31 março 2011

Embraer avalia aquisições para crescer

A companhia negocia a compra de uma empresa na área de defesa e segurança que pode ser anunciada em breve, afirmou nesta quinta-feira o seu presidente-executivo

Por Cesar Bianconi e Guillermo Parra-Bernal
REUTERS


SÃO PAULO - A Embraer está aberta a oportunidades de aquisição, sobretudo no mercado de defesa, como forma de acelerar o aumento da receita além do crescimento orgânico.

A companhia -- que nasceu em 1969 com a missão de desenvolver aeronaves para as Forças Armadas do Brasil na década -- negocia a compra de uma empresa na área de defesa e segurança que pode ser anunciada em breve, afirmou nesta quinta-feira o seu presidente-executivo, Frederico Curado.

"Estamos procurando ficar um pouco mais abertos a oportunidades de aquisição. É uma forma de crescer sem aquele monólogo do desenvolvimento de novos produtos sempre", disse Curado no Reuters Latin American Investment Summit.

"Na área de defesa há uma série de pequenas e médias empresas... Queremos ser vistos como uma empresa central para o Brasil na área de defesa e segurança." Em 15 de março, a Embraer Segurança e Defesa, divisão da companhia, anunciou a compra de 64,7 por cento da divisão de radares da Orbisat da Amazônia por 28,5 milhões de reais.

"Existe um segundo processo em andamento que temos uma expectativa positiva para as próximas semanas", declarou o executivo, sem dar mais detalhes.

A Embraer, maior fabricante mundial de aviões comerciais regionais, vem apostando em novos produtos na aviação executiva e em defesa nos últimos anos como forma de ampliar as vendas.

A principal unidade de negócio continua a ser a de jatos comerciais, que terminou 2010 com encomendas por 250 aviões para serem entregues.

Alguns analistas temem que a Embraer terá dificuldade para manter entregas anuais de 100 jatos regionais ou mais a partir de 2013, considerando a carteira atual de pedidos e a chegada de concorrentes para os E-Jets da fabricante brasileira, que transportam de 70 a 118 passageiros.

Curado, porém, descartou esse risco.

"Eu tenho uma visão de longevidade dos E-Jets bastante grande. Temos hoje motores de nova geração que estão sendo utilizados em novos projetos que chegarão ao mercado em alguns anos, então qualquer visão que considere que o Embraer 190 (de 100 passageiros) é obsoleto tem uma visão errada." "Os E-Jets são aviões que estarão no mercado durante décadas... Eu vejo nos E-Jets a história do Boeing 737, que é um produto que tem 40 anos, com três gerações." 


Sobre os futuros aviões rivais na faixa dos 100 assentos -- de China, Rússia e Japão --, o presidente-executivo da Embraer disse que "mesmo que entreguem tudo que estão prometendo, para se chegar a uma escala industrial serão oito ou nove anos".

O executivo revelou ainda que a "ansiedade por remotorizar os E-Jets diminuiu bastante", diante da forte procura pelos modelos. "Os E-Jets, em algum momento, não sei se daqui a cinco ou seis anos, precisarão de uma nova versão", disse.

Diante desse quadro, o que a Embraer decidirá até o final do ano é se desenvolverá um avião maior totalmente novo, que a colocaria em disputa com as gigantes Boeing e Airbus.

OPORTUNIDADES NOS EUA


A Embraer passou de uma receita média anual de perto de 3 bilhões de dólares na primeira metade da década passada para 5,2 bilhões de dólares ao ano nos últimos cinco anos.

Para 2011, a empresa estima receita de 5,6 bilhões de dólares, avanço de cerca de 5 por cento sobre o ano passado e meta que foi considerada conservadora por analistas.

O principal vetor de expansão da receita da empresa tem sido a ampliação da linha de produtos. A próxima expansão do portfólio da Embraer na aviação executiva ocorrerá em 2012 e 2013, com o Legacy 500 e Legacy 450. Em defesa, será com a entrada em serviço do cargueiro KC-390 em 2015.

Questionado se um novo salto no patamar da receita ocorreria somente a partir de 2015, Curado respondeu que, além dos novos produtos e das aquisições, pode se esperar antes disso um aquecimento do mercado aéreo norte-americano.

"As companhias aéreas dos Estados Unidos praticamente não estão comprando aviões já faz muito tempo. Em aviação comercial existe uma perspectiva fantástica nos próximos anos lá", disse, citando negociações já públicas com a Delta Air Lines por uma encomenda. Boeing, Airbus e Bombardier também estão no páreo.

JAPÃO PREOCUPA


Curado comentou ainda que a Embraer e todo o setor aeronáutico acompanham com atenção os desdobramentos do terremoto e tsunami que atingiram o Japão em 11 de março, já que há relevantes fornecedores da indústria no país asiático.

"Temos apreensões, mas não temos hoje uma indicação clara de que temos um impacto já conhecido. Daqui a uma ou duas semanas devemos ter um quadro um pouco mais claro." "A Kawasaki, nosso principal fornecedor no Japão, não teve impacto direto na fábrica, que fica no sul do Japão. Mas a falta de energia pode prejudicar os fornecedores dela", disse.

"Há preocupação e acho que sim, pode afetar... Se faltar um rebite, não entregamos o avião", finalizou.

“Rosoboronexport” na LAAD 2011 – Defence & Security

Entrevista com o chefe da delegação da Rosoboronexport Serguei Ladiguin
 

DefesaNet
 

Os brasileiros, além de muitas outras coisas, se orgulham dos seus futebolistas que há vários anos demonstram a excelente mestria desportiva à nível mundial. Não importa quem seja o Campeão do Mundo oficial, pois, os brasileiros sempre são reconhecidos em todo o mundo do futebol.

Algo similar acontece com o armamento russo, tradicionalmente variado, eficiente, seguro e de preços muito competitivos, que há muito se tornou alvo de interesse na América Latina e, praticamente, em todo o mundo.


Atualmente, a Rússia empreende esforços notáveis no sentido de promoção de seus produtos de uso militar no mercado brasileiro. Esta tarefa fica a cargo da “Rosoboronexport”, a única exportadora russa de toda a gama de produtos e serviços militares ou de utilização "dual". E mais ainda, ao contrário de muitos outros países, a Rússia, além de celebração de contratos, oferece uma ampla variedade de serviços de manutenção pós-garantia, fornecimento de peças sobressalentes, reparação, modernização ou mesmo a produção sob licença de produtos de alta tecnologia militar no território nacional do Cliente.


A cooperação técnico-militar entre os nossos países data desde 1994, ano em que foi fechado o contrato de fornecimento ao Brasil do primeiro lote de sistemas de mísseis antiaéreos portáteis “IGLA”. Posteriormente, A Defesa Antiaérea (DAA) brasileira adquiriu mais três lotes destes sistemas, inclusive de “IGLA-C” modernizados. Em 2008, a “Rosoboronexport” participou na licitação brasileira com o helicóptero de ataque “Mi-35M”, tendo vencido a competição concorrendo com os helicópteros A-129 “Mangusta” italiano e EC-665 “Tiger” europeu. Atualmente, está sendo realizado o fornecimento de helicópteros russos para o Brasil.


A “Rosoboronexport” atuando numa estreita cooperação com a FAB procura fazer o máximo possível para a adaptação mais célere destas aeronaves para as novas condições operacionais visto que aos helicópteros russos no Brasil será atribuído o cumprimento de missões particularmente difíceis. A visita oficial ao Brasil do presidente da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, deu um forte impulso ao desenvolvimento das relações positivas entre os dois países. Durante a visita foi discutido um vasto leque de assuntos, inclusive relativos à ampliação da cooperação técnico-militar.


Hoje, às vésperas da realização no Rio de Janeiro da Exposição Internacional Latino-Americana “Latin America Aero & Defence” “LAAD 2011”, o Portal DefesaNet entrevista o chefe da delegação da “Rosoboronexport” Serguei Ladiguin sobre a participação da Empresa nesta feira de armamento.


