28 fevereiro 2014

Ucrânia acusa Rússia de invasão e pede ajuda aos EUA e Reino Unido

Após acusar tropas russas de haver ocupado dois aeroportos na região da Crimeia, Ucrânia apela a EUA e Reino Unido para que "reiterem" suas garantias de segurança.


Deutsch Welle

O Parlamento da Ucrânia convocou uma reunião de segurança e pediu ajuda a governos ocidentais após homens armados haverem tomado o controle de dois aeroportos na região da Crimeia, uma ação que o governo em Kiev descreveu como invasão e ocupação por parte das forças russas.

O comando russo da frota do Mar Negro, no entanto, negou nesta sexta-feira (28/02) qualquer participação na ocupação de um aeroporto militar na península da Crimeia. Citando um porta-voz militar, a agência de notícias Interfax informou que soldados russos não teriam adentrado a região do aeroporto próximo à cidade de Sebastopol e também não o teriam bloqueado.

Frente à crescente tensão na península da Crimeia, o Parlamento ucraniano apelou aos EUA e ao Reino Unido para que garantam a soberania do país do Leste Europeu. Por meio de uma resolução, os deputados em Kiev instaram, nesta sexta-feira, os países signatários do Memorando de Budapeste a "reiterar" suas garantias de segurança à Ucrânia e a contribuir para a diminuição das tensões com negociações imediatas.

No Memorando de Budapeste, de 1994, os EUA, o Reino Unido e a Rússia comprometeram-se a garantir a independência e as atuais fronteiras da Ucrânia. Em contrapartida, a Ucrânia abdicou das armas nucleares que permaneceram no país após o desmantelamento da União Soviética e assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

O presidente interino da Ucrânia, Olexandr Turchinov, convocou uma reunião do Conselho Nacional de Segurança e Defesa para discutir a situação na Crimeia. Os homens armados que na quinta-feira tomaram o controle do Parlamento regional e da sede do governo em Simferopol seriam "terroristas que operam sob bandeira russa", disse Tuchinov no Parlamento em Kiev. Anteriormente, o ministro do Interior, Arsen Avakov, havia acusado os russos de "invasão armada" na Crimeia.

Acusações do ministro

Segundo Avakov, membros da frota russa do Mar Negro, estacionada na Crimeia, teriam bloqueado o aeroporto de Sebastopol e continuariam na área do aeroporto de Simferopol, capital da península.

Em sua página do Facebook, Avakov afirmou que se trata de uma ação que viola todos os acordos e normas internacionais, como também de uma "direta provocação" em território de um Estado independente. De acordo com o ministro interino, embora os soldados não estivessem usando nenhum sinal distintivo, eles não estariam escondendo sua "filiação" às tropas russas.

Avakov disse ainda que o aeroporto militar próximo a Sebastopol, onde estão estacionados soldados ucranianos e guardas de fronteira, estaria desativado. Também os cerca de 120 homens armados no aeroporto de Simferopol seriam soldados russos, afirmou o ministro.

Segundo a agência de notícias AFP, o aeroporto de Simferopol permanece aberto, enquanto homens armados e vestidos com uniformes militares patrulham a área externa. Civis ativistas pró-russos também estariam presentes na região do aeroporto, mas sem prejudicar o seu funcionamento, disse a agência.

República autônoma

Durante a madrugada desta sexta-feira, cerca de 50 homens armados não identificados tomaram o controle do aeroporto de Simferopol, um dia depois da ocupação do Parlamento e da sede do governo na república autônoma da Crimeia, informou a agência Interfax. Segundo a agência, os homens armados chegaram ao aeroporto em caminhões, carregando bandeiras da Marinha russa.

Na quinta-feira, o Parlamento regional da Crimeia, que permaneceu sob o controle do comando armado pró-russo, votou a favor da realização de um referendo no dia 25 de maio, para ampliar a autonomia da região em relação a Kiev. O Parlamento também expulsou o governo ucraniano local. No dia 25 de maio também deverão ser realizadas eleições presidenciais antecipadas na Ucrânia, depois da destituição, no último fim de semana, do presidente Viktor Yanukovych.

A Crimeia já possui o estatuo de república autônoma dentro da Ucrânia, depois de ter pertencido à Rússia, no âmbito da União Soviética, e de ter sido anexada à Ucrânia em 1954. Além de a principal base da frota russa do Mar Negro se localizar em Sebastopol, dois terços da população da república ucraniana autônoma da Crimeia é de origem russa.

Exercícios militares súbitos não têm relação com crise política na Ucrânia

Autoridades do Ministério da Defesa garantem que verificação do grau de prontidão das Forças armadas já havia sido programada antes dos desdobramentos da crise no país vizinho.


Ekaterina Turicheva | Gazeta Russa
Reportagem combinada

Na última quarta-feira (26), o presidente Vladímir Pútin ordenou a súbita realização de exercícios militares para verificação do grau de prontidão dos distritos militares ocidental (DMO) e central (DMC). Também foram colocados em estado de alerta o Comando de Defesa Aeroespacial, as Tropas Aerotransportadas e a aviação de transporte militar de longo alcance.

“No ano passado, aumentamos os indicadores de correção dos equipamentos, bem como o número de efetivos nas formações das unidades militares. Queremos agora ver a consistência da sua operacionalidade”, explicou o ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu. Até o dia 7 de março, as tropas irão regressar aos seus locais de origem.

Os testes estão sendo realizados nas fronteiras da Rússia com outros países, incluindo a Ucrânia, mas os responsáveis pela pasta ressaltaram que a iniciativa repentina nada tem a ver com a crise política no país. “Independentemente de qualquer evento, é necessário cuidar da prontidão das Forças Armadas”, disse o vice-ministro da Defesa, Anatóli Antonov, acrescentando que os testes já estavam programados desde antes.

Antonov confirmou, contudo, que o órgão está acompanhando de perto os desdobramentos na Crimeia e em torno da Frota do Mar Negro. “Estamos tomando medidas para garantir a segurança das instalações”, disse.

Os exercícios militares anteriores aconteceram em julho do ano passado, com participação das tropas do Distrito Militar do Leste. A operação, que envolveu mais de 80.000 soldados russos, foi o maior exercício de prontidão súbita do Exército depois de 1991.


Ministros integrantes da Unasul aprovam criação da Escola Sul-Americana de Defesa

O Conselho de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (CDS/Unasul) deu ontem uma contribuição decisiva para a formação de uma identidade regional em matéria de defesa


Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

Brasília, 21/02/2014 – Reunidos em Paramaribo, capital do Suriname, os ministros da defesa dos países que compõem o fórum aprovaram a criação da Escola Sul-Americana de Defesa (Esude).

Iniciativa que há tempos contava com apoio brasileiro, a Escola será um centro de altos estudos responsável pela articulação das diversas iniciativas dos países-membros do CDS de capacitação de civis e militares na área de defesa e segurança regional. “Essa é uma instituição que vai nos permitir formar, dentro da pluralidade e diversidade que nos caracteriza, uma visão conjunta da nossa região e das nossas necessidades”, comemorou o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, presente ao encontro.

A Esude terá formato descentralizado. Ela reunirá cursos e outras iniciativas oferecidas pelos países-membro do CDS. A proposta aprovada pelo Conselho prevê a possibilidade de intercâmbio entre especialistas das nações sul-americanas e convênios com universidades e outras instituições de ensino.

A proposta levada à apreciação do CDS foi definida numa reunião de trabalho, em outubro passado, em Buenos Aires, Argentina. Ela estabelece que todos os países-membro poderão ofertar cursos nas modalidades presencial, semipresencial e à distância. O projeto anual de cursos será elaborado e pelo conselho acadêmico, órgão de assessoramento composto por representantes de todos os países.

Os representantes do CDS discutem agora a constituição de uma sede administrativa para a Escola. A ideia preliminar é que ela fique sediada em Quito, capital do Equador, país que também abriga a sede da Unasul.

O Brasil já possui iniciativas que deverão fazer parte do projeto anual de cursos da Esude. Uma delas é o Curso Avançado de Defesa Sul-Americano (CAD-SUL), que este ano será realizado pelo terceiro ano consecutivo na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro.

Plano de Ação e Haiti

A decisão de criação da Esude ocorreu ontem, durante a V Reunião Ordinária do CDS, em Paramaribo. O Conselho é presidido atualmente pelo Suriname e pela Colômbia. A reunião teve como principal item de pauta a aprovação do Plano de Ação do fórum para 2014. Os ministros dos 12 países-membro aprovaram as iniciativas propostas pela instância executiva do Conselho (veja aqui a íntegra do Plano de Ação 2014).

Durante a reunião, o ministro Celso Amorim felicitou o Conselho pelo consenso em torno da criação da Esude. “Não somos uma organização defensiva no sentido clássico Mas isso não deve nos impedir de refletirmos em conjunto sobre aqueles temas que podem, num mundo ainda cheio de incertezas, significar alguma ameaça à nossa região”, disse.

Em sua intervenção, Amorim destacou a importância do CDS no contexto da Unasul, pontuando que a missão central do Conselho é fazer com que a América do Sul seja uma “comunidade de paz e segurança em que a guerra não seja concebível como forma de solucionar conflitos”.

