31 dezembro 2014

Região do Oriente Médio poderá alterar suas fronteiras

Um dos resultados mais marcantes do ano que está findando foi o reforço inesperado das posições da organização terrorista Estado Islâmico (EI) que entrou em guerra contra Bashar Assad ainda em 2013.


Yuri Mavashev | Voz da Rússia


Mais tarde, se tornou evidente que ela se distingue de todas organizações terroristas tanto do ponto de vista das metas pretendidas, como em termos metodológicos para alcançar os objetivos traçados. Os combatentes do EI se destacam pela crueldade em relação aos prisioneiros de guerra e à população civil. Em Junho de 2014, o EI terá proclamado o Califado Islâmico no território da Síria e do Iraque.

Enfim, o que é o Estado Islâmico? Que perspectivas tem? Que passos poderá a comunidade mundial dar para combatê-lo?

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O cientista político turco, especialista em conflitos étnicos e presidente do Instituto de Perspectivas Estratégicas, Yusuf Cinar, comentou em uma entrevista à rádio Sputnik:

“Tenho a certeza que o EI pôs termo às aspirações daqueles países que possam ter sonhado com as ideias da Primavera Árabe. O EI serve os interesses dos países muçulmanos não democráticos – as monarquias árabes. Porque, apesar da natureza democrática das mudanças inevitáveis ocorridas no Oriente Médio em 2011, após o surgimento do EI, tais países como a Arábia Saudita iniciaram a luta contra esse movimento extremista.

Também se pode dizer que o Estado Islâmico veio contribuir para a popularização do presidente Bashar Assad, ajudando-o a se manter no poder. Deste modo, podemos ver que o EI não é somente uma nova entidade terrorista. O EI se virou a causa de mudanças na estratégia dos principais “jogadores” globais e regionais.

Quanto ao seu futuro e métodos de combate ao EI, posso realçar ser muito grande a hipótese de o EI poder permanecer no território do Iraque e da Síria. Quanto maior for o nível de radicalismo, tanto maior será a probabilidade de que, para além do EI, possam surgir na região novas organizações terroristas com a mediação, digamos, da Al-Qaeda. Por isso, o EI não irá desaparecer.

Se a comunidade mundial conseguir privar o EI do apoio real no meio da população local, marginalizando esta organização a nível global e regional, será possível alcançar sucesso. Por outro lado, se os problemas sociais não forem resolvidos, a estabilidade regional será novamente posta em causa”.

***

Eis o que pensa a esse respeito mais um interlocutor nosso, Ahmed Yarlykapov, colaborador sénior do Centro de Problemas do Cáucaso e Segurança Regional, especialista em religião maometana:

“O EI é um projeto que se fragmentou da Al-Qaeda. É que, em 2013, um dos líderes dos extremistas, al-Baghdadi, proclamou o califado, se desviando da linha geral da Al-Qaeda e apresentando um projeto de sua própria lavra, visando a fundação de um novo Estado islâmico. Por isso, o surgimento do EI em 2013 terá sido encarado por círculos islâmicos sob prismas diferentes. A Al-Qaeda e muitos outros jihadistas se pronunciaram contra esse projeto.

Mas esse, apesar de tudo, se tornou muito aliciante, dado que o EI tinha ocupado algumas zonas e assegurado um financiamento contínuo à custa de petróleo. O Estado Islâmico organizou uma máquina estatal devido à contratação de militares sunitas, antigos oficiais do Exército de Saddam Hussein. Essa “aliança” entre os militares e os extremistas se tornou mutuamente vantajosa. O EI necessita de experiência dos oficiais. Por isso, o EI está longe de ser um simples grupo de bandoleiros, uma quadrilha qualquer. Não, o EI passou a ser uma estrutura política real e esse fato deve ser encarado e analisado a sério.

Se o problema for examinado no contexto da região do Oriente Médio, teremos de aceitar o fato de o mapa político atual não corresponder à realidade. Na realidade, já não existem nem o Iraque, nem a Síria por terem sido fundados artificialmente na época colonial. É pouco provável que suas fronteiras não se alterem.

À luz disso, a comunidade internacional deverá agir com muita cautela e ponderação na solução do problema do Estado Islâmico”.


Editora norte-americana publica relatório sobre torturas da CIA

O relatório de 500 páginas do Comitê de Inteligência do Senado norte-americano sobre as práticas de tortura usadas pela CIA foi lançado em formato de e-book e de livro em papel, com tiragem de 50 mil exemplares, pela editora Melville House Publishing.


Voz da Rússia

De acordo com Dennis Johnson, um dos fundadores da companhia, os proprietários da editora sentiram que era um “dever” tentar fazer com que o relatório chegasse “ao público mais amplo possível”. Segundo ele, trata-se provavelmente do “mais importante” documento do governo em sua geração, e de um dos mais significativos na história da democracia dos Estados Unidos.


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Um resumo do relatório foi tornado público em 9 de dezembro, revelando detalhes da investigação sobre as técnicas de interrogatório da CIA aplicadas a suspeitos de terrorismo durante a presidência de George W. Bush. O documento descreve uma ampla gama de práticas de tortura usadas pelos agentes norte-americanos, como a simulação de afogamento, privação prolongada de sono, ameaça de abuso sexual e alimentação retal sem necessidade médica.

Além disso, foi revelado que a CIA não tem informado totalmente nem o povo nem o governo dos Estados Unidos sobre a natureza brutal de seus interrogatórios. O relatório completo, com mais de seis mil páginas, ainda não foi divulgado.


30 dezembro 2014

Suboficial da Marinha é preso após dar tiros para o alto em Rio das Ostras

Segundo a PM, militar da reserva deu coronhadas em um taxista.
Vítima chamou a atenção do militar por fazer lotada em ponto de táxi.


Do G1 Região dos Lagos

Um subofical da reserva da Marinha foi preso em Rio das Ostras, no interior do Rio, após dar coronhonadas na cabeça de um taxista e tiros para o alto na tarde de domingo (28), segundo a Polícia Militar. Josias de Oliveira Vieira, de 51 anos, está preso na 123ª DP de Macaé, onde a ocorrência foi registrada e terá que pagar fiança de R$ 15 mil para ser liberado.

De acordo com a Polícia Militar, a confusão começou no estacionamento de um supermercado no bairro Jardim Campomar. Segundo a PM, o suboficial usava seu carro para oferecer serviço de lotada no estacionamento do supermercado, onde existe um ponto legal de táxi. Quando um dos taxistas tomou satisfações e impediu o suboficial de abordar um cliente, ele sacou a arma e fez disparos para o alto e deu coronhadas na cabeça do motorista.

Segundo os policiais, o suboficial fugiu do local. Policiais do GAT fizeram buscas por Rio das Ostras e encontraram o suspeito. Ele entregou a arma e não apresentou porte do armamento. Ele foi encaminhado para a delegacia de Macaé, onde a ocorrência foi registrada e ele permanece preso.


29 dezembro 2014

Talibãs dizem que Otan sofreu derrota no Afeganistão

'Consideramos uma indicação clara de derrota e decepção', disse grupo.
Organização encerrou missão no país neste domingo.


France Presse

O fim da missão de combate da Otan no Afeganistão é uma derrota e uma decepção para a coalizão internacional, disseram nesta segunda-feira (29) os talibãs afegãos, um dia após a cerimônia que encerrou 13 anos de intervenção militar.

