31 dezembro 2013

Exército comemora missões de paz no mundo

O Exército mantém homens no Haiti desde 2004: assistência e reconstrução


Diego Abreu | Correio Braziliense

Com participação em missões de paz mundo afora desde 1948, o Brasil comemorou neste mês de dezembro 25 anos do Prêmio Nobel da Paz, concedido, em 1988, às Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas, da qual o Exército brasileiro fez parte. A primeira participação do país em uma missão desse tipo aconteceu em 1948, nos Balcãs. Nos 40 anos seguintes, o país enviou tropas também para o Oriente Médio, Nova Guiné, Chipre, República Dominicana, Índia e Paquistão.

Mais recentemente, as Forças Armadas brasileiras estiveram no Timor Leste, onde já encerrou sua missão. Desde 2004, o Exército mantém homens no Haiti, na Companhia de Engenharia e no Batalhão de Infantaria de Força de Paz — Batalhão Haiti. Cada brasileiro passa em média seis meses em missões de tropa e 12 meses em missões individuais. Atualmente, são mais de 1,4 mil brasileiros no país da América Central. A capital haitiana, Porto Príncipe, foi atingida por um forte terremoto em janeiro de 2010, que deixou mais de 200 mil mortos.

O tenente-coronel do Exército Charles Roberto, que atualmente trabalha na formação de militares que são enviados para o Haiti, passou um ano no país caribenho na condição oficial de Patrimônio. Ele destaca a importância do trabalho realizado por brasileiros. “Temos uma tropa que mantém o ambiente seguro e estável. E temos a Companhia de Engenharia, que constrói estradas, escolas. Contribuímos de forma geral para a melhoria da situação de vida dos haitianos”, disse Roberto.

A primeira experiência histórica das Forças Armadas do Brasil em missão de paz das Nações Unidas foi o envio do chamado “Batalhão de Suez”, com aproximadamente 600 homens que foram para o Egito, entre 1957 e 1967. O grupo foi levado para proteger e supervisionar a cessação de hostilidades em um momento em que forças egípcias e israelenses enfrentavam intensos conflitos.

“Contribuímos de forma geral para a melhoria da situação de vida dos haitianos”

Charles Roberto, tenente-coronel do Exército


O último voo do Mirage 2000 rumo ao Museu da Aeroespacial da FAB, no Rio

A solenidade de despedida ocorreu na Base Aérea de Anápolis (BAAN)


Assessoria de Comunicação Social (Ascom), com Agência FAB
Ministério da Defesa


Brasília, 31/12/2013 – O Mirage 2000 fez hoje (31) o seu último voo, após quase uma década servindo ao sistema de defesa aeroespacial brasileiro. O destino da aeronave foi o Rio de Janeiro. A partir de agora, o exemplar poderá ser visto no Museu Aeroespacial da Força Aérea Brasileira (FAB), em Campos dos Afonsos, na capital fluminense.

A solenidade de despedida ocorreu na Base Aérea de Anápolis (BAAN). No comando da aeronave, o capitão Antonio Augusto da Silva Ramalho, do 1º Grupo de Defesa Aérea, iniciou o trajeto que marcou em definitivo a aposentadoria do caça. Porém, a série de homenagem teve início na semana passada, em Anápolis (GO), com a participação de oficiais-generais da Aeronáutica.

As aeronaves continuaram em operação até o final de dezembro fazendo a proteção da capital federal e, a partir de janeiro pelos caças F-5EM. Na ocasião, também ocorreu a passagem de comando do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) - Esquadrão Jaguar.

Os Mirage, batizados na FAB de F-2000, atuavam na defesa aérea do país desde 2006 e já completaram mais de 10 mil horas de voo. Para o tenente-coronel Eric Breviglieri, piloto da FAB com 1038 horas de voo no caça, a aeronave atendeu todos os requisitos necessários enquanto esteve em operação. “O Mirage é a máquina, é excelente e foi de grande valia para ajudar neste salto que vamos dar a partir de agora com o Gripen. Os conceitos e o emprego do Mirage vão auxiliar a assimilar mais fácil o novo caça”, revela Breviglieri.

Os 12 Mirage foram adquiridos da França já usados como uma solução temporária para a aviação de caça de alta performance no Brasil. Pelo plano inicial os jatos iriam parar no final de 2011, mas com ajustes seis aeronaves foram poupadas e permaneceram em voo. O Governo já anunciou a aquisição dos substitutos do Mirage: o Gripen NG da empresa sueca Saab.

Até que os novos caças cheguem, as missões de defesa aérea, antes desempenhadas pelo Mirage, ficarão a cargo dos caças F-5EM. Os três esquadrões com F-5, do Rio de Janeiro, Manaus e Canoas vão assumir o alerta de defesa aérea a partir da BAAN com suas próprias aeronaves. “A partir de primeiro de janeiro as aeronaves F-5 assumirão a defesa aérea, e tanto Anápolis quanto o Planalto Central estarão protegidos”, afirma o brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, comandante da Terceira Força Aérea (III FAE).

Com a aposentadoria do Mirage, o Esquadrão Jaguar ficará sem aeronaves. Um grupo de seis pilotos permanece em Anápolis (GO) para manter a administração da unidade, cumprir horas de voo no F-5 e participar de treinamentos. No futuro, os militares vão compor o primeiro grupo que irá receber o novo caça Gripen NG. Parte do efetivo já foi transferida para outras unidades, mas os que ficam aguardam com boas expectativas a chegada do novo avião. “É uma aeronave que traz conceitos doutrinários novos, diferentes daqueles que nós utilizamos, e vai colocar a Força Aérea, com certeza, em um novo patamar operacional”, ressalta o novo comandante do 1º GDA, major Cláucio Oliveira Marques.


Mirage faz último voo hoje, rumo a museu no Rio

Mirage 2000 foi doado ao Museu da Aeronáutica, seu destino final


Roberto Godoy | Agência Estado

A festa do adeus foi na segunda-feira, dia 20 - o último voo, será nesta terça-feira, 31, às 10h40, na base de Anápolis, a 140 quilômetros de Brasília. O Mirage 2000, de matrícula 4948, vai decolar rumo ao Rio de Janeiro. Chega lá uma hora depois. Pousará para sempre. Foi doado ao Museu da Aeronáutica, seu destino final.

Será pilotado pelo capitão Antonio Augusto da Silva Ramalho, do 1º Grupo de Defesa Aérea. Ramalho se diz "feliz, como piloto, pela honra da missão". Aos 33 anos, operando desde 2010 os interceptadores Mirage, Ramalho reconhece "o salto qualitativo da aviação de caça brasileira", com a chegada do novo jato supersônico de tecnologia avançada, o modelo sueco Gripen NG, selecionado dia 18, pela presidente Dilma Rousseff na definição do longo processo F-X2; durou cerca de 20 anos a contar do estudo preliminar e das consultas iniciais.

Encomenda

A possibilidade é de que a expectativa do capitão, seus colegas e, ainda, a da complexa rede da indústria aeronáutica, seja superada. A encomenda inicial de 36 aeronaves, mais o conhecimento sensível - cuja liberação irrestrita é "cláusula pétrea" do acordo -, vai custar US$ 4,5 bilhões. E deve ser seguida de pacotes, de longo prazo, até um total de 124 unidades contratadas a longo prazo, coisa de 10 a 15 anos, contemplando um horizonte além de 2030. A previsão pode ser maior, chegando a 160 jatos Gripen NG. O número é considerado o ideal para proteção integral dos pontos estratégicos do País, de acordo com um oficial combatente ouvido pelo Estado. O plano da Força Aérea é substituir a frota atual por um só tipo padrão, capaz de ser configurado de forma personalizada para cada necessidade.

A Marinha está na mesma sintonia. A aviação naval embarcada hoje no porta aviões São Paulo A-12 e, no futuro, a bordo do novo navio dessa classe que vai liderar a 2.ª Frota, no litoral Norte/Nordeste, quer empregar a versão especializada do mesmo avião escolhido para a FAB.

Em Anápolis, na sede do Grupo de Defesa Aérea, a dupla inicial de caças F-5M, que cumprirá a tarefa de proteger Brasília até a chegada dos Gripen, estimada para 2018, está pronta. Vieram de Santa Cruz (RJ) e de Canoas (RS). Na segunda mobilização ao menos um sairá de Manaus.

Os 12 Mirage 2000C/B comprados usados, na França, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, deveriam ter sido aposentados em 2011. A Aeronáutica montou um esquema de manutenção que imobilizou seis caças e manteve no ar o esquadrão remanescente. Até o voo do capitão Ramalho, hoje, o GDA terá somado 10.500 horas.

Em sete anos o supersônico entrou em ação real apenas uma vez, em março de 2009, quando foi acionado para reagir a uma ameaça - um piloto amador, desequilibrado, pretendia invadir o limite da capital. Acabou caindo e morrendo com a filha de 5 anos no estacionamento de um shopping de Goiânia.



29 dezembro 2013

Mais de 500 mortos em duas semanas de bombardeios na província síria de Aleppo

Mais de 2 milhões de sírios fugiram para países vizinhos


AFP
Em Beirute

Ao menos 517 pessoas, entre elas 151 crianças, morreram por bombardeios do regime de Bashar al-Assad contra zonas rebeldes da província de Aleppo (norte) deste o dia 15 de dezembro, informou uma ONG neste domingo.

Ao menos 46 combatentes - 34 rebeldes e 12 jihadistas - e 46 mulheres morreram nesta série de ataques aéreos contra Aleppo e sua província por parte da aviação síria, que lança barris de explosivos, declarou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"O OSDH considera que todos os que ficaram calados na comunidade internacional são cúmplices destes massacres que o regime sírio comete e segue cometendo", afirmou um comunicado da ONG.

Por sua vez, o governo sírio declarou que os bombardeios são voltados contra os terroristas escondidos entre os civis.

Segundo o OSDH, o regime tenta retomar o controle dos bairros rebeldes do leste de Aleppo utilizando uma tática que já teve êxito em outras cidades.


