31 janeiro 2008

Grécia detém suspeito de vender segredos da Dassault


A polícia grega anunciou na sexta-feira que deteve um homem suspeito de vender segredos do Grupo francês Dassault incluindo informações sobre sistemas de armas.

"O homem com formação em matemática, 58 anos, era procurado desde 2002 após a Dassault ter contatado as autoridades gregas," um oficial da polícia, falando na condição de anonimato, informou à Reuters.

"Ele é responsável por causar perdas de mais de U$361 milhões de dólares à companhia com a venda de dados corporativos, incluindo informações referentes a sistemas de armas, para cerca de 250 clientes através da Internet," disse a autoridade.

A Polícia suspeita que o homem vendeu as informações a clientes na: Alemanha, Itália, França, África do Sul, Brasil, e também países da Ásia e Balcãns.

"O homem penetrou os sistemas de computadores da Dassault e roubou as informações," informou o policial.

Autoridades policiais, acompanhadas de especialistas em computadores, deram uma batida no apartamento do suspeito, localizado no centro de Atenas, que estava sendo alugado com um nome falso, e confirmaram que ele é muito competente em não deixar rastros nas suas incursões pela internet.

"Ele é um dos melhores hackers do mundo, com o código ASTRA, mas estamos também procurando um cúmplice no Reino Unido que o ajudou a localizar possíveis clientes on-line para a compra das informações," disse o policial.

O Grupo Dassault e suas subsidiárias são um grande player na aviação civil e militar. A Polícia informou que o homem seria encaminhado aos procuradores para uma formalização da acusação.

Brasil e França farão acordo estratégico

Em Paris, Jobim se reúne com Sarkozy e com o ministro da Defesa francês

Deborah Berlinck – o globo

PARIS. O que poderá ser a mais importante aliança estratégica militar da França na América do Sul vai ser lançada no dia 12, num encontro do presidente francês Nicolas Sarkozy com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Guiana Francesa.

Apostando no Brasil como uma das maiores potências emergentes, a França concordou em fechar um acordo que não envolve só a venda de equipamentos, como um submarino de propulsão nucelar e helicópteros, mas uma cooperação mais ampla: militar, econômica e até cultural.

O primeiro impulso para a aliança foi dado ontem num encontro do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com Sarkozy e o ministro da Defesa francês, Hervé Morin. A França aceitou a principal exigência do Brasil : transferência de tecnologia. Segundo Jobim, Sarkozy enfatizou querer "um grande acordo estratégico com o Brasil".

- Foi uma expressão do presidente, como também do ministro da Defesa, da necessidade deste entendimento porque ele (Sarkozy) considera o Brasil do século 21 uma grande potência no mundo - disse Jobim.

Uma empolgação confirmada pelo ministro francês:

- O Brasil, junto com Índia, China e África do Sul, será um dos grandes do mundo.

Diante desta grande potência, a França quer ter uma parceria estratégica de longo prazo.

Jobim disse a Sarkozy que o governo brasileiro quer desenvolver um "parque estratégico e tecnológico com autonomia" e, para isso, precisa da transferência de tecnologia.

O presidente francês concordou e ficou decidido que após o encontro dos presidentes, o governo francês vai organizar a ida ao Brasil de um grupo de empresários para começar a discutir os detalhes da aliança. Segundo Jobim, o acordo estratégico envolve capacitação tecnológica e modernização nas três forças: Marinha (com o submarino de propulsão nuclear), Aeronáutica (com helicópteros Cougar), da Eurocopter (subsidiária do consórcio europeu EADS, controlador da Airbus), e no Exército (com formação de soldados).

Segundo Jobim, a construção desta parceria não tem data, será construída no longo prazo.

- Não é algo como as parcerias antigas, um mero negócio de vendedor e comprador. É algo de longo prazo. Vamos discutindo caso a caso.

Brasil e França farão, juntos, exercícios militares

Jobim e o ministro francês assinaram ontem um acordo para facilitar a vinda de militares franceses ao Brasil e vice-versa. Ou seja: para tirar os entraves burocráticos para os militares e seus dependentes. A idéia é também organizar exercícios militares conjuntos. A França e o Brasil já fizeram exercícios militares nos rios. O ministro francês disse que a França espera que esta aliança seja ampla:

- Muito claramente, os presidentes Lula e Sarkozy querem implementar uma parceria estratégica importante, que não se baseia só no discurso, mas na prática. Englobará também questões culturais, educacionais, de formação, econômicas, e também uma parceria militar importante.

Visita à base aeronaval


Roberto Godoy – estado SP

O ministro Nelson Jobim vai hoje a Toulon, principal base aeronaval da França no litoral do Mediterrâneo, para conhecer o submarino nuclear de ataque Rubis, um veterano das guerras do Golfo e da extinta Iugoslávia.

É um modelo próximo, embora um pouco menor, do pretendido pelo Comando da Marinha - desloca 2.600 toneladas, mede 73 metros e leva tripulação de 70 homens. O reator é PWR, de água pressurizada, o mesmo tipo que será empregado na embarcação nacional. Jobim pode ver também o Le Terrible, um gigante de 14,2 mil toneladas, lançador de mísseis e ainda em construção.

O conhecimento que falta ao Centro Tecnológico da Marinha, onde o Ministério da Defesa centraliza o programa do submarino atômico, envolve questões sofisticadas que a parceria com a França pode resolver, como a metalurgia do aço HY-100, que permite o uso de placas mais finas e mais resistentes que as convencionais. E certos conceitos gerenciais, como a elaboração dos projetos de concepção, contrato e construção, bastante diferentes dos usados nos submarinos convencionais que o Arsenal do Rio já sabe fazer.

O tratado de cooperação tem um gargalo: a França quer vender ao menos dois submarinos dieselelétricos da classe Scórpene à Marinha, que, entretanto, pré-selecionou, em 2006, o U-214 alemão para integrar a frota que já conta com cinco outros da mesma origem. Um consórcio bancário europeu chegou a anunciar há pouco mais de um ano o financiamento do contrato, no valor de 1.08 bilhão. O primeiro U-214, fornecido à Grécia, jamais funcionou nos testes de mar.

Militares terão livre trânsito

Acordo firmado em Paris pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, prevê que forças dos dois países não precisarão prestar contas às aduanas. Aliança compreende ainda áreas da cultura, educação e economia

Claudio Dantas Sequeira

Os governos de Brasil e França deram ontem um passo decisivo para o estabelecimento de uma aliança estratégica. Como o Correio antecipou no sábado, foi assinado o primeiro Acordo de Status das Forças (Sofa), que prevê a livre circulação de militares brasileiros e franceses nos respectivos territórios. As duas forças também ficarão livres de prestar contas às aduanas, e os efetivos só poderão ser processados civil ou criminalmente na Justiça de suas respectivas pátrias — escapando assim da jurisdição do Tribunal Penal Internacional. O tratado, que precisará ser aprovado pelos Parlamentos de ambos os países, permite a prestação de serviços, condição básica para parcerias que compreendem a troca de tecnologia e viagens de técnicos.

O acordo foi firmado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e seu colega francês, Hervé Morin, em ato formal no Ministério da Defesa, em Paris. Jobim estava acompanhado do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e do ministro das Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger; além da embaixadora Vera Pedrosa. Fontes militares confirmaram à reportagem que a assinatura do Sofa favorece a realização de manobras e exercícios conjuntos, inclusive o patrulhamento dos rios fronteiriços na Amazônia. “Se a soberania dos rios é compartilhada, significa que há direitos e responsabilidades comuns”, afirmou um oficial graduado que acompanhou as negociações.

A iniciativa é oportuna, num momento em que se intensificam os esforços de integração com a Guiana Francesa. Para Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança (Cetris), o novo acordo é marcante. “Trata-se de um ato político importantíssimo, que coloca o Brasil em uma nova era. O país passa a ser reconhecido como ator global, por meio de um mecanismo com certo peso no cenário internacional”, disse. O especialista vê na França a porta de acesso à tecnologia de toda a União Européia (UE) em matéria de defesa. “É a oportunidade de ganharmos certa autonomia depois da longa dependência tecnológica norte-americana. Em contrapartida, o Brasil será obrigado a construir um sistema de defesa articulado globalmente”, avisa.

Sarkozy

Antes de se se reunir com Morin, Jobim foi recebido no Palácio Eliseu pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que teria se mostrado de acordo com o conteúdo geral da proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A parceria estratégica entre Brasil e França teria como pedra angular o princípio da transferência de tecnologia. “Eu disse ao presidente Sarkozy que a premissa de todos os nossos entendimentos está no desenvolvimento de um parque estratégico tecnológico no Brasil com autonomia”, declarou Jobim. Presente à audiência no Eliseu, Morin disse que as linhas gerais da aliança compreendem também os setores cultural, educacional e econômico.

“Desejamos que o Brasil seja o parceiro estratégico da França na América do Sul, do mesmo modo que desejamos que nosso país seja o parceiro privilegiado do Brasil na Europa”, afirmou Morin. “Estamos convencidos de que o mundo do século 21 terá o Brasil como potência.”

