31 março 2014

Após Twitter, YouTube também é bloqueado na Turquia

Proibição ocorre depois de vazamento do que seria uma conversa secreta entre altos funcionários do governo sobre uma possível intervenção militar na Síria


Veja

Depois de banir o Twitter, o governo turco decidiu bloquear o acesso ao YouTube, segundo informou nesta quinta-feira a agência estatal de notícias Anadolu. A medida foi tomada alegadamente após o vazamento de uma conversa entre integrantes do Ministério de Relações Exteriores, do Exército e do serviço de inteligência em que se discute a possibilidade de uma intervenção militar na Síria. No último fim de semana, um avião militar sírio foi derrubado por forças da Turquia na região de fronteira.

O Google, dono do YouTube, confirmou que alguns usuários não estavam conseguindo acessar a plataforma na Turquia. A medida deve aumentar a insatisfação com o governo, que já vinha sendo criticado por causa do veto ao Twitter. Nesta quarta, um tribunal de Ancara ordenou a suspensão do bloqueio da ferramenta de microblog, mas pode levar meses até que a ordem seja integralmente cumprida pelas autoridades turcas.

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tem feito críticas a redes sociais, que têm sido usadas para divulgar denúncias de corrupção contra seu governo. Em um comício realizado esta semana, Erdogan pediu apoio do eleitorado ao veto contra os sites. “Eu não consigo entender como pessoas de bom senso podem defender o Facebook, o YouTube e o Twitter. Tudo não passa de mentira”. Nesta quinta, ao falar na cidade de Diyarbakir, no sudeste do país, ele mencionou o vazamento que serviu de justificativa para a ação contra o YouTube. “Eles vazam até mesmo reuniões sobre segurança nacional. Isso é desprezível”, disse, segundo a rede britânica BBC.

No domingo, a popularidade do premiê será colocada à prova nas eleições municipais. Após ter a imagem arranhada tanto por denúncias de corrupção quanto pela repressão a manifestações contrárias ao seu governo, o primeiro-ministro chegou a dizer que abandonaria a política se o seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) sair derrotado no pleito. A legenda, que está no poder desde 2002, não perdeu nenhuma eleição desde que Erdogan assumiu o governo turco.


28 março 2014

FAB compra novo drone para vigiar estádios durante a Copa do Mundo

Hermes 900 tem alcance ilimitado e atinge até 9 mil metros de altitude.
Modelo, usado no México, Colômbia e Chile, tem 10 câmeras anexadas.


Do G1, em São Paulo

A Força Aérea Brasileira (FAB) comprou um novo drone para vigiar os estádios durante a Copa do Mundo.

Uma unidade do modelo Hermes 900, fabricado pela israelense Elbit Systems, chegará em maio e já estará pronto para a competição, que começa em junho, informou o chefe do Centro de Logística da Aeronáutica, brigadeiro Ricardo Mangrich.

A Aeronáutica já possui quatro modelos menores, os Hermes 450, que são usados desde 2011 para apoiar ações nas fronteiras, localizando áreas de narcotráfico e de contrabando durante as operações conjuntas das Forças Armadas.

O Hermes 900 tem autonomia de voo de até 30 horas e pode chegar a uma altitude de até 9 mil metros. O alcance do modelo, que pesa 1.180 kg, é ilimitado, diz a FAB.


Hermes 900
Já o Hermes 450, operado até o momento, tem autonomia de até 16 horas e chegava ao teto de 5 km de altitude.

O contrato, de US$ 8 milhões, inclui suporte logístico e garantia de um ano do equipamento.

O novo vant (veículo aéreo não tripulado), como é chamado no Brasil, terá um sistema chamado "SkEye", que comporta um conjunto de 10 câmeras de alta resolução que permitem a vigilância de uma região inteira, visualizando vários alvos e posições ao mesmo tempo.

Para operar o sistema é necessário 10 pessoas. A Aeronáutica informou que o contrato foi assinado no dia 19 de março e será operado pelo Esquadrão Hórus, sediado em Santa Maria (RS),

Nas Américas, o Hermes 900 é operado pelo México, Colômbia e Chile.

Além da Aeronáutica, a Polícia Federal também opera drones israelenses, mas do modelo Heron, da concorrente Israel Aeroespace Industries (IAI). Estes modelos pesam até 1.100 kg e possuem autonomia de até 36 horas. O modelo foi usado durante a investigação que culminou com a prisão do traficante Menor P., suspeito de liderar o tráfico na Maré, e também será usado durante uma operação conjunta que será realizada pelos órgãos de segurança pública e os militares para ocupar a região, no domingo (30).


drones pf fab (Foto: Arte G1)

Fracasso do gasoduto Nabucco derruba estratégia americana

Nabucco era o eixo central da grande estratégia dos Estados Unidos para isolar a Rússia, mas, no final, o caçador acabou se tornando a caça.


Raques Krishnan Simha | Gazeta Russa

A guerra secreta de energia pela dominação dos recursos no Cáspio terminou em uma derrota humilhante para o Ocidente, já que o duto norte-americano Nabucco não chegou a ser concretizado.

Nabucco falhou porque era um gasoduto político. O tubo de gás estimado em US$ 31 bilhões foi concebido para tirar a Ásia Central da influência russa. A estimativa era que a gigantesca bomba desviasse 30 bilhões de metros cúbicos de gás (cerca de 10% do consumo anual da Europa) dos gasodutos russos.

Incitados pelos Estados Unidos, os europeus começaram a ter fantasias sobre a possibilidade de obter energia barata a partir de uma região que praticamente flutua sobre um mar de petróleo e gás. Como pequenos comerciantes, eles se esqueceram que exceto pela briga de 2006 com a Ucrânia, os russos são fornecedores confiáveis ​​de gás siberiano há mais de 30 anos.

No entanto, os russos previram – e fizeram um esforço diplomático – o fracasso do projeto. Em junho de 2009, quando os europeus estavam prestes a assinar um acordo em relação ao Nabucco, um dos principais observadores de Moscou ridicularizou o seu “canto caótico”.

Aleksandr Kniazev, diretor da sucursal regional do Instituto do CIS, disse que o apoio para o projeto lembrava o coro assustador dos escravos hebreus da ópera de Verdi – “lindo, mas absolutamente triste e sem esperança”.

Intenção duvidosa

A bíblia geopolítica de Washington é “O Grande Tabuleiro de Xadrez: Primazia americana e seus Imperativos Geoestratégicos”. Nesse volume mal orientado, o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Zbigniew Brzezinski, diz que ao criar instabilidade em todos os países ao redor da Rússia, especialmente nos Estados da Ásia Central e a Ucrânia, e interromper o fluxo de petróleo e gás, os EUA podem isolar a Rússia, tirando de Moscou o título de grande potência.

Brzezinski defende abertamente a promoção de instabilidade por meio da exploração da diversidade étnica e religiosa na região. O termo “Arco da Instabilidade” começou a ser usado na década de 1970 para se referir ao “islamismo crescente”, que se estende do Afeganistão às regiões que ocupavam o sul da ex-União Soviética.

Nabucco era uma das maneiras de os Estados Unidos tentarem transformar essa fantasia funesta em realidade.

Mudança de planos

Nabucco era, de fato, o Plano B do Ocidente. O gasoduto originalmente transportaria gás do Turquemenistão e até mesmo do arqui-inimigo Irã. No entanto, o problema era que Turcomenistão nunca pareceu satisfeito com a iniciativa.

Não é preciso ser um especialista em petróleo para adivinhar que os russos devem ter exercido certa pressão. Mas o que fez o Turcomenistão finalmente sair da jogada foi a aumento acentuado da instabilidade no vizinho Uzbequistão, depois de o país ter aberto as portas aos ocidentais. Os turcomanos decidiram que todos os petrodólares do mundo não valeriam a pena se isso significasse a interferência ocidental em seus assuntos internos.

O Irã se tornou então o novo garoto-propaganda da Europa. No entanto, com os Estados Unidos atrás do Irã por causa de seu suposto programa de armas nucleares, o gás iraniano também se tornou uma opção inválida. Pouco a pouco, os dominós foram caindo.

A Europa e os Estados Unidos resolveu, assim, pular o Turcomenistão e, em vez disso, começar o gasoduto no Azerbaijão. A nova seção foi chamada de Nabucco.

O problema, contudo, era que o gasoduto tinha perdido o seu principal objetivo – cortar a dependência das repúblicas da Ásia Central em relação à Rússia. Por isso, uma nova razão de ser foi encontrada. O Nabucco era, segundo seus defensores, a chave para enfraquecer influência russa sobre a Europa, reduzindo a dependência dos europeus em relação ao gás siberiano. Mas o Ocidente estava gastando uma fortuna em publicidade de um produto ruim.

Novos dutos
Uma vez que o único propósito do Nabucco era abocanhar uma fatia do mercado, os russos partiram para vingança. Em primeiro lugar, como uma esponja gigante, os conglomerados de gás russo absorveram todo o gás natural disponível na Ásia Central e no Cáspio para negar fornecimento ao Nabucco. Em segundo lugar, em 2007, Vladímir Pútin anunciou – ou melhor, lançou – o South Stream.

O South Stream é um gasoduto estimado em US$ 39 bilhões que cruza a Rússia, Bulgária, Sérvia, Hungria, Eslovênia e Itália, levando gás para a Europa. É importante ressaltar que o gasoduto ignorava a problemática Ucrânia, que parecia fazer exatamente o que os Estados Unidos queriam: bloquear o gás russo.