"Consideramos esta etapa como uma indicação clara de sua derrota e sua decepção", disseram os talibãs em um comunicado em inglês.

"Os Estados Unidos e seus aliados invasores, assim como todas as organizações internacionais arrogantes, sofreram uma derrota evidente nesta guerra assimétrica", acrescentou o comunicado dos insurgentes, que acusam a Otan de ter afundado o país em um banho de sangue.

Um soldado norte-americano do Companhia Dragon do 3º Regimento de Cavalaria é visto perto da base operacional para a frente Gamberi na província de Laghman, no Afeganistão  (Foto: Lucas Jackson/Reuters)Um soldado norte-americano do Companhia Dragon do 3º Regimento de Cavalaria é visto perto da base operacional para a frente Gamberi na província de Laghman, no Afeganistão (Foto: Lucas Jackson/Reuters)

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan arriou suas bandeiras no domingo, colocando fim às missões de combate.

No entanto, a Otan manterá uma presença militar de 12.500 homens no Afeganistão no âmbito da missão "Apoio Decidido" de ajuda e formação do exército afegão que começará em 1º de janeiro.

Em 1996, ao término de uma fulminante ofensiva militar, os talibãs afegãos tomaram o poder, do qual foram expulsos pela invasão dos Estados Unidos e de seus aliados no fim de 2001.

Desde então, e durante 13 anos, desenvolveram uma mortífera guerra contra as forças ocidentais, o exército e a polícia afegãos.

Nos últimos meses, a insurreição talibã multiplicou os ataques contra os estrangeiros residentes em Cabul.

Segundo a ONU, o número de vítimas civis no Afeganistão em 2014 está prestes a superar os 10.000, o que constitui o pior ano desde 2009.

Os Estados Unidos indicaram que 2014 foi o pior ano para os soldados e policiais afegãos com 4.600 mortos nos primeiros 10 meses.

Por sua vez, diante da saída da Isaf dos combates, o presidente afegão, Ashraf Ghani, convocou os talibãs para negociações de paz.

Mas os talibãs negam-se a discutir diretamente com as autoridades de Cabul.

27 dezembro 2014

Negociações de paz para o Leste da Ucrânia são canceladas

Acusados de descumprir acordo sobre troca de prisioneiros, rebeldes separatistas dizem ter sido ‘ignorados por Kiev’


O Globo
com agências internacionais

MINSK — A reunião entre o governo ucraniano e os rebeldes pró-Rússia para negociar a paz no Leste da Ucrânia, programada para esta sexta-feira em Minsk, foi cancelada. O cancelamento foi confirmado tanto pelos separatistas quanto pelo ministério bielorrusso de Assuntos Exteriores.

Tropas do Exército ucraniano durante operação em Debaltseve, na região de Donetsk. Negociações de paz em Minsk foram canceladas nesta sexta-feira Foto: Sergei Chuzavkov / APTropas do Exército ucraniano durante operação em Debaltseve, na região de Donetsk. Negociações de paz em Minsk foram canceladas nesta sexta-feira - Sergei Chuzavkov / AP

— Os representantes das repúblicas populares de Luhansk e Donetsk não tomarão parte nas negociações desta sexta-feira — anunciou o negociador-chefe dos rebeldes de Luhansk, Vladislav Deinego.

O cancelamento da segunda reunião do Grupo de Contato de Minsk, que reúne os grupos envolvidos no conflito no Leste da Ucrânia, com mediação da Rússia e da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), também foi confirmada pelo secretário de imprensa da chancelaria bielorrussa, Dmitri Mirónchik.

Uma fonte próxima às autoridades ucranianas afirmou à agência russa Interfax que os rebeldes não cumpriram o compromisso de trocar prisioneiros, firmado há dois dias na capital bielorrussa.

No entanto, Deinego garantiu que o prazo para a troca de prisioneiros se estende até a próxima terça-feira, 30 de dezembro.

O negociador-chefe dos rebeldes de Donetsk, Denis Pushilin, garantiu que os rebeldes haviam “completado todos os procedimentos junto à OSCE” antes do compromisso de Minsk, mas “foram ignorados por Kiev”.

Apesar do acordo para a troca de prisioneiros, as partes não chegaram a acordos sobre o resto da agenda anunciada pela OSCE antes da reunião, entre eles a retirada de armamento pesado das linhas de encontro entre os dois grupos e a abertura de corredores para comboios humanitários.

Embora a retirada de armamento e a criação de uma zona de segurança de 30 quilômetros tenham sido parte do acordo fechado no encontro de Minsk em setembro, mais de três meses depois, essas medidas ainda não saíram do papel.


25 dezembro 2014

França concluirá retirada de suas tropas do Afeganistão até ao Ano Novo

Os últimos soldados franceses sairão do Afeganistão em 31 de dezembro de 2014, informou nesta sexta-feira o Ministério da Defesa da França.


Voz da Rússia

Está previsto que o último grupo de 150 militares embarque nesse dia no aeroporto da capital afegã, em um avião com destino a França.




A França participa há 13 anos na missão da OTAN no Afeganistão. No período da luta mais intensa contra o Talibã, o contingente francês no Afeganistão chegava até 4 mil homens.

O conflito no Afeganistão custou a vida a 89 militares franceses, enquanto outros 700 ficaram feridos.


Obama: época de grandes operações militares dos EUA no exterior chegou ao fim

A época de grandes operações militares das Forças Armadas americanas no exterior chegou ao fim, mas o exército deve estar pronto a cumprir toda a variedade de tarefas, declarou o presidente dos EUA Barack Obama ao intervir segunda-feira perante 3 mil militares na base militar unida de McGuire-Dix-Lakehurst.


Voz da Rússia

Afirmou que a época em que nós, isto é, EUA, mandávamos um grande número de tropas terrestres para outros países está chegando ao fim”. O presidente lembrou que dentro de duas semanas será concluída a evacuação das tropas básicas do Afeganistão. Depois disso as autoridades locais irão assumir a responsabilidade pela segurança do país.


Obama: época de grandes operações militares dos EUA no exterior chegou ao fim

Apontou na ocasião que este país continua sendo um local perigoso. “Futuramente as nossas tropas serão mais compactas. Mas eu, na minha qualidade de seu comandante em chefe, quero estar certo de que vocês estão prontos a cumprir toda a variedade de tarefas de que serão incumbidos”, prosseguiu Obama. Assegurou que as Forças Armadas dos EUA continuarão a ter o melhor equipamento, a melhor preparação e o melhor comando.



Submarinos da nova geração serão munidos de drones submarinos

O adjunto do diretor do escritório de projetos Malakhit Nikolai Novoselov informou que o submarino atômico multimissão russo da nova geração será munido de mísseis, torpedos, robôs e drones submarinos.


Voz da Rússia

Agora a Marinha de Guerra da Federação da Rússia recebe os submarinos atômicos multimissão Yasen, projeto 885, da quarta geração.


Submarino Yasen, foto de arquivoFoto: sevmash.ru

Novoselov ressaltou que os submarinos deste tipo serão armados também com mísseis, mísseis-torpedos e minas.


Rússia entrega ao Peru os primeiros oito helicópteros Mi-171Sh

No aeroporto internacional de Lima ocorreu a cerimônia de entrega de oito helicópteros Mi-171Sh de produção russa à brigada de aviação militar das Tropas Terrestres do Peru, informou hoje à Interfax uma fonte numa das estruturas que se dedicam à cooperação técnico-militar.