Os detalhes do acordo serão debatidos no encontro entre Lula e Sarkozy no próximo dia 12.

“Será uma parceria estratégica não a curto, mas a longo prazo”, comentou o ministro francês. Jobin e Morin também conversaram sobre a colaboração para construir no Brasil um submarino de propulsão nuclear e helicópteros Super Cougar. Antes disso, a idéia é fechar a compra de submarinos de propulsão a diesel e elétrica do tipo Scorpene, por US$ 600 milhões. Também se estuda a aquisição de cerca de 30 aviões-caça supersônicos Rafale. Jobim visitará hoje a base aeronaval de Dugny, em Le Bourget, ao norte de Paris. De lá, partirá para Tolón, a base naval francesa no Mediterrâneo, a fim de conhecer um submarino nuclear de ataque. O ministro demonstrou interesse em aplicar diretrizes do programa Soldado do Futuro, desenvolvido pelas forças armadas da França.

Colaborou Napoleão Sabóia, de Paris

Marinha abre processo seletivo


Mais uma novidade na área de concursos. A Marinha lançou edital que prevê 40 vagas para o cargo de primeiro-tenente em várias especialidades da Engenharia. Para participar da seleção, além de ter graduação na área exigida, é preciso ter menos de 32 anos (considerando a data de 30 de março de 2009). Os concorrentes que forem habilitados serão submetidos ao Curso de Formação de Oficiais e também a um Estágio de Aplicação. O valor médio do salário para o cargo é R$ 3,5 mil. O concurso será constituído de prova escrita de conhecimentos profissionais, de expressão escrita, seleção psicofísica, teste de suficiência física, verificação de dados biográficos, exame psicológico e as fases de formação. As inscrições estarão abertas de 20 de fevereiro às 16h30 do dia 25 de março e podem ser feitas via Internet – pelo site www.ensino.mar.mil.br.

Brasil e França selam acordo de aliança estratégica


PARIS - Os governos de Brasil e França assinaram ontem à tarde, em Paris, o primeiro acordo da política de "aliança estratégica" no setor de Defesa. A iniciativa havia sido confirmada à imprensa pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, no domingo. Ontem, porém, um acordo que prevê a livre circulação de militares dos dois países foi assinado com o ministro francês, Hervé Morin.

Minutos antes, Jobim havia sido recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu. Durante 30 minutos, ambos encaminharam acordos que serão anunciados na Guiana Francesa, em 12 de fevereiro, durante o primeiro encontro entre os presidentes dos dois países.

O acordo foi confirmado na saída do Ministério da Defesa da França. Hervé Morin disse que os entendimentos são fruto de conversas diretas entre Nicolas Sarkozy e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e que seu objetivo maior é a parceria estratégica em cultura, economia, educação, treinamento e tecnologias militares.

"Após o encontro entre os dois presidentes, vamos aprofundar o acordo. Queremos que o Brasil seja o maior parceiro estratégico da França na América Latina, assim como queremos que a França seja o parceiro estratégico do Brasil na Europa", enfatizou. "Estamos convencidos de que o mundo do século 21 terá o Brasil como potência".

Apesar da assinatura, os detalhes do acerto anunciado ontem ainda não foram divulgados. "São questões técnicas que precisam ser ajustadas. Daremos mais detalhes a seguir", disse Nelson Jobim.

Um dos pontos será o intercâmbio de pilotos para treinamento.

O Ministério da Defesa brasileiro também se mostra interessado em aplicar diretrizes do programa Soldado do Futuro, desenvolvido pelas forças armadas da França. O documento não prevê a construção de bases militares nos dois países nem treinamento na região amazônica, como vinha sendo cogitado.

Hoje pela manhã, a comitiva do Ministério da Defesa, incluindo o ministro Jobim e o comandante da Marinha, almirante de esquadra Julio Soares de Moura Neto, visitarão a base aeronaval de Dugny, em Le Bourget, nas imediações de Paris. De lá, os representantes brasileiros partem em avião para Toulon, no sul da França, onde conhecerão a base de submarinos instalada na cidade.

Lá, Jobim conhecerá o submarino nuclear de ataque (SNA) de Classe Rubi, de propulsão e armamento nucleares. O equipamento, fabricado pela DCNS - estaleiro de capital do Estado (75%) e da Thales (25%) -, é similar ao que o governo brasileiro ambiciona construir no Brasil a partir do acordo para compra e transferência de tecnologia, negociado entre os dois países.

A idéia do ministério é produzir no Brasil o casco, o "recheio cibernético" e o armamento, já que as Forças Armadas têm o domínio do combustível nuclear. A eventual "versão brasileira" do Rubi, um dos mais compactos submarinos nucleares do mundo - com 73,60 metros e capacidade para 70 homens -, não será um submarino de ataque, mas de defesa.

Em linhas gerais, a diferença se limita ao armamento - as embarcações de defesa têm armamento convencional, e não nuclear. A Marinha francesa tem seis modelos Rubi em operação desde os anos 80 - o projeto data dos anos 70. Mas ele não é o mais atual projeto em estudos no país.

Por encomenda do governo, feita em 2002, a DCNS já desenvolve os submarinos da Classe Barracuda, em construção desde 19 de dezembro de 2007 e com lançamento previsto para 2016. A importância do interesse brasileiro pelos submarinos franceses pode ser medida por dois elementos: serão duas as visitas da comitiva a locais onde se encontram os Rubi e os Barracuda, a primeira hoje e a outra amanhã, ao estaleiro da DCNS em Cherbourg, situado na Baixa Normandia.

O segundo e mais forte elemento é o próprio ministro da Defesa. Na segunda-feira, em entrevista concedida em Paris, Jobim afirmou: "Queremos construir o submarino nuclear brasileiro. E a parceria com a França está definida porque é o único país que tem disponibilidade de transferir tecnologia".

Chávez propõe aliança militar a vizinhos



O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, exortou países aliados a formarem uma aliança militar antiimperialista, para defender a América Latina de possíveis ataques por parte dos EUA. Afirmando que Washington representa uma ameaça à segurança regional, Chávez conclamou Nicarágua, Bolívia e Cuba a "traçar uma estratégia de defesa comum e criar nossas forças armadas". O inimigo é o mesmo: o império dos EUA, indicou Chávez para acrescentar que "se eles atacarem um de nós, será um ataque contra todos."

Governo quer comprar 50 helicópteros franceses


Andrei Netto

O governo brasileiro deve fechar a aquisição de 50 helicópteros Cougar, a versão militar das aeronaves Super Puma fabricados pela Eurocopter Group, subsidiária do grupo European Aeronautic Defence and Space Company (Eads). A intenção foi revelada ontem pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Paris, após encontro com empresários do setor bélico e bancário.

Em contrapartida à operação de compra pelo Brasil - cujo valor não foi revelado -, a empresa se compromete a ampliar a linha de produção da subsidiária brasileira, a Helibrás, trazendo para o País a linha mundial dos modelos médios Dauphin.

As aeronaves equiparão as três Forças. O governo já definiu o orçamento do negócio, mas quer negociar com a Eurocopter e o governo francês para obter preço mais baixo. A compra já tem financiador: o Banco Société Générale apresentou duas propostas que serão analisadas pelo Ministério da Defesa.

O acordo dos helicópteros seguirá o modelo que deverá ser utilizado para a produção no Brasil de submarinos Scorpène, da DCNS. Os modelos de ataque e propulsão convencional, deverão ser produzidos no estaleiro da Marinha no Rio e em outra unidade, a ser construída em local ainda não revelado, com valor estimado em US$ 600 milhões cada.

A produção do Scorpène será a primeira etapa para a concretização de outro acordo, independente, para construção no Brasil, com apoio da mesma DCNS, de parte do casco, o “recheio cibernético” e armamento para os futuros submarinos nucleares brasileiros. O Scórpene é o modelo mais novo da Marinha francesa. A versão brasileira terá propulsão diesel-elétrica e sistema de armas integrado, coordenando torpedos de 533mm, lançamento minas e preparo para mísseis leves. Jean-Marie Poimboeuf, presidente da DCNS, confirmou as tratativas ao fim da reunião com Jobim. “A DCNS está imensamente interessada no acordo com o governo brasileiro”, disse o executivo da empresa.

“Nosso interesse é, inclusive, a produção no Brasil.” Jobim e Poimboeuf, porém, asseguraram que o número de submarinos a serem vendidos ao Brasil e o valor do negócio ainda não foram tratados.

Além dos helicópteros e submarinos, o Ministério da Defesa analisa propostas para aquisição de caças de quinta geração, dentro do programa FX-2. Jobim tem dito que o Ministério da Defesa quer também aprimorar o parque industrial bélico do País. Assim, crescem as chances de que o caça escolhido seja o Rafale-C, produzido pela francesa Dassault.

