31 março 2009

Programa Nuclear da Marinha


1. Introdução

Os submarinos são poderosas armas dissuasórias, e suas características operacionais conferem importante dimensão ao Poder Naval, um dos pilares do nosso Sistema de Defesa. No contínuo esforço para dotar o Brasil desses importantes meios, a Marinha prontificou em 21 de julho de 2006 o quarto submarino (S) convencional, construído no Arsenal de Marinha do Rio de janeiro (AMRJ), totalizando cinco navios desse tipo.

Paralelamente, desde 1979, a Marinha do Brasil desenvolve seu Programa Nuclear, cujo propósito é dominar a tecnologia necessária ao projeto e construção de um submarino com propulsão nuclear, arma com poder dissuasório ainda maior que o do submarino convencional, por sua capacidade de operar quase que indefinidamente sem depender da atmosfera.

2. O Programa Nuclear da Marinha (PNM)

2.1. Principais projetos e situação atual

Na atualidade, o principal objetivo do Programa, que está sendo desenvolvido pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), é estabelecer a competência técnica autóctone para projetar, construir, comissionar, operar e manter reatores do tipo Reator de Água Pressurizada - “Pressurized Water Reactor” (PWR) e produzir o seu combustível. Dominada essa tecnologia, ela poderá ser empregada na geração de energia elétrica, quer para iluminar uma cidade, quer para propulsão naval de submarinos.

A conquista da tecnologia necessária à geração de energia núcleo-elétrica, para uso em propulsão naval, passa por complexos estágios de desenvolvimento, merecendo destaque:

- o domínio completo do ciclo do combustível nuclear - já conquistado ; e

- o desenvolvimento e construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica - o que ainda não está pronto .

O PNM é, pois, dividido em dois grandes projetos: o Projeto do Ciclo do Combustível e o Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE).

2.2. O Ciclo do Combustível

Ao final da década de 70, foram iniciados os estudos para desenvolver no Brasil a tecnologia da separação isotópica do urânio (enriquecimento), principal desafio tecnológico para a fabricação de combustível nuclear. Os resultados foram obtidos já em 1982, quando foi construída a primeira ultracentrífuga capaz de fazer a referida separação. Seis anos depois, foi inaugurada a primeira cascata de ultracentrífugas para a produção contínua de urânio enriquecido. Decorrente do domínio dessa tecnologia, a MB está fornecendo cascatas de enriquecimento de urânio para que a empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB) possa produzir, no País, o combustível para as usinas Angra I e II. À exceção da conversão, cuja tecnologia está dominada e depende, para a produção em escala industrial, da prontificação da Usina de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), que encontra-se em fase final de construção, as demais etapas do ciclo do combustível (reconversão, fabricação de pastilhas, fabricação de elementos combustíveis e a capacidade para desenvolver o próprio combustível) também já estão dominadas e em operação. A USEXA estava prevista para ser concluída em dezembro de 2001. Entretanto, em face dos cortes orçamentários no PNM e de dificuldades relativas à obtenção e importação de materiais, a programação atual é para o primeiro semestre de 2010.

2.3. Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE)

Em paralelo ao Projeto do Ciclo do Combustível, mas com alguma defasagem no tempo, foram iniciados os estudos relativos ao Projeto do LABGENE, buscando o desenvolvimento e a construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, totalmente projetada e construída no País, inclusive o reator. Vale destacar que o Projeto do LABGENE desenvolveu um reator que terá potência de cerca 11 Megawatts elétricos (MWe), o suficiente para iluminar uma cidade de aproximadamente 20.000 habitantes. Essa instalação servirá de base e de laboratório para qualquer outro projeto de reator nuclear no Brasil. Pela característica dual do projeto, o LABGENE é, também, um protótipo em terra do sistema de propulsão naval que, por sua vez, permitirá a obtenção da capacitação necessária para readequá-lo ao submarino nuclear S(N).

As obras de montagem dessa instalação estão em andamento, demandando cerca de oito anos para serem concluídas, prazo que pode ser reduzido, também, em função da disponibilidade de recursos.

2.4. Situação atual e perspectivas

Diante da grave escassez de recursos dos últimos anos, restou à Marinha manter o projeto em “estado vegetativo”, de modo a evitar a perda das conquistas tecnológicas alcançadas, principalmente no que tange à capacitação técnica do pessoal.

A Força entende que o Programa Nuclear, hoje em execução, não é unicamente da Marinha, mas sim do Brasil, motivo pelo qual deve receber aportes financeiros de outras fontes, além do orçamento da Marinha. Assim, a Alta Administração Naval buscou mostrar aos setores políticos e ao Governo a necessidade de um maior aporte de recursos ao Programa, considerando que é um projeto nacional e que há inúmeros benefícios derivados do arrasto tecnológico. Independente da possível construção de um submarino com propulsão nuclear, o PNM irá assegurar a tecnologia necessária ao aproveitamento da energia nuclear, de vital importância para o futuro do País.

3. Recursos orçamentários e estrutura de financiamento do PNM

Tendo como fonte de recursos exclusivamente a MB, o PNM teve início em 1979. Já no ano seguinte, 1980, o então Conselho de Segurança Nacional (CSN) passou a participar ativamente do Programa, a ele alocando significativos recursos. Essa situação permaneceu inalterada até 1989, ano em que o CSN foi sucedido pelo Conselho de Defesa Nacional (CDN).

A partir de 1990, os recursos provenientes de fontes extra-MB foram declinando sensivelmente até 1998, tanto em valores absolutos como em valores relativos. Nesse mesmo período, o CDN foi sucedido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

A partir de 1999, a SAE foi extinta e suas atividades na área nuclear foram absorvidas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Programa Técnico-Científico Nuclear (PTCN). Dentro dessa nova organização, os recursos extra-MB declinaram ainda mais, representando um percentual reduzido do orçamento global do Programa em questão. Em 2005 e 2006, o MCT aportou recursos que, embora ainda pouco expressivos face às necessidades, servem de precioso alento em termos de perspectivas futuras de investimentos e participação ativa daquele Ministério no PNM.

3.1 Dispêndios em "dólares equivalentes"

Por volta dos anos de 1987 e 1988, os montantes alocados ao Programa Nuclear eram, praticamente, divididos entre o orçamento da Força e o que vinha "extra-Marinha". A partir daí, os recursos extra-MB passaram a declinar vigorosamente, ao passo que os recursos correspondentes à participação da Marinha, elevou-se para garantir a continuidade do Programa. Essa elevação ocorreu à custa de cortes em importantes setores e atividades da Força, como a operação dos meios da Esquadra, a aquisição de sobressalentes, a manutenção dos navios e o adestramento.

No início, o PNM foi baseado em fonte de recursos extra-MB; evoluiu para uma participação paritária MB / extra-MB; e, hoje, encontra-se sustentado, quase que exclusivamente, por recursos orçamentários da Força.

A participação extra-MB chegou ao pico de 89% no início do Programa, tendeu a zero entre 1999 e 2004, limitando-se na atualidade a cerca de 10%. Em valores absolutos, essa participação chegou a US$ 40 milhões, mas hoje se situa em US$ 4 milhões, excetuando-se os recentes recursos recebidos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Já foram investidos, no PNM, cerca de US$ 1,1 bilhão, dos quais cerca de US$ 900 milhões foram do orçamento da MB e cerca de US $ 200 milhões de recursos Extra-MB.

3.2 Perspectivas de Investimentos

A realidade orçamentária impossibilitou à Marinha aumentar o volume de recursos próprios para investir no PNM. Nos últimos anos, a Força tem feito um enorme sacrifício para manter o patamar de alocação de recursos, mesmo em detrimento de seus demais setores, que igualmente sentem a escassez de investimentos. O fato é que a Marinha atingiu o limite da sua capacidade de destinar recursos, o que não é suficiente.

Para manter o PNM em “estado vegetativo”, situação em que se encontra desde 2003, a Marinha vêm aportando recursos da ordem de R$ 62 milhões, a custos de 2007. A captação de recursos extra-MB, como os obtidos da FINEP e da INB, tem ajudado a desonerar o orçamento da MB.

Vale lembrar que, quanto mais rápido puder ser concluído o PNM, menor será a problemática da obsolescência do material já adquirido e mantido sob condições especiais, que geram custos adicionais de manutenção. Para o LABGENE, há atualmente US$ 130 milhões em equipamentos prontos em estoque.

Para a conclusão do PNM, são necessários recursos da ordem de R$ 1,04 bilhão, que englobam todos os empreendimentos do ciclo do combustível, do LABGENE e da infra-estrutura de apoio (incluindo-se mão-de-obra e custeio administrativo). Assim, há a demanda de aportes orçamentários adicionais de modo a propiciar um investimento médio anual de R$ 130 milhões, ao longo de oito anos.

Em julho de 2007, o Presidente da República anunciou a intenção de assegurar esses aportes, criando perspectivas para o prosseguimento e conclusão do PNM.

