19 abril 2017

Combatentes do Daesh utilizaram gás venenoso durante ataques em Mossul

Os combatentes do grupo terrorista Daesh realizaram ataques químicos em bairros recentemente libertados de Mossul, no Iraque, segundo a agência Associated Press, que citou uma fonte militar.


Sputnik


Um oficial das forças antiterroristas informou neste sábado, que o ataque foi realizado na sexta-feira em Mossul, quando os militantes do Daesh lançaram um míssil de cloro. Segundo a fonte da agência, sete militares tiveram problemas respiratórios e foram encaminhados ao hospital mais próximo. 

Fumaça e fogo captados após a explosão de um carro-bomba na cidade de Mossul, Iraque, durante os combates entre forças iraquianas e terroristas do Daesh (grupo proibido na Rússia), 5 de março
Explosão em Mossul, Iraque © AFP 2017/ Aris Messinis

Mais cedo, a imprensa noticiou que os combatentes do Daesh realizaram um ataque de artilharia contra os civis, usando projéteis com gás.

As tropas iraquianas, que fazem parte de uma coalizão liderada pelos EUA, iniciaram as operações para libertação de Mossul em outubro de 2016. A parte oriental da cidade já foi liberada. Em fevereiro, o governo iraquiano anunciou o início da operação para libertar a parte ocidental da cidade.

Em março deste ano, as foras de Bagdad anunciaram que os terroristas em Mossul estavam cercados.

Eliminado 'ministro da guerra' do Daesh que treinou nos EUA por 5 anos

De acordo com a mídia, um dos chefes do agrupamento jihadista Daesh, proibido na Rússia e em muitos outros países, foi morto na sequência de um ataque com mísseis na cidade iraquiana de Mossul.


Sputnik

De acordo com o canal russo Rossiya 24, o terrorista eliminado se chamava Gulmurod Khalimov e era considerado como o "ministro da guerra" dentro do Daesh.


Resultado de imagem para Gulmurod Khalimov
Gulmurod Khalimov

Sabe-se que Khalimov era originário da República do Tajiquistão e começou sua carreira nas fileiras das forças especiais da União Soviética. Após o colapso da URSS, ele se tornou comandante no OMON (Unidade Móvel de Operações Especiais, nome genérico para o sistema de Unidades Especiais da Polícia e anteriormente do Ministério do Interior soviético) e serviu na Guarda Presidencial.

Ao longo de 5 anos, o terrorista foi treinado em uma das bases militares americanas. A edição britânica The Times afirma que seus mentores proviriam da empresa militar privada Blackwater.

Em 2015, Khalimov aderiu às fileiras dos terroristas e foi combater na Síria, se tendo especializado em fazer explodir veículos da coalizão internacional.



Ex-presidente do Afeganistão classificou o lançamento da bomba dos EUA de 'traição'

O ex-presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, acusou seu sucessor de cometer traição, ao permitir que os militares dos EUA lançassem a maior bomba não nuclear em uma operação contra terroristas do Daesh no país.


Sputnik


Karzai, que "se posicionou contra a América", mantém uma influência considerável no grupo étnico Pashtun do Afeganistão, ao qual o presidente Ashraf Ghani também pertence. Suas declarações podem sinalizar uma reação política das forças nacionalistas no país e colocar em risco a missão militar dos EUA no Afeganistão.

Ex-presidente do Afeganistão, Hamid Karzai
Hamid Karzai © AFP 2017/ ALEXANDER NEMENOV

"Como é possível permitir que os americanos bombardem seu país com um dispositivo igual à uma bomba atômica?", disse Karzai durante um evento público em Cabul, questionando a decisão de Ghani. "Se o governo permitiu fazer isto, isso foi errado, foi uma traição nacional".

Violação da soberania

Durante a posse de Karzai como presidente, sua oposição aos ataques aéreos de forças militares estrangeiras agravou seu relacionamento com os Estados Unidos e outras nações ocidentais.

Como o governo de Cabul, dividido entre Ghani e seu rival Abdullah Abdullah, num compartilhamento de poder negociado pelos EUA, permanece frágil, as intervenções políticas de Karzai chamam a atenção. Ghani não conseguiu construir uma unidade, construida por Karzai, que deixou o cargo em 2014.

Karzai classificou o ataque norte-americano de violação de soberania, perturbando assim o instável ambiente político do país.

Irã não precisa de permissão para construir mísseis, diz presidente

O Irã não vai pedir "licença a ninguém" para construir mísseis, disse no sábado (15) o presidente do país, Hassan Rouhani, no que parece ser uma resposta aos esforços dos EUA de impedir o desenvolvimento do Exército iraniano, relata a agência Reuters.


Sputnik

"O fortalecimento das capacidades das Forças Armadas iranianas […] visa somente defender o país e nós não vamos pedir licença a ninguém para desenvolver as Forças Armadas e para construir mísseis e aeronaves", disse o presidente em um evento militar, transmitido pela televisão estatal. 


O presidente do Irã Hassan Rouhani (segundo à esquerda) e o ministro da Defesa Hossein Dehghan (à esquerda) perto do sistema de mísseis Bavar 373 em Teerã, Irã, 21 de agosto de 2016
Presidente do Irã, segundo a esquerda, próximo ao sistema Bavar 373 © REUTERS/ President.ir

Rouhani também observou que o Irã nunca teve "objetivos agressivos, mas a paz não é um caminho sem retorno e, se nós optarmos por ficar em paz, pode ser que a outra parte não o faça, então há uma necessidade de vigilância."

Nas próximas presidenciais em maio, Rouhani espera obter o seu segundo mandato de quatro anos. O presidente desmentiu as afirmações dos adversários, segundo os quais o presidente estava ansioso por apaziguar o Ocidente ao concordar em interromper o programa nuclear do país em troca de levantamento das sanções.

Durante sua campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump criticou o acordo nuclear e disse que iria interromper o programa de mísseis de Teerã. Em janeiro, depois que o Irã testou de um novo míssil balístico, Trump twittou que o país estava "brincando com o fogo".

O Irã, por sua vez, diz que seus testes de mísseis não violam o acordo nuclear.



Otan mobiliza batalhão multinacional na Polônia

France Presse

A Otan iniciou nesta quinta-feira oficialmente a primeira mobilização de um batalhão na Polônia, no âmbito do reforço do flanco oriental da Aliança Atlântica contra a Rússia, “uma mensagem enviada a todo agressor em potencial”. 


Otan mobiliza batalhão multinacional na Polônia
Tropas polonesas durante cerimônia de abertura para os batalhões da Otan, em Orzys, em 13 de abril de 2017 - AFP

A implantação dessas tropas “é uma clara demonstração da unidade da Otan, uma mensagem clara enviada a todo agressor em potencial”, declarou o general americano Curtis Scaparrotti, comandante supremo das forças aliadas na Europa, em uma cerimônia solene realizada em uma base militar de Orzysz (nordeste da Polônia).

No total, quatro batalhões multinacionais da Otan e uma brigada blindada americana serão instalados progressivamente no flanco oriental da aliança, entre os Países Bálticos, Polônia, Romênia, Bulgária e Hungria, em resposta à anexação da península da Crimeia pela Rússia em 2014.

Com cerca de 800 soldados, o batalhão de combate mobilizado na Polônia estará dirigido pelo exército americano, com a participação de soldados britânicos, romenos e croatas.

Serão mobilizadas unidades similares da OTAN em Estônia, Letônia e Lituânia, que deverão estar operacionais até o fim de junho.


Projeto preliminar do submarino nuclear brasileiro é concluído com sucesso

Poder Naval

O Projeto Preliminar do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro (SN-BR) foi concluído, com sucesso, em janeiro deste ano.


