29 fevereiro 2016

Durante cessar-fogo na Síria, grupos terroristas continuam ataques

Apesar de uma tentativa de trégua e cessar-fogo estar em discussão na Síria, grupos terroristas que não fazem parte das negociações continuaram seus ataques neste sábado, principalmente contra civis.


Sputnik


Embora o cessar-fogo negociado por Rússia e Estados Unidos tenha sido respeitado no primeiro dia, uma várias explosões ocorreram em toda a Síria, provocadas por grupos terroristas que não participam das negociações. 


© Sputnik/ Mikhail Alayeddin

Em Damasco, o grupo Jaysh al-Islam, ligado à Frente Nusra e não sujeito ao cessar-fogo, bombardeou áreas residenciais. Outro grupo não sujeito ao cessar-fogo, o Ahrar al-Sham, também está ativo na região.

“Terroristas nos bairros de Jobar e Duma dispararam morteiros contra áreas residenciais de Damasco. Não houve relatos de mortos os feridos entre a população civil”, disse uma fonte militar à RIA Novosti.

Ataques do Daesh continuam

O grupo terrorista Daesh, não sujeito ao cessar-fogo, também continuou ataques na província de Hama e na cidade de Deir ez-Zor, onde ataques de morteiros mataram três crianças e deixaram outros 12 feridos.

Na província de Hama, explosões com homens-bomba do Daesh mataram seis pessoas, inclusive dois soldados vítimas de um carro-bomba em um ponto de controle militar. Outro bombardeio suicida envolvendo uma moto matou quatro pessoas, e um ataque suicida em uma estrada deixou uma pessoa ferida.

No norte da Síria, o Daesh atacou uma cidade controlada pelaa Forças Democráticas Curdo-Síria. O ataque, perto da fronteira com a Turquia, foi repelido pelas forças de defesa curdas (YPG) com a ajuda de ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra posições do Daesh.



Coreia do Norte testa nova arma antitanque guiada por laser

De acordo com relatos da mídia, o líder norte-coreano Kim Jong Un inspecionou e elogiou o teste da nova arma portátil antitanque guiada por laser.


Sputnik

"Ele observou com grande satisfação que mesmo os tanques e carros blindados inimigos, que se vangloriam de sua alta manobrabilidade e poder de ataque, se tornam não mais do que uma abóbora cozida perante a arma antitanque guiada», disse Kim Jong Un citado pelo serviço de notícias estatal norte-coreano Yonhap.


Líder norte-coreano Kim Jong-un durante a inspeção do Exército
© REUTERS/ KCNA

Segundo a mídia, o líder do país elogiou a arma “pelo seu enorme alcance, a sua precisão, que não cede às melhores espingardas e o seu poder de destruição”.

Ele apelou para a produção em massa da arma e para a sua implantação nas unidades militares costeiras da linha de frente.

O relatório vem após o país ter lançado um satélite por meio de um míssil de longo alcance, desafiando a resolução do Conselho de Segurança da ONU que proíbe o lançamento de foguetes que possam ser usados como mísseis balísticos com ogivas nucleares. Tendo em conta um teste da bomba de hidrogénio em 6 de janeiro, a ação provocou a condenação da comunidade internacional e forçou uma nova onda das sanções por parte dos EUA, Japão e Coreia do Sul.


Stop Trident : Londres é cenário de grande manifestação antinuclear

Os líderes de vários partidos políticos e ativistas antinucleares reuniram-se em Londres no sábado (27) para protestar contra a renovação do programa nuclear britânico Trident. A Sputnik assistiu à manifestação e falou com os ativistas do que se espera ser a maior demonstração do seu tipo dos últimos tempos.


Sputnik

Pessoas vindas de todo o Reino Unido se reuniram em Londres para participar na manifestação Stop Trident, organizada pela Campanha para o Desarmamento Nuclear (CND).


Manifestantes participam de um protesto contra o sistema de mísseis nucleares Trident em Londres, 27 de fevereiro de 2016.
© REUTERS/ Paul Hacket

Josh, um membro da ala juvenil da CND, organização antinuclear, disse à Sputnik:

"Estou aqui porque muito dinheiro está sendo gasto em armas nucleares, que são armas de destruição em massa. Nós pensamos que o dinheiro pode ser gasto melhor, na construção de um futuro melhor, um futuro mais ‘verde’ para os jovens em todo o mundo."

Outro manifestante, Ken, disse à Sputnik que gastar dinheiro com armas nucleares é um desperdício:

"Gastar dinheiro em guerra é um desperdício. Pode ser melhor gasto em medicina e educação. O que está errado com as pessoas? Por que estamos travando guerras? É ridículo. Guerra, guerra, guerra. É apenas para ganhar dinheiro para os super-ricos».

Outro ativista na manifestação contou à Sputnik:

"No mundo moderno, quando as ameaças não vêm de um poder central nuclear — parece melhor investir dinheiro em alguma outra forma de garantir a defesa, em vez de preservar o sistema antiquado, imoral e altamente perigoso de armas nucleares."

A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês (SNP), Nicola Sturgeon, chegou à manifestação logo após seu início, marchando com os ativistas na Trafalgar Square, no centro de Londres.

Sturgeon disse em seu discurso aos manifestantes:

"Estou muito orgulhosa de estar aqui hoje com tantos de toda a Escócia mostrando solidariedade com as pessoas de todo o Reino Unido e dizendo ‘não’ à obscenidade que representam as armas nucleares Trident", sublinhou ela acrescentando que "a maioria esmagadora dos países não tem armas nucleares».

A líder do Partido Verde, Natalie Bennett, também se juntou aos ativistas em suas chamadas para abandonar o programa Trident.

Quando a marcha contra o programa nuclear Trident chegou à Trafalgar Square, o CND mostrou as imagens das manifestações passadas em telões, enquanto um protesto paralelo no apoio aos refugiados também estava ocorrendo.

O dilema do Trident

O Trident, o submarino britânico dotado de armas nucleares, deverá ser renovado neste ano se o Parlamento der luz verde. Embora o míssil nuclear atual não seja modernizado, os ativistas do Stop Trident estão aproveitando a oportunidade para propor um desarmamento nuclear total.

Os ativistas antinucleares salientam que as armas nucleares não ajudaram a evitar muitas das maiores tragédias dos últimos tempos, como o 9/11, as explosões nos transportes de Londres e os perigos ambientais.

A postura do Partido Trabalhista britânico tem sido tradicionalmente a favor da manutenção de potencial nuclear. No entanto, isso agora pode mudar já que o líder recém-eleito, Jeremy Corbyn, é um famoso pacifista e ativista antinuclear.

Ao mesmo tempo, a posição anti-Trident de Corbyn está em desacordo com os sindicatos que apoiam o partido, que dizem que qualquer redução no programa nuclear levará à perda de milhares de vagas de trabalho.

 

17 fevereiro 2016

Partido de Aldo Rebelo, PCdoB, ‘aparelha’ Ministério da Defesa e irrita militares

Militares se irritam com nomeação de comunistas em chefias


Diário do Poder

Irritou as Forças Armadas a nomeação da ex-deputada Perpétua Almeida (PCdoB) para o cargo de secretária de Produtos do Ministério da Defesa. Eles convivem bem com Aldo Rebelo, também comunista, pelas qualidades pessoais do ministro, mas o “aparelhamento” vem sendo considerado “provocação”. O PCdoB foi o partido da guerrilha do Araguaia, o mais sério conflito armado enfrentado pelo regime militar. 


Para militares, nomeações de comunistas em chefias é aparelhamento. Foto: Alexandre Martins/Câmara

Perpétua Almeida vai ganhar R$ 13,9 mil. O comandante do Exército, general Villas Boas, 50 anos de serviço, recebe R$ 14,2 mil ao mês.

A ex-deputada Perpétua Almeida tem outro “problema” com a caserna: é dela o projeto que exclui militares dos benefícios da Lei da Anistia. O antecessor de Perpétua não sobreviveu à pressão dos militares Murilo Marques Barbosa recebia salário ainda maior: R$ 30,5 mil.


Assad anuncia anistia para desertores do exército sírio

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, assinou hoje um decreto que prevê anistia geral para todos os militares que abandonaram as Forças Armadas da Síria até o dia 17 de fevereiro de 2016, informou a agência SANA.


Sputnik


Segundo a imprensa local, a medida tem validade tanto para aqueles que desertaram dentro do país como no exterior. 


