30 dezembro 2009

Assinatura de contratos para a modernização das Aeronaves AS365K - Pantera

Exército
 
Brasília (DF) - No dia 24 de dezembro, no Quartel-General do Exército, o Comandante Logístico, General Marius, assinou contratos com a Helibras e a Turbomeca do Brasil para a modernização de 34 helicópteros AS365K (Pantera) da Aviação do Exército Brasileiro.

Os Contratos de modernização prevêem:

- a instalação de novos motores, aviônicos de navegação e rádios;
- a participação de engenheiros militares em todas as fases do programa de modernização;
- a participação de mecânicos e gerentes de manutenção da Aviação do Exército na execução dos serviços, visando a transferência de conhecimento das novas tecnologias; e,
- a modernização de quatro aeronaves, por ano, com a primeira entrega prevista para 2011 e a última para 2021.

Marcha para as fronteiras

Com as divisas da Região Norte sob pressão do tráfico de drogas e da invasão de guerrilheiros, Exército cria 28 Pelotões Especiais

EDSON LUIZ - Correio Braziliense

Ao mesmo tempo em que o Ministério da Justiça planeja criar uma Polícia Especial de Fronteiras (Peflon) para reforçar as divisas do Brasil com outros países, o Comando do Exército já age nesse sentido. Em 2010, uma brigada será transferida de Niterói (RJ) para São Gabriel da Cachoeira, região conhecida como Cabeça do Cachorro, no Amazonas. Além disso, a força criará 28 Pelotões Especiais de Fronteiras (PEF), sendo que quatro estão em construção. Todos serão na Região Norte, onde se acentuam vários tipos de problemas, desde o tráfico de drogas até a ameaça à soberania nacional, com a proximidade de guerrilhas da Colômbia e do Peru.

Para enfatizar o processo, o Exército optou por transformar a 2ª Brigada de Infantaria de Niterói em 2ª Brigada de Infantaria de Selva, que levará para a Amazônia cerca de 3,5 mil homens, muitos deles recrutados na própria área da Cabeça do Cachorro, na fronteira com a Colômbia. Na mesma região, os militares estão construindo um Pelotão Especial de Fronteiras (PEF) em Tunuí, às margens do Rio Içana — afluente do Rio Negro —, onde moram índios da etnia Baniwa. Segundo informações da Polícia Federal, há alguns anos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tentaram cooptar habitantes do local, muitas vezes por meio de ameaças.

Na região próxima a São Gabriel da Cachoeira, o Exército possui um dos mais curiosos pelotões. É o 5º PEF, em Maturacá (AM), formado quase todo por índios, incluindo seu comandante, o tenente Maiko de Oliveira. É uma das áreas mais isoladas e exuberantes do país, habitada apenas por indígenas. Os rios da Cabeça do Cachorro, único meio de transporte da população local, também são utilizados pelo tráfico e pela guerrilha. Há dois anos, a PF apreendeu remédios, munição e alimentos desviados do Brasil que seriam destinados às Farc.

Outro pelotão que já está sendo implantado fica em Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Acre com o Peru. Assim como em Tunuí, o acesso é feito por via aérea ou pelos rios, em viagens que podem levar até cinco dias. O município tem pouco mais de quatro mil habitantes na área urbana, mas um grande problema: é rota do tráfico de drogas e de contrabando de madeira, retirada principalmente de áreas indígenas. No Acre, o Comando do Exército vai reforçar as divisas com outros países instalando outros quatro PEFs.

Garimpo

O terceiro PEF em construção fica em Tiriós (PA), próximo à Guiana e ao Suriname, região de difícil acesso e com vários problemas, como a instalação de traficantes e mercenários em uma área disputada pelos dois países, na fronteira com o Brasil. Assim como os demais locais, a área é habitada por índios e integra o Parque Tumucumaque, onde há exploração de garimpo ilegal. Também é uma região isolada, como Vila Contão, em Roraima, onde está instalado o quarto PEF. Como as outras, é problemática e próxima à Reserva Indígena Raposa Serra do Sol.

A instalação dos PEFs está prevista no Projeto Amazônia Protegida, uma das medidas que consta na Estratégia Nacional de Defesa. Até 2030, segundo o Comando do Exército, serão ativados quatro pelotões no Amapá, três no Pará, cinco em Roraima, seis no Amazonas, três no Acre e três em Rondônia.

Ênfase regional

No Exército Brasileiro, um pelotão é formado por pelo menos 40 militares, comandados normalmente por um tenente. Na Amazônia, a intenção da Força Armada é utilizar soldados da própria região e transferir para os locais das novas bases um número mínimo de oficiais de outros estados.

Jobim faz carta de demissão após ameaça de mudar a Lei de Anistia

Lula fecha acordo com ministro, que seria seguido por comandantes das Forças e vê 'revanchismo' em Vannuchi

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que propõe a criação de uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.

Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.

Na avaliação dos militares e do ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos". Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas da lei a serem enviadas ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.

Os comandantes militares transformaram Jobim em fiador desse acordo, mas disseram que a manutenção da Lei de Anistia é "ponto de honra". As Forças Armadas tratam com "naturalidade institucional" o fato de os benefícios da lei e sua amplitude estarem hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal - isso é decorrente de um processo legal que foi aberto na Justiça Federal de São Paulo contra os ex-coronéis e torturadores Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.

Além da proposta para revogar a Lei de Anistia, que está na diretriz que fala em acabar com "as leis remanescentes do período 1964-1985 que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos", outro ponto irritou os militares e, em especial, o ministro Jobim. Ele reclamou com Lula da quebra do "acordo tácito" para que os textos do PNDH-3 citassem as Forças Armadas e os movimentos civis da esquerda armada de oposição ao regime militar como alvos de possíveis processos "para examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política no período 1964-1985".

Jobim foi surpreendido com um texto sem referências aos grupos da esquerda armada. Os militares dizem que se essas investigações vão ficar a cargo de uma Comissão da Verdade, todos os fatos referentes ao regime militar devem ser investigados. "Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação Social, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.

Os militares também consideram "picuinha" e "provocação" a proposta de Vannuchi de uma lei "proibindo que logradouros, atos e próprios nacionais e prédios públicos recebam nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade". "Estamos engolindo sapo atrás de sapo", resumiu o general, que pediu anonimato por não poder se manifestar.

SOLIDARIEDADE

A decisão de Jobim entregar o cargo foi tomada no dia 21 e teve, inicialmente, o apoio dos comandantes Juniti Saito (Aeronáutica) e Enzo Peri (Exército). Consultado por telefone, porque estava no Rio, o comandante da Marinha, almirante Moura Neto, também aderiu. Diante da tensão, Lula acertou que se encontraria com Jobim em Brasília, na volta da viagem que havia feito ao Rio, para inaugurar casas populares no complexo do Alemão e visitar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na conversa, Lula rejeitou a entrega da carta de demissão e disse que contornaria politicamente o problema. Pediu que o ministro garantisse aos comandantes militares que o Planalto não seria portavoz de medidas que revogassem a Lei de Anistia. Os militares acataram a decisão, mas reclamaram da posição "vacilante" do Planalto e do "ambiente de constantes provocações" criado pela secretaria de Vannuchi e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Incomodaram-se também com o que avaliaram como "empenho eleitoral excessivo" da ministra Dilma no apoio a Vannuchi. "Lula age assim: empurra a crise com a barriga e a gente nunca sai desse ambiente de ameaça", protestou um brigadeiro em entrevista ao Estado.

Para as Forças Armadas, a cerimônia de premiação de vítimas da ditadura, no dia 21, foi "uma armação" para constranger militares, tendo Dilma como figura central, não só por ter sido torturada, mas por ter chorado e escolhido a ocasião para exibir o novo visual de cabelos curtíssimos, depois da quimioterapia para tratamento de um câncer linfático.

COLABOROU RUI NOGUEIRA

ENTENDA O CASO

As divergências entre os ministros em torno da Comissão da Verdade arrastam-se há um ano

Dezembro/2008

: A 11.ª Conferência Nacional de Direitos Humanos encaminha ao governo orientação para que seja criada a Comissão da Verdade e Justiça. No encontro, os enviados do Ministério da Defesa votam contra

Janeiro/2009

: Vannuchi estimula a sociedade a discutir a comissão e começa a redigir uma proposta. Acreditava-se que seria criada por decreto presidencial

Julho: Começa o debate com a Defesa. Jobim quer uma comissão de reconciliação

Outubro

: Vannuchi deixa de lado o tom judiciário, mas insiste na abertura de arquivos que estariam poder dos militares

Novembro

: O impasse leva o Planalto a adiar o anúncio do Programa de Direitos Humanos

Dezembro

: O termo reconciliação é incluído na proposta e anuncia-se que o governo encaminhará ao Congresso um projeto de lei propondo a criação da comissão

Governo prevê a saída de ministro na campanha

Em alguns setores do governo federal já é dada como mais que provável a saída de Nelson Jobim (PMDB) do cargo de titular do Ministério da Defesa. O motivo seria a forte amizade dele com o governador paulista e virtual candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. O que se comenta é que essa proximidade o deixaria pouco à vontade no governo quando a campanha eleitoral entrasse na esperada fase de fogo cerrado.

