28 junho 2007

Compra de submarinos por Chávez ameaça Brasil, diz especialista

DENIZE BACOCCINA
da BBC, de Brasília

A compra de submarinos russos pela Venezuela, se for realmente confirmada, pode ameaçar a supremacia militar brasileira na América do Sul, na opinião do pesquisador de assuntos militares Expedito Carlos Stephani Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora.

"Por enquanto, ainda detemos uma certa liderança no continente, mas ao longo do tempo poderemos perder esta liderança", disse o pesquisador em entrevista à BBC Brasil.

"Não só esta compra de submarinos, como a compra de aviões (os caça Sukoy, comprados no ano passado), de certa forma ameaçam nossa hegemonia na região", afirmou Bastos.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, que estará em Moscou nesta quinta-feira, disse que a aquisição dos submarinos vai depender de condições favoráveis. A expectativa é de que ele compre cinco unidades, em um negócio em torno de US$ 1,5 bilhão.

Frota superior

Se a aquisição for realmente concretizada, a Venezuela terá de longe os submarinos mais modernos e poderosos da região, na avaliação do pesquisador, bem superiores à frota atual brasileira, de cinco submarinos, todos com tecnologia mais antiga do que os novos equipamentos russos.

Também estão em um nível próximo ao do Brasil a frota de submarinos do Chile e da Argentina.

"Ele vai ter uma força que pode desestabilizar a região", afirmou Bastos. "Uma frota de submarinos é fonte de extrema preocupação. Desde a Primeira Guerra Mundial, quem domina os submarinos domina os mares."

"Se vão saber usar ou não, é outra questão. Nós não sabemos se eles têm capacidade de empregar este equipamento moderno que estão comprando, se têm estratégia. Por enquanto, está tudo na retórica", disse o pesquisador.

Uma frota de submarinos moderna perto do Brasil também será uma fonte de preocupação para um porta-aviões brasileiro, na opinião do pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora.

"Vai ser uma preocupação a mais para o Brasil levar um porta-aviões para aquela região, porque pode ser alvo desses submarinos com facilidade", afirmou.

Corrida armamentista

O cientista político Clóvis Brigagão, do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes, disse que as compras de armamentos pelo presidente Chávez podem levar a duas situações: ou fica muito poderoso ou pode despertar uma corrida armamentista na região.

Mas Brigagão avalia que ainda é muito cedo para dizer que já existe uma corrida armamentista. "O que existe até agora é a tendência ao desequilíbrio", afirmou.

Há entre os especialistas brasileiros quem considere a preocupação com Chávez exagerada.

O professor Fernando Sampaio, reitor da Escola Superior de Geopolítica e Estratégia, considera as aquisições de armas pelo presidente Chávez um problema interno da Venezuela. "Ele não ameaça ninguém. É um país muito pequeno, um país que tem favela. Países assim não fazem guerra", afirmou.

Sampaio afirma que a compra dos 100 mil fuzis Kalashnikov realizada no ano passado por Chávez tem o objetivo de fortalecer as milícias para se contrapor ao Exército e evitar um novo golpe como o que aconteceu em 2002.

"Chávez não é perigoso para nós. Só é perigoso para a democracia deles", afirmou o professor.

Exércitos têm de se preparar para mudança no clima

O aquecimento global é uma ameaça tão grande à segurança que os estrategistas militares precisam incluí-lo em seus cálculos, disseram na segunda-feira (25), as Forças Armadas britânicas.

Para Jock Stirrup, chefe do Estado-Maior do Reino Unido, as mudanças no clima podem levar os países mais frágeis à desintegração, e causar grandes desastres humanitários ou a exploração por grupos armados, e esses fatores têm de entrar no planejamento militar.

Segundo ele, os estrategistas não terão de mudar as áreas de maior enfoque, porque as regiões mais vulneráveis às mudanças no clima são as mesmas que têm riscos maiores, hoje, em termos de segurança.

"Parece-me bem como jogar lenha na fogueira", disse Stirrup ao centro de estudos Chatham House, em Londres.

A ministra das Relações Exteriores, Margaret Beckett, presidiu o primeiro debate sobre as mudanças no clima da história do Conselho de Segurança da ONU, em abril. Ela alegou que, como os problemas climáticos podem causar guerras, o conselho precisa acompanhá-los.

"Se as temperaturas subirem na direção do extremo maior da previsão, podemos começar a ver graves conseqüências físicas até 2040 - isso se as coisas não piorarem", disse ele. "Se as coisas piorarem não é precisa ir tão longe, vai se estar falando de depois de amanhã", afirmou Stirrup.

(Estadão Online)

As minas magnéticas "Ostra"

As investigações alemãs sobre minas magnéticas, iniciadas em 1939, deram à Alemanha nazi uma nítida superioridade tecnológica nesse domínio, superioridade essa que seria consolidada em Junho de 1944 aquando do desembarque da Normandia. Fez então a sua aparição uma mina indetectável que os aliados passariam a chamar de “Ostra”. Estas novas minas, lançadas nas praias da Normandia provocavam grandes transtornos nas lanchas de desembarque, forçando-as a navegarem à velocidade de apenas uma milha horária. Apesar disso, os alemães não puderam aproveitar essa vantagem, visto que não possuiam os meios necessários a anular a esmagadora superioridade técnica e numérica da força invasora.

Quintus

A importância estratégica da Indústria brasileira de Defesa

Marcelo Rech

Nesta quarta-feira, 27, será reinstalada a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira, com o objetivo de pressionar o governo para que as indústrias aeronáutica e aeroespacial tenham condições de produzir no país, os equipamentos para as suas Forças Armadas e para seu entorno regional.

A nova frente nasce com a adesão de 153 deputados federais e 15 senadores, número que deverá engrossar nas próximas semanas, inclusive com a participação de deputados estaduais, vereadores e prefeitos das regiões que concentram as indústrias de Defesa.

Trata-se de mais um esforço parlamentar para que a indústria de Defesa possa implantar projetos de longo prazo que atendam às necessidades das Forças Armadas.

Originalmente, essa frente foi criada em novembro de 2003 para propor ao governo, políticas públicas que fortalecessem a indústria de Defesa, especialmente à aeronáutica.

Na época, o Programa FX-BR havia sido adiado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmara que a prioridade era investir no combate à fome e não na compra de aviões de caça para a proteção do espaço aéreo, embora os recursos, cerca de US$ 700 milhões, não provinham do Orçamento da União, mas de um empréstimo estrangeiro.

A frente defendia a escolha de um projeto com a participação da EMBRAER que participava da licitação num consórcio com a francesa Dassault, o Mirage 2000 BR. O governo pôs fim ao processo em 2005 e comprou aviões usados da França para substituir os caças na Base de Anápolis (GO). A Avibrás também participou do processo em uma parceria com a Sukhoi russa.

Agora, se fala na reabertura de uma nova licitação para o FX e a frente renasce para sensibilizar o governo a adotar um modelo de caça que conte com a participação da empresa brasileira. Além disso, quer ver a Força Aérea Brasileira em condições de renovar sua frota com aeronaves militares fornecidas pela EMBRAER.

É claro que esse esforço político é necessário, mas não tem dado muito resultado. Além da frente na Câmara, o Senado instalou em 6 de junho de 2006, a Subcomissão Permanente para Modernização e Reaparelhamento das Forças Armadas. Nenhuma reunião foi realizada desde então.

O senador Romeu Tuma (DEM-SP) assumiu a presidência, mas o colegiado nunca se reuniu para debater projetos e programas de modernização das Forças Armadas.

À época, lembrou da Força Tarefa 90, quando o Brasil detinha uma indústria bélica respeitável nacional e internacionalmente. O país chegou a figurar entre os dez maiores exportadores de material militar.

No entanto, o processo de sucateamento das Forças Armadas já dava sinais. A constante escassez de recursos pôs fim a programas e colocou o país em risco ao criar dependência externa num setor crítico.

Por exemplo, há 22 anos o Brasil atua no continente Antártico. Aderiu ao Tratado em maio de 1975 e implementou um programa a partir de 1982. É um dos 22 que integram uma espécie de Conselho Consultivo do acordo.

Apesar da importância estratégica dessa atuação, o Brasil sofre para manter a Estação Comandante Ferraz onde trabalham 126 cientistas e não há recursos para a aquisição de navios polares, pois houve um corte de 70% no orçamento do programa.

A questão orçamentária tirou do Brasil a liderança que exercia entre as nações emergentes com atuação naquela região. Justo no momento em que o país consegue ampliar sua plataforma continental, que chegará aos 4,5 milhões de metros quadrados.

Isso sem falarmos que pelo mar são transportados 95% do comércio exterior brasileiro.

Somemos a isso, a importância estratégica do submarino nuclear integrado ao sistema de Defesa, um programa que pode ser perdido por falta de dinheiro e de uma política de Estado, capaz de sobreviver a governos.

No entanto, é comum lermos e ouvirmos das autoridades políticas que o Brasil precisa de Forças Armadas compatíveis com suas ambições geopolíticas no contexto regional.

"Estou convicto de que o papel desempenhado pelo Brasil na comunidade internacional requer que elas (Forças Armadas) estejam adequadamente equipadas e preparadas para o pleno cumprimento de suas funções constitucionais", foi o que disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mensagem ao comandante da Marinha por ocasião dos 142 anos da Batalha do Riachuelo, comemorados este ano.

O presidente disse ainda que “é indispensável a implementação do Programa de Reaparelhamento, única forma de manter a Força apta a cumprir efetivamente os seus deveres”.

No entanto, o Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM), segue parado na Casa Civil da Presidência da República há pelo menos dois anos.

Embora reconheça que o Programa Nuclear da Marinha é capaz de inserir o Brasil num grupo pequeno de países com capacidade para desenvolver submarinos nucleares, o presidente não toma medidas concretas para implantar o que ele mesmo já chamou de PAC para a Defesa.

O Exército não vive situação diferente. Os parcos recursos limitam a capacitação dos soldados e comprometem o cumprimento de suas missões. Isso tudo sem falarmos nos problemas absurdos inseridos no contexto de um caos aéreo que mistura política com a segurança dos passageiros, passando por autoridades incapazes dar um basta ao ridículo.

O lançamento dessa Frente Parlamentar deve ir além da cerimônia protocolar se quiser marcar um novo momento para a Defesa, que deve ser pensada sob vários ângulos e não apenas como matéria de interesse militar.

A soberania de um país também se constrói com investimentos em Ciência e Tecnologia de duplo uso.

