29 agosto 2007

Chávez confirma compra de fuzis para se proteger de eventual ataque dos EUA



Caracas, 19 ago (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, confirmou hoje a compra de "vários" fuzis russos Dragunov para franco-atiradores que atuariam em uma "guerra de guerrilhas" em caso de um eventual ataque dos Estados Unidos.

"O poder militar é parte do poder popular" e o fortalecimento deste é "a única maneira de o império não tornar concreta sua ameaça contra nossa democracia", expressou o governante em seu programa dominical de rádio e televisão estatal "Alô, presidente!".

Chávez confirmou a compra desses fuzis dotados de mira telescópica e acrescentou que eles também terão dispositivos de visão noturna.

A imprensa venezuelana informou na última semana que Caracas negociava com Moscou "a aquisição de cerca de cinco mil fuzis Dragunov modernizados e fabricados pela empresa Izhmash", e que isso "preocupa os EUA".

A inquietação de Washington a respeito de Chávez já levou a diversas suspensões de venda de armas e equipamentos que tivessem componentes americanos.

Chávez assegurou no dia 3 de junho que seu Governo reforçou sua "alianças estratégicas" durante uma viagem que fez pouco antes por Rússia, Belarus e Irã.

Sobre sua visita à Rússia, entre 28 e 30 de junho, o governante destacou suas "importantes" conversas com o presidente Vladimir Putin sobre diversos aspectos econômicos, entre eles o projeto de criar um "banco binacional" para apoiar projetos de desenvolvimento conjuntos.

Destacou também as conversas "de alto nível" sobre a ampliação da "cooperação técnico-militar", que nos últimos dois anos envolveu cerca de US$ 3 bilhões, com as compras venezuelanas de 50 helicópteros, 24 aviões caças Sukhoi-30MK2 e 100 mil fuzis AK-103 de fabricação russa.

O chefe de Estado disse ainda que avaliava a aquisição de submarinos russos e de "outros helicópteros e outros equipamentos militares diversos".

"Mas não se assustem, isso não é para atacar ninguém, é para nos defender", reiterou Chávez, ao referir-se às preocupações e queixas de Washington por essas compras de armas.

A Rússia se transformou no principal fornecedor de armas à Venezuela, apesar das reservas dos Estados Unidos e suas tentativas de impedir essas transações, por considerar que não contribuem para segurança da América do Sul.

Argentina importará tecnologia chinesa para produzir equipamentos militares


Pequim, 22 Ago (EFE).- O Governo da Argentina analisa a possibilidade de fabricar no país equipamentos militares chineses com "certo grau de transferência tecnológica", visando o mercado regional, em sua estratégia de reforçar as relações bilaterais com a China, informou hoje a ministra da Defesa, Nilda Garré.

"Estamos trabalhando com caminhões e helicópteros. Analisamos a possibilidade de instalação de empresas (chinesas) na Argentina para fazer a produção e criar postos de trabalho no país", afirmou hoje Garré em entrevista à Efe.

A produção seria feita com "certo grau de transferência tecnológica", ou seja, primeiro se encaixariam os equipamentos na Argentina, para depois produzir.

Garré está em Pequim desde o dia 19, na primeira visita de um ministro da Defesa argentino à China.

A cooperação tecnológica e científica foi um dos aspectos principais das reuniões que Garré, que retorna na quinta-feira à Argentina, manteve na China com o ministro da Defesa chinês, Cao Gangchuan, e o vice-presidente do Legislativo, Gu Xiulian.

A colaboração estava prevista no memorando de entendimento assinado em maio por Garré e Cao em Buenos Aires e que incluía também a troca de visitas e a colaboração em operações de manutenção de paz.

Os primeiros oficiais chineses começarão a treinar na Argentina em 2008, ressaltou.

Pequim e Buenos Aires se tornaram parceiros estratégicos em 2004 e, atualmente, a Argentina é um dos países latino-americanos e caribenhos que registram superávit com a China.

"O compromisso argentino em todos os fóruns internacionais com a política de uma só China e a não aceitação das manobras independentistas de Taiwan é algo que a China aprecia muito. E nós também agradecemos seu permanente apoio a nossa reivindicação das ilhas Malvinas", ressaltou a ministra.

Após a ditadura militar (1976-1983), a Argentina iniciou uma profunda reestruturação de suas Forças Armadas para submetê-las ao poder civil, com reformas como a incorporação da mulher e a submissão dos militares à Justiça civil.

No entanto, o Orçamento da Defesa é um dos mais baixos da região, com 0,8% do Produto Interno Bruto, embora Garré confia em que em 2008 chegue a 1,1%.

A ministra lidera uma delegação formada pelo secretário de Planejamento da Defesa, Óscar Cuattromo; o chefe de Gabinete de Assessores, Raúl Garré, e o chefe de Aviação do Exército, coronel Gustavo Serain.

Força aérea britânica escolta bombardeiro russo


Agência France Presse - Dois caças da Força Aérea Real Britânica (RAF) escoltaram na última sexta-feira um bombardeiro russo sobre o Atlântico Norte, anunciou nesta terça-feira o Ministério Britânico da Defesa(MoD).

Os dois aviões de caça ingleses do modelo Typhoon "foram enviados para escoltar um aparelho Tu-95 Bear-H russo sobre o oceano Atlântico Norte, na sexta-feira, 17 de agosto", afirmou o ministério em um comunicado, sem dar mais detalhes sobre o incidente.

Esta é a primeira missão efetuada pelos Eurofighter Typhoons britânicos desde que entraram em serviço no mês passado. Por 67 milhões de libras, 98 milhões de euros, este avião substitui os Tornado F3, que se tornaram obsoletos.

Em julho, a Força Aérea Real enviou dois de seus caças em uma missão de urgência depois da interceptação de dois bombardeiros russos que sobrevoavam a Noruega.

Mais recentemente, em 8 de agosto, dois bombardeiros russos Tu-95 "Bear" se aproximaram durante manobra militar americana realizada na ilha de Guam, mas a proximidade não foi suficiente para permitir uma interceptação aérea, anunciou o Pentágono.

Os encontros e as interceptações entre caças-bombardeiros ou aviões de luta anti-submarina sobre o Pacífico e o Atlântico Norte eram comuns durante a Guerra Fria, mas vinham sendo raros desde então.