Em seguida, com a velocidade de uma coluna mecanizada - e contra muito obstáculos colocados em seu caminho pelas nações do Leste Europeu – os russos, com o apoio alemão, construiu o Nord Stream. Esse gasoduto de 1.222 km transporta gás de Viborg, no norte da Rússia, a Greifswald, na Alemanha. O gasoduto também contorna os países bálticos, eliminando assim qualquer possibilidade de interrupção.

O Nord Stream era crucial para a estratégia energética da Rússia, porque demonstrava para a Europa ocidental – seu principal consumidor do gás – que Moscou estava comprometida a garantir um fluxo ininterrupto de energia para a Europa. Assim, as alegações de que a Rússia queria estrangular Europa perderam todo e qualquer sentido.

A estratégia de Pútin valeu a pena. Com o fracasso iminente do Nabucco, mais atores novos e ágeis viram uma oportunidade de entrar para o negócio. Por fim, o gasoduto Trans.-Adriático (TAP) recebeu aprovação. Mas como o TAP só pode transportar um terço do que se planejava com o Nabucco, ele não representa uma ameaça para os interesses da Rússia.

Aliança do gás

A própria natureza da disputa em torno do gás leva a uma corrida constante. Mas como o gasodutos são tão caros para construir e não pode ser redirecionados (como navios), é normal que os compradores e vendedores assinem contratos de longo prazo – geralmente de 20 a 30 anos. Isso reúne produtores e consumidores, bem como países de trânsito, em uma espécie de aliança. Como todas as nações por onde passa obtêm uma porcentagem dos proprietários de gasodutos, não há qualquer razão para mantenham relações complicadas uns com os outros.

Para os americanos, isso é uma má notícia. A ligações da Rússia com a Alemanha, por exemplo, se aprofundaram depois que Moscou construiu o duto que transporta gás siberiano no centro da Europa na década de 1980. O gasoduto foi construído, apesar da imensa pressão norte-americana para sabotar o projeto.

Grandes perdedores

Depois dos Estados Unidos, a Turquia foi o país mais prejudicado pelo fracasso do Nabucco. Tendo ambições geopolíticas, a Turquia tinha expectativa de tomar a influência russa sobre os países da Ásia Central.

Além disso, ao se tornar o principal centro de trânsito dos gás da Ásia Central para a Europa, a Turquia esperava agradar a Europa, que rejeitou todas as tentativas de Ankara de entrar na União Europeia. Tanto a Alemanha quanto a França já deixaram bem claro que a Europa termina na fronteira com a Turquia. Com a ajuda do Nabucco, a Turquia queria redesenhar o limite.

Os turcos também estavam entre os maiores torcedores pelo sucesso do Nabucco pois receberiam uma taxa de trânsito no valor de US$ 680 milhões.

Jogo Final

Embora o Kremlin esteja satisfeito com os resultados de sua estratégia, ainda resta ver se o South Stream vai proceder como o planejado. Num futuro próximo, a maior parte do gás russo será destinada ao Oriente, e não para o Ocidente. São as economias asiáticas, especialmente a da China, que sustentarão a indústria de energia, enquanto a Europa ainda estará de joelhos.

Não há novas ofertas europeias em vista, mas a Rússia assinou atualmente um contrato de fornecimento de gás por 25 anos à China, pelo qual Pequim vai pagar adiantado o valor inédito de US$ 60 bilhões. Nesse contexto, resta saber se a Europa vai se contentar com as sobras ou se irá recuperar o seu lugar na estratégia de exportação da Rússia.

Quanto aos Estados Unidos, o fracasso do Nabucco, acompanhado do recente escândalo de espionagem global, representa uma amostra do que está por vir em um mundo cada vez mais multipolar.



Obama conclama Rússia a retirar tropas da fronteira com a Ucrânia

Voz da Rússia

Em uma entrevista à CBS News, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que a Rússia deve retirar as tropas da fronteira com a Ucrânia e iniciar as negociações com Kiev.

Obama acredita que a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia pode ser entendida como uma tentativa de intimidar o país.

Além disso, Obama sublinhou que o governo dos EUA, em qualquer caso, não quer privar a Rússia de sua capacidade de manter laços estreitos com os países vizinhos.

Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia tinha afirmado que as declarações do Ocidente sobre a concentração de forças armadas russas têm posto em causa as atividades de fiscalização da OSCE.


Putin ordena entregar armas da Crimeia à Ucrânia

Voz da Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou ao ministro da Defesa, Serguei Shoigu, começar a transferir para a Ucrânia as armas e equipamentos militares armazenadas na Crimeia e nas unidades militares que não passaram para o lado russo.

Shoigu declarou, por sua vez, que a retirada ordenada das unidades do exército ucraniano da Crimeia, que decidiram continuar o seu serviço nas Forças Armadas da Ucrânia, foi concluída.

"Está terminada a mudança de símbolos nacionais em todos os veículos e em todas as divisões que passaram para o lado do exército russo. Não foram registrados atos de profanação ou desrespeito em relação aos símbolos nacionais da Ucrânia", disse o ministro.



Rússia será coberta por campo de radar contínuo

Voz da Rússia

As tropas russas da Defesa Aeroespacial começaram a construção de quatro novos radares, declarou o comandante das tropas, Alexander Golovko.

"Duas modernas estações de radar foram postas em serviço nas cidades de Armavir e São Petersburgo. Foram lançados os preparativos para os testes estatais das estações nas cidades de Kaliningrado e de Irkutsk. Iniciou-se a construção de mais quatro instalações semelhantes", disse Golovko.

"Isso permite criar um campo de radar contínuo no território da Rússia", acrescentou o comandante.


Rússia participa de feira de defesa de olho no mercado latino-americano

Com olhos no aumento da cooperação técnico-militar com os países da América Latina, Rússia participa da Feira Aeroespacial e de Defesa, que começou na última terça-feira no Chile.


Tatiana Russakova | Gazeta Russa

Na última terça-feira (25), a 18ª Fidae (Feira Aeroespacial e de Defesa) abriu as portas no Chile aos visitantes de todo o mundo.

De acordo com o Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, a Rússia mostrará 163 produtos militares em Santiago.

A exposição contará com a presença de 14 organizações russas, inclusive a maior empresa de venda de armamento do país no exterior, a Rosoboronexport, além da Sukhoi, da Instrument Design Bureau (KPB na sigla em russo), da NPO Bazalt e da Helicópteros Russos.


AMZ Tigr com Kornet-EM
Neste ano, a Rússia não vai expor grandes novidades. De acordo com informações da KPB, a empresa mostrará os sistemas de mísseis de alta precisão de longo alcance de múltiplas funções para combater alvos terrestres e aéreos Kornet-EM, os complexos de armas guiadas para lança-minas Km-8 Gran e o complexo Bur.

Km-8 Gran
A NPO Bazalt revelará as granadas reativas antitanque RPG-28 com o lançador de granadas descartável e uma bomba de fragmentação unificada com elementos de combate que afetam equipamentos militares, incluindo tanques modernos.

Já a empresa Helicópteros Russos promete trazer os seus tradicionais bestsellers na América Latina: os helicópteros de múltiplas funções Mi17A1 e Ka-32A11VS, que operam nos países da América Latina há vários anos. Além disso, mostrará o novo helicóptero militar Mi-35M. 


Kamov Ka-32
Durante as reuniões empresariais, os especialistas da Helicópteros Russos vão relatar as possibilidades do novo helicóptero Ka-62. O Brasil e a Colômbia já assinaram contratos para a compra desses aparelhos. Espera-se que o Ka-62 receba o certificado até o final de 2014.

As outras empresas que vão participar da feira não informaram quais produtos serão expostos em Santiago. No entanto, de acordo com especialistas, os visitantes poderão ver o avião Yak-130, o caça multimissão da geração 4+ Su-35, os equipamentos de defesa antiaérea Tor-M2E e Antei 2500, o sistema de mísseis terra-ar portátil Igla-S e os sistemas antimíssil Panzir-S1. 


Pantsir S-1
América Latina

No ano passado, o avião Yak-130 causou enorme interesse entre os países da América Latina, visto que eles usam principalmente aviões leves, independentemente das suas capacidades financeiras e doutrinas militares. Em 2014, a Rússia planeja assinar vários acordos preliminares de venda desses aviões.


Yakovlev Yak-130
De acordo com especialistas, a Rússia planeja aumentar a cooperação técnico-militar com os países da América Latina porque esse mercado é um dos mais promissores

Embora ainda não possa ser comparado com o da Ásia (Índia e China), os orçamentos militares dos países da região estão crescendo. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Internacional da Paz de Estocolmo, entre 2009 e 2013, os países latino-americanos aumentaram os gastos em equipamentos militares e armas em cerca de 10%. Os principais importadores de armas na região são o Brasil e a Venezuela.

Devido à instabilidade da situação política e militar nos países do Oriente Médio, que sempre compravam armas russas, a Rússia foi forçada a procurar novos mercados.

Durante os últimos cinco a seis anos, o país aumentou significativamente suas vendas de armas para a América Latina. Além da exportação de uma impressionante variedade de armas para a Venezuela, a Rússia começou a vender helicópteros Mi-35M ao Brasil, veículos blindados Tigr ao Uruguai e helicópteros de múltiplas funções Mi-17 à Argentina.


Mil Mi-35
Os especialistas afirmam que na Fidae 2014 os países não vão assinar acordos muito importantes. No entanto, exposições como essa oferecem aos exportadores de armamento militar uma possibilidade de mostrar os produtos de uma forma mais eficaz, realizar um sério trabalho de marketing e estabelecer contatos com os compradores. A participação no evento é um investimento em futuros contratos com os países da América Latina.