No início do mês, o Ministério da Defesa realizou o I Ciclo de Palestras de Ciência e Tecnologia voltado para civis e militares, quando foram apresentados projetos estratégicos que devem contar com o apoio político para evoluírem, como o Rádio Definido por Software (RDS), o Projeto Submarino não tripulado da ARMTEC e o projeto da Viatura Blindada para Transporte de Pessoal Média sobre Rodas.

Também o ministro da Defesa, Waldir Pires, reuniu no dia 5 de junho, o Conselho Militar de Defesa, para apresentar as diretrizes e prioridades para cada uma das três forças.

Ele pediu aos comandantes para revisarem os respectivos programas de reaparelhamento e modernização, considerando o papel do Brasil na América do Sul e suas relações com os vizinhos.

Pires defendeu a criação de um sistema unificado de compras militares por parte da Marinha, Aeronáutica e Exército. Além disso, explicou que as prioridades são a conclusão do projeto do submarino nuclear, a construção de novos submarinos convencionais, navios-patrulha para atuarem na Amazônia e aviões supersônicos.

Além disso, quer o desenvolvimento de uma família de mísseis anti-aéreos terra-ar e mar-ar, completamente nacionais; a aquisição de um sistema de defesa aérea tridimensional; a ampliação da frota de helicópteros de transporte e de ataque; e blindados sob rodas.

Para dar conta de tanto otimismo, as Forças Armadas terão de contar com um fundo específico para investimentos em equipamentos, a exemplo do que ocorre no Chile com a destinação de parte dos lucros com a venda de cobre que vão para o Exército.

Esse fundo em estudo pelo Conselho Militar de Defesa também será vital para que a indústria nacional produza e venda para as Forças Armadas do Brasil. E é essencial que o governo repasse à Marinha, os recursos da ordem de US$ 3 bilhões dos royalties do petróleo.

A indústria nacional deve prover as Forças Armadas do Brasil e o governo deve dá-lhes condições para que desenvolvam projetos e invistam em pesquisas. Não se pode mais afirmar que o Brasil tem as Forças Armadas ideais para um país que não tem inimigos.

Marcelo Rech é editor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais e Estratégias e Políticas de Defesa.

23 junho 2007

Rússia entrega à Síria caças Mig-31E e Mig-29M/ M2

Pravda

Mig-31

A Rússia entregou à Síria cinco caças Mig-31E e mais um lote de caças Mig-29M/ M2 , como previa o contrato assinado este ano pela agência pública russa de exportações de armas Rosoboronexport, revelou hoje o jornal russo "Kommersant", ressaltando que será a primeira venda de armamentos russos ao Oriente Médio desde o conflito do ano passado no Líbano.

As caças russas reforçam o potencial de combate aéreo sírio e permitem abater os aviões no espaço aéreo de um raio prolongado. As fontes em Israel já expressaram sua preocupação.

O valor total do negócio com a Síria envolvendo os MiG-31 e MiG-29M/M2 é estimado em 1 bilhão de dólares, segundo o jornal. Segundo o jornal, a transacção pode beneficiar o Irã, que financia a compra de armas por Damasco dentro do tratado sírio-iraniano sobre defesa comum. "Começamos a receber pedidos de Mig-31", disse ao "Kommersant" Vladimir Vypriazhkin, subdiretor-geral da Rosoboronoexport, monopólio estatal russo para a exportação de armamentos. No entanto, ele se negou a confirmar que países estão interessados em adquirir os aviões.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Mikhail Kaminin, disse que Moscou atua em estrita obediência às normas internacionais em matéria de exportação de armas, ao comentar a notícia do "Kommersant".

"Todas as nossas transações no âmbito da cooperação técnico-militar se ajustam ao direito internacional e aos compromissos adquiridos pela Rússia em diversos acordos e resoluções do Conselho de Segurança da ONU", ressaltou Kaminin, citado pela agência "Interfax”.

O MiG-31 é o maior caça do mundo, pesando aproximadamente 41.000 kg com armamento completo e tanques cheios, que podem levar até 16.350 kg de combustível. O interceptador tem uma envergadura de 13.46 metros, 22.69 metros de comprimento e 6.15 metros de altura. MiG-31E, é versão de exportação do interceptador puro. O Mig -31 é capaz de lançar também armas ar-terra de precisão.

O MiG-31 não foi construído visando a manobrabilidade, mas sim como uma plataforma extremamente rápida, equipada com um radar que possibilite o lançamento efetivo de suas armas. Nessa função, sua performance é impressionante. O MiG-31 possui o radar Zaslon-M e os mesmo impressionantes mísseis R-37, com alcance de 300 km - só como comparação, o AIM-54 Phoenix, míssil norte-americano de maior alcance, atinge alvos a até 184 km de distância - além de mísseis anti-radiação Kh-31P e Kh-25MP, mísseis ar-superfície Kh-59M ou Kh-59, guiados por TV, como também os Kh-29L/T, mais leves.

Além disso, o avião pode levar também bombas guiadas, como a KAB-1500L/TK ou KAB-500Kr, num total de 9.000 kg de armamento externo.

O estopim do desenvolvimento do Zaslon foi o aparecimento do radar AN/AWG-9 do F-14A Tomcat. O sistema tem a capacidade de "iluminar" seis alvos e atacá-los simultaneamente com mísseis AIM-54.

Submarino Nuclear Brasileiro pode voltar à tona

Situação internacional e afirmação estratégica são motores do processo

Área Militar

O programa do submarino movido a energia nuclear para a Marinha do Brasil, parece nos últimos dias ter decididamente sofrido um novo sopro ou alento com declarações não só de ministros e entidades militares como o comandante da marinha alm. Moura Neto, como também do próprio presidente do País, Lula da Silva.

Desde há bastantes anos que dentro da própria marinha brasileira há várias correntes de opinião sobre quais as prioridades na defesa naval do país, que passam por um sector que dá primazia à esquadra de superfície e outro que dá essa primazia ao aumento da capacidade submarina do Brasil.

Entre os que defendem a capacidade submarina, há também os que dão prioridade a uma arma defensiva baseada em submarinos convencionais e outra ala que dá preferência à construção pelo Brasil de uma pequena força de submarinos movidos a energia nuclear.

Nos últimos tempos, a arma submarina convencional recebeu um considerável impulso, com a anunciada aquisição pelo Brasil de um submarino do tipo U-214, que é um dos mais sofisticados submarinos convencionais do mundo, mesmo não tendo o Brasil optado por adquirir aquele submarino com o novíssimo sistema AIP que permite que o submarino fique submerso durante semanas, sem emergir.

Quando foi apresentada a opção por um contrato que incluía um submarino U-214 sem o recurso ao sistema AIP, isso foi visto como resultado da pressão do grupo favorável ao submarino nuclear, receando que o investimento num sistema moderno mas convencional pudesse enterrar definitivamente o projeto brasileiro de submarino nuclear, que dura já há quase 20 anos sem que tenham ocorrido grandes desenvolvimentos.

Em Brasília em declarações à imprensa, sobre o programa SNB (Submarino Nuclear Brasileiro) fontes do Ministério da Defesa e da marinha brasileira afirmam que se trata de uma opção estratégica já antiga.

O próprio Presidente da República concordou com o almirante Moura Neto, comandante da marinha afirmando que a conclusão do programa nuclear da marinha é importante e que representa um extraordinário progresso no campo da ciência e da tecnologia.

Se o presidente parece em sintonia com o chefe da marinha, em Brasília, deputados e senadores também comentam o fato, mas em declarações extra-oficiais, outras versões circulam.

Entre outras, comenta-se que a possibilidade que agora se apresenta de dar um impulso ao programa, tem muito mais a ver com questões de geo-estratégicas na América do Sul, que com as necessidades operacionais da marinha.

O fator Chavez, poderá ser neste momento um dos principais senão o principal motivo por detrás das mudanças que se têm verificado nas posições do governo sobre os programas militares.

Em Brasília nas últimas semanas a temperatura esteve muito alta quando Hugo Chavez fez acusações despropositadas ao Congresso, dando a entender que se tratava de uma entidade ao serviço de Washington.

Lula, que estava no exterior lançou panos quentes no gelo e pediu que Hugo Chavez tratasse da Venezuela que ele tratava do Brasil, mas para muitos deputados e senadores mal estava feito. Em Brasília ouvem-se comentários dizendo coisas como “...O Brasil tem que se dar ao respeito...” e que por isso alguma coisa tem que ser feita.

A Venezuela tem vindo a desenvolver uma política externa agressiva que não só se baseia em insultos contra Washington, mas que também pretende aparecer junto das opiniões públicas da América Latina, como o líder do continente, aproveitando para isso suas compras militares, como a recente aquisição de aeronaves Su-30.

A afirmação militar da Venezuela, falando «grosso» e mostrando músculo, funciona no continente e agrega em torno da Venezuela países que de outra forma não seguiriam as políticas de Chaves e esse alinhamento, é objetivamente negativo para o Brasil.

Os desenvolvimentos dos últimos dias podem significar que Brasília está enviando recados para os seus vizinhos.

A mensagem que o Brasil enviará para os seus vizinhos, é a de que nenhum país da América Latina tem capacidade para produzir submarinos e muito menos para produzir um submarino movido a energia atômica.

O Submarino Nuclear Brasileiro, é o melhor argumento para os militares apresentarem a deputados, senadores e ao próprio governo como forma de afirmação de poder.

O eventual futuro submarino, sendo ou não construído é um fato político importante e uma carta a jogar pelo Brasil. Se devidamente promovido e organizado, o programa nuclear brasileiro poderá ser o mais claro recado a Hugo Chaves e para as opiniões públicas dos países da região sobre quem é, agora e no futuro, o país que lidera o continente sul americano.

22 junho 2007

DEPOIMENTO - Os bastidores de uma interceptação


“Aqui é a Força Aérea Brasileira!

Você não está autorizado a voar neste espaço aéreo”

Inicia mais uma manhã da Operação Prata V. O tempo está bom, limpo, claro, o que –em princípio - indica que faremos uma boa viagem.

Quinze minutos antes da decolagem e todos já estão instalados dentro do C-98 (Caravan), avião utilizado como alvo das interceptações. Pilotos, mecânicos e imprensa preparados para partir.

O tempo estimado de viagem é de uma hora e meia. O destino é a pequena cidade de Posadas, entre Brasil e Argentina, a 400 quilômetros de Santa Maria.

Motor ligado e comandos acionados. No rádio o piloto informa: estamos preparados para decolar. A pista lembra um grande rio de concreto. O motor acelera e o coração dispara. O avião corre até que, sem mais nem menos, se acalma ao ganhar os ares. Em segundos não se sente mais nada além do ar. Partimos! Eram dez para as dez da manhã.