Resultado de imagem para submarino brasileiro
Concepção do submarino com propulsão nuclear Álvaro Alberto

O Projeto está sendo conduzido pelo Corpo Técnico de Projeto (CTP), no Escritório Técnico de Projetos (ETP) da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), localizado nas dependências do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), subordinados à Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha. Na parceria com a França, a Empresa francesa “DCNS” tem, como uma das atribuições contratuais, a Transferência de Tecnologia (ToT), em Projeto de Submarinos, exceto ao que se refere à planta de propulsão nuclear, cuja responsabilidade é, exclusivamente, da Marinha do Brasil.

Ressalta-se que, no escopo da ToT, a DCNS transfere know how quanto ao Projeto de Submarinos, além de prover Assistência Técnica, Suporte e Capacitação ao CTP, por meio de treinamento e transferência de documentação técnica de referência.

O CTP conta, hoje, com, aproximadamente, 200 integrantes, entre militares (Oficiais e Praças) e Funcionários Civis da Empresa “Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.” (AMAZUL), nos níveis de ensino superior e médio, dos quais 59 receberam treinamento em Projeto de Submarinos e Apoio Logístico Integrado (ALI), tanto na França, quanto no Brasil.

A conclusão do Projeto Preliminar foi validada pela DCNS e os seus resultados demonstraram a viabilidade e a exequibilidade do Projeto Final do SN-BR. O sucesso evidenciado ao término dessa Fase traduz um importante marco para a Marinha, transmitindo a confiança necessária para o prosseguimento das Fases subsequentes, quais sejam: detalhamento e construção do SN-BR.

Fonte: Marinha do Brasil



Trump quer vender Super Tucanos à Nigéria

Poder Aéreo

A administração Trump provavelmente venderá cerca de uma dúzia de aeronaves de ataque terrestre A-29 Super Tucano à Nigéria para a luta do país contra os militantes de Boko Haram, informou a Associated Press nesta segunda-feira.



Resultado de imagem para super tucano
Embraer A-29 Super Tucano

A venda proposta dos Embraer A-29 Super Tucano está em negociação há mais de um ano. Em maio de 2016, a Reuters informou que os funcionários do governo Obama — impulsionados pelo governo Muhammadu Buhari da Nigéria e reformas anti-corrupção — tinham aquecido a ideia da venda.

De acordo com o reportagem da AP, o Congresso será notificado do acordo “dentro de semanas”.

Nos últimos anos, forças militares nigerianas teriam matado centenas de civis durante operações contra o Boko Haram. As baixas civis tornaram a venda dos A-29 controversa entre os grupos de direitos humanos. Além disso, a Anistia Internacional acusou repetidamente o governo nigeriano de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seus maus tratos a prisioneiros, relatos de tortura e execuções em massa.

“Por uma questão de política, não comentamos as propostas de vendas de defesa até que elas tenham sido formalmente notificadas ao Congresso”, disse um funcionário do Departamento de Estado, que falou sob condição de anonimato para discutir uma venda de armas que ainda não tinha sido tornada pública . “Mais amplamente no entanto, podemos dizer que os Estados Unidos estão empenhados em trabalhar com a Nigéria e seus vizinhos para combater o Boko Haram, proteger civis, responder à emergência humanitária na região e ajudar a restaurar a governança nas áreas afetadas”.

Nos últimos dois anos, a Nigéria, em conjunto com o Chade e Camarões, fez progressos contra o Boko Haram. No entanto, como o grupo perde território, a necessidade de aeronaves como o A-29 diminui. Em novembro, Matthew Page, ex-especialista do Departamento de Estado na Nigéria, escreveu que o Boko Haram se tornou cada vez menos vulnerável às táticas militares tradicionais, quando o grupo se voltou para ataques assimétricos e se dispersou.

Em janeiro, poucos dias antes de o presidente Trump tomar posse, os Estados Unidos doaram 24 veículos blindados de transporte, conhecidos como MRAPs, aos militares nigerianos por meio do programa Excess Defense Articles (EDA).

A Força Aérea Nigeriana opera primeiramente uma mistura de velhos jatos de combate e de transporte chineses e helicópteros russos, de acordo com a publicação do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos de 2017, que acompanha as forças armadas dos países, conhecida como Military Balance.

O pequeno e monomotor A-29 provavelmente preencheria uma lacuna nas capacidades da Força Aérea Nigeriana. No entanto, com relativamente poucos aviões ocidentais em sua frota e problemas esporádicos de corrupção, não está claro se a Força Aérea Nigeriana seria capaz de manter adequadamente a aeronave.

O A-29 tem sido usado para aumentar o sucesso da incipiente Força Aérea Afegã. Com o armamento certo, equipamentos de designação de alvos e um piloto devidamente treinado, o A-29 pode lançar munições com níveis relativamente altos de precisão.

A venda do A-29 vem menos de um mês depois que o Departamento de Estado levantou as barreiras sobre condições de direitos humanos em uma venda de F-16 caças a Bahrain.

Fonte: Washington Post


‘Almirante’ da propina é velho amigo de Lula

Operador da propina no submarino é ligado a Lula desde 1989


Cláudio Humberto | Diário do Poder

É um velho amigo de Lula o “almirante Braga”, apontado por delatores como intermediário de propinas da Odebrecht pelo contrato no Prosub, bilionário programa de construção de submarinos. 


Operador da propina no submarino emprestou avião para Lula em 89

Trata-se, na verdade, do Comandante Braga, capitão de corveta aposentado Carlos Henrique Ferreira Braga, tão ligado a Lula que até emprestou-lhe um avião para a campanha presidencial de 1989. No governo do amigo petista, Braga vendia remédios cubanos, mesmo aqueles que já eram produzidos no Brasil, como aspirina.

Braga recebe amigos em seu apê na Av. Portugal, nº 80, vizinho ao Iate Clube do Rio, na Urca. Luxuoso demais para um militar da reserva.

A propina paga a Braga estava “embutida” no contrato da Odebrecht, dizem os delatores, e seria destinada a viúvas de vários almirantes.

Delatado por Luiz Eduardo Soares, ex-Odebrecht, o Comandante Braga é um milionário dono de 15 empresas, e conhecido pela ousadia.

Ex-almirante Othon Pinheiro, que foi presidente Eletronuclear no governo Dilma e está condenado e preso por corrupção, também recebeu propina do contrato dos submarinos.



Síria reinicia a retirada de moradores de cidades sitiadas

Mais de 3 mil pessoas foram retiradas de cidades rebeldes e leais ao governo. Operação foi interrompida depois de atentado contra comboio de ônibus.


France Presse

A evacuação de várias cidades sitiadas na Síria foi retomada nesta quarta-feira (19), após uma interrupção de vários dias em consequência de um atentado que deixou mais de 100 mortos. 

Civis sírios puderam deixar nesta quarta-feira (19) cidades de Fuaa and Kafraya, leais ao governo, que estava sitiadas  (Foto: Omar haj kadour / AFP)
Civis sírios puderam deixar nesta quarta-feira (19) cidades de Fuaa and Kafraya, leais ao governo, que estava sitiadas (Foto: Omar haj kadour / AFP) 

O diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, informou que 3 mil pessoas das cidades leais ao governo de Fua e Kafraya foram retiradas durante o amanhecer. Quase 300 também deixaram Zabadani e outras duas localidades rebeldes.

Dez ônibus procedentes de Fua e Kafraya chegaram às 4h locais (22h de Brasília, terça-feira) a Rachidin, subúrbio rebelde de Aleppo, utilizado como zona de trânsito na primeira operação de retirada.

A operação foi interrompida depois do violento atentado contra um comboio de ônibus que deixou pelo menos 126 mortos, incluindo 68 crianças, procedentes das localidades de Fua e Kafraya.

O processo foi retomado nesta quarta-feira sob rígidas medidas de segurança, com dezenas de combatentes rebeldes protegendo os ônibus.

