30 novembro 2015

EUA se recusam a atacar caminhões-cisterna do Estado Islâmico que vão para a Turquia

O exército americano se recusa a atacar os caminhões do Estado Islâmico que contrabandeiam petróleo sírio e iraquiano para a Turquia, alegando que são alvos civis, disse um proeminente político iraquiano.


Sputnik

“Eu pessoalmente contatei representantes estadunidenses pedindo-lhes para alvejarem os caminhões-cisterna do EI que transportam petróleo iraquiano e sírio para a Turquia, mas me informaram que são alvos civis e então não podem os atacar”, disse à Sputnik o líder do partido da Coalizão do Estado de Direito no parlamento iraquiano e antigo conselheiro para a Segurança Nacional, Mowaffak Rubaie.


Ataques aéreos russos contra caminhões-cisternas do EI na Síria
Caminhões-tanque do EI © Foto: Ministério da Defesa da Rússia

O ministro do Exterior russo Sergei Lavrov disse anteriormente nesta semana que o incidente com o bombardeiro russo Su-24 abatido pela Força Aérea turca supostamente sobre o território sírio foi uma resposta aos ataques russos contra instalações petrolíferas do Estado islâmico.

O chanceler sírio Walid Muallem por sua vez afirmou que o filho do presidente turco Recep Tayyip Erdogan pode ter interesse no comércio clandestino de petróleo com o grupo terrorista Estado Islâmico.

Ele também disse que a Turquia abateu o avião russo agindo em nome da empresa petrolífera propriedade do filho do senhor Erdogan, Bilal.

Entretanto, o presidente russo Vladimir Putin, durante o encontro com o seu homólogo francês François Hollande em 26 de Novembro, falou de um fornecimento de petróleo à Turquia “à escala industrial” pelos terroristas na Síria. Como prova das suas palavras Putin, apresentou fotos feitas por pilotos militares russos deslocados na Síria.

Nesta terça-feira (24), um bombardeiro russo Su-24 foi derrubado por um míssil ar-ar turco no espaço aéreo sírio. Os dois pilotos do avião conseguiram se ejetar antes de o avião cair. Um dos pilotos foi ferido quando descia de paraquedas e foi morto por islamistas. O copiloto foi salvo e enviado para a base de Hmeymim.

Ancara declara que derrubou o avião russo porque ele violou o espaço aéreo turco, mas o Ministério da Defesa da Rússia sublinha que durante todo o voo o avião se manteve sempre sobre o território da Síria. “Isto foi registrado por meios objetivos de controle", acrescentou o departamento militar. O presidente russo Vladimir Putin chamou o abate do avião de "golpe nas costas" por parte de coniventes com o terrorismo.


Exército reforça abastecimento em 76 cidades piauienses afetadas pela seca

Ao todo, 167 municípios decretaram estado de emergência no estado.
Cerca de 600 pipeiros foram contratados, que atenderam 305 mil pessoas.


Do G1 PI

Um total de 76 cidades do Piauí que decretaram emergência por conta da estiagem contarão com reforço do Exército Brasileiro na distribuição de água através de carros-pipa.



Segundo o general Manoel Luiz Pafiadache, comandante da 3ª Região Militar do Nordeste, o serviço está em planejamento. A solicitação do abastecimento deve ser feita pelo próprio município, ao decretar situação de emergência junto ao Ministério da Integração Nacional.

"A operação emergencial existe há 16 anos e abrange todo o semiárido que vai do Norte de Minas Gerais até o Piauí. São cerca de 870 municípios apoiados e contratados 6.500 pipeiros, que atendem mais de três milhões de pessoas", explicou.

No Piauí, apesar de 167 municípios terem decretado situação de emergência, apenas 76 cidades contarão com o reforço. Para o serviço foram contratados 600 pipeiros, que atenderão 305 mil pessoas.

"Infelizmente temos que trabalhar com pior hipótese do clima, que deve continuar nesta seca em 2016. A única diferença que pode ocorrer é de novas cidades entrarem em emergência. Neste momento vamos atender 76 municípios, porque os demais estão sendo avaliados", disse o general.


Bundeswehr planeja enviar 1.200 soldados à Síria

Militares são necessários para operar aviões e navio de guerra que vão ajudar no combate ao "Estado Islâmico" em território sírio. Atualmente, essa será a maior operação das Forças Armadas alemãs no exterior.


Deutsche Welle

As Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) planejam enviar 1.200 soldados para a missão na Síria que visa combater o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), afirmou neste domingo (29/11) o inspetor-geral da instituição, Volker Wieker, em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag. A operação militar pode começar ainda neste ano.


Alemanha pretende enviar à Síria até seis aviões de reconhecimento do tipo Tornado Recce

"Do ponto de vista militar, serão necessários cerca de 1.200 soldados para operar aviões e o navio de guerra", disse Wieker. Ele acrescentou que a Bundeswehr pode começar a missão imediatamente após a aprovação pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), onde o governo tem ampla maioria.

Os militares são necessários para operar os aviões de reconhecimento Tornado, um navio de guerra e pelo menos um avião de reabastecimento que serão enviados à Síria. O governo anunciou na quinta-feira a participação alemã na coalizão internacional contra os jihadistas e espera votar a proposta ainda neste ano.

De acordo com especialistas, somente a tripulação do navio de guerra alemão que irá proteger o porta-aviões francês Charles de Gaulle, que foi enviado para o Mediterrâneo Oriental para intensificar os ataques aéreos ao EI, contará com cerca de 200 militares.

Se o Bundestag aprovar a participação alemã na coalizão aérea, essa será, atualmente, a maior missão da Forças Armadas alemãs no exterior. Segundo Wieker, a Bundeswehr pode manter a operação por um longo período e os aviões de reconhecimento podem ser estacionados em dois locais diferentes.

"Estamos em contato com Turquia e Jordânia sobre as bases aéreas em Incirlik e Amã", completou.

Apenas reconhecimento

O inspetor-geral descartou, inicialmente, a participação da Bundeswehr diretamente em bombardeios. "Somos necessários militarmente com a nossa capacidade de reconhecimento", afirmou Wieker, acrescentado que a coalizão internacional já possuiu recursos suficientes para ataques aéreos contra os jihadistas.

"É necessário reconhecimento terrestre para usar efetivamente essa força. E nossos aviões Tornados podem contribuir muito para isso", ressaltou Wieker.

Um dia após o encontro entre a chanceler federal alemã, Angela Merkel, com o presidente da França, François Hollande , que se reuniu com líderes de vários países para tentar estruturar uma ampla coalizão contra "Estado Islâmico", a Alemanha definiu a estratégia para combater os jihadistas e auxiliar nos ataques aéreos da coalizão internacional.

A oposição criticou os planos do governo. Tanto o Partido Verde, quanto a legenda A Esquerda, alegam que não há base legal para a operação militar na Síria, além da ausência de um plano mais amplo para solucionar o conflito sírio. Eles expressam dúvida sobre a eficácia desse tipo ação para o combate contra o terrorismo.

28 novembro 2015

Rússia tinha razão: ‘Turquia recebe petróleo do Estado Islâmico’

Os ataques aéreos russos à infraestrutura petrolífera jihadista causaram a insatisfação natural da Turquia, que parece ser o principal consumidor de petróleo do EI, de acordo com a imprensa alemã.


Sputnik

Depois da derrubada do bombardeiro russo Su-24 pela Força Aérea turca, o presidente Putin afirmou que Ancara parece ser cúmplice dos terroristas, já que compra o petróleo nas regiões da Síria capturados por extremistas, e ele tem razão ao dizê-lo, escreve o jornal alemão Bild.


Jazida de petróleo de Rmeilane, na província de Hasakeh, na Síria
© AFP 2015/ YOUSSEF KARWASHAN

A Turquia se transformou em um grande consumidor de petróleo do grupo extremista Estado Islâmico, continuou o autor do artigo. Os empresários turcos têm acordos de compra de petróleo com jihadistas que lhes permitem obter uma receita de $10 milhões por semana.

O Kremlin há muito tempo que obteve informações de que o petróleo a partir de territórios capturados pelo EI na Síria estava sendo transportado para a Turquia. Quando as Forças Aerospaciais russas começaram a realizar mais ataques contra a infraestrutura do EI, isso não poderia ser ignorado por Ancara.

De acordo com o Bild, a política turca em relação aos jihadistas não é completamente transparente: embora Ancara tenha dado aos americanos a oportunidade de usar a base aérea do país para o lançamento de ataques contra as posições do EI, Erdogan permite que os terroristas cruzem a fronteira para a Síria sem obstáculos.