Serra e Jobim são amigos desde a segunda metade da década de 80, quando foram eleitos para a Câmara e acabaram dividindo um apartamento funcional em Brasília. Até hoje, quando visitam São Paulo, o ministro da Defesa e sua mulher costumam reunir-se com o casal Serra.

Em 2007, quando deixou o Palácio do Planalto, logo após receber o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a pasta da Defesa, um dos primeiros telefonemas que Jobim disparou foi para o amigo Serra. Para contar que havia decidido aceitar o convite.

Jobim entrou para o ministério de Lula como parte da quota do PMDB. Substituiu Waldir Pires, que se desgastara e arrastara com ele o governo durante a crise aérea. Assumiu desde o início um tom de aproximação com os militares, procurando melhorar o diálogo com chefes das tropas. Isso provocou críticas em setores do governo, especialmente aqueles ligados à área de defesa dos Direitos Humanos - interessados em rever questões relacionadas ao período da ditadura, deflagrada com o golpe militar de 1964.

Mas sua atuação também sido elogiada. Comenta-se que, desde a criação do ministério, em 1999, nenhum outro titular da vaga teria atraído para a pasta o prestígio que Jobim conquistou. No governo Lula, ele foi antecedido no cargo por José Viegas Filho, diplomata de carreira, e pelo vicepresidente, José Alencar, além de Waldir Pires.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, Jobim foi ministro da Justiça durante um período de dois anos. Deixou o cargo em 1997 para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Vannuchi nega crise, mas admite divergência

O ministro Paulo Vannuchi, de Direitos Humanos, disse ontem que desconhece qualquer pedido de demissão encaminhado ao presidente da República, relacionado às divergências entre ele e o titular da pasta da Defesa, Nelson Jobim. "Estive com o presidente da República no dia 23, véspera do Natal, e ele não me falou nada sobre isso", afirmou.

Vannuchi não negou as divergências com Jobim. Mas insistiu que cada uma delas é discutida no interior do governo e que sempre chegam a um acordo.

"Foi assim no caso da comissão enviada ao Araguaia, para a busca dos corpos dos desaparecidos na guerrilha, e na redação do Programa Nacional de Direitos Humanos, anunciado dias atrás", observou. "Num governo de coalizão, com pontos de vista diferentes, as discussões são comuns.

Eu recuo, ele recua, sempre procurando o acordo. Nosso árbitro é o presidente Lula."

A pendência atual entre os dois, segundo explicações de Vannuchi, gira em torno do texto do projeto de lei que o governo deve enviar ao Congresso até abril do ano que vem, propondo a criação de uma Comissão da Verdade para apurar crimes e violações de direitos humanos no período da ditadura militar.

O ministro da Defesa estaria insistindo em alterar o trecho que se refere ao "período de repressão política". Para ele, a frase correta deveria ser deveria ser "período de repressão política e conflitos" ? para caracterizar que setores da esquerda que pegaram em armas para defender posições políticas.

Vannuchi acredita que o problema tem solução. "É uma questão de escolha de termos, que pode ser resolvida na mesa, no processo de redação", disse. "Foi assim no caso do Programa de Direitos Humanos, cuja redação contou com a participação do Jobim."

O titular de Direitos Humanos desconhece manifestações de descontentamento e pedidos de demissão entre militares. E não vê motivos para isso. "Não há clima. É como falar de raio em céu azul, tempestade em copo d"água."

Amigo e assessor de Lula desde os primórdios do PT, Vannuchi assinalou que a decisão final sobre a comissão caberá ao Congresso. "O Legislativo vai decidir se quer e como quer. Isso pode demorar anos. Da minha parte, vou trabalhar para que a tramitação ocorra da forma mais rápida possível."

Lembrou que outros países da América Latina, que também enfrentaram ditadura militar, já instalaram comissões de verdade para apurar violações de direitos humanos. "Estamos atrasados no avanço da democracia."

Decreto abre crise entre ministros

Lula promete rever Plano de Direitos Humanos após rebelião de comandantes militares

Evandro Éboli

BRASÍLIA O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada criando Programa Nacional de Direitos Humanos provocou uma crise no governo e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os três comandantes militares a entregar uma carta de demissão ao presidente.

Os militares ficaram irritados com o trecho do programa que prevê a investigação dos atos cometidos por agentes do Estado durante a ditadura e abre espaço para revisão da Lei de Anistia, que pode levar à condenação de oficiais daquela época. Lula não aceitou o pedido de demissão, argumentou que não tinha conhecimento do completo teor do programa e prometeu rever a parte do decreto que gerou o descontentamento. Lula ainda prometeu adiar o envio ao Congresso do projeto que cria a comissão encarregada de fazer as investigações sobre abusos durante a ditadura.

Jobim reuniu-se com Lula na Base Aérea de Brasília na terça-feira passada, um dia após o presidente lançar o plano. No encontro, não apenas manifestou a insatisfação da caserna como entregou a carta de renúncia coletiva. Antes de reunir-se com Lula, Jobim esteve com os comandantes Enzo Peri (Exército) e Juniti Saito (Aeronáutica).

O comandante da Marinha, o almirante Júlio Moura Neto, não estava na cidade, mas apoiou a iniciativa. Com a garantia de Lula de que o texto seria alterado, Jobim, no dia seguinte, seguiu para o Rio, onde reuniu-se com o Alto Comando. O ministro transmitiu a promessa de Lula aos generais, que, assim como os três comandantes, ficaram satisfeitos com as explicações e deram o assunto como encerrado.

Duas diretrizes do programa irritaram profundamente os militares: a criação da Comissão Nacional da Verdade e a possibilidade da revisão da Lei de Anistia. A comissão, cuja criação depende de aprovação do Congresso Nacional, terá amplos poderes para investigar fatos ocorridos na ditadura e colaborar com a Justiça para auxiliar na apuração de supostos crimes. O projeto deverá ser encaminhado ao Congresso até abril de 2010, mas Lula prometeu aos militares suspender o envio da proposta.

Os militares também argumentaram que o texto trata com desigualdade os dois lados e não prevê qualquer punição ou apuração dos atos cometidos por guerrilheiros e ativistas políticos contra agentes do Estado.

Jungmann: episódio fortalece Nelson Jobim

No capítulo que trata do "Direito à memória e à verdade", o programa diz que o Brasil ainda processa com dificuldade o resgate sobre o que ocorreu com as vítimas da repressão. "A investigação do passado é fundamental para a construção da cidadania. Estudar o passado, resgatar sua verdade e trazer à tona seus acontecimentos caracterizam uma forma de transmissão de experiência histórica que é essencial para a constituição da memória individual e coletiva".

O documento lembra que tramita no STF uma ação que contesta a interpretação de que a Lei de Anistia não permite a punição de militares que atuaram na repressão. "A ação solicita um posicionamento formal para saber se, em 1979, houve ou não anistia dos agentes públicos responsáveis pela prática de tortura, homicídio, desaparecimento forçado, abuso de autoridade, lesões corporais e estupro contra opositores políticos".

Se confirmada a decisão de Lula em rever o decreto, o ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, sai enfraquecido. Ele é o mentor e coordenador do programa, que reúne centenas de ações em várias áreas, como segurança pública e educação. Vannuchi foi procurado pelo GLOBO, mas não retornou às ligações.

Em entrevista à Agência Brasil, estatal, no lançamento do programa, Vannuchi disse que o debate sobre esclarecimentos do que ocorreu na ditadura avançou no governo Lula e citou a discussão sobre limites e impunidades de torturadores.

— Uma interpretação correta da Lei de Anistia de 1979, não o senso comum que foi forjado e que tenta ser imposto até hoje — disse Vannuchi à Agência Brasil.

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, disse que o episódio fortalece Jobim.

— Ele chamou para si a crise e fez prevalecer sua autoridade — disse Jungmann.

Jobim, procurado ontem, não quis se manifestar.

O coronel da reserva João Batista Fagundes, representante das Forças Armadas na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, afirmou que não existem arquivos que possam trazer novas revelações sobre o período da ditadura.

— Sou testemunha que, por parte do Comando do Exército, sempre houve a maior boa vontade em trazer esses fatos à tona. Já falei com o general Enzo, que deu ampla carta branca para buscarem essas informações.

Saiba o motivo da discórdia

O plano anunciado no dia 21 de dezembro tem 25 diretrizes e mais de 500 propostas de ações nas mais variadas áreas:

PONTOS POLÊMICOS:

1. Criar um grupo de trabalho para apresentar, até abril de 2010, texto de projeto de lei propondo a criação da Comissão Nacional da Verdade. A comissão terá poder para apurar e esclarecer violações de direitos humanos durante o regime militar. A comissão poderá requisitar documentos e auxiliar investigações judiciais e deve divulgar relatório anual sobre suas atividades.

2. Criar um grupo de trabalho para propor junto ao Congresso a revogação de leis remanescentes do período 1964-1985 contrárias à garantia dos direitos humanos. A proposta foi interpretada como uma brecha para anular a Lei da Anistia.

3. Propor legislação proibindo pôr em ruas e logradouros públicos o nome de pessoas que tenham praticado crimes de lesahumanidade. E ainda propor a mudança de nomes de ruas já existentes.