Banco quer financiar fábrica de helicópteros


ELIANE CANTANHÊDE - ENVIADA ESPECIAL A PARIS

O presidente do Banco Société Générale Brésil, François Dossa, anunciou ontem ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que a instituição está disposta a financiar a instalação de uma fábrica de helicópteros no Brasil e a compra de cerca de 50 helicópteros de carga para Aeronáutica, Marinha e Exército, dentro de um pacote ambicioso na área de defesa.

O financiamento imediato seria para a compra dos helicópteros de carga, desde que garantida a transferência de tecnologia para o Brasil.

A compra de submarinos convencionais e de propulsão nuclear franceses, sob a condição de transferência de tecnologia, foi um dos assuntos tratados por Jobim com o presidente da empresa de construção naval DCNS da França, Jean-Marie Poimboeuf.

Ele previu que os acordos entre os dois países na área naval serão "muito rápidos, em alguns meses".

Jobim estuda órgão unificado de compras

Decisão pode gerar resistência nas Forças Armadas; hoje cada uma delas tem um sistema próprio

ELIANE CANTANHÊDE - ENVIADA ESPECIAL A PARIS

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estuda o modelo francês e pretende criar um órgão unificado de compras de equipamentos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o que pode gerar resistências das Forças Armadas. Hoje, cada uma delas tem seu próprio sistema de definição de projetos e de encomendas.

Ontem, Jobim ouviu exposição de quase uma hora e meia de representantes da DGA (Delegação Geral de Armamento), órgão vinculado ao Ministério da Defesa e responsável pela definição das compras na área de defesa da França, que tem uma das mais poderosas indústrias militares do mundo.

O ministro fez várias perguntas e, no final, pediu textos escritos detalhando o funcionamento do órgão, que gere orçamento anual de cerca de 10 bilhões de euros e 18 milhões de empregados em setores governamentais e privados.

Durante a exposição, que foi no auditório da Embaixada do Brasil em Paris, o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, o único dos três comandantes que acompanha a viagem de Jobim, perguntou se quem determina os equipamentos a serem comprados é o DGA ou o Estado-Maior de cada Força.

O representante do órgão, um oficial, explicou que é o DGA, com aprovação do ministro da Defesa e do presidente da República. No final do encontro, a Folha perguntou ao almirante o que ele achava da idéia e ele respondeu: "Eu não sei nada disso. Ninguém me falou nada a respeito".

Segundo Jobim, a intenção não é recriar o Estado-Maior das Forças Armadas, que existiu antes da criação do Ministério da Defesa: "A idéia é um órgão exclusivamente para a compra de armamento", disse.

Jobim tenta atrair grupo russo para o RS

Ministro da Defesa tem encontro marcado com representantes da estatal que responde pelo setor bélico

SEBASTIÃO RIBEIRO

A visita do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Exterior, inclui a negociação da instalação de uma fábrica russa de veículos blindados no Rio Grande do Sul. De sexta a quarta-feira da próxima semana, Jobim estará na Rússia, onde se encontrará com representantes da estatal Rosoboronexport, que centraliza a exportação de material bélico.

Negociadores da empresa estiveram três vezes no ano passado no Estado, onde conversaram com a governadora Yeda Crusius, segundo informações da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai). Nesses encontros, embora não tenham divulgado valores, manifestaram a possibilidade de instalar uma unidade para produção de dois tipos de blindados. Um dos modelos seria o jipe Gaz Tiger, fabricado pela Gaz, uma das principais montadoras russas.

Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, explica que esse veículo blindado é mais indicado para uso policial, embora possa ser utilizado pelo Exército. Bastos acredita que, se houver decisão do governo de renovar a frota militar, haveria mercado para a instalação de uma unidade no país.

O Brasil conta com 409 blindados Cascavel (comporta quatro pessoas e é uma opção para reconhecimento de terreno e apoio a operações) e 223 Urutus (para transporte de tropa, com capacidade de 12 combatentes). Boa parte desses veículos estaria deteriorada e fora de operação. A produção, das décadas de 1970 e 1980, é da brasileira Engesa, que fechou suas portas em 1995.

- O Exército está defasado. A demanda para veículos (blindados) de rodas ultrapassa 2 mil - diz Bastos.

Pólo metalmecânico gaúcho está entre os pontos fortes

O pesquisador, no entanto, considera estranho que o Brasil negocie a vinda da fábrica russa após ter assinado, em dezembro, contrato com a Fiat/Iveco a fim de que a empresa desenvolva um protótipo de veículo para substituir a atual frota de Urutu e Cascavel. Se for fechado acordo com a Rússia, estudiosos de temas ligados à Defesa concordam que o Rio Grande do Sul tem vantagens competitivas.

Nelson Düring, analista de assuntos militares do site Defesa.Net, lembra que o Estado tem um pólo metalmecânico e automotivo na região de Caxias do Sul que facilmente poderia fornecer matéria-prima para a produção de carros militares.

Quando estiveram no Estado, os russos alegaram que algumas empresas gaúchas já exportavam peças para indústrias de veículos bélicos. Outra vantagem do Rio Grande do Sul seria a proximidade com países do Mercosul, para onde os blindados poderiam ser exportados.

No centro da viagem de Jobim, que começou ontem, pela França, está o sonhado submarino nuclear brasileiro. O Brasil negocia a possibilidade de comprar um submarino francês que serviria de modelo à construção de um exemplar brasileiro.

Além do submarino francês, a comitiva também conhecerá os aviões de caça Rafale, uma das opções para substituir os Mirage utilizados pela Força Aérea Brasileira. Outra tratativa diz respeito à possibilidade de helicópteros franceses de transporte serem fabricados no Brasil.

28 janeiro 2008

EUA oferecem envio de tropas ao Paquistão


DA REDAÇÃO

Com sua capacidade militar esticada ao limite devido às guerras no Afeganistão e no Iraque, o governo americano ofereceu ontem enviar soldados ao Paquistão para combater as milícias rebeldes ligadas à Al Qaeda e ao Taleban na fronteira afegã.

"Os EUA estão prontos, dispostos e capacitados a se associar aos paquistaneses para oferecer-lhes treinamento [militar] adicional e conduzir com eles operações conjuntas, se quiserem", afirmou o secretário da Defesa americano, Robert Gates, sem especificar se houve pedido do Paquistão. Washington já financia parte das operações militares de Islamabad.

Embora seja um aliado crucial dos EUA na guerra ao terror, o ditador paquistanês, Pervez Musharraf, vem descartando as ofertas de Washington.

Jobim prioriza negociação de caças com França e Rússia

Ministro descarta comprar supersônicos americanos

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, praticamente descartou ontem o caça F-35 Joint Strike Fighter americano como opção para o reequipamento da Força Aérea, argumentando que "os Estados Unidos não transferem tecnologia".

A nova versão do projeto F-X, de compra de supersônicos, fica então focado no Rafale, da França, e no Sukhoi, da Rússia, os dois países para onde o ministro embarca hoje para uma viagem de 15 dias. Ele pretende discutir também a fabricação de helicópteros de carga no Brasil e um projeto comum para o submarino de propulsão nuclear da França.

A agenda de Jobim prevê audiências com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o ministro da Defesa, Hervé Morin, além de uma visita a uma base da Força Aérea Francesa que opera os Rafale. Quem acertou o encontro de Jobim com Sarkozy foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Jobim, o Brasil tem interesse numa "aliança estratégica com a França" na área de defesa e o objetivo principal é discutir a transferência de tecnologia: "Nós não podemos depender de insumos estrangeiros nessa área. Porque, senão, numa hora decisiva, basta [o fornecedor] cortar o suprimento. Aí, acabou", disse ele.

Na Rússia, principal fornecedor de equipamentos de defesa da Venezuela, inclusive dos modelos Sukhoi-30, Jobim terá encontros com o vice-premiê Sergei Ivanov e com os ministros de Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e da Defesa, Anatoli Serdiukov.

Apesar de quase descartar caças americanos, o ministro disse que sua próxima viagem, em março, será para os EUA.

Brasil tem lei de mobilização em caso de guerra


O Diário Oficial da União desta sexta-feira, 28, publica a íntegra da Lei 11.631 que institui o Sistema Nacional de Mobilização (Sinamob), mecanismo legal destinado a coordenar as ações de governo e do setor produtivo diante de uma eventual agressão estrangeira.

Assinada pelo presidente Lula, a Lei que cria o Sinamob integra onze ministérios. Caberá ao Ministério da Defesa, executar operações quando houver uma conjuntura de risco à soberania nacional e a integridade territorial do país.

De acordo com o Ministério da Defesa, o Sinamob preenche uma lacuna jurídica existente desde a segunda guerra mundial, já que não existia, até o momento, nenhuma lei específica que tratasse especificamente da mobilização nacional, quando houvesse necessidade de ação estratégica conjunta de defesa nacional.

Os atos existentes eram infra-legais ou abordavam mais especificamente a mobilização militar. A Lei 11.631 atende, dessa forma, ao artigo 84, da Constituição, que prevê que cabe ao Presidente da República decretar a mobilização nacional, desde que autorizado ou referendado pelo Congresso Nacional.