28 dezembro 2013

Presente de final de ano

Gilberto Amaral | Jornal de Brasília

Às vésperas do Natal, a Poderosa sancionou a lei que dá ao Exército Brasileiro um reforço no seu efetivo, o que não era feito há 30 anos. Com a alteração, o número de oficiais passa dos 25.986 atuais para 40 mil. Já o número de subtenentes e sargentos foi elevado de 59.656 para 75 mil.


Além dos caças

decisão de compra do Gripen não será importante para a defesa do Brasil nos próximos 20 anos, e sim, para daqui a 30 a 50 anos


Merval Pereira | O Globo

Eduardo Brick, especialista do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial da Universidade Federal Fluminense, em vez de comemorar ou criticar a compra dos novos caças Gripen suecos pela Aeronáutica, prefere uma visão pragmática e de longo prazo. Por mais paradoxal que a afirmação possa parecer, diz ele, essa decisão não será importante para a defesa do Brasil nos próximos 20 anos, e sim para daqui a 30 a 50 anos.

Nesse raciocínio, o país simplesmente não tem no momento recursos humanos, tecnológicos, industriais e financeiros para se opor a eventuais ameaças. Mas pode aproveitar a oportunidade para desenvolver sua Base Logística de Defesa (BLD). Esse, diz ele, pode ser um dos principais benefícios da escolha do Gripen - a ampliação da capacitação industrial e tecnológica não só da Embraer como de muitas empresas de sua cadeia produtiva em produtos cuja tecnologia o Brasil ainda não domina.

Portanto, Eduardo Brick acha que o planejamento de hoje deve visar, prioritariamente, a um horizonte mais longínquo, não importando se o Gripen não é uma das mais eficazes armas existentes hoje. O que importa é que essa aquisição pode ser um importante instrumento para o Brasil se capacitar para conceber e desenvolver aeronaves de combate amanhã.

Do ponto de vista de desenvolvimento econômico e social, a BLD, apesar de sua finalidade precípua não ser essa, ressalta Brick, é instrumento importantíssimo de política industrial, por vários motivos:

A) Atua no limiar do desenvolvimento tecnológico;

B) Políticas industriais de conteúdo nacional para defesa são necessárias por questões de garantia de suprimento de itens críticos (que são cerceados pelos países que detêm essas tecnologias) e não oneram a economia como um todo.

C) A capacitação industrial construída tem uso dual. Ele cita o exemplo da Embraer, que, após décadas procurando se capacitar com produtos de uso militar, conseguiu desenvolver jatos comerciais e ser importante ator no mercado internacional de produtos civis.

Para o especialista da Universidade Federal Fluminense, a defesa nacional na era pós-industrial depende de dois instrumentos fundamentais: as Forças Armadas (FFAA) e a Base Logística de Defesa (BLD) . A construção de qualquer uma delas é uma tarefa de décadas, mas a criação da BLD pode ser mais difícil devido à aceleração do desenvolvimento tecnológico, que causa obsolescência rápida de qualquer produto de defesa.

Portanto, diz Brick, não é sensato, nem financeiramente exequível, manter grandes estoques de produtos de defesa, exceto, evidentemente, se houver iminência de conflito, mas, sim, de capacidade industrial para inovar continuamente. 


A Estratégia Nacional de Defesa define, muito apropriadamente, diz ele, que a construção e sustentação de uma BLD adequada às necessidades brasileiras são um dos seus eixos fundamentais.

Não se pode esquecer, ressalta Eduardo Brick, que o Gripen é apenas um projeto de cerca de R$ 11 bilhões, em um programa de R$ 1 trilhão, valor estimado para o Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (Paed), em 20 anos.

Na sua avaliação, com a atual estrutura de governança da BLD brasileira, o país corre um sério risco de sofrer um apagão de gestão se o orçamento aumentar, e o Paed realmente deslanchar. Há nada menos que seis ministérios envolvidos, numa estrutura caótica.

No caso de recursos humanos, a necessidade monta a vários milhares de profissionais, principalmente engenheiros, altamente qualificados e experientes em definição de requisitos e especificações, teste e avaliação de sistemas, gestão de projetos complexos, negociação de contratos, entre outras coisas.


25 dezembro 2013

Entrega das primeiras Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal (VBTP) M113BR ao 20ºBIB

Ministério da Defesa

Curitiba (PR) – No dia 11 de dezembro, foi realizada a entrega do primeiro lote de VBTP M113BR ao 20º Batalhão de Infantaria Blindado, tornando-se esta a primeira Unidade Operacional a receber os blindados resultantes do Projeto de Modernização da VBTP M113B, conduzido no Parque Regional de Manutenção/5 em parceria do Exército Brasileiro com a empresa norte americana BAE SYSTEMS. 




A preparação para o estabelecimento da linha de produção e o protótipo em si foram concluídos em 2012, tendo a modernização efetivamente se iniciado em 2013. Nesse processo, a VBTP recebe outro conjunto de força e uma nova suspensão, além de alterações e componentes que permitem suportar a potência adicional de cerca de 90 CV.

O Processo permite que a VBTP M113BR acompanhe a VBCCC Leopard 1 A5, contando ainda com modificações no Sistema de Comunicações, através da adoção do equipamento rádio FALCON III, da empresa Harris, e do Intercom SOTAS, da Thales.

Ainda em 2013 e 2014, estão previstas as entregas para os 20º, 13º, 29º e 7º Batalhões de Infantaria Blindados, nessa sequência.



Opositor aceita negociação no Sudão do Sul

Governo prepara ofensiva contra rebeldes; ONU pede mais 5.500 capacetes azuis


O Globo

JUBA - Sob rumores de conflitos armados nas regiões petrolíferas do Sudão do Sul, o ex-vice-presidente Riek Machar se disse pronto para negociar com o presidente Salva Kiir uma saída política para os confrontos que há uma semana ameaçam arrastar o país à guerra civil. Machar pediu que o governo liberte seus aliados para que as conversas possam ter início. Mas, enquanto isso, o Exército preparava uma grande ofensiva militar para retomar o controle da cidade de Bor, capital do estado de Jonglei, a 200 quilômetros da capital, hoje nas mãos de dissidentes ligados ao ex-vice-presidente.

— Minha mensagem é para que Salva Kiir liberte meus camaradas e que os deixe ser removidos para Addis Abeba para que o diálogo possa iniciar imediatamente. Essas são as pessoas que promoveriam o diálogo — afirmou Machar.

O Sudão do Sul é cenário de intensos combates desde que Salva Kiir acusou seu ex-vicepresidente, a quem destituiu em julho, de tentativa de golpe de Estado há uma sem ana. Machar desmente categoricamente e acusa Kiir de querer eliminar seus rivais, numa disputa que tem um agravante: o presidente é da tribo Dinka, majoritária, e o ex-vice, da tribo Nuer — o que dá um perigoso elemento étnico à crise. Centenas de pessoas já morreram e milhares estão deslocadas pelos confrontos.

Machar disse que seus homens controlavam campos de petróleo nos estados de Unidade e Alto Nilo — estratégico por concentrar a produção de petróleo nacional, que representa 95% da economia. O governo sul-sudanês negou.

— Isso é o que eles gostariam. E nós não vamos libertar de maneira alguma aqueles acusados de um golpe de Estado — alertou o ministro da Informação, Michael Makuei.

Apesar da firmeza, o presidente disse ao Parlamento que também estava disposto a negociar com Machar “sem condições prévias”. Ele voltou a acusar o rival de mobilizar contra ele milicianos da etnia nuer.

A tensão crescente fez o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedir ao Conselho de Segurança o envio de mais 5.500 capacetes azuis ao país para proteger os civis.


Grupo de Aviação de Caça que atuou na 2ª Guerra Mundial comemora 70 anos

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Rio de Janeiro, 23/12/2013 – A Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, foi palco para cerimônia em comemoração aos 70 anos do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa). O evento, que aconteceu na manhã desta segunda-feira, teve o objetivo de homenagear a equipe que lutou na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial.

Naquela época, 22 jovens pilotos, com idades entre 18 e 25 anos, desbravaram o céu estrangeiro e até hoje são lembrados pela atuação heroica e destacada com que enfrentaram o Eixo. Após 1945, quando retornaram ao Brasil, eles foram responsáveis pela implementação da doutrina da aviação de caça da Força Aérea Brasileira (FAB).

Durante a solenidade, o ministro da Defesa, Celso Amorim, disse que a presença do 1º GAvCa na Itália “contribuiu muito, naquele momento, para a democratização do próprio país”.

Amorim citou, também, o recente anúncio da escolha do Governo Brasileiro pelos caças suecos Gripen NG, que irão reequipar a FAB. “Eu me sinto partícipe do esforço para esta decisão. A escolha que foi feita visou o ponto de vista técnico, de transferência de tecnologia, e servirá adequadamente para a nossa defesa”. E completou: “18 de dezembro foi o dia mais importante de toda minha gestão no ministério”.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, agradeceu a Celso Amorim pelo apoio. De acordo com ele, as habilidades do ministro contribuem para a defesa da soberania do país. “Graças à vossa excelência, a Força Aérea estará equipada com a mais alta tecnologia na área e estará apta para desenvolver futuramente caças de 5ª geração”, falou.

Agraciados

Durante a solenidade, foram feitas entregas de distinções por tempo de serviço na aviação de caça, de 15 anos e cinco anos. Este tipo de premiação é concedido aos graduados e praças que serviram em grupos desta natureza.

Em seguida, ocorreu a entrega do Destaque Sipaer, aos militares que se destacaram em atividades de prevenção de acidentes aeronáuticos. Por fim, foram concedidas as condecorações de piloto mais eficiente e praça padrão.

O comandante do 1º GAvCa, tenente coronel aviador Eduardo Almeida da Silva, parabenizou a todos pela data e explicou que o momento estava cercado de alegrias, por comemorar mais um ano de trabalho, sem nenhum acidente, e de tristezas pelo falecimento neste ano dos três últimos pilotos veteranos do grupo.