Somente após a conclusão dos citados dois projetos que compõem o PNM e de ter-se logrado êxito na operação da planta nuclear, estarão criadas as condições para que, havendo a decisão de Governo, possa ser dado prosseguimento à meta de construir um S(N) brasileiro.

3.3 Recursos humanos

Atualmente, estão trabalhando no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo cerca de 271 militares e 1025 funcionários civis. A falta de investimentos tem ocasionado reflexos no setor de pessoal, reduzindo a capacidade intelectual e dificultando o prosseguimento de algumas metas.

A evasão de profissionais qualificados vem ocorrendo, especialmente, pela procura por outras oportunidades de trabalho em órgãos públicos e privados e por motivo de aposentadoria. A perda desse pessoal nos últimos sete anos, incluindo os de nível superior e técnico, foi de 38 profissionais/ano, aproximadamente 3% do quantitativo, tendo como conseqüência a redução gradativa da capacitação tecnológica.

A retomada dos aportes financeiros permitirá uma melhora nos prazos estipulados para a conclusão das principais metas do PNM e, conseqüentemente, servirá de estímulo aos profissionais envolvidos, podendo reduzir as evasões. Além disso, esses recursos gerarão novas contratações, reduzindo, também, a carência da demanda de profissionais na área nuclear no Brasil.

4. O significado do PNM

O Programa Nuclear da Marinha vem demonstrando, desde seu início, uma grande capacidade de mobilização e estímulo dos setores de Ciência e Tecnologia (C&T) e de produção. São inúmeras as parcerias estabelecidas com universidades, centros de pesquisa e desenvolvimento, indústrias e empresas projetistas de engenharia, entre outros.

Com essas parcerias, o Programa evidencia sua capacidade de gerar efeitos de arrasto, tanto por meio do incentivo à ampliação da base tecnológica nacional, decorrente dos desafios que coloca aos setores de C&T e de produção, como por meio do desenvolvimento de equipamentos e componentes de uso não restrito aos objetivos do Programa, como por exemplo:

- Sistema de Controle das Máquinas Principais e Auxiliares (SCMPA) das Fragatas Classe “Niterói”, decorrente da capacitação acumulada no desenvolvimento de tecnologia para projetos de sistemas de controle e automação de alto desempenho, como são os sistemas que envolvem enriquecimento de urânio e a operação de reatores nucleares;

- Giroscópio e acelerômetros, os quais são usados em plataformas inerciais para navegação e estabilidade de navios, submarinos e plataformas de petróleo. Este desenvolvimento decorre da capacitação obtida no desenvolvimento de ultracentrífugas. Tais sensores são vitais para que o submarino possa navegar submerso, sem ter de vir à superfície para se orientar ou receber informações do GPS, o qual pode ser bloqueado;

- Blindagem física, a qual se baseia em compostos de Boro , material esse utilizado nas varetas de controle da fissão em reatores nucleares, que também apresenta boa resistência ao impacto;

- Válvulas para operação com gás, desenvolvidas a partir da necessidade de se construir e operar sistemas de separação isotópica;

- Válvulas TWT, aplicáveis em radares de navios, sendo decorrente dos desenvolvimentos de itens de tecnologia de vácuo e soldagens especiais, atividades comuns com o enriquecimento de urânio;

- Fibra carbono, material estratégico, utilizado em ampla lista de sistemas de alto desempenho, como as cascatas de enriquecimento de urânio; e

- Análise de risco, atividade técnica mandatória para o licenciamento de instalações nucleares e que possui aplicação atualmente nos projetos e licenciamento de plataformas de petróleo.

É digno de nota que muitos desses desenvolvimentos são feitos devido à necessidade de se construir e implantar sistemas dedicados para atender requisitos específicos do PNM, além de haver restrições de sua importação pelo Brasil por parte dos países que detêm tais tecnologias.

O fato é que o desenvolvimento de uma tecnologia desse porte não se faz sem o investimento considerável de recursos financeiros e humanos. Assim, ao longo dos quase vinte e nove anos de existência, o PNM custou cerca de um bilhão de dólares, sendo considerado pela imprensa especializada e meios acadêmico-científicos como um dos mais econômicos projetos nucleares já realizados no mundo. Cita-se, como exemplo, o Projeto Manhattan (norte-americano), cuja grande dificuldade foi dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio (já desenvolvida pelo PNM), e que consumiu, na primeira metade da década de 40, dois bilhões de dólares, que hoje equivaleriam a cerca de vinte e cinco bilhões de dólares.

A tecnologia de enriquecimento de urânio é conhecida e aplicada, comercialmente, por apenas sete países, além do Brasil, a saber: EUA, França, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão e Holanda. Desses países, os dois primeiros utilizam a difusão gasosa, que é considerada obsoleta, pois consome vinte e cinco vezes mais energia do que a tecnologia de ultracentrifugação, empregada pelo Brasil e demais países.

Cabe ser mencionado que existe uma diferença marcante entre a tecnologia de ultracentrifugação desenvolvida no Brasil e aquela utilizada pelos outros cinco países supracitados. O rotor da ultracentrífuga desenvolvida nesses países gira apoiado em um mancal mecânico, enquanto o rotor desenvolvido no Brasil gira levitando por efeito eletromagnético, o que reduz o atrito e, conseqüentemente, os desgastes e a manutenção. Não existem informações de que algum outro país tenha desenvolvido tecnologia semelhante a nossa.

De acordo com a International Energy Agency (IEA) e a World Nuclear Association (WNA), cerca de 16% da matriz energética mundial é nuclear (no Brasil, apenas 2,2%), resultante da operação de 439 reatores, que geram 372.002 Megawatts elétricos (MWe). Atualmente, há 34 usinas em construção, que irão representar um acréscimo de 7,5% nessa matriz energética. Além disso, estão planejadas mais 81 usinas, com uma produção estimada de 89.175 MWe, e outras 223 usinas estão propostas (200.445 MWe).

Nesse ponto, a fim de possibilitar o perfeito entendimento do que representa o PNM em termos de desenvolvimento tecnológico para o Brasil, apresenta-se uma longa série de atividades executadas em seu bojo:

- formação/aperfeiçoamento de pessoal;

- compra de equipamentos e construção de diversos tipos de laboratórios, incluindo um reator nuclear de pesquisa;

- projeto, construção e testes dos equipamentos que compõem a planta de geração;

- projeto e construção de ultracentrífugas e cascatas de enriquecimento de urânio;

- projeto e construção de usinas de transformação de "yellow cake" em hexafluoreto, de reconversão e de fabricação de elemento combustível;

- incremento tecnológico de várias oficinas de fabricação de diferentes tipos de peças, incluindo válvulas de alto vácuo, inexistentes no Brasil;

- desenvolvimento de vários tipos de materiais, antes importados, como o aço “maraging” e a fibra de carbono; e

- uma infinidade de projetos que, desenvolvidos em parcerias com universidades, institutos de pesquisa e a indústria nacional, trouxeram ao País elevado ganho em tecnologia e qualidade.

5. Considerações finais

A energia nuclear é uma fonte de energia firme e limpa, não emite gás poluente para a atmosfera, utiliza em sua construção um número reduzido de materiais (por kWh) se comparada com a energia solar e eólica, produz pequena quantidade de rejeitos, e não contribui para o efeito estufa, pois não emite dióxido de carbono (CO2), ao contrário do carvão, petróleo e gás; além de não necessitar dos grandes reservatórios (com seus decorrentes problemas ambientais) das hidroelétricas. Única alternativa viável, para a maior parte dos países, para suprir a crescente demanda por energia ante a futura escassez dos combustíveis fósseis, não é sem razão que a maior concentração de usinas nucleares encontra-se nas principais regiões consumidoras de energia do mundo.

Como resultado de grande esforço nacional, o Brasil tem capacidade de fabricar o próprio combustível nuclear, sem nenhuma dependência externa, e o conhecimento para projetar e construir plantas nucleares de potência, que custam no mercado internacional acima de três bilhões de dólares cada.

Cabe destacar o avanço que representará a prontificação da Unidade Piloto para Produção de Hexafluoreto de Urânio - USEXA - onde é feita a conversão do yellow cake em hexafluoreto de urânio (UF6), para que depois possa ser enriquecido e reconvertido em óxido de urânio, visando a fabricação de pastilhas e elementos combustíveis dos reatores de potência do tipo água pressurizada (PWR). Atualmente, essa conversão é feita na CAMECO, no Canadá (cerca de 350 t/ano), e, posteriormente, o enriquecimento é realizado no consórcio europeu URENCO, a um elevado custo em dólares (cerca de US$ 40 milhões/ano no total). Como dito anteriormente, a conclusão da USEXA dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, o que podemos considerar como resolvido, e da solução de eventuais entraves inerentes à obtenção e à importação de materiais.