Bashar Assad

Desde o início de 2011, a Síria vive um conflito armado que já deixou mais de 250 mil mortos, de acordo com estimativas das Nações Unidas. Apoiadas pela aviação russa, tropas curdas e outros aliados, as forças governamentais lutam ao mesmo tempo contra diversas facções e grupos terroristas, como os famosos Daesh e Frente al-Nusra.

Na última sexta-feira, representantes das principais potências envolvidas na guerra síria, incluindo Rússia e Estados Unidos, chegaram a um acordo para cessar as hostilidades no país dentro de uma semana e facilitar o acesso da população a ajuda humanitária.


O que serviços secretos da França têm a ver com hospital da MSF na Síria?

O hospital da organização atingida por foguetes nesta segunda-feira (15) na província no norte da Síria Idlib era uma filial do serviço de inteligência francesa, informou o representante permanente da Síria na ONU, Bashar Jaafari.


Sputnik

Segundo o diplomata, os representantes da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), ao instalar o hospital, "não realizaram consultas com o governo sírio e não agiram com a permissão do governo da Síria". 


Este é o hospital da MSF em Maaret al-Nuuman, destruído em 15 de fevereiro de 2016
Hospital do MSF bombardeado na Síria © AFP 2016

Conforme foi divulgado logo após o ataque, das 54 pessoas que trabalhavam no hospital no momento, sete morreram e oito estão desaparecidas.

Nas suas declarações aos jornalistas, Jaafari divulgou:

"O assim chamado hospital foi substituído sem quaisquer consultas prévias com o governo sírio, pela chamada rede francesa Médicos Sem Fronteiras, que é uma filial da inteligência francesa no território da Síria."

Primeiramente, a MSF declarou que não tinha ideia de quem teria estado por trás do bombardeio mas, depois, representantes da organização declararam que o ataque contra o hospital foi organizada por tropas leais ao presidente sírio Bashar Assad.

Ao mesmo tempo, o premiê turco Ahmet Davutoglu não tardou em atribuir a responsabilidade à Rússia.

O embaixador sírio em Moscou, Riad Haddad, disse que o ataque foi realizado pela Força Aérea dos EUA. O conselheiro do presidente dos Estados Unidos para a Segurança Nacional, Susan Rice, sublinhou que a Casa Branca condena os bombardeios de hospitais na Síria, mas não está pronta a dizer com certeza quem esteve por trás disso.

O Ministério da Defesa da Rússia negou as acusações da Turquia sobre o seu alegado envolvimento no ataque.

"Digo já que na Frota do Cáspio não há nenhum navio que possa realizar tais lançamentos de mísseis balísticos", declarou o representante oficial do ministério Igor Konashenkov.

Este já não é o primeiro caso em que um hospital se torna alvo de ataques aéreos. Em outubro de 2015, um hospital da MSF na cidade afegã de Kunduz foi destruído pela coalizão internacional liderada pelos EUA, matando pelo menos 30 pessoas. O chefe das Forças Armadas americanas no Afeganistão John Campbell admitiu a culpa, sublinhando que foi cometido "um erro".



Rússia desmente alegações de ataque de míssil balístico contra hospital dos MSF

O representante oficial do Ministério da Defesa russo general-maior Igor Konashenkov comentou o recente bombardeamento do hospital da organização Médicos Sem Fronteiras.


Sputnik

“O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, que estava em visita à Ucrânia, chegou a falar ontem sobre um alegado ataque por parte da Rússia a partir do mar Cáspio, sublinho, de um míssil balístico, contra um hospital na província de Idlib. Digo já que na Frota do Cáspio não há nenhum navio que possa realizar tais lançamentos de mísseis balísticos”, sublinhou.


Uma equipe de resgate opera no local do ataque ao hospital da MSF em Maaret al-Nuuman
Equipe de resgate no hospital bombardeado © AFP 2016/

Todos os ataques da Força Aeroespacial da Rússia na Síria contra posições de terroristas estão sendo realizados só após repetidas verificações de dados e a necessária coordenação, de forma a excluir riscos para os civis, destacou o representante do Ministério da Defesa russo.

Apesar disso, a Turquia e os países ocidentais continuam acusando a parte russa de, alegadamente, nos ataques aéreos realizados pela aviação russa terem morrido civis. O Ministério da Defesa da Rússia negou várias vezes tais declarações, apresentando provas fotográficas verdadeiras, comparando-as com as falsas para argumentar a sua posição.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou na segunda-feira (15) que o hospital apoiado por ela, na província de Idlib, localizado na cidade síria de Maaret al-Nuuman, havia sido atingido por quatro mísseis, mas não tinha pistas de quem estaria por trás do bombardeio, rapidamente atribuído à Rússia pelo primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu.

Das 54 pessoas que trabalhavam no hospital no momento do ataque, sete morreram e oito estão desaparecidas.

Trégua duvidosa

“Após no final da semana passada terem sido alcançados acordos-quadro sobre o cessar-fogo na Síria, no sul e especialmente no norte do país, a atividade dos grupos terroristas se intensificou”, notou Konashenkov.

Segundo ele, ao mesmo tempo, entre os vários grupos que atuam na parte sudoeste da província de Aleppo e na parte noroeste da província de Idlib “tornaram-se mais frequentes as divergências sobre o controle dos territórios”.

Lembramos que o Grupo Internacional de Assistência à Síria (GIAS, ou ISSG, na sigla em inglês) aprovou em 11 de fevereiro um acordo que fixa uma trégua na Síria.

Entretanto somente prevê um cessar-fogo entre os grupos dentro do país enquanto a campanha militar contra os grupos terroristas Daesh e Frente al-Nusra continua.

A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra facções de oposição e contra grupos islamistas radicais.

A Rússia realiza desde 30 de setembro de 2015, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, uma campanha militar para ajudar o governo da Síria a combater os avanços de grupos terroristas atuantes no país. As missões aéreas antiterroristas estão sendo realizadas a partir da base de Hmeymim no oeste da Síria, na província de Latakia.

No início deste mês o Ministério da Defesa da Rússia confirmou que os caças multifuncionais avançados e supermanobráveis Su-35S começaram a realizar missões de combate na Síria. 


16 fevereiro 2016

Ancara nega a Moscou permissão para voo de observação

Questionamento sobre quais bases da Otan estão localizadas na Turquia e no interesse de quem são usadas aumenta após recusa de Ancara em liberar voo de observação russo.


Evguêni Krutikov | Vzgliad | Gazeta Russa

No início do mês, a Rússia deveria ter realizado um voo de observação ao longo da fronteira turco-síria, mas o acesso ao espaço aéreo turco foi negado pelas autoridades locais. 


Próxima a locais com potencial de conflitos, base de Incirlik é estratégica para Otan Foto:AP

Ao negar o voo de observação, porém, Moscou alega que Ancara violou o tratado internacional de céus abertos assinado entre os países que visa a prevenir tensões militares, permitindo que as nações observem destacamentos militares dentro das zonas fronteiriças.

Em nota publicada após a recusa, o Ministério da Defesa russo se referiu às ações da Turquia “como um precedente perigoso e uma tentativa de ocultar a atividade militar ilegal perto da fronteira com a Síria”.

A decisão também aumenta as suspeitas sobre o possível uso de instalações da Otan pela Turquia para fins próprios, sugere um especialista militar entrevistado pela Gazeta Russa. A seguir, ele descreve as estruturas da Otan na região e a serviço de quem estariam trabalhando.

Base aérea de Incirlik

Com o início dos combates no Iraque, a base aérea de Incirlik – usada tanto por turcos, como por norte-americanos – começou a patrulhar o espaço aéreo a norte do paralelo 36.

Para isso, foi, então, ali posicionada a chamada 39º unidade (Air Wing) de apoio às Forças Aéreas dos Estados Unidos na Europa, com um contingente de até cinco mil pessoas.

Em troca, a Turquia utiliza a aeronave de reabastecimento aéreo Boeing KC-135 Stratotanker para fins pessoais.

Considerando que esta base é relativamente próxima de locais com elevado potencial de conflitos, ela também é de grande importância para a Otan.

Sede em Izmir

Izmir abriga a sede que coordena os palcos de combate a partir do sudeste do país. Mas, ao que tudo indica, a parte russa não pretendia sobrevoar Izmir – além de estar longe da atual zona militar, as cerca de 300 aeronaves turcas ali estacionadas operam principalmente contra a Grécia.

Existe ainda a base aérea de Konya, onde está posicionada a unidade de reconhecimento por radar. No total, existem 20 aeródromos turcos com diferentes pistas de pouso que podem ser usadas ​​pela Otan em tempos de paz e outros 100 para uso quando em guerra.