DN - Senhor Ladiguin, o Brasil é para a Rússia um parceiro relativamente novo na área da cooperação técnico-militar. O que atrai a “Rosoboronexport” no nosso mercado e quais são as particularidades das propostas da sua Empresa?


Serguei Ladiguin - Junto com os outros estados do BRIC, o Brasil é um dos países mais dinâmicos no mundo, além do mais, parece ser o único Estado do continente não exposto a ameaças militares externas. Todavia, as Forças Armadas brasileiras são as mais numerosas e as mais bem equipadas na América do Sul. Ademais, o Brasil faz parte dos vinte países do mundo com os maiores orçamentos militares. E um exército poderoso precisa do armamento moderno, seguro e eficiente. É material desta categoria que oferece a “Rosoboronexport”. Os produtos propostos, além de serem competitivos quanto às principais características técnicas e operacionais, apresentam evidente superioridade em termos de relação “preço – qualidade”.


Uma outra particularidade é que estamos sempre disponíveis para ajudar na integração dos modelos russos no sistema das Forças Armadas do Brasil.


E mais ainda, a “Rosoboronexport” propõe ao comprador potencial as tecnologias mais avançadas, ajuda na organização no território nacional de Centros técnicos para a manutenção do material adquirido, na sua reparação, modernização, produção licenciada, inclusive a realização de pesquisas técnico-científicas conjuntas. E isso resultará em maior envolvimento das empresas brasileiras, surgimento de novos empregos, assim com na criação de uma base sólida para a futura produção de mais avançados modelos de armamento e técnica militar no país.


E, finalmente, estamos muito atentos aos pedidos dos nossos parceiros brasileiros e sempre abertos a uma cooperação construtiva, transparente e mutuamente vantajosa.


DN - Que material de uso militar a “Rosoboronexport” planeja apresentar na Feira em Rio de Janeiro?


Serguei Ladiguin - Vamos apresentar os melhores equipamentos militares que, sem dúvida, irão interessar não só os militares brasileiros, como também os nossos parceiros de outros países da América Latina.


Antes de tudo, trata-se do caça multifunção supermanobrável Sukhoi Su-35, aeronave de treinamento e ataque Yak-130. As aeronaves de asa rotativa serão representados por materiais e documentação relativos ao helicóptero de ataque e transporte Mi-35M, helicópteros de transporte militar Mi-17V-5 e Mi-171Sh, helicóptero de transporte pesado Mi-26T.


Um estande especial da nossa exposição é dedicado aos sistemas da DAA representados por Sistemas de mísseis AA (SMAA) de longo alcance “Antei-2500”, de alcance médio “Buk-M2E” e de curto alcance “Tor-M2E”, assim como por lançador portátil “IGLA-S” bem familiar aos militares brasileiros.


Levando em conta que o Brasil é uma das maiores potências navais, a delegação da “Rosoboronexport” vai apresentar a todos os interessados as características dos navios lança-mísseis e navios de projeto 12418 "Molniya", projeto 21632 “Tornado”, fragata de projeto 11356.


Para ter idéia das capacidades da técnica automotiva russa cabe visitar o estande com o veículo blindado multifunção GAZ-2330 “Tigre” e o potente caminhão “URAL-4320”. Isto é apenas uma pequena parte da nossa exposição.


DN - Serão apresentados modelos reais?


Serguei Ladiguin - Presentemente, está sendo negociada com a parte brasileira a possibilidade de demonstração do helicóptero Mi-35M e do veículo blindado multifunção “Tigre” já adquiridos pelo Brasil.


DN - Hoje, no Brasil fala-se muito sobre a licitação FX-2 para aquisição de até 120 caças com a participação da Rússia. Que aeronave será apresentada por seu país caso a Rússia participe na licitação?


Serguei Ladiguin - Se a FAB realmente pretende substituir o seu obsoleto parque de aeronaves de combate, o super-caça Sukhoi Su-35 proposto pela «Rosoboronexport» é um projeto muito atrativo e prometedor. O caça multifunção supermanobrável da geração 4++ destina-se para a conquista da superioridade aérea, ataques contra os alvos terrestres e navais, com qualquer tempo, de dia ou de noite. No seu desenvolvimento e produção foram aproveitadas as tecnologias da quinta geração, que proporcionam um superioridade evidente em relação aos caças existentes de classe similar.


DN - Em que o Su-35 supera os concorrentes?


Serguei Ladiguin - A nossa aeronave é mais veloz (2400 km/h à altitude de 11 km) e tem uma maior razão potência/peso. O seu alcance de vôo é quase duas vezes maior (3600 km sem tanques externos). Concorde que para um país da dimensão do Brasil é um fator de extrema importância. Além disso, a capacidade operacional do Su-35 é substancialmente mais elevada que a dos concorrentes. O caça pode carregar 8 toneladas de armas em seus 12 pontos duros. O alcance de detecção de alvos do seu novo radar é de 1,5 a 2 vezes maior que o dos concorrentes, sendo este muito mais avançado quanto a várias outras características técnicas. A cabine do piloto foi desenvolvida para facilitar o seu trabalho e proporcionar-lhe a concentração máxima de atenção no cumprimento de missões de combate.


Entretanto, este impressionante arsenal de vantagens permitirá ao comprador potencial poupar importantes somas monetárias. Veja só, quanto maior for o alcance da aeronave, tanto menos aeródromos serão necessários construir no território nacional. Quanto mais alta for a eficiência operacional de cada caça, tanto menor será a quantidade de aeronaves necessárias para o cumprimento das missões atribuídas. É por isso que, atualmente, a Força Aérea da Rússia está sendo equipada com os Su-35. Como se sabe, uma coisa má não tem procura.


DN - Recentemente, no Brasil foi aprovada nova Estratégia Nacional de Defesa, conforme a qual importação do material bélico obriga à transferência simultânea de tecnologias modernas que permitam proceder, de modo autônomo, à manutenção e produção de produtos de uso militar.


Seguei Ladiguin - A «Rosoboronexport» está pronta para realizar um vasto programa de transferência de tecnologias no âmbito de programas de offset. Estamos prontos para garantir o suporte do ciclo completo não só de manutenção técnica, reparos e modernização, mas mesmo de produção do Su-35 no Brasil. Por razões evidentes, muitos fabricantes de armamento se mostram pouco dispostos para proceder a uma cooperação tão profunda. Mas para a «Rosoboronexport» não se trata de palavras vãs. Já temos experiência real de transferência de tecnologias de produção de aeronaves do tipo Su-27 para a China e do tipo SU-30 para a Índia. E mais ainda, levando em conta o fato de que na construção desta aeronave já foram realizadas parcialmente as tecnologias da quinta geração, vemos, as perspectivas de cooperação com a Parte Brasileira no âmbito do programa conjunto de desenvolvimento do caça de nova geração com base na realização do projeto Su-35. Estou certo que tal abordagem atende integralmente os requisitos da Estratégia Nacional de Defesa do Brasil, relativos ao recebimento de tecnologias de ponta.


DN - E, finalmente, quanto a parâmetros de preços do Su-35.


Serguei Ladiguin - O custo de fornecimento de aeronave e os custos operacionais são uma das mais importantes vantagens competitivas do caça russo. A nossa análise e a constante competição contra fabricantes estrangeiros mostram que preço da proposta russa é substancialmente mais baixo. Por isso, tenho a certeza: a proposta da «Rosoboronexport», em caso de readmissão da Rússia na licitação, atende em maior grau os interesses do nosso parceiro latino-americano. Foi disso que partimos preparando os parâmetros de preços do Su-35 para nossos parceiros brasileiros.


DN - Que propostas constam da "carteira de helicópteros" da Rosoboronexport ?