Ao mesmo tempo, observa o Bild, a Turquia não é o único país que está fazendo acordos sujos com os militantes islâmicos para obter lucro. O contrabando é igualmente realizado para a Jordânia e Curdistão, onde o mercado negro de petróleo do Estado Islâmico é florescente, afirmou Eckart Woertz, analista sênior do Centro de Barcelona para os Assuntos Internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, depois de uma conferência de imprensa com o presidente francês, François Hollande, disse que quantidades significativas do petróleo procedentes das áreas controladas pelo EI na Síria estão sendo transportadas para a Turquia:

"Nós estamos falando sobre o abastecimento em escala industrial do petróleo dos territórios sírios capturados por terroristas — a partir dessas áreas exatas e não de quaisquer outras. E podemos observar a partir do ar, para onde os caminhões estão indo", anunciou o presidente. "Eles estão se movendo para a Turquia, dia e noite."



Exército sírio se aproxima de Aleppo

O exército sírio recuperou o controle do território capturado pelo Estado Islâmico no leste de Aleppo, incluindo um trecho da rodovia que leva a Raqqa, principal reduto dos jihadistas, informou o canal televisivo estatal sírio neste sábado (28).


Sputnik

As áreas recuperadas no âmbito do avanço do exército sírio sobre as posições dos terroristas, com apoio de aviões russos, ficam a leste da base aérea de Kweires, ocupada pelo Estado Islâmico no início deste mês.


Exército sírio nos arredores de Damasco
© Sputnik/ Andrei Stenin

No início de novembro, o exército sírio rompeu o cerco da base de Kweiris. A base tinha estado cercada pelo Estado Islâmico por dois anos até que as forças do governo sírio, com apoio aéreo russo, avançaram para a área e a libertaram dos jihadistas, deixando um grande número deles mortos e feridos.

De acordo com uma informação da televisão estatal, o exército recuperou o controlo de duas aldeias e grandes áreas de terras agrícolas, bem como de túneis e fortificações construídas pelos jihadistas.

As aldeias estão localizadas a cerca de 60 quilômetros a leste de Aleppo.

O governo sírio e seus aliados também obtiveram ganhos no sudeste de Homs.


Exército sírio atacado por morteiros lançados a partir do território turco

A Turquia disparou uma série de morteiros em direção a posições do exército sírio, segundo o porta-voz do exército sírio disse neste sábado (28).


Sputnik

"Ontem à noite, houve intenso fogo de morteiros a partir área de Mount Jebel Aqra, que está no lado turco", disse o brigadeiro-general Ali Mayhoub durante uma coletiva de imprensa.


Exército sírio atira morteiro na província de Latakia
© AP Photo/ Alexander Kots

“O Comandante-em-chefe do Exército Árabe Sírio [o presidente Bashar Assad] adverte para os perigos de tal comportamento", disse o porta-voz.

Damasco insta a comunidade internacional a forçar a Turquia a deixar de apoiar terroristas, direta e indiretamente, bem como deixar de comprar petróleo ilegal deles, disse o porta-voz.

"Aproveitando o fato da fronteira [entre Síria e a Turquia] ser de fato controlada por terroristas Ankara sem obstruções os abastece com armas e outros recursos para suas atividades criminosas”, acrescentou o porta-voz aos jornalistas.

“O Comandante-em-chefe do Exército Árabe Sírio adverte para os perigos de tal comportamento e insta a comunidade internacional a exercer máxima pressão sobre a liderança da República Turca, com o objetivo de forçá-la a abandonar o apoio direto e indireto para o terrorismo internacional", frisou.

De acordo com Mayhub, em troca do apoio militar, a liderança turca recebe “desde petróleo de criminosos internacionais a preços de barganha, tesouros culturais saqueados por bandidos nos museus da Síria e do Iraque, e outros contrabandos”.

”Os veículos a motor da Turquia podem chegar às áreas tomadas pelos terroristas, sem qualquer controle ou checagem, enquanto as autoridades sírias não têm temporariamente nenhum controle sobre a fronteira", disse o general sírio.

“Os comboios de ajuda humanitária que o governo turco relatou são um mito. Eles são usados para ajudar a legalizar suprimentos para terroristas e mover com êxito militantes feridos e doentes para hospitais turcos."

Além disso, o porta-voz disse que "a fronteira tornou-se transparente devido ao governo turco. Isso também permite que os terroristas cheguem a outros países europeus para cometer numerosas atrocidades”.


O rebelde que se gabou de matar o piloto do Su-24 russo

Foi Alparslan Celik, o segundo no comando da Divisão Costeira dos Turcomenos, que confirmou que tinha disparado contra os dois pilotos russos quando eles estavam descendo de paraquedas. Ele também alegou que ambos foram mortos, embora esta alegação tenha sido refutada mais tarde.


Sputnik

"Ambos os pilotos foram mortos. Os nossos camaradas abriram fogo e eles morreram no ar", disse ele aos repórteres logo após o incidente, mostrando o que parecia ser um pedaço de um paraquedas como prova.


Link permanente da imagem incorporada
Alparslan Celik é o da esquerda na foto, de gorro claro

Celik, de acordo com o RT, não é um turcomeno, mas um cidadão turco, e parece ser um dos filhos do prefeito de Keban, uma pequena cidade na província de Elazig. Celik também é alegadamente um membro dos Lobos Cinzentos, uma organização de jovens, muitas vezes descrito como ultranacionalista ou neofascista.

Os Lobos Cinzentos "tentaram exportar a sua ideologia pan-turca e a propaganda neofascista para outros países como o Cazaquistão e Azerbaijão, para reunir todos os povos turcos, mas foram proibidos. A razão da proibição é simples: os Lobos Cinzentos foram responsáveis por uma série de crimes, especialmente na década de 1970 e 1980. Os membros da organização mataram centenas de pessoas na Turquia, e sua vontade de recorrer à violência tem sido sempre bastante óbvia", informou o International Business Times em junho.

A organização está ligada à extrema-direita do Partido de Ação Nacionalista (MHP), o terceiro no país. O MHP recebeu quase 12 por cento dos votos nas últimas eleições legislativas realizadas em novembro.


Ações da Turquia contradizem recomendação da OTAN

As ações da Turquia após a derrubada de um caça russo na Síria não apenas contradizem a Carta da ONU, mas as próprias recomendações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, na sigla em inglês), afirmou o representante russo na Aliança nesta sexta-feira.


Sputnik

Alexander Grushko comentou que a Turquia voltou-se para a OTAN imediatamente após derrubar um avião Sukhoi Su-24 no dia 24 de novembro "buscando apoio político, o que de fato foi fornecido."

Alexander Grushko, representante da Rússia na OTAN
Alexander Grushko © Sputnik/ Alexander Vilf

"A OTAN, guiada pela solidariedade do Atlântico… não lidou objetivamente porque todos entendem que objetivamente este crime é uma violação flagrante das leis internacionais", disse Grushko à rádio Kommersant. "Contradiz não somente os artigos fundamentais da Carta da ONU e um grande número de convenções, mas contradiz até as próprias recomendações da OTAN."

O enviado lembrou de um Conselho da OTAN no início de novembro que abordou uma violação forçada de espaço aéreo turco por parte de um caça russo Su-30 no dia 3 de outubro. Dois caças turcos F-16 interceptaram o avião e permitiram que ele deixasse o espaço aéreo turco.

"Não aconteceu neste caso, e nesse sentido a Turquia violou até as próprias recomendações e documentos da OTAN que regulamentam esses voos e regras de combate em situações assim", ressaltou Grushko.

Desde o incidente, a Rússia suspendeu todos contatos militares com a Turquia e anunciou o cancelamento da dispensa de vistos nas viagens entre os dois países, que vigorará a partir de janeiro. O governo russo ainda deve apresentar uma série de medidas econômicas e humanitárias como medidas de resposta.

A OTAN expressou publicamente seu apoio à Turquia após o incidente. Entretanto, fontes diplomáticas disseram à Sputnik que vários integrantes da OTAN, incluindo Grécia e França, fizeram duras críticas a Ancara na reunião do dia 24 de novembro, logo após o incidente com o caça russo.


Navio no Ártico vai monitorar sistema de defesa dos EUA

Embarcação Iúri Ivanov é o maior navio de inteligência da Marinha russa.


TATIANA RUSSAKOVA | GAZETA RUSSA

O maior navio de reconhecimento da Rússia, o Iúri Ivanov, passou da Frota do Báltico para a Frota do Norte e agora está sendo preparado para entrar em missão no Ártico, onde uma de suas principais funções será a de monitorar a parte marítima do sistema de defesa de mísseis dos EUA. O anúncio foi feito no dia 17 de novembro pelo chefe da assessoria de imprensa da Frota do Norte, o capitão de primeira classe Vadim Serga.