A retirada dos moradores havia começado na sexta-feira passada, após um acordo mediado pelo Catar, que apoia os rebeldes, e o Irã, aliado do regime do presidente sírio Bashar al-Assad.

Quase 5.000 civis e militares leais ao governo deixaram as cidades de Fua e Kafraya, ao mesmo tempo que 2.200 civis e combatentes abandonaram Zabadani e Madaya, duas localidades rebeldes próximas a Damasco.

Com a retirada desta quarta-feira chega ao fim a primeira etapa do processo de evacuação. A segunda fase deve acontecer dentro de dois meses, estipula o acordo.

Desde 2011, a guerra na Síria deixou mais de 320 mil mortos, além de milhões de deslocados e refugiados.

Antes de protesto, Venezuela ativa plano militar contra 'golpe de Estado'

Governo disse ter prendido um dos líderes de complô militar contra seu governo. Oposição convocou protesto para esta quarta-feira.


France Presse


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite desta terça-feira (18) a ativação do "Plano Zamora", uma operação militar, policial e civil com o intuito de impedir um suposto golpe de Estado. A decisão foi anunciada na véspera de um grande protesto da oposição em Caracas. 

Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fez pronunciamento em rede nacional na terça-feira (18)  (Foto: Presidência da Venezuela / AFP )
Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fez pronunciamento em rede nacional na terça-feira (18) (Foto: Presidência da Venezuela / AFP ) 

"Atenção: ativar a fase verde do Plano Zamora para derrotar o golpe de Estado, a escalada da violência (...). recorrer à estrutura militar, policial e civil do Estado", determinou o presidente à Força Armada Nacional Bolivariana, durante uma reunião com os comandantes militares.

A ativação do Plano Zamora acontece no mesmo dia em que a maioria opositora do Parlamento venezuelano pediu às Forças Armadas para que parem de reprimir as manifestações da oposição e que sejam leais à Constituição.

Maduro anunciou ainda que nesta terça foi detido um dos líderes do "complô militar" contra seu governo e um comando da oposição que pretendia atacar sua própria manifestação.

"Capturamos um dos líderes do complô militar que estamos desmantelando há três semanas. Já se encontra preso e está sendo processado na jurisdição militar encarregada de todos os golpistas, civis e militares, incluindo os reformados, como é o caso".

"Também capturamos um grupo de infiltrados, procedente do interior do país (...), um comando da oposição com armas e planos para agredir a mobilização convocada pela direita", revelou Maduro. 

"O Plano Zamora é uma operação estratégica que ativa a defesa da Nação em caso de ameaça à ordem interna que possa significar comoção social e política ou ruptura da ordem institucional. Mas sua aplicação me parece intimidatória, para dissuadir o protesto opositor", disse à AFP o general reformado Cliver Alcalá.

Protesto desta quarta

A oposição venezuelana garante que fará, nesta quarta-feira (19), sua maior manifestação contra o governo de Maduro.

Os organizadores do ato estabeleceram 26 pontos de saída para uma passeata que pretende chegar à Defensoria do Povo, no centro de Caracas, reduto chavista. Aliados do governo já anteciparam que, como sempre, não vão deixar que entrem nesta área.

Os protestos anteriores terminaram em duros confrontos entre as forças policiais e os manifestantes. Cinco pessoas morreram, dezenas ficaram feridas, e mais de 200 foram detidas.
A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) rejeitou em um comunicado as "guerras imaginárias e conspirações inexistentes de Maduro" e reiterou a convocação de um protesto.


18 abril 2017

Armada nuclear enviada por Trump à Coreia do Norte tomou o rumo contrário

Frota que os EUA anunciaram em direção à Península Coreana fez manobras conjuntas com a Austrália


Jan Martínez Ahrens | El País


Washington - Todos participaram da narrativa do engano. Os almirantes, o secretário de Defesa e até o presidente. A Administração Trump viveu nesta terça-feira um momento constrangedor ao se descobrir que a frota nuclear de dissuasão que supostamente se dirigia à Península da Coreia para mostrar os dentes ao regime de Pyongyang nunca tomou essa direção, mas navegou no sentido contrário. O disparate, mantido durante 10 dias sem retificação e finalmente revelado pela mídia norte-americana, enlameia a credibilidade da cúpula militar, incluindo o secretário de Defesa, Jim Mattis, e põe em dúvida o rigor de sua estratégia em um dos conflitos mais voláteis e delicados do planeta. 


O porta-aviões Carl Vinson, no Golfo Pérsico.

O porta-aviões Carl Vinson, no Golfo Pérsico. AFP

A ordem era clara. O almirante Harris Harris anunciara que o porta-aviões nuclear Carl Vinson e seu poderoso grupo de combate se dirigiam de Cingapura para a Coreia. Era 8 de abril e dois dias antes os Estados Unidos haviam bombardeado o regime sírio. Energizados pelo ataque às tropas de Bashar al-Assad, os militares explicaram que o deslocamento naval tinha como objetivo responder à Coreia do Norte, cuja corrida “temerária, irresponsável e desestabilizadora” para conseguir um míssil intercontinental com capacidade atômica a havia transformado no “perigo número um da região” Em 11 de abril, o antigo tenente-general Mattis confirmou publicamente a missão e no dia seguinte o próprio presidente insistiu em que havia sido “enviada uma poderosa armada”. A possibilidade de um ataque preventivo se agigantou.

O mundo começou a tremer. A escalada da tensão era alimentada por Washington e Pyongyang. As armas estavam sobre a mesa. Tudo se encaixava. Exceto um detalhe: o porta-aviões, segundo The Washington Post e The New York Times, se achava naquele momento a 5.600 quilômetros da Península Coreana e navegava em direção contrária, especificamente no rumo do Índico para participar de manobras conjuntas com a Marinha australiana.

Ninguém teria sabido se a própria Armada não tivesse divulgado na segunda-feira uma série de fotografias tiradas no dia anterior do navio cruzando o Estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. A mais de 5.000 quilômetros de seu teórico destino.

Agora, algumas fontes militares afirmaram que não se corrigiu a tempo o itinerário da frota, prefixado para as manobras conjuntas, e outras indicaram que se quis dar tempo à China para que pressionasse a Coreia do Norte. De qualquer modo, o porta-aviões, desta vez, sim, se dirige à Península Coreana. E chegará a seu destino na semana que vem. Supostamente.


17 abril 2017

Ataque contra centro de Damasco deixa civis mortos e feridos

Pelo menos duas pessoas morreram e outras sete ficaram feridas em um bombardeio terrorista no centro da capital síria neste domingo, conforme relataram órgãos de mídia locais.


Sputnik


Os militantes teriam disparado tiros de morteiro contra civis que estavam na praça Umayyad, em Damasco, matando uma mulher e uma criança. 

Explosões em Damasco durante ataque a centro da cidade em março de 2017
Explosão em Damasco, Síria © Twitter/ Hadi Albhara

No início de março, a cidade foi alvo de um grande ataque contra civis perto do cemitério de Bab al-Saghir, matando pelo menos 40 pessoas e deixando cerca de 120 feridos. O grupo Tahrir al-Sham reivindicou a responsabilidade por esse ato. No final do mês, forças da oposição lançaram uma ofensiva surpresa contra a capital e quase chegaram ao centro da cidade, mas foram reprimidos pela aviação síria.

Na última sexta-feira, tropas do governo conseguiram frustrar mais uma investida terrorista contra Damasco, matando ou ferindo os militantes envolvidos na tentativa.


Síria pede ação da ONU contra o terrorismo

O Ministério das Relações Exteriores da Síria pediu que as Nações Unidas juntem esforços com Damasco no combate ao terrorismo neste domingo, um dia após um grande ataque que provocou a morte de dezenas de refugiados perto da cidade de Aleppo.


Sputnik


A chancelaria síria enviou duas cartas idênticas para a ONU e para o Conselho de Segurança da organização, destacando que o pedido de ajuda se estende a toda a comunidade internacional. 