O reator a ser construído pode tanto ser utilizado para gerar energia para uma cidade, quanto para a propulsão de um meio naval.

Por fim, a Marinha tem afirmado que faltam cerca de um bilhão de reais para a conclusão dos dois projetos que estão em andamento. A manutenção do fluxo dos recursos, anunciados pelo Presidente da República em julho de 2007 e garantidos pelo Ministro da Defesa para 2008, permitirá que o PNM esteja concluído até 2014. Uma vez finalizadas, com êxito, as etapas que envolvem os 2 projetos do PNM, teremos condições para que, em havendo uma decisão de Governo, projetar e construir um submarino de propulsão nuclear.

Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP)

Israel arquiva investigação de abuso militar

Para procurador do Exército, relatos de infrações em Gaza não partiram de testemunho ocular, mas da repetição de boatos

Nota sobre fim do inquérito, criticado por ONGs, não fala de denúncia de vandalismo, de atuação religiosa nem de ordem de "esquecer moral"

DA REDAÇÃO

O general Avichai Mendelblit, chefe da Promotoria do Exército israelense, determinou ontem o arquivamento da investigação dos alegados abusos humanitários cometidos por soldados durante a recente invasão da faixa de Gaza.

Segundo ele, o inquérito apurou que as descrições das condutas – que poderiam ser enquadradas como crimes de guerra – "foram baseadas em ouvir falar e não na experiência obtida em primeira mão".

Mendelblit criticou "a imprecisão" dos relatos. "Será difícil avaliar o estrago feito à imagem e ao moral [dos militares] em Israel e no mundo."

As revelações vieram a público no último dia 19, quando jornais de Israel publicaram trechos de um debate realizado numa academia militar por cadetes que participaram da investida contra o grupo islâmico Hamas em Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro. Na ocasião, o Exército determinou abertura de investigação e proibiu os soldados de concederem entrevistas.

No encontro, em 13 de fevereiro, formandos relataram episódios sistemáticos de vandalismo contra residências de palestinos e dois casos de assassinatos de civis desarmados – o de uma senhora idosa e o de uma mãe com seus dois filhos.

Segundo a investigação, o soldado que contou o episódio da ordem para assassinar a idosa não testemunhou o caso. "Só repetiu um rumor que ouvira."

Sobre o outro caso, em que a família teria sido morta por ter caminhado na direção oposta à determinada pelos soldados, a investigação também concluiu que o autor do relato não viu o episódio.

"Após checagem, foi apurado que, durante aquele incidente, uma patrulha abriu fogo numa direção contrária, contra dois homens suspeitos que não tinham relação com os civis em questão", disse a nota oficial, que não apresentou ligações entre os dois tiroteios nem esclareceu se a família efetivamente foi morta ou não.

Não foi a única ocorrência relatada em 13 de fevereiro que não mereceu uma resposta. O relatório não tratou de vandalismo, da denúncia de que o rabinato do Exército insuflou os israelenses a lutarem uma guerra santa nem do reservista que narrou ao "New York Times" ter sido orientado por um instrutor a "deixar sua moral à parte" antes de entrar em Gaza.

Repúdio

Em reação ao arquivamento, grupos israelenses de defesa dos direitos humanos emitiram nota conjunta afirmando que "o veloz encerramento da investigação imediatamente levanta a suspeita de que era uma mera tentativa do Exército de limpar suas mãos de toda a culpa por atividades ilegais".

A exemplo do que haviam feito quando foi lançada a investigação, as entidades cobraram a apuração das denúncias por uma entidade independente.

No dia 19, ONGs haviam recebido com reservas a notícia da investigação militar. Ponderavam que o Exército já tinha ciência dos relatos de abusos desde 13 de fevereiro, mas só tomara a iniciativa de apurar após sua publicação.

Com agências internacionais

Comandante da Otan nega retirada rápida e elogia plano dos EUA para Afeganistão


em Bruxelas

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jaap de Hoop Scheffer, elogiou o "realista" plano dos Estados Unidos para a "guerra ao terror" no Afeganistão e afirmou que as forças internacionais não devem prever sua retirada do país no futuro próximo.

A violência no Afeganistão atingiu seu pior nível nos últimos oito anos da invasão liderada pelos EUA, que expulsou o grupo radical islâmico Taleban do governo.

"Em minha opinião, será preciso permanecer no Afeganistão pelo futuro previsível", disse Scheffer a jornalistas em Bruxelas, comentando que até agora tem visto "reações positivas" à nova estratégia anunciada pelo presidente Barack Obama na semana passada.

Obama ampliou a "guerra ao terror" para o Paquistão, prometeu enviar 4.000 soldados adicionais e triplicar a ajuda, para US$ 1,5 bilhão anual, para Islamabad. Ele não fixou um cronograma para seu plano de guerra, mas afirmou que o objetivo central é destruir a rede terrorista Al Qaeda.

Scheffer saudou a decisão de concentrar-se em derrotar os militantes da Al Qaeda, em lugar do plano mais ambicioso da administração Bush de construir a democracia no Afeganistão. "Acho que o plano de Obama é realista quanto ao que pode ser realizado", disse Scheffer. "Ou seja, não poderemos converter o Afeganistão numa Suíça em poucos anos."

Ele disse ainda que pedirá, com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), recursos adicionais para treinar as forças de segurança afegãs -- um valor estimado em US$ 2 bilhões para um ano.

"US$ 2 bilhões é muito dinheiro, mas apenas se você pensar no valor isoladamente", disse ele, citando um "cálculo muito informal" de que a guerra estaria custando à Otan e seus aliados cerca de US$ 42 bilhões por ano.

"E não estou contando as perdas imensuráveis de vidas de nossos soldados", disse ele, referindo-se aos mais de 1.100 militares estrangeiros mortos no Afeganistão, desde 2001.

Em uma cúpula da Otan na fronteira entre França e Alemanha, prevista para começar na próxima sexta-feira (3), Obama vai consultar seus aliados sobre um plano para enviar os 4.000 soldados americanos para treinar forças afegãs, além do reforço previamente anunciado de 17 mil soldados americanos adicionais para reforçar o esforço de guerra.

Com isso o total de forças americanas no Afeganistão chegará a 55 mil, ante 32 mil de todos os outros membros da Otan e outros países envolvidos nas operações militares. Esse fato vem levando alguns analistas a dizer que a Otan pode ser cada vez mais relegada ao segundo plano.

Scheffer disse que não se deve permitir que isso aconteça e exortou o pacto militar de 26 membros a exercer um papel pleno no esforço no Afeganistão.

"Esta não é uma guerra do presidente Obama, no sentido da Otan. Os aliados precisam fazer sua parte. Eu não quero ver uma missão que está fora de equilíbrio", completou.

Scheffer afirmou ainda que as capitais europeias enfrentarão outros pedidos de colaboração, como por exemplo na reconstrução de nossos esforços civis.

"Os aliados da Otan não podem fazer frente aos números [de tropas] concedidos pelos EUA. Esta não é a discussão", disse. "Presidente Obama disse que se você não pode colaborar militarmente, colabore com o lado civil."

Solução militar no Afeganistão vai falhar, diz ‘documentarista em tempo real’

Projeto de Robert Greenwald propõe repensar todo o conflito.

Filme está sendo publicado por partes, em ‘tempo real’, na internet.


Daniel Buarque

em São Paulo

Enviar mais tropas para uma zona de conflito caótica pode ter funcionado no caso do Iraque, mas vai fracassar no Afeganistão, segundo o ativista político e documentarista Robert Greenwald. Diferentemente do caso iraquiano, em que se saiu de uma quase guerra civil para uma situação de relativa tranqüilidade depois que mais soldados chegaram ao país há dois anos, é preciso repensar a situação afegã para buscar uma solução que vá além do militarismo, diz.

Greenwald estava em Cabul, capital afegã, realizando a terceira parte do seu ‘documentário em tempo real’, “Rethink Afghanistan” (Repensar o Afeganistão) no dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o novo plano do país para lidar com o conflito no país.

“As pessoas demonstram muita preocupação com o fato de que os EUA continuam adotando apenas políticas militares em relação ao Afeganistão. O problema vivido pelo país não é um problema militar, é político, ideológico, e as pessoas querem soluções que vão além do envio de mais soldados”, disse, em entrevista ao G1, por telefone.

Segundo ele, os afegãos estão felizes com a eleição de Obama para a Presidência, estão esperançosos, mas querem que os Estados Unidos ajudem com professores, hospitais, e não com mais pessoas armadas.

Ele se diz otimista, entretanto. “Obama foi eleito com um discurso de mudança. Já percebemos no Vietnã, no Iraque e mesmo no Afeganistão que buscar soluções apenas militares em conflitos assim não resolve nada, e não é uma mudança real como poderíamos esperar do presidente. Acho que ele é inteligente e está sendo bem assessorado, então acredito que com o tempo veremos a mudança que esperamos dele.”