A aeronave sobe aos poucos, deixando para trás as casas, agora pequenas. Aos poucos a terra ganha um colorido fantástico. Parecia camuflada em tons de verde e marrom, ganhando formas e contornos que jamais poderiam ser percebidos do solo.

Balançamos! Cortando suavemente as correntes de ar.

Cada bip escutado dentro da aeronave era um indicativo de que estávamos mudando de altitude. Chegamos a 10 mil pés, aproximadamente 3 mil metros de altitude, a uma velocidade de 250 quilômetros por hora.

O tempo pareceu fechar. Não tínhamos certeza da interceptação argentina. A visibilidade era pouca. Por alguns minutos a única imagem que conseguíamos enxergar eram as nuvens brancas sendo cortadas pelo Caravan. Mas o tempo foi generoso.

Ao cruzarmos a fronteira, o transponder (sinalizador de identificação) foi desligado para dificultar a localização de nossa aeronave. Então, esperamos por qualquer sinal de aproximação dos aviões argentinos.

Às 11:07 vimos cruzar o céu, em direção oposta, o primeiro caça argentino que realizaria a interceptação. Do rádio podíamos escutar a voz feminina da controladora de defesa aérea daquele país: uno, três, seis, uno, no está autorizado.

Da fronteira até a interceptação, os caças "hermanos" demoraram seis minutos para abordar nossa aeronave. Ainda no ar, já a dois mil pés de altitude, os pilotos foram instruídos e acompanhados até o Aeropuerto de Posadas.

Na Argentina participam da Operacíon Plata V três aviões de treinamento, os llamados Pampas, e mais três aviões alvos, los blancos, que realizam os vôos “irregulares”.

Todos os aviões que participam da operação são da Quarta Brigada de Mendoza. Criada no ano de 1933 com a denominação de Base Aérea Militar Los Tamarindos, a Quarta Brigada tem por missão alcançar e manter a capacidade de executar operações aéreas estratégicas, táticas e de defesa, realizar as buscas de salvamento ou operações especiais que sejam ordenadas.

De acordo com o Major Alejandro Aragañarás, responsável pela imprensa militar argentina no exercício, a interceptação foi realizada com êxito. “Se usan los mismos procedimientos aeronauticos brasileños. Identifican , localizan e interceptan los aviones blancos, con el fin de estabelecer un acuerdo, un entendimiento entre ambas las fuerzas aereas, para evitar conflictos”, explica.

Segundo o piloto da interceptação, o Major Gustavo Martinez Zuviria, do Esquadrón Pampa, os primeiros procedimentos para uma interceptação tranqüila vem do centro de informação e controle de vôos aéreos.

Após a invasão do espaço aéreo argentino são emitidos três alertas. O primeiro com 30 minutos de distância entre o avião branco e a base aérea "hermana", o segundo com 15 minutos e o terceiro com 5.

"Al los cincos minutos tiene que estar com el avíon listo", afirma o Major. Mas o objetivo é diminuir esse tempo – “porque todo tempo que uno gana, es el tempo que blanco no está entrando en nuestro território”, ressalta ele.

Inicialmente o pampa aproxima-se do avião irregular sem ser visto, nem detectado, uma combinação entre a técnica de interceptação e o diálogo com radar.

Em seguida, o controle de vôo emite uma mensagem para que o pampa inicie a segunda fase de interceptação. Durante essa fase, os pilotos aplicam un procedimiento suave, como explicou o Major Martinez. Esse procedimento implica na solicitação para que o avião irregular entre em contato através da freqüência internacional. Nesse caso, é necessário informar e acompanhar a aeronave irregular até o local solicitado.

La Fuerza Aerea Argentina não tem ainda nenhuma lei que permita o abate dos aviões irregulares que não obedecerem às solicitações dos aviões interceptores. Em caso de desobediência, os dados, como a matrícula e as características, do avião irregular, são transmitidos às autoridades federais, para que sejam tomadas as medidas necessárias, como “las fuerzas de seguridad, polícias tanto provinciales o federales”, afirma o Major.

No caso do avião se dirigir a outro país, as informações são transmitidas para que possa ser dada continuidade a interceptação.

A vez dos brasileiros - Nossa partida de Posadas foi às 14h10min. O retorno foi realizado a sete mil pés de altitude Em poucos minutos cruzamos a fronteira. Poucos minutos voando dentro do espaço aéreo brasileiro, avistamos dois caças A-29. Às 14h30min foi impossível conter a emoção de ouvir, em alto e bom tom, em um português claro: “Aqui é a Força Aérea Brasileira! Você não está autorizado a voar neste espaço aéreo”. Dessa vez eram os nossos, os caças brasileiros.

No momento da interceptação estávamos a 180 quilômetros de distância da cidade de Santa Maria e após esse primeiro contato, os pilotos foram orientados a mudar de rota e a acompanhá-los até o local solicitado.

A partir dali voamos juntos, como três pássaros que sobrevoam casas e prédios que mais pareciam pequenas peças.

“Aqui é a Força Aérea Brasileira! Você não está autorizado a voar neste espaço aéreo”. A segurança realmente está no ar.

Juliana Mostardeiro
Acadêmica de Jornalismo UFSM
Enviada especial para a cidade de Posada

Termina a Operação Prata V

Por Caroline Ceolin Hausen
Acadêmica de Jornalismo UFSM

Foram setenta missões na fronteira entre Brasil e Argentina. Dos cinco dias programados de atividades para a Operação Prata V, em três foram realizados vôos, conforme previsto. Para o Major-Brigadeiro-do-Ar Ricardo Machado Vieira, “os objetivos foram plenamente alcançados”. Entre essas metas, as mais importantes eram: treinar os pilotos nas missões de interceptação nas fronteiras; treinar a coordenação entre os Centros de Defesa Aérea da Argentina e Brasil; e, finalmente, aumentar a participação entre a Força Aérea do Brasil e da Argentina. O bom resultado da simulação beneficiará o controle efetivo do espaço aéreo brasileiro.

E os resultados foram positivos não só para o Brasil. Também a Argentina considerou-os proveitosos e benéficos para a futura comunicação entre a Força Aérea Brasileira e Argentina, ressaltou o Brigadeiro Carlos Perona, Comandante das Operações Aéreas da Argentina.

A Operação Prata teve início em 2001. A partir de 2004, começou a ocorrer anualmente. A Operação Prata V contou com a participação das seguintes Unidades da Força Aérea: 2°/3° GAv, 3°/3°GAv, 2°/10° GAv, 5°/ 8° GAv, 4°/1° GCC, 5° ETA , CINDACTA 2 , Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), da Base Aérea de Florianópolis (BAFL) e da Base Aérea de Santa Maria (BASM). Do lado argentino, várias Unidades da Força Aérea Argentina sediadas no Aeroporto Internacional de Posadas. Participou também a Universidade Federal de Santa Maria. A Operação, apesar de receber o nome de “Prata”, teve resultados que podem valer ouro para a proteção do espaço aéreo nacional.

EUA planejam armar grupos sunitas

Críticos alertam para risco de estimular guerra civil no Iraque; segundo "New York Times", estratégia visa combater Al Qaeda

Plano já foi testado em regiões de Província sunita, diz jornal; grupos incluídos em negociações já fizeram ataques contra americanos

DO "NEW YORK TIMES"

Com a estratégia de aumentar em 30 mil os soldados no Iraque iniciada pelos EUA há quatro meses mostrando pouco êxito em refrear os ataques de insurgentes, os comandantes americanos no Iraque estão adotando um plano que admitem ser repleto de riscos: armar grupos árabes sunitas que prometem combater militantes ligados à Al Qaeda que antes foram seus aliados.

Comandantes americanos dizem que já testaram a estratégia com sucesso na Província de Anbar, no oeste do país, e que mantiveram conversações com grupos sunitas suspeitos de ataques a unidades americanas ou ligados a eles em ao menos quatro outras áreas nas quais a insurgência se mostra forte. Em alguns casos, dizem os comandantes americanos, esses grupos foram abastecidos com armas, munições, dinheiro, combustível e outros equipamentos, geralmente por meio de unidades militares iraquianas aliadas às forças americanas.

Autoridades americanas que participaram do que descrevem como "gesto de aproximação" com grupos sunitas dizem que os grupos em questão, em sua maioria, têm vínculos com a Al Qaeda mas estão desiludidos com as táticas extremistas aplicadas pela rede terrorista, especialmente as explosões suicidas que já mataram milhares de civis iraquianos.

Em troca do apoio americano, dizem essas autoridades, os grupos sunitas concordaram em combater a Al Qaeda e suspender os ataques contra unidades americanas. Os comandantes que empreenderam essas negociações afirmam que, em alguns casos, grupos sunitas concordaram em avisar tropas americanas da localização de bombas improvisadas e outros artefatos explosivos.

Mas críticos da estratégia, incluindo alguns oficiais americanos, dizem que ela pode significar que os americanos estarão armando ambos os lados numa futura guerra civil.

Retirada

Os EUA já gastaram mais de US$15 bilhões para equipar o novo Exército e a polícia do Iraque, cujo contingente de 350 mil homens é majoritariamente xiita. Com a probabilidade cada vez maior de uma retirada parcial das tropas americanas em 2008 e poucos sinais de entendimento entre políticos xiitas e sunitas em Bagdá, há uma grande possibilidade de que quaisquer armas entregues a grupos sunitas acabem por ser usadas contra xiitas.

Comandantes em campo dos EUA se reuniram neste mês em Bagdá com o general David Petraeus, comandante-em-chefe das forças americanas no Iraque, para discutir as condições que os grupos sunitas teriam que satisfazer para poder receber assistência americana. Segundo oficiais de alta patente que participaram da reunião, a negociação com os grupos foi aprovada com condições.

Um participante da reunião disse que, apesar dos riscos de armar grupos que até agora combateram as forças americanas, os ganhos potenciais na luta contra a Al Qaeda são grandes demais para serem ignorados. Segundo ele, após três anos de esforços quase infrutíferos das forças americanas, a estratégia tem o potencial de finalmente provocar uma divisão entre duas alas da insurgência sunita que até agora formaram uma aliança devastadora: os seguidores leais radicais do partido Baath, de Saddam Hussein, antiga força dominante no país, e militantes ligados à Al Qaeda.

