29 setembro 2015

Índia vai testar mísseis BrahMos lançados a partir do caça Su-30MKI

Uma fonte próxima ao Ministério da Defesa da Índia, disse que os testes serão realizados em quatro etapas, com um míssil diferente em cada etapa. No momento, já foram realizados com sucesso os testes terrestres e marítimos do míssil.


Sputnik

Os testes do míssil russo-indiano BrahMos a partir de um caça Su-30MKI da Força Aérea da Índia começarão no outono, disse a RIA Novosti nesta segunda-feira uma fonte próxima ao Ministério da Defesa da Índia.


Mísseis BrahMos
© AP Photo/ Gurinder Osan, File

"A primeira fase dos testes começará no final de outubro ou no início de novembro," disse ela.

Os testes serão realizados em quatro fases, com um míssil diferente na cada etapa. Primeiramente eles vão testar uma maqueta com dimensões e massa real, depois essa maqueta será equipada com sensores, depois serão verificados os algoritmos como o míssil responde aos comandos e a sua capacidade de deixar o lançador e, por fim, o próprio míssil.

No início de agosto, o diretor geral da BrahMos Aerospace, Sudhir Mishra, disse à RIA Novosti que o míssil e o lançador estavam prontos para os testes, e que a empresa Hindustan Aeronautics havia modernizado o caça Su-30MKI e integrado o lançador de mísseis na aeronave.

A versão do míssil lançado a partir do caça é mais leve e tem a melhor estabilidade aerodinâmica.

A modernização do caça Su-30MKI e a integração do lançador de mísseis na aeronave foram realizadas por especialistas da Índia e da Rússia conjuntamente.

BrahMos é um míssil de cruzeiro supersônico que pode ser lançado de submarinos, navios, aviões ou de bases em terra. O nome BrahMos vem da junção dos nomes de dois rios: o rio Brahmaputra na Índia e o rio Moskva, na Rússia. O míssil atinge uma velocidade de Mach 2.8 a 3.0 e tem um alcance de 290 km.


Alemanha nega posicionamento de novas armas nucleares em seu território

O posicionamento de novos mísseis nucleares americanos em território alemão é apenas uma substituição de componentes obsoletos, afirmou o embaixador da Alemanha em Moscou, Rüdiger von Fritsch, em uma entrevista coletiva.


Sputnik

"Trata-se de substituir os componentes cuja vida útil expirou. O objetivo principal é manter a segurança das armas, e considero que isso beneficia todos", ressaltou.


Míssil nuclear americano
© AP Photo/ Charlie Riedel

O canal de TV alemão ZDF informou na semana passada que os Estados Unidos estavam realizando preparativos para posicionar bombas nucleares B61-12, recentemente atualizadas, na base aérea de Buechel, na Alemanha. Segundo o ZDF, a informação se baseava em uma revisão dos informes orçamentários federais dos Estados Unidos.

No entanto, o Ministério da Defesa alemão não confirmou o relatório. O Pentágono, por sua vez, declarou que os Estados Unidos não quebram nenhum acordo nuclear ao posicionar armas nucleares na Alemanha.



Bombardeio contra casamento deixa pelo menos 131 mortos

Terra

Pelo menos 131 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nesta segunda-feira em um bombardeio da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita contra um casamento na província de Taiz, no sudoeste do Iêmen, informou a agência oficial de notícias Saba , controlada pelo movimento rebelde dos houthis.




A fonte acrescentou que o saldo é ainda provisório e que todas as vítimas são civis, a maioria delas mulheres e menores. O Ministério do Interior iemenita, também sob o controle dos houthis, disse em comunicado que entre os mortos há pelo menos 70 mulheres.

A Saba detalhou que o ataque aconteceu na zona de Wahya, na região de Dabab, situada perto do porto de Al Maja, no litoral do Mar Vermelho. Além disso, a emissora garantiu que os serviços de resgate continuam o trabalho "em meio à grande dificuldade pela escassez de pessoal médico e combustível para as ambulâncias".

Segundo a imprensa local, o bombardeio tinha como alvo dois khaimas e uma concentração de veículos, que estavam perto do lugar onde ocorria o casamento. Por outro lado, a agência oficial de notícias iemenita Saba , que também é controlada pelo movimento dos houthis, informou que a coalizão árabe efetuou hoje mais de 30 bombardeios contra posições dos rebeldes e seus aliados na província petrolífera de Marib, no norte do Iêmen.

Os houthis e as forças leais ao ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh tentam controlar as províncias de Marib e Taiz para se situar em uma posição mais forte visando futuras negociações com o governo do atual líder, Abdo Rabbo Mansour Hadi.



França bombardeia Estado Islâmico na Síria

A França anunciou seus primeiros ataques aéreos contra o grupo Estado Islâmico na Síria no domingo (27).


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O porta-voz do presidente francês disse que os ataques atingiram alvos identificados durante missões de reconhecimento realizadas nos últimos quinze dias.


Uma explosão no Noroeste da Síria, em 10 de agosto de 2015
© AFP 2015/ OMAR HAJ KADOUR

A operação que visa "lutar contra a ameaça terrorista" do Estado Islâmico (EI) foi coordenada com os parceiros regionais, indica um breve comunicado.

Na semana passada o ministro da Defesa francês anunciou que a aviação militar francesa bombardearia as posições dos militantes do agrupamento extremista EI na Síria “nas próximas semanas”.

Antes, o presidente francês François Hollande declarou que os bombardeios das posições do EI na Síria são “necessários”.

Segundo o The Guardian, as autoridades francesas justificaram os bombardeios dizendo que é uma resposta abrangente ao caos sírio:

“A população civil deve ser protegida de todas as formas da violência provocada pelo EI e outros agrupamentos terroristas mas também dos bombardeios mortíferos de Bashar al-Assad”.

Segundo a agência de notícias Reuters, na coletiva de imprensa no âmbito da sessão da Assembleia Geral da ONU Laurent Fabius, chanceler francês, disse que o presidente sírio, Bashar al-Assad, não pode participar da futura estrutura política do país.

A França tomou tal decisão um dia antes de Hollande se juntar a outros líderes em Nova York para discutir a situação na Síria. Por enquanto, as posturas são absolutamente apostas.

A representante oficial do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse na sua página em Facebook que as ações da França contradizem o direito internacional:

“Gostaria de saber mais detalhes sobre o conceito de autodefesa na forma de ataques aéreos a um país que não ataca ninguém, para mais sem o seu acordo, e também sobre a adequação destes ataques ao direito internacional. Que engraçadinhos! O referendo na Crimeia é uma anexação; já ataques aéreos sem o aval do Conselho de Segurança nem acordo do governo é autodefesa”, escreveu Zakharova.


Deputado sírio: centro de coordenação contribui para derrota do Estado Islâmico

A criação do centro conjunto de informação para coordenar as ações da luta contra o Estado Islâmico é um aspeto importante do combate contra o terrorismo e corresponde à tradição de cooperação estreita e prolongada entre a Rússia e Síria, disse o deputado sírio e secretário do Conselho Popular da Síria (parlamento do país), Khaled al-Abud.


Sputnik

A Rússia juntou os seus esforços aos da Síria, Irã e Iraque para coordenar a luta contra o grupo radical Estado Islâmico. As competências do centro criado em Bagdá incluem coletar, classificar e analisar dados sobre a situação atual no Oriente Médio no contexto de combate contra militantes islamitas, distribuir as informações e transmiti-las de forma atempada aos estados-maiores dos países que fazem parte do centro.


Bandeira do Estado Islâmico
Bandeira do Estado Islâmico © Foto: Screenshot

“O estabelecimento do centro de informação é um passo muito importante. Pressupomos que mais países venham a aderir ao centro. Não se exclui que um dia os EUA reconheçam tal coalizão regional”, disse o político.

O deputado sublinhou que as relações russo-sírias que existem já há muito tempo se estreitam devido à luta contra o terrorismo.

Comentando os rumores sobre um pedido oficial da Síria de enviar tropas russas para o país, al-Abud disse que “não possui informações exatas”. Segundo o político, os legisladores do país apresentaram tais propostas, mas, segundo a Constituição síria, a decisão deve ser tomada pelo poder executivo, encabeçado pelo presidente.

Entretanto, a França começou a bombardear posições do Estado Islâmico em território sírio. Um membro da comissão para as relações exteriores no parlamento sírio, Hussein Rageb, disse que os ataques aéreos realizados pela França são uma violação de direito internacional.

“É mais uma interferência em um país soberano. Qualquer ataque realizado sem ser coordenado com Damasco será considerado ilegal”, frisou Rageb.