Iúri Ivanov
A sua função mais importante será a de encontrar brechas no sistema de defesa de mísseis dos EUA. Foto:Lev Fedosseev/TASS

Munido de poderosas ferramentas, o navio é capaz de coletar informações secretas e "furar" o sistema antimíssil americano. A embarcação passou com sucesso todos os testes da Marinha e se encontra agora em seu local de estacionamento permanente: o Círculo Ártico, na base naval de Severomorsk.

As capacidades técnicas do navio permitirão expandir o alcance da Frota do Norte não só em diferentes áreas marítimas, mas também no próprio Ártico, segundo informou o Ministério da Defesa. Prova disso foi a escolha do lugar de estacionamento permanente da embarcação, na península de Kola, no noroeste da Rússia, região de Murmansk.

A tarefa do navio especializado em missões de inteligência será vigiar o lançamento de mísseis balísticos e de cruzeiro realizados por potências estrangeiras, incluindo submarinos. O Iúri Ivanov é capaz de localizar até mesmo mísseis hipersônicos e transmitir essa informação para o alto comando militar. O navio pode ser usado tanto como retransmissor de comunicações em canais fechados como interceptor de transmissões de rádio do adversário.

No entanto, a sua função mais importante será a de encontrar brechas no sistema de defesa de mísseis dos EUA, o componente naval do sistema Aegis, e permitir aos mísseis russos voarem até o alvo inimigo e atingi-lo.

Com 95 metros de comprimento, 16 metros de largura e um deslocamento de 4.000 toneladas, o Iúri Ivanov é o maior navio russo para missões de inteligência.

Dado o aumento do ritmo de implementação do sistema de defesa antimísseis perto das fronteiras russas, está prevista a construção de, no mínimo, mais quatro desses navios-espiões, um para cada uma das frotas russas, que serão depois incorporados nas frotas do Pacífico, do Báltico e do Mar Negro.

Os estaleiros Sévernie Vérfi (Estaleiros do Norte), em São Petersburgo, já iniciaram os trabalhos no segundo navio do projeto 18280, o Ivan Khurs.


Armamento de alta precisão cria cenário de guerra moderno

Míssil teleguiado e bomba de trajetória corrigível estão em uso na Síria.


ALEKSANDR VERCHÍNIN | GAZETA RUSSA

Há muito tempo a guerra deixou de ser o confronto de tanques, armadas e divisões de infantaria. O papel decisivo que antes cabia ao fogo da artilharia, à investida dos tanques ou à resistência dos soldados pertence hoje às capacidades das novas armas, incluindo armamentos de alta precisão.


Avião russo Su-34 armado com bombas KAB-500 realiza uma ataque na província de Raqqa, controlada pelo EI. Foto: TASS
Avião russo Su-34 armado com bombas KAB-500 realiza uma ataque na província de Raqqa, controlada pelo EI. Foto: TASS

A operação das forças aeroespaciais militares russas na Síria, iniciada em 30 de setembro de 2015, já é conhecida por ser a operação que fez uso mais abrangente de armas de precisão na história das Forças Armadas da Rússia. A unidade da Força Aérea russa estacionada no Oriente Médio, formada por 50 aeronaves de combate, recorre ativamente ao uso de mísseis teleguiados e de mísseis com detecção automática do alvo, além de bombas aéreas de trajetória corrigível, armamentos antes só reconhecidamente utilizados pelo exército norte-americano.

Os mísseis teleguiados X-25 e X-29 não dão qualquer chance às formações móveis dos islamistas e atingem com eficácia suas áreas fortificadas. O raio de ação desses mísseis é superior a 10 km e a sua ogiva, que pesa várias centenas de quilos, permite o carregamento de uma carga explosiva considerável. O ataque ao alvo ocorre na velocidade do voo do míssil, que chega a alcançar os 400 metros por segundo. Dessa forma, o míssil consegue perfurar até mesmo a blindagem de estruturas de concreto com espessura de até 2 metros, ao mesmo tempo que sua zona de destruição não ultrapassa os 15 metros.

O aspecto mais interessante dessa arma é seu sistema de detecção do alvo. No caso dos mísseis russos, utiliza-se o laser e o sistema de determinação teleguiada do alvo. Em ambos os casos ocorre o registro do alvo com a ajuda de um laser ou uma câmera montada no próprio foguete. A imagem da câmera é comparada com as coordenadas do mapa da região previamente inseridas na memória do computador de bordo.

A detecção por laser tem suas limitações: sua execução requer a participação de um segundo aparelho voador, ou o raio do laser terá que ser lançado da própria aeronave, o que limita significativamente sua mobilidade. No entanto, em ambos os casos se obtém a mais alta precisão de ataque: alvos de tamanho pequeno, cujas dimensões não ultrapassem os 2 metros, são destruídos em 85% dos casos. Isto permite o uso de mísseis mesmo em espaços de grande densidade habitacional, como é o caso das cidades sírias.

Bombas de trajetória corrigível

Além dos mísseis, está sendo utilizando na Síria outro armamento do complexo militar-industrial russo. As bombas da série KAB-500 combinam em si o efeito devastador com a alta precisão do ataque. Isso se obtém graças ao fato de elas terem incorporado um sistema de autodeterminação da trajetória até o alvo. Enquanto as bombas comuns, como aquelas utilizadas na Segunda Guerra Mundial, eram armas de destruição em massa lançadas de uma grande altitude e que transformavam em paisagem lunar vastos territórios, as bombas com trajetória corrigível funcionam de um modo radicalmente diferente.

Uma bomba dessas, mesmo depois de lançada da aeronave, consegue se desviar consideravelmente da sua trajetória vertical até 8 km de distância. Isso permite às aeronaves lançarem a bomba longe do território ocupado pelo inimigo, evitando assim o risco de um contato direto com ele. Foi precisamente com bombas KAB-500 que foi destruída na Síria uma fábrica de bombas artesanais mantida por terroristas.

Mas, à disposição da aviação russa, existe ainda um outro tipo de bomba aérea, a KAB-250, que voa para o alvo com a ajuda de um sistema russo de localização por satélite Glonass, semelhante ao GPS. Ela pode ser lançada de um aparelho em uma velocidade supersônica, o que abre um grande leque de possibilidades de aplicações não só para a aviação de ataque, mas também para os caças modernos.

Produção de mísseis

O governo russo anunciou desde o início do conflito na Síria que apostaria no uso de armamentos de alta precisão. Isso exigiu um grande esforço da indústria de defesa nacional, que só recentemente começou a se afastar das armas convencionais de ampla difusão, e as fábricas de mísseis táticos passaram a operar em regime ininterrupto.

Essas fábricas surgiram em 2002 como resultado da fusão de duas dezenas de empresas fabricantes de componentes para mísseis de alta precisão e bombas. A sua produção é bastante variada e vai desde os mísseis teleguiados do tipo ar-terra acima descritos até mísseis manobráveis para ataques a curta distância, bombas aéreas com trajetória corrigível e mísseis antinavios. Particular atenção é dispensada às armas antissubmarino.


O sistema Paket-E Foto: Press Photo
O sistema Paket-E Foto: Press Photo

Para combater submarinos inimigos, esse conjunto de fábricas criou projetos únicos. O sistema Paket-E, por exemplo, está armado com mísseis de alta velocidade, que conseguem ao mesmo tempo atingir o alvo inimigo e interceptar um torpedo já lançado. Além disso, especialistas russos em armamento desenvolveram mísseis aéreos antissubmarinos e bombas teleguiadas antissubmarinas. O volume de negócios anual da corporação de mísseis é superior a US$ 1 bilhão e sua produção é amplamente exportada para outros países.



Especialistas contam detalhes sobre buscas a copiloto

Operação que resgatou um dos pilotos de caça russo abatido na terça-feira (24) enfrentou resistência de milícia local.


EKATERINA SINELSCHIKOVA | GAZETA RUSSA

Um dia após o incidente com o caça russo Su-24 no espaço aéreo sírio, o presidente russo Vladímir Pútin concedeu condecorações estatais à tripulação da aeronave. Ambos os pilotos conseguiram se ejetar do bombardeiro, porém, um deles – o tenente-coronel Oleg Pechkov – foi atingido por fundamentalistas islâmicos em solo.

O copiloto Konstantin Murakhtin, porém, conseguiu escapar dos ataques e foi localizado pelas forças especiais russas e sírias. Murakhtin, que havia sido escolhido melhor copiloto da Rússia na competição “Aviadarts 2014”, foi levado para a base aérea russa de Hmeymim, no noroeste da Síria.