27 março 2014

A reunificação da Crimeia e os interesses geopolíticos

A reunificação - ou anexação, dependendo das preferências políticas - da Crimeia é resultado de mais de vinte anos de relações entre a Rússia e os Estados Unidos. Excluo a Europa, que se limita a um todo geográfico, mas não político. Houve um tempo em que ela sonhava com uma Constituição unificada, com os Estados Unidos da Europa, capazes de competirem com os EUA e a China, mas esses sonhos não passaram disso mesmo: de sonhos.


Vladímir Pozner | Gazeta Russa

Quando a União Soviética caiu no esquecimento ficou claro, embora não formalmente reconhecido, que a Rússia havia perdido a Guerra Fria para os EUA. E do lado destes últimos surgiram expectativas de que a parte perdedora fosse se comportar exatamente como devem se comportar aqueles que perdem, que logo ela estaria seguindo as regras ocidentais do jogo, que seria receptiva à mentalidade ocidental e que iria crescer bem calminha sem voltar nunca mais à grandeza do passado.

Essas expectativas não se concretizaram. A Rússia não foi receptiva nem aos valores ocidentais, nem à mentalidade ocidental. E não porque tenha permanecido prisioneira do seu passado soviético, mas por um motivo bem mais sério: porque as origens da Rússia estão no cristianismo oriental, bizantino, ao contrário do Ocidente, cujas fontes remontam a Roma, ao cristianismo ocidental. Entre estas duas mentalidades e valores existe um abismo. Essa foi a primeira razão.

Em segundo lugar, a Rússia, que estava de joelhos, começou a se levantar bem mais rápido do que se esperava, em grande parte por conta dos inesperados altos preços do petróleo. Em terceiro lugar, rapidamente ficou claro que a Rússia não ia se comportar como um país derrotado. O primeiro sinal disso foi o conflito que resultou da decisão da Otan de bombardear a Iugoslávia, à qual a Rússia se opôs abertamente. Por outro lado, lembramos que nem o Conselho de Segurança da ONU, nem a União Europeia, deram o seu aval para esses bombardeios. Os EUA tomaram a decisão, dizendo à Rússia que davam conta do recado sem ela. A partir desse acontecimento verificamos um acúmulo de desentendimentos entre os EUA e a Rússia, sendo que em todos eles os Estados Unidos assumiram uma posição de força. A irritação foi aumentando em ambos os lados: nos EUA, porque a Rússia não se comportava "como devia", e na Rússia, porque o governo norte-americano não lhe prestava contas, considerando-o claramente como um país de segunda categoria.

Durante todo esse tempo os EUA tentaram – sem sucesso – pressionar a Rússia a sair daquelas regiões que ela tradicionalmente considerava como sua esfera de influência: o Cáucaso, a Ásia Central, o Oriente Médio e a Europa do Leste. A Rússia não tinha resposta para isso (leia-se: forças), embora o uso extremamente hábil de erros norte-americanos lhe permitiu aumentar fortemente a sua popularidade no mundo árabe, em países como a Síria e o Irã.

Mas o que a Rússia não poderia tolerar em hipótese alguma era o desejo dos EUA de tomar o seu lugar na Ucrânia. E a questão não estava apenas no temor de a Ucrânia se tornar membro da Otan, cujas tropas, nesse caso, ficariam às portas da fronteira sudoeste da Rússia. A questão estava (e está) na profunda crença psicológica de que a Ucrânia é "nossa" e que os ucranianos são "nossos" (tente imaginar por um momento que ocorreu uma revolução no México e que o novo líder mexicano convidou a Rússia a colocar parte de suas Forças Armadas ao longo da fronteira entre o país e os EUA. Consegue imaginar? As consequências ficaram claras?).

Enquanto isso, os conflitos que ocorriam na Ucrânia sacudiam cada vez mais o país. A chegada de Viktor Iuchenko [presidente da Ucrânia entre 2005 e 2010] ao poder não só não trouxe salvação à Ucrânia, como mergulhou o país no caos. Nas eleições presidenciais seguintes, Iuchenko obteve 5% dos votos. É evidente que a eleição de Viktor Ianukovitch [presidente que foi deposto no final de fevereiro passado, em meio à crise no país] foi resultado do voto de protesto. Com Ianukovitch, a independência da Ucrânia se aproximou do zero, a corrupção atingiu um tal nível que, em comparação, a corrupção russa ficou parecendo brincadeira de criança. O descontentamento popular não parou de crescer, mas...

Tudo isso foi interpretado pela liderança russa como uma nova confirmação daquilo que vem acontecendo nos últimos vinte anos: o Ocidente impõe as suas decisões e se recusa por completo em seus atos (mas não nas palavras) a levar em conta os interesses da Rússia – neste caso, em uma região que durante séculos fez parte do chamado "mundo russo". Só uma pessoa muito limitada poderia duvidar que a resposta não tardasse. E ela não tardou. Eu não excluo a possibilidade de que era precisamente com isto que os EUA estavam contando, para aproveitar a situação e, até certo ponto, voltar para o estado psicológico da Guerra Fria. Não estou afirmando que foi o que aconteceu, tampouco estou excluindo: ficou penoso para os EUA ver o papel proeminente que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, passou a desempenhar, a ponto de ser reconhecido como "o político mais influente do ano", "o homem do ano" etc.

E quanto à Crimeia? Será necessário lembrar que, a rigor, a Crimeia nunca fez parte da Ucrânia? A Presidência do Conselho Supremo, que deveria ter aprovado a decisão de Nikita Khrushchev sobre a transferência da Crimeia do território da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) para a RSSU (República Socialista Soviética da Ucrânia), votou com apenas 13 votos. A Presidência era formada por 27 pessoas e, por isso, não houve quorum (os outros 14 simplesmente faltaram à votação). Mas a questão não está nos artifícios legais. A questão está na tomada de decisão de que qualquer negociação com o Ocidente é inútil, de que chegou a hora de dar a entender que os interesses nacionais da Rússia não podem ser tratados desse modo. E o fato de a Crimeia (para não mencionar Sevastopol) pertencer histórica e etnicamente à Rússia, de os habitantes da Crimeia, na sua esmagadora maioria, se voltarem para a Rússia, era perfeitamente claro. E a decisão foi tomada.

Em seguida poderíamos discutir a questão dos prós e dos contras. Mas eu insisto que tais discussões devem se basear em conhecimento e na sóbria compreensão daquilo que aconteceu e está acontecendo.

A postura do Ocidente em tudo o que aconteceu não tem nada a ver nem com o desejo de proteger os direitos humanos na Ucrânia, nem com nenhuma preocupação com a preservação da integridade do país. Ela tem a ver com interesses estratégicos geopolíticos. E a ação da Rússia, em minha opinião, não foi de todo ditada pelo desejo de "proteger os russos, os ucranianos e os tártaros da Crimeia", mas pela mesma razão: devido a interesses geopolíticos e nacionais.



26 março 2014

O papel da Rússia no conflito de Nagorno-Karabakh

Após a crise na Ucrânia, a comunidade internacional voltou a prestar atenção à situação de segurança no espaço pós-soviético, algo geralmente ignorado pelo Ocidente, exceto casos específicos em que os conflitos congelados reemergem com força, como aconteceu com a guerra russo-georgiana em agosto de 2008.


Francisco J. Ruiz, especial para Gazeta Russa

É paradoxal observar que as disputas entre Moscou e Kiev em torno da Crimeia pareciam resolvidas desde 1997, ao contrário dos contínuos conflitos entre a Armênia e o Azerbaijão sobre a região de Nagorno-Karabakh, considerados muito mais perigosos e difíceis de resolver.

A Rússia desempenhou um papel importante nessa disputa, tanto na fase da guerra aberta entre 1991 e 1994, como nos esforços empreendidos pela comunidade internacional para alcançar a paz duradoura.

A União Soviética realizou uma política de contínuo redesenho das fronteiras administrativas internas, com o objetivo de filtrar as diferenças entre os povos e impedir quaisquer conflitos.

Na sequência, Nagorno-Karabakh, onde os armênios de etnia indo-europeia e religião cristã constituem mais de 75% da população, foi integrado como território autônomo na República Socialista Soviética do Azerbaijão, cuja população é etnicamente altaica e de religião muçulmana.

O conflito era inevitável. Assim, em 1988, durante o período da Perestroika, a assembleia local de Stepanakert aprovou uma resolução solicitando a reunificação com a Armênia.

Essa decisão foi rejeitada pelo Azerbaijão, que, em 1991, começou uma operação militar contra os separatistas. A guerra durou até 1994, com os armênios não só mantendo o controle do enclave, mas também conquistando os sete distritos circunvizinhos, cerca de 20% do território do Azerbaijão.

Um total de 25 mil pessoas foram mortas e cerca de 600 mil tiveram que abandonar suas casas por causa dos combates. A linha de separação entre armênios e azeris é uma das mais militarizadas do mundo e até agora dezenas de pessoas morrem a cada ano nesse território.

Os interesses e o papel da Rússia

O papel da Federação Russa nesse conflito foi especialmente complexo, porque o país tem fortes laços históricos tanto com a Armênia (entia e religião), como com o Azerbaijão (recursos energéticos do Cáspio).

A posição oficial da Rússia durante o conflito era neutra; na prática, o país forneceu equipamentos militares a ambas as partes do conflito.

Além disso, a Rússia tem 102 bases militares no território da Armênia e suas tropas controlam a fronteira com a Turquia e com o Irã. No Azerbaijão, a Rússia tem o radar Qabala, destinado a detectar o lançamento de mísseis balísticos do oceano Índico. No entanto, o radar foi abandonado em 2013 devido a discordâncias com Baku sobre o preço do aluguel.