Mesmo que a estratégia tenha êxito apenas parcial, disse o oficial, ela pode ter efeito tão grande ou ainda maior no sentido de estabilizar o Iraque e acelerar o retorno para casa das tropas americanas. Por enquanto, os planos americanos têm surtido pouco efeito, com as mortes de civis e militares no país batendo recordes.

Tradução de CLARA ALLAIN

Estudo indica aumento de gasto militar

Em seu dossiê anual, centro sueco registra alta mundial de 37% desde 1997 e aponta disputa energética como fator de instabilidade

Para respeitado instituto de Estocolmo, América do Sul é uma das regiões que podem produzir conflitos em torno de recursos como o petróleo

DA REDAÇÃO - FOLHA DE SÃO PAULO

Os gastos militares mundiais cresceram 37% nos últimos dez anos, segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, que aponta a crescente disputa por recursos energéticos como um dos principais fatores que podem levar a conflitos armados nos próximos anos, inclusive na América do Sul.

Em 2006 a despesa total em armas dos Exércitos nacionais chegou a US$ 1,2 trilhão, informou o dossiê anual do respeitado instituto sueco (Sipri, na sigla em inglês), alta de 3,5% em relação ao ano anterior.

A novidade no ranking dos cinco maiores gastadores, que continua sendo liderado com sobras pelos Estados Unidos (veja tabela), foi a China, que pulou da quinta para a quarta colocação e tornou-se o país com maior investimento militar da Ásia, superando o Japão.

Um dos destaques do relatório é a tensão causada pela preocupação dos países em garantir sua segurança energética: "A recente intensificação do debate sobre segurança energética foi motivada pela crescente demanda global por energia, um mercado de petróleo estreito e com altos preços e a perspectiva de um futuro de escassez de gás e petróleo".

"Atitude nacionalista"

Diante desse panorama, "alguns países adotaram uma atitude nacionalista em relação à segurança energética", mostrando-se dispostos a usar a força -militar ou econômica- para proteger seus interesses. Entre as regiões com "potencial de tensão energética", o relatório aponta, na ordem, Oriente Médio, África, Ásia Central e América do Sul.

"Embora a maioria dos países considere o conflito armado uma medida extrema, é provável que ocorram conflitos internos com uma dimensão energética, particularmente na África", afirma o relatório.

Na apresentação do documento, seus autores foram céticos ao avaliar a influência dos gastos militares na qualidade de vida. "Convém questionar a eficácia das despesas militares para aumentar a segurança da vida humana", disse Elisabeth Sköns, chefe do programa de produção de armas do Sipri.

"Nós sabemos, por exemplo, que milhões de vidas poderiam ser salvas por meio de intervenções básicas na área de saúde, que custariam uma fração do que o mundo gasta em forças militares", completou Sköns.

O aumento nos gastos militares teve reflexo direto no comércio mundial de armas. Em 2006, o volume de armas convencionais vendidas no mundo registrou alta de 50% em relação a 2002. China e Índia foram os maiores compradores, enquanto EUA e Rússia encabeçaram a lista de exportadores.

EUA e União Européia continuam fornecendo "grandes quantidades de armas" a países do Oriente Médio, "apesar de saberem que trata-se de uma região muito perigosa", afirma Siemon Wezeman, chefe do programa de transferência de armas do instituto sueco.

O relatório prossegue sua avaliação da corrida armamentista no Oriente Médio com uma comparação entre o Irã e seus rivais na região. "Enquanto muita atenção foi dada ao envio de armas ao Irã, principalmente da Rússia, o fornecimento dos Estados Unidos e de países europeus a Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes foi significativamente maior", diz o informe.

O instituto de Estocolmo alerta ainda que o risco de uma guerra nuclear pode aumentar nas próximas décadas, quando o clube atômico deve crescer e as atuais potências provavelmente desenvolverão mísseis menores e com maior alcance e capacidade de transportar ogivas. E acrescenta que o Irã ainda está distante pelo menos menos cinco anos da capacidade de desenvolver armas atômicas.

Com agências internacionais

17 junho 2007

RAF aposenta os Jaguar depois de 33 anos de serviço

Revista Asas

A Royal Air Force (RAF, força aérea britânica) irá encerrar suas operações com o venerável caça-bombardeiro de construção multinacional Sepecat Jaguar e em 30 de abril cessaram os treinamentos com a aeronave. O Jaguar foi formalmente retirado de serviço em 25 de maio, quando foram “aposentados” os últimos dez exemplares, que voavam no 6.Squadron da RAF – a unidade será reequipada com o EF.2000 Typhoon.

Lockheed-Martin pode estar desenvolvendo substituto do SR-71 Blackbird

Revista Asas

Já se passaram dez anos desde que a USAF (força aérea norte-americana) retirou da ativo o legendário avião-espião Lockheed SR-71 Blackbird e, embora muito se tenha especulado sobre o mítico "Aurora", parece que o lugar da "ave negra" continua vazio. Porém, talvez não por muito mais tempo...

São cada vez mais fortes os indícios de que o departamento de "projetos secretos" da própria Lockheed-Martin, a legendária divisão Skunk Works, está trabalhando ativamente no desenvolvimento do substituto do Blackbird, uma aeronave de reconhecimento estratégico capaz de voar a Mach 6 (seis vezes a velocidade do som!). Segundo fontes não-oficiais, a Skunk Works teria recebido um contrato secreto da USAF para o projeto, que prevê uma aeronave com características stealth (de difícil detecção por radar), velocidade de até 4.000mph (milhas por hora), quase o dobro da do SR-71 (2.200mph), e teto operacional de 100 mil pés. O modelo deverá fazer seu primeiro vôo em 2020, sendo já chamado por alguns de "SR-72". Alguns especialistas especulam que, ao contrário do desarmado Blackbird, o novo modelo poderá ter seus sensores de reconhecimento substituídos (se houver necessidade), podendo então atuar como aeronave de ataque.

É fato conhecido que a USAF vem se preocupando em ampliar suas capacidades de reconhecimento global, inclusive investindo em novas gerações de satélites. Porém, como estes operam em órbitas previsíveis e calculáveis pelos adversários, podem ser alvo de destruição - como a China recentemente demonstrou, ao testar com sucesso uma arma anti-satélite. Já uma aeronave com as capacidades atribuídas ao "SR-72" seria difícil de detectar e quase impossível de ser interceptada - e não faltam atributos à Lockheed-Martin para vencer o desafio de criar tal aeronave, pois a empresa (além de ter criado o próprio SR-71) tem em seu currículo o primeiro jato de combate stealth do mundo (o F-117 Nighthawk) e o novíssimo caça F-22 Raptor.

Então, agora é aguardar.

Japão revela protótipos de transporte militar e jato de patrulha marítima

Revista Asas

O Japão está cada vez mais próximo dos vôos de seus futuros novos tipos de transporte militar (C-X) e de patrulha marítima de longo alcance baseada em terra (P-X), que deverão substituir, respectivamente, seus atuais Kawasaki C-1 e Lockheed P-3 Orion. Recentemente, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Técnico, ligado ao Ministério da Defesa nipônico, exibiu os primeiros protótipos de ambos os modelos. Os programas do C-X e do P-X são integrados, no chamado Projeto C-X/P-X, que tem a Kawasaki Heavy Industries como principal contratada e cujo orçamento é estimado em US$ 2,8 bilhões.

Recentemente, o instituto já havia iniciado os testes de vôo da nova turbina que irá ser usada por ambas as aeronaves, utilizando como aeronave-laboratório um C-1. O novo motor é o XF7, desenvolvido pela Ishikawajima-Harima Heavy Industries.

O último Flanker

Revista Asas

A versão Sukhoi Su-35BM deverá ser o último representante da família Flanker de caças multifuncionais russos, iniciada com o Su-27.

Curiosamente, como tem acontecido com freqüência, a designação da versão causa certa confusão, pois já existe há certo tempo o Su-35 (oferecido, inclusive, ao Brasil, no Programa FX) e que vem a ser o tipo de exportação da versão Su-27M da VVS, a Força Aérea da Rússia (do qual apenas cinco estão em serviço, todos no 237º Regimento de Caça, baseado em Kubinka). Na verdade, a VVS optou por investir na modernização de seus Su-27 pelo padrão Su-27SM, que engloba as tecnologias testadas nos M, com as da série Su-30MK (especialmente as amplas capacidades multifuncionais desta última).

A idéia por trás deste novo Su-35BM é dotar a VVS de um modelo de última geração, possível de ser "produzido" pela modernização de aeronaves já existentes, que sirva como solução "interina" até a entrada em serviço operacional do futuro caça de 5ª geração, o PAK-FA.

Assim, segundo a Sukhoi, o Su-35BM é um modelo de 4ª++ geração. Porém, não é certo se o novo modelo (que iniciou seus testes de vôo este ano) será adotado pela VVS "diretamente" ou servirá para gerar uma variante aperfeiçoada do programa já em andamento das modernizações no padrão SM - neste caso, podendo resultar num Su-27SM2.

Acredita-se que, seja como for, a designação Su-35BM deverá ser utilizada nos contratos de exportação.

Entre as características mais importantes do Su-35BM estão a união numa só aeronave de superagilidade em manobras (com vetoração de empuxo, TVC), sistemas de detecção e engajamento de múltiplos alvos a grande distância, sistemas de transmissão/recepção de dados (datalink) protegidos e seguros contra interferências hostis, arsenal de armas "inteligentes" para todos os tipos de alvos (com 14 pontos externos de fixação), equipamentos de guerra eletrônica avançados, redução da "assinatura de radar" da aeronave (dificultando sua detecção), computadores de vôo e de missão avançados (com elevada velocidade de processamento), cockpit totalmente digital e capacidade de reabastecimento em vôo. Ao contrário das variantes da série Su-30MK, entretanto, os Su-35BM serão oferecidos com todos os sistemas de origem russa.

Externamente, é curioso que o BM seja mais "convencional" que os próprios Su-27SM, não tendo, por exemplo, canards, mas tendo recebido melhorias apreciáveis visando à hiper-sustentação, como enormes flaperons que ocupam praticamente toda a extensão dos bordos de fuga das asas. A estrutura é bem mais sofisticada, com extenso emprego de materiais absorventes de emissões de radar inimigas (RAM) e, também, materiais compostos (composites) de última geração.

Segundo a KNAAPO e a Sukhoi, em relação às versões anteriores, o Su-35BM exibe uma redução de 20% tanto no peso quanto em sua "assinatura radar".

