22 setembro 2016

China e Rússia concluem exercícios navais Cooperação Marítima 2016

As Marinhas da China e da Rússia concluíram na segunda-feira (19) os exercícios militares conjuntos no mar do Sul da China. 


Sputnik

Falando na cerimónia de encerramento dos exercícios, o vice-comandante da Marinha da China, Wang Hai saudou os resultados do exercício, dizendo que as manobras militares atingiram os objetivos colocados, segundo a agência chinesa de notícias Xinhua.


Navio da Marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang
Navio da marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang © AFP 2016/ Adam Warzawa

Wang Hai declarou que, graças à Cooperação Marítima 2016, as Marinhas dos dois países desenvolveram capacidades de combate conjuntas e aumentaram o nível de informação e padronização de manobras conjuntas. Ele disse estar confiante de que a cooperação entre as forças navais dos dois países no futuro se alargará e de que seus contatos serão ainda mais próximos.

O vice-comandante da Marinha russa, Aleksandr Fedotenkov, observou por sua vez que as Marinhas dos dois países compartilharam experiências teóricas e práticas de combate e conseguiram estabelecer boa coordenação nos exercícios. Ele está convencido de que as Marinhas da Rússia e da China devem manter uma estreita cooperação para combater as novas ameaças no mar e, portanto, em conjunto salvaguardar a paz e a estabilidade na região e em todo o mundo.


Os exercícios Cooperação Marítima 2016 tiveram lugar de 13 a 19 de setembro no mar do Sul da China. Nas manobras estiveram envolvidos submarinos, navios de superfície, aviões, helicópteros, e veículos anfíbios blindados.


Um exército para chamar de meu

Por que a União Europeia quer criar forças armadas independentes da Otan e quais os possíveis desafios a serem enfrentados nessa nova empreitada.


Víktor Litôvkin, analista militar | Gazeta Russa

A União Europeia voltou a manifestar a ideia de criar seu próprio exército. Esta questão foi levantada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em seu discurso anual diante do Parlamento Europeu no último dia 14 de setembro. 


Cerimônia dos 25 anos de adoção da bandeira europeia, em 2011 Foto:Reuters

Segundo ele, uma das opções para resolver o problema da segurança europeia após o Brexit (saída do Reino Unido da UE) será a profunda integração das forças armadas dos países-membros do bloco europeu.

A proposta de estabelecer um Exército europeu também recebeu apoio da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente francês François Hollande, e de várias outras figuras políticas do chamado Velho Mundo.

UE X EUA?

Referências à “imprevisibilidade e agressividade” da Rússia ou ameaças terroristas reais não se aplicam aqui. Para o chamado “plano de contenção da Rússia”, já existe a Otan – que se mostra, porém, impotente em face dos ataques terroristas na Europa.

Mas o novo exército também não poderá se tornar uma panaceia para os males do terrorismo. A luta contra esses militantes não requer mais tropas, mas agências de aplicação da lei profissionais e uma ampla rede de agentes e estruturas antiterroristas.

Não se trata aqui de um exército com foguetes, tanques, bombardeiros e caças – não se luta contra terroristas com equipamento militar pesado.

Mas será que a Otan não é, de fato, suficiente para a Europa, mesmo que a aliança inclua a maioria dos países europeus e siga à regra o artigo 5 do Tratado de Washington, que pode ser expressa no lema “um por todos e todos por um”?

Talvez, a interferência de Washington nos assuntos dos europeus, e seu “messianismo” e impacto intrusivo sobre a política da UE – que muitas vezes resulta em perdas na economia (sanções contra a Rússia) e empurra o bloco para guerras desnecessárias e inúteis (Líbia, Iraque, Síria ou Afeganistão) – possam estar por trás dessa ideia de estabelecer “forças armadas europeias independentes”.

Peças da nova estrutura

A Europa não pode sustentar dois exércitos paralelos por várias razões.

Em primeiro lugar, diversos Estados europeus não têm pressa nem de alocar 2% de seu PIB para o orçamento geral de defesa da Otan, cuja maior fatia de investimento (75%) provém de Washington.

Paralelamente, os EUA entendem o significado oculto e duradouro das ideias políticas expressas por Juncker – isto é, reduzir a dependência da Europa em relação às decisões militares tomadas pela Casa Branca.

Em segundo lugar, também não há recursos humanos suficientes para o novo exército – os refugiados islâmicos do Oriente Médio e do Norte da África dificilmente poderiam ser incluídos nessas forças. Não é à toa que François Hollande chegou a sugerir que o Exército europeu seja criado no âmbito e com base na Otan.

Segundo ele, as forças armadas europeias devem ter certa autonomia. Mas, em um exército, que se baseia na unidade de comando e obediência incondicional ao comandante ou chefe, não pode haver, por princípio, quaisquer estruturas independentes. Caso contrário, não se trata de um exército, mas de uma fazenda coletiva mal administrada.

Além disso, é improvável que a Aliança do Atlântico Norte esteja interessada em um exército paralelo e autônomo – mesmo porque sua estrutura não é assim. Na Otan, existem comandos para diferentes cenários e regiões de guerra.

Para missões de combate específicas, são criadas formações especiais, com alocação de unidades de forças armadas nacionais dos países-membros. Alguns fornecem tripulações para tanques, outros, operadores de mísseis, sinaleiros, enfermeiros e assim por diante. Não se sabe sobre quais pilares o novo exército seria criado.

Ao que tudo indica, a discussão sobre um Exército europeu e sua sede conjunta é mais uma tentativa de criar uma nova estrutura burocrática para que os delegados europeus possam continuar vivendo em conforto, produzindo papeladas e declarações públicas, como já fazem na UE e na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE).

Mas, se mesmo assim um Exército europeu for criado, como a Rússia irá reagir? Os russos trabalharão com ele nos moldes da relação com a Otan. Vamos esperar apenas que o relacionamento comece sem ressentimentos e de forma amigável.

Víktor Litôvkin é especialista militar da agência de notícias TASS


 

Sistemas de mísseis S-300 russos apresentados no desfile militar em Teerã

Os sistemas de lançamento de mísseis S-300 da Rússia foram apresentados na quarta-feira (21), junto com outros modelos, durante um desfile militar que teve lugar em Teerã. 


Sputnik

O contrato russo-iraniano para fornecimento de sistemas S-300 ao Irã foi firmado em 2007, mas foi suspenso com a resolução 1929 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 9 de junho de 2010, que proibiu a entrega ao Irã de armas modernas, incluindo mísseis e sistemas de mísseis. A respectiva proibição foi cancelada no ano passado.


Sistema de mísseis S-300 da Rússia
Sistema de mísseis S-300 © AP Photo/


Segundo a agência, durante o desfile os participantes puderam ver tanques, veículos blindados, sistemas de lançamento de mísseis e sistemas de defesa antiaérea modernizados. Além disso, foram demonstrados sistemas de mísseis de médio alcance – Chalamche e Mersad, sistemas de mísseis Qadr F e Sejjil (com alcance de até 2 mil quilômetros), novas bombas de aviação Qassed, mísseis Qaem, Nasr, Fakour 90, torpedos e outro material bélico.

Em paralelo, no porto sul da cidade de Bandar Abbas foi realizado um desfile de navios militares iranianos e exibidos sistemas navais e costeiros. 


O desfile contou com participação do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, da polícia e da milícia iraniana Basij. 

O desfile militar do Irã se realiza em 21 de setembro, por ocasião do aniversário do início dos oito anos de guerra contra o Iraque (1980).

As informações são da agência iraniana Fars.  

 

EUA investigam uso de gás mostarda em ataque contra forças americanas no Iraque

Militares dos Estados Unidos estão conduzindo testes para descobrir se houve uso de gás mostarda em um ataque de foguete realizado pelo Daesh contra a base aérea de Qayyara, no Iraque, quase ferindo soldados americanos e iraquianos que estavam no local.


Sputnik

Falando em condição de anonimato nesta quarta-feira, um representante das Forças Armadas explicou que o primeiro dos testes realizados detectou a presença de gás mostarda no projétil, mas o segundo, não. 


Qayyara, Iraque, em 24 de agosto de 2016
Qayyara, Iraque © Sputnik/ Stringer

Segundo o militar, citado pela Reuters, nenhum dos especialistas que analisou os fragmentos demonstrou qualquer sintoma de exposição a esse agente químico.


ONU restabelece envio de missões humanitárias à Síria

A ONU decidiu retomar os preparativos para o envio de produtos e alimentos à Síria, dias após um ataque aéreo contra um de seus comboios ter provocado a interrupção de suas missões humanitárias ao país árabe. 


Sputnik

"O deslocamento de comboios conjuntos para diversas regiões sitiadas e de difícil acesso foi temporariamente interrompido após o ataque ao comboio em Urm al-Kubra, na segunda-feira. Os preparativos desses comboios foram retomados e nós estamos prontos para fornecer ajuda a regiões sitiadas e de difícil acesso assim que possível" – declarou o porta-voz do escritório da ONU para assuntos humanitários Jens Laerke. 