O ministro brasileiro defendeu a ideia de que a criação de confiança entre os países sul-americanos deve ir além da troca de informações, por meio de uma progressiva cooperação em treinamento, formação, capacitação e desenvolvimento de uma base industrial comum de defesa. Sobre este último tema, Amorim chamou atenção de seus pares para a necessidade de envolvimento do setor industrial das nações para dar concretude às ações de desenvolvimento e produção de equipamentos militares.

A defesa cibernética também foi citada pelo representante brasileiro. Amorim mencionou os recentes episódios de espionagem e ressaltou a importância do desenvolvimento de iniciativas conjuntas com os países vizinhos para proteção de redes informatizadas. “Temos que garantir que tecnologias importadas limitem ou eliminem totalmente a existência de backdoors e outras facilidades para espionagem”, afirmou.

Ainda em sua intervenção, Amorim sugeriu a criação de um comitê permanente para assuntos defesa na Unasul. Nos moldes propostos por ele, órgão teria caráter de assessoramento e funcionaria junto à sede Unasul, em Quito. A ideia foi bem recebida pelos membros do Conselho, que decidiram criar um grupo de trabalho para estudar o assunto.

No final de sua intervenção, o ministro brasileiro mencionou a participação das tropas dos países sul-americanos na Missão de Paz da ONU do Haiti (Minustah), que este ano completa dez anos. Após ressaltar a importante contribuição da América do Sul no processo de pacificação da nação caribenha, Amorim ponderou que uma eventual saída das tropas da região deve ser feita de maneira “planejada, cuidadosa e responsável”.

Ele sugeriu a coordenação entre os países do CDS para tratativa do assunto, respeitada a soberania de todos e os parâmetros definidos pela ONU. “Essa maneira responsável de devolver ao Haiti a tarefa de manter a sua segurança é o que nos dá também força moral para cobrar dos outros membros da comunidade internacional apoio mais decidido ao desenvolvimento social e econômico do Haiti”, afirmou.



Amorim destaca a modernização dos equipamentos das Forças Armadas em palestra pelos 100 anos da Escola de Guerra Naval

Amorim tratou de temas como a diplomacia marítima, cooperação com países africanos, projetos estratégicos das Forças Armadas e a cobiçada riqueza petrolífera do Brasil


Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Rio de Janeiro, 25/02/2014 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, proferiu palestra durante o evento comemorativo pelos 100 anos da Escola de Guerra Naval nesta segunda-feira (24/02), no Rio de Janeiro. Em seu pronunciamento, Amorim tratou de temas como a diplomacia marítima, cooperação com países africanos, projetos estratégicos das Forças Armadas e a cobiçada riqueza petrolífera do Brasil – o que, na sua visão, pode motivar a cobiça de terceiros.

O processo de reaparelhamento das Forças Armadas foi destacado pelo ministro em sua palestra. Para ele, o avanço no programa de submarinos da Marinha (Prosub), a criação do Centro de Defesa Cibernética do Exército (CDCiber) e a aquisição das novas aeronaves de combate da Aeronáutica (Projeto F-X2) “são marcos históricos” da modernização da Defesa brasileira.

“O objetivo dessas e de muitas outras medidas é garantir ao Brasil a posse, com domínio tecnológico, das capacidades necessárias para dissuadir no mar, em terra e no ar ameaças e agressões que o país possa vir a sofrer a qualquer tempo e originadas em qualquer quadrante”, afirmou.

Amorim ressaltou que as áreas marítimas brasileiras, dotadas de riquezas ainda desconhecidas, “não estão livres de pretensões de controle hegemônico, em detrimento de direitos de Estados costeiros ou da exploração segundo regras multilaterais de conduta”.

Além disso, o ministro enfatizou a necessidade de o Brasil ter adequada capacidade de dissuasão com vistas à proteção das enormes reservas de petróleo que o país detém na camada do pré-sal no Atlântico Sul.

Líbano

Em sua exposição, o ministro da Defesa lembrou o atentado à bomba que tirou a vida da brasileira Malak Zahwe, ocorrido em Beirute, no Líbano, em janeiro deste ano. Para ele, “a presença de uma fragata da Marinha do Brasil na componente marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, a Unifil, é boa ilustração de como o emprego de instrumentos militares pode reforçar a ação diplomática na busca da paz”. E acrescentou: “Nossa participação no Líbano sublinha a importância de refletirmos sobre nossos desafios e de definirmos nossos interesses”.

Cooperação com a África

A relação do Brasil com as nações africanas também foi destaque na fala de Celso Amorim. Segundo ele, a Marinha é parte premente nesse esforço de cooperação. O ministro elogiou o apoio prestado pela Força Naval a nações africanas como o Cabo Verde, a Namíbia e a Guiné, além da assessoria que a Marinha tem dado à União Africana na questão marítima.

De acordo com o ministro, a importância da parceria Brasil-África, em assuntos de cunho militar e diplomático, se deve à responsabilidade conjunta pelo Atlântico Sul. “Por meio da Zopacas (Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul), unimos esforços para que nosso oceano seja uma zona de paz e cooperação, livre de armas nucleares e de todo tipo de rivalidades estranhas ao nosso entorno”, afirmou.

A Escola de Guerra Naval

Criada pelo Decreto 10.787, de 25 de fevereiro de 1914, com o nome de “Escola Naval de Guerra”, a instituição recebeu sua denominação atual em 1930. A EGN tem como missão contribuir para a capacitação dos oficiais da Marinha para funções de Estado-Maior, aperfeiçoando-os para o exercício de cargos de comando, chefia, direção e altos escalões da Força.

Na solenidade que marcou os 100 anos do centro de ensino, o diretor da Escola de Guerra Naval, almirante Almir Garnier Santos, reiterou que anualmente são formados 1 mil oficiais da Marinha “na casa destinada, principalmente, à pesquisa”.

Além do ministro Celso Amorim, a cerimônia contou com a presença do comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Carlos Augusto de Sousa; do secretário-geral do Ministério da Defesa, Ari Matos Cardoso; e do coordenador de Negócios dos Correios, Orlando Costa.

Durante o evento, foram lançados o livro, a revista e o selo dos Correios comemorativos pelos 100 anos da EGN.



Defesa detalha segurança da Copa para corpo diplomático estrangeiro

O Ministério da Defesa (MD) apresentou nesta quinta-feira, em encontro organizado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Planejamento Integrado de Segurança para a Copa do Mundo da FIFA 2014.



Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 27/02/2014 – O esquema de segurança foi detalhado pelo assessor especial para Grandes Eventos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) do MD, general Jamil Megid Júnior, aos representantes de missões diplomáticas estrangeiras.

O objetivo do encontro era detalhar informações e procedimentos com relação à estrutura dos órgãos de segurança pública para o mundial de futebol, o tratamento para autoridades estrangeiras, o apoio à mídia internacional e a concessão de vistos e desembaraços alfandegários e imigratórios.

O general Megid explicou ao corpo diplomático que o plano de segurança é constituído pelos órgãos de segurança pública federal, estadual e municipal, além das Forças Armadas, Defesa Civil e área de inteligência.

“O plano foi concebido a partir de planejamento concluído em 2013, antes da realização da Copa das Confederações e testado neste evento e na Jornada Mundial da Juventude. Portanto, há uma cooperação entre diversas agências visando uma ambiente seguro e pacífico”, afirmou.

Megid informou aos representantes estrangeiros que, nos dias de jogos, haverá uma restrição de espaço aéreo em torno dos estádios, municípios sedes e aeroportos. “Em março, sai a mudança da malha aérea durante a Copa do Mundo”, complementou.

Ainda de acordo com o general, as Forças exercerão papel importante na defesa aeroespacial, controle do espaço aéreo, proteção de estruturas críticas (serviços de água, energia, telecomunicações, transporte público), defesa marítima e fluvial, prevenção e combate ao terrorismo e na defesa química, biológica radiológica e nuclear. Segundo ele, a partir de março e abril iniciam-se exercícios simulados com esta finalidade.

“Teremos no âmbito nacional um comitê de segurança integrado, constituído pelo Ministério da Justiça (MJ), MD, Casa Civil e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República”.

A previsão é que 57 mil homens das Forças Armadas participem da segurança da Copa. O orçamento para a segurança do evento, na área específica de Defesa, é de R$ 709 milhões, sendo que 90% desse valor já foram aplicados, em 2012 e 2013.

Segundo o assessor especial do MD, as Forças irão também participar na segurança de área, nas escoltas dos chefes de Estado e em condições de atender alguma contingência. As forças de contingências, como hipótese, gira em torno de 20 mil militares.

“Estaremos prontos para prover segurança para os turistas estrangeiros, para as delegações de futebol e os chefes de Estado presentes na copa”, finalizou o general.

Participaram do evento no Itamaraty o assessor internacional do Ministério do Esporte, embaixador Carlos Henrique Cardim; a coordenadora-geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do MRE, ministra Vera Cíntia Álvarez; o chefe do cerimonial do MRE, ministro Fernando Luís Lemos Igreja; o secretário extraordinário de segurança para Grandes Eventos do MJ, delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues; o diretor do Departamento de Inteligência Estratégica da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Janér Tesch Hosken Alvarenga; e a gerente-geral de Protocolo do Comitê Organizador da Copa FIFA 2014, Lucia Amaral Peixoto.