Voz da Rússia

"Os helicópteros foram transportados até ao Peru em aviões An-124, o primeiro lote de quatro aparelhos em 27 de novembro e o segundo em 4 de dezembro”, informou o interlocutor da agência.

“Depois da montagem dos aparelhos, realizada com o apoio de especialistas russos, eles realizaram os testes de voo”, assinalou.

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Segundo as condições do contrato no valor de 528 milhões de dólares, assinado em dezembro de 2013, a Rosoboroneksport deve fornecer ao Peru 8 helicópteros em 2014, os restantes 16 em 2015. Com o apoio de Vertolioty Rossii (Helicópteros da Rússia), no Peru foi também criado um centro de assistência técnica aos helicópteros de fabricação russa.

Em julho de 2010, o Ministério da Defesa do Peru adquiriu 8 helicópteros russos: 6 militares de transporte Mi-171Sh e dois ofensivos Mi-35P. Nos planos do ministério desse país está a aquisição de 16 Mi-171Sh para a Força Aérea e 5 para a Marinha.

Rússia vai locar novo submarino nuclear à Índia

Segundo dados do jornal The Times of India, a Marinha indiana poderá em breve alugar à Rússia mais um submarino nuclear multipropósito do projeto 971.


Vassili Kashin | Voz da Rússia

Ele irá se juntar ao submarino nuclear do mesmo projeto, que recebeu na Marinha indiana o nome de Chakra e foi recebido da Rússia em regime de leasing em 2012. O segundo submarino irá aumentar consideravelmente as capacidades da Marinha indiana.


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A partir de agora, os indianos terão em permanência pelo menos um submarino nuclear moderno pronto para cumprir missões de combate no mar. O submarino nuclear Arihant, que a Índia possui, ainda se encontra em fase de testes e não será em breve que ele irá representar uma força de combate real. O submarino do projeto 971 não apenas está tecnicamente pronto para operar, mas já foi bem estudado pelos especialistas da Marinha indiana.

A Índia deve dedicar uma crescente atenção à sua frota de submarinos nucleares devido aos atrasos na sua modernização. A frota indiana de 13 submarinos diesel-elétricos, adquiridos ainda nos anos de 1980 na Alemanha e na URSS, está em mau estado técnico de conservação. Em agosto de 2013, um destes submarinos, o Sindhurakshak, de fabrico soviético do projeto 636, explodiu no porto de Mumbai no decorrer de trabalhos de reparação.

O concurso anunciado pela Marinha indiana para a aquisição de novos submarinos diesel-elétricos, e no qual participam fabricantes da Rússia e da França, está atrasado. A experiência da realização desse tipo de concursos na Índia mostra que eles podem demorar anos, sem obter quaisquer resultados. Mas entretanto a frota necessita de ser renovada.

Provavelmente a crescente atividade dos submarinos nucleares chineses, que realizam viagens longas com uma frequência cada vez maior, surgindo mesmo no oceano Índico, também exerce uma forte influência no planejamento militar indiano.

Os submarinos nucleares do projeto 971, que foram construídos com diversas modificações pela URSS e pela Rússia entre 1983 e 2003, são provavelmente superiores aos submarinos chineses do tipo 93 pelos seus parâmetros principais, nomeadamente pela sua furtividade, fiabilidade e sistemas de armas. Eles também são mais avançados que os novos submarinos nucleares chineses que poderão ser fabricados nos tempos mais próximos.

A existência de dois submarinos irá permitir aos indianos usá-los de forma mais alargada, fazendo viagens mais longas como, por exemplo, ao mar da China Meridional. Entretanto, para alterar substancialmente a distribuição de forças na região, a Índia teria de possuir ao menos de 6 a 8 desses navios. Isso significa que os submarinos do projeto 971 servirão sobretudo para que a Marinha indiana continue adquirindo experiência na manutenção de equipamentos tão complexos.

A Índia já investiu meios consideráveis na sua própria indústria de construção de submarinos. Os custos apenas do primeiro submarino Arihant, segundo algumas avaliações norte-americanas, poderá atingir os 2,9 bilhões de dólares. Mas para obter um retorno real desses investimentos a Índia terá de realizar esforços adicionais e de recorrer a uma ajuda suplementar por parte da Rússia.


Qualquer variante do desenrolar de acontecimentos em torno de Mistral convém à Rússia

A Rússia acha conveniente qualquer variante do desenrolar de acontecimentos em torno dos porta-helicópteros Mistral, encomendados pela Rússia à França. Moscou aguarda a decisão de Paris sem se importar com as datas, declarou o vice-ministro da Defesa da Federação da Rússia, Yuri Borisov.


Voz da Rússia

“Consideramos conveniente qualquer variante do desenrolar de acontecimentos em torno dos Mistral. Estamos aguardando a decisão da França, não importa se ela vem em 31 de dezembro de 2014 ou em 1 de janeiro de 2015”, disse ele aos jornalistas.


Russia, França, mistral, navio, marinha de guerra

A França devia entregar o primeiro destes navios de desembarque (batizado de Vladivostok) em 14 de novembro, mas a belonave não foi entregue até hoje e não se sabe quando é que isso acontecerá.

O presidente da França François Hollande declarou que tinha tomado a decisão de suspender a fornecimento do porta-helicópteros Vladivostok por causa da situação na Ucrânia. A Rússia declarou, por sua vez, que espera os navios ou a devolução do dinheiro. Borisov revelou à agência RIA Novosti que a Federação da Rússia vai aguardar a decisão final de Paris e proceder “de maneira civilizada” em conformidade com as condições do contrato.



Hamas faz treinamento lançando mísseis em direção ao mar Mediterrâneo

Militantes do movimento palestino Hamas realizaram esta segunda-feira um treinamento, lançando vários mísseis a partir da Faixa de Gaza em direção ao mar Mediterrâneo, segundo comunica o Exército de Defesa de Israel.


Voz da Rússia

"(Os militantes do Hamas) fazem experiências e testam seus mísseis no contexto do seu programa de produção de armas", especificou um representante das forças armadas de Israel.


Foto de arquivo

Generais israelenses não têm dúvida de que o Hamas pretende produzir mais armas.

"Monitoramos cada um desses lançamentos de mísseis, apuramos suas caraterísticas e o alcance", havia dito mais cedo ao The Jerusalem Post um oficial de alta patente não identificado da Marinha israelense.



Novo submarino atômico entrou em dotação da Força Naval da Rússia

O submarino atômico Vladimir Monomakh foi entregue oficialmente à Força Naval da Rússia. O navio é o terceiro na linha de portadores de mísseis estratégicos que completaram o agrupamento marítimo das forças de dissuasão nuclear da Rússia. O submarino está dotado exclusivamente de equipamentos russos.


Natalia Kovalenko | Voz da Rússia


Vladimir Monomakh, submarino, marinhaFoto: ckb-rubin.ru

Submarino nuclear Vladimir Monomakh. Infográfica

O agrupamento das forças de dissuasão nuclear da Rússia está completado com a entrada oficial do cruzador submarino atômico Vladimir Monomakh. Em 19 de dezembro, por cima do submarino foi levantada a bandeira de Santo André, símbolo da Força Naval da Rússia. Ao entregar a bandeira ao comandante do navio, o vice-comandante da Força Naval da Rússia, Alexander Fedotenkov, expressou votos de que “esta bandeira nunca seja baixada perante o inimigo”.