Helicóptero destruído

De acordo com o Ministério da Defesa russo, o resgate do copiloto foi feito pelas forças especiais russas em conjunto com o Exército sírio. Pouco depois das 10 horas [horário de Damasco] de terça-feira (24), cinco helicópteros Mi-8 levantaram voo em direção ao local da aeronave abatida às 9h24.

Fontes da inteligência síria relataram ao jornal “Novaia Gazeta” que a bordo de cada um dos helicópteros seguiam sírios levados como guias e intérpretes. “Os sete, oito homens restantes eram combatentes do corpo de fuzileiros navais da Direção Principal do Ministério da Defesa.”

O local da queda foi determinado a partir do farol de rádio instalado em cada um dos assentos ejetores. No entanto, não foi possível pousar nas proximidades, já que homens em terra abriram fogo sobre um dos Mi-8.

Após a morte de um fuzileiro naval envolvido na operação, os demais foram evacuados para a base aérea de Hmeymim, na Síria. O helicóptero atingido acabou sendo destruído por combatentes das milícias turcomanas que controlam o território de Jabal al-Turkman e cooperam com organizações terroristas proibidas na Rússia.

Segundo o portal de notícias Lenta.ru, o helicóptero foi destruído com um sistema norte-americano antitanque BGM-71 TOW. “Sistemas desse tipo, bem como outras armas de produção ocidental, chegam às mãos dos terroristas pelo norte da Síria, através da Turquia”, informou uma fonte do Lenta.ru cujo nome foi revelado.

No vídeo da destruição do helicóptero, publicado pelos combatentes locais no YouTube, é possível ver os militantes posicionando o sistema mencionado. 


(Nota do Editor: também é possível ver o símbolo do exército alemão no lançador do míssil)





Refém ou fugitivo?

Por causa do fogo aberto sobre os helicópteros, os veículos só conseguiram pousar a poucos quilômetros do local da queda do Su-24. Em sua página no Facebook, o canal da TV libanesa Al Mayadeen informou que a comunicação com o copiloto foi restabelecida após seis horas de buscas.

Para chegar ao local onde estava o oficial, os homens da equipe de salvamento tiveram que seguir a pé. Segundo o jornal “Novaia Gazeta”, o copiloto havia sido capturado por um grupo local, mas, após extensas negociações, o refém foi finalmente entregue à equipe de resgate.

Por volta das três horas da tarde de terça, o copiloto resgatado já estava na base aérea de Hmeymim, enquanto as buscas pelo segundo piloto seguiram noite adentro, sem obter qualquer resultado.

Neste ponto, porém, as versões diferem. O embaixador russo na França, Aleksandr Orlov, disse à rádio francesa Europe 1, que o copiloto resgatado teria conseguido inicialmente escapar de seus perseguidores e que depois foi acolhido por militares sírios.

Os soldados da divisão síria, junto com o piloto, teriam levado duas horas até conseguir chegar a um território seguro para poder então enviá-lo à base da Força Aérea russa na Síria.


Dez evidências sobre o caça Su-24

O caça Su-24, modelo da Sukhôi que foi derrubado pela aviação turca no início da semana, está desempenhando papel fundamental na operação contra os alvos terroristas na Síria. Os 10 fatos listados a seguir o farão entender por quê.


JAIME NOGUERA | GAZETA RUSSA


Caças Su-24 estão sendo ativamente empregados em base aérea russa na Síria Foto:TASS

1. O Sukhôi Su-24 é um caça supersônico que opera sob qualquer condição climática. Foi desenvolvido na União Soviética, entre as décadas de 1960 e 70.

2. Este avião bimotor de dois lugares e asas de geometria variável foi projetado para missões com ataques em baixíssimas altitudes. Foi o primeiro avião soviético a incluir um sistema integrado digital de navegação e ataque.

3. Ainda que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) utilize o codinome Fencer para denominar o avião, as equipes soviéticas rapidamente o apelidaram de “Tchemodan” (mala) devido a sua versatilidade e armamento.

4. Sua aplicação na Alemanha Oriental em 1979 e os recursos notórios da aeronave aumentaram a preocupação dos serviços de inteligência da Otan. Parte desse temor era baseado na premissa de que o Sukhôi usava turbo-motores que favoreciam um maior alcance de ataque.

5. A força aérea soviética usou alguns Su-24 no Afeganistão em 1984, e o avião entrou em combate novamente no conflito na Tchechênia, nos anos 1990.

6. O Sukhôi Su-24 ainda está em atividade em inúmeros países: Argélia, Angola, Azerbaijão, Bielorrússia, Irã, Cazaquistão, Líbia, Síria, Ucrânia, Uzbequistão e, claro, na Rússia. Também serviu na Força Aérea do Iraque.

7. A Rússia opera 577 dessas aeronaves – 447 servem a Força Aérea Russa, e 130, a Marinha.

8. Em abril de 2014, aviões Su-24 deram um rasante sobre o novo contratorpedeiro norte-americano USS Donald Cook, no mar Negro. A embarcação dos EUA estava se movimentando ao longo do limite das águas territoriais russas.

9. Os modelos existentes do Su-24M e Su-24MK estão passando por um programa de aperfeiçoamento, incluindo GPS, visores multifunção, geradores de mapa digital e armas mais atuais, como o míssil ar-ar R-73 (arqueiro AA-11). A versão atualizada é chamada de Su-24M2.

10. Em dezembro de 2014, o Ministério da Defesa britânico revisou os planos para a defesa das Ilhas Malvinas, após a imprensa noticiar que a Rússia tinha se oferecido para fornecer à Argentina 12 caças Su-24 em troca de alimentos, como carne e trigo. O tabloide britânico “The Sun” chegou a afirmar que tratava-se de um suposto plano argentino para recuperar as ilhas com o apoio russo. O governo argentino, porém, respondeu que “nunca havia considerado" a possibilidade de assinar um contrato de leasing das aeronaves russas.



27 novembro 2015

Rússia inicia entrega de sistemas antimísseis S-300 ao Irã

A Rússia começou a enviar os sistemas antiaéreos S-300 ao Irã, assegurou o embaixador iraniano em Moscou, Mahdi Sanai.


Sputnik

Anteriormente, o ministro da Defesa do Irã, Hossein Dehghan, apontou que seu país esperava receber os sistemas antes do fim de 2015.


Sistema de mísseis antiaéreos S-300
Sistema antimísseis S-300 © Sputnik/ Igor Zarembo

O presidente russo, Vladimir Putin, está neste momento em Teerã, onde acompanha o Fórum de países Exportadores de Gás.

A venda ao Irã de cinco divisões de sistemas S-300, que incluem 40 lançadores, foi acordada em 2007. O cumprimento do contrato, no entanto, foi suspenso após o Conselho de Segurança da ONU aprovar a resolução 129, que aplicava sanções contra o Irã.

Teerã respondeu com uma ação judicial contra a Rússia na Corte Internacional de Arbitragem, já que as sanções da ONU não se aplicavam necessariamente à venda dos sistemas antimísseis.

Após o fim das negociações sobre o programa nuclear iraniano com o grupo P5+1, Rússia e Irã iniciaram conversas para finalizar a entrega dos sistemas antimísseis e entraram em acordo. Atualmente, as partes ainda negociam para que o Irã retire a ação judicial contra a Rússia.


Mídia dos EUA: Equipamento militar russo é mais avançado do que o Ocidente pensa

A revista US Popular Mechanics alertou que o equipamento militar russo, ao contrário do que muitos no Ocidente pensam, é muito avançado e listou alguns exemplos para sustentar a argumentação.


Sputnik

De acordo com o artigo, muitos tendem a pensar que o hardware da Rússia é de segunda categoria e que, se os russos nada fazem de bom, eles devem ter algo copiado do Ocidente.


Caças Su-27 da Força Aérea russa
Sukhoi Su-27 © Sputnik/ Anton Denisov

“Na realidade, a Rússia pode ser inovadora em design de armas e, às vezes, à frente do Ocidente. Ocasionalmente, o país persegue ideias malucas que não podem prosperar, como o armamento para controle da mente. No entanto, muitas vezes desenvolvem armas sem contrapartidas nos EUA”, lembra o artigo.

O texto afirma que um exemplo pode ser encontrado nos foguetes. “Ninguém deve duvidar da ciência do foguete russo", o autor escreveu observando um longo pedigree dos avanços da Rússia no campo. A revista elogiou os avanços russos na criação de mísseis terra-ar, particularmente os sistemas S-300, que o Irã começou a comprar, e S-400 recentemente implantado na Síria.