Em audiência no Senado, Força Aérea apresenta vantagens do caça Gripen NG

O projeto F-X2, que irá reequipar a Força Aérea Brasileira com modernas aeronaves de combate, foi tema de audiência pública na manhã desta quinta-feira (27/02), no Senado Federal



Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 27/02/2014- Por iniciativa da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), os parlamentares debateram com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito, a opção do Governo Federal de adquirir 36 caças suecos Gripen NG, da fabricante Saab. O acordo prevê a transferência de tecnologia para a capacitação do parque industrial aeroespacial brasileiro.




Perguntado sobre os motivos que levaram à escolha do caça sueco, Saito não hesitou. Disse que todas as propostas tinham suas vantagens, mas no caso do Gripen havia certeza de acesso a dados de propriedade intelectual.

“Para um país que quer se capacitar, a solução é aprender junto com eles. Será fabricada no Brasil 80% da estrutura do avião. O Gripen não é de quinta geração, mas só quem tem hoje caças de quinta geração voando são os Estados Unidos, com seu F-22 que os radares não pegam. Os americanos não vendem esse caça a ninguém”, informou Saito.

De acordo com o comandante da Aeronáutica, além da capacidade para empregar armamentos de fabricação nacional, o novo caça da FAB contará com modernos sistemas embarcados e radar de última geração. A expectativa é que o contrato de financiamento seja assinado em dezembro deste ano.

Saito adiantou à Comissão do Senado que está prevista a ida de dois pilotos militares brasileiros à Suécia, no início do próximo semestre, para fazer capacitação e conhecer o funcionamento dos caças suecos. “A proposta de intercâmbio foi oferecida pelo Ministério da Defesa da Suécia”, disse.

A montagem dos aviões no Brasil também prevê a criação de cerca de 3 mil empregos diretos no país, além de 22 mil empregos indiretos. Os postos devem ser distribuídos entre Embraer, a futura linha de montagem dos aviões, em São Bernardo do Campo (SP), e indústrias de componentes situadas em locais como Porto Alegre (RS).

Presente também ao evento, o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), brigadeiro-do-Ar José Augusto Crepaldi Affonso, disse que foi pensado um modelo de transferência de tecnologia e suporte logístico que garanta, para as empresas nacionais, a manutenção do ciclo de vida das novas aeronaves no Brasil.



26 fevereiro 2014

Militares reagem à punição de Dilma e clima piora

O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo com que base legal os militares podem ser punidos



TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado

A decisão da presidente Dilma Rousseff de punir militares da reserva que criticaram ministras do governo por serem favoráveis à revogação da Lei da Anistia piorou o clima na caserna e aumentou o número de adesões ao manifesto Alerta à Nação - eles que venham, por aqui não passarão. Dilma tomou a decisão de puni-los depois que os militares a criticaram publicamente por não censurar as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres).

Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas. Na manhã da quinta-feira, após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número subiu para 235 e no início da tarde de hoje chegou a 386 adesões, entre eles 42 oficiais-generais, sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar.

A presidente já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às vésperas do carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada ainda com esse novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim, de intervir no Clube Militar.

A presença de ex-ministros do STM adiciona um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocuparam, mas também porque, como ex-integrantes da Corte Militar, eles têm pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo com que base legal os militares podem ser punidos. Várias reuniões foram convocadas nos últimos dias para discutir o assunto. Mas há divergências de como aplicar as punições.

Pontos de vista

A Defesa entende que houve "ofensa à autoridade da cadeia de comando", incluindo aí a presidente Dilma e o ministro. Para Amorim, os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar.

Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a Lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas.

No artigo 1.º da lei está escrito que "respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público".

Essa zona cinzenta entre as leis, de acordo com militares, poderá levar os comandantes a serem processados por danos morais e abuso de autoridade, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que esse tema virasse uma bola da neve.


Presidente da Rússia coloca duas regiões militares em estado de alerta

Voz da Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, solicitou, esta quarta-feira, ao Ministério da Defesa uma fiscalização integral do estado operacional das regiões militares do Oeste e Central, aliada a uma série de inspecções urgentes em alguns ramos das Forças Armadas.

Lembre-se que, pela primeira vez em dois decénios, tais inspecções aconteceram no ano passado, tendo revelado deficiências e pontos fracos na actividade do Exército russo. Em função disso, a direção do país decidiu dar prosseguimento a esta prática em 2014.



23 fevereiro 2014

Canhões a laser dos EUA são arma de supremacia pouco eficaz

Este ano, o Pentágono começará a equipar os navios da Marinha de Guerra dos EUA com canhões de lazer. Os americanos chamam a esse passo "uma revolução no campo militar".


Serguei Duz | Voz da Rússia

No próximo verão, o primeiro exemplar do lazer de combate aparecerá no Golfo Pérsico. Os militares americanos tencionam, com a sua ajuda, lutar contra as lanchas sem piloto e rápidas do adversário. Eles consideram que a arma de lazer mudará radicalmente a abordagem da condução de ações de combate. Se o otimismo dos americanos se justificar, as suas ambições geopolíticas sofrerão um forte impulso. Até agora, os concorrentes estavam atrasados em relação aos EUA no campo técnico-militar. O laser de combate é capaz de tornar esse atraso ainda mais significativo. Mas os peritos olham de forma cética para esta questão.


VIDÉO - La Navy a annoncé qu'elle allait équiper un de ses bateaux de guerre avec un canon laser. Cette nouvelle arme est bien plus économique que

É impossível “disparar” um lazer para além do horizonte. O seu feixe atingirá apenas o alvo diretamente visível. Além disso, são necessárias potentes fontes de energia para obter um feixe de lazer de grande potência. Mas uma importantíssima insuficiência do laser consiste em que a sua eficácia diminui bruscamente quando as condições meteorológicas são difíceis e quando existe uma forte cortina de fumo. Isto para já não falar de que o feixe de lazer se dispersa quando o estado da atmosfera é ideal.

Estas insuficiências não podem ser superadas ou compensadas, considera o analista militar Viktor Litovkin:

“Trata-se de um trabalho sem perspetivas. Porque até agora não existem acumuladores tão potentes que possam armazenar a energia elétrica necessária para um tiro certeiro a longa distância. Pode-se marcar um alvo com laser, pode-se cegar o adversário com lazer, pode-se alterar a distância com laser. Mas o lazer, enquanto arma, é do campo da ficção científica”.

Os americanos tentam montar armas de laser não só nos navios, mas também nos aviões. É verdade que o peso e as medidas do aparelho são tais que para isso se têm de modificar os aviões civis. Mesmo assim, a potência do lazer é insuficiente e os complexos de combate são demasiadamente caros. Por outras palavras, os americanos não conseguem ir além dos testes. Ivan Konovalov, diretor do Centro de Conjuntura Estratégica, considera:

"Nesta situação, os americanos têm duas vias: portador marítimo ou aéreo. O lazer terrestre é uma torre, um “reservatório gigante”, demasiadamente caro. Isso é um problema sério. Claro que os americanos escondem os números finais. Um tiro de um lazer de combate não pode custar nem vários dólares, nem várias centenas e até vários milhares de dólares. Por enquanto, a arma de laser não é uma arma de campo de combate, mas uma arma de supremacia. Os EUA demonstram que têm à disposição uma arma que está algures no meio entre uma arma convencional e uma nuclear. O seu emprego numa guerra real é tão caro que se torna injustificável. Quando se tornarem mais baratos todos os elementos da tecnologia, então o preço do laser militar será razoável. Parece que o progresso técnico-científico universal levará a isso dentro de dez anos”.

Os peritos consideram que a arma de laser dos EUA é uma espécie de projeto de imagem, que visa demonstrar a própria supremacia técnico-militar segundo o exemplo da tristemente célebre "Guerra das Estrelas" de Ronald Reagan.

Os próprios americanos acabaram de reconhecer que a Iniciativa de Defesa Estratégica não só era desnecessária estrategicamente e dispendiosa economicamente, mas deu início a uma nova escalada da corrida aos armamentos.

Considera-se que a arma a laser no Oriente Médio, mesmo que sob a forma de exemplares experimentais, não aproximará, mas afastará a paz na região. Além disso, do ponto e vista da própria segurança, os americanos perderão mais do que ganharão. Quase de certeza que eles sabem disso melhor do que ninguém.



Austrália receia expansão militar chinesa

Estes exercícios militares tiveram uma grande repercussão na imprensa australiana e provocaram uma onda de discussões de como este país terá que viver nas condições do crescente poderio militar da República Popular da China. Jamais as manifestações do poderio militar chinês foram efetuadas tão próximo do território australiano.


Vassili Kashin | Voz da Rússia

A unidade naval chinesa, constituída, ao que se sabe, de dois contratorpedeiros e um navio de desembarque, contornou pelo sul a ilha indonésia de Java e passou nas proximidades da ilha Christmas, que pertence à Austrália. Ao mesmo tempo os chineses realizavam exercícios militares com canhões de combate.