OUTROS PONTOS DO PLANO:

1. Criar linhas de financiamento para centros de memória sobre o período da repressão.

2. Acompanhar os processos judiciais que buscam responsabilizar torturadores.

3. Divulgar, a cada três meses, relação de pessoas mortas ou feridas em ações de Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança.

4. Propor projeto de lei tornando obrigatória a filmagem de interrogatórios de presos feitos pelas polícias.

5. Criar ouvidorias independentes nas polícias estaduais.

6. Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

7. Regulamentar a taxação das grandes fortunas.

8. Elaborar relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no país.

9. Reforçar as estruturas dos conselhos de direitos humanos nos estados e municípios.

10. Estimular a criação de institutos de pesquisa sobre direitos humanos.

11. Erradicar o trabalho infantil e a exploração sexual de crianças.

29 dezembro 2009

Sikorsky fechou contrato com o Pentágono para fabricar os S-70B da Marinha do Brasil

Poder Naval
 
O Pentágono anunciou o fechamento de um contrato de US$ 163,8 milhões com a Sikorsky Aircraft Corporation de Stratford, Connecticut, para o fornecimento de quatro helicópteros S-70B de guerra antissubmarino e antissuperfície para o Governo do Brasil, sob o FMS (Foreign Military Sales). O trabalho deve ser concluído em junho de 2012.

Segundo brigadeiro, Rússia receberá seus primeiros Il-476 em 2012

Ria Novosti
 
A força Aérea da Rússia receberá seus primeiros aviões de transporte Ilyushin Il-476 a partir de 2012 informou o major-brigadeiro Viktor Kachalkin, comandante da aviação de transporte da Rússia à agência RIA Novosti na última sexta-feira (25/12).

O Il-476 representa a quarta geração do conhecido Il-76 "Candid". O modelo apresenta um novo projeto de asa e os antigos motores foram substituídos pelos PS-90A-76, que possuem um consumo de combustível mais eficiente. Além disso a aeronave incorpora diversos melhoramentos no cabina, incluindo um novo painel tipo "glass cockpit".

As aeronaves serão construídas nas instalações a Aviastar-SP, em Ulyanovsk. Historicamente os Il-76 foram montados em Voronezhskoe, mas com a reorganização da indústria militar russa o projeto e a construção das aeronaves de transporte ficaram a cargo da Aviastar-SP. A intenção do Ministério da Defesa da Rússia é adquirir pelo menos 38 aeronaves Il-476 nas versões de transporte e reabastecimento aéreo.

Alguns levantamentos informam que a força de transporte da Força Aérea da Rússia possui perto de 300 aparelhos. A maioria deles entrou em atividade na década de 1960 e de 1970 e são considerados desatualizados e não atendem aos requisitos mínimos de ruído e poluição dos grandes aeroportos modernos do mundo.

PAK-FA já fez testes na pista e está prestes a voar

Poder Aéreo
 
O avião de caça russo de quinta geração PAK/FA T-50 fará seu vôo inaugural em breve, informou o presidente e CEO da United Aircraft Corporation (UAC), Alexei Fyodorov, em conferência de imprensa ontem em Moscou.

"Os preparativos para o primeiro vôo são muito intensivos. Confirmo os testes de pista recentes do jato", disse.

"O jato e seus equipamentos são novos, por isso é difícil dizer exatamente quando o primeiro vôo ocorrerá", disse Fyodorov.

Brasil agora enfrenta "risco de país grande", diz Jobim

Ministro da Defesa afirma que perdedores da disputa para fornecer caças podem retaliar. Jobim diz que "americano tem mania de achar que a América Latina é uma coisa só" e defende relação com os EUA "no mesmo nível"

ELIANE CANTANHÊDE - COLUNISTA DA FOLHA

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, addite a hipótese de retaliação política dos perdedores do programa F-X2, de renovação de 36 caças da FAB, e avisa que o Brasil tem de estar preparado para elas. "Pode haver questões políticas que você tem de saber administrar. Quando você faz opções, sempre pode ter problemas. Isso é risco de país grande, e só vamos ficar sabendo depois", disse ele à Folha.Deixando claro nas entrelinhas a opção pelo Rafale, da França, que concorre com o Gripen NG, da Suécia, e o F/A-18 Super Hornet, norte-americano, Jobim disse ainda que chamou a Aeronáutica para mudar as regras da indicação técnica. Segundo ele, foi porque "a transferência de tecnologia passou a ser prioridade". Depois de 34 viagens internacionais no ano, disse que a América Latina deve ter uma relação com os EUA "no mesmo nível, não de baixo para cima". Neste ano, firmou o maior acordo militar brasileiro na história recente, comprando R$ 22 bilhões em submarinos e helicópteros franceses.

FOLHA - Por que investir bilhões em armamentos num país como o Brasil, com tanta coisa por fazer?

Jobim - Não é investir em armamento, é investir em desenvolvimento. Tudo o que a gente está fazendo em relação à Marinha e à Aeronáutica diz respeito à construção no Brasil de submarinos, de helicópteros e futuramente de caças. Um brutal avanço tecnológico, porque a empresa estrangeira associa-se a empresas nacionais e produz no país, formando técnicos, gerando expectativas, criando empregos, o diabo a quatro. Toda a alta tecnologia se desenvolve primeiro na área militar, só depois vai para a área civil.

FOLHA - E para que um submarino nuclear?

Nelson Jobim - O território imerso do Brasil tem 4,5 milhões de quilômetros quadrados e, numa faixa de Santa Catarina até o Espírito Santo, há a maior riqueza submersa do país. É preciso dissuasão.

FOLHA - Por que não usar os submarinos convencionais, que têm manutenção muito mais barata?

Jobim - O submarino convencional tem uma estratégia de posição, ele vai a profundidades muito grandes, mas desenvolve velocidade baixíssima. Já o de propulsão nuclear tem estratégia de movimento e chega a até 60 km/hora. Para nosso litoral, não é possível escolher um ou outro, tem de ser um e outro.

FOLHA - Ao perseguir liderança internacional e os projetos na área nuclear, o Brasil caminha para modificar a Constituição e ter condições de construir a bomba, como desconfiam diplomatas estrangeiros?

Jobim - Nem pensar. Isso é cogitação de diplomata que chega sem saber nada sobre o Brasil.

FOLHA - O governo deixou a decisão dos caças para 2010 porque os franceses não estão cumprindo as promessas de Nicolas Sarkozy?

Jobim - O problema todo é esse: havia uma decisão política de prosseguir a aliança estratégica com a França e havia um processo de seleção estabelecido pela Aeronáutica, que chegou aos três finalistas. A análise que tem de ser feita é quanto à plataforma, que significa basicamente o avião; à transferência de tecnologia; à capacitação nacional; ao preço e, finalmente, ao custo do ciclo de vida. A FAB faz a análise quanto à plataforma e sua adequação às necessidades do país e informa as tecnologias que as empresas estão oferecendo, inclusive detalhando as regras de cada país para aquela tecnologia.

Aqui, surge o seguinte: a França desenvolve toda a tecnologia do seu avião, depois tem a Boeing, em que toda a produção é norte-americana, e, por fim, a Saab, sueca, que tem produção americana, que é o motor, e outras europeias.Então, tem de verificar a regra para transferência de tecnologia de cada uma dessas coisas. Não podemos iniciar o desenvolvimento de tecnologia no país e ser surpreendidos lá adiante por um embargo.

FOLHA - A FAB apresentou um relatório e o sr. devolveu, pedindo mais explicações?

Jobim - Eu disse a eles o que eu queria. O que eles tinham era uma modelagem que vinha desde a época do governo passado, a da Copac [Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate], e eu disse ao brigadeiro [Juniti] Saito [comandante da Aeronáutica]: "Olha, mudou a modelagem. Não é mais essa aí".

FOLHA - Foi uma forma de pedir para refazer o resultado e evitar um favorito que contrariasse a preferência do presidente?

Jobim - Isso é presunção sua, conclusão de jornalista, partindo do pressuposto de que montei tudo para chegar à conclusão que eu quero. Não é nada disso. Quero chegar ao seguinte: isso aqui é que determinará a conclusão e não a conclusão que vai impor isso. Entendeu?

FOLHA - Não está se mudando na reta final uma regra e uma comissão que vêm há muitos anos, aliás, muito antes do governo FHC?

Jobim - É que você teve, no meio do caminho, uma coisa que não tinha antes, a Estratégia Nacional de Defesa, que interfere em tudo, transforma a transferência de tecnologia em prioridade.

FOLHA - Na prática, o sr. vetou a FAB de indicar o favorito?

Jobim - Não vão indicar mesmo, quem decidirá é o governo.

FOLHA - O risco de não saírem os caças é zero?

Jobim - Praticamente zero. O presidente decide em janeiro e depois vem a negociação do contrato, que pode levar uns dois meses, como na Marinha.

FOLHA - Não é preocupante pendurar todas os contratos e equipamentos num único país fornecedor?

Jobim - A premissa é falsa, antiga. Confunde compra de oportunidade com capacitação nacional. Se você simplesmente compra alguma coisa que não sabe fazer, sim, você fica na mão do fornecedor. Antes era assim, o que exigia uma diversidade enorme de fornecedores e o preço da logística ficava uma barbaridade. Hoje, com a premissa da capacitação nacional, é melhor produzir um tipo só, porque reduz o custo.