Na opinião do membro de parlamento sírio, os ataques aéreos da França são uma resposta ao governo russo, que promoveu a ideia de criação do centro de coordenação em Bagdá.

“Enquanto muitos países alteram a sua atitude para com as negociações com as autoridades sírias, a França continua mantendo relações com a Síria por meio de chamadas “alusões” políticas. Estamos à espera das desculpas de França pela sua atividade e exigimos que todos reconheçam que Damasco deve ser uma força central no combate internacional contra o Estado Islâmico, a Frente al-Nusra, etc.”, disse.

Em 25 de setembro foi tornado público que militares russos, sírios e iranianos organizaram em Bagdá um centro de coordenação para cooperar com os xiitas no combate contra a organização terrorista Estado Islâmico. No domingo (27) o Ministério da Defesa iraquiano informou que em breve começará a compartilhar a informação de segurança e inteligência com a Rússia, Irã e Síria. Vladimir Putin disse que informou pessoalmente os líderes da Turquia, Jordânia e Arábia Saudita sobre a criação do mecanismo.

O grupo terrorista Estado Islâmico (proibido na Rússia), anteriormente designado por Estado Islâmico do Iraque e do Levante, foi criado e, inicialmente, operava principalmente na Síria, onde seus militantes lutaram contra as forças do governo. Posteriormente, aproveitando o descontentamento dos sunitas iraquianos com as políticas de Bagdá, o Estado Islâmico lançou um ataque maciço em províncias do norte e noroeste do Iraque e ocupou um vasto território. No final de junho de 2014, o grupo anunciou a criação de um "califado islâmico" nos territórios sob seu controle no Iraque e na Síria.



Diplomata diz que destituição de Bashar Assad favorece o Estado Islâmico

O ex-vice-secretário-geral da ONU, Sergey Ordzhonikidze, disse nesta segunda-feira (28) à rádio Baltkom, da Letônia, que Bashar Assad é um presidente (da Síria) legitimamente eleito e que as tentativas dos EUA e de seus aliados de retirá-lo do poder são infundadas e só favorecem o grupo Estado Islâmico (EI).


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“Após a remoção de Asad, se repetiria o quadro da Líbia de caos e anarquia, o que só convém ao Estado Islâmico”, disse ele.


Bashar al-Assad, presidente da Síria
Bashar al-Assad © AFP 2015/ AFP PHOTO / HO / SANA

Ordzhonikidze também observou que se um líder tem uma política que não convém aos EUA, este logo o qualifica como ilegítimo, de ditatorial e propõe sua deposição. 

Desde março de 2011, a Síria vive um conflito armado que provocou mais de 220 mil mortes, de acordo com estimativas da ONU. As tropas do governo estão enfrentando várias facções armadas, como os terroristas do Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, vinculada à Al Qaeda.

Quando a verdade pouco importa: Israel bombardeia a Síria

Israel realizou ataques de artilharia contra posições do exército sírio nas Colinas de Golã em resposta a um míssil que cruzou a fronteira israelita, informa a agência AP citando a assessoria de imprensa das Forças de Defesa de Israel.


Sputnik

Este foi o segundo disparo de um míssil contra Israel nos últimos dois dias a partir do território sírio e não provocou vítimas. Os militares opinam que o míssil poderia ter atingido Israel casualmente, durante os confrontos armados internos na Síria. No comunicado divulgado pelos israelenses, diz-se o seguinte:

“Em resposta ao bombardeio com mísseis, a artilharia das Forças de Defesa de Israel realizou um ataque contra dois postos do exército sírio na parte central das Colinas de Golã pertencente à Síria.”


Soldados israelenses perto da fronteira com a Síria no terrítorio de colinas de Golã ocupado por Israel, 22 de junho de 2015
© AFP 2015/ MENAHEM KAHANA

O general Mohammed Abbas, especialista militar, declarou à Sputnik, comentando o assunto:

“O último bombardeio não pode ser justificado. Ya'alon [ministro da Defesa de Israel – ed.] declarou que qualquer ataque contra as Colinas de Golã não ficará sem resposta. Mas ele não se deu ao trabalho de perceber a origem do bombardeio. Desta vez Israel compreendeu a seriedade das ações do governo russo em questão de ajuda ao exército sírio em combate contra terrorismo, por isso é realizada mais uma provocação.”

O especialista também comentou os esforços da coalizão internacional em luta contra o terrorismo na área:

“A coalizão liderada por Washington falhou. Ela não alcançou nada em um ano porque os seus objetivos reais eram a ‘colheita dos frutos’ do terrorismo, e não o seu combate.”

O especialista declarou que as ações da Rússia nesta situação mostram que o Kremlin compreendeu a intenção real de Washington. Segundo o especialista, “o exército sírio pode vencer o Estado Islâmico com a ajuda de uma força que não só combate o terrorismo no terreno, mas também na mídia”.



Especialista militar desmente rumores sobre porta-aviões chinês se aproximando da Síria

As informações sobre um porta-aviões chinês que estaria se deslocando rumo ao litoral da Síria através do mar Mediterrâneo são falsas, disse um especialista militar.


Sputnik

Mais cedo nesta segunda-feira, o jornal libanês al-Masdar tinha alegado em uma matéria que um navio transportando “militares chineses e material para veículos aéreos” deveria chegar ao porto de Tartus “nas próximas semanas”.


Porta-aviões chinês Liaoning
Porta-aviões chinês Liaoning © AP Photo/ Xinhua, Li Tang

Já o especialista Zhang Junshe, do Instituto da Marinha do Exército de Libertação Popular da China, comentou que as informações “não passam de rumores falsos”.

Disse, citado pelo jornal Huanqiu:

“As informações sobre um porta-aviões chinês que estaria se deslocando rumo ao mar Mediterrâneo não passam de rumores falsos. Essas informações não correspondem à realidade. A China não pode ter enviado um navio para apoiar a Síria em algum aspeto que seja. A postura da China é de respeito à livre escolha do povo sírio, de não interferência militar nos assuntos da Síria e de não participação da mudança do poder por meio de violência. E por isso a China não podia enviar um porta-aviões à Síria para interferir nos assuntos internos desse país. A China não vai patrocinar nenhum grupo ou indivíduo na Síria – neste assunto, a China é partidária de métodos justos e objetivos”.

No domingo, 27, algumas horas antes de se iniciar a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável, integrada na 70ª Assembleia Geral da ONU, soube-se que a França bombardeou as posições do Estado Islâmico (grupo terrorista proibido na Rússia). As autoridades francesas declararam que iriam continuar e que o faziam em “autodefesa”.


28 setembro 2015

EUA bloqueiam proposta da Rússia na ONU contra EI

Correio do Brasil, com Sputnik-Brasil – de Nova York, EUA

Os Estados Unidos bloquearam a proposta da Rússia de incluir o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na lista de sanções do Conselho de Segurança da ONU, mas Moscou continuará levantando essa questão. A declaração é do diretor do departamento para novos desafios e ameaças do ministério das relações exteriores da Rússia, Ilia Rogachev, neste sábado.


Caça russo patrulha território ocupado pelo Estado Islâmico, na Síria
Caça russo patrulha território ocupado pelo Estado Islâmico, na Síria

— Não é segredo pra ninguém que o EI é uma estrutura independente que de certa forma serve como rival da ‘Al-Qaeda’. Nós já propomos incluir o EI na lista de sanções da ONU como grupo independente. Mas nossa proposta é bloqueada pelos membros ocidentais do Conselho de Segurança, em primeiro lugar os EUA, sob vários pretextos —afirmou o diplomata russo.

Segundo Rogachev, eles consideram que o “Estado Islâmico é a ‘Al-Qaeda’ no Iraque, que mudou de ‘marca’, que a Al-Qaeda renasceu, que a ‘Al-Qaeda no Iraque’ não existe mais, mas Moscou possui “outras informações”.

— Nós consideramos que os norte-americanos afirmam isso apenas por causa das circunstâncias: o desejo de mostrar que o poder do EI e o seu sucesso atual não deriva do fato de que os ocidentais, especialmente os Estados Unidos, nutriram a oposição ao governo de Bashar al-Assad, inclusive destinando recursos significativos nas mãos de extremistas. Isso é uma posição puramente política, que não tem quase nada a ver com medidas antiterroristas. Portanto, nós levantamos fortemente esta questão e continuaremos a colocar enfaticamente — disse Rogachev.


China transporta contingente militar e armas para Síria

Correio do Brasil, com agências internacionais – de Latakia, Síria

Um contingente militar da República Popular da China, a caminho de Latakia, na Síria, é esperado a qualquer momento para o desembarque em portos da região. Outro navio chinês de transporte, com carga militar, também foi avistado na 3ª-feira pela manhã, cruzando o canal de Suez, segundo o diário árabe Al Masdar News.