O artigo também destacou as capacidades do exército russo para conduzir o combate aéreo. “Em combate ar-ar, os russos há muito tempo perseguem uma abordagem com salvas de tiro ao invés de tiros únicos.”

Caças como o Su-27 Flanker podem ser equipados com uma dúzia de mísseis de uma só vez e lançar dois ou três ao mesmo tempo. Os foguetes possuem diferentes sistemas de orientação, o que proporciona uma alta chance de acertar o alvo.

Os mísseis russos ar-ar são tecnicamente muito sofisticados. O míssil R-73 tem uma capacidade “off-boresight” para bater as metas não necessitando estar diretamente de frente para a aeronave. Segundo a US Popular Mechanics, quando foram introduzidos em serviço, a OTAN logo notou a vantagem que deu aos pilotos russos em relação ao seu equivalente, o AIM-9 Sidewinder dos EUA.

Quanto ao longo prazo no combate aéreo (64 quilômetros ou mais), a Rússia tem um outro equipamento avançado, o míssil R-77. Sua última versão possui uma antena matriz ativa faseada que lhe dá “tempo de reação zero a evoluções inesperadas do alvo”. De acordo com o artigo, o míssil é mais sofisticado do que o seu rival norte-americano, o AIM-120.

“Os russos também têm uma habilidade surpreendente para pensar fora do quadro bom e ruim. Por exemplo, o torpedo Shkval pode viajar debaixo de água quatro vezes mais rápido do que qualquer similar Ocidental”, destaca a revista.

A US Popular Mechanics também louvou o único fuzil de assalto subaquático da Rússia para as Forças Especiais. O desenvolvimento norte-americano no mesmo campo “fica para trás”. E não para por aí, o texto alerta que “ainda podemos esperar o inesperado” no desenvolvimento militar da Rússia.

“Histórias assustadoras, não obstante, os russos são susceptíveis de ter qualquer super-arma exótica. É perigoso para o resto do mundo a subestimar sua capacidade”, conclui o artigo.



Ministro sírio: com ajuda da Rússia, Damasco percebeu objetivos do Ocidente na Síria

Sob o pretextos de regulação pacífica, o Ocidente tenta destruir a Síria, afirma o ministro da Informação sírio, Omran Zoubi.


Sputnik

Resumindo os resultados do ano, o ministro sírio sublinhou que tudo o que Damasco tem falado e do que estava avisando o mundo durante últimos três anos aconteceu em 2015. Primeiramente, o terrorismo se estendeu para fora da Síria. 


Pentágono envia militares das Forças Especiais para combater o Estado Islâmico na Síria
Forças especiais dos EUA na Síria © flickr.com/ The U.S. Army

"Em 2015 a administração da Síria, com o atual apoio da Rússia sob a chefia do presidente Vladimir Putin, conseguiu revelar a política e os objetivos do Ocidente, que, sob os lemas de regulação pacífica, quer destruir a Síria".

Conforme Zoubi declarou à agência noticiosa russa RIA Novosti, a Turquia mostrou que não está interessada na resolução pacífica da situação na Síria e só quer criar o caos no país.

"A tensão que os terroristas criaram no mundo deve persuadir todos que a luta contra o terrorismo exige esforços coordenados e conjuntos", disse.
Zoubi também comentou os acontecimentos recentes que agravam a situação ainda mais – a derrubada do Su-24 russo pelo lado turco.

“A Turquia está irritada com as ações da Rússia porque o [grupo terrorista] Estado Islâmico tem laços próximos e econômicos com o governo da Turquia,” declarou.

Nesta terça-feira (24), um caça russo Su-24 foi abatido na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil ar-ar disparado de um avião turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O presidente russo chamou ao abate do avião "golpe nas costas" por parte de coniventes com o terrorismo.

Segue o link para a entrevista completa.


Mísseis russos S-400 chegam à Síria (vídeo)

Nesta terça-feira a Rússia instalou o seu sistema de defesa antiaérea S-400 Triumf na base síria de Hmeymim. Os mísseis foram transportados para a base por via aérea.


Sputnik

O Ministério da Defesa russo anunciou a intenção de instalar o S-400 após um caça russo Su-24 ter sido abatido na Síria na terça-feira (24). 




O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil "ar-ar" disparado de um avião turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia.

O sistema de mísseis interceptor russo de longo e médio alcance é a versão modernizada dos S-300, garantindo proteção antiaérea e podendo atingir alvos à distância de até 400 quilômetros.



Rússia continuará operação aérea na Síria sem quaisquer limitações

O porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov comentou a situação atual após o abate do Su-24 russo pela Força Aérea turca sublinhando que a aviação russa continuará a cumprir as suas missões sem quaisquer limitações.


Sputnik

O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan tentou telefonar o seu homólogo russo Vladimir Putin passados 7-8 horas após a derrubada do avião russo Su-24, segundo declarou o porta-voz presidencial russo.


Kremlin de Moscou
Moscou © flickr.com/ esoloviev

Segundo Peskov, o presidente "foi informado sobre o telefonema de Erdogan" mas os dois líderes não chegaram a conversar.

Comentando a instalação dos S-400, Erdogan disse que “aqueles que ficam ao lado da Síria provocam a escalada da tensão”.

Segundo Peskov declarou nesta sexta-feira (27), antes de a Turquia falar sobre o uso dos sistemas russos de defesa antimíssil S-400 na Síria como ato da agressão, é preciso qualificar as ações em relação ao Su-24 russo.

Peskov também declarou que as Forças Aeroespaciais da Rússia continuarão a operação na Síria sem quaisquer limitações, sublinhando que ele não tem conhecimento de acordos sobre a cessação de voos perto da fronteira turco-síria.

“Não sei nada sobre tais acordos. Partimos do princípio de que as Forças Aeroespaciais russas continuam a operação de apoio às Forças Armadas da Síria em ações de ofensiva contra organizações terroristas, e continuam sem quaisquer limitações no âmbito da missão bem conhecida,” disse.

O porta-voz do presidente russo informou que Vladimir Putin realizou uma reunião com os membros permanentes do Conselho de Segurança russo durante a qual “foi discutida a escalação da tensão da situação na Síria no pano de fundo das ações agressivas e imprevisíveis da Turquia”.

A reunião contou com a participação do premiê russo Dmitry Medvedev, o chefe da administração do Kremlin Sergei Ivanov, o secretário do Conselho Nikolai Patrushev, o ministro do Exterior Sergei Lavrov, o ministro da Defesa Sergei Shoigu, o chefe do FSB Aleksandr Bortnikov, o ministro do Interior Vladimir Kolokoltsev, além de muitos outros.

Na tarde da quinta-feira (26) o representante oficial do Ministério da Defesa russo, general-major Igor Konashenkov, declarou que o Ministério da Defesa russo e as Forças Armadas da Turquia rompreram qualquer cooperação, inclusive na assim chamada linha direta, geralmente usada para prevenir incidentes no espaço aéreo sobre a Síria.

As declarações veem após um avião russo Su-24 ter sido abatido na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi atingido por um míssil "ar-ar" disparado de um avião F-16 turco, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O presidente russo chamou o abate do avião de "golpe nas costas" por parte de coniventes com o terrorismo.


Lavrov expõe a postura da Rússia em reunião com chanceler da Síria

O ministro das Relação Exteriores da Rússia Sergei Lavrov se reuniu nesta sexta-feira (27) com o seu colega de pasta da Síria Walid Muallem para discutir o futuro da regulação síria e da lutra contra o terrorismo mediante o novo cenário gerado pelo incidente com o avião militar russo Su-24, abatido esta semana pela Turquia.


Sputnik

Turquia e Estado Islâmico


Muallem começou a reunião dizendo que a Síria considera o incidente com o Su-24 russo como uma agressão à sua soberania, e frisando que até agora a Turquia ainda não conseguiu apresentar explicações plausíveis sobre esse tema.


Ministro das Relação Exteriores da Rússia Sergei Lavrov com o seu colega de pasta da Síria Walid Muallem
Walid Muallem e Sergei Lavrov © Sputnik

Ele disse que ao longo dos últimos cinco anos a Síria vem sofrendo com as agressões da Turquia, bem como com o seu apoio ao Estado Islâmico e outros grupos terroristas, já que Ancara faz isso por motivos ideológicos, por considerá-los como uma espécie de prolongamento do Império Otomano.

Assim, Muallem acusou a Turquia de cooperar e lucrar com o EI, facilitando a saída de petróleo, trigo e algodão dos território sírios controlados pelo grupo terrorista para mercados externos. Nesse sentido ele também revelou que algumas das indústrias da cidade de Aleppo, controlada pelo EI, foram transferidas para o território turco.