Integrantes do Conselho de Segurança da ONU (arquivo)
ONU © REUTERS/ Eduardo Munoz 

"O governo da República Árabe da Síria reitera a necessidade urgente de unificar os esforços da comunidade internacional para combater o terrorismo, em total coordenação e cooperação com o governo sírio, e de parar as tentativas de ignorar o fato da prioridade de combater o terrorismo, para restaurar a segurança e a estabilidade na Síria e na região como um todo", dizem os documentos, de acordo com a agência SANA.

No último sábado, um atentado suicida levou à morte de mais de 70 pessoas que eram transportadas em um comboio que seguia das cidades de Foua e Kafraya para Aleppo. Outras 100, pelo menos, ficaram feridas no incidente.

FDS eliminam 35 terroristas do Daesh no norte da Síria

As Forças Democráticas da Síria (FDS) eliminaram pelo menos 35 militantes do grupo terrorista Daesh no norte do país ao longo das últimas 24 horas, segundo fontes locais.


Sputnik


De acordo com a Firat News, 10 combatentes extremistas foram mortos durante confrontos na cidade de Tabqa, na noite do último sábado, enquanto outro foi morto em uma vila próxima. Depois, ao todo, 24 terroristas foram eliminados perto de Raqqa, a proclamada capital do Estado Islâmico na Síria. 

Combatentes das Forças Democráticas da Síria (FDS) ao norte da cidade de Raqqa, em 8 de março de 2017
Combatentes das FDS © REUTERS/ Rodi Said

Na última sexta-feira, as FDS anunciaram o início da quarta fase da operação Fúria do Eufrates, que consiste na libertação de áreas rurais da província de Raqqa antes da batalha final pela cidade.

A Fúria do Eufrates foi lançada em novembro passado e conta com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, a qual não recebeu autorização do governo local para atuar em território sírio.


Forças sírias libertam dezenas de mulheres e crianças yazidi das mãos do Daesh

A ofensiva para libertar as cidades sírias e iraquianas do Daesh ainda está acontecendo. A Sputnik Turquia reportou os últimos resultados e relata o resgate de yazidis, minoria religiosa perseguida pelo grupo terrorista.


Sputnik

As Forças Democráticas Sírias libertaram 138 Yazidi, incluindo 64 crianças Yazidi e 70 mulheres Yazidi capturadas pelo Daesh em agosto de 2014 durante um ataque a Sinjar, uma cidade iraquiana no Curdistão iraquiano, de acordo com Cihan Shex Ehmed, secretária de imprensa do comando da operação a cargo do batalhão feminino YPJ das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YRG). 


Mulheres yazidis curdas durante manifestação contra o Daesh, Iraque, 3 de agosto de 2015
Mulheres yazidis curdas © AP Photo/ Seivan M.Salim

"De acordo com nossas informações, o Daesh ainda tem um grande número de famílias Yazidi, crianças e mulheres cativas em Raqqa. Nosso objetivo é libertar todos os prisioneiros dos terroristas. As operações para resgatá-los ainda estão acontecendo", disse ela à Sputnik Turquia.

As operações fazem parte da campanha "Ira do Eufrates", apoiada pelos EUA e pelas Forças Democráticas da Síria para libertar as cidades sírias e iraquianas dos militantes jihadistas. Lançada em novembro de 2016 na província síria de Raqqa, a campanha tenta livrar Deir ez-Zor e Tabqa na Síria e as cidades iraquianas de Mossul e Tal Afar dos terroristas.

Até o momento, as Forças sírias já liberaram 2.900 Yazidi, incluindo 953 mulheres, 684 crianças e 757 jovens senhoras. As Unidades de Proteção do Povo Curdo (YRG) continuam suas operações com as Unidades Peshmergas do Curdistão iraquiano, ajudando-as perto de Mossul.

No ano passado, a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, divulgou um relatório em que classificava a perseguição aos yazidi de "genocídio".


Crianças sírias morrem em ataque após terem sido atraídas por veículo cheio de comida

BBC Brasil

A evacuação de milhares de sírios de quatro regiões ocupadas por rebeldes continua neste domingo, apesar do ataque que matou dezenas de pessoas no último sábado.


ônibus destruído
Os ônibus que carregavam sírios evacuados das zonas de conflitos ficaram destruídos 

A explosão de um veículo bomba destruiu ônibus, incendiou carros e deixou rastros de corpos - incluindo muitas crianças - por todos os lados. Tudo aconteceu quando o comboio que levava sírios evacuados de regiões de conflito parou em um território rebelde próximo a Aleppo.

Segundo ativistas, pelo menos 126 pessoas morreram com a explosão - sendo 68 crianças. A correspondente da BBC no Oriente Médio, Lina Sinjab, conta que a bomba veio bem no momento em que um veículo carregado com comida chegou e começou a distribuir batatas fritas, atraindo muitas crianças para perto dele. Não se sabe se isso foi uma estratégia deliberada dos autores do ataque - que, por enquanto, ainda são desconhecidos.

Por volta de 15h30 do horário local, a explosão aconteceu bem no posto de controle em Rashidin, onde a transferência das pessoas evacuadas iria acontecer.

Segundo Sinjab, não ficou claro como o veículo com explosivos conseguiu entrar naquela área sem a autorização do governo. A TV estatal culpou "terroristas" pelo ataque e afirmou que um suicida teria usado uma van que levava suprimentos para entrar na área.

Ainda assim, não há evidências sobre a autoria do ataque. Para a correspondente da BBC no Oriente Médio, seria pouco provável que os rebeldes estivessem envolvidos na explosão. "Não seria do interesse dos rebeldes algo desse tipo, já que eles mesmos estavam esperando seus apoiadores serem evacuados de outras regiões", explicou Lina Sinjab.

Milhares de pessoas esperavam serem levadas para regiões mais seguras - um acordo entre governo e rebeldes prometeu evacuar os povos em perigo e levá-los para áreas mais distantes da zonas de conflito.

As vítimas da explosão ocorrida no sábado eram em sua maioria xiitas, dos povos de Foah e Kefraya.

"Há mortos por todos os lados. É possível ver dezenas de carros queimados e muitos corpos", disse uma testemunha que não revelou seu nome à agência síria Qasioun.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização com base no Reino Unido, o responsável pelo ataque teria sido um suicida que dirigia um caminhão e provocou a explosão. Ainda segundo o Observatório, pelo menos 109 evacuados de cidades governamentais foram mortos, juntamente com trabalhadores de ajuda humanitária e soldados rebeldes.


Encurralados em território hostil

Milhares de pessoas de ambos os lados da guerra civil que seriam evacuadas estão encurraladas em território hostil desde sexta-feira.

A evacuação foi negociada em um acordo liderado por Irã e Catar e tinha como objetivo aliviar o sofrimento dos povos que viviam nas cidades sitiadas: Foah e Kefraya no Noroeste do país, e Madadaya e Zabadani, perto de Damasco.

Os moradores de Foah e Kefraya, que em sua maioria são muçulmanos xiitas, vivem sob o domínio das forças rebeldes e jihadistas sunitas vinculadas à al Qaeda desde março de 2015.

Já Madaya e Zabadani, de maioria sunita, foram sitiadas desde junho de 2015 pelo exército sírio e por combatentes do movimento xiita libanês Hezbollah.

Cerca de 30 mil pessoas seriam evacuadas pelo acordo feito, mas segundo a agência de notícias AFP, pelo menos 5 mil evacuados de zonas controladas pelo governo e outras 2,2 mil de zonas controladas pelos rebeldes estão encurraladas.

Os rebeldes acusam o governo de romper o acordo ao tentar evacuar mais combatentes aliados do que o que foi negociado em princípio.

No mês passado, a ONU descreveu a situação dos povos sitiados como "catastrófica".