Entre 2008 e 2011, o então presidente russo, Dmítri Medvedev, realizou nove reuniões trilaterais para resolver o conflito. Com o retorno de Pútin ao Kremlin, a Rússia começou uma política de dividir e reinar entre Baku e Erevan de novo, mantendo um equilíbrio complexo de interesses russos.

Isso tornou-se evidente em agosto de 2013, quando o presidente russo visitou o Azerbaijão, elogiando o crescimento econômico e a modernização do país e assinando novos e importantes acordos comerciais.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, aproveitou a oportunidade para protestar contra a ocupação armênia de parte do seu território, mas Pútin não comentou o protesto.

Poucos dias depois dessa visita, o presidente armênio, Serzh Sargsian, declarou em Moscou que o seu país iria se juntar à União Aduaneira da Rússia, Bielorússia e Cazaquistão. Isso significava na prática a renúncia ao Acordo de Associação com a União Europeia, cuja assinatura foi prevista para a Cúpula da Associação Oriental em Vilnius, em novembro.

Em dezembro, durante a visita oficial de Pútin à Armênia, as partes ratificaram a nova direção da política externa, assinaram novos acordos econômicos, reduziram os preços do gás e do petróleo e afirmaram que o comércio aumentará em 22%.

No entanto, o mais importante é a completa dependência armênia da Rússia no âmbito da segurança. Ao contrário do Azerbaijão, a Armênia pertence à Organização do Tratado de Segurança Coletiva, que inclui uma cláusula de defesa mútua em caso de ataque a um dos seus membros, um compromisso também assumido pela Rússia nos acordos bilaterais em 2010.

Conclusões

Os princípios da resolução desse conflito foram estabelecidos pelo Grupo de Minsk, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa: a devolução dos sete distritos do Azerbaijão, estatuto provisório que garantia a segurança e o autogoverno da região, manutenção de um corredor que une fisicamente a região com a Armênia, a realização de um referendo sobre o estatuto final do enclave e o regresso das pessoas deslocadas às suas casas.

No entanto, a Armênia e o Azerbaijão não concordam com a forma de implementar essas medidas e o conflito arraigado continua a existir.

Agora, a Rússia tenta manter o status quo, porque um possível ataque a obrigaria a intervir militarmente, o que quebraria os laços comerciais com Baku.

Nas condições de sanções econômicas, a Rússia obviamente vai tentar excluir essa possibilidade.


Quem cuidará do patrimônio militar da Crimeia?

A República da Crimeia e a cidade de Sevastopol regressaram para a Rússia. Já correm relatos de que os trabalhadores da república do Mar Negro receberão o mesmo salário que seus colegas de outras regiões da Federação Russa, que a aposentadoria dos veteranos duplicará, que as escolas e universidades vão passar a lecionar de acordo com os programas russos... É com otimismo que se espera por muitos acontecimentos naquela república. Embora ainda existam problemas sérios para resolver.


Víktor Litóvkin, especial para Gazeta Russa

Um deles é o destino dos oficiais, membros da Marinha e alferes das Forças Armadas ucranianas que servem na Crimeia. Por um lado, Kiev ordena não abandonar as suas unidades militares, mesmo se a vida e a saúde dos soldados corra perigo, e ordena o uso das armas se necessário. Por outro, alguns políticos na capital ucraniana falam da necessidade da retirada das unidades militares ucranianas do território da península e da criação de uma zona desmilitarizada na região. Acredita-se que essa é precisamente a proposta que o Ministério dos Assuntos Exteriores da Ucrânia está preparando para apresentar no Conselho de Segurança da ONU.

O que vai acontecer com os militares ucranianos?

As autoridades da república da Crimeia dizem que os mais de 20 mil militares ucranianos na região têm duas opções. A primeira seria se demitirem do Exército da Ucrânia e passarem para o serviço das forças de autodefesa da Crimeia e, posteriormente, serem integrados ao Exército russo e à frota do Mar Negro, mantendo a mesma patente militar e um soldo bem maior do que aquele recebido no Exército ucraniano. Para os que não querem servir a Crimeia e à Rússia há outra saída: voltar para a Ucrânia.

Aos soldados que desejam deixar a Crimeia, as autoridades de Simferopol estão prontas para pagar um subsídio correspondente a três meses de salário e comprar o bilhete de trem para a cidade de destino. Mas existe um obstáculo sério à implementação desta proposta: nenhum oficial ucraniano, membro da Marinha ou alferes pode deixar o seu posto, a menos que receba uma ordem de Kiev. Caso contrário, será considerado desertor, com todas as consequências daí decorrentes.

Qual a saída para esta situação? As autoridades da Crimeia teriam que entregar a cada um desses militares do Exército ou da Marinha ucraniana uma notificação de deportação por eles servirem um Exército que se encontra agora ilegalmente no território da península. Este documento serviria como uma espécie de indulto para o caso de haver futuras acusações da procuradoria ucraniana.

É verdade que os militares ucranianos (exceto os soldados do serviço de emergência) têm uma terceira opção. Aqueles que não querem mais servir no Exército russo ou ucraniano podem escrever uma carta de renúncia e pedir demissão das Forças Armadas. Essa possibilidade está ao alcance de todos aqueles que têm residência na Crimeia e que já serviram durante o período mínimo para a aposentadoria, que lhes seria garantida pela lei russa.

Equipamento militar

Mas, além dos mais de 20 mil soldados ucranianos, na Crimeia ficou também bastante equipamento militar pertencente ao Exército da Ucrânia. De acordo com diferentes estimativas, estaríamos falando de no mínimo 30 navios de guerra e embarcações de apoio, 150 veículos blindados e 50 tanques, 60 caças MiG-29 e aeronaves de treinamento L-39, 20 helicópteros, 60 mísseis antiaéreos de longo alcance S-300 e 40 mísseis antiaéreos de médio e curto alcance Buk-M1 e Thor, além dos sistemas de defesa costeira... Fica difícil dizer se tudo isso ficará ou não como "herança" para o Exército russo.

Ao longo dos últimos 20 anos, não houve qualquer modernização no armamento do Exército ucraniano, inclusive daquele que está na Crimeia. A julgar pelas palavras dos próprios pilotos militares ucranianos, dos 40 caças MiG-29 estacionados na base aérea de Belbek, perto de Sevastopol, apenas cinco estão em condições de voar.

O estado dos navios da Marinha de guerra da Ucrânia e de suas embarcações de apoio requer uma discussão à parte. Hoje, a maioria desses barcos está bloqueado nas baías de Sevastopol. Por exemplo, as corvetas Ternopil e Lutsk, os navios de comando Slavutich e o único submarino da Ucrânia, o Zaparojie, acabaram ficando “prisioneiros” no local. Na base naval militar do sul, no lago Donuzlav, perto de Evpatoria, estão atracados junto ao muro a grande lancha de desembarque Konstantin Olshanski, a lancha média de desembarque Kirovograd, a corveta Vinnitsa, o transportador Gorlovka, os navios mineiros Tchernigov e Tcherkasi, o navio varredor costeiro Guenitchesk e uma dúzia de outras embarcações. Todos eles têm a saída para o mar barrada pelo navio antissubmarino Otchakov e pelo rebocador Shakhtar, que esperam a desmontagem para aproveitamento do metal e que, entretanto, foram afundados no estreito.

É evidente que eles podem ser retirados dali, mas isso exige tempo e gastos consideráveis, e não se sabe ainda a quem caberá essa tarefa. Caso Moscou decida devolver a Kiev as embarcações bloqueadas, essa função caberá à Marinha ucraniana. Mas se eles ficarem na Crimeia como troféu, será a frota russa do Mar Negro quem terá que levá-los. Tudo isto será objeto de negociação, mas, depois de as novas autoridades ucranianas, sem acordo prévio, terem capturado dezenas de caminhões Kamaz russos que se destinavam ao Cazaquistão, o destino dos navios na baía de Sevastopol pode não ser tão óbvio quanto parece.

Vale ressaltar que alguns desses navios são bastante antigos e necessitam de sérias reparações e modernização, mas só se poderá falar disso depois que seu destino for decido. E há ainda a questão de onde reparar esses navios, bem como os navios da frota do Mar Negro. Na Crimeia existem algumas empresas de construção e reparação naval que, embora bem decentes, se encontram muito negligenciadas. Entre elas está o 13º estaleiro de Sevastopol, o estaleito Zaliv, em Kertch, e o estaleiro Môrie, em Feodosia.

Um desses exemplos é o estaleiro de Sevastopol, que tempos atrás empregou 12 mil pessoas e hoje conta com uma equipe de apenas 200 especialistas. Até recentemente, a empresa não aceitava embarcações da frota do Mar Negro para reparação, e marinheiros de guerra russos eram obrigados a reparar seus barcos até mesmo na Bulgária, que aderiu à Otan.



25 março 2014

Rússia propõe ao Brasil fabricação conjunta de caças de quinta geração

Países-membros dos Brics estabelecem parcerias estratégicas na área de cooperação técnico-militar.


RIA Nóvosti

A Rússia está propondo ao Brasil o desenvolvimento e fabricação conjunta de caças multifuncionais de quinta geração do tipo T-50, informou à RIA Novosti, nesta segunda-feira (24), o diretor do Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar da Rússia, Aleksandr Fomin.

"Infelizmente, não participamos da licitação para o fornecimento de 36 caças ao Brasil. No entanto, a nossa proposta de desenvolver e produzir em conjunto com o país um caça multifuncional com base no T-50 continua de pé", disse Fomin na véspera da abertura da Feira Internacional Aérea e Espacial de Santiago, no Chile.

Segundo ele, a Rússia está pronta para discutir a possibilidade de criação de uma joint venture em suas negociações com o Brasil.