Veículo de ajuda humanitária da ONU
Veículo de ajuda humanitária da ONU © AFP 2016/ Abd Doumany


Ele destacou ainda que as operações humanitárias da ONU não chegaram a ser interrompidas em todo o território da Síria, tendo sido realizadas entregas aéreas de lotes com produtos e alimentos à cidade de Deir ez-Zor, bem como operações transfronteiriças.

"A ONU reitera seu apelo para o acesso seguro, desimpedido e contínuo a todos os sírios que precisam de ajuda, onde quer que eles estejam" – acrescentou Laerke.

No início desta semana, um comboio humanitário conjunto da Cruz Vermelha Síria e de organizações humanitárias da ONU foi parcialmente destruído na região síria de Aleppo. Dos 31 caminhões, que levavam ajuda para 78 mil pessoas, pelo menos 18 caminhões foram atingidos. O ataque provocou a morte de um agente da missão humanitária e de pelo menos 20 civis.



Fogo contra comboio da ONU na Síria gera nova guerra da informação (video)

Rússia e EUA se acusam mutuamente e ocorrido influi de maneira negativa nas negociações para a resolução pacífica da crise na Síria.


Nikolai Litôvkin | Gazeta Russa

Na noite da última segunda-feira (19), uma coluna de ajuda humanitária da ONU ficou sob fogo armado no noroeste de Aleppo, na Síria. Como resultado, 20 pessoas morreram e foram destruídos 18 dos 31 caminhões com provisões e medicamentos para os moradores da cidade ocupada. 


Syria
Menino de bicicleta observa caminhão de ajuda humanitária destruído. Foto:Reuters

Não se pode, porém, precisar se foram aviões russos que abriram fogo contra o comboio. Militares americanos dizem que apenas os aviões das Forças Aéreas da Rússia ou da Síria poderiam fazê-lo. Os porta-vozes oficiais russos, porém, negam.

Duas fontes do governo norte-americano afirmaram à Reuters que dois bombardeiros Su-24 abriram fogo contra o comboio. Seus nomes não foram, porém, divulgados, assim como evidências que provem sua afirmação.

"Acreditamos que o governo russo seja responsável pelo ataque aéreo nessa área, considerando sua lealdade ao regime de cessar-fogo", disse o conselheiro do presidente Barack Obama para comunicações estratégicas em defesa, Ben Rhodes.

Como ressaltou o porta-voz oficial da diplomacia dos EUA, John Kirby, Washington "está furiosa" com o ocorrido.

"O governo de Assad e a Federação Russa sabiam sobre o trajeto da coluna. Os funcionários da missão da ONU foram mortos por seu ímpeto em ajudar o povo sírio", disse o diplomata.

Segundo ele, após o incidente os EUA reverão as relações com a Rússia.

Resposta russa

O Ministério da Defesa da Rússia repudiou a versão do fogo aberto contra a coluna de ajuda humanitária da ONU. Os funcionários da pasta não verificaram no local crateras de bombas aéreas, e os veículos permaneceram sem danos ou rachaduras causadas por uma onda explosiva.

Ainda de acordo com o órgão, os veículos teriam pegado fogo e, "de maneira estranha", esse teria começado no momento de uma ofensiva de grandes proporções dos combatentes do Jabhat al-Nusra em Aleppo a partir dessa direção.

Em imagens de drone do Ministério, também se vê o movimento da coluna no território rebelde é acompanhado de uma picape com um lança-foguetes de grande calibre.

"E o mais importante é onde foi parar esse lança-foguetes próximo ao ponto final de acompanhamento da coluna de carros e para onde abriu fogo durante a parada e abastecimento?", disse à imprensa o porta-voz da pasta, general-major Ígor Konashenkov, na última terça-feira (20).

As Forças Aéreas da Síria também não poderiam atacar a missão da ONU em Aleppo, já que não realizam voos quando já está escuro, de acordo com o chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov.

Para a pasta, os responsáveis pelas mortes dos funcionários da missão humanitária da ONU são combatentes da Jabhat al-Nusra.

"O bairro onde o comboio humanitário da ONU se encontrou sob fogo está 20 quilômetros a noroeste da cidade e sob o controle dos combatentes do Jabhat al-Nusra", diz o analista militar Víktor Murakhóvski.

Para uma análise mais efetiva, porém, seria necessário enviar um especialista ao local do ocorrido.

Os caminhões podem ter sido ainda destruídos por mísseis com uma ogiva em um cilindro de gás embalado com pregos, parafusos e porcas, arma amplamente utilizada nos combates na Síria.

"A ogiva é lançado de um tubo ou tripé comum, serrado e preparado coletivamente", diz o analista.

Consequências

Por ora, pode-se esquecer da resolução pacífica da situação na Síria, de acordo com Ígor Korotchenko, editor-chefe da revista "Natsionálnaia oborona" (do russo, "Defesa Nacional").

O fogo aberto contra o exército sírio por aeronaves das Forças Aéreas dos EUA em Deir-ze-Zor e o ataque à missão da ONU conduzem a uma nova guerra da informação entre Moscou e Washington.

"Entramos em uma nova espiral da crise síria, que ameaça crescer e virar uma guerra mediada pelos EUA e pela Rússia", diz o cientista político russo Fiódor Lukianov, editor-chefe da revista "Rossia v globalnoi politike" (do russo, "Rússia na Política Global").

Para ele, Moscou e Washington se contraporão em nome dos grupos por eles patrocinados na Síria.


Bombardeio no Iêmen mata 25 civis, a maioria mulheres e crianças

Coalizão árabe bombardeou a cidade portuária de Hudaydah.
Cidade está em mãos de rebeldes houthis.


EFE

Pelo menos 25 civis, a maioria mulheres e crianças, morreram e mais de 70 ficaram feridos em um ataque aéreo da coalizão árabe na cidade portuária de Hudaydah, no Iêmen, em mãos dos rebeldes houthis, informaram nesta quinta-feira (22) fontes governamentais.


Coalizão árabe bombardeou a cidade portuária de Hudaydah (Foto: Khaled Abdullah/Reuters)
Coalizão árabe bombardeou a cidade portuária de Hudaydah (Foto: Khaled Abdullah/Reuters)

Um porta-voz do escritório provincial do Ministério de Saúde iemenita explicou que o bombardeio efetuado na noite de quarta (21) destruiu sete casas localizadas no bairro popular de Suq al Hunud, no centro de Hudaydah.

Entre os feridos há 23 em estado grave, por isso não está descartado que o número de mortos aumente.

Hudaydah, localizada no litoral do Mar Vermelho, cerca de 220 km da capital iemenita, Sana, tem uma grande importância pois abriga o principal porto do norte do Iêmen.

O ataque ao bairro de Suq al Hunud coincidiu com outro bombardeio da coalizão árabe, liderada pela Arábia Saudita, em um quartel da Segurança Central de Hudaydah.

Esta sede militar está ocupada pelos milicianos houthis e seus aliados. Não há informações se eles sofreram baixas no bombardeio.

A aliança árabe começou uma ofensiva militar no Iêmen em março de 2015, em resposta ao avanço dos rebeldes em direção a Aden, que forçou o exílio do presidente iemenita, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, em Riad.




20 setembro 2016

Há 72 anos, a Força Expedicionária Brasileira realizava seu ‘batismo de fogo’

Há exatos 72 anos, às 14h22, os combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) realizaram seu “Batismo de Fogo”.


Alexandre Galante | Forças Terrestres

No dia 16 de setembro de 1944, durante a II Guerra Mundial, o 6º Regimento de Infantaria efetuou o primeiro disparo de canhão e iniciou a campanha brasileira na Itália. Ao lembrar a data, prestamos uma homenagem aos cerca de 25 mil heróis que lutaram pelo Brasil na Europa, contra as forças nazistas e fascistas. 


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A Força Expedicionária Brasileira (FEB), foi uma força militar aero-terrestre constituída na sua totalidade por 25.834 homens e mulheres, que durante a Segunda Guerra Mundial foi responsável pela participação do Brasil ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, em suas duas últimas fases – o rompimento da Linha Gótica e a Ofensiva Aliada final naquela frente.

Tal força (incluídos todos rodízios e substituições) era formada por uma divisão de infantaria completa (também batizada como 1ª DIE, 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária), uma esquadrilha de reconhecimento, e um esquadrão de caças. Seu lema de campanha “A cobra está fumando”, era uma alusão irônica ao que se afirmava à época de sua formação, que seria “Mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa”.

No combate


A FEB permaneceu ininterruptamente duzentos e trinta e nove dias em combate. Como exemplo de comparação, das quarenta e quatro divisões americanas que combateram nos teatros de operações do norte da África e Europa (frentes italiana e ocidental) entre novembro de 1942 e maio de 1945, apenas doze estiveram ininterruptamente mais dias em combate que a divisão brasileira.