Em termos de motorização, os exemplares de série terão as novas turbinas AL-41F1, com 15.000kgf de empuxo cada, e capacidade de supercruise (vôo supersônico sem pós-combustão), as mesmas a serem instaladas (por simples troca) nos Su-34 que começam a entrar em serviço na VVS e que serão utilizadas (em versões futuras) no PAK-FA. Segundo fontes russas, o primeiro protótipo do Su-35BM já voa com a primeira versão operacional deste motor, a AL-41F1A (com 14.500kgf de empuxo cada).

O radar principal é o novo Tikhomirov NIIP Irbis-E, multifuncional, de banda X e varredura eletrônica (Electronically Scanned Array - ESA). O tipo usa o sistema computacional EKVS-E BTsVM Solo35 e pode monitorar 30 alvos distintos, continuando a fazer varredura de busca, podendo guiar simultaneamente até dois mísseis de guiagem por radar semi-ativo ou lançar, ao mesmo tempo, até oito mísseis de longo alcance, de tipo com radar ativo. O radar pode detectar um alvo aéreo (em aproximação) com "assinatura de radar" de, apenas, 3 metros quadrados a 400 km de distância (no caso do mesmo alvo, em afastamento, a distância é de 150 km)! Aeronaves genuinamente stealth (ou seja, com "assinatura de radar" de 0,01 metros quadrados para menos) como o F-22 Raptor, podem ser detectadas a 90 km, com identificação precisa. Porém, existe a possibilidade do Su-35BM ser dotado de outros radares novos, de capacidades similares, como o Sokol III N031 Zhuk-MSFE, da Phazotron (utilizado já no Mig-35). E a Sukhoi informa que o Su-35BM será equipado com um radar no cone de cauda, "olhando para trás", que poderá ser o OSA, de tipo ESA, da Tikhomirov, embora existam outras diversas opções, como o Phazotron N012 (já em uso nos Su-27SM), o N015 (desenvolvido para o demonstrador Mig 1.44) e o Leninets V005 (usado nos Su-34).

Como todos os caças russos de 4ª geração possuem sistemas passivos de detecção de alvos ótico-infravermelhos, é de se prever que o Su-35BM já tenha algum sistema deste tipo, mas não se sabe se será uma variante nova do OELS-27 (usado como padrão na Família Flanker) ou se poderá ser o novíssimo OLS-35 (ou uma variante sua), exibido pela primeira vez no Mig-35 e que possui capacidades revolucionárias e únicas, sem similares hoje.

15 junho 2007

Ministro Waldir Pires anuncia diretrizes para fortalecer Forças Armadas

Assessoria de Imprensa MD

O Ministro da Defesa, Waldir Pires, anunciou nesta terça-feira (5/6), ao Conselho Militar de Defesa, as principais diretrizes que deverão ser seguidas pelas Forças Armadas e pelo Ministério para fortalecer os meios de defesa do País e consolidar a estratégia de dissuasão adotada pelo Brasil. O Conselho, criado pela Lei Complementar Nº 97/1999 é o órgão de assessoramento do Presidente da Republica que trata sobre as políticas na área de Defesa.

“A soberania não se delega, se exerce por meio de nossas instituições civis e militares”, disse o ministro aos demais participantes do Conselho- os Comandantes da Marinha, Almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, do Exército, General-de-Exército Enzo Martins Peri, da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, e o Chefe do Estado-Maior de Defesa, Cleonilson Nicácio Silva. “É evidente que o Brasil precisa estar aparelhado, precisa estar capacitado, precisa estar em condições de dizer ao povo brasileiro que nós temos condições de termos uma nação que cumpra seus deveres com seu destino e com o futuro do seu povo”.

O ministro determinou que as Forças revisem o Programa de Reaparelhamento das Forças Armadas, com uma visão prospectiva, levando em conta a importância crescente que o País assume na América do Sul e no mundo. E realçou a instabilidade do cenário internacional, onde nem sempre os meios institucionais têm sido suficientes para resolver os conflitos políticos.

O Ministro ordenou que seja estudada a possibilidade de implantação de um sistema de compras de materiais unificado entre as três Forças Armadas (Marinha, Exército, Aeronáutica). Reafirmou ainda como prioridades, a implantação do projeto do submarino de propulsão nuclear, ao lado dos submarinos convencionais, a construção de novos navios-patrulha oceânicos e fluviais, principalmente para atuar na Amazônia, e a compra de aeronaves de superioridade aérea (projeto FX).

Também foi traçado como prioridade o desenvolvimento nacional de famílias de mísseis - antiaéreos, terra-ar, mar-ar, etc.- e aquisição de mais radares de defesa aérea tridimensionais. Foi ainda definida a necessidade de ampliação da frota de helicópteros de transporte e de ataque, e definida a opção de rodas para os blindados, em vez de lagartas.

Grande parte destas escolhas deve-se à definição da Amazônia como prioridade estratégica do país, o que exige grande mobilidade de forças com poder de fogo. Na região também haverá esforço especial para melhorar as condições de vida das tropas. A mesma preocupação estratégica aplica-se à proteção do Atlântico Sul, onde concentra-se grande atividade econômica brasileira, como a produção de 80% do petróleo produzido no País.

Para dar suporte a este fortalecimento, o Conselho de Defesa estudará a possibilidade de criação de um Fundo de Reaparelhamento das Forças Armadas. A idéia é garantir a sustentação financeira para cobrir as necessidades das Forças, evitando interrupção no fluxo financeiro. Ele também disse estar empenhado em suspender o contingenciamento do orçamento de verbas das Forças.

Para o ministro da Defesa, o Brasil também deve fortalecer sua indústria de Defesa, tornando-a capacitada não apenas para suprir as necessidades das forças nacionais, mas também fornecer para a America Latina e outras regiões do mundo. “O Brasil deve fortalecer suas Forças Armadas; já adotamos uma política de paz e do multilateralismo, sustentada por um poder de disuassão razoável. O Brasil não pode ser um mero comprador de materiais de defesa, precisamos fortalecer nossa industria”, concluiu.

14 junho 2007

30 anos de Flanker

P.Mendonça / Luis C. Gomes

O dia 20 de Maio, marca os trinta anos do primeiro voo de um dos mais sofisticados aviões de combate produzidos pela antiga União Soviética, o T-10, que mais tarde seria conhecido por Su-27, chamado de «Grulla» na União Soviética e que recebeu um nome por parte da NATO, que se transformaria no seu nome oficial muitos anos mais tarde: Flanker.

Tradicionalmente os caças da União Soviética foram vistos como pouco sofisticados e sem nenhum tipo de sofisticação técnica especial. Como prova disto, no inicio dos anos 70, um piloto soviético desertou para o ocidente com o até então secreto MiG-25, visto por muitos como o mais sofisticado caça soviético, mas a sua análise pelos técnicos ocidentais mostrou que os soviéticos estavam relativamente atrasados quando comparados com os novos caças do ocidente.

Os técnicos soviéticos, sabendo que não podiam contar com a tecnologia de ponta disponível no ocidente de alguma forma reconheceram essa deficiência e por isso durante os anos 60 e 70, colocaram a sua atenção no desenvolvimento de características como a velocidade e resistência das aeronaves, produzindo algumas das aeronaves mais rápidas do mundo, embora relativamente pouco sofisticadas.

Durante os anos 60, os norte-americanos não ficaram contentes com o desempenho de aeronaves como o F-4 Phantom, (que tinha sido construido para atacar bombardeiros transportando armas nucleares) que embora tecnologicamente mais sofisticado que os MiG-17 e MiG-21 teve algumas dificuldades em se superiorizar aos caças russos, principalmente no inicio da sua introdução, quando nem sequer estava armado com canhões. O F-4 não era adequado para combater outros aviões e esse realidade forçou os americanos a pensar mais depressa em substitutos adequados para aeronaves como o F-4 Phantom ou o A-7 Corsair.

Com e necessidade em mente, os Estados Unidos vão dar especial atenção ao projecto que começou a ser desenhado em 1965, que será conhecido como F-15. O F-15, bem como outras aeronaves que entretanto são desenvolvidas nos Estados Unidos, pretendem estabelecer sem qualquer sombra para dúvida a superioridade aérea dos EUA.

Quando em 1969 a Força Aérea dos E.U.A. se decidiu pelo caça F-15 passou muito pouco tempo até que os engenheiros aeronáuticos da URSS recebessem ainda nesse ano, ordens para desenvolver um avião que tivesse capacidade para combater o novo avião americano.

Considerando desde o inicio que não teriam possibilidade de competir com os americanos em termos tecnológicos, os engenheiros soviéticos optaram por desenvolver aeronaves que conseguissem superiorizar-se através da sua grande capacidade de manobra.

O objectivo dos soviéticos passou assim a ser o de desenhar uma aeronave com capacidade para efectuar manobras e curvas com um pronunciado angulo, garantindo que o piloto não perderia o controlo do avião.

Desta forma, não dispondo de mísseis tão sofisticados nem de sensores tão avançados, os pilotos soviéticos poderiam ainda assim dispor de alguma vantagem, ao ter capacidade para evitar os mísseis americanos com ousadas manobras que seriam possíveis se os aviões fossem desenhados com esse objectivo.

Os primeiros testes foram feitos num túnel de vento pelos engenheiros do gabinete Sukhoi, mas o progresso foi lento, porque em 1975-1976 os próprios soviéticos reconheceram que o seu projecto não era suficientemnte capaz para se medir com o F-15 que já tinha feito o seu primeiro vôo em Julho de 1972. A partir de 1975 o projecto sofre um novo impulso quando Mikhail Simonov toma a liderança do projecto, na sequência da morte de Pavel Sukhoi. A nova liderança vai proceder a um redesenhar do projecto com novos desenhos e novas características.

Curiosamente aAlgumas dessas novidades introduzidas pelos técnicos da Sukhoi, terão sido aproveitadas pelos engenheiros do gabinete MiG, e por essa razão vai aparecer paralelamente ao projecto T-10 da Sukhoi, um outro projecto mais pequeno, que ficará conhecido como MiG-29.

Podemos por isso dizer que enquanto o Su-27 é a resposta ao F-15, o MiG-29 é a resposta soviética ao F-16.

Porque se pretendem medir de igual para igual com uma aeronave americana os soviéticos vão tentar encontrar informação classificada como secreta relacionada com estes aviões americanos.

Por isto, na espionagem industrial / militar da URSS nos anos 70, o F-15 foi matéria de especial interessa para os espiões da URSS.

E de uma forma ou de outra, através da espionagem os técnicos soviéticos conseguiram muita informação sobre o F-15 que foi aproveitada no desenvolvimento do Su-27.