Na sexta-feira, Putin anunciou que 20 bombardeiros estratégicos tinham sido enviados para missões nos Oceanos: Atlântico, Pacífico e Ártico, numa demonstração da nova postura de músculos de Moscou.

Onze aviões militares russos, incluindo bombardeiros estratégicos e caças realizaram manobras na costa da Noruega na sexta-feira, informaram fontes militares norueguesas. A Noruega enviou caças F-16 para observar e fotografar os aviões russos.

A OTAN realizará a manobra BOLD AVENGER 2007 (BAR 07), na Noruega no período de 3-14 Setembro 2007, com a participação de 13 Forças Aéreas de países membros: Bélgica Canadá, República Tcheca, França, Alemanha, Grécia, Noruega, Polônia, Romênia, Espanha, Turquia, Estados Unidos e Reino Unido. A BAR 07 reunirá cerca de 100 aviões, incluindo caças, aviões de reabastecimento e AWACS.

Typhoon entra em Missão pela Primeira Vez



O caça Typhoon F2 entrou em operação na RAF, em 29 de Junho de 2007, quando assumiu a responsabilidade da “Quick Reaction Alert” (QRA), componente do Reino Unido e OTAN de defesa aérea na Base da RAF, em Coningsby, Lincolnshire.

Os Typhoons, o mais novo avião da RAF, atualmente operam o UK Quick Reaction Alert (QRA) juntamente com os caças Tornado F3 (que estão baseados em Leeming e Leuchars).

Nos próximos 9 meses os caças Typhoons progressivamente substituirão os Tornado F3, aviões que cumpriram essa missão por muitos anos.

A primeira unidade operacional é o Esquadrão de Caça Number 3, que recebeu seu primeiro Typhoon, em Março de 2006, e é o Esquadrão líder para o desenvolvimento do Typhoon para as missões de defesa aérea.

Os procedimentos do QRA especificam que o avião deverá estar em contínua prontidão, para que possa levantar vôo em questão de minutos – sem um alerta antecipado – para a missão de defesa aérea.

A Legenda de Juba “o Sniper” Persegue as Tropas Americanas no Iraque


Monte Morin, Stars and Stripes

BAGDÁ – Em um país onde os rumores tornam-se realidade, e os relatos iniciais de combate quase sempre são errôneos, parece que pouco pode ser feito para parar a legenda de Juba, o franco-atirador ou “Juba the Sniper”.

Páginas da web de grupos Islâmicos, estórias em quadrinhos, vídeos e canções têm por quase dois anos exaltado os feitos de “Qannas Baghdad,” o sniper insurgente apócrifo a quem são creditados inúmeros sucessos — muitos falam em centenas — de soldados americanos e iraquianos mortos nos quarteirões da capital do Iraque.

Como uma história de Guerra, Juba teria sido capturado ao menos duas vezes, somente para fugir novamente, em um estilo Freddie Krueger, como mencionado na propaganda dos insurgentes e nos briefings das patrulhas dos soldados americanos.

“Sim ele é real,” insistiu “Bobbie,” um interprete iraquiano que tem trabalhado com as tropas Americanas nos últimos dois anos. (Interpretes iraquianos que trabalham com as forces americanas não dão seus nomes reais com medo das represálias dos insurgentes.)

“Ele matou muitas pessoas. Ele foi treinado no tempo do Saddam. Ele pode me acertar, quando caminho. Ele pode me acertar, quando corro. Ele pode me acertar, quando estou em um veículo. Ele é muito bom.”

Nos últimos meses entretanto os feitos de Juba arrefeceram.

Para os seus fãs, Juba foi morto ou capturado. Para aqueles que nunca acreditaram na sua existência, a explicação é que o mito Juba tomou o seu curso e desapareceu.

“É como a perda do charme,” afirmou o correspondente da CNN Michael Ware. “Ele não era nada mais que um mito que a Internet criou.”

Enquanto os porta-vozes das Forças Americanas sempre negaram a existência de Juba, rumores tinham chegado até a tropa. Para eles o mito era uma ameaça real. Em muitos relatos, Juba percorria as ruas da capital escondido em uma van, como o misterioso sniper, na capital americana, Washington, em 2002, disparando contra as vítimas através de aberturas no veículo.

Em outras, Juba armado com um fuzil russo Dragunov sempre deixava uma mensagem proclamando, “O que foi tomado com sangue só pode ser retomando com sangue — O Sniper de Bagdár.”

Céticos afirmam que Juba não era somente um, mas vários snipers. Em vez disso ele era resultado do medo e tensão por parte dos soldados americanos, assim como da propaganda inimiga, que procurava solapar a moral dos soldados.

“Juba o Sniper? Ele é criação dos soldados americanos,Capitão Brendan Hobbs, 31, de Tampa, Flórida, comandante da Companhia C, 2º Batalhão, 14º Regimento de Infantaria. “Nós mesmos criamos esse mito.”

Hobbs, cuja companhia é parte da 2ª Brigada, 10ª Divisão de Montanha, liga a legenda de Juba aos rumores que circularam nos primeiros meses da Guerra que inúmeros snipers Chechenos operavam no Iraque.

Para ser correto, snipers insurgentes operaram e ocasionaram muitas baixas às Forças Americanas e iraquianas da Província de Anbar à Bagdá.

Após uma relativa calma no início do “Plano de Segurança de Bagdá” — teve início uma campanha para aumentar a tensão histórica entre as comunidades muçulmanas Shiita e Sunita — e franco atiradores reapareceram como uma presença mortal.

Na “New Baghdad”, uma comunidade de população Shiita com fronteira aos pontos fortes do Exército Mahdi na Cidade de Sadr, ações de sniper mataram dois soldados americanos recentemente.

“Dois soldados mortos por um sniper, em dois dias consecutivos — não ouvíamos isso há tempos,” afirmou um oficial do 1º Batatlhão, 8º Regimento de Cavalaria, 2º Brigade Combat Team, 2ª Divisão de infantaria.

No Distrito de Segurança 9 Nissan de “New Baghdad”, onde ataques e assassinatos caíram cerca de 70% durante os dois primeiros meses do Plano de Segurança, os comandantes afirmam que os moradores desejavam trocar informações com os soldados, que operavam nos postos da região.

