou uma onda de manifestações anti-japonesas, por vezes violentas, em várias cidades chinesas.

Desde então, Pequim frequentemente envia navios para patrulhar as águas territoriais destas ilhas, localizadas 200 km ao nordeste de Taiwan e 400 km a oeste de Okinawa (sul do Japão).



21 novembro 2013

EUA desenvolve avião espião que chega a 4 mil Km/h

History Channel

Trata-se do SR-72, o avião não tripulado mais rápido do mundo, capaz de superar em até seis vezes a velocidade do som e capaz de obter velocidades superiores a 4 mil quilômetros por hora. A aeronave foi projetada para ser utilizada em missões exploratórias e de ataque e não como transporte de passageiros, o que justifica tanta potência. Para desenvolver tamanha velocidade, seus fabricantes trabalharam no desenho de um motor híbrido, que utiliza uma turbina “convencional” para a velocidade regular e um motor ramjet para alcançar velocidades supersônicas. Entretanto, os mísseis hipersônicos que o SR-72 eventualmente portará não ficarão prontos até 2018.  

O SR-72 representa o mais ambicioso projeto aeronáutico norte-americano dos últimos tempos e corrige as falhas operativas de todos os seus predecessores. Seguramente, este novo avião supersônico vai contribuir para redefinir o conceito de guerra, antes mesmo de ser usado em um campo de batalha. 

Assista ao vídeo e conheça o SR-72.



20 novembro 2013

Índia rescinde contrato com Itália sobre fornecimento de helicópteros

Voz da Rússia

O governo da Índia decidiu rescindir o contrato com a empresa Agusta Westland (uma filial do grupo industrial italiano Finmeccanica), devido a uma investigação em curso sobre a corrupção durante a sua assinatura.

Algumas fontes afirmam que a Força Aérea da Índia está considerando, face ao escândalo em torno da Agusta Westland, a compra de um lote adicional de helicópteros Mi-17V-5 na Rússia.


No Rio de Janeiro, FAB sedida 10º campeonato brasileiro de pentatlo aeronáutico

Ministério da Defesa

Na próxima semana (25 a 30/11) a Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA), no Rio de Janeiro, será a sede do 10º Campeonato Brasileiro de Pentatlo Aeronáutico, nas categorias masculino e feminino. Ao todo 35 atletas militares brasileiros e estrangeiros vão disputar provas de tiro, natação utilitária, esgrima, basquete, pista de obstáculos e corrida de orientação.

A competição pontua para o ranking brasileiro da modalidade. Os melhores garantem vaga para o campeonato mundial de 2014. Os 18 atletas do Equador, Finlândia, Noruega e Suécia não pontuam.

Saiba mais - A modalidade foi idealizada pelo Comandante E. Petit da Força Aérea Francesa que, em 1948, logo após a Segunda Guerra. O objetivo era manter e aprimorar o treinamento das equipagens de combate que haviam atuado no conflito. As modalidades foram escolhidas de modo que os atributos físicos e psicológicos fossem semelhantes àqueles que o piloto militar necessita em sua atividade de combate, como resistência, agiligade, coordenação, predião, autocontrole, rapidez de raciocício e força. Atualmente, a competição não é restrita a pilotos.



Apesar de xisto, EUA manterão seu papel militar

Por Richard McGregor e Ed Crooks | Financial Times, de Washington | Valor

Os EUA não vão abandonar seu papel na segurança mundial, mesmo com o aumento da produção de combustíveis no país tornando-o independente de produtores estrangeiros, disse o secretário de Energia americano. Ernest Moniz afirmou que a possibilidade de EUA e Canadá logo estarem produzindo tanta energia quanto consomem é "real".

Ele ressaltou, no entanto, que os EUA ainda têm interesses nas regiões produtoras de petróleo, como o Oriente Médio, e na segurança dos fluxos internacionais de fontes de energia. "Isso não quer dizer que, de alguma maneira, vamos ficar atrás das cortinas", disse ao "Financial Times".

Ele também tranquilizou clientes que planejem comprar gás natural liquefeito (GNL) dos EUA, ao considerar altamente improvável que o governo exerça seu poder para cortar esse fornecimento.