Tempo real

O projeto do novo documentário de Greenwald se propõe revolucionário para este tipo de cinema-realidade. Em vez de realizar toda a pesquisa, as entrevistas e depois editar tudo em um único filme, ele resolveu fazer o trabalho por partes, e ir publicando cada capítulo à medida em que ele vai ficando pronto, em "tempo real".

“O documentário é feito em tempo real porque não podemos nos dar ao luxo de esperar alguns meses para levantar esta discussão. O documentarista em mim queria esperar para que o filme ficasse completo, mas o meu lado ativista sabia que precisávamos divulgá-lo logo. Por isso desenvolvi esta nova forma de trabalho, publicando parte por parte do filme, aumentando o impacto da discussão.”

No site do filme, é possível assistir às duas primeiras partes de “Rethink Afghanistan”, ambas com pouco mais de dez minutos. Na primeira, Greenwald entrevistas pesquisadores e analistas dos dois países envolvidos no conflito e mostra que, do ponto de vista histórico, o Afeganistão é “campeão mundial de resistência” a invasões internacionais, e não adianta aumentar o número de soldados no país. A segunda parte foca no vizinho Paquistão, apontado por alguns entrevistados como o verdadeiro foco do problema do radicalismo e do terrorismo.

A terceira parte vai estar no ar em duas semanas. Era ela que ele filmava até o último fim de semana em Cabul. O tema deste capítulo vai ser o custo da guerra até agora, e para onde ela vai continuar.

Segundo Greenwald, visitar o Afeganistão, como fez na semana passada, deixa uma sensação muito clara de que milhares de pessoas vivem em perigo, em meio a uma zona de guerra. “A situação em Cabul é definitivamente perigosa. Há pessoas armadas com fuzis em toda esquina, há barricadas montadas por toda a cidade, além de militres passando com tanques pelo meio da cidade. Percebe-se claramente que se está numa zona de guerra.”

Debate

Apesar de discordar abertamente do novo plano divulgado por Obama, Greenwald evita dar sua opinião sobre como resolver os problemas do Afeganistão, e diz que seu objetivo é apenas o de levantar a discussão.

“Não acho que esteja tudo errado, mas acho que há questões muito sérias a serem respondidas em relação ao país, e acho que é preciso refletir sobre estas perguntas. Isso pode nos levar a uma discussão complicada, de como podemos apoiar o país, e levá-lo a uma situação de segurança real. Não quero responder a essas perguntas. Meu papel é levantar as questões e incentivar os debates, para que os verdadeiros especialistas possam discutir e chegar a uma conclusão.”

Segundo ele, a ideia de enviar 4.000 soldados para treinar o exército afegão é interessante, mas não deve surtir efeitos. “Claro que qualquer país prefere ter seus próprios soldados a tropas internacionais. O problema é que o Exército afegão já vem sendo treinado por norte-americanos há muito tempo, sem nenhum resultado satisfatório até agora.”

Pyongyang ameaça ação militar caso Japão intercepte foguete


Pyongyang (Coréia do Norte) - A Coréia do Norte reiterou nesta terça-feira que responderá com "os meios militares mais potentes" se o Japão chegar a interceptar o satélite que pretende lançar no início de abril, informou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

O regime comunista norte-coreano advertiu que consideraria uma "nova invasão" a eventual interceptação de seu satélite por parte do Japão, ainda segundo a KCNA, por sua vez citada pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.

"Nosso Exército arrastará sem piedade todos os meios interceptores com as armas militares mais potentes", diz a KCNA.

A Coréia do Norte anunciou seus planos de lançar um satélite de telecomunicações entre 4 e 8 abril, em meio a suspeitas de que a ação possa ocultar o teste de um míssil de longo alcance.

O Japão já ordenou ao Exército que derrube o foguete ou suas partes que possam cair em território japonês em uma eventual falha.

Forças britânicas iniciam retirada oficial do Iraque


O general britânico responsável pelo comando militar das forças no sul do Iraque, Andy Salmon, transferirá nesta terça-feira o controle da região para o norte-americano Michael Oates, em um ato que representa o início oficial da retirada das tropas britânicas do país.

A partir desta terça-feira, soldados americanos e britânicos passarão a ser comandados pelo oficial dos Estados Unidos, no que passará a ser chamado de Divisão Multinacional do Sul.

A maior parte dos 4 mil soldados britânicos - que agora estão estacionados nos arredores da cidade de Basra - deve deixar o país até o dia 31 de maio, quando termina a operação de combate britânica.

A partir desta data, apenas 400 soldados da Grã-Bretanha permanecerão na região, para exercer funções no quartel-general da coalizão e treinar a Marinha iraquiana. Em entrevista à BBC, o general Salmon afirmou que muitos objetivos foram atingidos nos últimos seis anos de ocupação no Iraque.

"Nós ajudamos a aumentar a segurança e colocamos as condições para o desenvolvimento econômico e social. Acho que podemos sair com a cabeça erguida".

Comando americano

Os soldados britânicos já começaram a desocupar edifícios e transferir tarefas para os colegas dos EUA, enquanto se preparam para a retirada depois de seis anos.

Segundo a correspondente para assuntos de defesa da BBC, Caroline Wyatt, a presença dos soldados norte-americanos já é visível em Basra.

A partir de agora, o papel dos Estados Unidos no sul do Iraque será ligeiramente diferente, devendo se focar no treinamento de policiais iraquianos e na manutenção da rota de transporte de suprimentos entre o sul e Bagdá. Segundo o coronel norte-americano AJ Johnson, responsável pelas ligações com o Exército iraquiano no Centro de Operações de Basra, os Estados Unidos manterão a estratégia que vinha sendo adotada até agora na região.

Isto significa que os soldados e policiais iraquianos devem continuar a ser a presença mais visível nas ruas da cidade.

"O objetivo da transição é garantir que não se perceba que o Exército dos EUA está aqui e que nós não faremos nada diferente do que os britânicos fizeram na região", disse Johnson à BBC. Os americanos também estão reduzindo o número de tropas no país. Duas brigadas devem sair da Província de Al-Anbar, que antes era considerada o centro da Al-Qaeda no Iraque.

A retirada total das forças americanas do país está prevista para 2011.

30 março 2009

F-X2 - Visitas Técnicas e Voos de Avaliação

AERONÁUTICA COMEÇA A ETAPA DE VISITAS TÉCNICAS E VOOS DE AVALIAÇÃO COM AS EMPRESAS DO PROJETO F-X2



O Comando da Aeronáutica, em continuidade ao cronograma de seleção dos novos caças multiemprego para a Força Aérea Brasileira (FAB), inicia, a partir de hoje, 30 de março, as visitas técnicas às empresas ofertantes e os voos de avaliação das respectivas aeronaves participantes do Projeto F-X2, cujo objetivo é de verificar aspectos técnicos, operacionais, logísticos e industriais.

Para cumprir tais objetivos e obter maior detalhamento das ofertas apresentadas pelas empresas (aqui listadas em ordem alfabética) BOEING (F-18 E/F SUPER HORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG), serão visitadas e avaliadas instalações industriais e logísticas, oficinas de manutenção, laboratórios de desenvolvimento de sistemas e esquadrões operacionais, bem como as aeronaves oferecidas serão voadas e testadas por pilotos e engenheiros integrantes da comissão de avaliação.

Durante o mês de março, a Gerência do Projeto F-X2 (GPF-X2) reuniu-se com sua equipe e promoveu uma série de esclarecimentos com as três empresas participantes, no intuito de dirimir dúvidas e aprimorar o conteúdo das respectivas ofertas com relação aos requisitos do COMAER, mantendo o foco nos aspectos comerciais; técnicos; operacionais; logísticos; de compensação comercial (Offset), industrial e tecnológica, e de transferência de tecnologia.


Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Poder Naval Online visita a Forbin



O Poder Naval Online e a Alide estiveram hoje pela manhã a bordo da fragata de defesa aérea Forbin, de 6 mil toneladas, da Marinha Nacional da França. O navio está atracado desde o dia 25 no Armazém 8, do cais do Porto do Rio de Janeiro.

Fomos recebidos pelo comandante do navio, capitaine de vaisseau BALDUCCHI, que concedeu entrevista exclusiva e nos apresentou o Centro de Operações de Combate e o passadiço da Forbin.

No dia 3 de março, a novíssima fragata de defesa aérea deixou sua base em Toulon para uma travessia de longa duração (TLD). A missão de cerca de três meses trouxe o primeiro navio de projeto franco-italiano para este lado do Oceano Atlântico. Após uma escala no Marrocos e no Brasil, o navio segue para o Caribe, Estados Unidos e Canadá, a fim de verificar os sistemas do navio em clima frio. A visita da Forbin ao Brasil faz parte da programação envolvendo a Aliança Estratégica Brasil-França e permitiu aos oficiais brasileiros conhecerem as tecnologias presentes nas FREMM, que estão sendo oferecidas à Marinha do Brasil, para substituição de suas escoltas.