A China tem uma das maiores e mais bem equipadas forças navais do mundo
A China tem uma das maiores e mais bem equipadas forças navais do mundo

Informações sobre especialistas militares chineses a caminho de Tartus foram confirmadas pelo comandante do Exército Sírio. A matéria conclui que Moscou criará, na Síria, uma coalizão antiterror que será versão alternativa da aliança que os EUA formaram para abastecer e armar os terroristas do ISIS.

A entrada da China na luta pela Síria será importante acréscimo à declaração de hoje, do Ministério de Relações Exteriores do Irã. Em conferência de imprensa com RT, o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã Hossein Amir Abdollahian declarou que o Irã se integrará à coalizão organizada pela Rússia, para combater contra o ISIS. Significativamente, Amir não falou de uma “aliança”, mas de se criar ampla coalizão militar.

— Consideramos bem-vinda a proposta do presidente russo para o estabelecimento de uma frente comum na luta contra o terrorismo, e estamos prontos para a iniciativa de operações conjuntas e cooperação – disse o vice-ministro iraniano de Relações Exteriores.

Que Rússia e Irã combaterão juntos contra os terroristas, fontes russas já anunciavam há uma semana. E a chegada da China para contribuir como mais uma força no grupo de apoio é mais do que se poderia ter imaginado. A presença da coalizão internacional altera a favor de Moscou o equilíbrio de poder – deixando livres as mãos russas para ação militar direta no Oriente Médio, com apoio do Irã. Na nova situação geopolítica, a Rússia volta a se integrar ao Oriente Médio.



27 setembro 2015

Guerra na Síria pode ter guinada com envio de reforço militar da Rússia e do Irã

RFI | AFP

A Rússia reforçou a sua presença na Síria enviando 15 aviões de carga para uma base militar do regime de Bashar al-Assad. A manobra acontece no momento em que Washington admite ter sofrido um revés: rebeldes treinados pelos Estados Unidos para lutar contra os grupos radicais islâmicos entregaram parte de sua munição ao braço local da Al-Qaeda.


Rebeldes sírios posam diante das câmeras, com armas em punho, para festejar conquista da cidade de Jisr al-Choughour, em abril de 2015.
Rebeldes sírios posam diante das câmeras, com armas em punho, para festejar conquista da cidade de Jisr al-Choughour, em abril de 2015. REUTERS/Ammar Abdullah

Moscou, principal aliado do regime de Damasco, parece ter recuperado a iniciativa no conflito que arrasa a Síria. Entre o ativismo russo e a crise migratória na Europa, muitas embaixadas começam a considerar a inclusão do presidente sírio, Bashar al-Assad, no diálogo para encontrar uma solução para esta guerra que já provocou mais de 240 mil mortes em quatro anos e meio.

Segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, irá propor a criação de uma ampla coalizão, incluindo o exército de Assad, para lutar contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) durante uma reunião com seu colega americano, Barack Obama, em Nova York.

Aviões russos carregados de armas

Neste sábado, uma fonte militar síria indicou à AFP que "pelo menos 15 aviões de carga russos, transportando equipamentos e pessoal, pousaram ao longo das duas últimas semanas na base militar de Hmeimim, no oeste da Síria. As aeronaves, nas cores da bandeira russa, chegaram diariamente à base localizada no aeroporto civil e militar de Bassel al-Assad, na província de Latakia, reduto do regime. "Caminhões descarregaram os aviões e transportaram a carga para fora do aeroporto", acrescentou a fonte.

Embora não haja nenhuma confirmação oficial do Kremlin, o governo americano está preocupado com o reforço da presença russa na Síria, com o envio de aviões de combate, sistemas de defesa aérea e equipamentos modernos, alguns dos quais cedidos ao exército sírio para a guerra contra os rebeldes.

Na quarta-feira, o exército sírio usou pela primeira vez drones fornecidos pela Rússia, de acordo com uma fonte de segurança em Damasco. De acordo com os americanos, os russos realizaram voos de reconhecimento sobre a Síria.

Guinada na guerra

Uma autoridade síria disse à AFP que o envolvimento russo marca uma "guinada" na guerra. E Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah xiita libanês, que combate ao lado do exército sírio, indicou que a intervenção russa "vai influenciar a evolução da batalha em curso na Síria".

Os Estados Unidos indicaram que receberiam favoravelmente uma iniciativa russa para reforçar a luta contra o EI, mas que temem que os russos procurem, acima de tudo, fortalecer o regime de Assad.

A chanceler alemã, Angela Merkel, estimou pela primeira vez esta semana que seria necessário dialogar com o presidente sírio para resolver o conflito.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, inimigo de Assad, também admitiu que o chefe de Estado sírio poderia fazer parte de um período de transição.

Além disso, os esforços para evacuar os civis não se concretizam há vários meses, levando muitos a se manifestarem bloqueando uma estrada fundamental, segundo a OSDH. "Dezenas de homens bloquearam a estrada que seria utilizada para evacuar os civis das aldeias de Fua e Kafraya", no noroeste da província de Idlib, informou o responsável da ONG com sede em Londres, Rami Abdel Rahman.

Um cessar-fogo com mediação da ONU, que inclui Fua, Kafraya e Zabadani, único bastião rebelde que resta na fronteira entre Síria e Líbano, foi acertado na quinta-feira pelas partes beligerantes do país.

Revés para Washington

Os Estados Unidos e diplomatas ocidentais tentaram neste sábado improvisar uma estratégia diplomática para acabar com a guerra na Síria, após o último golpe sofrido no plano militar. O Pentágono admitiu que o último grupo treinado por oficiais americanos para entrar na Síria entregou um quarto de sua equipe, bem como carros e munição, para o braço local da Al-Qaeda, a frente Al-Nosra.

O programa americano deveria treinar e equipar cerca de 5 mil rebeldes por ano, durante três anos, mas até agora formou apenas dois grupos de 54 e 70 combatentes.

Em contraste com os medíocres esforços do governo americano para reforçar seus aliados no território sírio, Irã e Rússia enviaram reforço militar ao regime de Damasco. Moscou com seus 15 aviões carregados de equipamentos. Já o Irã mobilizou uma milícia de combatentes xiitas treinados e monitorados pela Guarda Revolucionária iraniana.


Rússia, Síria, Iraque e Irã criam central de informações para combate ao EI

Órgão em Bagdá facilitará intercâmbio de dados e pode também ser base de coordenação para futuras operações militares. Na ONU, ministro iraquiano exige mais ação da aliança internacional anti-"Estado Islâmico".


Deutsch Welle

A Rússia e três países do Oriente Médio pretendem fundar na capital iraquiana uma central para facilitar o intercâmbio das informações a respeito da milícia terrorista "Estado Islâmico" (EI). O órgão reunirá membros do Estado-maior da Rússia, Síria, Iraque e Irã, noticiou a agência de notícias russa Interfax, com base em fontes diplomáticas e militares de Moscou.

Numa fase posterior, operações militares poderão ser coordenadas a partir do centro em Bagdá, que será dirigido alternadamente por oficiais das quatro nações. O primeiro deles será um representante do Iraque.


Tomada de Mossul por EI é considerada maior derrota de Bagdá

Otimismo e exigências de Bagdá

O ministro iraquiano do Exterior, Ibrahim al-Jaafari, que se encontra em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, se mostrou otimista a respeito do projeto, neste sábado (26/09).

"As forças militares iraquianas alcançaram algumas vitórias significativas, repelindo os terroristas e os obrigando a se retirarem a norte de Mossul", afirmou Jaafari, acrescentando que o Exército nacional "está do lado vitorioso".

No entanto, a situação na segunda maior cidade iraquiana desmente tal versão. Depois de 15 meses de combates, as tropas do governo ainda não conseguiram retomar a maior refinaria de petróleo do país. As Forças Armadas procuram ganhar mais controle ao oeste antes de iniciar um ataque a Mossul, considerada a maior perda de Bagdá na luta contra o EI.

Ainda assim, Jaafari declarou que não são necessárias tropas de solo estrangeiras, e acusou a aliança militar internacional liderada pelos Estados Unidos de não estar fazendo o suficiente: "A frequência dos ataques aéreos oscila, e espero que ela seja mais alta no futuro."

O chefe da diplomacia iraquiana também reivindicou de Washington mais equipamento de combate, assim como a intensificação dos treinamentos militares e da disponibilização de dados pelos serviços de informação.


24 setembro 2015

EUA recorre a Rússia para estabelecer acordo com Assad

Moscou e Washington vêm mantendo consultas intensivas sobre as formas de solucionar a crise síria. Derrubada de líder sírio pode sair de foco por receio de avanço do EI, mas especialistas não acreditam que EUA vai desistir de ideia depois de gastos no conflito.