A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão dos países ricos que monitora o setor, previu na semana passada que os EUA passarão a ser o maior produtor mundial de petróleo em 2015 e que se aproximarão da autossuficiência nos próximos 20 anos. O país já ficou atrás da China no ranking de maiores importadores mundiais de petróleo.

A onda de expansão do setor de energia alimentou as especulações de alguns americanos de que o país possa vir a se desengajar do Oriente Médio, por não ser mais dependente das importações de petróleo da região. Moniz, no entanto, minimizou tais insinuações.

"Estamos numa situação energética muito boa em comparação ao que se previa há dez anos, mas não vamos ficar independentes dos mercados internacionais de energia", afirmou.

Moniz, que falou na véspera de uma visita à Turquia nesta semana para discursar na conferência de energia Atlantic Council, destacou que o petróleo é um mercado internacional e que nenhum país conseguiria ficar imune ao impacto nos preços do produto.

Ele lembrou, por exemplo, que caminhoneiros britânicos protestaram contra o alto custo do combustível em 2000, quando o Reino Unido ainda era exportador líquido de petróleo, disse Moniz.

Além disso, a posição dos aliados dos EUA que ainda dependem de importações de petróleo e gás "também é um tópico para nós".

Os EUA vêm ampliando a presença militar no norte da Ásia, que é crucial para proteger as linhas marítimas usadas por petroleiros que atendem seus aliados carentes em fontes de energia na região, como o Japão e a Coreia do Sul.

Moniz disse ainda que o Oriente Médio continua a ter "enorme significado geopolítico" para o setor de energia e que os EUA têm na região outros interesses estratégicos.

O secretário, ex-professor do Massachusetts Institute of Technology que foi indicado para comandar o Departamento de Energia em maio, destacou as vantagens das exportações de GNL.

Na sexta-feira, seu departamento aprovou um quinto projeto de vendas de GNL para países que não têm acordos comerciais com os EUA, ampliando grandemente suas oportunidades comerciais.

As licenças outorgadas pelo Departamento de Energia permitem ao governo dos EUA proibir as exportações sob "circunstâncias apropriadas" - provisão que gerou certo receio entre possíveis clientes quanto à confiabilidade do fornecimento, no caso de os preços do gás apresentarem forte alta na América do Norte.

Moniz afirmou que as circunstâncias teriam de ser "bastante dramáticas" para que o governo americano exerça esse poder.

"[Seria o caso de] se pensar muito bem quanto a revogar uma licença, se bilhões de dólares em capital tiverem sido investidos com a expectativa de contratos de longo prazo para obter retorno sobre esse capital."

As decisões sobre as exportações de petróleo dos EUA, diferentemente do caso das de gás natural, são tomadas pelo Departamento de Comércio, e não pelo de Energia, de forma que não são de responsabilidade de Moniz.

O secretário, porém, disse que a EIA (a agência de informações sobre energia dos EUA), que faz parte de seu departamento, vem analisando o assunto. Em maio, concluiu que o temor de que a produção de petróleo nos EUA será restringida a menos que seja levantado um veto à exportação do produto foram "provavelmente um exagero da atual situação", porque é possível promover mudanças nos oleodutos e refinarias para tornar mais fácil encontrar clientes para a produção doméstica.


Exercício termina com recorde de aeronaves participantes

Caças Mirage serão desativados no final deste ano 

Ministério da Defesa

Depois de 12 dias de operação, a CRUZEX Flight 2013 terminou com números que impressionam e refletem a dimensão do exercício. A operação teve a participação de cerca de 3.000 militares e 92 aeronaves de oito países, um recorde entre as sete edições.

Este ano, a debutante foi a Real Força Aérea Canadense, que levou pela primeira vez duas aeronaves CC-130J Hércules para a Base Aérea de Natal. Quem também estreou no exercício foram os helicópteros de ataque AH-2 Sabre do Esquadrão Poti e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, que realizou missões de operações especiais.

“A CRUZEX é um exercício que se torna cada vez mais importante no cenário internacional. Sabemos que todo mundo está de olho no que fazemos aqui”, afirmou o Brigadeiro do Ar Mário Luís da Silva Jordão, diretor do exercício.