Serguei Ladiguin - A variedade é ampla. São helicópteros de transporte militares Mi-17V-5 e Mi-171Sh, bem como o helicóptero de transporte pesado Mi-26T. Neste sentido os nossos países já têm uma experiência excelente. Estão próximos de ser finalizados os fornecimentos de helicópteros nos termos da licitação brasileira, que a «Rosoboronexport» ganhou, há dois anos atrás. Segundo os nossos planos, o último Mi-35M será entregue à FAB em dezembro do corrente ano.


Agora, propomos aos nossos parceiros o Mi-171Sh em que foram aperfeiçoadas as melhores características dos modelos anteriores. Ademais, depois da instalação de modernas turbinas e dos equipamentos, em especial, de pilotagem, navegação e de comunicação, a aeronave adquiriu novas qualidades que possibilitam o cumprimento eficiente de um vasto leque de missões, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra. O fornecimento deste helicóptero aos clientes estrangeiros começou em 2002. Todavia, hoje, mais de 400 aeronaves do tipo Mi-171 estão operando em mais de 30 países no mundo. A propósito, em fevereiro de 2005, a versão civil do helicóptero desta família, o Mi-171A, obteve o certificado de aeronavegabilidade brasileiro e veio a ser a primeira aeronave de asa rotativa russa com a certificação oficial na América Latina. O resultado não tardou a aparecer. No final do ano passado, o Mi-171A ganhou a licitação da Petrobras e vai trabalhar na Amazônia.


DN - E o Mi-17V-5de transporte militar?


Serguei Ladiguin - O helicóptero destina-se para transporte de cargas e grupos de desembarque na cabine e cargas de grandes dimensões externamente. Aversão com armamento do Mi-17V-5 é capaz de cumprir missões de apoio de fogo do Exército, de desembarque e evacuação. Em combate, 36 efetivos podem desembarcar em apenas 15 segundos. Em missões de evacuação, na cabine de carga podem ser instaladas 12 macas. A velocidade máxima do helicóptero é 250 km/h, alcance - até 600 km, teto prático - 6000 m. A aeronave opera de modo seguro de dia ou de noite, na faixa de temperaturas de -40°C a +40°C. Há grande procura deste helicóptero em todo o mundo. Eis um exemplo. Neste ano, nos termos do contrato celebrado com a Índia, começa o fornecimento do lote de 80 Mi-17V-5.


DN - Sabe-se que a Rússia produz o Mi-26T, helicóptero de maior capacidade de carga no mundo.


Serguei Ladiguin - Este helicóptero de grande porte destina-se para o transporte de militares, cargas, evacuação aeromédica de feridos, assim como para o combate a incêndio, montagem dos equipamentos pesados, construção de pontes, torres de aço de linhas de transmissão elétrica, torres de sondagem, etc. Na versão de aeronave-cisterna, na sua cabine de carga aloja-se um conjunto de equipamento de abastecimento de combustível com dois módulos de tanques de capacidade de 15 mil litros de combustíveis. Além disso, o Mi-26T pode transportar veículos e cargas de grandes dimensões no interior da cabine ou exteriormente de peso total até 20 toneladas; ou até 82 soldados em assentos, ou até 60 feridos em macas. É o mais potente helicóptero no mundo comparável quanto à capacidade de carga com a aeronave de transporte norte-americana C-130 «Hercules».


O Mi-26 provou as suas possibilidades únicas em vários países do mundo. Durante as operações de socorro ao devastador terremoto na China, que causou a morte de mais de 60 mil pessoas, os Mi-26 se encarregaram da evacuação dos habitantes atingidos por aquela calamidade natural, transporte de feridos, alimentos, materiais médicos e máquinas de construção pesadas. No Afeganistão esta aeronave de asa rotativa evacuou do campo de batalha o abatido helicóptero de transporte militar pesado norte-americano de peso superior a 12 toneladas Chinook CH-47, tendo o transportado exteriormente a uma distância de 110 km do local da queda. Depois daquela operação a tripulação do Mi-26 recebeu agradecimentos pessoais do presidente dos EUA.


DN - Pelo visto, os policiais do nosso Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) gostaram do miniblindado russo "Tigre", um carro todo-o-terreno de alta velocidade e mobilidade.


Serguei Ladiguin - O «Tigre» russo não é um carro puramente policial. Igualmente, são produzidas versões de comando, ambulância e de reconhecimento. Acho que as empresas brasileiras podem participar na produção destes carros.


DN - O Brasil praticamente não tem inimigos externos. Porém, o país sempre precisa de sistemas de Defesa Antiaérea eficientes.


Seguei Ladiguin- Para este setor de Defesa a «Rosoboronexport» pode fornecer ao nosso parceiro os sistemas de mísseis AA «Antei-2500», «BUK-M2E», "TOR-M2E", além de lançadores portáteis “IGLA-S” já aproveitados por militares brasileiros.


O "TOR-M2E" é um sistema multicanal altamente automatizado de mísseis AA (de curto alcance na classificação russa ou de alcance médio, conforme a classificação brasileira), composto de quatro veículos de combate, capaz de destruir simultaneamente até 16 alvos aéreos vindos de qualquer direção à distância até 12 km e altitude até 10 km, de dia ou de noite, sob quaisquer condições ambientais. O sistema foi desenvolvido para repelir ataques intensos de aviões e helicópteros, destruir elementos de armas de alta precisão em vôo (missão particularmente atual), mísseis de cruzeiro, veículos aéreos não tripulados a alturas médias, baixas e extremamente baixas. Estes alvos não uma têm mínima chance de sobreviver, mesmo numa situação aérea complexa ou de uso intenso de diferentes contramedidas.


DN - Na Rússia este sistema, de um modo figurado, se chama de “braço de defesacurto”. Qual é, então, o "braço médio"?


Seguei Ladiguin - É o «BUK-M2E», um sistema multicanal de mísseis antiaéreos de alcance médio capaz de atacar simultaneamente até 24 alvos aéreos vindos de qualquer direção à distância até 45 km. O sistema destina-se para destruir as aeronaves da aviação tática e estratégica, mísseis de cruzeiro, helicópteros ou outros alvos aerodinâmicos em toda a faixa de altitudes do seu emprego (de 0,015 a 25 km) numa situação de uso ativo de contramedidas eletrônicas e de fogo inimigo intenso. O «BUK-M2E» é altamente eficaz no combate contra mísseis balísticos táticos, mísseis de aviação e outros tipos de armas guiadas com precisão (PGM) em vôo, assim como nos ataques contra alvos navais e alvos terrestres detectáveis por radares.


DN - E, finalmente, o “Braço comprido”.


Seguei Ladiguin - É o famoso «Antei-2500». Este sistema é capaz de derrubar alvos à distância de 250 km e à altitude de 30 km. Destina-se para a cobertura de centros administrativos, industriais ou militares de especial importância e concentrações de tropas contra os ataques de grandes massas de meios de ataque aéreo modernos, inclusive todos os tipos de aviação e mísseis balísticos com alcance até 2500 km, assim como os mísseis de cruzeiro. Em outras palavras, estes sistema previne todos os tipos de ameaças aéreas a uma distância considerável das instalações protegidas. Todos os componentes do CMAA “Antei-2500” são montados sobre veículo de lagartas unificado com capacidade todo terreno, sendo o seu tempo de desdobramento e entrada em operação inferior a cinco minutos.


O Sistema da DAA (defesa Antiaérea) profundamente escalonada igualmente integra os lançadores portáteis de mísseis AA “IGLA-S” com o alcance de 5 km, bem familiares aos brasileiros.


Sobre as armas russas pode-se falar muito. Portanto, estamos esperando as visitas dos militares e especialistas na Exposição LAAD, Pavilhão 4, estande D-15 da «Rosoboronexport». Estamos abertos para reuniões e negociações construtivas que permitirão discutir, além das característica técnicas do material bélico russo, as questões de serviço pós-garantia, fornecimento de peças sobressalentes, efetivação de revisões e modernização e mesmo de produção licenciada no território nacional do comprador.