As bases aéreas de Erzurum, Murted e Balıkesir, assim com a de Incirlik, possuem armamento nuclear. De acordo com estimativas variadas, apenas no território da Turquia, as forças da Otan possuem centenas de dispositivos nucleares de diferentes potências.

No final de 2014, a Turquia e os Estados Unidos concordaram em usar Incirlik também para a implantação de drones militares norte-americanos, com o objetivo de apoiar as operações da coalizão ocidental contra o Estado Islâmico (Ei).

Interesse próprio

Em geral, o interesse dos Estados Unidos em relação à base de Incirlik ora diminuía, ora aumentava de novo, dependendo do grau de atividade de preparação das operações ofensivas no Curdistão, incluindo as repetidas tentativas para reconquistar a cidade de Mosul do Estado Islâmico.

Nos momentos em que Washington recusava apoio aos curdos, passava então para o uso da aviação tradicional com concentração de porta-aviões no Golfo Pérsico. Mas bastava começar de novo a se falar em uma ofensiva ao Curdistão iraquiano para surgir a necessidade de se usar a base geograficamente mais próxima.

Já a Turquia, tem minado consistentemente as tentativas norte-americanas de consolidação em Incirlik, pois isso significaria uma cooperação mais estreita dos Estados Unidos com os curdos – o que Ancara rejeita veementemente.

A recusa da parte turca em permitir que os aviões russos sobrevoem a base não é prova, portanto, de “preocupação da aliada” em relação às posições dos EUA na região, mas pode indicar que Ancara estaria usando a base da Otan para interesses exclusivamente próprios.



Moscou acusa Ocidente de proteger rotas de abastecimento terrorista no norte da Síria

Os pedidos de alguns parceiros da Rússia em não bombardear o corredor de cera de 100 quilômetros de extensão na fronteira turco-síria são na realidade uma tentativa de assegurar o abastecimento de grupos terroristas, declarou a porta-voz oficial do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.


Sputnik

"Quanto aos assentamentos no norte da Síria, (…) alguns dos nossos parceiros praticamente nos imploraram para "não mexer" no corredor de pouco menos de 100 km de extensão na fronteira sírio-turca em torno de Azaz. Na verdade, é claro que isso foi feito com o objetivo de garantir a continuidade do abastecimento diário do Daesh (Estado Islâmico), da Frente al-Nusra e de outros grupos terroristas por esse trecho, através da Tuquia, com armas, munições e produtos alimentícios, bem como permitir que os terroristas transitem por esse local" – disse a diplomata, em texto publicado pela chancelaria russa. 


Terroristas do Daesh (Estado Islâmico)
Terroristas do Daesh © AP Photo/ Militant website via AP, File

Segundo Zakharova, "as acusações contra a Rússia, criadas em Washington e replicadas em Paris, Londres, Riade e Ancara, de que a Força Aérea russa estaria supostamente atingindo alvos errados e violando os acordos alcançados em Munique, são, no mínimo, surpreendentes".

"Agora ficam claras também as declarações turcas, de que, alegadamente, Ancara não permitirá a invasão de Azaz por curdos sírios, e que, além disso, eles supostamente ainda precisam devolver o aeroporto de Mineh, libertado por eles da Frente al-Nusra, um grupo que, lembrando, é considerado terrorista pela ONU" – destacou a porta-voz.

"Depois disso, o discurso do governo turco sobre o respeito à soberania e à integridade territorial dos países da região soam, no mínimo, estranhas, levando em contro que Ancara mantem seus exércitos em território iraquiano sem o consentimento de Bagdá, e, agora, ainda tenta ditar que deve, ou não, ficar nessa ou naquela parte da Síria" – concluiu Zakharova.



Momento decisivo : curdos libertam Tel Rifaat e aproximam-se das posições do Daesh

As tropas das Forças Democráticas da Síria, que incluem as Unidades de Proteção Popular curdas (YPG) continuam a sua ofensiva no norte da província síria de Aleppo e pretendem enfrentar todos os grupos terroristas na região.


Sputnik


O comandante de uma unidade das Forças Democráticas da Síria na área de Azaz Ebu Omer disse, em uma entrevista à Sputnik, que as tropas curdas conseguiram tomar o controle da povoação de Tel Rifaat, um ponto estratégico importante localizado perto da fronteira turca, no norte da província de Aleppo, a seis quilômetros da cidade de Azaz. Este passo aproximou as Forças Democráticas da Síria da libertação desta cidade. 


Um soldado da YPG perto de el-Hasakeh, não longe da fronteira entre Síria e Iraque, em novembro
Soldado do YPG © AFP 2016/ DELIL SOULEIMAN

“Libertamos a povoação de Tel Rifaat dos militantes do Ahrar al-Sham e da Frente al-Nusra. Neste momento realizamos trabalhos de reconstrução na povoação e patrulhamos o território vizinho. Tel Refaat é um ponto estrategicamente importante. Agora vamos enfrentar o Daesh porque, após a libertação da povoação, nos aproximamos de perto das fronteiras dos territórios controlados pelos militantes do Daesh – a aldeia curda de Ahras. Pretendemos lutar contra todos os grupos terroristas na região”.

“Ajuda” turca


As forças curdas já tinham denunciado anteriormente os ataques da artilharia turca contra as suas posições. Omer também se queixou das ações hostis de Ancara:

“A Turquia efetua permanentemente golpes contra os territórios controlados por nós. Hoje foi alvejada a aldeia de Endekyi, que nós tínhamos libertado ontem. Na sequência do ataque das Forças Armadas turcas, foram feridos dois dos nossos soldados e dois civis”.

A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra fações de oposição e contra grupos islamistas radicais como o Daesh (também conhecido como “Estado Islâmico”) e a Frente al-Nusra.

O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecida como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais. Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista da tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque. A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos.

Não há uma frente unida de combate contra o Daesh: contra o grupo lutam as forças governamentais da Síria (com apoio da aviação russa) e do Iraque, a coalizão internacional liderada pelos EUA (limitando-se a ataques aéreos), assim como milícias xiitas libanesas e iraquianas. Uma das forças mais eficazes que combatem o Daesh são as milícias curdas, tanto no Curdistão iraquiano, como no Curdistão sírio.


Força Aérea alemã comenta encontros com jatos russos no céu da Síria

Os jatos russos monitorizam permanentemente os Tornados da Força Aérea alemã (Luftwaffe) que realizam missões de reconhecimento, disse o comandante do Centro de Operações Aéreas à mídia. Ambas as partes atuam de forma profissional e evitam incidentes, acrescentou ele.


Sputnik

Os pilotos russos não tomam medidas agressivas em relação aos seus colegas alemães como, por exemplo, interceptações ou tentativas de os expulsar da área de operações, disse Joachim Wundrak ao jornal Rheinische Post.


Caça Panavia Tornado da Luftwaffe (Força Aérea alemã)
Panavia Tornado da Luftwaffe

“Estes encontros ocorrem de maneira profissional, nenhum incidente foi registrado”, disse o tenente-general da Luftwaffe, que acabou de retornar do centro de coordenação da coalizão internacional anti-Daesh no Qatar.

Wundrak disse que, entre os jatos que acompanham os Tornados alemães, estão os caças avançados de geração 4++ Su-35S da Força Aeroespacial russa.

O general acredita que os russos querem sublinhar que “ao contrário da coalizão internacional anti-EI [liderada pelos EUA], eles operam a convite do governo legítimo sírio”.

Ele sublinhou que a Força Aérea alemã tem experiência de relacionamento com colegas russos, visto que a Alemanha fornece constantemente jatos militares para patrulha do espaço aéreo de membros da OTAN como a Estônia, Letônia, Lituânia, países que não possuem aviões de interceptação para proteger o seu próprio espaço aéreo.

Wundrak estimou que a força aérea total que combate o Daesh na Síria e Iraque é composta por cerca de 100 aviões militares, revelando que, para evitar incidentes, as forças americanas e russas criaram uma espécie de "telefone vermelho" para permanecer em contato a toda a hora.

Visto que os controladores aéreos civis já não estão ativos por causa da guerra civil, Wundrak afirma que esta comunicação ajuda a informar as duas coalizões acerca das missões aéreas de ambas.

A Alemanha instalou seis aviões Tornado e um avião-tanque na base aérea da OTAN em Incirlik, no território turco. Os aviões da Luftwaffe não tomam parte de operações de combate, realizando somente operações de reconhecimento tático.