Depois do fim da morte de Pavel Sukhoi, Mikhail Simonov vai também aproveitar os dados que lhe são fornecidos pelos espiões soviéticos para incorporar ao Su-27, tantas características do F-15 quanto for possível e desejavel.

No entanto não é correcto chamar ao Su-27 uma cópia do F-15, porque quando os espiões soviéticos conseguiram parte dos planos do F-15 os desenhos básicos do Su-27 já estavam feitos.

Além disso, quando engenheiros em Moscovo analisaram cuidadosamente as características do F-15 para aproveitarem o que fosse possível, eles ao mesmo tempo que também concluíram que o F15 tinha características aerodinâmicas inferiores ao seu protótipo T-10.

Rússia enviou dados sobre mísseis ao Brasil, diz jornal

Kommersant


Moscou, 05 Jun - Os serviços alfandegários dos Urais (região central) acusaram o Centro Estatal de Mísseis da Rússia de fornecer ilegalmente informação científica e técnica ao Brasil por cerca de 3 milhões de euros (R$ 7,8 milhões), de acordo com o diário russo Kommersant.


Na sexta-feira passada, o centro de imprensa do Serviço Alfandegário Federal informou ter aberto um processo criminal contra o Centro Estatal de Mísseis, situado na localidade de Miass, na região dos Urais, por transporte ilegal de "documentação tecnológica que poderá ser utilizada na fabricação de armas de destruição em massa".

"A investigação ainda está no início, por isso ainda ninguém foi acusado", informou o centro de imprensa dos serviços alfandegários.


Uma fonte do jornal Kommersant afirmou que se trata do fornecimento ilegal de documentação secreta ao Brasil pelo Centro Estatal de Mísseis. "Os documentos continham informação sobre o sistema e métodos de cálculo na época dos testes de mísseis."


"Essa documentação foi exportada no quadro da cooperação com estruturas do governo brasileiro. E a empresa tinha direito a exportá-la, pois tem licença para isso. Porém, a empresa não cumpriu cabalmente as exigências da legislação, não preencheu a declaração alfandegária", acrescentou a fonte, ressaltando que "o valor da documentação, segundo os órgãos alfandegários, seria de aproximadamente US$ 3,6 milhões (R$ 6,9 milhões)".


O Centro Estatal de Mísseis, que é ligado à Agência de Pesquisas Makeev, reconheceu que a empresa realmente exportou documentação relativa à fabricação de mísseis para o Brasil.


"No quadro do programa de cooperação russo-brasileira, o Centro Estatal de Mísseis realiza trabalho visando ao aperfeiçoamento das características técnicas e de exploração do míssil portador VLS-1. O objetivo dos estudos é a criação de condições indispensáveis para o lançamento de satélites do centro espacial de Alcântara (Maranhão)", de acordo com uma nota divulgada no site oficial do centro.


A direção do centro minimizou o episódio e afirmou que a "questão será regularizada", declarou um assessor do engenheiro principal do centro ao jornal Kommersant.


Nos últimos anos, houve um aumento substancial da cooperação entre a Rússia e o Brasil na fabricação de tecnologias espaciais, principalmente em relação à fabricação e lançamento de mísseis.

09 junho 2007

Helicópteros russos chegam em Julho

Portugal é primeiro cliente europeu dos helicópteros Kamov

Com a prevista chegada a Portugal em Julho de seis unidades do helicóptero de transporte Kamov Ka-32, adaptado para o combate a incêndios, a empresa russa, consegue o seu primeiro contrato de venda com um governo de um país da Europa Ocidental. Embora tenha vendido os seus helicópteros para entidades privadas, até ao momento não tinha sido efetuada qualquer venda para o governo de um estado europeu.

A opção dos helicópteros Kamov é resultado de uma análise efetuada nos últimos dois anos, e também da possibilidade de converter a dívida da antiga União Soviética a Portugal, entretanto assumida pelo Estado Russo.

Em visita que está a efetuar à Rússia, o Primeiro Ministro português e o Ministro da Administração Interna - cujo ministério controla estes meios – visitaram em Moscovo o centro onde estão em formação 14 pilotos portugueses que deverão operar estas aeronaves, juntamente com os pilotos russos que vão ser enviados para Portugal para tripular os seis Kamov Ka-32.

Parte dos pilotos dos novos helicópteros são cedidos pelo exército e fazem parte da Unidade de Aviação Ligeira do Exército, a qual embora exista no papel, não tem nem nunca teve nenhuma aeronave atribuída.

O novo helicóptero é para os portugueses uma novidade, porque é diferente de tudo aquilo a que estão habituados. Com um rotor com dois conjuntos de três pás que giram em sentidos opostos e sem cauda, será preciso voltar a aprender a voar para os novos pilotos.

Os Kamov, têm uma grande capacidade para transportar água, podendo chegar a cerca de 5000 litros, ou seja 80% da capacidade de um avião médio «Canadair».

Os principais problemas desta aeronave poderão ser o consumo muito elevado, e a esperança média de vida dos motores russos, que costuma ser bastante mais reduzida que a dos motores das aeronaves ocidentais.

No entanto, o seu custo também é consideravelmente inferior.

Os helicópteros serão transportados por avião da Rússia para Portugal, onde serão montados e submetidos a testes de certificação. No entanto os Kamov não são homologados, recebendo a classificação de aeronaves do Estado, o que permite ultrapassar a falta de homologação.

Cada Kamov Ka-32 deverá custar cerca de 7 milhões de Euros. A título de comparação, aeronaves como o Canadair, deverão custar de 18 a 28 milhões de Euros cada uma.

Helicóptero Chinook abatido no Afeganistão

Sete mortos norte-americanos

Um helicóptero pesado de transporte do tipo Chinook, foi abatido no sul do Afeganistão nesta Quarta-feira.

A aeronave, segundo informações colhidas pelas agências noticiosas no local, terá alegadamente sido atingida por uma arma do tipo LGF (Lança-granada foguete) também conhecida como RPG.

Trata-se de uma arma utilizada contra veículos blindados, mas que a curta distância pode também ser utilizada contra aeronaves, desde que um helicóptero voe a baixa altitude, ou seja atingido durante a descolagem ou aterragem.

Do incidente, terão resultado mortos sete militares das forças da NATO, pertencentes a um batalhão da 82ª Divisão Aerotransportada do exército dos Estados Unidos.

Alegadamente o helicóptero terá sido atingido na província de Helmand, onde se encontra a maior concentração de campos de papoulas, a matéria-prima utilizada para produzir ópio, que é a base econômica que sustenta o movimento Taliban no Afeganistão.

Movimento Taliban, que assumiu que abateu um helicóptero no distrito de Kajaki, afirmou também que dispõe de meios para abater helicópteros. Embora a possibilidade de o movimento Taliban ter acesso a mísseis antiaéreos, é mais provável que a arma utilizada para tentar abater aeronaves de asa rotativa seja o RPG, muito mais fácil de obter.

O Chinook, um helicóptero de transporte com capacidade para 40 militares armados, estaria envolvido numa operação noturna, incluída dentro das operações que decorrem no Afeganistão contra o movimento Taliban, e em que estão envolvidas tropas de vários países europeus.

Ocorreram problemas com helicópteros no passado recente. Um Chinook caiu em Fevereiro último, em 2006 ocorreu um acidente com um helicóptero Puma espanhol. No norte do Afeganistão e com um helicóptero americano. Em 2005 outro Chinook foi atingido por um projétil de um RPG, tendo morrido 16 militares.

A voz dos EUA no Mercosul

Analistas advertem que, mais do que vigilância na Tríplice Fronteira, aliança estratégica americana com o Paraguai permite que Washington ganhe poder de barganha dentro do bloco regional


Sheila Machado - Jornal do Brasil

Com a justificativa de estarem preocupados com a instabilidade política de Bolívia, Venezuela e Equador, os Estados Unidos elegeram o Paraguai seu novo aliado estratégico na América do Sul. Soldados americanos estão na região do Chaco, com uma missão denominada humanitária, com destacamento de médicos militares e treinamento de policiais e militares paraguaios. Na teoria, a operação acaba no fim do ano que vem. Mas a ampliação da base de Mariscal Estigarribia, onde estão instalados, sugere que as tropas vão permanecer por mais tempo. À primeira vista, pode parecer que a principal preocupação de Washington é vigiar a Tríplice Fronteira, de onde acredita que partiriam financiamento para ações terroristas, ou ficar de olho no líder venezuelano Hugo Chávez. Mas para analistas consultados pelo JB, a aproximação entre os dois países tem um objetivo mais amplo: fazer do Paraguai a voz dos EUA no Mercosul, capaz de aproveitar espaços deixados por eventuais desavenças entre os principais integrantes do bloco.

- A Casa Branca iniciou uma nova política estratégica, pois não tem nenhum outro aliado no Cone Sul, países são em sua maioria críticos a Washington. A escolha por Assunção não é surpresa. O Paraguai é mais aberto aos americanos, tanto a elite quanto a maioria da população. São mais influenciáveis do que na Argentina, por exemplo - explica Marta Lagos, diretora do instituto de análise política sul-americana Latinobarómetro.

Um dos motivos, aponta a cientista política paraguaia Milda Rivarola, é a personalidade da administração de Nicanor Duarte, ''na contramão das tendências social-democratas dos demais membros do Mercosul: Argentina, Brasil e Uruguai''.

- Além disso, há a debilidade da política externa, suscetível a alinhar-se com uma potência exterior em troca de promessas de abertura de mercado a o que quer que seja. Dessa vez, a negociação é da entrada de produtos têxteis paraguaios na Flórida - conta.

Para Washington, afirma Lagos, conseguir ter representação de seus interesses dentro do Cone Sul pode significar a manutenção da hegemonia mundial, pelo menos econômica, a longo prazo:

- Os EUA estão preocupados com o papel que a China pode ter no Mercosul. Os chineses são um poder econômico que cresce a cada dia e voltam suas atenções para a América do Sul. Os americanos temem perder influência na região. Ou pior, serem dominados por Pequim que, com mais aliados, teria mais poder político e de barganha.

Carlos Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sul-Americanos (CEES), não mede palavras ao comentar a aproximação entre EUA e Paraguai.

- É uma cacetada no Mercosul. O que Washington quer é desestabilizar um mercado que não segue suas imposições - afirma.

A questão econômica foi justamente a justificativa paraguaia para deixar Argentina e Brasil um tanto de lado e se voltar aos EUA. Em entrevista ao jornal Última Hora, de Assunção, o vice-presidente Luis Castiglioni criticou os vizinhos.