Após dois anos de provas de mar, segundo os processos de controle industrial, a Forbin está fazendo sua primeira navegação oceânica de duração significativa, para avaliação operacional.

Segundo o capitão Christophe BALDUCCHI, o navio já foi incorporado à Marine Nationale, mas ainda não atingiu a FOC (Full Operational Capacity). As semanas de navegação através de diferentes climas permitirão testar o navio, a fim de verificar a confiabilidade do seu equipamento. A Forbin está embarcando um helicóptero Panther da flottille 36F e deve retornar à França em meados em maio.

Tecnologia voltada para o combate

Não fomos autorizados a fotografar outras áreas internas do navio, mas podemos dizer que a configuração do Centro de Operações de Combate é realmente impressionante, muito parecida com o do Type 45 da Royal Navy, inclusive o formato dos consoles e disposição dos displays. O COC é muito espaçoso, tomando o convés de boreste a bombordo, com displays em número suficiente para o embarque de Comandantes de Força e seu staff.

O sistema de combate CMS 3.2 (Combat Management System ) usa tecnologia COTS, rodando software dedicado sobre plataforma Unix. O software do CMS inclui 22 módulos em 24 consoles, 10 computadores e 3,5 milhões de linhas de código.

Se o COC do navio for atingido em combate, um mini-COC que fica na popa do navio entra em ação.

Os consoles do CMS são ligados por dois barramentos separados, um em cada bordo, para garantir o funcionamento em caso de avaria.

Nas palavras do comandante, os navios desta classe têm como missão principal atuar como “torres de controle de vôo no mar” ou “AWACS marítimos”, provendo o controle do espaço aéreo para Forças-Tarefa.

A missão secundária é a proteção de unidades de alto valor, contra aeronaves e mísseis. Para isso, pode detectar, localizar, identificar e possivelmente engajar simultaneamente 12 aviões e mísseis antinavio. A Forbin conta com radar tridimensional de longa distância SM1850, um radar multifunção phased array Empar (capaz de rastrear mais de 300 alvos simultâneamente) e uma suíte de guerra eletrônica, incluindo jammers e chamarizes de nova geração.

Para enfrentar as ameaças aéreas, de superfície e submarinas, o CMS e seus operadores têm à disposição 32 mísseis Aster 30 (cerca de 100 km de alcance), 16 mísseis Aster 15 (alcance de 30 km), dois canhões de 76 mm, 8 mísseis anti-navio MM40 Block III e dois tubos lançadores para torpedos anti-submarino MU-90.

A tecnologia empregada é voltada para o combate, baseada nas lições da guerra das Malvinas e a Guerra Irã-Iraque. Ele é capaz de oferecer proteção contra ataques aéreos maciços, de mísseis supersônicos e aeronaves.

Ao perguntarmos qual era a ordem de grandeza da RCS (Radar Cross Section - Seção Reta Radar) do navio e qual a principal vantagem da tecnologia stealth em combate, o capitão Christophe BALDUCCHI nos respondeu que a RCS é dado classificado, mas que sua grande vantagem é ocultar totalmente o navio quando este lança nuvens de chaff, oferecendo alvos alternativos de maior intensidade para mísseis atacantes. A Forbin também tem baixíssima assinatura infravermelha, pois os gases de exaustão das chaminés são tratados.

A fragata suspende amanhã de manhã do Rio de Janeiro e fará exercícios com um navio e um submarino brasileiro.

28 março 2009

Brasil cede a Moçambique aviões e ajuda em operação de paz



Maputo, 26 mar (Lusa) - O governo brasileiro vai oferecer aviões P-27 à Força Aérea moçambicana e ajudará a criar uma unidade para operações de manutenção de paz no exército de Moçambique, anunciou nesta quinta-feira o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

“Vamos providenciar a transferência do P-27, um avião utilizado no Brasil para treinos militares”, disse Nelson Jobim aos jornalistas, no final de uma audiência concedida pelo presidente moçambicano, Armando Guebuza.

“Verificarei a possibilidade de mandar mais alguns aviões. Estamos a fazer uma mudança na Força Aérea brasileira, estamos a substituir os P-27 pelos Super Tucanos. Com isso, queremos ver quais os aviões que podemos mandar para cá” (Moçambique), disse Nelson Jobim.

O governante brasileiro indicou que, nos próximos dias, dois oficiais e igual número de mecânicos moçambicanos vão deslocar-se ao Brasil para se familiarizarem com o avião que as autoridades de Defesa brasileiras pretendem “transferir para a Força Aérea moçambicana”.

Contudo, a chegada destes aviões depende da aprovação da proposta pelo Congresso brasileiro, destacou o titular da pasta da Defesa do Brasil, que hoje fez uma visita de algumas horas a Moçambique, para estreitar laços de cooperação no domínio da defesa.

Hoje, o ministro da Defesa do Brasil e o seu homólogo de Moçambique, Filipe Nyussi, assinaram um acordo de cooperação que destaca a formação de oficiais moçambicanos na área de pilotagem.

“Firmamos um acordo que fará com que os objetivos se otimizem: Dentro de 30 dias chegará a Maputo um grupo de oficiais brasileiros para começar a implantação de uma unidade de operação de paz no exército de Moçambique”, exemplificou Nelson Jobim.

“Teremos condições de trabalhar durante este período e a dinâmica deste processo já se iniciou. Faremos treinos aqui e, posteriormente, contingentes moçambicanos poderão fazer os treinos no Brasil, mas iniciaremos aqui”, afirmou Nelson Jobim.

Segundo o governante, a unidade de operações de paz no exército de Moçambique, que o Brasil ajudará a estabelecer, será composta por 700 homens, que deverão integrar o contingente de paz na África.

“O objetivo maior é a formação aqui em Moçambique de um contingente de operações de paz que possa servir a África”, disse Nelson Jobim, assinalando que o Brasil opera hoje internacionalmente 1.400 homens, sendo que a sua operação de manutenção da paz está vinculada ao Estado de Haiti, onde estão 1.300 soldados brasileiros.

O ministro da Defesa de Moçambique, Filipe Nyussi, disse aos jornalistas que o protocolo firmado com o seu homólogo brasileiro traduz as necessidades do país.

“Escolhemos áreas fazíveis e, neste caso concreto, foi a área de formação. Sabemos que temos uma academia militar (com uma turma de sete pilotos, que terminará em 2010), que está a formar pilotos e estamos na reta final da formação e os jovens precisam voar”, citou Filipe
Nyussi.

Gilvam defende o reaparelhamento das Forças Armadas



Gilvam Borges (PMDB-AP) defendeu quarta-feira o reaparelhamento das Forças Armadas. Ele afirmou que o Orçamento Geral da União tem de contemplar a modernização do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, onde se verifica “um sucateamento vertiginoso”.

– Essa degradação compromete a segurança nacional – declarou o senador, acrescentando que “há um desprestígio absoluto das Forças Armadas”. Gilvam argumentou que o Brasil, “como líder da América Latina”, não pode deixar de se apresentar como um “porto seguro para a democracia”, especialmente diante das manifestações de chefes de Estado como Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, “que, de certa forma, ameaçam a estabilidade do continente”.

O parlamentar informou que se encontrou terça-feira com o comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto. Foi discutido, disse, o patrulhamento das 200 milhas da costa norte do país, entre outros temas.

Japão se prepara para interceptar foguete da Coreia do Norte



O governo do Japão decidiu destruir restos do foguete da Coreia do Norte que caírem sobre seu território. O lançamento do projétil está previsto para o início do mês de abril.

Tensão entre Coreias



Rodrigo Craveiro

O sul-coreano Keun Oh Park, de 44 anos, mora em Busan — a 420km a sudeste de Seul e uma das mais importantes bases navais dos Estados Unidos. Apesar de trabalhar a poucos metros do porto da cidade, ele contou ao Correio que só soube da chegada dos destróieres USS John McCain e USS Chafee pelos jornais. A poucos dias do suposto lançamento de satélites anunciado pela Coreia do Norte, a escalada da tensão política e militar na Península Coreana não preocupa tanto o reparador de navios.

“Uma guerra seria um cenário muito improvável, mas destruiria vidas e culturas. Não haveria perdedores nem ganhadores”, opinou, pela internet. Ele acredita que, no caso de um conflito bélico, Pyongyang não hesitaria em usar uma pequena bomba atômica contra a Coreia do Norte ou o Japão.

Os destróieres norte-americanos deixaram o porto de Sasebo (no sul do Japão) e se encaminharam a Busan. Providas da tecnologia Aegis, as embarcações têm o diferencial de rastrear e destruir mísseis inimigos. “Eu diria que eles estão prontos para quaisquer contingências”, afirmou à agência de notícias France-Presse Charles Howard, relações-públicas da Marinha. Um terceiro navio de guerra, o USS Curtis Wilbur, permanece ancorado em águas japonesas. Segundo o porta-voz, o também destróier USS Stethem estava pronto para deixar o porto de Aomori (norte do Japão). Nos próximos dias, existe a expectativa de que a Coreia do Sul também mande seu primeiro destróier Aegis — o King Sejong the Great — se juntar à frota norte-americana.