A Divisão brasileira lutou contra nove divisões alemãs e três italianas, tendo perdido em ação, além de quatrocentos e cinquenta e quatro mortos, dois mil e sessenta e quatro feridos, e trinta e cinco homens aprisionados.

Vitórias

As principais vitórias da FEB tiveram lugar em Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Gallicano, Barga, Monte Castello, Torre de Nerone, Castelnuovo, Soprassasso, Montese, Paravento, Zocca, Marano sul Panaro, Collecchio e Fornovo di Taro. Ao longo de toda sua campanha aprisionou 2 generais, 493 oficiais e 19.679 soldados inimigos, tendo sido a maior parte dos prisioneiros ( 14.779 ) capturada em Fornovo. 


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Rendição da 148ª divisão alemã

Antes da rendição das forças alemãs ser oficializada a 2 de maio de 1945, a 148ª divisão foi a única divisão alemã capturada integralmente, incluindo seu comando, por uma força aliada ( no caso, a 1ª Divisão Brasileira ) durante toda a campanha da Itália. Pois desde a invasão da Sicília em julho de 1943 até a ofensiva na primavera de 1945, todas as demais divisões alemãs, independente das perdas sofridas, conseguiram se retirar ao norte sem se renderem.

Durante a tomada de Montese houve uma homenagem singular prestada a três soldados brasileiros que, em missão de patrulha, ao se depararem com toda uma companhia do exército alemão, tendo recebido ordem para se renderem, se recusaram e morreram lutando.

Como reconhecimento à bravura e à coragem daqueles soldados, pela forma como combateram, os alemães os teriam enterrado em covas rasas e, junto às sepulturas colocado uma cruz com a inscrição “drei brasilianischen helden” (três heróis brasileiros). Eram eles – Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza -, existe hoje no pátio de formatura do batalhão ao qual pertenciam (11º Batalhão de Infantaria de Montanha) um monumento que os reverencia.

A canção Smoking Snakes, do sétimo álbum da banda sueca de heavy metal Sabaton, Heroes, é uma homenagem a estes herois, e tem versos cantados em português (como “Cobras fumantes, eterna é sua vitória!).



Voa o primeiro Airbus C295W da FAB

Alexandre Galante | Poder Aéreo

A Airbus completou o primeiro voo do primeiro avião C295W de busca e salvamento (SAR) para o Brasil, abrindo o caminho para entrega no primeiro trimestre de 2017. O Brasil encomendou 3 aviões C295W especialmente configurados para SAR em junho de 2014, e já opera uma frota de 12 aviões de transporte C295. 


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O C295W é equipado com um sistema tático integrado (FITS) de terceira geração, uma torreta L-3 Communications Wescam MX-15 com sensores eletroópticos/infravermelho, e um radar de cobertura 360°.


DESGASTE DAS FORÇAS ARMADAS: Ameaça ao Estado Democrático de Direito?

Novo governo, novo Ministro da Defesa, novos paradigmas no trato com as Forças Armadas


Gen Ex Carlos Alberto Pinto Silva | DefesaNet
Ex-comandante do Comando Militar do Oeste,
do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres,
Membro da Academia de Defesa e do CEBRES


Vivemos atualmente uma grave crise no Brasil. Diariamente, assistimos a traficantes, e outros tipos de bandidos, desafiando a sociedade e enfrentando de maneira hostil e violenta os órgãos de Segurança Pública.

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Não podemos, numa conjuntura de ameaças multidimensionais, ter como referência paradigmas antigos no que se refere à defesa, soberania, e ao combate ao crime organizado.

“A Constituição federal de 1988 estabelece claramente, nos artigos 142 e 144, o papel das Forças Armadas e de seus órgãos policiais responsáveis pela segurança pública. Reza, portanto, a nossa Carta Magna que a missão essencial das Forças Armadas é a defesa do território e da soberania nacionais e que a segurança pública deve ser exercida pelas Polícias Federal, Rodoviária Federal e Ferroviária Federal, Polícias Civil e Militar.” (2)

O artigo 142 da Constituição institui, manifestadamente, a destinação das Forças Armadas de Defesa da Pátria, de garantia dos Poderes Constituídos e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Por defesa da pátria entende-se a defesa do território e da soberania nacionais.

Soberania,“em sentido lato, é o poder de mando de última instância numa sociedade política". Refere-se à entidade que não conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna.

Relaciona-se a poder, autoridade suprema, independência (geralmente do Estado). Em outras palavras, soberania é uma autoridade superior que não pode ser limitada por nenhum outro ator.

Ainda outra definição:


- "Um poder supremo, exercido com exclusividade num determinado território e sobre uma determinada população. Expressa a ideia de um poder consentido."

Defesa é “o ato ou o conjunto de atos realizados para obter, resguardar ou recompor a condição conhecida como de segurança”. A defesa guarda, portanto, correlação com os níveis de segurança existentes, sejam estes níveis individual, comunitário, nacional ou coletivo, sendo que “dependendo da ameaça, instrumentos adequados são empregados, isoladamente ou em conjunto, para obter, resguardar ou recompor a situação de segurança.” (3)

Defesa é atribuição do Governo Federal e se, em função da magnitude e do tipo da ameaça ou problema, o Estado resolve ou precisa utilizar as Forças Armadas para resolvê-lo, a ameaça deverá ser considerada de Defesa.

Segurança Pública é atribuição das Instituições do governo e dos estados da Federação, previstos na Constituição.

É um dos instrumentos que o Estado possui, da mesma forma que a defesa, saúde, educação e habitação para resolver seus problemas, neste caso a segurança das pessoas.

O Estado brasileiro protege o seu espaço de soberania nacional em relação a outros Estados. No entanto, seus últimos governos não têm conseguido evitar que a sua soberania seja violada diariamente. Não por outras nações, mas por grupos do crime transnacional, que cruzam as fronteiras à procura de novos negócios, e por ações de criminosos nos estados da Federação, que impedem que as autoridades exerçam o poder de mando em última estância em áreas definidas, como ocorre nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo.

Por isso, ressaltamos: caso o Governo Federal, em função da magnitude da situação e/ou da incapacidade de os estados federados preservarem, na plenitude, a soberania nacional em seus respectivos territórios, entenda que essa ameaça vai além da garantia de lei e da ordem, pois, constitui um problema de Defesa ou Soberania, não deverá vacilar na decisão de empregar todos os meios necessários para enfrentá-la, aqui incluídas as Forças Armadas, levando à necessária decretação do Estado de Defesa para amparar legalmente tal emprego.

É preciso ser prudente, contudo, antes de engajar as FA em tarefas diferentes daquelas para as quais elas são prioritariamente destinadas. É claro que as FA, organizadas para garantir a defesa do país em caso de conflito ou ameaças a soberania, podem também garantir a segurança da população em caso de catástrofes, de grave perturbação da ordem, ou de paralisia de serviços essenciais. Todavia, uma Força Armada não deve ser jamais usada como uma reserva de mão de obra. (4)

As Forças Armadas, no caso da Garantia da Lei e da Ordem, devem ser empregadas rigorosamente dentro do previsto na legislação (5) (Grave perturbação da ordem, caráter emergencial e temporal, falta de capacidade do Estado) (6) , e não como uma reserva de mão de obra disponível, como pensam o governo e políticos.

“O emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem, vem se tornando praxe significativa e preocupante (7). É um tema muito sensível e sujeito a inúmeras análises e interpretações, até mesmo de sua inconstitucionalidade” (8). Tal atitude vai ao encontro do que disse um político renomado: “É uma mão de obra disciplinada, confiável, de pronto emprego e não entra em greve”. (9)

Verifica-se que militares e as próprias Forças Armadas entendem e propagam que o governo os tem apoiado em recursos militares para as operações de GLO, apoio este que possibilita algum incremento de operacionalidade convencional.

É importante, contudo, que a sociedade e os militares tenham em mente que o governo continua abertamente com a política de desgaste às Forças Armadas (Desvirtuamento do emprego, revanchismo, controle pelo orçamento, soldos baixos e revisionismo histórico através da CNV), e que o projeto de derrocar as Forças Armadas não é uma questão importante somente para os militares; o que se joga nesta luta é nada menos que o Estado Democrático de Direito. 


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1 - Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.