EKATERINA TCHULKÔVSKAIA | GAZETA RUSSA

Setembro vem sendo marcado por intensivas consultas entre Moscou e Washington sobre a questão da Síria. Diplomatas e militares dos dois países já se encontraram para discutir a prevenção de possíveis incidentes na região, embora um combate conjunto ao Estado Islâmico (EI) ainda não esteja nos planos.


Russia and US
Kerry (dir.) em encontro com chanceler russo Serguêi Lavrov no início do ano. Segundo norte-americano, país está “pronto para negociação” Foto:Reuters

As autoridades norte-americanas podem atualmente obter informações sobre a cooperação entre Moscou e Damasco através do canal de comunicação restaurado entre os ministérios da Defesa dos Estados Unidos e da Rússia. No entanto, o destino do presidente sírio Bashar Al-Assad ainda é motivo de controvérsia entre os países.

Enquanto os Estados Unidos buscam aliados para derrubar Assad, Moscou insiste que os próprios sírios decidam o destino de seu líder sem interferência externa.

Gueôrgui Mírski, pesquisador sênior do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia Russa de Ciências (Imemo Ran, na sigla em russo), aponta, no entanto, mudanças na retórica dos EUA. “Embora Washington insista na queda de Assad, não estipula prazo para isso nem descarta a presença dele nas negociações”, disse à Gazeta Russa.

Exemplo disso é a declaração do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, no sábado passado (19). “Estamos prontos para a negociação. Mas e Assad, estará disposto a negociar? A Rússia está pronta para trazê-lo à mesa de negociação e encontrar uma saída para a crise?”.

As mudanças do posicionamento dos EUA em relação ao presidente sírio podem estar relacionadas ao acordo sobre o programa nuclear do Irã, assinado em julho. “Após o acordo com Teerã, Assad deixou de ser um aliado do inimigo”, disse Mírski.

Além disso, o pesquisador garante que o principal adversário dos Estados Unidos na Síria hoje é o EI, e não Assad. “Se os extremistas do EI chegarem ao poder na Síria, isso será um duro golpe para a segurança de toda a região. E Obama entrará para a história como o presidente norte-americano que entregou Damasco aos terroristas.”

Três saídas, uma aposta

Embora cautelosos ao fazer previsões, os especialistas sugerem três cenários possíveis para o futuro da Síria: um acordo com Assad, um acordo sem Assad e o prolongamento do conflito.

“O cenário no qual Assad está incluído é o menos provável, porque os EUA já gastaram muitos recursos em prol de sua deposição e simplesmente não podem admitir a derrota”, disse à Gazeta Russa Tatiana Tiúkaeva, professora do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou (Mgimo, na sigla em russo).

Opinião semelhante é compartilhada por Mírski. “Para os Estados Unidos, Assad é um mal menor em comparação com o Estado Islâmico. Porém, se Obama concordar em deixa-lo no poder, recairá sobre ele uma avalanche de críticas”, destacou.

Ambos os especialistas concordaram também que seria preferível manter o regime sírio, porém com afastamento de Assad. “Essa pode ser a melhor saída, mas sua implementação é dificultada pelo posicionamento de lideranças regionais da Turquia, da Arábia Saudita e do Qatar”, afirmou Tiúkaeva. “O mais provável é o prolongamento do conflito.”

Israel em alerta
O reforço da cooperação militar entre Rússia e Síria geraram desconforto com o governo de Israel. No início da semana, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu viajou para Moscou em caráter de urgência, acompanhado por chefes das agências de segurança do país.

Em reunião com Pútin, as partes concordam em criar um grupo encarregado de desenvolver um mecanismo para coordenar ações nas “esferas aérea, marítima e eletromagnética” e minimizar os riscos de colisões acidentais, especialmente no ar, e outros incidentes na Síria.


Defesa que anda no trilho

Estreante no país durante a Primeira Guerra Mundial, técnica militar ferroviária se desenvolveu ao longo do século 20, culminando em modernos trens blindados, peças de artilharia de grande calibre e sistemas de mísseis ferroviários. Conheça abaixo os três aparatos mais exclusivos do arsenal russo.


VADIM MATVÉIEV | GAZETA RUSSA

1. Trem de Apoio Técnico-Material (ATM)


No último dia 14, a Rússia deu início aos Exercícios Estratégicos do Comando e Estado-Maior ‘Centro 2015’, os de maior escala deste ano. Para executar as tarefas definidas, o comando inseriu nos exercícios o único exemplar existente na Rússia de um trem de Apoio Técnico-Material (ATM). Devido à inexistência de blindagem nos vagões, essa máquina atua apenas na retaguarda operacional.

Os recursos desse complexo ferroviário permitem atender às necessidades básicas e sanitárias das tropas: desde a lavagem dos uniformes militares até a desinfecção de soldados feridos. O ATM está também preparado para executar funções de Estado-Maior e, por isso, dispõe de um moderno equipamento de comunicação.

A existência de um gerador elétrico de 2 MW de potência (equivalente ao de uma fábrica de pequeno porte) torna esse complexo ferroviário independente em termos de energia.

2. Sistema de combate de míssil ferroviário


Special trains
Sistema de combate de míssil ferroviário é capaz de retaliação nuclear imediata Foto:PhotoXPress

Os sistemas de combate de mísseis ferroviários são verdadeiros trens do “juízo final”, pois garantem um ataque nuclear de retaliação em resposta a qualquer ofensiva.

A URSS tinha em seu Exército doze trens especiais carregados com sistemas de mísseis 15P961 Molodets. Cada trem portava três mísseis estratégicos com 10 ogivas que foram apelidadas no Ocidente de “Stiletto”.

Esses sistemas de combate de mísseis ferroviários estiveram em serviço de 1987 a 1994, ano em que, segundo os termos do tratado Start II, a Rússia se comprometeu a eliminar todos os mísseis RT 23 Molodets. Em 2013, porém, a liderança russa decidiu retomar o desenvolvimento de sistemas de mísseis ferroviários de combate.

O novo sistema de mísseis ferroviários, camuflado sob a forma de vagões refrigerados, será equipado com os mais modernos mísseis balísticos intercontinentais e ogivas múltiplas Yars.

3. Trem blindado

Trens blindados da Rússia foram desenvolvidos para operação no Cáucaso do Norte Foto: PhotoXPress

Durante a operação antiterrorista no Cáucaso do Norte, entre 2002 e 2009, os militares criaram um grupo de trens blindados para as tropas ferroviárias.

Por ordem do ex-ministro da Defesa, Anatóli Serdiukov, esses trens foram retirados da ativa. Mas o atual chefe da pasta, Serguêi Choigu, exigiu a sua recolocação no Exército.

As principais tarefas dos trens blindados especiais incluem a proteção das composições ferroviárias com cargas de finalidade civil ou militar, bem como o transporte de soldados e outros militares, a fim de evitar atos terroristas.

Além disso, durante as últimas operações antiterroristas na Tchetchênia, os trens blindados já realizaram com sucesso a proteção das unidades de sapadores que neutralizavam engenhos explosivos colocados nos trilhos ferroviários.

Atualmente, a Rússia dispõe de quatro trens blindados – o Baikal, o Terek, o Amur e o Don –, que estiveram em serviço na fronteira sino-soviética no final dos anos 1980.


Cinco coisas que você desconhecia sobre os tanques russos

As tropas de tanque formam a principal força de ataque dos exércitos modernos mundo afora. Descubra curiosidades sobre os veículos russos.


VADIM MATVÉIEV | GAZETA RUSSA

1. Como distinguir um T-64 de um T-72, T-90 e T-80?

À primeira vista são veículos muito parecidos, mas, analisando atentamente, nota-se grandes diferenças. A mais visível delas é o diâmetro e o aspecto externo das rodas de apoio da esteira.


T-72 tem rodas de 750 mm de diâmetro revestidas por espessa camada de borracha Foto: Iúri Smitiuk/TASS

No T-64, as rodas têm 555 mm de diâmetro e são fabricadas por estampagem, além de serem estreitas e desprovidas de borracha externa. No caso do T-72, têm 750 mm de diâmetro e são revestidas por uma espessa camada de borracha. Já o T-80 tem rodas de 670 mm, largas, revestidas com borracha, com a forma de um prato fundo e uma cúpula central rodeada por parafusos. O T-90, tal como o T-72, também possui rodas de 750 mm de diâmetro.

Também é fácil distinguir esses tipos de tanque pela localização do sensor de infravermelhos. No T-64, ele vem instalado à esquerda do canhão do tanque, enquanto o T-72 e o T-80 o trazem à direita do cano do canhão.