FOLHA - É uma defesa dos Rafale, já que os contratos são todos com a França?

Jobim - É a defesa de quem transferir tecnologia.

FOLHA - É possível algum tipo de retaliação dos perdedores? Jurídica, por exemplo?

Jobim - Não, porque não é uma licitação, é um processo de seleção, ou seja, com dispensa de regras previstas na 8.666 [Lei das Licitações]. Bem, pode haver questões políticas que você tem de saber administrar. Evidentemente, isso pode acontecer em qualquer hipótese. Se você escolher o Gripen, pode ter problemas com os franceses e os americanos. A mesma coisa se for o F-18. Quando você faz opções, sempre pode ter problemas. Isso é risco de país grande, e só vamos ficar sabendo depois.

FOLHA - Qual o foco de reequipamento em 2010?

Jobim - Na Marinha, nós temos interesse em navios de patrulha oceânicos, logísticos e costeiros. A Itália e a Ucrânia vão mandar gente aqui em janeiro. No Exército, o presidente autorizou R$ 43 milhões para o início do projeto do blindado sobre rodas para substituir o Urutu. A princípio, vai se chamar Guarani. Na Aeronáutica, o FX-2. E, em comum para os três, o satélite de monitoramento.

FOLHA - A nova lei de Defesa é para preparar as Forças Armadas para agir em crises urbanas, como no Rio?

Jobim - No Exército não muda nada, porque desde 2005 ele ganhou competência de patrulhamento, revista e prisão em flagrante em caso de crimes ambientais e transfronteiriços. O que faz a nova lei? Autoriza a Aeronáutica e a Marinha a poderem fazer o mesmo.

FOLHA - Como foi a conversa com o secretário-adjunto para o Hemisfério Sul, Arturo Valenzuela?

Jobim - Muito boa. Eu defendi que os EUA se reapresentassem à América Latina, e a reapresentação passa pela relação com Cuba. O problema americano qual é? Não é o caso dele, mas americano tem mania de achar que a América Latina é uma coisa só, e não é. Mostrei a ele que nós queremos criar uma região de paz e ter uma relação com os EUA no mesmo nível, não de cima para baixo.

"A recuperação só virá a partir de 2011"

Por Nicholas vital - IstoÉ Dinheiro

Há três anos na presidência da Embraer, o engenheiro Frederico Curado teve a árdua missão de comandar a empresa em um dos períodos mais conturbados de sua história recente. Durante a crise, foi obrigado a demitir cerca de 4,5 mil funcionários e rever todo o planejamento da companhia. Criticado por uns, defendido por outros, Curado conseguiu manter a Embraer nos trilhos, mesmo com uma queda brutal nas receitas.

Para 2010, a expectativa também não é nada animadora: queda de mais 10% no faturamento, causada principalmente pela demora na recuperação de seus principais mercados. E nada de recontratações. "Quem determina o nível de emprego é o mercado", diz o executivo. Curado deposita suas esperanças em 2011, quando espera recuperar os contratos perdidos e recolocar a empresa em céu de brigadeiro.

DINHEIRO - Qual o balanço do ano de 2009 para a Embraer?

CURADO

- Foi um dos anos mais desafiantes de nossa história. Embora estejamos acostumados com os efeitos cíclicos de nossa indústria, desta vez foi diferente. A crise global surpreendeu a todos. Mas o importante é que a empresa foi ágil para se adaptar à nova realidade. A Embraer está terminando o ano mantendo a sua integridade, principalmente com a preservação da capacidade tecnológica e a motivação das pessoas. Prova disso é que, mesmo em meio às dificuldades, fomos eleitos uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. A Embraer diminuiu de tamanho em 2009, mas segue preparada para enfrentar o mercado.

DINHEIRO - A indústria Aeronáutica depende muito do mercado externo. Até que ponto isso pode prejudicar a empresa em 2010?

CURADO

- Cerca de 90% da nossa receita está associada às exportações. Por isso, teremos algumas dificuldades. A primeira é o câmbio, pois a valorização do real afeta a competitividade do exportador brasileiro. Por outro lado, este câmbio está forte pelo bom momento vivido pela economia do País. O maior problema ainda é a falta de demanda. Nossos principais mercados estão em dificuldade e provavelmente enfrentarão problemas 2010. Prevemos uma recuperação apenas a partir de 2011.

DINHEIRO - Diante das dificuldades no Exterior, a empresa está reforçando suas ações no mercado interno?

CURADO

- O limitante para nós sempre foi o tamanho do mercado interno. Nossa participação no mercado brasileiro sempre foi maior do que a de nossas concorrentes. Em 2009, vamos bater recorde histórico de receita no Brasil, em torno de US$ 500 milhões. Mas, diante dos US$ 5,5 bilhões da Embraer, ainda é pouco.

DINHEIRO - A crise obrigou a Embraer a buscar novos mercados?

CURADO

- Estamos sempre em busca de crescimento. O mercado de defesa no Brasil e no mundo não foi afetado pela crise. Temos intensificado nossa presença neste setor, através de novos contratos com o Chile, Paquistão, além, é claro, da Força Aérea Brasileira. A área de defesa claramente tem um potencial de crescimento forte. Somos uma empresa global. Então, não existem novos mercados, do ponto de vista geográfico, a serem explorados.

DINHEIRO - Em 2009, a Embraer demitiu 4,3 mil funcionários. Já houve recontratações?

CURADO

- A empresa voltará a crescer à medida que o mercado for se recuperando. Falar em novas contratações é muito precoce. Enquanto o mercado estiver desaquecido, nós não temos demanda. Nós tínhamos cerca de 21,3 mil funcionários no começo do ano. Com o reajuste, cortamos 4,3 mil pessoas. Depois disso, devem ter saído mais umas 150 pessoas, mas esta é a vida normal de uma empresa com 17 mil colaboradores. Quem determina o nível de emprego é o mercado.

DINHEIRO - A demissão em massa do início do ano pode ter arranhado de alguma forma a imagem da Embraer?

CURADO

- A dispensa de empregados sempre é um processo complicado. De 2003 para cá, a Embraer agregou cerca de dez mil pessoas ao seu efetivo. Infelizmente, tivemos que abrir mão de quatro mil deles, mas temos uma geração líquida de cerca de seis mil empregos nos últimos anos. Contratamos porque tínhamos uma visão de crescimento e estávamos crescendo. Não tivemos qualquer incentivo fiscal na época, contratamos por acreditar no futuro. Mesmo tristes, terminamos o ano com nossos funcionários motivados. Mas, arranhar a imagem, acho que não.

DINHEIRO - Existe realmente um plano para reduzir a produção em 2010?

CURADO

- Não existe qualquer plano de redução da produção. A Embraer vai ter uma queda de 10% na receita. Então, informamos aos fornecedores locais que compraremos 23% menos do que no ano passado. Mas isso é devido ao aumento de estoque que houve nos últimos meses, até no sentido de não prejudicar tanto nossos fornecedores. Compramos mais do que precisávamos justamente para ajudá-los. Mas em 2010 temos que desovar um pouco deste estoque.

DINHEIRO - Quais as perspectivas para 2010?

CURADO - O mercado global de aviação permanecerá em crise, mas estável, o que já é uma boa notícia. Mas esperamos uma melhora gradual durante o ano. Estamos prevendo uma redução de cerca de 10% para o ano que vem, fechando 2010 com faturamento próximo a US$ 5 bilhões.

DINHEIRO - Os chineses querem desenvolver uma aeronave para concorrer com a Embraer. Isso deve ser um problema para a empresa, não?

CURADO

- Eles estão desenvolvendo um avião para 90 passageiros que deve concorrer em tamanho com os nossos, mas nosso produto é muito competitivo. Não temos receio em relação ao mercado global. Na verdade, o novo avião chinês dificulta nossa presença naquele país, que é um mercado muito importante.

DINHEIRO - Os preços dos chineses são competitivos?

CURADO

- Ainda não sabemos, pois os negócios fechados por eles até agora foram todos dentro da China. Eu diria apenas que, se não houver nenhum incentivo governamental, eles tendem a não ter vantagens competitivas relevantes, pois o custo com mão de obra num avião é relativamente baixo, algo em torno de 15%. Por mais barata que seja a mão de obra deles, nós temos 40 anos de experiência, escala, eficiência industrial, entre outras coisas.

DINHEIRO - Os chineses detêm tecnologia para o desenvolvimento de aeronaves?

CURADO

- Acho que teoricamente sim, mas até transformar esta tecnologia em um produto confiável, que dure 20, 25 anos, leva tempo. Além disso, é preciso ter uma estrutura de suporte, assistência técnica e peças sobressalentes próxima do cliente. Na aviação isso é muito complexo. Mais que tecnologia, é preciso ter toda uma estrutura. A China tem capacidade, mas ainda não tem esta estrutura. Se mantiver os investimentos, a China pode ser um player mundial em 15 anos. Meu receio é que o presidente da China, Hu Jintao, ofereça subsídios, o que vai provocar uma concorrência desigual.

DINHEIRO - Muitos especialistas dizem que a Embraer pensa em fechar sua fábrica na China. Procede essa informação?