O Vladimir Monomakh já é terceira nave do projeto de submarinos estratégicos Borei. São submarinos estratégicos de quarta geração que dispõem de caraterísticas únicas não superadas por ninguém. Em 2012, os americanos não conseguiram durante um mês descobrir perto das suas costas o submarino russo Shchuka (Tubarão, segundo a classificação da OTAN). Em comparação com o Shchuka, o submarino Vladimir Monomakh pode ser considerado invisível, aponta o 1º vice-presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sivkov:

“Está reduzido radicalmente o nível de barulho desses submarinos em todos os diapasões de frequências, em primeiro lugar de baixas, o que reduziu praticamente em nada a possibilidade de descobri-los. Destaque-se que as vibrações de infrassom de frequência de 5-10 hertz se estendem muito longe no meio aquático, sobretudo em grandes profundidades. A distância pode atingir milhares de quilômetros. O submarino pode ser descoberto por estas vibrações com a ajuda de antenas de grande extensão instalados, em particular, por americanos em seus navios.

Portanto, as vibrações de baixa frequência são reduzidas aos valores extremamente mínimos no Vladimir Monomakh. Essa caraterística não permite descobri-lo. Para além disso, foi consideravelmente reduzido o nível de barulho desses submarinos em diapasão de som de alta frequência em que trabalham turbinas e hélices”.

Tanto que os submarinos atômicos de mísseis são armas estratégicas, os navios do projeto Borei foram orientados desde o início da construção para a utilização de peças de fabrico russo. Os equipamentos técnicos, armamentos radioeletrónicos, cada peça são exclusivamente russas. Isso é sobretudo importante hoje, quando a Rússia experimenta várias pressões externas.

Como assinalou recentemente o presidente da Rússia, Vladimir Putin, à margem de uma reunião no Clube de Discussão Internacional Valdai, é inútil pressionar sobre a Rússia. “O urso não pretende ocupar outras zonas climatéricas, mas não concederá a ninguém a sua taiga!”, destacou Putin em forma alegórica a intenção firme da Rússia de defender seus direitos e interesses.

Os submarinos atômicos de mísseis da série Borei, que entram em exploração, têm o mesmo destino: o Yury Dolgorukiy, navio-almirante na composição da Esquadra do Norte, o Alexandr Nevskiy – no Pacífico. O Vladimir Monomakh também entrou na composição da Esquadra do Pacífico da Força Naval da Federação da Rússia.

Mais dois submarinos do projeto Borei estão em fase de construção. Para 2020, a Força Naval da Rússia terá em dotação oito submarinos atômicos semelhantes.

Os submarinos atômicos do projeto Borei têm 170 metros de comprimento, 13,5 metros de largura e 24 mil toneladas de deslocamento de água em posição subaquática. Cada navio desse projeto é capaz de portar 16 mísseis balísticos intercontinentais de combustível sólido de estacionamento marítimo R-30 (Bulava 30), assim como torpedos e foguetes.


A arma laser e a guerra moderna

De acordo com recentes declarações da marinha dos EUA, o sistema norte-americano de arma laser LaWS instalado a bordo do contratorpedeiro USS Ponce, operando no Golfo Pérsico, passou com sucesso em todos os testes. Ele foi aprovado para o serviço regular a partir de dezembro de 2014. Por enquanto esse sistema possui limitações de potência. O LaWS só pode operar contra pequenos drones ou contra lanchas.


Vassili Kashin | Voz da Rússia

O sistema laser apontado contra uma lancha inimiga pode apenas aquecer e fazer avariar seu motor. Para avariar um drone é necessário irradiá-lo durante vários segundos, apontando o raio laser a um dos elementos importantes do veículo aéreo.

Dessa forma, o principal sucesso dos EUA na área das armas laser foi apenas eles se terem tornado no primeiro país a instalar esse tipo de arma num navio de guerra operacional. O próprio sistema não é revolucionário e corresponde aproximadamente aos modelos de arma que estavam sendo desenvolvidos noutros países, incluindo a China e a Rússia.

A Academia Chinesa de Engenharia Física, por exemplo, demonstrou há já algum tempo o sistema de arma laser Protetor de Baixa Altitude, semelhante ao LaWS. Ele também é capaz de abater veículos aéreos não-tripulados. Os tanques chineses são equipados com sistemas laser de proteção ativa que podem ser usados para cegar soldados inimigos.

A utilização de raios laser para destruir drones ligeiros é considerada justificada devido ao baixo custo de um tiro de laser quando comparado com mísseis ou projéteis de artilharia. No entanto, temos de tomar em consideração os elevados custos do próprio equipamento laser.

A eficiência das armas laser também se pode reduzir devido a condições meteorológicas. O inimigo pode recorrer a medidas que dificultem a utilização do laser. Para proteger o alvo podem, por exemplo, ser dispersos aerossóis especiais ou a própria estrutura do míssil ou do drone pode incorporar materiais especiais termorresistentes.

Na URSS os exercícios de tiro com o sistema laser naval Aidar, instalado no navio experimental Dikson, foram realizados em 1980. Mais tarde, o sistema experimental Akvilon atingiu com sucesso um míssil voando a baixa altitude. As múltiplas experiências soviéticas só foram suspensas com o desmembramento da URSS, mas já foram retomadas na totalidade pela Rússia nos anos 2000.

O programa da Rússia mais conhecido para criação de arma laser Sokol Eshelon pressupõe a instalação da arma laser em um avião de transporte pesado Il-76, modificado especialmente para o efeito, que adquiriu a designação A-60. A principal missão do sistema é neutralizar satélites de espionagem norte-americanos. De acordo com publicações ocidentais, a China também está desenvolvendo intensamente sistemas laser para combater satélites e mísseis interceptores.




Na situação política atual, quando ambos os países enfrentam pressões crescentes por parte dos EUA, a coordenação e a unificação de esforços para criação de uma arma laser poderiam ser, para a Rússia e China, uma forma racional para garantir sua própria segurança economizando nos custos. Entretanto, os elevados custos e a disseminação limitada desse tipo de arma excluem a ameaça de existir concorrência entre os dois países no mercado mundial de armamento.



Irã inicia manobras militares com testes de novos armamentos

A agência IRNA informa que as Forças Armadas do Irã deram início a grandes manobras militares “Mohamed – mensageiro do Alá”, de que participam o exército, a marinha e a força aérea.


Voz da Rússia

“A tarefa das manobras consiste em modelar os hábitos de comando das tropas e a interação entre o exército, aviação e marinha”, declarou o general de brigada Ahmad-Reza Pourdastan, comandante em chefe das tropas terrestres da República Islâmica do Irã.




A área da região terrestre das manobras chega a 43 mil quilômetros quadrados. No mar ela abrange o espaço marítimo estrategicamente importante do estreito de Ormuz e a parte norte do oceano Índico.

Um importante papel é confiado à aviação militar, que deve dar cobertura aérea às tropas que participam das manobras.


24 dezembro 2014

EI derruba avião da coalizão na Síria e captura piloto jordaniano

Exército da Jordânia confirmou informação.
País está no grupo da coalizão antijihadista liderada pelos EUA.


France Presse

O grupo radical Estado Islâmico (EI) derrubou nesta quarta-feira (24) um avião militar da coalizão antijihadista na região norte da Síria, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), e capturou o piloto jordaniano.