Alguns cientistas chineses afirmaram na entrevista à imprensa australiana que é pouco provável que estes exercícios tenham sido os últimos. A Austrália é um dos aliados-chaves dos EUA na região Ásia-Pacífico e local de instalação de vários objetos militares americanos. Uma vez que o planejamento militar da China visa, afinal de contas, a confrontação militar com os EUA no Pacífico, não é de estranhar que uma atenção cada vez maior será dedicada à possibilidade de ataque contra as forças americanas no território australiano e contra a própria Austrália, dado que este país é aliado dos EUA.

À medida que cresce o poderio militar chinês, a Austrália, da mesma maneira que alguns aliados dos EUA na região, irão sentir-se cada vez mais na mesma situação que os habitantes da Europa Ocidental na época da guerra fria. Uma importante tarefa da política externa chinesa consiste em convencê-los de que no quadro desta confrontação a orientação unilateral pelos EUA é destituída de perspectiva. Para conseguir este objetivo, a China vai demonstrar, por um lado, as vantagens da colaboração com a China e, por outro, as possíveis consequências horrorosas da confrontação.

Ao contrário do Japão, outro aliado importantíssimo dos EUA na região Ásia-Pacifico, as forças armadas da Austrália são muito modestas, - somente 57 mil homens, - mas ela possui um território enorme que necessita da proteção. Na medida em que a China desdobra novos sistemas de armas, por exemplo, os submarinos da nova geração e os mísseis alados de baseamento naval, os australianos irão sentir-se cada vez mais indefesos.

A imprensa australiana discute diversas variantes da reação ao surgimento de navios de guerra chineses junto da sua fronteira naval – mas por enquanto todas as variantes da reação têm um caráter muito limitado. É difícil de supor que a Austrália disponha de quaisquer recursos para reagir de uma forma eficiente ao crescimento do poderio militar chinês. Em face da crescente pressão por parte da China a Austrália pode enfrentar a opção – afrouxar a sua aliança com os EUA em troca do melhoramento das relações com a China ou seguir estritamente no encalço da política americana nas questões de segurança na Ásia.

Durante a guerra fria, os países europeus, que estavam então numa situação semelhante, optavam por diversas soluções de acordo com as tendências da sua própria população e situação política interna, o que forçava os EUA e a União Soviética a empreender tentativas de intervir na política interna dos países europeus e incrementar a envergadura de operações de espionagem nos seus territórios.

De um modo geral, a guerra fria na Europa foi um exemplo de como o receio e a desconfiança mútuos, transformados em confrontação militar, abrangiam novas e novas esferas da vida das sociedades, implicadas neste processo, acarretando inevitavelmente o crescimento de despesas militares, escândalos na política interna e incremento da retórica militarista. Será que a confrontação americano – chinesa na Ásia seguirá a mesma lógica?


Rússia está desenvolvendo novos helicópteros de alta velocidade

Como está previsto, o desenvolvimento do novo helicóptero russo de alta velocidade será concluído em 2017—2018. Diferentes variantes de tais máquinas estão sendo elaboradas na Rússia, embora ainda seja prematuro falar sobre suas caraterísticas técnicas.


Oleg Nekhai | Voz da Rússia

A empresa moscovita Mil é universalmente conhecida graças a suas máquinas sofisticadas Mi-8 e Mi-17, que têm alta procura no mundo. A companhia planeja concluir no fim do próximo ano um projeto técnico de um helicóptero prometedor de alta velocidade, intitulado de B-37. A variante básica do helicóptero terá um conjunto contemporâneo de aviônica e outros sistemas a bordo de última geração. A velocidade de cruzeiro da máquina poderá constituir 350—370 quilômetros por hora.


Kamov Ka-92 Photo - Vehibase
Kamov Ka-92
A empresa russa Kamov está desenvolvendo o helicóptero Ka-92 com hélices coaxiais. Por enquanto é difícil referir caraterísticas de velocidade da versão militar da nova máquina, mas, provavelmente, elas ultrapassarão consideravelmente os respectivos índices do Ka-52 e do Mi-28H “Caçador Noturno”, aprovado pelo Ministério da Defesa. Estes dois helicópteros têm a velocidade de cruzeiro de 270 quilômetros por hora, aponta o redator-chefe do portal Avia.ru, Roman Gusarov:

“O desenvolvimento de um helicóptero de alta velocidade é uma tarefa complexa. Hoje, a velocidade comum de voo de helicópteros não supera 250—300 quilômetros por hora. Se for possível construir uma máquina com uma velocidade de cruzeiro de 500 quilômetros por hora, este será um passo gigantesco dado pela frente. Mas nesta via há muitos obstáculos que será difícil ultrapassar.”

Engenheiros de vários países tentam resolver o problema do aumento da velocidade máxima e de cruzeiro. Qualquer helicóptero tem restrições físicas que não lhe permitem alcançar uma velocidade superior a 350 quilômetros por hora em regime de cruzeiro. As leis aerodinâmicas limitam consideravelmente as caraterísticas de velocidade. Durante um voo, é impossível pôr a hélice principal assim que não resista a camadas de ar.

Na aeronáutica mundial, tais tarefas são resolvidas com a ajuda de aviões-helicópteros. Por exemplo, o Osprey americano levanta e aterrisa na vertical, como um helicóptero, e voa como um avião desenvolvendo uma velocidade de 500—550 quilômetros por hora, graças ao revolucionário desing de inclinação dos rotores montados nas asas.

No entanto, principais companhias mundiais, tais como a Eurocopter e a Sikorsky Aircraft, continuam projetando helicópteros de alta velocidade e já alcançaram bons resultados, destaca o perito:

“A Eurocopter é hoje um exemplo, ditando moda em muitos segmentos da construção de helicópteros. Muitas empresas tentam igualar-se a essa companhia, cujo helicóptero híbrido X3 atingiu uma velocidade de 470—480 quilômetro por hora em voo horizontal durante os testes no sul da França. Este é um resultado notável e por enquanto dificilmente alcançável para a indústria russa.”


Eurocopter-X3-Helicopter-Landing
Eurocopter X-3
Para acelerar a projeção de helicópteros prometedores de alta velocidade, engenheiros russos terão de resolver o problema dos motores, inclusive para máquinas de combate, que são produzidos na empresa Klimov em São Petersburgo embora em quantidade reduzida. A maior parte deles é comprada no exterior em primeiro lugar na Ucrânia.

Mas, é absolutamente evidente que no futuro os helicópteros de combate russos de alta velocidade, diferentemente de máquinas civis, deverão ter por definição motores fabricados na Rússia. Por isso, na empresa Klimov, estão sendo construídas novas estruturas para a produção de motores de nova geração, previstos para uma longa perspectiva e continuando a ser contemporâneos por pelo menos de 50 anos.


Saiba como opera a primeira unidade do radar da nova geração Container

Exército permitiu pela primeira vez que jornalistas visitassem a unidade militar que opera o sistema; a Gazeta Russa acompanhou.


Valentina Zotikova | Gazeta Russa

O arsenal da defesa aeroespacial da Rússia ganhou uma nova ferramenta de monitoramento que lhe permite assumir o controle seguro das fronteiras ocidentais. Em dezembro passado, a primeira unidade do radar da nova geração Container assumiu o seu plantão militar nos arredores da cidade de Kovilkino, na República da Mordóvia. Assim, o moderno sistema de detecção horizontal de alta precisão monitora quase toda a Europa.

Com os olhos na Europa

Chegamos ao posto de entrada da unidade militar onde está baseado o 590º Centro de Radares no primeiro grupo de jornalistas autorizados a visitar esta estação única do Ministério da Defesa. No meio de um campo coberto de neve podemos ver o posto de comando, os hangares, os anexos de serviço e uma "paliçada" de um quilômetro e meio de antenas com a altura de um edifício de dez andares.

“No total temos aqui 144 mastros”, diz o comandante da unidade, o coronel Andrei Rostovtsev. “A primeira estação do sistema de inteligência e prevenção de ataque aeroespacial de um eventual inimigo está por enquanto operando em modo de teste. Ela começou a funcionar no final do ano passado. O sistema permite acompanhar e reconhecer objetos da aviação militar e civil a uma distância de 3.000 quilômetros e a uma altitude de 100 quilômetros, bem como detectar o lançamento de mísseis de cruzeiro. Vemos a Europa até a França, a Itália e o Reino Unido. A longo prazo, até 2017, vamos também estar olhando para a Ásia.”

Hoje, sob o comando de Rostovtsev, servem 115 pessoas. A nova divisão militar de defesa aeroespacial nos arredores de Kovilkino, localizada a cem quilômetros de Saransk, a capital da Mordóvia, foi formada em maio do ano passado. Em pouco tempo vieram servir 80 jovens tenentes recém-licenciados da Academia Cósmico-Militar Mojaiski. Um deles, Stanislav Nogovitsin, no dia da nossa visita, estava de plantão no grupo de cálculo e operações militares no “santuário” do posto de comando, o servidor do sistema.

“Acompanho a componente técnica, o envio e recebimento de dados, e reporto as informações”, diz. Pela componente militar responde o jovem que naquele momento olha fixamente para o monitor. Na grande tela na frente dele está representado o mapa da Europa com as projeções das aeronaves.