CURADO

- O que acontece é que existe apenas um contrato em andamento naquela fábrica, para a produção de um avião de 50 lugares. Mas de uns tempos para cá, com a alta do preço do petróleo, os aviões com menos de 70 assentos ficaram sem nenhuma demanda. Há mais de dois anos não temos novos contratos para aviões de pequeno porte. Nos próximos seis meses, vamos decidir se adaptamos a fábrica para outro produto ou arrumamos outro tipo de cooperação. É nosso interesse permanecer na China. Estamos lá há dez anos, temos mais de 100 aviões em operação e nossa presença naquele mercado é irreversível.

DINHEIRO - Voltando ao Brasil, quem é favorito para ganhar a licitação dos caças da FAB?

CURADO

- Nós não estamos participando desta competição. Claramente o governo quer fazer a escolha do avião sem nenhuma ingerência nossa. Não temos nenhum poder de influência nesta decisão. O processo de seleção da Força Aérea Brasileira é um dos mais transparentes e competentes que já vi. A FAB está conduzindo a coisa de uma forma muito séria. O que eles recomendarem, com certeza, será o melhor para o Brasil.

DINHEIRO - A indústria brasileira será beneficiada com transferência de tecnologia?

CURADO

- A tecnologia é um critério secundário no processo. O fator determinante é a adequação do avião às necessidades da FAB e, claro, o custo. Do lado tecnológico, o mais importante é que a indústria nacional tenha capacidade de fazer no futuro o que a FAB deseja, como adaptações em sistemas de comunicação ou estruturais.

DINHEIRO - O setor aéreo depende muito de tecnologia. De que forma a crise atrapalhou o desenvolvimento de novos produtos?

CURADO

- Nós mantivemos intocado os investimentos em desenvolvimento de produtos. Tanto é verdade que tivemos agora a certificação do Phenon 300. Todos os projetos estão caminhando normalmente.

DINHEIRO - É consenso no mercado que a aviação executiva talvez seja o segmento mais promissor para a empresa. Existem novos projetos em andamento?

CURADO

- Temos hoje dois projetos em andamento, o Legacy 450 e o Legacy 500. Este é um segmento relativamente novo, mas muito importante dentro da empresa. Estamos neste mercado a menos de dez anos, mas em 2009 já vai se aproximar de US$ 1 bilhão em receitas. O melhor é que ele tende a crescer muito mais nos próximos anos.

Jobim põe cargo à disposição

Cláudio Humberto - Jornal do Commércio
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes das três Forças colocaram os cargos à disposição após o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, exigir a presença de Jobim na cerimônia do Programa Nacional de Direitos Humanos, semana passada. Teria ameaçado chamar os militares de "covardes". O presidente Lula teve de intervir para evitar uma possível crise. Jobim disse ao presidente que não iria ao evento para ser coerente com sua opinião de não falar e esquecer o passado.

O brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica) e o general Enzo Peri (Exército) prestaram imediata solidariedade ao ministro Jobim. O almirante Moura Neto (Marinha), que estava no Rio, foi chamado às pressas para discutir como agir em caso de referência aos militares. O secretário de Direitos Humanos, que tem status de ministro, não respondeu até o fechamento da coluna.

TAIFEIROS DA AERONÁUTICA

Vitória após 48 anos de espera
 
O Dia

Acabou a espera que durou 48 anos para 5 mil taifeiros da Aeronáutica. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou ontem lei que garante aos militares da reserva, reformados ou ativos, que tenham ingressado no Quadro de Taifeiros da Aeronáutica (QTA) até 31 de dezembro de 1992, o acesso a graduações superiores, na inatividade.

Segundo o Palácio do Planalto, o direito será limitado à última graduação do QTA, a de Suboficial, e adotará critérios tais como as datas de praça do militar, de promoção à graduação inicial do QTA, inclusão do militar ao quadro, de ingresso na inatividade e o fato motivador do ingresso na inatividade, conforme regulamento que ainda será definido e publicado.

O efeito financeiro da lei será a partir de 1º de julho, desde que eles abram mão de processos na Justiça. Quando chegarem ao posto de subtenente, os atuais taifeiros terão reajustes de 150%, conforme publicou a Coluna 'Força Militar', no sábado. O salário passará de R$ 1.435 para R$ 3.595.

Durante cerimônia de sanção, Lula declarou que "aos poucos a gente vai percebendo que é possível fazer o processo de reparação, que muitas vezes por equívoco, ou às vezes por razões que o bom senso não explica, como é que vocês podem estar esperando uma coisa há 48 anos. Ou seja, 48 anos é uma vida, é meia vida". Em seguida, completou: "Não tem explicação como é que uma coisa pode demorar tanto, e a gente não encontrar solução".

Opções de "culpados"

O presidente Lula tentou explicar a demora: "Certamente, muita gente está envolvida nos equívocos. Ora pode ter sido um brigadeiro da Aeronáutica, ora pode ter sido a preferência de entrar na Justiça, ora pode ter sido um ministro do Planejamento ou Fazenda".

Aviso de promoção

Os taifeiros serão avisados pelos contracheques sobre os procedimentos que terão que adotar para a promoção a suboficial. O aviso informará aos taifeiros que deverão assinar acordo no setor de pagamentos, abrindo mão de ações na Justiça. Além de valores retroativos.

Com festas e visitas, fortes do Rio passam a gerar lucro

Profissionalização de gestão fez com que construções deixassem de ser deficitárias

Marco da mudança, o Forte de Copacabana saltou de 40 mil visitantes em 2005 para 700 mil em 2009; é o terceiro ponto turístico mais visitado

RAPHAEL GOMIDE
SERGIO TORRES DA SUCURSAL DO RIO - FOLHA DE S.PAULO

Fortes históricos do Rio de Janeiro profissionalizaram a gestão e passaram de unidades deficitárias a geradoras de receita, com aluguel de espaços para eventos, seminários e até uso de praias exclusivas.

O Forte de Copacabana, na praia mais famosa do Brasil, é o principal marco da mudança.
 
Passou de 40 mil visitantes em 2005 para 700 mil em 2009. É o terceiro ponto turístico mais popular do Rio, atrás do Corcovado e do Pão de Açúcar.

Comandante da unidade e apontado no Exército como pioneiro nesse tipo de gestão, o coronel Édson Silva de Oliveira faz palestras pelo país e expandiu o modelo para unidades militares no Rio e em Niterói (cidade a 15 km da capital).

Os cinco fortes na orla niteroiense cobram para o acesso de banhistas a suas duas praias, emprestam as construções seculares para filmagens e até, com o apoio do empresariado, promovem festa de Réveillon.

Seguindo a concepção de "museu vivo", o Forte de Copacabana é o mais lucrativo. Arrecadou R$ 3 milhões em 2009, com visitação, roda gigante e eventos culturais e de entretenimento. O aluguel da área externa varia de R$ 9.000 a R$ 21 mil por dia. O salão do forte sai por R$ 7.500.

O forte também festejará a passagem de ano. A comemoração é destinada aos "Amigos do Forte", grupo que conta com o vice-presidente José Alencar, esperado novamente este ano.

Quando há exploração comercial no forte, como na roda gigante, a administração cobra de 10% a 12% sobre o valor de bilheteria. A tradicional Confeitaria Colombo tem um restaurante com vista para a praia e uma lanchonete começará a funcionar no início do ano.

Fundo

O dinheiro arrecadado segue para o caixa da União e depois para o Fundo do Exército, que devolve até 70% à unidade. O forte recebeu de volta R$ 1,8 milhão neste ano, segundo pesquisa do site Contas Abertas. É mais do que o total pago em recursos ordinários pelo Exército -R$ 1,4 milhão.

O complexo de fortes em Niterói também é alugado para eventos. A Fortaleza de Santa Cruz, cuja origem remonta a 1555, está ocupada por técnicos e artistas que filmam para a TV Record a minissérie "A História de Ester", de temática bíblica.

O contrato de locação vigora por 15 dias, a custo pouco superior a R$ 100 mil. O local já foi cenário de filmes como "O Guarani", de Norma Bengell, e "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Paulo Thiago. A Globo filmou na fortaleza cenas de novelas e seriados, como "A Casa das Sete Mulheres", "Chiquinha Gonzaga" e "Terra Nostra".

Tombada desde 1939 pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Fortaleza de Santa Cruz aluga espaços para casamentos e eventos empresariais. Até um restaurante particular funciona em sua área e cobra R$ 400 por pessoa em seu Réveillon.

Para casar na capela de Santa Bárbara (1612), da fortaleza niteroiense, o custo é de R$ 200.

Mas se houver festejos, o preço sobe: os dois paióis valem R$ 3.000 cada. Eles são oferecidos também para comemorações, batizados e aniversários.

Segundo o diretor de Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, general Juarez de Paula, essa é uma forma de as unidades se manterem.

Embora o Forte de Copacabana seja a "joia da coroa", a Fortaleza de São João (Urca, zona sul do Rio) tem um diferencial histórico relevante. Lá, Estácio de Sá lançou, em 1565, os primeiros fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A fortaleza, porém, parou de alugar salão e áreas externas este ano. Continuam as visitas, préagendadas, mas gratuitas.