Para Muallem, o ataque ao avião russo foi provocado pelo fato de a aviação da Rússia ter destruído mais de 1000 cisternas de petróleo oriundas de territórios controlados pelo EI.

Lavrov, por sua vez, disse que a Turquia certamente ficou preocupada após a aviação russa ter começado a bombardear na Síria as caravanas terroristas com petróleo roubado.

"Certamente, dificilmente se trata de uma mera coincidência o fato de os nossos vizinhos turcos terem começado a se portar de forma bastante irritada, para o dizer o mínimo" – disse o chanceler russo.

Ele disse ainda que a preocupação de Ancara em manter cuidadosamente em sigilo as informações sobre seus negócios clandestinos é igualmente comprovada pela recente prisão de dois jornalistas turcos por estes terem escrito uma matéria denunciando as remessas ilegais de armas para o EI a partir do território da Turquia.

Estado Islâmico e comércio ilegal de petróleo

Durante o encontro, Lavrov anunciou que a Rússia propôs ao secretário-geral da ONU preparar um relatório sobre quem coopera e apoio a indústria petrolífera ilegal do Estado Islâmico.

"Apresentamos propostas concretas ao Conselho de Sergurança da ONU para encarregar o secretário-geral da ONU de preparar um relatório, no decorrer de duas semanas, reunindo todas as informações relativas a quem apoia a indústria petrolífera ilegal promovida pelo EI" – disse Lavrov.

"Espero que os colegas norte-americanos nos apoiem e que tal resolução seja aprovada" – disse Lavrov.

Ele disse que apesar de os EUA terem se mostrado preocupados com essa questão acusando, inclusive, Damasco de cooperar com o EI nesse sentido, a coalizão internacional liderada pelos EUA só passou a combater essa atividade ilegal após a Rússia ter começado a fazê-lo. Para Lavrov, a coalizão foi praticamente forçada a isso para não ficar para trás em relação à Rússia.

O chanceler russo lembrou ainda que este tema foi levantado no Conselho de Segurança da ONU justamente pela Rússia, tendo sido aprovada, por iniciativa russa, uma resolução proibindo o comércio com quaisquer organizações ou estruturas presentes em territórios ocupados pelo EI.

Futuro da Síria pertence ao povo sírio

Comentando o fato de muitos países buscarem a saída do presidente Bashar Assad do poder, Lavrov declarou que, segundo os princípios da própria democracia, o povo sírio deve ter exclusividade total para escolher quem irá governar o seu país.

"Por definição, nenhuma comissão estrangeira de seleção de candidatos para o governo sírio pode existir" – disse Lavrov.

Turquia e seu direito à exclusividade

Criticando a postura da Turquia diante do incidente com o avião militar russo Su-24, abatido no início dessa semana pela Força Aérea turca sobre o território da Síria, Lavrov citou algumas recentes declarações do presidente turco Erdogan, denunciando a existência de contradições e padrões duplos em seu discurso.

"Ele [Erdogan] usurpou o direito a certa exclusividade ao declarar que se um avião turco for abatido no espaço aéreo sírio, o mesmo será tratado como um ato de agressão" – destacou Lavrov.

"Achei que havia apenas um país no mundo pretendendo à esse tipo de exclusividade no cenário mundial, mas agora são no mínimo dois" – acrescentou Lavrov.

O chanceler russo disse que numa de suas declarações, Erdogan declarou que se Força Aérea Turca soubesse que o avião abatido era russo, a mesma teria agido de outra forma. No entanto, num de seus discorsos posteriores, o presidente turco declarou que a Turquia agirá da mesma forma se alguém violar novamente o seu espaço aéreo. "Espero que essa postura dupla e inadequada fique evidente para todos" – concluiu Lavrov.

Fim do regime de vistos com a Turquia

Lavrov disse que a Rússia se preocupa muito com o crescimento do terrorismo na Síria, pelo fato deste estar diretamente ligado à segurança da Rússia e seus cidadãos, e destacou a existência de um grande fluxo de combatentes de grupos terroristas através do território da Turquia. Mas, em vez de unir os esforços para combater esse problema, Lavrov disse que Ancara cria dificuldades para cooperações nesse sentido.

Citando algumas cifras recentes, o chanceler russo disse que apenas este ano a Rússia remeteu 17 vezes solicitações oficiais de informações sobre cidadãos russos presos da Turquia por por atividade terrorista – nenhum desses pedidos obteve uma resposta.

Além disso, ele disse que em 2015, apesar de todos os acordos bilaterais, a Rússia foi informada sobre apenas 7 dos mais de 200 casos de cidadaos russos deportados da Turquia por acusações de atividade ilegal. Além disso, na maioria dos casos, as deportações não foram feitas para a Rússia, mas para outros países, alguns dos quais, inclusive, pouco amigáveis à Rússia.

"Por conta disso, Moscou tomou a decisão de interromper o regime sem vistos entre a Rússia e a Turquia. O novo regime entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2016" – disse Lavrov.



Caças turcos armaram uma emboscada ao Su-24

Os caças turcos fizeram uma armadilha para o bombardeiro Su-24 russo, disse o comandante da Força Aeroespacial russa, general Viktor Bondarev na sexta-feira (27).


Sputnik

Os caças turcos prepararam uma armadilha para o bombardeiro Su-24 russo no céu porque não tiveram tempo de voar até o local da tragédia a partir do aeródromo mais próximo, disse o comandante da Força Aeroespacial russa, general Viktor Bondarev na sexta-feira (27).


Bombardeiro russo Su-24M
Sukhoi Su-24 © Sputnik/ Igor Zarembo

De acordo com o comandante, o tempo necessário de voo do avião F-16 a partir da base de Diarbaquir até ao local do lançamento do míssil é de 46 minutos, o que inclui 15 minutos para preparação e decolagem e 31 minutos para voar até o local de lançamento.

O Su-24 foi abatido a 5,5 km da fronteira turca pouco depois de um ataque contra os militantes, disse Bondarev.

"Quando realizava um ataque contra um alvo que ficava a 5,5 km da fronteira nacional da Turquia, às 10h24 (horário de Moscou, 5h24 — horário de Brasília) a tripulação do tenente coronel Peshkov [piloto morto a tiro a partir de terra] lançou bombas e depois disso foi abatido por um míssil ar-ar de um avião F-16 da Força Aérea turca que havia decolado do aeródromo turco de Diarbaquir", disse.

O caça turco F-16 foi conduzido para o Su-24 a partir de terra, afirmou o comandante. Segundo o militar russo, a decisão de derrubar o Su-24 foi tomada 1 minuto e 40 segundos antes de o avião russo se ter aproximado da fronteira entre a Síria e a Turquia.

De acordo com Bondarev, as ações do avião turco depois de ter lançado os mísseis — viragem com perda de altura e aproximação à linha inferior da zona de reconhecimento dos meios de defesa antiaérea — indicam que o ato foi planejado.

O caça turco permaneceu no espaço aéreo sírio por 40 segundos, tendo percorrido 2 km sobre o território sírio. Já o bombardeiro russo não violou o espaço aéreo turco, disse Bondarev.

"Depois da aproximação do caça turco ao Su-24 à distância de alcance do míssil, ou seja, 5-7 km (o que mostra que o caça F-16 voou sobre o território da República Árabe da Síria), este último realizou uma manobra de viragem à direita com perda de altura e desapareceu das telas do radar", disse o general Bondarev.

Nem os meios de controle da base aérea russa na Síria, nem o segundo avião detetaram qualquer aviso da parte do caça turco F-16, disse Bondarev.

Radares turcos vigiaram o bombardeiro russo durante 34 minutos, afirmou o comandante.

Segundo os dados do comandante da Força Aeroespacial russa, no momento do ataque o bombardeiro russo Su-24 realizava uma missão militar em conjunto com o avião principal.

"Os meios de controle objetivo do aeródromo de Hmeymim e do avião principal não detetaram qualquer aviso da tripulação da aeronave turca para os nossos pilotos […]", afirmou Bondarev.

O alto militar russo disse que, no local da tragédia, militantes e alguns grupos armados tentaram capturar o piloto sobrevivente, Konstantin Murakhtin. Segundo o general, depois que o piloto foi encontrado, bombardeiros russos realizaram ataques mais intensos contra a região onde estes militantes atuam.

Bondarev afirmou que, segundo os acordos entre a Rússia e os EUA, país que dirige as ações da coalizão internacional contra o Estado Islâmico para prevenir incidentes no ar, a Rússia passou com antecedência informações sobre as regiões onde os dois Su-24 iriam atuar.