Os evacuados da cidade de Madaya, que estão nas mãos dos rebeldes, pediram às organizações internacionais que os protejam de atos de vingança por conta desse ataque e disseram que condenam a agressão a outro comboio.


Odebrecht pagou 40 milhões de euros por contrato de submarinos

Três executivos da Odebrecht relataram que lobista José Amaro Ramos recebeu valores não-contabilizados na conta de uma offshore, no Uruguai, entre 2010 e 2014


Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso | O Estado de S.Paulo

O chefe do setor de infraestrutura da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Junior confessou à Operação Lava Jato que a empresa pagou 40 milhões de euros para o lobista José Amaro Pinto Ramos para fechar o contrato de parceria com a gigante francesa DCNS para a construção de cinco submarinos – um deles, movido a energia nuclear – para a Marinha brasileira. O negócio teve propinas para o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luis Pinheiro da Silva e para o PT. 


Resultado de imagem para prosub

“Aprovei pagamentos a José Amaro Ramos no valor de aproximadamente EUR 40 milhões, com recursos não-contabilizados, os quais foram realizados em parcelas ao longo da execução do contrato”, revelou o executivo, em sua delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O projeto de submarinos – quatro convencionais e um nuclear -, orçado inicialmente em 6,7 bilhões de euros, só saiu do papel após parceria com a França. Atualmente, a previsão é de R$ 31,8 bilhões de gastos. O programa foi entregue a um consórcio formado pela Odebrecht, pelo estaleiro francês DCNS, cujo principal acionista é o governo da França, e a Marinha brasileira.

“Os pagamentos foram operacionalizados pela equipe de Hilberto Silva (chefe do ‘setor de propinas’), que providenciou transferências bancárias para conta no exterior de José Amaro Ramos.”

Os repasses foram feitos entre 2010 e 2014. “Eu tenho ideia do que ele fazia com o dinheiro, mas ele nunca me disse. Os pagamentos foram feitos e eu sou o responsável e estão registrados no sistema Drousys (sistema de comunicação seguro do setor de propinas).”

BJ, como é conhecido o delator, afirmou que os pagamentos foram feitos para uma empresa de Amaro Ramos no Uruguai. Ele entregou para os procuradores da República da Lava Jato os extratos de transferências para contas do lobista e também os registros de liberação e ordenamento dos pagamentos para ele, identificado pelo codinome “Champagne”.

A offshore do lobista usada para receber os valores foi a Casu Trust & Management Services S.A.. Os documentos entregues pelo delator mostram que os valores saíram de uma conta de uma offshore da Odebrecht, a Strategic Project Planning. Segundo o delator, houve também pagamentos no Brasil.

Questionado pelos procuradores da Lava Jato, sobre qual motivo levou a Odebrecht a pagar 40 milhões de euros, ele afirmou que quando ele assinou a parceria com os franceses da DCNS, foi exigido que ele fizesse os pagamentos para o lobista.

BJ afirmou que foi José Amaro que o procurou no final de 2006 e começo de 2007 com a proposta de que a Odebrecht “fechasse uma parceria com a DCNS, na implantação da base e do estaleiro naval para construção de submarinos convencionais e nuclear financiados pela França”.

“Eu acredito que ele (José Amaro) deveria ter alguns almirantes da reserva que ajudaram na concepção do projeto nuclear envolvidos, deveria ter o Ohon porque ele me procurou depois para que eu ajustasse com ele um contrato de consultoria e eu percebi que ele tinha uma proximidade com os franceses.”

O delator afirmou que José Amaro opera no mercado de armas para o Brasil há muitos anos, como representante de indústrias do setor de defesa e que já esteve com ele em uma casa que ele tem em na 5ª Avenida, de frente para o Central Park.

Eletronuclear


Othon é o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luis Pinheiro da Silva, que já foi preso pela Lava Jato, em Curitiba, por receber propinas nas obras da Usina Termonuclear de Angra 3. O delator afirmou que pagou por consultorias do ex-agente público.

“Orientei que Fabio Gandolfo operacionalizasse os referidos pagamentos. Os pagamentos para Othon Pinheiro foram realizados durante os anos de 2012, 2013 e 2014 com recursos de caixa 2 pela equipe de Hilberto Silva, com recursos não contabilizados”, disse o delator.

“Foram apurados pela Companhia pagamentos no montante de EUR 1,5 milhão, por meio de transferências bancárias em contas indicadas por Othon Pinheiro nos anos de 2012 e 2013 e, ainda, o valor aproximado de R$ 1,2 milhão no ano de 2014.”

O almirante é identificado nas planilhas da Odebrecht como “Mergulhador”. José Amaro tem relações de negócios com o ex-presidente da Eletronuclear, segundo já havia descoberto a Lava Jato. Uma empresa dele fou sócia da Aratec, usada por Othon para receber propinas de Angra 3.

PT

O delator afirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – preso pela Lava Jato, em Curitiba, desde abril de 2015 – também cobrou propina ao partido nesse contrato dos submarinos.

Ao PT, via Vaccari, teriam sido pagos R$ 17 milhões pelo Setor de Operações Estruturadas.

Segundo o executivo da Odebrecht, assim que foi fechado o acordo de cooperação com a DCNS e foi efetuada a liberação de um adiantamento de R$ 650 milhões, Vacarri o procurou no Rio “para solicitar que fossem realizados pagamentos ao PT por conta da conquista do projeto”.

“Informei que não concordava em realizar o pagamento, por não ter havido combinação prévia, mas ele insistiu.”

Segundo BJ, o assuntou foi levado a Marcelo Bahia Odebrecht, presidente afastado do grupo, que está preso desde junho de 2015, pela Lava Jato, em Curitiba.

Conta ‘Italiano’

Odebrecht afirmou à Justiça Eleitoral que a Odebrecht Infraestrutura ficou responsável por pagar R$ 50 milhões do montante acertado com o PT para a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, para que as liberações de dinheiro do governo no contrato de construção dos submarinos não parassem.

Odebrecht revelou que a empresa acertou, ao todo, R$ 150 milhões para a campanha de reeleição de Dilma. O ex-ministro Antonio Palocci, identificado sob o codinome “Italiano”, seria o principal interlocutor do empresário nas negociatas.

O programa foi lançado em 2008, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista chegou a assinar uma “parceria estratégica” com o então mandatário da França, Nicolas Sarkozy. A DCNS ficou responsável pela transferência de tecnologia ao País e escolheu a Odebrecht como parceira nacional no projeto, sem realização de licitação.

Segundo a Marinha, o Prosub engloba “três grandes empreendimentos modulares”. “A construção de uma infraestrutura industrial e de apoio para construção, operação e manutenção dos submarinos, a construção de quatro submarinos convencionais e o projeto e a construção do submarino com propulsão nuclear.”

“O Programa foi concebido por meio da parceria estratégica estabelecida entre o Brasil e a França, a partir de 23 de dezembro de 2008, quando foram firmados acordos de nível Político e Técnico e Comercial, com o valor inicial para a sua consecução de 6,7 bilhões de Euros. O valor estimado até o final do Programa, cadastrado no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo Federal (SIOP), é de cerca de R$ 31,85 bilhões.

O Prosub havia sido citado em relatório da 36.ª fase da Lava Jato, denominada Ommertá. A citação se deu pelas anotações sobre o programa encontradas em celulares do presidente afastado da empreiteira Marcelo Odebrecht. No caso, segundo a Polícia Federal, o assunto Prosub estava relacionado à atuação do ex-ministro Antônio Palocci, que tratava com a empreiteira assuntos ligados ao projeto.

O caso foi enviado para a Justiça Federal no Rio de Janeiro, por não envolver alvos com foro privilegiado.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ AMARO RAMOS

O advogado Álvaro Luís Fleury Malheiros, que representa José Amaro Ramos, informou que seu cliente recebeu aproximadamente 17,5 milhões de euros – e não 40 milhões de euros, como informou o delator da Odebrecht Benedicto Júnior, o ‘BJ’.