Imagem postada pelo centro de mídia do grupo Estado Islâmico mostra o que seria o piloto capturado (de branco, ao centro), em Raqqa (Foto: AP)Imagem postada pelo centro de mídia do grupo Estado Islâmico mostra o que seria o piloto capturado (de branco, ao centro), em Raqqa (Foto: AP)

'Temos informações confirmadas de que membros do EI capturaram um piloto árabe (não sírio) depois que derrubaram seu avião com um míssil terra-ar perto da cidade de Raqa', afirmou o OSDH. O exército jordaniano confirmou a informação.

O braço do EI em Raqa , 'capital' do grupo extremista que controla amplas faixas de território no Iraque e na Síria, publicou em sites jihadistas fotografias de combatentes com um piloto capturado. O EI afirma que ele é jordaniano e divulga o nome.

Uma das fotografias mostra o piloto, vestido apenas com uma camisa branca e carregado por quatro homens, que o retiram da água. Em outra, ele aparece no chão, cercado por vários homens armados.

A Jordânia está entre os países da coalizão antijihadista liderada pelos Estados Unidos que executa ataques aéreos contra o grupo EI.

O surgimento do grupo no fim de 2013 e as atrocidades (decapitação, sequestros, entre outros crimes) cometidas provocaram em 23 de setembro a intervenção na Síria da coalizão que luta contra os jihadistas no vizinho Iraque.

Além dos Estados Unidos e Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein participam nos ataques na Síria.

Austrália, Bélgica, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, França e Holanda participam nos bombardeios no Iraque, ao lado dos Estados Unidos.

A região de Raqa é alvo de ataques aéreos da coalizão e do exército sírio.


23 dezembro 2014

Coreia do Norte se diz preparada para confronto com os Estados Unidos

EUA dizem que país asiático tem ligação com ataque hacker à Sony.
Obama não considerou ataque um ato de guerra.


Do G1, em São Paulo

A Coreia do Norte divulgou neste domingo (21) um comunicado em que volta a negar envolvimento com o ataque cibernético sofrido pela Sony Pictures, afirma que os Estados Unidos deve pedir desculpas por indicá-la como culpada, e diz que seu Exército está preparado para um confronto com o país da América do Norte.

Segurança protege entrada de sala de cinema nos EUA durante pré-estreia do filme 'A entrevista' (Foto: REUTERS/Kevork Djansezian/Files)Segurança protege entrada de sala de cinema nos EUA durante pré-estreia do filme 'A entrevista' (Foto: REUTERS/Kevork Djansezian/Files)

No dia 24 de novembro, um ataque cibernético reivindicado pelo grupo autodenominado "Guardiães da Paz" (GOP, na sigla em inglês) atingiu o sistema da Sony Pictures e, fez ameaças contra o lançamento do filme "A entrevista", uma comédia sobre um plano da Agência Central de Inteligência americana, a CIA, para matar o líder norte-coreano, Kim Jong-un. O FBI diz que o GOP está ligado a Pyongyang.

Em comunicado publicado pela agência estatal "KCNA", o regime de Jong-un afirma que "o Exército e o povo da RPDC (Coreia do Norte) estão completamente preparados para um confronto com os EUA em todos os espaços de guerra, incluindo a cibernética".

"Nosso mais duro contra-ataque será dirigido à Casa Branca, ao Pentágono e a todo o território continental dos Estados Unidos superando amplamente o contra-ataque simétrico declarado por (Barack) Obama", afirma Pyongyang no comunicado.

Mais cedo neste domingo, Obama disse à rede de televisão norte-americana CNN que não considera a invasão ao sistema da Sony Pictures um ato de guerra, mas disse que é um ato de vandalismo cibernético. Obama também disse que o governo vai debater sobre a possibilidade de colocar a Coreia do Norte de volta à a lista de países que patrocinam o terrorismo.

20 de junho de 2014 – Após a divulgação do primeiro trailer do filme, autoridades da Coreia do Norte dizem que "A entrevista" é um símbolo do "desespero" da sociedade norte-americana, mas um porta-voz não oficial de Kim Jong-un afirma que o ditador provavelmente vai assistir ao filme de qualquer maneira.

10 de julho: Em uma carta a Ban Ki-moon, o embaixador da ONU Ja Song Nam reclama do filme e diz que "as autoridades dos EUA devem tomar ações imediatas e adequadas para proibir a produção e distribuição do filme".

14 de agosto: Sony declara a possibilidade de remover uma cena do filme em que o rosto de Kim Jong-un é mostrado derretendo.

24 de novembro: Fontes da Sony dizem que a empresa foi hackeada e chantageada por um grupo que deixou a mensagem: "Hacked by #GOP. Aviso: Nós já avisamos vocês, e isto é apenas o começo. Temos obtido todos os seus dados internos, incluindo segredos e grandes segredos."

1º de dezembro: Ao menos cinco filmes inéditos da Sony "vazam" na web.

2 de dezembro: O FBI inicia investigações sobre o envolvimento norte-coreano com o ataque hacker.

4 de dezembro: A Coreia do Norte nega envolvimento em ataque contra a Sony.

16 de dezembro: Guardians of Peace ameaça atacar as salas de cinema que exibirem "A entrevista", faz menção ao atentado de 11 de setembro e afirma ainda que "o mundo será tomado pelo medo". A pré-estreia do filme em Nova York é cancelada após as ameaças.

17 de dezembro: Sony anuncia o cancelamento do lançamento de "A entrevista" em todos os cinemas dos EUA.


20 dezembro 2014

Israel ataca Faixa de Gaza após foguete palestino cair em seu território

Não houve vítimas no ataque a Gaza, segundo porta-voz.
Este é o primeiro ataque de Israel desde trégua acordada em agosto.


Do G1, em São Paulo

Vários aviões israelenses atacaram nesta sexta-feira (19) a Faixa de Gaza, poucas horas depois que um foguete lançado a partir do enclave palestino alcançou o território de Israel, informam a agência de notícias France Presse e o jornal israelense "Haaretz".

Um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza disse que não houve vítimas no ataque, o primeiro de Isael desde a trégua acordada em agosto que pôs fim a uma guerra de 50 dias entre as duas partes.

O sistema de defesa de Israel afirmou que o ataque foi lançado em resposta a um foguete disparado de Gaza que explodiu em uma área aberta de Eshkol, no sul do país e perto da fronteira com Gaza. Nenhum dano ou ferimento foi relatado neste incidente.


18 dezembro 2014

BOICOTE À ELBIT/AEL - OPORTUNISMO POLÍTICO OU ALGO MAIS?

Governador Tarso Genro (PT) cancela acordo com empresa israelense após pressão da comunidade palestina


Samir Oliveira | 
Sul21 - DefesaNet

Em seu último mês de mandato, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) cancelou um acordo que havia firmado em abril de 2013 com a empresa israelense ELBIT Systems. O contrato previa uma parceria entre a companhia militar de Israel, o Palácio Piratini e universidades gaúchas no estabelecimento de um polo aeroespacial no estado. Na noite desta terça-feira (02DEZ14), o governo divulgou uma carta onde informa que o protocolo assinado com a corporação israelense passaria a se tornar “sem objeto”.