Mas com as recentes mortes provocadas por snipers, assim como um aumento nos ataques por “explosively formed projectiles” – EFP (Nota Defesa@Net – EFP é uma variante mais recente do IED), as tropas afirmam que a lua de mel acabou.

Na colorida e deserta fábrica chamada de Cobra Cabana que atualmente serve como posto militar avançado em “New Baghdad” — soldados e oficiais afirmam que estão antecipando um Abril violento, agora que o clérico radical Muqtada al-Sadr renunciou a uma chamada anterior para que os seus seguidores abandonassem as armas. E com a violência o retorno de “Juba the Sniper”.

A unidade do Capitão Joseph Rosen, 30, de Leesville, Lousiana, comandante da Companhia C, 1-8 Cavalaria, tem os seus soldados acampados na fábrica e estes especularam sobre a ameaça de Juba. Com Juba ou sem Juba, eles afirmam que pensam em manter suas cabeças abaixadas.

“Eu sei que tem um sniper com inúmeras vitórias,” afirmou o Sargento Maxwell Davis, 30, de Marfa, Texas. “Eu penso que esse pessoal não é de fato sniper. Eles são como “marksmen”. Eles estão nos observando, é o que eu tenho a falar.”

Submarino Tikuna (S34) em sua Primeira Operação no Exterior

Defesa@Net

Base Naval Mayport, Florida – O submarino Brasileiro Tikuna (S 34) visitou a Base Naval de Mayport, estado da Flórida, durante a sua primeira missão a um país estrangeiro 3-13 Agosto. A base do Tikuna é a Base Almirante Castro e Silva, Ilha de Mocangue, próximo ao Rio de Janeiro, de onde partiu no dia 27 de Maio para participar de vários exercícios e treinamentos.

Trabalharam junto com o Tikuna e navios da US Navy em exercícios anti-submarino (antisubmarine warfare), unidades do: Canadá, Inglaterra, França e Peru.

O Tikuna participou nos seguintes exercícios: Composite Training Unit Exercise; Antisubmarine Warfare Exercise e no exercício conjunto “Exercise Valiant Shield 2007,” que incluiu os grupos de ataque (Strike Groups), que integram os Porta-Aviões Harry S. Truman (CVN75) e Dwight D. Eisenhower (CVN69), juntamente com o porta-aviões inglês HMS Illustrious (R06).

“O Tikuna e a Marinha do Brasil continuam a ser valiosos parceiros marítimos na área de responsabilidade do U.S. Southern Command (US SOUTHCOM),” afimou o Comandante, U.S. Naval Forces Southern Command (NAVSO) Contra-Almirante (Rear Adm.) James W. Stevenson Jr. “A visita do submarino e sua tripulação à Estação Naval de Mayport e área de Jacksonville entre os eventos do treinamento são um grande momento para todos envolvidos. Nós tivemos a oportunidade para ver o estado da arte do submarino(state-of-the art) e encontrar a tripulação e eles tiveram a oportunidade de conviver em nossa grande comunidade. Isso reforça o nosso já forte relacionamento.”

Durante sua visita a Estação Naval a tripulação do Tikuna participou de uma série de eventos, incluindo vários jogos de futebol e uma visita ao destróier USS The Sullivans (DDG 68).

O comandante Marco Malschitzky, oficial de ligação da Marinha do Brasil junto a NAVSO, incorporou-se à tripulação do Tikuna durante a visita.

“Foi uma grande oportunidade de participar de ambas as tripulações e a cordialidade das tripulações anfitriãs,” afirmou Malschitzky.

Com somente dois anos de vida, o Tikuna é a mais nova adição da frota de submarinos do Brasil e o quarto submarino construído no Brasil. O Tikuna orgulhosamente ostenta na placa de comissionamento a frase, “Construído no Brasil por Brasileiros” (Built in Brazil, by Brazilians). O Tikuna retornará ao Brasil em Outubro após sua visita a San Juan, Porto Rico.

O exercício Valiant Shield 2007 é uma manobra global da US Navy, que incorpora ações navais nos principais teatros de Operações do Mundo. A Valiant Shield 2007 no Pacífico inclusive teve a presença dos bombardeiros russo Tu-95 Bear, que tentaram se aproximar da esquadra quando esta estava próxima à Ilha de Guam.

Por que o Brasil precisa de defesa

Depois de anos de descaso, governo prepara um plano para reaparelhar as Forças Armadas com equipamentos e tecnologia nacionais. Mas a prática de comprar "caixas-pretas" sobrevive

Por HUGO STUDART, CLÁUDIO CAMARGO
E ELIANE LOBATO


As duas decisões são estratégicas para o País, mas são contraditórias e a tendência do governo é aprovar as duas, esquizofrenicamente. Nos próximos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve convocar uma reunião secreta do Conselho de Defesa Nacional para examinar o Plano de Reaparelhamento das Forças Armadas. O projeto prevê investimentos de R$ 5,5 bilhões até 2011, só em equipamentos, a maior parte com tecnologia e produção nacionais. “Reaparelhamento não me parece o termo adequado; é aparelhamento”, diz o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ao Exército, serão destinados R$ 2 bilhões, principalmente para a compra de blindados sobre rodas.

A idéia é incentivar a criação de uma nova indústria de carros de combate, como a falecida Engesa dos anos 70 e 80. Para a Marinha, irá R$ 1,5 bilhão, destinado prioritariamente à construção de nosso primeiro submarino nuclear, a ser lançado em 2013. A Aeronáutica vai abocanhar outros R$ 2 bilhões para adquirir – e depois produzir aqui mesmo, em parceria com a Embraer –, caças de última geração, como o francês Rafale. Mas ao mesmo tempo, o governo vai comprar, por US$ 180 milhões, 12 helicópteros de ataque russos Mi-56 (Nota Defesa@Net: Trata-se do helicóptero Mi-35). A compra deve ser assinada na próxima semana pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito. Em troca, a Rússia comprará carne e frango do Brasil. A contradição está justamente nisso: não haverá nenhuma transferência de tecnologia para o Brasil.