Segundo Malheiros, o dinheiro foi pago pela empreiteira a título de honorários. Ramos, segundo seu advogado, recebeu porque levou para a Odebrecht um negócio importante, de grande porte, e também pela atuação intensa que promoveu entre duas sociedades que fecharam parceria.

O advogado esclareceu que a empresa francesa (DCNS) para a qual Ramos vinha trabalhando tinha intenção de fazer parceria com uma empreiteira também francesa no Brasil para construção do estaleiro e da base naval, necessários para implantação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).

Malheiros destacou que Ramos fazia assessoria para a acionista principal e controladora da DCNS. “Ele mostrou que para a DCNS seria mais importante arrumar um parceiro que fosse uma empresa nacional. Aí apresentou esse projeto para a Odebrecht que acabou pagando honorários a ele.”

“O dr. Ramos foi fundamental para o avanço e o êxito desse projeto”, afirma Malheiros.

O advogado informou que Ramos declarou o recebimento dos valores. “Tudo está perfeitamente regularizado.”

Sobre o codinome Champagne, pelo qual Ramos era identificado numa planilha da empreiteira, o advogado declarou. “Essa questão de codinome é uma questão interna da Odebrecht.”

COM A PALAVRA, A MARINHA DO BRASIL

Por meio de nota, a Marinha do Brasil (MB) informou que “desconhece qualquer irregularidade sobre os pagamentos do contrato de construção dos submarinos do Programa de Desenvolvimento de Submarino (PROSUB)”.

“Por esse motivo, não há qualquer investigação (interna) em andamento”.

O esquema do submarino de Lula em negócios internacionais

As delações dos executivos da Odebrecht revelam mais um capítulo na extensa lista de negócios internacionais de Lula: ele intercedeu pela empresa na construção de cinco embarcações


Bárbara Libório | IstoÉ

Em 2010, Luiz Inácio Lula da Silva deixou para trás a presidência do País. Não deixou, no entanto, sua influência e poder como o maior lobista do Brasil. As delações dos executivos da Odebrecht adicionam mais alguns capítulos à já extensa lista de negócios internacionais coordenados pelo petista em troca de polpudas contribuições das empresas beneficiadas. Os depoimentos descrevem o pagamento de propina para garantir repasses do governo ao Prosub, programa de construção de cinco submarinos em parceria com a francesa DCNS, e dá novos detalhes sobre a atuação de Lula na captação de negócios para a empreiteira em Angola. 

O esquema do submarino
A BORDO Lula dentro de um dos submarinos do programa Prosub, em parceria com a francesa DCNS: sem licitação

A construção dos submarinos, incluindo um nuclear, rendeu ao Partido dos Trabalhadores (PT) R$ 17 milhões em propina, segundo a delação do ex-chefe da área de infraestrutura da empreiteira Benedicto Barbosa da Silva Júnior. Anunciado em 2009, o Prosub era um projeto do governo Lula em parceria com o governo francês do então presidente Nicolas Sarkozy. A transferência de tecnologia para o Brasil ficou por conta da empresa francesa DCNS, que escolheu, sem licitação, a Odebrecht para participar da construção das embarcações. Para que os repasses do governo ao programa não cessassem, a Odebrecht teria pago, entre 2012 e 2013, R$ 17 milhões ao PT. Outros R$ 50 milhões dos valores repassados pela construtora ao partido teriam saído do departamento de infraestrutura da empresa, em especial pelo interesse na liberação dos recursos. O programa, que inicialmente tinha um orçamento de R$ 20 bilhões à época, deve custar cerca de R$ 31,85 bilhões e é o maior projeto das Forças Armadas em andamento.

Negócios em Angola

Em sua delação, o presidente afastado da construtora, Marcelo Odebrecht, confirma o que as investigações da Operação Janus – da qual Lula já é réu – apontavam: segundo ele, a contratação da empresa de engenharia do sobrinho do petista, a Exergia Brasil, para obras em Angola foi feita a pedido do ex-presidente. Ela seria usada para intermediar o recebimento de contribuições feitas pela Odebrecht a Lula em troca da facilitação dos negócios da empreiteira no exterior junto a órgãos como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Odebrecht também contou que Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento de Lula, pediu, por indicação do petista, uma contribuição de US$ 40 milhões para que fosse aprovada no BNDES uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para a exportação de bens e serviços para Angola.

Delação de Marcelo Odebrecht

“O Mantega pedia dinheiro pro Vaccari e pro João Santana”

As coisas que a gente levava (a Guido Mantega) eram até legítimas pra destravar um financiamento. É o orçamento do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarino). Eu não pedia nada a ele que não fosse correto, agora o errado está que eu tinha acesso a ele baseado em ser um grande doador.

Ele (Mantega) me chamava pra dizer ‘Preciso que você autorize cinco pro Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT) e eu aí aproveitava e já metia uma pendência.

Muitas vezes eu ia lá fazer pedido e no final da reunião Mantega dizia ‘mas tem aquele nosso amigo, o Vaccari, o João Santana, precisa de 10 a 20’”


16 abril 2017

Coreia do Norte mostra mísseis, após dizer que está pronta para guerra nuclear

Desfile mostrou tanques e armas que preocupam a comunidade internacional: um total de 56 mísseis de 10 classes diferentes, transportados por reboques e caminhões.


France Presse


A Coreia do Norte está preparada para responder a qualquer ataque nuclear pelos mesmos meios, garantiu neste sábado (15) o regime de Pyongyang, respondendo indiretamente às declarações do presidente dos Estados Unidos de que o "problema" norte-coreano seria "tratado".

Mísseis são exibidos durante desfile militar que marca o 105º aniversário do nascimento do pai fundando do país Kim Il Sung, em Pyongyang, neste sábado (15) (Foto: REUTERS/Damir Sagolj )
Mísseis são exibidos durante desfile militar que marca o 105º aniversário do nascimento do pai fundando do país Kim Il Sung, em Pyongyang, neste sábado (15) (Foto: REUTERS/Damir Sagolj ) 

Pyongyang comemorou neste sábado com um desfile militar o "Dia do Sol", data do nascimento do líder fundador da dinastia, Kim Il-Sung (15 de abril de 1912 - 8 de Julho de 1994), avô do atual líder norte-coreano.

Depois de inspecionar a guarda de honra, o atual líder Kim Jong-Un, vestido com um terno preto, supervisionou as tropas que marcharam pela praça Kim Il-Sung, ao lado das mais altas autoridades militares do país. 

Depois de uma salva de 21 canhões, dezenas de milhares de soldados da força de infantaria, da Marinha e da Aviação, desfilaram com o passo de ganso, virando a cabeça para o balcão onde o líder norte-coreano estava.

Alguns destacamentos portavam rifles ou lança-granadas e outros tinham óculos de visão noturna e o rosto pintado.

Atrás deles, tanques e armas que preocupam a comunidade internacional: um total de 56 mísseis de 10 classes diferentes, transportados por reboques e caminhões.

Pyongyang tem sido alvo de várias resoluções da ONU que procuram impedir o país de adquirir tecnologia nuclear e balística.

O país asiático, que já realizou cinco testes nucleares nos últimos meses, quer desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos, o que, de acordo com o presidente Donald Trump, "não vai acontecer". 

Além de celebrar o "Dia do Sol", Pyongyang utilizou o desfile para uma demonstração de força e enviar uma mensagem a Washington, Seul, Tóquio e demais países sobre as suas capacidades militares.

Kim não falou durante a cerimônia, mas o vice-presidente da Comissão dos Assuntos de Estado, segundo na hierarquia do país, fez um discurso desafiador no qual alertou que o país está pronto para reagir a qualquer provocação.