Shlomo Erez, AEL Sistemas, Bezhalel Machlis, presidente e CEO ELBIT Systems e o governador Tarso Genro, quando da assinatura do acordo em 29 Abril 2013. Foto - AEL Sistemas

Desde que foi firmado, o protocolo com a ELBIT Systems tem sido alvo de constantes críticas da comunidade palestina no Rio Grande do Sul, de movimentos sociais pela causa e do próprio governo da Autoridade Nacional Palestina. Isso porque a ELBIT, maior corporação militar de Israel, é denunciada pela colaboração na construção do muro que isola os territórios palestinos na Cisjordânia. A empresa também fornece equipamentos de segurança para os assentamentos israelenses, que já foram declarados ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A ELBIT, que possui uma empresa subsidiária no Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre – a AEL Sistemas – já vem sofrendo sanções em países da Europa, que orientam seus fundos públicos a não investirem nas ações da companhia. Agora, nesta terça-feira (02), Tarso Genro entregou em mãos ao embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, uma carta onde informa o cancelamento do protocolo com a empresa militar israelense.

O diplomata está em Porto Alegre para um ato de comemoração ao Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, que foi celebrado no dia 29 de novembro. “Quero agradecer ao senhor governador pelos atos valorosos, ele sempre acompanhou a luta a favor de um Estado palestino independente”, elogiou o embaixador num evento na Assembleia Legislativa gaúcha.

Chefe da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do governo do estado, Tarson Núñez defendeu a campanha por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra o Estado de Israel. “Se hoje o governo israelense tem uma força militar capaz de vencer qualquer conflito direto, nós temos a força moral de quem está com a razão e com a justiça. Temos que prestar atenção ao movimento internacional por BDS, todo e qualquer produto de Israel não deve ser consumido por ninguém no Brasil e toda e qualquer empresa brasileira não deve fechar parcerias comerciais com Israel”, conclamou.

Tarson disse que o acordo com a ELBIT já estava enfraquecido, pois o governo federal não havia liberado todos os recursos necessários para a concretização da parceria. Contudo, ele frisa que a decisão do Palácio Piratini foi política, já que, mesmo assim, ainda havia possibilidade de se tentar captar financiamentos junto ao BNDES, por exemplo. “O governador foi sensível às demandas contínuas da comunidade palestina, do governo palestino e dos movimentos sociais”, explicou.

O ato na Assembleia Legislativa ocorreu no mesmo dia em que a exposição de fotografias “Retratos da Resistência – Um povo que luta para não desaparecer” foi inaugurada no saguão de entrada do Parlamento. Fruto de um trabalho dos fotógrafos paranaesnes Leandro Taques e Rafael Oliveira, a exposição retrata o cotidiano dos territórios palestinos.

A carta entregue por Tarso à Embaixada Palestina informando sobre o cancelamento do acordo com a ELBIT será divulgada ainda na noite desta terça-feira pelos movimentos sociais.

Confira a íntegra da carta entregue por Tarso Genro à Embaixada da Palestina no Brasil e à Federação Árabe-Palestina (FEPAL)

Carta à Federação Palestina do Rio Grande do Sul

Neste momento em que o nosso estado se engaja nos eventos mundiais do Ano Internacional de Solidariedade à Palestina venho, mais uma vez, me somar a todos aqueles que no mundo inteiro levantam a sua voz em defesa dos direitos do povo palestino, de uma paz justa na região, precedida de negociações para o reconhecimento prévio dos acordos de Oslo.

Desde o início do meu mandato nos posicionamos de forma ativa, em sintonia com as posições do nosso governo nacional, em defesa do reconhecimento do Estado Palestino e de uma paz justa com o Estado de Israel, baseada no reconhecimento do direito dos Palestinos terem jurisdição política e militar sobre o seu território. Sabemos que tal posição conta, inclusive, com o apoio de considerável parte da comunidade israelense, que também prefere a via da negociação à da violência.

O governo do Rio Grande do Sul, durante o nosso mandato (2011/2014), buscou materializar esta posição em ações de solidariedade. A realização do Fórum Social Palestina Livre em 2012, a visita à Palestina em 2013, promoção das doações de arroz para os campos de refugiados da UNRWA, os projetos de cooperação técnica que implementamos, são demonstrações concretas de nosso empenho em apoiar os direitos do povo palestino.

Neste momento, considero importante também manifestar-me em torno de um tema que tem sido objeto de controvérsia em nossa relação de fraternidade e solidariedade. Trata-se do protocolo de intenções assinado entre nosso Estado, algumas universidades e a empresa local AEL, subsidiária da empresa israelense Elbit Systems.

Os questionamentos constantes por parte do governo palestino e das entidades representativas a este acordo me levam a esclarecer algumas dúvidas em relação ao Protocolo firmado pelo nosso governo com a empresa referida.

A assinatura do protocolo ocorreu nos marcos da estruturação de um programa voltado para constituir, em nosso Estado, uma política de fomento à indústria aeroespacial. Este programa tem por objetivo aproveitar as oportunidades geradas pelas políticas do governo federal, para desenvolver uma indústria aeroespacial nacional, política esta que temos o dever institucional de prestigiar.

O protocolo teve como escopo a participação em um edital da FINEP, para o fomento do setor aeroespacial, através do qual se obteria os recursos para implementar o trabalho comum. O resultado do Edital, no entanto, não foi favorável ao desdobramento prático do Protocolo, pois proporcionou alocação de recursos insuficientes para a sua materialização. Desde então, não houve mais nenhuma ação objetiva relacionada com aquele acordo, e o governo do Rio Grande do Sul não realizou, e não realizará sob o nosso governo, nenhuma outra ação relacionada a esta parceria, o que nos permite declarar o referido protocolo como sem objeto.

Consideramos, portanto, que a comunidade palestina em nosso estado, assim como as autoridades do Estado Palestino com quem temos nos relacionado, podem continuar a contando com o respeito e a solidariedade ativa da comunidade gaúcha e do governo do Rio Grande do Sul.

Tarso Fernando Herz Genro
Governador do Estado do Rio Grande do Sul



MECTRON SCP-01 AFIANDO A PONTARIA DO AMX MODERNIZADO

O radar da MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), em parceria com a italiana Selex ES é um dos pontos centrais da modernização dos A-1 da Força Aérea Brasileira.


Nelson Düring
Editor-Chefe DefesaNet

Com o objetivo de extensão da vida útil das aeronaves AMX (A-1) para mais 20 anos, reduzindo a obsolescência dos equipamentos embarcados e ao mesmo tempo padronizando a frota, eliminando as diferenças entre os três lotes operados pela FAB, o programa de modernização do principal avião de ataque brasileiro realizou uma campanha de ensaios em voo em Gavião Peixoto/SP, para validação operacional do Radar SCP-01.

DefesaNet acompanhou o trabalho da empresa MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), em parceria com a italiana Selex ES no radar SCP-01, que é um dos pontos centrais da modernização dos A-1M da Força Aérea Brasileira.


Radar MECTRON SCP-01 montado no A-1M - Foto MECTRON

Na mosca

O SCP-01 é um radar multifunção, projetado para operar como principal sensor do subsistema de armamento do A1-M. Pelo lado brasileiro, a Mectron é responsável pelas unidades Receptor, Antena, Servo-Antena e frame cablado. A empresa italiana é responsável pelas unidades Transmissor e Processador.

Na campanha de ensaios em questão, o Radar SCP-01 foi validado nos seus diversos modos de operação: no modo de mapeamento de solo (MAP), a aeronave sobrevoou a região da cidade de Ibitinga/SP, próximo à represa da Promissão, no rio Tietê, para identificar áreas fluviais e mapear o terreno, apresentando ao piloto um registro geográfico de mais de 80 km à sua frente.
Nesta mesma região, o Radar também foi testado no modo de rastreio marítimo (SEA), detectando a presença de embarcações. Para testes nos modos de busca e rastreio aéreo (AIR-AIR) e combate aéreo (ACM), os ensaios contaram com o apoio de uma aeronave Phenom da EMBRAER atuando como alvo cooperativo.