Concorrência

O novo radar funciona através de radiação de energia eletromagnética: a estação emite um sinal para cima, que é refletido na ionosfera como se esta fosse um espelho, criando assim a possibilidade de ver tudo o que acontece para lá da linha do horizonte.

“Num certo momento passamos à frente do Ocidente nesta área: nos anos 80, a estação soviética Arco (Duga), que estava baseada perto de Tchernobil, era única no mundo por seu alcance: o seu diapasão de cobertura era de 10 mil km”, diz o projetista-chefe do Container, Valentin Strelkin. “No entanto, na década seguinte, nos atrasamos bastante e depois tivemos que correr atrás dos concorrentes. Hoje, já conseguimos alcançá-los: Container não fica atrás de nenhum dos modernos análogos ocidentais.”

O radar russo custa quase metade do preço dos concorrentes – o custo total do projeto foi de cerca de dez bilhões de rublos (cerca de US$ 200 milhões). Mas para proteger o espaço aéreo russo de todos os lados, diz Strelkin, será necessário colocar em funcionamento pelo menos quatro estações destas nos próximos anos.



17 fevereiro 2014

Crise síria será resolvida sem os sírios

De acordo com a mídia russa, os Estados Unidos convidaram a Rússia para um novo formato de resolução para a crise na Síria: negociações com os principais patrocinadores da oposição síria – a Arábia Saudita e a Turquia – bem como com o aliado-chave de Damasco – o Irã. Especialistas discordam da eficácia de tais medidas.


Nikolai Surkov | Gazeta Russa

No decorrer das conversações que aconteceram na última semana em Munique, entre o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguêi Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, os norte-americanos propuseram a criação de um mecanismo adicional para a resolução da crise da Síria. Sobre isso falou ao jornal Kommersant uma fonte diplomática russa, que foi confirmada por um elemento do Departamento de Estado dos EUA. Estamos falando de um formato regional que deverá complementar as conversações entre as várias forças sírias no âmbito da conferência Genebra 2. Os norte-americanos propõem incluir nelas uma linha paralela de discussão com cinco participantes: Rússia, EUA, Arábia Saudita, Turquia e Irã.

A escolha dos países não é casual. A Rússia e os Estados Unidos têm um papel de destaque na regulação do problema. A Arábia Saudita e a Turquia são os principais patrocinadores dos opositores ao regime sírio e o Irã é o seu aliado-chave.

De acordo com o jornal, a parte russa respondeu afirmativamente a esta oferta dos norte-americanos. Acontece que Moscou ainda no ano passado propôs a Washington que organizasse uma frente de negociação de formato regional, mais ampliado do que as fronteiras sírias. Mas na altura os EUA não consideram esta iniciativa apropriada.

É possível que a mudança fundamental na posição dos EUA se deva aos modestos resultados que fecharam na semana passada a primeira rodada de negociações no âmbito do Genebra 2.

Em uma entrevista à Gazeta Russa, o pesquisador do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Vassíli Kuznetsov, observou que o formato regional é agora muito necessário "uma vez que as potências regionais desempenham um papel maior na crise da Síria, do que as potências mundiais".

"No atual momento, as relações entre a Arábia Saudita e o Irã são o grande problema regional. Eles vão demorar para acordar o que seja já que existe muita desconfiança mútua entre eles. A principal esperança assenta no fato de ambos os países terem nova liderança. Além disso, tanto as elites da Arábia Saudita, como as do irã compreendem que a situação na Síria chegou a um impasse", disse o especialista.

Vassíli Kuznetsov enfatizou que é importante criar um sistema de salvaguarda regionais que garanta a coexistência pacífica dos diferentes grupos étnicos e religiosos da Síria durante o período de transição e acrescentou que seria conveniente engajar a ONU nas negociações.

A professora do Instituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais (MGIMO) Marina Sapronova tem uma relação cética quanto à proposta norte-americana. Segundo ela, mesmo que o Irã e a Arábia Saudita cheguem a um acordo, nada garante que a oposição e as autoridades da Síria cumprem as resoluções. "Isto mais se parece com manobras diplomáticas para ganhar tempo, porque no verão a Síria deverá ter eleições presidenciais que podem mudar radicalmente a situação", disse à gazeta Russa.

Enquanto isso, os observadores notaram que a iniciativa dos EUA de estabelecer um modelo regional para discutir a crise síria significa, na verdade, a exclusão da EU das negociações. Fontes diplomáticas em Moscou tendem a explicar essa abordagem com o papel não construtivo que alguns representantes de países europeus desempenharam nas conversações realizadas no outono entre o Irã e o "grupo dos seis" intermediários.


Kremlin poderá fornecer US$ 2 bilhões em armas para o Egito

Governo russo assinou um acordo com o Egito para o fornecimento de armas no valor de US$ 2 bilhões. Segundo a imprensa egípcia, o negócio pode ser financiado pela Arábia Saudita e Emirados Árabes, mas o governo local não confirmou tal informação.


Nikolai Surkov | Gazeta Russa

Não é novidade que a Arábia Saudita apoia o governo atual do Egito e é um dos seus principais patrocinadores. Além disso, os sauditas já subsidiaram a compra de armas de outros países muçulmanos, como o Marrocos, por exemplo. Mesmo assim, a informação divulgada pela imprensa egípcia de que os armamentos russos seriam financiados pelos vizinhos árabes continua uma incógnita, assim como os aparatos que serão fornecidos no âmbito do proposto acordo russo-egípcio.

“Acho pouco provável o Egito se tornar o primeiro cliente estrangeiro para os SMTO Iskander”, disse ao jornal “Vzgliad” o diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, Ruslan Pukhov. “Suponho que os egípcios vão comprar elementos de defesa antiaérea”, especulou. Acredita-se ainda que o país poderá receber caças MiG-29 ou sistemas antimísseis Kornet.


9K135 Kornet | AT-14
Os observadores internacionais também se questionaram por que o Egito gastaria dinheiro com armamento russo precisamente agora que a situação econômica do país deixa a desejar. Porém, o presidente do Instituto de Religião e Política, Aleksandr Ignatenko, aponta para o grande número de ameaças externas às quais o Egito estaria submetido.

“Não devemos esquecer que encostado ao Egito está a Líbia, onde a situação é altamente instável e de onde se pode esperar todos o tipo de problema. Além disso, está em curso uma operação de contra-terrorismo na Península do Sinai”, explica o cientista político. “O exército egípcio está lutando lá contra os islâmicos, por detrás dos quais há quem acredite que esteja o adversário da Arábia Saudita na liderança sobre a região – o Qatar”, acrescenta, justificando a possível compra pelos sauditas.

Outro motivo para a compra de novos equipamentos militares pode ser encontrado nas fronteiras do sul do Egito, onde o Cairo tem relações tensas com os Estados da região do Nilo. A Etiópia, por exemplo, está construindo uma barragem que irá prejudicar gravemente o abastecimento de água no Egito, e as autoridades egípcias provavelmente terão que tomar medidas energéticas para solucionar a questão.

Os observadores lembram ainda que o Egito tem o exército mais numeroso do mundo árabe, o que representa um dos fatores de contenção de Israel e uma das garantias da segurança das monarquias árabes, especialmente face à ameaça iraniana. “O enfraquecimento do Cairo levaria à mudança de equilíbrio do poder no Oriente Médio. Por isso, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos podem, de fato, vir a financiar a compra de armas”, conclui Ignatenko.

Desde a URSS

Os primeiros relatos de um possível acordo referente ao fornecimento de armamento surgiram em novembro passado, durante a visita oficial do ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov, ao Egito. Mas o fato de Moscou e Cairo estarem negociando o fornecimento de armas significa apenas o restabelecimento de uma tradição antiga.

Entre as décadas de 1950 e 1970, a URSS era o maior fornecedor de armamento dos egípcios. Nos últimos anos da presidência de Hosni Mubarak, que durou até fevereiro de 2011, a Rússia começou a se voltar ao mercado egípcio. Nessa época, os países assinaram um acordo fundamental para a venda de equipamento militar, sobretudo helicópteros, e modernização dos meios de defesa aérea no montante de US$ 1,5 bilhões. No entanto, após a derrubada de Mubarak, a cooperação técnico-militar ficou congelada, já que o Egito simplesmente não tinha capital para adquirir armamento.



14 fevereiro 2014

Israel apresenta sistema capaz de abater pequenos drones

Novo sistema de defesa antimíssil baseado em laser está tomando forma


Voz da Rússia


A empresa militar israelense Rafael Advanced Defense Systems Ltd. afirmou que os planos de instalação do novo sistema de defesa antimíssil com base na tecnologia laser estão tomando forma.

A Rafael fará uma apresentação do sistema Feixe de Ferro, esta semana, no Show Aéreo de Singapura.

"É exatamente como no filme Star Wars. Pode-se ver como os feixes de laser sobem, atingido o alvo, como um raio", declarou o porta-voz oficial da empresa.

O Feixe de Ferro é projetado para abater pequenos drones, mísseis e morteiros.


Empresas ganham concurso para destruir armas químicas da Síria

Uma empresa finlandesa e outra norte-americana vão destruir as armas químicas da Síria


Voz da Rússia

Uma empresa da Finlândia e uma outra dos EUA venceram o concurso convocado pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) com vista a eliminar as substâncias químicas da Síria.