Por fim, tanto o T-64, como o T-72 e o T-90, vêm equipados com uma única seção do dispositivo de visualização do condutor do tanque, enquanto o T-80 possui três dessas seções.

2. O tanque moderno mais fabricado no mundo é o T-72

Desde o início da produção em série do T-72, em 1974, até os dias de hoje, a fábrica Uralvagonzavod já fabricou mais de 20.500 tanques desse tipo. O pico de fabricação aconteceu em 1985, quando da linha de produção da Uralvagonzavod saíram 1.559 tanques T-72.

A produção do T-72 foi licenciada nas antigas Iugoslávia e Tchecoslováquia, Polônia e Índia.

3. Primeiro tanque do mundo com turbina a gás é o T-80

O T-80 foi o primeiro tanque em série do mundo com o principal sistema de propulsão assentado em um motor de turbina a gás. Além dó Exército russo, pode-se vê-lo em ação nos exércitos da Ucrânia, Bielorrússia, Coreia do Sul, Uzbequistão, Chipre e Paquistão.

Ucrânia e Bielorrússia são alguns dos países que possuem T-80 em seus arsenais Foto: TASS

4. Todos os tanques russos e soviéticos conseguem se autoentrincheirar

Os tanques soviéticos da série T traziam sempre um dispositivo que lhes permitia se entrincheirarem, enquanto os projetistas dos tanques ocidentais negligenciaram durante muito tempo esse dispositivo extremamente útil em um veículo de combate.

O equipamento que permite ao tanque se autoentrincheirar consiste em uma espécie de pá de bulldozer fixada à inclinação frontal inferior do tanque. Alguns minutos de funcionamento do dispositivo e a trincheira está pronta.

5. Por que o T-90 MBT recebeu o nome de ‘Vladímir’?

T-90, ou Vladímir, em ensaio para o Dia da Vitória, em Alabino Foto: Mikhail Djaparidze/TASS

O tanque T-90, que entrou em serviço em 1992, recebeu o nome de ‘Vladímir’ em homenagem ao seu criador, Vladímir Ivanovitch Potkin. Depois que o famoso construtor faleceu, em maio de 1999, o governo russo decidiu colocar o nome de ‘Vladímir’ à sua criação.


23 setembro 2015

Crise pode causar perdas irreversíveis na Defesa, dizem especialistas

Sergio Vieira e Sylvio Guedes | Agência Senado

Em debate realizado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Sami Hassuani, admitiu que o setor passa por um momento de “grandes incertezas”, devido ao contingenciamento feito pelo governo em todos os programas do setor.


Senador Lasier Martins, entre os convidados Sami Hassuani, da Abimde, e o professor da FGV Renato Flôres Junior
Senador Lasier Martins, entre os convidados Sami Hassuani, da Abimde, e o professor da FGV Renato Flôres Junior

Como ressaltou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que sugeriu o debate, a área foi bastante incentivada pelo governo a partir da gestão do ex-ministro Nelson Jobim (2005-2011), mas agora sofre as fortes conseqüências da “irresponsabilidade fiscal em todas as áreas”.

— São centenas, milhares de empresas que acreditaram nesses projetos, e agora estão na mão. Esse é um setor, com a exceção dos grandes exportadores, que depende essencialmente de um cliente único: o governo — ressaltou o senador.

Cadeia produtiva

Hassuani confirmou que a cadeia produtiva ficou bem mais dinâmica a partir da prioridade dada pelo governo desde 2003. O setor caminhou “muito bem” até meados de 2013, mas as restrições fiscais criadas ameaçam o “muito do que foi desenvolvido nestes últimos anos”.

— A gestão do conhecimento não é como a área mineral ou petrolífera. Se há descontinuidade, impera a obsolescência tecnológica e a perda de mercado e de recursos humanos — alertou Hassuani, lembrando que “o conhecimento não volta e muitas empresas podem falir”.

Ele disse que as únicas companhias que não estão em crise são as grandes exportadoras, como a Embraer e a Avibras. Por isso, pediu ao Congresso Nacional que priorize a área na votação do Orçamento para o ano que vem.

“Livro Branco”

Ferraço afirmou que prepara, juntamente com a relatoria da política pública da Defesa para este ano, uma nova versão do “Livro Branco” desta área, a ser apresentado pelo Senado.

O senador se disse “assustado” com o fato do atraso em programas como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) não provocar indignação. Ele destacou também o papel de investimentos nessa área para a geração de empregos e renda, além do ganho em segurança pública.

— Se priorizarmos mais o combate ao tráfico e outros crimes já nas fronteiras, isso aliviará a carga nas grandes cidades — explicou Ferraço, lembrando que grande parte da droga vendida no Brasil é produzida fora.

Impacto no PIB

Ele defendeu um maior investimento do Brasil em defesa, comparando os gastos nacionais no setor (3,7% do produto interno bruto) com os da França (15% do PIB). Esse aumento traria bom retorno econômico, completou Said Hassuani, que mostrou aos senadores estudo da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), ligada à Universidade de São Paulo, demonstrando o “impacto positivo” da cadeia produtiva do setor.

O estudo demonstra que a cada R$ 10 milhões investidos em alta tecnologia na área, há um impacto da ordem de R$ 18,6 milhões, com 175 empregos diretos. Em relação aos efeitos indiretos, haveria ganhos de R$ 33,4 milhões, com 352 novos postos de trabalho e um grande impacto no PIB.

— Cada real investido na Defesa gera R$ 10 em exportações. Isso é verificável — disse.

Ele ressaltou que o que mais “assustou” o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto e os demais economistas que avalizaram o estudo foi o fato de se estar gastando bem mais no país em segurança privada do que na Defesa do país.

— Uma quantidade enorme de jovens fazendo a segurança de empresas, empresários e políticos, em vez de estarem alocados para o setor produtivo da economia — ressaltou, admitindo que tal só se dá devido à falência da segurança pública.

Legislação

Já o economista Renato Galvão, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), manifestou preocupação com o estado atual da Defesa, em especial com a estagnação nos programas Sisfron e Prosub.

Galvão sugeriu que o Congresso Nacional flexibilize algumas exigências que as empresas estatais precisam cumprir, que acabam por dificultar o dinamismo de sua atuação e a inserção nos mercados.

O economista considera “inevitável” que o setor também sofra com a crise, pois a Defesa “não pode e não deve” ser vista como algo descolado do restante do país. Lembrou que alguns dos grandes exemplos de sucesso da indústria bélica, como os tanques Urutu e Cascavel, nasceram de projetos simples porém muito bem concebidos e executados.

Ele não vê como certa a suposição de que a retomada dos investimentos gerará grandes ganhos em exportação, mas observou que o país exporta menos do que pode, por isso, e deveria olhar com “maior carinho” os mercados sul-americano e africano.

Segundo o Ministério da Defesa, o Brasil já ocupou o oitavo lugar no mercado mundial de produtos de defesa, que movimenta, por ano, cerca de US$ 1,5 trilhão.

— Esse é um mercado muito competitivo, e alguns grandes países têm diminuído seus orçamentos.

Galvão defendeu ainda o estabelecimento de parcerias inteligentes com outras nações, e que hoje sai bem mais barato importar diversos insumos do que produzi-los aqui.

— Quem alimenta a Defesa hoje é a indústria civil — afirmou.


NDM Bahia, ex-Siroco, deverá ser incorporado à Marinha do Brasil no final do ano

Incorporação do Navio Doca Multipropósito (NDM) Bahia está prevista para 31 de dezembro, e portarias do Comando da Marinha já autorizaram o envio dos grupos de fiscalização, apoio e recebimento do navio, adquirido à França


Poder Naval

Até o final do ano, a Marinha do Brasil (MB) deverá incorporar o NDM Bahia, navio de desembarque anfíbio dotado de doca alagável à popa, além de amplo convoo e hangar para a operação de helicópteros médios e outras facilidades que o classificam como multipropósito. As providências para envio de pessoal à França para a fiscalização, apoio e recebimento do navio constam de portarias do Comando da Marinha com data de terça-feira, 8 de setembro, e publicados nesta quarta (9 de setembro de 2015). 


Siroco

O navio servia desde 1998 na Marinha Francesa (Marine Nationale) com o nome Siroco, sendo desincorporado em julho deste ano e oferecido ao Brasil. A designação NDM significa “Navio Doca Multipropósito”, diferenciando-se de navios similares, porém mais antigos e limitados, classificados na MB como “Navio de Desembarque Doca” (NDD), como é o caso do NDD Ceará.

O NDM Bahia, ex-Siroco, é um navio com deslocamento de 12.000 toneladas (a plena carga), com 168 metros de comprimento, 23,5 metros de boca, calado de 5,2m, capacidade de atingir até 21 nós de velocidade máxima e com alcance de 11.000 milhas náuticas a 15 nós.