A Lei também prevê que, ao decretar a mobilização nacional, o Presidente da República deverá especificar o espaço geográfico do território nacional em que serão adotadas as medidas de defesa estratégica.

O Ministério da Defesa esclarece que existe a possibilidade, em situações de urgência, da convocação dos estados para integrarem o esforço, e a reorientação da produção e do consumo de bens e serviços.

Por último, a mobilização nacional poderá implicar também a intervenção do Executivo nos fatores de produção, tanto do setor público quanto do setor privado, a requisição e a ocupação de bens e serviços e a convocação de civis e militares.

Além do Ministério da Defesa, o Sinamob será composto pelos ministérios da Justiça, Relações Exteriores, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Fazenda e da Integração Nacional.

Também fazem parte do sistema a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

O Sistema Nacional de Mobilização poderá requerer informações de órgãos e entidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e terá recursos financeiros previstos nos orçamentos de cada órgão integrante do sistema.

Antes de ser transformado em lei, o projeto que previa a criação do Sinamob foi discutido durante quatro anos no Congresso Nacional e atende a dois incisos do artigo 22 da Constituição.

O inciso III estabelece que compete à União legislar sobre requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra.

Já o inciso XXVIII fixa como competência da União a defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional.

A seguir, alguns princípios constitucionais que regulam os direitos do cidadão ou o dever o Executivo em caso de guerra:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;

XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional;

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.

Rússia suspende participação no Tratado de Forças Convencionais da Europa


Marcelo Rech

O presidente russo Vladimir Putin, eleito a personalidade do ano pela revista Time justamente por suas posições duras, confirmou no dia 12 que o país está temporariamente fora do Tratado de Forças Convencionais da Europa, que tem com um dos seus objetivos, impor o controle de armas na região.

A chancelaria russa confirmou a moratória, mas informou que poderá haver uma negociação que traga o país de volta ao acordo que também restringe a quantidade de armas convencionais que podem ser posicionadas a oeste dos Montes Urais, área que compreende a porção européia da Rússia.

Vladimir Putin acusa os Estados Unidos e os países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de não terem ratificado a versão revisada do tratado, assinado em 1990.

Com a decisão, a Rússia deixa de compartilhar informações e de receber inspetores internacionais, exigências do tratado.

A comunidade internacional teme que a Rússia reforce sua presença militar nas fronteiras, mas o Ministério das Relações Exteriores do país divulgou nota assegurando que o país não tem planos “nas atuais circunstâncias” de posicionar ou concentrar forças nas fronteiras dos países vizinhos.

A nota garante que “a Rússia está preparada para manter um diálogo orientado por resultados em torno do tratado durante a suspensão”.

É importante enfatizar que o Tratado de Forças Convencionais da Europa foi um dos documentos mais importantes para pôr fim à Guerra Fria.

Em 1999, após o colapso da então União Soviética, o documento passou por uma revisão que tinha por objetivo, refletir o novo equilíbrio de poder militar na Europa.

A moratória declarada pela Rússia, além de confirmar a ameaça do líder russo, deve forçar a OTAN a rever seus planos militares para o continente. Vladimir Putin acusa a organização de estar ampliando suas bases militares na fronteira com a Rússia.

Além disso, a OTAN tem planos de construir um sistema antimísseis que serão baseados na República Tcheca e na Polônia.

Está claro que razões estratégicas movem o presidente russo no momento em que vários acordos de controle armamentista estão expirando.

De acordo com Harald Müller, diretor da Fundação de Pesquisas sobre Paz e Conflitos de Hessen, enquanto os Estados Unidos insistem que o sistema de defesa planejado para o Leste europeu não impedirá mísseis russos, “Moscou enxerga alterações geoestratégicas que pretendem manter a Rússia pequena”.

O fato é que a Rússia, com a suspensão do tratado, poderá aumentar seu estoque de armas convencionais e mobilizar maiores contingentes militares nas suas fronteiras.

O governo russo considera a região do Cáucaso como um problema à segurança do país.

É importante ressaltar que o tratado não vigora plenamente já que a OTAN condicionou sua aplicação à retirada das tropas russas da Geórgia, o que já ocorreu, e da Transnítria, na Moldávia, onde na verdade, a Rússia cumpre mandato de Força de Paz, aprovado pelos governos da então União dos Estados Independentes (CIS).

Para Harald Müller, "quem critica os russos por congelar o tratado é cego de um olho".

Conforme já publiquei neste espaço, em 2002, os Estados Unidos cancelaram de forma unilateral o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM), assinado 30 anos antes com a Rússia.

Já o Tratado de Interdição Completa de Testes Nucleares não vingou em 1999, pois não foi ratificado pelo Senado norte-americano.

Em vigor, o Tratado de Moscou sobre Reduções Estratégicas Ofensivas (SORT), de 2002, prevê que Rússia e Estados Unidos reduzam o número de ogivas nucleares a um máximo de 2.200 unidades. A meta deve ser cumprida até 31 de dezembro de 2012 quando o acordo expira.

O acordo que limita o arsenal nuclear (Start 1) dos dois países em seis mil ogivas atômicas para cada um, expira em 2008.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Estratégia e Política de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org.

26 janeiro 2008

Jobim vai à Europa para discutir tecnologia militar

Ministro da Defesa passará por Rússia e França de 25 de janeiro a 7 de fevereiro. Intenção é tratar do plano estratégico de defesa, que ainda está em gestação e é centrado na transferência de tecnologia para o Brasil

Eliane Cantanhêde
Colunista

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, viajará à Rússia e à França de 25 de janeiro a 7 de fevereiro para discutir com os governos o plano estratégico de defesa, que ainda está em gestação e é centrado na transferência de tecnologia para o Brasil.

Jobim tentará acertar previamente formas de condicionar futuras encomendas e compras de equipamentos de defesa à transferência de tecnologia. A agenda do ministro, que não está fechada, não prevê encontros na área privada.

O objetivo, segundo o Ministério da Defesa, é reduzir a dependência estrangeira e fortalecer a indústria nacional, que inclui não apenas armas e equipamentos bélicos, mas setores como fardamento nas três Forças Armadas. Apesar de a Defesa não confirmar, a viagem pode ser considerada uma pré-investida para o projeto mais espetacular da Aeronáutica: a compra de aviões de caça.

Rússia, com seus supersônicos Sukhoi, e a França, com o Rafale, estão na mira da FAB para o fornecimento dos aviões que fazem a principal linha de defesa do Brasil, baseados em Anápolis (GO). Após a aposentadoria dos Mirage-IIIEBR, o Brasil comprou da França um lote de 12 Mirage-2000 para "tapar o buraco" até a chegada de um avião de nova geração.

O projeto de compra dos caça, chamado de F-X, arrastou-se por anos. Lula o cancelou. Seu formato final era de 2003, e a FAB terá de reavaliá-lo, até porque o mercado evoluiu. O Mirage-2000, por exemplo, era concorrente na disputa anterior e agora já saiu de linha. O F-35 Joint Strike Fighter americano também entrou na lista dos modelos desejáveis.

Conforme tem dito o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, o projeto de compra dos caças "praticamente voltou à estaca zero", para a redefinição de especificações técnicas e de necessidade estratégica. A expectativa era de que o novo projeto ficasse pronto em março, mas a própria Força Aérea não acredita nisso.

A ameaça de corte de gastos, após o fim da CPMF, assusta os militares em outros projetos, mas não no da compra dos caças. A viagem de Jobim foi precedida por um giro do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, pela Europa no final do ano passado. Ele também esteve na Índia.

A Marinha Americana pode Restabelecer a Quarta Frota



Norman Polmar
Analista Naval - Military.com

A liderança da marinha americana está considerando o restabelecimento da Quarta Frota (Fourth Fleet) para operar em águas dos Oceanos Atlântico Sul e Centro. Como a Quinta Frota Americana que opera no Golfo Arábico, a Quarta Frota não teria navios atribuídos permanentemente, mas teria uma estrutura de comando e controle, apoio para os navios e aviões que operassem naquelas áreas.

O almirante Mike Mullen, Chefe do Estado-Maior, declarou recentemente que o restabelecimento da Quarta Frota era "uma grande idéia" e isso "tanto quanto eu sei, está se movendo para a frente." O movimento requereria a aprovação do Congresso.

A formação da frota, que seria comandada por um Vice-Almirante ou Contra-Almirante (Rear-Admiral ou Vice-Admiral), seria baseada em Mayport, Flórida,Seriam as seis frota dos Estados Unidos (que são comandadas normalmente por vice-almirantes). As frotas americanas são:

-
Segunda Frota (Second Fleet) quando operando como componente do U.S. Joint Forces Command;

-Terceira e Sétima Frotas (Third e Seventh Fleets) do U.S. Pacific Command (opera nos Oceanos Pacífico Ocidental Oriental);

- Quinta Frota (Fifth Fleet) do U.S. Central Command (Oceano Índico), e

- Sexta Frota (Sixth Fleet) do U.S. European Command (Mar Mediterrâneo, Báltico e Atlântico Norte).