O Brasil já escolheu o vencedor da licitação para a aquisição de 36 caças pesados ​​para a Força Aérea Brasileira, no valor de US$ 4 bilhões. Na lista final estavam três aeronaves: o Rafale, da Dassault Aviation, o F/A-18E/F Super Hornet, da Boeing, e o JAS-39 Gripen NG, da Saab. O russo Sukhoi Su-35 não ficou entre os finalistas. A licitação foi vencida pelo sueco JAS- 39 Gripen NG.

24 março 2014

O sonho da supremacia norte-americana foi enterrado na Crimeia

Primeiro e sobretudo, a participação foi massiva e o 'sim' à Rússia venceu por imensíssima margem.
Segundo, não foi votação que se pautou por linhas étnicas. Quando se diz que há 58,32% de russos na Crimeia não significa que todos sejam votantes qualificados para votar (crianças são contadas, mas não votam).


The Saker | The Vineyard of the Saker

Eis os resultados oficiais do referendo na Crimeia:


96,77% votaram a favor de a Crimeia unir-se à Rússia
02,51% votaram a favor de a Crimeia continuar como república soberana autônoma dentro da Ucrânia
00,72% dos votos foram declarados inválidos
83,10% dos votantes possíveis votaram nesse referendo (portanto, 16,9% não votaram).

Para relembrar, esse é o quadro da formação étnica da Crimeia (em 2001):[1]
58,32% russos
24,32% ucranianos
12,10% tártaros crimeanos.

OK. E o que significa isso?

Primeiro e sobretudo, a participação foi massiva e o 'sim' à Rússia venceu por imensíssima margem.

Segundo, não foi votação que se pautou por linhas étnicas. Quando se diz que há 58,32% de russos na Crimeia não significa que todos sejam votantes qualificados para votar (crianças são contadas, mas não votam). Assim, o número real de votantes russos na Crimeia está provavelmente bem abaixo de 50% do total de votantes. E mesmo assim o resultado mostra que 96,77% dos votos válidos foram a favor da integração à Rússia. De onde vieram os restantes 43,77% (mais ou menos)? Só podem ter sido votos de ucranianos e de tártaros. Ainda que se assuma que 100% dos russos na Crimeia fossem votantes qualificados para votar e que todos tenham comparecido às cabines de votação e que todos votaram 'sim' à Rússia, ainda restam 35,45% dos 'sim' votados por não russos. Nem os 100% dos ucranianos completam essa diferença.

Em outras palavras: o tal "boicote" pelos tártaros ao referendo é TOTAL invenção da imprensa-empresa ocidental.

A pergunta, então, se impõe: por que os tártaros crimeanos, que foram brutalmente reprimidos e deportados durante o governo de Stálin e muitos dos quais foram vistos bradando Allahu Akbar! nos confrontos contra manifestantes pró-Rússia, decidiram, de repente, votar a favor da união com a Rússia? Teriam mudado subitamente de ideia? Será que os "Polidos Homens Armados Vestidos de Verde" visitaram-nos casa a casa e os obrigaram a votar sob mira? Claro que não. A explicação é muito mais simples.

Em 22 anos de independência, a Ucrânia fez exatamente nada para ajudar o povo tártaro crimeano, idioma ou cultura, muito menos para compensá-los por seus sofrimentos. A Rússia, por sua vez, aprovou uma lei chamada "Lei sobre a Reabilitação de Povos Reprimidos [orig. Law on the Rehabilitation of Repressed Peoples"[2], há muito tempo, em 1991, que resolve basicamente o problema dos tártaros crimeanos, os quais obtiveram o que reivindicavam por direito, além de passaportes russos novinhos em folha. Sim, claro, há alguns tártaros crimeanos que prefeririam permanecer sob soberania da Ucrânia, porque entendem que todos os russos são geneticamente capazes de repetir as ações de Stálin a qualquer momento e que o nacionalismo russo é ameaça perene contra eles. Não estou sugerindo que sejam espertíssimos - só estou dizendo que alguns tártaros realmente acreditam nisso. Alguns muçulmanos radicais querem ser parte da Turquia, ou criar seu próprio Estado Islâmico. Têm o direito de querer o que queiram - mas são minoria e, francamente, bastante irrelevantes.

A verdade é que toda essa "questão dos tártaros da Crimeia" é conversa fiada inventada no ocidente, na esperança desatinada de encontrar alguma 'questão étnica/religiosa' para negar a legitimidade desse referendo e gerar mais tumultos étnicos. Os resultados mostram que esse plano fracassou visivelmente.

Então, o que acontecerá a seguir?

Morreu a Ucrânia. Viva o Banderastão?

Alguns leitores objetaram contra eu usar a palavra "Banderastão" para descrever a Ucrânia. Tivessem lido com mais atenção, teriam compreendido que não igualo, de modo algum, Ucrânia e Banderastão. Na verdade, Ucrânia é o país cuja existência terminou em fevereiro de 2014, e Banderastão é o novo projeto nacional do Setor Direita e do Partido Liberdade (Svoboda) (sim, o mesmo partido cujo nome original era Partido Nacional-Socialista). Assim sendo, o quê, exatamente, é o Banderastão?

Banderastão é a Ucrânia que Dmitry Iarosh, Andrei Parubii ou Oleg Tiagnibok querem criar: um estado "nacional socialista" cujo princípio fundador seria o "Бий жидів та москалів - Україна для українців" ("Fora judeus e russos. Ucrânia para os ucranianos"). Simples e claro. Esse estado teria idioma único (o ucraniano), etnia única (ucraniana), um único líder (Iarosh) e um pai-fundador (Stepan Bandera[3]). O objetivo político de longo prazo desse regime seria o "retorno" do "resto" da "terra ucraniana" que hoje estaria sob "ocupação" polonesa ou russa e "punir" os "traidores da Pátria Mãe".

Poder-se-ia pensar nos "Banderistas" como uma versão ucraniana dos Talibã, mas muito piores e infinitamente mais estúpidos. Algo, talvez, como uma versão ucraniana dos Interahamwe,[4] talvez?

Um leitor enviou esse excelente videozinho[5] (Obrigado, "JP"!), que mostra alguns desses Banderistas e o que gostam de fazer. Negócio incrível, hein?

É claro que esse projeto tem precisamente zero chances de ser bem-sucedido, por algumas razões básicas:

- Depois de 22 anos de mando oligárquico, a antiga Ucrânia rica está agora quebrada. O Banderastão está em condições ainda piores.

- Muitos ucranianos não são "nacional-socialistas", nem no oeste da Ucrânia.
A cada movimento dos "banderistas", a reação contra é mais e mais determinada.

- Muitos falantes de russo e muitos judeus estão ficando realmente apavorados em relação ao próprio futuro (mais sobre isso, adiante).

- Os banderistas não têm absolutamente nenhum programa econômico.

O resumo é simples: governar significa mais, de fato, reconstruir país e nação arruinados e em bancarrota significa muito mais que desfilar simulacros de uniformes nazistas, pegar dinheiro dos norte-americanos, espancar policiais e gritar "Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!!"Para todas as finalidades práticas, o projeto banderista está hoje em queda livre, independente do fato de que líderes ocidentais insistam obstinadamente em não ver isso. Quanto aos empréstimos ocidentais (EUA, UE, FMI) - só podem adiar por algum tempo o inevitável.

E como, afinal, chegamos a essa louca situação?

A política exterior dos EUA não é dirigida por diplomatas, mas por políticos.

A principal coisa a entender, sobre a política exterior dos EUA é que, basicamente, é dirigida por gente sem experiência, sequer sem compreensão sobre o que seja "diplomacia" e seus objetivos. Não é só MrsNuland e seu famoso "Foda-se a União Europeia!". E também Kerry e suas constantes mentiras e zig-zags; é também Mrs Rice com suas ameaças arrogantes e sempre belicosas contra a Rússia e muitos outros países; finalmente, é também Obama, combinação, ele mesmo, de húbris imperial e um realmente fenomenal nível de hipocrisia.

A própria noção de negociação é profundamente distante desses líderes imperiais que creem, fortemente, que negociar sempre seria sinal de fraqueza. Para eles, a única coisa negociável é o outro lado aceita todos os termos e condições que os EUA imponham. E se isso não acontece, os EUA basicamente põem-se a ameaçar que bombardearão o outro lado até a total submissão. Longe vão os dias em que George H.W. Bush (Pai) e seu brilhante secretário de Estado James Baker entendiam o quanto podem conseguir diplomacia e negociações cuidadosas.

A geração Kerry/Rice só entende que poderiam dizer a todos os demais o que eles próprios querem e, se não funciona, então a força bruta (ameaças, ou real força bruta) sempre resolverá tudo. Aí está a razão pela qual os EUA jamais aceitaram negociar com Gaddafi ou Assad; e eis por que todas as propostas dos russos, para encontrar solução negociada, foram sistematicamente rejeitadas.

Já no outono passado a Rússia ofereceu-se para negociar, quando os primeiros sinais de crise iminente começaram a surgir. Lavrov propôs que se iniciassem negociações trilaterais entre UE, Ucrânia e Rússia. A UE, fosse por obediência a ordens dos EUA, ou movida só por suas próprias fantasias degrandeur, rejeitou estupidamente a proposta, sob o pretexto de que a Ucrânia era nação soberana e que, portanto, a Rússia tinha tanto direito de opinar sobre seu futuro quanto o Paraguai ou Vanuatu.

Pior: a UE fez como se bastasse que o governo ucraniano assinasse as 1.500 páginas do longo acordo que fixava os termos e condições de uma proposta associação entre UE e Ucrânia, sem que ninguém precisasse dar um segundo de atenção ao que a Rússia pudesse fazer. Exceto que logo começou a ficar bem claro para Azarov e Yanukovich que a Rússia ficaria sem alternativa, se não fechar as atuais fronteiras, para proteger a economia russa contra um dilúvio de produtos da UE que fatalmente afogaria a Ucrânia.