30 março 2011

Burkina Fasso decreta toque de recolher por motim nas Forças Armadas

OperaMundi

As autoridades de Burkina Fasso decretaram nesta quarta-feira (30/03) o toque de recolher vigente para todo o território, entre 21h e 6h, como consequência de um motim que teria sido organizado por parte das Forças Armadas daquele país, que gerou atos de violência na capital, Ouagadougou, e em outras localidades.

"Para prevenir qualquer perturbação da ordem pública, a liberdade de circulação, de reuniões e de manifestações estão restringidas das 21h às 6h", menciona um comunicado divulgado pela rádio televisão nacional (RTB).


O comunicado está assinado pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Dominique Dienderé, cuja residência foi saqueada na noite de terça-feira por soldados do motim.


Os mesmos soldados saquearam a residência do prefeito de Ouagadougou, Simon Compaoré, que ficou ferido gravemente nos incidentes e se encontra hospitalizado em uma clínica na capital.


Anteriormente, o grupo protagonizou atos de vandalismo saqueando e roubando várias lojas em Ouagadougou e atacaram também a sede do Palácio de Justiça na localidade de Fada N’gourma.


Os militares do motim protestam pela pena de 15 meses de prisão de um suboficial e quatro soldados envolvidos em um escândalo sexual.


O chefe do Estado, Blaise Compaoré, anunciou nesta quarta-feira em mensagem à nação uma série de reuniões com os altos comandantes do Exército, os responsáveis religiosos e a sociedade civil para conseguir uma saída à crise que atinge o país.

Obama autoriza agentes da CIA a ajudar forças rebeldes

Redação Carta Capital

Três notícias importantes da Líbia:

Soube-se nesta quarta-feira 30 que o presidente Barack Obama assinou, há duas ou três semanas atrás, uma ordem secreta que autoriza agentes secretos da CIA a ajudarem as forças rebeldes na tentativa de derrubar Kaddafi. As informações foram vazadas à agência de notícias Reuters por quatro funcionários do governo que se mantiveram anônimos.

Outra do dia: o chanceler líbio, Moussa Koussa, abandonou o governo nesta quarta-feira e está em Londres onde pediu asilo político. A informação foi confirmada pelo governo britânico. Koussa foi o responsável pela política externa da Líbia nos últimos anos que reintegrou o país árabe à comunidade internacional após anos sofrendo sanções. O ministro das relações exteriores estaria insatisfeito com a matança de civis provocada pelas tropas de Kaddafi.

Enquanto isso, as forças leais ao ditador retomaram dos rebeldes o porto petroleiro da cidade de Brega, importante ponto estratégico e econômico da Líbia, horas após também recuperarem a cidade de Ras Lanuf. Os próprios rebeldes em Ajdabiya, cidade situada 80 km a leste de Brega, confirmaram a perda. O exército de Kaddafi continua rumo ao leste da Líbia, área dominada pela forças rebeldes.

Coalizão internacional estuda armar rebeldes para ajudá-los a depor Kadafi

Interpretação da Resolução 1.973 é a de que civis não estarão seguros enquanto ditador líbio estiver no poder; distribuição de armas deve atrair mais críticas de países como China e Rússia, que condenam os bombardeios atualmente sob o comando da Otan
 
Andrei Netto - O Estado de S.Paulo

CORRESPONDENTE / PARIS

 
Chanceleres de mais de 40 países, reunidos ontem, em Londres, discutiram formas de armar os rebeldes líbios para que eles possam derrubar o regime de Muamar Kadafi - agora, um dos objetivos declarados da coalizão. A discussão, que ainda está sendo travada nos bastidores, foi admitida por representantes dos Estados Unidos e da França, dois países líderes da operação militar iniciada no dia 19. Segundo americanos e franceses, os insurgentes provavelmente não conseguirão derrubar o ditador líbio por conta própria.

 
As discussões sobre o envio de armas aos rebeldes não constaram do comunicado final da reunião de chanceleres, mas foram a iniciativa mais importante do dia em Londres. A possibilidade foi levantada pela primeira vez pela embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, que afirmou em entrevista à rede de TV ABC que os objetivos dos EUA são "comprimir os recursos de Kadafi cortando seu dinheiro, seus mercenários e suas armas, e fornecer assistência aos rebeldes e à oposição".

 
A revelação repercutiu à tarde em Londres. À imprensa, o chanceler britânico, William Hague, desconversou, afirmando que o fornecimento de armas aos rebeldes não esteve na pauta do evento "e não é parte de nenhum acordo hoje". Mas o chanceler francês, Alain Juppé, não fugiu da polêmica.

 
Segundo ele, a coalizão, por enquanto, se atém à aplicação da Resolução 1.973 da ONU, mas está aberta à questão. "Estamos prontos para discutir isso com nossos parceiros", disse, justificando a iniciativa com uma sentença: "Kadafi não tem futuro na Líbia". No início da noite, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, confirmou que o debate está em curso, reiterando que o eventual fornecimento de armas seria legal. A resolução que permitiu a intervenção na Líbia autoriza o uso de "todos os meios necessários" para evitar que Kadafi massacre a população civil. A interpretação dos membros da coalizão é a de que os civis não estarão seguros enquanto o ditador permanecer no poder.

 
Divergências. A proposta deve abrir um novo foco de críticas internacionais às operações da coalizão. China e Rússia denunciam os bombardeios, agora liderados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo o chanceler russo, Serguei Lavrov, os bombardeios contra instalações e comboios militares líbios vão além da criação de uma zona de exclusão aérea e são ilegais, pois buscam possibilitar o avanço das tropas rebeldes para Trípoli. Ontem, Fredrik Reinfeldt, primeiro-ministro da Suécia - país que participa da coalizão com oito aviões -, também levantou suspeitas de abuso ao afirmar ao seu Parlamento que a missão sueca não irá além do respeito da zona de exclusão aérea.

 
Também chamou atenção em Londres a pouca presença de representantes da Liga Árabe, organização que pedia a intervenção internacional na Líbia. De seus 24 países-membros, apenas 7 compareceram. Países como Egito e Argélia nem sequer enviaram representantes. Entre os participantes, houve pelo menos dois importantes consensos: Kadafi deve deixar o poder e novas sanções internacionais precisam ser adotadas com urgência. Além disso, os chanceleres anunciaram a criação de um "grupo de contato", que incluirá representantes da coalizão, para trabalhar na coordenação política com a ONU, a União Africana, a União Europeia, a Liga Árabe e o Conselho Nacional de Transição (CNT).

 
Carta dos rebeldes

 

Rebeldes líbios apresentaram em Londres compromisso de convocar eleições no "pós-Kadafi".
 
DESACORDO
 

França e Catar
 

Está disposta a discutir ajuda militar aos rebeldes. País árabe sugeriu a venda de armamento e se ofereceu para ajudar rebeldes a vender o petróleo líbio

EUA e Grã-Bretanha

 

A possibilidade de armar opositores está em aberto Suécia, Rússia e China Criticam o desrespeito à resolução da ONU, mas Estocolmo participará das operações
 
Países Árabes
 

Liga Árabe, que pediu a intervenção militar à ONU, está rachada. Ontem, apenas 7 países, dos 24 membros, foram representados em Londres. Catar e Emirados Árabes integram coalizão.

Em guerra com Kadafi

O Estado de SP

As ações Aéreas e navais das Forças da Otan na Líbia nos últimos dias dissiparam as dúvidas que ainda pudessem subsistir em relação ao objetivo último da resolução sobre o país norte-africano que as potências ocidentais submeteram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas há duas semanas.

O documento, aprovado sem os votos de Brasil, Rússia, Índia e China, autorizou o uso de "todas as medidas necessárias" para impedir que o coronel Muamar Kadafi levasse a cabo o extermínio dos civis que se levantaram contra a sua ditadura de 41 anos e das populações que lhes pudessem ser simpáticas.