A Quarta Frota seria o componente naval do
US South Command (SOUTHCOM). Focaria e daria apoio às operações navais que ocorressem na área.

A Quarta Frota precedente era uma das estabelecidas pela US Navy que começou durante a Segunda Guerra Mundial. A denominação era de que as forças operando no Atlântico e Pacífico recebiam números pares e as da área do Pacífico número ímpares. A Quarta Frota foi criada em 15 de Março de 1943, sendo batizada U.S. South Atlantic Force. Essa frota recebeu a missão prioritária de operações anti-submarino contra os U-Boat alemães operando na região (nesse período toda a frota de superfície alemã tinha sido direcionada para as águas do Atlântico incluindo navios mercantes disfarçados)

A Quarta Frota teve uma existência de sete anos. (uma frota do período de guerra -- a décima frota -- era "uma frota de papel" estabelecida no Departamento de Marinha, em Washington, D.C., para coordenar operações anti-submarino dos Estados Unidos no Atlântico. A décima frota foi estabelecida, em 20 de Maio de 1943, sob o comando direto do Chefe de Operações Navais, almirante Ernest J. King, com as operações dirigidas pelo contra-almirante Francis S. Low, Chefe do Estado-Maior. A batalha do Atlântico foi vencida, essencialmente, em maio de 1943, quase simultâneo com a criação da Décima Frota.)

Alguns observadores em Washington encontram uma certa ironia que enquanto o tamanho da frota ativa continua a declinar, uma nova organização está sendo estabelecida. Talvez mais significativo, alguns oficiais navais acreditam que seria mais apropriado coordenar as atividades da U.S. Navy e do US Marine Corps junto ao recém formado U.S. Africa Command,do que criar uma nova frota. As recentes crises em diversos países africanos, as incursões dos chineses na África, e outros eventos indicam que as forças navais dos Estados Unidos estarão mais envolvidas diretamente em águas africanas do que nas áreas atualmente planejadas para as operações da Quarta Frota.

Reencontro emocionado

O Fantástico conta a história emocionante que está por trás de uma foto, tirada 40 anos atrás - o flagrante de um resgate.

O Fantástico conta a história emocionante que está por trás de uma foto, tirada 40 anos atrás - o flagrante de um resgate. Mãe e filha, um bebê de apenas cinco meses, sobrevivem a uma tragédia na selva amazônica. O que terá acontecido com elas?

Fevereiro de 1968. Um hidroavião catalina da Força Aérea Brasileira sobrevoa a Floresta Amazônica. A bordo, 44 pessoas - 38 passageiros e seis tripulantes.

“Eu ia para o Acre, com minhas duas filhas, a de cinco meses e uma de um ano”, conta a aposentada Maria Édna Oliveira.

O trajeto do avião: do Forte Príncipe da Beira, um pelotão do Exército, em Roraima, para a cidade de Guajará-Mirim.

De repente, um dos motores começa a falhar e o avião cai em região de mata fechada.

“Quando acordei, minha filha de um ano estava perto de mim, mas a de cinco meses não”.

Quatro passageiros morrem. Para os 40 sobreviventes, começava um drama que marcaria para sempre a vida de todos.

“Um garoto que sobreviveu estava bastante ferido nas pernas e à noite as formigas o atacavam. Ele reclamava, pedia ao pai pra fazer alguma coisa, mas o pai também não conseguia fazer”, lembra Lauro Eduardo Souza Pinto, piloto do avião.

“Tinha gente com perna quebrada, bacia quebrada, fêmur quebrado, coluna quebrada. Tinha gente com ferimentos generalizados e tinha gente perfeitamente sã”, conta Jadir Camops Albuquerque, co-piloto.

Jadir e Lauro eram os dois jovens pilotos do catalina. A passageira Maria Édna tinha apenas 18 anos. Nas revistas e jornais da época, a guerra do Vietnã era assunto de todo dia. Mas o desastre de Roraima também ganhou destaque.

O caso mais comentado na imprensa era o de dona Maria Édna, a jovem mãe que conseguiu sobreviver com as duas filhas pequenas. Na queda, Simone, de cinco meses, havia sido jogada para fora do avião.

“Ouvi o choro muito distante. Comecei a gritar quando eu não vi minha filha. Aí eu disse que era minha filha, e o rapaz foi lá apanhar”.

Os sobreviventes passaram dois dias e duas noites na selva, rezando para serem localizados pelos aviões de salvamento.

“As saúvas comeram toda a minha roupa no meu corpo. Aí um soldado me deu a camisa dele. A gente já estava com 24 horas, tava só de calcinha porque era muita saúva no meu corpo. E não dava tempo, porque eu tirava das meninas e esquecia de mim. Eu cuidava muito bem delas, fiz o que pude, parece que eu tava anestesiada”.

O soldado que deu a própria camisa para dona Maria Édna e ajudou a cuidar dos feridos até hoje é lembrado como um herói.

“Esse soldado ajudou muito. Ele cortava o cipó e botava as gotinhas na boca das meninas, aquela água bem roxinha do cipó”, conta Maria Edna.

O Fantástico foi encontrar Francisco Martins do Nascimento, o soldado Leão, em Guajará-Mirim, onde vive com a família. Aos 60 anos de idade, tem oito filhos, 21 netos e oito bisnetos. Até hoje ele se emociona ao recordar o drama da jovem mãe.

“Essa senhora dizia pra mim só assim: ‘Leão, Leão, salva minha filha, eu sei que eu vou morrer, mas salva minha filha’”.

O avião foi localizado, no dia 10 de fevereiro de 1968, graças às fogueiras feitas pelo soldado Leão.

“O avião passou já olhando pra gente, acenando. Foi uma gritaria, foi uma alegria tão grande...”, conta o solado.

“Estávamos voando mais ou menos há uma hora, uma hora e pouco, e nós vimos uma fumaça pelo lado esquerdo, se elevando da floresta. Nesse momento nós tivemos certeza que era o avião”, recorda o coronel Torres Júnior, piloto do avião de busca.

O helicóptero do Pára-Sar, serviço de salvamento e resgate da Aeronáutica, foi logo acionado. Alguns soldados desceram e abriram uma clareira na mata para o aparelho pousar.

“No momento em que nós providenciamos o resgate, nós demos prioridade a essa criança que tinha cinco meses. Me parece que foi a primeira a ser içada pelo guincho do helicóptero”, diz Doc Santos, médico da operação de resgate.

Ainda hoje o coronel Jadir lembra, impressionado, da reação de dona Maria Édna, no momento em que a filha de cinco meses foi resgatada.

“Ela entregou a criança nos braços de alguém e desmaiou”.

Quarenta anos depois, o ex-piloto ainda quer terminar uma última missão.

“Faz parte do meu projeto de vida localizar essa criança e eu acho que vou localizar”.

Demorou muito tempo, mas finalmente chegou a hora.

No aeroporto de Brasília, dona Maria Édna chega para o encontro com a filha Simone, o bebê que tinha cinco meses em 1968. Hoje ela tem três filhos e mora em Itapema, Santa Catarina.

Logo depois chega o coronel Jadir, que mora no Recife.

“A minha vida toda eu comecei a acreditar que não era verdade e sim era um sonho, não tinha acontecido”, diz Simone Castro de Azevedo, filha de Maria Édna.

“Sua imagem nunca saiu da minha cabeça. Você me ajudou muito, muito obrigada, nas minhas orações eu nunca esqueci”, diz Maria Édna para o soldado Leão.

Simone fica impressionada ao ver, pela primeira vez, a foto do momento do resgate.

Esquecido durante tantos anos, o soldado Leão não tem, na sua ficha de serviço, nenhuma referência ao episódio de 68. Mas diz que, ainda assim, se sente recompensado.

“O maior estímulo disso tudo é saber que pelas minhas ações eu sou amado, eu sou admirado, eu sou respeitado. Então eu acho que esse é o melhor presente para o ser humano”.

PAME-RJ celebra contrato de Suporte Logístico para radares


O Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica do Rio de Janeiro celebrou com a Empresa Thales, em 4 de dezembro de 2007, um contrato de quatro anos para a manutenção, em campo e em laboratório, de módulos dos sistemas radar de fabricação Thales instalados em 47 localidades do SISCEAB.

As ações contratadas prevêem o controle das atividades por meio de indicadores logísticos e índices de qualidade bem definidos, os quais permitirão que a manutenção prestada pelas equipes do DECEA dê um salto de qualidade em direção a inserção de novas tecnologias. Além disto, este contrato, que também contempla a manutenção de itens eletrônicos, mecânicos e de informática, possibilitará a atualização das cadeias reduzidas do PAME-RJ e a elevação do nível de conhecimento dos técnicos do SISCEAB em todos os seus elos.