A Força Aérea não queria os helicópteros russos, entre outras coisas porque eles não têm garantia de manutenção. A intenção da FAB era encomendar os novos helicópteros à indústria Helibrás, que já fabrica no País os Esquilo de uso civil, sob licença da Eurocopter. A Aeronáutica negociava com os europeus a transferência de tecnologia para a Helibrás produzir também o Cougar e o Pantera por aqui. Então por que o Brasil está comprando os Mi-56 russos? Porque, em fins do ano passado, o então ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, negociou um escambo comercial com o governo de Vladimir Putin. Os russos abriram o mercado para a importação de frango e carne brasileiros. Como contrapartida, Furlan comprometeu-se a comprar equipamentos militares russos. Originalmente, eram 40 helicópteros, 12 Mi-35, de ataque e 28 Mi-171, de transporte. O Planalto tentou empurrar o pacote para o Exército; não teve êxito e a Aeronáutica teve que ficar com o embrulho. Os militares ainda conseguiram barrar os de transporte e ficaram só com os de ataque. De qualquer forma, essa é uma decisão completamente oposta à idéia de reaparelhar as Forças Armadas através do fortalecimento da indústria bélica brasileira.

Exército, Marinha e Aeronáutica vivem uma situação de total incúria. Gastam pouco, gastam mal e o que têm está sucateado. No final da década de 80, o Brasil tinha uma das indústrias bélicas mais pujantes do mundo; hoje, algumas delas, como a Engesa – fabricante dos blindados Urutu e Cascavel –, faliram; outras não têm como atuar. A Mectron, fabricante dos mísseis Piranha, a Orbisat tem o protótipo de um dos mais modernos radares de baixa altura do mundo, mas, como não têm encomendas militares, vive a bisonha situação de sobreviver da fabricação de fechaduras e capacetes para empresas de segurança.

A Avibrás, pioneira na pesquisa espacial, hoje não tem recursos (nem encomendas) para tirar da prancheta os mísseis de precisão que seus engenheiros ainda concebem. Das primeiras indústrias militares, sobrou inteira somente a Embraer – mas porque pôde se reinventar na aviação comercial. E a Imbel, fabricante de armas leves, hoje vive de vender pistolas. Aguarda uma encomenda do Exército de 175 mil fuzis 5.56, que vão substituir os velhos FAL. “A Imbel, como as demais, tem que ser encarada como uma indústria estratégica”, diz o general Darke Nunes, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.

A modernização das Forças Armadas é necessária não porque exista algum inimigo do Brasil à espreita, mas porque é estratégico para nossas ambições futuras. Na maior parte dos países emergentes, gasta-se em média 8% do PIB com defesa. O Brasil, que já gastou 7%, hoje destina 1,8%, a menor porcentagem da América Latina. O Chile gasta 10%. “O orçamento do Exército brasileiro é menor do que o das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)”, ironiza um oficial. Da parte que cabe ao Exército, nada menos que 82% são consumidos com salários; o resto é para custeio e investimentos. “Hoje não temos artilharia sequer para defender o complexo industrial de São Paulo ou nossas hidrelétricas”, lembra Nelsimar Vandelli, coordenador do Centro de Atividades Externas da Escola Superior de Guerra.

Estrategistas dizem que é temerário aferrar-se à velha tese de que somos um povo pacífico e não estamos sob ameaça – e que, portanto, não precisamos de Forças Armadas. Alguns lembram o rearmamento da Venezuela e o conflito com a Bolívia, mas a maioria vê ameaças mais sérias e menos evidentes. A Amazônia, que detém 20% da água potável do planeta e esconde outro tesouro sob a forma de minerais, já está sendo atacada de forma silenciosa por ONGs estrangeiras, que difundem a idéia da internacionalização da floresta. “Chegará o momento em que organismos internacionais vão construir a tese de que não sabemos cuidar da Amazônia e que, para o bem da humanidade, exércitos estrangeiros precisam intervir”, diz um membro do Alto Comando do Exército. Na plataforma continental, chamada de Amazônia Azul, a Marinha não consegue vigiar a pesca predatória estrangeira. “Também é no mar que estão 85% do nosso petróleo”, lembra Saturnino Braga, ex-presidente da Comissão de Defesa do Senado. E se as plataformas da Petrobras forem atacadas por terroristas? “Por isso é preciso ter Forças Armadas bem equipadas e treinadas.”

A Marinha, aliás, atravessou décadas de uma situação inusitada. Parte do almirantado defendia uma armada de ataque, baseada em porta-aviões. Outra facção queria uma marinha dissuasória, com submarinos – de preferência nucleares. A força apostou nos dois caminhos e hoje tem um poder capenga. Agora, o governo decidiu investir na conclusão do submarino nuclear. Pouco antes, a Marinha optara por encomendar à Alemanha um submarino U-214, convencional, sob o argumento de dar continuidade ao U-209, modelo dos cinco submarinos atuais. Ainda não existe nenhum exemplar do U-214 em operação; o primeiro, entregue à Grécia em 2006, apresentou tantos defeitos que a Marinha grega recusou seu recebimento.

O pior é que está em curso uma operação para adquirir o sistema de armas do submarino – o software que determina todo o tipo de armamento que um submarino poderá utilizar. É uma “caixa-preta” fornecida pela americana Lockheed Martin, como foi anunciado pelo US Strategic Cooperation. Reproduz-se, aqui, o choque entre uma concepção utilitarista e uma visão de longo prazo. O argumento dos primeiros é que “nenhum país transfere esse tipo de conhecimento”. De fato, os americanos não fazem isso mesmo, mas russos e franceses sim. Países como Índia, Paquistão, Austrália e China, aliás, já mostraram como é possível usar o offset tecnológico para exigir transferência real de tecnologia.

“ TEMOS QUE TRAZER TECNOLOGIA ”

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é um entusiasta da recriação da indústria de defesa nacional. “Nossa visão é que a Defesa não é uma indústria normal, como qualquer produto que se compre ou se venda”, diz Skaf. “Quando falamos de Defesa, estamos falando de soberania nacional. Não se pode comprar equipamentos militares em troca de commodities”, alfineta o empresário, citando o caso dos helicópteros russos. “Temos que pensar em trazer tecnologia.” Skaf criou na Fiesp o Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Defesa (Comdefesa), um fórum de discussão do tema que reúne empresários e oficiais-generais. “O Brasil deixou de produzir material bélico, criou-se uma defasagem e, para minimizar essa obsolescência, optamos por importar significativa parcela do equipamento militar”, completa Jairo Cândido, presidente do Grupo Inbrafiltro e coordenador do Comdefesa. “Para piorar, o sistema tributário brasileiro penaliza a indústria de defesa. Um produto adquirido no Exterior custa às Forças Armadas 42% menos que o mesmo material produzido no Brasil”, diz Cândido.