Quando, no último segundo, Yanukovich anunciou a conhecida decisão de não associar a Ucrânia à UE, outra vez a Rússia propôs que se abrissem negociações. E outra vez sua proposta foi rejeitada. Alguns burocratas da EU aparentemente ainda acreditavam que Yanukovich cederia, na reunião em Vilnius. Ele não mudou de posição, simplesmente porque não podia mudar, não, pelo menos, sem matar toda a economia ucraniana.

Foi quando os norte-americanos literalmente enlouqueceram, entraram em surto, porque compreenderam que um 'não' à UE, mesmo que apenas temporário, significava um 'sim' à Rússia - e provavelmente, permanente. Foi quando o Tio Sam acabou pessoalmente envolvido.

O objetivo, estratégia e táticas da política externa dos EUA, no mundo e na Ucrânia

O objetivo geral da política externa dos EUA no mundo é muito simples: manter-se como a única superpotência do planeta. O fato de que há mais e mais sinais que apontam para o fato de que os EUA já não são realmente superpotência só faz tornar esse objetivo geral cada dia mais prioritário.

Nesse contexto, os EUA têm estratégia também simples em relação à Rússia: fazer o que for necessário para impedir que a Rússia se torne uma "nova União Soviética" ou qualquer outro tipo de grande desafiante contra os EUA, na dominação planetária. Em termos práticos, significa uma coisa: fazer o que for necessário para separar Ucrânia e Rússia.

Há, sim, entre as elites norte-americanas, a bizarra noção de que com a Ucrânia a Rússia seria superpotência; e, sem a Ucrânia, não. Essa noção é contrafatual (a Rússia já é superpotência, como se viu na Síria) e ilógica (a Rússia nem quer nem precisa da Ucrânia, que, basicamente, é estado falhado e totalmente artificial, governado por oligarcas, sem possibilidade viável de contribuir muito - e, nem, de contribuir pouco - para a real riqueza russa.

Francamente, e em termos puramente geopolíticos, a Ucrânia é dor de cabeça da qual ninguém na Rússia realmente precisa. Mas isso não interessa: as elites norte-americanas não agem em consideração ao que a Rússia pense ou entenda, mas, exclusivamente conforme suas próprias percepções: não podem permitir que a Ucrânia volte à "dominação" russa, porque, se voltar, a Rússia voltará a ser superpotência.

Em termos táticos, essa estratégia é implementada mediante duas regras simples:

a) qualquer força anti-Rússia, não importa o quanto seja horrenda ou doida, tem o apoio dos EUA; e

b) é jogo de soma zero: tudo que a Rússia perde os EUA ganham, e vice-versa.

O prêmio máximo para os EUA seria conseguir arrancar da Crimeia a Frota Russa do Mar Negro; e pôr na Ucrânia bases de EUA/OTAN, não porque haveria grande vantagem militar nisso, mas para impedir que a Ucrânia, algum dia, voltasse a aproximar-se ou a ser parte da Rússia outra vez. Não sendo isso possível, a opção mais assemelhada é pôr um regime anti-Rússia em Kiev. E se o regime chegar ao governo por golpe armado - ok. E se as posições chaves desse regime forem dadas a neonazistas - também ok. Nada faz qualquer diferença, desde que os russos não 'retomem' a Ucrânia.

Claro que o mundo é muito mais complexo que a representação primitiva que têm dele esses políticos ignorantes e arrogantes. Na verdade, além de serem os únicos responsáveis pelo atual caos na Ucrânia, os EUA são também os únicos responsáveis por eles terem chegado ao resultado polarmente oposto ao que queriam obter.

Como a incompetência dos EUA resultou num "efeito dominó patriótico" na Rússia

Há tempos, em novembro do ano passado[6] escrevi o seguinte sobre a população de falantes de russo da Ucrânia:

Estes, não têm visão alguma, não têm ideologia alguma, não têm qualquer objetivo futuro identificável. Só têm a oferecer uma mensagem a qual, em essência, "declara" que "não temos escolha senão entregar tudo aos russos ricos, em vez de entregar tudo aos europeus pobres". Ou: "da União Europeia só nos vem conversa; a Rússia, pelo menos, oferece dinheiro". É verdade. Mas absolutamente pequeno e pouco, para dizer o mínimo.

Um mês depois, acrescentei:[7]

O que esses 17 milhões de russos e vários milhões de ucranianos pró-Rússia estão fazendo agora? É o país dele que está sendo empurrado diretamente para o abismo, e eles não estão fazendo nada. Quantas bandeiras russas vocês veem nas manifestações no leste da Ucrânia, em Donetsk, ou em Sevastopol? Acertaram. Zero! Até os chamados "russos" e "pró-russos" estão marchando sob as bandeiras amarelo-azuis que são leste-ucranianas, cores da Galícia. Vocês falam de questões morais e espirituais que estariam em jogo - alguém algum dia ouviu ucranianos do leste levantar essas questões? Eles por acaso falam dos milhares de santos que viveram nessa terra? Por acaso falam dos milhões de russos que morreram para libertar essa terra dos poloneses, dos jesuítas supervisores impostos contra os cristãos ortodoxos? Não, nunca. Só falam de dinheiro, dinheiro, dinheiro: "ficaremos pobres com a UE, com a Rússia nossos negócios florescerão" - essa é a ideia deles, de espiritualidade. Pró-russos na Ucrânia? Ha! Digam-me, só, o seguinte: quando se falou de ucranianos voluntários lutando ao lado dos wahhabistas chechenos - alguém viu algum protesto na Ucrânia? Ou quando o governo ucraniano estava armando Saakashvili até os dentes - viram algum protesto na Ucrânia? Nada, nunca. A versão deles de "pró-Rússia significa "gostamos do dinheiro russo." Eles não são pró-Rússia: só são pró-rublo!

Estava errado, eu, então? Não, absolutamente não: essa era a triste realidade naquele momento.

O que realmente aconteceu é que, ao longo do último mês, aquela população russa quase totalmente passiva passou por brutal 'terapia de choque', que os fez despertar do silencioso estupor induzido por 22 anos de propaganda ucraniana nacionalista, combinada a um silêncio ensurdecedor sobre eles, da Rússia.

E então, de repente, esses falantes de russo até aí 'invisíveis', despertaram. Como aconteceu?

Primeiro, foi o show de horrores dos nazistas na praça Maidan em Kiev, que rapidamente se converteu em insurreição armada. Então, quando Yanukovich foi finalmente derrubado, a primeira decisão do novo governo foi fazer aprovar uma lei que proibia o uso do idioma russo como língua oficial; e outra lei que levantou a proibição contra propaganda nazista. Simultaneamente, uma sequência de ataques violentos contra 'colaboradores' do governo de Yanukovich, que rapidamente se transformou em campanha terrorista anti-russos. E pela primeira vez os falantes de russo realmente começaram a temer pelo próprio futuro: começaram a se reunir e a protestar abertamente e em voz alta.

Isso, por sua vez, disparou uma reavaliação da situação por muitos russos na Rússia, os quais, até ali, haviam acusado seus compatriotas de passividade. Por exemplo, em muitos programas de entrevistas falantes de russo da Ucrânia que vinham reclamando dos próprios sofrimentos ouviram que "vocês não obterão ajuda se não começarem a ajudarem-se, vocês mesmos; vocês têm de falar e agir contra esse novo regime, antes que possamos fazer qualquer coisa por vocês. Não podemos resolver por vocês os problemas de vocês - vocês tem de agir primeiro. Então, sim, ajudaremos!" E quando a população do leste e do sul da Ucrânia finalmente tomou as ruas, dessa vez não com bandeiras ucranianas, mas russas, o povo na Rússia tomou conhecimento e começou a mudar o modo como via a situação.

Por uma longa lista de razões objetivas, a Crimeia foi, de longe, a parte que mais falou nesse movimento de protesto e não é surpresa que o grande desenvolvimento, na sequência, tenha acontecido ali. Serviços de inteligência russa detectaram claros sinais de golpe, e o Kremlin tomou a decisão absolutamente crucial de mandar para lá os chamados "Polidos Homens Armados Vestidos de Verde" [orig. Polite Armed Men in Green" (PAMG)], normalmente chamados "Spetsnaz GRU" [forças especiais da Rússia].

O que, exatamente, os russos detectaram, ainda não se sabe com clareza, mas não há dúvida,de que o modo como os PAMGs foram deslocados para a Crimeia não é o modo como se deslocam forças em tempo normal de paz, mas o modo como se desloca uma força especial em operação militar em tempo de guerra: rapidamente, clandestinamente, com pesado apoio de fogo e com objetivos chaves a serem tomados por deslocamento posterior de mais forças. Aquele deslocamento durante a noite, dos PAMGsaparentemente conseguiu deter o golpe, e só se registraram pequenos confrontos vagamente noticiados e logo esquecidos. O principal efeito desse movimento de Putin foi enviar poderosa mensagem aos falantes de russo no restante da Ucrânia: a Rússia não permitirá que o novo regime neofascista ataque e aterrorize vocês.

O que Putin fez foi estender um "escudo psicológico" sobre o leste e o sul falante de russo da Ucrânia, fazendo saber aos banderistas que, se cruzassem a linha vermelha, seriam contidos e destruídos pelo exército russo.