A classe “Foudre” (de dois navios, cujo líder também foi desativado da Marinha Francesa e comprado pelo Chile) tem acomodações para uma tripulação de aproximadamente 200 pessoas e mais de 450 fuzileiros navais para missões em operações de desembarque anfíbio (em situações emergenciais, pode acomodar mais de 1.500 pessoas). O hangar e convoo podem acomodar até sete helicópteros médios do porte do Super Puma, com pontos para pouso e decolagem de duas aeronaves no convoo e uma na cobertura junto à popa. A operação normal (com capacidade para apoiar e reabastecer simultaneamente, em operações contínuas) é de até 4 aeronaves.

A doca alagável, com cerca de 13.000 metros quadrados, permite operar diversas combinações de embarcações de desembarque de grande e médio porte. Essas características, somadas a instalações hospitalares com duas salas de cirurgia e 47 leitos, conferem ao navio uma capacidade multipropósito (para variadas operações militares e humanitárias).

A autorização para envio dos Grupos de Fiscalização, Apoio e Recebimento

O Comandante da Marinha, AE Eduardo Bacellar Leal Ferreira determinou ontem, dia 08 de setembro de 2015, por meio das Portarias nº 388, nº 390, nº 391 que autoriza os militares que irão participar dos Grupos de Fiscalização, Apoio e Recebimento do Navio Doca Multipropósito (NDM) “Bahia” – A nova designação é NDM – a partirem para Toulon.

No dia 04 de setembro, o Capitão-de-Mar-e-Guerra LUIS FELIPE MONTEIRO SERRÃO, encarregado do Grupo de Fiscalização e Apoio (GFA) do Navio Doca Multipropósito “Bahia”, partiu para Paris e posteriormente irá para Toulon.

No próximo dia 14 de setembro, partirão os oficiais que farão parte do Subgrupo ALFA do GFA do Navio Doca Multipropósito “Bahia”. A missão do GFA será: executar tarefas, que transcendam às atividades intranavio, durante o processo de obtenção do NDM “Bahia”, incluindo o gerenciamento dos recursos financeiros no exterior, a programação e realização dos cursos e treinamentos, a fiscalização técnica do Contrato, a obtenção de equipamentos, serviços e sobressalentes, além do apoio administrativo ao pessoal envolvido no recebimento do navio.

Este Grupo de Fiscalização e Apoio (GFA) do Navio Doca Multipropósito (NDM) “Bahia” será formado por 1 CMG – LUIS FELIPE MONTEIRO SERRÃO; 1 CF – LUIS EDUARDO SOARES FRAGOZO ; 1 CC (IM) – LUIZ GUSTAVO PRINCIPE CANEDO; 4 CC/CT (EN); 1 CT; e 2 SO.

O Grupo de Recebimento (GR) do Navio Doca Multipropósito (NDM) “Bahia”, inicialmente funcionando no Brasil e, oportunamente, transferido para a França, ficará subordinado à Diretoria-Geral do Material da Marinha, enquanto instalado no Rio de Janeiro, e ao Grupo de Fiscalização e Apoio (GFA), quando em Toulon, será composto por Oficiais e Praças da futura Tripulação do NDM “Bahia”.

O GR do NDM “Bahia” deverá ficar em Toulon até a incorporação do navio à MB, prevista para ocorrer em 31 de dezembro de 2015.



Marinha demite funcionários concursados da Fábrica de Munição

Órgão informou que, no decreto deste ano, várias medidas foram tomadas para reduzir despesas


Poder Naval

Rio de Janeiro – Cerca de cem funcionários concursados da Fábrica de Munições da Marinha, em Campo Grande, foram demitidos da corporação nesta segunda-feira (14). Os funcionários, a maioria deles com mais de 20 anos na corporação, foram surpreendidos após o recebimento de um telegrama informando os cortes. Grande parte dos demitidos exercem o cargo de auxiliares de produção em diversas áreas da corporação, como departamento financeiro, de recursos humanos, e outras.




Em contato com o Globo, a Marinha do Brasil (MB), por meio da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), confirmou as demissões na Fábrica de Munição, que é operada pela Emgepron. A Marinha informou também, que no decorrer deste ano, várias medidas foram tomadas com o intuito de reduzir despesas, como foi feito no serviço de limpeza e manutenção predial, transporte coletivo dos colaboradores, redução dos gastos com horas extras, entre outras ações para redução de gastos.


Publicada a portaria que subdelega competências do MD aos comandantes militares

Poder Aéreo

Inicialmente, é importante rememor os acontecimentos ao leitor.

Conforme decreto 8.515 de 3 de setembro de 2015 (publicado no dia seguinte no Diário Oficial da União /DOU – clique aqui para acessar), as competências para diversos atos relativos a pessoal militar, que tradicionalmente eram dos comandantes militares, foram delegadas pela presidente da República ao Ministro da Defesa. O decreto apresentava, acompanhando a assinatura da presidente Dilma Rousseff, a do comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, exercendo o cargo de ministro da Defesa devido a viagem do titular, Jaques Wagner.




As reações a esse decreto, em especial no meio militar mas que também repercutiram no ambiente político e na imprensa (incluindo o próprio comandante da Marinha, que afirmou não ter assinado o decreto, conforme noticiou a imprensa), levaram a Presidência a publicar na edição do DOU de 10 de setembro (clique aqui) uma retificação, permitindo a subdelegação do ministro aos Comandantes das Forças Armadas dos referidos atos – substituindo também a assinatura do comandante Leal Ferreira pela do ministro Wagner. Esta subdelegação seria feita por portaria, e o público interessado aguardou que essa portaria fosse publicada no DOU, dado que a entrada em vigor do decreto 8.515 seria 14 dias após a sua publicação.

E, de fato, no exato dia de entrada em vigor, foi publicada a Portaria Normativa nº 2.047 do Gabinete do Ministro da Defesa (com data de 17 de setembro e publicada no dia 18 – clique aqui). Porém, achamos importante informar que, em portaria de número anterior à mesma (2.045 – clique aqui) o ministro chegou a exercer sua competência antes de subdelegá-la, designando um militar da Marinha para missão no exterior. O texto dessa portaria anterior está logo abaixo, seguido do texto da portaria que enfim subdelegou a competência por esses atos.

Fica a pergunta: conforme toda a repercussão do decreto, de sua retificação (clique nos links ao final para saber mais sobre as reações), será que a Portaria nº 2.047 bastará para resolver todo o mal-estar político e até mesmo as dúvidas jurídicas levantadas?

MINISTÉRIO DA DEFESA

GABINETE DO MINISTRO

PORTARIA No – 2.045/MD, DE 17 DE SETEMBRO DE 2015

O MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA, conforme o disposto no art. 46 da Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003, e no uso da competência que lhe foi delegada pelo inciso VII do art. 1o do Decreto no 8.515, de 03 de setembro de 2015, resolve: DESIGNAR o Capitão-de-Corveta (FN) RAFAEL DA SILVA MAIA, do Comando da Marinha, para exercer função de natureza militar, na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA), por um período de doze meses, a partir de 11 de outubro de 2015. A missão é considerada militar, transitória, com mudança de sede e sem dependentes, estando enquadrada na alínea “b” do inciso I e na alínea “b” do inciso II do art. 3º, e no inciso IV do art. 5º, tudo da Lei nº 5.809, de 10 de outubro de 1972, regulamentada pelo Decreto nº 71.733, de 18 de janeiro de 1973, e suas alterações.