Os produtos químicos prioritários deverão ser retirados da Síria antes de 31 de março de 2014, enquanto a destruição de todas as armas químicas da Síria deverá ser completada até o final de junho do ano em curso.

Os especialistas planejam que o grosso das substâncias altamente tóxicas será destruído em território da Síria e a bordo do navio norte-americano Cape Ray em alto mar. As restantes substâncias menos tóxicas terão de ser eliminadas por empresas selecionadas pela OPAQ.


De que drones precisa a Europa?

Cerca de 120 milhões de euros foram gastos no financiamento de desenvolvimentos militares


Oleg Severguin | Voz da Rússia

Nos últimos anos, Bruxelas transferiu para várias empresas de defesa europeias centenas de milhares de euros para fins de pesquisa, diz um relatório divulgado pela ONG britânica Statewatch. No total, empresas deste setor receberam pelo menos 315 milhões de euros.

Cerca de 120 milhões de euros deste montante foram gastos no financiamento de desenvolvimentos militares. Sob os termos do atual programa da UE de pesquisa científica e inovação Horizon 2020, os fundos alocados para a sua execução não podem ser utilizados para fins militares. No entanto, especialistas da Statewatch acreditam que o conceito adotado na União Europeia de chamadas “tecnologias de dupla utilização” abre muitas brechas para contornar a proibição de financiamento de contratos de defesa.

Entre os principais recipientes de fundos são mencionadas as empresas Thales, Selex, EADS, e Sagem. No entanto, segundo destacado no documento, mais de metade dos fundos recebidos foram utilizados para desenvolver veículos aéreos não tripulados. E em novembro de 2013, a França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Espanha e Polônia criaram uma espécie de “clube” a fim de produzir até 2020 um drone de médio alcance, tendo encomendado o estudo desse programa à Agência Europeia de Defesa (EDA), localizada em Bruxelas.

Defensores londrinos de liberdades civis falam de uma mal disfarçada tendência de “militarização” da UE. No entanto, vários especialistas acreditam que não se pode falar de uma completa unanimidade das autoridades europeias. Segundo observou numa entrevista Michael Gahler, deputado do parlamento europeu do partido CDU alemão e especialista em defesa, para alcançar a unanimidade é preciso primeiro encontrar respostas para várias perguntas:

“O que estamos nós defendendo? A União Europeia, com seus valores, normas e estilo de vida? De que ameaças específicas? E que política é necessária em face dessas ameaças? Então, poderemos formular também as relações com os vizinhos. Por exemplo, declarar que precisamos garantir a segurança das rotas marítimas para a Ásia”.

Como vemos, questões há muitas. E mesmo assim, podemos acrescentar mais uma: para quem, para quê e que drones precisa a Europa?



A Marinha russa e as perspetivas dos navios de primeira classe

Defexpo 2014: os planos de construção de novos navios da Marinha de Guerra da Rússia e a cooperação técnico-militar com a Índia


Ilia Kramnik | Voz da Rússia


Na exposição Defexpo 2014, na Índia, o representante da empresa russa Corporação Unida de Construção Naval, Anatoli Shlemov, falou, em entrevista exclusiva à Voz da Rússia, sobre os planos de construção de novos navios da Marinha de Guerra da Rússia e sobre a cooperação técnico-militar com a Índia.

– A Índia recebeu recentemente o porta-aviões Vikramaditya de fabrico russo. Há planos para mais projetos conjuntos da mesma escala?

– Este projeto é o maior de toda a história da cooperação russo-indiana, mas estes trabalhos não se limitam ao Vikramaditya. A Rússia forneceu igualmente o equipamento técnico aeronáutico desenvolvido pelo gabinete de projetos Nevsky para o complexo indiano de simuladores para a aviação embarcada, assim como para o novo porta-aviões indiano do projeto 71. Além disso, estão em curso negociações para a assistência pós-garantia e para o acompanhamento do ciclo de vida útil do porta-aviões.

– Devemos esperar a futura construção de um novo porta-aviões para a Rússia?

– Estão a ser estudadas várias versões de um navio dessa classe, mas só se poderá dizer algo de concreto depois da aprovação do programa de longo prazo para a construção naval militar da Federação Russa, que deverá ser concluído este ano. Esse programa irá definir os parâmetros para as novas construções da marinha russa e as necessidades em navios das classes principais até 2050.

– O que nos pode dizer sobre a reparação do cruzador nuclear Admiral Nakhimov? Podemos considerá-la como uma preparação para a reparação do Petr Velikiy?

– Neste momento estão decorrendo os trabalhos de preparação e num futuro próximo o navio será colocado na bacia de aprestamento em que recentemente esteve o Vikramaditya. O prazo para a entrega do navio à marinha é até 2018. O cruzador irá durante a reparação aumentar as suas capacidades graças aos novos sistemas de armas e ao equipamento radioeletrônico. O Petr Velikiy também tem uma extrema importância para a marinha, ele cumpre um grande volume de tarefas. O navio entrou ao serviço em 1998 e desde então é ativamente utilizado. Está para breve a altura da sua reparação e ele deverá ser modernizado tal como o Admiral Nakhimov.

– Como estão decorrendo os trabalhos do projeto Lider? Qual será a sua classificação – será um contratorpedeiro ou um cruzador?

– No ano passado o Ministério da Defesa assinou um contrato para os trabalhos de desenvolvimento Lider para a construção de um navio de superfície oceânico. Por enquanto falamos de um navio de combate de superfície multifuncional oceânico, esse termo representa de uma forma mais completa as funções e as capacidades desse futuro navio.

A Marinha ainda não decidiu se quer um navio com uma unidade propulsora de turbinas a gás, nesse caso ele terá determinadas dimensões e deslocamento. Se for escolhida uma unidade propulsora nuclear, os parâmetros serão completamente diferentes. Quanto ao seu armamento, muito do que se prevê instalar no navio oceânico deverá ser desenvolvido para a fragata do projeto 22350 (classe de fragata multipropósito de alto mar desenvolvida para o reequipamento da Marinha de Guerra da Rússia).

– O que podemos dizer das perspectivas para as forças de desembarque da Marinha?

– O destino do Ivan Gren e em geral do projeto 11711 (classe de novos navios de desembarque grandes, destinados a forças de desembarque e transporte de material e equipamentos) está associado à alteração do caderno de encargos por parte da Marinha, mas esse navio será entregue no próximo ano. Está prevista a construção de mais 2 ou 3 navios de desembarque grandes desse projeto.

A frota de combate da Marinha de Guerra irá receber brevemente dois NDDH (navio de desembarque doca porta-helicópteros) da classe Mistral, mas se trata de navios bastante caros e eles não serão construídos em massa. Penso que a classe principal de navios de desembarque poderá ser um NDDH semelhante pela sua ideologia ao Rotterdam holandês, com um deslocamento de 13-15 mil toneladas. Desses navios podemos construir umas 6-8 unidades. Em conjunto com os Mistral, com o projeto 11711 e a reparação dos navios de desembarque grandes existentes, nós poderemos manter as nossas forças de desembarque a um nível.


12 fevereiro 2014

Primeira turma de aspirantes mulheres ingressa na mais tradicional escola militar do país

Agora, elas passarão quatro anos na Escola e poderão chegar ao generalato um dia



Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 07/02/2014 – Natural de Fortaleza (CE), Jéssica da Silva Custódio, 20 anos, integra o seleto grupo participante de uma iniciativa inédita da Marinha do Brasil. Juntamente com outras 11 jovens, ela compõe a turma pioneira de mulheres na Escola Naval do Rio de Janeiro. Jéssica foi a primeira colocada entre elas no concurso promovido ano passado, que também ofertou 41 vagas para homens. “Fiquei surpresa. Não achei que conseguiria. Terminei o 3º ano do Ensino Médio em 2010 e, desde então, estudei em curso preparatório para escolas militares”, explicou a mais nova aluna da mais antiga instituição de nível superior do Brasil. Nesta sexta-feira (7/02), ela e os demais selecionados no certame assistiram à aula inaugural que deu início ao ano letivo na Escola.




Depois de aprovados no concurso, os selecionados passaram pela etapa de adaptação, quando foram submetidos a testes de aptidão física – canoagem, natação, corrida, barras, flexão, tiro, entre outros –, e participaram de atividades de doutrina e rotina militar. No último dia de janeiro, os novos aspirantes vestiram pela primeira vez a farda da Força Naval. Agora, eles passarão quatro anos na Escola e poderão chegar ao generalato um dia.

Ser uma futura oficial da Marinha é motivo de alegria para a família de Jéssica Custódio. Filha de um cabo do Exército, a jovem disse que o exemplo de seu pai é sua maior motivação. “Além disso, o brilho das Forças Armadas sempre me encantou. O andar garboso, a honra, tudo me instigava”, ressaltou.

Por ter sido a primeira colocada no concurso e fazer parte de um empreendimento pioneiro, a aluna tem consciência da “enorme responsabilidade” que pesa sobre seus ombros. Para a nova aspirante, o ingresso de mulheres numa instituição tradicionalmente masculina mostra que a Marinha acredita no potencial feminino. “Nós não desapontaremos”, garantiu.