2- Guarda Pretoriana - Gen Ex R1 Rômulo Bini Pereira - Texto publicado na área de opinião de O Estado de São Paulo – Link: http://www.defesanet.com.br/pensamento/noticia/15654/Guarda-pretoriana/


3 - (Brasil, 2007, p. 19)


4 - Uma Força Armada Não Deve Ser Jamais Usada Como Uma Reserva De Mão De Obra - Link: http://www.defesanet.com.br/mout/noticia/15159/Uma-FORCA-ARMADA-nao-deve--ser-JAMAIS-usada-como-uma--RESERVA-de--MAO-DE-OBRA/


5 - A atuação das Forças Armadas na manutenção de lei e da ordem, prevista pela Constituição, não tem seguido o que estabelece a legislação. O esgotamento dos “instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”, que possibilitam a sua ação, deve ser “formalmente” reconhecido pelo chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual. O controle operacional dos órgãos de segurança pública têm de ser transferidos às Forças Armadas, também por ato formal. Isso não tem ocorrido. http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,militares-e-seguranca-ublica,10000067471


6 - Em mais um reconhecimento de que a crise do estado afeta a segurança pública, o secretário José Mariano Beltrame disse nesta quinta-feira que quer pedir a permanência das Forças Armadas nas ruas do Rio mesmo após as eleições: http://oglobo.globo.com/rio/beltrame-quer-que-militares-fiquem-no-rio-apos-eleicoes-19996268#ixzz4IR8J0WeU


7 - Beltrame pede Forças Armadas e Força Nacional de Segurança até o fim do ano no Rio. http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/beltrame-pede-forcas-armadas-e-forca-nacional-de-seguranca-ate-o-fim-do-ano-no-rio.html


8 - Intervenção das Forças Armadas nas condições em que tem sido feita violenta e desvirtua sua vocação. http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,militares-e-seguranca-publica,10000067471


9 - Guarda Pretoriana - Gen Ex R1 Rômulo Bini Pereira - Texto publicado na área de opinião de O Estado de São Paulo – Link: http://www.defesanet.com.br/pensamento/noticia/15654/Guarda-pretoriana/


Gripen F: O Caça Biplace da FAB e o Futuro da Força

O desenvolvimento da versão biplace do Gripen NG não é apenas importante para a absorção de tecnologia pela indústria nacional. É fundamental para a atualização dos modelos de obtenção de capacidades, e o próprio futuro da Força Aérea Brasileira. 


Vianney Júnior | DefesaNet 

 
Quando em 24 de outubro de 2014 foi selado com as assinaturas do presidente da SAAB, Håkan Buskhe, e do Tenente-Brigadeiro-do-Ar Alvani Adão da Silva, então Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o contrato para a produção de 36 aeronaves de caça, Gripen, sendo 28 do modelo E (para um piloto), e 8 da versão F (biplace – com dois assentos), a indústria aeroespacial brasileira ganhava a oportunidade para dominar o design e a produção de aeronaves supersônicas. A Força Aérea, por sua vez, participava de uma decisão que afetaria diretamente seu futuro pelos próximos quarenta anos, e consequentemente transformaria a forma de emprego da arma aérea.


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JAS 39 Gripen NG

A proposta vencedora do programa F-X2, destinado ao reequipamento e modernização da frota de aeronaves militares supersônicas da Força Aérea Brasileira propiciaria, para além de uma nova aeronave, a oportunidade da incorporação do conceito multirole, ou de múltiplas missões. Assim sendo, uma profunda transformação entraria em curso desde a escolha do caça a ser adquirido.

O início da evolução

O acompanhamento do desenvolvimento e fabricação do Gripen E, por parte de equipes de profissionais brasileiros, tem sido a fase inicial da transferência de tecnologia. As primeiras aeronaves serão construídas na Suécia, e paulatinamente terão sua manufatura transferida para linhas de montagem no Brasil. Já o Gripen F (biplace) será produzido exclusivamente para a Força Aérea Brasileira, caso em que os engenheiros brasileiros deverão ter participação desde o design do caça para dois tripulantes, até sua certificação de sistemas de voo e missão, e integração final de armamentos a serem adotados pela versão brasileira do Gripen de Nova Geração.


O plano de produção prevê a entrega do primeiro caça para 2019 (porém sem capacidade plena para todas as missões – multirole), e do último dos 36 Gripens para 2024 (com todos os caças com a completa integração de todas as armas e sistemas – capacidade multimissão).

A aquisição de um caça multirole, como já dito, não representa simplesmente a substituição de aeronaves com fins específicos, por uma de modelo único, capaz de realizar todas suas missões. Não! Não é trocar seis por meia dúzia. É bem mais que isso. É fazer mais com menos. Representa uma economia, por intermédio da padrozinação, que vai do ferramental ao treinamento unificado. A própria estrutura de suprimento e manutenção deve ser em seu todo reorganizada. É literalmente a implantação de um novo modelo de esquadrão.

F: um caça para dois tripulantes

Dentro da mesma lógica, seria um enorme desperdício imaginar o emprego do Gripen F (biplace) na função de treinador. Ainda mais, um que atinge, considerados os custos de seu desenvolvimento, reserva técnica e pacote de armamentos, cifras acima de 100.000.000 de dólares por unidade. Muito melhor, sob o aspecto de custo-eficiência, seria adotar o modelo já consagrado internacionalmente de conversão a partir do treinamento em simulador, uma vez que este tipo de recurso já atingiu um grau de fidelidade extremamente confiável. Na pior das hipóteses, por excesso de zelo, ou mesmo redundância, poderia se considerar a conversão final junto à Força Aérea Sueca, em caças Gripen do modelo D – a versão biplace do caça sueco, em operação – por meio de acordo de cooperação com ônus.

O melhor emprego de caças de primeira linha para dois tripulantes, hoje, é outro. O caça biplace assume em forças aéreas mundo afora, as missões de maior complexidade, nas quais destacam-se a penetração sobre capacidades A2/AD (Anti-Access/Area-Denial) para supressão de defesas inimigas (SEAD), guerra eletrônica, e mesmo ataque nuclear.

Também têm sido frequentes as pesquisas para emprego em missões combinadas com UCAVs (aeronaves de combate não-tripuladas), uma tendência reconhecida pela comunidade especializada internacional, que questiona a própria presença de piloto humano nos caças pós sexta geração.

Para a realidade presente, a composição da tripulação em um caça biplace pode variar, vindo a ser composta por um piloto e um oficial de sistemas e armas, ou por um piloto e um oficial de guerra eletrônica, ou ainda, visando sua atuação como FAC - Forward Air Controller, um comando e controle de forças avançado, uma função cada vez mais demandada e expandida em tempos de sistemas de enlace de dados (data-links) mais eficientes, armamentos de ataque à distância fora do alcance da defesa aérea inimiga (standoff) mais precisos, e a interação de Forças multinacionais em ações conjuntas.

O display único de grande aérea – outra exclusividade brasileira

Além da incorporação de oito aeronaves biplace, com dois tripulantes, a escolha da FAB traz para as linhas de voo de nossas unidades aéreas uma outra exclusividade: o WAD – Wide Area Display, ou painel único de grande área. Este item representa bem mais que uma sofisticação tecnológica. Eu defino como uma ferramenta para se manter eficiência em combate, dentro de um futuro projetado de 30 anos (média de vida dos F-5 da FAB, principal vetor de primeira linha na atualidade).


Poderia me estender, mas resumo minha explicação e defesa às vantagens do WAD em dois pontos, os quais são mais facilmente compreensíveis àqueles com afinidade à duas disciplinas: primeiro, conhecimento de combate aéreo, seja ele dentro do cenário WVR (Alcance Visual), ou BVR (Beyond Visual Range – Além do Alcance Visual); segundo, conhecimento de tecnologias de redução do workload dos pilotos envolvidos em tais combates, conferindo vantagem situacional, de comando e controle, tática, ou operacional.


Primeiro ponto: Não se trata de jogar reloginhos, ou mesmo três telinhas dentro do WAD. Diz respeito a como otimizar a interação entre o piloto e as informações de sensores, radares, controle e armamentos – parte integrante da tal HMI (Human-Machine Interface). O recurso touchscreen é certamente uma vantagem importante, mas o desenvolvimento e evolução constante de softwares próprios que levem em conta as necessidades dos pilotos e as táticas por eles utilizadas, adicionam um diferencial ainda maior, em combate. Uma interpretação desta vantagem poderia vir do termo propagandista, “See-First, Shoot-First”.

Na verdade, a tradução mais próxima da realidade seria, “ter a consciência da situação primeiro, e melhor posicionar os elementos para empregar o armamento dentro da distância de maior efetividade, ao tempo que manobram evasivamente para quebrar o tracking e evitar o lock-on do ataque inimigo”. Não tenham dúvida de que a FAB está atenta ao desenvolvimento do WAD para que esta exclusividade do Gripen Brasileiro alcance toda a extensão de suas possibilidades, com uma fusão de dados (Data Fusion) ideal e interação (HMI) ativa do piloto, e não apenas joguem para dentro de uma tela LCD as dispersas informações de múltiplos sensores e sistemas.