O efeito foi imenso e logo as multidões que protestavam contra o governo neofascista aumentaram e tornaram-se mais determinadas. Quanto ao novo governo, só pôde usar forças antitumulto para prender alguns líderes políticos. Mas, Kiev não se moveu além disso para reprimir aquelas regiões por força militar (pelo menos, até agora). Por fim, tendo visto o repentino crescimento dos russos nos protestos na Ucrânia, mais e mais russos saíram às ruas em toda a Rússia para manifestar apoio aos compatriotas na Ucrânia.

O resultado de tudo isso foi despertar uma identidade nacional russa antes letárgica e um sentido de patriotismo que o Kremlin jamais poderia ter sequer sonhado com induzir no povo russo.

A imprensa-empresa ocidental está fazendo serviço notável, no trabalho de nada noticiar sobre tudo isso.

Comentaristas, 'especialistas' e políticos ocidentais estão-se comportando como se houvesse fórmula para empurrar de volta para dentro da garrafa o gênio do patriotismo russo, embora eles mesmos, não o Kremlin, o tenham, antes, tirado da garrafa. Ainda pior: a propaganda ocidental ainda tenta apresentar a questão como se tivesse algo a ver com o futuro da Ucrânia. Já não se trata disso. A Ucrânia, agora, se foi, acabou, está morta, para sempre relegada ao passado. A questão, doravante, não é o futuro da Ucrânia, mas o futuro do Império dos EUA.

A queda-de-cara tectônica do Império dos EUA e suas políticas

Pela própria arrogância, ignorância e total intransigência, os EUA e suas colônias na União Europeia redefiniram completamente os termos da questão para o povo russo. Em sua imensa maioria, quando o povo russo olha o que está acontecendo em Kiev veem ali os piores anos da 2ª Guerra Mundial. E estão determinados a não permitir que aconteça novamente.

Quando veem multidões de ucranianos nacionalistas marchando à noite com archotes e enormes cartazes com fotos de Stepan Bandera, os russos (na Ucrânia e na Rússia) veem o ressurgimento do mal que tiveram de derrotar, ao custo de milhões de mortos e aleijados. Por isso escrevi, dia 1/3, "que ninguém se engane: a Rússia está pronta para ir à guerra".[8]

Escrevi para ser entendido literalmente e continuo convencido de que é verdade: o povo russo sofreu demais durante a 2ª Guerra Mundial para deixar que bandidos neonazistas voltem a aterrorizar russos. A profundidade e a intensidade desse sentimento não é coisa que a EU seja capaz de compreender, nem, e muito menos, os EUA. Suspeito que o único lugar onde a veemência dessa determinação possa ser compreendida seja Israel.

Em termos práticos, significa que a Rússia não negociará com nenhum neonazista que ameace falantes de russo na Ucrânia nem cederá ante qualquer ameaça de sanções ocidentais. Mais uma vez, a Rússia, como nação, está disposta a pagar o preço, seja qual for, para derrotar e destruir o imundo "Banderastão", que atualmente tanto apoio vem recebendo de EUA e União Europeia. Se os doidos ucranianos atacarem falantes de russo no leste e no sul, a Rússia intervirá militarmente - disso, todos podem ter certeza.

Há ainda uma consequência mais importante, que está brotando dos eventos atuais.

Em agosto de 2008, logo depois que o exército russo derrotou o regime de Saakashvili apoiado pelos EUA, na guerra de 8/8/2008, escrevi artigo em duas partes intitulado "O real sentido da guerra de Ossétia Sul" [orig. "The real meaning of the South Ossetian war"[9]], que incluía a seguinte avaliação:

O feio ataque pelo fantoche georgiano de Washington contra os soldados russos mantenedores da paz, combinado com a absolutamente espantosa hipocrisia de políticos e da imprensa-empresa ocidentais que estão completamente enviesados a favor do agressor foi uma espécie de "última gota" para a Rússia.

Esse desenvolvimento só aparentemente marginal, pelo menos se avaliado quantitativamente ("qual é a novidade?") terminou por determinar uma imensa diferença qualitativa: trouxe à tona uma nova determinação, entre os russos, para lidar com - usando expressão cara aos neoconservadores - a ameaça existencial representada pelo Império Ocidental. Muito tempo passará antes que o ocidente dê-se conta do que realmente aconteceu, e todos os obtusos 'especialistas' e políticos midiáticos continuarão, provavelmente, com a harenga da retória tola e arrogante de sempre, mas os historiadores olharão, provavelmente, para o mês de agosto de 2008, como o momento em que a Rússia decidiu revidar contra o Império, pela primeira vez.

O que aconteceu nesse inverno de 2014 é, muito, uma continuação da guerra de 8/8/2008: mais uma vez, a Rússia não quis que acontecesse o que aconteceu, mas o ocidente não lhe deixou opção, do que se dispor para ir à guerra, se preciso, para se autoproteger (em 8/8/2008, o Kremlin compreendeu perfeitamente que havia um risco de envolvimento de EUA/OTAN ao lado dos georgianos e disse, em termos bem claros aos comandantes de EUA/OTAN que, se qualquer força de EUA/OTAN fosse enviada para o teatro de operações, seria atacadas). Mas as chances de uma intervenção por ONU/OTAN em 8/8/2008 eram relativamente pequenas, e o Império sempre poderia fingir que não se importava.

Dessa vez, porém, Putin não tinha pela frente um Saakashvili e seu "exército de opereta", mas o presidente dos EUA e o poder combinado das forças militares de EUA e OTAN. Por alguns dias, a situação foi muitíssimo parecida com o que se viu durante a Crise dos Mísseis em Cuba e o mundo começou a temer o início de uma 3ª Guerra Mundial (daí os rumores sobre deslocamentos militares de EUA/OTAN e as ameaças obliquais e, mesmo, declaradas, distribuídas por políticos norte-americanos).

A crise ficou tão aguda, que o jornal britânico The Independent sentiu a urgência de declarar, em editorial: "Não queremos guerra contra a Rússia",[10] que concluía com a seguinte advertência:

"O The Independent on Sunday não se opõe a todas as guerras, nem dá atenção à conversa da moda sobre viver em "mundo pós-intervencionista". Nós, como o presidente Obama, nos opomos a guerras estúpidas. Guerra contra a Rússia seria guerra estúpida, de acabar com todas as guerras estúpidas."

Mas logo começou a ficar bem claro que os EUA não estavam querendo ir à guerra pelo Crimeia ou pela Ucrânia. Como seria de prever que acontecesse, no confronto entre Barak Obama e Vladimir Putin, Obama piscou primeiro.

O referendo que os EUA tanto fizeram na tentativa de impedir que acontecesse, aconteceu; o resultado foi desastre absoluto para os EUA. Já há agora sinais bem claros de que os EUA estão jogando a toalha (Moon of Alabama tem dois bons postados sobre isso[11]) e de que o ocidente está procurando uma saída.

Assim se vê que Obama fez muito mais do que só 'piscar primeiro'. Vê-se que, no frigir dos ovos, a Rússia tem poder militar e coragem política suficientes para negar ao Império dos EUA um dos seus mais importantes objetivos estratégicos: fazer pose de única superpotência.

Se o fracasso da política dos EUA na Síria foi doloroso embaraço, o que acaba de acontecer na Ucrânia é algo de ordem e de magnitude inteiramente diferentes:

- a Rússia fez União Europeia, OTAN e EUA beijarem a lona e saiu vitoriosa numa confrontação na qual, até o último instante, o ocidente tentou abrir caminho a blefes; ficou, só, com uma derrota de pleno espectro.

A "dominação de pleno espectro" é coisa do passado. Todos já sabem.

Duas coisas são agora certas. Primeiro, a Crimeia foi-se, de volta à Rússia, e nada pode mudar isso. Segundo, a tentativa de converter a Ucrânia num "Banderastão" fracassará.

Embora tenha havido notícias regulares de que forças militares banderistas estão sendo movidas na direção de Donbass, eu pessoalmente não vejo como o regime que está no poder em Kiev conseguirão esmagar os atuais protestos no leste e sul da Ucrânia. Além disso, tão logo seja sacramentado oficialmente o colapso da economia da ex-Ucrânia, o novo regime terá questões muito mais graves a preocupá-lo, que protestos.

Em algum momento, espero que EUA e Rússia se unirão e acertarão meio discreto para despachar do poder os doidos linha-dura banderistas atualmente no governo. Algum regime mais ou menos civilizado e neutro substituirá o atual e se criará algum tipo mais civilizado e neutro de "Confederação Ucraniana". Se o pessoal que está no poder em Kiev insistir em agarrar-se ao poder, boa parte do leste e do sul da Ucrânia seguirá o exemplo da Crimeia e se integrará à Rússia. Também é possível uma divisão temporária da Ucrânia em duas partes, como aconteceu em Chipre.

Sinceramente, não consigo imaginar alguém suficientemente louco para provocar os militares russos a entrar no leste ou sul da Ucrânia. No longo prazo, será melhor para todos que a Ucrânia possa ser dividida em duas ou três diferentes entidades: uma ocidental, latina e neofascista; uma russa, que provavelmente se integrará à União Eurasiana ou, mesmo, se tornará parte da Rússia; e, possivelmente, uma no sul, independente.

Mas o sonho de uma grande Ucrânia unida governada por nacionalistas russófobos não se realizará - essa opção deixou de existir, para sempre.

E o que o Império Anglo-Sionista pode esperar?

Externamente, nada de muito importante acontecerá: será business como sempre. Nem Rússia nem China cometerão qualquer sandice temerária para provocar os EUA, exatamente como a Rússia dos anos 1990s, e os EUA permanecerão como potência armada com bombas atômicas, e uma das maiores forças militares do planeta, que nenhum país ousará ignorar. Mas o mito da onipotência dos EUA, esse, acabou-se, foi-se, para sempre.