"O que fizemos foi inovador no Exército: pegar um espaço que já existia, fazer um museu vivo, onde o acervo interaja com a sociedade e não faça apenas a guarda de um material fechado. Para atrair visitantes, começamos a fazer grandes parcerias, eventos", disse o coronel Édson Silva de Oliveira.

Exército restringe acesso a praias em suas áreas

Vazias a maior parte do ano, duas praias do Exército em fortes de Niterói geram renda. Os interessados em frequentar as praias do Imbuí e do Rio Branco têm de ser indicados por general ou oficial superior (major, tenente-coronel e coronel) e pagar R$ 400 por ano.

Militares que não são lotados nos fortes niteroienses também pagam, mas só a metade, além de R$ 50 por dependente.

As praias, que costumam lotar no verão e fins de semana ensolarados, são geralmente limpas, pois ficam fora da baía de Guanabara, têm segurança e estacionamento gratuito, além de bar e restaurante.

O Exército não revela quanto arrecada com a cobrança.

No Rio, existem também praias militares exclusivas. Na Fortaleza de São João (Urca, zona sul), cobrava-se R$ 230 para uso de duas praias, mas novas concessões foram suspensas, por excesso de credenciados. Também era necessário ser abonado por um militar.

A praia de Dentro, poluída, é voltada para a baía de Guanabara. Mais limpa, embora nem tanto, a praia de Fora fica em frente à entrada da baía.

Na restinga da Marambaia, a restrição de acesso preservou a praia, livre de poluição. Há trechos de banho permitido a convidados de militares e a credenciados previamente. Na praia do Forte de Copacabana, o banho é restrito até a militares.

As Forças Armadas atribuem as restrições à presença de tropas e armamentos nos quartéis e à necessidade de proteger ecossistemas.

O presidente da entidade preservacionista Centro Comunitário da Orla da Baía de Niterói, José de Azevedo, considera um contrassenso a venda de espaços para eventos variados. "Acho que as praias tinham de ser abertas, mas admito ser uma questão complicada. Mas, nas festas, qualquer um entra, não há controle."

Para Chávez, Colômbia e EUA preparam ataque

O Estado de S.Paulo
 
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou ontem os EUA de preparar um ataque contra seu país com o apoio de militares colombianos. Segundo ele, a Casa Branca usaria como pretexto supostos campos da guerrilha colombiana em território venezuelano. O plano estaria sendo preparado por aviões não-tripulados que decolam de bases na Colômbia.

24 dezembro 2009

Su-34 para a Força Aérea Russa

Poder Aéreo

A V.P.Chkalov Novosibirsk Aircraft Production Association (NAPO) entregou dois caças-bombardeiros Su-34 para a Força Aérea da Rússia dentro do cronograma de 2009. Os aviões estão no Centro Lipetsk para combate e treinamento.

Um contrato assinado com o Ministério da Defesa russo em 2008 prevê a entrega de 32 aeronaves Sukhoi Su-34 até 2013.

Vinte e quatro F-16 para o Marrocos

Poder Aéreo

A Lockheed Martin está em fase de conclusão de um contrato de 841,9 milhões dólares para produzir 24 caças F-16 para o Marrocos, informou o Pentágono no dia 22 de dezembro.

O valor total do contrato entre os Estados Unidos e o Marrocos, estima-se em cerca de US $ 2,4 bilhões, que não serão somente da Lockheed, pois outras empresas que fabricam ou forneçam peças e equipamentos ou ainda que realizem treinamentos de técnicos, também poderão ser contempladas neste contrato.

O caça Rafale, produzido pela Dassault da França, estava entre um dos concorrentes para o contrato com o Marrocos.

O ministro da Defesa francês, Herve Morin, disse na semana passada que, ele permaneceu “resolutamente otimista” sobre as possibilidades de exportação do caça Rafale da Dassault e completou para o jornal francês La Tribune: “Estamos tendo discussões avançadas com os Emirados Árabes Unidos, Brasil e outros parceiros também”.

Chile recebe seus primeiros Super Tucano

Embraer

A Embraer entregou esta semana as primeiras quatro aeronaves Super Tucano – de um total de 12 – à Força Aérea do Chile (FACH). O anúncio do contrato, feito em agosto de 2008, é o resultado final da concorrência feita pela FACH, que selecionou o avião fabricado pela Embraer como a melhor solução para treinamento tático dos seus pilotos.

“Uma primeira entrega sempre tem um significado especial, pois representa o início de uma relação de longo prazo com nosso cliente e a oportunidade de servi-lo, provendo serviços que garantam sua satisfação”, disse Orlando José Ferreira Neto, Vice-Presidente Executivo da Embraer para o Mercado de Defesa. “A Força Aérea do Chile contará a partir de agora com o que há de mais avançado em termos de treinamento para seus pilotos e a flexibilidade de ter também a melhor aeronave de ataque-leve para contra-insurgência e guerra irregular.”

A proposta da Embraer selecionada pela FACH inclui um amplo pacote de suporte logístico integrado (Integrated Logistic Support – ILS) e um avançado sistema de treinamento e apoio à operação (Training and Operation Support System – TOSS), abrangendo não somente a aeronave, mas também estações de apoio em solo. O TOSS da FACH é composto por três sistemas: um de planejamento de missões de navegação e ataque (Mission Planning Station – MPS), um para o relato de missões (Mission Debriefing Station – MDS), e um simulador de vôo (Flight Simulator – FS).

Oitenta e três unidades do Super Tucano já foram entregues à Força Aérea Brasileira (FAB), 25 à Força Aérea Colombiana (FAC) e duas à República Dominicana, sendo utilizadas com sucesso na vigilância de fronteiras, combate ao narcotráfico e em missões operacionais de combate. No total, 172 aviões foram vendidos para sete clientes.

Rússia fecha contrato com Mianmar para venda de 20 MiG-29

AFP

A Rússia assinou um contrato para fornecer 20 caças Mig-29 a Mianmar, informa o jornal russo Kommersant.

O valor do contrato, assinado há algumas semanas, é de 571 milhões de dólares, segundo uma fonte ligada a Rosoboronexport, a empresa pública russa responsável pela venda de armas.

“É o principal contrato para fornecer aeronaves deste tipo após a ruptura de uma transação similar com a Argélia em 2007″, destaca o Kommersant.

De acordo com o jornal, a oferta russa superou uma proposta da China, apesar de Pequim ter oferecido a Mianmar caças “ultramodernos” J-10 e FC-1 “em condições vantajosas”.

H-XBR (EC-725) avança por parte do Governo Federal

Defesa@Net

Um ano após a assinatura do contrato finalmente o projeto H-XBR (EC-725) avança por parte do Governo Federal. Foi realizado o “Downpayment” no último dia da semana passada (18 Dez) e também expedida a ordem para que o projeto avançasse, pela FAB.

Três helicópteros já estão na linha de montagem, na França, há vários meses, porém até o momento sem nenhuma cobertura financeira, o que foi solucionado com o “Downpayment” realizado.

Em janeiro próximo haverá a reunião de “kick off” do Projeto H-XBR com representantes das três forças na França.

SAAB comercializa o Gripen Naval para a Índia e o Brasil

Robert Hewson,
Editor da Jane’s Air-Launched, em Londres
Jane´s Weekly 


A SAAB está respondendo à solicitação da Marinha Indiana por informações (RFI) sobre a futura capacidade dos caças propostos de operar em porta-aviões, oferecendo o novo desdobramento do Gripen NG, denominado Gripen Naval.

O RFI indiano, enviada, nas últimas semanas, a empresas seletas, visa a obtenção de informações detalhadas sobre um projeto de caças comuns, visando sua operação em porta-aviões convencionais e operações conhecidas pela sigla inglesa STOBAR (short take-off but arrested recovery). 

Além da entrada (bastante adiada) em serviço do INS Vikramaditya (o antigo vaso de guerra russo da Marinha Russa denominado Almirante Gorshkov, hoje reformado), a Índia tem ainda planos ambiciosos de construir três porta-aviões nacionais (IACs). A licitação de curto prazo do MiG-29K deverá equipar o Vikramaditya e o IAC 1. O RFI da Marinha Indiana está à procura de um tipo de aeronave que possa operar nos IAC 2 e IAC 3.

De acordo com informações da Jane’s, o RFI foi enviado Boeing, Dassault, Eurofighter, Lockheed Martin, Sukhoi e SAAB. Embora a Índia esteja desenvolvendo conceitualmente uma versão naval da Aeronave de Combate Leve Tejas, produzida pela Hindustan Aeronautics Limited (HAL), este RFI é, na verdade, um reconhecimento de que este programa tem dificuldades e de que possivelmente não será capaz de produzir uma aeronave de combate operacional, em tempo hábil. A Índia espera comissionar os porta-aviões IAC 2 e IAC 3, na segunda metade da próxima década.

Antes de receber a RFI, a SAAB já havia concluído os pré-estudos para o projeto detalhado do Gripen Naval, em resposta a interesses manifestados anteriormente pelo Brasil e outros países. De fato, projetos para um Gripen Naval remontam à década de 80, na Suécia. Para a Saab, a solicitação da Índia é particularmente importante, em função de suas possíveis conexões com a licitação do programa brasileiro F-X2. O Gripen Naval faria parte de um pacote de desenvolvimento industrial, a longo prazo, destinado à Índia e ao Brasil, se estes países optarem pelo Gripen. O RFI indiano também faz uma estipulação específica de que a aeronave selecionada seja exportável.