"Por isso, as declarações de vários oficiais turcos de que não sabiam a quem pertencia o nosso avião provoca perplexidade", disse.

Nesta terça-feira (24), um bombardeiro russo Su-24 foi derrubado por um míssil ar-ar turco no espaço aéreo sírio. O Ministério da Defesa sublinha que, durante todo o voo, o avião se manteve sempre sobre o território da Síria. Isto foi registrado por meios objetivos de controle, acrescentou o departamento militar. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou o ato como "um golpe nas costas".


Turquia fez 'emboscada' ao Su-24 para proteger terroristas - professor da NYU

O ataque ao caça russo Su-24 foi planejado e uma armadilha preparada pela Força Aérea turca, afirmou o Dr. Mark Galeotti, professor de Assuntos Globais na New York University (NYU), à Sputnik.


Sputnik

Ao derrubar o avião russo, a Turquia tinha duas coisas em mente. Primeiro, Ancara queria se posicional como um poderoso ator regional, especialmente considerando a participação ativa da Rússia na Síria. O governo turco pensou que ao derrubar um avião, a Rússia levaria Ancara mais a sério no futuro.


Bombardeiro SU-24
Sukhoi Su-24 © Sputnik

Segundo, o governo turco queria proteger seus aliados que estão sendo bombardeados pela Rússia na Síria, afirma Galeotti, especialista em relações turco-russas.

A Turquia pretende proteger o Estado islâmico porque tem interesses diretos na entrega de petróleo extraído de territórios controlados pelo grupo terrorista. Segundo várias estimativas, o petróleo gera entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões de receitas ao Estado Islâmico por mês.

Um dia antes do ataque ao Su-24, ataques da Força Aérea da Rússia destruíram mais de mil caminhões-tanque que transportavam petróleo bruto até refinarias do Estado Islâmico.

Segundo o especialista, mesmo se o avião russo houvesse violado o espaço aéreo turco por um curto período de tempo, não haveria motivo para derrubá-lo. Para Galeotti, havia outras opções para resolver o problema.

Em 2012, quando um avião sírio derrubou um caça turco por seguidamente violar o espaço aéreo sírio, o Presidente Erdogan ficou furioso e declarou que a rápida violação de espaço aéreo não deveria ser pretexto para que um avião fosse derrubado.

O bombardeiro Su-24 russo foi abatido por dois caças turcos F-16 enquanto realizava operações na Síria. Um dos pilotos morreu a tiros enquanto descia de paraquedas. O outro foi resgatado. Um soldado de infantaria também perdeu a vida na operação de resgate.

O presidente turco afirmou que Ancara agiu de acordo com seu direito soberano de responder a ameaças, alegando que o avião russo havia violado o espaço aéreo da Turquia. Entretanto, dados de voo divulgados pelo Ministério da Defesa russo mostram que o Su-24 nunca esteve no espaço aéreo da Turquia e realizava manobras legítimas sobre a Síria.



'Ataque a caça russo foi ato claro de guerra'

Que ninguém se engane, diz o escritor americano Stephen Lendman: ao derrubar o caça russo Su-24, a Turquia cometeu um ato claro de guerra contra uma nação que não é inimiga.


Sputnik

É ingênuo, contudo, acreditar que o Presidente Erdogan, que autorizou os disparos que derrubaram o caça russo, agiu sozinho, reforça Lendman. Em seu mais recente artigo para a Global Research, o autor chama atenção para o fato de que Ancara obviamente mente sobre a entrada da aeronave russa no espaço aéreo turco e sobre as várias advertências dadas por pilotos turcos - a versão foi amplamente aceita como verdade por líderes ocidentais da oficiais da OTAN.


Caça F-16 da Força Aérea da Turquia
F-16 Fighting Falcon da Turquia © flickr.com/ UK Ministry of Defence

"Como já deixamos claro seguidas vezes, estamos solidários à Turquia e apoiamos a integridade territorial da Turquia, nossa aliada na OTAN", afirmou o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, após uma reunião de emergência solicitada por Ancara.

Stoltenberg também afirmou: "Já expressei anteriormente minhas preocupações com as implicações das ações militares da Federação Russa perto das fronteiras da OTAN."

Lendman reforça que Washington dita a política da OTAN e que as declarações da Aliança claramente refletem os interesses dos Estados Unidos.

Washington e a OTAN imediatamente tomaram o lado da Turquia após o episódio, ignorando o comunicado oficial da Rússia e das Forças de Defesa Aérea da Síria, assim como dados de monitoramento que confirmam que a aeronave russa não entrou no espaço aéreo da Turquia.

Além disso, o co-piloto resgatado, capitão Murahtin, confirmou que não houve violação do espaço aéreo turco e que não houve advertências visuais ou por rádio por parte da Turquia antes do ataque ao Su-24.

Segundo Lendman, contudo, a OTAN não parece interessada em descobrir a verdade. Para ele, o discurso de Stoltenberg "explicitamente endossa o ato de guerra contra a Rússia."


Turquia tem medo de voar sobre a Síria

Segundo a mídia turca, Ancara suspendeu os voos sobre a Síria após as declarações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a utilização de mísseis russos S-400 contra caças turcos na Síria.


Sputnik

O presidente turco disse em entrevista ao canal televisivo CNN que Ancara considerará o uso de sistemas de defesa antiaérea S-400 contra aviões militares turcos como uma agressão contra a soberania do país e que a Turquia tem o direito de se proteger. O líder turco também destacou que é muito provável que a situação se desenvolva assim, ou seja, que os aviões turcos possam ser atingidos por mísseis russos e que a Turquia “será obrigada a tomar medidas urgentes”.


Caça turco
F-16 Fighting Falcon © AFP 2015/ YIANNIS KOURTOGLOU

Entretanto, a Turquia abateu o bombardeiro russo Su-24 e não pretende pedir desculpas à Rússia pelas suas ações no espaço aéreo da Síria.

“Eu acho que, se alguém tem que se desculpar, não somos nós. Aqueles que invadiram nosso espaço aéreo é que devem pedir desculpas. Nossos pilotos e militares simplesmente cumpriram as suas obrigações, que consistiam em responder à violação", disse Erdogan em entrevista ao canal CNN.

Ao mesmo tempo, segundo o jornal turco Hurriyet que cita fontes diplomáticas, a Turquia suspendeu os voos da sua Força Aérea sobre a Síria no âmbito da coalizão internacional contra o Estado Islâmico. No comunicado do Estado-Maior da Turquia se diz que a Turquia toma medidas para prevenir incidentes entre as forças armadas dos dois países. É provável que esta seja uma destas medidas.

Nesta terça-feira (24), um bombardeiro russo Su-24 foi derrubado por um míssil ar-ar turco no espaço aéreo sírio. O Ministério da Defesa sublinha que, durante todo o voo, o avião se manteve sempre sobre o território da Síria. Isto foi registrado por meios objetivos de controle, acrescentou o departamento militar. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou o ato como "um golpe nas costas".



França fez dura condenação ao ataque da Turquia contra a Rússia no Conselho da OTAN

Paris condenou asperamente a derrubada do bombardeiro russo Su-24 por parte da Turquia durante a reunião do Conselho da OTAN em 24 de novembro, segundo revelou uma fonte diplomática nesta sexta-feira (27).


Sputnik

Após o incidente, a OTAN expressou solidariedade com a Turquia e ofereceu apoio para Ankara dizendo que as avaliações do incidente por parte da Aliança do Norte eram consistentes com as informações fornecidas pelo país, que alegou que o avião de guerra russo havia brevemente violado o espaço aéreo turco.


Presidente da Rússia Vladimir Putin e presidente da França François Hollande
Vladimir Putin e François Hollande © REUTERS/ Michel Euler

"A Grécia foi a primeira a se pronunciar no Conselho, e deu o tom para a discussão, porque as aeronaves turcas constantemente violam o espaço aéreo grego. Em seguida, o representante francês fez um discurso duro", disse a fonte à Sputnik, acrescentando que o apoio da OTAN não foi unânime.

Segundo a fonte, o representante de Paris disse que as atividades turcas estavam minando a operação contra o grupo terrorista Estado Islâmico.


Regimento ucraniano está pronto a lutar contra russos na Síria

Os combatentes do regimento ucraniano de voluntários Azov, que participaram da operação militar de Kiev contra milícias independentistas de Donbass, declaram que estão prontos para ir à Síria e combater contra os russos.