Segundo ponto: A “upgradabilidade”. Lembra do seu celular de teclinhas? Aquela tecla “B” continua só sabendo ser maiúscula ou minúscula. No máximo, uma ou outra função associada a um aplicativo específico ou uma combinação de teclas pressionadas ao mesmo tempo (que trabalheira!). Ela continuará no mesmo lugar, e não poderá ser mudada de posição, tamanho ou ainda excluída, quando for o caso de você não precisar vê-la ou utilizá-la. Já o seu novo celular, com tela touchscreen progamável, aceita transformar-se no que você precisar. Havendo a interface adequada, ele vira câmera fotográfica, ou filmadora, com todos os flashes, zooms e balances na ponta de um abrir ou fechar de seus dedos. Ele pode, até mesmo, com um suave toque em um ícone na tela principal, transformar-se em um sofisticadíssimo e poderoso radar caçador de Pokémons! Se não sabia deste poderoso recurso, pergunte a seus filhos, sobrinhos ou netos. E tudo isso pode ser atualizado e modificado a qualquer tempo. Faça a analogia por si só, e chegue às conclusões correlatas.

A partir do desenvolvimento do Gripen NG BR, o WAD passará a ser o padrão ofertado na versão de exportação do “caça sueco com tempero brasileiro”.

Gripen biplace + WAD: O trunfo da FAB

A incorporação de novos vetores, suportados por novas tecnologias dão à Força Aérea Brasileira uma fabulosa oportunidade para atualização de doutrinas de emprego, algo que representa mais um passo da maturidade e constante busca pela eficiência e eficácia. Ações que permitam à FAB fazer face aos desafios e cenários de um mundo em constante transformação e atribulado por emergentes inquietações.


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Mais do que a própria entrada em serviço do Gripen NG e toda a transformação positiva que ele provocará na operacionalidade da FAB, uma nova visão aplicada ao emprego de sua versão biplace pode render frutos importantes à Força Aérea.

Vários estudos sobre a guerra aérea e em particular sobre o emprego de caças, apontam o vetor no futuro como uma espécie de nó. Um elo de ligação entre os ativos disponíveis dentro de um conceito de guerra em rede – battle network. Para alguns dos analistas mais incisivos envolvidos nestes estudos, o prórpio termo “caça” estaria se tornando ultrapassado. Nas palavras do Coronel da Força Aérea Americana (USAF) Alex Grynkewich, chefe do grupo de trabalho Air Superiority 2030 – que apresentou cursos de ação para a conquista da superioridade aérea em torno do ano 2030 – a melhor denominação seria “sensor-shooter” dentro de uma ampla rede de batalha.

O caça biplace, dentro das perspectivas do futuro, oferece uma alternativa. Um caminho a seguir. A presença de um segundo tripulante, que além da formação como piloto, tenha um treinamento específico para atuar na missão como gestor dedicado de sistemas e armas, ou como operador de ataque eletrônico, ou ainda, como controlador avançado, tendo em seu favor uma interação superior com a fusão de dados apresentados no WAD, comporia um elemento interessante dentro do emprego da arma aérea. É claro que para tornar realidade esta composição de tripulação, é imprescindível a presença dos demais componentes de uma rede de batalha, sem falar dos sistemas dedicados, tais como pods específicos de guerra eletrônica, designação de alvos, e armamentos especializados (anti-radiação, ataque marítimo, etc).

A SAAB, fabricante do Gripen, já de algum tempo estuda a interação dos atuais modelos C/D com o demonstrador europeu de tecnologia para drone de combate, o nEUROn, no qual a empresa sueca tem participação no desenvolvimento. Embora uma realidade um pouco mais distante do Brasil, que adota a nomenclatura ARP – Aeronave Remotamente Pilotada, a formação Gripen F com drones não deveria ser descartada. O desenvolvimento da ARP CAT 4 já prevê a capacidade de ataque ar-superfície. Como evolução natural, e acompanhando as tendências de projeção de poder concomitantemente à redução de exposição à perdas, o emprego caça/drone se desenha. Aos mais conservadores devemos lembrar que em 2024, ano previsto para a entrega da última aeronave do lote de 36 caças, esta visão não deva parecer tão futurista.
Um ponto forte do Gripen é o nível atingido por seu sistema de enlace de dados, ou data-link. O cenário daqui mais quinze anos, prevê um franco crescimento da guerra cibernética, o que exigirá além de novos recursos tecnológicos, um preparo mais específico das tripulações. A fusão de dados de radares e sensores, e o compartilhamento de informações de consciência situacional de um por todos - via link entre ARPs, caças e mesmo armas (mísseis e bombas inteligentes), terá a capacidade de estender os olhos e garras do piloto à distâncias consideráveis.

O “jogo da hiena” – no qual diferentes caças de uma esquadrilha se alternam para “acoplar” momentaneamente no inimigo, passando via link os dados do alvo à seguinte, voltando ao modo passivo, para que finalmente o melhor caça posicionado realize o ataque – será cada vez mais essencial para combater um inimigo em maior número, ou mesmo com um arsenal mais avançado tecnologicamente.


O Link BR2 é uma outra iniciativa para o domínio nacional da tecnologia de enlace de dados, e é previsto para integrar-se aos meios de comunicação tática do Gripen NG. Apesar da importância do projeto, os riscos de seu desenvolvimento carecem de constante revisão. Além dos recursos demandados que impactam no custo-benefício do Link BR2, a integração do sistema em plataformas de diferentes fabricantes pode provocar uma gestão difícil. Porém, apostando no sucesso da empreitada, uma versão deste sistema de enlace de dados deve compor o pacote da versão para exportação do Gripen NG. Mas isso é assunto para uma outra análise.

O Gripen F ainda está em desenvolvimento, mas já foi anunciado que não deverá ter armamento interno – o canhão alemão Rheinmetall BK27 de 27 mm que equipa a versão E, monoposto. Isto não o impede de adotar um casulo para canhão externo, somado a outras configurações de armamentos que garantam a capacidade de defesa do caça biplace da FAB.

O Gripen como passaporte para o futuro


O Gripen NG, e em especial o desenvolvimento de sua versão biplace, o Gripen F, faz o Brasil entrar no seleto grupo de fabricantes de aeronaves supersônicas, detendo por força de seu contrato, parte da propriedade intelectual envolvida no projeto, mas a conclusão do programa F-X2, a escolha do Gripen, seu desenvolvimento, e sua produção não devem representar um fim em si. A experiência reunida na luta para modernização e reequipamento da Força Aérea Brasileira – uma penosa batalha de mais de 15 anos – deve fornecer subsídios para a revisão da própria política de aquisição de produtos de defesa (hoje denominada “obtenção” pelo Ministério da Defesa).

Uma discussão que tem sido objeto das maiores forças aéreas do mundo é o processo de incorporação de capacidades. Ainda mais importante que o conceito de aeronaves de 5ª, 6ª, ou mesmo 7ª geração e a revisão de suas próprias funções e responsabilidades dentro do poder aéreo agora e no futuro, está a necessidade de se criar uma estratégia de obtenção ágil e dinâmica. A otimização da aplicação de recursos requer antes de tudo uma compreensão integrada e multidisciplinar das capacidades e missões de uma Força, no sentido de assegurar que esta Força esteja apta a bem cumprir as missões a ela designadas, em condições de fazê-lo dentro da completa interoperabilidade necessária à operação conjunta com as demais Forças, sejam elas navais, terrestres, e ou mesmo, de coalizões com outros países, em que venha tomar parte.

Os principais estudos sobre o tema, apontam que os correntes modelos de obtenção, de uma forma geral adotados por estes países, têm conduzido a uma situação “late-to-need”, ou em livre tradução, capacidades disponibilizadas tardiamente ante às necessidades operacionais.

Sugiro como leitura complementar, minha análise “Command of the Air in the 2030s”, publicada pela Royal Aeronautical Society, no contexto da concorrida conferência “Air Power: Now and the Future” (http://aerosociety.com/Events/Event-List/2643/Air-Power-Now-and-the-Future) a ser iniciada em 29 de setembro, no museu da Royal Air Force (RAF), em Londres.

Talvez a realidade do Brasil esteja longe das que conduziram às conclusões apontadas por aqueles estudos, mas não se pode justificar nesta distância que não se caminhe para a mudança da nossa. Somente o olhar antecipado será capaz de indicar os meios e processos que levem à obtenção das capacidades requeridas para o irrefutável futuro – integrado e centrado-em-rede.

Esta abordagem demanda uma alavancagem da experimentação, prototipagem e agilidade estratégica de obtenção. É necessário que seja dado à Força Aérea as condições para o desenvolvimento de uma família de capacidades para operar no campo aéreo, no campo espacial, e no espaço cibernético, ambientes cujo domínio são necessários a uma completa garantia da soberania dos céus sobre um país.

Quanto à contribuição do Gripen nessa passagem para o futuro, lembramos que a própria SAAB em conjunto com a Força Aérea Sueca já desenvolvem trabalhos nesta direção, e tornam-se assim, parceiros naturais do Brasil no árduo caminho para o desenvolvimento e obtenção de modernas capacidades.
   

 

O emprego das VBC Fuz e das VBTP em área humanizada

Thales Ferreira da Silva - Cap Instrutor da SEOB do CI Bld
Ádamo Luiz Colombo da Silveira – TC Comandante do CI Bld 

DefesaNet

1. INTRODUÇÃO

O emprego de blindados em área humanizada está inserido no contexto atual de operações de amplo espectro no manual de campanha EB 20 – MF 10.103 (Operações). O manual destaca a participação da tropa blindada em operações ofensivas, defensivas e de estabilização.