- Aqui na região só tivemos decepções. Onde está o espírito de solidariedade quando até agora seguimos suportando os impedimentos à exportação? Não necessitamos de migalhas. O Paraguai precisa e tem o direito de buscar um relacionamento digno com outras nações - disse Castiglioni, comentando a criação pelo Mercosul dos ''fundos estruturais''. - Não queremos doação de dinheiro, queremos mercado.

- Argentina e Brasil vêm subestimando Uruguai e Paraguai no âmbito do bloco e essa é uma atitude que deveria ser corrigida - concorda Rosendo Fraga, analista do instituto Nueva Mayoría, de Buenos Aires.

Segundo o cientista político, os EUA estão explorando não só o desequilíbrio mercantil, mas também o passado do Cone Sul:

- Sem dúvida, o menosprezo que o Paraguai sente tem raízes históricas na Tríplice Aliança [formada por Brasil, Argentina e Uruguai, que entre 1864 e 1870 atacaram o vizinho, na Guerra do Paraguai].

A aproximação entre Washington e Assunção significa ainda uma mudança da política ianque não só em relação ao Mercosul. A curto prazo, e em caso de emergência, diz respeito à toda a América do Sul. Fraga lembra que a prioridade da Casa Branca para o segundo mandato de George Bush era clara: delegar ao Brasil a liderança regional, tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um homem respeitado o suficiente para conter a influência de Chávez no continente.

- Mas a força de paz da ONU que atua no Haiti, sob comando brasileiro, gerou dúvida no Pentágono sobre se o Brasil está disposto a usar força em caso de desestabilização na região. Neste momento, Lula encontra-se acuado pela crise política; em conseqüência, diminuiu sua capacidade de contrabalançar o venezuelano como ator político. Além disso, Chávez demonstra claro interesse de investimento na Argentina, Brasil e Uruguai, mas não no Paraguai. Estes fatos levaram o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, a visitar Assunção duas vezes este ano e a procurar estabelecer ali um ponto de apoio para intervir, se houver crise - completa.

Recursos naturais chamam a atenção

Além da estratégia político-econômica, outras razões se delineiam para os Estados Unidos terem escolhido o Paraguai como parceiro na América do Sul e a base militar de Mariscal Estigarribia como local de estabelecimento de suas tropas. A instalação fica a 100 km do poço de gás natural Independencia 1, que se comunica no subterrâneo com as valiosas reservas de Tarija, na Bolívia. Além disso, descobriu-se que embaixo do gás paraguaio há um enorme lençol de petróleo enorme, ainda não avaliado.

- O conflito Ocidente-Oriente aprofundou objetivos de estratégia. Os EUA buscam controlar recursos renováveis e não-renováveis - adverte Carlos Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sul-Americanos.

Washington e Assunção negam qualquer interesse nesse sentido, dentro do acordo de permissão de exercícios militares americanos. Mas chama a atenção também a proximidade do aqüífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo, que cobre uma área de 1,2 milhão de km² na América do Sul. O Brasil abriga 70% do tesouro, 19% está na Argentina, 6% no Paraguai e 5% no Uruguai.

- O alerta é da ONU: daqui a 20 anos as guerras não serão mais por petróleo, mas por água - lembra Mele.

A presença militar americana em solo paraguaio não é permanente. Mas é renovável. E não agradou aos parceiros do Mercosul, principalmente Brasil e Argentina, embora estes não possam fazer nada para impedir.

- O Paraguai pode trazer os EUA para casa, porque é soberano. Mas na esfera de acordos de cooperação militar é de bom tom consultar os vizinhos do bloco. A situação é delicada - avalia Clóvis Brigagão, do Centro de Estudo das Américas.

Os países-membros do bloco do Cone Sul só poderiam levar a questão a órgãos internacionais, como a ONU ou a Organização dos Estados Americanos (OEA), se seu espaço aéreo ou terrestre fosse violado pelos ianques.

- A continuidade da missão americana vai depender principalmente da mobilização civil dos paraguaios. É dever do povo obrigar o presidente Nicanor Duarte a retificar a atitude - resume Mele.

Mas em pelo menos uma questão o Paraguai passou por cima da diplomacia. Mesmo sendo signatário do Tratado de Roma - que em 1998 relativizou o conceito de soberania para permitir que autores de crimes contra a humanidade fossem julgados por tribunais internacionais -, Assunção concedeu imunidade penal às tropas americanas. Isso significa que, caso os soldados pratiquem homicídio, genocídio ou outros delitos, estão livres de responder por eles no sistema judiciário local ou na Corte Penal Internacional, em Haia.

- Politicamente, é muito difícil os países do Tratado de Roma se reunirem para examinar uma punição ao Paraguai pelo descumprimento do acordo - lamenta Brigagão.

Militares dos EUA na América do sul

A geopolítica do cerco

Professor Moniz Bandeira diz que EUA têm "cinturão militar" em volta do Brasil

André Deak e Bianca Paiva
Da Agência Brasil

Brasília – Há mais de 50 anos o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira tem como objeto de estudo os Estados Unidos da América. Em entrevista à Agência Brasil, ele fala sobre os "cerca de 6.300 militares americanos [que] estiveram baseados ou realizaram operações na região da Amazônia entre 2001 e 2002", conforme revela no livro Formação do Império Americano. Da guerra contra a Espanha à guerra do Iraque.

Leia, abaixo, a entrevista concedida no escritório de seu amigo, o secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães ( Nota Defesa@Net o secretário-geral é o segundo em importância logo após o Chanceler).

Agência Brasil: O que o senhor diz da presença dos Estados Unidos na América do Sul?

Moniz Bandeira: Os Estados Unidos estão realmente criando, já há muitos anos, um cinturão em volta do Brasil.

ABr: De bases militares?

Moniz Bandeira: De bases militares sim. Base de Manta, no Equador, e outras, no Peru, na Bolívia. Algumas são permanentes, outras são para ocupação ocasional. Como essa do Paraguai, que não é propriamente uma base: eles têm uma pista construída desde a década de 80, maior do que a pista do Galeão (no Rio de Janeiro, a maior pista de pouso do Brasil, com 4.240 metros de extensão). Agora a notícia é de terão 400 soldados (norte-americanos, no Paraguai). Fazem exercícios conjuntos, juntam grupos para fazer exercícios perto da fronteira do Brasil ou em outros pontos. O mais curioso nisso tudo, e aí sim levanta muita suspeita: primeiro, a concessão de imunidade aos soldados americanos; segundo, a visita de Donald Rumsfeld (secretário de Defesa dos EUA) a Assunção, capital do país; terceiro, o fato de que Dick Cheney (vice-presidente norte-americano) recebeu nos Estados Unidos o presidente do Paraguai. O que representa o Paraguai para os Estados Unidos? Isso é só uma forma de perturbar o Mercosul.

ABr: Analistas dizem que hoje o Paraguai cumpre a função de aliado dos EUA, que um dia cumpriu a Argentina, com o presidente Carlos Menem, e depois o Uruguai, com Jorge Battle.

Moniz Bandeira: É o que eles tentam, primeiro a Argentina de Menen, depois o Uruguai de Battle, agora querem manipular o Paraguai. É uma situação delicada. O Paraguai não tem peso. Inclusive, se o Brasil fiscalizar a fronteira, acaba o Paraguai, porque a maior parte das exportações do Paraguai é contrabando para o Brasil. O Paraguai, oficialmente, destina ao Brasil mais de 30% de suas exportações. Se considerar o contrabando, sobe para mais de 60%. E mesmo para exportar para outros países depende substancialmente do Brasil, dos corredores de exportação que levam para os portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande. O Paraguai é um país com muitas dificuldades, se superestima, e não cai na realidade. Cada país tem que ver suas limitações, relações reais de poder. O Paraguai é inviável sem o Brasil e a Argentina. A Argentina está solidária com o Brasil, não tem interesse no Paraguai como instrumento dos Estados Unidos para ferir o Mercosul.

ABr: Onde estão, especificamente, os militares norte-americanos que formam esse "cinturão" ao redor do Brasil?

Moniz Bandeira: Eles se estendem desde a Guiana, passam pela Colômbia... Sobretudo não são militares fardados, mas empresas militares privadas, que executam uma série de serviços terceirizados para os Estados Unidos. O Pentágono está terceirizando a guerra. Eles criaram, já há algum tempo, desde o início dos anos 90 as Military Company Corporations [Companhias Militares Privadas, em inglês], que executam os serviços militares justamente para fugir às restrições impostas pelo Congresso americano. Pilotam aviões no Iraque, por exemplo. As companhias militares privadas estão fazendo tudo, até torturando. Com isso, escamoteiam as restrições impostas.

ABr: Existem também operações secretas?

Moniz Bandeira: Sim, mas isso é outra coisa. Sabemos dessas informações. Se você ler os jornais, verá, às vezes, que foi interceptado um avião americano no Brasil que voava da Bolívia para o Paraguai clandestinamente. Essas informações estão espalhadas em vários lugares.

ABr: Qual a razão desses militares norte-americanos na América do Sul?

Moniz Bandeira: Diversos fatores. As bases permitem a manutenção de grandes orçamentos para o Pentágono. Por causa da indústria bélica, do complexo industrial militar nos EUA, eles precisam gastar seus equipamentos militares para novas encomendas. É um círculo vicioso. E qual é o mercado para o consumo dos armamentos? A guerra. Os EUA têm interesse na guerra porque a sua economia depende em larga medida do complexo bélico, para inclusive manter empregos. Há certas regiões dos EUA dominadas totalmente pelo interesse dessas indústrias. Há uma simbiose entre o estado e a indústria bélica. O estado financia a indústria bélica e a indústria bélica necessita do estado para dar vazão aos seus armamentos e a sua produção.

ABr: Existe alguma razão estratégica do ponto de vista dos recursos naturais?

Moniz Bandeira: Os países andinos são responsáveis por mais de 25% do petróleo consumido nos Estados Unidos. Só a Venezuela é responsável por cerca 15% desse consumo. De um lado querem derrubar o (presidente venezuelano Hugo) Chávez, de outro sabem que uma guerra civil ali levaria o preço do petróleo a mais de US$ 200 o barril.

EUA alegam combater terrorismo para justificar presença militar na América do Sul, avalia estudioso

Agência Brasil: No livro Formação do Império Americano, o senhor fala sobre a presença de militares norte-americanos na América do Sul. Os Estados Unidos garantem que muitos desses militares estão na região para combater o terrorismo.