Pyongyang anunciou que pretende enviar um satélite de comunicações ao espaço entre 4 e 8 de abril. No entanto, os Estados Unidos e aliados asiáticos suspeitam que o lançamento envolva um míssil balístico de longo alcance, capaz de atingir o estado norte-americano do Alasca. Os serviços de inteligência dos EUA revelaram que a Coreia do Norte moveram um míssil Taepodong-2 para a plataforma Musudan-ri, na costa nordeste do país. Em Busan, o comerciante Jeongkee Park, de 48 anos, teme a deterioração das relações entre vizinhos. “Até o último governo, sul-coreanos e norte-coreanos haviam feito avanços, como a permissão para o meu povo visitar o Monte KeumKang e a construção da zona livre de comércio em Keseung. Se houver guerra, os dois países serão destruídos”, disse.

Choque de potências

Pequim reage à divulgação de relatório sobre sua capacidade armamentista e aconselha o Pentágono a abandonar mentalidade da Guerra Fria. Documento denuncia tentativa de impedir autonomia de Taiwan



Rodrigo Craveiro
Da equipe do Correio

“Nós sugerimos aos Estados Unidos que respeitem os fatos fundamentais, desprendam-se da mentalidade da Guerra Fria e de seus prejuízos, parem de divulgar relatórios militares como esse e interrompam as acusações sem fundamento contra a China.” O alerta de Qing Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, evidenciou o mal-estar de Pequim pelo fato de o Pentágono ter divulgado o relatório Poder Militar da República Popular da China — 2009. O texto é elaborado anualmente a pedido do Congresso norte-americano.

Ao longo de 78 páginas recheadas de números e mapas, o documento revela: “A curto prazo, as Forças Armadas da China estão rapidamente desenvolvendo capacidades coercitivas com o propósito de impedir Taiwan de perseguir a independência de direito”. De acordo com o texto, a receita do Exército de Libertação Popular mais que dobrou desde 2000 — de US$ 27,9 bilhões para US$ 60,1 bilhões. Algumas autoridades do Departamento de Defesa dos EUA suspeitam que esses números sejam subestimados.

Gang considerou os dados falaciosos e aconselhou Washington a não produzir documentos desse tipo, se quiser evitar “danos adicionais às relações militares entre os dois lados”.

O relatório do Pentágono esclarece que a China tem “melhorado de forma modesta” a transparência de seus temas militares e de segurança. “Mas até (Pequim) começar a ver a transparência menos como uma transação negociável e mais como uma responsabilidade que acompanha o acúmulo de poder nacional, as ideias refletidas nesse texto permanecerão incompletas”, adverte.

Consultado pelo Correio, o historiador chinês Yong Chen, professor da Universidade da Califórnia-Irvine (UCI, pela sigla em inglês), minimizou o impacto do teor do documento e demonstrou preocupação com um incidente envolvendo o navio de vigilância USNS Impaccable e cinco barcos no Mar do Sul da China, no último dia 9. “A embarcação norte-americana foi molestada e os EUA enviaram uma escolta armada. Eu suponho que isso tenha refletido na ideologia de oficiais do Pentágono”, comentou. No entanto, Chen não crê que o episódio sinalize uma política de confrontação. Foi o pior incidente envolvendo os dois países desde 2001, quando um avião espião dos EUA fez um pouso de emergência em Hainan (sul), depois de colidir com um caça chinês. Pequim chegou a deter os 24 tripulantes por 11 dias.

Diálogo

Talvez prevendo uma reação indignada de Pequim, o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, tentou suavizar o conteúdo do documento. “Nós temos defendido um maior diálogo e transparência em nossas questões com o governo e os militares chineses, tudo em um esforço para reduzir as suspeitas de ambos os lados”, afirmou. Para Yong Chen, a crise financeira que assola os EUA e a economia de exportação da China funcionam como um fator de contenção, impedindo que as rusgas saiam do campo diplomático e ganhem a via militar.

Ele lembrou que, além de Pequim depender do mercado norte-americano, a Casa Branca está com as mãos atadas ao Oriente Médio e ao Afeganistão. “É preciso cooperação e assistência da China para os EUA lidarem com a Coreia do Norte e o Irã”, observou. Em meio à mais grave recessão desde a Grande Depressão de 1929, os Estados Unidos não podem se envolver em outra guerra. “Nem o presidente Barack Obama, nem o premiê Wen Jiabao estão interessados em escalar as diferenças”, concluiu Chen.

O documento do Departamento de Defesa dos EUA revela o incômodo da Casa Branca em relação ao programa de mísseis balísticos e de cruzeiro da China, o qual considera o mais ativo do mundo. “Pequim desenvolve e testa mísseis ofensivos, formando unidades de mísseis adicionais, modernizando sistemas de mísseis e desenvolvendo métodos para enganar sistemas de defesa.”

O NÚMERO

US$ 59 bi foi a estimativa do orçamento de defesa chinês para 2008

China contesta teor de relatório militar dos EUA



A China reagiu ontem com fortes críticas ao que considerou "mentalidade de Guerra Fria" do relatório do Pentágono divulgado na véspera que alerta para o rápido crescimento militar do país. Para Pequim, o texto é "grande distorção" e interfere nos seus assuntos internos.

"Exortamos os EUA a largar a mentalidade de Guerra Fria e cessar as acusações infundadas contra a China a fim de não danificar ainda mais as relações bilaterais", afirmou o porta-voz da Chancelaria, Qin Gang.

No documento, apresentado ao Congresso anualmente, o Departamento da Defesa dos EUA diz que a modernização do Exército chinês provoca incertezas na região.

No início desta semana, o Banco Central chinês sugeriu substituir o dólar como moeda de referência internacional. No início do mês, incidente envolvendo um navio americano no mar do Sul da China gerou fortes trocas de acusações.

A China também expressou "grande descontentamento" com a declaração do Congresso dos EUA de "um compromisso indubitável" com Taiwan. Pequim considera a ilha uma Província rebelde.

Fragata estrangeira no Rio de Janeiro

Esta fragata está ancorada no Porto do Rio de Janeiro desde a última quarta-feira, dia 25 de março. Não é possível visualizar da Perimetral nenhuma identificação. Mas pelo que se pode ver, não se trata das fragatas que visitaram recentemente Salvador. Alguém teria alguma informação sobre ela? Desculpem as fotos, mas foram tiradas com um celular, com o carro em movimento na Perimetral e da Ponte Rio-Niterói.

A fragata é relativamente pequena, menor que as da Classe Niterói, da Marinha do Brasil. Teria o tamanho aproximado de nossas corvetas, mas com poder de fogo e detecção de ameaças muito superiores. Na proa pude observar vários lançadores verticais de mísseis e dois canhões, lado a lado, que podem ser vistos em uma das fotos abaixo. Na lateral vimos, também, lançadores de torpedos.

Luiz Maia





26 março 2009

Caça F-22 despenha-se no Sul da Califórnia



Um F-22, um caça de última geração da Força Aérea norte-americana, despenhou-se ontem numa zona de deserto no Sul da Califórnia. As primeiras informações não davam conta do que teria sucedido ao piloto.

O Pentágono adiantou que o aparelho se despenhou, ao início da manhã (meio da tarde em Portugal) a 56 quilómetros da base Edwards, quando concluía uma missão de treino.

"Estava a bordo um piloto, mas não sabemos nada sobre o seu estado", explicou Richard Johnson, porta-voz da Força Aérea norte-americana.

Fabricado pela Lockheed Martin, o F-22 Raptor é um sofisticado caça furtivo, projectado na década de 1980 para substituir os F-15. Foram encomendados 183 unidades à construtora aeronáutica, de um plano inicial que previa a compra de 750 aviões.

Os seus detractores dizem, contudo, que não está adaptado ao tipo de conflitos de guerrilha em que os Estados Unidos estão actualmente envolvidos, no Iraque ou Afeganistão, e defendem em alternativa a aquisição do F-35, um modelo menos dispendioso e mais versátil.

EUA vão enviar 4.000 militares para treinar exército afegão, diz senador

Carl Levin 'vazou' informação sobre a nova estratégia para o Afeganistão. Obama deve fazer o anúncio formal do plano nesta sexta-feira (27).

com agências internacionais

A nova estratégia dos EUA no Afeganistão deve incluir o envio de mais 4.000 militares para treinar as tropas afegãs, revelou nesta quinta-feira (26) o senador democrata por Michigan Carl Levin.