24 agosto 2007

Avião espião não pilotado dos EUA cai próximo à fronteira entre as Coréias



SEUL, 24 Ago 2007 (AFP) - Um avião militar espião não pilotado americano caiu próximo da fronteira entre a Coréia do Sul e a Coréia do Norte em uma missão de rotina, disseram nesta sexta-feira oficiais americanos.

O avião espião, denominado "Sombra", caiu na quinta-feira próximo a uma base militar americana em Dongducheon, 18 km ao sul da zona desmilitarizada que divide a península coreana, disse um porta-voz militar americano.

"O avião caiu em uma zona despovoada, montanhosa, com vegetação densa, sem causar vítimas", disse à AFP.

Sua missão era monitorar os movimentos de tropas norte-coreanas voando ao longo da fronteira, acrescentou.

A Coréia do Norte acusa freqüentemente os Estados Unidos de enviar aviões espiões que voam sobre seu território.

19 agosto 2007

Comandante da Marinha reconhece momento crítico

InfoRel

O almirante Julio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha, compareceu à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado nesta quinta-feira quando falou sobre o orçamento da força. Os senadores deverão ouvir ainda os comandantes do Exército, na próxima semana, e da Aeronáutica em data ainda a ser definida.

De acordo com Moura Neto, há um quadro de persistente restrição orçamentária que já dura pelo menos uma década. Para 2007, a Marinha precisava de um orçamento de R$ 1.842 bilhão e foram alocados R$ 1.492 bilhão, sendo que o governo contingenciou uma parte e restaram apenas R$ 1.285 bilhão.

Para as atividades-fins, a Marinha necessita de R$ 938 milhões, sendo R$ 383 milhões para as despesas com a manutenção dos meios operativos, R$ 278 milhões para adestramento e operações, e R$ 277 milhões para combustível e munições.

Quanto às atividades subsidiárias, são necessários R$ 177 milhões para a segurança do tráfego aquaviário, R$ 20 milhões para o PROANTAR e R$ 130 milhões para o Programa Nuclear. Outros R$ 637 milhões são fundamentais para que a força honre com as chamadas despesas compulsórias.

Programa Nuclear

O Almirante Julio Soares de Moura Neto explicou que o Programa Nuclear da Marinha necessita de R$ 130 milhões anuais pelo período mínimo de oito anos para ser concluído.

Segundo ele, “desde 1999, apenas a Marinha ficou com os custos do programa, mantido em estado vegetativo, sem avanço da tecnologia nuclear, com dispensa de pessoal qualificado e perda do conhecimento. Em 2007, foram destinados apenas R$ 41,4 milhões para o programa”.

O comandante acredita que a sensibilidade do governo e o apoio do Congresso poderão reverter o atual quadro. Recentemente, o presidente Lula esteve no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo e anunciou que o Programa Nuclear será concluído.

Moura Neto explicou que entre 1999 e 2006 foram desativados 21 meios navais e incorporados apenas dez. Para manter sua capacidade operativa, a Marinha teria de contar com 12 submarinos, mas tem apenas cinco, sendo que dois estão parados, dois operam com restrições e apenas um opera bem.

Dos 21 navios, onze estão imobilizados e dez operam com restrições. O mesmo ocorre com os helicópteros. Da frota de 58, 27 estão não têm condições de operar e 31 voam com restrições.

O Almirante disse que a Marinha precisa de 145 navios, mas conta com apenas 94 e que se o atual ritmo de degradação da capacidade operacional for mantida, a força chegará ao ano de 2025 com apenas 12 navios, o que significa a perda do poder naval brasileiro.

Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM)

O Programa de Reaparelhamento da Marinha foi enviado à Casa Civil em 2005 e em julho deste ano, foi atualizado por determinação do então ministro Waldir Pires, juntamente com os programas de reaparelhamento do Exército e da Aeronáutica.

Em 2005, o governo decidiu criar um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir a situação das Forças Armadas. De acordo com o Moura Neto, o Relatório do GTI, confirma que a Marinha é a que se encontra em situação mais crítica quanto a obsolescência dos seus meios e necessidades de investimentos no reaparelhamento.

A Marinha reviu o PRM para o período 2008-2014, que prevê o aporte de R$ 5,8 bilhões para oito grupos de prioridades. O Comandante da Marinha revelou que as prioridades da força são a construção e modernização, pela ordem, de submarinos e torpedos; navios-patrulha, helicópteros; navios-escolta; navios-patrulha fluviais; embarcações do SSTA e navios hidrográficos; modernização do porta-aviões São Paulo, mísseis, minas e munições; e por último, carros de combate, navio de desembarque e navio de transporte de apoio.

"A crônica escassez de recursos, ao longo de tantos anos, acumulou sérias demandas e levou-nos a um crítico estado de degradação e obsolescência material, de vulnerabilidade estratégica e de redução de atividades, sem precedentes na história contemporânea da Nação", afirmou o Almirante.

Não é uma nação o país que não apóia suas Forças Armadas

Cristovam Buarque

Na Comissão de Relações Exteriores assistimos ao depoimento do Almirante Júlio Soares sobre a situação da Marinha no Brasil. Amanhã, é fácil imaginar quais serão as possíveis manchetes dos jornais. Provavelmente sobre a subida do dólar, sobre algum vazamento da Polícia Federal, alguma notícia de corrupção, alguma notícia sobre violência urbana.

Mas eu creio que a mais importante manchete amanhã, se ela fosse refletir o que eu assisti hoje, a maior manchete, a de maior repercussão para o futuro do Brasil seria dizer: em 2025, a Marinha do Brasil não existirá mais.

Foi isso que o Almirante, Comandante da Marinha, com muita competência, com muita franqueza, colocou para nós: um quadro onde ele mostrava o que vai acontecer se não houver uma reversão da tendência, o que vai acontecer se a tendência continuar, em 2025.

E ele colocou em letras garrafais a palavra “fim” da Marinha no Brasil.

Lamentavelmente, essa não vai ser a manchete, porque, lamentavelmente, enquanto isso acontece o que vemos? O Ministro da Defesa, recém-chegado, não passa hoje do gerente do tráfego aéreo brasileiro.