O líder do projeto do Gripen Naval da SAAB é o Tenente-Coronel Peter Nilsson, ofcial reformado da Força Aérea Sueca, que agora atua como vice-presidente da capacidade operacional do Gripen. “Há o Rafale, o Super Hornet e – algum dia – até o JSF (Joint Strike Fighter), mas não há nenhuma opção com custo acessível para as nações que buscam poderio marítimo independente. O Gripen já incorpora uma capacidade naval, que foi integrada nas considerações originais de projeto. A aeronave é feita para efetuar aterrissagens precisas em pistas curtas. As características aerodinâmicas, de manuseio e pouso já estão lá. Não é preciso mais gastar energia”, contou Nilsson à reportagem da Jane’s.

A viabilização do Gripen Naval se deve às suas inerentes características de desempenho do Gripen e das mudanças estruturais introduzidas no Gripen NG. Este caça foi projetado para operar em porta-aviões completos, com peso máximo na decolagem de 16.500 kg e um peso de aterrissagem (com armas e combustível) de 3.500 kg. Os mesmos parâmetros básicos de projeto tornam esta aeronave muito bem adequada a operações STOBAR. Qualquer Gripen atual já pode operar de uma rodovia sueca padrão com dimensões de 800 m x 17 m, sem a necessidade de ganchos de arrasto ou freios de paraquedas. Suas qualidades de controle de voo e sua baixa velocidade de aproximação fazem do Gripen ainda mais adequado a operações em porta-aviões.

Algumas das modificações demandadas para o Gripen Naval incluem um trem-de-pouso do nariz mais robusto e longo, pneus mais largos e um novo amortecedor de choques, um novo trem-de-pouso capaz de absorver uma taxa de descida de 6,3 m/s, um gancho de arrasto reforçado e reposicionado em relação ao projeto original, novas técnicas de fabricação/materiais para blindar a estrutura da aeronave contra corrosão, assim como integração com um sistema de aproximação/aterrissagem.

O resultado será uma aeronave com um peso vazio inferior a 8.000 kg e com um peso total de combustível e armamentos de 8.500 kg. O raio de combate deverá ficar por volta de 1.250 km em um perfil de combate naval ou 1.400 km em um perfil ofensivo contra ataque aéreo. Nas operações em porta-aviões, o caça terá uma vida útil de 8.000 horas de voo, levando em conta uma distribuição mais homogênea entre operações em navios e baseadas em terra.

De acordo com Nilsson, as atividades de projeto, já feitas até então, estão seriamente conectadas ao Gripen NG e possuem uma base muito real. Quando perguntado sobre as dificuldades inerentes à transformação de um caça baseado em terra em uma aeronave operando de porta-avião, Nilsson respondeu: “Se você estivesse começando com um caça comum, aí sim haveria um problemar”.

“Temos um motor (F414 da General Electric) aprovado para operações navais pela Marinha dos EUA. Estudamos minuciosamente as trajetórias de carga na estrutura da aeronave. O Gripen já é feito para aterrissagens com altas taxas de descida, em suas operações a partir de rodovias. Portanto, precisamos de novos trens-de pouso, inclusive para o nariz e vamos também mudar algumas partes da estrutura interna. Isso já foi analisado e sua viabilidade já foi constatada. Introduzimos um gancho de arrasto no Gripen NG oferecido à Noruega. Isso terá de ser reforçado para operações navais, com um novo ponto de fixação, mas o trabalho já está lá. O projeto da fixação da asa no corpo do atual Gripen NG foi aprimorado, com uma trajetória de carga mais distribuída, em comparação com o Gripen convencional.

“O Gripen já está preparado contra corrosão salina. Não há necessidade de maiores estudos e já temos uma aeronave capaz de operar em uma ampla faixa de temperatura que varia de -50 C a +50 C, desde regiões árticas a regiões quentes em altas altitudes, com altos índices de umidade. Não fazemos caças para dias ensolarados e festivos”.

Rússia trabalhará em novos mísseis nucleares, diz Medvedev

Dmitry Solovyov - Reuters

MOSCOU (Reuters) - A Rússia irá trabalhar em uma nova geração de mísseis nucleares para garantir que seu poder de dissuasão nuclear permaneça forte, disse o presidente Dmitry Medvedev nesta quinta-feira.
Medvedev disse que os novos mísseis serão desenvolvidos seguindo acordos realizados com os Estados Unidos.

"Claro, desenvolveremos novos sistemas, incluindo sistemas de entregas, isso é, mísseis", disse Medvedev em entrevista de final de ano com emissoras estatais.

"Este processo será continuado, e nosso escudo nuclear sempre será eficiente e suficiente para proteger nossos interesses nacionais", disse.

O chefe do Kremlin disse que a Rússia e os EUA estão perto de um novo acordo para reduzir os grandes arsenais de armas nucleares da Guerra Fria, acrescentando ter "relações de confiança" com o presidente norte-americano, Barack Obama.

20 dezembro 2009

Chávez denuncia aviões espiões da Colômbia na Venezuela

EFE
Em Caracas (Venezuela)

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou hoje que aviões não-tripulados colombianos entraram em território de seu país para fazer espionagem e ordenou que sejam derrubados.

"É um pequeno avião, de 2 ou 3 metros, controlado por controle remoto. Mas eles filmam tudo e até atiram bombas. Essa é a tecnologia ianque. Ontem à noite ordenei: se um aviãozinho desses aparecer, derrubem-no!", disse Chávez no seu programa de rádio e televisão tradicional dos domingos, "Alô Presidente".

"Há poucos dias, à meia-noite, um avião desses sem tripulantes penetrou até o Forte Mara (fronteira ocidental), os soldados o viram, chamaram o oficial de guarda, mas o avião desapareceu depois", continuou Chávez.

O presidente venezuelano voltou a denunciar que os Estados Unidos estão "utilizando a Colômbia" e "movimentando aviões em Aruba e Curazao" para "preparar uma agressão" contra sua "revolução".

"As agressões contra a Venezuela estão aumentado e os preparativos são evidentes", afirmou.

Chávez fez ainda uma chamada ao Governo da Colômbia para que "não se deixe utilizar" pelos EUA.

"Nós não temos nenhum plano contra a Colômbia", apesar de o Governo desse país "se declarar inimigo da Venezuela" e de "quase todos os dias se declararem" contra a chamada revolução bolivariana, disse o presidente. 

18 dezembro 2009

Novo acordo adiado

Correio Braziliense

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ontem que as negociações para a assinatura de um novo tratado de redução de armas nucleares com os Estados Unidos não devem ser concluídas nesta semana. Sergei acusou Washington de reduzir seus esforços para a conclusão de acordo. A expectativa era de que os presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev ratificassem o novo Start na cúpula climática em Copenhague. Lavrov pediu que os EUA concordem com cortes maiores em seu arsenal nuclear e exijam menos medidas de controle sobre as armas russas. “Já é hora de deixar de lado o excesso de suspeitos, especialmente quando os dois presidentes disseram repetidas vezes que querem um novo nível de relacionamento entre EUA e Rússia.” O novo Start substituirá o que foi assinado 1991, que prescreveria em 5 de dezembro, mas foi prorrogado até a assinatura do termo.

Senado aprova aumento de 36% no efetivo da Marinha

Aplicação do projeto custará R$ 219 mi nos 3 anos iniciais

JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha de SP

Na onda de votações dos últimos dias úteis do ano no Congresso, o projeto do Executivo que amplia o efetivo da força de trabalho da Marinha em 36% nos próximos 20 anos foi aprovado por duas comissões do Senado na manhã de ontem.

Como a proposta já passou pela Câmara e era terminativa em uma das comissões, seguirá para sanção do presidente Lula.

Ao custo de R$ 219 milhões nos primeiros três anos de aplicação, o projeto visa recuperar a defasagem de pessoal da Marinha, que cresceu 8,6% nos últimos 40 anos, segundo a mensagem do governo encaminhada ao Congresso em agosto.

De acordo com Juarez Alves Junior, assessor da diretoria-geral de pessoal da Marinha, a demanda de trabalho da Força cresceu significativamente nesse período. Ele lista o registro de embarcações e sua fiscalização e atividades petrolíferas como alguns exemplos.

A mensagem do Executivo cita explicitamente a defesa das plataformas de exploração de petróleo, "ora avultada pela perspectiva de início da exploração dos campos de pré-sal", e a criação de uma esquadra na região Norte ou Nordeste como motivos para a ampliação.

O texto também faz referência a "uma força submarina de envergadura, composta de submarinos convencionais e de propulsão nuclear".

Os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Paulo Bernardo (Planejamento), que assinam a mensagem, sustentam que o país está no "limiar de um novo patamar de atuação da Marinha". "Ela deve buscar operar no teto tecnológico, com destaque para o domínio da capacidade de projetar e construir submarinos de propulsão nuclear e o incremento da pesquisa tecnológica."

Alvez Junior afirma que a intenção é ter, até 2029, 10.700 oficiais e 69.800 praças, além dos alunos. Hoje, a Marinha dispõe de 7.200 oficiais, 51.800 praças e 2.300 alunos.