Luiz Alberto Moniz Bandeira: Combater o terrorismo é uma besteira. O terrorismo não é uma ideologia, não é um Estado. É uma ferramenta de luta, é um método que todos usaram ao longo da história. O que eles querem combater agora é o terrorismo islâmico. Mas por que surgiu esse fenômeno do terrorismo islâmico? Com a presença dos EUA na Arábia Saudita ocupando os lugares sagrados, por exemplo. Antes disso, ainda, Os EUA insuflaram o terrorismo islâmico contra os soviéticos, no Afeganistão. Começou aí.

ABr: Os EUA classificam de terroristas o Exército Zapastita de Libertação Nacional do México e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Estão certos?

Moniz Bandeira: Eles desejam que todos que os se insurgirem contra eles sejam considerados terroristas. Sempre foi assim. Hitler chamou de terroristas todos os que resistiam à ocupação alemã. Os companheiros que foram da luta armada aqui no Brasil contra o regime autoritário foram chamados de terroristas. O terrorismo é um método de guerra, usado inclusive pela CIA [sigla em inglês para a Agência Central de Inteligência dos EUA]. O que a CIA fez contra Cuba? Planejou até um atentado, derrubando um avião, para acusar o governo cubano e justificar a invasão de Cuba. Planejou explodir o foguete que levaria John Glenn ao espaço para acusar Cuba e invadi-la. A CIA sempre foi um instrumento de terrorismo. Os EUA definem o terrorismo como sendo uma organização a serviço de um estado que pratica atos de violência com objetivos políticos. É exatamente o que CIA sempre fez. A CIA, o Mossad [a agência de inteligência israelense] e outros serviços. Quem são terroristas? Ariel Sharon, David Ben Gourion e Menachem Begin foram terroristas. Eles explodiram em 1946 o King David Hotel em Jerusalém, matando pessoas contra o domínio inglês. Venceram e hoje são estadistas.

ABr: Os Estados Unidos dizem que existem terroristas na tríplice fronteira.

Moniz Bandeira: Besteira também. Apenas porque existam lá islâmicos. Porque eles mandam dinheiro privadamente para suas famílias. Que esse dinheiro seja desviado para outras atividades ninguém pode impedir. É um pretexto para justificarem a sua presença no Paraguai e em outras partes da América do Sul. Os Estados Unidos são o único país que tem um exército não para defesa do país, mas para manter bases americanas pelo mundo.

ABr: A presença de bases americanas pode atrair o terrorismo?

Moniz Bandeira: A maior quantidade de ataques terroristas contra os Estados Unidos, até recentemente, foi na América latina. Grande parte contra militares, empresas privadas norte-americanas e contra os oleodutos na Colômbia. Mas eles podem forjar um atentado terrorista em Foz do Iguaçu para acusar terroristas e, na verdade, foi praticado pela CIA. Eles fazem isso. Isso é guerra psicológica. A CIA cansou de fazer isso, inclusive aqui no Brasil. Veja o caso do Rio Centro: um atentado preparado para justificar a repressão.

Brasil trabalha para evitar a presença norte-americana na América do Sul, diz professor

Agência Brasil: Qual o interesse do Brasil na América do Sul?

Moniz Bandeira: Ao Brasil interessa a estabilidade da América do Sul. E também não interessa a presença americana na América do Sul.

ABr: Mas como é que se pode evitar isso?

Moniz Bandeira: Evitando a entrada das Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] aqui. O exército está preparado. Existe uma operação para prevenir uma eventual invasão da Amazônia pelos norte-americanos. Os norte-americanos precisam do Brasil, porque o Brasil é um país moderado, fator de moderação. E é claro que isso interessa ao Brasil, ser um fator de moderação na América do Sul, entre os EUA e a Venezuela, por exemplo.

ABr: Mas o Brasil não consegue evitar que países como o Paraguai, por exemplo, façam acordos bilaterais com o EUA.

Moniz Bandeira: Consegue. Se o acordo ferir o Mercosul, o Paraguai é expelido e o Brasil aplica sanções. Os países do Mercosul têm acordos que tem serem cumpridos. E eles não podem correr o risco de saírem do Mercosul, porque dependem do mercado brasileiro, que é mais certo do que o mercado norte-americano. O Uruguai vai vender carne para os Estados Unidos, ou arroz? É muito mais barato exportar para o Brasil do que para os EUA.

ABr: O Brasil teria como evitar a presença militar norte-americana em países que estão fora do Mercosul?

Moniz Bandeira: O Brasil não pode interferir na soberania dos outros países. O Brasil também não está competindo com os Estados Unidos, não é caso. No caso do Mercosul sim, aí é diferente porque há compromissos, tratados. Não pode fazer um acordo de livre comércio com o EUA e manter a tarifa dentro de uma união aduaneira em que há uma tarifa externa comum.

ABr: O presidente mexicano, Vicente Fox, já declarou ter interesse em levar seu país ao Mercosul. É possível?

Moniz Bandeira: É ridículo quando o presidente Fox diz que o México quer entrar no Mercosul. Essa é uma jogada a serviço do Estados Unidos, porque o México não pode compatibilizar a Alca [Área de Livre Comércio da América, proposta pelos EUA] com o Mercosul. Nem o Mercosul tem uma tarifa externa comum como o Nafta [sigla em inglês para o Acordo de Livre Comércio da América do Norte]. É um acordo entre Estados Unidos, México e Canadá, sem tarifas externas. É uma área de livre comércio pura e simplesmente, então não é possível compatibilizar os compromissos do Mercosul com os do Nafta. Conciliar o México com o Mercosul é impossível. Aliás, não é um país do sul, é um país do norte.

Diplomacia Bolivariana ou Diktat Sukhoi

Nelson During – Defesa@Net


No dia 25 de Maio de 2007, na Base Aérea Luís del Valle Garcia - Barcelona – Estado Anzoátegui, na Venezuela, o Presidente Chávez ativou o Grupo Aéreo de Caza, “Libertador Simón Bolívar”, Nº 13 da Fuerza Aeréa Venezolana (FAV), que tinha recebido mais quatro aviões, no início de Abril. Assim o Grupo Nº 13 foi ativado com 8 aviões, com a expectativa real, de os 24 caças, adquiridos em Junho de 2006, serem recebidos até 2009.


Às vésperas do conflituoso caso RCTV o Governo Bolivariano resolveu ativar, com pompa e circunstância o Grupo de Caça, em cerimônia transmitida por rádio e televisão, para toda a Venezuela. Tudo indica que se trata de um jogo de força da política interna da Venezuela.

Porém, uma seqüência de fatos recentes demonstra que uma nova política está sendo montada pelo Governo Chavista para uso interno e evidentes indícios para efeito externo com os caças executando um fator preponderante.


Seqüência de fatos recentes:


16 Abril 2007 - Chávez apresenta os Sukhoi Su-30 MK2 aos Presidentes Evo Morales (Bolívia), Nicanor Duarte Frutos (Paraguai) e Luiz Inácio (Brasil), quando da passagem dos mesmos pela Base Aérea Luís del Valle Garcia a caminho da Cumbre Energética, na Isla Margarita.


1º Maio 2007 – Sukhois sobrevoam as instalações petrolíferas durante os atos da “da recuperación de la plena soberanía petrolera” , com as palavras de Chávez: “la soberanía también se observa en el aire.”


25 Maio 2007- Ativação do Grupo Aéreo de Caza, “Libertador Simón Bolívar”, Nº 13.

Em 40 dias, três eventos relevantes onde os caças Sukhoi foram a peça de resistência do Presidente Chávez.


No último evento o Presidente Hugo Chávez Frias em seu pronunciamento delineia mais claramente o emprego dos caças nos seus planos para o continente, ao condecorar a todos os pilotos e membros das equipes de terra da unidade com as seguintes palavras, que indicam, o futuro da unidade nos planos estratégicos e geopolíticos do governo: “Porque vocês são os libertadores do ar, libertadores de uma Nova Pátria, condecoro-os de imediato”.

As ações recentes do governo chavista, em curto espaço de tempo, delineiam o que virá a ser uma política de projeção de poder da Revolução Bolivariana: seus caças Sukhoi Su-30MK2, numa estratégia que poderá ser adotada quando os seus protegidos Evo Morales e Rafael Correa (Equador), e outros aliados como Frutos e Kirchner, ou assuntos pendentes da diplomacia regional como Equador-Peru, Bolívia-Chile e os fomentados pela diplomacia Chavista, como o crescente mal-estar relacionado à hidrelétrica de Itaipu, entre os governos brasileiro e paraguaio, enfrentarem problemas políticos.


O que farão os já imobilizados Itamaraty, Casa Civil, Comandos Militares e o Presidente Luiz Inácio se os caças Sukhoi SU-30MK2 pousarem na enigmática Base Aérea do Paraguai Mariscal Estigarribia, em apoio aos Paraguaios para sua retomada dos direitos em Itaipu?


Teremos logo, a cada dificuldade do governo de Evo Morales os Sukhoi sobrevoando a capital La Paz? E se não operarem diretamente dentro do país amparados pelo generoso acordo militar Bolívia/Venezuela assinado no ano de 2006?


Segundo fontes de La Paz uma estrutura de bases está sendo construída na Bolívia para operação de forças venezuelanas.

A geopolítica de cerco ao Brasil, cultivada tanto tempo pelas fontes de esquerda e incentivada pelo Itamaraty e o Palácio do Planalto, realmente existe. Porém longe de ser de tropas americanas e sim, do governo Bolivariano plantando bases em torno do Brasil, para seus vistosos caças Sukhoi da FAV sobrevoarem de forma livre e soberana os céus da América do Sul.


O alerta foi dado a Luiz Inácio, no dia 16 Abril, quando o constrangido presidente brasileiro foi puxado para dentro de um hangar e recebeu detalhada explicação das capacidades do caça pelo próprio Chávez. Até detalhes como a manobra “Cobra Pugachev”, um emocionado Chávez detalhava ao seu convidado.


O Presidente Luiz Inácio solicitou, no fim de 2006, aos Comandos Militares uma avaliação da capacidade militar do Brasil frente aos países da região, em especial da Venezuela. O relatório o deixou preocupado, porém tem sido dissuadido pelo Itamaraty, com a postura de que os venezuelanos não teriam capacidade de absorver e retirar o máximo de desempenho dos equipamentos avançados como os caças Sukhoi e suas armas (mísseis BVR e armas guiadas), sem um grande investimento e muitos anos para adquirir experiência.


Autoridades, em especial da FAB, mencionam que a Venezuela, quando operava continuadamente com os americanos, tinha uma capacidade operacional bem avançada para os padrões sul-americanos.


O tempo flui para o Presidente Luiz Inácio; terá o Brasil tempo para se recompor?