Não é um Ministro da Defesa, é um gerente, um diretor, um presidente da Infraero. Não assumiu! E ainda mais grave: preocupado, entre outras coisas, com a distância entre as cadeiras, esquecendo que não é só gente alta que tem problemas nos aviões. O gordo e o deficiente físico também têm. Não apenas os altos como ele.

Um Ministro da Defesa é para pensar a segurança nacional; onde estarão a Marinha, a Aeronáutica, as Forças Armadas em 2025, 2050, 2100. Não vemos essa preocupação. E não me digam que essa preocupação não é urgente.

Ela é urgente! E não me digam que isso não está na cabeça das pessoas, porque se não está na cabeça das pessoas, nós, como líderes, temos de colocar nas cabeças do povo brasileiro o que de fato é importante.

Claro que o problema do tráfego aéreo é importante. Mas basta um bom gerente cuidando disso na Infraero. Basta chamar o comandante da Aeronáutica e dizer “ponha ordem nisso, senão eu o demito”.

É nomear um gerente e dizer: “ponha ordem nisso, senão você não fica mais de um mês”. E deixe o Ministro cuidar dos problemas fundamentais da defesa nacional. Mas não é só o Ministro.

E enquanto a Marinha caminha para isso, o que vemos neste Senado? Preocupados nós com os problemas que ameaçam o Presidente do Senado; preocupados com pequenas coisas de um lado para outro, no máximo convidando aqui o comandante da Marinha para falar para um pequeno grupo de senadores na Comissão de Relações Exteriores.

Será que a gente não tem por obrigação, cada um de nós, de mostrar ao povo brasileiro o que vai acontecer no momento em que nossa Marinha se transformar em fantasmas?

Será que não é importante dizer que este País tem 8,5 milhões de km2 de terra, mas tem 4,5 milhões de km2 de mar? É mais da metade do território brasileiro o espaço marítimo que o Brasil tem.

Será que não vale a pena lembrar que 90% do comércio chega e sai do Brasil por vias marítimas? Que 80% do petróleo vem por vias marítimas? Que a perda do controle das fronteiras marítimas e a falta de uma Marinha podem, sim, ameaçar isso? É uma tragédia nacional.

Será que a gente não tem que alertar que grande parte dos recursos nacionais, não só petróleo, estão debaixo do mar? É lá que vamos encontrar a fonte de recursos. Lamentavelmente, não vemos isso no Ministro da Defesa, nem entre nós senadores.

Diante de nós, uma tragédia está sendo escrita, e a gente não está lendo. E 2025 é depois de amanhã. Mas, o mais grave, para se reverter isso: levam-se cinco anos só para fazer um navio; levam-se dez anos para se trazer uma nova estratégia.

Se começarmos hoje, talvez já estejamos chegando atrasados. E o pior é que a gente sabe que não vai começar hoje, nem no próximo ano, E não sabemos se vamos começar no ano seguinte. A tragédia se anuncia, e a gente, discutindo outras coisas.

Eu não disse coisas menores, porque as coisas todas são importantes, mas coisas cujas conseqüências não terão a tragédia do que é fundamental. E uma das coisas fundamentais, em um país que tem o espaço aéreo brasileiro, que é o quarto ou quinto maior do mundo, que tem 7.540Km de costa, talvez a terceira ou quarta maior do mundo inteiro.

Temos uma Amazônia cobiçada internacionalmente, cuja defesa, em parte, será feita pela Marinha, ou não será feita. Temos fronteiras com dez países e talvez poucos tenham tantas fronteiras terrestres como nós temos.

São 14 mil quilômetros de fronteiras a serem preservadas, protegidas, não só de governos estrangeiros, protegidas porque em algum momento a migração internacional pode ameaçar a estabilidade brasileira, protegidas porque o tráfico penetra por elas, protegidas porque a cobiça internacional por recursos entra por elas, e um dos recursos mais escassos futuros será água, e o Brasil é um portador desses recursos na maior quantidade.

Hoje, estamos abandonando a Marinha, a Aeronáutica, o Exército como se fôssemos uma nação pequena, menor e não um país com a necessidade de se comportar como potência.

Fala-se em potência com base no PIB. É claro que o Produto Interno Bruto é um indicador, mas mais importante do que o Produto Interno Bruto de hoje é a capacidade de produzir mais amanhã e isso a gente não está tendo.

Não está tendo porque, daqui para frente, o Produto Interno Bruto será criado pela ciência e pela tecnologia, será defendido por Forças Armadas preparadas, competentes e patrióticas. Isso a gente não está vendo do ponto de vista de nós, os líderes nacionais, darmos às Forças Armadas.

Eu imaginava que um Almirante pudesse vir ao Senado para falar do cenário do futuro, das estratégias de como a gente vai se comportar no Atlântico Sul, como vamos nos comportar nas vias fluviais que fazem fronteira com outros países. Quais são os cenários para proteger a Amazônia através do Rio Amazonas?

Quais são os cenários de estratégia para fazer da Marinha um importante centro de formação da consciência nacional e nacionalista brasileira. Lamentavelmente, em vez disso, o Almirante é obrigado a usar de sua competência e firmeza para dizer: nós estamos pedindo socorro.

Vejam a situação em que vive a nossa Marinha. Dos 21 navios existentes, 11 estão imobilizados – 10 operam com restrições. Dos 5 submarinos, 2 imobilizados e 2 operando com restrições. Então, só tem 1. Dos 58 helicópteros, 27 estão imobilizados e 31 operando com restrições – todos. Das aeronaves, 23 – 21 delas imobilizadas e 2 operando com restrições.

Não é a Marinha que nós precisamos para o tamanho do Brasil. Agora, isto explica porque. Se nós analisamos os dados da vida do arsenal, dos submarinos – que há necessidade – 12. Só temos 5. Sabem qual a idade deles? Em média, 10 anos. A idade dos navios-patrulha – 14 anos.

A idade do porta-aviões – 46 anos, antes da revolução eletrônica, antes da revolução de grande parte da arquitetura naval. Dos navios-escola, a idade média é de 27 anos; navios de apoio logístico móvel – a idade média é de 31 anos; navios varredores e caça-minas – a idade média é de 34 anos. Navios-patrulha fluviais a idade média é de 33 anos. Navios de transporte a idade média é de 36 anos.