As cariocas Juliana Martins Braga, 18 anos, e Thaís Affonso dos Santos, 22 anos, também integram a primeira turma feminina da Escola Naval. Para elas, a fase de adaptação foi a mais difícil, tanto por terem ficado sem contato com a família, como por conta da grande exigência dos exercícios físicos. Apesar disso, algumas atividades empolgaram as alunas, como a experiência de velejar.

O fato de assumirem cargos antes restritos aos homens não as intimida. Para Juliana, elas estão aptas a executar todas as funções com o mesmo êxito. “É uma honra fazer parte dessa história”, avaliou. Já Thaís espera ser um exemplo positivo para as próximas mulheres que irão ingressar na instituição.

Adaptação e concurso

Para receber a primeira turma de mulheres, a Escola Naval teve que passar por algumas modificações estruturais. De acordo com a Marinha, “o ingresso das primeiras aspirantes foi cuidadosamente planejado”. Foram realizadas obras na enfermaria, no alojamento e nos banheiros femininos. Além disso, houve a inclusão de três oficiais do sexo feminino no Comando do Corpo de Aspirantes. Elas terão a incumbência de acompanhar a formação das alunas.

A integração entre homens e mulheres já tem sido rotina na vida do efetivo de alunos. Na fase de adaptação, atividades físicas e aulas foram desenvolvidas com grupos mistos.

Para o ano letivo, a Escola Naval informou que as aspirantes foram distribuídas entre as turmas do primeiro ano, cumprindo a rotina junto com os demais alunos em todas as atividades, “exceto em algumas disciplinas específicas para sua área de formação”. Isso porque elas ingressaram na área de Intendência da Força, preparatória para funções administrativas. No caso dos alunos, além da Intendência, eles podem optar pelas áreas de Armada e Fuzileiros Navais.

No concurso de 2013, 3.355 candidatas se inscreveram para as 12 vagas ofertadas. Para o certame deste ano, ainda não está definida a quantidade de mulheres que vão ingressar na Força Naval em 2015.

Mulheres nas Forças Armadas

A presença feminina nas Forças Armadas brasileiras é cada vez maior. Atualmente, elas já são 22.208, ou 6,34% do total do efetivo militar do país, composto por 350.304 integrantes. Esse número tende a crescer por causa das mudanças ocorridas no sistema de ingresso nas carreiras militares, além da firme disposição da presidenta e comandante-em-chefe Dilma Rousseff para que elas se engajem na linha de frente da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

A maioria das mulheres que trabalham nas Forças ocupam cargos administrativos ou atuam na área de saúde, em serviços médicos e odontológicos.

A Marinha destaca-se, nesse sentido, pelo pioneirismo em dois aspectos. Foi a primeira das três Forças a aceitar o ingresso das mulheres, em 1980, e é a única a ter uma oficial general, a contra-almirante médica Dalva Mendes. Agora, com a chegada das aspirantes à Escola Naval, a Marinha dá mais um passo para a igualdade de gêneros na carreira militar.

Combate

As mulheres terão papel ainda mais proeminente nas Forças Armadas nos próximos anos, já que há a previsão de que elas possam a atuar como combatentes. A Lei nº 12.705, sancionada pela presidenta Dilma em agosto de 2012, permite o ingresso de militares do sexo feminino em áreas antes restritas aos homens no Exército Brasileiro.

De acordo com a nova legislação, a Força Terrestre tem até 2017 para fazer adaptações nas estruturas físicas da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), e na Escola de Sargentos das Armas (EsSa), em Três Corações (MG), com o objetivo de permitir o ingresso de mulheres. Desde a década de 1990, o Exército aceita profissionais do sexo feminino nas áreas de administração, saúde e engenharia.

A Força Aérea Brasileira (FAB) é a mais adiantada no processo de possibilitar o ingresso de mulheres para atuar na linha de frente, e não apenas em áreas subsidiárias. Atualmente a Aeronáutica é a Força que possui o maior número de militares do sexo feminino – cerca de 10 mil. O ingresso delas no Quadro de Oficiais Intendentes foi autorizado em 1995. Oito anos depois, em 2003, a instituição recebeu as primeiras mulheres para o Curso de Formação de Oficiais Aviadores. Hoje, na Academia da Força Aérea (AFA), são várias as jovens que saem do centro de ensino aptas a pilotar caças.


Congresso promulga Emenda que autoriza médico militar acumular dois cargos públicos


Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

Brasília, 11/02/2014 - O Congresso Nacional promulgou, na última terça-feira (11/2), a Emenda Constitucional 77, que autoriza aos médicos militares o acúmulo de até dois cargos públicos. A Emenda é de autoria do senador licenciado, e atual ministro da Pesca, Marcelo Crivella. O dispositivo altera o artigo 142 da Constituição Federal, estendendo aos militares de saúde das Forças Armadas a possibilidade de trabalharem em outras instituições.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério da Saúde e se soma a outras ações do governo federal para melhorar o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) - como o programa Mais Médicos. Com isso, após a promulgação da PEC, médicos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica poderão trabalhar, se não houver conflito entre os horários, para o SUS.

Ainda de acordo com o texto, o exercício da atividade militar deverá prevalecer sobre as demais.



11 fevereiro 2014

Mirage F1 se despede da defesa aérea da França, rumo à desativação

Em 13 de junho, o Mirage F1 deixará oficialmente o serviço operacional na Força Aérea Francesa, embora o último voo de despedida esteja programado para a data nacional de 14 de julho


Poder Aéreo

Na última terça-feira, 4 de fevereiro, jatos Mirage F1 do Esquadrão de Reconhecimento 2/33 “Savoie” da Força Aérea Francesa deixaram de cumprir a missão de alerta de defesa aérea e policiamento (chamada de “permanence opérationnelle” – PO na França), na qual vinham operando desdobrados na Base Aeronaval de Lann Bihoué (Lorient). Neste último desdobramento em Lorient, operavam em revezamentos sucessivos dois pilotos e cinco mecânicos do “Savoie”, desde 3 de setembro do ano passado.


Dassault Mirage F1
As aeronaves foram substituídas por caças Mirage 2000-5 do Esquadrão de Caça 1/2 “Cigognes”, também operando desdobradas em Lorient – vale lembrar que o “Savoie” opera baseado em Mont-de-Marsan, enquanto o esquadrão “Cigognes” está baseado em Luxeuil.

Provavelmente, esta foi a última missão operacional (excetuando-se as surtidas para treinamento e manutenção da proficiência dos pilotos) realizada pelo Mirage F1 na Força Aérea Francesa. Isso porque essas aeronaves, cuja principal atribuição no último esquadrão que as opera na França é o reconhecimento, mas que também cumprem missões de caça e ataque ao solo, já não são mais mandadas para operações no exterior.

A cerimônia oficial de retirada de serviço do Mirage F1 está programada para 13 de junho, na Base Aérea 118 de Mont-de-Marsan. Na França, um último voo desse mítico avião está planejado para o desfile de 14 de julho, data nacional francesa (Queda da Bastilha) no desfile de Champs-Élysées, em Paris. A partir de então, os últimos jatos Mirage F1 da força Aérea Francesa ficarão estocados na Base Aérea 279 de Châteaudun.

Fonte: Força Aérea Francesa (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em francês)



Piloto que aprovou Gripen para Brasil diz que alcance de visão é diferencial

Caça sueco será aeronave de combate da Aeronáutica a partir de 2018.

Coronel voou 10 horas como teste e fez relatório para decisão do governo.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

"[O Gripen] É uma nova dimensão. Não é como trocar um carro velho por um novo. É mudar radicalmente, completamente. É como sair de um carro para um avião. É uma nova geração, são novos conceitos, novas táticas, novas possibilidades", diz, em entrevista exclusiva ao G1, o tenente-coronel Carlos Afonso de Araújo, piloto da Aeronáutica que testou e deu aprovação ao caça da empresa sueca Saab que será a nova aeronave de combate do Brasil.

Segundo o oficial, o alcance de visão propiciado por diversos sensores e radares é o diferencial do caça: na cabine, a mais de 30 km do alvo, o piloto consegue ver na tela a aeronave que, por exemplo, deve abater.

"[Com o Gripen] Eu não estarei mais limitado ao meu alcance de visão, mas poderei ver muito mais longe de mim, tendo uma consciência antecipada do que está acontecendo", afirma o tenente-coronel.

Anunciado em dezembro de 2013 pela presidente Dilma Rousseff como o vencedor do projeto FX-2, após 15 anos de negociações, o Gripen passará a voar nos céus do Brasil a partir de 2018. Ao todo, serão comprados 36 aviões por US$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões). A decisão ocorreu em virtude da aposentadoria, em 31 de dezembro de 2013, do avião mais potente que o país tinha até então: o Mirage 2000.

O Gripen concorreu com o F-18, da empresa americana Boeing, já usado pelos Estados Unidos nas guerras do Iraque e Afeganistão, e também com o Rafale, da francesa Dassault, experimentado pela França nas intervenções no Mali, na Líbia e na República Centro-Africana. Mesmo com a novidade que trará ao Brasil, o caça sueco leva desvantagem em relação aos ex-concorrentes. Além da reduzida experiência, não tem tecnologias já testadas em combate pelo Rafale e pelo F-18, que contam com uma maior capacidade de carga de armas e combustível e alcançam alvos muito mais distantes.