Esse reforço seria enviado já em junho, disse Levin a jornalistas após um "briefing" que os senadores receberam sobre o plano. O anúncio oficial deve ocorrer nesta sexta-feira.

Na quarta-feira, Obama sugeriu que a revisão da política para o Afeganistão vai enfatizar uma melhor coordenação com outros membros da Otan no combate à insurgência.

Analistas dizem que a estrutura de comando e controle da Otan no Afeganistão é pesada, pois foi pensada para maximizar a representação da coalizão - há cerca de 40 países envolvidos na missão - em vez de priorizar a eficácia militar.

"Estamos confiantes de que podemos criar um processo no qual a Otan, que já é forte, se torne mais forte, onde possamos nos tornar mais efetivos na coordenação dos nossos esforços no Afeganistão", disse Obama a jornalistas.

Obama defende uma nova estratégia multifacetada para o Afeganistão, de modo a impedir que o país se torne um trampolim para ataques do grupo islâmico al-Qaeda nos EUA.

Embora alguns detalhes da estratégia proposta tenham vazado, Obama tem sido muito discreto sobre o que dirá.

EUA ameaçam Coreia do Norte para deter lançamento

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul reúnem-se para analisar situação.
Coreia do Norte promete testar foguete que ocultaria programa de mísseis.


com agências internacionais

A Casa Branca disse nesta quinta-feira (26) que o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte será uma "provocação" e uma "violação de resoluções da ONU".

"Continuamos mantendo o objetivo de ter uma Coreia do Norte desnuclearizada e de trabalhar com nossos aliados para assegurar que isso aconteça", disse o porta-voz Robert Gibbs.

"Nós acreditamos que tal lançamento seria provocativo e uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU."

A reação da Casa Branca ocorre depois da revelação de que a Coreia do Norte prepara-se para lançar um míssil no próximo mês. EUA, Japão e Coreia do Sul suspeitam que o plano de lançamento norte-coreano oculte um teste de um programa de mísseis balísticos.

A Coreia do Norte ameaçou reiniciar sua usina nuclear de enriquecimento de plutônio se os EUA recorrerem à ONU contra o lançamento do satélite. A declaração é do porta-voz da chancelaria norte-coreana e foi divulgada pela agência local KCNA.

Mais cedo, o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, havia dito que a Coreia do Norte corre o risco de enfrentar a condenação internacional ou algo "pior" se seguir com seus planos.

Blair também afirmou a repórteres que o líder norte-coreano, Kim Jong-Il, segue com o controle total do país após se recuperar de um suposto derrame no ano passado e seria irreal esperar que qualquer outra pessoa do país assuma o poder.

O Departamento de Estado norte-americano informou nesta quinta que enviados do Japão, Coreia do Sul e EUA vão se reunir em Washington para consultas sobre a Coreia do Norte, que está com um míssil de longo alcance posicionado para o lançamento.

O porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid disse que ainda não foi finalizada a programação das reuniões, mas que deve haver conversas entre Estados Unidos e os representantes dos outros dois países, separadamente, e também um diálogo informal entre os três.

O lançamento seria um "desafío e uma provocação grave" para a segurança regional da Península da Coreia, advertiu mais cedo o governo da Coreia do Sul depois que fontes do governo dos Estados Unidos e do Japão afirmaram que o foguete norte-coreano já está na plataforma de lançamento.

Apesar das advertências internacionais, a Coreia do Norte anunciou que colocará em órbita um "satélite de telecomunicações" entre 4 e 8 de abril, mas Washington, Tóquio e Seul temem que tudo não passe de um teste de míssil de longo alcance capaz de atingir os estados norte-americanos do Alasca e do Havaí.

O regime comunista de Pyongyang prossegue com a preparação do lançamento, que representaria "um desafio e uma provocação grave", afirmou o porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa, Won Tae-Jea.

"O lançamento pela Coreia do Norte de um foguete de longo alcance seria claramente uma violação da resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU. Pedimos firmemente que renuncie a isto imediatamente", disse Won.

Na quarta-feira, um funcionário do alto escalão do governo americano afirmou que a Coreia do Norte colocou um míssil balístico de longo alcance em uma plataforma de lançamento.

O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que a notícia divulgada pela imprensa japonesa sobre um míssil de longo alcance colocado na plataforma "é precisa".

Segundo a fonte da AFP, trata-se de um míssil Taepodong 2.

Se o lançamento acontecer, será muito difícil determinar imediatamente se é um míssil de longo alcance ou um foguete para colocar em órbita um satélite, já que os dois artefatos são propulsados por lançadores de tecnologia similar.

A Marinha americana já deslocou navios de guerra equipados com sistemas de defesa antimísseis para as costas do Japão.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que está visitando o México, disse que se a Coreia do Norte realmente realizar o teste do míssil, ela sofrerá consequências. Ela qualificou a ação de "provocativa" e disse que os Estados Unidos apelarão às Nações Unidas se houver o lançamento.

A tensão na Península da Coreia aumentou com o anúncio da Coreia do Norte de que lançará um satélite entre os dias 4 e 8 de abril.

O Japão deve acompanhar o lançamento de um míssil, caso ele se confirme, e planeja aprovar medidas para destruir qualquer foguete que rume em direção ao seu território, disse a agência de notícias Kyodo.

Frota de V-22 “groundeada”


A NAVAIR groundeou todos os 73 MV-22s e os 11 CV-22 existentes em seu inventário. Desta vez foi só uma precaução. Após o pouso de uma das aeronaves do USMC, que estava em atividade no Iraque, a tripulação escutou um barulho estranho na nacele do motor e descobriu quatro parafusos soltos. Este parafusos aparentemente prendem uma das peças responsáveis pelo comando do ângulo das pás dos rotores quando a aeronave está no “modo helicóptero”.

Das 76 aeronaves inspecionadas até o momento, outras três apresentaram o mesmo problema com parafusos soltos. Todas elas estava em serviço no Iraque e duas delas já estão prontas para voltar a ação.

A NAVAIR ainda deve inspecionar as aeronaves restantes e a investigação continuará para saber a origem do problema. Nenhuma hipótese foi afastada ainda. Poder ser um problema de projeto, de construção ou manutenção.

A notícia não poderia vir em pior hora para a USAF, cujo programa de introdução dos CV-22 Osprey acabou de adquirir a Capacidade de Operação Inicial (IOC) no dia 19 de Março.

A máquina do tempo da Força Aérea Sueca

No Centro de Simulação da Força Aérea Sueca (FLSC), pilotos, controladores de combate, táticos e tomadores de decisão podem ter uma visão de combates futuros. Futuros conceitos táticos são validados, novos equipamentos são examinados e tudo é submetido a simulações que requerem a participação humana e que ocorrem em possíveis cenários de ameaças.



Carlos Lorch

Quando a Força Aérea Sueca foi para a Operação Red Flag, em julho de 2008, seus pilotos voaram, já na primeira surtida, uma missão de combate. Familiarizar-se com o aeródromo e com as condições da área terminal não foi necessário. Afinal, para que perder tempo com coisas secundárias se eles estavam lá para afiar as garras em vôos contra ameaças virtuais. E não para aprender a voar sobre o deserto de Nevada. Mas como conseguiram pular esta etapa tão comum nas operações combinadas quando a prece de qualquer piloto de caça ao chegar numa operação em país estranho é: “Por favor Deus, não deixe eu fazer nenhuma cag... , principalmente diante dos outros pilotos, e especialmente perto do campo!”?

Simples, a Svenska Flygvapnet possui um moderníssimo centro de simulação aonde preparar pilotos para futuras operações fora de sede é o mínimo que é capaz de fazer.

Localizado em Kista, uma área de escritórios ao norte de Estocolmo, o FLSC - Flygvapnets Luftstridssimuleringscentrum ou Centro de Combate Aéreo Simulado é o tipo de organização que separa as forças aéreas futurísticas das meramente convencionais. É lá que são validados importantes conceitos táticos, onde novos equipamentos são examinados e onde a Força realiza treinamentos e avaliações de alto nível. E baixo custo.

Quando a Força Aérea da Suécia se preparava para implantar o caça Gripen em substituição aos três tipos de Saab Viggen que compunham sua primeira linha de defesa (versões de caça, ataque e reconhecimento), os dados que possuía no que diz respeito ao desempenho de armas e sensores que poderiam equipar o novo avião eram os que estavas escritos pelos fabricantes ou em publicações especializadas. E quem conhece o meio sabe que a tentação de as fabricas esticarem esta ou aquela capacidade de seus produtos é, mais vezes do que não, uma tentação difícil de resistir. O Gripen era uma aposta no futuro da primeira linha de defesa da Suécia. Não podia, em hipótese alguma falhar.