Se olharmos as embarcações de desembarque, 28 anos é a idade média. Os navios de assistência hospitalar têm 17 anos de idade média; os helicópteros têm idade média de 15 anos e os aviões, 30 anos. Aqui não precisamos falar em Tamandaré. Seria bem capaz de Santos Dumont pilotar um avião desses.

Como se pode considerar que tem futuro um País do tamanho brasileiro se não realizarmos a discussão de como resolver esse problema. A Marinha tem competência se dermos recursos, que sendo aplicados a Marinha será fortalecida, criará emprego, dinamizará o setor de ciência e tecnologia.

Os Estados Unidos desenvolveram o setor de ciência e tecnologia em grande parte graças à defesa do próprio País. Foi a pesquisa, para levar adiante a defesa, que permitiu as descobertas que transformaram este País nas últimas décadas.

Confesso que não sabia que durante a Guerra do Paraguai, há 140 anos, a Marinha de Guerra Brasileira era a mais potente do mundo inteiro. Ou seja, a Marinha mais potente do mundo, em torno dos anos de 1860 a 1870, no tempo da Guerra do Paraguai, era a nossa.

E hoje? Um País que se transformou na oitava potência em PIB é uma das últimas em educação, é uma das últimas na proteção à saúde, é uma das últimas em moradia, é a última em concentração de renda e, sem dúvida alguma, é uma das últimas em termos Forças Armadas que correspondam à dimensão do nosso País de hoje, e, sobretudo, à dimensão do que a gente espera para o futuro.

Lamentavelmente, fica difícil levar esse sonho de Forças Armadas casadas com um País crescendo potente quando a gente vê. Espero que tentemos casar os sonhos que temos para um país potente com as Forças Armadas que correspondam a essa potência.

Não vamos ter uma boa defesa se não tivermos a perspectiva de longo prazo e o sentimento de nação. Hoje, essas duas coisas estão faltando no Brasil. Não há sentimento de nação nem perspectiva de longo prazo e de futuro.

Um país que não é uma nação é um país que não apóia suas Forças Armadas. E nós, Senadores, não estamos fazendo o dever de casa para que as próximas gerações tenham a tranqüilidade de contar com forças democráticas, de Forças Armadas, que, além de democráticas, sejam também eficientes e competentes para defender o Brasil.

Cristovam Buarque é senador pelo PDT do Distrito Federal. Correio eletrônico: cristovam@senador.gov.br.

10 agosto 2007

FAB socorre índios doentes no interior do Pará

Militares do Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV), sediado na Base Aérea de Belém, do Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), sediado na Base Aérea de Campo Grande, e da equipe médica do Primeiro Comando Aéreo Regional (I COMAR) transportaram, no dia 21 de julho, cinco índios enfermos de diferentes aldeias do interior do Pará para Macapá-AP.

Um helicóptero H-1H foi disponibilizado para buscar os doentes nas aldeias de Kuxaré, Jauá, Parapará e Pururé e levá-los até Tiriós-PA para os atendimentos iniciais. Depois, os índios embarcaram em uma aeronave C-95 Bandeirante com destino a Macapá-PA, a 700 km de Tiriós. A cidade era a mais próxima com recursos médicos disponíveis.

Fonte: 1º/8º GAV

06 agosto 2007

Forças aéreas do Brasil e Colômbia realizam exercícios na Amazônia

InfoRel

Militares das forças aéreas do Brasil e Colômbia deram início a Operação Colbra II, que vai até a próxima sexta-feira, 27, entre São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga (AM) e Letícia, na Colômbia.

O dois países pretendem consolidar os procedimentos coordenados de combate ao tráfico ilícito de drogas na região de fronteira.

De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), um dos principais objetivos da operação é aprimorar a preservação da soberania do espaço aéreo da Amazônia a partir de uma maior integração entre os militares dos países da região. Brasil e Colômbia também querem incrementar a vigilância e a defesa aérea ao longo da fronteira comum.

A Operação Colbra II vem sendo planejada desde março no Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), em Brasília. Pelo Brasil participaram oficiais do COMDABRA, do Centro de Comando e Controle de Operações Aéreas (CCCOA), do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). A comitiva da Força Aérea da Colômbia é chefiada pelo Major-General José Vicente Uruena Molina.

A exemplo dos demais exercícios realizados na região, a Colbra II contará com aeronaves-alvo das duas forças aéreas que simularão a invasão do espaço aéreo vizinho para serem interceptadas e conduzidas aos aeródromos de São Gabriel da Cachoeira, no Brasil, e Letícia, na Colômbia.

A FAB informou que na operação serão empregadas táticas e técnicas comuns para a transferência dos tráfegos irregulares supostamente envolvidos em atividades ilegais, tais como o tráfico de drogas e contrabando de armas.

Dessa forma, os procedimentos de defesa aérea previstos nas Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA) estarão sendo efetivados.

"Com a realização da Operação Colbra II podemos aumentar a comunicação conjunta no combate ao narcotráfico, compartilhar experiências operacionais, além de estreitar os laços de amizade entre os dois países", afirmou o Major-General Uruena.

Para localizá-los, deverão ser empregados meios de detecção (radares) e de interceptação (aeronaves) de ambos os países, quando serão adotadas as Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo previstas e que consistem, basicamente, em verificar qual o tipo de aeronave, a sua matrícula, a sua procedência, o seu destino e o que está sendo transportado.

Quando o tráfego ilícito simulado cruzar a fronteira de seu país para o país vizinho, haverá uma coordenação entre os Centros de Operações de Defesa Aeroespacial brasileiro e colombiano, de maneira a possibilitar a transferência de informações e o acompanhamento da aeronave desconhecida pela Força Aérea de um ou de outro país.

As aeronaves-alvo e de interceptação da Força Aérea Brasileira (FAB) ficarão operando a partir do Destacamento de Aeronáutica de São Gabriel da Cachoeira (DASG). Na cidade de Letícia, no Departamento do Amazonas, estarão as aeronaves-alvo e de interceptação da Força Aérea Colombiana (FAC).

A FAB utiliza na Operação, um C-97 Brasília; dois C-98 Caravan, como aeronaves-alvo; seis A-29 Super Tucano, como aeronaves de ataque; um R-99ª, como aeronave de vigilância aérea; um C-130; um SC-95 Bandeirante Sar; e um CH-34, helicóptero Super Puma.