JAQUES WAGNER


MINISTÉRIO DA DEFESA

GABINETE DO MINISTRO

PORTARIA NORMATIVA Nº 2.047/MD, DE 17 DE SETEMBRO DE 2015
O MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA, no uso de suas atribuições que lhe conferem os incisos II e IV do parágrafo único do art. 87 da Constituição, os arts. 11 e 12 do Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, regulamentado pelo Decreto nº 83.937, de 6 de setembro de 1979, tendo em vista o disposto no Decreto nº 8.515, de 3 de setembro de 2015, e considerando o que consta do Processo nº 60532.000086/2014-06, resolve:

Art. 1º Subdelegar competência aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para, no âmbito dos respectivos Comandos, praticar os seguintes atos relativos aos militares:

I – transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos;
II – reforma de oficiais da ativa e da reserva e de oficial general da ativa, após sua exoneração ou dispensa de cargo ou comissão pelo Presidente da República;
III – demissão a pedido, ex officio ou em virtude de sentença transitada em julgado de oficiais superiores, intermediários e subalternos;
IV – promoção aos postos de oficiais superiores;
V – promoção post mortem de oficiais superiores, intermediários e subalternos;
VI – agregação ou reversão de militares;
VII – designação e dispensa de militares para missão de caráter eventual ou transitória no exterior;
VIII – nomeação e exoneração de militares, exceto oficiais generais, para cargos e comissões no exterior criados por ato do Presidente da República;
IX – nomeação e exoneração de membros efetivos e suplentes de comissões de promoções de oficiais;
X – nomeação ao primeiro posto de oficiais dos diversos corpos, quadros, armas e serviços;
XI – nomeação de capelães militares;
XII – melhoria ou retificação de remuneração de militares na inatividade, inclusive auxílio invalidez, quando a concessão não houver ocorrido por ato do Presidente da República;
XIII – concessão de condecorações destinadas a militares, observada a ordem contida no Decreto nº 40.556, de 17 de dezembro de 1956, destinadas a:
a) recompensar os bons serviços militares;
b) recompensar a contribuição ao esforço nacional de guerra;
c) reconhecer os serviços prestados às Forças Armadas;
d) reconhecer a dedicação à profissão e o interesse pelo seu aprimoramento; e
e) premiar a aplicação aos estudos militares ou à instrução militar;
XIV – concessão de pensão a beneficiários de oficiais, conforme disposto no Decreto nº 79.917, de 8 de julho de 1977;
XV – execução do disposto no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias;
XVI – exclusão de praças do serviço ativo; e
XVII – autorização de oficial para ser nomeado ou admitido em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, inclusive da administração indireta

Art. 2º Os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica poderão editar atos normativos sobre organização, permanência, exclusão e transferência de Corpos, Quadros, Armas, Serviços e Categorias de oficiais superiores, intermediários e subalternos, no âmbito dos respectivos Comandos, bem como os atos complementares necessários para a execução desta Portaria Normativa. Art. 3º

Esta Portaria Normativa entra em vigor em 18 de setembro de 2015.

JAQUES WAGNER


Helicóptero H225M começa a operar no Esquadrão Puma da FAB

3º/8º GAv recebeu primeiro helicóptero do modelo na semana em que completou 35 anos de atuação


Poder Aéreo

A Helibras participou da cerimônia de incorporação do primeiro H225M do Esquadrão Puma (3º/8º GAv) na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro. O evento teve a presença de Comandantes Operacionais e Logísticos da Força Aérea e vários convidados tendo como fundo os helicópteros Super Puma operados pelo Esquadrão.


Chegada primeiro H225M do 3_8

A cerimônia de entrega do primeiro H225M ao 3°/8° GAv marcou também os 35 anos de criação do Grupo de Aviação. Nascido em 1980, o Esquadrão Puma foi batizado com o nome dos helicópteros que operava naquela época. Seis anos depois, os antigos Puma foram substituídos pelos Super Puma na realização de missões de Busca e Salvamento, Transporte, Evacuação Aeromédica, SAR, dentre outras.

O mais moderno helicóptero da família, o H225M, irá operar dentro do mesmo leque de atividades do Esquadrão, além de estar preparado para atuar também em situações de catástrofes naturais e em grandes eventos que o país possa receber.

Essa aeronave oferece uma extensão operacional às atividades da Força, especialmente pela capacidade de voos durante o dia e a noite. E antes mesmo do recebimento, os tripulantes realizaram treinamentos para dominarem a nova máquina.

As aulas foram ministradas pelo Esquadrão Falcão (1º/8º GAv, de Belém), unidade que implantou o H225M no seu acervo em 2011. Foram realizados treinamentos em voos diurnos e noturnos básicos, IFR (Voo por Instrumentos), treinamento de situações de pane em um dos motores, resgate na água e demais usos das modernas tecnologias e sistemas do helicóptero. A formação ainda incluiu técnicas de manutenção e atividades com a equipe de resgate.



AEL entrega aeronave ‘Bandeirulha’ P-95M à FAB

Poder Aéreo

A empresa AEL Sistemas, de Porto Alegre, entregou, na última semana, a primeira das oito aeronaves P-95M à Força Aérea Brasileira. O projeto de modernização, atualmente realizado no Parque de Material de Aeronáutica dos Afonsos, no Rio de Janeiro, tem como foco substituir equipamentos eletrônicos e instalar um novo radar. O painel analógico foi substituído por quatro modernas telas digitais que melhoram a consciência situacional e aumentam a segurança da tripulação, enquanto que o radar Seaspray 5000E de 48 quilos de peso vai permitir a detecção de navios a até 370 quilômetros de distância.





P-95M painel

Os aviões P-95 poderão também acompanhar até 200 alvos simultaneamente, realizar mapeamento de terrenos e detectar aeronaves. Os “Bandeirulhas” são aeronaves de patrulha marítima e fazem a vigilância aérea do mar territorial brasileiro, além de atividades como a busca e salvamento de náufragos e o combate à pesca ilegal, pirataria e crimes ambientais. Também são usados em missões especiais de combate e de inteligência. As aeronaves entregues devem ser operadas pelos esquadrões Phoenix (2º/7°GAV) e Netuno (3º/7°GAV), sediados nas bases aéreas de Florianópolis (SC) e Belém (PA).


Suécia recebe os primeiros engenheiros brasileiros que vão trabalhar no novo Gripen

Embraer vai enviar 44 dos 46 engenheiros e técnicos que farão parte do grupo pioneiro de trabalho para a produção dos jatos comprados pelo Brasil


Sheila Faria | O Vale

Um grupo de 46 engenheiros e técnicos brasileiros começa a trabalhar na Suécia a partir do dia 19 de outubro. Eles são funcionários das empresas Embraer, de São José, e AEL Sitemas, de Porto Alegre. 


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Embora alguns engenheiros da Embraer já estejam na sede da sueca Saab, os 46 profissionais serão oficialmente os pioneiros para o início do programa de fabricação dos caças supersônicos Gripen NG, que serão produzidos pela Saab para equipar a FAB (Força Aérea Brasileira).

O contrato de compra dos jatos inclui transferência de tecnologia para o Brasil, sob a coordenação da Embraer.

Começa a valer agora, na prática, o contrato entre o Brasil e a Suécia, efetivado oficialmente há duas semanas.

Serão 36 caças supersônicos Gripen NG de última geração, capazes de voar duas vezes a velocidade do som. 

A última pendência do contrato, o financiamento, também foi concluída há um mês. O contrato é de US$ 4,7 bilhões, dos quais US$ 245,3 milhões são para a compra de armamentos para os jatos.

Grupos

Os técnicos e engenheiros brasileiros irão em grupos ao longo dos próximos anos. Em outubro, irão 44 funcionários da Embraer e 2 da AEL.  Segundo a Embraer, até 2020, a empresa vai enviar 280 funcionários para a sede da Saab para atuar no projeto. 

De acordo com a Embraer, irão para a Suécia engenheiros e operadores de produção, de 2015 a 2020. A empresa informou que a permanência dos funcionários na Suécia pode durar de 6 a 24 meses.

Segundo a Saab, o tempo de permanência do primeiro grupo na Suécia deve ser de 12 meses. No início, haverá uma variedade de treinamentos teóricos e a maioria dos técnicos e engenheiros também irá participar do treinamento prático (on-the-job), no desenvolvimento do Gripen -- uma formação mais especializada dentro do mesmo projeto que os engenheiros da Saab.

Produção

A Embraer será a responsável no Brasil pelo programa de transferência de tecnologia. A Embraer também vai coordenar as atividades de produção dos caças no Brasil. A empresa será responsável pelo desenvolvimento completo da versão de dois lugares do Gripen NG. A montagem final dos jatos será feita na fábrica de Gavião Peixoto.

A AEL é responsável pelo programa de sistemas aviônicos do Gripen. A empresa foi confirmada no programa em fevereiro, quando assinou com a Saab um contrato para a transferência de tecnologia.

A AEL foi selecionada para fornecer o WAD (Wide Area Display), o HUD (Visor Frontal) e o HMD (Helmet Mounted Display - capacete com visor), que será integrado ao Gripen NG para o Brasil como parte do contrato F-X2.

O trabalho da AEL deve durar quatro anos e inclui o desenvolvimento, a integração e o trabalho de produção, que serão realizados em Porto Alegre. A integração do sistema será feito pela SAAB e pela Embraer.

Marco 

Para a Saab, a chegada dos técnicos e engenheiros brasileiros é um marco no programa dos caças para a FAB.

“Este importante acontecimento marca o início formal do programa Gripen NG brasileiro. Agora vamos trabalhar a toda velocidade para garantir as entregas no prazo determinado”, afirmou Häkan Buskhe, presidente e CEO da Saab.