Além disso, a Europa terá de dar conta das consequências de ter de administrar a gradual transformação do Banderastão em algo razoável, não ameaçador. A União Europeia afundar-se-á cada vez mais em sua crise econômica e social e alguma nova crise substituirá a Ucrânia nos noticiários. Externamente, pouca coisa mudará, mas, autoparafraseando minha conclusão sobre a guerra de 8/8/2008, demorará um pouco para que o ocidente perceba o que realmente aconteceu, e os 'especialistas' midiáticos e políticos obtusos continuarão, provavelmente, para sempre, com sua retórica arrogante e tola, mas os historiadores provavelmente voltarão os olhos para o mês de fevereiro de 2014, como o momento em que a Rússia revidou contra o poder combinado de EUA e Europa e prevaleceu.

[assina] The Saker


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[2] Em russo em http://admkrai.krasnodar.ru/content/section/738/detail/23903/ (na mesma página, pode ser traduzida automaticamente para o português, na íntegra, tradução suficiente para saber do que se trata[NTs].
[6] 30/11/2013, The Saker, The Vineyard of the Saker, "The gates of Hell are opening for the Ukraine", trad. em "Ucrânia 'colorida': abrem-se as portas do inferno", em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/12/ucrania-colorida-abrem-se-as-portas-do.html
[8] 1/3/2014, "Obama piorou muito a situação na Ucrânia. Agora, a Rússia está pronta para ir à guerra", The Saker, The Vineyard of the Saker, traduzido em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/03/obama-piorou-muito-situacao-na-ucrania.html
[11] 17/3/2014, "Ucrânia: EUA toma a rampa de saída e aceita as exigências russas", Moon of Alabama, trad. em  http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/03/ucrania-eua-toma-rampa-de-saida-e.html ; e 17/3/2014, "Ucrânia: Pressão por Reforma Constitucional e sanções frouxas", Moon of Alabama, trad. em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/03/ucrania-pressao-por-reforma.html

Governo de Kiev oferece campos de treinamento militar ao Setor de Direita

Partido ultranacionalista ucraniano forma a Guarda Nacional do país


Diário da Rússia

O líder extremista ucraniano Dmitri Yarosh conseguiu obter junto ao governo da Ucrânia o repasse de 23 colônias de férias à sua organização Setor de Direita, para serem usadas como bases de treinamento e preparação de jovens candidatos à Guarda Nacional do país.

A informação foi divulgada à mídia russa, sob condição de anonimato, por um deputado do Parlamento ucraniano pelo partido nacionalista Svoboda. De acordo com a fonte, os jovens da Guarda Nacional ucraniana receberão treinamento de noções básicas de guerra, combate corpo a corpo e desativação de minas.

A facção ultranacionalista Setor de Direita, presente no atual governo interino de Kiev, esteve por trás das ações mais violentas dos protestos que derrubaram o Governo do Presidente Viktor Yanukovich.

O líder do Setor de Direita, Dmitri Yarosh, é procurado internacionalmente pela Interpol, a pedido da Rússia, pelas acusações de incitação de terrorismo através da mídia e participação em combates contra soldados russos na Chechênia em 1994 e 1995.


Rússia destina 2 bilhões de dólares para a destruição das armas químicas da Síria

Plano de aniquilamento do arsenal químico sírio é realizado sob supervisão da ONU e da OPAQ


Diário da Rússia

O Governo russo destinou a soma de 2 bilhões de dólares para contribuir com os esforços internacionais de eliminação das armas químicas da Síria, segundo anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

O plano de aniquilamento do arsenal químico sírio foi proposto pela Rússia e é desenvolvido pela Organização das Nações Unidas e a OPAQ – Organização para a Proibição de Armas Químicas. A aceitação do plano russo evitou uma intervenção militar dos Estados Unidos e das potências ocidentais contra o Governo de Bashar al-Assad.

O comunicado da diplomacia russa explica que, a pedido de Damasco, a Rússia forneceu, em prazos reduzidos, uma série de importantes veículos especializados e outros equipamentos para garantir a segurança do transporte terrestre das substâncias químicas.

Além disso, o Ministério lembrou que a Rússia, ao lado de China, Dinamarca, Noruega e a própria Síria, também trabalha para assegurar o transporte das armas por vias marítimas. Por fim, a Chancelaria russa destaca que até o último dia 19 Damasco já havia realizado dez operações com a finalidade de trasladar as substâncias químicas para o porto de Latakia, onde são embarcadas em navios estrangeiros. No total, mais de 50% do arsenal químico da Síria já foram retirados do país.

Rússia pede à Interpol prisão de extremista ucraniano

Líder da organização ultranacionalista Setor de Direita é acusado de incitar o terrorismo e de outros crimes



Diário da Rússia

O Governo da Rússia repassou ao escritório central da agência internacional de polícia Interpol a documentação sobre o mandado de prisão de Dmitry Yarosh, líder da organização ultranacionalista ucraniana Setor de Direita, que mantém o poder em Kiev.

No início da semana passada o Comitê Investigativo da Rússia emitiu uma ordem de busca e captura internacional para Yarosh, sob a acusação de incitar o terrorismo através da mídia, depois que o ucraniano requisitou pelas redes sociais o apoio do líder extremista e terrorista checheno Doku Umarov.

Dias depois, Yarosh foi igualmente acusado pelo Comitê Investigativo russo de ter participado de combates contra soldados russos na Chechênia em 1994 e 1995.

Além disso, o líder ultranacionalista ucraniano anunciou que a sua organização Setor de Direita iria atacar e danificar a infraestrutura de transporte de petróleo e gás russos para a Europa no caso de um conflito armado da Ucrânia com a Rússia.


Sanções contra a Rússia podem custar mais de 1,2 bilhão de euros de multa à França

Quebra do contrato do fornecimento de navios da classe Mistral foi mencionada pelo chanceler francês Laurent Fabius


Diário da Rússia


Uma alta fonte militar próxima ao programa russo-francês que prevê a construção de navios de guerra da classe Mistral para a Marinha russa declarou que, “se a França optar pela denúncia do contrato Mistral, terá de pagar à Rússia uma multa num valor superior a 1,2 bilhão de euros”.

Na semana que passou, o chefe da diplomacia francesa, Ministro Laurent Fabius, admitiu uma “eventual anulação do contrato, o que faz parte do terceiro pacote de sanções contra a Rússia”.

O acordo comercial-militar, em execução, prevê a venda de navios porta-helicópteros da classe Mistral, de fabricação francesa, à Marinha russa. O negócio, já em andamento, compreende a construção das embarcações em estaleiros franceses e russos.

Nau capitânia da Marinha ucraniana hasteia bandeira russa em Sebastopol

Cruzador era o último navio ainda a serviço da Ucrânia na Crimeia


Diário da Rússia

A nau capitânia da Marinha ucraniana, o “Slavutich”, matriculado em Sebastopol e último a manter fidelidade ao governo de Kiev, içou a bandeira russa neste domingo, 23.


O “Slavutich” ancorado em Sebastopol, na Crimeia
Um porta-voz do comando da autodefesa daquela cidade portuária da Crimeia informou que, após negociações com as autoridades militares locais, a tripulação do navio ucraniano desembarcou sem qualquer atrito, e a bandeira russa foi içada.

Mais de cinco mil militares ucranianos já se apresentaram ao posto de recenseamento aberto em Sebastopol em que recebem uma indenização de duas mil grivnas (a moeda da Ucrânia) e podem escolher entre se alistar nas Forças Armadas russas, partir para a Ucrânia ou abandonar o serviço militar.


Turquia abre fogo de artilharia contra a Síria

O governo da Turquia “empreendeu uma agressão armada sem precedentes contra a soberania síria”, declara o MRE da Síria.


Voz da Rússia

Na declaração se diz que “as tropas turcas bombardeiam, com tanques e peças de artilharia, o território sírio, nas proximidades da cidade fronteiriça de Kasab, assegurando, desta maneira, a proteção dos bandos terroristas”. Damasco exige que a Turquia “ponha fim a essa agressão não-justificada” .

Antes, soube-se que a defesa antiaérea turca tinha abatido um caça sírio sobre Kasab. A Síria declara que seu avião estava perseguindo bandos terroristas em seu território, sem ter violado o espaço aéreo da Turquia.


Desde o início do ano Rússia vende armas no valor de dois bilhões de dólares

Voz da Rússia

Em 2014 a Rússia já vendeu armas e materiais de guerra no valor de USD 2 bilhões, informou o diretor do Serviço Federal de Colaboração Técnico-Militar, Alexander Fomin.

A título de comparação pode-se apontar que em 2013 a Rússia vendeu armas no valor total de 15,7 bilhões de dólares.

“Até hoje a Rússia forneceu aos fregueses estrangeiros produtos de uso militar no valor de dois bilhões de dólares”, disse Fomin na véspera da exposição de armas FIDAE-2014, prestes a ser inaugurada em Santiago, Chile.

Apontou na ocasião, que a carteira de pedidos feitos até março de 2014 ultrapassa 47 bilhões de dólares.



Único submarino da marinha ucraniana integra-se a forças navais da Rússia

Voz da Rússia

O único submarino da marinha ucraniana Zaporozhie, projeto 641, integrou-se à esquadra russa do mar Negro.

A integração desta belonave à esquadra russa deu-se depois da integração da península da Crimeia na Rússia.

O submarino Zaporozhie veio a completar a divisão de submarinos da esquadra do mar Negro que consistia anteriormente de três submarinos: Alrossa, projeto 877V, São Príncipe George, projeto 641B e base flutuante de carregamento de acumuladores PZS-50, resultado de transformação em 1950 do submarino S-49, projeto 633PB.


frota submarina, Zaporozhie, UcrâniaFoto: Vesti.ru