Pela Força Aérea Colombiana (FAC), participam um C-95, como alvo; um C-208 também como alvo; um C-130, de apoio logístico; quatro A-29 Super Tucano, como aeronave de ataque; e um UH-60ª, helicóptero Black Hawk.

Patrimônio brasileiro no mar da Amazônia Azul

InfoRel

Depois de 20 anos de pesquisas e negociações internacionais, o Brasil poderá explorar economicamente mais 950 mil km² de mar além dos 3.500.000 km² que já tem direito.

Se aceita a proposta, a Plataforma Continental Jurídica Brasileira somará 4,5 milhões de km².

Em abril de 2007, a Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, após as devidas deliberações, formalizou sua decisão ao governo brasileiro.

De acordo com a CLPC, sob a forma de regulamentações, o Brasil pode apresentar novo projeto que, uma vez aceito, permitirá a incorporação de, no mínimo, 700.000 km² , e, no máximo, 950.000 km², em valores aproximados.

Essa área se distribui ao longo da costa, principalmente nas regiões Norte, Sudeste e Sul, a partir do limite das 200 milhas até o bordo exterior da margem continental, nas regiões em que as características do prolongamento do território nacional se enquadram nas disposições da Convenção Nacional das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Os limites do mar são três: o mar territorial, que tem 12 milhas, ou 22 quilômetros; Zona Econômica Exclusiva (ZEE), o mar de 200 milhas e, agora, a extensão que vai das 200 milhas até o ponto em que a plataforma continental se precipita no abismo das grandes profundidades.

Nessa imensidão, o Brasil possui interesses importantes e distintos. Cerca de 93% do comércio exterior brasileiro passam por essa massa líquida, movimentando mais de 40 portos nas importações e exportações. Em 2006, o comércio exterior totalizou um montante de US$ 229 bilhões.

Também é do subsolo marinho, no limite da ZEE brasileira - e futuramente no limite da plataforma estendida - que o País retira a maior parte de seu petróleo e gás. Com a auto-suficiência, o Brasil prospecta, no mar, mais de 85% do seu petróleo, com 1,6 milhão de barris por dia.

Eles somam cerca de US$ 35 bilhões ao ano. Atualmente, a produção de gás natural, no mar, é da ordem 17 m³/dia.

Há, ainda, as atividades pesqueiras, que retiram do mar recursos biológicos, e ricos em proteína. No mundo, o pescado representa valiosa fonte de alimento e geração de empregos.

Em termos de futuro, estima-se que, até 2020, a produção pesqueira mundial cresça 40%, saindo das atuais 100 milhões de toneladas para 140 milhões. No Brasil, a aqüicultura é o principal macro-vetor da produção pesqueira, com o cultivo de espécies em fazendas no litoral e em águas interiores.

Com futuro promissor, o Brasil, nos limites da Amazônia Azul, poderá explorar e aproveitar os recursos minerais do solo e subsolo marinhos. Existem potencialidades menos tangíveis, como os nódulos polimetálicos no leito do mar.

Eles são, basicamente, concentrações de óxidos de ferro e manganês, com significativos agrupamentos de outros elementos metálicos, economicamente importantes, como níquel, cobre e cobalto.

Conhecidos desde o século XIX, sua exploração é ainda economicamente inviável. No entanto, considerando-se o exemplo do mineral mais explorado nos oceanos, o petróleo, que aplica a mais sofisticada tecnologia e apresenta os mais altos custos da indústria extrativista de bens minerais do mundo, a exploração dos nódulos polimetálicos tem amplas perspectivas de se viabilizar futuramente.

Soberania nacional

A história nos ensina que toda riqueza desperta cobiça. A proteção da Amazônia Azul é uma tarefa complexa. São 4,5 milhões de quilômetros quadrados de área a ser vigiada.

Se a ação for tímida, ilícitos como pirataria, contrabando, despejos ilegais de material poluente, exploração da fauna, entre outros, encontram terreno fértil de propagação.

Pela Constituição Federal, compete às Forças Armadas a defesa da Pátria.

Por meio de Lei Complementar, a Marinha do Brasil recebeu algumas atribuições subsidiárias, dentre as quais despontam, por sua magnitude, a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e, de suma relevância, a implementação e a fiscalização do cumprimento de leis e regulamentos no mar e em águas interiores, através da qual se pretende coibir as infrações e enfrentar as chamadas "novas ameaças": os crimes transnacionais (contrabando, tráfico de drogas e de armas), o terrorismo, os crimes ambientais e a pesca irregular. Como se vê, as responsabilidades são imensas.

03 agosto 2007

Avião da FAB perde fuselagem depois de decolar no Acre

Segundo Infraero, aeronave tinha 155 passageiros do Projeto Rondon.
Avião está no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul para manutenção.

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Acre

Um avião da Força Aérea Brasileira perdeu parte da fuselagem de uma das turbinas logo depois da decolagem no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, no Acre, às 15h (horário de Brasília) desta terça-feira (24). A aeronave estava ocupada com 155 passageiros, segundo informações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), em Cruzeiro do Sul.

O piloto teve de sobrevoar a cidade durante 20 minutos até pousar novamente no aeroporto. O superintendente da Infraero na cidade, Osvaldo Magalhães, disse ao G1 que não houve feridos.

Segundo ele, uma outra aeronave chegou ao aeroporto para levar os 155 passageiros na quarta-feira (25). "É um procedimento padrão da FAB, mas eu não posso detalhar o que será feito agora", disse Magalhães.

O superintendente disse que os passageiros fazem parte do Projeto Rondon, programa do governo federal que leva alunos e professores para a Região Amazônica. "Estão todos bem. Agora, o avião está no pátio e vai passar por manutenção", disse o superintendente.


Incidente KC-137 - 24/07/2007 – 22h

Hoje (24/7), por volta das 14h40 (horário de Brasília), na cidade de Cruzeiro do Sul (AC), o revestimento externo de uma das turbinas de uma aeronave KC-137 Boeing 707 da Força Aérea Brasileira se soltou, tendo caído em uma área descampada, sem provocar danos.

O avião, que realizava missão de transporte de estudantes universitários do Projeto Rondon, retornou ao município, efetuando o pouso com total segurança.

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA