30 junho 2009

Chile negocia compra de cinco Mil Mi-17 russos



O Governo do Chile negocia a compra de cinco helicópteros russos Mil Mi-17 segundo informaram fontes do Ministério de Defesa. As negociações estão em fase final e o contrato poderá ser firmado em agosto pela Rosoboronexport, organismo encarregado das exportações militares russas.

O primeiro dos cinco helicópteros, que serão destinados a Força Aérea do Chile (FACh), deverá ser entregue nos primeiros meses de 2010.

A compra destas aeronaves foi informada em princípios de junho em secção secreta do parlamento chileno pelo general Ricardo Ortega, comandante em chefe da FACh, informou a agência de notícias DPA.

Os aparatos serão usados em tarefas de resgate de longo alcance ( SAR e C-SAR), apoio à comunidades isoladas e socorro em caso de desastre naturais, como terremotos e inundações.

O valor da versão Mil Mi-17V é muito inferior aos 20 milhões de dólares americanos do concorrente EC225 Super Puma ou EC 725 Cougar, porém até o momento, não foram informados valores da operação.

A decisão de adquirir equipamento russo é inédita no Chile, que até agora era o único país sul americano que não operava nenhum material militar russo, essencialmente por questões políticas, reconheceram fontes militares.

Sobre o Mil Mi-17V5

O helicóptero Mi-17V5 é utilizado como transporte de tropas, busca e resgate, evacuação médica, entre outros fins.

É o único helicóptero de sua categoria que é dotado de uma rampa traseira que facilita o embarque e o desembarque rápidos, além de poder ser artilhado e usado como plataforma de ataque.

Colômbia, Peru, Equador e Venezuela já são operadores, enquanto que a Bolívia estuda adquirí-los.

Apresentado o Global Hawk Block 40, agora com sensor AESA



Nesta quinta-feira, dia 25 de junho, a Northrop Grumman Corporation e a U.S. Air Force (Força Aérea dos EUA) apresentaram a nova geração do Global Hawk na fábrica da empresa em Palmdale, Califórnia (EUA). Trata-se do RQ-4 Block 40, que tem uma série de 15 aeronaves programadas para produção. O Global Hawk é um UAV (veículo aéreo não tripulado) que voa com grande alcance em altitudes elevadas, ajudando na tomada de decisões sobre o Teatro de Operações.

Segundo a empresa, a grande novidade da nova versão é o sensor avançado e para todo tempo MP-RTIP - multi-platform radar technology insertion program (programa de inserção de tecnologia de radar multi-plataforma), que incorpora tecnologia AESA (Active Electronic Scanned Array - varredura eletrônica ativa), sendo a primeira vez que essa tecnologia é utilizada em um veículo aéreo não tripulado que opera em altitudes elevadas. Com essa tecnologia, a aeronave ganha capacidade de fornecer mapeamento a partir de radar de abertura sintética em quaisquer condições de tempo, dia e noite.

Desde 2001, o sistema Global Hawk já somou mais de 31.000 horas voadas, e a aeronave apresentada na cerimônia foi a 27ª produzida desde o início do programa, em 1995. Os testes de voo desta primeira unidade do Block 40, que recebeu a designação AF-18, devem começar no mês de julho.

A aeronave é capaz de voar a altitudes acima de 60.000 pés, em missões com mais de 32 horas de duração a velocidades que podem atingira 340 nós. A Northrop Grumman é a principal empresa contratada para os programas Global Hawk e radar MP-RTIP, a Raytheon Space and Airborne Systems a principal subcontratada.

Começa a retirada das tropas norte-americanas do Iraque


Em São Paulo

Militares norte-americanos começaram a carregar equipamentos para dar início a retirada das tropas dos EUA das cidades e centros urbanos do país. Ao concluir essa etapa, os EUA entregam formalmente as tarefas de segurança nestes locais às forças iraquianas.

A retirada acontece seis anos e três meses depois de George W. Bush declarar o início do ataque norte-americano ao Iraque. Este é o primeiro passo para a retirada total das forças estrangeiras que ocupam o Iraque desde a operação militar norte-americana de 2003, que atacou o país sem consentimento da ONU e baseada em frágeis argumentos sobre o controle de armas de destruição em massa pelo governo do então presidente Saddam Hussein.

Segundo o acordo assinado no final de 2008 entre Bagdá e Washington (com George W. Bush ainda no poder), a partir desta terça-feira os soldados norte-americanos deixarão suas funções de segurança nas cidades iraquianas, mas ainda continuarão em bases militares dos EUA no país.

Uma vez fora das cidades, as tropas americanas só voltarão a entrar em áreas urbanas se as forças de segurança iraquianas pedirem ajuda. O mesmo documento estipula que a data limite para uma retirada total das tropas americanas do Iraque é 31 de dezembro de 2011.

Responsabilidade iraquiana

Sem os militares dos EUA, forças nacionais iraquianas assumem a tarefa de impedir as atividades da Al Qaeda e controlar a violência sectária no país - um objetivo que o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, qualificou na última semana como "um desafio".

"Garantimos que as forças iraquianas estão prontas para a missão, apesar de algumas violações das medidas de segurança estabelecidas, e garantimos que o país está mais estável e seguro", disse Maliki.

A violência diminuiu significativamente desde os confrontos de 2006 e 2007. No último mês de maio, o país registrou o menor número de mortes violentas desde o início da invasão americana, que derrubou o regime de Saddam Hussein. Contudo, ataques a bomba realizados na última semana mataram mais de 150 pessoas no país - uma prova de que o país não está livre da violência dos últimos anos.

Não existem dados oficiais sobre o número de mortos, mas organizações independentes estimam que 4.316 soldados americanos morreram no Iraque desde o início da ofensiva militar em 2003 (segundo icasualties.org), enquanto mais de 100.000 civis iraquianos foram mortos em meio à violência no país no mesmo período (segundo Irak Body Count).

Incertezas

Para a diplomacia dos Estados Unidos, que foram alvo de críticas pelo modo como a invasão foi realizada desde seu começo, seria importante vitória que o Iraque conseguisse uma estabilidade sustentável, também porque se localiza em uma região marcada por outras instabilidades: a questão entre israelenses e palestinos e a problemática nuclear no Irã, principalmente.

Mas esse é um caminho cheio de incertezas. Além das questões de segurança, o Iraque enfrenta problemas graves em outras frentes, desde a reconciliação nacional depois da ditadura sunita de Saddam Hussein ao reestabelecimento dos serviços básicos do país, passando pela corrupção em seu sistema político e pelos entraves na elaboração de uma base legal para a futura exploração do petróleo iraquiano, importante fonte de riqueza para um país que passou os últimos anos invadido.

O jornal "The New York Times" resume a preocupação de americanos e iraquianos: "Como quase todo mundo já percebeu a essa altura, invadir o Iraque é muito mais fácil do que sair de lá".

25 junho 2009

Estilo de potência

Exército brasileiro vence competição militar com 20 países das Américas, em Goiânia, e se firma como realidade para atuar em conflitos regionais

Isabel Fleck – Correio Braziliense

Por seis dias, os sete militares mais bem preparados das forças especiais de 21 países das Américas deram, em Goiânia, uma pequena demonstração do que cada Exército é capaz. Com diferentes táticas, armas e equipamentos, eles passaram pelas mesmas provas e enfrentaram os mesmos obstáculos. A equipe brasileira foi a que melhor combinou capacidade física com habilidades militares, e conquistou o primeiro lugar. Mais do que a vitória, no entanto, o Brasil comemora a projeção do seu Exército, depois dos bons resultados na competição, realizada pela primeira vez no país.

Para o governo brasileiro, vencer Exércitos como os dos Estados Unidos e da própria Colômbia (1) — campeã invicta nas últimas três competições e que tem sido patrocinada nos últimos nove anos por Washington — representa muito mais do que ter uma equipe bem preparada. Mostra à grande potência militar do continente que o Brasil tem propriedade não só para atuar, mas também para liderar esforços conjuntos em situações de conflito na região.

Do lado norte-americano, o interesse foi confirmado pela grande presença militar do país, representado pelo Comandante de Operações Especiais dos EUA, Eric Olson, e por uma delegação de quase 60 pessoas. “Esse tipo de encontro nos permite dividir ideias de como melhor trabalhar juntos, em um nível estratégico. E nós queremos trabalhar com outros países, queremos dialogar e aprender com cada um”, confirmou o porta-voz do Comando Sul do Exército norte-americano, Armando Hernandez.

Mas se o encontro militar serviu como “vitrine” para as forças especiais brasileiras, também foi útil para ajudar a integrar os exércitos de países da região que fazem parte do Conselho de Defesa Sul-Americano, idealizado pelo Brasil. Das 12 nações que compõem a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), oito participaram da competição — com exceção de Venezuela, Bolívia, Guiana e Suriname.

“Essa troca de experiências que ocorre aqui é muito importante, pois favorece o aumento da confiança entre os exércitos. No caso de uma operação conjugada (no futuro), as equipes já se conhecem, o que facilita muito o trabalho”, observou o porta-voz da Brigada de Operações Especiais, Luís Gustavo Stumpf.

O capitão da equipe chilena, tenente Raul Saez, concorda que o encontro ajuda a criar um clima de confiança na “base”. “O melhor de tudo é a interação com outras equipes, outras culturas. E dessa interação acaba surgindo um grupo de amigos que, ano a ano, se encontra nessa competição”, disse Saez. Já o líder do time da Nicarágua, capitão Rodolfo González, destaca a possibilidade de reavaliar técnicas militares como um dos pontos positivos do encontro. “Do ponto de vista tático, a competição é muito importante, porque se aprendem técnicas de outro Exército que podem ser aplicadas ao nosso”, revelou.

Táticas

Enquanto os 147 militares que formavam as 21 equipes suavam a farda nas provas de resistência e de habilidades técnicas, comandantes das forças especiais de cada país participavam de um seminário sobre táticas antiterror e metodologias usadas em ambientes de conflito, como o Iraque e o Haiti. Para os participantes, a oportunidade é de aprender com os acertos dos outros países, que são revelados a portas fechadas. “Aqui, tiramos muitos ensinamentos que vão nos ajudar a melhorar nossa doutrina e a preparar nosso soldado”, admite o general Ricardo de Matos Cunha, 1º subchefe do Comando de Operações Terrestres.

O militar afirma que a experiência brasileira no Haiti também vem sendo acompanhada com atenção pelos outros países. “Não é de hoje que o Brasil tem se projetado internacionalmente, principalmente na parte militar. As nossas atuações em operações de paz, desde a década de 1950, quando fomos para o Canal de Suez, e depois na América Central, na África e, principalmente, no Haiti, nos garantem uma posição de destaque no concerto dos exércitos internacionais”, destacou.

(1) PLANO COLÔMBIA

Desde 2000, os EUA ajudam o combater o narcotráfico e os grupos armados por meio do Plano Colômbia. Nesse período, Washington já investiu US$ 5 bilhões no Exército do país sul-americano, se tornando o maior destino de ajuda militar dos EUA fora do Oriente Médio. O Plano Colômbia foi decisivo para capacitar as Forças Armadas colombianas: os efetivos aumentaram 50%, o setor de inteligência se refinou e a aquisição de modernos helicópteros e aviões, inclusive Supertucanos brasileiros, deu mobilidade às tropas. Os EUA tiveram papel decisivo nos recentes resgates de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

SEM MOLEZA

Como são algumas das provas realizadas pelas forças especiais Assalto combinado

A equipe é dividida em dois grupos. Logo após o primeiro “varrer o local” com um tiro, o outro simula a entrada em uma casa dominada por sequestradores ou terroristas. São avaliadas a agilidade e a pontaria dos militares, que devem ter atenção com os reféns.

Pista de obstáculos

O tempo é o principal adversário nessa pista onde os militares precisam escalar paredões, rastejar sobre a areia, sair de um fosso de mais de 2m de profundidade e atravessar trechos com cordas.

Natação

De farda, os militares caem na água para nadar 300m com obstáculos.

Marcha orientada

Os participantes levam cerca de três horas para completar a prova. A meta é marchar 20km carregando uma mochila de 15kg e armamento.

Evento aquático

Uma das provas mais difíceis, já que intercala trechos terrestres e aquáticos. Os militares devem carregar o bote no qual vão remar por toda a extensão de um lago, carregar um ferido, nadar com uma mochila de 20kg e atirar em alvos a diferentes distâncias.

Tiro de campo

A equipe de caçadores tem 10 cartuchos para acertar cinco alvos pré-posicionados a distâncias desconhecidas.

País tenta um tiro certeiro no tráfico

Para conter avanço do crime organizado, Exército será convocado a ajudar a PF na patrulha da fronteira com Bolívia e Peru, região que o governo considera preocupante

Edson Luiz – Correio Braziliense

O Exército vai ser a alternativa do governo para tentar diminuir o tráfico na fronteira, principalmente com Bolívia e Peru, onde foi registrado um aumento na produção de cocaína. Os militares vão fazer fiscalizações conjuntas com a Polícia Federal em áreas consideradas estratégicas. O trabalho, que hoje se restringe ao apoio logístico, será mais amplo e incluirá operações de inteligência. Além disso, a PF quer recompor seu serviço de aviação para enviar mais helicópteros para a região. O anúncio das medidas deverá ser feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias, durante o lançamento de um pacote de ações de combate e prevenção às drogas.

Ontem, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório confirmando o aumento do uso de cocaína na América do Sul.

Segundo a Polícia Federal, o avanço do tráfico de drogas já era esperado desde 2007. “O crescimento era previsível”, diz o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon Filho. Porém, pouca coisa foi feita nos últimos dois anos, como mostrou o Correio na edição de ontem. O deslocamento dos laboratórios de refino de cocaína para regiões próximas à fronteira brasileira ajudou no avanço do tráfico, o que fez elevar as apreensões no Brasil. “Estamos fazendo composições com outras instituições, como a Polícia Rodoviária Federal e as secretarias de segurança pública dos estados, para trabalharmos em conjunto”, destaca Troncon.

O diretor da PF informou que, além das operações conjuntas, a Polícia Federal vai desenvolver ações que estão relacionadas ao Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) em toda a fronteira brasileira — entre elas, a instalação de novas bases fluviais na Amazônia. “Atualmente, temos apoio da Marinha em patrulhamentos, mas teremos bases próprias”, ressalta Troncon. O Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) não confirmou a parceria com a PF, mas afirmou que a Força presta apoio logístico sempre que solicitada.

Segundo o Escritório da ONU Contra Drogas e Crimes no Brasil (UNODC), o consumo de cocaína diminuiu na maioria dos países em desenvolvimento, mas cresceu na América do Sul, onde houve ainda um avanço nas produções do Peru e da Bolívia. “No mundo, há uma estabilidade no comércio de drogas como a cocaína”, disse o chefe do escritório, Bo Mathaiasen. O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, ressaltou que o governo está tranquilo: “No que se refere a nós, temos tomado todas as providências”, disse Uchôa.

24 junho 2009

Ataque atribuído aos EUA mata ao menos 60 em funeral no Paquistão

da Folha Online

Ao menos 60 pessoas morreram em um ataque com mísseis de um avião não-tripulado atribuído aos Estados Unidos em um funeral na região tribal paquistanesa do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão, informa nesta quarta-feira a emissora local Geo TV. Os números de mortos chegam até a 80 no relato mais atualizado da agência de notícias Efe.

As vítimas participavam de um funeral de vários militantes paquistaneses, mortos no dia anterior em um ataque similar a um reduto de Baitullah Mehsud, líder do grupo islâmico radical taleban no Paquistão. Segundo testemunhas citadas pela Geo TV, dois mísseis atingiram as pessoas no funeral.

Um membro do Taleban afirmou que Mehsud estava na área, mas não foi ferido. Forças de segurança locais e moradores afirmam que o Taleban isolou a região.

"Os corpos ainda estão lá e o Taleban não deixa ninguém chegar perto enquanto os seus homens entram e saem com seus veículos", disse Ghulam Rasool, morador local.

Segundo um outro morador, os militantes talebans atiraram com metralhadoras contra os aviões não tripulados, forçando-os a retornar.

O ataque atribuído aos EUA acontece enquanto o Exército paquistanês prepara uma grande ofensiva contra Mehsud, aliado da rede terrorista AL Qaeda e responsável por uma campanha de terrorismo no país, incluindo o assassinato da premiê Benazir Bhutto em 2007.

O Paquistão é um aliado crucial dos EUA na guerra contra os terroristas no vizinho Afeganistão. O mais recente plano americano para o confronto inclui a extensão da batalha para o país, além de uma ajuda de US$ 1,5 bilhão.

O ataque de avião não tripulado no funeral dos militantes mortos no dia anterior sugere uma coordenação entre os EUA e o Paquistão, que oficialmente critica este tipo de ataque não autorizado. Analistas apontam que Islamabad mantém a aliança com os EUA neste tipo de ataque em segredo para evitar uma reação negativa da população -- que já não vê com bons olhos a aproximação com o Ocidente.

Terroristas

Ao menos seis supostos insurgentes foram mortos e outros sete ficaram feridos em outro ataque perpetrado no mesmo dia por um avião não tripulado nessa região.

Três projéteis atingiram uma residência na região de Ladha, considerada um reduto de Mehsud, informou a emissora de TV Dawn.

O Waziristão do Sul, considerado refúgio de membros da rede terrorista Al Qaeda, será cenário de uma grande ofensiva do Exército paquistanês que visa acabar com os insurgentes. a iminente operação forçou a fuga de 45 mil pessoas.

23 junho 2009

Voo 447: os bastidores das operações de busca



Veja imagens exclusivas de um sobrevoo na área onde caiu o Airbus da Air France. Saiba como é a rotina das equipes de resgate da Aeronáutica e da Marinha. O trabalho é estressante.

Aperto financeiro nos quartéis

Aperto financeiro nos quartéis

Marco Aurélio Reis – O Dia

O reajuste dos soldos das Forças Armadas previsto para entrar em vigor daqui a 10 dias está garantido, mas o aperto financeiro decorrente da queda da arrecadação de impostos já começa a ser sentido pelos quartéis. Mais unidades passam a adotar o meio-expediente as sexta-feiras (para economizar com o almoço) e outras estudam estender o corte para outros dias da semana, sendo o preferido a segunda-feira. O exemplo mais duro do aperto financeiro e seus efeitos na rotina e nos bolsos militares vem do Centro de Instrução Almirante Alexandrino, o gigantesco centro de formação da Marinha na Penha. Alunos do curso de cabo estão tendo que pagar pelas apostilas que usam desde que sejam danificadas. “Só cobra se danificar, mas é impossível não danificar. A apostila vive com a gente. É usada em formaturas e até embaixo de chuva”, reclama um aluno. “Não dá para deixar a apostila novinha em folha após o uso. A economia que se está fazendo é bancada pela gente”, completa outro aluno.

De 8% a 11,06%

Conforme O Dia antecipou quarta-feira, o aumento do mês que vem - entre 11,06% para guardamarinha e 8% para general – está garantido por força de recursos previamente alocados para este fim.

Efeitos no 13º

Por isso, os aumentos vão aparecer nas contas bancárias nos primeiros dias de agosto, já repercutindo na primeira parcela do 13º salário que vem com o pagamento referente ao mês de julho.

Datas escritas na Lei

Não há o menor risco de a programação ser alterada porque a Lei 11.784/2008, que programa os reajustes de civis e militares federais, amarra as datas para os aumentos nas Forças Armadas.

Este ano e em 2010

A amarração está no Artigo 164 Anexo LXXXVIII. Nele, está previsto que as datas de reajuste do pessoal das Forças Armadas é a contar, este ano, de 1º de julho e as de 2010, em 1º de janeiro e 1º de julho.

Concessões antecedem diálogo sobre armas nucleares

Washington pode desistir de escudo balístico por acesso ao Oriente Médio

Jornal do Brasil

Algumas semanas antes da viagem do presidente americano, Barack Obama, a Moscou, em julho, a Rússia informou que as conversações com o governo americano sobre a redução de seu vasto arsenal de armas nucleares estão progredindo de maneira construtiva. Ratificar um documento que substitua o Tratado Estratégico de Redução de Armas de 1991 (Start I), antes do vencimento de seu prazo no dia 5 de dezembro, marcaria uma aproximação significativa nas relações entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

Os dois lados estão buscando minimizar suas diferenças antes do encontro de Obama com o presidente russo, Dmitri Medvedev, em Moscou, entre os dias 6 e 8 de julho. Ambos os países já manifestaram o desejo de reatar relações, que deterioraram muito durante o último governo Bush. A próxima rodada de negociações deve ocorrer na terça-feira e quarta-feira em Genebra.

Moscou pretende usar a carta nuclear para convencer os EUA a desistirem de seu escudo antimíssil na Europa. As próximas reuniões também devem focar em melhorar a cooperação entre os países, como por exemplo, combater a proliferação nuclear pelo mundo.

Oriente Médio

De acordo com informações obtidas pelo think-tank americano Stratfor, Washington estaria disposta a desistir do escudo de mísseis balísticos no Leste Europeu se Moscou providenciar garantias em questões relacionadas ao Afeganistão e ao Irã, prioridades do governo Obama.

A administração americana sabe que a Rússia tem ligações fortes e duradouras como o Afeganistão e grupos extremistas. Não há provas de que a Rússia está envolvida naquele país, mas existe essa possibilidade, sugerem analistas da Stratfor. Com o Paquistão mergulhado no caos, os EUA ainda têm interesse em usar rotas logísticas suplementares para abastecer suas tropas no Afeganistão e Paquistão, e a única alternativa real é atravessando uma região considerada de influência russa na Ásia Central ou pela própria Rússia, embora ela já tenha recusado considerar o uso dessas rotas internas.

Há também a questão do Irã. Moscou tem oferecido seu apoio retórico ao país em anos recentes.

Também ajudou a construir uma planta nuclear iraniana em Bushehr e ameaça com frequência ajudar ainda mais Teerã em suas ambições nucleares. Agora que Obama se mostra obstinado em dialogar com o Irã, apesar do provável segundo turno de Mahmoud Ahmadinejad, Washington quer evitar que a Rússia interfira ou piore as tensões.

Sem qualquer sinal de que o influente Vladimir Putin largará as rédeas do poder no futuro próximo, o país deve continuar tentando restituir seu status de superpotência, contanto que seus cidadãos consigam resistir ao impacto da crise financeira e afastar temores de que liberdades recémadquiridas e a prosperidade relativa terão vida curta.

Segundo Matthew Chance, correspondente da CNN em Moscou, antes do declínio econômico, o preço do petróleo e gás – commodities abundantes na Rússia – levou o país a um nível de prosperidade incomum. O Kremlin passou a ser levado mais a sério no palco internacional, inserindo-se nas negociações de paz no Oriente Médio, a questão nuclear iraniana e diversos outros assuntos.

A confiança econômica adquirida também encorajou a Rússia a afirmar sua presença em países vizinhos, da antiga União Soviética. Muitos desses Estados querem se aproximar da Otan e da Europa, mas a Rússia pretende mantê-los dentro da sua esfera de influência.

O exemplo mais evidente, afirma Chance, foi a guerra com a Geórgia no ano passado. Após a ex-república soviética ter anunciado sua intenção de se juntar à Otan, a Rússia lançou uma ofensiva militar debilitante, para a decepção da comunidade internacional.

FAB substituirá frota de Hércules C-130 por novos cargueiros

Agência Brasil

BRASÍLIA - A Força Aérea Brasileira (FAB) substituirá sua frota de aviões Hércules C-130 por um novotipo de cargueiro, a jato, que será fabricado pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Para o desenvolvimento do projeto, o Congresso aprovou nesta quinta-feira R$ 305 milhões de crédito extraordinário ao orçamento de 2009 para o Ministério da Defesa.

Atualmente, a FAB dispõe de 22 Hércules, a grande maioria fabricada nas décadas de 60 e 70.

Na exposição de motivos apresentada, o relator do projeto, deputado João Leão (PP-BA), argumentou que "o acentuado grau de obsolescência (dos Hércules C-130)" resulta em um alto custo de manutenção e em um grande número de aviões inativos. Segundo o parlamentar, não existem mais no mercado mundial peças para esse modelo de aeronave.

Na sessão do Congresso, os deputados e senadores votaram exclusivamente créditos extraordinários ao orçamento. Eles aprovaram, por exemplo, crédito de R$ 492,07 milhões para execução de obras de dragagem e recuperação de portos que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Emenda apresentada pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) determinou que parte desses recursos - R$ 9 milhões - reforce o caixa das obras de recuperação do Porto de Itajaí, parcialmente destruído pelas fortes chuvas ocorridas em Santa Catarina no início deste ano.

Também foi aprovado crédito para apoio financeiro à Palestina Também foi aprovada a destinação de R$ 25 milhões, em créditos extraordinários, para apoio financeiro à Palestina. Os recursos devem ser usados para reconstrução e desenvolvimento de assentamentos na Faixa de Gaza. Para que os recursos sejam efetivamente liberados, deputados e senadores têm que aprovar antes projeto de lei efetivando a doação. A matéria está na Câmara.

Os R$ 25 milhões a serem enviados aos palestinos não representam recursos novos do governo.

Na verdade, segundo o relator Francisco Rodrigues (DEM-RR), trata-se de remanejamento de parte do orçamento do Ministério das Relações Exteriores que seriam usados no projeto de construção de mais um prédio anexo.

Outro projeto repassou R$ 43.549.795 para a Infraero. O crédito extraordinário será usado em obras nos aeroportos de Fortaleza, Boa Vista, Salvador, Rio de Janeiro (Galeão-Antonio Carlos Jobim) e de Guarulhos e Campinas, em São Paulo.

O Congresso aprovou ainda a abertura de novos créditos no valor de R$ 42 milhões para a manutenção e funcionamento do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A., em Porto Alegre. Foram liberados ainda R$ 149,29 milhões para complementar a parte brasileira no capital da Alcântara Cyclone Space (ACS). A ACS é uma parceria estabelecida com a Ucrânia que prevê o uso do veículo de lançamento do foguete Cyclone 4, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Também serão investidos recursos para obras de infraestrutura do Centro Espacial de Alcântara.

Polícia encontra o último fuzil levado de quartel

FÁBIO AMATO - DA AGÊNCIA FOLHA,

EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Policiais civis conseguiram recuperar ontem o último dos sete fuzis levados em março de um quartel do Exército em Caçapava (116 km de São Paulo).

A arma, a única que não fora localizada, foi achada às margens do km 90 da rodovia Carvalho Pinto, entre a capital e o Vale do Paraíba, pouco depois da prisão do oitavo suspeito de envolvimento no crime.

A invasão ao quartel levou à criação da Operação Ypiranga, que visava a recuperar os fuzis e prender os ladrões. A operação chegou a mobilizar 700 homens do Exército e teve duração de um mês.

Um homem ainda é procurado pela investigação.

Os suspeitos de invadir o quartel e roubar os fuzis das sentinelas que faziam a vigilância esperavam obter até R$ 30 mil com a venda de cada arma, segundo a Polícia Federal.

Militares Brasileiros com destino ao Haiti fazem escala técnica em BV

Folha de Boa Vista

Os primeiros militares brasileiros que compõem o 11º contingente da Força de Manutenção da Paz no Haiti (Minustah) desembarcaram ontem na Base Aérea de Boa Vista, em escala técnica, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Até 10 de julho, cinco escalões com um total de 1.270 militares da região Sudeste irão ao Haiti para cumprir a missão humanitária por seis meses.

A primeira aeronave chegou a Boa Vista ontem, por volta das 17h, e a segunda estava prevista para as 20h. A terceira tropa de militares que completa o 1º escalão chegará amanhã (24) e soma um total de 260 homens.

Esse escalão integra a equipe logística, que são responsáveis pelo apoio nas refeições e manutenção de viaturas. A primeira aeronave segue com 130 homens do exército e fuzileiros navais e retorna ao Brasil com a mesma quantidade de militares.

De acordo com o coronel Marcos Pastori, chefe do Estado Maior da 1ª Brigada de Infantaria e Selva, ao mesmo tempo em que o 11º contingente da Missão de Paz inicia suas atividades no Haiti, o 10º contingente de militares da Região Nordeste, que por seis meses efetuou o trabalho humanitário, retorna para o Brasil.

“Os militares treinaram duro por seis meses para liderar a Minustah, que é a missão da ONU para a estabilização do Haiti. As tropas militares fazem a segurança do Haiti, que enfrentou sucessivas guerras civis e vive um caos social, político e econômico. Essa missão tem dado certo, já que o país está em paz há 5 anos. Mesmo assim, há a necessidade de manutenção, pois o país ainda não tem uma força policial capaz de manter a paz social e a tranquilidade da população”, contou o coronel Marcos Pastori.

A escala feita em Boa Vista é para abastecer as aeronaves e oferecer descanso aos militares.

Hoje pela manhã, embarcam da Base Aérea de Boa Vista 130 militares e 15 fuzileiros navais, provenientes de São Paulo e Rio de Janeiro, em uma aeronave KC -137 da FAB em direção ao Haiti. Até lá, são aproximadamente cinco horas de viagem.

Nos próximos dias serão realizados vários embarques até o dia 10 de julho, quando o efetivo estará completo no Haiti.

MISSÃO – Este é o 5º ano de participação do Brasil nessa missão, em que mantém o maior efetivo dentre as nações com tropas presentes no Haiti. São 20 países, dos quais nove possuem tropas de 7.200 homens. O comando das forças de paz de todas as tropas é do general brasileiro Floriano Peixoto. O 10º contingente da Missão de Paz do Brasil retorna do Haiti com 1270 militares do Exército, Marinha e Força Aérea da Região Nordeste. (LD)

Exército é capacitado pela Polícia Militar

Da Reportagem – Diário de Cuiabá

A Polícia Militar está recebendo 32 oficiais do Exército para participar de um estágio sobre “Gerenciamento de Crises e Noções de Negociação na Segurança Pública”. A capacitação acontece até sexta-feira e o comandante geral da PM, Benedito Campos Filho, é o supervisor do curso e ofereceu a aula inaugural. O estágio é realizado pelo Centro de Capacitação, Desenvolvimento e Pesquisa (CCDP).

“Todos somos negociadores. Pai, mãe, os filhos. O gerenciamento de uma crise dá em vários âmbitos, dentro de casa, em uma empresa privada. Aos profissionais da segurança pública ter domínio das técnicas mais aprimoradas é uma necessidade, é fundamental para o desempenho dos trabalhos em prol da sociedade”, explanou o coronel.

Exército tinha campos de execução de guerrilheiros, afirma Curió

Pelo menos oito morreram em clareira utilizada por militares para eliminar prisioneiros após interrogatórios

Leonencio Nossa – O Estado de São Paulo

O regime militar repetiu, ao longo de 1974, nas matas do Araguaia, o método usado décadas antes pelos franquistas na Galícia para eliminar guerrilheiros republicanos presos. Após a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), os vencedores utilizaram o verbo "passear" ao se referirem à "libertação" de presos e à transferência deles das celas para campos afastados das cidades, onde eram fuzilados e deixados em valetas às margens de rios e estradas. No Sul do Pará, os militares brasileiros optaram por dar ao verbo "fugir" um novo significado - execução sumária.

Um dos locais de "fuga" de guerrilheiros presos fica no município de Brejo Grande do Araguaia, no Sul do Pará. Pelo menos oito foram mortos numa área conhecida por Clareira do Cabo Rosa. É o que revela o manuscrito Relatório de Prisioneiros, cedido ao Estado pelo agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura. O documento, posterior à guerrilha, indica que morreram no local Antonio Ferreira Pinto, o Alfaiate, em 28 de abril de 1974, Luiz Renê Silveira e Silva, o Duda, em março de 1974, e Uirassu de Assis Batista, o Valdir, em 28 de abril de 1974. Todos passaram por interrogatório na base de Marabá.

A escolha do local de execuções teve um caráter simbólico: naquela área o cabo Odílio Cruz Rosa foi morto pelo grupo do guerrilheiro Osvaldo Orlando Costa, o Osvaldão, em 1972. A guerrilha teria feito ameaças a quem resgatasse o corpo. O Exército, então, mandou um grupo especial de 36 boinas pretas, comandado pelo general Thaumaturgo Sotero Vaz, para buscar o cadáver, que só foi recuperado dez dias depois da morte do militar.

A área aberta na selva por mateiros, para o pouso de helicópteros na operação de resgate do corpo, passou a ser utilizada na terceira campanha como campo de execução.

Após os interrogatórios na Casa Azul, base militar em Marabá, prisioneiros foram levados de helicóptero para lá. Alguns, percorriam um trecho de mata até serem mortos. Outros tombavam ao redor da clareira. Os militares costumavam dizer aos presos que o deslocamento tinha por finalidade o reconhecimento de áreas utilizadas pela guerrilha.

As informações sobre os campos de execuções foram confirmadas ao Estado por Curió e por dois mateiros ligados a ele. A Clareira do Cabo Rosa é citada quatro vezes como local de "fuga" – termo usado pelos militares para designar uma execução de guerrilheiro - no Relatório de Prisioneiros. O documento ainda faz referências a outros locais de fuzilamento: um trecho não identificado da antiga estrada PA-70, que liga Marabá a Conceição do Araguaia, e à região do Saranzal - onde está a Clareira do Cabo Rosa. Também consta como local de execução a própria base militar de Marabá, a Casa Azul, onde morreu José de Lima Piauhy Dourado, o Ivo, em 1º de novembro de 1973.

Em entrevistas ao Estado, Curió aponta ainda o sítio de Manezinho das Duas, na localidade de Somi Homi, em Palestina do Pará, como quarto local de execuções. O guerrilheiro Pedro Pereira de Souza, o Pedro Carretel, um dos mais atuantes no movimento armado, foi um dos executados nesse sítio - ele morreu no dia 6 de janeiro de 1974, segundo o Relatório dos Prisioneiros.

Passados 35 anos, tempo suficiente para a formação de uma mata secundária e transformações de terreno, a informação sobre a Clareira do Cabo Rosa não responde a perguntas de parentes dos guerrilheiros sobre a localização de seus restos mortais. Representantes da área de direitos humanos ouvidos pelo Estado disseram que é preciso impedir que os campos de execução, que há 35 anos guardam a memória dos guerrilheiros, virem cenário de espetáculo midiático e show político.

22 junho 2009

Gripen: concluindo um ano de sucessos com acordos offset

O programa de cooperação industrial da Gripen International, na República Tcheca, gerou perto de 5 bilhões de coroas tchecas em exportações, no ano de 2008

 

Gripen International

O Relatório Anual de desempenho dos acordos de compensação e cooperação, para o ano de 2008, foi aprovado pelo Ministério de Defesa da República Tcheca. O relatório mostra que o programa de cooperação industrial da Gripen gerou exportações no valor de 4,94 bilhões de coroas tchecas para o país, respondendo por 19% do total da obrigação assumida pela empresa.

Desde o início do programa, em 2004, o valor acumulado que o programa gerou totalizou 16,24 bilhões de coroas tchecas, até 31 de dezembro de 2008, cumprindo 63,5% da obrigação total assumida no contrato.

O mais bem-sucedido programa offset de armamentos

"A prioridade do Ministério da Defesa é garantir que todos os principais projetos de armamentos beneficiem a indústria de defesa do país, assim como outros setores", declarou Andrej Čírtek, Diretor do Departamento de Comunicações Estratégicas do Ministério da Defesa. "O arrendamento das aeronaves supersônicas Gripen resultou no programa de armamentos mais bem-sucedido, na história da República Tcheca".

"Estamos muito satisfeitos com o resultado do Programa de Compensação Econômica da Gripen para 2008, o ano de maior sucesso do programa até o momento. Em tempos de recessão econômica mundial, pacotes eficazes que conferem suporte ao crescimento financeiro, como o Programa da Gripen, adquirem grande importância", disse Bengt Littke, Diretor da Gripen International para o Programa da República Tcheca. "Estamos certos de que nosso programa de compensação econômica apoiará a indústria tcheca, reduzindo os efeitos desta crise financeira, para que o país possa realizar seu grande potencial, quando o crescimento econômico retornar".

Apoiando a indústria tcheca

A Gripen International assumiu o compromisso de gerar valor, por meio do acordo de compensação econômica e cooperação industrial, no valor de 130% do contrato de arrendamento dos caças. Este acordo estipula uma compensação direta de, no mínimo, 20% do seu valor, visando suporte e desenvolvimento da indústria de defesa e aeroespacial tcheca.

Além disso, foram um sucesso também os programas de compensação da Gripen International na Hungria e na África do Sul.

Aeronautica Militare compra primeiros M-346 Master

Poder Aéreo

Foi anunciado em 18.06.09, em Le Bourget (França), que a Aeronautica Militare (Força Aérea Itáliana) assinou um contrato para a compra dos seus primeiros Alenia M-346 Master, um jato de treinamento avançado: seis unidades, mais a prestação de serviços integrados de treinamento, além da opção para outras nove aeronaves. O Ministério da Defesa Italiano esteve fortemente implicado em promover a negociação dos M-346, quando da recente venda deste aos UAE (Emirados Árabes Unidos).

A Alenia-Aermacchi, fabricante do M-346, declara que está buscando potenciais ordens de compra em Singapura (recentemente pré-selecionado), Arábia Saudita, Indonésia, Equador, Qatar, Grécia e Chile.

Avança primeira exportação do Rafale aos Emirados Árabes Unidos

Poder Aéreo

As negociações para a venda aos UAE (Emirados Árabes Unidos) de até 60 aeronaves de combate Dassault Rafale, ultrapassou uma meta importante no dia de hoje, quando o governo do Emirado submeteu suas especificações á França. Isto permitirá negociações de um contrato detalhado que iniciará com preços e datas de entrega, possivelmente levando a sua assinatura no final deste ano.

Este acordo ou contrato governo a governo é avaliado entre 6 a 8 bilhões de euros, dependendo do conteúdo exato do armamento, apoio e pacote de trocas incluído nas negociações.

As demoradas negociações deste acordo aguardavam até que Abu Dhabi, cuja Força Aérea poderá operar a aeronave, finalizava os aspectos técnicos das aeronaves, os quais notadamente solicitaram uma nova versão do motor Snecma M-88 (mais potente), um radar novo e de sua escolha, além de uma versão específica de um míssil ar-ar de longo alcance e estas incertezas técnicas representavam impedimentos dos dois governos para a assinatura formal do contrato.

Abaixo, as declarações relacionadas emitidas ontem pela manhã pelo governo dos Emirados e pelo Presidente Nicolas Sarkosy:

UAE entrega Especificações técnicas do Rafale à França

O Governo da França recebeu as especificações técnicas e operacionais requeridas ao caça francês Rafale das Forças Armadas dos UAE, dentro do marco das negociações atuais entre os governos da França e dos UAE.

A data de assinatura do contrato, o qual poderá vir a ser um dos maiores e mais importantes contratos de exportação da aeronave, será fixada após o término das negociações financeiras envolvidas.

Declaração da Presidência da República da França

O Presidente da República, está, atenciosamente, controlando as negociações atuais com os Emirados Árabes Unidos, para a aquisição de 60 aeronaves militares Rafale, prazerosamente informa que as negociações estão progredindo junto ao Governo dos UAE.

Este anúncio, feito no ano do centenário da Paris Air Show, é uma excelente notícia para a França e sua indústria aeroespacial. Confirma as qualidades excelentes do Rafale.

É também um sinal dos laços próximos que unem a França e os UAE.

Voo AF 447: Aeronave R-99 não será mais utilizada nas buscas

O Comando da Marinha e o Comando da Aeronáutica informam que, neste sábado, dia 20 de junho, as condições meteorológicas foram satisfatórias para a busca visual, porém não foram avistados corpos ou destroços.

No vigésimo dia de buscas, informamos que a aeronave R-99 empregada na Operação para realizar missões de imageamento deixará de ser utilizada, haja vista já estar bem delineada a área de concentração de destroços, objeto básico de sua destinação de varredura eletrônica. O R-99 voou mais de 100 horas e cumpriu um papel fundamental para a Operação, sobretudo em sua fase inicial.

O Navio-Tanque Almirante Gastão Motta está em deslocamento para Recife, trazendo um corpo e um saco de despojos, além de pequena quantidade de destroços e bagagens. A estimativa de chegada ao porto do Recife é na segunda-feira, dia 22, às 10h. O corpo e os despojos serão entregues a representantes da Polícia Federal e do Instituto Médico Legal de Pernambuco (IML). O material recolhido ficará à disposição do Bureau D´Enquêtes et D´Analises Pour la Securité de I´Aviation Civile (BEA).

O Navio Desembarque-Doca Rio de Janeiro já se encontra na área de buscas.

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Produção do F-22 ganha fôlego

FONTE: AFP

O Comitê das Forças Armadas da Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma emenda que, na prática, dá continuidade à produção do caça F-22A Raptor.

Na última quarta-feira (17 de junho) os congressistas norte-americanos aprovaram por 31 a 30 o desembolso de 369 milhões de dólares para os próximos dois anos para a aquisição de partes e peças para a construção de mais 12 caças. Este valor será acrescido ao orçamento do Pentágono, que no ano fiscal de 2010 será de 550,4 bilhões de dólares.

Recentemente o Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou que a produção do F-22 seria encerrada com 187 aeronaves, desapontando muitos congressistas republicanos. A posição do secretário também desagradou a USAF.

No ano fiscal de 2009 o Pentágono gastou o equivalente a 2,9 bilhões de dólares no programa (cada aeronave é avaliada em 200 milhões de dólares).

Rússia incorporou 20 novos caças em 2009

Aquisição de novos equipamentos militares está em alta

FONTE: RIA Novosti

Desde o início do ano a Força Aérea da Rússia já incorporou 20 aviões de combate sendo oito Su-27 e doze MiG-29. A aquisição de material militar pelo Ministério da Defesa russo não para por aí. Também foram recebidos 21 mísseis anti-radar, três novos ICBM, 20 carros de combate, mais de 100 veículos blindados e 2000 caminhões.

Até o final de 2009 a Rússia espera gastar aproximadamente 41,7 bilhões de dólares com a indústria de defesa do país. No período 2009-2011 este montante chegará a 128 bilhões de dólares (comparar estes valores com o orçamento do Pentágono citado abaixo para o ano de 2010).

Além disso os pedidos provenientes do mercado externo totalizam 35 bilhões de dólares e a indústria de defesa da Rússia já atingiu sua capacidade plena, garantindo o emprego dos seus trabalhadores pelos próximos 4 ou 5 anos. Este ramo industrial absorve algo entre 2,5 a 3 milhões de empregos ou 20% da mão de obra russa na área de manufaturados.

Com todos estes recursos (internos e externos) a Rússia poderá iniciar a produção dos seus mais novos desenvolvimentos tecnológicos na área militar em breve.

Guerra sob o mar

Anna Ramalho – Jornal do Brasil

A decisão do governo brasileiro de construir cinco submarinos em um novo estaleiro em Itaguaí (RJ), através da Odebrecht e da francesa DCNS, está sendo contestada pelos alemães da HDW/Thyssen Krupp. A empresa alemã afirma que, apesar de a negociação envolver 7,1 bilhões de euros – quase R$ 20 bilhões – não houve concorrência.

Além disso...

Um de seus dirigentes acrescenta que, em vez de se construir um novo estaleiro, poder-se-ia usar o velho Arsenal de Marinha, após uma boa reforma. Os alemães estranham que, mesmo sendo líderes mundiais, com 81% do mercado de submarinos, nem sequer foram consultados pelo governo brasileiro.

Haitianos querem fim da presença do Brasil

Anna Ramalho – Jornal do Brasil

Representantes de movimentos sociais haitianos criticaram ontem a presença de tropas brasileiras no Haiti, à frente de uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, o haitiano Frantz Dupuche, da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo (Papda) afirmou que o desempenho da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti é um "fracasso" por não cumprir sua meta de estabilizar o país.

País produz armamentos inteligentes

Empresas lançam aviões sem piloto, bombas guiadas e mísseis

Roberto Godoy – O Estado de São Paulo

Aviões sem piloto para missões de vigilância - e de ataque - em voos de 15 horas; bombas guiadas que podem ser lançadas a 20 quilômetros do alvo; mísseis capazes de cobrir 300 quilômetros para despejar uma grossa chuva de fogo sobre o objetivo. O erro máximo é de 6 metros.

O primeiro pacote de armas inteligentes da indústria brasileira de sistemas de Defesa está entrando no catálogo de três diferentes empresas, Avibrás Aeroespacial, Britanite IBQ Ltdª e Mectron Engenharia. Os projetos são independentes.

A proposta mais recente envolve Britanite e Mectron, organizações cheias de segredos. A feira LAAD, realizada no Rio há dois meses, serviu para a apresentação das maquetes do kit de guiagem SMK, criado no Comando Tecnológico da Aeronáutica (CTA), de São José dos Campos, e entregue ao setor privado para desenvolvimento.

O equipamento, adaptável a bombas de 250 e 500 quilos, utiliza um sistema inercial de navegação. Recebe ainda o sinal das redes GPS, americana, e Glonass, da Rússia. O benefício é o aumento do alcance e a preservação da performance sob condições climáticas adversas.

Não há ligação física entre o avião lançador e a bomba no fornecimento de dados de orientação até o impacto final. As principais aeronaves da frota de combate da aviação militar do Brasil - o F-5EM, o AMX, o Super Tucano, e com certeza o futuro caça F-X2 - tem provisão para levar arma. Não há informação oficial sobre o programa. Os testes e provas de qualificação, a princípio, seriam iniciados em 2010. As empresas não comentam. O CTA não confirma.

DE OLHO NO MAR

Na sede do maior grupo de equipamentos militares do País, a Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos, "o núcleo duro de competência da empresa", como é definida pelo presidente Sammi Hassuani a equipe de engenheiros responsável pela manutenção dos novos projetos industriais, comemorava a aprovação da proposta de construção do Veículo Aéreo não Tripulado, o VANT.

O programa custará, até o lote cabeça de série, a quantia de R$ 27 milhões, parte do governo e parte da própria Avibrás. O resultado, esperado em 2011, é um avião sem piloto, autonomia de 15 horas, carga útil de 150 quilos, alcance de 150 quilômetros e teto de 4,5 mil metros. "Será a primeira geração de uma família que já tem até a segunda geração definida, com capacidade de 25 horas contínuas no ar, alcance de 500 quilômetros e meia tonelada de carga", destaca Hassuani.

Os dois modelos poderão ser carregados com mísseis leves "ou com outra novidade da empresa, a versão de guiagem primária do foguete Skyfire-70 dotado de ogiva de seis quilos". A arma é eficiente contra caminhões semiblindados. "Ainda é cara, coisa de US$ 20 mil dólares, e estamos trabalhando para reduzir esse preço até os padrões do mercado", diz.

No arquivo de projetos à espera de investimentos, a Avibrás - que está sob regime de recuperação judicial, do qual Sammi espera sair antes do prazo, no inicio de 2010 - estão os kits de bombas inteligentes. O projeto foi iniciado em 2002. O mercado internacional estimado é de 50 mil unidades a cada três anos e a US$ 21 mil cada. O equipamento da Avibrás permite bombardeio de precisão de 12 metros depois do lançamento por um caça AMX e de um voo planado de 20 quilômetros.

Um processador de informações é montado na ponta da bomba e um conjunto de aletas móveis na seção traseira. "O produto é a consequência da gestão do conhecimento avançado em áreas como os algoritmos de voo, aerodinâmica e química", afirma o Hassuani.

A mesma abordagem está sendo dada a um ambicioso programa destinado, por exemplo, a integrar o elo do Exército na defesa dos interesses na plataforma continental, jazidas do pré-sal e toda a rede de plataformas marítimas da Petrobrás. O míssil de cruzeiro leve TM, revelado em 2001, é a versão local de uma classe de arma guiada criada com a meta no baixo custo. A versão brasileira atua entre 150 e 300 quilômetros. Pode ser disparada do solo por carretas padrão do sistema Astros-II ou embarcada em caça bombardeiro.

A proposta de Hassuani é empregar mísseis em baterias de até seis veículos, dois a dois, totalizando 12 vetores. O TM é de calibrec 450 mm, e cobre alvos de 120 a 300 quilômetros. Distribuídos ao longo dos pontos estratégicos do litoral, podem levar fogo rápido e intenso sobre conjunto de embarcações que pretenda, por exemplo, tomar instalações da rede de exploração de petróleo. O investimento, de longo prazo, chega a R$ 1 bilhão.

CCj da câmara aprova tramitação da proposta de fim da obrigatoriedade de prestação do exercício militar no país. Forças armadas são contra

O Dia

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 24 votos a 10, tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que torna facultativo o serviço militar para homens e mulheres. A proposta do deputado Silvinho Peccioli (DEM-SP) altera o artigo 143 da Constituição, que obriga homens a cumprirem o serviço militar, hoje, o alistamento é facultativo apenas para as mulheres.

As Forças Armadas são contra a proposta. A decisão da CCJ, porém apenas definiu que a PEC é constitucional e não garante a aprovação do projeto pelo plenário. O texto define que o serviço militar poderá ser exercido por homens e mulheres, entre 17 e 45 anos. O engajamento seria por um período mínimo de 24 meses. Os critérios de ingresso serão definidos por outra lei. Após os 24 meses, para continuar no serviço, o recruta terá de passar por novo processo seletivo.

A PEC agora será submetida à comissão especial, antes de ir ao plenário. “É um tema polêmico, conflitante, que acaba ultrapassando as fronteiras da mera legalidade para também se discutir a cidadania e o mérito da matéria, já que o serviço militar é patrimônio do País”, disse o relator da PEC, Efraim Filho (DEM-PB).

Apesar da obrigatoriedade, atualmente, de acordo com dados das Forças Armadas, nove em cada dez jovens convocados para o serviço se dizem voluntários. Como o alistamento é um dever, o jovem que não se alista fica impossibilitado de obter passaporte e carteira profissional, entre outras sanções.

Operação Prata une brasileiros e hermanos

Ticiana Fontana Rbs Tv/Santa Maria

Português e espanhol se misturam pelos ares da fronteira do Brasil com a Argentina, mas a diferença entre idiomas é deixada de lado na 6ª Operação Prata, treinamento conjunto que envolve 260 militares hermanos e brasileiros.

Uma equipe do Diário de Santa Maria e da RBS TV participou ontem de uma simulação e embarcou em um avião-alvo, aeronave que entraria no espaço aéreo brasileiro sem permissão e seria abordada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Minutos após o Caravan decolar do aeroporto de Posadas, no norte da Argentina, dois A-29 partiam da Base Aérea de Santa Maria em busca do avião desconhecido.

Para dificultar a localização, perto da fronteira com o Brasil, o piloto do Caravan desligou o transponder, equipamento que transmite sinais como a altura de voo e a identificação da aeronave.

Cerca de 20 minutos depois de ultrapassar a fronteira, o Caravan foi interceptado pelos A-29 da FAB.

Em português, a tenente Daniele Lins, da primeira turma de mulheres pilotos da Aeronáutica, comandou a abordagem, com o apoio de outro caça brasileiro. O treinamento também ocorre na Argentina. A troca de experiência entre as duas forças áreas segue até amanhã, quando terminará a Operação Prata.

Haitianos afirmam que presença militar no país serve a interesses de empresas estrangeiras

Alex Rodrigues Repórter da Agência Brasil

Representantes de movimentos sociais brasileiros e haitianos querem que o Brasil deixe a coordenação da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) e retire seus militares do país caribenho. Hoje (17), durante audiência pública na Comissão de Relação Exteriores do Senado, os críticos à atuação internacional no Haiti foram duros ao avaliar os cinco anos da missão, aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para Frantz Dupuche, da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo, as tropas estrangeiras têm servido apenas para defender os interesses da classe política e de empresas que, atraídas pela mão de obra barata, se estabeleceram no país nos últimos anos. “Para nós, a Minustah não chegou a cumprir sua verdadeira missão: garantir a estabilidade local. O que vem ocorrendo é justamente o contrário, ou seja, maior desestabilização.

A cada dia, cresce o número de sequestros e de mulheres violentadas”, afirmou.

O sindicalista Didier Dominique também criticou a missão, que classifica de “ocupação militar estrangeira”. Para ele, as tropas têm dado sustentação a um projeto de exploração da mão de obra local. “A Minustah tem reprimido manifestações de estudantes, de trabalhadores e de agricultores, apoiando as forças mais reacionárias e arcaicas do país. E isso é o que desejam as multinacionais e os governos imperialistas: uma paz de cemitério para um projeto de superexploração”, disse.

Nos últimos dias, manifestantes têm tomado as ruas da capital, Porto Príncipe, exigindo a promulgação de uma lei que eleva o salário mínimo de US$ 2 diários para US$ 5 ao dia. A lei já foi aprovada pelo Congresso haitiano, faltando apenas ser sancionada pelo presidente René Préval.

Mesmo assim, as passeatas têm sido reprimidas por agentes da Polícia Nacional e por militares da Minustah.

“Lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra populares de bairros onde há escolas e hospitais”, afirmou Dupuche. “Todo o povo haitiano tem direito a reclamar por uma vida melhor, e a Minustah tem reprimido essas reivindicações, defendendo a burguesia”, concluiu o haitiano.

Brasileiros que visitaram o Haiti na condição de representantes de movimentos sociais também participaram da audiência, insistindo que o país precisa rediscutir o quanto é apropriado manter militares no país mais pobre das Américas. “O Brasil deveria se retirar imediatamente, pois nossa presença não ajuda em nada o povo haitiano”, disse o secretário-geral do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (IDDH) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aderson Bussinger.

A convite, Bussinger visitou o Haiti em meados de 2007. Além de testemunhar a situação de extrema miséria, ele conversou com várias pessoas que reclamaram da exploração da mão de obra local, do descumprimento de direitos trabalhistas e da repressão militar.

“O que se vê, de fato, é uma ocupação militar que acaba servindo de sustentáculo, de apoio aos interesses de empresários estrangeiros no Haiti. Pelo que testemunhamos, o objetivo não é resolver a pobreza do povo haitiano, mas produzir para o mercado norte-americano com custos mínimos, pagando salários três vezes menores que os já baixíssimos pagos no Brasil”, destacou Bussinger.

Sandra Quintelas, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), questionou os custos da missão que, segundo ela, é estritamente militar e não está de acordo com a justificativa oficial para sua permanência no país, que é a manutenção da paz. De acordo com Sandra, o Haiti gasta mensalmente US$ 6 milhões a título de pagamento de sua dívida externa, ao passo que só o Brasil investe cerca de R$ 700 milhões anuais para manter seus homens no país. “Não se resolvem problemas políticos, sociais e históricos com militares”, afirmou

Para Antônio Lisboa Leitão de Souza, também da Conlutas, se o Brasil realmente deseja ajudar os haitianos, deveria fazer como Cuba que, em vez de enviar soldados, enviou médicos que atendem à população e ajudam a recompor o sistema de saúde local.

Souza, que esteve no Haiti em abril deste ano, disse que conheceu homens, mulheres, idosos e até mesmo crianças que trabalhavam em condições sub-humanas, ganhando US$ 0,50 por dia. “Além disso, eles ainda não conquistaram o direito à folga remunerada, ganhando apenas pelo dia em que trabalham”. Para Souza, o Brasil deveria dar o exemplo e dizer à ONU que já não é mais tempo de manter tropas militares no Haiti.

Procurado, o Ministério da Defesa disse que somente o ministro Nelson Jobim poderia comentar o assunto, mas ele está fora do país, na Europa. Ontem (16), a chefe da Divisão das Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, conselheira Gilda Motta Santos Neves, afirmou que o governo brasileiro não tem prazo para deixar o país e tem investido em diversas ações sociais.

Sipam anuncia repasse de R$ 16 mi para Cartografia da Amazônia

O Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), vinculado à Casa Civil da Presidência da República, divulgou ontem, dia16, o repasse de mais R$ 16,4 milhões de reais para o Projeto Cartografia da Amazônia

Redação Jornal do Commércio AM

O Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), vinculado à Casa Civil da Presidência da República, divulgou ontem, dia16, o repasse de mais R$ 16,4 milhões de reais para o Projeto Cartografia da Amazônia. Os recursos, relativos ao segundo trimestre do ano, foram destinados ao Exército (R$ 7,6 milhões), Marinha (R$ 5 milhões) e ao CPRM (Serviço Geológico do Brasil) (R$ 3,8 milhões), que realizam os trabalhos de campo do projeto. Deste total, R$ 10,8 milhões serão para o custeio das operações e R$ 5,6 milhões para investimentos necessários ao início de uma parte do trabalho, como a construção de navios e equipamentos para atualizar a cartografia náutica das principais hidrovias da região. Este ano o Sipam já repassou R$ 22,4 milhões para a execução dos trabalhos da Cartografia da Amazônia. Em 2008 foram destinados R$ 68,5 milhões ao projeto.

Responsável pela execução da cartografia terrestre, o Exército já coletou imagens de 339 mil quilômetros quadrados, uma área semelhante à do Estado de Goiás, na região conhecida como Cabeça do Cachorro, no Noroeste do Amazonas. Desse total, já estão em fase de processamento as imagens de 70 mil quilômetros quadrados. Isso permitirá elaborar a primeira carta-imagem do projeto, com informações sobre a altimetria da região (padrão do relevo, depressões, morros), identificação de rios e dados preliminares do terreno. Até a conclusão do projeto, vários produtos intermediários serão divulgados para subsidiar pesquisadores ou mesmo auxiliar na gestão pública.

Segundo o diretor de Produtos do Sipam, Wougran Soares Galvão, até o final de julho também devem ser divulgadas as primeiras cartas dos levantamentos aerogeofísicos elaborados pelo Serviço Geológico do Brasil. Os resultados do trabalho devem identificar áreas com potencial para futuro aproveitamento de reservas minerais. Em relação à Marinha, Galvão destacou que os recursos destinados à instituição garantirão o cumprimento de todos os prazos na construção dos navios que serão utilizados para produzir as cartas náuticas. Lançado em 2008, o projeto deve concluir em cinco anos as cartografias terrestre, geológica e náutica da Região Amazônica.

Neste período, o governo federal investirá R$ 350 milhões. O principal objetivo é acabar com os vazios cartográficos na região e contribuir para o desenvolvimento e proteção da Amazônia. As cartografias vão auxiliar no planejamento e execução dos projetos de infra-estrutura como rodovias, ferrovias, gasodutos e hidrelétricas, além da demarcação de áreas de assentamentos, áreas de mineração, agronegócio, elaboração de zoneamento ecológico, econômico e ordenamento territorial, segurança territorial, escoamento da produção e desenvolvimento regional. As informações ainda ajudarão no conhecimento da Amazônia brasileira e na geração de informações estratégicas para monitoramento de segurança e defesa nacional, em especial nas fronteiras. O Sipam coordena o Projeto e os executores são o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e o Ministério de Minas e Energia, através da CPRM.

Deputados estão em favor da liberação de recursos para as Forças Armadas

Portal Amazônia

BOA VISTA - O deputado federal Édio Lopes (PMDB/RR) se reuniu ontem (16) com deputados da Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas da Amazônia e da Frente Parlamentar de Defesa Nacional. O objetivo era discutir formas de viabilizar o descontingenciamento de recursos das Forças Armadas através de emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias.

A iniciativa foi do deputado Édio Lopes, presidente da Frente Parlamentar de Apoio às Forças Armadas da Amazônia, este um dos mais importantes grupos políticos do Congresso Nacional.

Diante das necessidades que as Forças Armadas enfrentam, o parlamentar roraimense entendeu que o descontingenciamento dos recursos do Ministério da Defesa é uma forma de viabilizar melhorias para as Forças Armadas.

- Reunir estes deputados já mostra o quanto o nosso Congresso está sensibilizado com as necessidades das nossas Forças Armadas. Nosso objetivo é comum: ajudar a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, ressaltou o deputado. (JM)

17 junho 2009

Cadetes estudam defesas eletrônicas

Forças Armadas dos EUA fazem competição como parte de treinamento contra eventual ataque cibernético

COREY KILGANNON

NOAM COHEN

DO "NEW YORK TIMES"

As Forças Armadas estavam sob ataque. As linhas de comunicação tinham caído, e a cadeia de comando havia se rompido. Avaliando um abrigo improvisado cuja entrada estava camuflada por uma rede, o jovem vestido com uniforme de combate grita para seus companheiros: "Eles estão inundando o servidor de e-mail. Bloqueie-o. Eu assumo a responsabilidade".

Esses são os jogos de guerra na academia militar de West Point. Em abril, uma equipe de cadetes passou quatro dias batalhando sem parar a fim de estabelecer uma rede computacional e mantê-la em operação enquanto hackers da Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA na sigla em inglês), em Maryland, tentavam se infiltrar nela.

A competição fez parte de uma prova final de um curso optativo do último ano. Os cadetes, que eram graduandos em ciências da computação e tecnologia da informação, competiram contra equipes da Marinha, da Força Aérea, da Guarda Costeira e da Marinha Mercante. Cada equipe foi julgada segundo a forma como conseguiu afastar as ameaças.

Defesas cibernéticas

Os jogos de guerra cibernética em West Point são um exemplo da conscientização cada vez maior a respeito da necessidade de tratar a ameaça de um ataque por computador tão seriamente quanto a de um ataque realizado por meio de bombardeiros ou tropas.

Dificilmente há alguma unidade das Forças Armadas norte-americanas que não tenha recebido ordens para analisar o risco de ataques cibernéticos a suas missões -e para treinar meios de contraataque.

Se acontecer de os hackers alcançarem seus objetivos, eles poderão trocar informações por meio da rede e prejudicar as comunicações via internet.

No deserto localizado próximo à cidade de Las Vegas, em uma área cheia de trailers discretos, um grupo especial de hackers passa dias e noites vasculhando as enormes redes militares de computador atrás de qualquer fragilidade que possa ser explorada.

Esses hackers trabalham para o governo e têm acesso às últimas novidades em softwares de ataque -alguns deles foram desenvolvidos por especialistas em criptologia da NSA. Os hackers têm um nome oficial -o 57º Esquadrão Agressor de Informações (57th IAS, na sigla em inglês)- e uma sede real, a Base da Força Área em Nellis.

No ano passado, as Forças Armadas criaram o seu próprio espaço a fim de receber especialistas em computação, o Network Warfare Battalion (algo como Batalhão de Ações de Guerra na Rede), para o qual muitos dos cadetes que participam dos jogos de guerra cibernética esperam ser indicados. Mas o número de postos de trabalho ainda é pequeno.

Carência de cérebros

Atualmente, o Departamento de Defesa forma apenas 80 estudantes por ano em suas escolas de guerra cibernética. Isso fez Robert Gates, secretário de Defesa norte-americano, reclamar de que o Pentágono está "desesperadamente carente de pessoas que tenham habilidades nessa área em todos os setores, e nós devemos tratar de resolver isso".

Parte dos esforços do Pentágono a fim de aumentar o seu poderio militar são os jogos de guerra cibernética disputados nas academias militares nacionais, entre as quais West Point, onde jovens cadetes com botas de combate e cortes de cabelo bem curtos falam de megabytes em vez de megatons.

Na final dos jogos de abril, um grupo tinha de recuperar informações importantes que haviam sido parcialmente apagadas de um disco rígido.

Outros cadetes trabalhavam em grupo, como se estivessem consertando uma represa com vazamento, a fim de preservar o funcionamento geral do sistema enquanto hackers da NSA atacavam o mecanismo responsável por rodar um banco de dados fundamental e um servidor de e-mail.

Eles gritavam vários endereços de internet para que fossem inspecionados -e normalmente bloqueados- depois de terem recebido a autorização dos árbitros. E houve um momento em que Salvatore Messina, o cadete encarregado de comandar o grupo, teve de agir sem permissão dos árbitros porque o ataque havia sido tão intenso que não permitiu o envio de uma mensagem de e-mail.

Conhecimento vital

Os cadetes dessa sala são alvos de algumas piadas, mas um deles, Derek Taylor, disse que os soldados de hoje sabem que o domínio da tecnologia pode ser tão vital quanto a força bruta no momento de salvar vidas.

West Point leva a competição a sério. Os cadetes que ajudaram a instalar e proteger o sistema operacional precisaram de uma semana até conseguir ajustá-lo.

West Point saiu vitoriosa dos jogos. O que significa que a academia, que ganhou cinco das últimas nove competições, pode manter o troféu Directors Cup, exposto atualmente perto de uma máquina decodificadora Enigma, usada na Segunda Guerra Mundial pelos alemães.

A decifração do código da Enigma ajudou os Aliados a vencerem a guerra, e a máquina é uma lembrança do papel central que a tecnologia desempenha nas ações militares.

Tradução de FABIANO FLEURY DE SOUZA CAMPOS