Por fim, o “ pipeline ” logístico acordado para reparo de itens em fábrica aliado a um criterioso programa de manutenção preventiva permitirá a maior disponibilidade destes itens, e ainda uma sensível redução dos estoques e do número de inoperâncias, aumentando conseqüentemente, a disponibilidade dos Radares Thales.

25 janeiro 2008

Iraque é exemplo de eficácia das velhas armas



Charles J. Dunlap Jr. * The New York Times

(nota DEFESA@NET o título em inglês é "We Still Need the Big Guns"
o que não é o sentido adotado na tradução)

A relativa calma que as Forças Armadas dos EUA impuseram no Iraque certamente é motivo para um otimismo moderado. Mas também levanta algumas questões óbvias: como isso foi alcançado e o que significa para o futuro planejamento da estratégia de defesa?

Compreensivelmente, muitos analistas atribuem esse sucesso ao fato de as tropas dos EUA seguirem os ditames do elogiado novo manual de contra-insurgência do Exército. Embora o manual seja bem melhor do que seus antecessores, seria um enorme erro tomar isso como uma prova de que - como tem feito a imprensa, a comunidade acadêmica e organizações políticas independentes - essa vitória sobre os insurgentes foi obtida por qualquer outra tática que não o uso de força militar tradicional.

Infelizmente, entusiastas fascinados interpretaram mal o manual ao dizerem que para derrotar uma insurgência é preciso conquistar corações e mentes com equipes de antropólogos, propagandistas políticos e agentes graduados de assuntos civis munidos de kits prontos de democracia. Eles consideram ultrapassado matar ou capturar insurgentes. (Nota DEFESA@NET: o texto original menciona "starry-eyed enthusiasts" em referência ao General Donn A. Starry,que foi o arquiteto da doutrina militar do US Army nos anos 80. Um ataque indireto ao Gen Petraeus, pois Starry também comandou o US Army TRADOC)

Mas a realidade é bem diferente. A lição do Iraque é que forças tradicionais funcionam. Acrescente 30 mil soldados da melhor infantaria do mundo aos 135 mil soldados calejados pela batalha que já estão lá, como foi feito, e a insurgência em menor número estará em séria encrenca. Detenha mais milhares de iraquianos como ameaças à segurança, e o potencial para a violência inevitavelmente declina.

Notícias veiculadas pela imprensa indicam que o número de iraquianos presos dobrou no ano passado, de 15 mil para 30 mil. E embora o número de baixas seja vago, militares disseram ao jornal USA Today em setembro que o número de insurgentes mortos era 25% mais alto do que em todo o ano de 2006.

Apesar de a nova doutrina da contra-insurgência parecer antitecnológica - desencolrajando o uso do poderio aéreo -, comandantes no Iraque conseguiram bons resultados no ano passado deixando de lado tais recomendações. Poucos americanos sabem que os ataques aéreos quintuplicaram em 2007, em relação ao ano anterior, o que ocorreu paralelamente à estratégia de reforço de tropas. Mais uma vez, recorrer à alta tecnologia mostrou ser um grande sucesso.

Dois outros fatos desconfortáveis também ajudaram a reduzir a violência. Primeiro, a população iraquiana em grande parte segregou-se em feudos sectários. Segundo, insurgentes supostamente “regenerados” agora dominam a Província de Anbar. Embora esses partidários sunitas tenham por enquanto tomado o lado dos EUA, será que podemos supor que eles incorporaram a idéia de um Iraque verdadeiramente pluralista e democrático?

Admiradores do manual de contra-insurgência usam-no como um porrete contra as pessoas que planejam a estratégia da próxima guerra em vez da atual. Segundo essa linha de pensamento, a próxima guerra será uma repetição do Iraque e, assim, a maior parte das Forças Armadas americanas deve estar estruturada para a contra-insurgência.

Mas isso não leva em conta outras possíveis ameaças. Será que devemos ignorar a crescente força da China e os planos da Rússia para desenvolver uma quinta geração de caças que irá suplantar o jato americano top de linha, o caça F-22?

Mais ainda: será que alguém acredita que criar equipes de altos funcionários dedicados a assuntos civis irá deter a Coréia do Norte e o Irã?

Sim, há sempre a possibilidade de que nos encontremos mais uma vez combatendo uma insurgência e o manual contém muitas boas idéias. Além disso, a proposta de uma equipe de 20 mil consultores para ajudar as forças locais iraquianas a combater os insurgentes deve logo receber luz verde.

O problema surge quando consideramos alocar excesso de recursos na preparação para apenas um tipo de conflito. Fazer isso colocaria os EUA numa situação de verdadeiro perigo de perder a superioridade tecnológica que tem mantido as ameaças muito mais perigosas à distância. Por exemplo, deve-se considerar que os aviões de guerra dos EUA têm pelo menos 25 anos.

O enorme custo da guerra no Iraque, sem falar na perda de vidas de ambos os lados, deveria aconselhar contra a idéia de uma operação semelhante em outro lugar. Olhando para o futuro, os EUA precisam de Forças Armadas preparadas não em ocupar outro país mas em impedir que os adversários em potencial tenham capacidade de atacar interesses americanos. Essa não é uma tarefa para contra-insurgentes, mas para Forças Armadas de alta tecnologia que substituam os cadáveres de jovens americanos por máquinas.

TRADUÇÃO DE MARIA DE LOURDES BOTELHO

* Charles J. Dunlap Jr. é major-general USAF (equivalente a brigadeiro-do-ar na FAB), autor do livro ortchanging de Joint Fight?, uma avaliação do manual de contra-insurgência do Exército. Ele escreveu esteartigo para ‘The New York Times’

DENEL e SAAB em negociações com a EMBRAER no C-390 - Parceiros de Risco


Keith Campbell
DEFESA@NET Correspondente
em Pretoria

O CEO do grupo industrial DENEL, da África do Sul, de capital estatal, Shaun Liebenberg, revelou que o grupo está em negociações com a empresa brasileira EMBRAER para ser participante de risco (risk-sharing partnership) no novo projeto de aeronave de transporte militar, o projeto C-390.

As negociações envolvem o Grupo DENEL, a companhia subsidiária da Denel, a DENEL SAAB Aerostructures e o grupo sueco SAAB. (DENEL SAAb Aerostructures tem 80% de capital da Denel e os restantes 20% em posse da SAAB.) Estas três empresas estão negociando de forma conjunta com a brasileira EMBRAER.

O modelo de negócio da EMBRAER é de usualmente desenvolver um avião com parcerias de risco. A empresa brasileira desenvolve o projeto e realiza a montagem final da aeronave.

Os parceiros de risco detalham o projeto e produzem muitos dos elementos e componentes da aeronave, incluindo grandes estruturas.

Este modelo tem sido empregado com sucesso pela EMBRAER nas famílias de aviões ERJ145 e os EMB170-190. O C-390 seguirá o mesmo modelo de negócio.

Como a DENEL SAAB Aerostructures será parceira de risco o governo da África do Sul não terá a obrigação de comprar nenhum C-390.

Esse programa diferirá da participação da Denel no avião de transporte militar Airbus A400M. O grupo sul-africano só foi capaz de entrar no programa do avião de transporte militar da Airbus devido ao governo da África do Sul ter adquirido oito aeronaves A400M para a South African Air Force (SAAF).

Liebenberg afirmou que o grupo DENEL e o governo da África do Sul estavam convocando a SAAB para que exerça sua opção de tornar-se acionista majoritária na DENEL SAAB Aerostructures.

A SAAB pode aumentar de seus atuais 20% no capital da holding para 51% e posteriormente 70%. A SAAB já gerencia contratos para a Denel Saab Aerostructures.

Veteranos da FEB em situação crítica


Ancelmo Góis

Alô, Nelson Jobim!

A Associação dos Veteranos da FEB continua em situação crítica. Se não receber ajuda logo, terá de encerrar, qualquer dia desses, suas atividades.

Recomeçou o lobby dos caças


Ilmar Franco

Os embaixadores estrangeiros estão fazendo romaria no Ministério da Defesa. Buscam informações com o ministro Nelson Jobim sobre a nova concorrência, com dispensa de licitação, que o governo vai deflagrar para a compra de caças para aparelhar a Aeronáutica brasileira. Nessas conversas, o ministro informa que o principal critério para a aquisição será o de transferência de tecnologia. O processo será todo reiniciado, pois os parâmetros e aparelhos da concorrência anterior estão defasados do ponto de vista tecnológico. Em breve, a Aeronáutica definirá oficialmente como devem ser os aviões que o Brasil vai comprar.

A defesa nacional

São muitas as preocupações, mas há uma de que não se tem falado nada, e é sobre ela que me permito falar. Trata-se da defesa nacional

JOSÉ ALENCAR

O ORÇAMENTO sofreu um rombo. Coisa parecida com R$ 40 bilhões. O equilíbrio orçamentário é absolutamente essencial para a estabilidade da moeda. Mas o rombo está posto. Quarenta bilhões de reais.

A partir daí, há sérias preocupações, presentes na saúde, na educação, no saneamento, na energia e no transporte, no Bolsa Família. São muitas as preocupações.