Foz do Iguaçu (PR) – Exercício de Experimentação Doutrinária - Foto: Seção de Comunicação Social do 34º BIMec

A análise dos tipos de operações com blindados em área humanizada é muito abrangente, carecendo de uma limitação teórica. Limita-se pois o estudo nas viaturas blindadas de combate fuzileiro (VBC Fuz) ou blindadas de transporte de pessoal (VBTP) em área humanizada.

Na análise das VBC Fuz e das VBTP, destaca-se as limitações impostas pelo material ao emprego tático da fração e as capacidades destacadas do pelotão nesse tipo de operação, particularmente no combate desembarcado, limpeza de instalações e reduções das posições de armas anticarro furtivas e para destruição de viaturas blindadas leves.

A seguir, será analisado o emprego de blindados dentro do escopo da função de combate movimento e manobra, nas operações ofensivas em área humanizada, destacando os principais meios blindados empregados nesse contexto operativo.

2. DESENVOLVIMENTO

O largo emprego de tropas de fuzileiros no combate confinado da localidade é uma premissa quase universal aos planejadores militares nos dias atuais. No conflito da Segunda Grande Guerra os combatentes deslocavam-se pelas ruas, muitas vezes sob a proteção oferecida pelos carros de combate, num conflito onde ainda não se tinha popularizado o emprego das armas anticarro.

O pós 2ª Guerra Mundial foi marcado pela escalada armamentista e pelo desenvolvimento de novas tecnologias, onde pode-se reforçar o surgimento e desenvolvimento de potentes armas anticarro para fazer face aos blindados. Essa tecnologia revolucionou a tática de combate na localidade, exigindo das tropas blindadas uma maior proteção contra essa ameaça.

As tropas de fuzileiros, particularmente nos conflitos árabe-israelenses, como o do Líbano em 1982, utilizaram-se de viaturas blindadas de transporte de pessoal – VBTP M113 – para prover uma maior mobilidade e proteção às suas tropas no interior das localidades. Essa proteção era dada essencialmente contra disparos de armas de pequeno calibre, não sendo suficiente contra a nova ameaça anticarro dos mísseis e lança-rojões.

As vulnerabilidades das VBTP, como baixa blindagem e poder de fogo limitado a metralhadoras como armamento principal, ficaram evidentes principalmente quando as VBTP eram dissociadas dos carros de combate (CC), faltando-lhe um maior apoio de fogo para a manobra dos fuzileiros dentro das cidades.

Nesse contexto, surgiram principalmente no final dos anos 70 e 80 do século passado, as viaturas blindadas de combate de fuzileiros. Normalmente dotadas de um canhão de grande cadência de tiro de calibre superior a 20mm, sistemas optrônicos de direção e controle de tiro e blindagem maior que as VBTP da geração anterior, incrementaram o poder de combate das tropas de fuzileiros.

Aliadas aos CC, as VBC Fuz alteraram a balança do poder relativo de combate, já que agora as tropas de fuzileiros podiam combater a maior parte do tempo embarcadas sob a proteção da viatura.

Para contrabalançar essa inovação, as tropas regulares e insurgentes passaram a incrementar seu poder de defesa anticarro (AC), aprimorando principalmente as táticas de combate. Tornou-se comum, como foi verificado no conflito da Chechênia em 1994, a realização de tiros de emboscada dos pontos mais elevados, largo uso de obstáculos nas vias de acesso para barrar o avanço das viaturas.

Nos conflitos mais recentes, como no Iraque, Afeganistão e Síria, essa tática de combate de emboscada AC sofreu o incremento do emprego de dispositivos explosivos improvisados com alto poder de destruição, mesmo para as viaturas blindadas agora dotadas de maior proteção.

Para minimizar os efeitos anteriormente mencionados, verifica-se a necessidade de empregar as VBTP / VBC Fuz em estreita coordenação com os CC. As viaturas blindadas devem ser os elementos de apoio, emassando os fogos em prováveis postos de tiro e posições fortificadas do inimigo, além de combater viaturas blindadas inimigas no interior da localidade.

Esse apoio cerrado irá proporcionar a cobertura necessária aos fuzileiros blindados para as ações de limpeza das instalações no combate ofensivo. Em contrapartida, os fuzileiros desembarcados realizam a limpeza de posições de armas anticarro e a designação desses alvos para eliminar essa ameaça aos blindados.

3. CONCLUSÃO

O combate moderno, particularmente em área edificada, exigiu uma rápida evolução dos meios e também das táticas de combate com blindados. Nesse cenário, surgiram as VBTP/VBC Fuz, dotados de maior blindagem, grande poder de fogo, potentes optrônicos para detecção e engajamento de alvos e, sistemas de comando, controle e comunicações flexíveis.

Essas viaturas blindadas com maior poder de fogo, blindagem e mobilidade, fizeram surgir armas anticarro mais potentes e a adoção de novas táticas de combate defensivo em localidade, como o emprego combinado de obstáculos e dispositivos explosivos improvisados.

Aos comandantes militares, impõem-se a adoção de uma tática agressiva e de iniciativas que visem suplantar essas ameaças. Assim, o emprego combinado de fuzileiros desembarcados apoiados pelas VBTP/VBC Fuz e coordenados até o nível pequena fração, fará com que as tropas atacantes de uma localidade obtenham sucesso no combate ofensivo.

O ambiente de combate em localidade é complexo e de múltiplas ameaças para a tropa blindada. Somente o emprego coordenado de todas as potencialidades da viaturas blindadas com seus fuzileiros desembarcados, farão com que a tropa atacante de uma localidade obtenha sucesso na conquista de seus objetivos.

Nesse sentido, conclui-se que o Centro de Instrução de Blindados (CI Bld), é peça fundamental na difusão e padronização do conhecimento tático para as pequenas frações da tropa blindada, através de seus estágios táticos.


FAB realiza primeiro seminário internacional 'ARP em Combate'

O objetivo é a coleta de informações para desenvolvimento de projetos futuros


Ten Iris Vasconcellos | Agência Força Aérea

A Força Aérea Brasileira (FAB) debateu o futuro operacional das Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) durante o 1° Seminário Internacional “ARP em Combate”, realizado, nesta quinta-feira (15), em Brasília (DF). Cerca de 120 oficiais das Forças Armadas e integrantes do Ministério da Defesa assistiram a palestras do Estado-Maior da Aeronáutica e de empresas ligadas à aviação que demonstraram, principalmente, os desafios e tendências no emprego dessa aeronave. 


Foto FAB

A elaboração de regras para a inserção do ARP no espaço aéreo civil e o desenvolvimento de sistemas para tornar a aeronave autônoma e com facilidade na tomada de decisões foram alguns dos temas principais.

O objetivo da FAB, que possui dois tipos de ARPs (o Hermes 900 e o 450), foi coletar informações sobre os pequenos aviões sem tripulantes projetados para integrar, de forma mais intensa, a aviação militar do futuro. De acordo com Comandante da Aeronáutica interino, Tenente-Brigadeiro do Ar Dirceu Tôndolo Noro, o tema possui caráter estratégico e a troca de informações vai abastecer com dados o Estado-Maior da Aeronáutica. “Discussões como essa ajudam no objetivo da FAB, que é garantir a soberania do espaço aéreo nacional”, ressaltou.

Foram discutidos tópicos como operações conjuntas de ARPs, aquisição e operação de armamentos e operações logísticas em aeronaves remotamente pilotadas. Também chegou a ser debatido como serão as operações aéreas da FAB a partir do momento que o Gripen entrar em serviço no País, em 2019.

Palestrante do evento, Jonas Jakobsson, representante da SAAB e ex-piloto de caça da Força Aérea Sueca, destacou que os pontos-chaves da aviação do futuro são os sistemas automatizados e a inteligência artificial. Ele afirmou que o maior desafio é desenvolver sistemas que sejam realmente autônomos para que a aeronave possa pousar, aterrissar, realizar manobras de defesa aérea, empregar armamentos, desviar de obstáculos, entre outras ações.

O palestrante também destacou que alguns sistemas autônomos têm sido desenvolvidos tanto para aeronaves remotamente pilotadas quanto para aeronaves tripuladas. O que garante uma melhor performance de ambas.

“O futuro do combate inclui que as aeronaves consigam manter informações sigilosas, alta velocidade, armas com muita energia e que possam atingir diversas plataformas, além de tecnologia de não detecção”, ressaltou. “Deve haver uma cooperação entre aeronaves tripuladas e não tripuladas”, complementou.

Já sobre a inteligência artificial, o palestrante destacou que são softwares que auxiliam na tomada de decisões. Por exemplo, a inteligência artificial ajudaria na resposta da seguinte pergunta “Qual o melhor alvo para atacar agora?” e “Como desviar dessa ave localizada na frente da aeronave?”.