Neste cenário, foi possível a detecção do alvo a distâncias acima de 20 km. Com o radar rastreando a aeronave cooperativa, várias manobras de combate foram simuladas, bem como manobras de aproximação para reabastecimento em voo, desta vez com o radar operando no modo AIR-P. Em outra etapa, o Radar, operando no modo Distância de Solo (AGR), forneceu algoritmos de mira para ataque a alvos terrestres.

Durante os ensaios, foi possível verificar a integração do Radar ao novo sistema de navegação do A1-M, bem como ao HUD (Head Up Display) e ao MFD (Multi Function Display), onde as informações do Radar são disponibilizadas para o piloto.

Olhos aguçados por mais 20 anos

A aeronave AMX (ou A-1 como é designada oficialmente pela FAB), foi especialmente concebida para missões ar-superfície (ataque ao solo) e reconhecimento, ambas de grande alcance. Pelo fato da modernização do AMX, a Mectron trabalhou na modernização do Radar SCP-01, possibilitando a implementação da interface gráfica colorida com os novos monitores multifunções (MFD) instalados no A-1M. O radar incorporou um novo modo de operação e possibilitou a visualização e atualização de dados de navegação de mais alvos ao mesmo tempo.

Na área de logística, a MECTRON desenvolveu um novo banco de sistema para suporte dos testes operacionais do radar em solo. Desenvolveu, também, um banco denominado Estimulador Radar que auxiliou o desenvolvimento da interface aviônica com o radar e os outros sistemas embarcados na aeronave.

A parceria tecnológica com os italianos foi bem sucedida e rendeu bons frutos: a empresa hoje também está plenamente capacitada para manutenção das unidades italianas.



Embraer KC-390 faz primeiro testes em movimento (veja o vídeo)

O Globo | DefesaNet

RIO - Na última sexta-feira (05NOV14), o clima era de apreensão em Gavião Peixoto (SP), onde fica as instalações da EMBRAER defesa e Segurança e principal pista de testes da EMBRAER no Brasil. No asfalto, a aeronave de transporte KC-390 fazia seu primeiro teste em solo, ponto de partida para o voo inaugural de qualificação. A empresa já acionou os dois motores e parte dos principais sistemas de funcionamento da aeronave de transporte militar, cujo desenvolvimento custou R$ 4,6 bilhões ao governo federal, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB). O resultado foi considerado positivo.

O GLOBO obteve com exclusividade um breve e inédito registro do teste do KC-390. Nas imagens é possível verificar algumas manobras do avião em solo, que ocorreram conforme a previsão, segundo relato de fontes ouvidas pela reportagem. O teste serve para verificação do funcionamento dos motores, da integração de sistemas e também para aferir a eficiência das manobras em solo.

Esta é a primeira imagem revelada do KC-390 depois da sua apresentação ao público, que ocorreu em 21 de outubro, também em Gavião Peixoto. Um outro protótipo está em desenvolvimento.

De acordo com a Embraer, dada a complexidade dos sistemas, não é possível determinar a data exata para o voo inaugural. Porém, a empresa trabalha com a hipótese de fazê-lo voar ainda em dezembro. Estrategicamente, a Embraer quer executar o voo em 2014 para apontar ao mercado que o cronograma de desenvolvimento do KC-390 segue rigorosamente os prazos estipulados, o que é incomum no setor aeronáutico. Ainda assim, o KC-390 só voará depois que a segurança da operação estiver absolutamente testada.

Por ora, a FAB já encomendou 28 unidades do KC-390, mas a Embraer já tem cartas de intenções de outros cinco países ? Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca ? para a aquisição de outros aviões, totalizando 32. A primeira entrega do KC-390 está prevista para o segundo semestre de 2016.

O KC-390 é uma aeronave de transporte tático. Pode realizar missões como o transporte e lançamento de cargas e tropas, reabastecimento em voo, busca e resgate e combate a incêndios florestais. O avião é capaz de transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade de 470 nós (870 km/h).



16 dezembro 2014

Sistema cadastra mais de dois mil produtos de Defesa

Balanço é divulgado durante última reunião da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) de 2014


Portal Brasil

O Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED) cadastrou mais de 2 mil produtos e credenciou 60 empresas estratégicas de defesa em um ano. O balanço foi divulgado durante a 14ª reunião da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) – a última do ano.

Criado para incentivar a produção da Base Industrial de Defesa (BID), o SisCaPED é o instrumento pelo qual o Ministério da Defesa credencia e classifica as empresas e os produtos do setor.

O interesse das indústrias pelo cadastro é crescente, já que, dependendo da classificação obtida, ela poderá ter acesso a uma série de benefícios, como regime tributário especial, isenção de pagamento de alguns impostos e até participação exclusiva em licitações.

Na reunião, outros 14 produtos foram cadastrados pela CMID, entre eles, equipamentos como capacete e colete à prova de balas, lançador múltiplo de foguetes, reparo automatizado de metralhadora, projeto de míssil antirradiação e serviço de instalação de sistemas críticos, para controle do espaço aéreo, terrestre e marítimo.

Além disso, o SisCaPED encerra o ano com 248 empresas cadastradas e 237 produtos classificados como estratégicos de defesa. Para o diretor do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, brigadeiro José Euclides, levando-se em consideração o ineditismo do trabalho realizado pela Comissão, é possível afirmar que houve avanço nessa nova dinâmica de cadastramento. O brigadeiro é também secretário-executivo da CMID.

“Diante dos números apresentados, vemos que tivemos um sucesso muito grande porque saímos do zero, tivemos que desenvolver formas de regulamentação, de formatação e ainda assim conseguimos progredir”, disse.

A CMID é composta por representantes dos ministérios da Defesa, Planejamento, Relações Exteriores, Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia, Fazenda e das três Forças Armadas.

Para o brigadeiro Euclides, um dos maiores avanços da Comissão é o fato de todos esses atores conseguirem incorporar o universo da defesa de forma rápida e eficaz.

“Hoje, nós vemos pessoas de outras pastas, que cuidam de política industrial, tributária, planejamento, orçamento, entendendo de armamento, míssil, carro de combate, aeronave. Essa é a prova de que esse grupo se profissionalizou”, afirmou.

De acordo com o brigadeiro, a previsão é de que, em 2015, o Sistema de Cadastramento passe a contar com mais técnicos o que dará mais agilidade ao processo de classificação dos produtos e empresas.



Avião militar russo quase colide com avião comercial próximo à Suécia

Rússia insiste que sue jato se manteve a uma distância segura. Relações entre Rússia e ocidente estão estremecidas por causa da Ucrânia.


G1

Um avião militar russo quase colidiu com um avião comercial de passageiros no espaço aéreo internacional próximo ao sul da Suécia na sexta-feira, disseram autoridades suecas, mas a Rússia insistiu neste domingo que seu jato manteve distância segura.

As relações entre a Rússia e o Ocidente têm azedado sobre o papel de Moscou sobre conflito na Ucrânia e anexação da Criméia. Muitos países europeus reagiram com alarme para suspeitas exibições russas de sua proeza militar.

Um esquadrão de navios de guerra russos entraram no Canal da Mancha no mês passado e a Suécia disse que tinha provas de que um submarino estrangeiro estava operando ilegalmente em suas águas, em outubro.