Nesta hora, ele citou os nomes dos sete remanescentes presentes no evento, ex-militares que atuaram na 2ª Guerra como auxiliares de mecânico e armamento, e em atividades de administração e comunicações.

A formatura terminou com desfile da tropa em continência ao ministro Celso Amorim. Por algumas vezes, dois caças sobrevoaram o local da cerimônia, abrilhantando o céu da Base Aérea.


Conheça o Gripen, o caça escolhido para a Força Aérea Brasileira

Ministério da Defesa


Brasília, 19/12/2013 - O novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen, será desenvolvido em parceria com empresas locais a partir do projeto original destinado à Força Aérea da Suécia. Ele contará com modernos sistemas embarcados, radar de última geração e capacidade para empregar armamentos de fabricação nacional. Confira os detalhes do avião.

 

Morre aos 94 anos Mikhail Kalashnikov, inventor da AK-47

Arma é uma das mais usadas no mundo e foi criada logo após a 2.ª Guerra; inventor estava internado desde novembro


O Estado de S. Paulo | 
AP | REUTERS

MOSCOU - O inventor do famoso fuzil de assalto soviético AK-47, Mikhail Kalashnikov, morreu nesta segunda-feira (23), aos 94 anos. O anúncio foi feito pela agência de notícias oficial Itar-Tass, que citou um porta-voz das autoridades da República de Udmurtia, na região dos Urais, na Rússia. O inventor da Kalashnikov enfrentava problemas de saúde e estava internado desde novembro. Ele morreu na cidade de Izhevsk.

O trabalho de Kalashnikov para a União Soviética o imortalizou no nome da arma de fogo mais popular do planeta, usado tanto por exércitos regulares quanto por grupos armados clandestinos e rebeldes em todo o planeta. O nome AK-47 é uma combinação das iniciais do nome do fuzil, "Avtomat Kalashnikova", e o ano em que a arma começou a ser produzida, 1947.

Inspirada no fuzil de assalto alemão Sturmgewehr 44, a arma popularizou-se por causa de sua manutenção relativamente simples, por sua resistência a condições adversas, como água, areia e lama, e também por seu baixo custo.

Estima-se que 100 milhões de fuzis AK-47 estejam em uso em todo o mundo desde sua invenção, após a 2.ª Guerra.

Questionado em 2007 sobre sua contribuição para o derramamento de sangue em conflitos pelo mundo, Kalashnikov respondeu: "Eu durmo bem. São os políticos os culpados pela falta de acordo e pelo recurso à violência". 

Na Internet, foi publicado manual sobre defesa contra drones

O holandês Ruiben Pater publicou um manual sobre a defesa contra drones


Voz da Rússia

O regulamento tem duas partes. Na primeira, figuram as silhuetas identificativas dos drones e são indicadas as missões (reconhecimento, ataque) desses aparelhos.

A segunda parte do documento contém conselhos sobre como se proteger dos drones. O autor sugere, em particular, de dia manter-se na sombra de árvores e edifícios, ter um cobertor térmico para enganar o termovisor do drone e não utilizar telefones celulares nem dispositivos com GPS.

Em forma impressa, o regulamento está disponível em inglês e pashtu, e em forma eletrônica, em 14 outras línguas.


Aviões israelenses atacam campos palestinos na Faixa de Gaza

Voz da Rússia

Israel, Faixa de Gaza, acidente, ataque aéreo
Foto: RIA Novosti

Aviões israelenses atacaram, pelo menos, dois campos de treino palestinos na Faixa de Gaza, depois de um operário israelense ter sido morto por um franco-atirador na fronteira da Faixa. Até agora, não há informações sobre as vítimas do bombardeamento.

Antes, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia prometido não deixar impune o assassinato do operário. "Nossa política consistiu até agora em frustrar os planos do inimigo e reagir energicamente a quaisquer provocações. Esta política será continuada", disse.


Rússia cria grupo de acrobacia aérea em aviões Yak-130

Voz da Rússia

Yak-130
Yak-130 - Foto: EPA
A Força Aérea da Rússia está preparando a criação de um grupo de acrobacia aérea em aviões de treinamento de combate Yak-130, declarou esta quarta-feira aos jornalistas o comandante da Força Aérea russa, tenente-general Viktor Bondarev.

Ele especificou que se trata de "uma nova equipe de acrobacia aérea" criada para completar os grupos existentes da Força Aérea da Rússia: os Russkiye Vityazi em caças Su-27, os Striji em caças MiG-29, os Sokoly Rossii e um grupo de helicópteros Berkuty.


França envia dez tanques para a capital da República Centro-Africana

Mais de dez tanques franceses foram colocados perto do aeroporto de Bangui, onde se localiza a base das forças de paz francesas e africanas


Voz da Rússia

A decisão de colocar veículos de combate foi tomada após ter ocorrido no paísnuma série de confrontos massivos, causando pânico entre a população local.



África
Foto: EPA

Na capital da República Centro-Africana teve ainda lugar uma ação de protesto contra a presença de tropas francesas no país. A manifestação contou com milhares de apoiantes do grupo islâmico dissolvido Seleka.

A razão para os protestos foi a eliminação de três militantes do Seleka por soldados franceses.


Um exército europeu: o sonho e a realidade

Porque inviabilizou David Cameron o plano para a criação de um exército europeu na última cúpula da União Europeia?


Vadim Fersovich | Voz da Rússia

Muitos órgãos de comunicação social citaram nessa altura as palavras do premiê britânico de que a União Europeia não precisava de ter tropas terrestres e uma força aérea, tal como todos os restantes componentes das forças armadas. Na mesma altura, Cameron recordou aos seus homólogos que a base da segurança europeia é a Aliança Atlântica e que não se deve enfraquecê-la dividindo suas forças e meios.

A posição do Reino Unido é compreensível. Realmente, será que à Europa não lhe chega a OTAN ou não tem outros problemas em que gastar o dinheiro dos contribuintes? Porque é que a França, a Espanha, a Itália, a Polônia e a Alemanha voltaram a apresentar uma iniciativa que já tinha sido chumbada pela Grã-Bretanha no ano passado? É verdade que nessa altura, além de um exército comum, onze países da UE também propuseram criar o posto de presidente da UE, formar um Ministério das Relações Exteriores comum e introduzir vistos de entrada únicos europeus. O Telegraph divulgou o ponto de vista britânico sobre essa proposta: “este é mais um quebra-cabeças sem sentido do arrogante projeto europeu, cujas características específicas são a crise econômica e o permanente reforço das práticas de esmagamento das soberanias nacionais”.

Claro que o Reino Unido se manifesta contra a continuação do desenvolvimento de um processo bastante mais profundo, cuja essência foi descrita, já em 1952, por um dos fundadores da UE e “pai da Europa” Jean Monnet: “Os povos da Europa devem ser orientados para a criação de um “superestado”, mas de uma forma que eles não se apercebam da essência do que se está a passar. Isso pode ser alcançado por meio de passos consecutivos, cada um dos quais possa ser camuflado com a obtenção de resultados econômicos, mas cujo resultado final seja a formação inevitável de uma federação”.

A característica principal de uma federação é precisamente um sistema de defesa e forças armadas comuns. Por isso os federalistas, encabeçados pela França e pelos países do Benelux, defendem uma política europeia comum de segurança e defesa (PCSD) que exclui os EUA do sistema de segurança europeu. Mas o Reino Unido e a Dinamarca são a favor da manutenção de uma forte posição dos EUA na Europa. O “europeísmo” da França foi finalmente apoiada pela Alemanha, mas o “atlantismo” do Reino Unido não permite, de acordo com as regras europeias, que se dê por unanimidade esse importante passo em direção a um “superestado” na Europa.

Esse passo também tem outras dificuldades. A versão anterior das forças europeias comuns, a União da Europa Ocidental (UEO), sempre foi considerada como uma estrutura auxiliar da OTAN. Durante o conflito da Iugoslávia as forças europeias de reação rápida demonstraram a sua lentidão e ineficácia, enquanto a direção política dos países europeus foi incapaz de elaborar uma estratégia comum. Noutras operações mais importantes, nem os recursos da OTAN foram suficientes. Assim, ao iniciar a sua operação no Afeganistão, os EUA não apelaram ao auxílio da OTAN, mas ao de países seus aliados como o Reino Unido, a França e a Alemanha. Claro que Washington optou por essa solução também para manter um controle total sobre as estruturas de comando. Mas ao longo dessa operação ficou claro que a Europa não possui as suas próprias componentes de umas forças armadas completas, como meios de reconhecimento e vigilância, meios técnicos e materiais, comunicações e uma aviação militar de transporte pesada.

Em África decorre uma luta armada pelas esferas de influência. Este ano, as propostas dos federalistas para a criação de uma força aérea comum abrangiam a criação de uma frota europeia de aviões de transporte, aviões de reabastecimento e drones, cujas necessidades são vitais para as operações da França no Mali e na República Centro-Africana. Para o Reino Unido essa é, tal como no Afeganistão, uma possibilidade de ter que oferecer o apoio da sua aviação militar de transporte. É evidente que Londres não quer ceder aos “poderes federais” esse negócio de longo prazo, tal como ajudar os seus parceiros a atingir os seus objetivos particulares.

O artigo 42 da tal chamada constituição europeia, o Tratado de Lisboa, refere: “A política comum de segurança e defesa deve incluir a formação progressiva de uma política comum de defesa. Isso irá resultar numa defesa comum em que o Conselho Europeu tome essa decisão por unanimidade.” Por enquanto os diferentes países europeus têm objetivos políticos muito diferentes, tanto na defesa, como na sua expansão, e uma decisão unânime ainda está muito longe. Tal como o “exército europeu”.


24 dezembro 2013

Escudo eletrônico é promessa para desarmar adversários

Aplicação em larga escala de armas de alta tecnologia à base de equipamento eletrônico é uma das principais características da guerra moderna. Consórcio russo desenvolveu sistema único de combate eletrônico que está sendo fornecido às tropas nacionais.


Andrêi Kisliakov, especial para Gazeta Russa

A Força Aérea, do mesmo modo que os outros ramos das forças armadas dos principais países do mundo, é também constituída por sistemas eletrônicos. Apesar dos benefícios, as vantagens da eletrônica, que proporciona alta eficácia de combate a armas de ataque, se veem reduzidas por sua vulnerabilidade, uma vez que qualquer sinal de rádio pode ser abafado por ruídos. No entanto, o consórcio russo Radioelektronnie Tekhnologii (Tecnologia de Rádio – CTR) já resolveu parcialmente esse problema.

O consórcio desenvolveu um sistema único de combate eletrônico – o Krasukha-4 –, que está sendo fornecido às tropas russas. O equipamento pode ser aplicado em áreas de importância estratégica, como aviões de reconhecimento e satélites espiões do sistema espacial inimigo. O raio de alcance desse tipo sistema é de mais de 300 km.


Krasukha-4

“O sistema cria condições da ordem dos 99%, que tornam muito difícil ao inimigo acertar nossas aeronaves”, comenta o diretor-geral do CTR, Nikolai Kolesov . A tela de antena do Krasukhi-4 é montada em uma base com rodas, um veículo Kamaz de quatro eixos com capacidade de viatura tipo jipe. Além disso, o sistema móvel pode operar em temperaturas diferentes, desde o Círculo Polar Ártico ao deserto da Arábia.

Levando em consideração a atual situação na fronteira da Rússia, os especialistas consideram que uma das principais tarefas do sistema seria a ação efetiva contra um eventual inimigo. Oleg Antonov, diretor da empresa Aviakonversia, que está diretamente ligada ao desenvolvimento de equipamentos eletrônicos para fins de defesa, argumenta que, para tanto, é suficiente suprimir os sinais dos sistemas de navegação por satélite.

Segundo Antonov, os pilotos estrangeiros estão mal preparados para voar sem o uso de tais sistemas, e a supressão dos sinais de navegação dos satélites vai dificultar muito mais, ou até mesmo tornar inviável, a navegação e operação de voos em condições climáticas adversas. Se forem suprimidos outros sinais, o adversário pode ficar sem comunicação, sem a capacidade de identificar as outras aeronaves, sem sistema de reconhecimento etc.

Além disso, é mais complicado fazer uso de armas guiadas à distância, que determinam o alvo com a ajuda de sistemas de navegação por satélite. A Aviakonversia encontrou, contudo, uma maneira de lidar eficazmente com os sinais de rádio do inimigo, ao criar um aparelho especial que simula o sinal do sistema suprimido. Em vez do sinal de satélite, o equipamento de navegação do alvo capta um sinal parecido da estação.

Para uma cobertura abrangente de um determinado território em uma guerra eletrônica, a Aviakonversia criou o conceito de sistema territorial de defesa (STD) Zontik (chapéu de chuva), cuja principal tarefa é impedir ataques com modernas armas de alta precisão e combater aviões inimigos.

“Quando falamos em uma ação de resposta efetiva contra a aviação da Otan, que poderá ter bases no território da Geórgia, basta construir dois objetos na Ossétia equipados com os sistemas guerra eletrônica”, explica Antonov. Os dois “bloqueadores” colocados perto da povoação de Leninogori, a cerca de 40 km de Tbilisi, conseguem dificultar os voos e o trabalho militar da aviação sob uma significativa parte do território da Geórgia. “Se esses objetos forem colocados nas Abecásia, então, todo o território do vizinho se encontrará sob o ataque do sistema de guerra eletrônica.”


Reforma militar aponta para o Ártico

Verificação da prontidão das Forças Armadas, rearmamento em grande escala, novas bases militares no Ártico e ênfase na dissuasão nuclear do potencial inimigo foram os principais destaques do Ministério da Defesa russo neste ano que termina. Medidas definiram não apenas a direção do desenvolvimento de Exército russo, mas também as ambições geopolíticas de Moscou.


Dmítri Litóvkin, especial para Gazeta Russa

Em 2012, Serguêi Choigu assumiu o cargo de ministro da Defesa em uma situação muito difícil. O seu antecessor, Anatóli Serdiukov, havia literalmente rompido com o “modelo soviético” estabelecido de comando das Forças Armadas, já desgastado pelo tempo e pelas guerras.

Nesse contexto, o comandante supremo do país, o presidente Vladímir Pútin, realizou pela primeira vez em 20 anos inspeções de surpresa ao grau de prontidão do Exército e da Marinha.

Em meados de fevereiro, por exemplo, Choigu recebeu ordem para dar alerta de combate ao Distrito Militar Central, quando se encontrava a bordo de um avião em viagem ao exterior. Posteriormente, foi a vez dos Militares do Ocidente e do Sul.

Em julho passado, houve ainda a verificação surpresa da prontidão das tropas do Distrito Militar do Oriente e, em outubro, foram avaliadas as forças de dissuasão nuclear da defesa aeroespacial, da Marinha e da aviação de longo alcance para repelir um eventual conflito nuclear.

Uma característica comum a todos esses exercícios foi o fato de cada uma das inspeções ser acompanhada de um deslocamento massivo de tropas e equipamentos de uma extremidade do país para a outra.

Os testes permitiram não apenas avaliar objetivamente o nível de prontidão do Exército e da Marinha, e desenvolver a interoperabilidade entre todos os seus elementos, mas também revelar os problemas existentes e resultantes da reforma em curso.

Pútin ficou satisfeito com os resultados da inspeção, porém, em dezembro, o Conselho de Administração do Ministério da Defesa incumbiu Choigu de resolver uma série de prioridades, sendo a principal delas o rearmamento do Exército.


Preferência nacional


Durante a reforma do Exército desenvolvida por Anatóli Serdiukov surgiu uma situação paradoxal. A Rússia, líder mundial em venda de armas e equipamento militar, dá preferência ao aparato ocidental quando se trata de seu próprio Exército. Choigu mudou essa situação em menos de um ano.



RS 24 Yars ICBM

O Exército adquiriu duas plataformas de mísseis dos novos sistemas de mísseis estratégicos Yars. Duas brigadas das Forças Terrestres foram rearmadas com o sistema mísseis Iskander. Duas bases aéreas receberam os mais novos bombardeiros da linha de frente Su-34, aeronaves de treino Yak-130, helicópteros Mi-28N, Mi-35M. A Marinha de Guerra recebeu dois cruzadores de mísseis estratégicos do projeto 955 do tipo Bor.

Além disso, foram rearmadas seis brigadas da infantaria mecanizada e uma de tanques com os modernos T-90 e sistemas de artilharia Msta-S. No total, 36 unidades militares foram reequipadas com modernos meios de comunicação e seis brigadas de infantaria mecanizada receberam novo equipamento de combate eletrônico.

Graças a essas inclusões, foi possível aumentar a cota de modernização das armas e equipamentos militar para 17% em 2013. Até o final de 2015, esse índice chegará a 30% e, em 2020, entre 70% e 100%.




Conquista do Ártico


Este ano também mostrou para onde estão orientadas as transformações no Exército. Moscou reconheceu abertamente que colocou uma brigada de sistemas de mísseis táticos Iskander na região de Kaliningrado. Esses mísseis podem acertar qualquer alvo em um raio de até 500 km da fronteira russa, bem como posições do sistema de defesa antimíssil dos EUA.

Iskander (SS-26 Stone)

Além disso, a Rússia restaurou quase por completo o sistema de alerta antecipada em caso de ataque de mísseis. Colocou em operação 4 da 8 estações de radar Voronej-DM, capazes de controlar todo o que se passa nos céus ao redor da Rússia em uma distância de até 6.000 km.

Para a proteção dos interesses nacionais, foi criado, em junho passado, o comando operacional no Mediterrâneo. Desde então, essa área ganhou conexões de navios da Marinha russa. As capacidades de combate das tropas paraquedistas foram reforçadas graças à inclusão de três brigadas do exército de assalto aéreo em sua composição, o que permitirá a Moscou responder de forma mais eficaz ao eventual aparecimento de ameaças à segurança de suas fronteiras.

Porém, o maior feito talvez tenha sido a criação de uma rede de bases militares na região do Ártico, cuja formação será concluída já no próximo ano. De acordo com o plano, serão implantadas partes da defesa aeroespacial no arquipélago da Terra Nova, bem como serão criadas equipes de resposta rápida e os navios da Marinha de Guerra passarão a fazer serviço militar ao longo de toda a Rota do Mar do Norte.

Moscou pretende reforçar o seu pedido de extensão da plataforma continental, garantindo para si os direitos a novos depósitos de petróleo e gás no fundo do Oceano Ártico, assim como um novo corredor de transporte do oceano Pacífico para o Atlântico.


19 dezembro 2013

Boeing fala em 'decepção' Dassault critica decisão

Americana afirma que vai procurar governo para entender melhor a opção; francesa diz que Rafale é um avião melhor 


Valmar Hupsel Filho
Andrei Netto

Correspondente / Paris | O Estado de SP

O anúncio de que o governo brasileiro preferiu adquirir os caças suecos Gripen para compor o programa FX-2 foi considerado "decepcionante" pela americana Boeing Company, uma das concorrentes preteridas. A fabricante americana, que concorria com o caça F/A-18E/F Super Hornet, afirmou em nota que, embora "decepcionante", o resultado "de forma alguma diminui o comprometimento da empresa em expandir sua presença, ampliar suas parcerias e apoiar as necessidades do Brasil em termos de segurança".

A Boeing informou que nas próximas semanas consultará a Força Aérea Brasileira para entender melhor a decisão. 


Favorita para vencer a seleção do projeto FX-2 na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, a Dassault, fabricante francesa do caça Rafale, criticou, em nota, o avião sueco. "Lamentamos que a escolha tenha sido pelo Gripen, que não pertence à mesma categoria do Rafale." A nota segue advertindo para as diferenças de desempenho entre as aeronaves. "O Gripen não é equivalente ao Rafale em termos de desempenho e, portanto, de preço. Esta lógica financeira não leva em conta nem a relação custo-benefício favorável ao Rafale, nem o nível de tecnologia oferecida pelo consórcio francês".

A decisão representa um revés para a indústria aeronáutica da França, que em 7 de Setembro de 2009 chegou a comemorar. Na ocasião, o então presidente francês Nicolas Sarkozy deixou o Brasil com a certeza de que os Rafale seriam os escolhidos após a publicação de nota oficial que confirmava a abertura de negociações exclusivas entre Dassault e Ministério da Defesa do Brasil.

Ala petista defendeu opção por suecos

Amparada em argumentos técnicos, a escolha dos caças Gripen NG, da sueca Saab, também respondeu ao lobby de um setor específico do PT


Denise Chrispim Marin | O Estado de SP


Amparada em argumentos técnicos, a escolha dos caças Gripen NG, da sueca Saab, pelo governo brasileiro, também respondeu ao lobby de um setor específico do PT. O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, defendia essa opção desde a retomada do processo de compra de jatos militares pela Força Aérea Brasileira, há oito anos.

Durante o longo processo, os Estados Unidos sinalizaram com uma possível parceria com o Brasil no setor industrial, entre a Boeing e a Embraer.

Em junho passado, durante uma feira aeronáutica na França - o Paris Air Show -, Marinho extraiu do presidente da Saab, Hakan Buskeh a promessa de construção de uma fábrica de aeroestruturas em São Bernardo, onde possivelmente os caças Gripen serão montados.

Três meses antes, ele esteve com o vice-ministro das Relações Exteriores da Suécia, Gunar Wieslander, em Estocolmo, e recepcionou os reis suecos, Gustav e Silvia, em visita a São Paulo. Seu lobby em favor de um parque aeronáutico no ABC, ancorado no investimento da Saab, era um dos mais constantes no Ministério da Defesa. 

O componente político seria igualmente relevante se a escolha da Força Aérea Brasileira fosse pelo F18 Super Hornet ou o pelo Rafale, da francesa Dassault, segundo Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. A proposta da França caiu por causa do custo mais alto. A oferta americana foi prejudicada pela descoberta da rede de espionagem dos EUA nos gabinetes de Brasília e na Petrobrás e pela reação brasileira - o cancelamento da visita de Estado da presidente Dilma a Washington, prevista para outubro passado. Mas, sublinhou Barbosa, sempre houve desconfiança no governo brasileiro sobre a dose real de transferência de tecnologia da Boeing à Embraer e a intromissão do Senado americano nessa parceria. 

"Os acordos de Marinho com o governo sueco e a Saab certamente foram decisivos", afirmou. "Qualquer escolha teria uma motivação política. O que me surpreende não é a opção pelo Gripen, mas o momento escolhido pelo governo para anunciá-la", completou. 

Anteontem, o governo brasileiro declarou não ter considerado uma a carta aberta aos brasileiros, escrita por Edward Snowden, como um pedido de asilo político. Snowden foi o responsável pela divulgação à imprensa de documentos da Agência Nacional de Segurança (NAS, na sigla em inglês). 

Outro ex-embaixador em Washington, Roberto Abdenur, concordou estar ainda em evidência o escândalo de espionagem americana no Brasil, com sérias implicações negativas para a relação bilateral. Mas ponderou que a decisão em favor dos Gripen "não foi contra a americana Boeing e a francesa Rafale". A França, lembrou ele, manterá sua parceria estratégica com o Brasil, ampliada durante a recente visita do presidente François Hollande com a inclusão do projeto de compra de supercomputadores franceses. 

Abdenur explicou ser importante também para o Brasil preservar as múltiplas áreas de diálogo e de cooperação com os EUA. Mas a recomposição da confiança mútua dependerá, inicialmente, de um pedido de desculpas pela espionagem da NSA. Para Barbosa, o governo americano terá de fazer um primeiro gesto, como a elevação do Brasil ao mesmo nível de parceria estratégica mantida por Washington com a índia e a Turquia.


Um pacote para criar um supersônico com a grife BR

A escolha do sueco Gripen NG permitirá o desenvolvimento de um caça nacional de alto desempenho


Roberto Godoy | O Estado de SP

A escolha do sueco Gripen NG permitirá o desenvolvimento de um caça nacional de alto desempenho - um supersônico com a grife BR, criado para atender demandas específicas da aviação militar brasileira. De acordo com o ministro da Defesa, Celso Amorim, essa aeronave poderá ser exportada. É o principal benefício da proposta da Saab, que também levou vantagem na hora de fechar a conta: ganhou o contrato por US$ 4,5 bilhões, á menor fatura das três finalistas, cobrindo o fornecimento de 36 aeronaves, peças, componentes e, claro, a tecnologia de quarta geração pretendida pela Aeronáutica em larga escala. Não é pouco. Com o conhecimento incorporado a partir do programa conjunto, a principal agência aeroespacial do País, a Embraer, designada parceira da Saab, poderá no futuro oferecer um novo produto no mercado militar.

A saga da escolha FX é reveladora. Dos seis concorrentes na primeira seleção, ainda na administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, permanecem em produção apenas três. Na prática, significa que seria necessário, agora, promover um amplo esquema de revitalização dos modelos eventualmente comprados na ocasião.

A meta da Força Aérea é promover a padronização da frota de combate - um modelo básico de aeronave capaz de receber a roupagem adequada a diversas missões. O caça FX deverá ser capaz de substituir gradativamente todos os F-5M e os A-1M, variações modernizadas pela Embraer Defesa e Segurança (EDS) dos antigos F-5E, caças táticos, e AMX, bombardeiros leves de precisão. Os primeiros foram construídos, em média, há três anos, nos Estados Unidos. O segundo tipo, resultado de um empreendimento binacional do Brasil e da Italia, abriu caminho para a linha de jatos comerciais fabricados em São José dos Campos.

Com essa pretensão, a encomenda dos novos caças vai chegar a 124 unidades em lotes sucessivos - o que se negociou agora é apenas o primeiro pacote. Todavia, há algumas dúvidas pendentes, lembrava ontem um oficial da FAB, citando sistemas de armas e grande parte dos eletrônicos de bordo do Gripen que, segundo o piloto, seriam dependentes de fornecedores estrangeiros. A empresa sueca garante ter total independência e suficiência.

O anúncio da escolha não afasta a crise imediata da defesa aérea. Amanhã, a Aeronáutica aposenta formalmente os 12 caças Mirage 2000 que fazem o controle armado sobre Brasília. O último voo dos modelos será à meia-noite do dia 31.


Governo do Brasil pagará US$ 4,5 bilhões por caças suecos após processo de 18 anos

Depois de seguidos adiamentos por causa de restrições orçamentárias, Dilma Rousseff descarta os concorrentes americano e francês e opta pela compra de 36 aeronaves Gripen NG; argumento para a escolha é a transferência total de tecnologia para o País


Tânia Monteiro
Débora Bergamasco | 
O Estado de SP 
Brasília 

Após um processo que durou 18 anos, o governo brasileiro anunciou ontem ter escolhido comprar os caças suecos Gripen para equipar a Força Aérea. Foram desclassificados o francês Rafale, da Dassault, e o americano F-18, da Boeing.

O contrato prevê a compra dos 36 aeronaves por US$ 4,5 bilhões, com entrega até 2023.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, afirmou que pretende "pechinchar ao máximo" para reduzir os custos para os cofres públicos.

A presidente Dilma tinha se inclinado há alguns meses a optar pelos caças americanos, mas mudou de ideia e fez sua primeira retaliação monetária aos EUA por causa da espionagem do governo de Barack Obama.

De acordo com fonte graduada do Palácio do Planalto, a decisão pelas aeronaves F-18 E/F estava bastante avançada no meio deste ano e Dilma até poderia anunciar o acordo quando fosse aos EUA em visita de Estado, via que acabou cancelada.

Durante todo o ano de 2014 serão realizadas negociações entre o governo brasileiro e a SAAB, empresa responsável peIo Gripen NG, e as primeiras unidades serão entregues 48 meses depois da assinatura do contrato, o que se espera que ocorra no final de 2018. A Força Aérea diz que tentará antecipar o prazo de entrega. O primeiro desembolso do Brasil para os suecos será após o recebimento da última a aeronave.

Saito comemorou ontem "o fim da novela". O processo para a compra dos caças - chamado de FX - foi iniciado em 1995, durante o governo Fernando Henrique Cardoso e adiado inúmeras vezes por restrições orçamentárias. Em janeiro de 2003, por exemplo, quando Luis lnácio Lula da Silva assumiu o Planalto, ele anunciou que estava congelando a compra para dar prioridade ao combate à fome.

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, a escolha do Gripen foi feita depois de análises detalhadas dos três projetos pela Força Aérea Brasileira (FAB), levando em conta a performance do sueco, a transferência específica de tecnologia e o custo. Amorim disse que "não há temor" de que os EUA possam brecar o quesito transferência de tecnologia porque o Gripen tem componentes importantes norte-americanos como o motor. "A turbina não é tão sensível como outras partes", disse Amorim, ao explicar que o Brasil mantém também boas relações com os EUA e que aviões da Embraer possuem também peças daquele país.

“Amorim, mesmo reconhecendo que “a tecnologia do Gripen não é só sueca”, destacou ainda que uma das partes mais sensíveis da aeronave, que é “abertura do código- fonte do sistema de armas”, será feita integralmente no Brasil”

Transferência. "Aliviado" e "feliz" com a decisão, Amorim assegurou ainda que "transferência de tecnologia não é só promessa vaga". "Isso será acompanhado efetivamente". Segundo ele, "este aspecto continuará a merecer grande tenção do governo brasileiro".

Assegurou também que "o governo tem bastante segurança que existirá esta transferência de tecnologia, que não pode se basear em promessa, mas em realidade, com cláusulas, vigilância e capacitação do lado brasileiro". O comandante da Aeronáutica, por sua vez, informou que pelo menos 15 empresas participarão do projeto ao lado da SAAB sueca. O fato de existir transferência de tecnologia não significa que todo o avião seja produzido no Brasil, embora o comandante Saito tenha informado que 80% de toda a estrutura será fabricada no Brasil.

"Não há pretensão de fabricar todas as peças no Brasil. O importante é que a tecnologia de aviação seja transferida para que ela possa ser levada para a quinta geração de aeronaves", disse o ministro Amorim. O ministro acrescentou que no caso da quinta geração de aviões "estamos abertas a outras parcerias", de outras empresas e outros países. O Gripen é um avião de quarta geração. 

O ministro da Defesa reagiu ainda às críticas de que o Gripen NG é um avião que ainda está na planta e não existe. "O Gripen já existe sim, está voando e tem protótipo conceituai", disse Amorim. O Gripen, nas versões A, BC e D já voa em países como a Suécia, República Tcheca, Hungria, Africa do Sul, Tailândia e Reino Unido. O Gripen NG- New Generation é uma evolução tecnológica das suas últimas versões. Os caças vão substituir os franceses Mirage, cuja vida útil já terminou.


Questão de custo


Foi uma decisão em que os custos econômicos e políticos foram decisivos


Merval Pereira | O Globo

Com a decisão oficial a favor dos Caças suecos Gripen, chega ao fim a novela que já durava 17 longos anos, passando por quatro governos e três presidentes, desde os tempos do segundo governo de Fernando Henrique, os dois de Lula e agora o de Dilma. Venceu afinal o parecer técnico da Aeronáutica dado em 2010, que colocou o caça francês Rafale, da empresa Dassault, em último lugar, contra a preferência política do Planalto na época de Lula, favorecendo o Gripen NG, da sueca Saab.

O F-18 Super Hornet, da americana Boeing, saíra perdendo pontos na avaliação técnica da Aeronáutica, pela dificuldade histórica de os americanos transferirem tecnologia, e também na política, pois Lula chegou a anunciar em conjunto com o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, a decisão pelos Rafale franceses. Agora então, com a questão da espionagem da NSA ainda não resolvida, os americanos não tinham chance alguma de vencer a concorrência.

Foi uma decisão, portanto, em que os custos econômicos e políticos foram decisivos. O relatório da Força Aérea Brasileira (FAB), com mais de 30 mil páginas, destacava o fator financeiro como decisivo para a classificação: o Gripen NG, por ser monomotor e ainda estar em fase de projeto, é o mais barato dos três concorrentes finais. Pesou também certamente o compromisso de transferência de tecnologia.

Domício Proença Júnior, do Grupo de Estudos Estratégicos, Programa de Engenharia de Produção da Coppe — UFRJ, recebe com cautela, e certa ironia, a decisão, que ele classifica de "o primeiro episódio da série "O caça — A compra"". Como faz questão de lembrar, "o respaldo armado da soberania no controle do espaço aéreo brasileiro seguirá sendo feito por expedientes". 


Isso porque começa agora o segundo episódio, que ele chama de "O caça II — A promessa" Ele se refere à promessa de transferência de tecnologia: "Tomada a decisão, tem-se motivos que a justificariam, em diversos matizes e momentos: o desejo, esperança é ambição de ganhar controle de tecnologia, a soberania diante dos, códigos-fonte, uma decisão multicritério dos atributos de desempenho e custos de aquisição e operação, entre outros".

Minimiza-se assim o fato, ressalta Proença Júnior, de que "se comprou uma aeronave que ainda não existe, cuja tecnologia, códigos-fonte e atributos só serão realmente sabidos algum tempo depois que ela vier a existir. Sorria a fortuna que o que se tenha então possa atender às necessidades de defesa do Brasil".

O professor Expedito Carlos Stephani Bastos, pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, considera que "não foi uma decisão ruim" lembrando que o problema maior sempre são os custos de manutenção. Expedito Bastos acredita que, por se tratar de um país pequeno como a Suécia, haverá uma transferência de tecnologia que poderá em muito ajudar a indústria aeronáutica brasileira, não só a Embraer, mas também diversas outras empresas pequenas que produzem componentes aeronáuticos no país.

Por outro lado, destaca que, por se tratar de um projeto novo, pode no futuro mostrar-se um outro AMX, produção conjunta com a Itália que se acreditava que seria exportada para vários países, o que acabou não ocorrendo. Hoje apenas Brasil e Itália os utilizam, e muito em breve apenas nós iremos continuar com eles, até porque estamos fazendo uma modernização local.

Expedito Bastos ressalta que existe também a possibilidade de vir a ter uma versão naval que poderá interessar à Marinha do Brasil para operar em seu porta-aviões, o São Paulo, pois, na última edição da LAAD Security 2012 — Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa (Rio de Janeiro), foram apresentadas maquetes mostrando mais essa opção caso o Gripen fosse o escolhido.

Governo brasileiro escolhe o caça Gripen

O Governo Brasileiro anunciou hoje a escolha do Gripen NG. O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças 


Saab

A oferta apresentada ao Governo Brasileiro pela Saab inclui o Gripen NG, os subsistemas para o Gripen NG, um pacote extenso de transferência de tecnologia, pacote de financiamento e um acordo bilateral de colaboração entre os governos do Brasil e da Suécia.

O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças. Depois deste período, um acordo pode ser alcançado entre a Saab e o Brasil e uma ordem de compra do Gripen NG feita.

”Estou muito orgulhoso da confiança depositada pelo Governo Brasileiro no Gripen NG. A Saab acredita que o anúncio de hoje representa um forte compromisso do Governo Brasileiro e estamos ansiosos para prover à Força Aérea Brasileira com o caça líder mundial e com melhor custo-benefício”, diz Håkan Buskhe, CEO da Saab.

Caso o Brasil adquira o sistema Gripen, estará se unindo aos seguintes países que já o operam hoje: Suécia, África do Sul, Hungria, República Tcheca, Tailândia e o UK Empire Test Pilot School (ETPS). A Suíça também escolheu o Gripen como seu futuro caça. Entre Agosto e Setembro de 2013, ambas as câmaras do Parlamento Suíço votaram sim para a compra do Gripen. Um referendo sobre a compra está programado para ser realizado em 2014.

A Saab atende ao mercado global com produtos, serviços e soluções, líderes mundiais, abrangendo defesa militar e segurança civil. A Saab mantém operações e funcionários em todos os continentes e constantemente desenvolve, adota e aperfeiçoa novas tecnologias que atendam à evolução das necessidades de seus clientes.






Fabricação conjunta fez a diferença

O item mais polêmico em relação ao Gripen é sua turbina americana


Vianney Riller Jr | O Globo

A longa competição para modernização e substituição da velha frota de aviões de combate da Força Aérea Brasileira parece ter chegado ao fim. No caminho, um anúncio precipitado entre caipirinhas e croissants, um flerte com Tio Sam, desfeito entre denúncias de uma bisbilhotice indiscreta. Enfim, a dois dias da aposentadoria dos Mirage 2000 e 15 anos após o início do primeiro certame, o ministro da Defesa, Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito, anunciaram o sueco Gripen como o novo caça a defender o espaço aéreo brasileiro. O caça da Saab veio para a disputa munido de sua mais importante arma: a oferta de fabricação conjunta com o Brasil para todo o mercado mundial.

A Saab já projeta exportações do Gripen Made in Brazil. Segundo os executivos da empresa, "o Brasil é a chave para a América Latina" A proposta da Saab incluiu a participação brasileira em 80% da produção estrutural do Gripen NG Brasil e do Gripen para exportação, sendo 40% do caça desenvolvido no Brasil.

O item mais polêmico em relação ao Gripen é sua turbina americana. A GE Aviation é responsável pelo turbojato com pós-combustão F414G, com uma taxa de empuxo superior a 22 mil lb (98 kN), gerando 20% mais empuxo que o atual Volvo Aero RM12 do Gripen C/D.

Um dos feitores decisivos na escolha do Gripen NG foi o custo para voá-lo. A fabricante sueca defende que o NG terá o mais acessível custo operacional dentre os caças concorrentes (na atualidade, em tomo de R$ 30.220,00 por hora de voo dos modelos C/D, segundo um brigadeiro da SAAF (South African Air Force), operadora do Gripen).

A grande pergunta sobre o vencedor foi a última da coletiva que tratou do anúncio. Se o modelo NG estaria já voando em alguma Força Aérea. O comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, respondeu que já há um protótipo voando, mas na estrutura de um modelo D, com alterações de configuração de trem de pouso e com os componentes eletrônicos (aviônicos e sistemas de armas) mais avançados, previstos para equiparem o Gripen NG.

Os dois gumes da faca, digo, da questão, são que o Gripen NG traz as vantagens e riscos de um processo de desenvolvimento, uma vez que a SAAB optou por partir do seu modelo C/D. Contudo, ela declara que o novo modelo E aproveitará apenas 10% de seu antecessor.

Em termos de design, o fabricante sueco não aposta nos mesmos critérios de furtividade adotados pelos concorrentes perdedores. No seu entendimento, o sistema de evasão ao radar deve ser mais amplo. Eles buscam, na verdade, valer-se das próprias características da aeronave para dificultar o rastreamento pelo inimigo.


*Vianney Riller Jr é piloto de teste e analista da Agência DefesaNet


'Não delegamos nossa defesa a terceiros', diz Dilma em evento com militares

Para ela, riquezas brasileiras estimulam ameaças à soberania


Luiza Damé | O Globo

BRASÍLIA - Ao participar de almoço de confraternização das Forças Armadas, ontem, a presidente Dilma Rousseff destacou a importância do desenvolvimento da indústria de defesa. Ela citou o caso da espionagem americana, dizendo que as riquezas brasileiras podem estimular ameaças à soberania nacional, mas afirmou que o país não precisa de ajuda para defender seu patrimônio:

— É importante que a gente tenha consciência de que um país com as dimensões do Brasil, com os desafios do Brasil, deve estar sempre pronto a proteger seus cidadãos, a proteger seu patrimônio e a proteger sua soberania. Prova disso são revelações recentes também que evidenciam que nossas riquezas sempre podem suscitar comportamentos desrespeitosos e, mesmo, intrusivos em nossa soberania. Por isso, nós devemos desenvolver todas as possibilidades de proteção à nossa privacidade e a nossa soberania, notadamente todos os sistemas criptográficos e todos os demais elementos essenciais à defesa cibernética.

Segundo a presidente, as Forças Armadas têm um papel importante no desenvolvimento de sistema de proteção do país, que é de sua responsabilidade. Prova disso, afirmou Dilma, é o fortalecimento do Ministério de Defesa e da base industrial de defesa para modernizar as Forças Armadas e assegurar "condições dignas de vida e de trabalho" aos militares da Marinha, Exército e Aeronáutica.

— Como afirmei aos líderes mundiais reunidos na Assembléia Geral da ONU, o Brasil sabe proteger-se, não precisa de ninguém querendo nos proteger. Não delegamos nossa defesa a terceiros.

Devemos estar preparados para enfrentar quaisquer ameaças, temos que estar prontos para defender o nosso patrimônio em regiões que já recebem tradicionalmente a nossa atenção, como é o caso da Amazônia, e também em regiões cujo valor estratégico aumentou de forma exponencial nos últimos anos, como é o caso da área do pré-sal, que é a nossa Amazônia azul — disse.

A presidente lembrou que, além de cuidar das ameaças externas, o país também tem cooperado com vizinhos da América do Sul e parceiros da África, além dos BRICS (grupo Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul).

Para Dilma, "defesa e democracia formam um círculo virtuoso" Os investimentos realizados no setor de defesa, conforme a presidente, além da importância para a segurança, geram tecnologia e inovações, criam emprego e renda para a população. A presidente lembrou que a indústria de defesa faz parte do Plano Brasil Maior, que define a política industrial e tecnológica do governo. Destacou ainda que projetos estratégicos de defesa foram incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento, como a construção de submarinos de propulsão convencional e nuclear; o sistema integrado de monitoramento das fronteiras terrestres brasileiras e o avião-cargueiro reabastecedor, em desenvolvimento pela Embraer.

— Durante algum tempo a crise do Estado brasileiro, em termos de recursos, impediu que houvesse este foco numa poca industrial e tecnológica de defesa. Essa política tem não só o reaparelhamento das chamadas Forças Armadas, mas também, e sobretudo, a percepção da capacidade de inovação que a indústria nacional de defesa e os militares brasileiros sempre tiveram — disse Dilma.



Custo operacional e tecnologia aberta favoreceram suecos

Escolha pelo favorito da FAB reforça diferença com Lula, que preferia os Rafale


Leonardo Guandeline e Chico Otávio | O Globo

Para uma Aeronáutica que trabalha em meio expediente, para poupar os gastos com o rancho da tropa, o baixo custo operacional foi um dos fatores decisivos para a escolha do caça sueco Gripen NG (Saab). Por ser monomotor e dispensar o sistema de pós-combustão para atingir a velocidade supersônica, a chamada capacidade supercruise, a aeronave tem um gasto com a hora-voo significativamente inferior ao do caça americano F-18 e do francês Rafale, que também disputavam a concorrência.

Outro ponto importante foi a transferência de tecnologia. O projeto chegará com um software básico, permitindo que a indústria local introduza no coração do sistema da aeronave elementos que garantam a integração de armamentos nacionais e outras tecnologias. O Brasil poderá, ainda, sair da condição de comprador para fornecedor do caça para o mercado internacional. Já é assim, por exemplo, com os caminhões da sueca Scania, cuja filial brasileira já exporta mais unidades do que a matriz europeia. 




O Gripen sempre foi o avião preferido da Aeronáutica. João Roberto Martins Filho, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) e especialista em estratégia militar da Universidade Federal de São Carlos (UFS-Car), explicou que a nova geração do caça (NG), ainda em fase experimental, está num estágio que permite ao Brasil o desenvolvimento das aeronaves junto com os suecos: 

— Os militares já se manifestaram a favor (dos suecos) após o Lula dizer ao Sarkozy que compraria as aeronaves francesas. Havia uma tendência desde então em optar pelo Gripen. Um outro ponto a destacar é que, com a escolha, a presidente Dilma deixa uma marca própria, de não dependência total da França nas duas maiores compras de tecnologia militar das últimas décadas no país — disse, citando, além da aquisição dos caças suecos, o projeto de construção do submarino nuclear, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então colega francês Nicolas Sarkozy em 2009.

Além da Embraer, que deverá montar o avião, outras empresas nacionais também estarão envolvidas no projeto, como fabricantes de sistema aviônicos (equipamentos eletrônicos para aeronaves), de estruturas e de armamentos — bombas e mísseis.


POTÊNCIA MAIS BARATA


A aviação de caça, para ser supersônica, precisava até recentemente injetar combustível na saída das turbinas (após-combustão), provocando o fogo visto próximo à proa do caça. O recurso, usado para aumentar rapidamente a potência, também representa um aumento de 30% (no caso do F-5) de consumo de combustível. Mas caças como o Gripen já conseguem chegar ao mesmo desempenho sem recorrer à pós-combustão. De acordo com o engenheiro aeronáutico Anastácio Katsanos, o sueco é o único monomotor operacional a dispensar o recurso (as demais aeronaves voam com dois motores).

— Motores mais recentes e refinados, como o do Gripen, são mais* econômicos. É claro que, numa situação de combate extremo, o caça sueco poderá acionar a pós-combustão — ressalvou. 


Questões geopolíticas também teriam pesado na decisão. Martins Filho aponta o preço alto da aeronave francesa e os recentes atritos diplomáticos, além da transferência limitada de tecnologia, entre Brasil e Estados Unidos como pontos fundamentais para a escolha do Gripen, produzido por um país com uma longa história de neutralidade diplomática.

— O Brasil tem tradição de procurar a tecnologia em várias fontes, em vários países. Tanto no setor naval quanto no aeronáutico o país tem condições de ganhos tecnológicos relevantes.

Expedito Carlos Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), diz que os caças suecos, apesar da demora no anúncio da compra e da quantidade adquirida, atendem as demandas da FAB e estão "muito próximos da nossa realidade". 

— Foi uma boa escolha. Quanto à parceria com a Embraer (na concepção das aeronaves) eu acho que eles, suecos, poderão nos transferir tecnologia real. O único preocupante disso é o raio de ação (dos caças) não muito grande. As aeronaves ainda não foram experimentadas em nada - disse o especialista, acrescentando que no futuro haveria um risco se essa parceria ficasse limitada somente a Brasil e Suécia.

Para Bastos, os caças suecos, de uma só turbina, são o que o Brasil "já está acostumado" O especialista diz que os três fabricantes, em termos técnicos, não diferem muito, a exceção do preço. Ele ressalta, no entanto, que o número de caças comprados é muito pequeno para o país.

— Foi uma decisão que durou muito tempo para se comprar poucas aeronaves, insuficientes para abranger o território nacional e garantir a defesa.

Até 2018, quando a primeira unidade será entregue ao governo brasileiro, os céus do país continuarão sendo protegidos pelos F-5M, baseados em Canos (RS), Santa Cruz (RJ) e Manaus (AM), caças americanos fabricados na década de 70 e modernizados há sete anos. Porém, como eles estão no limite de uso, o contrato com os suecos abre caminho para que o governo brasileiro negocie um leasing com a Saab para o fornecimento provisório de aeronaves de uma geração anterior para reforçar a defesa aérea do país até lá.

Brasil escolhe caça sueco

Compra de 36 aeronaves custará US$ 4,5 bilhões; primeiro deles estará pronto em 2018


Chico de Gois e Jailton de Carvalho | O Globo

BRASÍLIA - Depois de um processo que se arrastou por mais de 12 anos, o ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou ontem que o governo brasileiro comprará 36 caças Gripen NG, da fabricante sueca Saab. O pacote foi fechado por US$ 4,5 bilhões, um preço bem inferior ao estimado pelo mercado, que girava em tomo de US$ 7 bilhões. O primeiro avião só deverá estar pronto para voar em 2018.

O acerto dos detalhes do negócio pode levar até um ano, quando o contrato será assinado. Na maior concorrência na trajetória do Ministério da Defesa, a Saab desbancou o F-18 Super Homet, da americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault. O Gripen NG é uma nova versão, ainda em desenvolvimento, de outra aeronave, o Gripen CD, da mesma empresa, que já é usada por outros países. A FAB não descarta a possibilidade de utilizar provisoriamente o Gripen CD, enquanto o novo projeto não for concluído.

A decisão sobre o fim do processo de escolha dos caças foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff, durante almoço com generais.

— Nós somos, de fato, um país pacífico, mas não vamos ser, de jeito nenhum, um país indefeso — disse a presidente no encontro, ao se referir à compra dos caças.

Depois coube a Amorim e ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, apresentar o nome do vencedor e os detalhes na negociação. Segundo Amorim, a escolha recaiu sobre os Gripen NG porque o modelo sueco apresentou um conjunto de vantagens em termos de performance, transferência de tecnologia e custo em relação aos dois outros concorrentes.

Dos três modelos que participaram da disputa, o Gripen NG é o único que nunca foi testado em operações. Por enquanto, a empresa sueca só dispõe de um protótipo com apenas 300 horas de voo.

Para Amorim e Saito, a compra baseada apenas num protótipo não é nenhum problema para a Força Aérea Brasileira (FAB).

— O Gripen NG está voando. Tem um protótipo voando aí que é um protótipo conceituai.