Outro desafio apresentado no seminário é como inserir os ARPs no espaço aéreo integrado, tanto civil quanto militar. Segundo o palestrante, os ARPs precisam ser capazes de operar no mesmo ambiente civil, o que não acontece, por exemplo, na Europa. “Para isso é preciso discutir normas e tecnologias”, destacou.

Ensino e pesquisa

Organizado pela Universidade da Força Aérea, o seminário teve entre os participantes oficiais-alunos do Curso de Política e Estratégia Aeroespacial (CPEA) e de Comando e Estado-Maior (CCEM). Um deles, o Major Aviador Ricardo Felzcky destacou a importância do evento. “Foi fundamental, pois agrega conhecimento do emprego armado dos ARPs. E essa aeronave é o próximo passo da Força Aérea, é uma tendência do futuro”, finalizou. 



19 setembro 2016

Comboio de ajuda humanitária é atacado em Aleppo, na Síria

Caminhões se dirigiam à zona rural da província, dominada por rebeldes.
Prazo de 7 dias do cessar-fogo acordado por EUA e Rússia acabou nesta 2ª


Do G1, em São Paulo

Membros da organização Crescente Vermelho na Síria afirmaram que caminhões do grupo carregados com ajuda humanitária e que se dirigiam a uma região dominada por rebeldes em Aleppo foram atingidos por um ataque aéreo.


Membros da Defesa Civil resgatam crianças após ataque aéreo na cidade síria de Aleppo (Foto: Sultan Kitaz/Reuters)
Membros da Defesa Civil resgatam crianças após ataque aéreo na cidade síria de Aleppo (Foto: Sultan Kitaz/Reuters)

Os bombardeios na cidade recomeçaram na segunda (19) após o fim de uma trégua de sete dias negociada por Rússia e Estados Unidos.

A ONU confirmou que 18 dos 31 caminhões do comboio foram vítimas de um ataque, mas diz não poder confirmar se foi um ataque aéreo. Um funcionário havia dito à agência AP, ainda antes do ataque, que não haveria membros da organização em um comboio previsto para esta segunda. Não está claro, porém, se ele se referia ao mesmo comboio que foi atacado.

O comboio de ajuda humanitária era parte de um envio de rotina, saindo da área controlada pelo governo em Aleppo e se dirigindo a partes rurais da província, sob domínio de rebeldes. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que o comboio levava assistência para 78 mil pessoas. O governo sírio não fez comentários.

O voluntário da Defesa Civil Ibrahim Alhaj disse que equipes de resgate continuam atuando no local do ataque. Um voluntário do Crescente Vermelho disse que o comboio de ajuda com participação da ONU foi atingido em Uram al-Kubra. Ele falou sob anonimato porque não estava autorizado a divulgar detalhes para a imprensa.

O ataque foi confirmado também pela organização Observatório Sírio para Direitos Humanos, com sede no Reino Unido. A organização afirma que 12 pessoas teriam morrido em decorrência da ação.

Trégua

 
Maior cidade do norte da Síria, Aleppo voltou a ser alvo de bombardeios, pouco depois de o exército do país declarar o fim da trégua, nesta segunda-feira (19), segundo organizações locais. O OSDH afirma que 32 pessoas morreram -- incluindo 12 no comboio.

O Comando Supremo das Forças Armadas sírias declarou o fim da trégua de uma semana no país, cujo prazo expirou à meia-noite, depois das violações que constatou e pelas quais culpou "organizações terroristas armadas".

Na nota, o Exército sírio explicou que tomou a decisão de pôr fim à trégua após as mais de 300 violações do cessar-fogo por parte de "organizações terroristas armadas". Além disso, expressou sua "intenção e determinação de continuar com sua missão nacional de lutar contra o terrorismo para estabelecer a segurança e a estabilidade".

As Forças Armadas da Síria asseguraram ter respeitado o cessar-fogo, batizado de "regime de calma", por considerá-lo como uma oportunidade real de deter o derramamento de sangue. No entanto acusaram os "grupos terroristas armados" de descumprir as cláusulas do acordo de trégua firmado com apoio de Estados Unidos e Rússia.

"As organizações terroristas armadas se aproveitaram, mobilizaram seus terroristas e armas, além de terem se reagrupado para retomar seus ataques contra zonas residenciais, posições militares e preparar operações terroristas amplas, especialmente em Aleppo, Hamas e Al Quneitra", diz o texto.

O Exército da Síria afirmou que realizou "grandes esforços" para aplicar a trégua e que exerceu "maior grau de contenção" frente às violações, embora reconheceu que em alguns casos foi obrigado a respondê-las para silenciá-las.

A trégua, iniciada no último dia 12 de setembro, expirou à meia-noite. Até agora, nenhuma das partes envolvidas no conflito tinha esclarecido se ela seria prolongada ou finalizada.

O porta-voz da opositora Comissão Suprema para as Negociações (CNS), Riad Agha, afirmou nesta segunda-feira à Agência Efe que correspondia à Rússia e aos EUA, que elaboraram o acordo, anunciar a sequência ou não do pacto.


 

Político japonês acusa EUA de pressionarem autoridades da Crimeia

Os EUA e uma série dos países europeus se recusaram a reconhecer as eleições deste domingo (18) na Crimeia, o que mostra o fato da pressão política, declarou o político japonês Mitsuhiro Kimura, presidente do movimento patriótico japonês Issuikai. 


Sputnik

"Achamos que a a recusa dos EUA de reconhecerem os resultados das eleições legislativas na Crimeia é uma forma de exercer pressão política", declarou Mitsuhiro Kimura.


A procuradora-geral da Crimeia Natalia Poklonskaya vota nas eleições legislativas, 2016
Eleições na Crimeia © Sputnik/ Maksim Vetrov


Anteriormente, o presidente da Ucrânia Pyotr Poroshenko havia exortado os países do G7 e da União Europeia a não reconhecerem a legitimidade das eleições legislativas na Rússia realizadas na Crimeia e em Sevastopol.


Após isso, os EUA e uma série dos países europeus se recusaram a reconhecer as eleições deste domingo na Crimeia.

"O fato de os EUA, na pessoa do Departamento do Estado, terem anunciado, ainda antes de os resultados serem públicos, que não reconheceriam as eleições fosse qual fosse o resultado é, segundo a minha opinião, inaceitável e muito suspeito. Se trata de pressão política aberta sobre os participantes do processo eleitoral e isso é de fato incorreto", disse Kimura aos jornalistas, após ter visitado várias circunscrições eleitorais na Crimeia no dia das eleições. O político japonês lamenta que os países ocidentais continuem a ignorar a vontade dos habitantes locais da Crimeia. 


Na Crimeia, onde as eleições legislativas russas foram realizadas pela primeira vez, foram formados três círculos uninominais, e mais um círculo em Sevastopol. Na península, cerca de 1,8 milhões de habitantes têm direito de voto.



Vingança? Forças Armadas sírias abatem drone de reconhecimento dos EUA

Um drone de vigilância dos Estados Unidos teria sido abatido no domingo na província de Deir ez-Zor pelas Forças Armadas sírias, na mesma zona onde aviões americanos bombardearam as forças sírias cercadas pelo Daesh um dia antes, matando 62 pessoas. 


Sputnik

De acordo com a Press TV, o Exército sírio derrubou um drone que for visto pairando sobre as montanhas na região de Jabal Therdeh, no leste da província de Deir ez-Zor. A agência AMN, uma fonte de notícias do mundo árabe, especificou que os tiros foram disparados pela 137ª Brigada de Artilharia da 17 Divisão blindada do Exército Árabe da Síria, observando que o drone conseguiu deixar o espaço aéreo sírio. 


Drone RQ-4 Global Hawk
Drone RQ-4 Global Hawk © AP Photo/ Northrop Grumman via U.S. Navy, Erik Hildebrandt


Antes do ataque de sábado da coalizão liderada pelos Estados Unidos, que matou pelo menos 62 soldados do exército sírio, o espaço aéreo sírio havia sido aberto para aviões americanos, mas a situação tornou-se mais instável após o incidente.

O exército sírio também recuperou o controle sobre a maioria dos territórios perdidos para o Daesh no sábado, após a coalizão liderada pelos EUA ter dado vantagem aos extremistas bombardeando posições dos militares sírios.

Também foi relatado que a Força Aérea síria, apoiada por aviões russos, realizou uma série de ataques aéreos contra as áreas controladas pelo Daesh ao longo da estrada que liga as cidades de Deir ez-Zor e Mayadeen. 


No sábado, quatro jatos da coalizão liderada pelos EUA, dois aviões F-16 da Força Aérea dos Estados Unidos, dois aviões A-10 e um drone de combate atingiram posições-chave de defesa do exército sírio seis quilômetros ao sul do aeroporto Deir ez-Zor. As autoridades da Rússia e a Síria afirmam que o ataque, que matou 62 e feriu mais de cem pessoas, foi intencional. 