Mas a partir do momento em que, para todos os efeitos práticos, a Otan assumiu o papel de aviação rebelde líbia - abrindo caminho com os seus bombardeios para a insurgência reconquistar posições perdidas no leste do país e avançar a oeste, rumo à cidade natal do tirano, Sirte - confirmaram-se os prognósticos de que a intervenção humanitária embutia a meta de acabar com o regime de Kadafi e interferir na sua sucessão. Inicialmente, a coalizão anglo-franco-americana atacou as tropas que estavam para tomar Benghazi, a "capital rebelde", onde o autocrata prometeu chacinar os seus inimigos.

 
A ameaça da atrocidade iminente legitimou os ataques. As bases militares atingidas ao mesmo tempo por mísseis lançados do Mediterrâneo eram outro alvo implícito na decisão do Conselho de Segurança de impor na Líbia uma zona de exclusão Aérea a fim de salvar vidas civis dos caças de Kadafi. Já o bombardeio do complexo que abriga o reduto do ditador na capital, Trípoli, claramente foi além do já amplo mandato concedido pela ONU. A ofensiva foi suspensa depois das críticas da Liga Árabe, que apoiara o bloqueio aéreo. "Queremos proteger os civis e não bombardear mais civis", reagiu o secretário-geral do organismo, Amir Moussa.

 
Com o passar dos dias, enquanto os EUA confirmavam a intenção de transferir o comando das operações à Otan e a aliança anunciava que a Força Aérea líbia deixara de existir, poderia parecer que os ataques só seriam mantidos para salvaguardar as populações civis na mira de Kadafi. Mas isso, acompanhado das exortações para que o tirano se vá, seria pouco para os governos francês e britânico que tomaram a iniciativa da intervenção contra o seu até recentemente sócio comercial. O que ele continuaria a ser não fosse a revolta que o converteu em estorvo para os interesses de Paris e Londres no petróleo líbio - e em oportunidade para fazer bonito perante a rua árabe.

 
Do outro lado do Atlântico, um vacilante Barack Obama, contrastando com a determinada secretária de Estado Hillary Clinton, custou a se engajar na operação da qual ele mais do que depressa queria deixar de ser a figura de proa. Agora, Obama conta uma história diferente. Falando pela primeira vez sobre a Líbia aos americanos, em rede nacional, ele se apresentou como o líder efetivo da mobilização armada contra um déspota que não hesitaria em perpetrar um massacre contra o seu povo. 


 "Como presidente", vangloriou-se, "recusei-me a esperar as imagens de matanças e valas comuns para então agir."
 
Da mesma forma que diz ter feito o que não fez, Obama diz que não quer fazer o que fará - Forçar a "mudança de regime", como dizia seu antecessor Bush em relação a Saddam Hussein, no Iraque. Ele reconheceu o óbvio: os EUA não podem repetir na Líbia a aventura de uma invasão. Mas, disse eufemisticamente, os líbios ganharam "tempo e espaço" para decidir o seu destino. O fato é que, sem apoio militar como o que passaram a receber, e não mais por estritos motivos humanitários, os revoltosos não tendem a ser páreo para um Kadafi entrincheirado em meio às suas Brigadas de Defesa, disposto a resistir até o fim.

 
A lógica, portanto, aponta para mais operações de cobertura em apoio às carentes e desorganizadas Forças da insurgência. Mas uma coisa é fazê-lo em pontos como Ras Lanuf e Bin Jawad, afinal retomados. Outra será ir a Trípoli. Parece cedo demais para tratar da Líbia pós-Kadafi, como a coalizão começou a fazer ontem em Londres.

29 março 2011

EUA querem dividir a conta da guerra na Líbia com a OTAN

José Roberto de Toledo - O Estado de SP

Faz parte da estratégia norte-americana dividir o custo político dos ataques à Líbia com os países membros da OTAN. Se a guerra fracassar, Obama terá a desculpa de que os Estados Unidos não estavam no comando das operações.

Mas há outro motivo por trás dessa estratégia: dividir a conta da guerra. As estimativas mais conservadoras são que os ataques aéreos já custaram pelo menos US$ 450 milhões. Como é possível gastar tanto dinheiro em uma semana?

Cada missão de um caça não custa menos do que US$ 100 mil, sem contar as bombas despejadas sobre os alvos e os 4 reabastecimentos em vôo e ir à Líbia e voltar à Itália. O F-15 norte-americano que caiu custa US$ 55 milhões.

Mas o que pesa mesmo são os mísseis. Cada Tomahawk custa US$ 1,4 milhão. Já foram disparados quase 200. Só de mísseis, a conta já está em mais de US$ 250 milhões. E vai aumentar se a guerra chegar a Trípoli, onde Kadafi concentrou suas defesas.

O detalhe é que a fatura sai bem mais cara para os aliados dos norte-americanos. Os EUA compram armas aos milhares e conseguem ótimos descontos. Já França e Inglaterra, por exemplo, compram um míssil de cada vez e pagam o preço cheio de tabela. O fabricante norte-americano dos Tomahawk, a Boeing, agradece.

Vendas de armas no mundo superaram US$ 400 bilhões em 2009

AFP - Agence France-Presse

Os 100 maiores fabricantes mundiais de armamento, com exceção da China, venderam em 2009 um total de 401 bilhões de dólares, e os Estados Unidos foram o país com mais vendas graças à demanda constante do governo, informa o relatório do Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Sipri).

"As vendas combinadas das 100 empresas mais importantes de armamento (Top 100) aumentaram 14,8 bilhões de dólares em 2009 na comparação com 2008, o que representa um aumento de 8%, segundo o Sipri, que tem sede em Estocolmo.

Durante 2009, as vendas de armas do Top 100 alcançaram US$ 401 bilhões, incluindo 247 bilhões (61,5%) de lucros para 45 empresas com sede nos Estados Unidos. "Os gastos em bens e serviços militares do governo dos Estados Unidos são um fator determinante no aumento das vendas de armas das empresas americanas e para as empresas da Europa ocidental que estão no mercado dos EUA", afirma Susan Jackson, analista da indústria do armamento do Sipri.

Em 2009, o grupo de defesa americano Lockheed Martin recuperou o primeiro lugar no ranking, superando o britânico BAE Systems, com vendas que alcançaram 33,4 bilhões de dólares (33,3 para a empresa inglesa). Cada empresa tem 8,3% das vendas totais.

A filial americana da BAE vendeu 19,3 bilhões de dólares, o que a colocaria sozinha no sétimo lugar mundial. A Europa está representada no Top 100 com 33 empresas de nove países (Alemanha, Espanha, Finlândia, França, Itália, Noruega, Grã-Bretanha, Suécia e Suíça), que registraram vendas acumuladas de 120 bilhões de dólares em 2009, o que representa 30% do total.

Entre os 10 maiores vendedores de armas, sete são americanos: Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, General Dynamics, Raytheon, L-3 Communications e United Technologies. O Sipri não levou em consideração a China porque "apesar de vários fabricantes de armas chineses serem suficientemente importantes para integrar o Top 100, é impossível incluí-los por falta de dados comparáveis e suficientemente precisos", explicou Jackson à AFP.

A Ásia está, no entanto, representada na lista com 10 empresas (quatro do Japão, três da Índia, duas da Coreia do Sul e uma de Cingapura), enquanto Israel, Kuwait e Turquia têm uma empresa cada. O Instituto Internacional de Estudos para a Paz define as vendas de armas como vendas de bens e serviços militares a uma clientela militar, tanto no mercado interno como para a exportação.

Criado em 1966, o Sipri é um instituto internacional independente com sede em Estocolmo, financiado em 50% pelo Estado sueco e especializado nos conflitos, armamento, controle de armas e desarmamento.