Perfil

O Gripen é uma aeronave de combate multimissão, capaz de realizar todas as missões ar-ar e ar-solo, incluindo tarefas especializadas, como de inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento e guerra eletrônica.

O Gripen está equipado com os mais modernos sensores e sistemas de missão, incluindo um radar de varredura eletrônica ativa e um sistema de busca e rastreamento infravermelho. O caça deve substituir os F-5 da FAB.

Primeiros caças chegam em 2019

A entrega dos caças supersônicos Gripen NG deve começar em 2019 e terminar em 2024. A montagem final dos jatos no Brasil será feita na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto. Dois pilotos brasileiros -- Gustavo Pascotto e Ramon Forneas -- foram os primeiros a serem treinados para pilotar o caça, na Suécia. Outros pilotos da FAB devem ser treinados.

21 setembro 2015

EUA dispostos a negociar com Assad

Pela primeira vez, o secretário de Estado dos EUA John Kerry declarou que os EUA estão dispostos a negociar com o governo sírio para resolver o conflito no país sem a deposição do presidente Assad como condição obrigatória.


Sputnik

"Precisamos começar a negociação. Isso é o que estamos procurando e nós esperamos que a Rússia e o Irã, e quaisquer outros países com influência, ajudem a realizá-lo, porque é isso que está impedindo que esta crise acabe", Kerry disse no sábado (19) citado pela Reuters.


Nota do editor: Engraçado, eu achava que o que estava impedindo a solução da crise na Síria é a determinação de Obama em causar um golpe de estado para destituir Assad, dando armas, munições, treinamento e tropas de elite para que os rebeldes pudessem criar a atual situação e provocar a queda do governo sírio. Pelo menos é isso que está em toda a imprensa internacional, desde o início do conflito até hoje. Depois da Rússia enviar ajuda aos sírios, Kerry muda o tom e diz que quer diálogo sem que Assad precise ser derrubado.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry
John Kerry © AP Photo/ Pablo Martinez Monsivais, Pool

Kerry acrescentou que remover Assad do poder não é um ponto de atrito, estando ele aparentemente disposto a permitir o início das negociações.

"Não tem que ser em um dia ou um mês… há um processo pelo qual todas as partes têm que passar juntos para chegar a um entendimento melhor como isto pode ser alcançado", disse Kerry.

Tentativas anteriores de negociação entre algumas fações de grupos rebeldes e do governo sírio em 2012 e 2014 terminaram com impasse pois os EUA exigiram um acordo que removesse Assad do poder antes de as tentativas de mediação serem feitas.

Ao mesmo tempo, o chanceler britânico Philip Hammond expressou outra posição.

"Por causa do envolvimento russo, a situação na Síria é cada vez mais complicada. Eu acho que nós precisamos discutir isso como parte de um problema muito maior — as pressões migratórias, a crise humanitária na Síria, bem como a necessidade de derrotar o Estado Islâmico (EI)", afirmou o chanceler britânico depois das negociações com o secretário de Estado americano John Kerry em Londres.

É de lembrar que o porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov disse antes que, desde o início da crise síria, a postura oficial da Rússia é que somente o povo sírio pode definir o seu futuro e somente por via de eleições democráticas.



Rússia cria base aérea na Bielorrússia

O presidente russo Vladimir Putin decidiu avançar com um acordo para criar uma base aérea russa na Bielorrússia, tendo confiado aos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores manter as negociações com Minsk.


Sputnik

A disposição foi publicada hoje (19) no site de informação governamental.


Militar junto do caça Su-25 da Força Aérea bielorrussa durante os exercícios conjuntos da Rússia e Bielorrússia ‘Escudo da União’
© Sputnik/ Igor Russak

“Aprovar a proposta do governo da Federação da Rússia relativa à assinatura de um acordo entre a Federação da Rússia e a República da Bielorrússia sobre uma base aérea no território da República da Bielorrússia”, se diz na disposição.

Quando o entendimento for atingido, o acordo será firmado pelo Ministério da Defesa e Ministério das Relações Exteriores em nome da parte russa.


Premiê ucraniano dá tiro no pé

A imprensa polonesa mostra entusiasmo relativamente a uma recente declaração do primeiro-ministro ucraniano Arseny Yatsenyuk. O premiê afirmou que o Pacto Molotov-Ribbentrop, que efetivamente criou as fronteiras ocidentais da Ucrânia contemporânea, foi um ato contra os interesses da Polônia e da Ucrânia.


Sputnik

O Pacto Molotov-Ribbentrop, um pacto de não agressão assinado entre a União Soviética e a Alemanha nazista em 1939, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, resultou na devolução à União Soviética de territórios polacos na Bielorrússia ocidental e na Ucrânia ocidental que a Polônia perdera durante a guerra polaco-soviética de 1919-1921, formando efetivamente as fronteiras ocidentais dos dois países.


O primeiro-ministro da Ucrânia Arseny Yatsenyuk chega para a reunião do Conselho de Segurança em Kiev 4 de novembro de 2014
Arseny Yatsenyuk © REUTERS/ Valentyn Ogirenko

Durante o encontro com a primeira-ministra polonesa Ewa Kopacz, que visitou a aldeia ucraniana de Bykivnia na quinta-feira (16) para participar de uma cerimônia em memória dos oficiais poloneses mortos por forças de segurança soviéticas durante a guerra, Yatsenyuk declarou que o Pacto Molotov-Ribbentrop foi dirigido não só contra a Polónia, mas também contra a Ucrânia, relatou o jornal polonês Kresy.

"Tendo concluído este pacto, os bolcheviques-comunistas e os nazistas agiram contra a Polônia e a Ucrânia, dividindo nossos países e humilhando o nosso povo", disse Yatsenyuk, acrescentando que o pacto foi responsável pelo desencadear da Segunda Guerra Mundial.

Comentando o absurdo da declaração de Yatsenyuk, que parece abrir a porta para o revanchismo polaco relativamente à Ucrânia ocidental, os usuários da mídia social observam que, se as autoridades de Kiev consideram o pacto como um ato criminoso, talvez eles devam considerar a entrega das regiões ocidentais da Ucrânia à Polónia, como forma de correção deste “erro histórico”.

No site de notícias e análise PolitNavigator.net um usuário perguntou:

"Deixe-me ver: a junção da Ucrânia ocidental ao resto da Ucrânia foi dirigida contra o interesse da Ucrânia? Será que Yatsenyuk entende o que ele próprio disse?"

No ano passado, após a assinatura do Acordo de Associação entre a UE e a Ucrânia, várias organizações civis polonesas declararam que iriam interpor processos judiciais para reaver os bens que ficaram na Ucrânia ocidental quando a região foi retirada à Polônia e passou a pertencer à administração ucraniana (soviética).

Além disso, um recente estudo do Instituto de Varsóvia de Relações Públicas, em colaboração com os seus homólogos em Kiev, descobriu que quase metade dos poloneses continua a ver a Ucrânia e os ucranianos de forma negativa, com 38 por cento de indiferentes, e apenas 23 por cento dizem que estão dispostos a reconhecer totalmente a legitimidade da atual fronteira entre os dois países.


Helicópteros russos destroem inimigo durante exercícios

Tripulações dos helicópteros Mi-24 russos forneceram cobertura aérea para tropas terrestres durante os exercícios estratégicos de grande escala no Distrito Militar Central do país.


Sputnik

"Como parte dos exercícios Centro-2015, as tripulações dos helicópteros Mi-24 de ataque da Força de Defesa Aeroespacial da Rússia forneceram cobertura aérea para tropas terrestres", disse o serviço de imprensa do Ministério da Defesa russo.


Helicóptero de assalto Mi-24 inspirou tanto os seus desenhadores e operadores que recebeu todo um monte de apelidos, desde ‘Crocodilo’ (Krokodil) e ‘Copo’ (Stakan) a ‘Tanque Voador’ (Letayuschy Tank)
Mi-24 © Sputnik/ Ivan Rudnev

Durante a busca e destruição de "grupos armados ilegais", as tripulações cooperaram com unidades das forças especiais, de acordo com o serviço de imprensa. As tripulações também realizaram uma pesquisa visual de grupos subversivos e lançaram um ataque aéreo contra um inimigo convencional.

Os exercícios Centro-2015, que começaram na segunda-feira (14), envolvem 95.000 efetivos e mais de 7.000 peças de equipamento militar.

As manobras contam ainda com cerca de 170 aeronaves e 20 navios de guerra do Distrito Militar Central, a pequena frota do Cáspio, tropas aerotransportadas, aviação de longo curso e outros organismos da segurança nacional.

Os exercícios visam conter um hipotético conflito armado na Ásia Central, disse o Ministério da Defesa russo.