Em janeiro o exército alemão reconheceu que, após o upgrade dos seus aviões de reconhecimento Tornado, estes não podem efetuar voos noturnos, no quadro da missão de luta contra o Daesh na Síria e no Iraque, por causa da iluminação demasiado intensa do cockpit.

A Rússia, por sua vez, realiza desde 30 de setembro de 2015, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, uma campanha militar para ajudar o governo da Síria a combater os avanços de grupos terroristas atuantes no país. As missões aéreas antiterroristas estão sendo realizadas a partir da base de Hmeymim no oeste da Síria, na província de Latakia.

No início deste mês o Ministério da Defesa da Rússia confirmou que os caças multifuncionais avançados Su-35S começaram a realizar missões de combate na Síria.


Presença de Daesh na Líbia é legado da OTAN

A tomada da cidade de Sirte por radicais islâmicos é um "resultado da intervenção da OTAN em 2011" na Líbia, disse à agência Sputnik, o jornalista e acadêmico líbio, Mustafa Fetouri.


Sputnik 


Estima-se que 4.000 combatentes do Daesh (Estado Islâmico) controlam este distrito no leste da Líbia, estrategicamente localizado na costa do Mediterrâneo e a poucos quilômetros da exploração de petróleo. 


Rebelde em frente à refinaria de petróleo, após captura pelas forças opositoras ao governo da cidade de Ras Lanouf, no Leste da Líbia
Rebelde em frente a refinaria de petróleo no leste da Líbia © AP Photo/ Hussein Malla

Fetouri chega a prever um novo ataque aéreo por parte do Ocidente para "proteger-se de uma ameaça tão próxima à Europa".

"Mas a intervenção não vai resolver nada", acrescenta.

"Não há nenhuma maneira de derrotar o Daesh com bombardeios em Sirte, eles não estabeleceram uma sede, campos de treinamento e depósitos de armas estão espalhadas entre a população local e as bombas matam civis", disse o analista em uma entrevista por telefone de Tripoli.

Muitos combatentes fugiram da Síria e, de acordo com o jornalista líbio, a maioria é composta por estrangeiros da Tunísia, Argélia, Mali, Chade e Níger.

O especialista acredita que as pessoas em Sirte, predominantemente os muçulmanos sunitas, poderia expulsar os islamitas de sua região, se "tiverem a confiança de que receberão proteção internacional".

Pelo contrário, como frisou, os líbios "se sentem abandonados" cinco anos após a revolta no país e os ataques aéreos subsequentes por parte do Reino Unido, França e Estados Unidos.

"Qualquer intervenção militar é errada e, no caso da Líbia, ocorreu sem conhecer bem o país e sem um plano para o dia após a ofensiva", observou o acadêmico.

Fetouri denunciou as "mentiras" que serviram de justificação humanitária para entrar no conflito da Líbia em 2011, quando o "principal objetivo era derrubar o Gaddafi".

Desde então, o país está fragmentado, com as milícias controlando o oeste em torno de Trípoli e extremistas do Daesh aumentam o seu poder em uma zona no leste, enquanto prosseguem as negociações da ONU para formar um governo estável de unidade nacional.



Compra de Su-30 russos levará Força Aérea do Irã a novo patamar

O ministro da Defesa da República Islâmica do Irã, general Hossein Dehghan, discutiu em Moscou a possível compra de sistemas russos de defesa anti-aérea S-300 e de caças russos Su-30, informou nesta terça-feira (16) a revista The National Interest.


Sputnik

"O ministro Dehgan discutiu a compra de aviões Su-30, que, segundo o ministério da Defesa, são altamente necessários para a Força Aérea do Irã. Avançamos muito nas negociações e suponho que o contrato será assinado no decorrer da próxima visita" – revelou a publicação citando palavras de um porta-voz do ministério da Defesa iraniano.


Caça Su-30 da Força Aérea russa
Sukhoi Su-30

Anteriormente, em entrevista a um canal de televisão do seu país, Dehghan destacou que Teerã está focado na modernização de sua Força Aérea e tem interesse especial no caça russo Su-30. O general não revelou, no entanto, em que versão específica desta aeronave o Irã estaria interessado.

"Possivelmente o Irã precisará de uma versão avançada, parecida com os aviões usados pela Índia, Malásia, Argélia e Rússia" – escreve The National Interest.

Uma boa opção para Teerã seria o Su-30M2, destaca a revista. A compra dessa versão sairia mais barato para o Irã, sendo, provavelmente, a sua melhor escolha, levando em conta a atual situação econômica do país.

É possível ainda que os novos acordos militares entre Rússia e Irã não se limitem a compra de armamentos, já que Teerã também tem interesse em fechar contratos relativos a licenças para produção de aeronaves em seu próprio território, acredita o autor artigo.

"O aparecimento de qualquer versão do Su-30 na frota aérea do Irã aumentará significativamente o potencial da sua Força Aérea, hoje composta em grande parte por antigos modelos de produção russa, chinesa e norte-americana" – explica o texto.

Atualmente os mais modernos caças de que dispõe a aviação militar iraniana são os americanos Grumman F-14 Tomcat e os soviéticos Mig-29. O resto da frota é formado pelos antigos McDonnell Douglas F-4 Phantom II, Northrop F-5 Freedom Fighter/Tiger II e as versões F-6 e F-7 dos russos Mig-19 e Mig-21, estes últimos fabricados sob licença na China, concluiu The National Interest.


15 fevereiro 2016

Conflito com Turquia cria 'saia justa' para EUA na Síria

Os atritos entre a Turquia e os curdos se tornaram o principal problema militar para Washington na Síria, garante um artigo publicado nesta segunda-feira (15) pelo jornal The Wall Street Journal.


Sputnik

A publicação destaca que as forças armadas norte-americanas cooperam com combatentes curdos no norte da Síria. Esses grupamentos, no entanto, são tratados como organizações terroristas pela Turquia, juntamente com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), atuante em território turco.


Barack Obama, presidente dos Estados Unidos (EUA)
Barak Obama © AP Photo/ Gerald Herbert

Assim, no sábado (13), ataques da artilharia turca contra posições curdas na Síria provocam mais um conflito diplomático entre Washington e Ancara. Altos representantes do governo americano instaram Turquia a interromper a ofensiva. Em contrapartida, Ancara apresentou dados indicando que grande parte das armas fornecidas pelos EUA para a chamada "oposição moderada" na Síria acabam parando em território turco, nas mãos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). As alegações turcas foram negadas por Washington.

"Tanto em Washington, como em Ancara, representantes dos governos apontam para uma crescente discordância entre Turquia e EUA, e isso cria novos problemas para a coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Daesh (Estado Islâmico)" – destaca o The Wall Street Journal.

Nas palavras do especialista do Conselho do Atlântico para a Síria, Stein Aaron, o Pentágono não possui ferramentas suficientes para pressionar os curdos, que preferem contar com o apoio da aviação russa para realizar suas operações terrestres na Síria.

"A Turquia está perdendo a batalha pelo corredor de Azaz. A atividade aérea da aviação da Rússia está limitando as opções de Ancara. Agora os EUA terão que buscar uma maneira de sair desta difícil situação" – escreveu o artigo citando as palavras do especialista.


Assad não descarta invasão turca na Síria: ‘Erdogan é um fanático’

O presidente sírio, Bashar Assad, conversou com a agência AFP sobre os acontecimentos na Síria e na região.


Sputnik


Ao comentar uma possível invasão estrangeira na Síria, Assad não descartou a possibilidade de uma intervenção por parte da Arábia Saudita e da Turquia. “Logicamente, uma intervenção não é possível, mas às vezes a realidade briga com a lógica, especialmente quando há pessoas irracionais liderando um certo país. É por isso que não descarto (uma intervenção), por um simples motivo: Erdogan é um fanático com inclinações à Irmandade Muçulmana. Ele está vivendo o sonho otomano. Para ele, o colapso que houve em Tunísia, Líbia, Egito e Síria é algo pessoal.” 


Bashar al-Assad, presidente da Síria
Bashar Assad © AFP 2016/ AFP PHOTO / HO / SANA

Segundo Assad, “isso ameaça seu futuro político por um lado e suas ambições islâmicas fanáticas por outro. Ele acredita ter uma missão islâmica em nossa região. O mesmo se aplica à Arábia Saudita. O colapso dos terroristas na Síria é um colapso de suas políticas. Eu digo a você que este processo seguramente não será fácil para eles, e nós certamente vamos confrontá-lo”, disse o líder sírio, citado pela agência de notícias local SANA.

Ao abordar a atual situação em seu país e a cobertura da imprensa ocidental, Assad declarou que “a causa de tudo este sofrimento são os terroristas, não os bombardeios russos, como alegado pela imprensa ocidental. Quando uma causa para imigração é um embargo de quase cinco anos contra o povo da Síria, naturalmente minha primeira tarefa é lutar contra o terrorismo usando essencialmente as capacidades sírias, mas também usando o apoio de nossos amigos na luta contra o terrorismo. É por isso que digo que o problema dos refugiados sírios, assim como o problema da fome dentro da Síria, é um problema causado pelo terrorismo, por políticas ocidentais e pelo embargo imposto contra o povo sírio.”

Sobre o papel da Rússia na persuasão para que Assad deixe o poder, o presidente sírio ressaltou o respeito que sempre recebeu dos russos.

“Se olharmos as políticas e os oficiais russos da mesma maneira que olhamos para oficiais e políticos ocidentais sem princípios, é uma possibilidade (que a Rússia o encoraje a deixar o poder). Mas o fato é exatamente o contrário, por uma simples razão: os russos nos tratam com enorme respeito. Eles não nos tratam como uma superpotência lidando com um país pequeno, mas como um país soberano lidando com outro. É por isso que essa questão não foi levantada de nenhuma maneira.”

Durante a entrevista, Assad foi questionado se pretende manter-se como presidente até o fim da vida, como fez seu pai. O atual chefe de estado respondeu que “primeiramente, a presidência não é um hobby que apreciamos. É uma responsabilidade, especialmente nestas circunstâncias. Sobre a seleção de meu sucessor, este país não é uma fazenda nem uma empresa. Se eu quiser continuar presidente, isso deve depender de dois fatores: primeiro, do meu desejo de ser presidente, e depois, do desejo do povo. Quando as próximas eleições chegarem e eu sentir que o povo não me quer, não ficarei. É por isso que é muito cedo para falar sobre isso. Ainda temos anos até as próximas eleições.”

E como o nome de Bashar Assad ficará na história? Como um homem que salvou a Síria ou como aquele que destruiu seu país?

“Isso depende de quem vai escrever a história. Se for o Ocidente, me darão os piores atributos. O que é importante é como eu penso. Certamente, buscarei, e é isto que estou fazendo agora, proteger a Síria, e não proteger a cadeira em que estou me sentando.”



Embaixador: Turquia quer interferir na Síria para salvar Estado Islâmico

A Turquia está planejando uma incursão militar na Síria com o objetivo de salvar o grupo terrorista Daesh (Estado Islâmico) ao invés de ajudar a acabar com o conflito sírio. Quem afirma é o embaixador da Síria na Rússia, Riad Haddad.


Sputnik


“Eles (autoridades turcas) afirmam que vão entrar na Síria para atacar o Estado Islâmico. Na realidade, eles querem interferir nas questões sírias para salvar o Estado Islâmico, para salvar o terrorismo em nosso país”, disse Haddad em uma entrevista ao canal televisivo Rossiya 24, neste segunda-feira (15). 


Embaixador da Síria na Rússia, Riad Haddad
Riad Haddad © AFP 2016/ ALEXANDER NEMENOV

O diplomata destacou que mesmo agora a Turquia deixa centenas de terroristas entrar na Síria através de sua fronteira.

Haddad disse também que Ancara faz acusações contra a Rússia, pois os planos turcos falharam quando a força aérea russa começou a sua operação na Síria.

“Os planos deles falharam quando a aviação russa começou a operar na Síria, por isso eles simplesmente perdem a cabeça, acusando a Rússia de bombardear a população civil”, disse o embaixador.

Segundo ele, a Turquia, na verdade, apoia os terroristas do Estado Islâmico “para que possam ganhar umad posição na fronteira, mas não deixam que eles vão para o território turco."

Ao ser perguntado se a Síria tem a clareza sobre quem são os inimigos e os aliados na crise que o país enfrenta, Haddad afirmou: “Em cinco anos de conflito, entendemos que são os nossos inimigos e aliados (…) preciso dizer que devemos agradecer à Rússia e o povo russo, pelo envio de medicamentos, pelo envio de aviões de ajuda humanitária, por todo o apoio, pelo apoio da força aérea”. 


“Nosso povo nunca esquecerá a ajuda da Rússia e do seu presidente, Vladimir Putin”, completou o embaixador da Síria.



Curdos: pretendemos liberar todo o território do Daesh

Agora 5% do território do Curdistão iraquiano está sob o controlo do Daesh, mas as forças peshmerga pretendem liberar todo o território em breve, disse o representante oficial do Ministério dos Assuntos dos Peshmerga em Arbil, general Helgurd Hikmet.


Sputnik

“Na nossa região estão 160 mil soldados peshmerga. Durante os confrontos com militantes do Daesh até agora perdemos 1345 dos nossos combatentes. Cerca de 8 mil ficaram feridos, 62 soldados desapareceram. Conseguimos capturar alguns terroristas vivos do Daesh…”, disse Hikmet.


Membro do peshmerga, grupo armado curdo,  toma posição perto de represa Mosul do rio Tígre, Iraque, 1 de fevereiro de 2016
Soldado Peshmerga © AFP 2016/ SAFIN HAMED

Segundo o general, algumas regiões do Curdistão iraquiano ainda estão sob o controle do Daesh, mas são poucas, é somente 5% do território.

“O nosso objetivo principal é liberar completamente os nossos territórios dos jihadistas. Agora, tornou-se um objetivo bastante realista e planejamos atingi-lo em breve”, afirmou o general.

Quanto às relações entre o exército iraquiano e as forças peshmerga, Hikmet disse que o governo central do Iraque não presta apoio necessário aos peshmerga, embora precise deles. Há uma série de problemas nas relações que ainda não conseguiram ser resolvidos.

O general curdo afirmou que no passado foi realizado um referendo não oficial, no qual 98% da população se manifestaram a favor de criar um Curdistão independente. As autoridades iraquianas não fazem nada para o desenvolvimento econômico e político da região curda.

“Não faz sentido ficarmos subordinados as autoridades centrais que não têm interesse em nós e não nos apoiam. Mesmo agora, quando estamos lutando contra o Daesh, o Iraque não nos presta nenhum apoio militar”, disse.

Hikmet sublinhou que o Daesh é um problema atual não somente para os curdos. É uma ameaça para todo o mundo, que todos devem enfrentar.


Ataque a hospital na Síria foi realizado por jatos dos EUA, diz embaixador

Ataque deixou sete mortos e oito desaparecidos, diz Médicos sem Fronteiras.
Outro hospital e um prédio que abrigava uma escola foram alvos.


Do G1, em São Paulo

O ataque aéreo desta segunda-feira (15) contra um hospital mantido pela instituição de caridade Médicos Sem Fronteira (MSF) na Síria foi realizado por jatos norte-americanos, disse à TV Rossiya 24 o embaixador sírio em Moscou, Riad Haddad.


Hospital do Médicos sem Fronteiras na Síria foi bombardeado nesta segunda-feira (15) (Foto: GHAITH OMRAN / AL-MAARRA TODAY / AFP)
Hospital do Médicos sem Fronteiras na Síria foi bombardeado nesta segunda-feira (15) (Foto: GHAITH OMRAN / AL-MAARRA TODAY / AFP)

No total, ao menos cinco estabelecimentos médicos e duas escolas foram atingidos em Aleppo e Idlib, no norte da Síria nesta segunda, de acordo com a ONU. Disparos de mísseis "mataram quase cinquenta civis, incluindo crianças, e fizeram muitos feridos" nesses locais, diz um comunicado da organização.

O hospital mencionado pelo embaixador Riad Haddad fica na cidade de Maaret al-Numan, em Idlib. A MSF confirmou que no ataque a este hospital sete pessoas morreram e outras oito estão desaparecidas, embora "presumivelmente mortas".

"(O hospital) foi destruído pela Força Aérea Americana. A Força Aérea Russa não tem nada a ver com isso", disse o embaixador Riad Haddad.

Ele disse que Damasco espera que as conversações de paz sejam retomadas em 25 de fevereiro, mas que a Turquia está interferindo no país para apoiar militantes do Estado Islâmico.

Até o momento os Estados Unidos não comentaram a acusação do embaixador, mas condenaram os bombardeios contra os hospitais no norte da Síria e criticaram mais uma vez o regime sírio e sua aliada, a Rússia. O secretariado de Estado criticou em duro comunicado "a brutalidade do regime de Assad" e colocou "em dúvida a vontade e a capacidade da Rússia de ajudar a detê-la".

Em comunicado, a ONG precisou que os mortos são cinco pacientes, uma cuidadora e um guarda do centro de saúde, situado na zona de Maarat al Nuaman, na província setentrional de Idlib.

"Este foi um ataque deliberado contra um estabelecimento de saúde", disse Massimiliano Rebaudengo, chefe da missão local da entidade. "A destruição deste hospital priva cerca de 40 mil pessoas de tratamentos nesta zona de conflito".

O hospital foi atingido por quatro mísseis em dois ataques com poucos minutos de intervalo, disse um funcionário do local.

A instituição não identificou a origem dos ataques aéreos que pode ter sido a Rússia ou o governo sírio, segundo a Reuters.

O hospital, que tem 54 funcionários e 30 leitos, é financiado pelo MSF, que também fornece remédios e equipamentos às suas instalações.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou os ataques "como violação flagrantes do direito internacional", segundo o porta-voz adjunto das Nações Unidas, Farhan Haq.


14 fevereiro 2016

Embaixador do Brasil na Rússia revela orçamento para compra de mísseis russos

O embaixador do Brasil na Rússia, Antônio Guerreiro, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik para falar dos temas mais atuais das relações dos dois países, envolvendo áreas de defesa, tecnologia, economia e saúde. A seguir, estão alguns dos principais tópicos abordados nessa entrevista.


Sputnik

Igla-S e Pantsir-S1


Um dos principais temas tratados na entrevista foi a compra dos sistemas russos de defesa anti-aérea Igla-S e Pantsir-S1 pelo Brasil. Enquanto o país já começou a receber lotes do sistema portátil Igla, a aquisição dos pesados sistemas Pantsir ainda está em fase de negociações. 


Embaixador brasileiro na Rússia, Antônio José Vallim Guerreiro
Embaixador Antonio Guerreiro © Sputnik/ Anton Denisov

Acalmando o temores de este segundo acordo não se concretizar, o embaixador explicou que, por tratar-se de sistemas completamente diferentes do ponto de vista técnico, a compra de um não deve influenciar a provável compra do outro.

"Desde que cheguei à Moscou, há dois anos, houve várias missões técnicas do Brasil vindo para cá para manter contato com suas contrapartes russas.(…) Minha expectativa é que o contrato [sobre o Pantsir-S1] seja assinado até o final de 2016" – disse o embaixador.

Segundo ele, a assinatura do acordo está atrelada à aprovação do orçamento do Governo Federal pelo Congresso, que inclui gastos com os sistemas russo de defesa antiaérea, mas que somente poderá ser aprovado após o recesso do Legislativo, ou seja, após o Carnaval.

Respondendo à pergunta sobre a difícil situação econômica do Brasil poder influenciar de forma negativa esse documento, o embaixador disse que, "apesar de ter o direito de não aprovar o orçamento", dificilmente isso poderá ocorrer, podendo, no entanto, haver modificações, ou cortes no orçamento.

"Apesar da crise, precisamos levar em conta que somos um país muito grande, com uma das maiores economias do mundo. (…) O último número que eu ouvi para a compra dos sistemas russos de defesa antiaérea Pantsir-S1, estava na base dos 600 milhões de dólares. Mas isso é uma cifra apenas provisória, que ainda será objeto de conversações específicas" – explicou o embaixador.

GLONASS

O embaixador respondeu a uma pergunta relativa às negociações sobre a instalação em território brasileiro de uma terceira estação do sistema de localização por satélite GLONASS, análogo ao norte-americano GPS. O início das obras estava previsto para final de 2015, mas, até agora, a instalação ainda não começou.

"Como se sabe, duas estações GLONASS já estão funcionando no Brasil. Espero que a decisão sobre a terceira estação seja tomada este ano, e que a mesma comece a operar em breve. É uma questão de interesse mútuo tanto para o Brasil, como para empresas russas que fornecem os equipamentos" – explicou Guerreiro.

Rússia e o programa espacial brasileiro

Outro tema abordado na entrevista foi a questão de uma possível expansão da cooperação da Rússia com o Brasil na área do programa espacial brasileiro.

O embaixador disse que, recentemente, problemas financeiros impediram uma possível cooperação do Brasil com a Ucrânia para o uso conjunto da base espacial de Alcântara. Ele explicou, no entanto, que, apesar de todo o interesse brasileiro na Rússia, o lugar da Ucrânia não será substituído por outro país nesse projeto específico.

"Naturalmente, o Brasil está interessado no futuro desenvolvimento da cooperação com a Rússia, e temos grandes perspectivas. Mesmo se um dia o projeto com a Ucrânia for renovado, existirão outras áreas possíveis para a cooperação com a Rússia" – explicou Guerreiro.

Comércio em moedas nacionais
Falando sobre a possibilidade de empresas da Rússia e do Brasil realizarem operações de importação e exportação sem o intermédio de moedas estrangeiras, o embaixador ressaltou a importância desse tema. Nas suas palavras, há economistas no Brasil favoráveis a esse modelo, e outros que acham que isso não faz o menor sentido.

"Evidentemente, os empresários, dada a desvalorização tanto do rublo, como do real, têm interesses muito específicos. Para os empresários brasileiros e russos ficou mais barato exportar. Mas isso não significa que as exportações estejam aumentando porque é um momento de crise, e tanto o Brasil como a Rússia tiveram suas atividades econômicas diminuídas" – disse Guerreiro.

Como exemplo, ele usou a questão das exportações brasileiras para a Rússia. Apesar das expectativas de aumento, por conta das contra-sanções impostas pela Rússia à União Europeia e outros países, em 2015 as exportações brasileiras caíram em relação a 2014. "Por um motivo muito simples: os importadores russos estão com menos dinheiro" – explicou o embaixador.

Falando em números, ele disse que em 2014 o volume total das exportações brasileiras para a Rússia foi de 3 bilhões e 200 milhões de dólares, enquanto em 2015 o mesmo não chegou a 2 bilhões e 700 milhões de dólares.

Zika

Abordando o tema do crescente problema da Zika no Brasil, o embaixador disse que o vírus não deverá prejudicar a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, já que o principal foco de disseminação da doença está no Nordeste do país, e o mês de agosto, quando serão sediados os Jogos, é a época de menor proliferação do mosquito transmissor.

Nesse sentido, ele comentou ainda a decisão do Comitê Olímpico Nacional dos EUA em outorgar aos seus atletas o livre arbítrio sobre o comparecimento aos Jogos, em razão do risco de contaminação.

"Não considero o precedente [do Comitê norte-americano] perigoso. Acho perfeitamente natural que a pessoa não se exponha se tiver o receio de contrair a doença. (…) É, sem dúvida, uma questão de bom senso" – disse o embaixador.

Sobre a cooperação entre a Rússia e o Brasil na busca por soluções médicas para o problema, Guerreiro explicou que "a OMS está coordenando esforços no mundo inteiro para que se desenvolva uma vacina eficiente". Ele disse ter a certeza de que "os cientistas de todos os países estejam em contato (…), trabalhando em conjunto", e que "os estudos que se fazem aqui na Rússia, sejam conhecidos pelos cientistas no Brasil, e vice-versa".


Afeganistão inicia uso do jato brasileiro Super Tucano

Aeronave fabricada pela Embraer será utilizada nas missões de destruição de posições dos extremistas do Taleban e da Al-Qaeda


Veja

A aviação de ataque do Afeganistão começa a usar os A-29 Super Tucano, da Embraer, provavelmente na próxima semana - cerca de um mês antes do previsto, nas missões de destruição de posições dos extremistas do Taleban e da Al-Qaeda abrigados sob a cadeia de montanhas que ocupa a maior parte do país. 


Embraer A-29 Super Tucano | Foto: USAF

Os primeiros quatro A-29 chegaram à capital, Cabul, no dia 15 de janeiro. Eles foram recebidos pelo ministro da Defesa, Mohamed Masoon, e incorporados à Força Aérea afegã, planejada para ter 150 aeronaves, que está sendo formada com recursos americanos.

A presença dos Super Tucano na guerra de treze anos, que estaria agregando ao conflito os radicais do Estado Islâmico, é o resultado de uma complexa manobra diplomática. O governo dos EUA comprou o lote de vinte unidades - da Embraer Defesa e Segurança e de sua parceira local, a Sierra Nevada -, há três anos. O Pentágono é o contratante e está pagando 428 milhões de dólares pelo pacote que abrange peças de reposição, treinamento técnico e componentes.

Até novembro, a aviação afegã terá mais um esquadrão, somando oito Super Tucanos. No primeiro semestre de 2017, outros quatro vão entrar em ação. A frota será completada ao longo de 2018. O plano não termina aí. O Pentágono quer negociar uma segunda encomenda de 20 a 30 aviões, elevando o compromisso ao patamar de 850 milhões de dólares - a preço de hoje e sem alterações na configuração.

(Com Estadão Conteúdo)


12 fevereiro 2016

Forças Armadas terão 71 mil militares no combate ao Aedes aegypti no RJ

Força-tarefa pretende vistoriar todos os municípios do estado em 30 dias.

Na capital, Zona Oeste e bairros da Leopoldina são áreas mais críticas


Cristina Boeckel | G1 Rio

Por determinação do Ministério da Defesa, 71 mil militares atuarão no apoio a agentes de saúde e na conscientização da população no combate à proliferação do Aedes aegypti em 32 municípios do Rio de Janeiro e em 49 bairros da capital. 


Forças Armadas mobilizarão 71 mil homens no combate ao Aedes aegypti (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Forças Armadas mobilizarão 71 mil homens no combate ao Aedes aegypti (Foto: Cristina Boeckel/G1)

O maior efetivo será da Marinha, que terá 31 mil homens nas ruas, junto com 30 mil homens do Exército e 10 mil da Aeronáutica. Em todo o Brasil, 220 mil militares atuarão no combate ao mosquito.

"A operação acontecerá em áreas pré-indicadas e mapeadas pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual de Saúde", disse nesta sexta-feira (12) o contra-almirante Bombada, subchefe de operações do Comando de Operações Navais.

Os militares atuarão desarmados e não entrarão em áreas de risco, que serão vistoriadas por agentes comunitários de saúde. Eles atuarão em parceria com 20 mil agentes de saúde em todo o estado.

A intenção é vistoriar os 92 municípios do estado em até 30 dias. Os agentes atuarão em dupla com os militares entre 9h e 17h. De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, os locais que receberão o maior número de visitas dos agentes e dos militares foram definidos por vários fatores.

"A definição do local foi definida não somente pelos dados epidemiológicos, mas também pela incidência dos casos de dengue, de zika e de chikungunya", afirmou Chieppe, acrescentando que a Zona Oeste do Rio e a região da Leopoldina, que registraram o maior número de casos, terão maior atenção das equipes.

No estado, Angra dos Reis, Campos, Macae, Duque de Caxias, Paracambi, São João de Meriti, Itaguaí, Niteroi, Rio das Ostras, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Saquarema e Itaperuna são algumas das cidades que mais preocupam.

O trabalho dos militares está dividido em quatro fases: a primeira ocorreu entre 29 de janeiro e quatro de fevereiro, onde eles atuaram para orientar o próprio pessoal para prevenir a proliferação da dengue dentro das organizações militares.

A segunda fase do processo de combate ao mosquito ocorrerá no sábado (13), quando os militares distribuirão panfletos com orientações a população e visitarão locais com possíveis focos do Aedes. "A busca pelos focos já começará na etapa de amanhã, com os militares acompanhados por agentes de saúde", afirmou o almirante Fernandes.

Sem invasões de imóveis


Fernandes fez questão de esclarecer que os imóveis fechados ou cujos moradores se recusarem a receber as equipes não serão invadidos. "Os logradouros abandonados não serão invadidos, mas essa informação será registrada para que sejam realizadas visitas futuras", afirmou o almirante.

O subsecretário Alexandre Chieppe afirmou que o percentual de recusa costuma ser baixo e que o maior problema dos agentes são os imóveis fechados em cidades de veraneio. Porém, ele ressaltou que uma lei estadual permite que, após a primeira recusa e, em caso de endemia, os agentes de saúde podem retornar na companhia de um chaveiro e da polícia para entrar no imóvel.

A terceira e a quarta etapas do trabalho vão ocorrer entre os dias 15 e 18 de fevereiro, quando os militares se envolverão diretamente no combate ao mosquito, em ação conjunta com a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil. Os militares farão visitas a domicílios, em companhia de agentes de saúde, que aplicarão larvicida quando necessário.

Os militares irão a escolas para orientar estudantes sobre os riscos da proliferação do Aedes aegypti. Inicialmente, 646 escolas públicas receberão as visitas das Forças Armadas. Escolas privadas também serão visitadas, mas o número ainda não foi divulgado.

"A gente está investindo na educação dos estudantes para que eles se tornem multiplicadores e conscientizam os pais e a sua comunidade", disse Carla Bertania, superintendente pedagógica da secretaria estadual de Educação.



11 fevereiro 2016

Número de mortos em guerra civil na Síria chega a 470 mil, diz jornal

ONU divulgava 250 mil mortos até parar de coletar dados, há 18 meses.
'The Guardian' divulgou dados do Centro Sírio para Pesquisa Política.


Reuters

Em cinco anos de guerra civil, 400 mil sírios foram mortos no conflito e outros 70 mil pereceram devido à falta de água e cuidados médicos, informou nesta quinta-feira (11) o jornal britânico "The Guardian" que divulgou com exclusividade dados do Centro Sírio para Pesquisa Política. 


Fumaça escura ganha o céu sobre o distrito de El Edaa, na cidade síria de Aleppo, após um bombardeio feito por um jato da Força Aérea Síria, em combate contra rebeldes que tentam tomar a cidade. (Foto: Youssef Boudlal/Reuters)
Fumaça escura ganha o céu sobre o distrito de El Edaa, na cidade síria de Aleppo, após um bombardeio feito por um jato da Força Aérea Síria, em combate contra rebeldes que tentam tomar a cidade. (Foto: Youssef Boudlal/Reuters)

A estatística é muito maior do que a de 250 mil mortos usada pela ONU até parar de coletar dados, há 18 meses, de acordo com o jornal.

Com os feridos no conflito, o número de atingidos chega a mais de 11% da população, disse o jornal.

Segundo números do centro, cerca de 400 mil mortes ocorreram diretamente devido à violência, enquanto 70 mil pessoas morreram por não ter acesso a tratamento adequado, medicamentos, água limpa ou abrigo.

O número de feridos chega a 1,9 milhão de pessoas. A expectativa de vida no país caiu de 70 anos em 2010 para 55,4 em 2015. As perdas na economia são estimadas em 255 bilhões de dólares, segundo o Guardian.

Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos tenta destruir o Estado Islâmico na Síria e quer que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deixe o poder. Mas Rússia e Irã apoiam Assad e são contrários aos opositores dele, que recebem apoio do Ocidente e de aliados árabes, como a Arábia Saudita.



Presidente turco diz estar perdendo a paciência com a Síria e ameaça agir

Tayyip Erdogan pediu ação da ONU para evitar 'faxina étnica' na Síria.
Refugiados podem chegar a 600 mil com ataques aéreos da Rússia, diz.


Reuters

A paciência da Turquia com a crise na Síria pode estar acabando, o que forçaria o país a agir, alertou o presidente turco, Tayyip Erdogan, nesta quinta-feira (11), pedindo à Organização das Nações Unidas (ONU) que faça mais para evitar o que chamou de "faxina étnica" na nação vizinha. 


O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, em foto de 12 de agosto (Foto: AFP Photo/Adem Altan)
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan (Foto: AFP Photo/Adem Altan)

Erdogan acusou a ONU de falta de sinceridade ao pedir à Turquia que ajude mais os refugiados sírios ao invés de agir para deter o derramamento de sangue na Síria.

Aviões de guerra da Rússia vêm bombardeando os arredores da cidade síria de Aleppo em apoio à ofensiva do governo de Damasco para retomar a localidade, obrigando dezenas de milhares de pessoas a fugirem rumo à fronteira turca.

"Existe a possibilidade de a nova onda de refugiados chegar a 600 mil se os ataques aéreos continuarem. Estamos fazendo preparativos para isso", afirmou Erdogan em um fórum de negócios em Ancara.

"Mostraremos paciência até certo ponto, e depois faremos o necessário. Nossos ônibus e aviões não estão esperando lá à toa", declarou, acrescentando que a Turquia tem informações de que forças sírias apoiadas pelo Irã estão realizando "massacres impiedosos".

A Turquia, que já abriga mais de 2,6 milhões de refugiados sírios, vem clamando há tempos por uma zona de segurança no norte da Síria para proteger os civis desabrigados, sem que eles cruzem a fronteira turca.

Apoio


Até agora a proposta teve pouco apoio de Washington e de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que temem que a manobra exija uma zona de exclusão aérea patrulhada por vários países, o que poderia colocá-los em confronto direto com o presidente sírio, Bashar Al-Assad, e seus aliados.

Erdogan disse que a crise síria não pode ser resolvida sem zonas de segurança e que é preciso encontrar maneiras de manter os sírios em seu território.

Ele afirmou ainda já ter dito às duas principais lideranças da União Europeia, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, que pode chegar o momento em que a Turquia irá abrir seus portões para que os imigrantes sigam rumo à Europa.

"No passado detivemos pessoas às portas da Europa, em Edirne detivemos seus ônibus... depois iremos abrir os portões e lhes desejar boa viagem, foi o que eu disse", afirmou o mandatário turco.


Forças curdas avançam no norte de Aleppo

No meio do avanço do exército governamental da Síria na província de Aleppo, as tropas das Forças Democráticas da Síria, que incluem as Unidades de Proteção Popular curdas (YPG) realizam operações bem-sucedidas na área de Azaz e Afrin.


Sputnik


Abdo Ibrahim, ministro da Defesa do distrito curdo de Afrin, no norte da Síria, revelou em uma entrevista à Sputnik os detalhes do avanço das Forças Democráticas da Síria, sublinhando que muitas aldeias e povoações na área foram liberadas, desalojando os terroristas da Frente al-Nusra e Ahrar al-Sham. Segundo Ibrahim, as tropas estão prontas a realizar uma operação de liberação de Azaz se a população local manifestar tal desejo. 


Abdo Ibrahim, ministro da Defesa do distrito curdo de Afrin, Turquia
Abdo Ibrahim, ministro da defesa do distrito curdo de Afrin © Sputnik/ Hikmet Durgun

O militar também destacou os sucessos do avanço das tropas leais ao presidente Bashar Assad, apoiadas pela aviação russa:

“O exército avança em direção à fronteira turca, conseguiu romper o cerco da povoação de Zahraa, nos arredores de Aleppo. Os aviões militares russos neste momento realizam bombardeios em massa contra as posições da Frente al-Nusra e Ahrar al-Sham na área de Azaz”.

Segundo o ministro, por causa das hostilidades em Aleppo e nos seus arredores milhares de civis fugiram para o distrito de Afrin:

“Aceitamos um número de refugiados que as nossas possibilidades nos permitem. Muitos deles tiveram que buscar asilo aqui depois de a Turquia se recusar a aceitar os sírios concentrados perto da sua fronteira”.

Um outro interlocutor da Sputnik, o representante oficial do comando do YPG no distrito de Afrin, Fırat Xelil, disse que unidades das Forças Democráticas da Síria conseguiram libertar a base aérea de Menagh, no norte de Aleppo, expulsando os militantes da Frente al-Nusra:

"Na área do aeródromo militar ainda há combates. A base de Menagh é uma importante estrutura estratégica… "

As Forças Democráticas da Síria estão a 6 km do centro de Azaz ", acrescentou Khalil.

Fırat Xelil também comentou as acusações de Ancara contra o YPG:

“A Turquia está a seguir uma política dirigida contra o Rojava (norte da Síria, região curda). A Turquia procura apresentar os curdos aos olhos da opinião pública mundial como terroristas. Rejeitamos completamente as acusações da Turquia em relação a nós. Os destacamentos da autodefesa curda não fazem parte do PKK ".

A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra um número de facções de oposição e contra grupos islamistas radicais como o Daesh (também conhecido como “Estado Islâmico”) e a Frente al-Nusra.


Aviação russa destrói quase 2.000 alvos dos terroristas na Síria em fevereiro

A aviação russa destruíu quase 2 mil alvos dos terroristas no que já foi de fevereiro, disse o porta-voz do Ministério da Defesa da Federação da Rússia, major-gneral Igor Konashenkov.


Sputnik

Os dados são dos dias 4 a 11 de fevereiro. Neste período (da quinta-feira da semana passada à quinta de hoje), os aviões da Força Aeroespacial da Rússia realizaram 510 voos de combate, atingindo 1.888 instalações dos grupos terroristas nas províncias de Aleppo, Latakia, Hama, Deir ez-Zor, Deraa, Homs, Hasakah e Raqqa. 


Bombardeiros táticos Su-34
Sukhoi Su-34 © Sputnik/ Host Photo Agency / Vladimir Vyatkin

Mais de 40 militantes foram mortos pelos ataques russos na província de Latakia. Os Su-25 eliminaram 9 caminhões que transportavam armamentos e munições nesta província, que é também sede da base aérea de Hmeymim, que acolhe os aviões russos.

Konashenkov frisou que os nove veículos formavam três filas de automóveis. Eles foram avistados pelos pilotos russos na rodovia que liga el-Karyateyn e Homs.

Na província de Deraa, o bombardeiro russo Su-34 eliminou um centro de comando do grupo terrorista Daesh.

"Os dados do controle objetivo confirmam a eliminação de duas unidades de material blindado dos militantes", disse o porta-voz do ministério russo.

O Daesh, sob o nome primeiro de "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" e depois de "Estado Islâmico", proclamou um "califado mundial" na cidade síria de Raqqa, em agosto de 2014.

Deserções e Aleppo

O major-general Konashenkov informou que há registros de deserção em massa entre os militantes na província de Aleppo. "Os terroristas fazem as pessoas se deslocarem à fronteira turca para se dispersarem na multidão", assim é a atmosfera de medo e opressão desesperada descrita pelo militar.

Comentando a situação nesta província da Síria, Konashenkov não podia deixar de sublinhar a posição russa sobre a visão do conflito apresentada pela mídia ocidental.

"A coisa ficou tal que os principais canais de televisão americanos e europeus usam imagens da cidade de Aleppo, destruída muito tempo antes do início da campanha russa na Síria, para demonstrar as supostas consequências dos bombardeios russos", frisou.

No entanto, ele insistiu que a aviação russa só bombardeia os terroristas na Síria — e na província de Aleppo, onde já conseguiu eliminar "influentes chefes jihadistas". 


Aleppo em 2014
Aleppo em 2014 © AFP 2016/ BARAA AL-HALABI

A Rússia realiza uma campanha aérea na Síria desde 30 de setembro de 2015, quando o parlamento russo aprovou o pedido de Damasco solicitando ajuda militar da Rússia no combate aos grupos terroristas Daesh e Frente al-Nusra.


Rússia entregou dados de inteligência sobre terroristas na Síria, Ocidente recusou

Os países ocidentais não prestaram à Rússia os dados de inteligência sobre as posições de terroristas em troca dos mapas russos que lhes foram entregues, disse nesta quinta-feira (11) o representante oficial do Ministério da Defesa da Rússia major-general Igor Konashenkov.


Sputnik

“Lembro que, desde o início da nossa operação, nós apelamos várias vezes abertamente aos representantes dos EUA e países europeus para trocar informação sobre os locais de presença de terroristas na Síria. Eles aceitaram os nossos mapas com gratidão. Depois disso, fecharam-se em copas. Mas hoje eles criticam-nos por nós voarmos em lugares errados e bombardearmos os locais errados. Será que é preciso enviar novos mapas?”, disse ele a jornalistas.


Dados do Ministério da Defesa da Rússia sobre rotas de transportação de petróleo ilegal na Síria
© Foto: Ministério da Defesa da Rússia

Segundo as palavras de Konashenkov, o Ministério da Defesa reparou ainda alguns meses atrás a seguinte tendência: quanto mais a aviação russa destrói terroristas, tanto mais é acusada de os ataques não serem necessários.

“Se lermos as matérias da mídia ocidental, parece que nas cidades não controladas pelo governo sírio vivem só representantes da oposição secular e defensores dos direitos humanos. E por todos os lados floresce a ‘democracia’. Ora, por mais que embelezem, ou melhor, por mais que alimentem os terroristas, eles não se transformarão em opositores seculares”, concluiu o representante do departamento militar.

A Síria está em estado de guerra civil desde 2011. O governo do país luta contra um número de facções de oposição e contra grupos islamistas radicais como o Daesh (também conhecido como “Estado Islâmico”) e a Frente al-Nusra.

A Rússia realiza desde 30 de setembro de 2015, a pedido do presidente sírio Bashar Assad, uma campanha militar para ajudar o governo da Síria a combater os avanços de grupos terroristas atuantes no país. As missões aéreas antiterroristas estão sendo realizadas a partir da base de Hmeymim no oeste da Síria, na província de Latakia.