Sputnik

O regimento Azov quer apoiar a coalizão liderada pelos EUA e lutar contra as Forças Armadas da Rússia, segundo declarou o fundador do regimento, Andrei Biletsky na televisão ucraniana.


Soldados do batalhão Azov ostentando o símbolo neonazista do Wolfsangel
Regimento Azov © Sputnik/ Aleksandr Maksimenko

“Tendo em conta o esfriamento nas relações com a Rússia e o fato que na Síria os interesses russos e turcos colidem, seria absolutamente lógico para a Turquia procurar contatos com a Ucrânia, assim como para a Ucrânia – com a Turquia”, disse.

Ele está certo que o Azov poderia desempenhar o papel de legião estrangeira na Síria, “já que por enquanto temos o regime de cessar de fogo”.

Biletsky sublinhou especialmente que tem em mente a luta contra os russos, e não contra os terroristas.

Este não é o primeiro caso de retórica militarista proveniente da Ucrânia em relação à Rússia após o início da operação aérea russa contra o grupo terrorista Estado Islâmico na Síria, de acordo com o pedido oficial do presidente Bashar Assad.

Por exemplo, comentando o incidente com o Su-24 que foi abatido no espaço aéreo sírio pelo lado turco, o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional ucraniano (SNBO), Aleksandr Turchinov declarou que os militares turcos “agiram profissionalmente”.

Segundo informou o site oficial do SNBO, “os militares turcos exerceram o seu dever de proteger o espaço aéreo do seu país e a segurança de seus cidadãos”.

Mais do que isso, ativistas ucranianos publicaram um vídeo na Internet sobre a ação da Força Aérea turca. É de notar que o vídeo foi publicado no mesmo dia em que o Su-24 foi abatido.

Em 24 de novembro, um bombardeiro russo Su-24 foi abatido e caiu na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil "ar-ar" disparado de um caça turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O Ministério da Defesa da Federação da Rússia confirmou neste mesmo dia que "a análise dos dados de controle objetivo mostrou inequivocamente que não houve violações do espaço aéreo da Turquia”.



Presidente sérvio: Ancara tentou impedir destruição de terroristas

O presidente sérvio Tomislav Nikolic enviou ontem (26) um telegrama de condolências devido ao abate do bombardeiro russo que levou a vida de um dos pilotos.


Sputnik

Nikolic disse à Sputnik que ele expressou desta forma a sua solidariedade com a operação antiterrorista russa na Síria. 


Tomislav Nikolic
Tomislav Nikolic © Sputnik/ Aleksei Nikolsky

“Ao mesmo tempo isto é uma reprovação das ações instigadoras da Turquia, por meio das quais Ancara tentou impedir a destruição dos terroristas (a propósito, a Rússia está quase acabando este processo) e quis engajar outros países da OTAN em um conflito com a Rússia”, disse Nikolic.

O presidente frisou que não se podia ter permitido um tal incidente e lembrou que a própria Turquia violou repetidamente o espaço aéreo da Grécia, mas estes casos foram resolvidos por meio de mecanismos diplomáticos.

“Quando as forças sírias abateram um avião turco, a Turquia disse que apesar de este ter estado no espaço aéreo da Síria por mais de dez minutos, foi um gesto negativo na mesma e que tudo podia ter sido resolvido através da diplomacia e de uma chamada telefônica. Neste caso, em apenas 17 segundos (além disso, a Turquia não tem provas que ele estava realmente no seu espaço aéreo), eles afirmam que contataram o piloto por sete vezes, consultaram o Ministério da Defesa etc. Tudo isso é muito pouco claro”, opina Nikolic.

Ele opina que “a Turquia é culpada de um acidente demasiado grave para que Rússia lhe estenda a mão da reconciliação”.

Nikolic também sublinhou que é pouco possível esperar ajuda da Turquia na luta contra o terrorismo, que está destruindo a Europa.

O presidente sérvio sublinhou que não gostaria de intervir nas relações da Rússia com a Turquia e comentar as possíveis sanções por parte de Moscou, porém disse:

“Eu sei que o presidente Putin é uma pessoa razoável, está pronto a proteger os interesses nacionais do país e tomará as medidas correspondentes. Será uma decisão sensata que mostrará que ninguém se deve atrever a comportar-se tão imprudentemente com a Rússia, especialmente agora quando ela luta contra um mal mundial”.

Nikolic opina que a Turquia e a Rússia podem tentar corrigir as relações durante o conselho ministral da OSCE em Belgrado, que terá lugar no início de dezembro:

“Mas a Turquia deve dar o primeiro passo porque é culpada. Não é preciso esperar da Rússia que ela proponha restabelecer a paz àquele que provocou o conflito sem quaisquer sinais de arrependimento e garantias de que isso não acontecerá mais uma vez”.

Nesta terça-feira (24), um bombardeiro russo Su-24 foi derrubado por um míssil ar-ar turco no espaço aéreo sírio. Os dois pilotos do avião conseguiram se ejetar antes de o avião cair. Um dos pilotos foi ferido quando descia de paraquedas e foi morto por islamistas. O copiloto foi salvo e enviado para a base de Hmeymim.

Ancara declara que derrubou o avião russo porque ele violou o espaço aéreo turco, mas o Ministério da Defesa da Rússia sublinha que durante todo o voo o avião se manteve sempre sobre o território da Síria. “Isto foi registrado por meios objetivos de controle", acrescentou o departamento militar. O presidente russo Vladimir Putin chamou o abate do avião de "golpe nas costas" por parte de coniventes com o terrorismo.


25 novembro 2015

Kremlin anuncia ações duras em relação à Turquia

A Rússia está pronta para cessar todos os projetos comerciais e abandonar a cooperação militar com a Turquia após o incidente com o Su-24 da Força Aeroespacial da Rússia.


Sputnik

A respetiva informação foi divulgada pelo jornal empresarial russo Kommersant, que cita fontes nos órgãos do Estado.


O presidente russo, Vladimir Putin, em encontro com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara, em dezembro de 2014
Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan © AFP 2015/ ADEM ALTAN

Uma fonte na administração presidencial russa declarou que as decisões em relação a Ancara serão “duras” e terão influência séria nas relações bilaterais em várias áreas, inclusive na energética. Segundo divulgou a publicação, a maior empresa petrolífera russa, a Gazprom, avaliará a racionalidade de realização do projeto de gasoduto Corrente Turca (também chamado de Turkish Stream).

Além disso, outro grande contrato energético entre a Rússia e a Turquia está em questão – sobre a construção pela estatal de energia atômica russa Rosatom da primeira usina nuclear turca em Akkuyu, que custaria 22 bilhões de dólares e se tornaria a maior da Rosatom.

A Turquia poderá por sua vez limitar a passagem de navios russos pelos estreitos de Dardanelos e Bósforo, o que influirá no abastecimento da base aérea russa de Hmeymim, na Síria. Mas Ancara só pode dar este passo se decidir que existe ameaça de guerra, de acordo com a Convenção de Montreux sobre o Regime dos Estreitos assinado em 1936, que regula a atividade militar da região.

Mas, mesmo neste caso, a liberdade de navegação comercial continuaria em vigor, só com certas limitações. A plena proibição da navegação pode ser introduzida só em caso de o país entrar em guerra.

Na manhã da terça-feira (24), um caça russo Su-24 foi abatido na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil "ar-ar" disparado de um avião turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O presidente russo chamou a derrubada do avião de "golpe nas costas" por parte dos coniventes com o terrorismo.

Na tarde do mesmo dia, a Agência Federal do Turismo da Rússia (Rosturizm) proibiu a venda de pacotes de viagens à Turquia, explicando a decisão pela aumentada ameaça de terrorismo. Mais cedo, o chanceler russo Sergei Lavrov cancelou a sua visita à Turquia e avisou os cidadãos russos sobre possíveis ameaças terroristas na península da Anatólia.

Quais serão as perdas da indústria turística da Turquia?

Segundo os dados da Organização Mundial de Turismo, em 2014 a renda da indústria de turismo na Turquia foi 96 bilhões de dólares, o que representa 12% do PIB do país (9,8% mais do que a média no mundo).

Entretanto, o Banco Mundial estima o PIB turco em 799,5 bilhões de dólares.

Em 2014 a Turquia foi visitada por 37 milhões de turistas.

A contribuição direta dos turistas russos à economia da Turquia é estimada em quatro bilhões de dólares (0,5% do PIB nacional), segundo indicam os dados para 2014.

Segundo os dados da Rosturizm, um total de 1.031.525 turistas russos visitaram a Turquia na primeira metade de 2015 o que é em 25,7% menos do que no mesmo período de 2014, quando o país foi visitado por 1.387.763 turistas russos.