Aviões de caça, transporte, controle e alarme em voo, reabastecimento e helicópteros movimentaram o espaço aéreo do Rio Grande do Norte e Pernambuco, com mais de 70 aeronaves voando ao mesmo tempo. O consumo de combustível em voo chegou a 3 milhões de litros para as quase 100 decolagens por dia.

Uma das novidades desta edição foi a validação de tiro, ou shot validation. Com o sistema, os pilotos puderam acompanhar cada segundo do voo em uma animação. Era possível conferir o lançamento de mísseis e saber quem acertou quem. “A avaliação não pode se resumir apenas à análise da própria aeronave, pois o piloto dispara e se retira, muitas vezes, sem tempo de ver a reação da outra aeronave”, explicou o Capitão Diego Geraldo, um dos responsáveis pela validação dos disparos.

A CRUZEX Flight 2013 foi o último exercício dos caças F-2000 Mirage do 1º Grupo de Defesa Aérea da FAB. Cinco Mirage participaram do exercício. Além das missões de ataque e interceptação, os caças realizaram reabastecimento em voo com aviões-tanque KC-130 da FAB e KC-767 da Fuerza Aérea Colombiana.

Depois de muitas decolagens, pousos, reabastecimentos, saltos de paraquedistas e combates simulados, a CRUZEX deixa como legado o treinamento para todos os participantes. “Não é exagero dizer que, desde a primeira edição, em 2002, esse exercício modificou a forma como a Força Aérea Brasileira encara a guerra aérea moderna”, disse o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito.



Iphan tomba o Monumento aos Pracinhas, no Parque do Flamengo

Pedido já havia sido aprovado há três anos pelo Conselho Consultivo

Ludmilla de Lima | O Globo




O Monumento aos Mortos da Segunda Guerra, no Parque do Flamengo, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A medida foi publicada no Diário Oficial da União de ontem, três anos após o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Iphan, apreciar o pedido de tombamento. Segundo o instituto, a demora para a comunicação se deveu a trâmites burocráticos.

O conjunto é conhecido como Monumento aos Pracinhas. Projeto dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas, foi construído entre 1957 e 1960 em memória aos que combateram na Itália. Já o Parque do Flamengo foi inaugurado em 1965. O monumento é composto por três obras: um avião em metal de Júlio Catelli Filho, que homenageia a Força Aérea; uma estátua em granito de Alfredo Ceschiatti, representando os pracinhas das três armas; e um painel de azulejos de Anísio Medeiros, que lembra combatentes e civis mortos em operações navais.

Já o Pórtico Monumental, com 31 metros de altura e primeira obra do país com uso do concreto aparente, simboliza duas mãos erguidas para o céu levando os pracinhas mortos - — há 468 túmulos no subsolo. O local ainda tem um museu com equipamentos da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Brasileiro festeja triunfo sobre grupo no Congo, mas ação da ONU segue

Maior guerrilha abandonou as armas, mas cerca de 80 grupos ainda lutam.
General brasileiro chefia única ação da ONU autorizada a atacar rebeldes.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Sete meses após ser convocado para comandar a missão de paz da ONU na República Democrática do Congo, a única com autorização para atacar rebeldes, o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, de 60 anos, comemora o fim do confronto com o Movimento 23 de Março (M23), o maior grupo guerrilheiro do país, que anunciou no dia 5 o encerramento da luta armada.

O trabalho no país africano, em que atuam mais de 80 grupos opositores, no entanto, continua. "Não podemos dizer que o Congo está pacificado", afirmou ao G1."O M23 é apenas um dos grupos, que se evidenciou muito no último ano por ter suporte político e ocupar importantes áreas, como a cidade de Gona, que tem 1 milhão de habitantes. Mas há ainda mais dezenas de grupos armados espalhados pelo país, temos muitos outros para enfrentar agora", disse o general.

Em abril, o G1 divulgou com exclusividade o convite para que o general – que estava na reserva e integrava a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República – chefiasse os 23,7 mil soldados da Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (Monusco).