Os parlamentares incluíram no texto um artigo que condiciona a criação dos cargos a uma autorização na lei orçamentária.

Hackers invadem aviões teleguiados

Militantes usaram um tipo de software simples e barato para conseguir interceptar vídeos

Jornal do Brasil  

Militantes iraquianos conseguiram interceptar os sistemas de vídeo dos aviões teleguiados Predator, importante arma americana de espionagem para supervisão e coleta de informações de inteligência. As informações são do jornal americano Wall Street Journal.

Apesar de os militantes terem conseguido assistir aos vídeos, não há evidências de que tenham mexido nos sinais eletrônicos dos aviões, disse ao Journal uma autoridade de Defesa sob condição de anonimato. Os militantes teriam usado um tipo de software, como o SkyGrabber, que custa apenas cerca de US$ 26 e permite a invasão da rede wireless de comunicações entre bases militares nos EUA e o aviões não-tripulados Predator. As informações interceptadas poderiam ajudar militantes a antecipar locais e objetivos de missões do Exército norte-americano, acabando com a surpresa de ataques.


A invasão da rede sem fio preocupa oficiais, pois esse tipo de avião é usado também em operações no Afeganistão. Novos modelos de aviões americanos não-tripulados, conhecidos como Reapers, custam US$ 12 milhões, mas, segundo fontes do Journal, poderiam ter seus sistemas de comunicação hackeados com a mesma facilidade.


O comando militar sabe há mais de uma década dessa vulnerabilidade no sistema dos seus aviões não tripulados. Em dezembro do ano passado, o Exército prendeu um militante xiita no Iraque cujo laptop continha arquivos de vídeos interceptados dos drones. Em julho deste ano, encontrou arquivos piratas em laptops de outros militantes, levando algumas autoridades a concluir que grupos treinados e financiados pelo Irã estavam regularmente tendo acesso aos vídeos e os compartilhando com grupos extremistas.

ABIT auxiliará Defesa a definir política de compras para uniformes militares

Ministério da Defesa
 
Brasilia, 17/12/2009- A Associação Brasileira da Indústria Textil (Abit) solicitou nesta quinta-feira (17/12), em encontro com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a definição de uma política de compras específica para os uniformes militares, para estimular a indústria nacional e a geração de empregos e tecnologias especiais.

Segundo o presidente da entidade, Aguinaldo Diniz Filho, o sistema de compras atual beneficia indústrias estrangeiras, principalmente chinesas, sem agregar ganhos à economia brasileira. Em um pregão eletrônico realizado para a compra de 1 milhão de uniformes, segundo ele, uma empresa chinesa teria vencido com diferença de apenas 4% no preço. O Diretor–Superintendente da Abit, Fernando Pimentel, citou outro caso em que uma compra de toalhas teria sido vencida por uma indústria estrangeira por diferença de R$ 0,01 por toalha.

Jobim explicou que o pleito da indústria brasileira é contemplado pelas mudanças determinadas pela Estratégia Nacional de Defesa. Segundo ele, em janeiro deverão ser discutidas propostas específicas para as compras públicas, com o objetivo de privilegiar a indústria nacional.

Mas o ministro alertou que a indústria terá que assumir compromissos de crescimento, não apenas na produção, mas também no desenvolvimento tecnológico dos seus produtos, e não poderá se acomodar sob a proteção estatal. "É um privilegiamento que importa em reinvestimento na indústria, para o aperfeiçoamento". Segundo Jobim, o objetivo das mudanças legais será permitir a opção por um fornecedor nacional, mas sem obrigar a Defesa a fazê-lo.

"Não seria um 'By Brazilian Act", disse Jobim, referindo-se à legislação americana que privilegia produtos nacionais para as compras governamentais daquele país. "Senão, a indústria brasileira paralisaria, e eu preciso colocar os senhores em algum grau de risco", esclareceu Jobim.

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), Francisco Ferraroli, também presente ao encontro, aceitou os termos com os quais a Defesa está trabalhando nas mudanças legais. "O desafio que o senhor lança é muito bem vindo" afirmou. As duas entidades entregaram ao Ministério diversos estudos setoriais, e comparações com o mercado internacional, e se comprometeram a auxiliar nos estudos complementares que serão realizados a partir de janeiro de 2010.

14 dezembro 2009

Exército recebe tanques de guerra alemães

Veículos de combate serão usados por militares brasileiros no Rio Grande do Sul e no Paraná

MARINA LOPES - Zero Hora

Às 16h de ontem, o navio Grand San Paolo apontou no canal do porto de Rio Grande com uma carga inusitada. Em seu porão, o navio que saiu de Hamburgo, na Alemanha, carregava 33 unidades dos tanques de guerra Leopard 1A5, comprados pelo Exército Brasileiro.

É o primeiro lote de mais quatro que deverão atracar em terras brasileiras até o final do ano.

Ao todo, deverão chegar 240 tanques. Os veículos de combate vêm para substituir modelos mais antigos do Exército. Os blindados faziam parte do excedente do Exército alemão. O Brasil negociou os tanques de guerra em 2004 com o governo alemão. Como tratam-se de veículos de segunda mão, passaram por manutenção, realizada pela empresa Rheinmetall Land System.

– A compra faz parte do projeto de modernização do Exército, para melhorar a estratégia de defesa do país.

Os novos modelos vêm substituir os Leopard 1A1. O 1A5 é considerado um carro moderno, só está atrás do seu substituto, o Leopard II, usado atualmente na Europa – destaca o diretor de material do Exército, Sinclair Mayer.

Os tanques saíram do navio transportados por caminhões do Exército, com capacidade para carregar 50 toneladas, peso médio de cada tanque. Mayer destaca que o principal diferencial do novo tanque para o antigo é a eletrônica de bordo do blindado, com sistema de controle de funções bem mais sofisticado que o 1A1. Cada carro de combate custou cerca de 350 mil euros (mais de R$ 900 mil). Os tanques de guerra serão distribuídos entre o Rio Grande do Sul e o Paraná, por se adequarem ao tipo de terreno dos dois Estados.

– Eles não são apropriados para a selva, por exemplo – diz Mayer.

Os primeiros 33 carros irão para Santa Maria, e os demais para Rosário do Sul, Alegrete, São Luiz Gonzaga e São Gabriel e ainda para as cidades paranaenses de Rio Negro, Ponta Grossa e Paranaguá.

Escolha de avião não pode ser apenas pelo aspecto militar, diz Jobim

Ministério da Defesa

Brasília, 10/12/2009- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, explicou nesta quarta-feira (9/12) à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados que o Brasil não pode utilizar unicamente o critério operacional de um equipamento militar para equipar as Forças Armadas.

O ministro recorreu a uma comparação com a aquisição de jipes, para responder a um comentário do deputado Wilson Picler (PDT-PR), que defendia a exclusividade da Força Aérea Brasileira (FAB) na escolha dos novos aviões de caça (projeto F-X2). O ministro, que já teve discussão semelhante com as Forças, em processos de compra de jipes, observou que no Brasil há produção de veículos desse tipo, mas que tecnologicamente não são tão capacitados quantos os Land Rovers.

“Se nós fossemos tomar uma decisão de adquirir só pelo aspecto operacional, teríamos que comprar um jipe da Grã-Bretanha; mas se nós discutirmos pela perspectiva do desenvolvimento tecnológico do país, nós podemos investir em um veículo leve nacional que não tenha capacidade técnica, para que este veículo - num período de tempo- esta empresa, possa se capacitar tecnologicamente para ter”, explicou Jobim.

“Isto chama-se política industrial de defesa e política industrial de defesa quem formula é o poder civil do país, que é o poder eleito. Eu respeito sua posição, entendo, mas quem decide política industrial do país é o poder civil e não os militares”, afirmou ao deputado.

Jobim, no entanto, deixou claro que esse raciocínio só vale para os produtos que, embora inferiores, atendam os requisitos operacionais básicos necessários às forças. Caso contrário, sequer entram na avaliação.

No caso do projeto FX-2, os três aviões em análise - F-18 (Estados Unidos), Gripen NG (Suécia) e Rafale (França) atendem os requisitos básicos. 


“Os três aviões cumprem os requisitos operacionais necessários, aí nós vamos verificar a parte correspondente à política estratégica do país”, disse Jobim em entrevista após a audiência pública.

CRITÉRIOS -
Ainda aos deputados, Jobim disse que o governo espera da Força Aérea as seguintes informações: 

1 – qual é a capacidade operacional da aeronave (“ Isso é assunto absolutamente da estrutura e competência da Aeronáutica”);
2- qual a pretensão das empresas de transferir tecnologia; 
3- qual a pretensão das empresas em relação a capacitação nacional; 
4- qual o preço. “Quem vai decidir é o governo, e não a Força Aérea, porque agora quem decide produtos de defesa é o Ministério da Defesa, o governo civil”.

Jobim disse que a decisão final sobre o F-X2 pode ficar para janeiro, tendo em vista a proximidade do fim do ano. Após receber os estudos da Aeronáutica, o ministro discutirá o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem caberá tomar a decisão final, ouvido o Conselho de Defesa Nacional.