No entanto, o Pentágono declarou que o ataque aéreo foi um acidente e que a Casa Branca expressou o seu pesar pela "perda involuntária de vidas". 

A Síria tem estado envolta em violência desde 2011, quando uma guerra civil eclodiu no país. Desde esse ano já morreram mais de 400.000 pessoas.

Forças Armadas turcas na Síria continuam seu avanço em direção ao sul

Operação das forças armadas turcas no norte da Síria continua com as tropas se movendo em direção ao sul, disse o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. 


Sputnik

"Nos EUA, eu vou levantar a questão da criação de uma zona de segurança. Podemos estimar uma área do tamanho de cinco mil quilômetros quadrados. Mais uma vez, vou enfatizar a contribuição da operação Escudo do Eufrates no norte da Síria na resolução da crise de refugiados. Atualmente, estamos nos movendo para o sul", disse ele a repórteres antes de partir para a Assembleia Geral das Nações Unidas. A notícia foi divulgada pelo canal NTV. 


Soldados turcos na Síria
Soldados turcos na Síria © AFP 2016/ BULENT KILIC

"Moradores de cidades sírias, especialmente de Jarablus, começaram a voltar para as cidades, que foram libertadas do Daesh. Com espalhamento da zona de segurança, o número de repatriados vai aumentar", declarou Erdogan. 

Apoio do ar 

A Força Aérea turca atacou as posições do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia em muitos outros países) no norte da Síria, informa a Reuters, citando o comunicado do exército turco. 

Segundo a agência, a operação visava atacar esconderijos, arsenal e outras bases dos terroristas.

Exército turco em 24 de agosto iniciou a operação Escudo do Eufrates contra o Daesh, e com a participação da oposição síria, retomou poder da cidade de Jarablus. Curdos sírios se referiram às ações turcas como agressivas e declararam que elas são dirigidas principalmente contra os curdos e não contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e reconhecido como pelo Brasil).



Turquia vs. curdos sírios: disputa entre dois lados tem um claro vencedor, os EUA

Ao mesmo tempo que dois aliados de Washington no Oriente Médio – a Turquia e os curdos sírios – são adversários na luta contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia), os EUA tentam apoiar ambos. 


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Mehmet Yegin, especialista e pesquisador das relações turco-americanas, analisou a situação durante uma conversa com a Sputnik Internacional. 


Ofensiva da Turquia na Síria
Tropas turcas na Síria © REUTERS/ Revolutionary Forces of Syria Media Office


Segundo ele, o objetivo principal de Washington é lidar com o Daesh e "quem quer que seja aliado dos EUA, isso não muda o resultado final".

Quem quer que seja — o Partido de União Democrática (RYD, na sigla em curdo) ou Ancara — "isso não muda a equação", acha o entrevistado, se estas forças estão lutando contra o grupo jihadista que continua controlando partes da Síria e Iraque, eles "serão aceitas pelos EUA".

O governo turco considera o RYD como oposição armada e as Unidades de Proteção Popular (YPD em curdo) como organização terrorista. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan e os seus apoiantes acusam o RYD de ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização terrorista que tenta obter mais autonomia da Turquia para o povo curdo.


Mais do que isso, os Estados Unidos parecem se aproveitar da rivalidade entre os turcos e os curdos. 

"É um tipo de disputa entre os dois lados, na qual o vencedor claro é EUA", disse Mehmet Yegin.

Ao mesmo tempo, as relações turco-americanas estão melhorando com o apoio que a operação turca "Escudo de Eufrates" recebeu dos EUA: na semana passada as forças especiais americanas se juntaram às tropas turcas e aos seus aliados rebeldes sírios durante libertação de áreas fronteiriças no norte da Síria, antes ocupadas pelo Daesh.

Na questão curda, a Turquia e os EUA parecem atingir consenso também, notou o especialista:


"Os EUA e a Turquia parecem ter atingido um 'modus vivendi' em relação à questão [dos curdos]… A situação atual que vemos é que os EUA apoiam os esforços turcos, então eu acho que acontecerá certa reaproximação." 

Mehmet Yegin destacou também que os dois lados não pararam a coordenação de esforços mesmo quando as suas relações pioraram, durante a tentativa de golpe de Estado que teve lugar na Turquia em 15 de julho. 

Além disso, o pesquisador nota que existe a possibilidade de uma aliança trilateral — Rússia, Turquia e EUA — com o objetivo conjunto de resolver a atual crise síria.


Rebeldes sírios se juntam à Frente al-Nusra para ofensiva

De acordo com o Estado-Maior general da Rússia, os rebeldes sírios se juntaram à Frente al-Nusra para ofensiva. 


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A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), um dia e meio depois do ataque da coalizão liderada pelos EUA contra o exército sírio, quando este estava combatendo o grupo terrorista Daesh. Como resultado do ataque, as forças terroristas tiveram acesso a uma posição estratégica. 


Um bairro de Damasco ocupado pela Frente al-Nusra
Damasco, capital da Síria © Sputnik/ Ilya Pitalev


Se aquele caso já indicava que a parte americana podia estar deixando de cumprir as condições da trégua acordada com a Rússia, o caso de hoje já significa que as únicas partes que cumprem o cessar-fogo são as forças da Rússia e da Síria, disse o tenente-general Vladimir Savchenko. 

Ele precisou que nem os Estados Unidos, nem os rebeldes "moderados" por eles controlados não cumpriram "uma só obrigação correspondente ao acordo russo-americano".

Citando informações do Centro de Reconciliação russo, ele disse que a oposição militarizada "usou o cessar-fogo para se reagrupar, conseguir mais munições e se preparar para uma ofensiva com o objetivo de capturar mais territórios quando as tropas sírias tenham abandonado as operações militares".

Savchenko precisou que nem a aviação russa, nem a síria realizaram ataque aéreos na semana passada.



Por que 'é pouco provável' que bombardeio dos EUA contra tropas sírias tenha sido acidente

A série de ataques da coalizão internacional, liderada pelos EUA, contra tropas do governo sírio realizada em 17 de setembro, não podendo ser considerada inesperada, teria sido pelo contrário bem planejada. 


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Os ataques deixaram pelo menos 62 militares sírios mortos e cerca de 180 feridos.


Cidade síria de Deir ez-Zor (arquivo)
Cidade de Deir ez-Zor, na Síria © flickr.com/ Jose Javier Martin Espartosa


Tim Anderson, ativista, escritor e professor de Economia Política na Universidade de Sidney, Austrália, durante uma conversa com a Sputnik Internacional, classificou os recentes acontecimentos em Deir ez-Zor como um "massacre", já que acha pouco provável que os bombardeios tenham sido um acidente. Ele mantém essa opinião não obstante as declarações contrárias de Pentágono, que afirma que os ataques não foram planejados.

O especialista se baseia nos fatos que coletou durante observações da situação no local. 


"[Daesh] e o Exército sírio têm estado envolvidos em combates na região por muito tempo. Os EUA nunca intervieram para evitar que o Daesh se expandisse para ocidente, por exemplo quando eles tomaram Palmira no ano passado. Então este é um passo muito inesperado e parece deliberado," notou.

Tim Anderson também opina que os ataques aéreos foram calculados, porque os Estados Unidos "nunca tiveram coragem" de lançar uma operação militar de larga escala na Síria. De fato, é geralmente conhecido que a Casa Branca já por muito tempo propaga a ideia de não-intervenção, de não enviar tropas terrestes para a Síria.

Mesmo a série de ataques do passado fim da semana não parece ter mudado esta posição da administração de Obama.


"Agora que a Síria e os seus aliados estão avançando, não é claro o que os EUA têm na mente. Eu não acho que eles tenham coragem para uma escalação da situação. Eles não têm coragem para começar outra guerra," disse.

Os ataques da coalizão deterioraram também as relações de Washington e Moscou, já pouco fáceis, acham diversos especialistas estrangeiros e russos. Mais do que isso, estes acontecimentos até podem minar ou até mesmo destruir completamente a base para a cooperação russo-americana na Síria.

Não devemos nos esquecer do acordo de cessar-fogo na Síria, recentemente atingido e anunciado após as negociações de chanceleres russo e americano Sergei Lavrov e John Kerry, respectivamente. 


"É verdade que Lavrov e Kerry parecem ter boas relações, não obstante as tensões óbvias, mas é muito difícil ver como você poderia retornar às negociações em tais circunstâncias. Os EUA são estranhos lá. Eles nunca tiveram qualquer base legal para ficar na Síria, fosse qual fosse o seu status. <…> É muito indeterminado o que pode acontecer agora," disse Tim Andersen. 

O general-major Igor Konashenkov, representante oficial do Ministério da Defesa da Rússia, informou que os bombardeios da coalizão foram realizados por dois caças F-16 e dois A10 contra tropas do exército sírio cercadas por jihadistas do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia). Após os ataques, os terroristas começaram uma ofensiva. Os aviões americanos tinham decolado do território do Iraque.