Desde que assumiu o posto, Santos Cruz deu aval para que as tropas realizassem operações conjuntas com as Forças Armadas do Congo em áreas dominadas há 18 anos pelo M23. Mesmo ciente das dificuldades, o general afirma que se surpreendeu com violações aos direitos humanos e violência dos insurgentes. Em combate, neste pouco tempo, já enterrou um soldado, um major e um tenente, nenhum deles brasileiro.

"Não posso dizer que esta vitória é uma surpresa. Nós entramos no momento oportuno nas áreas dominadas pelo M23, e o resultado foi positivo", disse Santos Cruz. "Nossa missão é impedir ataques à população, sem tolerância a agressões. E a missão está sendo cumprida, mas o processo de paz continua".

Conflito étnico em área de mineração

Os embates na República Democrática do Congo começaram após o genocídio em Ruanda, em 1994, quando cerca de 800 mil pessoas – a maior parte da minoria tusti – foram mortos por extremistas hutus, etnia rival, dando origem a grupos guerrilheiros na região. No período mais sangrento, entre 1996 e 2003, aproximadamente 4 milhões de pessoas foram mortas na República Democrática do Congo. Atualmente, cerca de 80 grupos armados atuam no país – o M23 era o maior, com efetivo de 5 mil combatentes, a maioria de ex-rebeldes tutsis.

Criado em 2012, o movimento luta pelo domínio da rica província mineradora de Norte-Kivu, no leste do país. Em novembro, após uma série de operações conjuntas entre os capacetes azuis da ONU e soldados congoleses, o grupo anunciou que abandonava a rebelião armada, mas que iria "prosseguir, com meios puramente políticos, a busca de soluções" para as suas causas. O M23 quer a deposição do presidente, a quem acusa de fraude eleitoral e de não cumprir com um acordo de paz de 2009, que pretendia reintegrar ex-guerrilheiros ao Exército.

A ONU e o governo de Congo acusam os vizinhos Ruanda e Uganda de apoiar os rebeldes. Os dois países negam colaborar. Um acordo de paz, que deveria ser assinado no dia 11, foi adiado por falta de acordo entre as partes envolvidas.

"Na parte militar, o M23 foi derrotado dia 5, quando abandonaram as últimas bases em Chanzu e Runyonyi. Antes de fugirem, explodiram um paiol de munição. Os últimos combatentes desertaram, alguns se entregaram e muitos atravessaram a fronteira e foram para Uganda e Ruanda", afirmou o general. Cerca de 1.500 integrantes do M23 fugiram para Uganda.

"O M23 tomou atitudes agressivas e realizou ataques em área urbana, provocando mortes e deixando feridos [nas regiões de Banagana e Chanzu]. Tive que usar a brigada de intervenção para bloquear o acesso dos rebeldes a cidades e neutralizar as armas e posições de onde eles estavam atacando a população", explicou o general sobre a estratégia usada.

Em março deste ano, após uma série de ataques a civis, o Conselho de Segurança, em uma situação inédita na história da ONU, criou na Monusco uma "brigada de intervenção" – um grupo de 3 mil homens, incluindo Forças Especiais, com aval para "neutralizar" grupos armados, impedir ataques a populares e usar "todos os meios necessários" para recuperar as áreas dominadas pelos guerrilheiros.

'Não pacifiquei nada'

"Eu não fui diferencial nenhum aqui, só estou cumprindo meu trabalho. O comandante é quem dá a intensidade das operações. É eu que corro todos os riscos, seja quando dá certo, seja quando dá errado, pois a responsabilidade de assumir o risco é minha. Não pacifiquei nada", disse o brasileiro.

"Eu procuro fazer as coisas de forma simples, focar no que precisa ser feito. Se começar a focar na dificuldade, ficar raciocinando na complexidade do problema, acaba perdendo tempo", afirmou. "Há um planejamento, e temos que colocar em prática. Eu dou o rtimo, de forma mais rápida, ou menos. Mas temos que andar pra frente, a coisa tem que ter dinamismo".

ONU usando a força

Em relação ao Haiti, onde também comandou tropas, o general afirma que a situação atual é completamente diferente, devido à dimensão do país (86 vezes maior) e à dimensão do problema, que envolve um conflito histórico e étnico. "As raízes e o nível de violência aqui são completamente diferentes. É uma situação muito complexa e está sendo um grande aprendizado, principalmente na experiência do uso da força".