Mas há uma de que não se tem falado nada, e é sobre ela que me permito falar, sem desapreço às outras, algumas arroladas aqui. Trata-se da defesa nacional.

Dimensão territorial, população, PIB, situação geográfica, entre outros fatores, nos conferem responsabilidades especiais em relação à região a que pertencemos.

Somos um país que exerce responsabilidades maiores em toda a América Latina, notadamente na América do Sul. Nosso território, é bom lembrar, tem 8,5 milhões de km2. Nossas fronteiras, mais de 15 mil km de extensão. Nossa costa atlântica se estende por 7.367 km, do Rio Grande do Sul ao Amapá.

Nosso país possui riquezas que exigem vigilância responsável. Os recursos minerais, a admirável biodiversidade, as florestas inigualáveis; terra, água e sol que nos tornam um dos melhores países produtores mundiais de alimentos e, agora, biocombustível. Nosso mar territorial, a chamada Amazônia Azul, representando mais de 50% do território nacional, é riquíssimo em petróleo, gás, nódulos polimetálicos e recursos vivos. Um patrimônio de valor imensurável, que exige absoluta atenção e presença de nossas forças em sua defesa.

Essa é a dimensão. São gigantescas as responsabilidades que nos pesam.

E, no entanto, há muitos anos, temos relegado a plano secundário o reaparelhamento das Forças Armadas nacionais, preocupação que deve estar presente na cabeça não apenas de cada homem público, mas de todos os brasileiros.

Está na Constituição Federal que as Forças Armadas destinam-se, entre outras atribuições, à defesa da pátria. Como, porém, defender nossa integridade territorial, a soberania, a integração nacional, a paz social e o progresso? A própria democracia?

Como cumprir essa tão nobre missão desprovidas das condições elementares e essencialíssimas para tal? Como combater -por terra, mar e ar- a estrutura e a reconhecida agilidade do crime organizado, do contrabando, do tráfico humano, de armas e de drogas se não contarmos com os recursos tecnológicos, de equipamentos e de armamentos correspondentes ao tamanho do desafio?

É de fundamental importância a manutenção das Forças Armadas em patamar de atualização técnica e tecnológica, material e humana que lhes permita exercer a inalienável atribuição. O despreparo e a obsolescência de meios certamente custam mais caro. As conseqüências são imprevisíveis. A prontidão tem um custo.

Do ponto de vista humano, nossas Forças Armadas se equiparam às mais bem preparadas do planeta. As academias e escolas de aperfeiçoamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica fornecem ao país, anualmente, contingentes aptos ao cumprimento da missão. O conceito de que desfrutam a Escola Naval, a Academia Militar das Agulhas Negras e a Academia da Força Aérea Brasileira tem despertado a busca permanente, por parte de outros países, de oportunidade de treinamento e aperfeiçoamento para elementos de suas forças.

Como nação soberana, o Brasil requer uma capacidade de defesa compatível com a sua estatura político-estratégica e com sua crescente inserção no concerto internacional. Nesse sentido, cabe lembrar que o decreto 5.484/05, que aprova a Política de Defesa Nacional, define que "é prioritário assegurar a previsibilidade na alocação de recursos em quantidade suficiente para permitir o preparo adequado das Forças Armadas".

Assim, a manutenção da previsão orçamentária para o ano de 2008 é imprescindível ao atendimento das necessidades mais prementes e imediatas das três forças, tanto no que diz respeito ao reaparelhamento material como na atualização dos soldos, fazendo-se justiça.

Somente dessa forma elas poderão ajustar-se à estatura político-estratégica da nação, ficando em condições de respaldar as decisões soberanas do país, seja no cenário regional, seja no mundial.

É oportuno reiterar que o Brasil não pode prescindir de Forças Armadas que assegurem seus bens e interesses, que permitam honrar seus compromissos internacionais e que respaldem sua posição histórica de fiador da paz e da harmonia entre as nações.


JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA , 76, é vice-presidente da República Federativa do Brasil. Foi ministro da Defesa de 2004 a 2006.

22 janeiro 2008

CTEx vai desenvolver VANTs com empresa de S.J. dos Campos


A empresa Flight Solutions anunciou esta semana que ganhou a licitação do CTEx – Centro Tecnológico do Exército - para o desenvolvimento e fornecimento de VANTs – Veículos Aéreos Não-Tripulados. A partir dos próximos meses, eles atenderão o CTEx – localizado no Rio de Janeiro, com quem trabalharão lado a lado.

O contrato, a ser assinado entre fevereiro e março de 2008, com previsão de 12 meses, envolve o desenvolvimento e fornecimento de um sistema composto por três VANTs. Será feita a integração de uma plataforma aérea, um sistema de controle e de uma estação de solo.

Na primeira fase serão realizadas as revisões nas especificações técnicas do projeto básico. Na segunda, haverá o desenvolvimento das soluções, e na terceira a fabricação e entrega do sistema. Todas as fases terão lugar em São José dos Campos. Para atender essa nova demanda, a Flight Solutions adequará sua estrutura, dobrando a equipe, que passará de 10 para 20 profissionais.

O contrato também terá grande importância nacional, pois pode levar o Brasil a uma posição de destaque na aplicação da tecnologia de VANTs na América Latina. Hoje, países como Argentina e o México já possuem iniciativas avançadas para o uso destas tecnologias em aplicações não só militares, mas também civis.

Atualmente, o mercado de VANTs é um dos mais dinâmicos da indústria aeroespacial e tem apresentado recordes de crescimento. Na última década, este mercado triplicou, impulsionado principalmente por contratos nos Estados Unidos e em Israel, movimentando cerca de US$3 bilhões anualmente. A América Latina juntamente com Oriente Médio e África correspondem a 3% deste total e concentram o principal foco da Flight Solutions para abertura de seus mercados.

Chile modernizará submarinos equatorianos

Blog naval

O Ministério de Defesa do Equador firmou com o estaleiro chileno ASMAR (Astillero y Maestranza de la Armada de Chile) um contrato para a modernização dos dois submarinos Tipo 209/1300 no último 11 de janeiro. O contrato prevê a recuperação integral dos submarinos, instalação de novas baterias e novos periscópios. O projeto deve ser concluído em 2012, capacitando os navios para mais vinte anos de vida útil, segundo a Marinha do Equador.

A Marinha do Equador encomendou dois submarinos Tipo 209/1300 em 1974. O primeiro, S101 Shyri, foi entregue em fins de 1977 e o segundo, S 102 Huancavilca, no início de 1978. Ambos sofreram pequenas atualizações na década entre 1983 e 1984 e posteriormente entre 1993 e 1994. O S101 ainda passou pelo ASMAR em 1999, quando recebeu alguns melhoramentos.

A modernização faz parte do “Plan de Fortalecimiento del Poder Naval” equatoriano que, possivelmente, também incluirá a aquisição de duas fragatas chilenas usadas.

Submarino indiano colide com mercante

Blog Naval

O INS Sindhughosh colidiu com o mercante MV Leeds Castle (bandeira das Ilhas Cayman) no último dia 10 de janeiro. O incidente aconteceu no Mar da Arábia e não teve feridos. O submarino encontrava-se em profundidade periscópica e, segundo autoridades indianas, os danos foram mínimos e atingiram parte da vela. Após o incidente o submarino voltou para o porto de Bombaim.

Segundo fontes não oficiais, a colisão ocorreu porque o sistema de sonar do submarino (USHUS), desenvolvido localmente, apresentou falhas e não localizou o mercante.

A classe Sindhughosh, formada por dez unidades, deriva do projeto 877 (ou classe Kilo segundo classificação da OTAN), desloca aproximadamente 3.000 t e atinge uma velocidade máxima, quando submerso, de 18 nós. O último da classe, o INS Sindhushastra foi o primeiro submarino indiano equipado com mísseis de cruzeiro 3M-54 Klub (SS-N-27 pela OTAN), cujo alcance atinge 220 km. Especula-se que testes com mísseis desse tipo na Marinha da Índia tenham falhado. Os mísseis lançados não encontram seus alvos.

O futuro dos Falcões

10 anos depois de sua criação, o 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque da Marinha luta contra o baixo orçamento e dificuldades técnicas, mas ainda há luz no fim do túnel

Alexandre Galante

Limitada por um decreto governamental desde 1965, a Marinha do Brasil só podia operar helicópteros a bordo do seu porta-aviões. Os aviões embarcados P-16 Tracker pertenciam à FAB. Mas em abril de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu permissão à Marinha para novamente operar aeronaves de asa-fixa e, três meses depois, foram comprados por US$ 70 milhões, 23 caças-bombardeiros A-4KU Skyhawk do Kuwait, incluindo peças de reposição e 217 mísseis ar-ar Sidewinder AIM-9H.

Na Marinha do Brasil os aviões receberam as designações AF-1 (monoplace) e AF-1A (biplace) e foram alocados ao recém-criado 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1).