"Estamos prontos para responder a uma guerra total com uma guerra total e estamos prontos para responder com ataques nucleares a qualquer ataque nuclear", declarou Choe Ryong Hae.

Tensões

De acordo com muitos observadores, a Coreia do Norte poderia lançar neste sábado um novo teste nuclear ou balístico, ambos proibidos pela comunidade internacional.

Um relatório dos analistas do "38 North", um site de referência sobre o regime de Pyongyang, assegura que o local dos testes nucleares Punggye-ri, no norte do país, está "preparado e pronto" para um teste.

O presidente americano Donald Trump prometeu na quinta-feira que cuidaria do "problema" norte-coreano e anunciou o envio à região de um porta-aviões escoltado por três navios lança-mísseis.

A China, considerada única aliada da Coreia do Norte, advertiu que um "conflito poderia eclodir a qualquer momento" e reiterou que o "diálogo é a única saída".
E, durante uma conversa telefônica, o ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi afirmou ao seu colega russo Serguei Lavrov, que a China quer cooperar com a Rússia para "apaziguar" o mais rápido possível a tensão em torno da Coreia do Norte.

"O objetivo comum dos nossos países é que todas as partes retornem à mesa de negociações", disse Wang, de acordo com um comunicado divulgado pelo site do ministério.

"A China está disposta a coordenar estreitamente com a Rússia para ajudar a acalmar a situação na península e encorajar as partes a retomar o diálogo", declarou.

A Rússia também expressou preocupação e pediu "moderação a todas as partes para evitar qualquer ação que possa ser interpretada como uma provocação".

Novas armas


Os especialistas militares assistem de perto a esses desfiles militares norte-coreanos em busca de elementos que possam informar mais sobre os programas militares de Pyongyang. 

No desfile deste sábado foram exibidos o que poderiam ser novos mísseis intercontinentais ou protótipos, e o Pukkuksong, um míssil balístico lançado de um submarino, que Pyongyang testou com sucesso em agosto, indicaram vários analistas.

Os foguetes transportados por reboques pareciam mais largos do que os atuais KN-08 e KN-14.

Chad O'Carroll, diretor de serviço especializado NK News, disse à AFP que estes últimos poderiam ser mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido, ou protótipos de um. 

"Seria um grande ponto de virada uma vez implantado, mas ainda há um longo caminho de testes pela frente", disse O'Carroll.

Pyongyang exibe possível novo míssil de longo alcance em desfile militar

Soldados norte-coreanos celebraram neste sábado (17) o 105º aniversário do fundador do país. Parada aconteceu em um momento de grande tensão com os Estados Unidos.


EFE


A Coreia do Norte mostrou neste sábado (17) vários mísseis balísticos, entre eles um possível novo projétil de alcance intercontinental, no desfile militar organizado por causa do aniversário de seu fundador, que acontece em um momento de grande tensão com os Estados Unidos. 

Mísseis exibidos durante parada militar em Pyongyang (Foto: KRT via AP)
Mísseis exibidos durante parada militar em Pyongyang (Foto: KRT via AP) 

No evento que comemora o 105º aniversário do nascimento de Kim Il-sung, fundador do país, o regime fez desfilar pelo centro de Pyongyang sobre caminhões um tipo de projétil nunca antes mostrado em público e que poderia ser um novo míssil balístico intercontinental (ICBM) de combustível sólido.

Os especialistas na matéria estão analisando ainda as características deste novo projétil que, advertem, poderia ser falso, já que não é a primeira vez que o regime exibe em desfiles maquetes falsas de mísseis que está desenvolvendo.

Além de mostrar hoje mísseis de alcance médio Musudan e o misterioso e temido KN-08, que é disparado de plataforma móvel e que ainda não foi testado com sucesso, desfilaram na praça Kim Il-sung vários dos últimos desenvolvimentos do regime como o Pukguksong-1 e o Pukguksong-2, exibidos em público pela primeira vez.

O primeiro deles é um míssil balístico lançado de submarino (SLBM) e o segundo, um projétil de alcance médio que se lança de plataforma móvel e que foi testado pela primeira vez em fevereiro e em abril, teste que levou Washington a responder com o envio de um porta-aviões nuclear para a península da Coreia.


Japão se prepara para reagir a 'ações ativas' em contexto de tensão elevada

Em abril, a Coreia do Norte pode empreender uma série de ações ativas, acredita o ministro das Relações Exteriores japonês, Fumio Kishida.


Sputnik


De acordo com a agência NHK, Kishida acredita que a Coreia do Norte atingiu um novo nível de ameaça e que há a possibilidade que ela empreenda ações ativas já em abril, visto que neste mês Pyongyang celebra vários aniversários nacionais.

Soldados da Força de Auto-Defesa do Japão participam da cerimónia de abertura da nova base militar na ilha Yonaguni na prefeitura de Okinawa, Japão, 28 de março de 2016
Cerimônia em uma base militar de Okinawa, Japão © REUTERS/ Kyodo

O chanceler frisou que as autoridades japonesas continuam analisando escrupulosamente a situação e se preparando para qualquer cenário.

Mais cedo, foi revelado que os EUA enviaram para Okinawa, parte meridional do Japão, um avião de observação atmosférica WC-135 devido às tensões crescentes em torno de possíveis testes nucleares e de mísseis balísticos norte-coreanos.

EUA temem mais ataque cibernético de Pyongyang do que de seus mísseis

John Kelly, secretário de Segurança Nacional, declarou que para os Estados Unidos um ciberataque norte-coreano representa uma maior ameaça de que seus mísseis.


Sputnik

"No caso da Coreia do Norte, sabem, eu não acho que seja possível realizarem um ataque com mísseis contra os EUA. Mas, claro que existe uma ameaça no espaço cibernético", disse o secretário de Segurança Nacional citado pela NBC. 

Resultado de imagem para john kelly
John Kelly, Secretário de Segurança Nacional dos EUA

Ele acrescentou também que, na sequência de últimos acontecimentos, estão sendo considerados vários níveis de ameaça: "Nós iremos estabelecer vários níveis de ameaça, para o caso de acontecer alguma coisa, e nós sentimos que existe uma possível ameaça. Queremos estar sempre precavidos."

Mais cedo, o vice-marechal do Exército Popular da Coreia, Choe Ryong-hae, declarou que o seu país está preparado para um conflito nuclear e para uma guerra total com os EUA.

Anteriormente, o canal NBC, citando uma fonte, havia informado que EUA podem levar a cabo um ataque preventivo contra a Coreia do Norte para impedir a realização de mais um teste nuclear de Pyongyang.

Os EUA enviaram recentemente para a península da Coreia um grupo aeronaval de ataque encabeçado pelo porta-aviões USS Carl Vinson. A Coreia do Norte, tal como em muitas outras ocasiões, ameaçou Washington com um ataque nuclear.


Perito militar explica por que novidades militares de Pyongyang geraram sensação

Em uma entrevista à Sputnik, o especialista da fundação LifeBoat Foundation em assuntos do programa de mísseis nuclear norte-coreano, Vladimir Khrustalev, afirmou que o recente desfile militar na praça central de Pyongyang provocou uma “forte impressão” pelas novidades nos equipamentos de defesa do país.


Sputnik

"Vale destacar a demonstração de uma versão móvel costeira do lançador para os novos mísseis antinavio. Aqueles, cuja existência foi confirmada em 2015. Em perspetiva, isto torna a defesa costeira norte-coreana, com utilização de mísseis, verdadeiramente apta para sua função", afirmou o perito militar à Sputnik Coreia.

Parada militar comemorativa do 105º aniversário de Kim Il-sung, em 15 de abril de 2017
Parada militar na Coreia do Norte © REUTERS/ Damir Sagolj

De acordo com Khrustalev, a segunda novidade marcante é o míssil balístico, que de longe parece um Scud, um míssil balístico móvel de origem soviética de curto alcance, mas modernizado.