Mudaram posição do trem de pouso, mudaram o motor e ele está voando. Já tem mais de 300 horas de voo. Vamos desenvolver desde a planta. Nós vamos ter também, juntamente com a Suécia, a propriedade intelectuai 100% deste avião — disse Saito.

Amorim minimizou o fato de o avião estar ainda em fase de desenvolvimento:

— O avião mais provado é o que mais voou. Em compensação, é o avião com a tecnologia básica mais antiga. Pode até ser melhorada, mas a tecnologia é mais antiga. Este avião permite participar do desenvolvimento do projeto e ter a propriedade intelectual do projeto. Temos confiança de que vai funcionar bem — disse Amorim.

O comandante da Aeronáutica entende que o suposto risco seria, na verdade, uma vantagem.

Ele argumenta que, pelas regras contratuais, 80% da estrutura dos caças serão produzidos no Brasil numa parceria da Saab com a Embraer e que, ao final, o governo brasileiro terá o domínio da tecnologia e da propriedade do novo modelo. Diz ainda que a experiência ajudará a indústria brasileira a dar um novo salto na produção tecnológica de aeronaves.

Saito disse que a presidente fez a escolha apenas em detalhes técnicos e não levou em consideração eventuais fatores políticos. Para ele, nem mesmo as recentes denúncias de espionagem do serviço de inteligência dos Estados Unidos contra pessoas e empresas no Brasil tiveram peso no resultado final.

— A presidenta mesmo disse que (espionagem) não influenciou absolutamente sobre a decisão — disse o brigadeiro.


MODELO ERA O PREFERIDO DA CÚPULA DA FAB


Depois de sucessivos adiamentos de um processo que teve início em 2001, a presidente chamou Amorim para uma conversa na terça-feira para informar que, finalmente, o disputa chegaria áo fim e que a vencedora da concorrência era a sueca Saab. Este é o modelo preferido dos pilotos e da cúpula da Força Aérea. Segundo um oficial da FAB, o F-18 teria um custo operacional 50% mais alto que o Gripen.

No caso dos Rafales as despesas aumentariam em 100%.

Amorim observou que a parte tecnológica mais sensível é da Saab, embora o avião, como nos demais modelos, tenha componentes de outros países também. 


— A tecnologia da construção é sueca, sim. Há componentes de outros países, como em qualquer tipo de avião. Esse é um aspecto que mereceu e continuará merecendo uma grande atenção do governo brasileiro. Um dos oferecimentos feitos pela Saab é a total abertura do código fonte do sistema de armas. Isso é absolutamente importante. Não estou dizendo que outros não fizeram isso. Não estou fazendo comparações. Isso é algo extremamente importante porque permite adicionar armamento nacional, modificá-lo de acordo com suas necessidades. 

A partir de agora, a FAB deverá acertar detalhes do contrato. Os caças deverão ser produzidos em São Bernardo do Campo, com a participação de pelo menos 15 empresas.


FX-2: Amorim anuncia vencedor de programa para compra de novos caças

Saab Gripen NG é o vencedor da concorrência FX-2


Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa


Brasília, 18/12/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou nesta quarta-feira o vencedor da concorrência internacional para a aquisição de novos caças multimissão para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Na companhia do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, Amorim revelou a decisão do Governo Federal pela aeronave Gripen-NG, do consórcio liderado pela fabricante sueca Saab.

Participavam também da etapa final da disputa o caça francês Rafale (Dassault) e o norte-americano F-18 (Boeing). O anúncio foi feito em entrevista coletiva realizada no final da tarde, na sede do Ministério da Defesa.

Segundo Celso Amorim, a vitória do caça sueco no Programa F-X2 deu-se por questões de caráter técnico. “A escolha foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas e levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custos não só de aquisição, como de manutenção. A escolha se baseou nesses três fatores", disse o ministro.



Pesaram também na escolha, segundo o brigadeiro Juniti Saito, aspectos relativos às contrapartidas comerciais (offsets) oferecidas pela proposta da Saab, de acordo com o disposto na Estratégia Nacional de Defesa (END). “Temos várias indústrias que se ofereceram para contribuir ao desenvolvimento do caça. Ao fim do desenvolvimento, teremos acesso a toda a tecnologia do avião", afirmou o comandante da FAB.

Na avaliação da Força Aérea, o Gripen-NG destaca-se pela tecnologia de ponta, com avançado sistema de sensores e fusão de dados, características que proporcionam ao piloto um quadro completo e preciso do cenário de emprego.

A nova aeronave multimissão foi projetada para controle do ar, defesa aérea, reconhecimento aéreo, ataques ar-solo e ar-mar.

Segundo a FAB, a aquisição do caça sueco lhe permitirá enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas e combustível.

A oferta vencedora engloba o fornecimento de 36 aeronaves. Os investimentos são da ordem de US$ 4,5 bilhões, em um cronograma de desembolso que se estenderá até 2023.

A primeira aeronave tem previsão de chegada em torno de 48 meses após a assinatura do contrato de financiamento, que deve ocorrer em dezembro de 2014.


Perguntas & Respostas sobre a definição do Programa F-X2



Aquisição da aeronave GRIPEN-NG para a Força Aérea Brasileira (FAB)


1 – O que motivou a escolha dos caças suecos Gripen NG para a Força Aérea Brasileira (FAB)?

A motivação teve caráter técnico. A partir da análise realizada pela FAB, chegou-se à conclusão de que a aeronave sueca era a melhor opção, tanto do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista de custo. Dos três finalistas da concorrência, o caça sueco apresentou o melhor preço. Pesaram também na escolha aspectos relativos à transferência de tecnologia e às contrapartidas comerciais (offsets) oferecidas pela proposta sueca. A propósito do assunto, eis o que dispõe a Estratégia Nacional de Defesa (END):

“Consideração que poderá ser decisiva é a necessidade de preferir a opção que minimize a dependência tecnológica ou política em relação a qualquer fornecedor que, por deter componentes do avião a comprar ou a modernizar, possa pretender, por conta dessa participação, inibir ou influir sobre iniciativas de defesa desencadeadas pelo Brasil”.

2 - Quantos caças serão adquiridos e qual o valor total da aquisição?

A oferta vencedora engloba o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves. Os investimentos são da ordem de US$ 4,5 bilhões, em um cronograma de desembolso que se estenderá até 2023.

3 – Como ocorrerão as negociações contratuais e quando se iniciam os desembolsos?

Com a decisão tomada, iniciam-se agora as discussões relativas aos contratos comercial e de suporte logístico. Também serão tratados os detalhes do acordo de offset entre a FAB e a empresa vencedora. Paralelamente, serão iniciadas as tratativas relativas ao contrato de financiamento, que cobrirá toda a aquisição. O prazo previsto para os acertos relativos a essa primeira etapa é de nove a doze meses. Portanto, não haverá desembolso imediato de recursos orçamentários.

4 – Quando deverá ser assinado o contrato de compra e quando a FAB receberá as primeiras unidades?

A primeira aeronave tem previsão de chegada em torno de 48 meses após a assinatura do contrato de financiamento que deve ocorrer em dezembro de 2014. Considerando que os prazos serão cumpridos, a primeira aeronave deverá ser incorporada à FAB no final de 2018.

5 – E até lá, como será feita a defesa aérea brasileira?

Até a chegada dos Gripen NG, a defesa aérea ficará, principalmente, a cargo dos caças F5-M que foram recentemente modernizados pela Embraer. Além disso, existe a possibilidade de o país vencedor do FX-2 colocar à disposição da FAB, como solução intermediária, um quantitativo de caças Gripen, modelo CD, para reforço da proteção do espaço aéreo brasileiro, em condições e prazos a serem definidos.

6 – O contrato de aquisição cobre apenas a compra dos aviões?

O contrato cobrirá também a logística inicial, o treinamento de pilotos e mecânicos e a aquisição de simuladores de voo. O contrato também contempla, como visto, os projetos de transferência de tecnologia e de offset, alinhado com o que dispõe a Estratégia Nacional de Defesa (END).

7 – O contrato prevê o desenvolvimento dos aviões de combate de 5ª geração?

A 5ª geração já existe em alguns países, mas os custos de desenvolvimento são naturalmente altos. O importante é que os aviões que estão sendo comprados no âmbito do FX-2 atendem, plenamente, as necessidades de defesa aérea do nosso País nesse momento. Obviamente, o Brasil estará atento ao desenvolvimento nesta área, inclusive no que se refere a potenciais parceiros.

8 – Qual a função dos novos caças no contexto da defesa aérea brasileira?

A tarefa primordial da FAB no contexto amplo da defesa é manter a soberania no espaço aéreo nacional para defender o País, impedindo o uso desse espaço para a prática de atos hostis ou contrários aos interesses nacionais. Para realizar essa tarefa, a Força precisa dispor de capacidade de vigilância, controle e defesa do espaço aéreo, com recursos de detecção, interceptação e destruição. Os caças Gripen NG são aviões supersônicos multimissão que cumprirão tarefas de interceptação, interdição e eventual destruição de alvos que possam atentar contra a soberania nacional. As aeronaves são projetadas para emprego em missões ar-ar, ar-mar e ar-solo. Elas também são dotadas de um sistema de reabastecimento em voo que permitirá a realização da defesa do espaço aéreo nos pontos mais remotos do Brasil.

9 – A aeronave já existe? Quais outros países a operam?

O Gripen existe, hoje, nas versões A, B C e D. O Gripen NG (NEW GENERATION) é uma evolução tecnológica destas duas últimas consagradas versões. O desenvolvimento do modelo NG deverá proporcionar à indústria brasileira ganhos diversos advindos da transferência de tecnologia inédita para o setor aeroespacial. Um dos aspectos a serem destacados nesse campo é a abertura dos códigos-fonte dos sistemas de armas que serão utilizados na aeronave. Entre os países cujas forças aéreas já operam com o Gripen podemos citar a Suécia, Hungria, República Tcheca, África do Sul e Tailândia.