A compra dos jatos Skyhawk e a posterior aquisição do navio-aeródromo francês Foch (rebatizado São Paulo) em setembro do ano 2000, deram à Marinha a chance de recuperar o tempo perdido na formação da doutrina da aviação de asa-fixa embarcada.

A Esquadra brasileira sempre se ressentiu da falta de apoio aéreo às operações navais afastadas do litoral e a posse de um navio-aeródromo de maior porte dotado de aviões de ataque com alguma capacidade de interceptação, elevou a Marinha do Brasil a um novo patamar operacional.

10 anos depois...

... a situação não é tão animadora quanto no início. Atualmente nenhum AF-1 Skyhawk está em condições de vôo por falta de motores e o navio-aeródromo São Paulo ainda deve demorar a voltar ao mar, devido a um problema num de seus eixos propulsores.

Há muito tempo a Marinha vinha mantendo apenas dois aviões em condições de vôo, um AF-1 e um AF-1A, por falta de recursos.

Em maio de 2005 foi selecionada a Lockheed Martin da Argentina para o serviço de apoio de seis jatos A-4 (AF-1) e para 10 turbinas J52-P408. O contrato para um período de quatro anos foi avaliado em US$ 6,5 milhões. Embora o trabalho da Lockheed tenha sido elogiado em alguns pontos, até agora nenhum motor enviado à Argentina foi devolvido revisado. Por causa desse atraso, a Marinha do Brasil teve de procurar um novo fornecedor para o serviço das turbinas e parece que a empresa IAI israelense foi a escolhida. Estima-se que os AF-1 só voltarão a voar no segundo semestre de 2008. Enquanto isso, os pilotos do Esquadrão VF-1 estão voando no simulador do Skyhawk instalado em São Pedro de Aldeia e nos aviões AT-26 Xavante da FAB, em Natal.

Com o esperado retorno do NAe São Paulo às operações normais e a chegada dos motores revisados dos AF-1, imagina-se que os pilotos navais brasileiros possam finalmente voltar a pousar e decolar do nosso porta-aviões ainda em 2008.

Uma performance histórica

O A-4 Skyhawk dispensa apresentações. Uma busca no Google traz 45.600 referências sobre a aeronave. Mas nunca é demais relembrar que o A-4 é um dos melhores e mais simples projetos de aviões de ataque de todos os tempos, tendo deixado sua marca registrada nas guerras do Vietnam, Yom Kippur e Malvinas. Neste último conflito no Atlântico Sul, em 1982, os Skyhawk argentinos afundaram com bombas "burras" o destróier Type 42 HMS Conventry e as fragatas Type 21 HMS Antelope e Ardent, bem como causaram pesadas avarias em vários outros navios. Mesmo em cenários atuais, como foi provado em exercícios, os Skyhawk ainda podem causar sérios problemas para navios de superfície modernos, pois seu pequeno tamanho e alta velocidade rente ao mar, o fazem um alvo difícil de ver, de detectar e derrubar.

Pela sua manobrabilidade, na arena ar-ar o A-4 também foi considerado um adversário de respeito, haja vista que o modelo foi usado como agressor durante muito tempo na escola Top Gun da US Navy. Vale lembrar que nossos AF-1 são da versão Skyhawk II, cujo motor tem quase 20% de potência a mais que as versões anteriores. Isso dá a eles uma performance muito melhor em combate aéreo aproximado.

Os Skyhawk brasileiros só não podem render mais por causa da sua aviônica analógica e pela falta de armamento ar-ar no "estado-da-arte".

Vale a pena modernizar?

Os Skyhawks da MB pertencem ao último lote fabricado pela McDonnell Douglas, tendo sido entregues ao Kuwait entre 1977 e 78. Como comparação, os F-5E da FAB que estão sendo atualmente modernizados, começaram a ser recebidos em 1976.

Apesar de serem veteranos da primeira Guerra do Golfo, quando foram comprados pelo Brasil os A-4KU tinham apenas 1.600 horas de vôo, e ainda encontram-se em excelente estado, segundo uma vistoria técnica recente. Levando-se em conta esse fatores, a MB planeja usar os aviões até 2020/25, que é também o limite da vida útil projetada do NAe São Paulo.

Sendo assim, foi instituído um Grupo de Trabalho, para estudar a revitalização e modernização dos AF-1 Skyhawk. O estudo prevê que a modernização seja conduzida no Brasil e usando o máximo possível de componentes do programa F-5BR e A-1M, levado a cabo pela Embraer e a Elbit israelense.

A revitalização, numa primeira etapa, compreenderá a substituição dos componentes mais envelhecidos e sujeitos a panes, que reduzem a disponibilidade dos aviões, como o sistema de navegação e rádio. Uma segunda opção de modernização abrangerá também a instalação de um glass cockpit, similar ao do F-5EM e do A-29 Super Tucano da FAB. E um terceiro pacote, incluirá um radar multimodo.

A abrangência do pacote de revitalização/modernização vai depender obviamente da disponibilidade de recursos. Acredita-se que o pacote mais completo custará em torno de US$ 66 milhões por 12 aviões modernizados, o que é praticamente o valor de apenas uma unidade do novo caça do Programa FX-2, que em breve deve ser escolhido pela FAB.

Se levarmos em conta que os Falcões após a modernização terão sua capacidade de combate multiplicada, similar à alcançada pelos F-5EM e A-1M (AMX) da FAB, a relação custo/benefício será bastante satisfatória para a Marinha.

Entre os radares que poderiam ser instalados no Skyhawk está o multimodo Mectron SCP-01 Scipio, feito no Brasil em conjunto com a Itália, e que será instalado nos AMX da FAB. É um radar otimizado para funções ar-superfície com alguns modos simples ar-ar. O radar tem a função de auxiliar o piloto a fazer operações de ataque ao solo e combate aéreo. Foi projetado para ser instalado a bordo do AMX e ser o principal sensor do subsistema de armas. O Scipio também poderia ser adaptado aos Skyhawk da MB.

O radar pode mapear o terreno, indicar alvos móveis terrestres, evitar o terreno, fazer telemetria ar-solo e ar-ar, busca marítima e tem capacidade look down/look up (olhar para cima e para baixo).

Operando na banda X, com agilidade de frequência, o radar é capaz de identificar um alvo de 100 metros quadrados no mar a 50 milhas e tem alcance de 20 milhas contra um alvo aéreo de 5 metros quadrados.

É bom lembrar que o principal avião de combate argentino atual é o Skyhawk versão A-4M, que foi modernizado nos EUA, e emprega um radar APG-66 modificado.

Armamento ousado

Hoje qualquer treinador turboélice ou à jato pode tornar-se um adversário ar-ar perigoso para caças legítimos, graças aos avanços de mísseis como o Python 5, que pode ser disparado contra alvos fora do eixo longitudinal do avião, com o buscador do míssil "amarrado" à mira do capacete do piloto. Graças à miniaturização da eletrônica, até um míssil BVR como o israelense Derby pode ser levado pelo Skyhawk, pois seu tamanho é pouco maior que um Sidewinder. O Derby já é usado pela FAB no F-5EM.

Da mesma forma, na arena ar-superfície existem armas stand-off que permitem o ataque a alvos bem defendidos no mar e na terra. Um ótimo candidato para o AF-1 modernizado seria o míssil Popeye 2 (ou Have Lite), da Lockheed e Rafael, já homologado para o Skyhawk, guiado por TV e IR, com alcance de mais de 50 milhas náuticas.

O míssil Popeye 2 é o sonho de qualquer aviador naval, pois permite o engajamento de alvos bem fora do alcance de mísseis superfície-ar, arriscando o mínimo possível a vida dos pilotos contra alvos bem defendidos.

Bombas guiadas a laser (e por GPS) também poderão fazer parte do repertório dos AF-1 modernizados, de preferência adquirindo-se os kits Lizard já usados pela FAB.

Homologar o míssil antinavio AM39 Exocet (já usado pela Marinha nos seus helicópteros SH-3) para ser disparado do Skyhawk pode ter complicações que não compensem, sendo assim poderiam ser adquiridas algumas unidades do míssil Gabriel III já compatibilizado ao A-4.

Embora o custo do armamento moderno seja elevado, é possível a aquisição de pequenas quantidades para familiarização e treinamento, até que se tenha condições para formação de estoques de guerra.

O tempo é agora

A Marinha do Brasil soube ousar quando quis ter de volta o direito de possuir seus aviões de combate e também quando adquiriu o NAe São Paulo.

Se ela pretende que sua aviação embarcada tenha uma capacidade de combate crível no século XXI, será preciso ousar novamente. Até que novas aeronaves e um novo NAe possam ser adquiridos pelo Brasil, é necessário modernizar os Falcões e o porta-aviões São Paulo, tendo em vista a disparidade tecnológica desses meios em comparação com a tecnologia aeronaval atual e das próximas duas décadas. Mas é preciso agir logo, para que a janela de oportunidade não se perca, tendo em vista a idade dos equipamentos, que se aproximam cada vez mais do final de sua vida útil.