"Porém, nas fotos publicadas se pode observar que na parte da ogiva estão instaladas umas superfícies aerodinâmicas. Não se sabe se eles são guiados. Caso sim, então a ogiva será capaz de corrigir sua trajetória de queda na fase de descida. Em qualquer caso, eles, evidentemente, estão se debruçando tanto sobre o aumento da precisão como sobre a capacidade de superar os sistemas antiaéreos", observou Khrustalev.

Segundo realçou, é preciso prestar atenção ao fato de o próprio lançador ser montado em um chassi de lagartas. Bem como a instalação de lançamento do míssil Pukguksong-2, que também está montada em lagartas.

"Um dos motivos por essa preferência pelas lagartas, além das suas caraterísticas práticas, é o fato da Coreia do Norte ser capaz de produzir por si própria diversos equipamentos sobre lagartas, inclusive sofisticados. E a dependência das importações neste respeito é mínima. Por isso, é possível aumentar o parque de lançadores mesmo em condições de embargo de qualquer espécie", afirmou Khrustalev.

Outra arma nunca antes mostrada é um míssil que, pela geometria da sua parte da ogiva e em outros aspetos, é parecida com o KN-08 mas com uma base de tração mais curta. Por agora, não se pode dizer ao certo o que é, já que é preciso uma análise mais escrupulosa das imagens, acredita o perito.

"Claro que as duas sensações principais são os dois últimos modelos de mísseis balísticos. O primeiro é uma espécie de contêiner de transporte e lançamento instalado em semirreboque de um caminhão, de forma análoga às primeiras modificações dos mísseis chineses DF-21 e DF-31. O segundo é um contêiner de transporte e lançamento montado completamente em um potente caminhão de muitos eixos com elevada capacidade de movimentação. Pelos vistos, os mesmos modelos que transportavam os mísseis KN-08 e KN-14. Pelo aspecto visual, isto se parece com as soluções dos ‘clássicos' mísseis soviéticos SS-25 móveis e das modernas modificações chinesas DF-31 e DF-41", explicou.

Tudo isso indica que a Coreia do Norte estará realizando vários projetos paralelos de mísseis ao mesmo tempo, sendo que estes devem ser capazes de atingir Guam, Havaí ou o território continental dos EUA. E Pyongyang, com efeito, tem boas chances de que estes programas sejam bem-sucedidos, resumiu.

Especialista sobre Coreia do Norte: 'Eles apenas querem que os deixem em paz'

Hoje em dia, se está criando a impressão que o mundo está à beira de uma grande guerra, particularmente no que se trata da tensão existente entre os EUA e a Coreia do Norte. O editor-chefe da revista Natsionalnaya Oborona ("Segurança Nacional" em russo), Igor Korotchenko, revela os principais cenários para o desenvolvimento da situação.


Sputnik


De acordo com os dados disponíveis, Trump ordenou enviar um grande grupo naval de ataque encabeçado por um porta-aviões nuclear à costa coreana. Mas também há informações de que, e isto é o mais perigoso, para a região teriam sido enviados submarinos americanos portadores de mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Uma mulher norte-coreana equilibra um balde na cabeça, enquanto homens fumam na rua no final de um dia de trabalho, na quarta-feira, 22 de junho de 2016, em Wonsan, Coreia do Norte.
Cotidiano em Wonsan, Coreia do Norte © AP Photo/ Wong Maye-E

A Marinha dos EUA possui 4 submarinos desse tipo, sendo que cada um deles porta 154 mísseis Tomahawk de baseamento marítimo. Ou seja, tudo em conjunto isto quer dizer que os EUA dispõem de um potencial que pode ser usado contra a Coreia do Norte, realça o especialista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

A avaliação deste potencial mostra que a capacidade conjunta destes submarinos é por volta de 600 mísseis de cruzeiro. Além disso, há um certo número do mesmo tipo de mísseis nos navios militares americanos que se dirigiram à região. Deste modo, "o potencial para um ataque preventivo americano contra a Coreia do Norte conta com mais de 700 mísseis Tomahawk", adianta Korotchenko.

"Se tal operação por parte dos EUA começar em um instante, isto quer dizer que a Coreia do Norte não poderá repelir um ataque tão maciço. Já que 700 mísseis Tomahawk superam até um sistema antiaéreo moderno, enquanto na Coreia do Norte continuam estando instalados sistemas e complexos antiaéreos soviéticos antigos", explica o analista.

Por isso, há um risco, no caso de um ataque contra a Coreia do Norte, que Trump não descarta, pelo menos nas suas declarações públicas, Kim Jong-un autorize o uso de armas nucleares como medida de resposta.

"Ninguém sabe de que modo estas armas nucleares serão utilizadas e aplicadas. Porém, é evidente que o primeiro ataque pode ser efetuado contra a Coreia do Sul, onde existe um grande contingente militar americano", prosseguiu.

Também não se pode descartar a possibilidade de que Kim Jong-un tenha uma equipe especial, cujo objetivo é realizar ações de resposta contra Pyongyang 
caso seja efetuado um ato de agressão. Pode ser que uma ou duas munições nucleares estejam inseridas em submarinos.

"Em seguida, este submarino poderá se dirigir à costa sul-coreana, japonesa ou americana, onde poderá efetuar um ataque nuclear. É um cenário terrível, tudo isso coloca o mundo à beira da Terceira Guerra Mundial. Acredito que durante as conversações [entre o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e o chanceler russo, Sergei Lavrov] nós, mais uma vez, fizemos os americanos entenderem todos os riscos da confrontação política e militar que eles estão fomentando hoje, bem como as possíveis consequências tenebrosas e horrorosas", expressou o jornalista.

Korotchenko frisou que, qualquer quer que seja a diferença entre o regime norte-coreano e os padrões da democracia ocidental, Pyongyang também tem sua própria lógica que pode ser entendida.

"Eles não são malucos. Eles apenas querem que os deixem em paz", explicou.

"No entanto, quanto se reúne um tal poderio naval para, provavelmente, efetuar um ataque, deixa de ser possível prognosticar as ações das autoridades norte-coreanas. Assumindo que a Coreia do Norte use armas nucleares contra os mísseis Tomahawk americanos, isto quer dizer que os EUA também começarão uma guerra nuclear se efetuarem um ataque de resposta, já que os navios de guerra americanos têm armas nucleares. Por isso, a situação pode ser pior do que a Crise dos Mísseis de Cuba de 1962. E Trump se deve dar conta que as apostas feitas no jogo que ele começou podem ser terríveis pelas suas consequências catastróficas. Em caso algum se pode permitir que isso aconteça", partilhou.

Há pouco, houve algumas comunicações que Pyongyang estaria evacuando a população, porém, o especialista não se apressou a confiar em tais dados.

"Tenho certeza que a Coreia do Norte nunca será a primeira a atacar. Já que a lógica do seu regime é a lógica de sobrevivência. Se não os tocar, eles nunca vão atacar ninguém. Os EUA, por sua vez, parecem uma pessoa que, se apoderando de uma vara, a enfia em uma toca de urso. E quanto o urso furioso sair de lá, já vai ser tarde demais", disse Korotchenko.

"Pelo visto, os EUA estão inclinados para uma solução de força. Mas, neste caso, serão afetados os aliados mais próximos dos EUA. Já nem falo do risco de uma troca de ataques nucleares entre a Coreia do Norte e os EUA. Isto afetará inevitavelmente os interesses do Japão, outro aliado importante dos EUA. De qualquer modo, já há uma esperança que as autoridades sul-coreanas e japonesas tentem conter Trump de ações aventureiras. E, finalmente, uma ação tão maciça como uma declaração de guerra precisa de um mandato do congresso americano. Espero que ao menos uma parte dos congressistas americanos se manifeste contra esta aventura militar", resumiu.