28 março 2011

Ministro suspende ação penal contra major da Aeronáutica acusado de falsificação

STF

Por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está suspensa a ação penal a que um major da reserva remunerada da Aeronáutica responde por falsificação de documentos. A decisão liminar foi dada no Habeas Corpus (HC) 107146.

O Ministério Público Militar denunciou o acusado por infração ao artigo 311 do Código Penal Militar por 60 vezes. O major teria elaborado Declarações de Inspeção Anual de Manutenção (DIAMs), relativas a diversas aeronaves, assinando como responsável técnico. Para o MPM, a aparente regularidade atestada pelos documentos causou “evidente atentado contra a ordem administrativa militar aeronáutica e a segurança de voo”.

Essas declarações atestavam que as manutenções anuais obrigatórias estavam devidamente realizadas e eram destinadas ao Serviço Regional de Aviação Civil (Serac). Para a defesa, a competência para processar e julgar os fatos não seria da Justiça Militar pelo fato de que o Serac não realizava função de natureza propriamente militar.

O Superior Tribunal Militar (STM) negou habeas corpus por reconhecer sua competência para processar o major.

Mas, ao recorrer ao Supremo, a defesa argumentou que o Serac é um órgão de fiscalização e, “muito embora estivesse vinculado ao Comando Aéreo Regional, não realizava atividade de natureza militar, mas atividade secundária de fiscalização sobre empresas jurídicas de direito privado”.

Além de pedir a suspensão da ação penal, os advogados querem que, no julgamento de mérito, todo o processo seja considerado nulo a partir do recebimento da denúncia perante o “juízo militar absolutamente incompetente”.

Decisão

Ao determinar a suspensão do processo, o ministro Gilmar Mendes destacou que os documentos trazidos nos autos mostram a existência dos requisitos que autorizam a concessão de liminar. Mendes reconheceu, também, a existência de plausibilidade à tese sustentada pela defesa.

O ministro citou jurisprudência do STF em diversos julgamentos e destacou a decisão tomada no Conflito de Competência 7040, relator ministro Carlos Veloso (aposentado), que ressaltou a necessidade da "tipificação do crime militar exige o intuito de atingir, de qualquer modo, a Força, no sentido de impedir, frustrar, fazer malograr desmoralizar ou ofender o militar ou o evento ou situação em que este esteja empenhado".

“Nestes termos, defiro o pedido de medida liminar para suspender, até o julgamento do mérito deste habeas, o trâmite do processo instaurado perante a 1ª Auditoria Militar, da 3ª CJM, Porto Alegre/RS”, finalizou o relator.

Brasil começa a elaborar Livro Branco com informações estratégicas sobre Defesa

Blog do Planalto

A sociedade brasileira e a comunidade internacional poderão ter acesso, numa única publicação, a importantes dados sobre os principais assuntos relacionados à Defesa brasileira. Informações sobre estratégia, planejamento, orçamento e equipamentos das Forças Armadas constarão do Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN).

Documento público inédito no país, o LBDN começou a ser elaborado sob a coordenação do Ministério da Defesa. Uma série de iniciativas relacionadas à elaboração da publicação já está em andamento. Amanhã (29/03) será realizado, em Campo Grande (MS), o primeiro de uma série de seminários que gerará insumos para a redação do documento.

Publicação já editada por vários países do mundo, o livro branco tem o objetivo de dar transparência às políticas de defesa das democracias contemporâneas. No Brasil, sua elaboração cumpre determinação contida no parágrafo 1º do artigo 9º da Lei Complementar nº 97/99.

O LBDN brasileiro deverá ser elaborado até o final do ano e sua primeira edição apresentada pelo Poder Executivo ao Congresso até meados de 2012. Para cumprir a tarefa, o governo criou, por meio do Decreto nº 7.438/11, o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI). A coordenação do GTI está a cargo do Ministério da Defesa.

Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o processo de elaboração do Livro Branco será uma oportunidade única para que a sociedade civil aprofunde seus conhecimentos sobre os temas militares e passe a compreendê-los num contexto mais amplo, à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa.

“O livro branco será uma poderosa ferramenta de ampliação da participação civil nos assuntos de defesa”, acredita.

Segundo Jobim, as discussões a serem realizadas durante a confecção do documento também serão úteis aos próprios militares. “Não tenho dúvida de que o Livro servirá para ampliar de modo significativo o conhecimento do próprio estamento castrense sobre si mesmo”, afirma.

O ministro explica que o Livro Branco não tem a intenção de tornar públicas informações de caráter sigiloso que poderiam comprometer a segurança nacional. Diferentemente, diz ele, a publicação dá publicidade a uma série de dados essenciais ao esclarecimento dos cidadãos sobre a realidade das nossas Forças Armadas.

Para Jobim, o Livro Branco será um grande catalisador da discussão sobre os temas de Defesa no âmbito da academia, da burocracia federal e do parlamento. Além disso, ele acredita que o documento servirá de mecanismo de prestação de contas sobre a adequação da estrutura de Defesa hoje existente aos objetivos traçados pelo poder público para o setor no país.

A opinião do ministro é compartilhada pelo chefe da Assessoria de Planejamento Institucional do Ministério da Defesa, general-de-divisão Júlio de Amo Jr, responsável pela coordenação dos estudos sobre o LBND na pasta.“O documento será o mais importante do país no que diz respeito à Defesa, seja pelos indicadores e dados nele contidos seja pelo envolvimento de toda a sociedade em sua elaboração”, diz.

Seminários ao vivo em site oficial

Com o objetivo de discutir os temas e gerar insumos para o Grupo Interministerial que elaborará o conteúdo do Livro Branco, o Ministério da Defesa realizará, ao longo deste ano, seis seminários, seis oficinas temáticas e sete workshops em diversas cidades brasileiras. Os eventos terão como participantes acadêmicos, políticos, militares e especialistas. Além de gerar subsídios para o Livro Branco, os participantes também vão propor metodologias visando facilitar a elaboração do documento.

Os temas dos seminários já estão definidos pelos organizadores (veja programação abaixo). O primeiro seminário será realizado amanhã, das 9h às 16h30, em Campo Grande (MS) e abordará o assunto “A Sinergia entre a Defesa e a Sociedade”.

Para possibilitar a participação de um maior número de pessoas, os seminários, incluindo o de amanhã, serão transmitidos ao vivo pela internet por meio do site criado pelo Ministério da Defesa para reunir todas as informações sobre o Livro Branco.

O Livro Branco deverá conter a previsão orçamentária plurianual. A publicação será atualizada a cada quatro anos, a fim de permitir que novas metas sejam estabelecidas para um novo período plurianual. Além de dados orçamentários, a publicação, segundo dispõe a legislação em vigor, deverá conter, entre outros tópicos, o cenário estratégico para o século XXI, a modernização das Forças Armadas e dados referentes a operações de paz e ajuda humanitária.

Segue a programação dos seminários, com os respectivos temas, a serem realizadas em diversas capitais brasileiras, com o objetivo de contribuir para o Livro Branco da Defesa:

1. A Sinergia entre a Defesa e a Sociedade. Campo Grande (MS). 29/03/2011
2. O Ambiente Estratégico para o Século XXI. Porto Alegre (RS). 28 e 29/04/2011
3. O Ambiente Estratégico Para o Século XXI. Manaus. 2 e 3/06/2011
4. A Defesa e o Instrumento Militar. Recife. 30 de junho e 1/07/2011
5. Transformação da Defesa. Rio de Janeiro. 26, 27 e 28/07/2011
6. Transformação da Defesa. São Paulo. 30 e 31/08/2011

Aviões da coalizão bombardeiam cidades na região de Trípoli

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Os aviões da coalizão internacional bombardearam nesta segunda-feira a cidade de Gharian, a cerca de 100 quilômetros ao sul de Trípoli, e Mizdah, a cerca de 184 quilômetros da capital líbia. As informações são da agência estatal "Jana".