Entre 2007 e 2009, o oficial comandou as tropas multinacionais no Haiti, onde o Brasil mantém desde 2004 mais de 1,3 mil homens. Na época, liderou a pacificação de Cité Soleil, uma das áreas mais violentas do país caribenho.

Ao criar a brigada de intervenção na República Democrática do Congo, o Conselho de Segurança da ONU afirmou que o caso teria uma "base excepcional" e não criaria precedentes. A decisão foi criticada por vários países e órgãos internacionais, por acreditar que a ONU estaria agindo sem imparcialidade, ao interferir em uma guerra dentro de um país.

"Não dá para dizer que, depois do Haiti e do Congo, esta situação de imposição da paz será feita em outros casos. Não tem como generalizar e achar que haverá um padrão. A ação proativa aqui é importante para defender a população. Isso será estudado lá em Nova York (a sede da ONU) para ver o que é possível fazer em outros conflitos", afirmou Santos Cruz.


Projetos militares lideram investimentos do governo federal

Gustavo Patu e Igor Gielow | Folha de SP

Enquanto as Forças Armadas reclamam publicamente da falta de verbas para atividades cotidianas, dois projetos militares recebem os maiores investimentos do governo Dilma Rousseff neste ano.

Juntos, o Prosub, para o desenvolvimento de submarinos, e o KC-390, um avião de transporte e reabastecimento aéreo encomendado à Embraer, obtiveram R$ 2,5 bilhões do Tesouro Nacional até outubro, segundo levantamento feito pela Folha.

Os montantes destinados a cada uma das iniciativas superam os desembolsos com as principais obras de infraestrutura tocadas pelo governo, casos das ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste e da transposição do rio São Francisco.

Os dois projetos militares foram incluídos este ano no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que reúne os investimentos considerados prioritários e livres de bloqueios de despesas.

Se não chega a emular a famosa frase do líder paquistanês Zulfiqar Ali Bhutto de que “mesmo que tenhamos de comer grama, faremos a bomba atômica”, a situação indica o privilégio aos dois projetos considerados mais estratégicos para o país.


Graças ao impulso da Defesa, a área econômica evitou um fiasco maior no desempenho dos investimentos do Tesouro Nacional no ano, de R$ 46,5 bilhões de janeiro a setembro, segundo os dados oficiais mais atualizados.

Essa modalidade de gasto, que reúne a construção civil e a compra de equipamentos, acumulou alta de apenas 2,9%, abaixo da inflação, enquanto as despesas totais do governo cresceram 13,5%.

No mesmo período, a Defesa investiu R$ 6,5 bilhões, uma expansão de 32%. Entre os ministérios que mais investem, a taxa só é superada pela Integração Nacional.

O número contrasta, contudo, com a queixa dos militares. Os comandantes das três Forças estiveram na semana retrasada no Congresso Nacional para reclamar R$ 7,5 bilhões a mais no Orçamento da União de 2014, mencionando situações como o fato de que 346 das 624 aeronaves da Força Aérea estão no chão por falta de manutenção e de combustível.

O problema passa pelo fato de que o pagamento de pessoal, inclusive pensionista, come cerca de 70% do orçamento militar, previsto para R$ 72,9 bilhões no ano que vem. O gasto atual no setor está em 1,5% do Produto Interno Bruto, e a Defesa sugere que deveria ser de 2%.

TECNOLOGIA FRANCESA

Segundo a Defesa, além disso, tanto o Prosub quanto o KC-390 estão coincidentemente em momentos de maior desembolso – a construção de submarinos tem previsão orçamentária até 2024, por exemplo.

O Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) prevê, com tecnologia francesa, construir base, estaleiro, quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear até a próxima década.

Essa capacidade hoje só é detida pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França). Base e estaleiro estão sendo feitos no Rio de Janeiro, e o primeiro submarino já está em construção.

O segundo projeto, iniciado também em 2009, visa colocar no ar o primeiro protótipo do maior avião brasileiro no ano que vem. As peças já estão sendo produzidas.