Adquirido por países sem tendência bélica, como República Tcheca, Hungria e África do Sul, o Gripen pousa em pistas mais simples e foi construído pela Suécia para que conseguisse fazer ataques a um alvo a até 700 km e retornar à base.

Apesar dos fatores negativos, o modelo sueco foi escolhido pelo governo Dilma por conta de um menor custo de produção e manutenção e da transferência de tecnologia que, segundo o Ministério da Defesa, permitirá que o Brasil conheça e produza seu próprio caça e faça as modificações que quiser no Gripen, colocando nele armamento nacional e aprendendo como se faz o avião.

Foi o tenente-coronel Afonso que recebeu a missão de verificar a capacidade do modelo e fazer um relatório detalhado, que passou pelas mãos do alto comando da Aeronáutica dos governos de Lula e Dilma. Afonso foi a Linköping, na Suécia, para testar por 10 horas o modelo D – uma versão anterior do NG (new generation), que o Brasil comprará – durante duas semanas, entre abril e maio de 2009. Antes disso, foram mais 6 horas em um simulador. No caso do F-18 e do Rafale, o desempenho foi avaliado por outros pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Dizem que o Gripen NG é um conceito [porque o avião ainda será produzido]. Eu digo exatamente o contrário: estamos saindo na frente. Ele está na vanguarda de desenvolvimento, não estamos correndo atrás de nada. Ele é a evolução de todas as capacidades", afirma o tenente-coronel, que atualmente comanda em Canoas (RS) o Esquadrão Pampa da FAB, equipado com caças supersônicos F-5.

"[O Gripen] É uma arma de guerra, com certeza. É uma possibilidade de dissuasão muito grande. E de projeção de poder", avalia Afonso.

Alcance de visão é diferencial

Entre os diferenciais do caça sueco que o oficial da FAB destaca, está a quantidade de informações, radares e sensores disponíveis ao piloto. O avião tem sensores de guerra eletrônica que, além de captar a presença de outros aviões, conseguem também identificá-los.

O Gripen também pode receber, ao mesmo tempo, informações de sensores e radares que estão no chão muito distantes dele, ou até mesmo em outras aeronaves, permitindo que, ao se aproximar do alvo, o piloto já saiba de tudo. Essas tecnologias nunca foram usadas antes no Brasil: nas atuais aeronaves de caça do país, o alcance de visão do piloto nos céus está limitado ao que o radar do avião consegue ver.

Ao decolar de Anápolis (GO) com a missão de abater uma caça de um país vizinho pela fronteira, mesmo ainda bem distante, o piloto pode receber vídeos, imagens de radares e sensores instalados no chão, de aeroportos ou até mesmo de outros aviões civis e militares que estão na área, para saber com antecedência quais armas e qual tática empregará no abate.

Outra tecnologia que chamou a atenção do tenente-coronel Afonso foi um radar com zoom que, mesmo a 10 mil metros de altitude, permite que o piloto veja, por exemplo, uma pessoa caminhando na rua ou um prédio que deva ser atacado, em caso de conflito.

"As empresas falam muito sobre a capacidade de armamento, mas o piloto de caça tem uma concepção diferente. O que deslumbra você é a eficiência e a eficácia. Não precisa ter muitas armas, mas é necessário precisão", diz o piloto da FAB.

Ao contrário do F-5, que foi comprado na década de 1970 pelo Brasil, como um caça tático, e atinge em média 1,7 vez a velocidade do som (cerca de 2 mil k/h), o Gripen chega a mais de 2.450 km/h (2,2 vezes a velocidade do som). Segundo o tenente-coronel, o modelo sueco consegue atingir até 10 mil metros de altitude mantendo a velocidade alta.

"É um avião que acelera muito rápido e consegue chegar a altas altitudes com alta performance, mantendo a velocidade alta", explica.

'Satisfação'

Segundo o oficial da FAB, o Gripen é "um avião muito fácil de pilotar e de controlar".

"Quando se está no ar, avaliar o que precisa ser feito demanda muita energia. O avião tem um software que percebe o que o piloto está fazendo e fornece as informações necessárias", revela o piloto.

"Em termos práticos, eu, que não tinha treinamento de reabastecimento em voo [uma mangueira liga dois aviões, passando combustível de um para o outro], consegui fazer isso no Gripen na Suécia. Para você ver como é fácil pilotar o avião", acrescenta Afonso.

"Pessoalmente, foi uma satisfação muito grande voar uma aeronave como essa. É uma responsabilidade grande, porque suas capacidades e o campo de visão são ampliados. Você tem plena superioridade. É supremacia aérea completa", garante.

"Você pode perguntar a todos os pilotos de caça o que eles querem: é a sensação de dever cumprido. E isso eu tive com o Gripen."
 
Coronel FAB Gripen (Foto: Arquivo Pessoal)
Coronel Afonso voou 10 horas no Gripen D em 2009,
na sede da Saad na Suécia (acima), para testar o
avião para o Brasil (Foto: Arquivo pessoal)
    Quem é o piloto que testou o Gripen
    Nome: Tenente-coronel Carlos Afonso, casado e pai de dois filhos
    Idade: 43 anos
    Horas de voo: 4 mil
    Experiência: É piloto de prova da Aeronáutica, líder de esquadrilha, piloto de caça e já voou em mais de 30 aeronaves, entre elas Xavante, F-16, F-18, A-29, A-1, F-5 e Mirage 2000
    Função atual: Comanda o 1° Esquadrão do 14° Grupo de Aviação (1°/14° GAv), conhecido como Esquadrão Pampa, em Canoas (RS), e equipado com caças supersônicos F-5


    Novo gancho do F-35C passa nos testes iniciais

    Poder Naval

    A versão naval do Joint Strike Fighter, o F-35C , o modelo mais propenso a ter suas encomendas reduzidas ou cortadas, passou na primeira rodada de testes críticos do seu gancho de parada, peça fundamental do avião para pouso a bordo de porta-aviões convencionais com aparelho de parada.

    “Todos os objetivos do ensaio de voo foram atingidos”, disse Joe DellaVedova , porta-voz do programa F-35, em um e-mail . “Nós não estamos declarando vitória, mas no mês passado (09-16 janeiro) a equipe do F-35 realizou 36 ensaios bem sucedidos com o novo gancho em Lakehurst, incorporado ao avião CF-3.”

    O CF- 3 é o primeiro F- 35C a ser equipado com o Sistema de Gancho redesenhado , como é formalmente conhecido. O avião voltou a instalação de ensaios de Patuxent River da Marinha, onde ele passará os próximos três a quatro meses realizando ensaios de adequação aos porta-aviões, incluindo pousos com o uso do gancho. “Espera-se que estes ensaios forneçam a certificação necessária para que a aeronave possa, em outubro deste ano, realizar pousos a bordo do USS Nimitz (CVN -68) .

    O problema com o gancho de parada original foi durante atacado pelos críticos do programa. O escritório do programa disse que há mais de um ano que eles acreditavam que tinham encontrado uma boa solução , mas os críticos, não sem razão, se recusaram a acreditar em qualquer coisa esteja indo bem.

    Eis algumas informações sobre o problema do gancho. O projeto inicial tinha dificuldades em se prender ao cabo e não era forte o suficiente. Basicamente o gancho foi redesenhado, assim como o ponto onde ele se conecta com a fuselagem foi reforçado.

    FONTE: Breaking Defense (tradução e edição do Poder Naval a partir do original em inglês)


    Marinha vai comprar dois porta-aviões para os caças

    Com a confirmação da compra dos 36 caças Gripen, chegou a vez de a Marinha cobrar do governo a realização do Programa de Obtenção de Navios-Aeródromos


    Por Leandro | Coluna Esplanada

    Com a confirmação da compra dos 36 caças Gripen, chegou a vez de a Marinha cobrar do governo a realização do Programa de Obtenção de Navios-Aeródromos, engavetado no Planalto, pelo qual encomendará dois porta-aviões a estaleiros estrangeiros, com construção em parceria com a Força. Os caças Gripen serão adaptados para pousar nos porta-aviões, conta fonte da FAB. Os porta-aviões, segundo a própria Marinha, serão fundamentais para proteger a costa brasileira na ‘faixa que vai de Santos a Vitória, onde se localizam os principais campos produtores de petróleo’, e a foz do rio Amazonas.

    Relíquia ao mar. Atualmente, o Brasil conta apenas com o porta-aviões São Paulo, ancorado na base naval do Rio, comprado da França em 2000, com mais de 50 anos de uso. Uma relíquia.

    Vapor na cara!. A ‘idade’ está pesando. Há dias houve dois incidentes com o porta-aviões. Derramou óleo na Baía da Guanabara e provocou vazamento de vapor que atingiu três oficiais.

    Recado dado. A Marinha ratifica para o governo a importância da armada: ‘Em caso de crise ou de conflito armado, é dever da MB impedir a aproximação de uma força naval adversária’

    Conexão. A Embraer já vendeu mais de 80 aviões modelo KC-390, ainda protótipo, a vários países. Trata-se do substituto do Hércules, agora a jato, que vai abastecer os Gripen em voo.