A fonte, que assegurou que os alvos dos bombardeios dos aviões aliados eram civis e militares, não informou se o aeroporto da cidade tinha sido atingido.


Segundo os meios de comunicação da Líbia, os países da coalizão internacional bloquearam os navios líbios em seus portos "em um ato de pirataria", que acelera o problema da falta de combustíveis. A formação de longas filas nos postos de gasolina parece estar na origem destas acusações.


Mas as longas filas também já são vistas diante das padarias, segundo os depoimentos de moradores de Trípoli recolhidos pelos correspondentes internacionais credenciados na capital, que parecem encontrar cada vez menos dificuldades em encontrar pessoas dispostas a fazer críticas ao regime do coronel Muammar Gaddafi, segundo informações da agência "Efe".


Oposição quer julgar Gaddafi após vitória

Mustafá Abdeljalil, líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), grupo de oposição ao ditador líbio, afirmou nesta segunda-feira que Gaddafi será julgado na Líbia pelos rebeldes "após a vitória".

Abdeljalil falou sobre o assunto em entrevista ao canal de televisão “France 2”, que o entrevistaram na região de Benghazi, principal reduto dos rebeldes na Líbia.


"Precisamos com urgência de armas leves porque o combate nos impõe", acrescentou o ex-ministro da Justiça, que vive escondido, segundo os intérpretes.


"Tentaremos construir um país livre, democrático, que respeita os direitos de homem e a alternância política", garantiu, considerando que o povo líbio fez "uma escolha difícil, a de enfrentar um tirano".


O CNT, composto de 31 representantes das principais cidades do país, é a voz oficial da oposição líbia, que procura traduzir seu avanço militar no plano político e construir um governo paralelo para preparar o pós-Gaddafi, ao mesmo tempo em que os combates prosseguem com furor no país.


Exército francês destrói posto de comando militar de em Trípoli

O Exército francês destruiu um posto de comando das forças armadas da Líbia, perto de Trípoli, segundo informações do porta-voz das Forças Armadas da França, Thierry Burkhard.

O centro de comando estava situado a dez quilômetros ao sul da capital líbia, e o ataque aconteceu na noite de domingo, e nesta segunda-feira não houve novos ataques por parte dos franceses.

Nesta segunda-feira (28), o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico David Cameron afirmam, em uma declaração conjunta, que o ditador líbio Muamar Gaddafi "deve partir imediatamente" e pedem a seus seguidores que o abandonem antes que seja muito tarde.

"O regime atual perdeu toda legitimidade. Gaddafi deve partir imediatamente", afirmam Sarkozy e Cameron às vésperas da reunião em Londres do grupo de contato sobre a Líbia.

Este grupo de contato tem a missão de decidir o rumo político dos ataques executados por uma coalizão internacional liderada por França, Reino Unido e Estados Unidos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está com o comando das operações militares.


No mesmo comunicado, Sarkozy e Cameron respaldam um "processo de transição ao redor do Conselho Nacional de Transição" (CNT) líbio, ao qual reconhecem o "papel pioneiro".


"Estimulamos os participantes na conferência de Londres a expressar o mais firme apoio ao processo de transição", afirma a declaração de França e Grã-Bretanha, principais países a defender a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.


A resolução, que permitiu o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o uso da força para proteger a população civil da ofensiva das tropas de Gaddafi sobre os rebeldes líbios, possibilitou os ataques aéreos da coalizão internacional que começaram em 19 de março.


*Com agência internacionais
 

Revista denuncia assassinato e mutilação de civis por soldados dos EUA

FOLHA DE SP
DE SÃO PAULO

Em meio à guerra contra o grupo islâmico Taleban, um comando de infantaria das Forças Armadas americanas cometeu atrocidades contra civis, assassinando crianças, mutilando corpos e exibindo suas ações em fotografias. A denúncia foi feita pela revista "Rolling Stone", em reportagem divulgada neste domingo em seu site.


Os crimes teriam sido cometidos pelos homens do 3º Pelotão da Companhia Bravo, alocada na província afegã de Kandahar, uma das mais violentas do país.

A revista relata que, em 15 de janeiro de 2010, eles deixaram a base de Ramrod em um comboio em busca de militantes do Taleban -- mas dispostos a matar qualquer um.

Eles chegaram então à vila de La Mohammad Kalay, localizada perto de plantações de ópio. Lá, encontraram apenas fazendeiros desarmados e nenhum inimigo evidente.

"Enquanto os oficiais do 3º Pelotão conversavam com um ancião dentro de um armazém, dois soldados [Jeremy Morlock e Andrew Holmes] se distanciaram da unidade até chegar ao extremo da vila. Lá, em uma plantação de ópio, eles começaram a procurar alguém para matar", conta a revista, que cita dados de uma investigação das Forças Armadas.

O escolhido, ainda segundo a revista, foi um jovem de cerca de 15 anos, desarmado. O próprio soldado Morlock confessaria mais tarde que o jovem, identificado como Gul Mudin, não era uma ameaça.

De qualquer forma, os americanos o chamaram em pashtu e ordenaram que parasse. O garoto ficou imóvel. Os soldados então atiraram uma granada e, em seguida, abriram fogo com uma metralhadora.

Quando os demais soldados chegaram para ver o que ocorrera, Morlock disse que o garoto iria atacá-los com uma granada e eles tiveram que atirar nele. Depois de cumprir o protocolo de identificação dos militares americanos, os dois soldados começaram a tirar fotos com o corpo. Holmes posou segurando a cabeça do jovem.

As fotos, graficamente muito fortes, estão disponíveis no site da "Rolling Stone".

Holmes chegou, ainda segundo a revista, a levar um dedo do garoto afegão. Um colega disse que ele queria um troféu e esperava que o dedo secasse, para guardá-lo para sempre.

Os soldados nunca foram punidos pelo assassinato e o mesmo pelotão matou ao menos três outros civis inocentes nos últimos quatro meses. Quando as mortes se tornaram públicas, o Exército tentou enquadrá-las como resultado de uma unidade indisciplinada e que operava sob suas próprias regras.

Os militares chegaram a condenar cinco soldados por assassinato, mas as informações foram vetadas pelo Pentágono. A revista diz que os soldados da Companhia Bravo foram proibidos de dar entrevista.

Mas uma investigação interna a qual a "Rolling Stone" disse ter acesso mostra que dezenas de homens da infantaria faziam parte desta equipe de assassinatos e que agiam abertamente, sem se esconder dos colegas de companhia.

27 março 2011

Urânio empobrecido, uma estranha forma de proteger os civis líbios

Carta Capital

Nas primeiras 24 horas de bombardeios a Libia, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Trata-se de um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares, sendo uma substância muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Esse urânio empobrecido pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos em bebês e síndromes de imunodeficiência, entre outras doenças. O artigo é de David Wilson.

David Wilson – Stop the War Coalition


“Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam à perfeição à descrição de uma bomba suja...Eu diria que é a arma perfeita para assassinar um monte de gente”.  

Marion Falk, especialista em física e química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia (EUA).

Nas primeiras vinte e quatro horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA lançaram 45 bombas de 2 mil libras de peso cada uma (um pouco menos de uma tonelada). Estas enormes bombas, junto com os mísseis de cruzeiro lançados desde aviões e navios britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O DU (urânio empobrecido, na sigla em inglês) é um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares. Trata-se de uma substância muito pesada, 1,7 vezes mais densa que o chumbo, muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem quente de vapor. Esse vapor se transforma em um pó que desce ao solo e que é não só venenoso, mas também radioativo.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta algo sólido queima a 10.000°C. Quando alcança um objetivo, 30% dele fragmentam-se em pequenos projéteis. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, incluído o óxido de urânio. Este pó negro permanece suspenso no ar, e dependendo do vento e das condições atmosféricas pode viajar a grandes distâncias. Se vocês pensam que Iraque e Líbia estão muito distantes, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até Gales.