O voo de passageiros SK1755 de sexta-feira saiu da capital dinamarquesa Copenhague com destino à Poznan, na Polônia, foi desviado por autoridades suecas antes de ocorrer uma colisão, disseram as autoridades.

O voo era operado pela Cimber, de propriedade da companhia aérea escandinava SAS.

O Ministério da Defesa da Rússia negou, neste domingo, que seu avião chegou perto de colidir com um avião civil, disse a agência oficial de notícias Tass.

"Um vôo foi realizado em estrita conformidade com as regras internacionais sobre o espaço aéreo e não violou as fronteiras de outros países e ficou a uma distância segura das rotas de voo de aviões civis", disseram as notícias, apontando como fonte o porta-voz do Ministério da Defesa Maior General Igor Konashenko.

Um sueco militar disse que o jato russo estava voando com seu "transponder" (um dispositivo de comunicação que torna mais fácil para um avião para ser localizado) desligado, o que torna difícil para o controle de tráfego comercial localizá-lo.

"O avião militar não tinha transponder mas nós o descobrimos em nosso radar e advertimos o controle de tráfego aéreo civil em Malmo", afirmou Daniel Josefsson, do centro de comando de batalha sueco, ao jornal Dagens Nyheter, no sábado.


Após 150 anos, estopim da Guerra do Paraguai ainda gera controvérsia

Historiadores divergem sobre a verdadeira razão para o início do conflito.
Mas há consenso em dizer que ditador paraguaio errou ao declarar guerra.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Já se passaram 150 anos do início da Guerra do Paraguai (1864-1870) e ainda há controvérsia entre historiadores sobre os motivos que levaram o ditador paraguaio Francisco Solano López a dar início ao maior conflito armado da América Latina. O Paraguai lutou contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e acabou derrotado. Até hoje o país não se recuperou plenamente das consequências da guerra.

General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai  (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)

Alguns especialistas entendem que o conflito era parte da política expansionista de Solano López, outros afirmam que foi uma reação "desproporcional" do ditador à invasão do Uruguai pelo Império brasileiro.

Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente.

Para o cientista social e doutor em história das relações internacionais Francisco Doratioto, Solano López tinha um plano: ele teria declarado a guerra em busca de novos territórios e de uma saída para o mar através do domínio do Rio Prata – libertando-se, assim, das tarifas alfandegárias cobradas pelo porto de Buenos Aires.

Autor do livro "Maldita Guerra", Doratioto afirma que, na época, havia litígio de territórios no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul. "López usou a invasão ao Uruguai como desculpa, pois já havia mobilizado forças na fronteira mesmo antes disso acontecer e sem nenhum risco de ameaça", afirma.

Estudioso autodidata do conflito, o brasileiro Júlio José Chiavenato vê em Solano López apenas uma atitude de defesa dos interesses paraguaios, após o Brasil invadir o Uruguai sob alegação de que brasileiros estavam sofrendo ataques em meio à guerra civil que acontecia no país. Para Chiavenato, López entendeu como um ato de guerra a invasão ao país com o qual tinha acordos de defesa mútua.

Autor do livro "Genocídio americano: a guerra do Paraguai", publicado em 1979, Chiavenato entende que Solano López se sentiu ameaçado por pensar que seria o próximo alvo do Império brasileiro. O ditador, porém, não acreditava que a guerra se estenderia por tanto tempo e que se trataria depois de uma atitude suicida iniciar o conflito, afirma o escritor.

"A intervenção brasileira no Uruguai era uma coisa que vinha sendo preparada há muito tempo. A reação do Paraguai foi desproporcional, pois não tinha diplomatas com traquejo para negociar a situação. López teve uma reação passional: quando se viu ameaçado, reagiu de forma patriótica”, diz Chiavenato. Apesar disso, ele acredita que o Brasil queria a guerra. "López só a antecipou."

Em um ponto, porém, há consenso entre os historiadores: Solano López errou ao iniciar uma guerra que matou boa parte da população de seu país e provocou consequências econômicas, sociais e políticas que o Paraguai não conseguiu superar até hoje.

'Culpa do Brasil'

O historiador Ricardo Henrique Salles, autor do livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", enxerga no Brasil a culpa pelo conflito. "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele."

Segundo Salles, a História oficial brasileira trata a invasão ao Uruguai e a Guerra do Paraguai como conflitos diferentes quando, na verdade, trata-se de um só. A invasão ao Uruguai foi um "ato agressivo" do Império brasileiro que desencadeou a guerra, afirma.

"A ação do Brasil no Uruguai foi sem provocação alguma, foi uma invasão mesmo, usando pretextos fúteis do assassinato de brasileiros no país quando, na verdade, o governo brasileiro comprou a briga de estancieiros gaúchos que tinham interesse em terras", defende.

Apoio na Argentina

Segundo o historiador, não havia evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido seria o Paraguai. Além disso, Solano López teria apostado que enfraqueceria o Brasil e que teria o apoio de grupos na Argentina – superestimando suas forças e subestimando as forças do Império. "A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada. Já o Brasil achou que a guerra seria um passeio e que, com o que tinha na época em efetivos militares, daria conta, o que não ocorreu", diz Salles.

Ele diz que a guerra se estendeu mais que o esperado para ambos os lados devido ao "terreno inóspito muito desfavorável e desconhecido" em que foi travada, na fronteira pantanosa, e também "à bravura do soldado paraguaio, que via a guerra como uma agressão à sua terra".

População paraguaia e mortes

Outro ponto controverso que envolve a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou o conflito.

Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)

Com base em dados demográficos, Júlio José Chiavenato diz que é possível apontar a população paraguaia em "mais ou menos 800 mil pessoas", e que "a guerra provocou uma matança absurda" deixando o Paraguai em uma situação "que até hoje não se recuperou". Segundo ele, morreu na guerra cerca de 90% da sua população masculina maior de 20 anos.

"Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício", afirma o escritor, acrescentando que o conflito produziu um trauma no continente.

"Todos estes números são polêmicos. As informações que eu tenho é que o Paraguai tinha cerca de 400 mil pessoas e que sobraram 180 mil a 200 mil no fim da guerra. Mais de dois terços da população masculina", aponta o professor Doratioto.

Já para Salles, que leciona história na UniRio, os números sobre a população paraguaia na época eram de 300 mil a 700 mil. "Ninguém consegue chegar a um número preciso". Ele discorda de Chiavenato quanto à "matança" provocada pela guerra e afirma que 80% dos mortos – cerca de 300 mil pessoas – foram vítimas de fatores indiretos, como fome e doenças.

Negros e escravos

Outra polêmica do conflito foi o fato de o Brasil ter enviado escravos como soldados. "A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender", afirma Salles.

Já para Chiavenato, que teve acesso à documentação do conflito, apesar de não haver números oficiais, a maior parte da tropa brasileira era, sim, de escravos. "Eles eram enviados para irem no lugar de brancos de classe média que eram convocados. O Brasil não tinha Exército na época, era uma Guarda Nacional, mas que só existia no papel, com cerca de 23 mil homens que não tinham nem farda”, diz. Já do lado paraguaio, Chiavenato vê o patriotismo como fator preponderante na luta: “Foi uma luta coesa, o povo entendeu que, se a guerra fosse perdida, seria o fim do Paraguai”, diz.

Salles e Doratioto também dizem acreditar nisso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou”, afirma Salles.