Como os computadores da época já permitiam vôos mais altos, os suecos decidiram que seria interessante validar o desempenho dos equipamentos que iriam comprar para seu novo caça através da simulação digital. E assim foi feito. Inicialmente realizaram testes com os envelopes de combate dos mísseis ar-ar que estavam sendo avaliados para a nova aeronave o que resultou na escolha do AIM-120 AMRAAM de fabricação norte-americana. Fez nascer também toda a nova mentalidade do sistema de compras das forças armadas suecas e que eles chamam de aquisições baseadas em simulação. Mas aquele foi apenas o primeiro passo para um centro de avaliação e estudos que hoje é conduzido por mais de 1.000 pessoas em benefício das Forças Armadas Suecas e de alguns países amigos, na maior parte, também operadores do Gripen. O que começou como um estudo para escolher um míssil cresceu e passou a examinar uma grande variedade de temas, como por exemplo, o combate com mísseis ar-ar, o cenário que interpõe muitos vetores x muitos vetores, e a importância da interação do homem num sistema de redes, entre outros. Para se ter uma idéia da importância do centro, basta mencionar que todos os ensaios em vôo do Gripen foram “voados” ali antes de serem repetidos com a aeronave propriamente dita. Hoje, uma miríade de conceitos são avaliados levando-se em conta dados adquiridos das mais diversas formas – ortodoxas ou não – são alimentados nos diversos computadores e simuladores do Centro para desenvolver a maneira através da qual a Suécia irá adquirir, treinar e operar os seus sistemas de armas.

Filosofia

Abrigado num prédio moderno no qual se nota imediatamente a importância com a segurança, o FLSC passa desapercebido para quem passa pela área onde está localizado. Sua alma é uma grande sala de simulação onde diversas estações virtuais são capazes de treinar as mais variadas tarefas militares. Mas mais importante do que as instalações ou os computadores e simuladores, é a filosofia empregada no Centro. O objetivo inicial do FLSC era o de: “Criar e Treinar Guerreiros” e todas as técnicas e táticas críticas à sobrevivência do estado sueco na área militar foram desde então testados, analisados e aferidos no centro. Na área da Guerra Aérea, estas tarefas vão do exame de como treinar missões, ao treinamento de líderes de esquadrilha, à diversos cenários da guerra BVR, ou além do alcance visual, e o aprimoramento de técnicas de apoio aéreo aproximado e daquelas utilizadas pelos controladores aéreos avançados. Mas o Centro não existe somente para treinar militares. Ele é usado principalmente para desenvolver e melhorar as práticas habitualmente desenvolvidas pelas três forças armadas suecas. E a idéia então é deixar cada participante dos programas do centro realizar sua missão simulada à sua maneira. Se falhar, aprenderá com seus próprios erros que o seu conceito não funciona. E juntamente com seus colegas e a equipe do Centro utilizará sua falha para evitar erros que poderiam se tornar recorrentes. Por outro lado, se determinada técnica ou tática não esperada trouxer excelentes resultados, sua validade será analisada minuciosamente para ser ou não implementada na maneira sueca de combater. No FLSC, os instrutores chamam este conceito de “Torne-se o seu próprio professor”. A simulação permite a análise repetida, em total segurança e a baixíssimos custos. Quando tiveram que modificar sua própria doutrina de guerra, que durante décadas foi dedicada à defesa nacional, tendo como ameaça principal o Império Soviético, em prol de uma nova responsabilidade como integrante de coalizões com a OTAN, o que obrigou, por exemplo, as forças armadas a adotar o enlace de dados comum Link 16, ao invés do link sueco, exploraram e difundiram a nova capacidade no FLSC.

Outra área na qual o Centro traz enormes resultados é no treinamento de equipes que precisarão operar com perfeição juntos. É o exemplo de tripulações das aeronaves reabastecedoras e os pilotos de caça que receberão combustível deles. Ou dos pilotos de ataque e seus controladores aéreos avançados. Ou controladores de vôo - tanto aqueles baseados no solo como os dos aviões de controle e alarme em vôo – e os pilotos dos caças.

Estas simulações permitem, por exemplo, que os pilotos realizem as tarefas dos controladores ou reabastecedores e vice versa dando a cada um uma valiosa noção das dificuldades e capacidades do outro.Um novo comandante que em breve participará de uma operação combinada na função de Mission Commander de uma enorme força aérea multinacional pode, antes de chegar ao seu teatro de operações, realizar várias simulações com qualquer número de vetores evitando erros in loco e com as plataformas voando.

Mas não é somente no FLSC que existem computadores e simuladores treinando as equipes de combate suecas. Redes de simuladores interligados entre si, operam em grandes operações simuladas. Os suecos explicam que o FLSC é na verdade parte de uma família de simuladores. Unidades aéreas suecas podem combater – ou desenvolver táticas - virtualmente a partir de algumas bases ou escolas. Muito em breve, no entanto, o FLSC estará capacitando cada base a voar contra ou em conjunto com seus colegas de outras bases no cenário virtual.

Os técnicos do FLSC, estimam o custo de uma operação simulada de grande porte em torno de 100.000 Euros contra alguns milhões se a mesma manobra tiver que ser realizada com vetores de verdade. Isto significa que o número de manobras de pequeno, médio e grande porte realizadas na Suécia é muito maior do que o que ocorre na maior parte dos países do mundo. Quando partem para suas manobras reais, grande parte do conhecimento secundário e muito, até, do fundamental já foi adquirido pelos combatentes que irão operar suas máquinas e seus sistemas.

O FLSC também é capaz de realizar operações virtuais com centros de simulação em outros países, como por exemplo, nos Estados Unidos. Trata-se de uma capacidade extremamente útil não só para as forças armadas, mas também para a indústria.

Uma Ferramenta Definitiva

A Suécia não pode errar quando o assunto é sua defesa nacional. Seu antigo inimigo em potencial, a União Soviética possuía forças armadas exponencialmente maiores e estavam postadas a meros 15 ou vinte minutos de vôo do território sueco. Por mais que hoje, as relações entre a Rússia e o Ocidente estejam bem mais cordiais, o futuro pode reservar mudanças. O clima geopolítico do norte europeu pode ter esfriado, mas não deixou de existir. Antigas rivalidades podem ressurgir sem aviso e a qualquer momento.

O preparo da Força Aérea Sueca continua entre os mais avançados do mundo, e por mais que hoje, o enfoque do país a está dirigindo na direção da participação em coalizões internacionais, a defesa nacional continua em pauta e atualizada. Possuir uma ferramenta como o FLSC significa que o país realizará suas aquisições militares somente após examinar minuciosamente no computador cada componente desejado. Significa também, que a utilização de seu novo equipamento só se fará quando técnicas de emprego tiverem sido exaustivamente formuladas no mundo virtual. O treinamento das equipagens que utilizarão, controlarão e apoiarão os equipamentos bélicos adquiridos será intenso no simulador antes de passar para a vida real, o que permitirá muito mais tempo “em ação” e a um custo muito mais reduzido. E finalmente, novos horizontes militares poderão ser estudados e desenvolvidos sem que se tenha que mexer uma única peça do seu arsenal militar.

Hoje, o FSLC atende outros clientes além do FOI, a Agência de Defesa Sueca. Seu orçamento é garantido pelo governo, mas novos projetos precisam ser vendidos para obterem aprovação. Cerca de 30% da capacidade operacional do FLSC é destinado à área civil ou a clientes estrangeiros, a maioria dos quais países operadores do Gripen. O uso de tal ferramenta acelera a entrada em serviço da aeronave comprada à Suécia ajudando também os novos clientes a adequarem seu novo avião de combate às suas realidades operacionais, a maioria das quais diferentes daquelas adotadas pela Força Aérea Sueca. A criação de um centro de simulação como o FLSC no país cliente, também é uma possibilidade com a qual os compradores do Gripen podem contar se desejarem. A principal força do Centro, no entanto não está em seus simuladores e computadores, e sim na filosofia com a qual foi montado e vem revolucionando a maneira sueca de adquirir material de defesa, de montar a sua doutrina e de treinar os seus guerreiros para o futuro.

Radar AESA do Gripen NG: Saab assina com SELEX Galileo e mira no F-X2


Nesta quinta-feira, 26 de março, a Gripen International noticiou a assinatura de um acordo entre a Saab e a SELEX Galileo, para desenvolver em conjunto um radar do tipo AESA (Active Electronically Scanned Array - radar ativo de varredura eletrônica) para o programa Gripen NG.

Segundo a notícia, o acordo mira inicialmente no programa F-X2 da Força Aérea Brasileira, e significaria o início de uma esperada colaboração de longo prazo entre as duas unidades de negócio da Saab, a Saab Aerosystems e a Saab Microwave Systems, juntamente com a SELEX Galileo. O radar AESA para o Gripen NG será baseado no atual modelo Vixen AESA da SELEX Galileo.

25 março 2009

Obama defende expansão da Otan



O presidente norte-americano afirmou que a aliança deve aceitar todos os países que tentem se unir a ela. O secretário-geral da organização respondeu dizendo que Otan e Rússia precisam um do outro.