É muito fácil inalar partículas de menos de 5 micra de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos. Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas expostas ao urânio empobrecido podem dar à luz a bebês com deformações genéticas. Uma vez que o pó se vaporiza, não cabe esperar que o problema desapareça. Como emissor de partículas alfa, o DU tem uma vida média de 4,5 milhões de anos.

No ataque da operação “choque e pavor” contra o Iraque foram lançadas, somente sobre Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só o terceiro comando de aviação dos Marines dos EUA lançou mais de “quinhentas mil toneladas de munição”. E tudo isso carregava pontas de urânio empobrecido.

A Al Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Science Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que sofreram uma dura chuva de artilharia das tropas dos EUA. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 e 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA lançaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, ou seja, uns 20 quilos de explosivos por pessoa.

William Hague, Secretário de Estado de Assuntos Exteriores britânico, disse que estávamos indo a Líbia “para proteger os civis e as zonas habitadas por civis”. Vocês não têm que olhar muito longe para ver a quem e o que está se “protegendo”.

Nas primeiras 24 horas, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus estados membros concederam, em 2009, licenças para a venda de armas e sistemas de armamento a Líbia no valor de 333.357 milhões de euros. A Inglaterra concedeu licenças às indústrias bélicas para a venda de armas a Líbia no valor de 24,7 milhões de euros e o coronel Kadafi pagou também para que a SAS (sigla em inglês do Serviço Especial Aéreo) para treinar sua 32ª Brigada.

Eu aposto que nos próximos 4,5 milhões de euros, William Hague não irá de férias ao Norte da África.

Tradução: Katarina Peixoto
 

Otan aceita assumir o comando das operações militares na Líbia; Trípoli e Sirte sob bombardeio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

A Otan decidiu neste domingo assumir as operações de proteção da população civil líbia, o que implica a direção dos ataques contra alvos terrestres, afirmou neste domingo o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, em um comunicado.


"Solicitamos ao alto comando operacional da Otan que implemente a execução desta operação imediatamente", afirmou Rasmussen.


A Otan decidiu assumir o comando de todas as operações militares na Líbia neste domingo, durante uma reunião dos 28 embaixadores de seus países membros em Bruxelas.

A Aliança Atlântica já havia se encarregado de impor o embargo de armas no Mediterrâneo e da zona de exclusão aérea estabelecida no espaço aéreo líbio.


A Otan substituirá assim os Estados Unidos, que dirigiram até agora a intervenção militar realizada pela coalizão internacional desde 19 de março.


O general canadense Charles Bouchard foi designado comandante de todas as operações da Aliança na Líbia.

 

Trípoli e Sirte sob bombardeio

Um intenso bombardeio começou na noite deste domingo sobre a cidade portuária de Sirte, cidade natal do líder líbio, Muammar Gaddafi, e seu reduto, sobre o qual os milicianos pretendem atacar amanhã, informou o canal "Al Jazeera".

Os milicianos detiveram seu avanço em Ben Jawad, a caminho entre Sirte e Ras Lanuf, o enclave petroleiro que neste domingo caiu em suas mãos.

Na capital Trípoli, testemunhas disseram ter ouvido seis grandes explosões. A coalização ocidental abateu áreas civis e militares, noticiou um canal de TV líbio, atribuindo a informação a uma autoridade militar.

"Áreas civis e militares em Trípoli foram bombardeadas há pouco tempo por agressores colonialistas", disse a TV líbia.

 

Confronto em Misrata

Forças leais ao ditador líbio, Muammar Gaddafi, lutaram com rebeldes no centro de Misrata neste domingo, disse um rebelde à Reuters.

"Durante todo o dia ouvimos combates entre os rebeldes e as forças de Gaddafi na área da rua Tripoli, no centro da cidade", disse o rebelde, chamado Sami. "Ouvimos tanques, morteiros e armas sendo usadas. Isso continua agora. Não há mortos por enquanto hoje."

Aviões franceses atacaram, neste domingo, vários veículos blindados do exército de Gaddafi e um importante depósito de armas na região de Misrata e Zintan..

Misrata é a terceira maior cidade da Líbia e ponto estratégico entre Trípoli e Sirte. Um médico de declarou à AFP que 117 pessoas morreram desde 18 de março na cidade, tomada pelos rebeldes e cercada pelas tropas do ditador.
 

Rebeldes querem exportar petróleo

Os rebeldes líbios, que neste domingo reconquistaram o porto petroleiro de Ras Lanuf e a localidade de Ben Jawad, no leste do país, continuam sua contra-ofensiva rumo a Sirte, cidade natal do ditador Muammar Gaddafi, e anunciaram que pretendem retomar as exportações de petróleo em breve.

Os campos petrolíferos nestas regiões produzem entre 100 mil e 130 mil barris por dia, afirmou neste domingo um porta-voz da insurreição, indicando que a oposição planeja retomar as exportações em menos de uma semana.

"Produzimos de 100 mil a 130 mil barris por dia e podemos facilmente aumentar este ritmo até 300 mil barris por dia", declarou Ali Tarhoni, representante dos rebeldes encarregado de questões econômicas, financeiras e petroleiras, durante entrevista coletiva em Benghazi.

De acordo com Tarhoni, o órgão político que representa os rebeldes assinou um acordo com o Qatar que delega ao emirado a comercialização do cru.

As exportações devem ser reiniciadas "em menos de uma semana", destacou o porta-voz.

Ben Jawad, posição mais avançada dos rebeldes na primeira ofensiva em direção ao oeste da Líbia, no começo de março, havia sido retomada pelas forças leais a Gaddafi.

Nos últimos três dias, as forças insurgentes conquistaram sucessivamente as cidades de Ajdabiya, ponto estratégico a 160 km de Benghazi, Brega, Ras Lanuf e Ben Jawad.

As tropas de Gaddafi haviam expulsado os rebeldes de Ras Lanuf no dia 12 de março.

A refinaria fica 370 quilômetros a oeste de Benghazi, bastião da rebelião no leste, e a 210 quilômetros de Ajdabiya, cidade estratégica controlada pelos insurgentes desde sábado.

Ao longo da estrada, perto da refinaria de petróleo, é possível ver os rastros dos confrontos: munições abandonadas e construções parcialmente destruídas.

Os insurgentes tomaram em seguida a localidade de Ben Jawad, 30 km a oeste de Ras Lanuf. 

 
Gaddafi recua

As forças de Gaddafi continuam recuando em direção a Sirte, que fica 200 km a oeste.

Segundo um habitante de Sirte, a cidade foi bombardeada durante toda a noite pela coalizão internacional, provocando danos consideráveis.

"A cidade se transformou em uma bola de fogo", contou, indicando que a maioria dos moradores, apavorados, fugiu para o deserto.
 

EUA vão reduzir papel militar

Os Estados Unidos vão reduzir o seu papel militar na zona de exclusão aérea na Líbia por volta da próxima semana, enquanto outras nações começam a se concentrar em como tirar Muammar Gaddafi do poder, disseram neste domingo importantes autoridades norte-americanas.

Em entrevistas a canais de TV, os secretários de Estado e de Defesa dos EUA levantaram a possibilidade de que o regime de Gaddafi possa desmoronar e disseram em uma conferência em Londres na terça-feira que vão discutir estratégias políticas para acabar com um governo que há 41 anos comanda uma das nações exportadoras de petróleo da África.

Os Estados Unidos e outros países começaram a bombardear a Líbia em 19 de março e impuseram uma zona de exclusão aérea para impedir que as forças de Gaddafi atacassem rebeldes e civis no leste do país. A Líbia é o mais recente país árabe a registrar levantes contra um regime autoritário.

Rebeldes líbios têm se dirigido ao oeste do país para recuperar territórios abandonados pelas forças em retirada de Gaddafi, que têm sido enfraquecidas por ataques aéreos ocidentais e, de acordo com o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, são em grande parte incapazes de reagir.

*Com informações das agências internacionais.